domingo, 16 de novembro de 2008

GOVERNO DEVE SE TORNAR ACIONISTA DA AVIBRÁS

Li ontem no jornal Folha de São Paulo a seguinte reportagem de Fábio Amato, da Agência Folha, em São José dos Campos:

“O governo federal deve se tornar acionista da Avibrás, uma das maiores e mais tradicionais fabricantes de armamentos do país. A idéia é ajudar a reerguer a empresa, considerada estratégica pelo Ministério da Defesa e por militares, mas que há anos enfrenta dificuldades financeiras e, atualmente, encontra-se em processo de recuperação judicial.

A possibilidade de ter o governo como acionista é um dos pontos do plano de recuperação. Para que isso se concretize, é necessário que o documento seja aprovado pelos credores, o que deve acontecer nos próximos meses. O ministro Nelson Jobim (Defesa) já considera o negócio consumado.

De acordo com o advogado da Avibrás, Nelson Marcondes Machado, a dívida da empresa é de R$ 640 milhões. Deste total, cerca de R$ 400 milhões são débitos com o governo federal. Pelo plano de recuperação, esse valor seria transformado em ações da Avibrás, que ficariam em poder da União.

Como o patrimônio líquido da fabricante é avaliado em R$ 1,5 bilhão aproximadamente, isso significa que o governo pode ser dono de 25% da Avibrás. Além disso, de acordo com o plano, a União teria uma "golden share", ação especial que dá o direito de vetar decisões tomadas pela direção da empresa (o governo possui uma "golden share" da Embraer).

Ainda de acordo com Machado, João Brasil Carvalho Leite -que detém cerca de 70% da Avibrás- manterá o controle na nova estrutura societária. Ele é filho do fundador da Avibrás, João Verdi de Carvalho Leite, que desapareceu em janeiro durante viagem de helicóptero. O advogado disse que a direção da Avibrás é favorável à parceria com o governo.

A direção espera evitar, com a parceria, problemas como o ocorrido durante a venda para o governo da Malásia de 212 milhões em sistemas lançadores de foguetes Astros-II, seu principal produto. A empresa alega que o negócio quase naufragou devido à demora do governo em conceder autorização para a venda e que esse foi um dos fatores que contribuíram para o pedido de recuperação judicial. "A Avibrás é uma empresa estratégica, a única no Brasil que produz um sistema de artilharia e detém conhecimentos na área de foguetes", afirmou o pesquisador de assuntos militares Expedito Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora”.

2 comentários:

  1. Conheço a Avibras há muito tempo.
    Realmente o mercado em que atuou sempre foi muito difícil.
    Entretanto seu maior problema sempre esteve dentro de seus portões : uma gestão fraca e amadorística.
    No fundo, uma genuína incompetência empresarial de seu fundador, sem negar entretanto sua capacidade e inteligência em outros setores. Mas ser empresário é outra coisa.
    Gostaria que ao invés do Governo assumisse um outro grupo empresarial brasileiro como ocorreu com a Embraer em sua privatização, para desenvolverem produtos mais modernos tecnologicamente e tentar dar à Avibras algo que ela nunca teve :
    uma GESTÃO PROFISSIONAL

    Sds
    Iuri

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  2. Prezado Iurikorolev,
    Concordo que a AVIBRAS precisa de melhor gestão e de apoios governamentais semelhantes aos que a EMBRAER recebeu e recebe, especialmente aquisições e financiamentos. Não concordo com o exemplo EMBRAER. O tal "grupo governamental brasileiro" (Banco Bozano Simonsen, principalmente) foi entreguista, antinacional, bem ao estilo PSDB/FHC. Hoje, as ações ordinárias, que definem a propriedade e o controle da EMBRAER, estão quase todas em mãos estrangeiras. A "golden share" demonstrou ser inócua.
    Maria Tereza

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