Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo de Sérgio Barroso. O autor é médico, doutorando em economia Social e do Trabalho (Unicamp, diretor de Estudos e Pesquisas da Fundação Maurício Grabois:
“De viés mais teórico, o artigo enfoca a grande crise capitalista dos nossos dias: a) revendo aspectos centrais da teoria ciclo-crise em Marx; b) sublinha igualmente o caráter financeiro na origem da crise atual, em consonância com o padrão de acumulação contemporâneo marcado pela “financeirização da riqueza” ou pela “finança mundializada”, ou ainda pela “financeirização com sistema de poder”, no capitalismo contemporâneo 1; e, c) levanta reflexões sobre os traços das crises financeiras que levaram a bancarrota o padrão neoliberal de acumulação.
Em Marx, a valorização do valor (da mais-valia) como objetivo central da produção capitalista resulta, do ponto de vista sistêmico, sempre em superacumulação, fundamentalmente superprodução de capital (e também de mercadorias) - capital compreendendo máquinas, equipamentos, instalações, matérias-primas e ativos financeiros. Em seu móvel de acumular por acumular, o capital jamais se interessa pelas “necessidades sociais” das massas trabalhadoras. Portanto, são utópicas as interpretações das crises como sendo de “subconsumo das massas”
Além de superprodução e superacumulação, devemos insistir em que a desproporção entre os departamentos e a lei de tendência de queda da taxa de lucro são igualmente fenômenos expressivos da dinâmica da crise. Crises que, conforme Marx, em última instância tem como determinação originária o antagonismo irresoluto: apropriação cada vez mais privada X produção cada vez mais expansivamente social.
Inobstante, para Marx, a conseqüência decisiva do desenvolvimento capitalista converge para o que denomina de “moderno sistema de crédito”. Ou seja, na medida em que: (i) a concentração (e centralização|) de capitais; e, (ii) o moderno sistema de crédito são por ele considerados as principais “alavancas da acumulação capitalista”, ali localiza os pressupostos sobre o impulso à superacumulação de capital tendo por base a dinâmica permanente do capital financeiro (capital-dinheiro ou capital monetário). Noutras palavras:
“Se o sistema de crédito é o propulsor principal da superprodução e da especulação excessiva... (...) acelera o desenvolvimento material das forças produtivas e a formação do mercado mundial... (...) Ao mesmo tempo, o crédito acelera as erupções violentas dessa contradição, as crises... (...) levando a um sistema puro e gigantesco de especulação e jogo” (Marx, O Capital, Livro 3).
De outra parte, discorrendo Marx sobre o movimento do capital fictício, simultaneamente desvela já então um aspecto estrutural (e contemporâneo!) que integra as crises financeiras:
“Esse capital fictício reduz-se enormemente nas crises, e em conseqüência o poder dos respectivos aos proprietários de obter com ele no mercado. A baixa nominal desses valores mobiliários no boletim da Bolsa não tem relação com o capital real que representam, mas tem muito que ver com a solvência do proprietário”.
Importa notar que, em definições mais precisas, (i) Marx alude a dois tipos de capital financeiro: o portador de juros e o fictício; (ii) o capital fictício consistindo em títulos negociáveis no futuro (para ele composto por ações ordinárias das Bolsas, títulos públicos e a própria moeda de crédito (bancária).
FINANCEIRIZAÇÃO E CRISE GLOBAL
Consistem em fatos históricos reconhecidos e fartamente analisados a regulamentação do comércio e das finanças internacionais, institucionalizada pelo sistema de Bretton Woods (1944), e também por restrições ao livre movimento de capitais. Gestada pela desregulamentação e liberalização dos sistemas financeiros nacionais, a partir da crise capitalista dos anos 70 passados, forjou-se, a partir dos EUA, um padrão de acumulação baseado num supermonopólio e hiper-especulação das finanças.
O que significou, para François Chesnais 6, o “predomínio financeiro puro” do ressurgimento das formas do “capital-dinheiro concentrado”, a manejar as alavancas de controle do sistema capitalista mundial, o que também “acentuou o processo de financeirização crescente dos grupos industriais”. Conforme Peter Gowan, a estratégia original do grande capital financeiro norte-americano e britânico, impunha a inflação baixa para manter a função da moeda “como um padrão fixo de valor de acordo com os interesses do capital-dinheiro”, tendo sido esta a “verdadeira base para a inauguração do neoliberalismo do Atlântico”.
Vê-se que a globalização financeira adveio da liberalização do movimento de capitais e transposição de fronteiras econômicas. Cada vez mais intensa, a instabilidade do sistema tende a ser permanente, obstando a taxa de investimento, o que pode reduzir o ritmo da acumulação e do crescimento econômico no centro capitalista e em parte da periferia do sistema. Simultaneamente, um padrão sistêmico esse neoliberal que determinou as últimas décadas “como as mais tumultuosas da história monetária internacional, em termos de número, escopo e gravidade das crises financeiras” – enfatizam Kindlerberger e Aliber.
Assim, as crises financeiras desse estágio do capitalismo monopolista - e fortemente oligopolizado do ponto de vista do poder financeiro -, mantêm a mesma lógica - numa vertente fortemente influenciada pelo caráter fictício da acumulação financeira - da crise de superprodução de capitais, refletindo o excesso de valorização do capital em relação à determinada taxa de juros; mas exacerbam-se a rapidez da propagação e recorrência. O que significa, por sua vez, ser decorrente da quantidade das transações com ativos financeiros, cada vez mais abrangentes, se propagando mais rapidamente pelos mercados nacionais e alcançando facilmente regiões inteiras ou mesmo o mundo.
TENDÊNCIAS DEPRESSIVAS9: IMPOSSÍVEL MANTER TAL PADRÃO
Na crise financeira que eclodiu em agosto de 2007, nos EUA, a orgia especulativa foi ampliada pelo crédito abundante - insuflando maior liquidez e euforia -, à baixíssima taxa de juros, e imensa alavancagem derivativa por sobre as hipotecas ''subprime''. [Note-se então que, o capital, neste preciso caso, encontra-se nas hipotecas (títulos), como capital portador de juros – e não em outro lugar]. Ademais, tudo isso passou abrigado pela burla do descontrole regulatório do sistema bancário internacional e pela absoluta falência das agências de “risco”. Chegou-se à anarquia completa de não se ter a mínima idéia da precificação de ativos “podres” e generalizadamente contaminadores.
O resultado? “Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará alguns anos. Estamos entrando em depressão”, sentenciou Eric Hobsbawm, o historiador que destrinchou as duas grandes e depressões (1873-96 e 1929-33).
É evidente que esse padrão “financeirizado” de acumulação do capital não sobreviverá mais. Questão bem distinta do “fim do capitalismo”.”
quinta-feira, 30 de abril de 2009
CRISE NÃO QUEBROU O PAÍS PORQUE ECONOMIA ESTÁ MAIS FORTE, AFIRMA DILMA
Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto oriundo da Agência Brasil:
“A atual crise financeira internacional tem uma característica diferente em comparação a outras crises já vivenciadas pelo Brasil, que está economicamente mais forte em comparação a outros momentos da história nacional. A afirmação foi feita ontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que visita Manaus para acompanhar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Antigamente, qualquer crise quebrava o país porque estávamos nas mãos do FMI [Fundo Monetário Internacional]. A dependência era muito grande e não tínhamos reservas financeiras. Hoje, temos US$ 200 bilhões em reservas. Estamos mais fortes", avaliou a ministra.
Dilma chegou à capital amazonense na segunda-feira e, apesar da notícia sobre a retirada de um câncer linfático, ela mostrou-se totalmente disposta e acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias atividades. Em seu segundo dia de viagem, ela participou de uma conferência com autoridades e prefeitos dos municípios do estado para tratar de assuntos relacionados ao PAC e aos impactos socioeconômicos da crise financeira internacional.
GRIPE SUÍNA
A ministra falou para quase 500 pessoas por quase uma hora na Assembleia Legislativa do Amazonas. Para ela, o Brasil representa para o mundo possibilidades de solução para a crise e os financiamentos empreendidos com o PAC comprovam a capacidade " inigualável " do país de tocar obras de infraestrutura. "A atual crise não vai fazer com que o governo federal corte os investimentos do PAC. A importância desse programa está em dar o peixe e ensinar o brasileiro a pescar", acrescentou a ministra.
Lançado há dois anos, o PAC prevê investimentos da ordem de R$ 646 bilhões até 2010. No Amazonas, o programa vai injetar nesse período R$ 9 bilhões. Dilma Roussef também falou sobre a gripe suína. Ela reiterou as palavras do presidente Lula quanto ao preparo do país para lidar com o problema, caso a doença chegue ao Brasil, e considerou que a situação está sendo tratada de forma cuidadosa."
“A atual crise financeira internacional tem uma característica diferente em comparação a outras crises já vivenciadas pelo Brasil, que está economicamente mais forte em comparação a outros momentos da história nacional. A afirmação foi feita ontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que visita Manaus para acompanhar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Antigamente, qualquer crise quebrava o país porque estávamos nas mãos do FMI [Fundo Monetário Internacional]. A dependência era muito grande e não tínhamos reservas financeiras. Hoje, temos US$ 200 bilhões em reservas. Estamos mais fortes", avaliou a ministra.
Dilma chegou à capital amazonense na segunda-feira e, apesar da notícia sobre a retirada de um câncer linfático, ela mostrou-se totalmente disposta e acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias atividades. Em seu segundo dia de viagem, ela participou de uma conferência com autoridades e prefeitos dos municípios do estado para tratar de assuntos relacionados ao PAC e aos impactos socioeconômicos da crise financeira internacional.
GRIPE SUÍNA
A ministra falou para quase 500 pessoas por quase uma hora na Assembleia Legislativa do Amazonas. Para ela, o Brasil representa para o mundo possibilidades de solução para a crise e os financiamentos empreendidos com o PAC comprovam a capacidade " inigualável " do país de tocar obras de infraestrutura. "A atual crise não vai fazer com que o governo federal corte os investimentos do PAC. A importância desse programa está em dar o peixe e ensinar o brasileiro a pescar", acrescentou a ministra.
Lançado há dois anos, o PAC prevê investimentos da ordem de R$ 646 bilhões até 2010. No Amazonas, o programa vai injetar nesse período R$ 9 bilhões. Dilma Roussef também falou sobre a gripe suína. Ela reiterou as palavras do presidente Lula quanto ao preparo do país para lidar com o problema, caso a doença chegue ao Brasil, e considerou que a situação está sendo tratada de forma cuidadosa."
A DÉBÂCLE DA FSP
Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo do filósofo e cientista político Emir Sader:
“A Folha era um jornal totalmente inexpressivo até a década de 70. Havia uma supremacia clara do Estadão, a Folha não tinha cara definida. Participou do coro de conclamação de toda a imprensa brasileira – menos a Ultima Hora - ao golpe militar de 1964, contribuindo à construção do plano de desestabilização do governo legitimamente eleito que teve a participação direta do governo dos EUA, assim como da hierarquia da Igreja Católica, dos partidos de oposição e das grandes entidades empresariais. Uma vez dado o golpe, o apoiou, assim como a instalação da ditadura militar, acobertou todos os crimes da repressão, reproduzindo as mentirosas versões oficiais, assim como todos os outros jornais.
Nos anos 70, Claudio Abramo assumiu a direção do jornal, na tentativa da família Frias de conquistar graus de credibilidade, que o jornal nunca tinha tido. A nova orientação, valendo-se da hegemonia da orientação liberal que triunfava na oposição, levou o jornal a ganhar uma identidade de jornal democrático, pluralista.
A abertura gradual de espaços opositores, depois da derrota da resistência armada, e o caráter conservador do Estadão, possibilitaram a aparição de um espaço que a FSP soube aproveitar.
A imagem da FSP como expressão da “sociedade civil” ficou graficada nas fotos que o jornal fazia anualmente com representantes dela, que eram fotografados encima do prédio do jornal, pretendendo consolidar a marca do jornal como representante orgânico da sociedade civil, espaço opositor ao regime. Colunistas progressistas se somavam a espaços para artigos na pagina 3 de intelectuais e dirigentes opositores consolidaram essa imagem do jornal. A campanha pelas eleições diretas teve no jornal seu instrumento mais direto, enquanto as lutas sociais encontravam cobertura antes restrita à imprensa alternativa.
Essa imagem se consolidou e se prolongou mais além da direção de Claudio Abramo. Ao longo da década de 80 o jornal se beneficiou dessa imagem, que se firmou quando o jornal se colocou na oposição ao governo Collor, diferenciando-se do resto dos jornais. Foi o seu momento de maior prestígio e de maior tiragem. Dos seus leitores vinculados a partidos, a maioria era do PT. Tinha colunistas, às segundas-feiras, como Marilena Chaui, Florestan Fernandes, Paulo Sergio Pinheiro, Darcy Ribeiro, abrigava outros intelectuais de esquerda na sua página 3, dava cobertura jornalística que o diferenciava claramente do Estadão e do Globo.
O declínio da FSP veio com a ascensão de FHC ao Ministério de Economia do governo de Itamar e com o lançamento do Plano Real. Nesse momento o jornal já era dirigido por Otavio Frias Filho, acompanhando o mesmo mecanismo de oligarquia familiar que se dá no Globo, na Editora Abril, no Estadão. A combinação desses fatores apontou para a decadência irreversível do jornal desde o governo FHC, consolidando-se no governo Lula.
A identificação com a elite branca dos jardins paulistanos – em que coincide rigorosamente com a elite tucana – foi fazendo do jornal um componente essencial da nova direita brasileira. Neoliberal na economia, liberal com os traços autoritários e discriminatórios no social e no político, pretensamente sofisticado, mas na verdade provinciano no plano cultural.
A adesão expressa ao tucanato fez com que o jornal baixasse de mais de 600 mil exemplares de tiragem, a menos de 300 mil em 10 anos, com uma queda que não se detêm – apesar do esforço desesperado do apelo aos brindes. Além de que o publico do jornal ficou muito seletivo – centralmente tucanos e classe média alta e burguesia.
A adesão aos tucanos e a feroz e obscurantista oposição ao governo Lula fez com que o jornalismo perdesse toda qualidade. Tudo passou a ser editorializado no jornal. Todos os colunistas – à exceção de José Simão – passaram a ser iguais. O jornal chegou a cobrir as eleições internas do PT sob a rubrica do “mensalão”, a grande sacada jornalística do jornal, com que acreditou que derrubaria a Lula. Na sua histeria chegou a publicar na primeira página o artigo de um suposto psicanalista, que dizia que o governo Lula tinha assassinado a mais de 100 pessoas no acidente da Tam em Congonhas.
Houve uma radical perda de credibilidade da FSP, que era seu diferencial, tornando-se um jornal tucano e serrista, que editorializa todo o jornal, revelando uma incapacidade para compreender o governo Lula e sua imensa popularidade, assim como as transformações que o país vive. (O Força Serra Presidente é uma sacada muito real para caracterizar o tucanalhanato de todo o jornal, em particular da editoria política e dos cronistas políticos, assim como da família proprietária da empresa.) Alguns cronistas tentam enganar que fazem criticas de esquerda ao governo, mas não conseguem esconder suas penugens tucanas.
Intelectuais de esquerda são entrevistados a cada tanto tempo ou se lhes dá espaço de artigo, contanto que se reservem a criticar o governo e o PT, sem qualquer critica à direita, menos ainda ao monopólio de imprensa da direita.
O FSP (Força Serra Presidente) revela que vai jogar ainda mais pesado na campanha presidencial, em que seu candidato e eterno colunista será o candidato da direita. O episódio da “ditabranda” e o da publicação de uma ficha falsa da Dilma, retirada de um site de extrema direita, de ex-oficiais das FFAA a favor da ditadura, confirmam isso. A perda de assinaturas e de tiragem do jornal os exaspera, a crise econômica vai chegar em cheio a toda a imprensa escrita – já chegou à Editora Abril, salva por enquanto por Serra com a compra dos fascículos -, que tira muito menos do que dizem e se dão conta que vai minguando cada vez mais também as publicidades.
É o episódio final, sem pena nem glória, de uma imprensa que chancelou o golpe e a ditadura militar, foi o sustento central do governo FHC, foi derrotada duas vezes por Lula e se desespera com a hipótese de ter que ficar na oposição outro período mais. Nunca confessou, mas confirmou com o silêncio, ter emprestado carros da empresa para a repressão da ditadura. (Como se sentem supostos esquerdistas que trabalhar lá diante disso? Nem se pronunciaram sobre a “ditabranda”, revelando que já não lhes sobra nada de caráter, que estão plenamente comprometidos com a empresa, à qual muitos emprestam seus nomes para constar no comitê editorial.)
O filho do proprietário original é eleito e reeleito como editor chefe do jornal, reproduzindo o mecanismo de uma empresa de oligarquia familiar. Ele só ocupa esse cargo, porque é filho do seu pai, como seu nome indica. Nenhum outro mérito, salvo membro a segunda geração de uma empresa familiar. Nenhuma democracia rege na redação do jornal. O consolo é que, ainda que tivesse filho, não poderia colocar a sucedê-lo, porque é a ultima geração dessa imprensa escrita no Brasil.”
“A Folha era um jornal totalmente inexpressivo até a década de 70. Havia uma supremacia clara do Estadão, a Folha não tinha cara definida. Participou do coro de conclamação de toda a imprensa brasileira – menos a Ultima Hora - ao golpe militar de 1964, contribuindo à construção do plano de desestabilização do governo legitimamente eleito que teve a participação direta do governo dos EUA, assim como da hierarquia da Igreja Católica, dos partidos de oposição e das grandes entidades empresariais. Uma vez dado o golpe, o apoiou, assim como a instalação da ditadura militar, acobertou todos os crimes da repressão, reproduzindo as mentirosas versões oficiais, assim como todos os outros jornais.
Nos anos 70, Claudio Abramo assumiu a direção do jornal, na tentativa da família Frias de conquistar graus de credibilidade, que o jornal nunca tinha tido. A nova orientação, valendo-se da hegemonia da orientação liberal que triunfava na oposição, levou o jornal a ganhar uma identidade de jornal democrático, pluralista.
A abertura gradual de espaços opositores, depois da derrota da resistência armada, e o caráter conservador do Estadão, possibilitaram a aparição de um espaço que a FSP soube aproveitar.
A imagem da FSP como expressão da “sociedade civil” ficou graficada nas fotos que o jornal fazia anualmente com representantes dela, que eram fotografados encima do prédio do jornal, pretendendo consolidar a marca do jornal como representante orgânico da sociedade civil, espaço opositor ao regime. Colunistas progressistas se somavam a espaços para artigos na pagina 3 de intelectuais e dirigentes opositores consolidaram essa imagem do jornal. A campanha pelas eleições diretas teve no jornal seu instrumento mais direto, enquanto as lutas sociais encontravam cobertura antes restrita à imprensa alternativa.
Essa imagem se consolidou e se prolongou mais além da direção de Claudio Abramo. Ao longo da década de 80 o jornal se beneficiou dessa imagem, que se firmou quando o jornal se colocou na oposição ao governo Collor, diferenciando-se do resto dos jornais. Foi o seu momento de maior prestígio e de maior tiragem. Dos seus leitores vinculados a partidos, a maioria era do PT. Tinha colunistas, às segundas-feiras, como Marilena Chaui, Florestan Fernandes, Paulo Sergio Pinheiro, Darcy Ribeiro, abrigava outros intelectuais de esquerda na sua página 3, dava cobertura jornalística que o diferenciava claramente do Estadão e do Globo.
O declínio da FSP veio com a ascensão de FHC ao Ministério de Economia do governo de Itamar e com o lançamento do Plano Real. Nesse momento o jornal já era dirigido por Otavio Frias Filho, acompanhando o mesmo mecanismo de oligarquia familiar que se dá no Globo, na Editora Abril, no Estadão. A combinação desses fatores apontou para a decadência irreversível do jornal desde o governo FHC, consolidando-se no governo Lula.
A identificação com a elite branca dos jardins paulistanos – em que coincide rigorosamente com a elite tucana – foi fazendo do jornal um componente essencial da nova direita brasileira. Neoliberal na economia, liberal com os traços autoritários e discriminatórios no social e no político, pretensamente sofisticado, mas na verdade provinciano no plano cultural.
A adesão expressa ao tucanato fez com que o jornal baixasse de mais de 600 mil exemplares de tiragem, a menos de 300 mil em 10 anos, com uma queda que não se detêm – apesar do esforço desesperado do apelo aos brindes. Além de que o publico do jornal ficou muito seletivo – centralmente tucanos e classe média alta e burguesia.
A adesão aos tucanos e a feroz e obscurantista oposição ao governo Lula fez com que o jornalismo perdesse toda qualidade. Tudo passou a ser editorializado no jornal. Todos os colunistas – à exceção de José Simão – passaram a ser iguais. O jornal chegou a cobrir as eleições internas do PT sob a rubrica do “mensalão”, a grande sacada jornalística do jornal, com que acreditou que derrubaria a Lula. Na sua histeria chegou a publicar na primeira página o artigo de um suposto psicanalista, que dizia que o governo Lula tinha assassinado a mais de 100 pessoas no acidente da Tam em Congonhas.
Houve uma radical perda de credibilidade da FSP, que era seu diferencial, tornando-se um jornal tucano e serrista, que editorializa todo o jornal, revelando uma incapacidade para compreender o governo Lula e sua imensa popularidade, assim como as transformações que o país vive. (O Força Serra Presidente é uma sacada muito real para caracterizar o tucanalhanato de todo o jornal, em particular da editoria política e dos cronistas políticos, assim como da família proprietária da empresa.) Alguns cronistas tentam enganar que fazem criticas de esquerda ao governo, mas não conseguem esconder suas penugens tucanas.
Intelectuais de esquerda são entrevistados a cada tanto tempo ou se lhes dá espaço de artigo, contanto que se reservem a criticar o governo e o PT, sem qualquer critica à direita, menos ainda ao monopólio de imprensa da direita.
O FSP (Força Serra Presidente) revela que vai jogar ainda mais pesado na campanha presidencial, em que seu candidato e eterno colunista será o candidato da direita. O episódio da “ditabranda” e o da publicação de uma ficha falsa da Dilma, retirada de um site de extrema direita, de ex-oficiais das FFAA a favor da ditadura, confirmam isso. A perda de assinaturas e de tiragem do jornal os exaspera, a crise econômica vai chegar em cheio a toda a imprensa escrita – já chegou à Editora Abril, salva por enquanto por Serra com a compra dos fascículos -, que tira muito menos do que dizem e se dão conta que vai minguando cada vez mais também as publicidades.
É o episódio final, sem pena nem glória, de uma imprensa que chancelou o golpe e a ditadura militar, foi o sustento central do governo FHC, foi derrotada duas vezes por Lula e se desespera com a hipótese de ter que ficar na oposição outro período mais. Nunca confessou, mas confirmou com o silêncio, ter emprestado carros da empresa para a repressão da ditadura. (Como se sentem supostos esquerdistas que trabalhar lá diante disso? Nem se pronunciaram sobre a “ditabranda”, revelando que já não lhes sobra nada de caráter, que estão plenamente comprometidos com a empresa, à qual muitos emprestam seus nomes para constar no comitê editorial.)
O filho do proprietário original é eleito e reeleito como editor chefe do jornal, reproduzindo o mecanismo de uma empresa de oligarquia familiar. Ele só ocupa esse cargo, porque é filho do seu pai, como seu nome indica. Nenhum outro mérito, salvo membro a segunda geração de uma empresa familiar. Nenhuma democracia rege na redação do jornal. O consolo é que, ainda que tivesse filho, não poderia colocar a sucedê-lo, porque é a ultima geração dessa imprensa escrita no Brasil.”
A CARTA QUE NÃO FOI PUBLICADA
Li hoje no site do jornalista Luis Nassif o seguinte texto escrito por Dilma Rousseff:
“Senhor Jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsmann da Folha de São Paulo,
1. Em 30/03/2009, a jornalista Fernanda Odilla entrevistou-me, por telefone, a pedido do chefe de redação da Folha de São Paulo, em Brasília, Melchíades Filho, acerca das minhas atividades na resistência à ditadura militar.
2. Naquela ocasião ela me informou que para a realização da matéria jornalística, que foi publicada dia 05/04/09, tinha estado no Superior Tribunal Militar – STM. No entanto, eu soube posteriormente que, com o argumento de pesquisar sobre o Sr. Antonio Espinosa, do qual detinha autorização expressa para tal , aproveitara a oportunidade e pesquisara informações sobre os meus processos, retirando cópias de documentos que diziam respeito exclusivamente a mim, sem a minha devida autorização
3. A repórter esteve também no Arquivo Público de São Paulo, onde requereu pesquisa nos documentos e processos que me mencionavam, relativos ao período em que militei na resistência à ditadura militar. Neste caso, é política do Arquivo de São Paulo disponibilizar livremente todos os dados arquivados e, em caso de fotocópia, autenticar a cópia no verso com os dizeres “confere com o original”, com a data e a assinatura do funcionário responsável pela liberação do documento.
4. Os documentos pesquisados pela jornalista foram aqueles relativos ao Prontuário nº 76.346 e as OSs 0975 e 0029, sendo também solicitadas extrações de cópias.
5. Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim”. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de “factóide”, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha de São Paulo.
6. O mais grave é que o jornal Folha de São Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.
7. Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.
8. Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de São Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.
9. Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”. Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha? Se optasse pela publicação, como ocorreu, por que não informar ao leitor de onde vinha a certeza da falsidade? Se esta certeza decorria de investigações específicas realizadas pela Folha, por que não informar ao leitor os fatos?
10. O Arquivo Público de São Paulo também disponibilizou cópia do termo de compromisso assinado pela jornalista quando de sua pesquisa, ficando evidente que a repórter não teve acesso a nenhum processo que tivesse qualquer ficha igual à publicada no jornal.
11. Mais ainda: a referida não existe em nenhum dos arquivos pesquisados pela jornalista, seja o STM, seja o Arquivo Público de São Paulo. O fato é que até o momento a Folha de São Paulo não conseguiu demonstrar efetivamente a origem do documento.
12. Considero ainda que a matéria publicada na sexta-feira,17 de março, em que a Folha relata as minhas declarações ao jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, não esclarece o cerne da questão sobre a responsabilidade do jornal no lamentável e até agora estranho episódio: de onde veio a ficha que afirmo ser falsa?
13. Após 21 dias de espera, não acredito ser necessária uma grande investigação para responder à seguintes questões: em que órgão público a Folha de São Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação? Parece-me óbvio que a certeza sobre a origem de documentos publicados como oficiais é um pré-requisito para qualquer publicação responsável.
14. Transcrevo abaixo o texto literal do termo de responsabilidade assinado pela jornalista em 22/01/09:
“Declaro, para todos os fins de Direito, assumir plena e exclusiva responsabilidade, no âmbito civil e criminal, por quaisquer danos morais ou materiais que possa causar a terceiros a divulgação de informações contidas em documentos por mim examinados e a que eu tenha dado causa. Ficam, portanto, o Governo do Estado de São Paulo e o Arquivo do Estado de São Paulo exonerados de qualquer responsabilidade relativa a esta minha solicitação.
Declaro, ainda, estar ciente da legislação em vigor atinente ao uso de documentos públicos, em especial com relação aos artigos 138 e 145 (calúnia, injúria e difamação) do Código Penal Brasileiro.
Assumo, finalmente, o compromisso de citar a fonte dos documentos (Arquivo do Estado de São Paulo) nos casos de divulgação por qualquer meio (imprensa escrita, radiofônica ou televisiva, internet, livros, teses, etc).” (Cópia em anexo)
15. Por último, cabe deixar claro que a ficha falsa foi divulgada em vários sites de extrema direita, como: a) Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), blog de apoio ao Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ficha falsa postada em 30 de novembro de 2008; b) Coturno Noturno – Blog do Coronel: ficha falsa postada em 27 de março de 2009 (a ficha está “atualizada” apresentando uma foto atual) (http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/04/desta-parte-dilma-lembra-tudo.html). A partir daí, outros sites na internet também divulgaram a ficha: a) http://fórum.hardmob.com.Br/showthread.php; b) http:/www.viomundo.com.Br/blog/dilma-terrorista/
16. Estou anexando a este memorial cópia de alguns documentos que considero importantes para sua avaliação:
➢ Termo de responsabilidade assinado pela jornalista no Arquivo de SP;
➢ Cópia de fichas onde consta a foto (ou idêntica) à utilizada para montagem da ficha usada pela Folha de São Paulo
➢ Cópia da solicitação da jornalista Fernanda Odilla ao STM de acesso a informações sobre Antonio Espinosa
➢ Autorização do Sr. Antonio Espinosa para acesso aos seus documentos
➢ Termo de Compromisso assinado pela jornalista Fernanda Odilla junto ao STM.”
“Senhor Jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsmann da Folha de São Paulo,
1. Em 30/03/2009, a jornalista Fernanda Odilla entrevistou-me, por telefone, a pedido do chefe de redação da Folha de São Paulo, em Brasília, Melchíades Filho, acerca das minhas atividades na resistência à ditadura militar.
2. Naquela ocasião ela me informou que para a realização da matéria jornalística, que foi publicada dia 05/04/09, tinha estado no Superior Tribunal Militar – STM. No entanto, eu soube posteriormente que, com o argumento de pesquisar sobre o Sr. Antonio Espinosa, do qual detinha autorização expressa para tal , aproveitara a oportunidade e pesquisara informações sobre os meus processos, retirando cópias de documentos que diziam respeito exclusivamente a mim, sem a minha devida autorização
3. A repórter esteve também no Arquivo Público de São Paulo, onde requereu pesquisa nos documentos e processos que me mencionavam, relativos ao período em que militei na resistência à ditadura militar. Neste caso, é política do Arquivo de São Paulo disponibilizar livremente todos os dados arquivados e, em caso de fotocópia, autenticar a cópia no verso com os dizeres “confere com o original”, com a data e a assinatura do funcionário responsável pela liberação do documento.
4. Os documentos pesquisados pela jornalista foram aqueles relativos ao Prontuário nº 76.346 e as OSs 0975 e 0029, sendo também solicitadas extrações de cópias.
5. Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim”. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de “factóide”, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha de São Paulo.
6. O mais grave é que o jornal Folha de São Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.
7. Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.
8. Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de São Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.
9. Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”. Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha? Se optasse pela publicação, como ocorreu, por que não informar ao leitor de onde vinha a certeza da falsidade? Se esta certeza decorria de investigações específicas realizadas pela Folha, por que não informar ao leitor os fatos?
10. O Arquivo Público de São Paulo também disponibilizou cópia do termo de compromisso assinado pela jornalista quando de sua pesquisa, ficando evidente que a repórter não teve acesso a nenhum processo que tivesse qualquer ficha igual à publicada no jornal.
11. Mais ainda: a referida não existe em nenhum dos arquivos pesquisados pela jornalista, seja o STM, seja o Arquivo Público de São Paulo. O fato é que até o momento a Folha de São Paulo não conseguiu demonstrar efetivamente a origem do documento.
12. Considero ainda que a matéria publicada na sexta-feira,17 de março, em que a Folha relata as minhas declarações ao jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, não esclarece o cerne da questão sobre a responsabilidade do jornal no lamentável e até agora estranho episódio: de onde veio a ficha que afirmo ser falsa?
13. Após 21 dias de espera, não acredito ser necessária uma grande investigação para responder à seguintes questões: em que órgão público a Folha de São Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação? Parece-me óbvio que a certeza sobre a origem de documentos publicados como oficiais é um pré-requisito para qualquer publicação responsável.
14. Transcrevo abaixo o texto literal do termo de responsabilidade assinado pela jornalista em 22/01/09:
“Declaro, para todos os fins de Direito, assumir plena e exclusiva responsabilidade, no âmbito civil e criminal, por quaisquer danos morais ou materiais que possa causar a terceiros a divulgação de informações contidas em documentos por mim examinados e a que eu tenha dado causa. Ficam, portanto, o Governo do Estado de São Paulo e o Arquivo do Estado de São Paulo exonerados de qualquer responsabilidade relativa a esta minha solicitação.
Declaro, ainda, estar ciente da legislação em vigor atinente ao uso de documentos públicos, em especial com relação aos artigos 138 e 145 (calúnia, injúria e difamação) do Código Penal Brasileiro.
Assumo, finalmente, o compromisso de citar a fonte dos documentos (Arquivo do Estado de São Paulo) nos casos de divulgação por qualquer meio (imprensa escrita, radiofônica ou televisiva, internet, livros, teses, etc).” (Cópia em anexo)
15. Por último, cabe deixar claro que a ficha falsa foi divulgada em vários sites de extrema direita, como: a) Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), blog de apoio ao Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ficha falsa postada em 30 de novembro de 2008; b) Coturno Noturno – Blog do Coronel: ficha falsa postada em 27 de março de 2009 (a ficha está “atualizada” apresentando uma foto atual) (http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/04/desta-parte-dilma-lembra-tudo.html). A partir daí, outros sites na internet também divulgaram a ficha: a) http://fórum.hardmob.com.Br/showthread.php; b) http:/www.viomundo.com.Br/blog/dilma-terrorista/
16. Estou anexando a este memorial cópia de alguns documentos que considero importantes para sua avaliação:
➢ Termo de responsabilidade assinado pela jornalista no Arquivo de SP;
➢ Cópia de fichas onde consta a foto (ou idêntica) à utilizada para montagem da ficha usada pela Folha de São Paulo
➢ Cópia da solicitação da jornalista Fernanda Odilla ao STM de acesso a informações sobre Antonio Espinosa
➢ Autorização do Sr. Antonio Espinosa para acesso aos seus documentos
➢ Termo de Compromisso assinado pela jornalista Fernanda Odilla junto ao STM.”
PERGUNTAS TOLAS, INVASIVAS E INAPROPRIADAS. A COLETIVA DE DILMA”
Li hoje no blog “De um sem mídia” o seguinte texto escrito por Magda Almeida, do site Observatório da Imprensa::
“Ouvi, pela Bandeirantes FM, de Porto Alegre, a íntegra da entrevista coletiva da ministra Dilma Rousseff no sábado (25/4), onde o assunto foi o bombástico comunicado oficial de seu câncer. Dilma não é uma pessoa simpática e carece de algumas habilidades para lidar com a imprensa. Tenta, tenta, mas não consegue. É visível o seu pavor, que ela busca esconder atrás daquela máscara de auto-suficiência. Mas, corajosamente e muito ao seu modo, falou de sua doença. Seguiram-se as explicações do médico-chefe, com a usual e natural precaução.
Eu estava lavando a louça do almoço quando veio a primeira pergunta do grupo de jornalistas convocados para a entrevista coletiva: "Doutor, qual é o grau de agressividade desse câncer da ministra?" Por pouco o prato não caiu da minha mão. E seguiram-se outras, como: "Como ela adquiriu esse câncer?" e coisas que tais. O meu medo era que um coleguinha fosse direto ao ponto: "Doutor, quanto tempo de vida tem a ministra Dilma?"; ou, "Ministra, quem o PT agora vai escolher para vice-presidente?"
Como estava ouvindo a entrevista, e não vendo a televisão, fiquei imaginando como estariam se sentindo os médicos e a própria paciente, diante daquelas perguntas que a muitos ali, certamente, pareciam tolas, invasivas e inapropriadas numa situação tão delicada como aquela.
Até onde vão nossos limites?
Passei toda a tarde mergulhada nessas reflexões. Larguei a louça pra lá e fui procurar um canto solitário para, mais uma vez, pensar melhor sobre a profissão que há 46 anos escolhi num momento de surto ou de bem-aventurança. E me perguntei se, fazendo parte daquele grupo de coleguinhas, e mesmo tendo a fama que sempre tive de "ousada", abriria mão de um mínimo de sensibilidade profissional a fim de garantir a primeira página de amanhã.
Ou, refletindo melhor sobre aquele especial momento, deixaria aquelas perguntas infames para uma entrevista pessoal com o médico-chefe, poupando a ministra de mais uma dose no seu já grande sofrimento. Não conheço a ministra Dilma, o que sei dela é o que leio nos jornais e revistas. Não terá o meu voto, mas tem todo o meu respeito e torço para que supere, com a coragem que nunca lhe faltou, os momentos difíceis que encontrará pela frente.
E aí vem a pergunta que não quer calar, com desculpa pelo chavão: como separar a pessoa humana do profissional que precisa voltar à redação com o maior número possível de respostas às suas perguntas? Tem o repórter, naqueles seus 15 minutos de fama, o direito de perguntar o que lhe vem à cabeça, sem o menor respeito pela "vítima", ali na sua frente, ou, antes, pode ser ele mais sutil e, quem sabe, mais esperto, e conseguir uma entrevista mais completa mais tarde, a sós com, no caso, o médico-chefe?
Não me lembro de terem feito perguntas tão agressivas ao nosso simpático vice-presidente, a cada vez que entra e/ou sai do hospital depois de uma temporada de quimioterapia e radioterapia. Ou mesmo quando foi, pela primeira vez, anunciada a sua doença.
Não tenho resposta para qualquer dessas perguntas. Minha única preocupação continua sendo a ética mais elementar, o respeito indispensável ao próximo, não importa quem seja e onde esteja, na condução dessa tão complexa profissão. Até onde vão os nossos limites? Ou já não os temos mais?
Num país sem noção do que chamamos de limites, eu não deveria estranhar o inusitado, o endiabrado. Afinal, não existe o acaso e tudo é consequência de tudo.”
“Ouvi, pela Bandeirantes FM, de Porto Alegre, a íntegra da entrevista coletiva da ministra Dilma Rousseff no sábado (25/4), onde o assunto foi o bombástico comunicado oficial de seu câncer. Dilma não é uma pessoa simpática e carece de algumas habilidades para lidar com a imprensa. Tenta, tenta, mas não consegue. É visível o seu pavor, que ela busca esconder atrás daquela máscara de auto-suficiência. Mas, corajosamente e muito ao seu modo, falou de sua doença. Seguiram-se as explicações do médico-chefe, com a usual e natural precaução.
Eu estava lavando a louça do almoço quando veio a primeira pergunta do grupo de jornalistas convocados para a entrevista coletiva: "Doutor, qual é o grau de agressividade desse câncer da ministra?" Por pouco o prato não caiu da minha mão. E seguiram-se outras, como: "Como ela adquiriu esse câncer?" e coisas que tais. O meu medo era que um coleguinha fosse direto ao ponto: "Doutor, quanto tempo de vida tem a ministra Dilma?"; ou, "Ministra, quem o PT agora vai escolher para vice-presidente?"
Como estava ouvindo a entrevista, e não vendo a televisão, fiquei imaginando como estariam se sentindo os médicos e a própria paciente, diante daquelas perguntas que a muitos ali, certamente, pareciam tolas, invasivas e inapropriadas numa situação tão delicada como aquela.
Até onde vão nossos limites?
Passei toda a tarde mergulhada nessas reflexões. Larguei a louça pra lá e fui procurar um canto solitário para, mais uma vez, pensar melhor sobre a profissão que há 46 anos escolhi num momento de surto ou de bem-aventurança. E me perguntei se, fazendo parte daquele grupo de coleguinhas, e mesmo tendo a fama que sempre tive de "ousada", abriria mão de um mínimo de sensibilidade profissional a fim de garantir a primeira página de amanhã.
Ou, refletindo melhor sobre aquele especial momento, deixaria aquelas perguntas infames para uma entrevista pessoal com o médico-chefe, poupando a ministra de mais uma dose no seu já grande sofrimento. Não conheço a ministra Dilma, o que sei dela é o que leio nos jornais e revistas. Não terá o meu voto, mas tem todo o meu respeito e torço para que supere, com a coragem que nunca lhe faltou, os momentos difíceis que encontrará pela frente.
E aí vem a pergunta que não quer calar, com desculpa pelo chavão: como separar a pessoa humana do profissional que precisa voltar à redação com o maior número possível de respostas às suas perguntas? Tem o repórter, naqueles seus 15 minutos de fama, o direito de perguntar o que lhe vem à cabeça, sem o menor respeito pela "vítima", ali na sua frente, ou, antes, pode ser ele mais sutil e, quem sabe, mais esperto, e conseguir uma entrevista mais completa mais tarde, a sós com, no caso, o médico-chefe?
Não me lembro de terem feito perguntas tão agressivas ao nosso simpático vice-presidente, a cada vez que entra e/ou sai do hospital depois de uma temporada de quimioterapia e radioterapia. Ou mesmo quando foi, pela primeira vez, anunciada a sua doença.
Não tenho resposta para qualquer dessas perguntas. Minha única preocupação continua sendo a ética mais elementar, o respeito indispensável ao próximo, não importa quem seja e onde esteja, na condução dessa tão complexa profissão. Até onde vão os nossos limites? Ou já não os temos mais?
Num país sem noção do que chamamos de limites, eu não deveria estranhar o inusitado, o endiabrado. Afinal, não existe o acaso e tudo é consequência de tudo.”
LULA DIZ QUE "PIOR DA CRISE PASSOU" E ESPERA FIM DE ANO "CONFORTÁVEL"
Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem da Agência Folha, em Manaus:
"Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou." Foi dessa forma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, em Manaus, a questionamentos sobre o impacto da crise no Brasil.
O presidente afirmou que a crise é originária de um país rico e que nem o próprio presidente Barack Obama sabia de sua dimensão.
"Acho que o povo brasileiro não tem motivo para ter medo", declarou. "Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou, nós estamos vendo vários setores da economia se recuperarem."
Apesar de falar em reaquecimento da economia, Lula reconheceu que o ritmo ainda é lento. "Óbvio que essas coisas começam lentamente. Espero um final do ano com uma situação mais confortável. As medidas que o governo tomou têm surtido efeito. A indústria automobilística e sua cadeia produtiva já começaram a se recuperar, a Zona Franca já está se recuperando", discursou.”
"Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou." Foi dessa forma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, em Manaus, a questionamentos sobre o impacto da crise no Brasil.
O presidente afirmou que a crise é originária de um país rico e que nem o próprio presidente Barack Obama sabia de sua dimensão.
"Acho que o povo brasileiro não tem motivo para ter medo", declarou. "Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou, nós estamos vendo vários setores da economia se recuperarem."
Apesar de falar em reaquecimento da economia, Lula reconheceu que o ritmo ainda é lento. "Óbvio que essas coisas começam lentamente. Espero um final do ano com uma situação mais confortável. As medidas que o governo tomou têm surtido efeito. A indústria automobilística e sua cadeia produtiva já começaram a se recuperar, a Zona Franca já está se recuperando", discursou.”
O FRACASSO DOS EMBARGOS
O jornal espanhol El Pais publicou ontem a seguinte reportagem de Andrea Rizzi (li no UOL, em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves):
“Quase 25 séculos depois de o ateniense Péricles ter castigado as intemperanças da cidade de Megara, ditando por decreto o primeiro grande embargo em estilo moderno - e quase meio século depois de Dwight Eisenhower e John F. Kennedy infligirem a Cuba o mesmo destino -, a história dessa ferramenta de pressão internacional se encontra diante de um ponto de inflexão. A época dos embargos comerciais e financeiros gerais parece em seu ocaso, em favor de medidas mais específicas, criadas para atingir os regimes sem prejudicar de maneira indiscriminada as populações civis.
A transição, em fermentação há alguns anos, hoje se consolida com os novos ventos que sopram dos EUA, a potência que mais recorreu ao uso da asfixia econômica com fins políticos no último século. Estas palavras indicam bem a situação: "Depois de 47 anos, o embargo unilateral a Cuba fracassou em conseguir o objetivo de 'levar a democracia à população cubana'. Temos de reconhecer a ineficácia de nossa política".
A relevância dessas frases está em sua autoria, até mais que em seu conteúdo: não foram pronunciadas pelo grande messias da mudança, Barack Obama. Foram redigidas por Richard Lugar, senador republicano e representante máximo na Comissão de Assuntos Exteriores do Senado do partido que defendeu o isolamento de Cuba.
Lugar se atreveu a sentenciar assim meio século de política americana em relação a Havana em fevereiro, antes que o governo Obama decidisse dar um primeiro passo levantando restrições às viagens e ao envio de remessas para a ilha. O senador deu voz a uma virada cada vez mais aceita nas vísceras de seu partido, outrora o grande guardião do embargo a Cuba e berço ideológico de outras sanções semelhantes, hoje disposto a colaborar na tarefa de levantamento do mesmo. O novo plano dos republicanos justifica a expectativa de mudança mais que os discursos do próprio presidente.
A reflexão sobre os embargos no século 21 começa aí, pelo regime castrista no poder depois de 47 anos de bloqueio econômico, e com a lembrança de Saddam Hussein, que conseguiu resistir ao mais duro embargo da história, entre 1990 e 2003. Foram necessários aviões F-16 para derrubá-lo, depois que a população iraquiana sofreu inutilmente um tremendo estrangulamento internacional com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.
As sanções econômicas também não derrubaram o ditador norte-coreano Kim Jong-il, que continua bebendo seu amado conhaque em Pyongyang enquanto seu povo passa fome, nem detiveram o programa nuclear da República Islâmica do Irã. A lista de países submetidos a embargos ou sanções comerciais e financeiras nas últimas décadas é muito longa: infelizmente, a dos regimes que sobreviveram a eles tem praticamente o mesmo tamanho, sendo a única exceção de destaque a África do Sul do apartheid.
"É verdade que embargos e sanções econômicas não foram eficazes para derrubar regimes de ditadores. Os fracassos em casos de perfil elevado projetam a sensação de ineficácia absoluta, mas essa é uma percepção distorcida da realidade", argumenta Gary Hufbauer, analista do Instituto Peterson e autor de "Economic Sanctions Reconsidered" [Sanções econômicas reconsideradas], um estudo detalhado sobre a matéria.
"Estudamos cerca de 200 casos de embargos e sanções econômicas de envergadura desde a Primeira Guerra Mundial", continua Hufbauer. "Nossa conclusão é que em 34% das vezes as medidas foram pelo menos parcialmente bem-sucedidas. Com frequência com êxitos marginais. Mas às vezes muito substanciais. Os objetivos estratégicos dos bloqueios vão além da derrubada de um regime."
"A Líbia é o exemplo perfeito", indica Kimberly Elliott, coautora do livro. "As sanções não derrubaram Khadafi, mas contribuíram significativamente para uma mudança de atitude do regime. As sanções sem dúvida têm uma capacidade limitada, mas alcançaram objetivos no passado e poderão continuar atingindo-os."
Mas, comprovada a incapacidade de se obter o objetivo supremo - a derrubada de ditadores -, é suficiente a esporádica obtenção de fins estratégicos secundários para justificar o grande sofrimento que os embargos infligem às populações civis? Até que ponto vai a responsabilidade de uma população pelo fato de seu país ser governado por um determinado regime?
"Sem dúvida a comunidade internacional está progressivamente se afastando do modelo de sanção econômica geral em favor de pressões mais perfiladas, dirigidas especificamente aos responsáveis e que afetam menos a população civil", observa Richard Gowan, analista do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR na sigla em inglês), especializado no estudo do Conselho de Segurança da ONU. "As medidas gerais foram muitas vezes ineficazes e às vezes até contraproducentes, ao criar uma síndrome de encurralamento no país afetado que aglutina a população ao redor do regime", prossegue Gowan.
"Concordo que essa transição para medidas mais refinadas está em andamento", diz Hufbauer. Os cinco especialistas consultados para este artigo concordaram nesse ponto. "Para isso há razões humanitárias e também de 'real politik'. Um embargo total também causa muito dano aos parceiros comerciais do país atingido."
Diante das sanções gerais - como os bloqueios totais a exportações, importações e fluxos financeiros -, as medidas específicas ou "refinadas" impõem o congelamento de determinadas contas bancárias e ativos financeiros, embargos a produtos específicos ou armas, obstáculos a viagens e sanções destinadas a golpear exclusivamente os hierarcas dos regimes e suas funções.
Essas medidas cumprem adequadamente uma das principais funções das sanções econômicas: enviar uma mensagem. Ao público mundial - aliados e inimigos -, ou ao eleitorado interno.
"Mandar sinais sempre é uma parte importante desses processos, e o objetivo nem sempre é de caráter internacional. Cuba é um exemplo. Uma sanção que surgiu com um objetivo de política externa se manteve durante o tempo, fundamentalmente por motivos de política interna, pensando em certos grupos de pressão", argumenta Elliott, que trabalha para o Centro para o Desenvolvimento Global.
A ironia do líder liberal britânico David Lloyd George esculpiu em 1935 a relevância dessa função dos embargos, com uma referência ferina à reação tardia do Executivo de Londres diante da invasão italiana na Abissínia [atual Etiópia]. "[As sanções] chegaram tarde demais para salvar a Abissínia da subjugação italiana... mas a tempo de salvar o governo britânico!", declarou Lloyd George no Parlamento. A inação pode ter custos muito elevados e, entre indiferença e ação militar, as sanções econômicas são uma boa opção.
"O problema das sanções específicas é que são muito complexas de se implementar e precisam de um difícil e constante acompanhamento", observa Paul Holtom, especialista em embargos de armas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri na sigla em inglês).
"Trata-se de ferramentas mais sofisticadas, mas mais frágeis e, na maioria dos casos, não idôneas para conseguir objetivos estratégicos consideráveis", indica Elliott.
A diferença de peso é evidente. Os bloqueios comerciais e financeiros impostos de 1915 em diante custaram aos países alvo das medidas cerca de 4% do PIB anual em média. No caso iraquiano, devido à enorme adesão ao embargo contra Saddam promovido pela ONU, a queda foi de 54% anuais em média, segundo "Economic Sanctions Reconsidered". Brutal. Sanções específicas não podem alcançar nem de longe esse nível de pressão.
"Mas em nossas pesquisas comprovamos que a equação 'sanção mais dura igual a melhor resultado' não é tão automática quanto se poderia pensar. O próprio caso iraquiano o sugere", indica Hufbauer. "Infelizmente, os regimes autocráticos normalmente conseguem proteger seu entorno, isolá-lo do impacto e transferir o sofrimento para a população."
Exatamente a reflexão sobre o caso iraquiano promoveu uma transição para novos horizontes. Agora a polêmica nos EUA sobre o outro grande embargo simbólico do mundo, o de Cuba, parece afiançar definitivamente a mudança.
A passagem não está isenta de obstáculos. Há quem interprete certas opções políticas menos agressivas como sinais de fraqueza. A ofensiva do ex-vice-presidente americano Richard Cheney contra Obama esta semana resume bem esse antagonismo. "Tanto nossos amigos como nossos adversários aproveitarão rapidamente a situação se pensarem que estão diante de um presidente fraco", disse Cheney, criticando a atitude de Obama em seus giros internacionais, o excesso de mãos apertadas (como a de Hugo Chávez) e "esse frequente tom de desculpas". "Não creio que os EUA tenham muito a se desculpar."
Mas hoje os falcões parecem mais isolados que nunca. "Diante do que aconteceu nos últimos anos, o embargo a Cuba parece realmente um resíduo de outra era. Na Europa a transição para sanções específicas está consolidada. Às vezes há divergências entre países que defendem o diálogo a todo custo e outros mais inclinados à sanção... mas sem dúvida está consolidada a preferência por medidas pontuais contra as gerais", comenta Anthony Dworkin, colega de Gowan no ECFR e analista especializado em direito humanitário.
Quase toda a questão se encontra no terreno das opiniões. Mas certos fatos parecem lições, embora remontem ao século 5º antes de Cristo. Assim relata Aristófanes a história do decreto megarense de Péricles em um trecho de sua obra "Os Acarnenses": "Então Péricles decretou que os megarenses não entrassem em nosso território, e em nossos mercados, por mar ou por terra. Os megarenses, que já morriam de fome, pediram que o decreto fosse retirado. Nós rejeitamos, apesar de eles terem pedido muitas vezes. Então veio o estrondo das armas". A guerra do Peloponeso.”
“Quase 25 séculos depois de o ateniense Péricles ter castigado as intemperanças da cidade de Megara, ditando por decreto o primeiro grande embargo em estilo moderno - e quase meio século depois de Dwight Eisenhower e John F. Kennedy infligirem a Cuba o mesmo destino -, a história dessa ferramenta de pressão internacional se encontra diante de um ponto de inflexão. A época dos embargos comerciais e financeiros gerais parece em seu ocaso, em favor de medidas mais específicas, criadas para atingir os regimes sem prejudicar de maneira indiscriminada as populações civis.
A transição, em fermentação há alguns anos, hoje se consolida com os novos ventos que sopram dos EUA, a potência que mais recorreu ao uso da asfixia econômica com fins políticos no último século. Estas palavras indicam bem a situação: "Depois de 47 anos, o embargo unilateral a Cuba fracassou em conseguir o objetivo de 'levar a democracia à população cubana'. Temos de reconhecer a ineficácia de nossa política".
A relevância dessas frases está em sua autoria, até mais que em seu conteúdo: não foram pronunciadas pelo grande messias da mudança, Barack Obama. Foram redigidas por Richard Lugar, senador republicano e representante máximo na Comissão de Assuntos Exteriores do Senado do partido que defendeu o isolamento de Cuba.
Lugar se atreveu a sentenciar assim meio século de política americana em relação a Havana em fevereiro, antes que o governo Obama decidisse dar um primeiro passo levantando restrições às viagens e ao envio de remessas para a ilha. O senador deu voz a uma virada cada vez mais aceita nas vísceras de seu partido, outrora o grande guardião do embargo a Cuba e berço ideológico de outras sanções semelhantes, hoje disposto a colaborar na tarefa de levantamento do mesmo. O novo plano dos republicanos justifica a expectativa de mudança mais que os discursos do próprio presidente.
A reflexão sobre os embargos no século 21 começa aí, pelo regime castrista no poder depois de 47 anos de bloqueio econômico, e com a lembrança de Saddam Hussein, que conseguiu resistir ao mais duro embargo da história, entre 1990 e 2003. Foram necessários aviões F-16 para derrubá-lo, depois que a população iraquiana sofreu inutilmente um tremendo estrangulamento internacional com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.
As sanções econômicas também não derrubaram o ditador norte-coreano Kim Jong-il, que continua bebendo seu amado conhaque em Pyongyang enquanto seu povo passa fome, nem detiveram o programa nuclear da República Islâmica do Irã. A lista de países submetidos a embargos ou sanções comerciais e financeiras nas últimas décadas é muito longa: infelizmente, a dos regimes que sobreviveram a eles tem praticamente o mesmo tamanho, sendo a única exceção de destaque a África do Sul do apartheid.
"É verdade que embargos e sanções econômicas não foram eficazes para derrubar regimes de ditadores. Os fracassos em casos de perfil elevado projetam a sensação de ineficácia absoluta, mas essa é uma percepção distorcida da realidade", argumenta Gary Hufbauer, analista do Instituto Peterson e autor de "Economic Sanctions Reconsidered" [Sanções econômicas reconsideradas], um estudo detalhado sobre a matéria.
"Estudamos cerca de 200 casos de embargos e sanções econômicas de envergadura desde a Primeira Guerra Mundial", continua Hufbauer. "Nossa conclusão é que em 34% das vezes as medidas foram pelo menos parcialmente bem-sucedidas. Com frequência com êxitos marginais. Mas às vezes muito substanciais. Os objetivos estratégicos dos bloqueios vão além da derrubada de um regime."
"A Líbia é o exemplo perfeito", indica Kimberly Elliott, coautora do livro. "As sanções não derrubaram Khadafi, mas contribuíram significativamente para uma mudança de atitude do regime. As sanções sem dúvida têm uma capacidade limitada, mas alcançaram objetivos no passado e poderão continuar atingindo-os."
Mas, comprovada a incapacidade de se obter o objetivo supremo - a derrubada de ditadores -, é suficiente a esporádica obtenção de fins estratégicos secundários para justificar o grande sofrimento que os embargos infligem às populações civis? Até que ponto vai a responsabilidade de uma população pelo fato de seu país ser governado por um determinado regime?
"Sem dúvida a comunidade internacional está progressivamente se afastando do modelo de sanção econômica geral em favor de pressões mais perfiladas, dirigidas especificamente aos responsáveis e que afetam menos a população civil", observa Richard Gowan, analista do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR na sigla em inglês), especializado no estudo do Conselho de Segurança da ONU. "As medidas gerais foram muitas vezes ineficazes e às vezes até contraproducentes, ao criar uma síndrome de encurralamento no país afetado que aglutina a população ao redor do regime", prossegue Gowan.
"Concordo que essa transição para medidas mais refinadas está em andamento", diz Hufbauer. Os cinco especialistas consultados para este artigo concordaram nesse ponto. "Para isso há razões humanitárias e também de 'real politik'. Um embargo total também causa muito dano aos parceiros comerciais do país atingido."
Diante das sanções gerais - como os bloqueios totais a exportações, importações e fluxos financeiros -, as medidas específicas ou "refinadas" impõem o congelamento de determinadas contas bancárias e ativos financeiros, embargos a produtos específicos ou armas, obstáculos a viagens e sanções destinadas a golpear exclusivamente os hierarcas dos regimes e suas funções.
Essas medidas cumprem adequadamente uma das principais funções das sanções econômicas: enviar uma mensagem. Ao público mundial - aliados e inimigos -, ou ao eleitorado interno.
"Mandar sinais sempre é uma parte importante desses processos, e o objetivo nem sempre é de caráter internacional. Cuba é um exemplo. Uma sanção que surgiu com um objetivo de política externa se manteve durante o tempo, fundamentalmente por motivos de política interna, pensando em certos grupos de pressão", argumenta Elliott, que trabalha para o Centro para o Desenvolvimento Global.
A ironia do líder liberal britânico David Lloyd George esculpiu em 1935 a relevância dessa função dos embargos, com uma referência ferina à reação tardia do Executivo de Londres diante da invasão italiana na Abissínia [atual Etiópia]. "[As sanções] chegaram tarde demais para salvar a Abissínia da subjugação italiana... mas a tempo de salvar o governo britânico!", declarou Lloyd George no Parlamento. A inação pode ter custos muito elevados e, entre indiferença e ação militar, as sanções econômicas são uma boa opção.
"O problema das sanções específicas é que são muito complexas de se implementar e precisam de um difícil e constante acompanhamento", observa Paul Holtom, especialista em embargos de armas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri na sigla em inglês).
"Trata-se de ferramentas mais sofisticadas, mas mais frágeis e, na maioria dos casos, não idôneas para conseguir objetivos estratégicos consideráveis", indica Elliott.
A diferença de peso é evidente. Os bloqueios comerciais e financeiros impostos de 1915 em diante custaram aos países alvo das medidas cerca de 4% do PIB anual em média. No caso iraquiano, devido à enorme adesão ao embargo contra Saddam promovido pela ONU, a queda foi de 54% anuais em média, segundo "Economic Sanctions Reconsidered". Brutal. Sanções específicas não podem alcançar nem de longe esse nível de pressão.
"Mas em nossas pesquisas comprovamos que a equação 'sanção mais dura igual a melhor resultado' não é tão automática quanto se poderia pensar. O próprio caso iraquiano o sugere", indica Hufbauer. "Infelizmente, os regimes autocráticos normalmente conseguem proteger seu entorno, isolá-lo do impacto e transferir o sofrimento para a população."
Exatamente a reflexão sobre o caso iraquiano promoveu uma transição para novos horizontes. Agora a polêmica nos EUA sobre o outro grande embargo simbólico do mundo, o de Cuba, parece afiançar definitivamente a mudança.
A passagem não está isenta de obstáculos. Há quem interprete certas opções políticas menos agressivas como sinais de fraqueza. A ofensiva do ex-vice-presidente americano Richard Cheney contra Obama esta semana resume bem esse antagonismo. "Tanto nossos amigos como nossos adversários aproveitarão rapidamente a situação se pensarem que estão diante de um presidente fraco", disse Cheney, criticando a atitude de Obama em seus giros internacionais, o excesso de mãos apertadas (como a de Hugo Chávez) e "esse frequente tom de desculpas". "Não creio que os EUA tenham muito a se desculpar."
Mas hoje os falcões parecem mais isolados que nunca. "Diante do que aconteceu nos últimos anos, o embargo a Cuba parece realmente um resíduo de outra era. Na Europa a transição para sanções específicas está consolidada. Às vezes há divergências entre países que defendem o diálogo a todo custo e outros mais inclinados à sanção... mas sem dúvida está consolidada a preferência por medidas pontuais contra as gerais", comenta Anthony Dworkin, colega de Gowan no ECFR e analista especializado em direito humanitário.
Quase toda a questão se encontra no terreno das opiniões. Mas certos fatos parecem lições, embora remontem ao século 5º antes de Cristo. Assim relata Aristófanes a história do decreto megarense de Péricles em um trecho de sua obra "Os Acarnenses": "Então Péricles decretou que os megarenses não entrassem em nosso território, e em nossos mercados, por mar ou por terra. Os megarenses, que já morriam de fome, pediram que o decreto fosse retirado. Nós rejeitamos, apesar de eles terem pedido muitas vezes. Então veio o estrondo das armas". A guerra do Peloponeso.”
quarta-feira, 29 de abril de 2009
MIKHAIL GORBACHEV - DANDO AS BOAS VINDAS AO G20
Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo publicado no jornal norte-americano The New York Times. O autor, Mikhail Gorbachev, foi líder da extinta União Soviética de 1985 até o seu colapso em 1991. Laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1990, ele é atualmente o presidente da Fundação Internacional de Estudos Socioeconômicos e Políticos (A Fundação Gorbachev):
“O G20 já teve duas reuniões, incluindo a última em Londres. Ele se tornou um fórum estabelecido, um reconhecimento, tardio na minha opinião, de que o mundo mudou e que as instituições antigas não acompanharam as necessidades que crescem rapidamente.
Antes tarde do que nunca, claro. Ainda assim, há dúvidas sobre o conteúdo e o funcionamento deste novo órgão - perguntas que devem ser respondidas o mais rápido possível.
A primeira pergunta é se as decisões adotadas no encontro em Londres podem estancar a crise econômica e financeira global, colocando a economia mundial novamente em um espiral de crescimento.
Uma resposta definitiva só deve surgir com o tempo, mas a minha impressão inicial é que as decisões tomadas em Londres podem ser um bom começo. Estas decisões representam concessões, o que é normal. Ainda assim, necessitamos de pontos de referência mais claros sobre a estrutura do sistema de governança financeira e econômica e das tarefas do grupo.
Prevenir crises como esta não deveria ser a única ou principal preocupação do G-20. O que precisamos é de uma transição para um modelo novo, integrando fatores sociais, ambientais e econômicos.
A segunda pergunta diz respeito ao lugar do G-20 dentro do sistema de instituições globais. O que é este grupo: Um "politburo global", um "clube dos poderosos", um protótipo para um governo mundial? Como será a interação com as Nações Unidas - a organização mundial universal?
Estou convencido de que nenhum grupo de países, mesmo que eles representem 90 por cento da economia mundial, deveria substituir ou sobrepujar as Nações Unidas. Mas claramente, o G-20 poderia reivindicar uma liderança coletiva sobre os problemas mundiais se administrar com respeito a opinião dos não membros. A presença de países no G-20 que representam diferentes regiões geográficas, diferentes níveis de desenvolvimento e diferentes culturas é um sinal de esperança.
Ainda assim, este grupo não passa de uma improvisação pressionada por condições extremas de um inesperado levante global. Ele não inclui alguns países bastante influentes, regionalmente ou até de forma mais ampla, como o Egito, a Nigéria ou o Iran. E o grupo também não foi claro quanto a seus métodos.
Para evitar erros, o G-20 deve ser muito transparente e trabalhar junto às Nações Unidas. Pelo menos uma vez ao ano, suas reuniões devem acontecer na sede da ONU. Ela deveria submeter um relatório à Assembléia Geral da ONU, para ser discutido de forma substancial.
Por fim, há a questão da abrangência desta nova instituição. Será que ela deveria ficar restrita às questões econômico-financeiras ou, mais cedo ou mais tarde, deverá também abordar questões políticas? A resposta, da qual muito depende, não é óbvia.
Aqueles que são contra um papel de ação política para o G-20 diriam que a comunidade mundial conferiu ao Conselho de Segurança da ONU a responsabilidade principal para manter a paz e a segurança mundial. Portanto, nossa preocupação principal deve ser fortalecer o papel daquele órgão. É verdade que todas as tentativas de ignorar ou contorná-lo, seja no Oriente Médio, Europa ou qualquer outro lugar, acabou sempre mal.
No entanto, é também verdade que o papel principal do Conselho de Segurança é reagir de imediato a crises perigosas. Sabemos por experiência que ele não está preparado para abordar questões conceituais e de longo prazo. Além disso, a longa demora em reformar este órgão da ONU o deixou, francamente, menos representativo que o G-20, que é particularmente bem equipado para abortar questões políticas ligadas aos desafios globais de segurança, pobreza e o meio ambiente. Além do mais, as outras organizações e grupos, como o G-8 ou a OTAN, discutem problemas políticos.
Eu acredito que, com uma abordagem equilibrada e bem pensada, o G-20 pode encontrar um lugar privilegiado na arquitetura da política mundial. Se ele ajudar a reverter a crise econômica, ganhará a credibilidade para liderar.
Um dos problemas prontos para o debate político é a militarização da política e da economia mundial - a militarização do pensamento. Nós a herdamos do século XX, talvez o mais sangrento e trágico da história.
É um emaranhado de problemas: A militarização desvia fundos da economia real, estimula conflitos e cria uma ilusão de que as soluções militares, em vez de políticas, é que são viáveis. Ao iniciar uma séria discussão sobre o tópico dentro do G-20 e assumindo uma posição política sobre ele, os líderes mundiais poderiam preparar o terreno para aqueles órgãos da ONU que são responsáveis pelo progresso da área - o Conselho de Segurança e a Conferência de Desarmamento em Genebra.
Depois da reunião em Londres, o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, chamou a reunião de um passo em direção à nova ordem mundial e uma "nova era moderna de cooperação internacional".
Apesar de ainda haver muito que fazer antes que isto se torne realidade, é esta a direção que devemos seguir.”
“O G20 já teve duas reuniões, incluindo a última em Londres. Ele se tornou um fórum estabelecido, um reconhecimento, tardio na minha opinião, de que o mundo mudou e que as instituições antigas não acompanharam as necessidades que crescem rapidamente.
Antes tarde do que nunca, claro. Ainda assim, há dúvidas sobre o conteúdo e o funcionamento deste novo órgão - perguntas que devem ser respondidas o mais rápido possível.
A primeira pergunta é se as decisões adotadas no encontro em Londres podem estancar a crise econômica e financeira global, colocando a economia mundial novamente em um espiral de crescimento.
Uma resposta definitiva só deve surgir com o tempo, mas a minha impressão inicial é que as decisões tomadas em Londres podem ser um bom começo. Estas decisões representam concessões, o que é normal. Ainda assim, necessitamos de pontos de referência mais claros sobre a estrutura do sistema de governança financeira e econômica e das tarefas do grupo.
Prevenir crises como esta não deveria ser a única ou principal preocupação do G-20. O que precisamos é de uma transição para um modelo novo, integrando fatores sociais, ambientais e econômicos.
A segunda pergunta diz respeito ao lugar do G-20 dentro do sistema de instituições globais. O que é este grupo: Um "politburo global", um "clube dos poderosos", um protótipo para um governo mundial? Como será a interação com as Nações Unidas - a organização mundial universal?
Estou convencido de que nenhum grupo de países, mesmo que eles representem 90 por cento da economia mundial, deveria substituir ou sobrepujar as Nações Unidas. Mas claramente, o G-20 poderia reivindicar uma liderança coletiva sobre os problemas mundiais se administrar com respeito a opinião dos não membros. A presença de países no G-20 que representam diferentes regiões geográficas, diferentes níveis de desenvolvimento e diferentes culturas é um sinal de esperança.
Ainda assim, este grupo não passa de uma improvisação pressionada por condições extremas de um inesperado levante global. Ele não inclui alguns países bastante influentes, regionalmente ou até de forma mais ampla, como o Egito, a Nigéria ou o Iran. E o grupo também não foi claro quanto a seus métodos.
Para evitar erros, o G-20 deve ser muito transparente e trabalhar junto às Nações Unidas. Pelo menos uma vez ao ano, suas reuniões devem acontecer na sede da ONU. Ela deveria submeter um relatório à Assembléia Geral da ONU, para ser discutido de forma substancial.
Por fim, há a questão da abrangência desta nova instituição. Será que ela deveria ficar restrita às questões econômico-financeiras ou, mais cedo ou mais tarde, deverá também abordar questões políticas? A resposta, da qual muito depende, não é óbvia.
Aqueles que são contra um papel de ação política para o G-20 diriam que a comunidade mundial conferiu ao Conselho de Segurança da ONU a responsabilidade principal para manter a paz e a segurança mundial. Portanto, nossa preocupação principal deve ser fortalecer o papel daquele órgão. É verdade que todas as tentativas de ignorar ou contorná-lo, seja no Oriente Médio, Europa ou qualquer outro lugar, acabou sempre mal.
No entanto, é também verdade que o papel principal do Conselho de Segurança é reagir de imediato a crises perigosas. Sabemos por experiência que ele não está preparado para abordar questões conceituais e de longo prazo. Além disso, a longa demora em reformar este órgão da ONU o deixou, francamente, menos representativo que o G-20, que é particularmente bem equipado para abortar questões políticas ligadas aos desafios globais de segurança, pobreza e o meio ambiente. Além do mais, as outras organizações e grupos, como o G-8 ou a OTAN, discutem problemas políticos.
Eu acredito que, com uma abordagem equilibrada e bem pensada, o G-20 pode encontrar um lugar privilegiado na arquitetura da política mundial. Se ele ajudar a reverter a crise econômica, ganhará a credibilidade para liderar.
Um dos problemas prontos para o debate político é a militarização da política e da economia mundial - a militarização do pensamento. Nós a herdamos do século XX, talvez o mais sangrento e trágico da história.
É um emaranhado de problemas: A militarização desvia fundos da economia real, estimula conflitos e cria uma ilusão de que as soluções militares, em vez de políticas, é que são viáveis. Ao iniciar uma séria discussão sobre o tópico dentro do G-20 e assumindo uma posição política sobre ele, os líderes mundiais poderiam preparar o terreno para aqueles órgãos da ONU que são responsáveis pelo progresso da área - o Conselho de Segurança e a Conferência de Desarmamento em Genebra.
Depois da reunião em Londres, o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, chamou a reunião de um passo em direção à nova ordem mundial e uma "nova era moderna de cooperação internacional".
Apesar de ainda haver muito que fazer antes que isto se torne realidade, é esta a direção que devemos seguir.”
O QUE FALTA PARA A ECONOMIA BRASILEIRA
Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo de Julio Gomes de Almeida. O autor é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda:
“Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável com a grande crise de 1929. A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação.
Para a indústria, afora uma nova rodada de crise, a tendência é de um gradativo aumento do nível de produção (que em fevereiro era 17% inferior com relação ao auge anterior à crise) para ir recuperando o terreno perdido, algo que pode ser concluído nos meses finais do ano. No mês de março é esperado um avanço do setor em bases superiores ao crescimento da produção de janeiro e fevereiro (+2,2% e +1,8% com relação ao mês anterior). Na comparação com março de 2008, a indústria deve recuperar parte do terreno perdido, mas isto deverá ser interpretado com cautela porque a base de referência, o mesmo mês do ano passado, teve um desempenho desfavorável e, além disso, contou com dois dias úteis a menos do que março último.
O que pode reverter esse processo é uma piora na queda das exportações de manufaturados (o que parece estar ocorrendo) combinado com uma perda de mercados internos em função de uma concorrência muito forte de produtos importados decorrente do excesso de capacidade produtiva a nível mundial causada pela crise internacional. O dumping que acompanha em muitos casos essa maior concorrência deve ser combatido por uma política de valoração aduaneira e agilização dos processos anti-dumping.
No comércio, os últimos dados do IBGE mostram que pelo segundo mês consecutivo (janeiro e fevereiro) há avanço marginal no setor (+1,8% e +1,5%, respectivamente), indicando também uma melhora gradativa. Esse avanço tem sido determinado em larga escala pelo desempenho do setor de alimentos e bebidas, decorrente do fato de que o rendimento médio da população manteve-se relativamente preservado por mecanismos institucionais (salário mínimo, programas sociais) e de mercado (o rendimento real médio das pessoas ocupadas parou de crescer, mas ainda não mostra sinais de declínio). Também foi beneficiado por um deslocamento do consumo de bens de maior valor unitário para bens de menor valor, em função do receio do consumidor em assumir compromissos a prazo e da escassez e encarecimento do crédito.
No mês de março contra o mesmo mês de 2008, as vendas reais do varejo podem retroceder. Um efeito calendário - qual seja, a Páscoa que caíra em 2008 no mês de março e que em 2009 ficou para abril - concorrerá para isso, mas, o varejo poderá começar a sentir os efeitos da retração do consumo popular decorrente do aumento do desemprego na passagem de 2008 para 2009, combinado com o esgotamento do efeito deslocamento do consumo dos produtos de maior valor unitário dependentes do crédito para produtos de menor valor, que beneficiava o comércio de produtos básicos.
No emprego, os dados do Caged, o cadastro do emprego formal, dão indicação de que o impacto da crise sobre o emprego formal está se tornando progressivamente menos intenso, de forma que em março (seguindo fevereiro), já há um modesta retomada das contratações. As contratações líquidas foram de 34.818 pessoas (contra 206.556 em março do ano passado).
Considerando como critério de aferição de melhora/piora da situação do emprego formal a diferença entre os saldos líquidos de contratações formais no mês de referência com relação a esse mesmo mês do ano anterior, são observadas as seguintes etapas durante os meses de crise: esta inicialmente reduz o saldo de contratações com relação ao ano anterior que era de 105.794 em agosto para 31.673 em setembro; valores negativos começam em outubro (-143.859) e são crescentes até dezembro (-335.532); refluem desde então até o valor ainda negativo, porém muito mais baixo de -171.738 em março último.
Aqui vale também a advertência de que a menos que ocorra um agravamento da crise externa, o processo de gradativa recomposição do mercado de trabalho formal avançará ao longo do ano, porém nesse caso, os níveis de contratação anteriores à crise dificilmente serão alcançados em 2009.
Uma última referência é para o setor externo. O Brasil sofreu uma "fuga de capitais" nos momentos mais agudos da crise internacional nos meses finais do ano passado e com menor intensidade nos meses iniciais de 2009. Um elevado volume de reservas internacionais impediu que esse processo causasse, ao contrário de episódios anteriores de crise, problemas cambiais mais sérios. Mas, o que o mês de março registrou para o balanço de pagamentos do país foi o retorno para valores positivos dos fluxos líquidos de capitais. O processo ainda é muito incipiente, podendo sofrer novo retrocesso sem aviso prévio e, além disso, está muito longe de recompor os fluxos anteriores de entrada de recursos e está restrito à entrada de capitais estrangeiros de curto prazo. Mas é uma sinalização relevante de que, não se agravando o quadro financeiro internacional, o Brasil preservará sua solidez externa mesmo diante de uma situação tão adversa como a crise atual.
O que falta para consolidar esse quadro mais favorável da economia é uma ação forte do governo onde o impacto negativo da situação externa ainda não foi revertido e os sinais de melhora chegam muito devagar, vale dizer, na questão da disponibilidade e do custo do crédito. Havendo progresso nesse tema, a economia poderá sair mais rápido e de forma mais equilibrada da retração imposta pela atual crise internacional.”
“Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável com a grande crise de 1929. A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação.
Para a indústria, afora uma nova rodada de crise, a tendência é de um gradativo aumento do nível de produção (que em fevereiro era 17% inferior com relação ao auge anterior à crise) para ir recuperando o terreno perdido, algo que pode ser concluído nos meses finais do ano. No mês de março é esperado um avanço do setor em bases superiores ao crescimento da produção de janeiro e fevereiro (+2,2% e +1,8% com relação ao mês anterior). Na comparação com março de 2008, a indústria deve recuperar parte do terreno perdido, mas isto deverá ser interpretado com cautela porque a base de referência, o mesmo mês do ano passado, teve um desempenho desfavorável e, além disso, contou com dois dias úteis a menos do que março último.
O que pode reverter esse processo é uma piora na queda das exportações de manufaturados (o que parece estar ocorrendo) combinado com uma perda de mercados internos em função de uma concorrência muito forte de produtos importados decorrente do excesso de capacidade produtiva a nível mundial causada pela crise internacional. O dumping que acompanha em muitos casos essa maior concorrência deve ser combatido por uma política de valoração aduaneira e agilização dos processos anti-dumping.
No comércio, os últimos dados do IBGE mostram que pelo segundo mês consecutivo (janeiro e fevereiro) há avanço marginal no setor (+1,8% e +1,5%, respectivamente), indicando também uma melhora gradativa. Esse avanço tem sido determinado em larga escala pelo desempenho do setor de alimentos e bebidas, decorrente do fato de que o rendimento médio da população manteve-se relativamente preservado por mecanismos institucionais (salário mínimo, programas sociais) e de mercado (o rendimento real médio das pessoas ocupadas parou de crescer, mas ainda não mostra sinais de declínio). Também foi beneficiado por um deslocamento do consumo de bens de maior valor unitário para bens de menor valor, em função do receio do consumidor em assumir compromissos a prazo e da escassez e encarecimento do crédito.
No mês de março contra o mesmo mês de 2008, as vendas reais do varejo podem retroceder. Um efeito calendário - qual seja, a Páscoa que caíra em 2008 no mês de março e que em 2009 ficou para abril - concorrerá para isso, mas, o varejo poderá começar a sentir os efeitos da retração do consumo popular decorrente do aumento do desemprego na passagem de 2008 para 2009, combinado com o esgotamento do efeito deslocamento do consumo dos produtos de maior valor unitário dependentes do crédito para produtos de menor valor, que beneficiava o comércio de produtos básicos.
No emprego, os dados do Caged, o cadastro do emprego formal, dão indicação de que o impacto da crise sobre o emprego formal está se tornando progressivamente menos intenso, de forma que em março (seguindo fevereiro), já há um modesta retomada das contratações. As contratações líquidas foram de 34.818 pessoas (contra 206.556 em março do ano passado).
Considerando como critério de aferição de melhora/piora da situação do emprego formal a diferença entre os saldos líquidos de contratações formais no mês de referência com relação a esse mesmo mês do ano anterior, são observadas as seguintes etapas durante os meses de crise: esta inicialmente reduz o saldo de contratações com relação ao ano anterior que era de 105.794 em agosto para 31.673 em setembro; valores negativos começam em outubro (-143.859) e são crescentes até dezembro (-335.532); refluem desde então até o valor ainda negativo, porém muito mais baixo de -171.738 em março último.
Aqui vale também a advertência de que a menos que ocorra um agravamento da crise externa, o processo de gradativa recomposição do mercado de trabalho formal avançará ao longo do ano, porém nesse caso, os níveis de contratação anteriores à crise dificilmente serão alcançados em 2009.
Uma última referência é para o setor externo. O Brasil sofreu uma "fuga de capitais" nos momentos mais agudos da crise internacional nos meses finais do ano passado e com menor intensidade nos meses iniciais de 2009. Um elevado volume de reservas internacionais impediu que esse processo causasse, ao contrário de episódios anteriores de crise, problemas cambiais mais sérios. Mas, o que o mês de março registrou para o balanço de pagamentos do país foi o retorno para valores positivos dos fluxos líquidos de capitais. O processo ainda é muito incipiente, podendo sofrer novo retrocesso sem aviso prévio e, além disso, está muito longe de recompor os fluxos anteriores de entrada de recursos e está restrito à entrada de capitais estrangeiros de curto prazo. Mas é uma sinalização relevante de que, não se agravando o quadro financeiro internacional, o Brasil preservará sua solidez externa mesmo diante de uma situação tão adversa como a crise atual.
O que falta para consolidar esse quadro mais favorável da economia é uma ação forte do governo onde o impacto negativo da situação externa ainda não foi revertido e os sinais de melhora chegam muito devagar, vale dizer, na questão da disponibilidade e do custo do crédito. Havendo progresso nesse tema, a economia poderá sair mais rápido e de forma mais equilibrada da retração imposta pela atual crise internacional.”
ROUBINI: ''CAPITALISMO SELVAGEM DO OCIDENTE JÁ ESTÁ FALIDO''
Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto de Laura Britt, publicado no Monitor Mercantil:
''Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável'', profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.
''Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007'', afirma. Roubini usa o termo ''desmanipulação'' do consumo. ''O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma ''desmanipulação'', em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens'', diz.
''Por sua vez, as empresas e os mercados basearam-se nesta demanda ignorando os alicerces (de crédito) podres. Este superendividamento dos consumidores, os bancos alimentavam com capitais ''manipulados'', e surgiu a bolha no mercado norte-americano de imóveis'', continuou. Este foi o motivo que fez com que o professor até então relativamente desconhecido da Universidade de Nova York fosse o primeiro a prever a iminente crise.
''Por isso os bancos não são os únicos responsáveis pela falta de fluxo de liquidez no mercado. Atrás de tudo isso oculta-se a grande ''desmanipulação'' do consumo, que deixa produtos nas prateleiras e depósitos, sem venda, resultando no fato de as empresas suspenderem seus planos de expansão e não buscarem financiamentos nos mercados de crédito'', ressaltou. De acordo com Roubini, ''são os próprios consumidores que retiram seus recursos do consumo e os ''estacionam'' em contas de poupança, e os bancos hesitam atirá-los para a economia real, preocupando-se com a própria suficiência de capital. Isto é, sua possibilidade para cobrir as obrigações de resgate de seus próprios empréstimos''.
''A própria ''desmanipulação'' do consumo, revelada grande pela contração do Produto Interno Bruto (PIB) de duas superpotências exportadoras no quarto trimestre, a do Japão em 12,7% e a de Taiwan em 8,36%, oculta-se também atrás da correção das bolsas de valores'', afirma Roubini. E destaca que ''o mergulho do indicador Dow Jones abaixo das 7.500 unidades comprova que o mercado começa gradualmente a reconhecer a ''desmanipulação'' do consumo''. Paralelamente, diz que ''começa a perceber que Washington não está disposta a distribuir dinheiro público sem pensar''.
Os pontos obscuros do revisado plano de ajuda aos bancos norte-americanos, anunciado há cerca de 20 dias pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, dizem respeito às hesitações do governo Obama de liberar mais dinheiro público para salvar ''papéis queimados''. ''Se o ativo dos bancos norte-americanos fosse desvalorizado com base nos atuais preços no mercado, a maioria deles seria tomadora de empréstimos de alto risco e rumaria para a falência'', comentou Roubini.
Por isso, ele recomenda ao governo Obama estatizá-los com base nos preços atuais de mercado, e assim sanear de forma mais indolor possível seus ativos dos produtos de investimentos e empréstimos tóxicos, e em seguida privatizá-los novamente. ''O capitalismo selvagem do Ocidente fracassou, e por isso o day after deve encontrar os governos dispostos a adotarem medidas drásticas, fora das restrições de doutrinas e percepções e que tenham como finalidade única o enfrentamento da crise'', diz.
''Neste sentido, a Europa, diferenciada do modelo financeiro anglo-saxão, pode desempenhar papel de liderança. Basta encontrar saídas para os seus sérios problemas. A crise é o primeiro teste essencial de resistência da Zona do Euro'', estabelece Roubini.
E, conforme destaca, ''muitos países possuem um setor bancário muito maior do que podem salvar sozinhos, e isto constitui o maior problema para a sobrevivência da União Monetária. O aumento de custo do endividamento para muitos países da Zona do Euro aumenta as pressões para a saída de vários deles da Zona do Euro''. Esta perspectiva pode parecer distante por ora, ''mas se a médio prazo algo não mudar, a dissolução da Zona do Euro não deve ser excluída'', sentencia Roubini, encerrando esta entrevista.”
''Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável'', profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.
''Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007'', afirma. Roubini usa o termo ''desmanipulação'' do consumo. ''O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma ''desmanipulação'', em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens'', diz.
''Por sua vez, as empresas e os mercados basearam-se nesta demanda ignorando os alicerces (de crédito) podres. Este superendividamento dos consumidores, os bancos alimentavam com capitais ''manipulados'', e surgiu a bolha no mercado norte-americano de imóveis'', continuou. Este foi o motivo que fez com que o professor até então relativamente desconhecido da Universidade de Nova York fosse o primeiro a prever a iminente crise.
''Por isso os bancos não são os únicos responsáveis pela falta de fluxo de liquidez no mercado. Atrás de tudo isso oculta-se a grande ''desmanipulação'' do consumo, que deixa produtos nas prateleiras e depósitos, sem venda, resultando no fato de as empresas suspenderem seus planos de expansão e não buscarem financiamentos nos mercados de crédito'', ressaltou. De acordo com Roubini, ''são os próprios consumidores que retiram seus recursos do consumo e os ''estacionam'' em contas de poupança, e os bancos hesitam atirá-los para a economia real, preocupando-se com a própria suficiência de capital. Isto é, sua possibilidade para cobrir as obrigações de resgate de seus próprios empréstimos''.
''A própria ''desmanipulação'' do consumo, revelada grande pela contração do Produto Interno Bruto (PIB) de duas superpotências exportadoras no quarto trimestre, a do Japão em 12,7% e a de Taiwan em 8,36%, oculta-se também atrás da correção das bolsas de valores'', afirma Roubini. E destaca que ''o mergulho do indicador Dow Jones abaixo das 7.500 unidades comprova que o mercado começa gradualmente a reconhecer a ''desmanipulação'' do consumo''. Paralelamente, diz que ''começa a perceber que Washington não está disposta a distribuir dinheiro público sem pensar''.
Os pontos obscuros do revisado plano de ajuda aos bancos norte-americanos, anunciado há cerca de 20 dias pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, dizem respeito às hesitações do governo Obama de liberar mais dinheiro público para salvar ''papéis queimados''. ''Se o ativo dos bancos norte-americanos fosse desvalorizado com base nos atuais preços no mercado, a maioria deles seria tomadora de empréstimos de alto risco e rumaria para a falência'', comentou Roubini.
Por isso, ele recomenda ao governo Obama estatizá-los com base nos preços atuais de mercado, e assim sanear de forma mais indolor possível seus ativos dos produtos de investimentos e empréstimos tóxicos, e em seguida privatizá-los novamente. ''O capitalismo selvagem do Ocidente fracassou, e por isso o day after deve encontrar os governos dispostos a adotarem medidas drásticas, fora das restrições de doutrinas e percepções e que tenham como finalidade única o enfrentamento da crise'', diz.
''Neste sentido, a Europa, diferenciada do modelo financeiro anglo-saxão, pode desempenhar papel de liderança. Basta encontrar saídas para os seus sérios problemas. A crise é o primeiro teste essencial de resistência da Zona do Euro'', estabelece Roubini.
E, conforme destaca, ''muitos países possuem um setor bancário muito maior do que podem salvar sozinhos, e isto constitui o maior problema para a sobrevivência da União Monetária. O aumento de custo do endividamento para muitos países da Zona do Euro aumenta as pressões para a saída de vários deles da Zona do Euro''. Esta perspectiva pode parecer distante por ora, ''mas se a médio prazo algo não mudar, a dissolução da Zona do Euro não deve ser excluída'', sentencia Roubini, encerrando esta entrevista.”
FANTASMA PEGA COM A MÃO NA CUMBUCA PEDE PARA SAIR
Li hoje no blog “Por um novo Brasil” o seguinte texto que o blog do Josias de Souza ontem publicou:
FILHA DE FHC PEDE DEMISSÃO DO GABINETE DE HERÁCLITO
“Em carta endereçada a Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado, Luciana Cardoso pediu demissão.
Luciana é filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Recebia contracheque do Senado desde 2003. Coisa de R$ 7,6 mensais.
Deveria despachar no gabinete do senador. Mas não dava as caras. Pilhada pela coluna da repórter Mônica Bergamo, Luciana vocalizou emendas que pioraram o soneto.
"Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando”.
Perguntou-se a Luciana se já havia entrado no gabinete de Heráclito. E ela: “Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna”.
Na carta a Heráclito, Luciana anotou que decidiu se demitir para “evitar constrangimentos” ao pseudochefe. A certa altura do texto, a filha de FHC escreve:
“Sou testemunha de seus esforços para aprimorar a administração do Senado...”
“...Por isso mesmo, não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos nem sobre minha conduta”.
Em verdade, o afastamento de Luciana livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária.
Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma, FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo.
Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro.
Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor.
Corre no TCU uma representação em que o representante do Ministério Público no Tribunal, Marinus Eduardo Marcico, pede a devolução do dinheiro que o Senado borrifou na conta bancária de Luciana Cardoso.”
FILHA DE FHC PEDE DEMISSÃO DO GABINETE DE HERÁCLITO
“Em carta endereçada a Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado, Luciana Cardoso pediu demissão.
Luciana é filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Recebia contracheque do Senado desde 2003. Coisa de R$ 7,6 mensais.
Deveria despachar no gabinete do senador. Mas não dava as caras. Pilhada pela coluna da repórter Mônica Bergamo, Luciana vocalizou emendas que pioraram o soneto.
"Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando”.
Perguntou-se a Luciana se já havia entrado no gabinete de Heráclito. E ela: “Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna”.
Na carta a Heráclito, Luciana anotou que decidiu se demitir para “evitar constrangimentos” ao pseudochefe. A certa altura do texto, a filha de FHC escreve:
“Sou testemunha de seus esforços para aprimorar a administração do Senado...”
“...Por isso mesmo, não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos nem sobre minha conduta”.
Em verdade, o afastamento de Luciana livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária.
Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma, FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo.
Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro.
Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor.
Corre no TCU uma representação em que o representante do Ministério Público no Tribunal, Marinus Eduardo Marcico, pede a devolução do dinheiro que o Senado borrifou na conta bancária de Luciana Cardoso.”
POR QUE O MERCADO DERRUBOU DONA LEITÃO
Li hoje no blog “Grupo Beatrice” o seguinte artigo escrito por Ricardo Berzoini. O autor é presidente nacional do PT, deputado federal por SP e funcionário do Banco do Brasil desde 12/07/1978.
FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais):
A colunista econômica Mirian Leitão escreveu um artigo, após a mudança de comando no Banco do Brasil, intitulado "Por que a demissão derruba as ações do BB". Conhecida defensora das teses neoliberais que arruinaram o Brasil sob FHC, dona Leitão não se conformava com o exercício, pelo acionista majoritário, do direito de mudar a presidência da empresa. Para dona Leitão, o BB é do "mercado" e os minoritários (que ninguém consultou para saber se seriam contrários à mudança) devem mandar no majoritário.
Curioso é lembrar que, nos casos Encol e Maxblue, não vimos dona Leitão criticar os tucanos (à época legitimamente exercendo o papel de acionista majoritário) pela gestão temerária.
Disse dona Leitão em seu texto: "O Banco do Brasil é empresa de capital aberto. O governo não é o dono, é o maior acionista. Por isso, a demissão assusta e derruba as cotações. O spread bancário é um problema grave, mas o presidente da República não pode administrar um banco de economia mista. É um disparate. Nenhuma intenção de defender o presidente do Banco do Brasil que foi demitido, apenas é preciso entender como a economia funciona: se o BB tem acionistas privados, ele tem que operar com as regras do mercado, buscando lucro e competindo com os outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pela chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Ou uma coisa ou outra."
De fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário. Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?
Recentemente, o presidente da Petrobrás (não é Petrobrax, como queriam os amigos de dona Leitão), Sérgio Gabrieli, foi incluído entre os finalistas do Premio Platts de Energia, na categoria "CEO do Ano" (executivo-chefe do ano). Gabrieli é filiado ao PT e reconhecido mundialmente como um dos melhores gestores do setor. A Petrobrás é uma das ações mais valorizadas dos últimos seis anos.
Não há contradição em ser uma empresa estatal e ter ações na bolsa. E não há problema quando o acionista majoritário anuncia que tem diretrizes para a empresa que não se restringem à busca de remuneração para os acionistas. Quem compra ações sabe que em qualquer empresa o majoritário manda, no que não contraria as leis e o estatuto da companhia.
Dona Leitão também sabe disso. Mas é preciso criticar o governo Lula. E defender o neoliberalismo.
O problema é que dona Leitão não entende nem mesmo de mercado. Depois de anunciada a mudança no BB, dia 8 de abril, as ações do banco, de fato, caíram 8,15 % no primeiro dia, e 2,8% no segundo. Hoje, no momento em que escrevo esse artigo, as ações estão praticamente no mesmo valor que tinham no dia 7 de abril. Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais.
Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.
Mas não pensem que dona Leitão fará autocrítica. Ela prosseguirá dizendo que é preciso cortar os gastos, que o Estado é um mal e que só o mercado salvará a humanidade. Nós, do PT, nunca negamos que o mercado deve ser fortalecido. Em 2002, debatemos com o grupo de diretrizes do mercado de capitais, na BOVESPA, as medidas que o governo Lula tomaria para fortalecer as regras e o funcionamento do mercado acionário e de títulos. Nós entendemos de mercado. E sabemos que as flutuações momentâneas só enganam os tolos. E alimentam os discursos dos "espertos".
Mas nós, do PT, sempre dissemos o que agora parece claro, até para alguns liberais. Sem um poder público forte, democrático e transparente, que regule e supervisione o mercado e atue em certas áreas diretamente, a conta vai para o povo, que sofre as consequências da esperteza alheia.
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) era funcionário do BB. Grande escriba, produziu o FEBEAPA, coletânea de crônicas sobre o Festival de Besteira que Assola o País. Se estivesse vivo, poderia escrever o FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais).”
FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais):
A colunista econômica Mirian Leitão escreveu um artigo, após a mudança de comando no Banco do Brasil, intitulado "Por que a demissão derruba as ações do BB". Conhecida defensora das teses neoliberais que arruinaram o Brasil sob FHC, dona Leitão não se conformava com o exercício, pelo acionista majoritário, do direito de mudar a presidência da empresa. Para dona Leitão, o BB é do "mercado" e os minoritários (que ninguém consultou para saber se seriam contrários à mudança) devem mandar no majoritário.
Curioso é lembrar que, nos casos Encol e Maxblue, não vimos dona Leitão criticar os tucanos (à época legitimamente exercendo o papel de acionista majoritário) pela gestão temerária.
Disse dona Leitão em seu texto: "O Banco do Brasil é empresa de capital aberto. O governo não é o dono, é o maior acionista. Por isso, a demissão assusta e derruba as cotações. O spread bancário é um problema grave, mas o presidente da República não pode administrar um banco de economia mista. É um disparate. Nenhuma intenção de defender o presidente do Banco do Brasil que foi demitido, apenas é preciso entender como a economia funciona: se o BB tem acionistas privados, ele tem que operar com as regras do mercado, buscando lucro e competindo com os outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pela chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Ou uma coisa ou outra."
De fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário. Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?
Recentemente, o presidente da Petrobrás (não é Petrobrax, como queriam os amigos de dona Leitão), Sérgio Gabrieli, foi incluído entre os finalistas do Premio Platts de Energia, na categoria "CEO do Ano" (executivo-chefe do ano). Gabrieli é filiado ao PT e reconhecido mundialmente como um dos melhores gestores do setor. A Petrobrás é uma das ações mais valorizadas dos últimos seis anos.
Não há contradição em ser uma empresa estatal e ter ações na bolsa. E não há problema quando o acionista majoritário anuncia que tem diretrizes para a empresa que não se restringem à busca de remuneração para os acionistas. Quem compra ações sabe que em qualquer empresa o majoritário manda, no que não contraria as leis e o estatuto da companhia.
Dona Leitão também sabe disso. Mas é preciso criticar o governo Lula. E defender o neoliberalismo.
O problema é que dona Leitão não entende nem mesmo de mercado. Depois de anunciada a mudança no BB, dia 8 de abril, as ações do banco, de fato, caíram 8,15 % no primeiro dia, e 2,8% no segundo. Hoje, no momento em que escrevo esse artigo, as ações estão praticamente no mesmo valor que tinham no dia 7 de abril. Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais.
Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.
Mas não pensem que dona Leitão fará autocrítica. Ela prosseguirá dizendo que é preciso cortar os gastos, que o Estado é um mal e que só o mercado salvará a humanidade. Nós, do PT, nunca negamos que o mercado deve ser fortalecido. Em 2002, debatemos com o grupo de diretrizes do mercado de capitais, na BOVESPA, as medidas que o governo Lula tomaria para fortalecer as regras e o funcionamento do mercado acionário e de títulos. Nós entendemos de mercado. E sabemos que as flutuações momentâneas só enganam os tolos. E alimentam os discursos dos "espertos".
Mas nós, do PT, sempre dissemos o que agora parece claro, até para alguns liberais. Sem um poder público forte, democrático e transparente, que regule e supervisione o mercado e atue em certas áreas diretamente, a conta vai para o povo, que sofre as consequências da esperteza alheia.
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) era funcionário do BB. Grande escriba, produziu o FEBEAPA, coletânea de crônicas sobre o Festival de Besteira que Assola o País. Se estivesse vivo, poderia escrever o FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais).”
O FUTURO DO BRASIL É A AMÉRICA LATINA
Li ontem no blog do jornalista Luis Nassif a seguinte entrevista do embaixador na Argentina, José Botafogo Gonçalves, para Ariel Palácios do Estadão:
AS RELAÇÕES COMERCIAIS
“O nível de relacionamento é hoje muito intenso. Existe grande crescimento no setor dos investimentos das indústrias brasileiras na Argentina. Além disso, o país tem significativo consumo de produtos brasileiros. No mercado argentino, o Brasil consegue até competir com produtos da China. Além disso, as relações financeiras são intensas. E mesmo no setor agropecuário, por exemplo, vemos os casos de vários frigoríficos que atualmente estão em mãos brasileiras na Argentina. Tudo isso faz com que as relações entre os dois países não sejam resolvidas apenas pelo aspecto comercial de uma série de produtos, os chamados produtos sensíveis. Mas, ainda que seja compreensível essa atitude, falta, em ambos lados, uma visão integracionista.
A DESCOORDENAÇÃO NOS FÓRUNS
Na época em que eu estava no governo, o Mercosul falava com uma só voz, tinha representação unificada. Mas, no caso da OMC, jamais os quatro países aceitaram falar com uma única voz. O bloco jamais se fez presente em Genebra. Cada um fala por sua conta.
As relações com a China e a Índia devem ser vistas a longo prazo. Isso ainda não foi decidido no Brasil. Há uma crescente discussão, muitas vezes atada ao curto prazo. Quando se fala em China, as pessoas logo pensam em invasão de produtos chineses. Não se pensa a longo prazo.
SOBRE O G-20
O G-20 tem uma perspectiva interessante. Veja que há uma proliferação de “Gs”. É que o mundo está se reestruturando. Não dá para organizar o mundo ao redor dos grupos de antes. Por isso, os Brics (grupo que reúne o Brasil, Rússia, Índia e China) ocuparão cada vez mais espaço.
SOBRE BRASIL E AMÉRICA DO SUL
O teatro das operações da diplomacia brasileira no século 21 será a América do Sul.
O crescimento da economia do Brasil se intensificará mais ainda. Mesmo que a integração seja exasperadamente lenta, o Mercosul é uma unidade que vai se preservar. E os dois países associados ao Mercosul, o Chile e a Bolívia, vão gravitar ao redor do Mercosul. No caso da Venezuela, enquanto estiver a política bolivariana de Hugo Chávez, as coisas serão complicadas. O Brasil não tem nada de anti-Venezuela. Mas é o presidente Hugo Chávez que tem uma política anti-integração. Ele é quem não quer saber nada de mercado.”
AS RELAÇÕES COMERCIAIS
“O nível de relacionamento é hoje muito intenso. Existe grande crescimento no setor dos investimentos das indústrias brasileiras na Argentina. Além disso, o país tem significativo consumo de produtos brasileiros. No mercado argentino, o Brasil consegue até competir com produtos da China. Além disso, as relações financeiras são intensas. E mesmo no setor agropecuário, por exemplo, vemos os casos de vários frigoríficos que atualmente estão em mãos brasileiras na Argentina. Tudo isso faz com que as relações entre os dois países não sejam resolvidas apenas pelo aspecto comercial de uma série de produtos, os chamados produtos sensíveis. Mas, ainda que seja compreensível essa atitude, falta, em ambos lados, uma visão integracionista.
A DESCOORDENAÇÃO NOS FÓRUNS
Na época em que eu estava no governo, o Mercosul falava com uma só voz, tinha representação unificada. Mas, no caso da OMC, jamais os quatro países aceitaram falar com uma única voz. O bloco jamais se fez presente em Genebra. Cada um fala por sua conta.
As relações com a China e a Índia devem ser vistas a longo prazo. Isso ainda não foi decidido no Brasil. Há uma crescente discussão, muitas vezes atada ao curto prazo. Quando se fala em China, as pessoas logo pensam em invasão de produtos chineses. Não se pensa a longo prazo.
SOBRE O G-20
O G-20 tem uma perspectiva interessante. Veja que há uma proliferação de “Gs”. É que o mundo está se reestruturando. Não dá para organizar o mundo ao redor dos grupos de antes. Por isso, os Brics (grupo que reúne o Brasil, Rússia, Índia e China) ocuparão cada vez mais espaço.
SOBRE BRASIL E AMÉRICA DO SUL
O teatro das operações da diplomacia brasileira no século 21 será a América do Sul.
O crescimento da economia do Brasil se intensificará mais ainda. Mesmo que a integração seja exasperadamente lenta, o Mercosul é uma unidade que vai se preservar. E os dois países associados ao Mercosul, o Chile e a Bolívia, vão gravitar ao redor do Mercosul. No caso da Venezuela, enquanto estiver a política bolivariana de Hugo Chávez, as coisas serão complicadas. O Brasil não tem nada de anti-Venezuela. Mas é o presidente Hugo Chávez que tem uma política anti-integração. Ele é quem não quer saber nada de mercado.”
SUPERÁVIT COMERCIAL ACUMULADO É 35,7% MAIOR QUE EM 2008
Li hoje no blog do Favre o seguinte texto de Renata Veríssimo, do jornal O Estado de São Paulo:
“O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.
Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.
Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.
As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.”
“O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.
Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.
Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.
As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.”
terça-feira, 28 de abril de 2009
LULA DIZ QUE PÂNICO CONTAMINOU ECONOMIA BRASILEIRA
Li hoje no site “Vermelho”:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira que o pânico de uma parcela da população foi uma das causas da contaminação da economia brasileira pela crise financeira global. Para o presidente, notícias sobre a situação dos Estados Unidos, Europa e Japão influenciaram os consumidores.
Em seu programa semanal de rádio, o presidente disse que, “sem nenhum otimismo”, vê melhora na situação da economia brasileira. Para ele, o fato é reconhecido também por instituições multilaterais de financiamento, por governos e pelo sistema financeiro internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) que, “sem nenhum otimismo”, vê melhora na situação da economia brasileira. “Estamos mostrando que o Brasil estava mais preparado”, disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente. Para ele, o fato é reconhecido também por instituições multilaterais de financiamento, por governos e pelo sistema financeiro internacional.
“Precisamos ter tranqüilidade, continuar trabalhando com muita seriedade, saber que a crise é profunda, que é delicada e que o Brasil precisa continuar agindo da forma que está agindo para que a gente sofra menos e possa sair rapidamente dela, fazendo com que o Brasil dê um salto de qualidade.”
De acordo com o presidente, dados apresentados pela indústria automobilística brasileira – que apresentou produção maior em março deste ano do que no mesmo período do ano passado – justificam a recuperação da economia. Ele destacou ainda a decisão de que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) passem a funcionar em dois turnos, alternativa que ajudou a gerar empregos.
Para Lula, o que existe são “medidas concretas” para motivar o brasileiro a consumir, o comércio a vender e a indústria a produzir. Ele admitiu, entretanto, estar “torcendo” para que a crise nos Estados Unidos, na Europa e no Japão diminua, uma vez que representam grandes exportadores, produtores e consumidores.
“Se eles estiverem bem, a economia mundial tende a estar melhor. E o Brasil, eu posso assegurar, continua sendo um país com maiores possibilidades de sair dessa crise muito fortalecido.”
LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DO PROGRAMA CAFÉ COM O PRESIDENTE DESTA SEGUNDA-FEIRA:
PRESIDENTE LULA FAZ ANÁLISE DO ATUAL MOMENTO ECONÔMICO
APRESENTADOR: OLÁ VOCÊ EM TODO O BRASIL. EU SOU LUCIANO SEIXAS E COMEÇA AGORA O PROGRAMA CAFÉ COM O PRESIDENTE, O PROGRAMA DE RÁDIO DO PRESIDENTE LULA. OLÁ, PRESIDENTE, COMO VAI? TUDO BEM?
Presidente: Tudo bem, Luciano.
APRESENTADOR: PRESIDENTE, ALGUNS INDICADORES ECONÔMICOS MOSTRAM QUE O BRASIL DÁ SINAIS DE MELHORA. PODEMOS AFIRMAR QUE O PAÍS ENTROU EM UM PROCESSO DE RECUPERAÇÃO?
Presidente: Luciano, primeiro é sempre importante a gente reiterar ao povo brasileiro que a crise chegou ao Brasil mais tarde do que chegou em outros países e a crise chegou, eu diria, muito mais por conta da ausência de crédito no mercado internacional.
Nós tínhamos trinta por cento do crédito brasileiro tomado em dólares por empresas brasileiras, e que de repente esses dólares desapareceram, as empresas brasileiras se voltaram para o mercado interno, e nós não tínhamos dinheiro pra todo mundo. Além disso, os bancos ficaram seletivos e, pelo fato de ficarem seletivos, eles começaram a fazer mais exigências para evitar riscos e aumentaram o spread bancário. Isso causou um problema muito sério. Uma outra coisa que aconteceu, e que eu não canso de repetir, é que houve um pânico na sociedade.
Ou seja, de tanto se falar em crise e mostrar o que estava acontecendo nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, houve, por parte de uma parte dos brasileiros, um certo bloqueio na compra de produtos que numa situação normal eles continuariam comprando.
Ora, quando o governo se deu conta disso, o governo tomou todas as medidas necessárias para que a crise fosse amenizada e começássemos a estirpar a crise no Brasil. Você está lembrado que nós tomamos a primeira medida de liberar o compulsório para que melhorássemos o financiamento, depois nós aportamos cem bilhões de reais ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), depois nós tomamos medida para ajudar a indústria automobilística voltar a produzir e, consequentemente, voltar a vender, porque esse era um problema sério.
O Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa em São Paulo, comprou cinqüenta por cento do Banco Votorantim. Colocamos dinheiro para ajudar os bancos pequenos a voltarem a funcionar o setor produtivo, sobretudo o capital de giro, colocamos dinheiro na agricultura brasileira, mantivemos todas as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e aumentamos os investimentos da Petrobras, numa demonstração de que era necessário para enfrentar a crise fazermos mais investimentos, termos mais ousadia do que se teve em qualquer outro momento da história do Brasil.
Você está lembrado que acabamos de lançar um programa habitacional de um milhão de casas para ajudar a reativar a indústria da construção civil e, ao mesmo tempo, para diminuir o déficit habitacional no Brasil.
Essas coisas são extremamente importantes, porque, antigamente, quando tinha uma crise, o quê acontecia? Acontecia que o governo parava de investir, aí aumentava-se juro, aumentava-se spread bancário, ou seja, e o Brasil entrava em crise porque diminuiu o emprego. Nós tomamos todas as medidas para evitar que isso acontecesse. Nós estamos, sem nenhum otimismo, vendo melhoras na situação da economia brasileira.
APRESENTADOR: VOCÊ ESTÁ OUVINDO O CAFÉ COM O PRESIDENTE, O PROGRAMA DE RÁDIO DO PRESIDENTE LULA, HOJE FAZENDO UMA AVALIAÇÃO DA ECONOMIA. PRESIDENTE, O SENHOR MOSTROU AÍ UM RETRATO DE COMO A CRISE ATINGIU O NOSSO PAÍS E AS MEDIDAS ADOTADAS PARA FORTALECER O BRASIL. QUE NÚMEROS MOSTRAM A MELHORA DA ECONOMIA?
Presidente: Olha, os números que mostram a melhora da economia são, por exemplo, a indústria automobilística brasileira. Ela voltou a produzir em março mais do que ela produziu em março do ano passado.
A Caixa Econômica Federal contratou no primeiro trimestre o dobro do que ela contratou no primeiro trimestre do ano passado. Os programas que nós lançamos, e o fato de nós termos decidido que várias obras do PAC vão começar a trabalhar em dois turnos, pra gente gerar mais empregos, e o crescimento do varejo, ou seja, o varejo no Brasil não decresceu. Ele cresceu. As pessoas estão comprando.
Mais recentemente nós anunciamos a redução de imposto para geladeira, fogão, ou seja, numa demonstração de que o governo está com muita disposição de fazer com que a economia volte a crescer rapidamente, porque não existe milagre. O que existe são medidas concretas para motivar o consumidor brasileiro a consumir, o comércio vender e a indústria produzir. Isso vai gerar emprego, vai gerar renda.
Obviamente, que, ao mesmo tempo, Luciano, nós estamos torcendo para que a crise nos Estados Unidos diminua, para que a crise na Europa diminua, para que a crise no Japão diminua, porque são países, sabe, grandes exportadores, grandes produtores, grandes consumidores, e se eles estiverem bem, a economia mundial tende a estar melhor.
E o Brasil, eu posso assegurar, continua sendo um país com maiores possibilidades de sair dessa crise muito fortalecido, porque a crise chegou aqui, mas não chegou na intensidade que ela está nos Estados Unidos ou que ela está na Europa. Ou seja, nós estamos mostrando que o Brasil estava mais preparado.
E isso não é reconhecido por mim. Isso é reconhecido por todas as instituições multilaterais de financiamento, é conhecido por todos os governos, é conhecido pelo sistema financeiro internacional, de forma que nós precisamos ter tranqüilidade, continuar trabalhando com muita seriedade, saber que a crise é profunda, que é delicada e que o Brasil precisa continuar agindo da forma que está agindo para que a gente sofra menos e possa sair rapidamente dela, fazendo com que o Brasil dê um salto de qualidade.
APRESENTADOR: MUITO OBRIGADO PRESIDENTE LULA. ATÉ A SEMANA QUE VEM.
Presidente: Obrigado, você, Luciano, e até a próxima semana”.
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira que o pânico de uma parcela da população foi uma das causas da contaminação da economia brasileira pela crise financeira global. Para o presidente, notícias sobre a situação dos Estados Unidos, Europa e Japão influenciaram os consumidores.
Em seu programa semanal de rádio, o presidente disse que, “sem nenhum otimismo”, vê melhora na situação da economia brasileira. Para ele, o fato é reconhecido também por instituições multilaterais de financiamento, por governos e pelo sistema financeiro internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) que, “sem nenhum otimismo”, vê melhora na situação da economia brasileira. “Estamos mostrando que o Brasil estava mais preparado”, disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente. Para ele, o fato é reconhecido também por instituições multilaterais de financiamento, por governos e pelo sistema financeiro internacional.
“Precisamos ter tranqüilidade, continuar trabalhando com muita seriedade, saber que a crise é profunda, que é delicada e que o Brasil precisa continuar agindo da forma que está agindo para que a gente sofra menos e possa sair rapidamente dela, fazendo com que o Brasil dê um salto de qualidade.”
De acordo com o presidente, dados apresentados pela indústria automobilística brasileira – que apresentou produção maior em março deste ano do que no mesmo período do ano passado – justificam a recuperação da economia. Ele destacou ainda a decisão de que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) passem a funcionar em dois turnos, alternativa que ajudou a gerar empregos.
Para Lula, o que existe são “medidas concretas” para motivar o brasileiro a consumir, o comércio a vender e a indústria a produzir. Ele admitiu, entretanto, estar “torcendo” para que a crise nos Estados Unidos, na Europa e no Japão diminua, uma vez que representam grandes exportadores, produtores e consumidores.
“Se eles estiverem bem, a economia mundial tende a estar melhor. E o Brasil, eu posso assegurar, continua sendo um país com maiores possibilidades de sair dessa crise muito fortalecido.”
LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DO PROGRAMA CAFÉ COM O PRESIDENTE DESTA SEGUNDA-FEIRA:
PRESIDENTE LULA FAZ ANÁLISE DO ATUAL MOMENTO ECONÔMICO
APRESENTADOR: OLÁ VOCÊ EM TODO O BRASIL. EU SOU LUCIANO SEIXAS E COMEÇA AGORA O PROGRAMA CAFÉ COM O PRESIDENTE, O PROGRAMA DE RÁDIO DO PRESIDENTE LULA. OLÁ, PRESIDENTE, COMO VAI? TUDO BEM?
Presidente: Tudo bem, Luciano.
APRESENTADOR: PRESIDENTE, ALGUNS INDICADORES ECONÔMICOS MOSTRAM QUE O BRASIL DÁ SINAIS DE MELHORA. PODEMOS AFIRMAR QUE O PAÍS ENTROU EM UM PROCESSO DE RECUPERAÇÃO?
Presidente: Luciano, primeiro é sempre importante a gente reiterar ao povo brasileiro que a crise chegou ao Brasil mais tarde do que chegou em outros países e a crise chegou, eu diria, muito mais por conta da ausência de crédito no mercado internacional.
Nós tínhamos trinta por cento do crédito brasileiro tomado em dólares por empresas brasileiras, e que de repente esses dólares desapareceram, as empresas brasileiras se voltaram para o mercado interno, e nós não tínhamos dinheiro pra todo mundo. Além disso, os bancos ficaram seletivos e, pelo fato de ficarem seletivos, eles começaram a fazer mais exigências para evitar riscos e aumentaram o spread bancário. Isso causou um problema muito sério. Uma outra coisa que aconteceu, e que eu não canso de repetir, é que houve um pânico na sociedade.
Ou seja, de tanto se falar em crise e mostrar o que estava acontecendo nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, houve, por parte de uma parte dos brasileiros, um certo bloqueio na compra de produtos que numa situação normal eles continuariam comprando.
Ora, quando o governo se deu conta disso, o governo tomou todas as medidas necessárias para que a crise fosse amenizada e começássemos a estirpar a crise no Brasil. Você está lembrado que nós tomamos a primeira medida de liberar o compulsório para que melhorássemos o financiamento, depois nós aportamos cem bilhões de reais ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), depois nós tomamos medida para ajudar a indústria automobilística voltar a produzir e, consequentemente, voltar a vender, porque esse era um problema sério.
O Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa em São Paulo, comprou cinqüenta por cento do Banco Votorantim. Colocamos dinheiro para ajudar os bancos pequenos a voltarem a funcionar o setor produtivo, sobretudo o capital de giro, colocamos dinheiro na agricultura brasileira, mantivemos todas as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e aumentamos os investimentos da Petrobras, numa demonstração de que era necessário para enfrentar a crise fazermos mais investimentos, termos mais ousadia do que se teve em qualquer outro momento da história do Brasil.
Você está lembrado que acabamos de lançar um programa habitacional de um milhão de casas para ajudar a reativar a indústria da construção civil e, ao mesmo tempo, para diminuir o déficit habitacional no Brasil.
Essas coisas são extremamente importantes, porque, antigamente, quando tinha uma crise, o quê acontecia? Acontecia que o governo parava de investir, aí aumentava-se juro, aumentava-se spread bancário, ou seja, e o Brasil entrava em crise porque diminuiu o emprego. Nós tomamos todas as medidas para evitar que isso acontecesse. Nós estamos, sem nenhum otimismo, vendo melhoras na situação da economia brasileira.
APRESENTADOR: VOCÊ ESTÁ OUVINDO O CAFÉ COM O PRESIDENTE, O PROGRAMA DE RÁDIO DO PRESIDENTE LULA, HOJE FAZENDO UMA AVALIAÇÃO DA ECONOMIA. PRESIDENTE, O SENHOR MOSTROU AÍ UM RETRATO DE COMO A CRISE ATINGIU O NOSSO PAÍS E AS MEDIDAS ADOTADAS PARA FORTALECER O BRASIL. QUE NÚMEROS MOSTRAM A MELHORA DA ECONOMIA?
Presidente: Olha, os números que mostram a melhora da economia são, por exemplo, a indústria automobilística brasileira. Ela voltou a produzir em março mais do que ela produziu em março do ano passado.
A Caixa Econômica Federal contratou no primeiro trimestre o dobro do que ela contratou no primeiro trimestre do ano passado. Os programas que nós lançamos, e o fato de nós termos decidido que várias obras do PAC vão começar a trabalhar em dois turnos, pra gente gerar mais empregos, e o crescimento do varejo, ou seja, o varejo no Brasil não decresceu. Ele cresceu. As pessoas estão comprando.
Mais recentemente nós anunciamos a redução de imposto para geladeira, fogão, ou seja, numa demonstração de que o governo está com muita disposição de fazer com que a economia volte a crescer rapidamente, porque não existe milagre. O que existe são medidas concretas para motivar o consumidor brasileiro a consumir, o comércio vender e a indústria produzir. Isso vai gerar emprego, vai gerar renda.
Obviamente, que, ao mesmo tempo, Luciano, nós estamos torcendo para que a crise nos Estados Unidos diminua, para que a crise na Europa diminua, para que a crise no Japão diminua, porque são países, sabe, grandes exportadores, grandes produtores, grandes consumidores, e se eles estiverem bem, a economia mundial tende a estar melhor.
E o Brasil, eu posso assegurar, continua sendo um país com maiores possibilidades de sair dessa crise muito fortalecido, porque a crise chegou aqui, mas não chegou na intensidade que ela está nos Estados Unidos ou que ela está na Europa. Ou seja, nós estamos mostrando que o Brasil estava mais preparado.
E isso não é reconhecido por mim. Isso é reconhecido por todas as instituições multilaterais de financiamento, é conhecido por todos os governos, é conhecido pelo sistema financeiro internacional, de forma que nós precisamos ter tranqüilidade, continuar trabalhando com muita seriedade, saber que a crise é profunda, que é delicada e que o Brasil precisa continuar agindo da forma que está agindo para que a gente sofra menos e possa sair rapidamente dela, fazendo com que o Brasil dê um salto de qualidade.
APRESENTADOR: MUITO OBRIGADO PRESIDENTE LULA. ATÉ A SEMANA QUE VEM.
Presidente: Obrigado, você, Luciano, e até a próxima semana”.
CALIFÓRNIA DÁ AVAL AO ETANOL FEITO DE CANA
Li hoje no blog do Luis Favre:
"O governo da Califórnia aprovou, na quinta-feira à noite, a regulamentação de um Padrão de Combustível de Baixa Emissão de Carbono (ou LCFS), que reconhece a redução nas emissões de carbono proporcionadas pelo etanol à base de cana. A decisão do Conselho de Qualidade do Ar do Estado da Califórnia (CARB) deverá beneficiar diretamente o etanol brasileiro.
O anúncio foi comemorado pelas usinas de álcool do país, uma vez que deverá favorecer o acesso do etanol brasileiro nos EUA, os maiores produtores de álcool à base de milho, de acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Os EUA são os maiores importadores do combustível brasileiro. No ano passado, o país exportou cerca de 5 bilhões de litros, dos quais dois terços tiveram como destino o mercado americano.
Nos EUA, a decisão não agradou a Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA , na sigla em inglês). Para o presidente da associação, Bob Dinneen, a aprovação desta decisão estabelece um “perigoso precedente sobre a aplicação de uma ciência não provada em todo o país”.
"O governo da Califórnia aprovou, na quinta-feira à noite, a regulamentação de um Padrão de Combustível de Baixa Emissão de Carbono (ou LCFS), que reconhece a redução nas emissões de carbono proporcionadas pelo etanol à base de cana. A decisão do Conselho de Qualidade do Ar do Estado da Califórnia (CARB) deverá beneficiar diretamente o etanol brasileiro.
O anúncio foi comemorado pelas usinas de álcool do país, uma vez que deverá favorecer o acesso do etanol brasileiro nos EUA, os maiores produtores de álcool à base de milho, de acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Os EUA são os maiores importadores do combustível brasileiro. No ano passado, o país exportou cerca de 5 bilhões de litros, dos quais dois terços tiveram como destino o mercado americano.
Nos EUA, a decisão não agradou a Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA , na sigla em inglês). Para o presidente da associação, Bob Dinneen, a aprovação desta decisão estabelece um “perigoso precedente sobre a aplicação de uma ciência não provada em todo o país”.
O BRASIL REARMA A DEFESA
A revista Isto É Dinheiro desta semana publicou a seguinte reportagem:
“COM NOVAS ENCOMENDAS DAS FORÇAS ARMADAS E DO EXTERIOR, INDÚSTRIA NACIONAL DE MATERIAL BÉLICO DÁ SINAIS DE RETOMADA
“Uma série de lançamentos movimentou a indústria brasileira de defesa nos últimos dias, indicando que a ambiciosa Estratégia Nacional de defesa, lançada pelos ministros Nelson Jobim e Mangabeira Unger no final do ano passado, começa a tirar o setor do atoleiro em que se encontrava. Prova disso é o recente e portentoso contrato de US$ 1,3 bilhão que a Embraer fechou com a Força Aérea para o desenvolvimento de uma nova aeronave de transporte militar, o KC-390, além de um pacote de modernização de 12 caças da Marinha, no valor de US$ 140 milhões. O novo cargueiro a ser produzido pela empresa de São José dos Campos é uma antiga reivindicação dos militares, que já viam os antigos Hércules defasados. Bom para a Força Aérea, melhor para o setor. O contrato abrirá a possibilidade de a Embraer competir em um mercado estimado em US$ 18 bilhões e 700 aeronaves, num prazo de dez anos. E outros pacotes devem vir por aí. “É uma fase de mudanças que mostram que a Estratégia Nacional de defesa não veio para ficar no papel”, disse Jobim, no encerramento da Feira Latino- Americana da Indústria Aeroespacial e de defesa (Laad), realizada no Rio de Janeiro, há duas semanas.
Também em São José dos Campos, outra empresa aproveita a boa fase. A Avibras, única fabricante nacional de sistemas de artilharia e que já foi dada como falida, conseguiu ressurgir no setor com contratos internacionais, como um de R$ 500 milhões com a Malásia. Ainda às voltas com o processo judicial que poderá passar ao governo 30% do controle da empresa, a Avibras está investindo também em contratos nacionais. Há poucos dias, a empresa recebeu R$ 18 milhões para desenvolver um veículo aéreo não tripulado. Outros R$ 80 milhões deverão ser aplicados para tirar o projeto da prancheta e desbravar um mercado avaliado em US$ 8 bilhões por ano. No setor de blindados a previsão também é auspiciosa. O desenvolvimento do novo Urutu – que nos anos 1970, produzido pela extinta Engesa, transformou-se num sucesso internacional de vendas -- pela Iveco, apresentado também na Laad, começa a atrair outros players para o setor. Apesar de não comentar oficialmente os valores da negociação, a Iveco, do Grupo Fiat, deve receber cerca de US$ 1,8 milhão por cada uma das 17 unidades que serão compradas pelo Exército. O primeiro protótipo já está sendo construído na fábrica de Sete Lagoas, em Minas Gerais, e deve ficar pronto em 2010, a tempo de participar da parada de 7 de setembro. Até 2011, os outros blindados serão entregues. Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a Agrale tem colocado a sua linha de jipes militares Marruá em grandes contratos. Cerca de 250 unidades foram vendidas à Marinha no ano passado e há negociações com a Argentina e o Equador. “Também estamos em estágio avançado com o Peru e a Colômbia”, afirma Flavio Crossa, diretor de vendas e marketing da Agrale.”
“COM NOVAS ENCOMENDAS DAS FORÇAS ARMADAS E DO EXTERIOR, INDÚSTRIA NACIONAL DE MATERIAL BÉLICO DÁ SINAIS DE RETOMADA
“Uma série de lançamentos movimentou a indústria brasileira de defesa nos últimos dias, indicando que a ambiciosa Estratégia Nacional de defesa, lançada pelos ministros Nelson Jobim e Mangabeira Unger no final do ano passado, começa a tirar o setor do atoleiro em que se encontrava. Prova disso é o recente e portentoso contrato de US$ 1,3 bilhão que a Embraer fechou com a Força Aérea para o desenvolvimento de uma nova aeronave de transporte militar, o KC-390, além de um pacote de modernização de 12 caças da Marinha, no valor de US$ 140 milhões. O novo cargueiro a ser produzido pela empresa de São José dos Campos é uma antiga reivindicação dos militares, que já viam os antigos Hércules defasados. Bom para a Força Aérea, melhor para o setor. O contrato abrirá a possibilidade de a Embraer competir em um mercado estimado em US$ 18 bilhões e 700 aeronaves, num prazo de dez anos. E outros pacotes devem vir por aí. “É uma fase de mudanças que mostram que a Estratégia Nacional de defesa não veio para ficar no papel”, disse Jobim, no encerramento da Feira Latino- Americana da Indústria Aeroespacial e de defesa (Laad), realizada no Rio de Janeiro, há duas semanas.
Também em São José dos Campos, outra empresa aproveita a boa fase. A Avibras, única fabricante nacional de sistemas de artilharia e que já foi dada como falida, conseguiu ressurgir no setor com contratos internacionais, como um de R$ 500 milhões com a Malásia. Ainda às voltas com o processo judicial que poderá passar ao governo 30% do controle da empresa, a Avibras está investindo também em contratos nacionais. Há poucos dias, a empresa recebeu R$ 18 milhões para desenvolver um veículo aéreo não tripulado. Outros R$ 80 milhões deverão ser aplicados para tirar o projeto da prancheta e desbravar um mercado avaliado em US$ 8 bilhões por ano. No setor de blindados a previsão também é auspiciosa. O desenvolvimento do novo Urutu – que nos anos 1970, produzido pela extinta Engesa, transformou-se num sucesso internacional de vendas -- pela Iveco, apresentado também na Laad, começa a atrair outros players para o setor. Apesar de não comentar oficialmente os valores da negociação, a Iveco, do Grupo Fiat, deve receber cerca de US$ 1,8 milhão por cada uma das 17 unidades que serão compradas pelo Exército. O primeiro protótipo já está sendo construído na fábrica de Sete Lagoas, em Minas Gerais, e deve ficar pronto em 2010, a tempo de participar da parada de 7 de setembro. Até 2011, os outros blindados serão entregues. Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a Agrale tem colocado a sua linha de jipes militares Marruá em grandes contratos. Cerca de 250 unidades foram vendidas à Marinha no ano passado e há negociações com a Argentina e o Equador. “Também estamos em estágio avançado com o Peru e a Colômbia”, afirma Flavio Crossa, diretor de vendas e marketing da Agrale.”
A TORTURA NO GOVERNO BUSH
O jornal O Estado de São Paulo publicou ontem em seu editorial:
“Um dilema que lembra o dos países que passaram da ditadura à democracia confronta a primeira grande nação democrática da história. Os Estados Unidos, com efeito, discutem se, como e até onde devem ser investigadas as torturas sistemáticas contra suspeitos de terrorismo, praticadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) em Guantánamo e nos seus centros secretos de detenção no exterior com autorização escrita do governo Bush. Um amargo debate instalou-se na semana passada quando, diante de uma ação judicial da União Americana pelas Liberdades Civis, com base na Lei de Liberdade de Informação, a Casa Branca divulgou quatro documentos preparados entre 2002 e 2005 pela Consultoria Jurídica do Departamento de Justiça, que detém a última palavra no Executivo em matéria de interpretação das leis.
Os memorandos, dirigidos à CIA, regulamentam o emprego de 14 técnicas brutais de interrogatório, detalhadamente descritas. Os textos asseguram que as violências seriam compatíveis com as leis americanas e o direito internacional. (Para não ser acusado de violar, entre outros tratados assinados pelos Estados Unidos, as Convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra, o governo Bush decidiu que os terroristas eram "combatentes ilegais".) A modalidade mais citada de tortura, a simulação de afogamento, foi usada nos anos 1940 por militares japoneses depois considerados criminosos de guerra e pelo Khmer Rouge, no Camboja, na década de 1970. Um prisioneiro da CIA sofreu o suplício 183 vezes em um mês. Outros métodos incluíam a privação de sono por 11 dias seguidos e duchas a 5 graus Celsius.
Assim que assumiu, o presidente Barack Obama revogou os pareceres que legitimavam a tortura, ordenou o fim das prisões secretas e o fechamento de Guantánamo em um ano. Mas, ao tornar públicas as provas cabais da negação, sob o bushismo, dos valores fundamentais dos Estados Unidos, ele prometeu que nenhum agente da CIA será processado se tiver agido de acordo com tais pareceres e argumentou que "nada se ganhará gastando tempo e energia para estabelecer as culpas do passado". Obama instruiu os líderes democratas no Congresso a se opor à proposta do presidente da Comissão de Justiça do Senado, o também democrata Patrick Leahy, de criação de uma comissão independente para investigar a conduta do governo Bush em relação à tortura. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, outra democrata, apoia a ideia.
As entidades de defesa dos direitos humanos, por sua vez, pedem a designação de um promotor especial para apurar em toda a extensão o que o próprio Obama chamou de "um capítulo tenebroso" da história americana. Por enquanto, apenas o Escritório de Responsabilidade Profissional do Departamento de Justiça investiga a conduta dos autores dos memorandos. A Comissão de Inteligência do Senado deverá fazer uma apuração preliminar, cujos resultados deverão sair perto do fim do ano. No editorial O manifesto dos torturadores, transcrito sexta-feira neste jornal, o New York Times, depois de elogiar o presidente pela divulgação dos memorandos, sustenta que, se o Executivo não conduzir uma investigação exaustiva do assunto, o Congresso terá o dever constitucional de responsabilizá-lo pela omissão.
A rigor, o que está em jogo vai além da tortura - que, de mais a mais, se revelou ineficaz, segundo especialistas em contraterrorismo, e prejudicou a cooperação entre os Estados Unidos e alguns de seus aliados europeus, como a Alemanha, no combate ao inimigo comum. Sob os auspícios de Bush e invocando o imperativo da segurança nacional, o seu círculo íntimo - o vice Dick Cheney, o conselheiro Karl Rove, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e o da Justiça, Alberto Gonzales - tentou transformar os EUA em um Estado policial. As suas tendências ditatoriais foram exacerbadas, mas não criadas pelo 11 de Setembro. Com o Congresso e a imprensa acoelhados, instalaram um regime que dotou o presidente de poderes extraordinários, quando não secretos, de controle da sociedade. Bush autorizou o grampo das comunicações de quem quer que o governo quisesse, numa escala que superou até os amplos limites da autorização legislativa recebida. Estiveram próximos de desfigurar o país.”
“Um dilema que lembra o dos países que passaram da ditadura à democracia confronta a primeira grande nação democrática da história. Os Estados Unidos, com efeito, discutem se, como e até onde devem ser investigadas as torturas sistemáticas contra suspeitos de terrorismo, praticadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) em Guantánamo e nos seus centros secretos de detenção no exterior com autorização escrita do governo Bush. Um amargo debate instalou-se na semana passada quando, diante de uma ação judicial da União Americana pelas Liberdades Civis, com base na Lei de Liberdade de Informação, a Casa Branca divulgou quatro documentos preparados entre 2002 e 2005 pela Consultoria Jurídica do Departamento de Justiça, que detém a última palavra no Executivo em matéria de interpretação das leis.
Os memorandos, dirigidos à CIA, regulamentam o emprego de 14 técnicas brutais de interrogatório, detalhadamente descritas. Os textos asseguram que as violências seriam compatíveis com as leis americanas e o direito internacional. (Para não ser acusado de violar, entre outros tratados assinados pelos Estados Unidos, as Convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra, o governo Bush decidiu que os terroristas eram "combatentes ilegais".) A modalidade mais citada de tortura, a simulação de afogamento, foi usada nos anos 1940 por militares japoneses depois considerados criminosos de guerra e pelo Khmer Rouge, no Camboja, na década de 1970. Um prisioneiro da CIA sofreu o suplício 183 vezes em um mês. Outros métodos incluíam a privação de sono por 11 dias seguidos e duchas a 5 graus Celsius.
Assim que assumiu, o presidente Barack Obama revogou os pareceres que legitimavam a tortura, ordenou o fim das prisões secretas e o fechamento de Guantánamo em um ano. Mas, ao tornar públicas as provas cabais da negação, sob o bushismo, dos valores fundamentais dos Estados Unidos, ele prometeu que nenhum agente da CIA será processado se tiver agido de acordo com tais pareceres e argumentou que "nada se ganhará gastando tempo e energia para estabelecer as culpas do passado". Obama instruiu os líderes democratas no Congresso a se opor à proposta do presidente da Comissão de Justiça do Senado, o também democrata Patrick Leahy, de criação de uma comissão independente para investigar a conduta do governo Bush em relação à tortura. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, outra democrata, apoia a ideia.
As entidades de defesa dos direitos humanos, por sua vez, pedem a designação de um promotor especial para apurar em toda a extensão o que o próprio Obama chamou de "um capítulo tenebroso" da história americana. Por enquanto, apenas o Escritório de Responsabilidade Profissional do Departamento de Justiça investiga a conduta dos autores dos memorandos. A Comissão de Inteligência do Senado deverá fazer uma apuração preliminar, cujos resultados deverão sair perto do fim do ano. No editorial O manifesto dos torturadores, transcrito sexta-feira neste jornal, o New York Times, depois de elogiar o presidente pela divulgação dos memorandos, sustenta que, se o Executivo não conduzir uma investigação exaustiva do assunto, o Congresso terá o dever constitucional de responsabilizá-lo pela omissão.
A rigor, o que está em jogo vai além da tortura - que, de mais a mais, se revelou ineficaz, segundo especialistas em contraterrorismo, e prejudicou a cooperação entre os Estados Unidos e alguns de seus aliados europeus, como a Alemanha, no combate ao inimigo comum. Sob os auspícios de Bush e invocando o imperativo da segurança nacional, o seu círculo íntimo - o vice Dick Cheney, o conselheiro Karl Rove, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e o da Justiça, Alberto Gonzales - tentou transformar os EUA em um Estado policial. As suas tendências ditatoriais foram exacerbadas, mas não criadas pelo 11 de Setembro. Com o Congresso e a imprensa acoelhados, instalaram um regime que dotou o presidente de poderes extraordinários, quando não secretos, de controle da sociedade. Bush autorizou o grampo das comunicações de quem quer que o governo quisesse, numa escala que superou até os amplos limites da autorização legislativa recebida. Estiveram próximos de desfigurar o país.”
A INDÚSTRIA DE DEFESA E O PROGRESSO NACIONAL
Li ontem no jornal Gazeta Mercantil o seguinte artigo de Ozires Silva. Segundo o Wikipedia, o autor é oficial da Aeronáutica e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Destaca-se por sua contribuição no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. Capitaneou a equipe que projetou e construiu o avião Bandeirante. Liderou em 1970 o grupo que promoveu a criação da Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Deu início à produção industrial de aviões no Brasil. Presidiu a empresa até 1986, quando aceitou o desafio de ser presidente da Petrobras, onde atuou até 1989. Em 1990, assumiu o Ministério da Infra-estrutura e, em 1991, retornou à Embraer, desempenhando um papel importante na condução do processo de privatização da empresa, concluído em 1994. Também atuou como presidente da Varig por três anos (2000-2003) e criou em 2003 a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual.
“PARA CUMPRIR OS SEUS OBJETIVOS, AS FORÇAS ARMADAS PRECISAM SER REEQUIPADAS
As despesas para reequipar e garantir a operacionalidade das Forças armadas é uma tarefa dos governos, sobretudo entre os mais democráticos, como rezam as mais importantes constituições federais dos países, sobretudo dos mais avançados.
Todavia, apesar da existência tradicional das organizações militares, não é pequena a parcela da população que julga essas despesas como não justificáveis, como também não é menor a sensação de que seus gastos deveriam ser reduzidos.
No caso brasileiro, por surpreendente que pareça, embora as percepções acima, pesquisas públicas divulgadas pelo Ibope Opinião constatam, em rodadas mais recentes de levantamento de julgamento pela população, que a instituição em que os brasileiros mais confiam é a médica, mencionada por 85% dos entrevistados. Em segundo lugar estão os militares e as Forças armadas (75%) e em terceiro, os jornais (74%).
No entanto, em que pesem esses aspectos, aparentemente contraditórios, é claro que as Forças armadas estão ligadas ao dever constitucional de proteger o País e suas instituições, garantindo as decisões dos governos legitimamente eleitos, independentemente de qualquer conotação de caráter político. Para o cumprimento dessas missões fundamentais, estabelecidas na nossa lei maior e em toda a infraestrutura legal, as Forças armadas precisam contar com efetivos humanos em qualidade, competência e número necessários, bem como com material de defesa e equipamentos militares essenciais ao desempenho de suas atribuições.
A maioria das nações, conscientes dos custos orçamentários essenciais para garantir a operacionalidade das Forças armadas, procura minimizá-los buscando fórmulas de produzir na indústria doméstica o que seja necessário para equipar as unidades militares. Com isso, são estimulados projetos de busca de novos conhecimentos, ampliando os horizontes das pesquisas científicas e tecnológicas. Do mesmo modo, procuram comprar o máximo que seja possível no mercado doméstico, abrindo possibilidades para que métodos e processos sempre necessários à produção de material bélico sejam transferidos para as empresas em geral, gerando empregos e capacidade marginal de exportação. Adicionalmente, modernamente são comuns alternativas de uso das tecnologias duais, isto é, conhecimentos que podem ser igualmente utilizados, ou para a produção de artigos para a defesa, ou destinados para a fabricação de produtos civis na atualidade profusamente vendidos em todos os mercados mundiais.
Em documento aprovado pelo presidente da República, o Ministério da Defesa do Brasil divulgou, no final de 2008, a Estratégia de Defesa Nacional, enfatizando em vários momentos a acentuada importância de uma indústria local, produtora de material e de equipamentos de defesa. Tudo absolutamente real e constatado. Hoje, podemos concordar que a ausência ou a insuficiência das compras no mercado doméstico levou ao que vemos na atualidade, a extinção das iniciativas empresariais que mostravam grandes horizontes de progresso na década de 1970, algumas iniciativas chegando até os anos 1980.
A atual decisão do governo de lançar uma política de defesa se justifica. Ela coloca em evidência prioridades, e uma delas é claramente reconhecida pelos especialistas, por meio da qual é reconhecido que nossas Forças armadas não estão devidamente equipadas. Isso, além de frustrar alguns alicerces constitucionais, também as impede de alimentar uma indústria de base, capaz de aumentar a oferta de empregos e o uso do poder de compra governamental para o desenvolvimento econômico da nação.
O mundo demonstra, de forma realmente generalizada, que há uma significativa necessidade de os países ganharem posições comerciais e competitivas no mercado externo com marcas nacionais. Este é um fator que determina as empresas se engajarem a criar e trabalhar com tecnologias próprias. No entanto, isto somente pode ocorrer se houver contratos de pesquisas e desenvolvimento, nos quais os riscos de produzir e vender estejam colocados em níveis possíveis. Muitos desses contratos normalmente têm origem nas compras militares, e já se demonstraram essenciais nos países de maior êxito industrial.
Recentemente, divulgações locais publicam que expressivas aquisições de material militar no exterior foram e serão autorizadas pelo governo brasileiro. Realmente, é amplamente reconhecido que nossas Forças armadas precisam ser reequipadas. No entanto, se tais compras não oferecerem metas e estímulos para o desenvolvimento da nossa indústria de defesa, pode-se afirmar que, pelo menos nos próximos oito a dez anos, não poderemos pensar em ganhar alguma autonomia produtiva, com isso perdendo oportunidades e empregos, num momento em que uma crise internacional preocupa a todos.
No futuro, os processos de reequipamento das nossas Forças armadas tendem a se complicar, quer por restrições de ordem política internacional, quer pelas crescentes dificuldades para se pagarem preços cada vez mais elevados para o material militar necessário. As fontes de recursos para isso são necessariamente o orçamento nacional que, necessitando moedas de trânsito mundial, aumenta a pressão sobre os resultados do nosso balanço de comércio exterior, cujas projeções atuais são preocupantes. E mais, perde-se não se comprando no mercado interno, pois os empregos e oportunidades que deveriam beneficiar nossos conterrâneos serão transferidos para o exterior.”
“PARA CUMPRIR OS SEUS OBJETIVOS, AS FORÇAS ARMADAS PRECISAM SER REEQUIPADAS
As despesas para reequipar e garantir a operacionalidade das Forças armadas é uma tarefa dos governos, sobretudo entre os mais democráticos, como rezam as mais importantes constituições federais dos países, sobretudo dos mais avançados.
Todavia, apesar da existência tradicional das organizações militares, não é pequena a parcela da população que julga essas despesas como não justificáveis, como também não é menor a sensação de que seus gastos deveriam ser reduzidos.
No caso brasileiro, por surpreendente que pareça, embora as percepções acima, pesquisas públicas divulgadas pelo Ibope Opinião constatam, em rodadas mais recentes de levantamento de julgamento pela população, que a instituição em que os brasileiros mais confiam é a médica, mencionada por 85% dos entrevistados. Em segundo lugar estão os militares e as Forças armadas (75%) e em terceiro, os jornais (74%).
No entanto, em que pesem esses aspectos, aparentemente contraditórios, é claro que as Forças armadas estão ligadas ao dever constitucional de proteger o País e suas instituições, garantindo as decisões dos governos legitimamente eleitos, independentemente de qualquer conotação de caráter político. Para o cumprimento dessas missões fundamentais, estabelecidas na nossa lei maior e em toda a infraestrutura legal, as Forças armadas precisam contar com efetivos humanos em qualidade, competência e número necessários, bem como com material de defesa e equipamentos militares essenciais ao desempenho de suas atribuições.
A maioria das nações, conscientes dos custos orçamentários essenciais para garantir a operacionalidade das Forças armadas, procura minimizá-los buscando fórmulas de produzir na indústria doméstica o que seja necessário para equipar as unidades militares. Com isso, são estimulados projetos de busca de novos conhecimentos, ampliando os horizontes das pesquisas científicas e tecnológicas. Do mesmo modo, procuram comprar o máximo que seja possível no mercado doméstico, abrindo possibilidades para que métodos e processos sempre necessários à produção de material bélico sejam transferidos para as empresas em geral, gerando empregos e capacidade marginal de exportação. Adicionalmente, modernamente são comuns alternativas de uso das tecnologias duais, isto é, conhecimentos que podem ser igualmente utilizados, ou para a produção de artigos para a defesa, ou destinados para a fabricação de produtos civis na atualidade profusamente vendidos em todos os mercados mundiais.
Em documento aprovado pelo presidente da República, o Ministério da Defesa do Brasil divulgou, no final de 2008, a Estratégia de Defesa Nacional, enfatizando em vários momentos a acentuada importância de uma indústria local, produtora de material e de equipamentos de defesa. Tudo absolutamente real e constatado. Hoje, podemos concordar que a ausência ou a insuficiência das compras no mercado doméstico levou ao que vemos na atualidade, a extinção das iniciativas empresariais que mostravam grandes horizontes de progresso na década de 1970, algumas iniciativas chegando até os anos 1980.
A atual decisão do governo de lançar uma política de defesa se justifica. Ela coloca em evidência prioridades, e uma delas é claramente reconhecida pelos especialistas, por meio da qual é reconhecido que nossas Forças armadas não estão devidamente equipadas. Isso, além de frustrar alguns alicerces constitucionais, também as impede de alimentar uma indústria de base, capaz de aumentar a oferta de empregos e o uso do poder de compra governamental para o desenvolvimento econômico da nação.
O mundo demonstra, de forma realmente generalizada, que há uma significativa necessidade de os países ganharem posições comerciais e competitivas no mercado externo com marcas nacionais. Este é um fator que determina as empresas se engajarem a criar e trabalhar com tecnologias próprias. No entanto, isto somente pode ocorrer se houver contratos de pesquisas e desenvolvimento, nos quais os riscos de produzir e vender estejam colocados em níveis possíveis. Muitos desses contratos normalmente têm origem nas compras militares, e já se demonstraram essenciais nos países de maior êxito industrial.
Recentemente, divulgações locais publicam que expressivas aquisições de material militar no exterior foram e serão autorizadas pelo governo brasileiro. Realmente, é amplamente reconhecido que nossas Forças armadas precisam ser reequipadas. No entanto, se tais compras não oferecerem metas e estímulos para o desenvolvimento da nossa indústria de defesa, pode-se afirmar que, pelo menos nos próximos oito a dez anos, não poderemos pensar em ganhar alguma autonomia produtiva, com isso perdendo oportunidades e empregos, num momento em que uma crise internacional preocupa a todos.
No futuro, os processos de reequipamento das nossas Forças armadas tendem a se complicar, quer por restrições de ordem política internacional, quer pelas crescentes dificuldades para se pagarem preços cada vez mais elevados para o material militar necessário. As fontes de recursos para isso são necessariamente o orçamento nacional que, necessitando moedas de trânsito mundial, aumenta a pressão sobre os resultados do nosso balanço de comércio exterior, cujas projeções atuais são preocupantes. E mais, perde-se não se comprando no mercado interno, pois os empregos e oportunidades que deveriam beneficiar nossos conterrâneos serão transferidos para o exterior.”
PAÍSES EMERGENTES NÃO PODEM "BAIXAR A GUARDA" APÓS AVANÇOS
Li ontem no jornal Folha de São Paulo a seguinte entrevista com Paulo Nogueira Batista Jr, diretor -executivo de Brasil e de mais oito países de América Latina e Caribe no FMI, concedida a Fernando Canzian, enviado a Washington:
“Vitórias na luta por maior representação global podem ser revertidas quando crise passar, diz diretor-executivo do FMI
O diretor -executivo de Brasil e mais oito países de América Latina e Caribe no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., afirma que os emergentes não podem "baixar a guarda" após os avanços que vêm obtendo no processo para aumentar sua participação em decisões globais. "Essas vitórias são parciais e ainda precárias, não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, mas em um momento seguinte podem querer restabelecer o passado", diz.
FOLHA - A REUNIÃO DO FMI DESTE ANO TROUXE VÁRIOS RETORNOS POSITIVOS EM RELAÇÃO ÀS ASPIRAÇÕES DOS PAÍSES EMERGENTES. VOCÊ DIRIA QUE FOI A CRISE QUE MUDOU O FUNDO?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. - Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória. Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945).
Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011. Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de "bonds" [títulos], seriam mecanismos temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas.
Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes.
FOLHA - MAS A REVISÃO DAS COTAS SERÁ SUFICIENTE PARA QUE SEJA REPRESENTADO O PESO REAL DE CADA ECONOMIA?
BATISTA JR. - Nós vamos lutar por isso, e acho que há condições políticas, em parte ligadas à crise, para que isso ocorra. Mas será uma luta muito grande, pois ninguém quer abrir mão de espaço no FMI, que é uma instituição muito valorizada pelos países. Quando cheguei aqui há dois anos, quando o Fundo estava em "crise de identidade", mesmo assim os europeus e outros estavam agarrados em suas posições. Agora, o Fundo se tornou mais central, e a disputa pelo poder se intensificou.
FOLHA - QUEM PERDERÁ MAIS COM O REALINHAMENTO? OS EUROPEUS?
BATISTA JR. - Não podemos generalizar, pois há países europeus subrepresentados. Mas, por região do mundo, a Europa como um todo está superrepresentada em termos de cotas, votos e número de cadeiras na diretoria executiva. A Europa tem oito, mas em uma das cadeiras a Espanha reveza com México e Venezuela, passando a nove. Os emergentes, contando a Rússia, têm 12. Além disso, por uma regra não escrita, os europeus sempre indicam o diretor-gerente do FMI (hoje o francês Dominique Strauss-Khan).
FOLHA - ESSA QUESTÃO DO MONOPÓLIO DOS EUROPEUS NA PRESIDÊNCIA DO FMI E DOS NORTE-AMERICANOS NO BANCO MUNDIAL ESTÁ SOBRE A MESA?
BATISTA JR. Está. E este processo também está ligado às cotas, pois os europeus têm cerca de 30% dos votos, e os norte-americanos, 17%. Os dois blocos têm quase 50%, e se não há um realinhamento de cotas, fica difícil mudar essa questão.
Mas nosso objetivo com a reforma das cotas não é que só o Brasil ou outros emergentes tenham um ganho de participação, mas que o equilíbrio de forças dentro da instituição se modifique de maneira clara. Não é que o Brasil não possa trabalhar em conjunto e ter acordos com os países desenvolvidos. Mas é que, normalmente, nosso campo de interesses comum é com os países em desenvolvimento, de renda média. Países como Rússia, China e Índia. O FMI vai ganhar com isso eficácia, legitimidade, e será muito mais aceito. Hoje, temos certas relutâncias em relação ao Fundo porque não queremos dar dentes a uma instituição na qual não estamos suficientemente representados. Isso impede ao Fundo ter um papel maior.
FOLHA - A QUESTÃO DA LINHA DE CRÉDITO FLEXÍVEL, JÁ EM OPERAÇÃO, ACONTECEU MAIS POR CONTA DA CRISE OU POR ESSA NOVA ORIENTAÇÃO DE MUDANÇA?
BATISTA JR. - Há um ano, quando o Brasil defendeu essa ideia de um instrumento de liquidez rápido, sem as condicionalidades tradicionais, a orientação foi se concentrar nisso, pois Brasília não acreditava na tese do descolamento entre a crise no mundo desenvolvido em relação aos emergentes. Inicialmente, as resistências eram grandes. Os critérios agora definidos para ter acesso a essa linha são aqueles que a ampla gama de economistas pode aceitar como razoáveis. Não há exigências controvertidas, como Banco Central independente, metas para inflação, liberdade de movimento de capitais e conversibilidade da moeda.
FOLHA - EM RELAÇÃO AO G20, TEM HAVIDO UMA APROXIMAÇÃO MAIOR ENTRE OS SEUS MEMBROS DENTRO DO FMI?
BATISTA JR. - Na prática, o secretariado do G20 é o FMI. Graças à crise temos uma situação inédita em que o ponto focal de resposta à crise deixou de ser o G7 e passou a ser o G20. Isso permite uma divisão de influência e responsabilidades que não existia antes. E é onde os países resolvem as questões sempre em consenso. E a divisão de tarefas no G20 ocorre aqui dentro do FMI. Mas não queria transmitir a ideia de que estamos diante de um sucesso extraordinário, que está tudo uma beleza.
Essas vitórias que estamos conseguindo aqui são parciais e ainda precárias, no sentido de que não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, e em um momento seguinte talvez queiram restabelecer o passado. Não é impossível, por exemplo, que, passado o período mais agudo da crise, as velhas potências queiram restabelecer o G7 como ponto focal e marginalizar o G20. Ou que queiram arrastar o processo de revisão das cotas para além de 2011. Vamos ter que ficar muito atentos.
Se baixarmos a guarda, podemos tomar derrotas incríveis e perder o espaço que temos conquistado.
FOLHA - A CRÍTICA QUE SE FAZIA LÁ ATRÁS ERA QUE O BRASIL DEMOROU A RECONHECER A GRAVIDADE DA CRISE. AGORA, QUE ESTARIA DEMORANDO MUITO PARA CORTAR JUROS, E QUE O GOVERNO VEM COMPROMETENDO O FUTURO COM O AUMENTO NOS GASTOS CORRENTES. QUAL A SUA OPINIÃO?
BATISTA JR. - Como o Brasil entrou na crise com juros e depósitos compulsórios muito altos, há um espaço grande para reduzi-los. E acho que o Brasil deveria ter reduzido mais rapidamente os juros. Nossa posição fiscal é bastante razoável, e por isso temos espaço para uma política anticíclica, até porque a redução dos juros permite reduzir o superávit primário sem que o déficit público aumente.
Sobre os gastos correntes, eles incluem juros. Uma forma de reduzi-los é diminuir os juros. Mas eles incluem também transferências de renda, que são importantes do ponto de vista social e do combate à crise. E não podemos nos esquecer que a máquina pública brasileira foi muito depauperada nos anos 1980 e 1990, e que a estrutura do governo ficou muito enfraquecida. Alguma recuperação dos gastos com a máquina era inevitável.
Não conheço o governo inteiro, mas tenho interação com partes dele. Em Brasília, temos setores importantes desaparelhados. Tanto que nós, aqui de Washington, temos de ajudar com tarefas que países desenvolvidos conduzem a partir da capital.”
“Vitórias na luta por maior representação global podem ser revertidas quando crise passar, diz diretor-executivo do FMI
O diretor -executivo de Brasil e mais oito países de América Latina e Caribe no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., afirma que os emergentes não podem "baixar a guarda" após os avanços que vêm obtendo no processo para aumentar sua participação em decisões globais. "Essas vitórias são parciais e ainda precárias, não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, mas em um momento seguinte podem querer restabelecer o passado", diz.
FOLHA - A REUNIÃO DO FMI DESTE ANO TROUXE VÁRIOS RETORNOS POSITIVOS EM RELAÇÃO ÀS ASPIRAÇÕES DOS PAÍSES EMERGENTES. VOCÊ DIRIA QUE FOI A CRISE QUE MUDOU O FUNDO?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. - Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória. Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945).
Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011. Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de "bonds" [títulos], seriam mecanismos temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas.
Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes.
FOLHA - MAS A REVISÃO DAS COTAS SERÁ SUFICIENTE PARA QUE SEJA REPRESENTADO O PESO REAL DE CADA ECONOMIA?
BATISTA JR. - Nós vamos lutar por isso, e acho que há condições políticas, em parte ligadas à crise, para que isso ocorra. Mas será uma luta muito grande, pois ninguém quer abrir mão de espaço no FMI, que é uma instituição muito valorizada pelos países. Quando cheguei aqui há dois anos, quando o Fundo estava em "crise de identidade", mesmo assim os europeus e outros estavam agarrados em suas posições. Agora, o Fundo se tornou mais central, e a disputa pelo poder se intensificou.
FOLHA - QUEM PERDERÁ MAIS COM O REALINHAMENTO? OS EUROPEUS?
BATISTA JR. - Não podemos generalizar, pois há países europeus subrepresentados. Mas, por região do mundo, a Europa como um todo está superrepresentada em termos de cotas, votos e número de cadeiras na diretoria executiva. A Europa tem oito, mas em uma das cadeiras a Espanha reveza com México e Venezuela, passando a nove. Os emergentes, contando a Rússia, têm 12. Além disso, por uma regra não escrita, os europeus sempre indicam o diretor-gerente do FMI (hoje o francês Dominique Strauss-Khan).
FOLHA - ESSA QUESTÃO DO MONOPÓLIO DOS EUROPEUS NA PRESIDÊNCIA DO FMI E DOS NORTE-AMERICANOS NO BANCO MUNDIAL ESTÁ SOBRE A MESA?
BATISTA JR. Está. E este processo também está ligado às cotas, pois os europeus têm cerca de 30% dos votos, e os norte-americanos, 17%. Os dois blocos têm quase 50%, e se não há um realinhamento de cotas, fica difícil mudar essa questão.
Mas nosso objetivo com a reforma das cotas não é que só o Brasil ou outros emergentes tenham um ganho de participação, mas que o equilíbrio de forças dentro da instituição se modifique de maneira clara. Não é que o Brasil não possa trabalhar em conjunto e ter acordos com os países desenvolvidos. Mas é que, normalmente, nosso campo de interesses comum é com os países em desenvolvimento, de renda média. Países como Rússia, China e Índia. O FMI vai ganhar com isso eficácia, legitimidade, e será muito mais aceito. Hoje, temos certas relutâncias em relação ao Fundo porque não queremos dar dentes a uma instituição na qual não estamos suficientemente representados. Isso impede ao Fundo ter um papel maior.
FOLHA - A QUESTÃO DA LINHA DE CRÉDITO FLEXÍVEL, JÁ EM OPERAÇÃO, ACONTECEU MAIS POR CONTA DA CRISE OU POR ESSA NOVA ORIENTAÇÃO DE MUDANÇA?
BATISTA JR. - Há um ano, quando o Brasil defendeu essa ideia de um instrumento de liquidez rápido, sem as condicionalidades tradicionais, a orientação foi se concentrar nisso, pois Brasília não acreditava na tese do descolamento entre a crise no mundo desenvolvido em relação aos emergentes. Inicialmente, as resistências eram grandes. Os critérios agora definidos para ter acesso a essa linha são aqueles que a ampla gama de economistas pode aceitar como razoáveis. Não há exigências controvertidas, como Banco Central independente, metas para inflação, liberdade de movimento de capitais e conversibilidade da moeda.
FOLHA - EM RELAÇÃO AO G20, TEM HAVIDO UMA APROXIMAÇÃO MAIOR ENTRE OS SEUS MEMBROS DENTRO DO FMI?
BATISTA JR. - Na prática, o secretariado do G20 é o FMI. Graças à crise temos uma situação inédita em que o ponto focal de resposta à crise deixou de ser o G7 e passou a ser o G20. Isso permite uma divisão de influência e responsabilidades que não existia antes. E é onde os países resolvem as questões sempre em consenso. E a divisão de tarefas no G20 ocorre aqui dentro do FMI. Mas não queria transmitir a ideia de que estamos diante de um sucesso extraordinário, que está tudo uma beleza.
Essas vitórias que estamos conseguindo aqui são parciais e ainda precárias, no sentido de que não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, e em um momento seguinte talvez queiram restabelecer o passado. Não é impossível, por exemplo, que, passado o período mais agudo da crise, as velhas potências queiram restabelecer o G7 como ponto focal e marginalizar o G20. Ou que queiram arrastar o processo de revisão das cotas para além de 2011. Vamos ter que ficar muito atentos.
Se baixarmos a guarda, podemos tomar derrotas incríveis e perder o espaço que temos conquistado.
FOLHA - A CRÍTICA QUE SE FAZIA LÁ ATRÁS ERA QUE O BRASIL DEMOROU A RECONHECER A GRAVIDADE DA CRISE. AGORA, QUE ESTARIA DEMORANDO MUITO PARA CORTAR JUROS, E QUE O GOVERNO VEM COMPROMETENDO O FUTURO COM O AUMENTO NOS GASTOS CORRENTES. QUAL A SUA OPINIÃO?
BATISTA JR. - Como o Brasil entrou na crise com juros e depósitos compulsórios muito altos, há um espaço grande para reduzi-los. E acho que o Brasil deveria ter reduzido mais rapidamente os juros. Nossa posição fiscal é bastante razoável, e por isso temos espaço para uma política anticíclica, até porque a redução dos juros permite reduzir o superávit primário sem que o déficit público aumente.
Sobre os gastos correntes, eles incluem juros. Uma forma de reduzi-los é diminuir os juros. Mas eles incluem também transferências de renda, que são importantes do ponto de vista social e do combate à crise. E não podemos nos esquecer que a máquina pública brasileira foi muito depauperada nos anos 1980 e 1990, e que a estrutura do governo ficou muito enfraquecida. Alguma recuperação dos gastos com a máquina era inevitável.
Não conheço o governo inteiro, mas tenho interação com partes dele. Em Brasília, temos setores importantes desaparelhados. Tanto que nós, aqui de Washington, temos de ajudar com tarefas que países desenvolvidos conduzem a partir da capital.”
BRASIL CAMINHA PARA SER UM DOS MAIORES DA ECONOMIA MUNDIAL, DIZ FMI
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou a seguinte reportagem de Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington:
“O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acredita que o Brasil caminha para ser "um dos maiores nomes da economia mundial", e que o papel brasileiro junto à comunidade internacional é mais importante do que o fato de o país ainda contar com uma representação dentro do Fundo aquém do peso de sua economia.
Os comentários de Strauss-Kahn foram feitos neste domingo, durante a entrevista coletiva realizada por ele e o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, para marcar o encerramento da reunião de primavera do Fundo e do Bird.
"O Brasil está se tornando um dos maiores nomes da economia mundial. E a importância do Brasil na cena internacional, o papel desempenhado pelo presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva), são o que fazem do Brasil mais importante do que o tamanho das cotas", afirmou Strauss-Kahn.
As cotas destinadas aos países que integram o fundo determinam o poder de voto de cada nação dentro do FMI. Inicialmente, as cotas visavam ser condizentes com o peso econômico de cada país, mas atualmente elas não refletem mais o crescente peso econômico das nações emergentes.
No início deste ano, o tamanho da cota brasileira aumentou de 1,4% para 1,7%.
"Isso não mudou muita coisa", reconheceu o diretor do Fundo. Mas acrescentou: "Não estou dizendo que as mudanças de cotas não sejam importantes, porque a cota tem que estar alinhada com a realidade da vida econômica, mas China, Índia e Brasil não estão esperando por uma nova mudança de cotas para ser ouvidas dentro do FMI".
BRICs
Entres demais países que constituem o chamado bloco dos BRICs (formado pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China), os russos contam com 2,7%; os chineses, com 3,7%; e a Índia, 1,9%.
Em contrapartida, os Estados Unidos possuem 17,1% dos votos, e um país como a Suíça possui 1,6%.
Nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em Washington, que os BRICs concordaram que não fariam novos aportes financeiros ao FMI a não ser que o fundo ofereça instrumentos flexíveis que confiram maior poder aos emergentes.
Entre as mudanças que Mantega disse ter surgido da negociação com os BRICs estava a de permitir que as nações que fizerem doações possam determinar que países ou regiões possam receber os novos empréstimos.
AMPLIAÇÃO
No sábado, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse que os Estados Unidos defendem a ampliação do papel dos emergentes dentro do FMI, através da revisão do sistema de cotas até 2011 - o mesmo prazo pretendido pelos BRICs.
Mas, neste domingo, o ministro das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, disse, em Washington, durante a reunião do Fundo e o Banco Mundial, que os países ricos ainda resistem à ideia de ampliar a representação das economias ascendentes.
"Nós temos encontrado uma atitude fria e até de resistência. Os países que lideram não estão com pressa. Essa foi a principal discussão da reunião do FMI", comentou Kudrin.”
“O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acredita que o Brasil caminha para ser "um dos maiores nomes da economia mundial", e que o papel brasileiro junto à comunidade internacional é mais importante do que o fato de o país ainda contar com uma representação dentro do Fundo aquém do peso de sua economia.
Os comentários de Strauss-Kahn foram feitos neste domingo, durante a entrevista coletiva realizada por ele e o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, para marcar o encerramento da reunião de primavera do Fundo e do Bird.
"O Brasil está se tornando um dos maiores nomes da economia mundial. E a importância do Brasil na cena internacional, o papel desempenhado pelo presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva), são o que fazem do Brasil mais importante do que o tamanho das cotas", afirmou Strauss-Kahn.
As cotas destinadas aos países que integram o fundo determinam o poder de voto de cada nação dentro do FMI. Inicialmente, as cotas visavam ser condizentes com o peso econômico de cada país, mas atualmente elas não refletem mais o crescente peso econômico das nações emergentes.
No início deste ano, o tamanho da cota brasileira aumentou de 1,4% para 1,7%.
"Isso não mudou muita coisa", reconheceu o diretor do Fundo. Mas acrescentou: "Não estou dizendo que as mudanças de cotas não sejam importantes, porque a cota tem que estar alinhada com a realidade da vida econômica, mas China, Índia e Brasil não estão esperando por uma nova mudança de cotas para ser ouvidas dentro do FMI".
BRICs
Entres demais países que constituem o chamado bloco dos BRICs (formado pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China), os russos contam com 2,7%; os chineses, com 3,7%; e a Índia, 1,9%.
Em contrapartida, os Estados Unidos possuem 17,1% dos votos, e um país como a Suíça possui 1,6%.
Nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em Washington, que os BRICs concordaram que não fariam novos aportes financeiros ao FMI a não ser que o fundo ofereça instrumentos flexíveis que confiram maior poder aos emergentes.
Entre as mudanças que Mantega disse ter surgido da negociação com os BRICs estava a de permitir que as nações que fizerem doações possam determinar que países ou regiões possam receber os novos empréstimos.
AMPLIAÇÃO
No sábado, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse que os Estados Unidos defendem a ampliação do papel dos emergentes dentro do FMI, através da revisão do sistema de cotas até 2011 - o mesmo prazo pretendido pelos BRICs.
Mas, neste domingo, o ministro das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, disse, em Washington, durante a reunião do Fundo e o Banco Mundial, que os países ricos ainda resistem à ideia de ampliar a representação das economias ascendentes.
"Nós temos encontrado uma atitude fria e até de resistência. Os países que lideram não estão com pressa. Essa foi a principal discussão da reunião do FMI", comentou Kudrin.”
PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NA ARGENTINA REAFIRMA COMPROMISSO BILATERAL
A Revista Fator publicou há poucos dias:
"Nos dias 22 e 23 de abril de 2009, a convite da presidenta da República Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, o presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou visita de trabalho à Argentina. Na ocasião, ambos os chefes de Estado passaram em revista o amplo espectro da relação bilateral e avaliaram o estado de implementação do Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina.
EM CONJUNTO:
1. Reafirmaram seu compromisso com o permanente aperfeiçoamento e fortalecimento da democracia representativa em seus países e com a necessidade de implementar modelos de desenvolvimento baseados na produção de valor agregado, na geração de riqueza e na criação de empregos como forma de superar as desigualdades sociais e regionais persistentes. Expressaram sua convicção de que a democracia, o pluralismo e o respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais constituem fatores de progresso, prosperidade e paz social.
2. Expressaram sua firme convicção quanto à importância da promoção e da proteção dos direitos humanos e reiteraram o compromisso de seus Governos e de suas populações com a defesa dos princípios de universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos, tanto dos direitos civis e políticos quanto dos econômicos, sociais e culturais.
3. Reiteraram a determinação de continuar o trabalho conjunto em prol de uma forte agenda social e produtiva, com o objetivo de estabelecer ações concretas para combater a fome e a pobreza. Concordaram em continuar trabalhando em projetos nacionais de desenvolvimento convergente, fomentando a promoção da justiça, da inclusão social e do trabalho digno.
4. Manifestaram seu apoio ao sistema multilateral de comércio e à rodada Doha, a fim de alcançar uma maior integração dos países em desenvolvimento na economia internacional. Com este propósito, concordaram que é preciso assegurar que se avance na eliminação da discriminação que sofre a agricultura e na aplicação de flexibilidades adequadas para que os países em desenvolvimento, especialmente os de nossa região, possam levar adiante os objetivos de diversificação de suas estruturas produtivas.
5. Ressaltaram seu apoio aos princípios que guiam as negociações, em particular a reciprocidade menos que plena e o tratamento especial e mais favorável para os países em desenvolvimento.
6. Reiteraram a prioridade de defender e promover o emprego. Com esse propósito, destacaram as políticas nacionais que ambos os países estão conduzindo para gerar postos de trabalho e os esforços de coordenação macroeconômica internacional destinados a conter os efeitos da crise e a promover a recuperação econômica.
7. Reafirmaram a importância da capitalização e do aumento de empréstimos a taxas de juros reduzidas do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento para promover obras de infraestrutura econômica e social, que são importantes geradoras de emprego e que contribuem para a diminuição das disparidades dentro de nossas sociedades.
8. Respaldaram a realização de programas de educação, capacitação e treinamento, assim como a ampliação das redes de seguridade social para aqueles que tenham perdido seus empregos e que encontram dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
9. Coincidiram em destacar que as causas que levaram à crise indicam a importância de maior regulação dos mercados financeiros e que os países desenvolvidos causadores da crise devem adotar todas as medidas necessárias para reaquecer suas economias.
10. Constataram que a crise econômica e financeira está dando lugar a uma forte retração de crédito, que afeta gravemente o financiamento ao comércio exterior. A conseqüência, além da restrição de crédito, é o aumento da taxa de juros nas economias em desenvolvimento, o que desestimula os investimentos e o consumo.
11. Por esse motivo, respaldaram a aplicação de medidas de capitalização e de aumento dos recursos das instituições financeiras internacionais e a emissão de novos Direitos Especiais de Saque do FMI recentemente acordadas durante Cúpula do G-20. Essas iniciativas devem estar ligadas à eliminação e à redução significativa das condicionalidades.
12. Paralelamente, apoiaram a reestruturação do FMI e do Banco Mundial, de modo a aumentar significativamente a participação dos países em desenvolvimento no capital e na tomada de decisões. Apoiaram, ademais, o monitoramento mais efetivo das economias dos países avançados por parte do FMI.
13. Apoiaram a regulação das agências de classificação de risco, assegurando sua neutralidade e independência das instituições financeiras e a eliminação dos paraísos fiscais, a fim de que todos os países se atenham a normas adequadas de transparência internacional e de controle impositivo.
14. Destacaram que a reforma do setor bancário e das demais instituições financeiras deve assegurar que sejam cumpridos requisitos rígidos de solvência, de adequação de capital de cada instituição ao risco potencial, inclusive aquele derivado de mudanças no ciclo econômico, de transparência dos pacotes e instrumentos relativos a crédito e a bolsas de valores, e de controle e supervisão permanente por autoridades governamentais.
15. Congratularam-se pelas decisões adotadas na Cúpula do G-20 em Londres e enfatizaram a importância de que essas decisões sejam confirmadas por meio de políticas pertinentes em âmbito nacional.
16. Manifestaram seu mais firme respaldo ao multilateralismo e aos princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, e enfatizaram que o respeito ao direito internacional é uma condição fundamental para assegurar a paz e a segurança internacionais.
17. Destacaram a necessidade de trabalhar pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a fim de torná-lo mais eficiente, democrático, transparente, representativo e responsável por suas ações perante a comunidade internacional.
18. Manifestaram seu interesse para que, no âmbito da Organização dos Estados Americanos, se avance na definição de um plano de trabalho para combater, sancionar e erradicar o tráfico de pessoas.
19. Reafirmaram seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e sua decisão de contribuir para melhorar a resposta internacional frente às mudanças climáticas. Ressaltaram a importância do princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
20. Concordaram que o aumento da demanda por energia para permitir o desenvolvimento de nossos países torna urgentes os esforços bilaterais e regionais de integração dos sistemas energéticos. Concordaram, igualmente, que o desenvolvimento das fontes renováveis de energia, incluindo os biocombustíveis, a energia solar, a energia eólica, a biomassa, o hidrogênio, entre outras, constitui uma grande oportunidade para o desenvolvimento tecnológico, industrial, econômico e social, com efeitos positivos na redução das emissões de gases que contribuem para as mudanças climáticas.
21. Reafirmaram sua disposição em fortalecer a cooperação em matéria antártica e de celebrar consultas referentes às reuniões dos foros antárticos.
22. Convencidos da necessidade de harmonizar esforços, tanto no âmbito bilateral como no seio dos organismos internacionais, regionais e do MERCOSUL especializados na matéria, para enfrentar, com êxito, o problema mundial das drogas, manifestaram a firme decisão de seus Governos de aumentar a cooperação contra o tráfico de drogas e delitos relacionados, a prevenção contra seu uso indevido e a reabilitação de dependentes, no marco dos princípios de responsabilidade compartilhada, integralidade e respeito aos direitos humanos.
23. Coincidiram em que a consolidação do MERCOSUL como principal âmbito de integração política, social, econômica e comercial da região é um elemento chave para enfrentar a atual crise econômica internacional. Nesse sentido, ressaltaram a importância de coordenar ações no plano regional no marco da Política Comercial Comum e de aprofundar a integração comercial.
24. Saudaram a continuidade do processo de negociações externas do Mercosul, especialmente o progresso das negociações Sul-Sul. Ademais, reiteraram sua disposição em retomar as negociações do Acordo de Associação Birregional Mercosul, – União Europeia, com o objetivo de alcançar um resultado equilibrado e mutuamente satisfatório.
25. Reiteraram seu compromisso com o aprofundamento do Mercosul, em sua dimensão política e social, em particular mediante a ativação do Instituto Social do MMercosul, e da Comissão de Coordenação de Ministros de Assuntos Sociais do Mercosul.
26. Nesse sentido, reafirmaram sua disposição em impulsionar os trabalhos relativos ao Plano Estratégico de Ação Social do Mercosul,, assim como em adotar programas e medidas específicas no âmbito social que atenuem os efeitos da atual conjuntura de crise financeira internacional na região.
27. Recordaram que os múltiplos acordos, normas e entendimentos já implementados entre os países do Mercosul,– nas áreas política, econômica, social, cultural, educacional, migratória e de segurança – são ponto de partida fundamental de qualquer concertação política no âmbito subregional.
28. Reconheceram a importância da consolidação da Unasul, que deve se transformar em um fator de unidade e de cooperação na América do Sul, criando sinergias positivas em áreas como o desenvolvimento da infraestrutura física regional, a potencialização de políticas sociais na região e a cooperação em matéria de defesa.
29. Manifestaram seu interesse frente ao problema do seqüestro e da restituição internacional de menores. Nesse sentido, ressaltaram a existência de acordos multilaterais, regionais e bilaterais sobre a matéria assumidos pelas Partes, e se comprometeram a estimular sua difusão e observância entre as autoridades de aplicação federais, estaduais e municipais de ambas as Partes.
30. Reafirmaram a importância de que a parceria estratégica entre Brasil e Argentina continue produzindo resultados concretos e tangíveis, assim como benefícios mútuos, nas diversas áreas que compõem as relações bilaterais, a fim de que as altas aspirações de desenvolvimento e prosperidade de suas respectivas sociedades encontrem nesta parceria sua mais legítima expressão política e melhor tradução prática, em prol do crescimento e do desenvolvimento de suas populações.
31. Expressaram seu contentamento com os excelentes resultados obtidos durante a “Semana Argentina em São Paulo”, que ocorreu entre os dias 16 e 20 de março do corrente ano. A delegação empresarial e institucional argentina, composta por quase quinhentos membros, manteve um denso programa de entrevistas com suas contrapartes brasileiras, organizado conjuntamente pela Chancelaria argentina e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O programa de atividades contemplou a realização do Seminário Econômico “Oportunidades de Comércio, Negócios e Investimentos entre Brasil e Argentina”, com a participação de ambos os chefes de Estado e de grande número de altos funcionários e empresários dos dois países, como também outros eventos de caráter comercial e cultural de singular relevância.
32. Destacaram os avanços posteriores à reunião realizada em 13 de abril de 2009 em São José dos Campos, Estado de São Paulo, que mantiveram o Ministro de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços, o secretário de Transporte, Embaixadores e outros funcionários com a empresa Embraer e Aerolíneas Argentinas, em que chegaram a um entendimento para a compra de vinte aviões Embraer 190 AR, que contará com linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
33. Acordaram realizar a Quarta Reunião Presidencial do Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina no dia 18 de novembro de 2009, em Brasília.
34. Com relação aos avanços dos projetos que compõem o Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina e com o firme compromisso de avançar com celeridade na integração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Cristina Fernández de Kirchner adotaram as seguintes decisões:
A. SUBCOMISSÃO DE ECONOMIA, PRODUÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA:
Projeto 1.a. Coordenação Macroeconômica: Ressaltar o acordo de trabalhar conjuntamente no acompanhamento das ações de curto prazo implementadas por ambos os países com o objetivo de neutralizar os efeitos da crise internacional.
Instruir que, no curto prazo, se aprofunde o trabalho de monitoramento conjunto do impacto da crise internacional por meio da formalização de um canal de comunicação bilateral para o acompanhamento das medidas a serem implementadas no atual contexto de crise, propiciando sua coordenação; e que, no médio prazo, se avance firmemente no caminho que levará à progressiva coordenação macroeconômica bilateral, fortalecendo os sistemas de informação mútua e o acompanhamento das políticas nacionais, envolvendo aspectos tais como questões tributárias, produção industrial, integração produtiva, regime de investimentos e financiamento.
Projeto 1.b. Consultas sobre comércio bilateral e integração: Manifestar sua satisfação pelos encontros mantidos pelo Grupo de Alto Nível, coordenados pelas Chancelarias, para analisar o impacto da crise econômica e financeira mundial nos fluxos de comércio e investimento bilaterais e regionais, em que se consideraram diversas iniciativas para enfrentar coordenadamente os desafios trazidos pela crise mundial e minimizar seus impactos.
Instruir que as negociações entre os respectivos setores privados que constituem o comércio bilateral sejam impulsionadas, a fim de atender os interesses daqueles mais sensíveis, sem perder de vista a necessidade de aprofundar a integração produtiva e o comércio entre os dois países e no âmbito do Mercosul, incentivando as empresas a investir em inovação e em aumento de competitividade.
Projeto 1.c. Consultas sobre Temas da OMC: Ressaltar a necessidade de envidar os melhores esforços a fim de continuar colaborando conjuntamente no âmbito das negociações comerciais multilaterais que se levam a cabo na Organização Mundial do Comércio.
Projeto 2.a. Sistema de Pagamento do Comércio Bilateral em Moedas Locais (SML): Destacar a entrada em vigor do Sistema de pagamento do comércio bilateral em moedas locais (SML), de 3 de outubro de 2008, e ressaltar que este sistema cumpre os objetivos de aprofundar a integração financeira e de estimular o comércio bilateral das pequenas e médias empresas.
Instruir os organismos com competência em comércio exterior dos respectivos Governos a tomarem as medidas necessárias para facilitar a utilização do SML no marco de suas respectivas competências, de modo a ajudar a incentivar o uso do mecanismo.
Instruir, ademais, que particularmente aqueles encarregados da promoção do comércio exterior adotem medidas para dar ampla difusão ao Sistema e estudar possíveis expansões do mesmo para outras operações.
Destacar que o Artigo 11 do Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia da República Federativa do Brasil e o Ministério de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços da República Argentina sobre Intercâmbio de Energia Elétrica, firmado em 30 de março de 2009, introduz o sistema bilateral de pagamentos em moedas locais para toda operação de transação econômica originada em seu âmbito.
Projeto 2.b. Projeto sobre Sistema Bilateral de Pagamento em Moeda Local de Benefícios Previdenciários: Instruir aos Bancos Centrais, à Administración Nacional de la Seguridad Social, da Argentina, e ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), do Brasil, que em um prazo de quatro meses alcancem um acordo de sistema bilateral de pagamento de benefícios previdenciários em moeda local. Este acordo terá por objetivo que seus beneficiários recebam suas aposentadorias e pensões sem pagar tarifas bancárias nem perder recursos pela conversão cambial de moedas (pesos/dólar/real e vice-versa).
Cronograma.: Junho de 2009: reunião de análise de proposta do acordo: Agosto de 2009: assinatura do Acordo de Sistema Bilateral de Pagamento em Moeda Local de Benefícios Previdenciários.
Projeto 3. Cooperação BNDES - Banco de la Nación Argentina – BICE: Destacar os avanços dos Bancos no marco do Convênio de Cooperação entre o BNDES, o Banco de la Nación Argentina e o Banco de Inversión y Comercio Exterior (BICE) no que diz respeito à criação e à implementação de políticas creditícias para o desenvolvimento e a consolidação de cadeias de produção integradas bilateralmente, e pelo acordo das instituições em trabalhar na identificação de projetos de integração dentro das seguintes atividades: aeropartes, indústria naval, equipamentos para a produção de petróleo e gás, produção de medicamentos e indústria alimentícia.
Instruir aos Bancos que cumpram com os prazos acordados pela Comissão da Quarta Cláusula do Acordo de Cooperação, e que se avance nos projetos que sejam considerados prioritários para ambos os países.
Instruir os Bancos a que, de maneira imediata, realizem as seguintes ações: estudar junto aos respectivos Bancos Centrais a possibilidade de utilização de moedas que reduzam o risco cambial (Sistema de Moedas Locais) | colocar-se à disposição de suas respectivas Chancelarias, a fim de que os promotores dos projetos se ponham em contato com as entidades financeiras para avaliar a viabilidade do financiamento dos mesmos no âmbito do Acordo | enfatizar as atividades de difusão no setor empresarial de seus respectivos países, com o objetivo de revelar eventuais iniciativas de integração bilateral de forma coordenada | estudar a possibilidade de coordenar suas atividades com o Fundo de Garantias recentemente criado pelo MERCOSUL, com vistas a buscar algum tipo de sinergia com o mesmo.
Com o objetivo de identificar projetos relativos ao fornecimento de equipamento de petróleo e gás por parte das empresas argentinas à Petrobrás, convidar para a próxima reunião da Comissão o representante da ABDI responsável pela matéria no Brasil.
Cronograma.: Reunião da Comissão dentro dos próximos 60 dias:
Projeto 4. Cooperação Espacial: Satélite Argentino-Brasileiro de Observação dos Oceanos: Confirmar a realização do projeto SABIA-Mar para a observação costeira e oceânica, que terá impacto positivo em áreas como proteção do meio-ambiente, prevenção de desastres ambientais, manejo costeiro, recursos hídricos, oceanografia, uso sustentável dos recursos do mar, meteorologia e mudanças climáticas.
Convidar as indústrias de ambos os países que participem no marco do Programa de Cooperação para o desenvolvimento conjunto de tecnologias avançadas de aplicação espacial assinado entre AEB e CONAE, aplicando a cláusula de reciprocidade adotada nos acordos de cooperação espacial aprovados pelos Congressos de ambos os países.
Instruir que, durante 2009, seja estudado um programa de cooperação e inovação tecnológica espacial entre empresas de ambos os países.
Destacar o comum interesse em desenvolver de forma conjunta uma câmara de infravermelho térmico de nova tecnologia para a provisão dos instrumentos da carga útil da missão do satélite SABIA-Mar.
Reconhecer o satisfatório avanço nas atuais missões conjuntas do satélite: pelo lado argentino, o SAC-D/Aquarius para o estudo dos oceanos, que conta com a participação do Brasil; e, pelo lado brasileiro, a recepção argentina dos dados da missão do satélite CBERS.
Instruir que se dê fomento à ativa participação dos setores industriais e de investigação de ambos os países nos projetos comuns.
Ressaltar a urgente necessidade de identificar as fontes de financiamento para a efetiva materialização do projeto SABIA-Mar, cuja estimativa preliminar de custos será apresentada em maio de 2009.
Cronograma.: Maio de 2009: conclusão da estimativa preliminar de custos do projeto SABIA-Mar: Dezembro de 2009: conclusão dos estudos de um programa de cooperação e de inovação tecnológica espacial entre empresas de ambos os países.
Projeto 5. Centro Binacional de Nanotecnologia (CBAN): Destacar os importantes avanços alcançados pelo Centro Binacional de Nanotecnologia, pelo cumprimento, em sua totalidade, do plano de trabalho apresentado para 2008.
Ressaltar o lançamento da primeira convocatória para o financiamento de três projetos conjuntos no marco do acordo entre a Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica (ANPCyT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que serão lançados em 2009.
Estimular as atividades conjuntas no setor, com ênfase na formação de recursos humanos, no desenvolvimento científico e no avanço industrial, além da efetiva realização do plano de trabalho de 2009.”
"Nos dias 22 e 23 de abril de 2009, a convite da presidenta da República Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, o presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou visita de trabalho à Argentina. Na ocasião, ambos os chefes de Estado passaram em revista o amplo espectro da relação bilateral e avaliaram o estado de implementação do Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina.
EM CONJUNTO:
1. Reafirmaram seu compromisso com o permanente aperfeiçoamento e fortalecimento da democracia representativa em seus países e com a necessidade de implementar modelos de desenvolvimento baseados na produção de valor agregado, na geração de riqueza e na criação de empregos como forma de superar as desigualdades sociais e regionais persistentes. Expressaram sua convicção de que a democracia, o pluralismo e o respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais constituem fatores de progresso, prosperidade e paz social.
2. Expressaram sua firme convicção quanto à importância da promoção e da proteção dos direitos humanos e reiteraram o compromisso de seus Governos e de suas populações com a defesa dos princípios de universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos, tanto dos direitos civis e políticos quanto dos econômicos, sociais e culturais.
3. Reiteraram a determinação de continuar o trabalho conjunto em prol de uma forte agenda social e produtiva, com o objetivo de estabelecer ações concretas para combater a fome e a pobreza. Concordaram em continuar trabalhando em projetos nacionais de desenvolvimento convergente, fomentando a promoção da justiça, da inclusão social e do trabalho digno.
4. Manifestaram seu apoio ao sistema multilateral de comércio e à rodada Doha, a fim de alcançar uma maior integração dos países em desenvolvimento na economia internacional. Com este propósito, concordaram que é preciso assegurar que se avance na eliminação da discriminação que sofre a agricultura e na aplicação de flexibilidades adequadas para que os países em desenvolvimento, especialmente os de nossa região, possam levar adiante os objetivos de diversificação de suas estruturas produtivas.
5. Ressaltaram seu apoio aos princípios que guiam as negociações, em particular a reciprocidade menos que plena e o tratamento especial e mais favorável para os países em desenvolvimento.
6. Reiteraram a prioridade de defender e promover o emprego. Com esse propósito, destacaram as políticas nacionais que ambos os países estão conduzindo para gerar postos de trabalho e os esforços de coordenação macroeconômica internacional destinados a conter os efeitos da crise e a promover a recuperação econômica.
7. Reafirmaram a importância da capitalização e do aumento de empréstimos a taxas de juros reduzidas do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento para promover obras de infraestrutura econômica e social, que são importantes geradoras de emprego e que contribuem para a diminuição das disparidades dentro de nossas sociedades.
8. Respaldaram a realização de programas de educação, capacitação e treinamento, assim como a ampliação das redes de seguridade social para aqueles que tenham perdido seus empregos e que encontram dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
9. Coincidiram em destacar que as causas que levaram à crise indicam a importância de maior regulação dos mercados financeiros e que os países desenvolvidos causadores da crise devem adotar todas as medidas necessárias para reaquecer suas economias.
10. Constataram que a crise econômica e financeira está dando lugar a uma forte retração de crédito, que afeta gravemente o financiamento ao comércio exterior. A conseqüência, além da restrição de crédito, é o aumento da taxa de juros nas economias em desenvolvimento, o que desestimula os investimentos e o consumo.
11. Por esse motivo, respaldaram a aplicação de medidas de capitalização e de aumento dos recursos das instituições financeiras internacionais e a emissão de novos Direitos Especiais de Saque do FMI recentemente acordadas durante Cúpula do G-20. Essas iniciativas devem estar ligadas à eliminação e à redução significativa das condicionalidades.
12. Paralelamente, apoiaram a reestruturação do FMI e do Banco Mundial, de modo a aumentar significativamente a participação dos países em desenvolvimento no capital e na tomada de decisões. Apoiaram, ademais, o monitoramento mais efetivo das economias dos países avançados por parte do FMI.
13. Apoiaram a regulação das agências de classificação de risco, assegurando sua neutralidade e independência das instituições financeiras e a eliminação dos paraísos fiscais, a fim de que todos os países se atenham a normas adequadas de transparência internacional e de controle impositivo.
14. Destacaram que a reforma do setor bancário e das demais instituições financeiras deve assegurar que sejam cumpridos requisitos rígidos de solvência, de adequação de capital de cada instituição ao risco potencial, inclusive aquele derivado de mudanças no ciclo econômico, de transparência dos pacotes e instrumentos relativos a crédito e a bolsas de valores, e de controle e supervisão permanente por autoridades governamentais.
15. Congratularam-se pelas decisões adotadas na Cúpula do G-20 em Londres e enfatizaram a importância de que essas decisões sejam confirmadas por meio de políticas pertinentes em âmbito nacional.
16. Manifestaram seu mais firme respaldo ao multilateralismo e aos princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, e enfatizaram que o respeito ao direito internacional é uma condição fundamental para assegurar a paz e a segurança internacionais.
17. Destacaram a necessidade de trabalhar pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a fim de torná-lo mais eficiente, democrático, transparente, representativo e responsável por suas ações perante a comunidade internacional.
18. Manifestaram seu interesse para que, no âmbito da Organização dos Estados Americanos, se avance na definição de um plano de trabalho para combater, sancionar e erradicar o tráfico de pessoas.
19. Reafirmaram seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e sua decisão de contribuir para melhorar a resposta internacional frente às mudanças climáticas. Ressaltaram a importância do princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
20. Concordaram que o aumento da demanda por energia para permitir o desenvolvimento de nossos países torna urgentes os esforços bilaterais e regionais de integração dos sistemas energéticos. Concordaram, igualmente, que o desenvolvimento das fontes renováveis de energia, incluindo os biocombustíveis, a energia solar, a energia eólica, a biomassa, o hidrogênio, entre outras, constitui uma grande oportunidade para o desenvolvimento tecnológico, industrial, econômico e social, com efeitos positivos na redução das emissões de gases que contribuem para as mudanças climáticas.
21. Reafirmaram sua disposição em fortalecer a cooperação em matéria antártica e de celebrar consultas referentes às reuniões dos foros antárticos.
22. Convencidos da necessidade de harmonizar esforços, tanto no âmbito bilateral como no seio dos organismos internacionais, regionais e do MERCOSUL especializados na matéria, para enfrentar, com êxito, o problema mundial das drogas, manifestaram a firme decisão de seus Governos de aumentar a cooperação contra o tráfico de drogas e delitos relacionados, a prevenção contra seu uso indevido e a reabilitação de dependentes, no marco dos princípios de responsabilidade compartilhada, integralidade e respeito aos direitos humanos.
23. Coincidiram em que a consolidação do MERCOSUL como principal âmbito de integração política, social, econômica e comercial da região é um elemento chave para enfrentar a atual crise econômica internacional. Nesse sentido, ressaltaram a importância de coordenar ações no plano regional no marco da Política Comercial Comum e de aprofundar a integração comercial.
24. Saudaram a continuidade do processo de negociações externas do Mercosul, especialmente o progresso das negociações Sul-Sul. Ademais, reiteraram sua disposição em retomar as negociações do Acordo de Associação Birregional Mercosul, – União Europeia, com o objetivo de alcançar um resultado equilibrado e mutuamente satisfatório.
25. Reiteraram seu compromisso com o aprofundamento do Mercosul, em sua dimensão política e social, em particular mediante a ativação do Instituto Social do MMercosul, e da Comissão de Coordenação de Ministros de Assuntos Sociais do Mercosul.
26. Nesse sentido, reafirmaram sua disposição em impulsionar os trabalhos relativos ao Plano Estratégico de Ação Social do Mercosul,, assim como em adotar programas e medidas específicas no âmbito social que atenuem os efeitos da atual conjuntura de crise financeira internacional na região.
27. Recordaram que os múltiplos acordos, normas e entendimentos já implementados entre os países do Mercosul,– nas áreas política, econômica, social, cultural, educacional, migratória e de segurança – são ponto de partida fundamental de qualquer concertação política no âmbito subregional.
28. Reconheceram a importância da consolidação da Unasul, que deve se transformar em um fator de unidade e de cooperação na América do Sul, criando sinergias positivas em áreas como o desenvolvimento da infraestrutura física regional, a potencialização de políticas sociais na região e a cooperação em matéria de defesa.
29. Manifestaram seu interesse frente ao problema do seqüestro e da restituição internacional de menores. Nesse sentido, ressaltaram a existência de acordos multilaterais, regionais e bilaterais sobre a matéria assumidos pelas Partes, e se comprometeram a estimular sua difusão e observância entre as autoridades de aplicação federais, estaduais e municipais de ambas as Partes.
30. Reafirmaram a importância de que a parceria estratégica entre Brasil e Argentina continue produzindo resultados concretos e tangíveis, assim como benefícios mútuos, nas diversas áreas que compõem as relações bilaterais, a fim de que as altas aspirações de desenvolvimento e prosperidade de suas respectivas sociedades encontrem nesta parceria sua mais legítima expressão política e melhor tradução prática, em prol do crescimento e do desenvolvimento de suas populações.
31. Expressaram seu contentamento com os excelentes resultados obtidos durante a “Semana Argentina em São Paulo”, que ocorreu entre os dias 16 e 20 de março do corrente ano. A delegação empresarial e institucional argentina, composta por quase quinhentos membros, manteve um denso programa de entrevistas com suas contrapartes brasileiras, organizado conjuntamente pela Chancelaria argentina e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O programa de atividades contemplou a realização do Seminário Econômico “Oportunidades de Comércio, Negócios e Investimentos entre Brasil e Argentina”, com a participação de ambos os chefes de Estado e de grande número de altos funcionários e empresários dos dois países, como também outros eventos de caráter comercial e cultural de singular relevância.
32. Destacaram os avanços posteriores à reunião realizada em 13 de abril de 2009 em São José dos Campos, Estado de São Paulo, que mantiveram o Ministro de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços, o secretário de Transporte, Embaixadores e outros funcionários com a empresa Embraer e Aerolíneas Argentinas, em que chegaram a um entendimento para a compra de vinte aviões Embraer 190 AR, que contará com linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
33. Acordaram realizar a Quarta Reunião Presidencial do Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina no dia 18 de novembro de 2009, em Brasília.
34. Com relação aos avanços dos projetos que compõem o Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil – Argentina e com o firme compromisso de avançar com celeridade na integração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Cristina Fernández de Kirchner adotaram as seguintes decisões:
A. SUBCOMISSÃO DE ECONOMIA, PRODUÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA:
Projeto 1.a. Coordenação Macroeconômica: Ressaltar o acordo de trabalhar conjuntamente no acompanhamento das ações de curto prazo implementadas por ambos os países com o objetivo de neutralizar os efeitos da crise internacional.
Instruir que, no curto prazo, se aprofunde o trabalho de monitoramento conjunto do impacto da crise internacional por meio da formalização de um canal de comunicação bilateral para o acompanhamento das medidas a serem implementadas no atual contexto de crise, propiciando sua coordenação; e que, no médio prazo, se avance firmemente no caminho que levará à progressiva coordenação macroeconômica bilateral, fortalecendo os sistemas de informação mútua e o acompanhamento das políticas nacionais, envolvendo aspectos tais como questões tributárias, produção industrial, integração produtiva, regime de investimentos e financiamento.
Projeto 1.b. Consultas sobre comércio bilateral e integração: Manifestar sua satisfação pelos encontros mantidos pelo Grupo de Alto Nível, coordenados pelas Chancelarias, para analisar o impacto da crise econômica e financeira mundial nos fluxos de comércio e investimento bilaterais e regionais, em que se consideraram diversas iniciativas para enfrentar coordenadamente os desafios trazidos pela crise mundial e minimizar seus impactos.
Instruir que as negociações entre os respectivos setores privados que constituem o comércio bilateral sejam impulsionadas, a fim de atender os interesses daqueles mais sensíveis, sem perder de vista a necessidade de aprofundar a integração produtiva e o comércio entre os dois países e no âmbito do Mercosul, incentivando as empresas a investir em inovação e em aumento de competitividade.
Projeto 1.c. Consultas sobre Temas da OMC: Ressaltar a necessidade de envidar os melhores esforços a fim de continuar colaborando conjuntamente no âmbito das negociações comerciais multilaterais que se levam a cabo na Organização Mundial do Comércio.
Projeto 2.a. Sistema de Pagamento do Comércio Bilateral em Moedas Locais (SML): Destacar a entrada em vigor do Sistema de pagamento do comércio bilateral em moedas locais (SML), de 3 de outubro de 2008, e ressaltar que este sistema cumpre os objetivos de aprofundar a integração financeira e de estimular o comércio bilateral das pequenas e médias empresas.
Instruir os organismos com competência em comércio exterior dos respectivos Governos a tomarem as medidas necessárias para facilitar a utilização do SML no marco de suas respectivas competências, de modo a ajudar a incentivar o uso do mecanismo.
Instruir, ademais, que particularmente aqueles encarregados da promoção do comércio exterior adotem medidas para dar ampla difusão ao Sistema e estudar possíveis expansões do mesmo para outras operações.
Destacar que o Artigo 11 do Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia da República Federativa do Brasil e o Ministério de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços da República Argentina sobre Intercâmbio de Energia Elétrica, firmado em 30 de março de 2009, introduz o sistema bilateral de pagamentos em moedas locais para toda operação de transação econômica originada em seu âmbito.
Projeto 2.b. Projeto sobre Sistema Bilateral de Pagamento em Moeda Local de Benefícios Previdenciários: Instruir aos Bancos Centrais, à Administración Nacional de la Seguridad Social, da Argentina, e ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), do Brasil, que em um prazo de quatro meses alcancem um acordo de sistema bilateral de pagamento de benefícios previdenciários em moeda local. Este acordo terá por objetivo que seus beneficiários recebam suas aposentadorias e pensões sem pagar tarifas bancárias nem perder recursos pela conversão cambial de moedas (pesos/dólar/real e vice-versa).
Cronograma.: Junho de 2009: reunião de análise de proposta do acordo: Agosto de 2009: assinatura do Acordo de Sistema Bilateral de Pagamento em Moeda Local de Benefícios Previdenciários.
Projeto 3. Cooperação BNDES - Banco de la Nación Argentina – BICE: Destacar os avanços dos Bancos no marco do Convênio de Cooperação entre o BNDES, o Banco de la Nación Argentina e o Banco de Inversión y Comercio Exterior (BICE) no que diz respeito à criação e à implementação de políticas creditícias para o desenvolvimento e a consolidação de cadeias de produção integradas bilateralmente, e pelo acordo das instituições em trabalhar na identificação de projetos de integração dentro das seguintes atividades: aeropartes, indústria naval, equipamentos para a produção de petróleo e gás, produção de medicamentos e indústria alimentícia.
Instruir aos Bancos que cumpram com os prazos acordados pela Comissão da Quarta Cláusula do Acordo de Cooperação, e que se avance nos projetos que sejam considerados prioritários para ambos os países.
Instruir os Bancos a que, de maneira imediata, realizem as seguintes ações: estudar junto aos respectivos Bancos Centrais a possibilidade de utilização de moedas que reduzam o risco cambial (Sistema de Moedas Locais) | colocar-se à disposição de suas respectivas Chancelarias, a fim de que os promotores dos projetos se ponham em contato com as entidades financeiras para avaliar a viabilidade do financiamento dos mesmos no âmbito do Acordo | enfatizar as atividades de difusão no setor empresarial de seus respectivos países, com o objetivo de revelar eventuais iniciativas de integração bilateral de forma coordenada | estudar a possibilidade de coordenar suas atividades com o Fundo de Garantias recentemente criado pelo MERCOSUL, com vistas a buscar algum tipo de sinergia com o mesmo.
Com o objetivo de identificar projetos relativos ao fornecimento de equipamento de petróleo e gás por parte das empresas argentinas à Petrobrás, convidar para a próxima reunião da Comissão o representante da ABDI responsável pela matéria no Brasil.
Cronograma.: Reunião da Comissão dentro dos próximos 60 dias:
Projeto 4. Cooperação Espacial: Satélite Argentino-Brasileiro de Observação dos Oceanos: Confirmar a realização do projeto SABIA-Mar para a observação costeira e oceânica, que terá impacto positivo em áreas como proteção do meio-ambiente, prevenção de desastres ambientais, manejo costeiro, recursos hídricos, oceanografia, uso sustentável dos recursos do mar, meteorologia e mudanças climáticas.
Convidar as indústrias de ambos os países que participem no marco do Programa de Cooperação para o desenvolvimento conjunto de tecnologias avançadas de aplicação espacial assinado entre AEB e CONAE, aplicando a cláusula de reciprocidade adotada nos acordos de cooperação espacial aprovados pelos Congressos de ambos os países.
Instruir que, durante 2009, seja estudado um programa de cooperação e inovação tecnológica espacial entre empresas de ambos os países.
Destacar o comum interesse em desenvolver de forma conjunta uma câmara de infravermelho térmico de nova tecnologia para a provisão dos instrumentos da carga útil da missão do satélite SABIA-Mar.
Reconhecer o satisfatório avanço nas atuais missões conjuntas do satélite: pelo lado argentino, o SAC-D/Aquarius para o estudo dos oceanos, que conta com a participação do Brasil; e, pelo lado brasileiro, a recepção argentina dos dados da missão do satélite CBERS.
Instruir que se dê fomento à ativa participação dos setores industriais e de investigação de ambos os países nos projetos comuns.
Ressaltar a urgente necessidade de identificar as fontes de financiamento para a efetiva materialização do projeto SABIA-Mar, cuja estimativa preliminar de custos será apresentada em maio de 2009.
Cronograma.: Maio de 2009: conclusão da estimativa preliminar de custos do projeto SABIA-Mar: Dezembro de 2009: conclusão dos estudos de um programa de cooperação e de inovação tecnológica espacial entre empresas de ambos os países.
Projeto 5. Centro Binacional de Nanotecnologia (CBAN): Destacar os importantes avanços alcançados pelo Centro Binacional de Nanotecnologia, pelo cumprimento, em sua totalidade, do plano de trabalho apresentado para 2008.
Ressaltar o lançamento da primeira convocatória para o financiamento de três projetos conjuntos no marco do acordo entre a Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica (ANPCyT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que serão lançados em 2009.
Estimular as atividades conjuntas no setor, com ênfase na formação de recursos humanos, no desenvolvimento científico e no avanço industrial, além da efetiva realização do plano de trabalho de 2009.”
BRASIL MELHORA DESEMPENHO EM RANKING DE TI E TELECOM
O site Telesíntese publicou:
“Pelo segundo trimestre consecutivo, o Brasil foi o país da América Latina que melhorou a sua pontuação mais rapidamente no setor de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, de acordo com o relatório Indicador da Sociedade da informação (ISI) para a América Latina, realizado pela everis em parceria com a IESE Business School, na Espanha. O material também avalia o Ambiente da Sociedade da Informação (ESI), que compreende os aspectos econômico, Institucional, social e infraestrutura. Os dados são referentes ao período janeiro a março de 2009.
Nesse período, a pontuação brasileira alcançou 4,38 pontos, um avanço de 3,1%, ficando, pela primeira vez, no mesmo nível da média regional (o relatório avalia Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Para 2010, as projeções mostram que o Indicador Brasileiro alcançará uma qualificação média de 4,39 pontos, com um aumento anual de 0,2% que contrastará com a queda prevista dos demais países da região. O Brasil ocupará o 4º lugar, superando o México, e a qualificação média da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) avançará mais lentamente.
Entre as variáveis, de equipamentos, em março de 2010 a projeção é que o Brasil alcance um total de 867 telefones móveis para cada mil pessoas (crescimento anual de 11,6%), o que praticamente igualaria a média latino-americana. Na parte de serviços, o gasto total com TIC seria o equivalente a US$ 356 por ano para cada habitante, um crescimento de 7,3%.
NÚMEROS DO ISI NO BRASIL
De acordo com o relatório, o país tem 777 celulares para cada 1.000 pessoas; 232 computadores para cada 1.000 pessoas; 3,3 servidores para cada 1.000 pessoas; 13,6% dos usuários de Internet são assinantes de banda larga; 391 usuários de Internet para cada 1.000 pessoas; 16 domínios de Internet para cada 1.000 pessoas; e um gasto per capta anual em TIV de US$ 332.
O ISI NA AMÉRICA LATINA
O ISI da Argentina apresentou queda anual mais acentuada, de 5,1%, alcançando os 4,63 pontos. O Chile obteve 5,51, o Peru 4,42; o México obteve 4,44; o Brasil, 4,38 e, em último lugar, está a Colômbia, com 4,08.
No que se refere ao desenvolvimento do Ambiente da Sociedade da Informação (ESI), o segundo componente que complementa o indicador ISI, o Chile se destaca por mostrar a melhor pontuação da região, 6,17 pontos. Em seguida vem o Peru, com 5,42 pontos; o México, com 5,12; o Brasil com 4,89, Argentina, com 4,67 e a Colômbia, com 4,79.”
“Pelo segundo trimestre consecutivo, o Brasil foi o país da América Latina que melhorou a sua pontuação mais rapidamente no setor de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, de acordo com o relatório Indicador da Sociedade da informação (ISI) para a América Latina, realizado pela everis em parceria com a IESE Business School, na Espanha. O material também avalia o Ambiente da Sociedade da Informação (ESI), que compreende os aspectos econômico, Institucional, social e infraestrutura. Os dados são referentes ao período janeiro a março de 2009.
Nesse período, a pontuação brasileira alcançou 4,38 pontos, um avanço de 3,1%, ficando, pela primeira vez, no mesmo nível da média regional (o relatório avalia Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Para 2010, as projeções mostram que o Indicador Brasileiro alcançará uma qualificação média de 4,39 pontos, com um aumento anual de 0,2% que contrastará com a queda prevista dos demais países da região. O Brasil ocupará o 4º lugar, superando o México, e a qualificação média da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) avançará mais lentamente.
Entre as variáveis, de equipamentos, em março de 2010 a projeção é que o Brasil alcance um total de 867 telefones móveis para cada mil pessoas (crescimento anual de 11,6%), o que praticamente igualaria a média latino-americana. Na parte de serviços, o gasto total com TIC seria o equivalente a US$ 356 por ano para cada habitante, um crescimento de 7,3%.
NÚMEROS DO ISI NO BRASIL
De acordo com o relatório, o país tem 777 celulares para cada 1.000 pessoas; 232 computadores para cada 1.000 pessoas; 3,3 servidores para cada 1.000 pessoas; 13,6% dos usuários de Internet são assinantes de banda larga; 391 usuários de Internet para cada 1.000 pessoas; 16 domínios de Internet para cada 1.000 pessoas; e um gasto per capta anual em TIV de US$ 332.
O ISI NA AMÉRICA LATINA
O ISI da Argentina apresentou queda anual mais acentuada, de 5,1%, alcançando os 4,63 pontos. O Chile obteve 5,51, o Peru 4,42; o México obteve 4,44; o Brasil, 4,38 e, em último lugar, está a Colômbia, com 4,08.
No que se refere ao desenvolvimento do Ambiente da Sociedade da Informação (ESI), o segundo componente que complementa o indicador ISI, o Chile se destaca por mostrar a melhor pontuação da região, 6,17 pontos. Em seguida vem o Peru, com 5,42 pontos; o México, com 5,12; o Brasil com 4,89, Argentina, com 4,67 e a Colômbia, com 4,79.”
MINISTÉRIO PÚBLICO VAI DENUNCIAR DANTAS E OUTROS INVESTIGADOS DA SATIAGRAHA
Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Rosanne D'Agostino:
“Após o indiciamento de investigados pela Operação Satiagraha nesta segunda-feira (27) pela Polícia Federal, entre eles o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do grupo Opportunity, o procurador do caso, Rodrigo De Grandis, afirmou que já possui elementos suficientes para apresentar denúncia contra os suspeitos. Isto significa que eles podem vir a responder a processo por crimes financeiros.
Segundo o procurador, a denúncia será apresentada com base em provas e depoimentos colhidos desde o início das investigações, que culminaram, em julho de 2008, nas prisões de Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do megainvestidor Naji Nahas.
"Tenho sólidos elementos de que houve crimes financeiros", disse o procurador, que prefere, no entanto, aguardar a conclusão do inquérito pelo delegado Ricardo Saadi, que conduz a Satiagraha desde a polêmica saída do delegado Protógenes Queiroz.
Em nota divulgada em Brasília, a Polícia Federal afirmou que no inquérito da Satiagraha houve 13 indiciamentos pela prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta, empréstimo vedado e formação de quadrilha. Os nomes dos formalmente suspeitos não foram divulgados. Hoje em São Paulo, foram ouvidos Daniel Dantas, Verônica Dantas (irmã do banqueiro), Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Norberto Aguiar Tomaz e Daniele Ninio. Inicialmente, na PF de São Paulo, o advogado do grupo Opportunity confirmara apenas estes indiciamentos.
O grupo Opportunity, por meio de nota, considerou os indiciamentos de hoje "arbitrários" e classificou a medida como uma "boia" de salvamento da Satiagraha.
O relatório final da investigação deverá ser entregue ao juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo até o final desta semana. Com base nesse relatório, o procurador De Grandis ainda deve definir por quais crimes cada um será acusado à Justiça.
"Tenho acompanhado as investigações desde o início. Sempre existiram elementos que configuram crimes financeiros. A investigação não foi trancada, pelo contrário, o TRF [Tribunal Regional Federal] da 3ª Região manteve, inclusive, o entendimento de que é permitida a participação de agentes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência]", disse o procurador, que avalia que a troca de delegados durante a Satiagraha não prejudicou o andamento da operação.
De Grandis também considera que o fato de os investigados terem ficado em silêncio em depoimento à PF nesta segunda apenas os prejudicou. "Vejo o silêncio como incompatível com alguém que se diz inocente", afirmou o representante do Ministério Público. Segundo ele, dificilmente haverá outra chance de os suspeitos se manifestarem no inquérito. "Fiquei frustrado."
O procurador também afirmou que os indiciamentos não serão necessariamente a fundamentação da denúncia, mas elogiou o delegado do caso. "O inquérito de Saadi guarda muita pertinência."”
“Após o indiciamento de investigados pela Operação Satiagraha nesta segunda-feira (27) pela Polícia Federal, entre eles o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do grupo Opportunity, o procurador do caso, Rodrigo De Grandis, afirmou que já possui elementos suficientes para apresentar denúncia contra os suspeitos. Isto significa que eles podem vir a responder a processo por crimes financeiros.
Segundo o procurador, a denúncia será apresentada com base em provas e depoimentos colhidos desde o início das investigações, que culminaram, em julho de 2008, nas prisões de Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do megainvestidor Naji Nahas.
"Tenho sólidos elementos de que houve crimes financeiros", disse o procurador, que prefere, no entanto, aguardar a conclusão do inquérito pelo delegado Ricardo Saadi, que conduz a Satiagraha desde a polêmica saída do delegado Protógenes Queiroz.
Em nota divulgada em Brasília, a Polícia Federal afirmou que no inquérito da Satiagraha houve 13 indiciamentos pela prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta, empréstimo vedado e formação de quadrilha. Os nomes dos formalmente suspeitos não foram divulgados. Hoje em São Paulo, foram ouvidos Daniel Dantas, Verônica Dantas (irmã do banqueiro), Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Norberto Aguiar Tomaz e Daniele Ninio. Inicialmente, na PF de São Paulo, o advogado do grupo Opportunity confirmara apenas estes indiciamentos.
O grupo Opportunity, por meio de nota, considerou os indiciamentos de hoje "arbitrários" e classificou a medida como uma "boia" de salvamento da Satiagraha.
O relatório final da investigação deverá ser entregue ao juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo até o final desta semana. Com base nesse relatório, o procurador De Grandis ainda deve definir por quais crimes cada um será acusado à Justiça.
"Tenho acompanhado as investigações desde o início. Sempre existiram elementos que configuram crimes financeiros. A investigação não foi trancada, pelo contrário, o TRF [Tribunal Regional Federal] da 3ª Região manteve, inclusive, o entendimento de que é permitida a participação de agentes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência]", disse o procurador, que avalia que a troca de delegados durante a Satiagraha não prejudicou o andamento da operação.
De Grandis também considera que o fato de os investigados terem ficado em silêncio em depoimento à PF nesta segunda apenas os prejudicou. "Vejo o silêncio como incompatível com alguém que se diz inocente", afirmou o representante do Ministério Público. Segundo ele, dificilmente haverá outra chance de os suspeitos se manifestarem no inquérito. "Fiquei frustrado."
O procurador também afirmou que os indiciamentos não serão necessariamente a fundamentação da denúncia, mas elogiou o delegado do caso. "O inquérito de Saadi guarda muita pertinência."”
GENERAL MOTORS SERÁ ESTATIZADA NOS EUA
Li ontem no UOL a seguinte reportagem da Folha Online:
GM OFERECE CONTROLE AO GOVERNO DOS EUA EM TROCA DE MAIS US$ 11,6 BI
“O governo americano poderia assumir o controle da fabricante de veículos GM (General Motors) em troca de oferecer outros US$ 11,6 bilhões em ajuda à montadora, segundo o plano da empresa para acelerar seu plano de reestruturação --que envolve ainda a extinção da marca Pontiac, o corte de 21 mil empregos e o fechamento de 13 unidades nos EUA até o final de 2010.
Esses US$ 11,6 bilhões, segundo a proposta da GM, se somariam aos US$ 15,4 bilhões que a GM já recebeu em ajuda do governo --na quarta-feira (22) o Departamento do Tesouro liberou para a GM mais US$ 2 bilhões para manter sua produção e financiar seu capital de giro; a empresa já havia conseguido US$ 13,4 bilhões no ano passado para não falir. Neste ano, a GM pediu ao governo do presidente Barack Obama outros US$ 16,6 bilhões em empréstimos.
A montadora também anunciou hoje um plano de troca de US$ 27 bilhões de dívida não assegurada por ações: a empresa quer oferecer 225 ações para cada US$ 1.000 em dívidas de seus credores --na cotação das ações da GM hoje na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), isso chegaria a cerca de US$ 452.
Com a troca, e a conversão de sua dívida com o Departamento do Tesouro e com um fundo de funcionários aposentados do UAW (United Auto Workers, principal sindicato do setor automobilístico nos EUA), a GM poderia reduzir sua dívida em US$ 44 bilhões. Dessa forma, o Tesouro ficaria com o controle de mais da metade da GM.
O presidente da GM, Fritz Henderson, disse hoje que a montadora continuará a ser "uma companhia global, mas sua natureza vai mudar", quando sua reestruturação tiver sido concluída. A GM vai se concentrar na manutenção de quatro marcas (Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC).
Sobre a venda da Opel, Henderson disse que a GM "não ficará ausente da Europa. Estaremos presentes em virtude de nosso investimento na empresa e seremos capazes de aproveitar esse investimento em termos de eixos motor, desenvolvimento de veículos e tecnologia".
OBAMA
No dia 30 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou que o governo tenha intenção de assumir o controle da GM.
"Embora a GM tenha feito um esforço de boa fé para se reestruturar nos últimos meses, o plano que eles apresentaram não é, na sua forma atual, sólido o suficiente", disse. "Mas vou ser claro: o governo dos EUA não tem nenhum interesse ou intenção de assumir a condução da GM. Estamos interessados em dar à GM uma oportunidade para que sejam finalmente feitas as mudanças muito necessárias que permitirão à empresa ressurgir mais forte e mais competitiva."
O governo concedeu um prazo até 1º de junho para que a GM entregue um projeto detalhado de reestruturação. Caso as propostas não sejam consideradas viáveis pelas autoridades, a maior montadora americana poderá recorrer ao "Chapter 11" (o capítulo da legislação dos EUA para falências e concordatas).
Pela lei, recorrer ao capítulo 11 significa que a empresa reconheceu que não pode quitar suas dívidas e pode ter um prazo para reorganizar suas contas junto aos credores.”
GM OFERECE CONTROLE AO GOVERNO DOS EUA EM TROCA DE MAIS US$ 11,6 BI
“O governo americano poderia assumir o controle da fabricante de veículos GM (General Motors) em troca de oferecer outros US$ 11,6 bilhões em ajuda à montadora, segundo o plano da empresa para acelerar seu plano de reestruturação --que envolve ainda a extinção da marca Pontiac, o corte de 21 mil empregos e o fechamento de 13 unidades nos EUA até o final de 2010.
Esses US$ 11,6 bilhões, segundo a proposta da GM, se somariam aos US$ 15,4 bilhões que a GM já recebeu em ajuda do governo --na quarta-feira (22) o Departamento do Tesouro liberou para a GM mais US$ 2 bilhões para manter sua produção e financiar seu capital de giro; a empresa já havia conseguido US$ 13,4 bilhões no ano passado para não falir. Neste ano, a GM pediu ao governo do presidente Barack Obama outros US$ 16,6 bilhões em empréstimos.
A montadora também anunciou hoje um plano de troca de US$ 27 bilhões de dívida não assegurada por ações: a empresa quer oferecer 225 ações para cada US$ 1.000 em dívidas de seus credores --na cotação das ações da GM hoje na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), isso chegaria a cerca de US$ 452.
Com a troca, e a conversão de sua dívida com o Departamento do Tesouro e com um fundo de funcionários aposentados do UAW (United Auto Workers, principal sindicato do setor automobilístico nos EUA), a GM poderia reduzir sua dívida em US$ 44 bilhões. Dessa forma, o Tesouro ficaria com o controle de mais da metade da GM.
O presidente da GM, Fritz Henderson, disse hoje que a montadora continuará a ser "uma companhia global, mas sua natureza vai mudar", quando sua reestruturação tiver sido concluída. A GM vai se concentrar na manutenção de quatro marcas (Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC).
Sobre a venda da Opel, Henderson disse que a GM "não ficará ausente da Europa. Estaremos presentes em virtude de nosso investimento na empresa e seremos capazes de aproveitar esse investimento em termos de eixos motor, desenvolvimento de veículos e tecnologia".
OBAMA
No dia 30 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou que o governo tenha intenção de assumir o controle da GM.
"Embora a GM tenha feito um esforço de boa fé para se reestruturar nos últimos meses, o plano que eles apresentaram não é, na sua forma atual, sólido o suficiente", disse. "Mas vou ser claro: o governo dos EUA não tem nenhum interesse ou intenção de assumir a condução da GM. Estamos interessados em dar à GM uma oportunidade para que sejam finalmente feitas as mudanças muito necessárias que permitirão à empresa ressurgir mais forte e mais competitiva."
O governo concedeu um prazo até 1º de junho para que a GM entregue um projeto detalhado de reestruturação. Caso as propostas não sejam consideradas viáveis pelas autoridades, a maior montadora americana poderá recorrer ao "Chapter 11" (o capítulo da legislação dos EUA para falências e concordatas).
Pela lei, recorrer ao capítulo 11 significa que a empresa reconheceu que não pode quitar suas dívidas e pode ter um prazo para reorganizar suas contas junto aos credores.”
segunda-feira, 27 de abril de 2009
PORTAL UOL APELA COM BAIXARIA CONTRA DILMA E O PT
UOL (GRUPO FOLHA) ACUSA “PETISTAS E PALACIANOS” DE FICAREM EUFÓRICOS COM O CÂNCER DE DILMA.
QUEM JÁ TEVE ALGUM PARENTE COM ESSA DOENÇA, COMPREENDE A DESUMANIDADE INFAME DA ACUSAÇÃO. POR MAIS QUE SAIBAMOS QUE O GRUPO FOLHA ESTÁ ENGAJADO NA CAMPANHA PRÓ-SERRA 2010, NÃO SE JUSTIFICA TAL ATITUDE.
Vejamos o seguinte texto que li hoje no Blog do Fernando Rodrigues, do portal UOL:
“PETISTAS E PALACIANOS ESTÃO EUFÓRICOS COM O DESEMPENHO DE DILMA AO ANUNCIAR A DOENÇA; CANDIDATURA ESTÁ MANTIDA
“Ninguém vai dizer isso em público, mas todos os principais assessores palacianos e o próprio presidente da República, Luz Inácio Lula da Silva, estão eufóricos com o desempenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao anunciar que se submeterá a um tratamento preventivo depois da descoberta de um câncer em seu sistema linfático.
A frase lugar-comum “o limão vai virar uma limonada” foi muito ouvido hoje (26.abr.2009) quando petistas de alto coturno e gente do Planalto comentavam a entrevista de Dilma Rousseff no sábado (24.abr.2009).
A avaliação geral é que Dilma ganhou uma oportunidade única para receber solidariedade geral por enfrentar publicamente a doença. Há muita confiança no diagnóstico segundo o qual o câncer estava em estágio muito inicial e a possibilidade de cura é alta –90%, segundo os médicos.
O resultado da biópsia –realizada nos Estados– foi considerado muito positivo pelos médicos brasileiros. Por estar em um estágio inicial, a recomendação vinda dos EUA era quase ambígua, falando sobre a recomendação de uma quimioterapia preventiva. Ou seja, será um tratamento que pode realmente apenas garantir a Dilma mais segurança, pois há a chance de o câncer ter sido completamente extirpado com a retirada do nódulo na região de sua axila esquerda.
Neste fim de semana, Dilma já recebeu mensagens de solidariedade dos presidentes dos dois principais partidos de oposição, PSDB e Democratas. Ambos, Sérgio Guerra (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) deram declarações aos jornais desejando pronto restabelecimento da ministra.
Lula telefonou para Dilma depois da entrevista de sábado cumprimentando sua ministra pelo desempenho ao falar sobre como será o tratamento.
A ministra será apresentada a partir de agora por aliados como uma pessoa com coragem de enfrentar em público uma doença que muitos até hoje não gostam de pronunciar o nome. Sua face humana será ressaltada.
RITMO ALTERADO
Mesmo antes de o câncer ter sido diagnosticado, já estava decidido internamente no Palácio do Planalto que Dilma reduziria sua carga de trabalho interno. A ideia era que ficasse mais livre para viajar pelo país.
Agora, essa decisão será levada a cabo imediatamente. A Subchefia de Articulação e Monitoramento (SAM), comandada por Miriam Belchior, vai assumir cada vez mais a tarefa de acompanhar o cronograma de execução de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Assim, Dilma poderá viajar pelo país, apesar de estar se submetendo ao tratamento quimioterápico.”
QUEM JÁ TEVE ALGUM PARENTE COM ESSA DOENÇA, COMPREENDE A DESUMANIDADE INFAME DA ACUSAÇÃO. POR MAIS QUE SAIBAMOS QUE O GRUPO FOLHA ESTÁ ENGAJADO NA CAMPANHA PRÓ-SERRA 2010, NÃO SE JUSTIFICA TAL ATITUDE.
Vejamos o seguinte texto que li hoje no Blog do Fernando Rodrigues, do portal UOL:
“PETISTAS E PALACIANOS ESTÃO EUFÓRICOS COM O DESEMPENHO DE DILMA AO ANUNCIAR A DOENÇA; CANDIDATURA ESTÁ MANTIDA
“Ninguém vai dizer isso em público, mas todos os principais assessores palacianos e o próprio presidente da República, Luz Inácio Lula da Silva, estão eufóricos com o desempenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao anunciar que se submeterá a um tratamento preventivo depois da descoberta de um câncer em seu sistema linfático.
A frase lugar-comum “o limão vai virar uma limonada” foi muito ouvido hoje (26.abr.2009) quando petistas de alto coturno e gente do Planalto comentavam a entrevista de Dilma Rousseff no sábado (24.abr.2009).
A avaliação geral é que Dilma ganhou uma oportunidade única para receber solidariedade geral por enfrentar publicamente a doença. Há muita confiança no diagnóstico segundo o qual o câncer estava em estágio muito inicial e a possibilidade de cura é alta –90%, segundo os médicos.
O resultado da biópsia –realizada nos Estados– foi considerado muito positivo pelos médicos brasileiros. Por estar em um estágio inicial, a recomendação vinda dos EUA era quase ambígua, falando sobre a recomendação de uma quimioterapia preventiva. Ou seja, será um tratamento que pode realmente apenas garantir a Dilma mais segurança, pois há a chance de o câncer ter sido completamente extirpado com a retirada do nódulo na região de sua axila esquerda.
Neste fim de semana, Dilma já recebeu mensagens de solidariedade dos presidentes dos dois principais partidos de oposição, PSDB e Democratas. Ambos, Sérgio Guerra (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) deram declarações aos jornais desejando pronto restabelecimento da ministra.
Lula telefonou para Dilma depois da entrevista de sábado cumprimentando sua ministra pelo desempenho ao falar sobre como será o tratamento.
A ministra será apresentada a partir de agora por aliados como uma pessoa com coragem de enfrentar em público uma doença que muitos até hoje não gostam de pronunciar o nome. Sua face humana será ressaltada.
RITMO ALTERADO
Mesmo antes de o câncer ter sido diagnosticado, já estava decidido internamente no Palácio do Planalto que Dilma reduziria sua carga de trabalho interno. A ideia era que ficasse mais livre para viajar pelo país.
Agora, essa decisão será levada a cabo imediatamente. A Subchefia de Articulação e Monitoramento (SAM), comandada por Miriam Belchior, vai assumir cada vez mais a tarefa de acompanhar o cronograma de execução de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Assim, Dilma poderá viajar pelo país, apesar de estar se submetendo ao tratamento quimioterápico.”
"QUEREMOS MUITO O BRASIL E O COMPANHEIRO LULA"
Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, a seguinte reportagem de Tadeu Breda, direto de Quito (Equador):
“O presidente equatoriano Rafael Correa votou nas eleições no começo da manhã em um colégio no norte de Quito. Apontado como o favorito à continuar no cargo, Correa chegou com um imenso esquema de segurança composto de agentes especiais e policiais, que o acompanharam do veículo oficial até a urna.
Antes de alcançar a mesa de votação, o mandatário parou para abraçar e beijar algumas crianças. Também comprou um refresco dos vendedores que estavam na região e plastificou seu comprovante de voto por 25 centavos.
Na sua chegada, o presidente falou à imprensa que o principal vencedor dos comícios equatorianos deste domingo será o povo equatoriano e a democracia.
"Já ganhou o Equador, porque estamos vivendo uma verdadeira festa democrática. Todos correram às urnas com alegria, com convicção, com esperança", disse.
Rafael Correa também falou sobre o que está em jogo nestas eleições com a sua candidatura. "Em nossas mãos está a volta ao passado ou a continuação da mudança, a continuidade do futuro, a continuidade da busca da justiça".
Após depositar seu voto, o presidente ainda declarou que as relações de seu futuro governo com o Brasil serão as melhores da história. "Nossas relações estão em um nível ótimo. Sempre quisemos bem o Brasil e o governo do companheiro Lula", afirmou.
Na sua saída, alguns militantes do Partido Sociedade Patriótica, adversário na eleição, gritaram o nome do candidato Lucio Gutiérrez. Em resposta, os simpatizantes de Correa devolveram as provocações. A polícia ficou no meio dos dois grupos e tudo terminou pacificamente.
Nesta manhã, Rafael Correa também acompanhou na votação o candidato à prefeitura de Quito. Agora à tarde, segue para Guayaquil, onde ficará ao lado de sua mãe e dos candidatos do seu partido.
OBS: Terra Magazine publicou também duas entrevistas exclusivas com os candidatos adversários de Rafael Correa nas eleições deste final de semana: Álvaro Noboa e Lucio Gutiérrez.”
“O presidente equatoriano Rafael Correa votou nas eleições no começo da manhã em um colégio no norte de Quito. Apontado como o favorito à continuar no cargo, Correa chegou com um imenso esquema de segurança composto de agentes especiais e policiais, que o acompanharam do veículo oficial até a urna.
Antes de alcançar a mesa de votação, o mandatário parou para abraçar e beijar algumas crianças. Também comprou um refresco dos vendedores que estavam na região e plastificou seu comprovante de voto por 25 centavos.
Na sua chegada, o presidente falou à imprensa que o principal vencedor dos comícios equatorianos deste domingo será o povo equatoriano e a democracia.
"Já ganhou o Equador, porque estamos vivendo uma verdadeira festa democrática. Todos correram às urnas com alegria, com convicção, com esperança", disse.
Rafael Correa também falou sobre o que está em jogo nestas eleições com a sua candidatura. "Em nossas mãos está a volta ao passado ou a continuação da mudança, a continuidade do futuro, a continuidade da busca da justiça".
Após depositar seu voto, o presidente ainda declarou que as relações de seu futuro governo com o Brasil serão as melhores da história. "Nossas relações estão em um nível ótimo. Sempre quisemos bem o Brasil e o governo do companheiro Lula", afirmou.
Na sua saída, alguns militantes do Partido Sociedade Patriótica, adversário na eleição, gritaram o nome do candidato Lucio Gutiérrez. Em resposta, os simpatizantes de Correa devolveram as provocações. A polícia ficou no meio dos dois grupos e tudo terminou pacificamente.
Nesta manhã, Rafael Correa também acompanhou na votação o candidato à prefeitura de Quito. Agora à tarde, segue para Guayaquil, onde ficará ao lado de sua mãe e dos candidatos do seu partido.
OBS: Terra Magazine publicou também duas entrevistas exclusivas com os candidatos adversários de Rafael Correa nas eleições deste final de semana: Álvaro Noboa e Lucio Gutiérrez.”
O OCASO DO PENSAMENTO NEOCON
Li hoje no site do jornalista Luis Nassif o seguinte artigo escrito por Weden:
“Na matéria do Estadão (Portal) “Audácia marca largada de Obama”, há uma questão que fica de fora: o enterro da cultura neocon.
Aliás, as discussões eminentemente econômicas da crise atual ocultam seriamente o deslocamento dos valores culturais e filosóficos que vêm se dando, com o fim do pensamento único.
A matéria citada acima poderia ganhar o título “Obama, os 100 dias que enterraram a cultura neocon”
Na era neocon (aprofundada por Bush) falar em líderes populares era falar em ditadores sanguinários; usava-se a expressão Eixo do Mal, dividindo o mundo entre bonzinhos e satânicos (os opositores aos EUA, lógico); condenar Guantânamo e os métodos da Guerra do Iraque era coisa de defensores de terroristas.
No Brasil, o neocon fez escola: Veja e seus pitbuls (e seu neomakartismo de difamação de tudo que parecia-lhes de esquerda), Ali Kamel e a negação do racismo, Olavo de Carvalho com seu desdém em relação ao que ele chamava de “queridinhos de ongs” (negros e indígenas), Arnaldo Jabor chamando de atrasados todos que duvidavam do neoliberalismo.
Foi uma época em que até os livros didáticos foram queimados em praça pública (diga-se: no espaço da mídia) se trouxessem uma visão diferenciada. Època também em que qualquer coisa que “cheirasse a politcamente correto” era sarcasticamente rejeitada. Fora os pudores excessivos, é lógico que respeitar o próximo é sempre útil.
Movimentos sociais foram criminalizados, bandidos pobres mereciam única e exclusivamente execução sumária. Investimentos sociais eram vistos como gasto e desperdício.
Mesmo na academia, teóricos críticos foram caçados como bruxas, e seus escritos condenados em páginas de jornais. Falar em Adorno, Gramsci, Habermas era motivo de riso. Relativismo cultural era concessão a incapazes da história, e lembrar os horrores da colonização era rejeitar “o bem que o ocidentalismo nos fez”.
Mas…o neoliberalismo acabou, levando consigo o pensamento econômico único, o governo Bush teve fim melancólico, a política do diálogo foi ressuscitada por Obama, dando fim à opção neocon, e a disputa ideológica está mais equilibrada.
Hoje o que é neocon é que parece atrasado e sem volta. Ainda há focos de resistência no Brasil.
Mas é questão de tempo.”
“Na matéria do Estadão (Portal) “Audácia marca largada de Obama”, há uma questão que fica de fora: o enterro da cultura neocon.
Aliás, as discussões eminentemente econômicas da crise atual ocultam seriamente o deslocamento dos valores culturais e filosóficos que vêm se dando, com o fim do pensamento único.
A matéria citada acima poderia ganhar o título “Obama, os 100 dias que enterraram a cultura neocon”
Na era neocon (aprofundada por Bush) falar em líderes populares era falar em ditadores sanguinários; usava-se a expressão Eixo do Mal, dividindo o mundo entre bonzinhos e satânicos (os opositores aos EUA, lógico); condenar Guantânamo e os métodos da Guerra do Iraque era coisa de defensores de terroristas.
No Brasil, o neocon fez escola: Veja e seus pitbuls (e seu neomakartismo de difamação de tudo que parecia-lhes de esquerda), Ali Kamel e a negação do racismo, Olavo de Carvalho com seu desdém em relação ao que ele chamava de “queridinhos de ongs” (negros e indígenas), Arnaldo Jabor chamando de atrasados todos que duvidavam do neoliberalismo.
Foi uma época em que até os livros didáticos foram queimados em praça pública (diga-se: no espaço da mídia) se trouxessem uma visão diferenciada. Època também em que qualquer coisa que “cheirasse a politcamente correto” era sarcasticamente rejeitada. Fora os pudores excessivos, é lógico que respeitar o próximo é sempre útil.
Movimentos sociais foram criminalizados, bandidos pobres mereciam única e exclusivamente execução sumária. Investimentos sociais eram vistos como gasto e desperdício.
Mesmo na academia, teóricos críticos foram caçados como bruxas, e seus escritos condenados em páginas de jornais. Falar em Adorno, Gramsci, Habermas era motivo de riso. Relativismo cultural era concessão a incapazes da história, e lembrar os horrores da colonização era rejeitar “o bem que o ocidentalismo nos fez”.
Mas…o neoliberalismo acabou, levando consigo o pensamento econômico único, o governo Bush teve fim melancólico, a política do diálogo foi ressuscitada por Obama, dando fim à opção neocon, e a disputa ideológica está mais equilibrada.
Hoje o que é neocon é que parece atrasado e sem volta. Ainda há focos de resistência no Brasil.
Mas é questão de tempo.”
O PIG APANHA NAS URNAS. DESTA VEZ NO EQUADOR
Li hoje no site “Vi o Mundo”, o seguinte artigo do jornalista Luiz Carlos Azenha:
"Rafael Correa se reelegeu neste domingo, em primeiro turno, para mais quatro anos de mandato no Equador.
Mais uma clara demonstração de que as campanhas midiáticas não conseguem virar o jogo, ainda que sejam tocadas pelos mais importantes órgãos de informação de um país.
A mídia perdeu na Venezuela, perdeu na Bolívia e perdeu no Equador. É por isso que a direita chia e quer extirpar os vencedores em eleições limpas e democráticas. Democracia, sim, desde que vençam os candidatos dela. Em caso de derrota a direita da América Latina não tem qualquer escrúpulo em dar golpe, apelar para o tapetão ou pedir intervenção externa.
As vitórias eleitorais mais recentes de Chávez, Morales e Correa revelam que todos deram conta de satisfazer a uma parcela significativa do eleitorado. Todos conduziram campanhas extremamente polarizadas e organizaram, cada um à sua maneira, um sistema paralelo para dar a volta na mídia corporativa. Nisso, foram bem sucedidos.
No Brasil, onde os jornais gostam de definir os outros como "esquerdistas", ninguém é de direita. Já ouviram ou leram em algum jornal referência ao direitista Paulo Maluf? Mas está cada vez mais óbvio que existe uma articulação PSDB-DEM-Gilmar Mendes-Veja-Globo-Folha de S. Paulo trabalhando para 2010. O candidato é o "progressista" José Serra -- na definição do presidente Lula --, que na verdade é o candidato da direita brasileira. Da mesma direita que deu o golpe em 1964 e que, distante do poder, com certeza tentaria de novo.
O que foram a epidemia de febre amarela, o caos aéreo, o apagão elétrico e Dilma, a "terrorista", que não tentativas de promover a crise contínua, que acabará com o Brasil se José Serra não se eleger em 2010? No episódio da ministra, aliás, a mídia pode acabar se dando muito mal. É óbvio que Dilma terá grande apelo junto às eleitoras com o discurso de que poderá ser a primeira mulher a dirigir o Brasil. É só ouvir a conversa em uma rodinha de mulheres para se dar conta de que elas se entusiasmam com essa possibilidade. Daí a tentativa de carimbar Dilma como sucessora do diabo.
O problema da mídia brasileira é que Dilma terá pela frente quatro meses de tratamento. E pega mal atacar uma mulher que faz tratamento para evitar a volta de um câncer. O trio Globo-Veja-Folha de S. Paulo vai fazer de tudo para matar Dilma antecipadamente. Se ela der a volta por cima, como prevêem os médicos, vai consolidar junto às eleitoras a imagem de batalhadora que não desiste. As mulheres brasileiras sabem muito bem o que é isso. Vai ficar ruim para o José Serra."
"Rafael Correa se reelegeu neste domingo, em primeiro turno, para mais quatro anos de mandato no Equador.
Mais uma clara demonstração de que as campanhas midiáticas não conseguem virar o jogo, ainda que sejam tocadas pelos mais importantes órgãos de informação de um país.
A mídia perdeu na Venezuela, perdeu na Bolívia e perdeu no Equador. É por isso que a direita chia e quer extirpar os vencedores em eleições limpas e democráticas. Democracia, sim, desde que vençam os candidatos dela. Em caso de derrota a direita da América Latina não tem qualquer escrúpulo em dar golpe, apelar para o tapetão ou pedir intervenção externa.
As vitórias eleitorais mais recentes de Chávez, Morales e Correa revelam que todos deram conta de satisfazer a uma parcela significativa do eleitorado. Todos conduziram campanhas extremamente polarizadas e organizaram, cada um à sua maneira, um sistema paralelo para dar a volta na mídia corporativa. Nisso, foram bem sucedidos.
No Brasil, onde os jornais gostam de definir os outros como "esquerdistas", ninguém é de direita. Já ouviram ou leram em algum jornal referência ao direitista Paulo Maluf? Mas está cada vez mais óbvio que existe uma articulação PSDB-DEM-Gilmar Mendes-Veja-Globo-Folha de S. Paulo trabalhando para 2010. O candidato é o "progressista" José Serra -- na definição do presidente Lula --, que na verdade é o candidato da direita brasileira. Da mesma direita que deu o golpe em 1964 e que, distante do poder, com certeza tentaria de novo.
O que foram a epidemia de febre amarela, o caos aéreo, o apagão elétrico e Dilma, a "terrorista", que não tentativas de promover a crise contínua, que acabará com o Brasil se José Serra não se eleger em 2010? No episódio da ministra, aliás, a mídia pode acabar se dando muito mal. É óbvio que Dilma terá grande apelo junto às eleitoras com o discurso de que poderá ser a primeira mulher a dirigir o Brasil. É só ouvir a conversa em uma rodinha de mulheres para se dar conta de que elas se entusiasmam com essa possibilidade. Daí a tentativa de carimbar Dilma como sucessora do diabo.
O problema da mídia brasileira é que Dilma terá pela frente quatro meses de tratamento. E pega mal atacar uma mulher que faz tratamento para evitar a volta de um câncer. O trio Globo-Veja-Folha de S. Paulo vai fazer de tudo para matar Dilma antecipadamente. Se ela der a volta por cima, como prevêem os médicos, vai consolidar junto às eleitoras a imagem de batalhadora que não desiste. As mulheres brasileiras sabem muito bem o que é isso. Vai ficar ruim para o José Serra."
INTERESSE POLÍTICO-PARTIDÁRIO OU DISCRIMINAÇÃO RACIAL?
“GRANDE” IMPRENSA E O DEM A FAVOR DE MENDES: INTERESSE POLÍTICO-PARTIDÁRIO OU DISCRIMINAÇÃO RACIAL?
Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo de Wálter Fanganiello Maierovitch:
O OBJETIVO É AFASTAR BARBOSA DO TSE
MENDES X BARBOSA: DESENCONTRO LONGE DO FIM. ESPECULAÇÕES SOBRE O COMANDO DAS ELEIÇÕES EM 2010
O ministro Mendes continua a entender que o seu par Barbosa não julga a lide, a controvérsia, existente nos autos processuais.
Na sua visão, o ministro Barbosa julga conforme o interesse de um estamento social, para o qual se inclina e protege.
Bastou essa infeliz colação do ministro Mendes para se iniciar uma grande especulação sobre a futura presidência do ministro Barbosa, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, na condução das eleições de 2010.
Para o ministro Barbosa, –com todo o acerto–, o presidente do Supremo Tribunal Federal, não é o juiz dos juízes. Não tem poder para censurar qualquer dos seus pares.
Em síntese, o ministro Barbosa julga conforme a sua consciência e o solene compromisso, –quando da sua investidura no cargo–, de seguir a Constituição e as leis.
Nenhum dos dois ministros, –que protagonizaram o lamentável episódio de grande repercussão e que em “post” chamamos de “Barraco Supremo”–, recua um único passo no sentido de admitir erros e excessos. Sobre isso, deixa claro matéria de hoje do jornal Folha de S.Paulo.
A respeito da repercussão do “Supremo Barraco”, ela continua por todos os cantos do país.
Até no You Tube apareceu o “Créu do Barbosão”. Por meio do deboche, ficou claro a conseqüência do transbordamento da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A provocação, com ato de censura, foi iniciada pelo ministro Gilmar Mendes. Até então, havia divergência, ainda que acirrada.
O ministro Mendes não se convence quanto a não poder tecer considerações públicas (em sessões de julgamento) de natureza censória. E é do seu hábito se exceder, inclusive na presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mendes não tem poder de censura sobre o convencimento de um seu par. Não lhe é permitido formular juízo sobre outro ministro fora da discussão jurídica em questão, isto para não cair no ataque pessoal. Em outras palavras, Gilmar não pode se posicionar,– como fazia o inquisidor Torquemada–, nos ataques ao pensamento alheio e divergente do seu.
Vários dos pares do ministro Mendes no CNJ o consideram prepotente, “dono da verdade” e incapaz de ouvir e refletir sobre posicionamentos contrários aos que sustenta. Como desabafou um conselheiro do CNJ e os jornais ecoaram, o ministro Gilmar nem presta atenção sobre discussões, divergências.
O ministro Barbosa, –no episódio inédito ao qual chamamos em “post” anterior de “Barraco Supremo”–, foi provocado e usou daquilo que em Direito se chama de retorsão imediata.
Só que o ministro Barbosa cometeu, na retorsão, excesso de linguagem, ainda que tenha dito verdades. Ou seja, o ministro Mendes destrói a imagem da Justiça, pois prejulga, fala fora dos autos e se intromete em questões políticas, que não estão na sua alçada: disse até que chamaria o presidente Lula às falas. Fora a exigência de afastamento do delegado Paulo Lacerda, por um “grampo telefônico” até agora sem prova da materialidade: pura invenção, até o momento.
Nos tribunais, o julgamento é colegiado. Prevalece no julgamento a decisão da maioria, conforme regra básica num Estado democrático de direito.
As divergências jurídicas e factuais, debatidas num julgamento, são balizadas pela controvérsia (lide) presente nos autos.
Divergências e considerações fora do tema em debate nos autos processuais implicam em reprovação pessoal, censura própria de mentes autoritárias e que desrespeitam a Justiça.
PANO RÁPIDO. Pelo andar da carruagem, dias piores virão. Já que “tapas e barracos” não representam forma civilizada de solução de contendas, em breve, –e se o ministro Mendes insistir em censurar e continuar com ataques pessoais–, a solução virá num processo (forma civilizada) por danos morais. Felizmente, o ministro Barbosa não é de “afinar” aos poderosos.
Sobre eleições de 2010, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantida a regra de escolha que recai na rotatividade estará afeta ao ministro Barbosa. Só que já começou um guerra surda para mudar a regra e saltar Barbosa. Sintomático, no particular, o apoio do partido Democrata (DEM) a Gilmar Mendes, no episódio do “Barraco Supremo”.
Já se começa a espalhar que Barbosa inclina-se para o lado dos petistas. Ou seja, um ataque infundado à sua isenção. E a meta é inviabilizar a sua escolha à presidência do TSE. Como se percebe, a elite não gosta de independentes como Barbosa, mas de engajados.”
Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo de Wálter Fanganiello Maierovitch:
O OBJETIVO É AFASTAR BARBOSA DO TSE
MENDES X BARBOSA: DESENCONTRO LONGE DO FIM. ESPECULAÇÕES SOBRE O COMANDO DAS ELEIÇÕES EM 2010
O ministro Mendes continua a entender que o seu par Barbosa não julga a lide, a controvérsia, existente nos autos processuais.
Na sua visão, o ministro Barbosa julga conforme o interesse de um estamento social, para o qual se inclina e protege.
Bastou essa infeliz colação do ministro Mendes para se iniciar uma grande especulação sobre a futura presidência do ministro Barbosa, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, na condução das eleições de 2010.
Para o ministro Barbosa, –com todo o acerto–, o presidente do Supremo Tribunal Federal, não é o juiz dos juízes. Não tem poder para censurar qualquer dos seus pares.
Em síntese, o ministro Barbosa julga conforme a sua consciência e o solene compromisso, –quando da sua investidura no cargo–, de seguir a Constituição e as leis.
Nenhum dos dois ministros, –que protagonizaram o lamentável episódio de grande repercussão e que em “post” chamamos de “Barraco Supremo”–, recua um único passo no sentido de admitir erros e excessos. Sobre isso, deixa claro matéria de hoje do jornal Folha de S.Paulo.
A respeito da repercussão do “Supremo Barraco”, ela continua por todos os cantos do país.
Até no You Tube apareceu o “Créu do Barbosão”. Por meio do deboche, ficou claro a conseqüência do transbordamento da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A provocação, com ato de censura, foi iniciada pelo ministro Gilmar Mendes. Até então, havia divergência, ainda que acirrada.
O ministro Mendes não se convence quanto a não poder tecer considerações públicas (em sessões de julgamento) de natureza censória. E é do seu hábito se exceder, inclusive na presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mendes não tem poder de censura sobre o convencimento de um seu par. Não lhe é permitido formular juízo sobre outro ministro fora da discussão jurídica em questão, isto para não cair no ataque pessoal. Em outras palavras, Gilmar não pode se posicionar,– como fazia o inquisidor Torquemada–, nos ataques ao pensamento alheio e divergente do seu.
Vários dos pares do ministro Mendes no CNJ o consideram prepotente, “dono da verdade” e incapaz de ouvir e refletir sobre posicionamentos contrários aos que sustenta. Como desabafou um conselheiro do CNJ e os jornais ecoaram, o ministro Gilmar nem presta atenção sobre discussões, divergências.
O ministro Barbosa, –no episódio inédito ao qual chamamos em “post” anterior de “Barraco Supremo”–, foi provocado e usou daquilo que em Direito se chama de retorsão imediata.
Só que o ministro Barbosa cometeu, na retorsão, excesso de linguagem, ainda que tenha dito verdades. Ou seja, o ministro Mendes destrói a imagem da Justiça, pois prejulga, fala fora dos autos e se intromete em questões políticas, que não estão na sua alçada: disse até que chamaria o presidente Lula às falas. Fora a exigência de afastamento do delegado Paulo Lacerda, por um “grampo telefônico” até agora sem prova da materialidade: pura invenção, até o momento.
Nos tribunais, o julgamento é colegiado. Prevalece no julgamento a decisão da maioria, conforme regra básica num Estado democrático de direito.
As divergências jurídicas e factuais, debatidas num julgamento, são balizadas pela controvérsia (lide) presente nos autos.
Divergências e considerações fora do tema em debate nos autos processuais implicam em reprovação pessoal, censura própria de mentes autoritárias e que desrespeitam a Justiça.
PANO RÁPIDO. Pelo andar da carruagem, dias piores virão. Já que “tapas e barracos” não representam forma civilizada de solução de contendas, em breve, –e se o ministro Mendes insistir em censurar e continuar com ataques pessoais–, a solução virá num processo (forma civilizada) por danos morais. Felizmente, o ministro Barbosa não é de “afinar” aos poderosos.
Sobre eleições de 2010, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantida a regra de escolha que recai na rotatividade estará afeta ao ministro Barbosa. Só que já começou um guerra surda para mudar a regra e saltar Barbosa. Sintomático, no particular, o apoio do partido Democrata (DEM) a Gilmar Mendes, no episódio do “Barraco Supremo”.
Já se começa a espalhar que Barbosa inclina-se para o lado dos petistas. Ou seja, um ataque infundado à sua isenção. E a meta é inviabilizar a sua escolha à presidência do TSE. Como se percebe, a elite não gosta de independentes como Barbosa, mas de engajados.”
MINISTRO BARBOSA, QUEM MANDOU LEVAR A VEJA A SÉRIO?
Li hoje no site “Conversa Afiada” o seguinte texto do jornalista Paulo Henrique Amorim:
"A pedido do Conversa Afiada, o Ministro Joaquim Barbosa confirmou que tinha autorizado a Veja a usar uma capa com sua foto em campanha promocional.
Quer dizer, a Veja, com a autorização do Ministro, valeu-se da credibilidade do Ministro, para tentar limpar a vala negra que corta a sua redação.
Barbosa mereceu a capa quando denunciou os 39 acusados no “mensalão” (que ainda está por provar-se).
Como diz o Mino Carta: “mensalão” ou caixa dois de campanha – como acontece no PSDB , no DEM, no PT, no PMDB etc e tal …)
Barbosa, naquela altura, para o PiG era um herói.
O PiG faz questão de ignorar que o mesmo Barbosa vai examinar a denúncia, próxima, do Ministério Público Federal, sobre a participação de Daniel Dantas, o banqueiro condenado, no “Valerioduto”.
Como se sabe, as empresas de Dantas, especialmente a Telemig, eram as que mais combustível forneciam ao Valerioduto.
Como se sabe, também, quando Dantas administrou a Brasil Telecom, dava dinheiro a rodo às agencias de publicidade (???) de Marcos Valério.
Veja como Dantas era bonzinho com Marcos Valério.
Saiba porque “Dantas pode correr, mas não pode se esconder de Barbosa”.
Semana passada, Barbosa chamou às falas Gilmar Dantas (segundo Ricardo Noblat e estudantes da Universidade de Brasília).
Barbosa expressou o sentimento da Nação: o Supremo Presidente enlameou a credibilidade do Supremo.
Imediatamente, a Veja tirou a máscara.
A Veja não estava impressionada com os méritos de Barbosa, quando tratou do “mensalão” (que ainda está por provar-se).
A Veja usou a credibilidade de Barbosa que retirar parte dos detritos que cobrem a sua imagem – e derrubar o Presidente Lula.
A reportagem de Veja desta semana, págs. 78 e 79 (sem menção na capa …) dedica a Barbosa as seguintes ofensas:
1) Barbosa deu uma de índio (no sentido pejorativo);
2) As acusações de Barbosa a Gilmar eram sem fundamento: logo, Barbosa mentiu;
3) Barbosa perdeu de vez a “compostura” (adjetivo que o PiG usa para desqualificar Barbosa, como se Gilmar fosse um “temperado” …
4) Barbosa agiu de maneira inadequada (como se enlamear a imagem do Supremo fosse “adequado” …);
5) Barbosa só é Ministro porque o presidente Lula queria um negro no Supremo;
6) Barbosa não é um ministro, mas um procurador da República disfarçado de Ministro;
7) Barbosa é um demagogo: decide de acordo com a voz das ruas.
Pois é, ministro Barbosa, quem mandou levar a Veja a sério ?
A Veja gosta é do outro, Ministro Barbosa.
Gosta de quem dá em 48 horas dois HCs a passador de bola, flagrado no ato passar bola.
E por isso condenado a 10 anos.
Em tempo: quem será que Veja ouviu para escrever essa “reportagem” contra Barbosa, seu novo vilão.”
"A pedido do Conversa Afiada, o Ministro Joaquim Barbosa confirmou que tinha autorizado a Veja a usar uma capa com sua foto em campanha promocional.
Quer dizer, a Veja, com a autorização do Ministro, valeu-se da credibilidade do Ministro, para tentar limpar a vala negra que corta a sua redação.
Barbosa mereceu a capa quando denunciou os 39 acusados no “mensalão” (que ainda está por provar-se).
Como diz o Mino Carta: “mensalão” ou caixa dois de campanha – como acontece no PSDB , no DEM, no PT, no PMDB etc e tal …)
Barbosa, naquela altura, para o PiG era um herói.
O PiG faz questão de ignorar que o mesmo Barbosa vai examinar a denúncia, próxima, do Ministério Público Federal, sobre a participação de Daniel Dantas, o banqueiro condenado, no “Valerioduto”.
Como se sabe, as empresas de Dantas, especialmente a Telemig, eram as que mais combustível forneciam ao Valerioduto.
Como se sabe, também, quando Dantas administrou a Brasil Telecom, dava dinheiro a rodo às agencias de publicidade (???) de Marcos Valério.
Veja como Dantas era bonzinho com Marcos Valério.
Saiba porque “Dantas pode correr, mas não pode se esconder de Barbosa”.
Semana passada, Barbosa chamou às falas Gilmar Dantas (segundo Ricardo Noblat e estudantes da Universidade de Brasília).
Barbosa expressou o sentimento da Nação: o Supremo Presidente enlameou a credibilidade do Supremo.
Imediatamente, a Veja tirou a máscara.
A Veja não estava impressionada com os méritos de Barbosa, quando tratou do “mensalão” (que ainda está por provar-se).
A Veja usou a credibilidade de Barbosa que retirar parte dos detritos que cobrem a sua imagem – e derrubar o Presidente Lula.
A reportagem de Veja desta semana, págs. 78 e 79 (sem menção na capa …) dedica a Barbosa as seguintes ofensas:
1) Barbosa deu uma de índio (no sentido pejorativo);
2) As acusações de Barbosa a Gilmar eram sem fundamento: logo, Barbosa mentiu;
3) Barbosa perdeu de vez a “compostura” (adjetivo que o PiG usa para desqualificar Barbosa, como se Gilmar fosse um “temperado” …
4) Barbosa agiu de maneira inadequada (como se enlamear a imagem do Supremo fosse “adequado” …);
5) Barbosa só é Ministro porque o presidente Lula queria um negro no Supremo;
6) Barbosa não é um ministro, mas um procurador da República disfarçado de Ministro;
7) Barbosa é um demagogo: decide de acordo com a voz das ruas.
Pois é, ministro Barbosa, quem mandou levar a Veja a sério ?
A Veja gosta é do outro, Ministro Barbosa.
Gosta de quem dá em 48 horas dois HCs a passador de bola, flagrado no ato passar bola.
E por isso condenado a 10 anos.
Em tempo: quem será que Veja ouviu para escrever essa “reportagem” contra Barbosa, seu novo vilão.”
ATÉ CONY PERCEBE A MALIGNIDADE DE GILMAR MENDES
Li no jornal Folha de São Paulo de ontem o seguinte artigo de Carlos Heitor Cony:
UMA TOGA EM QUESTÃO
“Sem entrar no mérito técnico do problema -se acaso houve algum-, acredito que já é hora de avisarem ao presidente do Supremo Tribunal Federal que ele não está agradando. E não é de agora essa constatação nacional. Basta abrir sua suculenta página no Google para tomarmos conhecimento de sua carreira polêmica -à falta de classificação mais apropriada, ressalte-se o caráter polêmico de sua personalidade pública.
Desde a sua indicação para o STF, desde a sua passagem pela AGU, em tudo o que fez ou deixou de fazer causou irritação e pasmo, sobretudo nos meios jurídicos do país.
Prestou serviços também polêmicos ao governo de Fernando Henrique Cardoso e provocou até mesmo pedidos de impeachment, que não foram adiante devido ao rolo compressor que ele próprio ajudou a criar durante o tucanato.
Impressionante a sua mania de dar opinião sobre qualquer assunto, antecipando inclusive juízos sobre causas que não chegaram a ser processadas, contrariando a tradição secular segundo a qual um juiz só se manifesta nos autos.
Impressionante também a sua gula pela visibilidade. Disse bem o ministro Joaquim Barbosa: o presidente do STF está na mídia, vulgarizando o Poder Judiciário -ou destruindo-o, segundo a acusação feita em alto som no plenário daquele tribunal e divulgada à saciedade pela televisões.
Os oito ministros que assinaram nota de solidariedade ao presidente daquela corte tiveram o propósito saudável de preservar a instituição de uma crise que pode ter desdobramentos imprevisíveis.
A opinião pública, estarrecida com o escândalo das passagens às famílias de alguns congressistas, ficou sabendo que até mesmo no Judiciário a lama respingou numa toga que, apesar de preta, deve permanecer imaculada.”
UMA TOGA EM QUESTÃO
“Sem entrar no mérito técnico do problema -se acaso houve algum-, acredito que já é hora de avisarem ao presidente do Supremo Tribunal Federal que ele não está agradando. E não é de agora essa constatação nacional. Basta abrir sua suculenta página no Google para tomarmos conhecimento de sua carreira polêmica -à falta de classificação mais apropriada, ressalte-se o caráter polêmico de sua personalidade pública.
Desde a sua indicação para o STF, desde a sua passagem pela AGU, em tudo o que fez ou deixou de fazer causou irritação e pasmo, sobretudo nos meios jurídicos do país.
Prestou serviços também polêmicos ao governo de Fernando Henrique Cardoso e provocou até mesmo pedidos de impeachment, que não foram adiante devido ao rolo compressor que ele próprio ajudou a criar durante o tucanato.
Impressionante a sua mania de dar opinião sobre qualquer assunto, antecipando inclusive juízos sobre causas que não chegaram a ser processadas, contrariando a tradição secular segundo a qual um juiz só se manifesta nos autos.
Impressionante também a sua gula pela visibilidade. Disse bem o ministro Joaquim Barbosa: o presidente do STF está na mídia, vulgarizando o Poder Judiciário -ou destruindo-o, segundo a acusação feita em alto som no plenário daquele tribunal e divulgada à saciedade pela televisões.
Os oito ministros que assinaram nota de solidariedade ao presidente daquela corte tiveram o propósito saudável de preservar a instituição de uma crise que pode ter desdobramentos imprevisíveis.
A opinião pública, estarrecida com o escândalo das passagens às famílias de alguns congressistas, ficou sabendo que até mesmo no Judiciário a lama respingou numa toga que, apesar de preta, deve permanecer imaculada.”
SIM, APARÊNCIA IMPORTA
O jornal norte-americano "The New York Times" ontem publicou o seguinte artigo de Pam Belluck (li no UOL em tradução de George El Khouri Andolfato):
“Há mais de uma semana, pessoas em ambos os lados do Atlântico têm usado a história de Susan Boyle - a solteirona escocesa desleixada que chegou à fama cantando no programa de TV "Britain's Got Talent" - como um exemplo de quão superficiais nos tornamos.
Não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são
(Susan Boyle, comentando a rapidez com que a sociedade julga as aparências)
“Antes de cantar, Boyle parecia uma mera voluntária de igreja desempregada e desmazelada de 47 anos que morava sozinha com seu gato, Pebbles, e que, segundo ela, nunca teria sido beijada (uma alegação que ela posteriormente retirou).
Agora, após o vídeo de sua apresentação ter se tornado viral, uma enxurrada de comentários se concentra em como estereotipamos as pessoas em categorias, como caímos vítima de preconceitos de idade e aparência, e como temos que aprender, de uma vez por todas, a não julgar os livros pela capa.
Mas muitos cientistas sociais e outros que estudam a ciência dos estereótipos dizem que há motivos para avaliarmos rapidamente as pessoas com base em sua aparência. Julgamentos rápidos a respeito das pessoas são cruciais para o modo como funcionamos, eles dizem - mesmo quando esses julgamentos são muito errados.
Eles até mesmo concordam com a própria Boyle, que disse após sua apresentação que apesar da sociedade ser rápida demais em julgar as pessoas pela aparência, "não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são".
Em um nível muito básico, julgar as pessoas pela aparência significa colocá-las rapidamente em categorias impessoais, assim como decidir se um animal é um cachorro ou um gato. "Estereótipos são vistos como um mecanismo necessário para entendimento da informação", disse David Amodio, um professor assistente de psicologia da Universidade de Nova York. "Se olharmos para uma cadeira, nós podemos categorizá-la rapidamente, apesar de existirem muitos tipos diferentes de cadeiras."
Eras atrás, esta capacidade era de uma importância de vida ou morte, e os seres humanos desenvolveram a capacidade de avaliar outras pessoas em segundos.
Susan Fiske, uma professora de psicologia e neurociência de Princeton, disse que tradicionalmente, a maioria dos estereótipos se divide em duas dimensões amplas: se a pessoa parece ter intenção maligna ou benigna e se a pessoa parece perigosa. "Em tempos ancestrais, era importante permanecer distante de pessoas que pareciam furiosas e dominadoras", ela disse.
As mulheres também são subdivididas em mulheres "tradicionalmente atraentes", que "não parecem dominadoras, têm traços de bebê", disse Fiske. "Elas não são ameaçadoras."
De fato, a atração é uma coisa que reforça o estereótipo e faz com que se cumpra. Pessoas atraentes têm "crédito de serem socialmente hábeis", disse Fiske, e talvez sejam, porque "se uma pessoa é bonita ou simpática, as outras pessoas riem das piadas dela e interagem com ela de uma forma que facilita a interação social".
"Se uma pessoa não é atraente, é mais difícil conseguir todas estas coisas porque as outras pessoas não a procuram", ela disse.
A idade também tem um papel na criação de estereótipos, com as pessoas mais velhas tradicionalmente vistas como "inofensivas e inúteis", disse Fiske. Na verdade, ela disse, as pesquisas mostraram que os estereótipos raciais e étnicos são mais fáceis de mudar ao longo do tempo do que os estereótipos de gênero e idade, que são "particularmente aderentes".
Um motivo para nosso cérebro persistir em usar estereótipos, dizem os especialistas, é por frequentemente nos dar informação precisa de modo geral, mesmo que nem todos os detalhes de encaixem. A aparência de Boyle, por exemplo, telegrafou precisamente grande parte de sua biografia, incluindo seu nível socioeconômico e falta de experiência mundana.
Seu comportamento no palco reforçou uma imagem de pessoa de fora. David Berreby, autor de "Us and Them", sobre o motivo das pessoas categorizarem umas às outras, disse que os telespectadores também podem tê-la julgado severamente porque, nas provocações com os juízes antes de cantar, ela parecia estar, desajeitadamente, tentando se encaixar.
"Ela tentou ser divertida, e quando lhe perguntaram a sua idade, ela fez aquela dancinha", como se ela presumisse que nesses programas "você supostamente precisa ser meio sensual e elegante, mas se deu mal", disse Berreby. "Nada provoca mais nosso desprezo do que alguém tentar ser aceitável e então fracassar."
Quando as pessoas não se encaixam em nossas noções pré-concebidas, nós tendemos a ignorar as contradições, até serem dramáticas demais para ignorar. Nestes casos, disse John F. Dovidio, um professor de psicologia de Yale, nós nos concentramos na contradição - a voz de Boyle, por exemplo. Apesar disso nos fazer vê-la mais como um indivíduo, nós também "encontramos uma forma do mundo fazer sentido de novo, mesmo que para isso digamos: 'Esta é uma situação excepcional'. É mais fácil para mim manter as mesmas categorias na mente do que chegar a uma explicação para as coisas que são discrepantes".
Mesmo diante de múltiplas exceções ao estereótipo, nós frequentemente mantemos a categoria geral e simplesmente criamos um subtipo, disse Dovidio.
Por exemplo, o presidente Barack Obama contrariou os estereótipos negativos a respeito dos negros, mas algumas pessoas podem ter criado um subtipo de negros - profissionais negros - em vez de contestar o estereótipo geral, disse Dovidio. "Esta é a solução mais simples e que economiza energia cognitivamente."
Os cientistas estão descobrindo que os estereótipos não estão simplesmente armazenados no cérebro e são recuperados por ele, mas "estão associados com regiões gerais do cérebro envolvidas na memória e no planejamento de metas", disse Amodio, sugerindo que "as pessoas recrutam estereótipos para ajudá-las a planejar um mundo consistente com a meta que possam ter".
A pesquisa de Fiske sugere que as pessoas de status baixo são registradas de forma diferente no cérebro. "A parte do cérebro que normalmente é ativada quando você pensa em pessoas fica surpreendentemente silenciosa quando você olha para moradores de rua", ela disse. "É uma espécie de desumanização neural. Talvez não consigamos suportar a situação horrível em que se encontram, ou não queiramos nos envolver, ou talvez tenhamos medo de nos contaminar."
Mas, ela disse, a resposta neural é restaurada quando é pedido para as pessoas se concentrarem em que sopa os moradores de rua possam querer comer, algo que as faz pensar na pessoa como alguém com desejos ou metas.
O fato de podermos mudar nossas reações em relação às pessoas - o status de Boyle passou instantaneamente de baixo para alto - também tem raízes em nossa psicologia, disseram os cientistas.
Dovidio disse que encontrar discrepâncias nos estereótipos provavelmente "cria um tipo de estímulo autonômico" em nosso sistema nervoso periférico, provocando picos de cortisol e outros indicadores de estresse. "O estímulo autonômico nós motivará a fazer algo naquela situação", ele disse, especialmente se a situação é perigosa.
Helen Fisher, uma professora de antropologia da Rutgers, teoriza que no caso de Boyle, os telespectadores também passaram por uma "onda de dopamina" com a surpresa agradável de ouvir a voz dela. "A novidade aumenta a dopamina no cérebro e faz você se sentir bem", ela disse.
Isto pode ajudar a explicar por que tantas pessoas foram atraídas pela história de Susan Boyle. Mas o fato de aceitarem a ela e outros azarões subestimados dificilmente mudará nosso gosto pelo estereótipo.
A sociedade moderna, com sua consciência dos preconceitos ao longo da história e sua capacidade sem precedente de apresentar tantos tipos diferentes de pessoas umas às outras, pode diluir ou mesmo neutralizar algumas noções pré-concebidas. Mas outras persistirão e novas surgirão, dizem os especialistas.
Este pode ser o motivo para, mesmo após ter expressado a esperança de que "talvez isso possa tê-los ensinado uma lição, ou dado um exemplo", Boyle ter começado a mudar sua aparência nos últimos dias, usando maquiagem, tingindo seu cabelo grisalho e vestindo roupas mais elegantes.
"A matéria-prima de dizer que você está comigo e ela não está é algo que está sempre presente", disse Berreby. "Não é algo que inventamos por causa da TV ou do carro. Também não é algo ligado à vida moderna. É algo inerente à mente."
“Há mais de uma semana, pessoas em ambos os lados do Atlântico têm usado a história de Susan Boyle - a solteirona escocesa desleixada que chegou à fama cantando no programa de TV "Britain's Got Talent" - como um exemplo de quão superficiais nos tornamos.
Não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são
(Susan Boyle, comentando a rapidez com que a sociedade julga as aparências)
“Antes de cantar, Boyle parecia uma mera voluntária de igreja desempregada e desmazelada de 47 anos que morava sozinha com seu gato, Pebbles, e que, segundo ela, nunca teria sido beijada (uma alegação que ela posteriormente retirou).
Agora, após o vídeo de sua apresentação ter se tornado viral, uma enxurrada de comentários se concentra em como estereotipamos as pessoas em categorias, como caímos vítima de preconceitos de idade e aparência, e como temos que aprender, de uma vez por todas, a não julgar os livros pela capa.
Mas muitos cientistas sociais e outros que estudam a ciência dos estereótipos dizem que há motivos para avaliarmos rapidamente as pessoas com base em sua aparência. Julgamentos rápidos a respeito das pessoas são cruciais para o modo como funcionamos, eles dizem - mesmo quando esses julgamentos são muito errados.
Eles até mesmo concordam com a própria Boyle, que disse após sua apresentação que apesar da sociedade ser rápida demais em julgar as pessoas pela aparência, "não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são".
Em um nível muito básico, julgar as pessoas pela aparência significa colocá-las rapidamente em categorias impessoais, assim como decidir se um animal é um cachorro ou um gato. "Estereótipos são vistos como um mecanismo necessário para entendimento da informação", disse David Amodio, um professor assistente de psicologia da Universidade de Nova York. "Se olharmos para uma cadeira, nós podemos categorizá-la rapidamente, apesar de existirem muitos tipos diferentes de cadeiras."
Eras atrás, esta capacidade era de uma importância de vida ou morte, e os seres humanos desenvolveram a capacidade de avaliar outras pessoas em segundos.
Susan Fiske, uma professora de psicologia e neurociência de Princeton, disse que tradicionalmente, a maioria dos estereótipos se divide em duas dimensões amplas: se a pessoa parece ter intenção maligna ou benigna e se a pessoa parece perigosa. "Em tempos ancestrais, era importante permanecer distante de pessoas que pareciam furiosas e dominadoras", ela disse.
As mulheres também são subdivididas em mulheres "tradicionalmente atraentes", que "não parecem dominadoras, têm traços de bebê", disse Fiske. "Elas não são ameaçadoras."
De fato, a atração é uma coisa que reforça o estereótipo e faz com que se cumpra. Pessoas atraentes têm "crédito de serem socialmente hábeis", disse Fiske, e talvez sejam, porque "se uma pessoa é bonita ou simpática, as outras pessoas riem das piadas dela e interagem com ela de uma forma que facilita a interação social".
"Se uma pessoa não é atraente, é mais difícil conseguir todas estas coisas porque as outras pessoas não a procuram", ela disse.
A idade também tem um papel na criação de estereótipos, com as pessoas mais velhas tradicionalmente vistas como "inofensivas e inúteis", disse Fiske. Na verdade, ela disse, as pesquisas mostraram que os estereótipos raciais e étnicos são mais fáceis de mudar ao longo do tempo do que os estereótipos de gênero e idade, que são "particularmente aderentes".
Um motivo para nosso cérebro persistir em usar estereótipos, dizem os especialistas, é por frequentemente nos dar informação precisa de modo geral, mesmo que nem todos os detalhes de encaixem. A aparência de Boyle, por exemplo, telegrafou precisamente grande parte de sua biografia, incluindo seu nível socioeconômico e falta de experiência mundana.
Seu comportamento no palco reforçou uma imagem de pessoa de fora. David Berreby, autor de "Us and Them", sobre o motivo das pessoas categorizarem umas às outras, disse que os telespectadores também podem tê-la julgado severamente porque, nas provocações com os juízes antes de cantar, ela parecia estar, desajeitadamente, tentando se encaixar.
"Ela tentou ser divertida, e quando lhe perguntaram a sua idade, ela fez aquela dancinha", como se ela presumisse que nesses programas "você supostamente precisa ser meio sensual e elegante, mas se deu mal", disse Berreby. "Nada provoca mais nosso desprezo do que alguém tentar ser aceitável e então fracassar."
Quando as pessoas não se encaixam em nossas noções pré-concebidas, nós tendemos a ignorar as contradições, até serem dramáticas demais para ignorar. Nestes casos, disse John F. Dovidio, um professor de psicologia de Yale, nós nos concentramos na contradição - a voz de Boyle, por exemplo. Apesar disso nos fazer vê-la mais como um indivíduo, nós também "encontramos uma forma do mundo fazer sentido de novo, mesmo que para isso digamos: 'Esta é uma situação excepcional'. É mais fácil para mim manter as mesmas categorias na mente do que chegar a uma explicação para as coisas que são discrepantes".
Mesmo diante de múltiplas exceções ao estereótipo, nós frequentemente mantemos a categoria geral e simplesmente criamos um subtipo, disse Dovidio.
Por exemplo, o presidente Barack Obama contrariou os estereótipos negativos a respeito dos negros, mas algumas pessoas podem ter criado um subtipo de negros - profissionais negros - em vez de contestar o estereótipo geral, disse Dovidio. "Esta é a solução mais simples e que economiza energia cognitivamente."
Os cientistas estão descobrindo que os estereótipos não estão simplesmente armazenados no cérebro e são recuperados por ele, mas "estão associados com regiões gerais do cérebro envolvidas na memória e no planejamento de metas", disse Amodio, sugerindo que "as pessoas recrutam estereótipos para ajudá-las a planejar um mundo consistente com a meta que possam ter".
A pesquisa de Fiske sugere que as pessoas de status baixo são registradas de forma diferente no cérebro. "A parte do cérebro que normalmente é ativada quando você pensa em pessoas fica surpreendentemente silenciosa quando você olha para moradores de rua", ela disse. "É uma espécie de desumanização neural. Talvez não consigamos suportar a situação horrível em que se encontram, ou não queiramos nos envolver, ou talvez tenhamos medo de nos contaminar."
Mas, ela disse, a resposta neural é restaurada quando é pedido para as pessoas se concentrarem em que sopa os moradores de rua possam querer comer, algo que as faz pensar na pessoa como alguém com desejos ou metas.
O fato de podermos mudar nossas reações em relação às pessoas - o status de Boyle passou instantaneamente de baixo para alto - também tem raízes em nossa psicologia, disseram os cientistas.
Dovidio disse que encontrar discrepâncias nos estereótipos provavelmente "cria um tipo de estímulo autonômico" em nosso sistema nervoso periférico, provocando picos de cortisol e outros indicadores de estresse. "O estímulo autonômico nós motivará a fazer algo naquela situação", ele disse, especialmente se a situação é perigosa.
Helen Fisher, uma professora de antropologia da Rutgers, teoriza que no caso de Boyle, os telespectadores também passaram por uma "onda de dopamina" com a surpresa agradável de ouvir a voz dela. "A novidade aumenta a dopamina no cérebro e faz você se sentir bem", ela disse.
Isto pode ajudar a explicar por que tantas pessoas foram atraídas pela história de Susan Boyle. Mas o fato de aceitarem a ela e outros azarões subestimados dificilmente mudará nosso gosto pelo estereótipo.
A sociedade moderna, com sua consciência dos preconceitos ao longo da história e sua capacidade sem precedente de apresentar tantos tipos diferentes de pessoas umas às outras, pode diluir ou mesmo neutralizar algumas noções pré-concebidas. Mas outras persistirão e novas surgirão, dizem os especialistas.
Este pode ser o motivo para, mesmo após ter expressado a esperança de que "talvez isso possa tê-los ensinado uma lição, ou dado um exemplo", Boyle ter começado a mudar sua aparência nos últimos dias, usando maquiagem, tingindo seu cabelo grisalho e vestindo roupas mais elegantes.
"A matéria-prima de dizer que você está comigo e ela não está é algo que está sempre presente", disse Berreby. "Não é algo que inventamos por causa da TV ou do carro. Também não é algo ligado à vida moderna. É algo inerente à mente."
BENTO 16 CANONIZA HERÓI NACIONAL DE PORTUGAL
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
“O papa Bento 16 canonizou cinco novos santos em um cerimômia neste domingo no Vaticano, entre eles um herói nacional de Portugal. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) liderou as tropas que conquistaram a independência de Portugal da Espanha em uma batalha no século 14. Depois disso, Dom Nuno abriu mão de sua riqueza e dos títulos para se devotar à Igreja e fundou uma ordem Franciscana.
Segundo Bento 16, ele foi "um exemplo de que é possível manter os valores religiosos mesmo em uma situação militar". A canonização de Nuno Álvares Pereira segue uma intensa campanha em Portugal.
Os outros quatro novos santos, entre eles duas mulheres, são todos de origem italiana. O papa Bento 16 já canonizou 23 novos santos desde o início de seu pontificado.”
“O papa Bento 16 canonizou cinco novos santos em um cerimômia neste domingo no Vaticano, entre eles um herói nacional de Portugal. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) liderou as tropas que conquistaram a independência de Portugal da Espanha em uma batalha no século 14. Depois disso, Dom Nuno abriu mão de sua riqueza e dos títulos para se devotar à Igreja e fundou uma ordem Franciscana.
Segundo Bento 16, ele foi "um exemplo de que é possível manter os valores religiosos mesmo em uma situação militar". A canonização de Nuno Álvares Pereira segue uma intensa campanha em Portugal.
Os outros quatro novos santos, entre eles duas mulheres, são todos de origem italiana. O papa Bento 16 já canonizou 23 novos santos desde o início de seu pontificado.”
FMI CITA LULA E MINIMIZA IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE COTAS PARA BRASIL E CHINA
A agência francesa de notícias AFP ontem publicou (li no UOL):
“Washington, EUA, 26 Abr 2009 (AFP) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, minimizou neste domingo a relação entre o nível das cotas de países emergentes como Brasil ou China e o peso de sua voz dentro do organismo multilateral.
"A voz dos países no Fundo (...) não se baseia tanto no nível das cotas que possuem", disse Strauss-Kahn em entrevista à imprensa, ao falar sobre a reforma preparada pela instituição para dar maior peso ao mundo em desenvolvimento dentro do FMI e de sua instituição irmã, o Banco Mundial.
Strauss-Kahn disse que os dois países são ouvidos através de seu envolvimento nos assuntos econômicos. Citou como exemplo o presidente do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, que vem dando mais peso a seu país nas discussões no Fundo.
Brasil, Rússia, Índia e China estão na vanguarda de uma série de economias emergentes que buscam maior representação nas instituições com sede em Washington, tradicionalmente dominadas pelos países desenvolvidos.”
“Washington, EUA, 26 Abr 2009 (AFP) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, minimizou neste domingo a relação entre o nível das cotas de países emergentes como Brasil ou China e o peso de sua voz dentro do organismo multilateral.
"A voz dos países no Fundo (...) não se baseia tanto no nível das cotas que possuem", disse Strauss-Kahn em entrevista à imprensa, ao falar sobre a reforma preparada pela instituição para dar maior peso ao mundo em desenvolvimento dentro do FMI e de sua instituição irmã, o Banco Mundial.
Strauss-Kahn disse que os dois países são ouvidos através de seu envolvimento nos assuntos econômicos. Citou como exemplo o presidente do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, que vem dando mais peso a seu país nas discussões no Fundo.
Brasil, Rússia, Índia e China estão na vanguarda de uma série de economias emergentes que buscam maior representação nas instituições com sede em Washington, tradicionalmente dominadas pelos países desenvolvidos.”
domingo, 26 de abril de 2009
DANTAS DEU 1 BI À FOLHA. EM TESE
Sobre o mesmo assunto da postagem imediatamente anterior deste blog, vale a pena ler o seguinte artigo escrito por Luiz Carlos Azenha, que li hoje no site “Vi o Mundo”:
O Viomundo recebeu cópia de um cheque por e-mail. Mostra que um certo Pafúncio Dantas pagou 1 bilhão de reais a uma pessoa que tem o mesmo nome de um dos controladores da Folha de S. Paulo.
Donde a manchete: Dantas pagou 1 bi à Folha.
Não consegui confirmar a autenticidade do cheque. Mas também não consegui demonstrar que ele é falso, nem produto de uma de minhas múltiplas personalidades.
Assim sendo, eu publico primeiro. Se a Folha chiar, eu desminto mas deixo claro: não consegui comprovar a autenticidade, nem que é falso.
Essa é a lógica empregada pelo jornal ao admitir que publicou uma ficha de Dilma Rousseff que recebeu por e-mail.
Em vez de enfiar o galho dentro, dizer que fez bobagem e pedir desculpas, a Folha diz:
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.
Nem original esse "jornalismo" é.
É uma versão do "testando hipóteses", de Ali Kamel, que foi aplicado com maestria no acidente da TAM em Congonhas. Kamel escreveu, em defesa da imprensa, em O Globo:
Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim.
Ou seja, a Folha estava apenas "testando a hipótese" sobre a autenticidade da ficha.
Não se esqueçam que quem deu uma grande contribuição a esse gênero do jornalismo foi o repórter Marcio Aith, ex-
Veja, hoje [trabalhando] na Folha --, ao reproduzir as contas de integrantes do governo Lula no Exterior.”
Dizia a legenda:
A LISTA COM AS SUPOSTAS CONTAS SECRETAS
Na lista produzida por Holder e Manzano, para uso de Daniel Dantas, o presidente e outras autoridades aparecem como detentores de dinheiro em paraísos fiscais. VEJA usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão – positiva ou negativa.
Como se sabe, mais tarde ficou provado que o "dossiê" de Dantas era falso, o que rendeu um processo ao banqueiro. Ficou tudo por isso mesmo. Aliás, quem foi punido até agora foi o delegado Paulo Lacerda, que dirigia a Polícia Federal no período em que ela desmentiu a picaretagem jornalística de Veja.
Existe, pois, uma matriz neocom para essa picaretagem -- dos Civita, dos Frias e do preposto dos Marinho.
PS: O cheque a que me referi é tão verdadeiro quanto a ficha de Dilma ou o "documento" publicado pela Veja.”
O Viomundo recebeu cópia de um cheque por e-mail. Mostra que um certo Pafúncio Dantas pagou 1 bilhão de reais a uma pessoa que tem o mesmo nome de um dos controladores da Folha de S. Paulo.
Donde a manchete: Dantas pagou 1 bi à Folha.
Não consegui confirmar a autenticidade do cheque. Mas também não consegui demonstrar que ele é falso, nem produto de uma de minhas múltiplas personalidades.
Assim sendo, eu publico primeiro. Se a Folha chiar, eu desminto mas deixo claro: não consegui comprovar a autenticidade, nem que é falso.
Essa é a lógica empregada pelo jornal ao admitir que publicou uma ficha de Dilma Rousseff que recebeu por e-mail.
Em vez de enfiar o galho dentro, dizer que fez bobagem e pedir desculpas, a Folha diz:
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.
Nem original esse "jornalismo" é.
É uma versão do "testando hipóteses", de Ali Kamel, que foi aplicado com maestria no acidente da TAM em Congonhas. Kamel escreveu, em defesa da imprensa, em O Globo:
Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim.
Ou seja, a Folha estava apenas "testando a hipótese" sobre a autenticidade da ficha.
Não se esqueçam que quem deu uma grande contribuição a esse gênero do jornalismo foi o repórter Marcio Aith, ex-
Veja, hoje [trabalhando] na Folha --, ao reproduzir as contas de integrantes do governo Lula no Exterior.”
Dizia a legenda:
A LISTA COM AS SUPOSTAS CONTAS SECRETAS
Na lista produzida por Holder e Manzano, para uso de Daniel Dantas, o presidente e outras autoridades aparecem como detentores de dinheiro em paraísos fiscais. VEJA usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão – positiva ou negativa.
Como se sabe, mais tarde ficou provado que o "dossiê" de Dantas era falso, o que rendeu um processo ao banqueiro. Ficou tudo por isso mesmo. Aliás, quem foi punido até agora foi o delegado Paulo Lacerda, que dirigia a Polícia Federal no período em que ela desmentiu a picaretagem jornalística de Veja.
Existe, pois, uma matriz neocom para essa picaretagem -- dos Civita, dos Frias e do preposto dos Marinho.
PS: O cheque a que me referi é tão verdadeiro quanto a ficha de Dilma ou o "documento" publicado pela Veja.”
PARA FAVORECER SERRA, A FOLHA ATACOU DILMA COM FALSIDADES
A PROPÓSITO: JORNAL NUNCA DESTACOU AÇÃO TERRORISTA ARMADA DE ALOISIO NUNES (PSDB), MINISTRO DA JUSTIÇA DE FHC E SECRETÁRIO DO GOVERNO SERRA.
Li no blog Cidadania.com o seguinte comentário sobre matéria de Folha de São Paulo de ontem:
FOLHA ESCONDE RETRATAÇÃO
A Folha publicou, recentemente, com destaque espalhafatoso em sua primeira página, ficha policial falsa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusando-a de ter planejado seqüestro do ministro da Fazenda Delfim Neto durante o regime militar.
Neste sábado, o jornal publica, escondido em suas páginas internas, reconhecimento de que foi leviano – ou mal-intencionado – ao publicar informações falsas sobre a adversária de seu candidato à Presidência da República em 2010, José Serra.
AUTENTICIDADE DE FICHA DE DILMA NÃO É PROVADA
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar
A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto".
Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.
Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: "Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa "Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim". O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu.Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha."
A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.
Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.
O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.
No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma "manipulação recente".
Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: "Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha.
Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos."
A ministra escreveu ainda: "O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa."
Li no blog Cidadania.com o seguinte comentário sobre matéria de Folha de São Paulo de ontem:
FOLHA ESCONDE RETRATAÇÃO
A Folha publicou, recentemente, com destaque espalhafatoso em sua primeira página, ficha policial falsa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusando-a de ter planejado seqüestro do ministro da Fazenda Delfim Neto durante o regime militar.
Neste sábado, o jornal publica, escondido em suas páginas internas, reconhecimento de que foi leviano – ou mal-intencionado – ao publicar informações falsas sobre a adversária de seu candidato à Presidência da República em 2010, José Serra.
AUTENTICIDADE DE FICHA DE DILMA NÃO É PROVADA
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar
A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto".
Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.
Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: "Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa "Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim". O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu.Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha."
A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.
Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.
O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.
No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma "manipulação recente".
Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: "Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha.
Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos."
A ministra escreveu ainda: "O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa."
MANTEGA PEDE A ENTRADA DE CUBA NO FMI
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado, em Washington, que chegou a hora de Cuba voltar a integrar o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O pedido de Mantega foi feito durante seu pronunciamento no Comitê Internacional Monetário e de Finanças do FMI e reiterado após o discurso, durante uma entrevista coletiva realizada na sede do Fundo.
"Pedi a entrada de Cuba no FMI. Cuba foi marginalizada durante todo esse tempo de qualquer atividade econômica. E hoje não há mais nenhuma razão para que isso aconteça. Nós temos notado que há um relaxamento inclusive dos Estados Unidos. Dentro desse clima de entendimento, um passo adicional seria que Cuba também participasse do Fundo Monetário'', disse Mantega a um grupo de jornalistas.
Cuba se retirou do FMI em 1964, no auge da Guerra Fria e dois anos após os Estados Unidos ter decretado um embargo econômico contra o país caribenho. O FMI conta com 185 países membros. Entre os poucos que não fazem parte do órgão estão nações como Taiwan, Cuba e Coréia do Norte. Em seu discurso, Mantega afirmou que "'o FMI se orgulha, com razão, do seu caráter universal. Isso, porém, poderia ser melhorado, corrigindo uma omissão que perdura por muito tempo. Refiro-me, naturalmente, a Cuba, o único país do Hemisfério Ocidental que não é membro da instituição. É chegada a hora de abrirmos as portas para Cuba''.
Virar a página Mantega disse que seu pedido foi feito de comum acordo com Brasília e que a nação caribenha está hoje num processo de reintegração na economia mundial. "Precisamos virar esta página porque isso também ajuda as mudanças internas (em Cuba).'' "Eu não posso falar por Cuba, caberá a Cuba se manifestar, fazer um pedido formal. Agora, é melhor ela fazer um pedido formal se as portas estiverem abertas do que se as portas estiverem fechadas'', acrescentou.
Ao mesmo tempo em que defendeu, inesperadamente, a inclusão de Cuba no FMI, Mantega criou mal-estar com a delegação da Espanha no FMI após ter dito que o país não poderá participar de futuros encontros do G20 porque não é membro do bloco e acrescentou que não se pode dar continuidade à prática de convidar para reuniões nações que não integram o G20. Na sexta-feira, os Estados Unidos não convidaram a Espanha a participar da reunião ministerial do G20 realizada em Washington, logo após o encontro do G7. "O G20 está composto por 20 países e ponto. O que não dá é para, numa reunião, o país chegar e falar: agora, vou convidar a Tchecoslováquia, agora eu resolvi convidar o Paraguai'', afirmou.
Mal-estar Os comentários de Mantega sobre a Espanha, feitos durante a conversa com jornalistas, foram divulgados em sites de notícias espanhóis.
Para dissipar o potencial estrago de suas declarações, Mantega se reuniu pouco depois com a ministra da Fazenda da Espanha, Helena Salgado, voltou a falar com jornalistas e recuou em relação às suas afirmações anteriores.
"O que temos que fazer é discutir as regras de funcionamento do G20. O G20 tem 20 membros. Não é possível que cada membro traga uma nova pessoa, porque, senão rapidamente o G20 viraria G30, G40, sem critério." "Não foi uma posição contra a Espanha. Não havia qualquer razão para um impedimento por parte do Brasil sobre a participação espanhola. Se me perguntassem que país deveria participar do G20, eu diria que é a Espanha'', afirmou Mantega, contradizendo o que havia afirmado anteriormente.”
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado, em Washington, que chegou a hora de Cuba voltar a integrar o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O pedido de Mantega foi feito durante seu pronunciamento no Comitê Internacional Monetário e de Finanças do FMI e reiterado após o discurso, durante uma entrevista coletiva realizada na sede do Fundo.
"Pedi a entrada de Cuba no FMI. Cuba foi marginalizada durante todo esse tempo de qualquer atividade econômica. E hoje não há mais nenhuma razão para que isso aconteça. Nós temos notado que há um relaxamento inclusive dos Estados Unidos. Dentro desse clima de entendimento, um passo adicional seria que Cuba também participasse do Fundo Monetário'', disse Mantega a um grupo de jornalistas.
Cuba se retirou do FMI em 1964, no auge da Guerra Fria e dois anos após os Estados Unidos ter decretado um embargo econômico contra o país caribenho. O FMI conta com 185 países membros. Entre os poucos que não fazem parte do órgão estão nações como Taiwan, Cuba e Coréia do Norte. Em seu discurso, Mantega afirmou que "'o FMI se orgulha, com razão, do seu caráter universal. Isso, porém, poderia ser melhorado, corrigindo uma omissão que perdura por muito tempo. Refiro-me, naturalmente, a Cuba, o único país do Hemisfério Ocidental que não é membro da instituição. É chegada a hora de abrirmos as portas para Cuba''.
Virar a página Mantega disse que seu pedido foi feito de comum acordo com Brasília e que a nação caribenha está hoje num processo de reintegração na economia mundial. "Precisamos virar esta página porque isso também ajuda as mudanças internas (em Cuba).'' "Eu não posso falar por Cuba, caberá a Cuba se manifestar, fazer um pedido formal. Agora, é melhor ela fazer um pedido formal se as portas estiverem abertas do que se as portas estiverem fechadas'', acrescentou.
Ao mesmo tempo em que defendeu, inesperadamente, a inclusão de Cuba no FMI, Mantega criou mal-estar com a delegação da Espanha no FMI após ter dito que o país não poderá participar de futuros encontros do G20 porque não é membro do bloco e acrescentou que não se pode dar continuidade à prática de convidar para reuniões nações que não integram o G20. Na sexta-feira, os Estados Unidos não convidaram a Espanha a participar da reunião ministerial do G20 realizada em Washington, logo após o encontro do G7. "O G20 está composto por 20 países e ponto. O que não dá é para, numa reunião, o país chegar e falar: agora, vou convidar a Tchecoslováquia, agora eu resolvi convidar o Paraguai'', afirmou.
Mal-estar Os comentários de Mantega sobre a Espanha, feitos durante a conversa com jornalistas, foram divulgados em sites de notícias espanhóis.
Para dissipar o potencial estrago de suas declarações, Mantega se reuniu pouco depois com a ministra da Fazenda da Espanha, Helena Salgado, voltou a falar com jornalistas e recuou em relação às suas afirmações anteriores.
"O que temos que fazer é discutir as regras de funcionamento do G20. O G20 tem 20 membros. Não é possível que cada membro traga uma nova pessoa, porque, senão rapidamente o G20 viraria G30, G40, sem critério." "Não foi uma posição contra a Espanha. Não havia qualquer razão para um impedimento por parte do Brasil sobre a participação espanhola. Se me perguntassem que país deveria participar do G20, eu diria que é a Espanha'', afirmou Mantega, contradizendo o que havia afirmado anteriormente.”
SERRA É CONTRA O PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA
Li hoje no blog “Por um novo Brasil” o seguinte texto oriundo do site “vermelho”:
HABITAÇÃO: PARLAMENTARES DO PT CRITICAM POSIÇÃO DO GOVERNO SERRA
Parlamentares da bancada do PT na Câmara consideraram “muito negativo” o anúncio feito pelo governo do estado de São Paulo de que não deverá aderir ao programa “Minha casa, minha Vida”. Lançado pelo governo federal, o programa prevê a construção de um milhão de moradias em todo o País em parceria com estados e municípios.
O governo paulista que têm à frente o tucano José Serra alega que quer mudança nas regras de participação de estados e municípios no programa. Ele não concorda que o estado só doe o terreno e cadastre as famílias. Quer participar também na construção dos imóveis e, para isso, quer o repasse de recursos diretamente à Companhia Estadual de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) essa é uma decisão política do governo Serra que vai prejudicar a população mais carente de São Paulo. “O projeto foi discutido com todos os governos estaduais e municipais das principais cidades do País. Em outros estados está havendo adesão e a decisão do governador é puramente política. A participação do estado seria fundamental conseguindo as áreas. Vai ser um problema político muito grande para o governador José Serra. A população vai se colocar contrária a essa decisão e vai cobrar do governo paulista”, previu Zarattini.
O deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) afirmou que o governo Serra tenta desqualificar o programa, que é uma conquista. “Quando o governador José Serra toma uma posição neste sentido, ele está fazendo uso político do programa e isso é negativo. Em vez dele se associar ao Minha Casa, Minha Vida visando o bem estar da população, ele expõe a população mais carente do estado de São Paulo. O povo paulista e o paulistano tem que fazer pressão para que o governo Serra reverta essa decisão”, ressaltou Zezéu”. Liderança PT/Câmara
Comentário de Jussara Seixas:
“Enquanto a maioria dos estados busca formas de ampliar a participação no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, com o qual o governo federal pretende construir 1 milhão de moradias em todo o país, o governo de São Paulo, comandado por José Serra (PSDB), cria obstáculos para evitar que o programa seja adotado em São Paulo. É bom lembrar que São Paulo concentra o maior déficit habitacional do país e já tem mais de meio milhão de famílias inscritas à espera da casa própria.”
HABITAÇÃO: PARLAMENTARES DO PT CRITICAM POSIÇÃO DO GOVERNO SERRA
Parlamentares da bancada do PT na Câmara consideraram “muito negativo” o anúncio feito pelo governo do estado de São Paulo de que não deverá aderir ao programa “Minha casa, minha Vida”. Lançado pelo governo federal, o programa prevê a construção de um milhão de moradias em todo o País em parceria com estados e municípios.
O governo paulista que têm à frente o tucano José Serra alega que quer mudança nas regras de participação de estados e municípios no programa. Ele não concorda que o estado só doe o terreno e cadastre as famílias. Quer participar também na construção dos imóveis e, para isso, quer o repasse de recursos diretamente à Companhia Estadual de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) essa é uma decisão política do governo Serra que vai prejudicar a população mais carente de São Paulo. “O projeto foi discutido com todos os governos estaduais e municipais das principais cidades do País. Em outros estados está havendo adesão e a decisão do governador é puramente política. A participação do estado seria fundamental conseguindo as áreas. Vai ser um problema político muito grande para o governador José Serra. A população vai se colocar contrária a essa decisão e vai cobrar do governo paulista”, previu Zarattini.
O deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) afirmou que o governo Serra tenta desqualificar o programa, que é uma conquista. “Quando o governador José Serra toma uma posição neste sentido, ele está fazendo uso político do programa e isso é negativo. Em vez dele se associar ao Minha Casa, Minha Vida visando o bem estar da população, ele expõe a população mais carente do estado de São Paulo. O povo paulista e o paulistano tem que fazer pressão para que o governo Serra reverta essa decisão”, ressaltou Zezéu”. Liderança PT/Câmara
Comentário de Jussara Seixas:
“Enquanto a maioria dos estados busca formas de ampliar a participação no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, com o qual o governo federal pretende construir 1 milhão de moradias em todo o país, o governo de São Paulo, comandado por José Serra (PSDB), cria obstáculos para evitar que o programa seja adotado em São Paulo. É bom lembrar que São Paulo concentra o maior déficit habitacional do país e já tem mais de meio milhão de famílias inscritas à espera da casa própria.”
REVISTA ÉPOCA: GILMAR, DOS DOIS LADOS DO GUICHÊ
Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte reportagem de Carlos Alberto Jr., publicada na revista Época, edição 205, de 22/04/2002:
DOS DOIS LADOS DO GUICHÊ
“Chefe da AGU aumenta renda com instituto que dá aulas a advogados do órgão.
O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, tem formação acadêmica irretocável e está cotadíssimo para virar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Descobriu-se agora que Mendes usa seus dotes jurídicos para ganhar um extra fora da repartição. O chefe da AGU é sócio-fundador do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). O renome dos cursos do IDP atrai muitos funcionários do governo federal. Em 2001, o instituto recebeu R$ 228 mil por aulas dadas a servidores de ministérios, do Congresso e do Judiciário. Dos cofres da AGU saíram R$ 32.400.
A presença de funcionários da AGU nas salas de aulas do IDP coloca Mendes na embaraçosa situação de estar ao mesmo tempo dos dois lados do guichê. Ele paga o treinamento de subordinados e recebe como prestador de serviços. “É um conflito ético”, diz o deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB), ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. “Ganho cerca de R$ 5 mil mensais, a título de participação nos lucros”, diz Mendes. O chefe da AGU diz não ter competência para decidir onde funcionários do órgão devem seguir cursos de especialização. A grande procura pelos cursos do IDP, segundo Mendes, é conseqüência do excelente nível dos professores. “Modéstia à parte, devo ser o melhor no Brasil na área de Direito da Constitucionalidade”, afirma.”
DOS DOIS LADOS DO GUICHÊ
“Chefe da AGU aumenta renda com instituto que dá aulas a advogados do órgão.
O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, tem formação acadêmica irretocável e está cotadíssimo para virar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Descobriu-se agora que Mendes usa seus dotes jurídicos para ganhar um extra fora da repartição. O chefe da AGU é sócio-fundador do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). O renome dos cursos do IDP atrai muitos funcionários do governo federal. Em 2001, o instituto recebeu R$ 228 mil por aulas dadas a servidores de ministérios, do Congresso e do Judiciário. Dos cofres da AGU saíram R$ 32.400.
A presença de funcionários da AGU nas salas de aulas do IDP coloca Mendes na embaraçosa situação de estar ao mesmo tempo dos dois lados do guichê. Ele paga o treinamento de subordinados e recebe como prestador de serviços. “É um conflito ético”, diz o deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB), ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. “Ganho cerca de R$ 5 mil mensais, a título de participação nos lucros”, diz Mendes. O chefe da AGU diz não ter competência para decidir onde funcionários do órgão devem seguir cursos de especialização. A grande procura pelos cursos do IDP, segundo Mendes, é conseqüência do excelente nível dos professores. “Modéstia à parte, devo ser o melhor no Brasil na área de Direito da Constitucionalidade”, afirma.”
SANTAYANA: GILMAR (DE COLLOR E FHC) NÃO PODIA SER MINISTRO
O site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, reproduz artigo de Mauro Santayana publicado hoje no JB:
COISAS DA POLÍTICA - O ÁSPERO DIÁLOGO E A OPINIÃO DAS RUAS
“O diálogo entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, tal como divulgado pelos jornais, não deixa dúvida. Quem tomou a iniciativa da agressão, ao afirmar que o outro não tinha “condições de dar lição a ninguém”, foi o presidente da Corte. O ministro Joaquim Barbosa, tocado em sua dignidade, replicou à altura e, ao fazê-lo, disse o que provavelmente a maioria dos brasileiros gostaria de dizer: o ministro Gilmar Mendes tem contribuído para desacreditar o Poder Judiciário no Brasil.
O presidente do STF, interrompida a reunião, deveria ter deixado seus pares à vontade para examinar o incidente, como fez Joaquim Barbosa, ao ir para casa. Gilmar, ao reunir os colegas em seu próprio gabinete, constrangeu-os com a sua presença. E se não fosse, conforme o noticiário de ontem, a posição da ministra Cármem Lúcia e dos ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto, Gilmar deles teria obtido manifestação de repúdio a Joaquim Barbosa.
O incidente de quarta-feira reabre a necessária discussão sobre o processo de escolha dos juízes do STF. Selecionado por ato presidencial, o candidato é aprovado ou reprovado pelo Senado – mas não há notícia, no Brasil, de que alguém tenha sido rejeitado. Um juiz do STF dispõe de tal poder que seria necessária outra legitimidade, além da escolha presidencial e da aprovação do Senado, para a sua nomeação.
O Senado norte-americano é mais cuidadoso na aprovação dos candidatos à Suprema Corte, e a imprensa, consciente de sua responsabilidade, os submete ao escrutínio da opinião pública. Um grande jurista conservador, Robert Bork, indicado por Reagan, em 1987, foi rejeitado (58 votos a 42), depois de ampla discussão pública, em que intervieram contra seu nome a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e personalidades destacadas, como o ator Gregory Peck. Defensor declarado dos trustes, Bork foi contestado também pelas outras posições conservadoras. Edward Kennedy o arrasou em discurso no Senado. A América de Bork – disse Kennedy – será aquela em que a polícia arrombará as portas dos cidadãos à meia-noite, os escritores e artistas serão censurados, os negros atendidos em balcões separados e a teoria da evolução proscrita das escolas.
A discussão sobre Bork – que havia sido cúmplice de Nixon no caso Watergate – levou o senador Joe Biden, hoje vice-presidente de Obama e então presidente do Comitê Judiciário daquela casa, a recomendar a rejeição de seu nome. O Biden Report foi aceito pelo Plenário, e Bork não foi aprovado. O caso foi tão emblemático que to bork passou a ser verbo.
Mais tarde, em outubro de 1991, o juiz Clarence Thomas por pouco não foi rejeitado, por sua conduta pessoal. Aos 43 anos, ele foi acusado de assédio sexual – mas os senadores, embora com pequena margem a favor (52 votos a 48), o aprovaram, sob o argumento de que seu comportamento não o impedia de julgar com equidade. Na forte campanha contra sua indicação as associações femininas se destacaram. E o verbo “borquear” foi usado por Florynce Kennedy, com a sua palavra de ordem “we’re going to bork him”.
A indicação do ministro Gilmar Mendes, como se recorda, foi contestada por juristas e alguns jornalistas. O jurista Dalmo Dallari foi incisivo: “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. E lembrou que Gilmar recomendara ao Poder Executivo desrespeitar decisões judiciais.
Os fatos estão demonstrando que Dallari tinha razão. A normalidade constitucional está ameaçada pelos atos autoritários do presidente do STF, que, com arrogância, dita normas aos outros dois poderes da República e não tem sido devidamente contido por eles, que aceitaram firmar um Pacto republicano proposto pelo juiz. Pacto republicano é o da Constituição.
Gilmar foi membro do gabinete de Fernando Collor. Advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso, criticou o STF e se comprometeu na redação de medidas provisórias discutíveis. Sua aprovação tampouco foi fácil: teve 15 votos contrários, a maior rejeição registrada em indicações semelhantes.
Enquanto não houver critérios mais democráticos para a aprovação de indicados ao STF, o Senado deverá, pelo menos, ouvir a opinião da sociedade em audiências públicas, como faz antes de outras decisões.”
COISAS DA POLÍTICA - O ÁSPERO DIÁLOGO E A OPINIÃO DAS RUAS
“O diálogo entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, tal como divulgado pelos jornais, não deixa dúvida. Quem tomou a iniciativa da agressão, ao afirmar que o outro não tinha “condições de dar lição a ninguém”, foi o presidente da Corte. O ministro Joaquim Barbosa, tocado em sua dignidade, replicou à altura e, ao fazê-lo, disse o que provavelmente a maioria dos brasileiros gostaria de dizer: o ministro Gilmar Mendes tem contribuído para desacreditar o Poder Judiciário no Brasil.
O presidente do STF, interrompida a reunião, deveria ter deixado seus pares à vontade para examinar o incidente, como fez Joaquim Barbosa, ao ir para casa. Gilmar, ao reunir os colegas em seu próprio gabinete, constrangeu-os com a sua presença. E se não fosse, conforme o noticiário de ontem, a posição da ministra Cármem Lúcia e dos ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto, Gilmar deles teria obtido manifestação de repúdio a Joaquim Barbosa.
O incidente de quarta-feira reabre a necessária discussão sobre o processo de escolha dos juízes do STF. Selecionado por ato presidencial, o candidato é aprovado ou reprovado pelo Senado – mas não há notícia, no Brasil, de que alguém tenha sido rejeitado. Um juiz do STF dispõe de tal poder que seria necessária outra legitimidade, além da escolha presidencial e da aprovação do Senado, para a sua nomeação.
O Senado norte-americano é mais cuidadoso na aprovação dos candidatos à Suprema Corte, e a imprensa, consciente de sua responsabilidade, os submete ao escrutínio da opinião pública. Um grande jurista conservador, Robert Bork, indicado por Reagan, em 1987, foi rejeitado (58 votos a 42), depois de ampla discussão pública, em que intervieram contra seu nome a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e personalidades destacadas, como o ator Gregory Peck. Defensor declarado dos trustes, Bork foi contestado também pelas outras posições conservadoras. Edward Kennedy o arrasou em discurso no Senado. A América de Bork – disse Kennedy – será aquela em que a polícia arrombará as portas dos cidadãos à meia-noite, os escritores e artistas serão censurados, os negros atendidos em balcões separados e a teoria da evolução proscrita das escolas.
A discussão sobre Bork – que havia sido cúmplice de Nixon no caso Watergate – levou o senador Joe Biden, hoje vice-presidente de Obama e então presidente do Comitê Judiciário daquela casa, a recomendar a rejeição de seu nome. O Biden Report foi aceito pelo Plenário, e Bork não foi aprovado. O caso foi tão emblemático que to bork passou a ser verbo.
Mais tarde, em outubro de 1991, o juiz Clarence Thomas por pouco não foi rejeitado, por sua conduta pessoal. Aos 43 anos, ele foi acusado de assédio sexual – mas os senadores, embora com pequena margem a favor (52 votos a 48), o aprovaram, sob o argumento de que seu comportamento não o impedia de julgar com equidade. Na forte campanha contra sua indicação as associações femininas se destacaram. E o verbo “borquear” foi usado por Florynce Kennedy, com a sua palavra de ordem “we’re going to bork him”.
A indicação do ministro Gilmar Mendes, como se recorda, foi contestada por juristas e alguns jornalistas. O jurista Dalmo Dallari foi incisivo: “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. E lembrou que Gilmar recomendara ao Poder Executivo desrespeitar decisões judiciais.
Os fatos estão demonstrando que Dallari tinha razão. A normalidade constitucional está ameaçada pelos atos autoritários do presidente do STF, que, com arrogância, dita normas aos outros dois poderes da República e não tem sido devidamente contido por eles, que aceitaram firmar um Pacto republicano proposto pelo juiz. Pacto republicano é o da Constituição.
Gilmar foi membro do gabinete de Fernando Collor. Advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso, criticou o STF e se comprometeu na redação de medidas provisórias discutíveis. Sua aprovação tampouco foi fácil: teve 15 votos contrários, a maior rejeição registrada em indicações semelhantes.
Enquanto não houver critérios mais democráticos para a aprovação de indicados ao STF, o Senado deverá, pelo menos, ouvir a opinião da sociedade em audiências públicas, como faz antes de outras decisões.”
sábado, 25 de abril de 2009
MÍSSIL NACIONAL SUPERFÍCIE-SUPERFÍCIE (SSM)
Li hoje no site Defesa@Net a seguinte entrevista com o Vice-Almirante (RM1) Ronaldo Fiúza de Castro, gerente do projeto de desenvolvimento do míssil nacional superfície-superfície (SSM):
"O VA (RM1) Ronaldo Fiúza de Castro é o Gerente do Projeto de Desenvolvimento do míssil nacional superfície-superfície (SSM – do inglês “Surface-to-Surface Missile”) pela Marinha do Brasil (MB). Esse projeto é considerado um dos mais importantes em curso atualmente na nossa Marinha, perdendo apenas para o do Submarino Nuclear.
Antes de iniciar a entrevista o Alte. Fiúza deixou bem claro que ele não está emitindo opiniões e posições da Marinha, ele só exporia as suas opiniões pessoais e comentaria sobre fatos concretos.
DEFESANET: Alte Fiúza, por que o senhor solicitou que fosse realizada esta entrevista?
Alte. Fiúza: É a oportunidade de esclarecer alguns pontos relacionados a este projeto que estão sendo divulgados pela imprensa. Tudo o que será comentado aqui são fatos concretos e as opiniões e posicionamentos pessoais meus.
DEFESANET: Qual é, então, o objeto do Projeto do Míssil Nacional?
Alte. Fiúza: O Objeto deste projeto é um míssil anti-navio produzido no Brasil que possa ser lançado dos lançadores existentes atualmente da MB. O alcance desse míssil será compatível com os sensores de bordo, atualmente isto significa cerca de 60 km. Isto é, as características do míssil devem ser aproximadamente as do EXOCET MM40 Bk I.
DEFESANET: Quando foi que a MB decidiu partir para o projeto de um míssil SSM nacional ?
Alte. Fiúza: O projeto do míssil anti-navio nacional é uma idéia muito antiga. No final da década de 1970, o Alte Branco, então Diretor da antiga DACM (Diretoria de Armamento e Comunicações da Marinha) resolveu que era necessário formar uma equipe para tratar de um projeto de um míssil nacional. Vários Oficiais foram naquela época enviados para se especializarem no assunto. Eu acabei escolhido para, em 1980, ir cursar mestrado em engenharia aeronáutica no MIT na área de controle, navegação e guiagem de mísseis.
DEFESANET: O que foi feito na ocasião?
Alte. Fiúza: A idéia, em 1982, quando voltei dos USA, era a mesma de hoje em dia: produzir um míssil que tivesse o alcance de nossos sensores. Algo em torno de 30 milhas náuticas (cerca de 60 km).
Este tipo de míssil sempre será necessário em qualquer Marinha, é quase que uma continuação do conceito de “Bateria Principal” nos navios antigos. É lógico que países do Primeiro Mundo e Marinhas mais ricas podem se dar ao luxo de alcances maiores e mísseis mais caros, esperando uma possível OTHT (Over-The-Horizon Targeting) oferecidas por outros meios, mas sempre haverá lugar num navio patrulha ou escolta de um míssil anti-navio barato que possa engajar alvos dentro do seu horizonte radar .
Havia, naquele momento, o oferecimento de uma empresa israelense de se montar uma fábrica para produzir o míssil GABRIEL III no Brasil. Contudo, como era apenas uma transferência de “know-how” e não de “know-why”, a MB decidiu não prosseguir com as negociações. Posteriormente, os israelenses partiram para negociar com a África do Sul e lá fizeram o míssil SKORPION.
DEFESANET: Mas essa fábrica não poderia ser encarada como um primeiro passo na direção do SSM nacional?
Alte. Fiúza: Certamente seria um passo, mas provavelmente não nos levaria a lugar algum. Há uma história bastante elucidativa a esse respeito: Na década de 1950, a MB comprou uma fábrica de torpedos MK 15 que era capaz de fazer tudo daquele torpedo. Entravam os insumos e saia o produto acabado. Essa fábrica funcionou durante algum tempo em Niterói. Contudo, ela fabricou apenas cerca de 50 unidades e a MB decidiu que não havia mais necessidade de produzir outros. A fábrica produziu então material de teste, bancadas e até brindes. Depois, por falta de demanda, ficou em estado vegetativo. Quando chegou a hora de partir para o MK 16, lançado por submarinos, fomos incapazes de fazer o salto tecnológico necessário. Faltava-nos o conhecimento da engenharia de projeto. Só sabíamos construir bem feito aquilo que tinha sido programado.
DEFESANET: O senhor então não acredita em transferência de tecnologia?
Alte. Fiúza: É claro que acredito! Porém transferência de tecnologia só acontece num momento mágico em que há alguém que sabe o bastante para ter uma dúvida e existe um outro alguém, mais experiente, que fornece a resposta correta. Só nessas condições haverá de fato uma transferência de conhecimento. Não adianta mandarem livros, manuais ou darem cursos teóricos se esta premissa não for atendida. Na ocasião, os israelenses deixaram claro que não iriam responder a qualquer pergunta técnica sobre a engenharia de projeto de mísseis.
DEFESANET: O que aconteceu a partir de então?
Alte. Fiúza: Por vários motivos, a MB continuou adquirindo seus Exocet, exatamente como havia feito desde 1975. Até que em 2001, a MB recebeu uma carta da MBDA avisando que o míssil tipo MM38 que possuíamos não seria mais apoiado pela empresa. Isso depois de muito alardearem sobre as vantagens de seus novos mísseis com especificações acima do que precisamos e por volta de 3 vezes mais onerosos. Isso gerou uma desconfortável sensação de impotência na MB e decidiu-se que o projeto do míssil nacional finalmente seria retomado. A MB teria que se desfazer de seus MM38 apesar de serem ainda perfeitamente adequados às tarefas, ameaças e cenários (TAC) esperados. Porém, como a confiabilidade e disponibilidade deles iriam despencar, a MB decidiu adquirir, numa primeira hora, novos mísseis. Foi então que a Marinha se conscientizou que não poderia mais continuar dependendo das condições de lucratividade de empresas estrangeiras em relação a sua arma mais letal. A situação não ficou mais crítica para a MB, pois o MM38 teve uma sobrevida graças, aliás, a Marinha Francesa.
DEFESANET: A decisão, então, foi Estratégica?
Alte. Fiúza: O preço de mísseis, como o de qualquer arma importante, é político. O que um Estado está disposto a pagar a outro Estado para ter uma arma? No caso de fornecedores como a antiga URSS, esse preço era aderir a uma ideologia, no caso dos USA era aceitar uma graduação tecnológica determinada por eles e no caso dos europeus era pagar preços exorbitantes por material de, digamos, “penúltimo” estado da arte. Por isso, a decisão de produzir ou não uma arma no seu próprio País é naturalmente estratégica.
DEFESANET: Como, então, se iniciou essa empreitada?
Alte. Fiúza: Houve primeiramente um projeto chamado de “munição inteligente” que se desenvolveu entre 2003 e 2005. Nesse projeto foram levantados todos os passos da sequência reversível e, principalmente da sequência irreversível de lançamento do míssil. Isso permitiu que o IPqM (Instituto de Pesquisas da Marinha) com supervisão da DSAM (Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha, órgão que sucedeu a DACM) adaptasse um lançador de MM38 para lançar o MM40. Um lançamento foi realizado com sucesso no final de 2005. Esse projeto nos deu segurança para partir com confiança para o projeto nacional. Além disso, como passamos a dominar a interface entre o míssil e o sistema de lançamento, temos como iniciar o projeto.
DEFESANET: Qual foi o próximo passo?
Alte. Fiúza: Bem, a MB aceitou descartar os mísseis MM38, mas resolveu “forçar a barra” e dizer a MBDA que iria nacionalizar o motor foguete, parte perecível mais crítica do míssil. Daí, ela deixou claro que a empresa poderia aceitar colaborar no desenvolvimento e ser contratada para isso, ou se negar a fazer o que não impediria que a MB realizasse todos os esforços possíveis para montar esse componente. Com ou sem a MBDA, a MB iria fazer o seu míssil SSM. Felizmente, a MBDA resolveu colaborar, o que tem feito com grande competência e dignidade. Ela tem auxiliado nossas empresas a se capacitarem dentro dos rigorosos padrões da área de mísseis e nos introduzido a modernas ferramentas de gerenciamento. Entretanto, devo frisar que essa transferência de tecnologia só esta ocorrendo porque há profissionais com grande conhecimento a respeito de mísseis não só na MB, como também, nas empresas nacionais envolvidas.
DEFESANET: E quais empresas são essas?
Alte. Fiúza: De início, contratamos a Avibrás e a MBDA para que a primeira, com apoio da segunda, produza o motor foguete que será colocado nos Exocet da MB. Esse motor em nada é igual ao antigo, sua tecnologia é bem mais moderna mas ele deverá satisfazer aos requisitos de interface e desempenho para ser integrado ao MM-40.
A Mectron, por sua vez, está trabalhando, com uma cabeça telemétrica com apoio da MBDA.
A ARES está encarregada de produzir e desenvolver o lançador. Os sensores inerciais estão contratados junto ao CTMSP (Centro tecnológico da Marinha em S. Paulo) e a plataforma inercial será produzida pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM). Estamos mantendo contato com empresas que trabalham na área de radiofreqüência para o projeto do “seeker” para substituir o antigo radar ADAC. Estamos, também, mantendo contato com uma grande empresa na área de integração de sistemas para nos auxiliar na supervisão do projeto e temos conversado com o pessoal do CTEX (Centro Tecnológico do Exército) no que tange às pilhas térmicas. A carga útil deve ser produzida pela FAJCMC, a fábrica de munições da MB. A Grande integradora, contudo, deverá ser a Avibrás. É também nossa intenção montar uma raia de testes adequada no Brasil.
DEFESANET: Então a MBDA esta contratada apenas para prestar assistência a essas empresas?
Alte. Fiúza: Não. Temos mais 2 contratos com a MBDA além do de cooperação técnica para desenvolvimento de um motor capaz de substituir o dos mísseis existentes na MB: 1) Contrato de Fornecimento de Motores Foguetes, pois foi acordado que parte dos mísseis da MB será remotorizada com motores fabricados por eles na França; e 2) Contrato para fornecimento de itens que a MB resolveu não partir de início para a sua nacionalização por serem sensíveis à área de segurança: iniciadores e mecanismos de segurança, por exemplo.
DEFESANET: Quais são os prazos e custos do projeto?
Alte. Fiúza: O prazo para se ter o míssil pronto é de 8 anos contados a partir de 2008. Quanto aos custos, prefiro não comentar a fim de poder melhor negociar com as empresas, porém quem tiver acesso ao SIGPLAN do Governo Federal, é só verificar os valores no projeto 1N56. No primeiro ano tivemos R$ 4 milhões e neste ano R$ 7 milhões não estão incluídos os custos do motor e cabeça telemétrica que fazem parte de um projeto separado de certificação dos atuais MM-40 Acredito que a quantidade de verba não seja problema no projeto, mas sim, poder usá-la no que for mais necessário, sempre dentro da sistemática estabelecida pela MB. Ou seja problemas, se existirem, serão de ordem burocrático-legal e não de ordem técnico-financeira. Daí nossa grande esperança na END principalmente na regulamentação do relacionamento Força-Empresa.
DEFESANET: A sua equipe é muito grande?
Alte. Fiúza: Pelo contrário, é estratégia do projeto mantê-la o mais enxuta possível. Somos 5 profissionais, todos contratados pela EMGEPRON. A sede da GEM (Gerência Especial de Mísseis), fica na DSAM.
DEFESANET: O que o senhor nos diz dos riscos do Projeto?
Alte. Fiúza: A parte do motor esta bastante adiantada. A cabeça telemétrica também corre a contento. As demais partes ainda estão no início. Entretanto, não acredito em obstáculos intransponíveis. Os riscos de não se chegar a um motor foguete utilizável são muito pequenos. O que pode haver são atrasos. Por exemplo, um dos componentes do propelente sólido, o PBH/OH era fabricado no Brasil pela Petroflex, empresa que pertencia à Petrobras. Porém ela foi vendida a um grupo estrangeiro que, por falta de interesse econômico, fechou a referida planta. Portanto, algo que antes era fabricado por uma empresa estatal deixou de estar disponível e agora estamos tendo que negociar com outros produtores, que mesmo fornecendo um produto de boa qualidade tem dificuldade em manter um padrão. Futuramente, a Avibrás deve partir para montar a sua própria planta de PBH/OH, mas problemas como esse são emblemáticos.
DEFESANET: Quando o senhor espera realizar os testes do motor?
Alte. Fiúza: São motores que queimarão por volta de 5 minutos. Isso é mais que quase todos os que já foram feitos no Brasil e comparável aos do VLS. Por questões de segurança, o primeiro teste deve ser realizado em terra. Esses testes devem ser realizados já no ano que vem.
DEFESANET: Finalmente, qual seria o seu lema nesse projeto?
Alte. Fiúza: Eu diria que não desejo reinventar a roda, mas se for impossível copiá-la, então, reinventá-la-emos.”
"O VA (RM1) Ronaldo Fiúza de Castro é o Gerente do Projeto de Desenvolvimento do míssil nacional superfície-superfície (SSM – do inglês “Surface-to-Surface Missile”) pela Marinha do Brasil (MB). Esse projeto é considerado um dos mais importantes em curso atualmente na nossa Marinha, perdendo apenas para o do Submarino Nuclear.
Antes de iniciar a entrevista o Alte. Fiúza deixou bem claro que ele não está emitindo opiniões e posições da Marinha, ele só exporia as suas opiniões pessoais e comentaria sobre fatos concretos.
DEFESANET: Alte Fiúza, por que o senhor solicitou que fosse realizada esta entrevista?
Alte. Fiúza: É a oportunidade de esclarecer alguns pontos relacionados a este projeto que estão sendo divulgados pela imprensa. Tudo o que será comentado aqui são fatos concretos e as opiniões e posicionamentos pessoais meus.
DEFESANET: Qual é, então, o objeto do Projeto do Míssil Nacional?
Alte. Fiúza: O Objeto deste projeto é um míssil anti-navio produzido no Brasil que possa ser lançado dos lançadores existentes atualmente da MB. O alcance desse míssil será compatível com os sensores de bordo, atualmente isto significa cerca de 60 km. Isto é, as características do míssil devem ser aproximadamente as do EXOCET MM40 Bk I.
DEFESANET: Quando foi que a MB decidiu partir para o projeto de um míssil SSM nacional ?
Alte. Fiúza: O projeto do míssil anti-navio nacional é uma idéia muito antiga. No final da década de 1970, o Alte Branco, então Diretor da antiga DACM (Diretoria de Armamento e Comunicações da Marinha) resolveu que era necessário formar uma equipe para tratar de um projeto de um míssil nacional. Vários Oficiais foram naquela época enviados para se especializarem no assunto. Eu acabei escolhido para, em 1980, ir cursar mestrado em engenharia aeronáutica no MIT na área de controle, navegação e guiagem de mísseis.
DEFESANET: O que foi feito na ocasião?
Alte. Fiúza: A idéia, em 1982, quando voltei dos USA, era a mesma de hoje em dia: produzir um míssil que tivesse o alcance de nossos sensores. Algo em torno de 30 milhas náuticas (cerca de 60 km).
Este tipo de míssil sempre será necessário em qualquer Marinha, é quase que uma continuação do conceito de “Bateria Principal” nos navios antigos. É lógico que países do Primeiro Mundo e Marinhas mais ricas podem se dar ao luxo de alcances maiores e mísseis mais caros, esperando uma possível OTHT (Over-The-Horizon Targeting) oferecidas por outros meios, mas sempre haverá lugar num navio patrulha ou escolta de um míssil anti-navio barato que possa engajar alvos dentro do seu horizonte radar .
Havia, naquele momento, o oferecimento de uma empresa israelense de se montar uma fábrica para produzir o míssil GABRIEL III no Brasil. Contudo, como era apenas uma transferência de “know-how” e não de “know-why”, a MB decidiu não prosseguir com as negociações. Posteriormente, os israelenses partiram para negociar com a África do Sul e lá fizeram o míssil SKORPION.
DEFESANET: Mas essa fábrica não poderia ser encarada como um primeiro passo na direção do SSM nacional?
Alte. Fiúza: Certamente seria um passo, mas provavelmente não nos levaria a lugar algum. Há uma história bastante elucidativa a esse respeito: Na década de 1950, a MB comprou uma fábrica de torpedos MK 15 que era capaz de fazer tudo daquele torpedo. Entravam os insumos e saia o produto acabado. Essa fábrica funcionou durante algum tempo em Niterói. Contudo, ela fabricou apenas cerca de 50 unidades e a MB decidiu que não havia mais necessidade de produzir outros. A fábrica produziu então material de teste, bancadas e até brindes. Depois, por falta de demanda, ficou em estado vegetativo. Quando chegou a hora de partir para o MK 16, lançado por submarinos, fomos incapazes de fazer o salto tecnológico necessário. Faltava-nos o conhecimento da engenharia de projeto. Só sabíamos construir bem feito aquilo que tinha sido programado.
DEFESANET: O senhor então não acredita em transferência de tecnologia?
Alte. Fiúza: É claro que acredito! Porém transferência de tecnologia só acontece num momento mágico em que há alguém que sabe o bastante para ter uma dúvida e existe um outro alguém, mais experiente, que fornece a resposta correta. Só nessas condições haverá de fato uma transferência de conhecimento. Não adianta mandarem livros, manuais ou darem cursos teóricos se esta premissa não for atendida. Na ocasião, os israelenses deixaram claro que não iriam responder a qualquer pergunta técnica sobre a engenharia de projeto de mísseis.
DEFESANET: O que aconteceu a partir de então?
Alte. Fiúza: Por vários motivos, a MB continuou adquirindo seus Exocet, exatamente como havia feito desde 1975. Até que em 2001, a MB recebeu uma carta da MBDA avisando que o míssil tipo MM38 que possuíamos não seria mais apoiado pela empresa. Isso depois de muito alardearem sobre as vantagens de seus novos mísseis com especificações acima do que precisamos e por volta de 3 vezes mais onerosos. Isso gerou uma desconfortável sensação de impotência na MB e decidiu-se que o projeto do míssil nacional finalmente seria retomado. A MB teria que se desfazer de seus MM38 apesar de serem ainda perfeitamente adequados às tarefas, ameaças e cenários (TAC) esperados. Porém, como a confiabilidade e disponibilidade deles iriam despencar, a MB decidiu adquirir, numa primeira hora, novos mísseis. Foi então que a Marinha se conscientizou que não poderia mais continuar dependendo das condições de lucratividade de empresas estrangeiras em relação a sua arma mais letal. A situação não ficou mais crítica para a MB, pois o MM38 teve uma sobrevida graças, aliás, a Marinha Francesa.
DEFESANET: A decisão, então, foi Estratégica?
Alte. Fiúza: O preço de mísseis, como o de qualquer arma importante, é político. O que um Estado está disposto a pagar a outro Estado para ter uma arma? No caso de fornecedores como a antiga URSS, esse preço era aderir a uma ideologia, no caso dos USA era aceitar uma graduação tecnológica determinada por eles e no caso dos europeus era pagar preços exorbitantes por material de, digamos, “penúltimo” estado da arte. Por isso, a decisão de produzir ou não uma arma no seu próprio País é naturalmente estratégica.
DEFESANET: Como, então, se iniciou essa empreitada?
Alte. Fiúza: Houve primeiramente um projeto chamado de “munição inteligente” que se desenvolveu entre 2003 e 2005. Nesse projeto foram levantados todos os passos da sequência reversível e, principalmente da sequência irreversível de lançamento do míssil. Isso permitiu que o IPqM (Instituto de Pesquisas da Marinha) com supervisão da DSAM (Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha, órgão que sucedeu a DACM) adaptasse um lançador de MM38 para lançar o MM40. Um lançamento foi realizado com sucesso no final de 2005. Esse projeto nos deu segurança para partir com confiança para o projeto nacional. Além disso, como passamos a dominar a interface entre o míssil e o sistema de lançamento, temos como iniciar o projeto.
DEFESANET: Qual foi o próximo passo?
Alte. Fiúza: Bem, a MB aceitou descartar os mísseis MM38, mas resolveu “forçar a barra” e dizer a MBDA que iria nacionalizar o motor foguete, parte perecível mais crítica do míssil. Daí, ela deixou claro que a empresa poderia aceitar colaborar no desenvolvimento e ser contratada para isso, ou se negar a fazer o que não impediria que a MB realizasse todos os esforços possíveis para montar esse componente. Com ou sem a MBDA, a MB iria fazer o seu míssil SSM. Felizmente, a MBDA resolveu colaborar, o que tem feito com grande competência e dignidade. Ela tem auxiliado nossas empresas a se capacitarem dentro dos rigorosos padrões da área de mísseis e nos introduzido a modernas ferramentas de gerenciamento. Entretanto, devo frisar que essa transferência de tecnologia só esta ocorrendo porque há profissionais com grande conhecimento a respeito de mísseis não só na MB, como também, nas empresas nacionais envolvidas.
DEFESANET: E quais empresas são essas?
Alte. Fiúza: De início, contratamos a Avibrás e a MBDA para que a primeira, com apoio da segunda, produza o motor foguete que será colocado nos Exocet da MB. Esse motor em nada é igual ao antigo, sua tecnologia é bem mais moderna mas ele deverá satisfazer aos requisitos de interface e desempenho para ser integrado ao MM-40.
A Mectron, por sua vez, está trabalhando, com uma cabeça telemétrica com apoio da MBDA.
A ARES está encarregada de produzir e desenvolver o lançador. Os sensores inerciais estão contratados junto ao CTMSP (Centro tecnológico da Marinha em S. Paulo) e a plataforma inercial será produzida pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM). Estamos mantendo contato com empresas que trabalham na área de radiofreqüência para o projeto do “seeker” para substituir o antigo radar ADAC. Estamos, também, mantendo contato com uma grande empresa na área de integração de sistemas para nos auxiliar na supervisão do projeto e temos conversado com o pessoal do CTEX (Centro Tecnológico do Exército) no que tange às pilhas térmicas. A carga útil deve ser produzida pela FAJCMC, a fábrica de munições da MB. A Grande integradora, contudo, deverá ser a Avibrás. É também nossa intenção montar uma raia de testes adequada no Brasil.
DEFESANET: Então a MBDA esta contratada apenas para prestar assistência a essas empresas?
Alte. Fiúza: Não. Temos mais 2 contratos com a MBDA além do de cooperação técnica para desenvolvimento de um motor capaz de substituir o dos mísseis existentes na MB: 1) Contrato de Fornecimento de Motores Foguetes, pois foi acordado que parte dos mísseis da MB será remotorizada com motores fabricados por eles na França; e 2) Contrato para fornecimento de itens que a MB resolveu não partir de início para a sua nacionalização por serem sensíveis à área de segurança: iniciadores e mecanismos de segurança, por exemplo.
DEFESANET: Quais são os prazos e custos do projeto?
Alte. Fiúza: O prazo para se ter o míssil pronto é de 8 anos contados a partir de 2008. Quanto aos custos, prefiro não comentar a fim de poder melhor negociar com as empresas, porém quem tiver acesso ao SIGPLAN do Governo Federal, é só verificar os valores no projeto 1N56. No primeiro ano tivemos R$ 4 milhões e neste ano R$ 7 milhões não estão incluídos os custos do motor e cabeça telemétrica que fazem parte de um projeto separado de certificação dos atuais MM-40 Acredito que a quantidade de verba não seja problema no projeto, mas sim, poder usá-la no que for mais necessário, sempre dentro da sistemática estabelecida pela MB. Ou seja problemas, se existirem, serão de ordem burocrático-legal e não de ordem técnico-financeira. Daí nossa grande esperança na END principalmente na regulamentação do relacionamento Força-Empresa.
DEFESANET: A sua equipe é muito grande?
Alte. Fiúza: Pelo contrário, é estratégia do projeto mantê-la o mais enxuta possível. Somos 5 profissionais, todos contratados pela EMGEPRON. A sede da GEM (Gerência Especial de Mísseis), fica na DSAM.
DEFESANET: O que o senhor nos diz dos riscos do Projeto?
Alte. Fiúza: A parte do motor esta bastante adiantada. A cabeça telemétrica também corre a contento. As demais partes ainda estão no início. Entretanto, não acredito em obstáculos intransponíveis. Os riscos de não se chegar a um motor foguete utilizável são muito pequenos. O que pode haver são atrasos. Por exemplo, um dos componentes do propelente sólido, o PBH/OH era fabricado no Brasil pela Petroflex, empresa que pertencia à Petrobras. Porém ela foi vendida a um grupo estrangeiro que, por falta de interesse econômico, fechou a referida planta. Portanto, algo que antes era fabricado por uma empresa estatal deixou de estar disponível e agora estamos tendo que negociar com outros produtores, que mesmo fornecendo um produto de boa qualidade tem dificuldade em manter um padrão. Futuramente, a Avibrás deve partir para montar a sua própria planta de PBH/OH, mas problemas como esse são emblemáticos.
DEFESANET: Quando o senhor espera realizar os testes do motor?
Alte. Fiúza: São motores que queimarão por volta de 5 minutos. Isso é mais que quase todos os que já foram feitos no Brasil e comparável aos do VLS. Por questões de segurança, o primeiro teste deve ser realizado em terra. Esses testes devem ser realizados já no ano que vem.
DEFESANET: Finalmente, qual seria o seu lema nesse projeto?
Alte. Fiúza: Eu diria que não desejo reinventar a roda, mas se for impossível copiá-la, então, reinventá-la-emos.”
GILMAR VS. BARBOSA: A MÍDIA TAPANDO A CRISE COM A PENEIRA
Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto escrito por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:
“Os jornais engrossam o esforço para minimizar as conseqüências do grotesco bate-boca protagonizado na quarta-feira (22/4) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro do STF Joaquim Barbosa. A imprensa tenta esclarecer as divergências que democratizam o plenário da corte suprema, traçando os perfis dos magistrados, suas origens e tendências políticas, mas dá amplo espaço para declarações segundo as quais não há uma crise no STF.
É como se o Brasil oficial, aquele que preenche a agenda política e alimenta o noticiário com suas declarações e querelas, pretendesse criar um limite para o que o público pode ou não pode saber sobre os bastidores dos poderes da República. Acontece que o episódio foi transmitido pela TV Justiça, ao vivo, e, capturado por internautas, está disponível para quem queira assistir. Mas recomenda-se tirar as crianças da frente do computador. O espetáculo não homenageia as instituições democráticas.
O Globo, que ultimamente tem aplicado certo humor de gosto duvidoso sobre temas de alta gravidade, saiu para o lado da galhofa. O texto em questão, que ocupa uma página inteira, compara a discussão entre os magistrados a uma briga de rua. Mas, no meio da blague, o autor do texto observa que a referência de Barbosa a supostos "capangas" de Gilmar Mendes produz "uma boa linha investigativa". Está aí, de fato, uma pauta que atiça a curiosidade dos leitores. Mas será que os jornais vão se interessar?
MAIOR APOIO
E o que há por trás do desentendimento entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, personagem corriqueira na mídia, e o ministro que se notabilizou por aceitar a denúncia contra os acusados do escândalo chamado de mensalão?
Segundo revelam os jornais, além de desentendimentos pessoais de longa data, entre os quais despontam certas referências étnicas, os dois magistrados sustentam no plenário pesadas divergências de fundo doutrinário.
O ministro Joaquim Barbosa, primeiro e único representante de afrodescendentes a chegar ao Supremo Tribunal, defende a atuação agressiva da Polícia Federal e do Ministério Público nos crimes de colarinho branco. O presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, manifesta-se publicamente contra o que chama de abusos nas investigações, e tem tomado decisões controversas em pedidos de habeas corpus de réus de grande repercussão.
Discretamente, a imprensa pende em favor de Gilmar Mendes, mas Joaquim Barbosa parece contar com maior apoio do público. A crise que a imprensa tenta abafar não deixa de existir se sair do noticiário.”
“Os jornais engrossam o esforço para minimizar as conseqüências do grotesco bate-boca protagonizado na quarta-feira (22/4) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro do STF Joaquim Barbosa. A imprensa tenta esclarecer as divergências que democratizam o plenário da corte suprema, traçando os perfis dos magistrados, suas origens e tendências políticas, mas dá amplo espaço para declarações segundo as quais não há uma crise no STF.
É como se o Brasil oficial, aquele que preenche a agenda política e alimenta o noticiário com suas declarações e querelas, pretendesse criar um limite para o que o público pode ou não pode saber sobre os bastidores dos poderes da República. Acontece que o episódio foi transmitido pela TV Justiça, ao vivo, e, capturado por internautas, está disponível para quem queira assistir. Mas recomenda-se tirar as crianças da frente do computador. O espetáculo não homenageia as instituições democráticas.
O Globo, que ultimamente tem aplicado certo humor de gosto duvidoso sobre temas de alta gravidade, saiu para o lado da galhofa. O texto em questão, que ocupa uma página inteira, compara a discussão entre os magistrados a uma briga de rua. Mas, no meio da blague, o autor do texto observa que a referência de Barbosa a supostos "capangas" de Gilmar Mendes produz "uma boa linha investigativa". Está aí, de fato, uma pauta que atiça a curiosidade dos leitores. Mas será que os jornais vão se interessar?
MAIOR APOIO
E o que há por trás do desentendimento entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, personagem corriqueira na mídia, e o ministro que se notabilizou por aceitar a denúncia contra os acusados do escândalo chamado de mensalão?
Segundo revelam os jornais, além de desentendimentos pessoais de longa data, entre os quais despontam certas referências étnicas, os dois magistrados sustentam no plenário pesadas divergências de fundo doutrinário.
O ministro Joaquim Barbosa, primeiro e único representante de afrodescendentes a chegar ao Supremo Tribunal, defende a atuação agressiva da Polícia Federal e do Ministério Público nos crimes de colarinho branco. O presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, manifesta-se publicamente contra o que chama de abusos nas investigações, e tem tomado decisões controversas em pedidos de habeas corpus de réus de grande repercussão.
Discretamente, a imprensa pende em favor de Gilmar Mendes, mas Joaquim Barbosa parece contar com maior apoio do público. A crise que a imprensa tenta abafar não deixa de existir se sair do noticiário.”
REVISTA 'THE ECONOMIST' PREGA DESAGREGAÇÃO DA AMÉRICA LATINA
Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto de Osvaldo Bertolino postado no blog “O Outro Lado da Notícia”:
“A conservadora revista britânica The Economist, em um editorial publicado na edição desta semana, cobra uma nova postura do governo brasileiro em relação a Cuba e Venezuela, de denúncia dos que “usam o antiamericanismo como um pretexto para o autoritarismo”. O argumento é falso e capcioso — altivez, independência e democracia no sentido popular do termo nada têm a ver com “antiamericanismo”.
Fazendo um “balanço” da Cúpula das Américas e das novas políticas do presidente norte-americano, Barack Obama, para a América Latina, a revista afirma que os Estados Unidos estão tentando convencer a região de que são “uma força para o bem”. O “bem”, no caso são os interesses dos quais a The Economist é porta-voz — o capital monopolista.
Pregando a divisão da região, a revista diz que para responder a esta nova postura do governo norte-americano, segundo a revista, o Brasil e outros países deveriam mostrar uma atitude mais firme, para garantir que “a relativamente recente adoção da democracia e dos direitos humanos na região seja sustentável”. A revista repete o tom autoritário do regime liberal, para quem democracia e direitos humanos só valem se for de acordo com sua cartilha rota.
A publicação reconhece uma verdade parcial ao afirmar que o “antiamericanismo” na América Latina foi estimulado pela “atitude autoritária e arrogante” do governo de George W. Bush. O governo de Bush, segundo a revista, transformou os Estados Unidos em um “alvo fácil para aqueles que, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, gostam de culpar um bode expiatório estrangeiro pelos problemas de seus países”.
Bush tem lá sua parcela de culpa, mas a “atitude autoritária e arrogante” é do regime norte-americano, independentemente de quem seja o presidente. Citando a postura de Obama de tratar os países da região como “iguais” durante a cúpula de Trinidad e Tobago, a revista afirma que, no entanto, o novo presidente dos Estados Unidos “parece determinado a desarmar os críticos antiamericanos”.
Trata-se de mais uma falseta. Os críticos “antiamericanos” na verdade são os líderes democratas da região de lutam pela independência efetiva da América Latina. A crítica é ao regime norte-americano e não ao povo e ao país Estados Unidos.
Fazendo peças para dizer meias verdades e muitas mentiras, a revista afirma que entre as novas políticas de Obama para a região está o relaxamento das restrições a viagens e ao envio de remessas a Cuba por parte de cubano-americanos, mas cobra o fim definitivo do “embargo” à ilha, que classifica como “injusto, ilógico e contraproducente”.
Outras mudanças na diplomacia norte-americana citadas são o apoio de Obama à luta contra o narcotráfico no México e sua postura “polida” com Hugo Chávez. Para a The Economist, no entanto, “assim como seu antecessor (George W. Bush), Obama inteligentemente reconhece a nova posição do Brasil como o líder da América do Sul”. Pura malandragem!”
“A conservadora revista britânica The Economist, em um editorial publicado na edição desta semana, cobra uma nova postura do governo brasileiro em relação a Cuba e Venezuela, de denúncia dos que “usam o antiamericanismo como um pretexto para o autoritarismo”. O argumento é falso e capcioso — altivez, independência e democracia no sentido popular do termo nada têm a ver com “antiamericanismo”.
Fazendo um “balanço” da Cúpula das Américas e das novas políticas do presidente norte-americano, Barack Obama, para a América Latina, a revista afirma que os Estados Unidos estão tentando convencer a região de que são “uma força para o bem”. O “bem”, no caso são os interesses dos quais a The Economist é porta-voz — o capital monopolista.
Pregando a divisão da região, a revista diz que para responder a esta nova postura do governo norte-americano, segundo a revista, o Brasil e outros países deveriam mostrar uma atitude mais firme, para garantir que “a relativamente recente adoção da democracia e dos direitos humanos na região seja sustentável”. A revista repete o tom autoritário do regime liberal, para quem democracia e direitos humanos só valem se for de acordo com sua cartilha rota.
A publicação reconhece uma verdade parcial ao afirmar que o “antiamericanismo” na América Latina foi estimulado pela “atitude autoritária e arrogante” do governo de George W. Bush. O governo de Bush, segundo a revista, transformou os Estados Unidos em um “alvo fácil para aqueles que, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, gostam de culpar um bode expiatório estrangeiro pelos problemas de seus países”.
Bush tem lá sua parcela de culpa, mas a “atitude autoritária e arrogante” é do regime norte-americano, independentemente de quem seja o presidente. Citando a postura de Obama de tratar os países da região como “iguais” durante a cúpula de Trinidad e Tobago, a revista afirma que, no entanto, o novo presidente dos Estados Unidos “parece determinado a desarmar os críticos antiamericanos”.
Trata-se de mais uma falseta. Os críticos “antiamericanos” na verdade são os líderes democratas da região de lutam pela independência efetiva da América Latina. A crítica é ao regime norte-americano e não ao povo e ao país Estados Unidos.
Fazendo peças para dizer meias verdades e muitas mentiras, a revista afirma que entre as novas políticas de Obama para a região está o relaxamento das restrições a viagens e ao envio de remessas a Cuba por parte de cubano-americanos, mas cobra o fim definitivo do “embargo” à ilha, que classifica como “injusto, ilógico e contraproducente”.
Outras mudanças na diplomacia norte-americana citadas são o apoio de Obama à luta contra o narcotráfico no México e sua postura “polida” com Hugo Chávez. Para a The Economist, no entanto, “assim como seu antecessor (George W. Bush), Obama inteligentemente reconhece a nova posição do Brasil como o líder da América do Sul”. Pura malandragem!”
DEPUTADO DIZ QUE OPOSIÇÃO USA CPI's ''PARA APARECER''
Li hoje no site “vermelho”:
“Na semana em que foi lido o relatório final da CPI das Escutas Telefônicas, o deputado Luiz Couto (PT-PB) afirmou que as comissões parlamentares de inquérito têm sido transformadas em espaço de disputa política. A oposição se aproveita de que as reuniões são transmitidas pela TV Câmara para aparecer “com denúncias caluniosas” contra o governo, lamenta o parlamentar.
“Com a população assistindo a TV Câmara e outros canais, muita gente aproveita para aparecer nesse espaço”, criticou o deputado, alegando que não foi à última reunião da CPI das Escutas Telefônicas em protesto.
Couto explicou que as CPIs foram criadas para investigar situações concretas, problemas ocorridos no País e também fiscalizar os atos do poder público nas suas diversas esferas, “mas alguns vêm aproveitando o momento para fazer denúncias caluniosas dizendo que a Polícia Federal fez escuta ilegal, quando, na realidade, todas as investigações estavam de acordo com a lei.”
O parlamentar repetiu a crítica que já havia feito durante a CPI dos Bingos, transformada, segundo ele, em uma espécie de delegacia para tentar macular a imagem do PT e do presidente Lula. Segundo ele, “hoje não interessa investigar; interessa fazer o discurso político. Mais do que isso, têm sido utilizadas como forma de se contrapor”, disse.”
“Na semana em que foi lido o relatório final da CPI das Escutas Telefônicas, o deputado Luiz Couto (PT-PB) afirmou que as comissões parlamentares de inquérito têm sido transformadas em espaço de disputa política. A oposição se aproveita de que as reuniões são transmitidas pela TV Câmara para aparecer “com denúncias caluniosas” contra o governo, lamenta o parlamentar.
“Com a população assistindo a TV Câmara e outros canais, muita gente aproveita para aparecer nesse espaço”, criticou o deputado, alegando que não foi à última reunião da CPI das Escutas Telefônicas em protesto.
Couto explicou que as CPIs foram criadas para investigar situações concretas, problemas ocorridos no País e também fiscalizar os atos do poder público nas suas diversas esferas, “mas alguns vêm aproveitando o momento para fazer denúncias caluniosas dizendo que a Polícia Federal fez escuta ilegal, quando, na realidade, todas as investigações estavam de acordo com a lei.”
O parlamentar repetiu a crítica que já havia feito durante a CPI dos Bingos, transformada, segundo ele, em uma espécie de delegacia para tentar macular a imagem do PT e do presidente Lula. Segundo ele, “hoje não interessa investigar; interessa fazer o discurso político. Mais do que isso, têm sido utilizadas como forma de se contrapor”, disse.”
TUCANOS PLANEJAVAM RETARDAR OBRAS DO PAC, MAS NOTÍCIA VAZOU
Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto oriundo do site Midianews.com.br:
“O site matogrossense Midianews.com.br registra que o PSDB estava entabulando o que se pode chamar de "golpe de mestre" em cima do Governo Lula e da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à Presidência da República. Segundo o site, a trama foi pensada pelo diretório nacional da sigla, para favorecer Serra ou Aécio em 2010. Mas a notícia vazou e o governo passou a fiscalizar de perto o cumprimento dos prazos das obras do PAC que os tucanos queriam boicotar.
Recentemente, se reuniram em São Paulo, além de dirigentes nacionais do tucanato, os governadores José Serra, de São Paulo (provável candidato a presidente da República), e Aécio Neves, de Minas Gerais (também com chances de ser indicado candidato), além dos prefeitos José Richa (Curitiba) e Wilson Santos (Cuiabá), entre outros, para discutirem o processo eleitoral de 2010.
Durante o jantar, a Executiva Nacional do partido colocou que os prefeitos tucanos deveriam retardar, ao máximo, as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), empurrando "com a barriga" até dezembro, para, depois, em janeiro, deslanchar de uma só vez todas as obras. Essa estratégia serviria de palanque eleitoral para Serra ou Aécio Neves, tirando o discurso da ministra Dilma Roussef.
Porém, o que os tucanos não esperavam que acontecesse é que a notícia vazasse. E não só vazou como já chegou aos ouvidos da ministra Dilma Roussef, que, imediatamente determinou que fosse apertada a fiscalização em cima de todos os prefeitos, naturalmente, os do PSDB.
A assessoria da ministra confirmou, na segunda-feira (20), via telefone, que o assunto já é de domínio do Palácio do Planalto e que, a partir de agora, não só o cumprimento dos prazos será acompanhado de perto, como também, já há a disposição de tirar do comando das prefeituras e repassar para os governo estaduais o gerenciamento das obras onde ficar demonstrado que as prefeituras não têm poder de gerenciamento.
Dado típico de Cuiabá, já que, até agora, a equipe técnica do município ainda não conseguiu sanar as irregularidades apontadas nos relatórios da Controladoria Geral da União (CGU).
O prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, pediu alongamento de prazo para apresentar a documentação exigida, porém isso já pode fazer parte da jogada que o tucanato vinha armando em nível nacional e que deverá ser refutada, agora, que as notícias vazaram.”
“O site matogrossense Midianews.com.br registra que o PSDB estava entabulando o que se pode chamar de "golpe de mestre" em cima do Governo Lula e da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à Presidência da República. Segundo o site, a trama foi pensada pelo diretório nacional da sigla, para favorecer Serra ou Aécio em 2010. Mas a notícia vazou e o governo passou a fiscalizar de perto o cumprimento dos prazos das obras do PAC que os tucanos queriam boicotar.
Recentemente, se reuniram em São Paulo, além de dirigentes nacionais do tucanato, os governadores José Serra, de São Paulo (provável candidato a presidente da República), e Aécio Neves, de Minas Gerais (também com chances de ser indicado candidato), além dos prefeitos José Richa (Curitiba) e Wilson Santos (Cuiabá), entre outros, para discutirem o processo eleitoral de 2010.
Durante o jantar, a Executiva Nacional do partido colocou que os prefeitos tucanos deveriam retardar, ao máximo, as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), empurrando "com a barriga" até dezembro, para, depois, em janeiro, deslanchar de uma só vez todas as obras. Essa estratégia serviria de palanque eleitoral para Serra ou Aécio Neves, tirando o discurso da ministra Dilma Roussef.
Porém, o que os tucanos não esperavam que acontecesse é que a notícia vazasse. E não só vazou como já chegou aos ouvidos da ministra Dilma Roussef, que, imediatamente determinou que fosse apertada a fiscalização em cima de todos os prefeitos, naturalmente, os do PSDB.
A assessoria da ministra confirmou, na segunda-feira (20), via telefone, que o assunto já é de domínio do Palácio do Planalto e que, a partir de agora, não só o cumprimento dos prazos será acompanhado de perto, como também, já há a disposição de tirar do comando das prefeituras e repassar para os governo estaduais o gerenciamento das obras onde ficar demonstrado que as prefeituras não têm poder de gerenciamento.
Dado típico de Cuiabá, já que, até agora, a equipe técnica do município ainda não conseguiu sanar as irregularidades apontadas nos relatórios da Controladoria Geral da União (CGU).
O prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, pediu alongamento de prazo para apresentar a documentação exigida, porém isso já pode fazer parte da jogada que o tucanato vinha armando em nível nacional e que deverá ser refutada, agora, que as notícias vazaram.”
A INTERNET FRITA GILMAR MENDES
Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto de Eduardo Guimarães publicado originariamente no blog Cidadania.com:
“A repercussão da desinteligência entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa na internet converteu-se num massacre do presidente do Supremo Tribunal Federal. Em todos os grandes portais da mídia corporativa que fizeram enquetes sobre o assunto, os comentários chegaram aos milhares e foram quase unânimes em apoiar Barbosa.
Reservo, aqui, um espaço especial ao UOL, que veiculou uma enquete perguntando ao internauta qual dos ministros do STF tinha razão e quebrou a cara de uma tal maneira que simplesmente sumiu com ela pouco depois de publicada, quando o contador de comentários já se aproximava do terceiro milhar e praticamente todos esses comentários eram favoráveis a Barbosa.
Na blogosfera não foi diferente. Os blogs afinados com Gilmar Mendes (Esgoto, Noblat) viram seus posts em defesa do presidente do STF ficarem quase às moscas. No do Josias, ele parece ter optado por não deletar os apoiadores de Barbosa — o número de comentários foi alto (770, na hora em que verifiquei), mas quase todos apoiando Barbosa.
Enquanto isso, os blogs independentes — que apoiaram Barbosa em peso —, tais como o do Azenha, do Nassif, do PHA, do Idelber Avelar e, entre outros, modestamente também este blog, produziram centenas de comentários, com destaque impressionante para o blog do Luis Nassif, onde os comentários chegaram a mais de 700 no momento em que eu escrevia este post — o que pôs o Esgoto em pânico, aliás.
Enfim, estou começando a ficar animado com a “brincadeira”. A internet está começando a mostrar quem é quem politicamente hoje no Brasil. E, a partir disso, tem sido possível até mobilizar centenas, milhares de cidadãos — se se levar em conta os que têm acompanhado e apoiado atos públicos convocados pela Rede como o da ditabranda sem terem tido como participar em pessoa.
A mentalidade política nacional está mudando rapidamente e à revelia do bombardeio político avassalador das redes de televisão e rádio e dos grandes jornais e revistas, todos alinhados ao grupo político-partidário que envolve Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Gilmar Mendes e as famílias midiáticas Frias, Marinho, Civita e congêneres.
Confio cada vez mais neste país que irá às urnas em 2010.”
“A repercussão da desinteligência entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa na internet converteu-se num massacre do presidente do Supremo Tribunal Federal. Em todos os grandes portais da mídia corporativa que fizeram enquetes sobre o assunto, os comentários chegaram aos milhares e foram quase unânimes em apoiar Barbosa.
Reservo, aqui, um espaço especial ao UOL, que veiculou uma enquete perguntando ao internauta qual dos ministros do STF tinha razão e quebrou a cara de uma tal maneira que simplesmente sumiu com ela pouco depois de publicada, quando o contador de comentários já se aproximava do terceiro milhar e praticamente todos esses comentários eram favoráveis a Barbosa.
Na blogosfera não foi diferente. Os blogs afinados com Gilmar Mendes (Esgoto, Noblat) viram seus posts em defesa do presidente do STF ficarem quase às moscas. No do Josias, ele parece ter optado por não deletar os apoiadores de Barbosa — o número de comentários foi alto (770, na hora em que verifiquei), mas quase todos apoiando Barbosa.
Enquanto isso, os blogs independentes — que apoiaram Barbosa em peso —, tais como o do Azenha, do Nassif, do PHA, do Idelber Avelar e, entre outros, modestamente também este blog, produziram centenas de comentários, com destaque impressionante para o blog do Luis Nassif, onde os comentários chegaram a mais de 700 no momento em que eu escrevia este post — o que pôs o Esgoto em pânico, aliás.
Enfim, estou começando a ficar animado com a “brincadeira”. A internet está começando a mostrar quem é quem politicamente hoje no Brasil. E, a partir disso, tem sido possível até mobilizar centenas, milhares de cidadãos — se se levar em conta os que têm acompanhado e apoiado atos públicos convocados pela Rede como o da ditabranda sem terem tido como participar em pessoa.
A mentalidade política nacional está mudando rapidamente e à revelia do bombardeio político avassalador das redes de televisão e rádio e dos grandes jornais e revistas, todos alinhados ao grupo político-partidário que envolve Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Gilmar Mendes e as famílias midiáticas Frias, Marinho, Civita e congêneres.
Confio cada vez mais neste país que irá às urnas em 2010.”
EUA AVALIAM COMPRA DO SUPER TUCANO
O jornal Valor Econômico publicou ontem a seguinte reportagem de Virgínia Silveira (Obs: onde se lê “jato Super Tucano”, leia-se “turboélice Super Tucano”):
“A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) estuda a possibilidade de vir a adquirir quatro aeronaves Super Tucano, jato fabricado pela Embraer, para avaliação operacional dentro do Programa "Imminente Fury", conduzido pela sua nova seção de Guerra Irregular (guerra contra insurgência). Um exemplar do turboélice brasileiro, segundo fontes ligadas a Embraer, já vem sendo testado há cerca de um ano, pela Marinha americana, para provar o conceito de aeronave de apoio aéreo próximo para suas forças de operações especiais em conflitos.
O programa americano, de acordo com reportagem publicada na última edição da Air Forces Monthly, da Inglaterra e do site Defense News, dos EUA, está agora à espera de recursos, estimados em US$ 44 milhões, para entrar na chamada fase II, que prevê o leasing de mais quatro jatos Super Tucano e a sua colocação em combate o mais rápido possível.
O primeiro Super Tucano vendido para os EUA, como avião demonstrador de conceito, foi recebido pela US Navy através de operação de leasing, feita pela companhia local EP Aviation, do conhecido grupo americano de segurança privada Blackwater.
A Embraer confirma a venda de um Super Tucano em 2008 para a EP Aviation, mas informou que não comentaria a utilização do avião pelo governo dos EUA nem a informação de que a Marinha americana tem interesse em adquirir um lote de quatro jatos.
Duas fontes do setor, que acompanharam de perto as negociações de venda do Super Tucano para a EP Aviation, afirmam ao Valor que a aeronave também já foi testada pela Força aérea dos EUA (USAF) em uma missão secreta na Colômbia, em operação real de combate às FARC. A Força aérea da Colômbia possui e opera uma frota de 25 Super Tucano.
"O governo da Colômbia tem ótimas relações com os EUA e existe muita cooperação entre as Forças Armadas dos dois países, principalmente de apoio operacional aos helicópteros comprados dos EUA e usados no combate ao narcotráfico e a guerrilha", explicou a fonte.
A idéia do programa Imminent Fury, de acordo com a revista Air Forces Monthly, é obter uma aeronave de dois lugares (biplace), com um piloto e um operador de sensores, que possam permanecer na área de operações enquanto durarem as missões. Para isso, seria necessário um avião com capacidade de operar a partir de pistas não preparadas ou rodovias, além de ser reabastecida em poucos minutos para voltar rapidamente à ação.
O jato Super Tucano foi projetado para decolar de pistas em condições precárias, inclusive em missões noturnas, pois é uma aeronave robusta e conta com um avançado sistema de navegação e ataque. "A avaliação inicial do Super Tucano na US Navy foi positiva. Existe a recomendação de aquisição de mais unidades por ele ter sido considerado um avião válido para uso na chamada "Guerra Irregular"" , comentou a fonte.
O turboélice brasileiro tem o conceito de avião que voa mais alto e com mais velocidade que um helicóptero e mais baixo e menos veloz que um caça, ideal para os conflitos irregulares. "Sem contar que tem um custo bem mais baixo que o de um caça e pode ser usado para treinamento de pilotos que estão sendo preparados para voar em jatos", disse a fonte.
Seu concorrente mais próximo, o T-6, fabricado pela americana Beechcraft, embora esteja sofrendo algumas alterações, com vistas a uma nova versão - AT-6B - ainda é considerado inferior ao Super Tucano, sob diversos aspectos. O principal deles é o fato de ainda estar em desenvolvimento, enquanto o Super Tucano já foi produzido, certificado e operado com sucesso e em combate real, não só no Brasil, como também na Colômbia, em regiões de características comprovadamente hostis.
Outro ponto a favor do Super Tucano é a sua capacidade para carregar armamentos. Enquanto o treinador brasileiro pode levar até 1,5 tonelada de equipamentos numa missão, o AT-6B, só consegue carregar 500 quilos de carga paga.
Concebido para atender aos requisitos operacionais da Força aérea Brasileira (FAB), especialmente na região Amazônica, o Super Tucano já vem sendo considerado uma referência mundial na área de treinamento avançado e ataque leve. O vice-presidente de Defesa da Embraer, Orlando Ferreira Neto, disse em entrevista recente sobre o mercado de defesa que o Super Tucano tem um potencial de comercialização de 700 unidades nos próximos 10 anos.
O custo da versão básica do jato Super Tucano é da ordem de US$ 10 milhões. Em 2008, segundo Neto, o Super Tucano foi responsável por mais da metade das exportações da área de defesa da Embraer, que totalizaram US$ 504 milhões. Este ano, o modelo foi comprado pela República Dominicana (8) e pelo Equador (24). A FAB encomendou 99, já recebeu 67 e está em fase de recebimento de mais cinco ainda este mês.
De olho neste mercado, a Embraer está tentando firmar uma parceria com empresas norte-americanas do setor de defesa para tornar possível a venda dos Super Tucano nos EUA. "Desde o ano passado, a Embraer vem conversando com várias empresas, especialmente a Lockheed Martin e a Northropp", disse a fonte. Estimativas feitas por especialistas em defesa apontam a possibilidade de venda de pelo menos 100 unidades do Super Tucano para o governo americano.”
“A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) estuda a possibilidade de vir a adquirir quatro aeronaves Super Tucano, jato fabricado pela Embraer, para avaliação operacional dentro do Programa "Imminente Fury", conduzido pela sua nova seção de Guerra Irregular (guerra contra insurgência). Um exemplar do turboélice brasileiro, segundo fontes ligadas a Embraer, já vem sendo testado há cerca de um ano, pela Marinha americana, para provar o conceito de aeronave de apoio aéreo próximo para suas forças de operações especiais em conflitos.
O programa americano, de acordo com reportagem publicada na última edição da Air Forces Monthly, da Inglaterra e do site Defense News, dos EUA, está agora à espera de recursos, estimados em US$ 44 milhões, para entrar na chamada fase II, que prevê o leasing de mais quatro jatos Super Tucano e a sua colocação em combate o mais rápido possível.
O primeiro Super Tucano vendido para os EUA, como avião demonstrador de conceito, foi recebido pela US Navy através de operação de leasing, feita pela companhia local EP Aviation, do conhecido grupo americano de segurança privada Blackwater.
A Embraer confirma a venda de um Super Tucano em 2008 para a EP Aviation, mas informou que não comentaria a utilização do avião pelo governo dos EUA nem a informação de que a Marinha americana tem interesse em adquirir um lote de quatro jatos.
Duas fontes do setor, que acompanharam de perto as negociações de venda do Super Tucano para a EP Aviation, afirmam ao Valor que a aeronave também já foi testada pela Força aérea dos EUA (USAF) em uma missão secreta na Colômbia, em operação real de combate às FARC. A Força aérea da Colômbia possui e opera uma frota de 25 Super Tucano.
"O governo da Colômbia tem ótimas relações com os EUA e existe muita cooperação entre as Forças Armadas dos dois países, principalmente de apoio operacional aos helicópteros comprados dos EUA e usados no combate ao narcotráfico e a guerrilha", explicou a fonte.
A idéia do programa Imminent Fury, de acordo com a revista Air Forces Monthly, é obter uma aeronave de dois lugares (biplace), com um piloto e um operador de sensores, que possam permanecer na área de operações enquanto durarem as missões. Para isso, seria necessário um avião com capacidade de operar a partir de pistas não preparadas ou rodovias, além de ser reabastecida em poucos minutos para voltar rapidamente à ação.
O jato Super Tucano foi projetado para decolar de pistas em condições precárias, inclusive em missões noturnas, pois é uma aeronave robusta e conta com um avançado sistema de navegação e ataque. "A avaliação inicial do Super Tucano na US Navy foi positiva. Existe a recomendação de aquisição de mais unidades por ele ter sido considerado um avião válido para uso na chamada "Guerra Irregular"" , comentou a fonte.
O turboélice brasileiro tem o conceito de avião que voa mais alto e com mais velocidade que um helicóptero e mais baixo e menos veloz que um caça, ideal para os conflitos irregulares. "Sem contar que tem um custo bem mais baixo que o de um caça e pode ser usado para treinamento de pilotos que estão sendo preparados para voar em jatos", disse a fonte.
Seu concorrente mais próximo, o T-6, fabricado pela americana Beechcraft, embora esteja sofrendo algumas alterações, com vistas a uma nova versão - AT-6B - ainda é considerado inferior ao Super Tucano, sob diversos aspectos. O principal deles é o fato de ainda estar em desenvolvimento, enquanto o Super Tucano já foi produzido, certificado e operado com sucesso e em combate real, não só no Brasil, como também na Colômbia, em regiões de características comprovadamente hostis.
Outro ponto a favor do Super Tucano é a sua capacidade para carregar armamentos. Enquanto o treinador brasileiro pode levar até 1,5 tonelada de equipamentos numa missão, o AT-6B, só consegue carregar 500 quilos de carga paga.
Concebido para atender aos requisitos operacionais da Força aérea Brasileira (FAB), especialmente na região Amazônica, o Super Tucano já vem sendo considerado uma referência mundial na área de treinamento avançado e ataque leve. O vice-presidente de Defesa da Embraer, Orlando Ferreira Neto, disse em entrevista recente sobre o mercado de defesa que o Super Tucano tem um potencial de comercialização de 700 unidades nos próximos 10 anos.
O custo da versão básica do jato Super Tucano é da ordem de US$ 10 milhões. Em 2008, segundo Neto, o Super Tucano foi responsável por mais da metade das exportações da área de defesa da Embraer, que totalizaram US$ 504 milhões. Este ano, o modelo foi comprado pela República Dominicana (8) e pelo Equador (24). A FAB encomendou 99, já recebeu 67 e está em fase de recebimento de mais cinco ainda este mês.
De olho neste mercado, a Embraer está tentando firmar uma parceria com empresas norte-americanas do setor de defesa para tornar possível a venda dos Super Tucano nos EUA. "Desde o ano passado, a Embraer vem conversando com várias empresas, especialmente a Lockheed Martin e a Northropp", disse a fonte. Estimativas feitas por especialistas em defesa apontam a possibilidade de venda de pelo menos 100 unidades do Super Tucano para o governo americano.”
PETROBRAS ANUNCIA RECORDE DE PRODUÇÃO EM MARÇO
Li hoje no blog do Noblat a seguinte reportagem do portal G1:
PRODUÇÃO EM CAMPOS NACIONAIS CRESCEU 10,6% EM RELAÇÃO A 2008.
MÉDIA DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS TAMBÉM TEVE RECORDE.
“A Petrobras anunciou nesta sexta (24) ter atingido em março o recorde mensal da produção de petróleo nos campos nacionais. De acordo com a estatal, foram produzidos no mês 1.991.934 barris/dia, 10,6% mais que no mesmo mês do ano passado e 2,7% mais que em fevereiro passado.
Em fevereiro, a empresa também tinha registrado recorde mensal de produção.
A produção média de petróleo e gás da companhia também foi recorde para o mês de março, segundo a Petrobras. Os 2.315.276 barris equivalentes por dia produzidos no mês superam em 9,5% a produção de março de 2008 e em 3% a de fevereiro último.”
A Petrobras atribuiu o desempenho à entrada em operação de novos poços nas plataformas P-53 e FPSO Cidade de Niterói (Marlim Leste) e P-54 (Roncador). Ambas incrementaram a produção nacional de petróleo em 52 mil barris por dia.
No exterior, a produção de petróleo e gás da Petrobras diminuiu. Nos nove países onde a estatal brasileira produz, houve redução de 1,9% do volume de petróleo e gás produzido no mês anterior e de 1% em relação a março de 2008.
De acordo com a Petrobras, os motivos são "a reprogramação da perfuração de novos poços e serviços de intervenção dos poços já existentes na Venezuela".”
PRODUÇÃO EM CAMPOS NACIONAIS CRESCEU 10,6% EM RELAÇÃO A 2008.
MÉDIA DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS TAMBÉM TEVE RECORDE.
“A Petrobras anunciou nesta sexta (24) ter atingido em março o recorde mensal da produção de petróleo nos campos nacionais. De acordo com a estatal, foram produzidos no mês 1.991.934 barris/dia, 10,6% mais que no mesmo mês do ano passado e 2,7% mais que em fevereiro passado.
Em fevereiro, a empresa também tinha registrado recorde mensal de produção.
A produção média de petróleo e gás da companhia também foi recorde para o mês de março, segundo a Petrobras. Os 2.315.276 barris equivalentes por dia produzidos no mês superam em 9,5% a produção de março de 2008 e em 3% a de fevereiro último.”
A Petrobras atribuiu o desempenho à entrada em operação de novos poços nas plataformas P-53 e FPSO Cidade de Niterói (Marlim Leste) e P-54 (Roncador). Ambas incrementaram a produção nacional de petróleo em 52 mil barris por dia.
No exterior, a produção de petróleo e gás da Petrobras diminuiu. Nos nove países onde a estatal brasileira produz, houve redução de 1,9% do volume de petróleo e gás produzido no mês anterior e de 1% em relação a março de 2008.
De acordo com a Petrobras, os motivos são "a reprogramação da perfuração de novos poços e serviços de intervenção dos poços já existentes na Venezuela".”
AMÉRICA LATINA JÁ SAI DA CRISE
A agência espanhola de notícias EFE ontem publicou a seguinte reportagem de Teresa Bouza (li no UOL):
FMI E BANCO MUNDIAL ELOGIAM BASE SÓLIDA DA AMÉRICA LATINA PARA ENFRENTAR CRISE
“Washington, 24 abr (EFE).- A América Latina está chegando ao fundo do poço e começará, a partir de agora, a se recuperar, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI), que, assim como o Banco Mundial (BM), elogiou o fato de a região ter pilares mais sólidos do que no passado para enfrentar a crise.
"Estamos chegando ao fundo do poço provavelmente enquanto conversamos", disse em entrevista coletiva o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Nicolás Eyzaguirre.
As declarações do representante do FMI foram feitas apenas dois dias depois que o Banco Mundial acusou a instituição de ser "pessimista demais" sobre a região, ao prever uma contração da economia de 1,5%, frente ao 0,6% do BM.
Hoje, porém, o Fundo deu um pouco de esperança, ao ressaltar que a América Latina sairá do buraco antes que os países desenvolvidos, que só começarão a se reerguer no começo de 2010.
As palavras de Eyzaguirre coincidiram com a realização de um seminário sobre as perspectivas da região na sede do BM, que contou com a participação do presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, e do ministro das Finanças colombiano, Óscar Zuluaga.
Os dois contaram com a companhia do presidente do Banco Central do Chile, José de Gregorio, do subsecretário de Fazenda mexicano, Alejandro Werner, e do ex-ministro venezuelano de Planejamento Ricardo Hausmann, atualmente professor da Universidade de Harvard.
Os palestrantes concordaram em ressaltar que a região está muito mais bem preparada para enfrentar a crise do que no passado, apesar de precisar encarar desafios sérios, como a proteção das conquistas em matéria econômica e social observada dos últimos anos.
Nesse sentido, Funes afirmou que, no caso da América Central, a atual crise é o principal risco para a democracia e à convivência pacífica, pelos potenciais efeitos no desemprego, na pobreza e no aumento do abismo social.
O presidente salvadorenho ressaltou que, apesar das restrições orçamentárias pelas quais passam países como o seu, é preciso manter os programas de proteção social para que os mais pobres não precisem pagar a conta da crise desta vez.
O ministro da Fazenda colombiano insistiu também na necessidade de garantir as conquistas dos últimos anos.
Zuluaga explicou que o Governo colombiano implementou políticas anticíclicas, que incluem a proteção das redes sociais para fazer frente a um desemprego crescente e os investimentos em setores como infraestrutura, para estimular a criação de postos de trabalho.
Ele destacou a necessidade de encontrar o equilíbrio entre a estabilidade econômica e o progresso social.
Em linha com o defendido pelo FMI, o subsecretário de Fazenda mexicano, Alejandro Werner, explicou que o México começa a ver os primeiros sinais de estabilização no mercado de trabalho e nas vendas internas, que começaram a aumentar.
Por sua vez, a responsável do BM para a América Latina, Pamela Cox, afirmou que a contração da demanda por emprego afetará, principalmente, os trabalhadores urbanos do setor formal da economia.
Isso leva o Banco Mundial a concluir que a crise afetará mais, "proporcionalmente", a classe média da região.
Cox lembrou que a América Latina conseguiu tirar da pobreza quase 60 milhões de pessoas durante o período de crescimento que experimentou entre 2002 e 2008.
"Agora, quatro milhões poderiam cair na pobreza devido à crise", alertou.
A especialista do BM ressaltou que a crise já afeta todos os aspectos da economia latino-americana através da queda dos preços das matérias-primas, da redução da demanda, da diminuição dos fluxos de remessas e do investimento direto.
De qualquer forma, ela insistiu em que não há uma crise financeira sistêmica, como em outras regiões do mundo. "A América Latina não é o Leste Europeu", afirmou.
"A maioria dos mercados latino-americanos se livrará dos sintomas de crise passadas: enormes desvalorizações, aumentos nas taxas de juros, altas da inflação, colapsos bancários, moratórias da dívida", apostou.
Cox afirmou que isso é possível graças ao fato de a região ter "feito o certo" ao adotar as políticas macroeconômicas e fiscais adequadas, assim como regulações sensatas no setor financeiro.”
FMI E BANCO MUNDIAL ELOGIAM BASE SÓLIDA DA AMÉRICA LATINA PARA ENFRENTAR CRISE
“Washington, 24 abr (EFE).- A América Latina está chegando ao fundo do poço e começará, a partir de agora, a se recuperar, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI), que, assim como o Banco Mundial (BM), elogiou o fato de a região ter pilares mais sólidos do que no passado para enfrentar a crise.
"Estamos chegando ao fundo do poço provavelmente enquanto conversamos", disse em entrevista coletiva o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Nicolás Eyzaguirre.
As declarações do representante do FMI foram feitas apenas dois dias depois que o Banco Mundial acusou a instituição de ser "pessimista demais" sobre a região, ao prever uma contração da economia de 1,5%, frente ao 0,6% do BM.
Hoje, porém, o Fundo deu um pouco de esperança, ao ressaltar que a América Latina sairá do buraco antes que os países desenvolvidos, que só começarão a se reerguer no começo de 2010.
As palavras de Eyzaguirre coincidiram com a realização de um seminário sobre as perspectivas da região na sede do BM, que contou com a participação do presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, e do ministro das Finanças colombiano, Óscar Zuluaga.
Os dois contaram com a companhia do presidente do Banco Central do Chile, José de Gregorio, do subsecretário de Fazenda mexicano, Alejandro Werner, e do ex-ministro venezuelano de Planejamento Ricardo Hausmann, atualmente professor da Universidade de Harvard.
Os palestrantes concordaram em ressaltar que a região está muito mais bem preparada para enfrentar a crise do que no passado, apesar de precisar encarar desafios sérios, como a proteção das conquistas em matéria econômica e social observada dos últimos anos.
Nesse sentido, Funes afirmou que, no caso da América Central, a atual crise é o principal risco para a democracia e à convivência pacífica, pelos potenciais efeitos no desemprego, na pobreza e no aumento do abismo social.
O presidente salvadorenho ressaltou que, apesar das restrições orçamentárias pelas quais passam países como o seu, é preciso manter os programas de proteção social para que os mais pobres não precisem pagar a conta da crise desta vez.
O ministro da Fazenda colombiano insistiu também na necessidade de garantir as conquistas dos últimos anos.
Zuluaga explicou que o Governo colombiano implementou políticas anticíclicas, que incluem a proteção das redes sociais para fazer frente a um desemprego crescente e os investimentos em setores como infraestrutura, para estimular a criação de postos de trabalho.
Ele destacou a necessidade de encontrar o equilíbrio entre a estabilidade econômica e o progresso social.
Em linha com o defendido pelo FMI, o subsecretário de Fazenda mexicano, Alejandro Werner, explicou que o México começa a ver os primeiros sinais de estabilização no mercado de trabalho e nas vendas internas, que começaram a aumentar.
Por sua vez, a responsável do BM para a América Latina, Pamela Cox, afirmou que a contração da demanda por emprego afetará, principalmente, os trabalhadores urbanos do setor formal da economia.
Isso leva o Banco Mundial a concluir que a crise afetará mais, "proporcionalmente", a classe média da região.
Cox lembrou que a América Latina conseguiu tirar da pobreza quase 60 milhões de pessoas durante o período de crescimento que experimentou entre 2002 e 2008.
"Agora, quatro milhões poderiam cair na pobreza devido à crise", alertou.
A especialista do BM ressaltou que a crise já afeta todos os aspectos da economia latino-americana através da queda dos preços das matérias-primas, da redução da demanda, da diminuição dos fluxos de remessas e do investimento direto.
De qualquer forma, ela insistiu em que não há uma crise financeira sistêmica, como em outras regiões do mundo. "A América Latina não é o Leste Europeu", afirmou.
"A maioria dos mercados latino-americanos se livrará dos sintomas de crise passadas: enormes desvalorizações, aumentos nas taxas de juros, altas da inflação, colapsos bancários, moratórias da dívida", apostou.
Cox afirmou que isso é possível graças ao fato de a região ter "feito o certo" ao adotar as políticas macroeconômicas e fiscais adequadas, assim como regulações sensatas no setor financeiro.”
CRISE DEVE ATRASAR CONCLUSÃO DO MAIOR AEROPORTO DO MUNDO
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
“A cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, anunciou que o novo aeroporto, planejado para ser o maior do mundo em número de passageiros e volume de cargas, terá sua inauguração atrasada devido à crise financeira global.
O ambicioso aeroporto internacional Al-Maktoum e todo o complexo turístico ao redor custará US$ 33 bilhões e está sendo erguido no deserto, nos arredores de Dubai, a 40 km do centro da cidade.
Pelo projeto, o Al-Maktoum terá o tamanho combinados dos aeroportos de Heathrow, em Londres, e o O'Hare, em Chicago, nos Estados Unidos, dois dos mais movimentados do mundo.
"O novo aeroporto não ficará operacional antes de junho de 2010, um ano a mais do que o previsto. Mas mesmo esta nova data está em aberto", disse Paul Griffiths, presidente da Dubai Airports, em uma entrevista à imprensa dos Emirados Árabes Unidos.
O atraso é apenas um reflexo de como a crise está atingindo países da região como Arábia Saudita, Kuwait e Omã, que viveram um período de prosperidade com o petróleo a US$ 147 por barril e que, agora, estão tendo que se ajustar a uma cotação média de US$ 50.
Megaprojetos Os "ajustes" no projeto, de acordo com a Dubai Airports, seriam para lidar com a crise financeira, que fez cair a demanda por viagens e o fluxo de cargas.
Nos últimos meses, revistas de negócios anunciaram que dezenas de bilhões de dólares em outros projetos de arranha-céus, condomínios e hotéis de luxo foram paralisados ou cancelados em Dubai como resultado da crise econômica.
Segundo dados da empresa de consultoria Roland Berger Strategy Consultants, os dez maiores megaprojetos da região dos países do Golfo Pérsico somam juntos US$ 176 bilhões.
Destes, os quatro maiores são de Dubai, que juntos totalizam US$ 105 bilhões, entre o novo aeroporto, complexos hoteleiros, orla marítima e uma zona franca de negócios.
Mas com a economia global enfrentando uma recessão, analistas questionam os investimentos em grandes projetos em Dubai e em países do Golfo.
"Durante um período com altas na cotação do petróleo, os países do Golfo, e principalmente Dubai, acumularam riquezas que os levaram a megaprojetos audaciosos e investimentos em outros países", disse o economista e cientista político Fares Ishtay, da Universidade Libanesa.
Depois de chegar a exorbitantes US$ 147 por barril, em julho de 2008, a cotação caiu para em média de US$ 50, causando um vácuo nas finanças dos países exportadores no Oriente Médio.
"Depois da euforia, governos do Golfo passaram a gastar mais. Mas com o menor preço do petróleo, um número de projetos de infraestrutura ficaram ameaçados. Está mais difícil agora", afirmou.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que com a cotação atual, os Emirados e a Arábia Saudita conseguem equilibrar seus orçamentos. Os países do Golfo disseram que um preço "justo" seria de US$70 a US$75 o barril.
"Sem grande volume de dinheiro, megaprojetos como o novo aeroporto de Dubai dão a impressão de obsessão e negócio arriscado", enfatizou Ishtay.
Segundo o relatório Global Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial) do FMI, divulgado nesta semana, a economia dos Emirados Árabes deve encolher 0,6% neste ano.”
“A cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, anunciou que o novo aeroporto, planejado para ser o maior do mundo em número de passageiros e volume de cargas, terá sua inauguração atrasada devido à crise financeira global.
O ambicioso aeroporto internacional Al-Maktoum e todo o complexo turístico ao redor custará US$ 33 bilhões e está sendo erguido no deserto, nos arredores de Dubai, a 40 km do centro da cidade.
Pelo projeto, o Al-Maktoum terá o tamanho combinados dos aeroportos de Heathrow, em Londres, e o O'Hare, em Chicago, nos Estados Unidos, dois dos mais movimentados do mundo.
"O novo aeroporto não ficará operacional antes de junho de 2010, um ano a mais do que o previsto. Mas mesmo esta nova data está em aberto", disse Paul Griffiths, presidente da Dubai Airports, em uma entrevista à imprensa dos Emirados Árabes Unidos.
O atraso é apenas um reflexo de como a crise está atingindo países da região como Arábia Saudita, Kuwait e Omã, que viveram um período de prosperidade com o petróleo a US$ 147 por barril e que, agora, estão tendo que se ajustar a uma cotação média de US$ 50.
Megaprojetos Os "ajustes" no projeto, de acordo com a Dubai Airports, seriam para lidar com a crise financeira, que fez cair a demanda por viagens e o fluxo de cargas.
Nos últimos meses, revistas de negócios anunciaram que dezenas de bilhões de dólares em outros projetos de arranha-céus, condomínios e hotéis de luxo foram paralisados ou cancelados em Dubai como resultado da crise econômica.
Segundo dados da empresa de consultoria Roland Berger Strategy Consultants, os dez maiores megaprojetos da região dos países do Golfo Pérsico somam juntos US$ 176 bilhões.
Destes, os quatro maiores são de Dubai, que juntos totalizam US$ 105 bilhões, entre o novo aeroporto, complexos hoteleiros, orla marítima e uma zona franca de negócios.
Mas com a economia global enfrentando uma recessão, analistas questionam os investimentos em grandes projetos em Dubai e em países do Golfo.
"Durante um período com altas na cotação do petróleo, os países do Golfo, e principalmente Dubai, acumularam riquezas que os levaram a megaprojetos audaciosos e investimentos em outros países", disse o economista e cientista político Fares Ishtay, da Universidade Libanesa.
Depois de chegar a exorbitantes US$ 147 por barril, em julho de 2008, a cotação caiu para em média de US$ 50, causando um vácuo nas finanças dos países exportadores no Oriente Médio.
"Depois da euforia, governos do Golfo passaram a gastar mais. Mas com o menor preço do petróleo, um número de projetos de infraestrutura ficaram ameaçados. Está mais difícil agora", afirmou.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que com a cotação atual, os Emirados e a Arábia Saudita conseguem equilibrar seus orçamentos. Os países do Golfo disseram que um preço "justo" seria de US$70 a US$75 o barril.
"Sem grande volume de dinheiro, megaprojetos como o novo aeroporto de Dubai dão a impressão de obsessão e negócio arriscado", enfatizou Ishtay.
Segundo o relatório Global Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial) do FMI, divulgado nesta semana, a economia dos Emirados Árabes deve encolher 0,6% neste ano.”
G7 VÊ SINAIS DE MELHORIA ECONÔMICA, ENQUANTO G20 GANHA IMPORTÂNCIA
A agência espanhola de notícias EFE ontem publicou (li no UOL):
“Washington, 24 abr (EFE).- O Grupo dos Sete (G7, sete países mais industrializados do mundo) constatou hoje indícios de melhoria econômica no mundo, mas apontou que as perspectivas para o futuro continuam "fracas" e prometeu apoiar a recuperação com medidas de estímulo fiscal e ajudas aos grandes bancos.
"Os últimos dados sugerem que o ritmo de queda de nossas economias é mais lento. Sinais de estabilização estão surgindo", disse o G7 em comunicado ao fim de sua reunião ministerial em Washington.
"A atividade econômica deve começar a se recuperar no final deste ano", disse o grupo, destacando que ainda existem riscos "de queda".
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, declarou em entrevista coletiva após o encontro que "é apropriado estar um pouco animado, mas é cedo demais para concluir que estamos perto de sair da escuridão que caiu sobre a economia mundial".
Da mesma forma que os ministros fizeram em sua reunião no mês de fevereiro em Roma, nesta ocasião se comprometeram a aplicar medidas de estímulo econômico, mas "sem deteriorar a sustentabilidade fiscal em longo prazo".
Também decidiram "restaurar o crédito, fornecer a liquidez necessária, injetar capital nas instituições financeiras, proteger os depósitos e as economias e solucionar o assunto dos ativos de má qualidade".
Além disso, o G7 prometeu apoiar "as instituições financeiras maiores".
Apesar de ainda estar em meio à crise, Geithner já olhou para frente e pediu um padrão de crescimento "mais equilibrado" para o futuro, baseado na demanda interna "de todas as economias principais".
Nos últimos anos, a economia mundial dependeu em grande medida do consumo nos Estados Unidos, enquanto que China e Japão, por exemplo, potencializaram a exportação em detrimento de seu mercado interno.
No entanto, com a perda de riqueza das famílias nos EUA por causa da queda dos valores das bolsas de valores e imobiliários, não há como gastar tanto como antes, segundo os especialistas.
No entanto, a menção a um crescimento "equilibrado" não apareceu no comunicado do G7.
A reunião do G7 foi seguida de um encontro do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).
É algo incomum que um encontro do G7 seja acompanhado por um do G20. Isso reflete, segundo analistas, a importância que o grupo mais amplo ganhou ao incluir países como Brasil, China, Índia e Rússia.
"O G7 está sendo substituído pelo G20 como a principal instituição de coordenação econômica", disse à Agência Efe John Williamson, analista do Instituto Peterson de Economia Internacional.
Um dos assuntos principais desse encontro, após o qual não houve um comunicado conjunto, foi o reforço do Fundo Monetário Internacional (FMI) com US$ 500 bilhões.
Até agora, Governos de todo o mundo prometeram fornecer US$ 325 bilhões.
Parte dos recursos será destinada à nova Linha de Crédito Flexível, criada pelo FMI para dar um suporte adicional de reservas aos países com boas políticas econômicas.
O G7 assinalou em seu comunicado que apoia seu uso por México, Colômbia e Polônia.
Há poucos dias, o Conselho Executivo do FMI aprovou o programa para o México e cedeu ao país recursos no valor de US$ 47 bilhões.
A Colômbia, por sua vez, solicitou uma linha de crédito no valor de US$ 10,4 bilhões, enquanto que a Polônia quer ter acesso a US$ 20,5 bilhões.
Também está previsto que a reunião do G20 trate da distribuição de US$ 250 bilhões em Direitos Especiais de Giro (SDR, em inglês) aos países-membros do Fundo, como forma de aumentar as reservas dos bancos centrais.
O SDR é uma moeda virtual criada pelo FMI que pode ser trocada por uma divisa forte, como o dólar ou o euro.
"É necessário capturar essa emissão e distribuí-la aos países, porque significa liquidez", disse à imprensa em Washington o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos participantes da reunião do G20. EFE do G20.”
“Washington, 24 abr (EFE).- O Grupo dos Sete (G7, sete países mais industrializados do mundo) constatou hoje indícios de melhoria econômica no mundo, mas apontou que as perspectivas para o futuro continuam "fracas" e prometeu apoiar a recuperação com medidas de estímulo fiscal e ajudas aos grandes bancos.
"Os últimos dados sugerem que o ritmo de queda de nossas economias é mais lento. Sinais de estabilização estão surgindo", disse o G7 em comunicado ao fim de sua reunião ministerial em Washington.
"A atividade econômica deve começar a se recuperar no final deste ano", disse o grupo, destacando que ainda existem riscos "de queda".
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, declarou em entrevista coletiva após o encontro que "é apropriado estar um pouco animado, mas é cedo demais para concluir que estamos perto de sair da escuridão que caiu sobre a economia mundial".
Da mesma forma que os ministros fizeram em sua reunião no mês de fevereiro em Roma, nesta ocasião se comprometeram a aplicar medidas de estímulo econômico, mas "sem deteriorar a sustentabilidade fiscal em longo prazo".
Também decidiram "restaurar o crédito, fornecer a liquidez necessária, injetar capital nas instituições financeiras, proteger os depósitos e as economias e solucionar o assunto dos ativos de má qualidade".
Além disso, o G7 prometeu apoiar "as instituições financeiras maiores".
Apesar de ainda estar em meio à crise, Geithner já olhou para frente e pediu um padrão de crescimento "mais equilibrado" para o futuro, baseado na demanda interna "de todas as economias principais".
Nos últimos anos, a economia mundial dependeu em grande medida do consumo nos Estados Unidos, enquanto que China e Japão, por exemplo, potencializaram a exportação em detrimento de seu mercado interno.
No entanto, com a perda de riqueza das famílias nos EUA por causa da queda dos valores das bolsas de valores e imobiliários, não há como gastar tanto como antes, segundo os especialistas.
No entanto, a menção a um crescimento "equilibrado" não apareceu no comunicado do G7.
A reunião do G7 foi seguida de um encontro do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).
É algo incomum que um encontro do G7 seja acompanhado por um do G20. Isso reflete, segundo analistas, a importância que o grupo mais amplo ganhou ao incluir países como Brasil, China, Índia e Rússia.
"O G7 está sendo substituído pelo G20 como a principal instituição de coordenação econômica", disse à Agência Efe John Williamson, analista do Instituto Peterson de Economia Internacional.
Um dos assuntos principais desse encontro, após o qual não houve um comunicado conjunto, foi o reforço do Fundo Monetário Internacional (FMI) com US$ 500 bilhões.
Até agora, Governos de todo o mundo prometeram fornecer US$ 325 bilhões.
Parte dos recursos será destinada à nova Linha de Crédito Flexível, criada pelo FMI para dar um suporte adicional de reservas aos países com boas políticas econômicas.
O G7 assinalou em seu comunicado que apoia seu uso por México, Colômbia e Polônia.
Há poucos dias, o Conselho Executivo do FMI aprovou o programa para o México e cedeu ao país recursos no valor de US$ 47 bilhões.
A Colômbia, por sua vez, solicitou uma linha de crédito no valor de US$ 10,4 bilhões, enquanto que a Polônia quer ter acesso a US$ 20,5 bilhões.
Também está previsto que a reunião do G20 trate da distribuição de US$ 250 bilhões em Direitos Especiais de Giro (SDR, em inglês) aos países-membros do Fundo, como forma de aumentar as reservas dos bancos centrais.
O SDR é uma moeda virtual criada pelo FMI que pode ser trocada por uma divisa forte, como o dólar ou o euro.
"É necessário capturar essa emissão e distribuí-la aos países, porque significa liquidez", disse à imprensa em Washington o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos participantes da reunião do G20. EFE do G20.”
sexta-feira, 24 de abril de 2009
DILMA ROUSSEFF É A DAMA DE FERRO COM OS PÉS NO BARRO
O jornal francês Le Monde ontem publicou o seguinte texto de Jean-Pierre Langellier (li no UOL):
“Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.
Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva ("Um Paris-Dacar a cada dia", ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.
Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam - evitemos "Dilminha", uma familiaridade que ela não aprecia muito - está se tornando a estrela política do Brasil.
E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.
Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.
O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um "velho" comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.
Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da "luta de massa" sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.
"Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado", ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: "Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê".
Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: "Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo". Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: "Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado".
Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a "Casa Civil", onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma "dama de ferro".
Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe "o pé no barro", como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.
Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.
Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.
O "produto" Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: "Brasil! Urgente! Dilma presidente!"’
“Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.
Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva ("Um Paris-Dacar a cada dia", ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.
Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam - evitemos "Dilminha", uma familiaridade que ela não aprecia muito - está se tornando a estrela política do Brasil.
E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.
Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.
O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um "velho" comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.
Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da "luta de massa" sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.
"Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado", ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: "Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê".
Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: "Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo". Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: "Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado".
Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a "Casa Civil", onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma "dama de ferro".
Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe "o pé no barro", como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.
Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.
Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.
O "produto" Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: "Brasil! Urgente! Dilma presidente!"’
LIVIANU: BARBOSA EXTERNOU PERCEPÇÕES DE MUITOS
Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte texto de Marcela Rocha:
"Assim foi com o MST e com a avaliação sobre o trabalho do MP e Polícia Federal", afirma o promotor de justiça Roberto Livianu sobre os "sistemáticos" pronunciamentos na mídia do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que ontem teve uma discussão na Suprema Corte com o ministro Joaquim Barbosa.
Barbosa respondeu a uma crítica de Mendes no plenário do tribunal. "Vossa excelência está destruindo a Justiça desse País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço", disse o ministro.
- O presidente do Supremo tem que ser cauteloso, pode ser corajoso, enérgico, mas tem que ser cauteloso e não pode se pronunciar como tem feito - avalia Livianu.
Para o promotor, a impressão que o ministro Gilmar Mendes deixa é de que há "uma atuação política de sua parte, de uma ideologização e partidarização". Livianu revela que alguns classificam Gilmar Mendes como "líder da oposição porque ele sugere que, por trás de suas pronunciações feitas sistematicamente, está uma partidarização, o que, enfim, explicaria e justificaria seus pontos de vista", avalia.
- A Suprema Corte precisa manter a compostura.
TERRA MAGAZINE - O QUE O SENHOR PERCEBE POR DE TRÁS DA DISCUSSÃO ENTRE O MINISTRO JOAQUIM BARBOSA E O PRESIDENTE DO SUPREMO, GILMAR MENDES?
ROBERTO LIVIANU - Na verdade o ministro Joaquim Barbosa está externando uma percepção que muitas pessoas têm. Muitas pronunciações do Gilmar Mendes a respeito do mérito de assuntos que serão enfrentados nos julgamentos no Supremo são ruins, pois podem queimar a imparcialidade do magistrado. O Poder Judiciário precisa sim se comunicar com a sociedade, prestar contas, mas isto não se confunde com antecipação de mérito.
EM QUAIS CASOS O SENHOR PERCEBE ESTE TIPO DE ANTECIPAÇÃO?
Assim foi com o MST e com a avaliação sobre o trabalho do MP e Polícia Federal. Compreendo de fundo o mérito das críticas do ministro Joaquim Barbosa, mas não acho saudável esse tipo de bate-boca. A Suprema Corte precisa manter a compostura. Entraram num terreno pessoal e um dos princípios importantes na administração pública são a moralidade e a impessoalidade. O presidente do Supremo tem que ser cauteloso, pode ser corajoso, enérgico, mas tem que ser cauteloso e não pode se pronunciar como tem feito.
POR QUÊ?
Vemos muitas vezes o presidente do Supremo se pronunciando sobre o mérito de temas ainda em andamento, portanto é compreensível a preocupação do ministro Joaquim Barbosa. A impressão que o Gilmar Mendes deixa é de que há uma atuação política de sua parte, de uma ideologização e partidarização. Há quem classifique Gilmar Mendes como líder da oposição porque ele sugere que, por trás de suas pronunciações feitas sistematicamente, está uma partidarização, o que enfim explicaria e justificaria seus pontos de vista. E a impressão que fica é relevante para os demais membros da corte.
ACREDITA QUE ISSO DEMONSTRA UM RACHA DENTRO DO SUPREMO?
Temos poucos elementos para afirmar com segurança que há um racha. Mas, recentemente houve renovações profundas dos quadros do Supremo. Nos dois mandatos do presidente Lula sete novos ministros renovaram as cadeiras com diferentes pontos de vista que ficam contrastantes, evidentes.
QUAL A IMPORTÂNCIA PARA A SOCIEDADE DESTA DISCUSSÃO?
Esse tipo de bate-boca entra no terreno de ataques e provocações pessoais. Não é saudável. Isto arranha a imagem, já prejudicada, do STF na sociedade. O bate-boca é ruim para a imagem da justiça no Brasil. O saldo que fica é negativo.
JÁ PREJUDICADA?
Tanto recente quanto historicamente. O ministro Gilmar Mendes prejudica a imagem do STF ao se pronunciar na mídia abordando mérito de questões ainda em julgamento pelo próprio Supremo. É preciso manter uma distância prudente dos temas para preservar a imparcialidade. Culturalmente, o Poder Judiciário não se comunica muito com a sociedade. O isolamento do juiz para manter a parcialidade não pode ser confundido com alienação.
SIMBOLICAMENTE, COMO O SENHOR VÊ A DISCUSSÃO DE QUE GILMAR MENDES ESTÁ NA MÍDIA E NÃO NAS RUAS?
Há a percepção de que está havendo um exagero midiático por parte do presidente no sentido de antecipar julgamentos.
Quando o ministro Joaquim Barbosa menciona que "não está nas ruas", significa que ele não está percebendo a avaliação da sociedade, da opinião pública, em relação ao presidente da Suprema Corte.”
"Assim foi com o MST e com a avaliação sobre o trabalho do MP e Polícia Federal", afirma o promotor de justiça Roberto Livianu sobre os "sistemáticos" pronunciamentos na mídia do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que ontem teve uma discussão na Suprema Corte com o ministro Joaquim Barbosa.
Barbosa respondeu a uma crítica de Mendes no plenário do tribunal. "Vossa excelência está destruindo a Justiça desse País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço", disse o ministro.
- O presidente do Supremo tem que ser cauteloso, pode ser corajoso, enérgico, mas tem que ser cauteloso e não pode se pronunciar como tem feito - avalia Livianu.
Para o promotor, a impressão que o ministro Gilmar Mendes deixa é de que há "uma atuação política de sua parte, de uma ideologização e partidarização". Livianu revela que alguns classificam Gilmar Mendes como "líder da oposição porque ele sugere que, por trás de suas pronunciações feitas sistematicamente, está uma partidarização, o que, enfim, explicaria e justificaria seus pontos de vista", avalia.
- A Suprema Corte precisa manter a compostura.
TERRA MAGAZINE - O QUE O SENHOR PERCEBE POR DE TRÁS DA DISCUSSÃO ENTRE O MINISTRO JOAQUIM BARBOSA E O PRESIDENTE DO SUPREMO, GILMAR MENDES?
ROBERTO LIVIANU - Na verdade o ministro Joaquim Barbosa está externando uma percepção que muitas pessoas têm. Muitas pronunciações do Gilmar Mendes a respeito do mérito de assuntos que serão enfrentados nos julgamentos no Supremo são ruins, pois podem queimar a imparcialidade do magistrado. O Poder Judiciário precisa sim se comunicar com a sociedade, prestar contas, mas isto não se confunde com antecipação de mérito.
EM QUAIS CASOS O SENHOR PERCEBE ESTE TIPO DE ANTECIPAÇÃO?
Assim foi com o MST e com a avaliação sobre o trabalho do MP e Polícia Federal. Compreendo de fundo o mérito das críticas do ministro Joaquim Barbosa, mas não acho saudável esse tipo de bate-boca. A Suprema Corte precisa manter a compostura. Entraram num terreno pessoal e um dos princípios importantes na administração pública são a moralidade e a impessoalidade. O presidente do Supremo tem que ser cauteloso, pode ser corajoso, enérgico, mas tem que ser cauteloso e não pode se pronunciar como tem feito.
POR QUÊ?
Vemos muitas vezes o presidente do Supremo se pronunciando sobre o mérito de temas ainda em andamento, portanto é compreensível a preocupação do ministro Joaquim Barbosa. A impressão que o Gilmar Mendes deixa é de que há uma atuação política de sua parte, de uma ideologização e partidarização. Há quem classifique Gilmar Mendes como líder da oposição porque ele sugere que, por trás de suas pronunciações feitas sistematicamente, está uma partidarização, o que enfim explicaria e justificaria seus pontos de vista. E a impressão que fica é relevante para os demais membros da corte.
ACREDITA QUE ISSO DEMONSTRA UM RACHA DENTRO DO SUPREMO?
Temos poucos elementos para afirmar com segurança que há um racha. Mas, recentemente houve renovações profundas dos quadros do Supremo. Nos dois mandatos do presidente Lula sete novos ministros renovaram as cadeiras com diferentes pontos de vista que ficam contrastantes, evidentes.
QUAL A IMPORTÂNCIA PARA A SOCIEDADE DESTA DISCUSSÃO?
Esse tipo de bate-boca entra no terreno de ataques e provocações pessoais. Não é saudável. Isto arranha a imagem, já prejudicada, do STF na sociedade. O bate-boca é ruim para a imagem da justiça no Brasil. O saldo que fica é negativo.
JÁ PREJUDICADA?
Tanto recente quanto historicamente. O ministro Gilmar Mendes prejudica a imagem do STF ao se pronunciar na mídia abordando mérito de questões ainda em julgamento pelo próprio Supremo. É preciso manter uma distância prudente dos temas para preservar a imparcialidade. Culturalmente, o Poder Judiciário não se comunica muito com a sociedade. O isolamento do juiz para manter a parcialidade não pode ser confundido com alienação.
SIMBOLICAMENTE, COMO O SENHOR VÊ A DISCUSSÃO DE QUE GILMAR MENDES ESTÁ NA MÍDIA E NÃO NAS RUAS?
Há a percepção de que está havendo um exagero midiático por parte do presidente no sentido de antecipar julgamentos.
Quando o ministro Joaquim Barbosa menciona que "não está nas ruas", significa que ele não está percebendo a avaliação da sociedade, da opinião pública, em relação ao presidente da Suprema Corte.”
A NUDEZ DE GILMAR MENDES
Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo de Gilson Caroni Filho. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa:
“A denúncia do ministro Joaquim Barbosa guarda um paralelo com o papel desempenhado pelo menino que revelou a nudez real no famoso conto de Hans Christian Andersen. À sociedade cabe avaliar o papel dos tecelões.
A discussão entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa pode ser tomada como causa eficiente de uma crise do Judiciário ou, pelo contrário, seria sintoma dos desvios institucionais promovidos pela judicialização da política, com amplo apoio de setores midiáticos?
Ao afirmar que Mendes está “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira", Barbosa deflagrou um processo ou desnudou a crise institucional e, de identidade, da mais alta corte dos pais? Independente do caráter notadamente pessoal do embate entre os dois ministros, ele não revelaria a erosão de legitimidade de um Poder que, ao se submeter a imperativos político-partidários, relegou a um plano secundário seu papel constitucional?
Como já indagamos em artigos anteriores, ”quando o presidente do STF se apresenta, sem que ninguém tenha lhe delegado tal função, como artífice de "um novo pacto republicano", estamos diante do quê? De um magistrado para quem o texto normativo é apenas uma moldura suscetível a várias interpretações ou de um ativista que põe em risco a própria noção de Estado Democrático de Direito?” É uma pergunta ociosa dada a evidência da resposta.
Gilmar Mendes se destaca pelo senso de urgência no que julga ser seu principal papel como magistrado: dar sustentação jurídica às teses da oposição parlamentar no combate ao governo Lula. Mas o faz de forma tão atabalhoada que constrange até mesmo os “bons companheiros” das grandes redações. Aqueles que, desolados, vêem a imprensa estrangeira fazer uma leitura totalmente distinta dos recortes que elaboram diariamente.
Nessa empreitada, o presidente do Supremo tem sido alvo de crítica dos que lutam pela ampliação de direitos, pela criação de um ordenamento inclusivo, de uma legalidade que não seja restrita a um ordenamento institucional de distribuição de privilégios.
Para Dom Xavier Gilles, presidente da Comissão Pastoral da Terra, o ministro “não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo”.
Segundo o bispo, Gilmar Mendes “escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção”.
Em 27 de março de 2009, a Associação dos Juízes Federais do Brasil divulgou nota em que o presidente era chamado de “leviano” e veículo de maledicências e veículo de maledicências contra magistrados”. Quando, na história do STF, um ministro gerou reações tão contundentes? Será pela justeza das causas que esgrime ou pela natureza bonapartista que revela? O que dizer quando vemos que a instância máxima do Judiciário torna-se promotora de instabilidade social, uma prodigiosa fábrica de anomia?
Ao atacar frontalmente movimentos sociais como o MST, o presidente do Supremo Tribunal Federal age como magistrado ou preposto de velhas pretensões oligárquicas? Afirmando que o governo estaria cometendo ilegalidades ao dar recursos a ONGs ligadas ao movimento, o que faz Gilmar Mendes senão confirmar cada ponto destacado por Dom Xavier? Há que se considerar intempestiva a reação de João Pedro Stedile que o definiu como “Berlusconi verde-amarelo”? Ou interpretá-la como justa indignação?
Sabemos que as classes dominantes brasileiras gostam de falar uma linguagem liberal enquanto exercem formas autoritárias de governo. Se há de fato uma ação orquestrada desestabilizadora, sua novidade estaria no novo arranjo do poder, com a crescente primazia do judiciário tentando anular o poder Legislativo e Executivo. Repete-se a história de sempre: os ideais “republicanos” de alguns setores sucumbem aos velhos artifícios autoritários já testados.
A denúncia do ministro Joaquim Barbosa guarda um paralelo com o papel desempenhado pelo menino que revelou a nudez real no famoso conto de Hans Christian Andersen. À sociedade cabe avaliar o papel dos tecelões. Deve lançar um olhar atento sobre tecidos, teares e jogos de espelho com que é construída a democracia brasileira. Ou, muitas vezes, desconstruída.”
“A denúncia do ministro Joaquim Barbosa guarda um paralelo com o papel desempenhado pelo menino que revelou a nudez real no famoso conto de Hans Christian Andersen. À sociedade cabe avaliar o papel dos tecelões.
A discussão entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa pode ser tomada como causa eficiente de uma crise do Judiciário ou, pelo contrário, seria sintoma dos desvios institucionais promovidos pela judicialização da política, com amplo apoio de setores midiáticos?
Ao afirmar que Mendes está “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira", Barbosa deflagrou um processo ou desnudou a crise institucional e, de identidade, da mais alta corte dos pais? Independente do caráter notadamente pessoal do embate entre os dois ministros, ele não revelaria a erosão de legitimidade de um Poder que, ao se submeter a imperativos político-partidários, relegou a um plano secundário seu papel constitucional?
Como já indagamos em artigos anteriores, ”quando o presidente do STF se apresenta, sem que ninguém tenha lhe delegado tal função, como artífice de "um novo pacto republicano", estamos diante do quê? De um magistrado para quem o texto normativo é apenas uma moldura suscetível a várias interpretações ou de um ativista que põe em risco a própria noção de Estado Democrático de Direito?” É uma pergunta ociosa dada a evidência da resposta.
Gilmar Mendes se destaca pelo senso de urgência no que julga ser seu principal papel como magistrado: dar sustentação jurídica às teses da oposição parlamentar no combate ao governo Lula. Mas o faz de forma tão atabalhoada que constrange até mesmo os “bons companheiros” das grandes redações. Aqueles que, desolados, vêem a imprensa estrangeira fazer uma leitura totalmente distinta dos recortes que elaboram diariamente.
Nessa empreitada, o presidente do Supremo tem sido alvo de crítica dos que lutam pela ampliação de direitos, pela criação de um ordenamento inclusivo, de uma legalidade que não seja restrita a um ordenamento institucional de distribuição de privilégios.
Para Dom Xavier Gilles, presidente da Comissão Pastoral da Terra, o ministro “não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo”.
Segundo o bispo, Gilmar Mendes “escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção”.
Em 27 de março de 2009, a Associação dos Juízes Federais do Brasil divulgou nota em que o presidente era chamado de “leviano” e veículo de maledicências e veículo de maledicências contra magistrados”. Quando, na história do STF, um ministro gerou reações tão contundentes? Será pela justeza das causas que esgrime ou pela natureza bonapartista que revela? O que dizer quando vemos que a instância máxima do Judiciário torna-se promotora de instabilidade social, uma prodigiosa fábrica de anomia?
Ao atacar frontalmente movimentos sociais como o MST, o presidente do Supremo Tribunal Federal age como magistrado ou preposto de velhas pretensões oligárquicas? Afirmando que o governo estaria cometendo ilegalidades ao dar recursos a ONGs ligadas ao movimento, o que faz Gilmar Mendes senão confirmar cada ponto destacado por Dom Xavier? Há que se considerar intempestiva a reação de João Pedro Stedile que o definiu como “Berlusconi verde-amarelo”? Ou interpretá-la como justa indignação?
Sabemos que as classes dominantes brasileiras gostam de falar uma linguagem liberal enquanto exercem formas autoritárias de governo. Se há de fato uma ação orquestrada desestabilizadora, sua novidade estaria no novo arranjo do poder, com a crescente primazia do judiciário tentando anular o poder Legislativo e Executivo. Repete-se a história de sempre: os ideais “republicanos” de alguns setores sucumbem aos velhos artifícios autoritários já testados.
A denúncia do ministro Joaquim Barbosa guarda um paralelo com o papel desempenhado pelo menino que revelou a nudez real no famoso conto de Hans Christian Andersen. À sociedade cabe avaliar o papel dos tecelões. Deve lançar um olhar atento sobre tecidos, teares e jogos de espelho com que é construída a democracia brasileira. Ou, muitas vezes, desconstruída.”
JOAQUIM BARBOSA, HERÓI. PALAVRA DA VEJA
O BRASIL NUNCA TEVE UM MINISTRO COMO ELE
Li hoje no Site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte reportagem da revista Veja de 05/09/2007:
“Hospedado em casa de amigos na Mariahilfer Strasse, uma das ruas que desembocam no anel que circunda o centro de Viena, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, repassava detalhes do mensalão. Era julho, o sol do verão austríaco produzia um calor de quase 40 graus e o ministro carregava seu carma: um arquivo digital com a íntegra do mensalão. Entre um concerto e outro, esse amante de música clássica, cuja coleção particular reúne 700 CDs, matutava sobre a melhor forma de montar seu voto para o julgamento do mensalão. O conteúdo já estava resolvido. Ele se convencera de que uma quadrilha liderada pelo ex-ministro José Dirceu movimentara dezenas de milhões de reais para corromper parlamentares em troca de apoio político.
Sua obsessão era a forma do voto, a estrutura, a ordem dos capítulos. No julgamento, que levou cinco dias e durou 36 horas, Joaquim Barbosa leu seu voto de 430 páginas. Fora minuciosamente preparado para que os ouvintes, aos poucos, fossem compondo mentalmente as tenebrosas conexões do esquema e o papel de cada comparsa. O resultado foi um sucesso arrasador. "Nem eu esperava tanto", confessa ele, abanando a cabeça para dar ênfase.
Das 112 votações, nas quais os demais ministros do STF eram convidados a decidir se aceitavam a denúncia de que tal pessoa poderia ter cometido tal crime, Joaquim Barbosa ganhou todas – 96 delas por unanimidade. Com uma linguagem simples e objetiva, sem os labirintos do juridiquês, o voto de Joaquim Barbosa e sua aprovação consagradora mostraram que, como na Berlim do século XVIII, ainda há juízes em Brasília. Do alto de seus 200 anos de história, o Supremo Tribunal Federal informou ao país que os corruptos e corruptores do mensalão podem ter sido tolerados pela Câmara dos Deputados, pela direção de seus partidos e até pelas urnas de outubro, mas não o serão pela mais alta corte da Justiça brasileira – o que é um alento em um país tão castigado pela impunidade. "Aqui, ninguém, ninguém – repetiu o ministro Celso de Mello, o mais antigo membro da corte – está acima da Constituição." E assim foi. Ao transformar todos os quarenta denunciados em réus em um processo criminal, o STF cumpriu seu papel à risca e se agigantou como uma instituição sólida e soberana.
Por envolver dois poderes da República, cinco legendas, três ex-ministros e toda a antiga cúpula do partido do presidente, o mensalão revelou o mais amplo esquema de corrupção política já desvendado numa democracia ocidental – desconsiderando-se, é claro, a incomparável metástase criminosa que corroeu a Itália até o início da década de 90. "Todos os escândalos políticos mundiais recentes estavam circunscritos a um partido político, como ocorreu com o Partido Socialista francês, ou a líderes isolados, como Helmut Kohl na Alemanha e Richard Nixon nos Estados Unidos", analisa o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília. "O mensalão é diferente porque, além de altos membros do governo petista, envolve líderes de vários partidos." Com sua escala monumental, o mensalão resultou num processo com 11.200 páginas, 140 apensos, 41 testemunhas e quarenta réus defendidos por 29 advogados, o que exigiu do STF um empenho fora do comum. Ao encerrar o julgamento, a ministra Ellen Gracie, presidente do tribunal, avaliou: "Tenho dificuldade de crer que alguma corte no mundo se reúna em plenária num caso tão complexo e debata com tanta minúcia, como fizemos".
O regente dessa orquestra é um ministro que parece ser tudo o que não é e, no entanto, é tudo o que não parece ser. É um homem frugal, do tipo que prepara seu próprio café-da-manhã, consome comida natural, bebe suco de clorofila, aprecia um chope com os amigos e escuta MPB. Mas também é um sujeito refinado, aficionado por música clássica, modesto bebedor de vinho, que compra seus ternos elegantes em duas cidades: Paris (o nome da loja? "Não, esse eu não conto, não", ri, com ar matreiro) e Los Angeles ("A loja é Three-day Suit, tem de ter sorte para chegar em tempo de liquidação."). Tem uns vinte ternos, e, jura, nenhum custou mais de 300 dólares.
Joaquim Barbosa também é um homem descontraído, que gosta de jogar uma pelada com amigos duas vezes por semana, aprecia andar pela Lapa, no Rio de Janeiro, e tem prazer em dançar. Ao mesmo tempo, é formal, não permite muita aproximação nem intimidade. É um magistrado apaixonado por história, um brasileiro que fala alemão e detesta o "jeitinho", um mineiro que dança forró. "O 'jeitinho' me irrita. Também me irrita o patrimonialismo, essa doença brasileira de sempre tirar vantagem do que é público."
Eleitor de Lula, Joaquim Barbosa trata sua trajetória de vida de maneira mais reservada do que o presidente. Ele não desfralda sua origem pobre de primogênito de oito filhos de pai pedreiro e mãe dona-de-casa como bandeira para valorizar sua trajetória de sucesso ou apresentar-se como pós-graduado em povo – e faz questão de valorizar os estudos. Veio de uma família humilde, nunca ficou desabrigado nem passou fome, mas enfrentou dificuldades. Em sua cidade natal, Paracatu, no interior de Minas, ficou um ano sem estudar quando era criança porque a diretora da escola, em um devaneio típico dos que se sentem donos da coisa pública, resolveu cobrar mensalidade. A família Barbosa não tinha dinheiro, e Joaquim, o "Joca", ficou fora da escola. "Foi um trauma", relembra. Desmitificador, diz que nunca comeu o pão que o diabo amassou para chegar aonde está e que tudo o que fez foi estudar. "Isso eu fiz. Estudei, estudei muito." Fez direito e pós-graduação em Brasília, virou doutor pela Sorbonne, em Paris, e foi professor visitante nas faculdades de direito da Columbia, em Nova York, e da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Tem dois livros publicados, um em francês, justamente sobre o STF brasileiro, e outro em português, sobre a experiência americana com as ações afirmativas para negros.
Joaquim Barbosa não é militante da negritude. "Tenho consciência racial, mas não faço disso uma causa", diz, com certa indiferença. Antes de chegar ao STF, preocupava-se mais com a questão racial, como mostra o livro que escreveu sobre igualdade racial, mas o trabalho no tribunal o afastou do assunto. Seu tempo ficou cada vez mais curto. O último livro que leu? Uma comédia escrita em alemão sobre o fim da Cortina de Ferro, de autoria de Wladimir Kaminer, jovem escritor russo radicado em Berlim. Ele gosta do assunto. Quando o Muro de Berlim ruiu, estava em Paris. "Quase caí da cama. Lembro até hoje das imagens, o pessoal bebendo champanhe na garrafa e gritando 'Wahnsinn, Wahnsinn', que significa 'loucura, loucura' ", diz ele, levantando os braços no ar e imitando o deslumbramento dos alemães daqueles dias eufóricos. Seu último filme? Um Lugar na Platéia, simpática comédia francesa. Gostou muito, sobretudo porque o elenco traz duas atrizes de sua admiração: Valérie Lemercier e Cécile De France.
Com o caso do mensalão sobre a mesa, passou os últimos quatro meses deitando, sonhando, acordando e estudando o escândalo. Manteve, nesse período, apenas o esqueleto de sua rotina – acorda cedo (entre 5 e 5 meia), almoça cedo (antes do meio-dia) e se deita cedo (até as 10) –, recheando-a com estudos do caso. Outro dado que subverteu sua rotina depois que chegou ao Supremo é a dor nas costas. "Adquiri aqui, por causa das poltronas do plenário", acredita. Tem almofadas especiais na poltrona do plenário, na cadeira do gabinete e no banco do carro. Faz de tudo: massagem, quiropraxia, acupuntura e pilates. "Vou curar isso", promete a si mesmo. Por causa da dor nas costas, prefere conversar em pé a sentar. Fez isso nas sessões do julgamento do mensalão, apoiando-se, em pé, no espaldar da poltrona. No gabinete, tem uma espécie de púlpito, sobre o qual coloca os livros e papéis para ler e despachar em pé. Por causa desses incômodos e dificuldades, ele vive reclamando da vida?
Que nada. Joaquim Barbosa adora viajar, sobretudo aos países cuja língua conhece. É fluente em francês, inglês e alemão, nessa ordem. Já esteve duas vezes na África do Sul, ambas para dar palestras, e uma vez no Senegal, a turismo. O que achou do Senegal? "O problema social é gritante, a miséria é... ", diz ele, deixando as reticências como convite à imaginação. Mas ele gosta mesmo é do Hemisfério Norte. Gosta de Montmartre, o charmoso bairro parisiense onde já morou e de cuja basílica se tem uma deslumbrante vista da capital francesa. Já morou também em Nova York, cuja "exuberância cultural" adora, ainda que deteste o frio do inverno, e em Los Angeles – que, ao contrário da opinião de respeitável maioria, achou uma "cidade interessante", embora não rivalize com São Francisco, sua preferida nas terras de Tio Sam. Estava em Los Angeles em fevereiro de 2003, quando recebeu um e-mail de um tal de Sérgio Sérvulo, então assessor do Ministério da Justiça, informando que o ministro Márcio Thomaz Bastos gostaria de conhecê-lo. Avisou seu filho, hoje com 22 anos e estudante de jornalismo no Rio de Janeiro, que precisaria ir a Brasília. Foi, e nunca mais voltou, a não ser para recolher seus pertences e vender o carro californiano. Tomou posse como ministro do STF em junho de 2003.
No caso mais importante de sua vida de magistrado, e da própria história recente do STF, Joaquim Barbosa fez um voto inteligente. Subverteu a ordem da denúncia preparada pelo procurador-geral da República. No seu voto, abriu com o capítulo 5, porque mostrava a fonte do dinheiro que abasteceu o valerioduto. Depois, pulou para o capítulo 3, no qual são narrados os casos de desvio de dinheiro público. E, assim, deixou por último os capítulos mais complexos, incluindo aquele em que José Dirceu e comparsas são acusados de formação de quadrilha. Com essa forma, o escândalo ficou mais compreensível e o capítulo anterior jogava luz sobre o capítulo subseqüente.
Talvez isso explique a facilidade com que o crime de formação de quadrilha foi aceito – ao contrário das expectativas iniciais. Seu colega, o ministro Ricardo Lewandowski, tem outra leitura. Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a repórter Vera Magalhães relatou ter presenciado um telefonema de Lewandowski, na noite do fim do julgamento, em um restaurante em Brasília. Na conversa, o ministro, que estaria falando com seu irmão, fez afirmações levianas. Disse que "a imprensa acuou o Supremo", que "todo mundo votou com a faca no pescoço" e que, antes do acuo do tribunal, a "tendência era amaciar para o Dirceu". O que teria constrangido o Supremo, na versão de Lewandowski, foi a publicação na semana anterior de mensagens trocadas entre ele e a ministra Cármen Lúcia pela intranet. As mensagens insinuavam que o ministro Eros Grau rejeitaria a denúncia em troca da indicação ao Supremo de um amigo seu, Carlos Alberto Direito. Eros Grau aceitou a denúncia. E Direito foi indicado para o STF na semana passada. Isso só mostra que, se alguém votou com a faca no pescoço, foi Lewandowski – aliás, o único que votou a favor de Dirceu na denúncia por formação de quadrilha. Envolvido em tanta fofoca em tão pouco tempo, o ministro já ganhou o apelido de "Lewandowski e Trazendowski". Outros preferem "Leviandowski".
O desabafo de Lewandowski motivou alguns – entre eles, José Dirceu – a dizer que o julgamento estava sob suspeição e que poderia ser anulado. Bobagem. Mas os mensaleiros, o PT e o Palácio do Planalto têm feito tudo, cada um a seu modo, para reduzir a grandeza da decisão do Supremo. O presidente Lula, que no último dia do julgamento sobrevoou a periferia de Brasília, fez de conta que o assunto não lhe dizia respeito, mas depois mandou um recado torto aos novos réus: de que não tinham do que se envergonhar...! Na quinta-feira, os petistas fizeram um jantar em São Paulo em homenagem aos réus, entre eles João Paulo Cunha, promovendo uma estupidez que coloca o partido acima dos princípios, um erro que a maioria do PT vem cometendo desde a eclosão do escândalo, deve voltar a cometê-lo neste fim de semana, quando faz seu terceiro congresso nacional, e que certamente ficará como cicatriz indelével na história da legenda. Apesar da decisão do STF, os petistas seguem agarrados ao discurso de que o mensalão não passou de conspiração "da elite e da mídia". Agora, com o processo criminal instalado, caberá ao Ministério Público recolher as provas necessárias às condenações. Tudo pode acontecer. Especula-se até que ministros poderiam ter aceitado a denúncia agora para dar satisfação à opinião pública e, no decorrer do processo, trabalhar sorrateiramente para inviabilizar as condenações. O certo é que o Ministério Público terá um trabalho duro pela frente. O julgamento final não deve ocorrer antes de três anos – portanto, quando um novo governo estiver tomando posse, um novo governo, é bom atentar, que pode ser da turma petista ou de aliados, mas também pode não ser.
O julgamento da semana passada deu a Joaquim Barbosa uma súbita notoriedade.
Normalmente, seu e-mail público (gabminjoaquim@stf.gov.br) não recebe mais do que cinco mensagens por semana. Nos últimos dias, passaram de 100. "Em geral, eram mensagem de pessoas se dizendo aliviadas com o resultado do julgamento", conta.
Aposentando-se aos 70 anos, como manda a lei, Joaquim Barbosa ficará no tribunal até 2025 – mas ele dá sinais de que talvez os apelos da vida o arranquem dali antes disso. "Com certeza, fico até chegar a minha vez de ser presidente." Pelo rodízio do tribunal, sua oportunidade chegará dentro de pouco mais de cinco anos. Até lá, haverá um ministro Joaquim Barbosa, encarregado do processo do mensalão. Depois, sabe-se lá. "Gosto da vida", diz ele. E, bem ao seu estilo globalizado, percorre mentalmente seus bairros preferidos em Paris, Berlim e Rio, e completa: "Gosto do Marais, gosto de Prenzlauerberg, gosto da Lapa". O Brasil jamais teve um deplorável escândalo como o mensalão. Como compensação, também jamais teve um ministro como Joaquim Barbosa.”
Li hoje no Site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte reportagem da revista Veja de 05/09/2007:
“Hospedado em casa de amigos na Mariahilfer Strasse, uma das ruas que desembocam no anel que circunda o centro de Viena, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, repassava detalhes do mensalão. Era julho, o sol do verão austríaco produzia um calor de quase 40 graus e o ministro carregava seu carma: um arquivo digital com a íntegra do mensalão. Entre um concerto e outro, esse amante de música clássica, cuja coleção particular reúne 700 CDs, matutava sobre a melhor forma de montar seu voto para o julgamento do mensalão. O conteúdo já estava resolvido. Ele se convencera de que uma quadrilha liderada pelo ex-ministro José Dirceu movimentara dezenas de milhões de reais para corromper parlamentares em troca de apoio político.
Sua obsessão era a forma do voto, a estrutura, a ordem dos capítulos. No julgamento, que levou cinco dias e durou 36 horas, Joaquim Barbosa leu seu voto de 430 páginas. Fora minuciosamente preparado para que os ouvintes, aos poucos, fossem compondo mentalmente as tenebrosas conexões do esquema e o papel de cada comparsa. O resultado foi um sucesso arrasador. "Nem eu esperava tanto", confessa ele, abanando a cabeça para dar ênfase.
Das 112 votações, nas quais os demais ministros do STF eram convidados a decidir se aceitavam a denúncia de que tal pessoa poderia ter cometido tal crime, Joaquim Barbosa ganhou todas – 96 delas por unanimidade. Com uma linguagem simples e objetiva, sem os labirintos do juridiquês, o voto de Joaquim Barbosa e sua aprovação consagradora mostraram que, como na Berlim do século XVIII, ainda há juízes em Brasília. Do alto de seus 200 anos de história, o Supremo Tribunal Federal informou ao país que os corruptos e corruptores do mensalão podem ter sido tolerados pela Câmara dos Deputados, pela direção de seus partidos e até pelas urnas de outubro, mas não o serão pela mais alta corte da Justiça brasileira – o que é um alento em um país tão castigado pela impunidade. "Aqui, ninguém, ninguém – repetiu o ministro Celso de Mello, o mais antigo membro da corte – está acima da Constituição." E assim foi. Ao transformar todos os quarenta denunciados em réus em um processo criminal, o STF cumpriu seu papel à risca e se agigantou como uma instituição sólida e soberana.
Por envolver dois poderes da República, cinco legendas, três ex-ministros e toda a antiga cúpula do partido do presidente, o mensalão revelou o mais amplo esquema de corrupção política já desvendado numa democracia ocidental – desconsiderando-se, é claro, a incomparável metástase criminosa que corroeu a Itália até o início da década de 90. "Todos os escândalos políticos mundiais recentes estavam circunscritos a um partido político, como ocorreu com o Partido Socialista francês, ou a líderes isolados, como Helmut Kohl na Alemanha e Richard Nixon nos Estados Unidos", analisa o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília. "O mensalão é diferente porque, além de altos membros do governo petista, envolve líderes de vários partidos." Com sua escala monumental, o mensalão resultou num processo com 11.200 páginas, 140 apensos, 41 testemunhas e quarenta réus defendidos por 29 advogados, o que exigiu do STF um empenho fora do comum. Ao encerrar o julgamento, a ministra Ellen Gracie, presidente do tribunal, avaliou: "Tenho dificuldade de crer que alguma corte no mundo se reúna em plenária num caso tão complexo e debata com tanta minúcia, como fizemos".
O regente dessa orquestra é um ministro que parece ser tudo o que não é e, no entanto, é tudo o que não parece ser. É um homem frugal, do tipo que prepara seu próprio café-da-manhã, consome comida natural, bebe suco de clorofila, aprecia um chope com os amigos e escuta MPB. Mas também é um sujeito refinado, aficionado por música clássica, modesto bebedor de vinho, que compra seus ternos elegantes em duas cidades: Paris (o nome da loja? "Não, esse eu não conto, não", ri, com ar matreiro) e Los Angeles ("A loja é Three-day Suit, tem de ter sorte para chegar em tempo de liquidação."). Tem uns vinte ternos, e, jura, nenhum custou mais de 300 dólares.
Joaquim Barbosa também é um homem descontraído, que gosta de jogar uma pelada com amigos duas vezes por semana, aprecia andar pela Lapa, no Rio de Janeiro, e tem prazer em dançar. Ao mesmo tempo, é formal, não permite muita aproximação nem intimidade. É um magistrado apaixonado por história, um brasileiro que fala alemão e detesta o "jeitinho", um mineiro que dança forró. "O 'jeitinho' me irrita. Também me irrita o patrimonialismo, essa doença brasileira de sempre tirar vantagem do que é público."
Eleitor de Lula, Joaquim Barbosa trata sua trajetória de vida de maneira mais reservada do que o presidente. Ele não desfralda sua origem pobre de primogênito de oito filhos de pai pedreiro e mãe dona-de-casa como bandeira para valorizar sua trajetória de sucesso ou apresentar-se como pós-graduado em povo – e faz questão de valorizar os estudos. Veio de uma família humilde, nunca ficou desabrigado nem passou fome, mas enfrentou dificuldades. Em sua cidade natal, Paracatu, no interior de Minas, ficou um ano sem estudar quando era criança porque a diretora da escola, em um devaneio típico dos que se sentem donos da coisa pública, resolveu cobrar mensalidade. A família Barbosa não tinha dinheiro, e Joaquim, o "Joca", ficou fora da escola. "Foi um trauma", relembra. Desmitificador, diz que nunca comeu o pão que o diabo amassou para chegar aonde está e que tudo o que fez foi estudar. "Isso eu fiz. Estudei, estudei muito." Fez direito e pós-graduação em Brasília, virou doutor pela Sorbonne, em Paris, e foi professor visitante nas faculdades de direito da Columbia, em Nova York, e da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Tem dois livros publicados, um em francês, justamente sobre o STF brasileiro, e outro em português, sobre a experiência americana com as ações afirmativas para negros.
Joaquim Barbosa não é militante da negritude. "Tenho consciência racial, mas não faço disso uma causa", diz, com certa indiferença. Antes de chegar ao STF, preocupava-se mais com a questão racial, como mostra o livro que escreveu sobre igualdade racial, mas o trabalho no tribunal o afastou do assunto. Seu tempo ficou cada vez mais curto. O último livro que leu? Uma comédia escrita em alemão sobre o fim da Cortina de Ferro, de autoria de Wladimir Kaminer, jovem escritor russo radicado em Berlim. Ele gosta do assunto. Quando o Muro de Berlim ruiu, estava em Paris. "Quase caí da cama. Lembro até hoje das imagens, o pessoal bebendo champanhe na garrafa e gritando 'Wahnsinn, Wahnsinn', que significa 'loucura, loucura' ", diz ele, levantando os braços no ar e imitando o deslumbramento dos alemães daqueles dias eufóricos. Seu último filme? Um Lugar na Platéia, simpática comédia francesa. Gostou muito, sobretudo porque o elenco traz duas atrizes de sua admiração: Valérie Lemercier e Cécile De France.
Com o caso do mensalão sobre a mesa, passou os últimos quatro meses deitando, sonhando, acordando e estudando o escândalo. Manteve, nesse período, apenas o esqueleto de sua rotina – acorda cedo (entre 5 e 5 meia), almoça cedo (antes do meio-dia) e se deita cedo (até as 10) –, recheando-a com estudos do caso. Outro dado que subverteu sua rotina depois que chegou ao Supremo é a dor nas costas. "Adquiri aqui, por causa das poltronas do plenário", acredita. Tem almofadas especiais na poltrona do plenário, na cadeira do gabinete e no banco do carro. Faz de tudo: massagem, quiropraxia, acupuntura e pilates. "Vou curar isso", promete a si mesmo. Por causa da dor nas costas, prefere conversar em pé a sentar. Fez isso nas sessões do julgamento do mensalão, apoiando-se, em pé, no espaldar da poltrona. No gabinete, tem uma espécie de púlpito, sobre o qual coloca os livros e papéis para ler e despachar em pé. Por causa desses incômodos e dificuldades, ele vive reclamando da vida?
Que nada. Joaquim Barbosa adora viajar, sobretudo aos países cuja língua conhece. É fluente em francês, inglês e alemão, nessa ordem. Já esteve duas vezes na África do Sul, ambas para dar palestras, e uma vez no Senegal, a turismo. O que achou do Senegal? "O problema social é gritante, a miséria é... ", diz ele, deixando as reticências como convite à imaginação. Mas ele gosta mesmo é do Hemisfério Norte. Gosta de Montmartre, o charmoso bairro parisiense onde já morou e de cuja basílica se tem uma deslumbrante vista da capital francesa. Já morou também em Nova York, cuja "exuberância cultural" adora, ainda que deteste o frio do inverno, e em Los Angeles – que, ao contrário da opinião de respeitável maioria, achou uma "cidade interessante", embora não rivalize com São Francisco, sua preferida nas terras de Tio Sam. Estava em Los Angeles em fevereiro de 2003, quando recebeu um e-mail de um tal de Sérgio Sérvulo, então assessor do Ministério da Justiça, informando que o ministro Márcio Thomaz Bastos gostaria de conhecê-lo. Avisou seu filho, hoje com 22 anos e estudante de jornalismo no Rio de Janeiro, que precisaria ir a Brasília. Foi, e nunca mais voltou, a não ser para recolher seus pertences e vender o carro californiano. Tomou posse como ministro do STF em junho de 2003.
No caso mais importante de sua vida de magistrado, e da própria história recente do STF, Joaquim Barbosa fez um voto inteligente. Subverteu a ordem da denúncia preparada pelo procurador-geral da República. No seu voto, abriu com o capítulo 5, porque mostrava a fonte do dinheiro que abasteceu o valerioduto. Depois, pulou para o capítulo 3, no qual são narrados os casos de desvio de dinheiro público. E, assim, deixou por último os capítulos mais complexos, incluindo aquele em que José Dirceu e comparsas são acusados de formação de quadrilha. Com essa forma, o escândalo ficou mais compreensível e o capítulo anterior jogava luz sobre o capítulo subseqüente.
Talvez isso explique a facilidade com que o crime de formação de quadrilha foi aceito – ao contrário das expectativas iniciais. Seu colega, o ministro Ricardo Lewandowski, tem outra leitura. Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a repórter Vera Magalhães relatou ter presenciado um telefonema de Lewandowski, na noite do fim do julgamento, em um restaurante em Brasília. Na conversa, o ministro, que estaria falando com seu irmão, fez afirmações levianas. Disse que "a imprensa acuou o Supremo", que "todo mundo votou com a faca no pescoço" e que, antes do acuo do tribunal, a "tendência era amaciar para o Dirceu". O que teria constrangido o Supremo, na versão de Lewandowski, foi a publicação na semana anterior de mensagens trocadas entre ele e a ministra Cármen Lúcia pela intranet. As mensagens insinuavam que o ministro Eros Grau rejeitaria a denúncia em troca da indicação ao Supremo de um amigo seu, Carlos Alberto Direito. Eros Grau aceitou a denúncia. E Direito foi indicado para o STF na semana passada. Isso só mostra que, se alguém votou com a faca no pescoço, foi Lewandowski – aliás, o único que votou a favor de Dirceu na denúncia por formação de quadrilha. Envolvido em tanta fofoca em tão pouco tempo, o ministro já ganhou o apelido de "Lewandowski e Trazendowski". Outros preferem "Leviandowski".
O desabafo de Lewandowski motivou alguns – entre eles, José Dirceu – a dizer que o julgamento estava sob suspeição e que poderia ser anulado. Bobagem. Mas os mensaleiros, o PT e o Palácio do Planalto têm feito tudo, cada um a seu modo, para reduzir a grandeza da decisão do Supremo. O presidente Lula, que no último dia do julgamento sobrevoou a periferia de Brasília, fez de conta que o assunto não lhe dizia respeito, mas depois mandou um recado torto aos novos réus: de que não tinham do que se envergonhar...! Na quinta-feira, os petistas fizeram um jantar em São Paulo em homenagem aos réus, entre eles João Paulo Cunha, promovendo uma estupidez que coloca o partido acima dos princípios, um erro que a maioria do PT vem cometendo desde a eclosão do escândalo, deve voltar a cometê-lo neste fim de semana, quando faz seu terceiro congresso nacional, e que certamente ficará como cicatriz indelével na história da legenda. Apesar da decisão do STF, os petistas seguem agarrados ao discurso de que o mensalão não passou de conspiração "da elite e da mídia". Agora, com o processo criminal instalado, caberá ao Ministério Público recolher as provas necessárias às condenações. Tudo pode acontecer. Especula-se até que ministros poderiam ter aceitado a denúncia agora para dar satisfação à opinião pública e, no decorrer do processo, trabalhar sorrateiramente para inviabilizar as condenações. O certo é que o Ministério Público terá um trabalho duro pela frente. O julgamento final não deve ocorrer antes de três anos – portanto, quando um novo governo estiver tomando posse, um novo governo, é bom atentar, que pode ser da turma petista ou de aliados, mas também pode não ser.
O julgamento da semana passada deu a Joaquim Barbosa uma súbita notoriedade.
Normalmente, seu e-mail público (gabminjoaquim@stf.gov.br) não recebe mais do que cinco mensagens por semana. Nos últimos dias, passaram de 100. "Em geral, eram mensagem de pessoas se dizendo aliviadas com o resultado do julgamento", conta.
Aposentando-se aos 70 anos, como manda a lei, Joaquim Barbosa ficará no tribunal até 2025 – mas ele dá sinais de que talvez os apelos da vida o arranquem dali antes disso. "Com certeza, fico até chegar a minha vez de ser presidente." Pelo rodízio do tribunal, sua oportunidade chegará dentro de pouco mais de cinco anos. Até lá, haverá um ministro Joaquim Barbosa, encarregado do processo do mensalão. Depois, sabe-se lá. "Gosto da vida", diz ele. E, bem ao seu estilo globalizado, percorre mentalmente seus bairros preferidos em Paris, Berlim e Rio, e completa: "Gosto do Marais, gosto de Prenzlauerberg, gosto da Lapa". O Brasil jamais teve um deplorável escândalo como o mensalão. Como compensação, também jamais teve um ministro como Joaquim Barbosa.”
PT ANUNCIA AÇÃO CONTRA PROPAGANDA ALARMISTA E MENTIROSA DO PPS
Li hoje no site “Vermelho”:
"O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), repudiou nesta quinta-feira (23) o boato que vem sendo espalhado pelo PPS, em inserções na televisão e no rádio, de que o governo Lula vai mexer na caderneta de poupança, como fez o governo Collor em 1990, confiscando depósitos. "Ao manipular informações com o objetivo de alarmar as pessoas, o PPS age como uma sublegenda dos neoliberais tucanos e a serviço do governador de São Paulo, José Serra. O PPS utiliza de forma indevida o horário partidário no rádio e televisão para espalhar o pânico", disse Berzoini.
A assessoria jurídica do PT vai encaminhar um questionamento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as inserções do PPS. “A utilização do horário eleitoral de modo indevido prejudica uma conquista democrática. É inadmissível que o PPS utilize o espaço reservado aos partidos como está fazendo, manipulando informações”, disse o presidente do PT.
Segundo ele, o PPS, sob a gestão do ex-senador Roberto Freire (PE) está “cada vez mais alinhado à direita brasileira, servindo de instrumento de ataque a um governo de enorme popularidade, especialmente em Pernambuco”, de onde é o dirigente do PPS.
Berzoini também estranhou o fato de Freire ser conselheiro da Sabesp (empresa de saneamento do estado de São Paulo), "sem ter nenhuma relação histórica com a empresa ou o próprio estado".
CONSTITUIÇÃO
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) aconselhou aos membros do PPS lerem a Constituição Federal que, no artigo 62, parágrafo primeiro, inciso II, proíbe claramente qualquer tipo de confisco financeiro, como fez o Governo Collor em 1990. "Por má-fé, o PPS , no afã de se mostrar simpático ao governador José Serra (possível candidato tucano à presidência da República em 2010) está propagando uma calúnia'.
Ele observou que a propaganda do PPS é feita pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que "está agindo como um ventríloquo tucano. É uma enorme irresponsabilidade espalhar um boato que mexe com todos os brasileiros." Para Ferro, o PPS também é agremiação que age como instrumento do PSDB, com o qual atua como sublegenda.
O deputado EduardoValverde (PT-RO) analisa que o boato espalhado faz "terrorismo com a população brasileira", ao incutir na mente das pessoas que poderia haver "um sequestro da poupança, como fez o governo Collor". Ele também frisou que a Constituição brasileira é clara na proibição a este tipo de medida. “Podemos tranquilizar a população de que o presidente Lula não vai mudar as regras da poupança para causar prejuízos aos pequenos poupadores”, disse Valverde.
OS VALORES DO PPS
Em artigo publicado no site do PT, o secretário secretário nacional de Comunicação do Partido, Gleber Naime, afirma que o discurso de "decência" propagado pelo PPS é hipócrita. "Quais são os valores e princípios do PPS, que se auto-intitula “um partido decente”? Seriam os de seu presidente, o ex-deputado Roberto Freire, aquele que, mesmo morando em Recife (PE), foi flagrado recebendo R$ 12 mil mensais da prefeitura de São Paulo, a título de suposta participação em dois conselhos municipais da gestão Serra/Kassab?", questiona Naime.
"À falta de um projeto para apresentar à nação, o Partido Popular Socialista (que de socialista não tem nada, e de popular menos ainda) acaba não só caindo em contradição como revelando que a “decência” está longe de ser o seu forte", conclui o dirigente petista.”
"O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), repudiou nesta quinta-feira (23) o boato que vem sendo espalhado pelo PPS, em inserções na televisão e no rádio, de que o governo Lula vai mexer na caderneta de poupança, como fez o governo Collor em 1990, confiscando depósitos. "Ao manipular informações com o objetivo de alarmar as pessoas, o PPS age como uma sublegenda dos neoliberais tucanos e a serviço do governador de São Paulo, José Serra. O PPS utiliza de forma indevida o horário partidário no rádio e televisão para espalhar o pânico", disse Berzoini.
A assessoria jurídica do PT vai encaminhar um questionamento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as inserções do PPS. “A utilização do horário eleitoral de modo indevido prejudica uma conquista democrática. É inadmissível que o PPS utilize o espaço reservado aos partidos como está fazendo, manipulando informações”, disse o presidente do PT.
Segundo ele, o PPS, sob a gestão do ex-senador Roberto Freire (PE) está “cada vez mais alinhado à direita brasileira, servindo de instrumento de ataque a um governo de enorme popularidade, especialmente em Pernambuco”, de onde é o dirigente do PPS.
Berzoini também estranhou o fato de Freire ser conselheiro da Sabesp (empresa de saneamento do estado de São Paulo), "sem ter nenhuma relação histórica com a empresa ou o próprio estado".
CONSTITUIÇÃO
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) aconselhou aos membros do PPS lerem a Constituição Federal que, no artigo 62, parágrafo primeiro, inciso II, proíbe claramente qualquer tipo de confisco financeiro, como fez o Governo Collor em 1990. "Por má-fé, o PPS , no afã de se mostrar simpático ao governador José Serra (possível candidato tucano à presidência da República em 2010) está propagando uma calúnia'.
Ele observou que a propaganda do PPS é feita pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que "está agindo como um ventríloquo tucano. É uma enorme irresponsabilidade espalhar um boato que mexe com todos os brasileiros." Para Ferro, o PPS também é agremiação que age como instrumento do PSDB, com o qual atua como sublegenda.
O deputado EduardoValverde (PT-RO) analisa que o boato espalhado faz "terrorismo com a população brasileira", ao incutir na mente das pessoas que poderia haver "um sequestro da poupança, como fez o governo Collor". Ele também frisou que a Constituição brasileira é clara na proibição a este tipo de medida. “Podemos tranquilizar a população de que o presidente Lula não vai mudar as regras da poupança para causar prejuízos aos pequenos poupadores”, disse Valverde.
OS VALORES DO PPS
Em artigo publicado no site do PT, o secretário secretário nacional de Comunicação do Partido, Gleber Naime, afirma que o discurso de "decência" propagado pelo PPS é hipócrita. "Quais são os valores e princípios do PPS, que se auto-intitula “um partido decente”? Seriam os de seu presidente, o ex-deputado Roberto Freire, aquele que, mesmo morando em Recife (PE), foi flagrado recebendo R$ 12 mil mensais da prefeitura de São Paulo, a título de suposta participação em dois conselhos municipais da gestão Serra/Kassab?", questiona Naime.
"À falta de um projeto para apresentar à nação, o Partido Popular Socialista (que de socialista não tem nada, e de popular menos ainda) acaba não só caindo em contradição como revelando que a “decência” está longe de ser o seu forte", conclui o dirigente petista.”
QUEM SÃO OS CAPANGAS DE MENDES?
Li hoje no Site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte texto:
“A quem o ministro Joaquim Barbosa estava se referindo quando disse que não era um dos capangas de Gilmar Mendes em Mato Grosso?
Sabemos que Mendes adora agradar aos poderosos, especialmente aos brancos de olho azul.
Todos os dias, na TV, vejo presos algemados. Nem um pio do presidente do STF.
Todos os dias somos informados de casos escabrosos de presos que sofrem de doenças gravíssimas -- câncer e Aids, entre outros -- e continuam presos, muitas vezes sem atendimento médico. Nem um pio do presidente do STF.
No entanto, quando se tratou de beneficiar uma empresa que cobra pedágio contestado pela população, entre Ourinhos e Jacarezinho, lá estava o canetaço de Gilmar Mendes para refazer decisões de instâncias inferiores.
Quando se tratou de atropelar os interesses dos indígenas de Mato Grosso e beneficiar indiretamente os amigos do governador Blairo Maggi, lá estava o canetaço de Gilmar Mendes.
O presidente do STF deu pernas a dois "grampos" para os quais ainda não apareceram provas: a "escuta ambiental" sem áudio do STF e o grampo sem áudio da conversa dele, Gilmar, com o senador Demóstenes Torres. São duas farsas que "estrelaram" capas da revista Veja cujo objetivo principal era salvar Daniel Dantas, demitir Paulo Lacerda e afastar o delegado Protógenes Queiroz.
Como é que pode o presidente da mais alta Corte de um país ser co-partícipe de armações tão evidentes?
Agora que Joaquim Barbosa rompeu o silêncio, quem são os "capangas" de Gilmar, em Mato Grosso e fora dele?"
“A quem o ministro Joaquim Barbosa estava se referindo quando disse que não era um dos capangas de Gilmar Mendes em Mato Grosso?
Sabemos que Mendes adora agradar aos poderosos, especialmente aos brancos de olho azul.
Todos os dias, na TV, vejo presos algemados. Nem um pio do presidente do STF.
Todos os dias somos informados de casos escabrosos de presos que sofrem de doenças gravíssimas -- câncer e Aids, entre outros -- e continuam presos, muitas vezes sem atendimento médico. Nem um pio do presidente do STF.
No entanto, quando se tratou de beneficiar uma empresa que cobra pedágio contestado pela população, entre Ourinhos e Jacarezinho, lá estava o canetaço de Gilmar Mendes para refazer decisões de instâncias inferiores.
Quando se tratou de atropelar os interesses dos indígenas de Mato Grosso e beneficiar indiretamente os amigos do governador Blairo Maggi, lá estava o canetaço de Gilmar Mendes.
O presidente do STF deu pernas a dois "grampos" para os quais ainda não apareceram provas: a "escuta ambiental" sem áudio do STF e o grampo sem áudio da conversa dele, Gilmar, com o senador Demóstenes Torres. São duas farsas que "estrelaram" capas da revista Veja cujo objetivo principal era salvar Daniel Dantas, demitir Paulo Lacerda e afastar o delegado Protógenes Queiroz.
Como é que pode o presidente da mais alta Corte de um país ser co-partícipe de armações tão evidentes?
Agora que Joaquim Barbosa rompeu o silêncio, quem são os "capangas" de Gilmar, em Mato Grosso e fora dele?"
POR DIZER A VERDADE
Li hoje no blog Cidadania.com o seguinte texto de Luiz Eduardo Guimarães:
“Joaquim Benedito Barbosa Gomes é o nome dele.
Conhecido como Joaquim Barbosa, apenas, ele é ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil desde 25 de junho de 2003, quando nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o único negro entre os atuais ministros do STF.
Joaquim Barbosa nasceu no município mineiro de Paracatu em 7 de outubro de 1954 (54 anos), noroeste de Minas Gerais.
É o primogênito de oito filhos.
Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram.
Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público.
Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.
Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado.
Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido seu Mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993.
Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Foi Visiting Scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000), e Visiting Scholar na Universidade da California, Los Angeles School of Law (2002 a 2003).
Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês e alemão.
O currículo do ministro do STF Joaquim Barbosa que vocês acabam de ler foi extraído da Wikipédia, mas pode ser encontrado facilmente nos arquivos dos órgãos oficiais do Estado Brasileiro.
“E o que mostra esse currículo?”, perguntarão vocês. Antes de responder, quero dizer que o histórico de vida de Joaquim Barbosa pesa muito neste caso, porque mostra que ele, à diferença de seus pares, é alguém que chegou aonde chegou lutando contra dificuldades imensas que os outros membros do STF jamais sequer sonharam em enfrentar.
Não se quer aceitar, nesse debate – ou melhor, a mídia, a direita, o PSDB, o PFL, os Frias, os Marinho, os Civita não querem aceitar –, que Joaquim Barbosa é um estranho no ninho racialmente elitista que é o Supremo Tribunal Federal, pois esse negro filho de pedreiro do interior de Minas é apenas o terceiro ministro negro da Corte em 102 anos, conforme a Wikipédia, tendo sido precedido por Pedro Lessa (1907 a 1921) e por Hermenegildo de Barros (1919 a 1937).
E quem é o STF hoje no Brasil? Acabamos de ver recentemente nos casos Daniel Dantas, Eliana Tranchesi etc. É o que sempre foi: a porta por onde os ricos escapam de seus crimes.
Joaquim Barbosa é isolado por seus pares pelo que é: negro de origem pobre numa Corte quase que exclusivamente branca nos últimos mais de cem anos, que julga uma maioria descomunal de causas que beneficiam a elite branca e rica do país.
Sobre o que ele disse ao presidente do STF, Gilmar Mendes, apenas repercutiu o que têm dito, em ampla maioria, juízes, advogados, jornalistas, acadêmicos de toda parte do Brasil e do mundo, que o atual presidente do Supremo, com suas polêmicas midiáticas, com denúncias de grampos ilegais que não se sustentam e que ele até já reconheceu que “podem” não ter existido – depois de toda palhaçada que fez –, desserve à instituição que preside e ao próprio conceito de Justiça.
Gilmar Mendes pareceu-me ter querido “pôr o negrinho em seu lugar”, e este, altivo, enorme, colossal, respondeu-lhe, com todas as letras, que não o confundisse com “um dos capangas” do supremo presidente “em Mato Grosso”.
Falando nisso, a mídia poderia focar nesse ponto, sobre “Mato Grosso”, mas preferiu o silêncio. Esperemos...
Recomendo-lhes que, depois de terminarem de ler este texto, voltem aqui e terminem de ler o currículo de Joaquim Barbosa na Wikipédia, clicando Aqui. Claro que muitos dirão que a Wikipédia é “aparelhada pelo PT”, sem darem maiores explicações sobre como e por que isso acontece. Mas eu concordo com o texto ali postado. A meu ver, está mais do que correto.
Finalmente, esse episódio revelou-se benigno para a nação, a meu juízo, pois mostrou que ainda resta esperança para a Justiça brasileira. Enquanto houver um só que enfrente uma luta aparentemente desigual para si simplesmente para dizer o que falam quase todos, porém sem que os poucos poderosos dêem ouvidos, haverá esperança.
Enquanto um resistir, resistiremos todos.
Joaquim Barbosa é um estranho no ninho do STF, entre a elite branca da nação, e está sendo combatido por isso e por simplesmente dizer a verdade em meio a um mar de hipocrisia. O Brasil inteiro sabe disso e essa talvez seja a verdade mais importante, pois dará conseqüência aos fatos, se Deus quiser.
CREDIBILIDADE DA JUSTIÇA
Ainda na noite de quarta-feira, horas depois do confronto entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, na emissora de notícias por cabo Globo News o articulista do jornal O Globo Merval Pereira, já engajado na defesa de Mendes, saiu dizendo que a acusação de Barbosa de que o adversário estaria “destruindo a credibilidade da Justiça” não se sustentava por conta de pesquisas que dariam conta da alta credibilidade do poder Judiciário no Brasil.
É marota a opinião desse cavalheiro, pois ele distorce dados de uma pesquisa do IBGE recentemente divulgada pelo site Consultor Jurídico – tão bem conhecido de todos vocês. A pesquisa mostra que Justiça brasileira ocupa o 9º lugar em credibilidade entre as instituições do país. Pereira só não diz que tal confiança é algo mais alta do que as de outras instituições da República por conta, na maior parte, da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral.
Na década de 40, quando o movimento negro era uma ilha, o dramaturgo Nelson Rodrigues cravava nas gazetas: Abdias do Nascimento é "o único negro do Brasil". E não houve quem o desmentisse. A "flor de obsessão" admirava no ator e ativista negro a "irredutível consciência racial", a coragem de esfregar a "cor na cara de todo o mundo".
Abdias, 95 anos, segue atento às novas gerações do movimento negro. Vibrou com a vitória do presidente Barack Obama, nos Estados Unidos. E hoje, a partir da leitura dos jornais, se "orgulha" da atuação do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). - "Estou orgulhoso de ter um juiz à altura da situação em que se encontram todos os milhões e milhões afrodescendentes" - declara.
Primeiro negro na suprema corte brasileira, Barbosa fez ontem acusações públicas ao presidente do STF, Gilmar Mendes. "Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro", atacou. Mendes pediu "respeito". Barbosa ainda prosseguiu: "Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite."
Com esse revide, a briga tomou uma feição racial. Abdias não foge à pergunta: - Acho que houve, sim, um viés racista naquela maneira que o presidente do Supremo respondeu a ele, logo no começo da discussão.
CAPANGAS PROTESTAM NO MATO GROSSO
Do blog Cloaca News:
Após tensa reunião, terminada com menos da metade do quórum inicial por causa da eliminação de vários participantes, o Sindicato dos Pistoleiros e Assemelhados de Diamantino emitiu nota oficial acerca dos recentes acontecimentos envolvendo sua laboriosa categoria. Diz o documento: "Nós, cabras, cabras-de-peia, cacundeiros, curimbabas, espoletas, guarda-costas, jagunços, mumbavas, peitos-largos, pistoleiros, quatro-paus, satélites e sombras deste rincão do Brasil Central, reafirmamos a confiança e o respeito (sic) ao Senhor Nosso Chefe, lamentando o episódio ocorrido na data de ontem".
“Joaquim Benedito Barbosa Gomes é o nome dele.
Conhecido como Joaquim Barbosa, apenas, ele é ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil desde 25 de junho de 2003, quando nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o único negro entre os atuais ministros do STF.
Joaquim Barbosa nasceu no município mineiro de Paracatu em 7 de outubro de 1954 (54 anos), noroeste de Minas Gerais.
É o primogênito de oito filhos.
Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram.
Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público.
Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.
Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado.
Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido seu Mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993.
Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Foi Visiting Scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000), e Visiting Scholar na Universidade da California, Los Angeles School of Law (2002 a 2003).
Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês e alemão.
O currículo do ministro do STF Joaquim Barbosa que vocês acabam de ler foi extraído da Wikipédia, mas pode ser encontrado facilmente nos arquivos dos órgãos oficiais do Estado Brasileiro.
“E o que mostra esse currículo?”, perguntarão vocês. Antes de responder, quero dizer que o histórico de vida de Joaquim Barbosa pesa muito neste caso, porque mostra que ele, à diferença de seus pares, é alguém que chegou aonde chegou lutando contra dificuldades imensas que os outros membros do STF jamais sequer sonharam em enfrentar.
Não se quer aceitar, nesse debate – ou melhor, a mídia, a direita, o PSDB, o PFL, os Frias, os Marinho, os Civita não querem aceitar –, que Joaquim Barbosa é um estranho no ninho racialmente elitista que é o Supremo Tribunal Federal, pois esse negro filho de pedreiro do interior de Minas é apenas o terceiro ministro negro da Corte em 102 anos, conforme a Wikipédia, tendo sido precedido por Pedro Lessa (1907 a 1921) e por Hermenegildo de Barros (1919 a 1937).
E quem é o STF hoje no Brasil? Acabamos de ver recentemente nos casos Daniel Dantas, Eliana Tranchesi etc. É o que sempre foi: a porta por onde os ricos escapam de seus crimes.
Joaquim Barbosa é isolado por seus pares pelo que é: negro de origem pobre numa Corte quase que exclusivamente branca nos últimos mais de cem anos, que julga uma maioria descomunal de causas que beneficiam a elite branca e rica do país.
Sobre o que ele disse ao presidente do STF, Gilmar Mendes, apenas repercutiu o que têm dito, em ampla maioria, juízes, advogados, jornalistas, acadêmicos de toda parte do Brasil e do mundo, que o atual presidente do Supremo, com suas polêmicas midiáticas, com denúncias de grampos ilegais que não se sustentam e que ele até já reconheceu que “podem” não ter existido – depois de toda palhaçada que fez –, desserve à instituição que preside e ao próprio conceito de Justiça.
Gilmar Mendes pareceu-me ter querido “pôr o negrinho em seu lugar”, e este, altivo, enorme, colossal, respondeu-lhe, com todas as letras, que não o confundisse com “um dos capangas” do supremo presidente “em Mato Grosso”.
Falando nisso, a mídia poderia focar nesse ponto, sobre “Mato Grosso”, mas preferiu o silêncio. Esperemos...
Recomendo-lhes que, depois de terminarem de ler este texto, voltem aqui e terminem de ler o currículo de Joaquim Barbosa na Wikipédia, clicando Aqui. Claro que muitos dirão que a Wikipédia é “aparelhada pelo PT”, sem darem maiores explicações sobre como e por que isso acontece. Mas eu concordo com o texto ali postado. A meu ver, está mais do que correto.
Finalmente, esse episódio revelou-se benigno para a nação, a meu juízo, pois mostrou que ainda resta esperança para a Justiça brasileira. Enquanto houver um só que enfrente uma luta aparentemente desigual para si simplesmente para dizer o que falam quase todos, porém sem que os poucos poderosos dêem ouvidos, haverá esperança.
Enquanto um resistir, resistiremos todos.
Joaquim Barbosa é um estranho no ninho do STF, entre a elite branca da nação, e está sendo combatido por isso e por simplesmente dizer a verdade em meio a um mar de hipocrisia. O Brasil inteiro sabe disso e essa talvez seja a verdade mais importante, pois dará conseqüência aos fatos, se Deus quiser.
CREDIBILIDADE DA JUSTIÇA
Ainda na noite de quarta-feira, horas depois do confronto entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, na emissora de notícias por cabo Globo News o articulista do jornal O Globo Merval Pereira, já engajado na defesa de Mendes, saiu dizendo que a acusação de Barbosa de que o adversário estaria “destruindo a credibilidade da Justiça” não se sustentava por conta de pesquisas que dariam conta da alta credibilidade do poder Judiciário no Brasil.
É marota a opinião desse cavalheiro, pois ele distorce dados de uma pesquisa do IBGE recentemente divulgada pelo site Consultor Jurídico – tão bem conhecido de todos vocês. A pesquisa mostra que Justiça brasileira ocupa o 9º lugar em credibilidade entre as instituições do país. Pereira só não diz que tal confiança é algo mais alta do que as de outras instituições da República por conta, na maior parte, da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral.
Na década de 40, quando o movimento negro era uma ilha, o dramaturgo Nelson Rodrigues cravava nas gazetas: Abdias do Nascimento é "o único negro do Brasil". E não houve quem o desmentisse. A "flor de obsessão" admirava no ator e ativista negro a "irredutível consciência racial", a coragem de esfregar a "cor na cara de todo o mundo".
Abdias, 95 anos, segue atento às novas gerações do movimento negro. Vibrou com a vitória do presidente Barack Obama, nos Estados Unidos. E hoje, a partir da leitura dos jornais, se "orgulha" da atuação do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). - "Estou orgulhoso de ter um juiz à altura da situação em que se encontram todos os milhões e milhões afrodescendentes" - declara.
Primeiro negro na suprema corte brasileira, Barbosa fez ontem acusações públicas ao presidente do STF, Gilmar Mendes. "Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro", atacou. Mendes pediu "respeito". Barbosa ainda prosseguiu: "Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite."
Com esse revide, a briga tomou uma feição racial. Abdias não foge à pergunta: - Acho que houve, sim, um viés racista naquela maneira que o presidente do Supremo respondeu a ele, logo no começo da discussão.
CAPANGAS PROTESTAM NO MATO GROSSO
Do blog Cloaca News:
Após tensa reunião, terminada com menos da metade do quórum inicial por causa da eliminação de vários participantes, o Sindicato dos Pistoleiros e Assemelhados de Diamantino emitiu nota oficial acerca dos recentes acontecimentos envolvendo sua laboriosa categoria. Diz o documento: "Nós, cabras, cabras-de-peia, cacundeiros, curimbabas, espoletas, guarda-costas, jagunços, mumbavas, peitos-largos, pistoleiros, quatro-paus, satélites e sombras deste rincão do Brasil Central, reafirmamos a confiança e o respeito (sic) ao Senhor Nosso Chefe, lamentando o episódio ocorrido na data de ontem".
SERRA NÃO É “DE DIREITA”. É “DA DIREITA”. OUTRA IMPOSTURA DELE
Li hoje no site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:
“Entre as pérolas que o presidente que tem medo, o presidente Lula, ofereceu aos leitores argentinos do jornal La Nacion está a afirmação de que o Brasil não terá em 2010 candidatos “de direita”.
. Ou seja, para o presidente Lula, Zé Pedágio não é “de direita”.
.
Essa é uma das mistificações que Zé Pedágio impôs ao PiG, especialmente ao PiG paulista.
. Uma é se proclamar “economista competente”.
. Ele não é nem uma coisa nem outra. Não tem direito a se inscrever no Tribunal Eleitoral com a profissão de “economista”, porque não tem diploma que se reconheça no Brasil.
. Só se for na Albânia…
. “Competente” também não é, porque faz um Governo infra-medíocre em São Paulo.
. Hoje, conversei com um Governador do PMDB.
. Eu perguntei: com quem o Serra vai para a campanha ?
. Ele respondeu: com a mídia.
. Agora, mais essa: ele não é “de direita”.
. O presidente trabalhista que já disse que não é “de esquerda” agora diz que o Serra não é “de direita”.
. Claro, ninguém é de direita.
.
Nem Gengis Khan era de direita.
.
Os intelectuais da elite dizem que não há mais essa história de “direita” ou “esquerda”, que a globalização acabou com isso.
. Mas, ninguém quer ser “de direita”…
. Além do mais, o PiG de São Paulo, no seu ilimitado provincianismo, acredita que Zé Pedágio seja “progressista”.
. “Progressista”, o Sarney também era – ele era o “a vanguarda do atraso”, como disse o Fernando Lyra.
. Fernando Lyra também disse que o Fernando Henrique é “o atraso da vanguarda”, mas o PiG ignora essa parte …
.
Quer dizer, “vanguarda”, “progresso” são expressões que tem o valor de uma pataca.
. Serra pode ser o que quiser: maçon, rosa-cruciano, carbonário, integralista, da AP, “liquidacionista”, anarquista de direita, corintiano enrustido, neo-vampiro, existencialista à la Gabeira, cepalino hayeckiano, o que for.
. O que interessa é o que ele faz.
.
O que interessa é o que o homem público faz.
. Serra não é nada, do ponto de vista doutrinário.
. Não se sabe o que ele pensa: o que pensa esse rapaz (Serra) ?, perguntou, outro dia, o filosofo Paulo Arantes, na Folha.
. Ele privatiza tudo.
.
Se fosse presidente da República (o que não será, vendia o Bolsa Família à Wal Mart, como me disse um mineiro.
. A única coisa concreta, de concreto aparente que ele fez quando Prefeito de São Paulo foi colocar pregos e inclinar uns muros de cimento que havia num túnel sob a Av. Paulista, onde os sem-teto dormiam.
.
Um serviço prestado aos proprietários de escritórios na região …
. Além disso, não colocou um único tijolo em cima de outro …
. Serra constrói estrada e, logo depois de pronta, entrega a cobrança a empresa privada.
. Vendeu a Nossa Caixa a um presidente do Banco do Brasil, que, pelo jeito, comprava bondes …
. Serra era o Ministro do Planejamento e, portanto, planejou o mais feroz programa de privatização da América Latina, quando se vendeu a Vale do Rio Doce e os telefones a Daniel Dantas, e quase se vendem a Petrobrax e o Banco do Brasil.
. Como Ministro da Saúde, disse que inventou o genérico.
. O genérico é obra do grande Ministro Jamil Haddad, do excelente Governo do Presidente Itamar Franco.
. Como Ministro da Saúde, ele disse que inventou a distribuição de remédios de graça aos portadores de HIV.
. Quem fez isso foi o Governo Sarney.
. Zé Pedágio pode ser o que fôr.
. Mas serve à direita.
. Ele é “da direita”.
. Em quem a Eliana Tranchesi, da Daslu, a contrabandista condenada a 94 anos de cadeia, vai votar em 2010 ? No Serra ou na Dilma ?
. Em quem o Coronel Ustra vai votar em 2010 ? No Serra ou na Dilma ?
. Em quem o Daniel Dantas, o Itagiba e o Jungmann, o Gilmar Dantas (segundo Ricardo Noblat) vão votar em 2010 ?”
“Entre as pérolas que o presidente que tem medo, o presidente Lula, ofereceu aos leitores argentinos do jornal La Nacion está a afirmação de que o Brasil não terá em 2010 candidatos “de direita”.
. Ou seja, para o presidente Lula, Zé Pedágio não é “de direita”.
.
Essa é uma das mistificações que Zé Pedágio impôs ao PiG, especialmente ao PiG paulista.
. Uma é se proclamar “economista competente”.
. Ele não é nem uma coisa nem outra. Não tem direito a se inscrever no Tribunal Eleitoral com a profissão de “economista”, porque não tem diploma que se reconheça no Brasil.
. Só se for na Albânia…
. “Competente” também não é, porque faz um Governo infra-medíocre em São Paulo.
. Hoje, conversei com um Governador do PMDB.
. Eu perguntei: com quem o Serra vai para a campanha ?
. Ele respondeu: com a mídia.
. Agora, mais essa: ele não é “de direita”.
. O presidente trabalhista que já disse que não é “de esquerda” agora diz que o Serra não é “de direita”.
. Claro, ninguém é de direita.
.
Nem Gengis Khan era de direita.
.
Os intelectuais da elite dizem que não há mais essa história de “direita” ou “esquerda”, que a globalização acabou com isso.
. Mas, ninguém quer ser “de direita”…
. Além do mais, o PiG de São Paulo, no seu ilimitado provincianismo, acredita que Zé Pedágio seja “progressista”.
. “Progressista”, o Sarney também era – ele era o “a vanguarda do atraso”, como disse o Fernando Lyra.
. Fernando Lyra também disse que o Fernando Henrique é “o atraso da vanguarda”, mas o PiG ignora essa parte …
.
Quer dizer, “vanguarda”, “progresso” são expressões que tem o valor de uma pataca.
. Serra pode ser o que quiser: maçon, rosa-cruciano, carbonário, integralista, da AP, “liquidacionista”, anarquista de direita, corintiano enrustido, neo-vampiro, existencialista à la Gabeira, cepalino hayeckiano, o que for.
. O que interessa é o que ele faz.
.
O que interessa é o que o homem público faz.
. Serra não é nada, do ponto de vista doutrinário.
. Não se sabe o que ele pensa: o que pensa esse rapaz (Serra) ?, perguntou, outro dia, o filosofo Paulo Arantes, na Folha.
. Ele privatiza tudo.
.
Se fosse presidente da República (o que não será, vendia o Bolsa Família à Wal Mart, como me disse um mineiro.
. A única coisa concreta, de concreto aparente que ele fez quando Prefeito de São Paulo foi colocar pregos e inclinar uns muros de cimento que havia num túnel sob a Av. Paulista, onde os sem-teto dormiam.
.
Um serviço prestado aos proprietários de escritórios na região …
. Além disso, não colocou um único tijolo em cima de outro …
. Serra constrói estrada e, logo depois de pronta, entrega a cobrança a empresa privada.
. Vendeu a Nossa Caixa a um presidente do Banco do Brasil, que, pelo jeito, comprava bondes …
. Serra era o Ministro do Planejamento e, portanto, planejou o mais feroz programa de privatização da América Latina, quando se vendeu a Vale do Rio Doce e os telefones a Daniel Dantas, e quase se vendem a Petrobrax e o Banco do Brasil.
. Como Ministro da Saúde, disse que inventou o genérico.
. O genérico é obra do grande Ministro Jamil Haddad, do excelente Governo do Presidente Itamar Franco.
. Como Ministro da Saúde, ele disse que inventou a distribuição de remédios de graça aos portadores de HIV.
. Quem fez isso foi o Governo Sarney.
. Zé Pedágio pode ser o que fôr.
. Mas serve à direita.
. Ele é “da direita”.
. Em quem a Eliana Tranchesi, da Daslu, a contrabandista condenada a 94 anos de cadeia, vai votar em 2010 ? No Serra ou na Dilma ?
. Em quem o Coronel Ustra vai votar em 2010 ? No Serra ou na Dilma ?
. Em quem o Daniel Dantas, o Itagiba e o Jungmann, o Gilmar Dantas (segundo Ricardo Noblat) vão votar em 2010 ?”
quinta-feira, 23 de abril de 2009
LULA ESTÁ CONSTRUINDO UM GIGANTE REGIONAL ÚNICO, DIZ 'NEWSWEEK'
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
“O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas.
A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana "Newsweek"
"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo.
Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente".
O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da "Newsweek", com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
PODERIO MILITAR
A "Newsweek" observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".
A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques".
O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando, por exemplo, os subsídios agrícolas dos países ricos.
"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a "Newsweek".
INFLUÊNCIA AMERICANA
A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana".
"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."
A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".
"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a "Newsweek".”
“O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas.
A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana "Newsweek"
"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo.
Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente".
O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da "Newsweek", com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
PODERIO MILITAR
A "Newsweek" observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".
A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques".
O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando, por exemplo, os subsídios agrícolas dos países ricos.
"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a "Newsweek".
INFLUÊNCIA AMERICANA
A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana".
"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."
A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".
"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a "Newsweek".”
NA ÍNTEGRA, O BATE-BOCA ENTRE JOAQUIM BARBOSA E MENDES
Li hoje no blog do Noblat o seguinte texto:
“Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Joaquim Barbosa bateram-boca hoje à tarde no plenário do tribunal. Eles discutiam duas ações que já haviam sido julgadas no Supremo em 2006. O bate-boca começou quando os ministros retomaram o debate sobre a decisão do Supremo que considerou inconstitucional a lei do sistema previdenciário do Paraná para os servituários do Estado.
Na sessão de hoje, eles deveriam decidir se todos os servidores seriam afetados pela decisão, ou somente aqueles que se aposentaram depois da decisão do Supremo.
A discussão começou assim:
Gilmar Mendes - O tribunal pode aceitar ou rejeitar, mas não com o argumento de classe. Isso faz parte de impopulismo juficial.
Joaquim Barbosa - Mas a sua tese deveria ter sido exposta em pratos limpos. Nós deveríamos estar discutindo....
GM - Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informação. Vossa Excelência me respeite. Foi apontada em pratos limpos.
JB - Não se discutiu claramente.
GM - Se discutiu claramente e eu trouxe razão. Talvez Vossa Excelência esteja faltando às sessões. [...] Tanto é que Vossa Excelência não tinha votado. Vossa Excelência faltou a sessão.
JB - Eu estava de licença, ministro.
GM - Vossa Excelência falta a sessão e depois vem...
JB - Eu estava de licença. Vossa Excelência não leu aí. Eu estava de licença do tribunal.
Aí a discussão é encerrada e os ministros começaram a julgar outra ação. E foi retomada mais tarde com Mendes, na hora que proclamou o pedido de vista de Carlos Ayres Britto. A sessão esquenta e só é encerrada depois que o ministro Marco Aurélio Mello interfere na discussão.
GM – Portanto, após o voto do relator que rejeitava os embargos, pediu vista o ministro Carlos Britto. Eu só gostaria de lembrar em relação a esses embargos de declaração que esse julgamento iniciou-se em 17/03/2008 e os pressupostos todos foram explicitados, inclusive a fundamentação teórica. Não houve, portanto, sonegação de informação.
JB – Eu não falei em sonegação de informação, ministro Gilmar. O que eu disse: nós discutimos naquele caso anterior sem nos inteirarmos totalmente das conseqüências da decisão, quem seriam os beneficiários. E é um absurdo, eu acho um absurdo.
GM – Quem votou sabia exatamente que se trata de pessoas...
JB – Só que a lei, ela tinha duas categorias.
GM – Se vossa excelência julga por classe, esse é um argumento...
JB – Eu sou atento às conseqüências da minha decisão, das minhas decisões. Só isso.
GM – Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém.
JB – E nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia a rua, ministro Gilmar. Saia a rua, faz o que eu faço.
GM – Eu estou na rua, ministro Joaquim.
JB – Vossa excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.
Ayres Britto – Ministro Joaquim, vamos ponderar.
JB – Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.
GM – Ministro Joaquim, vossa excelência me respeite.
Marco Aurélio – Presidente, vamos encerrar a sessão?
JB – Digo a mesma coisa.
Marco Aurélio – Eu creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo.
JB – Também acho. Falei. Fiz uma intervenção normal, regular. Reação brutal, como sempre, veio de vossa excelência.
GM – Não. Vossa excelência disse que eu faltei aos fatos e não é verdade.
JB – Não disse, não disse isso.
GM – Vossa excelência sabe bem que não se faz aqui nenhum relatório distorcido.
JB – Não disse. O áudio está aí. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as consequências da decisão e vossa excelência veio com a sua tradicional gentileza e lhaneza.
GM – Aaaaah, é Vossa Excelência que dá lição de lhaneza ao Tribunal. Está encerrada a sessão.”
“Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Joaquim Barbosa bateram-boca hoje à tarde no plenário do tribunal. Eles discutiam duas ações que já haviam sido julgadas no Supremo em 2006. O bate-boca começou quando os ministros retomaram o debate sobre a decisão do Supremo que considerou inconstitucional a lei do sistema previdenciário do Paraná para os servituários do Estado.
Na sessão de hoje, eles deveriam decidir se todos os servidores seriam afetados pela decisão, ou somente aqueles que se aposentaram depois da decisão do Supremo.
A discussão começou assim:
Gilmar Mendes - O tribunal pode aceitar ou rejeitar, mas não com o argumento de classe. Isso faz parte de impopulismo juficial.
Joaquim Barbosa - Mas a sua tese deveria ter sido exposta em pratos limpos. Nós deveríamos estar discutindo....
GM - Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informação. Vossa Excelência me respeite. Foi apontada em pratos limpos.
JB - Não se discutiu claramente.
GM - Se discutiu claramente e eu trouxe razão. Talvez Vossa Excelência esteja faltando às sessões. [...] Tanto é que Vossa Excelência não tinha votado. Vossa Excelência faltou a sessão.
JB - Eu estava de licença, ministro.
GM - Vossa Excelência falta a sessão e depois vem...
JB - Eu estava de licença. Vossa Excelência não leu aí. Eu estava de licença do tribunal.
Aí a discussão é encerrada e os ministros começaram a julgar outra ação. E foi retomada mais tarde com Mendes, na hora que proclamou o pedido de vista de Carlos Ayres Britto. A sessão esquenta e só é encerrada depois que o ministro Marco Aurélio Mello interfere na discussão.
GM – Portanto, após o voto do relator que rejeitava os embargos, pediu vista o ministro Carlos Britto. Eu só gostaria de lembrar em relação a esses embargos de declaração que esse julgamento iniciou-se em 17/03/2008 e os pressupostos todos foram explicitados, inclusive a fundamentação teórica. Não houve, portanto, sonegação de informação.
JB – Eu não falei em sonegação de informação, ministro Gilmar. O que eu disse: nós discutimos naquele caso anterior sem nos inteirarmos totalmente das conseqüências da decisão, quem seriam os beneficiários. E é um absurdo, eu acho um absurdo.
GM – Quem votou sabia exatamente que se trata de pessoas...
JB – Só que a lei, ela tinha duas categorias.
GM – Se vossa excelência julga por classe, esse é um argumento...
JB – Eu sou atento às conseqüências da minha decisão, das minhas decisões. Só isso.
GM – Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém.
JB – E nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia a rua, ministro Gilmar. Saia a rua, faz o que eu faço.
GM – Eu estou na rua, ministro Joaquim.
JB – Vossa excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.
Ayres Britto – Ministro Joaquim, vamos ponderar.
JB – Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.
GM – Ministro Joaquim, vossa excelência me respeite.
Marco Aurélio – Presidente, vamos encerrar a sessão?
JB – Digo a mesma coisa.
Marco Aurélio – Eu creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo.
JB – Também acho. Falei. Fiz uma intervenção normal, regular. Reação brutal, como sempre, veio de vossa excelência.
GM – Não. Vossa excelência disse que eu faltei aos fatos e não é verdade.
JB – Não disse, não disse isso.
GM – Vossa excelência sabe bem que não se faz aqui nenhum relatório distorcido.
JB – Não disse. O áudio está aí. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as consequências da decisão e vossa excelência veio com a sua tradicional gentileza e lhaneza.
GM – Aaaaah, é Vossa Excelência que dá lição de lhaneza ao Tribunal. Está encerrada a sessão.”
A LENDA DO ESTADO INCHADO
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo de Cândido Vaccarezza. O autor é médico, deputado federal pelo PT-SP e líder do partido na Câmara dos Deputados:
“NOSSA MÁQUINA PODE PADECER DE OUTROS MALES, MAS NÃO ESTÁ INCHADA EM COMPARAÇÃO COM PAÍSES RICOS COMO SUÉCIA E FRANÇA
Uma das recorrentes acusações da oposição contra o governo Lula refere-se ao suposto aparelhamento e inchamento do Estado. A distorção é motivada pela guerra política, em que a verdade é a primeira vítima. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) acaba de publicar pesquisa comparativa sobre as dimensões das máquinas públicas de diferentes países. Os resultados desmentem a lenda de que o Estado nacional tem excesso de pessoal.
O governo entende como essencial o resgate do papel do Estado na promoção do desenvolvimento social e econômico do país. A prática faz ainda mais sentido agora, com o ressurgimento do neokeynesianismo. A defesa do Estado mínimo soa totalmente antiquada, sobretudo depois das decisões tomadas na reunião do G20.
O dados do Ipea desmontam as teses de quem defende o desmonte do Estado brasileiro.
No trabalho "Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução Recente", do Ipea, usou-se metodologia em que se define o conceito de emprego público na sua forma mais ampla, consagrada pelas publicações da OCDE. Isto é, no estoque do emprego público, incluem-se não apenas os trabalhadores da administração direta em todas as esferas de governo, mas também as ocupações da administração indireta e os empregados de empresas estatais.
Por esse critério, em 2005, o total da mão de obra empregada no serviço público era 39,2% na Dinamarca, 30,9% na Suécia, 24,9% na França, 14,8% nos EUA, 14,7% na Alemanha e apenas 10,7% no Brasil. Nossa máquina pode padecer de outros males, mas não está inchada em comparação com esses países ricos. Tampouco em relação aos nossos vizinhos da América Latina podemos ser considerados um Estado inchado: estamos atrás de países como Costa Rica, Venezuela, Uruguai, Argentina e Paraguai.
O governo FHC levou à demissão milhares de funcionários de estatais, principalmente por meio da privatização, e não recuperou vagas. Em seus oito anos de governo, por exemplo, as escolas técnicas federais foram reduzidas e levadas ao sucateamento.
O governo Lula as resgatou, a educação passou a ser prioridade. Até 2002, o Brasil tinha 140 escolas técnicas, instaladas ao longo de 93 anos. Desde a posse de Lula, foram implantadas 75 novas escolas técnicas e, até o fim de 2010, terão saltado para 354 unidades, expansão de 150%. Ninguém pode discordar de que é preciso contratar professores e funcionários.
O Brasil contava, em agosto de 2008, com 1.007.226 servidores ativos civis e militares da União, pelo critério da OCDE. Quando contabilizados apenas os servidores civis do Poder Executivo federal na ativa, chegava-se a 533.434 servidores. É verdade que a curva de redução de servidores federais ativos, iniciada em 1990, foi interrompida em 2003. Mas o quantitativo de 2008 é semelhante ao total de servidores civis do Poder Executivo federal ativos em 1997 (531.725) e consideravelmente inferior aos 705.548 ativos de 1988.
Os gastos com pessoal ativo e inativo da União de 1995 a 2008 (dados referentes apenas ao orçamento fiscal e da seguridade social, ou seja, excluídas as despesas das estatais federais) mostram que as variações foram pequenas e as despesas estão em queda.
Com efeito, a União gastava, em 1995, 5,34% do PIB. Em 2002, esse gasto representou 5,08% do PIB e, no ano passado, 4,66% do PIB. Há uma tendência declinante, ainda mais significativa ao considerar que o governo Lula restabeleceu a prática da realização de concursos públicos, com substituição de terceirizados por servidores efetivos, a fim de dar eficiência ao serviço público e transparência aos métodos de contratação.
O quadro positivo não demonstra, porém, inexistirem problemas no serviço público. Pelo contrário. Muito tem que ser feito em matéria de aumento da eficiência dos serviços prestados e de aumento da sua oferta. Em setores vitais como saúde, educação e segurança novas contratações precisam ser feitas com urgência.
É necessário ressaltar que o esgotamento do modelo neoliberal em todo o mundo impõe uma maior presença do Estado na economia, desde que sejam evitadas as práticas do patrimonialismo e da privatização do Estado, como ocorreu no governo do PSDB e PFL (atual DEM). No período FHC, a máquina pública era extensão dos interesses privados, tanto de membros do governo como de seus apoiadores.
O Brasil conseguiu sobreviver, pelo menos em parte, à ofensiva da era Thatcher-Reagan. A sociedade reagiu e evitou que o neoliberalismo nos levasse ao desastre completo. Por isso, o país tem hoje instrumentos para enfrentar a crise internacional. O desafio foi dar um salto do período em que o Estado mínimo era a ideologia dominante para outro modelo, em que se busca recuperar a estrutura, com mais eficiência à máquina pública.”
“NOSSA MÁQUINA PODE PADECER DE OUTROS MALES, MAS NÃO ESTÁ INCHADA EM COMPARAÇÃO COM PAÍSES RICOS COMO SUÉCIA E FRANÇA
Uma das recorrentes acusações da oposição contra o governo Lula refere-se ao suposto aparelhamento e inchamento do Estado. A distorção é motivada pela guerra política, em que a verdade é a primeira vítima. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) acaba de publicar pesquisa comparativa sobre as dimensões das máquinas públicas de diferentes países. Os resultados desmentem a lenda de que o Estado nacional tem excesso de pessoal.
O governo entende como essencial o resgate do papel do Estado na promoção do desenvolvimento social e econômico do país. A prática faz ainda mais sentido agora, com o ressurgimento do neokeynesianismo. A defesa do Estado mínimo soa totalmente antiquada, sobretudo depois das decisões tomadas na reunião do G20.
O dados do Ipea desmontam as teses de quem defende o desmonte do Estado brasileiro.
No trabalho "Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução Recente", do Ipea, usou-se metodologia em que se define o conceito de emprego público na sua forma mais ampla, consagrada pelas publicações da OCDE. Isto é, no estoque do emprego público, incluem-se não apenas os trabalhadores da administração direta em todas as esferas de governo, mas também as ocupações da administração indireta e os empregados de empresas estatais.
Por esse critério, em 2005, o total da mão de obra empregada no serviço público era 39,2% na Dinamarca, 30,9% na Suécia, 24,9% na França, 14,8% nos EUA, 14,7% na Alemanha e apenas 10,7% no Brasil. Nossa máquina pode padecer de outros males, mas não está inchada em comparação com esses países ricos. Tampouco em relação aos nossos vizinhos da América Latina podemos ser considerados um Estado inchado: estamos atrás de países como Costa Rica, Venezuela, Uruguai, Argentina e Paraguai.
O governo FHC levou à demissão milhares de funcionários de estatais, principalmente por meio da privatização, e não recuperou vagas. Em seus oito anos de governo, por exemplo, as escolas técnicas federais foram reduzidas e levadas ao sucateamento.
O governo Lula as resgatou, a educação passou a ser prioridade. Até 2002, o Brasil tinha 140 escolas técnicas, instaladas ao longo de 93 anos. Desde a posse de Lula, foram implantadas 75 novas escolas técnicas e, até o fim de 2010, terão saltado para 354 unidades, expansão de 150%. Ninguém pode discordar de que é preciso contratar professores e funcionários.
O Brasil contava, em agosto de 2008, com 1.007.226 servidores ativos civis e militares da União, pelo critério da OCDE. Quando contabilizados apenas os servidores civis do Poder Executivo federal na ativa, chegava-se a 533.434 servidores. É verdade que a curva de redução de servidores federais ativos, iniciada em 1990, foi interrompida em 2003. Mas o quantitativo de 2008 é semelhante ao total de servidores civis do Poder Executivo federal ativos em 1997 (531.725) e consideravelmente inferior aos 705.548 ativos de 1988.
Os gastos com pessoal ativo e inativo da União de 1995 a 2008 (dados referentes apenas ao orçamento fiscal e da seguridade social, ou seja, excluídas as despesas das estatais federais) mostram que as variações foram pequenas e as despesas estão em queda.
Com efeito, a União gastava, em 1995, 5,34% do PIB. Em 2002, esse gasto representou 5,08% do PIB e, no ano passado, 4,66% do PIB. Há uma tendência declinante, ainda mais significativa ao considerar que o governo Lula restabeleceu a prática da realização de concursos públicos, com substituição de terceirizados por servidores efetivos, a fim de dar eficiência ao serviço público e transparência aos métodos de contratação.
O quadro positivo não demonstra, porém, inexistirem problemas no serviço público. Pelo contrário. Muito tem que ser feito em matéria de aumento da eficiência dos serviços prestados e de aumento da sua oferta. Em setores vitais como saúde, educação e segurança novas contratações precisam ser feitas com urgência.
É necessário ressaltar que o esgotamento do modelo neoliberal em todo o mundo impõe uma maior presença do Estado na economia, desde que sejam evitadas as práticas do patrimonialismo e da privatização do Estado, como ocorreu no governo do PSDB e PFL (atual DEM). No período FHC, a máquina pública era extensão dos interesses privados, tanto de membros do governo como de seus apoiadores.
O Brasil conseguiu sobreviver, pelo menos em parte, à ofensiva da era Thatcher-Reagan. A sociedade reagiu e evitou que o neoliberalismo nos levasse ao desastre completo. Por isso, o país tem hoje instrumentos para enfrentar a crise internacional. O desafio foi dar um salto do período em que o Estado mínimo era a ideologia dominante para outro modelo, em que se busca recuperar a estrutura, com mais eficiência à máquina pública.”
UM LUGAR PRIVILEGIADO
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou na coluna “Toda Mídia”, de Nelson de Sá:
“Às vésperas da viagem a Buenos Aires, Lula deu longa entrevista ao argentino "La Nación", sob o título, entre aspas, "Não posso imaginar Brasil e Argentina separados".
O texto de Ricardo Carpena abre descrevendo Lula como "o homem que conquistou um lugar privilegiado junto aos mandatários mais influentes do mundo". E pergunta, para começar a entrevista de uma hora e meia, o que seria dele se tivesse nascido no norte da Argentina. Na resposta, "certamente eu teria sido peronista, porque todo mundo era". O jornal dá "três razões para ouvir" Lula: é um "líder sem fronteiras", "um negociador nato" e levou "pragmatismo ao poder". Abrindo outro texto, o enviado diz que, "se fosse brasileiro, votaria nele".
“Às vésperas da viagem a Buenos Aires, Lula deu longa entrevista ao argentino "La Nación", sob o título, entre aspas, "Não posso imaginar Brasil e Argentina separados".
O texto de Ricardo Carpena abre descrevendo Lula como "o homem que conquistou um lugar privilegiado junto aos mandatários mais influentes do mundo". E pergunta, para começar a entrevista de uma hora e meia, o que seria dele se tivesse nascido no norte da Argentina. Na resposta, "certamente eu teria sido peronista, porque todo mundo era". O jornal dá "três razões para ouvir" Lula: é um "líder sem fronteiras", "um negociador nato" e levou "pragmatismo ao poder". Abrindo outro texto, o enviado diz que, "se fosse brasileiro, votaria nele".
SEVERINO FALA SOBRE USO DAS PASSAGENS POR GABEIRA
Li hoje no blog do Noblat o seguinte texto originariamente postado no Blog do Mello:
“O Blog do Mello entrevistou com exclusividade o ex-deputado, presidente da Câmara dos Deputados e atual Prefeito de João Alfredo, município do estado de Pernambuco, Severino Cavalcanti, para saber o que ele tem a dizer sobre o mais recente escândalo da Câmara, especialmente em relação ao deputado Fernando Gabeira:
"Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu... É melhor eu não declarar nada agora não.
(...) Isso aí você pode até dizer com relação a Gabeira, dizer que eu disse que ele não tem autoridade pra criticar ninguém. Porque até hoje eu estou...não tive nada... quando eu era presidente da Câmara, nunca dei passagem pra ninguém não. As passagens minhas quem gastava era eu, porque eu usava as passagens pra visitar minhas bases. Eu estava aqui: todo final de semana eu vinha pra Pernambuco. Ele que era o paladino, não podia nunca fazer isso, se mandar para a Europa...”
“O Blog do Mello entrevistou com exclusividade o ex-deputado, presidente da Câmara dos Deputados e atual Prefeito de João Alfredo, município do estado de Pernambuco, Severino Cavalcanti, para saber o que ele tem a dizer sobre o mais recente escândalo da Câmara, especialmente em relação ao deputado Fernando Gabeira:
"Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu... É melhor eu não declarar nada agora não.
(...) Isso aí você pode até dizer com relação a Gabeira, dizer que eu disse que ele não tem autoridade pra criticar ninguém. Porque até hoje eu estou...não tive nada... quando eu era presidente da Câmara, nunca dei passagem pra ninguém não. As passagens minhas quem gastava era eu, porque eu usava as passagens pra visitar minhas bases. Eu estava aqui: todo final de semana eu vinha pra Pernambuco. Ele que era o paladino, não podia nunca fazer isso, se mandar para a Europa...”
CHINA PODE PASSAR EUA COMO PARCEIRA COMERCIAL DO BRASIL
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou a seguinte reportagem de Juliana Rocha:
CORRENTE DE COMÉRCIO COM O PAÍS ASIÁTICO CRESCEU 12,5% NO PRIMEIRO TRIMESTRE
ENQUANTO EUA COMPRAM MENOS, BRASIL CONSEGUE, MESMO EM MEIO À CRISE, AUMENTAR A SUA PARTICIPAÇÃO NAS IMPORTAÇÕES CHINESAS
“Com o crescimento das exportações para a China, o país asiático pode tomar dos Estados Unidos o lugar de principal parceiro comercial do Brasil. O fechamento das portas comerciais norte-americanas levou o governo e os empresários brasileiros a encarar o consumo chinês como uma oportunidade de reduzir os danos da queda do intercâmbio global de produtos e serviços.
No primeiro trimestre deste ano, a corrente de comércio (exportações mais importações) com a China somou US$ 7,011 bilhões, um crescimento de 12,5% em comparação com os três primeiros meses de 2008. Esse aumento foi todo puxado pelas exportações, que subiram 63% no período, enquanto as importações registraram queda.
Com os Estados Unidos, o movimento foi oposto. A corrente de comércio caiu 19% no primeiro trimestre, para US$ 8,9 bilhões. No mesmo período do ano passado, o comércio Brasil-EUA era quase o dobro do comércio Brasil-China. Também no primeiro trimestre, as exportações para os americanos caíram 38%, embora as importações tenham registrado ligeira alta.
O Brasil tem conseguido aumentar as exportações para a China em um período em que as importações do país asiático apresentam queda. Em março, segundo dados divulgados pelo governo chinês, as importações do país caíram 25,1% em comparação com março de 2008.
Os principais produtos exportados para a China ainda são commodities (minérios, grãos, aço). As vendas desses produtos para o país asiático cresceram mais de 100%. Já para os EUA, os principais produtos exportados são de maior valor agregado, como máquinas e aviões, mas as quedas de vendas giram entre 75% e 26%.
MILHÕES DE CONSUMIDORES
O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China e consultor da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), Márcio Sette Fortes, lembra que o país asiático tem uma classe média consumidora de 400 milhões de pessoas, mais que o dobro de toda a população brasileira. Por isso, é importante o Brasil investir na promoção comercial e na diversificação de produtos exportados. "A China vai se recuperar antes dos Estados Unidos dessa crise", diz Fortes.
Por isso, o Brasil está mais interessado em investir nas negociações com a China do que em tentar convencer o governo norte-americano a reduzir mecanismos protecionistas.
Entre 17 e 22 de maio, o presidente Lula fará uma visita ao país do presidente Hu Jintao. Terá a companhia de um grupo de empresários e do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. A visita terá forte cunho comercial.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) está organizando um grupo que pretende acompanhar Lula à China. O diretor da área internacional da federação, Roberto Giannetti da Fonseca, lembra que a China é um dos poucos países do mundo que não entraram em recessão, embora tenha reduzido o crescimento. Por isso, o interesse do empresariado brasileiro em fortalecer os laços comerciais com o país.
"Não é impossível que, em breve, a China esteja em primeiro como principal parceiro comercial do Brasil", afirma Giannetti da Fonseca.
Para ele, o Brasil poderá oferecer mais produtos alimentícios e da área de energia, duas grandes demandas da China atualmente. "O Brasil tem condições de exportar energia renovável, álcool e petróleo, produtos de que a China tem uma demanda explosiva", diz.”
CORRENTE DE COMÉRCIO COM O PAÍS ASIÁTICO CRESCEU 12,5% NO PRIMEIRO TRIMESTRE
ENQUANTO EUA COMPRAM MENOS, BRASIL CONSEGUE, MESMO EM MEIO À CRISE, AUMENTAR A SUA PARTICIPAÇÃO NAS IMPORTAÇÕES CHINESAS
“Com o crescimento das exportações para a China, o país asiático pode tomar dos Estados Unidos o lugar de principal parceiro comercial do Brasil. O fechamento das portas comerciais norte-americanas levou o governo e os empresários brasileiros a encarar o consumo chinês como uma oportunidade de reduzir os danos da queda do intercâmbio global de produtos e serviços.
No primeiro trimestre deste ano, a corrente de comércio (exportações mais importações) com a China somou US$ 7,011 bilhões, um crescimento de 12,5% em comparação com os três primeiros meses de 2008. Esse aumento foi todo puxado pelas exportações, que subiram 63% no período, enquanto as importações registraram queda.
Com os Estados Unidos, o movimento foi oposto. A corrente de comércio caiu 19% no primeiro trimestre, para US$ 8,9 bilhões. No mesmo período do ano passado, o comércio Brasil-EUA era quase o dobro do comércio Brasil-China. Também no primeiro trimestre, as exportações para os americanos caíram 38%, embora as importações tenham registrado ligeira alta.
O Brasil tem conseguido aumentar as exportações para a China em um período em que as importações do país asiático apresentam queda. Em março, segundo dados divulgados pelo governo chinês, as importações do país caíram 25,1% em comparação com março de 2008.
Os principais produtos exportados para a China ainda são commodities (minérios, grãos, aço). As vendas desses produtos para o país asiático cresceram mais de 100%. Já para os EUA, os principais produtos exportados são de maior valor agregado, como máquinas e aviões, mas as quedas de vendas giram entre 75% e 26%.
MILHÕES DE CONSUMIDORES
O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China e consultor da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), Márcio Sette Fortes, lembra que o país asiático tem uma classe média consumidora de 400 milhões de pessoas, mais que o dobro de toda a população brasileira. Por isso, é importante o Brasil investir na promoção comercial e na diversificação de produtos exportados. "A China vai se recuperar antes dos Estados Unidos dessa crise", diz Fortes.
Por isso, o Brasil está mais interessado em investir nas negociações com a China do que em tentar convencer o governo norte-americano a reduzir mecanismos protecionistas.
Entre 17 e 22 de maio, o presidente Lula fará uma visita ao país do presidente Hu Jintao. Terá a companhia de um grupo de empresários e do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. A visita terá forte cunho comercial.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) está organizando um grupo que pretende acompanhar Lula à China. O diretor da área internacional da federação, Roberto Giannetti da Fonseca, lembra que a China é um dos poucos países do mundo que não entraram em recessão, embora tenha reduzido o crescimento. Por isso, o interesse do empresariado brasileiro em fortalecer os laços comerciais com o país.
"Não é impossível que, em breve, a China esteja em primeiro como principal parceiro comercial do Brasil", afirma Giannetti da Fonseca.
Para ele, o Brasil poderá oferecer mais produtos alimentícios e da área de energia, duas grandes demandas da China atualmente. "O Brasil tem condições de exportar energia renovável, álcool e petróleo, produtos de que a China tem uma demanda explosiva", diz.”
HELIBRÁS SELECIONA 12 FORNECEDORES
O jornal Valor Econômico ontem publicou a seguinte reportagem de Virgínia Silveira:
“O desenvolvimento do helicóptero EC-725, recém adquirido pelas Forças Armadas brasileiras, envolverá a participação inicial de 12 empresas brasileiras, que serão as fornecedoras principais do projeto. Segundo o diretor-presidente da Helibrás, Jean Noël Hardy, dois terços dessas empresas estão instaladas no pólo aeroespacial de São José dos Campos (SP).
As empresas brasileiras capacitadas neste programa, de acordo com o executivo da Helibrás, também poderão exportar seus produtos para outros helicópteros fabricados pela Eurocopter, tornando-se uma fonte de suprimento da linha de montagem do grupo em âmbito mundial. Entre as empresas já confirmadas como fornecedoras estão a Turbomeca (motores), Aeroeletrônica (aviônicos) e a Mectron Engenharia (manutenção de radares).
O presidente da Helibrás disse que as caixas de transmissão, painel de bordo e a parte estrutural do helicóptero também serão fabricados no Brasil. "O contrato de compra dos helicópteros pelo governo brasileiro não é pura aquisição, mas envolve compromissos de nacionalização e posiciona o Brasil como player mundial na área de manutenção, revisão, produção de componentes e modernização", ressaltou.
A Helibrás, segundo Hardy, ficará ainda responsável por todo o processo de treinamento de pessoal, ferramentas, atualização de documentos e banco de provas. A Marinha, a aeronáutica e o Exército brasileiro receberão cada um, 16 unidades do helicóptero.
No evento de assinatura do contrato com a multinacional europeia Eurocopter, em dezembro de 2008, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que esse acordo poderá "transformar o Brasil na base de um grande mercado internacional para a construção de helicópteros".
A possibilidade de fornecer componentes para os helicópteros EC-725 também deverá reduzir o impacto negativo que as demissões em massa na Embraer, em fevereiro deste ano, causou nas empresas do setor aeroespacial brasileiro. A redução das encomendas feitas pela Embraer provocou uma queda de 40% na produção do setor, que também foi obrigado a demitir 30% da sua mão de obra, estimada em 5 mil funcionários. O setor aeronáutico brasileiro engloba 69 empresas, das quais 40 estão sediadas em São José dos Campos.
Com o projeto do helicóptero para as Forças Armadas, a Helibrás terá que duplicar o número de funcionários em sua fábrica de Itajubá (MG). Atualmente, a empresa conta com 307 empregados. O contrato de compra de 50 helicópteros da francesa Eurocopter, que detém 70% de participação societária na Helibrás, prevê ainda a instalação de uma linha de montagem final e a realização dos ensaios em solo e em voo dos helicópteros no Brasil.
Os helicópteros, segundo o executivo, serão produzidos gradativamente no Brasil até atingirem um índice de 50% de conteúdo nacional, num prazo de seis anos. A manutenção e o reparo dos componentes mais críticos, como motores, trem de pouso, aviônicos e caixas de transmissão também serão feitos no Brasil.
O investimento da empresa no desenvolvimento e industrialização dos helicópteros EC-725 no Brasil estão estimados de US$ 350 milhões a US$ 400 milhões. O contrato de produção dos helicópteros, avaliado em 1,89 bilhão de euros, o correspondente a R$ 5,9 bilhões, foi assinado pelo governo brasileiro em dezembro do ano passado. As primeiras entregas estão previstas para 2010.
O modelo EC-725 é a versão mais recente da família Cougar. Até o fim de 2008, segundo a Helibrás, 60 unidades dos modelos EC-725 (versão militar) e EC-225 (versão civil) estavam em operação no mundo. Bimotor médio, da categoria de 11 toneladas, o EC-725 está equipado com rotor de cinco pás e possui uma autonomia de cinco horas e meia de voo. Foi concebido para desempenhar múltiplas missões, tais como SAR (sigla em inglês para busca e salvamento), de combate, transporte tático de longa distância, transporte aeromédico, apoio logístico e missões navais.
Durante a LAAD (feira da área de defesa), a Helibrás anunciou o desenvolvimento conjunto com a Eurocopter, de um simulador de voo do EC-725, que será instalado em alguma base militar no Estado do Rio. A empresa ainda não definiu o local exato onde ficará baseado o novo simulador. O valor do simulador, segundo a Helibrás, está incluído no investimento de 150 a 200 milhões de euros que será aplicado no projeto do helicóptero.
Única fabricante brasileira de helicópteros, a Helibrás faturou US$ 112,1 milhões em 2008, o que representou um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. No período de janeiro a dezembro de 2008, a empresa entregou um total de 26 helicópteros e negociou outros 28 novos, fechando sua carteira de pedidos em US$ 208,4 milhões.”
“O desenvolvimento do helicóptero EC-725, recém adquirido pelas Forças Armadas brasileiras, envolverá a participação inicial de 12 empresas brasileiras, que serão as fornecedoras principais do projeto. Segundo o diretor-presidente da Helibrás, Jean Noël Hardy, dois terços dessas empresas estão instaladas no pólo aeroespacial de São José dos Campos (SP).
As empresas brasileiras capacitadas neste programa, de acordo com o executivo da Helibrás, também poderão exportar seus produtos para outros helicópteros fabricados pela Eurocopter, tornando-se uma fonte de suprimento da linha de montagem do grupo em âmbito mundial. Entre as empresas já confirmadas como fornecedoras estão a Turbomeca (motores), Aeroeletrônica (aviônicos) e a Mectron Engenharia (manutenção de radares).
O presidente da Helibrás disse que as caixas de transmissão, painel de bordo e a parte estrutural do helicóptero também serão fabricados no Brasil. "O contrato de compra dos helicópteros pelo governo brasileiro não é pura aquisição, mas envolve compromissos de nacionalização e posiciona o Brasil como player mundial na área de manutenção, revisão, produção de componentes e modernização", ressaltou.
A Helibrás, segundo Hardy, ficará ainda responsável por todo o processo de treinamento de pessoal, ferramentas, atualização de documentos e banco de provas. A Marinha, a aeronáutica e o Exército brasileiro receberão cada um, 16 unidades do helicóptero.
No evento de assinatura do contrato com a multinacional europeia Eurocopter, em dezembro de 2008, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que esse acordo poderá "transformar o Brasil na base de um grande mercado internacional para a construção de helicópteros".
A possibilidade de fornecer componentes para os helicópteros EC-725 também deverá reduzir o impacto negativo que as demissões em massa na Embraer, em fevereiro deste ano, causou nas empresas do setor aeroespacial brasileiro. A redução das encomendas feitas pela Embraer provocou uma queda de 40% na produção do setor, que também foi obrigado a demitir 30% da sua mão de obra, estimada em 5 mil funcionários. O setor aeronáutico brasileiro engloba 69 empresas, das quais 40 estão sediadas em São José dos Campos.
Com o projeto do helicóptero para as Forças Armadas, a Helibrás terá que duplicar o número de funcionários em sua fábrica de Itajubá (MG). Atualmente, a empresa conta com 307 empregados. O contrato de compra de 50 helicópteros da francesa Eurocopter, que detém 70% de participação societária na Helibrás, prevê ainda a instalação de uma linha de montagem final e a realização dos ensaios em solo e em voo dos helicópteros no Brasil.
Os helicópteros, segundo o executivo, serão produzidos gradativamente no Brasil até atingirem um índice de 50% de conteúdo nacional, num prazo de seis anos. A manutenção e o reparo dos componentes mais críticos, como motores, trem de pouso, aviônicos e caixas de transmissão também serão feitos no Brasil.
O investimento da empresa no desenvolvimento e industrialização dos helicópteros EC-725 no Brasil estão estimados de US$ 350 milhões a US$ 400 milhões. O contrato de produção dos helicópteros, avaliado em 1,89 bilhão de euros, o correspondente a R$ 5,9 bilhões, foi assinado pelo governo brasileiro em dezembro do ano passado. As primeiras entregas estão previstas para 2010.
O modelo EC-725 é a versão mais recente da família Cougar. Até o fim de 2008, segundo a Helibrás, 60 unidades dos modelos EC-725 (versão militar) e EC-225 (versão civil) estavam em operação no mundo. Bimotor médio, da categoria de 11 toneladas, o EC-725 está equipado com rotor de cinco pás e possui uma autonomia de cinco horas e meia de voo. Foi concebido para desempenhar múltiplas missões, tais como SAR (sigla em inglês para busca e salvamento), de combate, transporte tático de longa distância, transporte aeromédico, apoio logístico e missões navais.
Durante a LAAD (feira da área de defesa), a Helibrás anunciou o desenvolvimento conjunto com a Eurocopter, de um simulador de voo do EC-725, que será instalado em alguma base militar no Estado do Rio. A empresa ainda não definiu o local exato onde ficará baseado o novo simulador. O valor do simulador, segundo a Helibrás, está incluído no investimento de 150 a 200 milhões de euros que será aplicado no projeto do helicóptero.
Única fabricante brasileira de helicópteros, a Helibrás faturou US$ 112,1 milhões em 2008, o que representou um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. No período de janeiro a dezembro de 2008, a empresa entregou um total de 26 helicópteros e negociou outros 28 novos, fechando sua carteira de pedidos em US$ 208,4 milhões.”
BRASIL PRETENDE DIVIDIR COM OS EUA A LIDERANÇA CONTINENTAL
O jornal espanhol El País ontem publicou a seguinte reportagem de Soledad Gallego-Díaz, em Buenos Aires (li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves):
"O trabalho duro começa depois da cúpula. Todos sabemos que o futuro da América Latina depende em boa parte do papel predominante dos dois países decisivos no hemisfério: Estados Unidos e Brasil. O futuro depende das relações de compreensão e equilíbrio que se construam entre Washington e Brasília". A análise de David Rothkopf, especialista americano que ocupou um alto cargo no Departamento do Comércio, resume um dos grandes temas que permeiam a cúpula de Trinidad e Tobago. Como o governo de Barack Obama responderá às tentativas do Brasil de imprimir sua marca no continente e de exercer uma liderança pouco dissimulada?
Tradicionalmente, Washington tentou isolar o Brasil do resto da América Latina, buscando relações bilaterais, país a país, e fazendo os países latino-americanos disputar uma posição de favor ou um tratamento preferencial. Durante décadas, os EUA tentaram se apoiar diretamente no México, Brasil, Chile e Peru como parceiros isolados, mas a situação na América Latina, sem ser homogênea, mudou substancialmente nos últimos anos. Os 32 chefes de Estado que estiveram em Trinidad e Tobago foram eleitos democraticamente, e sobretudo o Brasil adquiriu experiência e força e reivindica, com discrição, mas sem deixar dúvidas, que seja reconhecido em uma posição predominante.
O Brasil, afirma Rothkopf, não quer estar no mesmo plano que a Argentina ou o México. "É uma nação que não quer ser vista simplesmente como o maior país da América Latina, mas como um protagonista internacional respeitável e respeitado." Hoje o Brasil é muito mais sensível a qualquer estratégia americana que pretenda isolá-lo do continente ou que se esforce para conter sua influência.
O teste foi a megacúpula convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro na Costa do Sauípe, da qual pela primeira vez participaram representantes de toda a América Latina e do Caribe, incluindo Cuba, sem a presença dos EUA nem da Espanha. Sauípe foi uma grande demonstração da força diplomática brasileira e marcou um feito importante, não só pelo regresso de Cuba aos fóruns latino-americanos, mas também por representar o poderoso reaparecimento do México como interlocutor do Brasil.
Obama tem consciência de que os EUA precisam recompor seu prestígio na América Latina, muito deteriorado na etapa Bush, e de que sua oferta para acabar com o unilateralismo não pode ser válida só para a Europa. A forma como reagirá à nova posição do Brasil pode ser muito reveladora. É certo que nem Obama, nem qualquer presidente dos EUA, estará disposto a renunciar a seu papel de protagonista na área americana, entendida de maneira global.
"A presença de outros poderes na América Latina", disse Obama em um dos debates presidenciais, "é mais notória devido à nossa ausência."
ESCUTA ESSA! OBAMA DIZ QUE LULA "É O CARA"
A presença de China, Japão e inclusive Rússia e Irã na América Latina se acentuou na última década, em busca dos produtos alimentícios e minérios que muitos países da região, especialmente o Brasil, podem exportar em quantidades maciças. Mas essa presença se fez ainda mais notória, como advertiu Obama, devido à progressiva ausência dos EUA, absorvidos no Oriente Médio, Iraque e Afeganistão.
Isso provavelmente é algo que o governo Obama vai querer corrigir com urgência, aproveitando também a formidável popularidade do presidente americano na América Latina e no Caribe, que não é alheia a sua condição racial. Até o regime de Castro encontra dificuldades para aceitar o enorme orgulho que Obama desperta entre os negros cubanos.
O que importa saber agora é se o governo americano continua acreditando que o destaque do Brasil pode ser uma ameaça para seus próprios interesses, ou se considera possível compatibilizar as agendas dos dois países, afirma Kellie Meiman, autor de um trabalho sobre as possibilidades de cooperação entre EUA e Brasil. Essa é uma das perguntas que muitos especialistas na América Latina estão se fazendo nestes dias nos corredores de Trinidad e Tobago.
O reequilíbrio das relações entre os dois maiores países da América, decisivo para a estabilidade democrática e econômica do hemisfério, não está isento de grandes dificuldades, porém.
Primeiro porque para exercer essa liderança o Brasil tem de resolver alguns problemas diplomáticos sérios com Paraguai, Bolívia e Equador, e porque tem de conseguir também que a Argentina aceite um desenho mais realista de seu papel na América Latina. A Argentina, que sempre pensou no Brasil como um país "periférico", menos educado e mais desigual, percebe hoje que é Buenos Aires que ocupa essa posição secundária. Absorta em seus problemas políticos internos, a Argentina tem enormes dificuldades para voltar a analisar seu papel internacional e para reconhecer que, provavelmente, sua melhor opção seria ligar-se a Brasília, como um dia a França se ligou à Alemanha.
Para os EUA também não será fácil aceitar a liderança do Brasil, que rejeita taxativamente qualquer ingerência de Washington nos assuntos internos dos países latino-americanos e que se oferece como interlocutor não só na região como em todos os organismos internacionais. Entretanto, os dois países terão de encontrar uma solução para o futuro da Organização de Estados Americanos (à qual Cuba não pertence, mas os EUA sim, e na qual, diga-se de passagem, a Espanha está pressionando novamente para conseguir uma melhor posição que a de simples observadora) e para o assentamento de outros organismos sem a presença de Washington, como o Unasul, que ajudem o Brasil a manter a estabilidade na região.”
"O trabalho duro começa depois da cúpula. Todos sabemos que o futuro da América Latina depende em boa parte do papel predominante dos dois países decisivos no hemisfério: Estados Unidos e Brasil. O futuro depende das relações de compreensão e equilíbrio que se construam entre Washington e Brasília". A análise de David Rothkopf, especialista americano que ocupou um alto cargo no Departamento do Comércio, resume um dos grandes temas que permeiam a cúpula de Trinidad e Tobago. Como o governo de Barack Obama responderá às tentativas do Brasil de imprimir sua marca no continente e de exercer uma liderança pouco dissimulada?
Tradicionalmente, Washington tentou isolar o Brasil do resto da América Latina, buscando relações bilaterais, país a país, e fazendo os países latino-americanos disputar uma posição de favor ou um tratamento preferencial. Durante décadas, os EUA tentaram se apoiar diretamente no México, Brasil, Chile e Peru como parceiros isolados, mas a situação na América Latina, sem ser homogênea, mudou substancialmente nos últimos anos. Os 32 chefes de Estado que estiveram em Trinidad e Tobago foram eleitos democraticamente, e sobretudo o Brasil adquiriu experiência e força e reivindica, com discrição, mas sem deixar dúvidas, que seja reconhecido em uma posição predominante.
O Brasil, afirma Rothkopf, não quer estar no mesmo plano que a Argentina ou o México. "É uma nação que não quer ser vista simplesmente como o maior país da América Latina, mas como um protagonista internacional respeitável e respeitado." Hoje o Brasil é muito mais sensível a qualquer estratégia americana que pretenda isolá-lo do continente ou que se esforce para conter sua influência.
O teste foi a megacúpula convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro na Costa do Sauípe, da qual pela primeira vez participaram representantes de toda a América Latina e do Caribe, incluindo Cuba, sem a presença dos EUA nem da Espanha. Sauípe foi uma grande demonstração da força diplomática brasileira e marcou um feito importante, não só pelo regresso de Cuba aos fóruns latino-americanos, mas também por representar o poderoso reaparecimento do México como interlocutor do Brasil.
Obama tem consciência de que os EUA precisam recompor seu prestígio na América Latina, muito deteriorado na etapa Bush, e de que sua oferta para acabar com o unilateralismo não pode ser válida só para a Europa. A forma como reagirá à nova posição do Brasil pode ser muito reveladora. É certo que nem Obama, nem qualquer presidente dos EUA, estará disposto a renunciar a seu papel de protagonista na área americana, entendida de maneira global.
"A presença de outros poderes na América Latina", disse Obama em um dos debates presidenciais, "é mais notória devido à nossa ausência."
ESCUTA ESSA! OBAMA DIZ QUE LULA "É O CARA"
A presença de China, Japão e inclusive Rússia e Irã na América Latina se acentuou na última década, em busca dos produtos alimentícios e minérios que muitos países da região, especialmente o Brasil, podem exportar em quantidades maciças. Mas essa presença se fez ainda mais notória, como advertiu Obama, devido à progressiva ausência dos EUA, absorvidos no Oriente Médio, Iraque e Afeganistão.
Isso provavelmente é algo que o governo Obama vai querer corrigir com urgência, aproveitando também a formidável popularidade do presidente americano na América Latina e no Caribe, que não é alheia a sua condição racial. Até o regime de Castro encontra dificuldades para aceitar o enorme orgulho que Obama desperta entre os negros cubanos.
O que importa saber agora é se o governo americano continua acreditando que o destaque do Brasil pode ser uma ameaça para seus próprios interesses, ou se considera possível compatibilizar as agendas dos dois países, afirma Kellie Meiman, autor de um trabalho sobre as possibilidades de cooperação entre EUA e Brasil. Essa é uma das perguntas que muitos especialistas na América Latina estão se fazendo nestes dias nos corredores de Trinidad e Tobago.
O reequilíbrio das relações entre os dois maiores países da América, decisivo para a estabilidade democrática e econômica do hemisfério, não está isento de grandes dificuldades, porém.
Primeiro porque para exercer essa liderança o Brasil tem de resolver alguns problemas diplomáticos sérios com Paraguai, Bolívia e Equador, e porque tem de conseguir também que a Argentina aceite um desenho mais realista de seu papel na América Latina. A Argentina, que sempre pensou no Brasil como um país "periférico", menos educado e mais desigual, percebe hoje que é Buenos Aires que ocupa essa posição secundária. Absorta em seus problemas políticos internos, a Argentina tem enormes dificuldades para voltar a analisar seu papel internacional e para reconhecer que, provavelmente, sua melhor opção seria ligar-se a Brasília, como um dia a França se ligou à Alemanha.
Para os EUA também não será fácil aceitar a liderança do Brasil, que rejeita taxativamente qualquer ingerência de Washington nos assuntos internos dos países latino-americanos e que se oferece como interlocutor não só na região como em todos os organismos internacionais. Entretanto, os dois países terão de encontrar uma solução para o futuro da Organização de Estados Americanos (à qual Cuba não pertence, mas os EUA sim, e na qual, diga-se de passagem, a Espanha está pressionando novamente para conseguir uma melhor posição que a de simples observadora) e para o assentamento de outros organismos sem a presença de Washington, como o Unasul, que ajudem o Brasil a manter a estabilidade na região.”
ARGENTINA SOLICITA À ONU EXPANSÃO DE SEU TERRITÓRIO ATÉ AS MALVINAS
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
“O governo da Argentina solicitou formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, a ampliação de seu território marítimo em 1,7 milhão de quilômetros quadrados, em uma tentativa de aumentar o limite de 4,8 milhões de quilômetros quadrados de leito e subsolo oceânicos que já pertencem ao país, informou o Ministério das Relações Exteriores argentino.
O território requisitado pelo país inclui as ilhas Malvinas (Falkland, para a Grã-Bretanha), Georgia e Sandwich do Sul, pelas quais a Argentina mantém uma disputa com os britânicos por mais de 170 anos.
A disputa culminou com a Guerra das Malvinas, em 1982, e a soberania argentina sobre estes territórios é uma das principais bandeiras da política externa do governo da presidente Cristina Kirchner. "A Argentina realizou um ato de afirmação soberana de seus direitos (...) para fixar de forma definitiva e obrigatória a extensão geográfica de todo o território nacional", diz um comunicado divulgado pelo ministério.
"A usurpação britânica de 1833 e a ocupação ilegal de parte do território nacional argentino levaram a comunidade internacional a insistir que o Reino Unido deve negociar com a Argentina a solução para a disputa da soberania (das ilhas), expressamente reconhecida pelas Nações Unidas e outros organismos internacionais".
"TRABALHO CIENTÍFICO"
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, a documentação apresentada à Convenção da ONU sobre Direito do Mar (Convemar), nesta terça-feira, é um trabalho científico e técnico de "onze anos de defesa da soberania nacional".
A solicitação reúne 840 kg de documentos e foi entregue à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU - órgão técnico da Convemar.
Pela Convenção da ONU sobre Direitos do Mar, um país pode estabelecer o limite de sua plataforma até chegar a 200 milhas náuticas. O governo argentino quer, no entanto, que seus direitos soberanos passem de 200 milhas para 350 milhas náuticas.
A Argentina solicita também os direitos sobre a exploração dos recursos naturais destes territórios.
A reclamação argentina à ONU inclui também o chamado Setor Antártico, que o país disputa com Grã-Bretanha e Chile.
No comunicado, o governo argentino ressaltou declarações do ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, sobre a iniciativa. "Nosso país realiza, desde 1998, um profundo e acabado trabalho científico e técnico com o critério mais conveniente para garantir a maior extensão possível (de território)".”
“O governo da Argentina solicitou formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, a ampliação de seu território marítimo em 1,7 milhão de quilômetros quadrados, em uma tentativa de aumentar o limite de 4,8 milhões de quilômetros quadrados de leito e subsolo oceânicos que já pertencem ao país, informou o Ministério das Relações Exteriores argentino.
O território requisitado pelo país inclui as ilhas Malvinas (Falkland, para a Grã-Bretanha), Georgia e Sandwich do Sul, pelas quais a Argentina mantém uma disputa com os britânicos por mais de 170 anos.
A disputa culminou com a Guerra das Malvinas, em 1982, e a soberania argentina sobre estes territórios é uma das principais bandeiras da política externa do governo da presidente Cristina Kirchner. "A Argentina realizou um ato de afirmação soberana de seus direitos (...) para fixar de forma definitiva e obrigatória a extensão geográfica de todo o território nacional", diz um comunicado divulgado pelo ministério.
"A usurpação britânica de 1833 e a ocupação ilegal de parte do território nacional argentino levaram a comunidade internacional a insistir que o Reino Unido deve negociar com a Argentina a solução para a disputa da soberania (das ilhas), expressamente reconhecida pelas Nações Unidas e outros organismos internacionais".
"TRABALHO CIENTÍFICO"
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, a documentação apresentada à Convenção da ONU sobre Direito do Mar (Convemar), nesta terça-feira, é um trabalho científico e técnico de "onze anos de defesa da soberania nacional".
A solicitação reúne 840 kg de documentos e foi entregue à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU - órgão técnico da Convemar.
Pela Convenção da ONU sobre Direitos do Mar, um país pode estabelecer o limite de sua plataforma até chegar a 200 milhas náuticas. O governo argentino quer, no entanto, que seus direitos soberanos passem de 200 milhas para 350 milhas náuticas.
A Argentina solicita também os direitos sobre a exploração dos recursos naturais destes territórios.
A reclamação argentina à ONU inclui também o chamado Setor Antártico, que o país disputa com Grã-Bretanha e Chile.
No comunicado, o governo argentino ressaltou declarações do ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, sobre a iniciativa. "Nosso país realiza, desde 1998, um profundo e acabado trabalho científico e técnico com o critério mais conveniente para garantir a maior extensão possível (de território)".”
ARGENTINA: MINISTRO SE DIZ OTISMISTA QUANTO A COMPRA DE AVIÕES DA EMBRAER
A agência européia (italiana) de notícias para a América Latina ANSA ontem publicou (li no UOL):
“Buenos Aires, 22 ABR (ANSA) - O ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, disse hoje que está otimista quanto às negociações com a Embraer para adquirir 22 aeronaves para a companhia Aerolíneas Argentinas.
"Estivemos trabalhando com o pessoal da Embraer, com a qual já assinamos uma carta de intenção para incorporar 22 aviões para voos domésticos, cada um com 100 lugares", explicou o ministro a uma rádio local.
De Vido explicou que, como parte da parceria, o governo argentino reativará a Área Material de Córdoba, sua indústria de aviões situada no centro do país.
Segundo ele, o acordo ajudará a ressuscitar a indústria aeronáutica nacional, que ficaria responsável pela manutenção das aeronaves da Embraer.
"Isto significará também um forte desenvolvimento do setor, porque a Argentina passaria a receber para conserto e manutenção, além dos aviões brasileiros que façam rotas na Argentina, outros que voam por todo o Cone Sul", complementou ele.
O convênio para a compra dos aviões deverá ser um dos temas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá junto a sua colega argentina, Cristina Kirchner, em Buenos Aires, onde desembarca ainda hoje.
Há a expectativa de que a operação, cujo valor estimado é de US$ 650 milhões, seja oficializada com um contrato assinado pelos dois governos. A maior parte do dinheiro, cerca de 80%, deverá sair do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os aviões da Embraer substituirão parte da antiga frota da Aerolíneas, empresa que passou por um longo período de dificuldades financeiras e foi recentemente reestatizada pelo governo argentino.”
“Buenos Aires, 22 ABR (ANSA) - O ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, disse hoje que está otimista quanto às negociações com a Embraer para adquirir 22 aeronaves para a companhia Aerolíneas Argentinas.
"Estivemos trabalhando com o pessoal da Embraer, com a qual já assinamos uma carta de intenção para incorporar 22 aviões para voos domésticos, cada um com 100 lugares", explicou o ministro a uma rádio local.
De Vido explicou que, como parte da parceria, o governo argentino reativará a Área Material de Córdoba, sua indústria de aviões situada no centro do país.
Segundo ele, o acordo ajudará a ressuscitar a indústria aeronáutica nacional, que ficaria responsável pela manutenção das aeronaves da Embraer.
"Isto significará também um forte desenvolvimento do setor, porque a Argentina passaria a receber para conserto e manutenção, além dos aviões brasileiros que façam rotas na Argentina, outros que voam por todo o Cone Sul", complementou ele.
O convênio para a compra dos aviões deverá ser um dos temas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá junto a sua colega argentina, Cristina Kirchner, em Buenos Aires, onde desembarca ainda hoje.
Há a expectativa de que a operação, cujo valor estimado é de US$ 650 milhões, seja oficializada com um contrato assinado pelos dois governos. A maior parte do dinheiro, cerca de 80%, deverá sair do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os aviões da Embraer substituirão parte da antiga frota da Aerolíneas, empresa que passou por um longo período de dificuldades financeiras e foi recentemente reestatizada pelo governo argentino.”
quarta-feira, 22 de abril de 2009
CRACKERS INVADEM PROGRAMA DE ARMAS MAIS CARO DOS EUA
Li hoje no site “vermelho” a seguinte notícia divulgada pela agência norte-americana de notícias Reuters:
“Crackers — termo usado para designar quem pratica a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança de forma ilegal ou sem ética — têm invadido o mais caro programa de armas do Pentágono, o projeto Joint Strike Fighter , de US$ 300 bilhões, segundo reportagem do Wall Street Journal. O projeto Joint Strike Fighter, também conhecido como F-35 Lightning II, é o "ponto focal para oferecer caças de nova geração de preço acessível para a Marinha, Aeronáutica, etc", segundo o Departamento de Defesa.
O diário cita fontes oficiais do atual governo e da administração passada e afirma que os invasores conseguiram copiar e retirar dados relacionados ao design e aos sistemas eletrônicos, tornando mais simples a construção de defesas contra o avião. Os espiões não acessaram material confidencial, que é armazenado em computadores não conectados à internet, diz o WSJ.
No início do mês o WSJ já havia denunciado uma invasão de ciberespiões aos sistemas de controle da rede elétrica dos EUA . Segundo aquela reportagem, na ocasião os invasores instalaram programas que poderiam ser utilizados para interromper o sistema.
A nova invasão teria sido possível por conta de vulnerabilidades nas redes de duas ou três empresas contratadas para construir o caça. A Lockheed Martin é a principal empresa envolvida. A Northrop Grumman e a BAE Systems PLC também têm papéis importantes no projeto. A Lockheed Martin e a BAE não quiseram comentar o caso e a Northrop repassou as perguntas para a Lockheed, disse o jornal.
O WSJ informa ainda que oficiais do Pentágono não quiseram comentar o ocorrido, mas a Força Aérea iniciou uma investigação. A identidade dos invasores e a extensão do prejuízo causado não puderam determinados.
Segundo ex-militares dos EUA, os ataques parecem ter se originado da China, apesar de considerarem difícil determinar a origem exata, por causa da facilidade de se esconder identidades na internet.
A Embaixada chinesa afirmou que o país "se opõe e proíbe todas as formas de crimes online". Segundo fontes oficiais, também ocorreram violações no sistema de controle de tráfego da Força Aérea dos EUA nos últimos meses.”
“Crackers — termo usado para designar quem pratica a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança de forma ilegal ou sem ética — têm invadido o mais caro programa de armas do Pentágono, o projeto Joint Strike Fighter , de US$ 300 bilhões, segundo reportagem do Wall Street Journal. O projeto Joint Strike Fighter, também conhecido como F-35 Lightning II, é o "ponto focal para oferecer caças de nova geração de preço acessível para a Marinha, Aeronáutica, etc", segundo o Departamento de Defesa.
O diário cita fontes oficiais do atual governo e da administração passada e afirma que os invasores conseguiram copiar e retirar dados relacionados ao design e aos sistemas eletrônicos, tornando mais simples a construção de defesas contra o avião. Os espiões não acessaram material confidencial, que é armazenado em computadores não conectados à internet, diz o WSJ.
No início do mês o WSJ já havia denunciado uma invasão de ciberespiões aos sistemas de controle da rede elétrica dos EUA . Segundo aquela reportagem, na ocasião os invasores instalaram programas que poderiam ser utilizados para interromper o sistema.
A nova invasão teria sido possível por conta de vulnerabilidades nas redes de duas ou três empresas contratadas para construir o caça. A Lockheed Martin é a principal empresa envolvida. A Northrop Grumman e a BAE Systems PLC também têm papéis importantes no projeto. A Lockheed Martin e a BAE não quiseram comentar o caso e a Northrop repassou as perguntas para a Lockheed, disse o jornal.
O WSJ informa ainda que oficiais do Pentágono não quiseram comentar o ocorrido, mas a Força Aérea iniciou uma investigação. A identidade dos invasores e a extensão do prejuízo causado não puderam determinados.
Segundo ex-militares dos EUA, os ataques parecem ter se originado da China, apesar de considerarem difícil determinar a origem exata, por causa da facilidade de se esconder identidades na internet.
A Embaixada chinesa afirmou que o país "se opõe e proíbe todas as formas de crimes online". Segundo fontes oficiais, também ocorreram violações no sistema de controle de tráfego da Força Aérea dos EUA nos últimos meses.”
MESMO FORTE, IMPERIALISMO NÃO É INVENCÍVEL
Li hoje no site “Vermelho” a seguinte reportagem de Carolina Campos, de Fortaleza:
“Em passagem por Fortaleza nesta quinta-feira (16), para realizar uma palestra sobre a “Paz na Palestina e no Mundo”, Socorro Gomes, presidente nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e presidente do CMP (Conselho Mundial da Paz), falou com o caderno cearense do Portal Vermelho. Em entrevista, ela comentou sobre a situação dos conflitos na faixa de Gaza e o genocídio cometido por Israel contra o povo palestino, sobre as primeiras impressões do presidente americano Barack Obama e ainda sobre a atuação do Cebrapaz no Brasil.
Socorro Gomes afirma: o conflito que acontece na Faixa de Gaza não é simples. “A Palestina vem sendo martirizada desde 1947, ainda quando a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Estado de Israel e, na mesma resolução, também criou o Estado da Palestina”. Segundo a historiadora, os palestinos contam atualmente apenas com 37% do seu território original, o resto foi tomado através da força por Israel na busca de expandir seu território.
“Este massacre é antigo, só ficou mais evidente a partir do final do ano passado por conta do genocídio praticado pelos israelenses. Em nome da expansão territorial, eles buscaram eliminar qualquer tipo de resistência contando com o apoio americano tanto no campo político quanto no econômico. Os Estados Unidos têm interesse em apoiar Israel por conta de sua localização estratégica dentro do Oriente Médio”, informou Socorro. A historiadora afirma que a estratégia de hegemonia americana na região ainda gira em torno do petróleo e na busca de uma nova conformação geopolítica no Oriente Médio.
Para a presidente do Cebrapaz, é inconcebível que o Estado de Israel tenha agido de forma tão bárbara tendo como principal alvo civis, crianças e mulheres. “Nada era respeitado. Comboios de ajuda da ONU, Cruz Vermelha, hospitais, escolas. Eles romperam com todos os acordos internacionais de proteção às vítimas de guerra”, indigna-se a historiadora.
Segundo Socorro Gomes, o Cebrapaz participou ativamente das ações do Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Belém em janeiro deste ano. Na Tenda da Paz, organizada pelo Centro, aconteceu o ato de lançamento de um abaixo assinado a ser encaminhado para o Tribunal Penal Internacional solicitando que Israel seja julgado por crimes de guerra contra o povo palestino. “Os militantes da paz gritaram quando constataram o genocídio. Não podemos cruzar os braços e ver inocentes serem mortos desta forma. Temos o dever de fazer alguma coisa”, conclama.
ESTADOS UNIDOS
Apesar de ainda achar precipitado fazer alguma avaliação da atuação de Barack Obama, Socorro ressaltou que ele já deu alguns passos importantes. “Claro que temos que dar um voto de confiança. Sabemos que ele tem boas intenções mas achar que uma pessoa vai mudar a natureza da estrutura imperialista, é cegueira”, defende a presidente do Cebrapaz ao mesmo tempo em que relembra que durante a era Bush vários crimes contra a humanidade foram cometidos pelos americanos.
Sobre o anúncio feito por Obama de que no prazo de um ano os Estados Unidos irão fechar a prisão de Guantanamo, em Cuba, Socorro faz uma ressalva. “Apesar de ser um gesto positivo, ele não falou em devolver o território aos cubanos. Foi um gesto muito aquém do que deveria. Ele apenas sinalizou que reconhecia os crimes que lá eram cometidos”, ressaltou.
Ainda acerca dos Estados Unidos, Socorro Gomes informou que o país mantém mais de 750 bases militares espalhadas no mundo e que, apesar da crise, Obama garantiu que iria investir só neste ano um trilhão de dólares em armas.
CEBRAPAZ
O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz atua no Brasil mantendo relações internacionais com órgãos de outros países. Fundado em 2004, o Cebrapaz busca a paz mundial, a soberania dos países e a luta antimperialista.
Com núcleos em 15 Estados, o Cebrapaz realizará em julho deste ano, no Rio de Janeiro, seu primeiro congresso. “Nele iremos promover conferências internacionais sobre a luta pela paz no mundo, debater as ameaças que países vivem, realizar oficinas, buscar formas de fortalecer a cultura de paz e ainda como ampliar as ações do Cebrapaz no Brasil”, informa Socorro Gomes.
A historiadora defende que os povos estão se levantando, questionando e gritando por justiça. “O Vietnã é exemplo disso, a resistência dos palestinos também. Por mais que o imperialismo seja forte, ele não é invencível. Sinto que ele já está em decadência”, comemora Socorro Gomes.”
“Em passagem por Fortaleza nesta quinta-feira (16), para realizar uma palestra sobre a “Paz na Palestina e no Mundo”, Socorro Gomes, presidente nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e presidente do CMP (Conselho Mundial da Paz), falou com o caderno cearense do Portal Vermelho. Em entrevista, ela comentou sobre a situação dos conflitos na faixa de Gaza e o genocídio cometido por Israel contra o povo palestino, sobre as primeiras impressões do presidente americano Barack Obama e ainda sobre a atuação do Cebrapaz no Brasil.
Socorro Gomes afirma: o conflito que acontece na Faixa de Gaza não é simples. “A Palestina vem sendo martirizada desde 1947, ainda quando a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Estado de Israel e, na mesma resolução, também criou o Estado da Palestina”. Segundo a historiadora, os palestinos contam atualmente apenas com 37% do seu território original, o resto foi tomado através da força por Israel na busca de expandir seu território.
“Este massacre é antigo, só ficou mais evidente a partir do final do ano passado por conta do genocídio praticado pelos israelenses. Em nome da expansão territorial, eles buscaram eliminar qualquer tipo de resistência contando com o apoio americano tanto no campo político quanto no econômico. Os Estados Unidos têm interesse em apoiar Israel por conta de sua localização estratégica dentro do Oriente Médio”, informou Socorro. A historiadora afirma que a estratégia de hegemonia americana na região ainda gira em torno do petróleo e na busca de uma nova conformação geopolítica no Oriente Médio.
Para a presidente do Cebrapaz, é inconcebível que o Estado de Israel tenha agido de forma tão bárbara tendo como principal alvo civis, crianças e mulheres. “Nada era respeitado. Comboios de ajuda da ONU, Cruz Vermelha, hospitais, escolas. Eles romperam com todos os acordos internacionais de proteção às vítimas de guerra”, indigna-se a historiadora.
Segundo Socorro Gomes, o Cebrapaz participou ativamente das ações do Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Belém em janeiro deste ano. Na Tenda da Paz, organizada pelo Centro, aconteceu o ato de lançamento de um abaixo assinado a ser encaminhado para o Tribunal Penal Internacional solicitando que Israel seja julgado por crimes de guerra contra o povo palestino. “Os militantes da paz gritaram quando constataram o genocídio. Não podemos cruzar os braços e ver inocentes serem mortos desta forma. Temos o dever de fazer alguma coisa”, conclama.
ESTADOS UNIDOS
Apesar de ainda achar precipitado fazer alguma avaliação da atuação de Barack Obama, Socorro ressaltou que ele já deu alguns passos importantes. “Claro que temos que dar um voto de confiança. Sabemos que ele tem boas intenções mas achar que uma pessoa vai mudar a natureza da estrutura imperialista, é cegueira”, defende a presidente do Cebrapaz ao mesmo tempo em que relembra que durante a era Bush vários crimes contra a humanidade foram cometidos pelos americanos.
Sobre o anúncio feito por Obama de que no prazo de um ano os Estados Unidos irão fechar a prisão de Guantanamo, em Cuba, Socorro faz uma ressalva. “Apesar de ser um gesto positivo, ele não falou em devolver o território aos cubanos. Foi um gesto muito aquém do que deveria. Ele apenas sinalizou que reconhecia os crimes que lá eram cometidos”, ressaltou.
Ainda acerca dos Estados Unidos, Socorro Gomes informou que o país mantém mais de 750 bases militares espalhadas no mundo e que, apesar da crise, Obama garantiu que iria investir só neste ano um trilhão de dólares em armas.
CEBRAPAZ
O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz atua no Brasil mantendo relações internacionais com órgãos de outros países. Fundado em 2004, o Cebrapaz busca a paz mundial, a soberania dos países e a luta antimperialista.
Com núcleos em 15 Estados, o Cebrapaz realizará em julho deste ano, no Rio de Janeiro, seu primeiro congresso. “Nele iremos promover conferências internacionais sobre a luta pela paz no mundo, debater as ameaças que países vivem, realizar oficinas, buscar formas de fortalecer a cultura de paz e ainda como ampliar as ações do Cebrapaz no Brasil”, informa Socorro Gomes.
A historiadora defende que os povos estão se levantando, questionando e gritando por justiça. “O Vietnã é exemplo disso, a resistência dos palestinos também. Por mais que o imperialismo seja forte, ele não é invencível. Sinto que ele já está em decadência”, comemora Socorro Gomes.”
CHOMSKY: NACIONALIZAR E DEMOCRATIZAR
Li hoje no site “vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte entrevista com Avram Noam Chomsky, em tradução de Luis Leiria. O entrevistado, Chomsky, é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Foi considerado o intelectual mais importante do mundo pelo jornal The New York Times. Em 2005, ficou no topo da lista dos principais acadêmicos do planeta, segundo pesquisa feita pelas influentes revistas Foreign Policy, dos Estados Unidos, e Prospect, da Inglaterra. Aos 80 anos, Noam Chomsky, americano descendente de judeus russos, é reconhecido também como o papa da linguística moderna, por ter revolucionado a área com suas pesquisas sobre aquisição de linguagem.
CHOMSKY: "NACIONALIZAÇÕES SÃO UM PASSO PARA A DEMOCRATIZAÇÃO"
Em entrevista à The Real News Network, Noam Chomsky defende as nacionalizações nos Estados Unidos e que as empresas nacionalizadas sejam administradas democraticamente. "Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas". Chomsky defende também que, no atual contexto de crise, os sindicatos "são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas."
Nesta entrevista à The Real News Network, Noam Chomsky defende as nacionalizações e que as empresas nacionalizadas sejam administradas democraticamente. "Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas". Chomsky defende também que os sindicatos "são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas."
PAUL JAY: BENVINDO À THE REAL NEWS NETWORK. ESTAMOS NO MIT, EM CAMBRIDGE, COM O PROFESSOR NOAM CHOMSKY, QUE JULGO NÃO PRECISAR DE APRESENTAÇÃO. MUITO OBRIGADO POR ACEITAR ESTAR CONOSCO. HÁ UNS DIAS, A ADMINISTRAÇÃO BAMA E GEITHNER ANUNCIARAM O SEU PLANO PARA OS BANCOS. QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE ELE?
CHOMSKY: Bem, na verdade há vários planos. Um é a capitalização. O outro, o mais recente, é o resgate dos ativos tóxicos através de uma união pública-privada. Essa medida fez subir imediatamente a bolsa de valores. E compreende-se porquê: é extremamente boa para os banqueiros e investidores. Significa que um investidor pode, se quiser, comprar estes ativos sem valor. E se por acaso eles subirem, ótimo, ganha dinheiro; se caírem, o governo garante-os. Assim, pode haver uma pequena perda, mas também pode haver um grande ganho. Um gestor financeiro disse esta manhã no Financial Times que "é uma situação de ganhar-ganhar."
UMA SITUAÇÃO DE GANHAR OU GANHAR, SE FOR INVESTIDOR.
CHOMSKY: Sim, se for investidor. Para o público, é uma situação de perder-perder. Este plano é uma reciclagem das medidas de Bush-Paulson, com pequenas alterações, mas essencialmente a mesma idéia: manter igual a estrutura institucional, tentar iludir a gravidade da situação, subornar os banqueiros e investidores, mas evitar as medidas que podiam ir ao cerne do problema, impondo mudanças da estrutura institucional.
QUE PLANO O SENHOR APOIARIA?
CHOMSKY: Por exemplo, veja a questão dos bônus da AIG que estão causando tanto justo repúdio. Dean Baker mostrou que havia uma forma fácil de tratar da questão. Já que o governo, de qualquer forma, é o dono da AIG (só não usa esse poder para tomar decisões), podia separar a seção de investimentos financeiros, que causou todos os problemas, e deixá-la ir à falência. Depois disto, os executivos podem procurar obter os seus bônus de uma empresa falida, se quiserem. Isso resolveria muito bem o problema da falência, e o governo manteria ainda o seu controlo efetivo em larga-escala, se quisesse exercê-lo sobre a parte viável da AIG.
E com os grandes bancos, como o Bank of America, um dos maiores problemas é que ninguém sabe o que se passa lá dentro. São aparelhos muito opacos e que fazem muitas manipulações - não são eles que vão falar. Por que o fariam?
De fato, quando a Associated Press enviou jornalistas para entrevistar os gestores do banco e lhes perguntaram o que fizeram com o dinheiro do TARP (programa governamental de recuperação de ativos problemáticos), eles simplesmente riram-se. Disseram: "Não têm nada com isso. Somos empresas privadas. A vossa tarefa, a do serviço público, é de dar-nos fundos, mas não de saber o que estamos fazendo." Mas o governo podia descobrir facilmente - nomeadamente, assumindo o controle dos bancos.
TODAS ESTAS MAQUINAÇÕES POLÍTICAS SÃO PARA EVITAR A NACIONALIZAÇÃO?
CHOMSKY: Não é preciso usar a palavra "nacionalização" se ela incomoda as pessoas, mas alguma forma que permitisse que investigadores independentes, investigadores do governo tivessem acesso aos livros e descobrissem o que eles estão fazendo, quem deve o quê a quem, que é a base de qualquer forma de mudança. Não há uma lei da natureza que diga que as empresas têm apenas de se dedicar a dar lucro aos seus acionistas. Nem sequer está na lei. Na sua maioria são decisões de tribunais e decisões de gestão e por aí adiante. É perfeitamente concebível que as empresas, se existem, sejam responsáveis diante dos acionistas, da comunidade, dos seus trabalhadores.
ESPECIALMENTE QUANDO É O DINHEIRO PÚBLICO QUE ESTÁ FAZENDO O SISTEMA FUNCIONAR...
CHOMSKY: Veja, o fato é que é quase sempre dinheiro público. Veja o homem mais rico do mundo, Bill Gates. Como é que ele se tornou o mais rico? Muito do que ganhou veio de dinheiro público. De fato, lugares como este onde estamos agora...
O MIT...
CHOMSKY: É onde foram desenvolvidos os computadores, a Internet, software sofisticado, aqui ou em lugares semelhantes, e quase inteiramente financiados por dinheiro público. No essencial, o sistema funciona assim: o público paga os custos e assume os riscos, e os lucros são privatizados.
QUE É O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM TODOS OS PLANOS DE RESGATE.
CHOMSKY: Bem, fala-se muito disso agora porque são as instituições financeiras e é tudo muito visível, mas isto acontece o tempo todo. Quer dizer: computadores e Internet foram a base para a revolução das tecnologias de informação no final dos anos 90.
QUANDO FALA EM "DESAFIAR A ESTRUTURA INSTITUCIONAL" O QUE GOSTARIA QUE ACONTECESSE?
CHOMSKY: Para começar, empresas, bancos e outros deveriam, penso, ser responsáveis diante de todos os interessados, não só dos acionistas. Não é uma grande mudança. De fato, já foi até levado aos tribunais. Há cerca de 30 anos, as maiores empresas siderúrgicas queriam destruir as fábricas de aço de Youngstown - o núcleo central da comunidade fora construído em torno delas - e os trabalhadores e a comunidade queriam mantê-las e achavam que podiam geri-las privadamente. Levaram o caso aos tribunais, argumentando que as regras de gestão tinham de ser mudadas de forma a que todos os interessados e não só os acionistas tivessem o controle da empresa. Bem, perdeu nos tribunais, naturalmente, mas é uma idéia perfeitamente factível. Podia ser uma maneira de manter viva a comunidade e as indústrias.
ASSIM, SE OLHAR AGORA PARA O SISTEMA FINANCEIRO E APLICAR ESSE PRINCÍPIO, DE REPRESENTAR OS INTERESSES GERAIS, E NÃO SÓ OS DOS ACIONISTAS, O QUE SIGNIFICARIA ISSO EM TERMOS DE POLÍTICA?
CHOMSKY: Antes de mais nada, para começar, significaria que o governo não resgataria os bancos, aplicaria capital mas exerceria o controle. E controle começa com a fiscalização. Assim, descobrimos o que eles estão fazendo. Em seguida, mantemos as partes viáveis. E se são viáveis deveriam ser postas sob controle público. O governo poderia ter comprado a AIG ou o Citigroup por muito menos do que está gastando agora. Numa sociedade democrática, o governo deveria seguir os interesses do povo, e haver um compromisso público direto no que estas instituições devem fazer e como elas devem distribuir o seu dinheiro, em que termos, etc. Podiam ser democraticamente geridas pelos seus trabalhadores, pela comunidade.
MAS, USE-SE OU NÃO A PALAVRA, ISSO NÃO REQUER UMA ESPÉCIE DE NACIONALIZAÇÃO? O BANCO NÃO SE TORNA UMA INSTITUIÇÃO DE PROPRIEDADE PÚBLICA?
CHOMSKY: Tornam-se instituições de propriedade pública que servem o público e cujas decisões são tomadas pelo público. É uma via longa. É preciso aproximar-se dela passo a passo. Quando se pensa em nacionalização, o sistema doutrinal, por razões históricas, associa nacionalização a uma espécie de Big Brother que toma o controle e dá ordens ao público. Mas não tem de ser necessariamente assim. Há muitas instituições nacionalizadas que funcionam de forma bastante eficiente. De fato, veja, digamos, o exemplo do Chile, que é suposto ser a imagem de marca das economias de livre-mercado Thatcheristas/Reaganistas. Uma grande parte da economia é baseada na muito eficiente produtora de cobre, a Codelco, que foi nacionalizada por Allende, mas era tão eficiente que durante os anos de Pinochet nunca foi desmantelada.
Na verdade, está de certa forma sendo enfraquecida mas penso que ainda é a maior produtora de cobre do mundo, recolhe a maior parte dos ganhos do Estado. Noutros lugares também há empresas nacionalizadas com muito sucesso. Mas a nacionalização é só um passo em direção à democratização. A questão é quem as gere, quem toma as decisões, quem as controla. Agora, nas instituições nacionalizadas, as decisões ainda são tomadas de cima para baixo, mas não tem de ser assim. Não há uma lei da natureza que diga que não podem ser administradas democraticamente.
COMO SERIA FEITO?
CHOMSKY: Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas - é assim que, supostamente, funciona a democracia. Claro que ainda estamos muito longe disso, mesmo no sistema político. Veja o exemplo das eleições primárias. Da forma como funciona o nosso sistema, os chefes de campanha dos candidatos vão a alguma cidade de New Hampshire e fazem uma reunião, e o candidato vai e diz: "Vejam como sou um cara simpático. Votem em mim. E as pessoas ou acreditam nele ou não, e vão para casa. Imagine que tínhamos um sistema democrático que funcionava ao contrário. O povo da cidade de New Hampshire se reuniria em conferências, reuniões, organizações públicas, etc., e delinearia as políticas que queriam ver aplicadas. Depois, se alguém se candidatava, podia ir lá; se quiserem, podem convidá-lo e ele iria ouvi-los. Eles diriam: olhe, eis as políticas que queremos que implemente; se pode fazê-lo, vamos aceitar que nos represente, mas vamos destituí-lo se não o fizer.
COMO DISSE, ISSO ESTÁ MUITO LONGE EM TERMOS DA POLÍTICA DE HOJE.
CHOMSKY: Não está tão longe, acontece.
MAS EM NÍVEL NACIONAL...
CHOMSKY: Nesse nível está mais distante. Mas vejamos aquele que é provavelmente o mais democrático país do hemisfério ocidental, apesar de as pessoas não gostarem de pensar dessa forma: a Bolívia. É o país mais pobre do hemisfério. É o mais pobre da América do Sul. Houve eleições nos últimos anos nas quais a grande maioria da população, que é o povo mais reprimido do hemisfério, a população indígena, entrou pela primeira vez em 500 anos na arena política, determinou as políticas que quis, e elegeu um líder das suas próprias fileiras, um camponês pobre. E as questões são muito sérias - o controle sobre os recursos, a justiça econômica, os direitos culturais, as complexidades de um sociedade multiétnica muito diversa. As políticas vêm do próprio povo, e é suposto que o presidente as implemente. Há todo o tipo de problemas, nada funciona tão perfeitamente, mas é a democracia a funcionar. É quase o oposto da forma como funciona o nosso sistema.
VOLTANDO AOS EUA, PENSA QUE OS ATUAIS PLANOS PARA O SETOR FINANCEIRO, O SETOR AUTOMOBILÍSTICO, O PLANO DE ESTÍMULO GERAL VÃO FUNCIONAR? E SE NÃO, PARA ONDE ESTAMOS CAMINHANDO EM TERMOS DE INTENSIDADE DE CRISE? E O QUE SIGNIFICA EM TERMOS DE DEMOCRACIA AMERICANA?
CHOMSKY: Não creio que alguém saiba se vão funcionar. É uma espécie de tiro no escuro. O meu palpite é que não vai ser a Grande Depressão, mas pode haver anos difíceis pela frente e muitos remendos se as atuais políticas forem aplicadas. O núcleo central das atuais políticas é manter a atual estrutura estável, decisões tomadas de cima.
E PÔR DINHEIRO PARA OS PLANOS DE RESGATE.
CHOMSKY: Pode entrar com o dinheiro para os planos de resgate, mas sem fazer parte do aparelho de decisão. É certo que vai haver alguma forma de regulação. A mania de desregulação dos últimos 30 anos, baseada em conceitos religiosos realmente fundamentalistas sobre a eficiência dos mercados em grande parte desapareceu, e muito rapidamente. Veja por exemplo Lawrence Summers, que é hoje praticamente o principal conselheiro econômico de Obama, conseguiu reconstruir o sistema regulatório que ele destruiu há poucos anos. Ele foi um dos principais a impedir o Congresso a regulamentar os derivados e outros instrumentos exóticos, sob a influência destas idéias sobre eficiência dos mercados e escolha racional, etc. Essas idéias estão agora muito abaladas, e parte do aparelho regulatório vai ser reconstruído. Mas a história disto é muito clara e fácil de entender: os sistemas de regulação tendem a ser tomados pelas empresas que deveriam regulamentar. Foi o que aconteceu com as ferrovias e outros casos. E é natural. Elas têm o poder, poder concentrado, capital concentrado, influência política enorme - de certa forma regem o governo. Acaba que eles assumem o controle do aparelho regulatório no seu próprio interesse. Assim, por exemplo durante o que muitos economistas chamam a época de ouro do moderno capitalismo de estado, entre os 50 e meados de 70, não havia grandes crises. Havia um sistema regulatório, havia regulação dos fluxos de capitais, taxas de câmbio, etc., o que levou ao maior crescimento em época de paz da história. Mudou em meados dos 70, quando a economia foi em direção à desregulamentação e financeirização, enorme crescimento dos fluxos de capital especulativo, mitologias sobre a eficiência dos mercados. Houve, é claro, crescimento, mas concentrado em poucos bolsos, e estamos há 30 anos em relativa estagnação de salários reais para a maioria da população.
E COMO É QUE ISSO MUDA?
CHOMSKY: Há um pequeno aspecto distributivo na política fiscal, chamam-lhe socialismo, comunismo, etc., mas mal regressa aonde estava há poucos anos. Por outro lado, a melhor maneira de chegar a um sistema mais igualitário seria, simplesmente, ampliar a sindicalização. Os sindicatos tradicionalmente não só melhoraram as vidas e os benefícios e as condições de trabalho e os salários dos trabalhadores, mas também ajudaram a democratizar a sociedade. Os sindicatos são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas.
Houve um grande exemplo disto há umas semanas. O presidente Obama queria demonstrar a sua solidariedade ao povo trabalhador; foi a Illinois e falou numa fábrica. A escolha foi marcante; escolheu a Caterpillar. Teve de se contrapor às objeções da igreja e dos grupos de direitos humanos, devido ao efeito devastador que as máquinas da Caterpillar estão tendo nos territórios ocupados por Israel, onde estão destruindo terra agrícola, estradas e aldeias. Mas ninguém, que eu saiba, noticiou algo ainda mais dramático. A Caterpillar tem um papel na história do trabalho nos EUA. Foi a primeira fábrica, em gerações, a usar fura-greves para destruir uma greve. Foi, se não me engano, em 1988, como parte dos ataques de Reagan aos trabalhadores, mas foi a primeira instalação industrial a fazê-lo. Isso é um fato grande, importante. Nessa altura, os Estados Unidos eram os únicos, junto com a África do Sul, a permitir uma coisa dessas. E isso destrói na essências o direito de associação do povo trabalhador.
O EMPLOYEE FREE CHOICE ACT (LEI DE LIVRE-ESCOLHA DO EMPREGADO) SUPOSTAMENTE É ALGO QUE FACILITA A SINDICALIZAÇÃO, MAS NÃO OUVIMOS MUITO FALAR DELA DESDE AS ELEIÇÕES.
CHOMSKY: Não ouvimos falar muito dela. Não ouvimos quando Obama foi à fábrica, que é o símbolo de destruição do trabalho por práticas injustas, porque isto foi tirado da memória das pessoas. O Employee Free Choice Act é sempre mal interpretado. É descrito como um esforço para evitar eleições secretas. Não é isso. É um esforço para permitir que os trabalhadores decidam se deve haver eleições secretas, em vez de deixar as decisões inteiramente nas mãos dos empregadores. Durante a campanha, Obama falou nisso, mas rapidamente o tema foi deixado de lado. Mas um passo muito maior para superar a redistribuição radical para os mais ricos, que ocorreu nos últimos 30 anos, seria simplesmente facilitar os esforços de sindicalização. Mas cada presidente desde Reagan atacou isto. Reagan disse diretamente: "não vamos aplicar a lei". Assim, a demissão de trabalhadores - demissão legal - por organizar os trabalhadores triplicou, de acordo com a Business Week, durante os anos Reagan. Quando chegou Clinton, havia basicamente um dispositivo diferente. Chamava-se Nafta. O Nafta oferecia aos empregadores uma maravilhosa forma de impedir a organização dos trabalhadores: bastava pôr um grande cartaz a dizer: "Operação de transferência para o México". É ilegal, mas se o governo é fora da lei, pode ter sucesso nisto. E nem vale a pena falar dos anos Bush. Mas pode-se reverter isto, e isso seria um passo significativo não só para reverter a enorme redistribuição de rendimento para os de cima, mas também para redemocratizar a sociedade, fornecendo mecanismos pelos quais o povo possa atuar politicamente no seu próprio interesse. Mas isso mal está sendo discutido, até agora, nas margens. E coisas como, por exemplo, o controle dos interessados sobre as instituições, trabalhadores e comunidade, não está muito abaixo da superfície no espírito das pessoas. Está sendo empurrado para o lado. Mas se olharmos para trás, para os anos 30, quando questões semelhantes - não as mesmas, mas questões bastante parecidas estavam sendo levantadas, o que realmente causou medo nos corações do mundo dos negócios foram as greves de ocupação (sit-in strikes). Foi quando os empresários começaram a falar sobre o risco de que enfrentavam e sobre o poder das massas.
Mas o que tem de ameaçador uma greve de ocupação? Bem, uma greve de ocupação está apenas a cinco segundos de fazer emergir a idéia: "Por que nós devemos sentar aqui? Por que não dirigir a fábrica? Podemos fazê-lo, melhor que os gerentes, porque sabemos como tudo funciona". Isso assusta. E está começando a acontecer. Há um mês, houve uma greve de ocupação numa fábrica de Chicago, a Republic Windows and Floors. A multinacional proprietária queria fechá-la ou transferi-la para outro lado. E os trabalhadores manifestaram-se e protestaram, mas finalmente fizeram uma greve de ocupação. Bem, tiveram uma meia-vitória; não venceram totalmente. Muitos mantiveram os empregos. Uma outra empresa comprou-a. Mas não deram o passo seguinte, que era: "Bem, por que não dirigimos a fábrica, junto com a comunidade, que se importa com a fábrica, e talvez uma comunidade mais ampla, que também se importa, no público em geral?" Essas eram questões que deviam ser discutidas.”
CHOMSKY: "NACIONALIZAÇÕES SÃO UM PASSO PARA A DEMOCRATIZAÇÃO"
Em entrevista à The Real News Network, Noam Chomsky defende as nacionalizações nos Estados Unidos e que as empresas nacionalizadas sejam administradas democraticamente. "Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas". Chomsky defende também que, no atual contexto de crise, os sindicatos "são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas."
Nesta entrevista à The Real News Network, Noam Chomsky defende as nacionalizações e que as empresas nacionalizadas sejam administradas democraticamente. "Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas". Chomsky defende também que os sindicatos "são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas."
PAUL JAY: BENVINDO À THE REAL NEWS NETWORK. ESTAMOS NO MIT, EM CAMBRIDGE, COM O PROFESSOR NOAM CHOMSKY, QUE JULGO NÃO PRECISAR DE APRESENTAÇÃO. MUITO OBRIGADO POR ACEITAR ESTAR CONOSCO. HÁ UNS DIAS, A ADMINISTRAÇÃO BAMA E GEITHNER ANUNCIARAM O SEU PLANO PARA OS BANCOS. QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE ELE?
CHOMSKY: Bem, na verdade há vários planos. Um é a capitalização. O outro, o mais recente, é o resgate dos ativos tóxicos através de uma união pública-privada. Essa medida fez subir imediatamente a bolsa de valores. E compreende-se porquê: é extremamente boa para os banqueiros e investidores. Significa que um investidor pode, se quiser, comprar estes ativos sem valor. E se por acaso eles subirem, ótimo, ganha dinheiro; se caírem, o governo garante-os. Assim, pode haver uma pequena perda, mas também pode haver um grande ganho. Um gestor financeiro disse esta manhã no Financial Times que "é uma situação de ganhar-ganhar."
UMA SITUAÇÃO DE GANHAR OU GANHAR, SE FOR INVESTIDOR.
CHOMSKY: Sim, se for investidor. Para o público, é uma situação de perder-perder. Este plano é uma reciclagem das medidas de Bush-Paulson, com pequenas alterações, mas essencialmente a mesma idéia: manter igual a estrutura institucional, tentar iludir a gravidade da situação, subornar os banqueiros e investidores, mas evitar as medidas que podiam ir ao cerne do problema, impondo mudanças da estrutura institucional.
QUE PLANO O SENHOR APOIARIA?
CHOMSKY: Por exemplo, veja a questão dos bônus da AIG que estão causando tanto justo repúdio. Dean Baker mostrou que havia uma forma fácil de tratar da questão. Já que o governo, de qualquer forma, é o dono da AIG (só não usa esse poder para tomar decisões), podia separar a seção de investimentos financeiros, que causou todos os problemas, e deixá-la ir à falência. Depois disto, os executivos podem procurar obter os seus bônus de uma empresa falida, se quiserem. Isso resolveria muito bem o problema da falência, e o governo manteria ainda o seu controlo efetivo em larga-escala, se quisesse exercê-lo sobre a parte viável da AIG.
E com os grandes bancos, como o Bank of America, um dos maiores problemas é que ninguém sabe o que se passa lá dentro. São aparelhos muito opacos e que fazem muitas manipulações - não são eles que vão falar. Por que o fariam?
De fato, quando a Associated Press enviou jornalistas para entrevistar os gestores do banco e lhes perguntaram o que fizeram com o dinheiro do TARP (programa governamental de recuperação de ativos problemáticos), eles simplesmente riram-se. Disseram: "Não têm nada com isso. Somos empresas privadas. A vossa tarefa, a do serviço público, é de dar-nos fundos, mas não de saber o que estamos fazendo." Mas o governo podia descobrir facilmente - nomeadamente, assumindo o controle dos bancos.
TODAS ESTAS MAQUINAÇÕES POLÍTICAS SÃO PARA EVITAR A NACIONALIZAÇÃO?
CHOMSKY: Não é preciso usar a palavra "nacionalização" se ela incomoda as pessoas, mas alguma forma que permitisse que investigadores independentes, investigadores do governo tivessem acesso aos livros e descobrissem o que eles estão fazendo, quem deve o quê a quem, que é a base de qualquer forma de mudança. Não há uma lei da natureza que diga que as empresas têm apenas de se dedicar a dar lucro aos seus acionistas. Nem sequer está na lei. Na sua maioria são decisões de tribunais e decisões de gestão e por aí adiante. É perfeitamente concebível que as empresas, se existem, sejam responsáveis diante dos acionistas, da comunidade, dos seus trabalhadores.
ESPECIALMENTE QUANDO É O DINHEIRO PÚBLICO QUE ESTÁ FAZENDO O SISTEMA FUNCIONAR...
CHOMSKY: Veja, o fato é que é quase sempre dinheiro público. Veja o homem mais rico do mundo, Bill Gates. Como é que ele se tornou o mais rico? Muito do que ganhou veio de dinheiro público. De fato, lugares como este onde estamos agora...
O MIT...
CHOMSKY: É onde foram desenvolvidos os computadores, a Internet, software sofisticado, aqui ou em lugares semelhantes, e quase inteiramente financiados por dinheiro público. No essencial, o sistema funciona assim: o público paga os custos e assume os riscos, e os lucros são privatizados.
QUE É O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM TODOS OS PLANOS DE RESGATE.
CHOMSKY: Bem, fala-se muito disso agora porque são as instituições financeiras e é tudo muito visível, mas isto acontece o tempo todo. Quer dizer: computadores e Internet foram a base para a revolução das tecnologias de informação no final dos anos 90.
QUANDO FALA EM "DESAFIAR A ESTRUTURA INSTITUCIONAL" O QUE GOSTARIA QUE ACONTECESSE?
CHOMSKY: Para começar, empresas, bancos e outros deveriam, penso, ser responsáveis diante de todos os interessados, não só dos acionistas. Não é uma grande mudança. De fato, já foi até levado aos tribunais. Há cerca de 30 anos, as maiores empresas siderúrgicas queriam destruir as fábricas de aço de Youngstown - o núcleo central da comunidade fora construído em torno delas - e os trabalhadores e a comunidade queriam mantê-las e achavam que podiam geri-las privadamente. Levaram o caso aos tribunais, argumentando que as regras de gestão tinham de ser mudadas de forma a que todos os interessados e não só os acionistas tivessem o controle da empresa. Bem, perdeu nos tribunais, naturalmente, mas é uma idéia perfeitamente factível. Podia ser uma maneira de manter viva a comunidade e as indústrias.
ASSIM, SE OLHAR AGORA PARA O SISTEMA FINANCEIRO E APLICAR ESSE PRINCÍPIO, DE REPRESENTAR OS INTERESSES GERAIS, E NÃO SÓ OS DOS ACIONISTAS, O QUE SIGNIFICARIA ISSO EM TERMOS DE POLÍTICA?
CHOMSKY: Antes de mais nada, para começar, significaria que o governo não resgataria os bancos, aplicaria capital mas exerceria o controle. E controle começa com a fiscalização. Assim, descobrimos o que eles estão fazendo. Em seguida, mantemos as partes viáveis. E se são viáveis deveriam ser postas sob controle público. O governo poderia ter comprado a AIG ou o Citigroup por muito menos do que está gastando agora. Numa sociedade democrática, o governo deveria seguir os interesses do povo, e haver um compromisso público direto no que estas instituições devem fazer e como elas devem distribuir o seu dinheiro, em que termos, etc. Podiam ser democraticamente geridas pelos seus trabalhadores, pela comunidade.
MAS, USE-SE OU NÃO A PALAVRA, ISSO NÃO REQUER UMA ESPÉCIE DE NACIONALIZAÇÃO? O BANCO NÃO SE TORNA UMA INSTITUIÇÃO DE PROPRIEDADE PÚBLICA?
CHOMSKY: Tornam-se instituições de propriedade pública que servem o público e cujas decisões são tomadas pelo público. É uma via longa. É preciso aproximar-se dela passo a passo. Quando se pensa em nacionalização, o sistema doutrinal, por razões históricas, associa nacionalização a uma espécie de Big Brother que toma o controle e dá ordens ao público. Mas não tem de ser necessariamente assim. Há muitas instituições nacionalizadas que funcionam de forma bastante eficiente. De fato, veja, digamos, o exemplo do Chile, que é suposto ser a imagem de marca das economias de livre-mercado Thatcheristas/Reaganistas. Uma grande parte da economia é baseada na muito eficiente produtora de cobre, a Codelco, que foi nacionalizada por Allende, mas era tão eficiente que durante os anos de Pinochet nunca foi desmantelada.
Na verdade, está de certa forma sendo enfraquecida mas penso que ainda é a maior produtora de cobre do mundo, recolhe a maior parte dos ganhos do Estado. Noutros lugares também há empresas nacionalizadas com muito sucesso. Mas a nacionalização é só um passo em direção à democratização. A questão é quem as gere, quem toma as decisões, quem as controla. Agora, nas instituições nacionalizadas, as decisões ainda são tomadas de cima para baixo, mas não tem de ser assim. Não há uma lei da natureza que diga que não podem ser administradas democraticamente.
COMO SERIA FEITO?
CHOMSKY: Com a participação de conselhos de trabalhadores, da organização da comunidade em reuniões, discussões nas quais são delineadas as políticas - é assim que, supostamente, funciona a democracia. Claro que ainda estamos muito longe disso, mesmo no sistema político. Veja o exemplo das eleições primárias. Da forma como funciona o nosso sistema, os chefes de campanha dos candidatos vão a alguma cidade de New Hampshire e fazem uma reunião, e o candidato vai e diz: "Vejam como sou um cara simpático. Votem em mim. E as pessoas ou acreditam nele ou não, e vão para casa. Imagine que tínhamos um sistema democrático que funcionava ao contrário. O povo da cidade de New Hampshire se reuniria em conferências, reuniões, organizações públicas, etc., e delinearia as políticas que queriam ver aplicadas. Depois, se alguém se candidatava, podia ir lá; se quiserem, podem convidá-lo e ele iria ouvi-los. Eles diriam: olhe, eis as políticas que queremos que implemente; se pode fazê-lo, vamos aceitar que nos represente, mas vamos destituí-lo se não o fizer.
COMO DISSE, ISSO ESTÁ MUITO LONGE EM TERMOS DA POLÍTICA DE HOJE.
CHOMSKY: Não está tão longe, acontece.
MAS EM NÍVEL NACIONAL...
CHOMSKY: Nesse nível está mais distante. Mas vejamos aquele que é provavelmente o mais democrático país do hemisfério ocidental, apesar de as pessoas não gostarem de pensar dessa forma: a Bolívia. É o país mais pobre do hemisfério. É o mais pobre da América do Sul. Houve eleições nos últimos anos nas quais a grande maioria da população, que é o povo mais reprimido do hemisfério, a população indígena, entrou pela primeira vez em 500 anos na arena política, determinou as políticas que quis, e elegeu um líder das suas próprias fileiras, um camponês pobre. E as questões são muito sérias - o controle sobre os recursos, a justiça econômica, os direitos culturais, as complexidades de um sociedade multiétnica muito diversa. As políticas vêm do próprio povo, e é suposto que o presidente as implemente. Há todo o tipo de problemas, nada funciona tão perfeitamente, mas é a democracia a funcionar. É quase o oposto da forma como funciona o nosso sistema.
VOLTANDO AOS EUA, PENSA QUE OS ATUAIS PLANOS PARA O SETOR FINANCEIRO, O SETOR AUTOMOBILÍSTICO, O PLANO DE ESTÍMULO GERAL VÃO FUNCIONAR? E SE NÃO, PARA ONDE ESTAMOS CAMINHANDO EM TERMOS DE INTENSIDADE DE CRISE? E O QUE SIGNIFICA EM TERMOS DE DEMOCRACIA AMERICANA?
CHOMSKY: Não creio que alguém saiba se vão funcionar. É uma espécie de tiro no escuro. O meu palpite é que não vai ser a Grande Depressão, mas pode haver anos difíceis pela frente e muitos remendos se as atuais políticas forem aplicadas. O núcleo central das atuais políticas é manter a atual estrutura estável, decisões tomadas de cima.
E PÔR DINHEIRO PARA OS PLANOS DE RESGATE.
CHOMSKY: Pode entrar com o dinheiro para os planos de resgate, mas sem fazer parte do aparelho de decisão. É certo que vai haver alguma forma de regulação. A mania de desregulação dos últimos 30 anos, baseada em conceitos religiosos realmente fundamentalistas sobre a eficiência dos mercados em grande parte desapareceu, e muito rapidamente. Veja por exemplo Lawrence Summers, que é hoje praticamente o principal conselheiro econômico de Obama, conseguiu reconstruir o sistema regulatório que ele destruiu há poucos anos. Ele foi um dos principais a impedir o Congresso a regulamentar os derivados e outros instrumentos exóticos, sob a influência destas idéias sobre eficiência dos mercados e escolha racional, etc. Essas idéias estão agora muito abaladas, e parte do aparelho regulatório vai ser reconstruído. Mas a história disto é muito clara e fácil de entender: os sistemas de regulação tendem a ser tomados pelas empresas que deveriam regulamentar. Foi o que aconteceu com as ferrovias e outros casos. E é natural. Elas têm o poder, poder concentrado, capital concentrado, influência política enorme - de certa forma regem o governo. Acaba que eles assumem o controle do aparelho regulatório no seu próprio interesse. Assim, por exemplo durante o que muitos economistas chamam a época de ouro do moderno capitalismo de estado, entre os 50 e meados de 70, não havia grandes crises. Havia um sistema regulatório, havia regulação dos fluxos de capitais, taxas de câmbio, etc., o que levou ao maior crescimento em época de paz da história. Mudou em meados dos 70, quando a economia foi em direção à desregulamentação e financeirização, enorme crescimento dos fluxos de capital especulativo, mitologias sobre a eficiência dos mercados. Houve, é claro, crescimento, mas concentrado em poucos bolsos, e estamos há 30 anos em relativa estagnação de salários reais para a maioria da população.
E COMO É QUE ISSO MUDA?
CHOMSKY: Há um pequeno aspecto distributivo na política fiscal, chamam-lhe socialismo, comunismo, etc., mas mal regressa aonde estava há poucos anos. Por outro lado, a melhor maneira de chegar a um sistema mais igualitário seria, simplesmente, ampliar a sindicalização. Os sindicatos tradicionalmente não só melhoraram as vidas e os benefícios e as condições de trabalho e os salários dos trabalhadores, mas também ajudaram a democratizar a sociedade. Os sindicatos são um dos poucos meios que permitem ao povo comum reunir-se, fazer planos e influenciar as escolhas públicas.
Houve um grande exemplo disto há umas semanas. O presidente Obama queria demonstrar a sua solidariedade ao povo trabalhador; foi a Illinois e falou numa fábrica. A escolha foi marcante; escolheu a Caterpillar. Teve de se contrapor às objeções da igreja e dos grupos de direitos humanos, devido ao efeito devastador que as máquinas da Caterpillar estão tendo nos territórios ocupados por Israel, onde estão destruindo terra agrícola, estradas e aldeias. Mas ninguém, que eu saiba, noticiou algo ainda mais dramático. A Caterpillar tem um papel na história do trabalho nos EUA. Foi a primeira fábrica, em gerações, a usar fura-greves para destruir uma greve. Foi, se não me engano, em 1988, como parte dos ataques de Reagan aos trabalhadores, mas foi a primeira instalação industrial a fazê-lo. Isso é um fato grande, importante. Nessa altura, os Estados Unidos eram os únicos, junto com a África do Sul, a permitir uma coisa dessas. E isso destrói na essências o direito de associação do povo trabalhador.
O EMPLOYEE FREE CHOICE ACT (LEI DE LIVRE-ESCOLHA DO EMPREGADO) SUPOSTAMENTE É ALGO QUE FACILITA A SINDICALIZAÇÃO, MAS NÃO OUVIMOS MUITO FALAR DELA DESDE AS ELEIÇÕES.
CHOMSKY: Não ouvimos falar muito dela. Não ouvimos quando Obama foi à fábrica, que é o símbolo de destruição do trabalho por práticas injustas, porque isto foi tirado da memória das pessoas. O Employee Free Choice Act é sempre mal interpretado. É descrito como um esforço para evitar eleições secretas. Não é isso. É um esforço para permitir que os trabalhadores decidam se deve haver eleições secretas, em vez de deixar as decisões inteiramente nas mãos dos empregadores. Durante a campanha, Obama falou nisso, mas rapidamente o tema foi deixado de lado. Mas um passo muito maior para superar a redistribuição radical para os mais ricos, que ocorreu nos últimos 30 anos, seria simplesmente facilitar os esforços de sindicalização. Mas cada presidente desde Reagan atacou isto. Reagan disse diretamente: "não vamos aplicar a lei". Assim, a demissão de trabalhadores - demissão legal - por organizar os trabalhadores triplicou, de acordo com a Business Week, durante os anos Reagan. Quando chegou Clinton, havia basicamente um dispositivo diferente. Chamava-se Nafta. O Nafta oferecia aos empregadores uma maravilhosa forma de impedir a organização dos trabalhadores: bastava pôr um grande cartaz a dizer: "Operação de transferência para o México". É ilegal, mas se o governo é fora da lei, pode ter sucesso nisto. E nem vale a pena falar dos anos Bush. Mas pode-se reverter isto, e isso seria um passo significativo não só para reverter a enorme redistribuição de rendimento para os de cima, mas também para redemocratizar a sociedade, fornecendo mecanismos pelos quais o povo possa atuar politicamente no seu próprio interesse. Mas isso mal está sendo discutido, até agora, nas margens. E coisas como, por exemplo, o controle dos interessados sobre as instituições, trabalhadores e comunidade, não está muito abaixo da superfície no espírito das pessoas. Está sendo empurrado para o lado. Mas se olharmos para trás, para os anos 30, quando questões semelhantes - não as mesmas, mas questões bastante parecidas estavam sendo levantadas, o que realmente causou medo nos corações do mundo dos negócios foram as greves de ocupação (sit-in strikes). Foi quando os empresários começaram a falar sobre o risco de que enfrentavam e sobre o poder das massas.
Mas o que tem de ameaçador uma greve de ocupação? Bem, uma greve de ocupação está apenas a cinco segundos de fazer emergir a idéia: "Por que nós devemos sentar aqui? Por que não dirigir a fábrica? Podemos fazê-lo, melhor que os gerentes, porque sabemos como tudo funciona". Isso assusta. E está começando a acontecer. Há um mês, houve uma greve de ocupação numa fábrica de Chicago, a Republic Windows and Floors. A multinacional proprietária queria fechá-la ou transferi-la para outro lado. E os trabalhadores manifestaram-se e protestaram, mas finalmente fizeram uma greve de ocupação. Bem, tiveram uma meia-vitória; não venceram totalmente. Muitos mantiveram os empregos. Uma outra empresa comprou-a. Mas não deram o passo seguinte, que era: "Bem, por que não dirigimos a fábrica, junto com a comunidade, que se importa com a fábrica, e talvez uma comunidade mais ampla, que também se importa, no público em geral?" Essas eram questões que deviam ser discutidas.”
ÍNTEGRA DO DISCURSO DE AHMADINEJAD, DO IRAN, NA ONU
Li hoje no site “vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo:
O DISCURSO DA POLÊMICA
“DISCURSO DO PRESIDENTE AHMADINEJAD, DO IRAN, NA "DURBAN REVIEW CONFERENCE" (20-24/4/2009), GENEBRA, SUÍÇA
“Ilustre presidente da Conferência, ilustre secretário-geral da ONU, ilustre Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos. Senhoras e senhores.
Estamos reunidos para dar prosseguimento à Conferência de Durban contra o racismo e a discriminaçao racial, para definir mecanismos que permitam pôr em ação nossas campanhas humanitárias e religiosas.
Ao longo dos últimos séculos, a humanidade tem passado por grandes sofrimentos e dores terríveis. Na Idade Média, condenavam-se à morte pensadores e cientistas. Depois se seguiu um período em que se praticaram a escravidão e o comércio de seres humanos. Inocentes eram capturados aos milhões, separados de suas famílias e entes queridos, para serem levados à Europa e à América, sob as piores condições. Período de trevas, em que a humanidade também conheceu a ocupação, a pilhagem e os massacres de inocentes.
Muitos anos passaram-se antes de que as nações erguessem-se e lutassem pela liberdade, pela qual sempre pagaram preço muito alto. Perderam-se milhões de vida na luta para expulsar os ocupantes e estabelecer governos nacionais independentes. Mas não demorou para que saqueadores do poder político impusessem duas guerras à Europa, que também varreram como praga parte da Ásia e África. Essas guerras terríveis custaram a vida de 100 milhões de pessoas e provocaram devastação massiva em todo o mundo. Se a humanidade tivesse aprendido o que havia a aprender daquelas ocupações, dos horrores e crimes daquelas guerras, já haveria um raio de esperança para o futuro.
Os poderes então vitoriosos autodesignaram-se conquistadores do mundo, ignorando ou subvalorizando direitos de outras nações e impondo leis de opressão e de arranjos internacionais.
Senhoras e senhores, consideremos por um momento o Conselho de Segurança da ONU, que é uma das heranças deixadas pelas duas guerras mundiais.
Que lógica há em o Conselho de Segurança assegurar apenas a alguns o direito de veto? Como essa lógica se harmonizaria com valores humanitários ou espirituais? Não seria lógica sempre discrepante dos princípios de justiça, de igualdade de todos ante a lei, do amor e da dignidade humana? O direito de veto não lhes parece sempre discriminatório e injusto, não implica sempre violação de direitos humanos e humilhação da maioria das nações e países?
O Conselho é o mais alto corpo político de decisores do planeta, para salvaguardar a paz e a segurança mundiais. Mas como se pode esperar que realize a justiça e a paz, se a discriminação está ali convertida em lei e a própria a lei é constituída mediante coerção e arbítrio, não pela justiça e respeito aos direitos de todos?
A coerção e a arrogância estão na origem da opressão e das guerras. Embora hoje muitos racistas condenem em seus discursos e slogans a discriminação racial, alguns países muito poderosos tem sido autorizados a decidir sobre suas políticas, baseados apenas em seus interesses e no próprio juízo. Assim têm podido facilmente violar todas as leis e todos os valores humanitários.
Logo depois da II Guerra Mundial, alguns daqueles países recorreram à agressão militar para arrancar de suas casas toda a população de uma nação inteira, sob o pretexto de que os judeus sofriam horrivelmente; aquelas nações enviaram migrantes refugiados para toda a Europa, para os EUA e para outras partes do mundo, e estabeleceram um governo totalmente racista na Palestina ocupada[2]. De fato, em compensação pelas terríveis consequências do racismo na Europa, ajudaram a implantar no poder, na Palestina, o mais cruel e repressivo regime racista.
O Conselho de Segurança ajudou a estabilizar o regime ocupante e apoiou-o durante os últimos 60 anos, dando-lhe pleno direito de cometer todos os tipos de atrocidades. É lamentável sob todos os aspectos, que alguns governos ocidentais e o governo dos EUA tenham-se comprometido na defesa desses racistas genocidas, enquanto a consciência dos homens e mulheres livres em todo o mundo condenavam a agressão, as brutalidades e o bombardeio contra civis em Gaza, Palestina. Os apoiadores de Israel têm defendido esses crimes e têm silenciado contra esses crimes.
Amigos, ilustres delegados, senhoras e senhores. Onde estão as causas radicais dos ataques dos EUA contra o Iraque ou da invasão do Afeganistão?
Não é outro o motivo que levou à invasão do Iraque, se não a arrogância do então governo dos EUA e a pressão crescente dos mais ricos e poderosos que visam sempre a expandir sua esfera de influência. Aí estão os interesses da poderosa indústria de armamento, destruindo uma cultura de mil anos, nobre em todos os sentidos, de longuíssima história. Tentam eliminar a potência e a ameaça direta que os países muçulmanos impõem hoje ao regime sionista, ao mesmo tempo em que defendem o regime sionista e querem assenhorear-se das fontes de energia do povo iraqueano?
Por quê, afinal, quase um milhão de seres humanos foram mortos ou feridos e mais outros milhões foram convertidos em exilados e refugiados? Por que, agora, o povo iraqueano sofre perdas que já alcançam as centenas de bilhões de dólares? E por que o povo dos EUA teve de ver consumirem-se bilhões de seus dólares, como custo dessas ações militares? A ação militar contra o Iraque não terá sido planejada pelos sionistas e seus aliados no governo dos EUA, cúmplices todos dos países fabricantes de armas e dos senhores da riqueza do mundo? A invasão do Afeganistão terá, por acaso, restaurado a paz, a segurança e o bem-estar econômico naquele país?
Os EUA e seus aliados fracassaram na missão de conter a produção de drogas no Afeganistão. O cultivo de narcóticos multiplicou-se, depois da invasão. A pergunta necessária é "quem responderá pelo que fizeram o então governo nos EUA e seus aliados, naquela parte do mundo?"
Representavam ali os países do mundo? Receberam de alguém algum mandato? Foram autorizados pelos povos do mundo a interferir em todos os lugares do globo – e sempre mais frequentemente na nossa Região? Não são a invasão e a ocupação exemplos claros de autocentrismo, racismo, discriminação e violência contra a dignidade e a independência de tantas nações?
Senhoras e senhores, quem é responsável pela crise econômica pela qual passa o mundo? Onde começou a crise? Na África? Na Ásia? Ou começou nos EUA, contaminando em seguida toda a Europa e os aliados dos EUA?
Por longo tempo, usaram seu poder político para impor regulações econômicas desiguais na economia internacional. Impuseram um sistema financeiro e monetário sem adequado mecanismo de supervisão internacional sobre nações e governos que nada podiam, no sentido de conter tendências ou políticas. Sequer permitiram que outros povos supervisionassem ou monitorassem suas próprias políticas financeiras. Introduziram leis e regulações que agrediam todos os valores morais, exclusivamente para proteger interesses dos senhores da riqueza e do poder.
Mais ainda, apresentaram uma definição de economia de mercado e competição que nega muitas das oportunidades econômicas que poderiam ser acessíveis para outros países do mundo. Também transferiram seus problemas a outros, enquanto ondas de crises repercutiam sobre a própria economia, gerando milhares de bilhões de déficit no orçamento. E hoje, estão injetando centenas de bilhões de dólares tirados de seu próprio povo e de outras nações, para ajudar bancos, companhias e instituições financeiras falidas, o que torna a situação cada vez mais complicada para sua própria economia e para seu próprio povo. Estão pensando simplesmente em manter o poder e a riqueza. Não dão nenhuma atenção aos povos do mundo, sequer ao próprio povo.
Senhor presidente, senhoras e senhores.
O racismo nasce da falta de conhecimento sobre as raízes da existência do homem como criaturas escolhidas por Deus. Também é produto de desvio do verdadeiro caminho da vida humana e das obrigações da humanidade na criação do mundo, que leva a falhar nos deveres de conscientemente servir a Deus; nasce tambem de não saber pensar sobre a filosofia da vida ou o caminho da perfeição que são os principais ingredientes dos valores divinos e humanitários. Assim, essas ignorâncias restringiram o horizonte do olhar humano, tornando-o superficial, e tomando, como instrumento de sua ação, só os interesses mais limitados. É por isso que o poder do mal ganhou forma e expandiu seu domínio, ao mesmo tempo em que privou outros de todas as oportunidades justas e igualitárias de desenvolvimento.
O resultado foi o surgimento de um racismo sem limites que é hoje a mais grave ameaça que pesa sobre a paz internacional e tem comprometido todos os esforços para construir a coexistência pacífica em todo o mundo. Sem dúvida, o racismo é o principal símbolo da ignorância; tem raízes históricas e, de fato, é signo de que o desenvolvimento de uma sociedade humana foi frustrado.
É, portanto, crucialmente importante denunciar as manifestações de racismo em todas as ocasiões e em todas as sociedades nas quais prevaleçam a ignorância e pouca sabedoria. A consciência e a compreensão geral da filosofia da existência humana é o principal objetivo e princípio da luta contra manifestações de racismo. E revela a verdade: os seres humanos são o centro da criação do universo. A chave para resolver o problema do racismo é o retorno aos valores espirituais e morais e, afinal, implica voltar a servir a Deus Todo-Poderoso.
A comunidade internacional têm de iniciar movimentos que visem a ampliar a consciência coletiva, sobretudo nas sociedades em que o racismo e a ignorância prevaleçam; só assim pôr-se-á fim ao avanço dos danos causados pelo racismo, que é perverso.
Caros amigos. Hoje, a comunidade humana enfrenta um tipo de racismo que macula a imagem de toda a humanidade, no início do terceiro milênio.
O sionismo mundial personifica o racismo que é falsamente atribuído a religiões mas, de fato, abusa dos sentimentos religiosos para esconder sua horrenda face de ódio. Contudo, é importante que não percamos de vista os objetivos políticos de alguns dos poderes mundiais, dos que controlam os imensos recursos econômicos e os lucros, no mundo. Mobilizam todos os recursos, inclusive a influência econômica e política – e a mídia em todo o mundo –, para tentar ganhar apoio para o regime sionista e para ocultar a indignidade e a desgraça daquele regime.
Não se trata aqui de simples questão de ignorância. Ninguém pode pôr termo a esses horrores mediante campanhas consulares e diplomáticas. É preciso trabalhar com muito empenho para deter os abusos praticados pelos sionistas e seus apoiadores políticos e internacionais, e para fazer respeitar o desejo e as aspirações dos povos. Os governos antissionistas devem ser encorajados e apoiados com vistas a erradicar esse racismo bárbaro e para que se reformem os mecanismos internacionais hoje existentes.
Não há qualquer dúvida de que todos os senhores aqui presentes têm perfeito conhecimento da conspiração movida por alguns governos e pelos círculos sionistas contra as metas e os objetivos dessa conferência.
Infelizmente, houve declarações e declarações de apoio aos sionistas e seus crimes. É dever e responsabilidade dos respeitáveis representantes de todas as nações desmascarar essa campanha que corre na direção oposta a todos os valores e princípios humanitários.
Deve-se reconhecer e declarar que boicotar uma reunião como essa, e tentar degradar a excepcional capacidade política internacional que aqui se acumula, é perfeita manifestação de apoio aos racistas e é escandaloso exemplo de racismo. Para defender direitos humanos, é fundamentalmente importante, em primeiro lugar, defender os direitos de todas as nações do mundo, de participar em condições de igualdade no processos de tomar toda e qualquer decisão, sem qualquer tipo de pressão que venha de apenas alguns poderes mundiais.
Em segundo lugar, é necessário reestruturar as organizações internacionais existentes e suas respectivas constituições e acordos. Essa conferência, portanto, é como um campo de testes. A opinião pública, hoje e no futuro, julgará nossas ações e nossas decisões.
Senhor presidente, senhoras e senhores. O mundo está passando por mudanças profundas e muito rápidas. Relações de poder consideradas estáveis já se mostram frágeis, muito fracas. Ouve-se o "crack" dos pilares dos sistemas mundiais. As principais estruturas políticas e econômicas estão em ponto de colapso. No horizonte, já aparecem crises políticas e de segurança. O agravamento da crise da economia mundial, para a qual não se vê futuro melhor, demonstra que estamos sob a força de uma maré de mudanças globais. Tenho repetido e enfatizado que é necessário que o mundo abandone a rota errada em que caminhou por tanto tempo, e na qual ainda insiste.
Também tenho alertado repetidas vezes contra as terríveis consequências de qualquer desatenção a essa responsabilidade crucial.
Aqui, nessa importante conferência, entendo que já possa declarar a todos os líderes do mundo, aos pensadores e a todos os povos de todas as nações do planeta aqui representados, e que anseiam por paz e bem-estar econômico, que aquela ordem injusta que comandou o mundo já chega, hoje, ao fim de sua caminhada. É fatal que aconteça, porque a lógica desse poder imposto sempre foi a lógica da opressão.
A lógica do governo compartilhado e dos negócios planetários deve-se basear nos mais nobres anseios que há em todos os seres humanos e na supremacia de Deus Todo-Poderoso. Portanto, operará tão mais eficientemente quanto mais se façam ouvir todas as vozes de todas as nações. A vitória do bem sobre o mal e a construção de um sistema mundial justo é promessa que Deus e seus mensageiros fizeram à humanidade. Esse sistema mundial justo tem sido objetivo partilhado de todos os seres humanos e de todas as sociedades ao longo da história. Realizar esse futuro depende de conhecer o espírito da criação e a força da fé dos crentes.
Construir uma sociedade global é, afinal, alcançar o alto objetivo de estabelecer um sistema global comum do qual participem todas as nações do mundo, ouvidos todos em todos os processos de decisão, com vistas a esse mesmo objetivo.
Capacidades científicas e técnicas e tecnologias de comunicações criaram novas vias de entendimento para a sociedade mundial, entendimento partilhado e disseminado; essa é a base essencial para um sistema comum. Cabe, doravante, aos intelectuais, pensadores e construtores de políticas, em todo o mundo, assumir a responsabilidade de cumprir esse seu papel histórico, com firme crença de que esse é o caminho a seguir.
Quero também destacar o fato de que o liberalismo e o capitalismo ocidentais não se mostraram suficientemente potentes para perceber a verdade do mundo e dos homens como são. Sempre tentaram impor objetivos e rumos que eram só deles, a todos. Sem qualquer atenção a valores humanos e divinos de justiça, liberdade, amor e fraternidade; sempre viveram em intensa competição, pensando mais, sempre, em interesses materiais, individuais e corporativos.
É tempo de aprender com a experiência e iniciar esforços coletivos para enfrentar os desafios que aí estão. Nessa mesma linha de argumento, quero chamar-lhes a atenção ainda para duas questões importantes.
Primeiro, que é absolutamente possível melhorar a situação em que o mundo vive hoje. Mas deve-se observar que, para tanto, é indispensável que todos os povos e países cooperem, com vistas a construir mundo melhor para todos, fazendo render o máximo possível, para todos, todas as capacidades e os recursos com que o mundo conta hoje.
Participo hoje, presente nessa conferência, porque tenho a firme convicção de que as questões que aqui se discutem são importantes. E porque é dever de todos, e é responsabilidade comum de todos, defender os direitos de todas as nações contra o racismo sinistro, aqui, e solidários aos melhores pensadores do mundo.
Em segundo lugar, considerada a ineficácia do sistema político, econômico e de segurança hoje vigentes, é indispensável voltar a considerar os valores humanos e divinos, a verdadeira definição do homem e da humanidade, baseada na justiça e no respeito aos valores de todos os povos, em todo o mundo. Para isso, é necessário denunciar os erros e vícios dos sistemas que até hoje governaram o mundo; e é necessário que tomemos medidas coletivas para reformar as estruturas existentes.
Para tanto, é crucialmente importante reformar imediatamente a estrutura do Conselho de Segurança, com imediata eliminação do discriminatório direito de veto; e é preciso mudar os sistemas financeiro e monetário mundiais. Claro que, quanto menos se compreenda a urgente necessidade de mudar, mais nos custarão os adiamentos e atrasos.
Caros amigos. Andar na direção da justiça e da dignidade humana é como seguir o fluxo rápido das águas de um rio. Tenhamos sempre em mente a potência do amor e do afeto. O futuro prometido para todos os seres humanos é patrimônio valiosíssimo. Temos de nos manter unidos para construir outro mundo possível.
Para que o mundo seja melhor lugar, cheio de amor e bênçãos, mundo onde não haja nem ódio nem pobreza, mundo abençoado por Deus Todo-Poderoso, que levará à realização de todas as perfeições dos seres humanos, temos de nos dar as mãos em amizade e solidariedade, e trabalhar para realizar esse mundo melhor.
Agradeço ao presidente da Conferência, ao secretário-geral e a todos os ilustres participantes, a paciência com que me ouviram. Muito obrigado.”
NOTA DO “VI O MUNDO”:
“Interessante observar que, entre 2001 e 2009, o mundo mudou muito dramaticamente. Em 2001, ainda não havia no mundo a clara consciência de que Israel opera como Estado racista, no coração do Oriente Médio. Hoje, o assunto já está em discussão, de fato, em todo o planeta – sobretudo depois do massacre de Gaza pelos israelenses e da ascenção ao governo de Israel, em eleições recentes, de partidos e políticos que manifestam clara ideologia racista. Nesse contexto é que se deve entender o 'boicote' à conferência de revisão. Os EUA de Obama e vários aliados europeus dos EUA 'boicotaram' a reunião. O presidente do Iran atacou diretamente o racismo sionista. Todas essas circunstâncias fazem desse discurso documento histórico importante.
Hoje, a FSP publica versão diferente desse trecho: "Após a Segunda Guerra, eles recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto". Essa versão está publicada em FSP, 21/4/2009, "Ahmadinejad tumultua conferência da ONU", matéria assinada por Marcelo Ninio, de Genebra, em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2104200901.htm [só para assinantes]).
Também na nota publicada hoje em O Globo (em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/21/governo-brasileiro-externara-reprovacao-ao-discurso-de-ahmadinejad-contra-israel-755364490.asp), e que, segundo o jornal, teria sido divulgada pelo Itamaraty, há referência a comentário sobre o Holocausto, que haveria nesse discurso. Na versão publicada pela PressTV (BBC no Iran), em inglês, aqui traduzida, não há qualquer referência ao Holocausto.”
O DISCURSO DA POLÊMICA
“DISCURSO DO PRESIDENTE AHMADINEJAD, DO IRAN, NA "DURBAN REVIEW CONFERENCE" (20-24/4/2009), GENEBRA, SUÍÇA
“Ilustre presidente da Conferência, ilustre secretário-geral da ONU, ilustre Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos. Senhoras e senhores.
Estamos reunidos para dar prosseguimento à Conferência de Durban contra o racismo e a discriminaçao racial, para definir mecanismos que permitam pôr em ação nossas campanhas humanitárias e religiosas.
Ao longo dos últimos séculos, a humanidade tem passado por grandes sofrimentos e dores terríveis. Na Idade Média, condenavam-se à morte pensadores e cientistas. Depois se seguiu um período em que se praticaram a escravidão e o comércio de seres humanos. Inocentes eram capturados aos milhões, separados de suas famílias e entes queridos, para serem levados à Europa e à América, sob as piores condições. Período de trevas, em que a humanidade também conheceu a ocupação, a pilhagem e os massacres de inocentes.
Muitos anos passaram-se antes de que as nações erguessem-se e lutassem pela liberdade, pela qual sempre pagaram preço muito alto. Perderam-se milhões de vida na luta para expulsar os ocupantes e estabelecer governos nacionais independentes. Mas não demorou para que saqueadores do poder político impusessem duas guerras à Europa, que também varreram como praga parte da Ásia e África. Essas guerras terríveis custaram a vida de 100 milhões de pessoas e provocaram devastação massiva em todo o mundo. Se a humanidade tivesse aprendido o que havia a aprender daquelas ocupações, dos horrores e crimes daquelas guerras, já haveria um raio de esperança para o futuro.
Os poderes então vitoriosos autodesignaram-se conquistadores do mundo, ignorando ou subvalorizando direitos de outras nações e impondo leis de opressão e de arranjos internacionais.
Senhoras e senhores, consideremos por um momento o Conselho de Segurança da ONU, que é uma das heranças deixadas pelas duas guerras mundiais.
Que lógica há em o Conselho de Segurança assegurar apenas a alguns o direito de veto? Como essa lógica se harmonizaria com valores humanitários ou espirituais? Não seria lógica sempre discrepante dos princípios de justiça, de igualdade de todos ante a lei, do amor e da dignidade humana? O direito de veto não lhes parece sempre discriminatório e injusto, não implica sempre violação de direitos humanos e humilhação da maioria das nações e países?
O Conselho é o mais alto corpo político de decisores do planeta, para salvaguardar a paz e a segurança mundiais. Mas como se pode esperar que realize a justiça e a paz, se a discriminação está ali convertida em lei e a própria a lei é constituída mediante coerção e arbítrio, não pela justiça e respeito aos direitos de todos?
A coerção e a arrogância estão na origem da opressão e das guerras. Embora hoje muitos racistas condenem em seus discursos e slogans a discriminação racial, alguns países muito poderosos tem sido autorizados a decidir sobre suas políticas, baseados apenas em seus interesses e no próprio juízo. Assim têm podido facilmente violar todas as leis e todos os valores humanitários.
Logo depois da II Guerra Mundial, alguns daqueles países recorreram à agressão militar para arrancar de suas casas toda a população de uma nação inteira, sob o pretexto de que os judeus sofriam horrivelmente; aquelas nações enviaram migrantes refugiados para toda a Europa, para os EUA e para outras partes do mundo, e estabeleceram um governo totalmente racista na Palestina ocupada[2]. De fato, em compensação pelas terríveis consequências do racismo na Europa, ajudaram a implantar no poder, na Palestina, o mais cruel e repressivo regime racista.
O Conselho de Segurança ajudou a estabilizar o regime ocupante e apoiou-o durante os últimos 60 anos, dando-lhe pleno direito de cometer todos os tipos de atrocidades. É lamentável sob todos os aspectos, que alguns governos ocidentais e o governo dos EUA tenham-se comprometido na defesa desses racistas genocidas, enquanto a consciência dos homens e mulheres livres em todo o mundo condenavam a agressão, as brutalidades e o bombardeio contra civis em Gaza, Palestina. Os apoiadores de Israel têm defendido esses crimes e têm silenciado contra esses crimes.
Amigos, ilustres delegados, senhoras e senhores. Onde estão as causas radicais dos ataques dos EUA contra o Iraque ou da invasão do Afeganistão?
Não é outro o motivo que levou à invasão do Iraque, se não a arrogância do então governo dos EUA e a pressão crescente dos mais ricos e poderosos que visam sempre a expandir sua esfera de influência. Aí estão os interesses da poderosa indústria de armamento, destruindo uma cultura de mil anos, nobre em todos os sentidos, de longuíssima história. Tentam eliminar a potência e a ameaça direta que os países muçulmanos impõem hoje ao regime sionista, ao mesmo tempo em que defendem o regime sionista e querem assenhorear-se das fontes de energia do povo iraqueano?
Por quê, afinal, quase um milhão de seres humanos foram mortos ou feridos e mais outros milhões foram convertidos em exilados e refugiados? Por que, agora, o povo iraqueano sofre perdas que já alcançam as centenas de bilhões de dólares? E por que o povo dos EUA teve de ver consumirem-se bilhões de seus dólares, como custo dessas ações militares? A ação militar contra o Iraque não terá sido planejada pelos sionistas e seus aliados no governo dos EUA, cúmplices todos dos países fabricantes de armas e dos senhores da riqueza do mundo? A invasão do Afeganistão terá, por acaso, restaurado a paz, a segurança e o bem-estar econômico naquele país?
Os EUA e seus aliados fracassaram na missão de conter a produção de drogas no Afeganistão. O cultivo de narcóticos multiplicou-se, depois da invasão. A pergunta necessária é "quem responderá pelo que fizeram o então governo nos EUA e seus aliados, naquela parte do mundo?"
Representavam ali os países do mundo? Receberam de alguém algum mandato? Foram autorizados pelos povos do mundo a interferir em todos os lugares do globo – e sempre mais frequentemente na nossa Região? Não são a invasão e a ocupação exemplos claros de autocentrismo, racismo, discriminação e violência contra a dignidade e a independência de tantas nações?
Senhoras e senhores, quem é responsável pela crise econômica pela qual passa o mundo? Onde começou a crise? Na África? Na Ásia? Ou começou nos EUA, contaminando em seguida toda a Europa e os aliados dos EUA?
Por longo tempo, usaram seu poder político para impor regulações econômicas desiguais na economia internacional. Impuseram um sistema financeiro e monetário sem adequado mecanismo de supervisão internacional sobre nações e governos que nada podiam, no sentido de conter tendências ou políticas. Sequer permitiram que outros povos supervisionassem ou monitorassem suas próprias políticas financeiras. Introduziram leis e regulações que agrediam todos os valores morais, exclusivamente para proteger interesses dos senhores da riqueza e do poder.
Mais ainda, apresentaram uma definição de economia de mercado e competição que nega muitas das oportunidades econômicas que poderiam ser acessíveis para outros países do mundo. Também transferiram seus problemas a outros, enquanto ondas de crises repercutiam sobre a própria economia, gerando milhares de bilhões de déficit no orçamento. E hoje, estão injetando centenas de bilhões de dólares tirados de seu próprio povo e de outras nações, para ajudar bancos, companhias e instituições financeiras falidas, o que torna a situação cada vez mais complicada para sua própria economia e para seu próprio povo. Estão pensando simplesmente em manter o poder e a riqueza. Não dão nenhuma atenção aos povos do mundo, sequer ao próprio povo.
Senhor presidente, senhoras e senhores.
O racismo nasce da falta de conhecimento sobre as raízes da existência do homem como criaturas escolhidas por Deus. Também é produto de desvio do verdadeiro caminho da vida humana e das obrigações da humanidade na criação do mundo, que leva a falhar nos deveres de conscientemente servir a Deus; nasce tambem de não saber pensar sobre a filosofia da vida ou o caminho da perfeição que são os principais ingredientes dos valores divinos e humanitários. Assim, essas ignorâncias restringiram o horizonte do olhar humano, tornando-o superficial, e tomando, como instrumento de sua ação, só os interesses mais limitados. É por isso que o poder do mal ganhou forma e expandiu seu domínio, ao mesmo tempo em que privou outros de todas as oportunidades justas e igualitárias de desenvolvimento.
O resultado foi o surgimento de um racismo sem limites que é hoje a mais grave ameaça que pesa sobre a paz internacional e tem comprometido todos os esforços para construir a coexistência pacífica em todo o mundo. Sem dúvida, o racismo é o principal símbolo da ignorância; tem raízes históricas e, de fato, é signo de que o desenvolvimento de uma sociedade humana foi frustrado.
É, portanto, crucialmente importante denunciar as manifestações de racismo em todas as ocasiões e em todas as sociedades nas quais prevaleçam a ignorância e pouca sabedoria. A consciência e a compreensão geral da filosofia da existência humana é o principal objetivo e princípio da luta contra manifestações de racismo. E revela a verdade: os seres humanos são o centro da criação do universo. A chave para resolver o problema do racismo é o retorno aos valores espirituais e morais e, afinal, implica voltar a servir a Deus Todo-Poderoso.
A comunidade internacional têm de iniciar movimentos que visem a ampliar a consciência coletiva, sobretudo nas sociedades em que o racismo e a ignorância prevaleçam; só assim pôr-se-á fim ao avanço dos danos causados pelo racismo, que é perverso.
Caros amigos. Hoje, a comunidade humana enfrenta um tipo de racismo que macula a imagem de toda a humanidade, no início do terceiro milênio.
O sionismo mundial personifica o racismo que é falsamente atribuído a religiões mas, de fato, abusa dos sentimentos religiosos para esconder sua horrenda face de ódio. Contudo, é importante que não percamos de vista os objetivos políticos de alguns dos poderes mundiais, dos que controlam os imensos recursos econômicos e os lucros, no mundo. Mobilizam todos os recursos, inclusive a influência econômica e política – e a mídia em todo o mundo –, para tentar ganhar apoio para o regime sionista e para ocultar a indignidade e a desgraça daquele regime.
Não se trata aqui de simples questão de ignorância. Ninguém pode pôr termo a esses horrores mediante campanhas consulares e diplomáticas. É preciso trabalhar com muito empenho para deter os abusos praticados pelos sionistas e seus apoiadores políticos e internacionais, e para fazer respeitar o desejo e as aspirações dos povos. Os governos antissionistas devem ser encorajados e apoiados com vistas a erradicar esse racismo bárbaro e para que se reformem os mecanismos internacionais hoje existentes.
Não há qualquer dúvida de que todos os senhores aqui presentes têm perfeito conhecimento da conspiração movida por alguns governos e pelos círculos sionistas contra as metas e os objetivos dessa conferência.
Infelizmente, houve declarações e declarações de apoio aos sionistas e seus crimes. É dever e responsabilidade dos respeitáveis representantes de todas as nações desmascarar essa campanha que corre na direção oposta a todos os valores e princípios humanitários.
Deve-se reconhecer e declarar que boicotar uma reunião como essa, e tentar degradar a excepcional capacidade política internacional que aqui se acumula, é perfeita manifestação de apoio aos racistas e é escandaloso exemplo de racismo. Para defender direitos humanos, é fundamentalmente importante, em primeiro lugar, defender os direitos de todas as nações do mundo, de participar em condições de igualdade no processos de tomar toda e qualquer decisão, sem qualquer tipo de pressão que venha de apenas alguns poderes mundiais.
Em segundo lugar, é necessário reestruturar as organizações internacionais existentes e suas respectivas constituições e acordos. Essa conferência, portanto, é como um campo de testes. A opinião pública, hoje e no futuro, julgará nossas ações e nossas decisões.
Senhor presidente, senhoras e senhores. O mundo está passando por mudanças profundas e muito rápidas. Relações de poder consideradas estáveis já se mostram frágeis, muito fracas. Ouve-se o "crack" dos pilares dos sistemas mundiais. As principais estruturas políticas e econômicas estão em ponto de colapso. No horizonte, já aparecem crises políticas e de segurança. O agravamento da crise da economia mundial, para a qual não se vê futuro melhor, demonstra que estamos sob a força de uma maré de mudanças globais. Tenho repetido e enfatizado que é necessário que o mundo abandone a rota errada em que caminhou por tanto tempo, e na qual ainda insiste.
Também tenho alertado repetidas vezes contra as terríveis consequências de qualquer desatenção a essa responsabilidade crucial.
Aqui, nessa importante conferência, entendo que já possa declarar a todos os líderes do mundo, aos pensadores e a todos os povos de todas as nações do planeta aqui representados, e que anseiam por paz e bem-estar econômico, que aquela ordem injusta que comandou o mundo já chega, hoje, ao fim de sua caminhada. É fatal que aconteça, porque a lógica desse poder imposto sempre foi a lógica da opressão.
A lógica do governo compartilhado e dos negócios planetários deve-se basear nos mais nobres anseios que há em todos os seres humanos e na supremacia de Deus Todo-Poderoso. Portanto, operará tão mais eficientemente quanto mais se façam ouvir todas as vozes de todas as nações. A vitória do bem sobre o mal e a construção de um sistema mundial justo é promessa que Deus e seus mensageiros fizeram à humanidade. Esse sistema mundial justo tem sido objetivo partilhado de todos os seres humanos e de todas as sociedades ao longo da história. Realizar esse futuro depende de conhecer o espírito da criação e a força da fé dos crentes.
Construir uma sociedade global é, afinal, alcançar o alto objetivo de estabelecer um sistema global comum do qual participem todas as nações do mundo, ouvidos todos em todos os processos de decisão, com vistas a esse mesmo objetivo.
Capacidades científicas e técnicas e tecnologias de comunicações criaram novas vias de entendimento para a sociedade mundial, entendimento partilhado e disseminado; essa é a base essencial para um sistema comum. Cabe, doravante, aos intelectuais, pensadores e construtores de políticas, em todo o mundo, assumir a responsabilidade de cumprir esse seu papel histórico, com firme crença de que esse é o caminho a seguir.
Quero também destacar o fato de que o liberalismo e o capitalismo ocidentais não se mostraram suficientemente potentes para perceber a verdade do mundo e dos homens como são. Sempre tentaram impor objetivos e rumos que eram só deles, a todos. Sem qualquer atenção a valores humanos e divinos de justiça, liberdade, amor e fraternidade; sempre viveram em intensa competição, pensando mais, sempre, em interesses materiais, individuais e corporativos.
É tempo de aprender com a experiência e iniciar esforços coletivos para enfrentar os desafios que aí estão. Nessa mesma linha de argumento, quero chamar-lhes a atenção ainda para duas questões importantes.
Primeiro, que é absolutamente possível melhorar a situação em que o mundo vive hoje. Mas deve-se observar que, para tanto, é indispensável que todos os povos e países cooperem, com vistas a construir mundo melhor para todos, fazendo render o máximo possível, para todos, todas as capacidades e os recursos com que o mundo conta hoje.
Participo hoje, presente nessa conferência, porque tenho a firme convicção de que as questões que aqui se discutem são importantes. E porque é dever de todos, e é responsabilidade comum de todos, defender os direitos de todas as nações contra o racismo sinistro, aqui, e solidários aos melhores pensadores do mundo.
Em segundo lugar, considerada a ineficácia do sistema político, econômico e de segurança hoje vigentes, é indispensável voltar a considerar os valores humanos e divinos, a verdadeira definição do homem e da humanidade, baseada na justiça e no respeito aos valores de todos os povos, em todo o mundo. Para isso, é necessário denunciar os erros e vícios dos sistemas que até hoje governaram o mundo; e é necessário que tomemos medidas coletivas para reformar as estruturas existentes.
Para tanto, é crucialmente importante reformar imediatamente a estrutura do Conselho de Segurança, com imediata eliminação do discriminatório direito de veto; e é preciso mudar os sistemas financeiro e monetário mundiais. Claro que, quanto menos se compreenda a urgente necessidade de mudar, mais nos custarão os adiamentos e atrasos.
Caros amigos. Andar na direção da justiça e da dignidade humana é como seguir o fluxo rápido das águas de um rio. Tenhamos sempre em mente a potência do amor e do afeto. O futuro prometido para todos os seres humanos é patrimônio valiosíssimo. Temos de nos manter unidos para construir outro mundo possível.
Para que o mundo seja melhor lugar, cheio de amor e bênçãos, mundo onde não haja nem ódio nem pobreza, mundo abençoado por Deus Todo-Poderoso, que levará à realização de todas as perfeições dos seres humanos, temos de nos dar as mãos em amizade e solidariedade, e trabalhar para realizar esse mundo melhor.
Agradeço ao presidente da Conferência, ao secretário-geral e a todos os ilustres participantes, a paciência com que me ouviram. Muito obrigado.”
NOTA DO “VI O MUNDO”:
“Interessante observar que, entre 2001 e 2009, o mundo mudou muito dramaticamente. Em 2001, ainda não havia no mundo a clara consciência de que Israel opera como Estado racista, no coração do Oriente Médio. Hoje, o assunto já está em discussão, de fato, em todo o planeta – sobretudo depois do massacre de Gaza pelos israelenses e da ascenção ao governo de Israel, em eleições recentes, de partidos e políticos que manifestam clara ideologia racista. Nesse contexto é que se deve entender o 'boicote' à conferência de revisão. Os EUA de Obama e vários aliados europeus dos EUA 'boicotaram' a reunião. O presidente do Iran atacou diretamente o racismo sionista. Todas essas circunstâncias fazem desse discurso documento histórico importante.
Hoje, a FSP publica versão diferente desse trecho: "Após a Segunda Guerra, eles recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto". Essa versão está publicada em FSP, 21/4/2009, "Ahmadinejad tumultua conferência da ONU", matéria assinada por Marcelo Ninio, de Genebra, em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2104200901.htm [só para assinantes]).
Também na nota publicada hoje em O Globo (em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/21/governo-brasileiro-externara-reprovacao-ao-discurso-de-ahmadinejad-contra-israel-755364490.asp), e que, segundo o jornal, teria sido divulgada pelo Itamaraty, há referência a comentário sobre o Holocausto, que haveria nesse discurso. Na versão publicada pela PressTV (BBC no Iran), em inglês, aqui traduzida, não há qualquer referência ao Holocausto.”
LULA ENSINA "COMPORTAMENTO" A FHC
Li hoje no site “vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte texto:
“Em entrevista ao jornal argentino La Nación o presidente Lula disse que José Serra é "progressista" e que o país está muito bem de candidato para 2010.
Interpretem a declaração do jeito que preferirem.
Há uma amiga minha que diz que o presidente brasileiro escolheu com quem quer vencer (Dilma) e para quem prefere perder (Serra).
Há os fãs de teorias conspiratórias -- dentre os quais me incluo -- para os quais Lula quer voltar em 2014 e, para esse projeto, seria melhor perder agora.
Há os que dizem que o PT e o PSDB estão fazendo um "grande acordo", a versão brasileira do pacto de Punto Fijo, que reservou o governo venezuelano, alternadamente, aos partidos AD e Copei. Quem detonou esse pacto foi Hugo Chávez, quando se elegeu em 1998.
Há os que dizem que o PT e o PSDB combinaram: "Dantas nem Dantas é. Ele estava passando por acaso diante do banco, que nem no nome dele está, quando foi indevidamente preso".
Quanto a Serra ser ou não "progressista", depende. O governador de São Paulo não é FHC. Nem um Zé Sarney.
Embora Sarney tenha lidado melhor que Serra com as críticas. Quem pode falar sobre isso são os dirigentes da mídia que receberam ligações de prepostos de Serra pedindo a cabeça de jornalistas, como se diz nos bastidores das redações.
Nem é esse o ponto. O ponto é que Lula pode ter inaugurado um novo tipo de comportamento para um futuro ex-presidente: não se fala mal do Brasil, nem de adversários políticos, fora do Brasil ou para publicações estrangeiras.
Nem mesmo quando os que pagam milhares de dólares pela palestra esperam isso ardorosamente, para justificar o "investimento".
Antes que digam que a regra é coisa dos militares, que inventaram o "Ame-o ou Deixe-o", esclareço: a regra é seguida pelos presidentes dos Estados Unidos. No cargo e fora dele.
A gente presume que um homem ilustrado como FHC deveria ter aprendido essa regrinha básica de bons modos no berço.
Mas fazer o papel de mico colonizado diante de platéias estrangeiras parece exercer um fascínio incontrolável nos luminares da República. Se for em inglês macarrônico, então, é irresistível!”
“Em entrevista ao jornal argentino La Nación o presidente Lula disse que José Serra é "progressista" e que o país está muito bem de candidato para 2010.
Interpretem a declaração do jeito que preferirem.
Há uma amiga minha que diz que o presidente brasileiro escolheu com quem quer vencer (Dilma) e para quem prefere perder (Serra).
Há os fãs de teorias conspiratórias -- dentre os quais me incluo -- para os quais Lula quer voltar em 2014 e, para esse projeto, seria melhor perder agora.
Há os que dizem que o PT e o PSDB estão fazendo um "grande acordo", a versão brasileira do pacto de Punto Fijo, que reservou o governo venezuelano, alternadamente, aos partidos AD e Copei. Quem detonou esse pacto foi Hugo Chávez, quando se elegeu em 1998.
Há os que dizem que o PT e o PSDB combinaram: "Dantas nem Dantas é. Ele estava passando por acaso diante do banco, que nem no nome dele está, quando foi indevidamente preso".
Quanto a Serra ser ou não "progressista", depende. O governador de São Paulo não é FHC. Nem um Zé Sarney.
Embora Sarney tenha lidado melhor que Serra com as críticas. Quem pode falar sobre isso são os dirigentes da mídia que receberam ligações de prepostos de Serra pedindo a cabeça de jornalistas, como se diz nos bastidores das redações.
Nem é esse o ponto. O ponto é que Lula pode ter inaugurado um novo tipo de comportamento para um futuro ex-presidente: não se fala mal do Brasil, nem de adversários políticos, fora do Brasil ou para publicações estrangeiras.
Nem mesmo quando os que pagam milhares de dólares pela palestra esperam isso ardorosamente, para justificar o "investimento".
Antes que digam que a regra é coisa dos militares, que inventaram o "Ame-o ou Deixe-o", esclareço: a regra é seguida pelos presidentes dos Estados Unidos. No cargo e fora dele.
A gente presume que um homem ilustrado como FHC deveria ter aprendido essa regrinha básica de bons modos no berço.
Mas fazer o papel de mico colonizado diante de platéias estrangeiras parece exercer um fascínio incontrolável nos luminares da República. Se for em inglês macarrônico, então, é irresistível!”
DE ASTROLOGIA, ECONOMIA E CAUTELA
Li ontem no jornal Folha de São Paulo o seguinte texto de Clóvis Rossi, enviado pelo jornal a Port of Spain:
“Vinicius Torres Freire reproduziu domingo o que chamou de "coletânea de palpites de luminares da economia sobre os vaga-lumes no fim do túnel". E ressaltou: "Falta luz e sobra metáfora no fim da picada das explicações de economistas sobre o atual estado da Grande Recessão".
Poderia agregar, sem metáforas: ninguém realmente sabe o que vai acontecer nos próximos meses, o que leva a que cada luminar dê um palpite que pode ser o completo oposto do palpite do iluminado seguinte (ou anterior). Nem chega a ser uma grande novidade. Como dizia John K. Galbraith, um iluminado que virou lenda, a única função das predições econômicas "é a de fazer com que a astrologia pareça respeitável".
O pior é que nós, jornalistas, continuamos a reproduzir os palpites sem qualquer qualificação a respeito do autor. Não explicamos ao leitor que o palpiteiro xis errou nove de dez palpites (ou dez em dez), que o palpiteiro y acertou oito em dez (não conheço nenhum que tenha acertado dez em dez) ou que o palpiteiro w trabalha para um banco de investimentos que tem interesse em que o palpite dele se transforme em realidade.
Por isso, prefiro a cautela da mais recente análise do Iedi (Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial) à arrogância habitual em muito economista. Diz apenas: "Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica, porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável à da grande crise de 1929".
Sobre o Brasil: "A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação". Não é luz, mas não é chute.”
“Vinicius Torres Freire reproduziu domingo o que chamou de "coletânea de palpites de luminares da economia sobre os vaga-lumes no fim do túnel". E ressaltou: "Falta luz e sobra metáfora no fim da picada das explicações de economistas sobre o atual estado da Grande Recessão".
Poderia agregar, sem metáforas: ninguém realmente sabe o que vai acontecer nos próximos meses, o que leva a que cada luminar dê um palpite que pode ser o completo oposto do palpite do iluminado seguinte (ou anterior). Nem chega a ser uma grande novidade. Como dizia John K. Galbraith, um iluminado que virou lenda, a única função das predições econômicas "é a de fazer com que a astrologia pareça respeitável".
O pior é que nós, jornalistas, continuamos a reproduzir os palpites sem qualquer qualificação a respeito do autor. Não explicamos ao leitor que o palpiteiro xis errou nove de dez palpites (ou dez em dez), que o palpiteiro y acertou oito em dez (não conheço nenhum que tenha acertado dez em dez) ou que o palpiteiro w trabalha para um banco de investimentos que tem interesse em que o palpite dele se transforme em realidade.
Por isso, prefiro a cautela da mais recente análise do Iedi (Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial) à arrogância habitual em muito economista. Diz apenas: "Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica, porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável à da grande crise de 1929".
Sobre o Brasil: "A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação". Não é luz, mas não é chute.”
REDE GLOBO E DANIEL DANTAS: UM CASO DE POLÍCIA
O site “Conversa Afiada” publicou o seguinte e-mail do jornalista Osvaldo Costa:
“Não se trata de cobertura dos fatos, se trata de um ataque à consciência dos telespectadores.
Na noite de 19 de abril o programa de variedades Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará, envolvendo “seguranças” (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia, a versão dos fatos dos sem terra, pois na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores da equipe de reportagem da Rede Globo, assassinos em potencial, e ao final, corpos de militantes aparecem baleados no chão, agonizantes, sangrando, sem nenhum socorro, e a reportagem não fornece nenhuma informação sobre o estado de saúde das vítimas.
Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere. No caso, tendemos a concordar com a punição dada aos desordeiros: “que sangrem até morrer!”, ou “quem mandou brincar com fogo?!” podem ser algumas das bárbaras conclusões inevitáveis a que os telespectadores serão levados à chegar.
Nós, em nossas casas, consumidores do que a televisão aberta nos apresenta, não temos direito ao juízo crítico, porque o protocolo básico das regras do jornalismo não é mais cumprido. Nós somos atacados em nosso direito de receber informações e emitir julgamentos, nós somos saqueados por emissoras privadas que mobilizam nosso sentimento de medo, ódio e desprezo, para em seguida nos exigir sorrisos com a próxima reportagem.
Como um exercício de manutenção da capacidade de reflexão, precisamos nominar esse tipo de ataque fascista com os termos que ele exige. A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças.
Seguem questionamentos à reportagem, com o intuito de expor o arbítrio de classe da Rede Globo, para que esse texto possa endossar a documentação que denuncia a irregularidade das emissoras privadas e protesta contra a manutenção de concessões públicas para empresas que não cumprem com as leis do setor.
1º) Por que a Globo protege Dantas? Por que a emissora não tornou evidente que as terras pleiteadas pelo MST para Reforma Agrária são de Daniel Dantas? Qual o grau de envolvimento da emissora nas manobras ilícitas do banqueiro?
2°) Por que o MST não foi escutado na reportagem? Quais os motivos do movimento para decidir ocupar aquela fazenda?
3°) As imagens contradizem os fatos. A câmera da equipe de reportagem aparece sempre posicionada atrás dos seguranças da fazenda, e nunca à frente dos sem terra.
E vejam informação da Agência Estado: “A polícia de Redenção informou a Puty [Cláudio Puty, chefe da Casa Civil do governo do Pará] não ter havido cárcere privado de jornalistas e funcionários da Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas e que tem 13 fazendas invadidas e ocupadas pelo MST. Os jornalistas, porém, negam a versão da polícia e garantem que ficaram no meio do tiroteio entre o MST e seguranças da fazenda” (http://br.noticias.yahoo.com/s/19042009/25/manchetes-pm-desarmar-mst-segurancas-no.html). Quer dizer, nem mesmo os grandes jornais conservadores estão fazendo coro com a cobertura extremamente parcial da Rede Globo.
4°) Ocorreu um tiroteio mesmo? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, e com armas de calibre pesado. E a imagem dos feridos mostra os sem terra baleados e um jagunço de pé, com pano na cabeça, possivelmente contendo sangramento de ferimento não causado por arma de fogo, dado o estado de saúde do homem.
5º) Por que os feridos não são tratados com o mesmo direito à humanidade que as vítimas de classe média da violência urbana? Eles não têm nomes? O que aconteceu com eles? Algum morreu? Quem prestou socorro? Em que hospital estão? Por que essas informações básicas foram omitidas?
6°) Por que mostrar como um troféu a agonia de seres humanos sangrando no chão, sem nenhum socorro?”
“Não se trata de cobertura dos fatos, se trata de um ataque à consciência dos telespectadores.
Na noite de 19 de abril o programa de variedades Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará, envolvendo “seguranças” (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia, a versão dos fatos dos sem terra, pois na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores da equipe de reportagem da Rede Globo, assassinos em potencial, e ao final, corpos de militantes aparecem baleados no chão, agonizantes, sangrando, sem nenhum socorro, e a reportagem não fornece nenhuma informação sobre o estado de saúde das vítimas.
Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere. No caso, tendemos a concordar com a punição dada aos desordeiros: “que sangrem até morrer!”, ou “quem mandou brincar com fogo?!” podem ser algumas das bárbaras conclusões inevitáveis a que os telespectadores serão levados à chegar.
Nós, em nossas casas, consumidores do que a televisão aberta nos apresenta, não temos direito ao juízo crítico, porque o protocolo básico das regras do jornalismo não é mais cumprido. Nós somos atacados em nosso direito de receber informações e emitir julgamentos, nós somos saqueados por emissoras privadas que mobilizam nosso sentimento de medo, ódio e desprezo, para em seguida nos exigir sorrisos com a próxima reportagem.
Como um exercício de manutenção da capacidade de reflexão, precisamos nominar esse tipo de ataque fascista com os termos que ele exige. A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças.
Seguem questionamentos à reportagem, com o intuito de expor o arbítrio de classe da Rede Globo, para que esse texto possa endossar a documentação que denuncia a irregularidade das emissoras privadas e protesta contra a manutenção de concessões públicas para empresas que não cumprem com as leis do setor.
1º) Por que a Globo protege Dantas? Por que a emissora não tornou evidente que as terras pleiteadas pelo MST para Reforma Agrária são de Daniel Dantas? Qual o grau de envolvimento da emissora nas manobras ilícitas do banqueiro?
2°) Por que o MST não foi escutado na reportagem? Quais os motivos do movimento para decidir ocupar aquela fazenda?
3°) As imagens contradizem os fatos. A câmera da equipe de reportagem aparece sempre posicionada atrás dos seguranças da fazenda, e nunca à frente dos sem terra.
E vejam informação da Agência Estado: “A polícia de Redenção informou a Puty [Cláudio Puty, chefe da Casa Civil do governo do Pará] não ter havido cárcere privado de jornalistas e funcionários da Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas e que tem 13 fazendas invadidas e ocupadas pelo MST. Os jornalistas, porém, negam a versão da polícia e garantem que ficaram no meio do tiroteio entre o MST e seguranças da fazenda” (http://br.noticias.yahoo.com/s/19042009/25/manchetes-pm-desarmar-mst-segurancas-no.html). Quer dizer, nem mesmo os grandes jornais conservadores estão fazendo coro com a cobertura extremamente parcial da Rede Globo.
4°) Ocorreu um tiroteio mesmo? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, e com armas de calibre pesado. E a imagem dos feridos mostra os sem terra baleados e um jagunço de pé, com pano na cabeça, possivelmente contendo sangramento de ferimento não causado por arma de fogo, dado o estado de saúde do homem.
5º) Por que os feridos não são tratados com o mesmo direito à humanidade que as vítimas de classe média da violência urbana? Eles não têm nomes? O que aconteceu com eles? Algum morreu? Quem prestou socorro? Em que hospital estão? Por que essas informações básicas foram omitidas?
6°) Por que mostrar como um troféu a agonia de seres humanos sangrando no chão, sem nenhum socorro?”