terça-feira, 2 de junho de 2015

250 NORTE-AMERICANOS ESTUDAM NAS ESCOLAS DE MEDICINA DE CUBA



Estudantes dos EUA nas escolas de Medicina de Cuba


"Cerca de 250 estudantes norte-americanos transitam pelas escolas de Medicina e constroem com sua presença uma convivência proveitosa entre as duas nações.

Por José Jasán Nieves Cárdenas, em "Progreso Semanal" (Miami) (via Adital)

Já parecem cubanos pelo efeito do sol sobre a pele. À simples vista, só os delata o inconfundível acento gringo em sua fala, por muito que os cubanismos mais rotundos façam parte habitual dos seus diálogos.

Cerca de 250 estudantes norte-americanos transitam pelas escolas de Medicina e pelo sistema sanitário desse arquipélago desde o ano 2000 e constroem com sua presença uma das páginas mais reveladoras de convivência proveitosa entre ambas as nações.

Os primeiros doutores surgidos de um programa sonhado entre o "Caucus Negro Congressional" (CNC) do Congresso estadunidense e o ex-presidente Fidel Castro, e canalizado depois pela organização "Pastores pela Paz" (IFCO), já estão voltando para as comunidades do seu país, enquanto que nas aulas caribenhas ainda se formam várias dezenas e a cada ano chegam novos alunos.

Na interação, são quebrados preconceitos e estereótipos. Assumirem-se iguais e diferentes parece o ensino maior.

Cassandra

O ritmo asfixiante da havaneira rua Monte desaparece enquanto se sobe as escadas até a casa. Na sala se entretém com a avó o desperto Atuey Fénix (cujo nome de aborígene rebelde os pais registraram sem H, para que soe foneticamente igual em espanhol e inglês) enquanto o computador reproduz antigos capítulos da série Vila Sésamo.

É a paisagem do lar de Cassandra Cusack Curbelo, uma das poucas cubano-americanas beneficiadas com bolsas gratuitas para formar-se doutora no país de sua mãe.

"Sou bastante cubana para não ser extraterrestre aqui, mas bastante americana para que me vejam como uma louca”, diz sorrindo enquanto prepara para Atuey hambúrgueres vegetarianos feitos de grãos moídos.

Nascida em Hialeah, mas criada em Chicago, aos 30 anos Cassandra decidiu sair do seu trabalho de relações públicas em uma organização de ativistas.

"Eu queria fazer algo sustentável. Os conhecimentos da Medicina nunca estarão fora de moda nem se fossilizarão”, recorda enquanto evoca um amigo da família que lhe facilitou obter uma vaga entre as capacidades outorgadas aos grupos de solidariedade pelo Ministério de Relações Exteriores de Cuba.

Ao chegar, em 2008, a situaram como todos os estadunidenses na "Escola Latino-Americana de Medicina" (ELAM), em Praia Baracoa, a oeste de Havana ("no fim do mundo”, gargalha Cassandra) e daí passou a completar matérias no hospital mais próximo, Salvador Allende, ainda nomeado segundo a virgem catalã de seus construtores: "La Covadonga”.

"Não gosto da Medicina elitista e, nos Estados Unidos, os médicos quase todos são brancos, de famílias ricas, que estudam em idades precoces, não querem ter trabalho e, geralmente, não te escutam, nem te olham, nem te tocam e cobram 100 dólares só para aparecer (…). Encanta-me a forma como falam os médicos daqui. Meus professores são muito naturais e amistosos”, assegura.

"O programa não obriga a fazer nada a ninguém”, responde Cassandra à pergunta sobre a possível exigência de um gesto político em troca do seu título. Não seria extraordinário nem raro para os costumes de Cuba: pedir, como pagamento pela ensino gratuito, um tempo de dedicação a uma zona desfavorecida. Mas Cassandra insiste em negar.

"Entre nós, há pessoas que não interessa servir ninguém. Dizem: saio daqui, faço minha residência e depois "o bilhete” [a carteira]. Mas outros, a maioria, temos sonhos. Eu quero montar com amigos uma clínica em Nova Orleans, e outros pensam em Detroit e, inclusive, temos pensado em colocar uma clínica em um terceiro país pobre, pela qual passemos em nossas férias e possamos ajudar um pouco”.

Joanna

Quem a conheceu em Havana a recorda por seu espírito inquieto e vocação de serviço. Foi uma ativa e reconhecida estudante em seus anos cubanos. Portanto, não surpreendeu seus professores e amigos saberem que apenas conseguiu entrar no difícil sistema de especialidades médicas do seu país, Joanna Mae Sauers se alistou como voluntária para combater o Ebola na África.

Ao "Cooper Hospital", de Monróvia, na Libéria, chegou Sauers depois de tratar de inserir-se na brigada médica cubana que trabalhou lá.

"Estive interessada em trabalhar voluntariamente com os doutores cubanos, mas me disseram que não estavam recebendo nenhum graduado da ELAM, dadas as circunstâncias da epidemia. Sem dúvida, é o exemplo deles e a minha experiência em Cuba o que me inspirou a fazer este trabalho”, assegura direta em nossa troca de mensagens.

A ideia de integrar-se a uma brigada cubana não era nova para Joanna, aluna de especialistas que viajaram para lugares tão diferentes, como Paquistão, Angola, Venezuela ou Haiti, e em alguns casos inseriram médicos nativos graduados em Cuba como parte da sua "missão”. A ela, ademais, a proximidade com o arquipélago caribenho chegou desde sempre através da solidariedade.

"Escutei sobre o programa por um amigo e solicitei as bolsas através do IFCO/Pastores pela Paz. Existem alguns requisitos básicos para entrar, por exemplo, um pagamento pela solicitação, uma entrevista e uma orientação. Primeiro, deve ser aprovado pela organização e depois aceito dentro do programa pela Escola. O que se busca, sobretudo, são solicitantes que tenham uma provada dedicação para servir aos necessitados”.

"A maioria das pessoas que me conhecia nos Estados Unidos se surpreenderam muito quando souberam que eu iria estudar em Cuba. Não sabiam que fosse possível e se assombravam mais quando descobriam que o programa é uma bolsa completamente gratuita, garantida pelo governo cubano. Todos ficavam intrigados de que uma oportunidade assim existisse”.

Mae Sauers viveu no campus da ELAM quase como todos os estudantes estrangeiros de primeiro a terceiro ano, mas logo buscou alugar perto do hospital "La Covadonga”. Conhecer a fundo a cultura dos cubanos e também os valores de outros amigos, provenientes da África, América do Sul e do Caribe, foi para ela uma aprendizagem tão importante quase como o próprio treinamento médico..

"Não havia nada melhor do que visitar meus amigos nas províncias e compartilhar com eles uma boa comida típica cubana, sobretudo, esse prato de "yuca” [tubérculo] com molho, arroz com feijão, banana frita, salada e porco assado… Me dá água na boca quando penso nisso!”, confessa.

Instrumentos para a normalização

Cassandra e Joanna são, como seus compatriotas graduados e por graduar, pequenas superfícies de interação entre dois países com um antigo enfrentamento ideológico. Elas vivem a experiência de conviverem sem traumas e mostram que é possível manter relações de mútuo benefício.

Por exemplo, o fechado sistema médico estadunidense (qualificado por muitos como endogâmico e elitista) começa a aceitar os diplomados em Cuba, como atesta Joanna, um dos mais recentes 13 estadunidenses da ELAM que passaram nas provas para cursar especialidades médicas em seu país.

"Para mim, não foi particularmente difícil conseguir a residência nos Estados Unidos”, assegura Mae Sauers. "Tive que seguir os passos dos exames USMLE, que é exigido para qualquer estudante de Medicina e requer conhecimentos rigorosos. Fiz tudo o que pude para conseguir tanta experiência clínica nos Estados Unidos, como a que pude experimentar em Cuba. Isso supôs passar boa parte das minhas férias de verão em observações e rotações clínicas no meu país. Tive muitos programas de especialidades competitivas interessados em mim como bolsista, porque a ELAM já é reconhecida pelos vários graduados que regressaram antes do que eu, e aqueles que conhecem sobre nós e sobre o sistema médico cubano valorizam muito a nossa formação”.

Essa percepção positiva também se nota, inclusive, no Estado da Flórida, acredita, por sua parte, Cusack Cuberlo, que afirma conhecer hospitais nortistas interessados em captar doutores como ela. "Eu sei do Baptist Hospital e do Miami Jackson”, revela.

Jogando essas cartas, a maioria dos nortistas retornam ao terminar o sexto ano, de dezembro de 2014 para cá a meio caminho entre receosos das promessas e esperançosos com a possibilidade de contar por fim com sua própria embaixada.

"Eu, como americana, sou muito cínica, e digo que enquanto nada esteja escrito, nada está acontecendo, e pode se falar tudo o que se fala, mas tudo pode ser apenas palavras”, se arrisca a dizer Cassandra: "Esta é a virgem do Caribe e todos os lobos estão salivando para entrar”, acrescenta.

"Penso que a aproximação é útil para os dois países”, termina Joanna. "Cuba é um exemplo para o mundo em atendimento e educação médica de alto nível. Os Estados Unidos e boa parte do mundo têm uma necessidade desesperada de doutores para a atenção primária. Como graduados desse programa, nós podemos prover serviços de saúde para os necessitados e compartilhar nossa experiência com o restante do mundo”. Da experiência sai também um novo tipo de médico. E uma nova fonte de interação."

FONTE: escrito por José Jasán Nieves Cárdenas, em "Progreso Semanal" (Miami) (via Adital). Transcrito no portal "Carta Maior"   (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Estudantes-dos-EUA-nas-escolas-de-Medicina-de-Cuba/6/33610).

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A CRIMINOSA, MAIS CARA E IMPUNE REELEIÇÃO DE PSDB/FHC


[R$ 200 mil da época, valor não atualizado. Alguns confessaram, mas muitos receberam o equivalente a cerca de R$ 500 mil para votar a favor da reeleição daquele governo demotucano. A Justiça e a mídia jamais quiseram investigar quem comprou os votos e qual a origem do imenso volume de dinheiro. Hoje, debocham do povo fingindo-se honestos revoltados com a corrupção]



[IMPUNE PORQUE A MÍDIA E A JUSTIÇA TAMBÉM SÃO DA DIREITA]

REELEIÇÃO QUE CUSTOU MAIS CARO AO PAÍS FOI A DE FHC

"Ao comentar a reforma política do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acabou com a reeleição no Brasil, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) elogiou a medida e disse que a presidente Dilma Rousseff a "desmoralizou". No entanto, nenhuma reeleição custou tão caro ao País como a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso/PSDB, em 1998 – e não apenas porque os votos dos parlamentares foram negociados por R$ 200 mil para aprovar a emenda constitucional. Antes de se reeleger, FHC manteve o real artificialmente valorizado e queimou praticamente todas as reservas internacionais do País. Resultado, a moeda foi desvalorizada em fevereiro de 1999, menos de dois meses após sua posse, e o Brasil se viu forçado, mais uma vez, a se ajoelhar diante do Fundo Monetário Internacional.

Do "Brasil 247"

"Durante a campanha eleitoral defendi o fim da reeleição e mandato de 5 anos para todos os cargos eletivos. Tivemos a experiência da reeleição. Não nos arrependemos dela, mas é preciso que tenhamos a capacidade de avaliar se foi boa e se foi ruim. Acho que a presidente da República acabou por desmoralizar a reeleição", disse, na quinta-feira, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), ao comentar a reforma política do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que eliminou a possibilidade de reeleição no Poder Executivo.

Aécio preferiu não lembrar que a reeleição foi instituída pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso/PSDB, numa reforma política que o beneficiou diretamente, com a mudança das regras do jogo em plena partida. Contando com intenso lobby midiático, FHC conseguiu aprovar, em seu primeiro mandato, a emenda constitucional que permitia a reeleição. Depois, esse acabou sendo o maior escândalo de sua gestão, quando se soube que cada parlamentar recebeu cerca de R$ 200 mil para votar a favor da emenda (relembre o caso em texto de Eduardo Guimarães).

A campanha à reeleição de FHC também contou com farto "caixa dois", segundo denúncias da própria revista "Veja". Um dos arrecadadores era ninguém menos que o atual vereador Andrea Matarazzo, que teria levantado recursos junto à "Alstom", empresa francesa que, anos depois, se viu envolvida no escândalo do metrô de São Paulo (saiba mais em Propina da Alstom ajudou a bancar a reeleição de FHC). No entanto, como os escândalos de corrupção da era FHC não eram investigados [e a mídia os escondia], nem a compra da reeleição, nem a arrecadação de propinas para a campanha presidencial de 1998 geraram punições.

Custo econômico pesado

A compra de votos e a arrecadação de propinas compõem os custos da reeleição, mas o ônus para o Brasil foi muito mais pesado. Instituído em 1994, o Plano Real utilizou como fator de estabilização monetária a chamada "âncora cambial". Com o real artificialmente valorizado, os preços eram contidos. No entanto, desde 1995, eram evidentes os impactos negativos no balanço de pagamentos. Assim, a livre flutuação do real já vinha sendo cogitada desde 1995.

Naquele ano, o economista Persio Arida deixou a presidência do Banco Central, depois de perder um embate com o também economista Gustavo Franco, que o sucedeu. Persio pretendia desvalorizar o real, mas perdeu a batalha. A livre flutuação do câmbio voltou a ser discutida em 1997 e 1998, mas sempre acabou abortada em razão do fator político – se o real flutuasse, dizia-se, FHC não seria reeleito.

No entanto, para manter o real forte, eram necessárias medidas extremas, como, por exemplo, uma taxa de juros que chegou a superar 45% ao ano!!! Não por acaso, a era PSDB/FHC produziu uma explosão da dívida interna e um desemprego recorde na economia brasileira. E nada disso foi suficiente para evitar que, em fevereiro de 1999, menos de dois meses após a posse de FHC em seu segundo mandato, o real fosse desvalorizado numa das manobras mais atrapalhadas já vistas no setor público brasileiro.

Gustavo Franco se demitiu, a operação foi assumida pelo economista Francisco Lopes e acabou gerando os escândalos dos bancos "Marka" e "Fonte-Cindam". Por ter traído o eleitorado, que tinha a ilusão de que a política do real forte seria mantida, FHC viu sua popularidade despencar nos meses iniciais do segundo mandato. Mais grave ainda, como todas as reservas cambiais do País haviam sido queimadas para defender o real, o Brasil se viu forçado, mais uma vez, a se ajoelhar diante do Fundo Monetário Internacional.

Portanto, se algum governo desmoralizou a reeleição, foi o do ex-presidente FHC, que a instituiu. Lula, por exemplo, teve um segundo mandato mais bem-sucedido do que o primeiro. No caso da presidente Dilma, o começo da segunda gestão vem sendo turbulento, mas ainda é cedo para avaliar qual será sua marca na história."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (https://www.brasil247.com/pt/247/poder/182792/Reelei%C3%A7%C3%A3o-que-custou-mais-caro-ao-Pa%C3%ADs-foi-a-de-FHC.htm).

HIPOCRISIA: MOVIMENTO "FORA DILMA" É CONTRA IMPOSTO PARA OS RICOS...




Combater imposto sobre milionários é nova bandeira do movimento “Fora Dilma”?

Por Fernando Brito

"Escapou-me ontem comentar a matéria do
Estadão sobre os “Grupos anti-Dilma vão ao Congresso exigir a ‘rejeição’ à taxação de grandes fortunas”.

Não tanto porque essa turma é contrária a qualquer ideia de justiça social e acha Miami o centro do cultura humana.

Mas porque ela revela que, além de Rogério Chequer, outro líder do movimento é Colin Butterfield, executivo do grupo "Cosan", sócio brasileiro da "Shell".

A decisão de colocar a rejeição à taxação dos bilionários – tema que a gente mostrou ontem aqui que é “proibido” – está causando rebuliço com alguns dos (poucos) grupos que não querem ser revelados como defensores dos bilionários.

Veja o o que “enfiaram” no documento do sonhado 'impeachment':

Um dia depois da marcha organizada pelo 'Movimento Brasil Livre' em defesa do 'impeachment' da presidente Dilma Rousseff chegar ao Congresso Nacional, será a vez dos grupos oposicionistas que compõem a 'Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos' se reunirem “…), com políticos de oposição. Eles exigirão, entre outras coisas, a rejeição à taxação de grandes fortunas e impostos sobre heranças, pautas que não constavam entre as reivindicações dos grupos que foram às ruas em abril e maio nos protestos…”

E quem é o articulador do “no meu não, pobretão”?

Segundo fica claro na declaração de um dos que se recusaram ao “contrabando” no texto, é Colin Butterfield.

Colin (Butterfield, um dos líderes do Vem Pra Rua) me ligou e pediu para eu participar, mas resolvi ficar longe de tudo. Estou sabendo por você que eles têm essa proposta (de pedir a rejeição da taxação a grandes fortunas)”, disse o líder do "Quero Me Defender", Cláudio Camargo.”

E quem vem a ser esse brasileiro de nome inglês?

Diretor da "Cosan Alimentos", empresa do grupo de usineiros que controla a venda de açúcar.

Um doce, não é?

Depois de Chequer, ex-especulador de fundos nos Estados Unidos, um diretor da sócia da Shell…

Vejam a história de Butterfield, narrada pela insuspeitíssima [radical direitista, tucana]  "Veja", onde sublinho:


Colin Butterfield, um dos organizadores (Cosan/Divulgação)

Um grupo de empresários se organiza nas redes sociais para realizar passeatas em favor do candidato tucano Aécio Neves, no próximo dia 16, na capital paulista, em Belo Horizonte e em Brasília. O movimento, intitulado ‘Vem pra rua’, numa clara alusão às manifestações de junho de 2013,convoca os indignados com o atual governo a protestar em favor de melhorias nos serviços públicos e contra a corrupção. Encabeçado pelo executivo Colin Butterfield, o grupo decidiu apoiar o tucano por acreditar que ele “é o candidato da mudança”. As passeatas estão sendo organizadas por meio das redes sociais e contam com apoio de grupos de alunos do "Insper", em São Paulo.

A iniciativa começou apartidária no início de setembro com o nome de ‘Basta’. Os organizadores convocaram os indignados para a passeata, que não conseguiu reunir uma centena de adeptos na avenida Paulista. “Queríamos que viralizasse e resultasse numa manifestação clamando por um país mais ético, mais correto e com mais respeito ao cidadão. Mas não deu certo”, afirma Butterfield. Em sua reedição, os empresários convocaram outros grupos de indignados nas redes sociais e renomearam o movimento. Decidiram associá-lo à imagem de Aécio, mas afirmam não ter qualquer ligação com o PSDB. “É um movimento claramente de oposição, e o Aécio, hoje, personifica esse sentimento. Mas não tem nada a ver com o partido, tanto que entre os organizadores e apoiadores, há aqueles que apoiavam a Marina”, afirma o empresário.

É mesmo o “Go to Street”…"

FONTE: escrito por Fernando Brito no seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27105). [Título e trecho entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

POR QUE NÃO TAXAR OS RICOS?




Por que não taxar os ricos? Ora, porque isso é “proibido”

Por Fernando Brito

"O repórter Leonardo Souza escreveu quinta-feira hoje na 'Folha' um ótimo artigo, com muita informação e equilíbrio, sobre as potencialidades e os exemplos pelo mundo do 'Imposto sobre Grandes Fortunas'.

Mas o título, embora obvio, é o melhor, porque leva a pensar na igualmente obvia razão: “Por que não taxar os mais ricos?

Ah, Leonardo, são tantas e tão hipócritas razões…

A primeira delas, que você pode ouvir de qualquer coxinha ou até de gente aparentemente séria, a de que "já se paga muito imposto no Brasil".

E é verdade, mas depende de quem se cobra.

A insuspeita [agência britânica de notícias] BBC publicou uma matéria dizendo que “Rico é menos taxado no Brasil do que na maioria do G20″.

Na verdade, o quarto ou terceiro menos taxado do grupo de maiores países do mundo quando a faixa de ganhos é superior a R$ 23 mil, contado nisso, quando houver, o 13° salário.

E aí essa turma diz que paga para custear o que custa o “assistencialismo”, como babujava ontem um deputado na Câmara, possesso e sob aplausos de dezenas de outros.

Sabe, o médico, o saneamento, a luz, a água, até o bolsa-família daquela ralé que não paga quase imposto, como eles.

Só que não. Paga, e paga muito mais.

Em cima desta postagem, tem uma tabela sobre como cada faixa de renda contribui com os impostos no Brasil.

Você pode notar que os que ganham até três salários-mínimos recolhem quase 60% do total de impostos arrecadados.

Dá, por cabeça, R$ 3.370,54 por ano.

Ou 36% de tudo o que ganha um trabalhador de salário mínimo. Mais de um terço.

A carga tributária para quem ganha mais de 30 salários-mínimos por mês, segundo cálculos do IPEA, anda roçando [somente] os 10% ao ano.

E olhe que não estou falando dos ganhos empresariais, de capital, lucros etc…

Proporcionalmente, o pobre paga quatro vezes mais imposto que os muito, muito ricos, se considerada a camada que ganha 30, 40 mil por mês.

Leonardo Souza demonstra que não há “comunismo” algum em taxar fortunas.

Reconhece que “o IGF é um tributo controverso”, mas lembra:

Na Europa ocidental, somente Bélgica, Portugal e Reino Unido nunca adotaram o imposto. O Reino Unido, contudo, assim como os Estados Unidos, têm uma pesada carga, de até 40%, na transferência de propriedade de bens por falecimento. Nos últimos 20 anos, muitos outros países, como Áustria, Itália, Dinamarca e Alemanha, extinguiram o IGF.

Outros, com a crise de 2008, como Espanha e Islândia, resgataram o tributo, como medida para recompor suas contas.

Também adotam algum formato de IGF Holanda, França, Suíça, Noruega, Luxemburgo e Hungria. Entre os vizinhos da América do Sul que mantêm essa política em sua base fiscal estão Uruguai, Argentina e Colômbia.

Então por que não temos alguma forma dele aqui?

Porque a nossa elite é colonial e enxerga o conjunto do povo do povo brasileiro como um estorvo, infelizmente necessário para poder viver, nos seus bons postos de empresários ou da elite da burocracia que se forma para o país funcionar.

A nossa esquerda aderiu a um tolo “politicamente correto” de que é possível dar sem tirar, pelo crescimento – o que é verdade, nas marés enchentes.

Não fez – e quando tentou fazer, não soube comunicar isso – uma reforma tributária que saísse do impasse União-Estado-Município dividindo o mesmo bolo.

Mas quando a água baixa, farinha pouca, meu pirão primeiro.

Aí “acabou a democracia”, o “país de todos”, aquele discurso bonitinho: tirem dos pobres!

Arrochem salários, subam preços de produtos e serviços essenciais linearmente e cortem-se os abusos (e de fato alguns são, não sou hipócrita) nos subsídios sociais.

Alíquota diferenciada para o Imposto de Renda de altos salários? Taxação de "fringe benefits" – o jabá dos executivos – e dos ganhos de capital? Impostos sobre heranças progressivo, com alíquotas mínimas para quem herda um imóvel modesto e mais pesadas para grandes patrimônios?

Bolivarianismo puro!"

FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27087).

BRASIL DESTACOU-SE NO MUNDO POR REDUZIR 82,1% DOS SUBALIMENTADOS NESTES 12 ANOS,




Em 12 anos, Brasil reduziu população subalimentada em 82,1%

Do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome

"O relatório "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015", divulgado pela "Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura" (FAO), na quarta-feira (27), destaca os avanços brasileiros na redução do número de pessoas em situação de fome nos últimos anos. O Brasil é o país, entre os mais populosos, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014, que foi de 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% essa quantidade.

Entre os mais populosos, o país também é aquele que apresenta a menor quantidade de pessoas subalimentadas. São 3,4 milhões no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da América Latina, que é de 34,3 milhões. “O relatório confirma o esforço e reconhece a trajetória do Brasil na ação de redução da pobreza e do combate à fome”, ressaltou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.



O Brasil, ao contrário de outros países do mundo, sempre foi um grande produtor de alimentos. E, mesmo assim, a população passava fome. O nosso problema não era a disponibilidade de alimentos, o nosso problema era acesso aos alimentos e à renda. E isso conseguimos alcançar com políticas públicas”, explicou.

A publicação aponta também que o país alcançou todas as metas das Nações Unidas em relação à fome. O "Objetivo de Desenvolvimento do Milênio" (ODM) era de reduzir pela metade a fome, e o da "Cúpula Mundial de Alimentação" era de reduzir pela metade os números absolutos de subalimentados. O Brasil é um dos 29 países que conseguiram alcançar essas duas metas. “O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que está em processo de formatação, tem o objetivo de reduzir até menos de 5% até 2030. Desde o ano passado, nós já conseguimos alcançar essa meta”, contou a ministra.



As ações de segurança alimentar desenvolvidas e o Programa Bolsa Família foram citados como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou. “A proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso à população pobre com melhores salários, empregos e rendas”, destaca o relatório. “Esses programas reduziram significativamente a desigualdade de renda - entre 2000 e 2012, a renda média do quintil [20%] mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos.

A ministra Tereza Campello explica que o país agora enfrenta um novo desafio. “O Brasil saiu do Mapa da Fome. Temos a primeira geração de crianças alimentadas, que estão na escola e não vão repetir a trajetória de seus pais. E nos deparamos com o Brasil vivendo problemas de saúde típicos de países desenvolvidos, como a obesidade. E, principalmente, a obesidade infantil”, destacando que é um dos principais temas que serão tratados pelos governos e sociedade durante a "5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional", no segundo semestre deste ano".

FONTE: do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome. Transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/em-12-anos-brasil-reduziu-populacao-subalimentada-em-821).

14 RAZÕES DE A PETROBRAS SER A OPERADORA ÚNICA DO PRÉ-SAL




As 14 principais razões porque a Petrobras deve ser a operadora única do pré-sal

Enviado por Alex Prado

"A diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) aprovou um texto que traz as 14 principais razões porque a estatal deve ser a operadora única do pré-sal.

O documento quer dar um contraponto ao projeto de lei 131/2015, do senador José Serra, que tenta modificar a Lei 12.351/2010, que estabelece a participação mínima de 30% da Petrobrás no consórcio de exploração da pré-sal e seja a responsável pela condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção.

As 14 principais razões porque a Petrobrás deve ser a operadora única no Pré-Sal 

O senador José Serra (PSDB-SP) apresentou o projeto de lei PLS 131-2015 que visa alterar a Lei 12.351 de 2010, conhecida como a lei da partilha do pré-sal, que estabelece a participação mínima de 30% da Petrobras no consórcio de exploração do pré-sal e a obrigatoriedade de que ela seja responsável pela “condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção”. [1] [2] 

A seguir, são apresentados os principais motivos que justificam a manutenção da lei da partilha com a garantia da operação única pela Petrobrás. 

1. Para possibilitar maior controle sobre a taxa de produção e evitar a extração predatória. 

O operador tem mais influência sobre a taxa de produção em relação aos demais consorciados. Ter a Petrobrás como operadora única possibilita maior controle social e diminui o risco de exploração predatória dos campos do pré-sal, caso sejam leiloados. A extração predatória prejudica a recuperação total de petróleo e compromete os resultados econômicos de médio e longo prazos. Cabe registrar que o ideal seria utilizar o artigo 12º da lei de partilha que resguarda ao Governo Brasileiro a possibilidade de entregar à Petrobrás, sem necessidade de leilão, determinadas áreas estratégicas, “visando à preservação do interesse nacional e ao atendimento dos demais objetivos da política energética”. Quando o governo decide leiloar determinado campo do pré-sal, a política de exploração será determinada no âmbito do seu Comitê Operacional (Artigo 24º), composto pelo presidente da empresa pública e por um representante de cada uma das empresas consorciadas (Artigo 23º). 

A questão é que qualquer iniciativa estratégica das autoridades brasileiras para uso do petróleo, em termos da sua quantidade produzida, do destino e do preço, será objeto de negociações, disputas e controvérsias no âmbito do referido Comitê. Não necessariamente haverá, dentro desse, convergência entre os interesses do Estado brasileiro, o das empresas estrangeiras e, indiretamente, os dos Estados de origem destas companhias. [6] 

Apesar da relação potencialmente contraditória entre os interesses das empresas multinacionais consorciadas, a Petrobrás e o Estado Nacional, o fato de a companhia estatal brasileira ter a operação dos campos possibilita reunir mais argumentos técnicos para evitar a possível extração predatória. 

2. Para evitar o risco de fraude na medição da vazão do petróleo produzido e a consequente redução da fração partilhada com a União.

A operadora é responsável por medir o petróleo produzido e submeter a informação às instituições de controle e regulação. Existe risco de fraude quando os interesses do operador do consórcio e da União são contraditórios. 

3. Para evitar o risco de fraude na medição dos custos dos empreendimentos e da operação com a consequente redução da fração de petróleo partilhada com a União 

Os custos dos empreendimentos e da operação são contabilizados pela operadora e descontados do petróleo que é partilhado entre o consórcio produtor e a União. Existe risco de fraude quando os interesses do operador do consórcio e da União são contraditórios 

4. Para conduzir os empreendimentos e possibilitar a adoção de política industrial para desenvolver fornecedores locais, em bases competitivas, e promover tecnologias nacionais 

A Petrobrás, como operadora única, conduz os empreendimentos, o que permite a seleção e o desenvolvimento de fornecedores de bens e serviços. Condição essencial para a aplicação de política industrial para maximizar o conteúdo local, em bases competitivas, e garantir o desenvolvimento nacional. 

5. Para garantir o desenvolvimento tecnológico e as decorrentes vantagens comparativas 

A experiência operacional é essencial para garantir o domínio e o contínuo desenvolvimento tecnológico. O nível tecnológico atingido pela Petrobrás é fruto do desenvolvimento científico e sua aplicação, sendo a operação etapa essencial para o aprendizado e o progresso tecnológicos. Ceder a condição de operadora única retira vantagem estratégica, expõe "know-how" de vanguarda à potenciais competidores e desperdiça oportunidades de aprendizado. 

6. Porque a Petrobrás detém tecnologia, capacidade operacional e financeira para liderar a produção, na medida do interesse social e do desenvolvimento econômico nacional 

A Petrobrás é reconhecida internacionalmente pela sua liderança no desenvolvimento tecnológico da exploração e da produção de petróleo em águas profundas. A capacidade operacional é atestada pela velocidade em que desenvolveu a produção na camada do pré-sal. Produção que alcança 800 mil barris por dia em tempo recorde em comparação ao desenvolvimento de províncias marítimas brasileiras e estrangeiras, como o petróleo do Mar do Norte ou do Golfo do México, por exemplo. “A produção de 800 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos após a primeira descoberta de petróleo na camada pré-sal, ocorrida em 2006, tempo inferior ao que foi necessário para se chegar ao mesmo patamar em outras áreas de produção marítima. Para que alcançássemos no Brasil a produção de óleo de 800 mil barris por dia, foram necessários 40 anos, com a contribuição de 6.374 poços. Na Bacia de Campos, esse mesmo volume de produção foi alcançado em 24 anos, com 423 poços.” [3] 

A capacidade financeira é evidenciada pela facilidade no acesso aos créditos externos e internos. A robustez da companhia é assegurada “pelas reservas de mais de 30 bilhões de barris de petróleo, pela qualidade do seu corpo técnico, pela produção atual de mais de 2,8 milhões de barris por dia, além de 11 refinarias (mais uma em construção), três terminais de GNL, duas fábricas de fertilizantes e certamente o mais importante ativo estratégico a garantir a sua sustentabilidade a longo prazo, que é sua posição hegemônica num mercado praticamente cativo de um dos mais importantes países do mundo...[4] 

A garantia do fluxo de caixa compatível com os investimentos requeridos, e com o nível de endividamento desejado, pode ser assegurada por política de preços adequada no mercado interno. 

7. Porque a Petrobrás se arriscou e fez enormes investimentos para descobrir o petróleo na camada do pré-sal

A Petrobrás assumiu o risco exploratório e, a partir do conhecimento acumulado sobre as bacias sedimentares brasileiras, decidiu onde perfurar até ultrapassar a camada de sal, alcançando o pré-sal no campo de Tupi. A iniciativa teve sucesso e a companhia descobriu as maiores reservas mundiais das últimas três décadas. A liderança dos consórcios por meio da operação única e da máxima participação societária recompensa a companhia pelo investimento histórico no conhecimento e desenvolvimento das bacias sedimentares brasileiras. [5] 

8. Porque a operação e a máxima participação da Petrobrás nos consórcios permitem que maior parcela dos resultados econômicos sejam destinados para atender às necessidades e garantir os direitos dos brasileiros 

A operação única com máxima participação societária da Petrobrás, além do petróleo a ser partilhado com a União, permite que maior parcela da riqueza natural do petróleo do pré-sal seja convertida em resultados econômicos para fins sociais. A renda petroleira e a propriedade do petróleo, desde que bem administrados pelo Estado Nacional, podem se transformar em benefícios e garantias sociais para o conjunto da população brasileira. 

9. Para promover a geração de mais empregos de qualidade no Brasil 

A operação e a condução dos empreendimentos pela Petrobrás possibilitam que mais e melhores empregos sejam criados no Brasil. As multinacionais contratam serviços especializados em seus países de origem e empregam especialistas, supervisores/gerentes e executivos estrangeiros. 

10. Porque a operação e a máxima participação da Petrobrás nos consórcios permitem que maior parcela do petróleo produzido seja propriedade da União garantindo vantagem geopolítica estratégica 

Os custos operacionais do consórcio são ressarcidos em petróleo pela União e a participação de cada consorciado é proporcional ao petróleo partilhado entre eles. Quanto menor o custo operacional e maior a participação societária da Petrobrás, maior a parcela de petróleo que será propriedade direta, ou indireta, da União Federal. A propriedade do petróleo confere vantagem geopolítica na medida que o Estado pode administrar uma riqueza singular, finita e vital sob os pontos de vista econômico e militar. [6] 

11. Porque não há necessidade de novos leilões e de urgência no desenvolvimento de novos campos para atender e desenvolver o mercado interno 

Os campos já leiloados e em desenvolvimento, além dos campos em operação, são suficientes para atender ao mercado interno por décadas. A urgência em promover novos leilões, para os quais poderiam vigorar as alterações na lei da partilha, não interessa ao desenvolvimento nacional. A realização de novos leilões e a aceleração da curva de produção beneficiaria aos países importadores na medida em que haveria aumento da oferta mundial e pressão para queda dos preços. Além de favorecer as multinacionais, cujas reservas estão em declínio, e visam a propriedade do petróleo brasileiro. 

12. Porque os riscos são mínimos, a produtividade dos campos operados pela Petrobrás é alta e os custos são conhecidos pela companhia 

Não há necessidade de partilhar riscos que são mínimos e bem conhecidos. Não se justifica a suposta necessidade de atrair multinacionais pela cessão da condição de operadora dos consórcios, com o objetivo de gerenciar riscos. A Petrobrás é a companhia com maior experiência na operação em águas profundas, conhece em detalhes os custos envolvidos na produção nas bacias brasileiras e dispõe de infraestrutura que reduz os custos. A eficiência da exploração e da produção é comprovada pelo índice de sucesso exploratório e pela produtividade dos poços, desempenho muito superior em relação às médias dos seus competidores. 

13. Para manter a Petrobrás em vantagem na comparação com seus competidores 

A Petrobrás é a companhia da indústria mundial do petróleo com melhores condições e perspectivas futuras. Em termos de reservas, da produção de petróleo e de derivados, de garantia de acesso a mercados pujantes e com potencial de crescimento, de custos de produção relativos, além da geração potencial de caixa. Todos esses fatores reservam a Petrobrás vantagem competitiva, especialmente em relação as companhias multinacionais com ações negociadas em bolsa e que são suas competidoras. A manutenção da lei da partilha, com a operação única e máxima participação da Petrobrás nos consórcios do pré-sal, é essencial para garantir que essas vantagens comparativas perdurem e se convertam em resultados econômicos e sociais na geração e distribuição da renda petroleira. 

14. Porque o petróleo não é uma mercadoria qualquer e não existe substituto potencial compatível para a produção de combustíveis líquidos, petroquímicos e fertilizantes 

Sob a alegação de urgência da produção do pré-sal, alguns justificam a necessidade de atrair multinacionais, com a cessão da condição de operadora dos consórcios, alarmam que o petróleo será substituído e assim as reservas perderiam valor caso não sejam extraídas a toque de caixa. Ocorre que o petróleo é um recurso singular, não existe nenhum recurso similar em termos de densidade energética e da diversidade de compostos orgânicos, dificilmente encontrados na natureza, que o constituem. Cerca de 90% do transporte mundial de mercadorias e de pessoas é movido por derivados de petróleo, milhares de compostos petroquímicos fazem parte da maioria dos produtos e os fertilizantes são os responsáveis pela produtividade agrícola. Existe correlação entre o preço do petróleo e o preço dos alimentos; o petróleo é fundamental em todas as cadeias produtivas. O petróleo é o principal recurso natural que motiva os principais conflitos militares desde a 1ª Guerra Mundial. Não há evidência científica de que exista recurso natural sucedâneo ao petróleo, de equivalente ou melhor qualidade e em tamanha quantidade, além de aplicável para seus diversos usos. A propriedade do petróleo é estratégica e sua produção deve ser compatível com o desenvolvimento da economia nacional e submetida ao interesse social. Ao petróleo e ao gás natural deve ser agregado valor, com o refino para a produção de derivados e na conversão para a produção de petroquímicos e fertilizantes. Com a renda petroleira, devemos investir em infraestrutura para a produção de energias renováveis visando a sustentabilidade e a resiliência da sociedade, nos preparando para o futuro. Para evitar que interesses privados se imponham aos interesses da maioria da população brasileira, a Petrobrás deve liderar a produção do pré-sal na condição de operadora única. 

Referências 

[1] Lei 12351/10, Lei de partilha do pré-sal http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/1026276/lei-12351-10 
[2] PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 131 de 2015 http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=120179 [3] Blog Fatos e Dados da Petrobrás “Produção que operamos no pré-sal bate novo recorde e ultrapassa o patamar de 800 mil barris de petróleo por dia” http://www.petrobras.com.br/fatos-edados/producao-que-operamos-no-pre-sal-bate-novo-recorde-e-ultrapassa-o-patamar-de-800-mil-barrisde-petroleo-por-dia.htm 
[4] Entrevista do geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, ao Clube de Engenharia, http://www.portalclubedeengenharia.org.br/arquivo/1428929646.pdf/documentos 
[5] Reportagem “O pré-sal é delas?” revista Retrato do Brasil http://numa.lamce.coppe.ufrj.br/DATA/noticias/RB51presal.pdf 
[6] Petróleo, diplomacia e divisas internacionais, por Maurício Metri http://outraspalavras.net/brasil/petroleo-diplomacia-e-poder-global/ * 

FONTE: produzido e publicado este mês de maio pela "Associação de Engenheiros da Petrobrás" (AEPET). Transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/blog/alex-prado/as-14-principais-razoes-porque-a-petrobras-deve-ser-a-operadora-unica-do-pre-sal).

SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES: "IMPEACHMENT, GOLPE DE ESTADO E DITADURA DE “MERCADO”



       Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

IMPEACHMENT, GOLPE DE ESTADO E DITADURA DE “MERCADO”

Por SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES

"Aqueles que defendem hoje o impeachment e criam o clima de instabilidade e de radicalização são os mesmos golpistas históricos de 1954 e de 1964: as classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia e não os aceitam.

O impeachment é a tentativa de anular, por via legislativa, pelo voto de 513 deputados e 81 senadores, os resultados das eleições de novembro de 2014 que refletiram a vontade da maioria do povo brasileiro ao reeleger a Presidenta Dilma Rousseff, por 53 milhões de votos.

Desde 2003, as televisões, em especial a TV Globo; os maiores jornais, como o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e o Globo; e as principais revistas, quais sejam a Veja, Isto É e Época, se empenham em uma campanha sistemática para desmoralizar o Partido dos Trabalhadores e os partidos progressistas e para tentar "provar" a ineficiência, o descalabro e a corrupção dos Governos do PT, inclusive de seus programas sociais, que retiraram 40 milhões de brasileiros da miséria e da pobreza.

Agora, com a ajuda de membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, os meios de comunicação, tendo seu candidato perdido as eleições, tentam criar um clima político e de opinião que venha a derrubar ou imobilizar a Presidenta e, assim, anular a vontade da maioria do povo brasileiro.

Fazem isso divulgando dia a dia, a conta gotas, as declarações de delatores, criminosos confessos, e de procuradores, policiais e juízes que as "vazam", seletivamente, para os meios de comunicação, cometendo notória ilegalidade, e publicando notícias sobre o extraordinário descalabro e corrupção em que viveria o país.

Diante da instabilidade política gerada por essa campanha, a Presidenta Dilma, com o objetivo de conter as manobras golpistas (recontagem de votos, acusações de fraude, ameaças diversas etc.) e de apaziguar o "mercado", anunciou um programa de austeridade, de equilíbrio orçamentário, de contração de gastos do Estado, de redução de investimentos, na esperança de conquistar a "confiança dos investidores", seu principal objetivo, e de "acalmar" seus opositores políticos.

É preciso notar que o "mercado" não é uma entidade da sociedade civil, mas sim, na realidade, um ínfimo grupo de multimilionários, investidores, especuladores e rentistas, e seus funcionários, quais sejam os chamados economistas-chefe de bancos e fundos, os jornalistas e articulistas de economia, e seus associados no exterior.

Há economistas e jornalistas que são notável exceção a essa afirmação, mas são eles minoria.

Quando foi apresentado o programa de ajuste, declarou-se, com ênfase, que ele não iria afetar as conquistas dos trabalhadores (a legislação sobre horário de trabalho, férias, aposentadoria, seguro desemprego etc.), nem os programas sociais, mas que ele iria equilibrar o orçamento através do contingenciamento, da contenção de despesas e do aumento de impostos, com o objetivo de fazer um superávit primário que permitisse pagar os juros da dívida pública e conquistar a "confiança do mercado, a confiança dos investidores".

Conquistar a "confiança dos investidores" significa fazer com que tomem a decisão de realizar investimentos (para obter lucros) e assim ampliar a capacidade instalada, gerar empregos, condição para a retomada do desenvolvimento.

A "confiança dos investidores", todavia, tem a ver com a expansão da demanda, pois só com essa expansão (sustentada) podem surgir oportunidades de investimentos lucrativos.

A construção de "confiança" e a realização de investimentos são improváveis, em uma conjuntura em que se elevam os juros dos títulos públicos e das aplicações financeiras para torná-los os mais altos do mundo, o que atrai os capitais para o setor financeiro, especulativo ou rentista, e os afasta do setor produtivo e, portanto, dos investimentos.

Outros fatores que afetam negativamente a "confiança" dos investidores são a competição predatória e destrutiva das importações; taxas cambiais inadequadas; a redução dos investimentos públicos em infraestrutura; o aumento das taxas de juros dos financiamentos de longo prazo do BNDES; a redução da demanda e o aumento do desemprego (que alguns esperam poderia criar as condições políticas para um clima favorável ao impeachment) devido à redução da atividade econômica.

Há um mantra, repetido sem cessar, sobre competitividade e produtividade, entoado por autoridades públicas, acadêmicos, jornalistas especializados, economistas-chefe de consultoras, de empresas, de bancos.

Segundo esses especialistas, a solução dos problemas internos, isto é, a retomada do crescimento, e o afastamento para longe da crise externa latente e cada vez mais ameaçadora, dependeriam não somente da "confiança dos investidores", mas também do aumento da produtividade (isto é, da produção por trabalhador) e do aumento da competitividade das empresas brasileiras diante das chinesas, americanas e europeias, e da redução do "Custo Brasil".

No caso da produtividade, alguns afirmam que seu aumento resultaria de grandes investimentos em educação, como teriam, segundo argumentam, feito os países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Coreia e que teria sido, segundo eles, uma razão importante, e talvez a principal, para explicar o seu desenvolvimento.

Os paladinos da educação defendem a educação primária geral, a atenção especial à primeira infância, a inclusão de todas as crianças e jovens (e os adultos?) no sistema. Não se fala muito na preparação de professores nem no horário integral, nem nos efeitos negativos da televisão e da internet sobre o sistema de ensino em seu cerne, que é o tempo dedicado aos estudos pelos jovens. Pode-se perguntar quando esses brasileiros, hoje infantes e jovens, entrariam no mercado de trabalho para tornar a mão de obra mais produtiva e o Brasil mais competitivo: daqui a 10 anos? Daqui a 15? E até lá?

Outros argumentam que os "custos do trabalho" (parte do "Custo Brasil") seriam muito elevados (em comparação com os "custos" em que países? Na China? Nos Estados Unidos? Na Alemanha?) e que, portanto, seria necessário reduzir esses "custos", impedindo aumentos "artificiais" do salário mínimo (já que não haveria escassez de mão de obra), reduzindo os benefícios da legislação trabalhista, estimulando a rotatividade da mão de obra etc.

Quanto ao "Custo Brasil", argumentam com os altos custos de transporte e de energia, com a carga tributária elevada, com a multiplicidade de impostos, com a burocracia "infernal".

Reclamam, também, da intervenção "excessiva" do Estado (empresas estatais e regulamentação) e pedem, ainda que até agora apenas insinuem, a privatização dessas empresas e a "desburocratização", isto é, menos lei e mais liberdade para o capital.

Segundo os defensores do programa de austeridade, em decorrência do aumento da produtividade interna, a competitividade internacional seria alcançada, com todas as suas vantagens, tais como um superávit comercial estável, a diversificação dos mercados e o aumento das exportações de manufaturados.

Assim, a crise atual seria superada. Todavia, a verdade é outra.

A crise atual, em parte verdadeira e em parte fabricada, decorre da revolta conservadora devido ao fato de a Presidenta Dilma ter cometido dois "pecados mortais" à luz dos interesses do "mercado", isto é, daqueles indivíduos beneficiários da concentração de riqueza, de renda e de poder político no Brasil, que são os grandes multimilionários, os latifundiários rurais e urbanos, os rentistas, os banqueiros, e seus representantes na mídia, no Congresso, no Judiciário.

O primeiro "pecado" foi a política de redução, ainda que temporária, das taxas de juros; o segundo "pecado" foi o apoio, ainda que tímido, à democratização dos meios de comunicação.

O sistema financeiro e bancário é o principal instrumento de concentração de riqueza no Brasil. Ao reduzir as taxas de juros dos bancos públicos e ao forçar a redução dos juros dos bancos privados (que foi logo compensada pelo aumento das "taxas" de administração) a Presidenta diminuiu a transferência de riqueza da sociedade e do Estado para os bancos privados, seus acionistas e os detentores de títulos públicos. A Presidenta atingiu o cerne do mecanismo de concentração do sistema econômico e provocou a ira dos setores conservadores que hoje pedem a privatização dos bancos públicos.

O sistema de comunicações no Brasil é o instrumento das classes dominantes para construir o imaginário do povo, para manipular as informações e para justificar o sistema econômico e social vigente e desmoralizar aqueles que lutam por mais igualdade, mais liberdade, mais fraternidade e pelos direitos das minorias, em um contexto de desenvolvimento.

A concentração do poder midiático condena os que ele acusa ao difundir e repetir incansavelmente "informações" antes de julgamentos e transformou o mensalão em julgamento prévio contra o qual não soube resistir o STF ao aceitar a conduta imprópria de seu Presidente da época e a intimidadora campanha de imprensa.

O mesmo ocorre com a operação Lava Jato. Não há nenhuma iniciativa do Poder Judiciário para impedir a formação de uma opinião pública contra os acusados, gerada pelas denúncias sem provas, feitas por criminosos confessos que denunciam a torto e a direito quando, no caso dos procedimentos de delação premiada, as investigações deveriam ser feitas sob o maior sigilo, já que se trata de denúncias feitas por criminosos em busca de vantagens pessoais. A mídia transformou o pedido da Procuradoria Geral da República de investigar determinados indivíduos em prova de sua culpa. Aqueles indivíduos, políticos ou não, que vierem a ser investigados e julgados culpados devem ser punidos com rigor, mas a imprensa não pode substituir o Poder Judiciário nem constrangê-lo, por motivos puramente políticos.

Ao ameaçar aqueles dois pilares da ordem conservadora, o sistema financeiro e a mídia, a Presidenta Dilma se tornou "culpada" e a oposição insiste, ainda veladamente, e à vezes já abertamente, em que deve ser punida pela destituição do cargo por um processo de impeachment.

Seria importante que o Governo compreendesse que o que está de fato ocorrendo é uma manobra política cujos objetivos são, pela ordem:

--fazer o Governo adotar o programa econômico e social do "mercado", isto é, da minoria multimilionária e de seus associados externos;

--ocupar os cargos da administração pública (Ministérios, Secretarias Executivas, agências reguladoras) com representantes do "mercado";

--enfraquecer política e economicamente o Governo;


--enfraquecer o PT e os partidos progressistas com vistas às eleições de 2018;

--aprovar leis de interesse do "mercado"; e, se nada disso ocorrer, 

--fazer o Governo "sangrar" e aí, então, se necessário e possível, exigir o impeachment da Presidenta.

Contra essa enorme e múltipla ofensiva econômica, midiática e política do "mercado" e de seus representantes, somente há uma estratégia possível: a ação política intensa junto aos movimentos populares, junto às organizações da sociedade civil, junto ao Congresso, junto à Administração Pública e aos Governadores, enfim, a mobilização da sociedade pelo seu esclarecimento para a defesa da democracia em toda sua integridade.

É indispensável que, na distribuição de suas verbas de publicidade, o Governo leve em consideração a existência de televisões comunitárias, universitárias, educativas, de rádios comunitárias, de blogs e sites, e dos pequenos e médios jornais e emissoras regionais e deixe de concentrar a distribuição de verbas e anúncios apenas na grande mídia, o que fortalece os oligopólios que atuam de forma ostensivamente partidária e contra a maioria do povo, estimulando antagonismos violentos e radicalizando a sociedade.

As manifestações populares contra o Governo e contra a Presidenta Dilma têm reunido cidadãos que, em sua maioria, votaram contra a reeleição da Presidenta em 2014.

Hoje, insuflados pela mídia e por organizações de identificação e origem nebulosa, através das redes sociais, inconformados com a derrota e a pretexto da denúncia de corrupção, iniciam o processo político de "Fora Dilma", que é, de fato, uma campanha pró-impeachment.

O impeachment é o golpe de Estado do "mercado". Aqueles que defendem hoje o impeachment e criam o clima de instabilidade e de radicalização são os mesmos golpistas históricos de 1954 e de 1964: as classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia e não os aceitam, apesar de ter o Brasil uma concentração de renda que se encontra entre as dez piores do mundo, enquanto seu PIB é um dos dez maiores do mundo, e de ser urgente deter o processo de concentração de renda (que a crise acentua) para que seja possível construir uma sociedade mais justa, mais democrática, mais próspera, mais estável.

Para que esse objetivo possa ser alcançado, é preciso que a sociedade brasileira não se submeta à ditadura do "mercado", cujos integrantes têm sido os grandes beneficiários da crise, que se iniciou em 2008 e não apresenta sinais sólidos de fim."

FONTE: escrito pelo embaixador SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES e publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/182939/Impeachment-golpe-de-Estado-e-ditadura-de-%E2%80%9Cmercado%E2%80%9D.htm).