sábado, 31 de janeiro de 2015

ONU AFIRMA "BRASIL JÁ É O 5º DO MUNDO EM DESTINO DE INVESTIMENTOS"




Brasil fica em 5º como destino de investimentos

[Mesmo sendo 2014 
o segundo pior ano da crise mundial iniciada em 2008, o Brasil sofreu menos que os outros países e subiu em 2014 duas posições como destino de investimentos] 
  
Por Jamil Chade, no jornal tucano "Estadão"

"O Brasil sobe duas posições e termina 2014 como quinto maior destino de investimentos estrangeiros diretos no mundo, superando todos os países europeus. 


Os dados são da ONU e apontam que, pela primeira vez, a China superou os EUA e se transformou no maior receptor de investimentos do mundo.

A organização, porém, alerta que 2015 pode marcar uma queda importante de investimentos nos emergentes, principalmente aqueles que dependem de "commodities" e onde o crescimento do PIB sofreu forte freio, como no Brasil.

De fato, os dados apontam que o volume total de investimentos enviados ao Brasil caiu de US$ 64 bilhões, em 2013, para US$ 62 bilhões, em 2014. A redução de 4%, porém, foi mais suave que a média mundial, de 8%. Entre 2012 e 2013, o Brasil também já tinha perdido outros 4%. A tendência de queda pode continuar em 2015.

No ano passado, empresas investiram US$ 1,26 trilhão, valor distante do pico de 2007, quando os investimentos diretos chegaram a US$ 1,9 trilhão. O ano de 2014 só não foi pior que 2009, quando os investimentos chegaram a US$ 1,1 trilhão. "Esse foi o segundo pior ano da crise" [mundial], declarou James Zhan, diretor de Investimentos da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Segundo ele, o Brasil "sofreu menos que os demais".


FONTE: escrito por Jamil Chade, no jornal tucano "O Estado de S. Paulo". Transcrito no portal UOL do grupo tucano "Folha"   (http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1656326-brasil-fica-em-5o-como-destino-de-investimentos). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

DESEMPREGO CAI E SEGURO-DESEMPREGO DISPARA !?!




Desemprego cai e seguro-desemprego dispara? Queremos direitos, não fraudes

Por Fernando Brito

"Não é preciso dizer que sou, e a vida inteira, contrário a qualquer retirada de direitos de trabalhadores.

Mas, igualmente, sou contra espertezas e arranjos que se possam fazer com dinheiro que pertence ao trabalhador.

Quinta-feira, quando os jornais noticiaram o primeiro déficit desde 1997, algo ficou pelo meio dos textos e pode ter passado despercebido.

É que os gastos com seguro-desemprego (e, em escala menor, abono salarial) responderam por R$ 10 bilhões, dos R$ 17 bilhões do déficit total do Tesouro.

Crescimento de 21,7%.

Como são vinculados ao salário-mínimo, esses valores subiriam 6,78%, se tivessem de atender ao mesmo número de trabalhadores desempregados.

Subiram o triplo.

E deveriam ter caído, porque o desemprego, em 2013, foi de 5,4 por cento; e em 2014, ficou em 4,8 por cento, a menor marca da história.

Algumas pessoas, todas com a maior boa-fé, estranharam aqui que eu tivesse defendido regras mais duras na regulamentação do seguro desemprego.

Não preciso fazer demagogia e não confundo cortes moralizadores com cortes desastrados, que atinjam os programas de distribuição de renda e os investimentos públicos.

Defendi e defendo, porque não vou ser hipócrita de negar, que se formou uma teia de cumplicidade entre empregados e empregadores para demissões simuladas, com devolução de multa do Fundo de Garantia e recebimento “por fora” (e menor) enquanto dura a percepção do seguro desemprego.

Claro que isso exige a regulamentação do dispositivo constitucional que pune a rotatividade excessiva de mão de obra.

Que não é simples e não pode ser linear.

Mas é dever do governo e deveria ser também das centrais sindicais encontrar caminhos para eliminar o mau uso de um seguro que, no ano passado, deve ter chegado perto de 10 milhões de beneficiários.

Hipocrisia não faz bem a ninguém.

E hipocrisia com dinheiro que pertence ao trabalhador (é com recursos do PIS que se paga o seguro) é pior ainda.

As regras mais corretas podem não ser exatamente as que o governo anunciou; é preciso verificar se elas atingem injustamente trabalhadores.

Mas que é preciso regras diferentes das atuais, é.

Tanto para a rotatividade quanto para as “espertezas”.


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=24446).

SISTEMA FINANCEIRO BLOQUEIA DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO





Sistema financeiro atual trava o desenvolvimento econômico

Por Ladislau Dowbor

"A conta é simples. O crédito no país representa cerca de 60% do PIB. Sobre esse estoque incidem juros, apropriados por intermediários financeiros. Analisar essa massa de recursos na sua origem e destino, é, portanto, fundamental. Eu simplesmente juntei as peças conhecidas, para evidenciar a engrenagem. Aqui vai o esqueleto do artigo anexo.

Pense que o crediário cobra, por exemplo, 104% para “artigos do lar” comprados a prazo. Acrescente os 238% dos juros rotativo no cartão, os mais de 160% no cheque especial, e você tem mais da metade da capacidade de compra dos novos consumidores drenada para intermediários financeiros, esterilizando grande parte da dinamização da economia pelo lado da demanda.

O juro bancário para pessoa física, em que pese o crédito consignado, que na faixa de 25 a 30% ainda é escorchante, mas utilizado em menos de um terço dos créditos, é da ordem de 103%, segundo a ANEFAC. A população se endivida muito para comprar pouco no volume final. A prestação que cabe no bolso pesa durante muito tempo. O efeito demanda é travado.

Efeito semelhante é encontrado no lado do investimento, da expansão da máquina produtiva, pois se, no ciclo de reprodução, o grosso do lucro vai para intermediários financeiros, a capacidade do produtor expandir a produção é pequena, acumulando-se os travamentos da demanda fraca e do autofinanciamento limitado. 

Quanto ao financiamento bancário, os juros para pessoa jurídica são proibitivos, da ordem de 40 a 50%, e criar uma empresa nessas condições não é viável. Existem linhas de crédito oficiais, mas compensam em parte apenas a apropriação dos resultados pelos intermediários financeiros.

Terceiro item da engrenagem, a taxa Selic. Com um PIB de 4,8 trilhões, um por cento do PIB representa 48 bilhões. Se o superávit primário está fixado em 4% do PIB, por exemplo, são cerca 200 bilhões dos nossos impostos transferidos essencialmente para os grupos financeiros, a cada ano. Com isso, se esteriliza parte muito significativa da capacidade do governo de financiar mais infraestruturas e políticas sociais. Além disso, a Selic elevada desestimula o investimento produtivo nas empresas, pois é mais fácil – risco zero, liquidez total – ganhar com títulos da dívida pública. E para os bancos e outros intermediários, é mais simples ganhar com a dívida do que fomentar a economia buscando bons projetos produtivos. Os fortes lucros gerados na intermediação financeira terminam contaminando o conjunto dos agentes econômicos.

Assim, entende-se que os lucros dos intermediários financeiros avancem de 10% quando o PIB permanece em torno de 1%, e o desemprego seja tão pequeno: o país trabalha, mas os resultados são drenados pelos crediários, pelos juros bancários para pessoa física, pelos juros para pessoa jurídica e pela alta taxa Selic. É a dimensão brasileira da financeirização mundial.

Fechando a ciranda, temos a evasão fiscal. Com a crise mundial, surgem os dados dos paraísos fiscais, na faixa de 20 trilhões de dólares segundo o "Economist", para um PIB mundial de 70 trilhões. O Brasil participa com um estoque da ordem de 520 bilhões de dólares, cerca de 25% do nosso PIB. Ou seja, esses recursos que deveriam ser reinvestidos no fomento da economia, não só são desviados para a especulação financeira, como sequer pagam os impostos no nível devido. Já saíram, por exemplo, os dados do Itaú e do Bradesco no Luxemburgo, e do "mispricing" que nos custa 80 bilhões/ano.

Junte-se a isso o fato de os nossos impostos serem centrados nos tributos indiretos, e temos o tamanho do desajuste. O documento que segue [ver link abaixo] é uma sistematização do mecanismo. As contas batem. Os dados são conhecidos, aqui se mostra como se articulam.

Veja por favor, com cuidado, são dez paginas, não é um “artigo” de opinião, e sim um relatório sobre como a engrenagem foi montada. Uma ferramenta que espero seja útil para nos direcionarmos, pois precisamos de muito mais gente que se dê conta de como funciona o nosso principal entrave. Não há PIB que possa avançar com tantos recursos desviados. O problema não é só de um “ajuste fiscal”, e sim de um ajuste fiscal-financeiro mais amplo. Tanto o consumidor, como o empresário-produtor e o Estado, na sua qualidade de provedor de infraestruturas e de políticas sociais, têm tudo a ganhar com isso.

Leia : Artigo: sistema financeiro atual trava desenvolvimento ec


FONTE: escrito por Ladislau Dowbor no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/sistema-financeiro-atual-trava-o-desenvolvimento-economico-por-ladislau-dowbor).

ALEMANHA E GRÉCIA: FAÇA O QUE DIGO, NÃO FAÇA O QUE FAÇO




ALEMANHA E GRÉCIA: FAÇA O QUE DIGO, NÃO FAÇA O QUE FAÇO

Por MARCELO ZERO

"Em 1953, a Alemanha obteve, junto aos EUA, o mesmo acordo de abatimento de dívidas que nega à Grécia em 2015 -- e assim nasceu o "Milagre Alemão".

A Alemanha, grande credora de muitos países europeus e locomotiva econômica da Europa, é a principal propugnadora política das medidas de austeridade que a chamada "Troika" impõe implacavelmente ao continente.

Na Grécia, principal vítima desse "austericídio" econômico, as coisas só pioram. Com efeito, mesmo cumprindo rigorosamente as medidas impostas pela Troika, à custa de sofrimento indizível de sua população, a relação entre dívida e PIB na Grécia subiu de 105%, em 2008, ano em que a crise se iniciou, para 175%, em 2014. Com a economia encolhida em 20%, não há como melhorar essa relação. Quanto mais a Grécia paga, mais ela deve.

Os ortodoxos, no entanto, defendem as medidas contraproducentes, com o argumento, entre outros, de que os contratos, inclusive os relativos às dívidas soberanas, devem ser escrupulosa e estritamente cumpridos, sob pena de se criar instabilidade e insegurança no "mercado", as quais impediriam a suposta recuperação dos investimentos e do crescimento.

Alguns até argumentam que a Alemanha, "terra de gente séria e trabalhadora", sempre cumpriu escrupulosamente seus contratos e honrou suas dívidas até o último centavo. A Grécia e outros países "irresponsáveis" e "gastadores" deveriam se inspirar nesse exemplo edificante.

Não é bem assim. Na posição de devedora, a Alemanha do primeiro ministro Konrad Adenauer, uma das lendas da reconstrução européia do pós-Guerra, teve um comportamento bem diferente daquele exibido por Angela Merkel, a principal responsável pelo sufoco da população grega.

Além de ter entrado em "default" várias vezes ao longo da década de 1930, em virtude da crise mundial e das imposições draconianas impostas pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha acabou se beneficiando, no pós-guerra, de profunda e generosa reestruturação de suas dívidas.

No início da década de 1950, a Alemanha Ocidental, desejosa de se reintegrar ao sistema econômico mundial, iniciou uma série de negociações com os EUA, a França e a Grã-Bretanha para resolver o problema de suas pesadas dívidas.

O quadro não era fácil. Em virtude de seus vários "defaults", da suspensão definitiva de muitos pagamentos pelo governo nazista e da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha era vista, pela maior parte dos credores externos, como um país "irresponsável" no tratamento de suas dívidas e "hostil" à propriedade de estrangeiros. Na realidade, havia 20 anos que a Alemanha tinha reduzido ou suspendido os pagamentos da dívida, em franca violação aos contratos firmados.

Os britânicos, em particular, queriam impor o pagamento total das dívidas contraídas no pré-guerra e no pós-guerra e exigiam o respeito estrito aos contratos assinados.

Entretanto, o chanceler alemão da época, Konrad Adenauer deixou claro, desde o início, que as negociações deveriam ter como objetivo principal a "normalização" das relações econômicas e financeiras da Alemanha com os outros países e que elas deveriam levar em consideração o fato de que o país passava por uma redução de sua afluência e riqueza. Em outras palavras, Adenauer reconhecia as dívidas, mas condicionava seus pagamentos à capacidade efetiva da Alemanha Ocidental de realizá-los.

Após negociações muito difíceis, os EUA resolveram "bancar", em linhas gerais, a posição alemã e forçaram os britânicos, franceses e credores de outras nacionalidades, inclusive gregos, a assinarem o famoso "Acordo de Londres sobre a Dívida", de 1953.

Tal acordo se baseava em três princípios essenciais:

Em primeiro lugar, ele reduzia substancialmente tanto a divida alemã do pré-guerra, quanto a do pós-guerra. Em 1953, a dívida da Alemanha contraída no pré-guerra ascendia a 13,5 bilhões de marcos, ao passo que a dívida contraída no pós-guerra totalizava 16,2 bilhões de marcos. Pois bem, o acordo as reduziu para 7,5 bilhões de marcos e 7 bilhões de marcos, respectivamente. Assim, com uma canetada, a dívida total da Alemanha foi reduzida a menos da metade.

Em segundo lugar, os prazos para pagamentos foram consideravelmente dilatados. O acordo previa até mesmo que, no período de 1953 até 1958, a Alemanha Ocidental ficava isenta de amortizar o principal da dívida, restringindo-se aos pagamentos de juros, os quais também foram reduzidos pelo acordo.

Em terceiro lugar, e muito mais importante, o montante dos pagamentos da dívida ficava condicionado à capacidade da Alemanha Ocidental de realizar transferências para o exterior. Assim, os pagamentos anuais não podiam exceder, em valor, 5% do total das exportações germânicas. Tal cláusula assegurava que o pagamento da dívida não se faria à custa de uma redução do consumo doméstico alemão e, por consequência, dos empregos e dos salários dos trabalhadores germânicos. A Alemanha pagaria apenas uma fração daquilo que conseguisse exportar.

Com isso, criava-se também um incentivo para que os países credores da Alemanha importassem produtos Made in Germany, o que estimularia a recuperação alemã.

Além desses três princípios, o acordo continha outros dispositivos que beneficiavam a Alemanha devedora. Por exemplo, os contratos da dívida do pré-guerra possuíam cláusulas que atrelavam à dívida ao preço do ouro, como forma de defender os credores da inflação alemã. Contudo, o "Acordo de Londres" acabou o usando o dólar como referência de valor. Como os EUA tinham desvalorizado a sua moeda em relação ao ouro, esse dispositivo reduziu adicionalmente a dívida alemã.

O "Acordo de Londres" também permitia que parte dos pagamentos fosse feita em marcos alemães, em vez das moedas dos credores, como dólares, francos ou libras esterlinas. Isso permitia que parte da dívida pudesse ser paga com a emissão de moeda nacional. Embora a Alemanha não tenha abusado dessa cláusula, ela possibilitava, eventualmente, uma válvula de escape.

O resumo dessa generosa ópera londrina é que a Alemanha, beneficiada pela racional reestruturação de suas pesadas dívidas e estimulada também pelos aportes do Plano Marshall, conseguiu, em pouco tempo, se transformar, de novo, numa das principais economias do mundo.

Entre 1953 e 1963, a Alemanha Ocidental simplesmente mais que duplicou o seu PIB, transformando-se numa grande exportadora de produtos industrializados para toda a Europa. Os pagamentos da dívida, que se tornaram fixos em 765 milhões de marcos a partir de 1958, ficaram cada vez mais insignificantes, em proporção às enormes e crescentes exportações alemãs.

Em meados da década de 1960, a maior parte dos empréstimos já havia sido quitada e, em 1970, a dívida alemã era residual.

Em retrospectiva, não há quem não reconheça que, além da competitividade industrial e tecnológica alemã, o "Acordo de Londres" teve papel significativo no "milagre alemão do pós-guerra".

Um acordo desse tipo, que racionalmente condiciona os pagamentos da dívida à capacidade efetiva de honrá-los, sem levar o país devedor à recessão destruidora e inútil, é tudo que a Grécia e outros países europeus necessitam. Afinal, a Grécia generosamente assinou o "Acordo de Londres", na condição de credor de uma Alemanha então financeiramente "irresponsável".

Tsipras e o "Syriza" querem, democraticamente, levar essa discussão para o seio da União Europeia, visando não apenas salvar a Grécia, mas também a própria integração europeia.

As circunstâncias internacionais e nacionais são, é óbvio, inteiramente diferentes, mas o princípio básico consagrado no "Acordo de Londres" permanece: contratos e acordos só funcionam se forem sustentáveis. Contratos que reduzem a capacidade de pagamento de países devedores e arruínam suas economias são, ao contrário, insustentáveis e irracionais.

Tsipras, engenheiro de profissão, homem cartesiano, quer injetar um pouco de racionalidade na ortodoxia cega.

O "Acordo de Londres" foi elaborado porque os EUA tinham um objetivo estratégico de longo prazo: fazer a Alemanha Federal e a Europa Ocidental se reerguerem, de modo a enfrentar o "perigo soviético".

Resta ver se a Alemanha ainda aposta no objetivo estratégico de manter a União Europeia unida na prosperidade, da qual tanto se beneficia. Caso ainda persiga tal objetivo, será necessário dar ao devedor grego tratamento semelhante ao recebido pelo devedor alemão."

FONTE: escrito por Marcelo Zero e publicado no jornal digital "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/168343/Alemanha-e-Gr%C3%A9cia-fa%C3%A7a-o-que-digo-n%C3%A3o-fa%C3%A7a-o-que-fa%C3%A7o.htm).

GRÉCIA VAI COMBATER A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS ELITES


Créditos da foto: Marc Hatot / Flickr

Yanis Varoufakis: 'Vamos desmantelar a cleptocracia grega'


'Vamos combater a imunidade tributária das elites. Não é apenas uma questão de evasão fiscal, mas de que grande parte de sua renda nem sequer é tributada.'

Por Andy Robinson, no "La Vanguardia" (Espanha)

"Yanis Varoufakis, que será um dos grandes responsáveis pela política financeira do governo de Alexis Tsipras, explica nesta entrevista qual será a estratégia de um novo governo do Syriza para mudar as políticas da 'troika' sem provocar uma crise financeira. Professor de Economia na Universidade de Austin (Texas), é colaborador próximo de Tsipras há dois anos.

- Há o risco de o BCE fechar a torneira da liquidez para a Grécia se ela não aceitar os ajustes da troika?


Sempre existem riscos, mas não acredito que o BCE retire nossa liquidez se formos diretamente a nossos sócios europeus em Frankfurt, Paris, Berlim e Bruxelas e explicarmos as propostas racionais que temos. Pediremos umas semanas, um período de graça, durante as quais lhes adiantaremos essas novas políticas.

- Essas propostas consistiriam em quê?

Elas têm quatro fases. Primeiro, temos um plano muito elaborado em relação ao que é preciso fazer com a dívida, e sobre o qual não entrarei em detalhes agora. Logo depois, haverá um programa de reformas profundas que nós, e enfatizo que somos nós, queremos fazer e que não serão impostas pelo FMI, pela OCDE ou quem quer que seja. Refiro-me a reformas que deixarão claro que não estamos interessados em voltar onde estávamos, no ano de 2010.

- Que tipo de reforma?

É sobre como vamos combater a imunidade tributária das elites. Não é apenas uma questão de evasão fiscal, mas de que grande parte de sua renda nem sequer é tributada. Existe uma cleptocracia na Grécia, um ciclo vicioso que abarca os fornecedores dos estados, os banqueiros e os meios de comunicação. Nós proporemos reformas para desmantelar esse ciclo. E logo proporemos medidas de emergência para responder à crise humanitária na Grécia, e que qualquer europeu decente estará muito interessado em estudar.

- Os líderes europeus rechaçam taxativamente qualquer modificação no programa da troika, não é mesmo?

Esse memorando alternativo que vamos propor é sensato e racional, e por isso acho impossível acreditar que o BCE logo diga: "Olha, senhores, acabou; nós vamos esmagá-los". Vamos emitir letras do Tesouro para financiar as atividades do Estado nos primeiro seis meses do ano. Os bancos gregos as comprarão e serão utilizadas como aval para a liquidez proporcionada pelo BCE. Não existe qualquer limite fixo sobre a liquidez que o Banco Central possa proporcionar. Na Irlanda, o elevaram a 70 bilhões. Se é preciso prevenir a fragmentação do euro, elevarão a liquidez até onde for necessário.

- Há uma solução só para a Grécia?

Não. Proporemos ideias a respeito de uma recuperação impulsionada pelo investimento na zona do euro. Não apenas para a Grécia, mas também para a Espanha, para a Irlanda. O "Syriza" já defende a modesta proposta que Stuart Holland e eu temos proposto, de um "New Deal" europeu baseado no investimento público, na criação de emprego e na reestruturação da dívida.

- O governo da Nova Democracia advertiu que a Grécia pode ficar sem dinheiro se não assinar o memorando da troika...

É interessante como eles mudam de discurso. Antes das eleições, a narrativa era de que a Grécia é uma história de êxito, que estamos saindo da crise. Quando chegam as eleições, de repente, a Grécia vai ficar sem dinheiro com um governo do "Syriza". Quer dizer, tudo isso foi uma manobra política. Foi uma intenção de chantagear. É perfeitamente compreensível que a senhora Merkel, que o senhor Draghi, que o senhor Juncker queiram um governo grego que faça o que eles mandem. Mas não é assim. Todas essas advertências foram teatrais. Um jogo antidemocrático que acredito que beneficie Le Pen, Farage, e o "Aurora Dourada".

- É possível sobreviver sem o crédito de 7 bilhões, condicionado à assinatura do novo memorando?

Não queremos esse crédito se não chegarmos a um acordo segundo nossos critérios. Estamos pedindo maior margem fiscal por meio das letras do Tesouro.

- O Syriza estaria disposto a aceitar uma prorrogação dos prazos de reembolso da dívida e cortes dos tipos de juros?

Não. Não vamos pedir isso. Não estamos interessados apenas na redução do valor líquido presente da dívida. Queremos reduzi-la de uma vez. Temos um plano."


FONTE: reportagem de Andy Robinson, no "La Vanguardia" (Espanha). Transcrita no portal "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Yanis-Varoufakis-Vamos-desmantelar-a-cleptocracia-grega-/6/32736).

REINO UNIDO ("DEFENSOR DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO"!) ESPIONA JORNALISTAS




Reino Unido espiona jornalistas...

Por Altamiro Borges

"Na semana retrasada, o primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador David Cameron, demonizou o Papa Francisco – que afirmara que “há limites para a liberdade de expressão” – numa tentativa canhestra de tirar proveito da comoção criada na Europa com o bárbaro atentado à sede do jornal satírico "Charlie Hebdo". Bravateiro profissional, o renomado direitista posou de "defensor da liberdade de imprensa como um bem absoluto"... Mas a vida é cruel. Dias depois, o jornal “Guardian” revelou que o governo britânico espiona centenas de milhares de e-mails de jornalistas.

O serviço sujo é feito por um programa de espionagem do Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ, na sigla em inglês). Ele capta os e-mails dos jornalistas da imprensa britânica e internacional. Segundo o repórter James Balldo, “a informação está em documentos divulgados por Edward Snowden, ex-funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) que revelou o grande esquema de espionagem dos dois governos. Mensagens da BBC, 'Reuters', ‘Guardian’, ‘New York Times’, ‘Le Monde’, ‘Sun’, NBC e ‘Washington Post’ foram copiadas pelo GCHQ e compartilhadas na rede interna da agência britânica”.

Segundo os documentos vazados, em apenas 10 minutos de um único dia o GCHQ bisbilhotou mais de 70 mil e-mails. “Eles incluíam correspondências entre repórteres e editores sobre reportagens em curso. Os funcionários da agência com acesso liberado à rede interna puderam lê-las. Não há evidências, porém, de que os jornalistas tenham ou não sido alvos deliberados. Outros documentos revelados por Snowden mostram que uma avaliação de segurança da informação do GCHQ incluía ‘jornalistas investigativos’ em uma hierarquia de ameaças que também incorporava hackers e terroristas”.

A denúncia desmascara o conservador David Cameron e seu cínico discurso sobre a "liberdade de expressão". Ela confirma também que cresce a vigilância sobre a internet sob o argumento falacioso do "combate ao terrorismo". Diante do escândalo, “mais de cem editores de veículos britânicos, entre os quais os de todos os grandes jornais, assinaram uma carta ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, protestando contra a espionagem às comunicações de jornalistas”, relata o 'Guardian', que complementa: “Um porta-voz do GCHQ disse que ‘é nossa política não comentar sobre questões de segurança’ e que ‘o trabalho do GCHQ é executado sob uma estrutura legal e política rigorosa'”.

O conservador britânico até podia ser excomungado por suas mentiras, cinismo e outros crimes!" 

FONTE: escrito pelo jornalista Altamiro Borges em seu "Blog do Miro"   (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/01/reino-unido-espiona-jornalistas.html#more).

JÁ É TEMPO DE O IRÃ DIZER "ADEUS" AO OCIDENTE


Aiatolá Ali Khamenei, líder do Irã 


Já é tempo do Irã dizer “adeus” ao ocidente

Por Paul Craig Roberts, no "Institute for Political Economy" (EUA), com o título "It Is Time For Iran To Tell The West “Goodbye”. Artigo traduzido por Mberublue e postado no "Redecastorphoto"


Paul Craig Roberts, ex-Secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan

"Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.

Pelo visto, as negociações do regime de Obama com o Irã e com supervisão da Rússia, estavam próximas do fim de um assunto nuclear claramente forçado. Para o governo israelense, assim como para seus agentes neocons nos Estados Unidos, um final para essa confrontação é inaceitável. O partido político republicano, totalmente dominado pelo lobby de Israel, convidou apressadamente Netanyahu, o líder insano dos dois países, Estados Unidos e Israel, para que rapidamente viesse dizer ao Congresso majoritariamente republicano que os indiferentes eleitores norte-americanos instalaram no poder legislativo, que é estritamente proibida qualquer acomodação com o Irã.

Ao observar o Congresso Republicano, controlado por Israel, e que não passa de uma coleção de belicistas que se direcionam para impedir uma solução pacífica para um problema artificial, o líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, mandou uma carta para os jovens ocidentais, advertindo sobre a descaracterização do Islã pelos propagandistas ocidentais.

Respeito os esforços de Khamenei no sentido de tentar resgatar a consciência dos jovens ocidentais ensinando-os a diferenciar a realidade do Islã do retrato demonizado com que se apresenta o Islã pelos políticos e pela mídia ocidentais.

A questão é: Qual o impacto que pode ter Khamenei? Ainda que se leve em consideração que a voz de Khamenei é importante, ela se torna mínima em comparação com os mentirosos e propagandistas ocidentais. Mesmo a voz de um líder representativo como é Khamenei, dificilmente poderá ser ouvida para além do barulho ensurdecedor causado pela propaganda ocidental contra seu país e sua religião, ambos demonizados.

Ademais, as organizações secretas ocidentais podem desfechar operações terroristas [de "falsa bandeira"] "em nome do Islã", como provavelmente já aconteceu com os eventos de 9/11, o atentado da Maratona de Boston e "Charlie Hebdo" [e agora com a morte de Alberto Nisman, na Argentina (Nrc)].




Apesar de se dizer ao mundo inteiro que o Islã está por trás desses acontecimentos, os experts afirmam que jamais foi apresentada qualquer evidência válida. Apenas assertivas oficiais, como as que foram fornecidas incorretamente sobre as armas de destruição em massa no Iraque, o uso por Assad de armas químicas na Síria, as falsas acusações contra Kadafi na Líbia e as acusações falsas lançadas à Rússia na Ucrânia. Os propagandistas ocidentais têm muitas vozes e seus trompetes estridentes encobrem a voz do líder iraniano.

Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.

O ocidente se transformou em um estado policial no qual os governos não mais se responsabilizam quer pelo povo, quer pela aplicação correta da lei. Não há emprego para os jovens, nem segurança financeira para os idosos. O ocidente se encontra em processo de saque de si mesmo. Olhe para o que está acontecendo neste mesmo instante com a Grécia. Para garantir os lucros dos bancos privados fora da Grécia, o povo grego viu suas pensões diminuídas, os empregos sumirem, o corte de serviços sociais e acabaram por forçosamente vender suas propriedades para investidores privados estrangeiros a preço vil. O mesmo tipo de rapinagem está acontecendo agora na Ucrânia, enquanto a Itália, Espanha e Portugal esperam sua vez.

Mesmo nos Estados Unidos, a política econômica está inteiramente voltada para ao benefício do “um por cento” obscenamente ricos.

Caso usemos o livro “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien como metáfora, o ocidente seria Mordor e os Estados Unidos, Sauron.


Sauron


Mordor

Não há sentido nas negociações levadas a efeito pelo Irã no anelo de ganhar aceitação pelo ocidente. O Irã faz parte da mesma lista fatídica onde estão Saddam, Kadafi e Assad. Só há um meio de ser o Irã aceito pelo ocidente: basta concordar em abdicar de sua soberania para se tornar apenas mais um estado títere de Washington. A desconfiança em relação ao programa de energia nuclear do Irã é totalmente artificial. Caso não fosse isso, seria qualquer outro “problema” tão artificial quanto, como armas de destruição em massa, uso de armas químicas, terrorismo e assim por diante. Os líderes iranianos precisam entender que o problema real é a independência do Irã em relação à política externa de Washington e de suas políticas econômicas. Como Washington não pode declarar abertamente que deseja a mudança de regime no Irã para que este se torne apenas mais um estado fantoche de Washington, então simplesmente finge que o Irã é uma ameaça a ser eliminada.

Caso o Irã realmente admire tanto assim o decadente e corrupto ocidente a ponto de admitir ser um servo obediente para provocar a aceitação do ocidente, tudo o que tem a fazer é capitular de sua soberania e alinhar-se com as políticas hegemônicas de Washington.

Mas se o Irã, uma das mais antigas culturas e civilizações do planeta, deseja continuar sua existência sem estar debaixo da dominação dos “excepcionais” norte-americanos, deve então virar as costas ao ocidente e aliar-se à Rússia, China, Índia e aos outros países BRICS, afastando-se das políticas criminosas do ocidente. Está fora de qualquer explicação porque uma civilização antiga como a iraniana veria qualquer coisa no ocidente à qual considerasse digno associar-se.


BRICS

Acima de tudo, o Irã precisa parar de lutar contra outros muçulmanos, mesmo aqueles extremistas que traem o profeta Maomé e o solo do Islã. O Irã não deve aceitar o papel que Washington lhe reservou, de mercenário na luta contra o Estado Islâmico. Jamais deve o Irã ajudar Washington a assassinar muçulmanos, mesmo aqueles desorientados que traem o profeta. Em vez disso, o Irã deveria entender que o Estado Islâmico, mesmo sendo originalmente uma criação de Washington, está no momento desfrutando de seu sucesso apenas porque o povo muçulmano está cansado de ser dirigido pelo ocidente, que usa o antagonismo entre sunitas e xiitas para governá-los.

Mesmo sendo verdade que o Estado Islâmico é criação de Washington, os muçulmanos que o apoiam não são. O Estado Islâmico é apoiado pelos muçulmanos porque eles estão cansados de ser governados e arruinados ao mesmo tempo pelos Estados Unidos, Grã Bretanha e a França.

O melhor que Khamenei tem a fazer é esquecer os Estados Unidos, onde o mal já tomou conta, e quanto a isso, Khamenei nada pode fazer. Khamenei deve tentar unir os povos muçulmanos na tentativa de uma nova direção.

O Islã só é fraco porque é desunido. Por séculos, os muçulmanos, divididos por questões políticas antigas, têm permitido que suas diferenças religiosas os tornem meros peões de outros poderes. Eles necessitam de uma liderança que flexibilize essas divisões sectárias, e o Irã pode prover essa liderança. Mas a liderança iraniana não pode surgir a partir de uma imposição de seus pontos de vista. É preciso um compromisso entre muçulmanos que tenha o condão de uni-los. Lutar ao lado dos americanos contra o Estado Islâmico perpetua essa divisão e ratifica o fato de que os muçulmanos não passam de colônias do ocidente.

São grandes os problemas a serem enfrentados pelas lideranças muçulmanas para retificar o que está errado. Não apenas são castigados por suas divisões internas como as populações muçulmanas no ocidente estão em posição tão delicada que seus líderes se veem compelidos a apoiar a guerra contra o Estado Islâmico a fim de proteger a população ocidental de muçulmanos de pogroms. Pode a propaganda e a história fazer dos muçulmanos um povo para sempre colonizado?"

FONTE: escrito por Paul Craig Roberts, no "Institute for Political Economy" (EUA), com o título "It Is Time For Iran To Tell The West “Goodbye”. Artigo traduzido por Mberublue e postado por Castor Filho no "Redecastorphoto"  (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/01/paul-craig-roberts-ja-e-tempo-do-ira.html).
O autor, Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939), é economista norte-americano, colunista do "Creators Syndicate". Foi secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e destacou-se como cofundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do "Wall Street Journal", "Business Week" e "Scripps Howard News Service". É graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O "EXERCITO ISLÂMICO" DOS ESTADOS UNIDOS




O "EXERCITO ISLÂMICO" DOS ESTADOS UNIDOS

Por Fernando Brito, no blog "Tijolaço":

"Recebo, do meu velho professor Nílson Lage, um interessante resumo das práticas do governo da Arábia Saudita, maior aliado (militar, inclusive) dos EUA no Oriente Médio.

Apenas sete pontos, que não causam escândalo na mídia mundial.

Todos práticas oficiais do Rei Abdullah, pranteado pelo Ocidente como "grande governante".

1. Nada de eleições, nada de partidos, nada de oposição.

2. Decapitação, amputação de membros ou chicoteamento público de acusados de crimes, “infiéis” ou opositores políticos e religiosos.

3. Nepotismo oficial, com bons empregos e renda garantidos para os 7.000 parentes da dinastia Saud.

4. O poder passa de pai para filho ou de irmão para irmão e as brigas de família levaram até a uma revolta de sobrinho e um assassinato real “familiar”.

5. A tortura é legal, na polícia e na Justiça. Tanto que, em 2013, um homem foi condenado a ficar paraplégico como punição.

6. As mulheres não têm direitos, até pouco tempo eram “legalmente” espancadas e até dirigir um automóvel lhes é proibido.

7. Financia, nas palavras de ninguém menos que Hillary Clinton, o terrorismo internacional: “Al Qaeda, Taleban, LeT [o grupo Lashkar-e-Taiba, sediado no Paquistão] e outros grupos terroristas”, disse ela.

Alguma diferença com o “Estado Islâmico” que os EUA e a Europa bombardeiam, literalmente, nas areias da Síria?

Só o fato de serem os melhores amigos dos EUA."


FONTE: escrito por Fernando Brito, no seu blog "Tijolaço"    (http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e&cod=15011).

DILMA, UM E DOIS (por Marcos Coimbra)


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil  

Dilma, um e dois 

As pesquisas confirmam que somente a economia foi o ponto vulnerável do primeiro mandato

Por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, na "CartaCapital"

"Dilma inicia o segundo mandato consciente de que precisa alterar as expectativas a respeito da economia.

O maior sucesso das oposições ao longo do primeiro governo Dilma Rousseff (e, talvez, o único realmente significativo) foi a destruição da imagem da política econômica.

Todas elas dedicaram-se a promovê-la [a destruição], desde os partidos aos líderes empresariais, no Brasil e no exterior. Mas a ponta de lança, como de costume, foi o establishment midiático. Mais que os políticos de oposição, mais que os porta-vozes do empresariado, quem mais golpeou a condução da política econômica, mais se entristeceu com os sucessos alcançados e mais se alegrou com os fracassos, foi a imprensa antipetista.

Não que fosse seu único alvo. Dilma, o governo e o PT passaram dois anos sob tiroteio cruzado, destinado a enfraquecê-los e derrotá-los na eleição. Mas, em todos os fronts, salvo nas questões econômicas, as oposições obtiveram resultados magros.

Não conseguiram, por exemplo, convencer a opinião pública da imoralidade dos governos e políticos petistas. Fizeram o carnaval que puderam com o julgamento do “mensalão” e as acusações de irregularidades na Petrobras, achando que marcariam Dilma, Lula e seus correligionários com a pecha da corrupção. Não houve um dia sem que os colunistas conservadores atirassem contra “escândalos” reais ou inventados.

Foi debalde, no entanto, como vimos nas pesquisas do fim de 2014. Na pesquisa "Vox Populi" feita entre 5 e 8 de dezembro, 60% dos entrevistados responderam que foram Lula (com 31%) e Dilma (com 29%) os presidentes que mais combateram a corrupção entre os três mais recentes (ficando Fernando Henrique Cardoso/PSDB com apenas 11% das respostas). No tocante à Petrobras, 69% dos entrevistados afirmaram que “as irregularidades (na empresa) vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”.

A incompetência foi outro flanco ao qual as oposições e, em especial, a brigada midiática se dedicaram. Também nesse plano, não deixaram passar um dia sem denunciar os sintomas de alguma “crise de gerência”, da ameaça do “apagão elétrico” à falta de esparadrapo em um hospital do interior.

Achavam que iam bem nesse combate, à luz dos resultados de pesquisas que mostraram, até agosto, que Dilma, de fato, não alcançava os níveis de aprovação necessários a uma reeleição tranquila. Mas esqueceram-se de que ela teria, a partir do início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, como falar diretamente com a opinião pública, mostrando as realizações de seu governo, livre da censura imposta pela “grande imprensa”.

Quando terminou a eleição, Dilma exibia taxas de avaliação positiva amplamente suficientes para explicar sua vitória. Na mesma pesquisa "Vox Populi", 42% dos respondentes disseram que consideravam “ótimo” ou “bom” o governo, ante 22% que o avaliavam como “ruim” ou “péssimo”, restando 33% que afirmaram que o viam como “regular”. Na mesma métrica usada durante a campanha por Aécio Neves para dizer que saíra do governo de Minas Gerais com elevadíssima popularidade, Dilma chegou a dezembro de 2014 com 75% de aprovação.

Ou seja: por mais que tenham passado os últimos dois anos insistindo nas teclas da corrupção e da incompetência, nossas oposições não convenceram a quem precisavam persuadir. Talvez tenham conseguido exacerbar o antipetismo mais tosco na sociedade, aquele que se expressa na internet e nas redes sociais, mas foram incapazes de formar maiorias.

Conseguiram, todavia, atingir a presidenta e o governo na economia. Chegamos ao início do segundo mandato com percepções muito negativas em dimensões como inflação, desemprego e desenvolvimento.

Quase metade dos entrevistados diz-se “muito preocupada” com a inflação. No tocante ao desemprego, 53% afirmam estar “muito preocupados” ou “preocupados, ainda que não muito” com a possibilidade de ficar sem emprego.

Tampouco são elevadas as expectativas de melhora do poder de compra dos salários: 28% temem que diminuam, 45% que se mantenham e apenas 19% que aumentem. No tocante à possibilidade de piora do desemprego, números idênticos: 28% esperam que cresça, 45% que permaneça e 19% que se reduza.

Dilma começa seu segundo governo consciente de que as oposições tentam, mas não conseguem caracterizá-la como leniente com a corrupção ou má gestora. E convencida de que precisa alterar as expectativas a respeito da economia.

Não é por outra razão que mudou a aposta na política econômica. Seria ingenuidade imaginar que insistir no que foi feito no primeiro governo agora daria certo."

FONTE: escrito por Marcos Coimbra
, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Publicado na revista "CartaCapital"  (http://www.cartacapital.com.br/revista/834/dilma-um-e-dois-3393.html).

O PROBLEMA DAS PERDAS DA PETROBRAS





Para entender um pouco do imbróglio da Petrobras

Por César Locatelli (Ref. ao post: A tarefa impossível de calcular as perdas da Petrobras).

"Vamos começar com uma analogia?

Você comprou uma casa por R$ 500 mil reais. Depois de um tempo, você descobriu que o corretor recebeu mais do que deveria. Ao invés de receber a corretagem padrão, ele recebeu mais. Sua casa está “contablizada” no seu imposto de renda por R$ 500 mil, mas pode ser que valha menos do que isso porque você descobriu essa história do corretor.

Como proceder?

A melhor forma seria procurar pessoas que trabalham no mercado imobiliário e pedir algumas avaliações da sua casa. Tentando dessa forma descobrir por quanto você conseguiria vender sua casa se assim quisesse.

Descoberto o valor de mercado, você teria uma boa ideia de quanto sua casa realmente vale. Esse processo se chama "marcação a mercado", que é tentar descobrir por quanto conseguiríamos nos desfazer de ativos que temos; no nosso exemplo, por quanto venderia sua casa. A partir da "marcação a mercado", contabilizamos o novo valor e a diferença será lançada como prejuízo se a casa valer no mercado menos do os R$ 500 mil, ou lucro se o valor de mercado for superior.

A dificuldade desse processo aumenta exponencialmente se temos que avaliar uma refinaria. Se tivéssemos muitas negociações envolvendo compras e vendas de refinarias, a solução seria simples. Não é esse o caso.

A Petrobras tem R$ 600 bilhões de ativos imobilizado, que é constituído por imóveis, refinarias, plataformas, prédios e todos outros tipos de ativos fixos. Existe a suspeita [por enquanto mera suposição somente com base em delação não confirmada e em suspeitos "vazamentos" na mídia] de que a empresa pagou a mais do que o devido sobre 1/3 desse valor, ou, cerca de R$ 188 bilhões.

Eles tentaram caminhar por dois métodos. Um foi determinar o valor do dinheiro desviado e abater do valor contabilizado do imobilizado. Porém, é impossível saber o quanto foi efetivamente pago a mais. Esse método não se revelou adequado. O outro método é avaliar qual seria o valor justo do imobilizado e compará-lo com o valor contábil. Esse método revelou que, entre ativos avaliados para maior e ativos avaliados para menor, a diferença seria de R$ 60 bilhões. Explicando: a consultoria, contratada para reavaliar aqueles ativos [conjecturados como suspeitos] que estavam na contabilidade com valor de R$ 188 bilhões, acha [supõe] que esses ativos valem cerca de R$ 128 bilhões. Ou seja, que estão contabilizados por R$ 60 bilhões a mais.

A empresa deveria, ao julgar que esse novo número [suposto] é razoável, colocar em seu balanço que os ativos valem R$ 60 bilhões a menos e lançar esse valor a prejuízo.

Ocorre, ainda, que esse cálculo tem muita incerteza. Então, a diretoria da empresa resolveu divulgar o valor da perda estimada por essas consultorias para dar uma ideia para o mercado e tentar buscar outro método mais confiável. Quando tiver mais segurança do valor a ser jogado para prejuízo, a empresa fará isso e seu ativo imobilizado será reduzido desse valor, que pode ser maior ou menor que R$ 60 bilhões.

Os operadores do mercado financeiro, que derrubaram o preço da ação em perto de 10%, fizeram a seguinte conta: se o ativo da empresa cair 10% de R$ 600 bilhões para R$ 540 bilhões, a empresa “perderá” 10% de seu valor. Parece exagerado. Mas o tempo dirá." [Por enquanto, tudo é "acha", "suspeita", "imagina" e muita jogada especulativa na Bolsa por conta disso].


FONTE: escrito por César Locatelli (Ref. ao post: A tarefa impossível de calcular as perdas da Petrobras). Publicado no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-um-pouco-do-imbroglio-da-petrobras-por-cesar-locatelli).[Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

RESPOSTA DA PETROBRAS SOBRE AS REFINARIAS PREMIUM


Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras:

Refinarias Premium: resposta à imprensa

"Leia a resposta que enviamos a veículos da imprensa sobre projetos de investimento para a implantação das refinarias Premium I e Premium II:

Em 22 de janeiro de 2015, a Companhia decidiu encerrar os projetos de investimento para a implantação das refinarias Premium I e Premium II. Tal decisão teve por fundamento: 

(i) os resultados econômicos para ambos empreendimentos não demonstraram atratividade até o momento, mesmo após incorporadas as otimizações de redução de custo de investimento; 

(ii) o crescimento dos mercados interno e externo de derivados pode ser atendido pelo aumento de capacidade que o PROMEGA (Programa de Maximização de Médios e Gasolina) vem promovendo nas doze refinarias em operação, adicionado da RNEST e COMPERJ em construção; e 

(iii) ausência de parceiro econômico para a implantação, condição mandatória no Plano de Negócios e Gestão da Companhia (PNG 2014-2018). Entretanto, há indícios que nova adição de refino possa se dar a partir de 2025. Caso nova demanda se confirme para esse horizonte, projetos de adição de capacidade de refino poderão voltar a fazer parte dos próximos Plano de Negócios e Gestão da Companhia.

O encerramento desses dois projetos gerou uma perda de R$ 2,707 bilhões, reconhecida em outras despesas líquidas no balanço do 3º trimestre de 2014.

A Companhia adotará todas as providências necessárias para reavaliar os compromissos assumidos nos projetos das Refinarias Premium I e II junto aos Governos Estaduais e Municipais, mitigando o impacto do encerramento dos projetos."


FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras   (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/refinarias-premium-resposta-a-imprensa.htm).

BRASIL É O 4º DO MUNDO EM VENDA DE CARROS





China é líder de novo e EUA ficam em segundo 

Por 67 mil carros, Brasil mantém 4º lugar, na frente da Alemanha

Por Joel Leite

"Mesmo com queda de 6,9% nas vendas, enquanto seu principal concorrente cresceu 3,2%, o Brasil manteve, em 2014, a quarta posição no ranking de vendas de carros no mundo, atrás apenas da China, líder, Estados Unidos e Japão.

O Brasil vendeu no ano passado 3.328.958 carros e comerciais leves, conforme informação da consultoria "Jato" (os números do RENAVAM indicam volume um pouco maior): 3.329.052 unidades. A Alemanha, que por alguns meses do ano passado esteve na frente do Brasil, fechou 2014 com 3.261.376 unidades. A diferença, portanto, foi de apenas 67 mil carros, o equivalente a quatro ou cinco dias de venda.

Além do Brasil, apenas mais um país teve queda de vendas em 2014 entre os dez mais vendidos, a Rússia, oitava colocada com 2.485.924 unidades vendidas, 10,5% a menos do que no ano anterior. Todos os outros tiveram crescimento.

Com 21.004.688 unidades, a China foi mais uma vez o país que mais vendeu no mercado interno, com crescimento de 8,8% sobre 2013. Os Estados Unidos, em segundo lugar, vendeu 16.517.204, com alta de 5,9% e o Japão fechou o ano com aumento de vendas de 4,5% e 5.562.887 carros vendidos.

Brasil e Alemanha completam a lista dos cinco maiores mercados do mundo e em seguida aparecem a Índia, em sexto lugar com 2.889.595 unidades, a Grã Bretanha, com 2.789.121 e a Rússia, oitava colocada com 2.485.924. Completam o ranking dos dez maiores mercados do mundo a França, nona colocada com vendas de 2.167.951 e o Canadá, com 1.853.047, único entre os dez com vendas abaixo de dois milhões de unidades.

Veja o ranking dos maiores mercados do mundo:


Fonte: JATO Dynamics

FONTE: portal UOL  (http://omundoemmovimento.blogosfera.uol.com.br/2015/01/28/por-67-mil-carros-brasil-mantem-4o-lugar-na-frente-da-alemanha/).[Imagem do google adicionada por este blog].

DESEMPREGO É O MENOR DA HISTÓRIA



DESEMPREGO É O MENOR DA HISTÓRIA EM 2014: 4,8%

"A taxa caiu de 4,8% em novembro para 4,3% em dezembro, repetindo a menor taxa histórica de dezembro de 2013. Já o índice de desocupação médio de janeiro a dezembro de 2014 foi estimado em 4,8%, também o menor da história da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), contra 5,4% no ano anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã de quinta-feira 29. A média anual da população desocupada foi estimada em 1,176 milhão de pessoas, contingente 54,9% menor que o de 2003 e 10,8% abaixo da média de 2013.
Reportagem de Rodrigo Viga Gaier da agência norte-americana de notícias "Reuters"

O desemprego brasileiro caiu a 4,3 por cento em dezembro, ante 4,8 por cento em novembro, e igualou à mínima histórica registrada no mesmo mês de 2013, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira.

Com isso, o desemprego encerrou 2014 com taxa média de 4,8 por cento, também a menor da série, contra taxa média de 5,4 por cento em 2013.

Pesquisa da "Reuters" apontava expectativa para a taxa de desemprego de 4,6 por cento em dezembro, segundo a mediana de 26 projeções, que foram de 3,85 a 5,20 por cento.

Confira abaixo o texto publicado pelo IBGE com os dados da pesquisa:

Em dezembro, taxa de desocupação fica em 4,3% e fecha 2014 com média de 4,8%.

Em dezembro de 2014, a taxa de desocupação foi estimada em 4,3%, repetindo o percentual de dezembro de 2013 e mantendo o menor nível de toda a série histórica da PME. Em novembro de 2014, a taxa fora de 4,8%. Já a taxa de desocupação média de janeiro a dezembro de 2014 foi estimada em 4,8% (a menor da série), contra 5,4% em 2013. Em relação a 2003 (12,4%), a redução chegou a 7,5 pontos percentuais.

Em 2014, a média anual da população desocupada foi estimada em 1,176 milhão de pessoas desocupadas, contingente 54,9% menor que o de 2003 (2,608 milhões) e 10,8% abaixo da média de 2013 (1,318 milhão). Em dezembro de 2014, a população desocupada nas seis regiões pesquisadas (1,051 milhão) recuou 11,8% em relação a novembro (1,192 milhão) e 0,9% contra dezembro de 2013 (1,061 milhão).

A média anual da população ocupada nas seis regiões pesquisadas em 2014 foi estimada em 23,087 milhões de pessoas, recuando 0,1% em relação a 2013, quando esse contingente era de 23,116 milhões. Em dezembro de 2014, a população ocupada nas seis regiões pesquisadas chegou a 23,224 milhões, recuando 0,7% em relação a novembro e ficando estatisticamente estável (0,5%) frente a dezembro de 2013.

O percentual médio de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado em relação à população ocupada passou de 50,3% (11,6 milhões) em 2013, para 50,8% (11,7 milhões) em 2014. Em 2003, essa proporção era de 39,7% (7,3 milhões). Em 12 anos, esse contingente cresceu 59,6% (ou mais 4,4 milhões). Em dezembro de 2014, havia 11,807 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, apresentando estabilidade no mês e no ano.

Em 2014, a média anual do rendimento habitual real da população ocupada (R$ 2.104,16) cresceu 2,7% em relação a 2013 (R$ 2.049,35). Em relação a 2003 (R$1.581,31), houve ganho de 33,1% (ou cerca de R$ 522,85). 

De 2003 a 2014, o rendimento habitual real nos serviços domésticos teve o maior aumento (69,9%) entre os grupamentos de atividade pesquisados pela PME. Em dezembro de 2014, o rendimento médio habitual dos ocupados era R$ 2.122.10. Houve queda de 1,8% em relação a novembro (R$ 2.161,93) e alta de 1,6% contra dezembro de 2013 (R$ 2.089,57).

A média anual da massa de rendimento real mensal habitual em 2014 (R$ 49,3 bilhões) cresceu 3,0% em relação a 2013 e 66,0% contra 2003. Em dezembro de 2014, a massa de rendimento real habitual (R$ 50.015 milhões) caiu 2,4% em relação a novembro (R$ 51.243 milhões) e subiu 1,4% em relação a dezembro de 2013 (R$ 49.307 milhões). Já a massa de rendimento efetivo (R$ 55.180 milhões) cresceu 7,2% em relação a outubro (R$ 51.467 milhões) e cresceu 5,5% contra novembro de 2013 (R$ 52.297 milhões).

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Sua publicação completa está disponível aqui. A publicação da "Retrospectiva do Mercado de Trabalho 2003-2014" está aqui.

Rio de Janeiro mostra maior redução na população desocupada

O maior percentual de redução na população desocupada de 2014 em relação a 2013 foi na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (-23,4%), com São Paulo (-16,5%) e Belo Horizonte (-12,5%) a seguir. Nas Regiões Metropolitanas de Salvador (14,8%), Porto Alegre (8,7%) e Recife (1,8%), por outro lado, a população desocupada cresceu entre 2013 e 2014.

Nível de ocupação das mulheres ainda é menor, porém cresce mais que o dos homens

O nível da ocupação, proporção entre a População Ocupada e a População em Idade Ativa (dez anos ou mais de idade), alcançou 53,3%. Frente a 2003 (50,0%), houve alta de 3,2 pontos percentuais. O nível de ocupação das mulheres (45,4%) continuou inferior ao dos homens (62,6%), mas, em relação a 2003, seu aumento foi superior ao dos homens. Em relação a 2003, aumentou o nível da ocupação dos jovens de 18 a 24 anos (de 53,8% para 57,2%) e da população de cor preta ou parda (de 48,5% para 53,0%).

Serviços domésticos e construção têm os maiores ganhos no rendimento

Em todos os grupamentos de atividade houve ganhos no poder de compra do rendimento do trabalho. Os grupamentos com os maiores aumentos percentuais foram aqueles com os menores rendimentos. De 2013 a 2014, os ganhos de rendimento dos grupamentos foram: construção, 6,7%; serviços domésticos, 4,5%; comércio, 4,2%; educação, saúde e administração pública, 2,7%; outros serviços, 1,9%; indústria, 1,3% e serviços prestados às empresas, 0,6%.

Nos serviços domésticos, de 2003 a 2014, houve o maior aumento entre os grupamentos, 69,9%. Ainda em relação a 2003, outro destaque foi a construção, composto em sua maioria por pedreiros, com ganho de 58,7%.

Em 2014, o rendimento médio real domiciliar per capita (R$1.425,63) aumentou 2,4% em relação a 2013 e 49,6% comparado a 2003.

Rendimento dos pretos e pardos equivale a 58,0% dos rendimentos dos brancos

A pesquisa apontou disparidades entre os rendimentos de homens e mulheres e, também, entre brancos e pretos ou pardos. Em 2014, em média, as mulheres ganhavam em torno de 74,2% do rendimento recebido pelos homens - expansão de 0,6 ponto percentual frente a 2013 (73,6%). A menor proporção foi registrada em 2003, 70,8%.

O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda, de 2003 para 2014, cresceu 56,3%, enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu 30,4%. Mas a Pesquisa registrou, também, que os trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2014, 58,0% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em 2013, essa razão era 57,4%. Destaca-se que, em 2003, não chegava à metade (48,4%).

Rendimento no Rio de Janeiro mostra o maior crescimento

Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas, o rendimento médio real habitual da população ocupada no Rio de Janeiro teve a maior expansão (6,4%), com Recife (4,1%) a seguir.

Em relação a 2003, quatro regiões apresentaram variações maiores que a verificada no total das seis regiões metropolitanas (33,1%): Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, com taxas de 36,6%; 39,8%; 43,5% e 49,3%, respectivamente. As menores variações foram em São Paulo (23,9%) e Salvador (27,5%). Embora São Paulo tenha crescido menos do que a média das regiões pesquisadas, seu patamar é o segundo mais alto (R$ 2.192,43), logo atrás do Rio de Janeiro (R$ 2.346,50).

De 2013 para 2014, o rendimento aumentou em quase todas as formas de inserção: empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (1,7%), os militares e funcionários públicos estatutários (2,6%), trabalhadores por conta própria (3,8%) e empregadores (7,1%). Já os empregados sem carteira no setor privado registraram queda real de 1,7%.

Cresce a presença de pessoas com 50 anos ou mais no mercado de trabalho

De 2013 para 2014, a proporção de pessoas com 50 anos ou mais de idade na população em idade ativa aumentou de 32,3%, para 34,1%. Nesse período, a presença de pessoas com 50 anos ou mais de idade no mercado de trabalho passou de 23,6%, para 24,7%. Em 2003, esse grupo representava 16,7% da população ocupada.

Escolaridade de população ocupada continua crescendo

De 2013 para 2014, a escolaridade da população com 10 anos ou mais de idade aumentou. A proporção de pessoas com 11 anos ou mais de estudo cresceu 1,4 ponto percentual (de 48,5% para 49,9%). Em relação a 2003, quando esse percentual era 34,3%, a expansão foi de 15,5 pontos percentuais em 12 anos.

Entre os trabalhadores, o avanço da população com 11 anos ou mais de estudo foi ainda maior, passando de 46,7% em 2003 para 65,4 % em 2014, crescimento de 18,7 pontos percentuais. Aumentou também a proporção de trabalhadores com ensino superior completo: em 2003 eles representavam 13,8% e, em 2014, 21,3%.

No ano, participação feminina no mercado de trabalho ficou estável

A participação das mulheres na população ocupada praticamente não se alterou, passando de 46,0% em 2013 para 46,1% em 2014. Ressalta-se que, no confronto com 2003 (43,0%), houve elevação significativa da participação delas no mercado de trabalho.

Em 2014, as pessoas ocupadas tinham uma jornada média semanal de 40,1 horas efetivamente trabalhadas, contra 41,3 horas em 2003. As regiões metropolitanas de São Paulo (40,6) e Rio de Janeiro (40,8) apresentaram jornadas superiores à média das seis regiões.

De 2013 para 2014, os grupamentos de atividade que mais aumentaram sua participação na população ocupada foram Serviços prestados às empresas (de 16,2% para 16,4%) e Outros Serviços (de 18,0% para 18,5%).

Resultados de dezembro de 2013: taxa de desocupação cai para 4,3%

A taxa de desocupação em dezembro de 2014 foi estimada em 4,3% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas, atingindo pelo segundo ano consecutivo o menor valor da série histórica da pesquisa (mesmo valor em dezembro de 2013). Frente a novembro último, a taxa diminuiu 0,5 ponto percentual.

Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação sofreu redução em quatro das seis regiões analisadas: em Salvador caiu 1,5 ponto percentual (passou de 9,6% para 8,1%); em Recife caiu 1,3 ponto percentual (passou de 6,8% para 5,5%); em Belo Horizonte caiu 0,8 ponto percentual (passou de 3,7% para 2,9%); em Porto Alegre caiu 0,6 ponto percentual (passou de 4,2% para 3,6%) e nas demais regiões não variou. Em relação a dezembro de 2013, a taxa só apresentou variação estatisticamente significativa na região metropolitana de Porto Alegre, onde aumentou 1,0 ponto percentual, passando de 2,6% para 3,6%.

O contingente de desocupados, em dezembro de 2014 (1,1 milhão de pessoas no conjunto das seis regiões investigadas) recuou 11,8% em comparação com novembro (menos 141 mil pessoas). Na comparação com dezembro de 2013, apresentou estabilidade. Na análise regional, o contingente de desocupados, em comparação com novembro, caiu em Belo Horizonte (22,1%), em Recife (20,2%), em Salvador (16,8%) e em Porto Alegre (15,0%), ficando estável nas demais regiões. No confronto com dezembro de 2013, a desocupação aumentou 44,2% em Porto Alegre e caiu 17,7% em Belo Horizonte. Nas demais regiões não apresentou variação estatisticamente significativa.

O contingente de pessoas ocupadas em dezembro de 2014 (23,2 milhões para o conjunto das seis regiões) recuou 0,7% em relação ao mês de novembro. Frente a dezembro de 2013, esse contingente não apresentou variação. Regionalmente, a análise mensal mostrou que essa população manteve-se estável em todas as regiões, exceto no Rio de Janeiro, onde apresentou queda de 1,3%. Na comparação com dezembro de 2013, Salvador e Porto Alegre, registraram alta (3,8% e 2,8%, nesta ordem), Belo Horizonte, retração (2,6%) e nas demais regiões pesquisadas o quadro foi de estabilidade.

Para os grupamentos de atividade, no conjunto das seis regiões, de novembro para dezembro de 2014, houve quedas na Indústria e na Construção (ambas de 3,9%) e alta nos Serviços Domésticos (4,0%). Em relação a dezembro de 2013, houve retração na Construção (5,1%) e elevação em Outros serviços (3,4%).

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em dezembro de 2014, foi estimado em 11,8 milhões no conjunto das seis regiões pesquisadas. Este resultado não assinalou variação frente a novembro último e quando comparado com dezembro de 2013 também se mostrou estável.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado, para o conjunto das seis regiões pesquisadas, no mês de dezembro de 2014, em R$ 2.122,10. Esse resultado ficou 1,8% abaixo do registrado em novembro (2.161,93) e 1,6% acima do assinalado em dezembro do ano passado (R$ 2.089,57). Regionalmente, em relação a novembro passado, o rendimento apresentou retração em São Paulo (3,4%), Belo Horizonte (2,2%), Recife (1,8%) e Rio de Janeiro (1,0%). Cresceu em Salvador (2,3%) e em Porto Alegre (1,6%). Frente a dezembro de 2013, o rendimento apresentou resultado positivo em Salvador (9,7%), Porto Alegre (6,1%), Rio de Janeiro (2,6%) e Recife (1,0%); declinou 1,2% em Belo Horizonte e ficou estável em São Paulo.

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$ 50,0 bilhões em dezembro de 2014, registrou queda de 2,4% em relação a novembro último. Na comparação anual esta estimativa cresceu 1,4%."


FONTE: reportagem de Rodrigo Viga Gaier da agência norte-americana de notícias "Reuters". Transcrito no jornal digital "Brasil 247"    (http://www.brasil247.com/pt/247/economia/168208/Desemprego-%C3%A9-o-menor-da-hist%C3%B3ria-em-2014-48.htm).

CANADÁ ESPIONA BRASIL, REVELA SNOWDEN




DOCUMENTOS DE SNOWDEN MOSTRAM QUE CANADÁ ESPIONA BRASIL

"A agência de espionagem eletrônica do Canadá tem interceptado e analisado dados de mais de 15 milhões de downloads de arquivos por dia como parte de um programa de vigilância global, que inclui o Brasil e países aliados e parceiros comerciais do Canadá, como EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Espanha e Portugal, de acordo com uma reportagem da "CBC News" e o jornalista Glenn Greenwald. A iniciativa de espionagem foi revelada em 2012 em documentos obtidos pelo delator norte-americano Edward Snowden.

Por David Ljunggren, da agência norte-americana de notícias "Reuters"

OTTAWA (Reuters) - A agência de espionagem eletrônica do Canadá tem interceptado e analisado dados de mais de 15 milhões de downloads de arquivos por dia como parte de um programa de vigilância global, que inclui o Brasil, de acordo com uma reportagem publicada na quarta-feira.

Além do Brasil, o programa de vigilância, apelidado de "Levitation" (Levitação), inclui países aliados e parceiros comerciais do Canadá como Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Espanha e Portugal, disseram a reportagem da "CBC News" e o jornalista Glenn Greenwald.

A iniciativa de espionagem foi revelada em 2012 em documentos obtidos pelo delator norte-americano Edward Snowden. É a primeira revelação dos documentos de Snowden a mostrar que o Canadá lançou seu próprio programa global de vigilância na Internet.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou a informação da espionagem canadense e reafirmou a posição do governo de estimular a privacidade digital, lembrando que liderou na Organização das Nações Unidas (ONU) iniciativas aprovadas sobre o tema.

"O Brasil lamenta e repudia todos os episódios de espionagem não autorizada de autoridades estrangeiras por órgãos de inteligência. O Brasil tem procurado atuar, no sistema multilateral, no sentido de estimular o respeito à privacidade nos meios digitais", afirmou o ministério em e-mail enviado à "Reuters".

"Também foram aprovadas resoluções, copatrocinadas pelo Brasil, na Assembleia-Geral da ONU, demonstrando o reconhecimento da importância do tema pela comunidade internacional", de acordo com o e-mail.

A "CBC News" revelou que o programa de vigilância "Communications Security Establishment" (CSE) detectou para a agência 350 "eventos de download interessantes" a cada mês.

O CSE é um órgão secreto e, assim como a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), monitora comunicações eletrônicas e ajuda a proteger redes nacionais de computadores. Não é permitido alvejar canadenses ou empresas do país.

Entre suas principais iniciativas, o programa de espionagem descobriu um vídeo de um refém alemão e um documento que revelou a estratégia de um braço da Al Qaeda no norte da África, disse a "CBC News".

A agência não confirmou a reportagem, alegando em comunicado que o "programa CSE provou que a inteligência teve um papel vital na descoberta de tentativas de extremistas baseados no exterior de atrair, radicalizar e treinar indivíduos para promover ataques".

Os documentos de Snowden mostram que a agência analisou de 10 milhões a 15 milhões de uploads por dia de vídeos, músicas e outros arquivos em mais de 102 sites de compartilhamento de arquivos.

O Canadá faz parte da rede de inteligência formada também por EUA, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia.

Em 2013, a presidente Dilma Rousseff exigiu uma explicação do Canadá depois que uma reportagem, também baseada em documentos vazados por Snowden, apontou que o programa de vigilância CSE espionou o Ministério de Minas e Energia.

Os documentos devem gerar mais perguntas sobre o CSE, que enfrentou no passado acusações de interceptar de maneira imprópria ligações e e-mails de cidadãos canadenses.

Em novembro de 2013, a "CBC News" citou outros documentos de Snowden mostrando que o Canadá permitiu que a NSA conduzisse "vigilância abrangente" durante a cúpula do G20 em Toronto em 2010.

O CSE não estava imediatamente disponível para comentar."


FONTE: reportagem de David Ljunggren da agência norte-americana de notícias "Reuters" (Reportagem adicional de Mike de Souza, em Ottawa; e de Anthony Boadle, em Brasília). Transcrita no jornal digital "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/168197/Documentos-de-Snowden-mostram-que-Canad%C3%A1-espiona-Brasil.htm).

A GOROROBA BRASILEIRA E O AJUSTE "À GREGA"




A gororoba brasileira e o ajuste à grega

Decididamente, o diagnóstico do ministro das finanças do governo "Syriza" é diferente do que pensa seu congênere brasileiro, o ministro Joaquim Levy.

Por Saul Leblon

"A Grécia não é apenas um bloco monolítico de oprimidos, acossados pelo poder financeiro externo, sob o açoite de Frau Merkel.

Por trás das multidões desesperadas que afluíram às ruas e cercaram o parlamento nos últimos anos, tentando retomar o controle do seu destino, até o desenlace eleitoral de domingo, existe a história pedagógica de um conflito entre a maioria da sociedade e os que detêm a riqueza dentro dela.

Nisso a tragédia grega é um clássico.

Condensa o desatino de muitas nações nos dias que correm.

Seu impasse resultará insolúvel se for encarado apenas como um confronto com banqueiros obstinados em ordenhar juros de uma dívida impagável de 330 bilhões de euros.


Não que essa dimensão do enredo seja negligenciável.

Em uma população da ordem de 11 milhões de pessoas, a dívida grega equivale a uma cota da ordem de 30 mil euros por habitante.

Algo como R$ 350 mil reais por família composta de casal e dois filhos.

A chance de que haja um adulto desempregado dentro dela é alta; um em cada quatro trabalhadores está desocupado na Grécia.

A eletricidade de um milhão de lares foi cortada por falta de pagamento.

Nesse cenário de penúria, pagar a dívida equivale a condenar sucessivas gerações a um regime de servidão às ordens da banca.

A curto prazo, a queda generalizada das taxas de juros no mundo –com exceções notáveis como é o caso brasileiro-- deve aliviar a pressão sobre o novo governo pelo lado externo.

O programa do BCE de injeção de liquidez e o alongamento da dívida grega também ajudam.

Mas a guilhotina continua focada no pescoço do país.

Qualquer solavanco nas taxas de juros internacionais faria desabar a lâmina, decapitando a sociedade e o "Syriza".

A alternativa real depende de uma frente progressista que envolve avanços políticos em toda a Europa. Pode acontecer aos saltos a partir de agora.

Meta: substituir a austeridade suicida da troika por um plano Marshall de regeneração econômica da zona do euro.

É a tese de Yanis Varoufakis, economista de formação marxista, novo ministro da finança indicado pelo premiê Tsipras.

Em entrevista recente, o ministro alerta para outra agenda imediata e imperativa, que aproveite a nova correlação de forças eleitoral para romper o núcleo duro da encruzilhada grega.

Qual?

Nas palavras de Varoufakis: taxar os ricos e desmontar uma cleptocracia composta de banqueiros, meios de comunicação e seus aliados no Estado.

Na Grécia, enquanto o país apodrecia, a plutocracia engordava.

A exemplo do que ocorre no Brasil, e em outros pagos, trata-se de uma elite alérgica à justiça tributária, cuja bandeira inoxidável, na crise ou fora dela, é a "defesa desinteressada do arrocho fiscal e monetário".

Sempre em nome dos bons fundamentos da República --aqueles que vão garantir o que lhe interessa de fato: a proteção preventiva contra a taxação da riqueza e o superávit fiscal suficiente para abastecer o ralo insaciável dos juros.

Detentores de sólida endogamia com o sistema financeiro global, os endinheirados apátridas de todas as latitudes integram uma casta rentista que Piketty desnudou como o grande parasita do nosso tempo.

Essa gigantesca lombriga alojada no metabolismo das nações age determinada a engordar ininterruptamente, à custa, acima e à frente do crescimento da produção e do bem-estar coletivo.

Não estamos interessados apenas em voltar a 2010’, alerta o economista Yanis Varoufakis, como a esclarecer que a crise atual já vinha sendo chocada nos ovos da ameba cosmopolita, muito antes de explodir a desordem sistêmica em 2008.

Nisso, sobretudo, ele tem algo a dizer em relação ao ajuste brasileiro que parece focado na mera restauração das condições internacionais pré-crise de 2008 –o que de resto parece ilusório diante das novas e adversas condições do comércio global.

Combater o privilégio tributário da elite será uma das trincheiras mais desafiadoras do governo "Syriza".

Não é só um problema de evasão fiscal, mas sim de que grande parte da renda dos ricos nem sequer é tributada’, pontua Varoufakis puxando o fio de um outro gargalo clássico, que condensa na tragédia grega a encruzilhada de outros governos, partidos e nações.

Sob a sanguinária ditadura dos coronéis, que dominou o país de 1967 a 1974, a elite grega já vivia um período de fastígio e evasão fiscal ímpar.

O endividamento externo que hoje passa de 170% do PIB reflete em boa parte o complacente intercurso entre a farda truculenta e plutocracia fraudulenta.

Pesquisas indicam que, sob o tacão dos coronéis, menos de 100 mil abnegados pagavam imposto de renda na Grécia.

Era uma espécie de Olimpo no qual os sonegadores ocupavam o altar dos deuses.

Na democracia, uma tentativa de afrontar a evasão, com o rastreamento por satélite das piscinas nas mansões, foi driblada por uma corrida às capas de grama sintética...

Nas últimas décadas, a socialdemocracia, o "Pasok", não teve a coragem de retirar as capas que recobriam privilégios e caixas milionários dos ricos, dos bancos e dos meios de comunicação.

O endividamento externo persistiu como uma solução de menor resistência.

Em vez de arrecadar das amebas gordas, optou-se pelo endividamento externo desenfreado, em sintonia com a lógica neoliberal.

A farra da liquidez e do crédito deu solvência ao modelo.

Com a adesão grega à União Europeia, os controles ficariam mais rígidos.

O Tratado de Maastricht determina que o país membro não pode ostentar déficit fiscal superior a 3% do PIB.

A saída encontrada pelos governantes e cleptocratas foi pagar polpudas somas a consultorias e a grandes bancos norte-americanos, como a indefectível "Goldman Sachs", para maquiar a lambança sem afetá-la.

Sofisticadas operações de engenharia contábil foram oferecidas ao país para persistir no endividamento público, sem afrontar "Maastricht", nem tributar a elite local.

As capas de grama sintética cederam lugar a um bem urdido manto de criatividade delinquente.

Coisa típica da grande finança.

Um dos artifícios chancelados pelo selo "Goldman Sachs" foi penhorar receitas futuras do Estado grego, em troca de antecipações de recursos junto aos credores.


O saque incluiu, por exemplo, anos e anos de taxas de embarque e desembarque em aeroportos nacionais penhoradas pelo Estado.

Rasparam o tacho da nação para evitar a tributação dos bolsos gordos.

Como a antecipação de receita foi devorada pelo caminho, o futuro do tráfego aéreo, desprovido de fundos para novos investimentos, terá sérios problemas no país.

A irresponsabilidade ganha cores sugestivas quando se sabe que o turismo representa mais de 14% do PIB grego.

Agia-se como agem as elites predadoras em distintas fronteiras.

Tudo se passa como se não houvesse amanhã, essa abstração para quem o tempo consiste no átimo de segundo que separa o dedo da operação digital em paraísos fiscais.

Durante anos foi assim que se deu.

O Estado se endividou sem registrar o rombo como déficit público, graças aos espertos petizes da "Goldman Sachs"  –os mesmos que hoje dão ‘suporte’ intelectual ao jogral brasileiro que reclama ‘arrocho e fim das ‘pedaladas’ nas contas fiscais do governo Dilma.

Quando estourou a crise mundial, em 2007/8, a reversão do fluxo de crédito pôs em xeque a ciranda grega e o déficit explodiu.

Imaginou-se inicialmente que ele seria de 10,5%.

Em 2010, verificou-se que era da ordem de 15%.

Trazê-lo à soleira dos 3% a ferro e fogo, como se fez, exigiu uma rendição incondicional de sucessivos partidos e governantes, até à vitória do "Syriza"  no último domingo.

A Grécia deixou de ser uma nação nos últimos seis anos.

Transformou-se no grande açougue-escola do neoliberalismo.

Praticou-se ali as mais variadas modalidades de cortes.

Poucos foram poupados dos talhos profundos para extrair libras de carne em sentido figurado e literal.

O arrocho derrubou o PIB em 25%, produziu 27% de desemprego, elevou em 40% os suicídios, cortou em 20% as aposentadorias.

Pacotes ortodoxos sucessivos transferiram à população –na forma de um esfarelamento de serviços, salários, privatizações e imposto indireto— o sacrifício de sanear décadas de ladroagem fiscal e covardia política.

Fica mais fácil entender a disposição ao risco assumida pelos eleitores no último domingo.

A principal promessa do "Syriza" não é apenas afrontar a "troika" e frau Merkel.

Mas, sim, como diz Varoufakis, resolver um passivo histórico que remonta à conciliação das elites na transição da ditadura para a democracia.

Ou seja, redistribuir a renda e sacrifícios até então determinados pela cleptocracia.

Soa inspirador?

Decididamente, o diagnóstico do ministro Varoufakis é diferente do que pensa seu congênere, Joaquim Levy, quando se grata de restaurar a saúde das contas públicas e devolver poder de investimento ao Estado.

Num tempo em que todo capital se comporta como capital estrangeiro, as operações offshore para ludibriar o fisco constituem o novo normal das elites e grandes corporações.

Ou alguém acha que o labiríntico passeio do dinheiro frio das empreiteiras no caso Petrobrás e no do metrô tucano foi montado apenas para esse fim?

Ou imagina que apenas elas estão envolvidas no submundo empresarial das triangulações em paraísos fiscais?

Ou, por distração, supõe que os bancos, justo eles, zeladores do dinheiro grosso, ficariam à margem das acrobacias da ‘elisão’ fiscal -- a sonegação untada com chantilly de legalidade?

Bradesco e Itaú-Unibanco, por exemplo.

Noticiou-se agora, economizaram R$ 200 milhões em impostos em 2008 e 2009.

Bastou registrarem parte de seus lucros no elegante e generoso Grão-Ducado de Luxemburgo, um dos mais atuantes paraísos fiscais europeus.

É apenas um caso em uma amostra de somente dois bancos.

Por que o glorioso jornalismo brasileiro não dedica a esse assunto o mesmo empenho investigativo –saudável, diga-se-- exibido em relação ao intercurso de corrupção e favorecimento entre políticos e grandes corporações?

Um pedaço da resposta talvez esteja no fato de que os cronistas também são personagens da trama que encobrem.

Exemplo recente?

A Receita brasileira concluiu, no ano passado,  que a gloriosa "Rede Globo" montou uma "intrincada engenharia" para sonegar impostos sobre os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

Um blog da mídia alternativa, o bravo "Cafezinho", escancarou o esquema e cobrou o DARF devido, da ordem de R$ 350 milhões [se atualizados e com as multas atingem um bilhão].

O que aconteceu até agora?

Nada.

Ou melhor: o braço mdiático da cleptocracia local multiplicou a campanha contra os ‘blogs sujos’. E reforçou a guerra aberta à regulação das comunicações no Brasil.

Longa vida ao ministro Varoufakis."


FONTE: escrito por Saul Leblon no seu editorial no site "Carta Maior"  (http://cartamaior.com.br/?/Editorial/A-gororoba-brasileira-e-o-juste-a-grega-/32738).