segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

GUERRA PSICOLÓGICA: A FORMA HABITUAL DE COMEÇAR UMA GUERRA

Netanyahu (Bibi), de Israel, "orienta" Obama para atacar o Irã (o governo e o congresso dos EUA são controlados pelo lobby judeu)

“Os tambores da guerra contra o Irã troam fortemente depois do extenso artigo publicado no domingo passado (29) no ‘New York Times’ pelo jornalista israelense Ronen Bergman. É um dos jornalistas de seu país com maior acesso aos serviços de inteligência e às altas esferas do governo.

Por Iñigo Sáenz de Ugarte no blog “Guerra Eterna”

Em nenhum momento no texto aparece uma fonte, mesmo que anônima, afirmando que a decisão de bombardear o Irã para deter seu programa nuclear já está tomada. É o próprio Bergman que diz, ao final, que ele crê que haverá o ataque este ano. Em sua opinião, a maioria dos dirigentes israelenses estão convencidos de que se dão os três fatores que justificam esse passo (tal e como são apresentados pelo ministro da Defesa, Ehud Barak): capacidade militar para assestar um golpe decisivo, apoio dos Estados Unidos e necessidade imperiosa por fracassarem as demais tentativas de frear Teerã.

Contudo, o artigo também inclui a opinião contrária de Meir Dagan, diretor do Mossad entre 2002 e 2011. Dagan defende que a campanha de sabotagens promovida pelo serviço secreto teve o êxito esperado e que uma campanha de bombardeios pode não eliminar o programa nuclear.

Por que foram publicados esse e outros artigos similares nas últimas semanas? Há um intento de preparar a opinião pública israelense para uma das decisões mais dramáticas que seu governo pode tomar. Bergman admite que a sociedade israelense vive momento de alarme diante do temor de que as represálias iranianas alcancem o território do país. Não falamos de atentados terroristas contra embaixadas israelenses em lugares distantes, mas do perigo de uma chuva de mísseis a partir do próprio Irã ou do Líbano. O governo tem que fazer ver a seus compatriotas que o ataque é a única alternativa que pode impedir que Teerã termine [imitando Israel e] fabricando a bomba nuclear.

Ao mesmo tempo, os anúncios velados ou diretos que surgem de Israel servem para aumentar a pressão sobre os EUA e a Europa na intensificação das sanções contra o Irã. As possibilidades de ir mais longe na ONU ficaram reduzidas a nada por causa da atitude da China, o que não impediu que norte-americanos e europeus aprovem um embargo petrolífero, medida que mais prejuízos pode causar ao Irã. São necessários uns seis meses para que sua economia comece a sofrer as consequências, pelo que agora se abre uma janela de espera para ver que efeitos tem. Até então, Israel continuará metendo medo.

Que atitude adotarão os Estados Unidos? Não parece aventura assinalar que ataque contra o Irã pode acabar com as aspirações de reeleição de Obama, inclusive sem contar com o efeito que terá na base democrata. Não ter fechado Guantánamo pode ser algo decepcionante para eles, mas isto é muito pior. Desfazer-se de Bush e dos neoconservadores não teria sido suficiente para impedir outra guerra no Oriente Médio.

O principal risco é econômico. Aumento espetacular do preço do petróleo, quase certo se o conflito afetar o tráfego de óleo cru no Estreito de Ormuz, devolveria a economia norte-americana à recessão. E a economia será o grande campo de batalha do duelo de Obama contra o candidato republicano.

Mas isso vale somente até a data das eleições nos Estados Unidos. O que ocorrerá a partir de princípios de novembro? Podem os Estados Unidos manter-se afastados dos planos militares israelenses? É pouco provável que Obama, se for reeleito, se atreva a condenar de forma taxativa um ataque ordenado por Netanyahu. A aposta israelense é convencer Washington de que a decisão está tomada e que só terá êxito se os Estados Unidos se unirem à ofensiva. Poucos creem que Israel tenha a capacidade militar para desenvolver ofensiva de bombardeios durante várias semanas, sem a qual não há garantias de que os danos sofridos pelo programa nuclear sejam tão profundos a ponto de atrasá-lo durante ao menos três anos.

Arriscar-se a conflagração geral no Oriente Médio em troca de congelar durante menos de um ano o programa seria passo indefensável. E, na prática, quase obrigaria o Irã a abandonar qualquer contenção futura e decidir-se a fabricar a bomba. Basta comparar o destino diferente do Iraque e da Coreia do Norte para apreciar a importância de contar ou não com armas nucleares, mesmo que não se tenha a intenção de usá-las.

Segundo disse o diretor de Inteligência dos Estados Unidos, os iranianos mantêm aberta,s atualmente, suas opções. Washington não sabe se algum dia darão esse passo.

Falando de guerra psicológica, é interessante destacar o papel que está jogando o “New York Times”. Há alguns dias, colocou em sua capa um artigo que consistia em uma sucessão de fontes israelenses que afirmavam que Teerã vai de vento em popa em suas ameaças de represálias em caso de ataque a seu programa nuclear (os espiões norte-americanos não parecem pensar o mesmo). Rebaixar o custo da guerra é uma forma nada sutil de convencer sócio reticente. Também se fez isso antes da invasão do Iraque.

[Pela mesma razão, nunca é demais recuperar velhas histórias sobre "a relação entre o Irã e a Al Qaeda". Outra conexão de argumentos com o que ocorreu com o Iraque.]

Talvez por isso o ex-diretor do jornal, Bill Keller, se decidiu a publicar um artigo para esfriar um pouco esses ares belicistas. Por exemplo, com a última frase: “Over at the Pentagon, you sometimes hear it put this way: Bombing Iran is the best way to guarantee exactly what we are trying to prevent” (“No Pentágono, às vezes se ouve falar desta maneira: bombardear o Irã é a melhor maneira de garantir exatamente o que estamos tratando de evitar“). A parte interessante da frase é a palavra Pentágono.”

FONTE: escrito por Iñigo Sáenz de Ugarte no blog “Guerra Eterna”. Transcrito no site “Cubadebate” e no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=174614&id_secao=9) [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

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