Li ontem no site “vermelho” o seguinte texto da redação do site, com informações da revista CartaCapital:
“Em meio ao bombardeio de más notícias da crise financeira internacional, alguns indicadores mostram que o Brasil ainda resiste à turbulência. No front externo, os investimentos diretos de estrangeiros no país somavam o recorde de US$ 37,1 bilhões até a segunda-feira 24 e superaram as expectativas do governo, de US$ 35 bilhões no fechamento do ano.
Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), trata-se de dinheiro que não se destina a aplicações financeiras — mas ao setor produtivo. “É o reflexo da percepção de que a economia brasileira tem bons fundamentos”, disse em entrevista coletiva.
Do lado das contas internas, outra boa-nova. O déficit nominal público, que inclui os gastos com o juro da dívida interna, somou R$ 1,835 bilhão entre janeiro e outubro. Nos últimos 12 meses, este montante corresponde a apenas 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e é o menor em 17 anos.
O crescimento econômico do país, que deve superar ligeiramente 5% neste ano, explica o bom resultado. Isso porque mais produção implica maior arrecadação. Os números positivos foram obtidos nas quatro esferas de governo: União, estados, municípios e estatais.
O mercado de trabalho também não reflete a desaceleração mundial. A taxa de desemprego, nas seis regiões metropolitanas do país, caiu de 14,1%, em setembro, para 13,4%, em outubro. Segundo o Dieese e a Seade — que apuram os números —, é a menor taxa para o mês, desde que foi iniciada a série histórica, em 1998. O número de desempregados em outubro totalizou 2,6 milhões.
No crédito, o estoque total de operações somou R$ 1,187 trilhão, em outubro, com crescimento de 34,2% em 12 meses. O valor alcançou 40% do PIB, relação também recorde.
Mas há sinais de desaceleração, segundo o BC. Isso se deve sobretudo à elevação da taxa de juro, que atingiu 42,9% ao ano, um aumento de 2,5 pontos porcentuais no mês e 7,5 pontos porcentuais em doze meses. É o retrato do empoçamento de recursos, pois os bancos têm relutado em financiar empresas e cidadãos, temendo futura inadimplência com o crescimento menor do PIB em 2009.”
domingo, 30 de novembro de 2008
A INDIGNAÇÃO SELETIVA DA MÍDIA É ALGO COMOVENTE
Li ontem no site “vermelho” o seguinte texto de Renato Rovai, postado originariamente em seu blog:
ROVAI IRONIZA: TUCANOS DÃO EXEMPLO DE ÉTICA NA PARAÍBA
“É impressionante como a ética tucana é algo muito especial. Vejam o caso do governador Cássio Cunha Lima, filho de Ronaldo Cunha Lima, que também foi governador do estado (Paraíba) e que como maior legado nos deixou o atentado a tiros que praticou contra Tarcisio Burity, seu antecessor.
O Cunha Lima pai entrou num restaurante e deu três tiros à queima roupa em Burity. E ainda continua por aí livrinho da silva.
Seu filho, que eu saiba, ainda não deu tiros em ninguém. Mas fez uma campanha de reeleição onde distribuiu mais de 30 mil cheques de um programa social durante o período eleitoral. O que todos os tribunais estão considerando uso da máquina pública. Por isso, está sendo cassado.
Mas com a ajuda da “ética” direção nacional do seu partido e com um jeitinho aqui e outro ali, tem escapado. Agora mesmo, conseguiu mais uma liminar para se manter no cargo.
Além disso, quando achou que estava na “roça”, Cunha Lima (o filho) articulou seus aliados na Assembléia Legislativa e aprovou aumento para boa parte dos servidores. Tudo para inviabilizar o governo de seu sucessor.
Mas, isso está sendo tratado como um problema local. E no limite como notícia. Sem a indignação que costuma invadir a pena de alguns articulistas quando se trata de um petista ou comunista. A indignação seletiva da mídia é algo comovente”.
ROVAI IRONIZA: TUCANOS DÃO EXEMPLO DE ÉTICA NA PARAÍBA
“É impressionante como a ética tucana é algo muito especial. Vejam o caso do governador Cássio Cunha Lima, filho de Ronaldo Cunha Lima, que também foi governador do estado (Paraíba) e que como maior legado nos deixou o atentado a tiros que praticou contra Tarcisio Burity, seu antecessor.
O Cunha Lima pai entrou num restaurante e deu três tiros à queima roupa em Burity. E ainda continua por aí livrinho da silva.
Seu filho, que eu saiba, ainda não deu tiros em ninguém. Mas fez uma campanha de reeleição onde distribuiu mais de 30 mil cheques de um programa social durante o período eleitoral. O que todos os tribunais estão considerando uso da máquina pública. Por isso, está sendo cassado.
Mas com a ajuda da “ética” direção nacional do seu partido e com um jeitinho aqui e outro ali, tem escapado. Agora mesmo, conseguiu mais uma liminar para se manter no cargo.
Além disso, quando achou que estava na “roça”, Cunha Lima (o filho) articulou seus aliados na Assembléia Legislativa e aprovou aumento para boa parte dos servidores. Tudo para inviabilizar o governo de seu sucessor.
Mas, isso está sendo tratado como um problema local. E no limite como notícia. Sem a indignação que costuma invadir a pena de alguns articulistas quando se trata de um petista ou comunista. A indignação seletiva da mídia é algo comovente”.
ALTERNATIVA PARA MANTER O PAC
O Jornal do Brasil ontem publicou a seguinte reportagem de Raphael Bruno, de João Pessoa:
“Com o objetivo de driblar dificuldades na execução do programa e manter cronograma, governo se apóia cada vez mais na mão-de-obra militar
Preocupado em garantir, diante dos impactos da crise financeira, a continuidade dos investimentos nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades com o Tribunal de Contas da União para manter o repasse de recursos a projetos do programa onde o órgão detectou irregularidades, o governo federal encontrou uma válvula de escape rápida e barata para dar vazão às necessidades do cronograma planejado pela Casa Civil: o Exército brasileiro.
Por meio de uma série de acordos entre o governo federal e as Forças Armadas, diversas obras do PAC têm sido tocadas pela Diretoria de Obras de Cooperação (DOC) do Exército. Em todo o país, já são 80 os projetos, a grande maioria deles parte do PAC, executados pelos batalhões de engenharia.
Entre estas obras, estão o projeto de integração do Rio São Francisco, a restauração da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, e da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém (PA), além da reconstrução do aeroporto de Natal e do porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O Exército abocanha, hoje, o equivalente a 5% dos recursos para obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Um repasse anual próximo dos R$ 200 milhões.
FARDAS
O JB visitou um desses canteiros onde homens fardados substituem operários da construção civil tradicionais. Dos 320 quilômetros da BR-101, que liga Natal ao Recife, em obras de restauração e duplicação, 140 quilômetros estão sob a responsabilidade da engenharia do Exército. A DOC assumiu três dos oito trechos da rodovia originalmente licitados para a iniciativa privada. Os lotes, como são chamados os trechos, foram entregues aos militares após seguidas impugnações dos processos de licitação.
O governo tinha a intenção de iniciar as reformas ainda em 2003, muito antes do lançamento do PAC. Mas bastava uma empresa sair derrotada de uma licitação para impugnar o processo e exigir outro. Em 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou: se as empreiteiras não entrassem em acordo ou não respeitassem o resultado das licitações, iria entregar as obras para o Exército. Dito e feito. Imediatamente, a briga entre as construtoras no restante dos lotes cessou.
Os interesses acirrados em torno das obras da BR-101 se justificam pelos valores envolvidos no projeto. Só a parte do Exército está estimada em R$ 500 milhões. A obra como um todo custará algo próximo de R$ 1,5 bilhão. A mão-de-obra militar empregada pela DOC na BR-101 supera mil homens.
Fora o que a engenharia do Exército, a exemplo do que costumam fazer as empreiteiras, terceiriza para outras empresas. No caso da rodovia, principalmente construções como pontes, viadutos e passarelas.
CONCRETO
O trabalho na rodovia consiste na restauração do asfalto da via já existente e, a grande novidade da obra, na duplicação da BR, não com asfalto mas com concreto, a chamada pista rígida. Enquanto o asfalto dura no máximo 10 anos e precisa de manutenção constante, o concreto, em condições adequadas, pode ter uma durabilidade de até 50 anos e com muito menos trabalho de manutenção. A diferença é suficiente para que, mesmo custando R$ 2 milhões o quilômetro, a pista rígida ainda leve vantagem sobre a flexível, cujo custo por quilômetro não costuma passar dos R$ 800 mil.
Embora o governo aposte cada vez mais no Exército como uma solução eficiente para driblar não só os custos de obras do PAC mas dificuldades envolvendo licitações de projetos do programa, os militares não estão livres de muitos dos problemas que afligem as empreiteiras privadas. Na BR-101, a DOC tem redobrado de esforços para conseguir cumprir o cronograma.
Ao longo dos trechos percorridos pelo JB, mesmo que fosse possível encontrar locais em fases avançadas das obras, parte ainda passa pelos estágios iniciais da duplicação, como a terraplenagem. Entre as maiores dificuldades que tiraram o sono da engenharia do Exército, estão o volume excessivo de chuvas no ano, a lentidão dos processos de obtenção de licença ambiental e a desapropriação de residências localizadas na margem da rodovia ¬ mais de mil famílias já foram relocadas ¬ além dos solos moles encontrados em alguns dos trechos.
Apesar das dificuldades, o Exército brasileiro cumprirá esta missão dentro do prazo estipulado pelo presidente ¬ promete o disciplinado coronel Tito Tavares, comandante do 1º Batalhão de Engenharia e Construção. A previsão da DOC é que, até o fim do ano, algo entre 40 e 45 quilômetros dos 140 sob encargo das Forças Armadas seja entregue. O prazo final para conclusão das obras vai até abril de 2010 para alguns dos trechos.
EXÉRCITO SAI MAIS BARATO DO QUE CONSTRUTORAS
A atuação dos militares na região não deve nada à de gigantes da construção civil presentes em outros lotes da BR-101, empresas do porte de Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht. Pelo contrário: a pavimentadora de concreto usada pelo Exército na obra, e que foi importada da Alemanha por R$ 4,5 milhões, é considerado equipamento de ponta em tecnologia de construção de rodovias, e o número de máquinas semelhantes nas mãos da iniciativa privada brasileira não passa de três.
A usina de asfalto em uso pelo Exército na BR-101 já foi sondada por empreiteiras para ser empregada em obras como a construção de novos setores do Rodoanel, em São Paulo. Engenheiros militares são constantemente assediados pelas construtoras e trocam o trabalho de farda pelo mercado privado, de olho em salários até quatro vezes maiores.
– Não tem problema, não ficamos chateados – concede o general Jorge Ernesto Praxe, comandante do Grupamento de Engenharia de João Pessoa. – Faz parte da função social do Exército.
EM CONTA
A execução, pelo Exército, das obras, costuma sair, de acordo com o diretor de Obras de Cooperação do Exército, general José Cláudio Fróes de Moraes, de 10% a 15% mais em conta do que quando a iniciativa privada entra em cena. Legalmente, são as leis complementares 97/1999 e 117/2004 que tratam da organização das funções das Forças Armadas. Elas abrem a possibilidade do emprego do Exército em obras ordinárias.
– Uma das funções principais do Exército é adestrar-se, estar preparado para realizar, quando necessário, seu trabalho – sublinha o general. – Neste caso, está o mesmo trabalho de engenharia que faríamos durante uma guerra. A diferença é que estamos fazendo isso sem tiros disparados contra nós, o que facilita.
A parceria entre o governo e as Forças Armadas se ampliou tanto nos últimos meses com o PAC que começa a sobrecarregar a engenharia do Exército.
– Já estamos operando praticamente com nossa capacidade total de operação – informa o general Fróes. – Mas é claro que fazemos o possível para atender a novas solicitações.
Mesmo trabalhando próximo do limite, a engenharia do Exército começa a articular para se manter entre as opções preferenciais da União para a execução de obras. A DOC pleiteia, agora, participação nos projetos de continuidade da duplicação das rodovias do litoral nordestino.”
“Com o objetivo de driblar dificuldades na execução do programa e manter cronograma, governo se apóia cada vez mais na mão-de-obra militar
Preocupado em garantir, diante dos impactos da crise financeira, a continuidade dos investimentos nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades com o Tribunal de Contas da União para manter o repasse de recursos a projetos do programa onde o órgão detectou irregularidades, o governo federal encontrou uma válvula de escape rápida e barata para dar vazão às necessidades do cronograma planejado pela Casa Civil: o Exército brasileiro.
Por meio de uma série de acordos entre o governo federal e as Forças Armadas, diversas obras do PAC têm sido tocadas pela Diretoria de Obras de Cooperação (DOC) do Exército. Em todo o país, já são 80 os projetos, a grande maioria deles parte do PAC, executados pelos batalhões de engenharia.
Entre estas obras, estão o projeto de integração do Rio São Francisco, a restauração da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, e da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém (PA), além da reconstrução do aeroporto de Natal e do porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O Exército abocanha, hoje, o equivalente a 5% dos recursos para obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Um repasse anual próximo dos R$ 200 milhões.
FARDAS
O JB visitou um desses canteiros onde homens fardados substituem operários da construção civil tradicionais. Dos 320 quilômetros da BR-101, que liga Natal ao Recife, em obras de restauração e duplicação, 140 quilômetros estão sob a responsabilidade da engenharia do Exército. A DOC assumiu três dos oito trechos da rodovia originalmente licitados para a iniciativa privada. Os lotes, como são chamados os trechos, foram entregues aos militares após seguidas impugnações dos processos de licitação.
O governo tinha a intenção de iniciar as reformas ainda em 2003, muito antes do lançamento do PAC. Mas bastava uma empresa sair derrotada de uma licitação para impugnar o processo e exigir outro. Em 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou: se as empreiteiras não entrassem em acordo ou não respeitassem o resultado das licitações, iria entregar as obras para o Exército. Dito e feito. Imediatamente, a briga entre as construtoras no restante dos lotes cessou.
Os interesses acirrados em torno das obras da BR-101 se justificam pelos valores envolvidos no projeto. Só a parte do Exército está estimada em R$ 500 milhões. A obra como um todo custará algo próximo de R$ 1,5 bilhão. A mão-de-obra militar empregada pela DOC na BR-101 supera mil homens.
Fora o que a engenharia do Exército, a exemplo do que costumam fazer as empreiteiras, terceiriza para outras empresas. No caso da rodovia, principalmente construções como pontes, viadutos e passarelas.
CONCRETO
O trabalho na rodovia consiste na restauração do asfalto da via já existente e, a grande novidade da obra, na duplicação da BR, não com asfalto mas com concreto, a chamada pista rígida. Enquanto o asfalto dura no máximo 10 anos e precisa de manutenção constante, o concreto, em condições adequadas, pode ter uma durabilidade de até 50 anos e com muito menos trabalho de manutenção. A diferença é suficiente para que, mesmo custando R$ 2 milhões o quilômetro, a pista rígida ainda leve vantagem sobre a flexível, cujo custo por quilômetro não costuma passar dos R$ 800 mil.
Embora o governo aposte cada vez mais no Exército como uma solução eficiente para driblar não só os custos de obras do PAC mas dificuldades envolvendo licitações de projetos do programa, os militares não estão livres de muitos dos problemas que afligem as empreiteiras privadas. Na BR-101, a DOC tem redobrado de esforços para conseguir cumprir o cronograma.
Ao longo dos trechos percorridos pelo JB, mesmo que fosse possível encontrar locais em fases avançadas das obras, parte ainda passa pelos estágios iniciais da duplicação, como a terraplenagem. Entre as maiores dificuldades que tiraram o sono da engenharia do Exército, estão o volume excessivo de chuvas no ano, a lentidão dos processos de obtenção de licença ambiental e a desapropriação de residências localizadas na margem da rodovia ¬ mais de mil famílias já foram relocadas ¬ além dos solos moles encontrados em alguns dos trechos.
Apesar das dificuldades, o Exército brasileiro cumprirá esta missão dentro do prazo estipulado pelo presidente ¬ promete o disciplinado coronel Tito Tavares, comandante do 1º Batalhão de Engenharia e Construção. A previsão da DOC é que, até o fim do ano, algo entre 40 e 45 quilômetros dos 140 sob encargo das Forças Armadas seja entregue. O prazo final para conclusão das obras vai até abril de 2010 para alguns dos trechos.
EXÉRCITO SAI MAIS BARATO DO QUE CONSTRUTORAS
A atuação dos militares na região não deve nada à de gigantes da construção civil presentes em outros lotes da BR-101, empresas do porte de Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht. Pelo contrário: a pavimentadora de concreto usada pelo Exército na obra, e que foi importada da Alemanha por R$ 4,5 milhões, é considerado equipamento de ponta em tecnologia de construção de rodovias, e o número de máquinas semelhantes nas mãos da iniciativa privada brasileira não passa de três.
A usina de asfalto em uso pelo Exército na BR-101 já foi sondada por empreiteiras para ser empregada em obras como a construção de novos setores do Rodoanel, em São Paulo. Engenheiros militares são constantemente assediados pelas construtoras e trocam o trabalho de farda pelo mercado privado, de olho em salários até quatro vezes maiores.
– Não tem problema, não ficamos chateados – concede o general Jorge Ernesto Praxe, comandante do Grupamento de Engenharia de João Pessoa. – Faz parte da função social do Exército.
EM CONTA
A execução, pelo Exército, das obras, costuma sair, de acordo com o diretor de Obras de Cooperação do Exército, general José Cláudio Fróes de Moraes, de 10% a 15% mais em conta do que quando a iniciativa privada entra em cena. Legalmente, são as leis complementares 97/1999 e 117/2004 que tratam da organização das funções das Forças Armadas. Elas abrem a possibilidade do emprego do Exército em obras ordinárias.
– Uma das funções principais do Exército é adestrar-se, estar preparado para realizar, quando necessário, seu trabalho – sublinha o general. – Neste caso, está o mesmo trabalho de engenharia que faríamos durante uma guerra. A diferença é que estamos fazendo isso sem tiros disparados contra nós, o que facilita.
A parceria entre o governo e as Forças Armadas se ampliou tanto nos últimos meses com o PAC que começa a sobrecarregar a engenharia do Exército.
– Já estamos operando praticamente com nossa capacidade total de operação – informa o general Fróes. – Mas é claro que fazemos o possível para atender a novas solicitações.
Mesmo trabalhando próximo do limite, a engenharia do Exército começa a articular para se manter entre as opções preferenciais da União para a execução de obras. A DOC pleiteia, agora, participação nos projetos de continuidade da duplicação das rodovias do litoral nordestino.”
A LAVAGEM DA NOTÍCIA
Li ontem no blog do jornalista Luis Nassif:
“Por Fabio
O "ESQUEMA DD" NÃO LAVA SOMENTE DINHEIRO.
“Existe uma "técnica" repetida em tudo o que essa quadrilha faz.
Além da "lavagem de dinheiro", Dantas estruturou também a "lavagem da credibilidade da notícia" e a "lavagem do posicionamento político".
Me explico. Ninguém tem dúvidas que Raul Jungmann faz parte da "Bancada Dantas". Em tudo que realmente interessa ao banqueiro ele está lá. Representa contra o juiz Dr Sanctis, ataca a ABIN, faz da CPI do Grampo um show patético de defesa de um bandido, etc. Suas motivações certamente não são de interesse público. Mas aí, para "lavar a aparente isenção" do deputado, ele ataca a BROI e pede ajuda ao Governo americano para abrir os HDs de Dantas. Note que essas ultimas coisas são só bla bla bla, onde a ação de Jungmann não faz a menor diferença. Em resumo, ajuda Dantas de forma eficaz, e é contra ele "de mentirinha".
A mesma coisa vale para a imprensa. Diogo Mainardi por exemplo. Nunca, repito NUNCA fez uma coluna com algo que realmente representasse um problema para Dantas, como esse Opportunity Fund, o dinheiro que Dantas levou da Telecom Italia, ou as sacanagens conjuntas com Mangabeira Unger. Mas tem gente leiga que pensa que Mainardi é "contra Dantas", porque liga Dantas ao Mensalão e outras coisas que só servem à chantagem de Dantas, mas aparentemente "falam mal". É a lavagem da notícia”.
“Por Fabio
O "ESQUEMA DD" NÃO LAVA SOMENTE DINHEIRO.
“Existe uma "técnica" repetida em tudo o que essa quadrilha faz.
Além da "lavagem de dinheiro", Dantas estruturou também a "lavagem da credibilidade da notícia" e a "lavagem do posicionamento político".
Me explico. Ninguém tem dúvidas que Raul Jungmann faz parte da "Bancada Dantas". Em tudo que realmente interessa ao banqueiro ele está lá. Representa contra o juiz Dr Sanctis, ataca a ABIN, faz da CPI do Grampo um show patético de defesa de um bandido, etc. Suas motivações certamente não são de interesse público. Mas aí, para "lavar a aparente isenção" do deputado, ele ataca a BROI e pede ajuda ao Governo americano para abrir os HDs de Dantas. Note que essas ultimas coisas são só bla bla bla, onde a ação de Jungmann não faz a menor diferença. Em resumo, ajuda Dantas de forma eficaz, e é contra ele "de mentirinha".
A mesma coisa vale para a imprensa. Diogo Mainardi por exemplo. Nunca, repito NUNCA fez uma coluna com algo que realmente representasse um problema para Dantas, como esse Opportunity Fund, o dinheiro que Dantas levou da Telecom Italia, ou as sacanagens conjuntas com Mangabeira Unger. Mas tem gente leiga que pensa que Mainardi é "contra Dantas", porque liga Dantas ao Mensalão e outras coisas que só servem à chantagem de Dantas, mas aparentemente "falam mal". É a lavagem da notícia”.
COMO LIDAR COM A MÍDIA?
O jornalista e escritor Miguel do Rosário escreveu ontem em seu blog “Óleo do Diabo”:
“Semanas atrás, publiquei uma enquete neste blog com a seguinte pergunta: Como lidar com a mídia? Mais de duzentos responderam em poucos dias. A enquete ainda duraria mais uns 30 dias, mas, quando fiz a mudança no design do blog, ela foi cortada sem que eu tivesse controle. As opções de resposta eram:
1) Investir na blogosfera
2) Cobrar uma atitude do governo
3) Cobrar dos partidos
4) Eu gosto da mídia
5) Sei lá!
6) Deixá-la se auto-enforcar.
A opção ganhadora, com 69%, foi: Investir na blogosfera. Em segundo lugar, veio a opção Deixá-la se enforcar. Em seguida, vieram Cobrar do governo, Cobrar do partido. Alguns escolheram Sei Lá! E uma pessoa afirmou gostar da mídia.
Os resultados mostram que as pessoas estão começando a levar a blogosfera à sério, e a acreditar que a internet pode fazer diferença nas disputas políticas daqui para a frente.
Também revela que há descrença quanto à conveniência de um enfrentamento, por parte do presidente, contra a mídia corporativa.”
“Semanas atrás, publiquei uma enquete neste blog com a seguinte pergunta: Como lidar com a mídia? Mais de duzentos responderam em poucos dias. A enquete ainda duraria mais uns 30 dias, mas, quando fiz a mudança no design do blog, ela foi cortada sem que eu tivesse controle. As opções de resposta eram:
1) Investir na blogosfera
2) Cobrar uma atitude do governo
3) Cobrar dos partidos
4) Eu gosto da mídia
5) Sei lá!
6) Deixá-la se auto-enforcar.
A opção ganhadora, com 69%, foi: Investir na blogosfera. Em segundo lugar, veio a opção Deixá-la se enforcar. Em seguida, vieram Cobrar do governo, Cobrar do partido. Alguns escolheram Sei Lá! E uma pessoa afirmou gostar da mídia.
Os resultados mostram que as pessoas estão começando a levar a blogosfera à sério, e a acreditar que a internet pode fazer diferença nas disputas políticas daqui para a frente.
Também revela que há descrença quanto à conveniência de um enfrentamento, por parte do presidente, contra a mídia corporativa.”
CHINA E BRASIL: UM GRANDE ENCONTRO PARA AS PRÓXIMAS DÉCADAS
Li ontem no site Carta Maior o seguinte texto de Luis Alberto Gómez de Sousa. O autor é sociólogo e ex-funcionário das Nações Unidas, diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes:
“Se a China aparece como a grande potência emergente, poderíamos tomar distância da tutela americana e européia a abrir-nos ao futuro chinês. Não estará aí o grande desafio que nos espera neste século XXI?
“Giovanni Arrighi escreveu um livro desafiante: Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI (2007, trad. bras. Boitempo 2008). Deixando de lado as receitas neo-liberais que em boa hora se dissolveram na crise atual, vítimas de suas ilusões tresloucadas, o autor vai diretamente ao pai do liberalismo, que se perguntava em 1776:
“No futuro talvez, os nativos desses países (não europeus), se tornarão mais fortes, ou os da Europa mais fracos, e os habitantes de todas as diversas partes do mundo poderão chegar àquela igualdade de coragem e de força que, por inspirar o temor mútuo pode, por si só, transformar a injustiça das nações independentes numa espécie de respeito uns dos outros” (A Riqueza das Nações).
Hoje incluiríamos os Estados Unidos ao lado da velha Europa; o texto foi publicado no mesmo ano da declaração da independência norte-americana. Arrighi cita Martin Wolf: “A Europa foi o passado, os Estados Unidos são o presente e a Ásia dominada pela China será o futuro da economia global. Esse futuro parece fadado a se realizar. As grandes perguntas são quando e quão suavemente ele se dará” (pp. 18-19).
Para além da receita “tamanho único” do Consenso de Washington, “cada vez mais desacreditado”, Arrighi traz, com Joshua Cooper Ramo, a hipótese de um Consenso de Beijing, com duas possíveis características: o reconhecimento da importância de ajustar o desenvolvimento às necessidades locais e o multilateralismo, com base na interdependência entre os Estados, mas respeitando diferenças políticas e culturais, em contraste com o unilateralismo das políticas norte-americanas (p. 383). E lança a aposta: um novo Bandung, não político-ideológico como o primeiro, mas bem mais sólido em bases econômicas (p. 388).
Não por acaso Brasil e China se encontram na linha emergente dos BRICs. Trata-se de economias continentais, com crescente mercado interno de amplo fôlego potencial. É verdade que a China ainda representa uma parte pequena nas relações comerciais com o Brasil (9% de nossas exportações). Mas, num momento de retração dos Estados Unidos e da União Européia, esses dois mercados, eles e nós, não poderíamos crescer em intercomunicação? Pelo momento há um nítido desequilíbrio. Exportamos basicamente soja e minério de ferro e importamos produtos industriais.
Enquanto países de industrialização mais antiga têm desenvolvimento decrescente ou mesmo negativo, a China, que cresceu nos últimos anos em assombrosos 10%, encolhe, nas previsões do Banco Mundial para 2009, em “apenas” 7,5%, na verdade uma taxa menor do que a necessária para integrar e enorme mão de obra que deixa a produção rural para a urbana. O governo brasileiro, por sua vez, acena com 4% para o ano próximo, abaixo dos 4,5% atuais. Porém, mesmo com essa redução, e em parte por causa dela, no bojo de uma crise mundial, poderia ser hora de repensar o intercâmbio entre China e Brasil, como nova prioridade para nós.
O desenvolvimento industrial do Brasil se deu durante a crise dos anos trinta, com o processo de substituição de importações, quando as ofertas dos países industriais despencaram, o que obrigou a responder internamente às demandas. Hoje temos, no panorama internacional, a China, com um bilhão e trezentos milhões de habitantes ávidos e sempre com novas necessidades. E no Brasil, o resultado das políticas sociais recentes e de uma economia em estabilidade, está criando um mercado aberto a demandas em aumento, especialmente de bens de consumo popular. Não poderíamos dirigir, aos poucos, nossa produção, tanto para o mercado interno que se amplia e que pode minorar o impacto da crise global, quanto para o imenso mercado chinês?
Isso não se faz da noite para o dia, mas há que programá-lo num processo de médio prazo, firme e cuidadoso.
Se a China aparece como a grande potência emergente, poderíamos tomar distância da tutela americana e européia a abrir-nos ao futuro chinês. Não estará aí o grande desafio que nos espera neste século XXI? Como lembrou recentemente Immanuel Walerstein, o Brasil, “líder presumido do bloco sul-americano”, tem diante de si “um imenso terreno para alianças”, num sistema mundial que entra num estado de caos, mas que irá mais adiante gestar a solução de sua crise, numa “ordem emanada do caos” (Ilya Prigogine) (“Construir um outro mundo em meio à tempestade”, Le Monde Diplomatique Brasil, 18-7-2008, IHU, 19-7-2008).
Os dois outros países do BRIC, com amplos mercados, estão enredados em estruturas de castas rígidas a Índia e na corrupção, em guerras localizadas e terrorismos a Rússia. Por que, no caso do Brasil, não priorizar o encontro com a China, por cima das geografias que separam, no fôlego potencial que nos aproxima? O eixo da economia mundial passou do Mediterrâneo para o Atlântico norte e agora chega ao Pacífico. Mas a planetarização supera barreiras geográficas e, embora de costas para o Pacífico, poderemos encontrar este último, na saída para ele através de nossos vizinhos andinos, articulados com o Brasil numa política sul-americana ambiciosa. A América do Sul, com o Brasil, por sua dimensão, como um eixo vigoroso do lado de cá, deveria ir desenhando, aos poucos, uma política de intenso intercâmbio com a China. Para isso, na área sul-americana, precisaríamos desde já superar mal-entendidos e desconfianças, afastando a sombra de uma tentação de hegemonia de segunda instância auto-destruidora.
A Ásia ocidental está em chamas e a potência atualmente dominante ali se empantanou.
De nosso extremo ocidente ao sul, ao extremo oriente, deveriam ser criadas pontes de intercâmbio em vários níveis, do econômico ao cultural. Isso exige fôlego e bastante ambição. Saberemos planejar essas novas políticas? Nosso Plano de Aceleração do Crescimento teria que levar em conta, aos poucos, as potencialidades do grande salto da economia chinesa, que vai passando do terceiro lugar para o segundo e em um tempo mais para o primeiro, num posicionamento das nações mais vigorosas. Possivelmente nessa aliança repousa a possibilidade de sermos um país emergente com boa margem de êxito, na multipolaridade de um milênio que está nascendo”.
“Se a China aparece como a grande potência emergente, poderíamos tomar distância da tutela americana e européia a abrir-nos ao futuro chinês. Não estará aí o grande desafio que nos espera neste século XXI?
“Giovanni Arrighi escreveu um livro desafiante: Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI (2007, trad. bras. Boitempo 2008). Deixando de lado as receitas neo-liberais que em boa hora se dissolveram na crise atual, vítimas de suas ilusões tresloucadas, o autor vai diretamente ao pai do liberalismo, que se perguntava em 1776:
“No futuro talvez, os nativos desses países (não europeus), se tornarão mais fortes, ou os da Europa mais fracos, e os habitantes de todas as diversas partes do mundo poderão chegar àquela igualdade de coragem e de força que, por inspirar o temor mútuo pode, por si só, transformar a injustiça das nações independentes numa espécie de respeito uns dos outros” (A Riqueza das Nações).
Hoje incluiríamos os Estados Unidos ao lado da velha Europa; o texto foi publicado no mesmo ano da declaração da independência norte-americana. Arrighi cita Martin Wolf: “A Europa foi o passado, os Estados Unidos são o presente e a Ásia dominada pela China será o futuro da economia global. Esse futuro parece fadado a se realizar. As grandes perguntas são quando e quão suavemente ele se dará” (pp. 18-19).
Para além da receita “tamanho único” do Consenso de Washington, “cada vez mais desacreditado”, Arrighi traz, com Joshua Cooper Ramo, a hipótese de um Consenso de Beijing, com duas possíveis características: o reconhecimento da importância de ajustar o desenvolvimento às necessidades locais e o multilateralismo, com base na interdependência entre os Estados, mas respeitando diferenças políticas e culturais, em contraste com o unilateralismo das políticas norte-americanas (p. 383). E lança a aposta: um novo Bandung, não político-ideológico como o primeiro, mas bem mais sólido em bases econômicas (p. 388).
Não por acaso Brasil e China se encontram na linha emergente dos BRICs. Trata-se de economias continentais, com crescente mercado interno de amplo fôlego potencial. É verdade que a China ainda representa uma parte pequena nas relações comerciais com o Brasil (9% de nossas exportações). Mas, num momento de retração dos Estados Unidos e da União Européia, esses dois mercados, eles e nós, não poderíamos crescer em intercomunicação? Pelo momento há um nítido desequilíbrio. Exportamos basicamente soja e minério de ferro e importamos produtos industriais.
Enquanto países de industrialização mais antiga têm desenvolvimento decrescente ou mesmo negativo, a China, que cresceu nos últimos anos em assombrosos 10%, encolhe, nas previsões do Banco Mundial para 2009, em “apenas” 7,5%, na verdade uma taxa menor do que a necessária para integrar e enorme mão de obra que deixa a produção rural para a urbana. O governo brasileiro, por sua vez, acena com 4% para o ano próximo, abaixo dos 4,5% atuais. Porém, mesmo com essa redução, e em parte por causa dela, no bojo de uma crise mundial, poderia ser hora de repensar o intercâmbio entre China e Brasil, como nova prioridade para nós.
O desenvolvimento industrial do Brasil se deu durante a crise dos anos trinta, com o processo de substituição de importações, quando as ofertas dos países industriais despencaram, o que obrigou a responder internamente às demandas. Hoje temos, no panorama internacional, a China, com um bilhão e trezentos milhões de habitantes ávidos e sempre com novas necessidades. E no Brasil, o resultado das políticas sociais recentes e de uma economia em estabilidade, está criando um mercado aberto a demandas em aumento, especialmente de bens de consumo popular. Não poderíamos dirigir, aos poucos, nossa produção, tanto para o mercado interno que se amplia e que pode minorar o impacto da crise global, quanto para o imenso mercado chinês?
Isso não se faz da noite para o dia, mas há que programá-lo num processo de médio prazo, firme e cuidadoso.
Se a China aparece como a grande potência emergente, poderíamos tomar distância da tutela americana e européia a abrir-nos ao futuro chinês. Não estará aí o grande desafio que nos espera neste século XXI? Como lembrou recentemente Immanuel Walerstein, o Brasil, “líder presumido do bloco sul-americano”, tem diante de si “um imenso terreno para alianças”, num sistema mundial que entra num estado de caos, mas que irá mais adiante gestar a solução de sua crise, numa “ordem emanada do caos” (Ilya Prigogine) (“Construir um outro mundo em meio à tempestade”, Le Monde Diplomatique Brasil, 18-7-2008, IHU, 19-7-2008).
Os dois outros países do BRIC, com amplos mercados, estão enredados em estruturas de castas rígidas a Índia e na corrupção, em guerras localizadas e terrorismos a Rússia. Por que, no caso do Brasil, não priorizar o encontro com a China, por cima das geografias que separam, no fôlego potencial que nos aproxima? O eixo da economia mundial passou do Mediterrâneo para o Atlântico norte e agora chega ao Pacífico. Mas a planetarização supera barreiras geográficas e, embora de costas para o Pacífico, poderemos encontrar este último, na saída para ele através de nossos vizinhos andinos, articulados com o Brasil numa política sul-americana ambiciosa. A América do Sul, com o Brasil, por sua dimensão, como um eixo vigoroso do lado de cá, deveria ir desenhando, aos poucos, uma política de intenso intercâmbio com a China. Para isso, na área sul-americana, precisaríamos desde já superar mal-entendidos e desconfianças, afastando a sombra de uma tentação de hegemonia de segunda instância auto-destruidora.
A Ásia ocidental está em chamas e a potência atualmente dominante ali se empantanou.
De nosso extremo ocidente ao sul, ao extremo oriente, deveriam ser criadas pontes de intercâmbio em vários níveis, do econômico ao cultural. Isso exige fôlego e bastante ambição. Saberemos planejar essas novas políticas? Nosso Plano de Aceleração do Crescimento teria que levar em conta, aos poucos, as potencialidades do grande salto da economia chinesa, que vai passando do terceiro lugar para o segundo e em um tempo mais para o primeiro, num posicionamento das nações mais vigorosas. Possivelmente nessa aliança repousa a possibilidade de sermos um país emergente com boa margem de êxito, na multipolaridade de um milênio que está nascendo”.
FALA, LULA!
Li ontem no site Carta Maior o seguinte texto do filósofo e cientista político Emir Sader:
O QUE O LULA DEVERIA FALAR (E FAZER):
- O capital financeiro é o maior inimigo do crescimento econômico do país. Remunerado pelas mais altas taxas de juros reais do mundo, é um capital parasita, sanguessuga, que vive às custas do endividamento das pessoas, do Estado e das empresas (especialmente das pequenas e médias empresas). Seus balanços são um acinte pelo nível de lucros que seguem acumulando, sem criar empregos (ao contrário, despedindo trabalhadores), sem criar riqueza, sem financiar as pesquisas, os investimentos produtivos e o consumo. Deve ser combatido frontalmente, para o quê o governo precisa impor um plano rigoroso de diminuição radical e imediata das taxas de juros e submeter o Banco Central às diretrizes gerais do governo, eleito para promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil e não o enriquecimento dos banqueiros.
Para que diminua a desigualdade e a injustiça social no Brasil, precisamos adotar um modelo econômico que privilegie a produção, a criação de empregos, o fortalecimento do mercado interno de consumo popular, para o que medidas fundamentais que terminem com a hegemonia do capital financeiro – que entre nós é fundamentalmente um capital especulativo.
Para que tenhamos um Brasil realmente para todos, precisamos terminar com a farra especulativa do sistema financeiro, que já demonstrou seu caráter anti-social, para que seja possível utilizar os recursos do Estado brasileiro para estender os direitos sociais, econômicos e culturais para todos, superando o estigma de país mais desigual do mundo, em grande parte porque remunera o capital financeiro da maneira mais generosa e submete a massa da população a políticas de crédito que só os enriquecem, em lugar de favorecer o crescimento econômico e social do país.
- No Brasil, quem paga impostos são os cidadãos e os trabalhadores comuns. Grandes empresas e, sobretudo, os bancos e o sistema financeiro, sempre encontram formas de driblar o fisco. Por isso o Brasil precisa urgentemente de uma grande reforma tributaria, com um profundo caráter social e redistributivo, em que quem ganha mais e tem mais, paga mais. Só assim o Estado brasileiro deixará de transferir renda do mundo do trabalho para o mundo financeiro.
- Os capitais financeiros são verdadeiros urubus, que voam para onde encontram maiores ganhos, com maior liquidez e pouco ou nenhum imposto. Não têm nacionalidade, nem compromisso com os interesses do país e da massa da população. Por isso a circulação do capital financeiro precisa ser controlada, tributada, orientada para as necessidades de financiamento dos setores que o crescimento econômico e social impõem. A entrada e saída de capitais do país será tributada, com impostos que servirão para estender os direitos de cidadania da grande massa pobre do país.
- O governo não concederá nenhuma isenção fiscal ou favores afins, sem contrapartidas concretas de parte das empresas, centralmente extensão dos empregos formais, melhoria das condições de trabalho, respeito estrito às condições meio ambientais, pagamento rigoroso de todas as tributações governamentais.
- A crise atual demonstra a fragilidade do sistema financeiro internacional. Por essa razão o Brasil propugnará para que o Banco do Sul seja o depositário fundamental das reservas do nosso país e de todos os outros da região. Se determinará a centralização do câmbio, porque a política monetária é uma variável com inúmeras conseqüências sobre a economia e por essa razão não pode estar simplesmente determinada pelos vai-e-vens do mercado.
- Como as grandes empresas privadas da mídia brasileira são propriedade de algumas poucas grandes famílias, que pretendem impor seus pontos de vista à grande maioria da população, o governo passará a atuar para fortalecer de forma decididas as mídias públicas, assim como todas as formas alternativas de mídia – de radio comunitárias a internet -, utilizando para isso, de forma clara, os recursos da publicidade governamental.
O povo decidiu, nas duas últimas eleições presidenciais, que não está de acordo com a grande mídia privada e que, ao contrário, elegeu e reelegeu o candidato que essa mídia oligárquica ataca sistematicamente. Essas eleições são a maior e a mais verdadeira pesquisa de opinião. E o povo disse que quer uma mídia democrática, pluralista, de raízes nacionais, identificada com as grandes políticas governamentais que favorecem o povo. Por isso atuaremos firmemente na direção da democratização profunda da mídia brasileira, sem a qual nunca teremos uma democracia real no país.
- O Brasil precisa engajar-se prioritariamente no fortalecimento da economia familiar, das pequenas e medias empresas e das cooperativas que são as que realmente produzem para o mercado interno e geram ocupação e renda no campo para a grande massa de trabalhadores. Para isso incentivará a produção desses setores com créditos e toda forma de apoio técnico, combatendo ao mesmo tempo a produção com trangênicos por parte das empresas de agronegócios.
- O governo incentivará todas as formas de mobilizações populares na luta pelos interesses da massa da população, sem a qual não será possível combater e superar os enormes obstáculos à construção de um Brasil para todos. Foi assim que se conseguiu, no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, derrotar à direita e seu candidato neoliberal, apesar de todo o empenho da mídia. É assim que será possível construís no Brasil uma democracia com alma social.
- O governo se empenhará fortemente na construção, junto a todas as forças do campo popular, de uma plataforma anti-neoliberal, para que o candidato que suceda a este governo possa consolidar os avanços conseguidos, combater as forças conservadoras e fazer o país avançar na direção de uma sociedade justa e solidária.
O QUE MAIS LULA DEVERIA FALAR (E FAZER)?”
O QUE O LULA DEVERIA FALAR (E FAZER):
- O capital financeiro é o maior inimigo do crescimento econômico do país. Remunerado pelas mais altas taxas de juros reais do mundo, é um capital parasita, sanguessuga, que vive às custas do endividamento das pessoas, do Estado e das empresas (especialmente das pequenas e médias empresas). Seus balanços são um acinte pelo nível de lucros que seguem acumulando, sem criar empregos (ao contrário, despedindo trabalhadores), sem criar riqueza, sem financiar as pesquisas, os investimentos produtivos e o consumo. Deve ser combatido frontalmente, para o quê o governo precisa impor um plano rigoroso de diminuição radical e imediata das taxas de juros e submeter o Banco Central às diretrizes gerais do governo, eleito para promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil e não o enriquecimento dos banqueiros.
Para que diminua a desigualdade e a injustiça social no Brasil, precisamos adotar um modelo econômico que privilegie a produção, a criação de empregos, o fortalecimento do mercado interno de consumo popular, para o que medidas fundamentais que terminem com a hegemonia do capital financeiro – que entre nós é fundamentalmente um capital especulativo.
Para que tenhamos um Brasil realmente para todos, precisamos terminar com a farra especulativa do sistema financeiro, que já demonstrou seu caráter anti-social, para que seja possível utilizar os recursos do Estado brasileiro para estender os direitos sociais, econômicos e culturais para todos, superando o estigma de país mais desigual do mundo, em grande parte porque remunera o capital financeiro da maneira mais generosa e submete a massa da população a políticas de crédito que só os enriquecem, em lugar de favorecer o crescimento econômico e social do país.
- No Brasil, quem paga impostos são os cidadãos e os trabalhadores comuns. Grandes empresas e, sobretudo, os bancos e o sistema financeiro, sempre encontram formas de driblar o fisco. Por isso o Brasil precisa urgentemente de uma grande reforma tributaria, com um profundo caráter social e redistributivo, em que quem ganha mais e tem mais, paga mais. Só assim o Estado brasileiro deixará de transferir renda do mundo do trabalho para o mundo financeiro.
- Os capitais financeiros são verdadeiros urubus, que voam para onde encontram maiores ganhos, com maior liquidez e pouco ou nenhum imposto. Não têm nacionalidade, nem compromisso com os interesses do país e da massa da população. Por isso a circulação do capital financeiro precisa ser controlada, tributada, orientada para as necessidades de financiamento dos setores que o crescimento econômico e social impõem. A entrada e saída de capitais do país será tributada, com impostos que servirão para estender os direitos de cidadania da grande massa pobre do país.
- O governo não concederá nenhuma isenção fiscal ou favores afins, sem contrapartidas concretas de parte das empresas, centralmente extensão dos empregos formais, melhoria das condições de trabalho, respeito estrito às condições meio ambientais, pagamento rigoroso de todas as tributações governamentais.
- A crise atual demonstra a fragilidade do sistema financeiro internacional. Por essa razão o Brasil propugnará para que o Banco do Sul seja o depositário fundamental das reservas do nosso país e de todos os outros da região. Se determinará a centralização do câmbio, porque a política monetária é uma variável com inúmeras conseqüências sobre a economia e por essa razão não pode estar simplesmente determinada pelos vai-e-vens do mercado.
- Como as grandes empresas privadas da mídia brasileira são propriedade de algumas poucas grandes famílias, que pretendem impor seus pontos de vista à grande maioria da população, o governo passará a atuar para fortalecer de forma decididas as mídias públicas, assim como todas as formas alternativas de mídia – de radio comunitárias a internet -, utilizando para isso, de forma clara, os recursos da publicidade governamental.
O povo decidiu, nas duas últimas eleições presidenciais, que não está de acordo com a grande mídia privada e que, ao contrário, elegeu e reelegeu o candidato que essa mídia oligárquica ataca sistematicamente. Essas eleições são a maior e a mais verdadeira pesquisa de opinião. E o povo disse que quer uma mídia democrática, pluralista, de raízes nacionais, identificada com as grandes políticas governamentais que favorecem o povo. Por isso atuaremos firmemente na direção da democratização profunda da mídia brasileira, sem a qual nunca teremos uma democracia real no país.
- O Brasil precisa engajar-se prioritariamente no fortalecimento da economia familiar, das pequenas e medias empresas e das cooperativas que são as que realmente produzem para o mercado interno e geram ocupação e renda no campo para a grande massa de trabalhadores. Para isso incentivará a produção desses setores com créditos e toda forma de apoio técnico, combatendo ao mesmo tempo a produção com trangênicos por parte das empresas de agronegócios.
- O governo incentivará todas as formas de mobilizações populares na luta pelos interesses da massa da população, sem a qual não será possível combater e superar os enormes obstáculos à construção de um Brasil para todos. Foi assim que se conseguiu, no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, derrotar à direita e seu candidato neoliberal, apesar de todo o empenho da mídia. É assim que será possível construís no Brasil uma democracia com alma social.
- O governo se empenhará fortemente na construção, junto a todas as forças do campo popular, de uma plataforma anti-neoliberal, para que o candidato que suceda a este governo possa consolidar os avanços conseguidos, combater as forças conservadoras e fazer o país avançar na direção de uma sociedade justa e solidária.
O QUE MAIS LULA DEVERIA FALAR (E FAZER)?”
SOBRE A PRIVATIZAÇÃO DA TELEFONIA
O jornalista e escritor Miguel do Rosário escreveu ontem em seu blog “Óleo do Diabo”:
“Eles vêm com esse discursinho de que a privatização modernizou o sistema telefônico do país, que antes ninguém tinha celular e tal. Balela! Ninguém tinha celular porque não existia celular. Vendo esses anúncios monstruosos das telefônicas, fico pensando que, se a telefonia não tivesse sido privatizada, o preço das ligações poderia estar muito mais baixo.
Todo mundo tem celular hoje mas ninguém pode ligar porque o preço da ligação é absurdo. E ainda criaram a Anatel, que dificulta ainda mais um possível controle do governo sobre as tarifas telefônicas.
Eles poderiam ter privatizado uma parte do sistema telefônico, para atrair investimentos estrangeiros, mas ter mantido o controle do Estado. A ideologia neoliberal tucana nunca pensa no custo para os cidadãos. Só pensam no lucro de empresas das quais são sócios.
Abaixo os bancos privados. Delenda Serra.”
“Eles vêm com esse discursinho de que a privatização modernizou o sistema telefônico do país, que antes ninguém tinha celular e tal. Balela! Ninguém tinha celular porque não existia celular. Vendo esses anúncios monstruosos das telefônicas, fico pensando que, se a telefonia não tivesse sido privatizada, o preço das ligações poderia estar muito mais baixo.
Todo mundo tem celular hoje mas ninguém pode ligar porque o preço da ligação é absurdo. E ainda criaram a Anatel, que dificulta ainda mais um possível controle do governo sobre as tarifas telefônicas.
Eles poderiam ter privatizado uma parte do sistema telefônico, para atrair investimentos estrangeiros, mas ter mantido o controle do Estado. A ideologia neoliberal tucana nunca pensa no custo para os cidadãos. Só pensam no lucro de empresas das quais são sócios.
Abaixo os bancos privados. Delenda Serra.”
sábado, 29 de novembro de 2008
DESMATE NA AMAZÔNIA É REDUZIDO EM OUTUBRO
O blog do jornalista Ricardo Noblat postou o seguinte texto de Soraya Aggege, publicado ontem no jornal O Globo:
“Foram 102 quilômetros de desflorestamento; nuvens, no entanto, encobriram áreas analisadas.
O Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) constatou que, em outubro, foram desmatados mais 102 km² da Floresta Amazônica, o equivalente a um campo de futebol a cada dois dias.
Houve uma redução de 81% no desflorestamento, em relação a outubro do ano passado, quando o desmate atingiu 524 km².
Cerca de 22% da Amazônia Legal, porém, estavam encobertas por nuvens, o que impede uma visão global dos satélites. As áreas que não foram monitoradas estão no Amapá (61% do estado estava encoberta) e em cerca de um terço da área do Acre, de Roraima, do Pará e de Amazonas. Além disso, a parte do Maranhão que integra a Amazônia não foi analisada. A margem de erro do relatório é de 8%.
Segundo o levantamento do Imazon, o desmatamento acumulado no período de agosto a outubro de 2008 (são os três primeiros meses do calendário atual de desmatamento, por causa das chuvas), totalizou 524 km². Em relação ao mesmo período de 2007, houve redução de 77%.”
“Foram 102 quilômetros de desflorestamento; nuvens, no entanto, encobriram áreas analisadas.
O Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) constatou que, em outubro, foram desmatados mais 102 km² da Floresta Amazônica, o equivalente a um campo de futebol a cada dois dias.
Houve uma redução de 81% no desflorestamento, em relação a outubro do ano passado, quando o desmate atingiu 524 km².
Cerca de 22% da Amazônia Legal, porém, estavam encobertas por nuvens, o que impede uma visão global dos satélites. As áreas que não foram monitoradas estão no Amapá (61% do estado estava encoberta) e em cerca de um terço da área do Acre, de Roraima, do Pará e de Amazonas. Além disso, a parte do Maranhão que integra a Amazônia não foi analisada. A margem de erro do relatório é de 8%.
Segundo o levantamento do Imazon, o desmatamento acumulado no período de agosto a outubro de 2008 (são os três primeiros meses do calendário atual de desmatamento, por causa das chuvas), totalizou 524 km². Em relação ao mesmo período de 2007, houve redução de 77%.”
VALTER POMAR: DEBATENDO A CRISE
Li ontem no site “vermelho” o seguinte texto de Valter Pomar*, secretário de Relações Internacionais do PT. O artigo foi originariamente publicado na página oficial do PT:
“O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores promoveu, no dia 26 de novembro, um concorrido debate sobre a crise internacional e seus efeitos no Brasil, tendo como palestrantes Guido Mantega e Marco Aurélio Garcia.
Dois outros debates estão previstos, o primeiro no dia 2 de dezembro, em São Paulo, em promoção conjunta com o PCdoB; e o segundo no dia 16 de dezembro, em Salvador, em promoção conjunta com o PSB e com o PCdoB.
O debate realizado em Brasília reafirmou que a crise internacional é produto direto das chamadas políticas neoliberais, em particular da desregulamentação dos mercados financeiros.
Reafirmou, também, que enfrentar a crise exige adotar medidas que reforcem o investimento público, o mercado interno, a integração regional e, de maneira geral, o papel do Estado na economia.
Noutras palavras: tanto a crise quanto a solução apontam para a desmoralização da visão de mundo neoliberal. Este é um aspecto que nunca é demais destacar, até porque os porta-vozes do neoliberalismo continuam à solta, especialmente nas empresas de comunicação, exigindo do governo brasileiro que corte investimentos e reduza o papel do Estado.
O debate promovido pelo Diretório Nacional do PT mostrou, também, que há muitas questões polêmicas, em aberto e a aprofundar.
A primeira delas diz respeito à profundidade e a duração da crise. Existe uma tendência, bastante compreensível, a destacar as vantagens comparativas dos "países em desenvolvimento", em particular o Brasil, frente aos Estados Unidos e à Europa.
Esta tendência pode conduzir a dois equívocos: por um lado, a minimizar os efeitos da crise na "periferia"; por outro lado, a não considerar devidamente que os paises centrais vão tentar transferir os custos da crise para o "resto do mundo". Mesmo quem acredita que o imperialismo é um "tigre de papel", deveria levar em conta e se prevenir adequadamente contra esta tentativa.
A diferença de opinião sobre estas questões ajuda a explicar as atitudes opostas que existem, em nosso Partido, acerca da rodada Doha: enquanto alguns comemoram seu fracasso, outros defendem a ressurreição. Explica, ainda, porque alguns se entusiasmaram com a reunião do G20, enquanto outros alertaram para seus limites e riscos.
Outra questão em aberto é a natureza da conexão entre a crise financeira e a crise econômica no sentido geral da palavra.
Existe uma tendência a considerar o fechamento de empresas e o desemprego como uma decorrência da crise financeira, não percebendo ou não considerando em devida conta que, em última análise, a crise financeira e a especulação que a precedeu é, em si mesma, uma decorrência da dinâmica contraditória da produção capitalista.
Noutras palavras: o contraditório "sucesso" da expansão capitalista, inclusive no terreno produtivo, é que está na origem da vertigem financeira.
O superdimensionamento do aspecto financeiro da crise conduz à adoção de medidas anticíclicas de apoio ao "capital produtivo", sem considerar (ou sem considerar devidamente) que este próprio "capital produtivo", e não apenas os mercados financeiros, também precisa ser submetido a fortíssimos controles.
Aliás, o próprio conceito de capital financeiro supõe aquilo que conhecemos na realidade das grandes empresas brasileiras e mundiais: a imbricação entre capital industrial e bancário.
A diferença de opinião sobre estas questões está na base das divergências acerca de algumas medidas adotadas pelo governo, em benefício de segmentos do empresariado. E, por outro lado, nas diferentes ênfases que uns e outros concedemos a bandeiras como a redução da jornada de trabalho, a reforma agrária e o fortalecimento radical das políticas sociais universais.
Uma terceira questão em aberto diz respeito ao impacto da crise sobre o Brasil.
A este respeito, parece haver alguns consensos: a) a economia brasileira está menos vulnerável, hoje, do que nos anos 1990; b) estamos mais fortes do que estaríamos, caso estivéssemos aplicando as políticas tucanas; c) estaríamos ainda melhor se, durante parte do primeiro mandato de Lula, o Ministério da Fazenda não fosse linha auxiliar das políticas pró-capital financeiro.
Destas conclusões, aparentemente (uma vez que os liberais existentes na própria esquerda andam meio calados) consensuais, desdobram-se linhas diferentes de análise e de propostas.
Entre estas linhas, registro a tendência a superestimar a fortaleza da economia brasileira e a considerar suficiente a adoção de medidas preventivas e corretivas.
Claro que algumas destas medidas, como a redução dos juros, são fundamentais e inadiáveis, sendo incrível ver como Henrique Meirelles insiste, contra quase tudo e contra quase todos, em retardar o inevitável. Sendo ainda mais incrível que o governo tolere, no seu meio, um sabotador assumido e explícito das políticas anticíclicas.
Mas medidas preventivas e corretivas, por si só, não parecem suficientes para enfrentar uma crise internacional desta magnitude, especialmente do ponto de vista de quem tem como objetivo patamares de desenvolvimento e igualdade social muito superiores aos já experimentados pelo Brasil, nos anos 1980 e antes.
É preciso ir além, revertendo medidas adotadas ao longo dos anos 90 e implementando reformas estruturais, a começar pela tributária (não confundir com as medidas parciais e contraditórias que volta e meia entram em discussão no Congresso Nacional). Mas para isto se transformar em realidade, é preciso outro enfoque, que considere a necessidade de medidas extraordinárias, que exigem intensa mobilização social e luta político-ideológica.
O maior equívoco, contudo, não reside na ingenuidade de algumas análises econômicas, sobre nossa fortaleza e sobre que medidas adotar. O maior perigo está num certo "economicismo", ou seja, na visão que reduz e confunde a gestão da crise com a gestão administrativa da economia.
Nota bene: enfrentamos as eleições de 2008 num cenário ainda favorável e obtivemos um resultado aquém do necessário. Enfrentaremos as eleições 2010 num cenário diferente e pior, pois mesmo que tenhamos total êxito na administração da economia, ainda assim haverá desaceleração, com todas as conseqüências derivadas.
O que quer dizer que teremos que "compensar", no terreno da política (debate ideológico, mobilização social e partidária, medidas legislativas e de governo), os prejuízos decorrentes da crise.
A esse respeito, vivemos uma situação contraditória, que fica mais evidente no terreno ideológico.
A saber: se é verdade que os neoliberais foram desmoralizados (embora a Miriam Leitão ainda não tenha percebido isto); e se é verdade que "todo mundo virou keynesiano"; também é verdade que batalhas passadas não vencem as guerras do presente nem do futuro.
Desde já e ao longo dos próximos anos, no Brasil, na região latino-americana e no mundo, está em questão a natureza do pós-neoliberalismo. Ou seja: qual mundo será construído depois do que alguns têm chamado de "a queda do muro" deles.
Espera-se da esquerda, especialmente de um partido socialista como pretende ser o nosso PT, que consiga oferecer um horizonte mais amplo e uma perspectiva diferente daquela que é oferecida por Lord Keynes. Que, vamos lembrar, tinha como propósito salvar o capitalismo”.
“O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores promoveu, no dia 26 de novembro, um concorrido debate sobre a crise internacional e seus efeitos no Brasil, tendo como palestrantes Guido Mantega e Marco Aurélio Garcia.
Dois outros debates estão previstos, o primeiro no dia 2 de dezembro, em São Paulo, em promoção conjunta com o PCdoB; e o segundo no dia 16 de dezembro, em Salvador, em promoção conjunta com o PSB e com o PCdoB.
O debate realizado em Brasília reafirmou que a crise internacional é produto direto das chamadas políticas neoliberais, em particular da desregulamentação dos mercados financeiros.
Reafirmou, também, que enfrentar a crise exige adotar medidas que reforcem o investimento público, o mercado interno, a integração regional e, de maneira geral, o papel do Estado na economia.
Noutras palavras: tanto a crise quanto a solução apontam para a desmoralização da visão de mundo neoliberal. Este é um aspecto que nunca é demais destacar, até porque os porta-vozes do neoliberalismo continuam à solta, especialmente nas empresas de comunicação, exigindo do governo brasileiro que corte investimentos e reduza o papel do Estado.
O debate promovido pelo Diretório Nacional do PT mostrou, também, que há muitas questões polêmicas, em aberto e a aprofundar.
A primeira delas diz respeito à profundidade e a duração da crise. Existe uma tendência, bastante compreensível, a destacar as vantagens comparativas dos "países em desenvolvimento", em particular o Brasil, frente aos Estados Unidos e à Europa.
Esta tendência pode conduzir a dois equívocos: por um lado, a minimizar os efeitos da crise na "periferia"; por outro lado, a não considerar devidamente que os paises centrais vão tentar transferir os custos da crise para o "resto do mundo". Mesmo quem acredita que o imperialismo é um "tigre de papel", deveria levar em conta e se prevenir adequadamente contra esta tentativa.
A diferença de opinião sobre estas questões ajuda a explicar as atitudes opostas que existem, em nosso Partido, acerca da rodada Doha: enquanto alguns comemoram seu fracasso, outros defendem a ressurreição. Explica, ainda, porque alguns se entusiasmaram com a reunião do G20, enquanto outros alertaram para seus limites e riscos.
Outra questão em aberto é a natureza da conexão entre a crise financeira e a crise econômica no sentido geral da palavra.
Existe uma tendência a considerar o fechamento de empresas e o desemprego como uma decorrência da crise financeira, não percebendo ou não considerando em devida conta que, em última análise, a crise financeira e a especulação que a precedeu é, em si mesma, uma decorrência da dinâmica contraditória da produção capitalista.
Noutras palavras: o contraditório "sucesso" da expansão capitalista, inclusive no terreno produtivo, é que está na origem da vertigem financeira.
O superdimensionamento do aspecto financeiro da crise conduz à adoção de medidas anticíclicas de apoio ao "capital produtivo", sem considerar (ou sem considerar devidamente) que este próprio "capital produtivo", e não apenas os mercados financeiros, também precisa ser submetido a fortíssimos controles.
Aliás, o próprio conceito de capital financeiro supõe aquilo que conhecemos na realidade das grandes empresas brasileiras e mundiais: a imbricação entre capital industrial e bancário.
A diferença de opinião sobre estas questões está na base das divergências acerca de algumas medidas adotadas pelo governo, em benefício de segmentos do empresariado. E, por outro lado, nas diferentes ênfases que uns e outros concedemos a bandeiras como a redução da jornada de trabalho, a reforma agrária e o fortalecimento radical das políticas sociais universais.
Uma terceira questão em aberto diz respeito ao impacto da crise sobre o Brasil.
A este respeito, parece haver alguns consensos: a) a economia brasileira está menos vulnerável, hoje, do que nos anos 1990; b) estamos mais fortes do que estaríamos, caso estivéssemos aplicando as políticas tucanas; c) estaríamos ainda melhor se, durante parte do primeiro mandato de Lula, o Ministério da Fazenda não fosse linha auxiliar das políticas pró-capital financeiro.
Destas conclusões, aparentemente (uma vez que os liberais existentes na própria esquerda andam meio calados) consensuais, desdobram-se linhas diferentes de análise e de propostas.
Entre estas linhas, registro a tendência a superestimar a fortaleza da economia brasileira e a considerar suficiente a adoção de medidas preventivas e corretivas.
Claro que algumas destas medidas, como a redução dos juros, são fundamentais e inadiáveis, sendo incrível ver como Henrique Meirelles insiste, contra quase tudo e contra quase todos, em retardar o inevitável. Sendo ainda mais incrível que o governo tolere, no seu meio, um sabotador assumido e explícito das políticas anticíclicas.
Mas medidas preventivas e corretivas, por si só, não parecem suficientes para enfrentar uma crise internacional desta magnitude, especialmente do ponto de vista de quem tem como objetivo patamares de desenvolvimento e igualdade social muito superiores aos já experimentados pelo Brasil, nos anos 1980 e antes.
É preciso ir além, revertendo medidas adotadas ao longo dos anos 90 e implementando reformas estruturais, a começar pela tributária (não confundir com as medidas parciais e contraditórias que volta e meia entram em discussão no Congresso Nacional). Mas para isto se transformar em realidade, é preciso outro enfoque, que considere a necessidade de medidas extraordinárias, que exigem intensa mobilização social e luta político-ideológica.
O maior equívoco, contudo, não reside na ingenuidade de algumas análises econômicas, sobre nossa fortaleza e sobre que medidas adotar. O maior perigo está num certo "economicismo", ou seja, na visão que reduz e confunde a gestão da crise com a gestão administrativa da economia.
Nota bene: enfrentamos as eleições de 2008 num cenário ainda favorável e obtivemos um resultado aquém do necessário. Enfrentaremos as eleições 2010 num cenário diferente e pior, pois mesmo que tenhamos total êxito na administração da economia, ainda assim haverá desaceleração, com todas as conseqüências derivadas.
O que quer dizer que teremos que "compensar", no terreno da política (debate ideológico, mobilização social e partidária, medidas legislativas e de governo), os prejuízos decorrentes da crise.
A esse respeito, vivemos uma situação contraditória, que fica mais evidente no terreno ideológico.
A saber: se é verdade que os neoliberais foram desmoralizados (embora a Miriam Leitão ainda não tenha percebido isto); e se é verdade que "todo mundo virou keynesiano"; também é verdade que batalhas passadas não vencem as guerras do presente nem do futuro.
Desde já e ao longo dos próximos anos, no Brasil, na região latino-americana e no mundo, está em questão a natureza do pós-neoliberalismo. Ou seja: qual mundo será construído depois do que alguns têm chamado de "a queda do muro" deles.
Espera-se da esquerda, especialmente de um partido socialista como pretende ser o nosso PT, que consiga oferecer um horizonte mais amplo e uma perspectiva diferente daquela que é oferecida por Lord Keynes. Que, vamos lembrar, tinha como propósito salvar o capitalismo”.
SUPLICY DIZ QUE TUCANOS EXAGERAM SOBRE EMPRÉSTIMO À PETROBRAS
Li ontem no site “Vermelho” o seguinte texto de Iram Alfaia:
“Num árduo debate nesta quinta (27) no plenário do Senado, o petista Eduardo Suplicy (SP) sugeriu aos senadores da oposição que ao invés de darem um tom de gravidade para o empréstimo de R$ 2 bilhões da Caixa Econômica Federal (CEF) à Petrobras deveriam antes telefonar para o presidente da estatal do petróleo, Sérgio Gabrielli, afim de pedirem explicações. Os senadores tucanos Tasso Jeressati (CE) e Arthur Virgílio (AM) provocaram alvoroço no mercado ao avaliarem que a transação revela sérios problemas de caixa na empresa”.
“Eu até fiquei pensando: será que não seria adequado, antes de Vossa Excelência fazer o pronunciamento com o tom de gravidade sobre a maior empresa brasileira, ter telefonado ao presidente da Petrobras e obtido as informações que agora estão aqui colocadas?”, disse Suplicy a Jeressati. O petista leu uma nota da empresa na qual consta que o empréstimo não passou de uma situação normal.
Sobre a convocação feita pelos tucanos para que Sérgio Gabrielli compareça na próxima semana à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para dar explicações, o senador petista disse que conversou com Gabrielli que se colocou à disposição.
“Ele tinha, de ontem para hoje, compromissos e avaliou que esses esclarecimentos de maior urgência eram necessários dadas as perguntas que Vossa Excelência levantou ontem. Mas ele tem a disposição de vir ao Senado”, afirmou.
O senador aproveitou para questionar o modo de agir da oposição. Referindo-se novamente a Jeressati, lembrou que o tucano noutro dia estava “bravo e indignado” porque o presidente Lula havia recomendado aos brasileiros que pudessem adquirir automóveis e bens. O mesmo comportamento não teve quando um aliado fez a mesma convocação.
“Vossa Excelência considerou que havia ali declarações um tanto irresponsáveis. Eu fiquei lembrando que ouvi, há poucos dias, o governador José Serra (PSDB-SP) conclamar pessoas no Brasil a adquirirem automóveis. Fez isso a cerca de duas semana. Eu fiquei esperando que Vossa Excelência fosse fazer aqui um paralelo, que não ouvi até agora”, questionou Suplicy.
O senador cearense contra-atacou chamando Suplicy de ingênuo ao dar crédito aos números fornecidos pelos aliados. Sem explicar a contradição nos discursos, ironizou os governistas: “Normalmente, os ingênuos são pessoas de muito bom caráter. Não faz parte dessa ingenuidade, no entanto, a enorme fixação que Vossa Excelência e o senador Mercadante (Aloizio) têm pelo governador José Serra”, disse.
Prosseguiu: “Não há uma acusação, uma denúncia, uma colocação mais séria sobre o governo federal que a gente faça aqui que não esteja na ponta da língua o nome do nosso querido governador José Serra. Não sei se isso é uma admiração ou uma frustração de não serem o governador José Serra”, ironizou.
“Mas Vossa Excelência observou que ele, há poucos dias, conclamou os paulistas e brasileiros a adquirirem automóveis?”, interveio o petista. “Vou chegar lá. Conclamou e fez”, respondeu Jeressati sem maiores explicações.
SUPLICY RESSALTA OS NÚMEROS DA ESTATAL
O senador petista explicou que de fato a Petrobras teve, no último trimestre, uma diminuição de caixa de R$ 2,3 bilhões, mas terminou o terceiro trimestre com R$ 10 bilhões no cofre. “Então uma situação extremamente tranqüila.” Disse que os R$ 17,3 bilhões de faturamento nos primeiros noves meses deste ano demonstra uma empresa saudável.
No mesmo período, a estatal investiu US$ 20,2 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 36 bilhões. “A Petrobras, com situação econômico-financeira saudável, distribuiu, ao longo desses nove meses, R$ 6 bilhões e teve uma captação líquida de recursos de R$ 4,2 bilhões”, destacou Suplicy.
“No custo de suas atividades operacionais e financeiras, a Petrobras sempre acessa os mercados de capital e bancários nacionais e internacionais. A companhia sempre analisa todas as alternativas de financiamento, buscando sempre as opções mais adequadas ao perfil de sua dívida, seja na parte de custos, como nos prazos”, diz um trecho da nota lida pelo senador..
Disse que em viturde das condições atuais do mercado financeiro internacional e a solidez do sistema financeiro nacional, as companhias brasileiras, incluindo a Petrobras, vêm utilizando com maior freqüência o mercado doméstico para suprir suas necessidades normais de financiamento. Além disso a evolução do câmbio propicia melhores condições para captações no mercado interno diminuindo a exposição da empresa a dívidas em dólar.
TUCANO REBATE OS NÚMEROS
Com base no balanço da estatal, Jereissati disse que o passivo circulante líquido da Petrobras chegou, ao final do último mês, a R$ 92,9 bilhões. “Passivo circulante líquido, o professor conhece, pois é professor da Escola de Administração de Empresas, são aquelas dívidas de curto prazo, de curtíssimo prazo, que a Petrobras tem a pagar. Correto, professor, o conceito? R$92,9 bilhões extraídos do balanço.”
Argumentou que o ativo circulante líquido, aquilo que a Petrobras tem em caixa e tem a receber no curto prazo, soma R$ 57 bilhões. “Há, portanto, um buraco aí de curto prazo de R$36 bilhões. Isso está claro? Isso significa que existe um problema de liquidez, concorda, professor?”, provocou.
Após a explanação do tucano, Suplicy afirmou que os números serão confrontados na audiência com Gabrielli, mas assegurou que não existe problemas de caixa e nem com pagamento de fornecedores como foi alardeado.”
“Num árduo debate nesta quinta (27) no plenário do Senado, o petista Eduardo Suplicy (SP) sugeriu aos senadores da oposição que ao invés de darem um tom de gravidade para o empréstimo de R$ 2 bilhões da Caixa Econômica Federal (CEF) à Petrobras deveriam antes telefonar para o presidente da estatal do petróleo, Sérgio Gabrielli, afim de pedirem explicações. Os senadores tucanos Tasso Jeressati (CE) e Arthur Virgílio (AM) provocaram alvoroço no mercado ao avaliarem que a transação revela sérios problemas de caixa na empresa”.
“Eu até fiquei pensando: será que não seria adequado, antes de Vossa Excelência fazer o pronunciamento com o tom de gravidade sobre a maior empresa brasileira, ter telefonado ao presidente da Petrobras e obtido as informações que agora estão aqui colocadas?”, disse Suplicy a Jeressati. O petista leu uma nota da empresa na qual consta que o empréstimo não passou de uma situação normal.
Sobre a convocação feita pelos tucanos para que Sérgio Gabrielli compareça na próxima semana à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para dar explicações, o senador petista disse que conversou com Gabrielli que se colocou à disposição.
“Ele tinha, de ontem para hoje, compromissos e avaliou que esses esclarecimentos de maior urgência eram necessários dadas as perguntas que Vossa Excelência levantou ontem. Mas ele tem a disposição de vir ao Senado”, afirmou.
O senador aproveitou para questionar o modo de agir da oposição. Referindo-se novamente a Jeressati, lembrou que o tucano noutro dia estava “bravo e indignado” porque o presidente Lula havia recomendado aos brasileiros que pudessem adquirir automóveis e bens. O mesmo comportamento não teve quando um aliado fez a mesma convocação.
“Vossa Excelência considerou que havia ali declarações um tanto irresponsáveis. Eu fiquei lembrando que ouvi, há poucos dias, o governador José Serra (PSDB-SP) conclamar pessoas no Brasil a adquirirem automóveis. Fez isso a cerca de duas semana. Eu fiquei esperando que Vossa Excelência fosse fazer aqui um paralelo, que não ouvi até agora”, questionou Suplicy.
O senador cearense contra-atacou chamando Suplicy de ingênuo ao dar crédito aos números fornecidos pelos aliados. Sem explicar a contradição nos discursos, ironizou os governistas: “Normalmente, os ingênuos são pessoas de muito bom caráter. Não faz parte dessa ingenuidade, no entanto, a enorme fixação que Vossa Excelência e o senador Mercadante (Aloizio) têm pelo governador José Serra”, disse.
Prosseguiu: “Não há uma acusação, uma denúncia, uma colocação mais séria sobre o governo federal que a gente faça aqui que não esteja na ponta da língua o nome do nosso querido governador José Serra. Não sei se isso é uma admiração ou uma frustração de não serem o governador José Serra”, ironizou.
“Mas Vossa Excelência observou que ele, há poucos dias, conclamou os paulistas e brasileiros a adquirirem automóveis?”, interveio o petista. “Vou chegar lá. Conclamou e fez”, respondeu Jeressati sem maiores explicações.
SUPLICY RESSALTA OS NÚMEROS DA ESTATAL
O senador petista explicou que de fato a Petrobras teve, no último trimestre, uma diminuição de caixa de R$ 2,3 bilhões, mas terminou o terceiro trimestre com R$ 10 bilhões no cofre. “Então uma situação extremamente tranqüila.” Disse que os R$ 17,3 bilhões de faturamento nos primeiros noves meses deste ano demonstra uma empresa saudável.
No mesmo período, a estatal investiu US$ 20,2 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 36 bilhões. “A Petrobras, com situação econômico-financeira saudável, distribuiu, ao longo desses nove meses, R$ 6 bilhões e teve uma captação líquida de recursos de R$ 4,2 bilhões”, destacou Suplicy.
“No custo de suas atividades operacionais e financeiras, a Petrobras sempre acessa os mercados de capital e bancários nacionais e internacionais. A companhia sempre analisa todas as alternativas de financiamento, buscando sempre as opções mais adequadas ao perfil de sua dívida, seja na parte de custos, como nos prazos”, diz um trecho da nota lida pelo senador..
Disse que em viturde das condições atuais do mercado financeiro internacional e a solidez do sistema financeiro nacional, as companhias brasileiras, incluindo a Petrobras, vêm utilizando com maior freqüência o mercado doméstico para suprir suas necessidades normais de financiamento. Além disso a evolução do câmbio propicia melhores condições para captações no mercado interno diminuindo a exposição da empresa a dívidas em dólar.
TUCANO REBATE OS NÚMEROS
Com base no balanço da estatal, Jereissati disse que o passivo circulante líquido da Petrobras chegou, ao final do último mês, a R$ 92,9 bilhões. “Passivo circulante líquido, o professor conhece, pois é professor da Escola de Administração de Empresas, são aquelas dívidas de curto prazo, de curtíssimo prazo, que a Petrobras tem a pagar. Correto, professor, o conceito? R$92,9 bilhões extraídos do balanço.”
Argumentou que o ativo circulante líquido, aquilo que a Petrobras tem em caixa e tem a receber no curto prazo, soma R$ 57 bilhões. “Há, portanto, um buraco aí de curto prazo de R$36 bilhões. Isso está claro? Isso significa que existe um problema de liquidez, concorda, professor?”, provocou.
Após a explanação do tucano, Suplicy afirmou que os números serão confrontados na audiência com Gabrielli, mas assegurou que não existe problemas de caixa e nem com pagamento de fornecedores como foi alardeado.”
SOBRE A MÁFIA
O blog do jornalista Mino Carta ontem publicou:
“Parece-me haver equívocos nas referências de alguns navegantes à Máfia. Certo é que no Brasil não medrou, tampouco na Argentina, que também recebeu grandes levas de imigrantes italianos. Bem ao contrário do que se deu nos Estados Unidos. Por que lá sim e aqui não? Porque aqui os imigrantes encontraram ambiente favorável, que possibilitou a ascensão de muitos a despeito das resistências das elites locais. Em São Paulo, os chamados “quatrocentões”.
Nada de muito sério, creio eu, tanto que Francisco Matarazzo, o fundador da estirpe, presidiu a Fiesp por décadas. É símbolo convincente das excelentes oportunidades rapidamente aproveitadas. Matarazzo chegou a ser o cidadão mais rico do Brasil, secundado por Lunardelli, Crespi e outros do mesmo porte, além de um belo grupo de sírios e libaneses. Nos Estados Unidos a música foi outra, a hostilidade aos degos, como os italianos eram chamados, foi feroz e Sacco e Venzetti são os símbolos do preconceito ianque. A remota origem da Cosa Nostra não é criminosa, é a de uma sociedade secreta nascida para defender a minoria oprimida. A transformação leva anos e a organização se fortalece no tempo da Lei Seca. Em São Paulo, virou lenda um ladrão toscano, Amleto Gino Meneghetti, a quem foram atribuídos roubos rocambolescos dignos de um Arsene Lupin.
Francamente, não sei até onde vai a verdade factual e onde começa a fantasia.
Conheci Meneghetti há quarenta e um anos. Era um velhinho simpático de olhos de um azul celeste que inspirava confiança. Veio visitar-me na redação do Jornal da Tarde, que então eu dirigia, ao sair do xilindró de uma delegacia, onde ficara por duas noites ao ser pego ao roubar uma galinha. A criminalidade organizada no Brasil é coisa recente e nada tem a ver com máfia, de M grande ou pequeno.
Fomos, e somos ainda, um santuário para foragidos da justiça, a confirmar as histórias cinematográficas de criminosos que sonham em fugir para o Rio e às vezes conseguem. Ronald Biggs é um exemplo clássico. Outro exemplo, recentíssimo: o italiano Cesare Battisti, preso no momento em Brasília enquanto a Itália solicita a sua extradição. Ele se apresenta como ex-militante da luta armada, foragido político, portanto, mas não passa de um criminoso comum. Ineludíveis pendores mafiosos são características marcantes dos nossos donos do poder.”
“Parece-me haver equívocos nas referências de alguns navegantes à Máfia. Certo é que no Brasil não medrou, tampouco na Argentina, que também recebeu grandes levas de imigrantes italianos. Bem ao contrário do que se deu nos Estados Unidos. Por que lá sim e aqui não? Porque aqui os imigrantes encontraram ambiente favorável, que possibilitou a ascensão de muitos a despeito das resistências das elites locais. Em São Paulo, os chamados “quatrocentões”.
Nada de muito sério, creio eu, tanto que Francisco Matarazzo, o fundador da estirpe, presidiu a Fiesp por décadas. É símbolo convincente das excelentes oportunidades rapidamente aproveitadas. Matarazzo chegou a ser o cidadão mais rico do Brasil, secundado por Lunardelli, Crespi e outros do mesmo porte, além de um belo grupo de sírios e libaneses. Nos Estados Unidos a música foi outra, a hostilidade aos degos, como os italianos eram chamados, foi feroz e Sacco e Venzetti são os símbolos do preconceito ianque. A remota origem da Cosa Nostra não é criminosa, é a de uma sociedade secreta nascida para defender a minoria oprimida. A transformação leva anos e a organização se fortalece no tempo da Lei Seca. Em São Paulo, virou lenda um ladrão toscano, Amleto Gino Meneghetti, a quem foram atribuídos roubos rocambolescos dignos de um Arsene Lupin.
Francamente, não sei até onde vai a verdade factual e onde começa a fantasia.
Conheci Meneghetti há quarenta e um anos. Era um velhinho simpático de olhos de um azul celeste que inspirava confiança. Veio visitar-me na redação do Jornal da Tarde, que então eu dirigia, ao sair do xilindró de uma delegacia, onde ficara por duas noites ao ser pego ao roubar uma galinha. A criminalidade organizada no Brasil é coisa recente e nada tem a ver com máfia, de M grande ou pequeno.
Fomos, e somos ainda, um santuário para foragidos da justiça, a confirmar as histórias cinematográficas de criminosos que sonham em fugir para o Rio e às vezes conseguem. Ronald Biggs é um exemplo clássico. Outro exemplo, recentíssimo: o italiano Cesare Battisti, preso no momento em Brasília enquanto a Itália solicita a sua extradição. Ele se apresenta como ex-militante da luta armada, foragido político, portanto, mas não passa de um criminoso comum. Ineludíveis pendores mafiosos são características marcantes dos nossos donos do poder.”
BRASIL E ITÁLIA
O blog do jornalista Mino Carta publicou 5ª feira:
“Respondo a Marco Clerris. Meu caro, as comparações entre a Itália e o Brasil são, no mínimo, muito difíceis. Sim, existe um certo desequilíbrio entre Norte e Sul, como se dá no Brasil no sentido oposto. Sim, há uma boa fatia de brasileiros que se parecem com os italianos nas manifestações do seu temperamento. Mas a semelhança não vai muito além disso. Por exemplo: por incrível que pareça, o Brasil é muito mais país que a Itália, até hoje, na prática, uma colcha de retalhos.
Há diferenças profundas entre uma região e outra e até entre uma cidade e outra.
Entre uma aldeia e outra, entre um vale e outro. Diferenças lingüísticas, e alguns dialetos são verdadeiras línguas. Diferenças nos hábitos, na culinária, na música, na cultura na acepção mais ampla. Ao mesmo tempo, a península tem milhares de anos de história e a sua miscigenação foi completada há muito tempo.
Perspectivas novas, deste ponto de vista, abrem-se agora com a imigração dos chamados extra-comunitários e do leste europeu. Este processo, de todo modo, no Brasil, está em pleno andamento. A Itália é terra em grande parte pedregosa, se excluirmos o vale do Po e alguns espaços férteis. E tem montanhas nevadas em todo canto, ao norte com os Alpes e ao longo da península, como espinha dorsal, com os Apeninos. O Mediterrâneo que a banha é raramente bravio e tem marés que se medem em dezenas de centímetros. E há os monumentos, os cimélios, a documentar a longa história. Sessenta por cento das obras de arte do mundo ocidental estão na Itália. E ali as estações têm fisionomias próprias e inconfundíveis e setenta por cento do território está sujeito a riscos telúricos. Etc. etc. etc.”
“Respondo a Marco Clerris. Meu caro, as comparações entre a Itália e o Brasil são, no mínimo, muito difíceis. Sim, existe um certo desequilíbrio entre Norte e Sul, como se dá no Brasil no sentido oposto. Sim, há uma boa fatia de brasileiros que se parecem com os italianos nas manifestações do seu temperamento. Mas a semelhança não vai muito além disso. Por exemplo: por incrível que pareça, o Brasil é muito mais país que a Itália, até hoje, na prática, uma colcha de retalhos.
Há diferenças profundas entre uma região e outra e até entre uma cidade e outra.
Entre uma aldeia e outra, entre um vale e outro. Diferenças lingüísticas, e alguns dialetos são verdadeiras línguas. Diferenças nos hábitos, na culinária, na música, na cultura na acepção mais ampla. Ao mesmo tempo, a península tem milhares de anos de história e a sua miscigenação foi completada há muito tempo.
Perspectivas novas, deste ponto de vista, abrem-se agora com a imigração dos chamados extra-comunitários e do leste europeu. Este processo, de todo modo, no Brasil, está em pleno andamento. A Itália é terra em grande parte pedregosa, se excluirmos o vale do Po e alguns espaços férteis. E tem montanhas nevadas em todo canto, ao norte com os Alpes e ao longo da península, como espinha dorsal, com os Apeninos. O Mediterrâneo que a banha é raramente bravio e tem marés que se medem em dezenas de centímetros. E há os monumentos, os cimélios, a documentar a longa história. Sessenta por cento das obras de arte do mundo ocidental estão na Itália. E ali as estações têm fisionomias próprias e inconfundíveis e setenta por cento do território está sujeito a riscos telúricos. Etc. etc. etc.”
HELICÓPTEROS RUSSOS VÃO PATRULHAR AMAZÔNIA
Ontem, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou o seguinte artigo de Roberto Godoy:
“Os 12 helicópteros MI-35M, de ataque, que o Comando da aeronáutica comprou em outubro, na Rússia, serão empregados “fundamentalmente na Amazônia”, de acordo com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da aviação.
A formalização da escolha foi anunciada no Rio, durante o encontro entre os presidentes Lula e Dimitri Medvedev há três dias. O valor do contrato é estimado em não menos de US$ 250 milhões - US$ 20,3 milhões cada unidade, considerados suprimentos, peças, componentes, documentação e treinamento.
No processo de seleção, iniciado há sete meses, foi considerado também o helicóptero italiano Agusta AW-129. Segundo um integrante ao Alto Comando, pesou na decisão do colegiado de oficiais o fato de a aeronave russa, em diversas versões, ter sido provada em 22 diferentes conflitos entre 1977 e 2008.
Também foi fundamental a garantia de pronta entrega oferecida pela agência russa Rosoboronexport. O modelo selecionado é o arranjo mais avançado da série iniciada faz 36 anos, na extinta União Soviética. A aeronave é empregada por 34 países entre os quais, na América Latina, Venezuela, Peru, Cuba e Nicarágua.
O cronograma de referência para as entregas prevê a chegada dos primeiros três MI-35M até agosto de 2009 e a dos últimos três em 2011. A especificação da FAB para o equipamento exige sistemas que permitam o combate noturno, redutor de ruído e de emissão de calor em ambas as turbinas de 2.200 shp.
A tripulação - dois pilotos - ocupa cabines independentes cobertas por dois globos blindados. O compartimento traseiro pode acomodar até oito soldados equipados. Os cabides externos levam até 1.500 quilos de armas - mísseis, foguetes, bombas de até 500 kg - ou 2,5 toneladas de cargas. Toda a seção inferior é revestida com placa bimetálica resistente a tiros e impacto equivalente ao calibre .50 ou granadas.
Sob a fuselagem, na seção dianteira, uma torre abriga um canhão de alta velocidade, que pode ser o russo GsH de 23 milímetros, o Gatling americano de 20mm ou um rotativo de 30 mm.”
“Os 12 helicópteros MI-35M, de ataque, que o Comando da aeronáutica comprou em outubro, na Rússia, serão empregados “fundamentalmente na Amazônia”, de acordo com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da aviação.
A formalização da escolha foi anunciada no Rio, durante o encontro entre os presidentes Lula e Dimitri Medvedev há três dias. O valor do contrato é estimado em não menos de US$ 250 milhões - US$ 20,3 milhões cada unidade, considerados suprimentos, peças, componentes, documentação e treinamento.
No processo de seleção, iniciado há sete meses, foi considerado também o helicóptero italiano Agusta AW-129. Segundo um integrante ao Alto Comando, pesou na decisão do colegiado de oficiais o fato de a aeronave russa, em diversas versões, ter sido provada em 22 diferentes conflitos entre 1977 e 2008.
Também foi fundamental a garantia de pronta entrega oferecida pela agência russa Rosoboronexport. O modelo selecionado é o arranjo mais avançado da série iniciada faz 36 anos, na extinta União Soviética. A aeronave é empregada por 34 países entre os quais, na América Latina, Venezuela, Peru, Cuba e Nicarágua.
O cronograma de referência para as entregas prevê a chegada dos primeiros três MI-35M até agosto de 2009 e a dos últimos três em 2011. A especificação da FAB para o equipamento exige sistemas que permitam o combate noturno, redutor de ruído e de emissão de calor em ambas as turbinas de 2.200 shp.
A tripulação - dois pilotos - ocupa cabines independentes cobertas por dois globos blindados. O compartimento traseiro pode acomodar até oito soldados equipados. Os cabides externos levam até 1.500 quilos de armas - mísseis, foguetes, bombas de até 500 kg - ou 2,5 toneladas de cargas. Toda a seção inferior é revestida com placa bimetálica resistente a tiros e impacto equivalente ao calibre .50 ou granadas.
Sob a fuselagem, na seção dianteira, uma torre abriga um canhão de alta velocidade, que pode ser o russo GsH de 23 milímetros, o Gatling americano de 20mm ou um rotativo de 30 mm.”
EXERCÍCIO PARA ESCREVER COMO SANTAYANNA
Ontem, li no blog “Óleo do Diabo” o seguinte artigo escrito por Miguel do Rosário, jornalista, escritor e editor:
Tenho procurado ser elegante. Realizar uma crônica política culta, irônica, e, valendo-me de minha privilegiada posição de blogueiro independente, tornar-me um sereno e temido crítico da imprensa corporativa. Meu ídolo é Mauro Santayanna. Há momentos, porém, em que o sangue ferve e meu natural nervosismo tropical torna difícil manter a fleuma britânica que tenho me imposto. Hoje está sendo assim. A divulgação dos números de emprego e dívida pública para outubro comprovam que a mídia, mais uma vez, jogou contra o país. A taxa de emprego aumentou em todos os setores, em plena crise! A divida pública caiu fortemente, em função da valorização do dólar. O Brasil está crescendo na crise!
Minha irritação aumenta quando eu percebo que os poucos empresários que vem reduzindo investimentos e demitindo, o fazem não por observarem queda em demanda, mas por estarem "menos confiantes". Ou seja, a mídia tem conseguido envenenar a atmosfera nas altas rodas industriais. E ainda quero evitar um outro pensamento, incômodo, insuportável, de que as elites poderiam se mancomunar para forçar uma recessão econômica no país, com vistas à facilitar a ascenção política da oposição.
Ontem, Miriam Leitão e Merval Pereira entrevistaram a mesma fonte: Armínio Fraga, títere tucano, gerente de campanha do Gabeira, ex-presidente do BC numa época em que os juros chegaram a quase 50% ao ano e o Brasil se vergava a crises ocorridas em qualquer ilha do Pacífico. Fraga, assim como outros de sua laia (olha a fleuma indo pro espaço...), não procuram tranquilizar a opinião pública, não procuram apontar caminhos pelos quais o Brasil, assentado em poderosos e quase inesgotáveis recursos naturais, poderá atravessar a crise financeira mundial sentindo apenas a sua "marolinha" batendo-lhe suavemente no rosto. Não, ele quer apavorar. A crise financeira foi agarrada pelo chifre, assim como foi a febre amarela, o cartão corporativo, o dossiê, o escambal, para ser manipulada politicamente.
É um jogo perigoso, todavia. Os donos da mídia, isolados em seus coquetéis, em suas mansões, em suas viagens internacionais, não percebem a mudança profunda já ocorrida na opinião pública brasileira. A internet enfiou uma faca no tórax do porco, e o bicho grita grita e grita. As pesquisas de opinião revelam o desprestígio crescente da imprensa. Ainda existe muita gente, na classe média, pendurada nas opiniões pré-fabricadas da mídia. Mas essas pessoas se vêem cada vez mais perplexas e confusas diante da realidade. A América Latina foi inteiramente colorida de vermelho, restando apenas um país, Colômbia, governado pela direita. E seu presidente Uribe, é acusado pela justiça federal de seu próprio país, de aliar-se ao narcotráfico e ao paramilitarismo.
E agora, causando uma reviravolta geopolítica no continente, um negro de esquerda assume o poder nos Estados Unidos. Um negro que prometeu dialogar com Chávez e romper o bloqueio à Cuba. Um negro que já revelou sua afinidade com o Brasil. Os segmentos mais americanizados da classe média brasileira assistem, confusos, os EUA se abrasileirarem! Os frutos da vitória de Obama ainda reverberarão por muito tempo, até porque encontram agora terreno propício, em nossa América morena e democrática, para germinarem, crescerem e se multiplicarem.
Naturalmente, a política tem seus mistérios, assim como a história, mas é evidente que as chances de José Serra se reduziram com a vitória de Obama. Serra representa a ala mais conservadora do PSDB, mais ligada ao DEM, a segmentos da opinião pública extremamanente reacionários. Serra esteve presente ao lançamento do livro "País dos Petralhas", de Reinaldo Azevedo, ícone maior da extrema-direita nacional, que havia tratado Obama com escárnio e racismo. Azevedo estava entre os que desacreditavam totalmente da possiblidade de vitória de Obama. Como é possível? Os EUA, um país de direita? De brancos? Votar num negro? Um senador democrata com o maior histórico de votações à esquerda do Congresso? Pois é. Obama ganhou e agora a base ideológica que sustenta os sonhos de Serra à presidência recebeu um duro golpe.
Sem contar que a administração Serra tem sido desastrosa. Ele consegue a proeza de, em meio a um crescimento econômico sem igual na história recente brasileira, realizar uma gestão retrógrada e incompetente, em que seus secretários de Estado, em vez de governarem, ficam batendo boca com seus próprios médicos e policiais, em praça pública.
Os professores de SP ganham mal. Os policiais ganham mal. Os médicos ganham mal. Está certo que, a nível federal, ainda existem médicos que ganham mal, mas o governo, ao menos, tem consciência disso e não vai para o jornal procurar humilhar seus próprios funcionários, como fez um secretário de Serra, que debochou do médico Davi de Lacerda, afirmando, em carta enviada ao jornal Folha de SP, que ele havia dito "gabolices sobre sua formação no exterior, do tipo ´venci nos EUA´". Ora, que mesquinhez! Em primeiro lugar, isso é abuso de poder! Um secretário de Estado não pode usar o seu cargo e seu poder para tentar humilhar um médico profissional. Poderia ter respondido ao artigo de maneira protocolar, educada, mas não usando esse tom jocoso, desrespeitoso.
Enfim, chega. Já perdi as estribeiras. Termino com meu lema. Delenda Serra.”
Tenho procurado ser elegante. Realizar uma crônica política culta, irônica, e, valendo-me de minha privilegiada posição de blogueiro independente, tornar-me um sereno e temido crítico da imprensa corporativa. Meu ídolo é Mauro Santayanna. Há momentos, porém, em que o sangue ferve e meu natural nervosismo tropical torna difícil manter a fleuma britânica que tenho me imposto. Hoje está sendo assim. A divulgação dos números de emprego e dívida pública para outubro comprovam que a mídia, mais uma vez, jogou contra o país. A taxa de emprego aumentou em todos os setores, em plena crise! A divida pública caiu fortemente, em função da valorização do dólar. O Brasil está crescendo na crise!
Minha irritação aumenta quando eu percebo que os poucos empresários que vem reduzindo investimentos e demitindo, o fazem não por observarem queda em demanda, mas por estarem "menos confiantes". Ou seja, a mídia tem conseguido envenenar a atmosfera nas altas rodas industriais. E ainda quero evitar um outro pensamento, incômodo, insuportável, de que as elites poderiam se mancomunar para forçar uma recessão econômica no país, com vistas à facilitar a ascenção política da oposição.
Ontem, Miriam Leitão e Merval Pereira entrevistaram a mesma fonte: Armínio Fraga, títere tucano, gerente de campanha do Gabeira, ex-presidente do BC numa época em que os juros chegaram a quase 50% ao ano e o Brasil se vergava a crises ocorridas em qualquer ilha do Pacífico. Fraga, assim como outros de sua laia (olha a fleuma indo pro espaço...), não procuram tranquilizar a opinião pública, não procuram apontar caminhos pelos quais o Brasil, assentado em poderosos e quase inesgotáveis recursos naturais, poderá atravessar a crise financeira mundial sentindo apenas a sua "marolinha" batendo-lhe suavemente no rosto. Não, ele quer apavorar. A crise financeira foi agarrada pelo chifre, assim como foi a febre amarela, o cartão corporativo, o dossiê, o escambal, para ser manipulada politicamente.
É um jogo perigoso, todavia. Os donos da mídia, isolados em seus coquetéis, em suas mansões, em suas viagens internacionais, não percebem a mudança profunda já ocorrida na opinião pública brasileira. A internet enfiou uma faca no tórax do porco, e o bicho grita grita e grita. As pesquisas de opinião revelam o desprestígio crescente da imprensa. Ainda existe muita gente, na classe média, pendurada nas opiniões pré-fabricadas da mídia. Mas essas pessoas se vêem cada vez mais perplexas e confusas diante da realidade. A América Latina foi inteiramente colorida de vermelho, restando apenas um país, Colômbia, governado pela direita. E seu presidente Uribe, é acusado pela justiça federal de seu próprio país, de aliar-se ao narcotráfico e ao paramilitarismo.
E agora, causando uma reviravolta geopolítica no continente, um negro de esquerda assume o poder nos Estados Unidos. Um negro que prometeu dialogar com Chávez e romper o bloqueio à Cuba. Um negro que já revelou sua afinidade com o Brasil. Os segmentos mais americanizados da classe média brasileira assistem, confusos, os EUA se abrasileirarem! Os frutos da vitória de Obama ainda reverberarão por muito tempo, até porque encontram agora terreno propício, em nossa América morena e democrática, para germinarem, crescerem e se multiplicarem.
Naturalmente, a política tem seus mistérios, assim como a história, mas é evidente que as chances de José Serra se reduziram com a vitória de Obama. Serra representa a ala mais conservadora do PSDB, mais ligada ao DEM, a segmentos da opinião pública extremamanente reacionários. Serra esteve presente ao lançamento do livro "País dos Petralhas", de Reinaldo Azevedo, ícone maior da extrema-direita nacional, que havia tratado Obama com escárnio e racismo. Azevedo estava entre os que desacreditavam totalmente da possiblidade de vitória de Obama. Como é possível? Os EUA, um país de direita? De brancos? Votar num negro? Um senador democrata com o maior histórico de votações à esquerda do Congresso? Pois é. Obama ganhou e agora a base ideológica que sustenta os sonhos de Serra à presidência recebeu um duro golpe.
Sem contar que a administração Serra tem sido desastrosa. Ele consegue a proeza de, em meio a um crescimento econômico sem igual na história recente brasileira, realizar uma gestão retrógrada e incompetente, em que seus secretários de Estado, em vez de governarem, ficam batendo boca com seus próprios médicos e policiais, em praça pública.
Os professores de SP ganham mal. Os policiais ganham mal. Os médicos ganham mal. Está certo que, a nível federal, ainda existem médicos que ganham mal, mas o governo, ao menos, tem consciência disso e não vai para o jornal procurar humilhar seus próprios funcionários, como fez um secretário de Serra, que debochou do médico Davi de Lacerda, afirmando, em carta enviada ao jornal Folha de SP, que ele havia dito "gabolices sobre sua formação no exterior, do tipo ´venci nos EUA´". Ora, que mesquinhez! Em primeiro lugar, isso é abuso de poder! Um secretário de Estado não pode usar o seu cargo e seu poder para tentar humilhar um médico profissional. Poderia ter respondido ao artigo de maneira protocolar, educada, mas não usando esse tom jocoso, desrespeitoso.
Enfim, chega. Já perdi as estribeiras. Termino com meu lema. Delenda Serra.”
AMÉRICA LATINA ESTÁ DEIXANDO DE SER O QUINTAL DOS ESTADOS UNIDOS
O site Carta Maior postou ontem o seguinte texto de Noam Chomsky, traduzido por Katarina Peixoto, publicado pela “Agencia de Prensa Alternativa Humanista Sur”. Este blog, em postagem de 25/06, já fez pequeno resumo da biografia do autor do artigo, Avram Noam Chomsky. Acrescento que ele é o mais citado e, provavelmente, o mais controverso intelectual vivo, segundo Global Intellectuals Poll:
“Uma das principais mudanças na ordem mundial está sendo vivida agora na América Latina, diz Noam Chomsky, em entrevista. Para ele, a região está começando a superar seus problemas internos e sua subordinação ao Ocidente, principalmente em relação aos EUA. Chomsky acredita que a crise atual traz oportunidades de mudanças reais na ordem mundial. "Até onde essa mudança pode chegar, isso depende daquilo que estamos dispostos a empreender".
A Agencia de Prensa Alternativa Humanista “Sur” (APAHs) entrevistou Noam Chomsky sobre o desenrolar da crise econômica atual.
Reproduzimos, aqui, a entrevista, onde Chomsky defende a necessidade de desmontar algumas mitologias relacionadas à crise, destaca o novo papel que a América Latina vem desempenhando no mundo e aponta a abertura de uma janela de oportunidades para mudanças na atual ordem político-econômica global.
COMO EXPLICAR QUE, APESAR DE MUITA GENTE TER VISTO A CRISE SE APROXIMANDO, AQUELES QUE ESTAVAM NA LIDERANÇA DOS GOVERNOS E DAS ECONOMIAS NÃO SE MOSTRARAM PREPARADOS PARA ENFRENTÁ-LA?
NOAM CHOMSKY: As bases para a crise eram previsíveis. Um fator constitutivo da liberalização financeira é que haverá crises freqüentes e profundas.
De fato, desde que a liberalização financeira foi instituída há cerca de 35 anos, estabeleceu-se uma tendência a incrementar a regularidades crises, e crises cada vez mais profundas. As razões são intrínsecas e entendidas: tem a ver fundamentalmente com as bem conhecidas ineficiências dos mercados. Assim, por exemplo, se você e eu fazemos uma transação, digamos que me vende um automóvel, podemos fazer um bom negócio para nós mesmos, mas não consideramos o efeito sobre os outros.
Se eu compro um automóvel, aumenta o uso da gasolina, aumenta a contaminação, o congestionamento, etc. Mas não levamos em conta esses efeitos. Isto é o que os economistas chamam de externalidades, que não são consideradas nos cálculos do mercado.
Estas externalidades podem ser enormes. No caso das instituições financeiras, são particularmente grandes. A tarefa de uma instituição financeira é assumir riscos. Se é uma instituição financeira bem administrada, digamos, a Goldman Sachs, ela considerará os riscos para si própria, mas a expressão crucial aqui é “para si própria”. Não leva em conta os riscos sistêmicos, os riscos para o conjunto do sistema se a Goldman Sachs tiver uma perda substancial. Isso significa que esses riscos são subestimados. Assume-se mais riscos do que se deveria tomar em um sistema eficiente que leva em conta todas as implicações.
Assim, esta fixação errônea de preços se integra simplesmente como parte do sistema do mercado e da liberalização das finanças.
Como conseqüência dessa subestimação de riscos, estes passam a ser mais freqüentes e quando há fracassos, os custos são mais altos que o esperado. As crises passam a ser mais freqüentes e mais graves à medida que o alcance e o volume das transações financeiras aumentam.
Tudo isso se amplifica ainda mais pelo fanatismo dos fundamentalistas do mercado que desmontaram o aparato regulador e permitiram a criação de instrumentos financeiros exóticos e opacos.
É um tipo de fundamentalismo irracional porque fica claro que o enfraquecimento de mecanismos regulatórios em um sistema de mercado incorpora um risco de crise desastrosa. Trata-se de atos sem sentido, salvo para o interesse no curto prazo dos senhores da economia e da sociedade. As corporações financeiras podem, e conseguiram, colher enormes lucros no curto prazo ao empreender ações extremamente aventuradas, incluindo especialmente a desregulação, que trazem dano à economia em geral, mas não para elas, ao menos no curto prazo que é o que orienta o seu planejamento.
Não se podia prever o momento exato de uma crise severa, nem se podia prever o alcance exato da crise, mas era óbvio que ela viria. De fato, ocorreram crises sérias e repetidas durante este período de desregulação crescente. Só que até agora não tinham golpeado tão duramente o centro da riqueza e do poder, mas sim, sobretudo, os países do chamado terceiro mundo. Vejamos o caso dos Estados Unidos.
É um país rico, mas para uma maioria substancial da população, os últimos trinta anos provavelmente figuram entre os piores da história econômica norte-americana.
Neste período, não ocorreram crises massivas, grandes guerras, depressões, etc. No entanto, os salários reais permaneceram praticamente estancados para a maioria durante trinta anos.
Para a economia internacional, o efeito da liberalização financeira foi bastante daninho.
Líamos na imprensa que os últimos trinta anos, os do neoliberalismo, mostraram o maior decréscimo da pobreza na história do mundo, um enorme crescimento, etc. Há algo de verdade nisso, mas o que falta dizer é que a diminuição da pobreza e o crescimento ocorreram em países que não seguiram as regras neoliberais, como ocorreu no leste asiático. E os países que observaram tais regras sofreram gravemente, como ocorreu na América Latina.
JOSEPH STIGLITZ ESCREVEU RECENTEMENTE QUE ESTA ÚLTIMA CRISE MARCA O FIM DO NEOLIBERALISMO. CHÁVEZ, DURANTE UMA COLETIVA DE IMPRENSA, DISSE QUE A CRISE PODERIA SER O FINAL DO CAPITALISMO. QUAL DOS DOIS ESTÁ MAIS PRÓXIMO DA VERDADE?
CHOMSKY: Em primeiro lugar, devemos ter claro que o capitalismo não pode terminar porque nunca começou. O sistema no qual vivemos deve ser chamado de capitalismo de Estado, não simplesmente capitalismo.
No caso dos Estados Unidos, a economia se apóia muito fortemente no setor estatal.
No momento, há muita angústia sobre a socialização da economia, mas isso é uma grande brincadeira. A economia avançada de alta tecnologia e similares sempre dependeu amplamente do setor dinâmico da economia estatal. É o caso da informática, da internet, da aviação, da biotecnologia, quase tudo o que está à vista.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT), de onde estou falando, é uma espécie de funil no qual o setor público despeja o dinheiro e de onde sai a tecnologia do futuro, que será entregue ao poder privado para que saquem os lucros. Então, temos um sistema de socialização dos custos e riscos e privatização dos lucros. Isso não ocorre somente no sistema financeiro, mas em toda economia avançada.
De modo que, para o sistema financeiro, provavelmente o resultado será mais ou menos o descrito por Stiglitz. É o final de uma certa era da liberalização financeira conduzida pelo fundamentalismo de mercado. O jornal Wall Street Journal lamenta que Wall Street, tal como a conhecemos, tenha desaparecido com a derrocada da banca de investimentos.
Alguns passos serão dados na direção da regulação. Isso é certo. No entanto, as propostas que estão sendo formuladas, por mais extensas e severas que sejam, não mudam a estrutura das instituições básicas subjacentes. Não há nenhuma ameaça ao capitalismo de Estado.
Suas instituições fundamentais seguirão sendo as mesmas, talvez, inclusive, sem grandes sacudidas. Elas podem ser reacomodadas de várias maneiras. Alguns conglomerados podem absorver outros, alguns podem ser semi-nacionalizados tibiamente, sem que isso afete fortemente o monopólio privado da tomada de decisões.
No entanto, do jeito que vão as coisas, as relações de propriedade e a distribuição de poder e riqueza não mudarão significativamente, embora a era do neoliberalismo, vigente há uns trinta e cinco anos, seguramente será modificada de maneira significativa. Diga-se de passagem, ninguém sabe o quão grave essa crise poderá se tornar.
Cada dia traz novas surpresas. Alguns economistas estão prevendo uma verdadeira catástrofe. Outros pensam que ela pode ser consertada, com um transtorno modesto e uma recessão, que provavelmente será pior na Europa do que nos Estados Unidos. Mas ninguém sabe ao certo.
NA SUA AVALIAÇÃO, VEREMOS ALGO PARECIDO COM A DEPRESSÃO, COM PESSOAS SEM TRABALHO FAZENDO GRANDES FILAS PARA CONSEGUIR ALIMENTOS, NOS ESTADOS UNIDOS E NA EUROPA? E, SE ISSO OCORRER, VEREMOS UMA GRANDE GUERRA PARA REPOR AS ECONOMIAS EM PÉ, UMA TERAPIA DE CHOQUE OU ALGO TIPO?
CHOMSKY: Não acredito que a situação seja comparável com o período da grande depressão, ainda que haja algumas semelhanças com essa época. Os anos 20 também foram um período de especulação selvagem e de uma enorme expansão de crédito e empréstimos, com a criação de uma enorme concentração de riqueza em um setor muito pequeno da população e a destruição do movimento sindical. Deste ponto de vista, há semelhanças com o período atual. Mas também há muitas diferenças.
Existe um aparato muito mais estável de controle e regulação, resultante do New Deal, e ainda que tenha se enfraquecido, boa parte dele permanece intacto.
Além disso, há a compreensão de que os tipos de políticas, vistas como extremamente radicais no período do New Deal, hoje são mais ou menos normais. Assim, por exemplo, no recente debate presidencial dos EUA, John McCain, o candidato da direita, propôs medidas tomadas do New Deal para enfrentar a crise da habitação. Então, há a compreensão de que o governo deve assumir um papel importante na gestão da economia e, de fato, os setores avançados da economia já vivem essa experiência há cerca de 50 anos.
Muito do que se lê sobre isso é pura mitologia. Por exemplo, lemos que a crença apaixonada de Reagan no milagre dos mercados agora está sendo atacada. Atribuiu-se ao ex-presidente o papel de Grande Sacerdote da fé nos mercados. De fato, Reagan foi o presidente mais protecionista da história econômica estadunidense do pós-guerra.
Ele aumentou as barreiras protecionistas mais que todos os seus precursores juntos.
Convocou o Pentágono a desenvolver projetos para treinar administradores norte-americanos nos métodos avançados de produção japoneses. Ele também operou um dos maiores salvamentos bancários da história norte-americana e conformou um conglomerado baseado no Estado para tratar de revitalizar a indústria de semi-condutores. De fato, ele acreditava em um governo poderoso, de intervenção radical na economia. Quando digo “Reagan” refiro-me a sua administração. O que ele acreditava sobre tudo isso, se é que acreditou em algo, realmente não sabemos e isso não é muito importante.
Há muita mitologia que precisamos desmontar, incluindo aí o que diz a respeito do grande crescimento e da redução da pobreza. Nos próprios Estados Unidos, quando se aplicaram as regras neoliberais, os resultados foram bastante daninhos para a maioria da população.
Olhando para além da mitologia, podemos perceber que uma economia capitalista de Estado que, particularmente desde a Segunda Guerra Mundial, dependeu muito fortemente do setor estatal, agora está voltando a depender do Estado para o manejo do sistema financeiro que está desmoronando. Por enquanto, não há sinais de que se produzirá algo parecido com o que ocorreu em 1929.
ENTÃO, VOCÊ NÃO CONSIDERA QUE ESTAMOS NOS ENCAMINHANDO PARA UMA MUDANÇA NA ORDEM MUNDIAL?
CHOMSKY: Bom, há mudanças muito significativas na ordem mundial e esta crise talvez contribua para isso. Mas elas estão aí há algum tempo. Uma das principais mudanças na ordem mundial está sendo vivida agora na América Latina.
Costuma-se dizer que a América Latina é o quintal dos EUA e que, há muito tempo, é uma região controlada pelos EUA. Mas isso está mudando. Em meados de setembro tivemos uma ilustração dramática disso.
No dia 15 de setembro, ocorreu uma reunião da Unasul, a União das Nações Sul-americanas, da qual participaram todos os governos sul-americanos, incluindo a Colômbia, atual favorito dos EUA na região. A reunião foi realizada em Santiago, Chile, outro favorito dos EUA. Dela, saiu uma declaração muito contundente de apoio a Evo Morales, da Bolívia, e de rechaço aos setores quase-secessionistas deste país, que contam com o apoio dos Estados Unidos.
Há uma luta muito significativa na Bolívia. As elites estão se mobilizando pela autonomia e mesmo pela secessão, gerando fortes níveis de violência com a evidente concordância dos EUA. Mas as repúblicas sul-americanas assumiram uma postura firme, em apoio ao governo democrático. A declaração foi lida pela presidente Bachelet, do Chile, uma favorita do Ocidente. Evo Morales respondeu agradecendo aos presidentes pelo apoio e assinalou, corretamente, que esta era a primeira vez em 500 anos que a América Latina havia tomado seu destino em suas próprias mãos, sem a interferência da Europa nem, sobretudo, dos EUA. Esse é um símbolo de mudança muito significativo que está em curso, às vezes chamado de “maré rosada”. Foi tão importante que não foi reportado pela imprensa dos EUA. Há uma frase aqui, outra ali, que registra que algo aconteceu, mas suprimiram totalmente o conteúdo e a importância do que ocorreu.
Isso é parte de um processo de longo prazo, no qual a América do Sul está começando a superar seus enormes problemas internos e também sua subordinação ao Ocidente, principalmente em relação aos Estados Unidos. A América do Sul também está diversificando suas relações com o mundo. O Brasil tem relações cada vez maiores com a África do Sul, a Índia e, particularmente, a China, país cada vez mais envolvido com investimentos e intercâmbios com países latino-americanos. São processos extremamente importantes, que agora estão começando a chegar também na América Central. Honduras, por exemplo, era a clássica república bananeira. Serviu de base para as guerras do terror perpetradas por Reagan na região e subordinou-se totalmente aos EUA.
Mas Honduras somou-se recentemente a ALBA, a Alternativa Bolivariana para os Povos da América, proposta pela Venezuela. É um pequeno passo, mas não deixa de ser muito significativos.
VOCÊ ACHA QUE ESTAS TENDÊNCIAS NA AMÉRICA DO SUL, COMO ALBA, UNASUL E OS GRANDES ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA, BOLÍVIA E OUTROS PAÍSES, PODEM SER AFETADOS POR UMA CRISE ECONÔMICA DA DIMENSÃO DESTA QUE ESTAMOS ENFRENTANDO AGORA?
CHOMSKY: Bem, esses países serão afetados pela crise mas, no momento, não tanto como estão sendo a Europa e os Estados Unidos.
Se olhamos o caso da Bolsa no Brasil, ela caiu muito rapidamente, mas os bancos brasileiros não estão quebrando. Do mesmo modo, na Ásia, as bolsas estão declinando agudamente, mas os governos não estão assumindo o controle dos bancos, como ocorre na Inglaterra, Estados Unidos e boa parte da Europa. Essas regiões, América do Sul e Ásia, de alguma maneira conseguiram se separar das calamidades dos mercados financeiros. O que desatou a crise atual foram os empréstimos subprime para ativos construídos sobre areia, e estes, claro, estão em mãos de estadunidenses e de bancos europeus. O fato de possuir ativos tóxicos baseados em hipotecas envolveu-se muito rapidamente nestes acontecimentos.
Além disso, os europeus têm suas próprias crises da habitação, particularmente a Inglaterra e a Espanha.
A Ásia e a América Latina ficaram muito menos expostas por terem mantido estratégias de crédito mais cautelosas, particularmente a partir do descalabro neoliberal de 1997-1998.
Um grande banco japonês, Mitsubishi UFG, acaba de comprar uma parte substancial do Morgan Stanley, nos EUA. Então, não parece, até agora, que a Ásia e a América Latina serão afetadas tão gravemente como Estados Unidos e Europa.
VOCÊ ACREDITA QUE HÁ UMA GRANDE DIFERENÇA ENTRE OBAMA E MCCAIN NO QUE DIZ RESPEITO A TEMAS COMO O TRATADO DE LIVRE COMÉRCIO E O PLANO COLÔMBIA? NA COLÔMBIA, PODE-SE SENTIR QUE O PRESIDENTE E SEUS APOIADORES ESTÃO ASSUSTADOS FRENTE À ELEIÇÃO DE OBAMA. SEI QUE VOCÊ TEM A SENSAÇÃO QUE OBAMA É COMO UMA FOLHA EM BRANCO, MAS PENSA QUE ELA FARÁ ALGUMA DIFERENÇA?
CHOMSKY: Com efeito, Obama tem se apresentado mais ou menos como uma folha em branco. Mas não há motivo para que o governo colombiano se assuste com sua eleição. O Plano Colômbia é uma política de Clinton e há muitas razões para supor que Obama será outro Clinton.
Ele é bastante impreciso, a propósito. Mesmo quando explicita políticas, elas se parecem muito a políticas centristas, como Clinton, que modelou o Plano Colômbia e militarizou o conflito.
TENHO, ÀS VEZES, A SENSAÇÃO DE QUE OS PERÍODOS DE BUSH SE DERAM EM UM CONTEXTO DE MUDANÇA DA ORDEM MUNDIAL, TRATANDO DE MANTER O PODER COM O USO DA FORÇA, E QUE, EM TROCA, OBAMA PODE REPRESENTAR A CARA BOA PARA RENEGOCIAR A ORDEM MUNDIAL. QUAL SUA OPINIÃO SOBRE ISSO?
CHOMSKY: É importante lembrar que o espectro político nos EUA é bastante estreito. É uma sociedade controlada pelas empresas, basicamente, é um Estado de partido único, com duas facções, democratas e republicanos. As facções têm algumas diferenças e estas, às vezes, são significativas. Mas o espectro é bastante estreito. A administração Bush, porém, se situava bastante além do final do espectro, com nacionalistas radicais extremos, crentes extremos no poder do Estado, na violência no exterior e em um alto gasto governamental.
De fato, estavam tão fora do espectro que foram criticados duramente inclusive por parte do poder, desde os primeiros tempos.
Seja quem for que assuma o mandato, é provável que desloque o tabuleiro político para o centro do espectro. Obama talvez faça isso em maior medida. Diria que, no caso de Obama, haverá algo como um renascimento dos anos Clinton, adaptado certamente às novas circunstâncias.
AGORA QUE ESTAMOS CHEGANDO AO FIM DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL, EXISTE A POSSIBILIDADE DE ALGO REALMENTE NOVO, UMA GLOBALIZAÇÃO BOA?
CHOMSKY: Penso que as perspectivas hoje estão muito melhores do que estavam antes. O poder está extraordinariamente concentrado, mas há mudanças a medida que a economia internacional torna-se mais diversificada e complexa. O Sul está se tornando mais independente.
Mas, se olhamos para os EUA, mesmo com todo o dano causado por Bush, segue sendo a maior economia homogênea, com o maior mercado interno, a força militar mais forte e tecnologicamente mais avançada, com gastos anuais comparáveis aos do resto do mundo combinados e com um arquipélago de bases militares espalhadas pelo mundo. Estas são fontes de continuidade, mesmo que a ordem neoliberal esteja sofrendo uma erosão dentro dos EUA, na Europa e internacionalmente, com um crescimento da oposição a ela. Então, há oportunidades para uma mudança real. Até onde essa mudança pode chegar, isso depende da gente e daquilo que estamos dispostos a empreender”.
“Uma das principais mudanças na ordem mundial está sendo vivida agora na América Latina, diz Noam Chomsky, em entrevista. Para ele, a região está começando a superar seus problemas internos e sua subordinação ao Ocidente, principalmente em relação aos EUA. Chomsky acredita que a crise atual traz oportunidades de mudanças reais na ordem mundial. "Até onde essa mudança pode chegar, isso depende daquilo que estamos dispostos a empreender".
A Agencia de Prensa Alternativa Humanista “Sur” (APAHs) entrevistou Noam Chomsky sobre o desenrolar da crise econômica atual.
Reproduzimos, aqui, a entrevista, onde Chomsky defende a necessidade de desmontar algumas mitologias relacionadas à crise, destaca o novo papel que a América Latina vem desempenhando no mundo e aponta a abertura de uma janela de oportunidades para mudanças na atual ordem político-econômica global.
COMO EXPLICAR QUE, APESAR DE MUITA GENTE TER VISTO A CRISE SE APROXIMANDO, AQUELES QUE ESTAVAM NA LIDERANÇA DOS GOVERNOS E DAS ECONOMIAS NÃO SE MOSTRARAM PREPARADOS PARA ENFRENTÁ-LA?
NOAM CHOMSKY: As bases para a crise eram previsíveis. Um fator constitutivo da liberalização financeira é que haverá crises freqüentes e profundas.
De fato, desde que a liberalização financeira foi instituída há cerca de 35 anos, estabeleceu-se uma tendência a incrementar a regularidades crises, e crises cada vez mais profundas. As razões são intrínsecas e entendidas: tem a ver fundamentalmente com as bem conhecidas ineficiências dos mercados. Assim, por exemplo, se você e eu fazemos uma transação, digamos que me vende um automóvel, podemos fazer um bom negócio para nós mesmos, mas não consideramos o efeito sobre os outros.
Se eu compro um automóvel, aumenta o uso da gasolina, aumenta a contaminação, o congestionamento, etc. Mas não levamos em conta esses efeitos. Isto é o que os economistas chamam de externalidades, que não são consideradas nos cálculos do mercado.
Estas externalidades podem ser enormes. No caso das instituições financeiras, são particularmente grandes. A tarefa de uma instituição financeira é assumir riscos. Se é uma instituição financeira bem administrada, digamos, a Goldman Sachs, ela considerará os riscos para si própria, mas a expressão crucial aqui é “para si própria”. Não leva em conta os riscos sistêmicos, os riscos para o conjunto do sistema se a Goldman Sachs tiver uma perda substancial. Isso significa que esses riscos são subestimados. Assume-se mais riscos do que se deveria tomar em um sistema eficiente que leva em conta todas as implicações.
Assim, esta fixação errônea de preços se integra simplesmente como parte do sistema do mercado e da liberalização das finanças.
Como conseqüência dessa subestimação de riscos, estes passam a ser mais freqüentes e quando há fracassos, os custos são mais altos que o esperado. As crises passam a ser mais freqüentes e mais graves à medida que o alcance e o volume das transações financeiras aumentam.
Tudo isso se amplifica ainda mais pelo fanatismo dos fundamentalistas do mercado que desmontaram o aparato regulador e permitiram a criação de instrumentos financeiros exóticos e opacos.
É um tipo de fundamentalismo irracional porque fica claro que o enfraquecimento de mecanismos regulatórios em um sistema de mercado incorpora um risco de crise desastrosa. Trata-se de atos sem sentido, salvo para o interesse no curto prazo dos senhores da economia e da sociedade. As corporações financeiras podem, e conseguiram, colher enormes lucros no curto prazo ao empreender ações extremamente aventuradas, incluindo especialmente a desregulação, que trazem dano à economia em geral, mas não para elas, ao menos no curto prazo que é o que orienta o seu planejamento.
Não se podia prever o momento exato de uma crise severa, nem se podia prever o alcance exato da crise, mas era óbvio que ela viria. De fato, ocorreram crises sérias e repetidas durante este período de desregulação crescente. Só que até agora não tinham golpeado tão duramente o centro da riqueza e do poder, mas sim, sobretudo, os países do chamado terceiro mundo. Vejamos o caso dos Estados Unidos.
É um país rico, mas para uma maioria substancial da população, os últimos trinta anos provavelmente figuram entre os piores da história econômica norte-americana.
Neste período, não ocorreram crises massivas, grandes guerras, depressões, etc. No entanto, os salários reais permaneceram praticamente estancados para a maioria durante trinta anos.
Para a economia internacional, o efeito da liberalização financeira foi bastante daninho.
Líamos na imprensa que os últimos trinta anos, os do neoliberalismo, mostraram o maior decréscimo da pobreza na história do mundo, um enorme crescimento, etc. Há algo de verdade nisso, mas o que falta dizer é que a diminuição da pobreza e o crescimento ocorreram em países que não seguiram as regras neoliberais, como ocorreu no leste asiático. E os países que observaram tais regras sofreram gravemente, como ocorreu na América Latina.
JOSEPH STIGLITZ ESCREVEU RECENTEMENTE QUE ESTA ÚLTIMA CRISE MARCA O FIM DO NEOLIBERALISMO. CHÁVEZ, DURANTE UMA COLETIVA DE IMPRENSA, DISSE QUE A CRISE PODERIA SER O FINAL DO CAPITALISMO. QUAL DOS DOIS ESTÁ MAIS PRÓXIMO DA VERDADE?
CHOMSKY: Em primeiro lugar, devemos ter claro que o capitalismo não pode terminar porque nunca começou. O sistema no qual vivemos deve ser chamado de capitalismo de Estado, não simplesmente capitalismo.
No caso dos Estados Unidos, a economia se apóia muito fortemente no setor estatal.
No momento, há muita angústia sobre a socialização da economia, mas isso é uma grande brincadeira. A economia avançada de alta tecnologia e similares sempre dependeu amplamente do setor dinâmico da economia estatal. É o caso da informática, da internet, da aviação, da biotecnologia, quase tudo o que está à vista.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT), de onde estou falando, é uma espécie de funil no qual o setor público despeja o dinheiro e de onde sai a tecnologia do futuro, que será entregue ao poder privado para que saquem os lucros. Então, temos um sistema de socialização dos custos e riscos e privatização dos lucros. Isso não ocorre somente no sistema financeiro, mas em toda economia avançada.
De modo que, para o sistema financeiro, provavelmente o resultado será mais ou menos o descrito por Stiglitz. É o final de uma certa era da liberalização financeira conduzida pelo fundamentalismo de mercado. O jornal Wall Street Journal lamenta que Wall Street, tal como a conhecemos, tenha desaparecido com a derrocada da banca de investimentos.
Alguns passos serão dados na direção da regulação. Isso é certo. No entanto, as propostas que estão sendo formuladas, por mais extensas e severas que sejam, não mudam a estrutura das instituições básicas subjacentes. Não há nenhuma ameaça ao capitalismo de Estado.
Suas instituições fundamentais seguirão sendo as mesmas, talvez, inclusive, sem grandes sacudidas. Elas podem ser reacomodadas de várias maneiras. Alguns conglomerados podem absorver outros, alguns podem ser semi-nacionalizados tibiamente, sem que isso afete fortemente o monopólio privado da tomada de decisões.
No entanto, do jeito que vão as coisas, as relações de propriedade e a distribuição de poder e riqueza não mudarão significativamente, embora a era do neoliberalismo, vigente há uns trinta e cinco anos, seguramente será modificada de maneira significativa. Diga-se de passagem, ninguém sabe o quão grave essa crise poderá se tornar.
Cada dia traz novas surpresas. Alguns economistas estão prevendo uma verdadeira catástrofe. Outros pensam que ela pode ser consertada, com um transtorno modesto e uma recessão, que provavelmente será pior na Europa do que nos Estados Unidos. Mas ninguém sabe ao certo.
NA SUA AVALIAÇÃO, VEREMOS ALGO PARECIDO COM A DEPRESSÃO, COM PESSOAS SEM TRABALHO FAZENDO GRANDES FILAS PARA CONSEGUIR ALIMENTOS, NOS ESTADOS UNIDOS E NA EUROPA? E, SE ISSO OCORRER, VEREMOS UMA GRANDE GUERRA PARA REPOR AS ECONOMIAS EM PÉ, UMA TERAPIA DE CHOQUE OU ALGO TIPO?
CHOMSKY: Não acredito que a situação seja comparável com o período da grande depressão, ainda que haja algumas semelhanças com essa época. Os anos 20 também foram um período de especulação selvagem e de uma enorme expansão de crédito e empréstimos, com a criação de uma enorme concentração de riqueza em um setor muito pequeno da população e a destruição do movimento sindical. Deste ponto de vista, há semelhanças com o período atual. Mas também há muitas diferenças.
Existe um aparato muito mais estável de controle e regulação, resultante do New Deal, e ainda que tenha se enfraquecido, boa parte dele permanece intacto.
Além disso, há a compreensão de que os tipos de políticas, vistas como extremamente radicais no período do New Deal, hoje são mais ou menos normais. Assim, por exemplo, no recente debate presidencial dos EUA, John McCain, o candidato da direita, propôs medidas tomadas do New Deal para enfrentar a crise da habitação. Então, há a compreensão de que o governo deve assumir um papel importante na gestão da economia e, de fato, os setores avançados da economia já vivem essa experiência há cerca de 50 anos.
Muito do que se lê sobre isso é pura mitologia. Por exemplo, lemos que a crença apaixonada de Reagan no milagre dos mercados agora está sendo atacada. Atribuiu-se ao ex-presidente o papel de Grande Sacerdote da fé nos mercados. De fato, Reagan foi o presidente mais protecionista da história econômica estadunidense do pós-guerra.
Ele aumentou as barreiras protecionistas mais que todos os seus precursores juntos.
Convocou o Pentágono a desenvolver projetos para treinar administradores norte-americanos nos métodos avançados de produção japoneses. Ele também operou um dos maiores salvamentos bancários da história norte-americana e conformou um conglomerado baseado no Estado para tratar de revitalizar a indústria de semi-condutores. De fato, ele acreditava em um governo poderoso, de intervenção radical na economia. Quando digo “Reagan” refiro-me a sua administração. O que ele acreditava sobre tudo isso, se é que acreditou em algo, realmente não sabemos e isso não é muito importante.
Há muita mitologia que precisamos desmontar, incluindo aí o que diz a respeito do grande crescimento e da redução da pobreza. Nos próprios Estados Unidos, quando se aplicaram as regras neoliberais, os resultados foram bastante daninhos para a maioria da população.
Olhando para além da mitologia, podemos perceber que uma economia capitalista de Estado que, particularmente desde a Segunda Guerra Mundial, dependeu muito fortemente do setor estatal, agora está voltando a depender do Estado para o manejo do sistema financeiro que está desmoronando. Por enquanto, não há sinais de que se produzirá algo parecido com o que ocorreu em 1929.
ENTÃO, VOCÊ NÃO CONSIDERA QUE ESTAMOS NOS ENCAMINHANDO PARA UMA MUDANÇA NA ORDEM MUNDIAL?
CHOMSKY: Bom, há mudanças muito significativas na ordem mundial e esta crise talvez contribua para isso. Mas elas estão aí há algum tempo. Uma das principais mudanças na ordem mundial está sendo vivida agora na América Latina.
Costuma-se dizer que a América Latina é o quintal dos EUA e que, há muito tempo, é uma região controlada pelos EUA. Mas isso está mudando. Em meados de setembro tivemos uma ilustração dramática disso.
No dia 15 de setembro, ocorreu uma reunião da Unasul, a União das Nações Sul-americanas, da qual participaram todos os governos sul-americanos, incluindo a Colômbia, atual favorito dos EUA na região. A reunião foi realizada em Santiago, Chile, outro favorito dos EUA. Dela, saiu uma declaração muito contundente de apoio a Evo Morales, da Bolívia, e de rechaço aos setores quase-secessionistas deste país, que contam com o apoio dos Estados Unidos.
Há uma luta muito significativa na Bolívia. As elites estão se mobilizando pela autonomia e mesmo pela secessão, gerando fortes níveis de violência com a evidente concordância dos EUA. Mas as repúblicas sul-americanas assumiram uma postura firme, em apoio ao governo democrático. A declaração foi lida pela presidente Bachelet, do Chile, uma favorita do Ocidente. Evo Morales respondeu agradecendo aos presidentes pelo apoio e assinalou, corretamente, que esta era a primeira vez em 500 anos que a América Latina havia tomado seu destino em suas próprias mãos, sem a interferência da Europa nem, sobretudo, dos EUA. Esse é um símbolo de mudança muito significativo que está em curso, às vezes chamado de “maré rosada”. Foi tão importante que não foi reportado pela imprensa dos EUA. Há uma frase aqui, outra ali, que registra que algo aconteceu, mas suprimiram totalmente o conteúdo e a importância do que ocorreu.
Isso é parte de um processo de longo prazo, no qual a América do Sul está começando a superar seus enormes problemas internos e também sua subordinação ao Ocidente, principalmente em relação aos Estados Unidos. A América do Sul também está diversificando suas relações com o mundo. O Brasil tem relações cada vez maiores com a África do Sul, a Índia e, particularmente, a China, país cada vez mais envolvido com investimentos e intercâmbios com países latino-americanos. São processos extremamente importantes, que agora estão começando a chegar também na América Central. Honduras, por exemplo, era a clássica república bananeira. Serviu de base para as guerras do terror perpetradas por Reagan na região e subordinou-se totalmente aos EUA.
Mas Honduras somou-se recentemente a ALBA, a Alternativa Bolivariana para os Povos da América, proposta pela Venezuela. É um pequeno passo, mas não deixa de ser muito significativos.
VOCÊ ACHA QUE ESTAS TENDÊNCIAS NA AMÉRICA DO SUL, COMO ALBA, UNASUL E OS GRANDES ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA, BOLÍVIA E OUTROS PAÍSES, PODEM SER AFETADOS POR UMA CRISE ECONÔMICA DA DIMENSÃO DESTA QUE ESTAMOS ENFRENTANDO AGORA?
CHOMSKY: Bem, esses países serão afetados pela crise mas, no momento, não tanto como estão sendo a Europa e os Estados Unidos.
Se olhamos o caso da Bolsa no Brasil, ela caiu muito rapidamente, mas os bancos brasileiros não estão quebrando. Do mesmo modo, na Ásia, as bolsas estão declinando agudamente, mas os governos não estão assumindo o controle dos bancos, como ocorre na Inglaterra, Estados Unidos e boa parte da Europa. Essas regiões, América do Sul e Ásia, de alguma maneira conseguiram se separar das calamidades dos mercados financeiros. O que desatou a crise atual foram os empréstimos subprime para ativos construídos sobre areia, e estes, claro, estão em mãos de estadunidenses e de bancos europeus. O fato de possuir ativos tóxicos baseados em hipotecas envolveu-se muito rapidamente nestes acontecimentos.
Além disso, os europeus têm suas próprias crises da habitação, particularmente a Inglaterra e a Espanha.
A Ásia e a América Latina ficaram muito menos expostas por terem mantido estratégias de crédito mais cautelosas, particularmente a partir do descalabro neoliberal de 1997-1998.
Um grande banco japonês, Mitsubishi UFG, acaba de comprar uma parte substancial do Morgan Stanley, nos EUA. Então, não parece, até agora, que a Ásia e a América Latina serão afetadas tão gravemente como Estados Unidos e Europa.
VOCÊ ACREDITA QUE HÁ UMA GRANDE DIFERENÇA ENTRE OBAMA E MCCAIN NO QUE DIZ RESPEITO A TEMAS COMO O TRATADO DE LIVRE COMÉRCIO E O PLANO COLÔMBIA? NA COLÔMBIA, PODE-SE SENTIR QUE O PRESIDENTE E SEUS APOIADORES ESTÃO ASSUSTADOS FRENTE À ELEIÇÃO DE OBAMA. SEI QUE VOCÊ TEM A SENSAÇÃO QUE OBAMA É COMO UMA FOLHA EM BRANCO, MAS PENSA QUE ELA FARÁ ALGUMA DIFERENÇA?
CHOMSKY: Com efeito, Obama tem se apresentado mais ou menos como uma folha em branco. Mas não há motivo para que o governo colombiano se assuste com sua eleição. O Plano Colômbia é uma política de Clinton e há muitas razões para supor que Obama será outro Clinton.
Ele é bastante impreciso, a propósito. Mesmo quando explicita políticas, elas se parecem muito a políticas centristas, como Clinton, que modelou o Plano Colômbia e militarizou o conflito.
TENHO, ÀS VEZES, A SENSAÇÃO DE QUE OS PERÍODOS DE BUSH SE DERAM EM UM CONTEXTO DE MUDANÇA DA ORDEM MUNDIAL, TRATANDO DE MANTER O PODER COM O USO DA FORÇA, E QUE, EM TROCA, OBAMA PODE REPRESENTAR A CARA BOA PARA RENEGOCIAR A ORDEM MUNDIAL. QUAL SUA OPINIÃO SOBRE ISSO?
CHOMSKY: É importante lembrar que o espectro político nos EUA é bastante estreito. É uma sociedade controlada pelas empresas, basicamente, é um Estado de partido único, com duas facções, democratas e republicanos. As facções têm algumas diferenças e estas, às vezes, são significativas. Mas o espectro é bastante estreito. A administração Bush, porém, se situava bastante além do final do espectro, com nacionalistas radicais extremos, crentes extremos no poder do Estado, na violência no exterior e em um alto gasto governamental.
De fato, estavam tão fora do espectro que foram criticados duramente inclusive por parte do poder, desde os primeiros tempos.
Seja quem for que assuma o mandato, é provável que desloque o tabuleiro político para o centro do espectro. Obama talvez faça isso em maior medida. Diria que, no caso de Obama, haverá algo como um renascimento dos anos Clinton, adaptado certamente às novas circunstâncias.
AGORA QUE ESTAMOS CHEGANDO AO FIM DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL, EXISTE A POSSIBILIDADE DE ALGO REALMENTE NOVO, UMA GLOBALIZAÇÃO BOA?
CHOMSKY: Penso que as perspectivas hoje estão muito melhores do que estavam antes. O poder está extraordinariamente concentrado, mas há mudanças a medida que a economia internacional torna-se mais diversificada e complexa. O Sul está se tornando mais independente.
Mas, se olhamos para os EUA, mesmo com todo o dano causado por Bush, segue sendo a maior economia homogênea, com o maior mercado interno, a força militar mais forte e tecnologicamente mais avançada, com gastos anuais comparáveis aos do resto do mundo combinados e com um arquipélago de bases militares espalhadas pelo mundo. Estas são fontes de continuidade, mesmo que a ordem neoliberal esteja sofrendo uma erosão dentro dos EUA, na Europa e internacionalmente, com um crescimento da oposição a ela. Então, há oportunidades para uma mudança real. Até onde essa mudança pode chegar, isso depende da gente e daquilo que estamos dispostos a empreender”.
SEREMOS OS SUB-IMPERIALISTAS DA BANANA?
O blog “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, anteontem publicou o seguinte texto:
“Não vou entrar no mérito da disputa comercial entre Brasil e Equador, que se tornou uma disputa diplomática.
Não tenho informações suficientes para opinar.
Li a referência a "yankees do Sul" na internet, no que me pareceu uma tentativa de brincar com o presidente do Equador, Rafael Correa, que estaria enxergando fantasmas.
Vou repetir o que já escrevi antes e que se perdeu em algum canto deste site: o Brasil e os brasileiros precisam se dar conta de que, justa ou injustamente, somos vistos na vizinhança como "yankees do Sul", mesmo.
Não é um problema apenas no Equador e não tem relação com tucanos ou petistas, direitistas ou esquerdistas.
Em Bogotá, numa mesa de restaurante, acompanhei de orelhada uma discussão sobre o "imperialismo brasileiro".
No Paraguai entrevistei gente visivelmente revoltada com a "invasão" de brasileiros, que controlam as melhores terras para o cultivo da soja. Da dona de um restaurante ouvi o lamento de que só é possível ouvir emissoras de rádio ou ver emissoras de TV em português em regiões fronteiriças.
Quando fui fazer um documentário sobre a reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e esperava ver a "invasão" do Brasil promovida por "índios imperialistas", o que descobri foi que o Brasil é que "invade" a Venezuela e a Guiana, através de comerciantes e garimpeiros.
É simples: a expansão econômica do capitalismo brasileiro está agregando mercados na vizinhança. É só fazer uma lista das grandes aqusições de grupos econômicos brasileiros e das obras tocadas por empreiteiras do Brasil na Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Venezuela e assim por diante.
E a lógica destes grupos -- como, aliás, de qualquer empresa capitalista -- é o lucro. O lucro acima de tudo. Já sugeri, quando toquei neste assunto anteriormente, que as empresas brasileiras que pretendem investir a longo prazo pratiquem "diplomacia privada", ou seja, que contratem funcionários locais, que invistam em projetos locais, que demonstrem concretamente que se preocupam com os lugares em que atuam.
Mas, no modelo selvagem do capitalismo brasileiro, é esperar demais. A conseqüência é que disputas comerciais como a que envolve o Equador só vão aumentar.
A mídia corporativa brasileira grita "sangue" em defesa do interesse de seus patrocinadores. É cega, surda e se faz de idiota. Prefere questionar a legitimidade de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo ou qualquer outro líder da vizinhança que navegue no enfrentamento dos "yankees do Sul".
Essa tese ganha força quando os líderes regionais vêem o presidente Lula ao lado de George W. Bush na reunião do G20 ou quando o Brasil faz o serviço no Haiti com o objetivo de livrar fuzileiros navais americanos para lutar no Iraque e no Afeganistão.
Enquanto o Brasil persegue uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, se distancia dos vizinhos.
A mídia brasileira prefere esquecer, mentir, omitir ou distorcer: Chávez acaba de "perder" eleições regionais em que candidatos apoiados por ele venceram mais de 70% das prefeituras e "apenas" 17 de 22 governos regionais. Isso com o petróleo em baixa e a inflação em alta, depois de 10 anos de desgaste no poder.
A mídia brasileira prefere esquecer que Correa reformou a Constituição com apoio de mais de 60% dos votos, que Morales foi mantido no poder com 66% de "sim" e que Lugo chegou ao poder prometendo renegociar o acordo de Itaipu e fazer a reforma agrária.
Independentemente da permanência destes líderes no poder, o que os levou até lá veio para ficar: a defesa de interesses nacionais (deles) que em alguns casos se contrapõe a interesses de empresas brasileiras.
Sem ter clareza quanto a isso o risco é de que o Brasil assuma o papel de "polícia" que os Estados Unidos sempre desempenharam na região. Com resultados desastrosos para a política externa brasileira. Não se esqueçam: a diplomacia do porrete de Washington começou com a derrubada de governos para defender os interesses da bananeira United Fruit Company.
Seremos os sub-imperialistas da banana?”
“Não vou entrar no mérito da disputa comercial entre Brasil e Equador, que se tornou uma disputa diplomática.
Não tenho informações suficientes para opinar.
Li a referência a "yankees do Sul" na internet, no que me pareceu uma tentativa de brincar com o presidente do Equador, Rafael Correa, que estaria enxergando fantasmas.
Vou repetir o que já escrevi antes e que se perdeu em algum canto deste site: o Brasil e os brasileiros precisam se dar conta de que, justa ou injustamente, somos vistos na vizinhança como "yankees do Sul", mesmo.
Não é um problema apenas no Equador e não tem relação com tucanos ou petistas, direitistas ou esquerdistas.
Em Bogotá, numa mesa de restaurante, acompanhei de orelhada uma discussão sobre o "imperialismo brasileiro".
No Paraguai entrevistei gente visivelmente revoltada com a "invasão" de brasileiros, que controlam as melhores terras para o cultivo da soja. Da dona de um restaurante ouvi o lamento de que só é possível ouvir emissoras de rádio ou ver emissoras de TV em português em regiões fronteiriças.
Quando fui fazer um documentário sobre a reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e esperava ver a "invasão" do Brasil promovida por "índios imperialistas", o que descobri foi que o Brasil é que "invade" a Venezuela e a Guiana, através de comerciantes e garimpeiros.
É simples: a expansão econômica do capitalismo brasileiro está agregando mercados na vizinhança. É só fazer uma lista das grandes aqusições de grupos econômicos brasileiros e das obras tocadas por empreiteiras do Brasil na Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Venezuela e assim por diante.
E a lógica destes grupos -- como, aliás, de qualquer empresa capitalista -- é o lucro. O lucro acima de tudo. Já sugeri, quando toquei neste assunto anteriormente, que as empresas brasileiras que pretendem investir a longo prazo pratiquem "diplomacia privada", ou seja, que contratem funcionários locais, que invistam em projetos locais, que demonstrem concretamente que se preocupam com os lugares em que atuam.
Mas, no modelo selvagem do capitalismo brasileiro, é esperar demais. A conseqüência é que disputas comerciais como a que envolve o Equador só vão aumentar.
A mídia corporativa brasileira grita "sangue" em defesa do interesse de seus patrocinadores. É cega, surda e se faz de idiota. Prefere questionar a legitimidade de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo ou qualquer outro líder da vizinhança que navegue no enfrentamento dos "yankees do Sul".
Essa tese ganha força quando os líderes regionais vêem o presidente Lula ao lado de George W. Bush na reunião do G20 ou quando o Brasil faz o serviço no Haiti com o objetivo de livrar fuzileiros navais americanos para lutar no Iraque e no Afeganistão.
Enquanto o Brasil persegue uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, se distancia dos vizinhos.
A mídia brasileira prefere esquecer, mentir, omitir ou distorcer: Chávez acaba de "perder" eleições regionais em que candidatos apoiados por ele venceram mais de 70% das prefeituras e "apenas" 17 de 22 governos regionais. Isso com o petróleo em baixa e a inflação em alta, depois de 10 anos de desgaste no poder.
A mídia brasileira prefere esquecer que Correa reformou a Constituição com apoio de mais de 60% dos votos, que Morales foi mantido no poder com 66% de "sim" e que Lugo chegou ao poder prometendo renegociar o acordo de Itaipu e fazer a reforma agrária.
Independentemente da permanência destes líderes no poder, o que os levou até lá veio para ficar: a defesa de interesses nacionais (deles) que em alguns casos se contrapõe a interesses de empresas brasileiras.
Sem ter clareza quanto a isso o risco é de que o Brasil assuma o papel de "polícia" que os Estados Unidos sempre desempenharam na região. Com resultados desastrosos para a política externa brasileira. Não se esqueçam: a diplomacia do porrete de Washington começou com a derrubada de governos para defender os interesses da bananeira United Fruit Company.
Seremos os sub-imperialistas da banana?”
PIRRAÇA E ‘MAROLINHA’
Li ontem no blog Cidadania.com, de Eduardo Guimarães, o seguinte interessante texto:
“Não adianta tentar argumentar com crianças pequenas quando elas se atiram ao chão, esperneiam e berram por não quererem ir a algum lugar ou fazer alguma coisa. Tenho 4 filhos (três meninas e um menino) e uma neta de sete anos. Bem sei como a lógica é inútil quando crianças querem impor seus desejos imediatos sobre a realidade. Para os infantes, o mundo tem que se adaptar aos seus desejos. Esse comportamento é da natureza humana, simplesmente, e é popularmente conhecido como pirraça.
Admite-se pirraça em crianças. Alguns, como eu, aprenderam a lidar pacientemente com um tipo de comportamento que afeta dez entre dez petizes, mas só quando quem assim atua é petiz; quando marmanjos fazem pirraça, o caso passa à esfera da psiquiatria.
A mídia faz pirraça com a crise. Enquanto os dados econômicos mostram, cada vez mais, que o tsunami que atingiu os Estados Unidos, a Europa e a Ásia chegou ao Brasil como mera “marolinha”, jornalões, revistões e todos os outros meios de comunicação premiados com sufixos superlativos tentam fazer o público crer que a crise vai nos pegar e que Lula não sabe o que diz.
A charge abaixo foi publicada hoje pela Folha de São Paulo. Reflete perfeitamente a discurseira irresponsável da mídia apesar da montanha de dados que vai se acumulando e mostrando que em outubro, mês em que a mídia se dedicou a dizer que estavam acontecendo “demissões”, “fuga de investimentos”, “paralisia econômica” etc, na verdade a economia bateu recordes, o desemprego recuou, os investimentos – inclusive os estrangeiros – cresceram, enfim, que a crise, aqui, está sendo, de fato, uma “marolinha”.
Mas, de todos os dados positivos sobre a economia do país, dados que vêm sendo divulgados com enorme parcimônia pela mídia, um deles me pareceu que saiu quase sem querer da boca da imprensa golpista. Foi ontem no Jornal Nacional, no fim do terceiro bloco do programa, no espaço de alguns segundos. Reproduzo, abaixo, a locução textual da apresentadora Fátima Bernardes:
“As contas do governo melhoraram com a alta da moeda americana. Como o Brasil tem mais aplicações [reservas] em dólares do que dívidas [em dólar], a variação da moeda derrubou a relação entre a dívida pública e o produto interno bruto em outubro para 36,6%, o nível mais baixo em uma década [desde 1998, quando a quebra do Brasil fez a dívida se multiplicar]. Esse índice é o principal indicador da saúde das contas de um país; quanto menor ele for, melhor.”
Amigos meus daqui do blog e do meu círculo de relações pessoais têm me perguntado, pessoalmente, por telefone e por e-mail, se foi chute quando eu disse, já naquele momento em que as pessoas pensaram que teria explodido a crise, em 15 de setembro último, que o país seria pouco afetado. Agora revelo: não foi chute, foi lógica.
No início, espantei-me ao ver até setores da esquerda ceder à conversa fiada da mídia de que seriamos pegos de jeito pela crise. Sem perceber, esses setores se tornaram inocentes úteis ao concordarem com a conversa da mídia de que, se países tão importantes, governados por doutores, foram arrasados economicamente, não seria um país do Terceiro Mundo, governado por um ex-operário sem diploma universitário, que iria resistir.
Não sei se a falta de diploma ajuda ou atrapalha Lula, mas, ao dar a decisão final sobre as políticas públicas, ao escolher caminhos que lhe são colocados à frente pelos técnicos das diversas áreas, ao menos na economia o diploma universitário – ou a sua falta – não tem impedido o presidente de tomar as melhores decisões.
O dado sobre a relação dívida Vs. PIB é sumamente importante porque mostra a saúde financeira do país. E o melhor é que não foi conseguido com recessão, como sempre foi perseguido pelos antecessores de Lula. Foi conseguido em meio a forte crescimento. Enquanto a mídia gritava que era bobagem acumular tantas reservas, quem tinha informações sobre o que começava a acontecer no mundo rico tratou de pôr as barbas de molho como fez o governo Lula.
Não adianta, no entanto, argumentar muito. A crise internacional gerou uma espécie de fetiche no topo da nossa pirâmide social. É quase como se fosse chique entrar em crise junto com países que a direita brasileira sempre quis imitar. E, por pura pirraça, Folhas, Globos, Estados, Vejas e seu exército de zumbis teleguiados na sociedade civil não querem porque não querem aceitar a excelência da administração do Brasil nos últimos quase seis anos. São piores do que crianças pirracentas”.
“Não adianta tentar argumentar com crianças pequenas quando elas se atiram ao chão, esperneiam e berram por não quererem ir a algum lugar ou fazer alguma coisa. Tenho 4 filhos (três meninas e um menino) e uma neta de sete anos. Bem sei como a lógica é inútil quando crianças querem impor seus desejos imediatos sobre a realidade. Para os infantes, o mundo tem que se adaptar aos seus desejos. Esse comportamento é da natureza humana, simplesmente, e é popularmente conhecido como pirraça.
Admite-se pirraça em crianças. Alguns, como eu, aprenderam a lidar pacientemente com um tipo de comportamento que afeta dez entre dez petizes, mas só quando quem assim atua é petiz; quando marmanjos fazem pirraça, o caso passa à esfera da psiquiatria.
A mídia faz pirraça com a crise. Enquanto os dados econômicos mostram, cada vez mais, que o tsunami que atingiu os Estados Unidos, a Europa e a Ásia chegou ao Brasil como mera “marolinha”, jornalões, revistões e todos os outros meios de comunicação premiados com sufixos superlativos tentam fazer o público crer que a crise vai nos pegar e que Lula não sabe o que diz.
A charge abaixo foi publicada hoje pela Folha de São Paulo. Reflete perfeitamente a discurseira irresponsável da mídia apesar da montanha de dados que vai se acumulando e mostrando que em outubro, mês em que a mídia se dedicou a dizer que estavam acontecendo “demissões”, “fuga de investimentos”, “paralisia econômica” etc, na verdade a economia bateu recordes, o desemprego recuou, os investimentos – inclusive os estrangeiros – cresceram, enfim, que a crise, aqui, está sendo, de fato, uma “marolinha”.
Mas, de todos os dados positivos sobre a economia do país, dados que vêm sendo divulgados com enorme parcimônia pela mídia, um deles me pareceu que saiu quase sem querer da boca da imprensa golpista. Foi ontem no Jornal Nacional, no fim do terceiro bloco do programa, no espaço de alguns segundos. Reproduzo, abaixo, a locução textual da apresentadora Fátima Bernardes:
“As contas do governo melhoraram com a alta da moeda americana. Como o Brasil tem mais aplicações [reservas] em dólares do que dívidas [em dólar], a variação da moeda derrubou a relação entre a dívida pública e o produto interno bruto em outubro para 36,6%, o nível mais baixo em uma década [desde 1998, quando a quebra do Brasil fez a dívida se multiplicar]. Esse índice é o principal indicador da saúde das contas de um país; quanto menor ele for, melhor.”
Amigos meus daqui do blog e do meu círculo de relações pessoais têm me perguntado, pessoalmente, por telefone e por e-mail, se foi chute quando eu disse, já naquele momento em que as pessoas pensaram que teria explodido a crise, em 15 de setembro último, que o país seria pouco afetado. Agora revelo: não foi chute, foi lógica.
No início, espantei-me ao ver até setores da esquerda ceder à conversa fiada da mídia de que seriamos pegos de jeito pela crise. Sem perceber, esses setores se tornaram inocentes úteis ao concordarem com a conversa da mídia de que, se países tão importantes, governados por doutores, foram arrasados economicamente, não seria um país do Terceiro Mundo, governado por um ex-operário sem diploma universitário, que iria resistir.
Não sei se a falta de diploma ajuda ou atrapalha Lula, mas, ao dar a decisão final sobre as políticas públicas, ao escolher caminhos que lhe são colocados à frente pelos técnicos das diversas áreas, ao menos na economia o diploma universitário – ou a sua falta – não tem impedido o presidente de tomar as melhores decisões.
O dado sobre a relação dívida Vs. PIB é sumamente importante porque mostra a saúde financeira do país. E o melhor é que não foi conseguido com recessão, como sempre foi perseguido pelos antecessores de Lula. Foi conseguido em meio a forte crescimento. Enquanto a mídia gritava que era bobagem acumular tantas reservas, quem tinha informações sobre o que começava a acontecer no mundo rico tratou de pôr as barbas de molho como fez o governo Lula.
Não adianta, no entanto, argumentar muito. A crise internacional gerou uma espécie de fetiche no topo da nossa pirâmide social. É quase como se fosse chique entrar em crise junto com países que a direita brasileira sempre quis imitar. E, por pura pirraça, Folhas, Globos, Estados, Vejas e seu exército de zumbis teleguiados na sociedade civil não querem porque não querem aceitar a excelência da administração do Brasil nos últimos quase seis anos. São piores do que crianças pirracentas”.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
ATIVIDADE DA INDÚSTRIA PAULISTA SOBE 0,2% EM OUTUBRO, DIZ FIESP
O Jornal do Brasil Online ontem publicou o seguinte texto da agência norte-americana de notícias Reuters:
“A atividade da indústria de São Paulo cresceu 0,2 por cento em outubro sobre setembro, segundo dados com ajuste sazonal divulgados nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Sem ajuste, houve alta de 3,4 por cento no nível da atividade. Frente a outubro do ano passado, o avanço foi de 4,6 por cento.
No ano, a atividade tem expansão de 7,5 por cento e nos últimos 12 meses, de 7,7 por cento.
Entre os setores, em outubro os destaques de alta foram Alimentos e Bebidas, com ganho de 3,6 por cento na comparação mensal, com ajuste, seguido por Veículos automotores, com avanço de 1,4 por cento.
As vendas reais da indústria cresceram 4,7 por cento mês a mês, sem ajuste sazonal, e 8,6 por cento na comparação anual. No ano, o avanço das vendas foi de 5,7 por cento.
O uso da capacidade instalada na indústria do Estado, considerando os dados sem ajuste sazonal, totalizou 83,9 por cento em outubro, comparado a 83,7 por cento em setembro e a 84,3 por cento em igual mês de 2007.”
“A atividade da indústria de São Paulo cresceu 0,2 por cento em outubro sobre setembro, segundo dados com ajuste sazonal divulgados nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Sem ajuste, houve alta de 3,4 por cento no nível da atividade. Frente a outubro do ano passado, o avanço foi de 4,6 por cento.
No ano, a atividade tem expansão de 7,5 por cento e nos últimos 12 meses, de 7,7 por cento.
Entre os setores, em outubro os destaques de alta foram Alimentos e Bebidas, com ganho de 3,6 por cento na comparação mensal, com ajuste, seguido por Veículos automotores, com avanço de 1,4 por cento.
As vendas reais da indústria cresceram 4,7 por cento mês a mês, sem ajuste sazonal, e 8,6 por cento na comparação anual. No ano, o avanço das vendas foi de 5,7 por cento.
O uso da capacidade instalada na indústria do Estado, considerando os dados sem ajuste sazonal, totalizou 83,9 por cento em outubro, comparado a 83,7 por cento em setembro e a 84,3 por cento em igual mês de 2007.”
CRESCIMENTO SERÁ MAIOR NO MERCADO BRASILEIRO
O Jornal do Brasil Online ontem publicou o seguinte texto do InvestNews:
“A América Latina é em geral bem vista pelos empresários de todo o mundo. O Brasil é o mercado que mais irá expandir, segundo uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU). Argentina e Venezuela, no entanto, receberam uma má pontuação por supostas instabilidades políticas e econômicas.
O relatório, encomendado pela seguradora Atradius, indicou que do total de empresários consultados, 53% disseram preferirem investir na América Latina frente à falta de outros mercados.
Cerca de 69% afirmaram que o Brasil é o mercado que mais irá crscer no médio prazo, seguido pelo México, votado por 48%. Já 61% dos empresários entrevistados disseram que seu comércio com a América Latina irá aumentar em 6% dentro dos próximos 3 anos.
O estudo, intitulado "Um panorama complexo: Investir e fazer negócios na América Latina", foi elaborado após consultas a 300 empresários de todo o mundo.
O documento indicou que o continente ainda sofre com altas taxas de criminalidade, corrupção e instabilidade política, citando a Argentina e a Venezuela como os países com mais problemas para se investir.
Os países latino-americanos mais votados pelos empresários internacionais para fazer negócios foram: Brasil, México, Peru e Chile, principalmente por sua estabilidade econômica e política, sua governabilidade corporativa, sistema legal e falta de disputas de contratos comerciais.
O continente "conta com uma população jovem florescente disposta a importar bens de consumo, e as reformas dos últimos anos continuam melhorando a estabilidade econômica e política em grande parte da região", concluiu.”
“A América Latina é em geral bem vista pelos empresários de todo o mundo. O Brasil é o mercado que mais irá expandir, segundo uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU). Argentina e Venezuela, no entanto, receberam uma má pontuação por supostas instabilidades políticas e econômicas.
O relatório, encomendado pela seguradora Atradius, indicou que do total de empresários consultados, 53% disseram preferirem investir na América Latina frente à falta de outros mercados.
Cerca de 69% afirmaram que o Brasil é o mercado que mais irá crscer no médio prazo, seguido pelo México, votado por 48%. Já 61% dos empresários entrevistados disseram que seu comércio com a América Latina irá aumentar em 6% dentro dos próximos 3 anos.
O estudo, intitulado "Um panorama complexo: Investir e fazer negócios na América Latina", foi elaborado após consultas a 300 empresários de todo o mundo.
O documento indicou que o continente ainda sofre com altas taxas de criminalidade, corrupção e instabilidade política, citando a Argentina e a Venezuela como os países com mais problemas para se investir.
Os países latino-americanos mais votados pelos empresários internacionais para fazer negócios foram: Brasil, México, Peru e Chile, principalmente por sua estabilidade econômica e política, sua governabilidade corporativa, sistema legal e falta de disputas de contratos comerciais.
O continente "conta com uma população jovem florescente disposta a importar bens de consumo, e as reformas dos últimos anos continuam melhorando a estabilidade econômica e política em grande parte da região", concluiu.”
RESERVAS INTERNACIONAIS SOBEM PARA US$ 206,648 BILHÕES
O Jornal do Brasil Online ontem publicou o seguinte texto de Maria de Lourdes Chagas, do InvestNews:
“As reservas brasileiras internacionais subiram em US$ 413 milhões na véspera no conceito de liquidez internacional, segundo o Banco Central (BC). Com isso, o total das reservas brutas passou de US$ 205,235 bilhões para US$ 206,648 bilhões.”
“As reservas brasileiras internacionais subiram em US$ 413 milhões na véspera no conceito de liquidez internacional, segundo o Banco Central (BC). Com isso, o total das reservas brutas passou de US$ 205,235 bilhões para US$ 206,648 bilhões.”
A CRISE NO BRASIL VISTA POR UM PESSIMISTA ALARMISTA DA CRISE
Ontem, o jornal Folha de São Paulo publicou o seguinte texto de Vinicius Torres Freire:
BRASIL: ESTÁ FRIO, ESTÁ QUENTE?
“Primeiros dados sobre meses do pânico mostram estragos, mas não tão terríveis como pareciam, dada a gritaria”
“Para quem viveu como adulto ou quase isso o quarto de século da crise brasileira iniciada nos anos 1980, os primeiros indicadores sobre o efeito do tumulto mundial sobre o Brasil afinal não pareceram tão impressionantes. Dias piores estão à espreita, decerto, mas as muralhas resistiram à primeira grande carga dos cavaleiros do apocalipse da finança euroamericana.
É o que se depreende da publicação do primeiro trio relevante de informações agregadas sobre a economia em outubro: contas externas, crédito e contas públicas.
O déficit do setor público é mais baixo desde quando tal medida é confiável -1991. Caiu bastante em relação à média do ano, a 1,1% do PIB. Sim, sabe-se que a receita federal tem crescido ao dobro do ritmo do PIB.
Sim, o déficit da Previdência não deverá cair tanto como neste ano, de alta forte na carteira assinada.
Sim, o governo encomendou gastos pesados para 2009. Mas, desde abril, o crescimento da despesa se acalmou. Enfim, ainda que os ingredientes não sejam de primeira qualidade, o bolo do déficit fiscal até que ficou com uma cara boa.
Viu-se que não houve o "congelamento geral" do crédito. Os bancos enfiaram a faca, é verdade, elevando os juros muito além do aumento de seus custo de captação. A concessão de crédito para pessoas físicas caiu em relação a outubro de 2007, mas não a de empréstimos para empresas, as quais no entanto os juros escorcharam. Enfim, houve mais encarecimento do que seca de crédito.
O fato de os bancos estatais terem dado uma força extra para segurar a peteca dos empréstimos é um dilema. Avançaram mais no crédito que bancos privados, em geral. Ok, se a discrepância for momentânea, um calmante para o pânico. Mas os estatais não serão capazes de conter tendências duradouras de contração econômica -e, se tentarem fazê-lo, podem arrumar rombos.
No caso do crédito externo, os exportadores penaram, sim, no deserto. Quanto a emissões de papéis no exterior, o resultado foi previsivelmente ruim (mas de 2001 a 2005 foram piores). Mas o desastre parou por aí no financiamento externo.
Para contraditar, ao menos por ora, os pessimistas (como este que escreve), o saldo da conta corrente foi bem melhor do que o esperado. Caíram as remessas de lucros, gasta-se menos em viagens e compras no exterior, e a balança comercial ainda não afundou. O investimento externo "na produção" ainda está em ritmo pré-crise, embora o desembolso de dinheiro para tais projetos seja um reflexo de decisões já antigas.
Já fomos varridos pela maxidesvalorização do real e pela seca localizada de crédito, mas as ondas do maremoto da crise mundial ainda não chegaram todas.
Haverá o risco de o saldo comercial cair demais (mas não sabemos se as importações vão cair também e se outras contas do balanço externo vão melhorar). O nível de emprego costuma reagir mais tarde tanto em recuperações como em declínios econômicos. É pois muito cedo para prever efeitos da queda na atividade sobre a arrecadação de impostos. Mas os amortecedores brasileiros contra a crise funcionaram e estão intactos: reservas, contas públicas, inflação ruim mas não descabelada e contas externas sem deterioração adicional.”
BRASIL: ESTÁ FRIO, ESTÁ QUENTE?
“Primeiros dados sobre meses do pânico mostram estragos, mas não tão terríveis como pareciam, dada a gritaria”
“Para quem viveu como adulto ou quase isso o quarto de século da crise brasileira iniciada nos anos 1980, os primeiros indicadores sobre o efeito do tumulto mundial sobre o Brasil afinal não pareceram tão impressionantes. Dias piores estão à espreita, decerto, mas as muralhas resistiram à primeira grande carga dos cavaleiros do apocalipse da finança euroamericana.
É o que se depreende da publicação do primeiro trio relevante de informações agregadas sobre a economia em outubro: contas externas, crédito e contas públicas.
O déficit do setor público é mais baixo desde quando tal medida é confiável -1991. Caiu bastante em relação à média do ano, a 1,1% do PIB. Sim, sabe-se que a receita federal tem crescido ao dobro do ritmo do PIB.
Sim, o déficit da Previdência não deverá cair tanto como neste ano, de alta forte na carteira assinada.
Sim, o governo encomendou gastos pesados para 2009. Mas, desde abril, o crescimento da despesa se acalmou. Enfim, ainda que os ingredientes não sejam de primeira qualidade, o bolo do déficit fiscal até que ficou com uma cara boa.
Viu-se que não houve o "congelamento geral" do crédito. Os bancos enfiaram a faca, é verdade, elevando os juros muito além do aumento de seus custo de captação. A concessão de crédito para pessoas físicas caiu em relação a outubro de 2007, mas não a de empréstimos para empresas, as quais no entanto os juros escorcharam. Enfim, houve mais encarecimento do que seca de crédito.
O fato de os bancos estatais terem dado uma força extra para segurar a peteca dos empréstimos é um dilema. Avançaram mais no crédito que bancos privados, em geral. Ok, se a discrepância for momentânea, um calmante para o pânico. Mas os estatais não serão capazes de conter tendências duradouras de contração econômica -e, se tentarem fazê-lo, podem arrumar rombos.
No caso do crédito externo, os exportadores penaram, sim, no deserto. Quanto a emissões de papéis no exterior, o resultado foi previsivelmente ruim (mas de 2001 a 2005 foram piores). Mas o desastre parou por aí no financiamento externo.
Para contraditar, ao menos por ora, os pessimistas (como este que escreve), o saldo da conta corrente foi bem melhor do que o esperado. Caíram as remessas de lucros, gasta-se menos em viagens e compras no exterior, e a balança comercial ainda não afundou. O investimento externo "na produção" ainda está em ritmo pré-crise, embora o desembolso de dinheiro para tais projetos seja um reflexo de decisões já antigas.
Já fomos varridos pela maxidesvalorização do real e pela seca localizada de crédito, mas as ondas do maremoto da crise mundial ainda não chegaram todas.
Haverá o risco de o saldo comercial cair demais (mas não sabemos se as importações vão cair também e se outras contas do balanço externo vão melhorar). O nível de emprego costuma reagir mais tarde tanto em recuperações como em declínios econômicos. É pois muito cedo para prever efeitos da queda na atividade sobre a arrecadação de impostos. Mas os amortecedores brasileiros contra a crise funcionaram e estão intactos: reservas, contas públicas, inflação ruim mas não descabelada e contas externas sem deterioração adicional.”
O FMI NA CRISE
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. O autor é Diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago):
“REGRA GERAL, OS PAÍSES SÓ SE DISPÕEM A APARECER AQUI, NO FMI, EM ÚLTIMO CASO, QUANDO AS ALTERNATIVAS SE ESGOTARAM”
“O leitor vai me perdoar se o artigo sair meio pesado hoje. Estou realmente exaurido depois de dois meses de crise intensa aqui no FMI. Nunca emprestei tanto dinheiro na minha vida (espero que paguem). O meu complexo de brasileiro, devedor, subdesenvolvido e às vezes inadimplente deu os célebres "arrancos triunfais de cachorro atropelado" (Nelson Rodrigues).
Abro aqui um breve parêntese. Um leitor escreveu reclamando gentilmente da ausência de citações de escritores, de filósofos e, sobretudo, de Nelson Rodrigues. Prometi corrigir a falha e estou aqui cumprindo a promessa.
Fecho o parêntese e volto ao FMI. Neste mês de novembro, a diretoria do Fundo aprovou empréstimos de tipo "stand-by" no total de US$ 41,8 bilhões, com desembolsos concentrados no início dos programas. Nunca o Fundo emprestou tanto em tão pouco tempo. A Ucrânia recebeu US$ 16,4 bilhões, a Hungria, US$ 15,7 bilhões, o Paquistão, US$ 7,6 bilhões, e a Islândia, US$ 2,1 bilhões. Esse último caso é extraordinário: o setor bancário islandês detinha ativos equivalentes a quase 900% do PIB no final de 2007! A turma da bufunfa barbarizou -e levou o país à ruína.
É notável que, nessa nova leva, os primeiros clientes do FMI tenham vindo, em sua maioria, da periferia européia. Trata-se de uma região que apresenta vulnerabilidades evidentes: déficits elevados no balanço de pagamentos em conta corrente, forte dependência de crédito externo, reservas internacionais modestas, sistemas financeiros frágeis, entre outros problemas. A Islândia é a primeira economia desenvolvida da Europa a recorrer ao Fundo desde a década de 1970.
Esses empréstimos são apenas o começo, tudo indica. Há uma série de outros países iniciando contatos e buscando o apoio financeiro do Fundo. Como se sabe, o FMI vinha emprestando muito pouco nos últimos anos. Os países fugiam do Fundo como o diabo da cruz. Sem os juros pagos pelos devedores, o dinheiro começou a ficar curto e, no início deste ano, o Fundo teve que provar do próprio remédio, implementando um programa de ajustamento, com cortes de gastos e demissões.
Agora os demitidos talvez façam falta. Com a intensificação da crise desde setembro último, o Fundo voltou a ser procurado, ainda que com grande relutância. Regra geral, os países só se dispõem a aparecer aqui em último caso, quando as alternativas se esgotaram.
A direção do Fundo está consciente do "estigma" associado aos empréstimos da instituição e tem procurado enfrentar o problema. Acionou o mecanismo de emergência, que permite aprovar empréstimos em tempo muito curto. As condicionalidades dos novos empréstimos são mais focadas, voltadas sobretudo para a solução dos desequilíbrios de balanço de pagamentos e outros problemas macroeconômicos de curto prazo.
Há cerca de um mês, a diretoria aprovou uma nova linha de financiamento -a SLF ("short-term liquidity facility"), ainda não utilizada, que permite emprestar até 500% da quota do país por prazos curtos, mas sem as condicionalidades tradicionais (carta de intenções, critérios de desempenho e monitoramento). Essa nova linha só poderá ser acionada por países que tenham políticas econômicas basicamente sólidas, mas que estejam sofrendo problemas de liquidez provocados por choques na conta de capitais, o chamado contágio externo.
O dinossauro continua se movendo.”
“REGRA GERAL, OS PAÍSES SÓ SE DISPÕEM A APARECER AQUI, NO FMI, EM ÚLTIMO CASO, QUANDO AS ALTERNATIVAS SE ESGOTARAM”
“O leitor vai me perdoar se o artigo sair meio pesado hoje. Estou realmente exaurido depois de dois meses de crise intensa aqui no FMI. Nunca emprestei tanto dinheiro na minha vida (espero que paguem). O meu complexo de brasileiro, devedor, subdesenvolvido e às vezes inadimplente deu os célebres "arrancos triunfais de cachorro atropelado" (Nelson Rodrigues).
Abro aqui um breve parêntese. Um leitor escreveu reclamando gentilmente da ausência de citações de escritores, de filósofos e, sobretudo, de Nelson Rodrigues. Prometi corrigir a falha e estou aqui cumprindo a promessa.
Fecho o parêntese e volto ao FMI. Neste mês de novembro, a diretoria do Fundo aprovou empréstimos de tipo "stand-by" no total de US$ 41,8 bilhões, com desembolsos concentrados no início dos programas. Nunca o Fundo emprestou tanto em tão pouco tempo. A Ucrânia recebeu US$ 16,4 bilhões, a Hungria, US$ 15,7 bilhões, o Paquistão, US$ 7,6 bilhões, e a Islândia, US$ 2,1 bilhões. Esse último caso é extraordinário: o setor bancário islandês detinha ativos equivalentes a quase 900% do PIB no final de 2007! A turma da bufunfa barbarizou -e levou o país à ruína.
É notável que, nessa nova leva, os primeiros clientes do FMI tenham vindo, em sua maioria, da periferia européia. Trata-se de uma região que apresenta vulnerabilidades evidentes: déficits elevados no balanço de pagamentos em conta corrente, forte dependência de crédito externo, reservas internacionais modestas, sistemas financeiros frágeis, entre outros problemas. A Islândia é a primeira economia desenvolvida da Europa a recorrer ao Fundo desde a década de 1970.
Esses empréstimos são apenas o começo, tudo indica. Há uma série de outros países iniciando contatos e buscando o apoio financeiro do Fundo. Como se sabe, o FMI vinha emprestando muito pouco nos últimos anos. Os países fugiam do Fundo como o diabo da cruz. Sem os juros pagos pelos devedores, o dinheiro começou a ficar curto e, no início deste ano, o Fundo teve que provar do próprio remédio, implementando um programa de ajustamento, com cortes de gastos e demissões.
Agora os demitidos talvez façam falta. Com a intensificação da crise desde setembro último, o Fundo voltou a ser procurado, ainda que com grande relutância. Regra geral, os países só se dispõem a aparecer aqui em último caso, quando as alternativas se esgotaram.
A direção do Fundo está consciente do "estigma" associado aos empréstimos da instituição e tem procurado enfrentar o problema. Acionou o mecanismo de emergência, que permite aprovar empréstimos em tempo muito curto. As condicionalidades dos novos empréstimos são mais focadas, voltadas sobretudo para a solução dos desequilíbrios de balanço de pagamentos e outros problemas macroeconômicos de curto prazo.
Há cerca de um mês, a diretoria aprovou uma nova linha de financiamento -a SLF ("short-term liquidity facility"), ainda não utilizada, que permite emprestar até 500% da quota do país por prazos curtos, mas sem as condicionalidades tradicionais (carta de intenções, critérios de desempenho e monitoramento). Essa nova linha só poderá ser acionada por países que tenham políticas econômicas basicamente sólidas, mas que estejam sofrendo problemas de liquidez provocados por choques na conta de capitais, o chamado contágio externo.
O dinossauro continua se movendo.”
BRASIL COMPRA 12 HELICÓPTEROS RUSSOS DE COMBATE PARA A FAB
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte texto de Raphael Gomide:
CONTRATO ASSINADO POR LULA E MEDVEDEV É ESTIMADO ENTRE US$ 250 MI E US$ 300 MI
“Em reunião no Itamaraty, no Rio, presidentes firmam acordo para isentar turistas dos dois países de vistos para visitas de até 90 dias
O Brasil anunciou ontem a compra de 12 helicópteros de ataque e transporte de tropas Mi-35M para a Força Aérea Brasileira, durante o último dia da visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao país.
O contrato, estimado entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões, prevê ainda o fornecimento de peças para as aeronaves. A FAB não falou sobre detalhes do contrato, que vinha sendo negociado há dois anos.
O Mi-35M é um dos mais modernos helicópteros do mundo, podendo transportar oito soldados, e deverá ser empregado na Amazônia -por sinal um dos teatros de operações do mesmo aparelho na vizinha Venezuela. Hoje o Brasil não tem helicópteros de ataque, improvisando armamentos em aparelhos de transporte.
Foi assinado também um protocolo de intenção de cooperação militar de amplo espectro, mas de pouca substância. De todo modo, é um passo para Moscou tentar reposicionar-se na disputa com a França pelo papel de parceiro estratégico do país no campo de defesa -embora o acordo a ser assinado com Paris na visita do presidente Nicolas Sarkozy em dezembro deverá ser bem mais detalhado e aprofundado.
Ele deverá incluir a compra de 50 helicópteros de transporte, de tecnologia menos avançada, da França. Eles seriam montados em Minas Gerais pela Helibrás, que é subsidiária da francesa Eurocopter.
A aquisição das aeronaves foi informada durante o encontro do presidente Lula com Medvedev, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estava presente no encontro ontem.
A Agência Espacial Brasileira e a Agência Federal Espacial da Federação da Rússia firmaram programa de cooperação para usar e desenvolver o Sistema Global de Navegação por Satélite russo, o Glonass -que pretende ser uma alternativa ao consagrado GPS, controlado pelos Estados Unidos.
Pelo combinado no acordo, as partes não podem vender ou transferir a terceiros produtos de destinação militar ou informações obtidas nesse intercâmbio, sem autorização prévia, por escrito, da outra parte.
Outro fruto das reuniões dos presidentes do Brasil e da Rússia foi a isenção de vistos de curta duração para turistas brasileiros e russos. Nacionais dos dois países poderão entrar, sair e transitar pelo outro Estado por até 90 dias, a cada período de 180 dias, a partir da primeira entrada, sem visto.
A decisão vale apenas para as visitas de turismo; para exercer alguma atividade profissional, missionária, trabalho voluntário, estudo, estágio ou pesquisa, continua a ser necessário ter o visto correspondente.
O presidente do Brasil afirmou que o comércio com a Rússia deve ir além das commodities e incluir produtos de maior valor agregado. Lula citou as áreas de tecnologia e militar, e disse que o PAC oferece uma oportunidade de empregar a experiência russa em ferrovias e infra-estrutura, bem como a Rússia pode se beneficiar do know-how brasileiro em biocombustíveis.
Medvedev foi ontem para a Venezuela, onde navios russos chegaram para polêmicos exercícios conjuntos no Caribe, e depois segue para Cuba”.
CONTRATO ASSINADO POR LULA E MEDVEDEV É ESTIMADO ENTRE US$ 250 MI E US$ 300 MI
“Em reunião no Itamaraty, no Rio, presidentes firmam acordo para isentar turistas dos dois países de vistos para visitas de até 90 dias
O Brasil anunciou ontem a compra de 12 helicópteros de ataque e transporte de tropas Mi-35M para a Força Aérea Brasileira, durante o último dia da visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao país.
O contrato, estimado entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões, prevê ainda o fornecimento de peças para as aeronaves. A FAB não falou sobre detalhes do contrato, que vinha sendo negociado há dois anos.
O Mi-35M é um dos mais modernos helicópteros do mundo, podendo transportar oito soldados, e deverá ser empregado na Amazônia -por sinal um dos teatros de operações do mesmo aparelho na vizinha Venezuela. Hoje o Brasil não tem helicópteros de ataque, improvisando armamentos em aparelhos de transporte.
Foi assinado também um protocolo de intenção de cooperação militar de amplo espectro, mas de pouca substância. De todo modo, é um passo para Moscou tentar reposicionar-se na disputa com a França pelo papel de parceiro estratégico do país no campo de defesa -embora o acordo a ser assinado com Paris na visita do presidente Nicolas Sarkozy em dezembro deverá ser bem mais detalhado e aprofundado.
Ele deverá incluir a compra de 50 helicópteros de transporte, de tecnologia menos avançada, da França. Eles seriam montados em Minas Gerais pela Helibrás, que é subsidiária da francesa Eurocopter.
A aquisição das aeronaves foi informada durante o encontro do presidente Lula com Medvedev, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estava presente no encontro ontem.
A Agência Espacial Brasileira e a Agência Federal Espacial da Federação da Rússia firmaram programa de cooperação para usar e desenvolver o Sistema Global de Navegação por Satélite russo, o Glonass -que pretende ser uma alternativa ao consagrado GPS, controlado pelos Estados Unidos.
Pelo combinado no acordo, as partes não podem vender ou transferir a terceiros produtos de destinação militar ou informações obtidas nesse intercâmbio, sem autorização prévia, por escrito, da outra parte.
Outro fruto das reuniões dos presidentes do Brasil e da Rússia foi a isenção de vistos de curta duração para turistas brasileiros e russos. Nacionais dos dois países poderão entrar, sair e transitar pelo outro Estado por até 90 dias, a cada período de 180 dias, a partir da primeira entrada, sem visto.
A decisão vale apenas para as visitas de turismo; para exercer alguma atividade profissional, missionária, trabalho voluntário, estudo, estágio ou pesquisa, continua a ser necessário ter o visto correspondente.
O presidente do Brasil afirmou que o comércio com a Rússia deve ir além das commodities e incluir produtos de maior valor agregado. Lula citou as áreas de tecnologia e militar, e disse que o PAC oferece uma oportunidade de empregar a experiência russa em ferrovias e infra-estrutura, bem como a Rússia pode se beneficiar do know-how brasileiro em biocombustíveis.
Medvedev foi ontem para a Venezuela, onde navios russos chegaram para polêmicos exercícios conjuntos no Caribe, e depois segue para Cuba”.
FEIO E BONITO
Texto de Eliane Cantanhêde, na Folha de São Paulo de ontem:
“BRASÍLIA - No espaço de uma semana, três poderosos entraram na linha de fogo e foram atingidos.
Ontem, o Supremo Tribunal Federal abriu ação penal contra o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça. De magistrado, Medina passa a réu, por "indícios suficientes" de envolvimento num esquema de venda de sentenças judiciais para bicheiros e donos de bingos da chamada "máfia dos caça-níqueis". Feio, não é?
Também ontem, o deputado Paulo Piau deu parecer favorável à cassação do colega Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no Conselho de Ética da Câmara. Paulinho da Força Sindical -que estava convidado para um jantar de Lula com sindicalistas ontem mesmo- é suspeito em diferentes casos cabeludos de desvio de verbas, ora do BNDES, ora do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Feio, não é?
E, na quinta-feira passada, o TSE decidiu cassar o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice, José Lacerda (DEM), sob a acusação de distribuição irregular de recursos públicos que seriam de... programas sociais. Feio, não é?
Feio para eles. O importante é que os processos andam, são analisados, criam polêmica e têm conseqüência. Os suspeitos/acusados têm direito a ampla defesa e dão as explicações que julgam pertinentes, a população acompanha tudo e pode concordar ou discordar.
Melhor assim do que inquéritos mirabolantes que custam fortunas, enroscam-se neles mesmos e acabam dando em nada. Ou quando -o que não é raro- acabam misturando réus e vítimas, acusados e acusadores, numa barafunda em que ninguém mais é capaz de saber quem é quem. Daí surgirem acusações e defesas igualmente inflamadas contra o investigado ou contra os seus investigadores.
Quem quiser que vista a carapuça. E você, aí, que não é nem uma coisa nem outra, sabe muito bem de quem estamos falando, certo?”
“BRASÍLIA - No espaço de uma semana, três poderosos entraram na linha de fogo e foram atingidos.
Ontem, o Supremo Tribunal Federal abriu ação penal contra o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça. De magistrado, Medina passa a réu, por "indícios suficientes" de envolvimento num esquema de venda de sentenças judiciais para bicheiros e donos de bingos da chamada "máfia dos caça-níqueis". Feio, não é?
Também ontem, o deputado Paulo Piau deu parecer favorável à cassação do colega Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no Conselho de Ética da Câmara. Paulinho da Força Sindical -que estava convidado para um jantar de Lula com sindicalistas ontem mesmo- é suspeito em diferentes casos cabeludos de desvio de verbas, ora do BNDES, ora do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Feio, não é?
E, na quinta-feira passada, o TSE decidiu cassar o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice, José Lacerda (DEM), sob a acusação de distribuição irregular de recursos públicos que seriam de... programas sociais. Feio, não é?
Feio para eles. O importante é que os processos andam, são analisados, criam polêmica e têm conseqüência. Os suspeitos/acusados têm direito a ampla defesa e dão as explicações que julgam pertinentes, a população acompanha tudo e pode concordar ou discordar.
Melhor assim do que inquéritos mirabolantes que custam fortunas, enroscam-se neles mesmos e acabam dando em nada. Ou quando -o que não é raro- acabam misturando réus e vítimas, acusados e acusadores, numa barafunda em que ninguém mais é capaz de saber quem é quem. Daí surgirem acusações e defesas igualmente inflamadas contra o investigado ou contra os seus investigadores.
Quem quiser que vista a carapuça. E você, aí, que não é nem uma coisa nem outra, sabe muito bem de quem estamos falando, certo?”
O RECUO DE CORREA
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem no seu editorial:
“O MINISTRO de Setores Estratégicos do Equador, Galo Borja, afirmou que o país continuará honrando a dívida de US$ 243 milhões contraída no BNDES para a construção da hidrelétrica de San Francisco. Trata-se de um gesto positivo, que corrige a atitude hostil da semana passada, quando Quito anunciou um calote.
Com a medida, a querela em torno da usina volta ao seu curso normal. Sem a pressão do calote, a divergência sobre eventuais vícios de construção ocasionados pela empreiteira Odebrecht deveria agora ser encaminhada para as cortes, observando-se o devido processo legal.
Foi o governo Correa que, ao ameaçar a moratória, elevou o assunto a um nível de Estado. O desembolso teria de ser bancado pelo contribuinte brasileiro, já que a dívida é assegurada pelo Tesouro. Além disso, o Equador seria prejudicado no âmbito do Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), pacto que garante o comércio de bens e serviços entre os países da Associação Latino-Americana de Integração.
Após o gesto amigável de Quito, o impasse pode retornar à esfera comercial. Para isso, foi decisiva a mudança de tom de Brasília. Até então, bravatas e violências contra interesses brasileiros eram tratadas com condescendência pelo governo Lula.
Foi o caso da invasão militar de uma refinaria da Petrobras na Bolívia. No Equador, além da ocupação de instalações da Odebrecht, executivos da empreiteira precisaram se refugiar na representação brasileira, pois foram sumariamente ameaçados de prisão. Ações truculentas e injustificáveis desse tipo não podem ser recebidas passivamente.
O anúncio do calote levou o Planalto a convocar o embaixador brasileiro em Quito, o movimento mais agressivo da diplomacia no governo Lula. Respostas diplomáticas duras são um recurso extremo: não podem ser banalizadas, nem tampouco descartadas por princípio.”
“O MINISTRO de Setores Estratégicos do Equador, Galo Borja, afirmou que o país continuará honrando a dívida de US$ 243 milhões contraída no BNDES para a construção da hidrelétrica de San Francisco. Trata-se de um gesto positivo, que corrige a atitude hostil da semana passada, quando Quito anunciou um calote.
Com a medida, a querela em torno da usina volta ao seu curso normal. Sem a pressão do calote, a divergência sobre eventuais vícios de construção ocasionados pela empreiteira Odebrecht deveria agora ser encaminhada para as cortes, observando-se o devido processo legal.
Foi o governo Correa que, ao ameaçar a moratória, elevou o assunto a um nível de Estado. O desembolso teria de ser bancado pelo contribuinte brasileiro, já que a dívida é assegurada pelo Tesouro. Além disso, o Equador seria prejudicado no âmbito do Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), pacto que garante o comércio de bens e serviços entre os países da Associação Latino-Americana de Integração.
Após o gesto amigável de Quito, o impasse pode retornar à esfera comercial. Para isso, foi decisiva a mudança de tom de Brasília. Até então, bravatas e violências contra interesses brasileiros eram tratadas com condescendência pelo governo Lula.
Foi o caso da invasão militar de uma refinaria da Petrobras na Bolívia. No Equador, além da ocupação de instalações da Odebrecht, executivos da empreiteira precisaram se refugiar na representação brasileira, pois foram sumariamente ameaçados de prisão. Ações truculentas e injustificáveis desse tipo não podem ser recebidas passivamente.
O anúncio do calote levou o Planalto a convocar o embaixador brasileiro em Quito, o movimento mais agressivo da diplomacia no governo Lula. Respostas diplomáticas duras são um recurso extremo: não podem ser banalizadas, nem tampouco descartadas por princípio.”
INFLAÇÃO PELO IGP-M CAI À METADE EM NOVEMBRO, PARA 0,38%
O Valor Online ontem publicou (li no UOL):
“RIO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,38% em novembro, menos da metade do 0,98% verificado um mês antes. Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi influenciado por uma suavização no ritmo de alta dos preços no atacado.
Pela pesquisa Focus mais recente, os agentes consultados pelo Banco Central (BC) projetavam elevação de 0,67% para o indicador deste mês. No ano, o IGP-M avançou 9,95%. Em 12 meses, foi apurado acréscimo de 11,88%.
Pelo levantamento da FGV, o Índice de Preços por Atacado (IPA) deixou para trás crescimento de 1,24% em outubro para um incremento de 0,30% no mês seguinte. Os produtos agropecuários, que tinham subido 0,48% no mês passado, registraram agora queda de 0,96%. Os produtos industriais ampliaram-se 0,75%, seguindo expansão de 1,52% em outubro.
Dos três estágios que compõem o IPA, o item definido como "matérias-primas brutas" teve alta de 0,42%. Os "bens intermediários" aumentaram 0,39% e os "bens finais" cresceram 0,06% em novembro. Um mês antes, essas taxas equivaleram a 2,09%, 1,14% e 0,64%, respectivamente.
Após avanço de 0,25% em outubro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi para 0,52% agora. O grupo "alimentação" subiu mais, indo de 0,13% para 0,97%, reflexo do encarecimento das carnes bovinas, laticínios e frutas, por exemplo. Também aumentaram mais "habitação" (0,38% para 0,45%) e "saúde e cuidados pessoais" (0,30% para 0,42%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve ampliação de 0,65% em novembro, ou 0,20 ponto percentual inferior em relação à taxa verificada no mês antecedente, de 0,85%.
O grupo "materiais e serviços" partiu de elevação de 1,46% para 1,01%. O indicador referente à "mão-de-obra" subiu 0,24%, excedendo em 0,10 ponto a marca anterior, de 0,14%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.”
“RIO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,38% em novembro, menos da metade do 0,98% verificado um mês antes. Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi influenciado por uma suavização no ritmo de alta dos preços no atacado.
Pela pesquisa Focus mais recente, os agentes consultados pelo Banco Central (BC) projetavam elevação de 0,67% para o indicador deste mês. No ano, o IGP-M avançou 9,95%. Em 12 meses, foi apurado acréscimo de 11,88%.
Pelo levantamento da FGV, o Índice de Preços por Atacado (IPA) deixou para trás crescimento de 1,24% em outubro para um incremento de 0,30% no mês seguinte. Os produtos agropecuários, que tinham subido 0,48% no mês passado, registraram agora queda de 0,96%. Os produtos industriais ampliaram-se 0,75%, seguindo expansão de 1,52% em outubro.
Dos três estágios que compõem o IPA, o item definido como "matérias-primas brutas" teve alta de 0,42%. Os "bens intermediários" aumentaram 0,39% e os "bens finais" cresceram 0,06% em novembro. Um mês antes, essas taxas equivaleram a 2,09%, 1,14% e 0,64%, respectivamente.
Após avanço de 0,25% em outubro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi para 0,52% agora. O grupo "alimentação" subiu mais, indo de 0,13% para 0,97%, reflexo do encarecimento das carnes bovinas, laticínios e frutas, por exemplo. Também aumentaram mais "habitação" (0,38% para 0,45%) e "saúde e cuidados pessoais" (0,30% para 0,42%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve ampliação de 0,65% em novembro, ou 0,20 ponto percentual inferior em relação à taxa verificada no mês antecedente, de 0,85%.
O grupo "materiais e serviços" partiu de elevação de 1,46% para 1,01%. O indicador referente à "mão-de-obra" subiu 0,24%, excedendo em 0,10 ponto a marca anterior, de 0,14%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.”
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
TEXTO COMPLETO DA DECLARAÇÃO BRASIL-RÚSSIA
O site DEFESA@NET ontem publicou:
“VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA, DMITRI MEDVEDEV -
Rio de Janeiro, 24 a 26 de novembro de 2008
DECLARAÇÃO CONJUNTA
Os Presidentes da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, reuniram-se hoje, 26 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro, em histórico encontro que celebra o 180° aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A visita oficial do Presidente da Federação da Rússia ao Brasil confirma a determinação dos dois Chefes de Estado de aprofundar a Parceria Estratégica bilateral, lançada em 2002.
2. Os Presidentes realçaram que a Rússia e o Brasil compartilham valores comuns de respeito ao direito internacional, aos princípios da democracia, ao desenvolvimento sustentável, à garantia da paz e da segurança internacionais e à defesa dos direitos humanos.
3. Os Chefes de Estado constataram a convergência de posições do Brasil e da Rússia em favor de um sistema internacional mais democrático que leve plenamente em conta os interesses legítimos dos novos centros de influência econômica e política e que se baseie no primado do Direito Internacional. Os Presidentes exprimiram a intenção de trabalhar junto com outros Estados para alcançar este objetivo.
4. Durante o encontro, os Presidentes revisaram as principais questões da agenda bilateral e multilateral. Destacaram a coincidência de opiniões quanto à conveniência de realizar reuniões periódicas dos titulares de Ministérios e entidades da Rússia e do Brasil.
5. Os dois Presidentes reafirmaram a convergência de posições entre o Brasil e a Rússia quanto à necessidade de consolidar a primazia do multilateralismo no mundo contemporâneo. Realçaram, mais uma vez, a importância de manter o papel central e coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU). Concordaram na necessidade de fortalecer e reformar a Organização para reagir de forma adequada às demandas contemporâneas e refletir a realidade política e econômica em transformação.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio da Federação da Rússia à candidatura do Brasil para membro permanente de um CSNU reformado, no entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre a ampliação do Conselho de Segurança, tanto na categoria de membros permanentes quanto na de não-permanentes. Os dois Chefes de Estado coincidiram quanto à necessidade de progresso mais rápido no que diz respeito à reforma da ONU, inclusive a ampliação da composição do Conselho de Segurança.
6. Os Chefes de Estado reafirmaram o compromisso dos dois países com o papel central da ONU no combate ao terrorismo internacional e a outros novos desafios e ameaças.
Declararam sua determinação de colaborar na realização da Estratégia Global Antiterrorismo da ONU, na garantia do cumprimento rigoroso das convenções antiterroristas de que são parte e de sua implementação na legislação nacional. Foi destacado o significado do aperfeiçoamento do arcabouço jurídico internacional no combate ao terrorismo e da conclusão do processo de negociação da Convenção Abrangente sobre Terrorismo Internacional.
7. Os Presidentes destacaram a necessidade de empreender esforços para ativar a cooperação bilateral no combate ao terrorismo, ao tráfico ilícito de drogas e ao crime organizado transnacional, no marco de organismos e fóruns regionais.
8. Os Chefes de Estado ressaltaram a convicção de que somente os meios político-diplomáticos devem ser empregados na busca de solução para conflitos e crises internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos princípios e normas do Direito Internacional, e levando em consideração os interesses legítimos de todas as partes envolvidas.
9. Os Presidentes saudaram o diálogo desenvolvido no âmbito do Grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e assinalaram a importância desse foro para a busca conjunta de soluções para problemas globais. Expressaram satisfação com os resultados do encontro de Chanceleres dos quatro países em Ecaterimburgo, em maio deste ano, e da reunião dos Ministros da Fazenda dos quatro países em São Paulo, em novembro do ano corrente. Os Presidentes manifestaram-se a favor da realização na Rússia, no ano de 2009, da primeira cúpula presidencial dos BRICs.
10. Os Chefes de Estado pronunciaram-se a favor do aprofundamento da cooperação entre os países do G8 e os principais países emergentes que integram o G-5, inclusive o Brasil.
11. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do Brasil à acessão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando o peso do país no comércio internacional. Sublinhou que a presença da Rússia na OMC favorecerá sua plena integração à economia mundial e contribuirá para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
12. Os dois líderes concordaram que a mudança do clima é uma das questões-chave da agenda internacional, como reconhecido no Mapa do Caminho de Bali.
Convergiram quanto à necessidade de ampla cooperação em âmbito global, com base nos instrumentos internacionais sobre o tema – a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e seu Protocolo de Quioto -, reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
13. Os Presidentes reiteraram o caráter prioritário que atribuem ao uso e à exploração do espaço exterior para fins pacíficos e salientaram a disposição dos dois Governos de aprofundarem o intercâmbio nessa área de especial relevância. Os dois Mandatários manifestaram pleno apoio aos trabalhos bilaterais em curso para a modernização do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e expressaram sua determinação em promover a parceria tecnológica para o desenvolvimento de veículos lançadores de nova geração.
Expressaram, igualmente, sua satisfação com as conversações em andamento relacionadas às áreas de telecomunicações, navegação por satélites, capacitação em áreas técnicas e de engenharia, bem como à realização de experimentos brasileiros no segmento russo da Estação Espacial Internacional. Os Presidentes consideraram de extrema importância a entrada em vigor do Acordo sobre Proteção Mútua de Tecnologias Associadas à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos, o que propiciará o início da efetiva implementação dos projetos almejados pelos dois países.
14. Os Mandatários russo e brasileiro expressaram satisfação com a assinatura do "Acordo de Cooperação Técnico-Militar", que permitirá explorar o potencial existente entre os dois países, com a formação de parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de defesa. Os dois Presidentes congratularam-se também pela assinatura, em 23 de outubro de 2008, do contrato entre o Comando da Aeronáutica do Brasil e a Empresa Federal Estatal Unitária Rosoboronexport, relativo à aquisição de helicópteros MI-35-M, ao apoio técnico para manutenção das aeronaves, bem como à harmonização de procedimentos relativos à homologação e à certificação de aeronaves.
15. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Rússia na América Latina, os Presidentes congratularam-se pela contínua expansão do comércio bilateral, que ultrapassou o volume total de U$ 5 bilhões em 2007, devendo apresentar novo recorde histórico em 2008. Concordaram, no entanto, quanto à necessidade de diversificar a pauta bilateral de bens e serviços e de aprofundar o relacionamento comercial, de forma a refletir o dinamismo e as dimensões das economias do Brasil e da Rússia.
16. Os dois mandatários também confirmaram a disposição de estimular a realização de investimentos recíprocos de grande porte e a formação de joint ventures russo-brasileiras. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse brasileiro em receber investimentos russos na área de infra-estrutura no marco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
17. No âmbito econômico-financeiro, os dois mandatários expressaram que a "Convenção para Evitar a Dupla Tributação" favorecerá as condições para a cooperação empresarial entre a Rússia e o Brasil, devendo incentivar o exame de outras iniciativas no nível governamental que possam contribuir para o adensamento das relações bilaterais.
18. Os Presidentes assinalaram que existe um potencial significativo para a cooperação no setor de energia. Defenderam a realização de investimentos mútuos das empresas dos seus países no aproveitamento dos recursos naturais no Brasil e na Rússia, considerando as oportunidades existentes para este fim. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse do Brasil em partilhar com a Rússia experiências na produção de biocombustíveis. O Presidente Dmitri Medvedev saudou a realização, em novembro do corrente ano, em São Paulo, da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis.
19. Os dois Presidentes reconheceram que o entendimento mútuo estabelecido entre autoridades sanitárias de ambos os países ensejará o aumento dos fluxos de comércio de produtos agropecuários.
20. Os Chefes de Estado manifestaram sua satisfação pela assinatura do "Acordo para Supressão de Vistos para Portadores de Passaportes Comuns", cuja entrada em vigor deste Acordo dará impulso essencial à ampliação de contatos entre nacionais dos dois países, condição importante para reforçar os laços bilaterais nas áreas econômico-comercial, humanitária e cultural. Os Presidentes da Rússia e do Brasil salientaram também que o intercâmbio turístico entre os dois países será apoiado pelo "Acordo de Cooperação na Área Turística", que entrou em vigor no ano corrente.
21. Os dois Mandatários defenderam o fortalecimento da cooperação entre regiões e cidades dos dois países, levando em consideração o potencial significativo de tal cooperação, que já apresentou resultados bem-sucedidos.
22. No decorrer das conversações, atenção especial foi dedicada à cooperação cultural. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez especial menção às atividades da Escola do Teatro Bolshoi de Moscou em Joinville (SC). O Presidente Dmitri Medvedev destacou o êxito das escolas de futebol brasileiro na Rússia. Os dois líderes apontaram as possibilidades de cooperação na área do esporte, inclusive em suas modalidades olímpicas.
23. Os dois Presidentes congratularam-se com a assinatura, em 15 de dezembro de 2006, do "Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Mecanismo de Diálogo Político e Cooperação entre a Federação da Rússia e os Estados Partes e Estados Associados do Mercado Comum do Sul (Mercosul)". O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esse novo foro ganha especial relevo à luz da importância do Mercosul na integração regional.
24. Os dois Chefes de Estado congratularam-se pelos resultados da V Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), realizada em Brasília, em 17 e 18 de novembro corrente.
Registraram satisfação com os avanços nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, comércio, investimentos, energia, técnico-militar e de defesa, uso do espaço exterior para fins pacíficos e cooperação inter-regional. Os dois Presidentes expressaram a convicção de que a V Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), a realizar-se na Rússia, em 2009, sob a co-presidência do Vice-Presidente da República, Senhor José Alencar Gomes da Silva, e do Presidente do Governo da Federação da Rússia, Senhor Vladimir Putin, trará resultados significativos para a consolidação de uma verdadeira parceria estratégica.
25. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Dmitri Medvedev instruíram os órgãos responsáveis de seus países a elaborar o Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Rússia.
26. Os dois Presidentes expressaram profunda satisfação com as conversações realizadas, que representaram mais um capítulo significativo no relacionamento russo-brasileiro. Reiteraram seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento do diálogo entre o Brasil e a Rússia sobre todos os assuntos de interesse mútuo.
27. O Presidente Dmitri Medvedev convidou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar a Rússia em data que lhe seja conveniente. O convite foi aceito com satisfação. As datas concretas da visita serão acordadas por via diplomática.”
“VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA, DMITRI MEDVEDEV -
Rio de Janeiro, 24 a 26 de novembro de 2008
DECLARAÇÃO CONJUNTA
Os Presidentes da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, reuniram-se hoje, 26 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro, em histórico encontro que celebra o 180° aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A visita oficial do Presidente da Federação da Rússia ao Brasil confirma a determinação dos dois Chefes de Estado de aprofundar a Parceria Estratégica bilateral, lançada em 2002.
2. Os Presidentes realçaram que a Rússia e o Brasil compartilham valores comuns de respeito ao direito internacional, aos princípios da democracia, ao desenvolvimento sustentável, à garantia da paz e da segurança internacionais e à defesa dos direitos humanos.
3. Os Chefes de Estado constataram a convergência de posições do Brasil e da Rússia em favor de um sistema internacional mais democrático que leve plenamente em conta os interesses legítimos dos novos centros de influência econômica e política e que se baseie no primado do Direito Internacional. Os Presidentes exprimiram a intenção de trabalhar junto com outros Estados para alcançar este objetivo.
4. Durante o encontro, os Presidentes revisaram as principais questões da agenda bilateral e multilateral. Destacaram a coincidência de opiniões quanto à conveniência de realizar reuniões periódicas dos titulares de Ministérios e entidades da Rússia e do Brasil.
5. Os dois Presidentes reafirmaram a convergência de posições entre o Brasil e a Rússia quanto à necessidade de consolidar a primazia do multilateralismo no mundo contemporâneo. Realçaram, mais uma vez, a importância de manter o papel central e coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU). Concordaram na necessidade de fortalecer e reformar a Organização para reagir de forma adequada às demandas contemporâneas e refletir a realidade política e econômica em transformação.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio da Federação da Rússia à candidatura do Brasil para membro permanente de um CSNU reformado, no entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre a ampliação do Conselho de Segurança, tanto na categoria de membros permanentes quanto na de não-permanentes. Os dois Chefes de Estado coincidiram quanto à necessidade de progresso mais rápido no que diz respeito à reforma da ONU, inclusive a ampliação da composição do Conselho de Segurança.
6. Os Chefes de Estado reafirmaram o compromisso dos dois países com o papel central da ONU no combate ao terrorismo internacional e a outros novos desafios e ameaças.
Declararam sua determinação de colaborar na realização da Estratégia Global Antiterrorismo da ONU, na garantia do cumprimento rigoroso das convenções antiterroristas de que são parte e de sua implementação na legislação nacional. Foi destacado o significado do aperfeiçoamento do arcabouço jurídico internacional no combate ao terrorismo e da conclusão do processo de negociação da Convenção Abrangente sobre Terrorismo Internacional.
7. Os Presidentes destacaram a necessidade de empreender esforços para ativar a cooperação bilateral no combate ao terrorismo, ao tráfico ilícito de drogas e ao crime organizado transnacional, no marco de organismos e fóruns regionais.
8. Os Chefes de Estado ressaltaram a convicção de que somente os meios político-diplomáticos devem ser empregados na busca de solução para conflitos e crises internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos princípios e normas do Direito Internacional, e levando em consideração os interesses legítimos de todas as partes envolvidas.
9. Os Presidentes saudaram o diálogo desenvolvido no âmbito do Grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e assinalaram a importância desse foro para a busca conjunta de soluções para problemas globais. Expressaram satisfação com os resultados do encontro de Chanceleres dos quatro países em Ecaterimburgo, em maio deste ano, e da reunião dos Ministros da Fazenda dos quatro países em São Paulo, em novembro do ano corrente. Os Presidentes manifestaram-se a favor da realização na Rússia, no ano de 2009, da primeira cúpula presidencial dos BRICs.
10. Os Chefes de Estado pronunciaram-se a favor do aprofundamento da cooperação entre os países do G8 e os principais países emergentes que integram o G-5, inclusive o Brasil.
11. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do Brasil à acessão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando o peso do país no comércio internacional. Sublinhou que a presença da Rússia na OMC favorecerá sua plena integração à economia mundial e contribuirá para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
12. Os dois líderes concordaram que a mudança do clima é uma das questões-chave da agenda internacional, como reconhecido no Mapa do Caminho de Bali.
Convergiram quanto à necessidade de ampla cooperação em âmbito global, com base nos instrumentos internacionais sobre o tema – a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e seu Protocolo de Quioto -, reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
13. Os Presidentes reiteraram o caráter prioritário que atribuem ao uso e à exploração do espaço exterior para fins pacíficos e salientaram a disposição dos dois Governos de aprofundarem o intercâmbio nessa área de especial relevância. Os dois Mandatários manifestaram pleno apoio aos trabalhos bilaterais em curso para a modernização do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e expressaram sua determinação em promover a parceria tecnológica para o desenvolvimento de veículos lançadores de nova geração.
Expressaram, igualmente, sua satisfação com as conversações em andamento relacionadas às áreas de telecomunicações, navegação por satélites, capacitação em áreas técnicas e de engenharia, bem como à realização de experimentos brasileiros no segmento russo da Estação Espacial Internacional. Os Presidentes consideraram de extrema importância a entrada em vigor do Acordo sobre Proteção Mútua de Tecnologias Associadas à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos, o que propiciará o início da efetiva implementação dos projetos almejados pelos dois países.
14. Os Mandatários russo e brasileiro expressaram satisfação com a assinatura do "Acordo de Cooperação Técnico-Militar", que permitirá explorar o potencial existente entre os dois países, com a formação de parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de defesa. Os dois Presidentes congratularam-se também pela assinatura, em 23 de outubro de 2008, do contrato entre o Comando da Aeronáutica do Brasil e a Empresa Federal Estatal Unitária Rosoboronexport, relativo à aquisição de helicópteros MI-35-M, ao apoio técnico para manutenção das aeronaves, bem como à harmonização de procedimentos relativos à homologação e à certificação de aeronaves.
15. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Rússia na América Latina, os Presidentes congratularam-se pela contínua expansão do comércio bilateral, que ultrapassou o volume total de U$ 5 bilhões em 2007, devendo apresentar novo recorde histórico em 2008. Concordaram, no entanto, quanto à necessidade de diversificar a pauta bilateral de bens e serviços e de aprofundar o relacionamento comercial, de forma a refletir o dinamismo e as dimensões das economias do Brasil e da Rússia.
16. Os dois mandatários também confirmaram a disposição de estimular a realização de investimentos recíprocos de grande porte e a formação de joint ventures russo-brasileiras. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse brasileiro em receber investimentos russos na área de infra-estrutura no marco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
17. No âmbito econômico-financeiro, os dois mandatários expressaram que a "Convenção para Evitar a Dupla Tributação" favorecerá as condições para a cooperação empresarial entre a Rússia e o Brasil, devendo incentivar o exame de outras iniciativas no nível governamental que possam contribuir para o adensamento das relações bilaterais.
18. Os Presidentes assinalaram que existe um potencial significativo para a cooperação no setor de energia. Defenderam a realização de investimentos mútuos das empresas dos seus países no aproveitamento dos recursos naturais no Brasil e na Rússia, considerando as oportunidades existentes para este fim. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse do Brasil em partilhar com a Rússia experiências na produção de biocombustíveis. O Presidente Dmitri Medvedev saudou a realização, em novembro do corrente ano, em São Paulo, da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis.
19. Os dois Presidentes reconheceram que o entendimento mútuo estabelecido entre autoridades sanitárias de ambos os países ensejará o aumento dos fluxos de comércio de produtos agropecuários.
20. Os Chefes de Estado manifestaram sua satisfação pela assinatura do "Acordo para Supressão de Vistos para Portadores de Passaportes Comuns", cuja entrada em vigor deste Acordo dará impulso essencial à ampliação de contatos entre nacionais dos dois países, condição importante para reforçar os laços bilaterais nas áreas econômico-comercial, humanitária e cultural. Os Presidentes da Rússia e do Brasil salientaram também que o intercâmbio turístico entre os dois países será apoiado pelo "Acordo de Cooperação na Área Turística", que entrou em vigor no ano corrente.
21. Os dois Mandatários defenderam o fortalecimento da cooperação entre regiões e cidades dos dois países, levando em consideração o potencial significativo de tal cooperação, que já apresentou resultados bem-sucedidos.
22. No decorrer das conversações, atenção especial foi dedicada à cooperação cultural. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez especial menção às atividades da Escola do Teatro Bolshoi de Moscou em Joinville (SC). O Presidente Dmitri Medvedev destacou o êxito das escolas de futebol brasileiro na Rússia. Os dois líderes apontaram as possibilidades de cooperação na área do esporte, inclusive em suas modalidades olímpicas.
23. Os dois Presidentes congratularam-se com a assinatura, em 15 de dezembro de 2006, do "Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Mecanismo de Diálogo Político e Cooperação entre a Federação da Rússia e os Estados Partes e Estados Associados do Mercado Comum do Sul (Mercosul)". O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esse novo foro ganha especial relevo à luz da importância do Mercosul na integração regional.
24. Os dois Chefes de Estado congratularam-se pelos resultados da V Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), realizada em Brasília, em 17 e 18 de novembro corrente.
Registraram satisfação com os avanços nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, comércio, investimentos, energia, técnico-militar e de defesa, uso do espaço exterior para fins pacíficos e cooperação inter-regional. Os dois Presidentes expressaram a convicção de que a V Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), a realizar-se na Rússia, em 2009, sob a co-presidência do Vice-Presidente da República, Senhor José Alencar Gomes da Silva, e do Presidente do Governo da Federação da Rússia, Senhor Vladimir Putin, trará resultados significativos para a consolidação de uma verdadeira parceria estratégica.
25. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Dmitri Medvedev instruíram os órgãos responsáveis de seus países a elaborar o Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Rússia.
26. Os dois Presidentes expressaram profunda satisfação com as conversações realizadas, que representaram mais um capítulo significativo no relacionamento russo-brasileiro. Reiteraram seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento do diálogo entre o Brasil e a Rússia sobre todos os assuntos de interesse mútuo.
27. O Presidente Dmitri Medvedev convidou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar a Rússia em data que lhe seja conveniente. O convite foi aceito com satisfação. As datas concretas da visita serão acordadas por via diplomática.”
A CRISE E A POPULARIDADE DE LULA
O blog “Cidadania.com”, de Eduardo Guimarães, ontem publicou:
“Talvez vocês não tenham notado, mas desde a explosão – ou seria da conscientização mundial? – da crise econômica internacional, enfim, desde a hecatombe ocorrida em 15 de setembro último com a quebra do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch e a tentativa da seguradora AIG de conseguir empréstimo do governo americano – e isso já tem mais de setenta (!) dias – que não se divulga novos dados sobre a popularidade de Lula.
Desde então, num gradiente impressionante de disseminação de pânico nos agentes econômicos, vemos a mídia alardear desgraças múltiplas que se abateriam sobre o país por conta da crise econômica internacional.
O alarde sobre contaminação do Brasil pela crise internacional ganhou impulso com declaração pública de Lula de que os efeitos dos problemas nos EUA, na Europa e na Ásia nos atingiriam com a intensidade de uma “marolinha”. A mídia viu aí oportunidade para Lula faturar politicamente com as desgraças no Norte e no Oriente do mundo e decidiu fazer do limão uma limonada “provando” que o presidente teria sido irresponsável.
Além disso, o recrudescimento da crise internacional era aguardado com ansiedade pela direita brasileira, por seus jornais, revistas e cadeias de televisão e rádio, pois a resistência da popularidade lulista era debitada por eles a uma inexistente “bonança mundial” que só continuava existindo mesmo nos seus discursos, que por sua vez tinham como fim “explicar” o espantoso crescimento do Brasil – por “explicar”, vale dizer, entenda-se minimizar.
O diabo era que o país não se entregava à crise facilmente. Quase um mês depois do fatídico 15 de setembro, paulistanos e cariocas lotaram ruas de comércio varejista às centenas de milhares para comprarem presentes de “Dia das Crianças” para os seus filhos.
Contudo, nos setores mais elitizados e, portanto, mais sujeitos aos efeitos da grande imprensa oposicionista, as previsões de desgraças paralisaram esse consumidor de alto poder aquisitivo, que parou de comprar automóveis e imóveis.
O vislumbre de lucro político com a crise encantou até mesmo cidadãos comuns que rejeitam o governo Lula e seus inegáveis avanços com um fundamentalismo quase patológico. Conservadores comuns e aqueles ligados à política e à mídia começaram a “comemorar” a crise e a possibilidade de a economia reduzir a euforia da população com o forte aumento do emprego, da renda e com a queda da pobreza e da miséria, fatores que estariam gerando a enorme – e até então crescente – popularidade de Lula.
Fica difícil dizer se os problemas surgidos no Brasil até agora foram apenas uma “marolinha”, como disse o presidente, ou se há, de fato, algo preocupante acontecendo na economia do país. Os dados econômicos todos, porém, autorizam afirmar que, até agora, não houve mais do que uma mera “marolinha” em nossa economia. A mídia e a oposição tucano-pefelista, porém, afirmam que os dados que estão aparecendo são os do “retrovisor”, ou seja, seriam dados sobre o passado.
Não é bem assim. Dados sobre a expansão do crédito, sobre o nível de emprego, sobre a produção industrial, sobre o investimento estrangeiro e muitos outros já são negativos na maior parte do mundo. No mês de outubro, por exemplo, enquanto nos EUA, na Europa e na Ásia já se constata recessão – e constatar recessão não acontece de um dia para o outro –, no Brasil a economia continuou batendo recordes.
De qualquer forma, com ou sem crise já começa a ficar meio estranho que não surja nenhuma pesquisa sobre a popularidade de Lula. É bobagem afirmar, aliás, que esses dados não estão sendo pesquisados. O próprio governo é senhor dos dados sobre a própria popularidade tanto quanto seus adversários, que por sua vez têm nas mãos boa parte dos grandes institutos de pesquisa.
A não-divulgação desses dados pode – apenas pode, que fique registrado – dizer respeito a uma eventual resistência da popularidade do presidente da República, até porque não haveria tempo para os efeitos localizados gerados à economia por conta da crise terem promovido pioras significativas na qualidade de vida das pessoas, ainda que seja inegável o sucesso da mídia nessa sua nova disseminação de pânico.
Porém, os números da economia fazem crer que mesmo o medo que se instalou no país pode não ter abalado a popularidade de Lula como seus adversários acreditam que ocorrerá ou até que já ocorreu. Resta saber, assim, se a maioria que apoiou a reeleição de Lula e seu projeto para o país apesar de todo bombardeio da mídia em 2004, 2005 e 2006, virar-lhe-á as costas agora por problemas ainda tímidos na economia num contexto em que todos vêem o mundo desabar lá fora.
Em minha opinião, há elementos suficientes para fundamentar a teoria de que a mídia pode quebrar a cara de uma vez por todas com sua aposta nesta crise, pois se suas previsões catastróficas não se materializarem de forma a causar estragos consideráveis nas vidas das pessoas ela terá chancelado, sem querer, a afirmação de que Lula é, sim, um bom governante, pois a mesma mídia tem cansado de alardear que “agora, sim, veremos do que ele é capaz, pois, até então, vinha voando em céu de brigadeiro”.
Como eu disse acima, já é preciso ficar de olho no tempo que está decorrendo desde a última sondagem sobre a popularidade do presidente da República. Esses números certamente já foram apurados várias vezes nos últimos dois meses. A decisão de divulgá-los costuma obedecer aos interesses políticos de José Serra e de seu grupo político. Diante disso, vejo indícios de que o efeito desmoralizador pretendido pela mídia ainda não foi atingido.
Nesse aspecto, vale reproduzir trecho final de comentário feito hoje pelo colunista do jornal Folha de São Paulo Fernando Rodrigues:
(...) No Planalto, mesmo vendo a degradação do cenário [econômico], Lula parece comandar um bloco do auto-engano. Repete um mantra sobre a solidez do país. Fará uma propaganda na TV a respeito. Ou o petista enxerga o que ninguém vê ou prepara o país para uma das maiores decepções recentes ao longo do ano de 2009. A ver.
Vejam que interessante: a mídia, apesar dos sucessos inegáveis deste governo, continua a subestimá-lo. Lula seria um irresponsável que fica vendendo seu auto-engano. Tratar-se-ia de um alienado que não enxerga um palmo diante do nariz. A burrice é tanta que ainda não aprenderam a não subestimar alguém que vem conduzindo o país de uma forma que o mundo inteiro – e inclusive a imprensa internacional – vem reconhecendo.”
“Talvez vocês não tenham notado, mas desde a explosão – ou seria da conscientização mundial? – da crise econômica internacional, enfim, desde a hecatombe ocorrida em 15 de setembro último com a quebra do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch e a tentativa da seguradora AIG de conseguir empréstimo do governo americano – e isso já tem mais de setenta (!) dias – que não se divulga novos dados sobre a popularidade de Lula.
Desde então, num gradiente impressionante de disseminação de pânico nos agentes econômicos, vemos a mídia alardear desgraças múltiplas que se abateriam sobre o país por conta da crise econômica internacional.
O alarde sobre contaminação do Brasil pela crise internacional ganhou impulso com declaração pública de Lula de que os efeitos dos problemas nos EUA, na Europa e na Ásia nos atingiriam com a intensidade de uma “marolinha”. A mídia viu aí oportunidade para Lula faturar politicamente com as desgraças no Norte e no Oriente do mundo e decidiu fazer do limão uma limonada “provando” que o presidente teria sido irresponsável.
Além disso, o recrudescimento da crise internacional era aguardado com ansiedade pela direita brasileira, por seus jornais, revistas e cadeias de televisão e rádio, pois a resistência da popularidade lulista era debitada por eles a uma inexistente “bonança mundial” que só continuava existindo mesmo nos seus discursos, que por sua vez tinham como fim “explicar” o espantoso crescimento do Brasil – por “explicar”, vale dizer, entenda-se minimizar.
O diabo era que o país não se entregava à crise facilmente. Quase um mês depois do fatídico 15 de setembro, paulistanos e cariocas lotaram ruas de comércio varejista às centenas de milhares para comprarem presentes de “Dia das Crianças” para os seus filhos.
Contudo, nos setores mais elitizados e, portanto, mais sujeitos aos efeitos da grande imprensa oposicionista, as previsões de desgraças paralisaram esse consumidor de alto poder aquisitivo, que parou de comprar automóveis e imóveis.
O vislumbre de lucro político com a crise encantou até mesmo cidadãos comuns que rejeitam o governo Lula e seus inegáveis avanços com um fundamentalismo quase patológico. Conservadores comuns e aqueles ligados à política e à mídia começaram a “comemorar” a crise e a possibilidade de a economia reduzir a euforia da população com o forte aumento do emprego, da renda e com a queda da pobreza e da miséria, fatores que estariam gerando a enorme – e até então crescente – popularidade de Lula.
Fica difícil dizer se os problemas surgidos no Brasil até agora foram apenas uma “marolinha”, como disse o presidente, ou se há, de fato, algo preocupante acontecendo na economia do país. Os dados econômicos todos, porém, autorizam afirmar que, até agora, não houve mais do que uma mera “marolinha” em nossa economia. A mídia e a oposição tucano-pefelista, porém, afirmam que os dados que estão aparecendo são os do “retrovisor”, ou seja, seriam dados sobre o passado.
Não é bem assim. Dados sobre a expansão do crédito, sobre o nível de emprego, sobre a produção industrial, sobre o investimento estrangeiro e muitos outros já são negativos na maior parte do mundo. No mês de outubro, por exemplo, enquanto nos EUA, na Europa e na Ásia já se constata recessão – e constatar recessão não acontece de um dia para o outro –, no Brasil a economia continuou batendo recordes.
De qualquer forma, com ou sem crise já começa a ficar meio estranho que não surja nenhuma pesquisa sobre a popularidade de Lula. É bobagem afirmar, aliás, que esses dados não estão sendo pesquisados. O próprio governo é senhor dos dados sobre a própria popularidade tanto quanto seus adversários, que por sua vez têm nas mãos boa parte dos grandes institutos de pesquisa.
A não-divulgação desses dados pode – apenas pode, que fique registrado – dizer respeito a uma eventual resistência da popularidade do presidente da República, até porque não haveria tempo para os efeitos localizados gerados à economia por conta da crise terem promovido pioras significativas na qualidade de vida das pessoas, ainda que seja inegável o sucesso da mídia nessa sua nova disseminação de pânico.
Porém, os números da economia fazem crer que mesmo o medo que se instalou no país pode não ter abalado a popularidade de Lula como seus adversários acreditam que ocorrerá ou até que já ocorreu. Resta saber, assim, se a maioria que apoiou a reeleição de Lula e seu projeto para o país apesar de todo bombardeio da mídia em 2004, 2005 e 2006, virar-lhe-á as costas agora por problemas ainda tímidos na economia num contexto em que todos vêem o mundo desabar lá fora.
Em minha opinião, há elementos suficientes para fundamentar a teoria de que a mídia pode quebrar a cara de uma vez por todas com sua aposta nesta crise, pois se suas previsões catastróficas não se materializarem de forma a causar estragos consideráveis nas vidas das pessoas ela terá chancelado, sem querer, a afirmação de que Lula é, sim, um bom governante, pois a mesma mídia tem cansado de alardear que “agora, sim, veremos do que ele é capaz, pois, até então, vinha voando em céu de brigadeiro”.
Como eu disse acima, já é preciso ficar de olho no tempo que está decorrendo desde a última sondagem sobre a popularidade do presidente da República. Esses números certamente já foram apurados várias vezes nos últimos dois meses. A decisão de divulgá-los costuma obedecer aos interesses políticos de José Serra e de seu grupo político. Diante disso, vejo indícios de que o efeito desmoralizador pretendido pela mídia ainda não foi atingido.
Nesse aspecto, vale reproduzir trecho final de comentário feito hoje pelo colunista do jornal Folha de São Paulo Fernando Rodrigues:
(...) No Planalto, mesmo vendo a degradação do cenário [econômico], Lula parece comandar um bloco do auto-engano. Repete um mantra sobre a solidez do país. Fará uma propaganda na TV a respeito. Ou o petista enxerga o que ninguém vê ou prepara o país para uma das maiores decepções recentes ao longo do ano de 2009. A ver.
Vejam que interessante: a mídia, apesar dos sucessos inegáveis deste governo, continua a subestimá-lo. Lula seria um irresponsável que fica vendendo seu auto-engano. Tratar-se-ia de um alienado que não enxerga um palmo diante do nariz. A burrice é tanta que ainda não aprenderam a não subestimar alguém que vem conduzindo o país de uma forma que o mundo inteiro – e inclusive a imprensa internacional – vem reconhecendo.”
CADÊ A TAL CRISE ALARDEADA POR TODA A MÍDIA?
TAXA DE DESEMPREGO DE OUTUBRO É A MENOR PARA O PERÍODO DESDE 1998
Li ontem no UOL o seguinte texto de Flávia Albuquerque, repórter da Agência Brasil:
“São Paulo - O desemprego caiu de 14,1% em setembro para 13,4% em outubro nas seis regiões metropolitanas em que é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), segundo informações da Agência Brasil, vinculada ao governo federal.
Segundo a Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), responsáveis pela pesquisa, é a menor taxa para o mês de outubro desde 1998. O número de desempregados foi de 2.698 mil, 141 mil a menos do que no mês anterior.
No mês de outubro, o nível de ocupação cresceu 2,3% em Recife; 1% em São Paulo; 0,85% em Porto Alegre; e 0,3% em Belo Horizonte, caindo 0,3% em Salvador. No Distrito Federal, a taxa manteve-se estável. O nível ocupacional aumentou no setor de serviços, com 63 mil novas vagas; na indústria, com 41 mil; na construção civil, com 28 mil; e em outros setores, com 18 mil novos postos. No comércio, houve queda, com o desaparecimento de 13 mil vagas.
O rendimento médio real dos ocupados passou a ser de R$ 1.167, com queda de 0,5%, e o dos assalariados, de R$ 1.215,00, com recuo de 1%.
Na comparação com outubro de 2007, o nível de ocupação nas seis regiões pesquisadas pelo Seade-Dieese aumentou 5%, com a geração de 840 postos de trabalho. De acordo com os dados, o total foi maior do que o de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho, 592 mil. Isso fez com que o contingente de desempregados fosse reduzido em 247 mil pessoas. Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego nas seis regiões diminuiu de 15,0% para 13,4%.
Segundo a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, os resultados de outubro ainda não refletem a crise econômica internacional, cujos efeitos devem começar a ser sentidos no início de 2009. Entretanto, disse a economista, é preciso lembrar que tais efeitos dependerão de como as políticas econômicas serão implantadas pelo governo para tentar proteger o país.
Patricia reforçou que o crescimento entre 3% e 3,5% é suficiente para manter o Brasil em um bom ritmo de crescimento sem que isso gere impactos muito fortes no mercado de trabalho. "O que pode acontecer é que, se o país continuar crescendo 3% ou 3,5%, isso provavelmente não afetará o emprego." Ela destacou a necessidade de manutenção do crédito do investimento público para fortalecer o mercado interno e dar continuidade ao crescimento da economia e do emprego.
A economista estima que o ano feche com índice em torno de 13% a 14%, o menor de toda a série, que vem diminuindo ao longo dos meses.”
Li ontem no UOL o seguinte texto de Flávia Albuquerque, repórter da Agência Brasil:
“São Paulo - O desemprego caiu de 14,1% em setembro para 13,4% em outubro nas seis regiões metropolitanas em que é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), segundo informações da Agência Brasil, vinculada ao governo federal.
Segundo a Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), responsáveis pela pesquisa, é a menor taxa para o mês de outubro desde 1998. O número de desempregados foi de 2.698 mil, 141 mil a menos do que no mês anterior.
No mês de outubro, o nível de ocupação cresceu 2,3% em Recife; 1% em São Paulo; 0,85% em Porto Alegre; e 0,3% em Belo Horizonte, caindo 0,3% em Salvador. No Distrito Federal, a taxa manteve-se estável. O nível ocupacional aumentou no setor de serviços, com 63 mil novas vagas; na indústria, com 41 mil; na construção civil, com 28 mil; e em outros setores, com 18 mil novos postos. No comércio, houve queda, com o desaparecimento de 13 mil vagas.
O rendimento médio real dos ocupados passou a ser de R$ 1.167, com queda de 0,5%, e o dos assalariados, de R$ 1.215,00, com recuo de 1%.
Na comparação com outubro de 2007, o nível de ocupação nas seis regiões pesquisadas pelo Seade-Dieese aumentou 5%, com a geração de 840 postos de trabalho. De acordo com os dados, o total foi maior do que o de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho, 592 mil. Isso fez com que o contingente de desempregados fosse reduzido em 247 mil pessoas. Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego nas seis regiões diminuiu de 15,0% para 13,4%.
Segundo a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, os resultados de outubro ainda não refletem a crise econômica internacional, cujos efeitos devem começar a ser sentidos no início de 2009. Entretanto, disse a economista, é preciso lembrar que tais efeitos dependerão de como as políticas econômicas serão implantadas pelo governo para tentar proteger o país.
Patricia reforçou que o crescimento entre 3% e 3,5% é suficiente para manter o Brasil em um bom ritmo de crescimento sem que isso gere impactos muito fortes no mercado de trabalho. "O que pode acontecer é que, se o país continuar crescendo 3% ou 3,5%, isso provavelmente não afetará o emprego." Ela destacou a necessidade de manutenção do crédito do investimento público para fortalecer o mercado interno e dar continuidade ao crescimento da economia e do emprego.
A economista estima que o ano feche com índice em torno de 13% a 14%, o menor de toda a série, que vem diminuindo ao longo dos meses.”
PETROBRAS ANUNCIA DESCOBERTA NA BAHIA
O portal UOL ontem publicou:
“A Petrobras informou ontem a descoberta de indícios de hidrocarbonetos -sem detalhar se se trata de óleo, gás ou os dois- num campo localizado ao sul da bacia do Jequitinhonha, em reservatórios arenosos acima da camada de sal. Na área, a estatal brasileira tem como sócia a norueguesa Statoil, com 40% do bloco. A descoberta está localizada a 74 km quilômetros da costa baiana.”
“A Petrobras informou ontem a descoberta de indícios de hidrocarbonetos -sem detalhar se se trata de óleo, gás ou os dois- num campo localizado ao sul da bacia do Jequitinhonha, em reservatórios arenosos acima da camada de sal. Na área, a estatal brasileira tem como sócia a norueguesa Statoil, com 40% do bloco. A descoberta está localizada a 74 km quilômetros da costa baiana.”
PRESIDENTE DO AFEGANISTÃO DIZ QUE GOSTARIA DE DERRUBAR AVIÕES AMERICANOS
Li ontem no UOL a seguinte notícia publicada pela agência norte-americana Reuters, em Islamabd:
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta quarta-feira que derrubaria, se pudesse, os aviões americanos que bombardeiam vilas do país. A declaração é um sinal da crescente tensão com seus apoiadores ocidentais, em meio ao fortalecimento da insurgência no país.
Embora Karzai tenha apoio entre as nações do Ocidente, a insatisfação dos líderes com o presidente cresce diante de sua incapacidade para combater a corrupção e governar efetivamente. E é diante deste cenário que Karzai enfrentará eleições no próximo ano.
O presidente afegão contra-atacou, após a morte de dezenas de civis em ataques aéreos estrangeiros, supostamente de autoria dos EUA.
Nas últimas semanas, Karzai repetidamente culpou o Ocidente pela piora na segurança do Afeganistão, dizendo que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) falhou em atingir os refúgios do Taleban e da Al Qaeda no vizinho Paquistão e apelou para que a guerra seja levada para fora das vilas afegãs.
"Nós não temos outra escolha, nós não temos poder para parar os aviões. Se nós pudéssemosse nós pudéssemos nós iríamos pará-los e derrubá-los", disse Karzai em uma entrevista coletiva.
Usando uma palavra em dari, uma das duas línguas oficiais do país, ele disse que se pudesse lançaria contra os aviões um "chelak" --espécie de funda feita com uma pedra amarrada a uma corda que as crianças afegãs usam para derrubar pipas.
"Se eu tivesse um 'chelak', eu iria lançá-lo e parar os aviões americanos. Nós não temos radar para pará-los no céu, nós não temos aviões", ele disse. "Eu gostaria de interceptar os aviões que estão bombardeando as vilas afegãs, mas isso não está em minhas mãos".
Este ano, 4.000 morreram no Afeganistão --cerca de um terço, civis-- na pior fase de violência desde que a coalização liderada pelos Estados Unidos depôs o regime do Taleban em 2001.
Apesar da presença de 65 mil soldados estrangeiros e de 130 mil homens das forças afegãs de segurança, a insurgência Taleban tem agido com confiança cada vez maior em seu território de origem, no sul e leste do país, e também estendeu sua influência a áreas próximas da capital.”
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta quarta-feira que derrubaria, se pudesse, os aviões americanos que bombardeiam vilas do país. A declaração é um sinal da crescente tensão com seus apoiadores ocidentais, em meio ao fortalecimento da insurgência no país.
Embora Karzai tenha apoio entre as nações do Ocidente, a insatisfação dos líderes com o presidente cresce diante de sua incapacidade para combater a corrupção e governar efetivamente. E é diante deste cenário que Karzai enfrentará eleições no próximo ano.
O presidente afegão contra-atacou, após a morte de dezenas de civis em ataques aéreos estrangeiros, supostamente de autoria dos EUA.
Nas últimas semanas, Karzai repetidamente culpou o Ocidente pela piora na segurança do Afeganistão, dizendo que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) falhou em atingir os refúgios do Taleban e da Al Qaeda no vizinho Paquistão e apelou para que a guerra seja levada para fora das vilas afegãs.
"Nós não temos outra escolha, nós não temos poder para parar os aviões. Se nós pudéssemosse nós pudéssemos nós iríamos pará-los e derrubá-los", disse Karzai em uma entrevista coletiva.
Usando uma palavra em dari, uma das duas línguas oficiais do país, ele disse que se pudesse lançaria contra os aviões um "chelak" --espécie de funda feita com uma pedra amarrada a uma corda que as crianças afegãs usam para derrubar pipas.
"Se eu tivesse um 'chelak', eu iria lançá-lo e parar os aviões americanos. Nós não temos radar para pará-los no céu, nós não temos aviões", ele disse. "Eu gostaria de interceptar os aviões que estão bombardeando as vilas afegãs, mas isso não está em minhas mãos".
Este ano, 4.000 morreram no Afeganistão --cerca de um terço, civis-- na pior fase de violência desde que a coalização liderada pelos Estados Unidos depôs o regime do Taleban em 2001.
Apesar da presença de 65 mil soldados estrangeiros e de 130 mil homens das forças afegãs de segurança, a insurgência Taleban tem agido com confiança cada vez maior em seu território de origem, no sul e leste do país, e também estendeu sua influência a áreas próximas da capital.”
FRIEDMAN: FALÊNCIA TOTAL
O jornal norte-americano "The New York Times" publicou ontem o seguinte artigo de Thomas L. Friedman. Li no UOL em tradução de George El Khouri Andolfato:
“Eu passei a tarde de domingo remoendo um grande artigo no "New York Times" de autoria de Eric Dash e Julie Creswell sobre o Citigroup. Talvez remoendo não seja a palavra certa. O artigo de primeira página, intitulado "Citigroup paga por Corrida ao Risco", na verdade me deixou totalmente indignado.
Por quê? Porque em dolorosos detalhes ele expôs - usando o Citigroup como Prova A - como alguns dos banqueiros melhor remunerados de nosso país eram estúpidos superestimados que não tinham idéia do que estavam vendendo, ou cínicos gananciosos que sabiam e fizeram vista grossa. Mas não foram apenas os banqueiros. Este colapso financeiro envolveu uma ampla falência nacional de responsabilidade pessoal, regulamentação do governo e ética financeira.
Pessoas demais estiveram envolvidas nisso: pessoas que não podiam comprando uma casa, sem nada como entrada e sem precisar pagar nada por dois anos; pessoas que não podiam rolando essas hipotecas e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam reunindo esses empréstimos em papéis e os vendendo para terceiros, como se fossem títulos AAA, e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam classificando esses empréstimos como AAA, mas ganhando fortunas para fazer isso; e pessoas que não podiam comprando esses títulos e os lançando em seus balancetes para que pudessem obter um rendimento um pouco melhor, mas ganhando fortunas fazendo isso.
O Citigroup esteve envolvido, e ganhou dinheiro, em quase todos os elos dessa cadeia. E os executivos do banco, incluindo tristemente o ex-secretário do Tesouro, Robert Rubin, totalmente sem idéia dos instrumentos financeiros imprudentes que estavam criando, ou envolvidos pela camaradagem entre os gerentes de risco do banco e os tomadores de risco (e comprados pelos seus bônus) e que não tinham interesse em impedi-los.
Essas são as pessoas que os contribuintes socorreram na segunda-feira com o que podem ser mais de US$ 300 bilhões. Nós provavelmente não tínhamos escolha. Simplesmente deixar o Citigroup falir poderia ser catastrófico. Mas quando o governo elabora um resgate que chega a centenas de bilhões de dólares em 48 horas, você pode apostar que haverá conseqüências não intencionais -muitas, muitas, muitas.
Também confira o soberbo ensaio de Michael Lewis, "The End of Wall Street's Boom" (O fim do boom de Wall Street) em Portfolio.com. Lewis, que primeiro narrou os excessos de Wall Street em "Liar's Poker" (pôquer de mentiroso), traça um perfil de algumas das pessoas decentes em Wall Street que tentaram expor a farra do crédito -incluindo Meredith Whitney, uma pouco conhecida analista do setor bancário que declarou, há mais de um ano, que o "Citigroup administrou tão mal seus negócios que precisaria reduzir pela metade seus dividendos ou declarar falência", escreveu Lewis.
"Essa mulher não estava dizendo que os banqueiros de Wall Street eram corruptos", ele acrescentou. "Ela estava dizendo que eram estúpidos. A mensagem dela era clara. Se você quiser saber o que estas firmas de Wall Street realmente valem, olhe atentamente para os ativos pobres que compraram com somas imensas de dinheiro emprestado, e imagine o que renderiam em uma venda em liquidação (...) Há mais de um ano, Whitney tem respondido às alegações de banqueiros e corretores, de que resolveram seus problemas com um redução do valor contábil dos ativos ou com levantamento de capital, com uma alegação própria: vocês estão errados. Vocês ainda não perceberam quão mal administraram seus negócios."
Lewis também apontou Steve Eisman, o investidor em fundo hedge que desde cedo percebeu as hipotecas subprime e reduziu sua exposição às empresas envolvidas nelas, como a Long Beach Financial, de propriedade do Washington Mutual.
"A Long Beach Financial", escreveu Lewis, "estava distribuindo dinheiro o mais rápido que podia, sem fazer muitas perguntas, na forma de empréstimos criados para se autodestruírem. Ela se especializou em pedir aos proprietários de imóveis com crédito ruim e sem comprovação de renda que não dessem entrada e adiassem o pagamento de juros pelo máximo de tempo possível. Em Bakersfield, Califórnia, um trabalhador rural mexicano com renda anual de US$ 14 mil e sem saber inglês recebeu o empréstimo que precisava para comprar uma casa de US$ 720 mil".
Lewis prosseguiu: Eisman sabia que os emprestadores subprime podiam ser de má reputação. "O que ele subestimou foi a cumplicidade totalmente despudorada da elite do capitalismo americano (...) 'Nós sempre fazemos a mesma pergunta', diz Eisman. 'Onde estão as agências de classificação de crédito em tudo isso? E sempre obtenho a mesma reação. Um sorriso afetado.' Ele telefonou para a Standard & Poor's e perguntou o que aconteceria com as taxas de inadimplência se os preços dos imóveis caíssem. O homem da S&P não soube dizer; seu modelo para preços de imóveis residenciais não era capaz de aceitar um número negativo. 'Eles simplesmente presumiam que os preços dos imóveis continuariam subindo', disse Eisman."
Foi assim que chegamos aqui - um colapso quase total da responsabilidade em todos os elos de nossa cadeia financeira, e agora ou resgatamos as pessoas que nos deixaram assim ou corremos o risco de um crash do sistema. Esse é o preço de nossos pecados.
Eu costumava dizer que nossos filhos pagariam caro por isso. Mas na verdade é nosso problema. Nos próximos anos todos nós trabalharemos mais arduamente por menos dinheiro e por menos serviços do governo - se tivermos sorte.”
“Eu passei a tarde de domingo remoendo um grande artigo no "New York Times" de autoria de Eric Dash e Julie Creswell sobre o Citigroup. Talvez remoendo não seja a palavra certa. O artigo de primeira página, intitulado "Citigroup paga por Corrida ao Risco", na verdade me deixou totalmente indignado.
Por quê? Porque em dolorosos detalhes ele expôs - usando o Citigroup como Prova A - como alguns dos banqueiros melhor remunerados de nosso país eram estúpidos superestimados que não tinham idéia do que estavam vendendo, ou cínicos gananciosos que sabiam e fizeram vista grossa. Mas não foram apenas os banqueiros. Este colapso financeiro envolveu uma ampla falência nacional de responsabilidade pessoal, regulamentação do governo e ética financeira.
Pessoas demais estiveram envolvidas nisso: pessoas que não podiam comprando uma casa, sem nada como entrada e sem precisar pagar nada por dois anos; pessoas que não podiam rolando essas hipotecas e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam reunindo esses empréstimos em papéis e os vendendo para terceiros, como se fossem títulos AAA, e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam classificando esses empréstimos como AAA, mas ganhando fortunas para fazer isso; e pessoas que não podiam comprando esses títulos e os lançando em seus balancetes para que pudessem obter um rendimento um pouco melhor, mas ganhando fortunas fazendo isso.
O Citigroup esteve envolvido, e ganhou dinheiro, em quase todos os elos dessa cadeia. E os executivos do banco, incluindo tristemente o ex-secretário do Tesouro, Robert Rubin, totalmente sem idéia dos instrumentos financeiros imprudentes que estavam criando, ou envolvidos pela camaradagem entre os gerentes de risco do banco e os tomadores de risco (e comprados pelos seus bônus) e que não tinham interesse em impedi-los.
Essas são as pessoas que os contribuintes socorreram na segunda-feira com o que podem ser mais de US$ 300 bilhões. Nós provavelmente não tínhamos escolha. Simplesmente deixar o Citigroup falir poderia ser catastrófico. Mas quando o governo elabora um resgate que chega a centenas de bilhões de dólares em 48 horas, você pode apostar que haverá conseqüências não intencionais -muitas, muitas, muitas.
Também confira o soberbo ensaio de Michael Lewis, "The End of Wall Street's Boom" (O fim do boom de Wall Street) em Portfolio.com. Lewis, que primeiro narrou os excessos de Wall Street em "Liar's Poker" (pôquer de mentiroso), traça um perfil de algumas das pessoas decentes em Wall Street que tentaram expor a farra do crédito -incluindo Meredith Whitney, uma pouco conhecida analista do setor bancário que declarou, há mais de um ano, que o "Citigroup administrou tão mal seus negócios que precisaria reduzir pela metade seus dividendos ou declarar falência", escreveu Lewis.
"Essa mulher não estava dizendo que os banqueiros de Wall Street eram corruptos", ele acrescentou. "Ela estava dizendo que eram estúpidos. A mensagem dela era clara. Se você quiser saber o que estas firmas de Wall Street realmente valem, olhe atentamente para os ativos pobres que compraram com somas imensas de dinheiro emprestado, e imagine o que renderiam em uma venda em liquidação (...) Há mais de um ano, Whitney tem respondido às alegações de banqueiros e corretores, de que resolveram seus problemas com um redução do valor contábil dos ativos ou com levantamento de capital, com uma alegação própria: vocês estão errados. Vocês ainda não perceberam quão mal administraram seus negócios."
Lewis também apontou Steve Eisman, o investidor em fundo hedge que desde cedo percebeu as hipotecas subprime e reduziu sua exposição às empresas envolvidas nelas, como a Long Beach Financial, de propriedade do Washington Mutual.
"A Long Beach Financial", escreveu Lewis, "estava distribuindo dinheiro o mais rápido que podia, sem fazer muitas perguntas, na forma de empréstimos criados para se autodestruírem. Ela se especializou em pedir aos proprietários de imóveis com crédito ruim e sem comprovação de renda que não dessem entrada e adiassem o pagamento de juros pelo máximo de tempo possível. Em Bakersfield, Califórnia, um trabalhador rural mexicano com renda anual de US$ 14 mil e sem saber inglês recebeu o empréstimo que precisava para comprar uma casa de US$ 720 mil".
Lewis prosseguiu: Eisman sabia que os emprestadores subprime podiam ser de má reputação. "O que ele subestimou foi a cumplicidade totalmente despudorada da elite do capitalismo americano (...) 'Nós sempre fazemos a mesma pergunta', diz Eisman. 'Onde estão as agências de classificação de crédito em tudo isso? E sempre obtenho a mesma reação. Um sorriso afetado.' Ele telefonou para a Standard & Poor's e perguntou o que aconteceria com as taxas de inadimplência se os preços dos imóveis caíssem. O homem da S&P não soube dizer; seu modelo para preços de imóveis residenciais não era capaz de aceitar um número negativo. 'Eles simplesmente presumiam que os preços dos imóveis continuariam subindo', disse Eisman."
Foi assim que chegamos aqui - um colapso quase total da responsabilidade em todos os elos de nossa cadeia financeira, e agora ou resgatamos as pessoas que nos deixaram assim ou corremos o risco de um crash do sistema. Esse é o preço de nossos pecados.
Eu costumava dizer que nossos filhos pagariam caro por isso. Mas na verdade é nosso problema. Nos próximos anos todos nós trabalharemos mais arduamente por menos dinheiro e por menos serviços do governo - se tivermos sorte.”
BRASIL IRÁ CONTER AMBIÇÃO ARMAMENTISTA RUSSA NA AL, DIZ ANALISTA
Li ontem no UOL a seguinte notícia publicada pela agência inglesa BBC:
“As ambições russas de negociar armamentos com países latino-americanos poderão ser limitadas pelo Brasil, graças ao papel de liderança exercido pelo país junto às nações da região. É essa a opinião de Mauricio Cárdenas, diretor da Iniciativa para a América Latina do Instituto Brookings de Washington, que falou à BBC Brasil sobre os efeitos da visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, à América Latina. Medvedev começou o seu giro pela região no Peru, está atualmente no Brasil, onde irá se encontrar nesta quarta-feira com o presidente Lula e de onde seguirá no final do dia para a Venezuela e, de lá, para Cuba.
Na agenda dos encontros do presidente russo com os diferentes líderes da região, está a ampliação da venda de equipamentos militares.
Enquanto Medvedev passava pelo Brasil, uma frota de navios russos chegou à Venezuela para realizar exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana - a primeira vez que a Rússia promove tais operações na região desde a Guerra Fria. Sem temores.
Mas, apesar da carga simbólica da agenda do líder russo e dos exercícios militares conjuntos com as forças venezuelanas, Cárdenas acredita que os russos não conseguirão ir muito longe e que o governo americano não precisa temer a investida de Medvedev.
"Washington tem dado apoio à Unasul (a União das Nações Sul-americanas, que reúne os 12 países da América do Sul e visa aprofundar a integração entre os países-membros), um grupo que é liderado até certo ponto pelo Brasil. E o Brasil tem reivindicado um papel mais ativo de coordenação das políticas de defesa na região", afirma Cárdenas.
O analista acrescenta que a postura de Washington é a de que "se o Brasil vai exercer esse papel, por que se preocupar com os russos? Não há tanto espaço assim para eles na região. Eles (o governo americano) confiam demais no Brasil. No final das contas, será o Brasil que vai tornar inócuo esse esforço por parte dos russos".
"A força capaz de contrapor as intenções dos russos de se envolverem mais na região e de ter algum envolvimento em questões de defesa não virá de Washington, mas sim de Brasília. O governo brasileiro avalia: 'nós somos capazes de garantir a nossa própria segurança militar e o nosso futuro econômico'." Menos força Cárdenas lembra que a Rússia de Medvedev chega à América Latina enfraquecida, pois foi um dos países mais afetados pelos efeitos da turbulência financeira, e ainda sofreu com o declínio dos preços de gás e petróleo, dois de seus principais artigos de exportação.
Além disso, argumenta o analista, as relações entre latino-americanos e russos vão demorar anos para serem aprofundadas, uma vez que "a Rússia não conta com os recursos financeiros nem com um histórico de fortes relações políticas ou diplomáticas com a América Latina, e essas coisas não se conquistam da noite para o dia".
De acordo com Charles King, professor de relações internacionais da Universidade de Georgetown, a visita de Medvedev marca uma ''virada'' nas relações russas com a região, por ser uma tentativa da Rússia de voltar a se firmar no cenário global, ''tanto diplomaticamente, quanto como um negociador de armas''. Mas o analista acrescenta que não vê a visita como uma ''tentativa russa de mostrar força em uma tradicional esfera de influência americana''.
Mesmo o comércio de material militar com países latino-americanos não é visto como uma ameaça por parte do governo americano, no entender do analista.
Mau negócio ''Em Washington, existe a percepção de que países que estão fazendo compras de armas russas em larga escala não estão fazendo um bom negócio. Eles (os países latino-americanos) precisam se perguntar se contarão com manutenção, treinamento e se os equipamentos serão operacionais'', afirma. Na opinão do analista, a investida não representa os primeiros sinais de uma mudança no eixo de poder mundial, já que o poderio americano segue forte.
''O poder americano em temas econômicos, globais, sua força militar e até mesmo o seu poder 'soft', como o da cultura, permanecem soberanos e ofuscam em muito a Rússia ou mesmo a China.'' Fim da unipolaridade Mas, ainda assim, King acredita que as visitas de líderes como Hu Jintao, da China, e Medvedev à América Latina são sinais de que ''estamos testemunhando o começo do fim da era da unipolaridade e de que a tentativa desses dois líderes de alcançarem o resto do mundo agora está sendo sentida na América Latina''. King lembra que tais esforços podem estar surtindo algum efeito também em ações políticas na região. ''Apenas dois países reconheceram a independência de países como a Ossétia do Sul e a Abecásia (as regiões separatistas da Geórgia). Um deles foi a Rússia e o outro, a Nicarágua.''
O analista acredita que ''certamente, Washington está prestando atenção'' aos exercícios militares conjuntos entre russos e venezuelanos, mas acrescenta que o pior que o governo americano poderia fazer era ter uma ''reação desproporcional''. ''O clima das relações (russo-americanas) já está abalado, após a Guerra da Geórgia e há um clima de transição, com uma nova administração que pretende firmar uma nova relação com Moscou. A melhor reação é a que foi tomada, a de permanecer mudo. Não está sendo tomada uma ação ambiciosa. Ninguém está simulando uma invasão da Flórida com helicópteros e anfíbios.''
“As ambições russas de negociar armamentos com países latino-americanos poderão ser limitadas pelo Brasil, graças ao papel de liderança exercido pelo país junto às nações da região. É essa a opinião de Mauricio Cárdenas, diretor da Iniciativa para a América Latina do Instituto Brookings de Washington, que falou à BBC Brasil sobre os efeitos da visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, à América Latina. Medvedev começou o seu giro pela região no Peru, está atualmente no Brasil, onde irá se encontrar nesta quarta-feira com o presidente Lula e de onde seguirá no final do dia para a Venezuela e, de lá, para Cuba.
Na agenda dos encontros do presidente russo com os diferentes líderes da região, está a ampliação da venda de equipamentos militares.
Enquanto Medvedev passava pelo Brasil, uma frota de navios russos chegou à Venezuela para realizar exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana - a primeira vez que a Rússia promove tais operações na região desde a Guerra Fria. Sem temores.
Mas, apesar da carga simbólica da agenda do líder russo e dos exercícios militares conjuntos com as forças venezuelanas, Cárdenas acredita que os russos não conseguirão ir muito longe e que o governo americano não precisa temer a investida de Medvedev.
"Washington tem dado apoio à Unasul (a União das Nações Sul-americanas, que reúne os 12 países da América do Sul e visa aprofundar a integração entre os países-membros), um grupo que é liderado até certo ponto pelo Brasil. E o Brasil tem reivindicado um papel mais ativo de coordenação das políticas de defesa na região", afirma Cárdenas.
O analista acrescenta que a postura de Washington é a de que "se o Brasil vai exercer esse papel, por que se preocupar com os russos? Não há tanto espaço assim para eles na região. Eles (o governo americano) confiam demais no Brasil. No final das contas, será o Brasil que vai tornar inócuo esse esforço por parte dos russos".
"A força capaz de contrapor as intenções dos russos de se envolverem mais na região e de ter algum envolvimento em questões de defesa não virá de Washington, mas sim de Brasília. O governo brasileiro avalia: 'nós somos capazes de garantir a nossa própria segurança militar e o nosso futuro econômico'." Menos força Cárdenas lembra que a Rússia de Medvedev chega à América Latina enfraquecida, pois foi um dos países mais afetados pelos efeitos da turbulência financeira, e ainda sofreu com o declínio dos preços de gás e petróleo, dois de seus principais artigos de exportação.
Além disso, argumenta o analista, as relações entre latino-americanos e russos vão demorar anos para serem aprofundadas, uma vez que "a Rússia não conta com os recursos financeiros nem com um histórico de fortes relações políticas ou diplomáticas com a América Latina, e essas coisas não se conquistam da noite para o dia".
De acordo com Charles King, professor de relações internacionais da Universidade de Georgetown, a visita de Medvedev marca uma ''virada'' nas relações russas com a região, por ser uma tentativa da Rússia de voltar a se firmar no cenário global, ''tanto diplomaticamente, quanto como um negociador de armas''. Mas o analista acrescenta que não vê a visita como uma ''tentativa russa de mostrar força em uma tradicional esfera de influência americana''.
Mesmo o comércio de material militar com países latino-americanos não é visto como uma ameaça por parte do governo americano, no entender do analista.
Mau negócio ''Em Washington, existe a percepção de que países que estão fazendo compras de armas russas em larga escala não estão fazendo um bom negócio. Eles (os países latino-americanos) precisam se perguntar se contarão com manutenção, treinamento e se os equipamentos serão operacionais'', afirma. Na opinão do analista, a investida não representa os primeiros sinais de uma mudança no eixo de poder mundial, já que o poderio americano segue forte.
''O poder americano em temas econômicos, globais, sua força militar e até mesmo o seu poder 'soft', como o da cultura, permanecem soberanos e ofuscam em muito a Rússia ou mesmo a China.'' Fim da unipolaridade Mas, ainda assim, King acredita que as visitas de líderes como Hu Jintao, da China, e Medvedev à América Latina são sinais de que ''estamos testemunhando o começo do fim da era da unipolaridade e de que a tentativa desses dois líderes de alcançarem o resto do mundo agora está sendo sentida na América Latina''. King lembra que tais esforços podem estar surtindo algum efeito também em ações políticas na região. ''Apenas dois países reconheceram a independência de países como a Ossétia do Sul e a Abecásia (as regiões separatistas da Geórgia). Um deles foi a Rússia e o outro, a Nicarágua.''
O analista acredita que ''certamente, Washington está prestando atenção'' aos exercícios militares conjuntos entre russos e venezuelanos, mas acrescenta que o pior que o governo americano poderia fazer era ter uma ''reação desproporcional''. ''O clima das relações (russo-americanas) já está abalado, após a Guerra da Geórgia e há um clima de transição, com uma nova administração que pretende firmar uma nova relação com Moscou. A melhor reação é a que foi tomada, a de permanecer mudo. Não está sendo tomada uma ação ambiciosa. Ninguém está simulando uma invasão da Flórida com helicópteros e anfíbios.''
ETANOL BRASILEIRO DESEMBARCA NA ÁFRICA 'DISCRETAMENTE', DIZ EL PAÍS
Li ontem no UOL a seguinte notícia publicada pela agência inglesa BBC sobre reportagem do jornal espanhol El Pais:
“Uma reportagem desta quarta-feira do jornal espanhol El País afirma que "discretamente" o etanol brasileiro está desembarcando no continente africano e que o objetivo do governo brasileiro é aumentar sua influência na região e promover o 'combustível em escala planetária'.
"Discretamente e sem fazer ruído, há dois anos que o Brasil desembarcou na África com o objetivo de dar um novo impulso a sua estratégia de implantar mundialmente a energia verde, mas também para fazer negócios e consolidar sua influência em toda a região", afirma o texto assinado pelo jornalista Francho Barón.
"Tudo isso em um momento em que a China também tem seus olhos voltados para as matérias-primas e a mão-de-obra do continente negro."
Segundo ele, o Brasil está de olho na África porque o continente reúne todos os elementos necessários para o cultivo da cana-de-açúcar: os "vastos hectares de terrenos baldios", o "generoso sol" e a mão-de-obra.
'LULA TEM 15 PAÍSES'
O jornal afirma que o interesse do Brasil no etanol começou nos anos 70 durante a crise do petróleo, e que agora "Brasília acredita que chegou o momento de lançar este negócio a uma escala planetária".
"É preciso considerar também o conhecido interesse do (presidente brasileiro) Lula de criar uma área de influência estratégica brasileira no continente africano, algo que se reflete claramente nas sete visitas oficiais que já fez à região desde que virou presidente. Mais de uma por ano."
Em outro texto, o El País afirma que "Lula já tem 15 países ao seu lado", citando o interesse na produção de etanol de Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.
O jornal cita o exemplo de Gana como modelo da forma brasileira de promoção do etanol, que terá a Europa como público alvo.
O Brasil instalou em Gana um escritório da Embrapa para supervisionar projetos de etanol do país que serão financiados com crédito do BNDES. Uma firma sueca, a Svenks Etanolkemi AB, já teria se comprometido em comprar o etanol de Gana por dez anos.”
“Uma reportagem desta quarta-feira do jornal espanhol El País afirma que "discretamente" o etanol brasileiro está desembarcando no continente africano e que o objetivo do governo brasileiro é aumentar sua influência na região e promover o 'combustível em escala planetária'.
"Discretamente e sem fazer ruído, há dois anos que o Brasil desembarcou na África com o objetivo de dar um novo impulso a sua estratégia de implantar mundialmente a energia verde, mas também para fazer negócios e consolidar sua influência em toda a região", afirma o texto assinado pelo jornalista Francho Barón.
"Tudo isso em um momento em que a China também tem seus olhos voltados para as matérias-primas e a mão-de-obra do continente negro."
Segundo ele, o Brasil está de olho na África porque o continente reúne todos os elementos necessários para o cultivo da cana-de-açúcar: os "vastos hectares de terrenos baldios", o "generoso sol" e a mão-de-obra.
'LULA TEM 15 PAÍSES'
O jornal afirma que o interesse do Brasil no etanol começou nos anos 70 durante a crise do petróleo, e que agora "Brasília acredita que chegou o momento de lançar este negócio a uma escala planetária".
"É preciso considerar também o conhecido interesse do (presidente brasileiro) Lula de criar uma área de influência estratégica brasileira no continente africano, algo que se reflete claramente nas sete visitas oficiais que já fez à região desde que virou presidente. Mais de uma por ano."
Em outro texto, o El País afirma que "Lula já tem 15 países ao seu lado", citando o interesse na produção de etanol de Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.
O jornal cita o exemplo de Gana como modelo da forma brasileira de promoção do etanol, que terá a Europa como público alvo.
O Brasil instalou em Gana um escritório da Embrapa para supervisionar projetos de etanol do país que serão financiados com crédito do BNDES. Uma firma sueca, a Svenks Etanolkemi AB, já teria se comprometido em comprar o etanol de Gana por dez anos.”
SUPERÁVIT PRIMÁRIO: O MELHOR RESULTADO DESDE 1991
Li no portal UOL a seguinte notícia, em texto de Isabel Versiani, da agência norte-americana Reuters:
SUPERÁVIT PRIMÁRIO DO BRASIL CAI A R$14,5 BI EM OUTUBRO
“O setor público consolidado brasileiro registrou superávit primário de 14,472 bilhões de reais em outubro, uma queda em relação ao superávit registrado há um ano e abaixo do saldo esperado pelo mercado, mostraram números do Banco Central nesta quarta-feira.
Ainda assim, o resultado primário foi superior ao vencimento de juros no período, o que garantiu ao país fechar as contas em outubro com superávit nominal, pelo segundo mês consecutivo, de 5,222 bilhões de reais.
No acumulado do ano, o país registra agora um déficit nominal de 1,835 bilhão de reais, ou 0,08 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o melhor resultado desde 1991, neste tipo de comparação.
Em outubro, as estatais federais --em que a Petrobras tem o maior peso-- tiveram déficit de 3,140 bilhões de reais, o que levou o resultado total das estatais a um déficit de 2,833 bilhões de reais.
O governo central teve superávit de 14,466 bilhões de reais e os Estados e municípios fecharam as contas com um resultado primário positivo de 2,839 bilhões de reais no mês.
Em outubro do ano passado, o superávit primário do setor público foi de 15,347 bilhões de reais. Analistas consultados pela Reuters esperavam um saldo positivo de 17,2 bilhões de reais para o mês passado.
Em 12 meses encerrados em outubro, o superávit primário foi equivalente a 4,53 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,60 por cento do PIB em 12 meses até setembro.
O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público caiu para valor equivalente a 36,6 por cento do PIB no mês passado, frente a 38,2 por cento em setembro”.
SUPERÁVIT PRIMÁRIO DO BRASIL CAI A R$14,5 BI EM OUTUBRO
“O setor público consolidado brasileiro registrou superávit primário de 14,472 bilhões de reais em outubro, uma queda em relação ao superávit registrado há um ano e abaixo do saldo esperado pelo mercado, mostraram números do Banco Central nesta quarta-feira.
Ainda assim, o resultado primário foi superior ao vencimento de juros no período, o que garantiu ao país fechar as contas em outubro com superávit nominal, pelo segundo mês consecutivo, de 5,222 bilhões de reais.
No acumulado do ano, o país registra agora um déficit nominal de 1,835 bilhão de reais, ou 0,08 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o melhor resultado desde 1991, neste tipo de comparação.
Em outubro, as estatais federais --em que a Petrobras tem o maior peso-- tiveram déficit de 3,140 bilhões de reais, o que levou o resultado total das estatais a um déficit de 2,833 bilhões de reais.
O governo central teve superávit de 14,466 bilhões de reais e os Estados e municípios fecharam as contas com um resultado primário positivo de 2,839 bilhões de reais no mês.
Em outubro do ano passado, o superávit primário do setor público foi de 15,347 bilhões de reais. Analistas consultados pela Reuters esperavam um saldo positivo de 17,2 bilhões de reais para o mês passado.
Em 12 meses encerrados em outubro, o superávit primário foi equivalente a 4,53 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,60 por cento do PIB em 12 meses até setembro.
O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público caiu para valor equivalente a 36,6 por cento do PIB no mês passado, frente a 38,2 por cento em setembro”.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
DELÍCIA DE CRISE
Coloco aqui na introdução do artigo seguinte um trecho do texto de Eduardo Guimarães no seu blog “Cidadania.com”. Pertinente e oportuno.
Já virou rotina a imprensa meliante daqui destacar que, “apesar da crise”, este ou aquele indicador econômico melhoraram tanto neste ano quanto no mês de outubro, período de auge da histeria local com os problemas econômicos no mundo dito “desenvolvido”. Desta vez, foi o investimento estrangeiro no Brasil que, em 2008, bateu o recorde dos últimos 60 anos (!!), e que em outubro foi de 3,9 bilhões de dólares com crise e tudo.
Como os investidores estrangeiros não lêem a Folha, a Veja ou assistem a Globo, continuam apostando no Brasil pelos fundamentos sólidos de sua economia, fundamentos que a imprensa internacional vive destacando apesar de a nossa imprensa relativizá-los e assombrar o país com problemas que já vieram para o resto do mundo, mas que, para nós, não vieram e não virão, como venho dizendo há mais de dois meses.
Vejamos a notícia abaixo, a qual Eduardo Guimarães se refere, em texto de Patrícia Duarte e Eliane Oliveira, do O Globo (a notícia li no blog do Favre):
INVESTIMENTO EXTERNO BATE RECORDE HISTÓRICO
“Apesar da crise, recursos para o setor produtivo têm saldo de US$ 3,9 bi em outubro e sobem para US$ 34,7 bi no ano”
“A crise internacional não afetou as contas externas do Brasil quando se olha para os investimentos estrangeiros diretos (IED), ligados ao setor produtivo, e que bateram recorde histórico em outubro. Mas o baque ficou evidente no mercado de ações e títulos e nos indicadores de rolagem de dívidas.
Segundo dados do Banco Central (BC), o IED fechou o mês passado com saldo positivo de US$ 3,913 bilhões, acumulando em 2008 US$ 34,747 bilhões, acima de todos os resultados de anos fechados. O recorde anterior era de 2007, com US$ 34,585 bilhões, e alguns analistas do mercado já acreditam que deve ficar próximo dos US$ 40 bilhões no fim deste ano.
— São recursos (investimentos diretos) que vêm para longo prazo, com planejamento de seis meses. É a crença nos fundamentos da economia brasileira — disse o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Por enquanto, a autoridade monetária mantém a projeção de que o IED encerre o ano a US$ 35 bilhões, mas Lopes já admite que vai revisá-la para cima. Em novembro, até ontem, as entradas líquidas desses investimentos chegavam a US$ 2,35 bilhões, e devem fechar o mês em US$ 2,8 bilhões.
Os investimentos estão pulverizados por diversos setores, com destaque para o de serviços.
Já os investimentos financeiros fizeram o caminho inverso em outubro, mas começam a dar sinais de acomodação em novembro. Com ações, por exemplo, as saídas líquidas ficaram em US$ 6,065 bilhões em outubro, e com títulos de renda fixa, em US$ 1,810 bilhão. Os investidores saíram do mercado brasileiro para cobrir prejuízos em outros mercados ou para buscar aplicações de menor risco.
Em novembro, até ontem, as saídas mostravam menos força: com ações, eram de US$ 890 milhões e com renda fixa, de US$ 604 milhões, de acordo com os dados do BC.
MERCADO CONSEGUE RENOVAR DÍVIDAS
O cenário menos nebuloso, no entanto, não se repete nas rolagens de dívidas. Em outubro, o mercado conseguia girar 126% dos débitos. Ou seja, além de rolar toda a sua divida, ainda conseguia emitir novas.
Mas, em novembro até ontem, essa taxa havia despencado para apenas 18%. Segundo Lopes, houve uma grande concentração de vencimentos neste período e, por causa da crise internacional, os investidores tiveram muito mais dificuldade para se refinanciar, como custos elevados.
A conta financeira integra o balanço de pagamentos. A outra rubrica deste indicador são as transações correntes — operações de comércio e serviços do país feitas com o exterior. Elas fecharam com saldo negativo menor em outubro, de US$ 1,507 bilhão. A causa principal foi a redução do ritmo das remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,813 bilhão, 47,24% menos do que em setembro.
Esse recuo continua e a conta deve fechar novembro com saldo negativo de US$ 500 milhões nas transações correntes.
Já a balança comercial teve déficit de US$ 318 milhões na semana passada, como resultado de US$ 3,355 bilhões em exportações e US$ 3,673 bilhões em importações. Foi o pior saldo semanal do ano, só perdendo para a quarta semana de agosto (US$ 840 milhões). Em cinco dias, a média exportada foi de US$ 671 milhões, um dos níveis mais baixos da história”.
Já virou rotina a imprensa meliante daqui destacar que, “apesar da crise”, este ou aquele indicador econômico melhoraram tanto neste ano quanto no mês de outubro, período de auge da histeria local com os problemas econômicos no mundo dito “desenvolvido”. Desta vez, foi o investimento estrangeiro no Brasil que, em 2008, bateu o recorde dos últimos 60 anos (!!), e que em outubro foi de 3,9 bilhões de dólares com crise e tudo.
Como os investidores estrangeiros não lêem a Folha, a Veja ou assistem a Globo, continuam apostando no Brasil pelos fundamentos sólidos de sua economia, fundamentos que a imprensa internacional vive destacando apesar de a nossa imprensa relativizá-los e assombrar o país com problemas que já vieram para o resto do mundo, mas que, para nós, não vieram e não virão, como venho dizendo há mais de dois meses.
Vejamos a notícia abaixo, a qual Eduardo Guimarães se refere, em texto de Patrícia Duarte e Eliane Oliveira, do O Globo (a notícia li no blog do Favre):
INVESTIMENTO EXTERNO BATE RECORDE HISTÓRICO
“Apesar da crise, recursos para o setor produtivo têm saldo de US$ 3,9 bi em outubro e sobem para US$ 34,7 bi no ano”
“A crise internacional não afetou as contas externas do Brasil quando se olha para os investimentos estrangeiros diretos (IED), ligados ao setor produtivo, e que bateram recorde histórico em outubro. Mas o baque ficou evidente no mercado de ações e títulos e nos indicadores de rolagem de dívidas.
Segundo dados do Banco Central (BC), o IED fechou o mês passado com saldo positivo de US$ 3,913 bilhões, acumulando em 2008 US$ 34,747 bilhões, acima de todos os resultados de anos fechados. O recorde anterior era de 2007, com US$ 34,585 bilhões, e alguns analistas do mercado já acreditam que deve ficar próximo dos US$ 40 bilhões no fim deste ano.
— São recursos (investimentos diretos) que vêm para longo prazo, com planejamento de seis meses. É a crença nos fundamentos da economia brasileira — disse o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Por enquanto, a autoridade monetária mantém a projeção de que o IED encerre o ano a US$ 35 bilhões, mas Lopes já admite que vai revisá-la para cima. Em novembro, até ontem, as entradas líquidas desses investimentos chegavam a US$ 2,35 bilhões, e devem fechar o mês em US$ 2,8 bilhões.
Os investimentos estão pulverizados por diversos setores, com destaque para o de serviços.
Já os investimentos financeiros fizeram o caminho inverso em outubro, mas começam a dar sinais de acomodação em novembro. Com ações, por exemplo, as saídas líquidas ficaram em US$ 6,065 bilhões em outubro, e com títulos de renda fixa, em US$ 1,810 bilhão. Os investidores saíram do mercado brasileiro para cobrir prejuízos em outros mercados ou para buscar aplicações de menor risco.
Em novembro, até ontem, as saídas mostravam menos força: com ações, eram de US$ 890 milhões e com renda fixa, de US$ 604 milhões, de acordo com os dados do BC.
MERCADO CONSEGUE RENOVAR DÍVIDAS
O cenário menos nebuloso, no entanto, não se repete nas rolagens de dívidas. Em outubro, o mercado conseguia girar 126% dos débitos. Ou seja, além de rolar toda a sua divida, ainda conseguia emitir novas.
Mas, em novembro até ontem, essa taxa havia despencado para apenas 18%. Segundo Lopes, houve uma grande concentração de vencimentos neste período e, por causa da crise internacional, os investidores tiveram muito mais dificuldade para se refinanciar, como custos elevados.
A conta financeira integra o balanço de pagamentos. A outra rubrica deste indicador são as transações correntes — operações de comércio e serviços do país feitas com o exterior. Elas fecharam com saldo negativo menor em outubro, de US$ 1,507 bilhão. A causa principal foi a redução do ritmo das remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,813 bilhão, 47,24% menos do que em setembro.
Esse recuo continua e a conta deve fechar novembro com saldo negativo de US$ 500 milhões nas transações correntes.
Já a balança comercial teve déficit de US$ 318 milhões na semana passada, como resultado de US$ 3,355 bilhões em exportações e US$ 3,673 bilhões em importações. Foi o pior saldo semanal do ano, só perdendo para a quarta semana de agosto (US$ 840 milhões). Em cinco dias, a média exportada foi de US$ 671 milhões, um dos níveis mais baixos da história”.
ECONOMIST: BRAZIL TERÁ MAIS PODER, MAIS RÁPIDO
O site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, ontem publicou:
O BRAZIL ESTÁ BEM NA FITA (PARA DESESPERO DO PIG).
Diz a ultima edição da Economist, com as previsões para 2009:
“A transferência do poder no mundo para países o Brazil, a Rússia, a Índia e a China vai se acelerar. E eles esperam influir mais na hora de decidir como o mundo vai funcionar”:
Vejamos o texto da revista semanal inglesa, de 19/11/2008:
From Daniel Franklin, editor, The World in 2009
"Anyone hoping for a period of calm after the turbulence of the past year will be disappointed. For the economy and for business, as well as for politics, 2009 promises to be a year of bracing adjustment to a changed world.
In politics the most obvious change will be in the White House: in January Barack Obama will become America’s first black president. This is a remarkable achievement—and a remarkable opportunity. Abroad, President Obama can restore America’s standing after the damage of the Bush years. At home, together with a Democratic Congress, he has a chance to bring about bold reform, notably in America’s health-care system.
Indeed, such are the expectations of Mr Obama that one of his biggest challenges will be to manage them so that he does not disappoint too much.
Beyond America, too, it will be a busy year for politics, with a large chunk of humanity involved in elections. India, the world’s biggest democracy, holds a general election. So does Germany, Europe’s largest economy, and in June the whole 27-country European Union votes in elections for the European Parliament.
There will be presidential polls in Indonesia, the world’s most populous Muslim country, and in pivotal places such as South Africa, Iran and Afghanistan. Voters everywhere will focus mainly on local issues, as they always do, but in the background will lurk broader arguments over the changing attitudes to markets and the role of the state.
That is because the aftershocks of the financial crisis of 2008 will be rumbling on.
After an extraordinary boom, in which the world’s GDP rose year after year by between 4% and 5%, global growth will slide below 3%. The rich economies face recession, with all that comes with it: bankruptcies, belt-tightening and rising unemployment. Within companies, cherished perks will disappear and power will ebb from visionary bosses to the chief financial officer. Those with cash and cunning will find opportunities to buy competitors on the cheap.
In the emerging world, meanwhile, growth will be less spectacular than before, but in many countries it will—with luck—remain relatively robust. So the shift in global power to places such as Brazil, Russia, India and China will, if anything, quicken. These countries will expect a bigger say in how the world is run.
The shift in power to places such as Brazil, Russia, India and China will quicken. These countries will expect a bigger say in how the world is run
One aspect of running the world will draw increasing attention as the year progresses: how to tackle global warming. At the end of 2009 a gathering in Copenhagen will attempt to reach a post-Kyoto agreement to cut greenhouse emissions.
It may well fail to do so, but climate change and related issues (such as carbon trading, water shortages and alternative energy) will loom large in 2009, which is why we publish a special section on the environment.
If all this sounds a bit earnest, don’t worry: there will be plenty of fun in 2009 as well. Dubai will open the world’s tallest building, China the world’s biggest Ferris wheel. Barbie and Astérix will celebrate their 50th birthdays. Africans will enjoy a new fascination with maps, thanks to the internet, while soaring numbers of twitchers in China will indulge in a new fascination with birds. Scientists will map the brain as well as search for Earth-like planets—in what will be the International Year of Astronomy, 400 years after Galileo first peered through a telescope.
As always this volume is full of predictions, a few of which may actually prove right. This time we’ve even included several things we think probably won’t happen, though they just might: forecasts whose chance of coming true falls roughly between 5% and 20%. Might 2009 see a peace deal between Israel and Syria, a cure for cancer or the abdication of Queen Elizabeth II? Probably not. But you read it here first.”
O BRAZIL ESTÁ BEM NA FITA (PARA DESESPERO DO PIG).
Diz a ultima edição da Economist, com as previsões para 2009:
“A transferência do poder no mundo para países o Brazil, a Rússia, a Índia e a China vai se acelerar. E eles esperam influir mais na hora de decidir como o mundo vai funcionar”:
Vejamos o texto da revista semanal inglesa, de 19/11/2008:
From Daniel Franklin, editor, The World in 2009
"Anyone hoping for a period of calm after the turbulence of the past year will be disappointed. For the economy and for business, as well as for politics, 2009 promises to be a year of bracing adjustment to a changed world.
In politics the most obvious change will be in the White House: in January Barack Obama will become America’s first black president. This is a remarkable achievement—and a remarkable opportunity. Abroad, President Obama can restore America’s standing after the damage of the Bush years. At home, together with a Democratic Congress, he has a chance to bring about bold reform, notably in America’s health-care system.
Indeed, such are the expectations of Mr Obama that one of his biggest challenges will be to manage them so that he does not disappoint too much.
Beyond America, too, it will be a busy year for politics, with a large chunk of humanity involved in elections. India, the world’s biggest democracy, holds a general election. So does Germany, Europe’s largest economy, and in June the whole 27-country European Union votes in elections for the European Parliament.
There will be presidential polls in Indonesia, the world’s most populous Muslim country, and in pivotal places such as South Africa, Iran and Afghanistan. Voters everywhere will focus mainly on local issues, as they always do, but in the background will lurk broader arguments over the changing attitudes to markets and the role of the state.
That is because the aftershocks of the financial crisis of 2008 will be rumbling on.
After an extraordinary boom, in which the world’s GDP rose year after year by between 4% and 5%, global growth will slide below 3%. The rich economies face recession, with all that comes with it: bankruptcies, belt-tightening and rising unemployment. Within companies, cherished perks will disappear and power will ebb from visionary bosses to the chief financial officer. Those with cash and cunning will find opportunities to buy competitors on the cheap.
In the emerging world, meanwhile, growth will be less spectacular than before, but in many countries it will—with luck—remain relatively robust. So the shift in global power to places such as Brazil, Russia, India and China will, if anything, quicken. These countries will expect a bigger say in how the world is run.
The shift in power to places such as Brazil, Russia, India and China will quicken. These countries will expect a bigger say in how the world is run
One aspect of running the world will draw increasing attention as the year progresses: how to tackle global warming. At the end of 2009 a gathering in Copenhagen will attempt to reach a post-Kyoto agreement to cut greenhouse emissions.
It may well fail to do so, but climate change and related issues (such as carbon trading, water shortages and alternative energy) will loom large in 2009, which is why we publish a special section on the environment.
If all this sounds a bit earnest, don’t worry: there will be plenty of fun in 2009 as well. Dubai will open the world’s tallest building, China the world’s biggest Ferris wheel. Barbie and Astérix will celebrate their 50th birthdays. Africans will enjoy a new fascination with maps, thanks to the internet, while soaring numbers of twitchers in China will indulge in a new fascination with birds. Scientists will map the brain as well as search for Earth-like planets—in what will be the International Year of Astronomy, 400 years after Galileo first peered through a telescope.
As always this volume is full of predictions, a few of which may actually prove right. This time we’ve even included several things we think probably won’t happen, though they just might: forecasts whose chance of coming true falls roughly between 5% and 20%. Might 2009 see a peace deal between Israel and Syria, a cure for cancer or the abdication of Queen Elizabeth II? Probably not. But you read it here first.”
INTERNET BATE TV COMO MÍDIA MAIS CONFIÁVEL NOS EUA, DIZ ESTUDO
O portal UOL, ontem postou a seguinte notícia publicada pela Folha Online:
“Um estudo conduzido pela IBC (Independent Film Channel) e pelo instituto Zogby International durante as eleições presidenciais dos EUA revela que a maioria dos norte-americanos considera a cobertura jornalística pela web mais confiável do que em outras mídias eletrônicas. Cerca de 3.500 pessoas foram entrevistadas durante os dois dias seguintes às eleições presidenciais nos EUA.
Dos entrevistados, 36,5% afirmaram que acham a internet mais confiável como fonte de notícias. A televisão, por sua vez, é a preferência de 20,3%, enquanto 16% vêem que o rádio é o meio de comunicação mais seguro.
Segundo a pesquisa, 72,6% disseram acreditar que as notícias que lêem são prejudicadas pela influência de opiniões. Quase 75% dizem que a cobertura da mídia influencia no resultado das eleições presidenciais. Dentre republicanos, democratas e independentes, 93,9% afirmaram que Barack Obama recebeu mais atenção dos meios de comunicação do que John McCain. Apenas 4,1% dos pesquisados alegou o inverso.
Quanto às mídias eletrônicas, 80% dos entrevistados disseram que a televisão não é um meio de informação confiável --o rádio ficou com um índice de rejeição de 84%.
Com relação à Guerra do Iraque, 73,2% disseram que a mídia não deu uma cobertura real sobre o que aconteceu no conflito.
A pesquisa foi realizada em todas as regiões dos EUA com pessoas que votaram no pleito de 2008.”
“Um estudo conduzido pela IBC (Independent Film Channel) e pelo instituto Zogby International durante as eleições presidenciais dos EUA revela que a maioria dos norte-americanos considera a cobertura jornalística pela web mais confiável do que em outras mídias eletrônicas. Cerca de 3.500 pessoas foram entrevistadas durante os dois dias seguintes às eleições presidenciais nos EUA.
Dos entrevistados, 36,5% afirmaram que acham a internet mais confiável como fonte de notícias. A televisão, por sua vez, é a preferência de 20,3%, enquanto 16% vêem que o rádio é o meio de comunicação mais seguro.
Segundo a pesquisa, 72,6% disseram acreditar que as notícias que lêem são prejudicadas pela influência de opiniões. Quase 75% dizem que a cobertura da mídia influencia no resultado das eleições presidenciais. Dentre republicanos, democratas e independentes, 93,9% afirmaram que Barack Obama recebeu mais atenção dos meios de comunicação do que John McCain. Apenas 4,1% dos pesquisados alegou o inverso.
Quanto às mídias eletrônicas, 80% dos entrevistados disseram que a televisão não é um meio de informação confiável --o rádio ficou com um índice de rejeição de 84%.
Com relação à Guerra do Iraque, 73,2% disseram que a mídia não deu uma cobertura real sobre o que aconteceu no conflito.
A pesquisa foi realizada em todas as regiões dos EUA com pessoas que votaram no pleito de 2008.”
"A FORÇA QUE O PAÍS QUER"
O jornal carioca “O Dia” publicou na 2ª feira o seguinte texto de Marco Aurélio Reis
:
"Voz firme a favor do aparelhamento das Forças Armadas, comandante da Marinha revela entusiasmo com a nova Estratégia Nacional de Defesa e anuncia mais investimentos na ampliação do efetivo para gerar emprego e garantir a soberania do País."
"Rio - Mais militares, atuando em novas embarcações feitas no Brasil, gerando empregos nos estaleiros nacionais. Reforço de equipamentos e homens para patrulhar águas que vão do chamado Pré-sal (área rica em jazidas de petróleo, no litoral Sudeste) a rios navegáveis da Amazônia. Essa é a Marinha que sairá da nova Estratégia Nacional de Defesa, conforme antecipou a O DIA o comandante de Força, o almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, 65 anos, notório por ter defendido publicamente nos últimos três anos o aparelhamento das Forças Armadas.
O plano que trará a nova Estratégia Nacional de Defesa está previsto para ser anunciado oficialmente, após dois adiamentos, até o dia 15 do mês que vem.
Antes disso, porém, os efeitos dos novos ares que sopram na Marinha poderão ser sentidos pelos brasileiros. Daqui a uma semana começa aperto inédito no rigor para comandantes de embarcações de lazer e esporte flagrados tendo consumido qualquer quantidade de álcool. Será durante a Operação Verão, que se estenderá até março. Na ação serão usados 200 bafômetros que a Marinha comprou para estender para o mar a Lei Seca que reduziu os acidentes na rodovias do País.
“Vamos abordar a embarcação e se sentirmos que há alguma necessidade, o condutor será multado ou detido, ou até mesmo entregue à polícia”, explicou o almirante Moura Neto, na entrevista cujos principais trechos podem ser lidos abaixo.
PLANO ESTRATÉGICO
Em 2005, a Marinha apresentou um programa de reaparelhamento e o governo reuniu grupo de trabalho com as três Forças, a Casa Civil e os ministérios do Planejamento e da Defesa para preparar um programa amplo. Ele ficou pronto em 2006 e, durante o ano seguinte, ficou em gestação no Ministério da Defesa. Em seguida, o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) incumbiu o ministro (Nelson) Jobim (da Defesa) de preparar uma Estratégia Nacional de Defesa. Ou seja, o que o País espera que suas Forças Armadas sejam capazes de executar. Então, de posse dessa missão se faz o programa de reaparelhamento das Forças Armadas.
SUBMARINOS
Os submarinos são a prioridade número um do programa de reaparelhamento da Marinha. Queremos construir submarinos convencionais e avançar no sentido de se construir o submarino com propulsão nuclear. O Programa Nuclear da Marinha começou em 1979 e tem dois grandes projetos: o enriquecimento de urânio (que já está perfeitamente dominado com centrífugas de tecnologia nacional) e o protótipo do reator nuclear, que vai equipar o submarino. É um reator de produção de energia, que fará o motor elétrico do submarino andar. Nosso reator terá 11 megawatts de produção de energia elétrica. Isso faz meu submarino andar, mas também acende a luz de uma cidade de até 20 mil habitantes.
MAIS TEMPO SUBMERSO
O submarino convencional funciona com baterias, que vão descarregando à medida que são aplicadas no motor. De tempos em tempos, esse submarino tem que vir à superfície, ser ligado a um gerador diesel-elétrico para recarregar essas baterias. Daí ele fica vulnerável: se expõe e passa a ser localizável. O submarino de propulsão nuclear funciona de outra maneira. Através da reação nuclear, esquenta a água, que se transforma em vapor. É esse vapor que atua numa turbina, fazendo girar um gerador, que produz energia elétrica. A mesma coisa que acontece nas usinas nucleares. Esse submarino pode permanecer, teoricamente, indefinidamente debaixo da água. Só não fica por causa da resistência psicológica e física das tripulações. É uma arma de dissuasão grande, porque não se expõe. É o que queremos. Ter capacidade de dissuasão, de mostrar ao mundo que somos perfeitamente capazes de garantir a soberania de nossa Amazônia Azul, que é o nome que damos às nossas águas jurisdicionais.
TRIPULAÇÃO ESPECIAL
A partir do ano que vem vamos começar a preparar as tripulações. O primeiro submarino nuclear vai demorar em torno de dez anos para ficar pronto. Já estamos com planejamento de cursos no exterior, intercâmbios entre outras Marinhas e preparo psicológico dessas tripulações. Normalmente as Marinhas que têm esses submarinos possuem duas tripulações: uma fica em terra e a outra vai para o mar. Quando o submarino ficar pronto vamos estar com os tripulantes preparados. Os submarinistas são voluntários, uma vez que envolve mais tempo de afastamento (do lar).
PRIORIDADE DOIS
A segunda maior prioridade do nosso Programa de Aparelhamento são os navios-patrulha. Queremos aumentar o número desses navios para podermos permanecer, permanentemente, junto aos campos petrolíferos, principalmente os mais ricos. É para, nos 365 dias do ano, termos um navio nas proximidades para tomar conta, para defender, se for o caso. O programa é construir 27 navios- patrulha. Teremos navios em terra, fazendo reparos, enquanto outros estarão no mar, próximos dos campos (de petróleo).
MAIS HOMENS
E logicamente claro está que se formos aumentar o número de navios e de bases (navais), com toda certeza teremos que aumentar uma parte do nosso efetivo. Teremos que aumentar para poder fazer frente a essa quantidade enorme de navios que vão chegar.
Esses 27 navios levarão de sete a oito anos para serem construidos. É o tempo que a Marinha vai se preparar, formar mais gente, se organizar para poder fazer frente às novas demandas. Já estamos estudando como vamos aumentar a captação de gente para as Escolas de Aprendizes e para a Escola Naval. Nosso setor de pessoal está estudando como vamos atender essas demandas, que irão ocorrendo no decorrer do tempo.
DOMÍNIO TECNOLÓGICO
A independência tecnológica é que dá independência para o país. Se queremos ter uma força de dissuasão, temos que ter não só Forças Armadas com credibilidade, bem preparadas e bem treinadas, mas temos que ter também uma indústria de defesa que possa apoiar. Se o país compra equipamentos em um outro, o que faz se um dia esse outro país não puder fornecer o sobressalente? É de fundamental importância que, se queremos que o Brasil cresça, que as Forças Armadas assumam posição equiparada ao prestígio político-estratégico do País no cenário internacional, temos que ter auto-suficiência, temos que ser capazes de produzir nossos próprios equipamentos e construir nossos próprios navios.
Não quero dizer com isso que não se vá importar. Alguma coisa terá que ser importada, mas a base será a indústria nacional.
EMPREGO E RENDA
Quando pensamos em reforçar nossa indústria de defesa, estamos pensando também na quantidade de empregos que serão criados. Para se construir navios, os estaleiros vão ter mais trabalho, vão ter mais encomendas. Isso é a máquina produtiva do País avançando, como é o desejo de todos. Hoje estamos construindo dois navios-patrulha.
Abrimos processo licitatório para construir mais quatro. Agora, em dezembro, abriremos as cartas com as propostas. Um estaleiro vai vencer. Tudo isso feito com o próprio orçamento da Marinha. O ministro da Defesa, sabedor que o Plano Estratégico de Defesa seria discutido por um ano, liberou a construção de alguns meios de clara necessidade, como é o caso dos navios-patrulha, tendo em vista a proteção das plataformas de petróleo. Mas é claro que é uma pequena parcela de um plano muito ambiciosos de reconstrução, que vai durar 20 anos, gerando empregos e renda.
ROYALTIES
Não há menor dúvida de que quando houver mais produção de petróleo (graças as descobertas das jazidas na área do Pré-sal), o valor dos royalties do petróleo (importância cobrada pelo governo no processo de produção) que será alocado para a Marinha vai aumentar. A Marinha sabe que não tem recebido toda parcela dos royalties a que faz jus.
Uma parte é colocada no orçamento e a outra vai para reserva de contingência da Força e o Governo vai liberando à medida que as receitas permitam. É o problema da administração econômica do País. Com as novas descobertas, claro que está, que uma maior quantidade de royalties entrará. O que será até muito bom para o Governo, porque teremos meios para poder fazer andar esse programa de reaparelhamento, pelo menos o da Marinha. Uma boa parte desse programa com toda certeza, se o Governo assim decidir, poderá sair dos royalties.
GASTOS COM FORÇA
Acho que a sociedade está amadurecida o suficiente para entender os gastos expressivos da Marinha. E se a população parar para pensar, esse gasto é ínfimo perto da quantidade de riquezas que estão em jogo: esses campos do Pré-sal tem um potencial de recursos financeiros para o País tão grande, tão grande, que o que a Marinha vai gastar tem percentual ínfimo perto da riqueza que estamos ali para proteger. A população entende perfeitamente que, se temos grandes riquezas no mar, temos que ter capacidade para protegê-las.
MARINHA FORTE
(Com a nova Estratégia de Defesa) há o crescimento da Marinha em todos os seus cenários. Desde o tomar conta das embarcações de turismo até o tomar conta das nossas plataformas. Essa é uma missão muito grande, uma tarefa muito grande para a qual a Marinha tem se preparado no decorrer desses anos todos.”
:
"Voz firme a favor do aparelhamento das Forças Armadas, comandante da Marinha revela entusiasmo com a nova Estratégia Nacional de Defesa e anuncia mais investimentos na ampliação do efetivo para gerar emprego e garantir a soberania do País."
"Rio - Mais militares, atuando em novas embarcações feitas no Brasil, gerando empregos nos estaleiros nacionais. Reforço de equipamentos e homens para patrulhar águas que vão do chamado Pré-sal (área rica em jazidas de petróleo, no litoral Sudeste) a rios navegáveis da Amazônia. Essa é a Marinha que sairá da nova Estratégia Nacional de Defesa, conforme antecipou a O DIA o comandante de Força, o almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, 65 anos, notório por ter defendido publicamente nos últimos três anos o aparelhamento das Forças Armadas.
O plano que trará a nova Estratégia Nacional de Defesa está previsto para ser anunciado oficialmente, após dois adiamentos, até o dia 15 do mês que vem.
Antes disso, porém, os efeitos dos novos ares que sopram na Marinha poderão ser sentidos pelos brasileiros. Daqui a uma semana começa aperto inédito no rigor para comandantes de embarcações de lazer e esporte flagrados tendo consumido qualquer quantidade de álcool. Será durante a Operação Verão, que se estenderá até março. Na ação serão usados 200 bafômetros que a Marinha comprou para estender para o mar a Lei Seca que reduziu os acidentes na rodovias do País.
“Vamos abordar a embarcação e se sentirmos que há alguma necessidade, o condutor será multado ou detido, ou até mesmo entregue à polícia”, explicou o almirante Moura Neto, na entrevista cujos principais trechos podem ser lidos abaixo.
PLANO ESTRATÉGICO
Em 2005, a Marinha apresentou um programa de reaparelhamento e o governo reuniu grupo de trabalho com as três Forças, a Casa Civil e os ministérios do Planejamento e da Defesa para preparar um programa amplo. Ele ficou pronto em 2006 e, durante o ano seguinte, ficou em gestação no Ministério da Defesa. Em seguida, o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) incumbiu o ministro (Nelson) Jobim (da Defesa) de preparar uma Estratégia Nacional de Defesa. Ou seja, o que o País espera que suas Forças Armadas sejam capazes de executar. Então, de posse dessa missão se faz o programa de reaparelhamento das Forças Armadas.
SUBMARINOS
Os submarinos são a prioridade número um do programa de reaparelhamento da Marinha. Queremos construir submarinos convencionais e avançar no sentido de se construir o submarino com propulsão nuclear. O Programa Nuclear da Marinha começou em 1979 e tem dois grandes projetos: o enriquecimento de urânio (que já está perfeitamente dominado com centrífugas de tecnologia nacional) e o protótipo do reator nuclear, que vai equipar o submarino. É um reator de produção de energia, que fará o motor elétrico do submarino andar. Nosso reator terá 11 megawatts de produção de energia elétrica. Isso faz meu submarino andar, mas também acende a luz de uma cidade de até 20 mil habitantes.
MAIS TEMPO SUBMERSO
O submarino convencional funciona com baterias, que vão descarregando à medida que são aplicadas no motor. De tempos em tempos, esse submarino tem que vir à superfície, ser ligado a um gerador diesel-elétrico para recarregar essas baterias. Daí ele fica vulnerável: se expõe e passa a ser localizável. O submarino de propulsão nuclear funciona de outra maneira. Através da reação nuclear, esquenta a água, que se transforma em vapor. É esse vapor que atua numa turbina, fazendo girar um gerador, que produz energia elétrica. A mesma coisa que acontece nas usinas nucleares. Esse submarino pode permanecer, teoricamente, indefinidamente debaixo da água. Só não fica por causa da resistência psicológica e física das tripulações. É uma arma de dissuasão grande, porque não se expõe. É o que queremos. Ter capacidade de dissuasão, de mostrar ao mundo que somos perfeitamente capazes de garantir a soberania de nossa Amazônia Azul, que é o nome que damos às nossas águas jurisdicionais.
TRIPULAÇÃO ESPECIAL
A partir do ano que vem vamos começar a preparar as tripulações. O primeiro submarino nuclear vai demorar em torno de dez anos para ficar pronto. Já estamos com planejamento de cursos no exterior, intercâmbios entre outras Marinhas e preparo psicológico dessas tripulações. Normalmente as Marinhas que têm esses submarinos possuem duas tripulações: uma fica em terra e a outra vai para o mar. Quando o submarino ficar pronto vamos estar com os tripulantes preparados. Os submarinistas são voluntários, uma vez que envolve mais tempo de afastamento (do lar).
PRIORIDADE DOIS
A segunda maior prioridade do nosso Programa de Aparelhamento são os navios-patrulha. Queremos aumentar o número desses navios para podermos permanecer, permanentemente, junto aos campos petrolíferos, principalmente os mais ricos. É para, nos 365 dias do ano, termos um navio nas proximidades para tomar conta, para defender, se for o caso. O programa é construir 27 navios- patrulha. Teremos navios em terra, fazendo reparos, enquanto outros estarão no mar, próximos dos campos (de petróleo).
MAIS HOMENS
E logicamente claro está que se formos aumentar o número de navios e de bases (navais), com toda certeza teremos que aumentar uma parte do nosso efetivo. Teremos que aumentar para poder fazer frente a essa quantidade enorme de navios que vão chegar.
Esses 27 navios levarão de sete a oito anos para serem construidos. É o tempo que a Marinha vai se preparar, formar mais gente, se organizar para poder fazer frente às novas demandas. Já estamos estudando como vamos aumentar a captação de gente para as Escolas de Aprendizes e para a Escola Naval. Nosso setor de pessoal está estudando como vamos atender essas demandas, que irão ocorrendo no decorrer do tempo.
DOMÍNIO TECNOLÓGICO
A independência tecnológica é que dá independência para o país. Se queremos ter uma força de dissuasão, temos que ter não só Forças Armadas com credibilidade, bem preparadas e bem treinadas, mas temos que ter também uma indústria de defesa que possa apoiar. Se o país compra equipamentos em um outro, o que faz se um dia esse outro país não puder fornecer o sobressalente? É de fundamental importância que, se queremos que o Brasil cresça, que as Forças Armadas assumam posição equiparada ao prestígio político-estratégico do País no cenário internacional, temos que ter auto-suficiência, temos que ser capazes de produzir nossos próprios equipamentos e construir nossos próprios navios.
Não quero dizer com isso que não se vá importar. Alguma coisa terá que ser importada, mas a base será a indústria nacional.
EMPREGO E RENDA
Quando pensamos em reforçar nossa indústria de defesa, estamos pensando também na quantidade de empregos que serão criados. Para se construir navios, os estaleiros vão ter mais trabalho, vão ter mais encomendas. Isso é a máquina produtiva do País avançando, como é o desejo de todos. Hoje estamos construindo dois navios-patrulha.
Abrimos processo licitatório para construir mais quatro. Agora, em dezembro, abriremos as cartas com as propostas. Um estaleiro vai vencer. Tudo isso feito com o próprio orçamento da Marinha. O ministro da Defesa, sabedor que o Plano Estratégico de Defesa seria discutido por um ano, liberou a construção de alguns meios de clara necessidade, como é o caso dos navios-patrulha, tendo em vista a proteção das plataformas de petróleo. Mas é claro que é uma pequena parcela de um plano muito ambiciosos de reconstrução, que vai durar 20 anos, gerando empregos e renda.
ROYALTIES
Não há menor dúvida de que quando houver mais produção de petróleo (graças as descobertas das jazidas na área do Pré-sal), o valor dos royalties do petróleo (importância cobrada pelo governo no processo de produção) que será alocado para a Marinha vai aumentar. A Marinha sabe que não tem recebido toda parcela dos royalties a que faz jus.
Uma parte é colocada no orçamento e a outra vai para reserva de contingência da Força e o Governo vai liberando à medida que as receitas permitam. É o problema da administração econômica do País. Com as novas descobertas, claro que está, que uma maior quantidade de royalties entrará. O que será até muito bom para o Governo, porque teremos meios para poder fazer andar esse programa de reaparelhamento, pelo menos o da Marinha. Uma boa parte desse programa com toda certeza, se o Governo assim decidir, poderá sair dos royalties.
GASTOS COM FORÇA
Acho que a sociedade está amadurecida o suficiente para entender os gastos expressivos da Marinha. E se a população parar para pensar, esse gasto é ínfimo perto da quantidade de riquezas que estão em jogo: esses campos do Pré-sal tem um potencial de recursos financeiros para o País tão grande, tão grande, que o que a Marinha vai gastar tem percentual ínfimo perto da riqueza que estamos ali para proteger. A população entende perfeitamente que, se temos grandes riquezas no mar, temos que ter capacidade para protegê-las.
MARINHA FORTE
(Com a nova Estratégia de Defesa) há o crescimento da Marinha em todos os seus cenários. Desde o tomar conta das embarcações de turismo até o tomar conta das nossas plataformas. Essa é uma missão muito grande, uma tarefa muito grande para a qual a Marinha tem se preparado no decorrer desses anos todos.”
RENOVÁVEIS SÃO QUASE METADE DA MATRIZ DO PAÍS
“O Brasil tem quase metade de sua matriz energética representada por fontes de energia renováveis, um número superior à média mundial, mas a participação de fontes alternativas como a eólica, a solar ou a geotérmica é praticamente nula.
Segundo os mais recentes dados oficiais disponíveis, as fontes renováveis somavam 46,4% da matriz energética nacional em 2007. O maior peso nessa categoria veio da cana-de-açúcar, que respondeu por 16% da oferta interna de energia, seguida pela biomassa (basicamente lenha e carvão vegetal), com 15,6%, e pela energia hidráulica e eletricidade (14,7%).
O petróleo e seus derivados, entretanto, ainda representavam o grosso da oferta interna de energia, com uma participação de 36,4%. Entre as demais fontes não-renováveis, o gás natural teve 9,3%; o carvão mineral, 6,2%; e o urânio, 1,4%.
A eólica apareceu apenas quando se falou da oferta interna de energia elétrica, em que apareceu com 0,1% (a de origem hídrica teve fatia de 77%). No auge do apagão elétrico, em 2001, chegou-se a criar um incentivo para a instalação de até 1.100 MW de energia gerada a partir do vento, mas pouquíssimos projetos avançaram.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem sinalizado incentivos fiscais para o desenvolvimento das energias eólica e solar no país. O petróleo, no entanto, dificilmente deixará o posto de principal combustível para a economia brasileira.
Sobretudo após a descoberta de reservas gigantescas do produto no litoral brasileiro, nas chamadas camadas pré-sal.”
Segundo os mais recentes dados oficiais disponíveis, as fontes renováveis somavam 46,4% da matriz energética nacional em 2007. O maior peso nessa categoria veio da cana-de-açúcar, que respondeu por 16% da oferta interna de energia, seguida pela biomassa (basicamente lenha e carvão vegetal), com 15,6%, e pela energia hidráulica e eletricidade (14,7%).
O petróleo e seus derivados, entretanto, ainda representavam o grosso da oferta interna de energia, com uma participação de 36,4%. Entre as demais fontes não-renováveis, o gás natural teve 9,3%; o carvão mineral, 6,2%; e o urânio, 1,4%.
A eólica apareceu apenas quando se falou da oferta interna de energia elétrica, em que apareceu com 0,1% (a de origem hídrica teve fatia de 77%). No auge do apagão elétrico, em 2001, chegou-se a criar um incentivo para a instalação de até 1.100 MW de energia gerada a partir do vento, mas pouquíssimos projetos avançaram.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem sinalizado incentivos fiscais para o desenvolvimento das energias eólica e solar no país. O petróleo, no entanto, dificilmente deixará o posto de principal combustível para a economia brasileira.
Sobretudo após a descoberta de reservas gigantescas do produto no litoral brasileiro, nas chamadas camadas pré-sal.”
INVESTIDORES ESTRANGEIROS NÃO OBEDECEM À NOSSA GRANDE MÍDIA
A grande mídia, persistentemente, alardeia que o Brasil está e estará mergulhado em grande crise, que é hora de não gastar, de poupar, de não investir. O objetivo é causar pânico e assim realmente frear a economia, para desse modo os candidatos da oposição terem mais chance em 2010. Mas os investidores estrangeiros não lêm nossos jornais, nem assistem ao “Bom Dia Brasil”.
Vejamos o que deu na Folha de São Paulo de ontem:
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO NO PAÍS É RECORDE
“A alguns dias do fim de novembro, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil já supera o valor projetado pelo Banco Central para todo o ano de 2008. Até ontem, segundo dados preliminares fechados pelo BC, o ingresso de capital externo somava US$ 37,1 bilhões, acima da estimativa de US$ 35 bilhões.
O número se refere a investimentos feitos por estrangeiros na compra de companhias brasileiras ou na expansão da capacidade produtiva de empresas que já estão instaladas no país. Estima-se que, ao todo, multinacionais estrangeiras tenham cerca de US$ 370 bilhões investidos no Brasil.
O ingresso de investimentos ocorrido até agora também supera os US$ 34,6 bilhões registrados em 2007, que até então era o maior resultado já visto na série estatística do BC, que começa em 1947.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que, ao contrário das aplicações de estrangeiros no mercado financeiro, os investimentos diretos têm objetivos de mais longo prazo, o que explicaria seus resultados positivos mesmo depois do agravamento da crise.
"O investimento estrangeiro direto é um recurso mais de longo prazo e permanece fluindo de maneira muito satisfatória. É reflexo da percepção de que a economia brasileira ainda tem bons fundamentos", afirma Lopes.
Isso não significa, porém, que a entrada recorde de investimentos estrangeiros vai se manter por muito tempo. Em setembro, por exemplo, esse tipo de aplicação somou US$ 6,3 bilhões. Em outubro, o resultado já havia recuado para US$ 3,9 bilhões e neste mês deve ficar em US$ 2,8 bilhões, segundo projeção do BC.
Segundo estimativa do economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, o Brasil deve receber US$ 25 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2009, o que representaria uma queda de mais de 30% em relação ao saldo esperado para este ano.
"Não devemos repetir os resultados dos últimos anos porque a liquidez externa estará muito reduzida", afirma, numa referência ao desaquecimento da economia mundial e na redução esperada no fluxo global de capitais.
Ainda assim, Campos Neto diz que o país não deve encontrar grandes problemas para encontrar recursos suficientes para financiar seu déficit nas contas externas.
Neste ano, os investimentos estrangeiros diretos no Brasil serão mais do que suficientes para financiar totalmente o déficit das contas externas, que deve ficar em aproximadamente US$ 30 bilhões.
No ano que vem, de acordo com a LCA Consultores, o saldo negativo deve ser de US$ 41 bilhões. "Vai ser mais difícil [financiar o déficit], mas não será a fonte de preocupação que já foi em outros períodos", diz Adriana Lupita, economista da LCA.”
Vejamos o que deu na Folha de São Paulo de ontem:
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO NO PAÍS É RECORDE
“A alguns dias do fim de novembro, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil já supera o valor projetado pelo Banco Central para todo o ano de 2008. Até ontem, segundo dados preliminares fechados pelo BC, o ingresso de capital externo somava US$ 37,1 bilhões, acima da estimativa de US$ 35 bilhões.
O número se refere a investimentos feitos por estrangeiros na compra de companhias brasileiras ou na expansão da capacidade produtiva de empresas que já estão instaladas no país. Estima-se que, ao todo, multinacionais estrangeiras tenham cerca de US$ 370 bilhões investidos no Brasil.
O ingresso de investimentos ocorrido até agora também supera os US$ 34,6 bilhões registrados em 2007, que até então era o maior resultado já visto na série estatística do BC, que começa em 1947.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que, ao contrário das aplicações de estrangeiros no mercado financeiro, os investimentos diretos têm objetivos de mais longo prazo, o que explicaria seus resultados positivos mesmo depois do agravamento da crise.
"O investimento estrangeiro direto é um recurso mais de longo prazo e permanece fluindo de maneira muito satisfatória. É reflexo da percepção de que a economia brasileira ainda tem bons fundamentos", afirma Lopes.
Isso não significa, porém, que a entrada recorde de investimentos estrangeiros vai se manter por muito tempo. Em setembro, por exemplo, esse tipo de aplicação somou US$ 6,3 bilhões. Em outubro, o resultado já havia recuado para US$ 3,9 bilhões e neste mês deve ficar em US$ 2,8 bilhões, segundo projeção do BC.
Segundo estimativa do economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, o Brasil deve receber US$ 25 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2009, o que representaria uma queda de mais de 30% em relação ao saldo esperado para este ano.
"Não devemos repetir os resultados dos últimos anos porque a liquidez externa estará muito reduzida", afirma, numa referência ao desaquecimento da economia mundial e na redução esperada no fluxo global de capitais.
Ainda assim, Campos Neto diz que o país não deve encontrar grandes problemas para encontrar recursos suficientes para financiar seu déficit nas contas externas.
Neste ano, os investimentos estrangeiros diretos no Brasil serão mais do que suficientes para financiar totalmente o déficit das contas externas, que deve ficar em aproximadamente US$ 30 bilhões.
No ano que vem, de acordo com a LCA Consultores, o saldo negativo deve ser de US$ 41 bilhões. "Vai ser mais difícil [financiar o déficit], mas não será a fonte de preocupação que já foi em outros períodos", diz Adriana Lupita, economista da LCA.”
MEDIDA DE QUITO PREJUDICA REGIÃO, AFIRMA AMORIM
A Folha de São Paulo de ontem publicou o seguinte texto de Iuri Dantas, da sucursal de Brasília:
“O chanceler Celso Amorim afirmou ontem que a decisão do Equador de contestar o empréstimo de US$ 243 milhões feito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) põe sob suspeita um mecanismo de garantias de financiamento adotado na América do Sul e prejudica vários países da região.
"Ao ficar claro que uma garantia não é tão absoluta quanto se acreditava, o risco vai subir e afetar outros países da região", disse Amorim.
Apesar da decisão equatoriana de levar o financiamento para arbitragem internacional, o Itamaraty avalia que o pagamento do empréstimo "é irrevogável" e "irreversível". Ou seja, deve ocorrer independentemente do resultado das obras.
O objetivo do empréstimo era financiar a construção da hidrelétrica de San Francisco, cujas atividades foram suspensas entre junho e outubro deste ano por problemas técnicos.
"Uma coisa parece certa. O empréstimo do BNDES é irrevogável", avaliou Amorim.
Ontem, o BNDES fez nova análise jurídica da operação para verificar quais são as hipóteses de arbitragem previstas no contrato. Segundo Amorim, o Equador tem uma visão "imprecisa" de alguns aspectos.
O mecanismo de garantia é o CCR (Convênio de Crédito Recíproco), acordo entre Bancos Centrais da América do Sul e Caribe que financia parte do comércio exterior brasileiro e garante obras do BNDES.
Segundo o ministro, a convocação do embaixador brasileiro em Quito, Antonino Marques Porto, não significa mudanças na política externa brasileira. Indagado quando Porto retornará a Quito, Amorim foi direto: "Ele veio para consultas, e as consultas não terminaram".
Ontem, sua colega equatoriana, María Isabel Salvador, disse esperar que a decisão seja revertida e voltou a dizer que se trata de um controvérsia comercial, não entre Estados.
Amorim ainda disse lamentar o modo como foi feito o anúncio de ir à arbitragem. Na véspera, Porto se reunira com diplomatas em Quito e não fora informado da decisão.
Segundo o chanceler brasileiro, o governo reavalia todos os projetos de cooperação entre os dois países para verificar o andamento das iniciativas e a conveniência de suspender os acordos. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva foram assinados 25 atos internacionais com o Equador, a maior parte (oito) na área de saúde”.
“O chanceler Celso Amorim afirmou ontem que a decisão do Equador de contestar o empréstimo de US$ 243 milhões feito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) põe sob suspeita um mecanismo de garantias de financiamento adotado na América do Sul e prejudica vários países da região.
"Ao ficar claro que uma garantia não é tão absoluta quanto se acreditava, o risco vai subir e afetar outros países da região", disse Amorim.
Apesar da decisão equatoriana de levar o financiamento para arbitragem internacional, o Itamaraty avalia que o pagamento do empréstimo "é irrevogável" e "irreversível". Ou seja, deve ocorrer independentemente do resultado das obras.
O objetivo do empréstimo era financiar a construção da hidrelétrica de San Francisco, cujas atividades foram suspensas entre junho e outubro deste ano por problemas técnicos.
"Uma coisa parece certa. O empréstimo do BNDES é irrevogável", avaliou Amorim.
Ontem, o BNDES fez nova análise jurídica da operação para verificar quais são as hipóteses de arbitragem previstas no contrato. Segundo Amorim, o Equador tem uma visão "imprecisa" de alguns aspectos.
O mecanismo de garantia é o CCR (Convênio de Crédito Recíproco), acordo entre Bancos Centrais da América do Sul e Caribe que financia parte do comércio exterior brasileiro e garante obras do BNDES.
Segundo o ministro, a convocação do embaixador brasileiro em Quito, Antonino Marques Porto, não significa mudanças na política externa brasileira. Indagado quando Porto retornará a Quito, Amorim foi direto: "Ele veio para consultas, e as consultas não terminaram".
Ontem, sua colega equatoriana, María Isabel Salvador, disse esperar que a decisão seja revertida e voltou a dizer que se trata de um controvérsia comercial, não entre Estados.
Amorim ainda disse lamentar o modo como foi feito o anúncio de ir à arbitragem. Na véspera, Porto se reunira com diplomatas em Quito e não fora informado da decisão.
Segundo o chanceler brasileiro, o governo reavalia todos os projetos de cooperação entre os dois países para verificar o andamento das iniciativas e a conveniência de suspender os acordos. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva foram assinados 25 atos internacionais com o Equador, a maior parte (oito) na área de saúde”.
APESAR DA CRISE, O BRASIL VAI BEM
A coluna “TODA MÍDIA”, de Nelson de Sá, do jornal Folha de São Paulo de ontem, publicou:
“Entrando na Globo no final do pregão, ontem ao vivo, a disparada na Bovespa. "Além da notícia vinda dos Estados Unidos", sobre a operação de salvamento do Citigroup, "uma informação divulgada pelo Banco Central impulsionou os negócios: em outubro, os investimentos diretos estrangeiros, aqueles de longo prazo feitos no setor produtivo, continuaram em alta. APESAR DA CRISE".
Na manchete da Reuters Brasil, ao longo de tarde e noite, "APESAR DA CRISE, GUIDO MANTEGA VÊ EXPANSÃO DE 4% EM 2009".
Antes, na manchete do "Valor" de papel, "APESAR DA CRISE, EMPRESAS INVESTEM EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO", relacionando Claro, Banco do Brasil, Pão de Açúcar, Cyrela”.
“Entrando na Globo no final do pregão, ontem ao vivo, a disparada na Bovespa. "Além da notícia vinda dos Estados Unidos", sobre a operação de salvamento do Citigroup, "uma informação divulgada pelo Banco Central impulsionou os negócios: em outubro, os investimentos diretos estrangeiros, aqueles de longo prazo feitos no setor produtivo, continuaram em alta. APESAR DA CRISE".
Na manchete da Reuters Brasil, ao longo de tarde e noite, "APESAR DA CRISE, GUIDO MANTEGA VÊ EXPANSÃO DE 4% EM 2009".
Antes, na manchete do "Valor" de papel, "APESAR DA CRISE, EMPRESAS INVESTEM EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO", relacionando Claro, Banco do Brasil, Pão de Açúcar, Cyrela”.
OS TUCANOS DA JUSTIÇA E DA IMPRENSA AGEM PARA SALVAR OS TUCANOS DO CASO PROPINÃO DA ALSTOM
A MESMA ESTRATÉGIA DO CASO DANTAS: DESCOBRIR PEQUENAS FALHAS NO PROCESSO PARA ANULÁ-LO
Ontem li no jornal Folha de São Paulo o seguinte texto de Mario Cesar Carvalho e de José Ernesto Credendio:
AÇÃO CONTRA ALSTOM PODE CAIR, DIZ TUMA JR.
SECRETÁRIO AFIRMA QUE PROMOTORES NÃO PODEM TRAZER PROVAS DO EXTERIOR SEM A MEDIAÇÃO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
As provas que a Suíça e a França colheram contra a Alstom, sobre o eventual pagamento de propina a políticos brasileiros, podem ser anuladas no Brasil se não forem cumpridas as regras estabelecidas em acordos internacionais, segundo Romeu Tuma Jr., secretário nacional de Justiça.
A Folha revelou no domingo que o procurador Rodrigo de Grandis e o promotor Silvio Marques estiveram em Paris no meio do ano e mantiveram reuniões sigilosas com promotores suíços e franceses que investigam a Alstom por suspeita de pagamento de propina a políticos do Brasil, da Venezuela, da Indonésia e de Cingapura.
A Suíça é o país em que a apuração está em nível mais avançado porque foi lá que foram descobertos os primeiros indícios de que a empresa francesa pagava propinas a políticos para obter obras públicas.
Segundo o jornal "The Wall Street Journal", a Alstom francesa pagou US$ 6,8 milhões (R$ 15,9 milhões pelo câmbio atual) para obter obras de US$ 45 milhões (R$ 104,94 milhões) do Metrô de São Paulo e da Eletropaulo.
"A investigação da Alstom pode ser anulada. Os acordos internacionais determinam que as provas têm de passar pela autoridade central brasileira. Promotor não pode trazer provas debaixo do braço", afirma.
A autoridade central brasileira, nesse caso, é o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça.
De acordo com Tuma Jr., o desrespeito às normas internacionais inviabilizou o uso de provas vindas da Suíça num processo contra o ex-prefeito Paulo Maluf.
O Ministério Público Federal tentou em 2005 usar 20 quilos de documentos suíços numa ação em que acusava Maluf por evasão de divisas. A lei suíça entende que evasão de divisas é um crime de natureza fiscal, sobre o qual cabem ações administrativas, não de natureza criminal. O acordo veta o uso dos papéis para ações fiscais.
Os suíços protestaram contra o uso indevido dos documentos. Houve, segundo aquele país, quebra da cláusula de especialidade. Por causa dos protestos, o procurador Rodrigo de Grandis teve de pedir a retirada dessas provas do processo. Os papéis suíços foram usados em outra ação, sobre lavagem de dinheiro.
As relações jurídicas entre o Brasil e a Suíça ficaram estremecidas por causa desse uso indevido de documentos.
TUDO LEGAL
O procurador Rodrigo de Grandis e o promotor Silvio Marques, que investigam a Alstom, dizem que a reunião que tiveram com seus pares em Paris não teve nenhuma ilegalidade. Segundo eles, o DRCI e o Itamaraty foram avisados da viagem. Em Paris, a dupla contou com a ajuda de uma funcionária do Itamaraty.
"Foi uma reunião para discutir os rumos da investigação, não para troca de documentos", afirma De Grandis.
Reuniões de trabalho com procuradores e promotores de outros países, segundo ele, não são vetadas pelas duas convenções que regulam a cooperação jurídica internacional -a de Palermo (2000), sobre o crime organizado transnacional, e a de Mérida (2003), de combate à corrupção.
"É óbvio que toda a documentação da Suíça e da França vai passar pelo Ministério da Justiça na forma que a lei determina", afirma Marques, que obteve o título de doutor em direito na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) justamente com uma tese sobre cooperação internacional."
Ontem li no jornal Folha de São Paulo o seguinte texto de Mario Cesar Carvalho e de José Ernesto Credendio:
AÇÃO CONTRA ALSTOM PODE CAIR, DIZ TUMA JR.
SECRETÁRIO AFIRMA QUE PROMOTORES NÃO PODEM TRAZER PROVAS DO EXTERIOR SEM A MEDIAÇÃO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
As provas que a Suíça e a França colheram contra a Alstom, sobre o eventual pagamento de propina a políticos brasileiros, podem ser anuladas no Brasil se não forem cumpridas as regras estabelecidas em acordos internacionais, segundo Romeu Tuma Jr., secretário nacional de Justiça.
A Folha revelou no domingo que o procurador Rodrigo de Grandis e o promotor Silvio Marques estiveram em Paris no meio do ano e mantiveram reuniões sigilosas com promotores suíços e franceses que investigam a Alstom por suspeita de pagamento de propina a políticos do Brasil, da Venezuela, da Indonésia e de Cingapura.
A Suíça é o país em que a apuração está em nível mais avançado porque foi lá que foram descobertos os primeiros indícios de que a empresa francesa pagava propinas a políticos para obter obras públicas.
Segundo o jornal "The Wall Street Journal", a Alstom francesa pagou US$ 6,8 milhões (R$ 15,9 milhões pelo câmbio atual) para obter obras de US$ 45 milhões (R$ 104,94 milhões) do Metrô de São Paulo e da Eletropaulo.
"A investigação da Alstom pode ser anulada. Os acordos internacionais determinam que as provas têm de passar pela autoridade central brasileira. Promotor não pode trazer provas debaixo do braço", afirma.
A autoridade central brasileira, nesse caso, é o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça.
De acordo com Tuma Jr., o desrespeito às normas internacionais inviabilizou o uso de provas vindas da Suíça num processo contra o ex-prefeito Paulo Maluf.
O Ministério Público Federal tentou em 2005 usar 20 quilos de documentos suíços numa ação em que acusava Maluf por evasão de divisas. A lei suíça entende que evasão de divisas é um crime de natureza fiscal, sobre o qual cabem ações administrativas, não de natureza criminal. O acordo veta o uso dos papéis para ações fiscais.
Os suíços protestaram contra o uso indevido dos documentos. Houve, segundo aquele país, quebra da cláusula de especialidade. Por causa dos protestos, o procurador Rodrigo de Grandis teve de pedir a retirada dessas provas do processo. Os papéis suíços foram usados em outra ação, sobre lavagem de dinheiro.
As relações jurídicas entre o Brasil e a Suíça ficaram estremecidas por causa desse uso indevido de documentos.
TUDO LEGAL
O procurador Rodrigo de Grandis e o promotor Silvio Marques, que investigam a Alstom, dizem que a reunião que tiveram com seus pares em Paris não teve nenhuma ilegalidade. Segundo eles, o DRCI e o Itamaraty foram avisados da viagem. Em Paris, a dupla contou com a ajuda de uma funcionária do Itamaraty.
"Foi uma reunião para discutir os rumos da investigação, não para troca de documentos", afirma De Grandis.
Reuniões de trabalho com procuradores e promotores de outros países, segundo ele, não são vetadas pelas duas convenções que regulam a cooperação jurídica internacional -a de Palermo (2000), sobre o crime organizado transnacional, e a de Mérida (2003), de combate à corrupção.
"É óbvio que toda a documentação da Suíça e da França vai passar pelo Ministério da Justiça na forma que a lei determina", afirma Marques, que obteve o título de doutor em direito na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) justamente com uma tese sobre cooperação internacional."
PARTIDO DE CHÁVEZ É ELEITO EM 17 DOS 22 ESTADOS VENEZUELANOS
O portal UOL ontem postou a seguinte reportagem de Francisco Peregil do jornal espanhol El Pais. Li o texto traduzido por Luiz Roberto Mendes Gonçalves:
OS GRUPOS RIVAIS CONTROLAM AS REGIÕES MAIS POPULOSAS DA CAPITAL DO PAÍS
“Todos contentes. A partir de agora o presidente Hugo Chávez pode dizer que a Venezuela continua sendo "vermelha, vermelhinha", porque os candidatos da formação que ele fundou em 2006, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), venceram no domingo 17 dos 22 governos em disputa. Chávez obteve 77% dos votos, com 1,5 milhão de eleitores a mais que os partidos rivais em eleições regionais e locais que o presidente transformou em um plebiscito sobre sua pessoa.
A oposição, formada por vários partidos, pode se vangloriar de ter consolidado sua vitória nos dois únicos Estados onde já conseguiu ganhar nas eleições regionais de 2004 (Zulia e Nueva Esparta) e ter acrescentado os de Carabobo, Táchira e Miranda.
Os opositores encontraram a grande surpresa de sua vitória na Prefeitura Maior, ou Grande Caracas, cidade que conta com cinco municípios (Libertador, Chacao, Baruta, El Hatillo e Sucre), dos quais o PSUV só controla o de Libertador. Além disso, Maracaibo, a segunda cidade do país, ficou para o líder do Un Nuevo Tiempo, Manuel Rosales, que Chávez ameaçou de prisão durante a campanha.
Mas um dos maiores troféus para a oposição foi a vitória no município de Sucre, em Caracas, onde se encontra Petare, o bairro mais violento e populoso da Venezuela. Carlos Ocariz, o candidato de oposição à prefeitura de Sucre, dizia há anos que poderia ganhar em Petare porque Chávez não tem mais o monopólio do combate à pobreza. E ganhou no domingo.
A oposição pode afirmar que o Estado petroleiro de Zulia é o mais rico do país e Carabobo o mais industrializado; e pode lembrar que Zulia e Miranda (Estado que engloba quase a metade da cidade de Caracas) são as regiões mais populosas da Venezuela, com 6,6 milhões de habitantes dos 28 milhões do país.
Chávez havia se esforçado nesses lugares. Em Zulia não só ameaçou várias vezes de prisão Manuel Rosales, líder do Un Nuevo Tiempo, por suposta evasão fiscal, como ali pronunciou seu discurso de fim de campanha. Em Carabobo o presidente promoveu como candidato ao governo Mario Silva, apresentador de um programa de televisão no qual são comuns os insultos contra adversários e dissidentes. Chávez tinha declarado que se a oposição ganhasse em Carabobo poderia considerar a possibilidade de colocar os tanques na rua.
Mas ontem todas as ameaças se transformaram em coisa do passado. Depois de se conhecer os resultados, os candidatos de oposição vitoriosos foram estendendo a mão a seus rivais governistas para trabalhar em comum a partir de agora. E Chávez cumprimentou os vencedores.
Se na segunda-feira houve claros perdedores foram os chavistas rebeldes. O governismo conseguiu recuperar os Estados de Trujillo, Aragua, Guárico e Sucre, que se encontravam nas mãos de governadores dissidentes. E Chávez conseguiu que seu irmão Adán vencesse em Barinas, terra natal do presidente, contra outro dissidente.
Quase todos contentes, portanto. Os chavistas cantavam na noite de segunda-feira o já legendário "Uh, ah, Chávez no se va!", enquanto os adversários percorriam as ruas de Caracas com seus carros cantando "Sí, se puede; sí, se puede!" E ambos poderão celebrar o fato de que se bateu o recorde de participação em eleições regionais, com 65% dos quase 17 milhões de eleitores convocados. Chávez tinha declarado na semana passada que "perder pelo menos três governos nestas eleições seria uma derrota para o governo nacional". Mas na noite de segunda disse que o ganhador havia sido o PSUV e advertiu os rivais: "Se quiserem cair em mentiras, que caiam em mentiras".
"Foi uma derrota claríssima do governo", indica o sociólogo Ignacio Ávalos. "Mas é uma derrota nas mãos de ninguém, nas mãos de um movimento muito heterogêneo e confuso como é a oposição. Em cada um dos Estados que ganhou foi com um partido diferente."
A praça de Altamira, onde os opositores se reuniram no último dia 2 de dezembro para comemorar a derrota de Chávez no referendo constitucional, estava vazia na segunda-feira depois da divulgação dos resultados. De vez em quando se viam passar alguns motoristas que buzinavam e gritavam "Sí, se puede; sí se puede". Mas a alegria não era veemente em nenhum dos dois lados. A tristeza também não.”
OS GRUPOS RIVAIS CONTROLAM AS REGIÕES MAIS POPULOSAS DA CAPITAL DO PAÍS
“Todos contentes. A partir de agora o presidente Hugo Chávez pode dizer que a Venezuela continua sendo "vermelha, vermelhinha", porque os candidatos da formação que ele fundou em 2006, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), venceram no domingo 17 dos 22 governos em disputa. Chávez obteve 77% dos votos, com 1,5 milhão de eleitores a mais que os partidos rivais em eleições regionais e locais que o presidente transformou em um plebiscito sobre sua pessoa.
A oposição, formada por vários partidos, pode se vangloriar de ter consolidado sua vitória nos dois únicos Estados onde já conseguiu ganhar nas eleições regionais de 2004 (Zulia e Nueva Esparta) e ter acrescentado os de Carabobo, Táchira e Miranda.
Os opositores encontraram a grande surpresa de sua vitória na Prefeitura Maior, ou Grande Caracas, cidade que conta com cinco municípios (Libertador, Chacao, Baruta, El Hatillo e Sucre), dos quais o PSUV só controla o de Libertador. Além disso, Maracaibo, a segunda cidade do país, ficou para o líder do Un Nuevo Tiempo, Manuel Rosales, que Chávez ameaçou de prisão durante a campanha.
Mas um dos maiores troféus para a oposição foi a vitória no município de Sucre, em Caracas, onde se encontra Petare, o bairro mais violento e populoso da Venezuela. Carlos Ocariz, o candidato de oposição à prefeitura de Sucre, dizia há anos que poderia ganhar em Petare porque Chávez não tem mais o monopólio do combate à pobreza. E ganhou no domingo.
A oposição pode afirmar que o Estado petroleiro de Zulia é o mais rico do país e Carabobo o mais industrializado; e pode lembrar que Zulia e Miranda (Estado que engloba quase a metade da cidade de Caracas) são as regiões mais populosas da Venezuela, com 6,6 milhões de habitantes dos 28 milhões do país.
Chávez havia se esforçado nesses lugares. Em Zulia não só ameaçou várias vezes de prisão Manuel Rosales, líder do Un Nuevo Tiempo, por suposta evasão fiscal, como ali pronunciou seu discurso de fim de campanha. Em Carabobo o presidente promoveu como candidato ao governo Mario Silva, apresentador de um programa de televisão no qual são comuns os insultos contra adversários e dissidentes. Chávez tinha declarado que se a oposição ganhasse em Carabobo poderia considerar a possibilidade de colocar os tanques na rua.
Mas ontem todas as ameaças se transformaram em coisa do passado. Depois de se conhecer os resultados, os candidatos de oposição vitoriosos foram estendendo a mão a seus rivais governistas para trabalhar em comum a partir de agora. E Chávez cumprimentou os vencedores.
Se na segunda-feira houve claros perdedores foram os chavistas rebeldes. O governismo conseguiu recuperar os Estados de Trujillo, Aragua, Guárico e Sucre, que se encontravam nas mãos de governadores dissidentes. E Chávez conseguiu que seu irmão Adán vencesse em Barinas, terra natal do presidente, contra outro dissidente.
Quase todos contentes, portanto. Os chavistas cantavam na noite de segunda-feira o já legendário "Uh, ah, Chávez no se va!", enquanto os adversários percorriam as ruas de Caracas com seus carros cantando "Sí, se puede; sí, se puede!" E ambos poderão celebrar o fato de que se bateu o recorde de participação em eleições regionais, com 65% dos quase 17 milhões de eleitores convocados. Chávez tinha declarado na semana passada que "perder pelo menos três governos nestas eleições seria uma derrota para o governo nacional". Mas na noite de segunda disse que o ganhador havia sido o PSUV e advertiu os rivais: "Se quiserem cair em mentiras, que caiam em mentiras".
"Foi uma derrota claríssima do governo", indica o sociólogo Ignacio Ávalos. "Mas é uma derrota nas mãos de ninguém, nas mãos de um movimento muito heterogêneo e confuso como é a oposição. Em cada um dos Estados que ganhou foi com um partido diferente."
A praça de Altamira, onde os opositores se reuniram no último dia 2 de dezembro para comemorar a derrota de Chávez no referendo constitucional, estava vazia na segunda-feira depois da divulgação dos resultados. De vez em quando se viam passar alguns motoristas que buzinavam e gritavam "Sí, se puede; sí se puede". Mas a alegria não era veemente em nenhum dos dois lados. A tristeza também não.”
terça-feira, 25 de novembro de 2008
GEORGE SOROS: "A ECONOMIA CAIU NO PRECIPÍCIO"
O portal UOL publicou ontem a seguinte entrevista realizada por Mathias Müller von Blumencron, Gregor Peter Schmitz e Gabor Steingart, do jornal alemão "Der Spiegel", com o megainvestidor George Soros:
“George Soros, 78, ganhou bilhões como gerente de fundos hedge e investidor. "Der Spiegel" conversou com ele sobre a atual crise financeira, a forma como ele espera que o presidente eleito Barack Obama responda ao desastre econômico e as responsabilidades assumidas pelos especuladores.
SPIEGEL: APESAR DAS INTERVENÇÕES MACIÇAS DOS GOVERNOS E BANCOS FEDERAIS, A CRISE FINANCEIRA ESTÁ PIORANDO. AS BOLSAS DE VALORES ESTÃO EM QUEDA LIVRE, MILHÕES DE PESSOAS PODERÃO PERDER OS SEUS EMPREGOS. A CADA DIA MAIS COMPANHIAS VÊEM-SE EM APUROS, DA GENERAL MOTORS, EM DETROIT, À BASF, EM LUDWIGSHAFEN. VOCÊ JÁ VIU ALGO COMO ISTO?
SOROS: Nunca. Acho a situação atual dramática e devastadora. No meu último livro, "The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008" ("O Novo Paradigma para os Mercados Financeiros: A Crise de Crédito de 2008"), eu previ a pior crise financeira desde a década de 1930. Mas, para falar a verdade, eu não antecipei de fato que ela tornar-se-ia assim tão grave. A situação superou os limites da minha imaginação.
SPIEGEL: QUAIS SÃO OS SEUS TEMORES EM RELAÇÃO AOS PRÓXIMOS MESES?
SOROS: Acho que a escuridão precede a aurora. Os mercados financeiros estão sob uma pressão enorme devido à falta de liderança durante o período de transição. Nos próximos dois meses, os mercados experimentarão a pressão máxima. Depois disso, veremos algumas iniciativas do governo Obama. A duração da crise dependerá do sucesso dessas medidas.
SPIEGEL: OS MERCADOS NÃO PARECEM TER MUITA CONFIANÇA NO NOVO PRESIDENTE - ALGO QUE CONTRASTA BASTANTE COM O ENTUSIASMO DA POPULAÇÃO. DESDE 4 DE NOVEMBRO, O DIA DA ELEIÇÃO, AS AÇÕES DESPENCARAM QUASE 20%.
SOROS: Eu tenho grandes esperanças em Barack Obama. Mas à época da eleição a comunidade financeira ainda não havia compreendido integralmente a magnitude da declínio econômico. Ela não previu que a inadimplência do Lehman Brothers provocaria uma insuficiência cardíaca nos mercados. A economia despencou em um precipício, e passamos a ver corpos despedaçados lá no fundo.
SPIEGEL: PERMITIR A FALÊNCIA DO LEHMAN BROTHERS FOI UM ERRO DE POLÍTICA ECONÔMICA?
SOROS: Foi um erro fatal. Eu jamais esperaria que as autoridades deixassem um banco de investimentos tão grande falir.
SPIEGEL: HAVERÁ MAIS VÍTIMAS?
SOROS: Possivelmente. O CitiBank, um dos maiores bancos do mundo, está atualmente no centro das atenções (nota da editoria: o plano de US$ 300 bilhões do governo dos Estados Unidos para estabilizar o CitiBank não havia sido aprovado quando esta entrevista foi feita). Há outras instituições na fila para potenciais encrencas. A situação é bastante similar à da década de 1930 - mas ela irá se desenrolar de forma diferente. Nós aprendemos a não permitir que o mercado financeiro entre em colapso. Gastaremos todo o dinheiro disponível no mundo para impedir que isto aconteça.
SPIEGEL: ESPERA-SE QUE OBAMA SALVE OS BANCOS, SOCORRA A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E REVIGORE A ECONOMIA EM GERAL. SERÁ QUE UMA ÚNICA PESSOA É CAPAZ DE ATENDER A EXPECTATIVAS TÃO ALTAS?
SOROS: Talvez não, mas o problema poderá ser administrado de maneira bem melhor do que no atual governo.
SPIEGEL: ATUALMENTE, O SECRETÁRIO DO TESOURO, HENRY PAULSON, ESTÁ A CARGO DOS BAILOUTS (PACOTES DE SOCORRO A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EMPRESAS EM CRISE). QUAIS SÃO AS SUAS RESERVAS EM RELAÇÃO AO DESEMPENHO DELE?
SOROS: Paulson reagiu aos problemas à medidas que estes surgiram. Ele não teve a capacidade de antecipá-los. Quando ele permitiu que o Lehman Brothers fracassasse, o colapso dos mercados financeiros o pegou totalmente despreparado. Quando dirigiu-se ao Congresso ele não foi com um plano, mas sim com um plano para criar um plano. E o plano que ele tinha em mente - a compra dos ativos tóxicos - foi mal concebido. A injeção de capital de equity no sistema bancário fazia muito mais sentido, e ele acabou enxergando isto, mas novamente abordou o fato da maneira errada. A seguir, Paulson parou de agir, deixando um vácuo de liderança, e os mercados entraram em colapso.
SPIEGEL: QUAIS SÃO AS EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO SECRETÁRIO DO TESOURO?
SOROS: Creio que necessitaremos de um grande pacote de estímulos que fornecerá fundos aos governos estaduais e municipais para que esses mantenham os seus orçamentos - já que a constituição não lhes permite administrar déficits. Para que tal programa tenha êxito, o governo federal precisará fornecer centenas de bilhões de dólares. Além disso, outros programas de infra-estrutura são necessários. Ao todo, o custo poderá ficar na faixa de US$ 300 bilhões a US$ 600 bilhões.
SPIEGEL: ALÉM DOS US$ 700 BILHÕES EM SOCORRO À INDÚSTRIA FINANCEIRA?
SOROS: Sem dúvida. Creio que esta é uma grande oportunidade para finalmente lidarmos com o aquecimento global e a dependência energética. Os Estados Unidos necessitarão de um limite e de um sistema comercial consistindo de leilões de licenças para emissões. Eu utilizaria esses leilões para lançar uma nova política energética que não fosse agressiva ao meio ambiente. Esse seria mais um programa federal que poderia ajudar-nos a superar a atual estagnação.
SPIEGEL: A SUA PROPOSTA FOI DESCARTADA POR WALL STREET COMO SENDO UMA INICIATIVA DO TIPO "BIG GOVERNMENT" ("GOVERNO GRANDE", TERMO USADO PARA DESIGNAR GOVERNOS QUE INTERFEREM NA ECONOMIA). OS REPUBLICANOS PODERIAM CHAMÁ-LA DE "SOCIALISMO" DE ESTILO EUROPEU.
SOROS: É exatamente disto que precisamos neste momento. Sou contra o fundamentalismo de mercado. Creio que esta propaganda segundo a qual o envolvimento do governo é sempre ruim foi muito bem sucedida - mas também muito prejudicial à nossa sociedade.
SPIEGEL: VOCÊ RECOMENDARIA AO NOVO PRESIDENTE QUE DISSESSE ISTO PUBLICAMENTE?
Soros: Ele já se manifestou a respeito da mudança do discurso político. Creio que é melhor ter um governo que deseja fornecer uma boa administração do que um que não acredita em governo.
SPIEGEL: NO ENTANTO, NEM MESMO UM GOVERNO FORTE É CAPAZ DE FAZER MILAGRES. ELE PRECISA DE DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES. FALA-SE MUITO NOS ESTADOS UNIDOS A RESPEITO DO NOVO PAPEL DO ESTADO E DO GOVERNO - MAS NINGUÉM PARECE DISPOSTO A PAGAR POR ISSO. OBAMA ANUNCIOU A REDUÇÃO DE IMPOSTOS PARA 95% DOS TRABALHADORES NORTE-AMERICANOS. ISTO NÃO SERIA UMA CONTRADIÇÃO?
SOROS: Em tempos de recessão, é altamente desejável operar um déficit orçamentário. Assim que a economia começa a se recuperar, é preciso equilibrar o orçamento. Em 2010, as reduções de impostos de Bush expirarão e não devemos estendê-las. Mas precisaremos também de receitas adicionais. Se o governo não arrecadá-las, todos seremos punidos com taxas de juros mais elevadas.
SPIEGEL: TODOS DIZEM QUE TEMOS QUE REGULAR MAIS OS MERCADOS FINANCEIROS. ISSO SOA BEM, MAS SERÁ QUE É REALISTA? SERÁ QUE ALGUÉM CONSEGUE DE FATO DOMAR OS MERCADOS?
SOROS: Entre os reguladores e os participantes do mercado existe um jogo de gato e rato que transcorre indefinidamente...
SPIEGEL: ...NO QUAL, FREQÜENTEMENTE, OS RATOS, OS PARTICIPANTES DO MERCADO, ESTÃO EM POSIÇÃO VANTAJOSA.
SOROS: Porque eles recebem um apoio extra dos fundamentalistas de mercado. Mas o resultado foi desastroso, conforme vemos agora. Creio que é melhor ter um jogo de gato e rato no qual o gato tenha vantagem do que um jogo no qual os ratos dominem. Isto porque, este último caso significa que os participantes do mercado contam com total liberdade de ação. Este foi de fato o grande equívoco do nosso herói nacional Ronald Reagan, que sempre falou a respeito da mágica do mercado.
SPIEGEL: ENTÃO, VOCÊ APÓIA A REGULAÇÃO MAIS RÍGIDA E O CONTROLE MAIS EFICIENTE DOS MERCADOS?
SOROS: De fato. Entretanto, é preciso reconhecer que as regulações jamais terão êxito completo e que elas sempre estarão repletas de buracos. É preciso que se esteja constantemente preparado para preencher os novos buracos. Na verdade, a regulação deve ser mantida em um nível mínimo, mas é preciso que haja alguma cooperação entre os participantes do mercado e as autoridades - conforme ocorreu nos anos iniciais do período de pós-guerra. O Banco da Inglaterra foi um regulador de bastante sucesso ao cooperar com os participantes do mercado. Esse espírito cooperativo foi quebrado pelos fundamentalistas de mercado.
SPIEGEL: NÃO NA ALEMANHA. TEMOS MUITOS BANCOS SEMI-PRIVADOS QUE DOMINAM GRANDE PARTE DO MERCADO. OS POLÍTICOS ATUAM NOS SEUS COMITÊS DE SUPERVISÃO. MAS ELES ESTÃO EM UM ESTADO PARTICULARMENTE RUIM.
SOROS: Essas parcerias entre o público e o privado são extremamente perigosas. A parte mais podre do sistema financeiro nos Estados Unidos consiste das entidades patrocinadas pelo governo, o Fannie Mae e o Freddie Mac. Eles de fato desencadearam a crise.
O Estado deveria estabelecer as regras e fazer com que elas fossem cumpridas - mas não envolver-se como um ator do mercado.
SPIEGEL: VOCÊ É UM DOS MAIS PODEROSOS ESPECULADORES DO MUNDO E ESTEVE ALTAMENTE ENVOLVIDO COM ATIVIDADES DE FUNDOS NOS ÚLTIMOS MESES. COMO É QUE VOCÊ LIDA COM O DILEMA DE SER UM ESPECULADOR - QUE MUITAS VEZES SAI LUCRANDO COM UMA TRANSAÇÃO FINANCEIRA CAPAZ DE PREJUDICAR A SOCIEDADE?
SOROS: Esta é uma falsa questão. Eu sempre joguei segundo as regras. Ao mesmo tempo, tento aprimorar as regras. Ao fazer isto, eu sugiro com freqüência mudanças que não poderiam gerar benefícios pessoais para mim. Trago no meu coração o interesse comum, e não o meu interesse pessoal.
SPIEGEL: MAS A IDÉIA QUE MUITAS PESSOAS FAZEM DE VOCÊ E DOS SEUS COLEGAS É MUITO DIFERENTE. ELAS CULPAM OS ESPECULADORES PELA CRISE FINANCEIRA ATUAL - FOI ESTA A RAZÃO PARA A SUA DECISÃO DE DOAR BILHÕES DE DÓLARES A ORGANIZAÇÕES DE CARIDADE E À SUA FUNDAÇÃO?
SOROS: As pessoas acham que estou doando dinheiro por ter crises de consciência.
SPIEGEL: HÁ ALGUMA VERDADE EM RELAÇÃO A ISSO?
SOROS: Não. É um equívoco total. Os grandes acontecimentos dos quais eu participei teriam ocorrido com ou sem a minha participação. Por exemplo, quer eu tivesse nascido ou não, a libra britânica teria sido expelida do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio em 1992.
SPIEGEL: MAS SERÁ QUE VOCÊ É UMA ENGRENAGEM TÃO PEQUENA QUANTO ALEGA? SE VOCÊ FIZER AS SUAS APOSTAS CONTRA GRÃOS, ARROZ OU ÓLEO, MUITOS INVESTIDORES O SEGUIRÃO. ISSO PODERIA PREJUDICAR CONSUMIDORES QUE NÃO CONSEGUEM MAIS ARCAR COM OS PREÇOS DE ALIMENTOS ESSENCIAIS OU ENERGIA. NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE VOCÊ É CAPAZ DE INFLUENCIAR OS MERCADOS.
SOROS: Desde que eu me tornei uma figura pública, o homem que supostamente "quebrou o Banco da Inglaterra", fui retratado como um guru financeiro capaz de influenciar os mercados. Isso na verdade criou mais problemas morais para mim. Isso me forçou a impor certas autocontenções nas minhas declarações - exatamente porque eu posso influenciar os mercados, assim como o investidor Warren Buffett. Assim sendo, nós tentamos agir de forma muito responsável.
SPIEGEL: O MUNDO PRECISA DOS FUNDOS HEDGE?
SOROS: Acho que os fundos hedge são uma forma muito eficiente de gerenciar dinheiro. Mas eu vejo nitidamente os riscos. Os fundos hedge usam crédito, e crédito é uma fonte de instabilidade. A minha conclusão é que as transações envolvendo crédito deveriam ser reguladas.
SPIEGEL: AGORA VOCÊ SOA COMO UMA PESSOA QUE ADMINISTRA UMA DELEGACIA DE POLÍCIA E DIZ AOS POLICIAIS: "POR FAVOR, ME ALGEME. EU SOU PERIGOSO!".
SOROS: Na verdade, não. Creio que é preciso haver regulação apropriada dos mercados financeiros, mas é impossível prevenir a especulação. Existe pouquíssima diferença entre especulação e investimento. A única diferença é basicamente que os investimentos são especulações bem-sucedidas porque, se o indivíduo antecipa o futuro com êxito, ele obtém um lucro especulativo. Não tenho de forma alguma problemas de consciência. Sinto muito orgulho por ser um especulador de sucesso.
SPIEGEL: OS CIDADÃOS COMUNS NÃO SE IMPRESSIONAM MUITO COM ISSO. ELES NÃO CONFIAM MAIS EM WALL STREET.
SOROS: Esta desconfiança tem fundamento. As instituições de muito prestígio em Wall Street buscam atender aos seus interesses próprios, e isso difere do interesse comum - que precisa ser protegido.
SPIEGEL: MUITA GENTE NÃO TEM MAIS CONFIANÇA NAS MEDIDAS DE BAILOUT ADOTADAS PELO GOVERNO BUSH. ALGUNS CRÍTICOS ALEGAM QUE O SECRETÁRIO DO TESOURO, HENRY PAULSON, ESTÁ SIMPLESMENTE PROCURANDO SALVAR OS SEUS EX-COLEGAS DE WALL STREET. PAULSON JÁ FOI DIRETOR-EXECUTIVO DO GOLDMAN SACHS.
SOROS: Isso pode ser um exagero. Mas é verdade que Paulson enxerga os problemas exageradamente sob a ótica de um banqueiro de Wall Street.
SPIEGEL: ELE TAMBÉM RELUTA EM FAZER PRESSÕES PELA ADOÇÃO DE TETOS SALARIAIS PARA OS DIRETORES-EXECUTIVOS OU RESTRIÇÕES DE BÔNUS NOS BANCOS QUE RECEBEM AJUDA GOVERNAMENTAL.
SOROS: O fornecimento de dinheiro governamental a um banco transforma esta instituição basicamente em uma companhia de serviço público. Os salários enormes desse setor são apenas um sintoma de um desajuste mais profundo. A rentabilidade da indústria financeira tem sido excessiva. Durante certo tempo, 35% de todos os lucros corporativos no Reino Unido e nos Estados Unidos vieram do setor financeiro. Isso é um absurdo.
SPIEGEL: NÓS FALAMOS BASTANTE SOBRE OS PERDEDORES NO ATUAL DESASTRE FINANCEIRO. VOCÊ ENXERGA TAMBÉM GANHADORES?
SOROS: A China poderá facilmente emergir como a grande vencedora caso os líderes chineses administrem bem a situação. Por outro lado, eles poderiam tornar-se também os maiores perdedores caso lidassem mal com o que está acontecendo. Se a administração for ruim, isto poderá levar a uma crise política na China. Ainda é muito cedo para declarar vencedores e perdedores.
SPIEGEL: OBAMA PODERIA SER O PRIMEIRO "PRESIDENTE PÓS-AMERICANO" - PORQUE O SEU PAÍS PERDE FORÇA ECONÔMICA E "PODER SUAVE"?
SOROS: Se Obama for esperto, ele encontrará pontos em comum com a China para resolver esta crise. Se ele quiser fazer isto sozinho, nós entraremos em uma depressão mundial porque os Estados Unidos não estão em uma posição que lhes permita consertar a bagunça que criaram”.
“George Soros, 78, ganhou bilhões como gerente de fundos hedge e investidor. "Der Spiegel" conversou com ele sobre a atual crise financeira, a forma como ele espera que o presidente eleito Barack Obama responda ao desastre econômico e as responsabilidades assumidas pelos especuladores.
SPIEGEL: APESAR DAS INTERVENÇÕES MACIÇAS DOS GOVERNOS E BANCOS FEDERAIS, A CRISE FINANCEIRA ESTÁ PIORANDO. AS BOLSAS DE VALORES ESTÃO EM QUEDA LIVRE, MILHÕES DE PESSOAS PODERÃO PERDER OS SEUS EMPREGOS. A CADA DIA MAIS COMPANHIAS VÊEM-SE EM APUROS, DA GENERAL MOTORS, EM DETROIT, À BASF, EM LUDWIGSHAFEN. VOCÊ JÁ VIU ALGO COMO ISTO?
SOROS: Nunca. Acho a situação atual dramática e devastadora. No meu último livro, "The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008" ("O Novo Paradigma para os Mercados Financeiros: A Crise de Crédito de 2008"), eu previ a pior crise financeira desde a década de 1930. Mas, para falar a verdade, eu não antecipei de fato que ela tornar-se-ia assim tão grave. A situação superou os limites da minha imaginação.
SPIEGEL: QUAIS SÃO OS SEUS TEMORES EM RELAÇÃO AOS PRÓXIMOS MESES?
SOROS: Acho que a escuridão precede a aurora. Os mercados financeiros estão sob uma pressão enorme devido à falta de liderança durante o período de transição. Nos próximos dois meses, os mercados experimentarão a pressão máxima. Depois disso, veremos algumas iniciativas do governo Obama. A duração da crise dependerá do sucesso dessas medidas.
SPIEGEL: OS MERCADOS NÃO PARECEM TER MUITA CONFIANÇA NO NOVO PRESIDENTE - ALGO QUE CONTRASTA BASTANTE COM O ENTUSIASMO DA POPULAÇÃO. DESDE 4 DE NOVEMBRO, O DIA DA ELEIÇÃO, AS AÇÕES DESPENCARAM QUASE 20%.
SOROS: Eu tenho grandes esperanças em Barack Obama. Mas à época da eleição a comunidade financeira ainda não havia compreendido integralmente a magnitude da declínio econômico. Ela não previu que a inadimplência do Lehman Brothers provocaria uma insuficiência cardíaca nos mercados. A economia despencou em um precipício, e passamos a ver corpos despedaçados lá no fundo.
SPIEGEL: PERMITIR A FALÊNCIA DO LEHMAN BROTHERS FOI UM ERRO DE POLÍTICA ECONÔMICA?
SOROS: Foi um erro fatal. Eu jamais esperaria que as autoridades deixassem um banco de investimentos tão grande falir.
SPIEGEL: HAVERÁ MAIS VÍTIMAS?
SOROS: Possivelmente. O CitiBank, um dos maiores bancos do mundo, está atualmente no centro das atenções (nota da editoria: o plano de US$ 300 bilhões do governo dos Estados Unidos para estabilizar o CitiBank não havia sido aprovado quando esta entrevista foi feita). Há outras instituições na fila para potenciais encrencas. A situação é bastante similar à da década de 1930 - mas ela irá se desenrolar de forma diferente. Nós aprendemos a não permitir que o mercado financeiro entre em colapso. Gastaremos todo o dinheiro disponível no mundo para impedir que isto aconteça.
SPIEGEL: ESPERA-SE QUE OBAMA SALVE OS BANCOS, SOCORRA A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E REVIGORE A ECONOMIA EM GERAL. SERÁ QUE UMA ÚNICA PESSOA É CAPAZ DE ATENDER A EXPECTATIVAS TÃO ALTAS?
SOROS: Talvez não, mas o problema poderá ser administrado de maneira bem melhor do que no atual governo.
SPIEGEL: ATUALMENTE, O SECRETÁRIO DO TESOURO, HENRY PAULSON, ESTÁ A CARGO DOS BAILOUTS (PACOTES DE SOCORRO A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EMPRESAS EM CRISE). QUAIS SÃO AS SUAS RESERVAS EM RELAÇÃO AO DESEMPENHO DELE?
SOROS: Paulson reagiu aos problemas à medidas que estes surgiram. Ele não teve a capacidade de antecipá-los. Quando ele permitiu que o Lehman Brothers fracassasse, o colapso dos mercados financeiros o pegou totalmente despreparado. Quando dirigiu-se ao Congresso ele não foi com um plano, mas sim com um plano para criar um plano. E o plano que ele tinha em mente - a compra dos ativos tóxicos - foi mal concebido. A injeção de capital de equity no sistema bancário fazia muito mais sentido, e ele acabou enxergando isto, mas novamente abordou o fato da maneira errada. A seguir, Paulson parou de agir, deixando um vácuo de liderança, e os mercados entraram em colapso.
SPIEGEL: QUAIS SÃO AS EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO SECRETÁRIO DO TESOURO?
SOROS: Creio que necessitaremos de um grande pacote de estímulos que fornecerá fundos aos governos estaduais e municipais para que esses mantenham os seus orçamentos - já que a constituição não lhes permite administrar déficits. Para que tal programa tenha êxito, o governo federal precisará fornecer centenas de bilhões de dólares. Além disso, outros programas de infra-estrutura são necessários. Ao todo, o custo poderá ficar na faixa de US$ 300 bilhões a US$ 600 bilhões.
SPIEGEL: ALÉM DOS US$ 700 BILHÕES EM SOCORRO À INDÚSTRIA FINANCEIRA?
SOROS: Sem dúvida. Creio que esta é uma grande oportunidade para finalmente lidarmos com o aquecimento global e a dependência energética. Os Estados Unidos necessitarão de um limite e de um sistema comercial consistindo de leilões de licenças para emissões. Eu utilizaria esses leilões para lançar uma nova política energética que não fosse agressiva ao meio ambiente. Esse seria mais um programa federal que poderia ajudar-nos a superar a atual estagnação.
SPIEGEL: A SUA PROPOSTA FOI DESCARTADA POR WALL STREET COMO SENDO UMA INICIATIVA DO TIPO "BIG GOVERNMENT" ("GOVERNO GRANDE", TERMO USADO PARA DESIGNAR GOVERNOS QUE INTERFEREM NA ECONOMIA). OS REPUBLICANOS PODERIAM CHAMÁ-LA DE "SOCIALISMO" DE ESTILO EUROPEU.
SOROS: É exatamente disto que precisamos neste momento. Sou contra o fundamentalismo de mercado. Creio que esta propaganda segundo a qual o envolvimento do governo é sempre ruim foi muito bem sucedida - mas também muito prejudicial à nossa sociedade.
SPIEGEL: VOCÊ RECOMENDARIA AO NOVO PRESIDENTE QUE DISSESSE ISTO PUBLICAMENTE?
Soros: Ele já se manifestou a respeito da mudança do discurso político. Creio que é melhor ter um governo que deseja fornecer uma boa administração do que um que não acredita em governo.
SPIEGEL: NO ENTANTO, NEM MESMO UM GOVERNO FORTE É CAPAZ DE FAZER MILAGRES. ELE PRECISA DE DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES. FALA-SE MUITO NOS ESTADOS UNIDOS A RESPEITO DO NOVO PAPEL DO ESTADO E DO GOVERNO - MAS NINGUÉM PARECE DISPOSTO A PAGAR POR ISSO. OBAMA ANUNCIOU A REDUÇÃO DE IMPOSTOS PARA 95% DOS TRABALHADORES NORTE-AMERICANOS. ISTO NÃO SERIA UMA CONTRADIÇÃO?
SOROS: Em tempos de recessão, é altamente desejável operar um déficit orçamentário. Assim que a economia começa a se recuperar, é preciso equilibrar o orçamento. Em 2010, as reduções de impostos de Bush expirarão e não devemos estendê-las. Mas precisaremos também de receitas adicionais. Se o governo não arrecadá-las, todos seremos punidos com taxas de juros mais elevadas.
SPIEGEL: TODOS DIZEM QUE TEMOS QUE REGULAR MAIS OS MERCADOS FINANCEIROS. ISSO SOA BEM, MAS SERÁ QUE É REALISTA? SERÁ QUE ALGUÉM CONSEGUE DE FATO DOMAR OS MERCADOS?
SOROS: Entre os reguladores e os participantes do mercado existe um jogo de gato e rato que transcorre indefinidamente...
SPIEGEL: ...NO QUAL, FREQÜENTEMENTE, OS RATOS, OS PARTICIPANTES DO MERCADO, ESTÃO EM POSIÇÃO VANTAJOSA.
SOROS: Porque eles recebem um apoio extra dos fundamentalistas de mercado. Mas o resultado foi desastroso, conforme vemos agora. Creio que é melhor ter um jogo de gato e rato no qual o gato tenha vantagem do que um jogo no qual os ratos dominem. Isto porque, este último caso significa que os participantes do mercado contam com total liberdade de ação. Este foi de fato o grande equívoco do nosso herói nacional Ronald Reagan, que sempre falou a respeito da mágica do mercado.
SPIEGEL: ENTÃO, VOCÊ APÓIA A REGULAÇÃO MAIS RÍGIDA E O CONTROLE MAIS EFICIENTE DOS MERCADOS?
SOROS: De fato. Entretanto, é preciso reconhecer que as regulações jamais terão êxito completo e que elas sempre estarão repletas de buracos. É preciso que se esteja constantemente preparado para preencher os novos buracos. Na verdade, a regulação deve ser mantida em um nível mínimo, mas é preciso que haja alguma cooperação entre os participantes do mercado e as autoridades - conforme ocorreu nos anos iniciais do período de pós-guerra. O Banco da Inglaterra foi um regulador de bastante sucesso ao cooperar com os participantes do mercado. Esse espírito cooperativo foi quebrado pelos fundamentalistas de mercado.
SPIEGEL: NÃO NA ALEMANHA. TEMOS MUITOS BANCOS SEMI-PRIVADOS QUE DOMINAM GRANDE PARTE DO MERCADO. OS POLÍTICOS ATUAM NOS SEUS COMITÊS DE SUPERVISÃO. MAS ELES ESTÃO EM UM ESTADO PARTICULARMENTE RUIM.
SOROS: Essas parcerias entre o público e o privado são extremamente perigosas. A parte mais podre do sistema financeiro nos Estados Unidos consiste das entidades patrocinadas pelo governo, o Fannie Mae e o Freddie Mac. Eles de fato desencadearam a crise.
O Estado deveria estabelecer as regras e fazer com que elas fossem cumpridas - mas não envolver-se como um ator do mercado.
SPIEGEL: VOCÊ É UM DOS MAIS PODEROSOS ESPECULADORES DO MUNDO E ESTEVE ALTAMENTE ENVOLVIDO COM ATIVIDADES DE FUNDOS NOS ÚLTIMOS MESES. COMO É QUE VOCÊ LIDA COM O DILEMA DE SER UM ESPECULADOR - QUE MUITAS VEZES SAI LUCRANDO COM UMA TRANSAÇÃO FINANCEIRA CAPAZ DE PREJUDICAR A SOCIEDADE?
SOROS: Esta é uma falsa questão. Eu sempre joguei segundo as regras. Ao mesmo tempo, tento aprimorar as regras. Ao fazer isto, eu sugiro com freqüência mudanças que não poderiam gerar benefícios pessoais para mim. Trago no meu coração o interesse comum, e não o meu interesse pessoal.
SPIEGEL: MAS A IDÉIA QUE MUITAS PESSOAS FAZEM DE VOCÊ E DOS SEUS COLEGAS É MUITO DIFERENTE. ELAS CULPAM OS ESPECULADORES PELA CRISE FINANCEIRA ATUAL - FOI ESTA A RAZÃO PARA A SUA DECISÃO DE DOAR BILHÕES DE DÓLARES A ORGANIZAÇÕES DE CARIDADE E À SUA FUNDAÇÃO?
SOROS: As pessoas acham que estou doando dinheiro por ter crises de consciência.
SPIEGEL: HÁ ALGUMA VERDADE EM RELAÇÃO A ISSO?
SOROS: Não. É um equívoco total. Os grandes acontecimentos dos quais eu participei teriam ocorrido com ou sem a minha participação. Por exemplo, quer eu tivesse nascido ou não, a libra britânica teria sido expelida do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio em 1992.
SPIEGEL: MAS SERÁ QUE VOCÊ É UMA ENGRENAGEM TÃO PEQUENA QUANTO ALEGA? SE VOCÊ FIZER AS SUAS APOSTAS CONTRA GRÃOS, ARROZ OU ÓLEO, MUITOS INVESTIDORES O SEGUIRÃO. ISSO PODERIA PREJUDICAR CONSUMIDORES QUE NÃO CONSEGUEM MAIS ARCAR COM OS PREÇOS DE ALIMENTOS ESSENCIAIS OU ENERGIA. NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE VOCÊ É CAPAZ DE INFLUENCIAR OS MERCADOS.
SOROS: Desde que eu me tornei uma figura pública, o homem que supostamente "quebrou o Banco da Inglaterra", fui retratado como um guru financeiro capaz de influenciar os mercados. Isso na verdade criou mais problemas morais para mim. Isso me forçou a impor certas autocontenções nas minhas declarações - exatamente porque eu posso influenciar os mercados, assim como o investidor Warren Buffett. Assim sendo, nós tentamos agir de forma muito responsável.
SPIEGEL: O MUNDO PRECISA DOS FUNDOS HEDGE?
SOROS: Acho que os fundos hedge são uma forma muito eficiente de gerenciar dinheiro. Mas eu vejo nitidamente os riscos. Os fundos hedge usam crédito, e crédito é uma fonte de instabilidade. A minha conclusão é que as transações envolvendo crédito deveriam ser reguladas.
SPIEGEL: AGORA VOCÊ SOA COMO UMA PESSOA QUE ADMINISTRA UMA DELEGACIA DE POLÍCIA E DIZ AOS POLICIAIS: "POR FAVOR, ME ALGEME. EU SOU PERIGOSO!".
SOROS: Na verdade, não. Creio que é preciso haver regulação apropriada dos mercados financeiros, mas é impossível prevenir a especulação. Existe pouquíssima diferença entre especulação e investimento. A única diferença é basicamente que os investimentos são especulações bem-sucedidas porque, se o indivíduo antecipa o futuro com êxito, ele obtém um lucro especulativo. Não tenho de forma alguma problemas de consciência. Sinto muito orgulho por ser um especulador de sucesso.
SPIEGEL: OS CIDADÃOS COMUNS NÃO SE IMPRESSIONAM MUITO COM ISSO. ELES NÃO CONFIAM MAIS EM WALL STREET.
SOROS: Esta desconfiança tem fundamento. As instituições de muito prestígio em Wall Street buscam atender aos seus interesses próprios, e isso difere do interesse comum - que precisa ser protegido.
SPIEGEL: MUITA GENTE NÃO TEM MAIS CONFIANÇA NAS MEDIDAS DE BAILOUT ADOTADAS PELO GOVERNO BUSH. ALGUNS CRÍTICOS ALEGAM QUE O SECRETÁRIO DO TESOURO, HENRY PAULSON, ESTÁ SIMPLESMENTE PROCURANDO SALVAR OS SEUS EX-COLEGAS DE WALL STREET. PAULSON JÁ FOI DIRETOR-EXECUTIVO DO GOLDMAN SACHS.
SOROS: Isso pode ser um exagero. Mas é verdade que Paulson enxerga os problemas exageradamente sob a ótica de um banqueiro de Wall Street.
SPIEGEL: ELE TAMBÉM RELUTA EM FAZER PRESSÕES PELA ADOÇÃO DE TETOS SALARIAIS PARA OS DIRETORES-EXECUTIVOS OU RESTRIÇÕES DE BÔNUS NOS BANCOS QUE RECEBEM AJUDA GOVERNAMENTAL.
SOROS: O fornecimento de dinheiro governamental a um banco transforma esta instituição basicamente em uma companhia de serviço público. Os salários enormes desse setor são apenas um sintoma de um desajuste mais profundo. A rentabilidade da indústria financeira tem sido excessiva. Durante certo tempo, 35% de todos os lucros corporativos no Reino Unido e nos Estados Unidos vieram do setor financeiro. Isso é um absurdo.
SPIEGEL: NÓS FALAMOS BASTANTE SOBRE OS PERDEDORES NO ATUAL DESASTRE FINANCEIRO. VOCÊ ENXERGA TAMBÉM GANHADORES?
SOROS: A China poderá facilmente emergir como a grande vencedora caso os líderes chineses administrem bem a situação. Por outro lado, eles poderiam tornar-se também os maiores perdedores caso lidassem mal com o que está acontecendo. Se a administração for ruim, isto poderá levar a uma crise política na China. Ainda é muito cedo para declarar vencedores e perdedores.
SPIEGEL: OBAMA PODERIA SER O PRIMEIRO "PRESIDENTE PÓS-AMERICANO" - PORQUE O SEU PAÍS PERDE FORÇA ECONÔMICA E "PODER SUAVE"?
SOROS: Se Obama for esperto, ele encontrará pontos em comum com a China para resolver esta crise. Se ele quiser fazer isto sozinho, nós entraremos em uma depressão mundial porque os Estados Unidos não estão em uma posição que lhes permita consertar a bagunça que criaram”.
ALEXANDRE GARCIA QUER DERRUBAR RAFAEL CORREA E LULA
O jornalista Paulo Henrique Amorim postou ontem no seu blog “Conversa Afiada” a seguinte notícia que li no site “vermelho”:
“O programa Bom (?) Dia Brasil acaba de veicular uma catilinária imperialista do pensador Alexandre Garcia, o jornalista brasileiro mais ligado a Paulo Maluf. Garcia defendeu a posição tradicional dos colonistas da Globo: o Brasil tem que invadir o Equador, como deveria ter invadido a Bolívia.
A Bolívia, lá vai Garcia, teve a ousadia de invadir as propriedades da Petrobrás. E o Equador não quer pagar uma hidrelétrica construída por uma empreiteira brasileira que não produz luz elétrica. Uma hidrelétrica que não produz luz, interessante.
O Equador não quer pagar também o BNDES, que financiou a obra. A empreiteira que construiu a hidrelétrica é a Odebrecht, uma das que abriu a cratera do metrô em São Paulo e recebeu do presidente eleito José Serra uma recompensa pelo transtorno: mais obras.
O presidente Rafael Correa não precisa do dinheiro da Odebrecht para se eleger no Equador. Logo, não quer pagar por uma obra que não funciona. E enviou o problema a uma arbitragem internacional. O jeito é o Brasil esperar a decisão da Corte. Ou fazer como pregam Alexandre Garcia e Miriam Leitão: invadir o Equador e depor o presidente esquerdista Rafael Correa.
Como o Brasil não vai invadir o Equador, por que o Alexandre Garcia adota a posição mais radical (como a Miriam adotava no auge da crise de Bolívia)? Por um motivo muito simples. Para encurralar a diplomacia brasileira. E para mostrar que o Governo brasileiro é frouxo.
O PiG (Partido da Imprensa Golpista) não falha: por trás de cada manobra do PiG há um objetivo explícito. Desmontar o Governo do Presidente Lula.
Se o presidente fosse o Farol de Alexandria, Garcia, hoje, no Bom (?) Dia Brasil diria: o presidente Fernando Henrique Cardoso adota uma atitude madura e firme: chama o embaixador do Brasil no Equador de volta. Foi o que presidente Lula fez.
Mas o Garcia está noutra, como esteve no passado: no Golpe de ‘Estado de Direita’.”
“O programa Bom (?) Dia Brasil acaba de veicular uma catilinária imperialista do pensador Alexandre Garcia, o jornalista brasileiro mais ligado a Paulo Maluf. Garcia defendeu a posição tradicional dos colonistas da Globo: o Brasil tem que invadir o Equador, como deveria ter invadido a Bolívia.
A Bolívia, lá vai Garcia, teve a ousadia de invadir as propriedades da Petrobrás. E o Equador não quer pagar uma hidrelétrica construída por uma empreiteira brasileira que não produz luz elétrica. Uma hidrelétrica que não produz luz, interessante.
O Equador não quer pagar também o BNDES, que financiou a obra. A empreiteira que construiu a hidrelétrica é a Odebrecht, uma das que abriu a cratera do metrô em São Paulo e recebeu do presidente eleito José Serra uma recompensa pelo transtorno: mais obras.
O presidente Rafael Correa não precisa do dinheiro da Odebrecht para se eleger no Equador. Logo, não quer pagar por uma obra que não funciona. E enviou o problema a uma arbitragem internacional. O jeito é o Brasil esperar a decisão da Corte. Ou fazer como pregam Alexandre Garcia e Miriam Leitão: invadir o Equador e depor o presidente esquerdista Rafael Correa.
Como o Brasil não vai invadir o Equador, por que o Alexandre Garcia adota a posição mais radical (como a Miriam adotava no auge da crise de Bolívia)? Por um motivo muito simples. Para encurralar a diplomacia brasileira. E para mostrar que o Governo brasileiro é frouxo.
O PiG (Partido da Imprensa Golpista) não falha: por trás de cada manobra do PiG há um objetivo explícito. Desmontar o Governo do Presidente Lula.
Se o presidente fosse o Farol de Alexandria, Garcia, hoje, no Bom (?) Dia Brasil diria: o presidente Fernando Henrique Cardoso adota uma atitude madura e firme: chama o embaixador do Brasil no Equador de volta. Foi o que presidente Lula fez.
Mas o Garcia está noutra, como esteve no passado: no Golpe de ‘Estado de Direita’.”
DEBATE ABERTO: O PODER DA TV
Li ontem no site "Carta Maior" o seguinte texto de Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade Cásper Líbero. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial):
“As empresas de radiodifusão conseguiram acabar com um dos quatro fusos horários existentes no Brasil, só para não ter que alterar muito suas grades de programação. Mexeu-se com a vida diária de milhões de pessoas que passaram a acordar de madrugada e sair de casa no escuro, apenas para não resvalar nos interesses das emissoras.
Em debates, platéias de classe média quando confrontadas com dados a respeito do poder real da televisão no país, mostram-se incrédulas. Para elas o bicho não é tão feio assim. São formadas por pessoas que lêem jornais, vão ao cinema e ainda se dão ao luxo de pagar para ver os canais restritos a assinantes. Muitas vezes sintonizam apenas nos filmes ou nos programas infantis. Por isso, para elas, existem problemas mais graves do que a televisão para serem discutidos.
Pode até ser, mas para quem tem na TV a única janela para o mundo, as coisas são diferentes. No Brasil estão nessa condição aproximadamente 150 milhões de pessoas que, sem outras alternativas culturais, vivem em torno da televisão. E não é uma TV qualquer. Trata-se de uma das melhores do mundo em termos técnicos, o que potencializa o poder de sedução, inerente ao veículo. Mas reduz a possibilidade do surgimento de espíritos mais críticos em relação ao conteúdo transmitido, geralmente próximo à indigência.
Claro que há incômodos e insatisfações. Mas as manifestações a respeito são tímidas e limitadas. Primeiro por muitos acreditarem que a TV chega de graça às suas casas, sem lembrar que o financiamento das emissoras tem origem no sabonete ou na cerveja comprados pelo telespectador no supermercado. E como em cavalo (aparentemente) dado não se olham os dentes, fica tudo por isso mesmo. Os que ultrapassam essa limitação e sentem ânimo para exigir mais respeito de quem opera uma concessão pública se vêem diante do vazio. A quem reclamar?
O Brasil é talvez a única grande democracia do mundo onde não existe um órgão regulador para a radiodifusão. Aqui vale tudo. Nem mesmo a lei obsoleta de 1962 é respeitada. Ela diz, por exemplo, que a propaganda deve ser limitada a 25% do total da programação. E todos sabemos que há canais vendendo os mais variados produtos todos os dias, o dia todo. Não dá para reclamar nem para o bispo, ele também é um concessionário de canal de TV.
Diante da impunidade, as emissoras sentem-se à vontade para exercer seu poder sobre o Estado e a sociedade. Exemplo recente foi a batalha em torno da Portaria do Ministério da Justiça que estabeleceu a classificação indicativa por horários dos programas de TV, como determina a Constituição Federal. Um embate de quase três anos, com artistas globais sendo usados para gritar contra a "censura" do Estado.
Finalmente as normas entraram em vigor em 2007, mas as empresas não se deram por vencidas. Numa clara demonstração de força conseguiram acabar com um dos quatro fusos horários existentes no Brasil, só para não ter que alterar muito as suas grades de programação. Mexeu-se com a vida diária de milhões de pessoas que passaram a acordar de madrugada e sair de casa para o trabalho ou para a escola no escuro, apenas para não resvalar nos interesses das emissoras.
Mas não ficaram por ai. Agora, com o horário de verão adotado em parte do país, negam-se a adequar a programação nas regiões onde não vigora a hora oficial de Brasília. O resultado é que no Acre, por exemplo, a combinação do fuso com o horário de verão, faz com que programas exibidos às 21 horas em outras partes do país, passem lá às 18h. São 26 milhões de crianças brasileiras expostas a programas incompatíveis com suas idades, colocadas fora da proteção legal, garantida pela Constituição. Diante desse fato o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), vinculado ao governo federal, divulgou nota exigindo respeito absoluto aos diferentes fusos
horários.
As empresas, sem nenhum pudor, rebatem alegando que fuso horário é diferente de horário de verão e que, portanto, elas estão cumprindo o que determina a Portaria do Ministério da Justiça. Só há uma palavra para definir esse tipo de argumento: desfaçatez. Horário indicativo é horário indicativo em qualquer parte do país. Se o programa não é recomendado para ser exibido antes das 21 horas em São Paulo, também não pode ser veiculado antes das 21 em Rio Branco.
Impondo vontades desse jeito, a TV se sobrepõe aos poderes da República e faz lembrar um velho filósofo, liberal empedernido que, diante de tanto poder, viu-se obrigado ao final da vida a rever suas posições, passando a exigir algum controle social sobre a televisão. Dizia Karl Popper que a “democracia consiste em submeter o poder político a um controle. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; pode mesmo dizer-se que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus".
E ele não chegou a conhecer a TV brasileira, com poder até para mudar as horas do país.”
“As empresas de radiodifusão conseguiram acabar com um dos quatro fusos horários existentes no Brasil, só para não ter que alterar muito suas grades de programação. Mexeu-se com a vida diária de milhões de pessoas que passaram a acordar de madrugada e sair de casa no escuro, apenas para não resvalar nos interesses das emissoras.
Em debates, platéias de classe média quando confrontadas com dados a respeito do poder real da televisão no país, mostram-se incrédulas. Para elas o bicho não é tão feio assim. São formadas por pessoas que lêem jornais, vão ao cinema e ainda se dão ao luxo de pagar para ver os canais restritos a assinantes. Muitas vezes sintonizam apenas nos filmes ou nos programas infantis. Por isso, para elas, existem problemas mais graves do que a televisão para serem discutidos.
Pode até ser, mas para quem tem na TV a única janela para o mundo, as coisas são diferentes. No Brasil estão nessa condição aproximadamente 150 milhões de pessoas que, sem outras alternativas culturais, vivem em torno da televisão. E não é uma TV qualquer. Trata-se de uma das melhores do mundo em termos técnicos, o que potencializa o poder de sedução, inerente ao veículo. Mas reduz a possibilidade do surgimento de espíritos mais críticos em relação ao conteúdo transmitido, geralmente próximo à indigência.
Claro que há incômodos e insatisfações. Mas as manifestações a respeito são tímidas e limitadas. Primeiro por muitos acreditarem que a TV chega de graça às suas casas, sem lembrar que o financiamento das emissoras tem origem no sabonete ou na cerveja comprados pelo telespectador no supermercado. E como em cavalo (aparentemente) dado não se olham os dentes, fica tudo por isso mesmo. Os que ultrapassam essa limitação e sentem ânimo para exigir mais respeito de quem opera uma concessão pública se vêem diante do vazio. A quem reclamar?
O Brasil é talvez a única grande democracia do mundo onde não existe um órgão regulador para a radiodifusão. Aqui vale tudo. Nem mesmo a lei obsoleta de 1962 é respeitada. Ela diz, por exemplo, que a propaganda deve ser limitada a 25% do total da programação. E todos sabemos que há canais vendendo os mais variados produtos todos os dias, o dia todo. Não dá para reclamar nem para o bispo, ele também é um concessionário de canal de TV.
Diante da impunidade, as emissoras sentem-se à vontade para exercer seu poder sobre o Estado e a sociedade. Exemplo recente foi a batalha em torno da Portaria do Ministério da Justiça que estabeleceu a classificação indicativa por horários dos programas de TV, como determina a Constituição Federal. Um embate de quase três anos, com artistas globais sendo usados para gritar contra a "censura" do Estado.
Finalmente as normas entraram em vigor em 2007, mas as empresas não se deram por vencidas. Numa clara demonstração de força conseguiram acabar com um dos quatro fusos horários existentes no Brasil, só para não ter que alterar muito as suas grades de programação. Mexeu-se com a vida diária de milhões de pessoas que passaram a acordar de madrugada e sair de casa para o trabalho ou para a escola no escuro, apenas para não resvalar nos interesses das emissoras.
Mas não ficaram por ai. Agora, com o horário de verão adotado em parte do país, negam-se a adequar a programação nas regiões onde não vigora a hora oficial de Brasília. O resultado é que no Acre, por exemplo, a combinação do fuso com o horário de verão, faz com que programas exibidos às 21 horas em outras partes do país, passem lá às 18h. São 26 milhões de crianças brasileiras expostas a programas incompatíveis com suas idades, colocadas fora da proteção legal, garantida pela Constituição. Diante desse fato o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), vinculado ao governo federal, divulgou nota exigindo respeito absoluto aos diferentes fusos
horários.
As empresas, sem nenhum pudor, rebatem alegando que fuso horário é diferente de horário de verão e que, portanto, elas estão cumprindo o que determina a Portaria do Ministério da Justiça. Só há uma palavra para definir esse tipo de argumento: desfaçatez. Horário indicativo é horário indicativo em qualquer parte do país. Se o programa não é recomendado para ser exibido antes das 21 horas em São Paulo, também não pode ser veiculado antes das 21 em Rio Branco.
Impondo vontades desse jeito, a TV se sobrepõe aos poderes da República e faz lembrar um velho filósofo, liberal empedernido que, diante de tanto poder, viu-se obrigado ao final da vida a rever suas posições, passando a exigir algum controle social sobre a televisão. Dizia Karl Popper que a “democracia consiste em submeter o poder político a um controle. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; pode mesmo dizer-se que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus".
E ele não chegou a conhecer a TV brasileira, com poder até para mudar as horas do país.”
CALA A BOCA, FHC!
O filósofo e cientista político Emir Sader postou ontem no site “Carta Maior” o seguinte texto:
“Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.”
Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.”
Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.”
Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.”
Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.”
Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o Estado com a dívida pública 11 vezes maior.
Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”.
Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999, subiu a taxa de juros para 49%?
Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais?
Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo?
Quem quebrou o monopólio estatal do petróleo no Brasil?
Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e conseguir um segundo mandato?
Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil?
Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história brasileira.
Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos?
Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”?
Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi superada no governo Lula?
Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de prioridade de comércio com os países do norte?
Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?
Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu candidato foi derrotado em 2002?
Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu governo nas eleições de 2006?
Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como tendo sido o presidente dos ricos?
Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato, quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição.
Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente.
CALA A BOCA, FHC!”
“Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.”
Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.”
Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.”
Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.”
Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.”
Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o Estado com a dívida pública 11 vezes maior.
Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”.
Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999, subiu a taxa de juros para 49%?
Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais?
Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo?
Quem quebrou o monopólio estatal do petróleo no Brasil?
Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e conseguir um segundo mandato?
Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil?
Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história brasileira.
Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos?
Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”?
Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi superada no governo Lula?
Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de prioridade de comércio com os países do norte?
Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?
Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu candidato foi derrotado em 2002?
Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu governo nas eleições de 2006?
Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como tendo sido o presidente dos ricos?
Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato, quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição.
Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente.
CALA A BOCA, FHC!”
TODA MÍDIA
A coluna “Toda a Mídia”, de Nelson de Sá , publicada no jornal Folha de São Paulo de ontem, trouxe as seguintes notícias da imprensa internacional:
“O BRASIL EM 2009
Saiu a edição anual da "Economist" com sua "coleção de previsões" para 2009. Para Brasil e a América Latina, o editor de Américas, Michael Reid, antecipa "um teste difícil de sua resistência recém-encontrada", com a queda no consumo global. "Das duas grandes economias, o Brasil vai continuar a se dar melhor que o México, mas nenhum vai se dar muito bem." O primeiro cresce "menos que 3%", pela queda no preço das commodities, e o segundo, "menos que 1%", pela vinculação com a indústria americana.
Com chamada na capa, "Lula da Silva" escreve sobre "Bric-building", construindo com tijolos ou os BRICS. O brasileiro vê "um papel mundial crescente para os grandes emergentes" -e questiona, sem eles, "a relevância do G8 e do Conselho de Segurança não-reformado, para não falar" de FMI e Banco Mundial”.
"ZERO HUNGER"
No artigo para a edição "The World in 2009" da "Economist", Lula começa saudando o crescimento da classe média, agora majoritária, e defende os programas sociais "sob a bandeira Fome Zero", de meio ambiente e biocombustíveis como caminho global para as Metas do Milênio
MUDANÇA...
A revista abre anunciando, em editorial, um ano de "ajuste para um mundo mudado", na economia. Ressalta que "a mudança de poder para lugares como Brasil, Rússia, Índia e China vai se acelerar e esses países vão esperar maior voz na forma como o mundo é gerido". O crescimento "será menos especular, mas em muitos emergentes vai se manter robusto".
DE PODER
Escrevendo sob o título "Uma nova ordem econômica mundial" para a edição da "Economist", o indiano presidente da gigante ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, diz que "a mudança de poder para os emergentes está num ponto crítico". Que "a globalização começou e o mundo desenvolvido deve agradecer pela tendência", que amplia o mercado consumidor.
ESSENCIAL, INDISPENSÁVEL
Em seu artigo de previsão na "Economist", Henry Kissinger, o secretário de Estado que aproximou EUA e China, aposta que "a América será menos poderosa, mas ainda a nação essencial para criar a nova ordem mundial". Avalia que "o G8 vai precisar de um novo papel, abraçando China, Índia, Brasil e talvez a África do Sul" e que "outros países, embora insistindo em seus papéis crescentes, provavelmente vão concluir que uma América menos poderosa ainda continua indispensável".
“O BRASIL EM 2009
Saiu a edição anual da "Economist" com sua "coleção de previsões" para 2009. Para Brasil e a América Latina, o editor de Américas, Michael Reid, antecipa "um teste difícil de sua resistência recém-encontrada", com a queda no consumo global. "Das duas grandes economias, o Brasil vai continuar a se dar melhor que o México, mas nenhum vai se dar muito bem." O primeiro cresce "menos que 3%", pela queda no preço das commodities, e o segundo, "menos que 1%", pela vinculação com a indústria americana.
Com chamada na capa, "Lula da Silva" escreve sobre "Bric-building", construindo com tijolos ou os BRICS. O brasileiro vê "um papel mundial crescente para os grandes emergentes" -e questiona, sem eles, "a relevância do G8 e do Conselho de Segurança não-reformado, para não falar" de FMI e Banco Mundial”.
"ZERO HUNGER"
No artigo para a edição "The World in 2009" da "Economist", Lula começa saudando o crescimento da classe média, agora majoritária, e defende os programas sociais "sob a bandeira Fome Zero", de meio ambiente e biocombustíveis como caminho global para as Metas do Milênio
MUDANÇA...
A revista abre anunciando, em editorial, um ano de "ajuste para um mundo mudado", na economia. Ressalta que "a mudança de poder para lugares como Brasil, Rússia, Índia e China vai se acelerar e esses países vão esperar maior voz na forma como o mundo é gerido". O crescimento "será menos especular, mas em muitos emergentes vai se manter robusto".
DE PODER
Escrevendo sob o título "Uma nova ordem econômica mundial" para a edição da "Economist", o indiano presidente da gigante ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, diz que "a mudança de poder para os emergentes está num ponto crítico". Que "a globalização começou e o mundo desenvolvido deve agradecer pela tendência", que amplia o mercado consumidor.
ESSENCIAL, INDISPENSÁVEL
Em seu artigo de previsão na "Economist", Henry Kissinger, o secretário de Estado que aproximou EUA e China, aposta que "a América será menos poderosa, mas ainda a nação essencial para criar a nova ordem mundial". Avalia que "o G8 vai precisar de um novo papel, abraçando China, Índia, Brasil e talvez a África do Sul" e que "outros países, embora insistindo em seus papéis crescentes, provavelmente vão concluir que uma América menos poderosa ainda continua indispensável".
MARINA SILVA: BIOCOMBUSTÍVEIS, NÃO POR ACASO
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo da ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva:
“Gandhi disse ser muito difícil medirmos todas as conseqüências de nossa ação, mas que, se não agirmos, nunca poderemos medi-las. O Brasil está sendo medido, na questão dos biocombustíveis, porque agiu. Há mais de 30 anos iniciamos a trajetória que resultou no etanol de cana-de-açúcar e numa experiência e conhecimentos acumulados únicos no mundo. Apostamos na tecnologia, tivemos competência para viabilizá-la em escala comercial e a transformamos em janela de sustentabilidade na produção de energia, até que os biocombustíveis de segunda geração se imponham.
Não por acaso estamos sempre em foco quando se fala de biocombustíveis. Não por acaso a conferência internacional, encerrada na semana passada em São Paulo, atraiu representantes de governos, cientistas, técnicos e organizações da sociedade de mais de cem países. O Brasil foi repetidamente citado pelos participantes como referência no tema.
Partindo desse patamar positivo, deveríamos estar à vontade para enfrentar críticas, até porque elas ajudam a identificar problemas e desafios para aperfeiçoar a cadeia produtiva dos biocombustíveis no país. Mas, como se viu na conferência, ainda há quem se incomode com esse debate, por trás do argumento de que críticas externas são manifestações da agenda oculta de interesses comerciais competidores.
Em respeito a nossas próprias conquistas, é preciso valorizar a discussão dos problemas, quando eles são reais. Do esforço para superá-los é que se alimentará a posição brasileira de vanguarda no setor. Afinal, o que nos interessa não é propaganda, e sim uma nova narrativa para nossa produção, em momento de crise ambiental global.
Antes, a maioria das pessoas adotava apenas critérios técnicos e estéticos para escolher produtos.
Havia pouca ou quase nula preocupação pelas condições ambientais e sociais neles embutidas. Agora, cresce o número dos que exigem mais do que tecnologia e design; querem valores humanos e ambientais. Deveria ser de nosso interesse estimular essa postura de consumo, para quaisquer produtos e especialmente para os biocombustíveis, que tem um DNA brasileiro tão forte.
As críticas externas e internas terão sempre uma certa margem de contaminação pelos diferentes interesses em jogo, mas não podem ser tomadas, por isso, como ruído indesejável. Em mais de 30 anos, seria quase impossível não se ter formado um passivo. Enfrentá-lo significa estabelecer um ponto de inflexão atualizado e estratégico para manter, em novos termos, a enorme vantagem comparativa alcançada”.
“Gandhi disse ser muito difícil medirmos todas as conseqüências de nossa ação, mas que, se não agirmos, nunca poderemos medi-las. O Brasil está sendo medido, na questão dos biocombustíveis, porque agiu. Há mais de 30 anos iniciamos a trajetória que resultou no etanol de cana-de-açúcar e numa experiência e conhecimentos acumulados únicos no mundo. Apostamos na tecnologia, tivemos competência para viabilizá-la em escala comercial e a transformamos em janela de sustentabilidade na produção de energia, até que os biocombustíveis de segunda geração se imponham.
Não por acaso estamos sempre em foco quando se fala de biocombustíveis. Não por acaso a conferência internacional, encerrada na semana passada em São Paulo, atraiu representantes de governos, cientistas, técnicos e organizações da sociedade de mais de cem países. O Brasil foi repetidamente citado pelos participantes como referência no tema.
Partindo desse patamar positivo, deveríamos estar à vontade para enfrentar críticas, até porque elas ajudam a identificar problemas e desafios para aperfeiçoar a cadeia produtiva dos biocombustíveis no país. Mas, como se viu na conferência, ainda há quem se incomode com esse debate, por trás do argumento de que críticas externas são manifestações da agenda oculta de interesses comerciais competidores.
Em respeito a nossas próprias conquistas, é preciso valorizar a discussão dos problemas, quando eles são reais. Do esforço para superá-los é que se alimentará a posição brasileira de vanguarda no setor. Afinal, o que nos interessa não é propaganda, e sim uma nova narrativa para nossa produção, em momento de crise ambiental global.
Antes, a maioria das pessoas adotava apenas critérios técnicos e estéticos para escolher produtos.
Havia pouca ou quase nula preocupação pelas condições ambientais e sociais neles embutidas. Agora, cresce o número dos que exigem mais do que tecnologia e design; querem valores humanos e ambientais. Deveria ser de nosso interesse estimular essa postura de consumo, para quaisquer produtos e especialmente para os biocombustíveis, que tem um DNA brasileiro tão forte.
As críticas externas e internas terão sempre uma certa margem de contaminação pelos diferentes interesses em jogo, mas não podem ser tomadas, por isso, como ruído indesejável. Em mais de 30 anos, seria quase impossível não se ter formado um passivo. Enfrentá-lo significa estabelecer um ponto de inflexão atualizado e estratégico para manter, em novos termos, a enorme vantagem comparativa alcançada”.
LULA DIZ QUE "O MUNDO SE CURVARÁ AOS BIOCOMBUSTÍVEIS"
A agência espanhola de notícias EFE ontem publicou:
“Brasília, 24 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu hoje em que "o mundo se curvará aos biocombustíveis, pois acabará por comprovar que poluem menos,"geram emprego e ajudarão o povo a viver melhor".
Lula reiterou a defesa da bioenergia em seu programa de rádio semanal, no qual apresentou um balanço da Conferência Internacional de Biocombustíveis realizada na semana passada, em São Paulo, com delegações de 100 países.
"A conferência foi um sucesso total, extraordinário, e o mais importante é que há quase uma unanimidade de que precisamos apostar definitivamente em uma nova matriz energética para reduzir as emissões de gases poluentes", assinalou.
Lula insistiu em que o Brasil apresentou ao mundo alternativas viáveis, como o etanol de cana-de-açúcar e os automóveis que funcionam indistintamente com gasolina ou álcool, que em dezembro chegarão a 7 milhões.
"É tecnologia provada e comprovada", apontou o presidente, que disse crer que "é só questão de tempo para que o mundo aceite que o caminho rumo a uma redução das emissões passa pela bioenergia".
Ele reiterou que, "ao contrário do que os Estados Unidos produzem com milho", o etanol de cana-de-açúcar não tem influência alguma nos preços dos alimentos e o Brasil "comprovou nessa conferência que isso não é verdade", afirmou.
O Brasil "tem terra, água e sol para produzir biocombustíveis e produzir alimentos" e o aumento da comida no mundo se deveu "à especulação nos mercados futuros", alegou.
Lula admitiu que a discussão sobre a viabilidade dos biocombustíveis ainda não acabou, mas disse que "o Brasil está disposto a seguir nesse debate, seja cientificamente ou tecnologicamente".
Especificou, além disso, que a bioenergia é "geradora de muitos empregos, recupera a terra, não polui e tem produtividade".
Também reiterou que seu Governo está disposto a manter a colaboração com países da África e América Central, aos quais ofereceu a tecnologia necessária para a produção de etanol, pois "assim se ajudará o desenvolvimento, se gerará emprego e se fará com que as pessoas vivam um pouco melhor".
“Brasília, 24 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu hoje em que "o mundo se curvará aos biocombustíveis, pois acabará por comprovar que poluem menos,"geram emprego e ajudarão o povo a viver melhor".
Lula reiterou a defesa da bioenergia em seu programa de rádio semanal, no qual apresentou um balanço da Conferência Internacional de Biocombustíveis realizada na semana passada, em São Paulo, com delegações de 100 países.
"A conferência foi um sucesso total, extraordinário, e o mais importante é que há quase uma unanimidade de que precisamos apostar definitivamente em uma nova matriz energética para reduzir as emissões de gases poluentes", assinalou.
Lula insistiu em que o Brasil apresentou ao mundo alternativas viáveis, como o etanol de cana-de-açúcar e os automóveis que funcionam indistintamente com gasolina ou álcool, que em dezembro chegarão a 7 milhões.
"É tecnologia provada e comprovada", apontou o presidente, que disse crer que "é só questão de tempo para que o mundo aceite que o caminho rumo a uma redução das emissões passa pela bioenergia".
Ele reiterou que, "ao contrário do que os Estados Unidos produzem com milho", o etanol de cana-de-açúcar não tem influência alguma nos preços dos alimentos e o Brasil "comprovou nessa conferência que isso não é verdade", afirmou.
O Brasil "tem terra, água e sol para produzir biocombustíveis e produzir alimentos" e o aumento da comida no mundo se deveu "à especulação nos mercados futuros", alegou.
Lula admitiu que a discussão sobre a viabilidade dos biocombustíveis ainda não acabou, mas disse que "o Brasil está disposto a seguir nesse debate, seja cientificamente ou tecnologicamente".
Especificou, além disso, que a bioenergia é "geradora de muitos empregos, recupera a terra, não polui e tem produtividade".
Também reiterou que seu Governo está disposto a manter a colaboração com países da África e América Central, aos quais ofereceu a tecnologia necessária para a produção de etanol, pois "assim se ajudará o desenvolvimento, se gerará emprego e se fará com que as pessoas vivam um pouco melhor".
MANTEGA REJEITA RECESSÃO E PREVÊ EXPANSÃO DE 4% PARA O PIB EM 2009
Li ontem no portal UOL o seguinte texto de Piero Locatelli escrito com informações da agência norte-americana de notícias Reuters:
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os países emergentes e os da América Latina não vão entrar em recessão e afirmou que o Brasil ainda terá condições de crescer 4% em 2009. "Haverá uma desaceleração, mas não haverá recessão", garantiu.
Mantega falou hoje a jornalistas durante a reunião ministerial na Granja do Torto.
Participam dela 34 ministros, o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, os representantes do governo no Congresso e o presidente Lula desde as 9h30. A reunião continua durante a tarde.
O ministro da Fazenda fez uma apresentação da situação financeira brasileira para todos eles. Mantega pediu "para que todos os ministérios dêem sua contribuição para manter seus programas em vigência". Segundo o ministro, os gastos para o ano que vem já foram contingenciados, mas não devem afetar investimentos de infra-estrutura ligados ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Mantega também afirmou aos seus colegas de ministério que a "crise não é tão forte" no Brasil. "Muitas vezes a gente tem uma visão negativa ou pior do que ela se encontra por causa do panorama internacional", disse ele após afirmar que a economia do país é robusta. Mantega também acha que os investimentos do governo em infra-estrutura e nos setores que geram mais empregos, como agricultura e indústria automobilística, ajudará a manter a economia real mais distante da crise financeira.
Como ponto positivo do Brasil, Mantega citou também a redução na dívida. "Antigamente o dólar subia, a dívida explodia. Hoje quando sobe o dólar, como somos credores de dólares, a dívida cai, ao invés de subir."
Ele negou que o Brasil tenha feito pacotes contra a crise. "O governo procurou não fazer nenhum pacote, pois os pacotes têm uma marca negativa do passado. O que nós temos feito é responder às questões na medida em que elas se colocam", disse. Ele falou ainda que as medidas brasileiras servem para conter problemas pontuais. Como exemplo, citou a recente injeção de crédito na indústria automobilística.
Além de Mantega, também falou sobre a crise o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tratou da situação brasileira no G-20. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, falou sobre o PAC, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, discutiu estratégias de combate à dengue.
Aproximadamente 15 ministros falaram após essas exposições. Segundo o ministro da Secretária de Comunicação do Governo, Franklin Martins, temas como Equador, Paraguai e enchentes em Santa Catarina não fizeram parte da pauta do encontro.
O presidente Lula justificou a reunião dizendo que era importante que os ministros reconhececem "o chão que estavam pisando", segundo o relato do ministro Mantega. Ele tratou especialmente da reunião do G-20, falando que todos os líderes precisam tomar medidas coordenadas para que a crise passe mais rápido. Lula citou o exemplo de dois países que já tomaram medidas que considerava exemplares: o Reino Unido e a Índia.
Para Lula, os países avançados estão mais vulneráveis nesta crise. Mas, mesmo em relação a outros países emergentes, a situação do Brasil seria melhor. Como exemplo de países em situação pior que a do Brasil, citou Coréia do Sul, Rússia e Índia.
Lula disse ainda, segundo Mantega, que o PAC é um programa anticíclico, ou seja, que ajuda a evitar que os piores efeitos da crise mundial sejam sentidos pelo Brasil.
Finalmente, Lula disse que a situação de vácuo de poder nos EUA, com a transição do governo Bush para o governo Obama, é perigosa. Sobre a transição nos EUA, o ministro Mantega disse estar otimista com a indicação do novo secretário do Tesouro, Timothy Geithner.”
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os países emergentes e os da América Latina não vão entrar em recessão e afirmou que o Brasil ainda terá condições de crescer 4% em 2009. "Haverá uma desaceleração, mas não haverá recessão", garantiu.
Mantega falou hoje a jornalistas durante a reunião ministerial na Granja do Torto.
Participam dela 34 ministros, o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, os representantes do governo no Congresso e o presidente Lula desde as 9h30. A reunião continua durante a tarde.
O ministro da Fazenda fez uma apresentação da situação financeira brasileira para todos eles. Mantega pediu "para que todos os ministérios dêem sua contribuição para manter seus programas em vigência". Segundo o ministro, os gastos para o ano que vem já foram contingenciados, mas não devem afetar investimentos de infra-estrutura ligados ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Mantega também afirmou aos seus colegas de ministério que a "crise não é tão forte" no Brasil. "Muitas vezes a gente tem uma visão negativa ou pior do que ela se encontra por causa do panorama internacional", disse ele após afirmar que a economia do país é robusta. Mantega também acha que os investimentos do governo em infra-estrutura e nos setores que geram mais empregos, como agricultura e indústria automobilística, ajudará a manter a economia real mais distante da crise financeira.
Como ponto positivo do Brasil, Mantega citou também a redução na dívida. "Antigamente o dólar subia, a dívida explodia. Hoje quando sobe o dólar, como somos credores de dólares, a dívida cai, ao invés de subir."
Ele negou que o Brasil tenha feito pacotes contra a crise. "O governo procurou não fazer nenhum pacote, pois os pacotes têm uma marca negativa do passado. O que nós temos feito é responder às questões na medida em que elas se colocam", disse. Ele falou ainda que as medidas brasileiras servem para conter problemas pontuais. Como exemplo, citou a recente injeção de crédito na indústria automobilística.
Além de Mantega, também falou sobre a crise o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tratou da situação brasileira no G-20. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, falou sobre o PAC, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, discutiu estratégias de combate à dengue.
Aproximadamente 15 ministros falaram após essas exposições. Segundo o ministro da Secretária de Comunicação do Governo, Franklin Martins, temas como Equador, Paraguai e enchentes em Santa Catarina não fizeram parte da pauta do encontro.
O presidente Lula justificou a reunião dizendo que era importante que os ministros reconhececem "o chão que estavam pisando", segundo o relato do ministro Mantega. Ele tratou especialmente da reunião do G-20, falando que todos os líderes precisam tomar medidas coordenadas para que a crise passe mais rápido. Lula citou o exemplo de dois países que já tomaram medidas que considerava exemplares: o Reino Unido e a Índia.
Para Lula, os países avançados estão mais vulneráveis nesta crise. Mas, mesmo em relação a outros países emergentes, a situação do Brasil seria melhor. Como exemplo de países em situação pior que a do Brasil, citou Coréia do Sul, Rússia e Índia.
Lula disse ainda, segundo Mantega, que o PAC é um programa anticíclico, ou seja, que ajuda a evitar que os piores efeitos da crise mundial sejam sentidos pelo Brasil.
Finalmente, Lula disse que a situação de vácuo de poder nos EUA, com a transição do governo Bush para o governo Obama, é perigosa. Sobre a transição nos EUA, o ministro Mantega disse estar otimista com a indicação do novo secretário do Tesouro, Timothy Geithner.”
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
GILSON CARONI: NÃO DIGA BOBAGEM, FERNANDO HENRIQUE
O site “vermelho” postou ontem à noite o seguinte artigo de Gilson Caroni Filho. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior (onde este artigo foi originalmente publicado) e colaborador do Observatório da Imprensa:
“Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de "grande economista". Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: "Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu".
“A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge, então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste história dos seus dois mandatos sucessivos.
Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior, de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi - e ainda é - para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e escapa da pequenez política que adquiriu.
Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de "grande economista". O tom jocoso presente em "veste a roupa, rei. Pare de falar bobagem", resvala para o patético quando afirma que "aqui não é marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando."
Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro" do presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o "agrobusiness") com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo e endividamento externo máximo.
Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência, jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.
O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada, desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como a “era da estabilidade”.
Aumento do desemprego, congelamento - ou irrisórios reajustes salariais dos servidores públicos - e uma escalada sem precedentes da violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se comportar em uma crise.
Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola, sim.
Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da Gradiente afirmava: "Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002, entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar, somos nós, a elite brasileira". Segundo Staub, a única saída era “a eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força transformadora". Em suma, alguém capaz de consertar os estragos deixados pelo “grande sociólogo". O ex-presidente que, ao deitar falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu reinado.
Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: ‘Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu’.”
“Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de "grande economista". Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: "Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu".
“A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge, então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste história dos seus dois mandatos sucessivos.
Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior, de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi - e ainda é - para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e escapa da pequenez política que adquiriu.
Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de "grande economista". O tom jocoso presente em "veste a roupa, rei. Pare de falar bobagem", resvala para o patético quando afirma que "aqui não é marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando."
Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro" do presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o "agrobusiness") com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo e endividamento externo máximo.
Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência, jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.
O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada, desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como a “era da estabilidade”.
Aumento do desemprego, congelamento - ou irrisórios reajustes salariais dos servidores públicos - e uma escalada sem precedentes da violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se comportar em uma crise.
Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola, sim.
Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da Gradiente afirmava: "Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002, entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar, somos nós, a elite brasileira". Segundo Staub, a única saída era “a eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força transformadora". Em suma, alguém capaz de consertar os estragos deixados pelo “grande sociólogo". O ex-presidente que, ao deitar falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu reinado.
Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: ‘Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu’.”
60% DOS COMERCIANTES DE SP SÃO CRIMINOSOS e 89 % DOS CARIOCAS SÃO TRANSGRESSORES DA LEI
A SOCIEDADE É MAIS VIOLADORA DA LEI DO QUE O GOVERNO QUE CINICAMENTE ACUSAM
Vejam só o que publicou o jornal Folha de São Paulo ontem: A maioria dos comerciantes de São Paulo (60%) é criminosa. Crime de sonegação de impostos, para egoisticamente enriquecerem em detrimento dos impostos que se destinariam aos serviços públicos. Por sua vez, o jornal O GLOBO de ontem (li no blog do Noblat) afirma que 89 % dos cariocas são hipocritamente transgressores da Lei do Trânsito.
Todos se julgam 100% honestos e criticam somente a desonestidade dos outros e dos governos. Hipocrisia.
Vejamos as duas notícias:
SONEGAÇÃO DE 60% É EXAGERO, DIZ COMÉRCIO
"Se o governo paulista sabe que a sonegação no comércio chega a 60%, por que não cobra desses lojistas? Essa estimativa de sonegação no varejo é um exagero e também não dá para fazer esse cálculo", diz Marcel Solimeo, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), ao comentar a estimativa do secretário paulista da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, de que o Estado recolhe do comércio paulista cerca de 40% do que deveria.
Na avaliação de Solimeo, se o governo considera para a sua estimativa de sonegação "um pequeno boteco que fica numa pequena rua numa pequena cidade do Estado, pode até estar certo, mas interessa considerar a sonegação de um lojista tão minúsculo? O governo tem de se preocupar com os grandes sonegadores".
Solimeo diz ainda que o regime de substituição tributária, que antecipa para o início da cadeia produtiva o recolhimento do ICMS, "só poderia ser utilizado em condições muito especiais, com produtos homogêneos, com preços homogêneos e com margem de comercialização homogênea. Não foi criado para ser aplicado em qualquer produto, que tem dispersão grande de preços e de margem de comercialização. Isso cria problema de concorrência também com outros Estados".
Para o economista da ACSP, muitas vezes o custo de correr atrás de tributos de um "pequeno bar que fica na vila tal é até maior do que o próprio imposto a receber. Grande parte do número de estabelecimentos que o Estado acha que sonega tem imposto tão pequeno para pagar que não afeta a arrecadação." (FF)
CARIOCAS DIZEM QUE SÓ 9% RESPEITAM SINAL DE TRÂNSITO
“O estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostra um motorista sem freio no trânsito: 89% dos entrevistados dizem que os cariocas não respeitam sinais (9% discordam e 2% não responderam); 90% afirmam que os que vivem na cidade desrespeitam os limites de velocidade; e 92% garantem que seus concidadãos ignoram a proibição de estacionar em via pública. Para 91% das pessoas ouvidas, o mito de que "carioca não gosta de sinal fechado" é total ou parcialmente verdadeiro.
Cariocas não gostam de sinal fechado, mas quem mora em Florianópolis e Recife desgosta muito mais. Ao se comparar o número de multas por avanço de sinal do ano passado com o total da frota registrada em dez cidades brasileiras, o Rio sobe no pódio, só que fica com a medalha de bronze. Na capital de Santa Catarina, 20,13 em cada cem veículos foram flagrados. Quase o dobro do número de infrações punidas nas capitais de Pernambuco (11,89/100) e do Estado do Rio (11,60/100).”
Vejam só o que publicou o jornal Folha de São Paulo ontem: A maioria dos comerciantes de São Paulo (60%) é criminosa. Crime de sonegação de impostos, para egoisticamente enriquecerem em detrimento dos impostos que se destinariam aos serviços públicos. Por sua vez, o jornal O GLOBO de ontem (li no blog do Noblat) afirma que 89 % dos cariocas são hipocritamente transgressores da Lei do Trânsito.
Todos se julgam 100% honestos e criticam somente a desonestidade dos outros e dos governos. Hipocrisia.
Vejamos as duas notícias:
SONEGAÇÃO DE 60% É EXAGERO, DIZ COMÉRCIO
"Se o governo paulista sabe que a sonegação no comércio chega a 60%, por que não cobra desses lojistas? Essa estimativa de sonegação no varejo é um exagero e também não dá para fazer esse cálculo", diz Marcel Solimeo, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), ao comentar a estimativa do secretário paulista da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, de que o Estado recolhe do comércio paulista cerca de 40% do que deveria.
Na avaliação de Solimeo, se o governo considera para a sua estimativa de sonegação "um pequeno boteco que fica numa pequena rua numa pequena cidade do Estado, pode até estar certo, mas interessa considerar a sonegação de um lojista tão minúsculo? O governo tem de se preocupar com os grandes sonegadores".
Solimeo diz ainda que o regime de substituição tributária, que antecipa para o início da cadeia produtiva o recolhimento do ICMS, "só poderia ser utilizado em condições muito especiais, com produtos homogêneos, com preços homogêneos e com margem de comercialização homogênea. Não foi criado para ser aplicado em qualquer produto, que tem dispersão grande de preços e de margem de comercialização. Isso cria problema de concorrência também com outros Estados".
Para o economista da ACSP, muitas vezes o custo de correr atrás de tributos de um "pequeno bar que fica na vila tal é até maior do que o próprio imposto a receber. Grande parte do número de estabelecimentos que o Estado acha que sonega tem imposto tão pequeno para pagar que não afeta a arrecadação." (FF)
CARIOCAS DIZEM QUE SÓ 9% RESPEITAM SINAL DE TRÂNSITO
“O estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostra um motorista sem freio no trânsito: 89% dos entrevistados dizem que os cariocas não respeitam sinais (9% discordam e 2% não responderam); 90% afirmam que os que vivem na cidade desrespeitam os limites de velocidade; e 92% garantem que seus concidadãos ignoram a proibição de estacionar em via pública. Para 91% das pessoas ouvidas, o mito de que "carioca não gosta de sinal fechado" é total ou parcialmente verdadeiro.
Cariocas não gostam de sinal fechado, mas quem mora em Florianópolis e Recife desgosta muito mais. Ao se comparar o número de multas por avanço de sinal do ano passado com o total da frota registrada em dez cidades brasileiras, o Rio sobe no pódio, só que fica com a medalha de bronze. Na capital de Santa Catarina, 20,13 em cada cem veículos foram flagrados. Quase o dobro do número de infrações punidas nas capitais de Pernambuco (11,89/100) e do Estado do Rio (11,60/100).”
A ORIGEM DO TEMPO
Li ontem no jornal Folha de São Paulo o seguinte artigo de Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo":
“No universo quântico, intervalos temporais não têm sentido”
“Continuando nossa exploração do tempo, nesta semana toco na questão de sua origem. Como começou o tempo? Santo Agostinho tinha duas respostas para quem lhe perguntava o que Deus estava fazendo antes de criar o mundo.
"Estava criando o Inferno para pôr os chatos que fazem esse tipo de pergunta" era uma delas. (Parece que ele não levava essa muito a sério.) A outra resposta, bem interessante, é que "o tempo surgiu com a Criação". Ou seja, antes de o mundo existir o tempo também não existia. Em linguagem mais moderna, revertemos a questão ao modelo do Big Bang, que diz que o Universo teve sua origem há aproximadamente 14 bilhões de anos.
Quando afirmamos isso, implicitamente supomos que o tempo, como o conhecemos, começou a passar a partir do Big Bang, o evento que marca a origem cósmica. A pergunta clássica que tantos fazem é: "E antes do Big Bang? O que estava acontecendo?" Perfeitamente natural a pergunta.
Afinal, estamos acostumados com o fluir do tempo, com o passado, o presente e o futuro. Se o Big Bang marca a origem do cosmo, ele marca também a origem do tempo.
Segundo a teoria da relatividade de Einstein, que descreve as propriedades do tempo e do espaço, devemos pensar em termos de um espaço-tempo, uma entidade que engloba tanto o tempo quanto o espaço. Um não existe sem o outro. Então, se o Big Bang marca a origem do espaço, marca também a origem do tempo. Ou melhor, a origem do espaço-tempo.
Apenas a partir desse conceito podemos definir distâncias entre dois pontos ou intervalos de tempo entre dois eventos. Por que isso?
Essencialmente, a teoria de Einstein deixa de fazer sentido quando nos aproximamos do momento inicial, o t = 0 (tempo igual a zero.) Aí os cálculos dão resultados absurdos. Isso ocorre porque a teoria, como qualquer teoria em física, tem seu limite de validade. Aplicá-la além desse limite gera erros.
Chamamos a teoria de Einstein de teoria clássica. Isso a diferencia de uma teoria quântica, ideal para tratar de estruturas atômicas ou subatômicas. Perto do Big Bang, as distâncias cósmicas eram subatômicas: o Universo, como um todo, tem de ser descrito pela teoria quântica.
Mas o que vem a ser um Universo quântico? Segundo a teoria quântica, estruturas de dimensões subatômicas estão sempre vibrando, como se tivessem um desconforto. Essas vibrações são descritas pelo celebrado princípio de incerteza de Heisenberg, que diz ser impossível medir simultaneamente a posição e a velocidade de uma partícula, como um elétron, com precisão arbitrariamente alta. Há um limite no que podemos saber sobre essas quantidades. Essa limitação de deve à agitação inerente ao mundo quântico.
É inescapável, propriedade da Natureza. Traduzindo isso para o nosso Universo, quando chegamos perto do início, as distâncias espaciais são tão pequenas que o Universo assume dimensões atômicas. Portanto, deve ser descrito pela teoria quântica. Mesmo que não tenhamos ainda uma teoria quântica do espaço-tempo, sabemos que é inevitável que o próprio espaço-tempo flutue violentamente devido à incerteza quântica, como se fosse uma cama elástica enlouquecida. Distâncias espaciais e intervalos de tempo deixam de fazer sentido. Não existe perto e longe, antes e depois.
Nesse mundo, digno de um conto de Jorge Luís Borges, passado e futuro não existem. Todos os instantes coexistem; o próprio tempo pode ir para a frente ou para trás. De repente, dessas flutuações espaço-temporais, surge uma grande o suficiente para ser descrita pela teoria de Einstein. A partir daí, o tempo começa a passar alegremente, marcando a origem de tudo.”
“No universo quântico, intervalos temporais não têm sentido”
“Continuando nossa exploração do tempo, nesta semana toco na questão de sua origem. Como começou o tempo? Santo Agostinho tinha duas respostas para quem lhe perguntava o que Deus estava fazendo antes de criar o mundo.
"Estava criando o Inferno para pôr os chatos que fazem esse tipo de pergunta" era uma delas. (Parece que ele não levava essa muito a sério.) A outra resposta, bem interessante, é que "o tempo surgiu com a Criação". Ou seja, antes de o mundo existir o tempo também não existia. Em linguagem mais moderna, revertemos a questão ao modelo do Big Bang, que diz que o Universo teve sua origem há aproximadamente 14 bilhões de anos.
Quando afirmamos isso, implicitamente supomos que o tempo, como o conhecemos, começou a passar a partir do Big Bang, o evento que marca a origem cósmica. A pergunta clássica que tantos fazem é: "E antes do Big Bang? O que estava acontecendo?" Perfeitamente natural a pergunta.
Afinal, estamos acostumados com o fluir do tempo, com o passado, o presente e o futuro. Se o Big Bang marca a origem do cosmo, ele marca também a origem do tempo.
Segundo a teoria da relatividade de Einstein, que descreve as propriedades do tempo e do espaço, devemos pensar em termos de um espaço-tempo, uma entidade que engloba tanto o tempo quanto o espaço. Um não existe sem o outro. Então, se o Big Bang marca a origem do espaço, marca também a origem do tempo. Ou melhor, a origem do espaço-tempo.
Apenas a partir desse conceito podemos definir distâncias entre dois pontos ou intervalos de tempo entre dois eventos. Por que isso?
Essencialmente, a teoria de Einstein deixa de fazer sentido quando nos aproximamos do momento inicial, o t = 0 (tempo igual a zero.) Aí os cálculos dão resultados absurdos. Isso ocorre porque a teoria, como qualquer teoria em física, tem seu limite de validade. Aplicá-la além desse limite gera erros.
Chamamos a teoria de Einstein de teoria clássica. Isso a diferencia de uma teoria quântica, ideal para tratar de estruturas atômicas ou subatômicas. Perto do Big Bang, as distâncias cósmicas eram subatômicas: o Universo, como um todo, tem de ser descrito pela teoria quântica.
Mas o que vem a ser um Universo quântico? Segundo a teoria quântica, estruturas de dimensões subatômicas estão sempre vibrando, como se tivessem um desconforto. Essas vibrações são descritas pelo celebrado princípio de incerteza de Heisenberg, que diz ser impossível medir simultaneamente a posição e a velocidade de uma partícula, como um elétron, com precisão arbitrariamente alta. Há um limite no que podemos saber sobre essas quantidades. Essa limitação de deve à agitação inerente ao mundo quântico.
É inescapável, propriedade da Natureza. Traduzindo isso para o nosso Universo, quando chegamos perto do início, as distâncias espaciais são tão pequenas que o Universo assume dimensões atômicas. Portanto, deve ser descrito pela teoria quântica. Mesmo que não tenhamos ainda uma teoria quântica do espaço-tempo, sabemos que é inevitável que o próprio espaço-tempo flutue violentamente devido à incerteza quântica, como se fosse uma cama elástica enlouquecida. Distâncias espaciais e intervalos de tempo deixam de fazer sentido. Não existe perto e longe, antes e depois.
Nesse mundo, digno de um conto de Jorge Luís Borges, passado e futuro não existem. Todos os instantes coexistem; o próprio tempo pode ir para a frente ou para trás. De repente, dessas flutuações espaço-temporais, surge uma grande o suficiente para ser descrita pela teoria de Einstein. A partir daí, o tempo começa a passar alegremente, marcando a origem de tudo.”
INQUÉRITOS DA ALSTOM SOB SUSPEITA DE FALCATRUAS COM OS GOVERNOS DO PSDB EM SP SOMAM R$ 1,4 BILHÃO
MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE 20 NOVAS INVESTIGAÇÕES PARA APURAR NEGÓCIOS DE MULTINACIONAL FRANCESA COM EMPRESAS DO GOVERNO TUCANO DE SP
DOS INQUÉRITOS, 16 VÃO INVESTIGAR A CPTM, DOIS A CESP E DOIS A SABESP; EMPRESA É OBJETO DE OUTRAS DEZ APURAÇÕES, A MAIORIA LIGADAS AO METRÔ
Li ontem no jornal Folha de São Paulo O seguinte texto de José Ernesto Credendio:
“O Ministério Público abriu mais 20 inquéritos para apurar suspeitas de irregularidades em contratos assinados entre empresas do governo paulista e a Alstom. Em valores atualizados até outubro pelo INPC, desde a época em que foram assinados, os contratos colocados sob suspeita pela Promotoria somam R$ 1,378 bilhão.
Dezesseis dos 20 inquéritos vão investigar a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), segundo relatório obtido pela Folha.
É da empresa o maior deles, de R$ 950,871 milhões, assinado em outubro de 2000 com um consórcio que envolvia Alstom, DaymlerChrysler Rail, Siemens e CAF. O contrato previa a entrega e a instalação de equipamentos para o sistema Capão Redondo-Largo Treze e está sendo investigado sobretudo pelos seguidos aumentos de prazos de entrega.
O prazo total do contrato passou de 24 meses, com mais seis meses da chamada "operação assistida", para 56 meses, ou o dobro do original.
A Cesp e a Sabesp foram contempladas com dois inquéritos para cada uma das estatais.
Já existem dez inquéritos sobre a Alstom em andamento no Ministério Público, a maioria em torno de contratos do Metrô. O primeiro inquérito foi aberto em maio, após o "Wall Street Journal" revelar que a Alstom estava sob investigação na Suíça e na França sob suspeita de ter pago propinas de US$ 6,8 milhões (R$ 16,2 milhões pelo câmbio atual) para obter contratos de até US$ 45 milhões (R$ 107,4 milhões) com o Metrô e a Eletropaulo.
Os promotores usaram dois critérios para considerar um contrato suspeito: a dispensa de licitação e o aumento do valor original do negócio.
Só um deles, firmado em outubro de 1999 pela CPTM para executar o projeto sul de trens metropolitanos, no valor atualizado de R$ 47,410 milhões, foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado.
A CPTM, por exemplo, não fez licitação em 2005 para assinar dois contratos com a Alstom que totalizam R$ 50,7 milhões -um de R$ 18,6 milhões e outro de R$ 32,1 milhões.
O presidente da CPTM, Sergio Avelleda, disse à Folha que não houve concorrência porque os contratos eram sobre equipamentos de segurança e só a empresa que fez o sistema pode fazer intervenções nele. As outras estatais alegam desconhecer algum tipo de irregularidade envolvendo seus contratos.
Um dos promotores envolvidos na apuração disse à Folha, sob a condição de que seu nome não fosse revelado, que o fato de o TCE ter aprovado o contrato não significa atestado de regularidade, na interpretação do Ministério Público.
Um dos conselheiros do TCE, Robson Marinho, está sendo investigado no caso Alstom porque um dos documentos apreendidos na França cita as iniciais "RM" e fala de um assessor do governador. O papel é datado de 1997. À época, Marinho era um dos principais secretários do governador Mário Covas (PSDB): ele cuidava da Casa Civil, cargo da coordenação política do governo.”
DOS INQUÉRITOS, 16 VÃO INVESTIGAR A CPTM, DOIS A CESP E DOIS A SABESP; EMPRESA É OBJETO DE OUTRAS DEZ APURAÇÕES, A MAIORIA LIGADAS AO METRÔ
Li ontem no jornal Folha de São Paulo O seguinte texto de José Ernesto Credendio:
“O Ministério Público abriu mais 20 inquéritos para apurar suspeitas de irregularidades em contratos assinados entre empresas do governo paulista e a Alstom. Em valores atualizados até outubro pelo INPC, desde a época em que foram assinados, os contratos colocados sob suspeita pela Promotoria somam R$ 1,378 bilhão.
Dezesseis dos 20 inquéritos vão investigar a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), segundo relatório obtido pela Folha.
É da empresa o maior deles, de R$ 950,871 milhões, assinado em outubro de 2000 com um consórcio que envolvia Alstom, DaymlerChrysler Rail, Siemens e CAF. O contrato previa a entrega e a instalação de equipamentos para o sistema Capão Redondo-Largo Treze e está sendo investigado sobretudo pelos seguidos aumentos de prazos de entrega.
O prazo total do contrato passou de 24 meses, com mais seis meses da chamada "operação assistida", para 56 meses, ou o dobro do original.
A Cesp e a Sabesp foram contempladas com dois inquéritos para cada uma das estatais.
Já existem dez inquéritos sobre a Alstom em andamento no Ministério Público, a maioria em torno de contratos do Metrô. O primeiro inquérito foi aberto em maio, após o "Wall Street Journal" revelar que a Alstom estava sob investigação na Suíça e na França sob suspeita de ter pago propinas de US$ 6,8 milhões (R$ 16,2 milhões pelo câmbio atual) para obter contratos de até US$ 45 milhões (R$ 107,4 milhões) com o Metrô e a Eletropaulo.
Os promotores usaram dois critérios para considerar um contrato suspeito: a dispensa de licitação e o aumento do valor original do negócio.
Só um deles, firmado em outubro de 1999 pela CPTM para executar o projeto sul de trens metropolitanos, no valor atualizado de R$ 47,410 milhões, foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado.
A CPTM, por exemplo, não fez licitação em 2005 para assinar dois contratos com a Alstom que totalizam R$ 50,7 milhões -um de R$ 18,6 milhões e outro de R$ 32,1 milhões.
O presidente da CPTM, Sergio Avelleda, disse à Folha que não houve concorrência porque os contratos eram sobre equipamentos de segurança e só a empresa que fez o sistema pode fazer intervenções nele. As outras estatais alegam desconhecer algum tipo de irregularidade envolvendo seus contratos.
Um dos promotores envolvidos na apuração disse à Folha, sob a condição de que seu nome não fosse revelado, que o fato de o TCE ter aprovado o contrato não significa atestado de regularidade, na interpretação do Ministério Público.
Um dos conselheiros do TCE, Robson Marinho, está sendo investigado no caso Alstom porque um dos documentos apreendidos na França cita as iniciais "RM" e fala de um assessor do governador. O papel é datado de 1997. À época, Marinho era um dos principais secretários do governador Mário Covas (PSDB): ele cuidava da Casa Civil, cargo da coordenação política do governo.”
ÚNICO TRIBUNAL EM QUE DANTAS OBTEVE VITÓRIAS FOI NO STF
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem a seguinte notícia, que li no blog do Noblat:
“Com o início da Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção e crimes financeiros, bateu às portas de três tribunais, mas só obteve êxito no STF (Supremo Tribunal Federal), instância máxima do Poder Judiciário.
As duas vitórias conseguidas por Dantas no STF foram as mais importantes até agora, pois são aquelas que revogaram as prisões temporária e preventiva decretadas pelo juiz federal Fausto De Sanctis em julho.
No TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região e no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Dantas só teve derrotas.
Nessas cortes, o banqueiro coleciona ao todo nove decisões desfavoráveis em julgamentos e pedidos de concessão de liminares.
O simples fato dos habeas corpus de Dantas terem sido analisados pelo STF, independentemente dos resultado, já poderia ser comemorado como uma vitória. Em regra, os habeas corpus só são apreciados na corte máxima depois de passarem pelos tribunais de segunda instância (Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça estaduais) e pelo STJ.”
“Com o início da Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção e crimes financeiros, bateu às portas de três tribunais, mas só obteve êxito no STF (Supremo Tribunal Federal), instância máxima do Poder Judiciário.
As duas vitórias conseguidas por Dantas no STF foram as mais importantes até agora, pois são aquelas que revogaram as prisões temporária e preventiva decretadas pelo juiz federal Fausto De Sanctis em julho.
No TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região e no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Dantas só teve derrotas.
Nessas cortes, o banqueiro coleciona ao todo nove decisões desfavoráveis em julgamentos e pedidos de concessão de liminares.
O simples fato dos habeas corpus de Dantas terem sido analisados pelo STF, independentemente dos resultado, já poderia ser comemorado como uma vitória. Em regra, os habeas corpus só são apreciados na corte máxima depois de passarem pelos tribunais de segunda instância (Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça estaduais) e pelo STJ.”
ENTREVISTA: MINISTRO PAULO BERNARDO
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou a seguinte entrevista do Ministro do Planejamento Paulo Bernardo concedida aos repórteres Leandra Peres e Kennedy Alencar da sucursal de Brasília:
BANCOS MOSTRAM QUE NÃO ESTÃO À ALTURA DO QUE O PAÍS PRECISA
MINISTRO DIZ QUE GOVERNO NÃO DARÁ MAIS REAJUSTE AO FUNCIONALISMO, MAS ADMITE MENOR RIGOR FISCAL JÁ NESTE ANO
“O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: "Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado".
Bernardo também diz que o Banco Central "vai ter de fazer inflexões" e pode baixar os juros porque a pressão inflacionária "se diluiu". Segundo o ministro, os bancos não são "um bom parceiro" do sistema produtivo nacional, e o sistema financeiro "não está à altura" das demandas do país .
Admitiu que o superávit primário (economia para pagar juros da dívida) deste ano poderá ficar abaixo de 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto) por causa da execução do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Sobre reforma tributária, bate pesado nos governadores. Admite que "falta" jogo de cintura à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para ser candidata à Presidência, mas vê nisso uma "virtude". Leia a seguir trechos da entrevista concedida à Folha na quinta-feira passada, em seu gabinete.
FOLHA - O GOVERNO VOLTOU A ADOTAR UM TOM OTIMISTA EM RELAÇÃO À CRISE, MAS OS DADOS DA ECONOMIA REAL MOSTRAM QUE O BRASIL SERÁ MUITO AFETADO. A AVALIAÇÃO DO GOVERNO SOBRE A CRISE NÃO ESTÁ EQUIVOCADA?
PAULO BERNARDO - A crise é extremamente preocupante. Não há, de fato, efeito no Brasil além do problema do crédito, que é grave. E estamos tomando medidas para destravar isso. Ainda não houve problema fora do sistema financeiro. Basta ver os números. A indústria cresce a 6,7% ao ano, segundo o último dado, de setembro. O do comércio saiu anteontem: 9,4%.
FOLHA - MAS ESSES SÃO DADOS DO RETROVISOR...
BERNARDO - Você tem de dizer qual é o dado do futuro, porque aí vamos entrar nas profecias...
FOLHA - NÃO É PROFECIA. HÁ MONTADORAS DANDO FÉRIAS COLETIVAS, ALTA NA INADIMPLÊNCIA DE VEÍCULOS. HÁ DADOS QUE JÁ MOSTRAM EFEITOS NEGATIVOS NA ECONOMIA REAL...
BERNARDO - Há indícios de que podemos ter problemas graves. O pior deles é não ter recursos para irrigar a produção. É a empresa não ter capital de giro, não ter como financiar sua produção para exportação, não ter recursos para vender no varejo. Agora, há indícios de que as coisas seguem funcionando.
FOLHA - O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU?
BERNARDO - Não. A crise financeira chegou ao pico e tende a diminuir. O problema é que a crise financeira, não no Brasil, mas na América do Norte, virou sistêmica. Uma crise em todos os setores da economia. Na Europa, fala-se em 10 mil demissões por dia. Recessão na Itália, na França, na Alemanha, no Japão. E um problema grave de ameaça de deflação.
FOLHA - ISSO TUDO VAI AFETAR A ECONOMIA BRASILEIRA?
BERNARDO - Não sabemos em que medida.
FOLHA - QUANDO SERÁ O PICO DA CRISE NO BRASIL? NO SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO QUE VEM?
BERNARDO - Não sei. É tudo profecia.
FOLHA - QUAL É A AVALIAÇÃO DO SR.? QUAL O EFEITO NA ECONOMIA REAL?
BERNARDO - Temos indícios de que vamos ter problemas, mas não tivemos problema até agora. Seria um absurdo falar um negócio desses.
FOLHA - HÁ NECESSIDADE DE NOVAS PUNIÇÕES AOS BANCOS PARA QUE ELES VOLTEM A EMPRESTAR?
BERNARDO - O sistema financeiro brasileiro está mostrando que não está à altura do que o país precisa.
FOLHA - OS BANCOS PRIVADOS ESTÃO ESCONDENDO DINHEIRO?
BERNARDO - Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado. Uma coisa é o pânico e a desconfiança do que realmente vai acontecer... se vai ter uma quebradeira de empresas e aí, por prudência gerencial, o banco não empresta. Ou pode estar esperando que o vizinho quebre para ele comprar na bacia das almas. Em qualquer hipótese, está claro que as empresas do setor produtivo não podem ver o sistema financeiro como um bom parceiro. Porque emprestar só se o cara provar que não precisa de nenhum centavo não é possível.
FOLHA - O QUE O GOVERNO PODE FAZER?
BERNARDO - Os bancos públicos têm um espaço grande na economia e acho que do jeito que vai, esse espaço vai aumentar.
FOLHA - MAS ELES TÊM PODER DE FOGO? FARÃO TUDO SOZINHOS?
BERNARDO - Claro que não. Tem problemas operacionais, tem problema de "funding", tem a burocracia. Mas a verdade é que nós temos que tentar. Estamos procurando, na medida do possível, agilizar e estimular, dar condições para que os bancos públicos trabalhem. Sempre lembrando que eles não são como há 15 anos, quando ligava um ministro, um deputado e determinava um empréstimo para fulano. Isso não existe mais. O cara tem que ir lá, sentar na frente do gerente, mostrar os papéis, o cadastro. Não vou ligar para o superintendente lá do Paraná, que é meu amigo, e dizer que ele tem que dar um jeito de dar um empréstimo. Provavelmente ele irá preso, e eu também.
FOLHA - NÃO HÁ O QUE FAZER COM OS BANCOS PRIVADOS?
BERNARDO - Os bancos públicos têm uma vocação maior para financiar o desenvolvimento.
FOLHA - HÁ LIMITE PARA A AÇÃO DOS BANCOS PÚBLICOS?
BERNARDO - O limite é o da boa governança. Se eles comerem a perna do sistema inteiro, nós não temos problema com isso.
FOLHA - NÃO SERIA MAIS EFETIVO BAIXAR OS JUROS?
BERNARDO - Essa é uma alternativa. O que os Estados Unidos e o Japão podem fazer em termos de política monetária? A taxa nos EUA é 1%. No Japão, menos que isso. Nós aqui temos um espaço enorme, com certeza. As autoridades monetárias têm condição de perceber isso.
FOLHA - MAS ESSE NÃO É O SINAL QUE O BANCO CENTRAL TEM DADO...
BERNARDO - O Banco Central tem uma preocupação com a inflação, todo mundo sabe. Até setembro, o problema era outro, era inflação comendo a renda das pessoas. Então, havia uma política voltada para uma realidade claramente colocada. Hoje, temos outra situação. Estão falando em deflação. Não no Brasil, mas a pressão inflacionária se diluiu.
FOLHA - A PRIORIDADE É CRESCIMENTO E NÃO INFLAÇÃO?
BERNARDO - A prioridade é sempre inflação, mas se não tem pressão inflacionária para combater, tem de cuidar dos outros problemas.
FOLHA - O PRESIDENTE LULA JÁ PEDIU PARA O BC USAR ESSE ESPAÇO?
BERNARDO - O presidente Lula não pede esse tipo de coisa. Mas o pessoal do BC lê jornal.
FOLHA - O SENHOR ACHA QUE A CONJUNTURA ATUAL MUDOU O MANDATO DO BANCO CENTRAL DE CONTROLE DA INFLAÇÃO PARA CRESCIMENTO?
De 2003 para cá, se você olhar o que eles [Banco Central] fizeram, pode até criticar uma decisão de um mês ou uma decisão de um Copom. Mas a verdade é que, no atacado, o Banco Central manteve a inflação controlada, passou uma credibilidade muito grande e, portanto, deu as melhores respostas que a economia precisava. É evidente que se tem uma realidade diferente, e tem, eles vão ter de fazer inflexões. Olha, se você vê o mundo mudar e você não muda, você é maluco. E com certeza ali não tem nenhum maluco. A minha opinião, como a gente não está proibido de dar opinião, é que há um espaço enorme para fazer política monetária e ajudar com isso.
FOLHA - AJUDAR COM POLÍTICA MONETÁRIA É BAIXAR JUROS?
BERNARDO - Claro.
FOLHA - JÁ NA REUNIÃO DO BANCO CENTRAL EM DEZEMBRO?
BERNARDO - Não vou avançar mais nisso porque não quero levar um puxão de orelha. Mas acho que está na cara que tem esse espaço.
FOLHA - DE QUANTO SERÁ O SUPERÁVIT PRIMÁRIO DE 2008?
BERNARDO - Queremos que feche em 4,3% do PIB. Mas se executar mais o PAC, temos condições de fazer até menos.
FOLHA - SE HAVERÁ RECUO NA ECONOMIA, NÃO É IRREAL PREVER CRESCIMENTO DE 4% DO PIB EM 2009?
BERNARDO - Mas vamos ter quase 5,5% neste ano. Se crescermos 4% no ano que vem, já será uma queda de 1,3 ou 1,5 ponto no PIB. É grande. É verdade que tem uma crise grande que pode levar a um recuo maior. Mas vamos atuar para que isso não aconteça. Achamos que essa é a função do governo agora.
FOLHA - PODE HAVER RECUO MAIOR?
BERNARDO - Até discutimos isso [em reunião com o presidente]. Eu achava que se puséssemos uma previsão de 3,8% talvez ficasse melhor. Mas o Guido [Mantega, ministro da Fazenda] nos convenceu de que temos condição e temos que trabalhar para chegar a 4%.
FOLHA - COMO O PRESIDENTE OPINOU NESSE DEBATE?
BERNARDO - O presidente disse que o país vai surpreender a turma que tem dúvidas.
FOLHA - O GOVERNO VAI SE EMPENHAR PARA APROVAR A REFORMA NO CONGRESSO? HÁ RESISTÊNCIAS...
BERNARDO - Nós não podemos aceitar esse lobby de governadores aqui. Reforma tributária não é para resolver problema de nenhum governador. É para resolver o problema do sistema produtivo. Desde as reformas tributárias no governo Collor, nenhum projeto incluiu o nível de desoneração que está sendo proposto agora. Estamos diminuindo a tributação sobre a folha de 20% para 14% e tirando mais 2,5% do salário-educação.
FOLHA - O SR. DIZ QUE O GOVERNO NÃO PODE ACEITAR LOBBY DE GOVERNADORES, MAS ELES TÊM BANCADAS FORTES NO CONGRESSO. COMO É QUE VAI APROVAR?
BERNARDO - Eu não sei quanto importante os governadores são, mas a sociedade é mais. Essa reforma vai simplificar.
FOLHA - HAVERÁ ALGUMA TRAVA A AUMENTOS DO FUNCIONALISMO?
BERNARDO - Funcionalismo nós já fizemos o que tinha que fazer. Isso agora é em 2011. O novo governo certamente terá uma política.
FOLHA - O SR. DEFENDE A CANDIDATURA DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF À PRESIDÊNCIA?
BERNARDO - Tenho simpatia. Se existisse essa tendência no PT, eu poderia ser considerado "dilmista".
FOLHA - ELA ESTÁ PREPARADA PARA SER CANDIDATA E PRESIDENTE?
BERNARDO - Sim, mas agora esse não é o tema. Temos de dar resposta para o que está acontecendo no país. Essa crise vai mostrar que nós temos um timoneiro no país e uma sub-timoneira também.
FOLHA - SE FOR MAL NESSE GERENCIAMENTO AS CHANCES DE PERDER SÃO GRANDES?
BERNARDO - Claro.
FOLHA - NÃO FALTA JOGO DE CINTURA À MINISTRA? ELA CHEGOU A GANHAR UM BAMBOLÊ DO PMDB NUMA ALUSÃO A ESSA FALTA DE HABILIDADE POLÍTICA...
BERNARDO - Falta. Mas talvez seja uma virtude. Será que o povo quer gente rebolando com bambolê? Não vamos confundir política com rebolado.
FOLHA - O LULISMO CONSEGUIRÁ TRANSFERIR VOTOS PARA DILMA?
BERNARDO - Não é o lulismo. Qualquer governo bem-sucedido tende a eleger o sucessor.”
BANCOS MOSTRAM QUE NÃO ESTÃO À ALTURA DO QUE O PAÍS PRECISA
MINISTRO DIZ QUE GOVERNO NÃO DARÁ MAIS REAJUSTE AO FUNCIONALISMO, MAS ADMITE MENOR RIGOR FISCAL JÁ NESTE ANO
“O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: "Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado".
Bernardo também diz que o Banco Central "vai ter de fazer inflexões" e pode baixar os juros porque a pressão inflacionária "se diluiu". Segundo o ministro, os bancos não são "um bom parceiro" do sistema produtivo nacional, e o sistema financeiro "não está à altura" das demandas do país .
Admitiu que o superávit primário (economia para pagar juros da dívida) deste ano poderá ficar abaixo de 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto) por causa da execução do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Sobre reforma tributária, bate pesado nos governadores. Admite que "falta" jogo de cintura à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para ser candidata à Presidência, mas vê nisso uma "virtude". Leia a seguir trechos da entrevista concedida à Folha na quinta-feira passada, em seu gabinete.
FOLHA - O GOVERNO VOLTOU A ADOTAR UM TOM OTIMISTA EM RELAÇÃO À CRISE, MAS OS DADOS DA ECONOMIA REAL MOSTRAM QUE O BRASIL SERÁ MUITO AFETADO. A AVALIAÇÃO DO GOVERNO SOBRE A CRISE NÃO ESTÁ EQUIVOCADA?
PAULO BERNARDO - A crise é extremamente preocupante. Não há, de fato, efeito no Brasil além do problema do crédito, que é grave. E estamos tomando medidas para destravar isso. Ainda não houve problema fora do sistema financeiro. Basta ver os números. A indústria cresce a 6,7% ao ano, segundo o último dado, de setembro. O do comércio saiu anteontem: 9,4%.
FOLHA - MAS ESSES SÃO DADOS DO RETROVISOR...
BERNARDO - Você tem de dizer qual é o dado do futuro, porque aí vamos entrar nas profecias...
FOLHA - NÃO É PROFECIA. HÁ MONTADORAS DANDO FÉRIAS COLETIVAS, ALTA NA INADIMPLÊNCIA DE VEÍCULOS. HÁ DADOS QUE JÁ MOSTRAM EFEITOS NEGATIVOS NA ECONOMIA REAL...
BERNARDO - Há indícios de que podemos ter problemas graves. O pior deles é não ter recursos para irrigar a produção. É a empresa não ter capital de giro, não ter como financiar sua produção para exportação, não ter recursos para vender no varejo. Agora, há indícios de que as coisas seguem funcionando.
FOLHA - O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU?
BERNARDO - Não. A crise financeira chegou ao pico e tende a diminuir. O problema é que a crise financeira, não no Brasil, mas na América do Norte, virou sistêmica. Uma crise em todos os setores da economia. Na Europa, fala-se em 10 mil demissões por dia. Recessão na Itália, na França, na Alemanha, no Japão. E um problema grave de ameaça de deflação.
FOLHA - ISSO TUDO VAI AFETAR A ECONOMIA BRASILEIRA?
BERNARDO - Não sabemos em que medida.
FOLHA - QUANDO SERÁ O PICO DA CRISE NO BRASIL? NO SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO QUE VEM?
BERNARDO - Não sei. É tudo profecia.
FOLHA - QUAL É A AVALIAÇÃO DO SR.? QUAL O EFEITO NA ECONOMIA REAL?
BERNARDO - Temos indícios de que vamos ter problemas, mas não tivemos problema até agora. Seria um absurdo falar um negócio desses.
FOLHA - HÁ NECESSIDADE DE NOVAS PUNIÇÕES AOS BANCOS PARA QUE ELES VOLTEM A EMPRESTAR?
BERNARDO - O sistema financeiro brasileiro está mostrando que não está à altura do que o país precisa.
FOLHA - OS BANCOS PRIVADOS ESTÃO ESCONDENDO DINHEIRO?
BERNARDO - Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado. Uma coisa é o pânico e a desconfiança do que realmente vai acontecer... se vai ter uma quebradeira de empresas e aí, por prudência gerencial, o banco não empresta. Ou pode estar esperando que o vizinho quebre para ele comprar na bacia das almas. Em qualquer hipótese, está claro que as empresas do setor produtivo não podem ver o sistema financeiro como um bom parceiro. Porque emprestar só se o cara provar que não precisa de nenhum centavo não é possível.
FOLHA - O QUE O GOVERNO PODE FAZER?
BERNARDO - Os bancos públicos têm um espaço grande na economia e acho que do jeito que vai, esse espaço vai aumentar.
FOLHA - MAS ELES TÊM PODER DE FOGO? FARÃO TUDO SOZINHOS?
BERNARDO - Claro que não. Tem problemas operacionais, tem problema de "funding", tem a burocracia. Mas a verdade é que nós temos que tentar. Estamos procurando, na medida do possível, agilizar e estimular, dar condições para que os bancos públicos trabalhem. Sempre lembrando que eles não são como há 15 anos, quando ligava um ministro, um deputado e determinava um empréstimo para fulano. Isso não existe mais. O cara tem que ir lá, sentar na frente do gerente, mostrar os papéis, o cadastro. Não vou ligar para o superintendente lá do Paraná, que é meu amigo, e dizer que ele tem que dar um jeito de dar um empréstimo. Provavelmente ele irá preso, e eu também.
FOLHA - NÃO HÁ O QUE FAZER COM OS BANCOS PRIVADOS?
BERNARDO - Os bancos públicos têm uma vocação maior para financiar o desenvolvimento.
FOLHA - HÁ LIMITE PARA A AÇÃO DOS BANCOS PÚBLICOS?
BERNARDO - O limite é o da boa governança. Se eles comerem a perna do sistema inteiro, nós não temos problema com isso.
FOLHA - NÃO SERIA MAIS EFETIVO BAIXAR OS JUROS?
BERNARDO - Essa é uma alternativa. O que os Estados Unidos e o Japão podem fazer em termos de política monetária? A taxa nos EUA é 1%. No Japão, menos que isso. Nós aqui temos um espaço enorme, com certeza. As autoridades monetárias têm condição de perceber isso.
FOLHA - MAS ESSE NÃO É O SINAL QUE O BANCO CENTRAL TEM DADO...
BERNARDO - O Banco Central tem uma preocupação com a inflação, todo mundo sabe. Até setembro, o problema era outro, era inflação comendo a renda das pessoas. Então, havia uma política voltada para uma realidade claramente colocada. Hoje, temos outra situação. Estão falando em deflação. Não no Brasil, mas a pressão inflacionária se diluiu.
FOLHA - A PRIORIDADE É CRESCIMENTO E NÃO INFLAÇÃO?
BERNARDO - A prioridade é sempre inflação, mas se não tem pressão inflacionária para combater, tem de cuidar dos outros problemas.
FOLHA - O PRESIDENTE LULA JÁ PEDIU PARA O BC USAR ESSE ESPAÇO?
BERNARDO - O presidente Lula não pede esse tipo de coisa. Mas o pessoal do BC lê jornal.
FOLHA - O SENHOR ACHA QUE A CONJUNTURA ATUAL MUDOU O MANDATO DO BANCO CENTRAL DE CONTROLE DA INFLAÇÃO PARA CRESCIMENTO?
De 2003 para cá, se você olhar o que eles [Banco Central] fizeram, pode até criticar uma decisão de um mês ou uma decisão de um Copom. Mas a verdade é que, no atacado, o Banco Central manteve a inflação controlada, passou uma credibilidade muito grande e, portanto, deu as melhores respostas que a economia precisava. É evidente que se tem uma realidade diferente, e tem, eles vão ter de fazer inflexões. Olha, se você vê o mundo mudar e você não muda, você é maluco. E com certeza ali não tem nenhum maluco. A minha opinião, como a gente não está proibido de dar opinião, é que há um espaço enorme para fazer política monetária e ajudar com isso.
FOLHA - AJUDAR COM POLÍTICA MONETÁRIA É BAIXAR JUROS?
BERNARDO - Claro.
FOLHA - JÁ NA REUNIÃO DO BANCO CENTRAL EM DEZEMBRO?
BERNARDO - Não vou avançar mais nisso porque não quero levar um puxão de orelha. Mas acho que está na cara que tem esse espaço.
FOLHA - DE QUANTO SERÁ O SUPERÁVIT PRIMÁRIO DE 2008?
BERNARDO - Queremos que feche em 4,3% do PIB. Mas se executar mais o PAC, temos condições de fazer até menos.
FOLHA - SE HAVERÁ RECUO NA ECONOMIA, NÃO É IRREAL PREVER CRESCIMENTO DE 4% DO PIB EM 2009?
BERNARDO - Mas vamos ter quase 5,5% neste ano. Se crescermos 4% no ano que vem, já será uma queda de 1,3 ou 1,5 ponto no PIB. É grande. É verdade que tem uma crise grande que pode levar a um recuo maior. Mas vamos atuar para que isso não aconteça. Achamos que essa é a função do governo agora.
FOLHA - PODE HAVER RECUO MAIOR?
BERNARDO - Até discutimos isso [em reunião com o presidente]. Eu achava que se puséssemos uma previsão de 3,8% talvez ficasse melhor. Mas o Guido [Mantega, ministro da Fazenda] nos convenceu de que temos condição e temos que trabalhar para chegar a 4%.
FOLHA - COMO O PRESIDENTE OPINOU NESSE DEBATE?
BERNARDO - O presidente disse que o país vai surpreender a turma que tem dúvidas.
FOLHA - O GOVERNO VAI SE EMPENHAR PARA APROVAR A REFORMA NO CONGRESSO? HÁ RESISTÊNCIAS...
BERNARDO - Nós não podemos aceitar esse lobby de governadores aqui. Reforma tributária não é para resolver problema de nenhum governador. É para resolver o problema do sistema produtivo. Desde as reformas tributárias no governo Collor, nenhum projeto incluiu o nível de desoneração que está sendo proposto agora. Estamos diminuindo a tributação sobre a folha de 20% para 14% e tirando mais 2,5% do salário-educação.
FOLHA - O SR. DIZ QUE O GOVERNO NÃO PODE ACEITAR LOBBY DE GOVERNADORES, MAS ELES TÊM BANCADAS FORTES NO CONGRESSO. COMO É QUE VAI APROVAR?
BERNARDO - Eu não sei quanto importante os governadores são, mas a sociedade é mais. Essa reforma vai simplificar.
FOLHA - HAVERÁ ALGUMA TRAVA A AUMENTOS DO FUNCIONALISMO?
BERNARDO - Funcionalismo nós já fizemos o que tinha que fazer. Isso agora é em 2011. O novo governo certamente terá uma política.
FOLHA - O SR. DEFENDE A CANDIDATURA DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF À PRESIDÊNCIA?
BERNARDO - Tenho simpatia. Se existisse essa tendência no PT, eu poderia ser considerado "dilmista".
FOLHA - ELA ESTÁ PREPARADA PARA SER CANDIDATA E PRESIDENTE?
BERNARDO - Sim, mas agora esse não é o tema. Temos de dar resposta para o que está acontecendo no país. Essa crise vai mostrar que nós temos um timoneiro no país e uma sub-timoneira também.
FOLHA - SE FOR MAL NESSE GERENCIAMENTO AS CHANCES DE PERDER SÃO GRANDES?
BERNARDO - Claro.
FOLHA - NÃO FALTA JOGO DE CINTURA À MINISTRA? ELA CHEGOU A GANHAR UM BAMBOLÊ DO PMDB NUMA ALUSÃO A ESSA FALTA DE HABILIDADE POLÍTICA...
BERNARDO - Falta. Mas talvez seja uma virtude. Será que o povo quer gente rebolando com bambolê? Não vamos confundir política com rebolado.
FOLHA - O LULISMO CONSEGUIRÁ TRANSFERIR VOTOS PARA DILMA?
BERNARDO - Não é o lulismo. Qualquer governo bem-sucedido tende a eleger o sucessor.”
A CRISE DA EXTREMA ESQUERDA BRASILEIRA
O site “Carta Maior” publicou sábado o seguinte texto do filósofo e cientista político Emir Sader (li no “vermelho”):
“Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o cenário político nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extrema esquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação em torno de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito em São Paulo e no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores do que as que tiveram como candidatos a deputados, sem falar na diferença colossal em relação à candidata à presidência, apenas dois anos antes – são a expressão eleitoral, quantitativa, que se estendeu por praticamente todo o país, do esgotamento prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógica clara, mas esbarrou cedo em limitações que o levam a um beco difícil, se não houver mudança de rota.
A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria romper nenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear o ataque especulativo, medido pelo “risco Lula” -, a nomeação de Meirelles para o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo – desenharam o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída do PT de setores de esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente, em que a presença hegemônica de Palocci fazia primar os elementos de continuidade com o governo FHC sobre os de mudança – estes recluídos basicamente na política externa diferenciada e em setores localizados – e a reiteração de um governo estritamente neoliberal davam uma imagem de um governo que era considerado pelos que abandonavam o PT, como irreversivelmente perdido para a esquerda.
O dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberal dentro do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar a formação de uma nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição de um núcleo socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, para discutir amplamente os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerda do PT, como se poderia prever que ela seria engrossada por setores amplos, caso a orientação inicial do governo se mantivesse.
Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O primeiro, a precipitação na fundação de um novo partido – o Psol -, com o primeiro grupo que saiu do PT – em particular a tendência morenista – passando a controlar as estruturas da nova agremiação. Isto não apenas estreitou organizativamente o novo partido, como o levou a posições de ultra-esquerda, responsáveis pelo seu isolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas eleições de 2006 agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma posição de eqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante foi o de que o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além de mantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda, neutralizando a amplos setores do movimento de massas.
Portanto deveria ser derrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. O governo Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da nova agrupação.
Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no Parlamento, mas consolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o bloco tucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e à reeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidata do Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mas comprometia a imagem do partido com uma campanha despolitizada e oportunista, em que a caracterização do governo Lula não se diferenciava daquela feita na campanha do “mensalão”. Como se poderia esperar, apesar de algumas resistências, a posição no segundo turno foi a do voto nulo, isto é, daria igual para o novo partido a vitória do neoliberal duro e puro Alckmin ou de Lula. (Se tornava linha nacional oficial o que já se havia dado nas primeiras eleições em que o Psol participou, as municipais, em que, por exemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e Fogaça, no segundo turno, se afirmou que se tratava da nova direita contra a velha direita e se decidiu pelo voto nulo.)
Uma combinação entre sectarismo e oportunismo foi responsável pelo comprometimento da orientação política do novo partido, que o levou a perder a possibilidade de formação de um partido à esquerda do PT, que se aliasse a este nos pontos comuns e lutasse contra nos temas de divergência. O sectarismo levou a que sindicatos saíssem da CUT, sem conseguir se agrupar com outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se dispersando no isolamento. Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra o governo em tudo – até mesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do governo – como a política internacional, entre outras. Esta se dá porque o governo brasileiro tem estreita política de alianças com as principais lideranças de esquerda no continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia -, que apóiam o governo Lula, o que desloca completamente posições de ultra-esquerda – que se reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil nesses países -, deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a integração continental.
Por outro, o governo Lula passou a outra etapa, com a saída de vários de seus ministros, principalmente Palocci, conseguindo retomar um ciclo expansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de distribuição de renda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento como central – deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -, avançando na recomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o nível do emprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos.
A caracterização do governo Lula como expressão consolidada do neoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo – reedição de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchez de Losada – se chocava com a realidade.
Economistas da extrema esquerda continuaram brigando com a realidade, anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda ordem, tentando resgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis do governo, tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo FHC, reduzindo as políticas sociais a “assistencialismo”, mas foram sistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento total dos que pregam essas posições desencontradas com a realidade.
O isolamento dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em que todas as correntes de ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendência política, revelando como estão afastadas da realidade, do sentimento geral do povo, dos problemas que enfrenta o Brasil e a América Latina. As políticas sociais respondem em grande parte pelos 80% de apoio do governo,rejeitado por apenas 8%. Para a direita basta a afirmação do “asisistencialismo” do governo e da desqualificação do povo, que se deixaria corromper por “alguns centavos”, mas a esquerda não pode comprá-la, por reacionária e discriminatória contra os pobres.
Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e contato com a realidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico, sequer constatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que se fizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassem de pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de que representam uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo. (Marx dizia que a pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não se autocrítica, não coloca em questão sua orientação, acredita apenas que o povo ainda não está maduro para sua posições, definidas essencialmente como corretas, porque corresponderiam a textos sagrados da teoria.)
Não fazer um balanço das derrotas, não se dar conta do isolamento em que se encontram, da aliança tácita com a direita e das transformações do governo Lula – junto com as da própria realidade econômica e social do país –, da constatação do caráter contraditório do governo Lula, que não deveria ser se inimigo fundamental revelariam a perda de sensibilidade política, o que poderia significar um caminho sem volta para a extrema esquerda. Seria uma pena, porque a esquerda brasileira precisa de uma força mais radical, que se alie ao PT nas coincidências e lute nas divergências, compondo um quadro mais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia, que faria bem à esquerda e ao Brasil.”
“Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o cenário político nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extrema esquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação em torno de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito em São Paulo e no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores do que as que tiveram como candidatos a deputados, sem falar na diferença colossal em relação à candidata à presidência, apenas dois anos antes – são a expressão eleitoral, quantitativa, que se estendeu por praticamente todo o país, do esgotamento prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógica clara, mas esbarrou cedo em limitações que o levam a um beco difícil, se não houver mudança de rota.
A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria romper nenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear o ataque especulativo, medido pelo “risco Lula” -, a nomeação de Meirelles para o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo – desenharam o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída do PT de setores de esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente, em que a presença hegemônica de Palocci fazia primar os elementos de continuidade com o governo FHC sobre os de mudança – estes recluídos basicamente na política externa diferenciada e em setores localizados – e a reiteração de um governo estritamente neoliberal davam uma imagem de um governo que era considerado pelos que abandonavam o PT, como irreversivelmente perdido para a esquerda.
O dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberal dentro do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar a formação de uma nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição de um núcleo socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, para discutir amplamente os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerda do PT, como se poderia prever que ela seria engrossada por setores amplos, caso a orientação inicial do governo se mantivesse.
Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O primeiro, a precipitação na fundação de um novo partido – o Psol -, com o primeiro grupo que saiu do PT – em particular a tendência morenista – passando a controlar as estruturas da nova agremiação. Isto não apenas estreitou organizativamente o novo partido, como o levou a posições de ultra-esquerda, responsáveis pelo seu isolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas eleições de 2006 agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma posição de eqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante foi o de que o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além de mantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda, neutralizando a amplos setores do movimento de massas.
Portanto deveria ser derrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. O governo Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da nova agrupação.
Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no Parlamento, mas consolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o bloco tucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e à reeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidata do Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mas comprometia a imagem do partido com uma campanha despolitizada e oportunista, em que a caracterização do governo Lula não se diferenciava daquela feita na campanha do “mensalão”. Como se poderia esperar, apesar de algumas resistências, a posição no segundo turno foi a do voto nulo, isto é, daria igual para o novo partido a vitória do neoliberal duro e puro Alckmin ou de Lula. (Se tornava linha nacional oficial o que já se havia dado nas primeiras eleições em que o Psol participou, as municipais, em que, por exemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e Fogaça, no segundo turno, se afirmou que se tratava da nova direita contra a velha direita e se decidiu pelo voto nulo.)
Uma combinação entre sectarismo e oportunismo foi responsável pelo comprometimento da orientação política do novo partido, que o levou a perder a possibilidade de formação de um partido à esquerda do PT, que se aliasse a este nos pontos comuns e lutasse contra nos temas de divergência. O sectarismo levou a que sindicatos saíssem da CUT, sem conseguir se agrupar com outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se dispersando no isolamento. Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra o governo em tudo – até mesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do governo – como a política internacional, entre outras. Esta se dá porque o governo brasileiro tem estreita política de alianças com as principais lideranças de esquerda no continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia -, que apóiam o governo Lula, o que desloca completamente posições de ultra-esquerda – que se reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil nesses países -, deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a integração continental.
Por outro, o governo Lula passou a outra etapa, com a saída de vários de seus ministros, principalmente Palocci, conseguindo retomar um ciclo expansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de distribuição de renda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento como central – deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -, avançando na recomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o nível do emprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos.
A caracterização do governo Lula como expressão consolidada do neoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo – reedição de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchez de Losada – se chocava com a realidade.
Economistas da extrema esquerda continuaram brigando com a realidade, anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda ordem, tentando resgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis do governo, tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo FHC, reduzindo as políticas sociais a “assistencialismo”, mas foram sistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento total dos que pregam essas posições desencontradas com a realidade.
O isolamento dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em que todas as correntes de ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendência política, revelando como estão afastadas da realidade, do sentimento geral do povo, dos problemas que enfrenta o Brasil e a América Latina. As políticas sociais respondem em grande parte pelos 80% de apoio do governo,rejeitado por apenas 8%. Para a direita basta a afirmação do “asisistencialismo” do governo e da desqualificação do povo, que se deixaria corromper por “alguns centavos”, mas a esquerda não pode comprá-la, por reacionária e discriminatória contra os pobres.
Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e contato com a realidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico, sequer constatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que se fizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassem de pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de que representam uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo. (Marx dizia que a pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não se autocrítica, não coloca em questão sua orientação, acredita apenas que o povo ainda não está maduro para sua posições, definidas essencialmente como corretas, porque corresponderiam a textos sagrados da teoria.)
Não fazer um balanço das derrotas, não se dar conta do isolamento em que se encontram, da aliança tácita com a direita e das transformações do governo Lula – junto com as da própria realidade econômica e social do país –, da constatação do caráter contraditório do governo Lula, que não deveria ser se inimigo fundamental revelariam a perda de sensibilidade política, o que poderia significar um caminho sem volta para a extrema esquerda. Seria uma pena, porque a esquerda brasileira precisa de uma força mais radical, que se alie ao PT nas coincidências e lute nas divergências, compondo um quadro mais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia, que faria bem à esquerda e ao Brasil.”
domingo, 23 de novembro de 2008
“SE CONTINUAR ASSIM, NÃO HAVERÁ MAIS NAVIOS”
O jornal de Porto Alegre “Zero Hora” ontem publicou a seguinte entrevista com o Almirante Julio de Moura Neto, Comandante da Marinha:
"Consciente de que a presença da Marinha nas plataformas da Petrobras não é constante, o comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, diz que gostaria de fazer a segurança do local 365 dias por ano. Leia a entrevista.
ZERO HORA – A FROTA NAVAL DA MARINHA ESTÁ DEGRADADA?
ALMIRANTE JULIO MOURA NETO – Isso é fato. Há mais de 10 anos, os recursos da Marinha têm sido insuficientes, com uma degradação paulatina nos navios, nas aeronaves, nos fuzileiros navais. A partir de 2006, começou uma recuperação. Ainda assim, um orçamento pouco maior não resolve. Precisamos de um programa de reaparelhamento.
ZH – QUANTO DESSA FROTA ESTÁ DEGRADADA?
MOURA NETO – Nos últimos anos, nós demos baixa em 20 navios e só incorporamos 10. Se esse processo continuar assim, vai chegar um ponto em que não haverá mais navios. A prioridade são os submarinos.
ZH – O QUE JÁ ESTÁ SENDO FEITO?
MOURA NETO – Temos cinco submarinos convencionais sendo modernizados. Estamos em negociação com a França para construir quatro novos convencionais e, no futuro, o de propulsão nuclear. Será o Scorpene, mas a parte nuclear é toda feita com tecnologia brasileira. Precisamos aumentar a quantidade de navios-patrulha. Temos 27, todos funcionando, mas precisamos de mais 27 num prazo de oito anos.
ZH – O REPASSE DOS ROYALTIES DO PETRÓLEO SERIA A SOLUÇÃO?
MOURA NETO – É uma solução possível. Em dezembro de 2007, tínhamos na reserva de contingência da Marinha R$ 3,2 bilhões em royalties. Esse ano, a previsão é de R$ 700 milhões contingenciados. Para os navios-patrulha, os royalties seriam a solução. Também estamos discutindo com a Petrobras um sistema a ser estabelecido nas próprias plataformas e que nos alerte sobre a aproximação de outros navios, para que um navio-patrulha vá lá verificar.
ZH – O SENHOR ACHA QUE O PAÍS ESTÁ VULNERÁVEL NO MOMENTO EM QUE SE DESCOBRE NOVAS RESERVAS DE PETRÓLEO?
MOURA NETO – Precisamos ter mais navios. As plataformas não estão vulneráveis, mas para que eu possa garantir a segurança delas teríamos de estar permanentemente lá, e não estamos.
ZH – O SUBMARINO NUCLEAR SEMPRE FOI ALVO DE POLÊMICA, CHAMADO ATÉ DE DESPERDÍCIO. O PROJETO ESTÁ GARANTIDO?
MOURA NETO – Estamos avançando bastante no programa nuclear, cuja finalidade é ter o reator com tecnologia totalmente nacional. Esse reator é o protótipo do que será colocado no submarino e deve estar pronto em seis anos. Acho o submarino importante, sempre oculto e um fator de dissuasão, sempre respeitado.
ZH – COMO O SENHOR VÊ A MOVIMENTAÇÃO DA 4ª FROTA AMERICANA PELA REGIÃO?
MOURA NETO – Não há nenhuma paranóia e foi uma coincidência ela ser reativada na mesma época da descoberta dos novos campos de petróleo. Até mesmo porque o governo americano tem dito que respeitará os instrumentos jurídicos da convenção das Nações Unidas sobre os direitos de mar territorial.”
"Consciente de que a presença da Marinha nas plataformas da Petrobras não é constante, o comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, diz que gostaria de fazer a segurança do local 365 dias por ano. Leia a entrevista.
ZERO HORA – A FROTA NAVAL DA MARINHA ESTÁ DEGRADADA?
ALMIRANTE JULIO MOURA NETO – Isso é fato. Há mais de 10 anos, os recursos da Marinha têm sido insuficientes, com uma degradação paulatina nos navios, nas aeronaves, nos fuzileiros navais. A partir de 2006, começou uma recuperação. Ainda assim, um orçamento pouco maior não resolve. Precisamos de um programa de reaparelhamento.
ZH – QUANTO DESSA FROTA ESTÁ DEGRADADA?
MOURA NETO – Nos últimos anos, nós demos baixa em 20 navios e só incorporamos 10. Se esse processo continuar assim, vai chegar um ponto em que não haverá mais navios. A prioridade são os submarinos.
ZH – O QUE JÁ ESTÁ SENDO FEITO?
MOURA NETO – Temos cinco submarinos convencionais sendo modernizados. Estamos em negociação com a França para construir quatro novos convencionais e, no futuro, o de propulsão nuclear. Será o Scorpene, mas a parte nuclear é toda feita com tecnologia brasileira. Precisamos aumentar a quantidade de navios-patrulha. Temos 27, todos funcionando, mas precisamos de mais 27 num prazo de oito anos.
ZH – O REPASSE DOS ROYALTIES DO PETRÓLEO SERIA A SOLUÇÃO?
MOURA NETO – É uma solução possível. Em dezembro de 2007, tínhamos na reserva de contingência da Marinha R$ 3,2 bilhões em royalties. Esse ano, a previsão é de R$ 700 milhões contingenciados. Para os navios-patrulha, os royalties seriam a solução. Também estamos discutindo com a Petrobras um sistema a ser estabelecido nas próprias plataformas e que nos alerte sobre a aproximação de outros navios, para que um navio-patrulha vá lá verificar.
ZH – O SENHOR ACHA QUE O PAÍS ESTÁ VULNERÁVEL NO MOMENTO EM QUE SE DESCOBRE NOVAS RESERVAS DE PETRÓLEO?
MOURA NETO – Precisamos ter mais navios. As plataformas não estão vulneráveis, mas para que eu possa garantir a segurança delas teríamos de estar permanentemente lá, e não estamos.
ZH – O SUBMARINO NUCLEAR SEMPRE FOI ALVO DE POLÊMICA, CHAMADO ATÉ DE DESPERDÍCIO. O PROJETO ESTÁ GARANTIDO?
MOURA NETO – Estamos avançando bastante no programa nuclear, cuja finalidade é ter o reator com tecnologia totalmente nacional. Esse reator é o protótipo do que será colocado no submarino e deve estar pronto em seis anos. Acho o submarino importante, sempre oculto e um fator de dissuasão, sempre respeitado.
ZH – COMO O SENHOR VÊ A MOVIMENTAÇÃO DA 4ª FROTA AMERICANA PELA REGIÃO?
MOURA NETO – Não há nenhuma paranóia e foi uma coincidência ela ser reativada na mesma época da descoberta dos novos campos de petróleo. Até mesmo porque o governo americano tem dito que respeitará os instrumentos jurídicos da convenção das Nações Unidas sobre os direitos de mar territorial.”
COMANDANTE DA MARINHA ALERTA PARA PRECARIEDADE DE FROTA
O jornal de Porto Alegre “Zero Hora” ontem publicou o seguinte texto de Klécio Santos:
“MILITAR ADMITE FALTA DE EMBARCAÇÕES PARA PROTEGER PLATAFORMAS
Responsável pelos 4,5 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais brasileiras, o comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, teme pela segurança das plataformas de petróleo na Bacia de Campos.
Em entrevista a Zero Hora, o almirante admitiu a falta de embarcações para proteger as plataformas, defendeu a duplicação da frota de navios-patrulha e a compra de submarinos franceses como soluções emergenciais.
– O governo tem plena consciência da necessidade da presença da Marinha junto às plataformas de petróleo.
Ele não considera que as plataformas brasileiras estejam vulneráveis. Contudo, diz que para garantir a segurança desses pontos é necessário que a Marinha faça vigilância permanente dos locais, o que não tem ocorrido.
O almirante não acredita que esteja ocorrendo uma possível corrida armamentista na América do Sul, fato que chegou a ser ventilado depois da passagem da 4ª Frota americana pela região. Ele diz que cada país está cuidando para ter os meios de que necessita para cumprir sua missão.
– A política de defesa brasileira é de dissuasão. Como não temos inimigos claros e definidos, temos de mostrar capacidade de nos defender – afirma.
Na terça-feira, Moura Neto estará na Capital para homenagens ao Almirante Tamandaré.”
“MILITAR ADMITE FALTA DE EMBARCAÇÕES PARA PROTEGER PLATAFORMAS
Responsável pelos 4,5 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais brasileiras, o comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, teme pela segurança das plataformas de petróleo na Bacia de Campos.
Em entrevista a Zero Hora, o almirante admitiu a falta de embarcações para proteger as plataformas, defendeu a duplicação da frota de navios-patrulha e a compra de submarinos franceses como soluções emergenciais.
– O governo tem plena consciência da necessidade da presença da Marinha junto às plataformas de petróleo.
Ele não considera que as plataformas brasileiras estejam vulneráveis. Contudo, diz que para garantir a segurança desses pontos é necessário que a Marinha faça vigilância permanente dos locais, o que não tem ocorrido.
O almirante não acredita que esteja ocorrendo uma possível corrida armamentista na América do Sul, fato que chegou a ser ventilado depois da passagem da 4ª Frota americana pela região. Ele diz que cada país está cuidando para ter os meios de que necessita para cumprir sua missão.
– A política de defesa brasileira é de dissuasão. Como não temos inimigos claros e definidos, temos de mostrar capacidade de nos defender – afirma.
Na terça-feira, Moura Neto estará na Capital para homenagens ao Almirante Tamandaré.”
ESCLARECIMENTO SOBRE "OS GARGALOS DE UM BRASIL MAL GERIDO"
Li ontem no jornal “Valor Econômico” o seguinte texto:
“NOTA DE ESCLARECIMENTO: Matéria do jornal "Valor Econômico" do dia 21/11”
“Prezado Senhor Editor,
Ao ler o artigo "Os gargalos de um Brasil mal gerido", publicado hoje (21/11), particularmente no trecho em que o controle de tráfego aéreo brasileiro é mencionado e criticado, encontrei-me no dever de tecer alguns comentários a respeito do tema.
Infelizmente, durante o período da crise aérea, diversos textos fora de contexto trouxeram pouca luz sobre um tema tão importante para a sociedade. Tomo a liberdade de citar alguns pontos que merecem ser avaliados diante da complexidade do tema, sob o risco de, uma vez esquecidos, tornarem a reflexão uma mera repetição de falsos juízos de valor.
Como afirma o autor, qualquer acidente aéreo é um evento inaceitável. O problema é pegar ocorrências de modo isolado para, a partir disso, concluir pela qualidade do serviço prestado. Nos últimos 18 anos, o número de acidentes aeronáuticos no Brasil caiu 58,5%, enquanto a frota de aeronaves cresceu 50,8%, de acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Na última década, o item controle de tráfego aéreo aparece em último lugar na lista de 23 fatores contribuintes de acidentes investigados no país. Esse histórico, portanto, reflete a qualidade do serviço prestado no Brasil. Cabe agora, diante da ocorrência, tomar lições e melhorar, a exemplo de outros acidentes ocorridos no mundo. A última colisão aérea ocorreu exatamente na divisa entre a Alemanha e a Suíça, em 2002, no coração da Europa: um Tupolev e um Boeing 757 colidiram no ar, matando 71 pessoas.
Seria extremamente oportuna a comparação dos indicadores brasileiros com os de outros países. A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) sugere o inglês no nível 4 (inglês técnico, acrescido de conhecimento de estruturas gramaticais básicas para comunicação efetiva em tópicos comuns) para pilotos e controladores até 2011. Dos 190 países membros, somente 52 atingiram o patamar e outros 89 trabalham para atingir a meta, o que inclui a Alemanha, a Bélgica, a Espanha, a França, a Itália, mais Portugal, Rússia e México, por exemplo, entre outros. O Comando da Aeronáutica investiu, somente no ano passado, R$ 3.342.927,10 em cursos de inglês para os controladores de tráfego aéreo, visando a continuidade da elevação do nível do inglês.
Para o futuro, o Brasil já integra o seleto grupo de países que discute e prepara ações para a implantação do sistema CNS-ATM (Communication Navigation Surveillance/Air Traffic Management ou Comunicação, Navegação, Vigilância/Gestão de Tráfego Aéreo), que representará uma evolução histórica no tráfego aéreo mundial, por meio da utilização de satélites.
Em face ao exposto acima, pode-se sim, afirmar que o Brasil possui as instituições necessárias para prover a segurança do espaço aéreo no País. O sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro é o patrimônio avaliado em mais de R$ 6 bilhões, construído ao longo de quatro décadas e que responde por uma área de atuação quase três vezes superior à dimensão territorial do próprio País. São cerca de 6 mil equipamentos, entre radares, sistema de comunicações, auxílio à navegação aérea e meteorologia, entre outros-, muitos dos quais com redundância, 365 dias do ano, 24 horas por dia, com uma disponibilidade diária de 98% dessa estrutura.
Por fim, torna-se imperioso destacar que voar no Brasil é seguro. Em 2007, os Estados-Membros da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) elegeram o Brasil, mais uma vez, para o Primeiro Grupo do Conselho da Organização, coroando os esforços da administração brasileira.
Respeitosamente,
Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez
Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica”
“NOTA DE ESCLARECIMENTO: Matéria do jornal "Valor Econômico" do dia 21/11”
“Prezado Senhor Editor,
Ao ler o artigo "Os gargalos de um Brasil mal gerido", publicado hoje (21/11), particularmente no trecho em que o controle de tráfego aéreo brasileiro é mencionado e criticado, encontrei-me no dever de tecer alguns comentários a respeito do tema.
Infelizmente, durante o período da crise aérea, diversos textos fora de contexto trouxeram pouca luz sobre um tema tão importante para a sociedade. Tomo a liberdade de citar alguns pontos que merecem ser avaliados diante da complexidade do tema, sob o risco de, uma vez esquecidos, tornarem a reflexão uma mera repetição de falsos juízos de valor.
Como afirma o autor, qualquer acidente aéreo é um evento inaceitável. O problema é pegar ocorrências de modo isolado para, a partir disso, concluir pela qualidade do serviço prestado. Nos últimos 18 anos, o número de acidentes aeronáuticos no Brasil caiu 58,5%, enquanto a frota de aeronaves cresceu 50,8%, de acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Na última década, o item controle de tráfego aéreo aparece em último lugar na lista de 23 fatores contribuintes de acidentes investigados no país. Esse histórico, portanto, reflete a qualidade do serviço prestado no Brasil. Cabe agora, diante da ocorrência, tomar lições e melhorar, a exemplo de outros acidentes ocorridos no mundo. A última colisão aérea ocorreu exatamente na divisa entre a Alemanha e a Suíça, em 2002, no coração da Europa: um Tupolev e um Boeing 757 colidiram no ar, matando 71 pessoas.
Seria extremamente oportuna a comparação dos indicadores brasileiros com os de outros países. A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) sugere o inglês no nível 4 (inglês técnico, acrescido de conhecimento de estruturas gramaticais básicas para comunicação efetiva em tópicos comuns) para pilotos e controladores até 2011. Dos 190 países membros, somente 52 atingiram o patamar e outros 89 trabalham para atingir a meta, o que inclui a Alemanha, a Bélgica, a Espanha, a França, a Itália, mais Portugal, Rússia e México, por exemplo, entre outros. O Comando da Aeronáutica investiu, somente no ano passado, R$ 3.342.927,10 em cursos de inglês para os controladores de tráfego aéreo, visando a continuidade da elevação do nível do inglês.
Para o futuro, o Brasil já integra o seleto grupo de países que discute e prepara ações para a implantação do sistema CNS-ATM (Communication Navigation Surveillance/Air Traffic Management ou Comunicação, Navegação, Vigilância/Gestão de Tráfego Aéreo), que representará uma evolução histórica no tráfego aéreo mundial, por meio da utilização de satélites.
Em face ao exposto acima, pode-se sim, afirmar que o Brasil possui as instituições necessárias para prover a segurança do espaço aéreo no País. O sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro é o patrimônio avaliado em mais de R$ 6 bilhões, construído ao longo de quatro décadas e que responde por uma área de atuação quase três vezes superior à dimensão territorial do próprio País. São cerca de 6 mil equipamentos, entre radares, sistema de comunicações, auxílio à navegação aérea e meteorologia, entre outros-, muitos dos quais com redundância, 365 dias do ano, 24 horas por dia, com uma disponibilidade diária de 98% dessa estrutura.
Por fim, torna-se imperioso destacar que voar no Brasil é seguro. Em 2007, os Estados-Membros da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) elegeram o Brasil, mais uma vez, para o Primeiro Grupo do Conselho da Organização, coroando os esforços da administração brasileira.
Respeitosamente,
Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez
Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica”
CAÇA INTERCEPTA AVIÃO BRITÂNICO NO LITORAL DO RIO
Li ontem no jornal O Estado de São Paulo o seguinte texto de Roberto Godoy:
“Falha fez cargueiro ser identificado como invasor; foi escoltado até terminal militar e liberado
Um jato supersônico F-5M do 1º Grupo de Aviação de Caça, da Base Aérea de Stª Cruz, no Rio, interceptou ontem um DC-8 comercial ao largo do litoral, na altura de Cabo Frio. A aeronave, um cargueiro com 20 toneladas a bordo, era fretada pelo governo britânico. O caça brasileiro estava armado com mísseis e um canhão de 30 milímetros.
O avião seguia do Arquipélago das Malvinas-Falklands, no Atlântico Sul, rumo à Ilha de Ascensão, acima da linha da África. O piloto do cargueiro pretendia pousar em Cabo Frio para reabastecimento. Por uma falha na documentação ou por erro na comunicação, o jato foi classificado como invasor. Passava um pouco das 15 horas.
Um caça já estava no ar sete minutos mais tarde e realizou a interceptação logo em seguida, "provando a capacidade de resposta do sistema de alerta permanente da aviação de defesa aérea", segundo um oficial da FAB. O piloto não resistiu à ordem de acompanhar o caça. O DC-8 foi levado para o terminal militar do Aeroporto Internacional do Galeão, onde regularizou a situação e seguiu viagem. Até as 19h50, o episódio era tratado como informação sigilosa. O cargueiro, um quadrimotor dos anos 80, tem autonomia de 12 mil quilômetros. A versão de passageiros tem 250 assentos.
Durante a Guerra das Malvinas, em 1982, uma dupla de F-5 da FAB interceptou, também sobre o litoral do Rio, um bombardeiro Vulcan que havia sofrido uma pane no sistema de reabastecimento em vôo, depois de ter cumprido uma missão de ataque contra posições argentinas. O F-5M é resultado do programa de revitalização tecnológica do caça F-5E Tiger II, americano, comprado pelo Brasil ao longo dos últimos 35 anos em lotes sucessivos. Os primeiros 42 foram adquiridos por US$ 300 milhões em 1973.
O pacote mais recente envolve 11 aeronaves usadas, negociadas na Jordânia. Todas as 57 unidades contabilizadas da frota atual da FAB serão modernizadas pelo consórcio firmado entre a Embraer e a Elbit, israelense. O custo médio do programa é de US$ 280 milhões.
O F-5M opera com o radar principal Grifo-F, capaz de acompanhar vários alvos simultaneamente, definindo prioridades segundo o grau da ameaça. Há sensores secundários. Esse recurso eletrônico, associado ao registro frontal pequeno, decorrente do desenho esguio, permite que o caça se aproxime do inimigo sem ser detectado, garantindo um disparo seguro e limitando o tempo de reação. O F-5M voa a 1.800 km/h. Em missão de interceptação, leva dois mísseis de curto alcance e canhão de 30 mm.”
“Falha fez cargueiro ser identificado como invasor; foi escoltado até terminal militar e liberado
Um jato supersônico F-5M do 1º Grupo de Aviação de Caça, da Base Aérea de Stª Cruz, no Rio, interceptou ontem um DC-8 comercial ao largo do litoral, na altura de Cabo Frio. A aeronave, um cargueiro com 20 toneladas a bordo, era fretada pelo governo britânico. O caça brasileiro estava armado com mísseis e um canhão de 30 milímetros.
O avião seguia do Arquipélago das Malvinas-Falklands, no Atlântico Sul, rumo à Ilha de Ascensão, acima da linha da África. O piloto do cargueiro pretendia pousar em Cabo Frio para reabastecimento. Por uma falha na documentação ou por erro na comunicação, o jato foi classificado como invasor. Passava um pouco das 15 horas.
Um caça já estava no ar sete minutos mais tarde e realizou a interceptação logo em seguida, "provando a capacidade de resposta do sistema de alerta permanente da aviação de defesa aérea", segundo um oficial da FAB. O piloto não resistiu à ordem de acompanhar o caça. O DC-8 foi levado para o terminal militar do Aeroporto Internacional do Galeão, onde regularizou a situação e seguiu viagem. Até as 19h50, o episódio era tratado como informação sigilosa. O cargueiro, um quadrimotor dos anos 80, tem autonomia de 12 mil quilômetros. A versão de passageiros tem 250 assentos.
Durante a Guerra das Malvinas, em 1982, uma dupla de F-5 da FAB interceptou, também sobre o litoral do Rio, um bombardeiro Vulcan que havia sofrido uma pane no sistema de reabastecimento em vôo, depois de ter cumprido uma missão de ataque contra posições argentinas. O F-5M é resultado do programa de revitalização tecnológica do caça F-5E Tiger II, americano, comprado pelo Brasil ao longo dos últimos 35 anos em lotes sucessivos. Os primeiros 42 foram adquiridos por US$ 300 milhões em 1973.
O pacote mais recente envolve 11 aeronaves usadas, negociadas na Jordânia. Todas as 57 unidades contabilizadas da frota atual da FAB serão modernizadas pelo consórcio firmado entre a Embraer e a Elbit, israelense. O custo médio do programa é de US$ 280 milhões.
O F-5M opera com o radar principal Grifo-F, capaz de acompanhar vários alvos simultaneamente, definindo prioridades segundo o grau da ameaça. Há sensores secundários. Esse recurso eletrônico, associado ao registro frontal pequeno, decorrente do desenho esguio, permite que o caça se aproxime do inimigo sem ser detectado, garantindo um disparo seguro e limitando o tempo de reação. O F-5M voa a 1.800 km/h. Em missão de interceptação, leva dois mísseis de curto alcance e canhão de 30 mm.”
COMO EXPLORAR ROMA SEM AVIÃO
Li ontem no site Terra Magazine o seguinte texto de Vera Gonçalves de Araújo, de Roma, Itália:
“Morando em Roma há mais de 30 anos, já acompanhei todo tipo de turistas brasileiros em visitas aos monumentos da cidade. Houve quem chorou, quem teve que se sentar com tonturas de emoção, quem fez perguntas a que eu não soube responder, quem filmou e fotografou tudo o que viu, e quem achou que tudo aquilo era uma velharia inútil e incompreensível.
Nem todos têm imaginação, curiosidade, dinheiro para viajar e cultura para curtir o Forum Imperial ou os mercados de Trajano. Mas muitas vezes é difícil descobrir, por trás das ruinas de templos, basílicas e pedregulhos, como era realmente Roma na época do Império. Agora existe uma solução simples e barata: Google Earth criou uma simulação da cidade na época do imperador Constantino, quer dizer mais ou menos no ano 320.
O projeto nasce de uma colaboração entre Google, Past Perfect Production e as universidades da Califórnia e da Virginia. Os internautas podem passear nas ruas da Cidade Eterna, igualzinha a como era há 17 séculos. É a mais perfeita e detalhada reconstrução que já se realizou, que inclui 6.700 edifícios elaborados em 3D, filmes, fotos, informações, enfim, um patrimônio enorme de dados que resultam de anos de trabalhos de arqueólogos, historiadores e arquitetos. Tudo realizado com a tecnologia geoespacial de Google Earth.
Qualquer um pode voar sobre a capital do império romano, entrar nas mansões dos patrícios, observar os detalhes arquitetônicos, bater perna (sem se cansar) na arena do Coliseu. O projeto se chama Rome Reborn (Roma renascida) e, como explicou Bernard Frischer, professor da universidade da Virginia, na apresentação no Capitólio na semana passada, "representa a continuação de cinco séculos de pesquisas de cientistas, arquitetos e artistas que a partir da Renascença tentaram, com descrições, mapas e imagens, reconstruir as ruinas da antiga cidade. A parceria com Google Earth é mais um passo para a criação de uma máquina do tempo virtual que nossos filhos e netos vão usar para estudar história".
Para entrar na realidade virtual, os internautas só precisam baixar o programa em http://earth.google.it/rome/. Os vídeos são produzidos pela RAI, a televisão pública italiana, e podem se ver também no canal www.youtube.it/romaantica.
O prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno, comentou: "Este é só o primeiro passo: o objetivo final é fornecer aos turistas vídeos-capacetes, para que possam observar o que resta e ao mesmo tempo se projetar na dimensão do passado, no seu significado mais pleno".
Quem não está gostando dessa perspectiva são os cicerones que circulam nas zonas arqueológicas de Roma, que correm o perigo de perder o emprego, substituidos pelos tais capacetes”.
“Morando em Roma há mais de 30 anos, já acompanhei todo tipo de turistas brasileiros em visitas aos monumentos da cidade. Houve quem chorou, quem teve que se sentar com tonturas de emoção, quem fez perguntas a que eu não soube responder, quem filmou e fotografou tudo o que viu, e quem achou que tudo aquilo era uma velharia inútil e incompreensível.
Nem todos têm imaginação, curiosidade, dinheiro para viajar e cultura para curtir o Forum Imperial ou os mercados de Trajano. Mas muitas vezes é difícil descobrir, por trás das ruinas de templos, basílicas e pedregulhos, como era realmente Roma na época do Império. Agora existe uma solução simples e barata: Google Earth criou uma simulação da cidade na época do imperador Constantino, quer dizer mais ou menos no ano 320.
O projeto nasce de uma colaboração entre Google, Past Perfect Production e as universidades da Califórnia e da Virginia. Os internautas podem passear nas ruas da Cidade Eterna, igualzinha a como era há 17 séculos. É a mais perfeita e detalhada reconstrução que já se realizou, que inclui 6.700 edifícios elaborados em 3D, filmes, fotos, informações, enfim, um patrimônio enorme de dados que resultam de anos de trabalhos de arqueólogos, historiadores e arquitetos. Tudo realizado com a tecnologia geoespacial de Google Earth.
Qualquer um pode voar sobre a capital do império romano, entrar nas mansões dos patrícios, observar os detalhes arquitetônicos, bater perna (sem se cansar) na arena do Coliseu. O projeto se chama Rome Reborn (Roma renascida) e, como explicou Bernard Frischer, professor da universidade da Virginia, na apresentação no Capitólio na semana passada, "representa a continuação de cinco séculos de pesquisas de cientistas, arquitetos e artistas que a partir da Renascença tentaram, com descrições, mapas e imagens, reconstruir as ruinas da antiga cidade. A parceria com Google Earth é mais um passo para a criação de uma máquina do tempo virtual que nossos filhos e netos vão usar para estudar história".
Para entrar na realidade virtual, os internautas só precisam baixar o programa em http://earth.google.it/rome/. Os vídeos são produzidos pela RAI, a televisão pública italiana, e podem se ver também no canal www.youtube.it/romaantica.
O prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno, comentou: "Este é só o primeiro passo: o objetivo final é fornecer aos turistas vídeos-capacetes, para que possam observar o que resta e ao mesmo tempo se projetar na dimensão do passado, no seu significado mais pleno".
Quem não está gostando dessa perspectiva são os cicerones que circulam nas zonas arqueológicas de Roma, que correm o perigo de perder o emprego, substituidos pelos tais capacetes”.
BRASIL E FRANÇA FARÃO ACORDO MILITAR
O jornal “O Estado de São Paulo” ontem publicou o seguinte texto de Roberto Godoy (li no blog do Noblat):
“Cooperação garantirá transferência de tecnologia e permitirá ao Pais desenvolver submarino nuclear
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega ao Rio no dia 22 de dezembro trazendo na bagagem um lote mínimo de três submarinos convencionais da classe Scórpene e as informações avançadas para o desenvolvimento de partes não nucleares - o casco especial de alta pressão, por exemplo - do futuro submarino brasileiro de propulsão atômica. A formalização da cooperação Brasil-França foi anunciada no Rio pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Os navios do tipo Scórpene deslocam 1.700 toneladas, medem 66,2 metros, levam 32 tripulantes e têm alcance de 12 mil quilômetros. As versões brasileiras serão construídas de forma modular em estaleiros nacionais e no Arsenal da Marinha.
A construção dos submarinos está incluída no novo negócio que o governo está criando, do tamanho de US$ 10 bilhões anuais, baseado na indústria de material militar: aviões, sistemas eletrônicos, fardas, armas, munições, foguetes livres, mísseis, explosivos, propelentes,blindados e navios leves.
O Plano Nacional de Defesa, que será apresentado finalmente em dezembro, depois de dois adiamentos, contempla um setor produtivo capaz de celebrar parcerias e assumir presença internacional no setor.
Um levantamento montado pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores apurou que, dos 32 países cujas Forças Armadas foram clientes do setor antes da crise de demanda dos anos 90, apenas dois, o Zimbábue e a Líbia, não utilizam mais os equipamentos brasileiros comprados faz 20 anos.
As provas de que o Plano Nacional de Defesa é um bom negócio estão nesse momento a caminho da Malásia. Há uma semana, na madrugada do dia 13, estavam descendo a serra em direção ao Porto de São Sebastião.
No comboio, formado por grupos isolados de cinco a sete carretas - sem identificação e protegidas por um discreto, porém denso esquema de segurança - seguiam acomodados nos contêineres de aço cerca de R$ 120 milhões em toneladas de foguetes, ogivas múltiplas e outros componentes do Astros-II, da empresa Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos.
É o primeiro embarque de uma encomenda de R$ 500 milhões, que será completada em 2009. A Malásia emprega o sistema desde 2005 e criou uma unidade de artilharia de saturação só para atuar com os lançadores sobre rodas, semicouraçados, preparados para disparar os poderosos SS-80, com alcance na faixa de 100 quilômetros, armados com ogivas múltiplas, carregadas com 63 granadas de variados tipos - fragmentação, incendiária, antipessoal e explosiva. As suas encomendas na Avibrás, desde 2003, somam perto de R$ 1 bilhão. Com o batalhão operacional, a Malásia defende o estreito de Málaga, por onde escoa 90% do petróleo produzido na região.
A empresa não comenta nada disso. Sami Hassuani, o presidente, limita-se a lembrar que a transação mais recente, fechada há 15 meses, só desemperrou em setembro, quando a burocracia do governo liberou as garantias de crédito exigidas pelo cliente - que ele toma o cuidado de não dizer que é o Exército da Malásia. Para atender ao pedido, o grupo, que atravessa um período de recuperação judicial solicitada, abriu 270 vagas . Antes, havia demitido 350 funcionários.
DESONERAÇÃO
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, espera apresentar o Plano Estratégico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de dezembro, data provisória para a reunião do Conselho Nacional de Defesa.
Jobim tem discutido o assunto com parlamentares e empresários. Ele considera que metade do faturamento projetado pode vir da linha aeroespacial liderada pela Embraer. A outra parte ficaria por conta de 120 a 300 empresas ligadas direta ou indiretamente ao ramo.
O ministro quer também que a pasta da Fazenda desonere o setor. Jobim pretende mudar a legislação, de forma a permitir a concessão rápida de garantias. “
“Cooperação garantirá transferência de tecnologia e permitirá ao Pais desenvolver submarino nuclear
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega ao Rio no dia 22 de dezembro trazendo na bagagem um lote mínimo de três submarinos convencionais da classe Scórpene e as informações avançadas para o desenvolvimento de partes não nucleares - o casco especial de alta pressão, por exemplo - do futuro submarino brasileiro de propulsão atômica. A formalização da cooperação Brasil-França foi anunciada no Rio pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Os navios do tipo Scórpene deslocam 1.700 toneladas, medem 66,2 metros, levam 32 tripulantes e têm alcance de 12 mil quilômetros. As versões brasileiras serão construídas de forma modular em estaleiros nacionais e no Arsenal da Marinha.
A construção dos submarinos está incluída no novo negócio que o governo está criando, do tamanho de US$ 10 bilhões anuais, baseado na indústria de material militar: aviões, sistemas eletrônicos, fardas, armas, munições, foguetes livres, mísseis, explosivos, propelentes,blindados e navios leves.
O Plano Nacional de Defesa, que será apresentado finalmente em dezembro, depois de dois adiamentos, contempla um setor produtivo capaz de celebrar parcerias e assumir presença internacional no setor.
Um levantamento montado pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores apurou que, dos 32 países cujas Forças Armadas foram clientes do setor antes da crise de demanda dos anos 90, apenas dois, o Zimbábue e a Líbia, não utilizam mais os equipamentos brasileiros comprados faz 20 anos.
As provas de que o Plano Nacional de Defesa é um bom negócio estão nesse momento a caminho da Malásia. Há uma semana, na madrugada do dia 13, estavam descendo a serra em direção ao Porto de São Sebastião.
No comboio, formado por grupos isolados de cinco a sete carretas - sem identificação e protegidas por um discreto, porém denso esquema de segurança - seguiam acomodados nos contêineres de aço cerca de R$ 120 milhões em toneladas de foguetes, ogivas múltiplas e outros componentes do Astros-II, da empresa Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos.
É o primeiro embarque de uma encomenda de R$ 500 milhões, que será completada em 2009. A Malásia emprega o sistema desde 2005 e criou uma unidade de artilharia de saturação só para atuar com os lançadores sobre rodas, semicouraçados, preparados para disparar os poderosos SS-80, com alcance na faixa de 100 quilômetros, armados com ogivas múltiplas, carregadas com 63 granadas de variados tipos - fragmentação, incendiária, antipessoal e explosiva. As suas encomendas na Avibrás, desde 2003, somam perto de R$ 1 bilhão. Com o batalhão operacional, a Malásia defende o estreito de Málaga, por onde escoa 90% do petróleo produzido na região.
A empresa não comenta nada disso. Sami Hassuani, o presidente, limita-se a lembrar que a transação mais recente, fechada há 15 meses, só desemperrou em setembro, quando a burocracia do governo liberou as garantias de crédito exigidas pelo cliente - que ele toma o cuidado de não dizer que é o Exército da Malásia. Para atender ao pedido, o grupo, que atravessa um período de recuperação judicial solicitada, abriu 270 vagas . Antes, havia demitido 350 funcionários.
DESONERAÇÃO
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, espera apresentar o Plano Estratégico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de dezembro, data provisória para a reunião do Conselho Nacional de Defesa.
Jobim tem discutido o assunto com parlamentares e empresários. Ele considera que metade do faturamento projetado pode vir da linha aeroespacial liderada pela Embraer. A outra parte ficaria por conta de 120 a 300 empresas ligadas direta ou indiretamente ao ramo.
O ministro quer também que a pasta da Fazenda desonere o setor. Jobim pretende mudar a legislação, de forma a permitir a concessão rápida de garantias. “
RECESSÃO NOS PAÍSES RICOS SERÁ LONGA, DIZ BC
O jornal Folha de São Paulo, com texto do enviado a Frankfurt, Alemanha, ontem publicou:
“Agora que a recessão já é oficial em algumas das principais economias do mundo, como Japão e Alemanha, a questão que mais tem inquietado os economistas é qual será sua duração. Henrique Meirelles não tem dúvidas: ela será longa.
O presidente do BC brasileiro manteve o tom de preocupação com a gravidade da crise demonstrado pelos demais participantes do Congresso Europeu de Bancos, em Frankfurt, na Alemanha. Entre eles, a aposta era de que a recessão deverá durar pelo menos 18 meses.
"A crise é grave, a crise é severa, e todos nós temos que levá-la muito a sério", disse Meirelles. "Vamos continuar trabalhando duro para evitar que a desaceleração da atividade no Brasil seja maior do que a que os brasileiros esperam."
No começo do ano, no encontro regular dos bancos centrais em Basiléia (Suíça), Meirelles manifestava otimismo em relação à resistência da economia brasileira diante da crise, mas advertia que uma recessão profunda nos Estados Unidos era um fator de risco. Na época, ainda havia uma esperança de recuperação da economia norte-americana.
"O que não se sabia era a dimensão da crise americana. Agora está claro que é uma crise prolongada."
NO BRASIL
Embora reitere que nenhum país está imune à crise, Meirelles enxerga um cenário positivo para o Brasil, com crescimento econômico acima da média mundial: "Em termos comparativos, não há dúvidas que o Brasil está se saindo melhor do que outros países".
Ele classificou de "conservadora" a previsão de 3% feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para o crescimento do país para 2009. Em 2007, a economia brasileira cresceu 5,4%.”
“Agora que a recessão já é oficial em algumas das principais economias do mundo, como Japão e Alemanha, a questão que mais tem inquietado os economistas é qual será sua duração. Henrique Meirelles não tem dúvidas: ela será longa.
O presidente do BC brasileiro manteve o tom de preocupação com a gravidade da crise demonstrado pelos demais participantes do Congresso Europeu de Bancos, em Frankfurt, na Alemanha. Entre eles, a aposta era de que a recessão deverá durar pelo menos 18 meses.
"A crise é grave, a crise é severa, e todos nós temos que levá-la muito a sério", disse Meirelles. "Vamos continuar trabalhando duro para evitar que a desaceleração da atividade no Brasil seja maior do que a que os brasileiros esperam."
No começo do ano, no encontro regular dos bancos centrais em Basiléia (Suíça), Meirelles manifestava otimismo em relação à resistência da economia brasileira diante da crise, mas advertia que uma recessão profunda nos Estados Unidos era um fator de risco. Na época, ainda havia uma esperança de recuperação da economia norte-americana.
"O que não se sabia era a dimensão da crise americana. Agora está claro que é uma crise prolongada."
NO BRASIL
Embora reitere que nenhum país está imune à crise, Meirelles enxerga um cenário positivo para o Brasil, com crescimento econômico acima da média mundial: "Em termos comparativos, não há dúvidas que o Brasil está se saindo melhor do que outros países".
Ele classificou de "conservadora" a previsão de 3% feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para o crescimento do país para 2009. Em 2007, a economia brasileira cresceu 5,4%.”
PARA DILMA, PIOR DA CRISE GLOBAL JÁ PASSOU E GOVERNO TOMOU "MEDIDAS CORRETAS"
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou:
“A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem no Rio que os dias piores da crise econômica global ficaram para trás.
"A pior fase passou, porque não vemos bancos falindo como se via no momento anterior", afirmou ela, para quem os governos agiram com rapidez para dar liquidez ao sistema bancário e capitalizar empresas em risco.
Segundo Dilma, a crise vai entrar em nova fase, caracterizada pela recessão nos países desenvolvidos, o que terá impacto sobre o resto do mundo. Mas, na sua visão, os efeitos para países emergentes, como o Brasil e a China, serão mais brandos.
"Aqui, acredito que o governo tomou não só as medidas corretas mas, do nosso ponto de vista, na hora certa. Não ficamos esperando as coisas acontecerem", disse, citando a redução dos compulsórios e os leilões de dólares do Banco Central.
Dilma afirmou ainda que os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da exploração do petróleo dos campos do pré-sal vão ajudar o setor privado a superar o novo contexto econômico.
A ministra disse que o governo estuda criar uma nova linha de crédito para fornecedores de equipamentos para exploração e produção de petróleo, que estaria a cargo do BNDES.
E acrescentou que o setor privado não deveria congelar investimentos, sob pena de perder mercados. "Na recuperação, quem tem investimentos e novas plantas, com potencial de alta lucratividade, sai na frente."
“A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem no Rio que os dias piores da crise econômica global ficaram para trás.
"A pior fase passou, porque não vemos bancos falindo como se via no momento anterior", afirmou ela, para quem os governos agiram com rapidez para dar liquidez ao sistema bancário e capitalizar empresas em risco.
Segundo Dilma, a crise vai entrar em nova fase, caracterizada pela recessão nos países desenvolvidos, o que terá impacto sobre o resto do mundo. Mas, na sua visão, os efeitos para países emergentes, como o Brasil e a China, serão mais brandos.
"Aqui, acredito que o governo tomou não só as medidas corretas mas, do nosso ponto de vista, na hora certa. Não ficamos esperando as coisas acontecerem", disse, citando a redução dos compulsórios e os leilões de dólares do Banco Central.
Dilma afirmou ainda que os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da exploração do petróleo dos campos do pré-sal vão ajudar o setor privado a superar o novo contexto econômico.
A ministra disse que o governo estuda criar uma nova linha de crédito para fornecedores de equipamentos para exploração e produção de petróleo, que estaria a cargo do BNDES.
E acrescentou que o setor privado não deveria congelar investimentos, sob pena de perder mercados. "Na recuperação, quem tem investimentos e novas plantas, com potencial de alta lucratividade, sai na frente."
COM DECISÃO INÉDITA SOB LULA, ITAMARATY MANDA DURO RECADO DIPLOMÁTICO A CORREA
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte texto de Iuri Dantas:
“Ao convocar um embaixador brasileiro para consultas pela primeira vez desde o início do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, , o chanceler Celso Amorim enviou um recado diplomático claro ao governo de Rafael Correa: o contencioso do Equador com a Odebrecht ultrapassou os limites técnicos ao se transformar em ameaça de calote ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi contaminado politicamente, e isso é inaceitável.
Na linguagem diplomática, chamar o embaixador para consultas é uma ação que demonstra grave insatisfação com o outro governo. A convocação é um ato mais forte do que convidar o embaixador equatoriano no Brasil para esclarecimentos.
Em março, por exemplo, o Itamaraty convidou o embaixador espanhol em Brasília para uma reunião. Grosso modo, é como se o Brasil quisesse saber a explicação oficial da Espanha sobre os brasileiros barrados no aeroporto em Madri.
A convocação agora indica que o Brasil vai adotar uma nova postura nas relações com o Equador. O embaixador Antonino Marques Porto receberá instruções diretamente do chanceler sobre como agir daqui em diante.
"A convocação é a ação de praxe para demonstrar o descontentamento, uma forma de expressar de modo respeitoso uma grave insatisfação", disse Virgílio Arraes, professor da Universidade de Brasília.
Dependendo da escalada do contencioso, o Itamaraty vai decidir se é o caso do embaixador voltar ou não a Quito. A convocação permanente do embaixador representa o primeiro passo para o rompimento de relações diplomáticas.
Segundo a Folha apurou, a convocação de Marques Porto foi uma resposta política às atitudes de Correa. O governo brasileiro até aceitava arbitragem entre a Odebrecht e Quito, mas o uso político da disputa por Correa foi determinante na resposta brasileira. Em Brasília, a ordem é interromper os contatos bilaterais em todos os temas e congelar os pedidos comerciais do Equador.”
“Ao convocar um embaixador brasileiro para consultas pela primeira vez desde o início do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, , o chanceler Celso Amorim enviou um recado diplomático claro ao governo de Rafael Correa: o contencioso do Equador com a Odebrecht ultrapassou os limites técnicos ao se transformar em ameaça de calote ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi contaminado politicamente, e isso é inaceitável.
Na linguagem diplomática, chamar o embaixador para consultas é uma ação que demonstra grave insatisfação com o outro governo. A convocação é um ato mais forte do que convidar o embaixador equatoriano no Brasil para esclarecimentos.
Em março, por exemplo, o Itamaraty convidou o embaixador espanhol em Brasília para uma reunião. Grosso modo, é como se o Brasil quisesse saber a explicação oficial da Espanha sobre os brasileiros barrados no aeroporto em Madri.
A convocação agora indica que o Brasil vai adotar uma nova postura nas relações com o Equador. O embaixador Antonino Marques Porto receberá instruções diretamente do chanceler sobre como agir daqui em diante.
"A convocação é a ação de praxe para demonstrar o descontentamento, uma forma de expressar de modo respeitoso uma grave insatisfação", disse Virgílio Arraes, professor da Universidade de Brasília.
Dependendo da escalada do contencioso, o Itamaraty vai decidir se é o caso do embaixador voltar ou não a Quito. A convocação permanente do embaixador representa o primeiro passo para o rompimento de relações diplomáticas.
Segundo a Folha apurou, a convocação de Marques Porto foi uma resposta política às atitudes de Correa. O governo brasileiro até aceitava arbitragem entre a Odebrecht e Quito, mas o uso político da disputa por Correa foi determinante na resposta brasileira. Em Brasília, a ordem é interromper os contatos bilaterais em todos os temas e congelar os pedidos comerciais do Equador.”
sábado, 22 de novembro de 2008
O ETANOL SOB O FOGO DA CRISE E DAS CRÍTICAS
O jornal francês Le Monde, em texto de Annie Gasnier, no Rio de Janeiro, hoje publicou o artigo a seguir transcrito. Li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves:
“A crise financeira se convidou para a primeira Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que se realizou em São Paulo de segunda-feira (17) a sexta (21 de novembro), obscurecendo a ofensiva diplomática preparada durante longos meses pelo governo de Brasília”.
“Segundo produtor mundial de etanol, elaborado por baixo preço com a cana-de-açúcar, o Brasil sonha em impor seu biocombustível no mercado internacional como uma matéria-prima energética verde, e não como simples produto agrícola. As autoridades, que elogiam incansavelmente os méritos dessa energia renovável, esperavam que esta conferência pudesse, diante dos 2 mil especialistas e responsáveis políticos vindos de 40 países, legitimar seu etanol.
Mas, em período de crise e de petróleo menos caro, o interesse pelos agrocombustíveis diminuiu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente não abriu, mas apenas encerrou, os debates, enquanto o presidente americano, George Bush, cuja vinda era esperada em virtude do acordo de cooperação sobre o etanol assinado entre Brasília e Washington em março de 2007, não confirmou sua presença.
Ao longo dos debates sobre biocombustíveis e o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar ou os desafios para o ecossistema, todos os oradores manifestaram sua preocupação diante do momento delicado que atravessa a economia mundial. "Essa crise também pode ser uma grande oportunidade para rever nossos parâmetros e nos envolvermos em um novo ciclo baseado nos biocombustíveis", temperou o economista franco-polonês Ignacy Sachs.
Enquanto US$ 30 bilhões de investimentos eram esperados para o setor nos próximos meses, a poderosa União Brasileira de Indústrias de Cana-de-açúcar estende a mão ao Estado. "Vamos pedir ao governo que nos ajude a atravessar esse momento difícil", confessou Marcos Jank, que estima que somente a metade dos 200 grupos econômicos do açúcar no Brasil sobreviverá à tormenta.
No entanto, estudos divulgados durante a conferência garantem que a produção de biocombustíveis aumentará 191% até 2015. As plantações de cana ganharam terreno: já aumentaram 15,7% em um ano no sul do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
IMPACTOS NEGATIVOS
A crise não é o único elemento que afeta as perspectivas do etanol. Reunidos longe dos salões da conferência, uma centena de representantes de movimentos sociais brasileiros e estrangeiros, entre os quais a Via Campesina, fizeram uma lista dos impactos negativos da cana-de-açúcar, e, portanto, dos riscos da monocultura. Em uma declaração final enviada aos responsáveis pela conferência, essas organizações salientam principalmente as ameaças à segurança alimentar mundial, pois a produção industrial de biocombustíveis entraria em concorrência com os solos e a água destinados à agricultura alimentar.
"Os primeiros sinais do recuo dos alimentos já são notados no Brasil", afirma Jean Marc von der Weid, especialista em agricultura familiar. Ele dá o exemplo do estado de São Paulo, onde se concentram dois terços da produção de etanol: o avanço da cana entre 1990 e 2003 fez recuar as superfícies de milho, feijão preto, arroz, trigo, laranja, café e algodão. "Os capitais investidos na indústria do açúcar visam as melhores terras", estima esse consultor da administração da ONU para alimentação e agricultura (FAO).
A cana empurra a fronteira agrícola para a Amazônia e preocupa os ecologistas. Eles se surpreendem que o governo ainda não tenha divulgado o mapa delimitando as zonas proibidas às plantações de cana, para proteger a floresta tropical. "Esse etanol é o menos caro do mundo, mas a que preço humano?", interroga o advogado trabalhista de Recife Bruno Ribeiro. Para ele, "com a conivência do Estado, os 500 mil cortadores de cana conhecem a precariedade de um emprego sazonal, às vezes em condições degradantes e desumanas". De janeiro de 2003 a outubro de 2008, 6.779 pessoas foram "liberadas" de contratos de trabalho forçado, 5.174 nos últimos 20 meses. "Uma escravidão moderna que aumenta no setor de açúcar, e, portanto, do etanol", denunciou a Igreja Católica no Brasil.
"Há um ano nossas críticas quase não eram escutadas", comentou uma das participantes do seminário, da ONG Fase. "Mas a crise demonstra que o ritmo de consumo de energia não pode ser sustentado e que não devemos nos tornar o celeiro de biocombustíveis dos consumidores europeus ou americanos."
NÚMEROS:
“Produção mundial. Atingiu 55,7 bilhões de litros (4% do consumo mundial de gasolina) em 2007. O Brasil é o segundo produtor mundial (31%), atrás dos EUA (48%), e o primeiro exportador.
Produção nacional. Em 2007 o Brasil produziu 18 bilhões de litros de etanol, dos quais cerca de 85% destinados ao mercado interno. 7 milhões de carros Flex foram produzidos desde 2003 (13% do parque automobilístico atual).
Plantações. 7,8 milhões de hectares, ou seja, 5% das terras aráveis. 400 usinas produzem etanol. O setor tem 1 milhão de empregados, a metade dos quais para a colheita. A colheita é mecanizada em 55%. Um cortador colhe 10 toneladas em 8 horas de trabalho. Uma máquina corta 700 toneladas em 24 horas”.
“A crise financeira se convidou para a primeira Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que se realizou em São Paulo de segunda-feira (17) a sexta (21 de novembro), obscurecendo a ofensiva diplomática preparada durante longos meses pelo governo de Brasília”.
“Segundo produtor mundial de etanol, elaborado por baixo preço com a cana-de-açúcar, o Brasil sonha em impor seu biocombustível no mercado internacional como uma matéria-prima energética verde, e não como simples produto agrícola. As autoridades, que elogiam incansavelmente os méritos dessa energia renovável, esperavam que esta conferência pudesse, diante dos 2 mil especialistas e responsáveis políticos vindos de 40 países, legitimar seu etanol.
Mas, em período de crise e de petróleo menos caro, o interesse pelos agrocombustíveis diminuiu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente não abriu, mas apenas encerrou, os debates, enquanto o presidente americano, George Bush, cuja vinda era esperada em virtude do acordo de cooperação sobre o etanol assinado entre Brasília e Washington em março de 2007, não confirmou sua presença.
Ao longo dos debates sobre biocombustíveis e o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar ou os desafios para o ecossistema, todos os oradores manifestaram sua preocupação diante do momento delicado que atravessa a economia mundial. "Essa crise também pode ser uma grande oportunidade para rever nossos parâmetros e nos envolvermos em um novo ciclo baseado nos biocombustíveis", temperou o economista franco-polonês Ignacy Sachs.
Enquanto US$ 30 bilhões de investimentos eram esperados para o setor nos próximos meses, a poderosa União Brasileira de Indústrias de Cana-de-açúcar estende a mão ao Estado. "Vamos pedir ao governo que nos ajude a atravessar esse momento difícil", confessou Marcos Jank, que estima que somente a metade dos 200 grupos econômicos do açúcar no Brasil sobreviverá à tormenta.
No entanto, estudos divulgados durante a conferência garantem que a produção de biocombustíveis aumentará 191% até 2015. As plantações de cana ganharam terreno: já aumentaram 15,7% em um ano no sul do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
IMPACTOS NEGATIVOS
A crise não é o único elemento que afeta as perspectivas do etanol. Reunidos longe dos salões da conferência, uma centena de representantes de movimentos sociais brasileiros e estrangeiros, entre os quais a Via Campesina, fizeram uma lista dos impactos negativos da cana-de-açúcar, e, portanto, dos riscos da monocultura. Em uma declaração final enviada aos responsáveis pela conferência, essas organizações salientam principalmente as ameaças à segurança alimentar mundial, pois a produção industrial de biocombustíveis entraria em concorrência com os solos e a água destinados à agricultura alimentar.
"Os primeiros sinais do recuo dos alimentos já são notados no Brasil", afirma Jean Marc von der Weid, especialista em agricultura familiar. Ele dá o exemplo do estado de São Paulo, onde se concentram dois terços da produção de etanol: o avanço da cana entre 1990 e 2003 fez recuar as superfícies de milho, feijão preto, arroz, trigo, laranja, café e algodão. "Os capitais investidos na indústria do açúcar visam as melhores terras", estima esse consultor da administração da ONU para alimentação e agricultura (FAO).
A cana empurra a fronteira agrícola para a Amazônia e preocupa os ecologistas. Eles se surpreendem que o governo ainda não tenha divulgado o mapa delimitando as zonas proibidas às plantações de cana, para proteger a floresta tropical. "Esse etanol é o menos caro do mundo, mas a que preço humano?", interroga o advogado trabalhista de Recife Bruno Ribeiro. Para ele, "com a conivência do Estado, os 500 mil cortadores de cana conhecem a precariedade de um emprego sazonal, às vezes em condições degradantes e desumanas". De janeiro de 2003 a outubro de 2008, 6.779 pessoas foram "liberadas" de contratos de trabalho forçado, 5.174 nos últimos 20 meses. "Uma escravidão moderna que aumenta no setor de açúcar, e, portanto, do etanol", denunciou a Igreja Católica no Brasil.
"Há um ano nossas críticas quase não eram escutadas", comentou uma das participantes do seminário, da ONG Fase. "Mas a crise demonstra que o ritmo de consumo de energia não pode ser sustentado e que não devemos nos tornar o celeiro de biocombustíveis dos consumidores europeus ou americanos."
NÚMEROS:
“Produção mundial. Atingiu 55,7 bilhões de litros (4% do consumo mundial de gasolina) em 2007. O Brasil é o segundo produtor mundial (31%), atrás dos EUA (48%), e o primeiro exportador.
Produção nacional. Em 2007 o Brasil produziu 18 bilhões de litros de etanol, dos quais cerca de 85% destinados ao mercado interno. 7 milhões de carros Flex foram produzidos desde 2003 (13% do parque automobilístico atual).
Plantações. 7,8 milhões de hectares, ou seja, 5% das terras aráveis. 400 usinas produzem etanol. O setor tem 1 milhão de empregados, a metade dos quais para a colheita. A colheita é mecanizada em 55%. Um cortador colhe 10 toneladas em 8 horas de trabalho. Uma máquina corta 700 toneladas em 24 horas”.
MAIS SETE GOVERNADORES PODEM SER CASSADOS PELO TSE
Li ontem no blog do Noblat a seguinte notícia publica pela Folha Online:
“O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), pode ter sido o primeiro de uma série de outros sete governadores ameaçados de perderem seus mandatos.
Depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidir, por unanimidade, cassar o mandato do tucano, os demais governadores com processos no TSE correm o mesmo risco.
As denúncias são, na sua maioria, por abuso de poder econômico e captação ilícita de votos.
Na lista de governadores sob ameaça de cassação, estão Jackson Lago (PDT), do Maranhão, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina, Ivo Cassol (sem partido[ex-PSDB]), de Rondônia, Marcelo Déda (PT), de Sergipe, Marcelo Miranda (PMDB), de Tocantins, José de Anchieta Júnior (PSDB), de Roraima, e Waldez Goés (PDT), do Amapá.”
“O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), pode ter sido o primeiro de uma série de outros sete governadores ameaçados de perderem seus mandatos.
Depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidir, por unanimidade, cassar o mandato do tucano, os demais governadores com processos no TSE correm o mesmo risco.
As denúncias são, na sua maioria, por abuso de poder econômico e captação ilícita de votos.
Na lista de governadores sob ameaça de cassação, estão Jackson Lago (PDT), do Maranhão, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina, Ivo Cassol (sem partido[ex-PSDB]), de Rondônia, Marcelo Déda (PT), de Sergipe, Marcelo Miranda (PMDB), de Tocantins, José de Anchieta Júnior (PSDB), de Roraima, e Waldez Goés (PDT), do Amapá.”
O LEGADO DE GEORGE W. BUSH PARA A AMÉRICA LATINA
O site Terra Magazine publicou ontem o seguinte texto de Pablo Calvi, de Nova Iorque:
“Quando se analisa o legado político dos dois mandatos de George W. Bush em termos de política externa na América Latina é necessário recorrer a um conceito cunhado por cientistas políticos norte-americanos e que indica uma inesgotável criatividade: benign neglect, ou, negligência benigna, remete a uma situação na qual uma sistemática falta de interesse culmina num cenário claramente positivo.
É claro que nos últimos oito anos, América Latina foi posta de lado na agenda prioritária do Executivo norte-americano. Claro que esta situação, somada ao interesse quase exclusivo de George W. Bush pelo Oriente Médio, resultou num fortalecimento institucional na América Latina.
Graças, justamente, à falta de intervenção na região estamos hoje falando de mais de 20 anos de democracia ininterrupta, explica Maria Victoria Murillo, analista e professora de Ciência Política da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.
"As intervenções norte-americanas foram sempre negativas e o que ocorreu nos últimos anos comprova isso", diz Murillo. "As democracias estão num momento excelente na região, as instituições mostram-se mais sólidas e há mostras de que isto continuará assim por muito tempo. Há 30 ou 40 anos, ninguém poderia imaginar que as coisas estariam assim tão bem".
A surpresa tem a ver não apenas com a estabilidade institucional na região, que desde os anos 80 vem trabalhando em diferentes processos de consolidação.
"Curiosamente, Bush foi o presidente com mais interesse pessoal pela América Latina e uma das provas disso é que em sua primeira viagem como presidente ele foi para o México", recorda a analista. "Desde que era governador do Texas, sempre mostrou-se próximo à América Latina. Mas a pauta do Oriente Médio o manteve quase que completamente distraído", exceto por algumas claras exceções, pontua Murillo.
Patricio Navia, cientista político e professor da Universidade de Nova Iorque (NYU) converge com a analista de Columbia. Para Navia, "durante os últimos 8 anos, Estados Unidos e América Latina se ignoraram um ao outro, mas isso permitiu ir deixando para trás uma história complexa de intervenções indesejadas. Agora a agenda está muito mais limpa para poder reconstruir relações que vão além do livre comércio sem que pese a herança da Guerra Fria".
De fato, a disputa silenciosa iniciada com o fim da Segunda Guerra Mundial teve conseqüências sumamente nocivas para a região. Desde intervenções em temas de política interna até reiteradas invasões, os Estados Unidos não deixaram de marcar território nas frágeis e circunstanciais democracias latino-americanas, amparando, inclusive, vários regimes totalitários nos casos em que considerou haver risco ideológico de uma iminente ascensão da esquerda.
"Se recapitularmos, desde Noriega (Manuel Noriega, líder militar que governou o Panamá entre 1983 e 1989) que os EUA não invadem nenhum país da América Latina", assinala Murillo. "E se comparamos com os últimos 100 anos, isto é muito interessante. Claro que há problemas, sobretudo econômicos, porém, parece que os países da região estão passando por um grande momento institucional".
Para ambos analistas, a negligência benigna de Bush teve, entretanto, dois pontos questionáveis. O primeiro foi o apoio ao golpe institucional na Venezuela, em 2002.
Com Otto Reich como Secretário de Estado para Assuntos Hemisféricos, Bush deu continuidade à política de intervenção regional que começou com Reagan, a qual Bush Pai seguiu quase ao pé da letra. "Mas a mudança ocorreu assim que Bush integrou ao seu gabinete o diplomata Thomas Shannon", explica Murillo. "Basicamente a partir desse momento, a América Latina teve liberdade de agir como quisesse".
O segundo erro foi a política antidrogas aplicada na Colômbia, por causa da pouca eficiência apresentada na hora de limitar a entrada de cocaína nos Estados Unidos, o que acabou deslocando a produção e o tráfico para países como México e Brasil.
Dos países que mais se beneficiaram, Navia sugere que, sem dúvida, foram aqueles que conseguiram firmar acordos de livre comércio com o gigante do norte. "Muito embora este tema se complicará daqui pra frente", antecipa.
"Acho que o acordo com a Colômbia tem menos de 50% de possibilidades de ser aprovado com Obama", confirma Murillo.
Para os dois analistas, um dos temas que mais mudará na agenda do Executivo será a relação com Cuba. "As restrições para viagens e remessas de dinheiro cairão assim que Obama assumir o governo", vaticina a professora da Columbia. "E tudo que tenha a ver com decretos, e tudo o que puder ser feito para melhorar as relações entre os dois países, sairá rápido. O bloqueio está apoiado numa lei e seguramente tardará mais", assegura.
"Na nova administração, a ênfase terá que ser a consolidação das instituições e a democracia", adianta Navia.
"Porque já não há mais espaço para avançar em acordos de livre comércio, dado que a maioria deles já foi assinada e os países da região que não assinaram não estão interessados em fazê-lo".
“Quando se analisa o legado político dos dois mandatos de George W. Bush em termos de política externa na América Latina é necessário recorrer a um conceito cunhado por cientistas políticos norte-americanos e que indica uma inesgotável criatividade: benign neglect, ou, negligência benigna, remete a uma situação na qual uma sistemática falta de interesse culmina num cenário claramente positivo.
É claro que nos últimos oito anos, América Latina foi posta de lado na agenda prioritária do Executivo norte-americano. Claro que esta situação, somada ao interesse quase exclusivo de George W. Bush pelo Oriente Médio, resultou num fortalecimento institucional na América Latina.
Graças, justamente, à falta de intervenção na região estamos hoje falando de mais de 20 anos de democracia ininterrupta, explica Maria Victoria Murillo, analista e professora de Ciência Política da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.
"As intervenções norte-americanas foram sempre negativas e o que ocorreu nos últimos anos comprova isso", diz Murillo. "As democracias estão num momento excelente na região, as instituições mostram-se mais sólidas e há mostras de que isto continuará assim por muito tempo. Há 30 ou 40 anos, ninguém poderia imaginar que as coisas estariam assim tão bem".
A surpresa tem a ver não apenas com a estabilidade institucional na região, que desde os anos 80 vem trabalhando em diferentes processos de consolidação.
"Curiosamente, Bush foi o presidente com mais interesse pessoal pela América Latina e uma das provas disso é que em sua primeira viagem como presidente ele foi para o México", recorda a analista. "Desde que era governador do Texas, sempre mostrou-se próximo à América Latina. Mas a pauta do Oriente Médio o manteve quase que completamente distraído", exceto por algumas claras exceções, pontua Murillo.
Patricio Navia, cientista político e professor da Universidade de Nova Iorque (NYU) converge com a analista de Columbia. Para Navia, "durante os últimos 8 anos, Estados Unidos e América Latina se ignoraram um ao outro, mas isso permitiu ir deixando para trás uma história complexa de intervenções indesejadas. Agora a agenda está muito mais limpa para poder reconstruir relações que vão além do livre comércio sem que pese a herança da Guerra Fria".
De fato, a disputa silenciosa iniciada com o fim da Segunda Guerra Mundial teve conseqüências sumamente nocivas para a região. Desde intervenções em temas de política interna até reiteradas invasões, os Estados Unidos não deixaram de marcar território nas frágeis e circunstanciais democracias latino-americanas, amparando, inclusive, vários regimes totalitários nos casos em que considerou haver risco ideológico de uma iminente ascensão da esquerda.
"Se recapitularmos, desde Noriega (Manuel Noriega, líder militar que governou o Panamá entre 1983 e 1989) que os EUA não invadem nenhum país da América Latina", assinala Murillo. "E se comparamos com os últimos 100 anos, isto é muito interessante. Claro que há problemas, sobretudo econômicos, porém, parece que os países da região estão passando por um grande momento institucional".
Para ambos analistas, a negligência benigna de Bush teve, entretanto, dois pontos questionáveis. O primeiro foi o apoio ao golpe institucional na Venezuela, em 2002.
Com Otto Reich como Secretário de Estado para Assuntos Hemisféricos, Bush deu continuidade à política de intervenção regional que começou com Reagan, a qual Bush Pai seguiu quase ao pé da letra. "Mas a mudança ocorreu assim que Bush integrou ao seu gabinete o diplomata Thomas Shannon", explica Murillo. "Basicamente a partir desse momento, a América Latina teve liberdade de agir como quisesse".
O segundo erro foi a política antidrogas aplicada na Colômbia, por causa da pouca eficiência apresentada na hora de limitar a entrada de cocaína nos Estados Unidos, o que acabou deslocando a produção e o tráfico para países como México e Brasil.
Dos países que mais se beneficiaram, Navia sugere que, sem dúvida, foram aqueles que conseguiram firmar acordos de livre comércio com o gigante do norte. "Muito embora este tema se complicará daqui pra frente", antecipa.
"Acho que o acordo com a Colômbia tem menos de 50% de possibilidades de ser aprovado com Obama", confirma Murillo.
Para os dois analistas, um dos temas que mais mudará na agenda do Executivo será a relação com Cuba. "As restrições para viagens e remessas de dinheiro cairão assim que Obama assumir o governo", vaticina a professora da Columbia. "E tudo que tenha a ver com decretos, e tudo o que puder ser feito para melhorar as relações entre os dois países, sairá rápido. O bloqueio está apoiado numa lei e seguramente tardará mais", assegura.
"Na nova administração, a ênfase terá que ser a consolidação das instituições e a democracia", adianta Navia.
"Porque já não há mais espaço para avançar em acordos de livre comércio, dado que a maioria deles já foi assinada e os países da região que não assinaram não estão interessados em fazê-lo".
PETROBRAS DESCOBRE MAIS RESERVAS NA PRÉ-SAL
Li no UOL ontem a seguinte notícia publicada pela Agência Brasil:
“A Petrobras informou nesta sexta (21) que descobriu novas reservas de óleo leve na área do pré-sal no litoral do Espírito Santo. Em nota divulgada pela manhã, a estatal diz que o petróleo está na área denominada Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos.
“O volume recuperável das descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de óleo equivalente”, diz a nota. A descoberta foi comunicada à Agência Nacional do Petróleo (ANP) como fato relevante.
Segundo a Petrobras, os dois poços perfurados estão a cerca de 80 quilômetros da costa. Nesses dois poços os reservatórios estão entre 4,2 mil e 4,8 mil metros de profundidade a partir do nível do mar e apresentam espessuras porosas com óleo de 190 e 300 metros, o que comprova o grande potencial das descobertas.
De acordo coma a estatal, até agora já foram perfurados seis poços na seção pré-sal do Espírito Santo, todos com sucesso. Com as novas descobertas, o volume total de óleo estimado na área do Parque das Baleias, incluídos os reservatórios localizados acima e abaixo da camada de sal, já chega a aproximadamente 3,5 bilhões de óleo.
“Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do teste de longa duração do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras a intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo”, finaliza a nota”.
“A Petrobras informou nesta sexta (21) que descobriu novas reservas de óleo leve na área do pré-sal no litoral do Espírito Santo. Em nota divulgada pela manhã, a estatal diz que o petróleo está na área denominada Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos.
“O volume recuperável das descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de óleo equivalente”, diz a nota. A descoberta foi comunicada à Agência Nacional do Petróleo (ANP) como fato relevante.
Segundo a Petrobras, os dois poços perfurados estão a cerca de 80 quilômetros da costa. Nesses dois poços os reservatórios estão entre 4,2 mil e 4,8 mil metros de profundidade a partir do nível do mar e apresentam espessuras porosas com óleo de 190 e 300 metros, o que comprova o grande potencial das descobertas.
De acordo coma a estatal, até agora já foram perfurados seis poços na seção pré-sal do Espírito Santo, todos com sucesso. Com as novas descobertas, o volume total de óleo estimado na área do Parque das Baleias, incluídos os reservatórios localizados acima e abaixo da camada de sal, já chega a aproximadamente 3,5 bilhões de óleo.
“Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do teste de longa duração do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras a intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo”, finaliza a nota”.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
2.148.000 EMPREGOS NOVOS COM CARTEIRA ESTE ANO
NO ACUMULADO DO ANO ENCERRADO EM OUTUBRO, REGISTROU A CRIAÇÃO DE 2,148 MILHÕES DE POSTOS DE TRABALHO COM CARTEIRA ASSINADA
O site “vermelho” ontem reproduziu o seguinte texto publicado pelo site Terra Magazine:
“A geração de empregos formais continuou crescendo no país em outubro, com a criação de 61.401 novos empregos de carteira assinada, uma alta de 0,20% em relação ao estoque de assalariados formais em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira (20).
Hoje , ao apresentar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, destacou que, os Estados Unidos tiveram uma redução de 1,2 milhão de empregos neste ano e o Brasil, no acumulado do ano encerrado em outubro, registrou a criação de 2,148 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.
"O resultado continua sendo positivo e ao final de 2008 teremos o melhor resultado da história da geração de empregos no Brasil, com mais de 2 milhões de vagas criadas. Nos próximos dois meses o crescimento pode não ser o que esperávamos no início do ano, mas o desempenho até aqui garante esse resultado surpreendente", destacou o ministro do Trabalho.
1,8 MILHÃO DE EMPREGOS EM 2009
Apesar da conjuntura econômica internacional desfavorável, Lupi prevê que em 2009 poderão ser gerados 1,8 milhão de empregos. Sua expectativa se deve ao fato da economia brasileira estar plantada "em bases bem sustentadas, principalmente por causa do consumo interno, e em face das medidas que o governo vem tomando para facilitar o crédito para diversos setores".
Outubro, no entanto, teve desempenho menor que setembro. Foram criados 61,4 mil empregos no mês passado, enquanto em setembro, foram 282,8 mil. A queda, disse o ministro, se explica pela sazonalidade do mês, que apresenta números menos expressivos em diversos setores.
Lupi disse também que a análise que se faz é que o empresariado se mostrou cauteloso em fazer novas contratações, diante da crise financeira internacional.
A construção civil foi o setor que mais empregou, com crescimento de 19% na geração de empregos no acumulado do ano. O ministro lembrou que este setor deverá contar com mais linhas de crédito do governo, uma vez que existe no país déficit de moradias de mais de 10 de milhões de unidades.
Em outubro, no entanto, o setor teve redução na criação de empregos, na comparação com outubro de anos anteriores. Lupi atribuiu esse desempenho justamente a problemas com crédito.
Segundo ele, o governo não esperou que a situação se agravasse quando a crise se intensificou e começou, prontamente, a tomar medidas para irrigar o crédito, na tentativa de evitar prejuízos à economia. Para Lupi, outra medida que poderia facilitar a expansão da economia seria a redução da taxa básica de juros, a Selic.
"Vale lembrar que entre janeiro e outubro deste ano os Estados Unidos perderam 1,2 milhão de postos de trabalho", acrescentou.
Nos dez primeiros meses de 2008, verificou-se a criação de 2.147.971 postos de trabalho ( 7,42%), saldo que se revelou o maior da série histórica para o período, superando em 18,5% o recorde anterior ocorrido em 2007 (1.812.252 postos de trabalho ou crescimento de 6,63%).
Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.953.111 empregos formais ( 6,70%), resultado 27,88% acima do maior saldo anterior para semelhante período (novembro a outubro), ocorrido em 2007 (1.527.338 postos de trabalho ou 5,53%).”
O site “vermelho” ontem reproduziu o seguinte texto publicado pelo site Terra Magazine:
“A geração de empregos formais continuou crescendo no país em outubro, com a criação de 61.401 novos empregos de carteira assinada, uma alta de 0,20% em relação ao estoque de assalariados formais em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira (20).
Hoje , ao apresentar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, destacou que, os Estados Unidos tiveram uma redução de 1,2 milhão de empregos neste ano e o Brasil, no acumulado do ano encerrado em outubro, registrou a criação de 2,148 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.
"O resultado continua sendo positivo e ao final de 2008 teremos o melhor resultado da história da geração de empregos no Brasil, com mais de 2 milhões de vagas criadas. Nos próximos dois meses o crescimento pode não ser o que esperávamos no início do ano, mas o desempenho até aqui garante esse resultado surpreendente", destacou o ministro do Trabalho.
1,8 MILHÃO DE EMPREGOS EM 2009
Apesar da conjuntura econômica internacional desfavorável, Lupi prevê que em 2009 poderão ser gerados 1,8 milhão de empregos. Sua expectativa se deve ao fato da economia brasileira estar plantada "em bases bem sustentadas, principalmente por causa do consumo interno, e em face das medidas que o governo vem tomando para facilitar o crédito para diversos setores".
Outubro, no entanto, teve desempenho menor que setembro. Foram criados 61,4 mil empregos no mês passado, enquanto em setembro, foram 282,8 mil. A queda, disse o ministro, se explica pela sazonalidade do mês, que apresenta números menos expressivos em diversos setores.
Lupi disse também que a análise que se faz é que o empresariado se mostrou cauteloso em fazer novas contratações, diante da crise financeira internacional.
A construção civil foi o setor que mais empregou, com crescimento de 19% na geração de empregos no acumulado do ano. O ministro lembrou que este setor deverá contar com mais linhas de crédito do governo, uma vez que existe no país déficit de moradias de mais de 10 de milhões de unidades.
Em outubro, no entanto, o setor teve redução na criação de empregos, na comparação com outubro de anos anteriores. Lupi atribuiu esse desempenho justamente a problemas com crédito.
Segundo ele, o governo não esperou que a situação se agravasse quando a crise se intensificou e começou, prontamente, a tomar medidas para irrigar o crédito, na tentativa de evitar prejuízos à economia. Para Lupi, outra medida que poderia facilitar a expansão da economia seria a redução da taxa básica de juros, a Selic.
"Vale lembrar que entre janeiro e outubro deste ano os Estados Unidos perderam 1,2 milhão de postos de trabalho", acrescentou.
Nos dez primeiros meses de 2008, verificou-se a criação de 2.147.971 postos de trabalho ( 7,42%), saldo que se revelou o maior da série histórica para o período, superando em 18,5% o recorde anterior ocorrido em 2007 (1.812.252 postos de trabalho ou crescimento de 6,63%).
Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.953.111 empregos formais ( 6,70%), resultado 27,88% acima do maior saldo anterior para semelhante período (novembro a outubro), ocorrido em 2007 (1.527.338 postos de trabalho ou 5,53%).”
PROBLEMA DO PAÍS NÃO É GRAMPO, DIZ LUCIANA GENRO
O site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, ontem publicou o seguinte texto de Diego Salmen:
“Os habeas corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas desmoralizariam a Justiça e mostrariam que tentáculos criminosos do dono do Opportunity teriam chegado também ao Supremo. A afirmação é da deputada federal Luciana Genro, do PSOL.
- É totalmente desmoralizante para a justiça ver o Daniel Dantas ser liberado em poucas horas, duas vezes, por ação do presidente do Supremo, enquanto que muitas vezes uma mãe de família é presa por roubar uma lata de leite e acaba nessas prisões imundas por meses.
Na quarta-feira, 19, a deputada participou de um ato de solidariedade ao delegado Protógenes Queiroz, realizado pelo PSOL em frente ao STF. Em julho, Protógenes foi afastado do comando da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas - dentre outros - acusado de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
A Polícia Federal, no dia 5 de novembro, realizou uma ação de busca e apreensão na casa de Protógenes durante investigação de denúncias de vazamento de informações sigilosas da Satiagraha. Um inquérito foi aberto para apurar as denúncias contra o delegado.
Em entrevista Terra Magazine, Luciana Genro critica o que ela chama de "inversão de valores", verificada logo após a deflagração da Operação Satiagraha.
- Aqueles que dedicaram a sua vida ao combate à corrupção como o delegado Protógenes ou que fizeram gestos de grandeza, abriram mão de promoção, como o juiz De Sanctis, estão sendo perseguidos numa tentativa de desmoralizaçao para evitar que o senhor Daniel Dantas seja condenado.
A parlamentar fala ainda sobre a atuação da CPI dos Grampos. Para ela, a comissão não colabora para colocar as coisas nos "seus devidos lugares". Explica:
- O problema do Brasil não é o excesso de grampos; o problema do Brasil é o excesso de corrupção.
Confira a entrevista com a deputada Luciana Genro:
TERRA MAGAZINE - A SENHORA DISSE QUE HÁ UMA INVERSÃO DE VALORES NO PAÍS..
LUCIANA GENRO - Inversão porque aqueles que dedicaram a sua vida ao combate à corrupção como o delegado Protógenes ou que fizeram gestos de grandeza, abriram mão de promoção, como o juiz De Sanctis, estão sendo perseguidos numa tentativa de desmoralizaçao para evitar que o senhor Daniel Dantas seja condenado. A própria defesa do Dantas está se apoiando nessas ações de perseguição contra o delegado para pedir a nulidade das provas e inviabilizar a prisão do Dantas.
A SENHORA ACHA QUE HÁ, DE FATO, UMA TENTATIVA DE CONSTRANGER O DELEGADO?
Não tenho dúvida. O inquérito administrativo e a busca e apreensão na casa dele foram ações para tentar desmoralizar o trabalho que ele fez, quando o próprio delegado que entrou no lugar dele disse que está aprofundando as investigações, e não refazendo o inquérito, como foi insinuado inicialmente.
O QUE A SENHORA VEM ACHANDO DOS TRABALHOS REALIZADOS PELA CPI DOS GRAMPOS, EM MEIO À "INVERSÃO DE VALORES" A QUE SE REFERE?
Eu acho que a CPI dos Grampos não está contribuindo para recolocar as coisas nos seus devidos lugares. O problema do Brasil não é o excesso de grampos; o problema do Brasil é o excesso de corrupção. Todo grampo que vier a ajudar esquemas de corrupção, especialmente esse que envolve o império criminoso que foi construído pelo Daniel Dantas, é legítimo. E a CPI não está trabalhando com esse enfoque.
COMO AVALIA A ATUAÇÃO DO STF, COM ESSA QUESTÃO DOS HABEAS CORPUS CONCEDIDOS PELO MINISTRO GILMAR MENDES?
Pra mim isso demonstra que tentáculos criminosos do Daniel Dantas também chegaram ao Supremo. É totalmente desmoralizante para a justiça ver o Daniel Dantas ser liberado em poucas horas, duas vezes, por ação do presidente do Supremo, enquanto que muitas vezes uma mãe de família é presa por roubar uma lata de leite e acaba nessas prisões imundas por meses sem conseguir conquistar um habeas corpus.
A SENHORA LAMENTOU ALGUNS DIAS ATRÁS QUE O MINISTRO DA JUSTIÇA, TARSO GENRO, TENHA COMPRADO A VERSÃO DE LUIZ FERNANDO CORRÊA (DIRETOR-GERAL DA POLÍCIA FEDERAL), E DISSE TAMBÉM QUE A PF ESTÁ SENDO USADA PARA SALVAR A PELE DO DANIEL DANTAS. A QUE A SENHORA ATRIBUI ESSE USO DA PF?
Eu prefiro restringir minha manifestação em relação a isso a o que eu já disse. Eu não tenho dúvidas da honestidade do ministro da Justiça. Mas acho que ele escolheu o lado errado nessa briga, e acabou fazendo com que a PF cumpra esse papel ruim quando a PF estava cumprindo um papel extremamente positivo. E a Polícia Federal estava acumulando, nos últimos tempos, um patrimônio de credibilidade, graças ao trabalho não só do Protógenes, mas também dele (do ministro Tarso Genro) e de vários outros delegados e agentes da polícia. E essa última decisão de afastar o Protógenes e de abrir esse inquérito administrativo contra ele "desacumulam" esse patrimônio de credibilidade. Foi um equívoco muito grande que não ajuda a fortalecer a idéia de que é possível acabar com a impunidade no Brasil.
O DELEGADO PROTÓGENES SEMPRE COMPARECE AOS ATOS DE SOLIDARIADE REALIZADOS PELO PSOL. ELE JÁ DEMONSTROU ALGUM INTERESSE EM INGRESSAR NA VIDA POLÍTICA PELO PARTIDO?
Não, ele tem demonstrado essa afinidade porque o PSOL foi o único partido que demonstrou solidariedade e apoio a ele nesse momento. Ele tem deixado muito claro que só é candidato a uma próxima missão na Polícia Federal, e de preferência para investigar altos escalões de corrupção”.
“Os habeas corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas desmoralizariam a Justiça e mostrariam que tentáculos criminosos do dono do Opportunity teriam chegado também ao Supremo. A afirmação é da deputada federal Luciana Genro, do PSOL.
- É totalmente desmoralizante para a justiça ver o Daniel Dantas ser liberado em poucas horas, duas vezes, por ação do presidente do Supremo, enquanto que muitas vezes uma mãe de família é presa por roubar uma lata de leite e acaba nessas prisões imundas por meses.
Na quarta-feira, 19, a deputada participou de um ato de solidariedade ao delegado Protógenes Queiroz, realizado pelo PSOL em frente ao STF. Em julho, Protógenes foi afastado do comando da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas - dentre outros - acusado de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
A Polícia Federal, no dia 5 de novembro, realizou uma ação de busca e apreensão na casa de Protógenes durante investigação de denúncias de vazamento de informações sigilosas da Satiagraha. Um inquérito foi aberto para apurar as denúncias contra o delegado.
Em entrevista Terra Magazine, Luciana Genro critica o que ela chama de "inversão de valores", verificada logo após a deflagração da Operação Satiagraha.
- Aqueles que dedicaram a sua vida ao combate à corrupção como o delegado Protógenes ou que fizeram gestos de grandeza, abriram mão de promoção, como o juiz De Sanctis, estão sendo perseguidos numa tentativa de desmoralizaçao para evitar que o senhor Daniel Dantas seja condenado.
A parlamentar fala ainda sobre a atuação da CPI dos Grampos. Para ela, a comissão não colabora para colocar as coisas nos "seus devidos lugares". Explica:
- O problema do Brasil não é o excesso de grampos; o problema do Brasil é o excesso de corrupção.
Confira a entrevista com a deputada Luciana Genro:
TERRA MAGAZINE - A SENHORA DISSE QUE HÁ UMA INVERSÃO DE VALORES NO PAÍS..
LUCIANA GENRO - Inversão porque aqueles que dedicaram a sua vida ao combate à corrupção como o delegado Protógenes ou que fizeram gestos de grandeza, abriram mão de promoção, como o juiz De Sanctis, estão sendo perseguidos numa tentativa de desmoralizaçao para evitar que o senhor Daniel Dantas seja condenado. A própria defesa do Dantas está se apoiando nessas ações de perseguição contra o delegado para pedir a nulidade das provas e inviabilizar a prisão do Dantas.
A SENHORA ACHA QUE HÁ, DE FATO, UMA TENTATIVA DE CONSTRANGER O DELEGADO?
Não tenho dúvida. O inquérito administrativo e a busca e apreensão na casa dele foram ações para tentar desmoralizar o trabalho que ele fez, quando o próprio delegado que entrou no lugar dele disse que está aprofundando as investigações, e não refazendo o inquérito, como foi insinuado inicialmente.
O QUE A SENHORA VEM ACHANDO DOS TRABALHOS REALIZADOS PELA CPI DOS GRAMPOS, EM MEIO À "INVERSÃO DE VALORES" A QUE SE REFERE?
Eu acho que a CPI dos Grampos não está contribuindo para recolocar as coisas nos seus devidos lugares. O problema do Brasil não é o excesso de grampos; o problema do Brasil é o excesso de corrupção. Todo grampo que vier a ajudar esquemas de corrupção, especialmente esse que envolve o império criminoso que foi construído pelo Daniel Dantas, é legítimo. E a CPI não está trabalhando com esse enfoque.
COMO AVALIA A ATUAÇÃO DO STF, COM ESSA QUESTÃO DOS HABEAS CORPUS CONCEDIDOS PELO MINISTRO GILMAR MENDES?
Pra mim isso demonstra que tentáculos criminosos do Daniel Dantas também chegaram ao Supremo. É totalmente desmoralizante para a justiça ver o Daniel Dantas ser liberado em poucas horas, duas vezes, por ação do presidente do Supremo, enquanto que muitas vezes uma mãe de família é presa por roubar uma lata de leite e acaba nessas prisões imundas por meses sem conseguir conquistar um habeas corpus.
A SENHORA LAMENTOU ALGUNS DIAS ATRÁS QUE O MINISTRO DA JUSTIÇA, TARSO GENRO, TENHA COMPRADO A VERSÃO DE LUIZ FERNANDO CORRÊA (DIRETOR-GERAL DA POLÍCIA FEDERAL), E DISSE TAMBÉM QUE A PF ESTÁ SENDO USADA PARA SALVAR A PELE DO DANIEL DANTAS. A QUE A SENHORA ATRIBUI ESSE USO DA PF?
Eu prefiro restringir minha manifestação em relação a isso a o que eu já disse. Eu não tenho dúvidas da honestidade do ministro da Justiça. Mas acho que ele escolheu o lado errado nessa briga, e acabou fazendo com que a PF cumpra esse papel ruim quando a PF estava cumprindo um papel extremamente positivo. E a Polícia Federal estava acumulando, nos últimos tempos, um patrimônio de credibilidade, graças ao trabalho não só do Protógenes, mas também dele (do ministro Tarso Genro) e de vários outros delegados e agentes da polícia. E essa última decisão de afastar o Protógenes e de abrir esse inquérito administrativo contra ele "desacumulam" esse patrimônio de credibilidade. Foi um equívoco muito grande que não ajuda a fortalecer a idéia de que é possível acabar com a impunidade no Brasil.
O DELEGADO PROTÓGENES SEMPRE COMPARECE AOS ATOS DE SOLIDARIADE REALIZADOS PELO PSOL. ELE JÁ DEMONSTROU ALGUM INTERESSE EM INGRESSAR NA VIDA POLÍTICA PELO PARTIDO?
Não, ele tem demonstrado essa afinidade porque o PSOL foi o único partido que demonstrou solidariedade e apoio a ele nesse momento. Ele tem deixado muito claro que só é candidato a uma próxima missão na Polícia Federal, e de preferência para investigar altos escalões de corrupção”.
RENDA DOS NEGROS DEVE SE IGUALAR À DOS BRANCOS ATÉ 2029
Li ontem no blog do Noblat:
Renda de negros deve se igualar à de brancos em 2029, indica Ipea
“Brasília - A desigualdade racial - medida pela razão de renda de brancos e negros - está caindo no Brasil e pode acabar até 2029, se for mantido o atual ritmo de melhora. É o que mostra a publicação Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas 120 anos após a abolição, divulgada nesta quinta-feira, Feriado de Zumbi, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
"É possível que isso não seja conseqüência da redução nas práticas discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família"
Os dados indicam que a queda na diferença da renda das populações negras e brancas foi de 25% entre 2001 e 2007. Entretanto, grande parte deste avanço se deve às políticas sociais do governo, como a distribuição do Bolsa Família, e não à redução de práticas descriminatórias no mercado de trabalho, segundo o estudo.
A pesquisa mostra que, após oscilar durante 12 anos em torno de 2,4, o indicador da desigualdade racial começou a cair após 2001. Em 2007, a razão chegou a ser de 2,06.
A população branca, de acordo com o Ipea, ainda vive no país com pouco mais que o dobro da renda disponível, em média, para a população negra - mas a tendência recente é a diminuição dessa diferença.
Entretanto, ao considerar que o valor ideal para esse indicador seja igual a 1, ainda faltam 3/4 da diferença a serem reduzidos. Assim, se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar de brancos e negros apenas em 2029.
- A pergunta natural é se a redução da desigualdade racial é mera conseqüência da redução da desigualdade geral de renda. É possível que isso não seja conseqüência da redução nas práticas discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios previdenciários indexados ao salário mínimo e do Benefício de Prestação Continuada, bem como de outros mecanismos de redução da desigualdade geral - diz o Ipea.
A publicação destaca que não se deve subestimar a importância da redução da desigualdade racial para a vida de indivíduos negros no país. Por serem maioria da população na fatia inferior da distribuição de renda, a conclusão do Ipea é que qualquer política leva a melhorias absolutas ou relativas para os 50% mais pobres.
O instituto destaca que, apesar dos avanços registrados, não houve alteração no quadro de oportunidades no mercado de trabalho - principal fonte de renda e de mobilidade social ascendente.
De acordo com a pesquisa, a situação da população negra no Brasil continua bastante vulnerável e a dependência de ações do governo mostra a inexistência de mecanismos sociais, institucionais e legais que alterem o cenário de desigualdade.”
Renda de negros deve se igualar à de brancos em 2029, indica Ipea
“Brasília - A desigualdade racial - medida pela razão de renda de brancos e negros - está caindo no Brasil e pode acabar até 2029, se for mantido o atual ritmo de melhora. É o que mostra a publicação Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas 120 anos após a abolição, divulgada nesta quinta-feira, Feriado de Zumbi, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
"É possível que isso não seja conseqüência da redução nas práticas discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família"
Os dados indicam que a queda na diferença da renda das populações negras e brancas foi de 25% entre 2001 e 2007. Entretanto, grande parte deste avanço se deve às políticas sociais do governo, como a distribuição do Bolsa Família, e não à redução de práticas descriminatórias no mercado de trabalho, segundo o estudo.
A pesquisa mostra que, após oscilar durante 12 anos em torno de 2,4, o indicador da desigualdade racial começou a cair após 2001. Em 2007, a razão chegou a ser de 2,06.
A população branca, de acordo com o Ipea, ainda vive no país com pouco mais que o dobro da renda disponível, em média, para a população negra - mas a tendência recente é a diminuição dessa diferença.
Entretanto, ao considerar que o valor ideal para esse indicador seja igual a 1, ainda faltam 3/4 da diferença a serem reduzidos. Assim, se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar de brancos e negros apenas em 2029.
- A pergunta natural é se a redução da desigualdade racial é mera conseqüência da redução da desigualdade geral de renda. É possível que isso não seja conseqüência da redução nas práticas discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios previdenciários indexados ao salário mínimo e do Benefício de Prestação Continuada, bem como de outros mecanismos de redução da desigualdade geral - diz o Ipea.
A publicação destaca que não se deve subestimar a importância da redução da desigualdade racial para a vida de indivíduos negros no país. Por serem maioria da população na fatia inferior da distribuição de renda, a conclusão do Ipea é que qualquer política leva a melhorias absolutas ou relativas para os 50% mais pobres.
O instituto destaca que, apesar dos avanços registrados, não houve alteração no quadro de oportunidades no mercado de trabalho - principal fonte de renda e de mobilidade social ascendente.
De acordo com a pesquisa, a situação da população negra no Brasil continua bastante vulnerável e a dependência de ações do governo mostra a inexistência de mecanismos sociais, institucionais e legais que alterem o cenário de desigualdade.”
"DANTAS LIDERA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA"
“O GRUPO OPPORTUNITY CRESCEU NOS ANOS 90 [FHC/PSDB], QUANDO CRIOU FUNDOS PARA COMPRAR EMPRESAS DE TELECOMUNICAÇÕES, NO PROCESSO DAS PRIVATIZAÇÕES”
É o que diz o relatório do delegado Ricardo Saadi, que assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o Grupo Opportunity, depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz.
“O Ministério Público Federal prepara mais uma denúncia contra os principais investigados na Operação Satiagraha baseada num relatório novo da Polícia Federal.
O delegado que assumiu o inquérito vê indícios de crimes financeiros e de formação de quadrilha. É o que mostra esta reportagem exclusiva de César Tralli.
O relatório é assinado pelo delegado Ricardo Saadi, diretor de combate a crimes financeiros da Polícia Federal, em São Paulo. Ele assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o Grupo Opportunity, depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, delegado Protógenes Queiroz.
Sob novo comando, a investigação se concentrou em documentos apreendidos no dia da operação e em depoimentos de testemunhas. No relatório, o delegado Saadi afirma: “Depois do que foi analisado, pudemos constatar que Daniel Valente Dantas lidera uma organização criminosa”.
O novo delegado atribui ao banqueiro Daniel Dantas os crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. No relatório, Ricardo Saadi diz que precisa de mais tempo para terminar o inquérito.
Ainda falta analisar informações do grupo que foram recolhidas de computadores e estão protegidas por senhas. No relatório, o delegado diz que o Grupo Opportunity cresceu nos anos 90, quando criou fundos para comprar empresas de telecomunicações, no processo das privatizações.
“Durante a gestão das empresas arrematadas, houve desvio de recursos das companhias”, o delegado escreveu. E ele diz também: “Parte dos recursos da gestão fraudulenta foi lavada através da compra de fazendas e de gado e também por meio de terrenos para a exploração de minério”.
Um dos fundos do grupo, o Opportunity Fund, está registrado nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. De acordo com o delegado, a existência de clientes brasileiros nesse fundo seria completamente irregular. O fato, segundo ele, foi comprovado por diversas fontes, inclusive doleiros.
“Esses doleiros confirmaram que brasileiros residentes no Brasil enviaram recursos para o exterior e isso era proibido à época. Na verdade, portanto, essas pessoas confirmaram a prática do crime de evasão de divisas”, afirmou o procurador da República Rodrigo de Grandis.
Em outro trecho, o novo coordenador da investigação, o delegado Ricardo Saadi, escreve: “A organização criminosa liderada por Daniel Dantas usa corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos”.
Entre os exemplos, cita o que chama de tentativa de corromper um delegado federal. Parte da negociação de US$ 1 milhão foi gravada num restaurante.
Ricardo Saadi também diz que pessoas influentes servem à organização de Dantas: um dos nomes destacados por ele foi o do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo do PT.
Os chamados lobistas, segundo o relatório, tinham como função principal obter informações de interesse do grupo e fazer contatos com pessoas importantes, inclusive políticos e integrantes do governo.
O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, nega todas as acusações e diz que a investigação contra o Opportunity está comprometida.
“Tudo o que de errado foi feito pelo Dr. Protógenes se estende no tempo e se irradia pela causa. O Dr. Saadi, por mais bem intencionado que ele seja, não pode inventar os fatos. O que eu vi no relatório dele foi uma conclusão aligeirada, sem profundidade nenhuma e eu demonstrarei, no momento oportuno, todas as equivocidades, todos os vazios, todas as inconsistências, todas as incongruências destas novas meias verdades que se propalam, tentando transformá-las em verdades plenas”.
O advogado de Protógenes Queiroz afirmou que toda a investigação feita pelo delegado se baseou na lei. O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh disse que, no momento oportuno, vai contestar a inclusão do nome dele no relatório da polícia.”
É o que diz o relatório do delegado Ricardo Saadi, que assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o Grupo Opportunity, depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz.
“O Ministério Público Federal prepara mais uma denúncia contra os principais investigados na Operação Satiagraha baseada num relatório novo da Polícia Federal.
O delegado que assumiu o inquérito vê indícios de crimes financeiros e de formação de quadrilha. É o que mostra esta reportagem exclusiva de César Tralli.
O relatório é assinado pelo delegado Ricardo Saadi, diretor de combate a crimes financeiros da Polícia Federal, em São Paulo. Ele assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o Grupo Opportunity, depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, delegado Protógenes Queiroz.
Sob novo comando, a investigação se concentrou em documentos apreendidos no dia da operação e em depoimentos de testemunhas. No relatório, o delegado Saadi afirma: “Depois do que foi analisado, pudemos constatar que Daniel Valente Dantas lidera uma organização criminosa”.
O novo delegado atribui ao banqueiro Daniel Dantas os crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. No relatório, Ricardo Saadi diz que precisa de mais tempo para terminar o inquérito.
Ainda falta analisar informações do grupo que foram recolhidas de computadores e estão protegidas por senhas. No relatório, o delegado diz que o Grupo Opportunity cresceu nos anos 90, quando criou fundos para comprar empresas de telecomunicações, no processo das privatizações.
“Durante a gestão das empresas arrematadas, houve desvio de recursos das companhias”, o delegado escreveu. E ele diz também: “Parte dos recursos da gestão fraudulenta foi lavada através da compra de fazendas e de gado e também por meio de terrenos para a exploração de minério”.
Um dos fundos do grupo, o Opportunity Fund, está registrado nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. De acordo com o delegado, a existência de clientes brasileiros nesse fundo seria completamente irregular. O fato, segundo ele, foi comprovado por diversas fontes, inclusive doleiros.
“Esses doleiros confirmaram que brasileiros residentes no Brasil enviaram recursos para o exterior e isso era proibido à época. Na verdade, portanto, essas pessoas confirmaram a prática do crime de evasão de divisas”, afirmou o procurador da República Rodrigo de Grandis.
Em outro trecho, o novo coordenador da investigação, o delegado Ricardo Saadi, escreve: “A organização criminosa liderada por Daniel Dantas usa corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos”.
Entre os exemplos, cita o que chama de tentativa de corromper um delegado federal. Parte da negociação de US$ 1 milhão foi gravada num restaurante.
Ricardo Saadi também diz que pessoas influentes servem à organização de Dantas: um dos nomes destacados por ele foi o do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo do PT.
Os chamados lobistas, segundo o relatório, tinham como função principal obter informações de interesse do grupo e fazer contatos com pessoas importantes, inclusive políticos e integrantes do governo.
O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, nega todas as acusações e diz que a investigação contra o Opportunity está comprometida.
“Tudo o que de errado foi feito pelo Dr. Protógenes se estende no tempo e se irradia pela causa. O Dr. Saadi, por mais bem intencionado que ele seja, não pode inventar os fatos. O que eu vi no relatório dele foi uma conclusão aligeirada, sem profundidade nenhuma e eu demonstrarei, no momento oportuno, todas as equivocidades, todos os vazios, todas as inconsistências, todas as incongruências destas novas meias verdades que se propalam, tentando transformá-las em verdades plenas”.
O advogado de Protógenes Queiroz afirmou que toda a investigação feita pelo delegado se baseou na lei. O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh disse que, no momento oportuno, vai contestar a inclusão do nome dele no relatório da polícia.”
POLÍTICAS ANTI-RECESSIVAS NO BRASIL?
Paulo Nogueira Batista Jr. ontem publicou, na sua coluna semanal no jornal Folha de São Paulo, o texto abaixo. O autor é Diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago):
“O governo tem instrumentos monetários e fiscais para impedir a recaída na estagnação ou na recessão”
“Os indicadores econômicos nos países desenvolvidos pioram a cada semana. O Japão e a área do euro já entraram em recessão. Os EUA e outros países estão seguindo o mesmo caminho.
Não faltam análises alarmadas sobre o tamanho e a duração da recessão iniciada em 2008.
A gravidade da crise econômico-financeira deu lugar a fatos inusitados, entre eles o surgimento de um "FMI keynesiano". A avaliação do Fundo, que vem sendo insistentemente divulgada, é que a economia mundial requer um estímulo fiscal coordenado e de grandes proporções. Estima-se que ele teria de ser da ordem de 2% do PIB mundial (ver John Lipsky, "Towards a Post-Crisis World Economy", dia 17 deste mês, www.imf.org).
Como a inflação está cedendo, muitos países desenvolvidos e emergentes podem flexibilizar a política monetária, diz o FMI. No entanto, de maneira geral, e em especial nos países desenvolvidos, a política monetária tende a ser menos eficaz na atual conjuntura. O BC europeu ainda pode reduzir as taxas de juro. Mas, nos EUA e no Japão, as taxas estão próximas de zero. O papel central no combate à recessão cabe à política fiscal.
Os chefes de Estado do G-20, que se reuniram em Washington no sábado passado, endossaram a preocupação com a recessão e apoiaram o uso de políticas fiscais e monetárias anticíclicas, ainda que com menos ênfase do que sugere o FMI. No passado recente, vários países, inclusive os EUA e alguns europeus, adotaram ou anunciaram medidas fiscais contra a recessão. A China anunciou um plano ambicioso na semana passada. Mas até agora houve pouca ou nenhuma coordenação entre os programas nacionais de estímulo fiscal.
Até que ponto essa análise se aplica ao Brasil? Também precisamos de políticas anti-recessivas?
De que tipo? Evidentemente, a nossa situação não é comparável à dos países desenvolvidos, que estão na origem e no centro da crise.
Até meados deste ano, a economia brasileira crescia de maneira vigorosa, como há muito não se via.
Desde setembro, entretanto, o Brasil foi seriamente atingido pela turbulência financeira. Acumulam-se indícios de que a economia do país sofre desaceleração rápida, em conseqüência da contração da oferta de crédito e dos choques externos. Se a tendência persistir, pode haver queda maior do que a esperada no ritmo de crescimento e na geração de empregos.
Diferentemente de vários países desenvolvidos, ainda temos bastante espaço para agir no campo monetário. As taxas de juro brasileiras são uma anomalia em termos internacionais. Uma diminuição gradual da taxa básica de juro parece adequada na fase atual.
Também há espaço na área fiscal.
O superávit primário continua acima da meta. O déficit nominal é pequeno -1,3% do PIB nos 12 meses até setembro. A dívida líquida do setor público caiu de 42,7% do PIB em dezembro de 2007 para 38,3% em setembro último.
Não se deve perder de vista que a recente retomada do crescimento no Brasil veio depois de um longo período, de mais de duas décadas, de crescimento medíocre ou estagnação. O governo tem instrumentos monetários e fiscais para impedir a recaída na estagnação ou na recessão. Se cabe utilizá-los ou não, e em que medida, são questões a ser avaliadas de forma pragmática, à luz das informações sobre a tendência do nível de atividade.
Não é hora de se deixar dominar por escrúpulos ortodoxos".
“O governo tem instrumentos monetários e fiscais para impedir a recaída na estagnação ou na recessão”
“Os indicadores econômicos nos países desenvolvidos pioram a cada semana. O Japão e a área do euro já entraram em recessão. Os EUA e outros países estão seguindo o mesmo caminho.
Não faltam análises alarmadas sobre o tamanho e a duração da recessão iniciada em 2008.
A gravidade da crise econômico-financeira deu lugar a fatos inusitados, entre eles o surgimento de um "FMI keynesiano". A avaliação do Fundo, que vem sendo insistentemente divulgada, é que a economia mundial requer um estímulo fiscal coordenado e de grandes proporções. Estima-se que ele teria de ser da ordem de 2% do PIB mundial (ver John Lipsky, "Towards a Post-Crisis World Economy", dia 17 deste mês, www.imf.org).
Como a inflação está cedendo, muitos países desenvolvidos e emergentes podem flexibilizar a política monetária, diz o FMI. No entanto, de maneira geral, e em especial nos países desenvolvidos, a política monetária tende a ser menos eficaz na atual conjuntura. O BC europeu ainda pode reduzir as taxas de juro. Mas, nos EUA e no Japão, as taxas estão próximas de zero. O papel central no combate à recessão cabe à política fiscal.
Os chefes de Estado do G-20, que se reuniram em Washington no sábado passado, endossaram a preocupação com a recessão e apoiaram o uso de políticas fiscais e monetárias anticíclicas, ainda que com menos ênfase do que sugere o FMI. No passado recente, vários países, inclusive os EUA e alguns europeus, adotaram ou anunciaram medidas fiscais contra a recessão. A China anunciou um plano ambicioso na semana passada. Mas até agora houve pouca ou nenhuma coordenação entre os programas nacionais de estímulo fiscal.
Até que ponto essa análise se aplica ao Brasil? Também precisamos de políticas anti-recessivas?
De que tipo? Evidentemente, a nossa situação não é comparável à dos países desenvolvidos, que estão na origem e no centro da crise.
Até meados deste ano, a economia brasileira crescia de maneira vigorosa, como há muito não se via.
Desde setembro, entretanto, o Brasil foi seriamente atingido pela turbulência financeira. Acumulam-se indícios de que a economia do país sofre desaceleração rápida, em conseqüência da contração da oferta de crédito e dos choques externos. Se a tendência persistir, pode haver queda maior do que a esperada no ritmo de crescimento e na geração de empregos.
Diferentemente de vários países desenvolvidos, ainda temos bastante espaço para agir no campo monetário. As taxas de juro brasileiras são uma anomalia em termos internacionais. Uma diminuição gradual da taxa básica de juro parece adequada na fase atual.
Também há espaço na área fiscal.
O superávit primário continua acima da meta. O déficit nominal é pequeno -1,3% do PIB nos 12 meses até setembro. A dívida líquida do setor público caiu de 42,7% do PIB em dezembro de 2007 para 38,3% em setembro último.
Não se deve perder de vista que a recente retomada do crescimento no Brasil veio depois de um longo período, de mais de duas décadas, de crescimento medíocre ou estagnação. O governo tem instrumentos monetários e fiscais para impedir a recaída na estagnação ou na recessão. Se cabe utilizá-los ou não, e em que medida, são questões a ser avaliadas de forma pragmática, à luz das informações sobre a tendência do nível de atividade.
Não é hora de se deixar dominar por escrúpulos ortodoxos".
PREPARAM A MORTE DE OBAMA NOS EUA E AL QAEDA SERÁ DECLARADO O CULPADO
Todos nós já sabemos o que os EUA fazem com os presidentes (ou candidatos a) que não atendam aos interesses do parque industrial-militar norte-americano. Matam os presidentes. Os Kennedy aprenderam isso.
No momento, ardilosamente, preparam a opinião pública mundial para, após “rigoroso inquérito”, concluírem que o culpado pela morte de Obama é o grupo Al Qaeda. Talvez, no embalo da crença da população no resultado das investigações, façam uma invasão militar aqui e acolá. O Irã que se cuide.
Vejamos a seguinte notícia que li ontem no UOL:
SUCESSÃO NOS EUA / GUERRA SEM LIMITES
AL QAEDA INSULTA E AMEAÇA OBAMA
Número dois da rede terrorista chama presidente eleito de "escravo de brancos" e pede ataques aos EUA
Para analistas, mensagem exibe desamparo ideológico do grupo ante a expectativa de que democrata melhore imagem dos EUA no mundo
O número dois na hierarquia da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, afirmou em gravação de áudio divulgada ontem na internet que o presidente americano eleito, Barack Obama, é um "escravo negro a serviço dos brancos".
O pronunciamento foi o primeiro da Al Qaeda após a eleição presidencial nos EUA, no dia 4 de novembro, e aparentemente visava convencer os muçulmanos de que Obama não mudará as políticas americanas no Oriente Médio.
"Obama é o exato oposto de negros americanos honrosos como Malcolm X", diz a gravação, numa referência a um dos líderes do movimento negro nos EUA nos anos 60, que era muçulmano.
As críticas a Obama se estendem ao ex-secretário de Estado Colin Powell (2000-04) e à sua sucessora, Condoleezza Rice. Zawahiri compara os três "àqueles escravos negros que viviam na casa grande e gozavam de mais privilégios que os [escravos] do campo".
No áudio, o sub de Osama bin Laden se dirige diretamente ao presidente americano eleito -cujo pai era queniano- e o condena por ter supostamente renegado suas ascendência islâmica. "Você nasceu de um pai muçulmano, mas escolheu ficar do lado dos inimigos do islã", diz Zawahiri. O pai de Obama, já morto, era ateu, mas sua família, muçulmana.
Ele insistiu em que "a nação islâmica recebeu com amargura a posição [de Obama] sobre Israel". Em visita a Jerusalém na campanha, o democrata prometeu manter a estreita relação entre a Casa Branca e Israel e descartou pressionar os israelenses a fazerem concessões de paz que "comprometam sua segurança". Obama também disse que Jerusalém era indivisível.
Zawahiri exortou os muçulmanos a "continuarem fazendo o mal" aos EUA e previu o fracasso da política de reforço de contingente prometida por Obama no Afeganistão, país que o democrata considera prioritário na guerra ao terror.
Para especialistas, a voz da gravação é provavelmente de Zawahiri e reflete o desamparo ideológico da Al Qaeda sob a expectativa de que Obama melhore a imagem dos EUA.
Segundo Bruce Hoffman, da Universidade Georgetown, Zawahiri está tentando manter aceso o ódio antiamericano de parte dos muçulmanos. "Ele está dizendo: "não acreditem nessa história de mudança, temos que combater com a mesma firmeza de antes'", comenta.
Washington afirmou que os comentários são "depreciáveis" e provam que a Al Qaeda ainda ameaça os EUA.
Relatório do serviço secreto americano divulgado no início do ano afirma que a Al Qaeda, responsável pelo 11 de Setembro, ampliou sua capacidade de atacar o país, apesar de ter sofrido reveses como a captura e morte de líderes. O documento aponta ainda o Paquistão como atual "santuário" da organização. Dias atrás, a CIA disse que a rede opera hoje sem Bin Laden, que estaria isolado e focado em sobreviver.”
No momento, ardilosamente, preparam a opinião pública mundial para, após “rigoroso inquérito”, concluírem que o culpado pela morte de Obama é o grupo Al Qaeda. Talvez, no embalo da crença da população no resultado das investigações, façam uma invasão militar aqui e acolá. O Irã que se cuide.
Vejamos a seguinte notícia que li ontem no UOL:
SUCESSÃO NOS EUA / GUERRA SEM LIMITES
AL QAEDA INSULTA E AMEAÇA OBAMA
Número dois da rede terrorista chama presidente eleito de "escravo de brancos" e pede ataques aos EUA
Para analistas, mensagem exibe desamparo ideológico do grupo ante a expectativa de que democrata melhore imagem dos EUA no mundo
O número dois na hierarquia da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, afirmou em gravação de áudio divulgada ontem na internet que o presidente americano eleito, Barack Obama, é um "escravo negro a serviço dos brancos".
O pronunciamento foi o primeiro da Al Qaeda após a eleição presidencial nos EUA, no dia 4 de novembro, e aparentemente visava convencer os muçulmanos de que Obama não mudará as políticas americanas no Oriente Médio.
"Obama é o exato oposto de negros americanos honrosos como Malcolm X", diz a gravação, numa referência a um dos líderes do movimento negro nos EUA nos anos 60, que era muçulmano.
As críticas a Obama se estendem ao ex-secretário de Estado Colin Powell (2000-04) e à sua sucessora, Condoleezza Rice. Zawahiri compara os três "àqueles escravos negros que viviam na casa grande e gozavam de mais privilégios que os [escravos] do campo".
No áudio, o sub de Osama bin Laden se dirige diretamente ao presidente americano eleito -cujo pai era queniano- e o condena por ter supostamente renegado suas ascendência islâmica. "Você nasceu de um pai muçulmano, mas escolheu ficar do lado dos inimigos do islã", diz Zawahiri. O pai de Obama, já morto, era ateu, mas sua família, muçulmana.
Ele insistiu em que "a nação islâmica recebeu com amargura a posição [de Obama] sobre Israel". Em visita a Jerusalém na campanha, o democrata prometeu manter a estreita relação entre a Casa Branca e Israel e descartou pressionar os israelenses a fazerem concessões de paz que "comprometam sua segurança". Obama também disse que Jerusalém era indivisível.
Zawahiri exortou os muçulmanos a "continuarem fazendo o mal" aos EUA e previu o fracasso da política de reforço de contingente prometida por Obama no Afeganistão, país que o democrata considera prioritário na guerra ao terror.
Para especialistas, a voz da gravação é provavelmente de Zawahiri e reflete o desamparo ideológico da Al Qaeda sob a expectativa de que Obama melhore a imagem dos EUA.
Segundo Bruce Hoffman, da Universidade Georgetown, Zawahiri está tentando manter aceso o ódio antiamericano de parte dos muçulmanos. "Ele está dizendo: "não acreditem nessa história de mudança, temos que combater com a mesma firmeza de antes'", comenta.
Washington afirmou que os comentários são "depreciáveis" e provam que a Al Qaeda ainda ameaça os EUA.
Relatório do serviço secreto americano divulgado no início do ano afirma que a Al Qaeda, responsável pelo 11 de Setembro, ampliou sua capacidade de atacar o país, apesar de ter sofrido reveses como a captura e morte de líderes. O documento aponta ainda o Paquistão como atual "santuário" da organização. Dias atrás, a CIA disse que a rede opera hoje sem Bin Laden, que estaria isolado e focado em sobreviver.”
CELSO AMORIM DEFENDE O FIM DO PROTECIONISMO PARA OS BIOCOMBUSTÍVEIS
Li ontem no portal UOL o seguinte texto de Ana Carolina Lourençon, em São Paulo (SP):
“O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, defendeu nesta quinta-feira (20) o fim do protecionismo para o comércio mundial de biocombustíveis.
Segundo o chanceler, para que este tipo de energia se torne uma opção viável aos países mais pobres, "é fundamental que se abram mercados para sua efetiva comercialização".
Amorim afirmou que o primeiro passo para erradicar as barreiras comerciais é eliminar a prática de subsídios agrícolas "bilionários" e a imposição de barreiras comerciais proibitivas, sejam tarifárias ou não.
"O Brasil continuará a insistir no potencial dos biocombustíveis como instrumentos de transformação econômica e social nos países mais pobres", disse ao participar da Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo.
Segundo cálculos do ministro, atualmente, mais de 100 países possuem condições para produzir biocombustível de forma sustentável, sendo que em muito deles, menos de 20% da população têm acesso à energia para atender suas necessidades básicas. Por isso, ingressar no caminho da energia natural seria uma forma de trazer qualidade de vida às pessoas, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, gerar emprego e reduzir a emissão de gases na atmosfera.
"Desde que produzidos de forma sustentável, os biocombustíveis representam parte da solução para enfrentar três grandes desafios:a segurança energética, a mudança climática e o combate à fome", disse.
ESCASSEZ DE ALIMENTOS
Amorim lembrou, durante sua apresentação, que existe uma ironia nos debates sobre a relação entre os combustíveis verdes e a segurança alimentar, já que, segundo ele, os países mais atingidos pelas recentes crises alimentares "jamais produziram uma gota de biocombustível".
No caso brasileiro, o ministro afirmou que a produção de etanol cresce em igual compasso da produção de grãos.
Segundo Amorim, o Brasil se tornou, sim, produtor e usuário de energia verde, porém, conseguiu reduzir, ao mesmo tempo, os índices de desnutrição na sociedade.
"Ou seja, a produção de biocombustiveis ajudou o Brasil a crescer e a se tornar mais próspero, do ponto de vista sócio-econômico, e mais limpo, do ponto de vista ambiental", afirmou. “
“O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, defendeu nesta quinta-feira (20) o fim do protecionismo para o comércio mundial de biocombustíveis.
Segundo o chanceler, para que este tipo de energia se torne uma opção viável aos países mais pobres, "é fundamental que se abram mercados para sua efetiva comercialização".
Amorim afirmou que o primeiro passo para erradicar as barreiras comerciais é eliminar a prática de subsídios agrícolas "bilionários" e a imposição de barreiras comerciais proibitivas, sejam tarifárias ou não.
"O Brasil continuará a insistir no potencial dos biocombustíveis como instrumentos de transformação econômica e social nos países mais pobres", disse ao participar da Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo.
Segundo cálculos do ministro, atualmente, mais de 100 países possuem condições para produzir biocombustível de forma sustentável, sendo que em muito deles, menos de 20% da população têm acesso à energia para atender suas necessidades básicas. Por isso, ingressar no caminho da energia natural seria uma forma de trazer qualidade de vida às pessoas, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, gerar emprego e reduzir a emissão de gases na atmosfera.
"Desde que produzidos de forma sustentável, os biocombustíveis representam parte da solução para enfrentar três grandes desafios:a segurança energética, a mudança climática e o combate à fome", disse.
ESCASSEZ DE ALIMENTOS
Amorim lembrou, durante sua apresentação, que existe uma ironia nos debates sobre a relação entre os combustíveis verdes e a segurança alimentar, já que, segundo ele, os países mais atingidos pelas recentes crises alimentares "jamais produziram uma gota de biocombustível".
No caso brasileiro, o ministro afirmou que a produção de etanol cresce em igual compasso da produção de grãos.
Segundo Amorim, o Brasil se tornou, sim, produtor e usuário de energia verde, porém, conseguiu reduzir, ao mesmo tempo, os índices de desnutrição na sociedade.
"Ou seja, a produção de biocombustiveis ajudou o Brasil a crescer e a se tornar mais próspero, do ponto de vista sócio-econômico, e mais limpo, do ponto de vista ambiental", afirmou. “
VALÉRIO É DENUNCIADO POR MENSALÃO MINEIRO, QUE FAVORECEU O TUCANO AZEREDO
O portal “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim ontem postou o seguinte artigo:
“Publicitário mineiro criou o esquema de desvio de recursos, utilizado mais tarde por Daniel Dantas no outro mensalão.
O mesmo duto que Valério construiu para Azeredo, mais tarde Dantas usou.
O Ministério Público Federal de Minas Gerais denunciou o publicitário Marcos Valério e outros 26 envolvidos no mensalão mineiro, esquema criado em 1998 para favorecer a campanha de reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB). O próprio Azeredo foi denunciado pelo Procurador-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal desde novembro do ano passado, em razão de possuir fôro por exercer mandato de senador, informa reportagem do portal G1.”
“Publicitário mineiro criou o esquema de desvio de recursos, utilizado mais tarde por Daniel Dantas no outro mensalão.
O mesmo duto que Valério construiu para Azeredo, mais tarde Dantas usou.
O Ministério Público Federal de Minas Gerais denunciou o publicitário Marcos Valério e outros 26 envolvidos no mensalão mineiro, esquema criado em 1998 para favorecer a campanha de reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB). O próprio Azeredo foi denunciado pelo Procurador-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal desde novembro do ano passado, em razão de possuir fôro por exercer mandato de senador, informa reportagem do portal G1.”
POLÍCIA DE SERRA DIZ QUE LULA MATOU 199 NO AIRBUS DA TAM
O portal “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim ontem postou o seguinte artigo:
OS ADVOGADOS DO “CAOSAÉREO” TINHAM RAZÃO: FOI LULA QUEM NÃO PUXOU O MANETE DO AIRBUS.
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”.
Toda vez que um avião tentava pousar à noite, com chuva, no Aeroporto de Congonhas, batia contra o prédio da TAM.
Por isso, durante 40 anos, houve 1.111.111.111 desastres fatais no Aeroporto de Congonhas.
O número de mortos é incalculável.
Isso ocorria, sempre à noite, com chuva, naquela pista fatal.
Uma vez, em 2007, quando um Airbus da TAM se chocou, pela enésima vez, com um prédio multi-avariado da TAM, na cabeceira da pista, o PiG decidiu que estava na hora de provocar o “caosaéreo” (*) e tentar, mais uma vez derrubar o Presidente Lula.
Os tucanos, travestidos de urubus, partiram para o ataque.
O sempre zeloso prefeito Geraldo Kassab, o da “cidade limpa”, fechou um lupanar num quarteirão vizinho.
O serrista Nelson Jobim vestiu o capacete de bombeiro e desfilou pela cabeceira da pista como Patton na Sicilia.
O presidente eleito José Serra apresentou 1001 projetos para empreiteiras que o ajudariam a tomar a posse – que lhe é devida – em 2010.
O mesmo Serra acaba de apresentar seu relatório policial sobre a tragédia da TAM, assunto publicado no Estado de S. Paulo e em diversos outros jornais.
Os principais culpados são membros do Governo Lula.
Os advogados do “caosaéreo” tinham razão: foi Lula quem não puxou o manete do Airbus.
O relatório policial de Serra não incrimina o presidente da TAM, porque “não estava no Brasil”, na hora do acidente”.
Interessante.
Como se o presidente da TAM precisasse estar no Brasil para fixar um sistema de escala que sobrecarregasse o pessoal; ou os espaços entre as paradas de manutenção das aeronaves e seus critérios; ou a política deliberada de overbooking.
O relatório policial de Serra menospreza o fato irrelevante de que os pilotos da TAM – não se sabe por quê, ainda – não pisaram no freio, ou seja, não puxaram o manete do Airbus.
Simples detalhe.
Quase desprezível, diante do fato de que todas as noites, com chuva, naquela pista fatal, morriam centenas de milhares de pessoas, em Congonhas.
Por culpa do Presidente Lula.
Mesmo quando os pilotos puxavam o freio, os aviões, todas as noites em que chovesse, não conseguiam parar e batiam no prédio da TAM.
Do primeiro para o segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo, o Presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff – aquela que, sob o codinome de Margaret Thatcher, deu o “OK” à patranha da “BrOi” – receberam José Serra no Palácio.
Bem feito.
Agora, o Presidente Lula recebe em retribuição esse relatório que manda o seu Governo para o banco dos réus.
(*) “Caosaéreo” foi como o PiG tratou das tragédias da Gol e da TAM.
O “caos” tinha a finalidade de derrubar um presidente eleito duas vezes. No caso da Gol, o PiG ignorou um detalhe de somenos importância: os pilotos americanos do Legacy desligarem o transponder, o aparelho que permite saber onde está um avião no ar. Coisa pouca, bobagem. A culpa, nesse caso, também, foi do Governo Lula, por causa de um “buraco negro”, onde caem e continuarão a cair todos os aviões que sobrevoarem a Amazônia. No “caosaéreo” da Gol, quem se notabilizou na campanha para derrubar o Presidente Lula foi a “colonista” (**) Eliane Catanhêde, que demonstrou especial inclinação por defender os coitadinhos dos pilotos americanos, que, aparentemente, não ligaram o transponder, porque estavam entretidos num videogame.
No caso do “caosaéreo” da TAM, merecem destaque Miriam Leitão e Rodrigo Bocardi. Leitão entrava ao vivo na CBN para descrever o “caosaéreo” no aeroporto em que estivesse. Bocardi fez memorável reportagem no Jornal Nacional para demonstrar que uma chuva com a intensidade da espessura de moedinha de um real poderia matar 199 pessoas.
(**) Se refere à “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais. Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem.”
OS ADVOGADOS DO “CAOSAÉREO” TINHAM RAZÃO: FOI LULA QUEM NÃO PUXOU O MANETE DO AIRBUS.
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”.
Toda vez que um avião tentava pousar à noite, com chuva, no Aeroporto de Congonhas, batia contra o prédio da TAM.
Por isso, durante 40 anos, houve 1.111.111.111 desastres fatais no Aeroporto de Congonhas.
O número de mortos é incalculável.
Isso ocorria, sempre à noite, com chuva, naquela pista fatal.
Uma vez, em 2007, quando um Airbus da TAM se chocou, pela enésima vez, com um prédio multi-avariado da TAM, na cabeceira da pista, o PiG decidiu que estava na hora de provocar o “caosaéreo” (*) e tentar, mais uma vez derrubar o Presidente Lula.
Os tucanos, travestidos de urubus, partiram para o ataque.
O sempre zeloso prefeito Geraldo Kassab, o da “cidade limpa”, fechou um lupanar num quarteirão vizinho.
O serrista Nelson Jobim vestiu o capacete de bombeiro e desfilou pela cabeceira da pista como Patton na Sicilia.
O presidente eleito José Serra apresentou 1001 projetos para empreiteiras que o ajudariam a tomar a posse – que lhe é devida – em 2010.
O mesmo Serra acaba de apresentar seu relatório policial sobre a tragédia da TAM, assunto publicado no Estado de S. Paulo e em diversos outros jornais.
Os principais culpados são membros do Governo Lula.
Os advogados do “caosaéreo” tinham razão: foi Lula quem não puxou o manete do Airbus.
O relatório policial de Serra não incrimina o presidente da TAM, porque “não estava no Brasil”, na hora do acidente”.
Interessante.
Como se o presidente da TAM precisasse estar no Brasil para fixar um sistema de escala que sobrecarregasse o pessoal; ou os espaços entre as paradas de manutenção das aeronaves e seus critérios; ou a política deliberada de overbooking.
O relatório policial de Serra menospreza o fato irrelevante de que os pilotos da TAM – não se sabe por quê, ainda – não pisaram no freio, ou seja, não puxaram o manete do Airbus.
Simples detalhe.
Quase desprezível, diante do fato de que todas as noites, com chuva, naquela pista fatal, morriam centenas de milhares de pessoas, em Congonhas.
Por culpa do Presidente Lula.
Mesmo quando os pilotos puxavam o freio, os aviões, todas as noites em que chovesse, não conseguiam parar e batiam no prédio da TAM.
Do primeiro para o segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo, o Presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff – aquela que, sob o codinome de Margaret Thatcher, deu o “OK” à patranha da “BrOi” – receberam José Serra no Palácio.
Bem feito.
Agora, o Presidente Lula recebe em retribuição esse relatório que manda o seu Governo para o banco dos réus.
(*) “Caosaéreo” foi como o PiG tratou das tragédias da Gol e da TAM.
O “caos” tinha a finalidade de derrubar um presidente eleito duas vezes. No caso da Gol, o PiG ignorou um detalhe de somenos importância: os pilotos americanos do Legacy desligarem o transponder, o aparelho que permite saber onde está um avião no ar. Coisa pouca, bobagem. A culpa, nesse caso, também, foi do Governo Lula, por causa de um “buraco negro”, onde caem e continuarão a cair todos os aviões que sobrevoarem a Amazônia. No “caosaéreo” da Gol, quem se notabilizou na campanha para derrubar o Presidente Lula foi a “colonista” (**) Eliane Catanhêde, que demonstrou especial inclinação por defender os coitadinhos dos pilotos americanos, que, aparentemente, não ligaram o transponder, porque estavam entretidos num videogame.
No caso do “caosaéreo” da TAM, merecem destaque Miriam Leitão e Rodrigo Bocardi. Leitão entrava ao vivo na CBN para descrever o “caosaéreo” no aeroporto em que estivesse. Bocardi fez memorável reportagem no Jornal Nacional para demonstrar que uma chuva com a intensidade da espessura de moedinha de um real poderia matar 199 pessoas.
(**) Se refere à “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais. Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem.”
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
QUEM ESCREVE OS EDITORIAIS DO GLOBO? ATTUCH? NÉLIO? DANTAS?
Li ontem no portal “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:
EDITORIAL DE O GLOBO DESTACA QUE PARCERIA ENTRE PROTÓGENES E DE SANCTIS “DEMONSTRA” FALTA DE LIMITES INSTITUCIONAIS
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”
“… os desdobramentos da Operação Satiagraha, sob o comando do delegado da PF Protógenes Queiroz, em parceria (?) com o Juiz Fausto De Sanctis, são fartos em demonstrar (?) que a falta de observância (sic) de limites constitucionais por agentes públicos ameaça o próprio estado de direito” (direito, amigo leitor, não de DIREITA).
É o que diz o editorial de destaque da página de Opinião do Globo
Quer dizer que, agora, “desdobramentos” “demonstram”?
Como é que um desdobramento “demonstra”?
Deus, ó Deus, onde estás Aristóteles ?
Que decisão judicial, que inquérito policial, que mandamento do código de Moisés estabeleceu que Queiroz e De Sanctis estejam em regime de “inobservância”?
Quem disse que não houve “observância” (sic)?
Que limites constitucionais não foram “observados”?
Quem prova isso?
O Nelson Jobim?
O Supremo Presidente Gilmar Mendes?
Eles dizem o que for preciso para dar posse a José Serra em 2010
Quem redige (mal) os editoriais do Globo?
Nélio Machado?
Chico Müsnich?
Leonardo Attuch, membro ilustre do Sistema Dantas de Comunicação?
Daniel Dantas não é, porque ele não sabe escrever (nem falar).
O Globo já teve editorialistas melhores.
Mesmo quando defendiam causas inglórias do Roberto Marinho – por exemplo, quando reescreviam editoriais enviados pela embaixada americana, durante a Guerra do Vietnã ….
Ah, que saudades do Otto Lara Resende!”
EDITORIAL DE O GLOBO DESTACA QUE PARCERIA ENTRE PROTÓGENES E DE SANCTIS “DEMONSTRA” FALTA DE LIMITES INSTITUCIONAIS
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”
“… os desdobramentos da Operação Satiagraha, sob o comando do delegado da PF Protógenes Queiroz, em parceria (?) com o Juiz Fausto De Sanctis, são fartos em demonstrar (?) que a falta de observância (sic) de limites constitucionais por agentes públicos ameaça o próprio estado de direito” (direito, amigo leitor, não de DIREITA).
É o que diz o editorial de destaque da página de Opinião do Globo
Quer dizer que, agora, “desdobramentos” “demonstram”?
Como é que um desdobramento “demonstra”?
Deus, ó Deus, onde estás Aristóteles ?
Que decisão judicial, que inquérito policial, que mandamento do código de Moisés estabeleceu que Queiroz e De Sanctis estejam em regime de “inobservância”?
Quem disse que não houve “observância” (sic)?
Que limites constitucionais não foram “observados”?
Quem prova isso?
O Nelson Jobim?
O Supremo Presidente Gilmar Mendes?
Eles dizem o que for preciso para dar posse a José Serra em 2010
Quem redige (mal) os editoriais do Globo?
Nélio Machado?
Chico Müsnich?
Leonardo Attuch, membro ilustre do Sistema Dantas de Comunicação?
Daniel Dantas não é, porque ele não sabe escrever (nem falar).
O Globo já teve editorialistas melhores.
Mesmo quando defendiam causas inglórias do Roberto Marinho – por exemplo, quando reescreviam editoriais enviados pela embaixada americana, durante a Guerra do Vietnã ….
Ah, que saudades do Otto Lara Resende!”
29 AÇÕES APURAM GIGANTESCO ESCÂNDALO TUCANO
Li ontem no site “vermelho” a seguinte notícia originalmente postada no blog do Dirceu:
“Balanço divulgado hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que desde que a Suíça e a França em maio desse ano levantaram e passaram a investigar supostas propinas pagas por sua multinacional Alstom, já chega a 29 o número ações abertas pelo Ministério Público do Estado (MPE-SP) para apurar irregularidades entre a empresa e o governo tucano do Estado de São Paulo.
Todas de iniciativa do MPE. O governo tucano paulista, alvo das acusações de ter recebido propina, jamais tomou a iniciativa de apurar algo ou deixou que fosse apurado. Barrou, inclusive a instalação de CPI na Assembléia Legislativa e impediu até que secretários de Estado comparecessem a outras, já instaladas, para prestar esclarecimentos.
As investigações apuram irregularidades em contratos firmados entre a multinacional e diversas estatais paulistas como o metrô, a SABESP, a Eletropaulo, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Companhia Energética do Estado.
TUCANOS FAZEM DE CONTA QUE NÃO É COM ELES
Os contratos, segundo apura a justiça na França e na Suíça, teriam possibilitado à multinacional, em troca de negócios com as estatais, pagar subornos que ultrapassam R$ 13 milhões a políticos do PSDB e a autoridades tucanas do Estado nos últimos 13 anos e meio, nos governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
Apesar dessas mais de duas dúzias de ações na Promotoria de Justiça e Cidadania, os tucanos insistem em manter a pose. Quando questionados sobre esse mar de lama ficam nervosos, mostram o bico, depois passam ao largo de tudo, recompõem-se, voltam às suas poses e fazem de conta que não é com eles. Essa é a reação invariável de tucano confrontado com o escândalo, enquanto a mídia o esconde ou, quando noticia a respeito, o faz quase como nota de rodapé.
No meu blog, acabei de descobrir que, desde maio, tenho mais de 50 notas só sobre esse caso. À espera de alguma iniciativa tucana investigatória! Quando será que os tucanos vão assumir, mostrar seu bico no caso Alstom? Por enquanto, continuam sob suas próprias penas e sob as asas de parte da mídia.”
“Balanço divulgado hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que desde que a Suíça e a França em maio desse ano levantaram e passaram a investigar supostas propinas pagas por sua multinacional Alstom, já chega a 29 o número ações abertas pelo Ministério Público do Estado (MPE-SP) para apurar irregularidades entre a empresa e o governo tucano do Estado de São Paulo.
Todas de iniciativa do MPE. O governo tucano paulista, alvo das acusações de ter recebido propina, jamais tomou a iniciativa de apurar algo ou deixou que fosse apurado. Barrou, inclusive a instalação de CPI na Assembléia Legislativa e impediu até que secretários de Estado comparecessem a outras, já instaladas, para prestar esclarecimentos.
As investigações apuram irregularidades em contratos firmados entre a multinacional e diversas estatais paulistas como o metrô, a SABESP, a Eletropaulo, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Companhia Energética do Estado.
TUCANOS FAZEM DE CONTA QUE NÃO É COM ELES
Os contratos, segundo apura a justiça na França e na Suíça, teriam possibilitado à multinacional, em troca de negócios com as estatais, pagar subornos que ultrapassam R$ 13 milhões a políticos do PSDB e a autoridades tucanas do Estado nos últimos 13 anos e meio, nos governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
Apesar dessas mais de duas dúzias de ações na Promotoria de Justiça e Cidadania, os tucanos insistem em manter a pose. Quando questionados sobre esse mar de lama ficam nervosos, mostram o bico, depois passam ao largo de tudo, recompõem-se, voltam às suas poses e fazem de conta que não é com eles. Essa é a reação invariável de tucano confrontado com o escândalo, enquanto a mídia o esconde ou, quando noticia a respeito, o faz quase como nota de rodapé.
No meu blog, acabei de descobrir que, desde maio, tenho mais de 50 notas só sobre esse caso. À espera de alguma iniciativa tucana investigatória! Quando será que os tucanos vão assumir, mostrar seu bico no caso Alstom? Por enquanto, continuam sob suas próprias penas e sob as asas de parte da mídia.”
AINDA HÁ JUÍZES EM SÃO PAULO
Lustosa da Costa ontem postou em sua coluna no jornal Diário do Nordeste:
“Nem todos no Brasil estão a serviço de Daniel Dantas, o megaguabiru das privatizações. Tanto assim que falhou, pelo menos, por enquanto sua tentativa de afastar o juiz que decretou sua prisão preventiva.
DESMORALIZAÇÃO
Os meios de comunicação, porém, continuam na insistente e bem remunerada campanha para desmoralizar o inquérito da Polícia Federal que provou as bandalheiras da quadrilha do Banco Opportunity.
DEFESA
Pelo visto tem gente importante, muito importante se aliando aos advogados de defesa de Daniel Dantas. Quanto estão levando?”
“Nem todos no Brasil estão a serviço de Daniel Dantas, o megaguabiru das privatizações. Tanto assim que falhou, pelo menos, por enquanto sua tentativa de afastar o juiz que decretou sua prisão preventiva.
DESMORALIZAÇÃO
Os meios de comunicação, porém, continuam na insistente e bem remunerada campanha para desmoralizar o inquérito da Polícia Federal que provou as bandalheiras da quadrilha do Banco Opportunity.
DEFESA
Pelo visto tem gente importante, muito importante se aliando aos advogados de defesa de Daniel Dantas. Quanto estão levando?”
APENAS BRASIL, ÁFRICA DO SUL, MÉXICO E ALEMANHA CONSEGUIRAM REDUZIR DESIGUALDADES DE RENDA ENTRE OS TRABALHADORES
Repito: observa-se na notícia a seguir transcrita, publicada ontem pelo portal UOL, o mesmo esforço de transformar fatos positivos em notícias negativas.
Já comentamos nas duas postagens anteriores que o portal UOL pertence ao grupo do jornal oposicionista e pró-Serra 2010 “Folha de São Paulo”. Por isso, faz um grande esforço para conseguir dar notícias positivas (título acima criado por este blog) travestidas de resultados muito ruins.
Observa-se no texto abaixo também o uso capcioso das conjunções adversativas para inserir aspectos negativos (“mas...). Quem lê desavisadamente fica com a sensação de que o Brasil está indo para o brejo (e somente Serra será a salvação). Vejamos o texto de Piero Locatelli, do UOL Notícias, em Brasília:
“BRASIL REDUZ DESIGUALDADE DE RENDA DE TRABALHADORES, MAS É CAMPEÃO EM MORTES VIOLENTAS, APONTA IPEA”
“O Ipea (Institudo de Pesquisas Econômicas Avançadas) comparou o desenvolvimento dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), África do Sul, Estados Unidos, Finlândia, Espanha, Alemanha, México e Argentina e constatou que destes, apenas Brasil, África do Sul, México e Alemanha reduziram desigualdades de renda entre os trabalhadores de 1990 a 2005.
O estudo "Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas" foi apresentado na manhã desta quarta-feira na sede do Ipea, em Brasília, e mostrou também que em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte. Com exceção da África do Sul, onde dispara a Aids. Na Índia, destacam-se as doenças parasitárias e infecciosas. O Brasil é o primeiro em mortes violentas; a Alemanha, a última".
Já comentamos nas duas postagens anteriores que o portal UOL pertence ao grupo do jornal oposicionista e pró-Serra 2010 “Folha de São Paulo”. Por isso, faz um grande esforço para conseguir dar notícias positivas (título acima criado por este blog) travestidas de resultados muito ruins.
Observa-se no texto abaixo também o uso capcioso das conjunções adversativas para inserir aspectos negativos (“mas...). Quem lê desavisadamente fica com a sensação de que o Brasil está indo para o brejo (e somente Serra será a salvação). Vejamos o texto de Piero Locatelli, do UOL Notícias, em Brasília:
“BRASIL REDUZ DESIGUALDADE DE RENDA DE TRABALHADORES, MAS É CAMPEÃO EM MORTES VIOLENTAS, APONTA IPEA”
“O Ipea (Institudo de Pesquisas Econômicas Avançadas) comparou o desenvolvimento dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), África do Sul, Estados Unidos, Finlândia, Espanha, Alemanha, México e Argentina e constatou que destes, apenas Brasil, África do Sul, México e Alemanha reduziram desigualdades de renda entre os trabalhadores de 1990 a 2005.
O estudo "Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas" foi apresentado na manhã desta quarta-feira na sede do Ipea, em Brasília, e mostrou também que em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte. Com exceção da África do Sul, onde dispara a Aids. Na Índia, destacam-se as doenças parasitárias e infecciosas. O Brasil é o primeiro em mortes violentas; a Alemanha, a última".
RENDA DO TRABALHADOR EM 2008 CRESCEU 3,3% EM RELAÇÃO A 2007
MERCADO DE TRABALHO BATE RECORDE EM 2008
CONTRATAÇÕES CONTINUAM CRESCENDO
Ressalto o mesmo comentário feito na postagem anterior deste blog. O portal UOL e a Folha Online pertencem ao grupo do jornal oposicionista e pró-Serra 2010 “Folha de São Paulo”. Por isso, fez ontem um grande esforço para conseguir dar notícias positivas (título acima criado por este blog) travestidas de resultados muito ruins. Quem lê desavisadamente fica com a sensação de que o Brasil está indo para o brejo (e somente Serra será a salvação). Vejamos como o portal UOL postou ontem a seguinte notícia escrita por Cirilo Junior da Folha Online, no Rio:
RENDA DE TRABALHADOR TEM MAIOR QUEDA DESDE JANEIRO DE 2006, APONTA IBGE
“A queda na renda do trabalhador foi a maior observada desde janeiro de 2006, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em outubro, o rendimento médio real foi de R$ 1.258,20, queda de 1,3% em relação ao mês anterior.
Por outro lado, de janeiro a outubro, o trabalhador recebeu, em média, R$ 1.247,16,
3,3% acima dos R$ 1.207,04 observados em igual período no ano passado.
"A redução na renda em outubro está associada ao aumento de 0,55% da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Pode ter havido também influência do maior número de pessoas entrando no mercado de trabalho.
Pode ser um reflexo do início das contratações temporárias", afirmou o coordenador da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), Cimar Azeredo.
Apesar da queda na renda, o mercado de trabalho vem passando incólume em meio à crise e deverá fechar o ano com o melhor desempenho desde o início da série histórica da PME, iniciada em março de 2002. De janeiro a outubro, a taxa de desemprego média é 8%, abaixo dos 9,6% verificados em igual período em 2007.
Para Azeredo, é bem provável que a taxa fique abaixo dos 9,3% constatados ao longo do ano passado.
"Historicamente, há mais contratações em novembro e dezembro. Foi o que aconteceu no ano passado, quando a taxa de desemprego caiu entre outubro e dezembro", afirmou.
A taxa de desemprego em outubro ficou em 7,5%, a segunda menor da série, conforme divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para Azeredo, o resultado mostra estabilidade no mercado de trabalho. Ele frisou que não houve redução estatisticamente significativa na passagem de setembro para outubro, com todas as regiões pesquisadas estáveis.
"O mercado de trabalho ainda não sentiu os reflexos da crise. Não há percepção de dispensas, e as contratações continuam acontecendo. Entre setembro e outubro, foram inseridas mais 176 mil pessoas no mercado de trabalho", observou.
O nível de ocupação, que mede a população com mais de 10 anos de idade, também é recorde. De janeiro a outubro, 52,4% dessa população está empregada. Em igual período em 2007, esse índice era de 51,4%. Em outubro, o nível de ocupação chegou a 53,5%.
Entre as regiões pesquisadas, o IBGE constatou que a taxa de desemprego de 7,7% em São Paulo foi a menor da série, deixando para trás os 7,8% observados em dezembro de 2005. Azeredo avaliou que este resultado mostra que a estabilidade econômica vem se refletindo no mercado de trabalho. São Paulo representa 40% da população ocupada verificada pela PME.
"A construção do nível atual do mercado de trabalho vem se sustentando há tempos. Esse bom momento não surgiu do dia para a noite. Embora haja um processo de crise instalado no mundo, nossa economia está arrumada", destacou Azeredo.
Fora Salvador, onde a taxa de desemprego caiu de 11,3% para 10,7%, não houve grandes variações nas outras regiões. A taxa ficou em 8,9% em Recife, 7% no Rio de Janeiro, 5,9% em Belo Horizonte e 5,6% em Porto Alegre.”
CONTRATAÇÕES CONTINUAM CRESCENDO
Ressalto o mesmo comentário feito na postagem anterior deste blog. O portal UOL e a Folha Online pertencem ao grupo do jornal oposicionista e pró-Serra 2010 “Folha de São Paulo”. Por isso, fez ontem um grande esforço para conseguir dar notícias positivas (título acima criado por este blog) travestidas de resultados muito ruins. Quem lê desavisadamente fica com a sensação de que o Brasil está indo para o brejo (e somente Serra será a salvação). Vejamos como o portal UOL postou ontem a seguinte notícia escrita por Cirilo Junior da Folha Online, no Rio:
RENDA DE TRABALHADOR TEM MAIOR QUEDA DESDE JANEIRO DE 2006, APONTA IBGE
“A queda na renda do trabalhador foi a maior observada desde janeiro de 2006, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em outubro, o rendimento médio real foi de R$ 1.258,20, queda de 1,3% em relação ao mês anterior.
Por outro lado, de janeiro a outubro, o trabalhador recebeu, em média, R$ 1.247,16,
3,3% acima dos R$ 1.207,04 observados em igual período no ano passado.
"A redução na renda em outubro está associada ao aumento de 0,55% da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Pode ter havido também influência do maior número de pessoas entrando no mercado de trabalho.
Pode ser um reflexo do início das contratações temporárias", afirmou o coordenador da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), Cimar Azeredo.
Apesar da queda na renda, o mercado de trabalho vem passando incólume em meio à crise e deverá fechar o ano com o melhor desempenho desde o início da série histórica da PME, iniciada em março de 2002. De janeiro a outubro, a taxa de desemprego média é 8%, abaixo dos 9,6% verificados em igual período em 2007.
Para Azeredo, é bem provável que a taxa fique abaixo dos 9,3% constatados ao longo do ano passado.
"Historicamente, há mais contratações em novembro e dezembro. Foi o que aconteceu no ano passado, quando a taxa de desemprego caiu entre outubro e dezembro", afirmou.
A taxa de desemprego em outubro ficou em 7,5%, a segunda menor da série, conforme divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para Azeredo, o resultado mostra estabilidade no mercado de trabalho. Ele frisou que não houve redução estatisticamente significativa na passagem de setembro para outubro, com todas as regiões pesquisadas estáveis.
"O mercado de trabalho ainda não sentiu os reflexos da crise. Não há percepção de dispensas, e as contratações continuam acontecendo. Entre setembro e outubro, foram inseridas mais 176 mil pessoas no mercado de trabalho", observou.
O nível de ocupação, que mede a população com mais de 10 anos de idade, também é recorde. De janeiro a outubro, 52,4% dessa população está empregada. Em igual período em 2007, esse índice era de 51,4%. Em outubro, o nível de ocupação chegou a 53,5%.
Entre as regiões pesquisadas, o IBGE constatou que a taxa de desemprego de 7,7% em São Paulo foi a menor da série, deixando para trás os 7,8% observados em dezembro de 2005. Azeredo avaliou que este resultado mostra que a estabilidade econômica vem se refletindo no mercado de trabalho. São Paulo representa 40% da população ocupada verificada pela PME.
"A construção do nível atual do mercado de trabalho vem se sustentando há tempos. Esse bom momento não surgiu do dia para a noite. Embora haja um processo de crise instalado no mundo, nossa economia está arrumada", destacou Azeredo.
Fora Salvador, onde a taxa de desemprego caiu de 11,3% para 10,7%, não houve grandes variações nas outras regiões. A taxa ficou em 8,9% em Recife, 7% no Rio de Janeiro, 5,9% em Belo Horizonte e 5,6% em Porto Alegre.”
EMPREGO EM OUTUBRO CRESCEU 4% EM RELAÇÃO A OUT 2007 - Nº DE OCUPADOS EM OUT É SUPERIOR AO DE SET
O portal UOL do grupo do jornal oposicionista e pró-Serra 2010 “Folha de São Paulo” fez ontem um grande esforço para conseguir dar notícias positivas (título acima criado por este blog) travestidas de resultados muito ruins. Quem lê desavisadamente fica com a sensação de que o Brasil está indo para o brejo (e somente Serra será a salvação). Vejamos o texto do UOL (negritos nossos):
TAXA DE DESEMPREGO TEM 2º MENOR RESULTADO DESDE 2002, DIZ IBGE
“O nível de desemprego nacional correspondeu a 7,5% em outubro, levemente abaixo dos 7,6% registrados um mês antes e inferior aos 8,7% de outubro de 2007.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de outubro é a segunda menor desde a criação da série histórica do indicador, em março de 2002.
O recorde, segundo o órgão, é a taxa de dezembro de 2007, que ficou em 7,4%.
Das seis regiões metropolitanas investigadas, Porto Alegre teve o menor nível de desocupação no mês passado, de 5,6%. Em seguida, veio Belo Horizonte (5,9%). Em setembro, essas taxas foram de 5,7% e 6,1%, respectivamente.
Na casa de 7%, apareceram Rio de Janeiro (7%) e São Paulo (7,7%). Em Recife, a taxa de desemprego situou-se em 8,9%, a mesma marca apurada em setembro. Salvador foi a única localidade com nível de desemprego de dois dígitos, 10,7%.
Em outubro, o contingente de desocupados nas seis regiões analisadas somou 1,785 milhão de pessoas, inferior ao registrado em setembro, quando o conjunto de pessoas sem trabalho equivaleu a 1,818 milhão. Frente a outubro de 2007, houve recuo de 11,8%.
O número de ocupados, estimado em 22,155 milhões nas seis regiões metropolitanas estudadas pelo IBGE, apresentou elevação de 0,8% na comparação com o mês anterior (21,979 milhões de pessoas).
Também superou em 4% aquele apurado em outubro de 2007 (21,301 milhões de pessoas). "Ou seja, foram criados cerca de 855 mil postos de trabalho", destacou o IBGE.”
TAXA DE DESEMPREGO TEM 2º MENOR RESULTADO DESDE 2002, DIZ IBGE
“O nível de desemprego nacional correspondeu a 7,5% em outubro, levemente abaixo dos 7,6% registrados um mês antes e inferior aos 8,7% de outubro de 2007.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de outubro é a segunda menor desde a criação da série histórica do indicador, em março de 2002.
O recorde, segundo o órgão, é a taxa de dezembro de 2007, que ficou em 7,4%.
Das seis regiões metropolitanas investigadas, Porto Alegre teve o menor nível de desocupação no mês passado, de 5,6%. Em seguida, veio Belo Horizonte (5,9%). Em setembro, essas taxas foram de 5,7% e 6,1%, respectivamente.
Na casa de 7%, apareceram Rio de Janeiro (7%) e São Paulo (7,7%). Em Recife, a taxa de desemprego situou-se em 8,9%, a mesma marca apurada em setembro. Salvador foi a única localidade com nível de desemprego de dois dígitos, 10,7%.
Em outubro, o contingente de desocupados nas seis regiões analisadas somou 1,785 milhão de pessoas, inferior ao registrado em setembro, quando o conjunto de pessoas sem trabalho equivaleu a 1,818 milhão. Frente a outubro de 2007, houve recuo de 11,8%.
O número de ocupados, estimado em 22,155 milhões nas seis regiões metropolitanas estudadas pelo IBGE, apresentou elevação de 0,8% na comparação com o mês anterior (21,979 milhões de pessoas).
Também superou em 4% aquele apurado em outubro de 2007 (21,301 milhões de pessoas). "Ou seja, foram criados cerca de 855 mil postos de trabalho", destacou o IBGE.”
INSUFICIENTE
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo de Antonio Delfim Netto:
“As medidas de socorro às atividades financeiras tomadas em todo o mundo desenvolvido e, com maior ou menor vigor, em todos os países emergentes, dão sinais que começam a funcionar. Isso se vê pela redução (ainda pequena) da taxa Libor dos juros nas transações interbancárias.
A crise que estamos vivendo simplesmente iluminou um fato conhecido desde sempre: a confiança entre os agentes é o ingrediente necessário à existência de toda a atividade econômica que se processa através dos mercados. Estes, por sua vez, só podem existir quando amparados num Estado capaz de garantir a propriedade privada que permite aos cidadãos apropriarem-se dos benefícios de sua liberdade de iniciativa e assegurar a execução dos contratos estabelecidos entre eles.
O problema da "confiança" é multifacetário (antropológico, psicológico, sociológico, econômico, teológico etc.). Já em 1979, Luhmann mostrou que esse conceito, fundamental para explicar o comportamento das sociedades tradicionais, era também central para entender o funcionamento das sociedades cuja complexidade de relações é crescente, a incerteza é generalizada, e os riscos, inevitáveis. Maximizando o reducionismo, podemos dizer que: 1º) a confiança envolve risco; 2º) o "principal" (quem confia) não tem condições de monitorar permanentemente o "agente" (em quem confia) e 3º) o "principal" não confia apenas no "agente". Espera (confia) que o Estado o substitua no seu controle.
Quando, por qualquer motivo, desaparece a confiança, os sistemas financeiro e produtivo entram em colapso. O governo inglês foi o primeiro a reconhecer que a crise era algo mais profundo do que um problema de liquidez. Tratava-se da morte súbita da confiança, o fator catalítico que controla toda a atividade econômica, o que exigia uma ação enérgica e radical do Estado.
No Brasil, é preciso reconhecer que o governo agiu corretamente e com razoável rapidez, mas sem a radicalidade necessária. O que se fez até agora não será suficiente para minimizar o custo (inevitável) da retração mundial sobre a economia brasileira. É ilusão pensar que o crescimento de 2009 está escrito nas estrelas ou em 2008. Ele será o que soubermos fazer dele com inteligência e alguma ousadia.
O governo tem sido expedito, mas tímido e desajeitado, em dar o "conforto" ao setor privado para restabelecer a confiança geral. Isso é evidente no que se refere às instituições financeiras menores (mas não menos hígidas!) que financiam a pequena indústria e o pequeno comércio, responsáveis pela maioria dos empregos.”
“As medidas de socorro às atividades financeiras tomadas em todo o mundo desenvolvido e, com maior ou menor vigor, em todos os países emergentes, dão sinais que começam a funcionar. Isso se vê pela redução (ainda pequena) da taxa Libor dos juros nas transações interbancárias.
A crise que estamos vivendo simplesmente iluminou um fato conhecido desde sempre: a confiança entre os agentes é o ingrediente necessário à existência de toda a atividade econômica que se processa através dos mercados. Estes, por sua vez, só podem existir quando amparados num Estado capaz de garantir a propriedade privada que permite aos cidadãos apropriarem-se dos benefícios de sua liberdade de iniciativa e assegurar a execução dos contratos estabelecidos entre eles.
O problema da "confiança" é multifacetário (antropológico, psicológico, sociológico, econômico, teológico etc.). Já em 1979, Luhmann mostrou que esse conceito, fundamental para explicar o comportamento das sociedades tradicionais, era também central para entender o funcionamento das sociedades cuja complexidade de relações é crescente, a incerteza é generalizada, e os riscos, inevitáveis. Maximizando o reducionismo, podemos dizer que: 1º) a confiança envolve risco; 2º) o "principal" (quem confia) não tem condições de monitorar permanentemente o "agente" (em quem confia) e 3º) o "principal" não confia apenas no "agente". Espera (confia) que o Estado o substitua no seu controle.
Quando, por qualquer motivo, desaparece a confiança, os sistemas financeiro e produtivo entram em colapso. O governo inglês foi o primeiro a reconhecer que a crise era algo mais profundo do que um problema de liquidez. Tratava-se da morte súbita da confiança, o fator catalítico que controla toda a atividade econômica, o que exigia uma ação enérgica e radical do Estado.
No Brasil, é preciso reconhecer que o governo agiu corretamente e com razoável rapidez, mas sem a radicalidade necessária. O que se fez até agora não será suficiente para minimizar o custo (inevitável) da retração mundial sobre a economia brasileira. É ilusão pensar que o crescimento de 2009 está escrito nas estrelas ou em 2008. Ele será o que soubermos fazer dele com inteligência e alguma ousadia.
O governo tem sido expedito, mas tímido e desajeitado, em dar o "conforto" ao setor privado para restabelecer a confiança geral. Isso é evidente no que se refere às instituições financeiras menores (mas não menos hígidas!) que financiam a pequena indústria e o pequeno comércio, responsáveis pela maioria dos empregos.”
NAÇÕES EMERGENTES SÃO CONSIDERADAS SALVA-VIDAS ECONÔMICOS
O jornal inglês “International Herald Tribune” publicou ontem o seguinte texto de Tom Redburn, postado em Barcelona, Espanha. Li no UOL em tradução de Deborah Weinberg:
“Os EUA talvez tenham mergulhado o mundo em uma profunda crise econômica, mas serão necessários os esforços combinados da China e de outras nações emergentes para tirar a economia global do que provavelmente será uma longa e dolorosa recessão.
Essa opinião foi compartilhada por uma série de executivos, autoridades e especialistas econômicos reunidos na segunda (17/11) e na terça-feira para uma conferência sobre o papel da China na economia global.
"A China talvez seja apenas 6% da economia do mundo. Mas, junto com a Índia, Brasil e outras grandes nações emergentes, eles representam cerca de 30% do PIB mundial. Os países emergentes são a solução para a desaceleração global geral", disse Josep Piqué, diretor da Vueling, companhia aérea com base em Barcelona.
Seu ponto de vista foi similar ao de Claude Béglé, diretor do Swiss Post, que administra a poupança pública da Suíça. Ele acredita que as nações asiáticas em desenvolvimento serão as primeiras a se recuperarem da queda, seguidas pelos EUA e, finalmente, pela Europa.
Mas nem todo mundo está tão confiante na capacidade da China e dos outros países de rápido crescimento da Ásia de promoverem uma recuperação econômica global.
"A China não pode substituir a economia americana como motor do crescimento global.
Vamos precisar de um enorme pacote de estímulo dos EUA, da ordem de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 4 trilhões), para tirar a economia global da crise financeira. Até agora, só vimos cerca de US$ 700 bilhões (em torno de R$ 1,4 bilhões). Como resultado, acredito que, no ano que vem, teremos mais dor e temor", disse Chang Dae Whan, diretor do jornal sul-coreano Maeil.
Este foi o quarto encontro anual da Reunião Empresarial Global da China em Barcelona, organizada pela firma de consultoria Horasis, baseada em Genebra, e patrocinada por várias empresas e organizações governamentais na Espanha, China e outros países, com o objetivo primário de estimular mais comércio e contatos entre a China e a Europa.
A economia chinesa, apesar de todo seu sucesso desde que emergiu do isolamento econômico nos anos 80, estava em um ponto importante de virada, que requereria um ajuste fundamental em sua abordagem ao desenvolvimento, sugeriram os participantes.
Timothy Beardson, diretor da Albert Place Holdings e consultor de empresas que fazem negócios na China, disse que esta tinha perdido uma série de vantagens que moviam seu índice de crescimento fenomenal de mais de dois dígitos dos últimos anos.
"Nos últimos dez anos, a China foi muito favorecida", disse Beardson. "Nos próximos dez anos, não vai ter situação tão boa".
Beardson apontou para vários fatores que tornarão muito mais difícil para a China depender das exportações para mover seu crescimento e melhorar seu padrão de vida em um ritmo acelerado.
Ele disse que a China gastou um percentual menor em pesquisa e desenvolvimento do que o Japão, os EUA e a maior parte das outras economias avançadas, tornando difícil para o país aperfeiçoar sua estrutura industrial. Ele também disse que a China tinha um sistema muito fraco de ensino superior e que não tinha uma rede de segurança social, o que deixava seus cidadãos temerosos com o futuro e os estimulava a economizar em vez de gastar.
O desafio mais imediato, disse ele, reside no fato de a moeda chinesa ter subido apenas modestamente contra o dólar, mas ter tido forte apreciação contra as moedas de seus competidores asiáticos e contra a maior parte das moedas européias, tornando suas exportações muito menos competitivas nos mercados globais.
"Para as empresas chinesas fazerem sucesso no futuro", elas terão que reconhecer que "sua vantagem comparativa está no mercado interno, não na economia de exportação", disse ele.
As autoridades chinesas presentes na reunião admitiram muitas dificuldades, mas deixaram claro que estavam convencidas que a nação suportaria o primeiro verdadeiro teste de sua solidez econômica desde que Pequim adotou a abordagem de mercado ao desenvolvimento. Entretanto, elas disseram que a China vai precisar trabalhar mais de perto com outras economias, incluindo a americana e européia, para superar a atual crise financeira.
"Confiança e cooperação valem mais do que dinheiro e ouro", disse Xu Kuangdi, diretor da federação chinesa de economia industrial.
China toma medidas para ajudar seus bancos
O banco central chinês inaugurou um programa especial para ajudar os bancos comerciais a superarem dificuldades de levantamento de fundos em seu mercado interbancário, disse a Reuters na terça-feira (18/11) de Xangai, cit
“Os EUA talvez tenham mergulhado o mundo em uma profunda crise econômica, mas serão necessários os esforços combinados da China e de outras nações emergentes para tirar a economia global do que provavelmente será uma longa e dolorosa recessão.
Essa opinião foi compartilhada por uma série de executivos, autoridades e especialistas econômicos reunidos na segunda (17/11) e na terça-feira para uma conferência sobre o papel da China na economia global.
"A China talvez seja apenas 6% da economia do mundo. Mas, junto com a Índia, Brasil e outras grandes nações emergentes, eles representam cerca de 30% do PIB mundial. Os países emergentes são a solução para a desaceleração global geral", disse Josep Piqué, diretor da Vueling, companhia aérea com base em Barcelona.
Seu ponto de vista foi similar ao de Claude Béglé, diretor do Swiss Post, que administra a poupança pública da Suíça. Ele acredita que as nações asiáticas em desenvolvimento serão as primeiras a se recuperarem da queda, seguidas pelos EUA e, finalmente, pela Europa.
Mas nem todo mundo está tão confiante na capacidade da China e dos outros países de rápido crescimento da Ásia de promoverem uma recuperação econômica global.
"A China não pode substituir a economia americana como motor do crescimento global.
Vamos precisar de um enorme pacote de estímulo dos EUA, da ordem de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 4 trilhões), para tirar a economia global da crise financeira. Até agora, só vimos cerca de US$ 700 bilhões (em torno de R$ 1,4 bilhões). Como resultado, acredito que, no ano que vem, teremos mais dor e temor", disse Chang Dae Whan, diretor do jornal sul-coreano Maeil.
Este foi o quarto encontro anual da Reunião Empresarial Global da China em Barcelona, organizada pela firma de consultoria Horasis, baseada em Genebra, e patrocinada por várias empresas e organizações governamentais na Espanha, China e outros países, com o objetivo primário de estimular mais comércio e contatos entre a China e a Europa.
A economia chinesa, apesar de todo seu sucesso desde que emergiu do isolamento econômico nos anos 80, estava em um ponto importante de virada, que requereria um ajuste fundamental em sua abordagem ao desenvolvimento, sugeriram os participantes.
Timothy Beardson, diretor da Albert Place Holdings e consultor de empresas que fazem negócios na China, disse que esta tinha perdido uma série de vantagens que moviam seu índice de crescimento fenomenal de mais de dois dígitos dos últimos anos.
"Nos últimos dez anos, a China foi muito favorecida", disse Beardson. "Nos próximos dez anos, não vai ter situação tão boa".
Beardson apontou para vários fatores que tornarão muito mais difícil para a China depender das exportações para mover seu crescimento e melhorar seu padrão de vida em um ritmo acelerado.
Ele disse que a China gastou um percentual menor em pesquisa e desenvolvimento do que o Japão, os EUA e a maior parte das outras economias avançadas, tornando difícil para o país aperfeiçoar sua estrutura industrial. Ele também disse que a China tinha um sistema muito fraco de ensino superior e que não tinha uma rede de segurança social, o que deixava seus cidadãos temerosos com o futuro e os estimulava a economizar em vez de gastar.
O desafio mais imediato, disse ele, reside no fato de a moeda chinesa ter subido apenas modestamente contra o dólar, mas ter tido forte apreciação contra as moedas de seus competidores asiáticos e contra a maior parte das moedas européias, tornando suas exportações muito menos competitivas nos mercados globais.
"Para as empresas chinesas fazerem sucesso no futuro", elas terão que reconhecer que "sua vantagem comparativa está no mercado interno, não na economia de exportação", disse ele.
As autoridades chinesas presentes na reunião admitiram muitas dificuldades, mas deixaram claro que estavam convencidas que a nação suportaria o primeiro verdadeiro teste de sua solidez econômica desde que Pequim adotou a abordagem de mercado ao desenvolvimento. Entretanto, elas disseram que a China vai precisar trabalhar mais de perto com outras economias, incluindo a americana e européia, para superar a atual crise financeira.
"Confiança e cooperação valem mais do que dinheiro e ouro", disse Xu Kuangdi, diretor da federação chinesa de economia industrial.
China toma medidas para ajudar seus bancos
O banco central chinês inaugurou um programa especial para ajudar os bancos comerciais a superarem dificuldades de levantamento de fundos em seu mercado interbancário, disse a Reuters na terça-feira (18/11) de Xangai, cit