sábado, 31 de janeiro de 2009

INGLATERRA ESTATIZA ESCOLAS PARTICULARES

A agência espanhola de notícias EFE divulgou hoje o seguinte (li no UOL):

REINO UNIDO NACIONALIZA ESCOLAS PARTICULARES EMPOBRECIDAS PELA CRISE

“Londres, 31 jan (EFE).- O Governo do Reino Unido vai nacionalizar escolas particulares atingidas pela recessão econômica, segundo confirmou o secretário de Estado de Escolas, Jim Knight, ao jornal "The Guardian".

Cinco escolas privadas já aderiram ao plano de nacionalização devido à escassez de fundos provocada pela decisão de muitos pais -com menos poder aquisitivo pela crise- de retirar seus filhos.

Para serem nacionalizadas, elas devem abandonar as provas de acesso e as taxas de matrícula, entre outras condições.

O secretário-geral da Associação de Diretores de Escolas e Colégios, John Dundorf, admitiu que os centros educacionais com problemas financeiros abraçaram a ideia do Governo.

"Em uma recessão, a quantidade de solicitações (de matrícula) nas escolas privadas cai de forma inevitável. Algumas escolas independentes escolherão o status de academia (pública) antes que fechem", assinalou Dundorf.

Em Londres, as autoridades municipais já advertiram para um grande fluxo nas escolas públicas de alunos que normalmente optam por colégios particulares.”

MORRE DONO DA EXTINTA GURGEL

Li no UOL há pouco:

Morre João Amaral Gurgel, aos 82 anos

Dono da extinta Gurgel Motores sofria de Mal de Alzheimer havia oito anos


“João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, dono da extinta Gurgel Motores, a mais importante fabricante independente com capital integralmente nacional, morreu nesta sexta (30), aos 82 anos, em São Paulo. Gurgel, que havia oito anos sofria de Mal de Alzheimer, estava internado no hospital São Luiz. Seu corpo está sendo velado no cemitério do Morumbi e será enterrado às 13h.

Suas primeiras atividades industriais na capital paulista foram modestas, no início dos anos 60. Produziu karts (Gurgel Júnior), minicarros para crianças (réplicas de Corvette e Karmann-Ghia) e realizava experiências iniciais com veículos elétricos embrionários. Gurgel fundou em 1962 na cidade de Rio Claro (SP) a fábrica que levava seu nome. Durante esse período Gurgel desenvolveu carros totalmente nacionais, do projeto à fabricação.

No Salão do Automóvel de 1966, três anos antes de se estabelecer de modo mais bem organizado como indústria, lançou o bugue Ipanema com chassi e mecânica do Fusca. O utilitário leve Xavante XT tornou-se o primeiro sucesso de vendas já em 1970. As linhas lembravam as do Ipanema, mas Gurgel desenvolveu um chassi próprio e engenhoso: tubular de aço, revestido de plástico reforçado com fibra de vidro, sendo esse também o material da carroceria.

"Gurgel era um sonhador. Ele é quem foi mais longe na missão de construir um automóvel genuinamente nacional", afirma o jornalista especializado em indústria automobilística Fernando Calmon, colunista de Interpress Motor, que fez uma reportagem sobre a trajetória da Gurgel. São inúmeros os modelos que ainda rodam por aí: BR-800, Supermini (uma evolução daquele), Carajás, XEF, Tocantins, entre outros. As atividades da Gurgel Motores S.A. foram encerradas em 1994.”

NOVO SALÁRIO MÍNIMO A PARTIR DE AMANHÃ

O jornal Folha de São Paulo publica hoje a seguinte notícia preparada pela Folha Online:

NOVO SALÁRIO MÍNIMO TERÁ IMPACTO DE R$ 8,5 BILHÕES NAS CONTAS PÚBLICAS

“O aumento de R$ 50 para o salário mínimo terá um impacto de R$ 8,5 bilhões nas contas do governo federal somente neste ano, segundo dados do Ministério do Planejamento. A informação é do repórter Pedro Soares, em matéria publicada na Folha (a reportagem está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

O mínimo de R$ 465 beneficiará 13,9 milhões de aposentados e pensionistas, entre outros atendidos pela Previdência --auxílio-doença, auxílio-reclusão, salário-maternidade. Para 8,2 milhões de pessoas cujo valor do benefício é superior a um salário mínimo, também haverá correção a partir deste domingo (1º), mas o índice será menor, pois seguirá apenas a variação da inflação.

O aumento do mínimo também implica reajuste das contribuições previdenciárias recolhidas dos trabalhadores. A previsão é que a arrecadação da Previdência aumente R$ 856 milhões neste ano. O crescimento das despesas será de R$ 8,7 bilhões, gerando valor líquido de R$ 7,8 bilhões.

ECONOMIA TURBINADA

Em entrevista nesta sexta-feira, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que, com o aumento do mínimo, cerca de R$ 21 bilhões a mais passam a circular por mês na economia. "Esse aumento representa beneficiar mais de 45 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas", afirmou o ministro durante o anúncio feito no Rio.

O abono-salarial, no mesmo valor do salário mínimo, também sobe a partir de domingo, assim como o seguro-desemprego --o valor médio pago passa de R$ 564,40 para R$ 632,40.

Somados, os aumentos irão injetar R$ 24,349 bilhões na economia a partir de março.”

BIODIESEL REÚNE EXCELÊNCIA TECNOLÓGICA DO BRASIL

O portal UOL, seção Info Online, ontem publicou a seguinte reportagem de Felipe Zmoginski:

QUANDO A TECNOLOGIA EM DEBATE É PARA PRODUZIR COMBUSTÍVEIS LIMPOS, O BRASIL ESTÁ NA VANGUARDA

“Quando o tema são novas tecnologias para melhorar a performance das redes móveis, desenvolver sistemas operacionais ou tornar ainda mais finas as telas LCD, as empresas e universidades brasileiras raramente ficam ao lado de institutos asiáticos ou corporações americanas.

No universo da tecnologia, porém, há um segmento onde o trabalho de pesquisadores brasileiros está se consolidando como vanguarda no mundo, a produção de combustíveis limpos.

Os métodos de processamento de produtos agrícolas como cana, palma, amendoim, babaçu ou dendê desenvolvidos pela Embrapa apresentam maior eficiência que tecnologias criadas nos Estados Unidos e Europa.

Contribui para esta diferença a favor do Brasil, as características climáticas e geológicas do país, que pode produzir culturas com maior potencial energético, como babaçu e mamona, ao invés de apenas soja ou beterraba, como fazem Estados Unidos ou Alemanha, por exemplo.

Esta semana, o Ministério da Agricultura divulgou o balanço das exportações de bicombustíveis ao longo de 2008. No período, o Brasil vendeu 5,16 bilhões de litros de combustível renovável, com destaque para o etanol. O número é recorde e supera com larga margem o volume de gasolina que a Petrobras exportou ano passado, diz o Ministério. O maior importador em 2008 foram os Estados Unidos, que sozinhos compraram 2,2 bilhões de litros de biocombustível brasileiro.

A produção nacional de biocombustível contribui ainda para diminuir a necessidade brasileira de importar diesel petróleo. Embora seja autosuficiente em petróleo, as características do óleo encontrados no Brasil não permitem uma produção de diesel suficiente.

A mistura de diesel de petróleo com percentuais de biodiesel, no entanto, diminui a necessidade de importações. Atualmente, ao menos 2% do combustível diesel vendido nas bombas é composto por óleo renovável. Além do benefício econômico, a mistura é altamente favorável do ponto de vista ambiental já que o diesel de petróleo está entre os combustíveis mais poluentes. O óleo libera, entre outras toxinas, partículas de enxofre que respiradas pela população tem potencial de causar doenças respiratórias e aumentar a incidência de câncer entre pessoas contaminadas pelo excesso de enxofre.

Segundo os números do portal Biodiesel.org, o país possui atualmente 56 usinas de combustível feito à base de material orgânico. Uma pequena usina do tipo exige investimentos entre R$ 4 e R$ 12 milhões. Apesar de toda expectativa criada em 2008 sobre pesados investimentos nesse setor, no entanto, as perspectivas ainda não se realizaram.

O empresário José Luiz Crespo, que possui uma fábrica de tintas e solventes na região de Botucatu, interior de São Paulo, diz que enfrenta dificuldades para obter financiamento para transformar suas instalações numa usina de biodiesel.

“Durante muitos anos produzi tintas e cera para depilação. Ano passado, decidi mudar o foco da minha atividade para a produção de biodiesel e procuro parceiros investidores. Fiz contato com algumas empresas da Espanha, mas até agora não consegui nada. Desde o estouro da crise internacional ficou difícil obter investimentos”, conta Crespo.

Além da desaceleração no crescimento da economia global, joga contra o Brasil a perspectiva de um governo mais protecionista nos Estados Unidos, maior importador mundial de combustíveis.”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

DOIS CAMINHOS

O site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, publica o artigo abaixo de Marcelo Salles, de La Paz, Bolívia. O autor é jornalista, correspondente da revista “Caros Amigos” em La Paz (Bolívia) e editor do jornal “Fazendo Media”:

“Três fatos históricos ocorridos em menos de duas semanas resumem, em grande parte, o que foi 2008 e indicam as possibilidades para os anos seguintes. No dia 20 de dezembro a Bolívia foi declarada território livre de analfabetismo, no dia 27 o governo israelense iniciou um ataque que assassinou centenas de palestinos e no dia 1o de janeiro Cuba comemorou 50 anos de Revolução.

O primeiro fato foi ignorado pelos meios de comunicação de massa brasileiros, o segundo foi relativizado e o terceiro, menosprezado. Com isso, editores e articulistas não foram capazes de enxergar a relação entre os três acontecimentos, reduzindo assim o prisma de suas análises e comprometendo suas coberturas jornalísticas.

Em primeiro lugar, é preciso enfatizar que não é todo dia que um país erradica o analfabetismo. Poucas são as nações que lograram este objetivo, mesmo entre aquelas economicamente desenvolvidas. Na Bolívia, 819.417 pessoas entre 15 e 80 anos aprenderam a ler e escrever durante os 30 meses do Programa de Alfabetização, implementado com a ajuda dos governos cubano e venezuelano. Cuba entrou com o método "Yo, sí puedo", além de médicos que realizaram 250 mil consultas, 3 mil cirurgias de vista e distribuíram 210 mil óculos para a população. Por sua vez, a Venezuela doou 8 mil painéis de captação de energia solar para que o programa também pudesse ser implementado nas áreas desprovidas de energia elétrica. Assim, Bolívia se tornou o terceiro país latino-americano livre do analfabetismo, depois de Cuba (1961) e Venezuela (2005).

Para eliminar o analfabetismo na Bolívia, os três governos investiram o equivalente a 36 milhões de dólares. Esse valor se refere a todos os custos do programa, incluindo as doações, como os painéis solares venezuelanos, a assistência médica cubana e todo o equipamento áudio-visual. 36 milhões de dólares é menos do que os EUA enviam para Israel a cada três dias em armas e equipamentos de guerra, uma ajuda cujo valor total anual é de aproximadamente US$ 5 bilhões.

O ataque de Israel contra a Palestina deixou mais de 1.200 palestinos mortos e aproximadamente 5.000 feridos. A maior parte dos mortos eram crianças, mulheres e idosos. Milhares de palestinos estão neste momento desabrigados, sem alimentos, medicamentos e água corrente. Até um edifício da ONU foi atingido. Não há médicos suficientes para atender a tanta gente. Chefes de Estado do mundo inteiro classificaram a agressão israelense como "genocídio" ou "carnificina" e pediram um cessar-fogo imediato.

A resposta do governo israelense veio pelo vice-ministro de Defesa Matan Vilnai: "Isso é só o começo". O presidente eleito dos EUA calou, enquanto o governo estadunidense declarou que a matança "só vai parar quando o Hamas deixar de disparar mísseis contra Israel".

Enquanto as corporações de mídia informavam ao público brasileiro que o genocídio cometido contra o povo palestino se tratava de um conflito de igual para igual entre o "grupo terrorista Hamas" e Israel, os cinqüenta anos da Revolução Cubana foram apresentados como uma "ditadura em declínio" (Folha de S. Paulo, 30 de dezembro de 2008) de onde restou apenas "a memória de uma aventura que se prometia gloriosa e a evidência de um desastre construído" (Estado de S. Paulo, 1o de janeiro de 2009). O termo "ditadura" também foi utilizado pela TV Globo para classificar o governo cubano. No mais, foram fartas as matérias enviadas de Havana, que naturalmente continham apenas os relatos dos que são contrários ao governo cubano.

Nesse sentido, a não publicação da erradicação do analfabetismo na Bolívia não foi apenas um lapso midiático, mas uma escolha editorial fundamental para a legitimação do sistema capitalista, mesmo às custas de uma gigantesca falha jornalística - que deveria se estudada em toda faculdade de comunicação que se pretenda séria. Se não, como poderiam explicar que um país socialista como Cuba, debaixo de um feroz bloqueio econômico, alcance a façanha de exportar um conhecimento capaz de dotar todos os cidadãos bolivianos da capacidade de ler e escrever? Como poderiam explicar que essa empreitada fora conquistada com o mesmo investimento de um punhado de bombas utilizadas para massacrar o povo palestino? E, mais difícil ainda: como explicar que a maior potência militar e econômica do mundo ainda tenha analfabetos em sua população?

Essas respostas jamais serão encontradas nas corporações de mídia porque sua simples publicação significa a negação de tudo aquilo que defendem. Pela mesma razão jamais reconhecerão a motivação capitalista (o saque às riquezas do Oriente Médio) no bombardeio à Palestina ou os projetos solidários internacionalistas de Cuba. Enquanto um é relativizado, outro é ignorado.

Os três eventos históricos que ocorreram entre 20 de dezembro e 1o de janeiro testemunham as infinitas capacidades do ser humano. Por um lado, a brutalidade desmedida, a violência, a agressão, a guerra, a morte. De outro, a cooperação, a solidariedade, a paz, a vida. Cabe aos povos e governos de todo o mundo decidir que caminho seguir em 2009 e nos anos seguintes.”

LULA AMPLIA BOLSA FAMÍLIA E MERENDA ESCOLAR GRATUITA

PROGRAMA ATENDERÁ MAIS 1,3 MILHÃO DE FAMÍLIAS E 7,3 MILHÕES DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

[Benefício foi apontado por oposicionistas como uma das razões para a grande votação de Lula em regiões pobres como o Nordeste]

O jornal “Folha de São Paulo (FSP)”, também conhecido como “Força Serra Presidente (FSP)” ontem publicou a seguinte reportagem de Leandra Peres, Simone Iglesias e Angela Pinho. Pelo radical apoio do jornal a Serra, a notícia foi retrabalhada pela FSP com várias inserções adequadas à oposição ao governo Lula [colocadas entre colchetes por este blog]. Sugiro ao leitor ler o artigo sem olhar o trecho entre colchetes::

“No dia em que reuniu os governadores do Norte e Nordeste, as regiões mais pobres do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou duas medidas [que custarão mais R$ 871 milhões por ano ao erário]. O Bolsa Família e a merenda escolar foram ampliados, [medidas que a oposição julga eleitoreiras] e que foram divulgadas um dia após o governo cortar R$ 37 bilhões do Orçamento.

O Bolsa Família atenderá mais 1,3 milhão de famílias, e a merenda será estendida aos 7,3 milhões de alunos do ensino médio da rede pública, [podendo atingir potenciais eleitores com 16 anos ou mais]. Hoje ele atende só o ensino fundamental (leia texto nesta página).

["O objetivo é atrair eleitores para 2010", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (leia texto nesta página)]. O total de beneficiários do Bolsa Família aumentará de 11 milhões para 12,3 milhões de famílias. O custo será de R$ 549 milhões a mais por ano, o que eleva o Orçamento do programa a R$ 11,95 bilhões. A merenda custou em 2008 R$ 1,5 bilhão ao governo. [O gasto adicional será coberto pelo Tesouro].

Transformado no principal programa da área social do governo [após o fracasso do Fome Zero], o Bolsa Família [rendeu dividendos eleitorais ao governo e seus aliados em 2006]. Nas regiões mais pobres, sobretudo no Nordeste, [o programa foi apontado pela oposição como uma das razões para a grande votação pela reeleição do presidente Lula naqueles Estados].

O programa atingiu em junho de 2006 a sua meta de 11 milhões de famílias. Até agora, só puderam entrar novas famílias no programa se alguma saísse. Com a medida de ontem, este será o primeiro aumento após dois anos e meio.

Por meio de sua assessoria, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome justificou a decisão como uma necessidade de ampliar a rede de proteção social baseada em estudos do IBGE e do Ipea.

O valor dos benefícios pagos pelo Bolsa Família não foi alterado. O que mudou foi o limite de renda das famílias que têm filhos adolescentes e que recebem ajuda federal. Com isso, mais pessoas serão incluídas.

O reajuste permitirá que famílias com renda mensal de até R$ 137 por pessoa passem a receber R$ 20 por filhos com até 15 anos. Essa parcela do Bolsa Família, conhecida como benefício variável, só era paga a famílias com renda de até R$ 120 por mês. Há um limite máximo de R$ 60 ou três filhos para pagamento desse benefício.

As famílias que serão beneficiadas já estão no cadastro do governo. Em maio, um grupo de 300 mil pessoas passará a integrar o Bolsa Família. Em agosto, outras 500 mil; em outubro, mais 500 mil.

O Bolsa Família paga entre R$ 20 e R$ 182 por mês às famílias mais pobres. O valor mais baixo é recebido por quem tem apenas um filho de até 15 anos e renda mensal de até R$ 137, a partir da mudança.

Quem tem renda mensal de até R$ 60 por pessoa tem direito a um valor fixo pago de R$ 62. A isso podem-se somar outros R$ 60, se a família tiver três filhos de até 15 anos.

Adolescentes de 16 e 17 anos também são beneficiados. Independentemente da renda familiar, o governo paga até R$ 60 a todos os beneficiários do programa que tenham até dois filhos nessa idade.”

A MELHOR ESTRATÉGIA PARA CRIAR NOVA MÍDIA

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo escrito por Rodrigo Vianna, em seu blog:

“Nos Estados Unidos, as redes de TV perdem importância, perdem dinheiro (a eleição de Obama, como se sabe, foi a primeira pautada pela internet). Na Europa e na América do Norte, jornais demitem, são vendidos para outros donos; as tiragens despencam. Mas a crise da mídia corporativa (que ainda mantém enorme poder no mundo inteiro) não é só econômica. E não tem a ver, apenas, com o naufrágio da economia dos Estados Unidos.

Há uma crise de objetividade, de credibilidade. A mídia perdeu a aura de neutralidade.

Caiu esse mito. Com ele, caiu também a autoridade dos meios para ditar o que as pessoas devem pensar", diz Pascoal Serrano, do site espanhol Rebelión. Serrano foi um dos palestrantes no Fórum Mundial de Mídia Livre, que acontece em Belém do Pará.

Em uma das mesas, jornalistas brasileiros e convidados da Argentina, Uruguai, México, Espanha e França debateram: A Mídia e a Crise. O brasileiro Bernardo Kucinski (professor do USP) disse que boa parte da mídia adotou um tom "catastrofista" na cobertura da crise econômica mundial. "No Brasil, especialmente, houve uma torcida pra dar tudo errado, torcida pra levar o governo Lula ao fiasco."

Kucinski afirmou que a melhor cobertura da crise, surpreendentemente, veio de jornais dos Estados Unidos: "Foram a fundo, para mostrar como o carnaval das hipotecas tinha a ver com um modelo de sociedade que dominou os Estados Unidos nos últimos anos, onde todos sonhavam em virar sócios do crescimento capitalista".

Para o jornalista Altamiro Borges, que dirige o site Vermelho (PCdoB), "o grosso das corporações midiáticas é também culpada pela crise, porque fez a propaganda, durante anos, do desmonte do Estado, do desmonte da idéia de Nação, do desmonte do mundo do trabalho".

A argentina Sandra Russo, do Página 12, fez uma crítica aos jornais e sites de "esquerda": "Trabalhamos muitas vezes com uma linguagem envelhecida, que só convence aqueles que já estão convencidos de nossas teses. Nosso grande inimigo não é a mídia convencional, mas a frase feita e o lugar-comum, que não atraem novos leitores."

Os debatedores defenderam a criação de instrumentos mais eficazes, para conquistar o público hoje descontente com a mídia convencional. "Não queremos mais ser marginais, alternativos. Precisamos ser grandes", disse o uruguaio Joaquim Constanzo, da agência IPS.

O diretor da Carta Maior, Joaquim Palhares, propôs uma articulação internacional de sites, para criar um grande portal mundial que se contraponha às agências de notícias dominantes.

Mas, a proposta de criar veículos fortes, reduzindo a fragmentação hoje existente, encontra resistências.

Em outra mesa de debates em Belém, a professora Ivana Bentes (UFRJ) e o jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, defenderam a "horizontalidade", ou seja: acreditam que é preciso apostar em centenas, milhares de pequenos sites e produtores de mídia, que poderiam assim enfrentar o poder dominante da grande mídia.

Respeito muito a opinião de Rovai e Ivana, que estudam o assunto há vários anos. Mas, pessoalmente acredito que é preciso criar um Portal que reúna os jornalistas e os sites já existentes. A tal "horizontalidade", parece-me, não serve para enfrentar corporações de mídia que, apesar de debilitadas, ainda conseguem pautar o país (como vimos nas vésperas do primeiro turno, em 2006). E essas corporações já dominam também boa parte da produção de notícias na internet.

Um Portal não acabaria com autonomia de ninguém, cada blog ou site seguiria com total autonomia. Mas, haveria mais força para criar uma nova "agenda" de notícias.
O que você acha?

Penso nessas questões enquanto passeio pelo ginásio calorento, numa escola da periferia de Belém, onde acontece o Fórum Mundial de Mídia Livre. Agora, já não há palestrantes nas mesas. A temperatura passa dos 30 graus. O abafamento amazônico derruba minha pressão, mas não tira a empolgação de mais de duzentas pessoas, que formam um grande círculo no centro do ginásio.

Não há mesa "dirigindo os trabalhos", não parece haver hierarquia nas discussões. A maioria absoluta dos participantes tem menos de 30 anos. Há brasileiros, mexicanos, espanhóis, italiano. E também gente dos Estados Unidos e da África.

De pé, um rapaz de boné fala em nome das rádios comunitárias de Belém — perseguidas pela polícia, segundo ele.

Do lado de fora, num estúdio improvisado, voluntários transmitem os debates. Comunicação viva!

Aqui, o povo não parece ocupado em reclamar da mídia corporativa brasileira. A idéia é construir outra mídia!

A "horizontalidade" impera. Mas, será que basta?”

OPOSIÇÃO REVOLUCIONA ELEIÇÃO NA BOLÍVIA: 61X39 VIROU EMPATE

Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto da “Bolpress”, em tradução de Fernando Damasceno:

“Uma das primeiras normas de convivência que se aprende no jardim de infância é que "a maioria manda"; um princípio democrática indiscutível reconhecido em quase todas as nações do mundo é a eleição de governos e políticas de Estado por "maioria absoluta" de votos (50% mais um). Na Bolívia, a oposição minoritária – já derrotada três vezes consecutivas nas urnas – tentou acabar com o governo por meio de violência e agora interpreta que o referendo do último domingo terminou empatado.

O MAS aplicou surras na oposição de direita nas eleições nacionais de 2005 (53%), na eleição de assembleístas de 2006 (51%) e no referendo revogatório de 2008 (67%). Os opositores respiram aliviados porque sua quarta derrota, no referendo constitucional de 25 de janeiro, não foi tão humilhante.

Com 99,63% dos votos apurados, a proposta de nova Constituição Política de Estado foi rechaçada por 38,51% dos bolivianos, tendo perdido em cinco das nove capitais de departamentos do país. No entanto, mais de 60% do eleitorado aprovou a nova Carta.

O lógico seria que as minorias derrotadas aceitassem a decisão da maioria da população, mas na Bolívia os opositores nem sempre respeitam a lógica. O presidente do Senado, Oscar Ortiz, e o dirigente cívico de Santa Cruz Branco Marinkovic entendem que ''não há ganhadores nem perdedores, mas sim um empate técnico''.

Segundo a direita boliviana, o referendo constitucional demonstrou que "a metade do país" disse "não" à Constituição, o que obrigaria Evo Morales a "aprender a reconhecer as distintas visões existentes no país".

A partir dessa leitura, a oposição afirma que chegou o momento de "pactuar" com o governo, ou seja, "combinar" leis interpretativas para cada um dos artigos da Constituição que necessitarem de normas esclarecedoras.

O senador Tito Hoz de Vila (Podemos) antecipa que em toda essa etapa de "acertos" seu partido fará com que sejam respeitados os direitos da "minoria, que não é tão minoritária". "Se quiserem atropelar, estaremos no Senado para ser um fator de equilíbrio, que obrigará o governo a governar para todos, evitando assim o totalitarismo...".

A oposição, fracassada como classe política, foi sepultada pela votação cidadã e agora fala de um novo pacto para revisar uma Constituição que já foi aprovada. "Esse é um insulto à dignidade do povo soberano, à democracia e à inteligência", protestou o deputado Alejando Colanzi (UN).

Segundo Colanzi, a discussão política que se avista será mais de forma do que de fundo, pois o soberano já se definiu contra a classe política que bloqueou toda possibilidade de diálogo e mudanças em mais de 20 anos de democracia.

Também reapareceu no cenário político o ex-presidente Jaime Paz para fazer com que Evo entenda que "40% da população não está de acordo com seu projeto de Constituição, e que essa vontade tem que ser respeitada". O ex-mandatário propôs, como exemplo, a estruturação de um governo departamental que represente a todos os habitantes de Tarija, de modo a blindá-los de "qualquer imposição".

Por sua vez, o senador Ricardo Diaz, do MAS, afirma que os partidos tradicionais não têm moral para exigir porcentagens especiais para a aplicação da nova CPE, pois quando administraram o modelo neoliberal nunca obtiveram mais do que 34% dos votos em nível nacional.

O presidente Evo Morales descartou qualquer negociação com a oposição para modificar o conteúdo da nova CPE, muito menos no que diz respeito às questões agrárias, e se recusou a conversar com o cívico Marinkovic, envolvido em ações anti-democráticas e violentas em 2008.”

POR QUE A MÍDIA PRIVADA NÃO CONSEGUE VER O FSM?

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo do filósofo e cientista político Emir Sader, publicado no site “Carta Maior”:

“Mais uma vez a mídia privada não consegue ver o FSM (Fórum Social Mundial). Os leitores que dependerem dela ficarão sem saber o que acontece aqui em Belém. Por quê? O que impede uma boa cobertura, se a riqueza de idéias, a diversidade de presenças, a força dos intercâmbios — como não se encontra em lugar algum do globo — estão todos aqui? Há jornalistas, algum espaço é dedicado pela imprensa ao evento, mas o fundamental passa despercebido.

O fundamental não tem preço — diz um dos lemas melhores do FSM. Enquanto o neoliberalismo e o seu reino do mercado tentam fazer com que tudo tenha preço, tudo se venda, tudo se compre, ao estilo shoping-center, o FSM se opôs desde o seu começo a isso, opondo os direitos de todos ao privilégio de quem tem poder de compra, incrementando sempre mais as desigualdades.

Um jornalista da FSP [Força Serra Presidente (forma como Sader se refere à Folha de S.Paulo)] se orgulha de ter ido a todos os Foros de Davos e, conseqüentemente, a nenhum Fórum Social Mundial. A espetacular marcha de abertura do FSM retratada com belíssimas fotos por Carta Maior, foi inviabilizada pela mídia mercantil.

A cobertura se faz com a ótica com que essa imprensa se comporta, com os óculos escuros que a impedem de ver a realidade. O FSM, como tudo, é objeto das fofocas sobre eventuais desgastes do governo Lula — a obsessão dessa mídia. Não cobrem o dia do Fórum Pan-Amazônico, não deram uma linha sobre o Fórum da Mídia Alternativa, não ouvem os palestinos, nem os africanos ou os mexicanos. Nada lhes interessa. No máximo aguardam para ver se Brad Pitt e Angelina Jolie vão vir.

Seu estilo e sua ótica está feita para Davos, para executivos, ex-ministros de economia. Lamenta a imprensa que a América Latina, a África e a China estejam tão pouco representados em Davos. Mas o que teriam a fazer por lá? Não se perguntam, nem querem saber. Seus jornalistas não são orientados senão para seguir os passos de Lula e seus ministros.

Temas como os diagnósticos da crise e as alternativas, a guerra e as alternativas de paz, as propostas de desenvolvimento sustentável — fundamentais no FSM — estão fora da pauta. Nem falar da crise da própria mídia tradicional e das propostas de construção de mídias públicas e democráticas.

A mídia mercantil é um caso perdido para a compreensão do mundo contemporâneo. Não por acaso a crise atual a afeta diretamente. Não tardará para que comecem as quebras de empresa de jornalismo por aqui também. E eles serão vitimas da sua própria cegueira, aquela que lhes impede de ver os projetos do futuro da humanidade, que passeiam pelas veredas de Belém.”

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.: CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS DA BUFUNFA

O autor deste artigo publicado na Folha de ontem, Paulo Nogueira Batista Jr, é Diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago):

“Nem políticas fortemente expansivas podem garantir uma retomada dos países desenvolvidos a partir de 2010”

“Recentemente, escrevi nesta coluna sobre os estragos decorrentes da ação global da turma da bufunfa. Na minha indignação, dei "arrancos triunfais de cachorro atropelado".

Na verdade, o mundo inteiro está dando "arrancos triunfais de cachorro atropelado".

A crise financeira que eclodiu em meados de 2007 aqui nos Estados Unidos vem tendo efeitos cada vez mais graves nos quatro cantos do planeta. O tsunami dos bufunfeiros atingiu primeiro os sistemas financeiros nos Estados Unidos e na Europa. Numa segunda etapa, desde meados de 2008, a crise começou a afetar mais fortemente a atividade econômica nos países desenvolvidos. Na terceira etapa, a partir de setembro/ outubro, a crise se propagou para a periferia da economia internacional. A região mais atingida é a periferia europeia (Islândia, Hungria, Ucrânia, Letônia, Belarus, Turquia, entre vários outros países), mas todos os continentes estão acusando o golpe nos meses recentes.

Ontem, o FMI divulgou suas novas projeções para a economia mundial. O quadro é desastroso. Para todos ou quase todos os países importantes, desenvolvidos e emergentes, as projeções de crescimento para 2009 foram drasticamente reduzidas.

Desde as últimas estimativas, divulgadas em novembro, a projeção para o crescimento global caiu de 2,2% para apenas 0,5%. A revisão foi de 1,7 ponto percentual em menos de três meses! Segundo o FMI, a recuperação, provavelmente lenta, só virá em 2010.

Haverá recessão em todos os principais países desenvolvidos, sem exceção. Para o conjunto das economias avançadas, a contração esperada chega a 2% em 2009 -a primeira queda anual desde a Segunda Guerra Mundial. As expectativas para as economias emergentes e em desenvolvimento, inclusive o Brasil, também sofreram um baque. No caso desses países, as projeções ainda apontam para crescimento em 2009, mas a taxa de expansão do PIB cairia quase pela metade, segundo o Fundo, passando de 6,3% em 2008 para 3,3% em 2009. Em alguns emergentes importantes, haveria queda do produto (Rússia, México e Coreia do Sul, por exemplo).

O Brasil ainda teria algum crescimento econômico em 2009, porém a taxa ficaria em apenas 1,8%, segundo o FMI, número um pouco inferior às projeções feitas por analistas privados no Brasil. Para 2010, o Fundo projeta crescimento de 3,5% para a economia brasileira.

Note-se que essas projeções do FMI embutem a hipótese de que os governos dos principais países adotarão políticas fortemente expansivas, particularmente no campo fiscal. O Fundo calcula, por exemplo, que o déficit público nas economias avançadas alcance nada menos que 7% em 2009! Isso refletiria medidas de aumento de gastos, cortes de impostos, o efeito da recessão sobre as contas governamentais e, por último mas não menos significativo, os imensos pacotes montados para resgatar a turma da bufunfa.

O resultado será um enorme aumento da dívida pública dos países desenvolvidos. E o pior é que nem isso evitará a recessão ou garantirá uma recuperação em 2010 e nos anos seguintes. Os países desenvolvidos e o resto do mundo irão pagar preço muito elevado pela desenfreada especulação financeira dos últimos anos. Como diria Nelson Rodrigues, os bufunfeiros serão caçados a pauladas, feito ratazanas prenhes.”

BOLÍVIA

Li na Folha de São Paulo de ontem:

"SIM" À CARTA TEM 61,68% COM 99% APURADOS

“O presidente boliviano Evo Morales anunciou ontem que pretende convocar "um por um" os governadores de todos os departamentos do país para "recolher propostas para implementar o tema das autonomias", previsto na Constituição aprovada em referendo no domingo. Um dos projetos urgentes é a criação de um Ministério das Autonomias.

De acordo com os últimos dados da Corte Nacional Eleitoral, o "sim" para a nova Constituição teve 61,68%, com 99% dos votos computados. Além de La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí, o "sim" ganhou no departamento de Chuquisaca, governado pela oposição a Morales.

O "não" foi majoritário em Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, cujos dirigentes reclamam um pacto nacional para revisar o texto. Morales, no entanto, respondeu que "a nova Constituição aprovada pela vontade soberana do povo já é de fato um pacto".

Morales disse ainda que seu governo já prepara leis e decretos para regulamentar a Carta, como o novo código eleitoral -que precisa ser aprovado para as eleições gerais em dezembro.”

COMO NO BRASIL

Li na coluna “Toda Mídia”, de Nelson De Sá, na Folha de São Paulo, o seguinte artigo:

“Fim do dia e a Bovespa disparou nas manchetes dos portais, por conta da Petrobras. Antes e já por alguns dias, agências de Dow Jones a Xinhua e Mercopress noticiam a mais nova descoberta da estatal, agora de gás, em dois blocos no pré-sal.

Mas o que mais ecoa da Petrobras é a confirmação do investimento no pré-sal, desde o anúncio por aqui, com repercussão por agências, "Financial Times" etc. Ontem, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, deu entrevista ao site e canal Bloomberg detalhando planos e, em especial, meios de financiamento.

O plano de investimento, registre-se, foi louvado ontem pelo artigo "Petrobras faz grande aposta", do editor de economia da "BusinessWeek"; pelo editorial "Explore como o Brasil", do Investor's Business Daily; pela análise "Petrobras: uma luz brilhante para as companhias de serviço de petróleo", no site Seeking Alpha; e pela análise "Brasil enfrenta a recessão com investimentos", da organização Americas Society.”

CONCENTRAÇÃO

Li na Folha de São Paulo a seguinte nota de Janio de Freitas:

“A existência de uma Guantánamo ainda pior no Afeganistão, criada pela CIA e pelos militares dos Estados Unidos, causa pasmo em americanos e europeus. Esperemos agora que apareça entre os problemas de Obama a prisão escondida na Tailândia, em uma restaurada base de interrogatório e tortura montada pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. A existência dessa terceira Guantánamo está citada em documentos da CIA há pouco submetidos à lei de quebra de sigilo. Mas com discreta exposição pública.”

O CAPITALISTA E O COMUNISTA

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo do seu colunista Clóvis Rossi:

Davos - Pode-se acusar George Soros de tudo ou de quase tudo, menos de não saber ganhar dinheiro.

Mesmo sabendo, é o único grande capitalista que tem feito críticas sólidas ao capitalismo.

Sua análise sobre a presente crise é irrebatível nesse aspecto. Começa por dizer que a decantada eficiência do mercado "foi desmentida", assim como foi desmentida a tese de que os mercados, deixados por sua conta, "tendem ao equilíbrio". Na verdade, Soros usou o verbo "desproved", que, em português, seria "não provado/a", mas fica esquisito, não é?

O megainvestidor lembra, de novo com toda a razão, que não foi um "choque exógeno" que levou aos "distúrbios" no sistema financeiro.

Ou seja, os "distúrbios" nasceram no próprio sistema financeiro e acabaram por levá-lo ao "colapso", sempre na análise de Soros.

Ele se recusa a fazer previsões sobre o tamanho e o tempo de duração da recessão provocada pelos "distúrbios" (ou "colapso", você escolhe). Diz que não é importante.

Ou que de fato importante seria reconstruir o sistema que entrou em colapso, o que exige uma fantástica, quase incalculável, injeção de dinheiro para capitalizar os bancos em coma.

De onde virá o dinheiro? Óbvio: de papai-Estado, o único que tem recursos para fazê-lo, nem que seja preciso imprimi-lo.

Soros também defende o que a maioria de seus pares rejeita: a regulação do sistema financeiro. Não que acredite na capacidade de o Estado fazer direito as coisas. Mas "tem que fazê-lo, mesmo que tenda ao erro, porque, se errar, o mercado reage e permite corrigir o erro", que no caso seria de calibragem da regulação.

Prefiro Soros a um suposto comunista, o premiê chinês Wen Jiabao, que só ontem se lembrou de que, ao reler os dois clássicos de Adam Smith, encontrara apenas uma única menção à justiça social.”

VOTO SECRETO

O jornal Diário do Nordeste publicou ontem o seguinte artigo de Lustosa da Costa em sua coluna:

“O voto secreto é defesa da liberdade do eleitor contra a prepotência, seja a armada, seja da mídia. Por isso, os jornais e a televisão o combatem tanto. Porque querem assumir o papel de vereador, deputado e senador, sem representação popular, apenas para servir a seus interesses que nunca são os da maioria do povo brasileiro.

Durante a ditadura militar, em que o Congresso funcionava, embora mutilado, a vontade popular se expressou algumas vezes, seja negando licença para processar o então deputado Márcio Moreira Alves por imposição das Forças Armadas seja para restaurar a eleição direta para presidente da República. De nada adiantava o voto, se fora havia a força bruta para o deter e o negar.

De vez em quando, os meios de comunicação, insatisfeitos com a vontade popular expressa pela Câmara e pelo Senado, sonham restaurar o voto aberto, nos plenários, para sustentar conveniências que não são as de interesse nacional.”

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NOVO IMPASSE ATRAPALHA BASE DE FOGUETE

A Folha de São Paulo ontem publicou a seguinte reportagem de Rafael Garcia e João Carlos Magalhães:

"Comunidade quilombola impede pesquisadores de fazerem levantamento socioambiental em Alcântara, no Maranhão Disputa territorial acabou, mas empresa não consegue realizar estudo de impacto, o que pode atrasar voo de foguete previsto para 2010

Mesmo após a última disputa territorial entre quilombolas e o Programa Espacial brasileiro ter sido resolvida, a construção de uma nova base para lançar foguetes em Alcântara (MA) está gerando conflito. Segundo a ACS (Alcântara-Cyclone Space) -empresa binacional brasileira e ucraniana que vai se instalar no local- comunidades da região impedem a realização de um estudo de impacto ambiental e um levantamento socioeconômico da região.

O impasse, diz a empresa, atrasa o cronograma de seu primeiro lançamento, programado para 2010. Desde outubro do ano passado, a ACS abdicou áreas pleiteadas pelos quilombolas das comunidades de Mamuna e Baracatatiua, dando fim a uma disputa de seis anos.

Agora, a binacional ficará no Centro de Lançamento de Alcântara, da Aeronáutica, vizinho à área. Para começar suas construções, porém, a ACS precisa entregar ao Ibama um estudo de impacto com dados de vários pontos da região, o que requer a entrada de funcionários em território quilombola.

"Para fazer esse estudo, temos de pegar materiais além do nosso sítio, mas eles [quilombolas] não deixam", disse à Folha Gustavo Tourinho, assessor de imprensa da ACS. "E, para deitar um único tijolo lá, precisamos do estudo."

O que perturbou o aparente acordo atingido após a ACS abdicar áreas das comunidades é que, apesar de o INCRA já ter dado início à demarcação das terras, a vitória quilombola é parcial. Segundo a antropóloga Maristela de Paula Andrade, da Universidade Federal do Maranhão, comunidades têm receio em deixar a ACS entrar na área, temendo perder mais terras.

"Esse recuo da empresa se deveu à resistência dos trabalhadores, porque os engenheiros simplesmente entraram com as máquinas dentro do povoado, começaram a fazer perfuração e derrubaram mata sem autorização", diz. "Existe uma história recente muito complicada, e essa empresa [ACS] tem um significado político. Houve várias tentativas de expropriar essas famílias, e eles estão resistindo há cinco ou seis presidentes da República."

Em agosto último, uma barricada chegou a ser feita, conta Benedito Carvalho, representante do Movimento dos Atingidos pela Base de Alcântara. Houve tensão, mas não conflito. "Agora, não há a possibilidade de sairmos de lá", diz. Carvalho está em Belém agora para o Fórum Social Mundial, que começou ontem e terá eventos sobre a causa quilombola.

Para Carvalho, o problema é que parte dos descendentes já foram expulsos das terras na década de 1980, à época da criação da base. E, segundo ele, o governo federal não cumpriu promessas como incentivo à agricultura familiar e assistência médica. "Se eles não cumpriram aquilo, porque a gente vai acreditar agora?"

CRITÉRIOS DE EDIÇÃO: RECEITA PARA EVITAR BOAS NOTÍCIAS

O site “vermelho” publica o seguinte texto de Luciano Martins Costa, postado originalmente no “Observatório da Imprensa”:

“Durante boa parte da segunda-feira (26/1), um dos principais destaques nos serviços informativos pela internet era a notícia de que, apesar da crise financeira global, o investimento estrangeiro direto no Brasil havia alcançado a cifra de 45 bilhões de dólares em 2008.

Era o maior volume de ingresso de capital estrangeiro para investimento produtivo ou aquisição de empresas no país desde 1947. Era não apenas um número surpreendente pelo volume de recursos, mas também por contrariar as expectativas dos analistas consultados pelos jornais.

No ano passado, desde as primeiras manifestações da crise, as multinacionais instaladas no Brasil aproveitaram os altos lucros obtidos por aqui e transferiram quase 34 bilhões de dólares para tentar melhorar as contas de suas matrizes e subsidiárias em outros países.

Nessa ocasião, os jornais brasileiros fizeram barulho, anunciando que o estoque brasileiro de divisas estava sangrando, quando na verdade tratava-se do movimento cíclico de repatriação de lucros, ainda mais natural por causa das dificuldades geradas pela crise.

Essa é uma das razões para a surpresa: os analistas prediletos dos jornais achavam que, com o agravamento da crise financeira, a remessa de lucros e dividendos para o exterior iria aumentar. Mas quando se esperava a má notícia, ocorreu o contrário, com um detalhe curioso: quase metade dos investimentos estrangeiros no Brasil aconteceu depois de setembro, quando estourou a chamada bolha imobiliária nos Estados Unidos e o mundo se deu conta do desastre financeiro em que estava metido.

SEGUNDO PLANO

Essa era a notícia econômica que predominava na tarde de segunda-feira (26) na internet. Mas essa não foi a notícia escolhida para a manchete da maioria dos jornais de terça (27).

Dos chamados grandes jornais brasileiros, apenas a Folha de S.Paulo colocou a boa notícia entre os principais destaques, ainda assim misturada a uma notícia sobre restrições a importações.

A maioria dos editores escolheu para manchete a pior notícia econômica disponível – a informação de que, na segunda-feira, empresas multinacionais anunciavam milhares de demissões pelo mundo afora. Os números variam conforme o jornal: para a Folha, foram 75 mil. Segundo o Estado de S.Paulo, foram 86 mil demissões. Para O Globo, foram 76 mil.

A boa notícia que era destaque na internet ficou em segundo plano no jornal de papel.”

BRASIL TEM 14 EMPRESAS "CANDIDATAS" A MULTINACIONAIS

Li hoje no site “vermelho" a seguinte notícia divulgada pela agência espanhola EFE::

“Quatorze empresas brasileiras compõem a lista de 100 companhias de economias emergentes classificadas como sérias concorrentes a multinacionais de países desenvolvidos, publicada pela consultora Boston Consulting Group e divulgada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

A característica destas 100 empresas é que, juntas, elas somaram, em 2007 (ano-base da lista) receitas de US$ 1,5 trilhão e alcançaram ou superaram rivais muito mais antigas de EUA, Europa e Japão.

O Brasil é o terceiro país com mais firmas na lista, atrás da China (36) e da Índia (20). Em seguida, vêm México (7) e Rússia (6).

Pela primeira vez, a lista inclui companhias do Oriente Médio, com quatro dos Emirados Árabes Unidos e uma do Kuwait.

O destaque no Brasil vai para o conglomerado Camargo Corrêa, que atua em setores que vão da construção ao têxtil e foi incluído este ano na lista, por seu crescimento internacional em 2007, em especial na América Latina, na África e na Espanha, alcançando uma receita de US$ 6,4 bilhões naquele ano.

As outras 13 empresas brasileiras já faziam parte da lista, entre elas a Petrobras, a mineradora Vale, a construtora Odebrecht, a siderúrgica Gerdau, a aeronáutica Embraer, os frigoríficos Sadia e Perdigão, a têxtil Coteminas - da família do vice-presidente José de Alencar -, a cosmética Natura e o conglomerado Votorantim.

Também compõem a lista a montadora de ônibus Marcopolo, a fabricante de motores elétricos WEG, a produtora de carne bovina JBS-Friboi”.

DESEMPREGO ATINGE A MENOR TAXA DESDE 1998, APONTA O DIEESE

No site “vermelho está publicada hoje a seguinte reportagem:

“A taxa de desemprego teve ligeira queda no final de 2008, passando de 13% em novembro para 12,7% em dezembro, menor taxa desde 1998. Considerado todo o ano passado, o índice ficou em 14,1%, abaixo dos 15,5% verificados em 2007.

Os dados fazem parte de pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) e da fundação Seade divulgada nesta quarta-feira (28). O levantamento abrange seis regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal).

No dia 22 de janeiro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou pesquisa apontando que o desemprego caiu de 7,6% em novembro para 6,8% em dezembro. A diferença entre essa taxa e a do Dieese é explicada por uma diferença de método.

O Dieese e a Seade consideram desempregadas não apenas as pessoas que não têm uma ocupação, mas inclusive aquelas que exercem um trabalho precário (popularmente conhecido como "bico") enquanto procuram emprego relacionado à sua profissão.

Também aqueles que desistiram de procurar emprego nos últimos 30 dias por pessimismo são considerados desempregados na pesquisa Dieese Seade, mas inativos na pesquisa do IBGE.

Excluindo os empregados precários e os que não procuram trabalho por desalento, a taxa de desemprego cai para 8,6% em dezembro na pesquisa
Dieese/Seade.

VAGAS CRIADAS E ALERTA

A taxa de desemprego caiu no ano passado porque foram criadas 804 mil vagas no período, enquanto o número de pessoas que entraram no mercado de trabalho foi de 613 mil. Com isso, o contingente de desempregados foi reduzido em 190 mil pessoas.

A redução da taxa de desemprego total reflete a diminuição das seis capitais pesquisadas. No Distrito Federal, a taxa passou de 17,7% em 2007 para 16,6% em 2008; em Belo Horizonte, de 12,2% para 9,8%; em Porto Alegre, de de 12,9% para 11,2%) e em São Paulo, a taxa decresceu de 14,8% para 13,4%. Apenas em Recife a taxa manteve-se relativamente estável (de 19,7% para 19,6%).

De acordo com o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz, um dos motivos que explica o recuo no desemprego em meio à crise financeira global são as contratações temporárias do mês de dezembro, principalmente no comércio, que admitiu mais em 2008 que em 2007.

Para os pesquisadores, a partir de janeiro, a pesquisa já deve mostrar um desemprego maior, com os dados das demissões e a ausência dos trabalhadores temporários que, ao contrário de outros anos, não devem ser contratados.”

MÍDIA, DEMOS E A TRAGÉDIA DA RENASCER

No site “vermelho” está publicado o seguinte artigo de Altamiro Borges:

"O sempre atento Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB e ex-deputado estadual, postou no seu blog uma notinha reveladora do caráter da mídia. “O Bispo Gê Tenuta, o responsável pela Igreja Renascer, já foi deputado estadual e hoje é suplente de deputado federal pelo DEM/SP. Parece, inclusive, que vai assumir o mandato. Não vi uma única linha que tocasse nesta condição política do religioso. A mídia não quer associar a tragédia, que resultou na morte de nove pessoas, com a prefeitura. Kassab e Bispo Gê são do mesmo partido. Tanto a prefeitura como os responsáveis da igreja descuidaram de itens essenciais à segurança dos fiéis”, registra o texto “Empresário da fé”.

A manipulação da mídia, como alerta Nivaldo, é realmente impressionante. Se o tal bispo tivesse apoiado Marta Suplicy na eleição paulistana, com certeza o vínculo seria manchete dos jornalões e das revistas. O “colunista” Arnaldo Jabor, cuja esposa, Suzana Villas Boas, presta assessoria ao governador José Serra, teria feito suas gracinhas na TV Globo. Mas como o líder evangélico é do demo (ex-PFL), nem a sigla partidária aparece quando citam seu nome. As imagens de Kassab e Bispo Gê juntos em campanha sumiram do ar. Talvez nem as centenas de pessoas soterradas nos escombros do prédio inseguro da Igreja Renascer façam a devida ligação bispo-prefeito-demos.

TV GLOBO ESCONDE A SUJEIRA

A Renascer fez ativa campanha para Gilberto Kassab, apadrinhado do presidenciável José Serra. Engajado na campanha, o diretor-executivo de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, deu até uma trégua na guerra liderada pela emissora contra as igrejas evangélicas. Para livrar a cara do demo, ela deixou de alardear a prisão, nos Estados Unidos, dos fundadores da igreja, Sônia e Estevam Hernandes, acusados de desvio ilegal de dinheiro. Também abafou as investigações que apontaram Fernanda Hernandes, filha dos fundadores da Renascer, como “funcionária fantasma do deputado estadual Geraldo Tenuta, conhecido como Bispo Gê”, segundo relato do casal global no Jornal Nacional.

Para interferir na batalha eleitoral, a mídia deixou de lado a “imparcialidade” nas apurações das irregularidades da Igreja Renascer — inclusive as que denunciaram o uso indevido de entidades assistenciais para enriquecer a instituição “religiosa”. Faz o mesmo agora, diante dos escombros do prédio e dos nove mortos, omitindo as relações do Bispo Gê com o DEM e o prefeito reeleito da capital paulista. A cada dia que passa, a mídia hegemônica se transforma no principal partido da direita no Brasil. O que ela chama de cobertura jornalística é, de fato, manipulação política.

AERO-YEDA E O SILÊNCIO MIDIÁTICO

Outro caso emblemático desta distorção é o tratamento dado pela mídia à compra de um jato para governadora do Rio Grande Sul, Yeda Crusius. A tucana, que chafurdou o governo em inúmeros casos de corrupção, anunciou a aquisição do avião executivo orçado em US$ 26 milhões. Diante das críticas, ela rebateu: “Podem chamá-lo de Aero-Yeda, de Queen Air, do que quiserem”, em mais uma prova de inabilidade e arrogância políticas. A mídia, porém, parece que inocentou a governadora. Na Folha de S.Paulo foram publicadas apenas três notinhas, não houve destaque no Jornal Nacional. Bem diferente do escarcéu promovido contra o chamado “Aero-Lula”.

Até o blogueiro Ricardo Noblat estranhou as reações diante desta nova aquisição. “Quatro anos depois de criticar duramente o governo do presidente Lula pela compra do Airbus presidencial, integrantes do comando do PSDB se esquivaram de comentar a decisão da governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, de também adquirir um jato para vôos internacionais”. O blogueiro, que também é colunista do jornal O Globo, só não criticou o vergonhoso silêncio da mídia hegemônica — por motivos óbvios.”

ENTREVISTA COM O BRIG SAITO, COMANDANTE DA AERONÁUTICA

No site Defesa@net li a seguinte entrevista:

PROGRAMA F-X2: "NOSSA META É ADQUIRIR 36 AVIÕES, MAS A CRISE ECONÔMICA PREOCUPA".

"Defesa@Net teve a oportunidade de entrevistar o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, quando este visitou o V Comando Aéreo Regional (COMAR), na manhã de ontem, 27 Janeiro. Na oportunidade houve a troca do comando do Hospital da Base de Canoas (HACO).

O PROGRAMA F-5BR

Não serão adquiridos mais aviões F-5. Estamos em negociação final com a EMBRAER para a assinatura do contrato de modernização do aviões adquiridos da Jordânia para o padrão F-5EM/FM. Será criado mais um grupo de caça que ficará situado na Região da Amazônia.

O F-5BR deverá permanecer em serviço até 2020-25. O avião nos tem atendido perfeitamente. A performance na Operação Red Flag nos satisfez muito. No fim do ano foi introduzido o sistema de datalink (enlace de dados), que permite que os pilotos troquem informações de forma segura entre si. Não temos tido maiores problemas de pane com os motores F-5.

A OPERAÇÃO DO C-105 AMAZONAS

Temos 8 aviões em Manaus (AM) e 4 em Campo Grande (MS) E no futuro um grupo de 4 em Belém(PA). Estamos negociando mais 8, sendo 4 em função SAR, que serão usados nas áreas das Fronteiras Norte e Oeste.

O P-3

Visitei recentemente uma unidade operacional do P-3 e também a as atividades de modernização do P-3BR, na Espanha e me surpreendeu a diversidade e capacidade da eletrônica embarcada. Será um importante meio nas operações de proteção às atividades do Brasil na área do pré sal. E operações no Atlântico Sul junto com os Banderulhas.

PROGRAMA F-X2

No próximo dia 2 de Fevereiro (segunda-feira) teremos a entrega das propostas das empresas (BOEING, DASSAULT e SAAB) ao RFP (Request for Proposa) emitido pela FAB.

Nosso cronograma prevê que em Junho, no máximo, Julho deste ano, seja definido o finalista. E em Outubro espero assinar o contrato. Nessa fase de análise de propostas estaremos em contato direto com os fabricantes, para solucionar dúvidas e esclarecer detalhes.

TRABALHAMOS COM O NÚMERO DE 36 AVIÕES, ESTA É A NOSSA META.

Nos preocupa o ambiente econômico, pois poderá interferir, não podemos ignorar isso. O Brasil não está sendo tão afetado pela crise econômica e esperamos que até o segundo semestre o cenário tenha mudado.

PROGRAMA F-X2: A NECESSIDADE

Aquisição de um novo caça que nos levará a um novo patamar tecnológico e operacional. Será um passo significativo para a FAB e também para a indústria nacional.

PROGRAMA F-X2: A PARTE INDUSTRIAL

Não temos um requisito formal, negociaremos com as empresas. Se serão 12 fornecidos diretamente pelas empresas e os demais 24 montados no Brasil, tudo isto será definido nas negociações.

MODERNIZAÇÃO DOS BANDEIRANTES

Já estamos com o contrato assinado e nos próximos meses a Aeroeletrônica preparará os protótipos da nova aviônica que será introduzida no avião.

O IMPACTO DA CRISE ECONÔMICA

Ainda não avaliamos o impacto. Primeiro o governo deverá avaliar e estabelecer as ações, após isto nós analisaremos o efeito em nossos programas e atividades. (Nota do Editor: ao mesmo tempo em que o Brig. Saito dava esta declaração, o Ministério do Planejamento anunciava contingenciamento de 56% no orçamento do Ministério da Defesa para a rubrica de investimentos)."

O IRAQUE DE OBAMA

O jornal espanhol El Pais publicou ontem o seguinte texto de Ramón Lobo. Li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves):

“O novo presidente dos EUA quer retirar suas tropas de um país que luta contra a rebelião e com instituições ainda frágeis. Um jornalista de "EL PAÍS" viu a situação em campo, seis anos depois da aposta de Bush em uma guerra rápida e barata

Os soldados americanos no Vietnã escreviam e pintavam nos capacetes de combate para afastar sua irritação. A sigla mais comum era "FTA: Fuck The Army". No Iraque está proibido, por questão de uniformidade e imagem. Aqui a preferida é "WTF: What The Fuck" [que merda]. A via de escape é a Internet e as paredes de alguns banheiros: "Matar muçulmanos em nome de Deus ou de Bush, que merda importa?" Também se podem ler citações mais intelectuais e uma de Platão: "Só a morte viu o final da guerra".

Quando o blindado serpenteia entre as estacas do último posto de controle e deixa as defesas da base, os militares carregam suas armas e preparam os nervos. Entram em território hostil. Os iraquianos têm ordem de afastar-se para o lado e deter seus veículos.

Todos obedecem às instruções dadas através da televisão e da rádio. Quando não, dispara o alarme: "O que faz esse imbecil nos seguindo?" Os pedestres adultos observam a passagem dos comboios sem mover um músculo. Ninguém sorri, ninguém cumprimenta, ninguém parece ter esperança de que Barack Obama represente uma mudança em suas vidas. Só os meninos agitam as mãos e levantam o polegar. Para eles trata-se de um filme de ação.

No norte de Bagdá o inimigo são os franco-atiradores emboscados em residências e edifícios semidestruídos. Na província de Diyala, onde atua a organização Al Qaeda no Iraque, o perigo são os explosivos. Ali se viaja de Striker, um veículo teoricamente resistente a bombas. O atirador principal rastreia o tráfego com um monitor que detecta fontes de calor. Esta é uma zona de guerra, como a província de Nínive, no norte.

"Quando matam um companheiro da base, cortam nossas comunicações telefônicas e de Internet para não contarmos o que aconteceu. Querem seguir o protocolo, que seja o exército quem se apresenta na residência e informa a família sobre o ocorrido", afirma o sargento de origem peruana Carlos Mora-Pacora. "Há algumas semanas, depois de vários dias sem comunicação devido à morte de dois rapazes, pude falar com Katia, minha mulher. Ela estava preocupada. Expliquei que o gerador tinha quebrado. Se dissesse a verdade, ela viveria aterrorizada cada vez que não houvesse comunicação, olhando para a porta à espera de alguém chamando para dar a notícia."

A guerra destinada a salvar o mundo da ameaça das armas de destruição em massa que nunca foram encontradas custou a vida de 4.214 soldados americanos, segundo "The Washington Post", e ferimentos em mais de 33 mil, segundo o Pentágono. Também houve 316 baixas de militares de países que participaram ou participam da chamada Coalizão Multinacional; entre eles 11 espanhóis. Embora não existam dados oficiais sobre o número de iraquianos mortos desde 19 de março de 2003, data da invasão, a revista britânica "The Lancet" publicou há dois anos um relatório que estimava a cifra em mais de 600 mil. O site www.antiwar.com oferece outra que inclui os mortos em atentados e por falta de cuidados médicos de qualidade: 1,3 milhão.

Ted Englemann, veterano do Vietnã que aderiu às tropas americanas em busca de material para um livro que apague seus fantasmas, preocupa-se que o índice de suicídios seja muito superior ao de outras guerras. "Eles os dissimulam como baixas em combate e ninguém conta os que voltam para casa, compram uma moto, aceleram e se espatifam." O exército admite a morte por suicídio no Iraque de 121 soldados em 2007, 20% a mais que em 2006.

Quando se conhecerem as cifras de 2008, o mais provável é que sejam semelhantes; até agosto se suicidaram 93 soldados. O exército admite que uma média de 5 soldados por dia tentam acabar com sua vida ou ferir-se.

Um cabo de sobrenome espanhol que só fala inglês e a quem falta um mês para voltar para casa no Colorado, se declara "cansado de lutar". É sua terceira missão. Combateu a Al Qaeda na província de Diyala em 2006 e a milícia xiita do Exército do Mahdi em Cidade Sader entre março e maio deste ano. "Os que não matamos fugiram para a Síria e o Irã ou se esconderam. Cada vez que saímos, arriscamos a vida. Há muita tensão. A cabeça precisa se afastar para não enlouquecer. Há alguns dias mataram um rapaz da unidade. Uma granada arrancou a metade do seu rosto. Não foi possível fazer nada por ele."

Há bases McDonald's: comida "junk" de vários tipos, lavanderia em 48 horas, camas aceitáveis, lojas e chuveiros quentes. Mas a maioria dos soldados em missões de segurança vive nos Combat Out Post (COP, bases avançadas de combate), cujas condições são espartanas: banheiros exíguos, patrulhas constantes e colchões cheios de percevejos. "Eu troco de camiseta a cada três dias; de casaca a cada sete, e tomo uma ducha quando posso.

Não se preocupe com o cheiro. Aqui ninguém vai perceber o seu", diz um capitão do COP Apache.

A guerra que o Pentágono de Donald Rumsfeld calculou que seria rápida, produtiva e a um preço ínfimo, cerca de US$ 60 bilhões, resultou em um desastre. O já ex-presidente George W. Bush gastou na operação Liberdade para o Iraque dez vezes mais do que custou a primeira Guerra do Golfo e três vezes mais do que se gastou na do Vietnã. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de economia, calcula que o custo real do período 2003-2008 supere os US$ 3 bilhões, cerca de 2,3 bilhões de euros.

"Perdemos quatro anos", afirma Husam Alwan Abd, chefe dos Filhos do Iraque em Murtadiya, a segunda cidade em importância de Diyala. "Lutamos conta a Al Qaeda desde 2006. No início o fizemos sozinhos na província de Al Anbar. Ninguém nos ajudou. Agora contamos com o apoio americano. Demoraram muito para perceber que os sunitas não somos o inimigo [Sadam Hussein era sunita]. Entre todos, destruímos este país, e o Irã é agora o grande beneficiário."

Os Filhos do Iraque é o novo nome do Despertar, um movimento iniciado pelas principais tribos sunitas cansadas do extremismo de Abu Musab al Zarqawi e da Al Qaeda. O general David Petraeus, chefe militar americano em Bagdá entre fevereiro de 2007 e setembro de 2008 e hoje chefe do Comando Central, que também cuida do Afeganistão, soube aproveitar: os atraiu com a promessa de uma certa amnésia sobre o passado e salários de US$ 300 mensais (que hoje são pagos pelo governo de Bagdá), apesar de muitos serem antigos insurgentes que atentaram contra soldados americanos.

"O que esperavam ao nos invadir? A resistência é um direito. Antes os considerávamos ocupantes; agora são forças que nos ajudam. Não estaremos preparados antes de 15 anos. É o preço de ter destruído o estado. Agora é preciso construí-lo. Se os americanos fossem embora amanhã, seria um desastre, o Irã nos invadiria", acrescenta Husam.

Depois de três guerras, embargos internacionais e a ditadura de Sadam Hussein, este é um povo de atores, gente que pretende representar um personagem com o objetivo de sobreviver. Nunca se sabe quem diz a verdade e que quantidade de verdade. "Não têm iniciativa, sempre esperam que alguém faça algo por eles, mas as coisas estão mudando.

Depois de cinco anos e meio, rompemos as barreiras culturais: entendemos melhor o sistema das tribos e eles nos entendem melhor", diz o coronel Burt Thompson, chefe da 1ª Brigada da 25ª Divisão, com sede em Baquba, capital de Diyala, e especialista em estratégia.

Os americanos não fumam cigarros, só mascam tabaco e arrotam. Os árabes arrotam e fumam cigarros, mas não mascam tabaco. Ainda restam diferenças insuperáveis.

O maior dos erros de Paul Bremer, o procônsul colocado pelos neoconservadores depois da ocupação do Iraque, foi a dissolução das forças armadas iraquianas em maio de 2003. Desde então os EUA viajaram na direção errada. Cada ano era pior que o anterior: atentados contra as forças estrangeiras, grandes matanças de civis, sequestros indiscriminados, cidades inteiras como Faluja, Ramadi e Samarra nas mãos da rebelião, violência sectária e limpeza étnica (religiosa)... Dezenas de milhares de mortos até que Petraeus teve a inteligência e a coragem de mudar o enfoque. Apesar das críticas recebidas nos EUA pelos setores mais conservadores - o acusam de esquecer o sangue derramado -, a estratégia funciona: a violência diminuiu, inclusive nas ainda problemáticas Diyala e Nínive. Agora o general Petraeus quer exportá-la para o Afeganistão para combater os taleban.

Trata-se de um avanço sólido? Depende só da presença das tropas americanas e do aumento de 30 mil soldados em fevereiro de 2007? Uma retirada antecipada por ordem de Obama provocaria problemas? "As percepções são importantes no Iraque", afirma o coronel Thompson. "A percepção de que existe um melhor governo faz que o governo funcione melhor. A percepção de maior segurança gera segurança. Esta não é uma guerra convencional, é uma guerra contra insurgentes; luta-se em muitas frentes: a militar, a econômica, a social e nas percepções das pessoas."

Dos grafites de Generation Kill nos banheiros - "Amo o exército e amo matar muçulmanos" - se passaram nos últimos meses a soldados que enchem os bolsos de balas, distribuem bolas de futebol dos blindados e aprendem frases coloquiais em árabe. Aprenderam empatia.

O Humvee (sucessor do cinematográfico Jeep) cruza uma rua de Bagdá na qual dezenas de crianças cumprimentam seus atores favoritos. "Talvez estejam dizendo com um sorriso: odeio vocês, filhos da puta", exclama um soldado, entre gargalhadas. Os três homens que viajam no blindado se distraem com conversas triviais e se alertam da presença de mulheres bonitas sem a "abaya" (traje tradicional que cobre todo o corpo e a cabeça): "Uma de sete pontos à direita e às duas e dez". A saída de um colégio feminino se transforma em acontecimento. Todos olham dissimuladamente para não ofender sensibilidades.

Um desses homens conta que antes do Ramadã receberam instruções sobre como se comportar no mês do jejum muçulmano. "Um dia desci do veículo mastigando pão e um homem me criticou: 'Você não pode comer, é Ramadã', disse. Depois vi que ele acendia um cigarro e corri para avisá-lo que também não era permitido fumar. O homem encolheu os ombros e respondeu que ele podia fumar porque Alá estava olhando para o outro lado."

Nos refeitórios das bases há televisores enormes. Acompanham-se os canais militares que transmitem basquete e futebol universitário, as notícias do Pentágono e anúncios para se alistar em qualquer força. Também gostam de alguns programas da ultraconservadora "Fox News", mas o campeão de audiência é a luta radical. Quando um dos combatentes acerta um pontapé entre as pernas do adversário, o refeitório ruge como um estádio. Em salas de lazer projetam-se vídeos. Abundam os argumentos sobre a guerra, bons e maus. Nos computadores conectados à Internet há soldados que navegam por sites que anunciam carros e objetos de luxo. É sua ligação com o mundo que deixaram para trás, sua forma de pintar o capacete.

O sargento Jerry pertence à Guarda Nacional de seu estado e acaba de prolongar voluntariamente sua estada. Sua obsessão é alcançar os três anos de serviço em zona de guerra para ter acesso a benefícios especiais aprovados nos EUA depois do 11 de Setembro. "Me faltam seis meses e com essa ajuda poderei pagar os estudos universitários de minha filha. Tenho família e uma hipoteca. Se eu estiver lá, posso vê-las, mas não pagar a casa.

Aqui enfrento os gastos, mas não estou com elas. O que você teria escolhido?" Quando narra sua história seus olhos ficam úmidos, apenas uma leve película. Dentro dele ferve um vulcão que quer se expressar.

No Vietnã houve um recrutamento obrigatório; no Iraque é voluntário, um eufemismo que esconde urgências econômicas.

"Muitos soldados são rapazes de 19 ou 20 anos que acabam de sair do colégio. Outro dia um deles matou um homem que pretendia entrar na base para se suicidar. Eu disse a ele que fez bem, que salvou a vida de muitos companheiros, mas nunca se sabe como funciona o processo por dentro", diz o capitão Charles Brown, destinado a um COP em território da Al Qaeda. "Uma vez tivemos vários feridos na explosão de uma casa. Um rapaz correu para o helicóptero com o pé de um companheiro mergulhado em gelo, na tentativa de salvá-lo. São experiências difíceis."

"A Al Qaeda no Iraque é um inimigo dinâmico e interativo que se move em pequenas células. Nós aprendemos com eles e eles conosco. Nunca buscam o confronto direto porque sabem que os arrasamos. Utilizam explosivos contra as tropas e contra a população civil. (...) Os Filhos do Iraque fizeram um trabalho extraordinário. É preciso ser realistas e buscar a eficácia. (...) Historicamente, as guerrilhas têm uma duração média de dez anos. Neste caso nos restariam quatro", brinca Thompson. O capitão Brown, que lutou em Faluja no final de 2004, é otimista: "Pela primeira vez vejo a luz no fim do túnel e me parece que a maioria dos iraquianos também".

Os soldados americanos vão se retirar do Iraque em dezembro de 2011, segundo o Acordo do Estatuto de Forças (SOFA na sigla em inglês). Faltam três anos, a metade se Obama cumprir uma de suas promessas da campanha eleitoral. Ninguém acredita que o exército iraquiano esteja preparado dentro de 16 meses, nem de 36. Thompson afirma que o problema é de material e capacidade para sustentar um combate prolongado. E também de confiança - outra vez as percepções. Desde 1º de janeiro, o Comando Militar americano tem de pedir autorização ao governo de Bagdá para atuar, salvo em caso de perigo para suas tropas, que deixarão de patrulhar as cidades a partir de junho próximo.

O outro buraco negro, além da insegurança, é a corrupção. Em um país com reservas de petróleo estimadas em mais de 115 bilhões de barris não existe Mister 10%; aqui o que aplica a mordida deseja 50%. Quando a cadeia do desfalque chega ao patamar mais fraco, quase não resta nada para pôr no bolso. "Em todos os países existe corrupção. Existe nos EUA e na Europa", reconhece um comandante americano. "Mas a corrupção que pode haver em nossos países não afeta nosso modo de vida; aqui no Iraque impede o funcionamento da eletricidade, da água e do comércio", explica o chefe militar.

Se o exército iraquiano melhorou muito nos últimos 12 meses, depois da incorporação de alguns comandos do regime anterior, não se pode dizer o mesmo da Polícia Nacional, composta por antigos membros das milícias Badr do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque e as do partido Dawa, ambos xiitas. A Polícia Civil é ainda pior: está muito infiltrada pelo Exército do Mahdi. Contra eles, os Filhos do Iraque, cerca de 100 mil sunitas armados que não confiam no governo de Bagdá nem em suas instituições de segurança. São ingredientes para o confronto civil ou para a incubação de outro ditador. Seria a mãe de todas as ironias.”

“EM RESPOSTA”

Em toda a grande mídia brasileira e estrangeira, sempre os ataques de Israel são “em resposta”. Jamais um ataque palestino será noticiado como “em resposta” à ocupação das terras palestinas pelos israelenses com assentamentos e tropas.

Vejamos a seguinte notícia divulgada ontem pela agência espanhola EFE (li no UOL) na maneira padronizada pela mídia:

ISRAEL ATACA GAZA EM RESPOSTA A LANÇAMENTO DE FOGUETES PALESTINOS

Jerusalém, 29 jan (EFE).- O Exército de Israel bombardeou nesta noite a região de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em resposta a um ataque com foguete das milícias palestinas contra território israelense, informou à Agência Efe um porta-voz militar”.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

EDUARDO GUIMARÃES: COMO VENDER SERRA NA MÍDIA

O blog “Cidadania.com” publicou o seguinte artigo de Eduardo Guimarães (li no site "vermelho":

“Um amigo que muito prezo pediu-me que escrevesse sobre como a mídia vende incessantemente o governador José Serra, receitando-o como remédio para, desde unha encravada até mau-olhado. Meu amigo leu um texto do Paulo Henrique Amorim falando do assunto e, pelo que deduzi, quis vê-lo (o assunto) sendo analisado sob a minha ótica.

Respondi que não tenho feito outra coisa além de exemplificar o que a mídia tem sido capaz de fazer para encher a bola do governador paulista, mas meu amigo insistiu e exemplificou o que queria que eu analisasse, especificamente.

Li o texto de Amorim. Ele escreveu que os jornais e tevês de Serra vendem que o Brasil acabou pela crise e que o tucano é que o reconstruirá. Trata-se de um texto divertido, bem ao estilo desse jornalista. Vale a pena ler.

Mas não tenho a veia cômica de Amorim. E, além disso, começo a achar que o mais importante nem é o que Folhas e Globos são capazes de fazer para ajudar o tucano a se eleger presidente em 2010 — e que sabemos que é muito —, mas como esses veículos podem fazer para convencer alguém a seguir seu conselho eleitoral.

Tomo a mim mesmo como exemplo: se alguém me mostrasse alguma evidência de que Serra seria um bom sucessor para Lula, à altura de sua obra — a qual eu, como a maioria absoluta dos brasileiros, considero digna de nota —, certamente que o tucano teria o meu voto.

O grande problema é que a venda incessante de Serra como uma espécie de elixir para a felicidade eterna do eleitorado, até agora, por mais que essa venda diga como ele é competente para resolver isto ou aquilo, não me disse como ele faria melhor do que Lula, por exemplo, para mitigar os males advindos do cataclismo econômico em curso no planeta.

Um bom começo para a mídia parar de anunciar seu produto e tentar fechar a venda — e digo isso como vendedor, só que de autopeças — seria explicar como funciona esse aparato magnífico que seria José Serra. Como ele funcionaria para impedir que empregos escoassem pelo ralo? Será possível que me diriam que ele teria reduzido a Selic antes de Lula?

Há muito que dizer sobre o que a mídia é capaz de fazer para eleger o governador de São Paulo, mas não há nada a dizer sobre o que ela é capaz de mostrar sobre como o tucano poderia melhorar o que Lula fez ou o que faria quem o presidente indicasse para sucedê-lo.

Serra é um produto muito consumido em São Paulo e São Paulo é muito importante, mas o Brasil é bem maior e mais importante do que São Paulo. E em muitas regiões do país, regiões que têm suas vozes sempre abafadas pela barulhenta mídia do eixo São Paulo-Rio, essa tragédia que a mídia diz que está acontecendo por culpa de Lula é vista como uma marolinha, comparada ao que acontece no resto do mundo.

Os meios de comunicação têm sido capazes de fazer praticamente tudo, até o momento, para tentar eleger esse homem. Não têm sido capazes, porém, de fazer o principal: dar um único motivo inteligente e prático para alguém querer votar nele. Um motivo que convença mesmo essas pessoas que a mídia julga idiotas, mas que são muito mais espertas do que ela pensa.”

AMORIM: PETROBRAS AFOGOU O PIG E A GLOBO NA BACIA DE CAMPOS

Li ontem à tarde no site “vermelho” o seguinte artigo escrito por Paulo Henrique Amorim, no seu site "Conversa Afiada":

"Já houve um tempo em que Roberto Marinho gostava muito da Petrobras. Não podia sair nenhuma notícia na editoria de Economia dos telejornais da Globo sobre a Petrobras que não fosse autorizada por ele.

As manchetes do jornal O Globo sobre a Petrobras tinham uma consistência: precediam ou sucediam bruscos movimentos de alta ou baixa das ações da Petrobras. Era uma coincidência… O Dr. Roberto sabia, sempre, antes, quem seria o Presidente da Petrobras.

Um dia, quando eu tinha uma coluna sobre Economia no Jornal da Globo, anunciei um dia antes que o presidente da Petrobras seria Helio Beltrão. No dia seguinte, o Dr Roberto me chamou à sala para explicar com suavidade e firmeza — como era o seu estilo pessoal — que, ali, na Globo, notícias como aquelas exigiam a autorização dele.

Ponderei que, afinal, aquilo era um furo meu, e que eu me comprazia em dar furos “na minha coluna no Jornal da Globo”. Ele respondeu firme: “a coluna é do Globo, meu filho”. Para ele, a televisão era precedida do artigo masculino.

A relação íntima de Roberto Marinho com a Petrobras se tornou “carnal”, como diria Carlos Menem, no Governo Sarney. Na verdade, Roberto Marinho co-presidiu o Brasil no Governo Sarney. Antonio Carlos Magalhães, no Ministério das Comunicações, era o leva-e-traz dessa parceria.

Agora, os filhos de Roberto Marinho (eles não chegam a ter nome próprio) mantêm uma relação hostil com a Petrobras. Veja, por exemplo, caro leitor, o que disse o Globo online, na noite desta segunda-feira. No jornal impresso, na abertura da seção de Economia, nesta segunda-feira, a chamada é “Abalo Global” (sic) e o título, “Um plano de negócios arriscado — para analistas (???) incertezas na economia podem elevar custo de investimentos da Petrobras”.

O que é uma afirmativa dramaticamente estúpida, já que incertezas na economia podem elevar o custo de investimento da Globo, da Microsoft, da Gazprom, da Basf, British Airways, da Vale, da Votorantim, da GM, do Bahamas – e da minha tia do Grajaú…

A Petrobras anunciou no fim da semana passada, ao fim de uma reunião com o Presidente Lula, que vai investir entre 2009 e 2013 a bagatela de US$ 174 bilhões de dólares. Isso é o PIB de uma meia dúzia de países. Só no ano de 2009 serão US$ 29 bilhões.

Por que os filhos do Roberto Marinho são contra isso tudo? (Será que eles recusarão comerciais da Petrobras no intervalo do jornal nacional?) Por dois motivos. Um, por um motivo ideológico. Uma empresa estatal não pode dar certo. Não pode ter bala.

Embora o Dr Roberto tenha sido “sócio” das oscilações da Petrobras na Bolsa, por muito tempo ele se filiou ao Pai de todos os Colonistas, Roberto Campos, que passou a vida a falar mal do “Petrossauro”. Devidamente estimulado pelas empresas estrangeiras de petróleo, especialmente as americanas, Campos lutou, inutilmente, contra Petrobras.

E foi o colonista do coração de Roberto Marinho, Octavio Frias e dos Mesquita. Todos eles morreram afogados nas águas profundas da Bacia de Campos. Essa é a questão ideológica. A Petrobras não pode dar certo. (É por isso que a notável urubóloga Miriam Leitão contrapõe sempre o fracasso da Petrobras ao sucesso retumbante da Vale, que por sinal, é estatal, ainda…)

Mas, tem também a questão eleitoral. A Petrobras é um dos instrumentos do Governo Lula para conter a crise econômica. Quanto mais a Petrobras investir, menores serão as possibilidades de a economia brasileira ir à breca.

O que interessa ao PiG e aos filhos do Roberto Marinho? Que o Governo Lula fique sentado em cima das mãos, não faça nada e espere a crise ficar co tamanho que o PiG pinta todos os dias.

O sonho do PiG é o Governo Lula se afundar na crise e não fazer nada. E esperar o José Pedágio salvar o Brasil. Faz parte do marketing de José Pedágio pintar uma crise profunda para que ele, São Jorge redivivo, possa salvar o Brasil.

Porque, se o PiG estiver errado e o Governo Lula evitar a crise, o Presidente Lula fará o sucessor. É só isso. A Petrobras tem que fracassar. O Brasil tem que fracassar."

CAEM OS GASTOS DO GOVERNO

O jornal Correio Braziliense ontem publicou a seguinte reportagem de Denise Rothenburg sobre uso de cartões corporativos:

Os gastos do governo federal com suprimento de fundos caíram significativamente em 2008, em comparação com o ano anterior.

A redução pode ser percebida tanto no valor total desse tipo de gastos quanto isoladamente com os cartões de pagamento. No caso do suprimento de fundos, a queda chegou a 31%, caindo de R$ 168,3 milhões, em 2007, para R$ 116,5 milhões em 2008.

Nos cartões de pagamento, a queda foi de 27%, de R$ 76,3 milhões para R$ 55,3 milhões.

A informação foi divulgada ontem pelo ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU), para quem o fato se deve não apenas à política de transparência adotada pelo governo, mas também ao aumento do rigor das normas. Um exemplo disso, segundo ele, foi a edição do Decreto Presidencial nº 6.370, que, dentre outras medidas, extinguiu, em junho passado, as contas de talão de cheque (contas tipo B), ressalvando algumas situações excepcionais, e limitou fortemente os saques em espécie.”

JORNALISTA DIZ QUE É ALVO DE "PERSEGUIÇÃO"

A Folha de São Paulo, “serrista doente”, ontem publicou a seguinte notícia, “trabalhada” para poder ser publicada naquele jornal. Por exemplo, o jornal colocou dolosamente aspas depreciativas em “perseguição” no título acima. Tenho certeza que falseia a verdade, pois Paulo Henrique Amorim não pediu à Polícia com essas aspas na sua petição. Vejamos o texto da Folha:

“O jornalista Paulo Henrique Amorim pediu à Polícia Federal que investigue suposta perseguição contra ele e sua família "por indivíduos a mando" do banqueiro Daniel Dantas e do governador José Serra (PSDB). Disse que dará detalhes à PF.

O Ministério da Justiça se colocou à disposição de Amorim. O banco disse que não foi notificado. A assessoria de Serra não o localizou.”

ARRECADAÇÃO FEDERAL CRESCE E ATINGE R$701,4 BI EM 2008

A agência norte-americana de notícias Reuters divulgou ontem a seguinte reportagem de Fernando Exman, com edição de Alexandre Caverni (li no UOL):

“O governo federal arrecadou 66,229 bilhões de reais em impostos e contribuições em dezembro, elevando para 701,403 bilhões de reais o volume arrecadado em 2008, informou nesta terça-feira a Receita Federal do Brasil.

O valor do ano passado foi 7,68 por cento maior que os 651,371 bilhões de reais arrecadados em 2007.

Na comparação com novembro, quando a Receita apurou a primeira queda mensal na arrecadação, houve um crescimento de 20,67 por cento no mês passado. Mas em relação a dezembro de 2007, houve uma queda de 4,71 por cento.

Apesar dessa queda, a arrecadação mensal obtida em dezembro foi a maior de 2008.

Para o secretário-adjunto da Receita Federal Otacilio Cartaxo, o resultado foi "auspicioso", já que a arrecadação dos meses de novembro e dezembro foi prejudicada pela crise financeira global.

"Foi uma arrecadação extremamente positiva. Para um ano de crise, não poderia haver melhor resultado", disse Cartaxo a jornalistas. "Os setores mais afetados, como em toda a crise, foram o automotivo e o de linha branca."

Impulsionado pela arrecadação dos tributos associados à venda de ativos com lucro, como o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Pessoa Física e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a arrecadação das receitas federais registrou forte crescimento entre janeiro e outubro.

Com o recrudescimento da crise, no entanto, esses indicadores foram afetados. Como consequência, o crescimento da arrecadação desacelerou.

Nos últimos dois meses de 2008, a arrecadação desses três tributos caiu 22,73 por cento em relação ao mesmo período de 2007, para 15,684 bilhões de reais. Já a recolhimento dos demais tributos administrados pela Receita cresceu 0,30 por cento, para 103,405 bilhões de reais.

Mesmo assim, a Receita Federal apurou alta na arrecadação desses três tributos no acumulado do ano.

De janeiro a dezembro de 2008, essa arrecadação cresceu 16,22 por cento na comparação com 2007, para 136,716 bilhões de reais.

Já a arrecadação dos demais tributos subiu 4,66 por cento no ano passado ante o ano anterior, somando 538,613 bilhões de reais.

"Os meses de novembro e dezembro acusam exatamente os decréscimos decorrentes da crise financeira", comentou o secretário-adjunto da Receita Federal.

Segundo ele, a crise também foi evidenciada pela queda da arrecadação de Cofins e PIS/PASEP em dezembro. A redução foi de 5,39 por cento em relação ao último mês de 2007, para 12,187 bilhões de reais.

"A Cofins incide sobre o faturamento e reflete a produção de todos os setores da economia", explicou.

Cartaxo recusou-se a revelar qual é a previsão de arrecadação para 2009. Disse que, devido às constantes alterações do cenário econômico causadas pelos efeitos da crise, a Receita deve concluir a revisão da estimativa nos próximos dias.

Os dados, divulgados pela Receita são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

CRÉDITO CRESCE 31% EM 2008

Da mesma forma que no texto anterior aqui postado, li ontem no UOL a seguinte reportagem de Eduardo Cucolo, da Folha Online, publicada com a obrigatória conjunção adversativa (“mas”, no caso) sempre colocada pela midia brasileira após notícia boa para o governo Lula:

CRÉDITO CRESCE 31% EM 2008 E BATE RECORDE, MAS ESTAGNA NO FIM DO ANO

“A crise financeira internacional reduziu a liberação de novos empréstimos para pessoas físicas e empresas, que ficou estagnada no último trimestre do ano. Mesmo assim, o volume de crédito na economia fechou 2008 com patamar recorde, segundo a pesquisa mensal de crédito do Banco Central, divulgada nesta terça-feira.

Em termos absolutos, o crédito bateu novo recorde: chegou a R$ 1,227 trilhão no final de dezembro, aumento de 31,1% no ano. Em 2007, o crédito havia registrado expansão de 27,8%.

Juros caem em dezembro, mas cheque especial, "spread" e inadimplência sobem
Confiança do consumidor cresce 3% em janeiro, diz FGV

Confiança de empresários em economia é a menor desde 99, aponta CNI
Crise levará juro ao menor patamar da história, diz pesquisa do BC

Também foi recorde na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas), passando de 40,4% em novembro para 41,3% no mês passado. No final de 2007, estava em 34,2%.

Houve queda, no entanto, nas novas concessões de crédito depois da piora da crise internacional. No último trimestre do ano, as novas concessões ficaram praticamente estáveis (alta de 0,1%), afetadas pela paralisação no crédito em outubro e novembro.

O mês de dezembro apresentou recuperação, com um aumento de 14% nas concessões. A liberação de crédito para empresas subiu 16,8% no mês passado. Para o consumidor, avançou 8,1%.

De acordo com o BC, a recuperação de dezembro se deve à liberação de recursos subsidiados por meio do BNDES (banco estatal de desenvolvimento). Os recursos direcionados aumentaram a base de crédito em 3,4%. Já os recursos livres, ficaram com expansão de 0,9%.

BANCOS PÚBLICOS

No último trimestre do ano passado, os bancos públicos aumentaram sua participação na liberação de crédito no país de 34% para 36%, tirando espaço do setor privado. O aumento se deveu à decisão governamental para tentar reativar o crédito durante o pior momento da crise.

"O que nós observamos hoje é uma estabilidade no crédito livre e um aumento no crédito direcionado. Isso abre mais espaço para os bancos públicos, que aumentaram sua participação no crédito entre setembro e dezembro", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.”

PETROBRAS BATE RECORDE EM EXPORTAÇÃO

Li há pouco no UOL a seguinte notícia da Folha Online publicada com a obrigatória conjunção adversativa (“mas”, no caso) no seu título, sempre colocada pela midia brasileira após notícia boa para o governo Lula:

“PETROBRAS BATE RECORDE EM EXPORTAÇÃO, MAS BALANÇA COMERCIAL TEM DÉFICIT DE US$ 928 MI

“A Petrobras registrou déficit de US$ 928 milhões em sua balança comercial ao longo do ano passado, apesar de ter obtido saldo positivo de 103 mil barris/dia em relação ao volume comercializado. Em 2007, foi observado um saldo positivo de US$ 71 milhões na balança da companhia.

Foram exportados, em média, 673 mil barris/dia de petróleo e derivados, crescimento de 9,4% sobre 2007. O volume médio vendido ao exterior é recorde na história da Petrobras. As importações de petróleo e derivados somaram 570 mil barris/dia, em média, alta de 5,9% em relação ao verificado no ano anterior..

Em valores, as exportações somaram US$ 21,2 bilhões, alta de 42,7% se comparado ao obtido em 2007. As importações cresceram mais, com alta de 49,6% sobre o ano anterior, totalizando US$ 23,1 bilhões.

A estatal alegou que o saldo negativo de US$ 928 milhões foi influenciado pelos preços no mercado internacional. A companhia exporta bastante petróleo pesado, de menor valor, e importa óleo leve, que custa mais caro. Em 2008, a Petrobras exportou 439 mil barris/dia de petróleo pesado. A importação média de óleo leve foi de 373 mil barris/dia.

'Também influenciaram a balança a diferença entre os preços dos derivados importados, principalmente diesel, nafta e GLP, de maior valor agregado, e os exportados, notadamente gasolina e óleos combustíveis', explicou a companhia, em nota.

A Petrobras não inclui em sua balança o volume importado de gás boliviano. Entram nessa conta apenas petróleo e derivados, todos produtos líquidos.

Os números da Petrobras se diferem dos que são divulgados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), que se baseiam em informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Fazenda. A balança do país contempla importações de outros agentes, como as petroquímicas que compram nafta.”

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

PROFESSOR: DISPUTA NA BOLÍVIA É LUTA DE CLASSES

O site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, publicou ontem a seguinte reportagem de Marcela Rocha:

A Bolívia aprovou uma nova Constituição com a votação de 3,8 milhões de eleitores.

Para o professor em Relações Internacionais e cientista político, Sérgio Gil, o referendo boliviano faz parte de uma tendência compensatória da política internacional.

Tem ocorrido uma busca por recompensar os povos historicamente excluídos de processos decisórios. Na conquista dos direitos civis por parte dos negros norte-americanos, mais recentemente no fim do apartheid na África do Sul, as cotas no Brasil.

O referendo ocorreu no último domingo. Votou-se a nova Constituição. São 411 artigos propostos pelo governo Evo Morales. Neles, temas polêmicos que podem afetar as relações com o Brasil.

Recursos hídricos e as reservas de gás, por exemplo, não podem ser privatizados. Os recursos energéticos só podem ser explorados pelo Estado boliviano.

Segundo Gil, o que tem causado problemas é a perda de privilégios da elite boliviana. O professor analisa que "tratam-se de índios e não-índios, mas que na verdade é uma luta de classes, ricos e não-ricos". Portanto alerta que "Evo não siga o caminho de Chávez".

- O SENHOR QUER DIZER QUE HUGO É UM EXEMPLO PERIGOSO PARA EVO MORALES?

- Na medida em que Chávez radicaliza para se eternizar no poder, sim.

Leia a entrevista na íntegra:

TERRA MAGAZINE - A OPOSIÇÃO BOLIVIANA ACREDITA QUE DIFERENCIAR OS DIREITOS ENTRE OS INDÍGENAS E OS QUE NÃO O SÃO IRÁ FRAGMENTAR A POPULAÇÃO. O SENHOR CONCORDA?

SÉRGIO GIL - Durante muitos anos, desde a dominação espanhola, a permanência dessa oposição mais ligada à elite branca sempre esteve no poder e agora se sentem ameaçados porque têm que partilhá-lo. Usam a religião para se opor ao resultado desse referendo e aos termos da nova carta. O que ocorre agora é uma emergência dessa maioria indígena que sempre foi marginalizada e desvinculada do processo decisório. Quem tem poder, teme perdê-lo. A fragmentação pode sim acontecer caso haja uma espécie de vingança por parte dessas lideranças indígenas, mas acredito que não. O vice-presidente boliviano é branco e provêm da elite de seu país. Nota-se que, desde o princípio, Evo Morales tenta compor uma conciliação e não fragmentação.

NO TOCANTE À POSSE DA TERRA, O SENHOR AVALIA QUE EVO QUER FAZER UMA PROFUNDA REFORMA AGRÁRIA?

Isso sim bate de frente com os interesses da elite dominante, que dispõe de várias faixas de terra. Inclusive é o caso de fazendeiros brasileiros que, em uma área mais fronteiriça, têm enormes fazendas de exportação de soja. Mas o Evo é suficientemente inteligente pra perceber que não pode destruir o sistema produtivo porque se o fizer, quebra a economia boliviana. Justamente por isso é que optou por não ser uma medida retroativa. Esta constituição não causa uma fenda grande, a não ser que a elite continue a ameaçar recessão, o que com certeza não receberá apoio do restante da América Latina.

MAS AINDA ASSIM, NÃO COMPROMETE O FUTURO DA ECONOMIA BOLIVIANA?

Não, até porque a grande força da economia boliviana ainda é a produção mineral, cobre e estanho. Mas quanto à produção agrícola, o fato de não ser retroativo significa que o que existe será mantido e acontecerá uma convivência entre dois sistemas: latifúndios e minifúndios. Se essa convivência vai comprometer a economia boliviana, temos que esperar pra ver.

A Bolívia perdeu sua única saída para o mar após a chamada Guerra do Pacífico (1879-84).

NA NOVA CONSTITUIÇÃO ESTÁ PREVISTO QUE TERÃO "O DIREITO IRRENUNCIÁVEL E IMPRESCRITÍVEL SOBRE O TERRITÓRIO DE ACESSO AO OCEANO PACÍFICO". ISTO CAUSARÁ DESAVENÇAS COM O PAÍS VIZINHO?

Não necessariamente. O Chile acenou com a possibilidade de rever os termos da perda do território e negociar essa saída para o mar para a Bolívia. Por isso não acredito na possibilidade de atrito. Até porque existe muita colaboração entre os países. A não ser que a Bolívia queira recuperar todo o seu território.

A NOVA CONSTITUIÇÃO BOLIVIANA TEM ALGUM IMPACTO PARA A AMÉRICA LATINA?

A Bolívia é um país historicamente instável, essa constituição pode ser um fator que traga estabilidade na medida em que ela contempla a população alijada dos processos decisórios, embora desagrade a elite boliviana. Mas tudo irá depender de como se dará a coexistência desses dois segmentos. Tratam-se de índios e não-índios, mas que na verdade é uma luta de classes, ricos e não-ricos. Tudo dependerá da conciliação entre classes. E que Evo não siga o caminho de Chávez. Embora a Venezuela tenha ajudado a Bolívia, Evo não pode se atrelar demais à Venezuela.

O SENHOR QUER DIZER QUE HUGO É UM EXEMPLO PERIGOSO PARA EVO MORALES?

Na medida em que Chávez radicaliza para se eternizar no poder, sim.

ESTE NOVO REFERENDO PREJUDICA AS RELAÇÕES ECONÔMICAS ENTRE BRASIL E BOLÍVIA?

Não necessariamente. O grande ponto que poderia gerar algum atrito é a questão da terra.

Mas acredito que isto será respeitado, justamente para evitar problemas. Há uma certa cumplicidade do Presidente Lula com o processo político boliviano, até porque ele não quer que o Brasil piore sua imagem de imperialista na região.

EXISTE ALGUMA OUTRA EXPERIÊNCIA HISTÓRICA SEMELHANTE AO QUE HOJE OCORRE NA BOLÍVIA?

Isto é uma tendência. Tem ocorrido uma busca por recompensar os povos historicamente excluídos de processos decisórios. Na conquista dos direitos civis por parte dos negros norte-americanos, mais recentemente no fim do Apartheid na África do Sul, as cotas no Brasil. Isto, porque democracia é mais do que eleitoral. Ela deve ser partilhada entre os que contribuem com a riqueza nacional, ou seja, todos.”

PETROBRAS ANUNCIA DESCOBERTA DE RESERVA DE GÁS NA BACIA DE SANTOS

O portal UOL publicou há poucas horas o seguinte texto da Folha Online:

“A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que o consórcio formado pela empresa e a Repsol, para a exploração do bloco BM-S-7, descobriu a presença de espessa coluna de gás em reservatórios acima da camada de sal na bacia de Santos, no Estado de São Paulo.

A empresa informou que a descoberta ocorreu com a perfuração do poço 6-BRSA-661-SPS (6-SPS-53), localizado em águas rasas da parte sul da bacia.

A Petrobras é a operadora do consórcio com 63% de participação. A Repsol tem 37%.

Este poço está localizado a cerca de 210 km a sudeste da cidade de Santos, na costa do Estado de São Paulo, em local onde a profundidade é de 214 metros. Sua perfuração faz parte das atividades exploratórias do Plano de Avaliação do poço 1-BSS-68, aprovado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás), que havia constatado a presença de gás em reservatórios arenosos da seção pós-sal.

A descoberta foi confirmada através de testes realizados nos reservatórios situados a partir de 3.970 metros de profundidade.

O consórcio informou que dará continuidade às atividades exploratórias com da realização de testes de formação a serem realizados nos intervalos de gás já constatados, quando então será possível declarar a comercialidade desta jazida.

A Petrobras afirmou ainda que esta descoberta tem grande importância devido ao potencial de produção de gás em águas rasas no sul da bacia de Santos.”

INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO BATE O RECORDE DE US$ 45,06 BI EM 2008

O jornal Valor Online publicou ontem a seguinte reportagem de Azelma Rodrigues (li no UOL):

“A entrada de investimentos externos diretos (IED) líquidos no país foi de US$ 45,060 bilhões no ano passado completo, montante recorde e superior àquele previsto pelo Banco Central (BC) para o período, de US$ 40 bilhões.

Na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), o IED fechou equivalente a 2,84%. Em 2007, houve ingresso de US$ 34,585 bilhões (2,59% do PIB). Conforme nota do BC, o resultado de US$ 45,060 bilhões em 2008 foi o mais elevado na série história, iniciada em 1947.

Em dezembro apenas, foi registrada entrada de US$ 8,117 bilhões em investimentos externos diretos, melhor do que os US$ 886 milhões apurados em igual mês de 2007.

Os dados levam em conta também os empréstimos intercompanhias, aqueles feitos pela matriz da multinacional para a subsidiária brasileira. Além disso, abatem as remessas feitas por conta de ganho do capital investido.

Do total ingressado em 2008, US$ 30,064 bilhões foram participação no capital. Foram contabilizadas também entradas líquidas de US$ 14,996 bilhões em empréstimos intercompanhias.

Os investimentos diretos de companhias brasileiras no exterior (IBD) somaram US$ 20,457 bilhões. Um ano antes, as saídas ficaram em US$ 7,067 bilhões.”

ANALISTAS VEEM MAIOR PODERIO MILITAR

O jornal O Estado de São Paulo ontem publicou o seguinte texto de Wilson Tosta:

COMPRAS RECENTES DEVEM EQUIPARAR CAPACIDADE À DE PAÍSES COMO ESPANHA E ITÁLIA, LEVANDO A MAIOR PROTAGONISMO

“Especialistas em defesa ouvidos pelo Estado afirmam que as compras de material militar recentemente fechadas pelo governo não apenas repõem a capacidade bélica do País, mas também apontam para uma alteração, a longo prazo, do peso político-estratégico do Brasil no mundo. Segundo esses pesquisadores, as Forças armadas brasileiras continuarão distantes de países líderes no setor, como Estados Unidos, Rússia e China, e das potências europeias, como Reino Unido, França e Alemanha. Mas o País poderá aspirar a uma capacidade próxima da de outras nações da Europa, como Espanha e Itália, e assumir maior protagonismo internacional - exigível de um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, desejo da política exterior brasileira.

“É um processo de reposição e ao mesmo tempo de modernização”, diz Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp). “Desde 1995, as Forças armadas vêm sofrendo um processo de desmonte. Ficamos desatualizados em termos de tecnologia militar.”

A movimentação na área estratégico-militar foi intensa nos últimos três meses. Incluiu a compra de 63 helicópteros - 12 da Rússia e 51 da França -, a aquisição, também dos franceses, de quatro submarinos Scorpène e da tecnologia do casco do submarino nuclear, além da construção de um estaleiro para montar as embarcações e uma nova base naval no Rio. Também foi lançada a Estratégia Nacional de Defesa, documento de 64 páginas que lista 19 ações a serem iniciadas entre 2009 e 2010, para dinamizar a área.

TECNOLOGIA

Todo o processo tem como prioridade a transferência de tecnologia. A mesma preocupação pautará a concorrência para os 36 novos jatos de ataque. A operação prevê que esse lote inicial seja seguido de outros até o total de 120 a 150 aeronaves.

Para Cavagnari, as compras vão alterar o peso estratégico do Brasil, porque vão “repor e renovar” as perdas das Forças armadas desde 1995. No caso dos submarinos, ele destaca que as quatro unidades convencionais compradas da França serão as mais avançadas da frota.

A alteração maior de poder bélico, contudo, virá com a entrada em operação do submarino nuclear - previsto para 2020. Com ele, explica o pesquisador, “cresce o perfil político-estratégico do Brasil na América do Sul e no Atlântico Sul”.

Cavagnari pondera, porém, que a mudança não colocará o Brasil entre as grandes potências militares. “O Brasil aspira a um assento no Conselho de Segurança, quando não é nem potência militar convencional. Então, se o Brasil quer um assento militar, tem de ser reconhecido como potência militar.”

Doutorando no Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e contra-almirante da reserva, Antônio Ruy de Almeida Silva destaca que o que acontece é uma recomposição de equipamentos das Forças armadas. “Já a questão do submarino nuclear, para longo prazo, é uma mudança estratégica”, diz ele, que também integra o Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Um país que tenha um submarino nuclear entra num seleto grupo de países do mundo, principalmente se domina a construção desse submarino. É uma mudança de patamar tecnológico e também no campo estratégico.”

Ele destaca a importância da transferência de tecnologia: “Por exemplo, na Guerra das Malvinas, quando os argentinos quiseram usar os (mísseis) Exocet, precisaram de mais, mas houve restrições”, conta. “No uso do satélite também.”

Silva afirma que hoje o País tem um peso estratégico muito superior à sua capacidade militar. “O Brasil hoje conquista muita coisa pelo seu soft power, a capacidade de se articular com os países do mundo”, explica. “O Brasil está com esse descompasso entre seu soft power e sua capacidade militar.”

CONTRAPONTO

O professor da Universidade Cândido Mendes (Ucam) Márcio Scalércio, mestre em história e doutorando em relações internacionais na PUC do Rio, tem posição diversa. “Acho que essas compras são feitas com o objetivo, que acho mais importante, de o País saber o que se passa no seu território.”

Scalércio destaca, porém, que pelo prazo das aquisições pode-se dar início a uma política de Estado, não de governo, para a defesa. “É uma política mais ampla, porque a aquisição desse material implica também uma reestruturação das Forças armadas para que usem adequadamente esse material.”

MORALES COMEMORA APROVAÇÃO DE CONSTITUIÇÃO EM REFERENDO

A agência de notícias inglesa BBC divulgou ontem (li no UOL):

“O presidente da Bolívia, Evo Morales, comemorou neste domingo à noite a vitória do "sim" no referendo sobre a nova Constituição do país, depois que três emissoras de televisão locais anunciaram que cerca de 60% dos eleitores respaldaram o texto, segundo pesquisas de boca-de-urna.

Da varanda do Palácio presidencial Queimado, diante de uma praça Murillo lotada, em La Paz, Morales declarou: "Aqui acabou o Estado colonial. Acabou o neoliberalismo. E a partir de agora os recursos naturais são do povo e nenhum governo poderá, jamais, mudar essa situação".

Até a madrugada de segunda-feira, apenas 10% das urnas haviam sido apuradas. Quarenta por cento dos eleitores optaram pelo "não".

O Tribunal Nacional Eleitoral boliviano tem um mês para encerrar a contagem do votos.

Em frente à multidão, Morales disse ainda que, com o resultado, começa "uma nova Bolívia, com maior dignidade para o povo boliviano". Em meio a fogos de artifício e erguendo bandeiras da Bolívia, a multidão gritava: "Evo, Evo".

Em nova mensagem à oposição, cujo reduto é uma região conhecida como "meia-lua", o presidente disse: "Felizmente, aqui não houve empate. E há um só ganhador: a Constituição. Em vez de meia-lua, será uma lua cheia".

Morales afirmou que convocará todos os prefeitos (governadores) e parlamentares para a implementação da nova Carta. Oposição

Até o fim da noite de domingo, a Corte Nacional Eleitoral não tinha divulgado dados oficiais. Mas se em La Paz - maior colégio eleitoral da Bolívia -, Cochabamba, Potosí e Oruro foi comemorada a vitória do "sim", nas regiões dominadas pela oposição - Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca - houve festa nas ruas pela vitória do "não".

Os governadores desses Departamentos (Estados) opositores declararam que não reconhecem o resultado nacional.(...)”

GOVERNO TERÁ ATÉ 25% DO CAPITAL DA AVIBRAS

O jornal Valor Econômico publicou ontem a seguinte reportagem de Marli Olmos, de Jacareí:

Com a recuperação judicial recém-aprovada, a Avibras, maior empresa de equipamentos de defesa do país, começou a renascer. O dinheiro obtido com o envio do primeiro lote de um novo contrato de exportação permitiu à empresa saldar seu passivo trabalhista, parte das dívidas com fornecedores e ainda abrir uma quantidade de postos de trabalho maior do que fechou em 2008.

Agora começa o processo por meio do qual os créditos de órgãos governamentais serão convertidos em participação acionária. A expectativa é que até o fim deste ano o governo passe a ter entre 15% e 25% da companhia. Até lá, o caixa também será reforçado com pelo menos mais quatro contratos de exportação, prestes a serem firmados com as Forças armadas de países da Ásia, Oriente Médio e América do Sul.

Quando pediu a recuperação judicial em julho passado, a Avibras, uma empresa fundada no início dos anos 60, já não tinha forças para manter a operação nas quatro fábricas na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Total de 340 pessoas foram demitidas sem dinheiro. A soma das dívidas com trabalhadores, fornecedores e governo chegou a R$ 641 milhões.

Mas um contrato de valor próximo ao total da dívida com um cliente da Ásia que a empresa prefere não citar o nome chegou em boa hora. Foi com esse reforço que a empresa começou a preparar seu plano de recuperação. O primeiro passo foi saldar a dívida trabalhista, de R$ 9 milhões, em quatro parcelas. Boa parte dos empregados que finalmente receberam seus direitos foi novamente chamada para trabalhar no início de novembro e ajudar nas entregas do primeiro lote de exportação de sistemas de lançadores de mísseis. Total de 400 vagas foram abertas há dois meses, o que levou a empresa a ultrapassar a marca dos mil empregos. Agora a empresa se prepara para abrir pelo menos mais 100 postos ainda este mês.

O segundo passo foi honrar a dívida com os pequenos fornecedores. O volume de dinheiro envolvido nessa etapa é muito menor do que a empresa deve aos grandes fornecedores. No entanto, ajuda a Avibras a estar em dia com um grande contingente de empresas, como explica Sami Hassuani, presidente da empresa. Dos R$ 7 milhões de dívidas com fornecedores, R$ 700 mil eram devidos a 460 empresas. Essa parte foi quitada.

Os R$ 6,3 milhões restantes precisam ainda ser pagos a um total próximo de 70 grandes empresas. Para essa missão, Hassuani explica que a direção da empresa fez uma verdadeira peregrinação batendo de porta em porta para negociar. O saldo foi favorável: todos aceitaram receber em oito parcelas.

O maior credor é o governo. Além de tributos, a Avibras deve dinheiro para o INSS, Banco do Brasil e Finep (financiadora de projetos), entre outros. A proposta de trocar dívidas por ações da empresa surgiu, segundo Hassuani, depois de uma ampla discussão entre quatro Ministérios (Defesa, Desenvolvimento, Fazenda e Relações Exteriores).

Com a aceitação da idéia de ser sócio de uma empresa que pode ser estratégica para a defesa brasileira, governo e Avibrás deram início a um amplo processo por meio do qual as contas da empresa serão minuciosamente auditadas. Com a ajuda de uma auditoria e de uma consultoria serão processados diversos relatórios. Somente no final desse processo é que será definido o tamanho da fatia de participação do governo federal na companhia. A nova estrutura precisa ser aprovada em assembléia de acionistas.

O governo será minoritário, mas sua participação é relevante. Já está acertado que a União terá uma "golden share", que lhe permitirá impedir contratos com os quais não concorde. A exemplo do que existe hoje na Embraer, que, além de vizinha da Avibrás, surgiu em moldes muito semelhantes: da vontade de ex-integrantes do ITA de fazer do Brasil um produtor de equipamentos de defesa.

"O governo percebeu que é importante estar dentro de uma empresa de defesa", destaca Hasuani, satisfeito com a notícia que recebeu do Ministério da Defesa, no dia 12, de que o pedido de recuperação judicial fora aceito.

O executivo afirma que a situação financeira da companhia começou a ficar ruim pelo próprio contingenciamento de orçamento da União. "O problema é que todas as nossas dívidas estava vinculadas a programas militares que repentinamente sofriam contingenciamento", afirma. "Pegávamos o dinheiro e investíamos em programas que não raras vezes avançavam não mais do que 15%."

Hassuani é um executivo da Avibras que assumiu o comando da companhia depois que João Verdi de Carvalho Leite, o fundador da empresa, e a sua esposa desapareceram quando o helicóptero que ele pilotava caiu em alguma parte entre Angra dos Reis (RJ), de onde voltavam, e São José dos Campos (SP), onde moravam. Isso aconteceu há um ano.

Até hoje eles não foram encontrados. O único herdeiro, João Brasil Carvalho Leite, foi nomeado curador dos bens do pai. É, portanto, hoje dono de 70% das ações da companhia.

Carvalho Leite viveu a época de glória e também de fracasso da Avibras. Nos anos 80 a atividade era garantida pelas encomendas das Forças armadas. Segundo Hassuani, entre 1987 e 1988, o faturamento anual chegou aos US$ 500 milhões. No ano passado, a receita ficou em R$ 103 milhões e, em 2007, R$ 55 milhões.

Para Hassuani, o que persegue a empresa há pelo menos 15 anos é a falta de crédito. "Temos as fábricas, o conhecimento e as máquinas para produzir sem investir", afirma.

Segundo ele, a Avibras consegue faturar pelo menos meio bilhão de reais por ano apenas colocando gente. "Com o que já temos poderíamos ir a 3 mil ou até 4 mil funcionários", diz.

O que entusiasma o executivo agora são as perspectivas dos contratos futuros. Hassuani explica que a empresa está negociando 13 novos contratos de exportação.

Desses, quatro estão bem adiantados e podem ser assinados ainda neste ano. Além das perspectivas de receita nova vindo do exterior, Para ele, uma vez saneada, a Avibras passará a ter crédito e, assim, colocar a casa em ordem.”

ELE TEM R$ 1 BILHÃO PARA GASTAR

A revista Isto É Dinheiro traz a seguinte reportagem de Gustavo Gantois:

“Com um plano ambicioso de modernização dos aeroportos, o brigadeiro Cleonilson Nicácio, novo presidente da Infraero, será um dos grandes investidores do País em 2009.

A fala mansa e pausada contrasta com a agitação corriqueira dos aeroportos. Aos 60 anos, o brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva decidiu deixar a farda da Aeronáutica no cabide por mais um tempo para assumir a presidência da Infraero.

A estatal não é nenhuma novidade para ele, que desde agosto de 2007 despachava como diretor de Operações. Na nova função, um tema que ele não comenta, por disciplina, é a privatizacão dos aeroportos. Mas a verve militar é logo desarmada por um comentário que revela a prioridade do brigadeiro. "Vamos investir quase R$ 1 bilhão neste ano em todos os aeroportos", avisa. "Qual empresa privada poderia fazer isso?"

De todo o dinheiro anunciado, porém, nem tudo será gasto por Nicácio. Como em julho ele completará dois anos fora da Aeronáutica, terá de voltar ao quadro militar caso não queira ir compulsoriamente para a reserva. E há um motivo bastante forte para não perder o prazo de retorno: ele é um dos oficiais mais cotados para suceder o brigadeiro Juniti Saito no comando da Aeronáutica a partir de 2011, quando se tornará o mais antigo entre os integrantes do Alto Comando da FAB - e o critério do Palácio do Planalto para nomear o comandante tem sido o de antiguidade. "Se nada mudar até lá, quero fechar minha carreira dessa forma", confessa.

Contudo, ainda há muito trabalho pela frente. No plano de investimentos de Nicácio consta a aquisição de 20 ambulâncias, de 121 ônibus que substituirão os terceirizados e a construção de 15 torres de controle novas.

A construção de dois novos aeroportos, os de Cruzeiro do Sul, em Santa Catarina, e de Boa Vista, em Roraima, também estão na sua lista. Fazem parte de uma estratégia de pequenos aeroportos que vem sendo montada desde os tempos em que Nicácio era diretor de Operações e defendia a descentralização para desafogar os grandes centros.

Nesse ponto, o presidente da Infraero gosta de citar uma pesquisa feita pelo Conselho Internacional de Aeroportos, que aponta os de Brasília, Guarulhos e Salvador como mais pontuais do que Orly, em Paris, Heathrow, em Londres, e John Kennedy, em Nova York. Para a próxima edição da pesquisa, Nicácio quer incluir o aeroporto do Recife. "Não estamos devendo nada aos outros", defende o brigadeiro. É por isso que Nicácio garante que, no que depender dos aeroportos, o Brasil já está pronto para a Copa de 2014. "Estou mais preocupado com Goiânia do que com o Galeão", diz, fazendo menção à paralisação da reforma na capital goiana por conta de indícios de superfaturamento constatados pelo Tribunal de Contas da União.

Aliás, é só entrar nesse assunto que o presidente da Infraero muda de humor. Além de Goiânia, o TCU listou irregularidades nos aeroportos de Macapá, Vitória, Belém e Guarulhos. A bem da verdade, é rescaldo de administrações passadas, tanto que a Casa Civil assumiu para si a solução dos problemas envolvendo as obras. "Em três meses, a situação estará normalizada e poderemos retomar os trabalhos", diz Nicácio. "Mas garanto que, em hipótese alguma, a Infraero poderá tomar partido das empreiteiras."

Enquanto o processo não se regulariza, ele tem tratado com afinco da operacionalização dos aeroportos mais problemáticos. A reforma do Galeão, cercada de polêmica, já está servindo de modelo para Guarulhos. "Se antes eu falava para a diretoria que Guarulhos teria de servir de referência para o Galeão, hoje já digo o contrário", afirma o brigadeiro.

O investimento, ao contrário do que podem pensar os críticos, não é apenas para aliviar o Santos Dumont. "Não queremos voltar à situação de desconforto que existia antes", justifica Nicácio. "Hoje o sistema está balanceado, um grande aeroporto com um grande tráfego e um aeroporto menor com um movimento menor. Mas poderemos, ainda, transferir para ele os voos particulares." O mesmo deve ocorrer com o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, também alvo de companhias aéreas interessadas na centralização do aeroporto mineiro.

As pressões são grandes. E o tempo de Nicácio é curto. Mas, para alguém que almeja chegar ao topo da carreira militar, lidar com esses problemas não será um grande desafio.”

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O GRAMPO SEM ÁUDIO NÃO TINHA ÁUDIO, NÃO ERA GRAMPO. O QUE ERA? O GOLPE DE ESTADO DE DIREITA!

Li hoje no site “Conversa Afiada”, o seguinte interessante texto escrito no modo peculiar, inteligente e irônico, do jornalista Paulo Henrique Amorim:

GILMAR E DEMÓSTENES: E AGORA? O GRAMPO NÃO TEM ÁUDIO NEM AUTOR...

“Na Folha (*) de sábado, na página A4, há um texto que diz que as investigações intensivas da Polícia Federal chegaram à inexorável conclusão: o grampo sem áudio não tem áudio e não é grampo.

E não se sabe quem grampeou…

Como dizia o ínclito delegado Protógenes no Roda Morta: grampo sem áudio não é grampo.

Como diz uma assessora do ínclito Paulo Lacerda, a Cynara Menezes, da Carta Capital: grampo sem áudio é homicídio sem cadáver.

(Só Lillian Witte Fibe acredita que grampo sem áudio é grampo…)

O que era então o grampo sem áudio que não tem áudio nem autor e nem é grampo?

Para que serviu?

Serviu para o Presidente do Supremo Gilmar Dantas, segundo Ricardo Noblat, chamar o presidente Lula “às falas” – e o presidente que tem medo se submeteu a ser chamado “às falas”…

Imediatamente, o Presidente que se deixou chamar “às falas” demitiu o ínclito delegado Paulo Lacerda.

O Ministro serrista - já integrado à Campanha “Serra 2010” - Nelson Jobim produziu uma prova definitiva para desmoralizar o Serviço de Inteligência do Brasil: uma babá eletrônica que “fez” o grampo que não tem áudio, não tem autor e não é grampo.

O trabalho do PiG, articulado por Gilmar Dantas (segundo Noblat), foi, então, “contaminar” a Operação Satiagraha.

O PiG seguiu a estratégia do bandido condenado, Daniel Dantas: como é impossível se defender das acusações contidas na Satiagraha, o negócio é fazer a Satiagraha deixar de existir, matá-la, vítima de “contaminação”.

Agora, o PiG esconde a informação de que o grampo não tem áudio, não tem autor e nem existe.

Quem fabricou o grampo?

A Polícia Federal chegou à conclusão de que o grampo não tem autor.

Ninguém grampeou.

Então, quem grampeou o grampo da Veja?

A Veja?

Mas, como, se o Supremo Presidente Gilmar Dantas (segundo Noblat) e o senador Demóstenes Torres dizem que aquela conversa captada pelo “grampo” de fato existiu?

Será que existiu?

Ou o Presidente Supremo do Supremo e o nobre Senador inventaram essa estória em conluio com a Veja?

É uma HIPÓTESE que se deve considerar, diante do fato de que o grampo não tem áudio, não tem autor e sequer existe.

Ou, se a conversa de fato existiu, quem transformou essa conversa num suposto (“suposto” é como o William Bonner chama os gatunos brancos de olhos azuis) grampo?

Quem disse a Veja que era um grampo?

Quem contou essa estória, de um grampo que não tinha áudio nem autor e a Veja acreditou?

E só a Witte Fibe acreditou que a Veja agiu de boa fé, quando NÃO disse que o grampo NÃO tinha áudio.

Quem inventou essa estória e envolveu a credibilidade do Presidente da Suprema Corte, Gilmar Dantas (segundo Noblat) e o nobre senador de Goiás, Demóstenes Torres numa patranha?

A Veja cometeu algum crime?

Como é que uma revista sai por aí a produzir grampos que não existem para comprometer a segurança da República e o Serviço Nacional de Informações?

Caro leitor.

Vamos supor que a revista Time invente um grampo que não tem áudio nem autor e nem existe e só para desmoralizar a CIA.

E envolve na patranha um senador da República (de oposição), o Presidente da Suprema Corte e o Presidente da República?

Isso, caro leitor, sairia barato?

Em qualquer país sério do mundo, uma medida judicial já teria fechado a Veja.

Ou ainda vai fechá-la?

Por que o SEBRAE anuncia nesta edição da Veja?

O Banco do Brasil e a Petrobrás vão continuar a anunciar na Veja?

As empresas do Governo Lula consideram apropriado financiar o Golpe para derrubar o Presidente Lula?

Ou essa é apenas uma questão técnica, a ser analisada pelos mestres de mídia programming do Ministério da Comunicação Social?

Qualquer dúvida, perguntem aos gênios da mídia Andrea Matarazzo e Nizan Guanaes que sabem que critérios técnicos justificam anunciar na Veja e no PiG.

Eles eram mestres disso, no Governo do Farol de Alexandria!

O grampo da Veja, o grampo sem áudio, o grampo sem autor, o grampo do Supremo Presidente – isso nada mais era que o Golpe de Estado de Direita.

Para quê?

Para proteger os ricos que estão nos 12 HDs da parede falsa do apartamento bandido condenado.

Para proteger os que investiam nos fundos do Opportunity para não pagar imposto de renda e lavar dinheiro.

Agora, vai ficar mais difícil.

A questão saiu das mãos do Gilmar Dantas (segundo Noblat).

Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha legitimaram a Satiagraha do ínclito delegado Protógenes, depois da ação vigorosa e competente do Delegado Romeu Tuma Jr., o homem certo lugar certo.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha congelaram US$ 2 bilhões do bandido condenado e seus “clientes”.

E o grampo sem áudio?

Deve estar escondido com aqueles 12 HDs”.

A CAMPANHA PARA "ENTREGAR" O PETRÓLEO DO BRASIL

No site ”Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, consta hoje a seguinte entrevista do novo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira (FS), ao “Correio da Cidadania” (CC), representado por Gabriel Brito, jornalista, e Valéria Nader, economista e editora do Correio da Cidadania:
:

CORREIO DA CIDADANIA: NO ÚLTIMO MÊS DE 2008, VIERAM A PÚBLICO INFORMAÇÕES A RESPEITO DE EMPRÉSTIMOS QUE A PETROBRÁS VEM TOMANDO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E DO BANCO DO BRASIL. OS COMENTÁRIOS ACERCA DO TEMA SÃO EXAGEROS E TAIS OPERAÇÕES PODEM SER CONSIDERADAS ROTINA DE UMA EMPRESA DE TAL PORTE OU HÁ SINAIS DE QUE A ESTATAL ESTARIA PASSANDO POR DIFICULDADES EM SUAS CONTAS?

FERNANDO SIQUEIRA: A meu ver, todo este estardalhaço do noticiário faz parte de uma nova campanha de descrédito da Petrobrás perante a opinião pública, visando desacreditá-la como capaz de desenvolver a produção do pré-sal, uma descoberta monumental, que tem reservas seis vezes maiores que as existentes até hoje. Já vimos esse filme.

Em 1995, houve forte participação da mídia na defesa da quebra do Monopólio Estatal do Petróleo. Foi montada uma campanha sórdida na mídia contra as estatais em geral e a Petrobrás em especial. A Veja, por exemplo, na ocasião fez uma matéria de dez páginas atacando a empresa com informações absurdamente falaciosas e não aceitou o direito de resposta nem mesmo como matéria paga, desrespeitando o artigo 5º da Constituição.

No caso presente, essas operações financeiras são feitas como de rotina, mas receberam um destaque na mídia muito maior do que, por exemplo, o caso da americana AES, que na privatização adquiriu a Eletropaulo com dinheiro do BNDES, remeteu lucro para o exterior e não pagou a dívida com o Banco.

Portanto, é uma operação de rotina da Petrobrás usada como pretexto para uma nova campanha da grande mídia que faz o jogo dos seus anunciantes, ou seja, as corporações multinacionais.

Outro fato: em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobrás no Conselho de Administração (CA) por seis conselheiros do setor privado, alguns representantes do sistema financeiro internacional, ficando o CA com nove membros externos. Este CA decidiu por uma economia forçada na empresa, cortando promoções e até despesas com papel higiênico. Objetivo: tentar mostrar ao povo que a empresa está com dificuldades financeiras e não pode conduzir o pré-sal.

CC: A PARTIR DOS EMPRÉSTIMOS, COMEÇOU A SE AVENTAR QUE NA VERDADE O PROBLEMA DA PETROBRÁS É ADMINISTRATIVO, POIS FORAM ANOS COLHENDO GRANDES LUCROS, COM IMPORTANTES NEGÓCIOS INCLUSIVE FORA DO PAÍS. ESSE RACIOCÍNIO PODE SER CONSIDERADO VÁLIDO?

FS: Eu não diria que a atual administração tem a competência ideal, pois além da permanência da maioria do segundo escalão do governo FHC, há alguns gerentes nomeados mais por militância do que por competência. Mas, ainda assim, ela consegue ser muito melhor do que as administrações de Reichstul e Francisco Gros.

Durante a gestão Reichstul, a Petrobrás teve 62 acidentes sérios em dois anos, contra uma série histórica de menos de um acidente grave por ano de 1975 a 1998.

Este fato, inclusive, nos levou a suspeitar de sabotagem para jogar a opinião pública contra a Petrobrás. E, a partir de nossas denúncias, os acidentes cessaram. O objetivo era desmoralizar a empresa para desnacionalizá-la. Reichstul chegou a mudar seu nome para Petrobrax com esse objetivo. Ele também desmontou a equipe de planejamento estratégico da Petrobrás, entregando-o à empresa americana Arthur De Little, presidida por seu amigo Paulo Absten.

E esta fez um planejamento catastrófico. Definiu a ida para o exterior e a compra de ativos podres na Bolívia, Argentina e Equador como problemas. Ele dividiu a Petrobrás em 40 unidades de negócio para desnacionalizá-la, conforme preconizado pelo Credit Suisse First Boston.

Francisco Gros, segundo sua biografia publicada em revista da Fundação Getulio Vargas, voltou ao Brasil como diretor do banco Morgan Stanley com a missão de assessorar as empresas americanas no processo de privatização brasileiro. Gros foi para a diretoria do BNDES (que comandou o processo) e acumulava a direção daquele banco com o Conselho de Administração da Petrobrás. Com a saída de Reichstul, ele assumiu a presidência da empresa e, em discurso em Houston (EUA), logo após a posse, declarou que a Petrobrás passaria de empresa estatal para empresa privada de capital internacional. Nós barramos esse seu intento. Mas outro grande estrago foi feito.

CC: QUANTO AOS ACIDENTES, O ANO COMEÇOU COM O SURGIMENTO DE OUTRO TEMA PREOCUPANTE: A MORTE DE UM FUNCIONÁRIO, TERCEIRIZADO, NA BACIA DE CAMPOS. DESDE 95, SÃO 273 MORTES, SENDO 220 DE PESSOAS LIGADAS A EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS; EM 2008, FORAM 15 OS ACIDENTES FATAIS. O QUE PODE SER DITO DESSES NÚMEROS E DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS FUNCIONÁRIOS, ESPECIALMENTE DAQUELES QUE REALIZAM AS TAREFAS DE MAIOR MARGEM DE RISCO?

FS: A terceirização é outro problema sério. Faz parte do plano de ataque à integridade da Petrobrás. Além disto, é uma exploração da mão-de-obra de pessoas que, em sua maioria, são usadas para dar lucro a gigolôs de mão-de-obra. Essas pessoas não têm a menor garantia, como encargos sociais, treinamento ou planos de saúde. De modo geral, são contratados via cooperativa ou são obrigados a criar uma empresa para que os encargos sociais e impostos sejam reduzidos.

Lembro que quando o Credit Suisse First Boston coordenou a venda da YPF argentina para a Repsol, antes da privatização, a YPF passou de 37.000 para 7.000 empregados, contratando os demitidos como terceirizados. O mesmo banco entregou ao governo Collor um plano de privatização da Petrobrás. Consistia em vender as subsidiárias e dividir a holding em novas subsidiárias para privatização. Terceirizar era parte do plano.

Collor começou o processo. Itamar Franco, nacionalista, o interrompeu, mas FHC o retomou, tendo elaborado projeto de lei que cria subsidiárias sem ouvir o Congresso e dividido a Petrobrás em 40 unidades de negócio para transformá-las em subsidiárias e privatizá-las. Começou com a Refap do Rio Grande do Sul e pretendia fazer o mesmo com as demais 39 unidades. Parou porque, junto com os dirigentes do Sindipetro-RS, ganhamos uma liminar que suspendeu o processo.

CC: O DESLIGAMENTO DO INSTITUTO ETHOS, PEDIDO PELA PETROBRÁS NO FINAL DO ANO PASSADO, ACABOU GERANDO MUITAS CRÍTICAS À EMPRESA, QUE POR SUA VEZ TAMBÉM SAIU DISPARANDO CONTRA OS GOVERNOS DE SÃO PAULO E MINAS, ACUSANDO-OS DE CONSPIRAR CONTRA A IMAGEM DA ESTATAL. TER ADIADO A ADEQUAÇÃO DO COMBUSTÍVEL AOS PADRÕES AMBIENTAIS EXIGIDOS NÃO CONSISTE EM UMA ATITUDE NEGATIVA PARA A IMAGEM DA EMPRESA?

FS: Há informações da própria Petrobrás de que o Instituto Ethos fazia uma campanha insidiosa contra a empresa. Dizia, por exemplo, que a poluição da cidade de São Paulo era devida ao teor de enxofre no diesel, o que não procede. A poluição é formada por poeira, ozônio e outras partículas. Muito pouco tem a ver com enxofre.

Diz a empresa: "O diretor da Petrobrás classificou de ‘desinformada e irreal’ a crítica de que a empresa não teria se preparado para fornecer o diesel S-50". Ele destacou os investimentos realizados nas refinarias, no total de US$ 4 bilhões, que permitirão à empresa produzir o diesel. Atualmente, o produto está sendo importado.

O diretor ressaltou que somente o fornecimento de um diesel menos poluente não será suficiente para resolver os problemas de qualidade do ar das grandes cidades. Ele chamou atenção para a presença de veículos antigos na frota brasileira, além do tráfego elevado nas grandes cidades, como elementos que devem ser levados em conta. "Não basta só o combustível", afirmou.

Outra questão é que o Instituto alegava que a Petrobrás não cumpria a resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulava o teor de enxofre; segundo a empresa, não existe uma resolução do Conama que regule o índice de enxofre no diesel.

"A Procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Ana Cristina Bandeira Lins, destacou a iniciativa da Petrobrás em cumprir o acordo com o MPF. Ela esclareceu que a resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente regulamentava as emissões nos veículos com tecnologia P-6, que não estarão disponíveis no mercado brasileiro".

Lembro que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Elaborou o projeto de lei e fez com que o Congresso aprovasse a famigerada lei do petróleo (a Lei 9478/97) que contraria a Constituição, dando a propriedade do petróleo a quem o produz. Além disto, fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10 e 40%, quando no mundo os países exportadores recebem a média de 84% de participação e os da OPEP, 90%.

O governo do PSDB vendeu a Vale do Rio Doce por valor menor do que um milésimo do valor dos ativos e direitos minerários que ela detinha. Ou seja, o PSDB não gosta da Petrobrás. Nem do Brasil.

CC: QUAIS SÃO AS PROJEÇÕES DE INVESTIMENTO PARA 2009, EM MEIO À QUEDA DO PREÇO DO PETRÓLEO E ÀS EXPECTATIVAS QUANTO AO PRÉ-SAL?

FS: Segundo o presidente Gabrielli, em entrevista ao portal G1, de 22/12/2008, os investimentos de 2009 crescerão de R$ 50 bilhões para R$ 72 bilhões.

Entretanto, o planejamento estratégico da empresa, que inclui o pré-sal, ainda não foi fechado, tendo sido adiado para o final de janeiro. A queda atual do petróleo é temporária. O viés é de alta, em face de estarmos atingindo o pico de produção mundial.

Acho até que a atual crise mundial foi triplamente oportuna para os EUA:

1) o dólar estava despencando mundialmente, pois todos os países descobriram que, após a decisão unilateral de Nixon em 71, desobrigando o lastro-ouro para cada dólar emitido, havia US$ 3 trilhões emitidos; e foram emitidos mais 45 trilhões após 71, sem qualquer garantia. A débâcle do dólar quebraria o país (os emitentes de dólar são o Banco Central americano - o FED - e suas 12 filiais – todas privadas). A crise levou os investidores para os títulos do tesouro americano, ressuscitando o dólar;

2) Os EUA importam cerca de 5 bilhões de barris de petróleo por ano. A crise derrubou o preço do barril dando um enorme alívio à sua economia;

3) Os EUA estão montando um esquema de pressão e lobby para obter o pré-sal, tendo até reativado a 4ª frota. Com a queda brutal dos preços esse trabalho fica mais fácil, porque os brasileiros passam a achar o pré-sal inviável e reduzem o interesse e a mobilização em defesa dessa imensa riqueza, cada vez mais estratégica e mais escassa.

CC: UM ASSUNTO QUE PARECE AINDA INEVITÁVEL PARA ESTE ANO É O QUE SE REFERE AO ATUAL MARCO REGULATÓRIO DO PETRÓLEO. SERÁ NECESSÁRIA A MOBILIZAÇÃO POPULAR CONTRA O LOBBY EM FAVOR DOS ESTRANGEIROS OU O GOVERNO PODERÁ DAR CONTA DE REALIZAR AS ALTERAÇÕES DESEJADAS PELOS SETORES MAIS NACIONALISTAS E PROMETIDAS PELO PRÓPRIO LULA SEM ESSA MOBILIZAÇÃO?

FS: O governo precisa muito da participação popular na defesa do nosso petróleo. Ele vem sofrendo pressões terríveis contra a mudança do marco regulatório, altamente pernicioso para o país. Há duas fontes poderosíssimas comandando esse lobby:

1) Os Estados Unidos, que consomem cerca de 10 bilhões de barris por ano e só têm 29 bilhões de reservas. O pré-sal representa para eles cerca de 9 anos de consumo;

2) O cartel internacional do petróleo, formado pelas sete irmãs, e que domina o setor há 150 anos com todo tipo de ações pouco recomendáveis, como suborno, deposição e assassinato. Agora esse cartel está vendo ameaçada sua sobrevivência pelo fato de suas reservas minguarem para apenas 3% das reservas mundiais, contra 65% em poder das 8 "irmãs" estatais: Saudi Aramco (Arábia Saudita), INOC (Irã), Petrochina, Petronas (Malásia), Gazprom (Rússia – renacionalizada), Petrobrás, PDVSA (Venezuela) e Pemex (México). O Financial Times publicou matéria que prevê menos de 5 anos de vida ao cartel se a situação de suas reservas permanecer assim. Eles não vão aceitar esta morte facilmente.

Há, portanto, um lobby pesado pela manutenção do marco regulatório, que favorece muito os EUA e o cartel das irmãs. Ocorreram quatro audiências públicas e seminários no Senado Federal em 2008. Cada um com cerca de cinco mesas. Cada mesa com pelo menos dois lobistas. Estavam lá nomes como: João Carlos de Luca, presidente da Repsol (empresa espanhola adquirida pelo banco Santander - braço do Scotland National Bank Corporation, de capital Anglo-Saxão); David Zilberstajn - ex-diretor da ANP, que iniciou os leilões dotando os blocos de áreas 220 vezes maiores que os blocos licitados no Golfo do México; Eloi Fernandes, idem a Zilberstajn; Adriano Pires, lobista do Instituto Liberal, criado pela Shell para ajudar a derrubar o monopólio do petróleo; Jean Paul Prates, idem a Adriano. E muitos outros.

Nós enviamos uma carta ao Senado reclamando nossa participação como contraditório. Numa das audiências nos concederam cinco minutos para falar. O lobby é poderoso.”

PARA O BRASIL VOLTAR A SER POTÊNCIA

O jornal “Estado de Minas” ontem publicou a seguinte reportagem de Paola Carvalho:

A indústria bélica brasileira já esteve entre as 10 maiores, mas passou por paralisia nos últimos 20 anos.

PLANO DE RECUPERAÇÃO PREVÊ MAIS CAPITAL E DESONERAÇÃO DE IMPOSTOS

O Brasil pode estar longe de se tornar uma potência quando o assunto é indústria bélica. Em 2009, contudo, vai dar largo passo rumo aos maiores mercados mundiais. A Estratégia Nacional de Defesa, primeiro documento de Estado que estabelece diretrizes para o setor, prevê desoneração tributária, regulamentação para exportação e linha de crédito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao mesmo tempo, o plano exige injeção de recursos. No primeiro ano de implementação, o orçamento das Forças Armadas Brasileiras (FAB) para custeio e investimento vai saltar de R$ 1 bilhão para R$ 4 bilhões, segundo o general José Elito, secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa.

A indústria militar brasileira já esteve entre as 10 maiores do planeta, mas praticamente estagnou-se a partir da década de 1990, uma vez que a nova república via o setor como de guerra, e não de defesa.

O vice-presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Material de Defesa (Abimde), Carlos Afonso Gambôa, explicou que, nesses 20 anos de “paralisia”, o Brasil conseguiu, mesmo assim, estabelecer relações comerciais externas e produzir equipamentos de destaque.

A falida Engesa exportava caminhões e blindados para Ásia e África. O tanque batizado de Osório comparava-se tecnologicamente aos mais avançados da época. A Avibras, uma das maiores fabricantes de armamentos do país, exportava baterias de foguetes, até hoje entre as melhores do gênero, para o Oriente Médio. Já como resultado da nova estratégia, na última semana, a 7ª Vara Cível de São José dos Campos concedeu a recuperação judicial, que tornou o governo acionista da empresa. A recuperação foi considerada pelo ministro Nelson Jobim uma prioridade dentro da estratégia de reerguer a indústria bélica.

A Embraer se mantém sólida graças ao mercado de aviões comerciais e executivos, que permitiu o desenvolvimento de aeronaves de vigilância do espaço aéreo e de treinamento capaz de missões antiguerrilha, o Super Tucano, que participa de concorrência no Iraque depois de ser exportado para Colômbia e Equador. O mais ambicioso projeto militar, contudo, o jato de transporte médio C-390, foi aperfeiçoado e vai disputar um mercado de 700 aviões da classe nos próximos anos – um mercado de US$ 13 bilhões.

Outro resultado é o acordo assinado entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo qual a França vai produzir com o Brasil 50 helicópteros para uso da FAB, por meio da Helibrás, em Itajubá (Sul de Minas), onde pode ser erguido um novo polo bélico no país. Também ficou acertada a fabricação de cinco submarinos, quatro convencionais e um de propulsão nuclear – objetivo perseguido pelo país desde 1979, quando a Marinha iniciou um programa atômico paralelo para proteger águas territoriais e plataformas de exploração de petróleo. Está prevista ainda a construção de um estaleiro e uma base naval para apoio. A soma dos investimentos gira em torno de 9 bilhões de euros.

“Os franceses vão fazer transferência de tecnologia. Um dos objetivos da Estratégia é justamente o de tornar o Brasil menos dependente da compra de equipamentos militares de outros países”, destaca o diretor do Departamento de Defesa da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Jairo Cândido.”

DEFESA: O BRASIL DURANTE MUITO TEMPO DORMIU DE PORTAS ABERTAS

O jornal “Estado de Minas” ontem publicou a seguinte reportagem de Marinella Castro e Paola Carvalho:

BILHÕES EM TERRA, ÁGUA E AR...

INDÚSTRIA BÉLICA BRASILEIRA IGNORA CRISE E DEVERÁ RECEBER INVESTIMENTOS DE PELO MENOS R$ 32 BILHÕES A PARTIR DESTE ANO

“Com um orçamento 40 vezes menor que o dos Estados Unidos e intenções que ocupam mais o campo da defesa, o Brasil segue firme em seu propósito de investir na indústria bélica. Calcula-se que, a partir deste ano, serão investidos pelo menos R$ 32 bilhões pela iniciativa pública e privada. Também estão previstos redução tributária, liberação de crédito e incentivos na área de desenvolvimento tecnológico e regulamentação para exportação.

Para especialistas, os investimentos do Brasil e de outros países da América do Sul, como Chile e Venezuela, estão longe de significar uma corrida armamentista. No caso do Brasil, que durante muito tempo dormiu de portas abertas, haveria uma busca pelo reforço de seus equipamentos de proteção, além de investimentos no potencial industrial. O fato é que, por terra, água e ar, a indústria bélica brasileira promete avançar em 2009.

No país mais armado do mundo, apesar de o discurso de posse trazer um tom menos belicoso que o de seu antecessor, o presidente Barack Obama segue como líder da nação que detém o maior orçamento bélico do planeta. Em 2009, a despesa militar recorde se aproxima de US$ 1 trilhão. Com suas forças armadas, os Estados Unidos gastam mais que a soma dos outros 10 maiores orçamentos do mundo. Analistas não acreditam na modificação desse cenário, responsável por uma surpreendente atividade, capitaneada por gigantes da indústria bélica como Boeing, Lockheed Martin, Northrop Grumman e Raytheon. “Independentemente da crise financeira ou do presidente eleito, o país tem um plano de investimento traçado para 50 anos”, comenta Expedito Carlos Bastos, pesquisador em assuntos militares da Universidade de Juiz de Fora (UFJF), no tema, um dos principais especialistas do país.

No Brasil, a nova Estratégia Nacional de Defesa, anunciada no fim do ano passado, é considerada um divisor de águas. O documento de Estado, que se mantém mesmo com a troca de governo, poderá colocar o Brasil de volta ao mapa bélico mundial, disputado em tecnologia por diversos países do mundo, mas liderado em gastos pelo Tio Sam. O governo Obama conta inicialmente com um orçamento militar de US$ 547 bilhões, uma cifra que sobe para US$ 712 bilhões quando são incluídos os gastos com as duas guerras em andamento, Iraque e Afeganistão, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.

Até julho deste ano, as despesas bélicas americanas devem saltar para US$ 863 bilhões, de acordo com levantamento feito pela organização americana Friends Committee on National Legislation, um salto surpreendente em relação a 2002, quando teve início o levantamento e o orçamento era de US$ 33,8 bilhões. Na opinião de Expedito Bastos, os gastos suplementares do país devem continuar, já que, estrategicamente, a retirada de tropas do Iraque deve ser parcial, com reforços no Afeganistão.

No Brasil, a Estratégia Nacional de Defesa prevê pela primeira vez a alocação continuada, para os próximos 20 anos, de recursos financeiros que devem viabilizar não somente compras, mas a produção de equipamentos. O país tem hoje cerca de 60 empresas do setor, que dividem suas vendas entre o mercado civil e o militar. Entre elas estão Embraer (aviões), Imbel (armamento), CBC (cartuchos), Taurus (armas), Avibrás e Mectron (míssel e foguetes).

O general José Elito, secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia (Selom) do Ministério da Defesa, revelou que a instituição já conta com cerca de 11 mil empresas, de todos os portes, que comercializam materiais ligados à defesa nacional. “Há três anos, não chegava a 4 mil. Nos próximos, não é impensável atingir 50 mil”, afirmou.

O professor do curso de mestrado em relações internacionais da PUC Minas Eugênio Diniz lembra que, diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos o peso militar é decisivo na escolha de um presidente. O especialista não identificou no discurso de posse da última terça-feira palavras que sinalizassem para um arrefecimento da indústria bélica.

Já o Brasil aponta em seu documento oficial que o foco do novo plano de defesa é a segurança, e não a guerra. Isso porque o país abriga riquezas cada vez mais escassas e cobiçadas pelo mundo, como a floresta amazônica, as reservas de petróleo e gás, água e energia. Assim sendo, aeronaves de caça e transporte, helicópteros de ataque, submarinos convencionais e de propulsão nuclear e armamentos inteligentes – como mísseis e bombas – entram na pauta da indústria brasileira.”

E A YULIA, HEIN?

Luis Fernando Veríssimo escreveu a seguinte crônica, que li ontem no blog do Noblat:

"Todo o mundo de olho na posse do Baraca e ninguém prestou atenção na foto que alguns jornais publicaram, sem nenhum destaque, do Putin e da primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, saindo de uma reunião em que tinham tratado de diferenças entre os dois países e, como se via pelo sorriso da ucraniana, chegado a um acordo. E a Yulia é um mulherão!

Se eu quisesse ser maldoso diria que é a mais bonita primeira-ministra em atividade hoje no mundo depois da Carla Bruni. Como eu sabia nada sobre a estonteante Yulia, mergulhei no Google. Descobri que ela tem 49 anos, é casada e, além de ser a primeira primeira-ministra mulher do país, lançou um penteado - uma grossa trança atravessada no topo da cabeça, se entendi bem - que fez moda na Ucrânia e é a sua marca registrada.

Ela já foi a terceira colocada numa lista das mulheres mais poderosas do mundo, da revista "Forbes", atrás apenas da Condoleezza Rice e da Wu Yi, vice-primeira-ministra da China, e basta ver seus quadris na foto para entender a "Forbes". Dizem que o Putin foi para a reunião pronto para negar todas as reivindicações da Yulia, mas não resistiu ao primeiro farfalhar das suas pestanas. Ou talvez ela tenha soltado a trança.”

LE MONDE: 90% DE CHANCE DE FHC SER ESQUECIDO E NESCHLING LEMBRADO...

Li hoje no blog do Favre o seguinte artigo de ALAIN LOMPECH, crítico musical e editor do jornal francês “Le Monde” desde 2000. Foi editor-chefe do “Le Monde de la Musique” de 1981 a 1988 e colunista da “Diapason Magazine”. O jornal Folha de São Paulo reproduziu o artigo.

ADEUS À MÚSICA

“A respeito da dispensa do maestro John Neschling do seu cargo de diretor artístico e regente titular da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), a única coisa que eu posso dizer, como crítico de música e observador há 30 anos da vida musical internacional, é que se trata de uma perda incomensurável para a cultura brasileira e para o conhecimento que se pode ter, noutros países, das riquezas musicais do Brasil.

O trabalho de John Neschling à frente da Osesp, certamente como maestro, mas também enquanto diretor musical, deu início a uma recuperação à altura de um patrimônio musical inestimável, mas que estava perdido no esquecimento. Para começar, ele soube criar uma orquestra cuja qualidade é reconhecida internacionalmente. Quando a Osesp fez uma turnê pela Europa no ano passado, ela recolheu triunfos e elogios amplamente merecidos, tal a forma com que os seus músicos exibiram um nível técnico e musical indubitavelmente de primeiro nível. Nenhuma orquestra brasileira, até hoje, atingiu esse nível de qualidade.

O que se admira fora do Brasil é o modo como Neschling renunciou a sua carreira internacional para construir a sua orquestra, para ser um verdadeiro diretor artístico à moda antiga, cuidando de tudo, como o fizeram no passado um George Szell (um quarto de século à frente da Cleveland Orchestra, EUA) ou, mais recentemente, um Simon Rattle (duas décadas na City of Birmingham Symphony Orchestra, Inglaterra).

O regente britânico, atualmente na Filarmônica de Berlim (Alemanha), permaneceu na pequena cidade de Birmingham para trabalhar e também recusou convites de outras orquestras para poder realizar um trabalho de fundo com a sua. O mundo musical tinha os olhos voltados para São Paulo, para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e para John Neschling, que encarnam essa grande tradição. O resultado? O canal cultural franco-alemão Arte transmitiu para toda a Europa e para o mundo o concerto realizado no Ano Novo pela Osesp, bem como o realizado pela Filarmônica de Viena (Áustria)! Será que o Brasil se dá conta verdadeiramente do que isso quer dizer? Eu tenho a impressão de que não.

Regendo Camargo Guarnieri, Francisco Mignone e, é claro, Heitor Villa-Lobos, bem como Alberto Nepomuceno, Luciano Gallet, Henrique Oswald, Claudio Santoro e tantos outros, fazendo editar as suas partituras, criando uma biblioteca e um arquivo musical, gravando discos distribuídos internacionalmente que tiveram sucesso e críticas inesperados, John Neschling esteve à altura da grande renovação política, econômica e cultural do Brasil, país que encontra enfim um lugar merecido no concerto das nações.

Não existe atualmente no Brasil nenhum maestro que seja portador de um projeto artístico de tal envergadura, que pode ser considerado único no mundo pela qualidade de sua programação.

Aliás, tampouco existem muitos outros pelo mundo afora… E o que eu digo é fácil de verificar. A internet permite, hoje em dia, um acesso à programação de todas as grandes orquestras. A de São Paulo causa admiração no mundo inteiro.

Não existe nenhuma orquestra francesa, inglesa ou alemã, por exemplo, cuja programação seja tão inventiva e tão respeitosa do patrimônio musical nacional como a da Osesp. Eu certamente ignoro as razões que fizeram Neschling ser dispensado, mas sou francês e também conheço a inconsequência dos eleitos e dos políticos quando tomam decisões na área da cultura. Raramente eles compreendem as implicações culturais profundas. Com uma assinatura, podem destruir anos de trabalho, assim como podem criar as condições para que esse trabalho possa começar e se desenvolver. Dessa vez o destruíram.

Daqui a 20 anos, daqui a 50 anos, o nome de John Neschling será conhecido como o de um músico que realizou um trabalho excepcional no Brasil, o mais excepcional desde Villa-Lobos. Há 90% de chance de que o nome de quem o demitiu [FHC] esteja esquecido.”

GOVERNADOR SERRA, SÓ COM PALAVRAS NÃO SE CRIAM EMPREGOS

Li hoje no blog de Luis Favre:

O governador José Serra assina artigo no jornal O Globo. Seu título é um verdadeiro ato falho: “Só com palavras não se criam empregos”.

As palavras do governador, no artigo, fazem eco tardio ao concerto de críticas que começando pelo vice-presidente José Alencar e passando pelo Zé Dirceu, o PT, a FIESP, a CUT, a Força Sindical e até o presidente Lula, consideram a taxa de juros penalizadora para o país.

O que o artigo esquece é que essa taxa de juros, uma das mais elevadas do mundo, é uma das mais baixas taxa de juros reais dos últimos 14 anos no país.
Qual é a origem desta situação da Selic que penaliza tanto o investimento, o crédito e provoca tanta gritaria?

Por que José Serra não o explicita no seu artigo?

O motivo é o mecanismo introduzido e utilizado na implantação do Plano Real, sobrevalorizando o câmbio de 1995-1998 e financiando com altas taxas de juros reais de 20% ao ano, para a redução da taxa de inflação (com aumento da carga tributária, do endividamento e do déficit público, deixando o país quebrado em 2002).

Taxa de 20% de juros reais (e não um pouco mais de 8% como é hoje).

Mas a queda dos juros reais operada durante o governo Lula não se fez penalizando os trabalhadores com descontrole inflacionário. Ela não se fez esvaziando as reservas, que constituem pelo seu volume hoje, um forte baluarte para enfrentar a crise. Essa queda paulatina e responsável (o que não significa que em alguns momentos o BC não pudesse agir um pouco mais audaciosamente), não se fez em detrimento do emprego (em apenas um ano, em 2007, o governo Lula criou mais empregos com carteira assinada que nos 8 anos do governo do partido de Serra e do qual ele foi 8 anos ministro).

Em 2005, 2006 e 2007 o Brasil teve um crescimento médio do PIB de 4,1% e uma taxa média de inflação de 4,4%; Em 2007 crescemos 5,4%, com uma inflação de 4,5% e com um saldo em conta corrente ligeiramente positivo (0,1% do PIB). Em 2008 esse crescimento foi ainda vigoroso (ao cabo de mais de um ano do começo da crise nas principais economias do mundo).

Esta realidade, que deixa José Serra sem palavras, pois nada diz sobre o trabalho e o exito obtido pelo governo, que foram destacados assim no jornal Le Monde: “O FED deveria se inspirar no BC do Brasil”. Segundo o Le Monde, a alta taxa de juros no Brasil serviu durante muito tempo para bancar investimentos em uma economia de riscos. “Hoje já não é mais o caso”, diz. “A dívida externa do Brasil é inferior a 50% de seu Produto Interno Bruto, as contas correntes estão perto do equilíbrio e o déficit público é baixo, mesmo que os juros altos aumentem a dívida do governo”.

Por sua vez, o FMI destaca o crescimento “próximo dos 6%” nos últimos trimestres, impulsionado pela “intensa” demanda interna. “A pobreza e a desigualdade também diminuíram, resultado das sólidas políticas sociais”, avaliou o Fundo. “Além disso, um dos pilares da política macroeconômica do governo tem sido a ênfase das autoridades no crescimento mais elevado e sustentável, com o respaldo do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento].”

Sobre todos estes tópicos podemos aplicar a José Serra o próprio começo de seu artigo: “Nada mais fora do lugar, no mundo de hoje, do que o ar de paisagem em relação a economia real.” Hoje, José Serra decidiu sair da cara de paisagem que ostentou estes últimos anos, enquanto com duro trabalho o governo Lula transformava o Brasil de uma “economia de riscos” em um dos poucos países no mundo que resiste a uma recessão violenta.

Mas nas suas palavras não se encontra nenhuma analise das medidas tomadas pelo governo Lula para diminuir o impacto da crise, nem sequer em relação ao Estado do qual Serra é governador. Nada sobre a compra do banco Nossa Caixa, permitindo ao governador um auxílio em dinheiro para investimento. Nada sobre o dinheiro para o metrô, nem sobre a ampliação do direito ao endividamento outorgado pelo governo federal. Nem uma palavra sobre as linhas de crédito para a indústria automobilística, nem a desoneração impositiva para estimular o mercado.

Em todos estos atos o governo Lula agiu concretamente para preservar o emprego, enquanto José Serra utilizava suas palavras para copiar as propostas de Lula e oferecer linha de credito (essa sim verbal, pois o banco Nossa Caixa passou para o BB uma semana depois) e, por outro lado, na contramão do incentivo ao gasto público para combater a crise, procedia ao contingenciamento do seu orçamento.

Sim, está hoje no jornal “No dia 8, o governador José Serra (PSDB) anunciou o maior contingenciamento dos Estados, R$ 1,57 bilhão. (…)1,3% do Orçamento paulista, de R$ 118,2 bilhões, foi atingido. Enquanto a arrecadação paulista subia, apesar da crise (…)” - O Estado SP “Para enfrentar crise, governadores já enxugaram Orçamento em R$ 5 bi” 25/1/2009.

Last but not least, o artigo de José Serra demanda “aumentar a capacidade de endividamento dos Estados e municípios para investir”, ao mesmo tempo em que ele contingência e se guarda de pedir a mudança da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que fixa essa capacidade de endividamento. Em relação ao Banco Central Serra exige do governo “levar (o BC) a atuar com mais responsabilidade”, mas se guarda de dizer que isto implicará no fim da autonomia operacional do Banco Central e um intervencionismo de canetada que faria o “risco-país” subir pelas paredes.

O artigo do governador Serra é prolixo em palavreio, mas de concreto para gerar emprego ele só comporta essas duas propostas: flexibilizar a LRF e ditar a taxa de juros ao BC. Uma verdadeira carta ao povo brasileiro, só que cheia de retórica e ocultamentos.”

CONGRESSO PENALIZA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o artigo a seguir. Os autores são: Marco Antônio Raupp, matemático, coordenador do Núcleo do Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foi diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Laboratório Nacional de Computação Científica; e Alaor Chaves, físico, professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e presidente da Sociedade Brasileira de Física.

Se o Brasil quer manter as esperanças de se tornar mais inovador e competitivo, é imperativo que se reveja o orçamento para C&T

“Ao formular o Orçamento da União para o ano de 2009, o Congresso Nacional penalizou com especial severidade a área de ciência e tecnologia (C&T). O orçamento do ministério da área (MCT) sofreu corte de R$ 1,12 bilhão, equivalente a 52% do proposto pelo Executivo. A Capes, órgão do Ministério da Educação que cuida da avaliação e do fomento de nossos cursos de pós-graduação -responsável pela maior parte das bolsas desse nível no país-, sofreu cortes próximos de R$ 1 bilhão, quase metade do previsto.

O CNPq concede bolsas de estímulo à pesquisa, em procedimento extremamente seletivo, a pesquisadores doutores de universidades e institutos de pesquisa. O MCT reconheceu ser urgente ampliar tal programa e para ele previu R$ 195 milhões no orçamento de 2009. O Congresso reduziu a verba em R$ 45 milhões. Tais cortes são de extrema gravidade e terão consequências negativas para a vida do país nos campos da educação e da C&T e no desenvolvimento tecnológico dos setores industriais de maior valor agregado. Desde os anos 1960, o Brasil tem praticado um programa de pós-graduação muito bem articulado e bem-sucedido. Nossa pós-graduação é das que mais avançam em todo o mundo.

Em 1987, o Brasil formou 868 doutores. Em 2008, o número ficou perto de 13 mil. Os novos doutores possibilitaram uma rápida expansão de nossa ciência: se em 1981 o Brasil só contribuía com 0,4% dos artigos científicos publicados em todo o mundo, em 2006 nossa participação foi de 1,9%. A utilização dos quadros mais qualificados para a expansão de nossa C&T foi fomentada, em nível federal, pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), órgãos do MCT.

Nosso progresso no campo da pós-graduação e da C&T tem sido fruto de políticas de Estado que há décadas transcendem os governos e têm sido praticadas com consistência e visão de longo prazo. Uma expansão rápida nesse campo foi reconhecida como essencial para o avanço do país, pois tínhamos partido, na década de 1950, de um patamar muito incipiente.

Apesar do grande progresso, a situação ainda requer muita atenção. Enquanto nos países desenvolvidos todos os docentes universitários têm o grau de doutor, em nossas universidades públicas os docentes com essa titulação não passam de 30% do total, e nas universidades privadas esse número é muito menor.

No momento, nossas instituições federais de ensino superior passam por uma reestruturação e expansão em que o número de vagas para o ensino será duplicado, e uma das dificuldades para que tal expansão se faça sem perda de qualidade é o pequeno número de pessoas qualificadas para ocupar as novas vagas de docência.

A enorme deficiência brasileira de profissionais capazes de realizar pesquisa e desenvolvimento (P&D), intimamente relacionada com o pequeno envolvimento de nosso setor empresarial em pesquisa e inovação, faz com que nossas empresas, sobretudo no setor industrial, sejam pouco inovadoras, o que as torna pouco competitivas no comércio globalizado.

O Brasil despende só 1,1% do seu PIB em P&D, enquanto os países inovadores e competitivos investem quantias que vão de 2% a 3,5% do seu PIB. Essa realidade levou o governo a formular, em 2004, uma política industrial, tecnológica e de comércio exterior para o país. Até o final da sua gestão, o governo Lula almeja elevar os dispêndios nacionais em P&D para 1,5% do PIB. O Orçamento de 2009 previa uma dotação de R$ 1,36 bilhão para a política industrial, mas o Congresso reduziu tal cifra em 68%. Nos países onde melhor se compreende o mundo contemporâneo, ante a atual crise econômica, decidiu-se aumentar os dispêndios em ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

Já nossos congressistas julgaram por bem cortar fundo nesse item. Para eles, CT&I é custeio, não investimento. Jovialmente, declararam que seriam minimizados os cortes em investimento, o que revela o equívoco de políticos que decidem o destino do país sobre o que é custeio e o que é investimento. O Orçamento aprovado pelo Congresso prevê um paliativo altamente sujeito a incertezas: o Executivo poderá usar recursos possivelmente obtidos com a venda de imóveis da extinta Rede Ferroviária Federal para repor o orçamento para C&T. Uma luz no fim do túnel que não irá gerar recursos no curto prazo.

É imperativo que se reveja o orçamento para C&T se o Brasil quer manter as esperanças de se tornar em breve mais inovador e competitivo.”

domingo, 25 de janeiro de 2009

A WIKIPEDIA JÁ É MULTIMÍDIA

O jornal espanhol “La Vanguardia” publica hoje a seguinte reportagem de Alex Barnet (li no UOL em tradução: Eloise De Vylder):

"A Wikipedia cresce e evolui, mas mantém seu estilo original. A recente obtenção dos US$ 6 milhões em doações dos quais precisava para fechar seu exercício - suas contas vão de junho a junho - deram o aval para esse modo de financiamento que permite evitar a publicidade.

Os responsáveis pela enciclopédia, quarto site mais visitado da rede e o único entre os 50 maiores da Internet que não tem fins comerciais, confirmaram à reportagem que outra grande novidade do site é a progressiva abertura para conteúdos de áudio e vídeo, até agora muito restritos por questões técnicas e de custo.

Tal como explica Jay Walsh, responsável de comunicação da enciclopédia, "finalmente estamos em condições de armazenar e gerenciar grandes arquivos multimídia e, portanto, os vídeos e gravações de áudio poderão ser parte da enciclopédia. Não é um modelo comparável ao YouTube, porque trabalhamos com um enorme volume de informação e temos recursos limitados, mas o armazenamento e a banda larga são cada vez mais baratos e isso permite que nós mudemos. Estamos fazendo nossa infraestrutura crescer".

Em sua opinião, a tecnologia de software livre, que é a base de toda a infraestrutura da enciclopédia, é a chave para proporcionar essa mudança. "Estamos trabalhando num reprodutor de vídeo baseado em código livre que permitirá aos usuários ver qualquer tipo de vídeo sem ter que utilizar software proprietário. Isso supõe uma economia total no pagamento de direitos pelo uso do programa".

O aspecto econômico não é trivial, uma vez que atualmente a Wikipedia mostra aos usuários 10 bilhões de páginas por mês e, nesta escala, qualquer custo extra representa gastos muito elevados.

Nos últimos meses, a enciclopédia multiplicou por vinte a capacidade de seus servidores, graças entre outras coisas à doação de equipamentos por parte da Sun Microsystems, uma empresa que há tempos apóia o projeto. Foi o primeiro passo da mudança da Wikipedia baseada em texto. Agora os 150 mil voluntários, que escrevem e editam seus conteúdos de forma anônima e sem retribuição, podem pensar em utilizar materiais audiovisuais na publicação que até hoje era praticamente limitada à palavra escrita.

"Antes não podíamos abrigar arquivos grandes e tampouco dispúnhamos de banda suficiente. Isso está mudando. Os limites serão cada vez mais amplos e, quando for necessário, poderemos incluir um vídeo de alta qualidade ou longa duração", indica Brion Vibber, responsável tecnológico da Wikipedia. A possível comparação com o YouTube também toca num ponto-chave. A Wikipedia enfatiza que a inclusão de vídeos ou gravações de áudio se limita exclusivamente a materiais de domínio público ou livres de direitos, para evitar problemas legais e custos extras.

O estado financeiro é outro tema-chave para o futuro da enciclopédia, que depende da Wikimedia Foundation, uma organização que tem 23 pessoas contratadas e gerencia outros projetos similares. É comum que a Wikipedia peça doações, mas conseguir US$ 6 milhões, um terço desse valor em menos de uma semana depois do pedido formulado na rede por Jimmy Wales, o fundador do projeto, tem um valor especial numa época de crise. Mais de 125 mil doadores deram somas para cobrir as necessidades operacionais da Wikipedia. "Vamos continuar com o sistema de doações, que funciona muito bem. E quando for necessário, faremos pedidos concretos para temas e campanhas pontuais. A publicidade, como sempre defendemos, está descartada", afirma Jay Walsh."

O BRASIL DO PSDB E O BRASIL DE HOJE

O blog do Noblat ontem publicou [estranho...]:

“Sempre que o Brasil atravessava uma crise, (...) quebrava e ia ao FMI, que pedia cortes sociais e de investimentos. Era uma agenda que não era nossa. Perdemos a soberania. Hoje, fizemos o dever de casa e estamos fazendo a nossa agenda.
Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil”

A ITÁLIA E SEUS DIALETOS

Li hoje no blog do jornalista Mino Carta:

“Até hoje na Itália falam-se dialetos. Não cabe surpresa: há menos de dois séculos, somente 5 por cento da população falava italiano e a península era uma colcha de retalhos. Daí o regionalismo acentuado, que se manifesta inclusive no uso do dialeto. Alguns são verdadeiras línguas, como o sardo ou friulano.

Registrem porém: mesmo dentro de uma única região, digamos a Ligúria, onde nasci, o ligure sofre modificações locais. Por exemplo: nada em italiano é niente, em genovês é ninte e em Sanremo, a vinte quilômetros da fronteira francesa, é ren. Leve em conta que o reino do Piemonte, que agregava a Ligúria e a ilha da Sardenha, chegava até a atual Nice, então Nizza, onde Giuseppe Garibaldi nasceu em 1807. Aquele trecho de riviera (a palavra é italiana) foi cedido pelo rei Vitor Emanuel II ao imperador Napoleão III em 1860, em troca do apoio recebido em guerra contra os austríacos, destinada a anexar ao reino da Itália em embrião as regiões da Lombardia e do Vêneto. Na ocasião, Garibaldi sofreu muito.

O italiano puro foi gerado pelo dialeto da Toscana, a língua de Dante, que escreveu sua Comedia em “vulgar”, a fala do povo. Conheço palavras dos dialetos genovês e piemontês, em Roma posso passar por romano, entendo outros dialetos, diante de alguns fico como se estivesse na Groenlândia.”

CUBA ELOGIA FIM DE PRISÃO, MAS PEDE BASE DE VOLTA

A agência européia (italiana) de notícias para a América Latina ANSA ontem publicou:

“O governo de Cuba classificou ontem como um "bom sinal" a ordem dada por Barack Obama de fechar a prisão de Guantánamo, mas pediu a devolução da base naval em que está instalado o centro de detenção.

A senadores mexicanos que visitam o país, o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, argumentou que "seria insuficiente" o fechamento da prisão sem que a base naval fosse devolvida. Os EUA devem "sair do território que ocupam, tirar os prisioneiros, recolher suas coisas e ir embora", disse.

A base de Guantánamo foi instalada pelos EUA em 1903, ao fim da guerra de independência de Cuba contra a Espanha, quando o país se tornou na prática um protetorado dos Estados Unidos.

Durante visita à Nicarágua, o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, já havia pedido esta semana a devolução da área.

Desde a revolução socialista de 1959, o governo cubano se recusa a receber o pagamento anual simbólico de US$ 5.000, correspondente ao arrendamento da base pelos EUA, que Cuba considera ilegal.”

AMBIGUIDADES IRANIANAS

O jornal francês Le Monde ontem publicou a seguinte reportagem de Marie-Claude Decamps, em Teerã (li no UOL em tradução de Lana Lim):

“A pintura descasca nas paredes da antiga embaixada americana em Teerã, esse "ninho de espiões", como a chamavam os estudantes islâmicos que a cercaram em novembro de 1979, mas ainda distinguimos o slogan "A América é impotente" por trás de uma Estátua da Liberdade agonizante. A algumas ruas de lá, um imóvel mostra de toda sua altura uma bandeira estrelada nova em folha: as estrelas são cabeças de mortos, e as listras, trajetórias de balas. Entre essas duas "criações artísticas" há trinta anos de revolução iraniana, trinta anos de antiamericanismo.

Uma depende da outra, tanto que a República Islâmica se baseou na "independência nacional" frente ao regime do Xá submetido a Washington. Um espírito nacionalista com um forte tom de anticolonialismo que encontra uma de suas fontes no "pecado original" do golpe de estado da CIA contra o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, em 1953. E que se serviu, a cada vez, da guerra Irã-Iraque (1980-1988), apoiada por americanos e ocidentais contra o Teerã, até a infinita guerrilha diplomática sobre a questão nuclear iraniana. Três séries de sanções contra o Teerã do Conselho de Segurança da ONU não conseguiram resolver a crise: o Irã afirma seu "direito" de enriquecer urânio no contexto de um programa de pesquisa civil; Washington e seus aliados desconfiam de aplicações militares e que têm que pôr um fim a isso.

Bill Clinton e George Bush fracassaram na questão nuclear iraniana. No meio-tempo, a tensão subiu, o Irã se viu classificado dentro do "eixo do Mal" americano e a opção de bombardear os centros nucleares iranianos volta à tona com frequência. Por sua vez, o "messiânico" e fundamentalista presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denuncia "o apoio incondicional" de Washington a um Israel que ele gostaria de ver "apagado do mapa". Também no meio-tempo, a situação no Oriente Médio evoluiu.

O Irã está "isolado", mas ele também se tornou inevitável: no Iraque, onde os xiitas assumiram o controle; no Líbano, onde o Hezbollah, apadrinhado pelo Teerã, teve uma vitória sobre os israelenses em 2006; para a questão palestina, onde Ahmadinejad, o persa xiita, procura se posicionar como "líder da rua árabe", diante de países árabes moderados incomodados com suas alianças americanas. No Paquistão, no Afeganistão, em todos os lugares, iranianos e americanos se encontram cara a cara. "Condenados a se entenderem por pragmatismo", como o explicava um diplomata ocidental? Diante do confuso dilema iraniano, Barack Obama, o novo presidente americano, disse que buscará uma "outra abordagem", evocando uma espécie de "diálogo na firmeza", sem mais detalhes.

Mas e quanto ao Irã? Ahmadinejad, que num gesto habitual enviou uma mensagem de felicitações a Obama, revelou: "Se a mudança anunciada for real e a nova abordagem for baseada no respeito, nós a aceitaremos e tomaremos as medidas apropriadas".

Diante da lareira em um salão de uma elegância que poderia se qualificar como "inglesa", se a palavra não tivesse conotações "coloniais", de seu ministério, o vice-ministro das relações exteriores e ex-embaixador em Paris, Ali Ahani, nos explicou o que poderiam ser, na visão do Irã, as bases de uma trégua com os Estados Unidos.

Obama, ele dizia, deve romper com a "detestável política agressiva de Bush". Ao aconselhar um certo "realismo" ao presidente americano, ele lhe pedia que mudasse dois pontos fundamentais, verdadeiros espinhos plantados há anos no orgulho nacional e na preocupação do regime por sua segurança. Em primeiro lugar, reconhecer, enfim, a República Islâmica pelo o que ela é, uma república perene que pode ajudar na estabilidade da região - "Nós sofremos trinta anos de embargo, de sanções, de ameaças, e continuamos aqui". Em seguida, admitir que novas potências, como o Irã, "surgiram na cena internacional": "Somos rodeados por países em crise, mas nós somos um parceiro que não deve ser desprezado pois temos nosso peso na região, no mundo, e no mundo islâmico", lembra Ahani.

E ele acrescenta: "Os americanos estão sempre sobre a mesma análise. Os fatos mudaram mas eles ainda não mudaram de parceiros. Olhe para Gaza e a crise entre o Egito, a Arábia Saudita e suas opiniões públicas. Você acredita que os americanos poderão continuar contando com esses países no futuro?" Estaria o Teerã preparado para um gesto sobre a questão nuclear? "Uma suspensão do enriquecimento de urânio, pré-requisito para qualquer diálogo, está fora de questão, garante Ahani. Nós suspendemos durante a presidência Khatami, e também ajudamos na luta contra os talibãs no Afeganistão. E como é que nos agradeceram? Colocando-nos no "eixo do Mal".

Um diálogo? Muitos o esperam. Enquanto espera, Teerã quer mostrar que o abordará com força: a algumas horas da posse de Obama, os serviços iranianos anunciavam a prisão de quatro pessoas envolvidas, segundo eles, em um complô da CIA para fomentar uma "revolução de veludo no Irã".

"Na realidade as autoridades teriam preferido uma vitória de McCain. Esse Barack Obama que fala de abertura os deixa desorientados, explica o ecritor e economista Saeed Leylaz.

Uma pequena parcela de fundamentalistas, ainda mais radicais que o presidente, temem que se Obama os acuar, com abertura demais, para que eles também abram o regime, tudo escape de suas mãos. Eu chamo isso de síndrome Gorbatchev. Uma Perestroika iraniana os assusta..." E é a partir daí que os jornais conservadores, que usam muito apropriadamente a emoção causada pelos mortos de Gaza, retomam as críticas contra os Estados Unidos. "Quem comandará na Casa Branca, interrogava um recente editorial. Obama, o Pentágono ou os sionistas?"

"Francamente, nosso ressentimento contra os Estados Unidos é tanto, que parece estar inscrito em nossos genes", confessa, com um pequeno sorriso educado Shariat Madari, diretor do grupo de imprensa conservador Keyhan e homem entre os mais influentes do regime. Com um gesto, ele indica em sua biblioteca os 10 volumes encadernados tirados dos papéis do "ninho de espiões" americano em 1979. "Em Keyhan, diz ele, não se tem certeza sobre o Obama desde o início. Nossos diplomatas e Ahmadinejad confiam um pouco mais. Mas que pode fazer um presidente americano? Bem pouco. E sobre que base entrar em um acordo? Quando há um ladrão, a justiça exige que a vítima se preste a uma conciliação?"

Entre os reformistas, em plena efervescência com a proximidade da votação presidencial de junho, o tom é mais positivo. "Nós, os reformistas, sempre nos entendemos bem com os democratas americanos, mas se Ahmadinejad continuar onde está, nada vai mudar", comenta Said Adjarian, desiludido. Contudo, esse político difícil de calar, vítima de uma tentativa de assassinato que o deixou inválido, é um concentrado de otimismo. "Restará para nós, diz ele rindo, o 'sonho americano'. Aqui, se criticam os excessos cometidos em Guantánamo e a política americana, mas nossos jovens diplomados sem emprego admiram os Estados Unidos onde o trabalho é um valor reconhecido".

Quase sob o afresco da bandeira estrelada "revisitada", no centro de Teerã, uma velha mulher acocorada vende camisetas na calçada. Em cima, uma simples inscrição: "USA".

Nas grandes avenidas, vendedores de donuts (rosquinhas) cobertas de chocolate como em Nova York, se alternam com fast-foods de hambúrgueres. E a figura que o recebe para atacar a política de Bush bebe sem piscar sua Coca-Cola, ou mistura em sua xícara de café seu "coffee mate" (substituto de leite), à moda americana.

No hit-parade dos diplomas, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) supera Cambridge ou a Sorbonne, e "abroad" (no exterior) é sinônimo de Estados Unidos. Três milhões de iranianos vivem lá, sobretudo em Los Angeles (batizada aqui de Teer-Angeles).

Toda noite milhões de iranianos se conectam à Internet, onde assistem por satélite os programas em farsi transmitidos da Califórnia. "Os Estados Unidos estão lá, embutidos em nossa cultura por trás do botão da televisão!", se queixa um universitário iraniano conservador.

O aiatolá Khomeini pode ter dito no início da revolução que "os Estados Unidos são uma serpente ferida", mas trinta anos depois seu veneno ainda se propaga. Perto da praça Jaleh onde os soldados do xá atiraram sobre a multidão, ponto importante de veneração dos primeiros mártires, uma loja vende os patins mais potentes. Nas livrarias não é raro ver pôsteres de Marlon Brando, Al Pacino ou James Dean. E mesmo no mais sagrado dos lugares que é o imenso mausoléu onde repousa o aiatolá Khomeini, uma loja destinada aos pelegrinos oferece, afogados em artigos banais, bonecas Barbie, videocassetes do Homem-Aranha, Hulk e Mad Max.

"O rock americano é minha vida, diz Dariouch, vocalista de um grupo de rock alternativo desempregado (o baixista imigrou para a Grã-Bretanha e o guitarrista, para a Itália). Mas falam tantas coisas sobre os Estados Unidos. Não estou pronto para declarar independência de meu país, no entanto. Ódio e fascinação, os Estados Unidos nos deixa esquizofrênicos".

No fim de uma conversa muito erudita sobre a evolução da evolução, o hojatolislam (clérigo abaixo do aiatolá) Ansari, um reformista mais "aberto", se interrompe de repente para constatar: "Você sabe, esse slogan de Obama, 'Yes, we can', isso os americanos também pegaram de nós! O aiatolá Khomeini detestava a palavra 'impossível'. E cada vez que lhe diziam que era impossível derrubar o xá, ele respondia irritado: "Sim, nós podemos..."

POTÊNCIAS OCIDENTAIS TENTAM IMPEDIR IRÃ DE OBTER URÂNIO DE PAÍSES COMO BRASIL

A agência espanhola de notícias EFE ontem publicou (li no UOL):

“Londres, 24 jan (EFE).- As potências ocidentais acham que o Irã está ficando sem urânio, material básico para a fabricação de armas nucleares, motivo pela qual estariam se esforçando para impedir que o país compre mais carregamentos do mineral de produtores como o Brasil, afirma hoje o jornal "The Times".

Na reportagem intitulada "Corrida para impedir que o Irã compre urânio", a publicação diz que as reservas iranianas de óxido de urânio, obtido a partir desse mineral, estão acabando.

Países como Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha estariam fazendo intensos esforços diplomáticos para convencer os principais produtores a não venderem o produto ao Irã, acrescenta o "Times".

Antes do último Natal, o Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido pediu confidencialmente a seus diplomatas no Brasil, no Cazaquistão e no Uzbequistão, os maiores produtores de urânio, que pedissem aos Governos desses países que não vendam urânio ao Irã, especialmente óxido de urânio, diz o jornal.

Segundo a reportagem, em pouco tempo podem acabar as reservas de urânio que o Irã adquiriu da África do Sul na década de 70.

O Irã, acrescenta a publicação, explora suas próprias minas de urânio, mas não tem mineral suficiente para manter um programa nuclear.

O "Times" destaca que os esforços internacionais evidenciam o temor de que 2009 possa ser um ano importante para o programa nuclear iraniano.

A utilização do urânio com fins nucleares requer uma tecnologia muito complexa, mas os iranianos estão adquirindo esses conhecimentos, algo que preocupa o Ocidente, prossegue a reportagem.

David Albright, fundador do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, com base em Washington, disse ao jornal britânico que atualmente o Irã tem urânio gaseificado suficiente para fabricar cerca de 35 bombas. Porém, as reservas de óxido de urânio do país podem acabar até o fim do ano.”

sábado, 24 de janeiro de 2009

RECORDAR É VIVER

O site “Terra Magazine” apresenta o seguinte artigo de Rui Daher. O autoe é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola:

Alguns leitores escreveram dizendo não entender o comportamento atual dos preços dos fertilizantes.

Estranho, pois tenho pouca lembrança de que algum dia tenham se comportado bem, não importa o lado do balcão em que você está. Para a indústria, sempre insuficientes; para a agricultura, "pela hora da morte".

Nada, pois, que não esteja no âmago da atividade comercial.

Essencial para obter produtividade, o fertilizante é um bem que precisa ser comprado, embora no Brasil, ainda hoje, seja ferozmente vendido.

Suas repercussões nos preços do mercado final têm sido mais marcadas pelos ciclos de expansão da produção nacional do que pelas contrações na demanda, estas, historicamente, de curta duração. Quando tais conjunturas coincidem, o resultado é devastador.

Enquanto a indústria de matérias-primas básicas e intermediárias, formada na década de 1950, foi insuficiente ou pouco competitiva para atender a demanda, tudo andou bem. O equilíbrio era mais fácil de ser obtido.

A partir da década de 1970, resultado da política econômica voltada à substituição de importações e de programas governamentais de incentivo ao consumo, houve forte expansão da produção nacional.

Entre 1974 e 1982, a compra pela PETROBRAS do complexo da ULTRAFÉRTIL, em Cubatão, o início da produção de fosfatados no Triângulo Mineiro (FOSFÉRTIL) e a inauguração de uma nova unidade da Ultra em Araucária (PR), todos eles investimentos estatais, permitiram um expressivo aumento da oferta.

Ficavam, então, evidentes os sinais de que os preços dos fertilizantes poderiam causar baixas entre os protagonistas do mercado. Quem? Dependeria do mercado externo. Se de escassez, correr-se-ia para a produção nacional; se de fartura, claro que a preços baixos, promover-se-ia a abertura dos portos.

Ainda que os produtores reagissem com mecanismos artificiais de contenção das importações, o equilíbrio ficava ainda mais distorcido.

A partir daí, a concorrência entre as empresas voltadas à venda para o agricultor ou à sua cadeia de distribuidores, tornou-se fatal, levando o setor a uma crise que perdurou por quase 15 anos, até desaguar nas privatizações do início da década de 1990.

Na origem, o processo de privatização teve caráter preservacionista. A matéria-prima concentrada em poucas empresas pressupunha controle da oferta.

Poderia ter sido a solução, se tivesse durado mais. A interrupção veio com a boa notícia da violenta expansão de demanda desta década. Entre 2000 e 2007, o consumo cresceu na base de 6% a.a, só que trouxe consigo o mau agouro do excesso de oferta e, mais uma vez, o ciclo se tornava importador e o mercado mais concorrido.

Depois de ter registrado, em 2007, um aumento de 17% sobre a demanda do ano anterior, o setor acreditou em novo crescimento para 2008. Obrigado pela sazonalidade, supriu-se aos caríssimos preços vigentes no ano passado. A demanda não veio (queda próxima de 10% sobre 2007), e os estoques sobraram para fora da estação.

Hoje, seguindo a tendência de praticamente todas as commodities do mercado mundial, os preços internacionais dos fertilizantes entraram em colapso, e os estoques no Brasil estão sendo desovados, em média, pela metade dos preços praticados no ano passado.

Alguma novidade nisto?

Nada que não tivesse sido eternizado no samba "Recordar", de Aldacir Louro, escolhido por um júri reunido no Teatro João Caetano como um dos dez mais populares do carnaval de 1955. Para o setor, de todos os carnavais.”

ACHO QUE A GENTE ROUBOU A BANDEIRA DA ALEMANHA

Li no site “Terra Magazine” do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo de Marcelo Carneiro da Cunha, escrito em Berlim. O autor é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe".

“Está certo que quando Dom Pedro I mandou brasa e independentizou o Brasil, não havia ainda a Alemanha e por isso fomos de bandeira com brasão, folhas de café e coisinhas decorativas, coisas de um país que começou com uma independência de mentirinha e uma monarquia ainda mais de mentirinha.

Mas, quando decidiram que o negócio da China para o Brasil era virar República, Bismarck já tinha inventado a Alemanha a partir da Prússia e mais dez, e, seguramente, se eles tivessem pensado no assunto, óbvio que a bandeira DELES ia dizer o tal Ordem e Progresso.

Talvez porque eles já estivessem por aqui de tanta ordem, e estivessem no meio de uma onda de progresso sem igual, não tenham se preocupado em ficar afirmando isso ao mundo. Mas que a frase fazia e faz sentido aqui, como em nenhum outro lugar fora do Japão, isso é verdade.

O Japão pode ser um tanto mais extremo. Lá a bandeira deveria ter o sol nascente e a frase: "Obsessividade com a ordem e então progresso". Na Alemanha a coisa não chega tão longe, havendo ordem, mesmo sem ser totalmente obsessiva, eles já ficam contentes.

Penso nisso porque, seguindo a minha tradição, fugi do verão e vim me trancar em Berlim, a melhor cidade do mundo, desde que a gente nao faça muita questão de coisas exóticas tais como árvores frutíferas nas ruas, pessoas fazendo um sambão na esquina ou mulheres sensuais e que gostem de sexo. Isso não tem aqui, todos sabem. Agora, no quesito progresso organizado, Deus nos livre.

A última Copa mostrou que os alemães sabem ser gentis e divertidos, e isso é verdade. Mas a festa só comeca depois que tudo, mas tudo mesmo, estiver organizado, inclusive o final da festa. E eles são mesmo gentis e divertidos, sempre que não estão prá lá de Bagdá de tanta cerveja (e nessas horas eles podem se tornar barulhentos e um tanto assustadores) ou invadindo a Polônia, quando certamente se tornam barulhentos e assustadores. Se tornavam, parece que do militarismo eles se curaram pra valer, sorte do mundo.

Penso em tudo isso porque uma amiga hoje me mostrou que, no porta-luvas, ela tinha um colete fosforecente e um manual de instruções de como usar o colete. Eu perguntei se ela fazia serviço voluntário como flanelinha, mas ela não entendeu o conceito de voluntário, muito menos o de flanelinha, mesmo comigo traduzindo "little flannel person". Não houve jeito.

O fato é que havia um conjunto de instruções para o caso de algo acontecer com o carro. Ou seja, se o carro estraga, o governo daqui espera que você vista um colete fosforecente (laranja e prata, tudo brilhando e visível até em Marte) antes de sair do carro.

As instruções sao claras: "Abra o porta-luvas" (adorei essa parte), "remova o colete. Coloque o colete ANTES de sair do carro. Olhe para os dois lados. Abra o carro. Saia do carro e sinalize que você tem problemas".

Perfeito. Simples. Controlado.

A questão é que isso se multiplica para TODOS os aspectos da vida, desde como você tira o lixo de casa, como anda de bicicleta, como embrulha as compras no supermercado, como prepara a casa para o inverno, TUDO é regulamentado. O conjunto de instruções que você tem que seguir para ser um bom cidadão em Berlim fica maior do que uma Bíblia de Guttemberg, e somente por isso eu não moro aqui.

Eu não leio manual nem de aparelho de DVD, imaginem se vou ler o manual de uma cidade? E óbvio que eu iria fazer um monte de besteira e ia ser expulso daqui no primeiro mês. Eu não sei como se faz para pagar o bonde, não sei como se faz para abrir a porta do bonde (alguém tem que fazer isso ou eu passo do ponto onde queria descer). Não sei como usar a máquina que pesa as frutas no supermercado, nem como se faz para trocar as garrafas vazias por dinheiro (tem sempre uma fila de sem-teto no supermercado na frente da máquina de recuperar garrafas e trocar por dinheiro e eu nunca consigo chegar até ela). Não sei operar a máquina de lavar roupas, portanto tenho que jogar fora as usadas e comprar novas o tempo inteiro.

Adoro Berlim mais do que consigo descrever. Se as pessoas que vivem em São Paulo vissem o sistema de transporte público deles, o nosso prefeito teria que sair escondido da cidade. TUDO funciona tão perfeitamente que você nem percebe que funciona.

Mas tudo funciona assim porque as pessoas também funcionam assim. Ordem e progresso, na prática.

No Brasil, a bandeira certa teria que dizer, "Desordem, e se ainda assim a gente conseguir, então Progresso". A parte do Progresso sempre me agrada, aqui ou lá. É na parte da Ordem que eu me atrapalho um pouco. Fico sem saber se gosto mais dessa ordem meio sanitizada deles, onde até os germes parecem saber o seu lugar, e a desordem humanizada nossa, onde todo mundo reclama, mas parece se divertir mais enquanto vive. Eu gosto das duas coisas, pra valer, e acho que vivo no Brasil por isso mesmo, porque a ordem deles requer estudo, requer leitura de manual, para quem não nasceu aqui e aprendeu tudo direitinho e ainda por cima em alemão.

Por isso, mesmo amando a ordem como amo, sei que não dá. Em algum momento eu vou querer dizer ao médico que sinto dor na cacunda, e ele nao vai entender. Em algum momento eu vou querer atravessar a rua caminhando em pleno sinal vermelho para pedestres, vou ser um mau cidadão daqui.

Por isso vivo feliz no Brasil, no ordem relativa das nossas coisas, no progresso até bonzinho que a gente vinha atingindo até mandarem essa crise parar com a nossa festa. Do Brasil eu só saio mesmo de vez em quando e prá curtir essa desbagunca, essa overdose de praticidade, de alinhamento que é a Alemanha.

Daqui e saio renovado e ansioso por barulho e pela padaria da esquina da Arthur com a Capote, com aquele jeito de fazer as coisas que não tem manual, não tem quem ordene e, de alguma maneira que eu nao posso entender a não ser como um milagre, funciona.

Até breve.”

DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA CAIU 82% EM RELAÇÃO A 2007

A Agência Brasil divulgou ontem a seguinte notícia (li no site do PT):

DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA CAIU 82% EM RELAÇÃO A 2007, DIZ ONG

O desmatamento na Amazônia entre agosto e dezembro de 2008 caiu 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (23) pela organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O monitoramento registrou 635 quilômetros quadrados de desmate entre os meses pesquisados, contra 3.433 quilômetros quadrados no mesmo intervalo em 2007.

Em novembro de 2008, os satélites do Imazon detectaram 61 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, área 94% menor do que a registrada em 2007. O tamanho da devastação no mês de dezembro caiu e chegou a 50 quilômetros quadrados, redução de 27% entre 2007 e 2008.

No entanto, o desmatamento pode ser muito maior, porque a região fica encoberta por nuvens que dificultam o trabalho dos satélites, como reconhece a entidade. “Os dados de desmatamento nesse período podem estar subestimados, pois nesses dois meses houve grande cobertura de nuvens na região, correspondendo a 68% em novembro e de 73% em dezembro. Além disso, a parte do Maranhão que compõem a Amazônia Legal não foi analisada”, indica o relatório.

O monitoramento do Imazon é paralelo ao levantamento oficial, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Por causa das condições de visibilidade nos últimos meses do ano, o Inpe preferiu interromper a divulgação mensal do desmatamento e vai apresentar os dados consolidados para o período no fim de fevereiro.”

KADAFI: OS DOIS POVOS DEVEM VIVER JUNTOS

Muamar Kadafi, presidente da Líbia, escreveu o seguinte artigo ontem publicado no “The New York Times” e reproduzido no “O Estado de São Paulo” (li no blog do Favre):

“A chocante intensidade da última onda de violência entre israelenses e palestinos nos impele a considerar a extrema urgência de uma solução final para a crise do Oriente Médio.

É vital não apenas romper este ciclo de destruição e injustiça, mas também negar aos radicais religiosos que se alimentam do conflito uma desculpa para promover suas próprias causas.

Mas para onde quer que olhemos, entre os discursos e as iniciativas da diplomacia, não há um caminho concreto para um avanço. Uma paz justa e duradoura entre Israel e palestinos é possível, mas deve ser procurada na história do povo dessa terra em constante conflito, e não na desgastada retórica das soluções que apontam para a criação de dois Estados.

Embora seja difícil de perceber, depois dos horrores que acabamos de testemunhar, entre judeus e palestinos nem sempre existiu um estado de guerra. Na realidade, muitas das rupturas ocorridas entre os dois povos são recentes. O próprio nome “Palestina” era usado comumente para definir toda a região, até mesmo pelos judeus que viviam ali, até 1948, quando começou a ser usado o nome “Israel”.

Judeus e muçulmanos são primos e descendem de Abraão. Ao longo dos séculos, ambos sofreram cruéis perseguições e, muitas vezes, se ajudaram mutuamente. Os árabes ofereceram guarida aos judeus e os protegeram quando estes sofriam sob o governo de Roma e quando foram expulsos da Espanha, na Idade Média.

A história da região é marcada por governos transmitidos entre tribos, nações e grupos étnicos, que resistiram a muitas guerras e a ondas migratórias de povos vindos de todas as direções. É por isso que a questão se torna tão complicada quando uma das partes reivindica o direito de ser dona dessa terra.

O cerne do moderno Estado de Israel é a inegável perseguição ao povo judeu, que foi escravizado, massacrado, perseguido por egípcios, romanos, ingleses, babilônios, cananeus e, mais recentemente, pelos nazistas. O povo judeu merece uma pátria, mas os palestinos também têm uma história de perseguições e consideram as cidades de Haifa, Acra, Jafa como a terra de seus ancestrais, transmitida de geração em geração, até pouco tempo atrás.

Portanto, os palestinos acreditam que o que agora se chama Israel é parte de sua nação, mesmo que fiquem com Cisjordânia e Gaza. E os judeus acreditam que a Cisjordânia é a Samaria e a Judeia, parte da sua pátria, mesmo que ali venha a estabelecer-se um Estado palestino.

Com o cessar-fogo em Gaza ressurgiram os apelos para uma solução de dois Estados, que nunca funcionará. Essa solução criará uma ameaça para a segurança de Israel. Um Estado árabe armado na Cisjordânia daria a Israel menos de 16 quilômetros de profundidade estratégica em seu ponto mais estreito. Além disso, um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza não solucionaria o problema dos refugiados. Qualquer situação que mantenha a maioria dos palestinos em campos de refugiados e não ofereça uma solução dentro de suas fronteiras históricas não é uma solução.

Pelas mesmas razões, a divisão da Cisjordânia em áreas judaicas e árabes, com zonas-tampão entre elas, não funcionará. As áreas palestinas não teriam condições de abrigar todos os refugiados e as zonas-tampão simbolizariam a exclusão e alimentariam tensões.

Em termos absolutos, os dois movimentos terão de permanecer em um perpétuo conflito ou chegar a um compromisso: o da criação de um Estado único para todos, uma “Isratina”, que permita que as pessoas de cada lado sintam que podem viver em toda a região.

Um requisito fundamental da paz é o direito dos palestinos refugiados de regressarem para as casas que suas famílias deixaram, em 1948. É uma injustiça que os judeus que não viviam originalmente na Palestina, nem seus antepassados, venham do exterior para se estabelecer ali, enquanto essa permissão é negada aos palestinos que foram obrigados a fugir dali há relativamente pouco tempo.

É um fato incontestável que, até recentemente, os palestinos viviam nessa terra, eram donos de fazendas e casas, mas tiveram de sair com medo da violência dos judeus após 1948. Por isso, somente o território total da Isratina poderá abrigar todos os refugiados e favorecer a justiça, que é o elemento fundamental da paz.

A assimilação é um fato concreto da vida em Israel. Mais de 1 milhão de árabes muçulmanos vivem no país. Eles têm nacionalidade israelense, participam da vida política e constituem partidos. Por outro lado, há assentamentos israelenses na Cisjordânia. As fábricas israelenses dependem da mão-de-obra palestina e há intercâmbio de produtos e serviços. Essa assimilação, por seu sucesso, pode ser um modelo para Isratina.

Se a atual interdependência e o fato histórico da coexistência de judeus e palestinos servirem de orientação a seus líderes, e se, na busca de uma solução de longo prazo, eles olharem além da violência recente e da sede de vingança, perceberão que a coexistência debaixo de um único teto é a única opção para uma paz duradoura.”

CUBA RECLAMA TERRITÓRIO DE GUANTÁNAMO A OBAMA

Li no portal UOL a seguinte matéria originária da Ansa Latina. A Ansa (Agenzia Nazionale Stampa Associata), em especial a Ansa Latina, é uma agência de notícias da UE (União Européia) para a América Latina:

“O governo cubano considerou como "bom sinal" que o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, feche o campo de detenção na base naval de Guantánamo, mas pediu a devolução do território a Cuba, segundo a imprensa local.

O presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, disse a senadores mexicanos em visita à Havana que seria "insuficiente" o fechamento da prisão, alegando que a base está "em território cubano ilegalmente ocupado".

Obama anunciou como uma de suas primeiras medidas o fechamento, em até um ano, do campo de detenção sobre o qual pesam acusações de torturas a presos e outras violações dos direitos humanos.

Sobre o anúncio, Alarcón afirmou ser "um bom sinal". Mesmo assim, "insuficiente", porque "o governo norte-americano deve desocupar o território em Guantánamo, recolher suas coisas e ir".

A base foi instalada pelos Estados Unidos em Guantánamo, no leste de Cuba, a cerca de 900 quilômetros de Havana, após ocupar militarmente o país depois da guerra de independência contra a Espanha, que governava a ilha.

O tratado concedeu o território "perpetuamente" aos norte-americanos, um conceito jurídico cujos limites já não valem mais, segundo autoridades cubanas.

O fechamento da base, além de uma possibilidade de eventual diálogo, foi um dos assuntos abordados pelo presidente cubano, Raúl Castro, antes que Obama ganhasse as eleições, em uma entrevista concedida ao ator norte-americano Sean Penn em Havana em novembro, publicada na revista The Nation.

Raúl sugeriu "um local neutro" para o diálogo. "Talvez poderíamos nos encontrar em Guantánamo. No final do encontro, poderíamos lhe dar um presente: a bandeira americana hasteada na baía de Guantánamo".

As autoridades de Cuba estimam que para os Estados Unidos, a devolução da base não implicaria tensões militares, pois já não possui grande importância bélica.”

FECHAR GUANTÁNAMO, E DEPOIS?

O jornal francês “Le Monde” ontem publicou (li no UOL em tradução de Lana Lim):

QUANTOS DETENTOS ESTÃO ENCARCERADOS EM GUANTÁNAMO?

Por volta de 800 "combatentes inimigos" adultos e adolescentes (779 segundo os dossiês completos disponibilizados on-line pelo New York Times) foram encarcerados no campo de detenção americano de Guantánamo, criado em janeiro de 2002 e instalado em Cuba.

Segundo o departamento de defesa americano, 245 pessoas continuam detidas lá, a maioria por anos e sem acusação.

Entre eles, estão 97 iemenitas, 26 afegãos, 22 sauditas, 17 chineses uigures, 14 argelinos, 10 tunisianos, 10 sírios, 7 líbios, 6 paquistaneses, 6 iraquianos, 4 uzbeques, 4 kuwaitianos, 3 sudaneses, 3 egípcios, 3 palestinos, 2 marroquinos, 2 mauritânios, 2 malaios, 1 habitante dos Emirados Árabes Unidos, 1 tadjique, 1 russo, 1 tanzaniano, 1 chadiano, 1 queniano, 1 indonésio, 1 canadense e 1 azeri.

QUAIS SÃO SUSCETÍVEIS DE SEREM LIBERTADOS, TRANSFERIDOS OU MANTIDOS EM DETENÇÃO?

Hoje, sessenta detentos são teoricamente autorizados a serem transferidos, por não serem considerados "perigosos". Mas esses prisioneiros "libertáveis" não podem ser reenviados para seus países de origem, onde são ameaçados de perseguição. Nessa categoria entram os argelinos, os líbios, os tunisianos e, sobretudo, os 17 chineses uigures inocentados de qualquer acusação de terrorismo que gostariam de ser acolhidos em território americano.

Entre os outros detentos, 60 são considerados como "perigosos".

Para 14 dentre eles, um processo judicial foi iniciado. É o caso de cinco homens chefiados por Khaled Cheikh Mohammed, acusados de terem organizado os atentados do 11 de setembro de 2001, e de duas crianças-soldados, uma afegã e, a outra, canadense.

Desde a preparação das comissões militares, somente dois prisioneiros foram efetivamente julgados: o motorista de Osama Bin Laden, Salim Ahmed Hamdan, condenado a cinco anos e meio de prisão, e Ali Hamza Ahmad Al-Bahlul, propagandista da Al Qaeda, condenado a prisão perpétua.

Quando Barack Obama decidiu interromper as operações em curso em Guantánamo por 120 dias, nenhum processo ocorria na base americana.

PARA ONDE TRANSFERIR OS DETENTOS LIBERTADOS?

Essa questão só diz respeito aos 60 prisioneiros "libertáveis", mas nenhuma decisão foi tomada até agora. Diversas organizações, como a Anistia Internacional e a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), lutam para que os Estados Unidos assumam sua parte de responsabilidade acolhendo uma maioria de detentos, mas o mesmo também foi solicitado à Europa e à Austrália.

Até agora, somente a França, a Grã-Bretanha, a Espanha, a Suíça e Portugal consideram se candidatar, com a condição de que a decisão se dê caso a caso e no contexto de uma ação combinada com os outros países da União Europeia. O assunto continua em debate na Alemanha e na Austrália. A Dinamarca, a Suécia e a Holanda já recusaram qualquer transferência.

No dia 13 de janeiro, duas ONG de defesa dos direitos humanos pediram à França que acolhesse o argelino Nabil Hadjarab, detento em Guantánamo desde fevereiro de 2002 e considerado como "libertável" pelo exército americano.

Uma reunião de ministros de relações exteriores europeus deve acontecer na segunda-feira, 26 de janeiro, em Bruxelas, para decidir uma posição comum sobre a questão.

QUEM JULGARÁ OS DETENTOS SOB O GOLPE DE UM PROCESSO JUDICIAL?

Um sistema judiciário de "comissões militares" havia sido criado em 2006 pela administração Bush para julgar os detentos de Guantánamo perseguidos por "crimes de guerra". Esses tribunais excepcionais se compunham de um juiz e de um júri militar diante de equipes de advogados militares e civis. Elas consideravam admissíveis as declarações dos acusados obtidas sob coação, ou até tortura, e também aceitavam as "provas indiretas" recolhidas junto às testemunhas que não vinham confirmá-las no banco dos réus.

Moribundas, essas comissões militares ainda não encontraram seu sucessor. A imprensa americana se perde em conjecturas sobre o deslocamento dos processos no sistema federal, em corte marcial ou por meio de novos tribunais de segurança nacional. Também existe o problema dos detentos vítimas de tortura. Levando em conta o atual imbróglio judiciário, novos "meios jurídicos" deverão ser encontrados.

Segundo o projeto de decreto divulgado na quarta-feira (21 de janeiro) pela ACLU, e assinado por Barack Obama quinta-feira (22 de janeiro), a situação de cada um dos 245 detentos será vista por um "reexame rápido e meticuloso", e todos eles serão postos sob a proteção das Convenções de Genebra, das quais George W. Bush os privou.”

SERRA DIZ QUE O BRASIL ESTÁ À BEIRA DO CAOS PARA PODER SALVÁ-LO

Li no site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:

SÃO JORGE DERROTA O DRAGÃO: É PURO MARKETING DE SERRA

O repórter Kennedy Alencar diz na Folha (*) que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já avisou a Aécio Neves que o candidato do partido é José Pedágio (os maiores pedágios do Brasil são os de São Paulo).

Qual o argumento de Guerra?

Porque Pedágio está mais preparado para enfrentar a crise.

Legal.

É o marketing do Pedágio: pintar a crise com as cores pretíssimas da urubóloga Miriam Leitão(****).

O Brasil está à beira do caos.

E aí chega o Pedágio, como São Jorge, e de lança em punho derrota o dragão.

Papo furado.

Puro marketing.

Pura propaganda da Sabesp no Acre.

No Governo Fernando Henrique - a que Pedágio serviu - e que quebrou o Brasil três vezes

Pedágio sistematicamente boicotou o trabalho do Ministro da Fazenda Pedro Malan.

Qual o argumento que Elio Gaspari, confidente de Pedágio e colonista (**) da Folha (*), usava para desmoralizar a “Ekipeconomica” ?

O Brasil está à beira do caos e só ele, o Pedágio, poderia salvá-lo.

Pedágio criou o bordão “populismo cambial” para solapar a política cambial do Banco Central – e de Malan.

Depois veio a eleição de 2002.
.
O Brasil estava de fato à beira do caos.

Afinal, vinha de oito anos da incúria cinzenta de Fernando Henrique.

Mas o caos não era o Governo a que ele, Pedágio, serviu com devoção e carinho, mas a alternativa: Lula.

Regina Duarte foi para a televisão chorar porque Lula ia fazer do Brasil a Argentina que
Pedágio descrevia no horário eleitoral gratuito.

E só ele, o Pedágio, podia salvar o Brasil do caos e da Argentina.

Marketing.

Aí, veio a eleição de 2006.

Para destruir a candidatura Alckmin, Pedágio usou o mesmo argumento.

Só que naquele momento, o Brasil vivia um dos períodos de maior vigor econômico

Num momento em que o Brasil vivia um dos períodos de maior vigor econômico.
Pedágio e seus colonistas (**), porém, diziam: o Brasil está à beira do caos e só ele, o São Jorge da Mooca, pode nos salvar.

Alckmin tirou Pedágio da “fila”, como diz o Fernando Henrique, o Farol de Alexandria.

Fernando Henrique faz tudo o que Pedágio mandar – ele e Pedágio demitiram Neschling por causa de um mictório.

Agora, na sucessão de Lula.

O PiG (**) e o Meirelles jogaram o Brasil no caos profundo, no Hades onde só entram as gárgulas do Duomo de Milão.

Com a contribuição de alguns carrascos, como aquele do filme “A troca”, que tem a cara do William Waack, o algoz da madrugada.

O Brasil está perdido.

A crise é tão grande que nem no caos cabe mais.

A propósito, o desemprego em janeiro foi o menor desde 2002!

E quem sai da nuvem de fumaça branca, montado no cavalo de São Jorge, com a espada na mão para nos salvar?

Ele, o salvador.

Pedágio é uma invenção do PiG (***) de São Paulo.

Ele e o PiG dizem que ele é um grande economista.

O que ele fez?

O que escreveu?

Quantos livros publicou?

Quantos cursos ministrou?

Que discípulos formou?

O que já disse?

Como o economista genial se notabilizou na gestão da coisa pública?

Qual o seu cartel de realizações?

Aliás, como perguntou, numa sabatina na Folha (*) o filósofo Paulo Arantes, “o que pensa esse (Serra) rapaz”?

O que ele pensa?

Qualquer coisa.

Ele vai salvar o Brasil, presidente Sérgio Guerra?

Com que idéias?

Com que planos?

Com que folha corrida?

Presidente Sérgio Guerra: o senhor quer conhecer, de fato, a eficiência da gestão dos tucanos em São Paulo?

Conte quanto tempo o senhor gasta para sair do Aeroporto de Guarulhos e chegar ao Palácio dos Bandeirantes, para encontrar o Pedágio, na hora do rush.

O senhor sabia que carro em São Paulo não paga IPVA, mas IPTU ?
.
O fato de Aécio Neves não ter peito para enfrentar Serra e São Paulo não significa que Serra tenha capacidade de ganhar a eleição.

Serra não sai de São Paulo.

O Vesgo do Pânico tem mais chance do que ele.”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

RUÍNAS, PRANTOS E LUTO: NA GAZA DEVASTADA

O jornal francês Le Monde ontem publicou a seguinte reportagem de Michel Bole-Richard, enviado especial a Gaza, com tradução de Lana Lim (li no UOL):

“Nas ruas de Jabaliya, as crianças encontraram uma nova diversão. Elas colecionam fragmentos de projéteis e mísseis. Eles desenterram da areia pedaços de uma fibra compacta que se inflamam imediatamente quando entram em contato com o ar e que eles tentam apagar com seus pés. "É fósforo. Olha como queima".

Sobre os muros dessa rua, os vestígios esfumaçados são visíveis. As bombas projetaram para todos os lados esse produto químico que incendiou uma pequena fábrica de papel. "É a primeira vez que vejo isso após 38 anos de ocupação israelense", se espanta Mohammed Abed Rabbo. Em seu terno de três peças, essa figura do bairro está de luto. Seis membros de sua família foram ceifados por uma bomba diante de uma loja, no dia 10 de janeiro. Eles haviam vindo para se abastecer durante as três horas de trégua decretadas por Israel para permitir aos habitantes de Gaza que respirassem.

A cratera da bomba continua lá. Os fragmentos cobriram a parede e a porta de aço da loja. O pai da sétima vítima, de 16 anos, está furioso. "Diga aos dirigentes das nações ocidentais que esses sete inocentes foram mortos por nada. Que aqui nunca houve tiros de foguetes. Que é um ato criminoso. Que os israelenses nos dão a prova disso, pois eles vigiam tudo lá de cima", se revolta Rehbi Hussein Heid. Em suas mãos, ele tem uma folha de papel com todos os nomes dos mortos e feridos e suas idades, que ele enumera várias vezes, como para se convencer de que eles estão realmente mortos.

Seu vizinho saca seu celular e mostra um vídeo com os corpos ensanguentados daqueles que ele chama de "mártires". "E Israel afirma ser um país democrático! São criminosos de guerra! Durante várias horas as ambulâncias não puderam se aproximar.

Por que a comunidade internacional não faz nada? Por que deixam todos esses crimes impunes?

Israel precisa prestar contas. Esse país não está acima das leis. Se você encontrar 100 resistentes entre os 5.300 feridos, venha falar comigo. São assassinatos puros e simples. Os israelenses só querem nos enxotar, ou seja, nos enterrar".

Mohammed Abed Rabbo não entende essa ânsia por destruir tudo.

"Reconheço que os israelenses recebem (tiros de foguetes) Qassam.

Mas eles devem se perguntar por quê.

Eles parecem ignorar que somos sujeitos a um bloqueio. A única solução é que os dois povos vivam juntos sobre a mesma terra. Os israelenses devem reconhecer nossos direitos".

Os subúrbios de Jabaliya e de Beit Lahiya carregam as profundas feridas de uma guerra destruidora. As fachadas têm buracos escancarados. As portas de aço das lojas parecem peneiras. Impossível andar mais de dez metros sem encontrar um prédio destruído, uma casa arruinada, um abrigo abatido. Os postes de eletricidade se deitam no chão em meio às crateras. A guerra não poupou nada. As ruas estão repletas de destroços de todo tipo, montes de entulho.

Mas o mais impressionante continua sendo a zona industrial de Karni, perto do ponto de passagem das mercadorias. Por quilômetros quadrados, não resta praticamente nada em pé. São só ruínas e desolação.

Israel sem dúvida quis reduzir a zero a rede econômica da faixa de Gaza já vitimada pelo bloqueio instaurado após a vitória do Hamas. A população perambula no meio desse campo de ruínas, de vigas retorcidas, chapas esmagadas, tijolos empilhados. As casas e as mesquitas não foram poupadas. Ao longe, a fronteira com Israel está calma. Nem mais um tanque à vista. Nem mais um soldado no horizonte. Somente uma extensão verde sulcada pelas lagartas dos tanques.

Em Zeitoun, a menos de 2 km da fronteira israelense, está a zona agrícola que foi assolada pela guerra.

Campos inteiros de oliveiras foram derrubados. "O que fizeram, estas árvores? Faz quarenta anos que elas estão aqui. Por que lutar com elas?", se pergunta Farouk Khoheir ao contemplar esse desastre. A maior parte das fazendas dos arredores foram gravemente danificadas. As vacas mortas jazem, com o ventre inchado.

Um comboio de charretes puxadas por jumentos vem recuperar a madeira das oliveiras que cobre os sulcos deixados pelos tanques.

Os camponeses vagam pelo que resta de suas culturas após terem fugido no início da ofensiva terrestre. Hassan Ahmed Hassanine não teve tempo de partir. Ele ficou preso em sua fazenda com 115 pessoas, assistindo, impotente, à destruição do trabalho de sua vida. "Nós içamos bandeiras brancas, mas os Apaches atiraram em nós. Só pudemos sair ao fim de cinco dias", ele diz. Um membro inválido de sua família foi morto por uma bomba.

Com lágrimas nos olhos, ele insiste em nos mostrar o que restou de sua propriedade dilacerada pelas escavadeiras, furada por todos os lados pelos projéteis cujos fragmentos ainda cobrem o chão. Agora é impossível viver nesse lugar, como se ele tivesse sido sacudido por um terremoto.

Ao todo são nove famílias desabrigadas. "Que crime nós cometemos? Não havia resistentes aqui. Não temos nada contra Israel.

Nós queremos simplesmente viver em paz e segurança. Por que destruir tudo?

Como vou fazer para sair dessa?", se pergunta Hassan Ahmed Hassanine, que tem a impressão de ter sido abandonado por todos. "Vocês são as primeiras pessoas que vêm me visitar".

No leste da cidade de Gaza, os bairros de Zeitoun e de Tal Al-Hawa em especial sofreram bombardeios. A praça de Barcelona transformada em posição de apoio por Tsahal foi devastada pelos tanques Merkava.

Montes de terra que servem de barreira para os tanques continuam lá. O asfalto das estradas se desintegrou sob as lagartas.

Na cidade, os ministérios, as delegacias, o Parlamento, as casernas são só amontoados de escombros. Em alguns bairros, não há sequer um vidro nas janelas. A vida aos poucos recomeça. Policiais organizam um fluxo de carros ainda pequeno. Os habitantes de Gaza se recuperam lentamente do choque. "Após o embargo, a guerra. O que o futuro nos reserva?", se pergunta Hussam, esperando que o cessar-fogo dure.

OBAMA: DECEPÇÃO!!!

Li no UOL esta notícia surpreendente divulgada pela Folha Online:

OBAMA DEFENDE ISRAEL [Sic!] E PROMETE CRIAÇÃO DE DOIS ESTADOS NO ORIENTE MÉDIO

[entre colchetes inseridos por este blog]

“O presidente recém-emposssado dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira a ofensiva israelense na faixa de Gaza e disse que a sua administração estará comprometida em promover a paz para a criação de dois Estados no Oriente Médio.

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender [isto é, defender os territórios que invadiu e ocupa desde 1967] pois nesses últimos anos o [movimento islâmico] Hamas lançou diversos foguetes na região [palestina invadida]. Porém, os Estados Unidos estão comprometidos com a criação dois Estados onde palestinos e israelenses poderão conviver juntos", afirmou Obama durante coletiva de imprensa onde apresentou o novo emissário para o Oriente Médio, o senador aposentado, George Mitchell, 75, que trabalhou pela paz na Irlanda do Norte.

O presidente sinalizou ainda que os Estados Unidos irão trabalhar para a abertura da fronteira em Gaza para o envio de ajuda humanitária aos feridos. No confronto de 22 dias na região, ao menos 1.300 palestinos e 13 israelenses foram mortos.

Obama prometeu combater o terrorismo na região e acrescentou que irá trabalhar fortemente a diplomacia na região para conseguir um cessar-fogo permanente e a paz.”

POR TRÁS DE UM GRANDE HOMEM...

Li no site “Direto da Redação” e gostei deste texto da jornalista e escritora Leila Cordeiro:

“...só poderia ter alguém como Michelle Obama! A nova primeira-dama dos EUA tem dado um banho de estilo em suas opções de vida e nas declarações públicas. Avessa a dogmas, consumismos e marcas, três fatores que determinam a escala de poder em qualquer lugar do mundo, Michelle vem provando que é muito mais do que apenas a eminência parda do marido presidente.

Formou-se em advogada, em Harvard onde Obama também se formou e tem a mesma facilidade de oratória do marido. Durante a campanha, ela foi uma peça fundamental quando subia no palanque e compartilhava suas preocupações com os eleitores, explicando como pretendia ajudar Obama nas questões sociais. Deixou de exercer a profissão para se engajar na campanha do marido, mas nem por isso descuidou da educação das filhas, Sasha e Malia. O casal coloca a união familiar como alicerce de seu sucesso.

A propósito, a pragmática Michelle surpreendeu uma das mais experientes apresentadoras da TV Americana, Barbara Walters, quando contou que determinou que as meninas continuem arrumando suas camas ao acordarem, como faziam anteriormente.

Recomendou às arrumadeiras da Casa Branca que deixem essa tarefa para as meninas. E explicou a elas: “vocês não vão morar a vida toda na residência oficial do governo”.

Simples, sincera e verdadeira, Michelle aborda a questão do preconceito racial com a maior naturalidade. Disse que já sentiu o problema na pele nos tempos de faculdade, quando foi discriminada pela mãe de sua companheira de dormitório que mudou a filha de quarto ao saber que ela o estava dividindo com uma negra. Realista, Michelle contou à entrevistadora que, apesar de magoada, entendeu a situação, mas, a partir daí, entregou-se de corpo e alma aos movimentos contra qualquer tipo de discriminação.

Outra decisão de Michelle que demonstra o seu modo de ser foi a escolha do estilista que desenharia os vestidos para a cerimônia de posse e para os bailes de gala. As colunas sociais especulavam e arriscavam nomes famosos da moda internacional.

Qualquer um deles daria a vida para vestir a primeira-dama dos EUA numa ocasião como essa.

Todo mundo quebrou a cara. Michelle escolheu um jovem imigrante de origem chinesa, estabelecido em Chicago, onde ela sempre comprou seus vestidos. Ela não o abandonou e fez questão de prestigiá-lo usando modelos exclusivos desenhados por ele. É ou não é uma pessoa de personalidade?

Outra decisão inédita. Michelle anunciou que vai criar um trabalho social onde vai pessoalmente dar apoio às famílias dos militares que morreram no Iraque e no Afeganistão e também dos que continuam lutando nos campos de batalha. Ela afirmou que “quando os soldados vão para a guerra, levam suas famílias junto. Se morrem, um pedaço delas vai também”.

Nesse momento de crise quando o mundo inteiro está mudando hábitos de consumo, gastando menos, reaproveitando mais vestimentas, utensílios e até mesmo a própria comida, melhor primeira-dama que esta impossível.

Segundo a tradição, as mulheres de presidentes devem acompanhar seus maridos. Mas não basta comparecer a eventos oficiais e posar para fotos, como a maioria. No caso de Obama, um homem que virou um ícone mundial por tudo que os países e as pessoas esperam dele e pelo que ele representa em termos de carisma e ideais de liberdade, Michelle não poderia ser diferente!”

BNDES TERÁ MAIS R$ 100 BI PARA EMPRÉSTIMO A EMPRESAS ATÉ 2010, DIZ MANTEGA

O UOL postou este texto de Eduardo Cucolo, divulgado pela Folha Online, com a colaboração de Ygor Salles:

"O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou nesta quinta-feira (22) recursos adicionais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010.

O BNDES tem sido um dos grandes instrumentos do governo para enfrentar a crise financeira e a falta de financiamentos. Assim, o dinheiro liberado será direcionado a aumentar o crédito para as empresas brasileiras.

Em 2008, o banco emprestou cerca de R$ 90 bilhões, 40% acima do total de liberações de 2007. Em 2009, o banco já conta com R$ 116 bilhões e terá mais R$ 50 bilhões do Tesouro. Os outros R$ 50 bilhões serão utilizados em 2010.

Esse dinheiro virá por meio do caixa do governo e das captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional. A remuneração do dinheiro será divida em: 70% dos recursos pela TJLP + 2,5% (total de 8,75% ao ano); os restantes 30% serão taxados ao custo de captação do Tesouro no exterior.

"Não faltará recurso para investimento no Brasil. Vamos estar com a oferta acima da demanda e com custos reduzidos, taxas abaixo das do mercado", disse o ministro.

O dinheiro ficará disponível para o banco, que irá sacar conforme necessário. Serão priorizados investimentos na área de gás e energia, bens de capital e infraestrutura, entre outros setores. Também vão garantir os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Petrobras.

"É importante para nós que todo o plano da Petrobras se viabilize. Se não se viabilizar com recursos externos, nós vamos fazer que isso ocorra com recursos internos", afirmou Mantega.

VESTIR A CAMISA

O ministro afirmou que a liberação dos recursos adicionais do BNDES é mais uma ação do governo para tentar garantir um crescimento de 4% neste ano, acima das previsões de 2% feitas pelo mercado financeiro. Mantega citou também o corte de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 12,75% ao ano, anunciada ontem pelo Banco Central como parte dessas medidas.

"Não só evitaremos a recessão em 2009, como teremos taxas de crescimento positivas.

Não será negativo como nos EUA e em alguns países da União Europeia. Por isso estamos tomando várias medidas de forte impacto, como essa."

Ao fim da entrevista, Mantega afirmou também que é preciso a participação das empresas para garantir esse resultado. "É preciso que o setor privado abrace essa camisa e confie. Se todos fizerem assim, poderemos ter taxas de crescimento acima do previsto."

SÃO PAULO

O gerente da área de comércio exterior do banco, Guilherme Pfisterer, afirmou hoje em São Paulo que o financiamento às exportações terá prioridade máxima do BNDES.

Segundo ele, o banco garante que manterá "ao menos" o nível de crédito que o BNDES liberou em 2008 --cerca de US$ 6,6 bilhões.

"Estamos prontos para atender a demanda", disse Pfisterer após participar de seminário sobre comércio exterior na AmCham (Câmara Americana de Comércio). "Toda vez que o mercado precisou nós agimos, criando novos produtos e liberando recursos. A exportação é prioridade absoluta e não vai faltar crédito a esse setor."

VALE ENCOMENDA 49 NAVIOS A ESTALEIROS NO BRASIL E VAI GERAR 2.370 EMPREGOS

A agência norte-americana de notícias Reuters divulgou a seguinte reportagem de Denise Luna:

“Em meio a críticas do Palácio do Planalto sobre as 1.300 demissões realizadas no ano passado, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, anunciou nesta quinta-feira que vai encomendar 49 embarcações a estaleiros nacionais e gerar 2.370 empregos diretos e indiretos.

A empresa informou em comunicado que a encomenda tem por objetivo a construção de 15 novos rebocadores (embarcações que auxiliam nas operações de manobra dos navios) e dois comboios fluviais (32 barcaças e dois empurradores no total).

"Com as encomendas, a Vale pretende atender ao crescimento da demanda pelos serviços da Logística nos próximos anos", disse a companhia.

Segundo a Vale, o aumento da demanda estaria em parte relacionada à entrada em operação do Píer 4, em Ponta da Madeira (MA), em 2011.

Os rebocadores, voltados principalmente para o transporte de minério de ferro, serão adicionados à frota atual, hoje com 14 embarcações depois da companhia ter optado por vender parte da frota de navios da Docenave, empresa de navegação da Vale, no início desta década.

Onze rebocadores serão construídos no estaleiro Detroit, em Navegantes(SC) e outros quatro em Aracaju(SE), no estaleiro Santa Cruz.

"Somente com a construção dessas embarcações serão gerados 1.530 novos empregos, entre diretos e indiretos", destacou a Vale.

Os rebocadores custarão R$ 276,3 milhões e vão operar no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão, e no Complexo de Tubarão, no Espírito Santo. A primeira entrega está prevista para este ano e os demais rebocadores serão entregues até 2011.

As 32 barcaças e os dois empurradores custarão R$ 122,3 milhões e serão construídos no estaleiro Rio-Maguari, em Belém (PA). Essa frota irá atender à mina de Urucum, em Corumbá (MS), transportando minério na rota Brasil-Paraguai e Brasil-Argentina, disse a Vale.

"Esta encomenda vai gerar 600 empregos diretos, podendo chegar a 700 no pico da construção, além de outros 140 empregos indiretos", destacou novamente a mineradora.

Segundo notas na imprensa brasileira, o presidente da Vale, Roger Agnelli, teria um encontro nesta quinta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que não foi confirmado pela assessoria da Vale, que afirmou não divulgar a agenda de Agnelli."

TÉCNICAS VIOLENTAS DE INTERROGATÓRIO

Li no jornal Correio Braziliense esta reportagem de Rodrigo Craveiro:

O centro de detenção da base naval americana de Guantánamo (Cuba) já hospedou mais de 750 detentos desde janeiro de 2002. As fotografias das celas a céu aberto que rodaram o mundo por muito tempo agora dividem espaço com ervas daninhas e iguanas.

Até mesmo os hangares onde os prisioneiros foram tratados como cães estão praticamente vazios. Hoje, a maior parte dos acusados está em duas prisões modernas construídas, parecidas com as penitenciárias de alta segurança dos Estados Unidos.

Cerca de 60 prisioneiros foram absolvidos da denominação “combatente inimigo”, que, segundo o Pentágono, justificava a detenção. Mas continuam trancados porque não podem voltar para seus países de origem, que se recusam a acolhê-los.

A prisão de Guantánamo é também conhecida pelas salas de interrogatório. Segundo o relato da maioria dos prisioneiros libertados, durante os questionamentos eles são maltratados e torturados: privação de sono, exposição a temperaturas extremas, música em altíssimo volume e a obrigação de permanecer durante horas em posições incômodas.

Muitos relataram também que os guardiões os impediam de rezar ou que eram submetidos constantemente a revistas corporais íntimas e a insultos.

Situada em uma base naval sob a administração norte-americana, que Washington aluga de Cuba desde 1903, a prisão é invisível para a maior parte das zonas habitadas da baía de Guantánamo. Os EUA obtiveram o terreno depois de ajudarem os cubanos a derrotar as forças espanholas, no final do século 19, o que levou à independência da ilha.

O acordo prevê que a terra só pode ser devolvida por razão de abandono ou por consentimento mútuo. Pela utilização do lugar, os EUA pagam a Cuba US$ 5 mil anuais.

Além dos 750 militares presentes na base, mais de 2,5 mil estrangeiros, em sua maioria filipinos e jamaicanos, trabalham lá, em particular na prisão. Três imigrantes cubanos também vivem no local.

Depois que três detentos cometeram suicídio em junho de 2006, as regras da prisão ficaram mais rígidas. Apenas em março daquele ano militares norte-americanos divulgaram os nomes e nacionalidades das pessoas mantidas na base.”

RENDA MÉDIA DO TRABALHADOR EM DEZEMBRO CRESCE 3,6% SOBRE 2007

O jornal Valor Econômico publicou a seguinte notícia (li no UOL):

“O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 1.284,90 em dezembro de 2008, com elevação de 0,5% ante o mês anterior. Frente a dezembro de 2007, houve aumento de 3,6% informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Relativamente ao penúltimo mês do ano passado, das seis regiões metropolitanas pesquisadas, viu-se aumento na renda média em Recife (2,9%), Belo Horizonte (5,1%) e São Paulo (1,1%). Em contrapartida, o rendimento caiu no Rio de Janeiro (-2,4%). Nas outras duas áreas investigadas - Salvador e Porto Alegre - notou-se estabilidade.

Na mesma comparação, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram queda de 0,4% no rendimento médio, para R$ 1.265,70. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram rendimento médio de R$ 798,90, com elevação de 0,5%. Os trabalhadores por conta própria acabaram com a renda 0,4% maior, de R$ 1.044,30. Militares ou funcionários públicos viram acréscimo de 2,9% no rendimento médio, para R$ 2.256,70.

Em comparação a dezembro de 2007, houve recuperação de 6% no rendimento dos trabalhadores com carteira assinada. Os trabalhadores por conta própria verificaram aumento de 1,1% e os militares e servidores públicos tiveram alta de 2,6%. Os trabalhadores sem carteira assinada, contudo tiveram perda de 7,8% na renda média habitualmente recebida.

Já o rendimento médio real domiciliar per capita, que é a divisão das rendas do trabalho pelos moradores do domicílio, fechou o ano passado em R$ 823,56 -estável perante novembro, mas 4,2% maior do que o de dezembro de 2007.”

PLANO DE INVESTIMENTOS DA PETROBRAS PARA 2009 DEVE SUPERAR O DE 2008

Li no portal UOL o texto divulgado pela Folha Online:

“O conselho da Petrobras e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirão nesta sexta-feira (23), para a apresentação do plano de investimentos da empresa para este ano.

Informações preliminares já transmitidas ao governo indicam que o plano será maior que o de 2008, informa a colunista Mônica Bergamo na edição da Folha desta quinta-feira (a íntegra da coluna está disponível na internet para assinantes do jornal ou do UOL).

Na semana passada, a Petrobras informou ter registrado produção recorde de petróleo no país, com média de 1,854 milhão de barris/dia em 2008, 3,46% superior à produção de 1,792 milhão de barris/dia observada no ano anterior.

A produção de 2008 da empresa ficou dentro da meta prevista, que variava entre 1,850 milhão de barris/dia e 1,900 milhão de barris/dia. Essa meta, fixada anteriormente em 1,900 milhão de barris/dia, foi revista durante o ano passado, após alguns problemas na entrada de plataformas de produção da companhia.

Além disso, a Petrobras informou que a exportação de dezembro atingiu 620 mil barris por dia de petróleos nacionais, um recorde para o período. O recorde superou em 46 mil barris diários a marca anterior, obtida em outubro de 2008, que foi de 574 mil barris/dia.

O volume gerou receita de cerca de US$ 574 milhões para a companhia. O valor refere-se a saídas físicas de petróleo do Brasil no mês de dezembro. Os faturamentos das cargas serão efetivados ao longo dos meses de janeiro e fevereiro de 2009.”

DESEMPREGO NO BRASIL FICA EM 7,9% EM 2008, MENOR DA HISTÓRIA

Li no portal UOL a reportagem de Cirilo Junior, da Folha Online:

“A taxa de desemprego média no Brasil em 2008 ficou em 7,9%, contra 9,3% em 2007, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O dado divulgado hoje é o menor da série iniciada em 2002.

Em dezembro, a taxa ficou em 6,8%, contra 7,6% em novembro. Na comparação com dezembro de 2007, houve um decréscimo de 0,6 ponto percentual --que havia ficado em 7,4%. O resultado de dezembro foi o menor para um mês também na série histórica.
Veja as medidas já anunciadas no Brasil para combater os efeitos da crise

A renda média do trabalhador no ano cresceu 3,4% entre 2007 e 2008, ficando em R$ 1.260,24, contra R$ 1.218,79 um ano antes. Em dezembro, a renda média do trabalhador chegou a R$ 1.284,90, uma alta de 0,5% frente a novembro e de 3,6% em relação a dezembro de 2007.

Em 2008, o IBGE registrou uma média mensal de 1,9 milhão de pessoas desocupadas, o menor número desde 2003. Em relação a 2007, houve redução de 13,3% na população desocupada. Em dezembro havia 1,6 milhão de pessoas procurado emprego, 11% a menos que o observado em novembro, e 6,3% inferior na comparação com igual período de 2007.

A população ocupada somou 22,1 milhões de pessoas, indicando estabilidade em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2007, houve um crescimento de 3,4%.
O número de trabalhadores com carteira assinada no país totalizou 10 milhões de pessoas em dezembro, número também estável em relação a novembro. Já na comparação com dezembro de 2007, houve incremento de 7,2%.

O IBGE mede a situação do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Alegre (RS).”

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ODEBRECHT AJUDARÁ A CONSTRUIR SUBMARINOS

O site defesa@net ontem publicou a seguinte reportagem de Wilson Tosta:

FRANCESES, QUE FECHARAM NEGÓCIO DE 7 BI COM MARINHA, FARÃO "JOINT VENTURE" COM CONSTRUTORA

“A Construtora Norberto Odebrecht será sócia na construção dos cinco submarinos contratados pelo Brasil com a França - um negócio estimado em 7 bilhões (R$ 21,4 bilhões) ao longo de 20 anos, acertado no fim de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu colega francês, Nicolas Sarkozy. A DCNS, empresa que tem 75% de suas ações controladas pelo Estado na França e 25% pela Thales, afirmou que a Odebrecht foi escolhida por sua especialização nas áreas nuclear e de offshore. Formará com os franceses uma joint venture para fazer as embarcações.

A empreiteira construirá ainda o estaleiro onde as embarcações serão montadas e uma nova base naval no Porto de Sepetiba, no Rio. O contrato entrará em vigor no segundo semestre.

Um porta-voz da empresa, pedindo anonimato, disse que o projeto "é o contrato mais importante já assinado pela DCNS". Será a primeira parceria industrial DCNS-Odebrecht. Segundo o porta-voz, "a Odebrecht tem um painel de atividades, assim como projetos industriais na área nuclear e de offshore que correspondem à realidade do projeto dos submarinos". Ele reforçou que "essas atividades são complementares às da DCNS". A empresa francesa não divulgou cifras do negócio, considerado confidencial.

A joint venture construirá, com assistência da DCNS, os quatro submarinos convencionais Scorpène, a propulsão diesel-elétrica. Cada um terá menos de 75 metros de comprimento, deslocará até 2 mil toneladas na superfície e poderá levar de 30 a 45 pessoas. Terá sistemas de torpedos pesados de nova geração e poderá ser equipado com mísseis antinavio.

MONTAGEM

O primeiro submarino será em parte feito na França, em Cherbourg - os outros terão seus cascos montados no Brasil, depois de manufaturados na Nuclep, em Itaguaí (RJ).

A DCNS dará assistência para o design da parte não-nuclear do submarino, a ser feita pela joint venture, e às obras para construção do estaleiro e da nova base. A DCNS alegou confidencialidade para não revelar valores e data de entrega de quatro das cinco embarcações. A primeira estará operacional em 2015.

Desde o início, o estaleiro a ser construído pertencerá à Marinha do Brasil, que vai cedê-lo à joint venture DCNS-Odebrecht para a construção dos submarinos. Serão abertas vagas de trabalho para 500 pessoas ao longo de 20 anos. Outras empresas francesas, como Thales, Jeumont Electric e Sagem, também participarão do projeto, como fornecedoras de equipamentos. Equipes de engenheiros e técnicos brasileiros serão reunidas em Cherbourg, durante a fabricação da parte do primeiro submarino.

Mais de cem empregados da DCNS trabalharão no Brasil, entre permanentes e temporários.

O grupo DCNS tem 13 mil funcionários em dez localidades da França e faturamento de 2,8 bilhões. O grupo tem filiais na Grécia, Arábia Saudita, Malásia, Cingapura, Índia e Itália. Tem mais de 50 governos como clientes.

A assessoria da Odebrecht, procurada ontem pelo Estado, informou que caberia à Marinha do Brasil comentar o assunto.

MARINHA DIZ QUE ESCOLHA FOI EXCLUSIVA DOS FRANCESES

“O comando da Marinha do Brasil esclareceu ontem que a escolha da Odebrecht como sócia do projeto de construção dos submarinos foi feita exclusivamente pela empresa francesa DCNS. "Apesar de solicitada, a MB recusou-se, sequer, a indicar as empresas possíveis, haja vista que qualquer indicação seria inevitavelmente uma fonte de controvérsias futuras", afirma nota enviada ao Estado.

O "problema", diz o texto, ficou a cargo da DCNS. A Marinha também informou que, para a operação do estaleiro, será constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com 50% das cotas sob controle da Odebrecht, 49% com a DCNS e 1% com a Marinha do Brasil. A participação do governo federal brasileiro, contudo, será mais que simbólica, pois terá direito de veto em questões estratégicas, como ocorre na Embraer desde sua privatização. Não fica claro se esta é a mesma sociedade referida pela DCNS, cujo controle majoritário, segundo disse ao Estado o porta-voz da própria empresa, ficará com os franceses. Para operar o estaleiro não haverá joint venture, diz a nota da Marinha.”

DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA TEM A MAIOR QUEDA DESDE 1995

O site “vermelho” ontem publicou:

“A Previdência Social fechou o ano 2008 com déficit acumulado de R$ 36,2 bilhões, em preços correntes. O número representa uma diminuição de 19,3% perante o saldo negativo de R$ 44,9 bilhões vistos em 2007. Pela série histórica, foi a maior queda desde 1995. Além disso, ressalta o Ministério da Previdência, o resultado apresentado nesta quarta-feira (21) ficou abaixo do esperado para o ano, que era um déficit de R$ 43,9 bilhões.

Segundo as informações do Ministério, a melhora das contas da Previdência se deve ao aumento de arrecadação e a medidas de gestão. Ao se corrigir os valores pela inflação do INPC, o déficit do INSS em 2008 foi de R$ 37,187 bilhões, 24,1% menor do que o de 2007 (R$ 48,985 bilhões).

Ainda considerando a correção, a arrecadação da Previdência cresceu 9,2% em 2008, atingindo R$ 167,036 bilhões. Os gastos com benefícios, por sua vez, aumentaram 1,1%, para R$ 204,224 bilhões.

O déficit a preços correntes de R$ 36,2 bilhões pode ser equivalente a 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Vale lembrar que o IBGE ainda não divulgou os dados do PIB nacional relativos a 2008 inteiro. Em 2007, o resultado negativo das contas do INSS correspondeu a 1,73% do PIB.

CRISE

Os efeitos da crise econômica internacional, que foi responsável por mais de 650 mil demissões no mês de dezembro, não deve impactar a arrecadação da Previdência Social, segundo o ministro José Pimentel. Segundo ele, a Previdência tem vários “instrumentos” de proteção, que farão com que as perdas com a crise não atinjam a arrecadação do setor.

De acordo com Pimentel, desde a mudança da legislação, em julho de 2007, que criou o Simples Nacional, 3.119 milhões de empresas se formalizaram. Antes, o saldo era de 1,3 milhão de empresas formais. “Em 2009, estamos tendo uma média de 15 mil novas empresas formais por dia”, acrescentou.

Segundo ele, o saldo total de admissões em 2008 também contribuiu para reduzir os impactos negativos da crise econômica na Previdência. “Tivemos, em 2008, 16,5 milhões de novos postos de trabalho e uma demissão da ordem aproximada de 15 milhões - devido à alta rotatividade do mercado de trabalho brasileiro e à inexistência da proteção do trabalho. Portanto, temos um saldo positivo de 1,452 milhão de empregos mantidos no ano passado”, disse.”

ARGENTINOS ELEGERIAM LULA PARA PRESIDENTE

O blog do Noblat ontem publicou a seguinte reportagem do jornal O Estado de S.Paulo:

“Se os argentinos pudessem votar em candidatos estrangeiros para escolher seu presidente, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva seria o vencedor, segundo pesquisa da Carlos Fara e Associados. Lula teria 25% dos votos, deixando para trás Hugo Chávez, com 23%.

Nessa "disputa" pela Casa Rosada, o presidente dos EUA, Barack Obama, ficaria empatado em terceiro com a chilena Michelle Bachelet, com 18% dos votos. Obama, contudo, é o presidente do continente com imagem mais positiva na Argentina. Conta com 48% de aprovação, ante 47% de Lula. O boliviano Evo Morales vem a seguir, com 38%.”

DA AZIA À MÁ DIGESTÃO

O site “Direto da Redação” ontem postou o seguinte artigo do jornalista Mair Pena Neto:

“Por mais inadequada que tenha sido a declaração do presidente Lula de que não lê jornais para não ter azia, a reação de boa parte da imprensa, visivelmente incomodada com a ironia, foi de desqualificação e rancor, quando deveria suscitar a reflexão sobre a relevância dos jornais se são, de fato, ignorados pelo presidente.

Espaço foi dado a personagens sem importância, questionando como o presidente poderia conduzir o país e enfrentar a crise sem ler os jornais. Tentou-se apresentar o presidente como inapto para o cargo ou como um ditador que não tolera críticas, quando a realidade é bem diferente. Lula navega numa aprovação de 80% e está envolvido no debate de todas as grandes questões da atualidade, da liberalização do comércio à reforma das Nações Unidas, do combate ao terrorismo à crise financeira global.

Em telefonema a Lula, em novembro, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que o Brasil é um líder mundial. Pesquisa do Latinobarômetro, do Chile, no mesmo mês, apontou Lula como o ibero-americano mais bem avaliado, à frente do rei Juan Carlos e do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.

“Lula colocou o Brasil no cenário internacional e a América Latina foi junto e reconhece isso”, comentou a diretora do Latinobarômetro, à época. O Banco Mundial também já classificou Lula como um dos grandes líderes do mundo.

Portanto, seria um equívoco apresenta-lo como despreparado por não ler os jornais. A imprensa brasileira não gosta de crítica e tende a reagir corporativamente. Mas se o presidente não lê os jornais e é considerado um líder tão importante, alguma coisa pode estar errada com eles. Talvez Lula não veja nos jornais a pluralidade e o debate importante da realidade brasileira, que poderia ajudar em suas decisões.

Talvez identifique uma oposição sistemática a ele que o leva a recorrer a outras fontes de informação.

Lula não é o dono da verdade, mas se pensou assim não teria passado tão longe dela.

Os jornais são, em geral, uniformes na visão do atual governo e, em muitos casos, até preconceituosos. Sem falar de uma atuação muitas vezes tendenciosa nos processos eleitorais, invariavelmente contrária a Lula.

A azia de Lula provocou má digestão na imprensa, que vomitou suas críticas habituais. O sal de frutas poderia ser uma revisão da cobertura política, com análise profunda dos prós e contras, para que os jornais voltem a ser leitura indispensável de qualquer líder político.”

A ÚLTIMA BATALHA DE LULA

O blog “Cidadania.com” ontem postou o seguinte texto de Eduardo Guimarães:

“Nos primórdios da vida, ele enfrentou o que dezenas de milhões de brasileiros continuam enfrentando: fome, privações de todos os tipos, humilhações, pouco caso, injustiças... E venceu, tornando-se o mais importante líder sindical da história brasileira e, depois, o mais importante líder político de nossa história mais recente.

Não havia mais fome e outras privações de necessidades básicas. O trabalho duro, que lhe extirpou uma parte do corpo, garantiu-lhe uma vida digna. E seu sonho de levar o mínimo que alcançou a todos os seus compatriotas, levou-o a liderar a criação daquele que hoje é o mais importante partido de esquerda da América Latina.

Lula enfrentou o mais poderoso de todos os inimigos, o preconceito, e venceu. Mas venceu com força, de forma arrasadora. Hoje, os que insistem em tentativas vãs de humilhá-lo, detratá-lo, ridicularizá-lo, maldizê-lo, caluniá-lo, formam um diminuto contingente social, ainda que rico e influente.

Lula encantou o mundo e fez com que o Brasil se tornasse hoje uma potência ascendente, cujo futuro brilhante é reconhecido e apregoado pelas vozes mais importantes e influentes da atualidade.

Este governo parecia caminhar para um desfecho à altura da história de seu titular. Até há poucos meses, mesmo os inimigos mais implacáveis de Lula reconheciam que seu governo terminaria coroado de êxitos memoráveis, históricos.

Porém, como nada na vida desse homem foi conseguido sem batalhas épicas, o destino pôs um último grande desafio em seu caminho. Um desafio que poderá fazer com que coroe sua vida como homem público, daqui a menos de dois anos, com um êxito que nunca ninguém imaginou que fosse possível.

O agravamento da crise financeira no mundo e no Brasil convoca esse nordestino de origem humilde, esse é que o homem público mais detratado, caluniado e injustiçado que já vi, a travar sua mais grandiosa batalha.

Esta crise econômica que se abateu sobre a humanidade é reconhecida por todos como a pior que o mundo viu em quase um século. Não há paralelo de crise igual nos últimos oitenta anos – desde a Grande Depressão de 1929.

Oportunistas, os inimigos de Lula voltam a desafiá-lo:

“Você só teve os êxitos que teve, até aqui, porque o mundo estava em expansão econômica. Agora, com a crise, ficará claro que você jamais foi responsável pelos êxitos que o país vinha experimentando”.

De novo, eles mentem. O mundo está em crise há mais de um ano. Enquanto todas as nações mais ricas e importantes mergulhavam em profunda recessão ou em grave desaceleração do crescimento, o Brasil só agora começa a sentir os efeitos dessa crise.

Na segunda-feira, foi divulgado relatório da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que mostrou que, enquanto o investimento estrangeiro no mundo caiu 21% em 2008, no Brasil aumentou 20,6%.A OCDE, o Banco Mundial e o FMI acabam de divulgar que, entre as 35 maiores economias do mundo, a do Brasil é a melhor preparada para enfrentar a crise.

Sim, o desemprego explodiu em dezembro. Porém, isso ocorreu depois de um ano que poderia ter fechado como sendo o de maior criação de empregos da história, mas que, mesmo assim, ficou muito acima de qualquer outro período em governos anteriores.

Com o mundo afundando, 2008 terminou com um saldo positivo de quase um milhão e meio de empregos formais no Brasil. Para que se possa mensurar adequadamente o que esse número significa, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está prometendo criar meros três milhões de empregos.

Lula conseguiu tudo isso tendo contra si, durante os últimos seis anos, todos os grandes impérios de comunicação do país, que, trabalhando para seus inimigos políticos, trataram de sabotar seu governo de todas as formas possíveis e imagináveis.

Com o mundo vivendo uma crise de confiança que está paralisando todas as economias de todos os países, o Brasil vê seus meios de comunicação fazerem o oposto do que fazem os de outros países, que tentam acalmar a população e os agentes econômicos.

Evitar que o Brasil sucumba à crise, que percamos tudo o que conseguimos, será a última grande batalha de Lula como homem público. E ele contará com todo o apoio que eu puder lhe dar, ainda que tal apoio venha a lhe ser pouco útil.

E não farei isso apenas pelo meu país, pelo meu povo, mas também por esse homem que tanto admiro, pois fez os brasileiros acreditarem em si mesmos, orgulharem-se de serem quem são, de terem nascido no país em que nasceram.

Defender Lula é defender a todos nós, cidadãos comuns, homens do povo, não agraciados com benesses caídas do céu, com sobrenomes eminentes, com favores da vida. É defender este povo tão humilhado por essa elite mesquinha, covarde e corrupta.

E esses que lançaram o desafio, dizendo que agora o Brasil afundará porque o mundo está afundando, se Lula vencer sua última grande batalha terão que render-lhe homenagens, ainda que seja com o silêncio obsequioso que tanto ansiamos “ouvir” de suas bocas.”

SOBRE O BRASIL, FÓRUM DE DAVOS REPETE OCDE, FMI E BANCO MUNDIAL

BRASIL É MENOS AFETADO PELA CRISE, DIZ FÓRUM DE DAVOS

Li na Folha de ontem:

“Genebra - O Fórum Mundial de Economia fez uma avaliação positiva sobre a economia brasileira hoje, mas alertou que a crise global vai provocar aumento do desemprego e mais problemas para as empresas.

A avaliação feita por Klaus Schwab, diretor do fórum, foi de que a economia mundial continua "no hospital", precisando de cuidados intensivos, mas que "o Brasil é um dos países com melhor saúde que outros".

Mesmo se o país parece se sair melhor no momento, ele reiterou que o impacto da crise é global e não há como escapar de suas conseqüências, ainda mais no cenário atual de incertezas.

Schwab confirmou que 42 chefes de Estado e de governo irão a Davos, na semana que vem, para discutir a crise global. Mas minimizou a ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que Lula está "engajado" com o fórum regional que será organizado em abril no Rio de Janeiro.”

GOVERNO VIRA ACIONISTA DE FABRICANTE DE ARMAMENTO

O jornal Folha de São Paulo publicou ontem a seguinte reportagem de Claudio Dantas Sequeira:

UNIÃO TERÁ PODER DE VETAR DECISÃO DA DIREÇÃO DA AVIBRAS

“A 7ª Vara Cível de São José dos Campos concedeu ontem a recuperação judicial da Avibras Indústria Aeroespacial S/A. Nenhum dos credores apresentou objeções, o que permitiu a homologação do plano de recuperação. Com isso, o governo se tornará acionista de uma das maiores fabricantes de armamentos do país. Além disso, terá participação estratégica por meio de uma "golden share", ação que dá direito a vetar decisões tomadas pela direção da empresa -o governo detém "golden share" da Embraer.

Segundo o advogado da Avibras, Nelson Marcondes Machado, a participação acionária do governo será definida depois de concluídos levantamento técnico e auditoria nas contas. "A consultoria Rosemberg e Associados está fazendo o trabalho de análise da empresa, e a BDO Trevisan, a auditoria. Eles têm até o final de fevereiro para apresentar seus relatórios."

Com base nos relatórios, serão adotados critérios para fazer a conversão dos débitos da empresa em ações que ficarão em poder do governo. A estimativa, antecipada pela Folha, é que a União fique com 30%.

O patrimônio líquido da Avibras é avaliado em R$ 1,5 bilhão. A dívida está em R$ 641 milhões, dos quais R$ 400 milhões, diz Machado, se referem a impostos e empréstimos contraídos com o governo. "Precisamos fazer modificações do ponto de vista societário", diz Machado. Segundo o Ministério da Defesa, o "perfil societário deverá ser adequado à relevância estratégica da empresa".

A recuperação da Avibras é considerada pelo ministro Nelson Jobim uma prioridade, no âmbito da estratégia de reerguer a indústria bélica. A parceria com o governo deve facilitar o processo de venda e exportação de armamentos.

Há anos, a Avibras, única fabricante de sistemas de artilharia no Brasil, enfrenta dificuldades financeiras. O acionista majoritário (70% das ações) é João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador, João Verdi de Carvalho Leite, que desapareceu em 2008, no Vale do Paraíba, em viagem de helicóptero.”

ANTONIO DELFIM NETTO: “IMPORTAÇÃO”

O jornal Folha de São Paulo publicou ontem o seguinte artigo do economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto:

“Há economistas que pensam que as importações reduzem o PIB. Trata-se apenas de mais um dos equívocos a que leva a interpretação mecânica das identidades da contabilidade nacional. As importações são um fator de produção da mesma natureza que o trabalho, o capital e a disponibilidade de energia. É por isso que a taxa máxima de crescimento a longo prazo de um país é limitada pela sua capacidade de pagar sua importação.

No mundo real, a quantidade de bens e serviços que se importa para produzir o PIB deve ser paga pela quantidade de bens e serviços que se exporta, valorizadas por seus respectivos preços (fixados no mercado mundial e muito pouco influenciados pela oferta e demanda de cada país). O equilíbrio instantâneo entre o valor das importações e o valor das exportações é resultado ou do crédito que entre si se concedem os participantes do comércio mundial ou do uso das eventuais reservas de moeda externa construídas nos momentos superavitários.

A história mostra, entretanto, dois fatos desagradáveis: 1º) à medida em que um país permanece deficitário, acumula dívida externa cujo risco e, portanto, custo, cresce; e 2º) os credores têm o mau hábito de querer receber o seu crédito e, geralmente, o exigem quando há um estresse no mercado financeiro mundial. A morte "súbita" do crédito impõe, então, um desastroso ajuste interno, com dramática redução do ritmo de crescimento do PIB. De que depende a "capacidade de importar"? Primeiro, da quantidade física exportada e, segundo, da relação preços da exportação/ preços da importação (que tem o nome de "relação de troca") o que mostra a importância de exportação física para o ritmo do crescimento. Os dois fatores respondem à evolução da economia mundial, o que sugere que sempre haverá alguma correlação entre o crescimento de cada país e a soma do crescimento dos seus parceiros.

Sugere um pouco mais: quando há um estresse do mercado financeiro a acomodação dos déficits eventuais é mais difícil e, provavelmente, aquela correlação crescerá.

Outro dia assisti, pasmo, a um de nossos economistas afirmar que as exportações do agronegócio (resultado de nossas vantagens comparativas naturais) são capazes de sustentar nosso crescimento, como "provou a virada de 2003-06".

Esqueceu-se, apenas, que entre 1995 e 2002 (com a mesma produtividade daquele setor, mas sem a expansão mundial), acumulamos US$ 200 bilhões de déficits em conta corrente: fomos duas vezes ao FMI e crescemos apenas 2,3% ao ano! É isso que impõe um papel ativo e inteligente do Estado-Indutor na construção do setor exportador.”

CHINA CENSUROU TRECHOS DO DISCURSO DE BARACK OBAMA

O portal UOL publicou ontem a seguinte notícia divulgada pela agência inglesa BBC:

“Partes do discurso inaugural do presidente americano, Barack Obama, que falavam sobre "comunismo" e "dissidentes", foram censurados na China.

O principal canal de TV estatal, CCTV, e populares portais de internet tiveram que suprimir as referências feitas pelo presidente americano a temas considerados sensíveis na China.

No discurso de posse, Obama disse: "Lembrem-se que gerações anteriores encararam o comunismo e o fascismo não apenas com mísseis e tanques, mas com vigorosas alianças e convicções duradouras".

Na transmissão da CCTV, o áudio da tradução simultânea foi interrompido a partir do momento em que a palavra "comunismo" apareceu na tela e a imagem do discurso em Washington foi cortada abruptamente para o estúdio em Pequim.

O apresentador da CCTV pareceu ter sido pego de surpresa, mas deu continuidade ao programa perguntando para um convidado sobre os desafios econômicos que Obama enfrentará.

Os portais Sina.com e Sohu.com, muito populares no país, também tiveram que omitir a palavra "comunista" do discurso de Obama.

DISSIDENTES

Outro trecho do discurso que foi suprimido dos principais portais chineses falava da "opressão de dissidentes".

"Àqueles que se agarram ao poder através de corrupção e enganação e silenciando dissidentes, saibam que vocês estão do lado errado da história, mas nós vamos estender a mão a vocês se estiverem dispostos a abrir seus punhos", exclamou Obama.

Sites em chinês, como o da agência de notícias estatal Xinhua, omitiram a palavra "comunista", embora a tenham mantido na versão integral em inglês.

Outro site popular, o Netease.cn cortou completamente o parágrafo que mencionava "comunismo e fascismo", porém deixou o trecho sobre "dissidentes", o que motivou internautas a comentar a passagem. Nas versões online do discurso em inglês o conteúdo original foi preservado na maioria dos casos. Já nas traduções para chinês, somente sites de Hong Kong puderam publicar a versão integral.

Leitores dentro da China continental, entretanto, não têm acesso a sites de Hong Kong, como os dos jornais Apple Daily e o Mingpao, pois estes portais são constantemente bloqueados pela censura.”

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

OPERAÇÃO-SERRA E A DEMISSÃO DE NASSIF

Li ontem no site “vermelho” o seguinte artigo de Altamiro Borges:

“É bom ficar esperto. Está em curso uma ardilosa orquestração na mídia de blindagem do tucano José Serra, governador de São Paulo e candidato do bloco neoliberal-conservador à sucessão do presidente Lula em 2010. A mais nova vítima da "operação-Serra" é o jornalista Luis Nassif, que teve seu contrato de trabalho suspenso na semana passada pela TV Cultura, emissora controlada pelo governo de São Paulo. Numa entrevista exclusiva à jornalista Priscila Lobregatte, do Portal Vermelho, Nassif não vacilou em fazer o alerta: "2010 já começou, este é o ponto".

O abrupto rompimento do seu contrato não teve qualquer explicação. E nem podia.

Afinal, por suas posições críticas e independentes, ele é um dos mais respeitados colunistas da mídia, já tendo recebido vários prêmios. No último prêmio Comunique-se, ele foi um dos três jornalistas da TV Cultura indicados para a categoria televisão. O motivo, então, não foi profissional. Nassif insinua que sua demissão se deve à proximidade da sucessão presidencial. "A maluquice das eleições de 2006 voltou antecipadamente", afirma, referindo-se à brutal manipulação no pleito passado.

SILENCIANDO AS OPINIÕES CRÍTICAS

Ele lembra que recentemente criticou a publicidade da Sabesp, empresa paulista de água. "Como pode uma empresa com atuação estadual patrocinar eventos de televisão no Brasil inteiro?". Este e outros comentários críticos, atestando que a campanha presidencial de Serra é ostensiva e usa recursos públicos, devem ter irritado o truculento governador. Para Nassif, há indícios de que a ordem para sua demissão veio de cima. "O Paulo Markun [presidente da Fundação Anchieta, a mantenedora da TV Cultura] não tomaria sozinho essa decisão... Se em dezembro ele acertava ampliar minha participação, é evidente que a mudança de orientação se deve a outros fatos".

A suspensão do contrato de Nassif é um fato grave. Mostra a total falta de independência de uma emissora que deveria ser pública e que hoje serve abertamente ao projeto presidencial de Serra. Mas não é um fato isolado. Além de manietar a TV Cultura, o governador tucano conta hoje com o apoio ostensivo da maioria das emissoras privadas e dos jornalões e revistas do país, fechando o cerco midiático para sua campanha. Está em curso uma operação de limpeza nas redações para aplainar a sua decolagem eleitoral, evitando críticas a sua administração e bajulando o tucano.

DEMISSÃO NA CBN E CLIMA DE MEDO

Em outubro passado, a Rede Globo demitiu o jornalista Sidney Rezende da rádio CBN.

Segundo Rodrigo Viana, que deixou a emissora por discordar das suas manipulações na sucessão de 2006, "Sidney era tido por colegas e ouvintes como jornalista que exercia a sua independência... Na sua demissão se percebem os preparativos para a cobertura das eleições de 2010. O ‘moto-serra' dos tucanos vai passar sobre várias cabeças do jornalismo global. Na CBN, conheço um outro âncora (não darei nome porque ele me pediu sigilo) que teve a sua cabeça pedida pelo governador".

Após estranhar outro facão recente, de Luiz Carlos Braga da sucursal de Brasília, Rodrigo afirma que o clima na Rede Globo "lembra muito a operação-2006. Há dois anos, às vésperas da eleição presidencial, ela se livrou do comentarista Franklin Martins porque este não fechava com a linha oficial de ‘sentar a pancada' em Lula e dar uma ‘mãozinha' aos tucanos. Depois, foram limados outros jornalistas que se indispuseram com a emissora na cobertura das eleições (entre eles, eu, Luiz Carlos Azenha, Carlos Dornelles e o editor de política Marco Aurélio Mello)".

A GENEROSIDADE DA MÍDIA PRIVADA

Rodrigo Viana, que há muito tempo trabalha em veículos privados, garante que o presidenciável tucano conta com o total apoio dos barões da mídia. Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo – também apelidado por quem o conhece bem de Ratzinger ou "senhor das trevas" –, não permite que saia uma linha sobre o atual governador paulista sem o seu aval prévio. A mesma rigorosa orientação é imposta pela famíglia Frias, que mantém sólidas e sinistras relações com o tucano-mor desde os tempos em que este foi editorialista da Folha de S.Paulo.

Este conluio explica a generosidade da mídia hegemônica até nos casos mais chocantes – como na "guerra das polícias" no ano passado, quando ela simplesmente isentou o governador paulista de qualquer culpa, ou na desastrosa operação policial do seqüestro e morte de Eloá Pimentel, em Santo André. Ainda segundo Rodrigo Viana, que conhece os bastidores da mídia, "a ordem era proteger o governador. Conversei com três colegas que trabalham na TV Globo de São Paulo e que pedem anonimato. A orientação aos editores era botar no ar trechos imensos da entrevista chapa-branca com o Serra", na qual ele culpou as centrais sindicais pela greve na Polícia Civil.

COBERTURAS PARCIAIS E MANIPULADAS

A "operação-Serra" também fica patente na forma como a mídia trata as obras do governo Lula, sempre tão vigilante, e na total omissão diante dos descalabros da administração paulista. Na semana passada, Folha e Estadão fizeram rasgados elogios às obras do Rodoanel, sem publicar uma crítica ao seu monumental atraso e altos custos. Já as TVs nada falaram sobre a interrupção da concessão das rodovias Ayrton Senna e Marechal Rondon devido às falcatruas nas licitações, ou da suspensão, pelo TCE, das obras na Marginal do Tietê porque o edital estava irregular.

Também é impressionante a bondade da mídia venal diante das graves denúncias do Ministério Público, que investiga quatro contratos no valor de R$ 1 bilhão da Siemens com o governo paulista para construção de três linhas do Metrô. Há suspeitas de superfaturamento e de que a multinacional alemã teria subornado políticos do PSDB. As apurações começaram no rastro de outro inquérito, o que investiga a multinacional francesa Alstom, que teria dado propina para obter contratos com estatais paulistas nos últimos 14 anos de reinado tucano em São Paulo.

CENSURA CHEGA AO CIBERESPAÇO

Sem trabalho na TV Cultura, Luiz Nassif afirma que agora se dedicará ao seu blog, apostando na internet como arma de democratização da informação. Mas também neste campo a fúria de Serra já se faz sentir. Recentemente, a Justiça mandou tirar do ar o blog Flit paralisante, postado pelo delegado da polícia civil Roberto Conde Guerra. O delegado é famoso por suas críticas à política de segurança do tucanato, sendo fonte alternativa de jornalistas. Durante a greve da categoria, ele usou seu blog para convocar protestos e teve 130 mil acessos.

Agora, foi censurado pelo "moto-serra". A mídia, que sempre ataca o "autoritarismo" do governo Lula, não alardeou esta censura.

A demissão de Nassif até agora não indignou os jornalistas – alguns que tiveram papel de relevo na luta contra a ditadura e que hoje parecem dóceis serviçais das empresas, preocupados apenas com suas carreiras. Também não houve reação das entidades da categoria – o que é lamentável. Paulo Henrique Amorin, outra vítima de perseguição dos "amigos de Serra" quando foi retirado do ar, sem aviso prévio, do Portal IG, protestou solitariamente. "A TV Cultura de Serrágio (vem do pedágio mais alto do Brasil) não agüentava a independência de Nassif", escreveu no seu blog.”

INDÚSTRIA CRESCEU 6,4%

O blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, ontem publicou a seguinte reportagem da Agência Brasil:

INDÚSTRIA CRESCE 6,4% ENTRE JANEIRO E NOVEMBRO EM COMPARAÇÃO A 2007

Apesar de queda em novembro, os indicadores da atividade industrial no país apresentaram dados positivos no acumulado dos meses de janeiro a novembro de 2008.De acordo com os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real do setor foi 6,4% maior na comparação com o mesmo período de 2007.

De acordo com a CNI, as horas trabalhadas na indústria cresceram, até novembro, 5,6%, e o emprego registrou elevação de 4,2%. A massa salarial real dos trabalhadores da indústria cresceu 5% de janeiro a novembro de 2008 na comparação com mesmo período de 2008.”

GUERRA PELA ÁGUA

ISRAEL INVADIU TERRITÓRIOS E MASSACROU GAZA PARA GARANTIR A USURPAÇÃO DAS FONTES DE ÁGUA DA PALESTINA

Li ontem no site “Carta Maior” o seguinte texto de Ana Echevenguá. A autora é advogada, ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente da ONG Ambiental Acqua Bios e da Academia Livre das Águas:

A ÁGUA (QUE NINGUÉM VÊ) NA GUERRA

“Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

"Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, 'há uma realidade histórica de guerras pela água' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias" (Raymond Dwek - The Guardian, 24/NOV/2002).

A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem.

Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?

Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo.

E a conquista das reservas de água? Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário "Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra" (que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...) disse que "a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo".

Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina.

Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. Ali, ele é o "dono" das:

-- águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

-- águas subterrâneas: dois grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.

Tais águas são 'transfronteiriças', recursos naturais compartilhados. Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países.

Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.

Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.

A estratégia de Israel é outra. Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que "é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade" (1). Palavras do ministro da agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território.

O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região.

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um 'direito adquirido sobre a água'. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu:

"Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza".

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados das casas), confiscam as bombas d'água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d'água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização.

Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.

A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito.

Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos? Dá pra imaginar a sobrevivência de qualquer estado e, nesse caso, da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita?

Botar a mão na água é coisa antiga. Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras (em especial da Palestina) de olho nas águas da bacia do rio Jordão.

Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:

-- a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier);

-- em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon falou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d'água;

-- em 2002, a construção o 'muro de segurança' viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Segundo Noam Chomsky, "o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem..." (2). Antes do muro, ele já fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, agora falta água para beber à população palestina do entorno do muro;

-- antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.

Quantos falam a respeito disso?

Em 2003, na 3ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados que objetivavam apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel.

Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água - palavras bonitas no papel, nas mesas de negociação, na mídia. Na prática, é utopia.

O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas mesmo que estas contidas em convenções, acordos, declarações (e outras abobrinhas)?

Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais?”

PARA ANALISTAS, O BRASIL É O MENOS AFETADO DOS BRIC

Li ontem no blog do Favre a seguinte reportagem de Cristiane Perini Lucchesi, de Paris, para o jornal Valor Econômico:

Economistas e analistas da “Conferência Risco País da Coface” são unânimes: o Brasil está se saindo relativamente bem em meio ao furacão

“O grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que reúne algumas das maiores economias dos países emergentes, foi atingido pela crise de crédito com força após a quebra da Lehman Brothers, em meados de setembro do ano passado. O Brasil, no entanto, está se saindo relativamente bem em meio ao furacão, segundo opinião unânime dos analistas e economistas presentes à Conferência de Risco País da Coface 2009.

A seguradora de risco de crédito corporativo colocou em observação para possível rebaixamento a classificação de risco de crédito da China, que é “A3″, informou Yves Zlotowski, economista-chefe da Coface. A Rússia, que tem nota “B”, também acaba de ser incluída na mesma categoria, de acordo com Zlotowski. Já o Brasil, de nota “A4″, um degrau abaixo da nota chinesa e um degrau acima da russa, não sofreu qualquer alteração.

Desde o início da crise do “subprime” a Coface não alterou sua nota para o Brasil.

Segundo Zlotowski, de uma forma geral os Bric não têm déficit em conta corrente preocupante - diferentemente dos países bálticos e do Leste Europeu -, têm reservas internacionais de sobra e o déficit público está sob controle. O problema na China, no seu entender, é o baixo nível de transparência de suas empresas. Já na Rússia, o grande endividamento externo de suas empresas está “explodindo” com a desvalorização cambial dos últimos meses.

No Brasil, segundo ele, a dívida externa das empresas foi reduzida e alongada depois do susto de 2002, e representa menos em relação ao total. Além disso, o sistema bancário tem mostrado extrema “resiliência à crise”, afirma. A pauta de exportação brasileira é mais diversificada e as vendas são para um grande número de parceiros comerciais.

Diferentemente do México, que tem quase 80% de suas exportações destinadas aos Estados Unidos e acaba de ter sua nota reduzida de “A3″ para “A4″ pela Coface.
Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, acredita no aumento da probabilidade de moratória de países mais vulneráveis, que vão precisar da ajuda do Fundo Monetário Internacional, como a Hungria, Turquia, Romênia e países bálticos. A queda na arrecadação fiscal com o crescimento menor vai tornar mais difícil o pagamento da dívida para esses países, diz.

Para Rogoff, o Brasil e a Índia são dois países que estão se saindo melhor em meio à crise, mesmo considerando-se os países desenvolvidos. Ele projeta crescimento de 1% a 2% para o Brasil neste ano. “O Brasil parece estar em melhor forma do que os outros Bric”, concorda Alicia Garcia Herrero, economista-chefe para os mercados emergentes do BBVA de Hong Kong. Ela lembra que as reservas internacionais são suficientes para cobrir toda a dívida externa pública do país e que a depreciação cambial ajuda neste momento a reduzir a dívida líquida do setor público. Além disso, as altas taxas de juros e os níveis ainda elevados de depósito compulsório permitem estímulos monetários importantes ao crescimento. Ela lembrou, no entanto, que ninguém mais fala em descolamento.
Olivier de Boysson, economista-chefe para pesquisa de mercados emergentes do Société Générale, também vê os países do Centro e Leste da Europa como os mais vulneráveis.

“Os mercados emergentes vinham muito bem até bem recentemente, mas hoje estão sofrendo com a queda nos preços do petróleo e das commodities”, disse Rogoff, que prevê um crescimento de 6% para a China neste ano, em comparação com os 8% de Alicia Herrero. Rogoff lembra que os emergentes sofrem também com a falta de crédito para as empresas pequenas e médias nos países ricos, que compram os produtos desses países e estão ficando sem crédito. “Isso afeta suas exportações”, diz.

Para o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, os países emergentes serão os primeiros a voltar a crescer com mais força em 2010, puxando o crescimento econômico mundial.”

BRASIL BATE RECORDE DE CAPTAÇÃO, ENQUANTO INVESTIMENTO NO MUNDO CAIU 21% EM 2008

O blog do Favre ontem postou a seguinte reportagem de Assis Moreira, de Genebra, publicada pelo jornal Valor Econômico:

BRASIL SUPERA MÉXICO E BATE RECORDE DE CAPTAÇÃO

O Brasil bateu o recorde de captação anual de investimentos estrangeiros diretos (IED) em 2008. O fluxo foi de US$ 41,7 bilhões, a maior cifra já registrada. A alta foi de 20,6% em comparação aos US$ 34,6 bilhões do ano precedente, de acordo com a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

O resultado do Brasil vai em direção contrária à tendência mundial, cujo fluxo caiu 21%.

Segundo a agência da ONU, parte foi resultado de fusões e aquisições, que cresceram 13,6% no país, totalizando US$ 9,7 bilhões em 2008 contra US$ 8,6 bilhões no ano precedente.

O fluxo de IED para o Brasil deve cair este ano, sem surpresa. O Banco Central trabalha com estimativa de US$ 30 bilhões. Em 2008, o fluxo de investimento estrangeiro ficou em torno dos US$ 37 bilhões - marca recorde.

A Unctad vê boas oportunidades nos mercados emergentes para atrair investidores mesmo em meio da crise. Mas alerta que as políticas de investimentos adotadas pelos governos tem um papel central para isso.

INVESTIMENTO GLOBAL CAI 21% EM 2008

O fluxo global de investimentos estrangeiro direto (IED) caiu 21% em 2008, ficando em US$ 1,4 trilhão, e deverá declinar ainda mais este ano, conforme estimativa preliminar da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Depois de fluxo recorde de US$ 1,8 trilhão em 2007, o ano de 2008 marcou o fim do ciclo de crescimento do IED, com a recessão, aperto de crédito, queda nos lucros e incertezas generalizadas no mercado levando mais companhias a rever planos, cortar produção e demitir funcionários.

Os países desenvolvidos foram os mais atingidos, com queda de 33% na entrada de investimentos estrangeiros diretos, mas a queda em 2009 será mais disseminada entre economias emergentes.

Em 2008, a queda nos ganhos de multinacionais de países desenvolvidos e menor acesso a empréstimos bancário freou o ritmo de aquisições e fusões, que caiu 33%.

Até agora, o fluxo de IED para países em desenvolvimento resistiu, e cresceu 4% no ano passado. Na América Latina e Caribe, o fluxo aumentou 13%, principalmente graças a resultados do Brasil. Para este ano, a expectativa é de forte declínio no fluxo de investimentos para países como Coréia do Sul, Indonésia, Paquistão, Cingapura e Turquia, por causa das conseqüências da crise financeira.

Entre as indústrias, foram mais afetados os fluxo de IED para os setores financeiro, automotivo, construção, bens intermediários e alguns produtos de consumo. Mas as conseqüências da crise estão se expandindo rapidamente para outras atividades.

A onda de desinvestimentos e reestruturação de operações está crescendo. No setor financeiro, continua a venda de subsidiárias no exterior. Mas também suspensão de negócio, com a Ping An Insurance, da China abandonando uma compra de parte da belga Fortis por 2,2 bilhões de euros. Centros financeiros também atraem menos capital. O fluxo de IED para a Holanda caiu mais de 70%.

No mineração, a Rio Tinto (da Austrália e Reino Unido) e Anglo-American (Reino Unido) vão rever planos de expansão. A British Petroleum anunciou corte de 5 mil empregos para este ano. A suíça Xstrata cancelou a compra da Lonmim (EUA) por US$ 4,10 bilhões.

Na indústria automotiva, os construtores americanos continuam sob ameaça de falência. O fechamento temporário de fábricas se expande pelas regiões. Na indústria aeronáutica, o cancelamento de encomendas aumentou.

A GlaxoSmithKline (Reino Unido), segundo maior laboratório mundial, está cortando operações nos EUA. O produtor francês de cosméticos L’Oreal fechará duas fábricas na Europa.

No setor siderúrgico, a ArcelorMittal (Luxemburgo) vai adiar projeto de US$ 20 bilhões na Índia. Produtores no Reino Unido, Rússia e Japão cortaram a produção.

As projeções são, porém, menos pessimistas para economias emergentes, que continuarão a crescer e que oferecem possibilidade de lucros. A Pepsi Cola investirá US$ 1 bilhão em expansão na China. A Fiat vai produzir mais carros na Rússia.

De qualquer forma, a Unctad aposta numa retomada a prazo do fluxo do IED, até porque a crise financeira oferece oportunidades para as companhias comprarem ativos a preços bem mais baratos e em novas áreas, como a ambiental.”

PETROBRAS É A MAIS ÉTICA DAS MULTINACIONAIS DO PETRÓLEO

Li ontem no UOL a seguinte notícia, em texto de Assis Moreira, publicada pelo jornal Valor Econômico:

PETROBRAS É PRIMEIRA EM ÍNDICE ÉTICO DE SUÍÇOS NA ÁREA DE PETRÓLEO

“Genebra - A Petrobras é apontada como a companhia com melhor reputação ética entre as multinacionais do petróleo e gás, num índice anual publicado hoje na Suíça. Só outra companhia brasileira aparece entre 541 multinacionais: a Vale, que fica em oitavo lugar entre as dez primeiras na área de mineração.

O índice anual de ética foi publicado pela empresa suíça Covalence, que há quatro anos mede responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, investimento ético e reputação das companhias como maior capitalização nas bolsas.

Assim como existem Moody´s ou Fitch para classificar risco-país, a Covalence quer ser a agência de classificação social das empresas. Ela baseia seu índice em informações publicadas na Internet, originárias de oito mil fontes em inglês, francês, alemão e espanhol.

Essas informações são julgadas positivas ou negativas por uma equipe de analistas seguindo 45 critérios, como impacto ambiental da produção, promoção social, gestão de detritos, informação ao consumidor, inovação ecológica de produtos, presença internacional, riscos ambientais, padrões trabalhistas, política anticorrupção.

Segundo o diretor da Covalence, o índice vem sendo usado pelas próprias companhias, e é divulgado no setor financeiro pelas agências Bloomberg, Thompson e Reuters.

Este ano, o índice global de ética aponta como líderes este ano o banco britânico HSBC, a companhia americana Intel e a britânica-holandesa Unilever.Enquanto a situação da maioria dos outros bancos internacionais caiu, inclusive por causa das 293 mil demissões anunciadas no rastro da crise, o HSBC se sai bem, anunciando projetos ambientais e inovadores, segundo a empresa.

Entram na lista das dez primeiras a Xerox (5º), General Electric e DuPont (10º), substituindo IBM , Hewlett-Packard e Toyota.

A Petrobras aparece como líder entre as companhias de petróleo e gás, seguida pela canadense Suncor Energia e pela StatoilHydro da Noruega. No ano passado, Petrobras tinha ficado em sétimo lugar, que agora ficou com a BP britânica, que justamente tinha sido a líder em 2008. Globalmente, a Petrobras foi classificada em 38º posição na lista de 541 multinacionais mais éticas.

O diretor da Covalence explicou que os dados foram levantados até o mês de novembro.

Portanto, não levou em conta a exclusão da Petrobras do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - índice financeiro para empresas que minimizam os impactos ambientais de suas ações -, por causa da polêmica sobre enxofre na gasolina. A Petrobras se retirou depois do Instituto Ethos.

Quanto à Vale, globalmente ficou em 201 posição. E no setor de mineração, sua posição é bem atrás das concorrentes como Alcoa, Rio Tinto e AngloAmerican, mas melhorou suas posições.”

VENDA DE NOVOS NO PAÍS SOBE 9% EM RELAÇÃO A DEZEMBRO E GM ASSUME FRENTE

O portal UOL publicou ontem à noite:

“A Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores) divulgou sua primeira lista de vendas referente a 2009, tendo como base o mercado de veículos novos na primeira quinzena de janeiro. E a lista traz surpresas: no mercado de carros de passeio, a liderança no período ficou com a GM, que deixou Fiat e Volkswagen para trás. Isso ocorreu, principalmente, por conta do desempenho de sua linha de sedãs Corsa/Classic, que se não derrubou o Gol da posição de carro mais querido pelo consumidor brasileiro, conseguiu se aproximar bastante do líder virtualmente imbatível.

Nos 15 dias iniciais de janeiro de 2009, o total de automóveis e veículos comerciais leves emplacados chegou a 94.547 unidades (79.477 carros e 15.070 comercias leves), contra 86.619 do mesmo período de dezembro de 2008. A alta, portanto, foi de 9,15%, índice que havia sido antecipado pela Ford na última semana.

Houve queda, porém, na comparação com janeiro de 2008, de 1,22%, mas o ambiente era outro. Diferente da euforia e expectativa de ascensão, que marcava o mercado há um ano, o começo de 2009 chega com receio por parte das montadoras, que só não é maior por conta da ajuda governamental -- os anúncios de incentivo ao crédito e da redução do IPI até 31 de março já haviam alavancado as vendas em dezembro último e repetem a dose no começo deste ano.

GM À FRENTE

É neste cenário, permeado também por "feirões" e "saldões" de fábrica, que a GM soube se portar melhor que as rivais para obter 22,80% de participação no mercado de carros novos.

Numa conta rápida, de 79.477 novas unidades vendidas, pouco mais de 18 mil ostentam a gravatinha dourada da marca Chevrolet.

A liderança, de toda forma, é pequena e localizada. A Fiat aparece logo na sequência, com 22,55%, e mantém o posto de principal montadora do país, uma vez que lidera também o ranking de veículos comerciais leves (19,15% de participação). A Volkswagen é a terceira colocada, com 21,85% das novas unidades vendidas. Ford (11,34%), Renault (5,52%), Honda (5,51%), Citroën (3,55%), Peugeot (3,27%) e Toyota (1,64%) completam a lista, enquanto montadoras menores, juntas, respondem por 0,98% do mercado.

SEDÃS CORSA COLAM NO LÍDER

Na listagem abaixo, que mostra os 15 modelos de maiores vendas na primeira quinzena do mês, na soma das categorias veículos de passeio e comerciais leves, percebe-se a "explosão" do Corsa sedã/Classic no período, vendendo 6.537 unidades em apenas quinze dias, quase a mesma quantidade de carros comercializados em todo o mês de dezembro de 2008 (foram 6.866).

Com isso, as duas gerações do modelo da Chevrolet (que contam como um modelo no ranking da Fenabrave) ficaram a apenas 1.600 unidades do Gol, referência absoluta para a indústria nacional, desta vez com 8.195 unidades vendidas. E, consequentemente, deixaram para trás a dupla de ataque da Fiat, Mille e Palio, que haviam se acostumado a alternar posições na vice-liderança ao longo do último ano.

Fica claro, também, o domínio das montadoras GM e Fiat, que sozinhas respondem por metade deste ranking, com quatro modelos cada: além do sedã Corsa em suas diferentes gerações, a primeira ainda colocou Celta, Corsa e Prisma na listagem; a Fiat, por sua vez emplacou Mille, Palio, Siena e Strada. Confira:

1º) Volkswagen Gol - 8.195 unidades
2º) Chevrolet Corsa/Classic - 6.537
3º) Fiat Mille - 5.587
4º) Fiat Palio - 5.145
5º) Chevrolet Celta - 3.815
6º) Fiat Siena - 3.086
7º) Ford Fiesta hatch - 3.058
8º) Ford Ka - 2.844
9º) Honda Civic - 2.659
10º) Volkswagen Fox/CrossFox - 2.533
11º) Fiat Strada - 2.033
12º) Chevrolet Prisma - 1.908
13º) Ford EcoSport - 1.870
14º) Chevrolet Corsa hatch - 1.779
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

OS CULPADOS PELA “MAROLA” QUE ATINGE O BRASIL

Li ontem no jornal Folha de São Paulo, na coluna Opinião e Comentário, o seguinte artigo de Frank Rich:

APÓS OITO ANOS DE ERROS, NEM A INDIGNAÇÃO RESISTE

“Mudança nos EUA deve começar na responsabilização pelos tantos crimes cometidos”

“Três dias depois de o mundo descobrir que US$ 50 bilhões podem ter sumido na pirâmide financeira de Bernie Madoff, o "New York Times" divulgou, em 14 de dezembro, a revelação de outro golpe de US$ 50 bilhões. Desta vez a bolada pertencia aos contribuintes americanos. Foi essa a sua contribuição coletiva aos US$ 117 bilhões gastos (até meados de 2008) com a reconstrução do Iraque -um sumidouro de corrupção, clientelismo, incompetência e furto puro e simples, espécie de resumo do governo de George W. Bush dentro e fora dos EUA.

A fonte dessa notícia foi a versão quase final de um relatório de 513 páginas do governo federal a respeito deste fiasco americano. O documento, montado pelo gabinete do corregedor-geral especial para a reconstrução do Iraque, aponta, entre outras transgressões, um esquema governamental de pirâmide tramado para convencer os americanos de que eles estariam angariando sólidos dividendos com seu investimento em um "novo" Iraque.

O relatório cita autoridades do calibre de Colin Powell para mostrar como o golpe funcionava. Powell disse que, em 2003, o Departamento da Defesa "inventava números das forças de segurança iraquianas -o número saltava em 20 mil por semana! 'Agora temos 80 mil, agora temos 100 mil, agora temos 120 mil'". Quem questionou essas incríveis cifras foi tratado como tolo, assim como quem implorou em vão para que a SEC (órgão que regulamenta o setor financeiro) contestasse a matemática de Madoff.

O mais notável na reportagem do "Times", porém, é como ele passou despercebido.

Quando em 1971 o jornal pôs as mãos nos papéis do Pentágono -relatório federal interno do desastre do Vietnã-, as revelações causaram comoção nacional. Mas, após oito anos sende surrada pelo governo Bush, a nação ficou semicatatônica.

Afinal, ao lado de horrores de primeira linha como Abu Ghraib e Guantánamo, o naufrágio da reconstrução do Iraque não chega a ser chocante. Os US$ 50 bilhões também viram uma bagatela perto de outras quantias que permanecem sem explicação na era Bush, como os US$ 345 bilhões em arrecadação tributária perdida devido à existência de paraísos fiscais "offshore" não policiados, ou então o emprego nada transparente de cerca de US$ 350 bilhões para o resgate de Wall Street.

Nem mesmo um bom e velho escândalo sexual foi capaz de ressuscitar a indignação. No ano passado, o corregedor-geral do Departamento do Interior descobriu que funcionários "haviam usado cocaína e maconha e mantido relações sexuais com representantes de uma empresa de petróleo e gás". Em um evento diurno patrocinado pela Shell num clube de golfe, dois funcionários encarregados de comercializar petróleo em nome do contribuinte ficaram tão bêbados que, impossibilitados de dirigir, tiveram de passar a noite aos cuidados da empresa. Esses casos mal foram notados fora de Washington.

Foram necessárias 110 páginas para que o Centro para a Integridade Pública, organização apartidária de pesquisas, compilasse no último mês um inventário selecionado da ruína causada pelo governo Bush. Foram encontradas "125 falhas sistemáticas em todo o âmbito do governo federal". A conta é conservadora. Ainda há muitas perguntas sem resposta.

A maior pergunta que paira sobre a história, porém, diz respeito mais ao futuro do que ao passado. Se formos parar para julgar cada erro da Casa Branca de Bush, como guardar energia, tempo e foco para lidar com a crise que a inaptidão deste governo nos legou?

Numa entrevista em 11 de janeiro à rede ABC, Obama sinalizou que não deve autorizar um amplo inquérito sobre assuntos do governo Bush, como o programa de espionagem doméstica e o tratamento dado a suspeitos de terrorismo. Ele defendeu punições se "alguém flagrantemente violou a lei" e disse que sua equipe ainda avalia questões como os interrogatórios e as prisões. Mas ressaltou: "Precisamos olhar para a frente, e não para trás".

O deputado democrata Henry Waxman continua indignado com as chicanas usadas para "vender" a guerra do Iraque e com o generalizado abuso de poder neste governo, mas admite: "O Congresso não irá insistir nisso. Temos de passar a outras questões".

Ele prefere que eventuais processos sejam engrossados por uma investigação independente, que complemente os registros históricos. "Precisamos despolitizar isso", disse. "Se um Congresso ou um governo democrata for atrás disso, será visto como algo partidário."

Entre os americanos ainda enfurecidos com os anos Bush, há apelos por comissões de verdade e reconciliação, por julgamentos de crimes de guerra e, num abaixo-assinado colocado no site da transição de Obama, pela indicação de um promotor especial. Uma das indicações mais incisivas feitas pelo futuro presidente pode ser um sinal de que haverá ação: Dawn Johnsen, professora de direito e ex-funcionária do governo Clinton (1993-2001), foi recentemente escolhida para dirigir o Escritório de Consultoria Jurídica do Departamento da Justiça.

É o mesmo departamento onde John Yoo, um burocrata do governo Bush, produziu o seu infame memorando justificando a tortura. Johnsen é uma crítica contumaz de tais abusos constitucionais. Em artigos escritos no ano passado, ela estranhava a ausência "do ultraje, do clamor público" contra um governo que agiu ilegalmente e não respeitou "os limites legais e morais da decência humana". "Como salvaremos a honra do nosso país, e a nossa própria?", perguntava.

Não se trata de uma questão retórica. Embora o novo presidente de fato deva avançar e tratar de crises urgentes, as malfeitorias do governo Bush não podem ser simplesmente esquecidas ou encobertas. Como escreveu Johnsen em março último, devemos também "resistir aos esforços do governo Bush para ocultar provas de seus erros por meio de exigências de imunidade retroativa, declarações de privilégio de Estado e alegações implausíveis de que a abertura daria poder aos terroristas".

Como que antecipando o atual debate, ela acrescentou que "devemos evitar qualquer tentação de simplesmente ir adiante", porque a honra nacional não pode ser restaurada "sem uma total revelação" dos fatos ocorridos. Johnsen se referia aos abalos à reputação externa dos EUA depois de o governo Bush mergulhar no lado sombrio da tortura e da "interpretação extraordinária".

Mas eu acrescentaria que precisamos de uma revelação total também da corrupção mais prosaica dos anos Bush, por razões domésticas mais pragmáticas. Para tomar as decisões corretas diante do colapso econômico, precisamos saber o que houve de errado.

Se Bernie Madoff pode pelo menos reavivar a nossa moribunda capacidade de indignação, os responsáveis pelo esquema de pirâmide em Washington também podem.

Quanto mais aprendermos sobre todos os corpos e os bilhões que enterramos no nosso caminho para a ruína, mais fácil será para Barack Obama defender uma política nova e incisiva.”

O ATOLEIRO DOS EUA NO AFEGANISTÃO

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo de Bob Herbert:

A economia foi obviamente o assunto número 1 enquanto Barack Obama se prepara para assumir a Presidência. Ele está encarregado, nada menos, da tarefa de tirar os EUA de uma recessão brutal. Se os piores cenários se materializarem, sua função será evitar uma depressão.

Isso é suficiente para manter qualquer presidente muito ocupado. Obama não precisa, e os EUA não podem sob qualquer circunstância suportar, mais guerras desnecessárias.

No entanto, enquanto ainda não descobrimos como nos livrar do desastre no Iraque, Obama está planejando comprometer mais milhares de soldados americanos na guerra do Afeganistão, que já dura mais de sete anos e que há muito se transformou em um atoleiro.

Andrew Bacevich, coronel aposentado do Exército que hoje é professor de história e relações internacionais na Universidade de Boston, escreveu um artigo para a revista "Newsweek" advertindo contra a proposta de escalada militar. "O Afeganistão vai ser um ralo, consumindo recursos que nem os militares nem o governo americano têm condições de gastar", disse.

Em uma análise no "New York Times" no mês passado, Michael Gordon comentou que "o Afeganistão apresenta um conjunto único de problemas: uma rebelião de fundo rural, um santuário inimigo no vizinho Paquistão, a fraqueza crônica do governo afegão, um próspero comércio de narcóticos, uma infra-estrutura mal desenvolvida e um terreno proibitivo".

Os militares americanos estão desgastados por anos de guerra no Iraque e no Afeganistão.

As tropas estão estressadas pelos diversos deslocamentos. O equipamento necessita de reparos. Os Orçamentos estão mais que esgotados. Enviar mais milhares de homens e mulheres (alguns para morrer, alguns para serem terrivelmente feridos) em uma missão de tolos no paraíso rural e montanhoso da guerrilha no Afeganistão seria loucura.

O momento de sair do Afeganistão foi logo depois dos atentados terroristas de 2001. E já passou.

Sem um passado militar e com uma reputação de progressista, Obama poderá sentir que deve demonstrar dureza e que o Afeganistão é o lugar para tanto. O que realmente mostraria firmeza seria uma afirmação de Obama de que a era das aventuras militares insensatas terminou.

"Detesto a guerra, como só um soldado que a viveu pode detestar, como só alguém que viu sua brutalidade, sua futilidade, sua estupidez", disse o presidente Dwight Eisenhower (1953-1961). Qual é o lado positivo para os EUA, um país em grande dificuldade econômica, de uma escalada no Afeganistão? Se enviar os 20 mil ou 30 mil ou quantos milhares sejam de soldados a mais para lá, qual seria sua missão?

Em seu artigo na "Newsweek", Bacevich disse: "O principal efeito das operações militares no Afeganistão até agora foi empurrar os radicais islâmicos ao outro lado da fronteira paquistanesa. Em conseqüência, os esforços para estabilizar o Afeganistão estão contribuindo para a desestabilização do Paquistão, com implicações potencialmente devastadoras".

"Nenhum país representa maior ameaça potencial para a segurança nacional dos EUA -hoje e em um futuro previsível- que o Paquistão. Arriscar a estabilidade dessa potência nuclear na vã esperança de salvar o Afeganistão seria um erro terrível."

O interesse americano no Afeganistão é evitar que ele se torne um porto seguro para terroristas. E isso não exige a escalada das operações militares que o próximo governo está contemplando. Não exige uma ocupação generalizada. Não exige a canalização infindável de tesouro humano e inúmeros bilhões de dólares dos contribuintes ao governo afegão, em vez de reconstruir os EUA, que estão desmoronando diante de nossos olhos.

O governo que os EUA sustentam no Afeganistão é um fétido antro de corrupção, um governo de gângsteres e trapaceiros cuja saudação habitual é a palma da mão virada para cima. Escutem esta avaliação devastadora de Dexter Filkins, do "New York Times":

"Mantido na superfície por bilhões de dólares de ajuda americana e de outros países, o governo do Afeganistão é permeado por corrupção e fraude. Desde o mais simples policial de trânsito até a família do presidente Hamid Karzai, o Estado construído sobre as ruínas do Taleban há sete anos hoje parece existir para pouco mais que o enriquecimento daqueles que o dirigem".

Se Obama enviar mais soldados para o Afeganistão, ele deve ir à televisão e dizer à população americana, na linguagem mais clara possível, o que está tentando alcançar. Ele deve explicar os objetivos da missão e exibir uma estratégia de saída.

Ele deverá isso ao público, porque será o dono do conflito nesse momento. Será a guerra de Barack Obama.”

PAÍS RICO "CHUTA A ESCADA", DIZ ECONOMISTA

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou em sua coluna “Perfil”:

“Em 1990, quatro anos após entrar na Universidade de Cambridge (Reino Unido) como aluno da graduação, Ha-Joon Chang, 45, passou a professor.

Sua pesquisa é construída em torno da tese de que, após terem avançado, os países ricos "chutam a escada" para impedir que os outros subam. A estratégia das nações industrializadas -observada inicialmente pelo economista alemão Georg Friedrich List, no século 19- é renegar as regras de política econômica e desenvolvimento que adotaram para conseguir se desenvolver e ditar outras, diferentes e frequentemente opostas, para quem vem depois.

"Sempre se leem no "Wall Street Journal" e na "Economist" elogios à abertura de Cingapura e aos incentivos que o país dá aos investimentos estrangeiros, mas ninguém fala que o governo controla um enorme grupo de empresas. Cerca de 85% das moradias do país foram construídas por uma estatal", comenta.

Tendo trabalhado como consultor de vários organismos multilaterais, no seu novo livro, "Maus Samaritanos - O Mito do Livre Comércio e a História Secreta do Capitalismo" (editora Campus), o economista analisa como o expediente de "chutar a escada" é empregado atualmente na organização do sistema de comércio internacional.”

BRASIL ANTÁRTICO

EXPEDIÇÃO AO INTERIOR DA ANTÁRTIDA E CENTROS POLARES INDICA NOVOS E POSITIVOS RUMOS NO PROGRAMA NACIONAL

“A Antártida , na visão de muitos brasileiros, fica longe demais para merecer atenção. Há 26 anos, porém, o país sustenta o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) com relativo sucesso. Após um quarto de século, o programa deu um salto quantitativo e qualitativo -o que é bom e útil para o Brasil, tendo em vista a proximidade do continente austral de 13,83 milhões de km2 e sua influência sobre o país.

No manto antártico encontra-se cerca de 90% da água doce do planeta, mas em estado sólido. Todo esse gelo exerce enorme influência sobre o clima da Terra. O Brasil, sétima nação mais próxima da Antártida, não poderia escapar dela.

Há indicações de que as frentes frias no Sul e no Sudeste, por exemplo, estejam diretamente relacionadas com o mar congelado em torno do continente branco. Na pior das hipóteses, os processos que lá ocorrem são tão importantes para o clima nacional quanto a Amazônia, mas bem menos conhecidos. Faz sentido investir na pesquisa antártica.

Manter um programa de investigação significativo, de resto, constitui exigência legal aos membros consultivos do Tratado Antártico, que entrou em vigor em 1961. O Brasil adquiriu essa condição em 1975, na esperança de exploração de jazidas de gás natural, carvão e petróleo na Antártida. Tal possibilidade foi suspensa pelo Protocolo de Madri, de 1991 (em vigor desde 1998), que designa o continente como "reserva natural, devotada à paz e à ciência".

O Proantar, criado em 1982, levou à instalação da Estação Antártica Comandante Ferraz na ilha Rei George, nas Shetlands do Sul. Fica na ponta da península Antártica, região mais próxima da América do Sul. Em seu entorno realiza-se a maior parte dos estudos científicos, muitos deles de caráter convencional e descritivo, como pesquisas populacionais sobre aves.

A latitude menos inclemente em que se localiza a estação, -62; o polo Sul está a 90- não propicia, contudo, condições adequadas para investigar o elemento onipresente na Antártida: gelo. Esse manto com espessura média de 1.829 metros está na base da pesquisa polar mais avançada, que lança mão das informações físico-químicas em microbolhas de ar nele seladas há dezenas, centenas, milhares ou milhões de anos, dependendo da profundidade. A pesquisa nacional com testemunhos de gelo era mínima.

Tal situação começou a mudar de modo decidido com o Ano Polar Internacional 2007/2008, que se encerra no próximo mês de março. Trata-se da quarta edição de um esforço internacional de pesquisa que envolveu 63 países e 227 projetos de pesquisa, 28 deles brasileiros, com participação de 30 instituições. Só o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) investiu R$ 28 milhões, a maior soma já aplicada na investigação antártica desde a criação do Proantar.

O ponto alto desse esforço foi a Expedição Deserto de Cristal, que reuniu sete pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro na primeira missão científica brasileira ao interior do continente. No centro da missão estava a obtenção de testemunhos de gelo na região dos montes Patriot e do monte Johns, 2.157 km ao sul da estação brasileira e a apenas 1.083 km do polo Sul.

Boa parte da análise do gelo coletado pelo grupo ainda será realizada no exterior, pela Universidade do Maine (EUA), mas também essa limitação cairá em breve. No final de novembro, ao anunciar a criação de uma centena de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), o MCT consagrou dois dedicados à ciência polar: o INCT Antártico de Pesquisas Ambientais e o INCT da Criosfera. O segundo centro será coordenado pelo glaciologista gaúcho Jefferson Cardia Simões, líder da Expedição Deserto de Cristal, e contará com laboratórios frios para processamento dos testemunhos colhidos na Antártida e em geleiras andinas.

O biênio 2007/2008 pode entrar para a história como aquele em que o país passou a prestar a atenção devida à Antártida. Para isso, será preciso sustentar esses passos iniciais no interior do continente com a mesma determinação com que se conduziu o Proantar nos seus primeiros 25 anos -e com mais recursos.”

ISRAEL RETALIARÁ RESISTÊNCIA CONTRA SUA INVASÃO E POSSE DAS TERRAS PALESTINAS

Há 40 anos, Israel vem invadindo militarmente e implantando cidades (“assentamentos”) no território palestino. Pouco a pouco, as terras palestinas foram diminuindo a um percentual mínimo da área que lhe fôra reservada pela ONU. As fontes de água e os terrenos férteis foram tomados dos palestinos, dos libaneses (sul do Líbano) e até dos Sírios (Golan). A ONU já emitiu várias resoluções determinando a retirada das terras invadidas, mas não é obedecida por Israel.

Se algum resistente mais nacionalista palestino jogar pedras ou minifoguetes caseiros sem precisão contra as forças invasoras, vem logo uma reação de Israel “retaliadora” devastadora, “em resposta”, matando crianças e mulheres (“escudos humanos”), ação praticamente genocida, com poderosos e de última geração jatos, helicópteros, mísseis, bombas de grande poder de destruição, “inteligentes e de precisão cirúrgica” (sic), e carros de combate fornecidos ou financiados pelos Estados Unidos.

As principais agências de notícias do mundo divulgam muito mais os argumentos pró-Israel e pró-EUA, justificando tudo isso. Como a grande mídia brasileira também é pautada por essas agências, ela vai na mesma linha.

Ontem, li mais uma ameaça de “retaliação” de Israel, “vítima de ataques de foguetes”. Foi na Folha Online (li no UOL):

"SE HAMAS LANÇAR FOGUETES, SERÁ ATACADO DE NOVO", DIZ MINISTRA ISRAELENSE

“A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, afirmou nesta segunda-feira que, se o movimento islâmico Hamas lançar novo foguete contra os israelenses, o país encerra a retirada das tropas e lança nova ofensiva militar contra os militantes, na faixa de Gaza.

"Se o Hamas lançar um [foguete] Qassam em Israel, será derrubado novamente, como foi agora e eles sabem disso", afirmou Livni, presidente do partido Kadima, em tom de ameaça.

A declaração de Livni vem um dia após o início da retirada parcial das tropas israelenses da faixa de Gaza, em cumprimento à trégua unilateral anunciada pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, na noite de sábado (17). No dia seguinte, o Hamas anunciou cessar-fogo de suas forças e grupos aliados e deu uma semana para a retirada dos soldados de Israel.

"[Hamas] sabe hoje o que Israel faz quando é atingido, o mundo sabe o que ele faz quando é atingido e até mesmo aceita. Por isso, eu acho que eles não farão isso de novo", disse a ministra de Relações Exteriores, em entrevista à Rádio Israel, aparentemente ignorando os esforços internacionais por um cessar-fogo e a condenação pela ONU (Organização das Nações Unidas) e diversas nações da ofensiva militar israelense.

Israel iniciou a ofensiva militar em Gaza no último dia 27, em resposta aos ataques de foguetes do Hamas e a violação da trégua de seis meses assinadas pelas duas partes e mediada pelo Egito, que acabou oficialmente no último dia 19.

Fontes médicas palestinas informam que mais de 1.200 pessoas, a maioria civis, morreram em Gaza durante a ofensiva e cerca de 5.000 ficaram feridos. As organização humanitárias internacionais afirmam que o número deve subir já que, com a saída das tropas israelenses, elas podem acessar outras parte do território, onde encontraram dezenas de corpos.

No mesmo período, 13 israelenses morreram, quatro atingidos por foguetes lançados pelo grupo palestino Hamas contra o sul de Israel --três civis-- e dez soldados mortos em ação.”

ENTENDA O QUE SIGNIFICA "BLOG CONTENT"

Li ontem no portal UOL o seguinte texto de Marina Fuentes, da Folha Online-Informática, produzido como colaboração para a Folha de S.Paulo:

Para entender melhor por que uma empresa pagaria pelo conteúdo de um blog pessoal, vale dizer que o principal motivo é que é um ótimo negócio.

Imagine o seguinte: você tem um blog sobre um assunto que ama, como carros, e pesquisa e escreve com frequência sobre o tema. Além disso, tem uma vasta rede de contatos que lotam seus comentários, é mencionado em outros blogs e participa ativamente de comunidades. Pronto, você é popular e já tem um "ramo" na blogsfera.

Agora, se uma montadora quer fazer um blog para se aproximar do consumidor final, ela pode contratar uma agência, que vai contratar um jornalista especializado e, depois, vai divulgar o site para que ele tenha visibilidade. Que pode dar certo, ou não.

Mas, se o seu blog já tem leitores cativos, basta que eles te chamem, você põe um link no seu blog no estilo "mudei de endereço e agora estou escrevendo no site tal" e está feito.

Isso é chamado "blog content" e já existem até pessoas cuidando especificamente disso dentro de agências. Sim, porque é muito vantajoso: a empresa que quer fazer a ação e a agência já sabem como é o seu texto, que seu blog já tem leitores, que você tem moral na web e que já tem material para saber se quer associar a marca a você.

Além de evitar surpresas, contratar blogueiros é opção econômica. Como a maioria escreve sobre uma paixão, quando surge alguém querendo pagar pelos textos que já seriam publicados, qualquer valor parece vantajoso. Muitas vezes escrever para uma empresa significa ter novas regras, como não criticar ninguém e não falar sobre sexo, por exemplo. Por isso pense bem se a grana vale sua liberdade perdida.”

ALCÂNTARA PODE PERDER PROJETO ESPACIAL

O jornal “O Estado do Maranhão” publicou no fim da semana passada a seguinte reportagem de Bruna Castelo Branco:

DIRETOR DA EMPRESA ALCÂNTARA CYCLONE SPACE, ROBERTO AMARAL DIZ QUE ENTRAVES PODEM INVIABILIZAR PROJETO NO MARANHÃO

“O diretor da parte brasileira da empresa Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, admitiu ontem, com exclusividade para O Estado, a possibilidade do município de Alcântara ( MA) perder a viabilidade de sediar o empreendimento binacional - uma parceria do Brasil com a Ucrânia -, que faz parte da expansão do Programa Espacial Brasileiro.

O motivo da possível desistência está relacionada à dificuldade de serem concluídos os estudos de fauna e flora nas áreas circunvizinhas ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), imposta por comunidades remanescentes de quilombos que não autorizam há mais de um mês a entrada de técnicos da empresa nas áreas dos povoados de Mamuna e Baracatatiua, cujo processo de titulação está em tramitação no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)

Os estudos ambientais necessários à empresa e que deveriam ser feitos nas comunidades são classificados como atividades de previsão dos impactos indiretos do empreendimento. Os estudos de impacto direto foram restritos à área que já pertence ao CLA, onde a empresa deverá ser instalada.

CONSULTORES

Segundo Amaral, consultores jurídicos da binacional estão em São Luís desde o início da semana, para solicitar do Ministério Público Federal (MPF) a proteção jurisdicional dos trabalhos que precisam ser realizados por uma determinação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), mas até agora não obtiveram nenhum resultado. Caso as dificuldades perdurem até o início do mês de fevereiro, a empresa binacional deverá reavaliar o projeto para a implantação da ACS no Maranhão e a possível desistência do município de Alcântara.

“Se a situação continuar como está, possivelmente o estado perderá o investimento.

Os nossos problemas começaram em fevereiro do ano passado. Se continuarem, não temos como manter o projeto no Maranhão, pois a nossa função não é administrar uma polêmica com quilombolas. Estamos lutando com um atraso desnecessário”, afirmou Roberto Amaral.

OPERAÇÃO

A empresa deveria entrar em operação até julho de 2010, quando lançaria o foguete Cyclone 4, uma produção de técnicos ucranianos. Caso os estudos não voltem a serem feitos até o início de fevereiro, possivelmente esse prazo não será cumprido.

Segundo Roberto Amaral, as paralisações das obras já prejudicaram o país em quase um ano.

“Mesmo que comece a funcionar em 2010, a ACS não fará o lançamento de três a seis foguetes, que é a meta anualmente. Cada um dos foguetes está orçado em US$ 50 milhões. Só para ter uma idéia do quanto o país está perdendo com esses atrasos”, ressaltou Amaral.

Caso a empresa tenha que ser transferida para outra área que não seja em Alcântara, o Brasil terá que se explicar internacionalmente, pois a consolidação da parceria foi em decorrência de um Tratado Internacional. “Nossa missão é lançar foguetes e não ficar administrando outras questões, seja com quilombolas ou com o Ministério Público. Já restringimos nossa área a praticamente um terço que previa o projeto original e não temos como ficar envolvidos nessas polêmicas. Caso a situação continue dessa forma, o Brasil terá que se explicar”, criticou Roberto Amaral.

A polêmica envolvendo a empresa e os quilombolas começou, de forma concreta, no dia 18 de fevereiro do ano passado, quando as comunidades que moram nas áreas em que a ACS seria instalada, de acordo com o projeto inicial, entraram com uma ação civil pública no Ministério Público Federal para garantir a permanência em povoados, inviabilizando a expansão do Programa Espacial Brasileiro.

Por causa disso, em maio de 2008 o ministro da Defesa, Nelson Jobim, autorizou as atividades da construção de sítios para o projeto Cyclone dentro da área já ocupada pelo CLA. O ofício foi assinado após uma decisão da Justiça Federal, que impedia a empresa de continuar realizando prospecções no solo da área das comunidades e determinava a retirada das máquinas que estavam desmatando a área e abrindo estradas para a conclusão dos estudos de impactos ambientais.

Com a transferência do empreendimento para a área do CLA, os estudos que já tinham sido concluídos perderam a validade e outros tiveram que ser realizados. Os gastos com a primeira etapa de prospecções de solo foram de R$ 1, 3 milhão somente com a mobilização das máquinas necessárias para a realização das atividades.”

DENÚNCIA: SABOTAGEM DA ECONOMIA PELA GLOBO

OBJETIVO É CRIAR INSATISFAÇÂO ASSOCIADA AO GOVERNO LULA PARA AUMENTAR A CHANCE DE O PSDB/DEM VOLTAR AO PODER

Ontem, li o seguinte artigo de Eduardo Guimarães postado em seu blog “Cidadania.com”:

GLOBO ATACA LULA E INVENTA DESEMPREGO EM MASSA

“Serei curto e grosso. O programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou, neste último domingo, pouco depois das 22 horas, um quadro sobre “como agir diante do desemprego”, no qual fez dois fortes ataques ao presidente Lula, ainda que dissimulados, e promoveu o maior alarmismo social que já assisti em minha vida numa televisão aberta, e num horário que permitiu àquele absurdo atingir dezenas de milhões de famílias brasileiras.

O quadro começa com a apresentadora do programa dizendo que, “O que era para ser marolinha, virou tsunami”. Em seguida, um “especialista” diz que, “ao contrário do que dizem as autoridades, a crise é nossa, também”, insinuando que haveria culpa do governo Lula pela crise. Além disso, a reportagem mostrou cenas tristes de pessoas demitidas, cenas que mesmo nos momentos de maior euforia econômica de um país, sempre serão tristes.

A reportagem apresentou uma redução na criação de vagas em novembro e o aumento de demissões em dezembro como provas da crise de desemprego em massa que teria se abatido sobre o país. Escondeu que o número de 40 mil vagas em novembro não foi perda, mas diminuição na CRIAÇÃO de vagas, e que as 600 mil vagas que mencionou em dezembro não são a diferença entre admissão e demissão de empregados, mas o número total dos que perderam emprego. O saldo de demissões e admissões seria uma fração desse número.

Bem, não há muito mais o que dizer. À esta altura, dezenas de milhões de famílias estão achando que há uma terrível crise de desemprego em massa no Brasil. O mercado de carros novos será o mais afetado. O fantástico recomendou que esse tipo de compra seja postergada e, como se sabe, o que poderia suspender as demissões na indústria automobilística seria o aumento do consumo que começou a ocorrer depois de medidas do governo como suspensão do IPI dos carros novos.

O Fantástico não deu voz a nenhuma das “autoridades” que criticou e ainda escondeu os relatórios animadores de organismos multilaterais como o FMI, o Banco Mundial ou a OCDE que colocam o Brasil como a economia mais preparada do mundo para enfrentar a crise. Enfim, o objetivo foi sonegar informações ao público, gerar desmoralização do governo Lula e pânico entre a população. Tudo pela menor crise de desemprego da história, que inclusive ocorre no momento em que o nível de emprego no Brasil está em seu patamar mais alto.

Nós mesmos, pouco podemos fazer. Estamos falando de um programa da Globo que é campeão de audiência há quase quarenta anos. Nessa noite desse programa nefasto, dezenas de milhões de brasileiros terão ido dormir ansiosos, preocupados e até desesperados, e por muito pouco.

Só há uma pessoa neste país que pode dar uma resposta a esse verdadeiro ato de terrorismo: Luiz Inácio Lula da Silva.

Se Lula, agora, não tomar uma atitude dura, se não mostrar que pretende enfrentar tentativas, não de sabotagem política, mas de literal sabotagem da economia de todo um país, será cúmplice de todos os danos que esse terrorismo de punhos de renda causar. O presidente Lula tem o dever de falar à nação em rede nacional de rádio e tevê e dizer claramente tudo que eu disse aqui, no mínimo. Se não fizer isso, este país estará frito.”

INVESTIMENTO EXTERNO CRESCE NO BRASIL EM ANO DE QUEDA GLOBAL

Li ontem no blog do Favre a seguinte reportagem oriunda da agência inglesa de notícias BBC (Brasil) e publicada na Folha Online:

“O fluxo de investimentos externos diretos cresceu 20,6% no Brasil no ano passado, segundo dados de um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Unctad (órgão da ONU para Comércio e Desenvolvimento).

O resultado positivo no Brasil contraria a tendência observada na maior parte dos outros países. Globalmente, o fluxo de investimentos externos diretos (IED) caiu 21% no ano passado em relação ao ano anterior.

Após um montante recorde de investimentos em 2007 (US$ 1,8 trilhão), o fluxo internacional de IEDs se contraiu para US$ 1,4 trilhão no ano passado, como conseqüência da crise econômica global.

Segundo a Unctad, “uma nova queda nos fluxos de IEDs deve ser esperada para 2009, conforme todas as conseqüências da crise sobre os gastos de investimento das corporações transnacionais continuarem a aparecer”.

O aumento no fluxo de investimentos externos para o Brasil no ano passado ficou acima da média verificada nos países em desenvolvimento (3% de aumento) e também da média dos países da América Latina e do Caribe (12,7%).

RICOS ATINGIDOS

O relatório da Unctad observa que, ao contrário da última grande crise financeira internacional, em 1997, as economias desenvolvidas são as que mais estão sofrendo na atual conjuntura.

“Os países desenvolvidos já foram atingidos, enquanto os efeitos da crise sobre as economias em desenvolvimento têm sido até agora indiretos na maioria dos casos, com graus variados de severidade”, diz o documento.

Segundo a Unctad, “nas economias em desenvolvimento e em transição, as estimativas preliminares sugerem que os fluxos de IEDs têm sido mais constantes, apesar de que o pior impacto da crise econômica global ainda não tinha sido, até o fim do ano, totalmente transmitido para esses países”.

Os Estados Unidos, principal epicentro da atual crise mundial, sofreram uma redução de 5,5% nos investimentos externos no ano passado.

Na Grã-Bretanha, outro país que tem sido bastante atingido pela crise, o fluxo de IEDs caiu 51,1% no ano passado, acima da queda média verificada nos países europeus (32,7%).

POLÍTICAS PÚBLICAS

Segundo a Unctad, as políticas públicas terão um papel importante no estabelecimento de condições mais favoráveis para os fluxos de IEDs.

“Reformas estruturais com o objetivo de garantir mais estabilidade no sistema financeiro mundial, estímulos econômicos rápidos e efetivos de governos nacionais, um compromisso renovado em favor de uma atitude aberta em relação a IEDs, a implementação de políticas visando favorecer o investimento e a inovação –especialmente nos campos de meio ambiente, novas fontes de energia e pequenas e médias empresas– são questões-chave”, afirma o órgão.

Para a Unctad, a atual crise pode assim se tornar uma oportunidade para o incentivo aos IEDs, mas o órgão adverte que isso somente ocorrerá se os governos resistirem às pressões por mais protecionismo e por outras medidas que restrinjam os investimentos externos.”

2008: 1,452 MILHÕES DE NOVOS EMPREGOS COM CARTEIRA ASSINADA

Li ontem no blog de Luis Favre:

“O resultado de 2008 foi o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2007 (1,617 milhão de vagas) e 2001 (1,523 milhão).

Considerando o número de contratações e demissões, o Caged registrou dois novos recordes. No ano passado foram contratados 16,659 milhões de trabalhadores, e dispensados 15,2 milhões.

Para o ano de 2009, o governo mantém a previsão de que serão criados 1,5 milhão de empregos formais, acima do anotado em 2008. A informação é da Folha Online com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Os resultados incluem os meses de novembro e dezembro que tiveram desempenho ruim com demissões acima da média do mesmo mês dos anos anteriores, com setores afetados pela crise internacional.

No mês de dezembro, a maior parte das demissões ficou concertada na indústria de transformação, que fechou 273 mil postos, praticamente o dobro do anotado no mesmo mês do ano passado. Outro setor afetado foi o de serviços, com 117 mil demissões, ante 41 mil em dezembro de 2007. Por Estado, São Paulo foi o que fechou mais vagas (275 mil) no mês.

O bom resultado de 2008, após o recorde de emprego de 2007, mostra que Brasil esta enfrentando a turbulência internacional em melhores condições que a maioria dos países ricos que registraram perdas netas de emprego durante 2008. Isto não significa que os resultados ruins de dezembro não devam alertar sobre o impacto ainda por vir, da crise externa. Este parece ser também o entendimento da crise feita pelo governo, sensível pelos seus vínculos históricos com os assalariados, as consequências do desemprego para a classe trabalhadora.”

A TV GLOBO, SUAS FLORAS, SEUS JOSÉS

O site Carta Maior ontem publicou o seguinte artigo de Gilson Caroni Filho. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

“Se uma boa maneira para se analisar uma notícia é o ângulo sob o qual o fato que a gerou é abordado, a edição do Jornal Nacional que foi ao ar no dia 16 de janeiro é rica pelo que contém de tendenciosidade e sonegação informativa.

As solicitações da alta cúpula das Organizações Globo não precisam ser repetidas várias vezes. Editores, apresentadores e repórteres que lá trabalham já as têm como segunda natureza. São seus estatutos de verdade, dispositivos de criação de sentido e únicas formas aceitáveis de retratar a realidade e os atores que nela se destacam.

Se uma boa maneira para se analisar uma notícia é o ângulo sob o qual o fato que a gerou é abordado, a edição do Jornal Nacional que foi ao ar na sexta-feira, 16/01/2009, é rica pelo que contém de tendenciosidade e sonegação informativa.

Revela como o jornalismo global adota ritos de exclusão para quem já condenou a priori. Não estamos descrevendo um mero desvio padrão, mas o quanto há de singular na construção do discurso noticioso.

Ao anunciar a decisão judicial que absolvia o ex-ministro chefe da Casa Civil da presidência da República de um processo movido por ação do Ministério Público Federal, a jornalista e apresentadora Fátima Bernardes se limitou a informar que "Justiça Federal de Brasília excluiu os ex-ministros José Dirceu e Anderson Adauto de uma ação de improbidade administrativa relacionada ao escândalo do mensalão. O juiz Alaôr Piacini alegou que os ex-ministros têm direito a foro privilegiado e não podem responder a processo por improbidade administrativa.

Segundo o juiz, eles só podem ser julgados por crime de responsabilidade no Senado e não no Judiciário. Os ex-ministros ainda respondem a uma ação penal no Supremo Tribunal Federal e a outras quatro ações por improbidade também na Justiça Federal."

A "concisão" textual, no entanto, oculta um detalhe e, como todos sabem, é nele que mora o diabo. A sentença é clara ao dizer que não há indício de qualquer ato de improbidade administrativa cometido por José Dirceu. E mais, como noticiaram outros veículos, inclusive o diário das Organizações, Alaôr não poupou críticas aos procuradores que subscreveram a petição por "proporem cinco ações de improbidade versando sobre os mesmos fatos”.

Será que o trecho omitido mostra algo que cale fundo no fazer jornalístico da TV Globo? Descortinaria uma pactuação do Judiciário com o roteiro da grande imprensa?

Se, como destacamos em artigo escrito para Carta Maior (“Sobre organizações e seus crimes” 31/08/2007) “a conduta do STF foi festejada pelo Partido Globo como absolvição política de sua cobertura jornalística”, qual seria a reação em caso de mudança de rumo? Deformar ainda mais a informação ou fazer mea- culpa? Ressalve-se aqui que nossa postura permanece a mesma. Não prejulgar, respeitando o princípio do contraditório e da ampla defesa assegurado pela Constituição Federal.

É bom lembrar que Piacini explicou que o teor das outras ações é idêntico ao do processo no qual o nome de Dirceu foi excluído. Pode ser o prenúncio de mudança de uma trama. Um ponto a partir do qual a justiça possa ser feita dentro do seu próprio campo, sem sobreposição de editoriais furiosos e recortes elaborados nos laboratórios do monopólio informativo.

Encerrada a novela das 21h, resta saber quem será a “ Flora” da vida política brasileira, seus crimes e canções prediletas. Afinal, Ali Kamel sabe o quão folhetinesco é o jornalismo da Rede Globo. Um reforço dramatúrgico teria alguma serventia.”

OBAMA E NÓS

O site Carta Maior ontem publicou o seguinte artigo do filósofo e cientista político Emir Sader:

“A partir de agora já podemos escrever a expressão que os norte-americanos progressistas mais queriam poder escrever: “o ex-presidente G.W. Bush”. Mas o que vem agora? Será revertida a onda direitista que tomou conta dos EUA há quatro décadas?

Desde a vitória de Richard Nixon, em 1968 - em plena guerra do Vietnã e das maiores mobilizações populares, pelos direitos civis e contra a guerra que a história do país tinha conhecido -, mobilizando o que ele chamou de “maioria silenciosa”, os EUA viveram uma profunda e prolongada guinada à direita que já dura 40 anos, uma verdadeira contra revolução conservadora.. Seus pontos mais altos foram os 5 mandatos – 20 anos – de Reagan e Bush, pai e filho, que não foram radicalmente cortados apenas pelos três mandatos democratas – de Carter e Clinton -, mas apenas amainados.

Processou-se uma transformação profunda na sociedade norte-americana com essa contra revolução conservadora, desde os consensos de valores éticos e ideologia política, passando pela composição dos Tribunais de Justiça até a orientação da grande mídia e os temas prioritários de pesquisa, para chegar ao privilégio das escolas religiosas.

A sociedade em sua globalidade virou-se para a direita. Momento essencial foi a campanha reaganiana de criminalização do aborto.

De um direito da mulher de dispor do seu corpo e decidir livremente sobre sua vida, passou a ser um suposto crime, com os conservadores assumindo a “defesa da vida” contra os que promoveriam a morte de inocentes. Dali em diante, em praticamente todos os grandes temas contemporâneos, deslocou-se o eixo para a direita. Um momento importante foi protagonizado por Clinton, que assinou formalmente o fim do Estado de bem estar social.

Os dois mandatos de G.W. Bush representaram o auge da hegemonia direitista, sob o patrocínio dos chamados neocons e fundado na doutrina bushiana de guerra permanente.

Reivindicava-se, da forma mais sectária, a idéia da “missão predestinada” dos EUA de implantar a “democracias” pelo mundo agora, na ponta das baionetas, somado à promoção das doutrinas mais reacionárias na mídia, nas escolas, nas igrejas.

Por maior a ruptura que Obama pretendesse, um ou dois mandatos não seriam suficientes, tal o enraizamento que o pensamento conservador conseguiu na sociedade norte-americana. Pensemos que com tanta coisa a seu favor – apoio de menos de 10% de Bush, recessão econômica, problemas graves nas guerras do Iraque e do Afeganistão, apoio dos maiores jornais, de formadores de opinião importantes como Oprah, de Hollywood, com um desempenho muito bom na campanha – ainda assim Obama teve 52% contra 48 de McCain.

Vamos nos deter aqui no que pode mudar para nós, Brasil e América Latina. Como se vê pelas próprias declarações de Obama e da sra. Clinton, muitas posições conservadoras se cristalizaram nas posições norte-americanas, mais além do governo Bush. Se quer instalar também na política internacional a mudança que Obama prometeu e que o elegeu, ele teria que ir muito mais longe das tímidas medidas que promete.

Ter uma relação de diálogo com a América Latina e o Caribe é, antes de tudo, ter uma relação de reciprocidade. Cuba não coloca sequer a retirara da base naval de Guantanamo, nem tampouco a libertação dos 5 cubanos que faziam trabalho antiterrorista nos EUA e estão condenados a penas altíssimas, sem nenhuma justificativa, para normalizar as relações entre os dois países. Significar terminar unilateralmente o bloqueio norte-americano a Cuba, atitude unilateral e que tem quer terminada unilateralmente, com os dois países respeitando os regimes políticos escolhidos por cada um dos dois povos.

Reciprocidade significa também não se imiscuir nos assuntos internos de nenhum país do continente, seja ele Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Brasil, Colômbia, México, Nicarágua, Paraguai e todos os outros – como questão de princípio. O continente não tolera mais a atitude de tutores, de que os embaixadores dos EUA têm tido em relação aos países do nosso continente e não estamos mais dispostos a aceitar isso. A expulsão recente do embaixador dos EUA da Bolívia foi resultado da interferência aberta e reiterada na política boliviana, reunindo-se e incitando a oposição golpista a seguir nesse caminho. A escandalosa tentativa de golpe contra Hugo Chavez, presidente legitimamente eleito e reconfirmado pelo voto do povo venezuelano, teve participação direta do governo dos EUA.

O tom das declarações agressivas contra a Venezuela, acusada de fomentar e financiar as FARC, sem nenhuma prova concreta, não augura uma atitude substancialmente diferente. Séculos de relação de cima para baixo, acreditando que encarnam a liberdade no mundo, que sempre têm razão – levam a uma postura petulante.

No caso da América Latina, devem tentar construir um bloco ideal de alianças, que lhes permita dividir o bloco progressista atual e tentar romper o isolamento em que se encontram seus aliados – México, Colômbia, Peru. Para isso necessitar desesperadamente tentar separar o Brasil do bloco de integração latinoamericana e buscar juntar o Chile. Uma tarefa muito difícil, mas de que depende o sucesso dos EUA na região.

A impressão que se tem é que Obama não tem a mínima idéia do que é a América Latina e menos ainda o que ela é hoje. Repete os chavões que os informes dos seus assessores lhe dizem. Uma viagem bastará para que se dê conta que as coisas não tão são simples como o primeiro encontro – com o presidente mexicano, Calderón - lhe pode fazer crer.

Bush vai embora sem ter entendido nada, isolado e derrotado. Aqui também a herança de Obama não é nada leve.”

ENERGIA NUCLEAR DESPONTA COMO SOLUÇÃO

O jornal Valor Econômico ontem publicou a seguinte reportagem:

CRESCE O INTERESSE PELA CARA E ARRISCADA ENERGIA NUCLEAR

“Quando, há dois anos, o governo Lula anunciou a retomada da construção da usina nuclear Angra 3 e a intenção de construir novas usinas, a maioria absoluta dos governadores reagiu negativamente à idéia, avisando que não abrigariam, em seus Estados, as futuras unidades. Recentemente, houve uma mudança radical de posição.

Quatro Estados - Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas - manifestaram oficialmente aos ministérios das Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia interesse em hospedar as usinas.

O que deve estar contribuindo para o empenho dos governadores são os vultosos investimentos previstos nas usinas - R$ 10 bilhões em cada uma das quatro unidades que se pretende construir a partir de 2012, segundo informaram ao Valor os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia). Some-se a isso o fato de o Nordeste depender da importação de energia de outras regiões do país e, também, a existência de novas tecnologias que mitigam os riscos ambientais envolvidos na exploração nuclear, especialmente no