terça-feira, 29 de setembro de 2009

ANTINACIONALISMO, UMA PRAGA GENUINAMENTE NACIONAL

"A imprensa brasileira vende e revende, sem parar, um costume nacional algo psicótico, a mania do brasileiro de ser antinacional. Em qualquer situação que não envolva dinheiro, devemos sempre pensar no interesse financeiro e comercial do empresariado antes de pensar em valores “ultrapassados” como a honra e a dignidade da nação.

Há alguns meses, minha filha que estuda na Austrália falou-me dessa praga que tanto constatei em minhas viagens pelo mundo. Ela acabara de iniciar um curso de inglês. No primeiro dia de aula, tendo colegas de todas as partes do mundo, disse ter sentido muita vergonha de seu país.

O professor instou os alunos das diversas nacionalidades a falarem sobre seus países. O francês, o italiano, o japonês ou o árabe, entre tantos numa classe de quase 40 pessoas, falaram maravilhas de suas pátrias. Os únicos que falaram mal do próprio país foram os colegas brasileiros de minha filha.

Fora o Brasil, conheço 15 países (ou mais, agora não estou certo) entre os das Américas, da África e da Europa. Em nenhum deles conheci um povo que faz tanta propaganda negativa de si mesmo como o nosso e que não tenha nem o mínimo do mínimo de patriotismo, palavra que, neste país, é considerada maldita.

Sempre quis saber de onde vinha isso, e agora, nesse episódio da crise em Honduras, começo a entender. O antinacionalismo histérico do brasileiro vem das classes sociais mais altas, que detêm meios de comunicação para venderem suas idiossincrasias de todos os tipos, sobretudo as mais exóticas como o nosso antinacionalismo renitente.

Temos uma elite ignorante como uma porta, neste país. Acha que está abafando ao usar palavras em inglês e em outros idiomas que considera “chique” afetar que conhece. Acha que contar ao mundo como nosso povo é inculto e cafona a torna parte de povos aos quais não pertence. Acha que depreciar o Brasil o tempo todo é prova de sei lá o quê.

Um país pequeno e paupérrimo como Honduras, que, por ação de uma elite que infesta a América Latina, também é atrasado e injusto, decide violar todas as normas do direito internacional e pisotear nosso território na forma de uma representação diplomática enquanto nossa imprensa se dedica a apoiar os ataques dessa potência ao inverso.

Um povo que não ama sua pátria é um povo sem pátria, e quando não se tem pátria não se tem valores, e quando um povo não tem valores só lhe restam a perversão, a corrupção moral, o egoísmo e a futilidade. E o pior é que esses contra-valores vêm das classes sociais que deveriam dar exemplos positivos, em vez de negativos."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães e postado hoje (29/09) em seu blog "Cidadania.com"

5 comentários:

Victor Campos disse...

Esta é sua frase: "Um povo que não ama sua pátria é um povo sem pátria, e quando não se tem pátria não se tem valores, e quando um povo não tem valores só lhe restam a perversão, a corrupção moral, o egoísmo e a futilidade". Caro amigo, devo lhe dizer que possuo relações de semelhança com a cultura do sudeste do Brasil, divido uma lingua com os Brasileiros e fora alguns regionalismos de um Carioca, não me vejo de forma alguma imerso nesse mar de "nação" que você vislumbra. Valores são criados, não por acaso, ou por "bem comum" como queria Aristóteles e os utilitaristas ingleses, mas por interesse e relações de poder. assim sendo, se quero viver como uma pessoa inteligente e não gado, devo ssim interpretar e julgar constantemente os valores que me são impostos, mudando-os e mesmo se necessário indo contra eles. Não imponho minha interpretação e valores a você, por que diabos deveria aderir aos valores da sua nação. Seu "discurso nacional" se equipara ao discurso de um crente aos ateus, lastimável!

Davi Revoredo disse...

Por favor, não propague o antinacionalismo como aliado à síndrome de vira-lata do brasileiro que tanto é reforçada pela nossa elite. O que a mídia brasileira faz é ensinar ao povo deste país que ele é inferior aos europeus e norte-americanos fazendo com que ele sempre olhe com desprezo para si mesmo. O antinacionalismo é na verdade a ausência de nação, que como nosso colega já falou aqui, o patriotismo não é algo natural da sociedade, é um sentimento imposto por relações de poder. Ser antinacionalista não quer dizer desprezar seu próprio povo, quer dizer não se sentir pertencido a nenhuma nação.

Tereza Braga disse...

Sobre os comentários anteriores, expresso o seguinte: não há vácuos separando países. No âmago da questão, dizer ser brasileiro mas antinacional, ou dizer que não se sente integrante da nação brasileira significa, como corolário, já ter sido captado culturalmente por outro poder, mesmo que não perceba. Geralmente, esse outro poder é o dominante no mundo. Há muitas décadas, para dominar o mundo, os EUA procuram cada vez mais enfraquecer o sentimento nacional em outros países, porém reforçando ao extremo o patriotismo estadunidense e suas fronteiras geográficas, criando barreiras econômicas, comerciais, migratórias.
Nos demais países, querem a livre circulação de seus produtos, a livre atuação do seu capital, dos seus megabancos, megaempresas. Sem reciprocidades.
Enfim, dominam, exploram.
Mesmo que não sejam a mesma coisa, e mesmo que não tenham consciência disso, os antinacionais brasileiros, os que se julgam sem vínculos com a nação brasileira, os esnobes que se envergonham de ser brasileiros, os com complexo de vira-lata são facilitadores desse poder dos EUA e grandes potências a eles aliadas, do seu "mercado".
Maria Tereza

JR Brandão disse...

Disse tudo . São por estes aspectos que você apontou em seu comentário que o Brasil se encontra nesse caos total ultimamente.

Tereza Braga disse...

Ao JR Brandão,
Obrigada por endossar meus conceitos. ´
Maria Tereza