segunda-feira, 31 de março de 2014

TUCANOS QUEREM ALTERNÂNCIA DO PODER SÓ ONDE HOJE NÃO GOVERNAM




Do "Brasil 247"

DIRCEU CRITICA "CINISMO EM ALTA DOSE" DE SERRA [PSDB]

"O Blog do ex-ministro José Dirceu critica a análise que o ex-governador José Serra (PSDB) fez da mais recente pesquisa Ibope, que apontou uma queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). "Interessante mesmo é a peculiar visão externada pelo ex-governador José Serra sobre alternância no poder. Ele defendeu alternância já no poder federal, a substituição do governo do PT. Mas não defende alternância em São Paulo, pelo contrário, onde o PSDB se reveza no poder estadual há 20 anos, com três governadores – ele, Geraldo Alckmin e Mário Covas", diz o texto.

Texto publicado no blog do ex-ministro José Dirceu, no sábado (29), critica a análise que o ex-governador José Serra (PSDB) fez da mais recente pesquisa Ibope, que apontou queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Abaixo o texto na íntegra:

"Divergem mais uma vez, hoje, dois tucanos de alta plumagem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador paulista José Serra. Desde o início do ano passado, FHC lançou a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República e tornou-se o principal patrono dela, numa estratégia para alijar Serra da disputa pelo Planalto, para a "fila andar", como dizem alguns tucanos.

Mas hoje Serra e FHC divergem por outro motivo sobre a análise da pesquisa CNI/IBOPE divulgada semana passada. Na interpretação de José Serra, o levantamento indica que a presidenta Dilma Rousseff está "derretendo". Já para o ex-presidente tucano, o levantamento de opinião pública, a esta altura, não tem tanta importância assim porque "o cenário eleitoral ainda não está posto" – há tempos FHC tem essa posição de que a campanha eleitoral e a disputa presidencial só esquentem mesmo depois da Copa do Mundo, a partir de agosto.

Mas essa divergência entre os dois sobre a pesquisa nem é o que chama mais atenção nas notícias publicadas sobre eles pelos jornalões. Interessante mesmo é a peculiar visão externada pelo ex-governador José Serra sobre "alternância no poder". Ao falar sexta-feira, ele defendeu alternância já só no poder federal, a substituição do governo do PT. Mas não defende alternância em São Paulo, pelo contrário, onde o PSDB se reveza no poder estadual há 20 anos, com três governadores – ele, Geraldo Alckmin e Mário Covas.

Depois de defender a alternância no poder no Planalto, questionado se o mesmo deve ocorrer em São Paulo, onde o PSDB é governo desde janeiro de 1995 (1ª gestão Mário Covas), tergiversou e em seguida mudou o discurso: "Continua (em SP) PSDB ou não? Tem que escolher qual é a melhor saída. Não há lei a esse respeito, que seja obrigado a ter alternância de partido. Aqui (SP), não há nenhuma máquina sendo usada de maneira esmagadora para impedir alternância".


FONTE: jornal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/134936/Dirceu-critica-cinismo-em-alta-dose-de-Serra.htm).

ENTRE A JUSTIÇA (somente para os amigos) E A FARSA




Por Paulo Moreira Leite

Depois da vitória correta de Azeredo [PSDB] no STF cabe perguntar por que os réus da AP 470 não tiveram o mesmo direito?


"Ao decidir, por 8 votos a 1, que Eduardo Azeredo [ex-Presidente Nacional do PSDB] deve ser julgado em Minas Gerais pelas denúncias ligadas ao mensalão tucano, o Supremo fez a opção correta entre a farsa e a justiça.

A farsa, como se sabe, consistiria em negar a Azeredo o direito de ser julgado em primeira instância – e depois pedir um segundo julgamento em caso de condenação, como a lei assegura a todo cidadão sem prerrogativa de foro – apenas para manter um teatrinho coerente com a [a farsa da] AP 470.

Eduardo Azeredo teve seu direito reconhecido pacificamente, por 8 votos 1, placar tão folgado que, desta vez, não se ouvirá o coralzinho de quem culpa os “dois ministros da Dilma” por qualquer resultado que não lhe agrada.

Em nome da mitologia em torno do “maior julgamento da história”, se poderia querer repetir uma injustiça por toda a história.

Assim: já que nenhum réu ligado ao PT teve direito a um julgamento em primeira instância, o que permitiria a todo condenado entrar com um recurso para obter um segundo julgamento, era preciso dar o mesmo tratamento a, pelo menos, um dos réus ligados ao PSDB.

Para esconder um erro, seria preciso cometer um segundo – quando todo mundo sabe que isso não produz um acerto, mas apenas dois erros.

Com a decisão de semana passada, ficou um pouquinho mais fácil reconhecer um fato que já é reconhecido por número crescente de estudiosos: de que a AP 470 foi resolvida como um julgamento de exceção.

Nas fases iniciais das duas ações penais, não custa lembrar, o STF deu sentenças diferentes para situações iguais, o que sempre pareceu escandaloso.

Desmembrou [com justiça] o julgamento dos tucanos. Apenas réus com mandato parlamentar – Azeredo e o senador Clésio Andrade – ficaram no Supremo. 
O mesmo tribunal, no entanto, fez [com enorme aplauso da mídia direitista] o contrário na AP 470. [Nessa ação penal], todos – parlamentares ou não -- foram julgados num processo único, num tribunal único.

Mesmo quem não tinha mandato parlamentar foi mantido no STF, onde as decisões não têm direito a recurso e, apenas em casos muito especiais, é possível, entrar com os embargos infringentes.

Mesmo assim, na AP 470 havia até o risco, como se viu, de negar embargos, não é mesmo?

Ao decidir que o ex-deputado "mineiro" [a mídia o trata assim, para esconder que é tucano, mas não trata Dirceu, Genoíno e outros de 
ex-deputado "paulista"] deve ser julgado nas regras que a Constituição e a jurisprudência sempre asseguraram a todos os réus em situação semelhante – a única exceção foi o notório Natan Donadon, com várias particularidades – o STF coloca outro debate em questão.

Se Eduardo Azeredo terá direito – corretamente -- a um segundo julgamento, caso venha a ser condenado, por que os réus da AP 470 não podem fazer o mesmo?

Essa é a pergunta, desde a semana passada. Se os réus da AP 470 não tiveram direito a um novo julgamento -- seja através de uma revisão criminal, seja na Corte Interamericana de Direitos Humanos -- teremos a confirmação da farsa dentro da farsa, a exceção dentro da exceção. "Tudo para os amigos, nem a lei para os adversários."

FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite, diretor da Sucursal da ISTOÉ em Brasília. É autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa"  (http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/354703_ENTRE+A+JUSTICA+E+A+FARSA).[Título, imagem e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política]. 

HÁ 50 ANOS DO TERROR



Há 50 anos do terror


Foi o golpe civil-militar de 1964 que deu inicio à implantação de ditaduras que constituiriam um círculo de terror como nunca a América Latina conhecera.

Por Emir Sader 



"O golpe civil-militar de 1964 no Brasil deu inicio à implantação de ditaduras que constituiriam um círculo de terror como nunca a América Latina conhecera. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, com o inicio da Guerra Fria, os Estados Unidos promoveram no continente a "Doutrina de Segurança Nacional", sua ideologia da luta "contra a subversão" que desembocaria na instauração dessas regimes.

A Doutrina, elaborada pelo Departamento de Estado dos EUA e propagada pela Escola das Américas e por cursos ministrados diretamente por oficiais norte-americanos, propugnava a militarização dos Estados, que se tornariam Estados-maiores, conduzidos pela oficialidade das forças armadas latino-americanas, no combate a todas as forças que a Doutrina considerasse que colocavam em risco a "democracia" no continente.

A concepção totalitária da Doutrina se materializou, na época da ditadura civil-militar brasileira, no slogan: "Ame-o ou deixe-o", isto é, ou te identificas com o regime ou deves ir embora do país. É coerente com a concepção ideológica segundo a qual toda forma de conflito era um vírus externo, inoculado de fora para dentro no corpo nacional, para sabotar, subverter seu bom funcionamento.

Bem ao estilo das concepções positivistas importadas da biologia, segundo as quais o bom funcionamento da sociedade se assemelharia ao funcionamento de um corpo saudável fisicamente, em que cada célula funciona em função da totalidade. Qualquer parte do corpo que deixa de funcionar assim, representa uma doença, a introdução de um vírus externo, que tem que ser extirpado.

Os regimes militares do Cone Sul agiram dessa forma em relação a qualquer forma de expressão que lhes parecesse sabotar o bom funcionamento do corpo social. Era uma concepção totalmente intolerante em relação às diversidades, às divergências, aos conflitos sociais. A eliminação física dos opositores ou dos considerados opositores tinha essa origem, de "depuração democrática" de elementos considerados subversivos.

Quando se instaurou a primeira ditadura civil-militar, a brasileira, há 50 anos, se desenvolvia uma luta por modelos para um continente que via esgotar o impulso econômico das décadas anteriores. A Revolução Cubana radicalizou o horizonte de alternativas, ao colocar a possibilidade de ruptura da dominação norte-americana e do próprio capitalismo.

Os EUA tentaram forjar uma alternativa a Cuba com a chamada "Aliança para o Progresso", que teve no governo do chileno democrata cristão Eduardo Frei seu exemplo mais importante, com a proposta de uma "revolução em liberdade". Sua reforma agrária fortaleceu os pequenos proprietários no campo, com objetivo de evitar vitórias dos novos movimentos guerrilheiros que se expandiam para a Venezuela, o Peru, a Guatemala, a Colômbia.

O golpe brasileiro seria modelar no sentido de que conseguiria derrotar de forma mais ou menos rápida a resistência armada. Inclusive, porque foi um golpe prematuro, que pegou um movimento popular brasileiro ainda em processo de constituição. Essa precocidade ajuda também a entender o motivo de seu sucesso econômico:
pôde desfrutar ainda do final do longo ciclo expansivo do capitalismo no segundo pós-guerra, para canalizar grande quantidade de investimentos que permitiram a diversificação da dependência brasileira.

Mas o santo do chamado "milagre econômico" brasileiro foi a intervenção militar em todos os sindicatos e o arrocho salarial, os quais promoveram uma lua de mel entre o governo e as grandes empresas nacionais e estrangeiras, baseada na superexploração dos trabalhadores.

O sucesso da ditadura civil-militar no Brasil, com sua capacidade de impôr – baseada numa feroz repressão – a ordem e retomar a expansão econômica, fez dela referência para os outros regimes de terror que se implantariam em seguida na região. Foi o período mais terrível da história desses países e de toda a história latino-americana. Tudo começou há 50 anos, com o golpe de primeiro de abril de 1964."

FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader em seu blog no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/Ha-50-anos-do-terror/2/30581).

Dilma: "NÃO NOS ABALAM JULGAMENTOS APRESSADOS"




Do "Brasil 247"


"A Presidente Dilma Rousseff afirmou no sábado (29), durante sessão inaugural da Reunião Anual da Assembleia de Governadores do BID, que acontece na Costa do Sauípe, na Bahia, que "a realidade desmentirá julgamentos apressados e conclusões precipitadas sobre a economia brasileira". Numa espécie de resposta ao rebaixamento da nota do Brasil pela agência de risco Standard & Poor's: "Todos sabemos que, em economia, a realidade sempre se impõe. Em alguns momentos, expectativas, especulações, avaliações subjetivas e até mesmo interesses políticos podem obscurecer a visão objetiva dos fatos", afirmou

A presidente Dilma Rousseff afirmou no sábado (29), durante sessão inaugural da 55ª Reunião Anual da Assembleia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que acontece na Costa do Sauípe, na Bahia, que a realidade desmentirá julgamentos apressados e conclusões precipitadas sobre a economia brasileira.

"Estamos convencidos da absoluta necessidade de preservar a solidez dos fundamentos macroeconômicos. Este compromisso não será alterado. Tampouco nos abalaremos com julgamentos apressados e por conclusões precipitadas, que a realidade desmentirá", afirmou a presidente, no que pode ter sido considerado uma resposta ao rebaixamento da nota do Brasil pela agência de risco "Standard & Poor's". "Todos sabemos que, em economia, a realidade sempre se impõe. Em alguns momentos, expectativas, especulações, avaliações subjetivas e até mesmo interesses políticos podem obscurecer a visão objetiva dos fatos", complementou.

A presidente disse também que "o que importa" é continuar agindo para o país no rumo certo. "Sem abdicar do nosso compromisso fundamental com a solidez da economia e com a inclusão e o desenvolvimento social e ambiental do país", frisou. "O Brasil tem ainda inúmeros desafios para enfrentar e superar e haverá sempre novos obstáculos a serem removidos. Nos orgulhamos de ter construído um caminho para o desenvolvimento, o que nos permite dizer que o Brasil vai muito bem e irá ainda melhor", afirmou.

Dilma falou ainda que o país "vive um novo desafio histórico": "o desafio de acolher e atender as reivindicações e os anseios que surgiram na população. Ao promover ascensão social e superar a extrema pobreza, criamos um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida, maior acesso à informação e mais consciência de seus direitos. Temos consciência que nós fizemos o mais urgente e o mais necessário para o nosso momento histórico, mas agora temos a consciência que devemos e podemos por todas as conquistas fazer ainda mais".

No discurso, a presidenta disse que as reservas internacionais estão em mais de 370 bilhões de dólares, o que proporciona lastro confortável e seguro para enfrentar qualquer volatilidade, e que nos últimos 12 meses o país recebeu mais de 65,8 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos.

Em 2014, faremos novas concessões, ampliando ainda mais nossa parceria com o setor privado em investimentos em infraestrutura logística e energia e infraestrutura urbana. O Brasil tem ainda inúmeros desafios para enfrentar e superar e haverá sempre novos obstáculos a serem removidos. Podemos, contudo, nos orgulhar de ter construído um caminho para o desenvolvimento, o que nos permite dizer, que o Brasil vai muito bem, e irá ainda melhor”.

A presidenta afirmou que o Brasil se tornou um país menos desigual, mais inclusivo, gerador de empregos e de oportunidades para os cidadãos.

O Brasil que recebe esta reunião é radicalmente distinto do existente há 11 anos. Retiramos 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza, 22 milhões dos quais nos últimos três anos e meio. Propiciamos a ascensão de 42 milhões de pessoas à classe média, que, hoje, representa no Brasil, só a classe média, 55% da população. A renda per capita familiar subiu 78% em 10 anos. Geramos 4 milhões e 800 mil empregos formais e foram, nos últimos 11 anos, na ultima década, 20 milhões de empregos, fazendo com que alcançássemos hoje o menor índice de desemprego de nossa história”."

FONTE: jornal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/134937/Dilma-n%C3%A3o-nos-abalam-julgamentos-apressados.htm).

NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE PASADENA



Mais informações inéditas sobre Pasadena


Por Miguel do Rosário

"O blog 'Cafezinho' teve acesso a mais dois documentos exclusivos (no Brasil) sobre a refinaria de Pasadena antes de ser comprada pela Astra.

O documento mais recente, de agosto de 2000, é um informe da "Golnoy Barge Company", empresa que detinha 14% das ações da refinaria de Pasadena, aos outros sócios minoritários.

O documento fala da preocupação dos sócios pequenos com a gestão de Henry Rosenberg, e seus dois filhos, à frente da refinaria. Eles estavam preocupados com uma operação financeira que Rosenberg tinha iniciado para ampliar sua participação acionária da refinaria e aumentar seu controle sobre ela.

O final da década de 90 tinha sido bem difícil para o negócio de refinaria. Em 1998, a "Crown Central" (nome antigo da refinaria de Pasadena) havia registrado fortes prejuízos, e ainda enfrentava inúmeros processos trabalhistas.

O segundo documento obtido por "Cafezinho" é um artigo publicado no "Oil Daily", onde se lê que o mercado desconfiava que Henry Rosenberg estava se preparando para vender a companhia. Até aí nada demais, a empresa era dele e ele podia vender quando quisesse. Acontece que ninguém confiava em Rosenberg, nem os sócios pequenos, muito menos os sindicatos.

A matéria informa que a "Crown" registrou prejuízo de 829,4 milhões de dólares em 1998. Segundo a matéria, parte desse prejuízo se devia ao boicote que os sindicatos vinham fazendo à empresa. Era uma campanha popular. Ninguém queria comprar a gasolina vendida nos postos da "Crown". A empresa, por sua vez, atribuía o prejuízo à situação do mercado, e lembrava que todas as empresas estavam amargando prejuízo aquele ano, o que era verdade.

O caso de Pasadena, contudo, era mais grave porque Rosenberg, dono da empresa, enfrentava um grave problema de crédito na praça. E não estava conseguindo renegociá-lo junto aos bancos.

No documento de agosto de 2000, da "Golnoy Barge Company", contudo, somos informados que o mercado de refinaria se recuperou vigorosamente a partir do início da nova década. O faturamento líquido (EBITDALL) da "Crown" nos primeiros seis meses de 2000 totaliza US$ 66,6 milhões. O lucro líquido no primeiro semestre de 2000 atingiu US$ 5,6 milhões, comparado ao prejuízo de US$ 22 milhões no mesmo período de 1999.

Entretanto, os sócios pequenos da refinaria dão duas informações que serão fundamentais para a gente entender o preço pago pela "Astra" em 2005.

A "Crown" tinha promissórias junto a seus acionistas pelas quais “qualquer um que quisesse adquirir a 'Crown Central' deveria estar preparado para refinanciar o débito de US$ 125 milhões”.

Isso em 2000! Em 2005, esse débito teria subido para US$ 200 milhões, como eu disse em outro post. A diferença é que essa fonte agora é mais oficial ainda. É um documento dos próprios sócios da "Crown".

A outra informação importante é sobre os estoques da "Crown". A mídia vem repetindo que a "Astra" comprou a refinaria por US$ 42,5 milhões. Mentira. A "Astra" começou a trabalhar junto à "Crown" em 2004. Pagou suas dívidas, comprou seus estoques, e só então adquiriu as ações da refinaria por US$ 42,5 milhões.
O documento da "Golnoy" nos dá uma ideia do valor dos estoques da "Crown" no ano 2000. Os sócios achavam que esses podiam ser US$ 83 milhões maiores do que o informado oficialmente pela empresa. Portanto, o valor dos estoques, no ano 2000, era um "valor X mais US$ 83 milhões". Quanto valiam? US$ 100, 300, 500 milhões? A refinaria tinha capacidade para estocar mais de 6 milhões de barris, portanto o valor desses estoques poderia até ultrapassar US$ 1 bilhão.

Por que Pasadena tinha uma capacidade tão grande de estoque? A resposta é fácil. A volatilidade alucinante das cotações do petróleo e seus derivados, fazem com que seja estratégico, para uma refinaria, ter boa capacidade de estoque, para ordenar a oferta e evitar vender em momento inadequado.

Na sexta-feira, o jornal "Valor" confirmou uma informação que eu já detectei em vários documentos, inclusive no relatório da "Astra".

Conforme o acordo de acionistas, ao qual o 'Valor' teve acesso, o prêmio de 20% valeria tanto para os 50% restantes do ativo refinaria, avaliado em março de 2006 por US$ 378 milhões, como para a 'trading', que tinha preço de referência inicial de US$ 300 milhões, que era o “capital comprometido” pela Astra no negócio até a assinatura do acordo.

A Petrobrás não adquiriu somente a refinaria de Pasadena. Ela comprou também a "Astra Trading", que era o braço comercial da refinaria montado pela "Astra" quando a assumiu. Essa trading tinha recebido US$ 300 milhões da "Astra". Não está claro se esse valor já embute os estoques. E não se sabe exatamente a dívida herdada pela "Astra" quando assumiu o controle da refinaria. O que se tem certeza é que havia uma dívida de US$ 125 milhões em 2000 e, segundo a "Jefferies", US$ 200 milhões em 2003. Como os americanos nunca pagam uma dívida de uma vez, pois os juros lá são muito baixos e todos apenas rolam seus débitos, indefinidamente, é certo que esses deveriam continuar na casa dos oito dígitos quando houve a compra pela "Astra".

Portanto, a "Astra", quando adquiriu Pasadena, investiu US$ 42,5 milhões pelo controle acionário, assumiu uma dívida milionária, mobilizou US$ 300 milhões, comprou estoques, e ainda fez investimentos de quase US$ 100 milhões para modernizar a refinaria. Os documentos da Astra deixam bem claro que a venda decorreu de um “processo”, cujos detalhes jamais foram revelados.

Não sei se houve, como dizem os paulistas, alguma treta em algum momento do negócio. Talvez. Mas pode haver treta na Abreu Lima, no porto de Suape, no Comperj, em qualquer negócio da Petrobrás em qualquer lugar do mundo. O ser humano, infelizmente, é corrompível por natureza.

O importante a saber aqui é que essa disparidade absurda de valores com que a mídia tenta impressionar o cidadão comum não existe. A refinaria de Pasadena sempre valeu um bocado de dinheiro, sempre esteve operante, e possivelmente se revele com o tempo uma excelente aquisição para a Petrobrás.

Outra coisa que é preciso deixar claro é que as cláusulas "Put Option" e, sobretudo, a "Marlim", existiram porque a Petrobrás também tinha suas prerrogativas. Também haviam cláusulas a favor da Petrobrás: a estatal podia “forçar investimentos”, ou seja, podia fazer o que quisesse ali dentro.

Lembro-me que o ex-presidente Lula, certa vez, ensinou que um bom negócio é o chamado “ganha-ganha”. Um ganha e o outro pensa que ganha. Acho que foi exatamente o que aconteceu aqui. A "Astra" pensou que fez um bom negócio, mas quem agora possui uma refinaria no coração dos EUA é a Petrobrás!"

FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário. Postado no blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=16024).

OBAMA PROMOVE MUDANÇAS - PARA PIOR



O IVº Reich − por Maurício Porto


Continuidade e mudança... Sempre para pior − O paradoxo Obama

Por Andrew Levine, no "Counterpunch" (EUA), sob o título Continuity and Change ... For the Worse − The Obama Paradox”. Artigo traduzido pelo "pessoal da Vila Vudu" e postado no "Redecastorphoto"


Andrew Levine (*)

Barack Obama, candidato, prometeu mudanças; eleito, só entregou continuidade, continuísmo. Mas, na sequência, tanto continuísmo provocou mudança – para pior.

Em 2008, “mudança” significava qualquer coisa que os eleitores desejassem que significasse. Como o candidato, a palavra era como uma mancha de teste Rorschach.

Muitos, provavelmente a maioria dos eleitores de Obama, não tinham sequer ideia de que tipo de mudança esperavam. Só sabiam que, no governo de George W. Bush, o país perdera dramaticamente o próprio rumo. Supunham que Obama daria algum jeito naquilo.

Alguns eleitores tinham expectativas mais específicas. Alguns pensavam que Obama varreria do país o neoliberalismo. Com um derretimento financeiro e econômico galopante, a hora parecia ter chegado, o momento parecia maduro.

Alguns esperavam que Obama restaurasse o Estado de Direito e o respeito à lei, devolvendo as coisas, no mínimo, ao que eram antes do 11/9; muitos esperavam que os criminosos de guerra da era Bush fossem levados aos tribunais.

Outros supunham que o Partido Democrata voltaria a ser mais parecido com o que fora antes de os Clintons darem cabo dele.

E por aí vai, e a lista é longa.

Claro, ninguém sabia o que “mudança” significaria para Obama. Talvez nem Obama soubesse. Não haveria como ele ser mais vago.

Mas num ponto, todos, exceto talvez o próprio candidato e seus assessores mais próximos, concordavam: Obama transformaria o regime Bush-Cheney pós-11/9, transformaria totalmente, seria outro, completamente outro.

Não poderiam ter errado mais do que erraram.

Talvez tivessem ideias diferentes; talvez Obama fosse doente do que os antigos gregos chamavam de akrasia, desejo débil. Talvez jamais tenha havido qualquer lá, por ali.

Os mais ardentes apoiadores de Obama, os que continuaram com ele quando já se tornara bem claro que nenhuma mudança viria, culparam os Republicanos; muitos ainda culpam, até hoje. Os EUA-empresa garantem-lhes palco noturno, todas as noites: chamam a coisa de MSNBC.

Mas enganam-se a si próprios. Nem ante a obstinação e determinação dos Republicanos, o governo Obama precisaria ser tão perfeitamente igual ao governo Bush-Cheney como se tornou.


George Bush e Dick Cheney

Seja como for, os elogiadores de Obama têm um ponto a seu favor: os Republicanos são realmente aplicados, realmente se dedicaram a garantir que o governo Obama fosse retumbante fracasso.
Assim, pode-se dizer que os elogiadores de Obama não são, propriamente ditos, iludidos. Apenas, que deram ao homem deles – e à oposição – demasiado crédito.

Quem lá sabe o que Obama realmente pensa sobre os assuntos do dia, ou como compreende a relação entre o que diz e suas reais intenções. A única coisa que se pode afirmar com certeza é que as palavras de Obama são vagas, sem compromisso; e que, para todos os objetivos práticos, Obama e seus companheiros Democratas são idênticos aos Republicanos.

Nada, aí, é surpreendente; comem no mesmo cocho. O antagonismo entre eles é tático, não estratégico, nem ideológico.

De fato, o racismo modela as atitudes Republicanas, além de outras ansiedades de status e convicções ideológicas básicas. Os Democratas, no geral, são gente mais simpática. Mas, no fundo, os dois partidos só querem vencer as próximas eleições. Para eles, o negócio sempre é quem consegue mais bem servir ao 1%.

São péssimas notícias para os 99% de nós [norte-americanos], cujos interesses e bem-estar não poderiam estar mais entregues às traças. Mas isso é o de menos. Quando nossos “líderes”, não importa o partido, põem os olhos em pontos bem além de nossas (cada dia mais policiadas e militarizadas) fronteiras, todo o planeta padece.

Ainda assim, seria de esperar que houvesse alguma, qualquer, pouca, que fosse, competência na Casa Branca e em todo o establishment da Política Externa dos EUA, proporcional à magnitude das tarefas. O que se constata de mais impressionante é que essa expectativa foi negligenciada igualmente, por governos Republicanos e Democratas, já há um quarto de século.


James Baker

Quando James Baker e Brent Scowcroft deixaram o governo, quem, em sã consciência, suporia que teriam sido os melhores de tudo que viria depois deles? E, ainda antes, quem suporia que os dias de Zbigniew Brzezinski e Henry Kissinger seriam vistos como uma Idade de Ouro, quando gigantes marchavam sobre a face do planeta?

Barack Obama, como Bill Clinton e George W. Bush antes dele, puseram um bando de imbecis sem-noção, encarregados de lançar o peso dos EUA contra todo o mundo. Não é surpresa que, agora, a coisa toda já esteja desabando sobre a cabeça deles mesmos.

No caso de Bush, a loucura foi de tal ordem que até o cachorrinho de Bush poderia consertar alguma coisa. Mas então veio o presidente da “mudança” para dar andamento ao servicinho de antes.

Resultado disso, as vítimas do império sofreram um enormidade, mas, até agora, o império sobrevive sem arranhões. Grande demais para falir. Mas, ah, sim, até para isso, há limites.

O governo Obama extrapolou esses limites duas vezes. E duas vezes Vladimir Putin salvou Obama.

Putin salvou Obama de ser arrastado para uma guerra catastrófica contra o Irã, e Putin salvou-o de fazer naufragar os EUA envolvidos na guerra na Síria.

Mas o arqui-inimigo dos EUA não promete ter a mesma serventia, quando os gênios do Departamento de Estado e do Conselho Nacional de Segurança miram suas maquinações contra a própria Rússia.

O establishment de política exterior de Putin supera o de Obama em todos os campos e medidas. No instante em que deixar de interessar a eles ajudar a salvar Washington, a boa sorte de Obama acabará num minuto (hora de Nova York ou de Moscou, tanto faz).

Era melhor no tempo de Bush-Cheney? Não era. Mas o mundo mudou – em parte, porque as políticas de Obama nunca mudaram. Por isso, na maior parte, aquelas mesmas políticas são hoje mais tóxicas do que foram nos dias de Bush-Cheney.

Nesse sentido, até que mudamos, afinal de contas. Mas quando se fazem as contas, vê-se que estaríamos melhor, se tivéssemos conseguido menos do mesmo, em vez de mais do mesmo, como temos hoje.

Bush e Cheney atropelaram o devido processo legal e os direitos de privacidade, em nome da segurança. Com eles no poder, as limitações Constitucionais eram apenas pequeno inconveniente que eles se sentiam a vontade para ignorar.


Edward Snowden

Também para Obama. Mas, ao dar prosseguimento ao trabalho dos dois que o precederam, Obama piorou qualitativamente, tudo. Graças a Edward Snowden, temos hoje ideia de como era ruim e de como ficou muito pior.

Não sabemos o quanto de terrorismo foi contido, se algum terrorismo, de fato, foi contido, por Bush e Cheney – ou por Obama. O que, sim, sabemos, é que eles aumentaram muito a oferta de terroristas possíveis. Para isso, serve invadir países dos outros; para isso, serve aterrorizar populações civis, lançando sobre elas morte e desgraça.

Obama fez aumentar muito o nível do terror, mesmo que talvez tenha reduzido o nível geral de violência bélica.

Seus antecessores também usaram assassinos profissionais e drones. Mas, na quantidade, preferiram soldados e bombardeiros. No geral, faziam a coisa à moda antiga.

Obama, o candidato da paz, manteve todas aquelas guerras; escalou, até, algumas delas por algum tempo – o suficiente para repaginar as ocupações do Iraque e do Afeganistão.

Mas Obama deu preferência ao assassinato clandestino – a maioria dos assassinatos cometidos por Obama foram cometidos por assassinos mascarados e por drones. Com isso, Obama modificou a postura dos militares norte-americanos. De um ponto de vista moral, ficaram piores do que eram.

Agora, o terror já não é só o último recurso dos humilhados; agora, já é também primeira escolha de um exército superequipado, mais mortífero que todos os demais exércitos do mundo somados.

Ao assumir a coisa no ponto em que Bush e Cheney a deixaram, esse laureado do Prêmio Nobel pôs à solta o equivalente funcional de um exército de suicidas-bombas, lançando partes imensas do mundo muçulmano num perpétuo reino de terror.

Os drones de Obama são especialmente daninhos.


Drone MQ-1

Por um lado, porque são ainda piores que suicidas-bombas, porque aterrorizam mais eficientemente populações civis. Gente comum pode evitar locais que suicidas-bombas tendem a escolher como alvos; mas ninguém consegue pôr-se a salvo daqueles drones.

E, de um ponto de vista moral, matar com drones é, visivelmente, crime pior. Suicidas-bombas dão a vida pela própria causa. No fim do dia de trabalho, os operadores de drones norte-americanos jantam em casa com a família.


Os "operadores" não assistem o enterro de civis no Paquistão (principalmente velhos, mulheres e crianças) assassinados pelos drones dos EUA

Os seus superiores, os que ordenam a matança, esses, envolvem-se ainda menos. Quem decide quem morrerá é Obama; seus funcionários decidem onde e quando; os sub-dos-subs apertam os botões. Quanto mais altos na cadeia de comando, mais eles têm cara de satisfeitos consigo mesmos.

Em questões ambientais, Obama também piorou as coisas, só por ter prosseguido nas políticas de nada fazer dos predecessores. Enquanto isso, as mudanças ecológicas continuam e rapidamente todos os perigos só fazem aumentar.

O governo Obama introduziu algumas poucas mudanças para melhor: por exemplo, nos padrões de emissões de gás carbônico. Mas nada fez contra as grandes causas do aquecimento global. Assim, a cada ano que passa, aproximam-se os pontos sem volta; alguns já ficaram para trás.

E há também a tendência, em Obama, de aprofundar os danos iniciados pelos predecessores, o que Obama consegue mediante políticas de implementação mais efetivas.

Mas o que Obama mais faz é falar e engambelar quem o ouça. Por exemplo: Obama falou muitas vezes a favor da reforma das leis da imigração; sim, mas... o recorde de deportações de Obama é muito superior ao de Bush. Contra o trabalho organizado, também, Obama fez muito mais que Bush.

Em linha semelhante, Obama jamais disse uma palavra que não fosse a favor da transparência no governo e da importância de uma imprensa crítica vigorosa. Quem o ouça falar, pensará que é o melhor amigos dos vazadores. Sim, mas, também nesse quesito, Obama tem sido pior que Bush e Cheney ou, na verdade, pior que todos os presidentes antes dele, exceto talvez, Richard Nixon.

O homem fala como papagaio. Não diz coisa com coisa. Claro, nas questões domésticas, ele tem lá suas razões, prestem ou não. Mas no front diplomático, parece não haver sequer uma linha de pensamento coerente por trás do que ele diz; nem ele nem sua equipe, nada, sequer alguma vaga ideia.

Por isso o mundo hoje é ainda mais perigoso do que quando Obama assumiu.

O problema não é só que a Guerra ao Terror, e sua continuação no governo Obama, tenha sido estupendamente contraproducente; que criou e reuniu terroristas muito mais depressa do que os assassinos profissionais e os drones e os “coturnos em solo” conseguiam matá-los.

Já se vai tornando claro também que as guerras Bush-Obama desestabilizaram toda a região – da Líbia ao Paquistão e ultimamente, sob o “comando” de Obama, também das margens do Tigre ao Mar Mediterrâneo.

O Leste da África, áreas muçulmanas muito distantes, no Oceano Pacífico, também foram incendiadas, e estão hoje em situação pior que antes.



O Irã como potência regional, cercado de bases dos EUA

As guerras do governo Bush-Obama também reforçaram o papel do Irã como potência regional. Seja isso bom, ou mau, é claro que esse jamais foi o objetivo dos EUA e de Israel.

Claro, o sem-noção total é faca de dois gumes. A América Latina muito se beneficiou do fato de os EUA estarem metidos simultaneamente em vários pântanos no Oriente Médio.

Enquanto Bush e Obama olhavam para outro lado, floresceram movimentos populares na Nicarágua, no Equador, na Bolívia e no Uruguai. E também o Brasil e a Argentina começam a deslocar-se para a esquerda.

E, apesar de várias tentativas desde o 11/9 – a mais recente está ainda em andamento nesse momento – os EUA não conseguiram derrubar o governo democraticamente eleito da Venezuela. A guerra sem fim que os EUA fazem contra Cuba está hoje mais perdida que antes.

Ao sul dos EUA, os ataques do 11/9 – ou, melhor dizendo, a reação dos EUA àqueles "ataques" – foram, pode-se dizer, um presente de Deus.

Já é cada dia mais evidente que, pelo menos num sentido, também foram presente de Deus para o resto do mundo. As manobras contraproducentes dos EUA contra o mundo muçulmano levaram a um beco sem saída os planos de EUA e União Europeia para levar as fronteiras do “ocidente” até as portas da Rússia e para cercar a Rússia com bases da OTAN.

Esse plano foi posto em andamento nos tempos de Clinton. A Rússia então não estava em posição de poder oferecer muita resistência – não naquele momento, quando cleptocratas governavam o país, e a maioria da população russa padecia dificuldades econômicas, desemprego e perda de serviços públicos, resultados da restauração, na Rússia, de um sistema econômico antiquado.

O sucesso dos EUA−Europa (principalmente, a Alemanha), no desmembramento da Iugoslávia, serviu então como prática e estímulo. Com o novo milênio chegando, o futuro parecia aberto para eles.


World Trade Center, 11 de setembro de 2001

Mas então veio o 11/9 e as prioridades mudaram. Hoje, parece que estão mudando outra vez, para trás.

Evidentemente, os sétimos céus da política exterior dos EUA convenceram-se de que, além de prosseguirem contra o Oriente Médio, a Ásia Central e o subcontinente indiano, é hora de meterem também a Rússia, de volta, na alça de mira.

Tudo isso pode ter a ver também com o petróleo, pelo menos em alguma medida; mas o petróleo não é o fator principal. E vai bem além das exigências de comandar algum império global ou tornar o mundo seguro – ou ainda mais seguro – só para os capitalistas ocidentais.

Os capitalistas ocidentais não precisam de nenhum tipo de renascimento do fascismo europeu e do antissemitismo europeu. Nem eles precisam, nem nós precisamos. Tampouco, nem eles nem nós precisamos de movimentos à Al-Qaeda brotando por todo o Oriente Médio, ou pelo centro e sul da Ásia.

Mas as políticas de nossos “líderes” levaram todos a isso. Desnecessário dizer que chegaram onde não lhes interessava chegar. Mas, sendo assim, o que, afinal, eles têm em mente? Bobagem procurar. Nada têm em mente que seja, sequer remotamente, coerente; o mais provável é que absolutamente não saibam o que fazem.

Mesmo assim, seguem “em frente”. Com os velhos “satélites” soviéticos já pendurados nos EUA e na Europa, a única coisa que lhes resta é levar a União Europeia e a própria OTAN para dentro da própria velha União Soviética.

A ideia é ridícula, risível, e não só porque a Rússia é hoje muito mais poderosa do que foi nos anos 1990. Se o império Americano não estivesse em mãos tão incompetentes, nada disso estaria acontecendo.

Derrubar governos recalcitrantes nunca foi difícil para os serventes do império. Os velhos métodos foram aperfeiçoados, primeiro, na América Latina. Depois da IIª Guerra Mundial, foram aplicados no resto do mundo.

A fórmula é simples: invista dinheiro pesado em criar o caos. Depois, no momento adequado, apoie com discrição golpes de estado locais, perpetrados por fregueses ou simpatizantes.

É exatamente o que estão fazendo nesse momento – até aqui sem sucesso – na Venezuela.

Mas, até hoje, os “líderes” dos EUA sempre tiveram o bom senso de manter suas maquinações confinadas nas esferas de influência dos EUA ou em áreas periféricas que não gerassem graves preocupações de segurança para as grandes potências.

Depois da IIª Guerra Mundial, não havia grande potência maior que a União Soviética. Era aceitável encorajar dissidentes lá e na Europa Oriental. Mas nenhum “líder” norte-americano seria suficientemente doido para falar em “mudança de regime”; não, é claro, com a possibilidade de desencadear uma guerra nuclear. O papel de Eisenhower no Levante da Hungria em 1956 foi, nesse sentido, exemplar.

A Rússia pós-1991 ainda era capaz de reduzir o planeta a poeira. Assim sendo, até Bill Clinton mostrou algum bom senso. Foi levado pelas circunstâncias – mas não ao ponto de total temeridade. E safou-se.

É pouco provável que sua esposa tenha tido muito a ver com os planos de ampliar a União Europeia ou de levar a OTAN para a fronteira da Rússia. Não parece tampouco que fosse item de sua lista-de-supermercado quando foi Secretária de Estado do governo Obama.


Hillary Hitler

Mas Hillary Clinton pula, lépida, em qualquer vagão que passe por ali. E, sim, já abraçou abertamente a causa. Em sua alocução de estreia, já logo declarou que Vladimir Putin “é Hitler”.

Frase idiota. Mas, se se considera a fonte, perfeitamente esperável.

Obama foi além dessa, nas imbecilidades. Falando na Bélgica, depois de reunir-se com líderes do G-7 (mais, e agora menos, 1), não teve vergonha nem de insultar o presidente da Rússia: disse que não passa (ria) de líder de potência regional cujas ações manifestam fraqueza. Falou como maluco. Obama chamou Putin, de fraco. Como consegue ainda olhar a própria cara no espelho?

Mas... e como consegue olhar alguém de frente, depois de acusar Putin de ter violado a lei internacional? Obama é inacreditável.

Será que a ideia de reviver as políticas da era Clinton é ideia de Obama? Ou se devem culpar eminências secundárias como John Kerry, ou aqueles horrendos “interventores humanitários” que Obama cobriu de poderes? Seja a culpa de quem for, a ideia de gerar riscos de segurança nacional para a Rússia é a pior ideia que alguém teve, nos EUA, desde o dia em que George W. Bush, caído em desgraça, saiu da Casa Branca.

Se Obama era dito “menos ruim” que John McCain em 2008, era, precisamente, porque se dizia não cúmplice desse tipo de ideia. Se se observa a inclinação que McCain manifesta hoje de não se envergonhar de exibir a própria temeridade tresloucada, Obama & McCain fazem, isso sim, perfeita dupla.

Seja como for, já está claro que EUA e União Europeia – e os nacionalistas ucranianos cujo golpe encorajaram – perderam tudo, pelo menos num item: nada e ninguém desfará a incorporação da Crimeia à Rússia.


Vladimir Putin

Com todos os erros e falhas, Putin e sua equipe são tão absolutamente melhores que Obama e sua gangue, que, a partir do momento em que se organizam para agir, os russos sempre se saem melhor, mesmo que tenham de jogar com cartas mais fracas.

Felizmente, os russos não são só mais espertos: também são mais sábios. Sabem quando não forçar a própria boa sorte; por isso, esperemos, saberão lidar com opositores tão totalmente sem-noção, sem rumo e sem vergonha quanto os que lhes apareceram agora.

Por isso, é bem provável que os EUA nos safemos de mais essa. Os perigos que Obama et. alii lançaram sobre o mundo, quando resolveram meter as garras na Ucrânia, continuarão, provavelmente, contidos.

Diferente dos EUA, a Rússia tem interesses legítimos de segurança nas repúblicas ex-soviéticas. Obama e sua gangue são, portanto, como crianças brincando com fósforos. Os russos, como tudo indica, também sabem resistir a provocações imbecis.

Porque, sim, os russos foram provocados. E continuarão a ser provocados. Obama pode, sim, decidir pôr fim às provocações, mas, até aqui, só tem feito o contrário.

Nos últimos dias, a animosidade antiRússia parece já ter ultrapassado todos os muros de Washington. E para onde andem Democratas e Republicanos, atrás deles segue toda a imprensa-empresa. Os suspeitos de sempre estão ocupadíssimos, tentando provocar o máximo dano possível, com a maior velocidade possível.

Nunca mais, desde a invenção da Guerra do Iraque, viu-se tanta propaganda de promoção dos erros e loucuras do governo dos EUA, como agora. A "National Public Radio" (NPR) está excepcionalmente insuportável. Eu, pessoalmente, já não suporto ouvir aquilo, nem para manter uma vozinha de fundo, enquanto trabalho.

Se os russos não morderem a isca e não descerem ao nível de Obama, as consequências são terríveis.

E o futuro não será melhor, se não morderem nem descerem. A equipe Obama faz o que bem entende com tanta frequência, que quanto mais fazem, mais querem fazer.

Portanto, se não forem detidos, as provocações continuarão, cada dia mais perigosas. Há outras repúblicas ex-soviéticas por lá; e não se pode esquecer que Obama ainda comicha de vontade de pivotear-se “na direção da Ásia”.

Em outras palavras, Obama também está olhando na direção da China. É terrível. Tampouco nisso, vê-se qualquer sinal de prudência naquela cabeça.

É grave ironia – e patética ironia – que a melhor esperança dos norte-americanos para evitar as piores consequências das políticas de Bush-Obama seja hoje um conservador russo, homem-forte liberal – presidente com inclinações autocráticas, mas, também, político consistente e competente, com senso histórico, suficientemente esperto e sábio para não se pôr a cometer loucuras armadas pelo planeta. Não é o melhor que se pode esperar da democracia. Apenas mostra o quanto a democracia norte-americana está distante da democracia ideal.

Mas, com presidente incompetente, sem vergonha e sem noção – e sistema político tão corrupto e degradado que já não garante a mudança para a qual os eleitores votam – o que temos hoje nos EUA é o máximo de “hope” e de “change” que sobrou para nós."

FONTE: escrito por Andrew Levine, no "Counterpunch" (EUA), sob o título Continuity and Change ... For the Worse − The Obama Paradox”. Artigo traduzido pelo "pessoal da Vila Vudu" e postado por Castor Filho no seu blog "Redecastorphoto" (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/03/continuidade-e-mudanca-sempre-para-pior.html). 
(*) O autor, Andrew Levine, é professor sênior do "Institute for Policy Studies", e autor de "THE AMERICAN IDEOLOGY" (Routledge) e "POLITICAL KEY WORDS" (Blackwell), bem como de muitos outros livros e artigos em filosofia política. Seu livro mais recente é "In Bad Faith: What’s Wrong With the Opium of the People". Foi professor de Filosofia na University of Wisconsin-Madison e professor pesquisador (filosofia) na University of Maryland-College Park. É co-autor de "Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion" (AK Press).

SUPERPORTO DE AÇU (RJ) ENTRA EM OPERAÇÃO JÁ ESTE ANO




Do blog "Os amigos do Presidente Lula"


Pessimistas, tremei: super porto do Açu, em fim de obra, investe R$ 3,3 bilhões para atender o pré-sal

"Com a quebra de Eike Batista, muito urubu vibrou achando que o superporto do Açu, em São João da Barra (RJ), iria virar uma obra parada. Teve gente que falou até que o porto estava afundando.

Pois o controle acionário mudou de mãos para a "EIG Global Energy Partners", e a antiga LLX virou "Prumo logística". Foram investidos R$ 1,4 bilhão no ano passado e mais R$ 1,9 bilhão está sendo investido neste ano. Com obras aceleradas, as operações estão previstas para começar em junho.

Junto com os terminais portuários, há um complexo industrial com foco na indústria do petróleo. Já se instalam no Complexo as empresas Technip, NOV, OSX e Anglo American. Outras empresas que já assinaram contrato e que deverão começar em breve as obras estão V & M, Intermoor, GE, MPX, Asco, MFX, Wärtsilä e Ternium. A Prumo quer atrair movimento de carga da própria Petrobras."

FONTE:
d
o blog "Os amigos do Presidente Lula"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/03/pessimistas-tremei-super-porto-do-acu.html).

domingo, 30 de março de 2014

ATRIZES DA GLOBO POSARÃO DE LUTO PELO ENTERRO DO MENSALÃO TUCANO?




[OBS deste blog 'democracia&política': O luto acima foi a tragicômica demonstração de "indignação" das atrizes da "Globo" quando foi reconhecido no STF o direito de recurso (em somente alguns poucos aspectos) no julgamento do "mensalão do PT". A propósito, por oportuna, uma pequena observação: seria conveniente a Receita ser mais rigorosa e verificar se essas "indignadas éticas" também estão omitindo ganhos ou inventando despesas dedutíveis em suas declarações para o imposto de renda. Isso seria corrupção, crime de sonegação, apropriação de dinheiro público de impostos. No ano passado, esse tipo de roubo alcançou R$ 415 bilhões (!!!), segundo o sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional. Por falar nisso, será que a "Globo" já pagou os quase R$ 1,0 bilhão que estaria devendo de impostos há muitos anos por somente uma dentre várias "omissões" descobertas pela Receita?]

ONDE ESTÃO OS VORAZES "INDIGNADOS COM A CORRUPÇÃO" NO BRASIL?

Por Adilson Filho, no "Viomundo"

"O STF acaba de sepultar o esquema de corrupção tucana montada em MG pelo então governador Eduardo Azeredo. Trata-se, nada mais nada menos, do que grana de dinheiro PÚBLICO no primeiro escalão do poder!

Acabou. Com o desmembramento, vão “disputar a partida” em casa, onde Aécio tem a mídia e a Justiça nas mãos. Simplesmente, o Supremo jogou no ralo a possibilidade de pegar os corruptos graúdos, os criadores “da tecnologia” utilizada desde os tempos da compra de votos [para a reeleição de FHC/PSDB] em 98.



Aí eu pergunto: Cadê o luto das atrizes da Globo?! Cadê a revolta geral no Facebook com páginas em preto?

Nem uma linha, nada, zero, um ou outro gato pingado aqui e outro acolá. Estatisticamente, não existe. Me faz lembrar o que disse ACM uma vez: “se não deu no Jornal Nacional é porque não existiu”.

Mas, fique tranquilo, a sua indignação não é seletiva, você é uma pessoa de bem, quer um país melhor, eu sei disso, você quer os políticos encarcerados, deixa pra lá os empresários, os banqueiros, doutores juízes e barões da mídia, que comandam o jogo do capital no tabuleiro lá de cima.

Você fica aqui embaixo espancando as marionetes que a "Globo" e a "Veja" vendem, como quem tá malhando o boneco do Judas enquanto a rua inteira é assaltada… E pouco importa que “esses bonecos” sejam apenas os que a mídia privada elege para serem odiados até a morte. Você não tem culpa disso, trabalha que nem um condenado, paga as suas contas e não tem culpa de receber o veneno que eles te empurram goela abaixo e que contamina sua alma.

Não tem culpa de “eles” não quererem cidadãos indignados com a corrupção, mas sim cães raivosos, como Jabor, Mainardi, Cantanhede etc para ladrar no "face" contra quem “eles” elegem enquanto gritam na telinha e nos jornais.

Não tem culpa de, como dizia Raul Seixas, “ser treinado todo dia como um dobermam do sistema”

Mas, uma coisa eu digo, vale a pena ficar atento no que esses grupos estão conseguindo fazer com a opinião pública brasileira.

Hoje, em conversa com meu pai, ele, referindo-se a essa questão da manipulação midiática, citou Baudelaire, dizendo que “a maior astúcia do diabo é fazer com que as pessoas pensem que ele não existe”. Eu entendi, mas discordei. Para mim, o jogo é ainda mais pesado, muito mais do que o filósofo pudesse supor.

O que acontece por aqui é que as pessoas até conseguem enxergar “o diabo” mas, mesmo assim, não têm mais forças para reagir, pois deixaram ele ocupar a sua mente e se instalar em seu coração.

Sair disso, só com investimento pesado em educação crítica cidadã e "Ley de Medios" já. Coisa que esse governo, sem pressão popular, pelo visto não vai fazer."

FONTE: escrito p
or Adilson Filho e publicado no portal "Viomundo"  (http://www.viomundo.com.br/denuncias/adilson-filho-cade-o-luto-das-atrizes-da-globo-contra-a-corrupcao.html).[Trecho entre colchetes adicionado por este blog 'democracia&política'].

"DEBOCHE" DO STF POSSIBILITA A PRESCRIÇÃO DO MENSALÃO TUCANO




E quais os sinônimos para "deboche"? “Crápula, desregramento, devassidão, libertinagem, tripúdio”.

Por Daniel Quoist

Deboche Jurídico: STF flerta com prescrição do mensalão tucano

"Os filhos bastardos são por seus pais chamados de caixa dois de campanhas eleitorais. Mas são usados dois pesos e duas medidas para julgar cada um dos irmãos...

Deboche é um adjetivo frequentemente usado pelo presidente do STF ministro Joaquim Barbosa. É uma palavra daquelas que trazem consigo o mal estar de antigamente. Deboche tem aquele jeitão de vocábulo que conjuga esperteza com inocência, a meio passo da ingenuidade atrevidas. Mas deboche ao fazer as pazes com o dicionário é bem mais que isso e soa pesado, desaforado mesmo.

Classificado como substantivo masculino significa “ausência de regras, má conduta, devassidão, libertinagem”. O dicionário lhe assegura a compreensão como “zombaria insistente, escárnio, desconsideração, desprezo de algo ou alguém através da ironia”. Tudo isso é deboche, que mesmo sendo tudo isso surge etimologicamente nas letras francesas de seu avô "débauche".

Se em alguma distante hipótese fosse o ministro Joaquim Barbosa mais afeito ao uso de variações vocabulares em seu repertório linguístico, ao menos quando atuando em sessão plenária da nossa Suprema Corte, certamente teria que se dar ao luxo de substituir o uso do “deboche” por seus sinônimos dicionarizáveis, esses sim, mais pesados e possivelmente mais apropriados ao conteúdo formal de suas falas. 
E quais os sinônimos para "deboche"? “Crápula, desregramento, devassidão, libertinagem, tripúdio”.

E deboche foi o que ocorreu na quinta-feira (27/3/2014) na sessão do STF em que se julgou se o processo do mensalão tucano deveria retornar à primeira instância para ter seu julgamento segundo novo arremedo de ritos jurídicos e novas facetas de casuísmos jurídicos, um retorno breve após longuíssima viagem, cheia de engavetamentos, comodidades muitas.



A fama infame e fugaz dos holofotes midiáticos

O roteiro do deboche judiciário – sim, esse é o tipo de delinquência que estamos tratando aqui – é simples em sua forma, complexo em seu conteúdo e patético em seu desfecho:

Em 1998, Marcos Valério se envolve com o PSDB, cinco anos depois em 2003 se envolve com o PT. Desses dois envolvimentos nascem dois filhos gêmeos e bastardos de pais diferentes, mas com o mesmíssimo DNA, a delinquência clara, explícita. Os filhos bastardos são por seus pais chamados de "caixa dois de campanhas eleitorais".




O primeiro gêmeo bastardo, nascido em 1998 passa a ser conhecido como “gêmeo tucano”, o segundo bastardo, nascido em 2003, passa a ser referido como “gêmeo petista”.

Encrencados em desvios de conduta, pois a matriz da delinquência é uma só, única e indivisível, eis que o segundo gêmeo bastardo – o alcunhado de petista - logo é pinçado cirurgicamente para ser julgado pela Suprema Corte do país, levado com estardalhaço a um pelourinho midiático nunca antes visto, contando com um canal de tevê próprio para transformar um julgamento que deveria se pautar pela discrição, serenidade, urbanidade e lhaneza de trato em verdadeiro ‘reality show judiciário’, onde milhões de espectadores da TV Justiça puderam testemunhar a troca de insultos pesados, as grosserias encenadas, as altercações cada vez mais previsíveis e o desrespeito contumaz demonstrado entre ministros que se julgavam infalíveis ao optar por condenações a penas draconianas em contraponto àqueles que desejavam se ater aos autos do processo, dar às costas à fama infame dos holofotes midiáticos e embasar o julgamento com o que julgavam ser a melhor forma de proceder na aplicação da justiça.



Foi assim que o Brasil entronizou na história de seu Poder Judiciário o deboche judiciário: com direito a centenas de horas em telejornais e quilômetros de matérias jornalísticas impressas em jornais e revistas de grande circulação diária e semanal.

Muitas teses de mestrado e doutorado deverão vir a lume nos próximos anos para tentar entender como foi que o STF deu guinada tão abrupta e impactante rumo a um julgamento desvairado, em que juízes pareciam dublês de comentaristas políticos, assemelhavam-se a dublês de porta-vozes partidários – um ministro escandia desaforos contra um partido e dia seguinte o assunto era objeto de representação política junto ao Ministério Público ou ao Tribunal Superior Eleitoral e, enfim, dublês de cidadãos comuns a defender nada mais que o próprio senso comum.

Dois pesos, duas medidas... decisão do STF flerta com a prescrição do mensalão tucano

Na sessão mencionada, os ainda existentes escrúpulos de nossa Corte Suprema foram às favas.

Os petistas são julgados na frente das câmaras de televisão, mediante o empenho midiático e condenados mesmo sem provas, usando-se teorias controversas como a do "domínio do fato"; os condenados ao regime de prisão semiaberto são trancafiados em regime fechado, após passar por videoclipe de execração pública, com direito a que a data escolhida seja uma data cívica nacional (15 de novembro), embarquem em avião [da Polícia] de São Paulo com destino a Brasília, acompanhados em horário nobre por emissoras de tevê. Nenhum dos réus da AP-470 pode recorrer a uma segunda instância de julgamento, mesmo que a maioria dos implicados jamais tivessem direito a foro 
privilegiado.

.

Os tucanos tiveram tratamento inteiramente diferenciado e favorável por parte dos ministros do STF. Esses mesmos ministros estavam bem cônscios que a renúncia do lépido governador mineiro Eduardo Azeredo ao mandato de deputado federal nada mais era que uma mal-dissimulada jogada para fazer o processo em que figura como principal réu – e maior beneficiário dos atos ilícitos elencados no processo - regressar à estaca zero, saindo da alçada máxima do Supremo Tribunal Federal para a a alçada de Primeira Instância. Portanto, à justiça mineira, estado em que foi governador, senador e deputado federal, estado em que o PSDB, seu partido e do qual foi presidente, estado em que o PSDB mantém o governo estadual em sua alçada há mais de década; estado em que o PSDB parece contar com total controle da imprensa estadual e desfruta de pesada influência nas lides judiciárias locais, tanto que nunca prosperou, desde os albores do século XXI, qualquer representação de adversários políticos do PSDB no Ministério Público Estadual de Minas Gerais em que se faziam acusações de atos de improbidade administrativa envolvendo o senador Aécio Neves e tucanos de alto coturno.



Todos os réus do pouco divulgado mensalão tucano, a começar pelo ex-governador Azeredo, com essa decisão quentinha e casuística até a medula, poderão recorrer a todas as instâncias que se fizerem necessárias.

Na prática, a decisão do STF alivia tremendamente a situação do ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo. Contando 65 anos neste ano, com o processo seguindo para a primeira instância, aumentam as chances de Azeredo se beneficiar da prescrição de crimes.

A matemática não deixa margem a dúvidas:

- Se Eduardo Azeredo for condenado antes dos 70 anos e o mensalão tucano for julgado antes de 1º de setembro de 2018, os crimes prescreverão em 31 de dezembro de 2015;
- Se Eduardo Azeredo for condenado após os 70 anos e se o mensalão tucano não tiver sido julgado até 30 de setembro de 2018, todos os crimes terão prescrito.


Mas será que os ministros de nossa Corte são tão bons em matemática como são bons em produzir polêmicas em torno de temas como processo e execução penal?

Em terra de cego... saci vem de voadora

Em resumo, o fato é que em 2012, o STF rejeitou veementemente pedido dos réus do chamado mensalão do PT para que o processo fosse desmembrado e eles fossem julgados na primeira instância, mantendo no STF apenas os réus deputados; e, em 2014, o STF aprovou também com veemência – 8 votos a 1 – enviar o processo tucano, o mesmo que originou os desvios julgados no processo petista, para a primeira instância.

Estranhíssimo é que o arrazoado apresentado pelo ministro Luis Roberto Barroso, relator da ação, se embasava na necessidade de se criar um regra clara quanto ao uso de foro privilegiado por políticos: somente detentores de mandatos eletivos seriam julgados no STF e os demais desceriam a julgamento na primeira instância... Muito bem, na teoria é inatacável, na prática é um consumado horror político, uma vez que o STF acatou o palavrório de Barroso apenas no concernente a livrar o tucano Azeredo do julgamento no STF e, quanto ao estabelecimento de regras claras e objetivas, o assunto resvalou para as calendas de futuro, nada ficando decidido e abrindo-se não mais que uma brecha para que o assunto seja algum dia decidido.

Se o ministro Luis Roberto Barroso imaginava, com sua ação, elevar o STF acima dos casuísmos políticos e das circunstâncias jurídicas, trazendo de volta alguma forma de equilíbrio a uma Corte useira e vezeira na arte de em tudo se posicionar, sem qualquer pudor, discrição ou senso de equilíbrio, o fato é que o tiro saiu literalmente pela culatra – tachou no STF a pecha que estava ainda em fase de consolidação de ter promovido na AP-470 um julgamento profundamente político-partidário e de ter sido usado pela oposição ao governo petista para fazer sangrar o partido aos olhos da sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que pavimentou o mensalão tucano rumo à procrastinação, às chicanas jurídicas, ao compadrio de conterrâneos, ao desinteresse da mídia conservadora e igualmente aparelhada para fazer oposição aos governos petistas – afinal que emissora de tevê dará destaque a um julgamento local, que terá como protagonistas um juiz de primeira instância, advogados de renome no máximo regional, e um julgamento que deixará de contar com o strip tease da TV Justiça que levou a todo o Brasil as polêmicas e sempre com jeito de barracos sessões do STF enquanto julgava o chamado mensalão petista, e pior ainda, que não poderá abastecer o noticiário com o loquaz protagonismo dos sempre cheios de opinião dos ministros do STF?

Somos imbatíveis na arte e na prática do deboche

Equivocou-se, também, o novato ministro Barroso ao propor o que terminou sendo voto vencedor no plenário do STF e, de quebra, oferecer um escada ao ministro Joaquim Barbosa que, ao ser o único a não acompanhar seu voto, tripudiou em cima do colega: mostrou que não se dobra às teses defendidas pelo colega novato não importa quão certas estas estejam, e segundo, que teria o supremo prazer de açoitar um pouco o PSDB, açoitando em seus irritadiços votos o ex-governador tucano Eduardo Azeredo.

Melhor sorte teve o ministro Ricardo Lewandowski: foi a mais sentida ausência dos últimos tempos. Sua estatura moral paira sobre um recinto que se apequenou, uma Corte que foi encolhendo a ser o que é atualmente – um espaço cada vez mais dominado pela mediocridade, a baixa política de bastidor, a arena de egos inflamáveis. Sorte porque não precisou compactuar com uma pantomima marcada pelo mau odor exalado de uma justiça claudicante e metida a espertezas e que, qual biruta de aeroporto, ora declara o injusto justo e ora o justo injusto.

Uma coisa ficou evidente: somos imbatíveis na prática do deboche como a arte do ofício de julgar. Para saber o que significa deboche, voltemos a ler o que está inscrito nos §§ 1º, 2º e 3º do presente artigo."

FONTE: escrito por Daniel Quoist e publicado no site "Carta Maior" (http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Deboche-Juridico-STF-flerta-com-prescricao-do-mensalao-tucano/30595). [Imagens do google adicionadas por este blog 'democracia&política'].

BANQUEIROS ESPERTOS NOS FAZEM ACHAR QUE A COPA É O PROBLEMA





Somos educados para o analfabetismo econômico


Somos treinados a concordar com coisas que não fazem sentido. Por exemplo, pagamos um Mineirão dia em juros da dívida, e achamos que a Copa é o problema...


Por Antonio Lassance

Os barões ladrões que rebaixam o Brasil

"A agência 'Standard & Poor's', uma das que fazem classificação de risco de países e empresas, alterou a nota do Brasil para pior: de BBB para BBB-.

E se alguém acha que esse é um debate econômico, está redondamente enganado. A economia continua sendo um assunto importante demais para ficar restrito aos economistas.

A elevação ou o rebaixamento da nota de um país são entendidas, mundo afora, como um sinal do quanto um país é rentável e confiável.

"Confiável", segundo agências de classificação especializadas, consiste em dizer aos grandes financistas internacionais onde investir seu dinheiro para obter maiores lucros, com a garantia de que não tomarão um calote.

 

A Standard & Poors foi criada no século XIX, nos Estados Unidos, por Henry Varnum Poor, em plena época dos chamados barões ladrões.

Os grandes investidores que Henry Poor avaliava e recomendava ganhavam dinheiro com ferrovias, siderúrgicas e empresas de petróleo.

Uma parte significativa dos lucros desses magnatas vinha da apropriação de terras e outros ativos públicos e da arte de usar e roubar o dinheiro de pequenos investidores desavisados, que depositavam suas economias no nascente mercado de ações.

Esses barões ladrões do século XIX não eram tão diferentes dos mais recentes, que causaram a grande crise financeira de 2008 e 2009. Todos bem recomendados pela "Standard & Poor's".

A avaliação de "risco do Brasil" basicamente expressa o quanto o país continua sendo um dos paraísos mundiais do rentismo, a mágica de ganhar dinheiro com o trabalho dos outros. Quanto mais a política econômica de um país é ditada pelos interesses dos rentistas, melhor a nota.

Para não ser rebaixado pelas agências, um país precisa rebaixar sua política econômica. Tem que seguir uma receita orientada pelo objetivo de fazer crescer o volume de dinheiro movimentado pelas finanças, e não o de fazer crescer o país.

E ainda tem gente que acha que nosso grande problema é a Copa

Se o Brasil sofreu o rebaixamento de um único pontinho, “o que eu tenho a ver com isso?”, pode e deve perguntar o cidadão. Como diria o velho Brecht, tem a ver com o custo de vida, o preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Não deveria ter, mas tem.

Para dizer a verdade, esse rebaixamento tem a ver até com a Copa do Mundo de futebol, pois, enquanto tem gente preocupada, com razão, com o custo dos estádios, esqueceram-se do principal.

Para se ter uma ideia: o País vai gastar cerca de 8 bilhões em estádios. É, de fato, muito dinheiro. Mas o analfabetismo econômico ajuda todo mundo a se esquecer de fazer a conta que importa.

O Brasil gastou, em 2013, R$ 248 bilhões com o pagamento de juros, segundo o Banco Central. Pois bem, dividindo esse valor pelos 365 dias do ano, pagamos mais de R$ 679 milhões por dia.

Vamos comparar com a copa? Dá quase para construir um estádio do Mineirão por dia. Aliás, registre-se que o Mineirão só tem R$ 11 milhões de dinheiro público envolvido em seu financiamento. O restante será pago pela iniciativa privada. Dois dias de juros da dívida pagam mais de um Maracanã.

E ainda tem gente que acha que a copa é o "absurdo dos absurdos do gasto em dinheiro público". É a prova cabal do quanto perdemos a noção das coisas...

Perdemos a noção de grandeza e a de proporção. Com isso, perdemos também o senso crítico em relação a esse buraco negro de nossas finanças públicas. Depois, perdemos o foco das prioridades.

Finalmente, erramos o alvo das manifestações. Tem gente malhando o Judas (a Copa, a Fifa) fingindo que está enfrentando o Império Romano. Se não for piada, é teatro.

Quem sabe, um dia, alguém se lembre de escrever a frase em um cartaz: “Cada 1% de aumento na taxa de juros custa R$ 20 bilhões aos brasileiros”. É uma mensagem mais consistente e valiosa do que “Não é só pelos 20 centavos”.

Vinte bilhões são duas vezes e meia, por ano, o que iremos investir em estádios, que serão pagos em 15 anos em empréstimos ao BNDES – ou seja, dinheiro que voltará aos cofres públicos.

O rebaixamento do debate econômico nos fez perder a noção das coisas

O verdadeiro rebaixamento que o país sofre não é de hoje e não é só o da "Standard & Poor's". O mais prejudicial de todos é o rebaixamento do debate sobre os rumos da economia do país.

O Brasil continua sendo um carro em que os mecânicos do mercado puxam o freio de mão e culpam o motorista pela dificuldade de acelerar o crescimento, melhorar a infraestrutura e a qualidade do serviço público.

A primeira mudança para uma tomada de consciência é superar a visão de que os juros são um problema só da macroeconomia e que sua conta é paga pelo governo. Não é.

O governo é apenas quem assina o cheque. Quando falamos “o Brasil”, muita gente ainda acha que estamos falando "do governo". Perdemos, talvez na ditadura, e ainda não recuperamos a noção de que o Brasil são os brasileiros.

Quem confunde isso com nacionalismo barato e governismo acaba por reproduzir, às avessas, a velha maneira de pensar ensinada pela própria ditadura. Puro analfabetismo cívico.

Quem paga a conta cara dos juros altos são todos os que pagam impostos, principalmente os mais pobres, que, proporcionalmente, pagam mais impostos.

A luta para inverter prioridades precisa convencer milhões de brasileiros de que é preciso virar as finanças públicas de cabeça para baixo.

Hoje, a principal função do Estado brasileiro é pagar juros, os maiores do planeta. O Brasil é um dos três países que mais comprometem recursos públicos com o pagamento de juros, em proporção do PIB, conforme diz até o Fundo Monetário Internacional.

A educação, a saúde, a segurança pública e os investimentos em infraestrutura são pagos com o troco do que sobra do pagamento de juros.

Somos educados para o analfabetismo econômico

O problema que temos em mãos lembra o alerta feito por um professor de Matemática, com cara de cientista maluco, chamado John Allen Paulos, em seu livro “O analfabetismo em Matemática e suas consequências" (publicado originalmente em 1988).

O divertido livro de Paulos relembra casos famosos que denunciam a falta nem tanto de habilidade, mas de uso prático e corriqueiro até das operações matemáticas mais simples.

A principal denúncia de Paulos é ao quanto nos desacostumamos da operação mais essencial de todas, não exclusiva da Matemática: pensar sobre os problemas e raciocinar logicamente sobre eles.

Paulos nos avisa que isso é um perigo. Corremos riscos diários com essa nossa preguiça de pensar logicamente sobre os problemas e com a nossa incapacidade de extrair resultados práticos e numéricos dessas operações.

O que acho mais curioso nesse livro, e muito similar ao que acontece em nosso debate econômico, é que esse tipo de analfabetismo é ensinado diariamente.

É como se fôssemos educados para o analfabetismo. Somos treinados a esquecer a lógica dos argumentos e a concordar com coisas que não fazem o menor sentido.

Paulos usa, dentre tantos exemplos, o livro “Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift (1667-1745). O matemático nos mostra como o autor de Gulliver, ao descrever um gigante em uma terra de pequeninos (Lilliput), lascou o livro de grandezas absurdas, que não fazem o menor sentido.

As histórias de Gulliver são de 1726. Para não parecer tão distante, Paulos escreveu, em 1995, “Como um Matemático lê os Jornais”, publicado no Brasil como “As Notícias e a Matemática” ou “Como um Matemático lê jornal”.

Acertou na mosca. A imprensa é useira e vezeira em nos deseducar a usar não só os números, mas a lógica. É assim também com as notícias cujo título é contraditado pelas próprias matérias, armadilha comum aos que leem jornal com o espírito crítico repimpado e babando no sofá.

Terrorismo fiscal, um atentado ao raciocínio lógico

A notícia sobre o rebaixamento da nota do Brasil foi uma farra nesse sentido de propagar o analfabetismo econômico.

A conclusão enfiada goela abaixo é a de que o País precisa "aumentar seu rigor fiscal" e seu "controle sobre a inflação".

Ou seja, o Brasil precisaria urgentemente cortar gastos e continuar elevando sua taxa de juros. Como assim, se o nosso principal gasto extraordinário é com juros? Não faz sentido, faz? Depende para quem.

A ideia brilhante para atender às agências de risco é cortar o que o governo faz para pagar mais juros. Faz todo o sentido – para o financismo, não para a maioria dos brasileiros.

Mal começou o ano, os problemas sazonais dos preços dos alimentos, que impactam também os alugueis, são traduzidos na conclusão disparatada e tão absurda quanto os números das “Viagens de Gulliver”.

A lógica é a seguinte: se choveu muito, ou se choveu pouco, a inflação de alimentos elevou-se. Solução: aumentem os juros. Elevando-se os juros, as pessoas vão comer menos alimentos e os agricultores assim plantarão mais alimentos. Com juros mais altos, choverá a quantidade certa, no lugar certo. Entendeu? Nem eu.

O preço do tomate disparou, então o remédio é aumentar os juros. A pessoa irá desistir de levar tomates quando pensar que a taxa Selic está mais alta. Quando a taxa Selic alcança dois dígitos, as pessoas trocam a macarronada a bolonhesa por lasanha ao molho branco.

Os alugueis subiram, então os juros precisam aumentar, pois, em Lilliput, a terra de quem pensa pequeno, quando os juros sobem, ao contrário do que ocorre em qualquer lugar do mundo, mais imóveis são construídos e os alugueis baixam.

Engraçado, pensávamos que seria o contrário; que, com juros mais baixos, mais pessoas poderiam comprar seus próprios imóveis e se livrar dos alugueis. Aumentaria a própria oferta de imóveis e os aluguéis cairiam. Difícil entender os lilliputianos.

Essa falta de parâmetros e de noção do debate econômico causa uma deficiência grave em nossas políticas públicas.

Figuras exemplares que alertam sobre isso, como fazem Paulo Kliass, Ladislaw Dowbor e Amir Khair aqui na "Carta Maior", há muito tempo, falam de coisas sobre as quais deveríamos não só prestar mais atenção, mas usar em nosso dia a dia.

Os movimentos sociais precisam se lembrar de explicar essa lógica dos argumentos aos seus militantes.

Precisam fazer as contas de quantos trabalhadores do setor público poderiam ser contratados e pagos com esses valores estratosféricos e escatológicos pagos com juros.

Precisam mostrar para a opinião pública quanto custa o reajuste de salários de suas categorias e compará-los com o que se paga em juros aos banqueiros.

Quem sabe, uma boa ideia seria acampar no gramado em frente ao Banco Central toda vez que ocorre uma reunião do Copom. E por que não fazer pelo menos um dia de luto quando se decreta aumento na taxa de juros.

Imagine todo mundo com a fitinha preta no braço explicando quanto vai nos custar pagar 0,25% ou meio ponto percentual a mais na taxa Selic, e quanto deixará de ser aplicado em prioridades para o país.

Pode até não ajudar a pressionar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas, pelo menos, seria um sinal de quantas pessoas terão se livrado do analfabetismo econômico atroz que nos acomete."

FONTE: escrito por (*) Antonio Lassance, cientista político. Publicado no site "Carta Maior" (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Somos-educados-para-o-analfabetismo-economico/4/30597).