terça-feira, 30 de junho de 2009

CRISE DO SENADO É PARA DESESTABILIZAR LULA. OU, SERRA, O ESCORPIÃO

“Diálogo de Paulo Henrique Amorim com um sábio jornalista (sem diploma):

Que crise é essa do Senado ?

- É para desestabilizar o Lula, responde o sábio.

- Mas, e se o Sarney se afastasse, sem renunciar, como fez o Renan ?, perguntou Paulo Henrique Amorim.

- Aí, assume o vice, o Marconi Perillo, que é do PSDB e responsável pela instalação da CPI da Petrobras.

- Mas, se o Sarney continuar lá, licenciado da presidência, não pode ser uma resistência a um Golpe ?

- Responda você mesmo, disse o sábio. Esse Marconi Perillo é acusado de cometer em Goiás todos os crimes previstos na Lei Eleitoral.

- Mas, se a popularidade do Lula está alta, qual é o interesse dos senadores da oposição em querer derrubar o Lula ?

- Arthur Virgílio, Sérgio Guerra e Tasso Jereissati, as estrelas da oposição, dificilmente se reelegem.

- Então, é um ato de desespero, pondera PHA.

- É o desespero dos alucinados, é só olhar para a cara do Arthur Virgílio.

- Mas, o Brasil não é Honduras.

- Não é Honduras, mas, se eles tomam o Senado e fecham a Petrobras, eles quebram o Lula.

- Mas, o Brasil não é a Venezuela e pode sobreviver à Petrobras.

- O Brasil não é a Venezuela, diz o sábio. Mas, a Petrobras é um símbolo. A Petrobras é Getúlio Vargas e Lula.

- E o que o Serra tem a ver com isso, pergunta PHA sobre um dos temas de sua preferência.

- A economia brasileira vai sair mais forte no fim da crise e para o Serra o circo pegar fogo pode ser uma boa ideia.

- Mas, pondera PHA, aí, o Serra pega fogo junto.

- Você conhece a fábula do Esopo, a do escorpião e a rã ?, conclui o sábio.”

FONTE: site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, publicado em 29/06/2009.

ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB) ENROLADO ATÉ À ALMA

TENTA DESVIAR A ATENÇÃO PARA SARNEY, COM AJUDA DA IMPRENSA

Vejamos a seguinte matéria do jornal do grupo pró-Serra “Folha On line”, no blog do Josias de Souza:

“ALÉM DO PSOL, VIRGÍLIO IRÁ REPRESENTAR CONTRA SARNEY

José Sarney esquadrinhou o noticiário do final de semana com lupa. Festejou a ausência de novas denúncias contra ele.

Avaliou que o refresco atenuaria a crise que eletrificou o plenário na semana passada, culminando com o pedido de Pedro Simon para que renunciasse.

Engano. Nesta segunda (29), o líder tucano Arthur Virgílio (AM) deve voltar à tribuna. Promete anunciar a decisão de representar contra Sarney.

A exemplo do PSOL, Virgílio deseja levar o presidente do Senado ao Conselho de Ética. Move-se empurrado pelo noticiário que Sarney imaginara alvissareiro.

No início da semana passada, Virgílio discursara diante de Sarney. Dissera que o ex-diretor-geral Agaciel Maia recorria à chantagem para calar o Senado.

Julgava-se, ele próprio, alvo de chantagem. Mencionara episódios que Agaciel ameaçara divulgar para constrangê-lo.

Citara o reembolso de despesas médicas de sua mãe. Dissera ter sido socorrido numa viagem a Paris, quando um hotel rejeitara o seu cartão de crédito.

Ao esmiuçar os episódios em sua última edição, a revista IstoÉ levou ao caldeirão outro dado: Virgílio mantivera em seu gabinete, em situação irregular, um assessor.

Chama-se Carlos Alberto Nina Neto. Foi secretário particular do líder do PSDB. E recebeu contracheques do Senado num período em que morou no exterior.

Ouvido pela repórter Isabel Braga, Virgílio reconheceu o erro. E voltou a investir contra Agaciel:

“Cometo a idiotice de permitir que o filho de um grande amigo permaneça ligado ao meu gabinete por um tempo, uma imbecilidade, um gesto paternal equivocado...”

“...Agaciel queria que eu me calasse para ele continuar roubando o Senado. Vou pedir que o Conselho me investigue, não tenho nada a esconder”.

Além da investigação contra si próprio, o líder tucano decidiu pedir a abertura do processo contra Sarney, que identifica como padrinho e protetor de Agaciel.

Na quarta-feira (2), será a vez de o PSOL protocolar representação contra Sarney.

No mesmo documento, o partido presidido por Heloísa Helana pedirá que sejam investigados também dois ex-presidente: Renan Calheiros e Garibaldi Alves.

Antes de aportar no Conselho de Ética, o par de representações terá de ser aceito pela Mesa diretora do Senado. Uma Mesa presidida por Sarney.

Há, de resto, um segundo obstáculo a ser transposto. Imerso em crise ética, o Senado está, desde março, sem Conselho de Ética.

Quem abre a “janela” dedicada ao conselho no portal do Senado na web depara-se com o seguinte aviso: “Colegiado aguardando instalação”.

O Conselho de Ética do Senado tem –ou deveria ter— 15 membros efetivos e 15 suplentes. O mandato dos últimos integrantes expirou em março.

Quem se anima a buscar pelos nomes dos novos membros dá de cara com um quadro “atualizado em 2 de abril de 2009. Os espaços dedicados aos nomes estão vazios.”

FONTE: Folha Online, em 29/06/2009, texto de Sérgio Lima no blog de Josias de Souza.

A MÍDIA E O GOLPE EM HONDURAS

RESPOSTA DE UM PRESIDENTE DEPOSTO A UM JORNALISTA PRÓ-GOLPE

“O golpe militar deste domingo (28) em Honduras proporcionou novos e tocantes exemplos de como funciona a mídia ''criolla'', especialmente em momentos de tensão. Como esta passagem da coletiva do presidente Manuel Zelaya no aeroporto de San José da Costa Rica, depois de ser sequestrado e levado a força para fora do país pelos golpistas.

Zelaya estava de pijama. Tivera sua residência em Tegucigalpa invadida, durante a madrugada, por soldados armados, disparando tiros. No entanto, o foco dos jornalistas – na maioria centro-americanos – era o dos golpistas.

Um dos repórteres quis saber por que o presidente ''não desistiu da consulta eleitoral que fora catalogada como inconstitucional pela Corte Suprema de Justiça e o Ministério Público''. Outro perguntou: ''Esta situação política não deriva do desacato pelo senhor de uma ordem emanada pela Corte Suprema de Justiça?''

A resposta de Zelaya entrará para o longo anedotário dos golpes militares latino-americanos: ''Se a realização de uma consulta [eleitoral] não vinculante é motivo para se arrancar um presidente de sua moradia na ponta de fuzis, colocá-lo em um avião e tirá-lo do país, e isso é democracia, de que democracia estamos falando?''

O comportamento da maioria dos sites dos jornais brasileiros acompanhou essa postura hostil à democracia. O do Estado de S. Paulo não usou uma só vez a palavra golpe. O da Folha de S.Paulo recorreu a um estratagema ainda mais hipócrita, referindo-se a um ''aparente golpe de Estado''. Dos maiores jornais, penas O Globo, justiça se faça, usou sem rodeios a palavra proibida.

Ficou explícito o posicionamento da mídia mercantil ''criolla'' na extremidade direita do espectro político latino-americano. Entre os governos, todos condenaram a quartelada, até o do presidente colombiano Alvaro Uribe. Entre os órgãos de imprensa, prevaleceu a linha de argumentação dos golpistas.”

FONTE: site “vermelho”, em 29/06/2009.

EMIR SADER: “O EIXO DO CAOS”

“A exportação dos seus problemas é uma das características da estratégia imperial dos Estados Unidos. É o complemento indispensável da “missão civilizadora” que se atribui como potência pelo mundo afora. Não houvesse um mundo selvagem fora, não se poderia justificar a ação “civilizatória” que os EUA reivindicam.

Em janeiro de 2002, George W. Bush, então presidente dos EUA, anunciou a existência de um “eixo do mal”, que promoveria o terrorismo, os ajudaria a obter armas de destruição em massa, etc., etc. Três países seriam os membros mais importantes desse eixo: Irã, Iraque e Coréia do Norte. As duas “guerras infinitas” a que se meteu os EUA se fundavam nesse enfoque: invasões do Afeganistão e do Iraque.

Agora, sem que se tenha fechado esse período, os ideólogos da doutrinas das “guerras preventivas” apontam para um novo eixo: o ''eixo do caos''. É o que anuncia Niall Ferguson, intelectual orgânico da estratégia norte-americana, na edição espanhola do Foreign Policy. Esse novo eixo contaria com “pelo menos nove membros e talvez mais”. Estariam unidos “pela perversidade de suas intenções assim como por sua instabilidade, que a crise financeira só faz piorar a cada dia”.

Segundo Ferguson, a “turbulência brutal” que caracterizaria o mundo atual teria três causas primárias: a desintegração étnica, a volatilidade econômica e o declínio dos impérios. No Oriente Médio os três fatores estaria fortemente concentrados, justificando, segundo ele, sua situação explosiva.

A revista seleciona três casos dessa lista “caótica”: Somália (“a anarquia interminável”), Rússia (“o novo estilo agressivo) e México (“as misérias causadas pela guerra do narcotráfico''). São três casos de uma lista de nove membros do suposto eixo do caos.

Gaza, a partir da frustrada ofensiva militar de Israel, viu piorar suas condições econômicas e sociais, ao mesmo tempo que fortaleceu o Hamas e enfraqueceu as forças consideradas moderadas – como o Fatah e o Egito, ao mesmo tempo que favoreciam a eleição de um governo de direita radical em Israel, dificultando mais ainda qualquer nova iniciativa de paz na região.

Claro que o Irã faz parte também desta lista, porque apoiaria às forças desestabilizadoras na região – Hezbolah no Libano, Hamas na Palestina -, possuindo armamento nuclear, enquanto sofre os efeitos da crise econômica internacional e da baixa do preço do petróleo.

O Afeganistão, evidentemente, seria outro pivô do eixo do caos, agora fazendo um casal inseparável com Paquistão. Os governos dos dois países estariam “entre os mais fracos que existem”, envolvidos entre taliban e armamento nuclear.

Outros membros do eixo seriam a Indonésia, a Turquia e a Tailândia, onde a crise exacerba os conflitos internos. Mas usar estes critérios permite estender a lista muito mais, então se fala da pirataria na Somália, na guerra na República Democrática do Congo, na violência em Darfur e em Zimbabwe. E se ameaça: “Não é arriscado dizer que a lista vai aumentar ainda este ano.” O diagnóstico remeteria a três fatores, que se articulariam entre si: “a volatilidade econômica, mais a desintegração étnica, mais um império em declive: a combinação mais letal que existe em geopolítica.” O que apontaria para o inicio de uma “era do caos”.

Os casos escolhidos servem como exemplos. A Somália seria “o lugar mais perigoso do mundo”, um “Estado governado pela anarquia, um cemitério de fracassos em política exterior que só conheceu seis meses de paz nos últimos vinte anos”, onde “o caos interminável do país ameaça devorar toda uma região.”

Na Rússia, “Putin baseou seu apoio popular em um Estado autoritário que fez crescer as rendas mais altas e devolveu à Rússia o orgulho de grande potência. Mas a crise está ameaçando tudo. E o que se avizinha pode ser pior.” Já o México estaria em um “estado de guerra”, em que os narcotraficantes “se converteram em uma autêntica insurgência. Só no ano passado a violência cobrou mais vidas do que estadunidenses mortos no Iraque. E o fim parece próximo.”

Da mesma forma que ocorria quando se anunciou “o eixo do mal”, nenhum diagnóstico global para definir o que tem a ver a globalização, a dominação imperial estadunidense, os modelos econômicos neoliberais tem a ver com isso. Se naturaliza o caos. Ele não seria uma das conseqüências da “ordem global”, da “ordem imperial”, da “ordem estadunidense” no mundo.

O terror se combatia com “guerras infinitas”. E esse suposto “caos”, quando os centros do sistema, eles mesmos, geram caos, insegurança, instabilidade, miséria, concentração ainda maior de pode e riqueza, industrias bélicas em crescente expansão? Somente outra ordem, outro mundo, pode diagnosticar e superar o caos – tanto nas periferias, quanto nos centros agonizantes do sistema financeiro global.”

FONTE: site “vermelho”, em 29/06/2009, com artigo de Emir Sader originariamente publicado no Blog do Emir.

JORNAL “WORKERS WORLD”: “CUBA, COREIA E O BELICISMO DOS EUA”

"Com a eleição de Obama muitos foram os que, nos EUA e no Mundo, foram levados a acreditar, pela esmagadora campanha conduzida pela mídia, que o imperialismo renunciaria à sua natureza. Apesar da curta vida da administração Barack Obama, os fatos encarregam-se de desiludir as, afinal, infundadas esperanças. Como seria normal esperar, se a razão dominasse a emoção", comenta o editorial do jornal americano Workers World, de 28 de junho.

"Quando se tornou claro que os países da Organização dos Estados Americanos, com uma excepção, iriam votar a 3 de Junho a readmissão de Cuba como membro, a Secretária de Estado americana, representante da excepção, abandonou a sala.

Cuba aplaudiu os esforços dos países membros para finalmente inverterem a sua expulsão da OEA, engendrada por Washington em 1962 depois do fracasso da invasão de Cuba. Contudo, Havana disse “não, obrigado” à reentrada na OEA, que durante meio século foi impedida por Washington.

A justificação que Clinton deu para ter saído foi ser a OEA uma organização de estados “democráticos” e Cuba "não ser democrática".

Este argumento não vale um tostão furado para a América Latina atual. É do conhecimento geral que Washington tem tentado minar os governos democraticamente eleitos da Venezuela, da Bolívia e do Equador. A razão é evidente: combatem na defesa dos interesses dos seus povos as empresas transnacionais sediadas principalmente nos EUA.

Há também história que chegue para desmascarar o argumento “democrático” de Hillary Clinton. Apenas um exemplo: em 1973 um golpe militar de direita conduzido no Chile pelo general Augusto Pinochet depôs o governo progressista do presidente Salvador Allende, dando início a um regime de terror. Milhares de pessoas de esquerda foram caçadas e mortas, outras torturadas e “desaparecidas”. Mais tarde, um grande leque de forças políticas condenaram os métodos fascistas de Pinochet e da sua ditadura.

No entanto, a OEA nunca suspendeu o Chile.

De fato, em junho de 1976 o então Secretário de Estado Henry Kissinger fez uma viagem especial a Santiago, no Chile, para uma reunião da Assembleia Geral da OEA. Num encontro confidencial com Pinochet a 8 de Junho, Kissinger garantiu ao ditador chileno que, embora o representante dos EUA tivesse que publicamente dizer algumas palavras sobre “direitos humanos” no seu discurso à OEA, Pinochet não tinha que se preocupar.

“O discurso não está dirigido contra o Chile,” disse Kissinger a Pinochet. “As minhas declarações e a nossa posição estão pensadas de modo a permitir-nos dizer ao Congresso que estamos em conversações com o governo chileno e que portanto o Congresso não precisa de intervir.” Se o projeto de lei pendente no Congresso contra Pinochet fosse derrotado, prometeu que o Chile teria um fornecimento de aviões de combate F-5E.

Para garantir que Pinochet percebia bem, Kissinger frisou “Agradou-nos a derrubada do governo pró-comunista daqui. (…) Não vamos enfraquecer a sua posição.”

Uma nota interna do Departamento de Estado que descreve esta conversa foi finalmente desclassificada em 1998. Kissinger, como é óbvio, não foi ainda pronunciado pelos seus muitos crimes.

Um dia apenas após a derrota de Washington na OEA, o Departamento de Justiça anunciou a prisão de um antigo funcionário do departamento de Estado e sua mulher sob a acusação de espionagem a favor de Cuba, não por dinheiro, mas por convicção pelas mudanças lá acontecidas.

Na sua coluna de 8 de junho no jornal cubano Granma, Fidel Castro apontou a “estranha” oportunidade das prisões, dado que ambos com setenta anos estão agora reformados e, se as alegações contra eles fossem verdadeiras, teriam podido ser presos há muito tempo. Acrescentou que “Talvez a prisão tenha sido determinada não só pelo tremendo desaire sofrido em San Pedro Sula [local da reunião da OEA – WW], como também pelas notícias segundo as quais houve contatos entre os governos dos Estados Unidos e de Cuba sobre importantes questões de interesse comum.”

Muita gente esperou que Washington aliviasse o implacável bloqueio a Cuba depois do fim da guerra-fria. Não aconteceu. Depois, a eleição de Barack Obama como presidente e o regresso do Partido Democrático ao controle do governo animaram nova especulação de que a política americana iria mudar. No entanto, se alguma coisa está a levar o governo a ensaiar mudanças nas relações com Cuba será o esmagador apoio que a ilha socialista tem conseguido por parte dos povos do mundo, especialmente da América Latina, da África e do Caribe.

Washington está totalmente isolada na sua hostilidade aberta contra Cuba.

O olho de Hillary Clinton está também treinado para o outro lado do mundo. A Secretária de Estado, ao aparecer no programa This Week da ABC, em 7 de junho, fez novas ameaças contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), outro país que seguiu o caminho socialista. Disse que o governo procurava maneira de "interditar" navios e aviões suspeitos de transporte de armas ou tecnologia nuclear para a RPDC.

Pondo as coisas claramente, os EUA procuram cometer um ato de guerra contra a Coreia. Trata-se de ato de guerra interceptar ou apreender um navio de outro país.

Hillary Clinton disse também que o governo procura uma maneira de inverter a decisão tomada por George W. Bush no ano passado de tirar a RPDC da lista de "apoiadores do terrorismo." Mais belicosa do que Bush? Aparentemente, sim.

É que, de fato, o Partido Democrata é responsável pela maior parte das guerras imperialistas dos EUA nos últimos 70 anos".

FONTE: site “vermelho”, em 29/06/2009, texto publicado no jornal norte-americano Workers World (www.workers.org). Traduzido por Jorge Vasconcelos, para o Diário.info.

RECONTAGEM PARCIAL DE VOTOS CONFIRMA VITÓRIA DE AHMADINEJAD

“A recontagem parcial de 10% das cédulas utilizadas na eleição presidencial de 12 de junho, no Irã, confirmou a vitória do atual presidente, Mahmud Ahmadinejad, informou nesta segunda-feira a mídia iraniana.

Segundo noticiou a agência de notícias Fars, a recontagem foi realizada em cinco cidades iranianas e os resultados foram semelhantes aos obtidos há duas semanas.

De acordo com a apuração, Ahmadinejad obteve 62,63% dos votos.

Seu rival, o ex-primeiro ministro Mir Hosein Mussavi, obteve 33,75% dos votos. Mussavi anunciou sua vitória antes dos primeiros resultados oficiais serem divulgados e, mais tarde, acusou as autoridades de fraude.

Anunciados os resultados da eleição, milhares de partidários de Mussavi foram às ruas de Teerã, saqueando e incendiando lojas, bancos e edífícios públicos.

Para deter as desordens que causaram 20 mortes — 12 cidadãos e 8 militantes do movimento Basij — e centenas de feridos, o Conselho de Guardiões, órgão supervisor das eleições, ordenou que fosse realizada uma recontagem parcial dos votos em localidades onde teriam havido suposta fraude.”

FONTE: site “Vermelho” em 29/06/2009, com matéria da Agência Noticiosa RIA Novosti da Rússia.

GILSON CARONI: HONDURAS, OS GOLPISTAS NÃO SÃO AUTODIDATAS

"Exijo do TSE que deixe de artimanhas e comece a contar os votos. Se este Tribunal não começar a contar os votos, marcharemos até ele para exigir isto". Foi com essas palavras que o então candidato do Partido Nacional, Porfírio Lobo, reagiu às projeções do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Aristides Mejia, que apontava Manuel Zelaya como virtual vencedor das eleições presidenciais de 2005. O tom de inconformismo não escondia o víés golpista que seria adotado pela oposição hondurenha, culminando na quartelada de domingo que expulsou Zelaya do país.

A insurgência militar é uma velha tradição da América Central, onde há uma extensa história de rebeliões, golpes e intervenções estrangeiras. Nesse momento, o que ocorre é a repetição de um filme cujo roteiro é conhecido por todos. A burguesia local combina seu estilo de exercício de poder com as formas tradicionais de dominação herdadas de tradições coloniais, elitistas e autoritárias.

Vivendo sucessivas conjunturas de instabilidade, o processo político hondurenho sempre foi fortemente marcado pela ininterrupta sucessão de golpes de Estado, a maioria patrocinada pelos interesses conjuntos da oligarquia nativa e das empresas bananeiras estadunidenses.

A fragilidade institucional decorre, como em outros países do continente, da incapacidade política e cultural das classes dominantes em identificar e universalizar valores próprios que representem uma forma de vontade geral aceita por todos os segmentos sociais. Somando a isso sua conhecida subalternidade externa, a otimização de seus ganhos está na raiz da impossibilidade de se tornarem grandes fiadores de uma democracia estável e real.

A rapidez dos poderes Legislativo e Judiciário de Honduras em legitimar o golpe, contando com a boa vontade da grande imprensa, é a demonstração cabal da estreiteza do “Estado de Direito” na América Central. Projetar novas concepções de organização econômica, social e política capazes de amalgamar os interesses e aspirações das grandes maiorias continua sendo, para as elites encasteladas em quartéis, parlamentos e redações, o que deputados hondurenhos definiram como “uma explícita condução irregular".

Realizar uma consulta popular para abrir caminho a uma futura Assembléia Constituinte pode ser classificado como "reiterada violação à Constituição e às leis bem como a inobservância das resoluções e sentenças dos órgãos institucionais”. Essa é a semântica aceita pela gramática política da região.

O golpe em Honduras não diz respeito apenas ao povo hondurenho. Interpela diretamente todos aqueles que reconhecem que a única garantia possível de uma de instauração de uma verdadeira ordem democrática é a qualificação de agentes sociais e políticos para os quais esse regime seja uma condição e uma exigência.

O formalismo dos golpistas não pode deixar algumas perguntas sem resposta. Como fica a cláusula democrática da OEA? Qual será o tipo de sanção imposto a Honduras? Até quando os povos centro-americanos continuarão submetidos a uma espécie de castigo histórico, um eterno retorno do beco sem saída das ações repressivas ilegais? Não é mais admissível que nossa história continue sendo escrita como contínua experiência de mutilação e desintegração disfarçada de desenvolvimento.

É fato que o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, afirmou que “seu país só reconhece Manuel Zelaya como único presidente legítimo do país e condena o golpe em andamento". O isolamento internacional também parece não conspirar a favor da extrema-direita hondurenha.

Mas em nome da verdade histórica nunca devemos esquecer que os golpistas latino-americanos podem ser qualquer coisa, menos autodidatas. Valeria a pena Mr. Lorens consultar os compêndios. Até bem recentemente a regra era apoio incondicional a regimes liberticidas.”

FONTE: site “vermelho”, em 29/06/2009, artigo escrito por Gilson Caroni Filho, publicado originariamente no site “Carta Maior”. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

EX-ALUNO DE MANGABEIRA UNGER ASSUMIRÁ ASSUNTOS ESTRATÉGICOS

“A exoneração do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (30). Mangabeira Unger se reapresentará no dia 1º de julho na Faculdade de Direito da Universidade de Havard, nos Estados Unidos, onde é professor há quatro décadas. Ele será substituído provisoriamente por Daniel Vargas, secretário-executivo, e seu ex-aluno em Harvard.

Indicado pelo vice-presidente da República, José Alencar, de quem é correligionário no PRB, Mangabeira Unger tomou posse em 19 de junho de 2007. Em dois anos de pasta, o ministro coordenou a elaboração e a negociação com os estados do Plano Amazônia Sustentável (PAS) e a Estratégia Nacional de Defesa. Mangabeira ainda articulava projetos regionais para as regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Para se reapresentar à universidade norte-americana, é preciso que Mangabeira seja exonerado. Oficialmente, o ministro deixa o governo porque expira sua licença como professor e ele perderia o posto de professor titular. Há informação, não confirmada, de que o ministro pretendia trocar de partido e por isso perderia apoio do PRB.

Nos dois anos em que comandou a Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira polemizou com a área ambiental do governo. Primeiro, com a ex-ministra Marina Silva, que saiu do Ministério do Meio Ambiente por não ter ficado com a coordenação do PAS (ganha por Mangabeira). O sucessor de Marina, Carlos Minc, também teve divergências públicas com o ministro em função de críticas ao licenciamento ambiental e ao andamento do PAS.

Mangabeira fez também críticas à condução do Bolsa Família, pois defendia que o governo deveria oferecer porta de saída aos beneficiários do programa e focar os estratos mais próximos de se integrar à classe média. Roberto Mangabeira Unger é carioca, nascido em 1947 e formado na antiga Faculdade Nacional de Direito.”

FONTE: site “vermelho”, em 29/06/2009, com informações da Agência Brasil

LULA DIZ QUE MANGABEIRA UNGER DEIXARÁ O GOVERNO

SEGUNDO PRESIDENTE, MINISTRO NÃO CONSEGUIU AMPLIAR LICENÇA DE HARVARD.

"Na semana retrasada, em nota, ele disse que pretendia ficar no governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou na tarde desta segunda-feira (29) que o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, deixará o governo por não ter conseguido ampliar sua licença de professor da Universidade de Harvard, nos EUA. O presidente não disse quem o substituirá.

Mangabeira emitiu nota na quarta-feira (17) informando que pretendia continuar no governo. A nota foi uma resposta aos boatos sobre sua saída do ministério por conta de uma possível troca de partido. Ele está no ministério a pedido do vice-presidente da República, José Alencar, que é filiado ao PRB.

Na nota, o ministro informou que o presidente Lula queria que ele continuasse no governo e que não havia qualquer problema político ou programático na relação dele com o presidente e com o governo. Além disso, ele enfatizou que vinha discutindo com a Universidade de Harvard, a prorrogação de sua licença.

Veja a íntegra da nota

Com respeito a boato veiculado num jornal hoje, a Secretaria de Assuntos Estratégicos esclarece o seguinte.

1. O Ministro Mangabeira pretende continuar no governo.

2. O Presidente Lula quer que o Ministro Mangabeira continue no governo.

3. Não há qualquer problema político ou programático na relação do Ministro Mangabeira com o Presidente e com o governo.

4. O Ministro vem discutindo com a Universidade de Harvard, da qual está licenciado, a prorrogação de sua licença.”

FONTE: portal G1, em 29/06/2009

EMBRAER: BALANÇO IMPORTAÇÃO x EXPORTAÇÃO

OPERAÇÃO DA EMBRAER EXIGE LOGÍSTICA COMPLEXA

“Ela importou 19 mil toneladas de materiais em 2008, avaliados em US$ 3,8 bilhões, algo em torno de 2,2% das importações nacionais. No ano passado, suas exportações totalizaram US$ 5,7 bilhões, o que a colocou na posição de terceira maior exportadora brasileira, com uma contribuição de 2,9% para o saldo da balança comercial do país. Para atender um movimento comercial desse porte, a Embraer montou uma logística internacional que envolve uma operação complexa, já que seus principais clientes, fornecedores e competidores estão concentrados no Hemisfério Norte.

A empresa exporta mais de 90% da produção e importa 95% das matérias-primas, partes e peças para a produção e as peças de reposição para as aeronaves que fabrica. Até maio, o volume de importação foi de US$ 1,4 bilhão.

Uma das medidas adotadas pela empresa para aumentar a eficácia do gerenciamento da sua cadeia logística foi a construção, em 2008, de um centro de armazenagem de grandes segmentos aeronáuticos (matérias-primas, fuselagens, asas e superfícies de comando, entre outros) em Taubaté (SP). O centro de distribuição de peças da Embraer está instalado em uma área total de 380 mil metros quadrados, dos quais 135,7 mil metros quadrados foram doados pela prefeitura do município e o restante adquirido pela empresa junto a proprietários privados.

O ganho logístico, nesse caso, segundo a empresa, está diretamente relacionado ao atendimento "just in time" da linha de produção. Segundo o diretor do Grupo de Expansão Industrial (GEIN) de Taubaté, Antônio Roberto Paolicchi, o investimento anunciado pela Embraer na unidade foi de US$ 16,2 milhões.

A empresa conta também com oficinas próprias e depósitos de peças nos Estados Unidos, França, China e Cingapura, além do Brasil. Ela mantém empresas próprias especializadas em manutenção de aeronaves, peças de reposição, treinamento e segmentos aeronáuticos, como a Indústria aeronáutica de Portugal (Ogma) e a Embraer Aircraft Maintenance Services (EAMS).

A Embraer possui um operador logístico nos Estados Unidos que gerencia uma média de 11,9 mil toneladas de materiais enviados pela empresa a cada ano, avaliados em US$ 2,9 bilhões. Na Europa já existe um operador aéreo para uma média de 1,1 mil toneladas de materiais por ano e um operador marítimo para 5,6 mil toneladas anuais.

No Brasil, a Embraer trabalha com dois operadores logísticos, envolvendo porto e aeroporto e 16,6 mil toneladas de produtos por ano, que correspondem em valores a US$ 3,6 bilhões. Só o despachante aéreo, segundo a empresa, cuida de 18 mil processos anualmente. No modal marítimo, o número de processos anuais emitidos pela Embraer chega a três mil. Esses números constam de uma palestra feita pela Embraer durante um evento de logística realizado recentemente em São José dos Campos.

A Embraer também possui três centros de consolidação marítimo de materiais localizados em Colchester (Inglaterra), Bilbao (Espanha) e Freiburg (Alemanha). No segmento aéreo, os centros de consolidação ficam em Londres, Paris, Milão e Frankfurt. O modal aéreo, segundo a Embraer, é responsável por 75% da sua movimentação logística, tanto para exportação quanto para importação. O marítimo tem uma representatividade maior, de 70%, quando envolve peso.

Outra ferramenta que vem trazendo ganhos expressivos na redução de custos e eficiência da sua operação logística é o regime aduaneiro Recof, que passou a utilizar desde novembro. "Diferentemente do que ocorria no regime "drawback", o Recof permite a flexibilidade para a empresa realizar a destinação de até 20% das mercadorias estrangeiras admitidas no regime, para o mercado interno, no mesmo estado em que foram importadas", explicou a empresa por e-mail.

Por esse sistema, a Embraer não precisa manter um estoque nacionalizado e outro para o atendimento da linha de produção. A substituição do regime "drawback" pelo Recof, segundo a Embraer, resultou em custos finais mais competitivos, o que viabilizou a venda de aeronaves no mercado brasileiro. Assim como o regime antigo, o Recof suspende os impostos incidentes na importação e concede isenção para a exportação.

O Recof também reduziu o ciclo de importação e a despesa de armazenagem de peças, com a passagem rápida pela alfândega. "O processo de liberação de mercadorias na alfândega, que era de dois dias, passou a ser de 12 horas, mas a nossa meta é chegar a seis horas", disse uma executiva da área de logística da Embraer, em palestra sobre o tema. Já o processo de exportação temporária de materiais, para reparo, feiras e testes, levava uma média de 15 dias para ser concluído.

Com o Recof, a empresa precisou controlar suas operações de forma mais informatizada e passou a utilizar uma Autorização de Movimentação de Bens sob o Recof (AMBRA), que dispensa a abertura de processo junto às alfândegas, o que resultou em uma redução do ciclo para 10 dias. A Embraer é a primeira empresa no Brasil a utilizar essa autorização para agilizar o desembaraço alfandegário em exportações temporárias.

Apesar de importar 95% das peças que utiliza na produção dos seus aviões, a Embraer explica que o alto índice de importação refere-se a determinados conjuntos de materiais e componentes, como aviônicos, equipamentos, segmentos e matérias-primas sem similar no mercado nacional. Toda a parte de industrialização das aeronaves, mão de obra, desenvolvimento e demais materiais de origem nacional, segundo a empresa, superam em 60% o índice de nacionalização do produto final exportado.”

FONTE : jornal Valor Econômico, em 28/06/2009, reportagem de Virgínia Silveira

ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB) PEGOU DINHEIRO PÚBLICO “EMPRESTADO” DE AGACIEL

CASO ABAFADO PELA IMPRENSA: “FOI PARA PAGAR HOTEL EM PARIS” e “ERA, UM GRANDE AMIGO MEU”...REVISTA DIZ QUE ARTHUR VIRGÍLIO NÃO DEVOLVEU.

IMPRENSA TAMBÉM ABAFOU CASO TASSO JEREISSATI (PSDB-CE), QUE USOU SUA COTA DE PASSAGEM AÉREA PARA FRETAR JATINHOS PARTICULARES (O TUCANO CULPOU DIRETAMENTE AGACIEL)


Vejamos a seguinte reportagem do jornal pró-Serra/PSDB Folha de São Paulo:

EMPRÉSTIMOS DE AGACIEL A SENADORES AMPLIAM CRISE

GABINETE DE ARTHUR VIRGÍLIO CONFIRMA QUE PEDIU DINHEIRO AO EX-DIRETOR-GERAL DA CASA

TUCANO TEM SIDO O PRINCIPAL CRÍTICO DE AGACIEL E SARNEY; BANCADAS DE PSDB E DEM VÃO DECIDIR SE PEDEM O AFASTAMENTO DO PRESIDENTE


Ameaças do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia de revelar empréstimos concedidos a senadores e definições de aliados sobre o apoio ao presidente José Sarney (PMDB-AP) vão contaminar ainda mais a crise na Casa numa semana que será decisiva para os dois.

Principal crítico de ambos desde o início da crise, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), terá de explicar um empréstimo que recebeu de Agaciel. As bancadas tucana e do DEM vão decidir amanhã se pedem o afastamento de Sarney do cargo.

Subchefe do gabinete de Virgílio, Carlos Homero Vieira Nina confirmou ontem que pediu dinheiro a Agaciel para ajudar o líder tucano a pagar uma conta de hotel em Paris, em 2003, conforme revelou a revista "IstoÉ" deste final de semana.

"O Arthur estava com um problema no cartão de crédito. Era fim de semana, então eu procurei o Agaciel, que é, ou era, um grande amigo meu", disse Nina à Folha. "Podem ter sido uns R$ 10 mil, mas não eram US$ 10 mil [como informou a revista]", completou.

DE ACORDO COM A REVISTA, O DINHEIRO NÃO FOI PAGO

O assessor do líder tucano nega. "Eu fiz uma vaquinha e paguei na mesma semana", disse. Vieira Nina não soube precisar se avisou o senador que o dinheiro depositado na conta dele era de Agaciel. "Não lembro, mas imagino que eu tenha dito sim."

Vieira Nina também admitiu que três filhos seus foram funcionários do gabinete do tucano. Virgílio afirmou que irá representar contra si próprio no Conselho de Ética.

A Folha apurou que outros senadores também já tomaram empréstimos de Agaciel. Apesar de dizer publicamente que não ameaça e não chantageia ninguém, o ex-diretor tem enviado recados por interlocutores que poderá começar a revelar outros casos parecidos com o do líder do PSDB.

Ao discursar em favor de Tião Viana (PT-AC), que perdeu a eleição para a presidência do Senado para Sarney em fevereiro, Virgílio defendeu a saída de Agaciel da Direção Geral, posto que exercia desde 1995, quando foi nomeado por Sarney. O tucano citou na ocasião que uma secretária de Agaciel tinha um automóvel BMW.

Em março, Agaciel foi demitido, após a Folha revelar que ele escondeu da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões. Foi revelado também que, a pedido do então diretor-geral, o Senado gastou R$ 6,2 milhões para pagar horas extras no recesso parlamentar. Agaciel e seu grupo passaram a creditar aos tucanos e a Tião Viana a origem das denúncias.

Em seguida, o petista teve que explicar por que emprestou um telefone celular do Senado para a filha viajar para o México. A conta custou R$ 14 mil. Em abril, quando foi revelado que Tasso Jereissati (PSDB-CE) usou sua cota de passagem aérea para fretar jatinhos particulares, o tucano culpou diretamente Agaciel.

PROCESSO ADMINISTRATIVO

Na quarta-feira, deverá ser confirmada a abertura de um processo administrativo contra o ex-diretor-geral, o que poderá resultar na sua demissão. Agaciel é o principal acusado de produzir atos secretos na Casa. A comissão de sindicância que apura o caso deverá entregar o seu relatório final. O Ministério Público Federal também abriu um inquérito relativo ao tema.

Amigo de Agaciel e padrinho de casamento de sua filha, Sarney também enfrentará dias de tensão. O DEM e o PSDB decidem amanhã suas posições em relação à situação de Sarney.

As duas bancadas questionam o fato de um neto de Sarney ser dono de uma corretora que atuou no mercado de crédito consignado do Senado. Para o DEM, o caso é parecido com o do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, cujos filhos eram donos ocultos de uma corretora que também operava no Senado.

"Não podemos ter dois pesos e duas medidas", disse o líder do DEM José Agripino.” [humilhada confissão]

FONTE: jornal Folha de São Paulo, em 29/06/2009 [título, subtítulo e entre colchetes deste blog]

LEI DE FHC/PSDB ENCARECE TELEFONIA

PREÇO ALTO DA TELEFONIA É RESPONSABILIDADE DO CONGRESSO, DIZ O MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES HÉLIO

“O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), afirmou em entrevista exclusiva ao UOL Notícias que os altos preços dos serviços de telefonia no país só serão reduzidos com uma ação do Congresso Nacional, que é quem pode rever a Lei Geral das Comunicações.

"Não é o presidente da República, não é o ministro das comunicações que pode alterar a Lei Geral das Telecomunicações (*). A lei foi feita pelo Congresso", afirmou Hélio Costa. O ministro atribuiu ao modelo estabelecido no período das privatizações a permanência da assinatura básica para os telefones.

(*) OBS: “LEI No 9.472, DE 16 DE JULHO DE 1997: Dispõe sobre a organização dos serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais, nos termos da Emenda Constitucional no 08, de 1995”

FONTE: portal UOL, em 29/06/2009.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

SENADOR DO MENSALÃO DO PSDB QUER CENSURA NA INTERNET

FISL APLAUDE LULA: PROJETO AZEREDO É CENSURA

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje em Porto Alegre, no 10 Fórum Internacional Software Livre - fisl10 - que no governo dele é proibido proibir. A frase de Lula foi uma referência ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, que propõe vigilância na internet. O presidente foi ovacionado pelos milhares de participantes em sua primeira visita ao fisl, que mostraram uma faixa a ele, pedindo que vete a lei Azeredo. Sem afirmar que vai vetá-la, mas sinalizando que se trata de censura na internet, Lula disse que antes o projeto precisa passar pelo Congresso.

O presidente chegou acompanhado da Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, do reitor da PUCRS, Joaquim Clotet, ministros e vários parlamentares, e foi recebido pelo coordenador-geral do fisl10, Marcelo Branco. Após passar pelo que considerou ''um corredor polonês'', quando visitou a exposição e a área destinada aos grupos de usuários, onde distribuiu autógrafos, abraços e pousou para fotos, Lula falou para um grupo de aproximadamente 300 pessoas, num dos auditórios do evento.

Antes do pronunciamento do presidente, falaram Marcelo Branco e a ministra Dilma. Branco afirmou que ''a revolução que estamos vivenciamos não é apenas tecnológica. É uma verdadeira mudança de atitude nas pessoas. O conhecimento não está mais apenas concentrado dentro das grandes corporações, visto que pode ser acessado de qualquer lugar pela internet''.

Muito aplaudida pelo público, a ministra Dilma Rousseff ressaltou em seu discurso os investimentos do governo federal em tecnologias livres. Segundo ela, mais de R$ 370 milhões foram economizados com a implantação de softwares que não exigem o pagamento de licenças. Ressaltou, ainda, que este dinheiro gera investimentos em importantes ações sociais.''As semelhanças que nos unem são muito maiores do que as diferenças. Estamos voltando a afirmar que um outro mundo é possível. E ele está sendo construído, aqui, por vocês'', afirmou.

Sobre o Blog do Planalto, a ministra Dilma informou se tratar de uma moderna ferramenta que se adapta a uma nova realidade. ''No Brasil, existem cerca de um mihão de blogs, produzidos por jovens com menos de 25 anos. É com este público que queremos dialogar'', explicou.

Carismático, o presidente Lula divertiu o público, com suas habituais metáforas. ''Agora que o prato está pronto, é fácil comer. Mas, elaborar este prato não foi brincadeira'', disse, referindo-se à idealização da cultura do software livre. ''Foi quando decidimos se iríamos para a cozinha preparar o nosso prato, com nossos próprios temperos, ou iríamos comer o prato que a Microsoft queria que a gente comesse, que decidimos pela liberdade'', frisou, recebendo empolgados aplausos.

Para o presidente, o software livre proporciona aos brasileiros a oportunidade da inovação, respeitando a criatividade e a particularidade do povo. ''Estamos descobrindo que ninguém é melhor do que nós. Apenas precisamos de oportunidades''.

Minutos antes do pronunciamento do presidente da República, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, se aproximou da área onde estavam os jornalistas e afirmou ser contra o projeto-lei cybercrimes, proposto pelo senador Eduardo Azeredo, que está na Câmara dos Deputados.

''Eu, pessoalmente, sou contra a lei de restrições na internet. A internet é livre, e deve se ter muito cuidado com o início de restrições para que não se inicie novamente um período de cercamento da liberdade de expressão.'' afirmou o ministro.

FONTE: site “Vermelho”, em 28/06/2009, com texto do “Fórum Internacional de Software Livre”.

CENSURADOS NO BRASIL REVELA MÁQUINA MIDIÁTICA DE AÉCIO

“Estreou semana passada na Current TV nos EUA e no dia 27 de maio no Reino Unido o filme Censurados no Brasil. O título pode causar estranheza aos distraídos, mas reflete com fidelidade a situação vigente nos meios de comunicação de massa do Brasil. Não se trata, obviamente, de uma censura legal, senão que real. É corolário de uma perversa e absoluta falta de transparência e debate democrático na mídia brasileira.

Resulta daí a desinformação mais interessada sobre questões de relevância pública. Essa situação se sustenta devido ao monopólio exercido sem controle social pelos grandes meios de comunicação social. A Rede Globo sozinha responde por mais de 50% da audiência.

Nesse quadro, é natural que a sua versão dos fatos, transmitida como se fosse informação sobre os acontecimentos, deturpe a realidade, cortando e recortando a vida real a seu bel prazer, e que o seu ponto de vista se imponha como verdade inquestionável.

Mas a Rede Globo não é o único demônio da desinformação disseminada pela indústria cultural. A Rede Bandeirantes, por exemplo, talvez a mais reacionária de todas, não tem pejo em defender os interesses do agronegócio predador, justificando cinicamente os crimes ambientais e a grilagem das terras públicas. Todas as grandes redes de comunicação social do país são empresas capitalistas e, como não poderia deixar de ser, envenenam a população com o mesmo horizonte próprio dos deuses do mercado.

O filme em questão trata das relações entre governos e mídia e fala das pressões sofridas por jornalistas e demais profissionais da imprensa empresarial.

Neste filme o foco está posto nas relações que o governo de Minas Gerais estabeleceu com a mídia. Seu mérito é o de mostrar como o poder é usado para suprimir críticas e construir uma imagem positiva do Governador Aécio Neves. Naturalmente, Aécio Neves não constitui exceção nos podres poderes que nos governam. Como o filme mostra, a opinião pública torna-se presa fácil da manipulação da mídia ''convencida'' pelas verbas oficiais e privadas de publicidade. Eis um contexto no qual praticamente toda informação é direcionada, quase nenhuma imagem ou palavra é inocente e nada do que se diz ou mostra é confiável.

Censurados no Brasil é um filme ágil, de 8 minutos, com entrevistas e exemplos. Filme que fala sobre as relações entre Aécio Neves, TV Globo e Estado de Minas. Filme produzido para a Current TV e exibido nos EUA e Inglaterra'.

Uma versão com legendas em português do filme já está no YouTube e pode ser visto em http://br.youtube.com/watch?v=R4oKrj1R91g.”

FONTE: site “vermelho” em 28/06/2009, texto do site da Fundação Lauro Campos.

O BIMOTOR BANDEIRANTE PRECEDEU A CRIAÇÃO DA EMBRAER

BIMOTOR BANDEIRANTE VOA EM 1968 E PRECEDE INDÚSTRIA AERONÁUTICA DO PAÍS

“O bimotor Bandeirante precede a criação da Embraer. Apenas após o primeiro vôo do avião, em 1968, é que o governo brasileiro decide fundar a empresa, ao antever as possibilidades de comercialização da aeronave. Porém, até a indústria aeronáutica brasileira tornar-se competitiva em termos globais, foi um longo período, informa a própria Embraer por meio de material histórico já publicado.

E conseguiu por conta do esforço anterior e determinante do setor aeronáutico. Um dos passos decisivos para a criação da Embraer foi a instituição do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), posteriormente rebatizado como Centro Técnico Aeroespacial - núcleo de excelência em conhecimentos na área. Oriundo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi responsável por formar profissionais capazes de levar adiante o projeto de indústria aeronáutica no País.

Foi justamente um grupo do CTA que propôs a elaboração de um projeto de bimotor turboélice capaz de transportar cerca de 20 passageiros e operar nas condições vigentes na grande maioria das cidades brasileiras, na ocasião. O grupo, segundo a própria Embraer, era formado, essencialmente, por técnicos do ITA, sob a liderança de Ozires Silva, na oportunidade major da FAB. O Ministério da Aeronáutica, então, encomendou um estudo sobre a viabilidade de ser criada no Brasil uma linha de produção de bimotores turboélice de transporte.

Em 12 de junho de 1965, o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes, assinou documento básico de aprovação do projeto do que viria a ser conhecido posteriormente como o Bandeirante. Para a construção do primeiro protótipo, decorreram três anos e quatro meses - entre os estudos preliminares e o vôo do dia 22 outubro de 1968.

Para isso, foram gastos 110 mil horas de projeto, tendo sido executados 12 mil desenhos de fabricação; 22 mil horas de cálculo estrutural e aerodinâmico e 282 mil horas de fabricação do avião e do seu ferramental.

DEMANDA NACIONAL

Embora o Bandeirante preceda a criação da Embraer, ele ainda é a aeronave adequada ao perfil da demanda do Brasil, onde o volume de passageiros é pequeno. No entanto, os poucos com disponibilidade para gastar com passagens aéreas no País exigem o conforto que o bimotor não tem. A difícil equação foi confirmada pelo próprio Ozires Silva, ex-presidente da Embraer.

“O grande problema do avião muito pequeno é que tem poucos passageiros. Não cobre todos os custos para operar”, explica. Pior quando a aeronave é grande. Nesse caso, nem linhas são oferecidas. “Nos Estados Unidos, em particular, muitas dessas linhas pequenas chegaram a ser subsidiadas pelo governo. Não só pelo governo federal”, comenta Silva. Mas ainda que os vôos regionais fossem estimulados, o passageiro aceitaria viajar um avião não pressurizado, mais barulhento e diversas vezes comparado a uma Kombi?

“O passageiro brasileiro tem mais posses. Voa nos aviões mais modernos do mundo. Não se sujeita. Os Estados Unidos transportaram, no ano passado, 900 milhões de passageiros. Ou seja, um pouco mais de três vezes a população americana. No ano passado, no Brasil, voaram 50 milhões. Eu me arriscaria a dizer que grande parte deles viaja, pelo menos, de cinco a dez vezes por ano, cada um. Então, se dividir, são só 10 milhões que voam. É pouquíssimo”, avalia

Não por acaso, o mercado nacional tem pouca significância para a Embraer ainda hoje. “No ano passado, a Embraer vendeu 3% da produção aqui no Brasil. O resto é tudo no Exterior”, finaliza Silva.

PROJETO DE AVIÃO ECONÔMICO

Com baixo padrão de vida e pobre em combustíveis na época, o Brasil teria de desenvolver tipos de avião cuja principal característica fosse a economia. Os aviões norte-americanos e ingleses eram dispendiosos, consta em artigo publicado pela revista “Tempo Social”, da Universidade de São Paulo (USP), e disponibilizada via Internet.

De acordo com o texto, o Brasil não deveria receber, mesmo que gratuitamente, material aeronáutico de guerra, a não ser para atender necessidades imediatas. Caso contrário, ficaria com material antiquado, caro para manter, além de tornar-se dependente de país estrangeiro para solicitar peças sobressalentes. Tal situação ainda acarretaria atraso no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. O CTA desenvolve, então, o protótipo da aeronave Bandeirante.

No entanto, informa o artigo publicado na “Tempo Social”, o modo de viabilizar sua produção em série e sua comercialização ainda era incerto. Dúvidas à parte, a Embraer já estava sendo gestada.

Ainda de acordo com o artigo, no final do anos 1960, o parque industrial brasileiro já havia amadurecido. A indústria automobilística propiciava ampla e complexa rede de apoio, que removia parcialmente o obstáculo da produção doméstica de materiais e componentes requerida para a manufatura de aeronaves.

“Nesse momento, o novo salto no projeto da indústria aeronáutica brasileira passou a ser apoiado pelo regime militar de 1964, possibilitando as condições para a criação da Embraer”, conclui o texto disponibilizado na rede. O autor do artigo pediu para não ter o nome divulgado.”

FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS É BASE PARA A INDÚSTRIA AERONÁUTICA

“O grupo de militares que liderou a criação da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Ministério da Aeronáutica tinha como objetivo, já no início dos anos de 1940, a constituição de uma indústria aeronáutica nacional, além do domínio da tecnologia necessária para a fabricação.

O projeto estratégico da Aeronáutica, do qual derivou posteriormente a fundação da Embraer, priorizou a formação de recursos humanos de alto nível, capazes não só de absorver os conhecimentos tecnológicos que surgiam de forma acelerada no cenário internacional, mas também de buscar soluções adequadas ao contexto nacional”, consta no artigo da “Tempo Social”.

Naquela época, as lideranças da Aeronáutica sabiam da impossibilidade de se montar uma indústria aeronáutica, naquele estágio de desenvolvimento da economia brasileira. Portanto, optaram por desenvolver uma escola de engenharia aeronáutica e um centro de pesquisa sobre tecnologia aeronáutica para ajudar a dar bases para as condições necessárias.

Desse modo, num País de infra-estrutura industrial mínima, incapaz de fabricar até bens de consumo leve, iniciou-se, naquela época, a formação de engenheiros aeronáuticos altamente qualificados, conforme consta em artigo veiculado pela revista e disponível na Internet.”

FONTE: site WWW.fab.mil.br, em 28/06/2009, texto de Luciana La Fortezza, do “JC NET – BAURU”.

FOLHA INSISTE NA TRAPAÇA E NA TRAPALHADA DA FICHA DE DILMA

“Quanto mais a Folha de S.Paulo tenta se safar da denúncia de manipulação intencional em sua edição sobre o ''sequestro de Delfim Netto'' pelo ''grupo de Dilma Rousseff'', mais transparente fica a sua vileza jornalística. A ''explicação'' publicada neste domingo (28) pelo jornal da dinastia Frias não convence nenhum brasileiro, mesmo leigo em jornalismo, que ponha os neurônios para funcionar.

O episódio se arrasta desde o dia 5 de abril. O internauta que desejar recuperá-lo pode recorrer às matérias do Vermelho listadas ao pé deste texto.

O RESUMO DA ÓPERA

Em linhas muito gerais:

1) em 5 de abril a Folha estampou em sua capa, sobre um pouco usual fundo vermelho, a falsidade que ilustra esta matéria' ilustrada por uma ''ficha'' de Dilma no Dops na verdade montada por sites da extrema direita;

2) no mesmo dia o professor Antonio Roberto Espinosa, ''fonte'' involuntária da falsificação, escreveu ao jornal uma longa e indignada carta, publicada com cortes convenientes;

3) nos dias 7 e 12 o ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva cobrou do jornal a publicação da íntegra, ao menos na Folha Online, jamais realizada;

4) no dia 25 a Folha admite que ''a utenticidade de ficha de Dilma não é provada''... ''bem como não pode ser descartada'';

5) no dia 30 o jornalista Luis Nassif divulga em seu blog carta enviada ao jornal dos Frias, e jamais publicada, onde a ministra acusa a matéria de ''ter características de factóide'' e faz duas perguntas simples: ''Em que órgão público a Folha de S.Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação?''.

Este é apenas o resumo da ópera.

Nele sobressaem a má vontade, a má fé, a má qualidade da falsificação jornalística e sobretudo a soberba, presunçosa e preguiçosa recusa em voltar atrás no conteúdo da armação. Se o professor Emir Sader estiver certo quando decifra a FSP como sendo a Força Serra Presidente, o jornal está prestando um porco serviço ao seu candidato.

Melhor seria fazer como no episódio da ''ditabranda'', em 17 de fevereiro: enfiar o rabo entre as pernas e reconhecer o erro de conteúdo e princípios éticos jornalísticos. Para a Folha admitir que ''o uso da expressão 'ditabranda' foi um erro'' e ''todas as ditaduras são igualmente abomináveis'' foram necessárias três semanas, um número não revelado de iradas cartas de leitores e cancelamentos de assinaturas e até uma manifestação de rua diante da sede do jornal. Quantos leitores a Folha irá perder antes de recuar desta vez?

CINCO INFÂMIAS ESCOLHIDAS

No entanto parece que a dinastia Frias tem um ritmo muito próprio para se dar conta de que foi flagrada numa situação jornalística e eticamente insustentável. O texto publicado hoje o atesta.

1. A chamada na capa é discreta, com apenas duas frases, na metade inferior da página, enquanto a outra, a vermelha, figurava bem em cima (veja as reproduções).

2. Os títulos da capa – Laudos pagos por Dilma dizem que ficha é fabricada – e da página interna – Dilma contrata laudos que negam autenticidade de ficha – destaca, inexplicavelmente, que os laudos foram ''pagos'' ou ''contratados'' (?) e apenas em segundo plano que acusam uma falsificação do jornal.

3. O texto, finalmente, responde a uma das perguntas de Dilma: a ficha não veio de nenhum órgão público, mas chegou ao jornal ''por e-mail''. Mas silencia pudicamente, ou desavergonhadamente, sobre quem enviou a mensagem.

4. Sem assinatura, apenas com a indicação ''da reportagem local'' (a quem Otavio Frias pensa que engana?), o texto supostamente distanciado e anódino repete que publicou ''uma ficha cuja autenticidade não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada''. Assevera que ''a Folha tem procurado checar a autenticidade da ficha'' e até contratou três eméritos peritos para isso, mas ''todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo''. Não seria mais fácil, rápido e eficaz perguntar logo ao remetente do e-mail?

5. Salto aqui outros ardis – de pequena e média gravidade – para chegar logo à infâmia final. Domingo é, há mais de uma década, o dia da coluna do ombudsman. Hoje, Carlos Eduardo Lins da Silva fala do jornalismo cidadão no Irã e da morte de Michael Jackson. Deve ser dura a vida de ombudsman da Folha...

Será que o ombudsman não sabia? Difícil, pois o próprio texto diz que "a ministra anexou o laudo da Unicamp em carta ao ombudsman da Folha". E cita a mensagem de Dilma:

''Diante da prova técnica da falsidade do documento, solicito providências no sentido de que seja prestada informação clara e precisa acerca da 'ficha' fraudulenta, nas mesmas condições editoriais de publicação da matéria por meio da qual ela foi amplamente divulgada, em 5 de abril de 2009'' – solicitações que o jornal da dinastia Frias se esmera em não atender.

O internauta que lê estas linhas pode pensar o que melhor lhe parecer sobre Dilma a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma a ''mãe do PAC'' e Dilma a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão dentro de 15 meses. Mas nenhum ser humano merece que se cometa contra ele tão repugnantes e continuadas indignidades jornalísticas.

SANTA JOANA D'ARC E SANTA DILMA

Dilma Rousseff, segundo uma correspondência da Embaixada dos Estados Unidos enviada ao Departamento de Estado quando ela assumiu como ministra, quando jovem presa política da ditadura ficou conhecida entre os companheiros domo ''a Joana D'Arc da esquerda''. Deve ser preciso mesmo uma paciência de santa para aturar a fogueira incineradora da Força Serra Presidente. Ainda mais quando os algozes misturam à sanha piromaníaca uma tão torpe lerdeza. Decerto nem se dão conta de que puseram fogo às próprias vestes.

Confira abaixo o texto integral do que foi publicado na Folha deste domingo:

Na capa:

''LAUDOS PAGOS POR DILMA DIZEM QUE FICHA É FABRICADA''

Dois laudos pagos pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) negam a autenticidade de ficha reproduzida pela Folha com ações armadas de grupos em que ela militou. Os opareceres são de professores da Unicamp e de perito da UnB.''

Nas páginas internas:

''DILMA CONTRATA LAUDOS QUE NEGAM AUTENTICIDADE DE FICHA''

''A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encaminhou à Folha dois laudos técnicos, por ela custeados, que apontaram ''manipulações tipográficas'' e ''fabricação digital'' em uma ficha reproduzida pela Folha na edição do último dia 5 de abril.

A ficha contém dados e foto de Dilma e lista ações armadas feitas por organizações de esquerda nas quais a ministra militou nos anos 60. Dilma nega ter participado dessas ações. A imagem foi publicada pela Folha com a seguinte legenda: ''Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu''.

O laudo produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha concluiu: ''O objeto deste laudo foi digitalmente fabricado, assim como as demais imagens aqui consideradas. A foto foi recortada e colada de uma outra fonte, o texto foi posteriormente adicionado digitalmente e é improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais''.

O laudo produzido pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília), chega às mesmas conclusões.

A ministra anexou o laudo da Unicamp em carta ao ombudsman da Folha. ''Diante da prova técnica da falsidade do documento, solicito providências no sentido de que seja prestada informação clara e precisa acerca da ''ficha'' fraudulenta, nas mesmas condições editoriais de publicação da matéria por meio da qual ela foi amplamente divulgada, em 5 de abril de 2009'', escreveu Dilma.

Em reportagem publicada no dia 25 de abril, intitulada Autenticidade de ficha de Dilma não é provada, a Folha reconheceu ter cometido dois erros na reportagem original. O primeiro foi afirmar, na Primeira Página, que a origem da ficha era ''o arquivo [do] Dops''. Na verdade, o jornal recebera a imagem por e-mail. O segundo foi tratar como verdadeira uma ficha cuja autenticidade não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada.

O jornal também publicou um Erramos com os mesmos esclarecimentos. A ministra se disse insatisfeita, questionou a nova reportagem e decidiu contratar um parecer técnico.

Para a análise, os professores descartaram a imagem da ficha reproduzida pela Folha em sua edição impressa. Captaram na internet cinco imagens ''com conteúdo similar ao utilizado pelo jornal Folha de S.Paulo''. Dentre elas, escolheram como ''objeto do laudo'' a imagem divulgada no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha, que reproduz artigos que criticam o jornal e questionam a autenticidade da ficha.

Para os peritos, a imagem do blog era a que tinha ''a maior riqueza de detalhes''. Goldenstein disse à Folha que ''todas as imagens são de uma mesma família'' e que a qualidade da imagem publicada pelo jornal não é boa o suficiente para ''análise nenhuma''.

Os professores compararam a imagem com documentos reais que supostamente teriam alguma semelhança (papel, caracteres) com a ficha questionada. Trata-se de cópias de fichas de presos pela ditadura, hoje abrigadas no Arquivo Público paulista. Escolheram as produzidas entre 1967 e 1969.

Contudo, no Erramos e na reportagem publicados no final de abril, a Folha havia explicado que a origem da ficha não era o Arquivo Público. A imagem não é datada - relaciona eventos ocorridos entre 1967 e 1969, mas pode ter sido produzida em data posterior.

Para concluir que a fotografia foi ''recortada e colada'', os professores compararam a foto de Dilma com fotos que encontraram no mesmo arquivo. A ficha questionada não informa que a foto de Dilma foi obtida naquele arquivo.

Sobre a impressão digital contida na ficha, os peritos apontaram não ser possível nenhuma conclusão, devido à baixa qualidade da imagem.

CRIMES NEGADOS

Ouvido pela Folha na última quinta-feira, Goldenstein disse que não leu o blog do jornalista em que captou a imagem analisada e tampouco a reportagem original da Folha. ''Não estou criticando o que a Folha fez. Vou ser bem sincero, eu nem li a reportagem original da Folha. Não cabe a mim julgar absolutamente nada. Meu papel é analisar essas imagens digitais que estão circulando na internet. O que a ministra me pediu: 'É possível verificar, é possível um laudo sobre a autenticidade/origem da imagem? É possível dizer se vieram ou não do Arquivo Público?'.''

Doutor em ciência da computação pela Universidade de Pennsylvania (EUA), ele diz que foi o primeiro laudo externo que produziu em sua carreira. A ficha questionada era uma das imagens que ilustrava a reportagem original cujo título foi: Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto.

Na carta à Folha, Dilma escreveu: ''Reitero que jamais fui investigada, denunciada ou processada pelos atos mencionados nesse documento falso e de procedência inidônea, ao qual não se pode emprestar nenhuma credibilidade''.

A Folha tem procurado checar a autenticidade da ficha. Foram contatados três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais.

Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem. Disseram que a análise de uma imagem contida num e-mail não seria suficiente para identificar uma eventual fraude.''

FONTE: site “vermelho”, artigo de Bernardo Joffily, em 28/06/2009.

PETROBRAS - ENTREVISTA DE GABRIELLI AO "ESTADO DE SÃO PAULO"

ENTREVISTA CONCEDIDA PELO PRESIDENTE DA PETROBRAS, JOSÉ SERGIO GABRIELLI DE AZEVEDO, AO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO, EM 26 DE JUNHO DE 2009.

ENTREVISTADOR: ESSA SEMANA VAI (SER INSTALADA A CPI)?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não sei. Eu acho que o Congresso vai decidir o que fazer. Imagino que a dinâmica interna parlamentar vai determinar o que os congressistas vão decidir. Eu não tenho a menor opinião hoje nesse momento, sobre se vai instalar ou não vai instalar.

ENTREVISTADOR: VOCÊ AINDA TEM DÚVIDA SE VAI INSTALAR OU NÃO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Eu não sou senador. Eu sou presidente da Petrobras.

ENTREVISTADOR: MAS OLHA SÓ, VOCÊ PERCORREU OS GABINETES LÁ DO SENADO ANTES DA CRIAÇÃO DA CPI PARA TENTAR CONVENCER OS SENADORES DE QUE NÃO HAVIA NECESSIDADE, QUE VOCÊS PODERIAM PRESTAR OS ESCLARECIMENTOS. EU ME LEMBRO DISSO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nós continuamos com a mesma opinião.

ENTREVISTADOR: QUAL FOI A SUA SENSAÇÃO DAS CONVERSAS QUE VOCÊ TEVE COM OS PARLAMENTARES?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Os parlamentares concluíram que precisavam instalar a CPI, porque leram o pedido de instalação e ele foi lida no Senado. Portanto, do ponto de vista do ritual e do processual legislativo, ela está lida e ela vai ser instalada.

ENTREVISTADOR: EU SEI, MAS NA CONVERSA QUE VOCÊ TEVE VOCÊ SENTIA REALMENTE QUE HAVIA UMA DISPOSIÇÃO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Eu conversei com os senadores e alguns senadores achavam que não havia necessidade. Os senadores da oposição acharam que tinha que ter uma CPI. A nossa argumentação, muito explícita desde aquele momento, é que os temas que estão nos requerimentos estão sob investigação de órgãos competentes para fazer a investigação: a Polícia Federal, o Ministério Público, o TCU, a Receita Federal, os diversos órgãos de fiscalização da Companhia, e que, portanto, a investigação que a CPI poderia trazer, do ponto de vista legal, que é uma comissão de investigação de fatos determinados, ela provavelmente contribuiria muito pouco. O que poderia trazer problema é a criação de um clima nacional de denúncia para buscar denúncia para criar a possibilidade de investigar coisas que vão aparecer. Então, isso na língua portuguesa antiga chama-se “coscuvilhice”. E isso é que é o problema, porque a CPI, legalmente, tem que ser criada para fato determinado. E nós continuamos achando a mesma coisa. Evidentemente que nós não temos competência legal de dizer sim ou não à CPI. Nós temos que obedecer. Uma vez criada a CPI, nós temos que atender os requisitos da CPI. Ponto. Não tem alternativa para nós.

ENTREVISTADOR: AGORA, NESSE SENTIDO, ESTÃO SURGINDO HOJE UMAS REPORTAGENS SOBRE A HISTÓRIA DE REMUNERAÇÃO DOS DIRETORES.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Pois é, esse um exemplo, infelizmente até o Estadão entrou nessa matéria muito ridícula, porque ela é uma matéria que não tem fato novo nenhum, porque inclusive a divulgação disso é da nossa própria assembléia geral, que é pública. A informação refere-se à remuneração dos dirigentes da Companhia de forma bastante truncada, envolve um claro indício de crime de quebra de sigilo fiscal, porque, aparentemente, o repórter que fez a matéria para o Correio Braziliense obteve de forma fraudulenta informações fiscais que são protegidas pelo sigilo fiscal. Dessa maneira, portanto, de um lado ela é evidência de um crime. De outro lado, do ponto de vista dos valores, são bastante modestos comparados com empresas do mesmo tamanho. Se você compara, por exemplo, com a Petrobras… todos os dirigentes da Petrobras receberam R$ 7 milhões em 2007…

ENTREVISTADOR: R$ 7 MILHÕES?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
No ano de 2007, você teve R$ 7 milhões e 108 mil da autorização de pagamento para diretores e conselho da Petrobras.

ENTREVISTADOR: AH, TÁ. ISSO TODO MUNDO JUNTO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Todo mundo junto. R$ 7 milhões 108 mil para todo mundo junto (diretores e conselheiros). O Itaú teve R$ 244 milhões, o Bradesco R$ 170 milhões, o Unibanco R$ 153 milhões, a Gerdau R$ 59 milhões, Vale R$ 43 milhões, Sadia R$ 16 milhões, Perdigão R$ 14 milhões, Aracruz R$ 9 milhões, CSN R$ 9,5 milhões. Portanto, a Petrobras é a menor de todas. Então, do ponto de vista da comparação com empresas brasileiras, ela é a menor de todas. Se você comparar com as empresas internacionais, então, a Petrobras teve US$ 485 mil, a Exxon teve US$ 13,7 milhões, a BP US$ 4,2 milhões, Eni US$ 3,7 milhões, Total US$ 1,9 milhões.

ENTREVISTADOR: MAS O QUE EU VI ALI, DAQUELE QUESTIONAMENTO, NÃO É TANTO PELO VALOR, MAS PELO REAJUSTE.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Eu vou chegar lá. Primeiro o valor, o valor é pequeno. Como é que se chega a esse valor? O valor dos salários dos dirigentes da Petrobras, dos diretores da Petrobras, é o teto da remuneração da carreira da Petrobras. Nós ganhamos em torno de 10% acima do maior gerente, o presidente ganha em torno de 15% acima do maior gerente, e os diretores 10% acima do maior gerente.

Portanto, se você tem um salário que é baixo, para diretores e presidente, no que se refere à indústria, você achata toda a cadeia de salários da Companhia. Então, todo salário da Companhia é atrelado ao teto da Companhia, que é dado pelos diretores e pelo presidente. Consequentemente, você tem um achatamento. O que acontece com isso?

Você torna mais vulnerável os profissionais da Companhia às atrações de mercado. Como é que nós evitamos isso? Como é que nós deixamos de perder talentos? Nós temos a política de retenção de talentos. Essa política de retenção de talentos envolve uma carreira profissional de longo prazo, envolve treinamento, envolve condições de trabalho adequadas, envolve um compromisso, uma transferência de valores, de compromisso das pessoas, uma avaliação de condições de satisfação dos trabalhadores, e a história da Companhia. Os valores da Companhia, que faz com que ela seja uma Companhia em que as pessoas gostam de trabalhar. Mesmo ganhando menos, elas ficam na Companhia. Então esse é um problema. E um terceiro elemento importante é o reajuste. O reajuste dos salários dos diretores da Petrobras acompanhou o reajuste dos acordos coletivos dos trabalhadores, porque se ele é teto, acompanha os acordos coletivos.

ENTREVISTADOR: ENTÃO ESSA DESVINCULAÇÃO COM A INFLAÇÃO…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Essa desvinculação… Não tem nada a ver com a inflação. O reajuste dos trabalhadores da Petrobras não é relacionado com a inflação. Os trabalhadores da Petrobras tiveram um aumento real, sim, tiveram um aumento real nesses últimos anos. Não tem um aumento relativo à inflação. Então, houve um aumento real dos trabalhadores que ganharam inclusive, do ponto de vista da remuneração, em termos percentuais, mais do que os diretores. O reajuste dos empregados foi, se não me engano, de 62% e dos diretores, de 55%. Do ponto de vista do reajuste, não tem nada anormal e, particularmente, a partir de 2008, por decisão da assembléia, o salário dos diretores está congelado. O salário dos empregados vai depender do acordo coletivo. Mas o salário dos diretores está congelado.

ENTREVISTADOR: EU ME LEMBRO… FALAMOS DA CRISE…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Exatamente. Então nós estamos com os nossos salários congelados, a partir de 2008 para 2009. Os trabalhadores não têm congelamento, que vai depender da negociação do acordo coletivo, e até 2007 nós acompanhamos o aumento dos trabalhadores. Portanto, do ponto de vista do aumento, não tem nada que motive um escândalo. Do ponto de vista do valor, é muito abaixo do que o mercado paga.

Aliás, é sistemático, os gerentes da Petrobras, os maiores gerentes, o pessoal mais experiente da Petrobras ganha menos do que a média de mercado. Isso dá uma boa pauta, vou sugerir a vocês fazerem, qualquer empresa que acompanha o mercado, faça um estudo sobre isso. Existem estudos publicados mostrando a distribuição dos salários de pessoal equivalente a uma empresa como a Petrobras e, portanto é exclusivamente “coscuvilhice”. É tentativa de criar fofoca muitas vezes repetida para virar verdade.

ENTREVISTADOR: VOCÊS NÃO DIVULGAM O VALOR ABSOLUTO DE CADA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Individuais não.

ENTREVISTADOR: AGORA, NÃO SERIA MAIS CONVENIENTE DIVULGAR PELO MENOS O VALOR PAGO AOS CONSELHEIROS? PORQUE TEM MUITA GENTE ALI QUE É INDICADA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Eu vou pedir o salário total da diretoria do Estadão…. Total e individual. Por que tem que sempre individualizar o salário dessa gente?

ENTREVISTADOR: MAS EU DIGO DOS CONSELHEIROS QUE SÃO PESSOAS…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Os conselheiros recebem 10% do que os diretores recebem. A maior remuneração da Petrobras foi R$ 59 (mil). Faça a conta. Ele ganha 10%, nem de tudo, não é de R$ 59 (mil). Conselheiro não ganha PLR (participação nos lucros e resultados), conselheiro não tem 13º, conselheiro não tem férias. Então, com certeza, é relativamente muito pequeno para o tamanho da Petrobras, com o volume de decisões que se toma numa companhia dessas. Certo? São mais de 1.500 pautas por ano que a diretoria decide.

ENTREVISTADOR: GABRIELLI, TEM UMA DATA PARA INSTALAÇÃO DA CPI OU EU ESTOU ENGANADA? NÃO ERA DIA 30, DIA 30 AGORA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, não tem data. A data é uma decisão de acordo com os membros do Congresso.

ENTREVISTADOR: MAS O QUE ESTAVA CIRCULANDO É QUE SERIA ESSA SEMANA. NÃO É ISSO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Isso daí é um problema de acordos parlamentares que existem ou deixam de existir. A Petrobras está acompanhando isso de longe.

ENTREVISTADOR: VOCÊ ACHA QUE ESSES NOVOS TEMAS PODEM ENTRAR NA INVESTIGAÇÃO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Do ponto de vista legal, da nossa avaliação, não, porque são temas que não estão sendo pedidos na CPI. São temas que estão sendo criados. Há uma sistemática clara, se vocês observarem a imprensa, nos últimos meses, ela tem, no fim de semana, uma matéria bombástica de acusação contra a Petrobras. Na segunda-feira, uma suíte que reproduz essa matéria na boca de alguns parlamentares de oposição, pedindo para entrar na CPI. Isso é sistemático. Você pega toda semana, ou é O Globo, ou é o Estadão, ou é a Folha de S. Paulo, ou é uma revista, é sistemático. Nos últimos 6, 7, 8 meses.

ENTREVISTADOR: E VOCÊ FALOU A RESPEITO DESSA ÚLTIMA MATÉRIA QUE INDICAVA UM CRIME FISCAL?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nessa tem um crime fiscal. A empresa vai tomar providências, nosso jurídico está avaliando tomar providências do ponto de vista do que fazer. É evidente que como o crime de sigilo fiscal é um crime de ação pública, talvez nós tenhamos que representar ao Ministério Público. Nós estamos decidindo ainda o que fazer, mas já há um crime fiscal ali, assumido pelo repórter,…

ENTREVISTADOR: MAS CONTRA O REPÓRTER?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
É contra o repórter e contra o jornal.

ENTREVISTADOR: NÃO CONTRA A FONTE QUE PASSOU…?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
A fonte ele não revela. Nós não podemos. A matéria é assinada. A suíte que foi feita hoje pelo sr. Amauri Ribeiro Júnior repete esse crime, ele assume que houve uma quebra de sigilo fiscal, porque ele tem documentos enviados à Receita Federal. Está explícito, assinado, a matéria é assinada por ele. Ele está assumindo um crime. Não pode ficar impune uma coisa dessas.

ENTREVISTADOR: POR FALAR EM QUEBRA DE SIGILO, AGORA TAMBÉM, COM TODA ESSA QUESTÃO LEVANTADA EM TODA ESSA COBERTURA DE CPI, É A QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Esse é outro elemento…

ENTREVISTADOR: DO SANTAROSA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Esse é outro elemento absurdo do que está acontecendo, é outro tipo de situação absurda do que está acontecendo. Você tem uma investigação que ocorre em 2006. Essa investigação de 2006 para cá, ela continua em nível de sigilo jurídico, sigilo judicial, segredo de justiça. Nós não fomos intimados, quer dizer, nós e o Santarosa, diretamente, não fomos nunca intimados para falar. Nunca foi consultado, nunca houve nada diretamente em relação a ele. O jornal O Globo publica uma matéria cujo lead é uma imprecisão absoluta em termos do texto, se a quebra do sigilo refere-se ao período de 2006, ou se foi pedido em 2006… Não fica claro isso. Os nossos advogados procuram investigar lá, em Cuiabá, onde está esse pedido. Procuram identificar o processo. Não conseguem identificar. E O Globo continua publicando matéria sobre algo que ninguém consegue identificar. Só tem uma fonte, que é a fonte muito exclusiva do Globo, que é algo estranhíssimo.

ENTREVISTADOR: É UM PROCURADOR, NÃO É?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não sei se é um procurador. Porque o procurador, se ele divulgou isso, ele quebrou o sigilo fiscal. Se ele fez isso, ele quebrou o segredo de justiça. Não acredito que ele deve ter feito. Se ele fez, ele quebrou o segredo de justiça.

ENTREVISTADOR: O QUE JÁ INVALIDARIA O PROCESSO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
O que já invalidaria o processo. Então, consequentemente, algo estranho, algo muito estranho, que está acontecendo.

ENTREVISTADOR: MAS PREOCUPA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Que não é algo estranho no sentido de quem está interpretando que isso é apenas a criação de factóides. Coscuvilhices, mexericos.

ENTREVISTADOR: MAS PREOCUPA A QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO DE SANTAROSA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, a quebra de sigilo telefônico é uma decisão judicial que ocorre, e que pode ser feito. O problema não é a quebra do sigilo telefônico, se tem uma investigação, o problema não é esse. O ponto é: onde é que O Globo conseguiu a informação de que houve esse pedido? Quem passou essa informação para O Globo? Por que a essa informação só tem acesso O Globo? Por que essa informação é imediatamente reproduzida por alguns senadores de oposição? Será que tem algum esquema de criação de fatos? Artificiais? Não há dúvida.

ENTREVISTADOR: E O QUE VOCÊ ATRIBUI ESSE FATO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Atribuo a uma ideia de tentar viabilizar uma CPI que vai buscar o que investigar. Que não tem foco, que não sabe o que fazer.

ENTREVISTADOR: POR ISSO QUE VOCÊ ACHA QUE A CPI PODE NÃO SER INSTALADA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, eu não posso dizer que a CPI não vai ser instalada.

ENTREVISTADOR: MAS VOCÊ JÁ TEVE ALGUMA INDICAÇÃO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Eu não posso dizer. A CPI está lá para ser instalada. Se vai ser instalada ou não, é de âmbito interno do Parlamento.

ENTREVISTADOR: VOCÊ JÁ TEVE ALGUMA INDICAÇÃO DE QUE PODE NÃO OCORRER?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não posso, não tenho essa indicação, eu sou parte externa ao processo. Eu sou investigado enquanto presidente da Petrobras.

ENTREVISTADOR: A GENTE PODE VOLTAR UM POUQUINHO À PARTE DO SANTAROSA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Pode.

ENTREVISTADOR: É UMA PARTE ASSIM QUE PARECE QUE HÁ UMA MAIOR VULNERABILIDADE PARA TER PROBLEMAS.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, não há vulnerabilidade.

ENTREVISTADOR:…ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS… PRIMEIRO ME EXPLICA UMA COISA, POR QUE A ÁREA DELE, A GERÊNCIA. COMO É QUE EU CHAMO? NÃO É DIRETORIA.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Gerência Executiva de Comunicação Institucional.

ENTREVISTADOR: A GERÊNCIA EXECUTIVA DELE ESTÁ FORMADA POR INTEGRANTES DO PT…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, não é verdade. Não é verdade.

ENTREVISTADOR: É VERDADE, OS CINCO GERENTES, OS GERENTES, OS SUB-GERENTES, EU NÃO SEI COMO A GENTE PODE EXPLICAR. OS GERENTES REGIONAIS DELE SÃO TODOS LIGADOS AO PT E AO MOVIMENTO SINDICAL.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
A Petrobras tem 3 mil e tantos gerentes.

ENTREVISTADOR: ESTOU FALANDO DOS GERENTES REGIONAIS DA ÁREA DELE.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Quatro gerentes regionais.

ENTREVISTADOR: MAS TEM MAIS UM.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
A imprensa é subordinada ao Santarosa. A responsabilidade social é subordinada ao Santarosa. O patrocínio esportivo é subordinado ao Santarosa. O patrocínio cultural é subordinado ao Santarosa. Propaganda e publicidade é subordinada ao Santarosa. O planejamento de gestão da área publicitária é subordinado ao Santarosa. Então não é verdade o que vocês estão fazendo. Vocês estão pegando gerentes regionais que têm histórias sindicais absolutamente legítimas, profissionais de longo tempo da Companhia.

ENTREVISTADOR: NA ÁREA DE COMUNICAÇÃO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Na área de responsabilidade social tem. Na área de articulação com a comunidade. Na área de vinculação institucional com o poder público, na área de relação com a comunicação interna. Inclusive por terem sido sindicalistas eles têm essas relações. Por terem sido sindicalistas, é positivo. Não é negativo terem sido sindicalistas, não é uma coisa ruim ter sido sindicalista, isso é uma coisa positiva. Então, portanto, não se pode ter uma conotação negativa porque nós temos sindicalistas na Companhia. Primeiro, nós não temos só sindicalistas, segundo que ter sindicalistas não é uma coisa ruim, é bom.

ENTREVISTADOR: NÃO É DISSO QUE A GENTE ESTÁ FALANDO. A GENTE ESTÁ FALANDO DA COINCIDÊNCIA, DA CÚPULA DESSA ÁREA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não é verdade…

ENTREVISTADOR:…ESTAR LIGADA AO PT.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Isso não é verdade… Isso factualmente não é verdade.

ENTREVISTADOR: ENTÃO ESSES CARGOS TODOS SÃO ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO SANTAROSA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Sim, é evidente que ele tem que escolher as pessoas em quem ele confia. Qual é o problema? Não é verdade que o critério de composição das gerências de Comunicação Institucional seja critério partidário e sindical, não é verdade, os números mostram isso. A Comunicação Institucional não trata apenas de jornalismo, ela envolve toda responsabilidade social da Companhia, o que significa os milhares de projetos que temos com as comunidades que se relacionam conosco.

Temos quatro linhas de atuação para responsabilidade social. A primeira linha é a geração de oportunidades de emprego e renda, em que temos vários projetos. Nós temos uma linha que é criança e adolescente: combate ao trabalho infantil, combate à exploração sexual da criança e do adolescente. Nós temos a linha que é de montagem de redes sociais, de relacionamentos sociais. Nós temos um programa que é reconhecido como um benchmark mundial de patrocínio à responsabilidade social, que é o Programa Petrobras de Desenvolvimento e Cidadania. Nós desenvolvemos tecnologias de avaliação de projetos sociais que são benchmark mundiais. Nós somos reconhecidos pelo Pacto Global, pelo Global Report Initiative e por várias instituições internacionais como excelência na gestão de responsabilidade social. O nosso relatório de responsabilidade social que, por sinal, vai ser divulgado o do último ano segunda-feira (29/6), é padrão internacional de relatórios de responsabilidade social. Então, nós temos orgulho da nossa responsabilidade social, e não vergonha.

ENTREVISTADOR: MAS A VAGA NÃO DEVERIA SER PREENCHIDA POR ALGUÉM QUE ESTIVESSE GALGANDO OS DEGRAUS…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
E é. A responsabilidade social envolve milhares de projetos. Milhares de projetos. Portanto precisa ter controle, sucessão…

ENTREVISTADOR: ENTÃO O QUE EU QUIS DIZER, GABRIELLI, DAQUELES PROJETOS TODOS QUE APARECERAM, QUE ESTÃO FALANDO DE COISAS QUE SÃO PUBLICADAS, INFUNDADAS. E AQUELAS OBRAS QUE RECEBERAM DINHEIRO DA PETROBRAS? SE FOI LÁ PROCURAR A ONG E NÃO TINHA ONG NENHUMA.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não é verdade! Esse fato aí é outro, pegaram uma foto! Eu vou pedir para mandar para você a foto verdadeira. Vamos pegar a foto. Esse caso particular dessa ONG aqui do Rio de Janeiro é uma outra fabricação falsa! Pode-se evidenciar isso claramente. A gente não tinha o blog antes para desfazer. Hoje a gente já tem, que é para fazer esse tipo de combate. É exatamente mostrar o seguinte: o repórter pegou uma foto de um lugar que não era onde está funcionando o projeto e publicou como se fosse!

ENTREVISTADOR: NÃO FOI O ESTADÃO, O ESTADÃO NÃO É FEITO AQUI NO RIO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, foi O Globo! O Globo!

ENTREVISTADOR: É, MAS O ESTADÃO TAMBÉM FOI PROCURAR O PROJETO…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
O Ifas que é o caso do Estadão, é um processo que nós tomamos iniciativa de processar. Nós tomamos a iniciativa. Porque, evidentemente, se eu tenho milhares de projetos, nem todos vão performar…

ENTREVISTADOR: ANTES OU DEPOIS?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Antes! Antes dos jornais, nós tomamos a iniciativa! Antes dos jornais!

ENTREVISTADOR: AGORA, UMA COISA QUE EU NÃO ENTENDO É QUANDO VOCÊ FALA ASSIM: A PETROBRAS TEM 240 MIL CONTRATOS. NÃO PODEMOS DIZER QUE TODOS SÃO CORRETOS. COMO A PETROBRAS NÃO PODE DIZER QUE TODOS OS 240…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não posso. Porque em 240 mil contratos, você tem que garantir que todos os 240 mil contratos devem ter seguido uma sistemática. Agora, por isso você tem a sistemática, você tem a auditoria, você tem corregedoria, você tem avaliação posterior, você tem segurança empresarial, você tem avaliação externa, você tem investigações particulares de evidência. Porque isso significa que é um sistema muito grande, que você tem que fazer com que o sistema esteja funcionando. Agora, nada é perfeito. Você tem que, encontrando as imperfeições, corrigir as imperfeições. Você precisa corrigir as imperfeições.

ENTREVISTADOR: SE SÃO 240 MIL E SÃO MUITOS…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Quanto a gente gasta em sistemas? Quanto a gente gasta em auditorias? Quanto a gente gasta em controle da informação interna? Quanto a gente gasta em contabilidade? Quanto a gente gasta em avaliação direta do projeto? Quanto a gente gasta em supervisão de atividades? Quanto a gente gasta em treinamento? Isso são milhões e milhões e milhões de dólares.

ENTREVISTADOR: COMO É QUE A PETROBRAS ESTÁ SE PREPARANDO PARA ESSA SEMANA SE A CPI FOR INSTALADA? QUAL A ESTRATÉGIA DA EMPRESA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
A Petrobras está pronta para responder todos os temas do requerimento. Todos os temas do requerimento. Nós não temos problema nenhum. Se quiser eu posso passar um por um deles para você ver.

ENTREVISTADOR: QUANTAS PESSOAS ESTÃO ENVOLVIDAS ESPECIFICAMENTE DA PETROBRAS?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Especificamente da Petrobras, em tempo integral, eu acho que nós devemos ter umas 20, 30 pessoas só, mas a empresa está toda mobilizada. Por acaso eu pedi, antes de vocês chegarem, pedi quantas pautas… a imprensa tem nos dado um trabalho bastante razoável. De 19 de maio a 29 de maio, nós tivemos 53 pedidos de pauta. De 1° de junho a 26 de junho, 108 pedidos de pauta. Certo? 108 pedidos de pauta. Perguntas, nós tivemos 121 perguntas de 19 de maio, e 146 agora. Cada pergunta dessas, você mobiliza 30, 40, 50 pessoas. A pergunta vai até a ponta.

ENTREVISTADOR: VAI PEGAR TAMBÉM A DEMANDA QUE TEVE QUANDO VOCÊS ANUNCIARAM O PRÉ-SAL. ISSO ACONTECE…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Tudo bem, eu não estou me queixando. Eu estou dizendo, eu estou dando a dimensão da mobilização que tem internamente. Você tem que pegar o gerente e parar. Isso aqui é só para a imprensa. Aí eu pego todo o meu setor de orçamento, todos os engenheiros de orçamento para responder ao TCU. Porque tem que responder. Então para de fazer os orçamentos para os projetos e vai fazer respostas ao TCU.

ENTREVISTADOR: NESSE CASO JÁ?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Porque quando intensifica a questão, você tem que responder. Você tem que botar o pessoal para trabalhar. Eu tenho hoje dificuldade de constituir comissões de licitação. Porque o cara não ganha mais para fazer parte da comissão de licitação, só sabe que pode ter um problema com o TCU. Então, ele vai se recusar a participar da comissão de licitação.

ENTREVISTADOR: POR QUÊ? E VOCÊ ACHA QUE O TCU TEM ALGUMA COISA DIRIGIDA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, não é nada dirigido. É porque há compreensões diferentes sobre o que é um processo licitatório da Petrobras. Isso é uma grande diferença entre a (lei) 8.666 e (o decreto) 2.745. Por que que essa diferença? Porque a Lei 9.478, que é a lei do petróleo, que é a lei que acabou com o monopólio estatal do petróleo da Petrobras. A Petrobras, pela lei 2004, era a executora do monopólio estatal da União. O monopólio estatal da União continua em vigor porque é constitucional. Porém, a Lei 9.478 acabou com a lei 2004. Então, ao acabar com essa lei 2004, essa nova 9.478, que é uma lei assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, essa lei dizia o seguinte: a Petrobras tem que competir, em condições iguais às de outras empresas. Então, se ela tem que competir em condições iguais às de outras empresas, ela não pode seguir as mesmas normas do setor público. Porque o setor público não compete com as outras empresas. Então, a lei diz, no artigo 65, que tem um decreto que vai dizer quais são as regras para licitação da Petrobras. Esse decreto é o decreto 2.745. Esse decreto foi assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 98. E esse decreto, portanto, é o que a lei manda que seja aplicado à Petrobras. Esse decreto, a AGU – Advocacia Geral da União – disse que a Petrobras tem que cumprir. E o TCU acha que nós não temos que cumprir esse decreto, tem que cumprir a 8.666. Toda vez que a gente recorreu a STF, o STF ainda não decidiu nenhuma decisão sobre o mérito, mas todas as decisões liminares do STF são de que cumpra o 2.745. Então esse é um conflito que envolve grande parte do nosso problema com o TCU. E é um problema que nós não temos como resolver.

ENTREVISTADOR: POR QUE NÃO CHEGOU AO MÉRITO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Bom, isso é pergunta para o STF. Eu não vou me posicionar sobre o STF. O STF tem o seu ritmo.

ENTREVISTADOR: TEM UM BOCADO DE LIMINARES, IMAGINO…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Temos várias liminares, várias liminares.

ENTREVISTADOR: AGORA VOCÊ TEM QUE FAZER UMA MOBILIZAÇÃO TODA PELA CPI, PELO TCU, ISSO DE ALGUMA FORMA ESTÁ IMPACTANDO JÁ O ANDAMENTO DE NEGÓCIOS, RENOVAÇÕES DE CONTRATOS? EU OUVI DIZER QUE HOUVE UMA EMPRESA FALANDO QUE NÃO TEM CONSEGUIDO RENOVAR O CONTRATO COM A EMPRESA.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nós estamos diminuindo o ritmo, eu diria. Nesse momento, já começou a impactar ritmo de algumas coisas porque tem gente que não pode, por exemplo, fechar orçamento porque está tratando de outras coisas. Não é ainda significativo.

ENTREVISTADOR: COMO É QUE A GENTE DIMENSIONA ISSO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não tem como dimensionar claramente, mas, se eu tenho, por exemplo, um setor de orçamentos, que trabalha fazendo orçamentos e tem prazos para fazer orçamentos. Orçamento interno, nosso, que é fundamental para que nós possamos fazer licitação, porque nós temos que comparar o preço que vem de fora com o nosso orçamento. Então, se eu levaria um tempo para fazer orçamento, devo levar agora um tempo ‘x’ mais alguma coisa porque os nossos técnicos também estão voltados para responder problemas internos, o tempo aumenta. Então isso tem um impacto. Esse tipo de impacto é possível. Se eu tenho dificuldade para constituir comissões de licitação, isso passa também a ter um impacto. Porque eu levaria um tempo para fazer uma comissão de licitação e agora eu vou levar um outro tempo ou treinar pessoas novas, etc., para fazer comissões de licitação. E quando a gente fala nisso, a gente está falando em milhares de coisas, não são uma ou duas. São milhares! Milhares, literalmente milhares!

ENTREVISTADOR: E VOCÊ ACHA QUE, SE ISSO CONTINUAR, DURANTE QUANTO TEMPO QUE VAI REALMENTE PREJUDICAR O ANDAMENTO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não é possível prever. É uma pergunta impossível de responder porque você não sabe a profundidade. O que tem acontecido nesses dois últimos fins de semana são coisas escandalosas. Quer dizer, o que aconteceu na imprensa sobre esses elementos dos salários, da quebra do sigilo fiscal dos salários dos diretores, e o que aconteceu sobre a quebra do segredo de justiça do Santarosa… Vale tudo! Você pode criar, recriar, realimentar, redefinir e tentar fazer escândalo. Felizmente, as pessoas começam a perceber que tem um monte de escândalo que não tem fundamento, tem muita espuma e não tem realidade.

ENTREVISTADOR: A PETROBRAS ESTÁ PREPARADA PARA UM VALE-TUDO TAMBÉM?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nós estamos preparados para um vale-tudo. Ainda não atacamos ninguém… Não atacamos ninguém ainda, só temos nos defendido.

ENTREVISTADOR: O QUE É UM VALE-TUDO PARA VOCÊ? VOCÊ FALOU EM 20, 30 PESSOAS ENVOLVIDAS NESSA HISTÓRIA, EXCLUSIVAMENTE, 24 HORAS, COM CPI, DAQUI, NÃO É?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não. Todo o país.

ENTREVISTADOR: MAS DA PETROBRAS.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
É.

ENTREVISTADOR: VOCÊS TAMBÉM CONTRATARAM OUTRA CONSULTORIA DE GERENCIAMENTO DE CRISE?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, o gerenciamento de crise nós estamos fazendo. Agora, temos outras companhias que estão dando apoio de assessoria de imprensa. A CDN que vocês falaram tanto.

ENTREVISTADOR: CDN E TEVE MAIS, NÃO É?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Toda empresa, em uma situação de crise, se fortalece nas relações com os públicos. Isso é padrão. Nós precisamos ter apoio porque é uma crise. Nós estamos tratando isso. Nós temos uma sistemática.

Nós temos um procedimento. Essa é uma empresa que tem procedimentos escritos, tem regras. Ela não pode ser diferente, porque, dado o tamanho dela, tem que ter tudo isso. E há procedimentos para crise. Há um comitê de crise permanente. E esse comitê de crise se amplia ou muda sua composição em função do tipo de crise. Mas tem pessoas que permanentemente, diariamente, fora da CPI, tratam de crise. Crise como um acidente aéreo que envolve nosso pessoal. Nós tratamos como uma crise. Um derramamento em um determinado momento. A gente trata isso como uma crise. O roubo de laptops, tratamos isso como uma crise. Uma greve dos trabalhadores da Petrobras, tratamos como uma crise. Um evento em que aconteça alguma coisa especial, nós tratamos como uma crise. Então isso é um procedimento. Esse procedimento foi acionado nessa crise. Só que essa crise é um pouco maior. Então, esse comitê de crise geralmente reproduz a estrutura que está relacionada com a crise. Como essa atinge todo mundo, tem gente de todas as áreas. Essas pessoas passam a se dedicar exclusivamente, naquele momento agudo da crise, a tratar do problema. E é assim que a gente funciona. Não é só nesta crise. É um procedimento padrão que nós temos em qualquer crise. E evidentemente que, dado o tamanho dessa Companhia e dado o tamanho dessa crise em particular, porque ela é ampla, geral, irrestrita e ilimitada, porque não se sabe de onde vem. Uma semana é mamona, outra semana é festa de São João. Na outra semana, é salário dos diretores. Na outra semana é caso dos aloprados. Ninguém sabe para onde vai.

ENTREVISTADOR: HOUVE ALGUMAS OPERAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, eu vou falar exatamente dos cinco temas da CPI. Vamos ver o caso das águas profundas. O que foi o caso das águas profundas? O caso das águas profundas é uma ação do Ministério Público e da Polícia Federal com ampla participação da Petrobras desde o seu início. A Petrobras colaborou inteiramente com o processo desde o seu primeiro momento. Tanto que nós, internamente, levamos um tempo, em comum acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, para não tomar nenhuma providência para não afetar as investigações. Demitimos dois funcionários, suspendemos três. Então, isso está no âmbito da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, em pleno andamento. O que a CPI vai contribuir para isso? Não sei. O segundo tema.

ENTREVISTADOR: CASTELO DE AREIA.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
O segundo tema, Castelo de Areia, é uma investigação que chega a uma empresa que participa de um consórcio da refinaria Abreu e Lima. Esse é um processo em que se identifica uma diferença de interpretação do que é custo unitário, como se mede custo de terraplanagem, se o custo de terraplanagem de uma refinaria pode ser usado como custo de terraplanagem de uma estrada. Como é que se medem excessos de profundidade e água. Presença de água. Solo expansível. Isso são discussões técnicas que estão em pleno andamento entre a Petrobras e o TCU. O terceiro tema da CPI é sobre um eventual aumento de custos de plataformas com o TCU. O que é isso? Ao nosso entendimento, interpretamos que isso se refere a ajustes cambiais realizados quando houve uma variação substantiva do câmbio brasileiro em 2004/2005.

ENTREVISTADOR: NÃO É TER UM ADITIVO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não é ter um aditivo, é referente a variações, revisões de condições econômicas em função da variação cambial, isso está em discussão com os técnicos do TCU desde 2007. Não tem nada novo. Isso é uma discussão que está lá desde 2007. O tema é extremamente excitante, mobilizador e emocionante, que é o tema do regime de caixa e regime de competência para como fazer o pagamento de imposto de renda sobre variações cambiais no exterior. É um tema que eu, pessoalmente, como economista, acho maravilhoso. Para fazer uma CPI para isso, eu acho uma coisa exótica, porém está lá como requerimento da CPI. No máximo seria uma discussão entre a Petrobras e a Receita Federal. E sequer isso existe, porque não fomos ainda intimados, porque a Receita Federal não pode nos intimar, porque a declaração que nós vamos fazer é em junho. As pessoas físicas fizeram a declaração de Imposto de Renda em março. As pessoas jurídicas vão fazer em junho. Portanto, só depois de junho que pode ter uma discussão com a Receita Federal. No entanto, a CPI está aí colocada como um tema, “manobra contábil”, “manobra fiscal”, que para nós é absolutamente ridículo esse tipo de acusação porque nós temos absolutamente certeza de que fizemos tudo absolutamente dentro das condições legais e das condições regimentais.

ENTREVISTADOR: E RETORNAR AO SISTEMA ANTIGO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Retornar ao sistema antigo, não. O que aconteceu? Nós usamos um crédito que nós tínhamos porque pagamos a mais. Nós não pagamos a menos, nós pagamos a mais. E usamos o que pagamos a mais para deixar de pagar durante três meses o que pagamos a mais. E como foi usado isso, esgotou-se o crédito e volta a se pagar. Não porque mudou de procedimento, mas porque o crédito acabou. Normal. Você, quando desconta seu Imposto de Renda, ou você paga seu imposto de renda ou você recebe devolução. Por que se recebe devolução? Porque você pagou durante o ano. Você tem um crédito. No Brasil, o imposto se paga de duas maneiras: ou com crédito fiscal que você já tem, ou com dinheiro que você vai pagar. Isso é regra brasileira.

ENTREVISTADOR: MAS NÃO TEM AQUELA HISTÓRIA DE VOCÊ TEM QUE DECIDIR PARA O ANO INTEIRO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
A regra é que você só pode fazer a mesma forma o ano inteiro. Se você altera, você tem que recalcular tudo, foi o que nós fizemos. Você tem que recalcular tudo até que você apresente a declaração do ano. Para pagar de uma forma só. Você não pode pagar durante um período de uma forma e durante outro período de outra. No ano, você tem que pagar de uma forma só. Por isso leva o crédito, exatamente por isso leva o crédito. Senão não tem nenhum crédito.

ENTREVISTADOR: NÃO HÁ AÍ TAMBÉM UMA RIXAZINHA DA RECEITA COM A PETROBRAS?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, a Receita, não poderia nem comentar sobre a Petrobras, porque seria também quebra de sigilo fiscal. A Petrobras é um contribuinte como outro qualquer. O tratamento que a Receita tem que dar à Petrobras é igual ao tratamento que ela dá às pessoas físicas e pessoas jurídicas em geral. Não pode ser diferente. O ponto final é uma coisa sobre festas juninas, ONGs e patrocínios. Eu acho que envolve um conjunto de preconceitos contra os nordestinos, que é escandaloso. A festa junina é uma festa que é mais importante, talvez para muitos do Nordeste, do que o carnaval.

ENTREVISTADOR: ENTÃO VAMOS FALAR DO CARNAVAL.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nós fizemos o carnaval também. Nossa presença no carnaval foi, em muitos momentos, criticada e estamos presentes. Estamos presentes não só na festa, mas na estrutura social, do apoio social das escolas de samba do Rio de Janeiro, das escolas de samba de São Paulo. Participamos de festas étnicas e de outras origens étnicas brasileiras. O mosaico da cultura brasileira, ser brasileiro, a relação da Petrobras com a brasilidade é uma coisa que é orgulho da Petrobras, não é uma vergonha. O critério para apoiar festa de São João é onde tem festa de São João tradicional. O fato de um jornal, a Folha de São Paulo, publicar: ‘Ah, mas vocês fizeram a festa para Sergipe e Bahia. E em Sergipe e Bahia, todos os dois governadores são governadores do PT.’ Só que o jornal esqueceu que nós começamos em 2005. E os dois governadores eram do PFL, do Democratas. Por que é na Bahia e em Sergipe? Porque, primeiro, tem festa de São João. Segundo, nesses dois estados há a maior presença a Petrobras no Nordeste.

ENTREVISTADOR: NÃO HÁ, ENTÃO, UMA ESCOLHA DE PREFEITURAS, UMA ESCOLHA PARTIDÁRIA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
É uma escolha de onde tem festa de São João. Neste caso, não sei o número exato, tem 11 prefeituras do PT. Mas não é porque as cidades têm São João que é prefeitura do PT. Coincidiu. Outras são do DEM, do PSDB, do PMDB, dos outros partidos. É só fazer a conta. São fatos. Entra no blog que está lá. O número está lá. É livre acesso.

ENTREVISTADOR: FALANDO NO BLOG, VOCÊ DIZ QUE A PETROBRAS ESTÁ PRONTA PARA COMPRAR UMA BRIGA…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Não, não queremos comprar briga nenhuma. Nós estamos nos defendendo apenas.

ENTREVISTADOR: POR ENQUANTO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Nós estamos nos defendendo. Vamos nos defender. Agora, o ataque faz parte da defesa também. Nós não temos ataque nenhum ainda.

ENTREVISTADOR: E QUANDO COMEÇA?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Bom, não vamos nem queremos começar ataque nenhum. Não tem muito por quê. Nós estamos nos defendendo.

ENTREVISTADOR: O BLOG JÁ FOI UM ATAQUE…

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
O blog é defesa. Blog é difusão de informação da Petrobras. É difusão de fatos e dados. É combate a distorções, é combate a interpretações equivocadas.

ENTREVISTADOR: VOCÊS VÃO MANTER O BLOG DEPOIS DA CPI?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Vamos manter o blog. Comecei uma nova seção que é “perguntas à imprensa”. Vamos começar cobrir matéria da imprensa também.

ENTREVISTADOR: COBRIR MATÉRIAS COMO?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
É um veículo de comunicação.

ENTREVISTADOR: É UM BLOG COM CONTEÚDO JORNALÍSTICO.

JOSÉ SERGIO GABRIELLI:
Com conteúdo jornalístico. É claro.

FONTE: Blog Fatos e Dados, da Petrobras, em 28/06/2009.

O BOLSA DITADURA TORNOU-SE UMA INDÚSTRIA

"O assalto à bolsa da Viúva conseguiu o que 21 anos de perseguições não conseguiram, avacalhou a velha esquerda

Se alguém quisesse produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.

Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.

O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes. No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.

O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.

É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.

No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.

Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)

O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.

Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"

FONTE: artigo de ELIO GASPARI na Folha de São Paulo, em 28/06/2009.

FORÇAS ARMADAS, QUESTÃO INDÍGENA E MEIO AMBIENTE

MP DA AMAZÔNIA

“O presidente Lula sancionou nesta quinta-feira (25) a Medida Provisória 458/2009, que legaliza a terra para os posseiros, dentro de certos limites e circunstâncias, tendo vetado o artigo 7º que previa a legalização à empresas e pessoas que não vivem na área e parte do artigo 8º, referente as pessoas jurídicas.

Saudamos a MP como o início da legalização da ocupação, legalização sempre evitada pelos traidores do INCRA, que sempre diligenciaram para manter a Amazônia sem proprietários legais, pois assim poderiam levar avante seu projeto comunista de terras coletivas, sem se dar conta que o despovoamento atrai todas as cobiças estrangeiras.

Somente a propriedade pode fixar definitivamente o homem à terra. Mesmo com o erro dos vetos, a MP foi o melhor ato do presidente, e o coloca, malgrado o crasso erro na Raposa, a frente de todos os presidentes da “nova república”. Naturalmente que a MP recebeu amargas críticas da Ex-ministra do atraso e do alegre min. do Meio Ambiente, mas isto só mostra que está no caminho certo.

Eu posso dizer que as ONGs não estão dizendo a verdade quando dizem que a medida provisória incentiva a grilagem de terras no Brasil. O que nós queremos fazer é exatamente garantir que as pessoas tenham o título da terra, para ver se a gente acaba com a violência neste país. É isso que nós queremos fazer, e vamos fazer", afirmou Lula em Alta Floresta (MT)

Enfim, uma afirmação que merece crédito)

O EVOLUIR DA CRISE FINANCEIRA

O sistema financeiro internacional nunca foi tão fraco e indefeso. O G8 parece um clube moribundo em que a gente já pergunta para que serve. Aa liderança americana já é uma sombra de si própria que tenta desesperadamente conservar compradores para os seus títulos do tesouro. O sistema monetário mundial está em plena desintegração com os russos e os chineses em o seu jogo para se posicionarem no mundo pós-dólar. Não se vê melhoria no horizonte. As emissões para "salvar bancos" somente aumenta a quantidade de moeda sem os bens correspondentes. Alguns países ainda deverão enfrentar uma onda de falências até o fim do ano

O EVOLUIR DA QUESTÃO INDÍGENA

O Movimento Indigenista, argumentando que as terras cedidas ou ocupadas pelas tribos indígenas, já não pertencem aos Estados Nacionais dão o primeiro e indispensável passo para buscar seu reconhecimento nos foros internacionais....

A Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que reúne entidades indígenas do Peru, Guiana, Bolívia, Brasil, Equador, Venezuela, Guiana Francesa, Suriname e Colômbia postula o surgimento da Abya Yala, uma América utópica que extinguiria os atuais países, dando lugar a nações indígenas.

DECLARAÇÃO DE MAMA QUTA TITIKAKA

Reunidos em La Pagarina Mayor de Lago Mama Quta Titikaka, 6.500 delegados das organizações representativas de povos indígenas originários de 22 países declaram sua decisão de construir Estados Plurinacionais Comunitários Reconstituição dos territórios e nações originárias.... Lutar por novas constituições visando a criação de Estados Plurinacionais ...

“Reconstituir nossos territórios ancestrais; Exigir a consulta e o consentimento prévio, em língua própria, Exigir a despenalização da folha de coca; Organizar um Tribunal de Justiça próprio; Exigir status de Lei Nacional à Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas da ONU, construir a Organização de Nações Unidas de Abya Yala e do Mundo.” (Mama Quta Titikaka, 31 de maio de 2009)
O resultado dessa ideologia já se sentiu com violência no Peru. Lideres ianomâmis ameaçam que violência vivida por índios no Peru pode acontecer no Brasil

É CLARO QUE HAVERÁ REAÇÃO

Cerca de 70 famílias de agricultores retirados da Raposa Serra do Sol que aguardavam liberação de um lote pelo Incra, o invadiram para garanti-lo, devido a chegada de nove famílias indígenas. “Já que os índios costumam invadir terras e o Governo Federal as homologa, decidimos invadir e ficar nos lotes, para não acabem por ser dadas aos índios e que novamente expulsem os não-índios”, disseram.

Essas nove famílias indígenas teriam sido implantadas no local, para desestabilizar e tentar expulsar mais uma vez os agricultores.

CORRUPÇÃO

Há indignação geral com os escândalos no Senado, mas por pior que seja ainda não ameaça nossa integridade territorial. Na impossibilidade de impedi-los há quem sugira diminuir o número de senadores para um por Estado, e que seja nomeado pelo governador, para representar realmente seu estado e não uma facção política. Acredita-se que a eficiência seria aumentada e que se pouparia no mínimo 8 bi, anualmente.

Pior que todos os escândalos é a corrupção/traição do Incra, Funai/Funasa e Ibama, estes sim que estão conduzindo o País à guerra civil e a secessão.

Segundo o senador Mozarildo, “A Funasa deveria ser fechada,: “É um órgão completamente anacrônico e corrupto”, e ele sabe o que diz. - Dois coordenadores da Funasa lá de Roraima foram presos durante a Operação Mestástase da PF (ambos indicados pelo senador Romero Jucá) e um deles, por incrível que pareça, voltou ao cargo.

MEIO AMBIENTE

Pessoas ingênuas ou mal informadas se preocupam se a carne que consomem causou a destruição da floresta. Na verdade, existe uma larga faixa que vai de Rondônia ao Piauí, de transição entre o cerrado e a floresta. Essa faixa, menos seca do que o cerrado e menos úmida do que a floresta é a nossa fronteira agrícola, que já colocou o nosso País como o principal exportador de carne e o segundo de soja, garantindo não só nosso PIB como, indiretamente os empregos de todos nós.

Embora situada na Amazônia legal, tal faixa pouco tem a ver com o bioma da selva. Os ecoxiitas a chamam de “arco do desmatamento, ou arco de fogo” e ministro mal intencionado classifica os produtores de vigaristas e lhes impõe multas astronômicas da mais injusta forma. Agora isto está sendo combatido.

Entretanto ainda há uma estranha sintonia entre o Ministério Público e o Greenpeace. Será apenas ingenuidade?

“Na semana passada o Congresso Nacional realizou grandes debates sobre as denúncias feitas pelo Greenpeace, que criminalizou a pecuária na Amazônia.

O Brasil recebeu uma denúncia do Greenpeace e apenas com essa denúncia criminalizou a pecuária dos Estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso, em especial.”
(Lúcida declaração de Antonio Feijão no plenário da Câmara)

Saudações patrióticas.”

FONTE: artigo de Cel Ref. Gelio Fregapani (GF), publicado no site Defesa@Net, em 28/06/2009,

SOB O REGIME TALIBÃ O NARCOTRÁFICO AFEGÃO TEVE O SEU PIOR MOMENTO

PORÉM, APÓS A INVASÃO NORTE-AMERICANA, O AFEGANISTÃO TORNOU-SE FLORESCENTE PRODUTOR DE ÓPIO.

EUA CONCLUEM QUE SUA POLÍTICA ANTIDROGAS SÓ AJUDOU O TALIBÃ


“Os Estados Unidos anunciaram uma nova política para o narcotráfico no Afeganistão, hoje um florescente produtor de ópio. Disseram em Trieste (Itália), neste sábado (27), que estão trocando os esforços pela erradicação da papoula (matéria-prima do ópio) pela interdição da roga, combinada com programas de estímulo a outros cultivos. ''A erradicação é perder dinheiro'' e ''só ajudou o Talibã'', admitiu Richard Holbrooke, enviado dos EUA ao país militarmente ocupado desde 2001.

''Os programas de erradicação não estavam funcionando'', disse Holbrooke, à Associated Press. Segundo ele, a erradicação só serviu para atirar os agricultores nas mãos dos talibãs.

''Erradicação é um desperdício de dinheiro'', disse Holbrooke à margem de um grupo de oito ministros dos negócios estrangeiros ''reunião sobre o Afeganistão, onde ele disse que tinha sido recebida calorosamente, em especial pelas Nações Unidas.

O Afeganistão tornou-se o principal fornecedor mundial de ópio e heroína, cultivando 93% da produção mundial de sua matéria-prima. Em um relatório divulgado no início desta semana, o escritório das Nações Unidas disse que esse cultivo recuou 19% no ano passado, mas ainda estava concentrado em três províncias do sul onde a insurgência Talibã é mais forte.

Holbrooke lamentou que a política anterior dos EUA, com ênfase em programas de erradicação do cultivo, não reduziu ''em um dólar sequer'' o dinheiro que o Talibã obteve da produção de ópio. ''Ela só ajudou o Talibã'', lastimou – embora seja reconhecido que foi sob o regime talibã que o narcotráfico afegão teve o seu pior momento.

''Estamos essencialmente promovendo a gradual supressão de nosso apoio à erradicação e usando o dinheiro na interdição, em aplicar a lei e em culturas alternativas'', disse ele à AP. ''Esta é a grande mudança em nossa política'', disse ainda; ''foi amplamente aceito como a coisa certa a fazer.''

G8 DEBATE QUESTÃO AFEGÃ

A agricultura foi uma dos temas da reunião do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mindo, mais a Rússia) neste sábado sobre o Afeganistão. Um rascunho da declaração final do G8 diz que o desenvolvimento agrícola seria ''a chave para o futuro do Afeganistão e do Paquistão bem como outros países da região. ''

O texto faz um apelo por uma ''cooperação agrícola ampliada, que poderá conduzir ao desenvolvimento rural, segurança alimentar, crescimento do emprego e da renda, alternativas ao cultivo da papoula e, em última instância redução das tensões na região.''

Segyndo Holbrooke, a ''comunidade internacional'' não tem como alvo os camponeses afegãos, apenas os militantes talibãs que compram as suas safras. ''Os agricultores não são nossos inimigos, só estão expandindo a lavoura para ganhar a vida'', disse ele. O inimigo ''é o sistemada droga; a política dos EUA estava jogando as pessoas nas mãos dos talibãs'', comentou.”

FONTE: site “Vermelho”, em 28/06/2009.

EUA TOMBAM DO 1º PARA O 3º LUGAR EM INVESTIMENTOS NO BRASIL

“A crise financeira econômica global mudou o ranking dos países que mais investem no Brasil. Os Estados Unidos eram o maior investidor no ano passado; este ano (dados dos cinco primeiros meses) cairam para o terceiro lugar, segundo o Banco Central. Em números absolutos, o investimento americano no Brasil recuou de US$ 2,223 bilhões para US$ 1,505 bilhão, considerando o período de janeiro a maio.

Conforme os dados do BC, de janeiro a maio deste ano, os Países Baixos foram os que mais investiram no Brasil (24,7%). Em segundo lugar veio a Alemanha (18,7%) e apenas em terceiro os Estados Unidos (13,4%).

Nos cinco primeiros meses do ano passado, quando a crise ainda não atingira sua fase aguda, o cenário era diferente: os Estados Unidos ocupavam o primeiro lugar com com 15,9%, seguidos por Luxemburgo (13,4%) e Países Baixos (10,4%). No mesmo período de 2009, Luxemburgo responde por 2,1%.

Para o economista Carlos Eduardo Freitas, a mudança no ranking dos países investidores no Brasil “tem uma influência poderosa da crise”, mas ainda é cedo para saber se será permanente. “De todo jeito, o papel da economia americana vem se desvalorizando há várias décadas. Com isso, a balança do poder econômico mundial está mudando", diz.

Freitas acrescenta que “se retrocedêssemos meio século, a economia americana era responsável por 50% da economia [mundial], atualmente responde por cerca de 20%”. Para o economista, o fato de o Banco Central (BC) ter mantido a previsão de investimento estrangeiro direto de US$ 25 bilhões no país neste ano é um indicador de que a economia brasileira está se recuperando mais cedo do que se esperava: “Os prognósticos mais pessimistas para a economia do país parecem ultrapassados. Mas é importante manter a cautela.”

No total, o investimento estrangeiro direto de janeiro a maio deste ano chegou a US$ 11,234 bilhões. Houve um recuo de 24,4% face aos US$ 13,984 bilhões investidos no mesmo período de 2008. Em todo o ano passado, o investimento estrangeiro direto somou cerca de US$ 45 bilhões.

Segundo Freitas, como o mundo está em crise, não dá para esperar um resultado como o de 2008. O investimento estrangeiro direto é direcionado para a criação de novas empresas ou para participação acionária nas já existentes.”

FONTE: site “vermelho”, em 28/06/2009, com informações da Agência Brasil.

domingo, 28 de junho de 2009

AÇÕES DA PETROBRAS ESTÃO ENTRE AS 40 RECOMENDADAS PELA REVISTA FORTUNE

“A Petrobras foi incluída em matéria publicada ontem (26/06) no site da Fortune, conceituada revista norte-americana de economia e finanças, entre as 40 empresas cujas ações são recomendadas para quem investe visando garantir segurança na aposentadoria. A Petrobras é a única brasileira na lista, que inclui empresas americanas e estrangeiras, entre as quais estão a Coca-Cola, Procter & Gamble, Johnson & Johnson, MacDonald’s, Microsoft, Mastercard, Philips, Total e Unilever.

Analistas citados na matéria referem-se à Petrobras como “uma das companhias melhor posicionadas para crescimento nos próximos anos, com a recuperação dos preços do petróleo, principalmente pelas grandes descobertas em frente ao litoral brasileiro, entre as quais se destaca Tupi, na área do pré-sal, a maior dos últimos 20 anos no mundo”.

A lista é publicada anualmente e, em relação à do ano passado, foram substituídas 28, entre as 40 citadas. A escolha é determinada pelo desempenho das empresas. A revista Fortune é uma das principais revistas de notícias sobre negócios e investimentos do mundo.

Nos Estados Unidos, os papéis da Petrobras são negociados na Bolsa de Nova York, como recibos de ações (ADRs). A valorização dos ADRs em 2009 (até 25/06/2009) foi de, aproximadamente, 67% e 64% para os recibos PBR (ações ordinárias) e PBRA (ações preferenciais), respectivamente.

FONTE: texto publicado em 27/06/2009 no Blog Fatos e Dados da Petrobras.

POR QUE ISRAEL NÃO ACEITA UM ESTADO PALESTINO

“Israel e EUA vão em direções opostas? Enquanto Obama tenta resgatar uma imagem internacional muito desgastada, de que faz parte a retomada de negociações sobre a Palestina, Netanyahu vai na direção oposta. Enquanto seu partido não reconhece, nem formalmente, o direito ao Estado palestino, pressionado por Obama, apresentou uma impossível proposta, mais uma armadilha do que algo que apontasse para a retomada de negociações com os palestinos.

Para quem constata, aqui, na Palestina, a ocupação militar, os muros, os assentamentos, protegidos militarmente, é ridícula a proposta do primeiro ministro de Israel de um Estado Palestino desmilitarizado. Porque trazer a paz à Palestina é, antes de tudo, a retirada imediata e incondicional, das tropas israelenses de ocupação dos territórios palestinos. Isso é desmilitarizar.

Por outro lado, não apenas não desmontar, como seguir instalando assentamentos judeus no coração da Palestina – não apenas no campo, mas no centro de cidades como Ramallah -, é sabotar concretamente qualquer solução política pacífica à questão palestina. Dizer que deseja negociações com a Palestina, mas ao mesmo tempo afirmar e seguir instalando assentamentos, é dizer, pela via dos fatos, que Israel quer perpetuar a ocupação genocida dos territórios palestinos.

Israel nega à Palestina o mesmo direito que ele tem: o de ter um Estado soberano, apesar das decisões reiteradas da ONU, que garantem a a existência de dois Estados, um israelense, o outro palestino, com os mesmos direitos. Com territórios contínuos, com soberania, com direito de regresso dos imigrantes. Por que Israel não aceita a existência de um Estado Palestino? Por que Israel passou de vítima a verdugo?

O argumento usual era o de que os palestinos eram uma ameaça para a sobrevivência de Israel. Mas desde que a Autoridade Palestina, através de Arafath, passou a reconhecer o direito à existência do Estado de Israel, esse argumento desapareceu.

Alega Israel que os palestinos são “terroristas”, mas todas as reações à ocupação militar, às agressões cotidianas e as humilhações cotidianas contra os palestinos, em seus próprios territórios, configuram, claramente, um regime de terror contra o povo palestino.

Nestes dias aqui, na Palestina, pudemos constatar a queima de plantações de trigo dos palestinos, feitas por colonos judeus dos assentamentos. A aprovação de mais 250 milhões de dólares por parte do governo israelense, para seguir os assentamentos.

Casas palestinas continuam a ser derrubadas, para a construção de novos assentamentos. A expulsão arbitrária de palestinos de Jerusalém, a derrubada de casas e oliveiras, o assedio constante, para incitar o abandono da cidade santa.

Mas, além disso, ao inviabilizar – pelo cerco militar, pela ocupação, pelas incursões genocidas das suas tropas, por ataques genocidas, como o realizado recentemente contra Gaza – o desenvolvimento econômico, Israel estabelece uma situação de super-exploração dos palestinos. Incita os palestinos ou a emigrar para outros países ou a submeter-se a ser superexplorados pelos israelenses. Os absurdos muros tem menos uma lógica de defesa militar e muito mais de inviabilização econômica da Palestina.

Além de que a ocupação militar serve também para a apropriação dos recursos naturais da Palestina. Como exemplo, Israel utiliza 6 vezes mais água do que os palestinos, embora explore os mananciais situados na Palestina.

Mas o objetivo maior da ocupação é a tentativa de assassinar a identidade do povo palestino, de liquidar sua memória histórica, de liquidar a auto-estima dos palestinos, de desmoralizá-los, de dispersá-los pelo mundo afora, fomentando a diáspora e bloqueando o retorno dos palestinos aos seus territórios.

Se Obama quer, de fato, pressionar Israel para que reabra negociações reais, o primeiro que deveria fazer seria não mais exercer o direito de veto na ONU em todas as resoluções de condenação de Israel. Além de ameaçar e verdadeiramente suspender o imenso apoio militar que seu país dá a Israel, para que seu país ocupe os territórios dos palestinos.

Quando Israel possui um governo que nega o direito dos palestinos disporem de um Estado, aprovado pelas Nações Unidas, possui um ministro de relações exteriores que deseja a expulsão dos palestinos de Israel, até mesmo o ataque nuclear para destruir aos palestinos – fica claro que a solução política da questão palestina tem que apontar para Telaviv e não para os palestinos.”

FONTE: site “Vermelho”, em 27/06/2009; artigo escrito por Emir Sader, no Blog do Emir.

TÉRMINO DAS BUSCAS DO VOO 447 DA AIR FRANCE

"O Comando da Marinha e o Comando da Aeronáutica informam que, ao final do dia de hoje, 26 de junho, foi oficialmente dada por encerrada a maior e mais complexa Operação de Busca e Resgate já realizada pelas forças armadas brasileiras em área marítima, tanto no aspecto duração quanto na magnitude de meios empregados.

Nesses 26 dias de buscas aos passageiros e tripulantes do voo Air France 447, que desapareceu quando voava na rota Rio de Janeiro (RJ) – Paris (França), na noite de 31 de maio de 2009, foram resgatados 51 corpos e mais de 600 partes e componentes estruturais da aeronave, além de bagagens diversas.

A razão técnica que determinou o término das buscas é a impraticabilidade de se avistarem sobreviventes ou corpos, objetivo primordial da Operação, já decorridos 26 dias do acidente. Do dia 12 de junho ao dia 26, período de 15 dias, apenas dois corpos foram resgatados, sendo o último no dia 17. Nos últimos nove dias, nenhum corpo ou despojo foi avistado.

Os 51 corpos resgatados foram entregues à Policia Federal e à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco para os trabalhos de identificação. Os destroços da aeronave e as bagagens recolhidas foram entregues ao Bureau D´Enquêtes et D´Analises Pour la Securité de I´Aviation Civile (BEA). A investigação sobre os fatores que contribuíram para o acidente também é de responsabilidade do BEA e conta com o apoio do setor correspondente no Brasil, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

Em 26 dias de operação continuada sob responsabilidade do Brasil, em atendimento a compromissos internacionais de busca e salvamento, a Força Aérea Brasileira utilizou 12 aeronaves e contou com o apoio de aviões da França, dos EUA e da Espanha. A Marinha do Brasil atuou com 11 navios em revezamento na área de buscas, totalizando cerca de 35 mil milhas navegadas, aproximadamente oito vezes a extensão da costa brasileira.

Foram voadas cerca de 1500 horas, tendo sido realizadas buscas visuais numa área correspondente a 350 mil quilômetros quadrados, mais de três vezes a dimensão do estado de Pernambuco. O avião R-99, por sua vez, realizou busca eletrônica numa área correspondente a dois milhões de quilômetros quadrados, oito vezes a dimensão do estado de São Paulo.

Foram diretamente envolvidos na Operação 1.344 militares da Marinha do Brasil e 268 da FAB, perfazendo mais de 1.600 profissionais nas tarefas de busca, resgate e suporte a essas atividades.

Permanecem na área de buscas os meios navais dedicados a captar emissões das caixas de dados e voz da aeronave acidentada, coordenados pela França.

Toda a Operação de busca esteve sob a responsabilidade direta do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), por meio do SALVAERO Recife em coordenação com o SALVAMAR Nordeste, e atendeu ao previsto no anexo 12 da Convenção de Chicago, efetivado em 1950, que estabelece o compromisso dos países signatários com as operações de busca e salvamento nas suas áreas de jurisdição.

Conscientes de suas atribuições, os tripulantes e demais integrantes do Comando da Marinha e do Comando da Aeronáutica fazem do seu labor nessa jornada a maneira justa de ofertar reverência à dor que marca famílias brasileiras e a comunidade internacional.

FONTE: Nota Final, em 26.06.09, do Centro de Comunicação Social da Marinha e do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

FISCALIZAÇÃO É EXCESSIVA E NÃO DEIXA PAÍS FUNCIONAR, DIZ LULA

PARA O PRESIDENTE, INVESTIMENTO EM OBRAS FOI MENOR QUE O FEITO EM ÓRGÃOS FISCALIZADORES

PETISTA AFIRMOU, SOBRE A PROVÁVEL CANDIDATURA DE DILMA EM 2010, QUE EM MARÇO A MINISTRA "SE AFASTA E COMEÇA A CAMPANHA"

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a fiscalização sobre as obras e ações do governo no Brasil, por considerá-la excessiva, e afirmou que "esse país foi construído para não funcionar".

No que ele próprio classificou de "desabafo", o presidente afirmou que "a máquina de fiscalização é muito mais eficiente que a máquina de execução": "É só ver quanto é que ganha um engenheiro do Dnit para fazer uma estrada e quanto é que ganha um auditor do Tribunal de Contas para fiscalizar a estrada que o engenheiro vai fazer", disse ele.

A remuneração inicial de um auditor do TCU é de cerca de R$ 12.000. O salário inicial de um engenheiro do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) é de R$ 4.270.

O discurso faz parte de uma campanha do governo nos bastidores para redefinir a forma de atuação do Tribunal de Contas da União, tido como principal agente de fiscalização do Executivo. No ano passado, o tribunal fez uso de 124 medidas cautelares, por meio das quais suspende licitações e bloqueia repasses para obras com irregularidades graves. Por meio delas, o órgão calcula que evitou prejuízo de R$ 1,7 bilhão.

Lula culpou "a teoria do Estado mínimo, de que era preciso privatizar tudo, de que a Petrobras e a Vale do Rio Doce não valiam nada" pelo "desmonte" do Estado.

O presidente esteve em Itajaí (SC) para assinar a transformação da Secretaria Especial da Pesca em ministério e para assinar a Lei da Pesca.

DILMA

Um dia após a última sessão de quimioterapia da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata do governo à sucessão de Lula, o presidente disse em entrevista à RBS que ela "vai ficar extraordinária, e a hora que tiver de anunciar [a candidatura], estará pronta para o embate".

De acordo com o petista, "a partir de março ela se afasta e começa a campanha", se tiver condições físicas e políticas. O presidente espera uma aliança com PMDB, PDT, PTB e PC do B no plano nacional, apesar das dificuldades nos Estados, e já admite uma aliança no segundo turno. "Temos de ter maturidade de saber como vamos nos tratar no primeiro turno."

Como forma antecipada de resistir à pressão dos partidos aliados, o presidente já disse que deve colocar os secretários-executivos no lugar dos ministros que deixarem o cargo para disputar as eleições no ano que vem. "Não vou trazer uma pessoa para chegar sem conhecer o histórico do próprio ministério. Desse jeito irei paralisar o governo por dez meses."

O presidente se eximiu ainda de responsabilidade na derrota da ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, a uma vaga na Organização Mundial do Comércio. "Ninguém atribuiu a mim a derrota de Ellen. Ela reconheceu, com muita gentileza, que deveria ter estudado mais", afirmou Lula.

Em entrevista à Folha em maio, porém, a ministra disse ter se preparado "com a seriedade necessária" para a vaga.”

FONTE: reportagem de Pedro Dias Leite, do jornal Folha de São Paulo, em 27/06/2009.

EMIR SADER: OCUPAÇÃO, COLONIALISMO E APARTHEID NA PALESTINA

“Uma coisa é ouvir falar, ler, falar de ocupação. Outra é ver o que significa. Ramallah, uma cidade pacífica, sem violência, sem problemas de segurança, onde se pode andar por qualquer bairro a qualquer hora do dia ou da noite, uma cidade sem população de rua, sem crianças abandonadas.

A ocupação israelense significa a brutalidade de cortar a cidade com muros, que separam palestinos de palestinos. Há uma grande avenida que o muro corta um lado do outro da rua. Os muros separam, segregam, colocam entre palestinos e palestinos os controles, comandados por soldados israelenses armados até os dentes, que exercem sistematicamente seu poder armado, com arbitrariedade e discriminação. Não na lógica nos muros, é um exercício conscientemente arbitrário, para demonstrar – como faz o torturador diante da sua vitima – que o ocupante pode fazer o que bem entender, sem qualquer lógica, só como exercício do poder armado de que dispõe.

Muros para lacerar na carne o orgulho, a auto-estima, para tentar desmoralizar aos palestinos, levá-los ao dilema entre a passividade, a resignação, ou o desespero das ações armadas. Esta seria a atitude espontânea de qualquer ser humano, diante das humilhações a que são submetidos os palestinos, diante da demonstração brutal de força. Parece que os ocupantes querem provocar reações violentas, que justificariam novas ofensivas violentas.

Os palestinos gastam várias horas por dia nas filas dos controles. Para ir de Ramallah a Jerusalém pode-se tomar 10 minutos ou três horas, na dependência do arbítrio das tropas de ocupação. Os palestinos tem que elaborar guias de sobrevivência para sobreviver com os 630 pontos de controle na Palestina atualmente.

Trata-se de uma ocupação ilegal, injusta, de discriminação racial, do tipo do apartheid sul-africano. Os israelenses querem impedir aos palestinos de ter um Estado como foi reconhecido a Israel no fim da Segunda Guerra Mundial. Julgar-se um "povo escolhido" – também isto eles tem em comum com os norte-americanos. Como disse Edward Said, os palestinos são as "as vítimas das vítimas". Os israelenses se consideram vitimas, mas passaram a ser verdugos, colonialistas, imperialistas, racistas.

Ver os muros, sua violência, sua brutalidade, a frieza da sua desumanidade, diante das casas humildes, das oliveiras – tantas casas e oliveiras destruídas para a construção dos muros – dos palestinos, permite sentir no mais profundo de cada um os dois mundos que se contrapõe aqui. A neutralidade, a passividade, se tornam impossíveis, cúmplices, diante de tanta injustiça e violência.

Um Estado terrorista, um Exército do terror, tropas de ocupação coloniais, ações imperiais – essa a ocupação israelense do que deveria ser território palestino. Do que deverá ser território de uma Palestina livre, democrática e soberana.”

FONTE: site Vermelho”, em 26/06/2009, que publicou artigo de Emir Sader, de Ramallah, Palestina, originariamente postado no Blog do Emir.

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR TEM 4º ALTA EM JUNHO

“A confiança do consumidor cresceu em junho pelo quarto mês consecutivo, em sinal de que o pessimismo provocado pela crise está arrefecendo.

O índice de confiança dos consumidores aumentou 4,1% em junho em relação a maio e acumula 10,7% de alta desde março, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas). Todos os componentes do índice tiveram resultados positivos, o que não ocorria desde o ano passado.

"O consumidor passa por um momento de transição de humor, do pessimismo para a neutralidade", disse o economista da FGV, Aloisio Campelo.

O economista avaliou que os resultados recentes das pesquisas de confiança do consumidor e da indústria divulgadas pela FGV apontam para uma recuperação do PIB brasileiro no segundo trimestre.

"A confiança leva ao crescimento. O humor do consumidor antecipa compras futuras", afirmou.”

FONTE: notícia divulgada pela agência norte-americana Reuters, publicada no jornal Folha de São Paulo em 26/06/2009.

INDÚSTRIA CRIA 1,4 MILHÃO DE EMPREGOS E 25 MIL EMPRESAS EM 4 ANOS NO BRASIL

“O setor industrial brasileiro gerou cerca de 1,4 milhão de novos empregos e inaugurou 25 mil empresas entre 2003 e 2007, revelou um relatório divulgado hoje pelo Governo.

O número de trabalhadores na indústria no Brasil saltou de 5,9 milhões em 2003, para 7,3 milhões no final de 2007, segundo a Pesquisa Industrial Anual, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de empresas registradas no país subiu de 139 mil para 164 mil no mesmo período, de acordo com o estudo, baseado nos últimos dados sobre a indústria.

Estes dados indicam que a indústria brasileira tem, em média, 44 empregados por empresa e que o salário de cada um deles, em 2007, era de R$ 1.410, valor superior em 8,8% ao de 2003 em termos reais, descontada a inflação.

Segundo o Instituto, as 164 mil companhias do setor geraram R$ 1,5 trilhão neste ano e realizaram investimentos de R$ 118 bilhões.

O setor que empregava mais trabalhadores era o da indústria alimentícia (18,6% do total), seguido pelo de confecções e acessórios (7,8%), máquinas e equipamentos (6,9%), metalúrgico (6,1%) e automobilístico (5,6%).

O que melhor remunerava seus funcionários era o de refino de petróleo, com uma média de salário de US$ 1.837, seguido pelo de tabaco (US$ 1.315), químico (US$1.309) e automotivo (US$1.205).”

FONTE: Matéria da agência de notícias espanhola EFE, postada no portal UOL em 26/06/2009.

FALAVAM QUE DEMORARIA ANOS: PRIMEIRO ÓLEO DE TUPI JÁ SEGUE PARA O PORTO

“RIO - O primeiro navio com petróleo de Tupi chegará em breve ao porto de São Sebastião, em São Paulo. A portuguesa Galp, que tem participação de 10% do bloco BM-S-11, onde foram encontrados os campos de Tupi, Iara e Iracema, informou hoje em Lisboa que foram transferidos 315 mil barris de petróleo da plataforma (FPSO) Cidade de São Vicente para o navio Nordic Spirit.

O óleo foi extraído do poço chamado Tupi Sul, que começou a produzir oficialmente, em um teste de longa duração (TLD) no dia 1º de maio.

Segundo a Galp, estão sendo produzidos por meio desse poço cerca de 14 mil barris de petróleo por dia. Na nota divulgada hoje, o presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, diz que “(…) O dia 23 de junho representa a incorporação no mercado das primeiras quantidades de crude provenientes do pré-sal da bacia de Santos, sendo assim outro dia que ficará na história desse grande projeto”.

Além do BM-S-11, onde até agora foram encontrados três reservatórios, a Galp tem participação acionária em blocos com descobertas importantes de petróleo e gás no pré-sal: BM-S-8 (Bem-te-Vi), BM-S-24 (Júpiter) e BM-S-21 (Caramba). Além das áreas ultra-profundas em alto mar, a Galp tem participação em 20 projetos no Brasil, todos em parceria com a Petrobras.”

FONTE: reportagem de Cláudia Schüffner, publicada em 25/06/2009 nos jornais Valor Econômico e Valor Online. Postado no blog de Luis Favre.

O QUE REALMENTE ACONTECEU NA RE-ELEIÇÃO DO IRÃ?

EXAMINANDO OS NÚMEROS: O QUE REALMENTE ACONTECEU NA RE-ELEIÇÃO DO IRÃ?

“Depois das eleições de 12/6 no Irã, começaram a brotar 'especialistas' em Irã, como bactérias em placa de Petri. Então... lá vai um teste, para esses especialistas instantâneos.

Que país, dentre os grandes, elegeu maior número de presidentes em todo o planeta, desde 1980? Outro teste: que nação é a única que elegeu dez presidentes, ao longo dos primeiros 30 anos depois de ter feito revolução democrática?

Nos dois casos, a resposta certa é: o Irã. Desde 1980, o Irã elegeu seis presidentes; os EUA, só cinco; a França, parcos três. Nas três primeiras décadas de vida da revolução Irãiana, houve dez eleições presidenciais no Irã; nos trinta primeiros anos da Revolução norte-americana, houve quatro eleições presidenciais; no Irã, dez.

As eleições iranianas uniram esquerda e direita ocidentais, numa mesma onda frenética de críticas e ataques, de políticos 'ultrajados' e da mídia corporativa 'indignada'. Fenômeno até agora raro, também a blogosfera cerrou fileiras de opinião absolutamente uniformizada – e favorável à oposição iraniana.

De fato, todas as 'acusações' de fraude foram 'declarações', sem qualquer confirmação. Até agora, ninguém apresentou qquer fiapo de evidência de qualquer tipo de fraude nas eleições Irãianas. E, isso, sem considerar que seria preciso provar fraude em enormíssima escala, a ponto de ter feito sumir 11 milhões de votos de diferença entre o candidato eleito e o candidato derrotado.

Analisemos, então, o que haja de evidências, até agora.

Antes das eleições, houve mais de 30 pesquisas de intenção de votos, desde que os dois principais aspirantes à presidência – o presidente Máhmude Ahmadinejad e o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi – oficializaram suas candidaturas, em março de 2009. Os resultados variaram, é claro; e várias das empresas que patrocinaram essas pesquisas – por exemplo, Iranian Labor News Agency e Tabnak – não fizeram segredo de que apoiavam Mousavi, candidato de oposição, ou seu chamado "movimento por reformas". Muitas pesquisas foram visivelmente manipuladas e em algumas delas Mousavi aparecia com vantagem absolutamente inverossível de mais de 30% dos votos. Excluídas essas pesquisas que confessadamente só tiveram função de propaganda, a vantagem a favor de Ahmadinejad chegava, em média, a cerca de 21 pontos. Jamais, em nenhuma das pesquisas, surgiu sequer alguma possibilidade de as eleições chegarem a ter 2º turno (previsto, é claro, na legislação iraniana).

Por outro lado, houve apenas uma pesquisa feita por empresa ocidental, encomendada pelas redes BBC e ABC News, e realizada por instituto independente, o Center for Public Opinion (CPO) da New America Foundation. The CPO é empresa bem conceituada, não apenas no Irã, mas em todo o mundo muçulmano desde 2005. Essa pesquisa, realizada poucas semanas antes das eleições, previu comparecimento às urnas de 89% dos eleitores. Além disso, mostrou que Ahmadinejad estava em vantagem de 2 para um votos, à frente de Mousavi.

Que relações há entre esses números de pesquisa e os resultados divulgados? E que possibilidade há de ter havido fraude em grande escala?

Segundo os resultados oficiais, há 46,2 milhões de eleitores registrados no Irã. Houve comparecimento recorde – e que a pesquisa do CPO previra que aconteceria. Quase 39,2 milhões de Irãianos votaram, 85% do total de eleitores inscritos, com 38,8 milhões de votos válidos (houve cerca de 400 mil votos em branco). Oficialmente, o president Ahmadinejad recebeu 24,5 milhões de votos, contra 13,2 milhões para Mousavi (62,6% e 33,8% do total de votos, respectivamente).

De fato, praticamente a mesma porcentagem de votos que nas eleições de 2005, quando Ahmadinejad obteve 61,7%, contra os votos dados ao presidente Hashemi Rafsanjani (35,9%). Dois outros candidatos, Mehdi Karroubi e Mohsen Rezaee, receberam o restante dos votos.

Pouco antes de serem oficialmente anunciados os resultados, os apoiadores de Mousavi e os jornais e televisões da mídia ocidental, começaram a gritar e acusaram o governo de ter cometido fraude eleitoral. As acusações organizaram-se em torno de quatro temas.

Primeiro, quando o horário das eleições foi prorrogado por algumas horas, dado o inesperado altíssimo comparecimento de eleitores, disseram que o resultado teria sido anunciado antes de ter sido possível contar os votos, com alegados 39 milhões de votos ainda por apurar.

Segundo, os mesmos críticos insinuaram que os apuradores não eram confiáveis, e que a oposição não pudera manter fiscais durante a apuração dos votos. Terceiro, disseram que seria impossível acreditar que Mousavi, nativo da região do Azerbaijão, região no noroeste do Irã, tivesse perdido as eleições até em sua cidade natal. Quarto, que o campo de Mousavi teria descoberto que, em algumas sessões eleitorais, teriam acabado as células, e muita gente voltou para casa sem ter podido votar.

Dia seguinte, Mosuavi e dois outros candidatos derrotados apresentaram 646 queixas formais ao Conselho dos Guardiões, entidade encarregada de supervisionar a integridade das eleições. O Conselho comprometeu-se a investigar a fundo todas as queixas. Logo na manhã seguinte, apareceu uma carta que teria sido redigida por um funcionário do ministério do Interior e dirigida ao Aiatolá Ali Khamanei, e que, em questão de algumas horas já era reproduzida em todo o planeta. (Atenção: só a mídia ocidental e alguns políticos insistem em escrever "Supremo Líder" para designar o Aiatolá Khamenei. A expressão "Supremo Líder" – nem esse 'título' hierárquico – existem no Irã.)

Naquela carta, 'alguém' (a carta não era assinada) declarava que Mousavi vencera as eleições e que Ahmadinejad seria o terceiro colocado. A carta também declarava que as eleições haviam sido fraudadas a favor de Ahmadinejad por ordem direta de Khamanei. É muito mais provável que essa carta seja completamente falsa, do que que seja autêntica.

Dentre outras evidências da falsificação, muitos já consideraram que nenhum funcionário de baixo escalão do ministério seria encarregado de escrever ao Aiatolá Khamanaei para comunicar-lhe informação tão importante quanto o resultado das eleições. Robert Fisk, jornalista do The Independent foi o primeiro a levantar dúvidas sobre a autenticidade daquela carta; também escreveu que sempre duvidaria de qualquer resultado em que Ahmadinejad aparecesse em terceiro lugar (com menos de 6 milhões de votos, em eleição tão importante), como informaria a carta falsa.

No total, foram distribuídas 45.713 urnas eleitorais para as cidades, vilas e vilarejos, em todo o país. Com 39,2 milhões de votos votados, foram menos de 860 votos por urna.

Diferente de outros países, em que os eleitores podem votar em vários candidatos para vários postos numa única eleição, os eleitores Irãianos só podiam votar em um único nome e só para a presidência. Por que seria preciso mais de uma ou duas horas para apurar 860 votos por urna? Apuradas as urnas, os resultados eram passados por internet para o ministério do Interior, em Tehran.

Desde 1980, quando o Irã sofreu a tragédia de uma guerra de oito anos com o Iraque, o Irã vive sob boicote e embargo, e enfrenta ainda os ecos de campanhas de assassinato de dúzias de políticos, de um presidente eleito e de um primeiro-ministro que representava, então, a Organização MKO (Mujahideen Khalq Organization). Essa organização é uma milícia armada e violenta, que tem sede e quartel-general na França e cujo único objetivo é derrubar o governo do Aiatolá Khamenei pelas armas.

Apesar de todas essas dificuldades e desafios, nenhuma eleição jamais deixou de ser realizada na data prevista na República Islâmica do Irã, ao longo dos últimos 30 anos.

Houve 30 eleições nacionais. De fato, o Irã já tem (mais que muitos países em todo o mundo) longa tradição de eleições em boa ordem democrática. As eleições no Irã são organizadas, monitoradas e fiscalizadas por professores, profissionais liberais, funcionários públicos e aposentados (sistema semelhante ao dos EUA).

O Irã não tem tradição de fraudes eleitorais. Pense o 'ocidente' o que quiser, há no Irã mecanismos democráticos de eleger e cassar políticos, ministros e funcionários públicos corruptos. A democracia iranana não é democracia cartorial. De fato, o ex-presidente Mohammad Khatami, considerado um dos principais reformadores e modernizadores do Irã, foi eleito presidente em eleições gerais e democráticas, em momento em que o ministério do Interior (que organiza as eleições) estava sob comando de partidos ultra-conservadores. E foi eleito com mais de 70% dos votos; não apenas uma, mas duas vezes.

No que tenha a ver com eleições, o verdadeiro problema não são possíveis fraudes, mas o acesso dos candidatos aos votos (problema que há, idêntico, em outros países; basta perguntar a Ralph Nader ou a qualquer candidato de partido pequeno, nos EUA).

É altamente improvável que haja alguma conspiração que tenha envolvido dezenas de milhares de professores, profissionais liberais, funcionários públicos e aposentados (selecionados por sorteio, como mesários [como se faz no Brasil]) e que permanecesse completamente oculta e secreta.

Além do mais, Ahmadinejad é membro de um partido político muito ativo, que já venceu várias eleições desde 2003; e Mousavi é candidato independente que reemergiu para a vida política há apenas três meses, depois de 20 anos de ausência completa do mundo político. Claro que a campanha de Ahmadinejad foi campanha nacional; o candidato fez mais de 60 viagens de campanha por todo o país em menos de 12 semanas; Mousavi só visitou as cidades principais e não contava com aparelho de campanha muito sofisticado.

É verdade que nasceu e tem bases eleitorais nas regiões onde vivem os grupos da etnia atzeri. Mas a pesquisa já citada aqui, do CPO, já informara, bem antes das eleições, que "apenas 16% dos Irãianos azeri declararam intenção de votar em Mousavi; enquanto 31% dos atzeris declararam intenção de votar em Ahmadinejad.”

Segundo os resultados oficiais, a eleição foi mais apertada aí que no restante do país: Mousavi venceu por pequena margem no Azerbaijão Oeste, mas, no total, perdeu para Ahmadinejad, na província (45% dos votos para Mousavi; 52%, para o presidente; 1,5 milhão de votos, a 1,8 milhão de votos, respectivamente).

Seja como for, é espantoso o modo como as agências ocidentais de notícias manipularam as informações. Richard Nixon derrotou George McGovern em seu estado natal, South Dakota, nas eleições de 1972; se Al Gore tivesse vencido em seu estado natal, o Tennessee, em 2000, ninguém se teria de preocupar com recontar votos da Flórica, nem haveria o processo chamado "Bush versus Gore" na história da Suprema Corte dos EUA. Se John Edwards, candidato à vice-presidências, tivesse vencido nos estados onde nasceu e foi criado (Carolina do Sul e do Norte), teríamos hoje um presidente John Kerry iniciando seu segundo mandato.

Mas, ninguém entende por que, todos os jornais e jornalistas ocidentais parecem convencidos de que os cidadãos no Oriente Médio votam e elegem candidatos, não por suas idéias políticas, mas por alguma fatalidade da solidariedade tribal.

Nada há de excepcional no fato de que um candidato 'menor, como Karroubi, tenha tido menos votos do que esperava, mesmo em suas cidade e região natais. Muitos eleitores parecem ter percebido que não haveria 2º turno e converteram o 1º turno em único turno eleitoral. Karroubi de fato recebeu bem menos votos do que em 2005, também em sua cidade natal. O mesmo aconteceu a Ross Perot, derrotado em seu estado natal, o Texas, por Bob Dole, do Kansas, em 1996; e em 2004, a Ralph Nader, que recebeu apenas 1/8 dos votos que recebera quatro anos antes.

Alguns observadores anotaram que quando os resultados estavam sendo anunciados, a margem entre os candidatos jamais mudou. Nada há de misterioso nisso. Especialistas sabem que, quando 3-5% dos votos de uma dada região estão apurados, há 95% de probabilidade de que a relação entre os candidatos não se altere até o final da apuração. Quanto à acusação de que faltaram células e os eleitores não puderam votar, vale lembrar que o horário de votação foi ampliado quatro vezes, para que a maior quantidade possível de eleitores votassem. De qualquer modo, ainda que votassem todos os que não puderam votar e todos votassem em Mousavi (o que é impossível, em termos probabilísticos), seriam mais 6,93 milhões de votos, que não alterariam as posições entre 1º e 2º colocados nem levariam a eleição para um 2º turno (a diferença final foi de 11 milhões de votos entre o 1º e o 2º colocados).

Ahmadinejad não é homem simpático. É provocador e, não raras vezes, é imprudente. Mas supor que a luta política no Irã esteja sendo disputada entre 'forças democráticas' e um 'ditador' é manifestar ignorância sobre a dinâmica interna da vida Irãiana, ou distorcer deliberadamente os fatos.

Não há dúvidas de que há um segmento significativo da sociedade iraniana, habitantes das áreas metropolitanas, muitos jovens, que anseiam por mais liberdades sociais e pessoais. Estão compreensivelmente irados, porque seu candidato não foi eleito. Mas é erro de proporções gigantescas interpretar essa manifestação doméstica como alguma espécie de 'levante' contra a República Islâmica, ou como alguma espécie de 'clamor' para que a RI embarque em programa de concessões ao ocidente (por exemplo, no que tenha a ver com o programa nuclear).

Cada nação tem seu modo de se fazer entender. Quando a França de Chirac opôs-se à invasão do Iraque, em 2003, vários deputados norte-americanos foram a televisão, em ações de propaganda, declarando que as batatas fritas (em inglês "French Fries", "batatas francesas") passariam a ser chamadas "Batatinhas da Liberdade", para vingar a 'traição' dos franceses. Declararam que os franceses não seriam mais considerados bem-vindos nos

EUA.

Os EUA têm triste imagem no Irã, de fato, desde 1953, por conta do golpe que derrubou o governo eleito de Mohammad Mossadegh. É golpe de que a maioria dos norte-americanos jamais ouviu falar, mas é tema da história nacional Irãiana, ensinado na escola. Os Irãianos detestam os EUA.

De fato, passaram-se 56 anos, até que, finalmente, o presidente Obama reconheceu que, sim, os EUA interferiram na história do Irã, em processo de golpe: aconteceu esse mês, no discurso de Obama, no Cairo. No mesmo discurso, Obama também declarou que, sim, é preciso respeitar os desejos do povo Iraniano. Excelente começo.

Mas é indispensável, agora, que EUA e o ocidente, afastem-se e deixem que os iranianos discutam suas diferenças. "Afastar-se", nas atuais circunstâncias, implica afastar-se oficialmente, e suspender qualquer tentativa de interferência nos negócios internos do Irã, sim. Mas implica também os EUA retirarem do Irã todos os seus espiões e 'especialistas' em "lutas de baixa intensidade".

FONTE: artigo escrito por Esam Al-Amin, para o “Counterpunch”, reproduzido com tradução de Caia Fittipaldi, no site “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha, em 25/06/2009.

COMO A DIREITA AGE NA BLOGOSFERA

SONINHA APRENDEU A LIÇÃO

“GRAVATAÍ, EX-ASSESSOR DA VEREADORA SONINHA (PPS), É O BLOGUEIRO QUE DIFAMAVA NASSIF


"Mais cedo republicamos um post do Luís Nassif sobre um crime na internet do qual foi vítima. No auge da série contra a Veja, ele foi atacado por um blog apócrifo criado justamente com essa finalidade.

O advogado de Nassif, Marcel Leonardi, “entrou com uma ação na Justiça, conseguiu do juiz a autorização para o Google identificar o IP do autor e, depois, a NET, identificar a origem da chamada. Era na casa dos pais do chefe de gabinete da vereadora Soninha, mais conhecido como Gravataí Merengue.”

Gravataí Merengue chama-se Fernando Gouvêa, que, em comentário no blog do dr. Túlio Vianna, diz: “Não trabalho mais com a Soninha desde o final de 2008″.

Agora à tarde, Idelber Avelar,no excelente O Biscoito Fino e a Massa, tem uma conduta exemplar ao abordar o episódio.

IDELBER: GRAVATAÍ MERENGUE ERA MESMO AUTOR NO BLOG ANÔNIMO DE DIFAMAÇÃO CONTRA LUIS NASSIF

Dada a fúria com que eu defendo aqui a liberdade de expressão, alguns leitores podem talvez pensar que isso implique a defesa de um suposto direito de dizer qualquer coisa, de qualquer forma, sobre qualquer pessoa. Evidentemente, não é este o caso. Conheço os artigos 138 a 145 do Código Penal e, apesar de não ser advogado, já refleti um mucadinho sobre a complicada tarefa que é equilibrar esses artigos com a liberdade de pensamento garantida pela Constituição Federal.

Numa crítica a um livro, por exemplo, mesmo que muito satírica, acho descabido mover um processo por injúria. Sou fortemente influenciado, nesses casos, pela jurisprudência americana, que reza que, em caso de potencial conflito entre a liberdade de expressão e qualquer outro princípio, a coisa tem que ser bem cabeluda para que não prevaleça aquela.

É claro que um blog anônimo dedicado a atacar alguém com material difamatório é outra coisa, bem distinta. É este o caso que nos ocupa hoje. Ele é particularmente chato para mim, porque envolve uma pessoa que conheço e que me recebeu com muito carinho em São Paulo. Peço que acompanhem o cuidado que o Biscoito teve com esta matéria.

No dia 8 de junho, Luis Nassif publicou um post intitulado A turma do anonimato, em que ele relatava que havia sido desmascarado o blog anônimo dedicado a atacá-lo com as requentadas acusações acerca de sua negociação com o BNDES. O post de Nassif informava que o Google havia sido acionado para fornecer os dados do responsável pelo blog anônimo. A empresa respondeu, identificando um email pertencente à mãe do Gravataí Merengue (pseudônimo de Fernando Gouvêa) e uma linha registrada em nome de seu pai.

Imediatamente, eu me comuniquei com o Nassif, dizendo que ele havia provado que existia mesmo um blog registrado em nome da família do Gravataí, mas que, na ausência de uma URL ou de um arquivo com o conteúdo do blog, eu ainda precisava de mais evidências. Tratei o assunto passo a passo, sempre com a presunção de inocência. Naquele momento, o Gravataí escreveu um post que, na minha opinião, era uma confusão só, onde não se respondia a simples pergunta: ele foi ou não foi responsável por um blog anônimo de ataques caluniosos ao Nassif?

Abro um parênteses para esclarecer direitinho o que eu entendo por “anonimato”. “Gravataí Merengue” não é “um anônimo”. É o pseudônimo de Fernando Gouvêa, conhecido na internet. O Hermenauta não é “um anônimo”. É o pseudônimo de alguém que trabalha em Brasília. No caso de que cometesse alguma ilicitude, ele seria facilmente identíficável. Eu jamais chamaria o blog de ataques ao Nassif de “anônimo”, por exemplo, se Gravataí o houvesse assinado com seu pseudônimo. O blog era anônimo mesmo, ou seja, estava nítido o propósito de ocultamento da identidade. Acredito que a minha compreensão do termo coincide com a do advogado de Nassif, o Dr. Marcel Leonardi (esse é doutor mesmo, com doutorado na USP).

Pois bem, recebi do Nassif um pdf com o conteúdo do blog. A URL era bndesnassif.blogspot.com. Não adianta ir lá, evidentemente, pois o blog foi removido. O conteúdo é claramente difamatório: um arrazoado de acusações e ilações feitas a partir de uma renegociação de dívida. As ofensas reiteradas tinham o claro propósito de difamar. Eu assumi com Nassif – sem que ele jamais me pedisse isso, que fique claro – o compromisso de que eu não disponibilizaria esse pdf para ninguém, a não ser duas ou três pessoas de minha confiança. Afinal de contas, a vítima não tem obrigação de sair por aí disseminando conteúdo difamatório contra si mesma. Se o conteúdo tiver que vir à tona, que venha em tribunal. Eu li o suficiente para sustentar o que afirmo aqui.

Mas o cuidado d’ O Biscoito Fino e a Massa com a presunção de inocência e o direito de resposta não parou nesse ponto. Entrei em contato com o Gravataí de novo, perguntando se ele confirmava ou não ter sido o responsável pela URL bndesnassif.blogspot.com. Não posso publicar a minha correspondência passiva sem autorização do envolvido, mas a ativa eu posso, sim sinhô. Meu email era:

Gravata, meu velho,

Direito de resposta pra mim é sagrado. Pergunta clara, límpida, cristalina, fora de qualquer política: foi você ou não foi você o responsável pelo conteúdo do blog cuja URL era bndesnassif.blogspot.com?

Aguardo sua resposta. Abração,

Idelber

A resposta do Gravataí a essa pergunta era de que a ela não se respondia com um simples “sim” ou “não” e de que ele até responderia se o conteúdo do blog estivesse disponível.

Depois havia um monte de outras coisas que não respondiam minha pergunta.

Dada por encerrada a minha investigação sobre este lamentável episódio, registro o post, pois, com esse título, sem nenhum medo de errar. Note-se que meu título não pressupõe que o Gravataí fosse o único autor do blog. As pessoas de minha intimidade sabem que eu torci para que o Nassif estivesse equivocado, mas o fato é que ele estava certo. Mais uma vez. Infelizmente.”

FONTE: texto do site “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha, reproduzido no site “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim em 25/06/2009.

O IMPROVÁVEL ESTADO PALESTINO DE BENYAMIN NETANYAHU

“Avigdor Lieberman, o ministro israelense de Relações Exteriores, tem coragem. Ele declarou recentemente nos Estados Unidos, durante seu encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que as colônias não são "um obstáculo" para a busca de paz e que é evidente que trata-se de "uma desculpa para aqueles que querem evitar as negociações", ou seja, os palestinos. Estes últimos de fato se recusam a retomar as negociações com o governo saído das urnas em 10 de fevereiro.

Os palestinos justificam essa recusa com duas razões. Eles exigem que o processo de colonização seja inteiramente suspenso, inclusive a continuidade das construções. Trata-se de não estabelecer sobre o terreno realizações irreversíveis que impeçam a criação de um Estado viável. A Autoridade Palestina também insiste no reconhecimento do princípio de "dois Estados para dois povos", sem que este seja acompanhado de uma bateria de condições como aquelas que foram anunciadas pelo primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, durante seu discurso em 14 de junho.

"PROTETORADO"

Desde os acordos de Oslo de setembro de 1993, os palestinos negociam para promover sua causa. Tudo deveria ter sido resolvido em 1999, mas não foi o que aconteceu. Desde então, houve o "Mapa da Paz", em 2003, o plano de paz internacional para criar uma Palestina no fim de 2005. Novo fracasso. O processo de Annapolis de novembro de 2007, cujo iniciador, George Bush, havia prometido que permitiria realizar no fim de 2008 a concretização do sonho palestino, não foi mais frutífero.

Hoje, "Bibi" - apelido de Netanyahu - fez, segundo Nicolas Sarkozy, "um importante avanço" ao admitir sob pressão norte-americana, após décadas de recusa, a criação de um Estado palestino. Mas que Estado palestino?

Desmilitarizado, sem controle de suas fronteiras, de seu espaço aéreo nem de seus recursos, sem a liberdade de fazer alianças. O vale do Jordão permanecerá sob controle israelense. As forças de segurança manterão o direito de intervir à sua maneira neste futuro Estado, mas que terá sua bandeira, seu hino nacional e seu governo, prometeu Netanyahu. O que já acontece. Uma espécie de "protetorado", como classificou Yasser Abed Rabbo, colaborador próximo do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Como se essas restrições não fossem suficientes, "Bibi" estabeleceu salvaguardas. Antes de qualquer coisa, os palestinos devem reconhecer Israel como Estado judeu. O reconhecimento pela OLP em 1993 da existência de Israel não basta. O 1,5 milhão de palestinos de Israel, ou seja, 20% da população, devem renunciar à sua especificidade e se dobrar à vontade "estatal-religiosa". Também nem se considera negociar sobre o direito ao retorno.

Não haverá reconhecimento de responsabilidade na expulsão e no desarraigamento de 760 mil palestinos em 1948, nem de indenização ou possibilidade de reintegração. Está totalmente fora de questão dividir Jerusalém, que continuará para sempre "a capital unida" de Israel. Quanto à colonização, é impossível parar de construir em zonas ocupadas, pois os colonos têm filhos e é necessário deixar lugar para eles. O espaço vital para responder ao crescimento natural não diz respeito aos palestinos.

AS CARTAS NAS MÃOS DE BARACK OBAMA

Para os palestinos, "já basta". Nem pensar recomeçar negociações eternas que não levam a nada, ainda mais quando as regras do jogo são fixadas de antemão. "Será preciso esperar mil anos para que os palestinos aceitem tais condições", ironizou Saeb Erakat, o principal negociador palestino. Ele caracterizou a situação com esta outra frase: "O processo de paz avançava a passos de tartaruga. Desta vez, Netanyahu colocou a tartaruga nas costas".

Ainda que Netanyahu diga que não se tratam de pré-condições, que ele está pronto para iniciar negociações de paz imediatamente, que seu governo é "sério em [seu] desejo de chegar a um acordo de paz", os palestinos não acreditam mais nele, e eles não são os únicos. "A carta das colônias contradiz a carta da paz", observou o escritor israelense David Grossman, convencido de que "não haverá paz se ela não nos for imposta".

As cartas estão nas mãos de Barack Obama. Tudo depende da pressão que será exercida sobre Israel para que a paz torne-se possível e a Palestina, uma realidade. No estado atual das coisas, é uma missão impossível na medida em que as condições impostas são inaceitáveis. Netanyahu pode até ter estendido a mão aos palestinos, oferecido o diálogo aos Estados árabes, mas ele nunca mencionou a iniciativa de paz adotada em março de 2002 pelos 22 Estados árabes prevendo uma normalização das relações com Israel em troca de um retorno às fronteiras de 1967 e de um regulamento "justo e reconhecido" para a questão dos refugiados. Ele ignorou Annapolis e o "Mapa da Paz".

Os palestinos não querem mais se sentar à mesa das negociações para simplesmente trocar gentilezas, como disse Abed Rabbo. Eles querem algo concreto. Barack Obama os entende.

Resta persuadir os israelenses. O confronto ainda não começou.

FONTE: artigo de Michel Bôle-Richard, em Jerusalém, publicado no jornal francês Le Monde, e postado pelo portal UOL em 25/06/2009, em tradução de Lana Lim.

sábado, 27 de junho de 2009

LULA, EM ENTREVISTA, FAZ DIAGNÓSTICO COMPLETO DA CONJUNTURA

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao grupo de comunicação RBS, em Porto Alegre (RS), na quinta-feira (25), e falou sobre quase todos os assuntos políticos de maior repercussão atualmente. Da crise no Senado à eleição para governador em São Paulo, o presidente deu opiniões que certamente irão repercutir no mundo político.

Lula defendeu punição para quem cometeu irregularidades no Senado. Segundo ele, é preciso investigar as denúncias e "tocar o barco para frente" porque o país tem "coisas muito importantes para serem discutidas".

"Que se faça uma investigação. A denúncia da denúncia, se faça uma investigação. Apresenta o resultado, pune quem tiver errado, faz o que tiver que fazer, e mata o assunto", declarou o presidente.

Ele disse, porém, não crer em renúncias em razão da atual crise no Senado. "Nenhum senador vai renunciar ao mandato, nenhum senador vai pedir as contas. Eu acho que eles vão se acertar e vão prestar a conta que a sociedade quer."

Para o presidente, não se pode ficar "a vida inteira falando daquilo sem que haja uma solução". "Eu acho que os senadores, todos eles têm mais de 35 anos de idade, portanto, estão na idade adulta. Eles têm que tomar as medidas para fazer as coisas acontecerem. Ah, quem está errado? Fulano, beltrano e cicrano? Puna-se, sabe. Quem está certo? Fulano, beltrano e cicrano? Fica."

Assim como tem tido nos últimos dias, Lula disse novamente que o país tem coisas mais importantes para discutir. " Dizima esse problema e vamos tocar o barco para a frente, porque nós temos coisas muito importantes para serem discutidas neste país."

CPI

Ao responder uma pergunta sobre a suposta influência do governo para instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB), Lula negou interferência.

Em seguida, ele criticou o uso político das CPIs. "O dado concreto é que quando você tem que fazer uma CPI, você tem que ter uma coisa muito concreta, uma coisa muito objetiva para você pedir uma CPI. Você não pode fazer de cada CPI, sabe, um samba do crioulo doido."

Sobre a CPI para apurar atuação da Petrobras, o presidente afirmou que as investigações podem prejudicar a imagem da empresa, que, segundo ele, já teve dificuldade em obter US$ 10 bilhões emprestados do governo chinês.

"Ora, se uma empresa que tem o nome da Petrobras, que tem a imagem da Petrobras, tem dificuldade de tomar dinheiro, eu fico imaginando se começar um processo de achincalhamento, porque o denuncismo é isso."

2010

Sobre se o PMDB poderia indicar vice na chapa da ministra Dilma Rousseff na disputa presidencial em 2010, ele disse que a legenda "tem potencial", mas que dependerá também da própria Dilma. "O vice tem que ser uma pessoa que a candidata a presidente escolha. Ela não pode receber um vice porque ele é do maior partido ou é do menor. (...) Você não pode ter um vice que não tenha uma afinidade política, ideológica e visão de Brasil junto."

Questionado sobre se o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci poderia ocupar a Casa Civil após a saída de Dilma para a campanha eleitoral, ele disse que não "pretende" mudar os ministros, mas sim, promover os secretários executivos.

DISPUTAS ESTADUAIS

Durante a entrevista, o presidente comentou sobre as disputas eleitorais nos estados.

Em São Paulo, ele considera que a entrada de Ciro Gomes na disputa pode dar "trabalho" aos adversários. "Eu acho que o Ciro Gomes tem condições de ser candidato em qualquer lugar do Brasil que ele queira ser candidato. Eu, por enquanto estou vendo só especulação, não tem nada sério. Mas eu acho que o Ciro Gomes daria trabalho em São Paulo."

No Rio Grande do Sul, destacou a liderança do ministro da Justiça Tarso Genro na disputa, mas pediu que seja feito acordo com os partidos aliados, principalmente o PMDB.

"Estou convencido que é possível construir uma aliança política, uma aliança política que envolva o PMDB, que envolva o PDT, que envolva o PTB, o PCdoB, e disputar as eleições. Agora, se essa aliança não der certo, nós temos que ter a maturidade de saber como nós vamos nos tratar no primeiro turno, porque sempre há a possibilidade dessa aliança se concretizar no segundo turno."

2014

O presidente afirmou ainda que não quer comentar se pode tentar ser candidato a presidente novamente em 2014. "Se a Dilma for eleita, eu vou torcer para ela fazer o melhor que alguém possa fazer neste país e ela ser candidata à reeleição. Ora, se for um adversário que ganhe, aí sim, pode estar previsto. Bom, em 2014 é possível voltar. Depende."

Leia abaixo a entrevista na íntegra, conforme transcrição de áudio da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.

PRESIDENTE LULA, MUITO OBRIGADA PELA ENTREVISTA QUE O SENHOR CONCEDE AOS VEÍCULOS DO CANAL RURAL, DA RBS. EU QUERIA, EM PRIMEIRO LUGAR, FALAR PARA O SENHOR QUE PORTO ALEGRE, EM 2014, VAI SER UMA DAS CIDADES SEDE DA COPA DO MUNDO. EU QUERIA SABER DO SENHOR O QUE O SEU GOVERNO PODE FAZER POR PORTO ALEGRE, JÁ QUE PRECISA DE TANTA COISA, ESPECIALMENTE NA ÁREA DE TRANSPORTES: A LINHA 2 DO TRENSURB, A AMPLIAÇÃO DOS ACESSOS PELA BR-116, A PONTE NOVA DO GUAÍBA. ENTÃO, O QUE PODEMOS ESPERAR, NA CAPITAL GAÚCHA, DE APOIO DO SEU GOVERNO?

PRESIDENTE:
Olhe, dia 30 haverá a primeira reunião entre governadores e prefeitos, junto com o governo federal, para que a gente possa discutir as prioridades das políticas de mobilidade urbana de cada capital, em função da Copa do Mundo. Obviamente que tem a parte dos estádios de futebol, que isso é um problema dos clubes, da Federação e do governo do estado. Eu, sinceramente, não acredito que os governantes e que o poder público tenham que colocar dinheiro para construir estradas. É preciso que a Confederação e os clubes se organizem e façam parcerias com a iniciativa privada para construir os estádios que precisarem construir. Mas nós iremos contribuir, sim. Nós queremos, inclusive, fazer um pacto, criar um comitê que vá funcionar até 2014, um pacto em que a gente possa saber qual é a responsabilidade do prefeito, qual é a do governo do estado, qual é a do governo federal, para que ninguém fique culpando ninguém e cada um cumpra com as suas funções. O dado concreto é que nós vamos ter que fazer as obras, independente de termos Copa do Mundo ou não. A Copa do Mundo é uma exigência a mais para que a gente possa ser mais rápido.

TIMES BONS COMO O INTERNACIONAL E O GRÊMIO FACILITAM, ENTÃO, ESSA QUESTÃO DOS ESTÁDIOS, PRESIDENTE?

PRESIDENTE:
Facilitam, obviamente. Aliás, o Rio Grande do Sul é um estado privilegiado, que tem dois times importantes que têm dois grandes estádios. Eu, sinceramente, não sei se é preciso fazer um estádio novo ou pode utilizar um daqueles estádios ali e fazer a reforma necessária. Nós precisamos evitar que a megalomania tome conta de algumas pessoas que apresentam projetos que, daqui a pouco, não conseguem concluir, que não têm financiamento. No fundo, no fundo, nós temos uma preocupação porque, se não der certo, é a imagem do País que vai ficar em uma situação delicada.

JÁ QUE ESTAMOS FALANDO EM FUTEBOL, PRESIDENTE, O QUE O SENHOR ESTÁ ACHANDO DO GAÚCHO DUNGA NO COMANDO DA SELEÇÃO BRASILEIRA, E QUAL É O ESCORE QUE O SENHOR ESPERA PARA HOJE?

PRESIDENTE:
Olha, eu acho que o Dunga está sendo, na Seleção brasileira, o que ele foi como jogador de futebol. Eu acho que o Dunga não foi um excepcional jogador de futebol, mas foi um jogador extremamente importante, até porque também jogou no meu Corinthians quando era menino...

QUANDO SAIU DO INTER. FAZ TEMPO...

PRESIDENTE: ...
e o Dunga está sendo assim como técnico, muito racional, muito racional. O dado concreto é que ele está provando, no dia-a-dia, que ele está certo.

TEM QUE TRABALHAR MUITO.

PRESIDENTE:
Ele entende de Seleção, ele conhece os jogadores, e eu penso que as coisas entraram num ritmo de muita humildade, simplicidade, e fazer o que ele sabe fazer, jogar bola.

AGORA EU VOU FALAR COM UM OUTRO TÉCNICO. O TÉCNICO DA POLÍTICA, O PRESIDENTE LULA. PARA 2010, O QUE É MELHOR PARA A CAMPANHA DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF NO RIO GRANDE DO SUL? UMA CHAPA PURO-SANGUE DO PT, COM TARSO GENRO NA CABEÇA OU UMA ALIANÇA COM O PMDB, PRESIDENTE?

PRESIDENTE:
Olhe, eu trabalho sempre a hipótese de construir uma aliança política entre o PT e o PMDB, entre o PT e o PDT e o PTB. Ou seja, uma parte importante da base do governo federal precisaria se compor nos estados para que a gente pudesse ganhar e, ganhando, a gente pudesse governar. Porque o problema todo hoje, Maria Amélia, não é você ganhar. É você governar, é você ter um grupo de pessoas dispostas a trabalhar para destravar o país, para destravar o estado, para que a gente possa apresentar para a sociedade uma perspectiva.

Eu, por exemplo, quando chegar em fevereiro de 2010, eu quero apresentar para o Brasil um PAC. Um PAC de 2011 a 2015. Por que eu tenho que apresentar? Porque eu tenho que colocar no Plano Plurianual, eu tenho que colocar na LDO, eu tenho que colocar verba, no orçamento, das coisas para 2011. Eu não posso deixar quem entrar, começar do zero. E eu aí penso que a (incompreensível) é importante. Eu acho que a Dilma tem que trabalhar a possibilidade de um grande leque de alianças políticas para ganhar bem e governar bem.

PRESIDENTE LULA, O MINISTRO SEU DO TRABALHO, CARLOS LUPI, DO PDT, FOI AO RIO GRANDE DO SUL E UMA DAS MISSÕES FOI CONVENCER DEPUTADOS DO PARTIDO DELE, O PDT, A ASSINAREM UMA CPI CONTRA A GOVERNADORA YEDA CRUSIUS. QUERO SABER SE ESSA FOI UMA INICIATIVA ISOLADA DO MINISTRO DO TRABALHO OU SE FOI UMA INICIATIVA DO GOVERNO?

PRESIDENTE:
Deixa eu lhe dizer uma coisa. Não existe iniciativa de governo, nem em um município, nem em uma vila, nem em um bairro, nem em um governo do estado, ou seja, até porque eu aprendi a respeitar as particularidades de cada estado e a autonomia de cada estado. O dado concreto é que quando você tem que fazer uma CPI, você tem que ter uma coisa muito concreta, uma coisa muito objetiva para você pedir uma CPI. Você não pode fazer de cada CPI, sabe, um samba do crioulo doido. Ou seja, você faz a CPI e começar saber o que você vai investigar. Não. Você tem que ter, sabe, um fato determinado em que você, através daquele fato, você faça uma investigação. E o que tem acontecido na maioria das vezes é que essas CPIs não têm dado o resultado que as pessoas querem, ou seja, muita pirotecnia e pouco resultado prático concreto. Então, é preciso dar seriedade ao pedido de uma CPI. Esse negócio de utilizar CPI apenas para disputa política não é recomendável.

VALE LÁ E VALE AQUI.

PRESIDENTE:
Vale para qualquer lugar.

PRESIDENTE LULA, A QUESTÃO (INCOMPREENSÍVEL) DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS É PREOCUPANTE. ELES ESTÃO AGUARDANDO MUITO E COM MUITA ANSIEDADE O DIA 7 DE JULHO, QUANDO O SEU VETO ÀQUELE PROJETO QUE CORRIGE O REAJUSTE DE 16,5% PARA APOSENTADOS E PENSIONISTAS VAI SER APRECIADO PELO CONGRESSO. EU QUERO SABER DO SENHOR: ATÉ LÁ, PRESIDENTE, É POSSÍVEL HAVER UM ACORDO NO ENTENDIMENTO EM RELAÇÃO AO FATOR PREVIDENCIÁRIO, QUE É OUTRO PROJETO IMPORTANTE?

PRESIDENTE:
Você está lembrada que o veto, o veto se for derrubado eu não posso fazer mais nada. Agora veja, eu acho que é uma coisa grave porque as pessoas estão reivindicando para os aposentados que ganham mais do salário mínimo o mesmo aumento que eu dou a mais para o salário mínimo. Ou seja, não é possível contemplar os dois. Ou seja, ou nós elevamos o salário mínimo, não dá para elevar o conjunto dos salários dos aposentados.

É MAIS PRÓXIMO...

PRESIDENTE:
Se o Congresso, se o Congresso derrubar o veto, o governo tem que cumprir. Se o Tesouro vai ter dinheiro ou não para cumprir é outros quinhentos. O que eu acho, acho uma coisa ruim isso. De qualquer forma, o Ministro da Fazenda, o ministro Pimentel, o Paim estão discutindo, e vamos ver se o relator... Vamos ver se nós encontramos uma solução que possa dar suporte aos aposentados para viverem mais dignamente e dar condições de o governo pode pagar.

PRESIDENTE, UMA DAS OBRAS MAIS IMPORTANTES DO SEU GOVERNO PARA O SUL DO PAÍS É A FAMOSA 101 - TRECHO SUL. QUANDO É QUE O SENHOR PRETENDE INAUGURAR ESSA OBRA?

PRESIDENTE:
Você sabe que antes de inaugurar, eu estou com um sonho, com um desejo. Eu quero atravessar aquele túnel a pé.

A PÉ?

PRESIDENTE:
A pé, a pé, a pé.

JORNALISTA: A PÉ? ISSO VAI SER BOM.

JORNALISTA: O SENHOR VAI ESTAR MUITO BEM ACOMPANHADO.

PRESIDENTE:
Agora você sabe, Ana Amélia, nós temos um problema sério, sério, sério, porque aquele túnel já era para estar pronto. Mas aí, teve problema ambiental, depois teve problema que era muita areia. Ou seja, mas eu tenho fé em Deus que este ano eu ainda vou lá atravessar ele a pé, e no final do ano, até o ano que vem nós vamos inaugurar a totalidade da BR-101, para você viajar mais tranquila para Buenos Aires (incompreensível)

AGORA NÃO DÁ PARA IR MUITO A BUENOS AIRES, POR CAUSA DA GRIPE, PRESIDENTE.

PRESIDENTE:
É. Mas eu penso, eu penso, que nós vamos terminar a estrada. A gripe, nós temos que cuidar. Ou seja, o Brasil está tomando todas as medidas que tem que tomar. Agora, o mundo é muito grande, o Brasil tem muitas fronteiras e, graças a Deus, nós aqui estamos conseguindo .....

O SENHOR JÁ FALOU COM A MICHELLE BACHELET, QUE RECLAMOU DA ....

PRESIDENTE.
Eu não falei, mas certamente terei que falar com ela, porque o ministro Temporão me explicou a situação antes de ontem, sabe, e ele na verdade, não está proibindo, ele está recomendando que crianças até 2 anos e pessoas acima de 60 anos que tenham baixa imunidade, que essas pessoas evitem viajar para os países que têm grande incidência de casos.

PRESIDENTE, O SENHOR LANÇOU UM PLANO AGRÍCOLA DE SAFRA, E FOI FESTEJADO POR TODO MUNDO. MAS AGORA TEM UMA PREOCUPAÇÃO DO AGRICULTOR. É EXATAMENTE TER ACESSO A ESSE DINHEIRO. AQUELES QUE RENEGOCIARAM A DÍVIDA, MESMO OS QUE PAGARAM RELIGIOSAMENTE ACHAM QUE NÃO VÃO TER, PORQUE O BANCO NÃO ESTAR ACEITANDO ESSE NOVO CONTRATO.

PRESIDENTE:
Eu, eu te confesso que eu agradeço a Deus por ter vivido esse momento, porque é o melhor plano safra para a agricultura familiar, é o melhor plano safra para o agronegócio brasileiro. E eu disse no meu discurso: Não fiquem apenas esperando que os números que nós falamos aqui se concretizem. É importante que vocês criem junto ao Ministério um comitê de fiscalização de aplicação desses recursos, porque muitas vezes você decide aplicar e a coisa não acontece.

MAS O BANCO DO BRASIL É QUE...

PRESIDENTE:
Mas vai acontecer. Há uma determinação agora...

O SENHOR JÁ PEDIU AO BANCO QUE BAIXASSE OS JUROS E BAIXARAM, AGORA...

PRESIDENTE:
Então... Há uma determinação agora, uma determinação de que o dinheiro tem que chegar na hora do plantio, tem que chegar na hora da colheita, tem que chegar na hora da venda. Não tem tempo diferenciado entre o comportamento do Banco do Brasil, Ministério da Agricultura, MDA e os produtores. Agora nós vamos tentar aprender, de uma vez por todas, para fazer as coisas funcionarem.

O SENHOR PENSA EM IR À EXPOINTER ESTE ANO, PRESIDENTE?

PRESIDENTE:
Eu não sei como está a minha agenda internacional, porque eu tenho alguns compromissos internacionais que estão dificultando, muitas vezes, de eu cumprir determinadas coisas que eu gostaria. Eu fui uma vez à Expointer. Eu tenho mais um ano e meio de mandato, tem mais duas Expointer, pelo menos nessa ou na outra eu vou ter que ir.

SÓ PARA TERMINAR, PRESIDENTE, O SENHOR... HOJE ENCERRA O PRAZO PARA A MEDIDA PROVISÓRIA 458, QUE É MUITO IMPORTANTE PARA A AMAZÔNIA. AGORA TEVE TODO AQUELE PROBLEMA COM A PECUÁRIA DA REGIÃO. EU QUERIA SABER DO SENHOR COMO ISSO VAI SER RESOLVIDO E COMO O SENHOR VÊ O PAPEL DO GREENPEACE QUE ACABOU, DE CERTA FORMA, ANULANDO O ESFORÇO DO GOVERNO BRASILEIRO, SEU TAMBÉM, DE VENDER O PRODUTO BRASILEIRO DE BOA QUALIDADE, A CHAMADA “CARNE VERDE”, PARA O EXTERIOR.

PRESIDENTE:
Eu vou tomar a decisão – já está na minha cabeça a decisão – eu não vejo problema. Nós mandamos uma medida provisória, ela foi aprovada quase na sua totalidade, teve algumas emendas. Aquelas que forem necessárias e que atrapalham o projeto original, eu vou vetar. Aquelas que não atrapalharem, ficam. Eu estou acostumado a esses debates, a essas coisas, muitas vezes, radicalizadas. O projeto é bom. Nós precisamos legalizar a terra da Amazônia, porque com isso nós vamos permitir... fazer o zoneamento agroecológico, saber onde nós vamos plantar cada coisa, saber qual é a terra para a área extrativista, fazer o manejo correto da madeira, certificar a madeira, e vamos acabar com a violência no campo. É isso. Então... E vamos ter uma briga internacional. Vamos ter uma briga, e eu sei.

OS CONCORRENTES (INCOMPREENSÍVEL)

PRESIDENTE:
E eu gosto de ter essa briga, porque muita gente, aqui no Brasil, se faz de inocente e está prestando serviço aos nossos concorrentes externos que querem disputar a carne conosco, que querem disputar a soja conosco, que querem disputar o etanol conosco. Tem muita gente que acha que é bonito. Então, nós vamos fazer esse enfrentamento político, democrático, aqui e lá fora.

ENTÃO, A MINISTRA DILMA DEVE FAZER UM LEQUE DE ALIANÇAS QUE PERMITA NÃO SÓ GANHAR A ELEIÇÃO, COMO GOVERNAR. NO CASO DO RIO GRANDE DO SUL, SE FALA NA POSSIBILIDADE DO PT APOIAR O PMDB, E ATÉ QUE O SENHOR TERIA UMA CERTA SIMPATIA PELO EX-GOVERNADOR GERMANO RIGOTTO. QUAL É A SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO RIO GRANDE DO SUL?

PRESIDENTE:
Olhe, você sabe que o Presidente tem que tomar cuidado quando fala porque senão as pessoas pegam a palavra do Presidente como fato consumado e não é correto. Eu trabalho com a hipótese de que o PT tem um leque de alianças a ser feito no Rio Grande do Sul. Acho que o Tarso Genro está numa posição muito confortável, do ponto de vista da pesquisa de opinião pública. É sempre muito difícil, em qualquer lugar do Brasil, você convencer alguém que está em primeiro lugar sair para dar lugar para o segundo, para dar lugar para o terceiro. Eu lembro quando, em 89, quando eu fui para o segundo turno com o Collor, o Brizola tentando me convencer que a minha vitória sobre ele tinha sido um empate técnico e que, portanto, a gente deveria retirar a candidatura para apoiar o Mário Covas. Eu falei: Brizola, primeiro, que não tem essa de nós retirarmos a candidatura, porque você não está candidato mais, você caiu fora. Segundo, se o povo quisesse votar no Mário Covas, teria votado. Ou seja, ele ficou em quarto lugar, por que eu vou retirar minha candidatura para apoiar Mário Covas? Então, é muito difícil. Eu estou dizendo isto porque eu já vivi essa experiência e é muito difícil você convencer alguém que está em primeiro lugar a não ser candidato. Mas ainda assim eu estou convencido que é possível construir uma aliança política, uma aliança política que envolva o PMDB, que envolva o PDT, que envolva o PTB, o PCdoB, e disputar as eleições. Agora, se essa aliança não der certo, nós temos que ter a maturidade de saber como nós vamos nos tratar no primeiro turno, porque sempre há a possibilidade dessa aliança se concretizar no segundo turno. Então, é preciso que tenha maturidade política. Todos nós, PMDB, PT, todo mundo já cansou de apoiar, já cansou de bater. Eu acho que tem uma hora em que a maturidade tem que prevalecer e a maturidade é a gente construir uma aliança com o que há de melhor na política gaúcha para a gente disputar as eleições.

ESSA LÓGICA DO RIO GRANDE DO SUL, PRESIDENTE, VALE PARA TODO O PAÍS?

PRESIDENTE:
Vale para todo o país.

O PT ESTÁ DISPOSTO A FAZER ALGUM SACRIFÍCIO? COMO É QUE O SENHOR ESTÁ VENDO A CANDIDATURA DO... ESSA IDÉIA DO CIRO GOMES CANDIDATO POR SÃO PAULO?

PRESIDENTE:
Olha, eu nem acho que seja sacrifício, eu nem acho que seja sacrifício. Eu acho que nós nunca... já não temos o direito também de não fazermos sacrifícios e permitir que o desejo pessoal de uma pessoa prevaleça sobre os interesses coletivos de um partido político, seja estadual ou seja nacional. É preciso que a gente faça um debate para saber o seguinte: o que interessa nesse momento para nós? Quais os estados que nós temos que disputar? Quais os estados em que nós temos chances? Que tipo de aliança que nós poderemos fazer? E o que nós queremos construir? Se nós fizermos essa discussão corretamente fica fácil você construir as alianças políticas, fica muito fácil. Ou seja, nós temos muitos cargos em disputa. Nós temos governador e vice-governador, presidente e vice-presidente, dois senadores para cada lado. Portanto, cargo tem para todo mundo. O que nós precisamos é construir um time que vá do goleiro à ponta esquerda, para trabalhar junto nessa campanha. E vale para todo o Brasil, vale do Oiapoque ao Chuí, essa é a minha concepção. Agora veja, quem decide isso, na verdade, são os partidos políticos. Eles vão se reunir, vão debater. Eu só espero que as pessoas tenham aprendido, ou seja, nós precisamos continuar o que estamos fazendo e melhorar ainda muito mais.

O CIRO GOMES, EM SÃO PAULO?

PRESIDENTE:
Eu acho que o Ciro Gomes tem condições de ser candidato em qualquer lugar do Brasil que ele queira ser candidato. Eu, por enquanto estou vendo só especulação, não tem nada sério. Mas eu acho que o Ciro Gomes daria trabalho em São Paulo, daria trabalho em São Paulo.

PRESIDENTE, NESTA SEMANA O SENHOR CRITICOU A IMPRENSA POR DAR TANTO ESPAÇO PARA A CRISE NO SENADO. O SENHOR SEGUE APOIANDO O SENADOR JOSÉ SARNEY? TEM ALGUMA RESTRIÇÃO À ATUAÇÃO DELE? OU DEFENDE O AFASTAMENTO DELE, COMO VEM SENDO PREGADO POR SENADORES DA BASE ALIADA E DA OPOSIÇÃO?

PRESIDENTE:
Só fazer uma correção: eu não critico a imprensa por conta do Senado. Eu critico a imprensa por outras coisas. Também por... Pelo denuncismo desvairado, que às vezes não tem retorno. Eu tenho dito e disse isso. Você está falando de uma coisa que eu disse no Rio de Janeiro. É que há uma prevalência da desgraça contra as coisas boas. Sabe, há uma prevalência, uma, uma... eu não sei, talvez venda mais jornal. E tem o cara de marketing, o diretor financeiro que deve saber. Mas é impressionante, eu até citei um jornal, quando eu fiz a crítica eu citei o jornal. Você tinha, sabe, a volta do crescimento do emprego, cento e poucas mil vagas criadas a mais e você tinha uma manchete deste tamanho, sabe, de um emprego equivocado no Senado, e os milhares de empregos criados lá embaixo, numa notícia secundária. O que poderia ser diferente, até porque a nação brasileira precisa de boas notícias de autoestima, sabe, para poder a gente vencer esse embate com a crise internacional. Foi isso que eu citei.

Veja, eu acho que essas denúncias que estão acontecendo no Senado, e fiz questão de dizer isso quando eu ainda estava no Cazaquistão e depois eu repeti aqui, ou seja, é que se faça uma investigação, se faça uma investigação. A denúncia da denúncia, se faça uma investigação, se faça uma investigação. Apresenta o resultado, pune quem tiver errado, faz o que tiver que fazer, e mata o assunto. O que você não pode é ficar com um emprego errado, dois empregos errados, dez empregos errados, a vida inteira falando daquilo sem que haja uma solução. Eu acho que os senadores, todos eles têm mais de 35 anos de idade, portanto, estão na idade adulta. Eles têm que tomar as medidas para fazer as coisas acontecerem. Ah, quem está errado? Fulano, beltrano cicrano? Puna-se, sabe. Quem está certo? Fulano, beltrano cicrano? Fica.

Mas eu vi, ontem à noite, um senador ponderar que o Diretor se afastasse para não constranger o Senado. Ou seja, não é possível! Então, falta uma determinação de apuração correta, sabe, e isso o presidente Sarney já anunciou que vai fazer com o Tribunal de Contas da União, com a Polícia Federal, com o Ministério Público. Apura-se e mostra o mapa. Dizima esse problema e vamos tocar o barco para a frente, porque nós temos coisas muito importantes para serem discutidas neste país.

É O QUE O SENHOR PRETENDE FAZER COMO COLUNISTA, NOSSO COLEGA?

PRESIDENTE:
Não. Agora que não precisa ter diploma universitário para escrever coluna... Não, esse negócio, eu já escrevia antes, eu já escrevia antes. Então, sabe o que eu acho? Eu acho, viu, Klécio, que é apenas isso. É preciso dar o tempo de a gente... bom, denunciou? Denunciou. Começou a apurar? Começou a apurar. Pronto. Outro tema. Vamos tocar a bola para a frente. Nós perdemos muito tempo. Nós, brasileiros, perdemos muito tempo discutindo, às vezes, a mesma coisa, e quando não dá em nada – não deu em nada – ninguém explica por que não deu em nada e fica sem ninguém saber o que aconteceu.

MAS ESSA SUA DEFESA DO PRESIDENTE SARNEY, PRESIDENTE LULA, JÁ DE OLHO NESSA ELEIÇÃO DE 2010, NUMA ALIANÇA, NUMA PROVÁVEL CRISE DO SENADO, POSSA AGRAVAR, JÁ QUE A RELAÇÃO PT-PMDB NO SENADO JÁ NÃO ANDA BOA DESDE A ELEIÇÃO...

PRESIDENTE:
Eu não acho que isso deva ter... vai ter uma crise no Senado. Nenhum senador vai renunciar ao mandato, nenhum senador vai pedir as contas. Eu acho que eles vão se acertar e vão prestar a conta que a sociedade quer que preste contas. É isso. A minha cabeça não trabalha pensando em 2010; 2010 é consequência do resultado que a gente colher até o momento da disputa eleitoral. A minha cabeça, neste instante, vejam... hoje eu estou muito mais preocupado que daqui a pouco eu tenho que escolher o Procurador-Geral da República, daqui a pouco eu tenho que discutir se vou vetar ou não uma medida provisória, daqui a pouco eu tenho que discutir o novo marco regulatório do petróleo no Brasil. A minha cabeça está muito mais nisso do que na eleição de 2010. Agora, eu tenho clareza de que nós só iremos bem em 2010 se a gente estiver bem em 2009, e se concluir bem 2010.

E COM O PMDB, NÉ?

PRESIDENTE:
Com o PMDB e com a nossa base aliada, com a nossa base aliada.

O VICE IDEAL DA DILMA É DO PMDB?

PRESIDENTE:
Veja, é difícil. Nós vamos discutir isso. Analise a importância do PMDB no Brasil, um partido que tem mais vereadores, mais deputados estaduais, mais deputados federais, mais senadores, mais governadores, ou seja, é um partido que tem um potencial muito grande. Mas não é apenas isso que credencia alguém para ser vice. Primeiro, o vice tem que ser de concordância de quem vai ser candidato a presidente. O vice tem que ser uma pessoa que a candidata a presidente escolha. Ela não pode receber um vice porque ele é do maior partido ou é do menor. Ela vai ter que dizer “olha, eu quero para vice fulano, beltrano, sicrano”, ou coisa parecida, porque você não pode ter um vice que não tenha uma afinidade política, ideológica e visão de Brasil junto com a presidente da República. Por isso é que eu agradeço a Deus de ter tido o José Alencar, porque é uma bênção de Deus um presidente encontrar um vice como o José Alencar.

O SENHOR TEM ACOMPANHADO O TRATAMENTO DE SAÚDE DA MINISTRA DILMA. COMO É QUE ELA ESTÁ? HÁ RISCOS DE PREJUÍZO À CAMPANHA DELA?

PRESIDENTE:
Eu não acredito. Por tudo o que eu tenho conversado com os médicos, eu não acredito. Agora, você sabe que doença é doença, né? No momento certo, o médico vai dizer se parou ou não o tratamento. A Dilma, na verdade, ela tem trabalhado o mesmo tanto que trabalhava antes, ela não parou. Ela tem um ou dois dias por semana em que ela se sente mais cansada depois da quimioterapia, então diminui um pouquinho o ritmo. Todo mundo que já teve o tipo de câncer que a Dilma tem diz que esse câncer é curável, que parentes ficaram bons, filhos ficaram bons, irmãs ficaram boas. Ou seja, eu acho que a Dilma vai ficar extraordinária. Na hora em que o médico anunciar “está pronta para o embate”, a Dilma vai para o embate, sabe? Primeiro, para a gente concluir o que tem que concluir até 2009. Depois, se ela for candidata mesmo, porque depende ainda dos partidos políticos e dela própria, ou seja, aí a partir de março se afasta e começa a campanha.

QUEM VAI PARA O LUGAR DELA? O EX-MINISTRO PALOCCI?

PRESIDENTE:
Não, veja, eu não posso discutir agora o que eu vou fazer. Mas eu não pretendo fazer... eu não pretendo colocar nenhum ministro novo no governo.

O SENHOR VAI TERMINAR O GOVERNO COM O QUÊ? QUATORZE, MAIS OU MENOS. (INCOMPREENSÍVEL)

PRESIDENTE:
Eu não sei quantos. Se for 30. Eu não vou trazer uma pessoa, a partir de abril, para chegar sem conhecer o histórico do próprio Ministério, das obras, dos projetos, para mudar chefe de gabinete, mudar um monte de coisas. Ou seja, na verdade, se eu fizer isso, eu vou paralisar o governo por dez meses. A minha idéia é, na hora em que o ministro for saindo, até prova em contrário, o secretário-executivo assume e vai tocando, porque ele tem o histórico das obras, dos projetos, do andamento do PAC. Então, eu não quero mexer no andamento das coisas que nós estamos fazendo no Brasil, nesse momento.

PRESIDENTE, O SENHOR, NA OPOSIÇÃO, O SEU PARTIDO CRITICAVA MUITO O SEU ANTECESSOR PORQUE VIAJAVA DEMAIS. NENHUM PRESIDENTE COLOCOU O BRASIL TÃO EM EVIDÊNCIA COMO O SENHOR, NESSAS MISSÕES INTERNACIONAIS. SUA AGENDA INTERNACIONAL É MUITO FORTE. EU QUERO SABER O QUE MUDOU E QUAL É A UTILIDADE DESSE SEU TRABALHO.

PRESIDENTE:
Mas se você pegar meu discurso, você vai ver que eu dizia: ele tem o direito de viajar para fora, o que é lamentável é que ele não viaja aqui dentro. E eu viajo muito lá fora e viajo muito aqui dentro. E é inexorável. Hoje, o presidente do Brasil será mais importante sempre. Os aliados que o Brasil estabeleceu nesses seis anos é muito grande. Ontem, a Presidente das Filipinas, o que ela disse no discurso dela? Hoje é impensável que um país importante não queira ter relações com o Brasil, porque o Brasil virou um personagem mundial, as pessoas querem ouvir o Brasil. E o Brasil virou importante mesmo.

MAS O SENHOR DEU ESSA PROJEÇÃO.

PRESIDENTE:
Eu acho que o momento histórico também deu a projeção. Isso tem muito a ver com a relação política. Você veja, nós levamos cinco anos para poder consolidar os Brics enquanto instituição. Agora, já vamos ter a segunda reunião aqui no Brasil, no final do ano que vem. E o Brasil está muito importante. Nesta hora é que nós temos que ter mais humildade e trabalhar mais. Eu lembro quantas críticas eu recebi quando eu fiz a primeira viagem para a África. Eu lembro: “Para que ir para a África? Não tem nada para vender para a África”. Pergunta para o ministro Miguel Jorge, que voltou com uma caravana empresarial da África, agora. A gente não tem o que vender é à Alemanha. A gente não tem o que vender é à Suécia. A gente não tem o que vender é aos Estados Unidos, sabe? Porque precisa mais valor agregado, mais competitividade tecnológica. Mas à África, à América Latina, a uma parte do Mundo Asiático, ao Mundo Árabe, o Brasil só tem o que vender. E tem muita similaridade.

SUA POLÍTICA EXTERNA CONTINUA SENDO CRITICADA INTERNAMENTE. EU QUERIA QUE O SENHOR (INCOMPREENSÍVEL).

PRESIDENTE:
Criticada porque quem fez a outra.

O QUE EU QUERIA SABER DO SENHOR É A QUESTÃO DO VOTO DA ELLEN GRACIE (INCOMPREENSÍVEL) E, AGORA, A QUESTÃO DO IRÃ, EU QUERIA QUE O SENHOR COMENTASSE. O SENHOR SE PRECIPITOU?

PRESIDENTE:
Primeiro, ninguém atribuiu a mim a derrota da Ellen. E a Ellen, com muita gentileza, reconheceu que deveria ter estudado mais, porque tem coisas específicas. Tem coisas especificas, que a pessoa precisa se aperfeiçoar. Que ela era, do ponto de vista jurídico, a pessoa mais competente para assumir a vaga, eu não tenho dúvida. Agora, tem outros critérios para eles adotarem, sabe, em que ela não foi bem. Mas ela é muito nova e não falta oportunidade de disputar outras coisas.

E NO CASO DO IRÃ?

PRESIDENTE:
Agora veja, aqui, no Brasil, nós temos um determinado tipo de pensamento pequeno, que fica sempre achando: “Ah, não conseguiu indicar tal pessoa para tal lugar, perdeu, é uma derrota”. Você precisa ver que tem 300 pessoas querendo o mesmo cargo e que todo mundo pede para todo mundo.

Nós agora estamos atrás das Olimpíadas no Rio de Janeiro, como jamais um Presidente se meteu. Eu estou conversando com todos os presidentes. As pessoas prometem, mas eu não sei se vão votar, porque nem todo presidente tem ascendência sobre o homem do COI. Mas nós estamos fazendo o nosso trabalho. Estamos fazendo o nosso trabalho, e é assim que a gente faz. Você perde uma, você elege outra, você empata outra.

Agora, a questão do Irã. Eu às vezes fico meio chateado vendo, acompanhando o noticiário porque... A vitória do Irã não foi pequena, foram 62% dos votos. Ora, que tenha tido fraude e alguma coisa, então estabeleça um critério de pedir apuração. Agora, o fato de a oposição não se conformar de ter perdido e achar que a oposição tem o direito de bagunçar o que a maioria deu, a gente não pode aceitar, nem lá, nem aqui e nem em lugar nenhum do mundo. Agora, o que eu condeno no Irã? As mortes, a violência. E vocês, da imprensa brasileira, precisam dar, com cuidado, o material que vem de lá, porque o material é feito pela oposição. Já que a imprensa internacional não está podendo participar, estão pegando o material da oposição. E eu lembro que na Venezuela montaram um filmete de uma pessoa atirando na outra para dizer que era o pessoal do Chávez que estava atirando. Então, nós precisamos ter muito cuidado com isso. Ontem, eu vi o principal líder religioso do Irã dizendo que o governo não tem que ceder à oposição. Se tiver algum lugar que tenha que fazer uma nova apuração, que se faça. Mas não dá para questionar a vitória do Presidente.

Então, às vezes eu fico indignado porque tudo que é no Irã, tudo que é na Venezuela tem uma dimensão que não tem em outros países, que não tem em outros países. Ou seja, eu lembro que quando o Bush ganhou a primeira eleição, lá da Justiça, aquilo se fosse no Irã, se fosse na Venezuela, teria ocupado oito meses de jornal no mundo inteiro, de crítica, e aqui não ficou...

PRESIDENTE, JÁ QUE NÓS ESTAMOS FALANDO DE VENEZUELA, ESTÁ AINDA NA COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES DO SENADO A QUESTÃO DA ENTRADA DA VENEZUELA NO MERCOSUL, PREVISTA PARA O SEGUNDO SEMESTRE. O SENHOR ACREDITA QUE ISSO VAI OU O SENHOR ALERTOU A SUA BASE PARA ISSO? E QUAL É A AGENDA QUE O GOVERNO TEM PARA O CONGRESSO NACIONAL AGORA, A PARTIR DE AGORA ATÉ O FINAL...

PRESIDENTE:
Olha, primeiro eu espero que haja maturidade no Senado e que eles votem a entrada da Venezuela no Mercosul. É só olhar o fluxo da balança comercial entre Brasil e Venezuela para a gente ter noção de que é importante a Venezuela entrar no Mercosul, sabe, e não tem outro jeito. O Chávez tem que se adequar às regras que já estão estabelecidas. São regras que já têm duas décadas, portanto, não tem como imaginar que o Chávez pode entrar e criar qualquer confusão. O Chávez vai entrar e vai se portar como eu, como Cristina, como Hugo, como Lugo, como Tabaré. Não tem jeito. Eu acho extremamente importante a entrada dele e espero que o Senado... Eu vou te contar uma coisa: eu gostaria que o Senado tivesse uma pauta, e a Câmara, que fosse a reforma política.

O SENHOR VAI ENCERRAR O SEU GOVERNO SEM A REFORMA POLÍTICA E SEM REFORMA A TRIBUTÁRIA, PRESIDENTE.

PRESIDENTE:
Veja, e as duas coisas eu mandei para o Congresso. Eu, se a reforma tributária não for votada, eu não sei quantos anos eu tenho de vida, mas o dia que eu ver alguns empresários vir dizer que é preciso fazer reforma agrária...

REFORMA TRIBUTÁRIA.

PRESIDENTE:
Reforma Tributária. O DEM, que fez da reforma tributária a bandeira dele, eu quero estar perto para ver. Porque eles não querem. Você está lembrado que eu mandei duas propostas: eu mandei uma em abril de 2003, e mandei outra o ano passado. Ou seja, quando nós fazemos as reuniões aqui, com governadores, com prefeitos, com empresários, todo mundo concorda. Quando chega no Congresso Nacional, ninguém concorda mais.

O SENHOR ACHA QUE ESSE DEBATE TEM FUTURO, DEPOIS DE 2010?

PRESIDENTE:
Eu acho que tem. Vamos... Veja, a partir de 2010 eu posso fazer coisas e dizer coisas que eu não posso fazer e nem dizer como presidente.

POIS É, O SENHOR TEM DITO QUE QUER SER UM CIDADÃO DO MUNDO DEPOIS DE 2010. E, AGORA, DEPOIS QUE O PRESIDENTE BARACK OBAMA DISSE QUE O SENHOR “É O CARA”, ENTÃO EU PERGUNTO, PRESIDENTE: ELE SERIA O SEU CABO ELEITORAL PARA ESSA IDÉIA DE SER UM CIDADÃO DO MUNDO E, TALVEZ, O SENHOR OCUPAR UM ESPAÇO NA ONU, NO BANCO MUNDIAL? QUAL O SEU DESEJO PESSOAL?

PRESIDENTE:
Não, não. Primeiro, deixa eu te dizer, só terminar essa coisa aqui. Eu mandei sete pontos sobre reforma política para votar, dentro do Congresso Nacional, uma não complicava a outra, ou seja, o cidadão poderia votar numa e não votar as outras leis. Mas era apenas um sinal de que a gente estaria trabalhando sério para fazer a reforma política. Não aconteceu. Eu também não posso ficar brigando 24 horas por dia para fazer, se não querem fazer.

Mas eu acho que sem reforma política, o que está acontecendo no Senado, o que já aconteceu na Câmara - isso é histórico, não é de agora, sempre houve isso - vai continuar acontecendo. Se a gente fizer uma reforma política, dar um caráter de seriedade aos partidos políticos, eu acho que a gente pode mudar muita coisa neste país. Por isso é que eu acredito que a reforma política é essencial neste país. Agora, não é o Poder Executivo que tem que fazê-la. E aí não são apenas alguns partidos, não, muitos partidos... Até do PT também tem gente que não quer reforma política.

HÁ UM DEBATE SOBRE UMA CONSTITUINTE...

PRESIDENTE:
Agora, quando eu não for mais presidente, aí eu poderei dizer o que eu quiser, como quiser, na hora que eu quiser. O PT vai ter que assumir a bandeira da reforma política de verdade, os deputados e senadores do PT terão que se comprometer com as decisões partidárias. Nós vamos discutir, pelo país afora, que tipo de reforma política que nós queremos. E, quem sabe, se chegue à idéia de que é preciso uma Constituinte exclusiva para fazer isso, quem sabe chegue a esta conclusão. Mas o que eu quero é fazer um grande debate.

NÃO TEREMOS UM PRESIDENTE CIDADÃO DO MUNDO, MAS TEREMOS ENTÃO UM CIDADÃO BRASILEIRO...

PRESIDENTE:
Não, veja, quando eu falei cidadão do mundo, perguntaram o que eu queria fazer. Veja, eu não tenho pretensões, eu tenho... A minha maior pretensão agora é ver se eu pago a promessa que eu fiz para a dona Marisa em 1978, quando ela queria que eu deixasse o sindicato. Eu prometi para ela que era o último mandato e que depois ia me dedicar à família, ou seja, de 78 à agora, já são, quantos? Trinta e um anos e eu não cumpri ainda aquela promessa para a dona Marisa. Eu pretendo me voltar um pouco para a família.

Agora, eu também sei que eu não posso deixar de fazer política, sabe? E eu gostaria de trabalhar muito essa questão da integração da América Latina, gostaria de trabalhar muito essa questão da África, que eu acho que nós precisamos cuidar com muito carinho da África, do potencial da África, de fortalecer o processo democrático na África. O Brasil é muito bem conceituado no continente africano. Por isso é que eu estou indo para lá agora, no dia 1°, na Cúpula Africana, que vai ser realizada na Líbia. Era para ser em Madagascar, mas por causa do conflito armado, tiraram de Madagascar.

MAS COM ESTA POPULARIDADE QUE O SENHOR ESTÁ, SERÁ QUE EM 2014 A DONA MARISA DESISTE, A DONA MARISA PESA MAIS DO QUE UMA PRESSÃO PARA QUE O SENHOR VOLTE A DISPUTAR A PRESIDÊNCIA?

PRESIDENTE:
Olhe, deixe eu te falar uma coisa, Rosane. Eu, na verdade, tenho que recusar discutir 2014, porque não seria benéfico para mim e não seria benéfico para quem eu quero eleger. Vamos supor que eu eleja a companheira Dilma, candidata do PT, e o povo brasileiro eleja a Dilma presidenta do País. Ora, qual é o meu papel? O meu papel é trabalhar para que ela faça o máximo possível e ela tem o direito de querer ser candidata à reeleição. Porque senão, o que acontece? Se a Dilma for eleita e eu não tiver essa consciência de que ela tem que fazer mais e fazer melhor, fazer o governo dela, montar o governo dela sem a tutela, sem o patrulhamento de ninguém, sem o saudosismo, você vai tirar a possibilidade de uma grande mulher fazer um grande governo neste país. Mas se ela ficar no governo vendo que eu sou sombra, sabe: “Ah, em 2014 ele vai voltar”. Ora, eu serei um... serei, na verdade, eu não vou dizer o palavrão aqui...

(INCOMPREENSÍVEL) ASSUMIR A CONTINUIDADE.

PRESIDENTE:
Não, sabe, se a Dilma for eleita, eu vou torcer para ela fazer o melhor que alguém possa fazer neste país e ela ser candidata à reeleição. Ora, se for um adversário que ganhe, aí sim, pode estar previsto: “Bom, em 2014 é possível voltar”. Depende, depende também, porque, olhe, ficar aqui é muito difícil. Eu acho que governar é fácil, acho que cuidar dos pobres é a coisa mais extraordinária do mundo. Custa barato cuidar dos pobres. Muito barato.

O SENHOR ACHA QUE A SUA ELEIÇÃO... ESTA ELEIÇÃO AGORA, DE 2010, VAI TER UM CARÁTER PLEBISCITÁRIO, E O SEU GOVERNO SENDO COLOCADO À PROVA, REALMENTE, OU NÃO?

PRESIDENTE:
Não, não acredito.

COM 80% DE POPULARIDADE...

PRESIDENTE:
Obviamente, que se o governo estiver mal, tem muito a ver. Se o governo estiver bem, também tem muito a ver. Agora, dizer que vai ser um plebiscito... Entre nós e o quê? Não vai ser entre eu e o Fernando Henrique Cardoso, porque aí não dá nem para disputar, porque nesta época do ano o Fernando Henrique Cardoso estava com 19%, no segundo mandato. Então, eu queria saber que plebiscito vai ter.

NESSA SUA VISÃO DE QUE É BARATO, É BOM, É PRECISO, É JUSTO QUE AJUDE OS POBRES, HÁ UMA POSIÇÃO OPOSICIONISTA QUE DIZ QUE É... HÁ UMA PREOCUPAÇÃO ASSISTENCIALISTA DEMAIS, PORQUE AS PESSOAS BENEFICIADAS COM O BOLSA FAMÍLIA, POR EXEMPLO, ELAS NÃO SAEM DAQUELE SEU SISTEMA. ENTÃO, O QUE ESTÁ FALTANDO SERIA O SEGUNDO PASSO PARA, DIGAMOS, A RECUPERAÇÃO DA CIDADANIA, DA...

PRESIDENTE:
Essa visão elitista brasileira é responsável por mais de um século de empobrecimento generalizado. Olhe, se vocês pegarem o número do Programa Bolsa Família, sabe? Não é pouca coisa uma mulher que comprava um lápis e cortava no meio para dar metade para cada filho, agora dar uma caixa para cada um. Isso não é pouca coisa. Isso é pouca coisa para nós, que jogamos caixas de lápis fora. Para uma pessoa que cortava no meio e compra uma caixa para cada um, é quase que um milagre. O Programa Luz para Todos, agora... Você sabe, das pessoas que utilizaram o Programa, das pessoas que receberam energia, o que aconteceu nessas pessoas? Oitenta e três por cento compraram televisor, 79% compraram geladeira, 44,7% compraram aparelho de som, 41% voltou a estudar à noite. Agora, obviamente que alguém que nasceu, sabe, como chama lá? Qual é a melhor avenida de Porto Alegre?

Alguém que nasceu na praia de... na Avenida Copacabana, na Avenida Paulista ou na Faria Lima, sabe? Alguém que nunca teve problema de energia, nunca teve problema de nada, acha que isso é pouco, é assistencialismo. Dar R$ 80,00 para um pobre é pouco. É pouco para quem dá de gorjeta depois de tomar um uísque, mas para quem pega aquilo e vai comprar o que comer para os filhos, é uma coisa muito forte e muito importante. E lógico que na medida em que a economia vai crescendo, as pessoas vão saindo.

O companheiro Patrus me comunicou um dia desses que 600 mil pessoas deixaram o Bolsa Família, e você vai colocando outras que estavam... Porque não é o governo federal que cadastra. Quem cadastra são os prefeitos, ou seja, nós não temos o conhecimento. Às vezes eu chego em um lugar e uma pessoa muito pobre fala: ”Presidente, eu não recebo Bolsa Família”. E eu chego aqui e falo: Patrus, por que tal pessoa não recebeu Bolsa Família? “Bom, é o prefeito que cadastra, ou seja...”. Então, agora, nós estamos indo para o (incompreensível). Eu criei o Programa Brasil Sorridente. Uma ideia minha, criação minha. Porque sou nordestino e estou cansado de ver pessoas com 17 anos de idade sem dente. Então, criei um programa. Quero que essas pessoas pobres tenham direito a um dentista, fazer prótese, tratamento de canal, fazer tudo o que tiver direito. Nós criamos um programa extraordinário.

Bom, agora o Programa foi montado, todos os gabinetes, nas cidades. E eu ando agora para os grotões, eu vejo as pessoas mais longe sem dente. Agora eu falei para o Temporão: quero caminhão, com aparelho de... com consultório odontológico para viajar este país. Onde tiver um sem dente, lá, faça um molde na boca dele, faça... tire um molde, lá, faça tratamento, e vamos deixar as pessoas minimamente dignas neste país.

É NESSA VISÃO QUE O SENHOR FALA QUE VALE MAIS A PENA DAR DINHEIRO PARA O POBRE DO QUE CORTAR IMPOSTO, PRESIDENTE? A CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL NÃO ESTÁ ALTA DEMAIS?

PRESIDENTE:
Não, não, não, não. Você compara com quem, a carga tributária brasileira? Veja, vamos ser honestos aqui, vamos ser honestos. A lógica da humanidade é a seguinte: os países que têm uma carga tributária muito alta têm o chamado estado de bem-estar social. São os Estados que nós invejamos: Suíça, Suécia, Finlândia, Noruega, Holanda, Alemanha, Dinamarca, França, vai por aí. Os que têm uma baixa carga tributária são os que nós não queremos: toda a América Central, todos os países africanos e muita gente na América Latina. O Peru cresce há dez anos consecutivos a mais de 6% – tem uma carga tributária de 12%. Vá ver a política social que tem no Peru. Então, o que eu acho, veja: eu desonerei... Quero que você veja este quadro aqui... Eu desonerei R$ 100 bilhões, R$ 105 bilhões desde que eu sou governo. Acho que ninguém nunca desonerou o tanto que eu desonerei. Olha quanto custa o Bolsa Família: 10 bilhões. Sabe o que significa? Eu poderia ter o Bolsa Família elevado a...

__________: TRÊS VEZES.

PRESIDENTE:
Três ou quatro vezes mais. Muito melhor padrão de vida. E o que iria acontecer? Eu iria ajudar as empresas. Porque o problema, a gente quer baixar o preço porque o povo não pode comprar. Aumenta o poder de compra que o povo pode comprar. Essa é a lógica.

MAS A LÓGICA NÃO FUNCIONOU NOS AUTOMÓVEIS, NÉ?

PRESIDENTE:
Eu tenho conversado isso com os empresários.

Não, menina. Menina, se você for... Vá a um shopping center no Nordeste. Vá a rede Iguatemi que tem em Porto Alegre, do Jereissati, do Carlos Jereissati, e vá em Fortaleza e vá em Pernambuco para você ver o que é pobre visitando shopping. Shopping, dez anos e pouco atrás, 15 anos, era coisa de classe média, passear. Porque na hora em que você dá um centavo a mais para um pobre, aquilo se transforma, no mesmo dia, em um consumo.

O SENHOR VAI AMPLIAR O IPI, O PRAZO?

PRESIDENTE:
Não posso...

_________: TEVE UMA REUNIÃO ONTEM, ANUNCIA SEGUNDA...

PRESIDENTE:
Mas eu não posso falar, porque eu vi propaganda na televisão dizendo até “cuidado, porque vai acabar o IPI. Compre seu carro logo”.

(INCOMPREENSÍVEL) COMPRAR QUE É PARA...

PRESIDENTE:
Mas deixe eu te falar uma coisa: fiquei agora falando bastante... desse negócio da política tributária... esse negócio do imposto e política social... Eu falei porque eu acho que é preciso dar uma explicação lógica para vocês. Obviamente que todos nós queremos que o Brasil tenha uma política tributária mais simplificada possível, mais simplificada possível. E o ideal também é que a gente aumente o número de contribuintes, ao invés de cobrar muito caro dos poucos que pagam. Essa é uma lógica, tá? Eu só quero dizer que a carga tributária brasileira não é alta, se comparada a todos os países desenvolvidos. Porque senão não existe o papel do Estado. Em um país que tem 10% de carga tributária não tem Estado, o Estado não pode nada. E você pode mapear quais são os países assim.

Bem, a questão da política social é extremamente importante porque durante mais de 20 se discutiu no Brasil se a gente deveria crescer para distribuir ou distribuir para crescer. Ou seja, nós começamos a fazer os dois, concomitantemente. Começamos a fazer os dois juntos e o resultado foi extraordinário. A ascensão de uma parcela significativa dos pobres no Brasil é muito grande, sabe? A ascensão dessa molecada, por conta do ProUni... são 545 mil jovens da periferia na universidade, 40% deles, negros. Nós mesmos já ultrapassamos as cotas, dando oportunidade para essas pessoas.

Então, o que eu acho é que o governo precisa compreender que política social é uma coisa barata. Política social é... Na verdade, ela perpassa a violência, ela perpassa a ignorância, ela perpassa uma série de coisas e deixa a classe média muito mais tranquila. A classe média que acha que é assistencialismo, uma parte da classe média, ou seja, ela fica mais tranquila, porque na hora em que o pobre tem uma ascendência, todo mundo vai melhorar, todo mundo. Vai ter menos bandido, vai ter menos marginal, vai ter menos gente praticando violência. Mas não é isso que nós queremos construir no Brasil?

O SENHOR GANHARIA, SE O SENHOR INCORPORASSE ESSE DISCURSO, PRESIDENTE?

PRESIDENTE:
Não sei, porque esse discurso não é só um discurso. Precisa olhar nos olhos das pessoas para saber se quem está falando, está dizendo a verdade. Porque um discurso desse não pode soar falso.

O SENHOR ACHA QUE NA CRISE, AGORA, A OPOSIÇÃO TORCEU PARA QUE O BRASIL... PARA QUE A CRISE AFETASSE REALMENTE?

PRESIDENTE:
Torceu, e muito. Não, eu acho até que acenderam vela, sabe? Eu, um dia – isso também eu só vou fazer quando eu deixar o governo – eu vou montar um esquema de pesquisar as análises econômicas que fizeram sobre o meu governo, e quem acertou e quem errou. Porque tem algum analista econômico... se emprego dependesse dos acertos, teria rodado em 800 empregos, porque não acertou uma. E tem outros mais sérios que acertaram. Por que o que dá credibilidade para mim, político, e para um analista? É as pessoas perceberem o seguinte: “Este cara é correto”. Quando o Lula acerta, fala bem do Lula. Quando o Lula erra, “pau” no Lula. Todo mundo acha que é assim mesmo, sabe?

Não é aquele cara que fala bem, fala bem, fala bem, ou fala mal, fala mal, fala mal. O povo percebe o seguinte: “Espere aí, aquela jornalista deu uma “porrada” no Lula ontem e eu concordo com ela. No outro dia ela falou bem, eu concordo com ela porque eu acho que o Lula fez bem aquele negócio”. Aí ela passa a ter credibilidade. Agora se ela, todo santo dia, todo santo dia, se é só positiva, é puxa saco, se é só negativa, também não tem credibilidade. Então eu penso que esse equilíbrio...

_________: QUEIMAR OS DEDOS NA (INCOMPREENSÍVEL).

PRESIDENTE: ...
é uma coisa extremamente importante. E eu acho que muita gente... Uns queimaram o dedo, outros queimaram a língua, sabe?

JORNALISTA: (INCOMPREENSÍVEL)

PRESIDENTE:
Não, porque as pessoas torceram... Veja, essa foi uma crítica que ninguém precisou explicar que ela era internacional. O povo sabia que ela era internacional. Porque nós temos dois momentos dessa crise: em setembro do ano retrasado eu estava no Panamá, quando surgiu o primeiro sinal da crise do subprime. Eu voltei para cá, fizemos várias reuniões com os economistas, analisamos o que significava o subprime, e ficamos discutindo até mais ou menos o mês de junho, mês de julho, ou seja, a gente tinha uma noção de que essa crise chegaria muito pequena no Brasil.

Até que quebrou o Lehman Brothers, que não estava na previsão dos analistas até o mês de maio ou junho. Quando quebra o Lehman Brothers, o que aconteceu? Desaparece o crédito no mundo inteiro. E no Brasil, o que aconteceu? Você tinha 30% do crédito, sabe, Petrobras, Vale do Rio Doce, tomado em dólar lá fora. Na hora em que secou lá fora, eles voltaram para dentro. Vocês viram a Caixa Econômica tendo que escolher entre a Petrobras e uma pequena empresa. Ela ficou com a Petrobras, porque a Petrobras é mais garantia. Então, o que a gente... nós fizemos todas as medidas que tínhamos que fazer, e é reconhecido no mundo inteiro, pelos especialistas, que nós fizemos as medidas certas.

O SENHOR ACHA QUE REDUZIU O JURO EM TEMPO HÁBIL, PRESIDENTE, OU DEMOROU, FOI UMA DAS MEDIDAS...

PRESIDENTE:
Se você acompanhou os debates no Brasil, no mês de julho a gente estava querendo diminuir o consumo no Brasil, porque o consumo estava exageradamente forte. Então, a preocupação da área econômica era como começar a diminuir o consumo. Nós pensamos em criar IOF para o carro, para diminuir o consumo. Isso em julho. Então, em julho nós estávamos trabalhando para diminuir o consumo.

TRÊS MESES DEPOIS...

PRESIDENTE:
Quando chegou outubro, veio o Lehman Brothers e aí mudou um pouco a história. Mesmo assim, eu acho que nós já estamos com o crédito quase normal. Do ponto de vista da quantidade ele está a mesma coisa, mas ainda está muito caro. E a minha briga, agora, é que a gente consiga ir ajustando o crédito, porque as pessoas já não precisam mais ficar falando da taxa Selic, já não é mais ela o demônio, e eu acho que nós vamos sair. Os sinais todos são positivos, viu, Klécio, Rosane e Ana Amélia. Os sinais são positivos.

A AGRICULTURA FOI IMPORTANTE NISSO. FOI IMPORTANTE AÍ A AGRICULTURA.

PRESIDENTE:
Muito importante. E será mais importante, agora. Um dado para vocês saberem, gente. Olhem, eu acho que você acompanhou isso. Vocês estão lembrados de que em maio, em julho do ano passado nós lançamos aquele programa Mais Alimentos. E vocês estão lembrados de que nós fomos, aqui, e anunciamos financiamento de 60 mil tratores, 300 mil máquinas agrícolas, R$ 25 bilhões, dez anos para pagamento, dois anos de carência e acho que 2% de juros, se não me falha a memória. Pois bem, em dez meses, sabem quantos tratores nós vendemos? Onze mil tratores. Hoje, esse programa é responsável por 75% da produção de tratores de 78 cavalos no Brasil. Aí, eu fiz uma reunião com os empresários, agora, para comemorar o feito. E os empresários: “Presidente, está vendendo trator, mas não está vendendo os implementos, a plantadeira de mandioca...” Eu falei: gente, mas façam propaganda na televisão vocês, essa é a parte de vocês, meus filhos. Vocês querem vender? Querem. Vão para a televisão e digam para o trabalhador: “Trabalhador, você comprou trator? O trator sozinho não vale nada, precisa comprar tal máquina, tal máquina, tal máquina”, para incentivar o cara a comprar. Mas é um sucesso extraordinário.

NESSE SUCESSO, O SENHOR DISSE QUE ERA MUITO CHIQUE EMPRESTAR PARA O FMI. MUITA GENTE NÃO ENTENDEU MUITO BEM PORQUE, IMAGINE, MANDAR DINHEIRO PARA O FMI... NÃO VAI ENTENDER.

PRESIDENTE:
Eu acho que para mim, não, eu acho que para todos nós. Mas vamos ser francos. A minha geração foi a geração que passou metade da sua juventude carregando faixa na rua, gritando “Fora FMI”. Então, sair da situação que nós saímos, devolver o dinheiro para o FMI e depois, ainda, dizer: “Vem cá, quer 10 bilhões emprestados? Está aqui”. É uma coisa nobre. Mas o que é importante? É que como o Brasil propôs no G-20 fortalecer o FMI, democratizar o FMI, e fortalecer significa colocar dinheiro, então o governo não poderia ficar de fora, o Brasil não poderia ficar de fora. A China deu 40 bilhões, nós demos 10 bilhões, outro, acho que a Austrália vai dar 10... Agora, o que nós estamos querendo? Que esse dinheiro seja emprestado sem condicionalidades. Faça um empréstimo bancário sem...

SEM QUE O FMI DÊ AS CARTAS.

PRESIDENTE:
É isso, como fazia aqui no Brasil aquela delegação do FMI. Eu fui agora ao Congo, o governo quer fazer uma estrada e o FMI não deixa.

_________: TEM O DINHEIRO.

PRESIDENTE:
Tem o dinheiro. É como fazia aqui no Brasil: não pode fazer isso, não poder fazer aquilo...

COMO SERÁ QUE A POPULAÇÃO COMPREENDE ISSO? QUE O BRASIL ESTEJA EMPRESTANDO DINHEIRO PARA O FMI, DEPOIS DE TER FEITO TANTA CRÍTICA?

PRESIDENTE:
É a coisa mais ovacionada que eu recebo nas praças públicas é quando eu falo isso, porque é orgulho. Uma coisa que nós, muitas vezes, não trabalhamos é com autoestima do povo. Houve um tempo em que o povo brasileiro era induzido a se portar como se fosse...como se chama? Uma coisa de segunda classe...

_________: VIRA-LATA.

PRESIDENTE:
Uma coisa de segunda classe: “eu não presto para nada, eu não posso nada, eu sou menor do que isso, eu sou menor do que aquilo, eu sou menor do que aquilo”. Eu me lembro do tempo em que a gente falava: “nós nunca vamos ganhar uma partida de vôlei dos Estados Unidos”. Depois nós montamos, em 20 anos, de domínio do vôlei, no mundo. Então, o Brasil... É muito isso que eu tenho batido lá fora, Ana Amélia. O Brasil não tem que ser menor do que ninguém. Não precisa querer ser maior, mas não pode ser menor do que ninguém.

É NESSA QUESTÃO DE ORGULHO, PRESIDENTE, QUE O SENHOR NÃO QUER, POR EXEMPLO, QUE A PETROBRAS SOFRA UMA INVESTIGAÇÃO NA CPI?

PRESIDENTE:
Eu não quero que ela não sofra. Veja, se tem um fato determinado, diga qual é o fato determinado e faça a CPI. O que você não pode é, de forma irresponsável, pegar a empresa que é a coisa mais importante que este país tem e tentar, um ano antes das eleições, achincalhar a empresa, porque em uma CPI sem fato determinado vale tudo. Eu posso fazer uma CPI contra a Ana Amélia, não tem fato determinado, e eu falo: Ana Amélia, agora eu quero saber se você tem cabelo preto debaixo desse branco, eu quero saber como é que você pintou a unha do pé por dentro. Aí, você tem manchete todo dia. Nós queremos é uma coisa séria, se tiver que fazer. E quem propôs não tem nada de seriedade. Então...

O SENHOR ACHA QUE, DE NOVO, A OPOSIÇÃO...

PRESIDENTE:
Vamos ver o que vai dar. Eu acho que CPI não pode ser feita para fins apenas de disputa eleitoral. É não respeitar o país, é não respeitar o país. Agora, eu acho que a CPI... também nós temos que compreender que a CPI é um instrumento de oposição, em lugar nenhum do mundo CPI é instrumento da situação. Isso é no Rio Grande do Sul, é na Paraíba, isso é do jogo político. É do jogo político.

(INCOMPREENSÍVEL) ESSA QUESTÃO DE CPI? A QUESTÃO DOS INVESTIMENTOS DA PETROBRAS VÃO SER PREJUDICADOS, OU É JUSTAMENTE O CARÁTER ELEITORAL?

PRESIDENTE:
Veja, nós estamos em uma crise econômica profunda, em que a Petrobras teve dificuldade de tomar dinheiro emprestado, lá fora. A Petrobras teve dificuldade de pegar dinheiro lá fora. Os 10 bilhões que ele arrumou, eu falei três vezes com o Hu Jintao, eu falei duas vezes com o Wen Jiabao, que é o primeiro-ministro deles, e falei com o vice-presidente. E a Petrobras foi lá quinhentas vezes para a gente arrumar 10 bilhões. Ora, se uma empresa que tem o nome da Petrobras, que tem a imagem da Petrobras, tem dificuldade de tomar dinheiro, eu fico imaginando se começar um processo de achincalhamento, porque o denuncismo é isso: você não tem que ter muita coisa; me dê um indício de prova que eu denuncio; depois, se provar, paciência ou não. Então, eu acho que a Petrobras pode ser investigada pelo Tribunal de Contas da União, ela pode ser investigada pelo Ministério Público, pode ser investigada pela Controladoria-Geral da República, que fazem. Agora, o que fizeram? Um instrumento político, só isso.

O SENHOR DIRIA QUE O PT FAZIA TAMBÉM, COM OS SEUS ADVERSÁRIOS, NOS ESTADOS?

PRESIDENTE:
Ah, eu acho que fez, no Brasil inteiro. Aqui na Câmara nós fizemos. Mas esse é o papel da oposição. Você imagine uma coisa: uma oposição que não tem discurso, uma oposição que não tem temas, não vai poder falar do tema econômico, não vai poder discutir o tema social. Achou que ia nos pegar, no caso da poupança. Depois achou que ia nos pegar, no caso do Fundo de Participação dos Municípios. Depois achou que a crise era o grande cabo eleitoral deles. Eu fico sempre preocupado que uma oposição que não tem discurso começa a ficar desesperada. Aquele livro lá, como se chama? Da guerra... do general... “A Arte da Guerra”... tem uma hora que eles colocam assim: “sempre, sempre, sempre você tem que deixar uma porta de fuga para os adversários, porque se ele não tiver fuga ele fica desesperado, aí vale qualquer coisa”. Então, o que eu acho é que nós vamos ter uma disputa eleitoral. Vai ser uma disputa eleitoral bem-feita, entre dois candidatos ou mais, não sei quantos mais vai ter. Eu vou tentar fazer essa campanha apresentando o que o Brasil precisa... 2 mil... o que nós estamos fazendo de 2007 a 2010 e o que nós vamos fazer de 2010 a 2015. Por quê? Porque nós queremos discutir o presente e discutir o futuro.

NA PERSPECTIVA DE VITÓRIA, PRESIDENTE, QUEM É O MELHOR ADVERSÁRIO, O SERRA OU...

PRESIDENTE:
Não, não, eu não escolho adversário. Eu pensei que o pior adversário era a Espanha...

JORNALISTA: VAI SER A ÁFRICA DO SUL HOJE...

PRESIDENTE:
Vocês vão estar lá amanhã?

JORNALISTA: EU, SIM.

PRESIDENTE:
Você fica aqui mesmo em Brasília?

JORNALISTA: (INCOMPREENSÍVEL) CUIDANDO DA CASA.

PRESIDENTE:
Você não vai sempre no Rio Grande do Sul, não?

NÃO, EU MORO AQUI MESMO.

SÓ MAIS UMA PERGUNTA, PRESIDENTE. O MINISTRO TARSO GENRO TEM SEMPRE DEFENDIDO QUE... A PUNIÇÃO DOS TORTURADORES. EU QUERIA SABER SE ELE FAZ ISSO COM O AVAL DO SENHOR OU É UMA POSIÇÃO PESSOAL DELE, OU O SENHOR CONCORDA DE QUE A ANISTIA FOI PARA TODO MUNDO, QUE NÃO SE DEVE DESENCAVAR ESSE ASSUNTO?

PRESIDENTE:
Eu acho que é uma tese do Tarso. No governo, nós temos gente que pensa diferente.

JORNALISTA: E O SENHOR?

PRESIDENTE:
Nós temos... Eu não sou jurista, então... Eu fico só vendo eles debaterem.

UMA COISA RÁPIDA: O QUE O SENHOR DIRIA PARA O CIDADÃO BRASILEIRO, HOJE. DEVE GASTAR MAIS, ESPERAR UM POUCO?

PRESIDENTE:
Eu acho que deve gastar. Eu acho, deixa eu te falar uma coisa: primeiro, as pessoas podem acreditar que o País está mais sólido do que já esteve em qualquer outro momento, sabe. Tem duas formas dos empresários brasileiros fazerem investimento. Ou seja, o mundo inteiro se recuperar e ele começar a acreditar que ele não corre mais medo. O outro é ele perceber que aumenta a demanda por determinados produtos. Ele vai começar a produzir porque tem gente pedindo, batendo na porta dele e pedindo. Por isso é que nós criamos o plano Minha Casa, Minha Vida, que vai levar 55 mil casas para o estado do Rio Grande do Sul, vai levar 20 mil casas para Santa Catarina, sabe. Para que nós criamos esse programa? Para fazer moradia, mas também para a gente incentivar a economia do País. Isso foi... é muito importante o povo comprar. Eu não quero que o povo se endivide, que faça dívida, que faça... Ninguém precisa... Mas se o cara tiver uma economia, ou seja, compre coisas, que é importante.

OBRIGADO, PRESIDENTE.

PRESIDENTE, FOI ÓTIMA A ENTREVISTA.”

FONTE:
site Vermelho”, em 26/06/2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SUÍÇA BLOQUEIA CONTA DE EX-TESOUREIRO DO PSDB PAULISTA

“O Ministério Público da Suíça anunciou que bloqueou uma conta bancária do brasileiro Robson Marinho, ex-tesoureiro de campanha do PSDB baulista e hoje conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado). A notícia é da Folha de S.Paulo desta quarta-feira (24).

"O órgão reuniu indícios de que a conta recebeu pagamento de propina da Alstom", diz o jornal, que cita como fontes "três profissionais que acompanham a investigação", em curso na Suíça, França e Brasil, sobre o suborno de políticos de São Paulo pela multinacional francesa, que atua nas áreas de energia e transportes.

Marinho é suspeito de ter ajudado a Alstom a conseguir contrato de R$ 110 milhões (em valores atualizados, R$ 221 milhões) em 1998. Ex-tesoureiro da campanha de Mário Covas ao governo de São Paulo em 1994, ele foi indicado por Covas para chefe da Casa Civil, em 1995, e conselheiro do TCE, em 1997.

PROPINAS DA ALSTOM NO 3º MUNDO

Os documentos do bloqueio estão em poder de promotores da Suíça e de juízes da França, onde a Alstom também é investigada por suspeita de pagar comissões ilegais para obter contratos com governos latino-americanos e asiáticos, entre eles o de São Paulo, nas gestões dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin.

A conta bloqueada recebeu pouco mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2 milhões, pelo câmbio atual), de acordo com a quebra de sigilo. Atualmente, essa conta teria menos de US$ 1 milhão. Para os investigadores, as datas dos depósitos têm relação com o contrato que a Alstom assinou com a Eletropaulo em 1998. No fim de 2008 o titular da conta tentou transferir os recursos da Suíça para os EUA, mas os promotores suíços vetaram a tentativa.

Também foram bloqueadas outras contas de brasileiros investigados sob suspeita de receber comissões da Alstom. O jornal paulista não informa seus nomes, mas diz que esses contratos têm origem num projeto de 1983 chamado Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo), que visava modernizar a transmissão de energia no Estado.

A primeira suspeita sobre Marinho aparece num documento da Cegelec, empresa que foi comprada pela Alstom. Em memorando de 21 de outubro de 1997, época em que ele já estava no TCE, um executivo chamado Bernard Metz escreve que é preciso pagar 7,5% para que a empresa consiga o aditivo dez do projeto Gisel. A citação “R.M.” , identificando as letras como um “ex secrétaire du governeur“, aparece em anotações apreendidas na Alstom pelo Ministério Público da Suíça. A investigação europeia apurou também que "R.M." viajou para a França para assistir aos dois jogos finais da Copa do Mundo de 1998 com despesas pagas por empresas do Grupo Alstom

MARINHO: "QUEM ACUSA QUE PROVE"

Robson Marinho, ouvido pela Folha, negou tudo. "Não há nenhuma conta em meu nome na Suíça e em nenhum outro país", afirmou. "Estou sofrendo um processo leviano de insinuações sem fundamento", dsse ainda, e desafiou: "Quem acusa que prove".

O ex-tesoureiro tucano também é investigado no Brasil, a partir de solicitação do Ministério Público Federal ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), datada de meados do ano passado. Por ocupar hoje o cargo (vitalício) de conselheiro do TCE, Marinho só pode ser investigado pelo STJ e as apurações correm sob sigilo.

O governo paulista, governado há 15 anos pelos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, nunca investigou as denúncias de pagamento de propinas pela Alstom. As tentativas de instalar uma CPI do Caso Alstom na Assembléia Legislativa esbarraram na negativa da base de apoio pró-tucana, que já arquivou ou impediu a instalação de 72 pedidos de CPI de iniciativa da oposição.”

FONTE: da redação do site “vermelho” com informações de diversas agências. Lido em 25/06/2009.

O BOM ASSÉDIO DA MÍDIA

“E querem saber? Acho até bom o que está acontecendo com esse assédio da mídia à parte do Congresso que lhe interessa e ao governo Lula. Sempre digo que Lula se supera porque é o mais fiscalizado da história.

Ter o PT no poder é garantia de fiscalização pela imprensa. O que é perigoso é ter o PSDB ou o PFL no poder, como acontece, respectivamente, no Estado de São Paulo e na capital paulista.

Aqui, em minha cidade e em meu Estado, a imprensa simplesmente não fiscaliza nem o governo do Estado nem a administração municipal.

Na última contagem, havia mais de setenta pedidos de CPI contra o governo do Estado na Assembléia Legislativa paulista e nenhum deles foi aprovado por obstrução da bancada governista.

Na cidade de São Paulo, o prefeito, apesar de avisado muito antes, permitiu que empresas que servem merenda escolar às crianças da rede pública fornecessem comida estragada e racionada.

Os escândalos da Alstom ou da compra sem licitação de livros de baixa qualidade da editora Abril simplesmente não aparecem na imprensa paulista. São Paulo é uma caixa-preta. O único Estado e a única grande capital imunes a fiscalização da imprensa.

Do que se conclui que o melhor mesmo é votar no PT, porque os governos petistas são mantidos sob rédea curta, enquanto que seus adversários têm licença para corrupção.”

FONTE: artigo escrito por Eduardo Guimarães, publicado em seu blog “Cidadania.com”, em 25/06/2009.

LULA: FMI NÃO PODE SER CONDOMÍNIO DE EUROPEUS E AMERICANOS

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a postura dos países desenvolvidos diante da crise financeira mundial e disse que organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, não podem ser um mero "condomínio de europeus e americanos".

"Ela (a crise) nos mostra que o mundo não pode ser regido por um clube de sete ou oito países ricos, sem levar em conta mais da metade da humanidade. As organizações políticas e econômicas multilaterais não podem mais prescindir do peso e da legitimidade conferida pelos países em desenvolvimento", defendeu Lula ao receber, no Palácio do Itamaraty, a presidente das Filipinas, Gloria Arroyo.

Para o presidente brasileiro, que classificou as turbulências mundiais como "uma oportunidade para a construção de uma nova ordem e governança internacionais", a retração das principais economias globais não pode ser acompanhada de uma repulsa a países mais pobres e tampouco de fortes programas de protecionismo.

"Condeno a onda de xenofobia que acompanha a retração das economias dos países mais ricos. A crise atual resulta de um ciclo de quase três décadas de equívocos cometidos em nome do neoliberalismo. Foram as teses do Estado mínimo, as privatizações desenfreadas de empresas públicas e a crítica à forte presença reguladora do Estado que conduziram a economia global à beira do abismo", resumiu o presidente Lula.”

FONTE: da redação do site “vermelho” com informações de diversas agências. Lido em 25/06/2009.

A RECUPERAÇÃO APENAS COMEÇOU - PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

CONTINUAR REDUZINDO OS JUROS ESTIMULARIA A DEMANDA INTERNA E AJUDARIA A EVITAR A VALORIZAÇÃO DA TAXA CAMBIAL

“O BRASIL passou bem pelo teste da crise, não há dúvida. Nos meses recentes, a economia já deu sinais de recuperação. No exterior, nosso prestígio está alto.

No fim de 2008, a situação chegou a ser perigosa. O colapso do nível de atividade foi estarrecedor e pegou a todos de surpresa. Passou. Tudo indica que saímos do fundo do poço.

Mas ainda é cedo para dar "arrancos triunfais de cachorro atropelado". A recuperação da economia é modesta. Estamos crescendo pouco, muito abaixo do nosso potencial. O Banco Mundial prevê queda de 1,1% para o PIB brasileiro em 2009 e um crescimento medíocre, de apenas 2,5%, em 2010. Os números do FMI são semelhantes. No Brasil, os analistas de mercado estão mais otimistas do que os daqui de Washington, mas a diferença não é muito grande.

De acordo com o último levantamento das projeções de mercado, realizado pelo Banco Central, a expectativa mediana para o PIB é de uma queda de 0,6% em 2009 e de um crescimento de 3,5% em 2010.

Não é fácil ver de onde virá o estímulo para uma recuperação mais expressiva. Do exterior, não se pode esperar muito. De uma maneira geral, a recuperação do resto do mundo é ainda mais incipiente do que a brasileira. Portanto, o quadro para as exportações não é nada favorável -tanto mais que a revalorização do real vem solapando a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados externos (além de estimular a substituição da produção nacional por importações). O Banco Central está projetando queda de 20% do valor das exportações em 2009.

Resta o mercado interno. O governo vem procurando estimular o consumo e o investimento. Houve várias medidas de desoneração tributária. A meta fiscal foi abrandada.

E o BC reduziu a taxa de juro.

Mas talvez seja necessário fazer mais. Parece haver espaço para intensificar a política fiscal anticíclica.

As contas públicas estão em boa situação, apesar da queda das receitas.

Em 2009, o Brasil terá o menor déficit fiscal (governo geral) dos integrantes do G20, segundo o FMI. As estimativas do Fundo indicam que o estímulo fiscal brasileiro (o custo das medidas discricionárias) é de apenas 0,6% do PIB em 2009 e de 0,5% do PIB em 2010. Por esse ângulo, o Brasil tem sido um dos mais cautelosos entre os países do G20.

Além disso, os juros brasileiros ainda são altos, muito superiores à média internacional. Continuar reduzindo os juros traria um duplo benefício em termos de nível de atividade. Primeiro, estimularia a demanda interna. Segundo, ajudaria a evitar a valorização do real em relação a moedas estrangeiras.

Para garantir um câmbio competitivo, também seria conveniente comprar mais reservas internacionais. Entre setembro de 2008 e março de 2009, na fase mais aguda da crise, as reservas brasileiras (no conceito de caixa) caíram de US$ 206 bilhões para US$ 190 bilhões. Desde maio, o nível das reservas vem subindo. Mas, no último dia 19, estavam em US$ 199 bilhões, ainda abaixo do nível pré-crise.

Reportagem publicada anteontem pela Folha relata que o Ministério da Fazenda pretende fechar o ano com reservas de pelo menos US$ 250 bilhões. Não sei se a informação procede, mas a meta parece defensável. Com juros internos menores, o custo de carregar reservas diminuiu consideravelmente.

Além de ajudar a preservar um câmbio competitivo, a acumulação de reservas fortalece a posição internacional do país e as nossas defesas contra o risco de novas turbulências no exterior.”

FONTE: artigo de Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago). Publicado no jornal Folha de São Paulo de 25/09/2009.

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NA PRODUÇÃO CRESCE 89% EM MAIO

TOTAL DE RECURSOS DE MÚLTIS DESTINADOS A SUBSIDIÁRIAS CHEGA A US$ 2,48 BI

“Apesar da crise e da queda na lucratividade da economia, as empresas estrangeiras têm mantido elevado o volume de recursos destinados aos projetos das subsidiárias no País.

Em maio, o ingresso de dólares para a ampliação de fábricas e construção de novas unidades, o chamado Investimento Estrangeiro Direto (IED), saltou 89% na comparação com o mesmo mês do ano passado e somou US$ 2,48 bilhões, o melhor resultado para maio desde o início da coleta dos dados, em 1947. Em abril, no entanto, o ingresso havia sido ainda maior: US$ 3,4 bilhões.

O aumento da entrada de investimentos produtivos em maio foi diretamente influenciada pelo setor químico, responsável pelo ingresso de US$ 811 milhões. Em seguida, o segmento de transportes trouxe US$ 192 milhões em novos recursos e as metalúrgicas, mais US$ 163 milhões.

Os dados de maio foram comemorados pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes. De acordo com ele, o ingresso de IED ocorre porque há confiança das multinacionais nas perspectivas de crescimento do Brasil.

“Esse é o número mais bonito de todo o relatório apresentado pelo BC, é a melhor notícia. Mostra que as empresas continuam apostando no mercado interno e nas perspectivas de exportação de algumas áreas”, diz o analista da Tendências Consultoria, André Luiz Sacconato.

Apesar da boa notícia, o IED acumulado de janeiro a maio é 19,7% menor que o verificado em igual período de 2008.

Influenciado pela crise, o ingresso de recursos somou US$ 11,23 bilhões de janeiro a maio, em comparação com US$ 13,98 bilhões em igual período do ano passado.

Ao mesmo tempo em que multinacionais têm reforçado a operação no País, empresas brasileiras reduzem posições no exterior. O Investimento Brasileiro Direto (IBD) registrou o retorno de US$ 1,45 bilhão em maio.

Isso quer dizer que as multinacionais brasileiras trouxeram de volta parte dos investimentos feitos anteriormente em outros países.

A volta dos recursos contrasta com o forte movimento de internacionalização feito pelas companhias nacionais no ano passado. Em maio, os investimentos no exterior somavam US$ 1,43 bilhão. No acumulado de janeiro a maio de 2008, os projetos no exterior haviam recebido US$ 7,53 bilhões. Em igual período de 2009, a saída dos recursos diminuiu 87%, para US$ 944 milhões.”

FONTE: reportagem de Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, do jornal O Estado de São Paulo, publicada em 25/06/2009 e reproduzida no blog de Luis Favre.

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CHEGA A MAIOR NÍVEL EM 9 MESES

“Rio de Janeiro, 25 jun (EFE).- O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu de 102,2 em maio para 106,4 pontos em junho, com o que atingiu o maior nível em nove meses, informou hoje a Fundação Getulio Vargas.

O índice de confiança do consumidor, que utiliza uma escala até 200 pontos, não era tão alto desde setembro do ano passado (109,2 pontos), quando começou a cair devido à crise econômica global.

A elevação da confiança dos consumidores reflete a melhoria dos indicadores da produção e uma recuperação da economia brasileira, após ter passado tecnicamente por uma recessão, segundo os analistas da FGV.

O índice é medido a partir de uma pesquisa que consulta mensalmente dois mil brasileiros em sete diferentes cidades do país e reflete a avaliação dos consumidores sobre o momento atual da economia e a expectativa para os próximos seis meses.

Segundo a FGV, o Índice de Situação Atual subiu de 100,7 pontos em maio para 106,1 pontos em junho, enquanto o Índice de Expectativas foi de 103,7 para 108,2 no mesmo período.

O Índice de Expectativas também alcançou seu maior nível desde setembro de 2008 (108,6 pontos), o que indica que o consumidor está mais otimista frente ao que espera para o futuro que frente à situação atual.

A porcentagem de consumidores que qualificou a situação atual como boa subiu de 8,3% em maio para 10% em junho, enquanto a dos que qualificaram como ruim caiu de 46,1% para 40,3% no mesmo período.

Os consumidores que preveem que a situação melhorará nos próximos seis meses subiu de 28,3% em maio a 30,9% em junho.”

FONTE: da agência espanhola de notícias EFE, publicado em 25/06/2009 pelo portal UOL.

BRASIL DEVE CRESCER 4% NO PRÓXIMO ANO, PREVÊ OCDE

RETOMADA DA EXPANSÃO DEVERÁ COMEÇAR JÁ NESTE 2º SEMESTRE; PARA 2009, ENTIDADE ESTIMA QUE HAVERÁ RETRAÇÃO DE 0,8%

AO CONSTATAR QUE OS RICOS JÁ TERIAM SUPERADO A PIOR FASE, ESTUDO TRAÇA UM CENÁRIO OTIMISTA DAS PERSPECTIVAS DO BRASIL NOS PRÓXIMOS MESES


“A economia brasileira sofrerá contração de 0,8% em 2009, mas já deve retomar o crescimento no segundo semestre do ano e ter forte expansão em 2010, sustentada pela demanda doméstica e pela recuperação da atividade industrial.

As projeções fazem parte do relatório anual da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), divulgado ontem em Paris.

O estudo traça um cenário otimista das perspectivas econômicas do Brasil nos próximos meses, em meio à avaliação de que o pior da crise nos países ricos provavelmente está perto do fim.

Levando em conta a queda no PIB no primeiro trimestre, a OCDE reavaliou negativamente a previsão anterior sobre a economia brasileira, divulgada em março, de contração de 0,3% em 2009. Mas elevou a previsão de crescimento em 2010: de 3,8% para 4%.

"A produção industrial está se expandindo, especialmente no setor automotivo. A demanda interna tende a ganhar força no segundo semestre de 2009", diz o estudo da entidade, da qual o Brasil não faz parte.

As condições para a concessão de crédito no país permanecem restritas, observa o relatório, mas começam a dar "sinais de melhora". Os empréstimos de bancos a indivíduos já se aproximam dos níveis anteriores à crise e os custos do crédito estão caindo em relação ao pico registrado no fim de 2008.

Sobre a inflação, o estudo prevê índice de 4,2% para este e o próximo ano, pouco abaixo do centro da meta do governo, de 4,5%. "As pressões inflacionárias derivadas da significativa depreciação do câmbio ocorrida no segundo semestre de 2008 foram reduzidas pela desaceleração econômica."

POLÍTICAS

Para o economista Luiz de Mello, responsável pela parte brasileira do estudo, as políticas fiscal e monetária implementadas pelo governo criaram condições domésticas favoráveis para a retomada do crescimento. Os principais riscos para o Brasil são externos, diz ele, sobretudo o aperto no crédito e a queda do comércio.

"A composição dos riscos é predominantemente de fontes externas, mas elas podem afetar a dinâmica interna, como a retomada das exportações de setores importantes, como a indústria automobilística e a agricultura", disse ele.

Entretanto, Mello crê que a forte contração do comércio mundial -segundo a OCDE, deve chegar neste ano a 16%, a maior desde a Segunda Guerra- não terá necessariamente impacto significativo no Brasil.

A OCDE lembra que o BC cortou as taxas de juros em 4,5 pontos percentuais, de 13,75% para 9,25% ao ano, e afirma que há espaço para novas reduções. Para a entidade, o "relaxamento" da política fiscal, com a redução da meta de superávit primário para este ano, é recomendável, mas só como medida temporária.

Isenções de impostos pontuais, como as aplicadas sobre veículos, são alvo de críticas da organização.

"Não somos fãs de políticas seletivas", disse à Folha o economista-chefe da OCDE, Jorgen Elmeskov, que, no entanto, reconhece o bom desempenho do governo em matéria fiscal.

"No plano geral, o Brasil é um exemplo de país emergente que, graças a um comportamento virtuoso no passado, abriu espaço para alguma flexibilidade fiscal na situação atual", afirmou.”

FONTE: reportagem de Marcelo Ninio, enviado especial a Paris pelo jornal Folha de São Paulo. Publicado em 25/06/2009.

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO É A MAIOR DESDE SETEMBRO

“SÃO PAULO (Reuters) - A confiança do consumidor brasileiro aumentou em junho para o maior patamar desde setembro, devido a uma melhora tanto nas expectativas quanto na situação atual, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada nesta quinta-feira.

A alta foi de 4,1% sobre maio, com ajuste sazonal, para 106,4 pontos.

O componente de situação atual teve alta de 5,3%, para 106,1 pontos.

A porcentagem dos consumidores que avaliam a situação econômica atual como boa aumentou de 8,3% em maio para 10% em junho.

O componente de expectativas para os próximos seis meses teve avanço de 4,4%, para 108,2 pontos.

O número de consumidores que espera melhora à frente subiu de 28,3 para 30,9%.

O índice foi feito com mais de 2 mil domicílios em sete das principais capitais do país, entre 29 de maio e 19 de junho.

FONTE: reportagem de Vanessa Stelzer, da agência norte-americana de notícias Reuters, publicada no portal UOL em 25/06/2009.

DESEMPREGO TEM LEVE QUEDA EM MAIO E FICA EM 8,8%

“A taxa de desemprego ficou em 8,8% da população economicamente ativa, levemente abaixo dos 8,9% verificados em abril, informou nesta quinta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em maio do ano passado, no entanto, a desocupação estava em 7,9%.

O levantamento é realizado em seis regiões metropolitanas do país (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Nessas regiões, verificou-se que há 2 milhões de desempregados, mesmo número da pesquisa anterior, de abril.A população ocupada também não se alterou e soma 21 milhões de pessoas.

Na terça-feira, uma pesquisa da Fundação e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) apontou que a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país ficou em 15,3% em maio.

A discrepância entre os dados das duas pesquisas decorre da diferença de metodologia.

Diferentemente do IBGE, a pesquisa do Dieese e da Seade considera desempregadas não apenas as pessoas que não têm uma ocupação, mas inclusive aquelas que exercem um trabalho precário (popularmente conhecido como "bico") enquanto procuram emprego relacionado à sua área.

Se as pessoas nessas situações forem consideradas empregadas, a taxa de desemprego estudada pelo Dieese fica em 10,9%.

Também aqueles que desistiram de procurar emprego nos últimos 30 dias por falta de esperança são considerados "desempregados" na pesquisa Dieese/Seade, enquanto são vistos como "inativos" na pesquisa do IBGE. Esse grupo correspondeu, em maio, a 4,4 pontos percentuais da taxa de desemprego verificada pelo Dieese (15,3%).”

FONTE: portal UOL em 25/06/2009.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

GABEIRA USOU DINHEIRO PÚBLICO PARA PAGAR EMPRESA DA MULHER

GABEIRA: A NOVA UDN SE LAMBUZA EM DINHEIRO PÚBLICO

“Fernando Gabeira, o líder da nova UDN, foi pego com a "boca na botija" (como a gente dizia na época do colégio). Gabeira, aquele que deu um verniz "pop" à velha direita moralista, admitiu que usou dinheiro público para pagar a empresa da mulher dele.

Incrível, não? Lembram do Gabeira com o dedo em riste, espinafrando o Severino Cavalcanti? A imprensa babava de alegria. O Severino é nordestino, tem jeito de matuto. O Gabeira mora na zona sul carioca. A neo-UDN vibrava com o Gabeira, lembram?

"A sua presença na Presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País. Ou Vossa Excelência começa a ficar calado, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo", babava Gabeira em 2005. Na época, ele andava valente, porque a Globo punha o Gabeira toda noite no JN. Virou "fonte marcada para falar."

Esse caso do Gabeira me lembra aqueles padres que pregam a "retidão moral", condenam a "promiscuidade", mas apalpam uns garotinhos no fundo (sem trocadilho) da sacristia...

Agora, outra observação. Impressão minha, ou essa notícia sobre o Gabeira foi publicada sem nenhum destaque?

Não tenho lido muito jornal (problemas de azia), mas dei uma folheada aqui na redação, e não achei quase nada sobre essa história do Gabeira. Parece que a "Veja" publicou alguma coisa no fim-de-semana...

No "Estadão", nada na primeira página. Mas, pelo menos, o assunto foi parar no alto da página 7 desta terça-feira.

Na versão impressa da "Folha", a notícia quase sumiu. Saiu num "colunão" (pequena nota), na página 8.

Imagine se o Gabeira estivesse no PT?

Comparem com o tratamento dado ao Espinoza (ex-segurança de Lula) - na página 13 da edição de hoje (23 de junho) da "Folha", o jornal da mosca.

A matéria sobre Espinoza é anti-reportagem. O jornal "acusa" Espinoza de trabalhar na Petrobrás. Não entendi. Ele não é funcionário fantasma, não ganha sem receber. Trabalha lá, simplesmente. Aliás, é de uma empresa terceirizada.

Segundo o jornal, ele trabalha na área de comunicação da Petrobrás - e acho que nem é jornalista. Mas a "Folha" é contra o diploma, não? Então, qual o problema com o Espinoza?

Por que Gabeira - que usou grana pública pra contratar empresa da mulher - vira "colunão” e o Espinoza vira manchete no jornal da mosca?”

FONTE: artigo escrito por Rodrigo Vianna, no blog “Escrevinhador”, reproduzido em 24/06/2009 no site “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha.

ENTREVISTA DE MIGUEL ROSSETTO, PRESIDENTE DA PETROBRAS BIOCOMBUSTÍVEIS, AO JORNAL DO BRASIL

“O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e cientista social, Miguel Rossetto, 49 anos, assumiu a presidência da Petrobras Biocombustível em maio. Mesmo pouco tempo a frente da subsidiária da estatal, mostrou ter planos ambiciosos para o setor. Com entusiasmo, contou ao JB como pretende fazer com que a empresa seja em pouco tempo um gigante mundial no segmento, do ponto de vista econômico, social e ambiental.

E os primeiros frutos da subsidiária, que completa no próximo dia 29 de julho o seu primeiro ano, já começam a surgir. Para isso, basta ver como o programa de biocombustível tem melhorado a vida dos agricultores de uma das regiões mais pobres do Brasil.

Até agora já foram beneficiados 25 mil trabalhadores e a previsão é que até o fim do ano o total seja de mais de 45 mil trabalhando na atividade em regiões do semiárido.

Orgulhoso com os primeiros resultados do trabalho, Rossetto explicou porque o Brasil é vanguarda no setor e revelou que o etanol e o biodiesel vão receber investimentos da ordem de US$ 2,4 bilhões nos próximos cinco anos. Só de pesquisas vão ser investidos US$ 530 milhões para assegurar uma condição de vanguarda tecnológica. Mais do que isso, Rossetto reafirmou com convicção que a agenda do biocombustível veio de vez para ficar. A seguir, os principais trechos da entrevista ao JB:

COMO ESTÃO FUNCIONANDO AS USINAS DE BIODIESEL NO BRASIL?

Operamos hoje com três usinas, uma em Quixadá-CE, outra em Candeias-BA e uma em Montes Claros-MG com capacidade de 150 mil toneladas ano. Já estamos trabalhando com capacidade máxima e produzindo biodiesel com qualidade e garantindo entregas regulares para abastecer o mercado brasileiro, especialmente o Nordeste.

QUAL O IMPACTO DESTAS USINAS EM SEUS MERCADOS REGIONAIS?

Quando a Petrobras instalou estas usinas assumiu o desafio de produzir biodiesel com qualidade, competitividade, com racionalidade econômica e ao mesmo tempo de estimular a criação de um mercado regional de produção de matéria-prima inexistente. Hoje não temos um mercado regional com capacidade de abastecer, através de agricultura familiar, as nossas usinas. Por isso, estamos criando um mercado, prioritariamente organizado através da agricultura familiar dessas regiões, que vai participar da oferta de matéria-prima para abastecer as nossas fábricas.

QUE MATÉRIAS-PRIMAS TÊM SIDO UTILIZADAS E QUANTOS AGRICULTORES FORAM CONTRATADOS?

A mamona, o girassol, o pinhão manso, o algodão, a própria soja e a macaúba, entre outros. Neste momento, porém, operamos nossas usinas com a soja e o algodão que compramos no mercado. Este ano começamos a organizar e a estimular os agricultores das regiões. Já contratamos nesta safra em torno de 25.900 famílias e a nossa expectativa é que até o fim de 2009 sejam contratadas de 45 mil a 46 mil famílias.

O SENHOR ASSUMIU HÁ POUCO A PRESIDÊNCIA DA PETROBRAS BIOCOMBUSTÍVEL. QUAL SUA AMBIÇÃO À FRENTE DA SUBSIDIÁRIA?

Vamos ampliar a produção de biodiesel, iniciarmos a produção de etanol ainda em 2009 e realizar um plano de negócios que temos aprovado (2009 a 2013). Tenho a responsabilidade de implantar estes investimentos e consolidar esta grande empresa brasileira produtora de biodiesel e de etanol. Desde já criamos condições para que a Petrobras Biocombustível seja nos próximos anos uma das melhores empresas do setor no mundo, do ponto de vista econômico, social e ambiental.

COMO TORNAR O ETANOL UMA REALIDADE PARA A ESTATAL?

Começamos agora a investir no etanol. Nossa estratégia de implantação de álcool para etanol é uma condição minoritária. Mas estamos nos associando a grupos existentes, ao mesmo tempo que participamos de novos projetos de etanol. E em todos eles buscamos uma grande eficiência ambiental e econômica.

HÁ PROJETOS SOCIAIS LIGADOS À IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE BIOCOMBUSTÍVEL?

Asseguramos a conquista do selo combustível social, que chancela o cumprimento da legislação federal e determina o percentual mínimo de participação da agricultura familiar como fornecedora de matéria-prima para nossas fábricas. Todas as empresas que trabalham com biodiesel no Brasil têm que cumprir essa exigência. No nosso caso, que atuamos no Nordeste, o percentual é de 30% da matéria oriunda da agricultura familiar. Estamos trabalhando muito para estimular a organização de pequenos produtores e que eles possam participar ativamente dessa atividade econômica e, com isso, melhorar a renda da região e a sua própria renda.

EXISTE UM GRANDE DEBATE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DO NOSSO BIOCOMBUSTÍVEL NO MERCADO INTERNACIONAL. QUAIS SÃO NOSSAS VANTAGENS?

Nós somos vanguarda. A Europa tem uma agenda de biocombustível há mais tempo que a brasileira, especialmente a Alemanha. A Europa tem hoje uma média de 3% a 4% de participação de produção de biodiesel no seu mercado local. Já o Brasil vai começar a operar a partir do dia 1º de julho com o B4, com 4% de biodiesel na mistura do diesel mineral. Já existe a sinalização de que, para janeiro de 2010, haverá o B5 com 5% de participação. Mas no que o nosso programa nacional difere de outros programas de biodiesel em escala mundial? Para participar do mercado de biodiesel no Brasil, as empresas têm que ter o selo de combustível social. Portanto, elas têm a obrigação de comprar matéria-prima da agricultura familiar. Esse é o grande diferencial do programa brasileiro e faz com que seja melhor que os outros.

COMO FUNCIONA O SELO DE COMBUSTÍVEL AMBIENTAL?

Ele faz parte do programa federal e é organizado pelo Ministério do Movimento Agrário, que certifica as empresas. As nossas empresas, por estarem na região do semiárido, têm a obrigação de adquirirem até 30% dos seus gastos em matérias-primas no selo de agricultura familiar.

MAS QUAIS SÃO AS BASES DOS CONTRATOS FIRMADOS COM OS AGRICULTORES?

São contratos de cinco anos com preços justos. Em qualquer condição de mercado, eu asseguro ao agricultor que a Petrobras contratou o preço mínimo que garanta a remuneração do trabalho dele. Em nenhuma hipótese ele terá prejuízo e, por outro lado, garanto o preço do mercado. Se o preço de mercado estiver acima do mínimo eu pago o preço do mercado. Além disso, os nossos contratos estabelecem a possibilidade de revisão anual de preço. Isso cria um estímulo no agricultor em investir no seu trabalho, na sua propriedade de tal forma que tenhamos uma expansão rápida na produção de matéria-prima no Nordeste. Estou muito seguro que em dois ou três anos vamos ter uma estrutura estável e qualificada de suprimento das usinas.

AS PESQUISAS NESSE CAMPO SÃO FUNDAMENTAIS. QUANTO A EMPRESA ESTÁ INVESTINDO AÍ?

Temos um volume de pesquisas tanto para o etanol, tanto para o biodiesel na ordem de US$ 530 milhões para assegurar uma condição de vanguarda tecnológica da Petrobras e do Brasil, tanto no etanol como no biodiesel.

QUAL A EXPECTATIVA DE COMPRA DA PRODUÇÃO DE GRÃOS PARA ESTE ANO?

Nossa expetativa é de adquirirmos algo em torno de 89 mil toneladas de grãos nestas regiões que estamos operando agora. O Brasil tem uma grande possibilidade de aumentar a produção agrícola, principalmente no Nordeste, na região semiárida, para abastecer as unidades de produção. Nossa prioridade é abastecer o mercado interno.

Nossa rota de investimento é chegar até 2013 produzindo 25% do mercado de biodiesel no Brasil e 10% de etanol. Há muito trabalho por fazer. Temos quase US$ 2,4 bilhões autorizados para investir nessas duas áreas. Nossa meta é chegar nesta data com uma empresa sólida, robusta e produzindo biodiesel no Nordeste, no Norte do país e produzindo o etanol, este sim voltado especialmente para a exportação. Os investimentos do etanol vão se concentrar em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

QUANTO VAI SER INVESTIDO NO ETANOL?

Dos US$ 2,4 bilhões de investimentos para os próximos cinco anos, 80% serão em etanol e 20% em biodiesel. O etanol será a grande aposta brasileira.

MAS ATÉ QUE PONTO ESSA APOSTA JÁ É UMA REALIDADE OU HÁ LIMITES?

A ausência de uma tradição dessa produção agrícola nestas regiões é o grande desafio.

Através da pesquisa, no entanto, da oferta de sementes, do estímulo à produção, de um conhecimento das melhores práticas agrícolas, nós esperamos ter em um prazo adequado o retorno em volume de produção a um custo competitivo. Em dois a três anos, teremos resultados muito positivos.

A MAMONA É UMA DAS MATÉRIAS-PRIMAS MAIS UTILIZADAS NO SEMIÁRIDO, MAS ALGUNS CRÍTICOS AFIRMAM QUE TEM ALTO PODER CORROSIVO NO MOTORES DO CARRO. COMO CONCILIAR O INTERESSE SOCIAL COM O TÉCNICO?

Não, inclusive temos testes em frota com o B5 rodando 100 mil quilômetros sem desgaste dos motores. Esta questão foi levantada e já foi demonstrada.

A PRODUÇÃO DE GIRASSOL FUNCIONA BEM NO SUL DO PAÍS, MAS COMO ESTÁ REAGINDO NA REGIÃO DO SEMIÁRIDO?

Há três anos não se falava em produzir girassol em nenhuma área do Nordeste. Hoje, a Embrapa tem pesquisas em Sergipe, no Rio Grande do Norte e em várias áreas com produtividades médias de girassol iguais aos da região Sul.”

FONTE: blog “Fatos e Dados”, da Petrobras, em 24/06/2009.

DIÁRIO DA PALESTINA: A RESISTÊNCIA CULTURAL

“Uma ocupação colonial não é apenas uma ocupação militar. Ela precisa tentar impedir a sobrevivência da cultura, da memória do povo ocupado. Mais ainda se se trata da ocupação de um povo com uma das mais antigas histórias e mais ricas culturas.

Como era impossível que a Capital da Cultura Árabe pudesse ser Bagdá, pela ocupação das tropas norte-americanas, foi decidido que Jerusalem (que eles chamam de Al-Quds) fosse a Capital da Cultura Árabe de 2009. As comemorações têm sido vítimas das mais violentas e odiosas repressões das tropas israelenses de ocupação. Organizar lindas atividades em torno da cultura árabe passaram a ser um imenso desafio para o Comitê Palestino de Organização, por dificuldades de recursos, de convidar pessoas – poetas, músicos, cantores, artistas do mundo árabe e de outras regiões do mundo - para vir a uma região cercada e ocupada, que deveriam realizar-se nas ruas e praças de Jerusalém.

O ato de apresentação do logotipo dos eventos, programada para ser dar no Teatro Nacional de Jerusalém, em abril do ano passado, foi proibida por Israel, declarado ilegal e reprimido brutalmente por forças militares para tentar impedir sua realização. Foram presos três dos membros do grupo organizador.

Apesar de todas as dificuldades, deu-se inicio às comemorações no dia 21 de março deste ano, com atividades populares nas ruas de Jerusalém, que terminaram com uma noite de fala em Bethlehem. Israel enviou tropas contra crianças que carregavam balões com as cores da bandeira palestina – vermelhas, brancas, verdes e pretas. As tropas de ocupação atacaram os jovens que iam realizar danças tradicionais palestinas, com suas roupas típicas, produzindo cenas de pânico e desespero.

Como reação, todas as escolas, universidades, centros culturais, prefeituras de dentro ou de fora da Palestina, decidiram assumir a celebração organizando atividades sobre a bandeira e o logotipo de Jerusalém Capital da Cultura Árabe de 2009. Centenas de eventos aconteceram em muitos países como mostra de solidariedade e de protesto contra a repressão israelense. Fica claro, cada vez mais, que não se trata da ocupação e da ação militar contra “forças terroristas”, como alegam os ocupantes, mas contra a resistência da cultura palestina.

Os palestinos adotaram o lema: “Jerusalém nos une e não deve dividir-nos”, reforçando a necessidade de união de todos os palestinos para derrotar a ocupação e pela conquista do direito de um Estado palestino, reconhecido pelas Nações Unidas, mas impedida pelos EUA e por Israel.

“Uma vez liberada, Jerusalém não será apenas a inquestionável capital da cultura árabe, mas será a cidade da diversidade cultural e religiosa, da tolerância e do respeito pelos outros. Uma cidade aberta para a paz cujos tesouros históricos e religiosos serão desfrutados por todos, do leste e do oeste. O único muro que a cercará será o muro histórico de sua Cidade Velha e suas 12 portas, incluindo a Porta de Ouro, que uma vez aberta, levará todos os povos do bem para o céu.”

As palavras são de Ragiq Husseini, presidente do Conselho Administrativo do Comitê Nacional pela Celebração de Jerusalém como Capital da Cultura Arabe em 2009. Estar aqui, chegar a Ramallah revela, com toda força, como este é um território ocupado, cruzado por muros que dividem aos próprios palestinos, povoado de tropas e de carros militares, submetendo a este heróico povo à ocupação, à opressão, à humilhação, na mais grave situação de violação dos direitos humanos – políticos, sociais, econômicos, culturais – no mundo de hoje.”

FONTE: site “Carta Maior”,em 24/06/2009, artigo postado pelo filósofo e cientista político Emir Sader.

OPOSIÇÃO A CAMINHO DA RATOEIRA

“O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) divulgou ontem em seu "ex-blog" (uma newsletter) os resultados da última pesquisa nacional do instituto GPP, cujo trabalho o ex-alcaide costuma prestigiar. Os números ajudam a alimentar a pulga atrás da orelha dos dirigentes da oposição. O GPP perguntou quem seria o melhor presidente para o Brasil. Deu Luiz Inácio Lula da Silva 42%, José Serra 8%, Aécio Neves 4%, Dilma Rousseff 3%, Ciro Gomes 1% e Heloísa Helena 1%. As respostas foram espontâneas.

Na estimulada: Serra 42%, Dilma 17%, Ciro 16% e Heloísa 9%. O detalhe: entre os menos escolarizados, núcleo duro do eleitorado de Lula, Dilma pega por enquanto apenas 8%. Sem Ciro: Serra 46%, Dilma 29% (Dilma leva vantagem numérica de 41,4% a 37,6% no Nordeste).

A oposição esperava que Dilma chegasse aos 30% no fim do ano. Segundo o GPP, chegou seis meses antes. No cenário plebiscitário projetado pelo Planalto, Serra mantém a dianteira, que se estreita. E a identificação de Dilma como preferida de Lula está pela metade. A pesquisa perguntou quem é o candidato do presidente. Deu Dilma 52%, Serra 8%, Ciro 6% e Heloísa 5%.

Há duas visões entre os líderes da oposição, ao menos para consumo externo. Os otimistas acham que Dilma vai estacionar nos 30% e que terá dificuldade para atrair o voto não petista de Lula. Os pessimistas olham os números e desconfiam que a operação de transferência de votos vai de vento em popa, ajudada pela permanente exposição pública do apoio do presidente a sua pré-candidata. Até porque já estamos em plena campanha presidencial, na prática.

O apoio de Lula é turbinado pela gordura política acumulada. Segundo o GPP, Lula tem 59% de bom+ótimo, 32% de regular e 9% de ruim+péssimo. Na teoria, esses números permitem concluir que Dilma, quando plenamente identificada com Lula, terá potencial de voto suficiente para liquidar a eleição num eventual primeiro turno bipolarizado.

E as variáveis externas? O país está em recessão (a real, não a técnica) há mais de nove meses e até agora isso não implicou perda substancial para o presidente. Pode acontecer? Pode, mas Lula conseguiu por enquanto proteger a ideia de que está fazendo o melhor possível, nas circunstâncias. Nos últimos dias, os membros do governo têm inclusive operado para descolar a administração dos defeitos dela, como a ainda extorsiva taxa básica real de juros e o spread bancário inexplicável - a não ser pelos critérios do monopólio e da ganância.

Lula, assim, é o responsável pelas "coisas boas do governo" (a ênfase social), mas "infelizmente ainda não conseguiu fazer tudo que queria". Um discurso ideal para enfrentar as críticas. Mantido esse desenho, a oposição caminha para a ratoeira do plebiscito, cuidadosamente construído no imaginário popular pelos alquimistas palacianos. Como defesa, apenas a tese de que Dilma não passará dos 30%. Que pode ser isso mesmo, mas se for apenas uma tese terá um custo altíssimo para quem deseja remover o PT do poder central.

O que fazer? No lado do governo, o que vem fazendo. No lado da oposição, continuar procurando a maneira de entrar na guarda de Lula. Especialmente agora, quando o presidente vai ocupando até o espaço de principal crítico dele mesmo. Lula montou um bunker ambiental globalista na administração e agora engrossa o discurso em defesa da soberania brasileira na Amazônia. Lula convive há mais de seis anos com um spread irracional (ou racionalíssimo, conforme o ângulo) e seu ministro da Fazenda hoje diz que isso precisa mudar. Por que não mudou até agora? Lula é o campeão de renúncias fiscais, e agora diz que seria preferível dar esse dinheiro para os pobres, em vez de repassá-lo a empresários que não baixam preços -mesmo com menos impostos.

Esta é a receita de Lula para 2010: se você está feliz com o governo, vote na Dilma; se está infeliz, vote também, pois ela vai fazer coisas que Lula queria mas não conseguiu. "Não dá para fazer tudo em oito anos". Esse discurso pode ser desmontado numa campanha eleitoral? Pode, desde que se respeite uma teoria que o próprio Cesar Maia gosta de fazer circular. Eleição é hora de revelar a fotografia que foi tirada antes. A campanha eleitoral precisa soar como a continuidade de um processo de luta política, não cair como raio vindo do céu azul. Mas esse é assunto velho nesta coluna. Assim como a necessidade de a oposição encontrar um desenho político original para 2010.”

FONTE: texto de Alon Feuerwerker, no Blog do Alon”, reproduzido em 24/06/2009 no site "vermelho".

CRÉDITO EM DÓLARES

“O senador Arthur Virgílio ficou sem dinheiro em Paris e o pediu emprestado ao ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, a quem agora quer prender, de qualquer maneira.

Diz ele que seus colegas temem chantagem do ex-diretor. O que teriam feito para alimentar tais temores? Que pedidos lhe formularam?

O NOVO MENSALÃO

Esta guerra desabrida da mídia contra o Senado, para atingir o senador José Sarney, lembra a invencionice do mensalão que deu em nada, na qual ninguém acreditou. Era campanha baseada unicamente em recortes de jornais, sem um fato sequer que comprovasse desvio de dinheiro público. O eleitor, então, não deu a menor bola para a criação dos meios de comunicação. Nem a sociedade. Tanto que Lula está com 81% de popularidade. Há quem acredite nesse denuncismo? Somente quem quer acreditar, antes mesmo que as denúncias ocupem as manchetes.

É A CRISE

Por que será que cresce o emprego com carteira assinada em todo o País? É esta a crise de que falam os tucanos, com tanto entusiasmo pela ruína do País?

TUCANO PODE

Filha de FHC nem ganhou manchetes, apesar de receber por seis anos, sete mil reais do Senado, sem ir lá, sem trabalhar. Agora, o secretário de Roseana Sarney conquista manchetes todos os dias. Na mídia brasileira, tucano pode tudo. Os outros, não.”

FONTE: notas de Lustosa da Costa em sua coluna no Diário do Nordeste, em 24/06/2009.

“O BRASIL, MESMO EM UM MUNDO EM DECLÍNIO, TERÁ EXPANSÃO MAIS FORTE”

PAROU DE PIORAR. MAS A CRISE NÃO ACABOU”

PRINCIPAL EXECUTIVO DO BANCO DE INVESTIMENTOS AMERICANO DIZ QUE BRASIL É UM DOS PAÍSES EM QUE A RECUPERAÇÃO JÁ COMEÇOU


“Pela primeira vez em seus 140 anos de história, o banco de investimentos americano Goldman Sachs realizou no Brasil a reunião anual do Conselho de Administração. O encontro, realizado durante o último fim de semana em São Paulo, é prova real do aumento da importância dos países emergentes na economia global. “O Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso, em termos relativos, vamos crescer mais aqui”, diz o presidente-executivo e do Conselho de Administração do banco, Lloyd Blankfein, de 54 anos. Blankfein também falou sobre temas como aperto da regulação, causas da crise e futuro dos bancos de investimento - que muitos acreditavam estar fadados ao fracasso, depois da quebra do Lehman Brothers e da absorção do Bear Stearns e do Merrill Lynch por outras instituições.

O PRESIDENTE DOS EUA, BARACK OBAMA, ANUNCIOU O QUE CLASSIFICOU DE “MAIOR REFORMA DO SISTEMA FINANCEIRO DESDE OS ANOS 30″. O SR. ACREDITA QUE MAIS REGULAÇÃO PODE EVITAR CRISES COMO A ATUAL?

Se há um acidente de avião, qual a primeira coisa que se faz? Os reguladores tentam entender o que houve e, a partir daí, implementam mudanças. Alteram, por exemplo, a maneira de fabricar as aeronaves. É por isso que é tão seguro viajar de avião. Mas isso significa que não haverá acidentes de avião nunca mais? É claro que não. Há determinadas situações, circunstâncias… É o mesmo aqui (no mercado financeiro). A ideia é fazermos o sistema melhorar e ser mais seguro, mas a perfeição está além da nossa capacidade.

O SR. VÊ RISCO DE REGULAÇÃO EXCESSIVA?

Sempre há um ‘trade-off’ (troca) entre segurança e agilidade. Se você faz as coisas muito seguras, pode-se perder inovação. A experiência recente foi muito mais guiada pela falta de segurança do que pela falta de inovação. É um pêndulo. Claramente, estamos levando-o em direção à segurança. Se for bem feito, não perderemos em termos de inovação. Mas, se fizermos de maneira pobre, pode haver perda. O plano apresentado é muito sensível a esse assunto. Isso não quer dizer que será bem executado, até porque ainda não sabemos como será executado. De qualquer forma, o ponto de virada parece muito bom.

O QUE ESSAS MUDANÇAS SIGNIFICAM PARA O SEU NEGÓCIO?

Haverá alterações para todos os negócios, não apenas para o nosso. Haverá um regulador sistêmico, maior necessidade de transparência, mais regras afetando alavancagem, liquidez e a segurança dos produtos. Mas, francamente, tudo isso está no foco porque a experiência recente nos fez mais sensíveis a esses temas. Vivemos um momento que assustou a todos.

Daqui para frente, seremos mais líquidos, menos alavancados, mais focados em tocar nosso negócio de forma mais prudente. Haverá mais transparência porque nossos clientes e as pessoas que nos financiam estão mais desconfiadas. Temos de responder a todos os nossos medos e preocupações - e os do público. A regulação está no topo.

POR QUE TUDO ISSO ACONTECEU?

Havia muito capital no mundo, muito dinheiro em circulação. Não houve problemas por muito tempo e as pessoas ficaram complacentes e se alavancaram. As taxas de juros ficaram baixas no mundo por muito tempo. Um monte de capital foi acumulado por meio de ‘pools’, como fundos de investimento, fundos hedge (os mais arriscados do mercado), fundos de private equity (participação em empresas), etc. Esse capital foi investido ao redor do mundo. Quando as coisas ocorrem facilmente, as pessoas dão como certo (os retornos) e se tornam complacentes. Com isso, o mundo ficou menos disciplinado.

Algumas práticas negligentes deram resultado durante um período e, quando aconteceu (a crise), tudo se deu muito rápida e violentamente. Muitas instituições não estavam preparadas. Por isso, não reagiram suficientemente rápido aos problemas e não protegeram os clientes.

ALGUNS CRÍTICOS CULPAM OS BANCOS CENTRAIS, EM ESPECIAL ALAN GREENSPAN, EX-PRESIDENTE DO FED (O BC DOS EUA).

Não estou em posição de culpar ninguém. Olhando em retrospectiva, vejo muitas práticas que deveriam ser diferentes. Estou certo de que, com o benefício do tempo, Alan Greenspan teria feito as coisas de forma diferente, bem como os reguladores e o Congresso. Não acho justo avaliar as coisas depois que já aconteceram. Não se pode esquecer que tínhamos pressões deflacionistas há alguns anos. Acho que o ponto mais importante é: que lições aprenderemos para o futuro? Quais as verdadeiras lições a aprender e quais as falsas? Temos de estar seguros de que aprenderemos com as boas lições, não com as más.

O SR. ACREDITA QUE AS PESSOAS ESTÃO APRENDENDO AS BOAS LIÇÕES? JÁ HÁ QUEM DIGA QUE A RECENTE ALTA DAS BOLSAS, SOBRETUDO EM MERCADOS EMERGENTES, É UMA BOLHA.

É possível, mas acho que bolhas só são identificadas depois que estouram. Quando Greenspan fez o discurso em que falava da exuberância irracional dos mercados, o Índice Dow Jones (o mais tradicional da Bolsa de Nova York) estava abaixo de 6.000 pontos.

Não era um nível em que se identificava exuberância. Em uma onda de alta, é possível ver isso com mais clareza, mas, honestamente, não sei se é uma bolha ou não. Quando se olham os fundamentos do mundo, a situação de países emergentes como o Brasil, pode ser real. Pode ser cedo demais? Pode, mas pode estar certo também. Estou calmo porque as pessoas estão questionando se é ou não exuberância irracional. Alguns acham que sim, outros, não. Esse é o bom mercado. Quando todos vão para a mesma direção, fico com medo.

QUAL A PERCEPÇÃO DO GOLDMAN SACHS PARA A ECONOMIA MUNDIAL E, EM ESPECIAL, PARA O BRASIL?

Nas economias desenvolvidas, a situação estava tão ruim que uma recuperação era inevitável. A economia real está indo na direção correta, mas devagar. O melhor que se pode afirmar, neste momento, é que a taxa de declínio desacelerou e não que já chegamos ao final (da crise). O que já vemos é o fim da deterioração. Quando se acredita que parou de piorar, é possível projetar o ponto de virada. Acreditamos que esse ponto se dará no fim deste ano. A economia real está atrás do mercado porque os valores dos ativos estavam tão baixos que uma alta das cotações era inevitável. Isso porque, no início do ano, um dos cenários para 2009 era de uma total catástrofe.

Esse está fora da mesa hoje. A economia real vai se recuperar lentamente.

Provavelmente sentiremos os efeitos dessa virada no início do ano que vem. Os mercados normalmente antecipam esses movimentos. Com relação aos emergentes, tudo o que acontecer nos mercados desenvolvidos será potencializado. Ou seja, mesmo um um mercado ruim, os Brics sentirão menos. Quando houver a recuperação, esses países vão senti-la mais fortemente. Na nossa opinião, o Brasil já está se recuperando. O crescimento no ano poderá ser negativo - talvez 1% - por causa do primeiro trimestre muito ruim. Mas veremos crescimento positivo no País na segunda metade do ano.

É ISSO QUE EXPLICA SUA VISITA?

Não há correlação. Queremos ajudar as pessoas que usam nossos serviços em um ambiente de perspectiva de crescimento. Se as pessoas estão procurando financiamento, estão investindo… É isso que fazemos. Se as pessoas estão deprimidas, não acreditam no crescimento, não fazem essas coisas. O que elas querem de nós?

Querem nossos conselhos, nosso ponto de vista. Claramente, nossa expansão será maior em mercados que crescem mais. E o Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso vamos crescer nossos negócios aqui mais em termos relativos.

O GOLDMAN SACHS DEVOLVEU US$ 10 BILHÕES QUE PEGOU DO GOVERNO AMERICANO NO TARP (PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ATIVOS PROBLEMÁTICOS). NÃO FOI CEDO DEMAIS?

Não. O dinheiro do governo ajudou o sistema e nos ajudou também. Sinceramente, somos gratos por isso. Uma semana antes de o governo lançar o Tarp, levantamos dinheiro no mercado e com (o megainvestidor) Warren Buffett. Ou seja, procuramos cuidar de nosso capital àquela época. Depois, conseguimos capital adicional com o regulador. Mas éramos tão líquidos que não precisamos de mais. Elementos do programa foram importantes para o sistema em geral, mas nunca quisemos que se tornasse permanente.

OS BANCOS, ENTRE ELES O GOLDMAN SACHS, GANHARAM MUITO DINHEIRO NOS ÚLTIMOS ANOS. COMO MANTER A ALTA LUCRATIVIDADE EM UM AMBIENTE BEM MAIS DESAFIADOR?

Faremos como nos últimos 140 anos. Nosso negócio não é fazer dinheiro, mas financiar pessoas, levantar capital, investir por elas, aconselhá-las… Em diferentes momentos, esse negócio é mais ou menos lucrativo. Temos ido bem nos diferentes ciclos. Estou há 27 anos neste negócio e os clientes precisam de nós. Na verdade, não sei se a hipótese de sua pergunta está correta. Não estou dizendo que você esteja errado, mas eu não sei se está certo. Minha opinião pessoal, com segurança, é que não tenho ideia. E admito isso. Não sei, mas, com base em minha experiência, sei também que ninguém sabe.

NO PIOR MOMENTO DA CRISE, O MODELO DE BANCOS DE INVESTIMENTO FOI DADO COMO MORTO POR ALGUNS.

Não achei que essa análise estivesse certa naquele momento e continuo achando que não está. O que é esse modelo? Ajudamos empresas a levantar capital, fazemos fusões e aquisições, levantamos financiamento no mercado de dívidas, gerenciamos seu dinheiro… Qual dessas atividades está fora de moda? Qual delas não é um bom negócio hoje?

FONTE: reportagem de Leandro Modé, no jornal O Estado de São Paulo de 24/06/2009, reproduzida no Blog do Favre.

LULA: ESTADO MÍNIMO É OMISSO COM O POVO

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “vale mais garantir o poder de consumo dos pobres do que desonerar tanto a economia”. Segundo o presidente, o dinheiro dos mais pobres vai para o consumo “e não para o banco ou para os derivativos”.

Lula disse também que os países com carga tributária muito baixa não contam com um Estado forte, que age em favor da nação. O presidente lembrou que a extinção da CPMF provocou perdas de R$ 40 bilhões para a Saúde, mas “não vi ninguém reduzir do preço”.

Ao criticar empresários que nem sempre repassam as desonerações fiscais para os consumidores, Lula defendeu a distribuição direta de recursos à população como o melhor meio de se ativar a economia.

Ele lembrou que, desde que assumiu o governo, as desonerações sobre produtos como máquinas, automóveis e eletrodomésticos, entre outros, somam 100 bilhões de reais. “Imaginem 100 bilhões na mão do povo”, declarou. Como exemplo, o presidente voltou a lembrar que o fim da CPMF não provocou uma redução nos preços dos produtos no país. Mas ressaltou que a redução de impostos promovidas para enfrentar a crise têm estimulado o consumo de veículos e eletrodomésticos.

CARGA TRIBUTÁRIA

Ele salientou ainda que desonerações para classes mais altas normalmente não se revertem em consumo. “Cada real que você dá na mão de um pobre ele volta automaticamente para o comércio, para o consumo e vai reativar a economia. Um real para mil pessoas são mil reais para o comércio”, disse Lula. “Ele (o pobre) não vai para o banco, para o derivativo, é isso que precisamos fazer para a economia deste país crescer”.

Segundo Lula, cada real dado às famílias mais pobres é certamente revertido em consumo.

“Tenho tido reuniões no Ministério da Fazenda e dito que, em vez de desonerar tudo, por que não dar para os pobres? Às vezes, desoneramos e vocês (empresários) não passam para o preço do produto”, disse o presidente. Lula também defendeu o nível da carga tributária brasileira como mecanismo de política social. “A carga tributária da América Central é 9 ou 10 por cento. Um país com 9 ou 10 por cento de carga não tem Estado, porque o Estado não pode cuidar de nada”, afirmou”.

FONTE: site “vermelho”, em 24/06/2009, com agências

CHOMSKY: NEOLIBERALISMO É A RAIZ COMUM DAS CRISES ATUAIS

“Lamenta que quase todos falem dos problemas financeiros e poucos se refiram à fome mundial. Por que não ocupar uma fábrica com a produção de transportes de massa? – questiona, em referência à General Motors.

Quando se fala da “crise”, quase todos se referem à financeira, visto que afeta diretamente os ricos, mas a crise dos mil milhões de seres humanos que passam fome – entre eles cerca de 40 milhões nos Estados Unidos – não é a que tem mais urgência, porque todos os que a sofrem são pobres, afirmou Noam Chomsky.

Com voz tranquila, Chomsky cuidadosamente destruiu os mitos do chamado mercado livre, e documentou de maneira sintética as muitas situações de crise – a econômica e a financeira, a do militarismo, a do ambiente e a alimentar, entre outras – e as suas ligações comuns, construindo uma radiografia de um sistema que se mascara de “democracia”, mas cujo objetivo final é socializar os prejuízos e privatizar os lucros e defender o privilégio de uma cada vez mais reduzida minoria rica, com consequências cada vez mais sinistras para as maiorias e para o próprio planeta.

É necessário “desmontar o edifício de ilusões” que se vende como democracia de mercado livre para que o ser humano sobreviva, e para isso exige-se um confronto com o modelo que visa proteger os interesses da “minoria da opulência contra as maiorias”, afirmou.

“O POVO PAGA OS CUSTOS”

Chomsky discursou na passada sexta-feira, perante cerca de 1.500 pessoas, do pódio da famosa igreja Riverside, o mesmo em que Martin Luther King Jr. proferiu o seu histórico discurso de 1967 contra a guerra do Vietnam e o sistema imperial dos Estados Unidos, onde também se escutou Nelson Mandela e, mais recentemente, Arundhati Roy – num evento organizado pelo Fórum Brecht, um centro de investigação independente de esquerda.

“As crises de hoje estão interligadas de diversas formas”, afirmou, e algumas são mais prioritárias que outras, pela simples razão expressa por Adam Smith de que “os principais arquitetos das políticas garantem que os seus próprios interesses são os que predominam, sem se importarem com os custos”.

E Chomsky, como sempre, deu exemplo atrás de exemplo, documentando a história. Falou sobre a história do Haiti, desde os franceses e a invasão dos E.U.A. de Woodrow Wilson, até à manipulação feita por Washington do desafio de Jean Bertrand Aristide, tanto pelo republicano George Bush (pai) como pelo democrata Bill Clinton, impondo o modelo neoliberal, com o resultado inevitável de “destruir a soberania econômica” deste país, que está agora nas linhas da frente da crise alimentar.

“Esta história é muito parecida em todo o mundo”, acrescentou, apontando o Bangladesh e dezenas de exemplos mais.

“A raiz comum das crises de hoje no Sul e no Norte é a mudança para o neoliberalismo que se dá nos anos setenta”, declarou. Isto marcou o fim do crescimento sustentável da era do pós-guerra, conhecida como a “era dourada do capitalismo”, com o seu Estado-providência e os seus aumentos em nível de rendimentos e de direitos, o que foi um “capitalismo de Estado capitalismo”.

Hoje em dia, “o livre fluxo de capital cria um Senado virtual que realiza um referendo instantâneo que veta tentativas de beneficiar as maiorias à custa dos seus interesses”.

Agora, com a atual crise que afeta os ricos, adota-se a mesma estratégia de sempre: “a população paga os prejuízos e assume o risco, enquanto os lucros são privatizados”.

Do púlpito da igreja Riverside em Nova York, Noam Chomsky disse no fim-de-semana que perante as crises existentes, o sistema neoliberal protege as minorias abastadas em detrimento das maiorias

Também se focou no plano da política externa, dizendo que Washington não pretende abandonar tão rapidamente o Iraque, e advertiu que a nova abordagem sobre o Paquistão e o Afeganistão é um jogo muito perigoso, uma vez que ameaça a paz mundial e a sobrevivência humanas, por causa das armas nucleares aí existentes.

Acrescentou que é alarmante que um “assassino membro das forças especiais de olhos enlouquecidos”, o general Stanley McChrystal, tenha sido nomeado comandante das forças norte-americanas no Afeganistão.

Por outro lado, assinalou que agora é o momento-chave para definir a sobrevivência humana perante a crise climática.

“Temos de enfrentar talvez o mais importante: a forma de inverter o modelo corporativo-estatal estabelecido durante o pós-guerra”, promovido por empresas de automóveis, petrolíferas, entre outras, que levou a esta crise ambiental e outras.

Na sua análise das crises do mundo, disse que para impor políticas que não reflitam o interesse das maiorias nos Estados Unidos e noutros países, recorreu-se menos à força do que “ao controlo da opinião pública através da indústria de relações públicas, com o objetivo de criar consenso”.

Mas impera sempre, desde os inícios desta república, a noção de proteger os “interesses da minoria abastada” contra todos os demais, com conceitos de que “uma minoria inteligente tem que governar uma maioria ignorante e intrometida”. Agora isto é manejado por uma “elite tecnocrática”, mas com a mesma doutrina.

Destacou a resistência popular para enfrentar o projeto da elite, e sublinhou que as rebeliões dos anos 60 “tiveram um efeito civilizador”. Acrescentou que sempre se lançaram “ataques da elite contra a democracia” e que o modelo do mercado livre corporativo continua a ser o “obstáculo à eficiência e à tomada racional de decisões racionais”.

“Não há nenhuma razão para permanecerem passivos”, disse ele à sua audiência de esquerda. “Por que não ocupar uma fábrica (em referência aos cortes da General Motors) para a converter em centro de produção de transportes de massa? Não é uma questão exótica. Que os trabalhadores controlem as suas fábricas é tão tipicamente americano como a tarte de maçã.

Na verdade, acrescentou, parte do objetivo dos administradores do sistema atual é “apagar todas as memórias das lutas” sociais, mas advertiu que suspeita que estas tendências “continuam latentes” nos mais desfavorecidos e “podem ser despertadas”. Este é um momento propício para o fazer”.

A tarefa é superar o “déficit democrático”, acrescentou, e “promover uma sociedade democrática, que funcione na realidade.” Entre as chaves para o conseguir identificou a renovação dos sindicatos, a luta educativa e cultural e a necessidade de “desmantelar o edifício de ilusões” pela minoria que governa nas chamadas democracias formais.

A crise fundamental de hoje é, talvez, a do “déficit democrático”, resumiu, esse fosso que existe entre os interesses das grandes maiorias e as políticas dos governantes.”

FONTE: site “vermelho”, em 24/06/2009, que publicou o texto acima de David Brooks, no La Jornada, publicado no site Esquerda.net, em tradução de Rui Maio.

BANCOS TIVERAM MAIS AJUDA EM 2008 QUE POBRES EM 50 ANOS

“Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública. A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, agravando os problemas da fome, da desnutrição e da pobreza.

O setor financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinqüenta anos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (24) pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública.

A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo.

A revelação foi feita no início de uma conferência entre países ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a destinação de recursos públicos ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.

“Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”, acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os mais pobres) são voluntários”. “Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, criticou o funcionário da ONU.

Um dos efeitos desta perversa distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.

Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo foi uma melhor distribuição dos alimentos, Mas com a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar. Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão passar fome no mundo nos próximos meses.

FONTE: site “vermelho”, em 24/06/2009, que publicou o texto acima, extraído do site “Carta Maior”.

NO RÁDIO, LULA ACONSELHA 'JUÍZO' À OPOSIÇÃO

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou hoje ''juízo'' aos partidos de oposição ao governo federal. ''Quando a oposição fica numa situação delicada - e eu sei como é complicado criticar um governo que está indo bem -, começa a falar bobagem'', disse, em São Paulo, em entrevista à Rádio Capital. ''Como já fui oposição, posso dar um conselho à minha oposição: juízo.''

Em uma alusão ao PSDB, que deve lançar o governador de São Paulo, José Serra, candidato à Presidência em 2010, Lula afirmou: ''Achar que você só pode ganhar as eleições se tiver desgraça é um equívoco enorme.''

ARAGUAIA: "CURIÓ DEVE SABER MUITA COISA"

O presidente falou também sobre a Guerrilha do Araguaia. Disse que é importante analisar "o que é verdade e o que não é" sobre o arquivo da Guerrilha do Araguaia (1972-1975) que Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, revelou ao Estado de S. Paulo deste domingo.

"Jobim (o ministro da Defesa Nelson Jobim) esteve comigo há 15 dias e pedi a ele que conversasse com o Curió: 'O Curió é um homem que deve saber de muita coisa'. Nem sei se o Jobim conversou com ele. Se ele começou a falar é importante levar a sério o que ele está falando, que a gente analise o que é verdade e o que não é porque a gente não pode ficar atrás do chutômetro", afirmou.

Lula informou ainda que o governo deve veicular em agosto uma campanha para convocar as pessoas que tenham dados sobre o Araguaia ajudem com informações. "Para também sossegar as famílias. Uma mãe que tem o filho desaparecido e não sabe o paradeiro dele, essa mãe só vai se conformar o dia em que ela puder saber que o seu filho morreu, onde morreu e como morreu. Acho que precisamos fazer isso de forma muito madura, muito consciente, sem nenhum revanchismo, apenas fazendo as coisas corretas para que o Brasil tenha a sua história verdadeiramente contada", afirmou à rádio.

O presidente afirmou que Jobim está montando uma comissão para investigar a região do Araguaia onde se pressupõe que tem corpos enterrados. "Jobim e Vanucchi (Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos) tem divergência sobre a participação dos familiares. Eu vou sentar com eles para resolver a questão", disse.

''NÃO QUERO SER CANDIDATO PELA TERCEIRA VEZ''

O presidente se disse acima de críticas em três áreas de governo. ''Não podem me criticar na área da educação, segurança e na área econômica. Temos hoje o menor juro da história do Brasil e o maior investimento.'' Na entrevista, de 40 minutos, o presidente disse esperar manter a aprovação de seu governo na faixa de 80% até o fim do mandato.

Mesmo assim, Lula voltou a descartar a possibilidade de um terceiro mandato. ''A alternância de governo é importante porque o povo sempre vai tendo a sorte de poder encontrar uma pessoa melhor, que faça mais e inove'', disse. ''Não quero ser candidato pela terceira vez.''

''TEM POUCA GENTE PREPARADA COMO A DILMA''

Questionado sobre o que pretendia nesse último um ano e meio de administração, Lula falou que não vai ''inventar mais nada''. ''Só peço a Deus para terminar o que estou fazendo.'' Ele prometeu deixar a seu sucessor um Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2011-2015. ''Para que quem vier depois de mim encontre projetos na prateleira, prontos para fazer a licitação.'' Ele prometeu não tirar um centavo sequer do PAC prometido para essa gestão, mesmo diante de uma eventual queda na arrecadação de impostos.

O petista defendeu, mais uma vez, a candidatura à Presidência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Tem pouca gente preparada no Brasil como a ministra Dilma. É uma mulher muito competente e inteligente.'' Para o presidente, o Brasil será o primeiro país a superar os efeitos da crise econômica mundial. ''O pânico já passou. Na hora em que o mundo voltar à normalidade, o Brasil sairá na frente de todos os países'', disse. ''O Brasil está no ponto para se transformar numa grande economia mundial.''

SENADO: ''VOCÊ NÃO PODE BANALIZAR''

O presidente disse acreditar que as denúncias de irregularidades no Congresso Federal contribuam para a paralisia da instituição. ''Não se pode estabelecer um processo de paralisia do Legislativo por conta de uma coisa que existe há 40, 50 anos neste país.''

''Você não pode banalizar a ponto de levar a sociedade a desacreditar de tudo'', disse o presidente. Na semana passada, Lula saíu em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que concentra as denúncias da imprensa. Lula sustentou ainda que só uma reforma política permitirá que o país possa ''sonhar com uma política um pouco mais nobre''.

FONTE: site “Vermelho”, em 24/06/2009, com informações da Agestado.

OBAMA E LULA COMO "O CAMINHO"

“Obama, na coletiva por TV e internet, voltou a dar prioridade para sites como Huffington Post -e a citar o Brasil, apontando a "relação de trabalho" com Lula como "o caminho para outros países", o que foi visto como referência a Venezuela ou Irã:

"O presidente Lula tem uma orientação política muito diferente da maioria dos americanos.

Ele subiu através do movimento sindical, foi visto como forte esquerdista e no fim era uma pessoa muito prática, que instituiu toda sorte de reformas inteligentes de mercado que fizeram o Brasil prosperar."

FONTE: jornal Folha de São Paulo de 24/06/2009, coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá.

HIPÓTESES SOBRE O ACIDENTE DO VOO AF 447

"Em se tratando do acidente do voo AF 447, duas ideias circulam em abundância: o defeito das sondas Pitot e o fato de que a zona de convergência intertropical atravessada pelo avião não tinha nada de excepcional. No entanto, outras reflexões podem ser formuladas. Certamente os investigadores estão trabalhando nisso. Mas por que não se falaria nelas?

Um especialista em meteorologia, Tim Vasquez, publicou em seu site um artigo citado pela Aviation Safety Network, da Flight Safety Foundation. A partir de informações de satélite muito precisas sobre a situação meteorológica e de dados sobre a trajetória da aeronave, ele deduziu que o avião, no momento de seu desaparecimento (no final das transmissões Acars), se encontrava em um amontoado de células de tempestade mais ou menos violentas (chamado em termos técnicos de MCS, Mesoscale Convective System), e mais especificamente em uma zona de correntes ascendentes.

Segundo ele, "o voo sem nenhuma dúvida penetrou em um sistema de tempestades... o A 330 deve ter voado através de turbulências e atividades de tempestade significativas durante cerca de 75 milhas (125 km), representando uma duração de voo de 12 minutos". Essa estimativa foi confirmada por um pesquisador de atmosfera da Universidade do Colorado. Essas condições atmosféricas até agora não podem explicar o desaparecimento do avião. Mas a publicação desse artigo na Internet suscitou uma discussão reservada aos profissionais da aviação e da meteorologia, que fornece elementos muito instrutivos.

Vejamos este depoimento de um piloto transatlântico: "(...) O fenômeno meteorológico que testemunhei se situa na zona geral do acidente da Air France, em maio de 2001, quando eu voltava de Buenos Aires e ia para a Espanha em um B743. Ao largo da costa do Rio, nós seguíamos a mesma trajetória que o Airbus da Air France, e ao passarmos pela zona do acidente atravessando a frente intertropical à altitude de F370 (37 mil pés), encontramos turbulências de moderadas a severas. Durante um a dois minutos de voo, passamos então por uma elevação repentina da temperatura externa. Ela passou de -48oC para -19oC. Por causa dessa diferença de temperatura, o avião começou a mergulhar, com oscilações muito fortes. Desliguei o piloto automático e descemos perdendo 4 mil pés... não estávamos longe do cemitério, e tenho certeza de que se não tivéssemos desligado o piloto automático e retomado o controle na descida, nós mesmos estaríamos no fundo do Atlântico. Desde então, voei de A340 por trajetos, e não encontrei essas mesmas condições - condições que eu nunca teria imaginado possíveis em 40 anos de pilotagem".

Esse caso evoca um fenômeno pouco conhecido, cuja probabilidade seria pequena, mas não nula: tipos de bolsas de ar especialmente quente a alta altitude nos sistemas de tempestade que perturbariam fortemente o comportamento e a pilotagem dos aviões. Na discussão, vários pilotos dizem ter encontrado mudanças surpreendentes de temperatura a alta altitude, com reações rápidas da aeronave.

Essas anomalias quentes excepcionais seriam, para os aviões, um pouco como os vagalhões são para os barcos: fenômenos raros, muito perigosos e pouco explicados (sua existência chega a ser contestada por alguns).

Além disso, qualquer que seja o tipo de turbulência, o acidente do Boeing 720 da Northwest Airlines, em 12 de fevereiro de 1963, merece ser mencionado aqui. Pouco depois de sua decolagem de Miami, a aeronave entrou em uma zona de fortes turbulências cujas correntes ascendentes a fizeram subir de forma anormal (9 mil pés por minuto). Segundo a comissão de inquérito, a desaceleração na subida (a velocidade caiu de 270 para 215 nós) e a posição inclinada para o alto da aeronave (22o) provavelmente levaram os pilotos, para evitar uma estolagem, a mergulhar a aeronave.

Em razão de um ligeiro atraso de reação durante a descida e comandos que responderam mal à aceleração, a velocidade aumentou e o avião se desmantelou. Esse acidente mostra que turbulências e a pilotagem muito delicada que deriva delas podem ter rapidamente um efeito destruidor sobre um avião. Entre o início da descida e a destruição da aeronave, passaram-se 20 segundos. Nem formação de gelo, nem relâmpago, nem problemas de sondas intervieram nesse acidente.

Uma pergunta a se fazer é por que o avião penetrou no sistema de tempestade, se é que foi o caso. Talvez as indicações de radar não tenham sido dissuasivas. Um colaborador na discussão sobre o artigo de Tim Vasquez destaca que o combustível consumido no desvio e o atraso potencial induzido podem ter tido um papel na decisão de não contornar um sistema meteorológico.

Segundo ele, muitas companhias aéreas não permitiriam a suas tripulações que desviassem por mais de 10 milhas náuticas para evitar uma tempestade (salvo por uma emergência declarada pelo comandante de bordo). Não sei quais são as instruções na Air France. O discurso oficial das companhias aéreas é que os pilotos são os únicos juízes das operações a serem efetuadas.

Entretanto, um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) de 1999 mostrou que as tripulações tinham tendência a penetrar em um tempo convectivo (chuva, tempestade, vento) com mais frequência na aproximação do que durante a viagem. A vontade de evitar um desvio de rota dispendioso é provavelmente um dos fatores que influenciam nesse comportamento. Segundo essa pesquisa, os aviões têm mais tendência a penetrar no mau tempo na aproximação quando eles têm no mínimo 15 minutos de atraso em seu horário. Essas considerações mostram que os fenômenos meteorológicos, apesar de todos os conhecimentos acumulados e meios tecnológicos implementados, apresentam elementos indeterminados que continuam sendo pontos de fragilidade para a navegação aérea. O acidente anterior da Air France, a saída da pista de um Airbus em Toronto em 2 de agosto de 2005, está ligado às condições meteorológicas.

A agência da segurança de transportes do Canadá concluiu que a aeronave havia aterrissado apesar de uma tempestade que induzia uma distância de aterrissagem que ultrapassava o comprimento da pista. O clima continua sendo um desafio para as companhias aéreas, inclusive para uma companhia como a Air France, reputada, com razão, por sua política exemplar de segurança de voos.

FONTE: artigo de Christian Morel no jornal francês Le Monde, em 24/06/2009, tradução de Lana Lim para o portal UOL. O autor é sociólogo, autor de "Les Décisions Absurdes" (Gallimard, 202).

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO É O MAIOR EM 62 ANOS PARA O MÊS DE MAIO

“Os investimentos estrangeiros diretos (IED) que ingressaram no Brasil totalizaram US$ 2,483 bilhões em maio. Foi o melhor resultado para esse mês desde o início da série histórica, em 1947.

Em junho até hoje os investimentos externos totalizam US$ 1,2 bilhão. Os dados levam em conta a posição do câmbio liquidado. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, informou que a estimativa para junho completo é de um fluxo de US$ 1,5 bilhão.

BALANÇO DE TRANSAÇÕES

Segundo o Banco Central, as contas externas brasileiras voltaram ao vermelho depois que o páis registrou em maio déficit em transações correntes de US$ 1,738 bilhão. Em abril, o resultado havia ficado positivo em US$ 146 milhões depois de 18 meses de queda.

Em igual período do ano passado, a conta corrente havia sido deficitária em US$ 786 milhões.

Analistas de mercado projetavam déficit de US$ 1,35 bilhão em maio, de acordo com a mediana das estimativas ouvidas pela Reuters.

FONTE: reportagem de Azelma Rodrigues no Valor Online, em 24/06/2009, publicada no portal UOL.

COCAÍNA MOVIMENTA US$ 50 BILHÕES NO MUNDO, APONTA RELATÓRIO DA ONU

“Uma das drogas mais rentáveis do mundo, a cocaína, movimenta cerca de US$ 50 bilhões segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), ligado à ONU (Organização das Nações Unidas).

A análise do diretor executivo do UNODC, Antonio Costa, é que enquanto os índices de pureza e o número de apreensões --nos principais países consumidores-- estão diminuindo, os preços estão aumentando, e os padrões de consumo estão em evolução. "Isso pode ajudar a explicar o terrível aumento nos índices de violência em países como o México. Na América Central, os carteis estão disputando um mercado em retração", disse Costa.

O documento foi lançado em Washington (EUA) e tem 314 páginas. Ele foi elaborado devido ao Dia Internacional contra o Tráfico e o Abuso de Drogas, lembrado na próxima sexta-feira (26).

O documento aponta que a produção de cocaína em 2008 foi de 845 toneladas, a menor dos últimos cinco anos.

O fator determinante para a queda foi o declínio de produção na Colômbia, país que produz a metade da cocaína no mundo. Houve redução de 18% no cultivo e uma redução de 28% na produção da droga, em comparação com 2007. A contrapartida é que mercados emergentes da droga, tais como Peru e Bolívia, apresentaram elevação.

Segundo o diretor executivo, a queda na apreensão do produto na África Central deve ter como reflexo a diminuição do fluxo de cocaína após cinco anos de intenso crescimento. Entretanto, ele afirmou que o binômio violência e instabilidade política relacionada às drogas, como é o caso de Guiné-Bissau, só poderá ser erradicado com o auxílio da Europa. "Enquanto houver demanda por drogas, os países mais vulneráveis continuarão sendo alvos dos traficantes. Se a Europa realmente quiser ajudar a África, deve diminuir seu apetite por cocaína", disse Costa.

APREENSÕES

Outra droga que apresentou queda na produção foi o ópio no Afeganistão, país responsável por 93% da produção mundial de droga. No país da Ásia Central o cultivo apresentou retração de 19% em 2008.

Segundo o documento, apenas 41% de cada 100 kg de cocaína produzida no mundo é apreendido. O país onde mais se apreende a droga é na Colômbia, responsável pela produção de 50% da escalada mundial.

Apesar de pequena se comparado com tudo que é produzido, a apreensão de cocaína é muito superior aos opiáceos (ópio, morfina e heroína) interceptados. Apenas 19% de opiáceos do mundo são apreendidos, em sua maior parte nos países como Irã e Paquistão.

Em 2007, o Irã apreendeu 85% do ópio produzido no mundo e 28% de toda a heroína. O Paquistão está na segunda posição em termos de apreensões de heroína e morfina, segundo o relatório.

O UNODC cita ainda o Afeganistão. O debate sobre o tema será levado em forma de mensagem para uma reunião ministerial do G8 sobre o Afeganistão em Trieste, no dia 27 de junho. "Quanto mais ópio for apreendido no Afeganistão e em seus vizinhos, menos heroína haverá nas ruas da Europa. E vice-versa: quanto menos heroína for consumida no Ocidente, mais estáveis estarão os países da Ásia Ocidental", disse Costa.

MACONHA

O documento aponta que a maconha continua sendo a droga mais cultivada e consumida no mundo. Segundo o texto, o índice médio do THC (princípio ativo) quase dobrou na última década em drogas apreendidas na América do Norte.

A potencialização do componente danoso da maconha traz grandes implicações à saúde, evidenciada pelo aumento significativo no número de pessoas em busca de tratamento.

Países da América do Norte, Oceania e Europa Ocidental são os maiores consumidores de maconha do mundo. A América do Norte e Europa Ocidental também lideram quando o assunto é consumo de cocaína.

SINTÉTICAS

Os dados mostram uma evolução na produção e no consumo de drogas sintéticas em países em desenvolvimento. Por outro lado o consumo de anfetaminas, metanfetaminas e ecstasy se estabilizou em países desenvolvidos.

O relatório da UNODC mostra que houve uma mudança na produção. O que antes era artesanal agora assumiu grande escala de produção em laboratórios do sudeste Asiático, região onde está sendo produzida quantidades massivas de comprimidos de metanfetaminas, crystal meth (conhecida como ice) e outras substâncias como a quetamina.

Países da União Européia são os principais fornecedores de ecstasy e o Canadá se transformou no principal eixo de tráfico de meth e ecstasy.
Um terço de toda a apreensão de anfetaminas no mundo foram feitas na Arábia Saudita, mais do que o montante da China e Estados Unidos juntos.

INVESTIMENTOS E INJETÁVEIS

O relatório se mostra contrário à legalização de drogas ilícitas e ressalta que a melhora no enfrentamento do problema exige maior atenção à prevenção e ao tratamento de usuários, por meio de investimentos sociais

A constatação é de que o cultivo ilícito e a venda de drogas se mostram mais fortes em regiões sem presença do Estado ou nas quais a ordem pública é frágil.

O documento aponta ainda que o Brasil está entre os quatro países que tem maior número de usuários de drogas injetáveis. Por consequência dessa prática, o Brasil figura entre os nove países com maiores índices de contaminação do vírus HIV no mundo.”

FONTE: portal UOL, em 24/06/2009, que publicou a matéria acima da Folha Online.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

INVESTIGAR TODO O MUNDO

“Acho que era Oscar Wilde quem advertia que, diante da preocupação com a vida alheia, em investigar todo o mundo, não ia sobrar ninguém. É o que está ocorrendo no Senado que, pela ótica da grande imprensa, devia ser fechado.

A Câmara também porque, na ditadura, os meios de comunicação ganham muito dinheiro.

Colunistas, lidos em todo o País, apontam agora pecados cometidos por alguns dos oito senadores que se julgam vestais, melhores que todo o mundo e querem, sem o voto dos colegas, assumir o controle da Câmara Alta. Está na hora de examinar as acusações levantadas contra eles. E reclamar da filha de FHC a devolução dos salários que recebeu, durante mais de seis anos, sem freqüentar o Senado de que era “funcionária”.

Duvido que os senadores moralistas encampem tal proposição. Claro, tucano está acima de tais exigências. Na Inglaterra, os escândalos com dinheiros públicos envolvem agora o ex-premier Tony Blair que pagou, com recursos estatais, a reforma do telhado de sua casa.”

FONTE: nota do jornalista Lustosa da Costa na sua coluna no Diário do Nordeste, em 23/06/2009.

ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB) PAGAVA SEU PROFESSOR DE JIU-JITSU COM DINHEIRO PÚBLICO

Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, disse que o senador Arthur Virgílio (PSDB) lotou no seu gabinete, e pagava com dinheiro público, seu professor de jiu-jítsu, que morava em Manaus? Ou eu entendi errado?

“PANELA DE PRESSÃO

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) diz ter recebido vários “recados” de pessoas ligadas ao ex-diretor do Senado Agaciel Maia que o levaram a concluir que estava sendo pressionado para se “acoelhar” [tornar dócil] em relação a abusos no parlamento.

Um deles dizia respeito a Oswaldo Alves, treinador de jiu-jítsu que foi seu professor e estava lotado em seu gabinete, mas morava em Manaus. “Quiseram dizer que ele era meu personal. Mas ele era a minha referência na juventude do Amazonas. Lá, o jiu-jítsu é mais popular que futebol.” O funcionário pediu demissão do gabinete.”

FONTE: blog de Luis Favre, em 23/06/2009.

LULA DEVERIA 'SERVIR DE EXEMPLO' A OUTROS GOVERNANTES, DIZ OBAMA

DEMOCRATA ELOGIOU 'POSTURA PRAGMÁTICA' DO BRASILEIRO.

BRASIL E CHILE SÃO EXEMPLOS PARA A AMÉRICA LATINA, DISSE O PRESIDENTE.

"O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a entrevista coletiva desta terça-feira (23) na Casa Branca.

Respondendo a uma pergunta sobre as relações americanas com a América Latina, Obama apontou Lula como um exemplo de um líder que, vindo de uma postura de esquerda, com ideias políticas muito diferentes da maioria dos norte-americanos, adotou posições mais pragmáticas.

Ele disse que Lula deve servir de exemplo para governantes de outros países, principalmente da América Latina.

Ele também elogiou a presidente do Chile, Michele Bachelet, com quem iria se encontrar ainda nesta terça.

"Creio que a relação que temos com o Chile, que não concorda com todos os pontos da política exterior norte-americana, é de respeito", disse Obama.

"Acredito que esse é o modelo que queremos: uma aliança, sem que os EUA ditem ao Chile como deve defender seus próprios interesses", disse.

"Creio que o Chile mostra o caminho, e o mesmo acontece com o Brasil, por exemplo."

Há possibilidades enormes de progresso na América Latina", disse Obama ao elogiar em particular a gestão fiscal do Chile, que economizou parte de suas receitas oriundas da venda do cobre durante os anos de altos preços.

O Chile "oferece uma boa lição para nós, que deixamos nosso superávit desaparecer", afirmou.

A entrevista desta terça-feira, quarta do governo do democrata, foi centrada principalmente na crise pós-eleitoral no Irã, na reforma do sistema de saúde e na economia."

FONTE: portal G1, com agências internacionais, em 23/06/2009.

A HIPOCRISIA DOS "ÉTICOS"

“NO ATUAL QUADRO DE CORRELAÇÃO DE FORÇAS, LULA DEVERIA, TAL COMO JOÃO GOULART DESORIENTADO, ATACAR, DE UMA SÓ VEZ, TODOS OS PILARES DA ESTRUTURA CAPITALISTA NUMA FORMAÇÃO SOCIAL AINDA PERIFÉRICA?

"Quando a indigência analítica é muito grande, torna-se impossível evitar a suspeita de que estejamos diante de um exercício de má-fé. Tornou-se moeda corrente, entre atores de certa esquerda, a acusação de que, chegando ao poder, o Partido dos Trabalhadores abandonou a grande política, definida por Gramsci como aquela que põe em questão as estruturas de uma sociedade, para reproduzir a gramática do poder conservador. Operando em um registro simplificado de abordagem, nossos esquerdistas de salão têm um mérito: demonstram, de forma cabal, que o amesquinhamento do debate não é exclusividade da direita que fingem combater, mesmo se igualando a ela no método e nas formas de ação.

Confundindo, ou fingindo confundir, a primeira eleição presidencial de Lula com o fim da hegemonia neoliberal, argumentam que o PT tinha plenas condições de realizar reformas estruturais já que os adversários estavam desnorteados. Cabe perguntar se ignoram a capilaridade social dos derrotados nas urnas, suas estruturas clientelísticas e, como já frisamos em vários artigos, que a vitória sobre o candidato da direita necessitou de um amplo leque de alianças que, se bateu forte no conteúdo doutrinário do partido, deixou evidente a necessidade de ampliar os termos dos seus debates internos. O que fariam nossos “bravos companheiros" se tivessem o mesmo capital político do presidente eleito? Que modificações estruturais implementariam?

É grande a semelhança com o argumento dos tucanos quanto ao crescimento do Brasil no período das vacas gordas, ou seja, que o país cresceu, mas poderia ter crescido muito mais se o governo fosse competente. Mas não diziam como fazer para que isso acontecesse. O que propõem afinal os militantes da "esquerda pura"? Uma aventura bem ao gosto do gueto que esperaria a derrota para capitalizar a tragédia?

No atual quadro de correlação de forças, Lula deveria, tal como João Goulart desorientado, atacar, de uma só vez, todos os pilares da estrutura capitalista numa formação social ainda periférica? Em um país onde retirar do baú a velha arma do anticomunismo primário ainda é um expediente que funciona, o governo deveria ter reeditado, com algumas adaptações, as “reformas de base”? Disciplinar a remessa de lucros, desapropriar latifúndios, auditar a dívida pública, contando com o apoio de segmentos militares e núcleos progressistas da burguesia?

Ou Lula não age com mais sabedoria quando aponta que a saída está na ampliação da democracia? No resgate de uma esfera pública antes regulada por corporações multilaterais. Na grande subversão que é, gradativamente, criar condições para que o trabalho ganhe prioridade sobre o capital. É uma tarefa que passa pela reversão de valores arraigados por anos de patrimonialismo. Melhor que ninguém, mais uma vez, cabe ao ex-líder sindicalista objetivar o significado de sua vitória em duas eleições e das esperanças políticas das classes trabalhadoras e dos excluídos.

Nesse contexto, chega a ser engraçado ver a convergência de opiniões sobre a declaração de Lula contrária ao linchamento político do senador José Sarney. “Esquerdistas éticos" e analistas tucanos fingiram espanto, vendo nas palavras do presidente uma legitimação do coronelismo. Quem conhece os efeitos do Bolsa-Família sobre os velhos currais, sabe como estão sendo erodidas antigas formas de dominação.

Faz-se necessário repetir o ensinamento de Gramsci: “É preciso atrair violentamente a atenção para o presente do modo como ele é, se se quer transformá-lo. Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade”. Voluntarismo e oportunismo andam de mãos dadas.”

FONTE: site “Carta Maior”, que reproduziu, em 23/06/2009, artigo de Gilson Caroni Filho. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

“O CARA” PARTE II: OBAMA DIZ QUE LULA É EXEMPLO PARA O MUNDO

“O amigo navegante Giovanni Neiva Pacheco chama a atenção para a reafirmação de Obama de que Lula é “o cara”. Dessa vez, o presidente americano diz que Lula é um exemplo para o mundo. E dessa vez, quem dá destaque à notícia é o site G1… da Globo !

PH, tem algo estranho acontecendo com os Marinho. Olha mais uma: “Lula deveria ’servir de exemplo’ a outros governantes, diz Obama. O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a entrevista coletiva desta terça-feira (23) na Casa Branca”.

A princípio, só posso imaginar que devem estar precisando de dinheiro e querem pedir ao BNDES. Ou têm dívida com esse banco e está chegando a hora de pagar e não estão com intenção de fazê-lo.

Uma coisa é certa, não estão “enchendo a bola” do Lula por ser nordestino, moreno etc.”

FONTE: O site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, reproduziu em 23/06/2009 essa matéria postada no portal G1.

ESCÂNDALOS DA ERA FHC – PROER

"O PROER - Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional foi um verdadeiro “prêmio à corrupção”.

O governo FHC “investiu” pesado nos bancos. Entre 1995 e 2000, destinou cerca de 112 bilhões ao sistema financeiro. Hoje, isso representa mais de 20% dos investimentos iniciais do PAC. (clique aqui)

A dívida dos bancos foi sociabilizada. E quem pagou por ela foi o povo brasileiro.

E a mídia? Bem, essa cuidou de proteger o “Grande Farol”.

CAIXA-DOIS E OS BANCOS.

Nesse mesmo momento, nascia o episódio da Pasta Rosa. A primeira evidência de caixa-dois da história da República é do governo tucano.

Quase quarenta políticos, entre eles Renan Calheiros, Agripino Maia e o próprio Antônio Carlos Magalhães, receberam dinheiro não-contabilizado do banco Econômico para a campanha de 1990. Isso veio à tona no mesmo momento que o PROER era lançado por FHC.

O procurador Geraldo Brindeiro pediu o arquivamento do inquérito em fevereiro de 1996. Nenhum político foi punido por causa do escândalo.

Alguns deputados conseguiram criar a CPI sobre o caso em 1996, mas os aliados de FHC retardaram a instalação dos trabalhos até 2001. O relator tucano Alberto Goldman (SP) concluiu (?) que “o socorro aos bancos quebrados era inevitável diante da crise vivida pelo sistema bancário”.

A FARRA DO PROER

Foram contemplados pelo plano de intervenção federal: Econômico (BA), Mercantil (PE) Comercial (SP), Nacional e Bamerindus, entre outros.

O governo, sem autorização do Senado, adquiria empréstimos de instituições em boa situação financeira e emprestava sem garantias de retorno. Depois, o Tesouro Nacional ressarcia os bancos credores com o próprio dinheiro público. E assim, o saldo devedor era acrescido à dívida do governo.

Os arquitetos dessa grande falcatrua foram os ministros da Fazenda, Pedro Malan; do Planejamento, José Serra; e o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola.

GILMAR DANTAS ENTRA EM AÇÃO

Condenados em 2002, em dois processos por improbidade administrativa, Serra e Malan recorreram com recursos para a anulação do processo. Quando processados por improbidade, os ministros são julgados por juízes comuns, da primeira instância do Judiciário. Enquadrados por “crime de responsabilidade”, ganhavam automaticamente o privilégio de foro. Ou seja, só poderiam ser julgados pelo STF. Foi baseado nisso que Gilmar Mendes mandou ao arquivo as ações que pesavam sobre os ombros dos ex-colegas de governo.

Em sua decisão, o novo presidente do STF levou em conta o seguinte detalhe: “os efeitos de tais sanções em muito ultrapassam o interesse individual dos ministros envolvidos.” A condenação impunha responsabilidade “individual de quase R$ 300 milhões” para cada réu.

Ou seja, roubar bilhões dos cofres públicos não estava em questão.

E O “FAROL”?

Fernando Henrique Cardoso ainda insiste em dizer que o PROER foi financiado com recursos do sistema financeiro. Recentemente, criticou o governo Lula por liberar parte do compulsório para abertura de crédito nos bancos, durante o auge da crise americana.

Rebatendo as críticas, o presidente do BC, Henrique Meireles, afirmou que a medida apenas representava 10% dos compulsórios dos bancos e que o governo não tinha simpatia por usar reservas cambias para enfrentar a crise, como feito em governos anteriores.

Eles não contavam que o governo Lula emprestaria R$ 10 bilhões ao FMI.

Nem com o excelente desempenho da economia brasileira frente a crise americana.

Essa doeu, hein, Farol?”

FONTE: O site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, reproduz em 23/06/2009 a memória sobre o PROER, publicada originalmente no blog “Quem tem Medo do Lula?”:

HISTERIA E PRECONCEITO CONTRA A COLUNA PRESIDENCIAL

“Deu nojo de ler, neste domingo, o editorial do Estadão, "Lula colunista", e a coluna do Ubaldo Ribeiro no "Caderno 2", "Sangue novo na imprensa". Ambos tratam da iniciativa da Presidência em inaugurar uma coluna semanal do presidente Lula nos veículos de comunicação que se cadastrarem para publicá-la.

O editorial afirma "É evidente que o presidente não terá condições de redigir de próprio punho sua coluna jornalística". Já Ubaldo, referindo-se a coluna do presidente diz "Eu ia mencionando também a necessidade de saber escrever, mas me lembrei de um ou dos coleguinhas no passado e manda a honestidade reconhecer que, em certos casos, saber escrever não tem a menor importância".

Esses trechos são apenas uma degustação do preconceito histérico destilado contra o presidente.

Onde já se viu presidente com coluna no jornal? Pior ainda, presidente que não tem curso superior com coluna no jornal? Os conservadores estão de cabelo em pé diante de tamanho disparate. Eles não se conformam.

Nunca se conformaram com a eleição de Lula, não se conformaram com a reeleição de Lula. Não se conformam com os altos índices de aprovação do presidente e de seu governo, mesmo diante de denúncias que a mídia tratou de transformar em escândalos.

Conformam-se menos ainda com a medida tomada pela Secom — Secretaria de Comunicação da Presidência —, em redistribuir o valor gasto em publicidade, incluindo veículos de imprensa local, regional e segmentada, afinal quem perde com isso são Estadão, Folha e outros “grandalhões”, que até então detinham a exclusividade do recebimento dessas verbas.

O que eles temem, de fato, é a ampliação dos canais de diálogo do presidente com o povo, sem que exista o filtro da edição maliciosa das redações. Onde isto vai dar, devem se perguntar os publishers da mídia hegemônica?

O fato é que com uma e outra iniciativas, algumas mais estruturantes outras pontuais, com caminhos que precisam ser melhor consensuados e compartilhados, o governo federal está agindo para romper a blindagem midiática. Sua coluna, a redistribuição de verbas (ainda que insuficientes), a criação da EBC, a convocação da 1ª Conferência de Comunicação estão tirando o sossego dos barões da mídia, que antes não eram intocáveis. Agora, pelo menos, estão sendo incomodados. Já é alguma coisa.”

FONTE: site “vermelho”, em 23/06/2009, que publicou texto escrito por Renata Mielli, no blog “Janela sobre a Palavra”.

DEMOS QUEREM PUNIR QUEM FAZ “DOWNLOAD” NA INTERNET

“MINC É CONTRA CORTAR CONEXÃO DE QUEM FAZ DOWNLOAD 'ILEGAL'

O Ministério da Cultura (MinC) se manifestou contrário ao projeto de lei que pretende punir quem faz download e compartilha conteúdo protegido por direito autoral de forma 'ilegal' na internet. O projeto foi apresentado no início deste mês pelo deputado Geraldo Tenuta Filho (DEM-SP), conhecido como Bispo Gê Tenuta.

Se aprovado, os provedores de acesso serão obrigados a identificar os infratores e, na primeira ocorrência, notificar o usuário por e-mail. Caso aconteça de novo, a mesma atitude deverá ser tomada, dessa vez sinalizando a ocorrência de um crime. A partir daí, o acesso seria suspenso de três a seis meses. Em uma sexta violação, o serviço é cancelado. Ainda de acordo com o documento, o usuário não será isento da cobrança do serviço durante o período em que a conexão estiver interrompida.

O projeto de lei é inspirado em uma decisão da Assembleia Nacional da França com os mesmos objetivos, que aconteceu em maio passado. No entanto, menos de um mês depois, a medida foi suspensa pela corte francesa — justificando que ela violava, entre outros, o direito do livre discurso.

Por fere uma série de outros direitos, principalmente o do consumidor, o projeto de lei também corre o risco de nem sair do papel no Brasil. ''Sabemos que serão apontadas inconstitucionalidades no projeto'', reconhece o deputado conservador. ''Mas acreditamos que será, pelo menos, uma maneira de começarmos a discutir novas maneiras de ver o direito autoral na internet'', completa. Por enquanto, nenhum deputado manifestou interesse em apoiar o projeto de lei.

O QUE DIZ O MINC

Para José Vaz, coordenador da Diretoria de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, o projeto parte de uma perspectiva meramente repressiva, que fere os direitos individuais e a neutralidade da tecnologia. ''Vemos que a sociedade encara o direito autoral de uma maneira que vai totalmente na contramão dessa ideia”, diz Vaz

Segundo ele, “é só observar a eleição do partido pirata [Pirate Bay] para o Parlamento Europeu e o número de pessoas que admitem fazer download ilegal”. Uma pesquisa da Futuresource Consulting apontou que oito em cada dez consumidores de Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos e, inclusive, França admitem fazer download ilegal de vídeos na internet.

Para José Vaz, as discussões devem se focar na mudança das práticas sociais, no modelo de negócios e na maneira como as gravadoras encaram a internet. ''Não podemos negar que existe um problema em relação ao direito autoral. No entanto, é nítido também que a indústria musical está pagando o preço pela sua inércia'', completa.

INDÚSTRIA LUCRATIVA

De acordo com um estudo divulgado por economistas da Harvard Business School, o compartilhamento de arquivos pela internet não atrapalha a produção criativa. Desde 2000, por exemplo, a indústria fonográfica duplicou sua produção — e o lucro dos artistas com shows, por exemplo, cresceu. O que caiu foram as vendas de gravações.

Um ponto interessante da pesquisa é que a indústria fonográfica ainda lucra, mas o dinheiro é mais bem distribuído: enquanto as gravadoras sofrem, outras empresas relacionadas ao mundo musical e reprodutores musicais aumentam os lucros.

Na última sexta-feira (18), uma americana foi condenada a pagar quase US$ 2 milhões pelo download ilegal de 24 músicas, no único caso que terminou em julgamento nos Estados Unidos. Outras 29.999 denúncias já foram apresentadas pela Associação da Indústria de Gravação dos EUA contra pessoas acusadas de baixarem conteúdo ilegal.”

FONTE: site “Vermelho”, em 23/06/2009, com matéria da redação do site e informações do “UOL Tecnologia”.

ARRECADAÇÃO DA PREVIDÊNCIA BATE RECORDE E DÉFICIT CAI PELA 1ª VEZ NO ANO

“A arrecadação da Previdência Social somou R$ 14,4 bilhões em maio, maior valor da série histórica do Ministério da Previdência, iniciada em 1995. O número representa um crescimento de 8% em relação a maio do ano passado e de 1,6% sobre abril.

A comparação não considera os meses de dezembro, quando o resultado praticamente dobra, influenciado pelo recolhimento da contribuição sobre o 13º salário.

A arrecadação da Previdência teve forte queda nos meses de janeiro e fevereiro, por causa da crise, mas se estabilizou na casa de R$ 14 bilhões nos meses seguintes, quando houve também recuperação no emprego formal.

"Estamos recuperando as nossas receitas e, ao mesmo tempo, equilibrando as nossas despesas", disse o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer.

As despesas no mês passado somaram R$ 17,1 bilhões, aumento de 5,5% no ano e queda de 0,9% em relação a abril.

A diferença entre a arrecadação e as despesas gerou um déficit de R$ 2,739 bilhões. Apesar de negativo, o déficit é 12% menor que o registrado em abril e 5,6% menor que o de maio de 2008.

Trata-se da primeira vez neste ano em que o déficit previdenciário apresenta queda na comparação com o mesmo mês do ano passado.

EMPREGO FORMAL

A arrecadação foi influenciada, entre outros fatores, pelo aumento do emprego formal no mês anterior e pela recuperação de créditos acima da média histórica, principalmente em relação a depósitos judiciais. A recuperação de créditos foi de R$ 1,14 bilhão.

"Nós já havíamos dito que o resultado de maio seria melhor, devido ao crescimento do emprego formal em abril", disse o ministro da Previdência, José Pimentel.

"A sinalização para julho e que os números serão também bastante positivos, até porque geramos 131 mil empregos em junho."

PREVIDÊNCIA EM 2009

O déficit nas contas da Previdência Social cresceu 10,4% nos cinco primeiros meses de 2009, para R$ 18,1 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. O percentual é menor que o verificado até abril, de 14%, o que indica melhora nas contas da Previdência.

Esse resultado é a diferença entre uma arrecadação de R$ 58,5 bilhões --aumento de 5,8% em relação a 2008-- e uma despesa de R$ 86,6 bilhões (+6,7%).
O governo prevê um déficit de R$ 42,1 bilhões para a Previdência em 2009.

ÁREA URBANA

Em relação aos trabalhadores na área urbana, o déficit acumulado no ano está em R$ 2,61 bilhões, um crescimento de 12%. A Previdência rural registrou déficit de R$ 15,5 bilhões, avanço de 10,1%.

Em maio, 69,3% dos benefícios pagos pela Previdência possuíam valor de até um salário mínimo. Isso representa 18,3 milhões de beneficiários que ganham o piso do INSS ou benefícios assistenciais menores que esse valor.

Eles representam 47,1% dos benefícios pagos na área urbana (7,2 milhões de pessoas) e 99,3% na área rural (7,8 milhões de beneficiários).

O valor médio dos benefícios e aposentadorias pagos no ano chegou a R$ 660,53, o que representa um aumento real (acima da inflação medida pelo INPC) de 22,1% desde 2002.”

FONTE: reportagem de Eduardo Cucolo, da Folha Online, em Brasília, publicada no portal UOL em 23/06/2009.

AUTORIDADES FRANCESAS DESMENTEM QUE CAIXA-PRETA DO 447 TENHA SIDO DETECTADA

“SITE DO 'LE MONDE' PUBLICOU INFORMAÇÃO, SEM CITAR FONTE.

ÓRGÃO INVESTIGADOR E EXÉRCITO DA FRANÇA DESMENTIRAM.


"O Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França, encarregado de investigar o acidente com o voo 447 da Air France, desmentiu a informação do site do jornal "Le Monde" de que a Marinha francesa havia detectado um "sinal muito fraco" das caixas-pretas do Airbus que caiu no Atlântico.

Segundo um comunicado do BEA, até o momento não foi possível confirmar nenhum sinal emitido pelos dispositivos. A nota diz ainda que todos os ruídos detectados são analisados para que não haja qualquer dúvida e que toda informação será divulgada assim que verificada.

Em declarações à emissora "Europa 1", Philippe Guillemet, comandante do navio francês "Pourquoi Pas", que coordena as buscas relacionadas ao acidente, também disse que é falsa a notícia de que as caixas-pretas foram localizadas.

"Foram detectados sinais acústicos, mas não há nada verificado, infelizmente", afirmou Guillemet, que acrescentou que as investigações e as buscas continuam.
O jornal "Le Monde" publicou, sem citar fontes, que o submarino "Nautile" mergulhou no dia anterior para tentar recuperar as caixas-pretas do voo 447, consideradas essenciais no esclarecimento das causas do acidente.

As buscas foram dificultadas pelo relevo da região, onde a profundidade do mar chega a cinco mil metros, escreveu a publicação.

De acordo com o jornal, as caixas-pretas "ainda têm autonomia para oito dias". Depois deste prazo, os dispositivos deixarão de emitir sinais.

O porta-voz do Exército da França, Christophe Prazuck, também negou a reportagem.

A Air France não confirmou as informações.

'NAUTILE'

De acordo com o jornal, o minissubmarino articulado “Nautile”, com sonar de última geração e que pode operar com três tripulantes, já até teria mergulhado com a missão de encontrar o equipamento que pode ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente. A busca é dificultada pelas condições do mar na região, de profundidade média de 5 mil metros.

O Nautile é o mesmo minissubmarino que localizou os destroços do Titanic, na década de 1980. Com braços mecânicos, pode operar a seis mil metros de profundidade.

A França alugou dois rebocadores holandeses, que levam equipamentos de escuta submarina ultrassensíveis emprestados pelos Estados Unidos. Durante as buscas, navegam a cerca de 5 km/h.

Também está à procura das caixas-pretas o submarino nuclear francês “Émeraude”, dotado com escutas só que não tão avançadas.

CAIXAS-PRETAS

As caixas-pretas emitem um impulso eletrônico a cada segundo, durante 30 dias. O sinal pode ser ouvido por até 2 km de distância. Elas gravam dados do voo, como altitude e velocidade, e também as comunicações feitas no cockpit da aeronave.

Os dados são gravados em múltiplas cópias em chips, guardados em um cilindro de aço ou titânio. Para minimizar o impacto, eles são protegidos por borracha de silicone, e isolantes térmicos e contra água. Os minitransmissores de sinais das caixas-pretas ainda têm autonomia para pouco mais de uma semana.”

FONTE: portal G1, em 23/06/2009.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O BRASIL DE LULA IMPÕE RESPEITO

“Berna (Suiça) - Não sei se a grande imprensa brasileira deu o destaque devido, só vi alguma coisa num parágrafo no texto distribuído pela BBC para o Estadão online. Porém, embora com atraso, acho importante deixar aqui o depoimento.

Com a experiência de ter feito tantas outras coberturas no Palácio das Nações, da ONU, em Genebra, posso afirmar ser coisa rara o que se viu na assembléia-geral da OIT, onde os discursos de Lula, um escrito e outro improvisado, foram entrecortados de aplausos, e, ao final, todos os presentes - representantes governamentais, sindicais e patronais – puseram-se de pé, numa consagradora standing ovation.

Isso sem esquecer que, logo depois de anunciada a próxima chegada de Lula, os membros das delegações de todos os países voltaram a tomar seus lugares para ouvir a fala do presidente brasileiro. Ora, para quem não sabe, são 193 discursos de presidentes, com tempo limitado, que se sucedem, geralmente com o grande auditório vazio.

Uma antiga jornalista do Palácio das Nações, comentou para mim – igual a essa consagração, que considero histórica, só me lembro da visita de Lech Walena e de Nelson Mandela.

É verdade, foi uma consagração. Nosso sapo barbudo, chamado de analfabeto por tantos ilustres e intelectuais da oposição, transmitiu a melhor mensagem, fez a melhor análise da crise, apontando os culpados.

Lula pode tropeçar nas concordâncias mas há um concordância geral – o homem é esperto, sabido, sabe dar o recado e dominar os auditórios.

Em síntese, honra o cargo que exerce, sem ser prepotente, sempre guardando aquele carisma do militante popular.

O discurso de Lula foi precedido de uma recepção por sindicalistas de todo mundo, na qual o presidente brasileiro se sentia à vontade e, em dado momento, surpreendeu a todos, levantando-se de sua cadeira para distribuir aos presentes uns folhetos sobre a proteção dos trabalhadores na cana-de-açúcar. O que provocou o comentário de um sindicalista brasileiro – ele está com saudades da época de militante sindical.

Uma grande parte de seu discurso foi voltada à questão dos imigrantes, expulsos e rechaçados na Europa, quando aproveitou para contar que o Brasil acaba de legalizar a todos imigrantes sem papéis.

“Porque no Brasil, disse ele, acabamos de dar um exemplo – enquanto o mundo rico anda jogando a culpa em cima dos imigrantes, esta semana, no Brasil, foi aprovada pelo Congresso Nacional, por iniciativa do governo, a legalização de todos os emigrantes que não estavam legalizados no Brasil”

Foi justamente como um líder sindical, atentamente ouvido, que Lula denunciou os responsáveis pela atual crise, sem perder em nada seu carisma e sua linguagem coloquial e nada formal no seu discurso.

“Porque quem trabalha com papel, vendendo papel, comprando papel, sem produzir nada, um dia quebra e aconteceu. Este momento exige de empresários, de trabalhadores e do governo uma atitude mais dura, nós não podemos conviver com paraísos fiscais, nós não podemos viver com um sistema financeiro que especula papel com mais papel sem gerar um posto de trabalho, sem produzir um parafuso, um sapato, uma camisa, uma gravata. Não é possível que a gente não se dê conta de que mais de um bilhão de seres humanos ainda tem dificuldades para conseguir comer uma vez por dia”.

É por essa e outras que, embora ainda minoritário, acho ser importante para o Brasil e para nosso povo não se trocar quem vem conseguindo dar o respeito e o destaque ao nosso país. O PT não quer e o próprio Lula não quer, mas o povo quer. É hora de se começar a ouvir e organizar o desejo popular para que o Congresso abra o caminho e o povo possa votar mais um mandato para Lula.”

FONTE: blog “Direto da Redação”, dos jornalistas Leila Cordeiro e Eliakim Araujo, que publicou o texto acima, de Rui Martins. Postado em 22/06/2009 no blog “de um sem mídia”.

FÉRIAS DE JULHO: PREVINA-SE EM VIAGENS AO EXTERIOR

Terra Magazine

“As férias de julho estão chegando e com o real novamente valorizado em relação ao dólar muita gente está aproveitando para ir ao estrangeiro. Aliás, existem poucas vagas para viajar ao exterior, pois já foi quase tudo vendido e reservado. Então, se você é desses que irá para fora, está na hora de organizar a viagem. Veja as dicas que eu dou abaixo para evitar transtornos e para que você possa somente ter boas lembranças das férias.

TIRE CÓPIAS DO PASSAPORTE

Tire duas cópias de seu passaporte, de preferência autenticadas em cartório. Copie a folha contendo o número, as folhas de qualificação e a da foto, a folha com a prorrogação do vencimento do passaporte (se houver) e a(s) folha(s) com todos os vistos que serão utilizados na viagem. Se você tiver que usar e levar mais de um passaporte, porque o visto estava no anterior, faça a mesma operação com os dois.

Leve junto na viagem, em local diferente do passaporte ou passaportes, uma cópia autenticada de tudo. Deixe a outra em casa, em lugar acessível e conhecido, caso precise usá-la.

TIRE CÓPIAS DO RG, CPF E OUTROS DOCUMENTOS

Tire, também, cópias autenticadas de toda a documentação exigida para tirar passaporte: Carteira de Identidade (RG), cartão de inscrição no CPF, título de eleitor, certidão de nascimento ou casamento. Se for homem, tire também do Certificado de Alistamento Militar. Leve-os na viagem. Esses documentos são necessários para tirar novo passaporte, em caso de extravio. Parece muito, mas você fará isso uma única vez e valerá para as próximas viagens. Na volta, basta guardar as cópias numa pasta.

TIRE CÓPIAS DA PASSAGEM AÉREA

Tire, ainda, duas cópias da(s) passagem(ns) aérea(s) ou do e-ticket onde conste seu nome, tipo de tarifa, trechos e rotas que serão utilizados, número, data da emissão, agência de viagens/operadora que emitiu a passagem e companhia aérea. Leve uma cópia e deixe a outra em sua casa.

TRAVELLER´S CHEQUE

Prefira traveller's cheque a papel moeda. O traveller tem a vantagem de ser reembolsável em caso de extravio por perda ou furto/roubo. Tire, da mesma forma, uma cópia do boleto de emissão dos traveller's cheques e sua numeração e deixe a cópia em sua casa.

NA VIAGEM: CUIDADO COM OS DOCUMENTOS

Se você resolveu levar, além do passaporte, seu RG, mantenha este no bolso da calça/blusa/saia, em lugar diverso do passaporte. Como o RG é um documento fácil de carregar, é simples mantê-lo em lugar seguro. Faça o mesmo com o cartão de crédito.

GUARDA DO DINHEIRO

O dinheiro deve ser separado em três ou quatro montes e guardados em lugares separados. Deixe sempre alguma quantia, ainda que pequena, no hotel, em lugar escondido e/ou no cofre.

ENDEREÇOS E TELEFONES

É bom ter em mãos o endereço e telefone da embaixada ou do consulado brasileiros no(s) país(es) visitado(s), o número do telefone da administradora de seu cartão de crédito internacional e do gerente de seu banco no Brasil. Problemas com o uso do cartão e/ou extravio podem ser resolvidos no local de sua estada.

EMBAIXADAS E CONSULADOS

Antes de embarcar entre no site do Ministério das Relações Exteriores (www.mre.gov.br). Clique em "endereço". Procure o nome da cidade a ser visitada pela lista de Embaixadas, Consulados ou Vice-consulados. Anote endereço e telefone e leve consigo.

LEMBRE-SE: VOCÊ É ESTRANGEIRO NO EXTERIOR

Cada país adota seu próprio critério para a admissão e permanência de estrangeiros em seu território. Antes de comprar a passagem, pergunte quais são as exigências do país para onde você vai e que variam de acordo com o objetivo de sua viagem. A agência ou operadora de viagens tem o dever de fornecer esse tipo de informação. Mas, para se garantir consulte você mesmo a embaixada ou consulado do país que será visitado.

Esse item deve ser levado em consideração com muito cuidado, porque, infelizmente, no mundo atual a prevenção e discriminação odiosa praticada por agentes de alfândega contra estrangeiros tem sido comum. Lembre-se do que passaram os brasileiros barrados na Espanha e Inglaterra, dentre outros lugares.

Anote que, por exemplo, somente após a divulgação do episódio pela imprensa é que se tornou sabido que para ingressar na Espanha, além do costumeiramente pedido (passaporte válido por pelo menos seis meses e bilhete de retorno), estava sendo exigido comprovante de reserva em estabelecimento de hospedagem ou carta-convite de morador local, confirmação de reserva de viagem organizada com o itinerário, seguro médico internacional com requisitos específicos, estar o consumidor-viajante portando no mínimo 57,06 euros por dia de permanência etc.

Por isso, repito: Cheque as exigências nos sites das embaixadas e consulados estrangeiros e peça que a agência de viagens ou a operadora informe detalhadamente tudo que é exigido.

VISTO

Do mesmo modo que no item anterior, cheque se o país visitado exige visto. Faça isso com bastante antecedência, pois para alguns países pode ser demorado obtê-lo.

DISPENSA DO VISTO

Alguns países não exigem visto quando se trate de viagem por motivo de turismo. (Para estudar ou trabalhar no exterior é sempre necessário tirar visto específico)

SEM VISTO OU VISTO INADEQUADO: NÃO VIAJE

Não viaje sem visto quando o país exigir, pois você não conseguirá entrar; nem viaje com visto de turista se o seu objetivo for estudo ou trabalho. Você pode ser preso e deportado.

CUIDADO NA ENTRADA

Ter um visto ou estar dele dispensado não dá direito à entrada automática no país visitado. A decisão final somente é dada no ponto de entrada pela autoridade migratória. É decisão soberana de todo país aceitar ou não o ingresso de cada estrangeiro no seu território.

A desconfiança sobre os reais motivos da visita é motivo suficiente para não permitir a entrada do estrangeiro. Por isso, ao responder as perguntas do agente, adote tom de respeito, fique calmo e não caia em contradições.

TEMPO DE ESTADA

O tempo de estadia no país estrangeiro é fixado no ponto de entrada. Veja qual prazo lhe foi concedido e retorne dentro dele.

DETENÇÃO

Se por qualquer motivo você for detido por autoridade estrangeira, exija seu direito de telefonar para a Embaixada ou Consulado brasileiro.

BOA VIAGEM

Já foi mais tranqüilo viajar, mas nos dias que correm com tanta desconfiança em relação aos estrangeiros, criminalidade em todo lugar e serviços nem sempre de primeira linha, vale a pena gastar um tempinho na prevenção.”

FONTE: site “Terra Magazine”, do jornalista Bob Fernandes. Publicou em 22/06/2009 o texto acima, de Rizzatto Nunes, mestre e doutor em Filosofia do Direito e livre-docente em Direito do Consumidor pela PUC/SP, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, autor de diversos livros. Lançou recentemente "Superdicas para comprar bem e defender seus direitos de consumidor" (Editora Saraiva) e o romance "O abismo" (Editora da Praça).

“O BODE NA SALA É O SPREAD”

ENTREVISTA- GUIDO MANTEGA: MINISTRO DA FAZENDA

“A queda de braço entre o governo e os bancos privados por causa do spread (diferença entre o custo que o banco paga na captação do dinheiro e o juro que cobra do cliente) esquentou. Depois de muita pressão, as instituições financeiras passaram a dizer que desejam baixar o spread, mas não conseguem em razão do peso elevado dos impostos e do depósito compulsório em seus custos. Nesta entrevista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, contesta esse argumento sem fazer rodeios. “Os bancos têm margem para baixar o spread sem precisar de redução da cunha fiscal ou do compulsório”, afirma.

Bem-humorado com o desempenho acima da média do Brasil na crise econômica global, Mantega só mostra desconforto quando fala do câmbio e das mudanças anunciadas para a caderneta de poupança. No primeiro caso, afirma que está preocupado mas, no momento, não há nada a fazer. Sobre a poupança, deu a entender que o anúncio de mudanças nas regras é complicado, assusta as pessoas e trouxe algum desconforto ao governo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

A ÚLTIMA ATA DO COPOM (CONSELHO DE POLÍTICA MONETÁRIA) DIZ QUE O ESPAÇO PARA REDUÇÃO DOS JUROS BÁSICOS DA ECONOMIA FICOU MENOR…

Com uma taxa de 9,25%, é óbvio que ficou menor. Uma das funções do Banco Central é mostrar que está sempre atento à inflação. O BC não pode dizer que vai baixar os juros, mas o fato é que está baixando.

ESSA REDUÇÃO PODERIA SER MAIS RÁPIDA?

O custo financeiro no Brasil continua muito alto. É uma distorção em relação ao que acontece em outros países. A grande anormalidade é que os spreads (diferença entre o custo que o banco paga na captação do dinheiro e o juro que cobra do cliente) são muito altos no País. O consumidor brasileiro paga juros absurdos. Mas estamos caminhando. A vantagem é que antes havia três bodes na sala: tiramos dois, mas sobrou um.

O SENHOR ESTÁ FALANDO DO SPREAD?

O bode na sala é o spread. As instituições financeiras dizem que querem se garantir contra a inadimplência, mas abusam. Fora os períodos de crise, quando ela aumenta mesmo, nossa inadimplência é normal. Mas ela é superestimada pelas instituições financeiras. Existe também um pouco de concentração no setor financeiro. Antes da crise, o spread era muito menor. Mas os bancos ficaram com medo e chutaram para cima. No Brasil, como já há um exagero, ficou um exagero e meio.

OS BANQUEIROS DIZEM QUE O SPREAD É ALTO POR CAUSA DOS IMPOSTOS QUE PAGAM E DO COMPULSÓRIO QUE SÃO OBRIGADOS A RECOLHER. O GOVERNO PENSA MEXER NISSO?

Os bancos têm margem para baixar o spread sem precisar de redução da cunha fiscal ou do compulsório. O compulsório já diminuiu bastante nesta crise, nós liberamos mais de R$ 100 bilhões. Aliás, diga-se de passagem, na composição do spread 36% é a possibilidade de inadimplência. Evidentemente, isso está superestimado. Eles costumam prever uma inadimplência maior e com isso cobrar uma taxa maior. Outra é a margem de lucro. Os bancos brasileiros estão bem acostumados a ter margem de rentabilidade elevada. Não tenho nada contra isso, mas acho que aí tem espaço para diminuir.

NA SUA OPINIÃO, QUANTO SERIA POSSÍVEL DIMINUIR?

Da composição do spread, a cunha fiscal dá 7% a 8%, o compulsório não dá 3%, 36% é inadimplência e, se não me engano, 24% é custo administrativo. No custo administrativo tem a margem do banco. Então, quase 60% é risco de inadimplemento e mais custo administrativo.

E POR QUE OS BANCOS NÃO BAIXAM O SPREAD?

É preciso ter concorrência. Hoje, mais de 70% do crédito é atendido por sete ou oito grandes bancos. O governo precisa criar condições para que haja concorrência. A queda da Selic (a taxa básica de juros) ajuda. A ação dos bancos públicos também. Eles estão liderando o processo de aumento do crédito e de redução de juros. Acho que está surtindo efeito. Pela primeira vez, percebo que os concorrentes (os bancos privados) estão sentindo essa agressividade que não existia antes.

ALÉM DE MOBILIZAR OS BANCOS PÚBLICOS, QUE MAIS O GOVERNO PODE FAZER PARA AUMENTAR A CONCORRÊNCIA NO MERCADO FINANCEIRO?

Pode fortalecer os bancos pequenos e médios. Já fizemos isso. Não deixamos que os bancos pequenos saíssem do mercado. Agimos para permitir aos bancos públicos adquirir instituições financeiras sem maiores problemas e direcionamos o compulsório para a compra de carteiras de bancos menores. Nós sabemos que os bancos menores sofreram saques, a saída de fundos, alguns bancos tiveram a reputação afetada por problemas de derivativos… Tudo isso foi superado. E agora vamos fazer o fundo garantidor de crédito para a pequena e média empresa.

O GOVERNO DESISTIU DE MEXER NA FÓRMULA DA POUPANÇA?

Nós buscamos fazer a menor mudança possível. É que as coisas são complicadas. Vocês já viram a fórmula da TR (Taxa Referencial de Juros)? É complicadíssima. Só um grande especialista consegue entender. Você não consegue comunicar, transmitir isso à população. Aí aparece o uso político com gente querendo desinformar (a oposição disse que o governo quer acabar com a caderneta de poupança). Então, escolhemos o caminho da menor mudança possível.

É POR ISSO QUE O GOVERNO ANUNCIOU E DEPOIS NÃO FALOU MAIS NO ASSUNTO?

Foi anunciado e foi dito que a medida de aumento de tributação é para o ano que vem. Temos tempo para entrar no Congresso. O projeto está pronto, não tem nenhum segredo. Cria o Imposto de Renda, tem lá um desconto e tal. A tributação é pequena. E o contribuinte vai declarar em 2010 e pagar em 2011. A poupança vai continuar sendo uma das melhores opções de investimento. Cerca de 99% das cadernetas têm até 50 mil de aplicação e aí não muda nada.

JÁ ESTÁ HAVENDO ALGUMA MIGRAÇÃO DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO PARA A POUPANÇA. NÃO É PERIGOSO PARA O FINANCIAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA?

Não preocupa porque não está havendo fuga do Tesouro (refere-se aos títulos públicos).

O CÂMBIO PREOCUPA O SENHOR?

Sim, o câmbio preocupa. Do jeito que está, diminui a competitividade de nossas exportações e pode trazer um fluxo de importações indesejado. Essa parte é objeto de observação. Se for necessário, faremos medidas para atenuar. Agora, o câmbio flutuante é um regime positivo. Tem hora que ele flutua para um lado, tem hora que flutua para outro.

O que não pode é flutuar só para um lado. Hoje, o excesso de valorização prejudica o País. E aí começa a preocupação. Mas estamos comprando mais reservas. O Brasil se deu muito bem comprando reservas. Foi uma estratégia que introduzimos no governo a partir de 2006 quando me tornei ministro da Fazenda, foi uma das primeiras questões que levei ao presidente Lula e ao Henrique Meirelles (presidente do BC).

QUAL SERIA UMA TAXA IDEAL HOJE?

Não tem taxa de equilíbrio. A taxa de equilíbrio é aquela que é resultado das transações do mercado. O governo não trabalha com taxa de equilíbrio e não tem meta de câmbio.

OS JUROS ALTOS NÃO CONTRIBUEM PARA ENCHER O MERCADO BRASILEIRO DE DÓLARES?

Acho que potencialmente um diferencial de taxas de juros poderá no futuro fazer isso. No momento, não acho que cause esse impacto. Mas vamos separar as coisas. Existe uma valorização do real produzida diretamente pela desvalorização do dólar. Não há o que fazer. É o Barack Obama (presidente dos EUA) que precisa agir. Uma valorização um pouco maior do real em relação a outras moedas se deve também a virtudes da economia brasileira. Nosso mercado de capitais é mais sólido, tem regras mais claras e tem mais liquidez do que o mercado de capitais indiano, chinês e russo. Isso provoca entrada maior de capitais no Brasil. Isso também valoriza o câmbio.

A ARRECADAÇÃO CAIU SETE MESES SEGUIDOS E OS GASTOS CORRENTES CONTINUAM SUBINDO. COMO FECHAR ESSA CONTA? O GOVERNO VAI CORTAR GASTOS?

A queda da arrecadação era esperada porque está diretamente relacionada com o nível de atividade econômica. E nós tivemos uma retração. Além disso, fizemos desonerações (tributárias). Elas têm um impacto. Vamos fazer um superávit menor, mas calibramos isso de modo que a nossa dívida não cresça. A nossa dívida pública está estabilizada. Ela estava em 36% (do PIB) e foi para 39,8% porque tiramos a Petrobrás do cálculo. No ano que vem será menor. Quando a economia retomar, vamos voltar a ter arrecadação. Temos uma situação confortável que nos permite esse período em que estamos gastando mais. O gasto do governo é bom para a economia, ativa a economia.Estamos mantendo os investimentos, mantivemos todos os programas sociais e as despesas do governo. Então vai haver um certo desequilíbrio este ano que poderá até nos levar a cortar mais gastos correntes. Foi o que o Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) falou. Se continuar havendo frustração de arrecadação, poderemos vir a cortar gastos correntes dos ministérios.

QUE TIPOS DE GASTOS PODEM SER CORTADOS?

Gastos correntes dos ministérios. Não vamos mexer no Bolsa-Família, não mexeremos nos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas os demais gastos podem ser adiados. Nós já fizemos um contingenciamento e talvez tenhamos de fazer alguma restrição a mais para equacionar essa situação.

O GOVERNO ESTUDA DESONERAR A FOLHA DE PAGAMENTOS?

São medidas clássicas, que sempre estarão em estudo. Porque o Brasil tem um custo de folha mais elevado que outros países, então é algo que sempre está na nossa alça de mira.

No projeto de reforma tributária, está prevista a redução de 1% da contribuição previdenciária por ano, até chegar a diminuir para 6%. Poderemos antecipar alguma coisa, em vista do cenário que temos, mas aí temos de olhar o custo. Cada 1% de redução custa R$ 3,8 bilhões por ano. É bastante, mas não estamos descartando nada.

E OS OUTROS SETORES? TODOS ESTÃO PEDINDO…

Todos os setores empresariais sempre pediram. Mas o governo não se influencia pela pressão de setores. Quem teve a ideia de fazer a redução do IPI fomos nós, não foram eles.

Ontem (quarta-feira) fizemos uma avaliação com o Jackson Schneider (presidente da Anfavea) e ele acha que, graças a esse programa de desoneração de IPI, eles venderam 250 mil carros a mais. Nós perdemos IPI, mas em compensação pagamos menos seguro desemprego, aqueles funcionários que continuaram ganhando salário consumiram, pagaram outro tipo de tributo, houve compensações. Se você deixa a economia cair, se deixa o nível de atividade desacelerar, a arrecadação vai cair mais ainda.

O AUMENTO DA ALÍQUOTA SOBRE A IMPORTAÇÃO DO AÇO NÃO VAI CONTRA O PRÓPRIO DISCURSO DO PRESIDENTE LULA, DE QUE NUM MOMENTO COMO ESTE NÃO DEVERIA HAVER MEDIDAS PROTECIONISTAS?

Com a crise, a indústria do aço no mundo caiu 50% e agora tem gente de outros países querendo exportar aço até a preço de custo. Nós observamos isso criteriosamente, esperamos a indústria nacional baixar o preço, eu quis ver as faturas e aí nós subimos 12% (o imposto de importação). É uma medida que a OMC (Organização Mundial do Comércio) aceita e não dá para deixar nosso mercado ser invadido por exportações de baixo custo de outros países.

O SENHOR E O PRESIDENTE DO BNDES (BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL), LUCIANO COUTINHO, SEMPRE FORAM ASSOCIADOS A UMA POLÍTICA CHAMADA DE DESENVOLVIMENTISTA, VOLTADA PARA A PRODUÇÃO. E ISSO ENTROU NA AGENDA ATÉ DOS LIBERAIS MAIS CONVICTOS…

Nós não somos estatistas. Sou desenvolvimentista sim, mas dos anos 2000, e não dos anos 60, ou dos anos 70. Moderno, dinâmico. A gente só entra onde o setor privado precisa de um impulso. Depois, ótimo. O Estado não precisa ficar, a não ser em certos setores, que precisam ficar vigiados. O setor financeiro é um deles, porque é uma concessão. Foi no setor financeiro que os Estados Unidos comeram bola, cometeram erros que estão corrigindo hoje com essa regulamentação extremamente positiva, que já temos no Brasil. Por isso nosso sistema é mais sólido.

QUAL O PLANO PARA TODAS ESSAS PARTICIPAÇÕES EM EMPRESAS EM CRISE QUE O BNDES ESTÁ COMPRANDO? É VENDER DEPOIS OU PERMANECER COMO ACIONISTA?

No passado o BNDES precisou ajudar na implementação de alguns setores, ele floresceu e aí vocês vende as ações (das empresas do setor). Aliás,o BNDES tem lucrado muito com aquilo que fez no passado, o que significa que fez só coisas positivas. Quando estava no BNDES, me lembro que o lucro em 2003 tinha sido R$ 1,4 bilhão. Em 2004, foi de R$ 3,3 bilhões e daí para a frente só tem crescido. Portanto, só faz coisas sólidas. Os bancos públicos vieram para ficar, são atores econômicos importantes hoje e trabalham com princípios de eficiência, responsabilidade e produtividade. São lucrativos, eu faço exigência de metas de produtividade. A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil são instrumentos de política econômica e dessa participação do Estado estimulando a infraestrutura. Nós estávamos defasados em infraestrutura e os investimentos não vinham espontaneamente do setor privado. O governo precisou dar um impulso. Mas nós não somos estatistas.”

FONTE: entrevista de David Friedlander e Leandro Modé, do jornal O Estado de São Paulo, com Guido Mantega, Ministro da Fazenda desde março de 2006, quando substituiu Antonio Palocci. Também foi Ministro do Planejamento e Presidente do BNDES. É formado em Economia pela Universidade de São Paulo. Publicada em 22/06/2009 no blog de Luis Favre.

LUZ PARA TODOS BENEFICIA 10 MILHÕES DE BRASILEIROS

"Uma verdadeira revolução no campo, que já beneficiou cerca de dez milhões de brasileiros, está em curso, graças ao Programa Luz para Todos (LPT). Desde 2004, o LPT já realizou dois milhões de ligações elétricas, permitindo a pessoas de todo o País realizar atividades simples, mas muitas vezes inacessíveis, como assistir à tevê, refrigerar alimentos, usar o ferro elétrico. A marca histórica será comemorada nesta segunda-feira (22), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no assentamento Robson Vieira, no município de Congoinhas (PR).

Graças ao programa, 1,57 milhão de aparelhos de tevê e 1,46 milhão de geladeiras foram comprados pelos beneficiários. Além disso, quase a metade dos atendidos deixou de gastar com outras fontes de energia – mais poluentes, como diesel, gasolina, querosene, gás ou pilhas.

RETORNO AO CAMPO

Mais do que proporcionar facilidades cotidianas aos moradores do meio rural, a chegada da luz estimula, de Norte a Sul, a fixação do homem no campo, invertendo o fluxo migratório. De acordo com pesquisa do Ministério de Minas e Energia, cerca de 96 mil famílias que haviam abandonado suas terras em busca de outras oportunidades nos grandes centros estão retornando às origens depois da chegada da energia elétrica.

Os beneficiários, sozinhos ou em associação com os vizinhos da comunidade, se organizam para utilizar a energia elétrica em suas propriedades para irrigação, o funcionamento de bomba elétrica d’água nos poços, maquinários agrícolas, resfriadores para leite, carne ou peixe, estufas agrícolas, casas de farinha, ou ainda para substituir os motores a diesel por motores elétricos.

A pesquisa aponta que nove em cada dez beneficiários dizem que a qualidade de vida aumentou. Para 86%, as condições de moradia também são melhores. A renda familiar cresceu para 38,5% deles, assim como as condições de trabalho para 34% dos atendidos. Até o nível de escolaridade tem impacto: 41,1% passaram a estudar no período noturno.

Além do impacto positivo causado no meio rural, o Programa movimenta a indústria nacional. As obras geram cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. Mais de 4,6 milhões de postes, 708 mil transformadores e 883 mil quilômetros de cabos já foram utilizados nas instalações.

NORDESTE

O Nordeste concentra quase a metade dos dez milhões de brasileiros atendidos pelo Luz para Todos: são 4,9 milhões de pessoas. No Norte, 1,7 milhão de brasileiros foram atendidos; no Sudeste, 1,8 milhão; no Sul, 809 mil pessoas; e, no Centro-Oeste 716 mil pessoas. O programa consegue atingir comunidades como quilombos e aldeias: são cerca de 91 mil quilombolas e outros 91 mil indígenas beneficiados com a chegada da energia. Além disso, 11 mil escolas em todo o Brasil, que não contavam com luz para educar as crianças, receberam eletrificação.

Para alcançar essa meta, alguns estados apresentam números expressivos de atendimento. A Bahia beneficiou 1,6 milhão de pessoas e Minas Gerais e Pará, 1,1 milhão de moradores do meio rural cada um. Além disso, 13 estados superaram a meta de atendimento inicialmente prevista. No Espírito Santo, foram atendidas quase 300% pessoas a mais que a meta. Em São Paulo, 161% e, em Santa Catarina, 120%.

O Luz para Todos é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e realizado em parceria com as concessionárias de energia elétrica, cooperativas de eletrificação rural e governos estaduais. por meio de subvenção (fundo perdido) e financiamento, respectivamente".

FONTE: ”em questão” - boletim da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, postado em 22/06/2009 por Luis Favre em seu blog.

KASSAB PAGA MAIS DE R$ 1 MILHÃO PARA ASSESSORA DO "CANSEI"

“A jornalista Maria de Lourdes Sinisgalia Fernandes tirou a sorte grande. Desde que se juntou ao grupo de Franco Montoro, em 1900-e-guaraná-de-rolha, sua vida tem sido uma sucessão de generosos contratos de assessoria de imprensa.

Não por acaso, em 1998 ela já estava, vigilante, cuidando da exposição de Zé Chirico, na época ministro da Saúde de FHC.

De lá para cá, Lu Fernande