O site “Vermelho” ontem publicou o seguinte texto de Antonio Neto, postado em seu blog. O autor é presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e vice-presidente da FSM (Federação Sindical Mundial”:
“Em sua coluna de hoje (14) na Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi reproduziu números de um estudo do professor Zander Navarro, da universidade britânica de Sussex, que mostram a brutal concentração de riqueza no planeta.
Segundo o levantamento, “a renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta. Se se quiser comparar com o Brasil, 1.125 bilionários têm uma renda que é quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços”.
Diz ainda que “o Instituto para Estudos de Política, os executivos-chefes das 500 maiores corporações dos EUA ganharam em 2007, em média, US$ 10,5 milhões, 344 vezes o pagamento do trabalhador norte-americano típico e os gerentes dos 50 fundos de hedge e de ‘private equity’ receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano”.
Prossegue o jornalista, se limitando a reproduzir os dados levantados pelo professor, descrevendo que “em agosto de 2008, a Exxon, a maior companhia do planeta, registrava lucros recordes à taxa de US$ 90 mil POR MINUTO. Os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia; os da Toyota superavam o da Venezuela”.
Uma pequena amostra do que todos sabem — ou ficaram sabendo após o estouro da bolha especulativa —, ou seja, que o cassino especulativo e os monopólios sugaram as riquezas dos países em desenvolvimento para os seus cofres.
Eis que, Rossi resolve meter o bedelho e fazer uma analogia entre os números do professor com o estudo divulgado pelo Ipea, sobre a participação na renda nacional: “Não pense que o Brasil escapa, não. Por muito que o governo cultive a lenda da queda da desigualdade, o Ipea acaba de divulgar estudo mostrando que só em 2011 o rendimento do trabalho voltará a ter a participação na riqueza nacional que tinha em 1990 (45,4%) (…) no governo Lula, aliás, a queda da participação do trabalho no bolo da riqueza nacional acentuou-se até 2004, só começando a se recuperar a partir de 2005”.
Meu caro Rossi, até as manipulações têm limites. O estudo do Ipea mostra que a participação do trabalho na renda nacional teve uma expressiva recuperação no governo Lula após os governos neoliberais da década de 90, em especial de Fernando Henrique, terem promovido a sua queda.
Vamos aos números do Ipea: Em 1990, o trabalho representava 53,4% da renda do país; Foi caindo até 1996, quando chegou ao fundo do poço (45,2%); Manteve com pequenas oscilações no governo Fernando Henrique, atingindo 46,2% em 2003, ano em que Lula assumiu o governo com o país em frangalhos, juros no espaço, o Estado depenado e a produção estagnada. Já em 2004, começou a recuperação, crescendo todos os anos e atingindo 48,9% no ano passado.
Segundo Ipea, “de 2000 a 2004, a taxa de ocupação no Brasil cresceu 1,1% (de 55,7% para 56,3% na população de dez anos e mais de idade), enquanto o rendimento médio dos trabalhadores foi diminuído em 11,6% (de R$940 para R$831). Entre 2004 e 2006, a taxa de ocupação aumentou 1,2% (de 56,3% para 57%) e o rendimento médio dos ocupados cresceu 12,2% (de R$831 para R$932)”.
O próprio presidente do Instituto, Márcio Pochmann, como registramos no Blog, afirmou que para ocorrer uma maior recuperação da renda advinda do trabalho é preciso reduzir os juros e aumentar os investimentos públicos, algo que o vosso jornal milita desesperadamente para impedir.”
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