terça-feira, 1 de setembro de 2015

A HIPOCRISIA DA ELITE SONEGADORA CONTRA A CPMF



O SUS é a maior vítima da extinção da CPMF em benefício dos sonegadores

Histeria contra CPMF diz muito sobre a elite brasileira 

Por BEPE DAMASCO, jornalista, editor do "Blog do Bepe"

"Tinha acabado de ler um ótimo artigo do professor Venício Lima, no qual ele discorre sobre como uma boa parte da mídia abdicou de fazer jornalismo em nome da militância oposicionista, quando deparo com o conhecido movimento de manada dessa mídia atacando a intenção do governo de enviar para o Congresso Nacional uma proposta orçamentária explicitamente deficitária.

Isso depois de o governo ter desistido de recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), diante da gritaria que reuniu os endinheirados do país e seus porta-vozes na imprensa corporativa e monopolista. Então, ficamos combinados assim: com o agravamento da crise internacional, que se reflete em todas as economias globalizadas, o governo está proibido de aumentar suas receitas para fazer frente às sérias dificuldades fiscais, mas também apanha se assume o déficit orçamentário.

O que é isso senão a abdicação do jornalismo em favor do ativismo político? Fica claro o esforço para impedir que seus ainda renitentes leitores, ouvintes e telespectadores reflitam de forma minimamente crítica sobre as coisas. O truque é simples: através de uma expressão forte e simplista, mas de grande apelo, como a "ameaça de aumento da carga tributária", dissemina-se o temor de que o Leão prepara mais uma ataque impiedoso ao bolso dos brasileiros. 

Se o interesse público não passasse ao largo das redações do PIG, a narrativa sobre a CPMF seria outra. Seria obrigatório refrescar a memória das pessoas, lembrando que a CPMF foi criada pelo governo de FHC?PSDB através da Lei nº 9.331 de 24 de outubro de 1996 e vigorou até 2007, quando o Senado, por 45 votos a 34, pôs fim à contribuição.

Informaria também que sua última alíquota foi de 0,38%, ou seja, R$ 3,80 a cada cheque de mil reais emitido. Tipo de imposto progressivo, portanto, que poupa os pobres enquanto cobra uma quantia irrisória dos mais afortunados, que está longe de lhes fazer falta.

E o mais importante : trata-se de um poderoso instrumento de combate à sonegação, já que a retenção da CPMF deixa rastros inapagáveis da movimentação do dinheiro. Os críticos da CPMF batem na tecla do desvio de finalidade para execrá-la, pois foi criada para financiar a saúde, mas acabou também usada para outros fins. Aqui, se verifica o caso típico de se jogar a criança fora junto com a água da bacia. É evidente que desvios se coíbem com o aumento da fiscalização por parte dos órgãos de controle.

O debate sobre a natimorta CPMF relegou a segundo plano o fato de que o governo propunha uma alíquota bem menor, algo em torno de 0,20%, e que estados e municípios também teriam seu quinhão. Estudiosos da questão da saúde pública no Brasil são praticamente unânimes em apontar seu subfinanciamento como o maior desafio a ser superado. Saúde custa caro aqui ou em qualquer lugar do planeta.

E, no caso do Brasil, que ergueu o maior sistema público de saúde do mundo, o SUS, é urgente uma dotação de recursos maior por parte do Estado. Só assim um dia atingiremos a meta da universalização do atendimento de qualidade. A sociedade, portanto, está com a palavra : ou encara de frente o problema do financiamento da saúde, vital para o fortalecimento do SUS, ou a saúde jamais terá solução no nosso país. 

Sei que é pedir demais para uma elite campeã em sonegação que se sensibilize com o drama dos que não podem pagar por um plano médico. Sei também que esses argumentos de pouco ou nada valem para quem acha que só porque "paga" [vero?] impostos está desobrigado de pensar nos menos favorecidos e que é tudo culpa dos governos que gastam mal os recursos públicos. Contudo, os defensores da saúde universalizada e de qualidade sabem que a situação atual só será revertida com uma luta de longo prazo em defesa dos valores do SUS." 


FONTE: escrito por BEPE DAMASCO, jornalista, editor do "Blog do Bepe", Publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/bepedamasco/194976/Histeria-contra-CPMF-diz-muito-sobre-a-elite-brasileira.htm).[Título e 1ª imagem acrescentados por este blog 'democracia&política'].

INAUGURADO O GOLPÔMETRO



Figueiredo passeando com o dono da "Globo" (Roberto Marinho). A direita tem saudades dos tempos em que passeava de braços dados com ditadores



Por Miguel do Rosário, no blog "O Cafezinho"


Inaugurado o golpômetro ! 

Análise Diária de Conjuntura Cafezinho, 31/08/2015

"A política brasileira deveria inaugurar urgentemente um golpômetro, então eu dou a partida e passo, a partir de agora, a fazer um, com periodicidade semanal.

É um índice de larga abrangência, de 1 a 20, porque precisaremos de muitos nuances. O número 1 corresponde a risco zero de golpe. Número 20, golpe certo.

Na segunda-feira, diríamos que o golpômetro subiu dois pontos em relação à semana passada, em função de fatores sobre os quais irei discorrer rapidamente abaixo, e bateu a marca de 12 pontos, com viés de alta de mais um ponto para o resto da semana.

O ser humano é tão incrível que já estamos nos acostumamos até mesmo com essa situação, esse caminhar à beira do abismo.

Nas últimas semanas, algumas coisas ficaram mais claras. A estratégia da oposição não foi, exatamente, desistir do golpe, e sim empurrá-lo para mais adiante, quando o processo de manipulação da opinião pública estiver mais avançado.

A superexposição do "ministro" Gilmar Mendes (TSE e STF), fazendo com ele apareça, junto à mídia, como único ministro do STF e único ministro do STE, revela que Mendes se tornou, efetivamente, o grande líder do golpe.

Imaginar que ele será o próximo presidente do STF, a partir de setembro de 2016, não oferece perspectivas muito felizes ao longo da segunda metade do mandato de Dilma.

A entrevista que Gilmar deu domingo ao "Correio Braziliense" mostra um quadro político inteiramente voltado a serviço da derrubada do governo. E ele não esconde isso.

Na entrevista, Mendes deita falação e pré-julgamentos, sem o menor pudor, sobre fatos que a corte irá julgar. E age muito mais como um político do que como um magistrado, rompendo todos os códigos de ética criados para que juízes não interferissem no jogo político.

Num ponto da entrevista, o repórter pergunta a Mendes: "Não dá para dizer então que a presidente não sabia?"

Mendes, malandro, dá um drible verbal: "Não vou emitir juízo sobre isso. Agora, a mim me parece que é difícil qualquer pessoa que estava em posição de responsabilidade dizer que desconhecia essas práticas."

Ou seja, diz que não vai emitir juízo e, em seguida, emite.

A entrevista é inteiramente repleta de joguinhos assim, mas é interessante porque nos fornece, em detalhes, o roteiro do golpe, que precisará ser embalado numa fôrma legal.

Para isso, é preciso antes aprofundar a narrativa de que haveria, como diz o ministro, um "método de governança" ancorado na corrupção, e numa "concepção ideológica, de que Estado e partido se confundem".

A teoria é bem doida. Segundo ela, bancos, empreiteiras, diversas grandes companhias brasileiras, todas teriam dado apoio ao PT em sua busca pela instalação do maoísmo comuno-petista no Brasil.

Lula, o grande mentor desse plano macabro, teria tido financiamento (ele mesmo abriu os dados, após a quebra de seu sigilo bancário) de Microsoft, Odebrecht, dezenas de grandes empresas, todas elas interessadas em apoiar o sinistro projeto petista de poder.

Entretanto, depois do que fizeram no mensalão, em que transformaram a Visanet em empresa pública e condenaram Pizzolato por um desvio que não ocorreu, e que, se tivesse ocorrido, não teria sido ele o responsável, está claro que terão agora muito mais elementos para brincar de montar narrativas.

Desmontar essas farsas não seria tão difícil, tivesse o governo instrumentos para se comunicar diretamente com o povo. Mas os poucos que o governo tinha, como o "Café com a Presidenta", foram deliberadamente abandonados.

Gilmar ainda aproveita a entrevista para ofender blogs críticos à sua atuação com acusações levianas e, até mesmo criminosas, no limite da injúria e da difamação. Para autoritários como Gilmar, deveria existir apenas essa imprensa cartelizada, que agora lhe incensa, que abafa escândalos, apenas essa mídia herdeira da ditadura e da privataria.

Sou contra a judicialização da política e do debate político, mas Nassif está de parabéns por processá-lo, pela simples razão de que foi Gilmar quem processou Nassif primeiro.

Outro fator a elevar a instabilidade política é o aprofundamento da crise econômica. Na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central, que apura semanalmente as expectativas do mercado para a economia, estimou uma queda de 2,26% no PIB deste ano. É uma queda enorme para uma economia do nosso tamanho. Se confirmada, será a maior que tivemos em bastante tempo.

Para 2016, espera-se nova queda no PIB, de 0,4%.

É óbvio que a instabilidade política desta vez explodiu como bomba no colo da economia brasileira. Além disso, o ajuste fiscal foi feito com muita brutalidade. Aumento de juros, cortes de gastos, tudo feito de maneira brusca, sem a sensibilidade necessária para que não resultassem em redução da atividade econômica e, portanto, queda na arrecadação, neutralizando o próprio objetivo do ajuste.

A "Lava Jato", que ingenuamente achamos ter chegado a uma etapa declinante há algumas semanas, ganhou corpo de maneira extraordinária. Seus procuradores, o juiz Sergio Moro, Gilmar Mendes, além da mídia, retomaram os trabalhos de imagem junto à opinião pública. Diferentemente do governo, esses agentes da oposição dão importância à comunicação e ao simbolismo das coisas. O Ministério Público brandiu uma suposta "devolução" de 1 ou 2 bilhões de reais aos cofres públicos, número abstrato, mas encorpado, para galvanizar a operação com uma tinta generosa, deixando de lado a própria realidade econômica, que mostra um país em forte recessão dentre outras razões justamente pela maneira como a operação foi conduzida.

Nos anos que sucederam a II Guerra, as grandes empresas europeias que haviam apoiado o nazismo não foram destruídas por nenhuma campanha moralista, mas salvas com dinheiro público. Algumas foram incorporadas ao Estado, como a Renault francesa, para que não houvesse desemprego. Bush fez a mesma coisa com a General Motors: estatizou-a. Aqui no Brasil, fez-se campanha aberta para destruir as principais empresas brasileiras de engenharia e construção civil, e agora se fala que devolverão R$ 2 bilhões, como se isso pagasse o prejuízo para o Estado de termos empresas, que pagavam bilhões de reais, todos os anos, na forma de impostos, além da geração de empregos, fechando as portas e falindo.

Esta semana, a novela da Lava Jato terá como personagem principal o ex-deputado Pedro Correa, que decidiu aceitar acordo de delação premiada. Político astuto e conservador, não será surpresa se Correa fizer o jogo manjado da Lava Jato. O destino feliz dos delatores que entraram no jogo (Barusco, o corrupto mais antigo e mais intenso de todos, já está curtindo praia em liberdade) dos procuradores e Sergio Moro já delineou para todos os réus o caminho a ser seguido: ajudar a montar o quebra-cabeça já previamente elaborado pela acusação. Os procuradores e Moro conseguiram convencer vários réus a colaborarem: ainda veremos as delações de Marcelo Odebrecht, Nestor Cerveró e Fernando Baiano.

A pontuação do golpômetro ainda pode subir um bocado antes de voltar a baixar.

O script disso tudo está sendo muito bem preparado.

Em Minas Gerais, o governador Pimentel entra na mesma máquina de moer reputações que corrói o PT em toda parte. A PF tucana está mordendo seu pé, tentando criar uma Lava Jato mineira para lhe derrubar. O fato de Pimentel possuir um longo rabo de "consultorias" milionárias, cobradas de sindicatos patronais, não lhe ajuda muito.

Até o momento, tudo indica que Pimental enfrentará essas acusações ao "estilo Dilma", ou seja, usará a tática de apanhar calado, de maneira que o esforço dos movimentos sociais de criar, em Minas, um núcleo nacional de resistência contra a escalada conservadora e golpista, encontrará dificuldades.

Por fim, temos um PT e governo ainda em curto-circuito político. A ideia de recriar a CPMF durou poucos dias, e apenas serviu para ilustrar a desorganização política de ambos.

O PT continua preocupado demais em oferecer algum tipo de proposta à sua militância. Falar em CPMF, sem antes fazer uma trabalho de esclarecimento sobre a questão tributária no país, é evidentemente estupidez. A mesma coisa vale para o imposto de grandes fortunas.

Um auditor fiscal de Minas, blogueiro, e leitor do "Cafezinho", que estuda há anos a questão do tributo sobre as heranças, publicou um artigo, com gráficos, que mostra como a nossa opinião pública é mal informada, e como o governo e o PT são incompetentes ao tratar de qualquer questão tributária sem antes trazer comparativos entre países.

Até a década de 70, EUA e Inglaterra financiaram suas estruturas sociais com alíquotas máximas altíssimas sobre o imposto de herança, de 80% a 90% do total! Hoje, baixaram essas alíquotas máximas para 40%. Mesmo assim, observa-se que o Brasil possui as menores alíquotas máximas tributárias no mundo.



Não se pode, em plena crise econômica, falar impunemente de aumento de impostos. É preciso antes reduzir a evasão fiscal, simplificar e racionalizar os processos de pagamento, reduzir para os pequenos, para os empreendedores, para a classe média, e aumentá-los, após inteligente campanha de esclarecimento, para os setores sociais mais ricos.

A cultura da sonegação, por sua vez, deve ser combatida com inteligência, não com truculência judicial, não com criminalização do empreendedorismo, mas com reformas que simplifiquem o pagamento de tributos, descentralizem as cobranças, e prometam maior eficiência e transparência no uso dos recursos."

FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário no seu blog "O Cafezinho"   (http://www.ocafezinho.com/2015/08/31/inaugurado-o-golpometro/#more-31468). [Primeiras imagens e legenda acrescentadas por este blog 'democracia&política'].

TSE DESCOBRE QUE AÉCIO NEVES ESCONDEU QUE RECEBEU MILHÕES DA ODEBRECHT




[DOAÇÕES MILIONÁRIAS DA ODEBRECHT RECEBIDAS POR AÉCIO E NÃO DECLARADAS AO TSE "SÃO MERAS FALHAS CONTÁBEIS"...

TSE vai punir Aécio Neves? [Duvido...]

Por Altamiro Borges

"Sem manchete de capa ou maior alarde, o oligárquico "Estadão" [autodeclarado tucano em editorial] publicou no domingo (30) uma nota curiosa. A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora do processo que examina a prestação de contas da campanha do cambaleante Aécio Neves (PSDB-MG), solicitou ao tucano esclarecimentos sobre 15 suspeitas de irregularidades detectadas nos documentos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o jornalão, entre as supostas irregularidades, estão doações feitas pelas empreiteiras Odebrecht e Construbase que somam R$ 3,75 milhões.

De acordo com a assessoria técnica do TSE, Aécio Neves repassou ao PSDB doação de R$ 2 milhões da Odebrecht, mas não registrou a transferência na prestação de contas. A empreiteira é alvo das investigações da midiática operação Lava Jato. Em relação às doações da empresa Construbase, o TSE aponta diferenças entre o valor declarado (R$ 500 mil) e o recebido (R$ 1,75 milhão). Além disso, de acordo com o tribunal, a campanha presidencial do senador mineiro deixou de declarar R$ 3,9 milhões em doações estimáveis, só contabilizadas na retificação da prestação de contas.

Segundo o Estadão, o TSE considerou três das 15 irregularidades detectadas como infrações graves. Elas se referem a doações recebidas antes das prestações de contas parciais e que só foram registradas nas prestações finais, somando mais de R$ 6 milhões. "A assessoria do PSDB afirmou que as respostas já foram dadas e que as irregularidades apontadas pelo TSE são falhas contábeis", afirma o jornalão. Pronto. Assunto encerrado! Não haverá manchetes, capas de revistas e comentários ácidos dos comentaristas de rádio e televisão. Todo mundo sabe que os tucanos são santos, puros!"

FONTE: escrito pelo jornalista Altamiro Borges em seu blog  (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/08/tse-vai-punir-aecio-neves.html#more).[Título e trecho entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

LISTA DE FURNAS É A MAIOR PEDRA NO CAMINHO DE AÉCIIO



Lista de Furnas é a maior pedra no caminho de Aécio

Por DURVAL ÂNGELO, deputado estadual (PT-MG), líder do governo na ALMG

"Não resisto a, mais uma vez, parafrasear o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. "No meio do caminho tinha uma pedra/ Tinha uma pedra no meio do caminho/ Tinha uma pedra/ No meio do caminho tinha uma pedra."

Na última terça-feira (25), em depoimento à CPI da Petrobras na Câmara Federal, o doleiro Alberto Youssef trouxe à tona uma das maiores pedras no caminho do senador Aécio Neves (PSDB): a Lista de Furnas. Ele confirmou à CPI ter tomado conhecimento de que o então deputado federal recebia dinheiro de um esquema de corrupção na Centrais Elétricas de Furnas. A informação lhe teria sido passada por José Janene, ex-deputado do PP, morto em 2010, apontado como um dos beneficiários do esquema de pagamento de propinas investigado na Operação Lava Jato.

Vale recordar que, em depoimento anterior à Polícia Federal, o doleiro já havia afirmado que PP e PSDB "compartilhavam" uma diretoria de Furnas e que os pagamentos a políticos seriam de, pelo menos, 100 mil dólares mensais entre 1996 e 2000. Por sinal, denúncia oferecida pela procuradora Andréia Baião, da Procuradoria Geral da República (PGR) do Rio de Janeiro, em 2010, também havia revelado o esquema. Assim como Yousseff, ela apontava a empresa "Bauruense" como intermediária dos recursos arrecadados pela estatal para financiar as campanhas de 2002 do candidato derrotado à presidência, José Serra, de Geraldo Alckmin, eleito governador de São Paulo e Aécio Neves, eleito para o governo de Minas, todos do PSDB. O esquema seria operado pela irmã de Aécio, Andréa Neves.

E já se vão mais de dez anos desde que a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), especialmente o deputado estadual Rogério Correia, trouxe a público a denúncia do envolvimento do ex-governador em um esquema ilegal de repasse de recursos da estatal para políticos. Segundo o documento denominado "Lista de Furnas", cuja autenticidade foi comprovada por perícia da Polícia Federal, quase R$ 40 milhões [valor não atualizado] foram distribuídos a 156 políticos, sendo 69% para as três campanhas citadas. Nos bastidores, vários deputados confirmaram terem recebido as quantias vindas de Furnas, que variavam entre R$ 70 mil e R$ 100 mil. Um deles, o então deputado Antônio Júlio (PMDB), hoje presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), corajosamente, assumiu na imprensa que recebeu R$ 50 mil para doação a um hospital.

Em março desse ano, mais uma tentativa de que o esquema fosse apurado. Rogério Correia e os deputados federais petistas Adelmo Leão e Padre João apresentaram requerimento à PGR para que a delação premiada de Youssef sobre Furnas fosse desarquivada e investigada na Operação Lava Jato. Sem efeito, lamentavelmente.

Pois bem. O fato volta à baila, agora, denunciado aos olhos de todos, na transmissão em rede nacional do depoimento de Youssef à CPI. A grande pergunta que fazemos é: se o delator tem credibilidade ao denunciar outros políticos, do PP, PMDB, PT e PSDB, por que não o teria, em se tratando de Aécio Neves? Dizem que "pau que dá em Chico dá em Francisco". Será? Se assim o for, aguardamos também a denúncia do senador pela PGR e, quem sabe, até o pedido de sua prisão.

Se mantida a avaliação anterior do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que a delação de Youssef contra Aécio não tem consistência, há que se exigir uma mudança nos rumos da Operação Lava Jato. Prevaleceria o princípio de que a delação premiada não pode ser vista como prova absoluta, precisando, portanto, ser investigada e confrontada com outras evidências. Ou seja, o próprio procurador assumiria que nem todas as acusações dos delatores são verdadeiras. Nessa lógica, todos os demais denunciados por eles teriam também direito ao benefício da dúvida.

Sobretudo, o que o novo capítulo da Lava Jato evidencia é que as pedras que estavam no caminho de Aécio e do PSDB começam a ser atiradas neles. Caem sobre as cabeças dos que, de forma hipócrita e inconsequente, criaram fatos midiáticos artificiais e utilizaram a Operação Lava Jato para tentar enfraquecer adversários políticos, mesmo conscientes de que jogavam contra o Brasil. Não foi à toa que o empresário Abílio Diniz, presidente da "Brasil Foods", declarou recentemente ser a crise do país "fundamentalmente política, muito mais do que econômica".

É fato que a corrupção sempre foi uma "chaga" no Brasil, sobretudo no campo político. Desde 1500, quando Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao rei para falar das belezas, virtudes e potencialidades dessa terra, praticou tráfico de influência, pedindo emprego para um parente. E é verdade também que esse é um mal praticamente generalizado, independentemente de ideologia ou agremiação partidária. Chegou o momento de Aécio Neves e o PSDB se haverem com suas "pedras". E agora, Janot?"


FONTE: escrito por DURVAL ÂNGELO, deputado estadual (PT-MG), líder do governo na ALMG. Publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/durvalangelo/195013/Lista-de-Furnas-%C3%A9-a-maior-pedra-no-caminho-de-A%C3%A9cio.htm).

A REVISTA ÉPOCA E O VALE-TUDO CONTRA LULA





O caso da bomba atômica que era um aspirador de pó

Por Marcelo Zero, Sociólogo, especialista em relações internacionais

“Nosso Homem em Havana” é um livro de ficção do genial Graham Greene. Mais que uma novela de espionagem, a obra é uma sátira política coalhada de ironias e sarcasmos.

Nela, Greene conta a história de James Wormold, um vendedor britânico de aspiradores de pó, que reside em Havana. Abandonado pela mulher e com problemas financeiros, ele acaba recrutado pelo serviço secreto do Reino Unido.

Precisando do dinheiro extra, mas sem ter nada de relevante para reportar a Londres, Wormold cria uma rede fictícia de informantes, misturando personagens reais, muito dos quais ele sequer conhece, com nomes inventados. Gera relatórios com base em notícias requentadas de jornais e em muita imaginação para preencher as lacunas de tramas escabrosas.

Ao sentir a necessidade de apimentar suas informações e obter mais dinheiro, Wormold passa a remeter a Londres diagramas de peças de aspiradores de pó, apresentando-os como plantas de uma “base comunista secreta escondida nas montanhas”.

Num dos momentos mais hilariantes do livro, o chefe de Wormold em Londres, ao discutir os desenhos de aspiradores de pó, afirma: “Diabólico, não é? Acredito que podemos estar diante de algo tão grande que fará a Bomba H se tornar uma arma convencional”.

Não sei se os repórteres da revista "Época" que colocaram o título da obra de Greene em sua mais recente “reportagem” sobre Lula leram o livro. Provavelmente, não. Se tivessem lido, teriam percebido que o sarcasmo de Greene veste como luva de pelica em sua, assim digamos, “obra jornalística”.

A nova “reportagem” insiste em reapresentar as ações internacionais do ex-presidente Lula, que usa do seu enorme prestígio mundial para promover o Brasil, seus produtos e suas empresas no exterior, como algo escabroso e escuso.

Da mesma forma que o personagem de Greene, tentam vender desenhos de aspiradores de pó como se fossem uma nova superbomba, a qual, como de hábito, “implodirá a República”.

Como Wormold, a brava revista de “jornalismo investigativo” mistura verdades, meias verdades e uma alta dose de imaginação para criar uma precária peça de ficção policial, travestida de reportagem objetiva e imparcial.

Emulando Worlmold, a revista aposta na paranoia anticomunista para que suas informações prosaicas e anódinas se convertam numa trama diabólica. Com efeito, essa revista, assim como várias outras no Brasil, navega hoje nas revoltas e obscuras águas do anticomunismo, do “antibolivarianismo” e do antipetismo. Recriaram, em pleno início do século XXI, o mesmo clima da Guerra Fria que vigorava nos anos 50 e 60 do século passado.

Isso tudo no momento em que o próprio governo norte-americano aposta na aproximação à Cuba, no fim do embargo e, é claro, na realização de grandes negócios na ilha, com o providencial auxílio de poderosos lobbies políticos-empresariais.

A revista "Época" está definitivamente fora de época.

Aparentemente, está também um pouco fora de si. Só isso explica a ignorância abissal sobre o estratégico tema da exportações de serviços.

O setor de serviços representa, hoje, cerca de 80% do PIB dos países mais desenvolvidos e ao redor de 25% do comércio mundial, movimentando US$ 6 trilhões/ano. Somente o mercado mundial de serviços de engenharia movimenta cerca de US$ 400 bilhões anuais e as exportações correspondem a 30% desse mercado. É um segmento gigantesco, que cresce mais que o mercado de bens.

Infelizmente, apesar dos esforços recentes, o Brasil investe pouco nessas exportações.

Assim, enquanto que, no período de 2008 a 2012, o apoio financeiro do Brasil às suas empresas exportadoras de serviços foi, em média, de US$ 2,2 bilhões por ano, o apoio oficial da China às suas empresas exportadoras alcançou, nesse mesmo período, a média anual de US$ 45,2 bilhões; o dos Estados Unidos US$ 18,6 bilhões; o da Alemanha, US$ 15,6 bilhões; o da Índia, US$ 9,9 bilhões.

Na realidade, apenas cerca de 2% da carteira do BNDES vão para obras brasileiras no exterior. E, ao contrário do que dizem "Época" e outras revistas fora de época, não se trata aqui de “empréstimos camaradas” para Cuba e outros países “comunistas e bolivarianos”, protegidos por sigilo indevido com a finalidade de encobrir atos ilegais.

Em primeiro lugar, o país que mais recebeu empréstimos do BNDES para obras de empresas brasileiras no exterior foram os EUA.

Em segundo, nenhum centavo desses empréstimos foi para países ou governos estrangeiros. Os empréstimos são concedidos, por lei, às empresas brasileiras que fazem as obras, e o dinheiro só pode ser gasto com bens e serviços brasileiros. Como a construção civil possui uma longa cadeia, tais empréstimos têm um impacto muito positivo na economia nacional. Estima-se que, apenas em 2010, as exportações de serviços de engenharia tenham gerado cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos no País. Além disso, os gastos com a importação de bens brasileiros em função de algumas dessas exportações financiadas pelo BNDES ascenderam a US$ 1,6 bilhão, no período 1998-2011. Entre tais bens, estão os aços, os cimentos, vidros, material elétrico, material plástico, metais, tintas e vários outros.

Em terceiro, os empréstimos não são “camaradas”. No caso dos empréstimos às empresas brasileiras para a construção do Porto de Mariel, o BNDES usou a Libor e mais um spread de 3,81%, juros superiores ao praticados pela OCDE, que usa, no mesmo caso, a CIRR mais um spread de 3,01%.

Em quarto, o sigilo parcial das operações financeiras visa proteger as informações privadas do tomador do empréstimo, conforme determina uma norma tucana, a Lei Complementar Nº 105, de 2001. Mesmo assim, o BNDES é considerado, pela insuspeita "Open Society Foundations", como o banco de investimentos mais transparente do mundo. Ademais, qualquer juiz de primeira instância pode abrir totalmente as operações, se considerar que há algo suspeito nelas.

Em quarto, como o mercado mundial de obras é muito concorrido, os países fazem poderosos lobbies para obter contratos. Presidentes, primeiros-ministros, monarcas e ex-presidentes com prestígio se empenham para que as empresas de seus países consigam obras no exterior. Assim como se empenham também para que comprem os produtos de seus países.

Quanto à participação de Lula, só mesmo o mais completo mentecapto ou o mais irracional dos anticomunistas pode imaginar que o ex-presidente poderia ter feito algo de ilegal ou mesmo antiético em reuniões que contaram com a participação de diplomatas e que foram devidamente registradas em documentos oficiais do Itamaraty. Aliás, mesmo que quisesse, Lula jamais poderia ter influenciado tais empréstimos, os quais têm de passar por uma longa série de instância técnicas para serem aprovados e liberados.

Saliente-se que "Época" só teve acesso aos documentos sigilosos graças à Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2012 por Dilma Rousseff.

Fosse nos áureos tempos do paleoliberalismo, tais empréstimos não teriam despertado a suspeita de "Época". Como de fato não despertaram, quando FHC aprovou os primeiros empréstimos para o metrô de Caracas, já com a Venezuela presidida pelo “perigosíssimo” Hugo Chávez.

Na improvável eventualidade de que tivessem despertado suspeitas, "Época" não teria tido acesso a informações sigilosas. Caso tivesse tido acesso a informações sigilosas, por aquáticas vias de obscuras cachoeiras, duvidamos que "Época" tivesse publicado uma linha sequer. Caso tivesse publicado alguma coisa, duvidamos ainda mais que alguém tivesse levado a sério. Caso algum paranoico tivesse levado a sério, duvidamos que procuradores tivessem ensejado qualquer ação, para não cair no ridículo. Caso algum procurador tivesse caído na fácil tentação de se expor a holofotes desavergonhados, o providencial engavetador-geral teria feito o que sempre se fazia na época, com o apoio da "Época".

Na época, nem mesmo os lobbies em prol de empresas estrangeiras nas alegres privatizações despertavam suspeitas. Mesmo hoje, quem se bate pela Chevron, pela Alstom, pela entrega do pré-sal e pela abertura do mercado brasileiro às construtoras estrangeiras curiosamente está acima de qualquer suspeita. Esses são “estadistas”. Só não se sabe bem de que país.

Mas vivemos em outra época. Na época do vale-tudo contra o “comunismo”, o “bolivarianismo” e o “lulopetismo”. Na época do vale–tudo contra o mandato popular. Na triste época do vale-tudo contra Lula, o melhor presidente da história recente do país. O ex-presidente que hoje é o rosto do Brasil no mundo. Na horrorosa época em que quem defende o Brasil e suas empresas, como Lula, é apresentado como criminoso.

Nesses tempos bicudos de Guerra Fria zumbi, vale até mesmo apresentar diagramas de aspiradores de pó como perigosíssimas instalações comunistas secretas.

Greene nunca imaginou que suas ironias e sarcasmos sobre a Guerra Fria seriam revividas na forma de “reportagens” que se levam a sério.

Diabólico, não é?"

FONTE: escrito por Marcelo Zero, sociólogo, especialista em relações internacionais e assessor da Liderança do PT no Senado.Publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/195019/O-caso-da-bomba-at%C3%B4mica-que-era-um-aspirador-de-p%C3%B3.htm)

O MITO DA "AMEAÇA RUSSA"


                      Pentágono, Washington-EUA


O mito de uma 'ameaça' russa

Geopoliticamente, o Pentágono afinal viu para que lado estão soprando os ventos da parceria global estratégica: a favor de Rússia-China.

Por Pepe Escobar, no "Sputnik news"

"Não passa uma semana sem que o Pentágono ponha-se a lamuriar contra alguma terrível "ameaça" russa.

O comandante do Estado-maior das Forças Conjuntas dos EUA, Martin Dempsey, entrou em território de "não sabidos sabidos", que pertence, por direito, a Donald Rumsfeld, quando, recentemente, tentou conceituar a "ameaça": “Ameaças são a combinação, ou o agregado, de capacidades e intenções. Deixemos de lado por enquanto as intenções, porque não sei o que a Rússia intenta.”

Bom. Dempsey, pelo menos, admite que não sabe do que fala. Saiba ou não saiba, parece saber que a Rússia é mesmo uma "ameaça" – no espaço, no ciberespaço, nos mísseis cruzadores disparados em terra, submarinos.

E é principalmente ameaça à OTAN: "Uma das coisas que a Rússia parece, sim, que faz, é desacreditar a OTAN, ou, ainda mais sinistramente, criar condições para o fracasso da OTAN.

Quer dizer que a Rússia "parece, sim, que faz" desacreditar uma OTAN já autodesacreditada. Terrível "ameaça"...

Todos esses jogos retóricos acontecem enquanto a OTAN “parece, sim, que faz” aprontar-se para confrontar diretamente a Rússia. E que ninguém se engane: Moscou toma a beligerância da OTAN, sim, como ameaça real.

É PGS vs S-500

A avançada contra-"ameaça" acontece bem quando a 'Think-tankelândia' dos EUA está recarregando a ideia de conter a Rússia. O conhecido centro Stratfor, fachada da CIA, já lançou peça de propaganda elogiando o cérebro-em-chefe da Guerra Fria George Kennan como autor da "política de contenção da Rússia".

O aparelho da inteligência dos EUA pensava que estivesse falando sério. Não ironizava. Mas, antes de morrer, Kennan disse que, àquela altura, já era preciso conter os EUA, não a Rússia [The Choice: Global Domination or Global Leadership, Basic Books, março, 2004 (NTs)].

Conter a Rússia – mediante a expansão da União Europeia e OTAN – é serviço que nunca deixou de ser tentado, verdadeiro "work in progress", porque o imperativo geopolítico nunca mudou. Como o Dr. Zbigniew “O Grande Tabuleiro de Xadrez" Brzezinski nunca se cansou de repetir, tudo sempre teve a ver com deter a – ameaçadora – emergência de uma potência eurasiana capaz de desafiar os EUA.

Até que a noção de "contensão" foi expandida para incluir o desmantelamento da própria Rússia. E também inclui o paradoxo interno de que a expansão infinita da OTAN na direção leste torna a Europa menos, não mais, segura.

Assumindo-se que venha a acontecer uma confrontação letal Rússia-OTAN, as armas táticas nucleares russas destruirão todos os aeroportos da OTAN em menos de 20 minutos. Dempsey – em declarações cifradas – admite.

O que de modo nenhum ele pode admitir é que, se Washington já não tivesse há muito tempo tomado a decisão fatal, o movimento organizado entre os russos, de impedir o avanço infinito da OTAN e de atualizar o arsenal nuclear, não teria sido necessário.

Geopoliticamente, o Pentágono afinal viu para que lado estão soprando os ventos da parceria global estratégica: a favor de Rússia-China. Essa mudança crucialmente decisiva, que altera o equilíbrio global de poder, também significa que as forças militares conjuntas de China e Rússia são superiores às da OTAN.

Em termos de poder militar, a Rússia tem mísseis de ataque e defesa superiores aos dos EUA, com a nova geração do sistema de mísseis terra-ar, o S-500, capaz de interceptar alvos supersônicos e que blinda completamente o espaço aéreo russo.

Além disso, apesar da turbulência financeira de curto prazo, a estratégia conjunta sino-russa para a Eurásia – uma interpenetração da(s) Nova(s) Rota(s) da Seda com a União Econômica Eurasiana, UEE [Eurasian Economic Union, EEU] – com certeza favorece o desenvolvimento das duas economias e da região em geral, em termos que podem superar o crescimento somado de EUA e UE à altura de 2030.

À OTAN só resta encenar poderio militar montado para shows de TV como “Atlantic Resolve” para "tranquilizar a região" – principalmente os histéricos Polônia e países do Bálticos.

Moscou, entrementes, já deixou claro que nações que admitam em seu território os sistemas norte-americanos de mísseis antibalísticos terão de enfrentar os sistemas de mísseis de alerta precoce instalados em Kaliningrad.

E o major-general Kirill Makarov, vice-comandante das Forças de Defesa Aeroespaciais da Rússia, também já deixou claro que Moscou está atualizando suas capacidades aéreas e de mísseis de defesa, para pulverizar toda e qualquer ameaça – real – que o país receba do "Prompt Global Strike" (PGS) dos EUA.

Na doutrina militar russa de dezembro de 2014, o crescimento militar da OTAN e o PGS dos EUA aparecem listados como principais ameaças de segurança. O vice-ministro da Defesa, Yuri Borisov, destacou que "a Rússia tem as capacidades necessárias, e será obrigada a desenvolver sistema como o PGS.”

Onde está nosso butim?

Os jogos retóricos do Pentágono servem também para mascarar um processo de apostas realmente muito altas. Essencialmente, trata-se de guerra por energia – centrada na disputa pelo controle do petróleo, gás natural e recursos minerais da Rússia e da Ásia Central. Quem controlará essa riqueza? Os testa-de-ferro dos oligarcas "supervisionados" pelos chefes em New York e Londres? Ou a Rússia e seus parceiros na Ásia Central? Daí a incansável guerra de propaganda.

Há quem argumente que os "Masters of the Universe" promoveram a ressurreição dos velhos álibis geopolíticos da contensão/ameaças – estimulados pelo que se pode chamar de conexão Brzezinski/Stratfor –, para encobrir, ou esconder, outro fato impressionante.

Eis o fato: a verdadeira razão da "Guerra Fria 2.0" é que o poder financeiro New York/Londres sofreu perda de mais de um trilhão de dólares quando o presidente Putin arrancou a Rússia daqueles esquemas de saqueio.

E o mesmo se aplica a todo o golpe em Kiev – forçado pelas mesmas forças financeiras de New York/Londres, para impedir que Putin destruísse suas operações de saqueio na Ucrânia (as quais, por falar delas, prosseguem inalteradas, pelo menos no domínio das terras agricultáveis).

Contensão/ameaças também estão sendo usadas freneticamente para impedir a qualquer custo que se constitua uma parceria estratégica entre Rússia e Alemanha – que a conexão Brzezinski/Stratfor vê como ameaça existencial aos EUA.

O sonho molhado dessa conexão – que, vale lembrar, os neoconservadores também sonham – seria um retorno glorioso à época em que a Rússia foi saqueada livremente, nos anos 1990, quando o complexo industrial militar russo colapsou, e o ocidente assaltava recursos naturais naquela região, como se fossem donos do mundo. Não vai acontecer outra vez.

Assim sendo, qual o Plano B do Pentágono? Criar condições para fazer da Europa cenário de guerra potencialmente nuclear. Não há ameaça mais real que essa."

FONTE: escrito por Pepe Escobar, no "Sputnik news". Transcrito no site "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-mito-de-uma-ameaca-russa-/6/34376).

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

LULA: 'A CPMF NUNCA DEVERIA TER ACABADO'




[OBS deste blog 'democracia&política': 

'A CPMF NUNCA DEVERIA TER ACABADO'

Lula falou isso antes de saber da desistência do Palácio do Planalto. Infelizmente, a aprovação no Congresso da volta da CPMF logo se mostrou impossível. Por quê? Por conta da forte pressão e do imenso poder dos grandes sonegadores e movimentadores de dinheiro (inclusive empresas de mídiasobre os parlamentares de quase todos os partidos. A CPMF, quando em vigor, foi mais difícil de sonegar e facilitou ao Banco Central e à Receita Federal rastrear os grandes sonegadores. Por isso, presenciamos a aterrorizada, raivosa e imensa reação contrária à sua reimplantação. Todos, hipocritamente, dizendo que "o povo não aguenta mais impostos"...]



LULA: 'A CPMF NUNCA DEVERIA TER ACABADO'

"O Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu no sábado, 29, a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF [antes de a Presidente Dilma ter desistido dessa fonte de arrecadação após ouvir seus representantes no Congresso e Ministros]

Durante discurso em seminário em São Bernardo do Campo, com participação do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, Lula disse que o chamado "imposto do cheque" nunca deveria ter sido extinto. "Não sei se é verdade que [Chioro] defendeu a CPMF. Mas a verdade é que ela não deveria ter sido retirada", disse Lula, ao cumprimentar o ministro da Saúde, Arthur Chioro, presente no evento. "Mas você deveria reivindicar para os governadores e prefeitos, porque eles precisam de dinheiro para a saúde", afirmou. CPMF foi derrubada pelo Congresso em 2007, numa articulação comandada [pelo PSDB e DEM] inclusive pela senadora Kátia Abreu, então no DEM (na oposição), hoje no PMDB e ministra da Agricultura.

Do "SP 247"

Durante participação no seminário internacional em São Bernardo do Campo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu no sábado, 29, o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

"Não sei se é verdade que [Chioro] defendeu a CPMF. Mas a verdade é que ela não deveria ter sido retirada. Mas você deveria reivindicar para os governadores e prefeitos, porque eles precisam de dinheiro para a saúde", disse Lula ao cumprimentar o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Diante do ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica, Lula afirmou ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, que o chamado "imposto do cheque" nunca deveria ter sido extinto.

O governo da presidente Dilma Rousseff considerou recriar a CPMF, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas com a crise econômica. Com o crescimento do PIB de 2016 reestimado para um patamar abaixo de 0,5%, o rombo no Orçamento do ano que vem é de cerca de R$ 130 bilhões em relação ao estimado em abril, quando foi encaminhado ao Congresso o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Déficit nas contas do governo reforçou a necessidade da recriação da CPMF, mesmo com repercussão negativa 

A presidente Dilma Rousseff analisou com o ministro Joaquim Levy uma sugestão: propor a criação da nova CPMF por um período de apenas um ano; a ideia seria carimbar o envio de uma Proposta de Emenda Constitucional ao Congresso como uma medida emergencial, para realizar a travessia econômica em 2016.

Criada em 1997 pelo governo PSDB/Fernando Henrique Cardoso, a CPMF acabou extinta pelo Legislativo em 2007, já no segundo mandato de Lula à frente do Palácio do Planalto. Um dos integrantes do primeiro escalão encarregados de negociar a eventual criação do novo tributo, o ministro da Saúde defendeu uma alíquota de pelo menos 0,38%, o último percentual da CPMF."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/194804/Lula-'a-CPMF-nunca-deveria-ter-acabado'.htm). [Trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

COMPLEMENTAÇÃO 1

Por PAULO MOREIRA LEITE, jornalista, escritor e diretor do portal "247" em Brasília

Não dá para comemorar o fim da nova CPMF



"Consumada em apenas 72 horas, a derrota da proposta de relançar uma nova versão da CPMF não deve dar motivo a qualquer tipo de comemoração. É ruim como sinal político e como perspectiva econômica.

Falando de economia. A partir do ajuste anunciado no segundo mandato, o governo trabalha com um orçamento apertado. Transformou o superávit primário na maior prioridade e cultiva um receio permanente de qualquer medida que possa prejudicar a avaliação das agencias de risco. Mesmo quem defende a recessão atual como consequência inevitável de um esforço necessário de arrumação da economia, sabe que ela não é uma fatalidade do destino nem precisava atingir o patamar desastroso a que chegou.

A queda da economia soma os efeitos perversos da "Lava Jato" – sobre a qual o governo não tem o menor controle – com os cortes de investimentos públicos, que em grande parte dependem da caneta da equipe econômica. O saldo só poderia ser péssimo.

Caso viesse a ser discutida, explicada e quem sabe aprovada, com uma projeção de R$ 68 bilhões de receita a mais, a CPMF permitiria uma folga para investimentos. É um dinheiro para ninguém botar defeito, vamos combinar. O governo não só poderia prestar algum socorro maior para a saúde pública, como poderia negociar o apoio a Estado e municípios que já não conseguem caminhar. Com mais receita, haveria menor pressão política para se fazer novos cortes – movimento permanente quando uma economia orientada para a austeridade e não para o crescimento, como acontece hoje.

Não vamos nos enganar: um Estado empobrecido e sem recursos é o caminho mais fácil para se retomar programas de privatização e terceirização interrompidos de 2003 para cá. Esse é o horizonte.

Conclusão: se havia alguma possibilidade de alívio numa situação econômica cada vez mais difícil, o cancelamento da proposta só irá agravar a situação. Até porque não se vê propostas alternativas na prateleira de projetos viáveis – capazes de gerar o mesmo ganho. Nem adianta perguntar aos adversários mais aguerridos da CPMF se eles têm alguma alternativa para criar estímulos de outra origem. Isso não faz parte do cardápio que quer nos fazer acreditar que um Estado cada vez menor é a fórmula mágica para uma economia cada vez melhor. Eu acho que isso é apenas ideologia. Há quem diga que é economia.

A mensagem política também é complicada. O projeto vazou antes de ser discutido pelo governo – o que demonstra uma situação de fraqueza e mesmo deslealdade. Parlamentares do PT chegaram a se declarar contra a proposta, num movimento visto entre seus pares como um sinal de que tentam encontrar um pretexto para mudar de partido antes de 2016 e mesmo 2018. Coisas da política em 2015.

O mais importante ocorreu em outra esfera. O mesmo poder econômico que assumiu a defesa das instituições democráticas, repelindo articulações golpistas pelo impeachment, mostrou sua cara quando correu o risco de ser contrariado num debate crucial. A reação – unificada – e também raivosa, em determinados círculos, revela o esforço para manter o governo Dilma sob controle, com movimentos definidos e monitorados. Resta saber se o Planalto irá acomodar-se a essa situação ou tentará outros caminhos para reconstruir sua aliança histórica com as grandes camadas da população, que garantiram a vitória de seu governo e até agora só receberam a conta do ajuste."


FONTE da complementação 1: escrito por PAULO MOREIRA LEITE, jornalista, escritor e diretor do portal "247" em Brasília   (http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/194860/N%C3%A3o-d%C3%A1-para-comemorar-o-fim-da-nova-CPMF.htm).

COMPLEMENTAÇÃO 2

Por Emir Sader, sociólogo e cientista político (originalmente publicado na Rede Brasil Atual)

Quem tem medo da CPMF?



"Bastou o governo anunciar a intenção de retomar a proposta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF) para que chovesse uma quantidade de afirmações da disposição de rejeitar a retomada do imposto sobre o cheque. Desde dirigentes do parlamento, que geram novos e exorbitantes gastos do governo, mas querem aparecer demagogicamente, como os que defendem a população contra novos impostos. Passando por grandes empresários, conhecidos pela sonegação de impostos, que querem fazer passar a ideia de que iniciativas como essa dificultariam a retomada dos investimentos. Chegando ao useiros ventríloquos na mídia, com seu discurso pronto contra qualquer iniciativa de democratização tributária.

Por que eles têm medo de um imposto direto, que recai sobre quem gasta mais? Por que rejeitam um imposto que não pode ser sonegado? Por que não aceitam um imposto que retira recursos de quem ganha mais para financiar o mais democrático sistema de saúde pública do mundo?

Porque eles se atendem nos planos privados de saúde. Porque eles sonegam impostos. Porque eles preferem impostos indiretos, em que os pobres e os ricos pagam a mesma quantia.

Se sabia que a reação desses setores seria dura. Sempre foi. O anúncio não foi o mais hábil, porque foi invertida a lógica: primeiro se deveria fazer o que faz o ministro da Saúde: mostrar as necessidades de financiamento do sistema público de saúde. E aí apontar como a CPMF é a forma mais democrática de financiá-lo.

A direita e seus porta-vozes economicistas sempre se valem do isolamento das cifras econômicas do seu sentido social. Mais imposto? Não? Sem mencionar a que necessidade responderia o novo tributo.

Temos que inverter o procedimento: enunciar as necessidades que precisam ser cobertas, explicar como é falso o raciocínio de que se paga excessiva quantidade de impostos no Brasil, explicar o caráter democrático e redistributivo de um imposto como a CPMF, pelo qual quem tem mais transfere recursos para financiar o sistema publico de saúde, o SUS, que atende a toda a população.

Não será possível restaurar a CPMF – que foi [criada pelo PSDB/FHC, mas por eles mesmos eliminada em 2007] pela aliança espúria da direita, do centro e da ultraesquerda (recordar a cena imoral de Heloísa Helena, então presidente do Psol, comemorando com a direita, a derrota a tentativa do governo de dar continuidade ao imposto que financia o sistema publico de saúde) – sem um grande trabalho de convencimento prévio de amplos setores da população e do próprio parlamento.

Mas, ao mesmo tempo, o Sistema Único de Saúde (SUS) será duramente afetado se não conseguirmos essa ou outra via de conseguir os financiamentos que o sistema necessita. Democratizar é desmercantilizar, é colocar na esfera pública o que hoje está na esfera mercantil. Transformar em direito o que hoje é mercadoria."

FONTE da complementação 2: escrito por Emir Sader, sociólogo e cientista político, e publicado no portal "Brasil 247" (originalmente publicado na "Rede Brasil Atual") (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/emirsader/194867/Quem-tem-medo-da-CPMF.htm)