terça-feira, 30 de setembro de 2014

VAZAMENTO PREMIADO




Vazamento premiado e o fator Youssef

Por Ricardo Melo,  colunista da [tucana] "Folha"

[Ver, nesta página, observação deste blog 'democracia&política' expressa no início da postagem "MAQUIAVELISMO DA IMPRENSA TUCANA"]
Moeda de troca eleitoral, ações da PF favorecem governo aparentemente disposto a investigar roubalheiras.

Novembro/dezembro de 1989: com a possibilidade de um candidato metalúrgico chegar ao poder, a elite dominante se uniu para fechar a porta do Planalto. A empreitada produziu momentos inesquecíveis da baixaria eleitoral.

Primeiro, foram atrás de uma ex-mulher de Lula para acusá-lo de defender o aborto. Não bastou. Com a ajuda da polícia paulista, o sequestro do empresário Abilio Diniz foi atribuído a grupos internacionais supostamente simpáticos ao PT. Fotografias de sequestradores com a camiseta do partido circularam sorrateiramente, de preferência nem tanto.

Também era pouco. Faltava a televisão. Numa edição que o então diretor de jornalismo da TV Globo, Armando Nogueira, admitiu anos depois ter sido enviesada, o debate entre Lula e Collor carregou nas tintas em favor do autointitulado "caçador de marajás". Para fechar o cerco, denúncias de fraude em massa na Bahia foram sufocadas para selar a vitória de Collor. O resto é de todos conhecido.

Setembro/outubro de 2014: numa sucessão galopante, denúncias e mais denúncias aparecem para tentar provar que o governo petista não passa de uma quadrilha de saqueadores. A origem são as tais delações premiadas, diante das quais dispensam-se provas ou evidências cabais. O réu fala o que quiser, e seria um sinal de retardo mental acreditar que vá falar algo em seu prejuízo.

Basta ver as reportagens. Os verbos mais usados são indicam, sugerem, supõem, fazem crer, sinalizam -tudo com muito cuidado para, ao mesmo tempo, espalhar a dúvida e escapar de processos. Chega-se ao ponto de acusar o ex-ministro Antonio Palocci de pedir a doleiros recursos para a campanha de Dilma. Mas a mesma reportagem reconhece não haver provas de que o dinheiro jorrou. Lembra aquela outra peça de ficção, assinada por um hoje influente assessor de governo tucano, que acusava petistas de ganhar por fora, mas declarava, ao mesmo tempo, não ter condição de confirmar ou desmentir as próprias afirmações transformadas em capa! Nota: nada foi comprovado.

O clima agora é parecido, mas os personagens atrapalham a oposição. O frisson do momento é a delação premiada de Alberto Youssef. Mas quem é Youssef? Um mergulho num passado não tão distante mostra que ele foi um dos doleiros usados pelo então operador do caixa do PSDB, Ricardo Sérgio, para "externalizar", num linguajar ao gosto da legenda, propinas da privatização selvagem dos anos 1990.

Youssef é velho de guerra tanto em delitos com em delação premiada. Já fez uma em 2004, na época da CPI do Banestado, quando se comprometeu a nunca mais sair da linha. O tamanho de sua confiabilidade aparece em sua situação atual. Está preso de novo. Quem diz é o Ministério Público: "Mesmo tendo feito termo de colaboração com a Justiça (...), voltou a delinquir, indicando que transformou o crime em verdadeiro meio de vida". É num sujeito com tal reputação que oposicionistas apostam suas fichas.

Resumo da ópera: sem investigação a fundo, nada vale. Espera-se que a esdrúxula teoria do "domínio do fato" tenha sido enterrada na gestão Joaquim Barbosa, atualmente mais preocupado com tarifas telefônicas. Goste-se ou não, o bueiro escavado em governos pregressos e nas privatizações feitas "no limite da irresponsabilidade" está sendo aberto pelas administrações petistas. Talvez por isso Dilma tenha deslanchado nas pesquisas, enquanto Marina e Aécio (com aquele ar de falsa virgem já inúmeras vezes deflorada) patinam nas intenções de voto". 


FONTE: escrito por Ricardo Melo,  colunista da [tucana] "Folha"
  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/09/vazamento-premiado-e-o-fator-youssef.html).

MARINA SE APEQUENA E VOLTA AO SEU TAMANHO




[Ver, nesta página, observação deste blog 'democracia&política' expressa a no início da postagem "Maquiavelismo da Imprensa Tucana"]

Do Blog Dener Giovanini, no [tucano] "Estadão", via blog "Os amigos do Presidente Lula"

"Faltando poucos dias para a derradeira escolha dos eleitores brasileiros, uma tendência se consolida a cada divulgação de novos números das pesquisas: Marina Silva cai, despenca, rola ladeira abaixo. E o motivo para tanto desencanto dos eleitores não são as críticas de seus adversários ou a orquestração de uma “campanha de desconstrução” como bradam seus aliados. Marina Silva cai por uma única razão: saco vazio não para em pé.

A candidata do PSB não subiu nas pesquisas por que tinha propostas interessantes ou por que tinha poder de mobilizar grandes massas de seguidores entusiasmados. Marina só subiu porque o avião caiu. Se não fosse o triste acidente que ceifou a vida de Eduardo Campos, hoje Marina Silva estaria em casa costurando a barra de suas saias, como mostrou a imagem vazada por sua campanha, na tentativa de maquiá-la como uma mulher simples e humilde.

Humildade e simplicidade nunca fizeram parte da personalidade de Marina Silva. E o eleitor percebeu isso ao longo dessa campanha. Nem a sua tentativa de se mostrar como “a ungida” funcionou. Seus xales messiânicos, usados como adereço de fantasia de escola de samba, não conseguiram cumprir o seu papel de capa da mulher maravilha.

Marina Silva despenca porque, na sua tentativa de agradar a gregos e troianos, só conseguiu semear desconfiança, contradições e falsidades. Nessa campanha, todos sabem o que exatamente pensam Luciana Genro, Aécio, Dilma, Eduardo Jorge, Pastor Everaldo e até o infame Levy Fidelix. Marina segue sendo uma incógnita.

A desconstrução da candidata do PSB é real e é capitaneada pela própria Marina Silva. Em seus “disse e não disse”, em suas contradições, em suas idas e vindas, em suas mentiras (vide o caso da votação da CPMF no Senado) e, principalmente, em suas constantes submissões a grupos que antes dizia combater, mostraram-na como realmente é: um saco vazio.

Ela se diz vítima da falta de tempo na TV. Os dois minutos a que tem direito pela legislação eleitoral não a impediram de crescer nas pesquisas. Crescer ela cresceu, só não se sustentou. E não se manteve em ascensão por que seus pés de barro ruíram.

A história de vida de Marina Silva lembra o roteiro do filme “A mão do macaco”, onde essa parte da anatomia dos símios era dada de presente às pessoas com o objetivo de realizar seus desejos. E toda vez que alguém recebia a tal “mão” e desejava algo, ele se concretizava. Só que de forma trágica. Lembro-me de uma cena em que um empresário falido e desesperado “pediu” à mão que o ajudasse a conseguir um milhão de dólares. No mesmo instante, o avião em que viajava a mãe do empresário caiu e ele recebeu exatamente um milhão de dólares do seguro de vida da pobre senhora.

Marina Silva é como um tsunami. Eles surgem do desequilíbrio na harmonia natural da vida e deixam marcas de destruição por onde passam. Assim foi sua passagem pelo PT, pelo PV, está sendo agora no PSB e assim será em qualquer outra agremiação partidária que se deixar iludir. E também assim como todos os Tsunamis, sempre acabará na praia, em meio aos entulhos e o desespero daqueles que conseguiram sobreviver. E o saco vazio continuará seguindo a esmo."

FONTE: do Blog Dener Giovanini, no [tucano] "Estadão", via blog "Os amigos do Presidente Lula"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/09/marina-silva-se-apequena-ou-melhor.html)

BRASIL TEM MENOR INFLAÇÃO QUE MAIORIA DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO



Foto Ichiro Guerra


Brasil tem inflação menor do que maioria dos países em desenvolvimento

"Embora a oposição ainda mantenha alarmismo em relação aos preços, o assunto está em baixa nas pautas dos jornais e dos debates

Por Helena Sthephanowitz, no "Rede Brasil Atual"

Em debate, candidatos da oposição ainda citam a inflação como alvo de críticas, apesar do contexto mundial.

A inflação está em baixa, inclusive, na pauta eleitoral da oposição partidária e midiática. Parece não sensibilizar mais a maioria do eleitorado que a enxerga estável e vê seu poder aquisitivo aumentado nos últimos anos, com ganhos reais nos salários.

Mesmo assim, candidatos da oposição ainda citam a inflação como alvo de críticas. No debate entre presidenciáveis na TV Record na noite de domingo (28), Aécio Neves (PSDB), em suas considerações finais, falou em “apresentar uma proposta ao país que permita que a inflação volte a ser controlada”. Pastor Everaldo (PSC), que tem feito “tabelinha” com o tucano nos debates, focou mais tempo nessa pauta. Acontece que o assunto se tornou secundário, tanto no debate quanto na campanha.

Será que haveria fundamento nas críticas ou um alarmismo foi desencadeado pela imprensa oposicionista para abastecer os candidatos da oposição, desde o aumento momentâneo do tomate no ano de 2013? Ou será que o mercado financeiro bate nessa tecla para fazer pressão por juros [SELIC] mais altos e para colocar a raposa tomando conta do galinheiro, capturando o Banco Central para o sistema financeiro privado?

Do ponto de vista da economia interna do Brasil, a inflação vem sendo mantida [por Lula e Dilma] controlada dentro da meta estabelecida, sempre dentro da faixa perseguida até 6,5% ao ano. Considerando os desafios de manter e criar empregos em um ambiente de crise internacional, faz sentido para qualquer governo responsável com o bem-estar social equilibrar a criação de empregos com o limite tolerável de inflação, em vez de forçar a taxa cair para o centro da meta (4,5%) ao custo de maior desemprego.

Mais curioso é jornalistas de economia, como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, que sempre comparam a outros países quando há números desfavoráveis ao Brasil, ignorarem completamente o que se passa no mundo na hora de falar sobre inflação.

Entre as grandes potências mundiais em desenvolvimento composta pelos BRICS, só a China, com 2,3%, está melhor do que o Brasil no quesito inflação. A Rússia está com taxa de 7,6% ao ano. A Índia, 7,8%. A África do Sul, 6,4%. Mesmo a China, que adota a política econômica de “um país, dois sistemas”, tem inflação de 6,07% em Macau e 3,9% em Hong Kong.

Entre outros países em desenvolvimento do G-20, os maiores também administram uma inflação maior do que o desejável nas épocas de fartura. Nigéria tem hoje taxa de 8,5%; Egito, 11,49%; Indonésia, 3,99%; Irã, 14,60%; Paquistão, 6,99%; Turquia, 9,54%; México, 4,15%; Chile, 4,5%, e Argentina, 10,9%.

Entre as grandes economias, quem está com inflação realmente baixa no mundo, salvo exceções, é quem adotou políticas recessivas e enfrenta alto desemprego, como a Europa e Estados Unidos. Até o Japão tem inflação alta para seus padrões (3,3%). A Europa já quer desesperadamente elevar a inflação, que está abaixo da meta, para aquecer a economia.

Praticamente todos os países cujo povo menos sofre as consequências da crise estão com inflação um pouco acima do que seria normal em outras circunstâncias mais favoráveis. Por isso, é falsa como uma nota de R$ 3 a ideia de que estejam com inflação descontrolada. O que há é um equilíbrio entre medidas de controle da inflação e, ao mesmo tempo, preservação de empregos. As propostas da oposição estão em linha com a ruptura desse equilíbrio, sacrificando empregos, salários e aposentadorias, para agradar ao apetite insaciável do mercado financeiro."


FONTE: escrito por Helena Sthephanowitz no "Rede Brasil Atual"  (http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/09/brasil-tem-inflacao-menor-do-que-maioria-dos-paises-em-desenvolvimento-3078.html).

PARA A RÚSSIA, OS EUA SE ENROLARAM NA PRÓPRIA TEIA


 

RIA Novosti/Vladimir Pesnya

Para a Rússia, o duplo critério cegou os EUA sobre Estado Islâmico

"O ministro russo de Assuntos Exteriores, Serguei Lavrov, assegurou que a política de duplo critério dos Estados Unidos lhe impediu apreciar a ameaça real que representava o Estado Islâmico (EI).

Os países ocidentais começaram a reagir somente após a televisão difundir o repugnante vídeo da execução dos jornalistas estadunidenses, afirmou o chanceler em declarações à rede russa Canal 5.

Depois de qualificar de inaceitável e desumano esse crime, Lavrov perguntou por que os estadunidenses não se deram conta antes dessa ameaça? E respondeu que a causa foi a política de duplo critério aplicada por Washington na batalha antiterrorista.

Recordou que os Estados Unidos e seus aliados ignoraram os chamados de Moscou a unir esforços e ajudar o governo sírio a criar, junto à oposição moderada e patriótica, uma única frente para combater os terroristas que invadiram o país árabe.

Lavrov sublinhou que o EI, proclamado agora inimigo número um de Washington, se fez forte graças ao financiamento estrangeiro [e armas] durante a derrubada do governo líbio, e às tentativas de repetir esse roteiro na Síria.

O chanceler russo se referiu aos reiterados chamados de atenção de Moscou a respeito da presença de muitos extremistas e terroristas entre os que combatiam as autoridades oficiais da Líbia e da Síria.

Nos asseguraram que esse assunto se solucionaria após a queda dos regimes, afirmou, ao lamentar que os governantes ocidentais não atenderam à Rússia.

Ao se referir à criação neste momento de uma coalizão antiterrorista, Lavrov expressou que "mais vale tarde que nunca", mas insistiu na necessidade de obter o [prévio] consentimento das nações em cujo território se luta contra os terroristas, e em particular, a autorização da Síria.

Sobre a posição do Kremlin nesse tema, o chanceler recordou que a Rússia fornece há muito tempo armamentos ao Iraque, Síria e outros países da região para ajudá-los a reforçar seu potencial no combate aos terroristas.

Lavrov criticou, na entrevista, que alguns políticos ocidentais pretendam igualar o que denominam "ameaça russa" com os crimes dos extremistas do EI.

Criticou um artigo com esse ponto de vista publicado pelo presidente estadunidense Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron, e concluiu que essa calúnia "está totalmente fora de lugar, para além do limite do bem e do mal".

FONTE: do "Prensa Latina". Transcrito no portal "Vermelho" (http://www.vermelho.org.br/noticia/250366-9).

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

DICIONÁRIO DA HIPOCRISIA ELEITORAL



DICIONÁRIO PARA ENTENDER A TEMPORADA ELEITORAL


A semântica das urnas

"Você é um marciano recém-chegado? Descubra aqui como separar o joio do trigo – ou entender o que é verdade e o que é só interesse no calor da temporada eleitoral.

Por Nirlando Beirão, na revista "Carta Capital"


Desde a primeira eleição de lula, em 2002, o discurso político ganhou um léxico próprio. Vários conceitos dos tempos da Guerra Fria foram reciclados, outros claramente copiam a retórica da neodireita norte-americana reunida no "Tea Party". O objetivo central dessa linguagem é tirar o PT do poder a qualquer custo. A cada campanha, o rosário de termos se renova, embora certas palavras nunca percam sua importância ("corrupção", "aparelhamento do Estado" etc.). 

A seguir, como distinguir no palavrório que aquece as campanhas a verdade factual do discurso criado para escamotear os interesses, a fraude e a má-fé:

"Alternância do poder"


Você passa a defendê-la com convicção religiosa, quando o partido do qual é inimigo permanece no poder, ao longo de reeleições sucessivas, ainda que avalizadas democraticamente pelo voto. O primeiro passo é atacar a reeleição, instituída, aliás, criada de uma maneira bem marota pelo ex-presidente Fernando Henrique/PSDB, na esteira do projeto de 20 anos de poder do PSDB e à base da compra de votos no Parlamento. Um golpe constitucional sem nenhuma sutileza democrática a beneficiar o mandatário em exercício, o qual, por mera coincidência, você apoia. "Alternância" só é necessária quando se está fora do poder. Caso contrário, "atrapalha o aperfeiçoamento da democracia". Em São Paulo, ela é especialmente execrada. Os paulistas preferem perpetuar um mesmo grupo político, enquanto bradam contra o risco de uma ditadura em nível federal.

"Aparelhamento do Estado"

Quem aparelha o Estado são os adversários. Duvida? Basta ler jornais e revistas, sempre muito zelosos em fiscalizar os adversários, ainda que só a eles, e acusar o partido no poder, desde que não seja o de sua preferência, de “aparelhar o Estado”. Isso significa, basicamente, o seguinte: o partido no poder nomeia para os cargos de confiança pessoas... de sua confiança. Você reclama, iracundo: o Estado faz a festa da “companheirada”. A imprensa partidariamente engajada trata de denunciar a “farra das nomeações”. Dá para imaginar a perplexidade do leitor: o que queriam os jornalões? Que o partido no poder nomeasse adversários?

A vigilância ética é de mão única: se um presidente da República simpático a você nomeia para um importante cargo na área de energia um genro [caso de FHC que colocou o genro para a ANP], não é por nada, seus maldosos, apenas uma coincidência. Quando o partido que você apoia aparelha o Estado com a sua companheirada, tenha certeza: os apadrinhados são gente de bem, de notório saber e reputação ilibada. Se aquele diretor da estatal nomeado por você ou pelos seus for pego mais tarde com a mão na botija, é um caso de cooptação estimulado pelo clima corrupto instaurado por seus adversários.

"Bolivariano"


Se você se interessa pela sorte dos pobres, excluídos e vítimas de discriminação, a ponto de criar programas sociais compensatórios de emergência, é "bolivariano". Se a política externa que você defende não se rebaixa aos ditames da Casa Branca, busca parcerias com nações fora da órbita imperial do dólar e do euro e chega ao cúmulo de lançar as bases de um FMI dos emergentes, trata-se de “ilusão bolivariana”. "Bolivariano" é o neocomunista. O comunismo morreu, mas o anticomunismo continua a gerar bons negócios. Embora o termo seja démodé, um "bolivariano" pode ser chamado de "populista", na falta de termo melhor. Antônimo: Racionais. São os almofadinhas da Escola de Chicago e da PUC-Rio que não ligam para a sorte da maioria, mas se apegam fervorosamente a crenças que a realidade teima em desmentir. "Estado mínimo", por exemplo.

"Choque de gestão"

Significa cortar salários, promover demissões em massa e diminuir o investimento público, com base na teoria de que "Estado mínimo é Estado eficiente". Faz muito sucesso entre aqueles que não sofrem os seus efeitos imediatos. No "choque de gestão" não cabem as migalhas assistencialistas do "Bolsa Família", um jeito de perpetuar a miséria, não de reduzi-la, conforme a tese. Recomenda-se, porém, não ser explícito. Melhor dizer que os programas sociais “serão aperfeiçoados”.

"Deus"


Entidade abstrata, costuma irromper muito concretamente na cena política em anos eleitorais. Todo mundo simula acreditar em Deus, em especial quem não crê. A história da humanidade mostra, porém, que piores costumam ser aqueles que acreditam. Relegar a fixação da meta de inflação e a taxa de juros às interpretações de um I Ching errático que tenha na Bíblia uma plataforma não parece combinar com as práticas de um Estado leigo e não confessional. Bíblia na qual se confia cegamente, mesmo quando se afronta o conhecimento adquirido pelos seres humanos ao longo dos tempos. Ela é sempre propícia a uma leitura seletiva, que permite pular os versículos sobre os fariseus.



"Crises" e "bonanças" internacionais

As crises servem de justificativa para governos amigos. Se uma administração aliada vai mal, a culpa é do cenário externo. Inverte-se a lógica no caso dos adversários. Se a gestão inimiga vai bem, as condições internacionais a favoreceram. Caso se saia mal, é resultado exclusivo da incompetência de quem está no poder, que mente descaradamente ao evocar os efeitos deletérios globais, mesmo quando se trata da maior 'debacle' planetária desde o início do século XX.

"Coligações" e "governabilidade"

Seu partido, no poder ou quando em disputa eleitoral, consegue seduzir legendas de aluguel para uma teia de alianças convenientes para garantir a governabilidade ou engrossar o tempo no horário eleitoral gratuito? Parabéns, você é uma figura de aguda sensibilidade política, negociador de fino trato. Seu adversário fez o mesmo? Denuncie a falta de escrúpulos, a atroz barganha de princípios por conveniências, da honradez pela ambição. Conte sempre com os amigos na mídia para corroborar a sua tese. Aquele seu ex-ministro do PMDB que era honrado, mas mudou de lado, será descrito como um homem desprezível.

"Corrupção"

Prática entranhada nos governos... dos outros. Infelizmente, a corrupção às vezes ganha fatos comprovados e nomes ilustres de aliados seus. Mas não se preocupe. Vale o mesmo do item "Coligações". A mídia amiga estará a postos para jogar esse tipo de acusação, obviamente gratuita e injusta, para debaixo do tapete. Há corruptos e corruptos. Aqueles do partido adversário expõem uma maquinação coletiva, um assalto aos cofres públicos, uma quadrilha organizada e perene, destino manifesto da tal legenda e da administração partidária. Os seus representam casos isolados, sem nenhuma relação com as práticas e princípios de sua agremiação. Também vale dizer que a corrupção desenfreada dos adversários é um mal tão grande que afeta até gente da sua base. É a tal falta de exemplo “de cima”.

"Corruptores"


Sem eles, não existe corrupção. Como alguns podem eventualmente (ou frequentemente) financiar candidaturas amigas, melhor esquecer o assunto.

"Delação premiada"

Ela só tem valor se for vazada cirurgicamente para atingir os nossos concorrentes. Se, no meio do lamaçal, surgir o nome de um aliado, diga que as revelações são açodadas e precisam ser apuradas a fundo, doa a quem doer. Quanto ao fato de o vazamento ser também um crime, de responsabilidade, inclusive, do ministro da Justiça, caso envolva a Polícia Federal, bem… esqueça.

"Dossiês"

Se a mídia está do seu lado, fique tranquilo. O esforço de reportagem visará descobrir quem produziu dossiês caluniosos contra você e os seus. Editoriais e colunistas vão denunciar as “baixarias” de campanha (ver o próximo item). Não importa se o dossiê não é um dossiê, mas denúncias comprovadas e comprováveis. Mas, se a imprensa te enxergar como inimigo, se cuide. Tudo poderá ser usado contra você, de declarações sem lastro de notórios bandidos a contas falsas no exterior ou fichas “frias” na polícia.

"Marqueteiros"

Se um adversário sobe nas pesquisas de intenção de voto, é hora de atribuir o preocupante sucesso à ação mistificadora dos marqueteiros. Vale dizer, eles são capazes de botar em pé um pacote vazio de ideias e até eventualmente eleger “um poste”. Nesse caso, não convém lembrar que o seu candidato igualmente possui um exército de experts em bruxarias político-eleitorais, pois isso comprometeria o argumento de que o candidato, aquele que você e a imprensa do privilégio apoiam, apenas expõe suas ideias reais, é de uma espontaneidade radical e nunca se deixaria manipular por técnicas artificiais de persuasão ou pela maquiagem mercadológica. Os adversários, esses sim, fazem o que for preciso para chegar ao poder, ou para mantê-lo (verbete "Alternância de Poder"). Você e os seus nunca participam de uma eleição para ganhar, mas em nome de um bem maior. Mensagens subliminares são a maior especialidade dos inimigos. Uma doutora em semi-óptica, perdão, semiótica, alerta a respeito das novas ciclovias, traçadas pelo prefeito inimigo de São Paulo, para “o efeito das cores sobre o nosso sistema nervoso central” e sugere que a cor escolhida “não passa de uma descarada propaganda vermelha do PT”. Em todo o mundo, as faixas para bicicletas costumam ser vermelhas, mas não importa.

"Liberdade de expressão"

É o direito inapelável, intocável, irreversível dos meios de comunicação de exprimir o pensamento único de seus proprietários, em consonância com seus interesses pecuniários e sua pauta eleitoral. É facultado o direito de mentir e distorcer. Em temporadas eleitorais, a toada de uma nota só torna-se uma obsessão, de forma a impedir que vaze para o noticiário algum acorde dissonante por parte da ralé das redações ou dos candidatos do outro lado. Quando os adversários pretendem exercer, eles também, a liberdade de expressão, valem-se de um eufemismo: quem responde a seus desmandos defende a censura."




FONTE: escrito por Nirlando Beirão, na revista "Carta Capital"   (http://www.cartacapital.com.br/revista/818/a-semantica-das-urnas-593.html).[Título e imagens do google adicionadas por este blog 'democracia&política'].

COMO MARINA SE TORNOU ENTREGUISTA




Bláblá: assim se fez uma entreguista !

Do portal "Conversa Afiada":


O passo-a-passo de uma carreira para fazer o desmanche do interesse nacional brasileiro. 

"Delmiro (Gouveia) deu a ideia, Apolônio aproveitô, Getúlio fez o decreto e Dutra realizô"

A visita de Bláblárina aos Estados Unidos na reta final da campanha a Presidente é apenas uma metáfora.

Ela foi a Roma.

Ela foi entregar o ouro.

A carreira de Bláblá é, por si só, uma estratégia de desmanche do Estado nacional e a alienação dos interesses nacionais brasileiros.

A fadinha da floresta está mais para a floresta (desmatada) do "Pacific Northwest" do que para a Amazônia.

(Porque lá não tem “Código Florestal”….)

Ela é um instrumento dos americanos, disfarçada de “única candidata negra”, que “passou fome” (passou mesmo ?) e saiu do meio do mato.

Vamos analisar como a carreira dessa dissimulada é a de um entreguista consistente.

Por que ela é contra Belo Monte, que seus apoiadores chamam de “Belo Monstro” ?

(A NeoEnergia deu-lhe uma resposta à altura.)

Por que ela tentou usar a cópula dos bagres para impedir a construção de Jirau e Santo Antonio no Madeira ?

Porque o patrimônio energético do Brasil é uma dádiva.

NENHUM país do mundo tem a [nossa] possibilidade de se mover com a energia limpa e RENOVÁVEL como a hidroeletricidade.

O Brasil tem água e tem chuva.

E ninguém sabe construir hidrelétrica como o brasileiro, desde Paulo Afonso.

(Clique aqui e se emocione com Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga e ouça “Paulo Afonso” – leia “em tempo”)

Um dos pais do neolibelismo pátrio, Eugenio Gudin dizia que não era preciso construir Paulo Afonso porque o Nordeste não tinha demanda que justificasse...)

É um valor estratégico imenso e, por isso, um instrumento de nossa singularidade como força econômica mundial.

E, portanto, não interessa aos Estados Unidos, no que era seu quintal, enfrentar um concorrente com esse ativo permanente.

Bláblá já tem uma conta a ajustar com o Brasil, breve, quando deixar a ribalta da campanha eleitoral e se recolher à dimensão verdadeira.

É a conta do “fio d’água”.

Instalada no Ministério do Meio-Ambiente, foi ela quem deu que deu curso às teses americanas que obrigaram as hidrelétricas brasileiras a abandonar o sistema da queda d’água se se tornar a ”fio d’água”.

Esses pseudo-verdes – que são azul e vermelho – conseguiram roubar do patrimônio energético brasileiro [milhões e milhões] de megawatts com a defesa dos saguis e de meia dúzia de indígenas, que viveriam muito melhor com as hidrelétricas cheias do que em suas aldeias precárias.

Essa conta ela ainda vai pagar – politicamente.

Quando o Brasil passar a defender – como fazem os americanos, com unhas e dentes – seu interesse nacional.

Veja o depoimento do ansioso blogueiro sobre o nefasto papel dos “verdes” em Teles Pires.

Por que ela não dá a menor prioridade ao pré-sal ?

Porque os Estados Unidos dão.

E porque os americanos levam o pré-sal a sério, recriaram a 4ª Frota.

Com um comandante negro.

Ela vai ficar estacionada entre o pré-sal brasileiro e o pré-sal da costa Ocidental da África.

O pré-sal é o bilhete ÚNICO para um Brasil desenvolvido, saudável e educado.
Renunciar ao pré-sal é um crime de lesa-pátria !

Uma traição !

Entregá-lo aos americanos da Chevron [como o PSDB/Serra comprometeu-se secretamente] é outra !

É por isso que a CIA e a NSA não estão minimamente interessados no que os brasileiros falam: eles querem saber o que a Petrobras fala !

E por isso fizeram entroncar no fundo do Atlântico brasileiro e africano sua rede de cabos de espionagem.

Por que ela foi contra o “Código Florestal” do Aldo Rebelo, a mais moderna legislação do mundo sobre a matéria ?

Porque ela quer fazer o desmanche do agronegócio brasileiro.

Pode botar mil Betos Albuquerques ao lado dela, porque não serão capazes de apagar de seu currículo a hostilidade ao agronegócio.

Agronegócio, que, entre outras virtudes, reduziu dramaticamente o peso da alimentação na renda do brasileiro.

O Brasil tem uma das alimentações mais baratas do MUNDO !

Por que ?

Porque esse agronegócio que ela quer desmanchar é muito, muito eficiente !

Ela não quer que a soja, o milho, o algodão e a carne brasileiras sejam competitivas a ponto de fechar a agricultura americana, se não fosse protegida pelas mais sólidas barreiras protecionistas do mundo !

E lá vem os neolibelês na boleia do caminhãozinho dela defender uma política externa “aberta” com os Estados Unidos...

Por isso ela foi e é contra os transgênicos.

Por que ela não faz uma passeata em Iowa, em Illinois e diz que os transgênicos dão câncer ?

Leva o Beto junto !

Por que ela é contra o Mercosul ?

O "Cerra", o Fernando Henrique e o Titio que detêm o controle da chave [do aeroporto particular da família de Aécio construído com dinheiro público] também são contra o Mercosul.

Preferem a ALCA, que transformou o México num Estado Associado aos Estados Unidos – um grande Porto Rico.

Como o Brasil sepultou a ALCA, sob a batuta de Lula e Celso Amorim, agora eles reinventaram o "Pacto do Pacífico".

O que significa o "Pacto do Pacífico" ?

Entregar a América do Sul aos americanos, já que o Mercosul e a Unasul são instrumentos da resistência à hegemonia americana.

O "Pacto do Pacífico" reúne a Colômbia, já praticamente mexicanizada, e o Chile, além de todos os países asiáticos que são contra a China !

Contra China.

Porque o "Pacto do Pacífico" é um pacto americano, pluricontinental contra a China – e o Brasil !

E por que a Bláblá – e os Estados Unidos – querem detonar os BRICS e seu banco ?

Não interessa à hegemonia americana uma organização alternativa.

Uma “world order”, como diz o último livro do Henry Kissinger, que não reproduza o Império.

E é por isso que a Bláblárina vem com essa conversinha mole de “sustentabilidade”.

A sustentabilidade se sustenta no sustentável”.

Porque os Estados Unidos agridem a China com a poluição de Beijing.

Mal sabem eles que a China vai substituir a geração a carvão em Beijing por termas a gás.

A China desenvolve, hoje, os mais modernos mecanismos de combate à poluição do mundo.

Enquanto os Estados Unidos e o "shale gas", o óleo de xisto, poluem com o apoio feroz do Partido Republicano, o Brasil, consistentemente – depois que ela saiu do Ministério -, reduz o desmatamento da Amazônia.

E o mesmo lenga-lenga americano dos “direitos humanos” ?

É conversa para atingir a Rússia e a China – dos BRICS – e se esquecer da Arábia Saudita, uma das sociedades mais agressoras dos direitos humanos !

Por que ela é contra o BNDES e tomou aquela tesourada ?

Porque o BNDES é o Pentágono do Brasil.

Apesar dos absurdos como o financiamento à BrOi, em vias de extinção (e sobre a BrOi, ela e o PiG se calam), apesar da BrOi, o BNDES, o maior banco de investimentos do MUNDO, é para financiar o Brasil.

Como o Pentágono financia a indústria e a pesquisa “privadas” americanas.

O BNDES do Dr Getúlio e do JK é para botar dinheiro nos interesses nacionais brasileiros.

(O FHC/PSDB pretendia transformá-lo num banco de investimentos, como o "Morgan Stanley" de Francisco Gros …)

Por isso, a Bláblá quer substituir o BNDES pelo Acordo do Trigo, o Ponto 4, o Eximbank …

Ela também não vai tirar incentivos, mas “qualificar”…

Quer fechar o Banco do Brasil e a Caixa para “qualificar” o crédito e descapitalizar o "Minha Casa Minha Vida", a infraestrutura e o financiamento da safra.

Quer “reavaliar”, “meditar sobre” a CLT ?

Para ajudar o Citibank a terceirizar, o Citibank que ofereceu o seu “tesoureiro de campanha”, Álvaro de Souza, ex-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

E a indústria da Defesa, para proteger o pré-sal ?

A Marinha do Brasil constrói em Itaguaí uma moderna e poderosa indústria de submarinos.

Trabalha, no momento, com três mil operários no canteiro de obras, em submarinos convencionais a diesel-eletricidade.

Daqui a pouco, começa a construir o submarino a propulsão nuclear.
Sabe por que, amigo navegante ?

Porque o Brasil tem reservas fabulosas de urânio e desenvolveu uma tecnologia própria, Made in Brazil, tupiniquim, de enriquecimento de urânio.

Que os americanos adorariam conhecer …

É por isso que ela é contra a energia nuclear !

Os americanos e europeus se entopem de energia nuclear e ela quer que a gente viva à base de energia do cuspe.

(Não me venha com energia eólica, porque a Dilma montou o segundo maior parque eólico do MUNDO !)

O Brasil vai ser um dos seis países do mundo capazes de produzir, em escala, submarinos nucleares: para defender o pré-sal e exportar !

Ela ainda não teve tempo de entregar Itaguaí ao Pentágono.

Mas, chega lá, até às eleições.
Se é que já não entregou nessa insólita viagem !

Em tempo: aqui, a letra de Humberto Teixeira, um gênio !

"Delmiro (Gouveia) deu a idéia
Apolônio aproveitô
Getúlio fez o decreto
E Dutra realizô
O presidente Café
A usina inaugurô
E graças a esse feito
De homens que tem valô
Meu Paulo Afonso foi sonho
Que já se concretizô

Olhando pra Paulo Afonso
Eu louvo nosso engenheiro
Louvo o nosso cassaco
Caboclo bom verdadeiro
Oi! Vejo o Nordeste
Erguendo a bandeira
De ordem e progresso
A nação brasileira
Vejo a indústria gerando riqueza
Findando a seca
Salvando a pobreza

Ouço a usina feliz mensageira
Dizendo na força da cocheira
O Brasil vai, o Brasil vai
O Brasil vai, o Brasil vai
Vai, vai, vai, vai, vai, vai."


FONTE: do portal "Conversa Afiada" do jornalista Paulo Henrique Amorim  (http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/09/28/blabla-assim-se-fez-uma-entreguista/).

"NOVA" É ESSA MARINA SILVA...



A candidata Marina Silva praticando a velha política


Nova é esta Marina Silva

"A candidata do PSB pratica a velha política enquanto prega o contrário. Destruiu o ideário de Eduardo Campos e talvez consiga demolir o próprio partido que representa

Por Mino Carta, na revista "Carta Capital" 



"Não há quem segure a candidata Marina Silva nesta caminhada final rumo à eleição. Em Florianópolis, subiu ao palanque de Paulinho Bornhausen [!!!] e com empenho apaixonado pediu votos para sua candidatura a senador. Precioso trunfo para o filho de Jorge Bornhausen, governador biônico de Santa Catarina durante a ditadura, liderança do ex-PFL-DEM e patriarca de uma das mais ricas famílias do estado. Direita reacionária na sua acepção mais desbragada.

Essa adesão eufórica à velha política assinala a enésima contradição de pregadora da "nova". Uma análise da personagem do ponto de vista psicológico exibe, isto sim, uma nova Marina. A contida, austera ambientalista na qualidade de candidata em campanha mudou radicalmente o seu estilo, a ponto de pôr em xeque as crenças professadas até ontem. A perspectiva do poder leva-a a renovar seu verbo e seus gestos e a buscar a companhia de quantos aparentemente haveriam de ser seus adversários, se não inimigos. Vale tudo para chegar lá, é o que se deduz sem maiores esforços.

Confesso minha surpresa. Marina Silva revela uma determinação obcecada que não imaginava. Certo é que a candidatura de Eduardo Campos, sua plataforma, suas ideias, seus projetos e propósitos, Marina conseguiu destruir. Receio que logre ir além, para demolir o próprio Partido Socialista. Em lugar da nova política, temos "a nova Marina".

Humoristas midiáticos

Há momentos de puro humorismo propiciados pela mídia nativa. No momento, a "Folha de S.Paulo" celebra a instituição do ombudsman há 25 anos, de sorte a estabelecer a autocrítica dentro do próprio jornal. O "Folhão" se apressa a esclarecer, pomposo, que o exemplo não foi acompanhado pelas demais publicações brasileiras enquanto em vários países do mundo a prática salutar é adotada. O nome "ombudsman", admito, me soa desagradável. De todo modo, tivesse funcionado sempre para valer, viveria física e moralmente esgotado.

A leitura e a audiência que parcimoniosamente dedico à mídia nativa me revelam o autêntico responsável por todos os males no momento padecidos pelo Brasil. Ou melhor, a responsável, Dilma Rousseff, a começar, pasmem, pela crise econômica mundial, que ninguém poupa, até a inflação e o desemprego. Mas os porcentuais não são bastante baixos em relação aos números globais? Segundo o Cérbero da família Marinho, o cão de três cabeças à porta do Hades, a presidenta maquia os dados. Ou finge ignorá-los?

Tudo é culpa da Dilma, até, quem sabe, o 7 a 1 imposto pela seleção alemã aos canarinhos, ou o tráfego congestionado, ou falta de luz em casa. Só mesmo a crescente, inexorável escassez de água em São Paulo não pode ser atribuída à presidenta. No caso, entretanto, o culpado, o governador, Alckmin, é prontamente perdoado e se prepara ao passeio eleitoral".

FONTE: escrito por Mino Carta na revista "Carta Capital"  (http://www.cartacapital.com.br/revista/819/nova-e-esta-marina-silva-6775.html).