quinta-feira, 30 de outubro de 2014

JUSTIÇA ITALIANA DESMASCARA ARBÍTRIOS NO JULGAMENTO DO "MENSALÃO DO PT"



Barbosa recebendo 
[da "Globo"] o prêmio de “funcionário do ano” , de um dos irmãos Marinho.

Justiça italiana começa a desmascarar arbítrios da AP 470

Por Miguel do Rosário

"A mídia [tucana no Brasil] se aferrou somente ao argumento, por parte da defesa, da 'precariedade das prisões brasileiras', mas a sentença da Justiça Italiana que mandou soltar Henrique Pizzolato também afirma que não foi observado o direito de todo réu, conforme se exige de países signatários de acordos internacionais de direitos humanos, ao duplo grau de jurisdição.

Pizzolato era um cidadão comum, sem cargo político. Então, deveria ter sido julgado em primeira instância, e não num STF cheio de ministros acuados [pela grande mídia da direita] por um processo terrível de linchamento político.

Quando a Justiça italiana se debruçar sobre outras arbitrariedades, como a absoluta falta de provas para condenar Pizzolato, ou ainda, quando identificar que havia provas abundantes de sua inocência, teremos a desmoralização completa daquele que foi o capítulo mais vergonhoso da história do judiciário brasileiro: a Ação Penal 470.


E a culpa recai sobretudo na figura dos procuradores gerais, Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, e do ex-ministro Joaquim Barbosa, que acumulou um poder plenipotenciário no julgamento da Ação Penal 470: foi o juiz responsável pela investigação, pela relatoria, pelo julgamento, pela apreciação de recursos, pela determinação das penas, e, por fim, autonomeou-se carcereiro dos condenados.

Tornou-se, com isso, o ídolo dos coxinhas, o justiceiro, mas violou todas as tradições democráticas.

A Ação Penal 470 já está desmoralizada junto a todo jurista minimamente honesto.

Falta agora desconstruí-la junto a uma opinião pública envenenada, enganada, por uma mídia sem escrúpulos, muito mais interessada em vingança política do que em jornalismo ou justiça.

O julgamento de Pizzolato na Itália talvez ajude nesse sentido.

[Do tucano "Estadão"]:

Itália nega extradição e manda soltar Pizzolato

"A Justiça da Itália rejeitou na terça-feira, (28/10), o pedido do governo brasileiro para extraditar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão e atualmente preso em Modena. O brasileiro poderá deixar a prisão ainda na terça. A Corte de Apelação de Bolonha julgou o pedido feito pelo governo brasileiro e decidiu que, diante da situação das prisões no Brasil, de sua condição de saúde e por ter cidadania italiana, ele não pode ser devolvido ao Brasil para que cumpra pena no País.

O Brasil vai recorrer da decisão, o que significa que o caso se arrastará por 2015, em uma Corte em Roma. Mas, enquanto isso, Pizzolato vai aguardar uma decisão em liberdade. Ainda na terça, ele será levado de Bolonha de volta para Modena e liberado. Num púlpito entre a bandeira da Itália e da União Europeia e debaixo da frase estampada na parede do tribunal “A Lei é igual para todos”, Pizzolato parecia envelhecido e cansado diante dos ornamentos da sala imponente do prédio do Judiciário. Para o julgamento, a corte reservou sua principal sala, com bancos de couro e uma arquitetura clássica. A audiência durou mais de cinco horas.


A defesa de Pizzolato ainda enviou aos juízes documentos da ONU condenando a situação das prisões no Brasil. Nos documentos enviados para a Corte de Apelação de Bolonha, os advogados de Pizzolato ainda insistiram que o julgamento do caso do Mensalão não respeitou um dos princípios da defesa, que é justamente o fato de ser julgado em mais de uma instância.

Recurso

Em Bolonha, o Brasil foi representado pela AGU e pelo Ministério Público Federal. Ambos já indicaram que vão recorrer da decisão. Mas o próprio governo indica que, se for novamente derrotado, vai propor que Henrique Pizzolato cumpra sua pena na Itália".

FONTE: escrito por Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho" , com dados do tucano "Estadão Conteúdo"  (http://www.ocafezinho.com/2014/10/28/justica-italiana-comeca-a-desmascarar-arbitrios-da-ap-470/).[Trechos entre colchetes e negritos adicionados por este blog 'democracia&política']

A VITÓRIA DE SEVERINA E MARIA DAS DORES



Roupa na corda, de Heitor dos Prazeres

A vitória de Severina e Maria das Dores

Aqui está uma das razões da reeleição de Dilma contra a reação golpista

Por Mino Carta, na revista "CartaCapital"

"Conto uma história singela. Minha doméstica se chama Severina da Silva e está comigo desde 1981. É da minha família. Casada, 61 anos, casa própria, dois filhos formados engenheiros pela USP e muito bem empregados. Nasceu no Recife, onde vivem a mãe, lúcida aos 97, e a irmã Maria das Dores. E esta liga na segunda-feira 20, e informa: “Votei na Dilma e domingo volto a votar”.

Todos os nossos Silva estão com Dilma, no Recife e em São Paulo. “Deus me livre do Aécio ganhar – diz Maria das Dores –, quero realizar o sonho de visitar vocês de avião.” Severina já foi ao Recife três vezes, logo mais virá a irmã. Ambas de avião.

Enredo rigorosamente verdadeiro e altamente simbólico, chave do mais claro entendimento da vitória que Dilma Rousseff colhe ao se reeleger para a Presidência da República. Neste mesmo espaço, na edição de 24 de setembro passado, eu me atirava “a um vaticínio que muitos reputarão prematuro”. Ou seja, previa que a nação saberia “evitar o risco” de eleger quem representa o regresso.

Aí está o sentido do apoio de "CartaCapital" à permanência da presidenta Dilma. Sua vitória é a garantia da continuidade da política social e da política exterior independente executadas nos últimos 12 anos. Ganhamos agora a certeza de que o neoliberalismo não vingará, que o salário mínimo não será cortado, que a Petrobras não será privatizada, que o pré-sal não será loteado.

"CartaCapital" nunca deixou de manifestar a sua decepção com o PT que vi fundar e que por muito tempo na oposição desempenhou a contento o inédito papel de verdadeiro partido para, no poder, imitar os demais. Partidos se declaram, impropriamente. Inegável é, porém, que o governo, por cima e às vezes à revelia da maioria parlamentar, privilegiou os interesses do País.

Verifica-se, assim, uma estranha discrepância de comportamentos. É como se o PT tivesse perdido a sua identidade enquanto o governo mantinha a fé inicial. Dizia um sábio: quem perde a ideologia torna-se contemplativo. Sim, a gente sabe, não faltam aqueles que decretam o enterro das ideologias. De algumas, sim, contingentes, varridas pelo fracasso. Outras as substituem, coerentes com o tempo que passa. E uma ideia não morre, a da igualdade, tanto mais no nosso Brasil ainda tão desigual.

Nesta eleição, até pareceu só ter valor a ideologia reacionária e golpista. Já a alternância no poder se aplicaria somente no plano federal. No estadual, caberia analisar caso a caso. Em São Paulo, por exemplo, a alternância não se recomenda, de sorte a permitir que o governo tucano prossiga no seu caminho de desmandos e desastres.

Está claro que, se o PSDB vencesse, não se daria apenas a frustração de Maria das Dores. Voltariam, antes de mais nada, as ideologias professadas à sombra de Fernando Henrique Cardoso. Contra Aécio Neves, nada tenho na esfera pessoal. Conheço-o, como esclareci em outras oportunidades, há mais de 30 anos, desde quando carregava a pasta do avô Tancredo. Ao longo da campanha, deu-se quanto antecipamos. Foi tragado pelo apoio da mídia nativa e se entregou ao golpismo separatista de São Paulo, sobretudo.

Textos foram publicados, e falas proferidas, de puro humorismo no decorrer do percurso. Não me refiro, obviamente, a quem viu no Brasil um país rachado em dois. FHC incumbe-se de exibir a fratura e se torna valioso cabo eleitoral de Dilma. Se bem entendi, ele faz a diferença entre "ricos cultos" e "pobres desinformados". De verdade, o Brasil sempre esteve a pagar por três séculos e meio de escravidão e a manter de pé casa-grande-e-senzala. De um lado, a minoria que pretende deixar as coisas como estão. Surge, porém, do outro, quem gostaria de enterrar de vez a herança maldita. A bem de todos.

Aquela acredita viver em Dubai no topo da pirâmide, ou em patamar inferior, sonha em chegar lá. Felizmente, na maioria, figuram cidadãs como Severina e Maria das Dores. Elas percebem o que lhes convém".


FONTE: escrito por Mino Carta, na revista "CartaCapital"   (http://www.cartacapital.com.br/revista/823/a-vitoria-de-severina-e-maria-das-dores-2914.html).

"LIBERDADE DE IMPRENSA": 702 NOTÍCIAS CONTRA DILMA E APENAS 56 CONTRA AÉCIO





Manchetômetro: 702 contra Dilma vs 56 Aécio

E eles chamam isso de “liberdade de imprensa” ! Quá, quá, quá ! 

Do "Muda Mais":

PLACAR FINAL DE MANCHETES NEGATIVAS: DILMA 702 x AÉCIO 56

Ao longo da campanha, falamos algumas vezes sobre o MANCHETÔMETRO. A ferramenta criada pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) veio para explicitar O QUANTO A MÍDIA É PARCIAL NO BRASIL: ao longo da corrida eleitoral, Dilma Rousseff foi criticada 12,5 vezes mais que Aécio Neves – foram 702 manchetes negativas para a nossa presidenta reeleita, enquanto Aécio registrou apenas 56.

Na última semana antes da votação do segundo turno, quando a imprensa tentou a todo custo desestabilizar a candidatura de Dilma, PUBLICANDO ACUSAÇÕES MENTIROSAS e mostrando nenhum compromisso com a verdade e com a democracia, foram em média três notícias negativas diárias para Dilma e menos de uma para Aécio. A média dos jornalões, em determinado momento da campanha, era de CRITICAR DILMA 14 VEZES ANTES DE TECER UM ÚNICO COMENTÁRIO NEGATIVO DIRIGIDO A AÉCIO NEVES. Ao longo de uma semana, O JORNAL NACIONAL TEVE 16 REPORTAGENS NEGATIVAS PARA DILMA E APENAS UMA PARA AÉCIO.

Nem mesmo a FALTA DE ÁGUA EM SÃO PAULO, gerada pela má gestão tucana no estado, parece ser pauta para a mídia. Os escândalos ligados ao PSDB apareceram, durante a campanha do segundo turno, 50 vezes nos jornais; os ligados ao PT, 122 vezes – mais que o dobro. Tamanha parcialidade da mídia tradicional prejudica o processo democrático – ainda mais quando as grandes redes de comunicação se escondem sob um manto de "imparcialidade" [sic]. Agora, com todos esses números escancarados pelo Manchetômetro, a regulação dos meios de comunicação se coloca como uma pauta urgente para o segundo mandato de Dilma, em nome da defesa da democracia".

FONTE: portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/pig/2014/10/29/manchetometro-702-contra-dilma-vs-56-aecio/).

O 3º TURNO JÁ COMEÇOU. " AUSTERICÍDIO TAMBÉM?




O terceiro turno já começou. O austericídio também?

O esforço do jornalismo econômico e do mercado financeiro para disciplinar a política econômica de Dilma foi anunciado durante a campanha eleitoral.

Por Pedro Paulo Zahluth Bastos(*), professor da UNICAMP

A declaração de Aécio Neves depois da derrota eleitoral foi saudada como exemplo de civilidade, mas é ambígua: “...Considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado”.

O que significa unir o Brasil em torno de um “projeto honrado”, após as denúncias de "Veja", corroboradas pelo JN da Globo, sobre o “domínio do fato” dos desvios da Petrobrás por Lula e Dilma? E depois que, na véspera da eleição, Merval Pereira, entre outros, tenha reverberado declarações antigas do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) defendendo o impeachment de Dilma por causa da desonra da Petrobrás?

A capa da "Folha de São Paulo" desta semana (terça-feira,28/10/2014) não deixa dúvidas de que o terceiro turno será jogado também na gestão econômica: “Dilma busca para Fazenda nome do mercado financeiro”. O balão de ensaio é repetido por vários jornais depois da desvalorização do dólar e queda da bolsa na segunda-feira, com a ressaca previsível provocada pela derrota do candidato do “mercado”.

O clamor (ou terror financeiro?) se espalha por relatórios do mercado financeiro: "JPMorgan", o banco [norte-americano] que liderou o enfrentamento contra a reforma financeira de Obama e que, no Brasil, emprega Armínio Fraga, dizia na segunda-feira que “caso a presidente reafirme a política econômica do primeiro mandato, o tumulto pode ser grande o suficiente para se espalhar por outros emergentes.” [link para http://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2014/10/1539281-pilulas-do-dia-seguinte.shtml].

O terrorismo econômico como recurso de poder

O esforço do jornalismo econômico e do mercado financeiro para disciplinar a política econômica de Dilma Rousseff foi anunciado durante a campanha eleitoral, em relatório escrito por Tony Volpon, analista da "Nomura Securities", em 22 de setembro. Diante da perspectiva de reeleição de Dilma Rousseff, ele admitiu que o mercado financeiro agiria de modo coordenado para impor-lhe o “pragmatismo sob coação”:

A visão otimista é que, uma vez que a eleição acabe, Rousseff sabe que precisa comprometer-se com os mercados e ser mais pragmática... Nossa visão atual é que, provavelmente, só veremos uma mudança real na política econômica em um segundo governo Dilma sob pressão substancial do mercado. O modelo para nós é exatamente o ciclo de aperto feito pelo BC em 2013, que só alcançou a extensão que teve por causa das pressões criadas pela discussão em torno do ´tapering´ do FED [Banco Central dos EUA]. Chamaríamos isso de ‘pragmatismo sob coação’” [link para http://brasileconomico.ig.com.br/financas/mercado-como-elee/2014-09-24/coacao-pos-marina-ja-comecou.html]. [1]

Não seria a primeira vez que Dilma cederia ao “pragmatismo sob coação”. Sua política econômica fracassou na tentativa de provocar uma desaceleração tênue em 2011, tendo exagerado na contração fiscal e no aperto monetário. Quando buscou reagir à aterrissagem forçada, o fez sem ganhar a opinião pública para a necessidade de fazê-lo.

De fato, o Banco Central (BCB) iniciou um ciclo de redução da SELIC em agosto de 2011 que foi objeto de fortes críticas oriundas de economistas ligados ao mercado de capitais, centros universitários ortodoxos, consultorias financeiras e jornalistas econômicos. A divergência de opiniões levou, como sempre, a acusações de “intervenção política” mesmo depois de ficar claro que o BCB acertou ao avaliar o cenário internacional e a tendência de inflação no Brasil.

Ao invés de admitir o erro, 'economistas de mercado' argumentaram algo como o BCB “arriscou e deu sorte” ao reduzir taxas de juros, esperando por uma oportunidade para coagi-lo outra vez a um ciclo de elevação. O ciclo de elevação foi iniciado em meados de 2013, depois que a economia experimentou choques de custos associados à depreciação cambial e à elevação de preços agrícolas e fretes [link para http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2013/04/16/combater-a-inflacao-com-recessao-e-estrategia-ultrapassada/].

Como a economia mal se recuperara da aterrissagem forçada de 2011, as pressões de demanda não eram fortes a ponto de permitir uma propagação séria da inflação que precisasse e pudesse ser contida com elevação forte de custos financeiros, ou seja, aumento prolongado dos juros. Iniciado sob pressão de choques de custos, e não de demanda, o ciclo de elevação de juros estendeu-se mais do que esperado, segundo Volpon, por causa da pressão dos mercados sobre a opinião pública.

O governo Dilma também não reagiu à pressão do mercado sobre a política fiscal. A desaceleração cíclica iniciada em 2011 foi provocada pelo esgotamento da reposição do estoque de bens duráveis comprados a prazo e pela contração de planos privados de investimento provocada por isso, pela avalanche de importações e pelos sinais de austeridades emitidos pela contração conjunta do Tesouro e do Banco Central em 2011.

Nesse cenário, a reversão para uma política fiscal expansionista era plenamente justificada. Ia contra o consenso de mercado, mas em linha com a discussão internacional sobre os danos da austeridade pós-crise global [link para http://www.valor.com.br/opiniao/3131570/origens-da-austeridade-expansionista]. 


Se contivesse em tempo o ritmo da desaceleração cíclica, provavelmente sustentaria o ritmo de elevação de impostos e, sobretudo, não pioraria a relação dívida pública e PIB [link para www.eco.unicamp.br/docprod/downarq.php?id=3350&tp=a]. Mais do que isso, sustentaria a demanda privada e estimularia a confiança de consumidores e investidores em relação a um futuro de receitas próprias e custos financeiros incertos.

A reversão da austeridade fiscal, contudo, foi tardia, limitada e, pior, ocorreu sem comunicação e disputa ideológica, de modo envergonhado e escondido. Ofereceu a senha para que o mercado desconstruísse a política econômica, responsabilizando pelo baixo crescimento a perda de credibilidade gerada pela “contabilidade criativa” e pelo “aparelhamento do Banco Central” [link para http://www.valor.com.br/opiniao/3181684/austericidio-fiscal].

Com isso, os mercados conseguiram esconder a responsabilidade da própria austeridade pelo baixo crescimento. O argumento implícito, contrafactual e inteiramente injustificado é que, se o governo não revertesse a austeridade monetária e fiscal, mas insistisse nela, o consumo das famílias e os investimentos privados reagiriam aos juros mais altos e à maior arrecadação líquida de impostos como não reagem em nenhum lugar do mundo: expandindo-se...

Ademais, ao recusar-se a fazer a defesa das escolhas de política econômica através do debate ideológico aberto, o governo Dilma priorizou a reconstrução de pontes com o mercado ao invés das demandas reprimidas de trabalhadores, consumidores e pequenos empresários, seu eleitorado potencial. Eram poucos os economistas de mercado que, como Volpon chegou a escrever em 2013, percebiam que o “austericídio” prejudicava o potencial de reeleição de Dilma Rousseff, sem comprar de fato a simpatia dos mercados?

O risco político e econômico de um novo austericídio

Não surpreende que, em declaração às vésperas do primeiro turno, Armínio Fraga tenha afirmado sua opção pelo gradualismo pois, no governo Dilma, “o arrocho já foi feito”. O economista de mercado que sempre defendeu mais austeridade prometia, agora, crescimento rápido desde que o governo Dilma fosse substituído por um governo com mais credibilidade perante os mercados [http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,ao-lancar-plano-tucano-arminio-adota-tom-social,1570435].

A mesma consciência do impacto político da austeridade foi mostrada por um ex-ministro, também banqueiro, vinculado ao PSDB de São Paulo. Em agosto de 2014, Luiz Carlos Mendonça de Barros escreveu “enfim, o ajuste recessivo”: “independentemente do timing eleitoral, o chamado ajuste recessivo continua a tomar conta da economia brasileira neste fim de mandato presidencial.” [Link para http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcarlosmendonca/2014/08/1504129-enfim-o-ajuste-recessivo.shtml]. 


Às vésperas do primeiro turno, afirmaria que “o x da questão é saber quantos já o fizeram (captado a recessão) e se a oposição saberá capitalizar o desconforto latente até a eleição. Se a eleição fosse daqui a um ano, o governo iria estar mal." [link parahttp://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/09/1524021-endividamento-familiar-e-economia-fraca-impulsionam-candidatos-de-oposicao.shtml].

As eleições já passaram, e Dilma foi eleita em parte porque, apesar da crise, sua campanha e milhares de militantes voluntários de esquerda foram capazes de mostrar, corretamente, a vinculação dos economistas dos dois principais candidatos de oposição à visão austericida que é exigida hoje pelos mercados financeiros.

Em uma economia que sofre a ameaça de recessão prolongada e não a expectativa de sobreaquecimento, uma virada para a austeridade teria efeitos graves sobre as contas públicas (reduzindo a arrecadação) e sobre a possibilidade de atender os anseios por bens públicos universais e infraestrutura social que, desde junho de 2013, a população reclama nas ruas das grandes cidades brasileiras. Provavelmente também traria, afinal, a retomada do desemprego que era esperada pelos economistas de oposição antes das eleições.

Se ceder à coação política implícita no terrorismo de mercado, Dilma Rousseff arrisca ganhar credibilidade perante o mercado mas arriscar sua credibilidade perante o eleitorado, exatamente quando mais precisar dela para lutar pela reforma política que diz ser sua prioridade legislativa. Ou quando seu governo for julgado politicamente pelos possíveis desvios da Petrobrás. Arrisca ganhar reputação perante o mercado, mas desmobilizar a energia e o apoio dos que a elegeram, exatamente quando for chamada a disputar o terceiro turno".


[1] Corrigi a tradução em relação à reportagem do "Brasil Econômico". 

FONTE: escrito por Pedro Paulo Zahluth Bastos(*), Professor Associado (Livre Docente) do Instituto de Economia da UNICAMP. Ex-Presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica(ABPHE). Publicado no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-terceiro-turno-ja-comecou-O-austericidio-tambem-/7/32118).

PELO CAMINHO INICIADO POR LULA




Pelo caminho iniciado por Lula

Lula dizia que era melhor ganhar no segundo turno porque na contraposição dos dois projetos, as alternativas e suas diferenças ficariam mais claras.

Por Emir Sader, no jornal argentino "Página/12"

Pela quarta vez consecutiva, o PT ganha as eleições presidenciais no Brasil que, pela quarta vez, teve um plebiscito entre os candidatos do PT e do PSDB. Desta vez, a campanha teve idas e vindas, especialmente desde a metade de agosto até o segundo turno, no final de outubro, e terminou com a decisão dos brasileiros de continuar o caminho iniciado por Lula em 2003 com o primeiro governo de Lula.

No enfrentamento entre o modelo neoliberal da oposição e a vida de saída do neoliberalismo do governo, os brasileiros reafirmaram o caminho que Lula começou. Serão pelo menos 16 anos seguidos de governos do PT, o período mais longo de continuidade de um partido no governo no período democrático do Brasil.

Lula dizia que era melhor ganhar no segundo turno porque, na contraposição dos dois projetos, as alternativas e suas diferenças ficariam mais claras. E assim foi: foram contrapostas políticas de centralidade do mercado, de livre comércio, de redução do peso do Estado, de redução salarial, de aumento do desemprego, de contração dos bancos públicos, de alianças internacionais privilegiando os Estados Unidos, entre outras, pelo candidato da oposição.

Diante de uma orientação de continuidade das políticas sociais como eixo central do governo, com ação dinâmica do Estado, fortalecendo as alianças regionais e com o Sul do mundo, de garantia de nível de emprego e de aumentos dos salários acima da inflação.

A dúvida era se o Brasil de Lula seguiria adiante ou se a importante experiência dos governo do PT acabaria em 2014. Houve oscilações na campanha eleitoral, mas a maior disputa foi em torno das agendas: quais são os assuntos que mais importam para os brasileiros.

A oposição atuou fortemente em dois planos, valendo-se do monopólio dos meios de comunicação: por um lado, uma suposta crise econômica, que teria reflexos no descontrole inflacionário, no desemprego, na estagnação econômica. Uma pesquisa da [tucana] "Folha de S.Paulo" revelou que uma das razões do crescimento de Dilma foi o fracasso desse terrorismo econômico. A grande maioria dos brasileiros – incluindo os que votam na oposição – são otimistas em relação à situação econômica do Brasil, acreditam que a situação melhorará no próximo ano, que os preços estão sob controle e que os salários vão aumentar.

Outro assunto central foram as denúncias de corrupção, que no último período da campanha se concentraram na Petrobras. O cansaço diante de campanha de denúncias – todas elas sem provas – fez com que o assunto perdesse o efeito.

A campanha de Dilma, valendo-se dos programas de televisão e da intensificação da mobilização política conduzida por ela e por Lula em todo o país, associados a uma grande participação da militância do PT e de toda a esquerda, conseguiu convencer a grande maioria de que as conquistas fundamentais dos governos do PT estarão em risco em caso de a oposição ganhar. Assim como a contraposição das trajetórias pessoais e políticas dos dois candidatos serviu para enaltecer as qualidades de Dilma, contrastando com a fragilidade das de Aécio.


Em seu conjunto se foi desenhando, desde o domingo anterior ao segundo turno, uma situação em que o nível de rejeição de Aécio superava o de Dilma, prenunciando uma virada que se consolidou ao longo da última semana, até chegar à vitória de domingo. A militância de esquerda ganhou as ruas de todo o país, o segundo turno foi de uma clara contraposição entre esquerda e direita, configurando a virada e a vitória de Dilma".

FONTE: escrito por Emir Sader e publicado no jornal argentino "Página/12". Transcrito no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Pelo-caminho-iniciado-por-Lula/4/32108).

QUEM É O IRMÃO DA DILMA, ACUSADO MENTIROSAMENTE POR AÉCIO




Só depois das eleições, Estadão conta que irmão da Dilma é tão simples que seu carro é um fusca

"Até domingo não interessava [à mídia, tucana] desmentir Aécio. Depois que passou as eleições o jornal "Estadão" resolveu desengavetar uma reportagem sobre Igor Rousseff, irmão da presidenta Dilma adepto da vida simples como Pepe Mujica, acusado de forma mentirosa por Aécio Neves em um debate de ter sido funcionário fantasma na prefeitura de BH.

Eis a matéria:

IRMÃO DA PRESIDENTE, O EX-HIPPIE DE PASSA TEMPO-MG

Morador do interior mineiro, Igor Rousseff saiu do anonimato após acusação de ter sido servidor fantasma.

Por Diego Zanchetta, enviado especial d
o jornal "Estadão"a Passa Tempo

Adepto da filosofia budista e ex-hippie, Igor Rousseff, advogado de 67 anos que agora tenta criar tilápias, é o único irmão da presidente reeleita. Ele mora há quase duas décadas na pequena e bucólica Passa Tempo, cidade no interior de Minas Gerais com cerca de 8 mil habitantes e duas dezenas de cachoeiras. Ontem à noite, ele recebia, em sua pequena casa com portão baixo de madeira e um fusca verde na garagem, amigos que entravam sem bater para cumprimentá-lo pela vitória da irmã.

Igor estava com Valquiria Faleiro, de 47 anos, chefe do setor de contabilidade da prefeitura de Passa Tempo, sua mulher desde 2006. Ele voltou no sábado de Brasília para poder votar na irmã. Durante a semana, com Dilma em seus últimos compromissos de campanha, resolveu ficar com a mãe de 91 anos, que está doente, no Palácio do Planalto. Lá assistiu, sozinho em um quarto de hóspede, ao último debate presidencial. Menos de 24 horas depois, estava no centrinho de Passa Tempo de chinelos e bermuda, comprando uma caixinha de cervejas no único mercado da cidade. “Achei que era fantasma e não me enxergavam”, disse ao ser abordado pela reportagem do "Estado" no fim da tarde de sábado, tentando ironizar as acusações, feitas pela campanha de Aécio Neves (PSDB), de que teria sido "funcionário fantasma" da prefeitura de Belo Horizonte entre 2003 e 2009. Em seguida, aceitou conceder entrevista exclusiva no “puxadinho” com churrasqueira que construiu no quintal de casa. “Demorei quatro anos pra fazer esse ‘puxado’, pedreiro aqui tá muito caro. Custa R$ 120 por dia de serviço”, contou.

Aposentado há dois anos, Igor busca incrementar a renda com um projeto para tentar entrar no mercado de criação de tilápias. “Tem gente que vende por R$ 50 o quilo do filé da tilápia. Estou com outro colega em um negócio que pode render 300 toneladas (por mês)”, afirma. Antes, ele ocupou funções diversas - já foi desde controlador de voo em São José dos Campos a porteiro de hotel de luxo em Quebec, no Canadá.

Ele garante nunca ter pedido nenhum tipo de favor à irmã dez meses mais nova. E até faz críticas ao papel de guerrilheira de Dilma durante a juventude. “Eu achava errado (ela ir para a luta armada contra a ditadura). Os dois lados (militares e estudantes) estavam errados. Não se ganha nada impondo a violência”, disse o irmão da presidente.

Na mesma época que a irmã militava na clandestinidade, ele morava nos Estados Unidos e estava em contato com líderes do movimento hippie dos anos 70. “Quando eu voltei e ela estava na cadeia, no presídio Tiradentes, eu ia com minha mãe visitá-la.” O irmão diz também que não gostava de Leonel Brizola, o líder político que inspirava Dilma. Enquanto a irmã seguia carreira política dentro do PDT e já era secretária no governo do Rio Grande do Sul, Igor morava em um trailer na Bahia.

Quando a irmã se tornou ministra, em 2003, ele ainda morava no mesmo trailer, em um terreno cedido por um amigo em Passa Tempo, onde acabou construindo sua casa. “Eu sempre gostei mais da iniciativa privada, tive boas oportunidades”, argumenta. Advogado, Igor também cursou jornalismo e história. Fala francês e inglês fluentes.

Ele defende a reeleição da irmã. Mas de jeito nenhum pede votos aos amigos ou faz campanha. Igor sorri quando questionado se dava expediente na prefeitura de Belo Horizonte, entre 2003 e 2009, quando já morava em Passa Tempo. “Esse menino (Aécio Neves) tá exagerando”, afirmou, sorrindo, o adepto da filosofia budista. Ele afirma nunca ter faltado ao serviço enquanto esteve na função de assessor especial da Secretaria de Planejamento. “Eu só voltava aqui (Passa Tempo) nos finais de semana. Sempre fui muito próximo do Fernando (Pimentel, ex-prefeito da capital mineira)”, relata, com voz pausada.

As acusações, porém, revoltam a mulher de Igor e seu filho, o médico cardiologista Pedro Rousseff, de 45 anos, que tem casa de veraneio e consultório em Passa Tempo. Foi o filho quem comprou para o pai a maior parte dos móveis de sua casa. “A gente sempre tá percebendo uma piadinha, uma alfinetada até de quem era nosso amigo. Foi muita calúnia contra meu pai. E meu filho também fica sofrendo bullying na escola em Belo Horizonte por conta disso”, disparou Pedro.

Em meio ao clima de “Fla-Flu” entre petistas e tucanos que também contagiou a pequena cidade mineira, a cunhada de Dilma passou a última semana reclusa. Só saía para trabalhar ou ir à padaria. Na sexta-feira, a reportagem encontrou Valquiria indo para casa a pé, carregando uma sacola de plástico que tinha ricota caseira e um litro de Sukita. “Foi-se o nosso sossego, que a gente tanto gostava, com essas denúncias todas, o anonimato que o Igor lutou tanto para preservar”, lamentou.

Ufologia. O jeitão simplório e caipira de Igor, nascido e criado na capital Belo Horizonte, o tornou rapidamente querido entre os moradores de Passa Tempo. Ele chegou na cidade pela primeira vez em 1989, acompanhando um amigo que pretendia conhecer o ufólogo Antonio Faleiros. Hoje com 73 anos, o especialista em disco voadores se tornou a pessoa mais próxima do irmão de Dilma na cidade.

Mas o Igor não acredita em ET, como o amigo dele. Veio aqui tirar um barato e acabou ficando. Uma vez ele perdeu a carteira na pracinha e menos de cinco minutos depois um rapaz achou e foi devolver. O Igor gostou tanto daquilo, falou na mesma hora que ia morar em Passa Tempo para sempre”, recorda o ufólogo. Faleiro construiu, em 1981, no alto de uma serra de Passa Tempo, o primeiro observatório de OVNI da América Latina. O amigo de Igor queria conhecer o local, por onde passavam à época mochileiros do mundo inteiro. Esse mesmo amigo também mudou para Passa Tempo e mora lá até hoje. Só que Igor perdeu a amizade de mais de 30 anos, no ano passado, após o amigo lhe pedir um favor na prefeitura de Belo Horizonte.

Ele tem pavor de qualquer pessoa que venha pedir favor a ele por causa da irmã ou pelo sobrenome. Quem fizer isso vai perder a amizade de uma pessoa maravilhosa, simples de tudo. Não adianta, ele não gosta dessa coisa de ‘irmão da Dilma’ de jeito nenhum”, avisa Faleiro sobre o amigo. Foi ele quem arrumou o terreno onde Igor colocou seu trailer quando resolveu se fixar em Passa Tempo."

FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula" com dados de reportagem de 
Diego Zanchetta, enviado especial do jornal "Estadão" a Passa Tempo   (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/10/so-depois-das-eleicoes-estadao-conta.html).

Lula: "SÓ QUEREMOS SOCIALIZAR A FELICIDADE"




Lula: só o que queremos socializar é a felicidade

Por Fernando Brito

"A fala de Lula [divulgada esta semana] só tem uma coisa errada.

Deveria estar na TV aberta, não no Youtube.

Seria absolutamente natural como jornalismo, pois se trata de um ex-Presidente, vencedor de eleições ele próprio por duas vezes, e que, por mais duas vezes, saiu vitorioso como principal referência da eleição de Dilma.

Aliás, não seria apenas jornalismo com também um grande serviço público, pois se trata de um convite ao desarmamento de espíritos, à capacidade de convívio civilizado e ao bom funcionamento do país.

Infelizmente eu e você sabemos que é muito mais fácil que as tevês brasileiras veiculem a conversa de outros, mais interessados em proclamar como “venceram na derrota” e a dizer o que “exigem” que o governo faça ou deixe de fazer.

Quanto a Lula, o que os jornais se apressam em dizer é que ele quer “interferir” no Governo Dilma.

E deixam de observar o óbvio, que está expresso na camiseta inusual com que ele gravou o vídeo que reproduzo abaixo.

Lula vai assumir o comando não do Governo, mas de seu partido, o PT.

E tentar devolver a ele o discurso que faz, o do progresso social e da ampliação de oportunidades, sem exclusões.

A capacidade de falar às pessoas.

Lula percebeu que transferiram ao PT o ódio que não puderam dirigir a ele.

Por isso, ao mesmo tempo, adota o discurso antidivisão.

Que azeda e estraga a vida, inclusive seus momentos de festa democrática.

Lula resgata o verso de Tom Jobim – “é impossível ser feliz sozinho” – e cria um caminho para sua reentrada no mundo da política.

O da socialização da felicidade".




FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=22603).