sexta-feira, 1 de abril de 2011

DIZ “O GLOBO” EM 2 DE ABRIL DE 1964: “RESSURGE A DEMOCRACIA” (DEPOIS, FOI DEDO DURO)


Por Paulo Henrique Amorim

“No dia de ontem, [há 47 anos, em] 31 de março de 1964, houve a intervenção militar, a maior desgraça que se abateu sobre o Brasil, depois de três séculos de Escravidão (ainda inacabada).(...)

Muitos historialistas se desculpam com pretenso Golpe que o Jango ia dar –a intervenção teria sido um ato de “guerra de prevenção”, como dizia o Bush, filho.

E convoca o jornal “O Globo” para, em seu nome, brindar o regime que o deputado Bolsonaro ainda defende.

Transcrevemos aqui [ver abaixo] o editorial que o Globo escreveu logo após o Golpe. No dia 2 de abril [1964].

Em seguida, o amigo navegante verá como o “Globo” logo cedo, rápido, começou a prestar serviços ao regime militar (aos torturadores hoje devidamente anistiados).

É o Globo, no dia 7 e abril [1964], a desempenhar o papel de dedo-duro.

Contemple, amigo navegante, a história do PiG (*):

O GLOBO, 2 de abril de 1964 (Editorial):

“RESSURGE A DEMOCRACIA”

“Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”


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Aqui, a dedoduragem [do "O Globo]:

Amigo navegante enviou ao “Conversa Afiada” essas duas páginas do “Globo” de 7 de abril de 1964.

É um documento histórico.

Atribuído a um grupo de democratas, o Globo publicou, no dia 7 de abril de 1964, poucos dias depois da intervenção militar, a lista dos que tinham assinado um manifesto do Comando dos Trabalhadores Intelectuais.

Como hoje, o “Globo” do Dr Roberto colaborava com o Golpe: “chamamos a atenção de alto-comando militar para os nomes que o assinaram”.

É o dedo duro na sua manifestação mais cristalina.

Repare, amigo navegante, alguns dos nomes que o Globo queria mandar para a câmara de torturas:

Ferreira Gullar, Carlos Diegues, Arnaldo Jabour, Chico Anísio, Paulo Francis, Tereza Rachel, Jorge Zahar.

Que horror !

É a “Lista de Schindler” de sinal trocado: é a “Lista do Globo”, dos que deveriam ser cremados.

Viva o Brasil !”

Em tempo: se o amigo navegante quiser ler a lista completa dos dedodurados pelo “Globo” clique no endereço do post: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/09/22/globo-foi-o-maior-dedo-duro-de-1964/

FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu portal “Conversa Afiada” (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/03/31/%e2%80%9cressurge-a-democracia%e2%80%9d-o-globo-em-2-de-abril-de-1964-depois-foi-dedo-duro/) [trechos entre colchetes adicionados por este blog].

"OS BRIC NÃO SÃO MAIS EMERGENTES", DIZ CRIADOR DO TERMO


“Os quatro países conhecidos como BRIC –Brasil, Rússia, Índia e China– deixaram para trás o status de economias emergentes e precisam ser vistos como uma categoria à parte, informou ontem (31) o criador do termo, Jim O'Neill. Presidente da gestora de ativos da “Goldman Sachs” na Grã-Bretanha, O'Neill cita como exemplos de avanço a China e o Brasil, que estão entre as sete maiores economias do mundo com os outros dois muito próximos na lista.

"É cada vez mais claro para mim que se referir às quatro nações do BRIC como emergentes não faz mais sentido", disse o economista. "Os BRIC, junto com alguns outros países, merecem status diferente de muitos outros que podem ser corretamente classificados como mercados emergentes", destacou. O'Neill ressaltou ainda que o Brasil se tornou a sétima economia do mundo "dez anos antes do que eu pensava".

Recentemente, a “Goldman Sachs” reclassificou os quatro países, que passaram a ser chamados de "mercados de crescimento" nos relatórios da consultoria. Nessa categoria, estão também Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia –entretanto, "muito longe" dos BRIC em termos de importância econômica, escreve Jim O'Neill no 'Times'.

O economista criou o termo BRIC para ressaltar a força econômica dos quatro grandes emergentes na virada do século. Mas de lá para cá o passo do crescimento desses países tem superado as expectativas. A estimativa é que o tamanho do BRIC supere o do G7 –o grupo de países mais industrializados do mundo– por volta de 2027, cerca de dez anos antes do previsto, diz O'Neill.

Até o fim desta década, o BRIC deve alcançar Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 25 trilhões, comparado com cerca de US$ 11 trilhões atualmente e cerca de US$ 3 trilhões no início do século, afirmou O'Neill. "Em algum momento nesta década, eles superarão, juntos, os Estados Unidos. Meu palpite é que isso poderia ocorrer em torno de 2017-2018."

O economista diz que ser reclassificado de "mercados de crescimento" não implica que Brasil, Rússia, Índia e China "vão crescer todos os anos". "Eles crescerão em ciclos, como todos os outros. O que queremos com isso é indicar que, à medida que a economia global continue rastejando nesta década, a proporção deles no PIB global deve aumentar."

FONTE: divulgado pela agência britânica de notícias BBC e transcrito pela Agência Brasil (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-03-31/os-bric-nao-sao-mais-emergentes-diz-criador-do-termo) [imagem do Google adicionada por este blog].

CartaCapital: “LULA, O DOUTOR DO POVO”


Por Eduarda Freitas*, de Coimbra, na revista “CartaCapital”

“A luz do sol estica-se devagar no pátio da Universidade de Coimbra. Ainda não são nove da manhã. Um grupo de jovens conversa nas escadas que dão acesso à Sala dos Capelos, onde mais tarde vai ser atribuído o grau de Doutoramento Honoris Causa a Lula da Silva.

Nas mãos têm máquinas fotográficas. Às costas, a bandeira do Brasil. “Isto é muito importante para nós, por tudo o que Lula fez em oito anos, por todas as mensagens que passou ao mundo em língua portuguesa”. Denise tem 20 anos, é de Caxias do Sul. Está em Coimbra desde janeiro, a estudar Direito. Faz parte da comunidade de quase mil alunos brasileiros que estudam na academia de Coimbra. À entrada do pátio, lê-se: “Em defesa da Amazônia, Dilma pare a barragem de Belo Monte”.

Os sinos tocam. Os batedores da polícia aproximam-se. Os jornalistas apontam as máquinas. Centenas de pessoas gritam num português cantado: “Lula! Lula!”. Destaca-se uma voz: “Tira uma foto com o gaúcho, Lula!”. O ex-presidente levanta a mão, como quem pede desculpa: “Estamos atrasados…”. Ainda assim, Fernanda Esteves consegue uma foto: “Eu nem acredito! Consegui…ai…”, diz com a voz entregue à emoção e os olhos castanhos a encherem-se de água. “Estou tremendo!”. E Lula ainda nem era doutor.

DOUTORAMENTO PARA POUCOS

Faltava pouco. Ao final da manhã, Lula da Silva haveria de sair da mais antiga universidade de Portugal e uma das mais velhas da Europa, com o título de doutor Honoris Causa. Uma distinção que só chega a quatro ou cinco pessoas por ano. Mas antes, havia ainda que cumprir rigoroso e tradicional protocolo.

Já dentro da Biblioteca Joanina, Lula aguardava pela formação do cortejo acadêmico. À entrada da Universidade, ninguém arredava pé. Improvisava-se a voz. Cantava-se o hino brasileiro misturado com saltos e gritos de “sou brasileiro, com muito orgulho, sou brasileiro!”. A manhã ia crescendo. “Isto havia de ser sempre assim”, confidenciavam três empregadas de limpeza da biblioteca onde estava Lula. “Ganhamos o dia e não fazemos nada!”, riam. Mais um carro a chegar. Sai o primeiro-ministro demissionário de Portugal, José Sócrates. “Não sei se ele é bom politico, mas sei que ele é um gato…!”, riam duas amigas de olhos azuis. Agora sim, Dilma Rousseff. “Eu quero vê-la!”, gritava Maria da Conceição, uma portuguesa de cabelos brancos, no alto dos seus sessenta anos. Entre seguranças, Maria viu Dilma, casaco vermelho escuro, sorriso rasgado: “Estou muito feliz. Ela é uma grande mulher!”.

HOMENAGEM AO POVO BRASILEIRO

Seguiu-se o cortejo. Palmas, muitas palmas, para o quase doutor. Um quinteto de metais marcava o ritmo solene da ocasião. Lula seguia de capa preta e um capelo –pequena capa– sob os ombros. Distinguia-se dos outros elementos do cortejo, cerca de cem doutores de Coimbra, por não usar ainda a borla, uma espécie de chapéu. A luxuosa Sala dos Capelos, datada do sec. XVI, repleta de retratos dos reis de Portugal, aguardava Lula da Silva. “Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que esta láurea é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacifico e democrático, verdadeira revolução econômica e social, dando enorme salto qualitativo no rumo da prosperidade e da justiça”. A voz fugia-lhe, emocionado. “Nada disto seria possível, igualmente, sem a colaboração generosa e leal daquele que foi o meu parceiro de todas as horas, um dos homens mais íntegros que conheci”. Lula referia-se ao seu sempre vice-presidente, José Alencar, falecido na passada terça-feira. A regra do doutoramento impõe silêncio, mas na Sala dos Capelos ouviram-se palmas no final do discurso de Lula da Silva. E foi ao catedrático jurista português Gomes Canotilho que coube fazer o discurso de elogio do doutorando Honoris Causa Luiz Inácio Lula da Silva. Antes do ex-presidente do Brasil receber o anel de senhor doutor.

LULA, O HOMEM DE MÃOS GRANDES

“Foi o maior anel de doutoramento que fizemos, devido à mão robusta de Lula!”, conta sorridente o joalheiro António Cruz. “O anel é feito no melhor ouro português, rematado com um rubi com cerca de cinco quilates, elevado por 12 garras”. O preço? “Não posso dizer. Mas não é econômico”, ri. “Vimos várias fotos de Lula para lhe fazermos um anel personalizado. Foi muito especial para nós…!”. Por esta joalharia que vive paredes meias com a muralha de Coimbra, já nasceram anéis de doutoramentos honoris causa para os dedos dos prêmios Nobel José Saramago e Amartya Sen, para Jorge Amado, entre muitos outros. Apesar de tantos anéis, esta foi a primeira cerimônia de doutoramento a que António foi assistir: “Admiro muito Lula da Silva!”.

Uma hora antes, na sala onde são homenageados os maiores doutores entre os doutores, Canotilho Gomes justificava a atribuição deste título ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”. Emocionado, de sorriso triste, sem prestar declarações, Lula saiu rápido para apanhar o avião para o velório de José Alencar. Ainda assim, uma jornalista brasileira, atirou uma pergunta sem ponto de interrogação: “Ei, presidente, você agora é doutor!”

FONTE: escrito pela colunista portuguesa da “CartaCapital”, Eduarda Freitas, de Coimbra, que acompanhou o emocionante doutoramento do ex-presidente Lula na tradicional Universidade da cidade. Transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150736&id_secao=1).

LULA: DOUTOR 'HONORIS CAUSA'


Por Thiago Barros, no blog do jornalista Luis Nassif:

“Caro Nassif e amigos do blog,

Sou estudante do mestrado em Economia e Finanças da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, e hoje presenciei a titulação 'honoris causa' do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, um dos maiores estadistas do Brasil.

O discurso de Lula foi bem afinado, retratou a evolução dos 8 anos que esteve à frente do Brasil, destacando a assaz relevante revolução social e os maciços investimentos em educação. Em traço geral, o ex-presidente asseverou que a missão de Dilma é investir 7% do PIB em educação e dar continuidade ao processo de mudança social no Brasil, não se esquecendo da pujança econômica tupiniquim e do fortalecimento do mercado interno em seu mandato. Ademais, Lula ressaltou que o povo brasileiro recuperou a autoestima e voltou a acreditar em seu potencial, os diversos estudantes brasileiros que presenciavam a cerimônia aplaudiam o grande homenageado, quebrando qualquer protocolo acadêmico da tradicional instituição e o silêncio profundo que reina na sala dos Capelos.

As frases ditas pelo sábio ex-presidente, com sólida formação na universidade da vida (assim designado pelo renomado constitucionalista Dr. JJ Canotilho e o excelentíssimo reitor da Universidade de Coimbra) despertaram nos brasileiros ainda mais esperança nessa nação e demonstraram aos europeus nossa grandeza. Assim, citando autores, dados e feitos, Lula dedicou o título a José de Alencar, que esteve sempre ao seu lado nos tempos de governo, e apregoou que o ex-vice-presidente era pessoa muito boa e de alma grandiosa.

Destarte, pode-se dizer que Lula representou bem o Brasil em terras lusitanas, juntamente com a atual presidenta Dilma Rousseff, que também impressionou pela legítima simplicidade e atenção com os presentes...

AVANTE BRASIL! Nosso povo merece...”


NOTA RÁPIDA: Como já salientava Tom Jobim, "o Brasil não é para principiantes" e não é mesmo! Esse país é um imenso almanaque que vai de Pixinguinha, Celso Furtado e Rui Barbosa à Guimarães Rosa, Paulo Freire e Aleijadinho... Um dia hei de ensinar Tupi-Guarani para esse povo europeu, alá Policarpo Quaresma e seu nacionalismo ufânico!”

FONTE: blog de Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/lula-doutor-honoris-causa#more) [imagem do Google adicionada por este blog].

NYT DESCOBRE A PÓLVORA: CIA ‘APOIAVA’ NA LÍBIA...


Por Brizola Neto

"Chego de Brasília e vejo a notícia do ano, um furo de reportagem inagreditável do ‘The New York Times’: grupos de agentes da CIA trabalham clandestinamente há semanas na Líbia com objetivo de reunir informações para a realização de ataques aéreos e manter contato com os rebeldes que lutam contra Muamar Kadafi.

Não! Que surpresa! Mais cedo, a Agência Reuters havia noticiando que “há duas ou três semanas”, o presidente Barack Obama assinou uma ordem que autoriza o apoio secreto do governo americano às forças rebeldes que tentam derrubar o líder líbio.

Não tem ONU, nem OTAN, nem coisa nenhuma. O ataque internacional à Líbia, independentemente de qualquer julgamento sobre o Governo líbio, se deu por ordem dos Estados Unidos e, sob o ponto de vista da ordem internacional, sem que tenha havido qualquer ataque do governo líbio a território estrangeiro. Ou seja, não houve violação da ordem internacional e os conflitos se deram ante uma sublevação armada –justa ou não– que conta, além da simpatia dos governos ocidentais, com seu apoio ao menos político-militar, como confirmam as fontes de imprensa independentes.

É por isso que está coberto de razão alguém que não pode ser chamado de belicista, o Frei Betto, ao afirmar em artigo que ”a ONU é, hoje, lamentavelmente, uma instituição desacreditada. Os EUA a utilizam para aprovar resoluções que justifiquem seu papel de polícia global a serviço de um sistema injusto e excludente. Quando a ONU aprova resoluções que contrariam a Casa Branca –como a condenação do bloqueio a Cuba e da opressão dos palestinos– ela simplesmente faz ouvidos moucos”.

Diz ele: “Kadafi está no poder desde 1969. São 42 anos de ditadura. Por que os EUA e a União Europeia jamais falaram em derrubá-lo? Porque, apesar de seus atentados terroristas, era conveniente manter ali um déspota que atraía investimentos estrangeiros e impedia que chegassem à Europa os imigrantes ilegais da África subsaariana, ou seja, todos os países ao sul do deserto de Saara.”

Os EUA apóiam regimes despóticos numa fieira de países árabes, a começar pela Arábia Saudita. O discurso da democracia “não vale” quando os interesses econômicos e geopolíticos estão garantidos.

Como no caso do Iraque, a deposição do governo líbio trará tudo, menos paz e democracia para os cidadãos daquele país. E, povo após povo, irá fermentando o ressentimento em relação ao Ocidente, os conflitos tribais, a violência.”

FONTE: escrito por Brizola Neto em seu blog “Tijolaço” (http://www.tijolaco.com/nyt-descobre-a-polvora-cia-apoiava-na-libia/).

POR DENTRO DA LÍBIA


“O país é formado por 140 tribos quase tão importantes quanto o governo

Há 40 anos no poder, o regime de Kadafi oscila entre capitular e hostilizar os interesses dos países ricos, liderados pelos EUA


Por Renato Pompeu, na “Revista do Brasil”

Para entender a crise na Líbia, é preciso levar em conta que sua população nunca constituiu uma nação e até hoje é dividida em 140 tribos, na maioria arabizadas e islamitas sunitas, mas ainda restam nas montanhas a oeste populações berberes que falam sua língua original e são islamitas da corrente ibadita.

O país tem 1,7 milhão de quilômetros quadrados, perto de um quarto da superfície do Brasil, mas apenas 6,4 milhões de habitantes (cerca de 500 mil são imigrantes africanos), concentrados nas poucas cidades –como Trípoli, a capital, com mais de 1 milhão de pessoas–, espalhadas por imenso deserto.

Embora tenha milhares de anos de história, o território líbio só muito recentemente passou a ser uma unidade política. Desde a Antiguidade, suas três regiões –Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan– levaram vidas separadas. As duas primeiras só foram unificadas no século 16, pelo Império Otomano, e a elas o Fezzan se reuniu só no século 19. Nunca tiveram independência, tendo feito parte ainda dos impérios cartaginês, romano e árabe. Em 1911, as três regiões foram ocupadas pela Itália, e nos anos 1930 o nome Líbia foi dado a essa colônia italiana.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a partir de 1943, a Líbia foi ocupada por tropas britânicas e francesas, que ali instalaram um governo militar. Em 1951, foi proclamada sua independência, sob uma monarquia.

Os recursos econômicos eram muito precários, pois a maior extensão do território era desértica. A Líbia vivia praticamente de doações de países ocidentais, em troca de permitir a permanência de tropas estrangeiras (as últimas saíram em 1966). Só em 1958 é que foi descoberto o petróleo, mas em menos de uma década seus rendimentos se tornaram altos. A monarquia do rei Ídris foi derrubada em 1969, num movimento militar liderado pelo jovem coronel Muamar Kadafi, então com apenas 27 anos. Com os dólares do petróleo, o regime de Kadafi subsidiou uma espécie de populismo redistributivo, a que foi dado o nome de socialismo.

Apesar de seu governo ter proclamado uma “democracia de base”, um tanto inspirada nos moldes soviéticos, ou, mais exatamente, nos vigentes em Cuba, o grosso da população se sente mais ligado à tribo de cada um do que ao governo. Não existiram, durante todo o regime do ditador, partidos políticos. São as tribos que proporcionam empregos e assistência social. Milenarmente, as 140 eram compostas de pastores de gado que se encarregavam também da proteção aos raros poços d’água no imenso deserto e aos caminhos das caravanas. Com o petróleo, a partir de 1958, algumas foram enriquecendo e cerca de 30 delas têm hoje importância política maior que as outras.

Essas últimas são as que migraram do deserto rumo ao norte, para as cidades, quase todas litorâneas, principalmente para Trípoli e Bengasi. A tribo de Kadafi, por exemplo, também chamada Kadafi, que antes se ocupava primordialmente da criação de cabras, instalou-se em Sirte, onde há um terminal marítimo de exportação de petróleo, e em suas vizinhanças.

A oeste, no entanto, ficou a maior tribo, a Wafalla, com perto de 1 milhão de integrantes. Dessa é que tinha saído o rei Ídris, e seus membros nunca se conformaram com o domínio de Kadafi, a quem encaram com desprezo; na verdade, eles o veem como se fosse um criador de cabras que se tornou um novo rico. Como se consideram a nobreza da Líbia, logo aderiram ao movimento contra o ditador. Também se voltaram em massa contra ele as tribos mais a leste, como os Zuwaya, que sempre se julgaram discriminadas em seu governo.

Durante duas décadas, Kadafi tentou minar o poder das tribos, procurando substituí-las por estruturas sociais mais “modernas”. Mas, a partir de 1993, levando em conta o ditado “se você não pode vencê-los, junte-se a eles”, passou a consolidar ainda mais o poder delas, dando a seus chefes o controle sobre a distribuição de moradias e de vagas nas escolas, além de empregos –até então nas mãos dos “conselhos populares” implantados por Kadafi, os quais, por assim dizer, não “pegaram”.

Esse não foi seu único recuo; nos últimos anos se reaproximou do Ocidente. Seu socialismo esteve mesclado a um nacionalismo pan-árabe e a uma estrita obediência aos preceitos islamitas, por isso mesmo tinha um forte viés anticomunista. Depois da guerra árabe-israelense de 1973, Kadafi liderou o movimento para reduzir as exportações de petróleo para os países ocidentais aliados de Israel. Como o Egito, em seguida, se aproximou de Israel, ele se afastou do regime do Cairo. No que restou dos anos 1970, teve de enfrentar numerosas tentativas de golpe de Estado, sempre fomentadas por tribos que se julgavam prejudicadas por seu governo.

Nos anos 1980, numerosos exilados líbios em países europeus foram assassinados, em crimes atribuídos aos serviços secretos de Kadafi. Também houve enfrentamentos com aviões e navios de guerra americanos no Golfo de Sidra, que o governo líbio considera águas territoriais e o dos Estados Unidos julga águas internacionais. Em 1988, agentes líbios foram acusados do atentado contra um avião americano de passageiros na Escócia, em que morreram 270 pessoas, e no ano seguinte contra um avião francês, também de passageiros, no Níger, matando 170 pessoas. Instado a entregar a um tribunal internacional suspeitos identificados como participantes desses atentados, Kadafi se recusou –e a Líbia passou a figurar nas listas de países envolvidos com o terrorismo feitas pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental, chegando a sofrer sanções da ONU e também sanções unilaterais americanas.

Em 1999, Kadafi fez uma mudança tão radical em suas relações internacionais quanto a que fizera nas relações com as tribos. Entregou a um tribunal internacional os suspeitos do atentado ao avião na Escócia, o que levou a ONU a suspender suas sanções, e em 2003 concordou em pagar US$ 2,7 bilhões em indenizações às famílias das vítimas e ainda renunciou a ter armas químicas, biológicas e nucleares, obtendo também a suspensão das sanções americanas. O socialismo tribal de Kadafi passou então a conviver com capitais estrangeiros –até que, a partir de fevereiro último, uma juventude antiautoritária se revoltou, somada às tribos que já não eram simpáticas ao regime, insurgindo-se para derrubá-lo.”

FONTE: escrito por Renato Pompeu e publicado na “Revista do Brasil”
e na “Rede Brasil Atual”. Transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150727&id_secao=9) [imagem do Google adicionada por este blog].

O “ALFABETISMO FUNCIONAL”


“Apenas 27% da população entre 15 e 64 anos é plenamente alfabetizada, segundo o último “Indicador de Alfabetismo Funcional” (INAF), produzido pelo Instituto Paulo Montenegro, referente ao ano de 2009.

O levantamento aponta que 52% dos brasileiros que estudam até a 4ª série conseguem atingir, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo [ou “alfabetismo funcional”, ou “semialfabetismo”], onde estão classificadas pessoas com capacidade de ler e entender textos curtos, realizar operações de matemática simples, mas incapazes de fazer uma redação relatando como foi seu dia, ou de interpretar um artigo de jornal.

Entre os alunos do ensino médio, apenas 41% apresentaram o nível pleno de alfabetização. E, não que possa chamar mais atenção, 29% dos estudantes que ingressam no ensino superior não dominam leitura e escrita.

Na última década, o país praticamente universalizou o acesso ao ensino fundamental (98%) de jovens entre 7 e 14 anos, reduzindo a taxa de analfabetismo, conforme registro da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 11,5%, em 2004, para 9,7%, em 2009. A mesma pesquisa revela que a taxa de “alfabetismo funcional” diminuiu de 24%, em 2004, para 20% em 2009, na população de 15 anos ou mais de idade.

O coordenador-geral de alfabetização de jovens e adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), do Ministério da Educação, Mauro da Silva, explica que não há hoje no país uma ação específica para combater o “alfabetismo funcional”. Esse público acaba sendo atendido pelos cursos de atenção a jovens e adultos (EJA), no país como um todo.

O último levantamento do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) registrou queda de 5% nas matriculas de educação básica do EJA, de 2009 para 2010. As matrículas no último ano totalizaram 4.234.956, sendo 67% no ensino fundamental e 33% no ensino médio. O porta-voz do MEC, diz que o que tem sido feito de imediato para derrubar as taxas de “alfabetismo funcional”, bem como de “analfabetismo” no país, é a “Agenda Territorial de Desenvolvimento Integrado de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos”, com estados e municípios, de forma a induzir a realização de pactos entre esses entes e a União. A ação foi lançada oficialmente em dezembro de 2008, e ainda está em fase de implementação.

Para a professora Onaide Schwartz Correa de Mendonça, coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), a estratégia para diminuir o índice de “alfabetismo funcional” é trabalhar leitura e conhecimentos específicos da alfabetização (o que são letras, como se combinam) insistentemente de forma a não deixar de lado o diálogo e leitura crítica da realidade do aluno, referindo-se a metodologia pregada pelo educador e filósofo Paulo Freire.

ESTRATÉGIA

Entretanto, a professora defende que, antes de combater o “alfabetismo funcional”, é preciso combater o “analfabetismo”. “Com a alfabetização de adultos acontece o mesmo processo que vem ocorrendo com a alfabetização infantil. Os materiais encaminhados para esses cursos são adequados apenas para quem já sabe ler e escrever, pois contém atividades que visam desenvolver habilidades de leitura escrita (o letramento)”, explica. A consequência disso é que o aluno não consegue aprender de modo geral e abandona o curso, uma vez que os conteúdos específicos para o aprendizado da língua não são bem trabalhados desde o início.

Onaide afirma que a maioria dos cursos de formação pedagógica no país não têm sequer uma disciplina que trate da alfabetização, e que um dos grandes problemas da educação brasileira está nas políticas públicas que não sabem orientar a alfabetização. Ela recomenda que os governantes prestem atenção nas grades curriculares dos cursos de formação de professores no país.

A condição econômica, assim como as salas de aula super lotadas, contribuem para o conjunto de fatores que prejudicam a alfabetização, principalmente nas escolas públicas. Ainda assim, o número de analfabetos no país poderia ser bem menor do que o registrado na PNAD 2009, de 14,1 milhões.

Em 2007, a professora realizou uma experiência pedagógica numa comunidade de cortadores de cana no interior de São Paulo, com alunos de 7 anos de idade. “Eu me desdobrava, mas, em meados de maio, 70% da sala já estava lendo e, no final do ano, todos estavam lendo e escrevendo. Frente ao fracasso da alfabetização de hoje, sou levada a acreditar que o maior problema seja o metodológico, ou menos, a ausência de metodologia e de conteúdo específico da alfabetização”, conta. Onaide defende o método de alfabetização sociolinguístico –“sócio” de socialização e conscientização por meio do diálogo, e “linguístico” por desenvolver conteúdos específicos de alfabetização.

O método viria para substituir o que tem sido utilizado nos livros de alfabetização do país, criados a partir da “má interpretação da teoria construtivista, Psicogênese da língua escrita”, que proporciona o letramento, ou seja, o uso da leitura da escrita. Mas se esquece da alfabetização de, simplesmente, ensinar crianças com se combinam consoantes e vogais na composição de sílabas.

ORIGEM DOS CONCEITOS “ANALFABETISMO” E “ALFABETISMO FUNCIONAL”

O termo “alfabetismo funcional” foi cunhado nos Estados Unidos na década de 30 e utilizado pelo exército norte-americano durante a Segunda Guerra, indicando a capacidade de [pelo menos] entender instruções escritas necessárias para a realização [por recrutas e soldados] de tarefas militares [mais simples] (Castells, Luke & MacLennan, 1986).

A partir de então, o termo passou a ser utilizado para designar a capacidade de utilizar a leitura e escrita para fins pragmáticos, em contextos cotidianos, domésticos ou de trabalho, muitas vezes colocado em contraposição a uma concepção mais tradicional e acadêmica, fortemente referida a práticas de leitura com fins estéticos e à erudição. Em alguns casos, o termo “alfabetismo funcional” foi utilizado também para designar um meio termo entre o “analfabetismo absoluto” e o domínio pleno e versátil da leitura e da escrita, ou um nível de habilidades restrito às tarefas mais rudimentares referentes à "sobrevivência" nas sociedades industriais.

A definição de alfabetização que a UNESCO propusera em 1958 fazia referência à capacidade de ler compreensivamente ou escrever um enunciado curto e simples relacionado à sua vida diária. Vinte anos depois, a mesma UNESCO proporia outra definição, qualificando a alfabetização de “funcional’ quando suficiente para que os indivíduos possam inserir-se adequadamente em seu meio, sendo capazes de desempenhar tarefas em que a leitura, a escrita e o cálculo são demandados para seu próprio desenvolvimento e para o desenvolvimento de sua comunidade.

O apelo do termo “alfabetismo funcional” nos fóruns internacionais pode ser atribuído a essa polissemia de sua definição (...) Para uns, a funcionalidade da alfabetização dizia respeito, principalmente, à formação de mão-de-obra apta a adaptar-se às exigências da modernização econômica; para outros, a funcionalidade deveria ser interpretada como adequação das iniciativas de alfabetização aos interesses da população pobre, oprimida ou marginalizada, devendo, nesse sentido, visar à transformação das estruturas políticas e econômicas e não à adaptação dos indivíduos a elas.”

FONTE: por Lilian Milena, da Agência Dinheiro Vivo, no Brasilianas.org, no blog de Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-combate-ao-alfabetismo-funcional#more) [trechos entre colchetes e imagem do Google adicionados por este blog].