domingo, 31 de agosto de 2008

LULA ATINGE POPULARIDADE RECORDE EM SÃO PAULO

LULA ATINGE POPULARIDADE RECORDE NA CIDADE DE SÃO PAULO, DIZ DATAFOLHA

O portal UOL postou sábado à tarde a seguinte notícia da Folha Online, que aponta forte popularidade do Presidente Lula na cidade de São Paulo:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu índice de popularidade recorde na cidade de São Paulo --49%--, segundo pesquisa Datafolha. O resultado faz de Lula o mais importante cabo eleitoral para a candidata petista à Prefeitura, Marta Suplicy.

Neste sábado, Lula participou de uma carreata e de um comício de apoio à candidatura de Marta. Ele criticou a disputa por sua imagem nas eleições e disse que, em São Paulo, tem "lado": Marta Suplicy. "Eu sou presidente de todos os brasileiros, mas eu tenho lado, e em São Paulo estou do lado de Marta Suplicy para prefeita", disse.

Pesquisa Datafolha publicada na edição deste sábado da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL ou do jornal) aponta que Marta lidera a disputa pela Prefeitura com 39% das intenções de voto contra 24% de Geraldo Alckmin (PSDB) e 16% do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.”

BNDES: PAÍS VIVE CICLO DE INVESTIMENTOS AMPLO E ROBUSTO

Leonardo Goy e Fabio Graner, da Agência Estado, escreveram no Estadão que o BNDES estima que a taxa de investimento chegará a 21% do PIB em 2010.

“O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje que o Brasil vive um ciclo de investimentos amplo e robusto. Ele destacou que após um ano da crise internacional gerada pelos problemas com as hipotecas de segunda linha (subprime) nos Estados Unidos, as decisões de investimentos no Brasil "nem tremeram".

Segundo ele, os dados do BNDES mostram que desde a eclosão da crise, em agosto de 2007, os projetos de investimento em análise na instituição cresceram 30%. Em sua apresentação na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Coutinho destacou que a taxa de investimento no Brasil tem crescido duas vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, esse ritmo indica que o nível de investimento do País chegará a 21% do PIB em 2010. Em 2008, ele calcula que esse indicador ficará em 18,5% do PIB.

INVESTIMENTOS

O presidente do BNDES apresentou um mapeamento que mostra que os investimentos no período de 2008 a 2011 devem chegar a R$ 1,5 trilhão, o que implica uma taxa de crescimento anual de 18%.

Apesar do discurso otimista, Coutinho ponderou que não há motivo para "subir no salto alto" e é preciso trabalhar para elevar a poupança interna e colocar o País no grupo dos países que têm autonomia para crescer. "Não quer dizer que está tudo resolvido. Há uma travessia pela frente, mas assim como atravessamos este último ano, podemos continuar essa travessia. O padrão de crescimento é virtuoso. Temos um mercado interno que é um ativo do Brasil com um potencial tremendo", afirmou. Coutinho disse também que os fundamentos da economia brasileira estão muito sólidos, dando previsibilidade aos empresários para que possam investir.

Coutinho apresentou também dados sobre uma série de projetos de investimentos em vários setores e ressaltou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução "do barco sólido e bem construído" do Brasil. "Temos no comando um timoneiro firme", comentou.

TREM-BALA RIO-SP-CAMPINAS

Coutinho disse também que o leilão de concessão para o projeto do trem-bala (trem de alta velocidade), que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, no interior paulista, deverá ocorrer em fevereiro de 2009. Segundo ele, a idéia é que a linha comece a operar em 2014 e o investimento na construção foi estimado em US$ 11 bilhões. O BNDES foi encarregado pelo governo de concluir os estudos técnicos de viabilidade econômica e financeira do projeto do trem-bala.

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, disse que esses estudos devem ser concluídos em outubro. Segundo ele, técnicos do ministério vão se reunir na próxima segunda-feira (dia 1º) com representantes do governo do Estado de São Paulo para discutir a parte paulista do projeto.”

CRESCIMENTO DO PIB ESTE ANO PODE SUPERAR 5%

O Estadão publicou esta semana, em texto de Renata Veríssimo da Agência Estado, que a expectativa do MPOG é de o PIB brasileiro crescer mais de 5% este ano.

“O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou hoje que o País tem grandes chances de registrar um crescimento econômico acima de 5% em 2008. Com um crescimento acima de 5% nos anos de 2007 e 2008, o governo acredita que a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) poderá chegar a 4,5% em 2009, apesar das projeções de mercado estarem abaixo de 4%.

"Este ano, temos grandes chances de ultrapassar a meta de 5%. E, para 2009, nós estamos apostando em 4,5%. É bom lembrar que tivemos um crescimento de 5,4% em 2007 e podemos ultrapassar perfeitamente os 5% este ano. Portanto,4,5% sobre essa base de dois anos de expansão acima de 5% é um crescimento muito importante. Por isso, estamos muito otimistas", declarou o ministro, ao chegar ao Ministério da Fazenda para participar da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ao encaminhar ontem ao Congresso Nacional a proposta de Lei Orçamentária para 2009, o governo utilizou como um dos parâmetros econômicos a estimativa de crescimento do PIB de 4,5% em 2009. Bernardo comentou a previsão, também incluída no Orçamento, de uma inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), dentro do centro da meta, que é de 4,5%. "Estamos convencidos de que a inflação tem todas as condições de convergir para a meta em 2009. O ministro Meirelles (o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles) tem dito, repetidas vezes, que nós queremos buscar a meta de 4,5% em 2009", afirmou o ministro do Planejamento.”

GEÓRGIA: PRIMEIRO-MINISTRO RUSSO PUTIM COM OS EUA

Putin diz que EUA podem ter provocado conflito na Geórgia

Casa Branca diz que declarações de premiê russo 'não são racionais'.

Li esta semana essa matéria da agência inglesa de notícias BBC no jornal O Estado de São Paulo:

“O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira que suspeita que, por motivos políticos domésticos, os Estados Unidos tenham provocado o conflito na Geórgia.

O premiê afirmou que ouviu de seus oficiais de defesa que o objetivo da ação americana era beneficiar um dos candidatos à Casa Branca.

"A suspeita é de que alguém nos Estados Unidos criou esse conflito especialmente com o propósito de tornar a situação mais tensa e criar uma vantagem competitiva para um dos candidatos brigando pelo posto de presidente dos Estados Unidos", disse Putin, em entrevista à rede de TV americana CNN.

"Deve-se admitir que eles (os americanos) fariam isso somente se estivessem seguindo ordens diretas de seus líderes". "O fato é que cidadãos americanos realmente estavam na área durante o conflito (na Ossétia do Sul)", continuou. "O lado americano, na verdade, armou e treinou o Exército da Geórgia."

CASA BRANCA

A porta-voz da Casa Branca Dana Perino disse que as afirmações de Putin "não são racionais". "Sugerir que os Estados Unidos orquestraram isso em benefício de um candidato presidencial - não soa racional", afirmou Perino. "Essas alegações, em primeiro lugar e antes de mais nada, são claramente falsas, mas também parece que seus oficiais de defesa que disseram acreditar nisso estão prestando a ele um péssimo serviço", afirmou a porta-voz da Casa Branca.

O conflito na região do Cáucaso se acentuou no início deste mês, quando a Geórgia lançou uma operação militar para retomar a província separatista da Ossétia do Sul, que tem o apoio da Rússia. Forças georgianas, russas e da própria Ossétia do Sul estiveram envolvidas em combates que causaram mortes e destruição na província. Ocorreram ainda choques na Abecásia, outra província separatista georgiana, e ataques russos em outras partes da Geórgia.

O conflito foi encerrado mediante um acordo de cessar-fogo proposto pela União Européia, que previa a retirada das tropas da região. No entanto, a tensão se agravou nesta semana, depois de a Rússia anunciar que reconheceu formalmente a independência das duas províncias rebeldes.

AMEAÇA DE SANÇÕES

Nos últimos dias, diversos países condenaram a decisão do Kremlin.

Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que os líderes da União Européia consideram a possibilidade de impor sanções à Rússia.

Kouchner disse que a França não apresentou nenhuma proposta de sanção mas, como ocupa a presidência rotativa do bloco, buscaria consenso entre os 27 países membros caso a imposição de sanções fosse considerada.

O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, desdenhou as declarações de Kouchner e afirmou que a ameaça de sanções é uma resposta emocional aos problemas na Geórgia.

Também nesta quinta-feira, em uma reunião de cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), a Rússia não conseguiu apoio de seus aliados asiáticos no reconhecimento da independência das duas províncias da Geórgia.

Os delegados da SCO - que reúne Rússia, China e países da Ásia Central - expressaram preocupação com os eventos relacionados à Ossétia do Sul e destacaram a importância de manter a unidade e a integridade territorial de um Estado.

Em meio à crescente tensão, a Rússia anunciou nesta quinta-feira que testou com sucesso um de seus novos mísseis balísticos intercontinentais Topol, lançado de uma base no extremo leste do país.”

CIDADES DA IDADE MÉDIA NA AMAZÔNIA

CIENTISTAS ACHAM SINAIS DE CIDADES ANCESTRAIS NO XINGU

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou esta semana matéria da agência inglesa BBC que noticia que foram encontrados sinais de comunidades urbanas complexas que teriam vivido na Amazônia há mais de seiscentos anos.

“Cientistas disseram ter encontrado evidências da existência de comunidades urbanas tão complexas quanto as da Europa Medieval ou as da Grécia Antiga na região do Alto Xingu, na Amazônia.

Em um artigo publicado na revista científica Nature, pesquisadores da Universidade da Flórida afirmaram ter encontrado sinais da existência de vilarejos e cidades cercadas por muralhas, conectadas por redes de estradas e organizadas ao redor de grandes praças centrais. Há também sinais de atividades agropecuárias extensivas, inclusive possíveis resquícios de criações de peixes.

Essas aglomerações urbanas datam de antes da chegada dos europeus, em 1492, e estão quase completamente cobertas pela floresta tropical, segundo os cientistas.

DESCENDENTES

Os pesquisadores disseram que, apesar de os indícios da existência dessas cidades estarem quase invisíveis, foram identificados por membros da tribo Kuikuro, que habita a região. Esses índios, segundo os cientistas, são descendentes diretos dos povos que habitaram essas cidades.

Os cientistas também usaram imagens de satélite e tecnologia de navegação por GPS para mapear essas comunidades antigas, em um trabalho realizado ao longo de uma década.

Os pesquisadores afirmaram que um aspecto importante dessa descoberta é a constatação de que uma região da Amazônia antes considerada intacta na verdade já foi cenário de extensiva atividade humana no passado.

Conforme os cientistas, essas descobertas poderão fornecer lições para estimular o desenvolvimento sustentável da região.”

BRASIL BATE RECORDE MUNDIAL NA INTERNET

O jornal Folha de São Paulo publicou esta semana que, em julho, o Brasil teve ainda maior tempo de navegação na internet.

Li essa notícia na Folha Online e há dois dias.

“Influenciado pelas férias escolares, o período de julho rendeu dois recordes à internet brasileira. O país registrou no mês passado o maior volume de internautas residenciais (23,7 milhões de pessoas) e o maior tempo médio de navegação (24 horas e 54 minutos por pessoa). Os dados foram divulgados ontem pelo Ibope/NetRatings.

Em julho de 2007, o país possuía 18,5 milhões de internautas residenciais -ou seja, houve um crescimento de 28% em um ano. O número também é 3,5% maior se comparado a junho deste ano. Nesta categoria, o Ibope considera apenas internautas que acessaram a rede ao menos uma vez de casa.

O internauta residencial brasileiro também ficou uma hora e 42 minutos a mais on-line do que em junho, em média. É o maior patamar alcançado desde o início da pesquisa, em setembro de 2000.

Os dados mostram também que, de férias, os internautas mirins se destacaram na rede. Cerca de 2,5 milhões de crianças de dois a 11 anos navegaram de casa no período -10,6% do total de pessoas que acessaram a rede no país.

MAIS TEMPO NA REDE

Segundo a metodologia do Ibope, o Brasil possui o internauta residencial que mais tempo permanece na rede.

Os países que mais se aproximaram do tempo brasileiro são Alemanha (21 horas e seis minutos), Estados Unidos (20 horas e 50 minutos), França (20 horas e 17 minutos) e Japão (19 horas e 21 minutos).

Dados relativos ao primeiro trimestre deste ano apontam que 41,5 milhões de pessoas com 16 anos ou mais dizem ter acesso à internet de qualquer ambiente -casa, trabalho, escola, lan houses etc.

A internet também foi o meio de comunicação que mais cresceu, percentualmente, em investimento publicitário no Brasil no primeiro semestre deste ano.

A rede faturou R$ 321 milhões no período, uma alta de 45% em relação ao ano passado. As informações divulgadas são do projeto Inter-Meios, que mede o faturamento de empresas de mídia.

O avanço da web, tanto em audiência quanto em publicidade, afeta o desempenho da TV, maior meio de comunicação do país, segundo o Ibope. Na última sexta-feira, Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Rede Globo, afirmou que os radiodifusores têm saudades do tempo em que não havia ameaça das novas mídias ao seu modelo de negócios.”

PROGRAMA ESPACIAL, O SONHO POSSÍVEL

O jornal Folha de São Paulo de 28/08, em sua coluna “Tendências/Debates”, publicou um artigo de Carlos Ganem, economista, advogado e administrador de empresas, atual presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Transcrevo:

Chegar ao espaço é uma meta que será cumprida em um futuro próximo. Mas o Programa Espacial Brasileiro vai muito além disso.

“Um programa espacial é muito mais do que fazer e lançar foguetes, satélites e veículos espaciais. É mais do que uma área física, onde se instalam radares, equipamentos de telemetria, meteorologia e torres de lançamento. É um objetivo que congrega os sonhos de conhecimento e domínio do espaço que está presente desde os primórdios da humanidade na sua atitude diante do universo.

Essa meta não é fácil de alcançar. A atividade espacial é complexa, exige planejamento, longo prazo de maturação e, ainda assim, é de alto risco. Grandes conquistas foram alcançadas por meio da atividade espacial. Atualmente, diminuímos as distâncias por meio das telecomunicações, que levam informação, saúde e educação a lugares de difícil acesso. Mapeamos com precisão o planeta, fazemos previsões meteorológicas cada vez mais acuradas...

Mas esse desenvolvimento cobra um preço. Não é por acaso que, com pouquíssimas exceções, praticamente todos os programas espaciais do mundo exibem um longo histórico de tristes ocorrências. E, no Brasil, esse desenvolvimento não foi diferente.

A última sexta-feira foi um dia triste para o Programa Espacial Brasileiro, em que lembramos dos 21 técnicos que há cinco anos perderam suas vidas no acidente ocorrido em Alcântara (MA), acreditando no sonho de garantir ao Brasil o acesso ao espaço. Em respeito à memória dos que se foram e sem desistir de proporcionar ao país a soberania e os benefícios advindos da tecnologia espacial é que precisamos continuar esse projeto.

Chegar ao espaço é uma meta que será cumprida em um futuro próximo. Em 2010, deverá ser lançado o primeiro protótipo de uma nova série de foguetes que está sendo desenvolvida no Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), a do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Nesse mesmo ano, deverá ser lançado pela Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional Brasil-Ucrânia, o primeiro foguete, Cyclone-4, a partir de Alcântara, abrindo-nos as portas para a exploração comercial das atividades espaciais.

Mas o Programa Espacial Brasileiro vai muito além disso. As atividades espaciais que serão desenvolvidas em Alcântara serão a base da criação de um pólo de desenvolvimento socioambiental, cultural, turístico, econômico e tecnológico que constituirá o Complexo Espacial de Alcântara (CEA). Isso permitirá a inclusão cidadã da vila de Alcântara e de toda a comunidade quilombola que vive em torno do projeto.

A plataforma multimissão, que está sendo desenvolvida pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pela indústria nacional, será a base de diversos satélites que muito contribuirão para o conhecimento e o monitoramento do nosso território.

O satélite CBERS, desenvolvido em parceria com a China, já produziu 500 mil imagens de sensoriamento remoto que foram distribuídas gratuitamente via internet.

Atualmente, fabricamos foguetes de sondagem que estão entre os melhores existentes e permitem a realização de pesquisas e experimentos em ambientes de microgravidade por instituições de pesquisa brasileiras.

O AEB Escola, programa desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira há dez anos, leva a milhares de estudantes o conhecimento e o estímulo para as atividades espaciais por meio de oficinas e formação continuada de professores. Do mesmo modo, realiza, anualmente, a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, que tem como objetivo despertar o interesse dos alunos do ensino médio e fundamental para a temática espacial, em parceria com a Sociedade Astronômica Brasileira.

É a maior garantia de que, no futuro, teremos essa ação de responsabilidade social, gerando mão-de-obra técnica e científica aplicada ao segmento espacial.

Ter um satélite geoestacionário brasileiro usado para fins meteorológicos, de comunicação e de defesa é um projeto que nos libertará de parte da dependência externa. Hoje, todos esses serviços são fornecidos por satélites estrangeiros.

O Programa Espacial Brasileiro está vivo, operante e com ações que o suportam e o estruturam. Sua afirmação estratégica para o Estado brasileiro é reconhecida como prioritária pelo presidente Lula.”

O PRÉ-SAL É ELEITOREIRO?

O jornal Folha de São Paulo publicou esta semana texto de Valdo Cruz que demonstra justamente o contrário. Se fosse eleitoreiro, Lula manteria as regras do jogo implantadas pelo governo tucano de FHC.

Vejamos o artigo da Folha:

TENTAÇÕES

“A oposição tem acusado o presidente Lula de usar o debate do pré-sal com fins eleitoreiros, para turbinar a campanha de 2010 e garantir a eleição de seu sucessor. Mais precisamente, a ministra Dilma Rousseff.

Tudo bem. Esse realmente será um tema da eleição, e Lula vai, sim, tentar tirar proveito dele na campanha. Sua equipe, contudo, diz que o discurso da oposição está totalmente desfocado.

Paulo Bernardo, por exemplo, afirma que, se o chefe realmente tivesse a intenção de faturar alto com o pré-sal, o melhor caminho seria o oposto do adotado. Seria manter tudo como é hoje. Daí, bastaria mandar leiloar as áreas do pré-sal imediatamente, dentro das regras atuais. Diante do potencial dessas reservas e da qualidade do óleo, choveriam propostas de compra, a excelentes preços. Resultado: muito dinheiro -muito mesmo- começaria a entrar nos cofres do Tesouro agora, e o presidente teria muita grana em caixa para investir e, aí sim, ninguém iria segurar o seu candidato.

Esse, na opinião do ministro do Planejamento, seria o caminho fácil, mas descompromissado com o futuro do país.

Não por outro motivo é o modelo norueguês aquele que mais atrai o governo brasileiro, baseado na criação de um fundo com a riqueza do petróleo para as futuras gerações. Se realmente for esse o roteiro a ser seguido, não há como não concordar com os argumentos do ministro. A dúvida é se ele realmente será cumprido, já que, até aqui, o governo gerou mais confusão do que clareza sobre o futuro da exploração do pré-sal brasileiro.

Afinal, tentações não faltam. Não é que recentemente circulou dentro do governo a idéia de antecipar uma parte da receita dessas reservas com o lançamento de títulos no exterior. Dizem, ainda bem, que a idéia não prosperou. Se vingasse -vai que volta, nunca se sabe-, seria gastar hoje a grana do amanhã. Brincadeira.”

sábado, 30 de agosto de 2008

FGV: CONFIANÇA DA INDÚSTRIA É A 2ª MAIOR DA SÉRIE

Esta semana, o portal UOL publicou reportagem de Alessandra Saraiva, da Agência Estado

“O Índice de Confiança da Indústria (ICI), indicador-síntese da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, subiu 1,1% em agosto ante julho, informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na passagem de julho para agosto, o indicador subiu de 121,5 pontos para 122,8 pontos. Esse patamar é o segundo maior da série histórica do índice, iniciada em abril de 1995, perdendo apenas para o nível de outubro de 2007, quando ficou em 123,4 pontos.

O ICI é um indicador que utiliza para cálculo uma escala que vai de 0 a 200 pontos, sendo que o resultado do índice é de queda ou de elevação, se a pontuação total das respostas fica abaixo ou acima de 100 pontos, respectivamente.

A FGV também revisou o ICI referente ao mês passado. Em julho, a FGV anunciou queda de 0,7% para o índice - mas no comunicado anunciado hoje, a instituição informou que houve queda menor, de 0,2%, para o desempenho do mês passado.

Na comparação com agosto do ano passado, o ICI registrou alta de 0,7%, em igual mês este ano – resultado superior à taxa negativa de 0,2% em julho, na mesma base de comparação. Essa queda de 0,2% também foi atualizada pela fundação, que no mês passado informou taxa negativa de 0,7% para o ICI nessa base de comparação.

O ICI é composto por dois indicadores. O primeiro é o Índice da Situação Atual (ISA), que ficou estável em agosto, ante alta de 0,3% em julho. O segundo componente do ICI é o Índice de Expectativas, que apresentou aumento de 2,3% em agosto, ante queda de 1,8% em julho. Na comparação com agosto do ano passado, houve alta de 0,3% para o índice de Situação Atual e aumento de 1,2% para o indicador de Expectativas.

O levantamento para cálculo do índice foi entre os dias 1 e 26 desse mês, em uma amostra de 1.012 empresas informantes.

NUCI

O Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria, sem ajuste sazonal, alcançou patamar 86,5% em agosto, segundo a FGV. No mês passado, o nível, sem ajuste, registrou resultado de 86,1%.

Na série mensal elaborada pela FGV para o índice, sem ajuste sazonal, o Nuci registrado em agosto foi o maior do ano - sendo o mais elevado desde dezembro do ano passado, quando teve patamar de 86,7%.”

DIMINUI MUITO O DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA

INPE CONFIRMA REDUÇÃO DE 60% NO DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA LEGAL EM JULHO

O portal UOL publicou ontem essa notícia de Roberta Lopes, da Agência Brasil.

“O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou hoje (29) avaliação da área desmatada na Amazônia Legal - que inclui os Estados do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, de Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão - o que representa 5.217.423 quilômetros quadrados.

De acordo com os dados do Inpe, foram desmatados 323 quilômetros quadrados da área da Amazônia Legal, o que representa uma redução de cerca de 60% em relação ao mês de junho, quando 827 quilômetros quadrados foram devastados.

O Estado onde houve o maior índice de desmatamento foi o Pará com 235,6 quilômetros quadrados, seguido do Amazonas com 23,9 quilômetros quadrados. Amapá e Roraima não puderam ser monitorados adequadamente por terem alto índice de nuvens, o que dificultou a avaliação do satélite.”

BRASIL TEM 189,6 MILHÕES DE HABITANTES, ESTIMA IBGE

O portal UOL postou 6ª feira essa notícia do Valor Online.

“O Brasil possui 189,6 milhões de habitantes. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se refere à população residente em 5,565 mil municípios do país em 1º de julho deste ano.

São Paulo é o município mais populoso, com 10,990 milhões de habitantes. Em seguida, aparecem o Rio de Janeiro, com 6,161 milhões de pessoas, e Salvador, com 2,948 milhões de habitantes. Oito anos antes, em 2000, essas cidades abrigavam 10,434 milhões, 5,857 milhões e 2,443 milhões de pessoas, respectivamente.

A população no Distrito Federal soma 2,557 milhões de habitantes e chega a 2,473 milhões em Fortaleza, passando os 2,051 milhões e 2,141 milhões de habitantes registrados nessas localidades em 2000.

"Borá (SP) continua sendo o município com a menor população do país, estimada em 834 habitantes, 39 a mais que em 2000. Do seleto grupo dos cinco municípios brasileiros com menos de mil habitantes em 2000, somente Borá e Serra da Saudade (com 889 habitantes) continuam nessa posição em 2008", salientou o IBGE em nota.

O estudo inclui o novo município de Nazária, no Piauí.”

AMÉRICA DO SUL RESISTE À CRISE

A AMÉRICA DO SUL CONSEGUE RESISTIR À CRISE INTERNACIONAL

O portal UOL, trouxe-nos interessante texto de Paulo A. Paranaguá, do jornal francês Le Monde, traduzido por Jean-Yves de Neufville:

“A América Latina conseguirá manter sua trajetória econômica favorável, apesar da crise internacional. Esta avaliação é de autoria de um organismo das Nações Unidas que, ao longo dos últimos sessenta anos tornou-se uma referência em matéria de conjuntura regional. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) considera que a região deverá concluir o ano de 2008 com um crescimento global de 4,7% do produto interno bruto (PIB), contra 5,7% em 2007.

Este estudo, que foi divulgado na quarta-feira (27), em Santiago do Chile, prevê para 2009 um crescimento de 4%. Esta previsão baseia-se essencialmente no bom desempenho das economias sul-americanas (+ 4,5%), enquanto a América Central e o México alcançaram um resultado relativamente inferior, registrando um crescimento do PIB de apenas 2,8%.

Os números regionais apontam para situações bastante disparatadas. Assim, o Peru registra a maior taxa de crescimento entre todas, com 8,3%, enquanto o México acabou ocupando a última posição nesse pelotão, com apenas 2,5%. Por sua vez, o Brasil, o Chile, a Colômbia e a Venezuela se mantêm próximos da média.

O prognóstico da Cepal para 2009 permite prever que a região conhecerá seu sétimo ano consecutivo de crescimento, com uma taxa média superior a 3% do PIB por habitante, ou seja, uma situação que a América Latina nunca havia conhecido ao longo dos últimos quarenta anos. Esta melhora sensível deve-se em grande parte aos aumentos dos preços das matérias-primas, principalmente das cotações dos hidrocarbonetos e dos minérios.

SOBRESSALTOS

Entretanto, as "remessas", ou seja, as quantias que têm sido enviadas regularmente para as suas famílias pelos imigrantes latinos instalados na América do Norte e na Europa, contribuíram igualmente para esse bom desempenho. Em certos países da América Central e do Caribe, essas remessas constituem uma parte substancial do PIB.

O desaquecimento que a economia internacional vem registrando atualmente poderia traduzir-se por uma redução das importações e das remessas. No passado, em conseqüência das crises internacionais e da recessão que atingiram os países industrializados, os quais são compradores tradicionais das exportações latino-americanas, a região acabou sofrendo prejuízos importantes.

Atualmente, para enfrentarem uma conjuntura que se tornou desfavorável, as economias da América Latina estão mais fortes, pois elas estão nitidamente menos endividadas (33% do PIB em 2007 contra 36% no ano anterior) e, em certos casos, mais diversificadas. Enquanto isso, os equilíbrios financeiros passaram a ser mais respeitados, o que permitiu a manutenção de reservas de câmbio mais conseqüentes (46% do PIB no caso da Bolívia). No então, o México e a América Central permanecem mais dependentes dos sobressaltos econômicos nos Estados Unidos.

A melhora registrada na América Latina foi repercutida no plano social, com uma redução do desemprego (7,5% da população) e com a criação de empregos de melhor qualidade, o que contribuiu para a redução da pobreza.

Contudo, um latino-americano em cada três permanece "pobre", conforme lembra a Cepal, o que abrange uma população de 190 milhões de pessoas.

Além disso, os sucessivos aumentos dos gêneros alimentícios são suscetíveis de inverter essa tendência. No médio prazo, um eventual aumento de 15% dos preços dos alimentos acabaria arrastando novamente para a pobreza 15 milhões de latino-americanos, segundo aponta o relatório da comissão.

Somando-se à disparada das cotações do petróleo, os aumentos dos preços dos gêneros alimentícios de base maximizam o principal risco que paira sobre a região, apontado com ênfase pela Cepal: o da inflação, que deveria situar-se num patamar médio de 6,5% até o final de 2008. A Venezuela está na frente entre os países que mais vêm sofrendo da deriva inflacionária, com 32%, seguida pelo Nicarágua (23%) e a Bolívia (17%).”

ONU ESTIMULA CRIAÇÃO DE NAÇÃO INDÍGENA AUTÔNOMA DENTRO DO BRASIL

MINISTRO DEVE CITAR ONU CONTRA DEMARCAÇÃO

"Carlos Alberto Direito, do STF, contesta declaração sobre direitos dos índios, que teria artigos "incompatíveis" com a Constituição. Direito pode dizer que, em reserva contínua, índios têm respaldo para criar nação autônoma. Itamaraty diz que é só "carta de intenções".

Li essas oportunas reportagens de Sérgio Lima, da Folha Imagem, e de Felipe Seligman da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo:

"Índios pró-demarcação contínua da Raposa/Serra do Sol (RR) preparam-se para sair da Vila Surumu e voltar às suas comunidades.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Alberto Direito deverá citar documento da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre direitos dos índios para contestar, em seu voto, a forma de demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, defendida pelo relator do tema, ministro Carlos Ayres Britto.

A Declaração das Nações Unidas Sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada em setembro de 2007, tem o Brasil como um dos 143 signatários. Apesar de não ter força de lei, o documento possui termos e artigos que, segundo ministros da corte, seriam "incompatíveis" com a Constituição brasileira.

Direito poderá argumentar que os índios, em reserva contínua, ganham poderes com respaldo internacional que permitiria, inclusive, a criação de nação autônoma dentro do Brasil e que poderia sujeitar o país, em caso de atuação militar no interior da região, por exemplo, a ser acusado de cometer "infrações penais" por descumprir documento das Nações Unidas.

Exatamente por isso, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia decidiram não o assinaram.

No final do julgamento de anteontem, Direito falou com dois ministros. Eles se mostraram "preocupados" sobre os efeitos da declaração da ONU à questão indígena brasileira.

Ayres Britto também criticou em seu voto a declaração, mas não apontou os riscos que poderão ser apresentados por Direito e outros ministros ouvidos pela Folha.

O texto da declaração tem questões que seriam inadequadas ao texto constitucional brasileiro. A primeira é denominar índios como "povos indígenas", enquanto a Constituição afirmaria que só existe o "povo brasileiro". Em segundo, o uso da expressão "livre determinação", cuja tradução é contestada pelos ministros. O texto em inglês usa "self-determination", que deveria ser traduzida como "autodeterminação".

Também seria inconstitucional o fato de a ONU garantir a "povos indígenas" o direito de posse de suas "terras ou territórios". O Brasil só concede direito ao "usufruto exclusivo".

Para o Itamaraty, a declaração é uma "carta de intenções". E que o texto tem ressalvas no final, como não poder ser contrário à "integridade territorial de Estados soberanos".

RESERVA INTERNACIONAL DEVE DUPLICAR COM PRÉ-SAL

RESERVA INTERNACIONAL DEVE DUPLICAR COM PRÉ-SAL, DIZ MANTEGA

Ministro da Fazenda afirma que venda do petróleo será a base para equilibrar as contas externas do País

Vejamos o seguinte texto de Tatiana Fávaro, elaborado para a Agência Estado:

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, em Campinas (SP), que a venda do petróleo da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, será a base para o aumento das reservas internacionais de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões. "Não haverá mais problemas de contas externas no Brasil e, além disso, poderemos usar parte desse recurso para estimular setores da economia", afirmou.

Segundo Mantega, "o petróleo é uma grande vantagem que o Brasil terá para o futuro". "Com a perspectiva de o Brasil tornar-se um grande produtor e exportador de petróleo significa que a economia vai melhorar. Com a entrada do petróleo do pré-sal, que se dará não imediatamente, mas a partir de 2010, 2011, o Brasil terá um robustecimento das contas externas, porque teremos mais reservas do que temos hoje", afirmou.

"O presidente Lula já disse que quer direcionar uma parcela desse aumento de arrecadação, porque o petróleo é da União, o petróleo encontrado é de todos os brasileiros e uma parcela poderá ser investida, inclusive, na educação", salientou o ministro, que fez palestra sobre Globalização Financeira e Padrão Monetário Internacional no ciclo de seminários do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).”

COM O PRÉ-SAL, BRASIL CRESCE MAIS DE 6% AO ANO

“PRÉ-SAL DEVE ELEVAR CRESCIMENTO DO PAÍS A 6% AO ANO, DIZ EX-BC

Além da cadeia de petróleo, Langoni diz que exploração estimulará investimentos em equipamentos e serviços.

Esse texto de Rodrigo Viga Gaier, da agência Reuters, foi postado no site do “O Estado de São Paulo”. Traz boas notícias para os brasileiros.

“Os investimentos necessários para viabilizar a exploração do petróleo na camada pré-sal podem elevar o padrão de crescimento da economia do Brasil dos atuais 4% para 6% ao ano, avaliou o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni, em um seminário no Rio de Janeiro nesta sexta-feira. Segundo o economista, o pré-sal pode elevar a taxa de investimento do País dos atuais 16% para 25% a 26% do Produto Interno Bruto (PIB), no período de uma década, colocando o Brasil definitivamente em uma rota de crescimento sustentado.

"O Brasil passa por um período de transição econômica. Estamos na ante-sala do crescimento econômico que pode chegar a 6% ao ano com distribuição de renda e geração de riqueza", disse Langoni, na abertura do seminário Desafios do Pré-sal, na Firjan. O pré-sal é uma faixa em águas ultra profundas da costa brasileira, do Espírito Santo a Santa Catarina, que pode conter bilhões de barris de petróleo, colocando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da commodity.

O ex-presidente do BC ressaltou que o pré-sal movimentará a cadeia de petróleo, mas também estimulará investimentos indiretos no segmento de fornecedores de equipamentos e geração de serviços. "Com isso o pré-sal se constituiu em mais um elemento de redução da vulnerabilidade e mais um elemento para potencializar o crescimento brasileiro", acrescentou ele.

Para Langoni, a descoberta do pré-sal veio na hora certa e é fruto do modelo regulatório brasileiro, que a partir de 1998 abriu o mercado a empresas estrangeiras e permitiu que a Petrobras pudesse realizar novos investimentos. "Deus de fato é brasileiro. Ele nos deu essa riqueza no momento certo. A economia brasileira é sólida, diversificada e dinâmica. Em outros países o petróleo surgiu em uma fase inicial de crescimento", lembrou.

"O pré-sal é uma possibilidade concreta e histórica de consolidar o padrão de crescimento do país", acrescentou. O ex-presidente do BC defendeu a adaptação do atual marco regulatório ao pré-sal, com o aumento de taxas como royalties e participação especial.

Há quem defenda no governo a mudança no modelo de exploração, do atual regime de concessão para o de partilha. A posição de Langoni foi apoiada pelo presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Julio Bueno.

"Alimentar ondas de incertezas pode postergar ou paralisar investimentos e gerar prejuízo a milhares de acionistas, entre eles milhares de trabalhadores brasileiros (que usaram o FGTS para comprar ações da Petrobras)", disse Langoni.

"O governo tem soberania de fazer os ajustes. Defendemos a adaptação do modelo existente com a Petrobras com um papel preponderante", afirmou o presidente do IBP.”

BC: MÃO-DE-OBRA É O GARGALO PARA O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO

“DESAFIO É PROVER MÃO-DE-OBRA PARA CRESCIMENTO, DIZ MEIRELLES"

Presidente do Banco Central diz que expansão sustentada da economia depende de profissionais qualificados.

Li esse texto de Célia Froufe, da Agência Estado, no UOL. Ele toca em um problema crucial para a continuação do desenvolvimento brasileiro:

“Um dos maiores desafios do País hoje é prover mão-de-obra para promover o crescimento sustentado, afirmou nesta sexta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante aula magna realizada para alunos de engenharia da Universidade do Mackenzie. "Existe hoje grande demanda por profissionais qualificados", disse ele.

Após explicar o funcionamento do regime de metas de inflação, o presidente do BC afirmou que, no mundo, a experiência mostra que inflação baixa e sob controle é condição básica para o crescimento: "Não há trade-off de curto prazo entre desemprego e inflação." Ele citou que o BC mira o centro da meta de inflação, de 4,5%, mas ponderou que choques externos em algum momento podem desviar essa taxa para cima ou para baixo.

Durante seu discurso, Meirelles lembrou a hiperinflação do passado, quando algumas pessoas tinham, inclusive, licença do trabalho para realizar compras no dia do pagamento do salário. "Resumindo: inflação alta é um desastre."

Ainda sobre a questão da mão-de-obra qualificada, Meirelles mencionou que o momento é muito favorável aos engenheiros que estão se formando, porque a demanda por esses profissionais hoje é muito grande. "Aliás, faltam engenheiros no mercado", disse ele, lembrando que, quando se formou, o País também vivia um momento de crescimento, mas não havia por parte dos estudantes consciência de quanto a macroeconomia influenciava a vida de cada um. Ele recordou também que houve uma época em que arquitetos formados acabavam atuando em outras áreas, mas que hoje, com a melhora da economia, muitos estão voltando às suas profissões originais.”

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO

IRRESPONSABILIDADE DE TECNOBUROCRATAS ATRASA PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO

O Correio Braziliense ontem publicou um muito bom artigo de Roberto Amaral, Diretor-Geral no Brasil da Alcântara Cyclone Space e ex-ministro da Ciência e Tecnologia.

“Quando, em 2003, chegou-nos a temida notícia do acidente de Alcântara envolvendo o terceiro modelo do VLS-1 e sua plataforma de lançamento, construídos nos governos anteriores, assumi a responsabilidade, como ministro de Ciência e Tecnologia, de denunciar sua causa fundamental: a ausência de recursos. Sobre mim desabou, então, a fúria dos desinformados, as críticas dos mal-intencionados e o mau humor das viúvas do governo passado. Lembro-me das agressões que me foram lançadas por um fogoso senador amazonense. As declarações dadas à imprensa, repeti-as na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, ao lado do brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, então comandante da Aeronáutica.

Ali denunciamos a sistemática queda dos recursos destinados ao Programa Espacial Brasileiro. Queda absoluta e relativa, se comparados nossos investimentos com os dos outros países que lograram avanços na pesquisa aeroespacial e que continuam nos superando na corrida espacial. Este artigo tem um só objetivo: repetir a denúncia, como homenagem aos 21 heróis que sucumbiram graças à política de ciência e tecnologia do tucanato.

E, agora, não estamos sós na denúncia, pois o relatório da Comissão de Peritos que investigou o acidente indica, como uma de suas causas, a miséria orçamentária. Foi a ausência de recursos que determinou a evasão de cérebros, atrasou o programa e impediu a atualização científica e a acumulação de experiência pelos técnicos. E é uma pena que esse relatório não tenha merecido debate, do qual se ausentam autoridades, cientistas, empresários, Congresso e imprensa, a quem parecem não comover as questões profundas da nacionalidade.

Com a lógica irrefutável dos números, demonstraremos como os tecnoburocratas subtraíram de nosso povo o sonho do foguete nacional: negando recursos ao projeto do VLS. Assim: nossos investimentos caíram de US$ 18,3 milhões, em 1995, para US$ 1 milhão, em 1999 e, pasmem, despencaram para US$ 0,9 milhão em 2002, momento crítico do lançamento, marcado para o ano seguinte. Ou seja, nós, que já pouco investíamos, passamos a investir ainda menos.

Como sobreviver um programa espacial que, em 25 anos, se limita a três lançamentos de qualificação sem êxito? O VLS teve seu desenvolvimento iniciado em 1978 e a última tentativa de levá-lo ao espaço se deu em agosto de 2003. De lá para cá, revisões do projeto e lançamento de sondas.

De onde deriva nosso fracasso? Da incompetência de nossos técnicos? Da desídia do CTA? Não. Da irresponsabilidade de nossos tecnoburocratas que impõem aos programas estratégicos do país dietas orçamentárias que matam o paciente, pois eles não têm compromissos com a nação, nem respondem pelos fracassos e prejuízos que acarretam ao desenvolvimento do país.

Enquanto o Brasil investia US$ 1 milhão em seu Programa Espacial, em 1999, os Estados Unidos gastavam US$ 29,12 bilhões; a União Européia, US$ 5,6 bilhões; o Japão, US$ 2,01 bilhões; e a Rússia, em plena crise decorrente do fim da União Soviética, US$ 0,67 bilhão. Em 2006, graças à nova política implantada pelo governo, investimos US$ 100 milhões. Mas a Índia investe US$ 813 milhões; a Coréia do Sul, US$ 209 milhões.

Em 2002, o Dnit realizou concorrência, julgou-a e apurou o vencedor para a construção do atracadouro de Alcântara (MA), fundamental para o futuro Centro de Lançamento, e as operações da Alcântara Cyclone Space. Mas simplesmente se esqueceu de, no Orçamento da União, prever os recursos necessários. Conseqüência: a Agência Espacial Brasileira recomeçou do zero, em agosto de 2008.

O edital de licitação do Centro Espacial de Alcântara (CEA) ficou sob apreciação dos técnicos do Tribunal de Contas da União durante dois anos, ao cabo dos quais seus ministros, numa decisão patriótica e considerando a relevância do projeto, decidiram aprová-lo, mas condicionando tal aprovação à revisão de 1.862 itens. A Agência Espacial Brasileira achou mais prudente esquecer esse edital e começar tudo de novo. Quando teremos o CEA, sem o qual não teremos programa espacial, nem os burocratas sabem.

É por isso que nós, que já estivemos à frente da Índia, da Coréia do Sul e da China nos anos 1980, hoje estamos tão distanciados desses países. Por isso, por força do jejum de recursos e pela ação da burocracia, nosso satélite de sensoriamento remoto (Cbers 1, 2 e 2B) resulta de parceria tecnológica com a China (cabendo ao Brasil 30% de seu desenvolvimento) e é lançado da base chinesa de Tiyuan, por foguete chinês.”

LULA E O PRÉ-SAL

LULA DIZ QUE NÃO PODE GASTAR RECURSOS DO PRÉ-SAL SEM DEFINIR EXPLORAÇÃO

O Correio Braziliense publicou ontem:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (28/08) que o governo não pode dar início aos gastos dos recursos do pré-sal sem definir como será sua exploração.

"Se os recursos do pré-sal forem aquilo que imaginamos, o Brasil dentro de alguns anos se transformará em um grande produtor de petróleo. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar essa imensa riqueza. Não é porque tiramos bilhete premiado que vamos sair por aí gastando dinheiro que ainda não temos. O pré-sal é o passaporte para o futuro", afirmou, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Lula disse que vai receber, em setembro, sugestões elaboradas pela comissão do governo que analisa o pré-sal com diferentes modelos para sua exploração. "O Brasil não quer ser um mero exportador de óleo cru. Ao contrário, queremos construir no país uma indústria produtiva que agregue valor aqui dentro e exporte os derivados", disse.

O presidente reiterou que a prioridade dos gastos do governo com os recursos extraídos do pré-sal serão a educação e o combate à pobreza. "Nossa Constituição diz que as reservas de petróleo são da União. Não podemos perder isso de vista. Seu fruto deve beneficiar, em primeiro lugar, o povo brasileiro. Sua prioridade deve ser a educação e a miséria ainda existente nesse país. Trata-se de debate muito importante que interessa de perto todos os brasileiros", defendeu.

INFLAÇÃO E APAGÕES

Ao fazer um balanço do cenário econômico nacional, Lula assegurou que o governo não vai permitir o retorno da inflação ou mesmo os "apagões" no setor de energia. "O governo lançou no início do ano passado o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Nessa área, temos muito o que comemorar. A oferta de energia elétrica está garantida. A turma do contra que me desculpe, mas não haverá apagão no Brasil."

No que diz respeito à inflação, Lula disse que "em hipótese alguma" o governo vai permitir a irresponsabilidade fiscal no país. "Também conquistamos a estabilidade monetária. Em hipótese alguma permitiremos a volta a inflação e a irresponsabilidade fiscal nesse país. E continuaremos nos esforçando para melhorar ainda mais o ambiente econômico", afirmou.

POBREZA E DESIGUALDADES

Lula também comemorou o desenvolvimento econômico aliado ao social, além de ressaltar que o governo mantém como sua meta o combate à pobreza e redução das desigualdades. "Crescimento econômico com inclusão social, redução das desigualdades regionais, com base no amplo mercado de massa. Essa é outra conquista que veio para ficar", disse.

No discurso aos integrantes do CDES, o presidente afirmou que o crescimento brasileiro "não é um vôo de galinha", mas uma "águia que descobriu que pode voar mais alto do que ela estava acostumada a voar".”

INDÚSTRIA DE SÃO PAULO CRESCE MAIS QUE MÉDIA NACIONAL, DIZ FIESP

A Folha de São Paulo, com texto de Fernando Antunes em colaboração para a Folha Online, ontem publicou:

“O crescimento da produção da indústria de transformação de São Paulo nos últimos 12 meses é maior do que a média verificado no restante do Brasil, apontou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). De acordo com a instituição, o INA (Indicador de Nível de Atividade) registrou avanço de 8,4% em julho na comparação com igual período de 2007, sem ajuste sazonal.

Por sua vez, a média de crescimento da indústria no país, verificado pelo PIM (Pesquisa Industrial Mensal), que é apurado pelo IBGE (InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística), registrada até junho deste ano é de 6,7% superior ao mesmo mês de 2007. Mas se tirar os números referente a São Paulo do cálculo o percentual cai para 5,3%.

Segundo o PIM, a indústria de transformação de São Paulo cresceu 8,9% em junho deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. Esse resultado é superior ao próprio dado da Fiesp para o mês, que foi de 8,2%.

"O Estado de São Paulo está se destacando com relação ao resto do país. A nossa indústria está se movendo quatro pontos percentuais a mais que os outros Estados", afirmou o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp, Paulo Francini.

De acordo com a Fiesp, a indústria de transformação de São Paulo responde por 42,7% do setor no país.

ANO

No acumulado do ano até o mês passado, o INA mostrou alta de 8,9% sobre o mesmo período em 2007. Segundo a Fiesp, esse é o melhor resultado desde 2003, quando o índice no período registrava crescimento de 3,3%. Segundo Francini, a vantagem de São Paulo é explicada pelo bom momento vivido por alguns setores da indústria que tem maior concentração no Estado.

SENSOR

O Sensor Fiesp, indicador de previsões dos industriais paulistas, referente a agosto ficou em 54,9 pontos, contra 55,3 pontos em julho e 2,5 pontos acima do registrado no mesmo mês de 2007. Uma pontuação acima de 50 indica otimismo, enquanto que abaixo aponta deterioração das previsões dos entrevistados.

Na divisão por questões, o Sensor para Mercado, Vendas, Estoques e Emprego recuaram em agosto na comparação com julho, enquanto investimento aumentou.”

TORTURA EM GUANTÁNAMO – ILHA DE CUBA

George W. Bush volta e meia critica a pobreza em Cuba e o sofrimento dos cubanos. Ele “sabe das coisas”. Fala de cátedra. Ele conhece as torturas que ocorrem naquela ilha. Vejamos a reportagem de Andrea Aguilar, em Nova York, para o jornal espanhol El País:

ATRAÇÃO EM FEIRA NOS EUA SIMULA TORTURAS DE GUANTÁNAMO

"A polêmica nos EUA devido a uma atração em uma feira em Coney Island, Nova York, que imita as torturas infligidas na base militar americana em Cuba.

“Quarenta minutos de metrô separam Manhattan (o centro de Nova York) do histórico parque de atrações de Coney Island. Neste verão, além dos cachorros-quentes ou uma das montanhas-russas de madeira mais antigas do país, por US$ 1 os visitantes poderão ver durante 15 segundos uma simulação das torturas de Guantánamo. Grandes letras azuis anunciam no exterior a polêmica atuação projetada pelo artista Steve Powers. Uma escada permite que o espectador entre em uma cela. Através de uma grade se vê um robô vestido com um dos macacões laranja dos prisioneiros da base americana. Ele está inclinado e amarrado a uma tábua. O outro, com um capuz preto, segura uma jarra de metal com água. Quando o dinheiro entra na ranhura, a água cai sobre o rosto do preso que se agita e geme. O artista arrecadou US$ 140 no primeiro dia.

É a nova atração de uma feira pela qual passaram a menor mulher do mundo, famosos forçudos e "freaks" [horrores] de todo tipo. Em 1911, Samuel H. Gumpertz compreendeu como era lucrativo o negócio de mostrar raridades e deformações. Coney Island se transformou em um hit da cultura popular americana que não deixou de inspirar artistas e escritores.

O Grande Gatsby, do escritor Scott Fitzgerald, convida Nick a visitar a feira depois de seu encontro com a bela e caprichosa Baker. Woody Allen, em seu papel de namorado de Annie Hall, lembra sua infância sob a histórica montanha-russa e a fotógrafa Diane Arbus durante anos documentou a estranha fauna que habitava as cabines. Quase um século depois de Gumpertz implementar seu negócio de raridades, Coney Island resiste a duras penas diante da ânsia especulativa dos promotores imobiliários.

Junto ao Guantánamo de Powers, a Mulher Vulcão, coberta de tatuagens, explica que é capaz de tomar uma xícara de gasolina como se fosse chá. Nem ela nem sua companheira que toda tarde engole espadas se aproximaram ainda da atração vizinha. A nova cela faz parte do projeto Democracia para a América, uma iniciativa da organização Creative Arts. Mesas-redondas, representações de discursos históricos da nova esquerda e uma apresentação em que cerca de 40 bissexuais lêem uma carta de amor aos candidatos à presidência são algumas das atividades realizadas por esse grupo.

"A arte tem uma longa tradição no campo da polêmica, como elemento gerador de debate", explica Nato Thompson, curador do projeto. A organização para a qual trabalha começou nos anos 1970, década dourada da arte política e do protesto. Entre as ruidosas bancas de tiro e os carros de trombada, a nova montagem de Guantánamo não passa despercebida. John, ativista americano pró-direitos humanos da ONG O Mundo Não Pode Esperar, distribui informação sobre sua organização aos que se aproximam. "A tortura é um crime contra a humanidade. Um governo que tortura é criminoso. Pinochet no Chile ou Ríos na Guatemala negavam as torturas. O governo Bush as reconhece." Na parede da cela de Powers um letreiro vermelho tranqüiliza o espectador: "Calma, é só um sonho". Ou um pesadelo?

Franklin Soults, jornalista musical que visita pela primeira vez o parque, capta a ironia. "O artista quer demonstrar que isso é tortura mesmo que o governo o negue, e o faz de uma maneira um tanto simples", diz, "porque as pessoas não prestam atenção nisto, o que mais as preocupa é o preço da gasolina e o desemprego."

As técnicas de asfixia simulada representadas em Coney Island e condenadas pela Convenção de Genebra foram defendidas pelo governo Bush. Nos julgamentos que se realizam atualmente em Guantánamo, a comissão militar admite como provas os depoimentos dos presos obtidos com essas técnicas nos interrogatórios. No carnaval decadente de Coney Island não falta quem considere que a nova atração deveria ser mais realista. Steve, um estudante de administração de 22 anos, gostaria de ver atores de verdade. "Se o negócio é surpreender e dar medo, seria mais eficaz se mostrasse exatamente como ocorre", afirma.

Powers, um grupo de advogados pró-direitos humanos e Mike Hirtz, interrogador profissional contrário ao emprego desse tipo de técnica, fizeram uma representação real do show em 15 de agosto diante de 40 pessoas.
O radicalismo da ação e o discurso de protesto foram adaptados aos requisitos do sistema de saúde. "Não os amarraram por problemas com o seguro médico", explica Thompson. Sem passar para a crua realidade, os bonecos de plástico também podem assustar e perturbar. É o que pensa Jenny, uma adolescente nova-iorquina, depois de ver a atração. "Isto é sério demais para Coney Island. Sei que é um show de 'freaks', mas é um pouco perturbador."

Junto aos desenhos da fachada Powers colocou um manual de instruções em inglês, árabe e francês, ilustrado com desenhos, para explicar a técnica de asfixia simulada em seis passos. O primeiro é encher uma jarra com água. Depois cobrir o rosto e amarrar a vítima, colocar um pano molhado sobre o capuz e derramar água. Interrogar e repetir quantas vezes for necessário. E se isso não os convencer subam à roda.”

PARA FILÓSOFO, RESERVA É ESTADO DENTRO DE ESTADO

O portal UOL publicou ontem a seguinte reportagem de Carolina Glycerio, da agência de notícias BBC Brasil:

“Ao demarcar a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, a Funai (Fundação Nacional do Índio) criou "um Estado dentro de um Estado" e violou o chamado pacto federativo, cláusula pétrea da Constituição brasileira, afirmou o filósofo Denis Rosenfield em entrevista à BBC Brasil.

É a essa questão que, segundo o filósofo, os ministros do Supremo Tribunal Federal deverão ficar atentos ao julgarem a constitucionalidade da demarcação de uma área contínua de 1,7 milhão de hectares para a reserva indígena.

"A Funai está assumindo a posição do Senado brasileiro. Está criando Estados, nações. Ela está criando o Estado dentro de um Estado, não compete à Funai criar um Estado dentro de um Estado", disse Rosenfield, professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Rosenfield à BBC Brasil:

BBC BRASIL - A Constituição de 1988 assegura, no artigo 231, "os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las". O caso da Raposa Serra do Sol não é exatamente este?

DENIS ROSENFIELD - O objetivo de ter terra demarcada não significa que a Funai pode vir e recortar todo o território de um Estado porque a Constituição diz que só o Senado pode fazer isso. Além disso, a Constituição estabelece que a terra tem de ser efetivamente ocupada.

A Funai pode demarcar terras indígenas, isso é legal, mas ela está utilizando uma legislação infralegal, que são portarias, instruções normativas e resoluções, que depois se traduzem em um decreto presidencial que se sobrepõe a artigos constitucionais.

Por exemplo, você não pode criar um território equivalente a um Estado (em área) nem pode amputar um Estado, que é o caso da Serra do Sol. E é o que a Funai quer fazer no Mato Grosso do Sul agora, com um terço do território. Como pode um órgão estatal, por portaria, alterar entidades federativas, que é uma cláusula pétrea da Constituição? Você não pode alterar a constituição territorial de um Estado.

BBC BRASIL - Mas são terras da União.

ROSENFIELD - Isso é uma anomalia do Estado de Roraima, mas daí não se segue que a União pode tratar o Estado como um território. Rondônia, Acre tiveram as terras transferidas. Roraima, não. O governo federal está se utilizando de uma situação anômala para dizer "as terras são minhas, o Estado não existe". Então é melhor dizer logo que é território.

BBC BRASIL - Além do pacto federativo, há algum outro artigo constitucional que o senhor considere violado pela demarcação contínua?

ROSENFIELD - O direito à propriedade também, embora o pacto federativo tenha até anterioridade, do ponto de vista constitucional. Os dois são cláusulas pétreas. Não adianta dizer que uma portaria da Funai pode se sobrepor a um artigo constitucional. Poderia no caso de uma aldeia determinada, ampliar, isso seria uma demarcação que corresponderia ao espírito da Constituição. Agora você vai recortar o naco de um Estado?

A Funai está assumindo a posição do Senado brasileiro. Está criando Estados, nações. Ela está criando o Estado dentro de um Estado, não compete à Funai criar um estado dentro de um Estado.

BBC BRASIL - Mas se nenhum Estado quiser criar terras indígenas, os índios não ficam sem terra?

ROSENFIELD - É diferente demarcar uma área indígena e demarcá-la numa área contínua, em uma área de fronteira, e no caso de Roraima, que já tem praticamente 50% de terra indígena. Uma coisa é demarcar uma aldeia, não significa demarcar um Estado. (O problema) é a extensão da área.

BBC BRASIL - Mas há algumas terras indígenas até maiores, como a dos Yanomami.

ROSENFIELD - A dos Yanomami não está em discussão, ali são os silvícolas que recusam a cultura, o estado civilizatório, não é o caso da Raposa Serra do Sol, onde alguns falam perfeitamente português.

O problema é quando você começa uma área depois da outra. Isso que está acontecendo no norte do Brasil, que está suscitando todo um problema de área de fronteira, que é outro problema de soberania nacional. De toda a extensão norte do Brasil, você tem apenas hoje 400, 500 km que não são áreas indígenas.

E hoje com os tratados internacionais, com a declaração dos povos indígenas, assinada pelo Brasil, é uma questão perigosa. Esses territórios são considerados nações e aí está escrito claramente (na declaração): dotadas de auto-governo, o Exército não pode entrar, e (há) controle também do subsolo - tudo que contraria a Constituição.

BBC BRASIL - O jurista Dalmo Dallari, que é a favor da demarcação, critica o processo de formação dos municípios, que, segundo ele, teriam se instalado lá de forma irregular.

ROSENFIELD - Então que ele faça uma ação de inconstitucionalidade em relação à União porque esses municípios têm vereadores, prefeito, orçamento próprio, transferência de verbas da União. Como é falso? Então o governo está fazendo malversação de dinheiro público, transferindo para municípios inexistentes?

BBC BRASIL - O senhor mencionou a questão da soberania nacional. O Exército não é livre para atuar nessas áreas?

ROSENFIELD - O governo diz agora que vai estabelecer pelotões de fronteira, reafirmando a soberania nacional. Esse mesmo governo assina um tratado internacional que é a declaração dos povos indígenas que diz que o Exército, salvo em situações especialíssimas, não pode entrar em terras indígenas. Então existe aí uma contradição manifesta, entre o que é dito e o que é feito.

O grande problema que está se colocando do ponto de vista geopolítico é porque você tem as mesmas tribos dos dois lados da fronteira. E você tem ONGs internacionais que atuam nessas regiões.

BBC BRASIL - Qual é então, na sua opinião, o modelo correto para os índios brasileiros?

ROSENFIELD - Os índios têm que ter atendimento médico, educação, investir socialmente neles. O problema não é de demarcação de território equivalente a um Estado. (Eles devem ser tratados como) grupo social que merece um atendimento maior.

Tem que dar oportunidade a eles e também tem que perguntar para eles o que eles querem. Porque o que nós ouvimos é o que a Funai diz, o que o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) diz. Será que não podemos ouvir o que eles têm a dizer. Se eles querem viver na oca ou na cidade? Se querem celular ou ficar gritando na selva? Alguém pergunta? No Brasil, nem censo demográfico indígena, tem.

BBC BRASIL - Qual é o destino dos povos indígenas nesse contexto?

ROSENFIELD - Sobrevivência cultural num processo de aculturação. Em que lugar no mundo em que o contato de uma civilização de nível menos desenvolvido resistiu à uma de nível mais desenvolvido? Pode ter terras? Sim, acho até que eles têm que gerir o seu patrimônio, que deveriam ter a propriedade da terra.

BBC BRASIL - Que terra, se o senhor não reconhece que eles tenham direito?

ROSENFIELD - Você está deturpando o que eu disse. Disse que sou contra se (as reservas) violam o pacto federativo, não que não possam ampliar uma aldeia ou fazer um reconhecimento específico. Sou contra portarias genéricas que simplesmente peguem um terço do território de um Estado. Agora, os índios devem ter terra? Estou de acordo. O que eu não estou de acordo é que 0,25% da população ocupe 12,5% do território nacional.

BBC BRASIL - Então o senhor defende que o que já foi demarcado seja revisto?

ROSENFIELD - Não. O que está demarcado está demarcado. Não apenas devem permanecer, como usufruir desses territórios. Por exemplo, se há minas, deveriam ter direito de concessão e explorar comercialmente. Que plantem, façam garimpo, comércio. Que se regularize isso.

BBC BRASIL - O relator especial da ONU para os Direitos e Liberdade dos Povos Indígenas, James Anaya, disse que o Brasil é paternalista com os índios brasileiros?

ROSENFIELD - Os índios não são menores de idade. Um índio pode estuprar uma mulher e não ser julgado? Por que é menor? Pode matar uma criança porque é 'culturalmente diferente'? Eu acho que, sim, existem valores universais. Não matar crianças, não estuprar mulheres, são valores universais.”

QUERO SER ASTRONAUTA

A revista ISTO É de 27/08/2008 publicou a seguinte reportagem de Renata Cabral::

CANDIDATOS DE 17 PAÍSES DISPUTAM VAGA NA AGÊNCIA ESPACIAL EUROPÉIA

“Uma nova safra de Yuris Gagarin e Neils Armstrong está prestes a chegar ao mercado, ou melhor, ao espaço. A Agência Espacial Européia (ESA, em inglês) realiza desde maio deste ano um concurso público para recrutar, entre os 17 países que a compõem, oito astronautas para as próximas missões da instituição. São oito vagas e 8,4 mil candidatos.

Os contemplados, além de poder ver a Terra de seu ângulo mais espetacular, também têm chances de ser escalados para projetos de exploração do sistema solar. Não há brasileiros na disputa, mas o País se prepara para ampliar seu programa espacial e, conseqüentemente, o número de profissionais envolvidos nessa empreitada. Segundo Carlos Ganem, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), em 2008 a agência vai destinar R$ 400 milhões ao projeto, que prevê o lançamento do foguete ucraniano Cyclone-4 da Base de Alcântara, em 2010, além da retomada de antigas idéias, como o veículo lançador nacional VLS.

"Além do investimento, é importante manter o setor espacial ativo, com encomendas constantes e realização de parcerias público-privadas. É preciso, também, que o programa seja tratado como questão de Estado, não somente de governo", frisa Ganem. Mas um programa de formação de astronautas, como propõe a Europa com seu terceiro concurso público, ainda é uma realidade muito distante para o Brasil.

Até hoje, o único representante do país a participar de uma missão espacial com tripulação é Marcos Pontes, que embarcou na nave russa Soyuz TMA-8, em 2006, e se tornou celebridade nacional. Ainda na agência brasileira e atuando também como diretor de espaço do Instituto Nacional para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico (Idea), Pontes acredita que o avanço europeu pode ter bons reflexos por aqui. "Como temos uma grande parcela de projetos com cooperação internacional, inclusive com a Europa, o bom momento econômico que eles vivem pode acarretar o crescimento, também, de nosso programa", acredita.

Para o astronauta, o País ainda precisa investir em cursos com ênfase espacial para aprimorar e formar jovens talentos. Mesmo assim, os brasileiros têm feito bonito lá fora. "O custo de um profissional desta área é altíssimo. E não agrada a nenhum presidente tê-los trabalhando para concorrentes. Mas ainda temos de construir bases para retê-los aqui", esclarece Ganem. Da seleção da ESA, apenas cidadãos europeus puderam participar. Além de falar inglês e ter experiência em vôo, os candidatos deveriam apresentar título universitário em ciências naturais, engenharia ou medicina e um exame médico complexo, realizado numa base militar. "O programa espacial brasileiro é grande se comparado ao de outros países. Mas temos de estruturar nossos projetos antes de dar passos mais largos", ensina Pontes.”

AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS

O site DEFESA@NET publicou a seguinte reportagem da revista Isto É de 21 agosto 2008:

AS FORÇAS ARMADAS SEGUNDO JOBIM

"Plano de Defesa Nacional prevê França como parceira estratégica e tecnológica na Marinha, Aeronáutica e Exército.

No dia 7 de setembro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregará ao presidente Lula o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O projeto vai além da compra de equipamentos bilionários para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O objetivo é mudar a concepção de defesa nacional e redirecionar as prioridades das três Forças.

Como principal parceiro no plano militar para as próximas décadas foi escolhida a França de Nicolas Sarkozy. É de lá que virão equipamentos como submarinos convencionais, helicópteros e, quase certo, também os caças supersônicos. Sarkozy ganhou a disputa ao garantir ao presidente Lula que a França não criará nenhum obstáculo à transferência de tecnologia para o Brasil.

"Temos acordos com os franceses no que diz respeito à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Em 23 de dezembro, o termo de aliança estratégica com a França será assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy", antecipou o ministro Jobim em entrevista exclusiva à ISTOÉ. "Isso nos dá a possibilidade de sair ao largo da hegemonia americana no setor. O que faz parte da linha de ação do Conselho de Defesa Sul-Americano." A forte contribuição da França começa pelo mar.

Caberá à Marinha os maiores investimentos no plano de Jobim. O Brasil construirá submarinos em parceria com a francesa DCN (Direction des Constructions Navales). Inicialmente, serão fabricados três submarinos convencionais Scorpène, de propulsão a diesel. Depois, o Brasil vai incorporar a tecnologia da DCN para produzir seu primeiro submarino de propulsão nuclear. "O Scorpène nos dará condições de produzir a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear, que é a tecnologia de rigidez do casco", diz Jobim. "O submarino nuclear é uma decisão já tomada." O acerto entre os dois países na área marítima foi negociado entre Lula e Sarkozy durante reunião em Caiena, em fevereiro. Para os acertos finais do acordo, o chefe do Estado- Maior da Presidência da França, Edouard Guillaud, assessor militar do presidente, esteve duas vezes em Brasília, a última no dia 23 de julho. O projeto completo dos submarinos chega a US$ 7 bilhões, cifra que pode mudar. "Talvez, mais", diz Jobim. O País, no momento, negocia na ONU a extensão das águas jurisdicionais das atuais 200 milhas para 350 milhas, o que aumentará a área de 3,5 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo todo o mega-campo de petróleo Tupi.

Para o Exército, uma das novidades é a construção de postos em todas as áreas indígenas de fronteira. Hoje, o Exército tem 17 mil soldados na região. Os soldados índios receberão fuzis novos, binóculos de visão noturna e chips nos equipamentos, para rastreamento. É o que o ministro chama de "soldado do futuro". "Um soldado índio com chip", explica Jobim. "É outro ponto em que contamos com a colaboração dos franceses." O ministro afirma que o Brasil já tem os guerreiros de selva mais competentes do planeta, mas destaca que os novos equipamentos irão inserir o Exército na modernidade. "Os marines americanos foram lá fazer treinamento e quase morreram, foram embora doentes, de maca, cheios de mosquito, não se agüentam.

" O Exército possui 184 mil homens. Juntas, as Forças Armadas têm 308 mil homens, mas a maioria do aquartelamento está no leste do País.

O governo pretende criar na Amazônia a figura do "exército móvel". São brigadas com grande capacidade de mobilidade e logística. Para atender os batalhões móveis, o governo vai investir pesado na construção de blindados sobre rodas em Sete Lagoas, Minas, um projeto da Fiat-Iveco, e nos aviões C-390 da Embraer, semelhantes aos Hércules americanos. O plano prevê a integração ainda maior do Exército com a FAB, que vai dar suporte aéreo principalmente na Amazônia. Outra ferramenta importante do exército móvel serão os 50 helicópteros fabricados em Itajubá, pela Helibrás, consórcio com a também francesa Eurocopter. A fábrica atenderá as três Forças. O modelo Cougar 725 não é ataque: destinase ao transporte de materiais e tropa. Esse acordo já foi assinado.

A tarefa da Aeronáutica é assegurar a supremacia do espaço aéreo. De novo, devem vencer os franceses. O governo deve mesmo fechar a parceria para trazer para o País a tecnologia da construção de caças Rafale, da empresa Dassault. É prevista grande participação de uma empresa brasileira no projeto. "A tendência é atrair a Embraer, que já tem uma estrutura", diz Jobim. Outros países interessados no projeto do caça supersônico serão descartados. Entre as empresas que prometeram transferir tecnologia para o Brasil estão as americanas Boeing, com seu F-18, e Lockheed, com o F-16, a sueca Gripen, com o caça do mesmo nome, a Rosoboronexport, que vende o russo Sukhoi, e o consórcio europeu que fabrica o Eurofighter. Mas os contatos com os governos onde estão estas empresas foram infrutíferos.

Nelson Jobim manteve reuniões com autoridades americanas, inclusive com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o secretário de Defesa, Robert Gates, e ouviu que os EUA estavam dispostos a transferir tecnologia para o Brasil. "Por que, então, os senhores anunciaram que não permitiriam a venda dos Super Tucanos para a Venezuela, alegando que havia um ingrediente militar?", retrucou Jobim nas reuniões. A conversa não avançou.

Quanto aos russos, o ministro demonstra mais simpatia, mas prefere brincar: "O russo não é fácil não, eles não falam em outra língua." O Brasil deve, então, importar 12 caças franceses Rafale para legitimar o início da fabricação nacional. Além dos caças, o monitoramento do território nacional também será feito pelo espaço. O plano prevê a construção de satélites geoestacionários no Brasil, que devem ser lançados na base de Kourou, na Guiana Francesa.

As premissas do Plano de Defesa estão lançadas. Seu conteúdo integral, no entanto, só será conhecido após o desfile de 7 de Setembro. E em dezembro, o presidente Sarkozy desembarcará em Brasília com sua esposa, a cantora Carla Bruni, para renovar a santa aliança militar com os franceses, que, por sinal, está na origem da formação das Forças Armadas brasileiras.”

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

BRASIL DEVE CRESCER MAIS QUE AMÉRICA LATINA EM 2008

Brasil deve crescer mais que América Latina em 2008, diz Cepal

Essa matéria da agência inglesa BBC Brasil foi publicada ontem pelo portal UOL:

“O Brasil deve ultrapassar a média da América Latina e crescer 4,8% em 2008, segundo o "Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2007-2008", divulgado nesta quarta-feira pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

O relatório prevê crescimento médio de 4,7% para a América Latina. Quando considerados apenas os países da América do Sul, a projeção é de crescimento médio de 5,6% em 2008.

Nos últimos quatro anos, o Brasil vinha apresentando crescimento inferior ao da média da América Latina.

Segundo o diretor do escritório da Cepal no Brasil, Renato Baumann, as perspectivas de desempenho "podem ser consideradas razoáveis" mesmo para 2009, quando o Brasil e a América Latina deverão crescer 4%, conforme o estudo.

IMPACTOS

O relatório afirma, no entanto, que é possível que o Brasil enfrente alguns obstáculos neste ano.

Segundo o estudo, "mudanças no cenário externo podem afetar a evolução da balança de pagamentos, o marcado incremento da demanda interna e os preços internacionais dos produtos básicos, cujo aumento contribuiu para elevar a taxa de inflação e modificar a política econômica seguida pelas autoridades".

A PREVISÃO DA CEPAL É QUE A INFLAÇÃO ACUMULADA FIQUE ACIMA DE 5%.

O relatório destaca o aumento no emprego formal e nos salários. Segundo o estudo, os resultados "revelam um ritmo de atividade econômica que permitiu elevar o nível de consumo e estimular o investimento".

A Cepal também ressalta a conquista do grau de investimento, em abril deste ano, que "pode consolidar o acesso a maiores recursos externos".

"No entanto, a gestão da demanda interna exige uma maior coordenação das políticas fiscal e monetária a fim de compatibilizá-las com a oferta interna de bens e serviços e assegurar assim a sustentabilidade do financiamento das importações", diz o relatório."

TAM CRESCE

TAM REVISA PARA CIMA META DE CRESCIMENTO E AMPLIA FROTA

Li a seguinte notícia da Folha Online no portal UOL:

“A TAM Linhas Aéreas informou nesta quarta-feira que o crescimento no mercado internacional neste ano ficará acima da estimativa divulgada ao mercado no final de 2007.

Para atender as novas rotas, a empresa informou que está adicionando duas aeronaves Boeing 767-300 ao plano de frota. Com isso, terminará 2008 com 125 aeronaves.

Na América do Sul, além do vôo direto entre Brasília e Buenos Aires, já em operação, a TAM iniciará vôo entre São Paulo e Lima ainda este ano. Nas rotas de longo curso, já havia anunciado o início do vôo entre Rio de Janeiro e Miami, partindo de Belo Horizonte, a partir de 19 de setembro.

Ainda este ano a companhia deve iniciar outras duas freqüências que ainda dependem de aprovação junto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): os vôos diários entre Rio de Janeiro e Nova York e entre São Paulo e Orlando.

Das 125 aeronaves ao final deste ano, 101 serão Airbus de pequeno porte, 16 Airbus maiores, quatro Boeing 767 e quatro Boeing 777.

A TAM lidera o mercado doméstico (51,1% de market share) e o internacional (72,5%), segundo dados de julho.”

DESEMPREGO EM JULHO FOI O MENOR DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS

O site Vermelho (www.vermelho.org.br) postou a seguinte notícia:

“A taxa de desemprego total em seis regiões metropolitanas do Brasil é a menor para o mês de julho desde 1998. Segundo a Fundação Seade e o DIEESE divulgaram nesta quarta-feira (27), o índice não variou de junho para julho deste ano e ficou em 14,6%.

O desempenho da taxa de desemprego total do conjunto das regiões resultou de comportamentos diferenciados: redução no Distrito Federal e Belo Horizonte; relativa estabilidade em Salvador, São Paulo e Porto Alegre; e aumento em Recife, de acordo com a pesquisa.

A Seade e o Dieese apontam também que o contingente de desempregados nas regiões analisadas foi estimado em 2.933 mil pessoas em julho, 34 mil a mais do que no mês anterior.

Os rendimentos médios reais de ocupados no conjunto de cidades em julho diminuiu 0,7%, enquanto os de assalariados decresceram 1,1%, atingindo R$ 1.154 e R$ 1.238, respectivamente.

Já a taxa de desemprego aberto nestas regiões passou de 9,9% para 9,8% e a de desemprego oculto de 4,7% para 4,8%.

O desemprego aberto abrange pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho em sete dias. Já o desemprego oculto abrange dois outros conceitos: por trabalho precário ou por desalento.

O desemprego oculto por trabalho precário toma como referência pessoas que possuem algum trabalho remunerado ocasional de auto-ocupação ou que realizam trabalho não-remunerado em ajuda a negócios de parentes e que procuraram mudar de trabalho nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou que, não tendo procurado neste período, o fizeram sem êxito até 12 meses atrás.

Já o por desalento leva em consideração pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista, por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses, segundo a definição do Dieese.

SÃO PAULO

Na Região Metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego total variou pouco, passando de 13,9% para 14,1%, entre junho e julho, período em que ocorrem reduções. Mesmo assim, é a menor taxa para o mês desde 1996.

Por outro lado, a taxa de desemprego oculto na região cresceu de 4,2% para 4,5% e a de desemprego aberto variou de 9,7% para 9,6%.

Já o contingente de desempregados aumentou 27 mil e foi estimado em 1.487 mil pessoas, resultado da criação insuficiente de vagas, 18 mil, para absorver 45 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho da região.

Em julho, o nível de ocupação na região ficou relativamente estável (0,2%) e o contingente de ocupados foi estimado em 9.060 mil pessoas, apenas 18 mil a mais do que em junho.

O resultado, segundo as entidades de estatísticas, deveu-se a comportamentos distintos como o crescimento de 6,6% no grupo outros setores, puxado principalmente pelo desempenho da construção civil e dos serviços domésticos; além de relativa estabilidade no comércio (0,2%) e na indústria (-0,3%) e pequena redução nos serviços (-0,9%).

Entre maio e junho, os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados reduziram-se em 2,3% e 2,4% na região metropolitana, respectivamente, passando a corresponder a R$ 1.205 e R$ 1.282. “

ESFACELAMENTO DO BRASIL

NAÇÔES ÉTNICAS PODEM SER PRETEXTO PARA ESFACELAR O BRASIL

O jornal “O Estado de São Paulo” de ontem publicou:

CORONEL VÊ RISCO DE SURGIR "NAÇÃO ÉTNICA" NA FRONTEIRA

Para Fregapani, homologação criaria um "Curdistão"

“Gélio Fregapani, 72, diz conhecer como poucos o Estado de Roraima, onde pisou pela primeira vez no início dos anos 1960. Coronel reformado do Exército, foi um dos fundadores do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), trabalhou por dez anos na abin (Agência Brasileira de Inteligência). Diz que o Exército é "fervorosamente contra" a demarcação contínua da reserva.

FOLHA - Por que a Raposa/ Serra do Sol deve ser demarcada em ilhas?

GÉLIO FREGAPANI - A demarcação contínua de uma grande área indígena, com diferentes etnias e culturas, provoca a criação de algo parecido com o Curdistão, uma nova nação étnica separada dos países. Se for em ilhas, não tem problema nenhum.

FOLHA - Há pressão internacional para formar uma nova nação?

FREGAPANI - Sim. Essa história de índios nômades é falácia. Claro que existe possibilidade de migrações, mas os índios não são nômades. Não é necessária uma área do tamanho de Portugal para isso tudo. Na fronteira é o perigo.

FOLHA - O sr. defende que os índios não levem em conta sua cultura e se considerem apenas brasileiros?

FREGAPANI - Sim. Se nós [fizermos isso], damos [permissão] à criação de nações dentro do Brasil, estamos contribuindo para desagregar o país. Os EUA desejam isso, a Inglaterra, a Alemanha. Porque querem aquelas jazidas que têm lá e querem lidar com um governo mais dócil, não com o governo brasileiro. Se o Brasil ganhar a Raposa, haverá condições de contestarmos outras [terras].

FOLHA - O governo diz que pode entrar a qualquer tempo nas terras.

FREGAPANI - O governo está dividido. Há uma parcela de traidores no governo. Além do mais, o Exército é fervorosamente contra essa reserva, a ponto de poder haver motins se a demarcação for contínua.

FOLHA - Quem são os traidores?

FREGAPANI - Não vou citar. Há um esforço para dividir o Brasil. Chega um momento em que nem o Exército consegue entrar. Nenhuma fronteira é sagrada. Só ficam razoavelmente definidas quando habitadas. Fala-se da floresta, mas é para desviar o assunto. Querem é a serra que separa o Brasil da Venezuela e das Guianas, por causa do potencial mineral.

FOLHA - Os índios não têm direito?

FREGAPANI - Eles têm toda a terra de que precisam. Aquilo é grande. É terra demais e os índios não estão ligados a isso. Isso é coisa de estrangeiro.

FOLHA - A PF o acusa de ajudar os arrozeiros com táticas de guerrilha.

FREGAPANI - Se tivesse ensinado táticas de guerrilha não tinha um policial federal lá. E quem afirmou isso estaria morto. Esse pessoal não pode competir comigo. Agora, quando a região se declarar independente, aí sim vou fazer guerrilhas.

TRÁFEGO AÉREO NO BRASIL

O site www.fabmil.br publicou ontem a Nota de Esclarecimento da empresa ATECH - Tecnologias Críticas sobre o gerenciamento do tráfego aéreo no Brasil.

INCONSISTÊNCIA TÉCNICA E IRRESPONSABILIDADE POLÍTICA

“Na semana que passou, o Tribunal de Contas da União divulgou relatório sobre auditoria relacionada ao gerenciamento do tráfego aéreo no Brasil. A conclusão unânime do Tribunal é inequívoca: o sistema é seguro e não compromete a segurança de vôo.

No entanto, reportagem publicada no jornal "O Estado de S. Paulo" do último sábado, 23 de agosto, traz citações técnicas isoladas do relatório e depoimento de sindicalista que – para alimentar sua velha disputa com a Aeronáutica – afirma, de forma irresponsável, que a Atech teria admitido falhas no sistema. Em razão disso, nos cabe esclarecer o seguinte:

1. O Sistema de Tratamento e Visualização de Dados que auxilia no gerenciamento do tráfego aéreo no Brasil ê seguro, moderno e alinhado com os existentes em centros de referência, como a Europa e os Estados Unidos;

2. O gerenciamento de Tráfego Aéreo requer sistemas complexos, e poucos países, entre os quais o Brasil, têm o domínio completo desse ciclo de conhecimento;

3. Para obter esse domínio, o Brasil, por meio da Força Aérea Brasileira, vem investindo há mais de vinte anos num processo histórico de capacitação e atualização tecnológica, o que faz do País o único do Hemisfério Sul com sistema próprio, reconhecido e premiado internacionalmente;

4. A falta de habilitação leva ao erro primário de se confundir as dificuldades inerentes a processos tecnológico dessa natureza e a continuada evolução de sistemas críticos complexos – decorrentes de avanços tecnológicos e do forte crescimento de demanda no tráfego aéreo – com admissão de fragilidade;

5. A suposta admissão de falhas em relação ao sistema nada mais é do que urna interpretação equivocada de leigos num assunto técnico de domínio de poucos em todo o mundo, e que é aproveitada de forma oportunista por sindicalista interessado em atender a objetivos pessoais e politizar o tema.

Feitos esses esclarecimentos e reiterando nosso respeito ao Tribunal de Contas de União, aos controladores de vôo de uma forma geral, à mídia e a sociedade, apelamos para que temas dessa relevância e complexidade sejam tratados com maior cuidado para não induzir a opinião pública a julgamentos equivocados sobre uma área de domínio tecnológico que, ao invés de causar preocupação, deveria ser motivo de orgulho nacional.”

NASCE A INDÚSTRIA PETROLÍFERA NACIONAL

O Blog do Noblat ontem postou a reportagem abaixo, de Eliane Oliveira, do jornal O Globo:

Governo dará desoneração a empresas do pré-sal e vai exigir equipamentos nacionais

EXPLORAÇÃO VERDE-AMARELA

A exploração dos campos de petróleo abaixo da camada de sal marinha terá, entre as regras, conteúdo nacional no maquinário utilizado, desonerações tributárias e linhas de financiamento em condições compatíveis às oferecidas no mercado internacional, segundo estudos aos quais O GLOBO teve acesso.

O governo estuda instituir a obrigatoriedade de comprar navios e plataformas no país e do uso de equipamentos — como sondas — fabricados com um mínimo de componentes brasileiros, além de incluir a sonda no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-estrutura (REIDI), que isenta de PIS e Cofins os investimentos em bens de capital nas áreas de energia e transportes.

A idéia é criar uma indústria petrolífera (naval, de máquinas e equipamentos) forte e competitiva em escala global. O grande mote é dar prioridade aos fornecedores brasileiros nas licitações não apenas da Petrobras, mas de outras petrolíferas que entrarem no negócio do pré-sal. A sonda é o exemplo mais citado por técnicos que estão trabalhando no assunto, e sua inclusão no REIDI já está sendo examinada pelo Ministério da Fazenda.

Essas fontes destacaram que a preferência a fabricantes nacionais só será possível se, a partir de 2012, a indústria brasileira estiver devidamente preparada. Por enquanto, o que está decidido é que a Petrobras encomendou 12 sondas (no valor de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão cada) para serem montadas em Cingapura e na China.

A parceria com esses países para projetos no Brasil está no cardápio do governo. A partir de 2012, a estatal brasileira licitará outras 28 sondas, com a condição de serem montadas no Brasil, princípio que se estenderá às demais empresas”

TCE-SP INDICA SERRA ENVOLVIDO COM A ALSTOM

O “Blog do Noblat” postou ontem a seguinte reportagem de Mário César Carvalho e José Ernesto Credencio, da Folha de São Paulo:

TCE VÊ IRREGULARIDADE EM CONTRATO METRÔ-ALSTOM

O conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Antonio Roque Citadini considerou irregular um contrato do Metrô para a compra de 16 trens da Alstom no valor de R$ 609,5 milhões. A companhia usou um contrato de 1992 para fazer a aquisição em 2007, no governo José Serra (PSDB).

A Alstom está sob investigação em três esferas (Ministério Público do Estado e federal e Polícia Federal) sob suspeita de ter pago propina a tucanos para obter contratos com o governo de São Paulo a partir de 1997.

Segundo Citadini, o Metrô deveria ter feito nova licitação porque o contrato de 1992 só permitia aquisições até 1997. O limite de cinco anos para contratos de compra de equipamentos é definido pela Lei de Licitações. Diz o despacho do conselheiro: "(...) nada justifica que, através de procedimento próprio e embasado em razões técnicas contemporâneas, não tenha sido providenciado outro certame licitatório".

GETÚLIO VARGAS – 54 ANOS DE SUA MORTE

O veterano jornalista Lustosa da Costa, em sua coluna no jornal “Diário do Nordeste”, publicou ontem:

GETÚLIO VARGAS

Há 54 anos, Getúlio Vargas, acossado pelas forças da reação, se matava no Palácio do Catete, com isto desmobilizando as forças de direita que já articulavam a ditadura de 1954. Nunca houve esta corrupção de que falava a imprensa, tanto assim que ninguém, ninguém de seu governo foi sequer processado por isso. Tudo era campanha da mídia porque ele aumentara o salário mínimo e defendia teses nacionalistas, inclusive a empresa estatal Petrobras.

NO CAMPO DE BATALHA

Em 28 de agosto de 1954, escrevia eu no “Correio da Semana” primeiro artigo assinado, o que me dá 54 anos de atividade profissional ininterrupta. Podem me acusar de apaixonado e de faccioso nunca de pusilânime nem carreirista. Sempre me expus, de peito aberto, na defesa do que considero justo, como, agora, no tocante ao governo Lula, alvo das mesmas infâmias que destruíram os governos Vargas e João Goulart. Posso até errar, nunca ficar em cima do muro, esperando me definir pelo lado vitorioso.

ONDA VERMELHA

Não será surpresa, para ninguém, que, apesar da má vontade da mídia, inventando escândalos para macular a agremiação, o PT saia vitorioso de ponta a ponta nas próximas eleições.

Vamos ver como os meios de comunicação vão encarar tal derrota. Que é deles. Principalmente deles.”

IGP-M TEM PRIMEIRA DEFLAÇÃO DESDE 2006

Li no portal UOL Últimas Notícias:

Preços recuam em agosto e IGP-M tem primeira deflação desde 2006, diz FGV

O IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) teve deflação de 0,32% em agosto, queda acentuada em relação a julho, quando houve inflação de 1,76%. Foi o menor índice desde abril de 2006, quando houve deflação de 0,42%. No ano o índice acumula alta de 8,35% e nos 12 meses até agosto, a alta acumulada é de 13,63%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira.

A metodologia aplicada na apuração do IGP-M é a mesma do IGP-10 e do IGP-DI --usados no reajuste, por exemplo, de contratos de aluguel--, também apurados pela FGV, com a única diferença de ter um período de coleta diferente. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE OS PRINCIPAIS ÍNDICES DE INFLAÇÃO

O IPA (Índice de Preços por Atacado (IPA) teve deflação de 0,74%, contra inflação de 2,20% em julho. O índice relativo aos Bens Finais subiu 0,32% neste mês, contra 0,38% em julho, com a contribuição do subgrupo alimentos processados (de 1,23% para 0,39%). Excluídos os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice desacelerou para alta de 0,26%, contra 0,50% um mês antes.

O índice referente ao grupo Bens Intermediários subiu 1,28%, menos que os 2,51% de julho, com a contribuição do subgrupo materiais e componentes para a manufatura (de 2,16% para 0,28%). Excluído o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, houve alta de 1,26%, contra 2,41% em julho.

O índice de Matérias-Primas Brutas teve deflação de 4,71%, contra alta de 3,78% um mês antes, com destaque para os itens soja em grão (9,38% para -13,32%), milho em grão (11,64% para -11,46%) e bovinos (7,59% para -0,68%). Já os itens arroz em casca (-4,17% para -0,11%), cana-de-açúcar (-1,01% para 1,39%) e laranja (-6,17% para 5,06%) tiveram alta.

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,23% neste mês, contra 0,65% um mês antes, com destaque para a redução nos preços do grupo Alimentação (1,41% para -0,46%), com os itens carnes bovinas (6,29% para -0,30%), hortaliças e legumes (-0,97% para -6,51%) e arroz e feijão (5,11% para -1,65%).

Também desaceleraram os preços nos grupos Educação, Leitura e Recreação (0,34% para 0,03%), Transportes (0,23% para 0,18%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,56% para 0,54%), com destaque para cursos formais (0,31% para 0,00%), gás natural veicular (4,58% para 3,09%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (1,06% para 0,63%).

Já os grupos Habitação (0,39% para 0,82%), Despesas Diversas (0,25% para 0,84%) e Vestuário (-0,19% para -0,16%) tiveram alta com os itens tarifa de telefone fixo residencial (de estabilidade para 2,46%), mensalidade para TV por assinatura (0,20% para 1,45%) e calçados (-0,09% para 0,57%).

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 1,27% em agosto, contra 1,42% em julho. Os grupos Serviços (1,09% para 0,50%) e Mão-de-obra (1,27% para 0,25%) apresentaram desaceleração; já o grupo Materiais apresentou aceleração, passando de 1,65% para 2,51%”.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O GLOBO: UM JORNAL CONTRA O BRASIL

ENCOMENDA, A SEGUNDA NATUREZA DO JORNALISMO?

“A manchete do jornal O Globo, de 24 de agosto, "denunciando" que "cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal.”

Li no blog “Grupo Beatrice” a pertinente análise de Gilson Caroni Filho sobre o comportamento dos grandes jornais brasileiros. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do “Observatório da Imprensa”.

“Que ganha bem um editor de primeira página de O Globo ninguém duvida. "O valor do sal" é calculado de acordo com a "esperteza" dos bem selecionados peixinhos do aquário. A manchete de domingo, 24 de agosto, "Cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem, alusiva aos investimentos públicos feitos, em quatro anos, através da lei Piva e de recursos de estatais a diversas modalidades olímpicas, mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal.

Talvez a melhor análise já tenha sido feita pelo leitor Álvaro Marins em comentário a um artigo que versava sobre outro assunto. O que o jornal tentou ocultar foi "que as empresas brasileiras públicas estão fazendo um investimento médio de R$ 8.000,00 por mês, por atleta, para que ele tenha treinamento e equipamentos adequados para participar com brilho de competições internacionais (que a Globo não transmite), entre elas, os Jogos Olímpicos (cujas competições a Globo só transmite se elas não alterarem a sua grade de programação). Enfim, hoje o leitor de manchetes de O Globo ficou sabendo que o governo Lula investe no esporte (como todo governo responsável) e que as Organizações Globo ficam muito aborrecidas com isso". Na mosca, Marins, na mosca.”

KOSOVOS BRASILEIROS

Li no “Correio Braziliense” de ontem o seguinte artigo de Luiz Eduardo Rocha Paiva, General da reserva do Exército, sobre um tema que está em debate no mídia: índios e Amazônia.

“A história ensina que cenários semelhantes, mesmo em episódios distintos e distantes no tempo, podem ter desfechos análogos. O tempo estratégico não se conta ano a ano, portanto, erros de hoje produzem conseqüências décadas adiante.

A Bolívia vendeu o Acre, em 1903, por não tê-lo ocupado com seu povo após o Tratado de Ayacucho, de 1867, que lhe fora favorável. Quando quis fazê-lo, em 1898, o Acre estava ocupado por brasileiros desde 1877. Eram nordestinos liderados por seringalistas brasileiros que exerciam, de fato, o poder local no vazio deixado pelo governo boliviano. Os seringalistas tinham outros interesses e não eram comprometidos com a nação andina. O tempo estratégico passou de três décadas.

Na província sérvia do Kosovo, cerca de 90% da população é albanesa. Em 1974, o Kosovo recebera autonomia, que foi cassada em 1999, levando aquela população à revolta. Ante a violenta reação da Sérvia e não tendo seu aval para entrar com suas forças “de paz” na região, a Otan moveu uma campanha aérea arrasadora, que acabou por dobrar aquele país. A ofensiva poupou o alto custo em baixas de uma operação terrestre. O direito de soberania não foi suficiente para a Sérvia manter sua integridade territorial, pois o Kosovo se declarou independente em 2008.

Os exemplos evidenciam que num país onde determinada região rica seja um vazio de poder, sem população nacional, ocupada por população segregada e sob liderança alienígena, ligada a outros países, projeta-se um cenário de perda de soberania e integridade territorial a despeito do direito internacional. Esse é o cenário desenhado em Roraima, com potencial de expansão até o Amapá.

Desde 1991, o Brasil demarca extensas terras indígenas, inclusive na faixa de fronteiras, o que impede a vivificação dos limites nacionais. O país trocou a política de integração pela de segregação do índio. Os grupos indígenas passaram a ser chamados “povos” e, ao receberem territórios, a constituir “nações” para setores nacionais e internacionais que defendem sua autonomia.

A Amazônia é rica, não integrada e cobiçada — um vazio de poder. O Estado se deixa substituir por ONGs e outras organizações, muitas das quais defendem interesses e recebem recursos de governos estrangeiros. Em terras indígenas, não podem viver, nem circular sem permissão, brasileiros de outras etnias. Em algumas décadas, haverá grandes populações indígenas autônomas, segregadas da sociedade e em imensos territórios.

Em 2007, a declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas concedeu-lhes, entre outros, os direitos de autogoverno; livre determinação, inclusive de sua condição política; constituir instituições políticas e sistemas jurídicos próprios; pertencer a uma nação indígena vetar atividades militares em terras indígenas; e aceitar ou não medidas legislativas ou administrativas que os afetem.

O artigo 46 da declaração, que aparentemente preserva a integridade e unidade política dos Estados, é inócuo, pois os artigos 41 e 42 “justificariam” a intervenção internacional em conflitos entre governos e “povos indígenas”. Como ficará a governabilidade no Brasil, considerando a quantidade de terras indígenas com direito a uma autonomia superior à dos estados da Federação? Povo, território, nação e instituições políticas são as bases de um estado-nação.

A declaração, inexplicavelmente, teve voto favorável do Brasil. Um absurdo! Embora a segurança da Amazônia dependa mais de ações no campo político, a liderança nacional tem um discurso ilusório de que sua defesa será assegurada pelo aumento do efetivo militar na área. Se fosse uma questão de quantidade, o Kuweit talvez estivesse ocupado, desde 1991, pelo então numeroso Exército iraquiano. No futuro, não sendo suficiente, como tem sido, a pressão nos campos político e econômico, para impor seus interesses, uma coligação de potências ameaçará áreas sensíveis como, por exemplo, a Bacia de Campos e Itaipu. Se o governo não ceder, ela paralisa e apaga o país, para evitar um confronto terrestre.

Existe a ameaça, ela é muito grave e o tempo estratégico aproxima-se de duas décadas. A liderança nacional vem criando condições objetivas para a perda da soberania e integridade territorial na calha norte do Amazonas, sem que o oponente precise disparar um tiro. Na realidade, a ameaça não é o índio e sim a liderança nacional, inconseqüente e sem visão estratégica.”

CAI A INFLAÇÃO

O portal UOL publicou ontem a seguinte matéria do Valor Online:

INFLAÇÃO ABRANDA EM 5 DAS 7 CAPITAIS ANALISADAS PELA FGV

“Em cinco das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), houve moderação do ritmo de crescimento do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Em São Paulo, por exemplo, o indicador saiu de uma alta de 0,36% na segunda prévia de agosto para 0,22% na apuração seguinte. Em Salvador, a inflação foi de 0,24% na terceira medição deste mês, mais suave do que o 0,52% verificado antes.

O IPC-S subiu 0,02% em Porto Alegre e avançou 0,37% em Brasília na terceira leitura de agosto. No estudo antecedente, esses percentuais corresponderam a 0,23% e 0,40%, respectivamente. No Recife, o índice deixou para trás uma elevação de 0,32% e apresentou no levantamento atual acréscimo de 0,21%.

Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as exceções - no primeiro caso, houve pequena acentuação no passo de aumento do IPC-S, de 0,15% para 0,17%; na capital mineira, a inflação situou-se em 0,67% depois de ficar em 0,60% na segunda pesquisa de agosto.

Ontem, a FGV mostrou que o IPC-S geral apresentou acréscimo de 0,24% na terceira prévia deste mês. Na medição anterior, contudo, havia subido 0,34%.”

terça-feira, 26 de agosto de 2008

INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

O site Carta Maior em 25/08 postou a boa entrevista do sociólogo brasileiro Emir Sader para Raúl Dellatorre, do jornal argentino “Página 12”. A tradução do espanhol para o português, para Carta Maior, foi de Marco Aurélio Weissheimer.

CONSTRUIR UMA NOVA HEGEMONIA É DESAFIO PARA AMÉRICA LATINA

Em entrevista ao jornal argentino Página 12, Emir Sader analisa o atual momento político da América Latina. Para o sociólogo brasileiro, o que está faltando para a integração da região avançar é um projeto estratégico de futuro, uma compreensão mais clara do que é a América Latina hoje. As propostas do Banco do Sul, de uma moeda única e de um Banco Central Único apontam para essa direção, defende Sader.

"BUENOS AIRES - O processo político da última década na América Latina deu como resultado governos de um sinal distinto do neoliberalismo. Alguns decididamente opostos, outros com “traços contraditórios”, segundo a expressão empregada por Emir Sader, analista político brasileiro e diretor executivo do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso). Apesar das coincidências que se observam em muitos sentidos, no plano econômico os países da região parecem não terminar de romper o molde que a enquadra nem de afastar de cima de si as sombras de seu passado. Sobre estes e outros temas, Emir Sader conversou com o Página 12.

O que está faltando aos países da região para integrar-se e avançar de forma mais acelerada rumo a um processo de transformação?

Emir Sader: Um projeto estratégico de futuro, uma compreensão mais clara do que é a América Latina hoje, da natureza de seus regimes econômicos e sociais em função do papel do Estado. E pensar que futuro pode haver para além do neoliberalismo.

Na sua avaliação, em que aspectos se avançou?

Emir Sader: Alguns ladrilhos dessa construção já existem, seja como realidades ou como menções no discurso. O Banco do Sul, a idéia de uma moeda única, o Banco Central único, tudo o que significaria uma política econômica única, são elementos importantes. Mas, ao mesmo tempo, é preciso discutir que modelo de sociedade queremos e isso significa pronunciar-se a favor de uma sociedade desmercantilizada. Discutir que tipo de Estado queremos, propondo um Estado que não esteja dominado pela financeirização. Definir que tipo de cultura, que identidade e diversidade cultural devemos ter. Dizer que tipo de espaço alternativo criamos, por fora da hegemonia unipolar norte-americana.

O que implica tudo isso?

Emir Sader: Esse processo implica não somente integração econômica e social, mas também tecnológica, cultural, educacional, midiática e de estruturas políticas. Existe um esboço de parlamento latinoamericano, mas ainda estamos muito longe de ter estruturas supra-nacionais de caráter latinoamericano ou sul-americano. O tema, poderíamos dizer, agora é político, é discutir futuras relações de poder. Que tipo de sociedade, que nova hegemonia queremos construir.

Aparentemente, alcançar esses objetivos exigiria um salto de consciência importante das sociedades e de sua classe política, uma mudança em relação ao paradigma neoliberal da década anterior. Neste sentido, que papel estão desempenhando os intelectuais da América Latina, sejam eles economistas ou cientistas sociais?

Temos uma trajetória extraordinária do pensamento crítico latinoamericano. A grande virada foi a crítica que a Cepal fez à teoria do comércio internacional, que deu a volta ao mundo, e pensou o intercâmbio a partir da periferia e as formas de desenvolvimento desigual, de intercâmbio desigual. Foi pensar na acumulação a partir da periferia, com todas as debilidades deste processo. A grande novidade histórica da segunda metade do século passado, em termos econômicos, foi a industrialização da periferia. Até aí, esse era um tema monopolizado pelo centro. A periferia era agricultura, mineração, pecuária e nada mais.

Quais foram os efeitos dessa virada?

Emir Sader: Essa mudança no pensamento econômico elevou o nível de identidade nacional, colocou a relação com as potências imperiais em um nível superior. O nacionalismo foi o grande fenômeno do século passado na América Latina. Com tons anti-imperialistas maiores ou menores, segundo o caso. Mas foi concebido pela intelectualidade, E, em anos recentes, várias teorias elaboradas nessa época ajudaram a pensar a ação política dos novos governos na região. Mas não em todos os casos.

Poderia dar exemplos dos dois casos?

Emir Sader: Na Bolívia, deu-se por meio de um grupo pequeno de intelectuais, chamado “La Comuna” (do qual surge o atual vice-presidente, Álvaro García Linera). Um núcleo de acadêmicos articulou-se fora da Universidade e ajudou o movimento indígena a repensar sua identidade, sua trajetória. A fazer uma auto-crítica da esquerda boliviana, de seu passado. No Equador, também há setores intelectuais que estão articulados entre si e com o processo político. Na Venezuela, em troca, dá-se um processo de mudança com uma ausência enorme de uma intelectualidade que ajude a pensar esse processo. E isso é grave.

E como você classificaria os casos da Argentina e do Brasil?

Emir Sader: São dois países com uma trajetória intelectual muito maior do que a dos quecitei anteriormente, com muito mais raízes no pensamento crítico. No entanto, hoje mostram uma ausência relativa desta intelectualidade nos temas políticos, ideológicos, culturais e econômicos, uma ausência muito grave.

Venezuela, Brasil, Argentina. Está falando dos países economicamente mais fortes e relativamente mais desenvolvidos e são os que apresentariam maiores debilidades no plano intelectual para promover uma mudança.

Emir Sader: Minha conclusão é que o conjunto da intelectualidade, não apenas seu pensamento crítico, foi pega de surpresa pelo atual período histórico. Aparece como a voz de menor resistência aos sistemas de dominação, ficando muitas vezes atrás dos movimentos sociais. É preciso destacar que a América Latina foi território de várias teorias avançadas do pensamento crítico em décadas anteriores, mas hoje não encontramos a expressão de muitas dessas teorias no movimento político latinoamericano. Não estão ajudando a pensar o processo contemporâneo.

Qual foi o comportamento desses pensadores?

Emir Sader: Pode-se perceber que muitos intelectuais do pensamento crítico de outra época terminaram aderindo ao neoliberalismo, porque viam essa tendência como algo inevitável. E quando se vêem as coisas assim, isso marca o que será feito. Fernando Henrique Cardoso foi um brilhante intelectual de esquerda nos anos 60, mas seu governo nos 90 não foi distinto do de Menem. E eu não diria, tomando as coisas em seu conjunto, que é uma postura de direita, mas sim um conformismo histórico. Outra parte da intelectualidade ficou refugiada em posições que eu chamaria de ultra-esquerda, posições que estão descoladas do processo real. A ultra-esquerda tem uma capacidade crítica enorme, mas nunca conseguiu construir processos de transformação revolucionária.

Neste debate sobre os governos e as políticas na América Latina, muitos pensadores e dirigentes de esquerda seguem julgando como governos de direita a aqueles que não produziram uma ruptura com o neoliberalismo.

Emir Sader: Há uma postura que tende a tomar determinados aspectos da realidade e absolutizá-los, perdendo assim a objetividade. Hoje a divisão fundamental não é entre uma esquerda boa e uma esquerda má. Essa é uma postura de direita que divide a esquerda. A linha é entre os que estão a favor do projeto de integração regional e os que estão a favor de tratados bilaterais de comércio com os Estados Unidos. No marco daqueles que defendem a integração regional, há alguns que avançaram rumo à ruptura do modelo, como Equador, Bolívia e Venezuela. Outros, como Brasil e Argentina, conseguiram flexibilizar o modelo, e aí está seu mérito. Tudo o que é feito para a manutenção do modelo anterior no Brasil e na Argentina é negativo. Mas a política externa é positiva, a política social é positiva. E isso vale.

Não está justificando-os?

Emir Sader: Não, mas é preciso dar-se conta que ainda que tenham ocorrido avanços importantes na América Latina, vivemos em um mundo de hegemonia neoliberal: hegemonia econômica, de valores, na relação de força social. Não se pode esquecer que o neoliberalismo colocou todo o movimento popular na defensiva. A luta contra o modelo, por conseguir por em contradição seus paradigmas, deu-se contra a direita e desde posições anti-neoliberais que não eram de esquerda. Conseguimos ter governos com traços contraditórios e isso foi o resultado da luta, de uma luta exitosa. A alternativa era ter governos de direita, não de esquerda.

O PREDOMÍNIO E A CRISE DO CAPITALISMO: “DESMERCANTILIZAR A ECONOMIA

Emir Sader caracteriza o período histórico vivido na segunda metade do século XX como “a passagem de um mundo bipolar para outro unipolar”, como uma hegemonia absoluta do capitalismo e dos Estados Unidos como potência dominante. Além disso, destaca a passagem, dentro do capitalismo, do modelo keynesiano para o neoliberal. No entanto, apesar deste “triunfo espetacular” do capitalismo, Sader sustenta que este processo acaba não garantindo “nem um ciclo tranqüilo para a hegemonia dos Estados Unidos nem um crescimento sustentável”. Segundo o sociólogo e historiador brasileiro, a hegemonia capitalista deu-se através de “uma vitória extraordinária dos Estados Unidos nos planos político, militar e ideológico”. “A hegemonia econômica e cultural é tal que o modo de vida capitalista se impõe hoje sem disputa no mundo. Não há outro modelo comparável. Até na China, as cidades se transformam e desenvolvem como espelho das cidades estadunidenses. Os pobres têm expectativas de consumo de acordo com o estilo norte-americano”.

No entanto, o capitalismo mostra seus limites. A crise atual da economia norte-americana, sustenta Sader, poderia ser o início de “um período longo de instabilidade com turbulências”. Os obstáculos ou contradições do mundo unipolar têm seu reflexo na excessiva concentração de renda, na devastação ecológica e na guerra, adverte. “O capital se deslocou fortemente rumo à atividade especulativa financeira. Cerca de 90% dos movimentos de capital no mundo hoje são mudanças de papéis de uma mão para outra, não são o resultado de atividades comerciais, assinala Sader. Mas enquanto isso ocorre nos centros financeiros mundiais, no coração do sistema capitalista, na periferia ele descreve uma dinâmica diferente.

“Nas décadas de 80 e 90, a América Latina foi o laboratório mais avançado do neoliberalismo. O arco político da região aderiu em conjunto ao modelo e foi o primeiro a explicitá-lo. México, Brasil e Argentina foram as expressões mais claras disso”. Mas esse modelo entrou em crise, gerando fortes contradições.

Hoje, diz ainda Sader, a América Latina é “a única região com projetos de integração relativamente independentes dos Estados Unidos, condição necessária mas não suficiente para a ruptura com o modelo neoliberal”. Diante da crise de hegemonia, os países do subcontinente reagiram de diversas formas, de acordo com sua capacidade de reconstruir as forças para uma disputa de poder. Bolívia e Equador, segundo Sader, são exemplos de sublevação popular com saída eleitoral que permitiu refundar o Estado. Destacou que estes países “puderam recompor sua identidade porque tiveram menos penetração cultural do neoliberalismo, o modelo não deitou raízes”. Um fenômeno diferente do ocorrido no México, Chile e Argentina, onde se enraizou.

Sader destacou como modelo de integração independente a proposta da ALBA (Alternativa Bolivariana para os povos da América), impulsionada pela Venezuela. “Democratizar a economia é desmercantilizar”, defende o sociólogo brasileiro, como bandeira na luta anti-hegemônica. Ainda que não deixe de reconhecer a distância existente entre o sistema capitalista atual e um modelo que possa substituí-lo. “Existe um abismo entre o esgotamento do modelo atual e a aparição de outro ou outros. O panorama é contraditório. Mas o mundo novo é um modelo ainda não elaborado”, postulou."

VENEZUELA, CUBA, BOLÍVIA, NICARÁGUA E HONDURAS NA ALBA

HONDURAS CONFIRMA PARTICIPAÇÃO COMO NOVO MEMBRO DA ALBA

“A Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), criada em 2004 por Venezuela e Cuba, recebe na próxima segunda-feira (25) Honduras como novo membro do mecanismo, que coloca a integração regional com especial ênfase no desenvolvimento humano.”

O site “VERMELHO” postou ontem à tarde, 24 de agosto, o artigo a seguir transcrito, originalmente publicado paela agência de notícias espanhola EFE:

“O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou na sexta-feira que "mais países" latino-americanos e caribenhos "querem" se juntar ao mecanismo, após comemorar, novamente, a decisão do governante hondurenho, Manuel Zelaya, de aderir ao organismo.

Chávez citou o Haiti e o Paraguai entre os países que teriam expressado interesse em aderir ao organismo, integrado até agora por Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Dominica.

Na próxima segunda-feira, Honduras assinará, na capital, Tegucigalpa, sua adesão ao mecanismo de integração, em um ato oficial que contará com a presença de Chávez, e dos presidentes boliviano, Evo Morales, e nicaragüense, Daniel Ortega.

Honduras ingressa na Alba em meio ao apoio de organizações populares, mas com a rejeição de empresários e políticos de diversas tendências, incluído o governante Partido Liberal, que alegaram que a entrada do país no organismo permitirá à Venezuela influir em seus assuntos internos.

A Alba foi apresentada por Chávez pela primeira vez em dezembro de 2001, como contrapartida à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) impulsionada pelos Estados Unidos. No entanto, a criação do mecanismo só foi concretizada três anos depois, em Cuba, com a assinatura de uma Declaração Conjunta por parte do governante venezuelano e de Fidel Castro.”

O PETRÓLEO É VOSSO

O site “Direto da Redação” postou ontem muito bom artigo de Mário Augusto Jakobskind:

“Quem acompanha nestes dias as informações e comentários sobre a exploração das reservas petrolíferas do pré-sal constata que há um clima de nervosismo na turma do “petróleo é vosso”. De Arnaldo Jabor a Miriam Leitão, passando por Carlos Alberto Sardenberg e outros que ocupam o espaço midiático conservador, todos foram unânimes em questionar os defensores de a riqueza do pré-sal ficar com os brasileiros e não ser diluída nas mãos de empresas multinacionais do setor.

Trocando em miúdos: tanto eles, colunistas, como seus superiores hierárquicos, querem que as grandes empresas petrolíferas tomem conta das riquezas de uma vez por todas. E chegam até a advertir Lula, que pelo menos na retórica está defendendo a preservação da reserva petrolífera sob o controle brasileiro.

A jóia do pensamento pró-multinacional ficou por conta de Sardenberg ao afirmar que “esse negócio de petróleo é nosso”, “riqueza nas mãos dos brasileiros” é, pasmem, “coisa do passado”, “populismo”.

O hoje sócio do Teatro Casa Grande, David Zilberstajn, o tal genro nomeado por Fernando Henrique Cardoso para a Agência Nacional de Petróleo e que ao se reunir com representantes de multinacionais petrolíferas cunhou a frase “o petróleo é vosso”, está de volta na defesa de interesses antinacionais. Na era FHC, Zilberstajn, o genro, tornou-se um dos mais ardorosos defensores da entrega da estatal brasileira de petróleo para os acionistas estrangeiros, que hoje chegam a 60%.

Os mesmos propulsores desta privatização pelas beiradas são os veementes defensores de que as riquezas energéticas do pré-sal sejam exploradas pelas multinacionais e pregam a continuidade dos leilões de petróleo. De saída, sem qualquer tipo de discussão mais aprofundada, a tal patota se colocou contra a criação de uma estatal para cuidar melhor desta riqueza.

Aliás, esta turma pós-moderna não traz nada de novo. Ela sim é “coisa do passado”, uma vez que os argumentos hoje apresentados reproduzem o que a mídia conservadora nos anos que antecederam a criação da Petrobrás (final dos anos 40 e início dos 50) dizia.

Claro, não adianta nada criar uma estatal de um lado e do outro conceder as facilidades para que a maior parte da riqueza fique com as multinacionais, como fez FHC. Mas a bancada do “petróleo é vosso” nem quer ouvir falar em estatal, ainda por cima se ela for controlada pelo povo brasileiro e não por quem o grupo defende e possivelmente é subsidiado.

Nenhum dos tais analistas foi capaz de associar a reativação da IV Frota dos Estados Unidos com as riquezas do pré-sal. Na verdade, tanto a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, o vice Dick Cheney e o próprio presidente George W. Bush só agem em conformidade com as empresas petrolíferas que estão de olho no nosso litoral. O trio sinistro inventou vários argumentos para justificar a reativação IV Frota. Chegaram até a falar em “ação humanitária”.

Outra questão que está ocupando grandes espaços na mídia é a decisão, possivelmente nesta próxima quarta-feira(27), do Supremo Tribunal Federal sobre a reserva indígena de Raposa Terra do Sol, se ela seguirá contínua ou dividida em ilhas. A elite brasileira, preconceituosa e racista por natureza, apresenta argumentos pífios em defesa da divisão que só confirmam o juízo formado ao longo do tempo sobre os indígenas brasileiros. Enquanto eles eram apresentados apenas como grupos folclóricos e na verdade como cidadãos de segunda classe próximos da extinção, as elites os aceitavam de bom grado e até criaram um dia do calendário destinado aos índios. Mas a partir do momento em que eles tomaram consciência de seus direitos e se organizaram no sentido de ocupar espaços nos restantes 364 dias do ano como cidadãos brasileiros integrantes de uma etnia, aí a coisa mudou de figura. Os índios se transformaram em “marionetes” de governos estrangeiros “ameaçadores de nossa soberania”.

E cá entre nós, como é lamentável ver militares tomando a defesa da patota do agronegócio, representada em Rondônia pelos arrozeiros, e silenciarem quanto a entrega de mão beijada da Amazônia para as multinacionais. Por que o comandante da Amazônia, General Augusto Heleno Pereira, em vez de destilar preconceito contra os indígenas não chama a atenção sobre a facilidade que os governos brasileiros, desde a época da ditadura, concedem às multinacionais naquela área? As terras dos indígenas brasileiros são preservadas e pertencem à União, mas em áreas onde políticos corruptos predominam, as multinacionais são sempre favorecidas.

Resta agora aguardar a decisão dos ministros do STF, se julgarão o pleito desprovidos de preconceito ou cederão às pressões dos arrozeiros."

INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS: BRASIL MAIS QUE RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA

O Brasil registra a maior taxa de crescimento de investimento direto estrangeiro de 2006 para 2007, revela Unctad.

Reportagem de Patrícia Cançado, do jornal “O Estado de São Paulo” de ontem, trouxe mais essa boa notícia para a economia brasileira.

BRASIL É O "QUERIDINHO" ENTRE AS PRINCIPAIS ECONOMIAS EMERGENTES

“A mineradora sul-africana Anglo American viveu dois milagres econômicos no Brasil. Mas foram necessários 24 anos para apostar de fato suas fichas no País, onde fincou sua base em 1973. Até o ano passado, a operação brasileira da Anglo era a lanterninha entre as dez subsidiárias. A entrada em minério de ferro, com a compra da MMX do empresário Eike Batista, colocou a filial em outro patamar.

Hoje aparece entre os três maiores destinos de investimentos do grupo, ao lado do Chile e da África do Sul. Só essa área vai receber US$ 10 bilhões até 2010, sendo 55% apenas neste ano, um recorde na história da multinacional e talvez o maior desembolso feito por estrangeiros neste ano de uma só vez. "O Brasil entrou no radar da Anglo. A companhia decidiu apostar alto porque quer participar desse crescimento", diz o presidente da Anglo Ferrous Brazil, Alexandre Gomes.

O "radar" da Anglo dá a medida da importância que o Brasil ganhou no cenário internacional. Entre 2006 e 2007, o País teve o maior crescimento de investimentos diretos estrangeiros entre as economias emergentes, à frente de China, Índia e Rússia, segundo a Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. O volume dobrou - saiu de US$ 18,8 bilhões para US$ 37,4 bilhões. Até julho deste ano, encostou em US$ 20 bilhões, o que leva a acreditar que o País deve atingir neste ano o mesmo patamar de 2007, contrariando a tendência mundial, que aponta queda de 37% no fluxo de investimentos.

Quando a expressão Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi cunhada pelo banco Goldman Sachs, há sete anos, economistas do mundo inteiro questionaram a presença do Brasil. Até 2006, ainda não havia consenso se o País poderia ou não fazer parte do bloco que dominaria a economia em 40 anos. O banco revisou suas análises e o manteve na lista.

Ainda assim, para muitas multinacionais e fundos de participação estrangeiros, o Brasil só foi redescoberto mais recentemente. "O País está passando por novas fases de crescimento, diferente dos vôos de galinha de antes. Os investidores agora conseguem enxergar a longo prazo", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima.

O avanço em alguns aspectos macroeconômicos é indiscutível. Com a inflação sob controle, os juros em queda, a melhora na renda e a maior oferta de crédito, o consumo disparou, fazendo a festa das montadoras, das construtoras, das empresas de alimentos, dos bancos, das fabricantes de eletroeletrônicos e do varejo de forma geral.

O Brasil ainda perde em termos de tamanho e custo de mão-de-obra, mas os estrangeiros estão sendo atraídos principalmente pelo crescimento do mercado local. Nesse quesito, o País já ganha da China, iguala-se à Índia e só perde para a Rússia, segundo levantamento da Unctad e elaborado pela Sobeet.

O acesso a recursos naturais e a mão-de-obra eficiente faz o Brasil ter preferência dentro dos Brics. Daí o espantoso interesse da Anglo American, da ArcelorMittal, que na semana passada pagou US$ 830 milhões por uma única mina de ferro em Minas Gerais, e das petrolíferas. Isso, sem falar no etanol, que fez uma legião de gringos construírem ou apenas visitarem usinas por aqui.

O Wal-Mart, no País desde 1995, não teria reservado um investimento de R$ 1,8 bilhão para o próximo ano se não confiasse num bom cenário. Neste ano, a classe média tornou-se maioria (51%). Desde 2004, a rede americana já aplicou R$ 3 bilhões na operação brasileira, sendo R$ 1,2 bilhão neste ano. Hoje a filial é referência para outros emergentes.

O último presidente, Vicente Trius, assumiu no ano passado a operação da cadeia de supermercados na Ásia. A expectativa em Bettonville, sede do Wal-Mart, é que ele repita do outro lado do mundo a experiência tida aqui. O Carrefour chegou a cogitar sair do Brasil por dificuldades em competir com o alto grau de informalidade no setor. Em 2007, deu o recado contrário ao pagar R$ 2,2 bilhões (à vista) pelo Atacadão.

DESTAQUES:

US$ 37,4 bilhões foi quanto o Brasil recebeu de investimento direto estrangeiro em 2007;

US$ 18,8 bilhões foi quanto o Brasil captou de investimento direto estrangeiro em 2006;

99,3% foi a taxa de crescimento no período."

MODA BRASILEIRA CONTAGIA O MUNDO, DIZ JORNAL INGLÊS

Em sua edição de domingo, o jornal britânico THE INDEPENDENT ON SUNDAY trouxe uma matéria sobre a expansão da moda brasileira no mercado internacional.

Li essa notícia da agência inglesa BBC Brasil no site do jornal O Estado de São Paulo de 24/08.

“Em sua edição deste domingo, o jornal britânico The Independent on Sunday traz uma matéria sobre a expansão da moda brasileira no mercado internacional.

De acordo com a autora do texto, Rachel Shields, "os brasileiros estão mostrando que o estilo da América do Sul é muito mais do que chinelos Havaianas e roupas de praia minúsculas".

Segundo o Índice Global de Desenvolvimento de Varejo da AT Kearney, o mercado de roupas brasileiro vale o equivalente a cerca de R$ 57 bilhões e cresce 7% ao ano.

O jornal afirma que os consumidores britânicos estão aderindo cada vez mais às criações de estilistas brasileiros que, como Daniella Helayel, fogem ao padrão tradicionalmente extravagante da América do Sul.

"Eu sou brasileira, mas não me considero uma estilista brasileira", diz Helayel ao The Independent on Sunday.

"Eu tento estudar todas as diferentes culturas e criar para gostos diferentes. Porém, eu não consigo pensar em inverno; o verão é o meu foco e minhas criações têm cores claras - o Brasil tem tudo a ver com cores claras."

Estrelas de Hollywood como Keira Knightley, Scarlett Johanson e Eva Mendez são todas fãs da marca de Helayel, Issa, fundada em 2001.

Até a namorada do príncipe William, Kate Middleton, usa vestidos da marca.

MODA ECOLÓGICA

O jornal também destaca outro motivo que catapultou a moda brasileira internacionalmente: o número crescente de marcas que vendem produtos éticos e sustentáveis.

"A marca brasileira Melissa fez calçados ecológicos famosos, vendendo mais de 25 milhões de pares de sapatos de plástico ao redor do mundo", diz a matéria do The Independent on Sunday.

Parcerias com a estilista britânica Vivienne Westwood e a arquiteta Zaha Hadid ajudaram a chamar atenção para a marca no mercado consumidor britânico.

Todos os sapatos da Melissa são 100% recicláveis e a empresa apóia projetos ecológicos e sociais no Brasil, ressalta o jornal.

A matéria também destaca outras iniciativas parecidas, como as criações da baiana Marcia Ganem, que são feitas de fibra de poliamida retirada de pneus de carro usados e cintos de segurança. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.”

OS DIREITISTAS ARGENTINOS

Li no site “Vermelho” o muito bom artigo de Gilson Caroni Filho, postado pelo site Carta Maior. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

A DIREITA EM TRANSE NA ARGENTINA

“Depois de uma crise que durou quatro meses, agremiações ruralistas voltam a ameaçar o governo de Cristina Kirchner com “tratoraços" e promessas de locaute se suas reivindicações não forem atendidas. Filme velho, que não faz jus à filmografia saborosa de um Fernando Solanas.”

“Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, é categórico ao afirmar que "se não houver soluções para nossas reclamações, vamos declarar antes do fim de agosto a volta do protesto, que seria um locaute agropecuário ou a não comercialização de grãos". O interessante é que parece haver um lapso no cálculo político de Buzzi que apoiou o ex-presidente Néstor Kirchner e, até bem pouco tempo, era um entusiasta da sua sucessora.

Se a chamada “Mesa de Enlace" reúne atores rurais díspares em interesses, a ação uníssona de seus integrantes deve servir de alerta aos que se preocupam com a estabilidade institucional do país vizinho. Pequenos produtores unidos ao agronegócio buscam diminuir o espaço de manobra do governo argentino, e o custo político resultante é por demais conhecido para que o ignoremos.

Mas o erro de cálculo a que nos referimos acima reside em não considerar que baixa constitucionalidade efetiva nunca inibiu a participação política das forças progressistas portenhas. Pelo contrário, como tem ocorrido na maioria dos países da América Latina, o custo do fracasso de mobilizações pelo alargamento de direitos e manutenção do regime democrático sofreu uma admirável redução. A democracia no continente é, cada vez mais, uma aposta correta.

Se as velhas oligarquias conseguem mobilizar um considerável número de pessoas, o bloco democrático, por outro lado, tem levado multidões às ruas. Seria interessante relembrar fatos recentes. Momentos que demonstram a capacidade de resistência sendo forjada no correr do próprio embate. E haverá melhor cenário para isso do que a própria Argentina no final de 2001?

Ante uma dívida pública de 146 bilhões de dólares, sucessivos ajustes recessivos para manter uma fantasia cambial, funcionalismo público e inativos confiscados em salários e proventos, o povo argentino reinventou a política. Derrubou o czar dos financistas de prontidão e levou à renúncia dois presidentes. Houve quem visse com preocupação o que deveria ser festejado como esperança. Historicamente, mudanças significativas se fazem por forças não mais controláveis por uma institucionalidade que se torna tão arcaica quanto disfuncional.

Tal como nas linhas do realismo mágico, tempo e espaço entraram em suspensão. As mães da Praça de Maio, os curtidos pela hiperinflação do governo Alfonsin e os desempregados pelos 43 meses de recessão deram-se os braços. Como a dizer que na história argentina tudo tem conseqüência e sua tradição não comporta pontos finais ou obediências devidas. Não foi, como apregoou a análise apressada, ato de desespero. Foi, antes, manifestação de soberania popular.

Industrializada a partir de um pujante setor agro-exportador, forjada politicamente num outrora sólido sistema partidário de altíssima capilaridade, a Argentina, àquela época, demonstrou que a história pode não ser contínua, mas é cumulativa, e forma o caráter de uma nação.

Relembrou por que Frondizi e Illia deixaram inconclusos seus governos. Por que se esgotou a experiência golpista de Ongania. Redesenhou a origem e o ocaso da tragicidade peronista. E pedagogicamente mostrou o quão sangrenta teve de ser a ditadura nos anos 1970 para se sobrepor a um povo que não existe para ter um papel ancilar.

Sem uma liderança orgânica ou mesmo um projeto alternativo, os últimos dias de 2001 foram um “grande não”. Ao monitoramento externo e às razões das finanças que jogam no desemprego quase 20% da população economicamente ativa. Não aos fundamentalismos do Consenso de Washington. Não à geléia disforme do Justicialismo, da UCR e da envergonhada Frepaso. Longe estávamos da barbárie. Assistíamos a uma antiga lição: a política também se faz fora dos marcos institucionais estabelecidos. Com ou sem estado de sítio em seu intercurso.

Poucos analistas apareceram para constatar que, naqueles dias, o povo de Seattle se deslocou para terras portenhas. Faltaram filólogos de boa-fé para explicar que moratória não tinha o sentido pejorativo de calote? Que o ingresso das mães da Praça de Maio na Casa Rosada era o ajuste de contas de uma nação com sua história? Que o cerco a um Congresso subalterno é reapropriação da cidadania parcialmente delegada?

Era o fim da hegemonia neoliberal na região. Já tínhamos Chávez antecipando a chegada de uma nova geração de Estadistas. Em pouco tempo subiriam à ribalta Lula, Kirchner, Morales, Correa, Vásquez, Ortega e, mais recentemente, Lugo. Cada um expressando uma correlação de forças distinta, uma especificidade intransferível, mas todos significando inequívoca demonstração de que a história redesenhada não admitiria retrocessos. É isso que atordoa a direita e lhe dá contornos patéticos. Já não há platéia suficiente para aplaudir seus antigos dramas. O transe é rico e insustentável.”

A ÍNDIA E AS OLIMPÍADAS

O site “Vermelho” postou há alguns dias o artigo a seguir transcrito, publicado originalmente no jornal francês Le Monde e traduzido por Jean-Yves de Neufville para o portal UOL Mídia Global. Ele esclarece um tema que já me intrigava:

POR QUE A GIGANTE ÍNDIA É UMA RARIDADE NOS PÓDIOS OLÍMPICOS?

“Por que a Índia, um gigante demográfico, estará ausente dos pódios olímpicos? Os jornais do país arriscam diferentes explicações. A cultura indiana careceria de agressividade, ou ainda, o seu sistema de castas privilegiaria o saber, consagrando no topo da sua pirâmide os "brâmanes" - os membros hereditários da casta sacerdotal -, cuja reputação não é exatamente a de serem excelentes atletas.”

"Não esperem por nenhum milagre", avisou Suresh Kalmadi, o presidente do Comitê Olímpico indiano, antes mesmo do início dos Jogos Olímpicos de Pequim. Uma única medalha de bronze para um país de mais de 1 bilhão de habitantes: a mais recente performance olímpica da Índia, nos Jogos de Atenas, não é nenhum motivo para se manter otimista. Para as Olimpíadas de Pequim, a equipe masculina de hóquei na grama (a modalidade que, até então, proporcionara as oito únicas medalhas de ouro que o país já conquistou em toda a história dos Jogos), não conseguiu nem sequer a qualificação. Nessas condições, vale sublinhar que o título olímpico conquistado por Abhinav Bindra no tiro com carabina a 10 m, na segunda-feira (11 de agosto), já desponta como um ótimo resultado.

Com tão poucos motivos de esperança, os Jogos Olímpicos não suscitam praticamente nenhum entusiasmo em meio à população. Isso explica por que o canal de televisão público indiano, o Doodarshan, foi o único que aceitou comprar os direitos de transmissão, por US$ 3 milhões (cerca de R$ 4,8 milhões). Com um número reduzido de telespectadores, e, portanto, uma quantidade minguada de patrocinadores, a emissora tampouco está esperando por qualquer milagre. "Na certa, nós vamos perder dinheiro", assegura uma das responsáveis do canal.

Por que a Índia, um gigante demográfico, estará ausente dos pódios olímpicos? Os jornais do país arriscam diferentes explicações. A cultura indiana careceria de agressividade, ou ainda, o seu sistema de castas privilegiaria o saber, consagrando no topo da sua pirâmide os "brâmanes" - os membros hereditários da casta sacerdotal -, cuja reputação não é exatamente a de serem excelentes atletas.

INFORMÁTICA TOMOU O LUGAR DOS ESTÁDIOS

Outros comentaristas consideram que até mesmo o esporte é gangrenado pela burocracia na Índia. Para comprovar esta suspeita, basta consultar os números: 42 treinadores acompanharão os 56 atletas qualificados em Pequim. Contudo, muito mais do que isso, é a carência de infra-estrutura e de financiamentos que constitui um problema. "Metade das nossas escolas não dispõe nem sequer de um terreno para esportes, e a situação revela-se ainda pior para as nossas universidades", diz Suresh Kalmadi.

O esporte tem sido a principal vítima da expansão das novas tecnologias. Em Bangalore (no centro-sul), os campi de informática tomaram o lugar dos estádios. "As infra-estruturas da cidade diminuíram consideravelmente ao longo dos últimos anos", comenta Vimal Kumar, um antigo campeão de badminton. O críquete, que, para a grande frustração dos indianos, não está incluído entre as disciplinas olímpicas, é acusado de ofuscar todos os outros esportes. "O dinheiro de que nós tanto precisamos é todo ele sugado pelo críquete", explica Randhir Singh, o secretário-geral do Comitê Olímpico indiano. Na Índia, o críquete tem incontáveis adeptos, que o praticam em cada esquina. Para tanto, um bastão e uma bala são suficientes.

Para um país que pretende rivalizar com a China, a comparação, ao menos no campo desportivo, não é nem um pouco lisonjeira. Mas os comentaristas tentam minimizar a péssima impressão causada. "A China teria gastado mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,6 bilhão) para treinar seus atletas ao longo dos últimos sete anos. Este dinheiro deveria antes ser gasto, pelo menos na Índia, para a construção de escolas e de hospitais, assim como para a urbanização", analisa o editorialista Kanika Datta no diário "Business Standard". E ele conclui afirmando: "A China não é o destino preferido dos investidores estrangeiros, isso porque ela figura entre os cinco melhores países nos Jogos Olímpicos".

Os indianos terão constatado ao menos que os Jogos Olímpicos de Pequim não se limitam apenas a disputas por medalhas. Está havendo também uma grande afluência de turistas. Para tentar compensar a virtual ausência dos pódios do seu país, o ministério indiano do turismo vai deslanchar uma grande campanha de comunicação pelas ruas de Pequim. Longe dos clamores dos estádios, os outdoors publicitários exibirão o arrebatador slogan seguinte: "Incrível Índia!".

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

BRASIL FAZ ANÁLISE POSITIVA DE SEU DESEMPENHO EM PEQUIM

“Embora o Brasil tenha conquistado em Pequim-2008 duas medalhas de ouro a menos do que em Atenas-2004 (cinco a três), e o somatório total de 15 pódios seja exatamente igual ao de Atlanta-1996, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, afirmou neste domingo (24) que o recorde de 38 finais disputadas levou ao país ao melhor desempenho de sua história em Jogos Olímpicos.”

O site “Vermelho” postou ontem a reportagem do site Gazeta Esportiva.Net, a seguir transcrita:

“Garantindo que o desempenho de uma delegação nas Olimpíadas não pode ser medido apenas pelo número de conquistas, Nuzman ressaltou três recordes na história brasileira para garantir que "tivemos a melhor participação na história": o número de atletas na competição (277), a quantidade de mulheres (133) e a quantia de de modalidades disputadas (32). "É mais um passo no processo de evolução do esporte brasileiro", assegurou, em entrevista coletiva realizada no Rio de Janeiro.

Mais objetivo na seqüência, o dirigente vibrou com as três medalhas de ouro inéditas conquistadas em solo chinês (as primeiras da natação com César Cielo, do atletismo feminino com Maurren Maggi e do vôlei feminino de quadra) e com as 38 finais alcançadas, contra 30 de Atenas-2004, e 22 tanto em Sydney-2000 como em Atlanta-1996. "Conquistamos três ouros inéditos e fizemos o maior número de finais de toda a nossa participação olímpica".

O presidente do COB ainda fez questão de ressaltar a evolução do esporte em todo o mundo, buscando aumentar a importância dos feitos brasileiros em Pequim. "Observamos nos Jogos dois fenômenos: a hegemonia da China e a diluição de medalhas por uma gama maior de países. A competitividade está cada vez maior e estamos está inserido neste contexto mundial".

Argumentando, por fim, que no número total de medalhas o Brasil foi o 17º melhor país (23º no critério tradicional, em que os ouros valem mais), Nuzman vibrou pelo fato de a equipe brasileira ter superado países tradicionais como Cuba e Grécia. "É interessante também analisar em termos gerais. Há muito tempo o Brasil não ficava à frente de Cuba (dona de dois ouros, 11 pratas e 11 bronzes). Foi um mito ultrapassado. A sede das Olimpíadas passadas, a Grécia, há quatro anos ficou na nossa frente e hoje não conquistou nenhuma de ouro (duas pratas e dois bronzes)".

ARGENTINA – BRASIL: PAÍSES IRMÃOS

Uma pesquisa interessante foi publicada na Folha de São Paulo de ontem. Foi encomendada pelo governo brasileiro sobre a maneira como os argentinos vêem o Brasil. Eu a li no Blog do Nassif:

“Confirma o que todos os brasileiros que visitaram a Argentina nos últimos anos já tinham percebido: as relações afetivas entre os dois países estão cada vez mais fortes (futebol à parte).

Para 62% dos argentinos, a relação entre Brasil e Argentina deve ser a de "sócios" (33%), "amigos" (19%) ou de "irmãos" (10%).

Há alguns aspectos a se considerar. Historicamente, a música brasileira sempre exerceu um grande fascínio sobre os argentinos. O turismo ajudou muito também, especialmente depois que os argentinos descobriram Santa Catarina e o nordeste e os brasileiros se encantaram com Buenos Aires.

Em uma perspectiva mais longa, o fim da guerra fria ajudou. No pré-guerra e no pós-guerra, nos anos 40, havia uma disputa acesa entre Brasil e Argentina, para estabelecer o equilíbrio militar na região. As Forças Armadas brasileiras eram bastante desaparelhadas. Durante anos, Getúlio Vargas tentou convencer os Estados Unidos de que deveriam reaparelhar militarmente o Brasil, que era um parceiro muito mais confiável. Quase conseguiu.

O período Vargas-Peron foi de intenso conflito de bastidores. Depois, no período das ditaduras militares houve colaboração no pior sentido possível.

Finalmente, no período Menen-Cavallo, a Argentina se atrela integralmente aos Estados Unidos, a ponto de se cogitar no fim do peso e na adoção do dólar: o cúmulo da perda de soberania nacional.

O desencanto que se seguiu afastou o país da influência americana e o trouxe para perto do Brasil, um processo ao qual tem aderido não apenas o povo, mas intelectualidade argentina.

Caminha-se a passos largos parar o estreitamento de laços. Há cooperação nos planos nucleares, na fabricação conjunta de equipamentos militares, na ampliação da presença de empresas brasileiras na Argentina.
Repare que esse grau de aprovação do Brasil se dá em pleno processo de ampliação do espaço das empresas brasileiras por lá – o que poderia suscitar reações nacionalistas.

Enfim, em março do ano que vem uma grande comitiva de empresários argentinos estará por aqui, acompanhando a presidenta Cristina Kirschner. Tomara que tragam junto as riquezas culturais e musicais da Argentina.”

INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

O escritor e jornalista Miguel do Rosário escreveu ontem em seu blog “Óleo do Diabo” um muito bom texto do qual extraí o seguinte trecho:

"O Eduardo Guimarães [Blog Cidadania] está visitando o Equador e tem escrito inteligentes análises sobre a América Latina. Ele acusa a falta de integração política e cultural do continente.

Concordo. Mas senti um pessimismo em seu texto que não se coaduna com a realidade. A integração está acontecendo, a num ritmo bastante promissor. O Lula tem priorizado as relações intra-americanas de uma forma como nenhum outro governante o fez. Nem Vargas nem JK. E os resultados já estão aparecendo. O comércio entre os países latino-americanos cresceu exponencialmente e o Mercosul já é o maior parceiro comercial do Brasil, emparelhando com EUA e Europa.

Isso era impensável até pouco tempo. Em muitos setores, a Argentina é um parceiro mais importante que os EUA. Quem imaginaria isso nos anos 60 seria taxado de lunático.

E comércio é importante sim, porque é através dele que se estruturam as relações políticas e culturais. Tanto é verdade que o Eduardo Guimarães está no Equador, escrevendo excelentes análises, por conta de seu trabalho como vendedor de autopeças.

Nos últimos anos, aconteceram diversas reuniões históricas dos mandatários dos países sul-americanos. O governo brasileiro tem defendido uma aliança mais estreita entre os países e a proposta vem sendo recebida muito positivamente. Lula chegou a citar a possibilidade de uma moeda única no continente. Já foi criado um banco regional de desenvolvimento e a discussão em torno da aliança militar tem avançado rapidamente.

Como era de se esperar, porém, a mídia brasileira tem combatido encarniçadamente esses movimentos. É difícil compreender os motivos que levam donos de jornais a se posicionarem contra uma união que pode trazer dividendos a todos, inclusive a eles mesmos. A explicação, no entanto, é simples: poder. As mídias latino-americanas foram desapeadas do poder político e querem voltar.

Na América Latina, a relação entre os políticos tradicionais e os proprietários de meios de comunicação de massa sempre foi intensa. Com a derrota dos candidatos apoiados pela mídia, esta ficou de fora das reuniões palacianas e perdeu a segurança que possuía de que seus eventuais deslizes não seriam investigados pelo governo. Por isso vem apelando para a histeria e para o golpismo.

Fico impressionado, por exemplo, com o caso do presidente Alvaro Uribe. Aí se vê claramente como as mídias corporativas são hipócritas e daninhas. Em qualquer outro país latino-americano, um presidente que se visse envolvido, por todos os lados, numa relação com os para-militares e narcotraficantes, seria deposto ou, no mínimo, enfrentaria uma severa crise política. Uribe não. Ele é o Aécio Neves colombiano. Totalmente blindado. Inclusive aqui no Brasil. Falou-se tanto do tal computador que teria "provas" de relação de Chávez com as Farc e depois descobrimos que elas consistiam numa anotação descontextualizada: Chávez - 300, que os gênios da mídia sul-americana logo interpretaram como 300 milhões de dólares.

A mesma coisa com o Brasil. As relações de membros das Farc com petistas foram exploradas à larga pela famigerada Veja, mesmo sem haver nada de especialmente comprometedor. E Uribe, cujas ligações com para-militares e narcotraficantes são comprovadas (seu irmão foi preso, ministros caíram, o Supremo Tribunal aceitou denúncia), ainda é tratado como um menino bonzinho. As matérias do nosso famoso PIG não citam Uribe sem lembrarem, enfaticamente, que ele é um presidente muito "popular" na Colômbia. Mesmo que a matéria não tenha nada a ver com popularidade.”

O ASTRAL DO BRASILEIRO ESTÁ LÁ EM CIMA

O artigo seguinte, de Elio Gaspari, foi publicado ontem na Folha de São Paulo. Eu o li no blog “Por um novo Brasil”. Retrata o cenário já percebido por grande parte da população:

UMA PESQUISA DO DATAUNB FAZ A ALEGRIA DO COMISSARIADO E DA MÁQUINA DE PROPAGANDA DO PLANALTO

“O Comissariado do Planalto trabalha em cima de uma reconfortante pesquisa realizada pelo DataUnB em 214 municípios de nove Estados, com 6.000 entrevistas.

Ela indica que o brasileiro está satisfeito, gosta dos programas sociais do governo, aprecia seu desempenho e atribui a ele o bom astral em que vive. Para 84% dos entrevistados, sua situação pessoal vai melhorar e 80% avaliam que os objetivos dos programas federais estão sendo alcançados. A taxa de ruim e péssimo de Nosso Guia está em ralos 9%. (Em setembro de 2005, ela esteve em 32% numa pesquisa do Ibope.)

As jóias da coroa são o Bolsa Família para compra de comida (80% de aprovação) e para a aquisição de material escolar (75%).

Resultados desse tipo estimulam instintos irracionais em pessoas que pensam de maneira diferente e sacam a velha idéia segundo a qual a choldra se deixa enganar com facilidade. O trabalho indica que a cabeça da amostra se revelou bem mais articulada. Ao mesmo tempo em que perceberam uma melhoria nas condições de vida, os entrevistados ensinaram que não são bobos.

A alta do preço dos alimentos foi apontada por 94% das pessoas. Isso, mesmo sabendo-se que 63% entendem que os brasileiros estão comprando mais comida. Ao mesmo tempo em que registram a melhoria no acesso aos crediários (84%), informam que ficou mais difícil pagar as contas em dia (82%).

Vista de perto, a pesquisa trouxe decepções para os comissários. As obras, do PAC, por exemplo, são atribuídas aos governos locais. A União só leva crédito no trabalho das rodovias.

Visto de longe, o resultado indica que o governo está bem avaliado e, sobretudo, há confiança nas suas políticas e reconhecimento das mudanças que elas provocaram no cotidiano de milhões de pessoas. Mais da metade do universo pesquisado acredita que nos últimos cinco anos a vida melhorou, a renda subiu e há mais empregos.”

ESPORTES OLÍMPICOS: BRASIL NA LIDERANÇA DA AMÉRICA LATINA

CUBA TROPEÇA E BRASIL LIDERA LATINO-AMERICANOS PELA 1ª VEZ

O portal UOL postou ontem às 11h17 a notícia escrita por Javier Leira
para a agência britânica Reuters, uma das maiores e mais famosas agências de notícias do mundo:

“PEQUIM (Reuters) - Cuba, uma das potências esportivas da América Latina, foi a decepção da região nos Jogos Olímpicos de Pequim com uma série de fracassos inesperados, que levaram o Brasil a liderar o quadro de medalhas entre os representantes da América Latina pela primeira vez na história.

O México teve o seu melhor desempenho em 25 anos ao conquistar dois ouros, enquanto a Argentina manteve seu orgulho em alta com o título do futebol e um ouro no ciclismo, o que iguala o desempenho que de Atenas-2004.

Os grandes fracassos cubanos se deram no beisebol, depois que a equipe da ilha perdeu a final para a Coréia do Sul, e no boxe, um esporte que tradicionalmente dá muitas medalhas à Cuba, mas que nesta Olimpíada de Pequim não conquistou sequer um ouro.

Mas o episódio mais escandaloso foi o anúncio do banimento dos torneios mundiais de taekwondo de Angel Matos, depois que o atleta cubano acertou um chute na cabeça do juiz, que havia dado de maneira inesperada a vitória ao rival de Matos.

No entanto, a ilha caribenha brilhou com o ouro de Dayron Robles, que levou com facilidade a prova dos 110 metros com barreiras.

Desta maneira, Cuba terminou a competição -- liderada pela China com 51 ouros, seguida dos Estados Unidos com 36 --, na 27ª posição, com 2 ouros, 11 pratas e 11 bronzes. Em Atenas, o país havia ficado na 11ª colocação.

O Brasil encerrou sua participação com 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes. A contagem foi maior que em Atenas, quando levou para casa 10 medalhas, porém com menos ouros: 5 contra 3. Desta vez, o desempenho foi suficiente para ser o melhor país latino-americano no quadro de medalhas.

Os ouros brasileiros vieram do vôlei feminino, do nadador César Cielo e da saltadora Maurren Maggi.

No entanto, o país mais uma vez decepcionou no futebol masculino, que acabou os Jogos com a medalha de bronze, sem acabar com o jejum histórico na Olimpíada.

FERIADO NACIONAL E SALSA

Quem se converteu em herói nacional em seu país foi o saltador Irving Saladino, o primeiro panamenho a conquistar uma medalha de ouro olímpica, com a marca de 8.34 metros que ele conquistou no salto em distância.

O Panamá declarou feriado nacional na última quinta-feira e se fez uma festa estrondosa nas ruas da capital para Saladino, inclusive com o popular músico de salsa Rubén Blades, o que colocou milhares de pessoas a dançar.

Saladino vive em São Paulo, onde treina na academia do técnico brasileiro Nélio Moura, o mesmo da também campeã olímpica Maurren Maggi.

O México também fez história ao ganhar duas medalhas de ouro, o que não fazia desde os Jogos de Los Angeles, em 1984, com os triunfos de María del Rosario Espinoza e de Guillermo Pérez no taekwondo.

Outro orgulho da delegação do país são as nadadoras Paola Espinosa e Tatiana Ortiz, que levaram o bronze nos saltos ornamentais.

Para a Argentina, os Jogos de Pequim foram tão frutíferos como os de Atenas. A seleção masculina de futebol voltou a ganhar o ouro e os ciclistas Walter Pérez e Juan Curuchet conseguiram outra medalha dourada na modalidade Madison.

Sua equipe de basquete, campeã olímpica em 2004, não repetiu a façanha ao ser eliminada pelo "Dream Team" dos Estados Unidos nas semifinais. De qualquer maneira, acabou conquistando o bronze.

No Chile, os torcedores do tênis ficaram decepcionados com o fim das chances do ouro, quando Fernando González perdeu a final para o espanhol Rafael Nadal, o número um do mundo.

González levou a medalha de prata, e brincou dizendo que agora tem uma de cada cor. Em Atenas o tenista chileno Nicolás Massú levou o ouro na chave de simples e na de duplas, em parceira com González, que nos mesmos Jogos havia conquistado o bronze no individual.”

A LAMENTÁVEL EXCLUSÃO DA AMÉRICA LATINA

Li esse interessante artigo sobre a política externa dos EUA em relação à América Latina no site www.militar.com.br. O autor é Coronel-Aviador, conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro titular do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER).

Transcrevo:

“Devido à contumaz falta de sensibilidade por parte do Governo norte-americano, com relação à América Latina, como resultado de sua malfadada política externa, execrável hegemonia e total indiferença, os estadunidenses têm sistematicamente perdido a admiração e a natural liderança que detiveram na região durante muitas décadas.

Analisando as causas que conduziram a esta lamentável situação, encontramos, em primeiro lugar, os ditames impostos pelo Consenso de Washington. A seguir, a atitude draconiana que marcou a administração Bush em seu desprezível trato com a região, despertando, conseqüentemente, uma lembrança histórica calcada em grandes ressentimentos. Em terceiro lugar, devido à ausência de uma política comercial benfazeja e construtiva para a América Latina.

Desde o final dos anos oitenta e no transcorrer dos anos noventa do século passado, a América Latina se converteu em espaço de aplicação privilegiada do Consenso de Washington. Este, entretanto, veio a se transformar no símbolo mais visível da ideologia neoliberal. Dentro de seu decálogo de normas encontravam-se algumas como a austeridade fiscal, a reforma impositiva, a liberalização comercial, a privatização ou a desregulação. Em condições de laboratório quase perfeitas e sob a constante supervisão do Fundo Monetário Internacional, a América Latina sofreu todos os excessos da rigidez ideológica. O resultado foi claro: profundas recessões, níveis de desemprego elevados e dramáticas reduções nos serviços sociais.

Os insensíveis falcões do Governo Bush, e, em particular, aqueles que haviam estado a cargo da “guerra de baixa intensidade” na América Central, nos anos oitenta, vieram colocar mais lenha no fogo dos ressentimentos e recalques acumulados. A lista de sua arrogância é larga. Quando o México exitou em apoiar a invasão norte-americana no Iraque, Bush ameaçou com a “disciplina”, enquanto um alto diplomata americano assinalou que os mexicanos que viviam em seu país poderiam ser objeto de sérias retaliações. Algo parecido, e por iguais razões, ocorreu com o Chile. Quando os membros do bloco econômico CARICOM manifestaram suas objeções com respeito à invasão do país mesopotâmico, Otto Reich, então subsecretário de Estado para a América Latina, advertiu: “Aconselharia ao CARICOM que pensasse seriamente não somente no que disse mas também nas conseqüências que poderão advir desse infeliz pronunciamento”.

Quando o Brasil começou a tornar público, por intermédio do Itamaraty, seu rechaço à criação da Área de Livre Comércio das Américas - ALCA, Robert Zoellick, representante comercial dos Estados Unidos, declarou, ironicamente, “que o país deveria estar preparado para vender os seus produtos à Antártica” e, quando os países ibero-americanos assinaram o tratado constitutivo da Corte Penal Internacional, o presidente Bush ameaçou em cortar milhões de dólares em ajuda econômica, torcendo o braço daqueles que firmaram acordos bilaterais, excetuando os cidadãos estadunidenses da jurisdição dessa Corte. E assim sucessivamente. O caso extremo foi o fracassado e infeliz intento de perpetrar um golpe de Estado na Venezuela, em abril de 2002, interferindo descaradamente em assuntos internos daquele país.

Os excessos cometidos vieram acompanhados de muita indiferença em matéria comercial. As políticas norte-americanas apontam para a exclusão da América Latina em matéria de oportunidades. Como corolário, esse tipo de nefasto procedimento vem acarretando imensas frustrações nos países pertencentes ao espaço geopolítico latino-americano.

O caso da Colômbia é emblemático, pois apesar de sua reconhecida submissão aos draconianos ditames de Washington, teve rejeitada sua proposta de ingresso na ALCA, sem maiores explicações.”

domingo, 24 de agosto de 2008

MARTA ABRE VANTAGEM DE 17 PONTOS SOBRE ALCKMIN, DIZ DATAFOLHA

Li no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, a reportagem abaixo publicada ontem pela Folha Online:

“A ex-ministra Marta Suplicy (PT) lidera a disputa pela Prefeitura de São Paulo com 41% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada hoje pelo jornal "SPTV", da TV Globo. A pesquisa completa estará na edição da Folha deste domingo.

Com esse resultado, ela abre uma vantagem de 17 pontos sobre o tucano Geraldo Alckmin, que aparece com 24% das preferências.

Em seguida, está o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, com 14% das intenções de voto --ele tinha 11%. Kassab continua tecnicamente empatado com o deputado federal Paulo Maluf (PP), que tem 9%.

A margem de erros é de três pontos percentuais, para mais como para menos.

A nova pesquisa --realizada entre quinta-feira e sexta-feira-- mostra uma queda de oito pontos na intenção de voto de Alckmin na comparação com o levantamento anterior --quando o tucano aparecia com 32%. O levantamento anterior foi realizado de 23 e 24 de julho. De lá para cá, a vantagem de Alckmin para Kassab caiu de 21 para 10 pontos percentuais.

O Datafolha ouviu 1.093 entrevistados. A pesquisa foi registrada no TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo sob número 01900108-SPPE.

SEGUNDO TURNO

Num eventual segundo turno entre Marta e Alckmin, a petista venceria o tucano com 49% das intenções de voto, contra 44% do tucano. É a primeira vez, desde a primeira pesquisa Datafolha sobre sucessão municipal, que Marta aparecer à frente de Alckmin no 2º turno.

Contra Kassab, Marta venceria com 55% das preferências, contra 35% do democrata. Alckmin venceria Kassab por 57% a 28%.

O material completo da pesquisa está na edição da Folha deste domingo, que está nas bancas na tarde deste sábado.”

GABEIRA, A UNE E O PIG

O escritor e jornalista Miguel do Rosário está de volta no seu blog “Óleo do Diabo” com seus bons textos. Selecionei hoje o trecho abaixo.

“E o PIG em geral ecoou infinitamente a afirmação do Gabeira de que a UNE hoje é "chapa branca e que, nos anos 60, fazia oposição intransigente ao governo". Que farofada! A UNE apoiou o Jango, contra o PIG da época. Portanto, não era nada oposição INTRANSIGENTE. E mesmo se fosse oposição intransigente, isso é uma obrigação? Se for, onde está a liberdade? E a UNE deveria continuar IGUAL ao que era nos anos 60?

O mundo mudou completamente e o Gabeira e PIG querem que a UNE permaneça parada no tempo? Pelo que eu entendo, oposição intransigente é uma oposição burra. Na verdade, o que o Gabeira e o PIG querem dizer é que a UNE deve ser uma oposição intransigente ao Lula. Eles queriam que a entidade fosse uma correia de transmissão, acrítica e submissa, de todos os escândalos midiáticos. Manchete em jornal + passeata de estudante = derrota política do Lula. Essa é a fórmula manjada que eles não conseguiram emplacar.

A história toda começou com a decisão do Lula de indenizar a UNE pelo incêndio e destruição de seu prédio em 64. Decisão justa que, aliás, devia ter sido tomada já no primeiro governo pós-ditadura. Por que ninguém pensou nisso antes? É óbvio que a UNE deve ser indenizada por essa agressão.

E O PIG, naturalmente, vem cheio de maldade. Dizendo, ou melhor, insinuando, como eles gostam de fazer, que se trata de operação para "comprar apoio" da UNE. Ora, é a velha ladainha de sempre. O PIG agora confunde tudo. Se um político manda construir casas populares, ele diz que ele o faz querendo ganhar eleição. E daí?

O problema nunca foi esse. O problema sempre foi o político prometer e não cumprir. Lembram disso? Se o político faz, mesmo que seja Maluf, Collor ou FHC, então o povo o apóia. Com razão. Não se deve confundir política com metafísica. Os tucanos agora acham que os governantes devem fazer uma política metafísica, filosófica, que, embora não traga nada de concreto para o bem público, contribuiria, misteriosamente, para a evolução moral da sociedade. Ah, vão te catar. Evolução moral é segurança financeira e alimentar para o povo. É geração de emprego.

Esse capitalismo meia-boca da direita tupi não engana ninguém. Por isso estão perdendo eleição e minguando politicamente. E o cara ainda repetiu que o Lula ajuda os banqueiros. Ora pois pois, o Lula não pode baixar decreto impedindo banqueiro e rico de ganhar dinheiro. Mas quem ajudava banqueiro era o FHC, que tirou dezenas de bilhões de reais dos cofres públicos e os deu aos bancos, para evitar crise. Prefiro banco ganhando dinheiro do que recebendo subsídio estatal.

A verdade é que os tucanos estão completamente perdidos. Ideologicamente perdidos. Enquanto isso, a Marta avança e pode ganhar as eleições em SP no primeiro turno - o que é um fato político ainda a ser analisado meticulosamente por este blog.

É, carinha, a luta de Vargas foi braba. Não se tratou apenas de "ceder". Ele brigou contra poderosos interesses, e venceu. A luta prossegue e tem muito jornal pagando mico. Se o governo vai indenizar a UNE, ela tem mais é que o agradecer pela justiça.

Podia ser Collor, Maluf ou FHC, repito. A beleza da história é que, com essas críticas, Gabeira e PIG marcam posição, essa sim intransigente, e burra, contra a UNE, e perdem politicamente com isso. Bem feito.”

CAFÉ QUENTE E CHEIROSO

CAFÉ: DE VILÃO DA SAÚDE A HERÓI DO BEM-ESTAR

O blog do Favre postou em 17/08 essa interessante notícia de Antônio Marinho do O Globo:

Análise internacional dos estudos já publicados absolve completamente a cafeína das acusações de fazer mal

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Consumidores, entretanto, se mostram preocupados com os efeitos da bebida sobre a saúde, especialmente porque estudos contraditórios sobre benefícios e riscos da substância são publicados a cada mês. Agora, o Centro para Ciências de Interesse Público dos EUA fez uma extensa revisão dos mais importantes estudos divulgados. A cafeína foi absolvida, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal “New York Times”. Abaixo, os principais pontos da análise:

HIDRATAÇÃO: Bebidas com cafeína sempre foram apontadas como diuréticas. Mas estudos recentes sustentam que o consumo de até 550 miligramas de cafeína não produz mais urina do que o consumo equivalente de outra bebida.
Somente acima desse valor, a substância é diurética.

PROBLEMAS CARDÍACOS: Pacientes cardíacos, sobretudo os que apresentam pressão alta, são normalmente orientados a evitar o café, um conhecido estimulante.
Mas uma análise feita a partir de dez estudos, reunindo, ao todo, 400 mil pessoas, não constatou aumento de problemas cardíacos entre os que tomavam café diariamente — com ou sem cafeína.

HIPERTENSÃO: O café provoca um leve e temporário aumento da pressão sangüínea.
Mas estudos feitos com 155 mil pessoas que tomavam café diariamente ao longo de dez anos não revelaram uma maior propensão ao desenvolvimento de hipertensão.

CÂNCER: Uma revisão internacional, reunindo 66 estudos sobre a relação entre câncer e consumo de café, foi feita no ano passado. Os cientistas concluíram que o consumo de café tinha pouco ou nenhum efeito sobre o risco de desenvolver câncer de pâncreas ou rins. Outro estudo, com 59 mil mulheres, não encontrou relação alguma entre o consumo de cafeína e o câncer de mama.

PERDA ÓSSEA: Embora alguns estudos tenham relacionado o consumo de cafeína com perda óssea e fraturas, análises fisiológicas revelaram uma redução muito leve na absorção de cálcio. Os efeitos observados poderiam estar relacionados ao baixo consumo de leite e derivados. A análise revela que a redução na absorção do cálcio seria compensada com duas colheres de leite.

PERDA DE PESO: Apesar de a cafeína acelerar o metabolismo — 100 miligramas queimariam de 75 a 100 calorias extras por dia — nenhum outro efeito de controle de peso a longo prazo foi comprovado.
Estudo com 58 mil pessoas acompanhadas por 12 anos mostrou que elas, na verdade ganharam peso, embora os médicos não saibam explicar a aparente contradição.

BENEFÍCIOS À SAÚDE: Provavelmente, o mais importante efeito da cafeína é sua capacidade de melhorar o humor e a performance física e mental. O consumo de 200 miligramas (o volume contido em cerca de 30 mililitros de café comum) acentua a sensação de bem-estar e deixa a pessoa mais alerta e sociável, segundo relatos de consumidores. Volumes muito altos podem gerar ansiedade.
Estudos recentes mostraram ainda uma redução de 30% no risco de desenvolver Parkinson e de 28% para diabetes do tipo 2.

FRUTO É RICO EM MINERAIS E ANTIOXIDANTES

Crianças que tomam café têm melhor rendimento em sala

O café, puro ou misturado ao leite, é um dos melhores alimentos para se manter saudável, segundo o cientista brasileiro Darcy Roberto Lima, um dos maiores pesquisadores do assunto. Ele diz que além de cafeína, um estimulante natural, a infusão do fruto tem pelo menos cinco compostos altamente benéficos ao organismo humano.

Segundo o médico, o café é rico em vitamina B3 (a niacina, que participa na síntese de hormônios e é essencial para o crescimento) e ácido clorogênico, importante antioxidante ainda mais potente que o reverastrol, encontrado nas uvas. O fruto ou a bebida oferece também boa quantidade de potássio, ferro e zinco.

— Recomendo até quatro xícaras de café ao dia. A bebida contém mais minerais que produtos isotônicos artificiais e águas minerais. Além disso, o aroma do café — um dos mais fortes — tem importante função na melhora do humor e na sensação de bem-estar — diz o professor de neurologia na UFRJ, autor de seis livros sobre o fruto e coordenador científico do site “Café e Saúde”: http://www.cafeesaude.com.br.

Estudo quer recuperar aroma natural Seja qual for a forma de preparo do café, quente ou gelado, ele é benéfico para a saúde, segundo Darcy, que faz parte do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, coordenado pela Embrapa Café: — Estamos fazendo estudos com o acréscimo de café com leite na merenda escolar de alunos. Há evidências de que esta bebida ajuda a melhorar o rendimento e atenção em sala de aula.

Pesquisas epidemiológicas indicam que o consumo regular de três a quatro xícaras ao dia, teria efeito profilático na depressão (e até no suicídio) e no consumo de álcool, de acordo com cientistas.

— Há pesquisas em instituições como os Alcoólicos Anônimos mostrando que dependentes químicos que tomam café apresentam menos recaídas — conta Darcy, lembrando que o consumo em excesso é prejudicial, assim como o de qualquer outro produto, especialmente por pessoas com com arritmias, hipertensão arterial, úlcera, síndrome do pânico, entre outros distúrbios.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Coppe (UFRJ) e o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, está desenvolvendo estudo para recuperar a essência natural do aroma de café, que se perde no processo produtivo. Ela é livre de solventes e aditivos, e poderá ser usada na indústria de alimentos, na melhora da qualidade do café solúvel, e na produção de cosméticos.”

ZEPPELIN QUER VOLTAR AO CÉU DO BRASIL, APÓS 70 ANOS

Empresa conversa com Petrobrás e CVC para produzir dirigíveis que atuem em monitoramento e turismo

Li essa interessante notícia no Estado de São Paulo do início desta semana (17/08):

“Setenta anos após a última viagem comercial do zepelim entre a Alemanha e o Brasil, a empresa responsável pelo dirigível negocia o retorno do mítico aparelho ao País. Na sede da empresa, no sudeste da Alemanha, os executivos receberam a reportagem do Estado com um aviso: os zepelins vão voltar a fazer parte dos cartões postais do Brasil.

A ofensiva no mercado brasileiro faz parte de uma estratégia da Zeppelin de retomar a produção em larga escala dos dirigíveis. A idéia já não é mais a de transportar passageiros em viagens transoceânicas, mas de encontrar funções específicas, seja no setor de turismo, monitoramento ambiental, pesquisas científicas ou mineração. Um estudo feito pela companhia chegou à conclusão de que haveria uma demanda no mundo para pelo menos 40 zepelins. Isso sem contar com eventuais aeronaves para fins militares e de policiamento.

Entre 1908 e 1937, 119 zepelins foram construídos na Alemanha. Sem aviões comerciais ainda plenamente desenvolvidos, a empresa conseguiu um nicho de mercado importante e estabeleceu rotas aos Estados Unidos e ao Brasil, usadas até pelo compositor Heitor Villa-Lobos. Mas um desastre em 1937 minou o sonho da empresa. Mais tarde, o governo da Alemanha usou os aparelhos para bombardear Paris e outras cidades. Os aliados, em resposta, destruíram a região de Friedrichshafen, exclusivamente para impedir a fabricação dos dirigíveis.

Somente no início dessa década, as gigantes estruturas voltaram a ocupar os céus, primeiro da Alemanha. Mas logo do Japão, África e, nos próximos meses, dos Estados Unidos. Outros dirigíveis foram criados por uma série de empresas e são usados em várias partes do mundo como plataforma publicitária e mesmo para a transmissão de eventos esportivos. Mas nenhum tem autorização para comercializar passagens e apenas a Zeppelin tem um modelo que é 100% controlado por pilotos. "Somos os únicos a ter o direito de vender passagens a qualquer pessoa", afirma o vice-presidente da empresa, Michael Scheischke.

Desde 2001, quatro zepelins foram construídos. Um foi vendido ao Japão e outro está na Alemanha. Um terceiro foi deslocado para a África e, até o ano passado, era usado por uma mineradora. Mas uma tempestade o destruiu. O quarto zepelim está à caminho de São Francisco, nos Estados Unidos.

"Já temos mais três pedidos dos americanos e vamos começar a construção de um quinto dirigível ainda neste ano", explica o vice-presidente. Para ele, a entrada no mercado americano será um grande passo para a retomada do zepelim. "Esperamos que, a partir daí, possamos nos expandir com velocidade", diz.

O Brasil é um dos focos. Os executivos da empresa estiveram no País sem alarde procurando parceiros e investidores. Segundo Schieschke, existem conversas hoje com pelo menos três empresas: Petrobrás, Vale e a operadora de turismo CVC. "Visitei Salvador, Rio e outros locais. Há um grande potencial no País", diz. O turismo é a grande esperança da Zeppelin. A empresa negocia pacotes com a CVC e um agente trabalha no Brasil vendendo a idéia do dirigível. "Seria genial ter um em Copacabana. Acredito que os usuários possam ser os passageiros de cruzeiros", afirma Scheischke. Uma dificuldade: cada passagem seria vendida a US$ 600.

Um dos estudos feitos pela empresa concluiu que há outros três potenciais usos do dirigível no Brasil. Um deles seria para o controle de redes elétricas, espalhadas pelo território nacional. Outro seria o monitoramento dos milhares de quilômetros de gasodutos que o País começa a construir. "Por isso é que estamos em contato com a Petrobrás", informa Schieschke.

Na mineração, a Zeppelin acredita que a Vale pode repetir a experiência da empresa de diamantes De Beers, que usou o dirigível em expedições em Botsuana. "Acreditamos que há um mercado importante, especialmente em países com grande área territorial. Vamos buscar um parceiro", afirma o engenheiro chefe da empresa, Robert Gritzbach.

Mas há outros investidores privados que também procuraram a empresa para sugerir projetos no Brasil. "Um deles sugeriu que usássemos o zepelim como substituto para os helicópteros em São Paulo. Eu acho isso uma grande idéia. Salvo que não temos onde pousar os aparelhos. Como é que vamos aterrissar uma máquina de 70 metros em um edifício no centro de São Paulo?", questiona Scheischke.

Enquanto o primeiro negócio no Brasil não é fechado, a empresa se apressa em conseguir uma autorização de vôo comercial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "As autoridades brasileiras indicaram que estariam dispostas a nos certificar", afirma Gritzbach. Contatos foram feitos com o governo e mesmo com militares.

DIFICULDADES

Mas a falta de profissionais capazes de conduzir o dirigível pode inviabilizar o projeto. Só existem 13 pilotos de zepelins hoje no mundo. Quatro deles em Friedrichshafen. Um é Hans Paul Strohle, que por anos pilotou jatos comerciais. "É necessário ter uma formação específica. O aparelho é complexo", afirma. A Zeppelin garante que está disposta a treinar pessoal para garantir as vendas.

Outro problema é a falta de infra-estrutura. No total, um investidor terá de gastar cerca de US$ 11 milhões para comprar um Zeppelin e toda sua estrutura, incluindo caminhões que levam torres para "estacionar" os aparelhos. "Os aeroportos hoje não estão adaptados a essa máquinas", afirma Strohle.

Mesmo assim, a Zeppelin está otimista com o futuro dos dirigíveis a ponto de fazer planos para os próximos 20 anos. O engenheiro-chefe da empresa conta que recebe pedidos quase diários para o uso do zepelim. Alguns chegam a ser alvo de gargalhada. Um investidor japonês, por exemplo, sugeriu a criação de um dirigível para ser usado como um hotel flutuante. Outro propôs o uso no combate a incêndios.”

DIRIGÍVEL VOLTARÁ A TER USO MILITAR

Usado no passado para lançar bombas, zepelim poderá ser uma central de inteligência e de satélites

A Zeppelin não descarta o uso dos dirigíveis para fins militares nos próximos anos. Desta vez, porém, não no lançamento de bombas, como na 1ª Guerra. Mas como centrais ambulantes de inteligência e de satélites.

No início do século passado, os alemães usaram os dirigíveis não apenas para transportar pessoas, mas também para bombardear. Na 2ª Guerra, temendo que os alemães voltassem a usar os dirigíveis, os aliados bombardearam as fábricas em Friedrichshafen.

O uso do zepelim por militares ainda teria várias opções. O governo da França está avaliando a adoção do dirigível para monitorar locais de grandes aglomerações. "O objetivo é conseguir acompanhar de perto possíveis tentativas de atos terroristas", disse o vice-presidente da empresa, Michael Schieschke. A cidade de Paris já usou o zepelim e os alemães fizeram o mesmo na Copa do Mundo de 2006. Uma visita do papa Bento XVI à Colônia também contou com a ajuda do dirigível.

Segundo o engenheiro-chefe da Zeppelin, o dirigível poderia ficar estacionado a 50 quilômetros de portos, monitorando a entrada de navios com plutônio ou outros explosivos. A Zeppelin admite que o dirigível também poderá ser usado no controle de fronteiras contra a imigração ilegal.

Mas a empresa garante que o uso imediato é mesmo por cientistas, como laboratório voador. Por gerar vibração pequena e não fazer ruído, o zepelim está se tornando a maneira preferida de institutos para medir condições atmosféricas, fazer testes em diferentes altitudes e observar reações químicas.

"Podemos fazer coisas que nem um helicóptero nem um avião conseguiriam", diz o piloto Hans Paul Strohle. Uma das vantagens é que o dirigível pode ficar até 20 horas no ar, permitindo experimentos e observações de longa duração. Outra vantagem é a baixa emissão de gases, que não interfere em medições de clima e de poluição.

Se o zepelim de hoje não é o mesmo da guerra, os alemães dizem que a tecnologia também evoluiu. Parte do revestimento era feito com o tecido de estômago de vacas, os únicos que agüentavam o hidrogênio. O gás mudou e os estômagos de vacas foram trocados por têxteis de alta resistência, fabricados em laboratório.

Na cabine visitada pelo Estado, a aparelhagem em seu estágio mais moderno faz inveja a qualquer avião comercial. A armação também mudou e é duas vezes mais leve. Com os avanços, uma vantagem: há 70 anos, cada pouso exigia 200 pessoas para segurar os cabos. Hoje, apenas três são necessárias.

ZEPELIM TEM HISTÓRIA NO BRASIL

A história do zepelim se confude com a história do desenvolvimento aeronáutico no Brasil. O padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão conseguiu fazer com que um balão de ar quente, o Passarola, subisse em 1709. Mas o balão se incendiou e a idéia de Gusmão ainda levaria décadas para se tornar realidade. Alberto Santos Dumont também teve sua história ligada ao dirigível. Ele contornou em 1901 a Torre Eiffel, em Paris, com o Dirigível Nº 6 e, mais tarde, adotou motores de explosão no aparelho.

Em maio de 1930, um zepelim fez sua primeira viagem ao Brasil, pousando no Recife. Em 1933, passou a pousar no Aeródromo Bartolomeu de Gusmão, no Rio. Mas apenas nove vôos foram realizados na rota Frankfurt-Rio. Em 1938, as atividades da empresa foram encerradas, após a crise desencadeada pela explosão de um de seus dirigíveis nos Estados Unidos, um ano antes.”

sábado, 23 de agosto de 2008

BRASIL DEVE MUDAR MARCO REGULATÓRIO

PARA ECONOMISTA, SEM MUDAR MARCO REGULATÓRIO, PAÍS CORRE RISCO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO, A “DOENÇA HOLANDESA

Li no blog do Favre no domingo último essa boa reportagem de Sérgio Gobetti publicada no jornal O Estado de São Paulo.

Considerado um dos principais conselheiros informais do presidente Lula na atualidade, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que a riqueza do petróleo é uma “bênção” que poderá se tornar “maldição” se o governo não assumir a coordenação do processo de exploração e de investimento em setores complementares. A história econômica, lembra Belluzzo, mostra que invariavelmente países ricos em recursos naturais tendem à desindustrialização - situação descrita nos livros de economia como “doença holandesa”.

Para evitar esse tipo de epidemia, diz Belluzzo, o governo pensa em criar uma empresa estatal ao estilo da Noruega, que seja capaz de planejar o ritmo de exploração das reservas e, ao mesmo tempo, induzir outros ramos da indústria a trabalharem juntos no fornecimento de equipamentos, plataformas e navios.

Do lado fiscal, acredita o economista, o Brasil deve aproveitar as receitas do petróleo para usá-las como antídoto contra crises externas, investir em políticas que beneficiem as gerações futuras e promover uma reestruturação tributária. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Quem é o entrevistado Luiz Gonzaga Belluzzo? É professor titular de Economia da Unicamp. Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda, no governo Sarney. Foi secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, no governo Quércia. É diretor de Planejamento da Sociedade Esportiva Palmeiras.

COMO O SENHOR AVALIA O TEMOR DO MERCADO EM RELAÇÃO À QUEBRA DE CONDIÇÕES CONTRATUAIS NO SETOR DO PETRÓLEO?

O Brasil não está mais na etapa de fazer esse tipo de coisa. Não há retrospecto nesse governo de que isso tenha sido feito alguma vez. Havia uma suspeita incrível que ele fosse fazer, mas não fez. Os interesses privados não correm risco, mas é preciso fazer uma coordenação de interesses com o objetivo de preservar o valor das reservas e maximizar a receita que possa melhorar a situação fiscal do País.

A MUDANÇA DO MARCO REGULATÓRIO TEM MOTIVAÇÃO MERAMENTE FISCAL OU MACROECONÔMICA TAMBÉM?

Se o marco regulatório não for mudado, vamos ter vários desastres por aí. Um deles é o risco macroeconômico da doença holandesa, se não acoplar isso em um processo de industrialização fundado nos fornecedores de equipamentos. A dependência externa é muito grande nesse setor. É preciso ter uma política industrial para o setor.

O RISCO DA DOENÇA HOLANDESA EXISTIRIA EM RAZÃO DA SOBREVALORIZAÇÃO AINDA MAIOR DA TAXA DE CÂMBIO?

São duas coisas interligadas: você desestimula a produção interna com uma taxa de câmbio baixa e uma capacidade de importação muito alta. A doença holandesa é isso. Nenhum país produtor de petróleo conseguiu desenvolver atividades correlatas, mesmo na área petroquímica.

MESMO NA NORUEGA?

Não, a Noruega é exceção, mas estou falando da península da Arábia, onde os sistemas políticos são autocráticos e a diferenciação da estrutura produtiva é quase nula. É um problema, porque você pode criar uma situação em que há equilíbrio da balança de pagamentos e, ao mesmo tempo, está perdendo massa econômica e capacidade de gerar emprego.

SERÁ QUE EXISTE CONSCIÊNCIA NO GOVERNO DESSES RISCOS?

Há uma preocupação muito grande do presidente e da ministra Dilma Rousseff quanto a isso. Há o problema da velocidade com que se vai explorar isso, que tem a ver com o cálculo atuarial das reservas. Não se pode sair exportando petróleo cru, e é preciso que a indústria tenha capacidade de fornecer equipamentos. Precisa ser programado com antecedência e cuidado, porque não se pode submeter o programa de exploração à conveniência dos fornecedores. Precisa fazer uma política para ampliar o fornecimento, mas isso é coisa que precisa ser administrada com o tempo e com a colaboração do setor privado.

A IDÉIA DE CRIAR UMA ESTATAL TEM A VER COM ESSA ESTRATÉGIA DE PLANEJAMENTO OU DE DOMÍNIO DA PROPRIEDADE DO PETRÓLEO?

Essa questão da propriedade é importante, mas não prioritária. Ele (Lula) quer uma empresa capaz de coordenar a exploração dos novos campos, parecida com uma holding, que tenha embaixo as empresas privadas e a Petrobrás. O outro lado da coisa é que há uma preocupação muito grande com o fenômeno PDVSA.

A ESTATAL VENEZUELANA?

Sim, na Venezuela houve a atomização da burocracia da empresa e criação de interesses que vão se tornando independentes das políticas de Estado. Na Noruega, ao contrário, socializaram os benefícios do petróleo. Eles aplicam na previdência e têm uma gestão para evitar que se jogue pela janela os recursos renováveis.

O MODELO NORUEGUÊS PODE SERVIR DE REFERÊNCIA PARA O BRASIL?

Não sei se a gente pode copiar, mas o modelo é bem saudável.

O QUE É MAIS APROPRIADO AO BRASIL? CRIAR UM FUNDO DE PENSÃO AO ESTILO NORUEGUÊS OU APLICAR EM EDUCAÇÃO?

É uma discussão de prioridades. Do ponto de vista fiscal e da vulnerabilidade externa, o Brasil tem possibilidade de fazer uma gestão muito competente, porque vamos nos tornar não só auto-suficientes, mas exportadores de um produto cujo preço dificilmente vai voltar a US$ 30 por barril. Então, o Brasil vai se livrar do risco de uma crise externa, de balança de pagamentos, a não ser que seja muito incompetente e faça uma maluquice, ou seja, que permita que se destrua a base produtiva não petroleira. Em segundo lugar, podemos fazer uma política fiscal com superávit permanente sem danar a infra-estrutura.

NÃO HÁ RISCO DE QUE, COM ESSE FANTASMA DA ESTATIZAÇÃO, HAJA UMA FUGA DOS INVESTIDORES?

Acho que essa empresa vai ser, na verdade, uma garantia de que os investimentos ocorrerão. Eles vão ter de discutir as regras, e isso vai ser uma coisa conflitiva. Estou vendo que o setor privado está estrebuchando um pouco por causa da possibilidade de isso ser mudado, mas não acho que haja ameaça à participação do setor privado. É um problema da repartição dos ganhos, e aí precisa levar em conta que o petróleo é recurso natural não renovável e pertence à comunidade. Então você tem de dar um destino minimamente público e racional a isso.

O QUE O SENHOR ACHA DAS PROPOSTAS DE MUDANÇA NA LEI DO PETRÓLEO PARA REDIRECIONAR OS RECURSOS DO PETRÓLEO?

É preciso ter critérios. A Noruega, por exemplo, tem um benefício intergeracional, porque alivia a dor da contribuição de quem está trabalhando para quem está fora do mercado. No caso da educação também: transferimos os benefícios daqueles que estão no mercado para aqueles que irão entrar. A princípio, o governo federal teria mais condições de cumprir esses objetivos do que Estados e municípios, mas é difícil impor maior fatia da União sobre os royalties na atual situação de concentração da carga tributária. Mas pode negociar com o empresariado uma redução na carga fiscal que onera mais os investimentos e a folha salarial.

COMENTA-SE QUE OS ROYALTIES SÃO BAIXOS NO BRASIL, MAS A TRIBUTAÇÃO INDIRETA SOBRE DERIVADOS DE PETRÓLEO É ALTA.

Então, você poderia redistribuir essa carga. Essa é uma coisa que a União pode negociar com os Estados: aumentar a participação dela sem reduzir e até aumentar o volume de arrecadação dos Estados.

OS ROYALTIES DEVEM CONTINUAR PRIVILEGIANDO OS DITOS ESTADOS PRODUTORES, COMO O RIO E TALVEZ SÃO PAULO, NUM FUTURO PRÓXIMO?

Não acho, porque isso aumenta a apropriação particular, mesmo que feita por um ente federativo, a menos que discutamos a destinação dos recursos. Essa discussão vai além das vantagens ou desvantagens econômicas, mas está relacionada ao projeto de país e às carências que pretendemos sanar. Seria desejável que, diante dessa bênção, ou maldição, fizéssemos uma redistribuição dos recursos e até uma reestruturação tributária.”

CAÇAS SERÃO DEFINIDOS ESTE ANO

Aeronáutica quer assinar contrato dos novos jatos supersônicos em setembro de 2009

Roberto Godoy, no Estado de São Paulo desta semana (17/08), escreveu:

“O comando da Aeronáutica vai definir até o fim do ano os dois, ou no máximo três, caças finalistas no processo de escolha direta do novo jato supersônico multifunção da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois os fornecedores envolvidos serão solicitados a compatibilizar as propostas com os requisitos do processo - especificações, peculiaridades de emprego e, sobretudo, a delicada questão da transferência de tecnologia.

Segundo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, o contrato deve ser assinado em setembro de 2009.

O número de aeronaves desse lote inicial ainda não está determinado, mas o grupo responsável pelo procedimento trabalha com um mínimo de 20 unidades, podendo chegar a 36. O valor de referência, cerca de US$ 2,2 bilhões, citados na época da retomada da disputa, faz aproximadamente seis meses, não é válido como critério do FX-2. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, “o fator inarredável é o da passagem de conhecimento avançado na área”.

Essa disposição sinaliza para finalistas europeus, entre os seis grupos que responderam ao Request For Information (RFI). A solicitação de informações foi expedida em junho pela Aeronáutica para seis fabricantes estrangeiros: Saab, da Suécia, Bureau Sukhoi, da Rússia, Dassault Aviation, da França, Boeing, dos Estados Unidos, Lockheed-Martin, também dos EUA, e o consórcio Eurofighter-GmbH, da União Européia.

A conclusão é decorrente do veto aplicado pelo governo americano à entrega de tecnologias de uso em sistemas militares no âmbito da venda de equipamentos. Essa atitude, entretanto, está sendo revista, entendem analistas com experiência nas relações Brasília-Washington.

]O resultado é um mercado agitado. Está no País o diretor da Boeing, Bob Gower, chefe do programa do caça F-18 E/F Super Hornet, o produto com o qual a companhia participa do projeto FX-2 e que ele veio defender. É uma grande máquina de guerra, de valor médio em torno de US$ 55,2 milhões.

O objetivo estratégico do FX-2 está atraindo, além dos dirigentes empresariais, chefes de Estado. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, visita o Brasil em dezembro. Vem para assinar os primeiros compromissos de cooperação no campo da defesa.

Tanta dedicação é por uma boa causa. Com o avião padrão pretendido, a FAB quer chegar a 2023/2025 com uma nova frota de 120 jatos supersônicos de última geração.”

IBGE: DESEMPREGO CAI 1,4 PONTO PERCENTUAL EM 12 MESES

Li ontem no blog “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:

“A PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE mostra que a taxa de desemprego caiu 1,4 ponto percentual em julho deste ano em comparação com julho de 2007. Essa foi a taxa de desocupação mais baixa registrada pelo IBGE desde 2002, quando iniciou-se a PME, num mês de julho. O número de pessoas ocupadas no Brasil aumentou em quase 850 mil nesse período. Ainda entre julho de 2007 e julho de 2008, o número de pessoas que trabalham com carteira assinada cresceu 7,8% e o rendimento do trabalhador cresceu 3%.

O gerente da PME Cimar Azeredo disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta sexta-feira, dia 22, que o mercado de trabalho passa por um crescimento “vigoroso”.

“A cada ano cresce em 2% o número de pessoas de idade ativa. A população ocupada cresceu o dobro disso, ou seja, estão sendo contratados mais trabalhadores do que está entrando gente no mercado. E o emprego com carteira assinada está crescendo quase que o dobro do que está crescendo a população ocupada, cresce 7,8%. Então, isso é um resultado muito interessante.... O fato de o mercado estar contratando mais do que o crescimento vegetativo, de você ter mais pessoas sendo contratadas com carteira do que estar entrando na população ocupada, isso mostra que a gente está diante de um mercado vigoroso. E quando você vai lá embaixo e vai analisar o rendimento, que está crescendo 3%, você consegue confirmar que esse mercado está mais favorável ainda”, disse Azeredo.

As cidades que apresentaram maior redução na taxa de desemprego, entre julho de 2007 e julho de 2008, foram: São Paulo, com queda de 2 pontos percentuais; Recife, com queda de 2,5 pontos percentuais e Salvador com queda de 2,4 pontos percentuais.

LEIA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA COM CIMAR AZEREDO:

CONVERSA AFIADA – O IBGE divulgou a Pesquisa Mensal de Emprego de julho e sobre esse assunto eu vou conversar com o senhor Cimar Azeredo, que é gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Senhor Cimar, Há uma queda no desemprego em julho deste ano em comparação com julho de 2007, não é isso?

CIMAR AZEREDO – Sim, nós tivemos uma queda de 1,4 ponto percentual na taxa de desocupação. Essa taxa estimada agora para julho foi a menor taxa para um mês de julho, foi 8,1. Comparando todos os julhos, desde 2002 para cá, é a menor estimativa para um mês de julho. Isso só foi possível porque nós tivemos, de um ano para outro, uma queda de 12,3% no contingente de pessoas desocupadas. Ou seja, reduziu em 266 mil em um ano o número de pessoas procurando trabalho. Em contrapartida, o número de pessoas ocupadas aumentou em quase 850 mil pessoas. Então, essa conjugação de aumento de ocupação e redução de desocupação, fez com que a taxa de desocupação apresentasse uma redução de 1,4 ponto percentual, que é um resultado extremamente favorável.

CONVERSA AFIADA – E o senhor tem alguns pontos para explicar esses resultados?

CIMAR AZEREDO – Nós tivemos uma taxa de desocupação que é a menor taxa de todas para o mês de julho. A gente vem assistindo ao longo desses anos uma redução muito forte da desocupação. Nós tivemos uma primeira redução em abril, depois em maio, em junho a gente teve uma estabilidade em julho também. Essa taxa que passa de 7,8% para 8,1%, isso, na verdade, não aumenta o desemprego, pelo contrário, isso é uma estabilidade, é um quadro de estabilidade. A expectativa é que nós tivéssemos uma redução esse mês. Essa redução não aconteceu. Mas eu acho que um resultado sozinho, só esse pequeno de elevação que se teve agora em julho, não mancha, digamos assim, o comportamento do mercado de trabalho.

Acho que a gente precisa de mais alguns meses para estar avaliando se esse comportamento, se essa pequena elevação que foi percebida na taxa de desocupação pode ser já indício de que algum fator no cenário econômico possa estar, digamos assim, trazendo reflexos negativos ao mercado de trabalho. Até o momento, a situação no mercado de trabalho é extremamente favorável. Por isso que nós temos criação de emprego com carteira, nós temos rendimento em alta, principalmente quando se faz a comparação anual, ou seja, compara julho agora com julho do ano passado.

CONVERSA AFIADA – Só para eu entender esse ponto, quando a gente fala que diminuiu a taxa de desocupação é porque diminui a taxa de desempregados no país, não é isso?

CIMAR AZEREDO – Exatamente. Porque, na verdade, esse termo “desempregados” é um termo que tem uma falhazinha, digamos, de semântica. Desemprego é para quem está sem emprego. Uma pessoa que está, digamos, procurando montar o próprio negócio, que também é considerada uma pessoa desocupada, ela não entra nessa palavra. Então, desocupação e desemprego é a mesma coisa, só que a gente usa a palavra desocupação porque inclui ali não só os desempregados, mas todo mundo que está procurando até montar um negócio.

CONVERSA AFIADA – É possível dizer em que região o desemprego registrou uma queda maior?

CIMAR AZEREDO – São seis regiões que a gente tem a PME realizada. Eu vou falar em cada uma delas para ficar bastante didático.

Em Recife, nós tivemos uma alta na desocupação de 1,6 ponto percentual. Lá é uma das regiões onde o desemprego, a taxa de desocupação é mais alta e de junho para julho aumentou.

Em Salvador, nós temos uma estabilidade. A taxa lá, pelo contrário, foi idêntica à do mês passado.

Quando se vai analisar Belo Horizonte, você percebe também uma queda no desemprego lá, na desocupação: 0,6 ponto percentual. Isso eu estou comparando sempre junho, agora, recente. Porque na comparação anual todas as áreas apresentaram queda.

Se você olhar o Rio de Janeiro, o Rio de Janeiro apresenta uma elevação de 0,7 ponto percentual. Foi uma das regiões, junto com Recife, que teve mais aumento de desocupação ou de desempregados, como queiram chamar. Então, o Rio e Recife foram onde o desemprego subiu mais. Nas demais, ele caiu sempre, inclusive Recife e Rio, caiu no ano, sempre.

Na comparação com junho, por exemplo São Paulo, ficou estável no mês e no ano tem uma queda de 2 pontos percentuais.

E para finalizar, Porto Alegre está estável no mês e no ano uma queda de 1,5 ponto percentual.

Resumindo, no ano caem todas as regiões. A que mais cai é São Paulo. E no mês, na comparação mensal, na comparação com junho último, que a PME também foi produzida, mostrou que Recife e no Rio de Janeiro a situação ficou mais complicada. O desemprego, ali sim, nessas regiões houve aumento de pessoas procurando trabalho.

CONVERSA AFIADA – Na comparação de julho 2008 com julho 2007, onde o desemprego caiu mais foi em São Paulo?

CIMAR AZEREDO – Foi na região metropolitana de São Paulo. São Paulo, Recife e Salvador. Essas três regiões têm a mesma queda.

CONVERSA AFIADA – De quanto?

CIMAR AZEREDO – Recife cai 2,5 pontos percentuais no ano, Salvador cai 2,4 pontos percentuais e São Paulo cai 2 pontos percentuais.

CONVERSA AFIADA – Emprego com carteira assinada, ocupação com carteira assinada, também cresceu?

CIMAR AZEREDO – O interessante nessa sua pergunta é que se você analisar a população ocupada, ela cresce 4% num ano. Certo? A população ocupada. Se você olhar o crescimento vegetativo, ele está crescendo 2%. A cada ano cresce em 2% o número de pessoas com idade entre 10 anos ou mais, pessoas de idade ativa, como nós chamamos aqui. A população ocupada cresceu o dobro disso, ou seja, estão sendo contratados mais trabalhadores do que está entrando gente no mercado. E o emprego com carteira assinada está crescendo quase que o dobro do que está crescendo a população ocupada, cresce 7,8%.

Então, isso é um resultado muito interessante. É interessante no sentido em que entram pessoas no mercado de trabalho. E entraram no mercado de trabalho 836 mil pessoas em um ano. Dessas, 687 mil tinham emprego com carteira, foram contratadas com carteira. Isso um dado aproximado. O fato de o mercado estar contratando mais do que o crescimento vegetativo, de você ter mais pessoas sendo contratadas com carteira do que estar entrando na população ocupada, isso mostra que a gente está diante de um mercado vigoroso. E quando você vai lá embaixo e vai analisar o rendimento, que está crescendo 3%, você consegue confirmar que esse mercado está mais favorável ainda.

LULA QUEBRANDO TABUS

O jornalista Lustosa da Costa, em sua coluna do jornal Diário do Nordeste de ontem, publicou:

“Lula veio para quebrar tabus. Não apenas por ser o primeiro operário, pior que isto, nordestino, a ocupar a Presidência da República, posto reservado para grandes proprietários, sociólogos famosos nos Estados Unidos e generais. Mais que isto, por fazer governo que está sendo elogiado por gregos, troianos e goianos por seus acertos e por sua competência, desfazendo o pessimismo, de má-fé, com que foi encarado quando começou.

Agora, tende a fazer de sua ex-ministra Marta Suplicy prefeita de S.Paulo, justo a capital cujos jornalões atribuíram a vitória de Lula, no segundo turno, ao voto de nordestinos pobres e analfabetos, dependentes do Bolsa Família. Será que a Paulicéia virou grotão, onde eleitores votam no PT por receberem ajuda do Bolsa Família? É mais um tabu que o operário nordestino vai quebrar.”

BRASIL: 7 USINAS NUCLEARES

O jornal Folha de São Paulo da última 3ª feira 19, em reportagem de Marta Salomon, publicou:

PAÍS TERÁ MAIS QUATRO USINAS APÓS ANGRA, AFIRMA LULA

Duas geradoras nucleares ficarão no Nordeste, e o restante, no Sudeste

Para atender Ibama, governo se compromete a detalhar até 2010 projeto que visa armazenar rejeitos de usinas por 500 anos.

O Brasil terá quatro novas usinas nucleares depois de Angra 3, definiu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião no início da noite com um grupo de ministros encarregado da reformulação do programa nuclear brasileiro.

A nova fase do programa pós-Angra 3 começará com a construção de duas usinas no Nordeste. Quatro Estados disputam a sua localização: Pernambuco, Bahia,Alagoas e Maranhão. As outras duas usinas ficarão na região Sudeste, definiu o presidente, que afastou as outras propostas em estudo pelo governo e que previam a construção de até mais oito novas usinas.

Durante boa parte do tempo da reunião no Planalto, os ministros se detiveram na exigência feita pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na licença prévia concedida a Angra 3. De acordo com o IBAMA, a usina só receberá autorização para começar a operar mediante uma solução definitIva para armazenar o combustível usado das usinas.

LOCALIZAÇÃO

A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) e a Eletronuclear se comprometeram a detalhar, até 2010, projeto de armazenamento desses rejeitos nucleares por um período longo de tempo, de no mínimo 500 anos. Uma dos pontos ainda indefinidos é a localização desse depósito.

Atualmente, Angra 1 e Angra 2 armazenam o combustível usado em piscinões de resfriamento no interior das próprias usinas. Esses depósitos podem armazenar o combustível usado durante a vida útil de uma usina, estimada em 60 anos. Angra 3 também terá um piscinão como primeiro destino para o combustível usado.

De acordo com a idéia apresentada ontem ao presidente Lula, o combustível usado nas usinas, em formato de varetas, deverá ser acondicionado em grandes cilindros de aço inoxidável e levado para um depósito com paredes de concreto, que impeçam o vazamento de radiação. O urânio usado como combustível pelas usinas continua ativo por centenas de anos depois que é substituído.

Uma nova geração -a quarta- de usinas nucleares trabalha com a reciclagem desse material. E essa possibilidade será deixada em aberto com a decisão de não lacrar em rochas o combustível usado.

MINC

O ministro Carlos MINC (Meio Ambiente) não se opôs à solução discutida com o presidente. Ele acredita que não haverá problemas para atender às exigências do licenciamento ambiental da terceira usina brasileira.

Segundo o cronograma confirmado na reunião de ontem, Angra 3 deverá começar a operar em 2014. As obras, interrompidas em 1986, dependem ainda de uma nova licença do IBAMA para serem retomadas. A previsão é que as exigências para a licença de instalação sejam cumpridas até meados do primeiro semestre de 2009. Antes disso, a Eletronuclear cuidará de preparar o terreno para a construção da usina. O governo estima gastos de mais R$ 7,3 bilhões para concluir Angra 3.”

GOVERNO LULA: MAIS VERBA PARA O SETOR ESPACIAL

O jornal Folha de São Paulo de ontem, em reportagem de Breno Costa, trouxe-nos notícia sobre o setor espacial brasileiro. Ele continua relativamente desprestigiado no Brasil em comparação com países de porte semelhante, como a China e a Índia, porém já se investe nele quase seis vezes mais (480 %) do que no governo anterior (PSDB/PFL). Vejamos a notícia:

“Apesar do fraco desempenho até o momento na execução orçamentária, a destinação de recursos para o Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE subiu 480% desde 2003, ano da tragédia no centro de lançamentos no Maranhão.
O orçamento total autorizado para o PNAE passou de R$ 35,9 milhões, há cinco anos, para R$ 208,7 milhões neste ano.

OUTRO LADO

AGÊNCIA ADMITE BAIXA EXECUÇÃO


Empossado em março no comando da AEB (Agência Espacial Brasileira), Carlos Ganem admite que a execução financeira dos investimentos previstos no Programa Nacional de Atividades Espaciais no orçamento deste ano é "baixa".

No entanto, citou pendências relativas à titularidade de terras em Alcântara (MA) e um mercado fraco no setor espacial no país como razões para a baixa execução do orçamento este ano.

O presidente da AEB também citou o fato de a renovação da agência ter sido concluída no início de julho. Ganem disse que a nova licitação para a construção do Centro Espacial de Alcântara, anulada pela própria AEB em junho deste ano e que vem sendo reformulada, será realizada em setembro.

Já a reconstrução da torre de lançamento do VLS está prestes a ser retomada, segundo Ganem, com recursos já reservados. A obra, interrompida pelo TCU, foi liberada este ano pelo tribunal.”

BRASIL NÃO É TÃO VIOLENTO QUANTO SE PENSA, DIZ 'ECONOMIST'

A seguinte matéria da agência britânica de notícias BBC Brasil foi publicada ontem no portal UOL:

O Brasil já não é mais tão violento como se pensava, afirma um artigo publicado na edição semanal da revista britânica The Economist.

"Algo inesperado está acontecendo", diz a revista. "O número de homicídios no país está caindo e parte das melhorias se deve à queda abrupta dos índices registrados em São Paulo, o estado mais populoso do Brasil".

Segundo dados divulgados pela Economist, o número de homicídios em São Paulo caiu pela metade nos últimos cinco anos.

"Tire este Estado do mapa e as coisas ficam um pouco piores. Mas ainda assim, outras partes do país têm apontado melhorias. No Rio de Janeiro, a taxa de homicídio caiu de um pico de 64 para cada cem mil habitantes em meados dos anos 90 para 39 no ano passado".

ESTEREÓTIPOS

Segundo a revista, há três razões por trás dos avanços registrados em São Paulo. A primeira delas é o melhor controle de posse de armas por meio de uma lei federal de 2003.

Em segundo lugar, mudanças nas políticas de segurança também desempenharam um papel importante, diz a Economist.

"Houve um declínio no número de mortes envolvendo a polícia de São Paulo. Em meados dos anos 90, os policiais estavam envolvidos em um quinto das mortes violentas."

Segundo fontes ouvidas pela revista britânica, a polícia também melhorou sua estratégia de combate ao crime.

"O estabelecimento de uma força de elite de 700 policiais aumentou o índice de crimes solucionados de 7% para 80%. Os policiais de elite usam tecnologia nas investigações e agem preventivamente".

O artigo afirma que o terceiro fator é demográfico, já que na última década a proporção de jovens com idades entre 19 e 24 anos diminuiu de 19,4% para 17,6%.

Esses dados têm reflexo na queda dos índices de homicídios porque, segundo a revista, nesta faixa etária está concentrado o maior número de pessoas sujeitas a cometer crimes.

"Quando se pergunta aos estrangeiros o que lhes vêm à cabeça quando pensam no Brasil, a imagem de um garoto armado calçando chinelos de dedo não fica atrás das piruetas dos jogadores de futebol e das dançarinas do carnaval em seus biquínis enfeitados com lantejoulas".

Mas diante da redução dos crimes, é provável que um desses estereótipos tenha de se aposentar, afirma a revista.”

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

POR QUE A GRANDE MÍDIA BRASILEIRA QUER POR A CULPA EM LULA E NÃO NOS AMERICANOS?

Li essa clarividente matéria no Blog do Nassif.

ACIDENTE DA GOL

“O National Geographic Channel apresentou hoje, 16/8/2008, novamente, [pela em´[esima vez] o filme-reportagem a respeito do acidente do vôo 1907 da Gol dia 29/09/2006 com a morte de 154 pessoas.

Claramente, tentaram “livrar a cara” dos pilotos do Legacy pertencente à ExcelAire: o rádio do Legacy, o transponder e o TCAS estavam desligados até o momento do choque com o vôo 1907 e isso não foi enfatizado. Os controladores de vôo em terra foram incriminados, a leitura das telas à frente dos controladores foi esmiuçada, foram mostrados os controladores de vôo encarregados do Legacy e suas declarações, o posicionamento do interruptor do transponder no Legacy foi examinado diante da cogitação de que um piloto pode te-lo desligado inadvertidamente, foi desprezado o fato de que os pilotos do Legacy prosseguiram no nível 370 sem ter a confirmação de Brasília para isso. Eles mesmos enfatizam que tudo o que é feito durante um vôo tem de ser de conhecimento e autorização do controle de vôo.

Explicação: o transponder é uma abreviação de Transmitter-responder. Destina-se a emitir sinais mostrando a equipes de controle de vôo e outros aviões (nesse caso o TCAS dos demais aviões) a sua posição. São dois equipamentos de segurança de vôo (TCAS e transponder) que deveriam funcionar conjugados sem a participação do controle em terra e é esse o erro cometido pelos redatores do filme do National Geographic Channel ao dizer que esses controladores teriam de alertar os pilotos do Legacy de que eles – pilotos do Legacy – não estavam respeitando o plano de vôo que lhes foi entregue em São José dos Campos, antes do início do fatídico vôo, pode ?

Eu fiz questão de visitar um Legacy numa exposição aqui em São Paulo e pedi explicações a respeito do transponder. Vi qual era o botão interruptor e recebi a informação de que esse botão deve ser apertado duas vezes em sequencia rápida para desligar o aparelho. Isso foi criado para evitar o desligamento involuntário.

Logo após o choque do Legacy com o avião da Gol, o TCAS -Traffic Alert and Collision Avoidance System foi religado transmitindo o sinal de emergência, o rádio foi reativado permitindo que os pilotos tomassem conhecimento da base aérea nas proximidades, base da FAB na Serra do Cachimbo, centro-sul do Estado do Pará.

O controle do tráfego aéreo, nesse filme, foi minuciosamente examinado a partir da desculpa dada pelos pilotos do Legacy de que o controlador do tráfego de São José dos Campos tinha-os autorizado a ir até Manaus no nível 370 e eles, sem uma razão plausível, acharam que isso teria sido suficiente para ignorar o plano de vôo que determinava o nível 360 de Brasília a Manaus.

Permitiram-se ignorar o fato de que há REGRAS DE TRÁFEGO AÉREO NO BRASIL E QUE A OBEDIÊNCIA A ELAS É IMPERIOSA E QUE ABSOLUTAMENTE NINGUÉM, EM NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA, PODE AUTORIZAR UM VÔO EM DESOBEDIÊNCIA A ESSAS REGRAS.

Por acaso, no chão, um policial de trânsito ou qualquer outra pessoa pode autorizar um motorista a trafegar com seu carro na contra-mão de uma via pública em algum lugar na face deste planeta ? Só na imaginação desses indivíduos que acharam que eram pilotos de jato.

Os pilotos do Legacy não pediram explicações para a estranha mudança de planos, não tiveram a confirmação dessa alteração em Brasília, tentaram infrutiferamente usar o rádio durante uma hora e acharam aceitável não pousar em Brasília para ver o que estava acontecendo prosseguindo o vôo enquanto tentavam decifrar o manual de uso do avião.

Estavam sem possibilidade de comunicação ? Há uma altitude reservada só para isso e isso não é uma idiossincrasia brasileira.

COMPARTILHO COM A CONCEPÇÃO DE QUE OS PILOTOS DO LEGACY TÊM RESPONSABILIDADE NA CAUSA DO ACIDENTE.

Enquanto o rádio do Legacy ainda estava funcionando, os pilotos do Legacy alegaram que não entenderam o que diziam os controladores a respeito da frequencia de rádio a utilizar como se os controladores tivessem que informar a frequencia de rádio a utilizar sendo que essa informação está nos manuais que todo piloto deve ter consigo enquanto está pilotando. Ah, sim ! O inglês dos controladores do vôo é fraquinho, coitados ... A propagação de rádio é ruim no Brasil ... Os gringos não falam nem espanhol e “se metem a balão” pilotando no Brasil sem o devido treinamento nem na língua desse país nem na operação do avião que vieram buscar. Estavam eles estudando, em pleno vôo, os manuais do avião. Equipararam-se ao padre voador que saiu voando erguido por mil balões de festa ... A grande diferença é que o padre voador não matou ninguém.”

BRASIL É LÍDER EM IMPORTAÇÃO DE ÁGUA

A agência de notícias inglesa BBC (Brasil) produziu ontem o seguinte interessante e surpreendente artigo, publicado no portal UOL:

“Um relatório da organização ambiental WWF aponta o Brasil como líder de um ranking de países importadores de água virtual agrícola - a água usada em plantações para a produção de alimentos, bebidas e roupas. O relatório foi apresentado nesta quarta-feira na Semana Internacional da Água, que reúne cerca de 2,5 mil representantes de 140 países na capital da Suécia, Estocolmo.

O autor do estudo e especialista do WWF no mapeamento mundial da água, Stuart Orr, diz que o Brasil lidera o ranking por que importa mais commodities que consomem água para serem produzidas (como cereais e itens de vestuário) do que exporta.

Segundo o relatório, o Brasil exporta 91 bilhões de m3 de água agrícola virtual por ano e importa 199 bilhões de m3 - o que representa uma importação líquida de 107 bilhões de m3 a cada ano. Em segundo lugar no ranking do WWF está o México (com importação líquida de 84 bilhões de m3 por ano), seguido de Japão (83 bilhões de m3), China (78 bilhões de m3), Itália (50 bilhões de m3) e Grã-Bretanha (40 bilhões de m3).

Impacto "Quando um país importa produtos de outros países, é importante ter consciência do impacto gerado sobre os recursos de água nas regiões em que estes produtos foram produzidos", disse Orr à BBC Brasil. "Por exemplo, uma camisa produzida com algodão cultivado no Paquistão ou no Uzbequistão requer 2,7 mil litros de água numa região que já apresenta sinais de escassez", afirmou.

O especialista do WWF ressaltou a importância de que o Brasil, assim como os demais países, levem em consideração o impacto gerado por suas importações nos recursos de água das nações que exportam os produtos.

"No caso do Brasil, é importante que o governo, as empresas e os consumidores tenham maior consciência deste impacto. É preciso saber onde e em que condições estes produtos são produzidos", disse Orr. "Se um produto é produzido em uma região ameaçada, há duas alternativas: ou discutir formas de melhorar o gerenciamento local da água, ou mudar de fornecedor. O que não podemos fazer é exportar nossos problemas para outros países e consumir água de regiões ameaçadas", afirmou.

Grã-Bretanha O relatório de Orr se concentrou na Grã-Bretanha, que é hoje o sexto maior importador de água virtual. Segundo Orr, cada pessoa na Grã-Bretanha consome nas tarefas diárias uma média de 150 l de água por dia. Este total, porém, chega a 4.645 l de água per capita por dia quando se leva em conta a água "virtual" consumida na produção de alimentos, roupas e outros produtos.

Apenas 38% do total de água consumida na Grã-Bretanha vem de seus próprios rios, lagos e reservas, conforme o WWF. O restante vem de recursos de vários países, utilizados para irrigar e processar alimentos e fibras que as pessoas consomem na Grã-Bretanha.

"O que nos preocupa particularmente é que enormes quantidades destes produtos são cultivadas em regiões mais secas do mundo, onde os recursos da água ou já estão ameaçados ou muito provavelmente estarão sob ameaça no futuro próximo", diz o relatório.

Para produzir apenas um tomate no Marrocos, segundo o estudo, são necessários 13 l de água. Levados em conta todos os ingredientes, uma xícara de café representa 140 l de água. "Novo petróleo" Os especialistas reunidos em Estocolmo falam da água como "o novo petróleo" - um recurso limitado, que já está se esgotando em diversas áreas e que se tornará cada vez mais caro, promovendo um impacto crítico nos preços ao consumidor.

A conferência, organizada pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI), tem como tema central este ano o saneamento - "Progresso e perspectivas sobre a água: por um mundo limpo e saudável, com especial atenção ao saneamento". Segundo os organizadores da conferência, mais de 2,5 bilhões de pessoas ainda sofrem com a falta de acesso a condições básicas de saneamento em todo o mundo. A cada ano, 1,4 milhão de crianças morrem de doenças relacionadas à falta de saneamento básico. A ameaça imposta pelas más condições sanitárias é, segundo os organizadores, um dos maiores problemas ambientais da atualidade.”

PUTIN É O KENNEDY RUSSO

O portal UOL postou ontem o artigo a seguir transcrito. Ele foi originalmente publicado no jornal alemão “Der Spiegel”, em texto de Gabor Steingart traduzido para o UOL por George El Khouri Andolfato:

“Atualmente, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin é freqüentemente comparado -injustamente- com Stalin e Hitler. Na verdade, Putin é um Kennedy russo. E a Cuba de Putin se chama Geórgia”

“A invasão da Geórgia pela Rússia fez ressurgir os fãs de comparações históricas. O ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, por exemplo, comparou Vladimir Putin a Hitler. E o ex-conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Zbigniew Brzezinski, sentiu que lembrava o tratamento dado por Stalin à Finlândia.

Mas estas analogias dizem mais sobre o sentimento do Ocidente do que sobre Putin. Apesar de poder soar ousado a princípio, e apesar de que os americanos não vão gostar de ouvi-lo, o Vladimir Putin que o mundo experimentou nos últimos dias tem uma maior semelhança com o ex-presidente americano John F. Kennedy nos anos 1961 e 1962.

Primeiro, o jovial Kennedy era visto como a personificação de uma nova América, assim como o rijo Putin representa a revitalização da Rússia. Kennedy era, e Putin é, profundamente popular entre seus cidadãos.

Segundo, mesmo Kennedy traçou uma distinção entre Estados soberanos de primeira classe e de segunda classe. Ele presumia que os moradores da casa principal tinham o direito de dizer algo a respeito do seu quintal, como em Cuba, por exemplo. Putin compartilha a mesma visão, no caso da Geórgia, por exemplo. No caso dos Estados Unidos, nós chamamos este comportamento de dominante, no caso da Rússia de agressivo. Mas queremos dizer a mesma coisa.

Terceiro, pensar em termos de esferas de influência tinha conseqüências militares para Kennedy, assim como para Putin. Em Cuba, Kennedy até mesmo foi além do que o primeiro-ministro russo fez em relação à Geórgia. Em abril de 1961, a Agência Central de Inteligência (CIA) americana apoiou o desembarque dos exilados cubanos na Playa Girón, na Baía dos Porcos de Cuba. Kennedy queria promover uma mudança de regime à força em Havana, algo que Putin não fez na Geórgia. Todavia, seu desejo de derrubar o presidente georgiano do governo era sem dúvida tão grande quanto o interesse de Kennedy em derrubar o ditador cubano Fidel Castro.

O esforço para promover a mudança de regime em Havana fracassou, mas Kennedy se recusou a reconhecer a soberania de Cuba. Quando a União Soviética começou a posicionar ogivas nucleares em Cuba, o presidente americano ameaçou entrar em guerra. Em outubro de 1962, o mundo prendeu a respiração até que a Rússia reconheceu a reivindicação americana a seu próprio quintal e então o premiê Nikita Khruschov, no domingo, 28 de outubro, ordenou a retirada dos mísseis.

Agora, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e seu presidente, George W. Bush, dizem que outras leis se aplicam atualmente do que no século 20. Soa plausível, mas não é verdade, como está claramente evidente no caso de Cuba.

Os Estados Unidos ainda tratam a ilha caribenha, com seu comunismo da idade da pedra, como uma inimiga pública. Os cidadãos americanos não podem visitar Cuba, um país com um produto interno bruto que é uma fração do americano, nem podem fazer negócios com o país. Charutos cubanos são considerados contrabando e qualquer americano que fumá-los é considerado um inimigo do Estado.

Mas a mensagem confortadora para russos e americanos é esta: os dois países não são tão diferentes quanto gostariam de pensar. Eles pensam de forma semelhante, agem de forma semelhante e até mesmo falam a mesma língua -a da política do poder.

A tarefa da Europa é impedir uma escalada da atual situação. No momento, a expansão da Otan para o quintal da frente da Rússia não aumenta a segurança -ela apenas serve para ampliar as tensões na Europa. A crise de Cuba foi seguida por outros 10 anos de Guerra Fria antes que uma política de détente prevalecesse. Talvez esta estrada possa ser encurtada desta vez.

E o que acontece com a Geórgia? Respeitar os interesses da Rússia não significa trair a democracia. A integridade nacional da Geórgia não está aberta a debate, mas faria bem ao país baixar um pouco o tom de sua retórica pró-americana.

Um olhar para o Caribe também pode ser confortador para o presidente georgiano. Kennedy está morto, mas o comunismo ainda vive.”

O PRÍNCIPE CHARLES, O DUQUE DA CORNUALHA, É 24º

O jornal francês Le Monde publicou ontem essa notícia de Marc Roche a seguir transcrita. A tradução é de Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

O título do príncipe inglês Charles, “O 24º duque da Cornualha”, é meio estranho, ambiguo e desconfortável. Ele ficou famoso por seu gosto por mulheres completamente heterodoxo, ao trocar uma beldade, a Princesa Diana, por uma senhora idosa e feia chamada Camila. Agora, sabe-se que ele, além de ter muito mau gosto, é muito rico.

Vejamos o texto do Le Monde:

O PRÍNCIPE CHARLES E O ESPECULADOR

“Seu brasão negro ornado de 15 moedas de ouro e ladeado por duas aves com uma pluma no bico é testemunha. O príncipe Charles é sem dúvida o herdeiro do trono da Inglaterra, mas também é o 24º duque da Cornualha. E com esse título - o menos conhecido - uma das personalidades mais ricas do reino. Recentemente, para surpresa geral, o filho mais velho de Elizabeth II se lançou na especulação imobiliária britânica.

Até o monarquista mais dedicado aos Windsor deve estar desconcertado com a recente criação da Telesma, um fundo de investimentos em projetos imobiliários do qual o príncipe controla um terço dos ativos. Uma de suas associações filantrópicas, The Foundation for the Built Environnment [Fundação para o Ambiente Construído], age como consultora dessa estrutura dirigida pelo dono da Land Securities, a maior promotora imobiliária britânica cotada na Bolsa.

A missão do fundo é investir em projetos de desenvolvimento sustentável no Reino Unido. O Crédit Suisse está encarregado de levantar o resto do capital junto a grandes fortunas do Oriente Médio que desejam colocar seus petrodólares em propriedades com a etiqueta "Charles Inc".

"A existência da monarquia é fundamentalmente antidemocrática, um fator de divisão social em um ambiente feudal": para Stephen Haseler, chefe autoproclamado do movimento republicano, essa iniciativa salienta a ânsia de lucros da realeza. Jorge VI, o pai da rainha, um dia chamou a família real de "a Firma". A expressão é mais que nunca atual. E o príncipe Charles vestiu sem dificuldade os hábitos de presidente dessa empresa florescente.

Os lucros brutos do ducado da Cornualha superaram os 16 milhões de libras (20,2 milhões de euros) no exercício 2007-2008. Esse desempenho é tanto o resultado do sucesso da linha de alimentos biológicos Duchy Originals quanto de investimentos imobiliários. Durante estes últimos sete anos a compra e venda de terrenos, casas, escritórios ou espaços comerciais trouxeram 43 milhões de libras ao tesouro principesco. Elizabeth II também não fica atrás, como demonstra o aumento dos lucros do Crown Estate, que administra os enormes ativos imobiliários da coroa.

Mas a constituição da Telesma ocorre no pior momento. A combinação de crise de crédito, desmoronamento do setor imobiliário e desaceleração econômica obriga dezenas de milhares de famílias a abandonar suas moradias a seus credores. Esse país de pequenos proprietários está em plena depressão. Quanto ao imobiliário comercial, desmorona.

Para os críticos dessa aventura na selva da especulação, o príncipe de Gales responde que, ao contrário de seus pares promotores imobiliários bilionários - os Westminster, de Walden ou Buccleuch -, ele é apenas um milionário de segunda categoria. Aliás, as ruínas inabitáveis do castelo de Tintagel são a única residência oficial na Cornualha. Lá onde nasceu, segundo a lenda, o rei Arthur. Nobody is perfect.”

DEM-PFL EXAGERA EM TER FICHA-SUJA

Li no blog do Noblat a seguinte matéria por ele postada ontem:

DEM EMPLACA NA CÂMARA MAIS UM DEPUTADO FICHA-SUJA

“José Roberto Aruda (DEM), governador do Distrito Federal, decidiu contribuir para a discussão recém-aberta no país sobre o direito de políticos com ficha suja serem candidatos a mandatos eletivos.

A contribuição de Arruda foi radical: ele nomeou o deputado federal Augusto Carvalho (PPS) para a secretaria de Saúde. E ao fazê-lo, abriu a vaga de Carvalho para ser ocupada pelo suplente José Edmar (DEM), até ontem assessor especial de Arruda.

Quem é José Edmar?

Nem queira saber.

Foi deputado distrital quatro vezes, sempre ligado ao ex-governador Joaquim Roriz.
Foi preso em 2003 pela Polícia Federal acusado de grilagem de terra, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha, além de ameaça a testemunhas.
Responde a 14 processos - quatro deles em varas criminais.”

BRASIL, DOADOR DE PETRÓLEO

Li no blog “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha a seguinte importante e oportuna matéria de Valéria Nader, economista, editora do Correio da Cidadania, que entrevistou Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras:

CORREIO DA CIDADANIA: Notícias vindas de esferas do governo, e já divulgadas pela mídia, indicam que está sendo analisada a criação de uma nova estatal para exploração do petróleo na província petrolífera do pré-sal, `alijando-se` a Petrobrás do processo. O que significa a entrada em cena de uma discussão com esse teor, após alguns meses em que o governo vem demonstrando `boa vontade` em rever a Lei do Petróleo de FHC - que eliminou o monopólio da Petrobrás -, pelo menos no que se refere aos megacampos, que foram inclusive retirados da última rodada de leilões de concessões no ano passado?

FERNANDO SIQUEIRA: A nosso ver, a proposta da criação dessa estatal visa desviar a discussão do foco principal, qual seja: as mudanças fundamentais e necessárias no marco regulatório atual, que é péssimo para o país, pelos fatos a seguir apresentados:

1) A Lei 9478/97 (Lei do petróleo) é intrinsecamente ilegal, visto que o seu artigo 3º diz que as jazidas de petróleo pertencem à União Federal; o artigo 21 diz que todo o direito do produto da lavra dessas jazidas pertence à União, ambos em conformidade com a Constituição Federal do Brasil. Mas o artigo 26, fruto do lobby internacional no Congresso Nacional, concede a propriedade do petróleo a quem o produzir, em desacordo com os artigos citados e ainda com o artigo 177 da Constituição;

2) Essa Lei determina que a União tenha uma Participação Especial na produção do petróleo. O Decreto 2705/98, assinado pelo presidente FHC, estabelece que essa participação varie de 0 a 40%, enquanto, no mundo, os governos dos países exportadores recebem, em média, 84% de participação. Ou seja, a União, dona do petróleo, recebe menos da metade da média mundial como Participação Especial;

3) Contrariando a Constituição Federal e os seus próprios artigos 3º e 21º., a Lei do Petróleo, através do seu artigo 26, dá a propriedade a quem produzir o petróleo. Isto, além de incoerente, é anti-estratégico, pois estamos entrando no terceiro e definitivo choque do petróleo, devido ao pico da produção mundial, com a demanda superando a oferta e os preços tendendo irreversivelmente à subida (algumas quedas se devem à especulação). Não tem cabimento transferir essa riqueza do povo brasileiro para empresas que não investiram, não correram riscos e ganham áreas onde o petróleo já está descoberto.

O argumento desses lobistas (começou com uma proposta do sr. Haroldo Lima fazendo um `lobbynho` que acabou chegando no `Lobão`) é que a Petrobrás teve 40 % das ações vendidas a preço de banana pelo governo FHC à Bolsa de Valores de Nova York, enquanto a nova estatal seria 100% do Estado brasileiro. Isto é uma tremenda enganação, pois a função dessa estatal seria a de gerenciar os leilões, mas sem mexer no marco regulatório atual. Seria trocar seis por meia-dúzia: criar um cabide de empregos para substituir a ANP na condução dos leilões, dentro de condições nefastas para a nação. Mas os brasileiros ficariam satisfeitos pensando que o pré-sal estaria garantido. Pura balela.

Vejamos a questão sob o ângulo correto: a Petrobrás pesquisou durante 30 anos a província do pré-sal. Havia dificuldades geológicas porque a camada de sal mascarava os levantamentos sísmicos. Com o advento das novas tecnologias, a empresa pôde identificar com mais precisão o local adequado para perfuração. Furou o primeiro poço com o custo de US$ 260 milhões, com riscos elevados, e achou o petróleo que seus técnicos esperavam. Fez isto tudo sozinha.

CORREIO DA CIDADANIA: Um dos argumentos para a criação de uma nova empresa estatal diz respeito ao excessivo poder que seria direcionado à Petrobrás caso essa empresa viesse a monopolizar a província petrolífera do pré-sal, transformando-se em um `Estado dentro do Estado`, a exemplo da PDVSA venezuelana. Qual a sua opinião a esse respeito?

FERNANDO SIQUEIRA: A modernidade hoje é: 65% das reservas mundiais estão em mãos das seguintes `irmãs`: Saudi Aramco, Petrochina, Inoc (Iran), Gazprom (Rússia – renacionalizada), Petronas (Malásia), PDVSA (Venezuela), Pemex (México) e Petrobrás – todas elas são estatais, sendo que a maioria é 100% estatal. Portanto, não é nada extraordinário a Petrobrás ser uma estatal responsável pela produção do pré-sal. Nem tem por que ela criar problemas para o governo, se não o fez em 55 anos de existência.

Por outro lado, as 7 irmãs privadas estão se fundindo para tentar sobreviver. O Financial Times fez uma matéria em abril desse ano mostrando que, dentro de 5 anos, elas irão desaparecer porque só possuem 3% das reservas mundiais.

CORREIO DA CIDADANIA: Outro dos argumentos levantados diz respeito a que, tratando-se de uma empresa mista, com capital público e privado, seria temerário a Petrobrás ter o monopólio da exploração do pré-sal. O que dizer sobre isso? E se a nova estatal a ser eventualmente criada contratar somente estrangeiros para explorar os novos poços, não seria ainda mais temerário?

FERNANDO SIQUEIRA: Se o marco regulatório for corrigido e o petróleo, como reza a Constituição, for propriedade da União, que poderá usá-lo estrategicamente, sendo o percentual de participação de quem produzi-lo fixado dentro da média mundial (16%), não haverá problemas em contratar-se a produção com a Petrobrás. Suponhamos que a Petrobrás seja a encarregada da exploração do pré-sal: 16% (100 menos 84%) da produção caberiam a ela. Mesmo tendo 40% das ações no exterior, isto representaria só 6,4% (40% de 16%), mas a União ficaria com 90,4% da produção (84 + 6,4%), pois ela ainda detém 40% das ações da Petrobrás. Nesse caso, os acionistas estrangeiros da Petrobrás ficariam com 6,4% do petróleo produzido.

CORREIO DA CIDADANIA: O senador Aloizio Mercadante chegou a sugerir, em artigo na Folha de S. Paulo, que se crie um `fundo soberano` para gerir os novos recursos, a exemplo do que foi feito na Noruega, a pretexto de se distribuírem melhor os royalties do petróleo a partir de nosso pacto federativo. Ainda que fosse criado para gerir, esse fundo não poderia tranquilamente entregar a exploração para a Petrobrás? Estamos mediante algum tipo de `balão de ensaio`?

FERNANDO SIQUEIRA: O artigo é meio dúbio e também desvia a discussão do foco principal, embora a questão dos royalties seja também preocupante, porque, no mundo todo, onde tem produção em águas profundas, os royalties foram abolidos sob os argumentos de alto risco e elevado investimento. No Brasil, se os leilões continuarem, não será diferente. As corporações internacionais derrubarão os royalties como derrubaram o monopólio. Portanto, é muito desejável a distribuição dos royalties por todos os municípios brasileiros, não só para democratizar essa riqueza, como para tentar barrar mais esta ação predatória. Até porque o pré-sal não afeta nenhum município em particular.

O Fundo soberano pode ser uma boa idéia se for, como na Noruega, usado para as gerações pós-petróleo. Ocorre que precisamos, antes de tudo, garantir essa riqueza da ordem de US$ 20 trilhões de dólares para o seu verdadeiro dono, o povo brasileiro.
A questão principal é a propriedade do petróleo e a participação na produção. Os royalties são na base de 5%. Na participação especial estamos falando de passar a participação da União de 40 para 84%, ou 90,4% se a produção for feita pela Petrobrás. Essa tem que ser a discussão principal: mudar o pernicioso marco regulatório.

CORREIO DA CIDADANIA: Sabemos, através de notícias da própria AEPET, que a Halliburton atua dentro da ANP via administração de dados estratégicos sem licitação. Essa promiscuidade entre interesses públicos e privados é uma marca antiga dessa agência reguladora ou tem se tornado mais pronunciada?

FERNANDO SIQUEIRA: Na véspera do 8º leilão, a Halliburton eliminou os intermediários e colocou na direção da ANP um preposto seu, diretor da sua filial de Angola. Esse diretor impôs restrições absurdas à Petrobrás. Se ela comprasse um bloco da borda do pré-sal, não poderia comprar mais nada nessa área. Conseguimos suspender esse leilão na justiça. Mas os lobbies internacionais estão recrudescendo e pressionando o governo para reabrir.

Esse diretor da Halliburton comanda a diretoria que realiza os leilões e gerencia o banco de dados de exploração e produção da ANP que, por força do artigo 22 da Lei 9478/97, recebe todos os dados estratégicos da Petrobrás. A empresa é obrigada a passar para a ANP todas as suas informações de exploração e produção. Por `mera coincidência`, esses dados são gerenciados pela Halliburton há 10 anos, através de sua subsidiária Landmark, contratada sem concorrência, contrariando o Ministério Publico, que em 2004 recomendou fazer concorrência para essa atividade, também subordinada a esse diretor, que agora assumiu a responsabilidade de comandar a gerência que define os blocos a serem licitados.

CORREIO DA CIDADANIA: Não estaria entrando em jogo, com essas novas e surpreendentes notícias relativas à Petrobrás e ao pré-sal, uma pressão pesadíssima de grupos poderosos, além de novamente reveladora dessa promiscuidade público-privada?

FERNANDO SIQUEIRA: A reativação da 4ª Frota, a visita recente do subsecretário de defesa dos EUA ao presidente Lula, as declarações, na Europa, da Exxon e da Shell contra a mudança do marco regulatório são alguns exemplos dessa pressão. Deu no `A Tarde` online, em 14/08: `Multinacionais do petróleo e a Agência Internacional de Energia (AIE) criticaram os projetos de mudança na lei do petróleo e alertam que o país precisa de investimentos estrangeiros para explorar o pré-sal`. A posição das empresas é clara: manutenção do status quo. Os executivos deixaram claro que suas companhias vão pressionar o governo para evitar leis que as prejudiquem. Tanto a americana Exxon/Móbil como a francesa Total/Fina/Elf estimam que o governo pode estar se antecipando de forma ´arriscada´ ao mudar as leis, mas manter leis perniciosas para o Brasil pode.

Lembro que os EUA consomem 10 bilhões de barris por ano (8 bilhões internamente e 2 bilhões nas bases militares pelo mundo) e só tem 29 bilhões de barris de reservas. O pré-sal faz do Brasil um novo Iraque na América Latina e os EUA a consideram o seu quintal.

Muito antes da Lei 9478/97, a Petrobrás estudou sozinha, durante 30 anos, essa província, inédita no mundo, e encontrou-a eliminando todos os riscos. Qual seria a razão de entregar esta fantástica riqueza de mão beijada às corporações estrangeiras que detiveram por 13 anos o direito de explorar essa área e não o fizeram?
Temos tecnologia, capacitação, recursos financeiros e todas as condições para essa exploração. Não somos contra a venda de petróleo para salvar os EUA da situação crítica em que se encontram. Mas isto deve ser feito de forma soberana e pelos preços internacionais do mercado.

É preciso que o povo brasileiro, através das sociedades civis e militares, assuma a defesa dessa riqueza que lhe pertence. Trabalhadores, estudantes, militares, todas as classes sociais e políticas precisam se mobiliar para defender esse patrimônio.”

LULA QUER NOVA DIVISÃO DA RIQUEZA DO PETRÓLEO

O jornal PSDBista “O Estado de São Paulo” de ontem, em reportagem de Christiane Samarco, Ribamar Oliveira e Cida Fontes, publicou:

“O governo quer mudar a forma de apropriação dos royalties e das participações especiais pagas pelas empresas petrolíferas, que hoje beneficiam principalmente Estados e municípios produtores e confrontantes com os poços em alto-mar. Para os campos de petróleo da camada do pré-sal, o governo quer outro esquema de distribuição dos recursos. "Esta é a questão central de toda essa discussão", resumiu ontem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

"O que precisamos definir é como esse dinheiro do pré-sal vai ser apropriado." Jucá participou, junto com os outros líderes da base do governo, da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na terça-feira, no Palácio do Planalto, quando foi abordada a questão.

Depois de um mês em que o presidente Lula dominou, sozinho, o debate sobre as reservas de petróleo do pré-sal, a oposição entrou ontem na discussão. Além de contestar a necessidade de uma nova empresa 100% estatal para explorar o pré-sal, tucanos e democratas querem debater a questão no Congresso. Em nota, o PSDB defendeu o modelo [entreguista] regulatório atual, instituído pela Lei 9.478, de 1997, e propôs a criação de uma comissão mista de deputados e senadores para tratar do assunto.

A nota, assinada pelo presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), [partido tradicionalmente direitista e americanófilo] começa afirmando que as jazidas de petróleo e gás, incluindo as do pré-sal, já pertencem ao “povo brasileiro” [leia-se: petroleiras estrangeiras graças a FHC], como garantem a Constituição e a Lei do Petróleo. Em seguida, destaca que as afirmativas de que é preciso recuperá-las para o povo brasileiro, repetidas com insistência pelo presidente Lula nos últimos dias, "são destituídas de sentido verdadeiro, confundem a opinião pública e servem apenas a propósitos eleitoreiros".[sic...]

terça-feira, 19 de agosto de 2008

“ESSA IV FROTA É AMIGA?”

Outro bom texto que li no jornal popular O Dia de domingo:

Coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, general vê com preocupação a reativação da esquadra dos EUA encarregada de proteger o comércio nos mares do sul e critica a presença de “mercenários” em plataformas do nosso litoral

“Para a maioria dos militares brasileiros, não há como desassociar a recriação da IV Frota dos Estados Unidos da descoberta de imensa jazida de petróleo no nosso litoral. Entre esses militares, está o general de brigada da reserva Durval Antunes de Andrade Nery, coordenador de estudos e pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), que reúne entre seus pesquisadores diplomados pela Escola Superior de Guerra. Abaixo os principais trechos da conversa dele com O DIA.

IV QUARTA FROTA

“A decisão dos Estados Unidos de recriar a IV Frota foi apresentada como destinada a proteger o livre fluxo do comércio nos mares da região. Ora, se alguém tem condições de proteger, tem condições de impedir esse fluxo comercial. Pergunto: Por que proteger o comércio de uma área que não vive situação de guerra? E isso quando o Brasil dá notícia da extensão das jazidas do pré-sal como uma das maiores de todo o mundo”.

GRUPO HALLIBURTON DOS EUA

“Esta empresa está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque. A Halliburton é uma empresa que hoje, no Brasil, mantém um de seus (ex-) diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho, indicado pelo presidente Lula e aprovado em sabatina no Senado). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil”.

BUSH E O PRÉ-SAL

“Logo depois que o mundo tomou conhecimento da existência das reservas do pré-sal, o presidente (George W.) Bush disse na imprensa: ‘Não reconheço a soberania brasileira sobre as 200 milhas’. O pré-sal ultrapassa as 200 milhas. Tudo que existe ali para exploração econômica é do País, isso segundo a ONU. Por que o presidente norte-americano recria a IV Frota logo após não reconhecer nossa soberania?”

O COMANDO DA IV FROTA

“Poderíamos imaginar que a IV Frota vai ter missão humanitária, mesmo custando uma fortuna manter porta-aviões nucleares com 50, 60 e 100 aviões navegando permanentemente nos mares do sul. Mas, por que nomear para o comando o contra-almirante Joseph Kernan, especializado em táticas de guerra submersa e no treinamento de homens-rãs? Um homem que com seus sabotadores deu um banho nas guerras do Afeganistão e do Iraque está à frente da IV Frota para proteger?”

BLACKWATER NO BRASIL

“(Após a eleição de Bush), a Hallibourton, contratada pelo governo dos EUA para planejar a redução das despesas do país com as Forças Armadas, criou uma empresa chamada Blackwater — firma de mercenários, com contrato de seis bilhões de dólares e que, só no Iraque, tem 128 mil homens. Eles fazem segurança e matam. Pergunto: Quem está fazendo a segurança das 15 plataformas que a família Bush tem no Brasil, todas vendidas (em licitação) pela ANP? Ainda faço um desafio: vamos pegar um barco e tentar subir numa plataforma. Garanto que vamos encontrar os homens da Hallibourton armados até os dentes e que não vão deixar a gente subir”.

ESTRANHO NA SELVA

“Coronel que até o ano passado comandava batalhão na região da (reserva indígena) Yanomami contou que estava fazendo patrulha em um barco inflável com quatro homens em um igarapé quando avistou um sujeito armado com fuzil. Um tenente disse: ‘Tem mais um cara ali’. Eram cinco homens armados. O tenente advertiu: ‘Coronel, é uma emboscada. Vamos retrair.’ Retraíram. Perguntei: ‘O que você fez?’ Ele disse: ‘General, tive que ir ao distrito, pedir à juíza autorização para ir lá.’ Falei: ‘Meu caro, você, comandante de um batalhão no meio da Amazônia, perto da fronteira, responsável por nossa segurança, só pode entrar na área se a juíza autorizar? Ele respondeu: ‘É. Foi isso que o governo passado (Fernando Henrique) deixou para nós. Não podemos fazer nada em área indígena sem autorização da Justiça”.

15 HOMENS E 10 LANCHAS

“O coronel contou que pegou a autorização e voltou. Levou três horas para chegar ao igarapé, onde não tinha mais ninguém. Continuou em direção à fronteira. De repente, encontrou ancoradouro, com um cara loiro, de olhos azuis, fuzil nas costas, o esperando. Olhou para o lado: 10 lanchas e quatro aviões-anfíbio, no meio na selva. ‘Na sua área?’, perguntei. ‘É’, respondeu. Ele contou que abordou o homem: ‘Quem é você?”. Como resposta ouviu: ‘Sou oficial forças especiais dos Estados Unidos da América do Norte’. O coronel insistiu: ‘Que faz aqui’. E o cara disse que fazia segurança para uma pousada. Ele perguntou qual pousada? Ouviu: ‘Pertencente a um cidadão americano’. Quinze homens estavam lá, armados. Hallibourton? Blackwater?”

CRISE DO PETRÓLEO

“Temos (no pré-sal), talvez, a maior jazida de petróleo do mundo. Será que países desenvolvidos vão se aquietar sabendo que o futuro deles depende do petróleo? Os Estados Unidos tem petróleo só para os próximos cinco anos. Tanto é que o país não consome o dele, porque suas reservas são baixas. Passa a pegar o que existe no mundo.

Foi assim no Irã, em 1953, quando derrubaram o (primeiro-ministro Mohamed) Mossadegh. Os aiatolás pegaram de volta e agora querem outra vez atacar o Irã. No Afeganistão, deu no que deu. No Iraque, tomaram o petróleo de lá. Agora vem o petróleo do Mar Cáspio e a Georgia (em guerra com a Rússia por território onde passam gasodutos). E no Brasil, como será? Essa (IV) Frota é só amiga? Está aqui só para proteger?”.

O PRÉ-SAL

Do jornal O Dia de 17/08:

O QUE É O PRÉ-SAL"

Seqüência de rochas sedimentares depositadas há 100 milhões de anos no espaço geográfico formado pela separação dos continentes Americano e Africano

COMO SÃO AS RESERVAS JÁ DESCOBERTAS

Os volumes divulgados pelo consórcio liderado pela Petrobras para a reserva de Tupi são de até 8 bilhões de barris de petróleo. Mais 8 bilhões de barris estão previstos para a reserva de Júpiter. Os demais campos não tiveram o volume divulgado, mas se especula que apenas um deles tenha em torno de 33 bilhões de barris.

O QUE ISSO REPRESENTA

Para efeito de comparação, as reservas totais da Petrobras hoje estão em torno de 15 bilhões de barris.

COMO AS DESCOBERTAS MEXEM COM O SETOR

Tanto o presidente Lula quanto a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, fizeram declarações públicas na semana passada defendendo que as reservas sejam exploradas pelo Brasil, e o óleo extraído, oferecido para o exterior refinado (após industrialização, ou seja, com maior valor agregado).

Ambos defenderam mudanças na Lei do Petróleo, de 1997, permitindo que a totalidade do lucro das reservas seja destinado ao desenvolvimento da nação, com investimentos em educação e distribuição de renda. Já há inclusive um projeto de lei, o de nº 2.507/2007, que prevê mudanças na Lei do Petróleo. Lula e Dilma falaram até em criar uma nova estatal exclusivamente para explorar óleo dessas reservas.”

BRASIL, VULNERÁVEL, SE ARMA

Reportagem de Marco Aurélio Reis e Ananda Rope, publicada domingo no jornal carioca “O Dia”, aborda um tema de suma importância para o Brasil, apesar de, por preconceito ou desinformação, ser ignorado pela maioria dos brasileiros. É a fraqueza relativa das nossas Forças Armadas, ridiculamente desaparelhadas até em comparação com outros países sul-americanos.

Nada na vida vem de graça. Essa irresponsabilidade agravada na década antinacional do governo PSDB/DEM, e que ainda não foi corrigida, traz conseqüências graves para o país.

Este blog já se manifestou sobre isso várias vezes. Exemplifico com a postagem de 24 de junho, “OS EUA QUEREM AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS MENORES E VOLTADAS PARA O COMBATE INTERNO AOS TRAFICANTES”, onde expressamos (recordo um trecho):

“Esse conceito não é novidade. Trago-o à pauta por dois motivos. O primeiro é o acirramento do debate, depois do recente incidente do Morro da Previdência, quanto ao emprego das Forças Armadas brasileiras em ações internas de segurança e de combate ao narcotráfico. Alguns artigos da nossa imprensa questionam, até mesmo, a necessidade de o Brasil ter Forças Armadas.

O segundo decorre de eu ter reencontrado uma pasta perdida onde guardava recortes e anotações. Hoje, achei oportuno recordar uma reportagem da Veja da semana de 26/02/1992. O artigo da revista abordou a pressão do governo dos EUA sobre o então presidente Collor e seus ministros militares para que o Brasil reduzisse as Forças Armadas e destinasse o restante somente para o combate interno aos traficantes.

Por quê? É óbvio que, para o governo norte-americano, o mundo seria muito mais submisso aos seus interesses se somente as Forças Armadas dos EUA continuassem crescendo e se aparelhando até os dentes, cada vez mais, e os demais países ficassem sem capacidade de defesa contra agressões externas, apenas com reduzida força para a segurança interna, o combate ao narcotráfico e para outras pequenas ações de polícia. Se a China, a Rússia, a Índia, o Brasil e outros seguissem essas diretrizes de desarmamento expressas pelos norte-americanos seria o nirvana para o aumento e a perpetuação do poder hegemônico dos EUA.”

Vejamos sobre o tema o texto do O Dia de 17/08:

PLANO ESTRATÉGICO DE DEFESA VAI PLEITEAR VERBAS PARA PROTEGER O PETRÓLEO E BARRAR O SEPARATISMO

“O Brasil está vulnerável. Esse é o principal consenso entre militares e estrategistas civis que, daqui a três semanas — exatamente no domingo, 7 de Setembro — entregam ao presidente Lula relatório com diretrizes do Plano Estratégico Nacional de Defesa.

Para civis alheios a esse noticiário, a constatação pode ser interpretada como cartada para os quartéis conseguirem acesso a recursos do Tesouro Nacional (só a Marinha pleiteia R$ 400 milhões cortados este ano de seu orçamento e R$ 3,2 bilhões oriundos dos royalties que deveriam ter sido liberados em anos anteriores e que, até agora, não chegaram aos cofres da Força).

“Se o resultado for esse, já está bom”, disse a O DIA observador que acompanha as discussões sobre o plano. “A meta, porém, é inserir o problema da defesa na agenda nacional”, acrescenta.

O cenário que ambienta o plano ajuda a compreender a meta ambiciosa. Após longos 58 anos, os Estados Unidos reativaram a sua IV Frota para patrulhar o Atlântico Sul. Com 11 embarcações capitaneadas pelo porta-aviões nuclear George Washington (da classe de navios de guerra), foi vista no mês passado navegando em área próxima às milionárias reservas de petróleo abaixo da camada de sal do litoral sudeste do Brasil.

As reservas do pré-sal (leia detalhes a seguir) e seus estimados 49 bilhões de barris de óleo com poder de colocar o Brasil entre as nações produtoras mais importantes do mundo são outro bastidor do plano.

Por fim, estudos internacionais defendendo a autonomia de nações indígenas e que podem iniciar processo separatista na Amazônia também integram o cenário. “No governo já há consenso de que o Brasil deve responder a essas questões de maneira firme. O Plano Estratégico será o primeiro passo”, completa o observador.

O Plano Nacional de Defesa ficou pronto no início do mês, mas, por patriotismo, terá suas diretrizes oficialmente divulgadas só no 7 de Setembro. Seu detalhamento será anunciado ao longo dos dois meses seguintes e, alguns pontos, serão tratados como confidenciais por serem dados estratégicos.

Logo após a cúpula do governo tomar conhecimento das diretrizes, ficou evidente que o Ministério da Defesa demandará mais recursos orçamentários e, em troca, assumirá mais responsabilidades no que diz respeito ao combate ao ingresso de armas e drogas e ao controle à entrada de imigrantes no País, hoje a cargo das polícias Federal e Rodoviária Federal, órgãos subordinados ao Ministério da Justiça.

Há entre oficiais das Forças quem aposte que, em função disso, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tenha reaberto a discussão sobre os porões do regime militar.

NOVA DIRETRIZ PARA AÇÃO DAS TROPAS

O Plano de Defesa tem a meta de reorganizar as Forças Armadas — o que inclui um Estado-Maior único para as três Forças — e destina recursos para aquisição de embarcações e aeronaves e suas tecnologias, além da construção de mais batalhões nas fronteiras.

“O desafio será melhorar a infra-estrutura e a logística. Nossos homens são bem adestrados, mas não podem estar em todos os lugares”, comenta um oficial, para quem o certo é trocar o modelo “estar presente” por “poder estar presente”.

O Plano de Defesa vai atentar para esse aspecto da segurança nacional, mostrando a necessidade de investimento em tropas de alta mobilidade e bem armadas e auxiliadas por veículos aéreos não-tripulados, que podem vigiar e combater ao mesmo tempo.”

PERNAMBUCO INAUGURA O MAIOR ESTALEIRO DO HEMISFÉRIO SUL

Reportagem de Fábio Guibu da Agência Folha, em Ipojuca (PE), publicada em 17/08, traz essa boa notícia que aumenta o ufanismo e afaga o ego dos pernambucanos e nordestinos. E com justiça.

NE PÕE EM OPERAÇÃO MAIOR ESTALEIRO DO HEMISFÉRIO SUL

Investimento em Suape (PE) soma R$ 1,4 bilhão e deve gerar 30 mil empregos

“Quando entrar em operação plena, estaleiro, que pertence a quatro grupos, terá capacidade para processar 160 mil toneladas por ano”

“O maior estaleiro do hemisfério Sul, o Atlântico Sul, entrou em operação há dez dias no complexo portuário e industrial de Suape, em Ipojuca (57 km de Recife, PE).

A empresa iniciou o processamento de 39 mil toneladas de aço para a construção de parte de uma plataforma de petróleo e de um navio petroleiro.
As encomendas, feitas pela Petrobras e Transpetro, braço logístico da estatal, serão entregues em 2010 e fazem parte de uma carteira de contratos que totaliza US$ 2,5 bilhões.

Segundo o presidente do estaleiro, Paulo Haddad, o empreendimento, apesar de já ter entrado em operação, será inaugurado oficialmente apenas em setembro, durante visita do presidente Lula.

As obras, disse, ainda estão em andamento e deverão ser concluídas em 2009. A empresa, que ocupa um terreno de 162 ha, terá área industrial coberta de 130 mil m2. O investimento é de R$ 1,4 bilhão.

O estaleiro tem como sócios os grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, a sul-coreana Samsung Heavy Industries e a empresa PJMR. Até agora, três contratos foram fechados.
Além de construir o casco da plataforma P-55 da Petrobras e dez navios petroleiros para a Transpetro, a Atlântico Sul também fabricará duas embarcações de transporte de óleo cru para o armador norueguês Noroil Navegação.

CAPACIDADE PLENA

Para atender as encomendas, serão utilizadas 328 mil toneladas de aço. Em operação plena, o estaleiro terá capacidade para processar 160 mil toneladas de aço por ano.
Criada em 2005, a empresa é um dos maiores empreendimentos de Pernambuco e faz parte da nova safra de grandes projetos anunciados no Estado, como a refinaria binacional e a siderúrgica da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Todas as grandes obras têm como endereço o complexo portuário e industrial de Suape, situado em posição geográfica considerada estratégica em relação às principais rotas de navegação do mundo.

A entrada em operação do estaleiro aquecerá o mercado de trabalho, com a geração de 30 mil empregos diretos e indiretos, em uma região que depende do turismo, da cana-de-açúcar e do trabalho informal, como a pesca artesanal.
Para o governo do Estado, a chegada da indústria naval a Pernambuco também deverá estimular a criação de parcerias com empresas locais para a fabricação de peças e insumos.”

CRISE EXTERNA: "O BRASIL CONTINUA "BLINDADO"

O jornal Folha de São Paulo publicou no domingo mais uma boa notícia para a economia brasileira:

'BLINDADOS' DA CRISE, SIDERURGIA, ENERGIA E CARROS LIDERAM GANHOS

“O estudo da Economática mostra os setores de energia, siderurgia e de veículos como os mais lucrativos no primeiro semestre. Em comum, os três têm foco no mercado interno e "blindagem" contra a crise.

Para Ricardo Tadeu Martins, da corretora Planner, a crise externa ainda não apareceu na maioria dos setores. Martins afirma que o resultado fraco das teles foi conseqüência do aumento de competição.

"O segundo trimestre ainda não refletiu esse cenário de desaceleração internacional. A gente vê os bancos com custo de captação maior e rentabilidade mais baixa, mas não julgo isso relevante. Por enquanto, os resultados vão continuar bons", disse Martins.

"O impacto dos novos riscos de inflação alta e de desaceleração quase não foram sentidos ainda. Os resultados foram todos bons, com algumas exceções, como o setor de alimentos, que foi afetado pela redução de margens. O setor siderúrgico veio bom pelo vigor do mercado interno. Não sofreu ainda o efeito do aumento da taxa de juros. O mercado está com expectativas negativas é para este semestre", disse Kelly Trentin, da corretora SLW.

Para ela, a Vale foi uma das poucas empresas que já sentiram o impacto da desaceleração mundial no balanço devido à queda no preço do níquel.

Já Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora, afirma que essa tendência não deve se espalhar neste semestre. "O Brasil continua "blindado". Claro que não é uma ilha, mas vai sentir menos. Não acho que o que aconteceu com o níquel vá se repetir com outras commodities minerais, como o minério de ferro. O mais preocupante são as commodities alimentares, que devem recuar."

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O XADREZ GEOPOLÍTICO

POR TRÁS DA MINIGUERRA NO CÁUCASO, O XADREZ GEOPOLÍTICO

Artigo de IMMANUEL WALLERSTEIN, pesquisador sênior na Universidade Yale. É autor de "O Declínio do Poder Americano". O texto foi publicado originalmente pela agência de notícias France Presse em 09 de agosto e traduzido por Clara Allain para a Folha de São Paulo, que o publicou ontem:

Parece que os Estados Unidos se enganaram redondamente quando imaginaram ter alguma espécie de privilégio de superpotência em sua partida contra a Rússia”, Dmitry Kostyukov.

“O mundo testemunhou nesta semana uma miniguerra no Cáucaso, e a retórica tem sido intensa, embora em grande medida irrelevante.
A geopolítica é uma série de gigantescas partidas de xadrez disputadas entre dois jogadores, nas quais estes buscam posições de vantagem. Nessas partidas, é crucial conhecer as regras vigentes que regem os lances. Os cavalos não podem andar na diagonal.

Entre 1945 e 1989, a partida principal de xadrez era disputada entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ela se chamava a Guerra Fria, e as regras básicas do jogo eram conhecidas metaforicamente como "Yalta". A regra mais importante dizia respeito a uma linha que dividia a Europa em duas zonas de influência. Essa linha foi chamada por Winston Churchill de "Cortina de Ferro" e se estendia de Stettin a Trieste.

A regra dizia que, não importasse quanta turbulência fosse instigada na Europa pelos peões, não haveria guerra de fato entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ao final de cada instância de turbulência, as peças voltariam a suas posições originais.

Essa regra foi respeitada cuidadosamente até a queda dos comunismos, em 1989, marcada mais notadamente pela destruição do Muro de Berlim. É inteiramente verdade, como todos observaram na época, que as regras de Yalta foram anuladas em 1989 e que a partida disputada entre os Estados Unidos e (desde 1991) a Rússia mudou de maneira radical.

O maior problema desde então é que os Estados Unidos não compreenderam direito as novas regras do jogo. Eles se proclamaram, e foram proclamados por muitos outros, a única superpotência mundial. Em termos de regras de xadrez, isso foi interpretado como significando que os Estados Unidos tinham liberdade para movimentar-se pelo tabuleiro de xadrez como bem entendessem e, especialmente, para transferir antigos peões soviéticos para sua esfera de influência.

Sob Clinton, e mais notadamente ainda sob George W. Bush, os Estados Unidos passaram a jogar a partida dessa maneira.

Só havia um problema nisso: os Estados Unidos não eram a única superpotência mundial -nem sequer eram uma superpotência.

MAIS JOGADORES

O fim da Guerra Fria significou que os Estados Unidos foram rebaixados. De uma das duas superpotências, passaram a ser um Estado forte em meio a uma distribuição realmente multilateral do poder real em um sistema inter-Estados.
Muitos países grandes passaram a poder disputar suas próprias partidas de xadrez sem precisarem informar as duas antigas superpotências de seus lances. E começaram a fazê-lo.

Duas decisões geopolíticas de importância maior foram tomadas nos anos Clinton.

Primeiro, os Estados Unidos fizeram pressão grande e mais ou menos bem-sucedida para que os antigos satélites soviéticos ingressassem na Otan [a aliança militar ocidental]. Esses países estavam ansiosos por entrar, apesar de os países-chave da Europa Ocidental -Alemanha e França- relutarem um pouco em seguir esse caminho. Eles viam a manobra dos EUA como tendo o objetivo, em parte, de limitar sua recém-adquirida liberdade de ação geopolítica.

A segunda decisão-chave dos Estados Unidos foi tornar-se jogador ativo nos realinhamentos de fronteiras dentro da antiga República Federal da Iugoslávia. Isso culminou na decisão de autorizar a secessão de facto de Kosovo da Sérvia e implementá-la com suas tropas.

A Rússia, mesmo sob Boris Ieltsin, ficou bastante insatisfeita com essas duas ações dos Estados Unidos. Mas a desorganização política e econômica da Rússia durante os anos Ieltsin era tão grande que o máximo que ela pôde fazer foi queixar-se, em voz bastante fraca, é mister acrescentar.

A chegada ao poder de George W. Bush e Vladimir Putin foi mais ou menos simultânea. Bush decidiu levar a tática da superpotência única (ou seja, os Estados Unidos podem movimentar suas peças da maneira como decidem por conta própria) muito mais longe do que fizera Clinton.

REGRAS PRÓPRIAS

Para começar, em 2001 Bush retirou o país do Tratado de Mísseis Antibalísticos firmado por EUA e União Soviética em 1972. Em seguida, anunciou que os Estados Unidos não ratificariam dois tratados novos assinados durante o governo Clinton: o Tratado de Proibição Total de Testes, de 1996, e as modificações acordadas no tratado de desarmamento nuclear SALT 2. Então Bush anunciou que os Estados Unidos iriam adiante com seu Sistema Nacional de Defesa Antimísseis. E, em 2003, Bush invadiu o Iraque.

Como parte dessa iniciativa, os Estados Unidos buscaram e obtiveram o direito de construir bases militares e o direito de sobrevoar repúblicas centro-asiáticas que antes faziam parte da União Soviética.

Além disso, os EUA promoveram a construção de dutos para o escoamento do petróleo e gás natural da Ásia Central e do Cáucaso, passando ao largo da Rússia. E, finalmente, os Estados Unidos fecharam um acordo com a Polônia e a República Tcheca para instalar uma defesa antimísseis, ostensivamente para proteção contra mísseis iranianos.

A Rússia, porém, viu essas instalações como sendo voltadas contra ela. Putin decidiu reagir com muito mais eficácia que Ieltsin. Sendo um jogador prudente, porém, ele primeiro se movimentou para fortalecer sua base doméstica, restaurando a força da autoridade central e revigorando as Forças Armadas russas.

Nesse momento, as marés da economia mundial mudaram, e, de uma hora para outra, a Rússia tornou-se a rica e poderosa controladora não apenas da produção petrolífera, mas também do gás natural tão necessário aos países da Europa Ocidental.

ADVERSÁRIO FORTALECIDO

Então Putin começou a agir. Ele criou relacionamentos com a China, selados em tratados. Manteve relações estreitas com o Irã. Começou a expulsar os Estados Unidos de suas bases na Ásia Central. E assumiu uma atitude firme contra a ampliação da Otan para duas zonas-chave: a Ucrânia e a Geórgia.

A fragmentação da União Soviética levara ao surgimento de movimentos secessionistas étnicos em muitas antigas repúblicas, incluindo a Geórgia. Quando, em 1990, a Geórgia procurou pôr fim ao status autônomo de suas zonas étnicas não-georgianas, estas imediatamente se declararam Estados independentes. Não foram reconhecidas por nenhum país, mas a Rússia garantiu sua autonomia de fato.

Os fatores mais imediatos a incentivar o desencadeamento da miniguerra atual foram dois. Em fevereiro, Kosovo formalmente converteu sua autonomia de fato em independência de direito. Sua iniciativa foi apoiada e reconhecida pelos Estados Unidos e muitos países da Europa ocidental.

A Rússia avisou, na época, que a lógica dessa iniciativa se aplicaria igualmente a secessões de fato ocorridas nas antigas repúblicas soviéticas. Na Geórgia, a Rússia imediatamente e pela primeira vez reconheceu a independência de direito da Ossétia do Sul, em resposta direta à de Kosovo.

E, na reunião da Otan de abril deste ano, os Estados Unidos propuseram que Geórgia e Ucrânia fossem recebidas num chamado Plano de Ação para Ingresso (na Otan). A Alemanha, a França e o Reino Unido se opuseram, dizendo que isso provocaria a Rússia.

JOGADA DESESPERADA

O presidente neoliberal e fortemente pró-americano da Geórgia, Mikhail Saakashvili, se desesperou. Ele via a reafirmação da autoridade georgiana na Ossétia do Sul (e também na Abkházia) como perspectiva cada vez mais distante, de maneira permanente. Assim, escolheu um momento de desatenção da Rússia (Putin estava nas Olimpíadas, o presidente Dmitri Medvedev, de férias) para invadir a Ossétia do Sul. As insignificantes forças militares da Ossétia do Sul desabaram completamente, é claro.
Saakashvili imaginava que forçaria os Estados Unidos (e também a Alemanha e a França) a sair em seu apoio. Em vez disso, houve uma reação militar russa imediata, superando o pequeno Exército georgiano de forma avassaladora.

O que Saakashvili recebeu de George W. Bush foi retórica. Afinal, o que Bush podia fazer? Os Estados Unidos não são uma superpotência. Suas Forças Armadas estão inteiramente tomadas por duas guerras que estão perdendo no Oriente Médio. E, o mais importante de tudo, os Estados Unidos precisam da Rússia muito mais do que a Rússia precisa deles.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, em artigo no "Financial Times", fez questão de observar que a Rússia é "parceira do Ocidente com relação ao Oriente Médio, Irã e Coréia do Norte".

Quanto à Europa ocidental, a Rússia, essencialmente, controla seu suprimento de gás. Não foi por acaso que foi o presidente Nicolas Sarkozy, da França, e não Condoleezza Rice, quem negociou a trégua entre Geórgia e Rússia. A trégua contém duas concessões essenciais da Geórgia. Esta se comprometeu a não mais recorrer à força na Ossétia do Sul. E o acordo não faz referência à integridade territorial georgiana.
Assim, a Rússia emergiu muito mais forte que antes.

Saakashvili apostou tudo o que tinha e agora está geopoliticamente falido. E, como nota de rodapé irônica, a Geórgia, uma das últimas aliadas nos EUA na coalizão no Iraque, retirou seus 2.000 soldados desse país. Esses soldados vinham exercendo um papel crucial nas áreas xiitas e agora terão que ser substituídos por soldados dos EUA, que, para isso, terão que ser retirados de outras áreas.

Quando se joga xadrez geopolítico, é aconselhável conhecer as regras, para não ser derrubado pela jogada do rival.”

BRASIL: CAI O GASTO PÚBLICO EM RELAÇÃO AO PIB

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou ontem essa notícia que evidencia a política fiscal responsável conduzida pelo governo Lula. A reportagem é de Fernando Dantas. Este blog inseriu somente uma pequena observação [entre colchetes]:

GASTO PÚBLICO CRESCE MENOS QUE O PIB

No primeiro semestre de 2008, o governo cumpriu a política fiscal que ele mesmo rechaçou de forma enérgica em 2005. Foi naquele ano que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, detonou a proposta do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, apoiada pelo ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, de implementar uma política fiscal de longo prazo.

Um dos aspectos da proposta era controlar o crescimento dos gastos públicos, o que, mesmo para economistas mais ortodoxos, não significa reduzi-los ou congelá-los, mas fazê-los crescer menos que o Produto Interno Bruto (PIB). Para Dilma, a proposta era "rudimentar".

Agora, porém, sem fazer nenhum alarde, o governo quase certamente conseguiu pôr a expansão dos gastos federais num ritmo inferior ao do PIB. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio, as despesas primárias do governo federal tiveram crescimento real de 4,4% de janeiro a junho. É menos que os 5,5% a 6% que o mercado estima que o PIB cresceu no primeiro semestre, e muito inferior ao ritmo de 6,9%, 9,6% e 11,1% registrado pela expansão dos gastos primários, respectivamente nos primeiros semestres de 2005, 2006 e 2007. Embora o diagnóstico geral [da redação do Estadão, do PSDB, DEM e da ‘grande’ mídia?] seja de que o gasto público continua elevado e com qualidade duvidosa.

Na Carta do Ibre (documento mensal de análise econômica) que será divulgada nesta semana, os economistas da instituição deixam bem claro que consideram uma surpresa positiva o desempenho fiscal na primeira metade do ano. "O governo parece estar conseguindo conter a elevação de seus gastos", elogia a Carta, em sua primeira frase.

O reconhecimento deve ser particularmente saboroso para a equipe econômica do governo, já que o Ibre é tradicionalmente uma instituição inclinada a posições liberais e ortodoxas - campo do qual vêm as críticas mais pesadas à política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa avaliação não está restrita ao Ibre. Segundo o economista Fernando Fenolio, do Unibanco, "para um governo que tem fama de gastador, que de fato o foi até 2007, os números do primeiro semestre de 2008 representam uma surpresa positiva e uma política fiscal diferente da dos outros anos". Para ele, a contenção do crescimento dos gastos torna factível o superávit primário de 4,3% do PIB em 2008. Outro bom sinal da política fiscal, para Fenolio, é a possível manutenção do superávit primário de 4,3% em 2009.

Os comentários da Carta do Ibre vão além da simples constatação de que o crescimento do PIB ultrapassou o da despesa federal no primeiro semestre. O documento nota que esse resultado foi alcançado de forma saudável, já que a maior desaceleração ficou por conta dos gastos com salários e Previdência Social.”

NYT: BUSH, “W”, O INGÊNUO

O jornal norte-americano "The New York Times" de ontem, em artigo de Maureen Dowd, em Washington, postado pelo UOL com tradução de George El Khouri Andolfato, trouxe-nos um interessante retrato de Bush e uma análise do decadente papel dos EUA no mundo:

APÓS 8 ANOS, GEORGE W. BUSH AINDA IGNORA A REALIDADE

Os Estados Unidos estão de volta à Guerra Fria e “W.” (George W. Bush) está de novo de férias. Isso é que é simetria terrível.

Após oito anos, a intuição do presidente continua ingênua. Ele partirá como chegou -ignorando a realidade; fracassando em prever, prevenir e até mesmo se preparar para desastres; interpretando mal os relatórios de inteligência e as pessoas; lidando com as crises de formas que as tornam exponencialmente piores.

Ele passou 469 dias de sua presidência descansando em seu rancho e 450 dias brincando em Camp David. E ainda há tempo para praticar "mountain bike" em meio a outro desastre histórico.

Enquanto as tropas russas continuavam dominando partes da Geórgia na sexta-feira, o presidente Bush pregava aos líderes russos de que "ameaça e intimidação não são formas aceitáveis de conduzir política externa no século 21" - e então voou para Crawford.

Quem dera W. tivesse tratado o restante de sua presidência tão seriamente quanto seus passeios esportivos.

Suas palavras teriam mais peso se ele, Cheney e Rummy não tivessem iniciado o século 21 com uma exibição pesada de ameaça e intimidação global baseada na invasão do Iraque.

Quando o entrevistei no início de sua candidatura presidencial em 1999, ele fez um palpite óbvio: "Eu acredito que as grandes questões serão a China e a Rússia".

Mas após o 11 de Setembro, ele deixou Cheney, Rummy e os neoconservadores o seduzirem na obsessão destrutiva pelo Iraque. Enquanto os Estados Unidos permanecem atolados e sangrando até a morte, a China e a Rússia estão engordando.

A China comprou tanto dos Estados Unidos que ficaríamos tão mortos quanto os patos laqueados de Pequim (um tradicional prato chinês) se eles retirassem seus investimentos de nosso mercado. A Rússia deixou de ser uma nação pobre para se tornar uma terra repleta de milionários -tudo graças ao nosso vício em petróleo.

O que foi mais irritante em assistir o alegre passeio de W. nos Jogos Olímpicos foi que ressaltou a ascensão da China a superpotência e, graças às políticas econômica e externa negligentes do governo, a queda dos Estados Unidos. É como se a China tivesse se tornado nós e nós tivéssemos nos tornado a Europa. Como a Rússia, a China também tem demonstrado modos autoritários e ignorado as pregações americanas, incluindo as críticas contidas de W. quando voou para Pequim para apreciar o espetáculo da ascensão da China.

Apesar de sua previsão de 1999 de que a Rússia e a China seriam chave para a segurança mundial, W. nunca se deu ao trabalho de estudá-las. Em 2006, no encontro de cúpula do G8 em São Petersburgo, Rússia, um microfone captou alguns comentários vazios de W. para o presidente chinês, Hu Jintao.

"Este é o seu bairro", disse W. "Não demora muito para você chegar em casa. Quanto tempo leva para você chegar em casa? Oito horas? Eu também. A Rússia é um país grande o seu país é grande."

O presidente Bush e sua "especialista" em Rússia, Condi, lidaram de forma equivocada com a Rússia desde o início. W. viu uma alma "confiável" em um agente da KGB de olhos de navalha que nunca foi um bom sujeito nem mesmo por uma hora. Agora, o pessoal de Bush, que não pode fazer nada a respeito, está gritando sobre como a agressão russa "não pode ficar sem resposta", como colocou Cheney.

(O outro especialista em Rússia de W., Bob Gates, foi, como sempre, a única voz de realismo, notando: "Eu não vejo nenhuma perspectiva de uso de força militar pelos Estados Unidos nesta situação".)

O governo Bush pode ter uma ligação sentimental com a Geórgia por ela ter enviado 2 mil soldados ao Iraque como parte da "Coalizão dos Dispostos", e porque papai Bush e James Baker tinham laços estreitos com o primeiro presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze.

Mas com a força militar e moral de seu país tão esgotada, os Bushies mal têm como dizer à Rússia para parar de fazer o que eles mesmos fizeram no Iraque: invadir unilateralmente um país contra a vontade do mundo para assustar alguns dos líderes da região dos quais não gostam.

W. e Condi estão repentinamente percebendo quão malicioso Vladimir (Putin) é. Em uma coletiva de imprensa com Condi na sexta-feira, Mikheil Saakashvili, o presidente da Geórgia, reclamou do Ocidente por permitir que a Rússia retomasse suas táticas repressivas.

"Infelizmente, hoje nós estamos olhando o mal diretamente nos olhos", ele disse. "E hoje este mal é muito forte, muito maligno e muito perigoso para todos, não apenas para nós."

Como Michael Specter, o jornalista da "New Yorker" que já escreveu extensamente sobre a Rússia, observou: "Houve um breve período de cinco anos em que pudemos nos safar tratando a Rússia como a Jamaica - isto acabou. Agora temos que lidar com ela como adultos que possuem mais armas nucleares do que qualquer um, exceto nós".

“BOOM” IMOBILIÁRIO NO BRASIL

O portal UOL postou ontem a seguinte notícia da Agência Estado:

BRASIL SE VERTICALIZA EM RITMO ACELERADO

“Quem alardeia que São Paulo passa por um boom imobiliário nunca antes visto, desfilando números de lançamentos e valorizações, talvez não saiba apontar direitinho no mapa onde fica a cidade de Águas Claras.

Tudo bem, não é nenhum pecado - mesmo quem mora em Brasília, a menos de dez quilômetros dali, também não saberia até poucos anos atrás. Mas o desconhecido município na região metropolitana da capital federal, criado em 1992 apenas para servir de passagem do trem urbano, é hoje um dos maiores canteiros de obras da construção civil brasileira. E serve também como um dos melhores exemplos de como a expansão imobiliária está mudando a olhos vistos a paisagem de dezenas de cidades.

Tudo isso, graças à oferta do crédito. "O crédito farto fez com que o boom se espalhasse", diz o diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio, Luiz Paulo Pompéia.

Águas Claras tem hoje cerca de 60 mil moradores em 808 hectares, quase 400 edifícios prontos, 120 sendo erguidos e espaço para dobrar de tamanho. É uma pequena Dubai, cidade no Oriente Médio símbolo da construção desenfreada, ou um pedacinho da pujança asiática em pleno Distrito Federal.

E não é única. Seja em Natal (RN), Palmas (TO), Nova Lima (MG), Goiânia (GO), Porto Velho (RO), Vitória ou Vila Velha (ES), a especulação das construtoras cria bolhas de euforia e recorde de lançamentos por m².”

BRASIL: “O BOLO DE PROSPERIDADE”

Eduardo Guimarães, em seu blog “Cidadania”, postou ontem este bom artigo que se segue:

“Quero transmitir uma idéia simples de forma direta e sucinta. É sobre o processo de crescente prosperidade em que está mergulhado o país.

Não vou gastar a atenção do leitor desfiando números e estatísticas. Quem nega que o Brasil passa hoje pelo melhor momento econômico de sua história e que se encontra diante de expectativas de prosperidade ainda maiores no futuro, não merece ser levado a sério.

Falando para os que vivem com os dois pés fincados no chão e não nas nuvens de suas idiossincrasias político-ideológicas, quero que dimensionem que a solidez e o potencial de nossa economia nos próximos anos colocam o Brasil diante de um agradável e importantíssimo “dilema”: como fazer a divisão desse bolo de prosperidade que está diante de nós de forma justa.

Parte do jogo daqueles que estão com os olhos cobiçosos postos no oceano de riquezas que se descortina diante do Brasil é o de minimizarem a vastidão desse oceano reduzindo-o a uma lagoa, se tanto.

Para vocês terem uma idéia, as descobertas petrolíferas do litoral brasileiro, de acordo com as estimativas mais conservadoras do governo, podem equiparar as reservas brasileiras às da Venezuela, um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Só que isso num país diferente, altamente industrializado como é o Brasil, em que estão sendo feitos investimentos crescentes de médio e longo prazo tanto por brasileiros quanto por estrangeiros.

Nos próximos anos, segundo vários estudos eminentes, a economia brasileira irá figurar entre as cinco maiores do mundo. Haverá uma tremenda erupção de riquezas neste país nos próximos anos e os que hoje concentram a parte do leão da riqueza nacional querem ganhar proporcionalmente à participação que têm hoje no bolo.

Este país começa a travar uma guerra da maioria esmagadora da sociedade contra um segmento dela que se chegar a um por cento, será muito. Algumas centenas de milhares de famílias poderão engolfar um naco da prosperidade vindoura de uma dimensão que não pode ser admitida por nenhum cidadão decente.

Este blog passa a visar essa questão com grande interesse e assiduidade. O governo Lula pretende dividir de forma mais justa esse bolo de prosperidade e é dever de cada um de nós apóia-lo. Denunciando, informando, conscientizando cada concidadão que pudermos, para evitar que seja mantida a atual divisão percentual de riquezas no Brasil, imoral como poucas no mundo.”

domingo, 17 de agosto de 2008

MENDES VAI CENSURAR O PiG. O PiG VAI ACHAR ÓTIMO

O site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, publicou ontem o texto a seguir transcrito. Com sua fina ironia e larga experiência na grande mídia brasileira, o jornalista analisa e antevê com propriedade o comportamento da imprensa em face das estranhas e suspeitas atitudes do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes:

O PiG [Partido da Imprensa Golpista] criou um monstro: o Supremo Presidente vai censurar a imprensa.

Gilmar Mendes já disse que é preciso censurar a imprensa quando a imprensa discordar das decisões dele.

Hoje, no Estadão, pág. A8, o Estadão (se invocou o papel de líder do “Estadão de Direita”) – Mendes critica exposição de presos na TV. Segundo o ministro, “a exibição de imagens de pessoas detidas viola presunção de inocência e dignidade humana”. E mais: ele “quer proibir policiais de promover a exposição de presos na imprensa, qualquer que seja o crime”.

Problema número um: “ele quer”. Ele quer ? Quem é ele para “querer”? É o Mussolini? Ele é quem manda? E o Legislativo? E o Executivo? E os outros dez ministros do Supremo Tribunal Federal, o tribunal dos ricos? (Seis deles escolhidos pelo Presidente que tem medo, o Presidente Lula).

E vai mais longe o Supremo Presidente, como diz o Estadão da Direita: “A prisão em muitos casos só se justifica para fazer a imagem, e a imagem com algema. Prender é algemar alguém e expor no Jornal Nacional”, disse o Presidente Supremo.

É aí que reside o perigo: agora só pode ter imagem no jornal nacional – e na imprensa, em geral – se Ele quiser.

QUISER. VERBO ‘’QUERER’’. ELE ‘QUER’

Ele é o Supremo censor? O “Big Brother”? Do jornal nacional e de toda a imprensa!

Só tem a imagem agora que ele deixar. Nem preso, nem não-preso. Em flagrante ou o que for. Só pode ter imagem de condenado com decisão que tenha transitado em julgado. Quer dizer: NUNCA !

O Supremo Presidente quer acabar com a Justiça para brancos e ricos e, para isso, censurar a imprensa, do jeito que ele quiser.

E o Consultor Jurídico, pode? Pode dar notícia de que alguém é processado? Ou isso é pré-julgamento? É exposição? Excesso?

O perigo da ofensiva totalitária do Presidente Supremo é que ele terá o apoio irrestrito do PiG. Como o Estadão de Direita, que já lhe abre quantas portas e páginas forem necessárias. Em defesa do interesse dos brancos e ricos, o PiG aceita até censura à imprensa. O PiG vai aceitar a censura do Supremo Presidente como aceitou no regime militar.

A liberdade de imprensa é aquela que interessa aos cidadãos. A liberdade DA imprensa é a dos ricos e brancos, esses que o Supremo Presidente quer proteger.

Em nome de seus interesses empresariais, o PiG entrega na bandeja a “liberdade de imprensa” com ilimitada felicidade! Como Salomé entrega a cabeça de João Batista.

O Golpe já ocorreu. Agora, resta esperar pelos sucessivos Atos Institucionais que Carlos Medeiros Silva baixará.

O que o PiG fez contra os Atos Institucionais? Nada!”

MONOPÓLIO DA COMUNICAÇÃO É OBSTÁCULO À DEMOCRATIZAÇÃO

O site Carta Maior postou ontem o texto de Maurício Thuswohl, abaixo transcrito, que aborda com propriedade o fato já evidente: há o império da imprensa no Brasil:

CONFERÊNCIA DA BAHIA

Participantes da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia apontam o poder financeiro das grandes empresas de comunicação social no Brasil e a falta de vontade política para permitir mudanças como os principais entraves à democratização do setor.

SALVADOR – Todos aqueles que lutam pela efetiva democratização da comunicação social no Brasil sabem que têm pela frente um enorme obstáculo a transpor, pois o seleto grupo que controla os principais meios de comunicação do país não nutre a menor vontade política de efetuar qualquer mudança nas atuais regras do jogo, das quais são beneficiários históricos. Com muito dinheiro, influência no Congresso Nacional e no Judiciário e donas de um poder de penetração no imaginário nacional capaz de fazer e destruir reputações (e governos) em poucos dias, essas grandes empresas, ao menos por enquanto, encontram-se imunes às transformações democráticas que estão ocorrendo no país.

A busca por estratégias para enfrentar essa realidade foi o principal foco dos debates iniciais ocorridos na 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia, que acontece até sábado (16) em Salvador. Representantes da sociedade civil, do parlamento e dos governos federal e estadual discutiram o monopólio das comunicações no Brasil e a dificuldade política de modernizar as regras que regem o setor.

Todos concordaram que somente a mobilização popular pode proporcionar reais mudanças. “É uma questão de correlação de forças. Enfrentar essa batalha depende de decisão, depende de ousadia como essa que está sendo demonstrada aqui na Bahia, mas depende, sobretudo, de acúmulo de forças”, disse o jornalista Carlos Tibúrcio, que é assessor especial da Presidência da República. Para Tibúrcio, esse acúmulo em torno das questões da comunicação “vem se dando de maneira progressiva e significativa” no Brasil: “O desenvolvimento de novos meios tecnológicos tem gerado tensões e criado a necessidade de novas formas de relações sociais e de relações de propriedade para um sistema que tem se tornado cada vez mais concentrado e monopolizado por alguns, determinando de maneira muito forte o que a maioria das pessoas lê, ouve e vê”.

Integrante da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, Luiza Erundina (PSB-SP) citou uma luta que se trava nesse momento sem que a população seja informada pela grande mídia: “Agora mesmo, a sociedade civil está fazendo um esforço muito grande para intervir na questão da renovação das concessões das grandes redes de televisão do Brasil. A Globo, a Bandeirantes e a Record são redes nacionais que têm suas concessões vencidas já desde o ano passado e querem renovar essas concessões. Alguns parlamentares da Comissão de Ciência e Tecnologia e representantes da sociedade civil vêm se reunindo sistematicamente, de forma persistente e generosa para tentar influir na definição da renovação dessas outorgas e dessas concessões”, disse.

Erundina reconhece que falta acúmulo político para fazer com que a renovação das concessões para as grandes redes seja feita de forma a atender os interesses do povo brasileiro ou, no mínimo, seja realizada de maneira transparente e discutida junto à sociedade: “Sabemos que o fato de não termos acumulado mais na sociedade, do ponto de vista político, em relação à questão das comunicações nos deixa em dificuldade até para imaginar ser possível a não renovação de uma ou outra dessas concessões”, disse a deputada.

EXPECTATIVAS REDUZIDAS

Ainda assim, afirma Erundina, a sociedade pode tentar interferir no processo: “Para sermos realistas, reduzimos nossa expectativa e queremos pelo menos discutir as regras, as normas, aquilo que é exigido dessas emissoras que operam esse sistema fantástico e que aumentam sua potencialidade e o seu poder com a incorporação dessas novas tecnologias. A sociedade civil precisa dizer que tipo de comunicação quer no Brasil, quais são as regras que precisam ser seguidas e observadas religiosamente por essas emissoras. Outorga de rádio e televisão é outorga de um serviço público, de um bem público. É um patrimônio da sociedade e do estado brasileiro e, como tal, tem que estar sob o controle, sob a fiscalização e sob o comando da sociedade civil organizada”.

A dificuldade política em lidar com os empresários que monopolizam a mídia no Brasil também foi citada por Tibúrcio: “Os meios de comunicação debatem tudo, menos a realidade deles próprios. É como se a comunicação fosse um tema que não pudesse ser objeto da informação diária do cidadão”, disse, citando em seguida outra discussão pertinente ao setor que não é tratada pelos principais veículos e, por isso, permanece ignorada pela maioria da população: “No Brasil, a legislação permite o que se chama de sociedade cruzada, que autoriza um mesmo grupo de mídia a ser proprietário de veículos impressos, de rádios, de televisão e de portais na internet, exercendo um verdadeiro controle do processo de informação. Isso não é permitido na maioria dos países”.

Para o assessor da Presidência, esse modelo deveria ser rediscutido, mas o tema enfrenta forte resistência por parte das grandes empresas do setor: “Tanto defendem a democracia, tanto defendem a liberdade de expressão, mas não admitem como pressuposto dessa liberdade uma diversidade maior. Isso se explicita em regras e jurisprudências que são criadas e que de certa forma dificultam aos governos tomar atitudes novas que façam florescer ou se fortalecer meios de comunicação alternativos, que não estejam vinculados aos grandes monopólios de comunicação do Brasil e do exterior”, disse Tibúrcio.

FORTALECER A SOCIEDADE CIVIL

O fortalecimento na sociedade de iniciativas pela democratização da comunicação social é apontado como o único caminho possível para se romper a forte muralha erguida pelas doze famílias que controlam os principais meios de difusão de informações no Brasil: “A presença das entidades da sociedade civil é o que nos dá fôlego, força e respaldo político para tentar romper com as dificuldades, os bloqueios e os impasses que se colocam, porque não há vontade daqueles que detém o monopólio das comunicações no Brasil para que se avance em torno de um marco regulatório, que se defina uma política nacional de comunicação social”, disse Luiza Erundina.

Carlos Tibúrcio afirmou acreditar que a realização de uma primeira conferência em um estado brasileiro sirva de impulso para deslanchar a organização de uma conferência nacional: “Temos que discutir essa questão fundamental, que é a questão da comunicação no Brasil. Nesse sentido, a Bahia exerce um papel de vanguarda, um papel pioneiro que certamente será seguido pelos outros estados como condição indispensável para que o movimento se fortaleça e consigamos realizar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. O que estamos vivenciando aqui terá sem dúvida nenhuma um papel muito importante no desenrolar desse processo”.

OS EUA APÓS O CONFLITO NA GEÓRGIA

O site Carta Maior publicou ontem o interessante artigo de Idelber Avelar, professor do Departamento de Espanhol e Português da Tulane University, New Orleans. O texto foi originalmente publicado no blog "Biscoito Fino e a Massa".

GUERRA NO CÁUCASO

Os EUA na geopolítica mundial depois do conflito na Geórgia

Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano, batucou seus tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. A análise é de Idelber Avelar.

Convenhamos que é meio humilhante começar a atirar e 48 horas depois implorar de joelhos por um cessar-fogo. Há algo de comovente em ver uma nação dar-se conta de que durante muito tempo acreditou num conto da carochinha. Segundo os relatos que chegam, o estado de espírito na República da Geórgia pode se resumir com uma pergunta atônita: onde estão os americanos que disseram que nos protegeriam, que eram nossos amigos? Os georgianos descobriram, na base da porrada, o que os latino-americanos minimamente informados já sabem há mais de um século: o que os EUA querem dizer quando alardeiam seu compromisso com a “liberdade e a democracia”.

As analogias históricas não funcionam muito bem para se compreender o conflito desta semana porque a Geórgia é – ou era, até a semana passada – um dos poucos lugares da galáxia onde o presidente americano goza de popularidade real. Como se sabe, a estrada que leva ao aeroporto de Tbilisi foi batizada com o tenebroso nome de George W. Bush.

Ao longo dos últimos 16 anos em que predominou uma paz tensa na Ossétia do Sul e na Abkházia, e muito especialmente desde a eleição de Mikhail Saakashvili em 2004, a Geórgia tem sido a menina dos olhos do ‘entrismo’ da OTAN.

Em abril deste ano, Bush defendeu abertamente a entrada da Geórgia no Tratado, sob os olhares estupefatos dos europeus, que sabiam muito bem a provocação que isso representaria para a Rússia. Logo em seguida, 1.000 marines foram enviados à base militar de Vaziani, na fronteira com a Ossétia do Sul, para treinamento do exército georgiano.

Desde a visita de Bush ao país em 2005, os EUA apresentam a Geórgia como modelo de democracia, não se importando muito com as incontáveis denúncias de violações dos direitos humanos. Tudo indica que Saakashvili imaginou que contaria com algo mais que declarações verbais americanas no momento em que iniciasse a aventura militar na Ossétia do Sul (região onde, diga-se de passagem, fala-se língua da família irânica, sem relação com o georgiano, que é língua do grupo sul-caucasiano). Para piorar sua situação, as tropas russas são detestadas na Geórgia, mas são populares na Ossétia. Resumindo: a Geórgia imaginou que tinha entrado no clube.

Não é de se estranhar que a imprensa não tenha dito muito sobre as centenas de milhões de dólares em armas, treinamento, equipamento eletrônico, aviação e morteiros fornecidos por Israel para a Geórgia nos últimos anos. Por volta de 100 agentes israelenses participaram da preparação da invasão georgiana à Ossétia do Sul. O contato aqui foi via Davit Kezerashvili, ministro da defesa georgiano, ex-israelense. Outro ministro georgiano, Temur Yakobashvili, deu entrevista a uma rádio israelense no dia 11 de agosto, afirmando que um pequeno grupo de soldados georgianos foi capaz de dizimar uma divisão militar russa inteira, graças ao treinamento israelense. Tampouco é de se estranhar que depois da surra levada pela Geórgia, Israel tenha subestimado o seu papel no processo.

Mas o que salta aos olhos neste conflito é a completa desmoralização da liderança americana. Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano durante anos, batucou seus queridos tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. O New York Times relatou que duas altas autoridades americanas chegaram ao ponto de afirmar que os EUA estão aprendendo a hora de ficarem calados. Enquanto isso, McCain declarava que no século XXI, as nações não invadem outras nações, talvez imaginando que as invasões americanas no Afeganistão e no Iraque aconteceram no século XVIII.

Se o cálculo da direita americana foi se aproveitar do episódio para reforçar um belicismo que costuma lhe render dividendos eleitorais, há bons motivos para se imaginar que o tiro pode ter saído pela culatra. Não há indicadores claros de que a atual viagem de Condoleeza Rice à região, à reboque do presidente francês Sarkozy, possa reverter esse quadro significativamente. O que é certo é que o presidente Mikhail Saakashvili – que num discurso no sábado passado chegou a evocar McCain, um candidato a uma eleição num país estrangeiro – já pode falar sobre tiros pela culatra com a autoridade de um doutor honoris causa.”

VAI ROLAR NOTA PRETA NA IMPRENSA

O veterano jornalista Lustosa da Costa publicou ontem em sua coluna no Diário do Nordeste o seguinte perspicaz artigo:

NOTA PRETA

Vai rolar dinheiro para defender os negócios de Daniel Dantas, ameaçados pelo governo. A imprensa que idolatra o guabiru já começou a dar indícios de que vai à luta na defesa de seus interesses.

A mídia também espera faturar nota preta de velho e generoso cliente, o lobby das companhias estrangeiras de petróleo, sabotando qualquer iniciativa da Petrobras de manter para o Brasil as imensas jazidas achadas na área do mar.”

sábado, 16 de agosto de 2008

FHC DEU O BEIJO DA MORTE NO GABEIRA?

Li esse bom artigo no blog do Azenha, postado às 22h58 de ontem:

Eu respeito o deputado Fernando Gabeira. Acho que ele tem idéias interessantes. É uma pessoa correta. Porém, infelizmente, se deixou "instrumentalizar" pela mídia corporativa brasileira.

Funciona assim: toda vez que você fala alguma coisa que agrada aos donos de jornais ou das emissoras de rádio e de televisão eles te dão espaço. Mas tudo o que você disser que não combina com o discurso deles é suprimido.

E foi assim que o deputado Gabeira se tornou um darling dos intelectuais do Leblon, que sonham com o Rio de Janeiro de quando os túneis não haviam sido abertos e os pobres eram mantidos para além do morro.

Beber chope, fumar maconha e ser "de esquerda" fazia parte da cultura da praia.

Hoje a sociedade carioca é muito mais complexa, assim como o Brasil.

Porém, os intelectuais do Leblon continuam tomados pelo pensamento afrikaner.
Eles acreditam naqueles que desprezaram as pesquisas do FGV e do IPEA dando conta do surgimento de uma nova classe média brasileira.

Ao desprezar a pesquisa, pelo simples fato de que era notícia positiva para o governo Lula, deixaram de considerar a realidade: o Brasil está mudando. Devagar, mas está. E essas mudanças têm impacto eleitoral. Em vez de calibrar seu discurso político, tentam desconhecer a realidade.

É a cultura da auto-referência. Eles assistem a novela da Globo e acham que aquele lá é o Brasil.

Pior: deram os braços à elite francesa do Higienópolis e nosso grande intelectual,

Fernando Henrique Cardoso, um homem do século 20 com idéias do século 20.
Fernando Henrique foi ao Rio fazer campanha por Gabeira.
Hoje o deputado aparece com 4% das intenções de voto, de acordo com pesquisa do IBOPE.

FHC pediu: "Esqueçam o que escrevi". Esquecemos.”

A CAMPANHA CONTRA UMA PETROBRAS MAIS BRASILEIRA

Domingo passado, 10 de agosto, no artigo “O PROBLEMA DA PETROBRAS QUE FHC/PSDB TORNOU ESTRANGEIRA”, já antevimos que esta semana viria campanha forte contra as medidas governamentais em estudo. Dito e feito. Foram muitas matérias e editoriais a favor dos estrangeiros.

As medidas governamentais combatidas visam não deixar os benefícios da sensacional descoberta de novos campos de petróleo no litoral somente nas mãos dos estrangeiros, especialmente norte-americanos. Do jeito que está, aquele que FHC, PSDB e DEM implantaram, os gringos serão os ganhadores e os brasileiros perderão muito.

Mencionamos naquela nossa postagem:

“Conviveremos com matérias antinacionalistas da nossa grande mídia entreguista. Qualquer iniciativa de proteção aos direitos brasileiros será capciosamente embolada pela imprensa com matérias debochativas, depreciativas, com tergiversações, misturando Lula com Hugo Chávez e Petrobrás estatal com PDVSA.

Ainda “pegando leve”, esse é o caso do artigo da Folha [de domingo]. Ele torna difícil percebermos que o que o atual governo quer é não ficarmos, no futuro próximo, totalmente reféns da atual Petrobras já demasiada estrangeira para a importância que a empresa assumirá em curto prazo. Uma nova Petrobras realmente brasileira precisa ser criada.”

Ontem, 15/08, o jornal O Estado de São Paulo evidenciou os interessados nessa campanha pró-estrangeiros da nossa grande mídia:

PETROLEIRAS ATACAM VETO À EXPLORAÇÃO DOS SUPERCAMPOS

Multinacionais do setor do petróleo e a Agência Internacional de Energia criticam a proposta de mudanças na Lei do Petróleo brasileira. Elas argumentam que o País precisará de investimentos externos para extração e que as mudanças nas leis podem prejudicar a rentabilidade das novas descobertas. O presidente Lula voltou a defender que recursos do petróleo sejam aplicados na área social.”

CHILE COMPRA 12 AVIÕES SUPERTUCANO DA EMBRAER

O Estado de São Paulo, em reportagem de Roberto Godoy, ontem publicou:

DISPUTA POR NEGÓCIO AVALIADO EM US$ 120 MILHÕES FOI CONCORRIDA

"O Ministério da Defesa do Chile assina hoje de manhã, em São José dos Campos, o contrato de compra de 12 aviões Supertucano, turboélices de treinamento e ataque leve fabricados pela Embraer. O negócio é estimado em cerca de US$ 120 milhões, envolvendo peças, componentes, documentação de manutenção e treinamento de pessoal.

O governo chileno pediu que a solenidade fosse reservada. Até ontem à noite, a presença do ministro da Defesa, José Goñi, não estava confirmada. As entregas começam ainda este ano. O lote será produzido na unidade de Gavião Peixoto, a 350 km de São Paulo.

Todos os aviões serão bipostos, e configurados para emprego na instrução avançada de pilotos - a Força aérea do Chile é a mais bem equipada do continente, empregando supersônicos americanos F-16 de duas diferentes gerações. São 28 caças, dez dos quais do tipo Block 60, o mais moderno, e 18 mais antigos, comprados na Holanda e revitalizados.

Na América Latina, também o Equador confirmou a aquisição de 24 Supertucanos, embora ainda não tenha formalizado a encomenda, avaliada em US$ 250 milhões. A versão escolhida é semelhante à especificada pela Aeronáutica da Colômbia - que encomendou 25 aeronaves em 2005 e recebeu todas - com pesada carga eletrônica, destinada a missões de combate e capacitação. A transação foi anunciada pelo presidente Rafael Corrêa em 27 de abril, pouco mais de três semanas depois do ataque devastador da aviação da Colombia, contra um centro de comando e controle da guerrilha das Farc que funcionava em território do Equador.

Na seleção do Chile, o Super Tucano venceu concorrentes difíceis. Estavam em avaliação pelo menos cinco: o suíço Pilatus PC-21, o americano Texan II, o argentino Pampa AT-63, o coreano T-50 e o italiano M346. A encomenda pode ser maior que a anunciada. A Força aérea Brasileira (FAB) negociou com a Embraer um lote de 99 turboélices. Já foram entregues cerca de 55, rebatizados como A-29A,versão exclusiva de ataque, de um só lugar, e A-29B, configuração de dois pilotos.

Na América Central, a Republica Dominicana e a Guatemala também selecionaram o avião brasileiro. O mercado para essa classe de aeronave é promissor: até 2010 serão definidos pedidos de até 350 aviões da classe do Super Tucano fora do eixo dos EUA e da Europa. Só o mercado asiático responderá por 200 aeronaves, representando US$ 1,1 bilhão.

O modelo exportado para o Chile e o Equador é inspirado no conjunto anti guerrilha especificado pela Colômbia e usado no ataque de 1º de março.

Pequeno e ágil, o Super Tucano é uma engenhosa combinação de recursos tecnológicos de última geração com a engenharia de baixo custo dos turboélices. Pode permanecer 7 horas em missão de patrulha. Leva 1,5 tonelada de armas e duas armas fixas - canhões de 30 milímetros ou metralhadoras pesadas, além de voar a 590 km/hora. Há duas semanas, o vice-presidente da Embraer para o mercado de Defesa, Luiz Carlos Siqueira Aguiar revelou ao Estado que a empresa está dedicando “atenção especial” aos mercados da Ásia, África e Oriente Médio. A estratégia é a da eventual venda casada: o turboélice Supertucano combinado com o jato de alerta avançado e controle, o R-99A,montado sobre a plataforma do Emb-145."

EUA REIVINDICAM O MONOPÓLIO DAS INVASÕES

Li essa pequena e significativa nota de Lustosa da Costa no Diário do Nordeste de ontem:

SÓ NÓS PODEMOS

“Li da revolta de Condolezza Rice contra o que ela considera crime de invasão da Geórgia pela Rússia. Ela tem razão. Somente assiste o direito de invadir países, matar seus dirigentes, torturar seus cidadãos aos Estados Unidos o que eles fizeram exemplarmente, em todo o mundo e, agora, com o uso de tropas mercenárias no Afeganistão e no Iraque.

Houvesse tempo ocupariam, também, o Irã, para saquear seu ouro negro. Eles podem.”

MOODY'S AFIRMA QUE PAÍSES DA AMÉRICA LATINA NÃO SÃO MAIS "REPÚBLICAS DAS BANANAS"

A Folha Online ontem publicou:

“O processo de industrialização ocorrido na América Latina nas últimas duas décadas reduziu as possibilidades dos países enfrentarem crises devido a redução dos preços das commodities no mercado internacional. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody's, que divulgou nesta sexta-feira um estudo sobre as nações latino-americanas.

De acordo com o relatório, nos últimos cinco anos as exportações de bens primários --agricultura, mineração e energia-- representaram 45% do total, enquanto as exportações industriais responderam pelos outros 55%, considerando inclusive os aumentos nos preços das commodities.

No início da década de 90, segundo a agência, os produtos primários respondiam por 60% das exportações latino-americanas, enquanto os industriais 40% do total.
"Isso coloca por terra a idéia totalmente equivocada de alguns que afirmam que a região continua sendo uma exportadora de bananas", afirma a Moody's.

DEFLAÇÃO

O estudo analisa como a redução dos preços das matérias-primas no mercado internacional influiria nas economias dos países da América Latina. Segundo a agência, ainda não é possível afirmar se a deflação nos valores das commodities --petróleo, metais e grãos, entre outros-- é tem temporária ou representa uma correção estrutural, após atingir "níveis extremamente elevados".

A "correção" nos preços das commodities ocorreu, segundo a agência, devido a redução do crescimento mundial, normalização das condições de produção e com a saída dos especuladores, que migraram para títulos de países emergentes com a alta dos juros.

CRISES

O relatório assinado pelo economista sênior da Moody's para a América Latina, Alfredo Coutino, não isenta a região de impactos negativos com a queda dos preços das commodities, mas o processo "não irá provocar uma crise como muitos prevêem".
"Isso, no final do dia, vai moderar o crescimento econômico da América Latina, mas apenas para nível mais compatível com o potencial da região, mas de nenhuma maneira vai colocar a América Latina em uma situação critica como no passado".

Segundo a Moody's, os governos tiraram proveito dos altos preços das matérias-primas, além dos orçamentos terem utilizado valores conservadores das commodities.
Na maioria dos países houve aumento nas despesas correntes do governo, mas também no investimento público em infra-estruturas e nas despesas sociais. Além disso, muitos governos foram capazes de poupar parte dos recursos adicionais, sob a forma de reservas internacionais ou na criação de fundos soberanos, como Chile e Brasil".

SP: A LIDERANÇA DO PT

Ontem à noite, o portal UOL publicou o resultado da pesquisa IBOPE em São Paulo que mostra a forte subida da candidata do PT e a queda dos candidatos direitistas do PSDB, DEM e PPS.

Transcrevo:

PESQUISA IBOPE APONTA LIDERANÇA DE MARTA SUPLICY

“Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta (15) mostra a candidata Marta Suplicy (PT) com 41% das intenções de voto, na liderança da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Geraldo Alckmin (PSDB) aparece em segundo com 26%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais e para menos.

Em seguida, estão Paulo Maluf (PP), com 9%, e Gilberto Kassab (DEM), com 8%. Soninha (PPS) aparece com 2% das intenções de voto.

No último dia 19 de julho, Marta (PT) e Alckmin (PSDB) estavam em empate técnico

O candidato Ivan Valente (PSOL) obteve 1% das intenções de voto. Ciro Moura (PTC), Anaí Caproni (PCO), Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) não alcançaram 1% das intenções de voto. O nome de Renato Reichmann (PMN) não foi citado por nenhum dos entrevistados.

Os votos em branco ou nulo somaram 7%. Não souberam ou não responderam somaram 5%. A pesquisa foi contratada pelo jornal Estado de S.Paulo e pela TV Globo. Foram ouvidos 805 eleitores entre os dias 12 e 14 de agosto. A pesquisa está registrada sob o número 01700108-SPPE, na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.

SEGUNDO TURNO

Em um possível segundo turno, Marta ganharia de Alckmin e de Kassab. Se a disputa fosse entre Marta e Alckmin, ela venceria com 47% dos votos, contra 42% do tucano. Se fosse contra Kassab, o resultado seria de 55% para a petista contra 30% do candidato do DEM.

Em uma disputa entre Alckmin e Kassab, a vantagem seria do tucano, que teria 57% contra 20% dos votos.

COMPARAÇÃO

Na última pesquisa Ibope, divulgada no dia 19 de julho, Marta e Alckmin apareciam em empate técnico. A petista tinha 34% das intenções de voto, enquanto o tucano contava com 31%.

Paulo Maluf possuía os mesmos 9%. Já o prefeito Gilberto Kassab tinha 10% e, agora, está com 8%. Soninha continuou com 2%.

ESPONTÂNEA

Quando o nome do candidato não é revelado, a pesquisa mostrou que Marta Suplicy (PT) foi citada por 29% dos entrevistados, contra 14% dos que citaram o nome de Geraldo Alckmin (PSDB).

Gilberto Kassab foi citado por 6% dos eleitores, Maluf por 5% e Soninha por 1%.”

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

IBGE: VENDAS DO VAREJO TÊM MAIOR ALTA SEMESTRAL DA HISTÓRIA

Li ontem no blog “Por um novo Brasil” essa notícia publicada pela Agência Estado.

“A alta de 10,6% nas vendas do varejo no primeiro semestre de 2008 representou o maior aumento semestral apurado pelo IBGE desde o início da série histórica da pesquisa, em 2001.

O IBGE divulgou também uma revisão nos dados da série com ajuste sazonal, sendo que a variação das vendas do varejo em maio ante abril passou de 0,6% para 1%.

VAREJO TEM A MAIOR ALTA DA SÉRIE HISTÓRICA

Tomando por base o mês de junho, a alta foi de 1,3% em junho ante maio, dentro das expectativas.

As vendas no comércio varejista tiveram a maior alta semestral da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em seis meses, as vendas cresceram 10,6% ante igual período do ano passado. Em 12 meses, a alta é de 10,1%.”

LULA: “50% DO CAPITAL PRIVADO DA PETROBRAS ESTÁ NAS MÃOS DE ACIONISTAS NORTE-AMERICANOS”

Este blog já expressou muitas vezes, e aqui repete, o mal já feito aos brasileiros pelo governo PSDB/FHC/DEM-PFL ao vender para estrangeiros, especialmente dos EUA, por valor quase simbólico, grande parte da propriedade da Petrobras. Mais ainda, ao garantir a posse do petróleo brasileiro às multinacionais beneficiadas por dadivosas medidas.

O governo FHC tentou muito, mas não conseguiu passá-la totalmente para os grandes grupos internacionais. Ainda há um resto de esperança de reverter esse quadro danoso.

Parece-me que o governo Lula percebeu e está atacando esse gravíssimo problema que o Brasil herdou dos tucanodemos.

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou ontem:

GOVERNO PROIBIRÁ CONCESSÕES EM SUPERCAMPOS DE PETRÓLEO

“O governo definiu que empresas privadas não vão receber novas concessões para explorar as gigantescas reservas recém-descobertas na Bacia de Santos, em área conhecida como camada do pré-sal.

Os contratos já assinados, porém, serão respeitados.

A gestão de todos os contratos referentes às novas reservas ficará a cargo de uma estatal que será criada por meio de projeto de lei.

A chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vão negociar mo Congresso a aprovação do projeto. No caso da camada do pré-sal, a Petrobras terá atuação meramente operacional.

O presidente da companhia Sérgio Gabrielli, foi orientado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a argumentar com os acionistas da empresa que a política definida para as novas reservas foi “decisão de Estado”.

Em conversas com governadores, Lula tem se lembrado que “50% do capital privado da Petrobras está nas mãos de acionistas norte-americanos.”

EUA: A MINORIA SERÁ MAIORIA

O jornal “The New York Times”, em texto de Sam Roberts, publicou ontem essa notícia (transcrevo-a parcialmemte). Eu a li no portal UOL Mídia Global, na tradução de George El Khouri Andolfato:

DAQUI UMA GERAÇÃO, AS MINORIAS PODERÃO SER MAIORIA NOS EUA

“As minorias étnicas e raciais representarão a maioria da população dos Estados Unidos em pouco mais de uma geração, segundo as novas projeções do Census Bureau, o órgão de estatísticas americano, uma transformação está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto há apenas poucos anos.

O censo calcula que até 2042, os americanos que se identificam como latinos, negros, asiáticos, índios, havaianos nativos e ilhéus do Pacífico superarão juntos o número de brancos não-latinos. Há quatro anos, as autoridades projetaram que a mudança ocorreria em 2050.

O principal motivo para a aceleração da mudança é a taxa de natalidade significativamente mais alta entre os imigrantes. Outro fator é o afluxo de estrangeiros, que aumentarão de cerca dos atuais 1,3 milhão por ano para mais de 2 milhões por ano até a metade do século, segundo projeções baseadas nas atuais políticas de imigração.

"Nenhum outro país experimentou uma mudança racial e étnica tão rápida", disse Mark Mather, um demógrafo do Population Reference Bureau, uma organização de pesquisa em Washington.

Os mais recentes números, que estão sendo divulgados na quinta-feira, são previstos com base em tendências atuais e históricas, que podem ser minadas por várias variáveis, incluindo reformas nas políticas de imigração e aumentos repentinos de refugiados.

(...) Pela primeira vez, tanto o número quanto a proporção de brancos não-latinos, que agora representam 66% da população, diminuirão, a partir de aproximadamente 2030. Em 2050, o percentual deles cairá para 46%.

(...) Vários Estados, incluindo a Califórnia e o Texas, já chegaram ao ponto onde os membros das minorias são maioria.

As projeções do Census Bureau provavelmente aumentarão os debates em torno da política de imigração, excesso populacional e mudança do eleitorado, e lembrarão eras anteriores, quando irlandeses, italianos e judeus do Leste Europeu não eram universalmente considerados brancos."

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

VENEZUELA ACUSA OS EUA DE PROVOCAREM CRISE NA GEÓRGIA

Notícia da agência espanhola EFE postada há pouco (21h46) no portal UOL:

“Caracas, 14 ago (EFE) - O Governo da Venezuela comemorou hoje os "passos dados em favor do restabelecimento da paz na Ossétia do Sul", e acusou os Estados Unidos de terem "planejado, preparado e ordenado" o conflito na região.

Em comunicado, a Chancelaria venezuelana expressou que o Governo do presidente do país, Hugo Chávez, "acompanhou com preocupação" o conflito, "em particular o aumento de atos inaceitáveis de violência cometidos pelas tropas georgianas contra a população da Ossétia do Sul".

De acordo com Caracas, "a ofensiva militar desdobrada pela Geórgia na Ossétia do Sul, sem razão alguma (...) foi planejada, preparada e ordenada pelo Governo dos Estados Unidos".

Washington, "longe de promover o restabelecimento da paz na zona, deu-se à tarefa de estimular as agressões do Governo georgiano", indicou o comunicado oficial.

Segundo o Governo da Venezuela, "a comunidade internacional foi, uma vez mais, testemunha da recorrente política de desestabilização e incitação à violência que o império americano costuma pôr em prática em distintas regiões do planeta".

A Venezuela "observou que a Federação da Rússia, amparada nos acordos internacionais que legitimam a presença de suas forças de paz na Ossétia do Sul, atuou para preservar a vida da população local, assim como a de seus cidadãos", assinalou o comunicado de Chancelaria.

O Governo da Venezuela, "amante da paz e fervente defensor dos direitos humanos, defende que os passos dados conduzam a uma paz duradoura na Ossétia do Sul e em toda a região do cáucaso", acrescentou a nota oficial.

Além disso, o Executivo convidou ‘os países da Europa a não permitir que atores externos ponham em risco a estabilidade do continente europeu e a paz do mundo’.”

BUSH: O IRÔNICO “GROSSO”

Justiça seja feita. O presidente dos Estados Unidos é um grande humorista e gozador. Seu estilo não é a intelectual ironia “fina”. Ao contrário. Sua vocação é a ironia “grossa”. A última arte dele é cercar a fronteira da Rússia com mísseis e dizer jocosamente que “é para proteger a ela e a Europa dos mísseis ainda inexistentes do Irã”...(risos).

Esse reconhecimento do mérito humorístico de Bush veio-me à tona ao ler a seguinte notícia da agência espanhola EFE postada há pouco, às 21h57, no portal UOL:

CASA BRANCA VOLTA A DIZER QUE ESCUDO ANTIMÍSSEIS NÃO AMEAÇA A RÚSSIA

Washington, 14 ago (EFE).- A Casa Branca manifestou hoje sua satisfação pelo acordo alcançado com a Polônia para a instalação de partes de um escudo antimísseis no país, e reiterou que tal programa de defesa não tem a Rússia como alvo.

"De modo algum o plano de defesa antimísseis do presidente (George W. Bush) é direcionado contra a Rússia", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, em sua entrevista coletiva diária.

"Sequer é logicamente possível que seja direcionado contra a Rússia, levando em conta que a Rússia poderia superá-lo", acrescentou a porta-voz.

"O objetivo do escudo antimísseis é proteger nossos aliados europeus de qualquer ameaça inimiga, como um míssil procedente do Irã", disse Perino ao ser perguntada se a assinatura do acordo com a Polônia contribuirá para aumentar ainda mais as tensões entre EUA e Rússia.

Moscou já disse que é contra a instalação de escudos antimísseis na Polônia e na República Tcheca, sob o argumento de que o armamento é uma ameaça para sua segurança.

No entanto, Washington acredita que o sistema de defesa representa "uma contribuição substancial à segurança coletiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)", segundo Dana Perino.”

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O BOM NEGÓCIO “GUERRA DO IRAQUE”

IRAQUE: EUA 'PAGARAM US$ 85 BI A TERCEIRIZADOS' (LEIA-SE: US$ 85 BILHÕES À HALLIBURTON)

Todos sabemos, e este blog já externou várias vezes, que a Halliburton teve e tem fortes vínculos com o Vice-Presidente dos EUA, Richard Bruce "Dick" Cheney, que foi “Chairman and Chief Executive Officer” da Halliburton Company de 1995 a 2000.

A Halliburton foi a principal articuladora da invasão militar norte-americana no Iraque e a principal beneficiada com aquela “guerra” pelo domínio das reservas de petróleo iraquiano. Invasão que, segundo instituição da Inglaterra, já causou a morte de mais de um milhão de iraquianos. Um crime de guerra. Um genocídio.
Bush e Dick Cheney, reconheçamos, demonstraram um grande tino empresarial ao inventarem a invasão militar do Iraque sob o pretexto fajuto de que o muito mau Saddam Hussein queria fazer armas atômicas, químicas e bacteriológicas.

O negócio Iraque está rendendo bilhões para certos particulares, uma maravilha. Um detalhe que não interessa é o fato de os Estados Unidos estarem perdendo, se afundando naquela guerra insana.

Um parênteses: deveríamos estar em pânico. A Halliburton está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP)!

No início da noite de ontem (18h08), o portal UOL postou a seguinte notícia da agência britânica BBC:

IRAQUE: EUA 'PAGARAM US$ 85 BI A TERCEIRIZADOS'

“O governo dos Estados Unidos pagou mais de US$ 85 bilhões (cerca de R$ 136 bilhões) a empresas privadas [leia-se principalmente a Halliburton e seu braço Blackwater] para desempenhar funções de apoio às suas operações militares no Iraque, diz um relatório divulgado nesta terça-feira.

De acordo com o trabalho elaborado pela Divisão Orçamentária do Congresso, que se apresenta como não-partidária, no início deste ano havia pelo menos 190 mil pessoas trabalhando sob contratos no país.

Segundo os autores, o número de profissionais terceirizados usados no Iraque é maior do que em qualquer outro conflito dos Estados Unidos. Para cada membro das Forças Armadas americanas, há um terceirizado. A maior parte dos gastos foi desembolsada com apoio logístico, construção, combustíveis e alimentação. Ainda de acordo com o relatório, entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões foram gastos com serviços de segurança entre 2003 e 2007.

O documento, que foi encomendado pela Comissão de Orçamento do Senado, informa ainda que os gastos com terceirizados representam cerca de 20% do total gasto pelos Estados Unidos no Iraque.

Os dados devem dar mais munição a críticos da estratégia americana no país que acusam os terceirizados de prestar serviços superfaturados e de má qualidade.

No último ano, profissionais contratados pelos Estados Unidos para atuar no Iraque foram investigados por suposto envolvimento com mortes de iraquianos e a eletrocussão acidental de soldados americanos.”

A CANONIZAÇÃO DE DANIEL DANTAS

Vejamos a seguinte nota pequena, simples e densa do veterano jornalista Lustosa da Costa, hoje publicada no Diário do Nordeste:

OUTRA BATALHA

Vitorioso em toda a linha, Daniel Dantas se prepara para fazer mais um investimento nos meios de comunicação para convencer a opinião pública de que ele está sendo processado, não por conta de antigos crimes contra o sistema financeiro e, sim, por estar cobrando muito caro para a viabilização de grupo telefônico que seria o mais forte do País.

Em breve, vai querer da mídia apenas o que ele, no fundo, no fundo, lhe concede, a canonização.”

O BRASIL E A IV FROTA: ENGANA-ME QUE EU ACREDITO

AL GORE: A IV FROTA VAI COMBATER TERRORISMO, TRÁFICO DE DROGAS E DE PESSOAS E A CRIMINALIDADE NA AMÉRICA DO SUL...

O site “Direto da Redação” publicou esta semana (11/08) o interessante artigo aqui postado a seguir. O autor é Nelson Franco Jobin, professor de jornalismo e de relações internacionais:

“Quem quer que seja eleito presidente dos Estados Unidos em 4 de novembro deve se aproximar do Brasil, previu o ex-embaixador Jeffrey Davidow ao participar da mesa-redonda "A Relação EUA-América Latina: Segurança Regional e Política Energética", promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) no Memorial Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Davidow vê grandes oportunidades para a eliminação a curto prazo da tarifa de 62% cobrada sobre o etanol importado do Brasil. “Chegamos à conclusão que não devemos mais proteger o álcool de milho”.

O próximo governo dos EUA vai se aproximar do Brasil e de outros países da região, antevê o embaixador, para desenvolver a produção de etanol de cana-de-açúcar. Um grande esforço será feito para desenvolver a produção de álcool de outros fontes, como celulose.

Ao fazer um balanço da situação atual o embaixador observou que “os EUA importam 70% do petróleo que consomem. Seus três maiores fornecedores – México, Canadá e Venezuela – não reduziram o consumo nem aumentaram a produção. Os EUA reduziram a produção, aumentaram o consumo e mandam bilhões de dólares para países que não gostam de nós”.

“Não podemos perfurar as regiões mais produtivas do Golfo do México, tanto em terra como no mar, por razões ambientais. O mesmo vale para a Costa Oeste e o Alasca”, reclamou o ex-embaixador Davidow.

“Em todos os casos, há uma coalizão de ambientalistas e autoridades locais ou estaduais, o que nos deixa numa posição difícil”.

Como o governo George W. Bush tinha uma postura cética em relação à mudança do clima, não partiu para alternativas além da energia produzida a partir do carbono – petróleo, gás e carvão.

“Nenhum especialista acredita que os EUA possam aumentar sua produção de energia mais de 20% na próxima década”, constata Davidow. “Encorajados pelo Brasil, os EUA partiram para o etanol. É apenas uma porcentagem, mas é muito. Nem sempre é uma boa idéia pegar o seu jantar e encher o tanque do carro. Mas, por causa do federalismo americano, os estados agrícolas são muito poderosos e os políticos lhes prometeram montanhas de dinheiro dos biocombustíveis”.

No início da campanha presidencial, lembra o embaixador, ambos os candidatos eram contra a exploração de petróleo perto da costa e em outras áreas de proteção ambiental. O senador John McCain mudou de posição há três meses, quando o presidente Bush começou a falar nisso como uma defesa de seu governo, jogando na oposição democrata a culpa pelo preço da gasolina.

Quatro dias atrás, Obama mudou de posição. “Pode ser útil, em sete, dez anos.”

“O ex-vice-presidente Al Gore falou em eliminar o carbono como fonte de combustível em 10 anos. É ridículo”, protesta. “A eletricidade nos EUA é gerada 20% por usinas nucleares, 20% por hidrelétricas, 50% por carvão e 10% por outras fontes. Isso significa que mais da metade é gerada por carbono”.

Para o embaixador, essas propostas mirabolantes tiram a racionalidade do debate: “Em 25 anos, teremos uma nova matriz energética. Minha preocupação é com a capacidade do sistema político americano de nos ajudar a nos concentrarmos no que seja necessário fazer para chegar lá.”

Os EUA não olham para o Sul com preocupações de segurança, afirma Davidow: “Para alguns, a volta da 4ª Frota faz parte de um plano esperto para tomar o petróleo, o oxigênio e a água do Brasil. Mas pode ser uma oportunidade para cooperação na área de segurança. Os dois países têm interesses comuns no combate ao terrorismo, ao tráfico de drogas, ao tráfico de pessoas e à criminalidade em geral.”

Nos últimos cinco ou seis anos, constata, surgiu uma nova imagem do Brasil nos EUA: o governo Lula, as descobertas do Brasil na área de energia, seu sucesso econômico. Finalmente o Brasil ocupa o lugar que sempre reivindicou.

O próximo presidente será movido por vontade política e realismo. Eles não serão apresentados no dia da posse, mas “haverá um aumento da cooperação além de tudo o que vimos nos últimos anos”.

EMPREGO INDUSTRIAL É RECORDE NO 1º SEMESTRE

A notícia abaixo é um extrato de trechos da reportagem da Folha de São Paulo de ontem, em texto de Roberto Machado da Sucursal do Rio.

Emprego no setor avança 2,7% em seis meses; salários pagos em junho seguem em expansão e sobem 6,7% sobre junho de 2007

"O emprego na indústria brasileira fechou o primeiro semestre com o melhor resultado para o período desde 2002, início da série histórica do IBGE: crescimento de 2,7%. Entre os Estados, São Paulo liderou a expansão, com alta de 4,1%, seguido de Minas Gerais, com 3,7%.

(...) Enquanto isso, a abertura de vagas na indústria permanece sendo um fenômeno generalizado: em junho, ocorreu em 12 dos 18 setores e em 10 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE.

"O emprego acompanhou o excelente desempenho da indústria no primeiro semestre. No caso dos setores de máquinas e equipamentos, reflete a onda de investimentos. Nas indústrias automobilística e de eletroeletrônico, é efeito do crédito e da massa salarial", diz André Luiz Macedo, economista do IBGE.

Na comparação com maio, o resultado de junho -alta de 0,5%- interrompeu dois meses de queda: maio (0,1%) e abril (0,2%). Utilizando o critério da comparação com o mesmo mês do ano anterior, o emprego industrial cresceu 2,5% em relação a junho de 2007.

Apesar dos bons resultados da indústria como um todo, alguns setores registraram redução nos postos de trabalho. Foi o caso da indústria de calçados e artigos de couro (11,1%), têxtil (5,4%) e vestuário (5%).

"São indústrias muito empregadoras e sensíveis à taxa de câmbio. O resultado mostra que elas estão sentindo os efeitos da maior concorrência interna [por causa do crescimento das importações] e das dificuldades no mercado externo."

SALÁRIOS EM ALTA

Os salários pagos na indústria seguem trajetória de alta: em junho o crescimento foi de 6,7% em relação a junho de 2007 e de 0,2% na comparação com maio. Nos últimos 12 meses, a massa salarial da indústria cresceu 6,3%, e ficou acima da taxa anualizada registrada em maio (6,1%) e abril (5,9%).”

terça-feira, 12 de agosto de 2008

ALÔ, ALÔ, PiG: CADÊ A “ESCALADA” DA INFLAÇÃO ?

O site “Conversa Afiada” de Paulo Henrique Amorim postou ontem esse interessante e irônico texto:

Alô, alô, Miriam Leitão! Alô, alô, PiG [Partido da Imprensa Golpista], em geral!

Onde está a “escalada” da inflação que vocês anunciaram de tacape na mão?

Há duas semanas consecutivas, a pesquisa Focus do Banco Central, que costuma ser alarmista, registra queda na expectativa de inflação para 2008. A Focus agora prevê o crescimento do IPCA – a inflação oficial do Brasil – dentro da meta do Banco Central: 6,45%. Para o ano que vem o IPCA, segundo a Focus, deve ser de 5%.

A inflação no Brasil é a mais baixa dos países emergentes. Ou seja, a administração da inflação no Brasil é eficaz.

O terrorismo do PiG não se consumou.

A “escalada” da inflação ocorrerá quando se registrar o apagão de energia elétrica no Governo Lula, outra previsão da Miriam Leitão e dos “colonistas” [colunistas colonizados] do PiG.

A pesquisa Focus é o resultado da opinião semanal de cem economistas de instituições financeiras do país.”

O BRASIL TEM O TERRORISMO MAIS LETAL: O MIDIÁTICO

O blog do Azenha (“Vi o Mundo”) postou ontem esse didático e interessante artigo publicado em Caros Amigos, de julho 2008:

O VERBETE "TERRORISMO"

“O que é o terrorismo? Há quatro tipos de denominação:

1-O terrorismo, propriamente dito;
2 –O terrorismo de Estado;
3-O terrorismo patriótico, ou libertário.
4-O terrorismo midiático

1-O TERRORISMO, PROPRIAMENTE DITO, é produto de mentes insanas, que nada reivindica e não escolhe seus alvos.

2- O DE ESTADO se subdivide em dois:
a- Terrorismo interno
b- Terrorismo externo.

O TERRORISMO INTERNO é aquele que não permite nenhum tipo de manifestação de seus cidadãos e onde não existem as garantias individuais. Como exemplo podemos citar as ditaduras;

O TERRORISMO EXTERNO é aquele em que uma nação invade e ocupa outra. Se formos citar um exemplo diríamos que a História da humanidade é uma sucessão de terrorismos de Estado. Raro é o século em que nações não invadiram e colonizaram outras nações. Em pleno século 21 temos alguns exemplos, os mais notórios são Estados Unidos e Israel.

O PATRIÓTICO, OU LIBERTÁRIO, representa a luta pela independência e contra o jugo estrangeiro.

Temos vários exemplos. O Hamas, na Palestina; o Hizbollah no Líbano; as várias organizações revolucionárias iraquianas, todos eles movimentos anticolonialistas, para nos atermos apenas àqueles que a mídia denomina de terroristas.

O TERRORISMO MIDIÁTICO

O mais letal de todos. Age globalmente moldando mentes e corações. Sua matriz fica nos Estados Unidos, responsável por 85 por cento de todas as informações que cobrem o planeta.”

BRASIL É 3º MAIOR DO MUNDO EM ADVOGADOS

O site “Última Instância” postou ontem essa notícia:

BRASIL É 3º MAIOR DO MUNDO EM ADVOGADOS, COM UM PARA CADA 322 PESSOAS

“Existe um advogado para cada 322 brasileiros. Foi o que revelou levantamento do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), divulgado em 2008, que mostra que, para uma população de 183,9 milhões de brasileiros, existem cerca de 571.360 profissionais de advocacia.

A pesquisa também apontou que o Brasil ocupa a terceira colocação na lista de países com o maior número de profissionais do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e a Índia, que tem população cinco vezes maior que a nacional.

O Distrito Federal é o Estado com mais alto índice de advogados: um a cada 140 moradores advoga. Isso pode ser explicado em razão de Brasília ser sede de todos os tribunais superiores. O Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar, com a proporção de um advogado para 154 pessoas. São Paulo vem logo em seguida no ranking, com um profissional da área a cada 203 habitantes. Já o Maranhão tem a menor média: há no Estado um advogado para cada 1.337 maranhenses.

MULHERES

Dados de 2004 revelam o percentual de participação das mulheres na advocacia, números obtidos com o recadastramento dos profissionais na OAB e demonstram que elas são maioria em apenas 39 das 858 subseções da Ordem. Porém, se levarmos em conta apenas os profissionais com até cinco anos de formação, o número salta para impressionantes 282 subseções com maioria de mulheres.

De acordo com a OAB, existiam 178.767 advogadas em todo o país no ano de 2004, o que é equivalente a 42,37% do total. Mas elas já