quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CRIME DE LESA-PÁTRIA DA "GLOBO" AO ATACAR O ESTADO NACIONAL.



[Interesses escusos. A bandeira atrás de 
William Wack é sugestiva e autoelucidativa] 

A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional


O "Jornal da Globo" ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras, puro charlatanismo e economia de botequim.

Por J. Carlos de Assis, doutor pela Coppe/UFRJ

"O noticiário da 'Globo' é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que, no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O "Jornal da Globo" de terça-feira ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultraespeculativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores ao seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

Evidentemente que os dois comentaristas da "Globo" torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso. É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, têm um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.

É claro que o preço baixo do petróleo tem forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.

Os ataques 
à Petrobras dos dois comentaristas da "Globo" [e de toda a grande mídia, partidos da direita e parcela da "elite" até no MP e Judiciário, nos últimos tempos,] têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.

Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da "Globo" sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da "Lava Jato", que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.

P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa, e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável."


FONTE: escrito por J. Carlos de Assis, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB. Artigo publicado no portal "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-Globo-nao-ataca-o-Governo-ataca-o-Estado-nacional/4/32742).[Título, legenda da imagem e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

"MERCADO" QUER DESTRUIR A PETROBRAS





O “mercado” vai punir a Petrobras por não fazer “chutes” contábeis

[OBS deste blog 'democracia&política': Relembrando. Onde se lê "o mercado" leia-se grandes rentistas e bancos internacionais, petrolíferas estrangeiras, especialmente as dos EUA, mídia estrangeira e nacional, parcela da "elite" brasileira, todos tradicionalmente amantes do grande capital, americanófilos, antiBrasil e antiPetrobras desde a sua criação. Se "o mercado" fez cair o valor das ações da Petrobras, é porque algum interesse dele foi contrariado, alguma expectativa de lucro no curto prazo foi frustrada, ou simplesmente a queda é uma "esperta" jogada especulativa].

Por Fernando Brito

"O “mercado” está frustrado com a falta de uma baixa contábil no balanço da Petrobras.

Baixa que não poderia ser feita porque, afinal, ninguém sabe o valor correto do que Paulo Roberto Costa et caterva roubaram ou fizeram a Petrobras perder em sobrepreços.

Qualquer fixação de valor ou mesmo provisão para esse fim seria, afinal, um “chute”.

Mas "o mercado" ansia para que “aconteça” essa baixa, ainda que sem consistência com os fatos reais.

Ainda mais no quadro de turbilhão causado pela desvalorização em mais de 50% nos preços do petróleo, que altera todas as expectativas de precificação dos ativos.

Quem tiver dúvidas, leia os artigos da imprensa sobre as perspectivas da indústria do petróleo frente à baixa de preço, com expressões que vão do “crua realidade” ao “chocante”.

Vimos outra forte queda das ações da empresa.

Porque o mercado não quer uma Petrobras transparente, quer uma Petrobras fraca.

O funcionamento e a lucratividade presentes na empresa não estão, em hipótese alguma, comprometidos, tanto que as previsões de geração de receita subiram.

Embora seja muito grave, gravíssimo, o que se fez com a Petrobras, mais grave ainda é o que se quer fazer com ela.

Destruí-la."


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=24430).

É IMPOSSÍVEL JÁ CALCULAR PERDAS DA PETROBRAS




É impossível calcular perdas da Petrobras

Por que está todo mundo atrás da cabeça da Odebrecht ? 

O portal "Conversa Afiada" reproduz artigo de Luis Nassif, extraído do "Jornal GGN":

A TAREFA IMPOSSÍVEL DE CALCULAR AS PERDAS DA PETROBRAS

A Petrobras foi submetida a um desafio impossível: estimar as perdas com a corrupção para dar baixa no balanço.

Os vazamentos indiscriminados ventilaram a suspeita de que os desvios poderiam ter ascendido a R$ 20 bilhões. Mas a única coisa de concreto que se tem é a comissão de 3% sobre cada contrato fechado. E quem pagava era o fornecedor, não a Petrobras.

Compare-se a propina com, digamos, uma comissão de vendas.

Do ponto de vista penal, a distinção é total: propina é crime e tem que levar à cadeia quem pagou e quem recebeu.

Do ponto de vista contábil (e do ponto de vista de proporção do contrato) ambas equivalem. Ou seja, o custo de uma propina é similar ao de uma comissão por intermediação comercial.

Mas não é só isso.

A intermediação justifica-se no caso de contratos sem licitação. Aí, valem os contatos e a lábia do vendedor. No caso de contratos licitados, o custo da intermediação (ou seja, da propina) é embutido no preço do contrato. Teoricamente, então, o primeiro cálculo para estimar as perdas da Petrobras seria o sobrepreço pago para compensar a propina. Para isso, a "Lava Jato" precisa ter o quadro completo de propinas pagas e repassá-lo à Petrobras.

Não apenas isso.

Há a suspeita de formação de cartel. A caça implacável da força-tarefa atrás da Odebrecht tem uma explicação. Não se pode conceber um cartel sem a presença da maior empreiteira. Se nada for encontrado que incrimine a Odebrechet, ficará difícil provar a tese do cartel.

Daí o empenho dos delegados e procuradores em plantar notas na imprensa, buscando o caminho mais fácil: intimidar os executivos da empresa para que adiram à delação premiada.

Se conseguirem juntar todos os elos e provar a existência do cartel, o passo seguinte será estimar o sobrepreço que resultou do acordo. E esse sobrepreço teria que ser calculado em cada obra. Não pode ser confundido com os aditivos, já que parte deles têm justificativas técnicas.

Já se dizia que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para a prisão. O rico já foi. Diria que é mais fácil contar as areias do castelo do que ter uma resposta precisa para as baixas contábeis da Petrobras."

FONTE: 
artigo de Luis Nassif, extraído do "Jornal GGN", transcrito no portal "Conversa Afiada"    (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/01/28/nassif-e-impossivel-calcular-perdas-da-petrobras/).

AFINAL, PETROBRAS DIVULGA OS RESULTADOS DO 3º TRIMESTRE DE 2014



Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras

Divulgamos os resultados do 3º Trimestre de 2014 não revisados pelos auditores

"Leia nosso comunicado, divulgado na quarta-feira (28/01), sobre a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2014 não revisados pelos auditores independentes:

Petrobras divulga seus resultados consolidados não revisados pelos auditores independentes, expressos em milhões de reais, de acordo com o IAS 34, exceto pela existência de erros nos valores de determinados ativos imobilizados.

A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes do terceiro trimestre de 2014 tem o objetivo de atender obrigações da Companhia (covenants) em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da “Operação Lava Jato”.

A Companhia entende que será necessário realizar ajustes nas demonstrações contábeis para a correção dos valores dos ativos imobilizados que forem impactados por valores relacionados aos atos ilícitos perpetrados por empresas fornecedoras, agentes políticos, funcionários da Petrobras e outras pessoas no âmbito da “Operação Lava Jato”.

No entanto, em face da impraticabilidade de quantificar de forma correta, completa e definitiva tais valores que foram capitalizados em seu ativo imobilizado, a Companhia considerou a adoção de abordagens alternativas para correção desses valores: 

i) uso de um percentual médio de pagamentos indevidos, citados em depoimentos; 
ii) avaliação a valor justo dos ativos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na “Operação Lava Jato”. 

Essas alternativas se mostraram inapropriadas para substituir a impraticável determinação do sobrepreço relacionado a esses pagamentos indevidos.

Com objetivo de divulgar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 revisadas pelos auditores independentes, a Companhia está avaliando outras metodologias que atendam às exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC).



A Companhia apresentou lucro líquido de R$ 3.087 milhões no 3T-2014, tendo como principais fatores:

• Maior produção de petróleo e LGN no país (6%, 118 mil barris/dia) decorrente da entrada em operação e do ramp-up das Unidades Estacionárias de Produção (UEPs) e FPSOs Cidade de São Paulo, Cidade de Itajaí, Cidade de Paraty, P-63, P-55, P-62 e P-58, além do início dos Testes de Longa Duração de Iara Oeste e Tartaruga Verde.

• Maior exportação de óleo (134%, 185 mil barris/dia), em função da maior produção e da realização de exportações que estavam em andamento em 30 de junho no país.

• Maior produção de derivados (1%, 24 mil barris/dia) decorrente da maior utilização do parque de refino (FUT de 100%) e da maior utilização de produtos intermediários.

• Reconhecimento da contingência ativa (R$ 820 milhões), além de sua respectiva atualização monetária (R$ 1.357 milhões), referentes ao recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2002.

• Aumento da estimativa da vida útil econômica dos equipamentos e outros bens devido à revisão realizada pela Companhia, reduzindo a depreciação em R$ 1.688 milhões.

• Baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I (R$ 2.111 milhões) e Premium II (R$ 596 milhões), em razão da descontinuidade desses projetos.

• Depreciação de 11,3% do Real em relação ao Dólar sobre a exposição passiva líquida em dólar, parcialmente compensada pela apreciação de 7,7% do Dólar em relação ao Euro e de 5,2% do Dólar em relação à Libra, sobre as exposições passivas líquidas nessas moedas.

Confira os resultados completos na nossa página de Relacionamento com Investidores.

Leia abaixo a nota com os comentários da nossa presidente Maria das Graças Silva Foster aos acionistas e investidores:

"Como é de notório conhecimento, a Petrobras enfrenta um momento único em sua história. Em março de 2014, a “Operação LavaJato”, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, alcançou a Petrobras com a prisão do ex-diretor de Abastecimento da Companhia Paulo Roberto Costa, que está sendo investigado pelos crimes de corrupção, peculato, dentre outros.

No dia 13/11/14, em consequência dos fatos e provas produzidos no âmbito da Operação Lava Jato, a Petrobras postergou a divulgação dos resultados do 3T-2014. Em suma, os depoimentos aos quais a Petrobras teve acesso revelaram a existência de atos ilícitos, como cartelização de fornecedores e recebimentos de propinas por ex-empregados, indicando que pagamentos a tais fornecedores foram indevidamente reconhecidos como parte do custo de nossos ativos imobilizados, demandando, portanto, ajustes.

Entretanto, concluímos ser impraticável a exata quantificação desses valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia.

Em face da impraticabilidade de identificar os pagamentos indevidos de forma correta, completa e definitiva, e da necessidade de corrigir esse erro, a Companhia decidiu lançar mão de duas abordagens: 

(i) diferença entre o valor justo (fair value) de cada ativo e seu valor contábil e (ii) quantificação do sobrepreço decorrente de atos ilícitos usando informações, números e datas revelados nos depoimentos e termos de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Os ativos selecionados para avaliação do valor justo somam R$ 188,4 bilhões, praticamente 1/3 do ativo imobilizado total da Petrobras (R$ 600,1 bilhões) e tiveram, como referência, os contratos firmados entre a Petrobras e as empresas citadas na “Operação Lava Jato” entre 2004 e abril de 2012.

A avaliação foi realizada por firmas globais reconhecidas internacionalmente como avaliadores independentes, abrangendo 81% do ativo total avaliado. A análise dos outros 19% foi realizada pelas equipes técnicas da Petrobras, porém com total consistência metodológica e de premissas com o trabalho realizado pelos avaliadores independentes.

No entanto, o amadurecimento adquirido no desenvolvimento do trabalho tornou evidente que essa metodologia não se apresentou como uma substituta “proxy” adequada para mensuração dos potenciais pagamentos indevidos, pois o ajuste seria composto de diversas parcelas de naturezas diferentes, impossível de serem quantificadas individualmente, quais sejam, mudanças nas variáveis econômicas e financeiras (taxa de câmbio, taxa de desconto, indicadores de risco e custo de capital), mudanças nas projeções de preços e margens dos insumos, mudanças nas projeções de preços, margens e demanda dos produtos comercializados, mudanças nos preços de equipamentos, insumos, salários e outros custos correlatos, bem como deficiências no planejamento do projeto (engenharia e suprimento).

O resultado das avaliações indicou que os ativos com valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de diferença a menor. Os ativos com valor justo superior totalizaram R$ 27,2 bilhões de diferença a maior frente ao imobilizado.

Decidimos não utilizar a metodologia da determinação do valor justo como “proxy” para ajustar os ativos imobilizados da Companhia devido à corrupção, pois o ajuste seria composto de elementos que não teriam relação direta com pagamentos indevidos. Assim, aprofundaremos outra metodologia que tome por base valores, prazos e informações contidos nos depoimentos em conformidade com as exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC), visando a emissão das demonstrações contábeis revisadas.

Quanto aos resultados deste 3º trimestre de 2014, nosso lucro operacional foi de R$ 4,6 bilhões, 48% abaixo do realizado no 2º trimestre (R$ 8,8 bilhões). Essa redução é explicada, principalmente, por gastos com o Acordo Coletivo de Trabalho (R$ 1,0 bilhão), pelo pagamento do acordo com a Bolívia para importação do gás natural (R$ 0,9 bilhão) e pelas baixas no ativo referente aos Projetos Premium I e II (R$ 2,7 bilhões). Por outro lado, a maior produção de petróleo e consequente exportação agregaram R$ 2,4 bilhões ao resultado operacional deste 3º trimestre em relação ao trimestre anterior.

O lucro líquido totalizou R$ 3,1 bilhões, 38% abaixo dos R$ 5,0 bilhões no 2º trimestre, refletindo o menor lucro operacional.

Quanto à projeção do fluxo de caixa e liquidez da Companhia, é importante ressaltar que a posição de caixa da Petrobras e sua capacidade de geração operacional não será afetada por ajustes decorrentes da “Operação Lava Jato” ou de qualquer outro relacionado ao valor dos seus ativos.

Temos sido diligentes na implementação de ações que nos permitem afirmar que não necessitaremos recorrer a novas dívidas no ano de 2015 em função dos fatores que favorecem nosso fluxo de caixa, os quais estão descritos a seguir.


Em primeiro lugar, a Companhia reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina não repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação atual, favorece excepcionalmente o caixa. Nosso patamar atual de produção de petróleo e derivados nos assegura o mesmo patamar de geração operacional, mesmo com o preço do barril de petróleo Brent variando entre US$ 50/bbl e US$ 70/bbl.

Quanto à nossa produção de petróleo no Brasil, planejamos crescer 4,5% (+/- 1 p.p.) no ano de 2015 frente ao ano anterior. O fato é que 2015 dá sequência aos eventos de 2014, quando adicionamos quatro novas plataformas que agora estão em curva de ramp-up e aumentamos nossa frota de PLSV de 11 para 19 navios. Assim, a produção será sustentada pela interligação de 69 poços produtores e injetores e pela entrada em operação da P-61/TAD (Papa-Terra) no 1º trimestre e do FPSO Cidade de Itaguaí (campo de Iracema Norte) no 4º trimestre desse ano.

Assim, esperamos ter uma geração operacional (incluindo pagamento de impostos, antes dos juros, dividendos e amortizações) entre US$ 28 bilhões e US$ 32 bilhões em 2015, considerando patamares de Brent entre US$ 50/bbl e US$70/bbl e taxa de câmbio entre R$ 2,60/US$ e R$ 2,80/US$. Também consideramos que teremos à disposição garantias da União Federal para os recebíveis do Setor Elétrico, que permitirão a negociação desses créditos no mercado bancário.

No que tange aos investimentos, estamos reduzindo o ritmo de alguns projetos, principalmente aqueles com baixa contribuição ao caixa nos próximos dois anos, de forma que nosso orçamento fique no patamar de US$ 31 bilhões a US$ 33 bilhões neste ano de 2015.

Nosso portfólio de ativos também indica oportunidades de desinvestimentos em 2015, com potencial de contribuição ao caixa em níveis próximos aos realizados em 2014. A implementação desses desinvestimentos dependerá, naturalmente, da evolução das condições de mercado.

Importante ressaltar, nossa posição de Caixa vem sendo favorecida pela forte redução do preço do Brent nos últimos 3 meses e possui folga em relação aos valores que julgamos suficientes para manter nossas operações com a liquidez necessária ao longo do ano.

Continuamos trabalhando para produzir as demonstrações financeiras revisadas pelo Auditor Externo (PwC) no menor tempo possível, não apenas em relação aos ajustes nas demonstrações contábeis, mas também à necessidade de aprimoramento dos nossos controles internos.

Destaco a posse do nosso diretor de Governança, Risco e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior no dia 19 de janeiro passado. João Elek foi escolhido entre profissionais de mercado com notório reconhecimento de competência na área de Governança. Ele passou por processo seletivo conduzido pela empresa Korn Ferry, especializada em seleção de executivos, foi eleito de uma lista tríplice apresentada ao Conselho de Administração da Petrobras e deverá permanecer no cargo por três anos, período que pode ser renovado.

Assim, quero aqui reafirmar nosso compromisso com a superação desses desafios. Estamos dando plena condição para que as investigações em curso, sejam as internas, sejam as externas, caminhem livremente, sem qualquer barreira. Somos transparentes com vocês, nossos acionistas e investidores. Trabalhamos para que, no futuro próximo, nossa companhia seja reconhecida por seus métodos de governança e controles internos com a mesma excelência que tem sido reconhecida ao longo dos anos por sua capacidade técnica e operacional."


FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras   (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/divulgamos-os-resultados-do-3-trimestre-2014-nao-revisados.htm).

O DISCURSO DE DILMA NA REUNIÃO COM OS MINISTROS




Dilma "incorporou" Lula no excelente discurso. Só faltou um recado contra sonegadores.

"No discurso da presidenta Dilma que abriu a reunião ministerial de terça-feira (27), se alguém tinha dúvidas sobre os compromissos do governo dela com a inclusão social, distribuição de renda, geração de empregos, direitos trabalhistas e desenvolvimento social e humano, ela eliminou essas dúvidas.

Para Dilma, o ajuste fiscal não é nenhuma guinada política, nem desvio de rumo, é apenas uma ferramenta necessária para usar momentaneamente para reequilibrar as contas, uma das condições para ter recursos para continuar o projeto implantado no governo Lula desde 2003, que ela segue e vai continuar seguindo.

O desequilíbrio nas contas públicas ocorreu após os esforços feitos nos últimos anos de crise, com desonerações e incentivos para geração de empregos e crescimento, que deram resultados até aqui, evitando recessão e desemprego, mas deu sinais de esgotamento em 2014, necessitando reequilibrar. Entretanto, segundo Dilma, as metas estabelecidas foram dimensionadas para surtir efeito na queda de juros e da inflação até o fim do ano, na retomada do crescimento e geração de empregos, mas não são drásticas a ponto de provocar recessão nem desemprego.

Dilma citou casos de sucesso da economia brasileira e medidas de estímulo à produção e à exportação que estão sendo preparadas.

O conteúdo do discurso ficou até parecido com os discursos do presidente Lula.

Além de reafirmar os compromissos de um governo popular e progressista, Dilma deu uma guinada na atitude de silêncio que o governo teve no primeiro mandato, liberando e até exigindo dos ministros que desmintam sempre os boatos do PIG (Partido da Imprensa Golpista), não deixando informação deturpada prevalecer, nem informação importante ficar escondida.

Dilma avisou a todos os ministros que continuará não tolerando casos de corrupção e combatendo todos os casos que forem descobertos. E isso é diretriz de governo para todos os ministérios seguirem. As mudanças na legislação propostas na campanha eleitoral para fortalecer o combate à corrupção serão encaminhadas ainda no primeiro semestre.

Também disse que a Petrobras sairá desse processo como a empresa com maior controle e integridade do Brasil. Disse que não adianta quererem atacar a Petrobras para outros grupos levarem vantagem, porque o regime de partilha para o pré-sal continuará e a política de conteúdo nacional também.

Disse que os criminosos precisam ser punidos, mas sem matar as empresas e empregos no Brasil.

Só faltou também dar um recado direto para os grandes sonegadores. Da mesma forma que ela disse propor mudanças para julgar mais rápido casos de corrupção, é preciso haver maior rapidez na cobrança de grandes sonegadores que ficam protelando o pagamento durante anos.

Agora, só falta aparar as arestas com as Centrais Sindicais sobre algumas das medidas. O ministro Miguel Rosetto está encarregado desse diálogo."

FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula"   (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/01/dilma-incorporou-lula-no-excelente.html#more).

"TODOS À LA PLACE"... POR QUÊ?





Todos à la place. Por quê?

A adesão imediata à manifestação de Paris mostra como é fácil hoje manipular uma opinião pública tolhida para o exercício do espírito crítico

Por Mino Carta , na revista "CartaCapital" 

"François Hollande administra um país dilacerado entre os que clamam pela "guerra ao terror" e aqueles que querem segurança sem comprometer as liberdades civis.

Perguntaria Hamlet: “Ser ou não ser?” "Charlie", está claro. A personagem de Shakespeare é o paradigma da dúvida atormentada pela invulnerabilidade do efêmero. Surpreende, porém, e até espanta, a rapidez com que a larga maioria fez sua escolha. Por quê? A que se deve o imediatismo da resposta? Agir às pressas, de impulso, precipita amiúde equívocos, enganos, erros. Não seria o caso de parar para pensar?

Pois é, pensar. Explorar a faculdade que o ser humano tem de constatar sua pessoal existência. O mundo vive uma quadra de enormes incertezas e de graves conflitos, e a situação se apinha de inúmeros porquês. Por que aqui [na Europa] estamos a padecer uma crise econômica que poupa somente banqueiros e especuladores, aliás, a eles aproveita acintosamente? Por que o rentismo grassa enquanto o desemprego aumenta? Por que o desequilíbrio social se aprofunda em todos os cantos? Por que uma centena de multinacionais impõe sua vontade a Estados soberanos? Por que a senhora Merkel e seus banqueiros ditam as regras à inteira Comunidade Europeia e decretam a austeridade em lugar do desenvolvimento? Por que o atual presidente da UE é o ex-premier do Luxemburgo, o aprazível paraíso fiscal?

Interrogações sem conta, propostas pela circunstância. Pode-se, se quisermos, perguntar aos nossos botões por que o mundo carece hoje de poetas, ou por que se pagam dezenas de milhões de dólares por um tubarão morto mergulhado em uma caixa de vidro cheia de formol, ou por que navegantes da internet divulgam aos quatro ventos o cardápio do seu jantar da noite anterior. Ou por que, de súbito, a humanidade concentra-se na Place de la République, de corpo presente ou em espírito, para manifestar contra o terrorismo.
O espetáculo parisiense assinala, ao mesmo tempo, o triunfo do modismo e da hipocrisia. Fácil identificar o lado de cada qual, a ser clara a desfaçatez das autoridades. Em boa parte, têm responsabilidades em relação ao terrorismo, quando não são seus instigadores, cúmplices, ou até mesmo praticantes, competentes ou não. Conseguiram o que queriam, admitamos. Juntaram o Ocidente em uma praça parisiense para ostentar os seus poderes e cuidar dos seus interesses políticos, sem exclusão de golpes baixos, ações de guerra, assaltos aos cofres públicos e terrorismo de Estado, sem contar as violações dos Direitos Humanos.

Diante deles, incitada pelas frases feitas da propaganda midiática, súcuba dos apelos da retórica globalizada, a grei automatizada. Incapaz de entender se, de pura e sacrossanta verdade, o massacre na redação do "Charlie Hebdo" configura um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa, ou de expressão. Ou à liberdade na acepção total, sem qualificativos.

Resta entender o significado e o alcance das palavras. Sabemos, em primeiro lugar, ou pretendemos saber, que a liberdade de cada um acaba na liberdade do semelhante. Nem todos se dão conta disso. De qualquer forma, a liberdade proclamada pela Revolução Francesa acaba por ser de poucos se não for completada pela igualdade. Livre é realmente uma sociedade de iguais. Se há canto da Terra onde essa simbiose acontece, louvado seja quem fez o milagre. Nem se fale do Brasil, o país de casa-grande e senzala.

Outra questão diz respeito à "liberdade de imprensa", que na mídia nativa conta com paladinos aguerridos. A liberdade que defendem é a de fazer o que bem entendem. Não é assim em outros países democráticos e civilizados, onde a mídia é devidamente regulamentada, para impedir, entre outros objetivos, o monopólio e o oligopólio. Na França, é certo, o "Charlie Hebdo" podia circular à vontade, a despeito dos seus discutíveis propósitos e de certo autoritarismo a vingar na redação. O cartunista Siné, célebre desde o fim dos anos 50, foi despedido porque suas charges não tinham a desejada agressividade e evitavam certos assuntos. [Siné foi despedido por forte pressão da comunidade judaica, simplesmente porque uma sua charge muito sutilmente associou judeu a sucesso comercial].

A virulência antimuçulmana, no "Charlie Hebdo", não é inferior àquela dirigida contra as religiões monoteístas de cristãos e judeus. Tempos atrás, uma charge mostrava, da forma mais crua, o encontro (seria um rendez-vous?) entre a Virgem Maria e um centurião romano, com o resultado de trazer à vida quem mais, se não Jesus Cristo. Ocorre a lembrança de um "Pif-Paf", a seção entregue pelo "O Cruzeiro" dos "Diários Associados" a Millôr Fernandes, por mais de duas décadas. O humorista estava disposto a contar a história fracassada de Adão e Eva no Paraíso Terrestre. Jocosa e sem vulgaridade, no traço steinberguiano de Millôr.

A CNBB protestou oficialmente, e Millôr foi despedido com a habitual pusilanimidade. Não houve manifestação na Cinelândia carioca.

Não convém ao Ocidente aceitar a ideia de que a tragédia decorre de uma ação de guerra levada a cabo por um comando bem treinado, mas é assim que pensam os fanáticos arregimentados pela Jihad. Se uma bomba um dia desses explodir, digamos, no Grand Palais, não podemos alegar o "atentado contra a liberdade de expressão", como não o foi o ataque às Torres Gêmeas. O objetivo do terrorismo, de resto, é solapar a capacidade de resistência do inimigo designado, de certa maneira é semear o pânico com a humilhação do alvejado.

Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim de entender que a "liberdade de expressão" tem necessariamente limites, bem como a intenção de provocar, desbragada na publicação satírica. O que talvez esclareça quanto ao seu escasso êxito junto ao público francês. Nesta semana, o "Charlie Hebdo" saltou de uma tiragem de algumas dezenas de milhares de cópias para milhões. Também esse é fruto do modismo, a contar, para a manipulação da opinião pública, com instrumentos cada vez mais capilares e eficazes. Vezos e tendências momentâneos assumem a ribalta e tomam conta da plateia de forma avassaladora. Até levá-la, se for o caso, à Place de la République.

É provável que na multidão também figurassem muitos cidadãos franceses de origem árabe, ou africana, e de religião muçulmana, impelidos pela repulsa ao terrorismo, conquanto ofendidos pela charge que visava o Profeta. Que fazer com 6 milhões de muçulmanos franceses donos de todos os direitos de cidadania? Expulsá-los em bloco? Não faltarão aqueles que aprovariam a solução com entusiasmo. Caso se trate de torcedores do futebol, a xenofobia os teria levado a não considerar o triste destino da seleção francesa, privada de muitos entre seus melhores craques.

Desse ponto de vista, o Brasil é um país resolvido, embora não isento do preconceito racial e social. Por aqui, pobres e pretos vivem sob suspeita. Manda, porém, o jus soli, pelo qual somos todos brasileiros. Na França, e em toda a Europa, meta de forte migração de áreas subdesenvolvidas, a questão suscita ásperas polêmicas, mesmo porque em muitos países a tradição soletra o jus sanguinis. O sangue determina a cidadania. Eventos como o massacre que abalou o mundo vão excitar o ódio racial na França, na Europa, e alhures, em benefício da direita mais reacionária.

Quem leva vantagem? Na França, Marine Le Pen, que se fortalece como candidata à Presidência da República. Na Itália, crescerá a "Lega". Na Alemanha, o "Pegida", grupo ultradireitista. Rajoy, na Espanha, reforça seu poder. De todos os líderes, Netanyahu é aquele que, ao carregar sua campanha eleitoral até Paris, exibe com maior clareza seus propósitos. E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.

Nesse caldo de cultura germinam, como no magma primevo a se esfriar teria nascido a vida do planeta, o fanatismo assassino, a criminalidade nas suas distintas fisionomias. Isso é do conhecimento até do mundo mineral, mas não de todos os homens. Fatos como a chacina parisiense repetem-se à toda hora, provocados pelo fanatismo, pela revolta, pela insanidade, pela desgraça. E pelo terror de Estado. 

Não cabe justificar o horror. Recomenda-se, entretanto, aquilatar envolvimentos e responsabilidades. E anotar que inomináveis delitos cometidos pelos senhores do mundo ocidental não costumam merecer a repulsa das praças lotadas.

Para evocar fatos próximos, é da incompetência impafiosa da diplomacia norte-americana que eclode a Guerra do Iraque, ou brota a maior ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico. Tal é a inexorável verdade factual. Há culpas em cartório, contribuições transparentes ao descalabro dos dias de hoje, às quais a maioria se presta de pronto porque tolhida fatalmente ao exercício da razão.

O alpiste servido aos incautos, aos desmemoriados, aos crédulos, aos ignorantes, é a versão dos cavalheiros tão bem representados na praça parisiense. Aproveitam-se da eficácia dos instrumentos chamados a entorpecer as consciências e demolir o mais pálido resquício de espírito crítico.

Talvez estejamos no limiar de uma nova Idade Média, contradição apenas aparente do dito "progresso tecnológico". Se o homem dispõe de computador e celular de infinitas funções, e vive bem mais do que as gerações precedentes, nem por isso ganha em sabedoria, pelo contrário. O respeito à memória, base de todo conhecimento, dispersa-se na moda contingente. Nessa moldura, o livro tende a se tornar objeto obsoleto. Na mesmice globalizada, instalam-se, disfarçados pela banalidade, a ignorância, a indiferença. E os desbordantes porquês não logram resposta."


FONTE: escrito por Mino Carta , na revista "CartaCapital" ( http://www.cartacapital.com.br/revista/833/todos-a-la-place-por-que-4996.html).[Trecho entre colchetes acrescentado por este blog 'democracia&política'].

POR QUE OBAMA FOI À ARÁBIA SAUDITA?


Obama e o novo rei da Arábia Saudita, Salman al-Saud (27/1/2015) 

“Império do Caos” na Casa

Por Pepe Escobar, no "RT − Russia Today", com o título “Empire of Chaos” in the House. Artigo traduzido pelo "pessoal da Vila Vudu" e postado no "Redcastorphoto"


Pepe Escobar

"Ninguém, na imprensa-empresa comercial ocidental, dirá a você por que o presidente Barack Obama dos EUA atirou-se para Riad com delegação de alta voltagem, para “apresentar seus respeitos” ao novo potentado da Casa de Saud, rei Salman.

Um perfeito Quem-é-Quem de nomes ilustríssimos na comitiva – o presidente da CIA, John Brennan; o comandante do Comando Central dos EUA, Centcom, general Lloyd Austin; o Secretário de Estado, John Kerry; a líder dos Democratas na Câmara, Nancy Pelosi; e até o senador senil John “Bombardeie o Irã” McCain.

Deve ter sido de partir o coração para vários dessa turma não poder visitar o Taj Mahal na Índia, informados de que estavam escalados para uma parada “não agendada”, coisa de último momento, em Riad.

Eis como aquela mais espetacular mediocridade que também serve como Vice-Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Ben Rhodes, divulgou a coisa:

"Principalmente, acho que é para marcar aquela transição na liderança e para prestar nossos respeitos à família e ao povo da Arábia Saudita, mas tenho certeza de que, já que estaremos lá, eles discutirão algumas dos temas e campos principais nos quais cooperamos muito intimamente com a Arábia Saudita."

A Casa Branca e o Pentágono não se deram o trabalho de “prestar seus respeitos” em pessoa ao povo da França depois do massacre na redação de "Charlie Hebdo". Mas a Casa de Saud – “nossos” 'top-felásdaputas' no Golfo Persa – é, claro, muito mais importante.

E, sim, "Air Force One", estamos com um problema. Fontes de alto nível nas finanças norte-americanas garantiram a este correspondente que a viagem foi integralmente dedicada ao esforço, de Obama, para obter o apoio do novo rei para a guerra financeira/econômica contra a Rússia, no momento em que a Casa de Saud já começava a reavaliar posições. O papel dos sauditas nessa guerra foi introduzir o choque do petróleo barato – o que feriu não só a Rússia, mas também o Irã e a Venezuela, dentre outros. Além do mais, o fantoche dos EUA teoricamente no poder na Ucrânia [ou melhor, poder em Kiev], Petro Poroshenko, acabava de visitar a Arábia Saudita.

Rússia não é Irã – com todo o respeito devido ao Irã. Se a Casa de Saud realmente crê que estivesse falando ao chefe de uma superpotência, não com boneco de ventríloquo – que é o papel de Obama – estão efetivamente danados. Nada do que Obama diga significa coisa alguma. Os verdadeiros “Masters of the Universe” que comandam o "Império do Caos" querem que a Casa de Saud faça grande parte de seu serviço sujo contra a Rússia; e, em estágio posterior, que cuidem dos “cabeça-de-toalha” – como se ouve dizer em Washington – e do desenvolvimento de mísseis nucleares com o Paquistão. E especialmente porque o preço do petróleo lançado pelos sauditas está a um passo de destruir a indústria norte-americana do petróleo – contra os interesses nacionais dos EUA.

A Casa de Saud nada tem a ganhar, absolutamente não, dessa guerra financeira/ econômica não declarada contra a Rússia. Os sauditas já “perderam” o Iêmen e o Iraque. O Bahrain é conduzido por tropas mercenárias que contêm a alienação da maioria xiita. Estão enlouquecendo ante a possibilidade do “inimigo” final conseguir um acordo nuclear com "A Voz do Dono". Estão desesperados porque “Assad não sai de lá”. Querem ter toda a "Fraternidade Muçulmana" à vista – ou dos arredores – na cadeia ou degolados. Morrem de medo, mais do que da praga, de levantes ao estilo da "Primavera Árabe". E há também o falso Califato do ISIS/ISIL/Daesh a ameaçar um avanço sobre Meca e Medina. A Casa de Saud está efetivamente cercada, isso sim.


Obama recebe cumprimentos da família real saudita (27/1/2015)

O mapa do caminho suicida

Entrementes, enquanto a tempestade aproxima-se, tudo são sorrisos – em pleno silencioso banho de sangue familiar. O poderoso clã Sudairi obteve sua “vingança”, antes do cadáver do rei Abdullah esfriar. O rei Salman, quase 80, e com Alzheimer já praticamente a convertê-lo em geleia, não perdeu tempo e já nomeou seu sobrinho, Mohammed bin Naif, como vice-príncipe coroado. E para o caso de alguém não ter visto o nepotismo, também nomeou seu primo, príncipe Mohammed bin Salman, Ministro da Defesa. Mohammed bin Naif é um dos queridinhos do Pentágono/CIA: chefe do contraterrorismo na Casa de Saud.

Assim se vê que, sim, é uma versão-deserto do clássico de Giuseppe di Lampedusa, "O Leopardo": "Se vogliamo che tutto rimanga com'è bisogna che tutto cambi" (“tudo tem de mudar, para tudo continuar como sempre foi”). Mas o bago mais sumarento é que parece aplicar-se muito mais à Casa de Saud, hoje em dia, que ao “Império do Caos”.

Aparentemente, o jogo de tronos entre os “nossos felásdaputa" leva a tudo permanecer como sempre: eles continuam a ser os “nossos” felásdaputa privilegiados. O Pentágono até apareceu com a adorável ideia de o Comandante do Estado-Maior dos EUA patrocinar um concurso de ensaios em homenagem ao falecido rei Abdullah.

Ponham-se todos a desengavetar ensaios que elogiem o rei pela repressão desatinada contra a minoria xiita no leste da Arábia Saudita, onde mora o petróleo. Elogiem-no por sentenciar o xeique Nimr Baqir al-Nimr – popular clérigo xiita e destacado dissidente político: deve ser degolado, ao estilo Daesh, apenas porque comandou um movimento não violento para promover direitos dos xiitas, direitos para mulheres e reforma democrática na Arábia Saudita (até a ONG Human Rights Watch [patrocinada CIA (Nrc)] admitiu que os xiitas da Arábia Saudita “enfrentam discriminação sistemática na religião, educação, justiça e emprego”).

Homenageiem também o rei morto, pelos milhares de prisioneiros políticos; pelas acusações de “terrorismo” contra mulheres que se atrevam a dirigir carros; pelos 25% da população que vive abaixo da linha da miséria; e por fim, mas não menos importante, por facilitar a expansão da al-Qaeda no Iraque, que se converteu em ISIS/ ISIL/ Daesh/ Estado Islâmico. O Pentágono amará quem fizer tudo isso.

Toda aquela tempestade no deserto de dinheiro saudita consumido para a divulgação, a pregação, a doutrinação pró-wahabismo global – e vi exatamente isso do Maghreb até Java – é legado muito poderoso; uma “religião” tóxica, medieval (nada a ver com o Islã legítimo) que continuará a matar e destruir vidas e comunidades e a nutrir fanáticos até o Juízo Final. Saúdem o rei por tudo isso – em nome do Pentágono. E esqueçam para sempre a possibilidade de ler sobre qualquer dessas coisas na imprensa-empresa comercial árabe – totalmente controlada pela Casa de Saud.

“Reforma” na Casa de Saud? Que a afaste daquele establishment salafista nefando, bárbaro? Só se for a piada do milênio. Tudo continuará absolutamente inalterado.

Mas jogar o jogo “Império do Caos” – guerra financeira/ econômica contra a Rússia – é movimento radical, como brincar com fogo. As sanções de EUA/ União Europeia, ataques ao preço do petróleo e ao rublo, com derivativos gigantes como agentes, é algo que está muito acima da grade de pagamento dos sauditas. A Casa de Saud jurou que não mudaram sua quota de produção durante 2014. Mas há excesso de oferta – e chegou ao mercado para ajudar a causa do crash do preço do petróleo, além da manipulação por especuladores de derivativos.

Legiões de analistas de petróleo ainda não conseguem entender por que a Casa de Saud pôs-se a caçar a Rússia; todas as razões são políticas, não há razões econômicas (o apoio dos russos à Síria e ao Irã, os norte-americanos concordando com a estratégia etc.). Fato é que Moscou interpretou a coisa como declaração de guerra econômica pela Arábia Saudita. "Petroleum Intelligence Weekly", cautelosamente, já começou a sugerir que a coisa pode piorar muito, tipo “alto potencial de ruptura nas monarquias do Golfo”.

Muito cuidado com o Imperador que chega com presentes – ou para o enterro do falecido rei. O “Império do Caos” está pedindo, essencialmente, que a Casa de Saud se mantenha em rota de kamikaze contra a Rússia. Mais cedo ou mais tarde, alguém em Riad perceberá que aí está o mapa do caminho para o suicídio da Casa." 

FONTE: escrito por Pepe Escobar, no "RT − Russia Today", com o título “Empire of Chaos” in the House. Artigo traduzido pelo "pessoal da Vila Vudu" e postado por Castor Filho no seu blog "Redcastorphoto"   (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/01/pepe-escobar-imperio-do-caos-na-casa.html).
O autor, Pepe Escobar (1954), é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros do autor:
Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War, Nimble Books, 2007.
Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge, Nimble Books, 2007.
Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
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