sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

IMPRENSA MUNDIAL DEFORMA SIGNIFICADO DA VITÓRIA DO "SYRIZA"




Para Tarso Genro, imprensa mundial deforma significado da vitória do Syriza

"Para Tarso genro, o 'Siryza' é uma força política de esquerda que retoma propostas que podem ser inscritas na agenda original da social democracia europeia.

Por Marco Weissheimer

A vitória do Syriza na Grécia não representa a vitória de uma extrema-esquerda que defende a ruptura com a União Europeia, como vem repetindo um setor dominante da mídia, na Europa e no Brasil, mas sim a vitória de uma força política de esquerda que retoma propostas que podem ser inscritas na agenda original da social democracia europeia. Como essa social democracia foi toda para o centro, o Syriza é apresentado como radical”. A avaliação é do ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que está em Sevilha (Espanha), onde participou como painelista de um seminário sobre a recuperação da memória nas ditaduras.

Tarso Genro aponta uma série de simplificações e deformações que vêm sendo reproduzidas na imprensa a propósito do significado do resultado das eleições na Grécia. “O Syriza não quer que a Grécia saia da União Europeia e da zona do euro. O que está propondo é a reestruturação do pagamento da dívida para dar uma folga ao tesouro grego e possibilitar a retomada dos investimentos em infraestrutura no país. Não está propondo o calote da dívida, mas sim uma renegociação”. A proposta defendida pelo novo primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, acrescenta Tarso, não representa tampouco uma ruptura com o estado democrático de direito, mas sim um projeto de reconstrução do Estado, de reincorporação de servidores públicos demitidos e de recuperação de serviços desmantelados.

A proposta do "Syriza" em relação à dívida, diz Tarso, é muito parecida com a que defendemos no Rio Grande do Sul, em cima de três pontos: desvalorização da dívida, aumento dos investimentos e novos financiamentos para modernizar a economia do Estado.

A Grécia tem hoje a situação econômica mais dramática da Europa, com uma dívida que equivale a 170% de seu Produto Interno Bruto (PIB). A dívida do Rio Grande do Sul, compara Tarso Genro, representa hoje 20% do PIB gaúcho. Vários países intermediários da Europa, assinala ainda o ex-governador do RS, já estão fazendo propostas similares às do "Syriza", querendo a renegociação da dívida para retomar o caminho do crescimento. E não só países intermediários. François Hollande, primeiro ministro da França, já manifestou simpatia pelas ideias de Tsipras e o convidou para conversar.

Do ponto de vista político, avalia Tarso Genro, a proposta mais importante que está sendo levantada por Alexis Tsipras é o pedido de uma indenização, junto à Alemanha, pelos crimes de guerra cometidos pelos nazistas contra o povo grego durante a Segunda Guerra Mundial. Logo após assumir o cargo de primeiro-ministro, Tsipras deixou uma coroa de flores em um monumento às vítimas dos nazistas em Atenas, um gesto inédito entre os chefes de Estado gregos. Em 1º de maio de 1944, cinco meses antes de deixarem Atenas, os nazistas fuzilaram 200 comunistas no local onde está o monumento, na periferia de Atenas, um dos piores massacres do período da ocupação alemã na Grécia.

Um grupo de trabalho do governo grego já estimou que o montante dessa reparação seria de cerca de 162 bilhões de euros (cerca de 221 bilhões de dólares). O governo alemão, por sua vez, sustenta que a questão das indenizações de guerra já foi resolvida durante os acordos da "Conferência de Paris", em novembro de 1945.

Tarso também contesta a afirmação que vem sendo reproduzida pela imprensa em vários países dando conta que o "Syriza" teria feito acordo com um partido de direita para formar o governo. A aliança, na verdade, observa, foi feita com um partido nacionalista, moderado, de centro-direita, em cima de dois pontos: apoio à renegociação da dívida com a União Europeia e apoio à proposta de compensação financeira, pela Alemanha, em função dos crimes cometidos na Segunda Guerra Mundial.

A vitória do "Syriza" na Grécia, assinala ainda Tarso Genro, abre as portas para importantes inflexões políticas na Europa o que pode levar a mudanças no funcionamento da União Europeia. O "Financial Times", lembrou, questionou se Tsipras será um Lula ou um Hugo Chávez. “Essa disjuntiva colocada pelo 'Financial Times' mostra que é falsa a afirmação de que tivemos uma vitória da extrema-esquerda na Grécia. O que "Syryza" quer não é uma ruptura com a Europa, mas sim a reconstrução do Estado grego e um novo patamar de funcionamento para a União Europeia”.

O resultado da eleição na Grécia, aponta o ex-chefe do Executivo gaúcho, já tem repercussões na Espanha. “Na região da Andaluzia, onde haverá eleições regionais em março, o Partido Socialista rompeu o governo de unidade que tinha com a 'Esquerda Unida' para fazer um movimento na direção de um acordo com o 'Podemos'. O Partido Socialista e o Partido Popular, os dois partidos mais tradicionais da Espanha, vêm se esforçando em dizer que o caso espanhol é diferente do grego. A divergência das duas siglas em relação à União Europeia é de grau, mas o resultado da eleição grega favorece a ala mais à esquerda do Partido Socialista que defende mudanças mais profundas na relação da Espanha com a UE. Pode surgir daí um novo sistema de alianças na Europa, em defesa de outros padrões de integração”.

Em Sevilha, Tarso Genro conversou com o professor Juan Torres Lopez, um dos responsáveis pela redação do programa de governo do "Podemos". A partir dessa conversa, ele relata: “Quando ele terminou de redigir a parte econômica do programa, Pablo Iglesias, uma das principais lideranças do 'Podemos', sugeriu mudanças no texto para que ele não configurasse uma proposta de ruptura com a União Europeia. Tsipras e Iglesias têm admiração pelas políticas de combate à pobreza e à desigualdade social feitas no Brasil a partir dos governos do presidente Lula. E essas agendas estão na ordem do dia hoje em países como Grécia e Espanha”.


FONTE: escrito por Marco Weissheimer no portal "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Para-Tarso-Genro-imprensa-mundial-deforma-significado-da-vitoria-do-Syriza/4/32732).

O TERROR, O "OCIDENTE", E A SEMEADURA DO CAOS




O TERROR, O "OCIDENTE", E A SEMEADURA DO CAOS.

Por Mauro Santayana, no "Jornal do Brasil"

"Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense "Charlie Hebdo", em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé.

Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações.

Logo em seguida, houve, também, outro ataque, a um supermercado kosher na periferia de Paris, em que quatro judeus franceses e estrangeiros morreram.

Dias depois, milhões de pessoas e personalidades de vários países do mundo, se reuniram nas ruas da capital francesa, para protestar contra o atentado, e se manifestar contra o terrorismo e pela liberdade de expressão.

Na mesma primeira quinzena de janeiro, explodiram carros-bomba, e homens-bomba, também ligados a grupos radicais islâmicos, no Líbano (Beirute), na Síria (Aleppo), na Líbia (Benghazi), e no Iraque (Al-Anbar), com dezenas de mortos, em sua maioria civis.

Mas, como sempre, não seria normal esperar que algum desses fatos tivesse a mesma repercussão do atentado em Paris, capital de um país europeu, ou que a alguém ocorresse produzir cartazes e neles escrever "Je suis Ahmed", ou "Je suis Ali", ou "Je suis Malak", Malak Zahwe, a garota brasileira, paranaense, de 17 anos, que morreu na explosão de um carro-bomba, junto com mais quatro pessoas (20 ficaram feridas), no dia 2 de janeiro, em Beirute.

No entanto, os homens, mulheres e crianças, mortos, todos os dias, no Oriente Médio e no Norte da África, são tão frágeis e preciosos, em sua fugaz condição humana, quanto os que morreram na França, e vítimas dos mesmos criminosos, criados pela onda de radicalização e rápida expansão do fundamentalismo islâmico, nos últimos anos.

Raivosas, autoritárias, intempestivas, numerosas vozes se alçaram, em vários países, incluído o Brasil, para gritar - em raciocínio tão ignorante quanto irascível - que o terrorismo não tem que ser "compreendido" e, sim, "combatido".

Os filósofos e estrategistas chineses ensinam, há séculos, que sem conhecê-los, não é possível vencer os eventuais adversários, nem mudar o mundo.

Além disso, não podemos, por aqui, por mais que muitos queiram emular os países "ocidentais", em seu ardoroso "norte-americanismo" e "eurocentrismo", esquecer que existem diferenças históricas, e de política externa, entre o Brasil, os EUA, e países da OTAN como a França.

Podemos dizer que "Somos Charlie", porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.

Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa "ordem" ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo - graças à sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países - não sejamos atacados por terroristas em nosso território.

As raízes dos atentados de Paris, e do mergulho do Oriente Médio na maior, e, com certeza, mais profunda tragédia de sua história, não está no Al Corão ou nas charges contra o Profeta Maomé, embora essas últimas possam ter servido de pretexto para ataques como o que ocorreu em Paris.

Elas começaram a se tornar mais fortes, nos últimos anos, quando o "ocidente", mais especificamente alguns países da Europa e os EUA, tomaram a iniciativa de apoiar e insuflar, usando também as redes sociais, o "conto do vigário" da "Primavera Árabe" em diversos países, com a intenção de derrubar regimes nacionalistas que, com todos os seus defeitos, tinham conquistado certo grau de paz, desenvolvimento e estabilidade para seus países nas últimas décadas.

Inicialmente promovida, em 2011, como "libertária", "revolucionária", a "Primavera Árabe" iria, no curto espaço de três anos, desestabilizar totalmente a região, provocar massacres, guerras civis, golpes de Estado, e alcançar, por meio da intervenção militar direta e indireta da OTAN e dos EUA em vários países, a meta de tirar do poder, a qualquer custo, regimes que lutavam para manter um mínimo de independência e soberania em suas relações com os países mais ricos.



Quando os EUA, com suas "primaveras" - que não dão flores, mas são fecundas em crimes e cadáveres - não conseguem colocar no poder um governo alinhado com seus interesses, como na Ucrânia e no Egito, jogam irmão contra irmão e equipam com armas, explosivos, munições, terroristas, bandidos e assassinos para derrubar quem estiver no comando do país.

O objetivo é destruir a unidade nacional, a identidade local, o Estado e as instituições, para que essas nações não possam, pelo menos durante longo período, voltar a organizar-se, a ponto de tentar desafiar, mesmo que em pequena escala, os interesses norte-americanos.

Foi assim que ocorreu com a intervenção dos EUA e de aliados europeus como a Itália e a França - contra a recomendação de Brasil, Rússia, Índia e China, no Conselho de Segurança da ONU - no Iraque, na Líbia e na Síria.

Durante décadas, esses países - com quem o Brasil tinha, desde os anos 1970, boas relações - viveram sob relativa estabilidade, com a economia funcionando, crianças indo para a escola, e diferentes etnias, religiões e culturas dividindo, com eventuais disputas, o mesmo território.

Estradas, rodovias, sistemas de irrigação, foram construídos - também com a ajuda de técnicos, operários e engenheiros brasileiros - com os recursos do petróleo, e países como o Iraque chegavam a importar automóveis, como no caso de milhares de Volkswagen Passat fabricados no Brasil, para vender aos seus cidadãos de forma subsidiada.

Na Líbia de Muammar Kadafi, segundo o próprio "World Factbook" da CIA, 95% da população era alfabetizada, a expectativa de vida chegava, para os homens, segundo dados da ONU, a 73 anos, e a renda per capita e o IDH estavam entre os maiores do Terceiro Mundo, mas esses dados nunca foram divulgados normalmente pela imprensa "ocidental".

Pode-se perguntar a milhares de brasileiros que estiveram no Iraque, que hoje têm entre 50 e 70 anos de idade, se, naquela época, sunitas e xiitas se matavam aos tiros pelas ruas, bombas explodiam em Basra e Bagdá todos os dias, como explodem hoje, a qualquer momento, também em Trípoli ou Damasco, ou milhares de órfãos tentavam atravessar montanhas e rios sozinhos, pisando nos restos de outras crianças, mortas em conflitos incentivados por "potências" estrangeiras, ou tentavam sobreviver caçando, a pedradas, ratos por entre escombros das casas e hospitais em que nasceram.

São, curdos, xiitas, sunitas, drusos, armênios, cristãos maronitas, inimigos?

Antes, trabalhavam nos mesmos escritórios, viviam nas mesmas ruas, seus filhos frequentavam as mesmas salas de aula, mesmo que eles não tivessem escolhido, no início, viver como vizinhos.

Assim como no caso de hutus e tutsis em Ruanda, e em inúmeras ex-colônias asiáticas e africanas, as fronteiras dos países do Oriente Médio foram desenhadas, na ponta do lápis, ao sabor da vontade do Ocidente, quando da partilha do continente africano por europeus, obedecendo não apenas ao resultado de "Conferências" como a de Berlim, em 1884, mas também à máxima de que sempre se deve "dividir para comandar", mantendo, de preferência, etnias de religiões e idiomas diferentes dentro de um mesmo território ocupado pelo colonizador.

Eram Saddam Hussein e Muammar Kadafi, ditadores? É Bashar Al Assad, um déspota sanguinário?

Quando eles estavam no poder, não havia atentados terroristas em seus países.

E qual é a diferença deles e de seus regimes, para os líderes e regimes fundamentalistas islâmicos comandados por xeques e emires, na mesma região, em que as mulheres - ao contrário dos governos seculares de Saddam, Kadafi e Assad - são obrigadas a usar a burka, não podem sair de casa sem a companhia do irmão ou do marido, se arriscam a ser apedrejadas até a morte ou chicoteadas em caso de adultério, e não há eleições, a não ser o fato de que esses regimes são dóceis aliados do "ocidente" e dos EUA?

Se os líderes ocidentais viam Kadafi como inimigo, bandido, estuprador e assassino, por que ele recebeu a visita do primeiro-ministro britânico Tony Blair, em 2004; do Presidente francês Nicolas Sarkozy - a quem, ao que tudo indica, emprestou 50 milhões de euros para sua campanha de reeleição - em 2007; da Secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, em 2008; e do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em 2009?

Por que, apenas dois anos depois, em março de 2011 - depois de Kadafi anunciar sua intenção de nacionalizar as companhias estrangeiras de petróleo que operavam, ou estavam se preparando para entrar na Líbia (Shell, ConocoPhillips, ExxonMobil, Marathon Oil Corporation, Hess Company) -  esses mesmos países e os EUA, atacaram, com a desculpa de criar uma "Zona de Exclusão Aérea" sobre o país, com 110 mísseis de cruzeiro, apenas nas primeiras horas, Trípoli, a capital líbia, e instalações do governo, e armaram milhares de bandidos - praticamente qualquer um que declarasse ser adversário de Kadafi - para que o derrubassem, o capturassem e finalmente o espancassem, a murros e pontapés, até a morte?

Ora, são esses mesmos bandidos, que, depois de transformar, com armas e veículos fornecidos por estrangeiros, a Líbia em terra de ninguém, invadiram o Iraque e, agora, a Síria, e se uniram para formar o Estado Islâmico, que pretende erigir uma grande nação terrorista juntando o território desses três países, não por acaso os que foram mais devastados e destruídos pela política de intervenção do "ocidente" na região, nos últimos anos.

Foram os EUA e a Europa que geraram e engordaram a cobra que ameaça agora devorar a metade do Oriente Médio, e seus filhotes, que também armam rápidos botes no velho continente. Serpentes que, por incompetência e imprevisibilidade, depois da intervenção na Líbia, a OTAN e os EUA não conseguiram manter sob controle.

Os Estados Unidos podem, pelo arbítrio da força a eles concedida por suas armas e as de aliados - quando não são impedidos pelos BRICS ou pela comunidade internacional - se empenhar em destruir e inviabilizar pequenas nações - que ainda há menos de cem anos lutavam desesperadamente por sua independência - para tentar estabelecer seu controle sobre elas, seu povo e seus recursos, objetivo que, mesmo assim, nunca conseguiram alcançar militarmente.

Mas não podem cometer esses crimes e esses equívocos, diplomáticos e de inteligência, e dizer, cinicamente, que o fizeram em nome da "defesa da Liberdade e da Democracia".

Assim como não deveriam armar bandidos sanguinários e assassinos para combater governos que querem derrubar, e depois dizer que são contra o terrorismo que eles mesmos ajudaram a fomentar, quando esses mesmos terroristas, além de explodir bombas e matar pessoas em Bagdá, Damasco ou Trípoli, todos os dias, passam a fazer o mesmo nas ruas das cidades da Europa ou dos próprios Estados Unidos.

O "terrorismo" islâmico não nasceu agora.

Mas antes da balela mortífera da "Primavera Árabe", e da Guerra do Iraque, que levou à destruição do país, com a mentirosa desculpa da posse, por Saddam Hussein, de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas - tão falsa quanto o pretexto do envolvimento de Bagdá no ataque às Torres Gêmeas, executado por cidadãos sauditas, e não líbios, sírios ou iraquianos - não havia bandos armados à solta, sequestrando, matando e explodindo bombas nesses três países.



Hoje, como resultado da desastrada e criminosa intervenção ocidental, o terror do Estado Islâmico, o ISIS, controla boa parte dos territórios e da sofrida população síria, iraquiana e líbia, e, a partir deles, está unindo suas conquistas em torno da construção de uma nação maior, mais poderosa, e extremamente mais radical do ponto de vista da violência e do fundamentalismo, do que qualquer um desses países jamais o foi no passado.



O ataque terrorista à redação e instalações do semanário francês "Charlie Hebdo", e do Mercado Kosher, em Vincennes, Paris, foram crimes brutais e estúpidos.

Mas não menos brutais, e estúpidos, do que os atentados cometidos, todos os dias, contra civis inocentes, entre muitos outros lugares, como a Síria, o Iraque, a Líbia, o Afeganistão.

Quem quiser encontrar as sementes do caos que também atingiram, em forma de balas, os corpos dos mortos do "Charlie Hebdo" poderá procurá-las no racismo de um continente que se acostumou a pensar que é o centro do mundo, e que discrimina, persegue e despreza, historicamente, o estrangeiro, seja ele árabe, africano ou latino-americano; e no fundamentalismo branco, cristão e rançoso da direita e da extrema direita norte-americanas, cujos membros acreditam piamente que o Deus vingador da Bíblia deu à "América" do Norte o "Destino Manifesto" de dirigir o mundo.

Em nome dessa ilusão, contaminada pela vaidade e a loucura, países que se opuserem a isso, e milhões de seres humanos, devem ser destruídos, mesmo que não haja nada para colocar em seu lugar, a não ser mais caos e mais violência, em uma espiral de destruição e de morte, que ameaça a sobrevivência da própria espécie e explode em ódio, estupidez e sangue, como agora, em Paris, neste começo de ano."


FONTE: escrito por Mauro Santayana, no "Jornal do Brasil". Transcrito no "Patria Latina"  ( http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e&cod=15009).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CRIME DE LESA-PÁTRIA DA "GLOBO" AO ATACAR O ESTADO NACIONAL.



[Interesses escusos. A bandeira atrás de 
William Wack é sugestiva e autoelucidativa] 

A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional


O "Jornal da Globo" ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras, puro charlatanismo e economia de botequim.

Por J. Carlos de Assis, doutor pela Coppe/UFRJ

"O noticiário da 'Globo' é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que, no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O "Jornal da Globo" de terça-feira ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultraespeculativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores ao seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

Evidentemente que os dois comentaristas da "Globo" torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso. É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, têm um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.

É claro que o preço baixo do petróleo tem forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.

Os ataques 
à Petrobras dos dois comentaristas da "Globo" [e de toda a grande mídia, partidos da direita e parcela da "elite" até no MP e Judiciário, nos últimos tempos,] têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.

Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da "Globo" sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da "Lava Jato", que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.

P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa, e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável."


FONTE: escrito por J. Carlos de Assis, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB. Artigo publicado no portal "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-Globo-nao-ataca-o-Governo-ataca-o-Estado-nacional/4/32742).[Título, legenda da imagem e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

"MERCADO" QUER DESTRUIR A PETROBRAS





O “mercado” vai punir a Petrobras por não fazer “chutes” contábeis

[OBS deste blog 'democracia&política': Relembrando. Onde se lê "o mercado" leia-se grandes rentistas e bancos internacionais, petrolíferas estrangeiras, especialmente as dos EUA, mídia estrangeira e nacional, parcela da "elite" brasileira, todos tradicionalmente amantes do grande capital, americanófilos, antiBrasil e antiPetrobras desde a sua criação. Se "o mercado" fez cair o valor das ações da Petrobras, é porque algum interesse dele foi contrariado, alguma expectativa de lucro no curto prazo foi frustrada, ou simplesmente a queda é uma "esperta" jogada especulativa].

Por Fernando Brito

"O “mercado” está frustrado com a falta de uma baixa contábil no balanço da Petrobras.

Baixa que não poderia ser feita porque, afinal, ninguém sabe o valor correto do que Paulo Roberto Costa et caterva roubaram ou fizeram a Petrobras perder em sobrepreços.

Qualquer fixação de valor ou mesmo provisão para esse fim seria, afinal, um “chute”.

Mas "o mercado" ansia para que “aconteça” essa baixa, ainda que sem consistência com os fatos reais.

Ainda mais no quadro de turbilhão causado pela desvalorização em mais de 50% nos preços do petróleo, que altera todas as expectativas de precificação dos ativos.

Quem tiver dúvidas, leia os artigos da imprensa sobre as perspectivas da indústria do petróleo frente à baixa de preço, com expressões que vão do “crua realidade” ao “chocante”.

Vimos outra forte queda das ações da empresa.

Porque o mercado não quer uma Petrobras transparente, quer uma Petrobras fraca.

O funcionamento e a lucratividade presentes na empresa não estão, em hipótese alguma, comprometidos, tanto que as previsões de geração de receita subiram.

Embora seja muito grave, gravíssimo, o que se fez com a Petrobras, mais grave ainda é o que se quer fazer com ela.

Destruí-la."


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=24430).

É IMPOSSÍVEL JÁ CALCULAR PERDAS DA PETROBRAS




É impossível calcular perdas da Petrobras

Por que está todo mundo atrás da cabeça da Odebrecht ? 

O portal "Conversa Afiada" reproduz artigo de Luis Nassif, extraído do "Jornal GGN":

A TAREFA IMPOSSÍVEL DE CALCULAR AS PERDAS DA PETROBRAS

A Petrobras foi submetida a um desafio impossível: estimar as perdas com a corrupção para dar baixa no balanço.

Os vazamentos indiscriminados ventilaram a suspeita de que os desvios poderiam ter ascendido a R$ 20 bilhões. Mas a única coisa de concreto que se tem é a comissão de 3% sobre cada contrato fechado. E quem pagava era o fornecedor, não a Petrobras.

Compare-se a propina com, digamos, uma comissão de vendas.

Do ponto de vista penal, a distinção é total: propina é crime e tem que levar à cadeia quem pagou e quem recebeu.

Do ponto de vista contábil (e do ponto de vista de proporção do contrato) ambas equivalem. Ou seja, o custo de uma propina é similar ao de uma comissão por intermediação comercial.

Mas não é só isso.

A intermediação justifica-se no caso de contratos sem licitação. Aí, valem os contatos e a lábia do vendedor. No caso de contratos licitados, o custo da intermediação (ou seja, da propina) é embutido no preço do contrato. Teoricamente, então, o primeiro cálculo para estimar as perdas da Petrobras seria o sobrepreço pago para compensar a propina. Para isso, a "Lava Jato" precisa ter o quadro completo de propinas pagas e repassá-lo à Petrobras.

Não apenas isso.

Há a suspeita de formação de cartel. A caça implacável da força-tarefa atrás da Odebrecht tem uma explicação. Não se pode conceber um cartel sem a presença da maior empreiteira. Se nada for encontrado que incrimine a Odebrechet, ficará difícil provar a tese do cartel.

Daí o empenho dos delegados e procuradores em plantar notas na imprensa, buscando o caminho mais fácil: intimidar os executivos da empresa para que adiram à delação premiada.

Se conseguirem juntar todos os elos e provar a existência do cartel, o passo seguinte será estimar o sobrepreço que resultou do acordo. E esse sobrepreço teria que ser calculado em cada obra. Não pode ser confundido com os aditivos, já que parte deles têm justificativas técnicas.

Já se dizia que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para a prisão. O rico já foi. Diria que é mais fácil contar as areias do castelo do que ter uma resposta precisa para as baixas contábeis da Petrobras."

FONTE: 
artigo de Luis Nassif, extraído do "Jornal GGN", transcrito no portal "Conversa Afiada"    (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/01/28/nassif-e-impossivel-calcular-perdas-da-petrobras/).

AFINAL, PETROBRAS DIVULGA OS RESULTADOS DO 3º TRIMESTRE DE 2014



Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras

Divulgamos os resultados do 3º Trimestre de 2014 não revisados pelos auditores

"Leia nosso comunicado, divulgado na quarta-feira (28/01), sobre a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2014 não revisados pelos auditores independentes:

Petrobras divulga seus resultados consolidados não revisados pelos auditores independentes, expressos em milhões de reais, de acordo com o IAS 34, exceto pela existência de erros nos valores de determinados ativos imobilizados.

A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes do terceiro trimestre de 2014 tem o objetivo de atender obrigações da Companhia (covenants) em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da “Operação Lava Jato”.

A Companhia entende que será necessário realizar ajustes nas demonstrações contábeis para a correção dos valores dos ativos imobilizados que forem impactados por valores relacionados aos atos ilícitos perpetrados por empresas fornecedoras, agentes políticos, funcionários da Petrobras e outras pessoas no âmbito da “Operação Lava Jato”.

No entanto, em face da impraticabilidade de quantificar de forma correta, completa e definitiva tais valores que foram capitalizados em seu ativo imobilizado, a Companhia considerou a adoção de abordagens alternativas para correção desses valores: 

i) uso de um percentual médio de pagamentos indevidos, citados em depoimentos; 
ii) avaliação a valor justo dos ativos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na “Operação Lava Jato”. 

Essas alternativas se mostraram inapropriadas para substituir a impraticável determinação do sobrepreço relacionado a esses pagamentos indevidos.

Com objetivo de divulgar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 revisadas pelos auditores independentes, a Companhia está avaliando outras metodologias que atendam às exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC).



A Companhia apresentou lucro líquido de R$ 3.087 milhões no 3T-2014, tendo como principais fatores:

• Maior produção de petróleo e LGN no país (6%, 118 mil barris/dia) decorrente da entrada em operação e do ramp-up das Unidades Estacionárias de Produção (UEPs) e FPSOs Cidade de São Paulo, Cidade de Itajaí, Cidade de Paraty, P-63, P-55, P-62 e P-58, além do início dos Testes de Longa Duração de Iara Oeste e Tartaruga Verde.

• Maior exportação de óleo (134%, 185 mil barris/dia), em função da maior produção e da realização de exportações que estavam em andamento em 30 de junho no país.

• Maior produção de derivados (1%, 24 mil barris/dia) decorrente da maior utilização do parque de refino (FUT de 100%) e da maior utilização de produtos intermediários.

• Reconhecimento da contingência ativa (R$ 820 milhões), além de sua respectiva atualização monetária (R$ 1.357 milhões), referentes ao recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2002.

• Aumento da estimativa da vida útil econômica dos equipamentos e outros bens devido à revisão realizada pela Companhia, reduzindo a depreciação em R$ 1.688 milhões.

• Baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I (R$ 2.111 milhões) e Premium II (R$ 596 milhões), em razão da descontinuidade desses projetos.

• Depreciação de 11,3% do Real em relação ao Dólar sobre a exposição passiva líquida em dólar, parcialmente compensada pela apreciação de 7,7% do Dólar em relação ao Euro e de 5,2% do Dólar em relação à Libra, sobre as exposições passivas líquidas nessas moedas.

Confira os resultados completos na nossa página de Relacionamento com Investidores.

Leia abaixo a nota com os comentários da nossa presidente Maria das Graças Silva Foster aos acionistas e investidores:

"Como é de notório conhecimento, a Petrobras enfrenta um momento único em sua história. Em março de 2014, a “Operação LavaJato”, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, alcançou a Petrobras com a prisão do ex-diretor de Abastecimento da Companhia Paulo Roberto Costa, que está sendo investigado pelos crimes de corrupção, peculato, dentre outros.

No dia 13/11/14, em consequência dos fatos e provas produzidos no âmbito da Operação Lava Jato, a Petrobras postergou a divulgação dos resultados do 3T-2014. Em suma, os depoimentos aos quais a Petrobras teve acesso revelaram a existência de atos ilícitos, como cartelização de fornecedores e recebimentos de propinas por ex-empregados, indicando que pagamentos a tais fornecedores foram indevidamente reconhecidos como parte do custo de nossos ativos imobilizados, demandando, portanto, ajustes.

Entretanto, concluímos ser impraticável a exata quantificação desses valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia.

Em face da impraticabilidade de identificar os pagamentos indevidos de forma correta, completa e definitiva, e da necessidade de corrigir esse erro, a Companhia decidiu lançar mão de duas abordagens: 

(i) diferença entre o valor justo (fair value) de cada ativo e seu valor contábil e (ii) quantificação do sobrepreço decorrente de atos ilícitos usando informações, números e datas revelados nos depoimentos e termos de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Os ativos selecionados para avaliação do valor justo somam R$ 188,4 bilhões, praticamente 1/3 do ativo imobilizado total da Petrobras (R$ 600,1 bilhões) e tiveram, como referência, os contratos firmados entre a Petrobras e as empresas citadas na “Operação Lava Jato” entre 2004 e abril de 2012.

A avaliação foi realizada por firmas globais reconhecidas internacionalmente como avaliadores independentes, abrangendo 81% do ativo total avaliado. A análise dos outros 19% foi realizada pelas equipes técnicas da Petrobras, porém com total consistência metodológica e de premissas com o trabalho realizado pelos avaliadores independentes.

No entanto, o amadurecimento adquirido no desenvolvimento do trabalho tornou evidente que essa metodologia não se apresentou como uma substituta “proxy” adequada para mensuração dos potenciais pagamentos indevidos, pois o ajuste seria composto de diversas parcelas de naturezas diferentes, impossível de serem quantificadas individualmente, quais sejam, mudanças nas variáveis econômicas e financeiras (taxa de câmbio, taxa de desconto, indicadores de risco e custo de capital), mudanças nas projeções de preços e margens dos insumos, mudanças nas projeções de preços, margens e demanda dos produtos comercializados, mudanças nos preços de equipamentos, insumos, salários e outros custos correlatos, bem como deficiências no planejamento do projeto (engenharia e suprimento).

O resultado das avaliações indicou que os ativos com valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de diferença a menor. Os ativos com valor justo superior totalizaram R$ 27,2 bilhões de diferença a maior frente ao imobilizado.

Decidimos não utilizar a metodologia da determinação do valor justo como “proxy” para ajustar os ativos imobilizados da Companhia devido à corrupção, pois o ajuste seria composto de elementos que não teriam relação direta com pagamentos indevidos. Assim, aprofundaremos outra metodologia que tome por base valores, prazos e informações contidos nos depoimentos em conformidade com as exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC), visando a emissão das demonstrações contábeis revisadas.

Quanto aos resultados deste 3º trimestre de 2014, nosso lucro operacional foi de R$ 4,6 bilhões, 48% abaixo do realizado no 2º trimestre (R$ 8,8 bilhões). Essa redução é explicada, principalmente, por gastos com o Acordo Coletivo de Trabalho (R$ 1,0 bilhão), pelo pagamento do acordo com a Bolívia para importação do gás natural (R$ 0,9 bilhão) e pelas baixas no ativo referente aos Projetos Premium I e II (R$ 2,7 bilhões). Por outro lado, a maior produção de petróleo e consequente exportação agregaram R$ 2,4 bilhões ao resultado operacional deste 3º trimestre em relação ao trimestre anterior.

O lucro líquido totalizou R$ 3,1 bilhões, 38% abaixo dos R$ 5,0 bilhões no 2º trimestre, refletindo o menor lucro operacional.

Quanto à projeção do fluxo de caixa e liquidez da Companhia, é importante ressaltar que a posição de caixa da Petrobras e sua capacidade de geração operacional não será afetada por ajustes decorrentes da “Operação Lava Jato” ou de qualquer outro relacionado ao valor dos seus ativos.

Temos sido diligentes na implementação de ações que nos permitem afirmar que não necessitaremos recorrer a novas dívidas no ano de 2015 em função dos fatores que favorecem nosso fluxo de caixa, os quais estão descritos a seguir.


Em primeiro lugar, a Companhia reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina não repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação atual, favorece excepcionalmente o caixa. Nosso patamar atual de produção de petróleo e derivados nos assegura o mesmo patamar de geração operacional, mesmo com o preço do barril de petróleo Brent variando entre US$ 50/bbl e US$ 70/bbl.

Quanto à nossa produção de petróleo no Brasil, planejamos crescer 4,5% (+/- 1 p.p.) no ano de 2015 frente ao ano anterior. O fato é que 2015 dá sequência aos eventos de 2014, quando adicionamos quatro novas plataformas que agora estão em curva de ramp-up e aumentamos nossa frota de PLSV de 11 para 19 navios. Assim, a produção será sustentada pela interligação de 69 poços produtores e injetores e pela entrada em operação da P-61/TAD (Papa-Terra) no 1º trimestre e do FPSO Cidade de Itaguaí (campo de Iracema Norte) no 4º trimestre desse ano.

Assim, esperamos ter uma geração operacional (incluindo pagamento de impostos, antes dos juros, dividendos e amortizações) entre US$ 28 bilhões e US$ 32 bilhões em 2015, considerando patamares de Brent entre US$ 50/bbl e US$70/bbl e taxa de câmbio entre R$ 2,60/US$ e R$ 2,80/US$. Também consideramos que teremos à disposição garantias da União Federal para os recebíveis do Setor Elétrico, que permitirão a negociação desses créditos no mercado bancário.

No que tange aos investimentos, estamos reduzindo o ritmo de alguns projetos, principalmente aqueles com baixa contribuição ao caixa nos próximos dois anos, de forma que nosso orçamento fique no patamar de US$ 31 bilhões a US$ 33 bilhões neste ano de 2015.

Nosso portfólio de ativos também indica oportunidades de desinvestimentos em 2015, com potencial de contribuição ao caixa em níveis próximos aos realizados em 2014. A implementação desses desinvestimentos dependerá, naturalmente, da evolução das condições de mercado.

Importante ressaltar, nossa posição de Caixa vem sendo favorecida pela forte redução do preço do Brent nos últimos 3 meses e possui folga em relação aos valores que julgamos suficientes para manter nossas operações com a liquidez necessária ao longo do ano.

Continuamos trabalhando para produzir as demonstrações financeiras revisadas pelo Auditor Externo (PwC) no menor tempo possível, não apenas em relação aos ajustes nas demonstrações contábeis, mas também à necessidade de aprimoramento dos nossos controles internos.

Destaco a posse do nosso diretor de Governança, Risco e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior no dia 19 de janeiro passado. João Elek foi escolhido entre profissionais de mercado com notório reconhecimento de competência na área de Governança. Ele passou por processo seletivo conduzido pela empresa Korn Ferry, especializada em seleção de executivos, foi eleito de uma lista tríplice apresentada ao Conselho de Administração da Petrobras e deverá permanecer no cargo por três anos, período que pode ser renovado.

Assim, quero aqui reafirmar nosso compromisso com a superação desses desafios. Estamos dando plena condição para que as investigações em curso, sejam as internas, sejam as externas, caminhem livremente, sem qualquer barreira. Somos transparentes com vocês, nossos acionistas e investidores. Trabalhamos para que, no futuro próximo, nossa companhia seja reconhecida por seus métodos de governança e controles internos com a mesma excelência que tem sido reconhecida ao longo dos anos por sua capacidade técnica e operacional."


FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras   (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/divulgamos-os-resultados-do-3-trimestre-2014-nao-revisados.htm).

O DISCURSO DE DILMA NA REUNIÃO COM OS MINISTROS




Dilma "incorporou" Lula no excelente discurso. Só faltou um recado contra sonegadores.

"No discurso da presidenta Dilma que abriu a reunião ministerial de terça-feira (27), se alguém tinha dúvidas sobre os compromissos do governo dela com a inclusão social, distribuição de renda, geração de empregos, direitos trabalhistas e desenvolvimento social e humano, ela eliminou essas dúvidas.

Para Dilma, o ajuste fiscal não é nenhuma guinada política, nem desvio de rumo, é apenas uma ferramenta necessária para usar momentaneamente para reequilibrar as contas, uma das condições para ter recursos para continuar o projeto implantado no governo Lula desde 2003, que ela segue e vai continuar seguindo.

O desequilíbrio nas contas públicas ocorreu após os esforços feitos nos últimos anos de crise, com desonerações e incentivos para geração de empregos e crescimento, que deram resultados até aqui, evitando recessão e desemprego, mas deu sinais de esgotamento em 2014, necessitando reequilibrar. Entretanto, segundo Dilma, as metas estabelecidas foram dimensionadas para surtir efeito na queda de juros e da inflação até o fim do ano, na retomada do crescimento e geração de empregos, mas não são drásticas a ponto de provocar recessão nem desemprego.

Dilma citou casos de sucesso da economia brasileira e medidas de estímulo à produção e à exportação que estão sendo preparadas.

O conteúdo do discurso ficou até parecido com os discursos do presidente Lula.

Além de reafirmar os compromissos de um governo popular e progressista, Dilma deu uma guinada na atitude de silêncio que o governo teve no primeiro mandato, liberando e até exigindo dos ministros que desmintam sempre os boatos do PIG (Partido da Imprensa Golpista), não deixando informação deturpada prevalecer, nem informação importante ficar escondida.

Dilma avisou a todos os ministros que continuará não tolerando casos de corrupção e combatendo todos os casos que forem descobertos. E isso é diretriz de governo para todos os ministérios seguirem. As mudanças na legislação propostas na campanha eleitoral para fortalecer o combate à corrupção serão encaminhadas ainda no primeiro semestre.

Também disse que a Petrobras sairá desse processo como a empresa com maior controle e integridade do Brasil. Disse que não adianta quererem atacar a Petrobras para outros grupos levarem vantagem, porque o regime de partilha para o pré-sal continuará e a política de conteúdo nacional também.

Disse que os criminosos precisam ser punidos, mas sem matar as empresas e empregos no Brasil.

Só faltou também dar um recado direto para os grandes sonegadores. Da mesma forma que ela disse propor mudanças para julgar mais rápido casos de corrupção, é preciso haver maior rapidez na cobrança de grandes sonegadores que ficam protelando o pagamento durante anos.

Agora, só falta aparar as arestas com as Centrais Sindicais sobre algumas das medidas. O ministro Miguel Rosetto está encarregado desse diálogo."

FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula"   (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/01/dilma-incorporou-lula-no-excelente.html#more).