quinta-feira, 24 de julho de 2014

A TENTATIVA DE RETORNO DA DIREITA BRASILEIRA




A tentativa de retorno da velha direita brasileira


Por MARILZA DE MELO FOUCHER

"Existe no Brasil uma estratégia muito bem articulada com os setores conservadores da sociedade que contam com o apoio da grande imprensa para preparar o retorno dos neoliberais ao poder no Brasil [isto é, dos poderosos megabancos e empresas internacionais e governos de seus países sede, seus braços no Brasil como a grande imprensa e os partidos da direita, PSDB, DEM, PPS, tudo também chamado eufemicamente de "o mercado", ou "conservadores", ou "reacionários"].

Existe no Brasil uma estratégia muito bem articulada com os setores "conservadores" da sociedade, que contam com o apoio da grande imprensa para preparar o retorno dos neoliberais ao poder. Entretanto, o discurso utilizado contra a Presidente Dilma Rousseff e seu partido - PT - parece não encontrar o eco necessário junto à maioria da população, hoje muito mais politizada e menos manipulável.

O desespero dos "conservadores" brasileiros decorre que esperavam a derrota da seleção brasileira e apostavam no fracasso total do evento da Copa mundial de futebol. O movimento "Não Vai Ter Copa" saiu de campo com a bola furada! A campanha orquestrada no plano internacional para desacreditar o Brasil foi logo desmascarada. O principal motor do aquecimento da campanha presidencial da oposição falhou. Todavia, ela não desarmou sua fortaleza e tudo já está preparado para a guerra política. No momento que se aproxima a data da abertura oficial da campanha presidencial o debate político vai se intensificar, todavia, a tendência é de denegrir a política. Pelo visto, esta campanha se anuncia como a mais violenta da historia da política brasileira. Possuídos pelo sentimento de ódio, os representantes da direita, da elite conservadora, perderam a capacidade do raciocínio político. Dificilmente forjarão argumentos para entender por que perderam três eleições presidenciais. Dificilmente essa ala reacionária da direita entenderá por que um partido político como o PT chega ao poder liderado por um operário metalúrgico que, sem maioria para governar, chega a compor com partidos ditos de direita e do centro e cria uma aliança estratégica com o poder econômico e financeiro simplesmente para salvar o país da bancarrota. Patriotismo econômico? Diriam alguns... Como este pequeno operário e sua equipe conseguiram governar um país de dimensão continental dentro das normas republicanas, sem grandes conflitos que pudessem paralisar o funcionamento da democracia?

Como negar que o Brasil saiu da periferia para ser ator influente na cena internacional graças aos governos de Lula e Dilma? Na certa, os artesãos de um mundo para todos estão conscientes do papel que o Brasil pode jogar diante de um mundo multipolar. Todos esses avanços perturbam a estratégia política dos "conservadores" de direita no Brasil.

Dar respostas coerentes com instrumentos pertinentes de análises política e econômica será quase impossível para aqueles que não se renovaram politicamente. Isso é fácil de observar, tendo em vista que, no plano ideológico, o discurso dos adversários de direita é retrógrado e não corresponde mais à evolução do pensamento político face ao desafio de um mundo multipolar.

Talvez o melhor fosse dizer que existem hoje no Brasil velhas direitas e esquerdas inovadoras que buscam alternativas num modo de governar face à predominância do modelo neoliberal mundial. Esse tipo de "esquerda tropical", por exemplo, a que governa o Brasil nesses últimos dez anos, foge de todos os critérios de enquadramento ideológico que lhe quer impor o campo da velha direita herdeira da "Casa Grande e Senzala". Os reacionários dessa direita rançosa que defendeu a ditadura no Brasil contra o perigo vermelho até hoje continua a promover um anticomunismo primário que integram suas mentes afetadas por uma visão simplista, reducionista que eles têm do Bem e do Mal.

A esquerda na América Latina, com rara exceção, é uma esquerda que renunciou a transformar a sociedade pela via revolucionária, preferindo transformá-la pela via democrática que incentiva a participação social. Ao mesmo tempo em que tenta conciliar um modelo de desenvolvimento mais igualitário respeitoso dos direitos humanos. Trata-se de uma esquerda que não é contra a economia de mercado, todavia, tenta criar uma economia mais solidária. Incentiva as empresas privadas a investir em obras públicas optando por parcerias com o Estado.

O Estado sob os governos de Lula e Dilma se definiu como um Estado regulador e promotor da inclusão social. Vale ressaltar que, apesar de a maioria de brasileiros ter dado preferência aos candidatos do PT nesses últimos anos, isso não quer dizer que as forças "reacionárias e conservadoras" tenham diminuído no Brasil. Ao contrário, a ala "conservadora" se revigora, surge hoje muito mais articulada e muito mais perigosa. Eles serão capazes de investir todos os meios necessários para impedir um novo mandato para a Presidente Dilma. Hoje a direita busca aliados até no campo da "esquerda da esquerda", nos extremos. Uma direita que sem argumentos e sem proposta alternativa aposta no desgaste dos dez anos de governos do Partido dos Trabalhadores. Repetem em bloco que o PT e Dilma são responsáveis por tudo de mal que aconteceu no Brasil, inclusive do vírus da corrupção que contaminou todas as instâncias do poder e que persiste há séculos no Brasil!

Dotados de amnésia política, esquecem que eles estiveram ocupando todos os poderes durante várias décadas. Eles não somente compraram votos para a reeleição de FHC/PSDB-DEM mas assaltaram as riquezas nacionais vendendo as grandes empresas públicas, privatizando as riquezas do solo e subsolo a preços abaixo do mercado. Eles praticaram uma política de depreciação do patrimônio nacional. Se eles tivessem permanecido por mais um mandato, a Petrobras seria privatizada como foi a Vale do Rio Doce!

Apesar do bombardeamento mediático, vai ser difícil suprimir da memória de um povo a crise econômica, a agravação das desigualdades sociais, da miséria urbana e rural vivida por milhões de brasileiro nos períodos fastos da ideologia neoliberal defendida pelo PSDB e aliados.

Levar uma discussão a fundo sobre os resultados dos programas tanto econômico como social dos governos do PT e aliados é uma tarefa difícil para uma oposição rancorosa e movida pelo ódio.

A direita no Brasil tem um magro balanço, apesar de quase um século controlando as rédeas de todos os poderes no Brasil. Essa nunca se deu conta que uma sociedade desigual engendra violência e acumula problemas sociais. Daí o descaso que sempre tiveram no tratamento da exclusão social. Basta ler e escutar o que diziam a respeito do "Bolsa Família". Para eles, o "Bolsa Família" era a "Bolsa Esmola", era um programa puramente clientelista. Depois que a ONU considerou o programa como o melhor exemplo a ser seguido de política pública de distribuição de renda no mundo, eles passaram o formatar um novo discurso.

Nesse contexto, parece oportuno destacar a importância de políticas públicas voltadas ao combate à pobreza e às iniquidades durante os governos de Lula e Dilma. Apesar de todos os investimentos, o atraso acumulado durante séculos fazem que os índices de desigualdades no Brasil ainda continuem elevados. Sabe-se que as desigualdades geram uma sociedade enferma, sem autoestima, inclusive depressiva. Um dos indicadores do sucesso dos programas de inclusão social realizados pelos governos de Lula e Dilma é, justamente, o aumento da autoestima nas camadas pobres.

O dilema da velha direita será de argumentar com velhas receitas que o neoliberalismo continua sendo a melhor via para governar o Brasil.

A Presidente Dilma, mesmo sendo criticada pela oposição de esquerda, talvez tenha mais capacidade para propor mudanças para seu segundo mandato do que a velha direita e seus aliados. Esses "conservadores" têm um passado e um presente comprometido com a filosofia e ideologia neoliberal.

Para os adeptos do neoliberalismo, o Estado deveria ser privatizado perdendo seu papel de regulador econômico e social. Como denunciar a falta de serviços públicos quando eles sempre defenderam a privatização?

O que está em jogo hoje é um projeto de sociedade baseado numa nova concepção de desenvolvimento que leve em conta a dimensão humana e os desafios ambientais. A crise econômica relegitimou o papel do estado, todavia, urge agora uma redefinição no modo de intervir no desenvolvimento territorial brasileiro levando em conta o potencial sócio-econômico-cultural e a diversidade de nossos ecossistemas. A referência "desenvolvimentista" baseada numa concepção puramente economicista não é suficiente para reduzir os desequilíbrios regionais, diminuir as desigualdades no meio rural ou melhorar as condições de vida em nossas cidades."


FONTE: escrito por MARILZA DE MELO FOUCHER e publicado no jornal on line "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/147662/A-tentativa-de-retorno-da-velha-direita-brasileira.htm).[Imagem do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política']. 

HADDAD E A AUTOFAGIA BRASILEIRA COM SEUS TALENTOS



Haddad e a autofagia brasileira com seus talentos


Por Luis Nassif

"A campanha encetada contra o prefeito de São Paulo Fernando Haddad é a prova incontestável de como o país gosta de devorar seus principais ativos intelectuais.

Haddad não é apenas prefeito de São Paulo, eleito pelo PT. Provavelmente, é o melhor quadro público que o país produziu nas últimas décadas. Seu trabalho técnico e político à frente do MEC (Ministério da Educação) mostra uma visão de futuro e uma capacidade de formulação inédita na administração pública brasileira - federal ou de qualquer estado.

Haddad demonstrou não apenas ser um iluminista, perseguindo as mudanças e antenado com os temas contemporâneos - ao contrário dos retrógrados e conformados que pululam no seu partido e nos demais - como um formulador de primeiríssima, casando visão técnica com política - entendido, aí, a capacidade de identificar resistências e contorná-las.

Graças à sua insistência, conseguiu criar o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que significou um corte na educação brasileira, enfrentando com persistência e argumentos a visão míope-fiscalista do então Ministro da Fazenda Antonio Pallocci.

Sua insistência com o ENEM abriu possibilidades sem precedentes para os jovens de menor poder aquisitivo, uma matrícula única permitindo a 8,5 milhões de candidatos prestar um único exame e ter acesso - de acordo com sua nota - ao universo de faculdades públicas e privadas.

Não existe paralelo em outro país de exame com tal amplitude - e absoluta ausência de problemas. O ENEM só foi notícia na fase inicial de implantação, quando apresentava alguns problemas. Depois que ficou azeitado, deixou de ser notícia.

Há outras revoluções feitas por ele, como a política nacional de inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de ensino. São 800 mil crianças, que antes dependiam do modelo de exclusão das APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e que foram incluídas na rede regular com amplo suporte garantido pelo MEC.

O REUNI (Recuperação e Expansão das Universidades Federais) permitiu a abertura de centenas de novos campi, descentralizando o ensino superior.

Em todos esses momentos, Haddad mostrou-se impermeável, tanto à pressão do liberalismo educacional inconsequente, quanto do corporativismo que existe no meio.

Quando resolveu ampliar o número de vagas nas universidades públicas, enfrentou uma manifestação de professores considerando absurdo salas de aula com mais de 15 alunos. Respondeu que ficaria mais satisfeito se visse cartazes protestando contra salas de aulas com menos de 15 alunos.

O PRONATEC, o PROUNI, o FIES foram montados em parceria com o setor privado. E Haddad enfrentou as pressões corporativas, que o acusavam de pretender privatizar a educação.

Em todos os momentos, jamais fugiu da procura e da viabilização das grandes soluções.

Todos esses projetos foram montados sem preconceitos ideológicos, juntando forças já existentes, articulando ações entre agentes públicos e sociedade civil.

E foi esse espírito que levou para a prefeitura de São Paulo, enfrentando problemas seculares que todos seus antecessores se recusavam a encarar.

Resolveu enfrentar o desafio do transporte coletivo, com os corredores de ônibus; o desafio da desospitalização dos dependentes de drogas, com a "Operação Braços Abertos"; o desafio de reduzir a segregação social que marca a cidade.

Se a velha mídia quer bater no PT, tenho uma infinidade de dicas. No Ministério de Dilma, tem meia dúzia de ministros acomodados, sem espírito público, jogando apenas para a plateia.

Mas deixem Haddad trabalhar. Não privem a vida pública brasileira de alguém do seu quilate. É algo tão atrasado quanto seria as esquerdas crucificando Prestes Maia ou Olavo Setubal, devido à sua origem política."

FONTE: escrito por Luis Nassif no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/haddad-e-a-autofagia-brasileira-com-seus-talentos).

A PERGUNTA DE 2014



A PERGUNTA DE 2014


IBOPE confirma vantagem de Dilma e mostra dificuldade da oposição para crescer

Por Paulo Moreira Leite, diretor da sucursal da revista ISTOÉ em Brasília

"Os números do Ibope divulgados terça-feira mostram que Dilma Rousseff e Aécio Neves permanecem no mesmo patamar anterior à Copa, em 7 de junho: 38% e 22% das intenções de voto, respectivamente.

Quem caiu foi Eduardo Campos, rebaixado de 13% para 8%.

A maioria dos analistas apressou-se em dizer que esses números mostram que a Copa das Copas não trouxe benefícios para Dilma. É uma tentativa de transformar uma derrota em vitória.

Explico. O que a oposição pretendia – e as bolas de Cristal da mídia sobre a Copa refletiam isso – era para arrancar eleitores do governo. Apostando numa profecia que se revelou um fiasco histórico, achava inevitável que Dilma saísse da Copa menor do que entrou.

Mas Dilma permanece do mesmo tamanho e os adversários não cresceram. O terceiro colocado até diminuiu. Quem você acha que ganhou?

Quem tem tamanho para jogar na defesa, sabendo que irá ganhar se impedir ataques adversários. Este é o retrato político que o Ibope desenhou. Não é uma surpresa.

O sociólogo Antônio Lavareda, insuspeito de simpatias petistas, criou o Índice Band, que trabalha com votos válidos, universo que exclui nulos e brancos, de quem já resolveu em quem irá votar em 5 de outubro. O resultado é o seguinte:

--50% para Dilma
--27% para Aécio
--11% para Eduardo Campos
--4% para o pastor Everaldo

E só.

Isso quer dizer que se as eleições fossem hoje, Dilma levava no primeiro turno por 50% a 42% sobre o conjunto dos adversários -- muito além de qualquer margem de erro.

Você pode argumentar que os “votos válidos” irão aumentar até o dia da eleição – e isso é verdade. Pode até calcular que nos próximos levantamentos, os adversários de Dilma irão ganhar num ritmo maior do que o dela – é possível, até porque ela já atingiu um bom tamanho, conquistou a metade dos votos de quem já sabe em que vai votar.


Mas o retrato do momento, a eleição real, está aqui. Lavareda construiu o Índice Band fazendo uma média dos números dos principais institutos de pesquisa. É um índice válido, cada vez mais usado, por exemplo, em eleições norte-americanas. Tem um grau de confiança maior, mas não é infalível, evidentemente. Sua vantagem é que ajuda a evitar que institutos que têm um viés – político, regional, ou qualquer outro – possam contaminar o resultado final. A desvantagem é que, trabalhando com vários números, de datas diferentes, pode se mostrar mais lento para apontar tendências e mudanças de ultima hora.

O dado importante é que, apesar de toda torcida, Aécio Neves e Eduardo Campos têm caminhado bem devagar.

Compare com 2010. Em fevereiro daquele ano, quando já não podia ser chamada de poste, Dilma perdia de 28% a 35% para José Serra.

Mas em 23 de junho de 2010, a data em que o último Ibope foi fechado, Dilma já estava na dianteira, cravou 40% a 35% -- e não parou mais.

Em julho de 2014, com um mês a menos até a votação, Dilma lidera as pesquisas e nenhum candidato representa como uma ameaça próxima. Aécio segue firme em segundo e Eduardo Campos ainda não chegou ao patamar que Marina Silva exibia em 2010, no mesmo período. Já em abril ela havia atingido 9 pontos.

Essa situação traduz um aspecto importante. A campanha de 2014 está longe de expressar um movimento irresistível contra o governo. Dilma entrou como favorita e segue nessa situação. Em 2010, mesmo em desvantagem numérica para Serra, nenhum observador atento deixaria de apontar a candidata do PT como provável vitoriosa.

Ainda assim, é razoável avaliar que o condomínio Lula-Dilma enfrenta, em 2014, a mais difícil disputa eleitoral em doze anos.

A eleição ocorre em ambiente político muito diferente.

Nem a primeira vitória de Lula, em 2002, quando o mercado financeiro ameaçou jogar o país no precipício como forma de terrorismo eleitoral, ocorreu num ambiente tão hostil e difícil.

Em 2002, um executivo do "Goldman Sachs", um dos principais bancos de investimento do mundo, chegou a criar o Lulômetro, instrumento que servia para elevar o pânico junto aos eleitores de classe média. George Soros, um dos maiores especuladores do planeta, chegou a dar declarações de espírito colonial intimando o eleitorado brasileiro a votar em José Serra.

Naquela eleição, no entanto, aceitava-se a vitória de Lula como simples evento democrático: é natural que, vez por outra, ocorra uma alternância no poder. Mas era uma visão formal. Não se imaginava que o governo vitorioso em 2002 fosse implementar um conjunto de mudanças em maior profundidade, que permitiram mais duas vitórias consecutivas e a possibilidade de entrar com uma candidatura favorita 12 anos depois.

Em 2014, o Lulômetro deixou de ser trabalho de uma instituição. A unidade entre a oposição e o grande poder econômico tornou-se explícita e abrangente, o que explica movimentos da Bolsa, que levantam e derrubam - artificialmente - os índices sempre que aparece uma novidade favorável a oposição. Se estivéssemos num ambiente político mais sério, plural, com debates consistentes, essas altas e baixas da Bolsa deveriam prejudicar a oposição. Pois seriam vistos como aquilo que são: prova de que ela faz a alegria dos especuladores, investidores que não geram um posto de trabalho, nem pavimentam o futuro do país, mas promovem um cassino onde a sociedade sempre perde e seus proprietários sempre ganham, como explicou o Premio Nobel Joseph Stiglitz ao falar do colapso de 2008.

São operações de valor 100% especulativo, já que não há a mais remota razão plausível para se imaginar que a vida dos brasileiros – nem das empresas com papéis na Bolsa, a começar pela Petrobrás, bussola dos investimentos no país -- pode ficar melhor em caso de uma vitória dos adversários. Essa turma é contra a Petrobrás antes de ela ter sido criada. Seus avôs e bisavôs políticos trabalharam pelo suicídio de Vargas, seu fundador, antes que ela começasse a explorar petróleo para valer no país.

O lugar de Dilma se explica por um motivo fácil de entender. No retrospecto, em doze anos a vida da maioria da população tornou-se reconhecidamente melhor. Na perspectiva dos próximos quatro anos, não se vê uma proposta dos adversários capaz de proteger as conquistas obtidas, muito menos ampliar o que já foi feito. Depois de fazer uma única afirmação consistente sobre o rumo de seu eventual governo – a aplicar “medidas impopulares” – Aécio Neves preferiu manter-se em conveniente silêncio a respeito de seus planos para o país.

Mas é esse o ponto central da eleição, como explica o professor Fabiano Santos, em coluna recente no Valor Econômico:

Há algo de novo no ar,” diz ele, comparando 2014 com os pleitos anteriores. “Não se percebia, no contexto do segundo mandato de Lula, o quanto havia de potencialmente conflitivo naquele modelo de crescimento, baseado em políticas de inclusão social. A economia crescia, todos ganhavam. O contexto mudou. Agora, perdas terão de ser impostas no curto prazo para que ganhos sejam retomados em bases mais seguras e promissoras no futuro. Quem pagará a conta?” pergunta Fabiano Santos.

Essa é a pergunta. Mesmo com a inflação em torno de 6%, e um crescimento fraco, ainda que real, o governo tem conseguido manter a opção que lhe permitiu chegar até aqui – e é isso que explica os números de Dilma.

Como explicou Ricardo Berzoini em entrevista para Carolina Oms, da revista "Dinheiro":

O governo busca o centro da meta, mas há duas maneiras de se tratar a meta da inflação. Uma é tratar como objetivo único da economia. Outra é tratar a meta combinada com outros objetivos como emprego, renda dos trabalhadores, crescimento econômico, investimento público e privado. Se o governo pudesse trazer a inflação para 4,5% ao ano, traria, mas teríamos uma série de pressões inflacionárias. Se você usar a política monetária de maneira demasiada, vai provocar uma recessão. É importante ter um olho na inflação e outro na geração de emprego e renda. A inflação incomoda os trabalhadores. Mas, para o trabalhador, pior do que inflação é desemprego alto e arrocho salarial.

O debate é esse."


FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite, diretor da sucursal da revista ISTOÉ em Brasília, é autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".  (http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

PLANO REAL: FALÁCIA EM TEMPOS DE ELEIÇÃO



Por Cecil Juruá, Phd em Políticas Públicas

"O objetivo deste texto é demonstrar que o Plano Real tem sua especificidade histórica, mas não constitui uma camisa de força em matéria de política econômica e de políticas públicas.

O primeiro passo é observar que, sendo obra idealizada no governo de Itamar Franco e implantada no período seguinte, o Plano Real NÃO IMPEDE INFLAÇÃO. Essa é uma constatação empírica, pois:

- entre 1995 e 2002, as taxas de inflação variaram de 1,7% (1998) a 26,41% (2002); no período seguinte, 2003-2010, a variação se deu entre 1,22% (2005) e 12,14% (2004), e até houve deflação, - 1,4% no ano de 2009;

-usando-se o IGP-DI como indicador, a taxa média de inflação no governo FHC/PSDB foi de 12,5% ao ano, enquanto no governo Lula foi de 6,46% anual,

-se, em lugar do IGP-DI utilizarmos o IGP-M, as médias foram 12,46% e 5,54%, respectivamente (dados retirados da Conjuntura Estatística da revista Conjuntura Econômica de junho de 2013).

Por outro lado, é preciso admitir o fato sobejamente conhecido que o Plano Real foi o instrumento que liquidou a hiperinflação com que a economia brasileira se debatia desde os anos 1980. Esse foi seu grande mérito histórico. E o fez usando como principal instrumento de controle monetário a âncora cambial, sendo essa uma das razões pelas quais é difícil introduzir modificações na política macroeconômica sem correr o risco de descontrole monetário.
Em paralelo à adoção da âncora cambial, o Plano Real foi acompanhado por uma reforma do Estado orientada pelos paradigmas do "Pensamento Único" e do "Consenso de Washington", transferindo ao setor privado, nacional e estrangeiro, parcela considerável do setor produtivo estatal, a preços irrisórios.
Por outro lado, aquela reforma fragmentou o poder de Estado mediante a organização de dois blocos: a) o Poder Executivo, onde atuam os ministérios com titulares escolhidos por negociação entre o Governo eleito e os partidos políticos representados no Congresso; e b) as agências de regulação, entidades que, em tese, poderiam ser resguardadas de influências políticas, porém sujeitas ao financiamento dos “regulados”, isto é, da clientela sobre a qual a regulação deveria exercer-se. Essa reforma não vem dando certo.

Sobre a inflação dos últimos anos, cuja taxa ainda não atingiu a média do período 1995-2002, muito se escreve e as opiniões são divergentes. Há a tese que ela ocorre principalmente no setor de serviços, porque se trata de produtos não comercializáveis, isto é, não sujeitos à concorrência de mercadorias importadas. Essa tese, que se apóia em dados empíricos, tem boa parcela de verdade. Outros autores atribuem ao neodesenvolvimentismo do governo Lula a persistência de taxas inflacionárias, embora sem reconhecer explicitamente as diferenças apontadas acima.

Na verdade, o que diferenciou o governo Lula do anterior, em matéria de economia e políticas públicas, foi a tentativa de reequilibrar os dois pólos em que se pode dividir a demanda agregada : o interno e o externo. A partir do final de 2003, distinguem-se três orientações que impulsionaram o mercado interno: o Bolsa Família, a ampliação do crédito interno com destaque para o crédito consignado, e os reajustes do salário mínimo. Em seguida, ao final do primeiro governo, foi anunciado o PAC-Plano de Aceleração do Crescimento, sucedido pouco depois por intervenções sucessivas do BNDES a fim de apoiar os investimentos produtivos na economia doméstica, mas também orientadas à internacionalização de grupos econômicos nacionais.

O sucesso desse conjunto de políticas pode ser evidenciado pela resistência da economia brasileira aos efeitos deletérios que a crise econômica mundial de 2008-2009 produziu, gerando desemprego e empobrecimento em grande número de países, aí incluídos Estados Unidos e União Européia. A organização anunciada do banco dos BRICS está inserida na tentativa, bem sucedida, de liberar a economia nacional dos ônus impostos pela dependência às altas finanças mundiais. É mais um passo dos governos petistas no sentido de ampliar o exercício da soberania nacional.

É claro, ainda, que nos faltam estudos mais aprofundados e abrangentes sobre as fontes estruturais de persistência das tendências inflacionárias na economia brasileira. Estudos que permitam relacionar tais tendências com os desequilíbrios da balança de pagamentos e os efeitos decorrentes da desvalorização cambial. A desvalorização da taxa de câmbio é fonte de inflação, pois aumenta os custos dos componentes e produtos importados, logo repassados aos preços internos. Seu impacto depende do coeficiente de importação da economia nacional. Foi assim, por exemplo, nos anos de 1999 e 2002, e em anos recentes.

Se a desvalorização não provocou, nos anos recentes, taxas maiores de inflação, isto se deve a outro grande acerto do governo Lula: a formação de reservas internacionais que ampliaram o poder da ação do Banco Central relativamente às oscilações do câmbio. Sem essa medida, de extrema prudência e acerto, continuaríamos com o câmbio a reboque dos fluxos financeiros comandados pelas altas finanças mundiais. Deve-se portanto admitir que a formação de reservas brasileiras, em moeda internacional, constituiu também, um fator de apoio ao exercício da soberania nacional.

Sendo assim, é necessário admitir a fragilidade dos argumentos que sustentam a opinião de que há identidade de políticas nos governos do PT e do PSDB. Pelo contrário, foram absolutamente diferenciadas em matéria de centralidade da política econômica e de prioridade das políticas públicas."

FONTE: escrito por Ceci Juruá, economista, pesquisadora, doutora em políticas públicas, membro do Conselho Consultirvo da CNTU- Confederação Nacional dos Trabalhadores Universitários. Rio de Janeiro, julho de 2014.
(http://folhadiferenciada.blogspot.com.br/2014/07/falacia-em-tempos-de-eleicao-o-plano.html).

GANÂNCIA POR TERRITÓRIO E ÁGUA: ISRAEL APAGA DO MAPA A PALESTINA




Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa 

"Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes.

Por Eduardo Galeano

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica "terroristas" [isto é, "terroristas" são todos aqueles patriotas, crianças e mulheres inclusive, que resistem com paus e pedras e artesanais minifoguetes, à invasão e ocupação israelense de seus territórios]. Israel semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que essa carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os "terroristas", conseguirá multiplicá-los.,

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo "castigada". Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão "corrigindo" a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em "legítima defesa". Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que "a Bíblia outorgou", pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel executa a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se "danos colaterais", segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez "danos colaterais", três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar ensaia com êxito nessa operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a achar que são "humanitárias" as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada "comunidade internacional", existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra essa jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia."


FONTE: escrito por Eduardo Galeano no "Sin Permiso". Tradução de Mariana Carneiro para o "Esquerda.net" (de Portugal). (http://www.esquerda.net/artigo/eduardo-galeano-ja-pouca-palestiniana-resta-pouco-pouco-israel-esta-apaga-la-do-mapa/33472).

ISRAEL COMETE CRIME DE GUERRA



Israel comete crime de guerra

Wadih Damous (*)

"Os criminosos bombardeios das Forças Armadas de Israel contra a população civil palestina da Faixa de Gaza são inaceitáveis. No momento em que este artigo era escrito, já tinham causado a morte de mais de 200 civis [já somam 650], deixado um número de feridos cinco vezes maior e destruído 560 casas. Configuram um crime de guerra, pois atropelam a Convenção de Genebra, que condena explicitamente represálias contra a população civil num conflito armado.

No caso, sequer existe conflito armado como uma guerra entre dois exércitos. Depois do sequestro e assassinato de três jovens judeus por um grupo de palestinos – um crime injustificável – Israel resolveu fazer retaliações contra a população civil palestina.

É um procedimento similar ao dos nazistas nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial.

Há décadas, aproveitando-se da cobertura dada pelos Estados Unidos, Israel vem anexando pela força terras palestinas. O insuspeito Jimmy Carter, ex presidente norte-americano, comparou o que ocorre na região com o antigo apartheid sul-africano, no qual uma minoria ocupava terras alheias usando a força militar e confinando a maioria autóctone em áreas reduzidas do território nacional.

Será Carter, também, mais um antissemita, expressão usada por Israel para tentar desqualificar os críticos à sua política criminosa?

Essa política tem sido reiteradamente condenada pela comunidade internacional, tal como ocorria com a África do Sul nos tempos do apartheid. Mas, da mesma forma como faziam os racistas sul-africanos, Israel ignora as resoluções da ONU.

Lembre-se,aliás, que, na época do apartheid, muitas vezes Israel foi o único país do mundo a se recusar a condenar, nas Nações Unidas, o regime sul-africano.

É verdade que a maioria dos países árabes é governada por ditaduras corruptas e violentas, mas tal fato não pode servir de justificativa para as ações de Israel. Tampouco é aceitável que, em nome de supostos direitos históricos, Israel proceda à anexação de terras. Mesmo que o povo judeu fosse herdeiro direto dos antigos hebreus, e que ao longo de mais de dois séculos não tenha havido miscigenação, é absurdo que reivindique terras em que seus antepassados viveram há dois mil anos. O que aconteceria com o mapa do mundo se esse princípio fosse aceito para todos os povos? O que seria dos mapas da Europa ou das Américas?

Ou o que se quer é dar ao povo judeu tratamento diferente nessa questão? Por que razão?

Os governos de Israel são fortemente influenciados por fundamentalistas religiosos, que sustentam serem os judeus "um povo escolhido por Deus", posição que tem um claro viés racista. Tal disparate não pode servir de justificativa para opressão [e roubo de terras e assassinatos] de outros povos.

De uma vez por todas, é preciso que o mundo afirme que a vida de uma criança palestina vale tanto quando a de uma criança israelense, ou de qualquer outra nacionalidade.

Quem considerar que uma é mais valiosa do que outra é racista. E deve ser apontado como tal, com todas as letras.

Dada a radicalização a que se chegou na região, parece inviável a curto prazo a constituição de um Estado que reúna judeus e palestinos – o que seria a opção mais democrática. Diante dessa impossibilidade, é preciso que se reconheça o direito, tanto dos israelenses, como dos palestinos, de construírem seu próprio Estado, com fronteiras reconhecidas e invioláveis.

Isso pressupõe a retirada de Israel dos territórios [invadidos e] ocupados pela força, o desmantelamento dos assentamentos realizados em atropelo a resoluções das Nações Unidas e a devolução das propriedades de palestinos confiscadas pela força.

Enquanto isso não acontecer, Israel deve ser pressionado pela comunidade internacional, tal como foi a África do sul do regime racista.

Nesse sentido, deve ser aplaudida a iniciativa da presidente do Chile, Michele Bachelet, que semana passada cortou as relações comerciais com Israel e informou estar estudando a ruptura das relações diplomáticas, em protesto contra o massacre do povo palestino.

A medida deveria ser seguida por todos os governos democráticos do mundo."

FONTE: escrito por 
Wadih Damous (*) Presidente licenciado da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. Publicado no site "Carta Maior"  
 (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Israel-comete-crime-de-guerra/6/31425) e no blog "O Palheiro"  (//www.opalheiro.com.br/israel-comete-crime-de-guerra/). Créditos da foto: "Guardian"

FERROVIA NORTE-SUL




Os investimentos de R$ 4,2 bilhões na Ferrovia Norte-Sul

Do "Muda Mais"

Ferrovia Norte-Sul: Brasil interligado e produtos mais baratos para o consumidor


"O PAC investiu R$ 4,2 bilhões na criação do trecho de 855 km da ferrovia Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO). E você sabe por que esse investimento é tão importante? Porque é um passo a mais rumo à integração do país inteiro, com uma malha ferroviária que liga o Pará ao Rio Grande do Sul. Isso significa, entre outras coisas, reduzir os custos de transporte e, consequentemente, o preço do produto final para o consumidor e para o mercado externo, tornando o Brasil mais competitivo.

Ter alternativas para o escoamento da produção traz vários benefícios para o país. O transporte ferroviário, apesar de ter um custo de implementação mais elevado, pode resultar ser de 20% a 30% mais barato para o país, porque o que pode ser carregado em um único vagão de trem só caberia em quatro caminhões. Ou seja, a ferrovia Norte-Sul vai baixar os custos de comercialização no mercado interno, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, modernizar a produção agrícola, melhorar a distribuição da riqueza nacional e induzir a ocupação econômica do cerrado.

Desta forma, o Brasil caminha para um sistema ferroviário realmente competitivo. A necessidade de se modernizar a malha ferroviária brasileira hoje é visível. O país conta com apenas 30.129 km (quantidade pequena se comparada à dimensão do Brasil), sendo praticamente um terço construído na época do Império. Sua extensão é mais de 50 vezes menor que a da malha rodoviária. Mesmo assim, sua participação na movimentação anual de cargas é significativa: responde por 20,7%, enquanto a malha rodoviária tem participação de 61,1%.

Por isso, o Governo Federal trabalha para botar para funcionar a ferrovia Norte-Sul. Veja abaixo como esse projeto vai ligar o Brasil de Norte a Sul:



FONTE: do "Muda Mais", Transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/os-investimentos-de-r-42-bilhoes-na-ferrovia-norte-sul),