domingo, 31 de maio de 2015

INVASÃO DOS EUA NO AFEGANISTÃO FOI PELO "MERCADO" DA HEROÍNA



    Soldado dos EUA em plantação de papoulas


[OBSERVAÇÃO deste blog 'democracia&política': 

O MUITO ESTRANHO GRANDE CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO DE HEROÍNA NO AFEGANISTÃO APÓS A OCUPAÇÃO PELOS EUA

Este blog já abordou, em artigo próprio, esse intrigante fato em postagem de 22/03/08, intitulada:

"FATOS MUITO ESTRANHOS NA GUERRA DOS EUA CONTRA O AFEGANISTÃO"

Reescrevo e amplio o tema:

"Muito antes do ataque terrorista às torres gêmeas de Nova Iorque em 11/09/2001, j
á era claramente previsto pela imprensa nos EUA que o Afeganistão seria invadido por tropas norte-americanas em futuro próximo. Porém, o motivo explícito era somente o petróleo. 

O PETRÓLEO

O motivo daquele ataque então já prenunciado foi o fato de a região da Ásia Central abrangida pelos países Azerbaidjão, Cazaquistão, Usbequistão e Turcomenistão ter sido identificada como possuindo reservas de petróleo e gás maiores que as do Golfo Pérsico.

No Afeganistão, país vizinho àquela rica região petrolífera e caminho natural para o melhor escoamento da futura produção de petróleo e gás, o
s EUA já haviam "ajudado" com armas e informações, com interesse geopolítico na área, o regime Taliban e Osama Bin-Laden a combaterem a União Soviética.

O Afeganistão é importantíssimo como solução geográfica mais barata para o transporte daquelas riquezas. Seria muito menos custoso passar oleodutos e gasodutos por seu território, até o porto na área marítima do Paquistão, junto ao Oriente Médio, do que a solução manifestada pelos russos, de estendê-los pelo Mar Cáspio, até o Mar Negro e de lá alcançar o Mar Mediterrâneo. 



Segundo a imprensa da época pré-11 setembro, vários grupos dos EUA (Chevron, Conoco, Texaco, Mobil Oil e Unocal) já estavam, na década de noventa, com negociações e investimentos adiantados no Afeganistão para aquela exploração.

O regime afegão Taliban, todavia, veio a se negar a autorizar a passagem pelo Afeganistão do oleoduto e do gasoduto, os quais já estavam iniciados pela empresa norte-americana Unocal [adquirida depois pela Chevron e na qual trabalhava Hamid Karzai que veio a ser "eleito" presidente do Afeganistão pós-ocupação pelos EUA]. Essa negação dos talibans causou a interrupção da obra em 1998. "Coincidentemente", naquele ano, em 20/08/1998, de surpresa, à noite, os EUA atacaram com mísseis de cruzeiro e aviões uma região daquele país “suspeita de abrigar possíveis terroristas”...

Desde então, volta e meia surgiam mais artigos em jornais e revistas dos EUA e em várias partes do mundo, abordando novo e iminente ataque militar dos EUA ao Afeganistão. 

O posterior ataque "terrorista" [atentado ou autoatentado, executado por sauditas] de 11/09/2001, em Nova Iorque, veio a ser valioso e oportuno pretexto para aquela já esperada e planejada ação militar norte-americana.

COISAS MUITO ESTRANHAS - O NARCOTRÁFICO 


Sempre achei que naquela atentado de NY e naquela invasão do Afeganistão havia no ar coisas muito estranhas, incoerentes. Muitas delas até hoje perduram e se amplificam. Porém, foi surpresa quando algo por trás do petróleo, econômica e financeiramente muito mais importante, começou a se revelar. Não era assim facilmente previsível ou imaginável. Nos últimos anos, a "lógica" da invasão ficou mais clara.

Antes da invasão norte-americana, o regime Taliban havia banido do Afeganistão o cultivo da papoula, da qual se obtém o ópio, do qual é extraída a heroína. A produção caiu praticamente a zero em julho de 2001 (dois meses antes do estranho atentado às torres gêmeas de Nova Iorque). 


Com essa ação dos talibans, o "mercado" mundial daquele produto, que somente nos EUA movimenta a economia em muitos bilhões de dólares por ano, ficou enlouquecido, com preços incontrolavelmente disparando, inviabilizando a sua comercialização e causando gigantesco prejuízo aos seus empresários, comerciantes, grandes bancos, paraísos fiscais, bancos suíços como o HSBC com suas contas secretas, e o desespero aos consumidores norte-americanos. [OBS.: Em 2008, o comércio de narcotráfico (heroína e outros) movimentou 1,75 trilhões de euros no mundo!!!].

Assim, alguns meses depois do 11/09, houve a invasão norte-americana, na alegada caça ao saudita "terrorista Bin Laden" [sic]. Os EUA devastaram 
o Afeganistão com poder destruidor impressionante, com milhões de toneladas de bombas e mísseis moderníssimos. Até o subsolo, as cavernas, as montanhas foram explodidos por novas e poderosas bombas que tudo esfarinhavam como grandes terremotos. 


Um detalhe: aquela guerra foi, também, imenso negócio alavancador da poderosa e multibilionária indústria de armas e de serviços logísticos militares nos EUA. O PIB norte-americano cresceu significativamente. 

O Afeganistão assim atacado (cujos progresso e infraestrutura antes já o assemelhavam ao interior do Piauí, e o seu centro comercial era semelhante a uma feira livre da periferia de Caruaru), foi completamente destroçado com armas moderníssimas, com dezenas de milhares de civis afegãos mortos. Até hoje, o país está ocupado pelas numerosas, modernas e poderosíssimas Forças Armadas dos EUA e de seus aliados.

Contudo, o mais surpreendente é o Afeganistão, mesmo policiado palmo a palmo por forças dos EUA e OTAN (que se intitulam com o nobre direito de combater o terror e o narcotráfico em qualquer país do mundo), ter rapidamente recuperado e gigantescamente aumentado a lavoura, a produção e a exportação do ópio, hoje já respondendo por mais de 95% da produção mundial de heroína. Para alívio do "mercado", os preços e o suprimento da heroína já baixaram e estão normalizados nos EUA e nos demais grandes centros consumidores. O negócio está bombando.

Apenas para exemplificar esse absurdo quadro, relembro trechos de um artigo da insuspeita agência estatal britânica de notícias BBC, de 03/09/2006, que trata desse surpreendente e exponencial crescimento da produção de papoula, ópio e heroína após a invasão norte-americana:

“CULTIVO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO AUMENTA 59% NO ANO” (2006)

O cultivo de papoulas no Afeganistão - matéria-prima para a produção de ópio - deverá aumentar em 59% neste ano, já representando 92% da produção mundial da droga, de acordo com as Nações Unidas.”

(...) “O narcotráfico, para o Afeganistão, é estimado em US$ 2,7 bilhões, responde por cerca de um terço da economia do país.” (atualização deste blog: dois anos depois, em 2008, 57% do PIB afegão proveio da heroína (fonte: UOL Mídia Gobal, 02/04/2008).

Isso [notícia da BBC] foi em 2006. Em 2007, foi pior:

Vejamos outro artigo, da "Folha Online", em 05/03/2007:


“ONU RELATA AUMENTO DO TRÁFICO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO” (2007)

O cultivo de papoula --matéria prima do ópio-- no Afeganistão poderá se expandir em 2007 após safra recorde em 2006, afirmou nesta sexta-feira a agência da ONU que investiga drogas. O relatório da ONU destaca o fracasso da iniciativa internacional que luta contra o tráfico de narcóticos crescente no país.

A Agência para Drogas e Crimes da ONU (UNDOC) prevê aumento da papoula em um círculo de Províncias afegãs, inclusive Helmand, no sul, onde há a mais extensa área de cultivo no país.”


(...) "A pesquisa deste inverno sugere que o cultivo de ópio no Afeganistão em 2007 poderá superar a colheita recorde de 165 mil hectares em 2006", afirmou o diretor executivo da UNDOC”.

CULTIVO

(...) Segundo a ONU, o cultivo de papoula ocorre em 100% dos vilarejos visitados na Província de Helmand e em 93% das vilas da Província vizinha de Candahar (ex-bastião do Taliban).

Impressionante. Tudo isso com cada palmo de Afeganistão ocupado por soldados norte-americanos e aliados. Muito estranho...

Essa postagem deste 'democracia&política' foi em 2008. Parece que nada mudou. Vejamos sobre o assunto a seguinte postagem de sábado último (30) do portal "Vermelho"]:

Produção de drogas no Afeganistão cresceu após chegada dos americanos

"A produção de drogas no Afeganistão aumentou 50 vezes desde o início da operação militar dos EUA no país, em 2001, e continua aumentando, declarou o Serviço Federal de Controle de Drogas da Rússia (FSKN na sigla em russo). Depois de 10 anos da ocupação militar americana, o país produz 95% do ópio mundial.

Depois de 10 anos da ocupação militar americana, o Afeganistão já produz 95% do ópio mundial

Segundo o FSKN, os números de campos de papoulas no Afeganistão em 2014 mais uma vez se tornaram recordes em toda a história do país, e atingiram 224 mil hectares.

O famoso cientista político, especialista de estudos regionais e analista independente sobre problemas do Afeganistão, Paquistão e Índia, Pir Mohammad Molazehi, comentou as razões da situação atual. “Desde o começo, os americanos escolheram seus alvos e laços no mundo das drogas, o que lhes permitiu dominar o mesmo e garantir que a indústria das drogas continue crescendo. Há dados que em certas regiões eles aconselhavam as pessoas a obter o máximo de lucro do cultivo da papoula. Por isso, os americanos nunca se colocaram o objetivo de combater as plantações de papoulas nem a produção das drogas."

Em geral, a chegada dos EUA ao Afeganistão não só falhou de impedir o processo de produção de drogas, mas ao contrário, contribuiu para o seu aumento drástico”, disse o cientista político.

Que passos devem fazer as autoridades afegãs? A resposta foi dada pelo antigo ministro de controle de drogas afegão, General Khodaidad. Segundo ele, na situação atual a "Organização para Cooperação de Xangai" pode contribuir de forma positiva à situação no Afeganistão, e é necessário usar o seu potencial para combate ao terrorismo e controle de drogas afegãs.

O cultivo e a produção de drogas no Afeganistão ficam fora do controle da comunidade mundial. A "Organização para Cooperação de Xangai" (OXC) deve agir mais ativamente na luta contra a produção de drogas, servindo como um tipo de ponte nessa questão entre a Rússia e as regiões de norte do Afeganistão.

Como se sabe, os EUA e a OTAN gastaram US$ 7,8 bilhões no combate ao cultivo e à produção das drogas no Afeganistão. No entanto, nos últimos anos essa produção não só não caiu, como pelo contrário, está aumentando. Isso quer dizer que todo esse dinheiro foi gasto em vão. Quanto à questão do terrorismo, os EUA e os seus aliados ocidentais não parecem mais a fim de lutar contra ele. Enquanto isso, com o governo novo do Afeganistão, os países da região, liderados pela Rússia, estão apoiando o país na área econômica e cultural.

É importante que o Afeganistão intente participar da cúpula de líderes da OXC em Ufa. Estou certo, que essa é uma boa chance para começar um diálogo construtivo e eficaz com os vizinhos do Afeganistão – não só nas áreas da economia, mas também no combate contra o terrorismo e o controle de drogas”
.

FONTE: observação inicial entre colchetes e em azul produzida por este blog 'democracia&política' e 
postada em 22/03/08. Artigo seguinte obtido no "Sputnik News" pelo portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/264866-9).

DILMA "PEITA" GILMAR (STF) E CUNHA (CÂMARA) SOBRE COMPRA DE POLÍTICOS POR EMPRESAS:




Do portal "Conversa Afiada":


Grana de empresa: Dilma peita Gilmar e Cunha

Quem primeiro defendeu a PEC da Bengala ? O Gilmar. Quem aprovou ? O Cunha !​ 

No "
Globo": http://oglobo.globo.com/brasil/dilma-se-opoe-cunha-critica-financiamento-empresarial-de-campanhas-aprovado-na-camara-16308852#ixzz3bcd39GHf

"A presidente Dilma Rousseff afirmou, na sexta-feira 29/5, que é a contra as doações feitas por empresas a candidatos e partidos políticos. A posição, defendida por Dilma durante congresso do PCdoB em São Paulo na noite de 6ª, contraria a reforma política que está sendo votada pelo Congresso Nacional.

(Contraria e enfrenta, frontalmente, o Ministro Gilmar Mendes [STF], que tranca e não devolve uma decisão do Supremo, que, por seis a um, já decidiu que não pode haver financiamento de empresas a campanhas eleitorais.

Nesse ponto, o presidente da Câmara, o imaculado Eduardo Cunha, parece jogar de mano com o ministro Gilmar – ou vice-versa …

Sobre a imaculabilidade do Ministro Gilmar, leia antológico artigo do Mino Carta
, a propósito do Marin, do Daniel Dantas – e do Ministro )

— "Considero que temos que introduzir na Constituição o fim do financiamento empresarial de campanha. Temo que isso esteja sendo postergado" — disse Dilma
(…)

"Falando para uma plateia formada por cerca de 500 militantes e dirigentes do PCdoB, Dilma falou sobre a crise econômica que o país atravessa e sobre medidas de ajuste nas contas públicas defendidas por seu governo:

Chegamos ao limite da nossa capacidade de utilizar os recursos do governo federal para proteger nossa economia. Vamos ter que dar uma reequilibrada no fiscal, será uma mudança tática — afirmou a presidente, que prosseguiu:

Um país não faz ajustes gastando mal nem sucateando seus programas sociais e de infraestrutura. É esse o desafio que o governo está apresentando e que exige rapidez.

Em tempo: quem primeiro defendeu a PEC da Bengala ? O Ministro Gilmar ! Quem aprovou a PEC da Bengala, que beneficia o Ministro Gilmar ? O Cunha ! Viva o Brasil !""

FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim no seu portal "Conversa Afiada"   (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/05/30/grana-de-empresa-dilma-peita-gilmar-e-cunha/).

330 DEPUTADOS PREFEREM SER COMPRADOS E COBRADOS POR EMPRESAS




CÂMARA ENDOSSOU DELATOR COSTA SOBRE FINANCIAMENTO

"Para o cientista político André Singer, ao aprovar a constitucionalização do financiamento privado de campanhas, a Câmara respondeu de maneira clara a pergunta feita há três semanas por Paulo Roberto Costa. Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento sintetizou: "Para que uma empresa vai doar R$ 20 milhões para uma campanha se ela não tiver algum motivo na frente para cobrar isso?" Resposta: "330 deputados preferem as cobranças e os aportes dos grandes patrocinadores a ter que sobreviver com o apoio de contribuintes individuais", afirmou.

Do "Brasil 247"


O cientista político André Singer criticou no sábado, 30, a aprovação pela Câmara dos Deputados da constitucionalização do financiamento de empresas aos partidos.

Segundo Singer, a Câmara Federal respondeu de maneira clara à pergunta decisiva emitida três semanas antes por Paulo Roberto Costa. "Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento sintetizou: "Para que uma empresa vai doar R$ 20 milhões para uma campanha se ela não tiver algum motivo na frente para cobrar isso?" Resposta: 330 deputados preferem as cobranças e os aportes dos grandes patrocinadores a ter que sobreviver com o apoio de contribuintes individuais", afirmou.

O cientista político da Universidade de São Paulo comentou também os efeitos da aprovação do financiamento privado de campanhas na votação do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto.

"Se de fato incluída na Constituição, a cláusula aprovada nesta semana poderá tornar sem efeito a maioria que existe no STF contra a doação de empresas. Esse é, aliás, o seu objetivo. Configura-se como manobra conjugada com o longo pedido de vistas por parte de Gilmar Mendes, o qual impediu que o tribunal até aqui se pronunciasse a respeito", afirma.

"Trata-se de duro golpe contra a democracia. Nunca está demais repetir que, ao perpetuar o sistema de financiamento empresarial, opera-se uma espécie de sequestro da política. Embora formalmente eleitos pelo voto de cada um de nós, na realidade os representantes respondem aos poucos que controlam os recursos com os quais são feitas as campanhas. Isso esvazia o debate democrático, uma vez que as decisões são tomadas em lugares inacessíveis, para os quais o cidadão comum nunca é convidado."

Leia aqui [ou a seguir] o artigo na íntegra de André Singer, publicado na "Folha de S. Paulo".

Radiografia

"Uma das poucas vantagens das crises é a verdade aparecer. Ao aprovar, em primeiro turno, a constitucionalização do financiamento de empresas aos partidos, a Câmara Federal respondeu de maneira clara a pergunta decisiva emitida três semanas antes por Paulo Roberto Costa. Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento sintetizou: "Para que uma empresa vai doar R$ 20 milhões para uma campanha se ela não tiver algum motivo na frente para cobrar isso?" Resposta: 330 deputados preferem as cobranças e os aportes dos grandes patrocinadores a ter que sobreviver com o apoio de contribuintes individuais.

Convém registrar que essa maioria qualificada foi obtida por meios tortuosos, pois, na noite anterior, haviam faltado 44 votos para atingir o quorum constitucional. Foi necessário que Eduardo Cunha entrasse em campo com ameaças a pequenas legendas (Folha, 28/5, pág. A5) para amealhar os sufrágios faltantes. Deve-se considerar, contudo, que 93% dos votantes do PMDB e 98% dos do PSDB manifestaram-se a favor da proposta.

Quando dois dos três grandes partidos se alinham, deixando o terceiro isolado, no caso o PT, no qual 100% ficaram contra a medida, torna-se difícil resistir. Foi também o que aconteceu no caso da terceirização. Diferentemente do que afirmei logo depois da eleição de outubro, parece ter ocorrido, sim, uma virada conservadora, ao menos na Câmara. Não tanto pela prevalência de siglas de direita, mas porque o centro, liderado por Eduardo Cunha, tem mostrado inequívoco viés antipopular.

Se de fato incluída na Constituição, a cláusula aprovada nesta semana poderá tornar sem efeito a maioria que existe no STF contra a doação de empresas. Esse é, aliás, o seu objetivo. Configura-se como manobra conjugada com o longo pedido de vistas por parte de Gilmar Mendes, o qual impediu que o tribunal até aqui se pronunciasse a respeito.

Trata-se de duro golpe contra a democracia. Nunca está demais repetir que, ao perpetuar o sistema de financiamento empresarial, opera-se uma espécie de sequestro da política. Embora formalmente eleitos pelo voto de cada um de nós, na realidade os representantes respondem aos poucos que controlam os recursos com os quais são feitas as campanhas. Isso esvazia o debate democrático, uma vez que as decisões são tomadas em lugares inacessíveis, para os quais o cidadão comum nunca é convidado.

Outra vez, ficará com o Senado, e depois com a presidente Dilma Rousseff, a possibilidade de reverter o que foi decidido na "Casa do Povo" (?), caso essa reitere no segundo turno o que foi consagrado esta semana. Se o fará ou não, vai depender, agora, da mobilização dos setores sociais empenhados em revitalizar a democracia."

FONTE: escrito pelo cientista político André Singer, da Universidade de São Paulo, e publicado na "Folha de São Paulo" e no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/182998/Singer-C%C3%A2mara-endossou-Costa-sobre-financiamento.htm) e (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/andresinger/2015/05/1635755-radiografia.shtml). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].

A POLÍTICA DOS EUA DO "GRANDE PORRETE" CONTRA A FIFA E A RÚSSIA




Intervenção dos EUA na Fifa seria um novo 'Big Stick' a caminho?

As denúncias contra a FIFA evocam a política descaradamente intervencionista estadunidenses: há evidentes interesses geopolíticos por trás de tudo isso.
Por Morvan Bliasby, no portal "Viomundo"

"O mundo ficou estupefato com a notícia da Fifa; não que alguém, de sã consciência, discorde da necessidade de se sanitizar a Entidade, cuja corrupção campeia há tempo, e não d'agora, desse arroubo “vestal” das rapinas, até onde isso for possível.

O evento, longe de significar fato isolado (nada o é, em se tratando de EUA!), evoca a política descaradamente intervencionista do "Big Stick" (grande porrete), dos estadunidenses, os xerifes da humanidade; sempre, com a aquiescência dos que, ou não enxergam a gravidade das ações desses reacionários neoromanos e a falta de noção dos que clamam pela própria, ou [a gravidade] da intervenção militar constitucional (Sic!); (os políticos brasileiros, notadamente os de direita, que têm à escrivaninha uma bandeira dos EUA, em vez da nossa, que o digam!).

A responsável pela emissão dos mandados de prisão no escândalo que abalou a Fifa (e o mundo!) ora, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta E. Lynch, afirmou:

“… O Departamento de Justiça do país está ‘determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol’.”

Lindo. Como são diligenciosos, esses estadunidenses. De uma hora para outra, eles tentam varrer a corrupção (dos outros!). Num país em que o "lobbie" é uma atividade regulamentada, os escândalos sempre ficam impunes (vide caso Enron), desde que os corruptos sejam “amigos do rei”, falar em corrupção soa no mínimo estranho. Sem se falar em um país onde se financiam derrubadas de Governos contrários à democracia (pois sim!) e a sociedade civil não se manifesta ou não tem força para. A corrupção dos outros é realmente mais fácil de detectar e de combater, sabe-se. Tanta fome na África, moléstias em todo o mundo, doenças que já deveriam ter sido erradicadas há séculos, tecnologia biomédica, há, e a preocupação desses honrados estadunidenses é com o futebol na Fifa!

Felizmente, nem todos caem nesse conto manjado dos “vestais da humanidade”. A Rússia já alertou para as reais intenções da “palmatória do mundo“, embora possa se crer que o problema é bem mais complexo do que continuar a ser simplesmente a régua desse ou somente prejudicar a Rússia, futura sede da Copa: a agenda aponta claramente para um recado. Recado sutil como os são os daqueles senhores falconiformes: — “não vos esqueçais do Destino Manifesto, pois vós sois o meu quintal!“.

O recado, como se diz, nada sutil, é para os bolivarianos (Sic!); a Fifa é só o transdutor, ou seja, — “Nós podemos tudo, inclusive intervir, em qualquer lugar“. É a manifestação inequívoca, embora com o mesmo discurso protoudenista de sempre: a América Latina como nosso (deles, claro) quintal; afinal, para um povo ‘superior’, se lhe parece apenas o cumprimento da ‘profecia’.

Resta saber como a AL se comportará, diante desse farol de udenismo triunfante: ou aceitará o “Destino Manifesto” ou lhes dará um manifesto cacete, ou “Big Stick”, como eles gostam de falar, como fez a pequena, porém imponente Nicarágua, quando lhe tentaram anexar. Anexar o cacete, diriam os nicaraguenses; “peia” para vinte, os valentões “escolhidos” pela “providência” (talvez seja a mesma que “escolheu” o avião onde viajava Eduardo Campos!) levaram sozinhos.

Assim se faz um povo. Viva a Nicarágua. O tal de “Destino Manifesto” não resiste a um povo. Apenas, onde eles e seu “Big Stick” atuam, têm sempre aqueles que vaticinam “A Teoria da Dependência”; depois, fica fácil: uma imprensa a serviço dos ‘superiores’, ‘escolhidos’, e o escritor da teoria da Dependência (É o cacete!) cria leis que facilitam a transferência de patrimônio. Funciona, mesmo. Vale, Petrobrax (felizmente, não deu tempo), nióbio, pedras preciosas, estrutura de telecomunicações etc. Beleza de teoria. Não funciona na Nicarágua, na Bolívia, na Venezuela. sabe-se… nem em Cuba.

Façam com a Fifa e com seus carcamani o que quiserem, mas, fora da América Latina! É o Pré-Sal, estupendo!"

FONTE: escrito por Morvan Bliasby, no portal "Viomundo". Transcrito no portal "Carta Maior" (http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Intervencao-dos-EUA-na-Fifa-seria-um-novo-Big-Stick-a-caminho-/6/33608).

BLATTER: AÇÃO DOS EUA CONTRA FIFA É "REVANCHE"




BLATTER: AÇÃO DOS EUA CONTRA FIFA É "REVANCHE"

"Recém-reeleito presidente da Fifa, Joseph Blatter afirmou que as prisões de dirigentes da instituição foram uma revanche de Washington contra o fato de ter perdido a Copa de 2022 para o Catar, na escolha realizada em 2011.


"Ninguém vai me tirar a ideia de que foi uma simples coincidência esse ataque americano, dois dias antes das eleições da Fifa", declarou em entrevista à televisão suíça RTS; "Os americanos eram candidatos [à Copa de 2022] e perderam. Com todo respeito ao sistema judicial americano, se eles têm um problema com crimes financeiros ligados a cidadãos americanos ou sul-americanos, então precisam prender essas pessoas lá e não em Zurique onde temos um congresso", declarou.

Do "Brasil 247"

Recém-reeleito presidente da Fifa, Joseph Blatter afirmou que as prisões de dirigentes da instituição foram uma revanche de Washington contra o fato de ter perdido a Copa de 2022 para o Catar, na escolha realizada em 2011.

"Ninguém vai me tirar a ideia de que foi uma simples coincidência esse ataque americano, dois dias das eleições da Fifa", declarou em entrevista à televisão suíça RTS. "Depois, tivemos reações da Uefa e de Platini", disse. "Não cheira bem".

Para Blatter, isso foi algo programado. "Eles tentaram me denegrir e usaram o momento para dizer que é tempo para que eu deixe o poder", disse, lembrando que ameaçaram boicotar. "Existe sinais que não podem ser escondidos", insistiu.

"Os americanos eram candidatos [à Copa de 2022] e perderam. Então, foi a imprensa britânica e o movimento americano que surgiu. Olha, com todo respeito ao sistema judicial americano, se eles têm um problema com crimes financeiros ligados a cidadãos americanos ou sul-americanos, então precisam prender essas pessoas lá e não em Zurique onde temos um congresso", declarou.

"Há algo que não cheira bem", insistiu. "Isso é um caso de corrupção entre a América do Norte e a América do Sul. Agora trouxeram para a Fifa para dizer que é aqui", acusou Joseph Blatter.

O presidente da Fifa lembrou que os EUA são os principais aliados da Jordânia, país de seu opositor nas eleições, Ali bin Hussein. Ele, Blatter, também criticou os comentários da Justiça dos EUA, que acusou a Fifa de corrupta. "Fiquei em choque", disse."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/esporte/183009/Blatter-a%C3%A7%C3%A3o-dos-EUA-contra-Fifa-%C3%A9-revanche.htm).

TEÓLOGO BOFF DIVULGA CARTA "EM DEFESA DO BRASIL"




BOFF DIVULGA CARTA "EM DEFESA DO BRASIL"

"O teólogo e pensador Leonardo Boff divulgou na quarta-feira, 27, uma carta em que critica as ações dos setores conservadores do Congresso. "Promovem a contrarreforma política para manter o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e partidos políticos e buscam terceirizar o Banco Central, pretendendo sua “independência” em relação ao Estado e sua submissão total à especulação globalizada", diz.

Segundo Boff, a luta contra a corrupção, que deveria atingir de forma indistinta e igual quem viola a legalidade e desmoraliza a política e o Estado, "está sendo instrumentalizada por setores conservadores e foi colocada a serviço de um projeto autoritário de restauração de uma democracia restrita e de redução das funções públicas do Estado".

Do "Brasil 247"

O teólogo e pensador Leonardo Boff divulgou na quarta-feira, 27, uma carta em que critica as ações dos setores conservadores do Congresso. "Promovem a contrarreforma política para manter o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e partidos políticos e buscam terceirizar o Banco Central, pretendendo sua “independência” em relação ao Estado e sua submissão total à especulação globalizada", diz.

Segundo Boff, a luta contra a corrupção, que deveria atingir de forma indistinta e igual quem viola a legalidade e desmoraliza a política e o Estado, "está sendo instrumentalizada por setores conservadores e foi colocada a serviço de um projeto autoritário de restauração de uma democracia restrita e de redução das funções públicas do Estado".

Leia na íntegra: 

CARTA EM DEFESA DO BRASIL, DA DEMOCRACIA E DO TRABALHO

Por Leonardo Boff

"O pacto político e social da Constituição de 88 está sob ataque de exceção. Contra a política, contra os partidos especialmente do campo da esquerda, contra os movimentos sociais.

Esse ataque representa a maior ofensiva organizada pelas forças políticas da direita e pelo oligopólio da mídia conservadora, desde 1968.

A luta contra a corrupção, que deveria atingir de forma indistinta e igual quem viola a legalidade e desmoraliza a política e o Estado, está sendo instrumentalizada por setores conservadores e foi colocada a serviço de um projeto autoritário de restauração de uma democracia restrita e de redução das funções públicas do Estado.

Parte da direita não hesita em clamar pela intervenção militar, como se o Brasil fosse uma república bananeira, e as nossas forças armadas fossem feitoras dos interesses do capital financeiro.

Promovem a contrarreforma política para manter o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e partidos políticos e buscam terceirizar o Banco Central, pretendendo sua “independência” em relação ao Estado e sua submissão total à especulação globalizada.

Agendam a redução da maioridade penal e organizam ataques às conquistas das mulheres, negros e homossexuais. Incitam o ativismo judicial seletivo, antidemocrático, para desestabilizar o pacto político de 1988.

A direita e o grande empresariado promovem agora uma reforma penosa aos trabalhadores, para universalizar a terceirização, com ataque severo às conquistas laborais do século passado. Aprovada, terá como efeito mais grave maior precarização das relações de trabalho e a redução de salários.

A democracia: reforma política e dos meios de comunicação

No Brasil, a luta pela democratização da política assume, hoje, duas formas principais.

Primeiro, a luta contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e dos partidos políticos.

Segundo, a luta contra o controle plutocrático dos meios de comunicação, que são objeto de concessão pública e sequer respeitam as regras constitucionais do seu uso.

Contra a decadência do sistema político, as esquerdas e as forças comprometidas com a democracia e com o avanço social precisam se unir em torno da reforma política e pela democratização dos meios de comunicação.

Unir-se pela verdadeira liberdade de imprensa, que implica no direito à livre circulação da opinião, normalmente censurada pelos oligopólios, e pela transparência e democratização das concessões para rádios e TV, que hoje são feitas no subsolo da política nacional.

As duas reformas são fundamentais para controlar o papel que o dinheiro exerce como agente corruptor da democracia.

No que concerne à reforma política, o principal mecanismo de democratização de campanhas eleitorais e prevenção contra a corrupção é o bloqueio do financiamento empresarial de campanhas e partidos políticos.

No que tange à reforma dos meios de comunicação, para limitar o poder do dinheiro é necessário limitar a propriedade e o controle, em uma mesma área de concessão pública, de órgãos de comunicação originários de uma mesma propriedade.

O controle de grupos milionários e de políticos sem escrúpulos sobre meios de comunicação confere vantagens políticas que pervertem a cláusula democrática e deformam as eleições.

A agenda dessas reformas nos unifica, imediatamente, no seguinte: 

a) proibição do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais por empresas; 
b) proibição de concessão pública, em uma mesma área concedida, para mais de um veículo de comunicação do mesmo grupo empresarial.

A democratização do desenvolvimento econômico e a rejeição da austeridade

Apesar da crise global, os defensores do projeto neoliberal não desanimam na defesa dessa utopia direitista e dos interesses que ela atende.

Seu ataque quer atingir o que diferenciou, no mundo, o desenvolvimento brasileiro na última década: a expansão de salários e direitos sociais; a formação de um mercado interno ampliado pelo aumento do consumo popular; a recuperação de alguma capacidade de planejamento estatal; a rejeição do projeto de integração subordinada à globalização neoliberal.

A direita emparedou o Governo da Presidenta Dilma Rousseff em função da dominação que o dinheiro exerce na formação da opinião, por meio dos oligopólios da mídia, aproveitando os erros cometidos na formação dos preços públicos, na manutenção de alguns subsídios, combinados com a elevação das taxas de juros e a retração do investimento público.

Todo ajuste ortodoxo de corte neoliberal se assenta em dois pilares: juros elevados e restrições orçamentárias para investimentos em infraestrutura e para programas de combate às desigualdades sociais e regionais.

O “ajuste"   ̶como proposto no Brasil ̶ não toca nas desigualdades de patrimônio e renda, penaliza principalmente os trabalhadores e camadas sociais vulneráveis, fragiliza as forças progressistas diante do avanço das forças conservadoras.

O nosso “ajuste” deve ser outro. Deve garantir o crescimento com a ampliação dos investimentos para combater desigualdades sociais, regionais e gargalos produtivos. Deve potencializar um projeto de nação democrática e justa: a democratização da estrutura tributária brasileira é essencial para que o desenvolvimento soberano e inclusivo receba a contribuição dos que podem contribuir mais.

Nesse sentido, o Imposto de Renda deve ser reduzido para trabalhadores e camadas médias, mas majorado, progressivamente, para grandes salários e lucros distribuídos.

A tributação da riqueza acumulada deve contar com Imposto sobre as Grandes Fortunas e Grandes Heranças.

Finalmente, deve ser veementemente repelida a proposta de eliminar a independência do Banco Central em relação aos bancos que deve regular.

Depois do repúdio do povo brasileiro durante a campanha presidencial à proposta de um Banco Central “Independente” (em relação ao governo eleito), reavivá-la no Congresso Nacional é uma atitude que denota enorme afastamento dos representantes do povo em relação aos interesses da maioria da nação.

A agenda mínima de reformas que nos unifica, imediatamente, quanto ao desenvolvimento, fundamenta-se no seguinte: rejeição da austeridade que é inepta para a retomada do crescimento; redução das taxas de juros; retomada do investimento público; reestruturação imediata do Imposto de Renda, com aumento das alíquotas para os muito ricos; taxação de Grandes Fortunas e Grandes Heranças; programa de largo alcance e qualidade técnica para combater a sonegação de impostos, políticas que devem ser debatidas na cena pública democrática, tanto no Parlamento como na relação direta do Governo com a sociedade.

Participação direta da cidadania nas decisões sobre políticas públicas

A Constituição Brasileira abre a possibilidade de participação direta da cidadania (art. 14) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/1999) recomenda que os governos procedam discussões públicas sobre o Orçamento.

Esses preceitos ainda não se materializam em instituições e práticas efetivas. Consultas públicas, plebiscitos e referendos não devem ser eventos raros em uma democracia ampliada.

É necessário construir mecanismos que efetivem a participação direta e desenvolvam a democracia na definição de políticas públicas, prioridades orçamentárias e formas de financiá-las que ampliem a justiça social.

Pela defesa da democracia, do trabalho e da soberania nacional

Diante do avanço da direita, é necessário pensar hoje não apenas na estabilidade e na governabilidade democrática, mas na defesa de um programa mínimo que unifique as forças sociais comprometidas com a defesa da democracia, do trabalho e da soberania nacional.

Para construir, debater e defender esse programa, é fundamental a constituição gradual de uma Frente Democrática pelas Reformas Populares. Uma Frente que aponte, nos processos eleitorais e nas lutas sociais, para uma nova governabilidade com base programática.

A formação desta Frente é uma tarefa política de toda a esquerda, com participação ampla da sociedade civil não organizada em partidos e membros de partidos.

Lutamos há décadas pela democracia contra as mesmas forças do atraso que, hoje, querem voltar a limitá-la. Lutemos em conjunto para que a democracia brasileira supere a nova ameaça reacionária, e atenda progressivamente aos anseios do povo brasileiro por menores desigualdades, mais direitos e oportunidades de vida digna."

FONTE: escrito por Leonardo Boff e publicado no portal "Brasil 247". O autor é ex-padre franciscano, doutor em filosofia e teologia. (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/182610/Boff-divulga-carta-em-defesa-do-Brasil.htm).

SITUAÇÃO DO PROJETO DE CONSTRUÇÃO DE SUBMARINOS NACIONAIS




O submarino brasileiro e a retomada da indústria de defesa

Por Luiz de Queiroz


Do "Jornal GGN"

"Nos últimos anos, a indústria brasileira de defesa tem ganhado maior atenção do governo federal que, sem interferir politicamente nos assuntos de segurança nacional, está incentivando projetos inovadores.

Um exemplo disso é o acordo com a sueca Saab para desenvolver no Brasil o caça de quarta geração Gripen NG (Leia também: A tecnologia de defesa e o caso Gripen)

Outro exemplo é a parceria com o governo da França no desenvolvimento de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, assunto que foi tema de debate no 59º Fórum de Debates Brasilianas.org.

De acordo com o contra-almirante Sydney dos Santos Neves, gerente do "Empreendimento Modular de Obtenção dos Submarinos Convencionais da Marinha do Brasil", o projeto original (de 2008), do "Programa de Desenvolvimento de Submarinos" (PROSUB) tinha um valor de € 6,7 bilhões.

Uma parte é financiada por um consórcio de bancos. E outra vem da União – e está sujeita aos contingenciamentos da União”, disse. Ainda assim, ele espera que o programa não seja impactado pelos cortes orçamentários.

Assim, será possível cumprir o cronograma de entrega, que prevê a conclusão de um estaleiro até o final deste ano, um estaleiro de manutenção ao final de 2017 e uma área nuclear até 2021. Tudo isso em um único lugar, a base do projeto em Itaguaí (RJ). “Em 2025 ele [o submarino de propulsão nuclear] vai para o mar”, garantiu o contra-almirante.

E não é apenas o desenvolvimento em solo nacional de uma tecnologia de ponta. Há de se considerar todas as externalidades positivas, ou seja, os benefícios para toda uma cadeia de valor.

Apenas no projeto do submarino nuclear, são 145 engenheiros empregados. “Esse número no pico deve chegar a 400 engenheiros e técnicos”, prevê Santos Neves.

Como um todo, o PROSUB tem 1600 pessoas envolvidas. A maior parte oficiais da Marinha, mas também civis. “Só oficiais não conseguem fazer tudo. Então, estão sendo abertos concursos públicos também”, disse o contra-almirante.



Mas não são só empregos diretos. Atualmente, 600 empresas estão envolvidas no processo. “A participação da indústria nacional no projeto se dá nos itens que ela dispõe para oferecer e nas áreas onde há interesse estratégico de transferência tecnológica”, explicou Santos Neves.

Há 56 projetos prioritários, dos quais 20 estão em execução e 27 em análise”, o restante está em fases mais iniciais, de busca de investimentos ou formulação de contratos.

Para o contra-almirante Santos Neves, as empresas buscam participar do programa até como um desafio e uma oportunidade para crescer. “Mas o fato real é que a empresa se sustenta por encomenda. Então, a gente tem que seguir esse projeto. Não pode parar nesse primeiro submarino”, suplicou.

É o maior programa da Marinha nos últimos tempos e um dos maiores do Brasil na área de defesa, construção civil e desenvolvimento. Hoje eu vejo que o passo foi até ousado demais. Mas deu certo. Na medida em que o PROSUB avança, seus resultados técnicos e tecnológicos comprovam que estamos vencendo esse complexo desafio”.

Para viabilizar o desenvolvimento, o governo brasileiro foi buscar a ajuda da França, em um acordo feito entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarcozy, assinados pelos ministros da Defesa dos dois países e pelas Forças Armadas. “Não havia necessidade de fazer todo o submarino na França para aprender. Pegamos aproximadamente um terço e trouxemos para o Brasil para terminar. O projeto se mostrou bem sucedido e com base nisso nós multiplicamos o conhecimento”.

O aspecto nuclear do projeto não envolve a França. “O programa nuclear da Marinha já tem décadas”.

Além dos submarinos convencionais e do nuclear, o projeto prevê contratos para o desenvolvimento de torpedos e despistadores de torpedos, além da construção da base naval.

As bases conceituais são: a qualificação de pessoal em novas tecnologias, geração de emprego e o desenvolvimento da indústria nacional."

FONTE: por Luiz de Queiroz, no "Jornal GGN"   (http://jornalggn.com.br/noticia/o-submarino-brasileiro-e-a-retomada-da-industria-de-defesa)

sábado, 30 de maio de 2015

FAB DESMENTE O PORTAL TUCANO UOL SOBRE O PROJETO VLS



         teste do protótipo do VLS-1

[Do tucano UOL, do grupo tucano "Folha"]: "Construção de lançador de satélites não deve ser concluída, diz agência"

[OBS deste blog 'democracia&política':

A FAB contestou essa notícia do portal UOL, de propriedade do grupo tucano "Folha". Através de e-mail enviado ao UOL, a FAB (Força Aérea Brasileira) afirmou o seguinte: "Não é verdade que o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) vá abandonar o projeto VLS (Veículo Lançador de Satélite). O DCTA continua investindo no VLS-1, VLS-Alpha e VLS-Beta, lançadores de satélites de até 800 kg em órbita equatorial.

É oportuno recordar e compreender porque a direita brasileira, no caso a mídia tucana, é contrária ao desenvolvimento nacional de lançadores de satélites. 


Os EUA sempre agiram para que o Brasil não desenvolvesse lançadores de satélites. Ostensivamente, até formalmente por escrito, o governo norte-americano nos manifestou isso em diversas ocasiões. Inclusive, com fortes suspeitas de ações dolosas e criminosas. 

A nossa grande mídia brasileira e os partidos da direita, especialmente o PSDB, sempre agiram em coerência com os interesses dos EUA, em tudo. Nessa linha, também nessa área de lançadores. Qualquer notícia contra essa parte do programa espacial brasileiro é destacada, ou até inventada, com conotação negativa, destrutiva.

Sobre as dificuldades encontradas para o Brasil levar avante o seu Projeto VLS, recordemos o seguinte, que já expusemos há dois anos neste blog:

O DCTA (órgão da Aeronáutica que recebeu do governo, no final dos anos 80, a incumbência de desenvolver o VLS e adaptar ao lançador o Centro de Lançamento CLA, situado em Alcântara) foi desmantelado nos anos 90 pelo governo FHC/PSDB/DEM, por razões e compromissos externos óbvios, mas não revelados. Havia (e ainda continua) forte e explícita pressão dos EUA para o encerramento de projetos brasileiros nessa área de lançadores de satélites.

A melhor "explicação" divulgada pelo governo tucano para a destruição daquela capacidade nacional era a de que "o Estado Brasileiro deveria se tornar mínimo” e que “o ‘mercado’ assumiria os poderes e encargos governamentais alienados”. Nessa linha de "avanço, de modernidade neoliberal", os recursos financeiros para projetos do DCTA foram, gradativa e fortemente, reduzidos naquela década de 90, e chegaram praticamente a zero em 1999, justamente o ano estabelecido pela AEB para o CTA lançar o segundo protótipo do VLS (ver imagem acima).

Simultaneamente, naqueles antinacionais governos PSDB/FHC, houve outras medidas asfixiantes governamentais, como a extinção da equipe especializada na área espacial. O DCTA sofria forte e crescente redução de recursos humanos, totalizando a perda de cerca de 2.500 engenheiros e técnicos especializados (cerca de 800 na área espacial), e sem autorização governamental para realizar concursos públicos para reposições. Agravava essa situação o arrocho salarial cada vez mais forte, típico naquela década para todos os trabalhadores brasileiros, contudo pior na carreira de ciência e tecnologia. Cientistas com pós-doutorado que, por idealismo, trabalhavam no projeto VLS quase 15 horas por dia sem parar até nos sábados e domingos, ganhavam, no máximo, menos do que um policial rodoviário, ou um décimo, 1/10 !, do que ganha hoje, por exemplo, um deputado ou um juiz. O governo ameaçava na imprensa, e até com projetos de lei, fortes degradações nas futuras aposentadorias. Esse terrorismo fazia aumentar e acelerar as evasões no DCTA. Tudo isso acontecia simultaneamente ao mencionado drástico corte governamental, de até 100%, nos recursos financeiros para os projetos.

Assim, era gigantesco o esforço, sobre-humano, dos cientistas do DCTA/FAB (aqueles que remanesciam e tinham que se sobrecarregar ainda mais ao assumir também os encargos dos que saíam). Lutavam patrioticamente para cumprir a incumbência do DCTA com o VLS, tarefa quase impossível no quadro de estrangulamento imposto pelo próprio governo tucano. 


Isso, certamente, contribuiu para o acidente que matou vinte e um integrantes do DCTA nas vésperas de se lançar o terceiro protótipo do VLS em 2003. Corrobora essa certeza o "Relatório Final da Comissão Externa da Câmara dos Deputados" criada para investigar o referido acidente com o VLS. O Relatório, apresentado pelo seu Relator, o insuspeito deputado C. Sobrinho, do PFL(DEM)-SP, da própria base demotucana governista da época dos enforcadores cortes feitos pelo governo FHC/PSDB/PFL, concluiu: “A redução gradativa dos investimentos públicos para a manutenção do Programa Espacial Brasileiro foi a principal causa do acidente com o veículo lançador de satélites em agosto do ano passado, na Base de Alcântara, no Maranhão” (isso foi publicado até no jornal tucano “O Estado de São Paulo” em 26/08/2004 e na “Agência Câmara”, em 01/09/2004)

Foi crime lesa-pátria do próprio governo contra a capacitação do Brasil na área espacial e tecnológica em geral. E ele foi perpetrado em coerência com imposições expressas pelos EUA. 


Após aquele desmantelamento, não basta agora autorizar novos concursos e contratações e liberar grandes recursos financeiros (o que continua não ocorrendo). Para substituir os 800 pesquisadores ultraespecializados perdidos nos anos 90, e formar novas equipes, é preciso recomeçar quase do zero e consumir mais de 20 anos, abrangendo autorizar concursos públicos para contratar engenheiros e físicos, promover e direcionar, para específicas áreas da atividade espacial, mestrados, doutorados, pós-doutorados e experiência prática em laboratórios e projetos no Brasil e no Exterior, o que hoje é praticamente impossível por conta da rígida proteção de cada país às suas tecnologias. 

Esse é o quadro de dificuldades em que vive essa área do programa espacial brasileiro.

Vejamos o sutilmente capcioso artigo de 5ª feira desta semana, do portal tucano UOL]:



"Construção de lançador de satélites não deve ser concluída, diz agência"

Por Débora Nogueira, do Uol, em São Paulo

"Um dos mais emblemáticos programas de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, a construção do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélite), deve ser abandonado, segundo informou o site da Agência Espacial Brasileira. De acordo com o vice-diretor do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica), Wander Golfetto, o programa pode não ser concluído por falta de verba, recursos humanos qualificados e dificuldades tecnológicas.

Em audiência pública terça-feira (26) na Câmara dos Deputados, o vice-diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA), Wander Golfetto, afirmou que o programa pode não ser completado por falta de verba, recursos humanos qualificados e dificuldades tecnológicas.

Números apresentados pelo DCTA apontam descontinuidade de recursos para o VLS, previstos no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), documento orientador de investimentos da área. No total, o programa deveria receber cerca de R$ 155 milhões. No entanto, até o momento, foram executados R$ 108 milhões.

Inicialmente, a previsão era de que o veículo estaria completamente finalizado este ano. Agora, no entanto, a expectativa mudou. Hoje, o planejamento é para testar parte do foguete no fim de 2016.

O passo seguinte, que serviria para fazer com que o VLS colocasse um satélite em órbita está impossibilitado. Além da falta de recursos, existem dificuldades técnicas no desenvolvimento de componentes para completar o foguete. Há também um grave problema de escassez de mão de obra, que pode inclusive atrapalhar outros projetos mobilizadores.

Segundo Golfetto, o Brasil já teria decidido tirar o pé mais uma vez do VLS. Em vez de mirar no mercado de lançadores de grandes satélites, a ordem agora seria focar no mercado de microssatélites.

"Chegamos à conclusão de que não vale a pena desenvolvermos no país um veículo para satélites geoestacionários [confusão do UOL, pois não é o caso do VLS, que se destina a colocar satélites em órbitas baixas, não geoestacionários]. Existem vários concorrentes no mercado e o Brasil não lançará muitos equipamentos deste porte. Nosso foco está mais voltado para o VLM (Veículo Lançador de Microssatélites). É um foguete mais simples, para transportar satélites menores. Acreditamos que ele entrará em um nicho de mercado onde não existem lançadores naquela categoria", disse Golfetto.

O lançamento do VLS-1 passa por diversos percalços desde o acidente na base de Alcântara, no Maranhão, em 2003. A explosão matou 21 importantes técnicos, destruiu instalações e interrompeu o projeto do VLS. Na tentativa de recuperação da base e com o objetivo de explorar o mercado de lançadores de satélites, o Brasil optou por focar na construção de outro foguete, numa fracassada parceria com a Ucrânia, que custou 12 anos e R$ 1 bilhão (dividido entre os dois países). O chamado Cyclone 4 seria maior que o VLS, capaz de lançar cargas mais pesadas como de satélites de telecomunicações (de até 800 kg e numa órbita geoestacionária, a 36 mil quilômetros de distância).

O VLS foi mantido, mas deixado de lado. Estava previsto para 2013, depois 2014, 2015 e agora 2016. Mesmo assim, o teste será em apenas partes do foguete: ele não deve ficar totalmente pronto, segundo estimativas do DCTA.

"Temos o veículo todo reprojetado. Estamos trabalhando em um lançamento de um voo tecnológico, que visa testar a parte baixa do VLS, onde tivemos algumas dificuldades no acendimento do segundo estágio e na separação dos estágios. A análise servirá também para avaliar o sistema de navegação inercial que foi desenvolvido dentro do DCTA. Ele é baseado em fibra óptica. Já foi testado em aviões, no solo, agora precisamos fazer um voo espacial para certificar este veículo", explicou Golfetto.

O passo seguinte, que serviria para fazer com que o VLS colocasse um satélite em órbita, está impossibilitado. Além da falta de recursos, existem dificuldades técnicas no desenvolvimento de componentes para completar o foguete. Há também, segundo ele, a falta de mão de obra especializada.

"Se não houver reposição do quadro, em 2020, o DCTA terá uma redução de 44% da sua equipe em relação a 2011, em virtude do processo de aposentadoria. Há pouco tempo, foi autorizado concurso e pudemos contratar mais de 200 profissionais. No entanto, isso está aquém do necessário", alertou o vice-diretor.

Novo foco

O Brasil nunca construiu um foguete capaz de decolar para além das zonas suborbitais. O país tem mesmo mais capacidade de reinar no mercado de lançamento de microssatélites, inclusive diversos foguetes seus são utilizados na Europa para lançar cargas carregando experimentos científicos e tecnológicos.

Há êxitos com os lançadores da família Sonda e dos veículos de sondagem VSB-30, VS-30 e VS-40. O VSB-30, por exemplo, abastece o programa europeu de microgravidade.

O processo de construção do VLM se dá em cooperação com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Porém, novamente, a descontinuidade de recursos pode atrapalhar esse projeto, que tinha previsão inicial de conclusão para este ano e foi reprogramado para 2017. Estimado em R$ 126,9 milhões, até o momento o programa recebeu R$ 10 milhões, segundo ele.

O setor no Brasil

Em termos de percentual relativo do PIB, o Programa Espacial Brasileiro destina dez vezes menos recursos que a Índia e 30 vezes menos que os Estados Unidos. Os norte-americanos detêm 41% do mercado global de satélites, enquanto a participação brasileira é de 1,9%, segundo um estudo feito pela Câmara dos Deputados.

No Brasil, os investimentos governamentais a partir do fim da Segunda Guerra Mundial priorizaram setores de infraestrutura e indústria pesada e de bens de produção como mineração e petróleo. Nos últimos dez anos, houve um aumento do interesse político no setor espacial, porém há diversas críticas em relação às constantes mudanças políticas, acidentes, atrasos e gasto maior que o planejado.

FAB contesta

Através de e-mail enviado ao UOL, a FAB (Força Aérea Brasileira) afirmou o seguinte: "Não é verdade que o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) vá abandonar o projeto VLS (Veículo Lançador de Satélite). O DCTA continua investindo no VLS-1, VLS-Alpha e VLS-Beta, lançadores de satélites de até 800 kg em órbita equatorial.

O vice-diretor do DCTA, Major-Brigadeiro do Ar Wander Golfetto, em audiência na Câmara dos Deputados, declarou, na verdade, que o Brasil não tem mais interesse em investir em lançadores de satélites geoestacionários, com capacidade de 1 a 4 toneladas. Portanto, o desenvolvimento do VLS-1 continua de acordo com a disponibilidade orçamentária.


É importante ressaltar que, graças ao desenvolvimento do VLS-1, o Brasil adquiriu tecnologia que possibilita a exportação de foguetes suborbitais para a Europa. Somente este ano, seis foguetes foram lançados."

FONTE: do portal da FAB (http://www.fab.mil.br/notimp#n88972). [Título, imagem e trechos entre colchetes em azul acrescentados por este blog 'democracia&política'].

PETROBRAS DESCOBRE MUITO MAIS PETRÓLEO NO PRÉ-SAL




Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras

Novo poço confirma potencial de petróleo leve na área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos

"A perfuração do segundo poço na área de Carcará (Bloco BM-S-8), localizado em águas ultraprofundas do pré-sal da Bacia de Santos, confirmou o potencial de petróleo leve na região.

O poço 3-SPS-105 (nomenclatura Petrobras), informalmente conhecido como "Carcará Norte", está localizado a 4,6 km ao norte do poço descobridor (4-SPS-86B), em profundidade de água de 2.072 metros.

Esse poço comprovou a descoberta de petróleo de boa qualidade (31º API) em reservatórios também de excelente qualidade, situados logo abaixo da camada de sal, a partir da profundidade de 5.820 metros.

O poço encontra-se em perfuração e atingiu, até o momento, a profundidade de 6.178 metros. A perfuração constatou expressiva coluna de petróleo de 352 metros em reservatórios contínuos e conectados. Dados de pressão comprovam se tratar da mesma acumulação do poço descobridor.

Ao término da perfuração, está previsto um teste de formação para avaliar a produtividade dos reservatórios. Neste ano, também está programada a continuidade da perfuração do poço 3-SPS-104DA (3-BRSA-1216DA-SPS – Carcará Noroeste), prosseguindo com as atividades previstas no Plano de Avaliação de Descoberta (PAD).

O PAD de Carcará, aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tem término previsto para março de 2018.

A Petrobras é operadora do consórcio (66%), em parceria com a Petrogal Brasil (14%), Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás (10%) e Queiroz Galvão Exploração e Produção S.A. (10%)."

FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras   (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/novo-poco-confirma-potencial-de-petroleo-leve-na-area-de-carcara-no-pre-sal-da-bacia-de-santos.htm).[Título acrescentado por este blog 'democracia&política']

O CASO GRIPEN E A TECNOLOGIA DE DEFESA




A tecnologia de defesa e o caso Gripen


"Em toda nação industrializada, os dois maiores investimentos em inovação ocorrem nas áreas de saúde e de defesa. Por razões estratégicas, a área de defesa prioriza o controle tecnológico nacional. E essas duas visões marcaram a escolha do sueco Gripen como o avião de combate a ser desenvolvido no país.

A análise da Aeronáutica foi central para a escolha do avião – superando a maior tradição dos FX dos Estados Unidos e da francesa Dassault. E o ponto central para a escolha foi a ampla transferência de tecnologia prevista no acordo.

Quarta-feira, no "59º Fórum de Debates Brasiliana", o Brigadeiro Paulo Roberto de Barros Chã, Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) apresentou amplo quadro dos acordos de transferência de tecnologia com a Saab-Scania, fabricante do Gripen.

Para toda compra pública no exterior acima de US$ 5 milhões, a Constituição exige acordos "offset", ou seja a contrapartida a ser oferecida pelo vendedor.

Nas primeiras discussões sobre o FX (a compra de aviões pela FAB), chegava-se a falar em contrapartidas que nada tinham a ver com o objeto do contrato.

Desta vez, a Força Aérea exigiu que todas as contrapartidas fossem na forma de transferência de tecnologia, ou então de investimentos em equipamentos da Aeronáutica.

Ao todo, a COPAC gerencia 22 projetos, sempre em parceria com o setor privado e, algumas vezes, em parceria com outros países.

No caso das armas de combate do Gripen, o desenvolvimento envolveu as empresas Opto Eletrônica, Mectron, Avibras.

O projeto H-XBR, para fabricação de helicópteros de médio porte, começou com parceria inicial com a França, até se obter o domínio da fabricação.

O projeto Gripen NG, a COPAC definiu um conjunto de áreas relevantes, para as contrapartidas exigidas dos suecos, passando por aviônicas e sensores, integração de motor, integração de armamentos entre outras.

Por uma dessas jabuticabas brasileiras, o TCU (Tribunal de Contas da União) não aceita que a Aeronáutica indique as empresas brasileiras que receberão a transferência de tecnologia. Por isso mesmo, em uma área crítica de segurança nacional, [graças à regra antinacional do TCU] são os fornecedores estrangeiros que indicam os parceiros nacionais...

O acordo "offset" do Gripen envolve US$ 9,1 bilhões. Estão nele as empresas Embraer, Akaer, Atech, AEL, Mectron e o DCTA (da FAB).

Essas empresas absorverão conhecimento na área de materiais compostos, simuladores de vôo, planejamento de missão, sistemas de treinamento baseados em computador, design, desenvolvimento e suporte de sistemas relacionados com a aviônica.

A parceria levou à Suécia 160 engenheiros e 80 técnicos da Embraer, 26 da Atech, 12 da Mectron, 7 da Akaer, 43 da INBRA, 8 da AEL.

Em que pese problemas orçamentários, mudanças de governo e de prioridades, a indústria da defesa logrou criar casos de sucesso.

É o caso da Optron, uma empresa de produtos óticos de São Carlos que acabou desenvolvendo sistemas sofisticados para satélites brasileiros. Ou a AEL, empresa com 70 funcionários antes de 2001, hoje com 230, participando de projetos no Novo Centro Tecnológico de Defesa, no Polo Espacial, e nos satélites brasileiros."

FONTE: escrito por Luis Nassif no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/a-tecnologia-de-defesa-e-o-caso-gripen). [Trecho entre colchetes acrescentado por este blog 'democracia&política'].

CORRUPÇÃO É ESCÂNDALO, MAS SONEGAÇÃO É DETALHE...




Corrupção é escândalo, sonegação é detalhe

Por Fernando Brito

"Embora todas as estimativas digam que o Brasil perde muito mais com a sonegação de impostos – R$ 415 bilhões, estima-se, no ano passado do que com a corrupção - cálculo de até R$ 100 bilhões, em 2012, segundo a FIESP – as iniciativas para combater a evasão de tributos são tratadas quase que com indiferença.

Aliás, quase silêncio, se comparado às malfeitorias de Paulo Roberto Cunha, Alberto Youssef e outros na Petrobras.

Veja que a “Operação Zelotes”, que desviou do Fisco valores maiores, praticamente sumiu das páginas.

Quinta-feira, o Estadão noticiou, sem estardalhaço, que a Receita Federal fará uma "Operação Caça-­Laranja" em São Paulo, contra um grupo de 278 empresas que emitiram R$ 6 bilhões em notas fiscais presumivelmente “frias” só no ano passado.

A suspeita é que as empresas foram criadas apenas no papel para fluir e lavar recursos desviados e sonegados.Foram mobilizadas 24 Delegacias da Receita em todo o Estado. Segundo a Receita, o objetivo da operação é verificar se efetivamente essas empresas existem e se estão operando normalmente”

A suspeita que sejam de fachada vem de “terem emitido valores expressivos de notas fiscais de venda de mercadorias ou prestação de serviços em 2014″ sem terem recolhido impostos. Não possuem empregados registrados, não têm endereços compatíveis com suas atividades e não apresentam movimentações bancárias compatíveis com o que faturam.

Só em São Paulo e só em um ano.

No século da eletrônica, dos sistemas, das transações de dinheiro por via eletrônica, cheias de registros e rastros, temos uma legislação que torna “sacrossanta” a movimentação bancária, que seria a chave para bloquear todo tipo de esperteza.

Até uma modesta microempresa, menor que um grão de areia, como este blog, não movimentou, em um ano e meio, quase, um centavo que não fosse por via bancária. E emite nota, recolhendo imposto, sobre cada R$ 10 que seus generosos leitores depositam na conta de contribuições, claro que somando tudo e recolhendo sobre o total, para não viver emitindo dezenas ou centenas de notas.

O sigilo bancário, que nem constitucional é, precisa de novo entendimento. Deve ser inviolável quando se trata da privacidade de cidadãos, seus gastos, de quanto e onde são. Mas jamais nas transações empresariais que, inclusive, já têm de ter de ser registradas, com pagador e recebedor e motivo em outros documentos públicos. E que têm de ser, obrigatoriamente, feitas por via bancária, salvo, claro, quando se tratarem de valores irrisórios."

FONTE: escrito por Fernando Brito no seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27091).

PIB DO 1º TRIMESTRE CAI 0,2% NO BRASIL E O TRIPLO NOS EUA (0,7%)




[A economia cai aqui 0,2%. E, nos EUA, mais de o triplo, 0,7%. A crise é mundial]

Por Fernando Brito


"O Governo dos Estados Unidos divulgou os dados do seu PIB (GDP, na sigla deles) do primeiro trimestre e a revisão dos números de 2014.

É de fazer murchar as orelhas da Míriam Leitão.

No trimestre inaugural de 2015, queda de 0,7%.

E agora, ao contrário do ano passado, não houve nevasca para culpar.

Aqui, onde o IBGE soltou os dados também hoje, queda de 0,2%.

A coisa está ruim aqui? Está.

Mas está em toda a economia mundial, em séria crise e isso se reflete também aqui.

Não é o caso de falar em marolinha, porque o Governo não tem os saldos que possuía na crise de 2008/09 e que se consumiram para mitigar seus efeitos, pelo investimento público e pelo crédito para inversões e consumo.

Quem se recorda de que soltavam foguetes com a “forte recuperação” da economia dos EUA no início do ano passado?

Quem vai recordar que o FMI colocava o Brasil como um dos “cinco frágeis” do mundo, ao lado de Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul?

Quem vai lembrar que essa retomada americana foi o sinal para a alta dos juros, numa “competição” que nunca houve com um possível aumento da taxa de juros dos EUA, da qual todos falavam?

Há problemas sérios nas contas brasileiras, mas eles só chegaram a este ponto por três fatores essenciais: excesso de generosidade nas desonerações tributárias, elevação dos custos de energia com a seca, retração do consumo e a insegurança negocial em setores com grande peso na economia, como petróleo e gás e construção pesada, levando a uma imensa queda na Fomação Bruta de capital Fixo: investimentos.

A situação, porém, é agravada por um terrorismo diário que desmotiva o país a trabalhar e investir.

Em lugar de vermos que há uma crise mundial e quais são os nossos espaços para sofrer menos com ela, parece que há uma torcida pelo desastre.

E, como no futebol, embora torcida não ganhe jogo, afeta, em maior ou menor grau, o desempenho do time."

FONTE: escrito por Fernando Brito no seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27119).[Título e trecho entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política']