sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Santayana: RÚSSIA SAI DA LETARGIA

1.200.000 homens em armas

“O portal ‘Conversa Afiada’ reproduz excelente artigo de Mauro Santayana, antes publicado no ‘JB online’:

A RÚSSIA SAI DA LETARGIA

Por Mauro Santayana

“Enganam-se os que viram, na guerra fria, o conflito ideológico entre o sistema socialista e o sistema capitalista. Na verdade, todos os que examinam a história com cautela, sabem que as ideologias podem ser, em certas ocasiões, doutrinas de escolha para conduzir os projetos nacionais estratégicos, mas o sentimento de nação sempre prevalece sobre as idéias de caráter universal. Essa é uma das dificuldades do marxismo aplicado: não é fácil a união internacional dos trabalhadores contra o capital. Quando traduzida, a “Internacional”, mesmo mantendo a força de seus acordes, não tem o mesmo efeito da versão original de Eugéne Pottier, um participante da Comuna de Paris – nem mesmo em russo, ainda que tenha sido o hino oficial da URSS.

O homem, qualquer homem, é o centro de um universo que se amplia, mas que se distancia, ao ampliar-se. Assim, a percepção do mundo e de nossa existência nele encontra o limite ideal na comunidade cultural e em seu espaço geográfico – enfim, na pátria. A sobrevivência da comunidade nacional prevalece sobre os sistemas sociais que adotemos. Em razão disso, podemos considerar que as revoluções políticas atendem, em primeira urgência, à salvação do povo – a sua liberdade e soberania dentro dos limites nacionais. Sendo assim, podemos dizer que o marxismo foi uma doutrina de ocasião para que o Império Russo fizesse a sua revolução nacional, derrubando uma monarquia enfermiça e alienada e instituindo novo sistema político. A etapa kerensquiana da revolução nada prometia senão uma república tão conservadora quanto o regime dos Romanov – daí a ousadia de Lenine e seus companheiros.

A revolução se estagnou e retrocedeu com Stalin, para se perder com Gorbatchev [Mikhail Serguéievich Gorbachev ou Gorbatchev]. Ela vinha se esvaziando, por não avançar rumo à utopia de uma sociedade sem classes, que fora a promessa de 1917. A tecnocracia substituíra a nobreza do Império e parcelas da sociedade se cansaram das restrições. Isso possibilitou a Gorbatchev capitular, como capitulou, sem a habilidade para promover uma transição mais inteligente para a economia de mercado.

A queda do muro de Berlim foi um desastre para o mundo socialista e, especialmente, para a União Soviética, esquartejada e com sua economia dilacerada, com as empresas do Estado entregues aos favoritos de Ieltsin. As nações, no entanto, são capazes de soerguer-se em pouco tempo, desde que encontrem motivos para isso. Nos últimos 24 anos, com as dificuldades conhecidas, a Rússia vem recuperando a consciência de nação e sua força histórica. O complexo de derrota, que se seguiu à fragmentação do antigo Império e à arrogância dos Estados Unidos como a única potência hegemônica, foi vencida. A aliança entre os países emergentes, que une o Brasil à Rússia, à Índia, à China e à África do Sul, é um novo espaço de influência na geopolítica, compartilhado por essas potências – e anima os russos.

Eles têm reconstruído seus exércitos, e, a duras penas na fase confusa da reorganização do núcleo mais poderoso do antigo Império, restaurado sua indústria pesada. Setores em que eles haviam sido, e durante muito tempo, superiores, como os da aviação militar e dos mísseis, foram recuperados. Seus aviões de caça, bem como seus foguetes intercontinentais, continuam a ser considerados do mesmo nível (e, em alguns casos, superiores) aos de seus rivais.

Putin pode ter, e tem, grandes defeitos, a par de sua vocação ditatorial, segundo seus desafetos, mas vem devolvendo aos russos o seu orgulho antigo. O nacionalismo russo apelou para a Revolução de Outubro, mesmo contra a opinião de Marx, que via pouca possibilidade de um movimento socialista em uma região geoeconômica que não se libertara de todo da visão medieval da economia e do poder. O nacionalismo russo de nossos dias, não só aceita como prestigia (conforme as pesquisas pré-eleitorais destas horas) o líder político que encarna a recuperação do orgulho do velho país.

A URSS – que ocupava a mais extensa região do globo, com seus quase 25 milhões de quilômetros quadrados – não mais existe, mas a Rússia continua sendo o maior território nacional do mundo (duas vezes o tamanho do Brasil), com seus 17 milhões de quilômetros quadrados.

Rússia em vermelho (11). A URSS era o conjunto (colorido)

Com essa presença poderosa, e mais de 1.200.000 homens em armas, a Federação Russa quer ser ouvida e acatada no mundo de hoje. E não há dúvida de que o seu projeto nacional é o de recuperar o espaço político que conquistara na Segunda Guerra Mundial, e que perdeu em 1991. A indústria militar, conforme explicou Putin, irá provocar a aceleração de toda a economia nacional.

Para isso, Putin anunciou que a indústria bélica irá produzir, nos próximos dez anos, mais 400 mísseis balísticos modernos, 8 submarinos estratégicos, 20 submarinos polivalentes, mais de 50 navios de superfície, cerca de cem veículos espaciais com função militar, mais de 600 aviões modernos, mais de 1.000 helicópteros e 28 baterias antiaéreas dotadas de mísseis terra-ar S-400.

FONTE: artigo de Mauro Santayana publicado no “JB Online” e transcrito no portal “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim  (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/02/23/santayana-russia-sai-da-letargia/) [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

2 comentários:

Probus disse...

Pois é, por incrível que pareça eu acredito que as atitudes de Putin vão trazer PAZ ao mundo.

Putin para NOBEL da PAZ!!!!

Viva Vladimir Putin, o herdeiro de "Pedro, o Grande".

Scherer Alexander disse...

Belo artigo. estive na Rússia e eu própio vi com meus olhos a melhoria do povo russo, Putin, não é nenhum santo, mas devolveu o orgulho a um País que estava esfacelado pela escandalosas privatizações da era Yeltsin (comunado, já se sabe hoje com o Gorbacheve Ocidente). Podem reclamar mas mesmo com todo este estardalhaço de fraude eleitoral pelo ocidente (pois as eleições na Rússia são por via direta) e não via Colégio-Eleitoral como nos EUA ou Parlamentar como na UE, então nem moral eles podem pedir ao Sr, Putin; que tirou da linha de pobreza mais de 50 milhões de russos. Hoje o País tem a segunda maior reserva cambial do mundo (só perde pra China), o segundo maior n. de universitários do mundo (só perde pros EUA), é o País que mais lança satélites no mundo, é dono do maior arsenal nuclear do Planeta (para manter a chamada força de dissuação frente aos EUA-OTAN), que nem assim respeitam tratados, nem respeitam resoluções da ONU e saem por aí invadindo países de terceiro mundo. Há que cuidar com estes protestos e ONGS Ocidentais contra Putin, pois para o Oceidente ele não é uma pessoa interessante.