sábado, 25 de outubro de 2014

Corrupção: AÉCIO GOVERNADOR NOMEOU O PAI PARA O CONSELHO DA CEMIG


Justa retribuição


Pai e filho: Aécio é um grande criador de empregos (só para a família, lógico)

Mais parentes: Aécio governador indicou o pai, aos 76 anos, para conselho da Cemig.



"Quando tinha 18 anos, Aécio Neves foi nomeado funcionário, supostamente "fantasma", no gabinete do pai deputado. Quando Aécio Neves foi governador, o pai foi nomeado Conselheiro da CEMIG aos 76 anos. 

Os casos envolvendo [empregos doados à] parentada do tucano não param de pipocar.

Na ata da reunião do dia 4 de junho de 2003, primeiro ano de governo de Aécio em Minas, seu pai Aécio Ferreira da Cunha, com 76 anos na época, foi um dos escolhidos para integrar o conselho Conselho de Administração da CEMIG (Companhia Energética de MG). A empresa é controlado pelo Estado de MG.

O pai do tucano foi um dos oito “eleitos pelo acionista Estado de Minas Gerais”.

A remuneração paga para o comparecimento a uma reunião mensal, conhecido como jeton, é atualmente de R$ 6.090,91.

O pai de Aécio Neves trabalhou no conselho entre 2003 e 2009 — mesmo período em que o tucano era governador do estado.


FONTE: do jornal "O Dia". Transcrito no blog "Os amigos do Presidente Lula"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/10/mais-parentes-aecio-governador-indicou.html). [Título e imagem acrescentados por este blog 'democracia&política'].

BOMBA DA "VEJA" E "FOLHA": "POSSÍVEIS GRAVES DENÚNCIAS" [sic] DE FATOS IMAGINADOS POR ANÔNIMOS ADVOGADO, PROMOTOR E DELEGADO












"Folha" varre o lixo da "Veja" e serve as sobras ao público

Por Ricardo Amaral

"Jornal retoma o triste papel que lhe coube em 2010: secundar notícias da revista contra o PT.

A Folha passou a tarde de sexta azucrinando assessorias de imprensa do governo e do PT. Anunciava ter a confirmação da capa da Veja e novos detalhes sobre a suposta denúncia do doleiro Yousseff divulgada pela revista. Era blefe. Mais um.

A manchete de hoje limita-se a reproduzir o enunciado da revista: Lula e Dilma sabiam, disse o doleiro. Sem apuração própria, a Folha repete o erro jornalístico fundamental de Veja: não informa quem teria ouvido a suposta denúncia de Yousseff.

Qual é o nome do delegado que teria tomado o depoimento do doleiro na terça-feira?

Qual é o nome do representante do Ministério Público?

Qual é o nome do advogado que acompanhava o depoente?

Sem esses nomes – ao menos um deles – é impossível fazer uma checagem independente do que afirma a revista.

A revista que inventou o grampo sem áudio inova outra vez e nos apresenta o delegado fantasma, o promotor invisível e o advogado anônimo.

A Folha acrescenta a esse roteiro uma conversa que teria ocorrido entre Lula e o deputado José Janene. Que está morto. Mais uma vez, o recurso a uma acusação impossível de checar.

Na edição deste sábado, a Folha retomou o triste papel de secundar matérias da Veja contra o governo e o PT.

Foi assim em 2008, quando sustentou por semanas a história rocambolesca do “dossiê dos cartões corporativos”, nascida na revista.

Foi assim no primeiro turno de 2010, quando tentou preencher, com histórias requentadas, o suposto dossiê da “equipe de inteligência” da campanha de Dilma, outra criação original de Veja.

Foi assim no segundo turno, quando publicou entrevista com um vigarista condenado, para manter acesa denúncia da revista contra a ex-ministra Erenice Guerra. Era uma fonte tão desqualificada que seu depoimento foi terceirizado, da revista para o jornal.

No tempo em que havia jornais, era comum correr atrás de furos da concorrência e tentar assumir a liderança de uma cobertura. Não é esse o caso nessa véspera de eleição.

Hoje a Folha recolhe o lixo da Veja. E serve as sobras ao público, a serviço de seu candidato.

PS: A propósito de apuração própria, sem fazer escândalo, o site do Estadão oferece outra versão sobre as supostas referências de Yousseff a Lula:

Todas as pessoas com quem eu trabalhava diziam o seguinte: ‘todo mundo sabia lá em cima, que tinha aval para operar. Não tinha como operar um tamanho esquema desse se não houvesse o aval do Executivo. Não era possível que funcionasse se alguém de cima não soubesse, as peças não se moviam”.

O doleiro, na versão do Estadão, não afirma que “Lula sabia”. E sequer menciona Dilma. Ele apenas supõe. Se é que supôs".


FONTE: escrito por Ricardo Amaral no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/folha-varre-o-lixo-da-veja-e-serve-as-sobras-ao-publico-por-ricardo-amaral).[Título e imagens iniciais coletadas na internet acrescentadas por este blog 'democracia&política'].

PRINCIPAIS TRECHOS DO DEBATE NA GLOBO




Do portal "Conversa Afiada":

"Dilmabate e aplica Veja no Itaúuu do Aécio

Dilma cita José Simão: “vocês fazem o Meu Banho Minha Vida em São Paulo” 

Dilma explode bala de prata do Aecioporto: "Veja" caiu na água.

Aecioporto não sabe o nome do Ministério...

Aecioporto reproduz tom terrorista da "Veja".

Quem não mantinha inflação dentro da meta foram vocês”, respondeu Dilma.

A prática fala mais que palavras vazias

Dilma entope ele com o Pronatec: “Nós fizemos 422 escolas técnicas, enquanto vocês só fizeram 11 em 8 anos. Só o meu nº é 1600% a mais do que o de vocês”

Dilma aplica fator previdenciário ao Itaúuuu de Aecioporto.

A Presidenta lembra, no terceiro bloco, da compra da reeleição no governo presidencial de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Dilma aplica o regime do bateu levou, 'vapt vupt'. Sobre ferrovias, Aécio diz que “falta ferrovias”. Oh, Camões!

O sorriso irônico é o maior inimigo de Aécio.

No quarto bloco, Aécio nos brindou com ”40% foi executado”, ao falar sobre segurança pública. Oh, Camões!

No quarto e último bloco, os candidatos respondem os eleitores e fazem as considerações finais:

Quarto bloco:

Eleitora pergunta sobre saneamento básico:

"Tenho compromisso de acelerar o serviço de coleta e saneamento. A responsabilidade disso é dos municípios, mas achamos que devemos ajudar.

Durante muitos anos, neste país, não se investiu em saneamento básico. Estamos mudando isso em parceria com os municípios.

Ele (Aécio) não poderia fazer isso [se eleito fosse] porque não é responsabilidade dele. Se ele fizesse, seria crime, invasão no que não é atribuição do governo federal.

O que se pode fazer é parceria com os municípios, que é o que meu governo está fazendo sobre saneamento básico.

A segunda pergunta é sobre segurança pública:

"O Brasil hoje tem o grande desafio que é o combate ao crime organizado. É fundamental que haja maior participação da União nessa ação.

Aplicamos 17 bilhões no combate à droga, crime organizado e tráfico de armas. Criamos os Centros de Comando e Controle que deram certo na Copa".

A candidata à reeleição cita matéria da "Globo News", sobre violência, para falar de segurança pública. (...)

Não basta só controlar as fronteiras, tem que ter uma política de controle das fronteiras dos estados"
.

Considerações finais:

"Agradeço à Globo, agradeço ao candidato e a vocês que nos acompanharam até aqui. O Brasil que estamos construindo é o Brasil do amor, da esperança e da união. O Brasil da solidariedade, das oportunidades, que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. O Brasil que quer crescer, que quer melhorar de vida e faz isso com muita autoestima. É o País que cresce e que faz todas as pessoas crescerem, mas com olhar especial para as mulheres, negros e jovens. É o Brasil da educação, da cultura, é o Brasil da inovação e da ciência. O Brasil que quer crescer e garantir que todos os brasileiros cresçam com ele. Deixo aqui minha palavra. Nós, que lutamos tanto para melhorar de vida, não vamos permitir que nada nem ninguém, nem crise nem pessimismos, tire de você o que você conquistou. O Brasil que fez com que você crescesse e melhorasse de vida. Não vamos permitir que isso volte atrás".

No encerramento, Aecioporto fugiu do PSDB.

No terceiro bloco, os candidatos voltam a fazer perguntas direitas.

Terceiro bloco:

Aécio pergunta sobre os repasses do Fundo Nacional de Assistência:

"Candidato, eu acho que o senhor está muito mal informado. O meu governo tem feito imenso esforço pelas pessoas com deficiência.

Temos feito esforço para criar toda uma política de assistência social, com centro no Bolsa Família e com programas complementares.

O meu governo não atrasa programas sociais, nunca atrasou.

Nós gastamos em 2 meses o que vocês gastaram em oito anos com o [mini] Bolsa Família.

Os seus governos jamais repassaram para as APAE o que nós repassamos. Fizemos com as APAE o maior programa deste país, que é o "Viver Sem Limite".


Dilma pergunta a Aécio sobre planejamento:

"Aécio, como o senhor enxerga esse problema da água em São Paulo? .

Como o senhor enxerga a questão da água em SP? Houve ou não houve falta de planejamento do seu governo?

Candidato, o fato é que o abastecimento de água é responsabilidade dos estados. Nós [governo federal] somos parceiros.

O governo federal ofereceu a parceria.

Não planejar no estado mais rico do país é uma vergonha. Os estados no NE enfrentam a mesma seca
.

Aécio pergunta sobre Reforma Política:

"Candidato, eu governo o Brasil e governo todos os dias.

Se, de fato, o senhor está interessado em combater a corrupção, a questão mais séria é o fim do financiamento empresarial às campanhas.

Eu acho que o Sr. não tem interesse na reforma política, porque só fala do fim da reeleição quando foram vocês que aprovaram a reeleição

Candidato, nós damos muita importância à agricultura no país. No meu governo, tivemos um aumento muito grande da safra.

Se o senhor for eleito, quais serão suas medidas para a agricultura?

Vocês (PSDB) deixaram a agricultura a pão e água. Quando eu falo de futuro, eu tenho credenciais. Vocês não davam importância ao agricultor familiar"
.

Aécio pergunta sobre o julgamento da AP470:

"Me fale do mensalão do seu partido: não teve condenação e ninguém está na cadeia!

Por que Eduardo Azeredo [ex-Presidente Nacional do PSDB] renunciou?

Vocês [quando no governo] arquivaram todos os processos [de investigação de crimes de corrupção de tucanos].

A estratégia do engavetador, no seu governo, deu certo.

O Sr. precisa estudar mais. Vocês (PSDB) arquivaram todos os processos. A estratégia do engavetador, no seu governo, parece que deu certo, né?"

Na sequência, a Presidenta Dilma pergunta sobre educação, ProUni, Pronatec…

"Por que vocês foram contra o ENEM e contra o ProUni, inclusive entrando na justiça contra ele?

Vocês (PSDB) sempre criticaram o ENEM, agora que temos 8 milhões de pessoas fazendo, o senhor vem aqui dizer que é a favor?

Sua máquina de propaganda é eficiente. Acreditei no seu "choque de gestão", até saber que o senhor tinha transformado MG no 2º Estado mais endividado..."


No segundo bloco, eleitores indecisos fazem as perguntas:

Segundo Bloco:

A primeira pergunta à Presidenta Dilma é sobre aluguel e casa própria:

"O Minha Casa, Minha Vida" (MSMV) contempla quem quer ter e comprar um imóvel com vários níveis de subsídio.

O MCMV garante vantagens como não ter que pagar seguro ou dar garantias, já que o governo cobre as despesas.

Nós vamos fazer mais 3 milhões de casas pelo MCMV e ampliar as faixas de renda.

Nós, hoje, temos 1,8 milhão de casas entregues e mais 1,8 milhões de casas em construção. A cada dia o número aumenta.

Nós vamos construir e contratar, até o final deste ano, 3,7 milhões de moradias. Eu tenho condições de fazer porque eu já fiz"
.(...)

"Eu tenho um grande compromisso com creche e pré-escola, pois acredito que creches e pré-escolas são o futuro do Brasil. .

Nós aprovamos 75% dos royalties do pré-sal para a educação. Com isso, mudaremos ainda mais o futuro do Brasil".

O tema da segunda pergunta para Dilma Rousseff é corrupção:

"Eu propús cinco grandes medidas de combate à impunidade

Nós vamos ter um conjunto de medidas para que haja a punição de corruptos e corruptores.

Eu tenho orgulho de ter dado inteira autonomia, não dada em governos anteriores, para a Polícia Federal"
.

(Após comentário de Aécio, Dilma retomou a resposta):

"Adriana, veja que quem fala é o representante do partido que tinha a prática de engavetar todas as investigações.

Doa a quem doer, eu vou investigar e punir"
.

A terceira pergunta, destinada a Aécio Neves, foi sobre os aposentados:

"É importante abrir a discussão sobre o fator previdenciário com as centrais sindicais. Eu sempre fiz isso.

Quando o país ficar cheio de idosos, quem pagará a aposentadoria? O pessoal da ativa.

É importante abrir a discussão com as centrais sindicais"
.

Primeiro Bloco:

Aécio faz a primeira pergunta sobre a denúncia da revista "Veja".

"Aécio, é fato que o senhor tem feito uma campanha extremamente agressiva a mim e todos os eleitores sabem disso.

A revista faz calúnia e difamação e o senhor endossa a pergunta.

Está sendo manipulada essa informação.

O povo não é bobo, candidato"
.

Dilma anunciou que irá processar a revista.

"Aécio, eu fico estarrecida com o Sr, porque na minha vida política jamais persegui jornalista, jamais reprimi a imprensa.

Tenho respeito pela liberdade de imprensa, porque vivi os tempos escuros desse país

O Sr., Aécio, cita duas revistas (Veja e IstoÉ) que nós sabemos para quem fazem campanha.

Eu não vou deixar que as denúncias sumam, eu vou investigar"
.

Dilma pergunta se Aécio concorda com Armínio Fraga, seu candidato a Ministro da Fazenda, que diz que "o salário mínimo está muito alto".

"Aécio, o senhor não pode questionar a nossa criação de empregos. Na saúde, quem não investiu o mínimo constitucional quando foi governador foi o senhor.

O senhor ficou devendo R$ 8 bilhões para saúde candidato.
O meu governo não tem o que esconder, mas o seu tem, principalmente sobre a publicidade paga para as rádios de sua família.

Vocês (PSDB) deixaram o país com a maior taxa de desemprego da história, cerca de 11 milhões de brasileiros!

Aécio, não tem "Ministério do Desenvolvimento Econômico", tem Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
", respondeu Dilma a Aécio sobre o Porto de Mariel, em Cuba.

Aécio, o "Minha Casa, Minha Vida" é o maior programa habitacional já feito no Brasil. O Sr. tem feito algumas críticas ao programa!

Aécio, vocês falaram o tempo todo em diminuir o papel dos bancos públicos, que subsidiam o MCMV (Minha Casa, Minha Vida), agora dizem que vão manter o programa?"


Aécio pergunta sobre a inflação:

"Vocês deixaram o Banco do Brasil com uma grande dívida. Nós, não. Vocês quebraram a Caixa Econômica e o BNDES. Quanto à inflação, é meu compromisso combatê-la. Sempre nos mantivemos no limite da meta. Quem não se mantinha era o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Vocês chegaram a aumentar imposto e deixar uma dívida pública maior do que vocês pegaram.

Enfrentamos a crise sem que a diminuição do salário caísse na conta do trabalhador.

Candidato, vocês quebraram os bancos públicos.

Agora, vocês vêm com essa conversa de que "vai fazer política social".

A prática fala mais que palavras vazias

Mantivemos emprego e aumentamos salários"
.

Candidato, eu sempre gosto de perguntar a respeito do Pronatec. Sabe por quê? Porque o Pronatec resolve várias questões sociais.

Vocês (PSDB) proibiram a construção de escolas técnicas, por isso lhe pergunto: você manterá o Pronatec?


Candidato, o Sr. não respondeu. Nós fizemos 422 escolas técnicas, enquanto vocês só fizeram 11 em 8 anos. Só o meu nº [no meu governo] é 1600% a mais do que o de vocês"

FONTE: portal "Conversa Afiada" (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/10/24/dilma-enfia-veja-no-itauuuu-do-aecioporto/). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

COMPLEMENTAÇÃO 1:

Dilma passou pelo teste da Globo

Por Renato Rovai, em seu blog:

"O debate da Globo tem características diferentes dos de outras TV e portais. Ele conta com a presença dos chamados indecisos. Esses eleitores fazem perguntas mais programáticas, mas ao mesmo tempo quebram um pouco o ritmo do enfrentamento entre os candidatos. Até por isso, o debate da Globo foi menos eletrizante que os anteriores. E isso favoreceu a presidenta Dilma.

O primeiro bloco foi o mais quente. Como já era esperado, Aécio Neves foi para cima de Dilma usando a capa da "Veja" logo de cara. Dilma se saiu de forma tranquila, mas muito firme. Disse que vai processar a revista e deixou claro que se tratava de uma tentativa de golpe eleitoral.

Nos outros blocos, o ritmo de ataques diminuiu. E o debate ficou mais tranquilo e programático. De qualquer forma, ainda houve tempo para Aécio trazer à baila o mensalão e perguntar a Dilma o que ela achava do fato de Zé Dirceu estar preso.

E deu tempo também de Dilma perguntar se houve falta de planejamento no caso da falta de água de São Paulo, já que no Nordeste também não chove , mas não falta água. E aí veio a melhor tirada da noite. Dilma citou o humorista José Simão e disse que, do jeito que a coisa estava indo, os tucanos iriam lançar o plano "Meu Banho, Minha Vida".

Não houve grandes vencedores no debate da noite [de ontem]. Mas eu diria que Dilma pode até ter ganhado por pontos. E que, como já estava em vantagem, esse resultado foi excelente para ela

Hoje, em várias cidades brasileiras, a militância petista foi às ruas de vermelho e criou um clima de vitória. Quando essa onda se forma, é muito difícil revertê-la. Se Aécio começou com pequena vantagem no segundo turno, Dilma passa pelo debate da "Globo" como a grande favorita.

É claro que, numa eleição dessas, é de alto risco fazer previsões, mas este blogueiro cravaria todas suas parcas economias na vitória de Dilma no domingo.

Dilma deve ser reeleita presidenta da República, ganhando de toda a mídia, do PSDB, de Marina, da família Campos, de parte do PMDB e de toda a direita [nacional e internacional] truculenta.

Não é pouca coisa.

Dilma deve ganhar de todos eles e com o apoio do PSoL e de quase todos os movimentos sociais brasileiros sérios.

Também não é pouca coisa".


FONTE da complementação 1: escrito por Renato Rovai, em seu blogTranscrito no "Blog do Miro"  (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/10/dilma-passou-pelo-teste-da-globo.html).

COMPLEMENTAÇÃO 2:

Dilma detona criminosos da Veja




FONTE da complementação 2: Postado no Blog no "Blog do Miro (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/10/dilma-detona-criminosos-da-veja.html).

COMPLEMENTAÇÃO 3:

DILMA NOCAUTEOU AÉCIO JÁ NO PRIMEIRO ASSALTO



Do "Brasil 247"

"O jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do "247" em Brasília, afirma que o debate da Globo terminou já na primeira pergunta, quando Aécio Neves tentou usar a última edição da "Veja" para colocar Dilma Rousseff contra a parede. “A presidente deu uma resposta à altura, desqualificando uma denúncia que nem seu autor — nem a revista que a publicou — conseguem sustentar com base em provas. Foi uma colocação firme, sem piscar. Quanto ao tucano, sua queda era previsível já que chegou ao 2° turno “sem uma perna”. Empurrado para um canto conservador, debateu-se em contradições insolúveis. As intervenções de Armínio Fraga como candidato a ministro da Fazenda trouxeram mais danos do que benefícios à candidatura.

Em uma luta em que precisava de apenas um empate, a presidente Dilma Rousseff saiu vitoriosa e seu adversário nocauteado já no primeiro assalto. É o que afirma o jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do "247" em Brasília, em análise sobre o debate da noite de sexta-feira na Rede Globo.

O debate de ontem terminou na primeira pergunta. Aécio Neves tentou usar a última edição da VEJA para colocar Dilma contra a parede. A presidente deu uma resposta à altura, desqualificando uma denúncia que nem seu autor — nem a revista que a publicou — conseguem sustentar com base em provas. Foi uma colocação firme, sem piscar.

O debate terminou aí porque, como se sabe, o último debate de uma campanha envolve uma questão essencial. Quem está na liderança das pesquisas joga na defesa e pode ganhar, mesmo que empatar. Quem está atrás precisa tentar virar o jogo de qualquer maneira, mas isso só se consegue quando o interlocutor oferece brechas e oportunidades.

Num confronto que tem algo de uma luta de boxe, é preciso encaixar golpes no rival — uma forma de mostrar ao juri de eleitores, indecisos e pouco firmes, que ele tem pontos fracos que precisam ser levados em consideração. Mas a presidente atuou como se estivesse protegida por uma couraça. Quando a primeira revista não deu certo, Aécio falou de uma reportagem da "Istoé".

Leia o artigo “Dilma ganhou de pouco, venceu de muito” na íntegra.
DILMA GANHOU DE POUCO, VENCEU DE MUITO

Por Paulo Moreira Leite

No último debate, a presidente precisava apenas empatar, mas mostrou mais consistência do que adversário.

O debate de ontem terminou na primeira pergunta. Aécio Neves tentou usar a última edição da VEJA para colocar Dilma contra a parede. A presidente deu uma resposta à altura, desqualificando uma denúncia que nem seu autor — nem a revista que a publicou — conseguem sustentar com base em provas. Foi uma colocação firme, sem piscar.

O debate terminou aí porque, como se sabe, o último debate de uma campanha envolve uma questão essencial. Quem está na liderança das pesquisas joga na defesa e pode ganhar mesmo que empatar. Quem está atrás precisa tentar virar o jogo de qualquer maneira, mas isso só se consegue quando o interlocutor oferece brechas e oportunidades.

Num confronto que tem algo de uma luta de boxe, é preciso encaixar golpes no rival — uma forma de mostrar ao juri de eleitores, indecisos e pouco firmes, que ele tem pontos fracos que precisam ser levados em consideração. Mas a presidente atuou como se estivesse protegida por uma couraça. Quando a primeira revista não deu certo, Aécio falou de uma reportagem da "Istoé".

Entre o 5 de outubro, dia do 1 de turno, e o debate de ontem, o eleitorado brasileiro assistiu a uma outra campanha. Durante um ano inteiro, o discurso da oposição — qualquer que fosse seu candidato — colheu o benefício da postura dos principais meios de comunicação contra o governo. Tratados como questões prioritárias da eleição, temas como inflação, baixo crescimento, incompetência administrativa, Petrobras, dominaram a agenda da primeira fase, graças também a um auxílio numérico, também. Em cada confronto presidencial, ocorria um conflito de 6 contra 1, sem alívio para a presidente.

No segundo turno, o debate teve outro horizonte.

Graças ao horário político, o domínio dos meios de comunicação foi amenizado. As redes sociais também mostraram seu alcance e sua garra. Tudo isso permitiu a Dilma defender os pontos de vista do governo, ajudando sua campanha a reencontrar a base de apoio que vinha construindo aos trancos e barrancos desde a posse. Para dois terços do eleitorado, a inflação ficará como está ou pode cair. O desemprego pode diminuir ou ficar na mesma proporção. Para 44%, o crescimento pode melhorar.

Ao derrotar Marina Silva no plano das ideias e dos argumentos, num jogo que foi bruto de parte à parte, Dilma não venceu apenas uma candidatura. Também derrotou uma visão política, a noção de que o mercado tem as melhores e mais eficientes respostas para um país como o nosso. Fazendo uma campanha muito mais à esquerda do que seu governo, a presidente mostrou realizações. Voltou ao discurso 'pobre x rico' que está na origem do PT — e de toda organização política nascida pelo reconhecimento da existência de uma luta de classes nas sociedades contemporâneas.

O reconhecimento dos dramas, mas também dos benefícios do presente, permitiu ao eleitorado recordar o “passado”, aquela parte da história do país com a qual os herdeiros de 500 anos de governo têm uma compreensível dificuldade para conviver e explicar. Com uma visão basicamente idêntica, que lhe permitiu diversas ações combinadas de auxílio-mútuo, Aécio ultrapassou Marina — mas já estava sem uma perna quando chegou ao segundo turno e precisava enfrentar um debate cara a cara. Não por acaso, perdeu todos os confrontos, inclusive aquele em que foi o mais agressivo. Empurrado para um canto conservador, debateu-se em contradições insolúveis. As intervenções de Armínio Fraga como candidato a ministro da Fazenda trouxeram mais danos do que benefícios a candidatura, em especial depois de uma derrota amarga num debate — assistido por todos os entendidos — para Guido Mantega.

Aécio tentou, ontem, usar a AP 470 contra o governo — missão difícil para quem não oferece respostas convincentes para o mensalão PSDB-MG, que o eleitor hoje conhece e condena até com mais vigor, pois não levou a uma única punição. Denunciou o porto de Mariel, em Cuba, um negócio que é difícil de condenar do ponto de vista comercial — mas serve para explorar o anticomunismo primitivo de fatias conservadoras do eleitorado, apenas".

FONTE da complementação 3: d
o "Brasil 247"   (http://paulomoreiraleite.com/2014/10/25/dilma-ganhou-de-pouco-venceu-de-muito/).

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

FUNDADOR DO PSDB DECLARA APOIO À DILMA


O ex-ministro de FHC/PSDB alerta que o sistema financeiro e seus economistas, que representam os interesses rentistas e externos, reúnem todas as suas forças contra a presidenta Dilma.

Bresser-Pereira, fundador do PSDB, declara apoio à Dilma

"Em discurso no ato público dos intelectuais de São Paulo, na PUC-SP, na segunda-feira (20), Luiz Carlos Bresser-Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro do governo FHC/PSDB, convocou "os intelectuais brasileiros a votarem pela reeleição da Presidente Dilma Rousseff."

Leia a íntegra do discurso:

"Meus amigos,

Estou aqui para convocar os intelectuais brasileiros a votarem pela reeleição da Presidente Dilma Rousseff.

Esta é novamente uma eleição em que se confrontam pobres e ricos, progressistas e conservadores, esquerda e direita, desenvolvimentistas e neoliberais.

Ora, nesse quadro, não há dúvida em quem votar. É necessário votar no candidato que representa os pobres ou os trabalhadores;

No candidato que é progressista ou de centro-esquerda, no candidato que está comprometido com os pobres e as novas classes médias, não com os ricos e a classe média tradicional;

No candidato cujo compromisso seja continuar a avançar nas conquistas sociais destes últimos doze anos, não em congelá-las e fazê-las regredir.

No candidato que, além de defender os interesses dos pobres, defende também os interesses dos empresários que investem e criam empregos;

No candidato que defende o Brasil, porque defende o nacionalismo econômico e a soberania nacional, ao invés de o liberalismo econômico e a dependência ou o colonialismo.

É necessário votar no candidato que é desenvolvimentista, porque sabe que é necessário combinar mercado e Estado, ao invés de professar o credo neoliberal do Estado mínimo;

No candidato que sabe que não basta responsabilidade fiscal (que não basta controlar as despesas públicas);

Que é também necessária responsabilidade cambial, ou seja, a busca do equilíbrio comercial ou da conta-corrente do país;

No candidato desenvolvimentista que defende um pacto político social-democrático que envolva os empresários, os trabalhadores e a nova classe média.

No candidato que rejeita a coalizão rentista ou neoliberal – o acordo dos muito poucos que une os capitalistas e as classes médias rentistas aos financistas e aos interesses estrangeiros, que rejeita o acordo de muito poucos em favor de juros reais altos e câmbio apreciado.

Eu sei que essa coalizão de interesses financeiros se declara representar a razão econômica universal;

Eu sei que ela engana a muitos, que acreditam que o neoliberalismo pode levar ao desenvolvimento econômico e mesmo à justiça social;

Mas não tenham dúvida: o neoliberalismo aprofunda sempre as desigualdades, e – o que é pior – leva sempre os países em desenvolvimento ao baixo crescimento e à crise financeira;

Sim, ao baixo crescimento e à crise da dívida externa, porque o liberalismo econômico defende déficits em conta-corrente crônicos, que mais cedo ou mais tarde levam o país a quebrar e a pedir socorro ao FMI.

Meus amigos, no próximo domingo nós, brasileiros, temos uma decisão crucial a tomar:

Ou continuamos a promover o desenvolvimento econômico e a diminuir as desigualdades, ou nos entregamos ao rentismo e ao neoliberalismo;

Ou nos inserimos na economia mundial em termos competitivos, ou nos submetemos aos países ricos;

Ou continuamos a construir uma nação que cresce com diminuição das desigualdades, ou entregamos nossa soberania aos interesses estrangeiros.

A presidente Dilma está a um passo de ser reeleita.

Os pobres sabem que ela os defende, e por isso votam nela; já os ricos, votam praticamente todos no candidato da direita, porque assim defendem seus interesses.

Os rentistas estão hoje ressentidos. Doze anos de governo de esquerda já basta para eles.

O sistema financeiro e seus economistas, que representam os interesses rentistas e externos, reúnem todas as suas imensas forças contra a presidente Dilma Rousseff.

Mas isso não impedirá que Dilma seja reeleita.

Mas isso não impedirá que o Brasil continue realizando uma revolução democrática e progressista".

FONTE: do portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/251926-1).

AFINAL, MPF-MG RESOLVE INVESTIGAR AEROPORTO DE AÉCIO (conclusão prevista para 2025)




[OBS deste 'democracia&política': de acordo com a tradição na Justiça no julgamento de crimes de corrupção contra tucanos e a direita em geral, estima-se que a conclusão das investigações ocorra por volta de 2025, com a decisão de arquivamento. A mídia, até lá, manterá o seu normal silêncio, em respeito ao segredo de justiça e por não estar o processo transitado e julgado].

 Procuradoria decide investigar aeroporto de Aécio na fazenda do tio

"O Ministério Público Federal em Minas Gerais decidiu abrir investigação para apurar se o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) cometeu irregularidades ao utilizar recursos públicos para construir um aeroporto numa área desapropriada dentro da fazenda de seu tio-avô em Cláudio, no interior do Estado.



Erguido nas terras de Múcio Guimarães Tolentino, a 6 km do refúgio preferido de Aécio, a Fazenda da Mata, de sua família, o aeródromo custou R$ 14 milhões e foi feito no fim do segundo mandato do tucano no governo mineiro.

O aeroporto, que operava sem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), tinha uso privado. As chaves do local ficavam em poder dos familiares de Aécio, que precisavam ser consultados para liberar a utilização d a pista.

No começo deste mês o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou a parte criminal de uma representação do PT contra Aécio pela construção do aeroporto, mas ele determinou que a representação fosse encaminhada ao MPF de Minas Gerais para a avaliação de casos de improbidade administrativa.

A investigação foi aberta no último dia 17 na Procuradoria da República de Divinópolis, a 50 km de Cláudio, para "apurar possível irregularidades na utilização de recursos públicos pelo então governador de Minas, Aécio Ne ves da Cunha, para a construção de um aeródromo em propriedade de seu tio-avô, sr. Múcio Guimarães Tolentino".

Dono do terreno onde o aeroporto foi construído e da fazenda Santa Izabel, ao lado da pista, Múcio é irmão da avó de Aécio, Risoleta Tolentino Neves (1917-2003), que foi casada por 47 anos com Tancredo Neves (1910-1985).

Nos anos 1980, quando Múcio era prefeito de Cláudio e Tancredo o governador de Minas, uma pista de terra foi erguida no mesmo local. O terreno, que deveria ter sido repassado para a prefeitura de Cláudio, nunca saiu do nome do tio-avô do presidenciável.

Anos depois, o governo de Aécio abriu licitação e desapropriou o terreno para então construir o aeroporto. Ao escolher uma propriedade do tio para fazer a obra, o governo de Minas abriu caminho para que Múcio, de 88 anos, resolva uma pendência judicial que se arrasta há mais de uma década. Ele é réu numa ação do Ministério Público Estadual que tenta recuperar o dinheiro gasto pelo Estado na construção da pista de terra.

Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação, a Justiça mandou bloquear a área em 2001, o que impede Múcio de vendê-la. Com a desapropriação, Múcio ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização, mas ele pede valor nove vezes maior.

O tucano alega que a construção do aeroporto já foi alvo de investigação pelo Ministério Público Estadual, que não encontrou nenhuma irregularidade. Essa apuração, contudo, não levou em conta que a obra foi feita numa área desapropriada pelo Estado na terra de um parente do então governador.

Em julho, logo depois da publicação de reportagem pela “Folha de S.Paulo” que denunciou a situação, a Promotoria estadual decidiu apurar novamente a construção do aeroporto de Cláudio".


FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula", com informações da "Folha"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.fr/2014/10/procuradoria-decide-investigar.html). [Título e observação inicial entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

LULA: "ARMÍNIO FRAGA (E O PSDB) É DESARRUMADORS DA CASA. QUEM ARRUMOU FOMOS NÓS"



"A grande oposição no Brasil hoje não é o PSDB, é a imprensa", enfatizou o ex-presidente (foto de Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Lula: "Armínio Fraga é um desarrumador. Quem arrumou a casa fomos nós"

"Em entrevistta a 'Revista Brasil', o ex-presidente Lula afirmou que a mídia tradicional agride a democracia e esconde o debate de projetos. Segundo ele, o projeto de Dilma Rousseff, candidata à reeleição, é focado em avançar nas políticas que respeitam os trabalhadores e que estão mudando o Brasil, enquanto o do tucano Aécio Neves leva ao retrocesso.


Confira a íntegra da entrevista.

Parece que foi ontem, mas aconteceu em 2002. O metalúrgico, sindicalista e fundador do PT Luiz Inácio Lula da Silva tornava-se presidente da República, em sua quarta tentativa. Derrotou o partido que, hoje, 12 anos depois, diz ser o da "mudança."

O PSDB de Aécio Neves já tem até ministro anunciado, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que insiste: é preciso “arrumar a casa”, a economia está uma bagunça. Como assim?, pergunta Lula. "Ele, na verdade, é um desarrumador de casa. Quem arrumou a casa fomos nós."

Para o ex-presidente brasileiro, a expressão do economista é um eufemismo para aumentar o desemprego e reduzir ganhos salariais em nome da eficiência das contas públicas. Ou em sua definição: “'Arrumar a casa' [para o PSDB] é tirar aquilo que o povo conquistou neste período de 12 anos”.

Em meio ao vale-tudo desenfreado na reta final da eleição, Lula recebeu a "Revista do Brasil" para uma reflexão sobre a necessidade de aumentar a consciência política das pessoas. “Se ficar só na agressão pessoal ou partidária, eu acho que a gente não politiza a sociedade.”
Lula pede ao povo para ficar alerta em relação às propostas em jogo: manter uma política que busque reduzir as históricas desigualdades do país, projeto personificado por Dilma; ou devolver o poder a um grupo que governa para apenas uma parcela da população.

Segundo ele, a mídia tradicional trabalha diuturnamente contra o PT, esconde a comparação de projetos e despolitiza os debates. “Gostaria que a campanha, ao terminar, além do somatório de votos, tivesse um crescimento da consciência política da sociedade”, diz.

Pouco mais de um ano atrás, o senhor deu uma entrevista falando que “estava no jogo”. Agora, próximo do segundo turno, não acha que o jogo ficou mais bruto?


Os adversários, embora sejam os mesmos das outras disputas, estão mais raivosos. O que é uma contradição com todo o discurso que eles fazem ou faziam, que o PT era agressivo... Agora, é o PT que está muito tranquilo e eles que estão muito agressivos. Em alguns casos, com campanha de denúncias e difamações que somente a extrema-direita tinha competência de fazer em alguns momentos históricos do Brasil.

Agora, de qualquer forma, o jogo sempre vai ser duro quando o PT está numa disputa de uma prefeitura, de um estado ou do Brasil. Porque o PT conseguiu mudar o jeito de governar o Brasil, conseguiu estabelecer uma nova relação entre o Estado e a sociedade, entre o governo e os setores organizados da sociedade. Isso incomoda essas pessoas, porque eles não querem que as pessoas participem. Chegamos ao cúmulo de estarem raivosos porque as pessoas que votaram na Dilma são “desinformadas”. “Informados” são só os que votaram neles. 

Acho que esse ódio que está sendo divulgado, essa campanha feita diuturnamente contra o PT, que não é de hoje – isso é desde que nós nascemos, mas mais marcadamente depois que chegamos ao governo – fez com que a campanha fosse mais radicalizada. Nós temos uma estratégia de campanha, temos uma candidata competente, que tem experiência de vida, e estamos preparados para qualquer embate. Gostaria que a campanha, ao terminar, além do somatório de votos, tivesse um crescimento da consciência política da sociedade. Que as pessoas saiam do processo eleitoral gostando mais de política, se sentindo participativas, dispostas a exigir e a cobrar mais dos eleitos. Eu espero isso. Se ficar só na agressão pessoal ou partidária, a gente não politiza a sociedade.

Essa queda de qualidade na oposição, que não privilegia o debate de projetos, tem a ver com o perfil do Fernando Henrique, do estilo dele de ser oposição?

Neste momento, há um esforço muito grande, enorme, de uma parte da imprensa brasileira de tentar ressuscitar o Fernando Henrique Cardoso. Tem muita gente que tem 30 anos hoje e nem lembra que o Fernando Henrique Cardoso foi presidente da República. Há uma tentativa de ressuscitá-lo como porta-voz de um partido que não se comporta como partido de oposição, porque não tem um programa alternativo para a sociedade. O que tem, na verdade, é uma imprensa partidarizada. A grande oposição no Brasil hoje não é o PSDB, é a imprensa. Enquanto o candidato espera o ano inteiro para ter 45 dias, para ter o horário na televisão, eles fazem campanha 24 horas por dia durante o ano inteiro, não têm limite. O Fernando Henrique tem hoje pouca ascendência sobre a campanha eleitoral, tem pouco voto. E acho que é por isso que o PSDB, desde que ele deixou a Presidência, não utiliza ele em debate. O Aécio utilizou mais porque, para ganhar dentro do PSDB, precisou do apoio do Fernando Henrique, que, como todo mundo sabe, historicamente não é muito simpático ao Serra. A qualidade da oposição caiu. Aliás, a qualidade do debate político caiu muito. E Fernando Henrique tem responsabilidade nisso, porque puxa para baixo o debate, quando poderia elevar. Essa que ele disse agora, que quem votou na Dilma é a parte "mais desinformada da sociedade, do Nordeste", é de uma grosseria elitista que jamais poderia sair da boca de um sociólogo. O cara estuda, mas a massa encefálica está pronta na cabeça dele. Ele não pode mudar. Ele pensa exatamente assim, que o Brasil tem de ter uma camada pobre que não tem direito a nada. Hoje, o cidadão tem mais cidadania, mais salário, política de transferência de renda, crédito consignado, crédito rural, tudo melhorou. Então, o mundo que ele vê é do tempo que ele governava. Por isso, rebaixa tanto o debate político e econômico.

Assim como em 2010, logo depois do primeiro turno houve manifestações nas redes sociais contra os nordestinos. A conscientização não avançou, vivemos uma certa separação, principalmente, entre Sudeste e Nordeste?

Acho que o nível de consciência política às vezes acirra esse debate. Mas se você olhar historicamente, grande parte dos políticos nordestinos sempre achou que São Paulo age com eles como os Estados Unidos age com outros países. Que São Paulo é uma espécie de Estado imperialista. E, ao mesmo tempo, São Paulo leva sempre vantagem, porque é o mais rico. O que nós começamos a fazer? Começamos a estabelecer uma política de desenvolvimento que levasse em conta a diminuição das desigualdades regionais. Permitir que o país fosse mais igual, tivesse mais escolas, diminuísse a mortalidade infantil, o analfabetismo, que tivesse mais empresas e mais emprego no Nordeste. E esse foi o grande mote que fez com que o Nordeste crescesse mais do que São Paulo. E você percebe que a importância da economia paulista em relação ao PIB tem diminuído. Não é só porque tem perdido empresa, é porque o Nordeste tem ganhado empresa e gerado desenvolvimento mais rápido. O que é normal. E as pessoas começam a ter direitos, a exigir mais, e aí fomenta essa divergência que eu acho absurda. Não é só no Brasil. No mundo inteiro, sempre foi assim. Quando a camada mais pobre ou uma região começa a ascender socialmente, aqueles que já ascenderam começam a ficar com raiva. É mais gente no restaurante, no avião, no aeroporto, viajando de trem, no shopping. E gente que eles não conheciam, que antigamente não conseguia entrar no shopping. Isso vai criando um certo rancor… Esse pensamento, graças a Deus, está na cabeça de uma minoria. E não tem preconceito com nordestino rico, contra o negro rico. O preconceito está ligado à possibilidade econômica das pessoas. Eu fico triste quando um homem como Fernando Henrique Cardoso abre a boca para falar uma bobagem dessa.

Como o debate de projetos escondido no noticiário, o destaque de todos os jornais são as “denúncias” do diretor da Petrobras investigado, do doleiro. De que forma esse clima afeta a campanha da presidenta Dilma?


Estou muito preocupado. Eu tenho a impressão de que neste país tem sempre uma tentativa de golpe. Tem sempre um Carlos Lacerda querendo derrubar alguém. Você tem um processo em que as pessoas estão fazendo delação premiada, esse processo está nas mãos de um ministro da Suprema Corte, porque não pode vazar, porque depois da delação é possível investigar se é verdade. Estranhamente, como a Suprema Corte reivindicou o processo para lá, o juiz convoca as pessoas para depor e colocar na internet o depoimento, quase como se fosse uma ação política, quase como se fosse "vamos fazer um depoimento agora para dar material de campanha para os adversários do PT". Se daqui a três ou quatro meses for provado que não é verdade aquilo que ele falou, o prejuízo está feito. É gravíssimo o que está acontecendo, às vezes me cheira a tentativa de golpe mesmo, de colocar em risco o processo democrático. O que foi prometido para esses senhores na delação premiada? Será que foi só diminuir a pena ou será que foi prometido “se o PT for derrotado, poderá ter mais coisas?” A gente não sabe. É um processo insidioso, porque não tem nenhum momento na história do Brasil em que o governo investigou mais qualquer denúncia contra qualquer pessoa como neste governo, que tenha a quantidade de instrumentos, desde a transparência das coisas que o governo faz, até a fiscalização do Ministério Público, do Tribunal de Contas, da Controladoria Geral da República. Ou seja, é o governo que criou a Lei de Acesso à Informação. Eu me preocupo, porque acho que isso é uma tentativa de fazer interferência no processo eleitoral a 15 dias das eleições.

Quinta, 9 de outubro, houve um debate na GloboNews entre o ministro Guido Mantega e o Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central no governo FHC). Enquanto o ministro Mantega enfatizava os ganhos sociais decorrentes das escolhas econômicas que o governo fez, o Armínio insistia na necessidade de "arrumar a casa". Como essas diferenças de pensamento podem ser traduzidas?

Quando o Armínio Fraga fala em arrumar a casa, é porque ele não tem coragem de dizer que é preciso ter um pouco de desemprego, na lógica dele, é preciso diminuir os ganhos salariais e o salário mínimo, acabar com essa política de transferência de renda, e é preciso dificultar o crédito. Se ele pudesse falar fora do processo eleitoral o que ele iria fazer, era exatamente isso. Por isso que ele fala “arrumar a casa”. Ele não é nenhuma arrumadeira, porque quando estava no Banco Central ajudou a desarrumar a economia deste país. A inflação estava 12,5% quando eu cheguei na Presidência da República, o Brasil devia US$ 30 bilhões para o FMI. Viviam, ele e o Malan (o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan), nos Estados Unidos buscando dinheiro para fechar a conta no final do mês, nós tínhamos desemprego de quase 13%, o salário dos trabalhadores não aumentava, o salário mínimo não aumentava... Então, ele, na verdade, é um desarrumador de casa. Quem arrumou a casa fomos nós, que provamos que é possível aumentar o salário mínimo, o salário das categorias organizadas, que é possível fazer política de transferência de renda e, ao mesmo tempo, é possível controlar a inflação. É importante que o povo saiba claramente que o que está em jogo é um projeto de volta ao que nós já conhecemos há muito tempo neste país, a um passado em que os trabalhadores faziam greve e não ganhavam nada.

Eu cansei de fazer greve, às vezes nem inflação a gente recebia. Então, eu acho que o Guido e a presidenta Dilma têm dito, em todas as oportunidades que eu vejo eles falarem, que esta é uma crise do capitalismo, feita pelo sistema financeiro, no coração do sistema financeiro e que os trabalhadores não têm de pagar. Logo que saiu a crise, em 2008, o Gordon Brown (ex-primeiro-ministro do Reino Unido) fez uma visita ao Brasil e foi uma coisa que a imprensa deu muito destaque quando eu disse: olha, é importante que vocês saibam que não são os negros da África, os índios da América Latina os responsáveis por essa crise. Os responsáveis são os loiros de olhos azuis. E a Dilma tem dito categoricamente: não haverá prejuízo para o trabalhador brasileiro com essa crise. Apesar do negativismo da imprensa brasileira, há um reconhecimento no mundo inteiro do milagre que o Brasil fez. Embora o PIB não esteja crescendo tal como todos nós gostaríamos, a verdade é nós estamos com desemprego menor do que muitos países que conhecemos e são desenvolvidos. E esse é um valor extraordinário, emprego; e as pessoas ainda tendo aumento real de salário. Isso é muito importante. Todo mundo vê o Armínio falar de vez em quando “o salário mínimo está muito alto, cresceu em demasia”. O que ele quer? Não pode aumentar o salário mínimo? Fazer ajuste fiscal e fazer o trabalhador pagar o preço? No nosso governo não vai acontecer isso.

Ele também fala sobre diminuir os bancos públicos...

Mas é importante a gente lembrar que eles queriam privatizar todos os bancos públicos. O que incomoda para eles os bancos públicos? Quando estourou a crise em 2008, numa conversa que tive por telefone com o presidente Obama, comecei a mostrar que seria importante que os Estados Unidos tivessem um sistema financeiro mais ou menos igual ao nosso, que temos três bancos públicos fortes, e temos bancos privados fortes. Eu citava o Banco do Brasil, a Caixa, o BNDES como os três instrumentos que me permitiram acionar para tirar o Brasil da crise.

Logo que veio a crise, nós liberamos R$ 100 milhões do compulsório na expectativa de que o sistema financeiro utilizasse o dinheiro para financiar o mercado. O que aconteceu? Pegaram e compraram títulos do governo. Ou seja, fomos obrigados a fortalecer os bancos públicos. Foram o Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES que não deixaram este país entrar na bancarrota. São esses bancos que fazem o crédito para a agricultura, que financiam 'Minha Casa, Minha Vida', a agricultura familiar. Esses bancos têm uma importância extraordinária para este país. E eles querem acabar.

Na nossa visão de Estado, os bancos públicos têm um papel extraordinário de equilíbrio no mercado financeiro. Eles se incomodam porque o BNDES está emprestando muito dinheiro que eles gostariam de emprestar. Emprestem! Agora, se tiver gente precisando de dinheiro e os bancos não querem emprestar, o governo vai ajudar, porque queremos que se empreste para o desenvolvimento do país.

Então, eu acho que o povo tem de ficar alerta. O “arrumar a casa” deles é tirar aquilo que o povo conquistou neste período de 12 anos. É diminuir o papel dos bancos públicos, ou vender. Eles já queriam fazer isso 12 anos atrás. Eles querem vender o patrimônio do país e, por isso, eu acho que eles não vão ganhar as eleições, porque o Brasil aprendeu que os bancos públicos têm um papel extraordinário no desenvolvimento da nossa economia.

Esse debate muito concentrado em inflação, superávit, PIB não acaba marginalizando a discussão sobre a política industrial?

Na verdade, se discute política industrial, o governo tem propostas de inovação. Nós demos um salto de qualidade na indústria automobilística.

De vez em quando, vejo as pessoas dizerem que não tem investimento. Faz quatro anos consecutivos que o Brasil é o terceiro ou quatro país a receber investimento direto. Este ano, vamos chegar a US$ 67 bilhões. No tempo deles, acho que o máximo que conseguiram foi US$ 19 bilhões, e eles faziam festa.

Quando eu estava na Presidência, muitas vezes eu discutia com o Palocci (Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda), com o Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central), com o Guido (Mantega, então do Planejamento, hoje Fazenda), uma coisa que não é muito aceita pelos economistas. Você tem de discutir superávit e meta de inflação, sim, mas vamos discutir meta de inflação, e vamos discutir meta de crescimento. Tentar estabelecer compromisso de controlar a inflação e de fazer a economia crescer.

Não é uma discussão fácil, porque eles (economistas) acham que não combinam as duas discussões. É um debate que nós precisamos fazer. Se eu não tiver uma meta, eu não vou atrás. Quando eu estava na Villares (metalúrgica em que Lula trabalhou no ABC Paulista) a gente recebia um lote de peças e uma cartela que dizia em quantos minutos era para fazer cada peça. Então, eu acho que, na economia, nós também precisamos inovar. Vamos estabelecer meta de crescimento, de investimento, ciência e tecnologia, dar desafios para a gente mesmo cumprir.

Entraria emprego na meta do Copom, que considera basicamente a situação inflacionária?

Veja, o governo estabelece meta. O Banco Central só tem como instrumento os juros. Ou seja, o governo tem outro instrumento, que é cortar ou estimular o crédito. Quando chegamos na Presidência da República, no Brasil inteiro tinha apenas R$ 380 bilhões em oferta de crédito. Hoje, só o Banco do Brasil deve ter R$ 675 bilhões ou mais. Então, você tinha uma opção. Reduzir a taxa SELIC e cortar o crédito. Eu dizia: cortar o crédito é cortar na veia. A taxa SELIC pode demorar seis meses para surtir efeito. Agora, quando você corta o crédito é no dia seguinte. O cara não vai na loja comprar.

Então, eu era favorável... Aumentava a taxa SELIC e diminuía a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). A gente foi manuseando isso. E deu certo. A TJLP é bem menor que a taxa SELIC. A gente não pode usar a palavra “subsidiado” porque a Organização Mundial do Comércio vai encher o saco, mas você pega a Caixa Econômica, o 'Minha Casa, Minha Vida', se a pessoa tivesse de comprar uma casa de R$ 60 mil pelo sistema financeiro normal ela pagaria R$ 900 por mês. Ela paga R$ 50 porque é subsidiado. E se não for subsidiado, como o pobre vai ter casa? O Estado tem de assumir.

É como o programa 'Luz para Todos'. No tempo do Fernando Henrique Cardoso/PSDB, tinha o 'Luz no Campo', em que o cara tinha de pagar tudo. Ora, mas o cara que está no meio do mato não pode pagar nada. Vamos levar para ele. Isso custou quase R$ 20 bilhões aos cofres públicos, mas esses cidadãos têm o direito de serem tratados como o cara que mora na avenida Paulista, em Copacabana, ou na Marechal Deodoro... E nenhuma empresa privada vai levar energia se não tiver retorno. Então, o Estado tem de levar.

O debate econômico é estreito?

Acho que o debate econômico tem de ser mais plural. Hoje, nós não temos mais debate econômico porque você não tem economista, é só analista de mercado, analista de mercado, analista de mercado. O debate passa por isso. Tentamos fazer isso, e a Dilma tenta fazer, mapear quais os setores em que o Brasil é competitivo. Sabe o que acontece?

Vou te dar um exemplo. Na agricultura, o Brasil é altamente competitivo. Nós temos tecnologia, terra, água, sol. Esse é um setor em que o Brasil pode avançar. O setor de papel e celulose, podemos ter uma indústria extraordinária neste país. Na indústria química, o Brasil pode se tornar competitivo. Precisamos abrir novos mercados para que a gente possa competir com os chineses, os americanos, os alemães, naquilo que a gente pode competir.

E essa discussão de desenvolvimento tem de estar ligada ao debate econômico. Debate econômico não é só inflação, dívida pública... É discutir geração de emprego, poder do salário, ganhos sociais do povo brasileiro, industrialização, investimento em infraestrutura. A gente não pode deixar de lembrar que nós, em 12 anos, recuperamos a indústria naval brasileira. Em 1970, nós eramos a segunda indústria naval do mundo. Em 2000, a gente tinha acabado. 

E nós recuperamos, já está com 86 mil trabalhadores e vai continuar crescendo. Quando o Brasil tenta fazer, teima, consegue".

FONTE: do "Rede Brasil Atual"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/251879-1)

A TRAGÉDIA PAULISTA DA FALTA DE GOVERNO



A tragédia paulista da falta de governo

Por Luis Nassif

"São Paulo [governado pelo PSDB há décadas] tornou-se um buraco negro institucional. Praticamente todos os vícios que os grupos de mídia apontam no governo federal vicejam em São Paulo com muito maior intensidade, devido à falta de vigilância tanto da mídia quanto dos demais poderes.

Por aqui, consolidaram-se vícios de estados atrasados.

Por exemplo, no Ministério Público Estadual, o cargo de Procurador Geral do Estado (PGE) é um trampolim para uma futura secretaria de governo. Apesar da existência de procuradores aguerridos, há evidente subordinação do PGE ao grupo político que controla o Estado.

No caso dos grupos de mídia, a ideia fixa em se apresentar como condutora da oposição bloqueou a fiscalização de todos os atos de governo.

É por isso que se chegou à iminência do maior crime já cometido contra a população de São Paulo, que será o racionamento desorganizado de água que se prenuncia.

A falta de água, especialmente em regiões menos assistidas, exporá a população a epidemias, aumento da mortalidade infantil. Se se chegar a esse ponto e as estatísticas apontarem essa letalidade, Alckmin, Mauro Arce, a Secretária Dilma Penna, o presidente da Sabesp estarão expostos a processos criminais, sim.

Quando foi depor na CPI da Assembleia Legislativa, Dilma Penna mostrou o desconforto com a situação, deixou claro que a irresponsabilidade vinha do governo do Estado, não dela. No dia seguinte, notas em jornais davam-na como demissionária por ter “perdido o comando”, sabe-se lá sobre o quê.

Incúria ocorreu nos últimos anos, com o descaso da SABESP em relação a um problema anunciado desde 2004. Mas, nos últimos dois anos, a crise estava posta e a falta de ação enquadra-se em crime muito mais grave.

Por conta do período eleitoral, o médico Alckmin não cuidou de planejar um rodízio preventivo, responsável. Pensasse um pouco maior, aproveitaria o momento para ser o verdadeiro líder, que não foge do problema e comanda a reação contra o adversário: a falta de água. Em vez disso, fugiu da questão e de suas responsabilidades por mero oportunismo eleitoral.

Nos últimos anos, São Paulo viveu a maior enchente da sua história. A razão foi a imprevidência do então governador José Serra, cortando verbas destinadas ao desassoreamento do Tietê. Essa razão básica foi sonegada dos paulistanos pela mídia.

Em nome da luta política maior, todos os demais problemas paulistanos foram varridos para baixo do tapete, o desmonte das universidades estaduais, dos institutos de pesquisa – Agronômico, Butantã -, das instituições de planejamento – Fundação Seade, Cepam, Emplasa -, do Museu do Ipiranga, do Instituto Butantã, da Fundação Padre Anchieta, o aparelhamento da estrutura cultural.

Além disso, o discurso viciado, preconceituoso e agressivo da mídia modelou o personagem médio mais execrável do cenário político brasileiro: o cidadão que tirou o preconceito do armário e invadiu as ruas armado da agressividade mais inaudita.

São Paulo não é isso.

Esse exército de zumbis floresce em uma sociedade organizada, com movimentos sociais de vulto, vida cultural dinâmica, uma parte da elite moderna, de ONGs que fazem trabalhos exemplares, algumas cabeças empresariais arejadas.

Esse circo de horrores foi modelado por uma mídia que perdeu qualquer noção de responsabilidade."

FONTE: escrito por Luis Nassif no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/a-tragedia-paulista-da-falta-de-governo) [Trecho entre colchetes no 1º parágrafo acrescentado por este blog 'democracia&política'].