terça-feira, 3 de junho de 2008

NOVA COLETÂNEA DE BOAS NOTÍCIAS PARA O BRASIL

Nos últimos anos, tantas têm sido as boas notícias sobre melhores desempenhos do Brasil, especialmente nas áreas econômica e social, que já se torna repetitivo aqui comentá-las. Mas, elas são fatos e são notícias em todo o mundo. Por isso, as mencionarei em resumo.

1 – VENDA DE VEÍCULOS CRESCE 15% EM MAIO E BATE NOVO RECORDE

O jornal Folha de São Paulo de hoje, em reportagem de Tatiana Resende, publicou essa notícia, a qual resumo:

“A indústria automobilística bateu mais um recorde no mês passado, quando foram vendidos 229.974 automóveis e comerciais leves, como picapes e vans, o melhor resultado histórico para um mês de maio.

Os dados foram divulgados ontem pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Com relação ao mesmo mês de 2007, os emplacamentos apresentaram alta de 14,8%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as vendas, também recordes, superaram 1 milhão de unidades (1.095.211), com expansão de 30,5%."

2 – EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES BATEM RECORDES EM MAIO

O jornal “O Estado de São Paulo” de hoje, em reportagem de Iuri Dantas, trouxe-nos essa notícia, da qual resumo:

A balança comercial brasileira bateu recordes em maio.

"De acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações registraram o maior valor mensal e a maior média diária da série histórica, somando US$ 19,306 bilhões e US$ 965,3 milhões, respectivamente.

As importações também apresentaram recordes em valor, de US$ 15,229 bilhões, e na média diária, de US$ 761, 5 milhões.

O saldo comercial no mês passado totalizou US$ 4,077 bilhões, 16,4% acima do superávit de maio de 2007.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, as exportações seguem bom ritmo e demonstram a diversidade da pauta brasileira. "A balança é resultado de um conjunto de produtos. O importante para o Brasil é ter uma pauta diversificada", disse.”

3 - BRASIL OBTÉM VITÓRIA DEFINITIVA CONTRA ALGODÃO DOS EUA

O jornal Folha de São Paulo de hoje publicou essa notícia, a qual resumo:

“O órgão de apelações da OMC (Organização Mundial do Comércio) confirmou ontem ganho de causa para o Brasil em disputa acerca dos subsídios pagos aos produtores de algodão norte-americanos, definida em primeira instância em 2005.

Para os juízes da OMC, os "subsídios aos produtores de algodão norte-americanos representam uma significativa redução de preço, que constitui um sério prejuízo ao Brasil". A vitória no processo, aberto em 2003, possibilita que o país solicite a imposição de sanções para compensar os danos econômicos acarretados pelos subsídios norte-americanos.

Segundo o Itamaraty, os Estados Unidos deram auxílio da ordem de US$ 12,5 bilhões aos produtores de algodão entre 1999 e 2003, o que permitiu ao país se manter como segundo maior produtor mundial (atrás apenas da China).
Infelizmente, essa prática desleal de comércio dá toda mostra de que vai persistir.

O veto do presidente George W. Bush à nova Lei Agrícola foi derrubado pelo Congresso. Com isso, foram reservados subsídios de US$ 43 bilhões para a garantia de preços mínimos de vários grãos.

A notícia coincide com o momento em que os preços agrícolas [no mundo] atingem recordes sucessivos e a renda dos produtores apresenta alta expressiva.

Entre os elementos conjunturais propulsores da crise [mundial] dos alimentos estão a alta de insumos (energia, fertilizantes) e os problemas climáticos. Mas a falta de competitividade dos produtores nos países pobres e em desenvolvimento, provocada pelos subsídios dos ricos, é a causa estrutural mais relevante para o estrangulamento da oferta de comida no mundo.

O ideal seria garantir abertura plena dos mercados dos países ricos, permitindo uma ampliação das exportações de alimentos dos países pobres e o aumento de suas fontes de riqueza. Apenas a redução dos subsídios, contudo, já seria um enorme avanço.”

4 – PRODUÇÃO INDUSTRIAL CRESCE 10% EM ABRIL

O portal UOL Últimas Notícias publicou esta manhã a seguinte notícia (selecionei trechos):

Produção industrial cresce 10% em abril sobre um ano antes; automóveis são destaque

“A produção da indústria brasileira cresceu 10,1% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, informou nesta terça-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O percentual é o maior desde outubro de 2007 (10,5%). Na comparação entre março e abril deste ano, a variação foi de 0,2% .

O setor de automóveis foi o que mais contribuiu para o aumento da produção industrial, com expansão de 28% entre abril do ano passado e deste ano. O ramo definido como "outros equipamentos de transporte" aumentou mais (54,8%).

As indústrias farmacêutica e de alimentos também cresceram consideravelmente (28,5% e 6,9%, respectivamente). No total, 20 dos 27 ramos analisados apresentaram crescimento em abril, na comparação com um ano antes.

Entre as atividades que retraíram, destacam-se a de bebidas (queda de 4,2%), a de edição e impressão (perda de 1,7%) e a de fumo (recuo de 3,9%).

No primeiro quadrimestre, a expansão geral da indústria foi de 7,3%, em comparação com o mesmo período de 2007. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 7%."

5 – INVESTIMENTO DAS ESTATAIS É O MAIOR DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS

O governo PSDB/FHC/PFL-DEM vendeu para estrangeiros a grande parte de nossas valiosas estatais (rentáveis antes das asfixias que precediam as desestatizações). Mesmo assim, as que sobreviveram por sorte àquela avalanche de ações antinacionais continuam sendo as grandes impulsionadoras do desenvolvimento nacional.

O site “Contas Abertas”, em matéria de Amanda Costa e de Juliana Braga hoje publicada no portal UOL, noticiou:

“O governo federal divulgou, ontem, o balanço bimestral dos investimentos das estatais. A novidade é mais um recorde de aplicações. Os investimentos de janeiro a abril são os maiores dos últimos dez anos. As empresas desembolsaram R$ 13,4 bilhões na realização de obras e compra de equipamentos.

INVESTIMENTOS DAS EMPRESAS ESTATAIS

1995 a 2008

Valores Constantes, atualizados com base no IGP-DI da FGV

-------LEI+CRÉDITOS-------ATÉ ABRIL

1995 15.857.266.431,00-----9.494.021.171,75
1996 14.716.632.894,00-----8.585.989.246,95
1997 16.725.567.732,00----11.453.132.420,58
1998 17.301.509.472,00----15.338.554.626,73
1999 10.059.532.134,00-----6.874.546.472,37
2000 15.146.172.057,00-----4.175.473.246,67
2001 15.771.844.416,00-----5.586.870.196,83
2002 21.992.268.401,00-----7.928.369.397,23
2003 25.886.013.407,00-----6.890.064.108,16
2004 30.807.099.333,00-----7.238.457.805,99
2005 35.815.793.675,00-----7.749.802.629,23
2006 40.877.695.823,00-----9.065.316.591,56
2007 49.784.352.302,00----12.295.742.489,24
2008 62.941.039.889,00----13.387.827.964,00

segunda-feira, 2 de junho de 2008

INDÚSTRIA BRASILEIRA CONTINUA COM FORTE CRESCIMENTO

O jornal Valor publica hoje outras boas notícias para a economia brasileira. Lí o texto do Valor publicado no "blog do Favre":

"Indústria mantém ritmo intenso no 2º trimestre"

"A indústria vai encerrar o segundo trimestre em um ritmo ainda intenso de atividade, puxada pelo setor automotivo, insumos para a construção civil e bens de consumo semiduráveis.

Muitas empresas e setores consultados pelo Valor estimam terminar este trimestre com crescimento em relação ao desempenho dos três primeiros meses do ano, o que seria um sinal de aceleração do ritmo de atividade.

Há relatos localizados de perda de ímpeto, como na indústria de alimentos, afetada pela alta dos preços, e de eletroeletrônicos, especialmente dos fabricantes de Manaus, cuja produção de abril e maio foi prejudicada pela greve dos auditores fiscais.

Junto com a produção aquecida crescem as pressões de custo. A queda-de-braço entre os produtores de resinas, fabricantes de artigos plásticos e de embalagens e os consumidores finais - como no setor de alimentos - pode afetar a produção.

Na indústria automotiva, depois da nova rodada de reajuste do aço, as montadoras devem elevar preços. Também há aumentos nos setores têxtil e de insumos para a construção.

“Na siderurgia, eu não consigo vislumbrar um desaquecimento até o fim do terceiro trimestre. Até lá, está tudo comprado”, diz o presidente da distribuidora Rio Negro, Carlos Loureiro.

Beneficiadas pelo forte movimento do transporte de produtos agrícolas, alimentos e manufaturados, as indústrias de implementos rodoviários (reboques e semi-reboques) também entram em junho sem sinais de arrefecimento na demanda. A Anfir, associação dos fabricantes do setor, informa que os pedidos em carteira chegam a 90 dias de produção, ante 60 dias há um ano. A previsão de crescimento para 2008 foi elevada para 20% e pode ser revisada novamente no início do segundo semestre.

A produção de tintas e vernizes cresceu 8% no primeiro trimestre e depois de um abril prejudicado pelas chuvas, maio trouxe encomendas mais fortes.

A Eternit, fabricante de telhas e caixas d’água, está desde o quarto trimestre do ano passado sem crescimento de produção porque chegou a seu limite. Uma linha de produção que entrou em operação em maio vai aumentar a oferta entre 8% e 10%.

No setor têxtil, a queda das temperaturas ajudou e quem colocou a próxima coleção na rua já está com um volume negociado superior ao do mesmo período de 2007."

LULA E FHC

No “blogdoonipresente”, li um interessante diálogo lá publicado ontem:

LULA e FHC

“Conta-se que LULA, em uma entrevista lá pros lados de Brasília, falava sobre sua atuação e responsabilidade na atual onda positiva da economia brasileira. Então LULA dizia:

“A economia do Brasil vai de vento em popa, com crescimento das vendas, dos empregos, da renda etc... A indústria nunca viveu um período de tanto crescimento e sustentabilidade e tudo isso sem choques e planos econômicos mirabolantes.”

Nisso, um comentarista da Globo emendou:
“Com a ajuda de FHC e da herança recebida...”

LULA não se deixou de rogado:

“Sim, com a ajuda de FHC... Mas, quando ele fazia tudo sozinho, o Brasil quebrou 04 vezes....”

UNASUL - BRASIL, A LOCOMOTIVA REGIONAL

A imprensa nacional deu uma divulgação muito pobre, distorcida e crítica ao papel do governo brasileiro na recente criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Por sorte, encontrei hoje no site “Carta Maior” um texto muito bom de Raul Zibechi, com tradução de Naila Freitas.

Procurei saber mais sobre o autor e encontrei no site “TLAXCALA – A rede de tradutores pela diversidade lingüística” os seguintes dados: Raúl Zibechi é uruguaio, jornalista, comentarista e escritor. É responsável pela seção internacional do semanário Brecha, editado em Montevidéu. É docente e pesquisador na Multiversidade Franciscana da América Latina e assessor de grupos sociais. É também analista consultor do Programa de las Americas del International Relations Center. Em 2003, recebeu o Premio Latino-americano de Jornalismo José Marti. É autor de vários livros sobre os movimentos sociais, todos publicados pelas Edições Nordan.”

Vejamos o texto do referido escritor lido no Carta Maior:

UNASUL: A INTEGRAÇÃO POSSÍVEL

“O processo de formação da União de Nações Sul-Americanas tem duas novidades em relação aos anteriores. Uma delas é o nítido protagonismo do Brasil, que se transformou na locomotiva regional depois de estabelecer uma aliança estratégica com a Argentina. A outra é que a segurança regional substituiu a energia como mecanismo disparador da integração." A análise é do jornalista uruguaio Raúl Zibechi.

“MONTEVIDÉU - Não é a ALBA, nem o MERCOSUL ampliado, nem a integração energética que a Venezuela vinha trabalhando. A UNASUL, promovida pelo Brasil, tem vantagens e desvantagens: entre as primeiras, potencializa a autonomia regional com respeito aos Estados Unidos; mas é um tipo de integração feita sob medida para as grandes empresas brasileiras.

No dia 23 de maio, em Brasília, onze presidentes e um vice-presidente, representando os doze países da América do Sul, assinaram o Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). O tempo dirá, mas tudo indica que se trata de um fato que fará história no longo e complexo processo de integração dos países da região e, muito especialmente, da afirmação de um projeto próprio que necessariamente toma distância de Washington.

O processo em curso apresenta duas novidades com respeito aos anteriores.

Uma delas é o nítido protagonismo do Brasil, que se transformou na locomotiva regional depois de estabelecer uma aliança estratégica com a Argentina. O resto dos países podem escolher seguir a corrente do país que representa a metade do PIB e da população regional e que é, junto com Rússia, China e Índia, um dos principais emergentes do mundo. Mas, além disso, é o único em condições de liderar um processo que vai colocar a região como um dos cinco ou seis pólos de poder global.

A segunda é que a segurança regional substituiu a energia como mecanismo disparador da integração. Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a proposta de criar um Conselho de Defesa Sul-Americano, do qual somente a Colômbia de Álvaro Uribe quis distância. Contudo, foi criado um grupo de trabalho que em 90 dias vai apresentar um relatório técnico com o objetivo de eliminar as divergências existentes. Lula mostrou-se confiante que Uribe vai aceitar a integração em matéria de segurança após sua viagem para Bogotá no próximo dia 20 de julho.

Deste modo, a diplomacia do Itamaraty encurrala as expectativas do Pentágono de abrir uma frente militar, depois do ataque contra o acampamento das FARC em território equatoriano no dia 1º de março. Esta é apenas a fase final de uma estratégia que começou com manobras conjuntas entre Brasil e Argentina, cujas hipóteses de conflito consistiam na defesa dos recursos naturais diante de uma potência extracontinental.

Em novembro de 2006, o coronel Oliva Neto, que dirige o Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência do Brasil, fez a proposta de criar forças armadas regionais como parte do projeto Brasil em Três Tempos, que busca transformar a nação em um “país desenvolvido” até 2022.

Para horror de Washington, e das direitas vernáculas, a região contará, de agora em diante, com quatro poderosas instâncias de integração: a UNASUL, o Conselho de Defesa e, segundo o anúncio de Lula, “um banco central e uma moeda única”. Não está claro qual será o papel que terá o Banco do Sul, mas é provável que Brasília acabe optando por outro formato, alinhado com seu poderoso Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, que conta com mais fundos para investir na região do que o FMI e o próprio Banco Mundial.

Sem dúvida, esta integração feita sob medida para o “Brasil potência” não é a que Hugo Chávez preferia, mas as dificuldades pelas quais atravessa o processo bolivariano e as inquietações que levanta na região, fortaleceram a opção brasileira. Que as grandes empresas do país (Petrobras, Embraer, Odebrecht, Camargo Correa, Itaú....) serão as grandes beneficiárias é algo de que ninguém duvida. Com certeza, esse é o preço a pagar por romper dependências mais onerosas.

Analistas conservadores, como o argentino Rosendo Fraga, esperam que “a heterogeneidade dos doze países da região” (Nova Maioria, 20 de maio) seja a pedra no sapato do processo de integração. Washington tem as mesmas expectativas e, é claro, trabalha com afinco para isso.

Chama a atenção, em vista das escassas perspectivas de futuro dos pequenos países em um mundo globalizado, que o único presidente que faltou ao encontro tenha sido Tabaré Vázquez.”

SUPER TUCANO PARA O VICE-PRESIDENTE DOS EUA

O jornal “O Estado de São Paulo”, em texto de Roberto Godoy, ontem noticiou a venda para os EUA de um avião de treinamento e de ataque leve Super Tucano, produzido pela EMBRAER. Selecionei alguns trechos:

EMPRESA DE MERCENÁRIOS COMPRA SUPER TUCANO

“O avião [de matrícula 31400082, e endereço-1.650 Tyson Boulevard-, na cidade de McLean, no Estado americano de Virgínia] é um EMB-314B1 Super Tucano, vendido em dezembro de 2006.

A aeronave, pintada de cinza e preto, foi entregue sob sigilo pela Embraer há pouco mais de três meses. O valor do contrato é de aproximadamente US$ 4,5 milhões.

A companhia compradora é a EP Aviation, uma subsidiária da Blackwater Worldwide - a maior empresa do mundo de serviços de defesa independentes, ou seja, de soldados mercenários. Uma das destinações prováveis do turboélice Emb-314 é o preparo de pilotos em missões de ataque contra posições de insurgentes no Iraque.”

Ao ler essa notícia do Estadão, fui procurar outros detalhes e encontrei o seguinte:

BLACKWATER – HALLIBURTON – DICK CHENEY (vice-presidente dos EUA)

De um texto da Associated Press de janeiro de 2007, com o título “EUA renovam contrato com Blackwater”, extraí a seguinte informação:

“Blackwater is a subsidiary of Halliburton, on whose Board Lynne Cheney sits, through whom the Vice President still profits from stock holdings and to whom he will probably return after his term in office]”.

Em resumo, houve, há e haverá uma forte relação econômica entre a empresa compradora do avião e o Vice-Presidente dos EUA.

Uma dúvida nos assalta ao ler no site “Democracy Now!” (http://www.democracynow.org/) o seguinte texto de 26 de janeiro de 2007, onde há uma análise do livro “Our Mercenaries in Iraq: Blackwater Inc and Bush’s Undeclared Surge”. O autor é Jeremy Scahill.

IRAQUE: UMA GUERRA DE ENCOMENDA PARA ENRIQUECER DICK CHENEY E OUTROS DO GOVERNO DOS EUA?

Destaco as seguintes informações obtidas no Democracy Now!:

“Blackwater es la firma de mercenarios de mayor alcance del mundo, con 20.000 soldados, en la base militar privada más grande del planeta, una flota de 20 aviones y helicópteros artillados y una división privada de inteligencia.

La empresa también está fabricando sus propios dirigibles no rígidos de vigilancia y sistemas de detección de blancos.

Blackwater está dirigida por Erik Prince, un cristiano supremacista blanco de extrema derecha y ex marino de guerra, cuya familia ha tenido conexiones neo-conservadoras profundas.”

[BLACKWATER GANHA CONTRATOS DE 500 MILHÕES DE DÓLARES]

“El último llamado de Bush para que surja un cuerpo voluntario cívico-militar acomodó la excesiva «oleada» de medio millar de millones de dólares en contratos federales obtenidos por Blackwater, facilitándole a Prince la creación de un ejército privado para defender la cristiandad alrededor del mundo contra musulmanes y otros.

Una de las últimas jugadas de Dick Cheney antes de abandonar el ministerio de Defensa, cuando sirvió al gobierno de George H. W. Bush [el padre], fue arreglar que el Pentágono encomendara un estudio a Halliburton [su propia empresa] sobre cómo privatizar la burocracia militar. Ese estudio creó efectivamente la base para una nueva guerra concebida para continuar medrando de la bonanza presupuestaria.”

Considerando essas informações, hipóteses estarrecedoras vêm-me à cabeça, como resposta à pergunta: Iraque: uma guerra de encomenda para enriquecer Dick Cheney e outros do governo dos EUA?...

domingo, 1 de junho de 2008

A “ALTA CARGA TRIBUTÁRIA BRASILEIRA”

O blog “República Vermelha” postou ontem um bom artigo (a seguir transcrito) de Sônia Montenegro sobre dois assuntos aos quais este blog já se referiu muitas vezes: A CPMF e a carga tributária no Brasil. O artigo aborda também a hipocrisia com que esses temas têm sido tratados pela grande mídia e pela oposição.

CPMF & CARGA TRIBUTÁRIA

Em tempos em que se discute a volta da CPMF, que se chamará CSS, com taxa de 0,1% (contra 0,38% da contribuição anterior) e para ser totalmente empregada na saúde, gostaria de fazer algumas considerações.

Um assunto freqüente na imprensa é a alta carga tributária brasileira. Empresários paulistas chegaram a montar um relógio exibindo para a população, a cada minuto, o que estaria sendo recolhido de imposto, sem distinguir o que de fato é federal, estadual ou municipal. Tudo somado, induzindo serem apenas tributos federais.

Com isso, o assalariado inadvertidamente concorda, porque a sua contribuição de imposto de renda é de fato muito alta. Porém, o que ele não percebe é que aqueles que reclamam da alta carga tributária são exatamente aqueles que têm mil e um truques para não pagar o imposto de renda correspondente aos seus altos ganhos, deixando à classe assalariada a incumbência de carregar o país nas costas. Vale lembrar que quem faz as leis é o Congresso Nacional, cujas campanhas são financiadas por eles para que sejam sempre beneficiados.

Ouvi certa vez o Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, afirmar que a carga tributária não é alta ou baixa. Ela depende das necessidades do país, no que concordo plenamente.

As necessidades do Brasil são enormes. Historicamente, os serviços prestados, seja saúde, educação, infra-estrutura (energia, estradas, portos etc), até o atendimento nos serviços públicos, sempre foram precaríssimos.

O que a imprensa não diz é que a carga tributária brasileira não é alta, mas injusta, ou seja, mal distribuída. Quando ela fez campanha pelo fim da CPMF, afirmou que os preços baixariam. Porém, não foi o que aconteceu. Uma pesquisa realizada pelo professor Marcos Cintra, da FGV - Fundação Getúlio Vargas mostrou que o fim da CPMF não fez os preços caírem, e que alguns até subiram, virando aumento da margem de lucro dos bancos e das grandes empresas, embolsando mais de R$ 32 bilhões, parcela da contribuição que lhes cabia.

A imprensa vive de seus anunciantes, que são majoritariamente os bancos e as grandes empresas, os maiores beneficiários do fim da CPMF como dito acima. Se a imprensa estivesse do lado da classe assalariada, ela incentivaria uma pressão popular para tornar a distribuição dos tributos mais justa, mas não é o que se vê. Ela consegue fazer com que as pessoas fiquem contra os seus próprios interesses.

Em 2007, o cruzamento de dados da declaração do imposto de renda com a CPMF levou a Receita Federal a autuar 208.471 contribuintes apenas no 1º semestre, com valor sonegado de R$ 1,33 bilhões.

Melhor seria para a classe média continuar pagando a CPMF, ou agora CSS, e reivindicar uma distribuição mais justa de imposto de renda. Essa proposta não é impossível, porque já houve uma tentativa, no 1º mandato do Presidente Lula, quando o Ministro Palocci foi ao Congresso para explicar e pedir a aprovação da proposta da reforma tributária do governo.

Eu a assisti na TV Senado, e não vi nenhuma menção na imprensa escrita ou falada. Nela, era prevista a taxação sobre grandes heranças, um imposto para barcos e aviões particulares (carros pagam IPVA, porém aviões e iates não) e um aumento nos tributos bancários. Em contrapartida, seriam diminuídas nas mesmas proporções as contribuições da classe assalariada e a imediata correção da tabela de imposto de renda, congelada nos oito anos do governo FHC.

O então ministro Palocci foi aparteado pelo senador Bornhausen, que disse ser absurda a taxação sobre heranças. Dizia ele que era injusto que um filho que herdasse um apartamento tivesse que vendê-lo para pagar o imposto. O ministro Palocci então disse ao senador que não era o caso de pequenas, mas de grandes heranças. Palocci disse, ainda, que estava na hora de a elite, que historicamente teve sempre grandes vantagens no país, ter uma atitude mais “desprendida”.

A imprensa disse que o governo Lula queria aumentar os impostos, fazendo a cabeça da população contra a medida. Resumo da história: o PSDB e (Arena/PDS/PFL/DEM) retiraram esses quesitos para negociar a aprovação, e tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes.

O presidente da FIESP, o Paulo Skaf, defensor dos grandes empresários paulistas, teve a cara de pau de dizer que era cara de pau do deputado que sugeriu a volta da CPMF (CSS), porque ela não seria boa para o Brasil. Eu perguntaria por que para o Brasil ela não seria boa, porque certamente para aqueles que padecem nas filas de hospitais públicos seria muito boa sim, e também para aqueles que não precisam dos serviços médicos públicos, mas que têm senso de justiça.

Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de São Paulo, conta o encontro entre o cardiologista e ex-Ministro da Saúde, Adib Jatene, com Paulo Skaf, presidente da FIESP, falando sobre a CPMF: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, concordarei com o fim da CPMF. Enquanto vocês milionários não toparem, não concordo. Os ricos não pagam impostos e por isso o Brasil é tão desigual. Vocês são contra porque a CPMF não dá para sonegar”.

A dúvida que ainda poderia persistir é se é ou não uma necessidade do governo esse recurso adicional. Mais uma vez ela, a imprensa, propalou o valor de tributos recebidos em abril, para induzir as pessoas a acreditarem ser o CSS desnecessário, mas esqueceu de dizer que foi o mês de entrega do imposto de renda, quando o recolhimento tem uma majoração substancial.

Sem ter maiores conhecimentos sobre o orçamento da União, adotei um raciocínio que me parece bastante razoável, para me colocar a favor da CSS.

O governo FHC, além da receita comum a ambos os governos, contou com a CPMF nas duas gestões, vendeu 76% do patrimônio público e obteve três empréstimos do FMI. Com tudo isso, ainda aumentou a dívida interna em mais de 1.400% (2001 - Itamar: R$ 61 bilhões / 2005 - FHC: R$ 881 bilhões).

Não diria que não houve investimento algum no governo FHC, mas apesar disso, as estradas do país foram sucateadas, os aeroportos e portos abandonados, a energia resultou no apagão. Os salários dos militares e dos funcionários públicos foram congelados, o país não cresceu. E, para mim, a pergunta que não quer calar é: o que fez FHC com o nosso dinheiro?

Já com Lula, não houve endividamento externo, pelo contrário, pagamos o que devíamos ao FMI e ao Clube de Paris para recuperar a soberania, porque quem dá o pão, dá a instrução. Não houve também alienação do patrimônio.

Mas vimos os programas sociais tomarem vulto, a ponto do legado do Betinho, o “Natal sem fome”, nos últimos anos, em vez de distribuir cestas básicas, passar a distribuir brinquedos e livros. E quando há inclusão de cidadãos na economia do país, esta resulta em desenvolvimento [do Brasil], porque os ricos contribuem mesmo é para a economia dos países desenvolvidos.

Com Lula o país voltou a crescer, e o PAC está investindo em todos os Estados da União para acelerar o desenvolvimento. O Brasil tem sido constantemente elogiado no exterior: dizem que o gigante adormecido está finalmente acordando. Recebeu “grau de investimento” de três agências e, pela 1ª vez, as más notícias não nos dizem respeito, mas à grande nação norte-americana.

A oposição não está preocupada com o país, até porque, se o Brasil chegou ao fundo do poço como sabemos, ela foi a grande responsável, já que o governou por tantos anos. [Os opositores] não são capazes de fazer críticas pertinentes, como seria desejável para o fortalecimento da democracia, mas apenas atrapalhar, inventando dossiês cuja lógica não se sustenta. [Destinam-se a], única e exclusivamente, impedir que o [Presidente] Lula continue trabalhando pelo bem do país e que possa eleger o seu sucessor.

Finalmente, o último argumento que poderia haver seria o problema da corrupção. Infelizmente, é verdade. O Brasil tem uma cultura de corrupção que começou desde os tempos em que foi descoberto. A sensação que passa é que, onde se procurar corrupção, se há de encontrar.

Porém, no governo PSDB + (Arena/PDS/PFL/DEM) a roubalheira correu solta. O Procurador Geral da República era conhecido como “engavetador”, porque arquivava todas as denúncias. A CGU - Controladoria Geral da União era dirigida pela Sra. Anadia, e foi o “jeitinho” que FHC encontrou para evitar que fosse criada uma CPI para investigar uma quantidade incomensurável de denúncias contra o seu governo.

A atual CGU é responsável pela destituição de inúmeros prefeitos, pegos em ladroagem. A Polícia Federal nunca trabalhou tanto e, pela 1ª vez, estamos vendo ricos ladrões indo para a cadeia.

Não poderia afirmar que corrupção tenha acabado no Brasil. As pessoas são humanas, com defeitos, e as tentações muito grandes, mas o que é encontrado está tendo conseqüências, que só não são maiores quando a justiça manda soltar os presos. Aliás, essa era uma outra bandeira a ser abraçada: acabar com a impunidade que o judiciário confere aos chamados “crimes de colarinho branco”.”

O “PLANO COLÔMBIA” AMEAÇA O BRASIL – 13ª PARTE DE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”

Esta série teve início em 3 de março último, quando abordamos o risco de guerras na América do Sul por interesse norte-americano e com o envolvimento brasileiro ou com grave repercussão no Brasil.

A maioria dos brasileiros considera esse risco inexistente e, muitos outros (principalmente após a década de lavagem cerebral pró-EUA durante o governo PSDB/PFL-DEM/FHC), consideram que ver os Estados Unidos como uma ameaça à nossa paz é uma simples fantasia de comunistas, ou de "dinossauros nacionalistas" ou de uma pobre e jurássica "teoria da conspiração".

Assim, surgiu a necessidade de relembrarmos com maior amplitude o comportamento belicoso dos EUA desde o século passado.

Desde então, fomos eventualmente postando, fora da ordem cronológica, vários artigos sobre o tema.

RETROSPECTIVA DA SÉRIE

Até hoje, foram postados os seguintes artigos:

1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março;
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008;
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril;
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 de abril; e
12) “A derrota dos EUA no Vietnã.”, postado em 18 de maio.

Hoje (01/06), encontrei no site “Agência Carta Maior” um muito bom artigo lá publicado ontem. Ele se encaixa perfeitamente dentro do objetivo desta nossa série, o de mostrar o risco de guerras na América do Sul por interesse norte-americano e com o envolvimento brasileiro ou com grave repercussão no Brasil.

O autor é René Báez, economista e professor universitário equatoriano. Recebeu o Prêmio Nacional de Economia e é membro da "International Writers Association". Foi traduzido para o português por Naila Freitas, da Verso Tradutores. O título original é:

EUA – COLÔMBIA, A LÓGICA DO TERRORISMO DE ESTADO

“A amarga experiência colombiana não está circunscrita às suas fronteiras. Produto combinado da dominação externa e da espoliação interna, o Plano Colômbia tem irradiado de modo progressivo seus sinistros instrumentos e conseqüências, especialmente para os países andinos.”

“QUITO - O Plano Colômbia, projetado pelo governo de Andrés Pastrana e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, co-financiado pela União Européia e que entrou em vigor pela mão do democrata Bill Clinton durante sua visita a Cartagena, em agosto de 2000, por trás da fachada de cruzada contra o narcotráfico e, posteriormente, de luta contra o terrorismo internacional, oculta obscuros interesses metropolitanos e da oligarquia colombiana. Vamos explorar esses propósitos.

O objetivo geopolítico fundamental dos EUA, depois da implosão do "socialismo real" europeu, não é outro que consolidar sua hegemonia unipolar. Deste propósito maior derivam as metas estratégicas do Plano Colômbia:

a) Garantir o controle político-militar norte-americano no norte da América do Sul (enfraquecido após a retirada do Panamá da Base Howard, em 1999).
b) Instalar encraves militares para apropriar-se dos recursos naturais, energéticos e bioenergéticos da Amazônia.
c) Controlar o comércio sub-regional com os países asiáticos.
d) Despovoar territórios por meio de operações de genocídio e etnocídio.
e) Enfraquecer a gravitação geopolítica do Brasil.
f) Evangelizar os latino-americanos no culto ao mercado e à democracia formal, entre outros.

No terreno estritamente econômico, o Plano busca reforçar as colunas do capital financeiro, sustentando a produção e venda de armas, reforçando a indústria química e melhorando, para Wall Street, os lucros provenientes do tráfico internacional de drogas psicoativas naturais.

Os benefícios do programa para os "senhores da guerra" norte-americanos tornaram-se evidentes quando uma parte significativa do dinheiro entregue inicialmente por Washington teve como destino a compra de helicópteros Blackhawks, que são fabricados somente nos EUA.

Por outro lado, uma nota do New Herald, que coincidiu com a oficialização do Plano, infirmou que as fumigações dos cultivos de coca e papoula eram feitas com o Roundup, um agrotóxico produzido pela Monsanto.

Depois de intensificados os bombardeios químicos, ficamos sabendo que o preço do quilo de cocaína em Nova York disparou, passando de 120 mil para 240 mil dólares, para felicidade dos "branqueadores" do primeiro mundo que, em última instância, são os maiores beneficiários desse colossal negócio, estimado atualmente em mais de 700 bilhões de dólares e equiparável ao do petróleo ou à fabricação e comércio de material bélico.

Nos tempos da administração do republicano George W. Bush, o Plano Colômbia foi reformulado com o sarcástico nome de Iniciativa Regional Andina (IRA), com o evidente propósito de internacionalizar a guerra civil que flagela a irmã nação fronteiriça como corolário do assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán, em 1948; e, depois do 11 de setembro de 2001, seria incorporado à famigerada campanha mundial contra o terrorismo decidida pelos "falcões" do complexo industrial-militar norte-americano como meio para aprofundar um keynesianismo de guerra e "neutralizar"/eliminar os dissidentes da globalização corporativa (chamem-se líderes da oposição parlamentar, dirigentes sindicais, defensores dos direitos humanos, ecologistas, guerrilheiros, cristãos libertários, indígenas ou simplesmente excluídos pela acumulação por perda de posse institucionalizada pelo "capitalismo do Pentágono").

Como todo fato histórico, o Plano Colômbia sustenta-se também em fatores endógenos, neste caso inerentes a esse país. Do que estamos falando?

Resultado de uma evolução contrafeita e subordinada, a crise colombiana do café, nos anos 1970, derivou em uma constelação de problemas econômicos, sociais, políticos e institucionais cada vez mais agudos.

Um trágico derivado da sua crise multidimensional foi que o país sul-americano se transformou, a partir da citada década, em um importante produtor e exportador de drogas para o vasto mercado ianque (um mercado de aproximadamente 60 milhões de viciados irrecuperáveis), fenômeno induzido pela abertura comercial instrumentada pelos governos conservadores e liberais colombianos seguindo as recomendações-imposições de entidades como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, o BID, a CAF.

A abertura colombiana para a importação de bens produzidos pelo poderoso e subsidiado "agrobusiness" norte-americano, ao mesmo tempo que provocou a ruína dos camponeses, forçou-os ao êxodo em direção às cidades ou a tentar sobreviver com cultivos não-tradicionais.

Esta "reconversão" da agricultura colombiana resultou na constituição de uma matriz produtiva com umas 100 mil famílias estabelecidas em dezenas de milhares de hectares e abriu passagem para processos de industrialização e comercialização de maconha, coca e papoula, atividades que representam lucros para um amplo espectro social interno, que inclui desde partidos políticos da ala liberal/conservadora, legisladores, juízes, banqueiros e jornalistas, até paramilitares e chefes da droga de diverso perfil, fornecedores de armas, oficiais e tropas do Exército e da Polícia, pequenos produtores agrícolas, raspachines (pessoas que colhem a folha de coca) e "pericos". A guerrilha esquerdista das FARC, segundo declarações de seus comandantes, cobra tributos de camponeses, refinadores e narcotraficantes.

Além de defender sua fatia no grande bolo do narcotráfico, cuja fração mais importante é retida e investida nas metrópoles, a oligarquia do norte encontrou no Plano Colômbia o melhor álibi para promover sua reforma agrária "às avessas", consistente em expulsar de seus assentamentos ancestrais camponeses e comunidades indígenas, apropriar-se de suas terras por meio de operações do Exército e de grupos paramilitares e, posteriormente, formar latifúndios para o cultivo de palma africana, soja e outras produções primárias congruentes com a velha/nova divisão internacional do trabalho promovida pelo capital transnacional a partir dos anos 1970, por meio da implantação de ditaduras fascistas no Cone Sul, como as de Augusto Pinochet, no Chile, e Rafael Videla, na Argentina.

O enfraquecimento institucional e moral do Estado colombiano, que inclusive já fez com que perdesse o controle de aproximadamente um terço do seu território e da metade dos seus municípios, abre uma larga passagem para que os Estados Unidos assumam um virtual protetorado da nação sul-americana e para que, esgrimindo o mito da "sociedade sem drogas" ou a metáfora da "guerra infinita contra os terroristas" tenha criminalizado uma sociedade inteira em uma tentativa de legitimar guerras neocolonialistas em conivência com a União Européia.

A amarga experiência colombiana não está circunscrita às suas fronteiras. Produto combinado da dominação externa e da espoliação interna, o Plano
Colômbia/IRA/Plano Patriota, imposto com os TLCs, o IIRSA (Iniciativa de Integração da Infra-estrutura da América do Sul) e o Plano Mérida (o recém estreado "Plano Colômbia mexicano"), tem irradiado de modo progressivo seus sinistros instrumentos e conseqüências, especialmente para os países andinos.

As recorrentes violações da soberania de países como a Venezuela e o Equador, protagonizadas por Álvaro Uribe, um ex-colaborador do "Chefe" Pablo Escobar, inscrevem-se no contexto histórico laconicamente descrito.”