sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PIB - FMI REVELA: BRASIL E MAIS TRÊS BRICS ENTRE OS SETE PAÍSES MAIS RICOS DO MUNDO





do "Diário da Rússia":

Quatro BRICS aparecem entre os sete mais ricos do mundo 

[O Brasil é o 7º, à frente da França, Reino Unido, Itália, Espanha, segundo o FMI]

China, Índia, Rússia e Brasil estão no Top10 do FMI

"O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou este mês a lista dos 10 países mais ricos do mundo segundo a sua base de dados. O ranking dos maiores Produtos Internos Brutos é encabeçado pela China, com US$ 17,632 trilhões, e tem outros três dos cinco países dos BRICS entre as sete primeiras nações. A Índia aparece em terceiro, com US$ 7,277 trilhões. A Rússia aparece em sexto, com US$ 3,559 trilhões, e o Brasil em sétimo, com US$ 3,073 trilhões.

Segundo a lista do FMI, os Estados Unidos são o segundo país mais rico do mundo, enquanto o Japão é o quarto; a Alemanha, o quinto; a França, o oitavo; a Indonésia, o nono; e o Reino Unido, o décimo.

A China foi o país cujo PIB mais cresceu desde 2008 entre os Top10 dos mais ricos. A alta chinesa ficou em 79,% nos últimos seis anos. A Índia registrou um crescimento de 62% no período; a Rússia, 15,4%; e o Brasil, 25%".

FONTE: do "Diário da Rússia". Transcrito no "Patria Latina"  (http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=cc1d70ad9d0ce820738dc9ffc4053a76&cod=14533). [Título e trecho entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

CONTRA A HISTERIA: 7 MITOS DA REELEIÇÃO




Contra a histeria: 7 mitos da eleição

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

"Todo mundo sabe que não acredito em jornalismo “isento”. A não ser que seja isento de impostos (a Globo, parece-me, acreditou que era isenta de certos impostos).

Mas essa eleição trouxe alguns exemplos de que, mesmo assumindo posições claras em favor de um ou outro candidato, os jornais e a mídia convencional (e também os blogs e ativistas digitais) podem guardar espaço para trabalhar de forma honesta com a informação.

A “Folha”, por exemplo – apesar do episódio lamentável com Xico Sá – parece ter recuado em sua fúria antipetista durante a campanha de 2014. E abriu espaço para reportagem e opiniões divergentes. Lembremos que foram da “Folha” as informações sobre o Aeroporto de Cláudio e sobre o suposto pagamento de propina para Sérgio Guerra (PSDB)…

Agora, reproduzo material muito interessante publicado pela turma de José Roberto Toledo, no “Estadão”. Não conheço Toledo pessoalmente, mas está evidente que faz um trabalho correto – sem brigar com os fatos.

Confiram o texto – que ajuda a desmontar a histeria que certos setores (minoritários, diga-se) do tucanato procuram disseminar":

Os sete mitos das eleições de 2014

Por José Roberto Toledo, Daniel Bramatti, Daniel Trielli, Diego Rabatone, Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli, no Estadão.


"Mais perenes do que qualquer partido ou movimento político, algumas ideias sobre o que move os eleitores se repetem a cada eleição. No entanto, dados e detalhamentos das votações desafiam esse senso comum. O "Estadão Dados" analisou 7 erros mais repetidos.


Mito 1: Foi o Nordeste que elegeu Dilma

É claro que o desempenho de Dilma no Nordeste foi crucial para a sua vitória – lá, ela teve 20 milhões de votos no segundo turno, o que correspondeu 72% do total de válidos. Mas a presidente reeleita obteve um apoio razoável em todas as cinco regiões. Seu menor porcentual de votos válidos foi no Sul, onde ela teve o apoio de 41% dos eleitores que escolheram um candidato. Na verdade, a impressão de que o Nordeste sozinho é o grande responsável pela reeleição de Dilma é fortalecida quando se vê o mapa eleitoral de cada Estado pintado por quem teve o maior porcentual de votos ali. Nesse mapa, metade do Brasil aparece pintado de azul, como se ela tivesse ido em direção totalmente oposta à outra metade, vermelha. O deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB-SP) chegou a defender a independência do Sul e do Sudeste por causa disso. Mas, na verdade, dos dez Estados em que Dilma obteve menor votação, apenas três estão nessas regiões: SC, SP e PR. Todos os outros estão ou no Norte ou no Centro-Oeste. (...)

Mito 2: Palanque estadual influencia eleitores

Pesquisas e resultados eleitorais voltaram a demonstrar que a maioria dos eleitores não faz conexão entre o voto para presidente e para governador. Apesar da prática tradicional dos presidenciáveis de buscar “palanques fortes” nos Estados – alianças com candidatos a governador -, não há evidências de que isso renda votos. Apoiado por praticamente toda a cúpula do PMDB do Rio de Janeiro, o tucano Aécio Neves buscou popularizar a chamada “chapa Aezão”, na esperança de que os eleitores de Luiz Fernando Pezão votassem também nele. Os mapas de votação de ambos, porém, mostram que não houve sintonia eleitoral. Pesquisa Ibope divulgada pouco antes do 2º turno mostrou que, dos eleitores de Pezão, seis em cada dez pretendiam votar em Dilma Rousseff. Marcelo Crivella, adversário do peemedebista, fez campanha explícita para Dilma – mas isso não impediu que cerca de 40% de seus eleitores manifestassem intenção de votar em Aécio.

Mito 3: Pesquisas erram resultado da urna

Embora alguns insistam que as pesquisas de intenção de voto consistentemente erram o resultado das urnas, não é o que mostram os dados – tanto os das eleições de domingo quanto os históricos. A vitória de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência foi prevista pelo Ibope, que atribuía a ela 53% da preferência do eleitorado. Dilma recebeu 52% dos votos válidos, portanto dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais.O Datafolha também atribuía favoritismo à petista, embora ela estivesse no limite do empate técnico com Aécio Neves (PSDB). Ambos os institutos descreveram, por meio dos números, a campanha do 2º turno: Aécio começa à frente, carregado pelo embalo do 1º turno, em que teve votação superior ao esperado. Dilma se recupera na última semana, com uma insuficiente reação de Aécio na véspera do pleito. Para os institutos, os números exatos importam menos que o movimento descrito pelas curvas de intenção de voto de cada candidato. Sem elas, é impossível analisar qualquer campanha. Desde 2002, a diferença média da sondagem de véspera do dia da eleição de Ibope e Datafolha para o resultado do 2º turno é de um ponto porcentual – portanto dentro da margem de erro. Assim, os institutos acertaram os resultados das eleições em todos os anos, mesmo em 2014, na disputa mais acirrada da história.

Mito 4: Votos nulos são sinal de protesto

Após os protestos que tomaram as ruas das principais cidades do País em junho de 2013, analistas e cientistas políticos previram aumento significativo de votos nulos na eleição deste ano. Isso não ocorreu: foram 4,4% de nulos em 2010 e 4,6% em 2014 – a comparação leva em conta os dois segundos turnos da disputa presidencial. É claro que muitos indivíduos podem anular o voto como forma de protesto. Mas as estatísticas indicam que parcela significativa dos nulos se deve a erros no momento do voto. Uma evidência disso é a diminuição dos votos anulados entre o 1º e o 2º turnos das eleições – entre uma e outra etapa, o número de cargos em disputa cai de cinco para apenas um ou dois, o que reduz a complexidade do manejo da urna eletrônica. Outro indício é o fato de que a taxa de nulos para deputado estadual – o primeiro cargo na ordem de votação – é sempre mais baixa, já que são contadas como voto na legenda as tentativas equivocadas de digitar os números de presidenciáveis.

Mito 5: Família Campos transfere votos

O tucano Aécio Neves lançou sua campanha no 2º turno em Pernambuco, onde recebeu o apoio da viúva e dos filhos de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB até agosto, quando morreu em um acidente aéreo. Os líderes do PSDB esperavam que a família Campos e a máquina do PSB no Estado proporcionassem uma vitória a Aécio no Nordeste, assim como já havia ocorrido com Marina Silva, primeira colocada em Pernambuco no 1º turno. A estratégia não deu resultados. Aécio teve entre os pernambucanos apenas 29,8% dos votos, resultado próximo da média que obteve em todo o Nordeste: 28,3%. O tucano ganhou em apenas uma cidade pernambucana: a pequena Taquaritinga do Norte, onde obteve 7.340 votos, 432 a mais do que a presidente Dilma Rousseff (PT). Em Recife, onde Marina havia obtido 63% dos votos no 1º turno, Dilma venceu na segunda rodada da disputa por 60% a 40%.

Mito 6: Minas Gerais elege presidente

Mesmo se ganhasse seu Estado natal, Aécio Neves (PSDB) ainda teria dificuldade em se eleger. Dilma Rousseff (PT) teve 52,4% no Estado, e o tucano teve 47,6%. Se ele tivesse invertido esse resultado e ganhado os 550.601 votos que ela ganhou a mais em Minas, ainda faltariam 2,3 milhões de eleitores no resto do Brasil. Na votação total de Aécio, Minas representa 11%, menos que a soma de Santa Catarina e Bahia. Só uma vitória distante em Minas, de 63% a 37%, daria a Aécio os votos necessários para ganhar de Dilma. Com esse resultado – quase igual ao do Estado de São Paulo (64% a 36%) –, ele teria 52.771.137 de votos em todo o Brasil, um a mais que Dilma. Mas uma vantagem tucana como essa não acontece em eleições presidenciais em Minas desde que Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994, no primeiro turno. Naquele ano, derrotou Lula no Estado por 65% a 22%. Nem em sua segunda vitória de primeiro turno, em 1998, Fernando Henrique repetiu o resultado: foi 56% a 28%.

Mito 7: Abstenção é alta e demonstra apatia

Ao fim de todas as eleições, analistas correm para declarar que cerca de um quinto da população decidiu não votar. O número se baseia na abstenção divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, os eleitores que não foram às seções eleitorais. Historicamente, a abstenção gira em torno de 20% e o número não varia muito de eleição para eleição. Essa análise é falha porque atribui às abstenções um peso político maior que o que de fato têm. Isso porque o suposto não comparecimento às urnas tem mais a ver com uma falha no cadastro eleitoral do TSE que com a falta de engajamento político. A abstenção foi menor em 2014 precisamente nos municípios que passaram recentemente pelo recadastramento biométrico — em que os eleitores registram na Justiça Eleitoral suas impressões digitais. O recadastramento remove da lista do tribunal eleitores que já morreram, e que, naturalmente, não podem aparecer para votar.

P.S.: De todos itens acima, só discordo – em parte – do Item 3. Pesquisas erram, sim! Erraram muito no primeiro turno, e menos no segundo. E há os casos estranhíssimos da Sensus e Veritá, que davam vantagem de 8 a 15 pontos a Aécio quando todo mundo sabia que a eleição estava empatada – com leve vantagem para Dilma".


FONTE: escrito por Rodrigo Vianna, no seu blog Escrevinhador. Transcrito no "Blog do Miro" (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/10/contra-histeria-7-mitos-da-eleicao.html).

CONSUMIDOR SEM ÁGUA, MAS ACIONISTAS ESTRANGEIROS E NACIONAIS DA SABESP GANHAM MUITO




Consumidor fica sem água, mas Sabesp vai muito bem nos lucros

A crônica de um fracasso

Por Heitor Scalambrini Costa*

"Governos têm sucesso quando executam políticas públicas que respondem aos desafios apresentados, e criam assim condições para um futuro melhor. No caso do que se convencionou chamar de "crise de desabastecimento de água em São Paulo", algumas características desse evento foram sendo delineadas, e hoje estão bem definidas.

O sistema Cantareira, que abastece 364 municípios paulistas, de um total de 645, atendendo 27,7 milhões de pessoas que respondem por 73% da receita da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo detém 50,26% das ações da companhia, e os outros 49,74% estão nas mãos de acionistas privados, estrangeiros e nacionais), poderá deixar 6,5 milhões de paulistanos sem água em suas torneiras.

A culpa é menos de São Pedro do que do governo de São Paulo que administra a Sabesp, e que subestimou os impactos das mudanças climáticas, da extração desordenada e descontrolada de recursos hídricos, da falta de conservação e proteção dos mananciais, e, não menos relevante, da poluição.

Faltaram [em benefício dos dividendos e lucros imediatos dos acionistas] planejamento estratégico na gestão integrada e compartilhada dos recursos hídricos, e os investimentos necessários em obras que poderiam ter amenizado o racionamento existente (sobre o qual o presidente da Sabesp demonstrou descaso ao dizer que “Não existe racionamento, existe uma administração da disponibilidade de água”).

Em 2004, uma série de seminários com especialistas debateram a crise de 2003 do sistema Cantareira, e apontaram para a necessidade de ampliar a disponibilidade de água do sistema, indicando que o melhor caminho para isso era buscar água no Vale do Ribeira através de uma obra que demoraria aproximadamente 10 anos para ser estudada, projetada e concluída, mas que, caso tivesse sido realizada, provavelmente não haveria problema de escassez de água como ocorre atualmente.

E a falta de transparência ficou evidenciada, mais do que nunca, quando foi tornado público um relatório de 2012 da própria Sabesp, revelando o risco de desabastecimento no sistema Cantareira, e alertando investidores da Bolsa de Valores de Nova York para a estiagem prevista e seus impactos nas finanças da empresa. Somente encarou o problema a partir do inicio de 2014, quando criou um bônus para quem economizasse água.

A irresponsabilidade técnica e gerencial da empresa merece ser destacada. O plano enviado a ANA (Agência Nacional de Águas) para operar o sistema Cantareira até abril de 2015 não tem amparo adequado na realidade.

A probabilidade de recuperação do sistema é altamente arriscada, com um cenário traçado que já não se confirma neste mês de outubro (2014).

A arrogância e soberba dos gestores da água em São Paulo levaram a Justiça Federal a proibir a captação da segunda cota do volume morto do sistema Cantareira, já que a empresa vinha captando mais água que o autorizado.

Tudo se faz para não decretar oficialmente o racionamento, nem prejudicar o valor de suas ações na bolsa. A água é tratada como um mero “negócio”, não como um bem coletivo.

Apesar dos problemas verificados nos anos 2000, o que se constatou foi um aprofundamento ainda maior da política da água como mercadoria, e da empresa a serviço do mercado e de interesses políticos escusos, com diretorias indicadas por esses interesses inconfessos, sem nenhuma abertura para um planejamento técnico sério, vinculado às necessidades da população.

Prova disso é o quadro funcional da Sabesp, reduzido de 21 mil trabalhadores para 14 mil. Em particular, o setor de engenharia e operação foi diminuído a ponto de, atualmente, várias unidades terem um quadro de técnicos capacitados abaixo da necessidade para a atividade fim da companhia.

Por outro lado, no último balanço divulgado foi comemorado um lucro de 1,9 bilhões de reais da companhia, mostrando que do ponto de vista mercadológico a empresa vai bem...[E Alkmim, como bom e típico tucano, amigo "do mercado", ainda quer mais lucros para esses acionistas, propugnando para Dilma que o governo federal abdique dos impostos...]

O centro da questão está na malfadada gestão dos recursos hídricos de responsabilidade do governo do estado de São Paulo.

Não por acaso, o Ministério Público possui, segundo a Promotoria de Justiça do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente, 50 investigações sobre a gestão da água feita pela Sabesp.

A mercantilização de um bem essencial a vida, cujo lucro, ao invés de usar na realização de obras, paga dividendos a acionistas e especuladores é que tem provocado uma crise de tal dimensão, e consequentemente o sofrimento da população paulista".

FONTE: escrito por 
Heitor Scalambrini Costa*, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Publicado no portal "Viomundo" (http://www.viomundo.com.br/denuncias/consumidor-fica-sem-agua-mas-sabesp-vai-bem-nos-lucros.html). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

COMPLEMENTAÇÃO

“Os anos recentes têm sido generosos com os acionistas da Sabesp”



Do Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ

"A grave crise de abastecimento hídrico atravessada atualmente pelo estado de São Paulo merece atenção de todo o país, bem como esforço amplo para a superação do problema.

O baixo nível dos reservatórios do sistema Cantareira ameaça o fornecimento de água para cerca de 14 milhões de pessoas da região metropolitana da capital e de outros 12 municípios, como Campinas, Piracicaba e Itu.

Por mais que devamos nos preocupar com o aquecimento global e adotar políticas ousadas para seu enfrentamento, não é essa – nem meramente a falta de chuvas – a principal razão para a pane no sistema de abastecimento de água.

A Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque, é categórica: a crise hídrica em São Paulo é de responsabilidade direta do governo estadual.

A avaliação do Ministério Público é semelhante. A promotora Alexandra Facciolio afirma: “Estamos passando por esta situação porque o planejamento falhou. Não foi feito o que era necessário”.

Segundo diversos especialistas, os vinte anos de gestão estadual do PSDB não providenciaram os investimentos necessários para garantir o equilíbrio do sistema de abastecimento de água, com capacidade de suportar períodos de estiagem.

A privatização da gestão, controle e distribuição da água, transformada em ativo financeiro e objeto de especulação nas bolsas de valores, é uma das maiores razões para isso.

Para a Relatora da ONU, “os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito”, ao invés de remunerarem lucros de acionistas da Sabesp, empresa mista responsável pela gestão do sistema, e que tem quase 50% de suas ações distribuídas entre bolsas de SP e de Nova Iorque.

Segundo o economista Bruno Peregrina Puga, “os anos recentes têm sido generosos com os acionistas da Sabesp, sempre pagando um payout elevado, ao passo que o investimento não tem acompanhado a mesma intensidade crescente do lucro”.

Além disso, estudo da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que o desmatamento intenso de quase 80% da vegetação nativa da bacia hidrográfica da Cantareira é um dos responsáveis diretos pela crise de abastecimento.

Com pouca vegetação, a floresta não consegue desempenhar o seu papel, de reabastecer os lençóis freáticos e impedir a erosão do solo e o assoreamento de rios, protegendo as nascentes e todo o fluxo hídrico. Mais uma grave omissão do poder público – inclusive deste Congresso Nacional, que produziu grave retrocesso ambiental nesta Legislatura, ao aprovar, em 2012 (com a nossa oposição), o novo Código Florestal, que criou condições mais favoráveis ao desmatamento e assoreamento de rios.

Além da instrumentalização mercantil e financeira, há evidência de grave e ilegal ingerência política eleitoreira sobre a Sabesp, em prejuízo da transparência da gestão pública.

Diante dos áudios em que a diretora-presidente da SABESP, Dilma Pena, declara ter recebido ordens do governo do estado para "esconder a grave crise de abastecimento de água em São Paulo", fica claro que o governo do PSDB colocou seus interesses eleitorais acima do interesse público.

Com esse fundamento, o Deputado Carlos Giannazi, líder da bancada do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de SP, protocolou, no dia 24, pedido de cassação do mandato do governador Geraldo Alckmin por crime de responsabilidade, com base na legislação federal e estadual, além de Representação no Ministério Público Estadual, pedindo que o órgão responsabilize criminalmente, e por prevaricação, a presidente da SABESP e o próprio governador.

Por mais que o governo tucano tenha tentado esconder, a falta de água já era sentida há tempos, em especial na periferia, em bairros como Itaquera, Carapicuíba e Campo Limpo, conforme denuncia Guilherme Boulos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

A população de Itu, no interior, foi a primeira a sofrer com o problema, desde setembro do ano passado, enfrentando racionamentos prolongados e imprevisíveis, que afetam da merenda escolar à ida de estudantes ao banheiro nas escolas, da dificuldade de lavar roupas e tomar banho às filas enormes e ininterruptas na bica de água da cidade.

Na raiz da escassez, a falta de transparência e de investimentos do poder público e da empresa privada que é concessionária do serviço de abastecimento de águas na cidade desde 2007.

Como infelizmente tem sido praxe, os governantes têm respondido com violência, e não com políticas públicas adequadas, à revolta popular que ocorre em Itu pelo direito à água.

Várias pessoas foram presas nos protestos, e há casos de ativistas que têm sofrido ameaças e agressões físicas e psicológicas da polícia militar e da guarda municipal de Itu. Foi o caso de Everson Guarnieri Júnior, 20 anos de idade, membro do movimento “Itu Vai Parar”, vítima de golpes de cacetete por parte da PM e que teve seus piercings arrancados com alicate no centro de detenção provisória de Sorocaba, do qual saiu com diversos ferimentos.

Nesse cenário, manifesto todo apoio à representação do Deputado Carlos Giannazi contra a cúpula do governo de SP e da Sabesp, e toda solidariedade ao movimento “Itu vai parar”, que apresenta demandas cobertas de justiça e urgência:

i. O decreto do estado de calamidade pública em Itu;
ii. O rompimento do contrato com a empresa concessionária e o fim da concessão;
iii. O fim da exploração da água para o lucro; e 
iv. A participação popular no Comitê de Crise formado pela prefeitura e Estado de São Paulo para a gestão da água em Itu.

Água é direito humano, essencial à vida, não pode ser mercadoria!

Agradeço a atenção,

Sala das Sessões, 28 de outubro de 2014.
Do Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ" 

FONTE da complementação: texto do Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ transcrito no portal "Viomundo"  (http://www.viomundo.com.br/denuncias/chico-alencar-apoia-pedido-de-impeachment-de-geraldo-alckmin-os-anos-recentes-tem-sido-generosos-com-os-acionistas-da-sabesp.html).

OCULTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELO STF NO MENSALÃO TAMBÉM FEZ JUSTIÇA ITALIANA SOLTAR PIZZOLATO




Ocultação de documentos fez justiça italiana soltar Pizzolato

Por Miguel do Rosário,

"A mídia brasileira manda uma porção de repórteres para a Itália, para atazanar Andrea Haas, esposa de Henrique Pizzolato, ou para acompanhar a decisão da Justiça local, e não apura nada.

Porque a nossa imprensa não manda jornalistas à Itália para investigar, mas para manter a farsa de pé.

A decisão da justiça italiana que soltou Pizzolato foi, como sempre, distorcida.

Focaram apenas num dos argumentos da defesa, que é a precariedade terrível das prisões brasileiras.

Em comentário do post anterior sobre o mesmo assunto, um leitor nos dá o link de matéria publicada num jornal italiano.

Enquanto a íntegra da sentença não é liberada, temos que garimpar pedrinhas de informação aqui e lá, e jogar fora tudo que vem da mídia brasileira, que só sabe mentir, distorcer e manipular, sobretudo quando o tema é a Ação Penal 470, uma grande farsa na qual, ela mesma, a imprensa brasileira, é uma das artífices principais.

Pois bem, entre os argumentos da defesa aceitos pela Justiça Italiana, e que a mídia escondeu, está a ocultação, em detrimento do réu, das provas colhidas em inquérito paralelo – o 2474.

Ou seja, a Pizzolato foi negado, durante fase decisiva do processo, o acesso ao Laudo 2828, e a outros documentos que provavam sua inocência. Esses documentos foram escondidos no Inquérito 2474, o famoso "gavetão", que só hoje está sendo liberado ao público.

O Inquérito 2474 era um aprofundamento das investigações sobre o mensalão (ao contrário do que alegaria Joaquim Barbosa, que mentiu descaradamente sobre o tema [para agradar à mídia tucana]). Ele trazia elementos que permitiriam à Justiça, aos réus e à sociedade, entender o contexto das denúncias, num quadro maior. E trazia documentos, reitero, que inocentavam Pizzolato, como o Laudo 2828, feito pela Polícia Federal, a pedido do próprio Joaquim Barbosa e da Procuradoria, e que atestava categoricamente a inocência de Pizzolato e Gushiken.

Pizzolato não era o responsável pela movimentação dos recursos do Fundo Visanet, que, aliás, ao contrário do que oportunisticamente fingiu entender o STF, era de natureza privada (sobre isso, há até um episódio divertido, descrito no post “O dia em que Ayres Brito tomou LSD“).

As únicas provas contra o ex-diretor de marketing do BB foram assinaturas suas em memorandos internos, não deliberativos, sobre o Visanet. Mas esses memorandos continham assinaturas de outros diretores do BB, que nunca foram citados na Ação Penal 470.

Os documentos definitivos sobre os verdadeiros responsáveis (entre os quais não está Pizzolato) pelos recursos do Fundo Visanet foram criminosamente ignorados pelo STF.

Outro argumento da defesa aceito pela Justiça italiana foi a violação do duplo grau de jurisdição. Pizzolato não tinha mandato político e, portanto, deveria ser julgado em primeira instância, e não num STF transformado em tribunal midiático [tucano] de exceção.

Pizzolato não podia [para o show de Joaquim Barbosa], porém, ser inocentado porque a sua participação no desvio dos recursos do Fundo Visanet constituem o pilar de toda a Ação Penal 470.

Por isso, ele tinha que ser condenado de qualquer jeito, e os documentos que provavam sua inocência tinham que ser ocultados.

Conforme esperávamos, a Justiça italiana, infensa às pressões da mídia brasileira, começa a desmontar a farsa".

FONTE: escrito por Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho"  (http://www.ocafezinho.com/2014/10/30/justica-italiana-soltou-pizzolato-por-erros-do-stf/).

MÍDIA ESCONDE ENTREVISTA COM PIZZOLATO



Mídia esconde entrevista com Pizzolato

Por Miguel do Rosário

"O jornalista Jamil Chade, do 'Estadão', fez uma entrevista com Pizzolato. Quer dizer, ao menos é ele que assina a matéria. O texto, contudo, parece escrito por um italiano que ainda não domina o português, de tantos erros de sintaxe [este blog tentou corrigir alguns], embora nada que comprometa a compreensão. A displicência apenas revela o constrangimento da mídia com as possíveis consequências da soltura de Pizzolato.

E, ironia das ironias, após a mídia gastar sabe-se lá quanto, pagando correspondentes na Itália para acompanhar o caso Pizzolato, e fazendo de tudo para obter entrevistas ou imagens de Andrea Haas, mulher de Pizzolato, quando alguém consegue enfim uma entrevista com o próprio, ela é escamoteada. Não recebe nenhum destaque, nem no próprio 'Estadão'.

Isso porque Pizzolato é a ponta solta que pode fazer ruir a farsa que foi o julgamento do mensalão.

A própria presidenta Dilma agora aprendeu, na própria pele, o que é ser vítima de uma farsa.

Por pouco, não perdeu as eleições por causa de uma armação entre mídia e setores corrompidos do próprio Estado.

Houve corrupção na Petrobrás, como infelizmente há em qualquer estatal ou empresa privada, mas as investigações têm de ser conduzidas com isenção, sem acusar ninguém sem provas, e, sobretudo, sem a tentativa vil de manipular depoimentos com objetivos políticos ou eleitoreiros.

Na entrevista, Pizzolato aborda pontos que, se houvesse imprensa de verdade no país, teriam de ser discutidos.

Por exemplo, ele observa que o Banco do Brasil tinha nove sistemas de controle, o que tornava impossível o desvio dos recursos do "Fundo Visanet", ou de qualquer recurso do BB, sobretudo a partir de um funcionário subalterno, como ele era. Desviar R$ 74 milhões, então, é uma acusação surreal.

Pizzolato também fala da ocultação de provas. A imprensa brasileira, cúmplice e artífice desse crime, não tem interesse em informar ao público que provas foram essas, quando foram ocultadas e porque foram ocultadas.

Mas o PT e o governo, que foram vítimas de uma farsa cujo objetivo sempre foi o desgaste político, têm obrigação moral de retomar esse processo, sob o risco de outras farsas se repetirem. Como, aliás, já estão tentando fazer.

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, quis fugir do confronto com a mídia, mandando cortar cabeças de subordinados, antes mesmo de qualquer provas contra eles, e quase teve a sua própria cabeça cortada.

A mesma coisa vale para a presidente Dilma.

A parte da entrevista que fala em ameaças pode enganar coxinhas. Pizzolato foi “ameaçado” por setores corrompidos e acuados do Estado, como o Ministério Público e o STF, além da mídia.

"Estadão": Entrevista - Henrique Pizzolato

O Ex-diretor criticou a Justiça brasileira e elogiou a da Itália. ‘Ela não se deixa levar pelo o que jornais ou TVs veiculam

Pizzolato é libertado e critica o processo do mensalão: ‘Foi injusto, esconderam provas’

Por Jamil Chade, no Estadão.

Bolonha (28/10)– “Não fugi. Salvei minha vida”. Quem declara isso é Henrique Pizzolato ao deixar a prisão de Modena hoje às 20.30 e insiste que está “com sua consciência tranquila”. Caminhando lentamente e perdido em busca de sua esposa que chegaria instantes depois, ele perambulava pelo estacionamento da prisão Sant Anna de Modena sem destino, enquanto era indagado por jornalistas.

Na tarde de hoje, o Tribunal de Bolonha rejeitou um pedido do governo brasileiro de extraditar Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil e condenado a doze anos e sete meses no caso do Mensalão.

Mais gordo, mais envelhecido e carregando três sacolas com seus pertences, ele não economizou ataques ao Brasil e chegou a dizer que “nem sabia” que Dilma Rousseff havia vencido a eleição.

Antes, dentro da corte, num púlpito debaixo da frase estampada na parede do tribunal “A Lei é igual para todos”, Pizzolato insistiu que era inocente.

Sua liberação foi comemorada pela família. Quem não escondia sua emoção era João Haas, sogro de Pizzolato. “Henrique chorou copiosamente”, disse Haas, que acompanhou o julgamento ao lado de sua filha Andrea, mulher do ex-diretor.

Ele, porém, fez questão de sair ao ataque contra Dilma. “O PT e a presidente Dilma abandonaram Pizzolato. Espero que agora o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) coloque a mão na consciência.” “Eu estou resgatando minha família, que foi estraçalhada pelo STF", insistiu. Após a decisão, Andrea e Pizzolato se abraçaram.

Ao deixar a prisão, Pizzolato falou pela primeira vez desde que foi condenado, há um ano. Eis os principais trechos:

Como o Sr. se sente?

Por favor, me deem um pouco de paz. Vocês já fizeram o trabalho de vocês. Eu não pedi para vocês trabalharem.

O Sr. tem rancor em relação a alguém?

Não, tenho indiferença. O rancor não leva nada a ninguém. Rancor para quê? Para ficar doente, para eu ficar mal? Eu tenho é pena das pessoas que fizeram isso. Das pessoas que agem com prepotência. que têm soberba. Quanto a essas pessoas, eu tenho pena e sou indiferente.

Quem agiu com soberba?

Se você adivinhar um, ganha um fusca.

O Sr. acha que foi injustiçado?

O Sr tem dúvida? Eu fiz meu trabalho no banco [do Brasil] e o banco não encontrou nenhum erro no meu trabalho. O banco sempre disse que não sumiu um centavo. Não é um banco pequeno, e o maior banco da América Latina. É um banco que tem nove sistemas de controle. Na minha diretoria, tinha "complyance", tinha uma diretoria de controle, tinha auditoria interna, auditoria externa, tinha conselho fiscal, tinha conselho de administração, tinha comissão de valores mobiliários, tinha Tribunal de Contas da União, tinha assembleia de acionistas, e como o banco tem ações em Nova York, tinha que prestar contas inclusive ao sistema americano. Ninguém encontrou um centavo que tivesse desviado em dez anos. o que que vocês acham?

O Sr. se sente abandonado por alguém? Seu sogro acusou Dilma.

Ele é maior de idade e fala por ele.

O Sr. recebeu apoio do PT?

Não pedi.

O Sr. ficou feliz com a reeleição de Dilma?

Nem sabia. Obrigado pela novidade.

Valeu a pena fugir?

Eu não fugi, eu salvei minha vida. Qualquer um teria feito isso.Você acha que salvar a vida não vale a pena?

O Sr. estava sendo ameaçado?

O que você acha?

O senhor estava sendo ameaçado de morte então?

Não sei, pergunte aos brasileiros, o que eles fizeram.

A quem o senhor recomenda que a gente pergunte isso?

Aos 210 milhões de brasileiros

Quem que ameaçou o senhor?

Ninguém me ameaçou. Eu não preciso de ameaça. Eu sei ler as coisas.

O que o senhor pretende fazer a partir de agora?

Agora, eu pretendo, dormir.

O que o Sr. acha da Justiça italiana?

Muito melhor que a brasileira. Aqui, o juiz não se deixa comandar pela imprensa. Aqui, o que vale é a prova e a lei. Aqui não se faz como no Brasil que esconde documentos de um inocente.

Modena é uma cidade que lhe deu sorte?

Modena é, infelizmente. Primeiro, eu gostava de Modena por causa do Pavaroti, pelo vinagre balsâmico, pelo Lambrusco, pela paisagem, pela arquitetura belíssima, tantas obras de arte e [depois] 
pelos muitos advogados que foram bravos, fizeram o seu trabalho e conseguiram mostrar a verdade sobre os fatos.

Permanecerá na cidade?

Não tenho certeza, mas longe não irei.

Ficará na Itália, certamente…

Mas existem muitos lugares belos aqui; a Itália é belíssima. Eu gosto daqui. Se vocês querem saber o que pretendo fazer, no dia 15 do próximo mês vai fazer cem anos da morte do irmão do meu avô, na primeira guerra. E o meu avó sempre quis…

No Vêneto?

No norte do Vêneto, no Monte Beluno e o meu avó sempre quis encontrar o lugar onde ele foi ferido, pois sua família sofreu muito. E eu lhe prometi que encontraria uma forma de ir até lá. E agora tenho três coisas a fazer: pagar essa promessa com meu avó, depois, quem sabe, irie até Padre Pio orar e agradecer padre Pio, pois Deus me deu uma sorte grandíssima, uma mulher que eu não sei se é um anjo ou uma santa, que me ajudou e esteve sempre comigo a vida inteira e vou orar um pouco por toda essa gente que pensa que pode resolver os problemas com armas, com a raiva, com a injustiça.

A sua consciência está limpa?

Limpíssima. E nunca perdi uma noite de sono por causa da minha consciência

Agora falta uma parte que é o passaporte em nome do seu irmão. O que lhe pode acontecer por isso?

Não sei. Isso não compete a mim. Pergunte às autoridades, você que têm estado tanto tempo aqui...

O senhor acha que valeu a pena ter vindo para cá, pois alguns dos réus do mensalão já estão deixando a prisão?

Não sei. Cada um toma a decisão de acordo com sua cabeça. Eu agradeço a Deus, que sempre esteve comigo e me ajudou. Deu-me a luz a paz e estou feliz.

Como foram esses seis meses na prisão?

Eu não fiquei na prisão.

O que o senhor considera que era o Cárcere Santana?

Melhor do que passar oito anos no Brasil sem poder sair de casa sem ser agredido por alguém. Sem ser torturado nas ruas.

Melhor a cadeia aqui, em Modena?

Muito melhor a cadeia em Modena, pois aqui ninguém me agredia quando uma notícia falsa aparecia em notícia no jornal, ou uma televisão dizia mentiras. Isso não se faz com as pessoas. As pessoas quer têm a mídia nas mãos devem saber que um dia poderão também passar por isso, tornar-se prisioneiro em sua própria casa. Passei oito anos sem poder sair de minha casa. Porque, se saía, eu sabia que não podia pegar um elevador, porque, tantas vezes, um vizinho não me olhava na cara. Outras vezes, quando eu ia fazer compras, podia ser agredido por uma coisa que eu não sabia.

Você ainda pensa que seu processo foi um processo político?

Foi um processo injusto, um processo mentiroso. Esconderam as provas e é lamentável que isso aconteça em pleno século XX. A Polícia Federal, o Instituto Nacional de Criminalística, disse claríssimo que eu não tinha nada a ver com aquilo. Preferiram outras opções".


FONTE: escrito por Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho"  (http://www.ocafezinho.com/2014/10/30/midia-esconde-entrevista-com-pizzolato/). [Trechos entre colchetes e correções de forma no texto do "Estadão" introduzidos por este blog 'democracia&política'].

LULA DEFINE A VEJA: É "PANFLETO TUCANO"





"Em vídeo divulgado pelo Instituto Lula, o ex-presidente petista sugere que a revista Veja não pode ser considerada, seriamente, uma revista de informação, apesar de se vender assim no mercado. Para Lula, a publicação pode ser entendida como um "panfleto" da campanha eleitoral de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República.

A dois dias do segundo turno presidencial, Veja cravou em uma de suas capas mais polêmicas da história que "tanto Lula quanto a presidente Dilma Rousseff (PT) sabiam de tudo no caso Petrobras" [sic]. O texto foi escrito com base em um suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef dado às autoridades no âmbito da delação premiada. O Tribunal Superior Eleitoral considerou a publicação uma peça publicitária em favor de Aécio, e concedeu à Dilma o direito de resposta.

Lula: “Se você olhar a Veja como um panfleto do Aécio, você sofre menos”

Da CartaCapital

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em vídeo divulgado pelo Instituto Lula que a última capa da revista Veja foi um instrumento para a campanha do então candidato à Presidência Aécio Neves "trabalhar na imprensa escrita e na imprensa televisada" e "talvez o melhor panfleto da campanha de Aécio".

A capa, que foi antecipada pela revista para chegar às bancas antes das eleições do domingo 26, foi considerada a última "bala de prata" da oposição para reverter o cenário que apontava para a reeleição de Dilma Rousseff. "Se você olhar a Veja como uma revista de informação, você fica muito nervoso pela quantidade de mentiras. Agora, se você olhar a Veja como um panfleto da campanha do Aécio, você sofre menos", afirmou Lula.

Dilma Rousseff se posicionou no horário eleitoral no mesmo dia da veiculação da revista, sexta-feira 24, afirmando que processaria a publicação. Na noite de sábado 25, o ministro Admar Gonzaga, do TSE, concedeu o direito de resposta à candidata do PT por considerar que a publicação não teve "qualquer cautela” e transmitiu a acusação de “forma ofensiva” e em “tom de certeza”.

No vídeo, Lula ainda afirma que não lê a revista há muito anos. "Eu não levo a revista a sério", disse. "Ela odeia o PT, odeia os governos do PT e nós, ao invés de ficarmos nervosos e irritados, devemos ver que a Veja é uma revista de oposição ao governo."


FONTE: postado no "Jornal GGN" com base em reportagem da revista "CartaCapital"  (http://jornalggn.com.br/noticia/lula-veja-foi-o-melhor-panfleto-da-campanha-de-aecio).

JANIO ("FOLHA") EVIDENCIA TENTATIVA DE FRAUDE DA ELEIÇÃO POR "VEJA"




JANIO EVIDENCIA TENTATIVA DE FRAUDE DA VEJA

"A Polícia Federal suspeita que Alberto Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" feita por seu advogado na quinta, 23. Suspeita um pouco mais: que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial', diz o colunista Janio de Freitas.

Do "Brasil 247"


O colunista Janio de Freitas refaz o caminho do suposto vazamento da acusação contra Lula e Dilma Rousseff feita pelo doleiro Alberto Youssef - explorada na capa da "Veja" dias antes do 2° turno.

Segundo ele, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição. “Pode-se ter certeza”.

Ele diz que a Polícia Federal suspeita que Alberto Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" feita por seu advogado na quinta, 23 – que segue: "No interrogatório, perguntou quem mais sabia (...) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação."

Mais do que isso, ressalta que o órgão suspeita de que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial (leia mais):

Um fato sem retificação

"PF suspeita que Youssef foi induzido a acusar Dilma e Lula, numa operação para influir na eleição deste ano

Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o "vazamento" da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país. Pode-se ter certeza.

Na quarta 22, "um dos advogados" de Youssef "pediu para fazer uma retificação" em depoimento prestado na véspera por seu cliente. "No interrogatório, perguntou quem mais sabia (...) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação." Ou seja, foi só a acusação.

As aspas em "vazamento", lá em cima, são porque a palavra, nesse caso, sem aspas será falsa. As outras aspas indicam a origem alheia de frases encontradas a meio de uma pequena notícia, com a magreza incomum de uma só coluna no estilo em tudo grandiloquente de certos jornais, e no mais discreto canto interno inferior da pág. 6 de "O Globo", de 29/10. Para precisar melhor: abaixo de um sucinto editorial com o título "Transparência", cobrando-a da Petrobras.

Já no dia seguinte à "retificação", "Veja" divulgou-a, abrindo o material ao uso que muitos esperaram por parte da TV Globo na mesma noite e logo por "Folha", "O Estado de S. Paulo" e "Globo". Nenhum dos três valeu-se do material. Se o fizessem, aliás, Dilma, Lula e o PT disporiam de tempo e de funcionamento judicial para para uma reação em grande escala, inclusive com direito de resposta em horário nobre de TV. O PT apenas entrou com uma ação comum contra "Veja".

O que foi evitado a dois dias da eleição, foi feito na véspera. A explicação publicada, e idêntica em quase todos os que se associaram ao material da revista, foi de que aguardaram confirmar o depoimento de Youssef. Àquela altura, Lula, Dilma e o PT não tinham mais tempo senão para um desmentido convencional, embora indignado, já estando relaxados pelo fim de semana os possíveis dispositivos para buscarem mais.

"O Globo" não dá o nome de "um dos advogados". Até agora, constava haver um só, que, sem pedir anonimato, foi quem divulgou acusações feitas em audiências judiciais, autorizado a acompanhá-las, que nem incluíam o seu cliente. Seja quem for o requerente, pediu e obteve o que não houve. Retificação é mudança para corrigir. Não houve mudança nem correção. E o pedido do advogado teve propósito explícito: os nomes de quem mais sabia da prática de corrupção na Petrobras. Uma indagação, com o acusado preso e prestando seguidos depoimentos, sem urgência. E sem urgência no processo, insuficiente para justificar uma inquirição especial.

O complemento dessa sequência veio também na véspera da eleição, já para a tarde. Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato.

O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos.

A Polícia Federal suspeita que Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" na quinta, 23. Suspeita um pouco mais: que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial.

A Polícia Federal tem comprovado muita e crescente competência. Mas, nem chega a ser estranho, jamais mostrou resultado consequente, quando chegou a algum, nos vários casos de interferência em eleições. Não se espere por exceção."


FONTE: do jornal "Brasil 247"   (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/158820/Janio-evidencia-tentativa-de-fraude-da-Veja.htm), com base em (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/193224-um-fato-sem-retificacao.shtml).