terça-feira, 4 de agosto de 2015

GOVERNO PSDB/FHC: RECORDAÇÕES PARA MASOQUISTAS (ou "mulheres de malandro")



Nos tempos do FHC/ PSDB. O povo precisar relembrar como eles governam.

"FHC, ninguém te esquecerá !

"Crise ? Crise foi a que o Príncipe da Privataria promoveu.

Em homenagem ao artigo (sic) do FHC no PiG de domingo 02/08, o André Gotsaxe sugeriu esse singelo vídeo que trata do Governo (sic) tucano ! (Que jamais se repetirá …)

Foi tão bom, tão bom, que elegeu o Lula !!!

Quá, quá, quá !"

FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2015/08/02/fhc-ninguem-te-esquecera/).

SUSPEITA DE "PIXULECO" NOS VAZAMENTOS SELETIVOS NA "LAVA JATO"




[A SUSPEITA DE VENDA CRIMINOSA DE VAZAMENTOS SELETIVOS NA "LAVA JATO"]

Vazamento seletivo e a narrativa de acusação

Por Pedro Estevam Serrano da revista "CartaCapital"


"É preciso exigir que a Polícia Federal puna com rigor e de forma efetiva [os responsáveis na "Lava Jato" pelos vazamentos e privilégios a determinados veículos de comunicação, e até criar órgãos de controle externo para tal.

O recorrente vazamento de informações não é exatamente uma novidade. Ao contrário, durante praticamente todas as operações de grande repercussão conduzidas pela Polícia Federal, ao menos desde o final do governo FHC, praticou-se, em menor ou maior grau, vazamento privilegiado de dados e documentos sigilosos das investigações para veículos da grande mídia.[Conjectura-se que não sejam "por amor", mas regiamente remunerados]

O que surpreende, no entanto, é que essa prática perdure e, uma vez que não é coibida nem punida, acabe por ser estimulada. Aliás, parece que ninguém mais questiona sua legalidade ou, quando o faz, é advertido com a argumentação de que "a imprensa é livre".

É verdade que a imprensa é livre para publicar informações que venha a obter, mas é preciso lembrar que o agente público que fornece essas informações incorre em grave crime contra a administração pública; crime, aliás, tão grave quanto a corrupção.

É preciso exigir que a Polícia Federal puna com rigor e de forma efetiva os vazamentos e privilégios a determinados veículos de comunicação, ou até mesmo pensar na criação órgãos de controle externo para tal.

Se o repórter tem a missão de conseguir informar em primeira mão – o que deveria ser feito sempre com critério e responsabilidade -, no plano jurídico, o agente público incumbido da investigação – seja da Polícia, do Ministério Público ou do Judiciário –, ou quem lhe faz as vezes, tem o dever de guardar sigilo sobre ela.

Quando uma informação é divulgada antes do tempo, não só o direito do acusado, mas também a investigação e a legitimidade do processo são prejudicados. Portanto, ao permitir ou facilitar propositalmente que uma determinada informação seja publicada, esse agente incorre em ato criminoso.

O vazamento sistemático é extremamente pernicioso, tanto para a efetividade da Justiça, uma vez que interfere nos resultados dos processos, quanto para a sociedade, para o público que consome notícias oriundas de informações descontextualizadas e que trazem, de “brinde”, uma versão acusatória publicada como fato.

A divulgação de trechos de conversas telefônicas retiradas do contexto original, por exemplo, pode criar uma ideia antecipada de culpabilidade do investigado. Alimenta-se, dessa forma, no ambiente da sociedade, uma narrativa de punição a esse investigado, sem que ele tenha sequer condições de exercer seu direito de defesa.

Normalmente, ele e seus advogados tomam conhecimento daquela documentação e informação ao mesmo tempo em que o público, pela imprensa.

Esse tipo de mecanismo está transformando o processo penal no Brasil em um processo stalinista, em que os procedimentos são mera formalidade, pois desde o início, e antes mesmo de a defesa ser realizada, já se sabe o seu resultado.

No mais das vezes, os réus têm sido condenados a cumprir penas duras, justamente por conta dessa narrativa acusatória criada em torno de toda a investigação.

Isso é muito grave e os vazamentos de informação à imprensa têm papel central na instauração dessa corrupção sistêmica, ou seja, do mau funcionamento do Estado Democrático de Direito e dos valores que lhe são próprios, como o da presunção de inocência.

Além disso, como se sabe, os aparelhos, as corporações de investigação condicionam a liberação de informações privilegiadas a que o jornalista divulgue apenas a sua versão dos fatos – o que fere um princípio fundamental do bom jornalismo que é sempre ouvir o outro lado.

A fim de garantir a obtenção dessas informações, parte da mídia age de forma parcial, não isenta, e, de quebra, confere maior visibilidade a este ou aquele agente. Essa simbiose entre agentes públicos responsáveis por grandes investigações e órgãos de imprensa, além de contaminar e corromper o encaminhamento do processo penal, prejudica a construção de uma mídia mais plural e democrática.

No momento em que é necessário divulgar informações, os órgãos públicos têm que o fazer de forma isonômica. O papel do jornalista é tentar obter a informação em primeira mão, mas o papel do Estado é resguardar o que é sigiloso e garantir acesso igualitário a todos os veículos de imprensa ao que não é. É preciso garantir visibilidade à investigação, e não a quem investiga.

Quando a sociedade sabe o nome do juiz ou agente público que está à frente de uma investigação, mas sabe nada ou muito pouco sobre aquilo e quem está sendo investigado, ela está mal informada."

FONTE: escrito por Pedro Estevam Serrano na revista "CartaCapital". Transcrito no "Jornal GGN"  ( http://jornalggn.com.br/noticia/vazamento-seletivo-e-a-narrativa-de-acusacao-por-pedro-estevam-serrano).[Título e subtítulo acrescentados por este blog 'democracia&política']

"ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO" SÃO TÁTICAS PARA OBJETIVOS ESCUSOS




Escândalos de corrupção são expediente tático para pressionar governos”, afirma pesquisador

Por Igor Felippe, para o blog "Escrevinhador"

"A crise política do governo Dilma é mais um episódio do recrudescimento da disputa entre frações da grande burguesia no processo de consolidação no neoliberalismo no Brasil. 


Depois da eleição do presidente Lula, particularmente na crise do “Mensalão”, emergiram contradições que dividiram o grande capital entre a "grande burguesia bancária-financeira" e "a grande burguesia interna", ligada à construção civil, ao agronegócio e a vários setores da indústria, interessada em realizar reformas no capitalismo neoliberal.

Com a crise do capitalismo internacional, esses conflitos se aprofundaram e se expressaram no começo do primeiro governo Dilma, que aplicou medidas para fortalecer a burguesia interna, contrariando os interesses do rentismo. Diante disso, as forças neoliberais iniciaram uma ofensiva, que articula instrumentos de luta ideológica com a expressão de massa de segmentos mais conservadores da classe média.

O trabalho ideológico realizado pela mídia em prol do ‘neoliberalismo ortodoxo’, as manifestações organizadas por setores da direita radical contra o governo, a vitória apertada de Dilma sobre Aécio nas eleições de 2014 e a eleição de representantes mais conservadores no Congresso Nacional podem ser tratados como indícios dessa ofensiva do campo político rentista”, avalia o professor do curso de Ciências Sociais do campus de Chapecó da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Danilo Enrico Martuscelli.

“Já a nomeação de um representante dos banqueiros para o Ministério da Fazenda, os ataques do governo aos direitos trabalhistas desde o final de 2014 e a sua adesão à política do ajuste fiscal parecem ser evidências da rendição do governo à ofensiva rentista”, complementa.



O estudioso está lançando o livro “Crises políticas e capitalismo neoliberal no Brasil”, que analisa a crise do governo Collor (1992) e a crise do “Mensalão” (2005), a partir das contradições de classe engendradas pelo processo de implementação da política econômica.

Segundo ele, casos de corrupção se transformam em escândalos e ganham contornos de crise no Brasil quando forças sociais operam para mudar a política implementada pelos governos. Em todas as principais crises políticas brasileiras (1930, 1954, 1964, 1992, 2005 e agora), as denúncias de corrupção foram utilizadas como um expediente tático ‘seletivo’ para atingir o objetivo principal: mudar a política de governo”.

Martuscelli acredita que a "Operação Lava Jato" se configura como uma tentativa do campo político rentista de derrotar os traços de ingerência estatal na economia e colocar a soberania nacional em risco, enfraquecendo a imagem da Petrobras como operadora de uma política de desenvolvimento.

O caso Lava Jato visa a enfraquecer politicamente o segmento da grande burguesia interna que mais tem ganhado com as reformas do capitalismo neoliberal e que é também um dos principais investidores das campanhas eleitorais do PT: o segmento da construção civil”, avalia.

Abaixo, leia trechos da entrevista completa.

Crise política nacional

A atual crise vincula-se, de certo modo, aos conflitos e contradições que emergiram no contexto da crise do Mensalão, dividindo o grande capital em duas frações principais: a grande burguesia interna, ligada à construção civil, ao agronegócio e a vários setores da indústria e interessada em realizar reformas no capitalismo neoliberal, e a grande burguesia bancária-financeira, inclinada a resistir a tais reformas. Não se tratava de uma grande polarização entre essas duas frações de classe, mas que havia contradições entre elas, havia, e isso produziu efeitos sobre o processo político. Desde 2005, a grande burguesia interna que possui uma posição ambivalente de contradição e dependência em relação ao capital imperialista – vem se fortalecendo politicamente, sem com isso conseguir deslocar a grande burguesia bancária-financeira do lugar de fração hegemônica do bloco no poder. A política dos governos Lula e Dilma permitiu à grande burguesia interna ter uma posição mais confortável no bloco no poder, quando comparada a que tinha nos anos 1990, acomodando, assim, seus interesses nas zonas de menor tensão com a hegemonia política da grande burguesia bancária-financeira – que se caracteriza como uma “burguesia tampão”, ou seja, como uma burguesia associada ao capital imperialista.

Colapso internacional

A crise do neoliberalismo sob hegemonia dos EUA abriu brechas para a grande burguesia interna se fortalecer ainda mais politicamente, a partir de 2008, pois colocou em evidência a fragilidade de uma doutrina que pregava a defesa do livre jogo das forças do mercado como força geradora de desenvolvimento. Essa crise instaurada no coração do capitalismo possibilitou ao governo Dilma a adoção de uma política mais ousada de reformas do capitalismo neoliberal, quando comparada à executada pelos governos Lula.

Banqueiros contrariados

Ao longo dos primeiros anos de mandato (2011-2013), o governo Dilma adotou uma série de medidas que contrariavam mais diretamente os interesses dos banqueiros: 


a) aplicou sucessivamente a redução da taxa de juros Selic, chegando a aplicar a menor taxa de juros da política recente (7,25%), entre outubro de 2012 e março de 2013, quando os banqueiros e a mídia associada aos interesses rentistas lançaram a campanha do preço do tomate contra a inflação e pressionaram o governo pelo aumento da taxa de juros; 
b) desvalorizou a taxa de câmbio brasileira, com o objetivo de ampliar a competividade dos produtos nacionais no exterior; 
c) promoveu uma redução dos spreads bancários dos bancos públicos (Banco Brasil e Caixa Econômica Federal), chegando até mesmo a fazer pronunciamento em rede nacional, durante as comemorações do dia do trabalhador em 2012, exigindo que os bancos privados seguissem a mesma política de redução dos juros cobrados pelos bancos públicos nos empréstimos, cartões, cheque especial e crédito consignado, com vistas a garantir a implementação do que ela chamou de uma política de “desenvolvimento do país” e de “desenvolvimento das pessoas” (ver pronunciamento aqui). Tal episódio gerou grande insatisfação entre os banqueiros que passaram a repudiar os aspectos excessivamente intervencionistas da política governamental; 
d) o governo Dilma ainda procurou elevar a taxa de retorno sobre as licitações públicas de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias, reduzir o preço da energia elétrica e desonerar a folha de pagamento das empresas, demonstrando clara inclinação a apoiar os interesses da grande burguesia interna.

Contra-ofensiva dos bancos

Contra essas iniciativas, emerge a ofensiva do campo político rentista – que é dirigido pela grande burguesia bancária-financeira, tem o apoio de segmentos da classe média e conta com um grande trunfo na luta de ideias e na disputa ideológica: a grande mídia defensora do rentismo. Não se pode ignorar aqui as investidas desse campo político, especialmente aquelas oriundas de setores das classes médias, contra as políticas e programas sociais implementados pelo governo, tais como o "Bolsa Família", a política de cotas, a regulamentação do trabalho das empregadas domésticas etc. São essas resistências às tentativas do governo Dilma de concretizar reformas do capitalismo neoliberal que explicam a natureza da crise política que presenciamos no Brasil. Portanto, trata-se de uma nova ofensiva do campo político rentista contra as medidas mais avançadas de tentar reformar o neoliberalismo.

Rendição do governo

O trabalho ideológico realizado pela mídia em prol do “neoliberalismo ortodoxo”, as manifestações organizadas por setores da direita radical contra o governo, a vitória apertada de Dilma sobre Aécio nas eleições de 2014 e a eleição de representantes mais conservadores no Congresso Nacional podem ser tratados como indícios dessa ofensiva do campo político rentista. Já a nomeação de um representante dos banqueiros para o Ministério da Fazenda, os ataques do governo aos direitos trabalhistas desde o final de 2014 e a sua adesão à política do ajuste fiscal parecem ser evidências da rendição do governo à ofensiva rentista.

Luta ideológica


Em linhas gerais, observamos os interesses mais alinhados ao rentismo inclinados a disputar a dominação ideológica exercida pela grande burguesia interna e a resistir às tentativas mais ousadas de reformas do capitalismo neoliberal. Por que querem disputar a dominação ideológica da grande burguesia interna? Porque, no terreno dos partidos e dos grupos de interesses, ao longo dos anos 2000, ascenderam forças políticas que questionavam o “neoliberalismo ortodoxo” da era PSDB/FHC e que passaram a defender uma ideologia que não encarava mais o Estado como um vilão. Passaram a tratar o Estado como um parceiro dos capitais privados nacionais na construção de um “capitalismo sem muitos riscos”, no qual ao Estado compete todo o ônus e aos capitalistas privados todo o bônus. A ideia de “Estado empreendedor”, a apologia às parcerias público-privadas, a ênfase nas políticas compensatórias em detrimento da ampliação de direitos sociais e trabalhistas são importantes indicadores dessa mudança ideológica. Nesse sentido, é possível dizer que, sob os governos Lula e Dilma, criou-se uma cisão entre a fração de classe que exerce a hegemonia política (a grande burguesia bancário-financeira) e a fração de classe que exerce a dominação ideológica (a grande burguesia interna). Isso tem gerado instabilidades no país, tendo em vista que o predomínio ideológico da grande burguesia interna na cena política possibilitou a ela exigir mais espaço na política econômica e social dos governos brasileiros nos anos 2000.

Disputa em torno das reformas do neoliberalismo

A cisão entre hegemonia política e dominação ideológica é a expressão do processo de reformas do capitalismo neoliberal, que sintetiza, na prática efetiva do governo, a adoção de uma política social-liberal. O que caracteriza a crise atual é justamente a crise da política social-liberal dos governos Lula e Dilma. É o movimento em prol de reformas do neoliberalismo que está em crise. A ofensiva do campo político rentista não visa a trazer de volta o neoliberalismo, como acreditam alguns, pois não se trata da “volta dos que não foram”, mas fundamentalmente tem o objetivo de resistir mais claramente às reformas do capitalismo neoliberal colocadas em prática desde 2005.

Fragilidade do campo social-liberal

Estarmos inseridos no próprio processo da crise, não temos condições de avaliar de maneira rigorosa a forma com a qual ela se expressará. O que podemos adiantar em termos explicativos é que a ofensiva do campo político rentista somada à forte ampliação das greves e dos protestos de rua nos últimos anos e ao surgimento de uma situação de crise econômica, comprometeram a unidade já frágil do campo político social-liberal. Assistimos hoje a um processo no qual setores da grande burguesia interna aderem à política do ajuste fiscal necessário, como um “remédio amargo” ou um “freio de arrumação”, aproximando-se da política defendida pelo campo político rentista. É verdade que a grande burguesia interna tem tentado impor algumas resistências seletivas ao ajuste fiscal, defendendo: a regularização dos pagamentos do PAC e do "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV), a implementação da terceira fase do MCMV, a não redução da desoneração da folha de pagamentos, a redução dos impostos e dos juros, além de comemorar a implantação da nova etapa do "Programa de Investimentos em Logística".

Investida contra direitos trabalhistas

A grande burguesia interna vem buscando encontrar outras alternativas para se livrar da crise e tem investido pesado contra os interesses dos trabalhadores. Prova disso é a campanha que tem feito em prol da aprovação da legislação que permite a terceirização de atividades-fim. A FIESP, por exemplo, está fazendo essa disputa publicando vídeos e cartilhas de convencimento sobre a importância da terceirização para o desenvolvimento do país (ver aqui). Resta saber, para quem esse desenvolvimento vai servir… Recentemente, o governo editou a MP chamada de "Programa de Proteção ao Emprego", com o aval da CUT e da Força Sindical, visando atender os reclamos do empresariado para enfrentar a crise. Com a MP, empresários e trabalhadores estão autorizados a realizar acordos coletivos para implementar a política de redução da jornada de trabalho com redução de salários com vistas a evitar demissões. Esse programa bem que poderia se chamar "Programa de Proteção aos Lucros". Essa iniciativa coloca em evidência o caráter socialmente conservador da política adotada pelo governo Dilma para enfrentar a crise. Por acaso, os aluguéis, o transporte, a cesta básica etc. terão também seus preços reduzidos? No tocante à grande burguesia interna, é possível observar claramente nessa conjuntura sua indisposição para garantir a manutenção de certos direitos trabalhistas e sua inclinação para concebê-los como encargos que dificultam a competitividade e o espírito empreendedor. Nos tempos de bonança, podem até fazer algumas concessões mínimas. Nos tempos de crise, aplicam o tacão de ferro nos trabalhadores.

Denuncismo como tática

No Brasil, escândalos de corrupção sempre vêm à tona quando algumas forças políticas desejam mudar aspectos da política que vem sendo implementada por determinados governos. Em todas as principais crises políticas brasileiras (1930, 1954, 1964, 1992, 2005 e agora), as denúncias de corrupção foram utilizadas como um expediente tático “seletivo” para atingir o objetivo principal: mudar a política de governo. É possível observar que, em cada uma dessas conjunturas, as denúncias de corrupção associaram-se à defesa de políticas que oscilavam entre uma perspectiva progressista, quando se somaram à crítica dos efeitos sociais deletérios da política estatal (crítica aos carcomidos da República Velha, em 1930, ou o "Fora Collor", em 1992) ou conservadora, quando se alinharam mais claramente aos interesses imperialistas (crítica udenista ao "mar de lama do Catete" e contra a "política populista", em 1954, ou a reedição da crítica udenista contra as reformas de base, o comunismo e a democracia, em 1964, ou ainda a resistência contra as reformas do neoliberalismo, em 2005 e 2015). Nas duas crises mais recentes (2005 e a atual), tais denúncias se manifestam como um meio de debelar as tentativas de reformar ou mesmo superar o neoliberalismo no Brasil.

A operação Lava Jato

No caso da operação Lava Jato, é perceptível a tentativa do campo político rentista de derrotar os traços de ingerência estatal na economia e, de sobra, colocar a soberania nacional em risco. Para os rentistas, é preciso desmontar a imagem da Petrobras como operadora de uma política de desenvolvimento de caráter mais distributivista e sustentar uma política de mudança do regime de partilha que vise a dar primazia aos lucros de importantes capitais privados nacionais e internacionais, como indica o projeto apresentado pelo senador José Serra/PSDB. O caso Lava Jato visa a enfraquecer politicamente o segmento da grande burguesia interna que mais tem ganhado com as reformas do capitalismo neoliberal e que é também um dos principais investidores das campanhas eleitorais do PT: o segmento da construção civil.

Financiamento de campanhas

No Brasil, o financiamento empresarial de campanha tem se manifestado muito mais como um investimento. Quem investe nas candidaturas, quer obter uma alta taxa de retorno sobre aplicação inicialmente feita. Embora a Lava Jato tenha demonstrado indícios de envolvimento de políticos de vários partidos nos esquemas de corrupção, tais como o PMDB, o PSDB, o PP, o SD e o PTB, o alvo central dos ataques da mídia tem sido o PT. O vínculo político criado entre o PT e as empreiteiras nos últimos anos facilita a difusão desse tipo de ataque, pois como diz o velho ditado popular: diga-me com quem andas, que eu te direi quem és. Portanto, a grande mídia vem trabalhando firme para responsabilizar o governo Dilma pela operação Lava Jato. O problema é que, quanto mais as investigações avançam, mais se descobre que há algo de podre no reino da Dinamarca, ou seja, a operação Lava Jato abarca uma gama muito grande de empresas, políticos e laranjas. A denúncia de um possível envolvimento do Eduardo Cunha no esquema da Lava Jato é mais um elemento que demonstra a lógica nefasta do financiamento empresarial de campanha sobre o processo político nacional, em especial sobre a nossa limitada democracia.

Lições do Mensalão

Durante a crise do mensalão, o governo Lula operou nas seguintes frentes para sair da crise: 


--negociou com seis entidades patronais e outros grandes empresários uma agenda para governabilidade que tinha forte conexão com a perspectiva de reformar o neoliberalismo (ver agenda aqui); 
--deu início um pouco antes da crise a um processo de elevação do salário mínimo e de ampliação das políticas compensatórias de transferência de renda; 
--a partir de agosto de 2005, promoveu seguidas reduções da taxa de juros; 
--em meio à crise, nomeou o presidente da CUT, Luiz Marinho, para Ministro do Trabalho e cedeu mais ministérios para o PMDB, que, no final de 2004, havia discutido a saída do governo por um movimento organizado curiosamente pelo Michel Temer; 
--conseguiu o armistício do PSDB com as denúncias do mensalão tucano, envolvendo o presidente do partido, Eduardo Azeredo; 
--blindou a figura do Lula: não se ouvia falar de impeachment; 
--e trocou o ministro da Fazenda Antonio Palocci por Guido Mantega, fato comemorado pela FIESP e outras entidades representativas da grande burguesia interna.

Reação à Lava Jato

Na conjuntura atual, Dilma aplica o ajuste fiscal, setores do PMDB parecem estar se aproximando do PSDB, há um aumento em curso do desemprego, o governo só tem sinalizado o aumento dos juros. De imediato, parece ter se construído um armistício entre o governo e a Câmara, depois que o nome do Eduardo Cunha apareceu nas denúncias da Lava Jato. Diferentemente de 2005/2006, o PT não tem a mesma base no Congresso, parece haver certo distanciamento do PT de Rui Falcão e de Lula em relação ao governo Dilma, o que pode aprofundar o isolamento político da presidente; os partidos médios e nanicos cresceram e só garantem apoio ao governo se receberem cargos e recursos para as emendas parlamentares, pois funcionam com verdadeiros partidos de patronagem, voltados à pilhagem dos recursos públicos.

Massificação dos protestos

Além disso, as mobilizações recentes organizadas pela oposição de direita contra o governo adquiriram muito mais força. Em 2005, a soma das manifestações organizadas pela oposição de direita, pela oposição de esquerda e pelas forças alinhadas ao governo não atingiram o grau de participação das manifestações atuais. A palavra impeachment tem se difundido com muito mais força. Em 2005, falava-se que “Lula sabia”, em alusão ao envolvimento de seus companheiros de partido e de governo em casos de corrupção, mas nenhuma força política relevante falava em impeachment.

Banalização do impeachment

Depois de aprovadas as contas de campanha do PT, resta à grande mídia ligada ao rentismo investir na questão das “pedaladas fiscais” para acusar a presidente Dilma de ter cometido crime de responsabilidade. É curioso notar como a mídia vem contabilizando o número de parlamentares que aprovariam o impeachment de Dilma. A "Folha" apresentou um número, o "Valor" Econômico outro e por aí vai. Isso não se configurou na crise do mensalão, nem mesmo no processo inicial de crise do governo Collor. Ocorre que a aprovação do impeachment não é fácil de ser levada a cabo. Precisa de condições jurídicas e, fundamentalmente, políticas. Sem o preenchimento mínimo dessas condições, a adesão ao impeachment pode fortalecer o governo por ser entendida como uma tentativa de golpe contra a democracia. Mais do que isso, pode fortalecer a figura de Lula. A oposição de direita teme isso e teme também a politização das massas, inclinadas a derrotar o ajuste fiscal e a lutar por reformas populares.

Sinais de esgotamento de um modelo

É sempre bom lembrar que, em junho de 2013, o movimento popular organizado pautou a redução das tarifas de ônibus, exigiu Educação e Saúde “padrão Fifa”, e, desde então, tem realizado vários protestos e greves em todo o país em defesa dos direitos sociais e trabalhistas. Como se diz aqui no Sul: “não tá morto, quem peleia” e setores das classes dominantes estão cientes disso. Com a política social-liberal, os governos Lula e Dilma conseguiram ampliar relativamente o consumo das massas e elevar o número de beneficiários das políticas compensatórias de transferência de renda. Isso contribuiu para neutralizar certas contradições e tensões, mas parece dar sinais de esgotamento na presente conjuntura. Resta lembrar que a adesão do PT ao social-liberalismo foi feita às custas do completo abandono do programa democrático-popular defendido por esse partido até 1989 e jogado às traças nos anos seguintes.

Silêncio da grande burguesia interna

Muitas vezes quando se fala em impeachment, muitos se apressam em afirmar que existe um “golpe das elites”. Essa ideia não é nova. Já havia sido formulada em 2005 no contexto da crise de “mensalão”. Ocorre que já conseguimos observar que não existe uma elite homogênea. Parte considerável das classes dominantes deram suporte aos governos Lula, inclusive na crise de 2005, e poderão adotar o mesmo comportamento em relação ao governo Dilma. Não vejo, no cenário atual, representantes da chamada grande burguesia interna defendendo abertamente a derrubada da presidente. Na verdade, os representantes dessa fração de classe aproveitarão a crise política para chantagear o governo e garantir assim a execução de políticas que lhes são favoráveis.

Impasse das forças progressistas

Há algum tempo, as forças progressistas estão enredadas num impasse. No campo dos setores mais alinhados ao governo, observamos forças que estão totalmente ou quase totalmente entregues ao “taticismo”. Abandonaram ou não querem nem saber de política de médio e longo prazos. São afeitas ao “curtoprazismo” e ao pragmatismo. Não possuem projeto de nação, muito menos almejam construir uma sociedade socialista. No campo dos setores mais ligados à perspectiva anticapitalista, prevalece o “estrategismo”. São setores afeitos à retórica revolucionária, como se a revolução estivesse logo ali na esquina nos esperando. Não possuem claramente um programa de reformas no capitalismo por considerarem que isso só contribui para a manutenção da ordem. Encontram-se distantes de exercer influência sobre o movimento de massas. Nesse sentido, creio que as forças progressistas terão alguma chance de superar esse impasse, se conseguirem se livrar do taticismo e do estrategismo e buscarem constituir uma linha política que articule as dimensões tática e estratégica.

Perspectivas diferenciadas

Na crise atual, há um setor muito minoritário das esquerdas que vem defendo a “derrubada” ou o “basta” Dilma. Esse setor é inexpressivo politicamente e tende ao isolamento. 


Nos demais setores progressistas, há aqueles que se reúnem em torno do "Grupo Brasil" e que tem como objetivo precípuo defender a democracia contra o golpe. Pressionam para que Dilma ponha logo fim ao ajuste fiscal para que tudo volte ao “normal”. No fundo, esse setor deposita todas as suas fichas na criação de uma burguesia nacional no país. Provavelmente, ficarão esperando Godot. Sem estarem totalmente conscientes disto, acabam agindo como funcionários da grande burguesia interna que, por sua vez, encara os direitos sociais e trabalhistas como entraves à competitividade. De uma perspectiva de esquerda, o movimento mais interessante da conjuntura atual, que tem conseguido articular, na prática, tática e estratégica, e que possui base social, é o que vem sendo capitaneado pelo MTST. A frente de esquerda dirigida pelo MTST tem apostado claramente na luta contra o ajuste fiscal, no Fora Cunha, na defesa da democracia e das reformas populares. São essas demandas que estão aparecendo na organização do ato do próximo dia 20 de agosto. Vejo na luta do MTST algo de promissor para as forças progressistas no Brasil."

FONTE: escrito por Igor Felippe, para o blog "Escrevinhador"   (http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/escandalos-de-corrupcao-sao-expediente-tatico-seletivo-para-pressionar-governos-afirma-pesquisador/).

POR TRÁS DO "FORA GETÚLIO", "FORA LULA", "FORA DILMA" ESTÁ A GANÂNCIA DAS POTÊNCIAS PELO PETRÓLEO

Resultado de imagem para getúlio+petróleo








Petróleo e "mar de lama"

Por LAUREZ CERQUEIRA

"Na Era Vargas, as "três irmãs" Texaco, Shell e Esso, que vendiam gasolina e óleo diesel para o Brasil, diziam que no Brasil não tinha petróleo.

Elas praticamente bancavam a imprensa da época com os mais gordos anúncios. E a imprensa repetia o que elas diziam à exaustão.

O melhor exemplo disso é o "Repórter Esso", da Rádio Globo, uma espécie de porta-voz da velha UDN, que foi ao ar pela primeira vez em 28 de agosto de 1941, para atacar Getúlio Vargas e seu governo.

O prefixo do programa, por incrível que pareça, era: "um serviço público da Esso Brasileira de Petróleo".

Eis a última transmissão do famoso "Repórter Esso", em 1968, no governo do ditador general Costa e Silva: https://youtu.be/cIgSWgWH2kg

Ao criar a Petrobras, Vargas desafiou o conluio das petroleiras com a imprensa golpista. O ódio da imprensa veio imediatamente destilado em manchetes garrafais contra ele.

Entre os inúmeros ataques, o jornal "O Estado de São Paulo" guarda em seus arquivos um memorável editorial, radicalmente contrário à criação da Petrobras. Uma pérola da imprensa golpista.

Vargas, homem sóbrio e de moral rígida, que nunca ostentou riqueza, foi atacado dia e noite, sem trégua, com acusações de corrupção.

O governo dele foi rotulado de "mar de lama" pelos jornais e rádios da época. Virou chacota nos bares de esquina.

Se quiser conferir vá ao Centro de Documentação e Informação da Câmara, ou a outros arquivos, e peça para ler os jornais da época. Vale a pena, para ver a semelhança com o que estão fazendo com Dilma e Lula.

Acuado pelos ataques da UDN, de seu líder maior, Carlos Lacerda, da imprensa golpista que servia a ela, arrasado moralmente pelo massacre de notícias levianas, Vargas se matou. Mas, certamente para alertar as gerações futuras, como as de hoje, deixou registrado na carta-testamento: "Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma."

Hoje, assistimos no Brasil a uma disputa gigantesca na área do petróleo. O Brasil está ameaçado na geopolítica do petróleo.

Foi no governo Lula que se revelaram as informações sobre as imensa jazidas de petróleo do pré-sal e foi feita a Lei que coloca a Petrobras no controle da produção.

Outra Lei, sancionada por Dilma, destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde. Esse montante de recursos vai se somar às demais fontes para complementar o percentual de investimentos, de 10% do PIB na educação, previsto na lei que instituiu o Plano Nacional de Educação, em 2014.

No governo PSDB/Fernando Henrique, tentou-se privatizar a Petrobras com pré-sal e tudo mais. O sindicato dos trabalhadores da empresa conseguiu barrar a sanha privatista com um movimento contrário fortíssimo.

Note que o conluio petroleiras e imprensa parece estar de volta com a ladainha de que têm que revogar a Lei que estabelece o controle da produção de petróleo pela Petrobras.

O Senador José Serra/PSDB já apresentou o projeto de lei no Senado para revogar a Lei de Dilma. Na cara dura.

Aécio Neves/PSDB e seus aliados estão chamando o povo para a rua. Eles querem o golpe. Mas um golpe cirúrgico, parlamentar ou judicial. Um golpe "paraguaio". A conspiração está em curso.

Eles não querem saber de militares. Militares, para eles, são coisa velha. Militares são nacionalistas. Com eles não dá. Como vender a estatal símbolo do nacionalismo brasileiro, uma estatal conquistada com o grande movimento "O Petróleo é Nosso", liderado pela "União Nacional dos Estudantes" e sindicatos de várias categorias profissionais e muitas outras entidades civis?

Eles têm "Globo", "Folha", "Correio Braziliense", "Estadão", "Veja", "Época", "Istoé", as TVs, sites e rádios sobretudo o Facebook, para conduzir a massa.

A manada está indo tão bem para o que eles querem, para que militares?

As petroleiras internacionais, penhoradamente, agradecem o serviço que certos políticos estão fazendo."

FONTE: escrito por LAUREZ CERQUEIRA, autor, entre outros trabalhos, de "Florestan Fernandes - vida e obra"; "Florestan Fernandes – um mestre radical"; e "O Outro Lado do Real". Artigo publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/laurezcerqueira/191403/Petr%C3%B3leo-e-mar-de-lama.htm).

NOVA "OPERAÇÃO CONDOR" EM CURSO






Uma nova Operação Condor? 

Por José Maria Rabelo

"Está acontecendo, em absoluta sintonia, no Brasil, na Venezuela, na Argentina, no Equador, no Chile, na Nicarágua, que só não vê quem não quer. Onde existe um governo popular, movimentos conspiratórios deixam os subterrâneos para expor-se à luz do dia, com sua mensagem francamente golpista, como se atendesse a um comando único.

As classes dominantes que tradicionalmente mantiveram o poder na América Latina não admitem a ascensão de forças alternativas, como tem acontecido em várias partes do continente nos últimos anos. Os procedimentos são mais ou menos os mesmos, de Norte a Sul: agitações de rua e panelaços, tentativas de desestabilização, seja no Congresso seja nos tribunais; implacável campanha de desgaste promovida pelos meios de comunicação, com ampla repercussão nas cadeias internacionais.

Não pode ser apenas uma coincidência. Há uma evidente concertação, de Buenos Aires a Manágua, passando por Brasília, Santiago, Quito e Caracas e, em menor escala, La Paz, Lima e Montevidéu.

Como na "Operação Condor", nas décadas de 70 e 80 do século passado, líderes dessa movimentação espúria se entendem, visitam-se, trocam mensagens solidárias, como ainda recentemente vimos nesse espetáculo bufo da ida de Aécio e outros parlamentares à Venezuela.

Apesar do fracasso, eles não desistem e já anunciam novas intervenções, mas não se lembram de que existe a poucos quilômetros dali uma sinistra masmorra, a base americana de Guantánamo, que atenta contra todos os Direitos Humanos.

A "Operação Condor" foi assim, só que à sombra das baionetas nas ditaduras que governavam nossos países. Seus agentes usavam as armas; agora seus sucessores contam com a cobertura da grande mídia e de suas respectivas bancadas no Congresso.

E dinheiro, muito dinheiro, que não se sabe de onde vem. Não se sabe?

Durante a "Operação Condor" não se sabia. Depois, com a queda dos regimes fascistas, a própria imprensa, parlamentares e historiadores norte-americanos comprovaram, com base em documentos oficiais, que o governo de Washington havia financiado fartamente a articulação golpista na América Latina.

O exemplo mais impressionante disso foi o Chile de Allende, quando o dinheiro sujo da CIA inundou o país para financiar a oposição.

Como é possível – podemos perguntar – que uma revista altamente deficitária como a "Veja" possa continuar circulando normalmente, com suas denúncias semanais contra o governo? E outras revistas e os famosos jornalões, todos eles abalados por grave crise financeira?

Que fontes misteriosas mantêm de pé algumas dessas arapucas à beira da falência? São questões intrigantes que pairam no ar e que instigam a curiosidade geral.

A História algumas vezes só se faz conhecida muito tempo depois de os fatos acontecerem. Basta esperar um pouco para que se conheça a trama secreta que une esses novos condores.

Se um observador saísse por aí e visitasse alguns países da América Latina, iria admirar-se. Onde existe um governo popular, a oposição se mobiliza em torno dos mesmos temas, na mesma estratégia de desestabilização e golpismo. Como na "Operação Condor", eles se entendem como sócios da mesma empreitada."

FONTE: escrito por José Maria Rabelo, jornalista, ex-diretor do "Jornal Binômio", tido como precursor da moderna imprensa alternativa do país. Transcrito no blog "O Cafezinho"  (http://www.ocafezinho.com/2015/07/29/uma-nova-operacao-condor/#more-30407).

MINISTRO MANGABEIRA: "O BRASIL É UM PROTETORADO AMERICANO"



Ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, em entrevista a Paulo Henrique Amorim

Do portal "Conversa Afiada"


Mangabeira: o Brasil é um protetorado americano !

"Se os EUA desligarem o GPS, a Marinha brasileira se guiará como Cabral e Colombo !

Sou pessoalmente um defensor de democratização da propriedade nos meios de comunicação

O Brasil precisa de um avanço tecnológico de vanguarda para ganhar protagonismo.

Essa é a opinião do Ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, em entrevista a Paulo Henrique Amorim.

Unger é professor de filosofia na Universidade de Harvard e responsável por conceber um novo caminho de desenvolvimento para o país.

No Governo Lula, ele também foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, quando formulou um Plano de Defesa e contribuiu para a demissão da Bláblárina – aquela bagróloga.

Lula decidiu entregar a ele e não a ela formulação de uma política para a Amazônia – e ela foi embora (não sem tempo !).

Na entrevista de quarta-feira, 29/07, Mangabeira disse a PHA que o Brasil tem que escolher que tipo de aproximação deve ser feita com os Estados Unidos: se dependente ou não em setores estratégicos, como o nuclear, o cibernético e o espacial.

Eu defendo há muito tempo a aproximação com os EUA. Entendo que teríamos muito a ganhar com uma relação estratégica com os EUA. Talvez uma inibição mais poderosa dessa aproximação é a dependência em que nos encontramos frente aos EUA. Quase toda a nossa comunicação de internet com o mundo, inclusive com a Europa e a Ásia, passa pelos EUA. Eu tenho dito que, se persistir essa situação, na prática, o Brasil é um protetorado dos Estados Unidos. O Brasil precisa decidir se quer ou não quer ser um protetorado dos EUA”, afirmou Mangabeira.

(Clique aqui para ler “O Brasil tem cyber-segurança ? Não !”).

E continuou: “O Brasil é um caso único na história moderna de um país da nossa dimensão que emerge sem pretensões imperais. O Brasil ascende sem imperar. Para que o Brasil possa se rebelar, precisa poder dizer não. E para poder dizer não precisa defender-se. E para se defender precisa ter tecnologia de vanguarda que não dependa das grandes potências do mundo”.

Mesmo com a "Operação Lava-Jato" e o ajuste fiscal, o ministro acredita que esta seja uma oportunidade para mudanças no país.

A necessidade é a mãe da invenção. Agora, sim, na hora do aperto fiscal, da queda econômica e da confusão política podemos começar a persuadir o Brasil a se reinventar. Esta é a hora, este é o momento mágico da transformação estrutural”, sugere.

Na entrevista, o ministro fala em uma nova estratégia nacional de desenvolvimento.

O Governo está comprometido. É uma estratégia baseada em capacitações educacionais e oportunidades produtivas. A maior parte das nossas empresas continua afundada em um primitivismo produtivo, embora tenhamos uma cultura empreendedora vibrante. Uma parte dessa estratégia é tirar as empresas de seu primitivismo e fomentar o empreendedorismo de vanguarda no Brasil. Para isso, precisamos de um choque de ciência e tecnologia”, esclarece.

Para completar: “E o complexo industrial de defesa, inclusive os setores estratégicos – nuclear, cibernético e o espacial – representa um terreno privilegiado para desenvolver o vanguardismo tecnológico”.

Unger acredita que o Brasil deve ser uma potência revisionista, e crê que a educação necessita de um outro rumo, inclusive na questão dos currículos escolares:

O que seria melhor para nós seria fazer diferente no Brasil e introduzir cada área do conhecimento de pontos de vista contrastantes. De tal forma a formar uma nação de rebeldes e assegurar que os jovens cheguem à universidade imunizados contra o servilismo intelectual. Isso é o mais importante, a nossa autoformação”, admite.

Segundo ele, a solução não é mais dinheiro. “Nós estamos acostumados no Brasil a resolver todos os problemas com dinheiro. A verdade é que ideias, traduzidas em inovações audaciosas, são recursos mais escasso do que dinheiro”, opina.

Sobre o papel dos meios de comunicação em relação à estratégia do Governo, ele foi enfático: “Eu sou um defensor pessoalmente de democratização da propriedade nos meios de comunicação. Não se trata de regular, de vigiar a imprensa como ela se organiza hoje. Trata-se de multiplicar os passos para o debate coletivo. É disso que o Brasil já precisa. E isso não é nenhum devaneio”, sentenciou antes de alertar que essa era uma opinião dele e não do Governo.

Leia a entrevista na íntegra:

PHA: Setores estratégicos da Economia, como petróleo e agora a energia nuclear, correm o risco de ser desmontados por ação da Justiça e da própria Polícia Federal. Empresas como a Petrobras, a Odebrecht e a Eletronuclear podem virar, em pouco tempo, um pátio de escombros. O senhor faz parte de um Governo que aparenta incapacidade de impedir que isso se concretize. Por que o Governo age assim?

Mangabeira: O Governo está comprometido com a construção de uma nova estratégia nacional de desenvolvimento. Uma estratégia baseada em capacitações educacionais e oportunidades produtivas. A maior parte das nossas empresas continua afundada em um primitivismo produtivo, embora tenhamos uma cultura empreendedora vibrante.

Uma parte dessa estratégia é tirar as empresas de seu primitivismo e fomentar o empreendedorismo de vanguarda no Brasil. Para isso, precisamos de um choque de ciência e tecnologia.

E o complexo industrial de defesa, inclusive os setores estratégicos – nuclear, cibernético e o espacial – representam terreno privilegiado para desenvolver o vanguardismo tecnológico.

PHA: O senhor lança a sua visão para um futuro grandioso, mas estamos diante de um fato concreto que é a possibilidade de termos uma obstrução do processo de construção da energia nuclear. O senhor não acha que o Governo deveria ser mais enfático na defesa?

Mangabeira: O Governo tem um compromisso com esse vanguardismo tecnológico. O Governo não pode impedir o curso da Justiça.

Agora, o que eu vejo é que há um problema que tem a ver com a relação entre o nosso desenvolvimento interno, inclusive o desenvolvimento da tecnologia de vanguarda nesses setores, e a nossa posição no mundo.
Veja a situação das nossas relação com os Estados Unidos. Eu defendo há muito tempo a aproximação com os EUA. Entendo que teríamos muito a ganhar com uma relação estratégica com os EUA. Talvez uma inibição mais poderosa dessa aproximação é a dependência em que nos encontramos frente aos EUA. Quase toda a nossa comunicação de internet com o mundo, inclusive com a Europa e a Ásia, passa pelos EUA. O governo americano pode ver todas as comunicações internas do Brasil. E estamos inteiramente dependentes do GPS americano. Se os EUA decidissem desligar o GPS, teríamos que conduzir os nossos navios de guerra por navegação astronômica. Essa é a realidade.
Eu tenho dito que, se persistir essa situação, na prática, o Brasil é um protetorado dos Estados Unidos. O Brasil precisa decidir se quer ou não quer ser um protetorado dos EUA. As nossas Forças Armadas não são para serem uma força policial que mantenha tranquilidade na América do Sul, como um braço acessório da defesa americana. Nós queremos uma Defesa de verdade. Para isso, precisamos construir o avanço tecnológico, inclusive nos setores cruciais, e só com essa independência é que podemos ser parceiros dos EUA. Parceiros, sim. Satélites e protegidos, não.

PHA: O senhor, durante o Governo Lula, ajudou a formular a Estratégia Nacional de Defesa, que virou lei em 2008. Quais são os pontos cardeais dessa estratégia?

Mangabeira: Um dos eixos é a construção do Complexo Industrial da Defesa. Ali nós prevemos que o Estado, na produção de Defesa, deve operar no teto tecnológico em vez de ter aquilo que historicamente temos tido que é a produção primitiva desvinculada da pesquisa, e pesquisa sem vazão produtiva. E, ao mesmo tempo, construir para as empresas privadas um regime jurídico especial de compras públicas que as exima das regras gerais de licitação, mas que, em troca, assegure ao Estado um poder estratégico nessas empresas.
Outro elemento no Complexo Industrial da Defesa é o compromisso com o avanço nos setores estratégicos. Isso é um grande instrumento para o erguimento do país para que se defenda e se desenvolva. Eu não quero viver em um mundo onde só os meigos são desarmados e os beligerantes estão armados até os dentes.

O Brasil é um caso único na história moderna de um país da nossa dimensão que emerge sem pretensões imperais. O Brasil ascende sem imperar. Para que o Brasil possa se rebelar, precisa poder dizer não. E para poder dizer não, precisa defender-se. E para se defender, precisa ter tecnologia de vanguarda que não dependa das grandes potências do mundo.


PHA: Mesmo em relação aos Estados Unidos ? O senhor cita, por exemplo, que o Barão de Rio Branco e Joaquim Nabuco – “fundadores da política exterior brasileira” – perceberam o que o senhor chama de “nações irmãs”: o Brasil e os EUA que têm afinidades profundas. Ao mesmo tempo, o senhor disse que os EUA não permitirão que qualquer país ganhe em qualquer região do mundo uma ascendência tão incontrastável que sirva de base a buscar uma hegemonia mundial. Devo entender, então, que nessa aliança de “nações irmãs” caberá sempre ao Brasil um papel subalterno, de subpotência?

Mangabeira: Não. O que eu digo é que a política exterior dos EUA sempre repousou sobre dois princípios.

O primeiro é que os EUA não permitirão que qualquer país ganhe, em determinada região do mundo, uma ascendência tão incontrastável que sirva de base para pleitear uma hegemonia mundial.

O segundo é que no Hemisfério Ocidental os EUA exercerão uma ascendência incontrastável.

Nós não podemos aceitar esses dois princípios, pois são incompatíveis com a nossa construção nacional. O que podemos fazer é construir uma teia de relações de iniciativas comuns, sobretudo iniciativas a serviço da democratização das oportunidades educacionais e econômicas nas Américas. Para que isso aconteça, a preliminar é que não sejamos um protetorado deles. E daí a importância da independência tecnológica.


PHA: O senhor acha que essa associação do Brasil aos BRICS permitirá esse tipo de independência?

Mangabeira: Os BRICS são um instrumento poderoso de mudança do quadro mundial, mas é preciso ter clareza a respeito das limitações e das oportunidades desse movimento.

Os grandes países emergentes como o Brasil, a Rússia, a Índia e a China estão tentados a apenas pleitear uma posição melhor dentro da ordem mundial existente. A ordem de segurança, monetária e a comercial.


Eu entendo que o nosso interesse profundo é fazer mais do que buscar um lugar ao sol dentro da ordem existente. É mudar essa ordem.


Vou dar um exemplo do regime comercial que está sendo construído no mundo sob a égide dos tratados da "Organização Mundial do Comércio" e dos novos blocos regionais como o "Transpacífico", que os EUA estão organizando. Ali, a tendencia é construir um regime comercial baseado no que se pode chamar de “o maximalismo institucional”. Não é apenas aderir à economia de mercado. É aderir a uma variante especifica da economia de mercado. Por exemplo, uma variante que proíbe, sob o rotulo de subsídios, todas as formas de coordenação estratégica entre governos e empresas que os países hoje ricos usaram para enriquecer. Outro exemplo, uma variante que quer incorporar as regras do comércio, o odioso regime de propriedade intelectual, que foi desenvolvido no final do século XIX, o regime de patentes, que deixa as tecnologias mais importantes para a humanidade nas mãos de um pequeno número de multinacionais.


O nosso interesse como potência emergente, que coincide com o interesse da humanidade, é ser uma potência revisionista. No caso da ordem mundial do comércio, é dizer que queremos o minimalismo institucional. O máximo de abertura econômica com um mínimo de restrição aos experimentos institucionais necessários ao nosso desenvolvimento.


Projeto forte externo como esse só vai existir na medida em que tivermos um projeto interno forte. A minha preocupação maior é que o Brasil tenha um projeto interno forte, que dê braços, asas e olhos a nosso atributo mais importante que é a vitalidade do Brasil.


PHA: A única novidade que a oposição apresentou nos últimos tempos é fazer com que o Brasil se integre à TTP, "Transpacific Partnership" (do Presidente Obama). O senhor, portanto, considera que isso não é uma boa ideia?

(Clique aqui para ver as ideias mais “novas” do ex-professor e depois banqueiro Edmar Bacha).

Mangabeira: Nós estamos engajados na América do Sul. Nós não temos nenhum lugar natural, inclusive por geografia, no Pacífico. O que devemos fazer na América do Sul é construir uma convergência profunda em direção a um novo rumo de desenvolvimento. O Brasil, e grande parte da América do Sul, cedeu à tentação de basear o seu desenvolvimento apenas na riqueza fácil da natureza. É preciso dizer que essa estratégia surtiu grandes benefícios, permitiu manter a maioria dos brasileiros empregada e resgatou milhões da pobreza extrema. Mas, dependia de circunstâncias que não existem mais no mundo, como a alta no preço dos produtos primários, o crescimento da China e a abundância de dinheiro fácil.

Quando essas circunstâncias viraram, a estratégia se inviabilizou. E, ao se inviabilizar, revelou um defeito que ela tinha desde o início que era o de conviver com o nível muito baixo da produtividade na economia brasileira.

Produtividade baixa não é uma categoria apenas econômica, é também uma categoria moral. Significa condenar a maioria dos cidadãos a viver vidas pequenas. O que devemos buscar é uma nova estratégia de desenvolvimento, um produtivismo includente e capacitador, que busque a riqueza dentro de nós e não apenas dentro da natureza. 

Aí estão as grandes vertentes com que estamos trabalhando no Governo.

Primeiro, a prioridade da qualificação da educação básica, a "Pátria Educadora", projeto prioritário do Governo.

Em segundo lugar, um conjunto de ações que chamamos de "produtivismo includente", destinado a qualificar e a democratizar o impulso produtivo no Brasil.


E em terceiro a política regional. Estratégia nacional só se efetiva no Brasil quando traduzida em política regional.


PHA: Eu tenho acompanhado as suas propostas à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos e percebo uma lacuna: o senhor não trata do bloqueio que a grande imprensa impõe ao Governo. O Governo não consegue sair de trás das grades que a mídia construiu no Palácio do Planalto. O senhor não acha isso relevante, estratégico?

Mangabeira: Eu sou um defensor pessoalmente de democratização da propriedade nos meios de comunicação. Não se trata de regular, de vigiar a imprensa como ela se organiza hoje. Trata-se de multiplicar os passos para o debate coletivo. É disso que o Brasil já precisa. E isso não é nenhum devaneio. Eu venho andando o país, Estado por Estado, e eu vejo que, de forma geral, a mídia regional é relativamente muito mais aberta do que a grande mídia do Sudeste. 

Agora, isso não é um projeto do Governo. Não falo em nome do Governo, falo como cidadão e pensador.


PHA: Isso também não seria um objetivo a perseguir para quem quer uma Pátria Educadora?

Mangabeira: Pode ajudar muito, mas o meu foco é o conteúdo e o método da educação. Vou dar um exemplo: estamos com a tarefa de definir um novo currículo nacional, a chamada "Base Nacional Comum". No mundo em geral, os currículos nacionais costumam ser uma especie de infantilização das ortodoxias que prevalecem na cultura universitária. Projetam para baixo aquela ortodoxia.

A economia, por exemplo, como se estuda nas universidades no mundo, não é o estudo da realidade econômica. É o estudo de um método que os teóricos desenvolveram no fim do século XIX. Há então, em cada área do conhecimento, o casamento do método com a matéria. Aquele casamento é naturalizado. E há a tentativa de fazer com que os jovens confundam as ideias predominantes com a natureza das coisas. E, como isso, cheguem à universidade emasculados e já preparados para uma vida de servidão intelectual.


O que seria melhor para nós seria fazer diferente no Brasil e introduzir em cada área do conhecimento pontos de vista contrastantes. Para formar uma nação de rebeldes e assegurar que os jovens cheguem à universidade imunizados contra o servilismo intelectual. Isso é o mais importante, a nossa autoformação.


PHA: O senhor disse recentemente no Instituto Lula: “Proponho ousadia, não copiar currículos de ensino estrangeiros; proponho nos colocar na vanguarda”. Eu lhe pergunto, falta dinheiro?

Mangabeira: O problema maior não é nem dinheiro nem competência. O problema maior é a visão. É definir o outro rumo na educação brasileira e nos organizar de acordo. Nós estamos acostumados no Brasil a resolver todos os problemas com dinheiro. A verdade é que ideias, traduzidas em inovações audaciosas, são recursos mais escassos do que dinheiro.

A necessidade é a mãe da invenção. Agora, sim, na hora do aperto fiscal, da queda econômica e da confusão política podemos começar a persuadir o Brasil a se reinventar. Esta é a hora, este é o momento mágico da transformação estrutural.


Eu estou andando o Brasil e vejo que o país, fora da cultura política envenenada das elites, se move, quer aprender, construir, inventar e se reinventar.


Agora, é a hora de dar asas, olhos e braços a essa vitalidade assombrosa, anárquica e quase cega que se movimenta no país. 
Eu vi isso em todo o país.

Os governadores do Centro-Oeste se reuniram em julho em Goiânia e decidiram organizar uma instituição deles, chamada "Brasil Central", para começar a formar uma estratégia de baixo para cima. A concepção da política regional no Brasil tem que mudar radicalmente."


FONTE: do portal "Conversa Afiada"   (http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2015/07/30/mangabeira-o-brasil-e-um-protetorado-americano/). 

OBSERVAÇÃO: a página seguinte contém postagens também efetuadas hoje.

1º PASSO DO FUTURO AUMENTO PARA OS MILITARES




Aumento para os Militares

Ministro anuncia expansão da folha de pagamento dos militares

"O ministro da Defesa, Jaques Wagner, anunciou na sexta-feira (31), após palestra na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro, que, nos próximos dias, tratará da questão da folha de pagamento dos militares.

De acordo com o ministro, [nesta semana (3 a 7 Ago)], ele deverá se reunir com os comandantes das três Forças para decidir como vai encaminhar a questão.

O ministro explicou que a ideia é que a expansão da folha de pagamento dos militares seja superior a 21,3%, índice apresentado pelo Ministério do Planejamento. Contudo, ele destacou que será preciso debater a forma de distribuição do índice, que poderá ser linear ou integrado, conforme a necessidade.

"A decisão não é minha sozinho. Vou discutir com os comandantes e também com o Ministério do Planejamento. Depois, vamos correr para mandar nossa proposta ao Congresso", disse o ministro durante entrevista à imprensa.

Questionado sobre os 28,8%, Jaques Wagner salientou que a "soma é muito volumosa" e que está acumulada. "Agora vamos tratar do soldo", frisou. O ministro disse ainda que "prefere não discutir hipóteses, pois é preciso ter mais caixa para abordar essa questão".

Nota DefesaNet: a atual tabela de vencimentos dos militares implementada em 2012, com aumentos programados em 2013 /14 e 2015, pode ser acessada no link abaixo:

DEFESA - Tabela Vencimentos Militares Link

FONTE: do site "DefesaNet"  (http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/19940/DEFESA---Aumento-para-os-Militares-(-)/). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].