sábado, 31 de maio de 2014

O DESESPERO AÉCIO+CAMPOS+MÍDIA contra DILMA




A luta política no Brasil e as eleições


Por Assis Ribeiro

"As campanhas de Dilma e das oposições com Campos e Aécio já delimitaram os seus espaços com as declarações dos candidatos e seus assessores, que mais uma vez deixaram claro a dicotomia que divide os espaços da nossa política.

Essa divisão é fruto do sucesso acadêmico dos planos neoliberais da escola de Chicago e dos avanços obtidos no quesito social quando grandes nações se utilizaram do keynesianismo como forma de alavancar os seus desenvolvimentos a partir da inclusão e do modelo de Estado como agente da promoção (protetor e defensor) social e organizador da economia, tal como ocorreu no “New Deal” americano e com a política de “Bem Estar Social” dos países europeus.

Os que seguem o neoliberalismo se utilizam dos axiomas propostos como “eficiência dos mercados”, "austeridade", "Privatização", “disciplina de mercado”, “redução de despesas públicas”, “menos estado”.

Do outro lado estão os que defendem uma política de Estado forte como agente indutor e regulamentador da saúde social, política e econômica do país, realizando gastos com o social, geração de emprego, e com bancos públicos e empresas nacionais fortes.

O grande problema dos que abraçam os princípios neoliberais no Brasil é como adequá-los ao enorme sucesso das políticas de cunho keynesiano dos governos Lula/Dilma. Daí surge a tentativa da direita de procurar inventar um discurso social.

Impossível defender uma política que tem levado milhões ao desemprego na Europa atual contra as realizações [de 
Lula/Dilma] de aumento de salário mínimo e gastos públicos com o social dos últimos governos, que tirou da pobreza 40 milhões de pessoas desde 2003. Essa é a principal dificuldade que encontram Campos e Aécio: como definir um projeto político mais sedutor que as políticas dos governos do PT?

Os discursos de Campos e Aécio podem ser lógicos para o sistema que eles abraçaram, mas sem relação com a realidade do país e dos votos. Não se pode fazer um discurso vitorioso dentro dos princípios neoliberais que funcionam como se pessoas, pobreza e a miséria, não existissem e as necessidades sociais que demandam gastos públicos não fossem necessárias e imperiosas.

No Brasil, não cola o discurso de "subordinar a utilidade social aos interesses financeiros". Os apoios sociais e o aumento real de salário mínimo não podem ser considerados uma “concessão” e sim como um direito humano a ser perseguido por políticas de inclusão só possíveis de serem realizadas como um Estado forte. O que disseram Campos e Aécio de que “Ajustes fortes e dolorosos serão necessários” pode agradar a banca, mas é ruína para os votos.

A encruzilhada que se metem ao criticarem as políticas de inclusão e melhoria salarial do governo não permite uma alavancagem de votos. A política "de sacrifícios" e o discurso da “competitividade” como justificativa para "conter o aumento real do salário mínimo" ainda bastante baixo se tornam risíveis.

Ao contrário, as políticas de inclusão e de aumento do salário dos governos do PT se mostraram não só necessárias, mas possíveis de serem realizadas.

Por isso, os candidatos de oposição, Campos e Aécio, partem para a crítica, mas não são capazes de apresentar alternativas. Fazem um discurso social que se torna vazio pela impossibilidade de se unir o que o mercado quer com o que a população precisa.

O candidato Eduardo Campos chegou a fazer crer, exatamente ele que pretende ser o “novo”, que a “terceira via” faria unir os interesses desses dois polos. Um engodo.

Tal política não tem nada de novo e foi o que Tony Blair fez com a tentativa da junção da socialdemocracia com as ideias e políticas neoliberais hegemônicas desde a ascensão de Margaret Thatcher e Ronald Reagan. O seu substituto, Gordon Brown, também ideólogo da terceira via, acabou sofrendo uma das derrotas eleitorais mais arrasadoras da história do partido. A proposta foi engolida pelos princípios do neoliberalismo.

No Brasil, essa política foi tentada por Fernando Henrique Cardoso e igualmente engolida pelos princípios neoliberais, o resultado todos nós sabemos.

Sobre a “terceira via” a revista francesa "Nouvelle Observateur", assim a definiu: "prolongamento vagamente social da revolução thatcherista".

Esses são os dois lados da política e Eduardo Campos ficou perdido no meio tentando agradar ao mercado e ao social não percebendo que esse titubear já o fez prisioneiro do mesmo setor que Aécio abraça enquanto pelo outro lado navega Dilma".


FONTE: escrito por Assis Ribeiro no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/documento/a-luta-politica-no-brasil-e-as-eleicoes).

SOU SEM VERGONHA





Ao contrário de alguns, não sinto nenhuma vergonha de meu país

Por Marcelo Zero

"Ao contrário de alguns, não sinto nenhuma vergonha do meu país.
Não sinto vergonha dos 36 milhões de brasileiros que conseguiram sair daquilo que Gandhi chamava de a “pior forma de violência”, a miséria.

Agora, eles podem sonhar mais e fazer mais. Tornaram-se cidadãos mais livres e críticos. Isso é muito bom para eles e muito melhor para o Brasil, que fica mais justo e fortalecido. E isso é também muito bom para mim, embora eu não me beneficie diretamente desses programas. Me agrada viver em um país que hoje é um pouco mais justo do que era no passado.

Também não sinto vergonha dos 42 milhões de brasileiros que, nos últimos 10 anos, ascenderam à classe média, ou à nova classe trabalhadora, como queiram.

Eles dinamizaram o mercado de consumo de massa brasileiro e fortaleceram bastante a nossa economia. Graças a eles, o Brasil enfrenta, em condições bem melhores que no passado, a pior crise mundial desde 1929. Graças a eles, o Brasil está mais próspero, mais sólido e menos desigual. Ao contrário de alguns, não me ressinto dessa extraordinária ascensão social. Sinto-me feliz em tê-los ao meu lado nos aeroportos e em outros lugares antes reservados a uma pequena minoria. Sei que, com eles, o Brasil pode voar mais alto.

Não tenho vergonha nenhuma das obras da Copa, mesmo que algumas tenham atrasado.

Em sua maioria, são obras que apenas foram aceleradas pela Copa. São, na realidade, obras de mobilidade urbana e de aperfeiçoamento geral da infraestrutura que melhorarão a vida de milhões de brasileiros. Estive no aeroporto de Brasília e fiquei muito bem impressionado com os novos terminais e com a nova facilidade de acesso ao local. Mesmo os novos estádios, que não consumiram um centavo sequer do orçamento, impressionam. Lembro-me de velhos estádios imundos, inseguros, desconfortáveis e caindo aos pedaços. Me agrada saber que, agora, os torcedores vão ter a sua disposição estádios decentes. Acho que eles merecem. Me agrada ainda mais saber que tudo isso vem sendo construído com um gasto efetivo que representa somente uma pequena fração do que é investido em Saúde e Educação. Gostaria, é claro, que todas as obras do Brasil fossem muito bem planejadas e executadas. Que não houvesse aditivos, atrasos, superfaturamentos e goteiras. Prefiro, no entanto, ver o Brasil em obras que voltar ao passado do país que não tinha obras estruturantes, e tampouco perspectivas de melhorar.

Tranquiliza-me saber que o Brasil tem um sistema de saúde pública, ainda que falho e com grandes limitações. Já usei hospitais públicos e, mesmo com todas as deficiências do atendimento, sai de lá curado e sem ter gasto um centavo. Centenas de milhares de brasileiros fazem a mesma coisa todos os anos. 

Cerca de 50 milhões de norte-americanos, habitantes da maior economia do planeta e que não têm plano de saúde, não podem fazer a mesma coisa, pois lá não há saúde pública. Obama, a muito custo, está encontrando uma solução para essa vergonha. Gostaria, é óbvio, que o SUS fosse igual ao sistema de saúde pública da França ou de Cuba. Porém, sinto muito orgulho do "Mais Médicos", um programa que vem levando atendimento básico à saúde a milhões de brasileiros que vivem em regiões pobres e muito isoladas. Sinto alívio em saber que, na hora da dor e da doença, agora eles vão ter a quem recorrer. Sinto orgulho, mas muito orgulho mesmo, desses médicos que colocam a solidariedade acima da mercantilização da medicina.

Estou também muito orgulhoso de programas como o Prouni, o Reuni, o Fies, o Enem e os das cotas, que estão abrindo as portas das universidades para os mais pobres, os afrodescendentes e os egressos da escola pública.

Tenho uma sobrinha extremamente talentosa que mora no EUA e que conseguiu a façanha de ser aceita, com facilidade, nas três melhores universidades daquele país. Mas ela vai ter de estudar numa universidade de segunda linha, pois a família, muito afetada pela recessão, não tem condição de pagar os custos escorchantes de uma universidade de ponta. Acho isso uma vergonha.

Não quero isso para o meu país. Alfabetizei-me e fiz minha graduação e meu mestrado em instituições públicas brasileiras. Quero que todos os brasileiros possam ter as oportunidades que eu tive. Por isso, aplaudo a duplicação das vagas nas universidades federais, a triplicação do número de institutos e escolas técnicas, o Pronatec, o maior programa de ensino profissionalizante do país, o programa de creches e pré-escolas e o "Ciência Sem Fronteiras". Gostaria, é claro, que a nossa educação pública já fosse igual à da Finlândia, mas reconheço que esses programas estão, aos poucos, construindo um sistema de educação universal e de qualidade.

Tenho imenso orgulho da Petrobras, a maior e mais bem-sucedida empresa brasileira, que agora é vergonhosamente atacada por motivos eleitoreiros e pelos interesses daqueles que querem botar a mão no pré-sal. Nos últimos 10 anos, a Petrobras, que fora muito fragilizada e ameaçada de privatização, se fortaleceu bastante, passando de um valor de cerca de R$ 30 bilhões para R$ 184 bilhões. Não bastasse, descobriu o pré-sal, nosso passaporte para o futuro. Isso seria motivo de orgulho para qualquer empresa e para qualquer país. 

Orgulha ainda mais, porém, o fato de que agora, ao contrário do que acontecia no passado, a Petrobras dinamiza a indústria naval e toda a cadeia de petróleo, demandando bens e serviços no Brasil e gerando emprego e renda aqui; não em Cingapura. Vergonha era a Petrobrax. Pasadena pode ter sido um erro de cálculo, mas a Petrobrax era um crime premeditado.

Vejo, com satisfação, que hoje a Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU e outros órgãos de controle estão bastante fortalecidos e atuam com muita desenvoltura contra a corrupção e outros desmandos administrativos. 

Sei que hoje posso, com base na "Lei da Transparência", demandar qualquer informação a todo órgão público. Isso me faz sentir mais cidadão. Estamos já muito longe da vergonha dos tempos do “engavetador-geral”. Um tempo constrangedor e opaco em que se engavetavam milhares processos e não se investigava nada de significativo.
Também já se foram os idos vergonhosos em que tínhamos que mendigar dinheiro ao FMI, o qual nos impunha um receituário indigesto que aumentava o desemprego e diminuía salários. Hoje, somos credores do FMI e um país muito respeitado e cortejado em nível mundial. E nenhum representante nosso se submete mais à humilhação de ficar tirando sapatos em aeroportos. Sinto orgulho deste país mais forte e soberano.

Um país que, mesmo em meio à pior recessão mundial desde 1929, consegue alcançar as suas menores taxas de desemprego, aumentar o salário mínimo em 72% e prosseguir firme na redução de suas desigualdades e na eliminação da pobreza extrema. Sinto alegria com esse Brasil que não mais sacrifica seus trabalhadores para combater as crises econômicas.

Acho que não dá para deixar de se orgulhar deste novo país mais justo igualitário e forte que está surgindo. Não é ainda o país dos meus sonhos, nem o país dos sonhos de ninguém. Mas já é um país que nos permite sonhar com dias bem melhores para todos os brasileiros. Um país que está no rumo correto do desenvolvimento com distribuição de renda e eliminação da pobreza. Um país que não quer mais a volta dos pesadelos do passado.

Este novo país mal começou. Sei bem que ainda há muito por que se indignar no Brasil.

E é bom manter essa chama da indignação acessa. Foi ela que nos trouxe até aqui e é ela que nos vai levar a tempos bem melhores. Enquanto houver um só brasileiro injustiçado e tolhido em seus direitos, todos temos de nos indignar.

Mas sentir vergonha do próprio país, nunca. Isso é coisa de gente sem-vergonha".

FONTE: escrito por Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB. Publicado na
revista ISTOÉ por Paulo Moreira Leite, diretor da Sucursal da revista em Brasília  (http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE) 

OS ÓRFÃOS DE JOAQUIM BARBOSA




Os órfãos de Joaquim Barbosa

Órfão da toga justiceira, Aécio Neves tenta vestir uma fantasia de "justiceiro social", esgarçada pela estreiteza dos interesses que representa.

Por Saul Leblon 

Joaquim Barbosa deixa a cena política como um farrapo do personagem desfrutável que se ofereceu um dia ao conservadorismo brasileiro.
Na verdade, não era mais funcional ter a legenda política associada a ele.

Sua permanência à frente do STF tornara-se insustentável.

Vinte e quatro horas antes de comunicar a aposentadoria, já era identificado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como um fator de insegurança jurídica para o país.

A OAB o rechaçava.

O mundo jurídico manifestava constrangimento diante da incontinência autoritária.

A colérica desenvoltura com que transgredia a fronteira que separa o sentimento de vingança e ódio da ideia de justiça, inquietava os grandes nomes do Direito.

Havia um déspota sob a toga que presidia a Suprema Corte do país.

E ele não hesitava em implodir o alicerce da equidistância republicana que confere à Justiça o consentimento legal, a distingui-la dos linchamentos falangistas.

O obscurantismo vira ali, originalmente, o cavalo receptivo a um enxerto capaz de atalhar o acesso a um poder que sistematicamente lhe fora negado pelas urnas.

Barbosa retribuía a ração de holofotes e bajulações mercadejando ações cuidadosamente dirigidas ao desfrute da propaganda conservadora.

Na indisfarçada perseguição a José Dirceu, atropelou decisão de seus pares pondo em risco um sistema prisional em que 77 mil sentenciados desfrutam o mesmo semiaberto subtraído ao ex-ministro.

Desde o início do julgamento da AP 470 deixaria nítido o propósito de atropelar o rito, as provas e os autos, em sintonia escabrosa com a sofreguidão midiática.

Seu desabusado comportamento exalava o enfado de quem já havia sentenciado os réus à revelia dos autos, como se viu depois, sendo-lhe maçante e ostensivamente desagradável submeter-se aos procedimentos do Estado de Direito.

O artificioso recurso do "domínio do fato", evocado como uma "autorização para condenar sem provas", sintetizou a marca nodosa de sua relatoria.

A expedição de mandatos de prisão no dia da República, e no afogadilho de servir à grade da TV Globo, atestaria a natureza viciosa de todo o enredo.

A exceção inscrita no julgamento reafirmava-se na execução despótica de sentenças sob o comando atrabiliário de quem não hesitaria em colocar vidas em risco.

O que contava era servir-se da lei. E não servir à lei.

A mídia isenta esponjava-se entre o incentivo e a cumplicidade.

Em nome de um igualitarismo descendente que, finalmente, nivelaria pobres e ricos no sistema prisional, inoculava na opinião pública o vírus da renúncia à civilização em nome da convergência pela barbárie.

A aposentadoria de Barbosa não apaga essa nódoa.

Ela continuará a manchar o Estado de Direito enquanto não for reparado o arbítrio a que tem sido submetidas lideranças da esquerda brasileira, punidas não pelo endosso, admitido, e reprovável, à prática do caixa 2 eleitoral.

Igual e precedente infração cometida pelo PSDB, e relegada pela toga biliosa, escancara o prioritário sentido da AP 470: gerar troféus de caça a serem execrados em trunfo no palanque conservador.

A liquefação jurídica e moral de Joaquim Barbosa nos últimos meses tornou essa estratégia anacrônica e perigosa.

A toga biliosa assumiu, crescentemente, contornos de um coronel Kurtz, o personagem de Marlon Brando, em "Apocalypse Now", que se desgarrou do exército americano no Vietnã para criar a sua própria guerra dentro da guerra.

Na guerra pelo poder, Barbosa lutava a batalha do dia anterior.

Cada vez mais, a disputa eleitoral em curso no país é ditada pelas escolhas que a transição do desenvolvimento impõe à economia, à sociedade e à democracia.

A luta se dá em campo aberto.

Arrocho ou democracia social desenham uma encruzilhada de nitidez crescente aos olhos da população.

A demonização do ‘petismo’ não é mais suficiente para sustentar os interesses conservadores na travessia de ciclo que se anuncia.

Aécio Neves corre contra o tempo para recadastrar seu apelo no vazio deixado pela esgotamento da judicialização da política.

Enfrenta dificuldades.

Não faz um mês, os centuriões do arrocho fiscal que o assessoram –e a mídia que os repercute-- saíram de faca na boca após o discurso da Presidenta Dilma, na véspera do 1º de Maio.

Criticavam acidamente o reajuste de 10% aplicado ao benefício do Bolsa Família.

No dia seguinte, numa feira de gado em Uberaba, MG, o tucano ‘não quis assumir o compromisso de aumentar os repasses, caso seja eleito’, noticiou a "Folha de SP" (02-05).

De mim, você jamais ouvirá uma irresponsabilidade de eu assumir qualquer compromisso antes de conhecer os números, antes de reconhecer a realidade do caixa do governo federal", afirmou Aécio à "Folha", na tarde daquela sexta-feira.

Vinte e seis dias depois, o mesmo personagem, algo maleável, digamos assim, fez aprovar, na 3ª feira, na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, uma medida que exclui limites de renda e tempo para a permanência de famílias pobres no programa.

A proposta implica dispêndio adicional que o presidenciável recusava assumir há três semanas.

Que lógica, afinal, move as relações do candidato com o Bolsa Família?

A mesma de seu partido, cuja trajetória naufragou na dificuldade histórica do conservadorismo em lidar com a questão social no país.

Órfão da toga justiceira, Aécio Neves tenta vestir uma inverossímil fantasia de justiceiro social, desde logo esgarçada pela estreiteza dos interesses que representa.

A farsa corre o risco de evidenciar seus limites tão rapidamente quanto a anterior.

A ver."

FONTE: escrito por Saul Leblon em seu editorial no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Os-orfaos-de-Joaquim-Barbosa/31046).

COPA DO MUNDO DOS OUTROS É MELHOR?




Copa do Mundo - festa de arromba dos outros?

"Obras de mobilidade inacabadas, denúncias de corrupção, soluções de segurança de última hora e decepção inicial com os legados não são exclusividades brasileiras.

Por Paulo Vasconcellos

A festa do vizinho sempre parece melhor até quando se trata de Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos. A África do Sul, em 2010, e a Olimpíada de Londres, em 2012, não foram nenhum primor de organização, mas poucos lembram disso para amenizar os equívocos do mundial do Brasil. Obras de mobilidade inacabadas, denúncias de corrupção, soluções de segurança de última hora, frustração com o número de turistas e decepção com os legados não são exclusividades brasileiras.

A boa nova é que o Reino Unido registrou um crescimento de 10% no fluxo turístico um ano depois dos jogos e espera chegar à marca de 40 milhões de visitantes estrangeiros por ano até 2020. Os sul-africanos de algumas cidades comemoram um sistema de transporte mais rápido e taxa de crescimento da economia este ano de 5,3%, de acordo com previsão do Fundo Monetário Nacional (FMI), em parte por conta do Plano Nacional de Infraestrutura lançado no rastro da Copa do Mundo com 18 projetos estratégicos e investimentos de US$ 83 bilhões direcionados aos 23 distritos mais pobres do país e que vão beneficiar 19 milhões de pessoas.

Nada disso aconteceu sem percalços. A África do Sul, que gastou US$ 8 bilhões, se frustrou com o retorno da competição para o turismo e a geração de emprego. A organização do mundial enfrentou denúncias de corrupção. As obras do trem que liga os 35 quilômetros do centro de Joanesburgo ao Aeroporto Internacional OR Tambo em apenas 15 minutos só ficaram prontas depois que o mundial acabou.

Durante a competição, turistas e sul-africanos tiveram que suportar muita poeira nos olhos. O sistema chegou ainda à Pretoria, Porto Elizabeth e Cidade do Cabo, que ganhou também 300 novos ônibus. Durban ganhou novas estações de trem. Mas a taxa de desemprego se manteve alta e o país voltou a enfrentar conflitos sangrentos entre policiais e trabalhadores das minas de platina. O crescimento médio do PIB também patinou logo depois do mundial e chegou a ficar em 2,6% ao ano – ainda assim maior do que quase todas as outras economias do mundo, noves fora a China.

O legado mais próximo do fracasso parece ser o dos estádios. O Cape Town Stadium, construído na Cidade do Cabo por US$ 600 milhões em dinheiro público e capacidade para 55 mil pessoas, virou um rombo nos cofres da administração municipal mesmo com shows de Lady Gaga, U2 e Justin Bieber. O prejuízo chegava a US$ 5 milhões por ano. O Green Point Stadium, com capacidade para 66.005 pessoas, custou cerca de US$ 600 milhões e, apesar de a cidade ter dois times de futebol e uma das equipes de rugby mais famosas do país, quase nunca recebe jogos. Só o custo de manutenção é de R$ 10,5 milhões por ano. Em Porto Elizabeth é pior. No Nelson Mandela Bay Stadium nem as traves sobreviveram ao abandono.

Para o Reino Unido, restou mais do que os feitos de Usain Bolt nas pistas e de Michael Phelps nas piscinas. Antes parecia uma festa de arromba. A vinte dias dos jogos, o governo britânico botou 20 mil homens das forças armadas nas ruas às pressas para fazer a segurança porque a empresa contratada em licitação se declarou incompetente para o trabalho depois de denúncias de corrupção. As autoridades ainda tiveram que apelar ao espírito cívico dos ingleses para que usassem menos a internet e não provocassem um congestionamento nas comunicações.

Quatro jornalistas da CBN, emissora do Sistema Globo de Rádio que desanca a organização do mundial do Brasil, testaram os trasportes para chegar ao Estádio Olímpico na abertura. O que foi de metrô levou 56 minutos, o que usou bicicleta gastou quase uma hora e meia, aquele que pretendia ir de táxi nem saiu do lugar e o escalado para chegar de ônibus ainda esperava no ponto uma hora depois. Quem precisou voltar para casa ou para o hotel depois da cerimônia encontrou estações de metrô fechadas por causa do pico de passageiros. Manifestantes foram às ruas contra os gastos da competição e a remoção de um bairro inteiro na zona leste da cidade para a construção da infraestrutura esportiva. As arquibancadas apareciam vazias nos primeiros dias da competição. Os jornais chegaram a estampar manchetes dizendo que Londres se tornara uma cidade fantasma porque os turistas não tinham aparecido e os londrinos tinham saído da capital inglesa para evitar a confusão.

Nada como um ano depois do outro. Em 2013, o país recebeu 33 milhões de turistas. Foram 30.798 milhões, em 2011, e 31.084 milhões, no ano da olimpíada. Os visitantes deixaram 21 bilhões de libras esterlinas – o equivalente a R$ 78,5 bilhões – para a economia britânica. Por trás de todos os esforços para garantir o sucesso dos Jogos Olímpicos de Londres, prevaleceu uma estratégia política de turismo prioritária: mudar a imagem excessivamente reservada dos britânicos. Foram sete anos de planejamento e marketing para que os ingleses aprendessem a se tornar mais receptivos.

"Os Jogos Olímpicos foram uma grande plataforma de comunicação", afirma Samuel Lloyd, diretor do "VisitBritain" para a América Latina, a agência nacional britânica que participou da coordenação do evento. A plataforma de comunicação para a Copa do Mundo do Brasil prevê três bilhões de espectadores em todo o planeta bombardeados durante mais de um mês com 73 mil horas de transmissão do país pelo rádio e pela televisão – sem contar as redes sociais. E nem precisa mudar o jeitinho brasileiro".


FONTE: escrito por Paulo Vasconcellos no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Copa-do-Mundo-festa-de-arromba-dos-outros-/4/31032).

UMA TRÉGUA PARA A COPA


Ônibus transportando a Seleção, bloqueado por manifestantes


Por RIBAMAR FONSECA

"Ninguém aguenta mais os transtornos que esses manifestantes, sob o pretexto de reivindicar melhorias para suas categorias profissionais, causam à população, especialmente nos transportes.

Com a aproximação da Copa, a chamada Grande Imprensa, ao que parece, resolveu dar uma trégua na campanha sistemática contra o governo. Percebe-se que o noticiário atual se mostra menos agressivo e mais isento, sem o deliberado exagero nas tintas contra o Palácio do Planalto, o que evidencia uma mudança de comportamento que, ao que tudo indica, deve manter-se pelo menos enquanto durar a Copa. Aparentemente, os jornalões se conscientizaram da importância da sua participação no sucesso do evento e, portanto, da necessidade de união em torno dele, pois o que está em jogo não é o governo, mas o próprio país. Afinal, o fracasso da Copa só interessa aos outros, não a nós, brasileiros.

Ainda recentemente, a "Folha de São Paulo", um dos mais cáusticos críticos do governo da presidenta Dilma Rousseff, publicou reportagem demonstrando que, ao contrário do que pregam os manifestantes, o investimento na Copa foi ínfimo, se comparado aos investimentos na Educação e Saúde. Por outro lado, a Grande Mídia já não dá tanto espaço para a cobertura das manifestações contra o evento, onde se mistura reivindicações legítimas com bandeiras políticas, o que vem contribuindo para esvaziar esse tolo movimento. Apenas o deputado Paulinho da Força, provavelmente levado por seus projetos políticos, fica fazendo ameaças impatrióticas e imbecis sobre uma "enxurrada de greves", como se ele fosse o dono dos trabalhadores, transformados por ele em massa de manobra política.

Enquanto meia dúzia de irresponsáveis incentivam as manifestações contra a realização da Copa, por má fé ou por entender que tais movimentos possam contribuir para derrubar o atual governo – inclusive com aquela bobagem de "padrão Fifa" – a maioria dos brasileiros apóia o evento esportivo e condena esses protestos tolos, como aqueles à chegada dos jogadores da Seleção na Granja Comary. Ninguém aguenta mais os transtornos que esses manifestantes, sob o pretexto de reivindicar melhorias para suas categorias profissionais, causam à população, especialmente nos transportes. A propósito, um grupo de mais de 200 pessoas do meio acadêmico lançou um manifesto, através da Internet, pedindo o fim dos protestos que provocam um caos no trânsito das grandes cidades e, também, providências das autoridades para garantir os direitos dos demais cidadãos. "Não podemos aceitar a ditadura de uma minoria", disseram.

Os famosos, por sua vez, que embarcaram nessa onda burra criticando a realização da Copa, incluindo alguns jogadores, deveriam igualmente empenhar-se em contribuir para o sucesso da competição mundial, o que não significa que devam abrir mão de suas convicções políticas. Depois da Copa, devem reassumir naturalmente suas posições políticas, defendendo os candidatos da sua preferência ou criticando aqueles que antipatizam, mas enquanto durar o evento é de fundamental importância – e patriótico – que se unam em favor do campeonato, pois o mundo inteiro estará de olho no Brasil e atento a tudo o que aqui acontece. Os imbecis que pretendem tumultuar as cidades em dias de jogos ainda não se deram conta de que estarão fazendo mal a si mesmo e não ao governo, pois os prejuízos daí decorrentes atingirão a todos. Portanto, melhor que deixem para fazer suas reivindicações, legítimas ou não, após a Copa.

Faz-se imperioso, afinal, entender que a Copa do Mundo de Futebol não é um evento político – e muito menos de propaganda do PT ou de qualquer outro partido – mas um acontecimento esportivo de importância mundial, que mexe com todos os povos, os quais, além de assistir aos jogos pessoalmente ou pela TV, estarão interessados em tudo o que diz respeito ao Brasil, que ficará na vitrine do planeta. Independentemente das respostas econômicas imediatas com o incremento do turismo, a boa impressão que o país causar ao resto do mundo certamente terá reflexos no futuro, com o aumento das oportunidades de investimentos de moedas estrangeiras. E isso significará mais oportunidades de emprego.

A chamada Grande Imprensa parece que finalmente compreendeu que, mais importante do que derrotar o PT, pelo menos por enquanto nestes dias do evento esportivo, o melhor é dar a sua valiosa contribuição para o sucesso da Copa e, consequentemente, do próprio país. Passada a competição ela, a mídia, obviamente retomará seus ataques ao governo – assim como os famosos que fizeram recentes declarações de voto – mas até o jogo final da competição todos deverão segurar seus ódios e paixões e unir forças em torno do sucesso do evento. Afinal, para ser patriota e amar o seu país ninguém precisa ter cor partidária ou convicções políticas."

FONTE: escrito por Ribamar Fonseca e publicado no jornal on line "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/141783/Uma-tr%C3%A9gua-para-a-Copa.htm).

BRASIL JÁ GANHOU A COPA NA QUESTÃO AMBIENTAL




Brasil supera em 50% compensação de emissões diretas por causa da Copa do Mundo

"O país recebeu doação equivalente a 115 mil toneladas em créditos de carbono – as emissões diretas estão estimadas em 60 mil toneladas. Os números foram divulgados em coletiva de imprensa com os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; Esporte, Aldo Rebelo; Turismo, Vinícius Lages; Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e a representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no Brasil, Denise Hamú, na terça-feira (27.05), em Brasília.

É a primeira vez que se faz 100% da mitigação das emissões diretas. A Copa do Mundo já vai começar totalmente compensada, do ponto de vista das emissões diretas. Além da inclusão de produtos orgânicos, da questão de resíduos sólidos e da certificação de todas as arenas. É a primeira vez que se faz uma Copa do Mundo com essa envergadura de medidas de sustentabilidade”, destacou a ministra Izabella Teixeira.

O governo federal elaborou um inventário que projeta que 1,4 milhão de toneladas de carbono sejam lançados na atmosfera de forma direta (hospedagem, voos nacionais, obras, operações, deslocamentos previstos de turistas e profissionais) e indireta (voos internacionais e roteiros de turistas além do trajeto entre aeroporto, arena e hotel).

A agenda se divide em cinco grandes projetos, que dialogam e foram construídos em conjunto pelos ministérios: Certificação e gestão sustentável das arenas; Campanha Brasil Orgânico; Campanha Passaporte Verde; Mitigação e compensação de emissões; Resíduos e reciclagem.

O Ministério do Meio Ambiente lançou, em abril de 2014, a "Iniciativa Baixo Carbono na Copa", que conta com uma chamada pública às empresas brasileiras para doarem créditos de carbono para a compensação das emissões geradas pela realização do Mundial. Até o final do ano, as companhias que aderirem à ação receberão o "Selo Baixo Carbono" fornecido pelo MMA. Até agora, quatro companhias aderiram à chamada e contribuíram com "Reduções Certificadas de Emissões" (RCE) provenientes de projetos capazes de neutralizar gases de efeito estufa.


Inovação

Pela primeira vez na história, uma Copa do Mundo terá todas as arenas certificadas ambientalmente. Esse foi um requisito para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberasse financiamento para as obras. A exigência, inclusive, será adotada pela FIFA para as próximas edições do Mundial.

O Brasil tem uma enorme responsabilidade na questão ambiental. Temos sedes em todos os nossos biomas e o governo brasileiro assumiu, por iniciativa voluntária, a exigência do cumprimento de medidas sustentáveis para a construção dos estádios. O Brasil é pioneiro em propor e adotar esse tipo de certificação em Copas”, afirmou Teixeira.

Os 12 estádios preencheram os requisitos para conseguir o selo verde e dois deles receberam a certificação LEED: o Castelão, em Fortaleza, e a Fonte Nova, em Salvador. Outros seis palcos devem receber o selo antes do Mundial – Arena da Amazônia, Estádio Nacional Mané Garrincha, Mineirão, Arena da Baixada, Maracanã e Arena Pernambuco. Os demais estão com o processo em tramitação no "Green Building Council" e devem receber a certificação até o fim do ano.

Passaporte Verde

O objetivo é que campanhas como o "Passaporte Verde" auxiliem a mitigar a emissão dos gases de efeito estufa também após a Copa do Mundo. A ação divulga e estimula roteiros de turismo sustentável, além do consumo e produção ambientalmente conscientes. “Teremos ideia da quantidade mitigada com o Passaporte Verde após o Mundial, porque vamos rastrear os roteiros dos turistas para compensar as emissões indiretas. Do ponto de vista formal, o compromisso do Brasil era mitigar as emissões diretas ligadas à estrutura da Copa, mas, vamos além”, completou Teixeira.

A campanha passou a ser uma plataforma de comunicação em consumo e produção sustentáveis, com portal interativo, aplicativo móvel e presença nas mídias sociais. Entre os destaques estão:

Roteiros Passaporte Verde – sessenta opções de passeios, a partir de cada uma das 12 cidades-sede, que estimulam o viajante a optar por práticas responsáveis;

Jornadas da Sustentabilidade – workshop de engajamento em práticas de ecoeficiência para hotéis, bares e restaurantes que será realizado nas cidades-sede e que vão gerar materiais para serem distribuídos pela internet;

Compromisso Passaporte Verde – uma ferramenta on-line na qual estabelecimentos poderão se engajar com boas práticas de produção e serviços, por meio de uma auto-avaliação para conhecer o nível de sustentabilidade do seu estabelecimento. Ao aderir ao Passaporte Verde, os estabelecimentos ficam disponíveis para consultas online dos consumidores via hotsite e aplicativo".

FONTE: Portal da Copa" http://blog.planalto.gov.br/brasil-supera-em-50-compensacao-de-emissoes-diretas-por-causa-da-copa-do-mundo/

O ACORDO DE ALCÂNTARA COM OS EUA E A DIPLOMACIA DA SABUJICE




O acordo de Alcântara e a diplomacia da sabujice

A diplomacia da sabujice contra-ataca

Por Roberto Amaral, na revista "
Carta Capital"

"O Acordo firmado entre o governo FHC e os EUA para a cessão de parte do território de Alcântara só se assina de cócoras.

Às vezes, pequenos gestos, ou gestos aparentemente pequenos, são a medida de grandes políticas, em cujo rol incluo a política externa independente estabelecida a partir do primeiro dia do governo Lula. Ela remonta às formulações de Afonso Arinos e San Tiago Dantas, continuadas por Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Araújo Castro. 

Dela, uma de suas fundamentais iniciativas foi o defenestramento de Washington (é só um exemplo de outras remoções necessárias aos interesses nacionais) do embaixador brasileiro que lá se encontrou a serviço da subserviência. Serviço que prestava, ressalte-se, gratuitamente, por pura sabujice e satisfação interna, assim como age todo colonizado em frente ao seu senhor colonizador, máxime quando todo poderoso. 

Franz Fanon – leitura reatualizada como neocolonialismo– trabalhou muito bem essa categoria de dominado que assume por prazer a ideologia (donde o discurso) do dominante, reproduzindo-o como passiva correia de transmissão. Aliás, esses pobres diabos não reconhecem seu próprio papel ideológico, e, como se não soubessem o que é ideologia, classificam como ideológico tudo aquilo que não segue o catecismo no qual aprenderam os mandamentos do servilismo. Para eles, por exemplo, toda ação de defesa dos interesses do país – o nacionalismo, vá lá— é carregada por uma pulsão "ideológica", e a única formulação ideológica que conhece é a do esquerdismo. O entreguismo, não. Esse é puro sentimento ou ciência.

Antigos embaixadores de carreira, particularmente os que andaram por Washington, Londres, Paris e Berlim, que serviram com denodo à lastimável política externa de FHC/PSDB-DEM, aproveitam-se da aposentadoria merecida para, na imprensa que lhes abre espaços generosos, combater os interesses nacionais, a pretexto de fazerem oposição à atual política externa brasileira por eles estigmatizada como "ideológica", e ideologia cai no dicionário dos adjetivos pejorativos. Como se a própria crítica não fosse uma ideologia a serviço de um interesse.

Em espaço latifundiário num grande jornal paulista, o candidato a ministro das Relações Exteriores em eventual governo do ex-governador mineiro (o que é em si uma ameaça), reclama da recusa do Congresso Nacional em ratificar o Acordo firmado entre o governo FHC e os EUA para a cessão de parte da soberania brasileira sobre o território de Alcântara, no Maranhão, para a instalação de uma base de lançamentos de foguetes. Acusa o governo Lula de haver agido por ‘razões ideológicas’. Ora, o ex-embaixador, convenientemente, esquece-se de dizer que a ratificação do Acordo fora rejeitada por 23 dos 25 integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em rara demonstração de convergência suprapartidária naquela Casa, fundamentada em primoroso voto do então deputado Waldir Pires.

O ex-embaixador, que, aliás, e por coerência, preside a "Câmara de Comércio Brasil-EUA", não se dá ao trabalho de explicar que sorte de acordo era esse firmado por FHC. Para suprir sua omissão, informemos algumas de suas características, negadas aos seus leitores. Vejamos.

O acordo leonino previa:

-- a possibilidade de veto político (sem necessidade de justificativa) dos EUA a lançamentos, brasileiros ou não, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, empreendimento brasileiro em território brasileiro, hoje uma base da Força Aérea Brasileira (art.III, A); 
-- proibia nosso país de cooperar (entenda-se como tal aceitar ingresso de equipamentos, tecnologias, mão-de-obra ou recursos financeiros) com países não membros do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis –Missile Techonology Control Regime-MTCR (art. III, B); 
-- proibia o Brasil de incorporar ao seu patrimônio ‘quaisquer equipamento ou tecnologia que tenham sido importados para apoiar Atividades de Lançamento’ (art. III, C); 
-- proibia o Brasil de utilizar recursos decorrentes dos lançamentos no desenvolvimento de seus próprios lançadores (artigo III, E); 
-- obrigava o Brasil a assinar novos acordos de salvaguardas com outros países, de modo a obstaculizar a cooperação tecnológica (art.III, F); 
-- proibia os participantes norte-americanos de prestarem qualquer assistência aos representantes brasileiros no concernente ao projeto, desenvolvimento, produção, operação, manutenção, modificação, aprimoramento, modernização ou reparo de Veículos de Lançamento, Espaçonaves e/ou Equipamentos Afins (art. V, 1); 
-- concedia a pessoas indicadas pelo governo dos EUA a exclusividade do controle, vinte e quatro horas por dia, do acesso a Veículos de Lançamento, Espaçonaves, Equipamentos Afins, dados Técnicos e ainda o acesso às áreas restritas referidas no artigo IV, parágrafo 3, bem como do transporte de equipamentos/componentes, construção/instalação, conexão/desconexão, teste e verificação, preparação para lançamento, lançamento de Veículos de Lançamento/Espaçonaves, e do retorno dos equipamentos e dos dados Técnicos (art.VI, 2); 
-- negava aos brasileiros e fazia concessão exclusiva aos servidores dos EUA do livre acesso, a qualquer tempo, ao Centro de Lançamento para inspecionar Veículos etc. (art.VI, 3); 
-- exigia do governo brasileiro a garantia de que todos os representantes brasileiros portariam, de forma visível, crachás de identificação enquanto estiverem cumprindo atribuições relacionadas com Atividades de Lançamento; referidos crachás, porém, seriam emitidos unicamente pelo governo dos EUA, ou por Licenciados Norte-Americanos (art. VI, 5).

Esse é um típico acordo de lesa-pátria que só se assina de cócoras e só pode sentir-se bem em firmá-lo um governo cujo chanceler se dispôs a tirar os sapatos para ingressar no sagrado solo dos EUA.

Tenho a honra de, como Ministro da Ciência e Tecnologia, na digna companhia dos ministros Celso Amorim (Itamaraty) e José Viegas (Defesa), haver solicitado ao governo da República a retirada desse acordo do Congresso. O objetivo era cuidar da soberania nacional, nosso dever funcional que não alcança determinados embaixadores, e assegurar, no futuro, a possibilidade de o Brasil possuir um Programa Espacial Autônomo. Projeto ao qual, claramente, sem tergiversações, sempre se opuseram e se opõem os EUA. Assim, já no distante 1997 -- trata-se apenas de um exemplo, um em cem--, nos primórdios do Projeto Cyclone-IV, decorrente do acordo Brasil-Ucrânia (que o embaixador malsina simplesmente porque ele inviabilizou ou atrasou o acordo com os EUA), a FIAT-Avio, que dele participava, desligou-se ao ser notificada de que os EUA não viam com bons olhos o programa espacial brasileiro. (‘Para que os brasileiros querem ter um programa espacial próprio se podem comprar nossos serviços de lançamento?’). Quando da homologação pelo Congresso brasileiro do Acordo com o Brasil, a Ucrânia foi informada de que os EUA não ofereciam óbices à cooperação, ‘mas continuavam entendendo que o Brasil não deveria ter programa espacial próprio’. (Tenho cópia desse documento.) E enquanto não tem, depende dos lançadores e dos satélites dos EUA e da China. O Brasil despende, por lançamento realizado em sitio de terceiros, algo entre 25 e 50 milhões de dólares.

Nosso atual programa compreende satélites lançados lá fora: dos EUA – um satélite pequeno, mas cujo lançamento nos custou 100 milhões de reais -; a classe dos CBERS – satélites construídos por Brasil e China, mas lançados da China, com seu veículo Longa Marcha - ; e outros, fabricados para nós no Canadá, ainda nos EUA e na França, e lançados todos da base de Kourou, na Guiana Francesa.

O acordo rejeitado era, e é só e tão só, um instrumento a mais, que se associava às pressões diplomáticas desde cedo levadas a cabo, pois, como todo mundo sabe, sabem até as esculturas de Bruno Giorgio que embelezam os jardins do Itamaraty, os EUA possuem vários centros de lançamentos e não carecem do nosso. Seu objetivo era, e é simplesmente, inviabilizar nosso projeto de desenvolvimento autônomo, ou fazer com que o Centro de Lançamentos de Alcântara, uma vez construído, não fosse nosso, mas deles, ou que, na última das hipóteses, estivesse sob seu absoluto controle.

Esse é o cerne da questão. As distorções ideológicas ficam por conta do embaixador amuado pela perda do posto."


FONTE: escrito por Roberto Amaral, na revista "Carta Capital"  (http://jornalggn.com.br/noticia/o-acordo-de-alcantara-e-a-diplomacia-da-sabujice).

COMPLEMENTAÇÃO DESTE BLOG 'democracia&política':

[O artigo acima, do ex-Ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, está perfeito. Contudo, tenho algumas informações a acrescentar. Sim, o Brasil se livrou do repulsivo Acordo com os EUA concordado pelo governo FHC/PSDB-DEM (felizmente, por mérito daqueles que reagiram, não veio a ser aprovado pelo Congresso). Porém, com o posterior acordo com a Ucrânia (Cyclone-4), o Brasil avançou pouco, concordou com cláusulas humilhantes, e ainda está muito longe do desejável


Este blog ‘democracia&política’ já se manifestou em outras postagens que vê muitos inconvenientes e a necessidade de radicais modificações no projeto Cyclone-4 da binacional "Alcântara Cyclone Space" (ACS) para que ele seja minimamente útil para o Brasil. 

A Ucrânia tem forte interesse em viabilizar seus lançamentos em Alcântara [no CLA] com o seu foguete Cyclone-4, dentro do projeto da empresa binacional (Brasil-Ucrânia) "Alcântara Cyclone Space" (ACS). A razão: ela [Ucrânia] ficou sem bases de lançamento quando se separou, nos anos 90, da ex-URSS.

Além disso, a Ucrânia é muitíssimo mais beneficiada nesse projeto ACS nos aspectos econômico, tecnológico e industrial, em grave detrimento da parte brasileira da empresa binacional.

Já no início do projeto, para participar dele, o Brasil, estranhamente, assinou com a Ucrânia o “Acordo de Salvaguardas” que é, praticamente, cópia do mesmo humilhante, inaceitável e draconiano acordo Brasil-EUA de 2000 (que os EUA até hoje exigem do Brasil para aqui lançar seus satélites, mesmo que pelos foguetes ucranianos Cyclone-4). Certamente, a Ucrânia também sofria fortes pressões dos EUA para nos impor as mesmas condições. O acordo aprovado com a Ucrânia apenas suprimiu cláusulas até inócuas que os EUA nos exigiam, como não poder lançar para países que apoiem o terrorismo, não poder aplicar em foguetes nacionais lucros auferidos nos lançamentos para os EUA etc. 

Esse acordo de salvaguardas com a Ucrânia também nos veda, explicitamente, acesso físico e de conhecimento ao foguete e aos outros equipamentos. Proíbe, enfaticamente, qualquer transferência de tecnologia. Tudo de modo até ofensivo aos brasileiros e à soberania nacional.

Exemplifico: conforme publicado no Diário Oficial (Decreto nº 5.266, de 8 de novembro de 2004), o “Acordo de Salvaguardas”, no seu art. VI, estabelece:As Partes assegurarão que somente Participantes Ucranianos, cujos procedimentos de segurança tenham sido aprovados pelo Governo da Ucrânia, controlarão o acesso a Veículos de Lançamento, Equipamentos da Plataforma de Lançamentos, Espaçonaves, Equipamentos Afins e Dados Técnicos ucranianos.

[Denominá-los equipamentos “ucranianos” já é errado. Não se trata de simples compra pela ACS de itens prontos em prateleira ucraniana. Eles foram concebidos, projetados, desenvolvidos, produzidos e comprados pela binacional ACS, tudo na Ucrânia, mas, em todas as etapas, com dinheiro 50% brasileiro (na prática, bem mais que 50%), e isso deveria assegurar iguais direitos de propriedade e de acesso dos brasileiros em relação à parte ucraniana].

Ainda como exemplo de o Acordo de Salvaguardas com a Ucrânia somente permitir ínfima, humilhante e constrangedora participação brasileira e em atividades de muito baixo valor agregado, reproduzo o art. VII do Acordo, que expressa a única concessão de "aproximação dos brasileiros" aos foguetes e aos equipamentos pelos quais pagamos a concepção, desenvolvimento e produção

Aos Representantes Brasileiros será permitido descarregar veículos transportando Veículos de Lançamento, Equipamentos da Plataforma de Lançamentos, Espaçonaves, Equipamentos Afins e/ou Dados Técnicos abrangidos por este Acordo e entregar containeres lacrados nas áreas de preparação de Veículos de Lançamento ou Espaçonaves”. (grifos nossos)

O Acordo, no mesmo art. VII, ainda enfatiza essa humilhante discriminação, ao estabelecer que, mesmo restritos a essas simples e árduas atividades de carregador de embalagens lacradas, os brasileiros as poderão executar “somente se estiverem sob a supervisão de Participantes Ucranianos” [!!!...].


Essas únicas atividades 'técnicas' [de carregador] permitidas aos brasileiros no projeto binacional não condizem com despendermos no projeto o total previsto da ordem de mais de US$ 500 milhões (um bilhão de reais).

Esse gigantesco dispêndio orçamentário brasileiro impede, asfixia, inibe, todos os outros investimentos com desenvolvimento tecnológico espacial e encomendas na indústria nacional com projetos realmente nacionais, como o VLS e seus satélites.

Hoje, o Brasil é o grande pagante de tudo na ACS. Já despendeu e despenderá, via ACS, AEB e CLA, bem mais recursos do que os que os ucranianos deveriam também contribuir (a participação correta pelos acordos firmados seria de 50% cada país, mas a Ucrânia não tem cumprido a sua parte financeira). E pior: a maioria dos recursos brasileiros foi gasta em aquisições na Ucrânia, beneficiando a economia e o desenvolvimento tecnológico daquele país. Além disso, na fase operacional de lançamentos comerciais, o eventual e distante 'retorno' [?] dos investimentos da ACS será ainda muito maior para a Ucrânia, pois tudo (foguetes, equipamentos) lá continuará sendo produzido e comprado pela ACS. 


Infelizmente, esse acordo de salvaguardas com a Ucrânia tem força de lei acima da legislação nacional. É preciso renegociá-lo.

E A SOLUÇÃO NACIONAL?

Essa enorme e absurda gastança de recursos orçamentários brasileiros em benefício da Ucrânia contrasta com o seguinte quadro. Relembremos alguns fatos:


Foguete brasileiro VLS

O CTA (órgão da Aeronáutica que recebeu do governo, no final dos anos 80, a incumbência de desenvolver o VLS) foi desmantelado nos anos 90 pelo governo FHC/PSDB-DEM, por razões e compromissos “desconhecidos”. A melhor explicação divulgada pelo governo era a de que o Estado Brasileiro deveria se tornar “mínimo” e “o ‘mercado’ assumiria os poderes e encargos governamentais alienados”. Nessa linha de "modernidade neoliberal", os recursos financeiros para projetos do CTA foram, gradativa e fortemente, reduzidos naquela década, e chegaram praticamente a zero em 1999, ano estabelecido para lançar um protótipo do VLS.

Simultaneamente, nos anos FHC/PSDB-DEM, houve outras medidas asfixiantes governamentais restritivas análogas, como a extinção da equipe especializada na área espacial. O CTA, encarregado oficialmente de desenvolver o foguete lançador VLS e adaptar o CLA (em Alcântara) ao lançador 
com grandes e complexas obrassofria forte e crescente redução de recursos humanos, totalizando a perda de cerca de 2.500 servidores naquela década (cerca de 900 da área espacial), e sem autorização governamental para realizar concursos públicos para reposições. Isso simultaneamente ao já mencionado drástico corte governamental de recursos financeiros para seus projetos. Era gigantesco o esforço sobre-humano dos cientistas e técnicos do CTA/FAB que remanesciam e tinham que assumir também os encargos dos que saíram, para tentar cumprir a incumbência do CTA nesse quadro de doloso estrangulamento. Isso, certamente, contribuiu para o acidente que matou dezenas de especialistas nas vésperas de se lançar um VLS em 2003.

Em 22 de agosto de 2003, o terceiro protótipo, surpreendentemente e por estranhas razões ainda não bem esclarecidas, explodiu na antevéspera do seu lançamento, matando vinte e um técnicos do CTA.

Acidente inesperado e intrigante, pois o CTA já acumulava vasta experiência, já tendo projetado, construído e lançado com êxito, no Brasil e no Exterior, centenas de foguetes suborbitais, muitos deles também complexos e de grande porte. Inclusive, dez foguetes VSB-30 suborbitais brasileiros já foram exportados para a Suécia e Alemanha e lançados com êxito pelo “Programa Europeu de Microgravidade”.

(OBS: O Relatório Final da Comissão Externa da Câmara dos Deputados criada para investigar o referido acidente com o VLS, que matou vinte e um integrantes do CTA, apresentado pelo seu Relator, o Deputado C. Sobrinho [do PFL(DEM)-SP, da própria base demotucana governista da época dos enforcadores cortes (feitos pelo governo FHC/PSDB/PFL), concluiu (segundo o jornal “O Estado de São Paulo” em 26/08/2004 e a “Agência Câmara”, em 01/09/2004): A redução gradativa dos investimentos públicos para a manutenção do Programa Espacial Brasileiro foi a principal causa do acidente com o veículo lançador de satélites em agosto do ano passado, na Base de Alcântara, no Maranhão”].

Isso tudo contrasta, incongruentemente, com o agora gordo dispêndio do Brasil no projeto ACS, de quase US$ 500 milhões do bolso da parte brasileira, somente para começar a operar (valor equivalente ao necessário para construir uma centena de VLS!...), sendo que, diferentemente do projeto nacional VLS, no projeto do ucraniano Cyclone-4 da ACS, os únicos beneficiados com esses recursos brasileiros para o desenvolvimento tecnológico e produção são os institutos de pesquisa e a indústria ucranianos. 


ABANDONAR OU APERFEIÇOAR O PROJETO CYCLONE-4?

Repito o que este blog já expôs há três anos: qual seria a solução para tornar o projeto Cyclone-4 da ACS satisfatório para o Brasil?

1) Alcançar novo Acordo de Salvaguardas que dê condições igualitárias para as partes brasileira e ucraniana no acesso e no conhecimento tecnológico do foguete e equipamentos e de tudo o mais que tenha sido desenvolvido e comprado pela binacional ACS com recursos dos dois países;
2) Equilibrar entre os dois países a carga de trabalho, especialmente a de maior valor agregado;
3) exigir que a Ucrânia cumpra realmente suas obrigações financeiras na capitalização da ACS;
4) Não sufocar, por conta dos grandes dispêndios no projeto Cyclone-4, o desenvolvimento espacial brasileiro. Incrementar, no mínimo com a mesma ordem de recursos financeiros e humanos, o desenvolvimento da família de lançadores nacionais de satélites [em todo o mundo, o desenvolvimento de foguetes e o lançamento de satélites é a parte realmente mais difícil e dispendiosa, mas é a mais lucrativa da área espacial e a que espraia tecnologia por toda a indústria nacional. O Brasil já despendeu no exterior, em benefício das potências estrangeiras, o equivalente a muitos bilhões de dólares para lançar satélites de seu interesse. Os países que detêm essa capacidade tudo fazem para impedir a entrada do Brasil no mercado lançador].


Programa nacional: família de lançadores nacionais de satélites. O atual VLS (20 m de altura) é semelhante ao "Alfa", 1º à esquerda. A falta de recursos obriga a lento progresso nessa área.

É... Não tem jeito. Devemos fazer esforço hercúleo para conscientizar os próprios brasileiros de que é indispensável e compensador investir em lançadores de satélites e para se libertar dos grilhões que as grandes potências, os EUA especialmente, nos impuseram para impedir nosso progresso e competição na lucrativa área espacial.

FONTE da complementação: este blog 'democracia&política'

sexta-feira, 30 de maio de 2014

JOAQUIM BARBOSA: A APOSENTADORIA DO FALSO MORALISTA



[OBS deste blog 'democracia&política': Joaquim Barbosa demonstrou ser somente "o grande meio-justiceiro". Os crimes da direita, especialmente dos tucanos, continuaram acintosamente esquecidos, engavetados, pulverizados no espaço e no tempo, com direito a muitos recursos em múltiplas instâncias, consumindo décadas até à prescrição. Por isso é endeusado pela mídia e oposição].


Barbosa protagonizou falso moralismo que comprometeu o CNJ


Barbosa cometeu abusos contra desafetos e protegeu aliados da Globo

Por Luis Nassif, no jornal GGN

"O anúncio da aposentadoria do Ministro Joaquim Barbosa livra o sistema judicial de uma das duas piores manchas da sua história moderna.

O pedido de aposentadoria surge no momento em que Barbosa se queima com os principais atores jurídicos do país, devido à sua posição no caso do regime semiaberto dos condenados da AP 470. E quando expõe o próprio CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a manobras pouco republicanas. E também no dia em que é anunciada uma megamanifestação contra seu estilo ditatorial na frente do STF.

A gota d’água parece ter sido a PEC 63 – que dispõe sobre o aumento do teto salarial da magistratura.

Já havia entendimento no STF que corregedor não poderia substituir presidente do CNJ na sua ausência. Não caso da PEC 63 – que aumenta o teto dos magistrados – Barbosa retirou-se estrategicamente da sessão e colocou o corregedor Francisco Falcão na presidência. Não apenas isso: assumiu publicamente a defesa da PEC e enviou nota ao Senado argumentando que a medida seria “uma forma de garantir a permanência e estimular o crescimento profissional na carreira”.

O "Estadão" foi o primeiro a dar a notícia, no dia 21. À noite, Barbosa procurou outros veículos desmentindo a autoria da nota enviada ao Senado ou o aval à proposta do CNJ.

Quarta-feira, o site do CNJ publicou uma nota de Barbosa, eximindo-se da responsabilidade sobre a PEC.

O ministro ressalta que não participou da redação do documento, não estava presente na 187ª Sessão Ordinária do CNJ no momento da aprovação da nota técnica, tampouco assinou ofício de encaminhamento do material ao Congresso Nacional.

A manipulação política do CNJ

Não colou a tentativa de Barbosa de tirar o corpo do episódio. É conhecido no CNJ – e no meio jurídico de Brasília – a parceria estreita entre ele e o corregedor Francisco Falcão.

É apenas o último capítulo de um jogo político que vem comprometendo a imagem e os ventos de esperança trazidos pelo CNJ.

Para evitar surpresas como ocorreu no STF – no curto período em que Ricardo Lewandowski assumiu interinamente a presidência -, Barbosa montou aliança com Falcão. Em sua ausência, era Falcão quem assumia a presidência do órgão, embora a Constituição fosse clara que, na ausência do presidente do CNJ (e do STF) o cargo deveria ser ocupado pelo vice-presidente – no caso Ricardo Lewandowski.

Muitas das sessões presididas por Falcão, aliás, poderão ser anuladas.

Com o tempo, um terceiro elemento veio se somar ao grupo, o conselheiro Gilberto Valente, promotor do Pará indicado para o cargo pelo ex-Procurador Geral da República Roberto Gurgel.

Com o controle da máquina do CNJ, da presidência e da corregedoria, ocorreram vários abusos contra desafetos. Os presos da AP 470 não foram os únicos a experimentar o espírito de vingança de Barbosa.

Por exemplo, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Félix Fischer é desafeto de Falcão e se candidatará ao cargo de Corregedor Geral quando este assumir a presidência do STJ.

De repente, Fischer é alvejado por uma denúncia anônima feita diretamente a Joaquim Barbosa, de suposto uso de passagens aéreas para levar a esposa em viagens internacionais. O caso torna-se um escândalo público e o conselheiro Gilberto Martins é incumbido de investigar, na condição de corregedor interino .
Passa a exigir, então, o detalhamento de todas as viagens oferecidas pelo STJ a ministros, mulheres de ministros e assessores. A investigação é arquivada por falta de fundamentos mas, àquela altura, o nome de Fischer já estava lançado na lista de escândalos.

A contrapartida de Falcão foi abrir uma série de sindicâncias contra desembargadores do Pará, provavelmente adversários de Gilberto Martins.

Nesse jogo de sombras e manobras, Barbosa foi se enredando em alianças e abandonando uma a uma suas bandeiras moralizadoras.

Sua principal agenda era combater o “filhotismo”, os escritórios de advocacias formado por filhos de ministros.

Deixou de lado porque Falcão, ao mesmo tempo em que fazia nome investindo-se na função de justiceiro contra as mazelas do judiciário, tem um filho – o advogado Djaci Falcão Neto – que atua ostensivamente junto ao STJ (mesmo quando seu pai era Ministro) e junto ao CNJ, inclusive representando tribunais estaduais. Além de ser advogado da "TelexFree", organização criminosa que conseguiu excepcional blindagem no país, a partir da falta de ação do Ministro da Justiça.

Por aí se entende a razão de Falcão ter engavetado parte do inquérito sobre o Tribunal de Justiça da Bahia que envolvia os contratos com o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), de Gilmar Mendes.



E, por essas estratégias do baixo mundo da política do Judiciário, compreende-se porque Barbosa e Falcão crucificaram o adversário Fischer, mas mantiveram engavetado processo disciplinar aberto contra o todo-poderoso comandante da magistratura fluminense, Luiz Sveiter, protegido da 'Rede Globo'."

FONTE: escrito pelo jornalista Luis Nassif no jornal GGN. Transcrito no portal "Viomundo" ( http://www.viomundo.com.br/politica/nassif-barbosa-protagonizou-falso-moralismo-e.html). [Imagens do google e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

DESCOBERTO "MENSALÃO" NO MINISTÉRIO PÚBLICO





"ARARATH", DA PF, DESVENDA MAPA DE PROPINAS NO MP

"A operação da Polícia Federal que teve sua divulgação suspensa por decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode ter chegado ao coração de um esquema milionário de corrupção no Ministério Público. Planilha apreendida por policiais tem 47 nomes de promotores e procuradoras do MP-MT. Não por acaso, foi a primeira vez em que a Procuradoria-Geral da República coibiu a divulgação das investigações, o que Janot negou ser "censura". O procurador-geral do Mato Grosso, Paulo Roberto Jorge do Prado, se disse "indignado" com denúncia de procuradora da República; "Ela enlameou 47 pessoas".





[OBS deste blog 'democracia&política': Será que o então Procurador-Geral da República (PGR) Roberto Gurgel, que chefiava o Ministério Público (MP), também sabia? Mesmo que o PGR não soubesse, pela nova jurisprudência "criativa" de Joaquim Barbosa, ele deveria ser condenado (e em regime fechado) por "domínio do fato"? 

Recordo, como agravante, que se cogitou investigar Roberto Gurgel no âmbito da CPMI do criminoso Cachoeira, por ele ter "suspendido" a "Operação Vegas" da Polícia Federal, iniciada em 2008, que apontou os primeiros indícios de contravenção entre Carlinhos Cachoeira e políticos como o então senador do DEM Demóstenes Torres idolatrado pela mídia como bastião da honestidade e da ética. O PGR Gurgel também foi investigado (não se tem notícias se o processo continua parado) por ter engavetado as investigações da "Operação Monte Carlo", que levou à prisão de Carlinhos Cachoeira.

Para que esses poderes engavetadores do PGR e do MP (usados tradicionalmente apenas em benefício da direita) não fossem retirados, a Globo e a oposição fizeram forte campanha contra a PEC 37 nas manifestações de junho do ano passado, induzindo massas de ingênuos com essa bandeira. Venceram.] (com informações do wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Gurgel]


[Marcha de enganadores e enganados]



Do "Mato Grosso 247":

A "Operação Ararath", da Polícia Federal, pode ter desvendado um esquema milionário de corrupção entre promotores do Ministério Público do Estado do Mato Grosso. Uma planilha, encontrada na casa de Éder de Moraes, ex-secretário da Fazenda do governo do atual senador Blairo Maggi (PR-MT), traz 47 nomes de promotores e procuradores do MP-MT.

Entre os citados no documento, está o procurador-geral de Mato Grosso, Paulo Roberto Jorge do Prado, que se disse "indignado" com a denúncia, apontada pela procuradora da República Vanessa Christina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani. Segundo ela, o documento é de "supostos pagamentos a membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso".

Ao lado do nome de Prado, aparece a quantia de R$ 516,7 mil. "Ela [a procuradora] enlameou 47 pessoas com mais de 30 anos de profissão, são 47 nomes, todos do Ministério Público. Estou indignado com o amadorismo dessa procuradora. Somos promotores e procuradores honrados, mas que da noite para o dia viraram bandidos e corruptos", disse ele ao jornalista Fausto Macedo.

A "Operação Ararath" teve sua divulgação suspensa por decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foi a primeira vez que a Procuradoria-Geral da República coibiu a divulgação de informações sobre uma operação da PF. A atitude gerou uma nota da "Associação de Delegados da Polícia Federal" (ADPF), que chamou Janot de "censor da República". O procurador-geral nega ter praticado censura e diz que a decisão foi tomada "em favor das investigações" (leia mais).

Clique aqui e leia trechos da manifestação da procuradora e, abaixo, reportagem do portal "Midianews", de Mato Grosso, sobre a denúncia:

"MPF cita lista com nomes de 47 membros do MPE e valores. Planilha com nomes e valores foi apreendida pela PF na casa de Eder Moraes

Na busca e apreensão realizada na residência do ex-secretário de Estado Eder Moraes, no dia 19 de fevereiro, a Polícia Federal encontrou uma planilha contendo o nome de 47 membros do Ministério Público Estadual (MPE).

Na relação, na frente de cada nome de promotor e procurador de Justiça, há as indicações "valor original", "valor corrigido" e "valor a pagar".

O total dos valores indicados, respectivamente, são: R$ 10.829.027,91 (valor original); R$ 10.660.733,93 (valor corrigido); e 7.995.550,45 (valor a pagar).

A procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, que atua em Cuiabá, anexou a planilha na denúncia feita pelo MPF à Justiça Federal contra o ex-secretário de Estado Eder Moraes; sua esposa Laura Tereza da Costa Dias; o secretário-adjunto do Tesouro de Mato Grosso, Vivaldo Lopes Dias; e o gerente do Bic Banco em Cuiabá, Luiz Carlos Cuzziol.

A denúncia foi recebida pelo juiz federal Jeferson Schneider no último dia 20 de maio.

Na denúncia, a procuradora da República afirma, sobre a planilha contendo nomes dos membros do MPE.
Nomes

Nesse ponto, é necessário destacar uma planilha apreendida na residência do investigado Eder Moraes, contendo lista indicativa de pagamentos a membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (auto de apreensão nº 42/2014 - autos nº 1972-16.2014.4.01.3600", disse.


"A referida planilha foi encontrada no mesmo local e circunstância da apreensão dos documentos que sugerem pagamento de propina a autoridades do Poder Executivo e Legislativo do Estado de Mato Grosso (notas promissórias, cheques, lista contábil de pagamento, operações bancárias e anotações de depósitos)", afirma a procuradora do MPF.

Ela ressalta que não é possível saber do que se trata a planilha. Mas observa os nomes do procurador-geral de Justiça Paulo Prado e do promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes – e os valores relacionados a ambos.

"Não é possível afirmar se ocorreu o pagamento, do que se trata, sua origem e licitude. Apenas que ao Procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado é apontada a quantia de R$ 516.778,92, ao Promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes a quantia de R$ 59.700,54", afirma a procuradora na denúncia.

Outro lado

A reportagem tentou falar com o procurador Paulo Prado, por meio de seu telefone celular. As ligações não foram atendidas. Uma das assessoras do MPE também não atendeu as ligações feitas".


COMENTÁRIO: "Maldita hora quando não aprovaram a PEC 37... ENTENDERAM PORQUE OS PROCURADORES INVADIRAM A CÂMARA E O SENADO: MANTER SEUS PRIVILÉGIOS" A EXEMPLO DO BARBOSA. Pensam que são SEMIDEUSES" 


FONTE: do "Mato Grosso 247"; transcrito no "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/matogrosso247/141640/Ararath-da-PF-desvenda-mapa-de-propinas-no-MP.htm). [Título, imagens do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política'].

O BRASIL PINTADO PELA MÍDIA




Por RIBAMAR FONSECA

"Graças à liberdade de imprensa, sofremos diariamente um bombardeio de informações que, infelizmente, nem sempre expressam a verdade e, por isso, devem ser analisadas

O Brasil está melhor ou pior do que há 20 anos? Muita gente – mais precisamente aquelas pessoas que não usam a massa cinzenta para pensar – responderá: Muito pior. Por quê? Porque – dirão – a violência e a corrupção aumentaram escandalosamente. Essas respostas por si só já serão suficientes para revelar a pobreza de raciocínio de alguns e a tendência política de outros. Isso porque, na verdade, o que aumentou mesmo foi o volume e a velocidade das informações recebidos hoje pelas pessoas, em todos os recantos do país, graças ao extraordinário avanço dos meios de comunicação.

Explica-se: estamos hoje melhor informados do que há 20 anos sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Sentados confortavelmente em nossa poltrona favorita e sem nenhum esforço, bastando apenas acionar o botão do controle remoto para ligar a TV, ficamos sabendo de tudo o que acontece no mundo inteiro, inclusive assistindo alguns eventos em tempo real, como o futebol, por exemplo, mesmo que tenham como palco o Japão, no outro lado do planeta. O celular e a internet também fazem parte dessa estrutura de comunicação que deixou conectados praticamente todos os habitantes da Terra.

A televisão e a internet, portanto, transformaram o nosso planeta na aldeia global preconizada por McLuhan e passamos todos, mesmo os que residem nos lugares mais remotos, à condição de testemunhas oculares da história. Cabe a nós, no entanto, usando o cérebro – o que infelizmente muita gente não faz – o trabalho de processar as informações que nos chegam a todo momento através dos veículos de comunicação de massa, de modo a separar o joio do trigo. Graças à liberdade de imprensa, sofremos diariamente um bombardeio de informações que, infelizmente, nem sempre expressam a verdade e, por isso, devem ser analisadas. Lamentavelmente, porém, os quase anencéfalos preferem, por comodidade ou preguiça mental, digerir as informações como elas chegam. E passam a pensar pela cabeça dos que as divulgam.

A violência, na verdade, é proporcional ao tamanho da população, mas não sofreu nenhum aumento. O que acontece é que todos os atos de violência, em qualquer parte do país e do mundo, chegam ao conhecimento de todos, inclusive com vídeos que revelam a sua crueza. Através dos veículos de comunicação – ou mesmo da internet – ficamos sabendo de um crime no interior do Rio Grande do Sul ou da morte de detentos no presídio do Maranhão, de um linchamento no interior de São Paulo ou de um vaso lançado na cabeça de um torcedor em Recife, de um atirador solitário nos Estados Unidos que mata vários estudantes ou de um atentado que provoca a morte de dezenas de pessoas no Oriente. Em qualquer lugar há sempre uma câmera registrando tudo, inclusive assaltos de rua, e cria-se a falsa ideia de que a violência aumentou. Antes da televisão e da internet, quem mora no Acre, por exemplo, demorava quase um mês para saber que um famoso ator morrera no Rio.

O mesmo acontece com a corrupção. A corrupção sempre existiu no mundo desde as épocas mais remotas e no Brasil desde a sua descoberta, mas nunca foi tão falada como agora. No período da ditadura, não havia notícias de corrupção, o que, no entanto, não significa que não existisse, mas apenas que eram escondidas pela censura. No governo de Fernando Henrique Cardoso/PSDB-DEM, por exemplo, o diretor da Policia Federal era demitido todas as vezes em que as investigações sobe corrupção se aproximavam do Palácio do Planalto. E a chamada Grande Imprensa, aquinhoada por FHC, fazia vista grossa para as denúncias, adotando um comportamento completamente diferente do que tem hoje. Não havia interesse em divulgar o lado negativo do governo tucano, o que também não significa que não havia corrupção. Basta lembrar, entre os casos mais escandalosos, o "Projeto Sivam", a "pasta cor-de-rosa", a "emenda da reeleição" etc. É justamente quando existe censura ou a imprensa se cala que a corrupção mais corre solta.

Ouve-se hoje com frequência esta frase, pronunciada com indignação contra o governo: "Todos os dias os jornais estampam em suas páginas noticias de corrupção". Ou seja, eles fundamentam sua opinião no que "os jornais estampam", o que nem sempre significa que os fatos noticiados sejam verdadeiros. Além disso, raras são as pessoas que se lembram de que a Polícia Federal é órgão do governo e, portanto, é o governo que está combatendo a corrupção. É preciso lembrar, também, que a liberdade de imprensa é fruto da democracia, fundamental para o seu fortalecimento, pois permite que o povo tenha conhecimento de tudo de bom e ruim que acontece no seu país. No Brasil de hoje, no entanto, essa liberdade só é usada para divulgar os fatos negativos, alguns inverídicos e outros superdimensionados, o que leva os quase anencéfalos a formar opinião negativa dos governantes.

Essa, aliás, é precisamente a intenção da Grande Mídia, conforme deixou escapar numa inconfidência o tucano Álvaro Dias: pintar um quadro negro do país, demonizando o governo para facilitar a eleição do tucano Aécio Neves, candidato oposicionista à Presidência da República. O motivo é claro: os donos dos grandes veículos de comunicação querem voltar a ter os privilégios que desfrutavam no governo tucano de Fernando Henrique, pois o governo petista parece que não foi muito generoso com eles. E convencidos de que os fins justificam os meios, não se importam com os males que estão causando ao país, dentro e fora de suas fronteiras."

FONTE: escrito por Ribamar Fonseca no jornal on line "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/141175/O-Brasil-pintado-pela-m%C3%ADdia.htm).[Imagem do google acrescentada por este blog 'democracia&política'].

VAI TER COPA, APESAR DA MÍDIA




Vai ter Copa, apesar da mídia

Editorial do jornal "Brasil de Fato":

"Há poucos dias da abertura da Copa do Mundo de Futebol, organizada pela Fifa, segue quente o deba­te sobre as contradições, vantagens e desvantagens do maior evento esportivo, realizado há cada quatro anos.

A chamada grande imprensa, partidarizada, há meses dá demonstrações de seguir jogando a favor do fracasso do evento, na ânsia de que isso se traduza em resultados eleitorais favoráveis aos partidos políticos alinhados com seus interesses econômicos e corporativos.

Chegou a apostar que as gigantes­cas mobilizações populares ocorridas em junho do ano passado se repetis­sem às vésperas da Copa. Não hesi­tou em condenar a repressão policial contra as mobilizações populares, desde que essas tivessem o carimbo de ser contra a Copa e o governo fe­deral. Até mesmo as ações violentas contra lojas, revendedoras de carros e bancos foram tratadas, no mínimo, de forma complacente. Aliás, há inte­resses, não desvendados ainda, entre essas mobilizações violentas e o di­ferenciado tratamento [suave] repressivo do Estado e da mídia a elas?

Todas as vezes (poucas vezes!) que o governo federal, em defe­sa dos interesses do país ousou en­frentar o poderio da Fifa, encontrou na mídia um forte adversário. A do­bradinha revista "Veja" e "Rede Globo" – tantas vezes acionada pelo bichei­ro Carlinhos Cachoeira – foi atuan­te em repercutir uma denúncia cla­ramente forjada contra Orlando Sil­va, então Ministro dos Esportes. Repetida incessantemente, a farsa provocou a queda do ministro, um desejo já manifestado pela Fifa em outros momentos.

As falcatruas da Fifa, seus esque­mas de propinas e corrupção, docu­mentados em programas jornalís­ticos em redes de TV como a BBC de Londres e em livros publicados em inúmeros países, contou sempre com o conivente silêncio dos meios de comunicação empresariais do Brasil. Não é mais segredo a troca de favores e acordos espúrios feitos entre a "Rede Globo" e os “donos” do futebol brasileiro, João Havelange e Ricardo Teixeira. Uma relação tão estreita que o jornalista Amaury Ri­beiro Jr. considera Teixeira o quar­to filho do “doutor” Roberto Ma­rinho. Um conluio que, certamen­te, facilitou à "Rede Globo" sonegar impostos no valor de bilhão de re­ais, atualizados, referentes à com­pra dos direitos da Copa de 2002. Frente à afirmativa que já quitou sua dívida com a Receita Federal, não são poucas as vozes que pedem: mostre o DARF, Rede Globo!

Não há limites para a sandice des­sa mídia, desde que iniciou sua trilha de partidarizar sua atuação e, clara­mente, assumir um lado nas disputas eleitorais. O escritor e jornalista An­tônio Barbosa Filho, em recente arti­go, denunciou que chegaram ao cú­mulo de “queimar a marca-Brasil”, como uma estratégia eleitoral. Para Babosa Filho, há evidente torcida “pa­ra que o Brasil saia derrotado dentro e fora dos gramados. Um caos nas ci­dades-sede seria de grande proveito para as oposições na campanha elei­toral que se aproxima...”.


FONTE: Editorial do jornal "Brasil de Fato" postado por Altamiro Borges em seu blog  (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/05/ser-rico-e-dono-da-midia-que-mal-tem.html).

SER RICO E DONO DA MÍDIA: QUE MAL TEM?




Ser rico e dono da mídia: que mal tem?

Por Bruno Marinoni, no "Observatório do Direito à Comunicação":

No último dia 13, a "Revista Forbes" divulgou seu ranking de “ricaços” do Brasil. Os Marinho lideram a competição com uma fortuna estimada em US$ 28,9 bilhões. Qual o problema de a família mais rica do Brasil ser dona dos principais meios de comunicação do país? Resposta: poder demais [até para não pagar seus impostos devidamente]. Poder econômico e cultural (ideológico, simbólico ou como se quiser chamar). Isso se falarmos genericamente.

Se pensamos de forma mais concreta, observando a história do setor da comunicação social no Brasil, responderemos de outra forma. O total domínio do interesse privado-comercial, o jogo de influências (e privilégios) políticas, a inexistência de mecanismos democráticos de participação social na comunicação (o que gera um sério problema para a garantia da liberdade de expressão), a extrema oligopolização e uma série de outros problemas nos fazem pensar que a resposta mais correta, na verdade é: dominação demais.

Uma sociedade que pressupõe que “todo o poder emana do povo”, que se pretende “livre, justa e solidária” e que afirma que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações” deve fazer os ajustes necessários para que possa garantir liberdade, justiça, solidariedade, igualdade e poder popular. E isso significa não permitir que o poder se concentre nas mãos de alguns poucos indivíduos. E dinheiro é poder. E comunicação é poder.

Opa! Ouvi alguém ali comentando: “mérito!”. Será? Dos 65 bilionários constantes na lista de ricaços do Brasil, 25 são “herdeiros”. Assim também acontece coincidentemente com o trio de irmãos Marinho. Ainda que não fosse isso, porém, quem disse que é legítimo o assassinato da democracia pela meritocracia? E que mérito se tem em ser mais poderoso porque se tem mais recursos do que os outros?

Imediatamente atrás dos Marinho, no ranking, estão as famílias de banqueiros. Safra (da família homônima), Ermírio de Moraes (Votorantim), Moreira Salles (Unibanco-Itaú). 


Os governos do Brasil pós-ditadura não ousaram mexer com os primeiros, magnatas da comunicação, e nutriram os últimos, senhores do vil metal. Quem se atreveria a enfrentar tamanho poder, diante de compromissos mais urgentes como a garantia da governabilidade? Já pensou o que seria de um governo deslegitimado por todos os meios de comunicação? Melhor não mexer aí, ganhar confiança, oferecer uma vaga de ministro ao Hélio Costa, não insistir com esse papo de mané projeto de Agência Nacional do Audiovisual... Vai que os Marinho se zangam... Já pensou? Nem pensar!

Aliás, os Marinho já constam no ranking da "Forbes" desde 1987, primeira vez em que foi publicado, acompanhados pelas famílias Ermírio de Moraes e Camargo (Camargo Correa). E, assim, se dá prosseguimento à triste tradição brasileira de mandar quem pode (e tem poder) e obedecer quem tem juízo. Ou não.

FONTE: escrito por Bruno Marinoni, repórter do "Observatório do Direito à Comunicação", doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do "Intervozes". Transcrito pelo jornalista Altamiro Borges em seu blog (
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/05/ser-rico-e-dono-da-midia-que-mal-tem.html).[Imagens do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política'].