terça-feira, 3 de abril de 2012

EM 7 DIAS, SENADOR PASSA DE 'INTOCÁVEL' A “SUSPEITO” [sic] DE CORRUPÇÃO

Os Demóstenes

[Demóstenes Torres, indiscutivelmente, um grande ator, até no papel de “defensor da ética e da moralidade”]

VOZ VEEMENTE DA OPOSIÇÃO, DEMÓSTENES AGORA PRECISA DE APOIO DOS QUE CRITICOU PARA EVITAR PERDA DE MANDATO.

Democrata teve papel de destaque [na montagem da] crise de 2009 contra Lula, mesmo ano em que trocava ligações com Cachoeira

Por Catia Seabra, no portal UOL/Folha

"Realmente, os políticos estão perdendo a vergonha na cara." O [cínico] protesto é de Demóstenes Torres (DEM-GO). O ano: 2007. O alvo, o colega Renan Calheiros (PMDB-AL).

[OBS deste blog ‘democracia&política’: o senador Renan Calheiros nos anos 90, era muito bem tratado pela mídia, pois era Ministro da Justiça de FHC. Porém, no governo Lula, por ser de partido da base aliada (PMDB), passou a ser contundentemente condenado pela oposição e mídia. O pretexto era ele ter um filho fora do casamento e porque, supostamente, a mãe da criança teria recebido ajuda de empreiteira. Era cenário jocosamente incoerente, pois FHC também teve filho fora do casamento nos anos 90 com a jornalista da TV Globo Mirian Dutra Schmidt e a empresa, além de obter apoio dos demais jornais, TVs e revistas para manter o caso em segredo, sustentou de fato (não “supostamente”) a mãe e o filho (até hoje) em privilegiada missão permanente da TV Globo na Europa (Espanha) e sem nenhum trabalho divulgado. Ao contrário, a mídia até concedeu grande destaque ao ex-presidente por conta de “gesto nobre”, porque FHC, afinal, depois da morte de D. Ruth, reconheceu o filho (após 18 anos!) e assumiu a paternidade. O senador Demóstenes Torres, como grande e cínico ator no papel de “o mosqueteiro da ética”, foi um dos principais demonizadores de Renan Calheiros].

No papel de vestal do Senado, Demóstenes foi uma das mais veementes vozes da oposição e colecionou desafetos em 9 anos e meio de mandato. Um deles é o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

"Por que nós vamos, nós do Senado, ficar nessa posição efetivamente quase que de pedintes? Estamos solicitando ao presidente que se afaste", discursou Demóstenes, propondo abertura de processo contra Sarney.

Demóstenes não poupou nem mesmo os aliados. Em 2009, bateu boca com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, então companheiro de partido, por discordar da fixação de prazo de uma semana para sua expulsão do DEM. À saída da reunião, constrangeu correligionários ao manifestar-se publicamente contra a decisão do comando do partido: "Defendo sempre a expulsão sumária".

Em nome de uma oposição mais aguerrida, trabalhou para destituir o presidente da sigla, Agripino Maia (RN), da liderança do DEM no Senado. Ocupou sua vaga.

A revelação do relacionamento com o empresário Carlos Cachoeira, acusado de envolvimento com o jogo ilegal, estilhaçou essa imagem.

'DOUTOR' E 'PROFESSOR'

De "intocável" a suspeito de corrupção, bastaram sete dias. Foi chamado de "doutor" por Cachoeira em conversas gravadas pela Polícia Federal. E se refere ao “empresário” [eufemismo para “bicheiro”] como "professor".

Em 29 de fevereiro, foi deflagrada a “Operação Monte Carlo”, trazendo à tona o teor de suas conversas com Cachoeira. Alvo de investigação, desabafou: "O sofrimento provocado pelos seguidos ataques à minha honra é difícil de suportar", escreveu em seu Twitter, em 23 de março.

Hoje, é Demóstenes quem pede tempo ao DEM. O comando do partido está decidido a expulsá-lo na terça (3) caso ele mesmo não tome a iniciativa. Seu destino político dependerá da boa vontade de Renan, Sarney e Agripino.

Demóstenes chegou ao Senado em 2003, graças ao discurso de "tolerância zero" adotado à frente da Secretaria de Segurança de Goiás.

Prometia, na campanha eleitoral, acelerar o rito do Judiciário. Dizia, segundo políticos do Estado, que o tempo do processo para apreensão de um caminhão de maconha é suficiente para que toda a droga seja consumida.

Procurador de Justiça licenciado, professor e advogado, ganhou notoriedade à custa do estilo linha-dura nas Comissões Parlamentares e de Inquérito e no plenário.

Cresceu especialmente em 2009, ano marcado por turbulências no Senado. No mesmo ano, trocava os telefonemas com Cachoeira que podem levar à sua derrocada.

Todos os anos, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, órgão dos sindicatos que acompanha o trabalho dos parlamentares federais, tem escolhido Demóstenes como um dos "Cabeças do Congresso".

Colecionador compulsivo, guarda vinis, miniaturas, CDs e charges ampliadas de um heroico Demóstenes, expostas em seu gabinete.”

FONTE: reportagem de Catia Seabra, no portal UOL/Folha  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/34650-em-sete-dias-senador-passa-de-intocavel-a-suspeito-de-corrupcao.shtml). [Título, Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

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