quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

EUA e ISRAEL QUEREM GUERRA!


[OBS do “Odiario.info” (de Portugal): Neste artigo, Craig Roberts faz significativo paralelo histórico: o que estamos a testemunhar é repetição da política de Washington para com o Japão na década de 1930, que provocou o ataque japonês a Pearl Harbour. Os saldos bancários do Japão no Ocidente foram apreendidos e o acesso do Japão a petróleo e matérias-primas foi restringido. O objetivo era prevenir ou retardar a ascensão do Japão. O resultado foi a guerra.

Mas é surpreendente que uma tal análise leve, no final, o autor a apelar ao apoio ao candidato Ron Paul nas próximas eleições presidenciais dos EUA. Por muito maus que sejam os restantes dos candidatos, a alternativa não é certamente esse personagem ultraliberal].

A PRÓXIMA GUERRA NA AGENDA DOS EUA

Por Paul Craig Roberts (*), economista norte-americano

Paul Craig Roberts

Só os cegos não vêem que o governo dos EUA se prepara para atacar o Irã". Segundo o Professor Michel Chossudovsky, “os preparativos para a guerra contra o Irã (com o envolvimento de Israel e da OTAN) foram iniciados em Maio de 2003.”

Washington instalou mísseis apontados ao Irã, nos estados emirados com petróleo que funcionam como seus fantoches, Omã e os Emirados Árabes Unidos e, com poucas reservas, noutros estados fantoches no Médio Oriente. Reforçou a frota de caças da Arábia Saudita. Mais recentemente, enviou 9 000 soldados para Israel, para participar em “jogos de guerra” cujo objetivo é testar o sistema de defesa aérea dos EUA/Israel. Uma vez que o Irã não representa ameaça, a menos que seja atacado, os preparativos de guerra de Washington assinalam a intenção de atacar o Irã.

Outro sinal de que Washington tem nova guerra em agenda é o aumento da retórica e demonização do Irã. A julgar pelas estatísticas, a propaganda de Washington de que “o Irã ameaça os EUA através do desenvolvimento de uma arma nuclear” foi bem sucedida. Metade do público norte-americano apoia um ataque militar, a fim de impedir esse país de adquirir poder nuclear. Aqueles de nós que tentam despertar os nossos concidadãos partem de um déficit que corresponde ao fato de metade da população dos EUA estar sob controle do Big Brother.

Como os relatórios dos inspetores da “Agência Internacional de Energia Atômica”, no território do Irã, deixaram claro há anos, não há provas de que o país tenha desviado qualquer urânio enriquecido a partir do seu programa de energia nuclear. O estridor de Washington e dos “media” neoconservadores é infundado. A mentira está ao mesmo nível da reivindicação de que Saddam Hussein tinha no Iraque "armas de destruição em massa". Cada soldado dos EUA que morreu naquela guerra morreu em nome de uma mentira.

Não poderia ser mais óbvio que os preparativos de guerra de Washington contra o Irã. Nada têm que ver com dissuadir o país de construir uma arma nuclear. Qual, então, a sua base?

Em minha opinião, os preparativos do governo dos EUA para a guerra são movidos por três fatores:

Um deles é a ideologia neoconservadora, adotada pelo governo dos EUA, que os leva a usar a sua posição de superioridade militar e econômica para conseguir a hegemonia mundial. Esse objetivo faz apelo à arrogância norte-americana e ao poder e sede de lucro que ela serve.

Um segundo fator é o desejo de Israel de eliminar todo o apoio aos palestinianos e ao Hezbollah no sul do Líbano. O objetivo de Israel é dominar toda a Palestina e os recursos hídricos do sul do Líbano. A eliminação do Irã remove todos os obstáculos à expansão de Israel.

Um terceiro fator é o de impedir ou retardar a ascensão da China como potência militar e econômica, controlando o acesso da China à energia. Foram os investimentos da China em petróleo no leste da Líbia que levaram os EUA e os seus fantoches da OTAN a virar-se subitamente contra a Líbia, e foram os investimentos da China em petróleo noutras regiões de África que resultaram na criação, por parte do regime de Bush, do Comando dos EUA para África, o AFRICOM, destinado a combater a influência econômica da China com a influência militar dos EUA. A China tem investimentos significativos em energia no Irã, e uma percentagem substancial das importações de petróleo da China provém de lá. Privar a China do acesso independente ao petróleo é a maneira de Washington dominar e encurralar a China.

O que estamos a testemunhar é uma repetição da política de Washington para com o Japão na década de 1930, que provocou o ataque japonês a Pearl Harbor. Os saldos bancários do Japão no Ocidente foram apreendidos e o acesso do Japão a petróleo e matérias-primas foi restringido. O objetivo era prevenir ou retardar a ascensão do Japão. O resultado foi a guerra [inclusive com genocidas experiências atômicas].

Apesar da sua desmedida arrogância, Washington entende a vulnerabilidade da sua Quinta Frota no Golfo Pérsico e não arriscaria perder uma frota e 20 000 homens a menos que fosse para ganhar uma desculpa para um ataque nuclear ao Irã. Um ataque nuclear ao Irã alertaria a China e a Rússia de que poderiam sofrer o mesmo destino. Como consequência, o mundo enfrentaria risco de cataclismo nuclear maior do que no tempo do impasse EUA-URSS, que assegurava destruição mútua.

Washington coloca-nos numa situação fora de controle. Declarou que o eixo “Ásia-Pacífico” e o Mar da China Meridional são áreas de “interesse nacional dos EUA”. Qual o sentido dessas palavras? O mesmo que teria a China declarar o Golfo do México e o Mar Mediterrâneo como áreas de "interesse nacional da China".

Washington colocou 2 500 fuzileiros, prometendo a chegada de mais, na Austrália, com que fim? Proteger a Austrália da China ou ocupar a Austrália? Cercar a China com 2 500 fuzileiros navais? Não significaria nada para a China, se Washington colocasse 25 000 fuzileiros navais na Austrália.

Se formos aos fatos, as palavras duras de Washington não constituem senão provocação sem sentido ao seu maior credor. E se a idiotia de Washington fizer com que a China passe a temer a possibilidade de Washington e os seus fantoches europeus e Reino Unido se apoderarem dos seus saldos bancários e se recusarem a honrar as participações da China de 1 trilhão de dólares em títulos do Tesouro dos EUA? Irá a China retirar os seus saldos dos enfraquecidos bancos dos EUA, Reino Unido e Europa? Irá a China atacar primeiro, não com armas nucleares, mas com a venda do seu trilhão de dólares em títulos do Tesouro de uma só vez? Seria mais barato do que a guerra.

A Reserva Federal (FED) teria de imprimir rapidamente mais 1 trilhão de dólares para comprar os títulos, caso contrário as taxas de juros dos EUA iriam disparar. O que faria a China com um 1 trilhão de dólares acabados de imprimir? Na minha opinião, a China iria livrar-se de tudo de uma vez no mercado de câmbio, porque a Reserva Federal (FED) não pode imprimir euros, libras britânicas, yen japonês, franco suíço, rublo russo e yuan chinês para comprar a sua moeda recém-impressa.

O dólar norte-americano seria esmagado. Os preços de importação dos EUA (que agora incluem, graças ao 'offshoring', quase tudo o que os norte-americanos consomem) subiriam. Os 90% que vivem com maiores dificuldades seriam ainda mais esmagados, atraindo ainda mais os seus opressores em Washington. O resto do mundo, antecipando a guerra nuclear, libertar-se-ia dos dólares, já que Washington seria um alvo de ataque primário. Se os mísseis não forem lançados, os norte-americanos levantar-se-ão no dia seguinte na condição de país falido do terceiro mundo. Se os mísseis forem lançados, serão poucos a despertar.

Como norte-americanos, precisamos de nos interrogar sobre o que está em jogo. Porque é que o nosso governo provoca deste modo o Islã, a Rússia, a China, o Irã? Que propósito, quem estão a servir? Certamente não a nós.

Quem se beneficia do fato de o nosso governo falido se lançar em mais guerras, desta vez não contra países indefesos como o Iraque e a Líbia, mas a China e a Rússia? Pensarão os idiotas em Washington que o governo russo não sabe por que razão a Rússia está cercada com bases de mísseis e sistemas de radar? Acreditarão os imbecis que o governo russo cairá na sua mentira de que os mísseis são dirigidos contra o Irã? Só os idiotas que se sentam à frente da “Fox News” acreditariam que se trata aqui, verdadeiramente, de uma arma nuclear iraniana.

Quanto tempo mais irá o governo russo permitir à “National Endowment for Democracy” (Fundação Nacional para a Democracia), que é uma fachada da CIA, interferir nas suas eleições através do financiamento dos partidos da oposição liderada por nomes como Vladimir Kara-Murza, Boris Nemtsov, e Alexei Navalny, que protestam todas as eleições ganhas pelo partido de Putin, acusando sem qualquer prova, mas fornecendo a Washington que, sem dúvida, paga muito bem, propaganda de acordo com a qual as eleições foram e serão roubadas?

Nos EUA, ativistas como esses seriam declarados “extremistas internos” e sujeitos a duro tratamento. Nos EUA, mesmo os pacifistas estão sujeitos a invasões de domicílio pelo FBI e a investigações dos tribunais.

O que isso significa é que “o criminoso estado russo” é uma democracia mais tolerante do que os EUA ou os seus estados europeus e o Reino Unido.

Para onde vamos a partir daqui? Se não quisermos caminhar para a destruição nuclear, os americanos têm que acordar. Jogos de futebol, pornografia, e centros comerciais são uma coisa. A sobrevivência da humanidade é outra. Washington, isto é, o “governo representativo”, consiste somente de uns quantos interesses poderosos. Esses interesses privados, e não o povo americano, controlam o governo dos EUA.

É por isso que nada que o governo dos EUA faça beneficia o povo norte-americano.

A atual colheita de candidatos presidenciais, com exceção de Ron Paul [sic], representa os interesses no controle. A guerra e a fraude financeira são os únicos valores norte-americanos que restam.

Voltarão os norte-americanos a dar o esplendor da “democracia” a governar por uns poucos, participando nas próximas eleições manipuladas?

Se tiver que votar, vote em Ron Paul ou num candidato de um terceiro partido mais radical. Mostre que não apoia a mentira que é este sistema.

Deixe de ver televisão. Deixe de ler os jornais. Deixe de gastar dinheiro. Quando faz qualquer dessas coisas, apoia o mal.”

FONTE: (*) escrito por Paul Craig Roberts, economista (PhD) e colunista estadunidense. Foi Secretário Auxiliar do Tesouro durante a Administração Reagan, posto que lhe angariou a fama de "pai da Reaganconomia". Já foi editor e colunista do “Wall Street Journal”, da “Business Week” e da “Scripps Howard News Service”. Artigo transcrito no “Odiario.info”, de Portugal, e no portal “Vermelho”, traduzido pelo “Odiario.info”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=174374&id_secao=9) [título, imagens do Google e trechos entre colchetes adicionadas por este blog ‘democracia&política’].[Postagem por sugestão do leitor Probus].

O PRÉ-SAL É NOSSO ! A MAIOR OBRA DE GABRIELLI


Por Paulo Henrique Amorim [PHA]

“No programa ‘Entrevista Record’ que foi ao ar na segunda feira (30), na ‘RecordNews’, o ansioso blogueiro [PHA] procurou fazer uma espécie de balanço da gestão de Sergio Gabrielli, o mais longevo presidente da Petrobrás.

Dia 13 de fevereiro, ele passará o cargo a Graça Foster e vai ser Secretário do Governo Jacques Wagner, na Bahia.

O mote da entrevista foi uma frase de Gabrielli na revista ‘Carta Capital’ desta semana, na pág. 18 – “A senhora do pré-sal”, sobre Graça Foster.

Disse Gabrielli:

-A Petrobrás “era uma empresa fragmentada, pulverizada, que estava sendo preparada para ser vendida aos pedaços e fizemos um grande esforço no sentido contrário, de fortalecer a empresa.”

A primeira tarefa, diz Gabrielli, foi produzir mais petróleo, aumentar o patrimônio da empresa.

A descoberta do pré-sal se encaixa nessa estratégia.

Depois, combater a fragmentação pré-liquidação e integrar o refino, a produção, a logística.

Fazer com que as partes que os tucanos iriam vender, aos pedaços, se comportassem como uma empresa só.

E abrir novos espaços de atuação: no gás e no biocombustível.

Dar músculo à empresa para evitar que, frágil, pudesse ser passada nos cobres (como a Vale – PHA. Clique aqui para ver o video em que FHC diz que foi Cerra que mandou torrar a Vale:  http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/10/06/video-serra-mandou-fhc-vender-vale-e-light/).

(Convém lembrar que o WikiLeaks flagrou o Padim Pade Cerra [José Serra] a prometer à Chevron entregar o pré-salhttp://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/12/13/wikileaks-as-conversas-de-serra-com-a-chevron-sobre-o-pre-sal/ )

Até 2015, Graça Foster vai investir US$ 224 bilhões, dos quais US$ 127 bilhões no pré-sal.

Desses US$ 224 bilhões, 95% serão produzidos no Brasil e 65% por empresas que têm sede no Brasil.

Ou seja, US$ 120 bilhões por empresas que têm sede aqui, com trabalhadores, engenheiros brasileiros.

Outra preocupação de Gabrielli foi investir na renovação do pessoal da empresa.

Hoje, mais de 52% dos funcionários da Petrobrás têm menos de 10 anos de casa.

O ansioso blogueiro [PHA] observou que preservar o pré-sal para os brasileiros pode ter sido um dos principais legados do Presidente Lula, e, portanto, da gestão Gabrielli.

-Como foi o processo de decisão que levou a isso ?

Gabrielli conta que, quando a Petrobrás descobriu aquele conjunto gigantesco no pré-sal, ele ponderou ao Presidente Lula que não fazia mais sentido manter o sistema de exploração que prevaleceu no governo Cerra/FHC.

Como a margem de risco da empresa exploradora do petróleo era muito alta, o Governo Cerra/FHC recebia um percentual da descoberta, e a exploradora [estrangeira] levava a parte do leão para casa [no exterior].

(Era o regime de ”concessão”, que, como se percebe, vem de “conceder”…)

Gabrileli explica que, no modelo/Lula – de “partilha”-, a União compartilha da descoberta e fica com parte dos lucros.

Além disso, a Petrobrás tem que explorar, no minimo, 30% de cada área descoberta no pré-sal.

As concorrentes disputarão os 70%.

Junto, foi criado um Fundo Social, para dirigir os lucros do pré-sal para a educação, a saúde e a inovação tecnológica.

E uma empresa já aprovada e ainda não estabelecida, a “Petroleo Pré-Sal”, que vai supervisionar o trabalha da Petrobrás.

Só falta o Congresso aprovar a distribuição dos royalties entre os Estados, mas isso não afeta a integridade do conceito do “Governo do Nunca Dantes”: o pré-sal é nosso !

Gabrielli lembrou que, para explorar o pré-sal, a Petrobrás precisou captar dinheiro no mercado financeiro internacional.

E levantou US$ 72 bilhões num dia !

Foi o maior lançamento da História do Capitalismo !

(A Urubóloga teve um troço !)

Sobre o renascimento da indústria da construção navaluma obra da Petrobrás – ele lembou que, em 2002 (no Governo sombrio de Cerra/FHC), ela empregava dois mil brasileiros.

Hoje, emprega 60 mil !

Que horror !

Por que o PiG é sistematicamente contra a Petrobrás ?, o ansioso blogueiro perguntou.

Ah, isso é a rotina.

Depois de algum tempo, você se acostuma a uma crítica por dia.

Do que o PiG (leia-se Urubologa) não gosta ?

O PiG não gosta:

-De a Petrobrás ser a principal operadora;

-Do regime de partilha – prefere conceder;

-Da operação de capitalização, os US$ 72 bi;

-Não gosta de a União controlar a empresa;

-Acha que a Petrobrás é formada por um bando de incompetentes (“bando” é deste ansioso blogueiro).

O ansioso blogueiro perguntou se devia comprar ações da Petrobrás.

Gabrielli respondeu:

A Petrobrás, com o pré-sal (ah, como a Chevron deve suspirar !) tem 30 bilhões de barris de reservas comprovadas.

Como o valor da companhia é de US$ 160 bilhões, isso significa que um barril de reserva comprovada sai a US$ 5.

O preço do barril de petróleo varia em torno dos US$ 100.

Uma barganha, disse ele !

(Este post e a entrevista são uma singela homanagem ao Davizinho, ao “especialista” Adriano Pires, à Urubóloga e a todos os Urubólogos, desde Roberto Campos, que queriam e querem entregar a Petrobrás às Chevron da vida.)

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.”

FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu portal “Conversa Afiada”  (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/01/30/o-pre-sal-e-nosso-a-maior-obra-de-gabrielli/) [pequenos entrecolchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

DÍVIDA PÚBLICA DO BRASIL É A 2ª MENOR JÁ REGISTRADA


[OBS deste blog 'democracia&política': O gráfico acima, do BC, mediu a relação até 2007. De 2007 a 2010 indicava projeções. Agora, constata-se que baixou para 36,5% no fechamento de 2011. Vê-se que os governos Lula e Dilma corrigiram fortemente a aterradora desenfreada escalada ocorrida no governo FHC/PSDB/DEM]

DÍVIDA PÚBLICA DO BRASIL REPRESENTA 36,5% DO PIB

Do portal “G1”

PELA 1ª VEZ, DÍVIDA DO SETOR PÚBLICO FECHA ANO ABAIXO DE 37% DO PIB

Segundo o Banco Central, a dívida líquida somou 36,5% do PIB no fim de 2011.

Por Alexandro Martello, do G1, em Brasília

“A dívida líquida do setor público, indicador acompanhado com atenção por investidores, pois indica o nível de solvência (capacidade de pagamento) de uma economia, terminou o ano passado em R$ 1,5 trilhão, ou 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central na terça-feira (31).

De acordo com a série histórica da autoridade monetária, que começa em dezembro de 2001, este não é o menor patamar já registrado, visto que, em setembro do ano passado, somou 36,3% do PIB.

É a 1ª vez, no fechamento de um ano, que a dívida líquida fica abaixo de 37% do PIB. "Terminamos 2011 com o patamar mais baixo para a dívida líquida no fechamento de um ano", afirmou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.

Segundo o BC, o superávit primário de R$ 128,7 bilhões registrado no ano passado foi um dos principais fatores a contribuir para a queda da dívida líquida do setor público em 2011. Somente esse fator resultou no recuo da dívida em 3,1 pontos percentuais. O crescimento do PIB, por sua vez, contribuiu com 3,5 pontos para a queda da dívida.

Além disso, o aumento do dólar médio de 12,6% em 2011, na comparação com o ano anterior, também contribuiu para a redução da dívida, na proporção de 1,6 ponto percentual, informou o BC. A explicação é que, atualmente, o Brasil possui mais ativos do que passivos em dólar. Desse modo, quando a cotação da moeda norte-americana sobe, a dívida líquida do setor público recua.

Essas reduções, entretanto, foram compensadas, parcialmente, pelos juros nominais apropriados em todo ano passado, equivalentes a 5,7 pontos percentuais em 2011 - ou R$ 236 bilhões.”

FONTE: reportagem de Alexandro Martello, do portal G1. Transcrita no portal de Luis Nassif  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/divida-publica-do-brasil-representa-365-do-pib#more) [título, imagem do Google e sua legenda entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

PRIVATIZAÇÃO DE AEROPORTOS - PREOCUPAÇÕES

Guarulhos-SP

DEPOIS DE VETO DE LULA, AEROPORTO PRIVADO VIRA REALIDADE COM DILMA

[OBS deste ‘democracia&política’: A privatização de aeroportos atrai investidores "privados" [na realidade, muitos são estatais de outros países, como França, Alemanha, Itália]. O discurso, conforme já nos ensinaram Collor e FHC/PSDB, “é moderno”, “bonito”, é um "choque de gestão". A nossa mídia e oposição estão adorando essa recaída brasileira, porque sempre priorizaram o interesse ($$$) estrangeiro e também porque, maquiavélicos, assim poderão revidar qualquer acusação de privatistas nas campanhas eleitorais futuras. Até mesmo, elogiam Dilma. Contudo, estou ressabiada. Talvez eu não conheça detalhes que transformam a iniciativa em boa. Não está sendo esclarecido para a população que experiências de outros países mostram que resultam em aumentos de 5 a 6 vezes nas tarifas, com direto reflexo no aumento dos preços das passagens. E, ainda mais, com apropriação particular, para os "investidores", dos recursos advindos dos poucos aeroportos rentáveis, que hoje são também redistribuídos para implantar e operar aeroportos de capitais e cidades menores, não rentáveis, mas essenciais para atendimento das populações e crescimento da economia. O governo terá que inventar novas arrecadações para atender essas outras cidades.

Nos Estados Unidos (serão “jurássicos”?), quase todos os grandes aeroportos são estatais. Somente há acordos com empresas aéreas para a administração de terminais.

Vejamos a matéria do jornal “Valor” (propriedade meio-a-meio dos grupos demotucanos "Globo" e "Folha")]:

Reportagem de Daniel Rittner e Fábio Pupo, no “Valor Econômico”

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abortou pessoalmente dois planos desenhados por seus auxiliares para abrir os aeroportos para a iniciativa privada. Em 2008, vetou estudos do BNDES para eventual privatização da INFRAERO, sugerida por empresários à então ministra Dilma Rousseff. Em 2009, o governo trabalhou firmemente no projeto de concessão do Galeão e de Viracopos, mas Lula vetou de novo a continuidade das discussões.

"Ele garantiu que honraria o compromisso de não fazer privatizações", recorda um ex-assessor que convivia com o petista no Palácio do Planalto, relativizando a magnitude dos leilões de rodovias federais realizados em sua gestão. Lula não queria perder o eixo do discurso explorado com insistência pelo PT nas últimas campanhas presidenciais: o sucesso das intervenções estatais contra o [nefasto] "liberalismo" [privataria] tucano.

Nos primeiros meses de seu mandato, sob o fantasma de vexame na Copa do Mundo de 2014 [fracasso esse muito desejado e apregoado pela mídia e oposição] e buscando destravar investimentos necessários para atender a um crescimento da aviação comercial, que atingiu estratosféricos 118% nos últimos oito anos, Dilma decidiu romper um paradigma no PT e comprar a briga com os sindicatos. O resultado será transferir para a gestão privada dois dos aeroportos mais lucrativos do país - Guarulhos e Campinas -, além de Brasília, em leilão marcado para o próximo dia 6.

Viracopos-Campinas-SP (terminal de passageiros)

Viracopos-Campinas-SP (terminal de cargas)

Segundo o governo, a escolha desses terminais para a concessão ocorreu por concentrarem a maior necessidade de investimentos para os próximos 30 anos para acompanhar a demanda. Hoje, os três aeroportos juntos movimentam 30% dos passageiros, 57% das cargas e 19% das aeronaves do sistema brasileiro.

"Ao fim desse processo, teremos quatro grandes operadoras aeroportuárias concorrendo entre si", explica Marcelo Guaranys, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) - incluindo na conta a INFRAERO e ressaltando a regra que permite ao mesmo grupo privado arrematar somente uma concessão.

Influi, nos números, o peso gigantesco do aeroporto de Guarulhos, o mais lucrativo de todos. Ele integra o conjunto de apenas sete terminais lucrativos, de um total de 66 controlados pela INFRAERO. Considerando custos com depreciação, Guarulhos está no topo do ranking, com resultado líquido aproximado de R$ 190 milhões por ano. Campinas está em quarto lugar - depois de Congonhas e de Curitiba -, com R$ 17,9 milhões. Entre os 59 que dão resultado negativo, está o de Brasília - prejuízo anual de R$ 4,5 milhões.

Por isso, a ANAC chegou a conceber um modelo em que aeroportos poderiam ser concedidos em bloco, reunindo lucrativos e deficitários em um mesmo grupo. Avaliava-se que alguns terminais menores, que hoje operam no vermelho, como Florianópolis, poderiam ser rentáveis com um "choque de gestão" da iniciativa privada [sic]. No fim, prevaleceu um formato pelo qual operadores privados assumirão os aeroportos mais estratégicos do país. [OBS deste ‘democracia&política’: esse preconceito tucano, de que somente a iniciativa privada, especialmente a estrangeira (mesmo que estatal), é capaz de "eficientes gestões", foi muito propalado quando, nos anos 90, vendiam e queriam continuar a vender (ou doar, como a Vale) o patrimônio público para grupos estrangeiros, principalmente, a Petrobras. Nesse sentido, foi típico o compromisso confidencial de José Serra para beneficiar, caso eleito presidente, a norte-americana Chevron, conforme revelado pelo Wikileaks].

Guarulhos, o mais superlotado de toda a rede da INFRAERO, é a principal porta de entrada e saída do país e tenta, há quase dez anos, tirar do papel seu terceiro terminal de passageiros. Brasília, que também opera acima de sua capacidade, tornou-se um dos maiores centros de distribuição de voos domésticos. Viracopos, aposta do governo para o futuro da aviação brasileira, se transformará no maior aeroporto da América Latina em 2023.

Os vencedores do leilão precisarão entregar as obras da primeira fase dos contratos de concessão em 18 meses, o que inclui novos terminais de passageiros e pátios de aeronaves. "É um cronograma arriscado. Certamente precisaremos executar as obras em três turnos", afirma um alto executivo de uma construtora que participará do leilão.

O dilema das grandes empresas pode ser resumido da seguinte forma: as equipes de engenharia temem enfrentar problemas que ameacem o calendário - e gerem multas de R$ 150 milhões -, enquanto as áreas de novos negócios das empreiteiras veem boas perspectivas de retorno, se o desafio das primeiras obras for superado.

Dilma cercou-se de cuidados, políticos e técnicos, para levar adiante as concessões. Juntou uma equipe de tecnocratas conhecidos no governo pela obsessão por detalhes para tocar o plano. Nenhum deles tem carreira política. O time é encabeçado por um ex-diretor de infraestrutura do BNDES (o ministro Wagner Bittencourt), um ex-diretor do Banco Central (Gustavo do Vale, presidente da INFRAERO) e um economista de 34 anos, tido por colegas do Planalto como "jovem brilhante" (Guaranys).

Politicamente, o governo tomou o cuidado de banir o termo “privatização” de declarações públicas ou mesmo de conversas entre assessores. A ideia é enfatizar a diferença com as [bondosas] concessões feitas no governo Fernando Henrique Cardoso, como as de telefonia e as de ferrovias, frisando [agora] a participação de 49% da INFRAERO nas futuras operações de Guarulhos, Campinas e Brasília.

Outra precaução foi conceder uma série de benefícios aos empregados da INFRAERO. Quem migrar para as concessionárias privadas terá cinco anos de estabilidade e indenização de 1,2 salário por ano trabalhado na estatal.

Até o fim de março, o governo pretende concluir um plano de outorgas, que definirá quais aeroportos serão mantidos pela INFRAERO e aqueles que serão repassados a governos estaduais ou ao setor privado. É provável que o Galeão (RJ) e Confins (MG) estejam na segunda rodada de concessões, que dificilmente sairá em 2012.

Aeroporto de Confins-MG (terminal de passageiros)

Aeroporto do Galeão-RJ (terminal de passageiros nº1)

Alexandre de Barros, um ex-diretor da ANAC que agora dá aulas de engenharia de transportes na Universidade de Calgary (Canadá), vê cenário de intensa competição, no médio prazo, entre cinco potenciais aeroportos privados. Brasília e Confins deverão concorrer como "hubs" de voos domésticos. Além de disputar os passageiros nacionais, os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Galeão vão competir fortemente também pelos voos internacionais, acredita Barros.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL INDICA AUMENTO DAS TARIFAS AEROPORTUÁRIAS

A privatização de aeroportos em outros países reúne uma coleção de experiências que guardam poucas semelhanças entre si. Há casos de venda em definitivo dos ativos (Reino Unido), de contratos de aluguel de terminais inteiros pelas companhias aéreas para gestão própria (Estados Unidos e Canadá), de concessão de toda a rede de aeroportos a uma única operadora (Argentina) e de divisão do sistema em grupos que juntam instalações rentáveis e deficitárias (México).

O modelo brasileiro não é inspirado em nenhum outro caso em particular, mas se aproxima da experiência australiana, na prática. A Austrália concedeu cada um de seus grandes aeroportos - Sidney, Melbourne e Brisbane - a empresas diferentes, que competem entre si por tráfego e para atrair bases operacionais das companhias aéreas, como centros de distribuição de passageiros em conexão. Há renegociação tarifária a cada cinco anos (como no Brasil, onde está prevista a aplicação de um "fator-X" para capturar os ganhos de produtividade em benefício dos passageiros). Entre as renegociações, as tarifas australianas são reajustadas de acordo com a inflação, mas é aplicado desconto equivalente ao percentual de aumento esperado da demanda para cada um dos aeroportos.

Independentemente do modelo seguido, quase todas as experiências levaram ao mesmo lugar: aumento das tarifas aeroportuárias, segundo estudo feito pela “Associação Internacional de Transporte Aéreo” (IATA). A entidade, que representa companhias aéreas de todo o planeta, checou a situação de 12 aeroportos internacionais concedidos à iniciativa privada.

O aeroporto de Atenas, por exemplo, erguido por conta da Olimpíada de 2004, chegou a ter aumento de nada menos que 500% em sua tarifa em relação àquela cobrada pelo aeroporto antigo. No Peru, o aeroporto de Lima foi concedido sob a condição de que a concessionária pagasse royalties de 46% sobre sua receita bruta. O resultado foi o [grande] aumento de tarifas para o consumidor e para empresas aéreas.

"A experiência internacional demonstra que não existe receita de bolo para a concessão, mas algumas propostas do modelo brasileiro “nos” preocupam [OBS: o “nos” se refere aos grupos econômico-financeiros que comandam o Globo, Folha e Valor], como a cobrança de taxas sobre a receita de fontes não tarifárias [querem "de graça"], como os espaços comerciais do aeroporto e o arrendamento das áreas de dutos para abastecimento dos aviões", afirma Carlos Ebner, diretor da IATA no Brasil.

O arrendamento das áreas de combustível, segundo ele, costuma figurar como importante fonte de receita "complementar" [não taxada] do concessionário. Hoje, a taxa cobrada da companhia aérea é de 1,1% do volume de combustível comprado. "O que nos preocupa é que isso não é regulado, como acontece com as taxas de embarque, por exemplo. Qualquer movimento de preço nesse tipo de serviço afeta as companhias aéreas, que, automaticamente, repassam o aumento para o preço das passagens aéreas.[ameaça, desde já]"

O aprendizado de algumas concessões internacionais, segundo Ebner, também já demonstrou que o sucesso delas está diretamente ligado à capacidade de o concessionário usar parte de sua receita comercial para reduzir o preço das tarifas cobradas pelo aeroporto. [OBS: esse fato seria inédito no “mercado”, que nunca reduz o seu lucro em benefício de menores tarifas]. "É isso o que torna um aeroporto mais competitivo, mas no modelo brasileiro há o problema [ou solução?] de subsídio cruzado", comenta Ebner. "A receita comercial deve ir para um fundo nacional da aviação civil, ou seja, o dinheiro não volta para a melhoria daquele aeroporto, mas é distribuído entre vários."

Nos Estados Unidos, onde quase todos os grandes aeroportos são estatais, há acordos com empresas aéreas para a administração de terminais.

Isso faz com que companhias como American, United, Delta e Continental tenham bases operacionais em determinadas cidades. Investimentos em ampliação da infraestrutura, no entanto, costumam ser feitos com dinheiro público.

"A diferença com o Brasil é que, nos Estados Unidos, não há lei de licitações nem concursos públicos. Isso dá, naturalmente, muito mais agilidade para acompanhar a demanda por investimento", diz Alexandre de Barros, professor de engenharia de transportes na Universidade de Calgary e ex-diretor da ANAC.

Da rede de aeroportos americanos, 33% são operados por autoridades municipais, como Atlanta; 30% por uma autoridade aeroportuária, com representantes de várias instâncias, como Washington; e 6% são geridos por consórcios intermunicipais, como Dallas/Forth Worth, transformado em base de operações da American Airlines.

A divisão da rede de aeroportos por grupos, com terminais rentáveis e deficitários em lotes iguais, foi opção estudada pelo governo brasileiro. O objetivo desse modelo, adotado no México, é evitar que apenas aeroportos lucrativos despertem interesse do setor privado e instalações menores deixem de receber investimentos. No caso mexicano, houve divisão em quatro grupos e só o aeroporto da capital, por onde passam 30% de todos os passageiros, continua sendo gerido pelo Estado. Outros 34 aeroportos foram distribuídos em três lotes, concedidos por 50 anos - renováveis por outros 50 - entre 1998 e 2000, com um terminal-âncora por grupo (com 5 milhões de passageiros/ano).

"A lição que podemos tirar do México é que os concessionários concentram seus investimentos nos aeroportos principais. Por mais que a regulação econômica crie incentivos para evitar isso, a tendência do investidor é procurar brechas no contrato para aplicar recursos no aeroporto que realmente lhe dá lucro", reconhece Alexandre de Barros.”

FONTE: reportagem de Daniel Rittner e Fábio Pupo no jornal “Valor Econômico”. Transcrita no portal da FAB  (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=30/01/2012&page=mostra_notimpol) [imagens do Google e observações e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

INFLAÇÃO: IGP-M DE JANEIRO É O 2º MENOR DA HISTÓRIA

“Agora, mesmo os mais céticos aceitam que está racionalmente afastado cenário de retomada da inflação.

Mas há quatro ou cinco meses isso já era sabido por qualquer pessoa capaz de olhar em conjunto os indicadores econômicos.

O gráfico aí de cima, com os valores mensais e os acumulados em 12 meses do “Índice Geral de Preços” da Fundação Getúlio Vargas mostra que, pelo menos a partir de junho, a tendência de queda da inflação é nítida e insofismável.

O índice de janeiro divulgado esta semana pela FGV, com alta de 0,25% no mês, foi o menor da história para o mês de janeiro – excetuado o de janeiro de 2009, em plena supercrise, como você pode ver na tabela abaixo.

Embora todos saibam que o resultado não será tão positivo no índice oficial de inflação, o IPCA, que é influenciado por fatores sazonais – alimentos, reajustes em impostos, passagens de ônibus, escolas – também o IGP-M de janeiro é marcado pela pressão da chamada “inflação gregoriana”, isto é, a decisão de empresas de reajustarem preços na virada do ano, protegendo-se da inflação futura.

Pela sazonalidade, os preços ao consumidor ainda terão subida forte este mês, como já indicam os números do IGP-M, que apesar dos 0,25% no geral , tiveram elevações fortes nesses preços (curso de ensino superior, 4,36%, curso fundamental 6,33% e médio 6,37%, além de 1,61% nos ônibus urbanos, contra uma variação zero desses índices no mês anterior).

Mas não devem se considerados – a não ser que aja por má-fé – como uma tendência.

Só ao fim do trimestre, melhor ainda, depois de abril, é que se exporá a mesma linha de queda no IPCA que o gráfico do IGP-M já revela.

Sem abalos na Europa além da estagnação, tudo indica dominar seu cenário econômico, ninguém pode dizer que não haja boa possibilidade de chegarmos a inflação até inferior a 5% no final do ano.”

FONTE: escrito por Fernando Brito no blog “Projeto Nacional”  (http://blogprojetonacional.com.br/igp-m-de-janeiro-e-o-2%c2%ba-menor-da-historia-2/).

QUATRO NOVAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

GOVERNO VAI CRIAR 4 NOVAS UNIVERSIDADES FEDERAIS ATÉ 2014

“Até 2014, o governo vai criar quatro novas universidades federais e 47 campus universitários, o que vai facilitar o acesso dos estudantes ao ensino superior, informou a presidenta Dilma Rousseff na coluna ‘Conversa com a Presidenta’ publicada ontem (31).

Ao estudante de Uberlândia (MG) Sandro Gonçalo Alcondo, ela lembrou que 14 universidades e 120 campus foram criados no governo do ex-presidente Lula.

PROUNI, SISU e FIES

Essa expansão permitiu ampliar as vagas de ingresso de 139 mil, em 2007, para 243 mil, agora, em 2012”, disse a presidenta, lembrando que, por meio do SISU, o governo também aumentou as chances de ingresso em 95 universidades públicas.

Para viabilizar os estudos em universidades particulares, acrescentou a presidenta, os estudantes contam com o “Programa Universidade para Todos” (PROUNI), que já concedeu mais de um milhão de bolsas de estudo, e o “Financiamento Estudantil” (FIES), com taxa de juros de 3,4% ao ano.

ATENDIMENTO À MULHER

A presidenta Dilma também respondeu à corretora de imóveis Eliane Nunes, de João Pessoa (PB), sobre a “Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180”, que já recebeu 2,3 milhões de denúncias. Desde 2006, quando a “Lei Maria da Penha” começou a ser aplicada, 332 mil processos foram abertos e 110 mil agressores, sentenciados. Segundo a presidenta, a “Lei Maria da Penha” é uma das mais eficientes e severas de todo o mundo.

Essa lei encoraja as denúncias, garante a integridade física das mulheres e está ajudando a promover mudança de cultura no relacionamento entre homens e mulheres.”

COMBATE À DENGUE

Dilma Rousseff também esclareceu à agente de endemias de Itapetinga (BA) Lenira Santos que o Ministério da Saúde, por meio do “Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti”, identifica as áreas onde as larvas do mosquito transmissor da dengue estão mais presentes. Ao determinar os locais de maior incidência, o “LIRAa” permite às prefeituras e à população a adoção de medidas para prevenir a doença. Outra ação, lançada em 2011 pelo Ministério da Saúde, é o repasse de recursos adicionais para o aprimoramento das medidas de prevenção e controle da dengue. Segundo a presidenta, estados e municípios recebem R$ 1 bilhão por ano para as ações de combate à dengue.

Esse novo incentivo aumenta em 20% esse repasse para os 1.159 municípios prioritários. Ao receber esses recursos adicionais, eles devem assegurar, entre outras ações, que terão a quantidade adequada de agentes de controle de endemias e realizarão as visitas domiciliares recomendadas. Cabe aos municípios definir como serão utilizados os recursos desse adicional, incluindo a fixação dos salários dos agentes.”

FONTE: Blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/governo-vai-criar-4-novas-universidades-federais-ate-2014/) [Subtítulos acrescentados por este blog ‘democracia&política’].

Samuel P. Guimarães: “OS RICOS MAIS RICOS E OS POBRES MAIS POBRES”

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

“Participante de atividades do “Fórum Social Temático” de Porto Alegre, Samuel Pinheiro Guimarães, o ex vice-chanceler de Lula e alto representante do MERCOSUL diferenciou, em entrevista ao jornal [argentino] “Página/12”, a integração do comércio; falou sobre a crise econômica mundial e de suas próprias contradições. "A conta está chegando ao povo para que a pague. Os bancos e as companhias de auditoria iniciaram a crise e a montaram e depois explodiu tudo. Os governos socorreram os bancos. Os bancos seguramente vão terminar em boa situação".

Por Martín Granovsky, do jornal argentino “Página/12”

Samuel Pinheiro Guimarães está fora do Itamaraty, a Chancelaria brasileira, e é considerado um dos mais importantes intelectuais brasileiros. Trabalha há um ano como alto representante (diretor) do MERCOSUL por sugestão de Lula e aceitação unânime da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Ele concedeu entrevista ao “Página/12”, em Porto Alegre:

– Não lhe toca um mundo fácil para estar responsável pelo MERCOSUL.

– Não, ainda que as situações sejam diferentes em diferentes países e continentes. Na Europa, predominam os programas de ajuste financeiro e pressão muito forte sobre a população em geral. Todas as medidas são contra os mais pobres e contra os trabalhadores. Ao mesmo tempo, estamos vendo o resultado final do processo. Os bancos sofreram prejuízos. Receberam aporte dos governos para comprar títulos. Agora, os governos nacionais aumentam impostos e reduzem programas sociais e modificam a situação do trabalho para pagar dívidas. Neste ponto, a conta está chegando ao povo para que a pague. Os bancos e as companhias de auditoria iniciaram a crise e a montaram e depois explodiu tudo. Os governos socorreram os bancos. Os bancos seguramente vão terminar em boa situação. Os bancos que emprestaram sabiam que os governos não poderiam pagar. Mas emprestaram. Então vão contra o povo.

– E nos Estados Unidos acontece a mesma coisa?

– É um pouco diferente. Há certa ênfase em aumentar os empregos, mas houve reação de direita muito grande. O governo quer aumentar impostos sobre os mais ricos e lhe dizem que isso é comunismo. Os bancos foram salvos, mas assim mesmo Barack Obama não se salva da agressão. Assim mesmo, como há certa necessidade de ajuste fiscal, o governo provavelmente acabe aumentando os impostos. A pergunta é: a quem ajustará? Aos mais ricos ou a os mais desfavorecidos?

– Ásia e China?

– É diferente. Há uma grande preocupação de que se reduza drasticamente o crescimento pelo descenso da atividade nos Estados Unidos e Europa. Não estou tão seguro de que isso aconteça. Assim mesmo, as taxas de crescimento serão elevadas. Pensavam que, para 2010, a taxa seria de oito e foi de dez por cento.

– Que há no fundo da crise?

– O problema é o controle político, a hegemonia política em longo prazo.

–O controle de que?

– A crise é das pequenas e médias empresas. As grandes estão bem. E os trabalhadores estão mal. Os velhos, os jovens e as empresas de porte médio estão em dificuldades. Esta crise é diferente da crise de 1929, quando o capitalismo era muito mais nacional e o grau de globalização financeira e produtiva era menor. A pressão sobre o governo para resolver a crise era maior. Hoje é menor. Com o “Occupy Wall Street” não chega. Há que tomar medidas. O pré-candidato presidencial Mitt Romney pagou menos de 15% de Imposto de Renda e sua secretária, 30%. A demora em resolver a crise é preocupante e a instabilidade ronda. Por sorte, hoje não tem como chegar a uma guerra como a Segunda Guerra Mundial, mas cuidado com as guerras localizadas.

–A América do Sul não está em crise.

– Não. O problema é outro: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

– Não melhorou essa situação?

– Vou colocar em outros termos. Sou menos rico que o outro se ele tem mais que eu. Eu posso aumentar minha renda, mas ele pode estar se distanciando. É bom que 30 milhões de pobres tenham saído de sua situação vulnerável. Mas os super-ricos no Brasil têm rendimentos incríveis. Falo de pessoas. Os bancos não existem. Existem os acionistas dos bancos. Existem os mecanismos de concentração.

– E o Estado?

– O governo tenta concretizar mecanismos de desconcentração, como “bolsa-família”, a ajuda aos estudantes, a “Contribuição Universal por Filho” na Argentina. E está muito bem. A fonte dos problemas é a distribuição da riqueza, não do ingresso. Mas temos que lembrar que os Estados são criados pelas classes hegemônicas. Incluo aí como são escolhidos os juízes, para dar o exemplo de um setor específico. Os governos em geral são instrumentos das classes hegemônicas. O Partido dos Trabalhadores, inclusive no Congresso, não só no Executivo, ocupa uma parte do poder, não todo o poder. As classes conservadoras querem participar com suas posições ante as tentativas de redistribuição. Dá-se em todos os campos.

– Em quais?

–O que é o orçamento? É o que o governo ou o Estado arrecada com impostos. Depois, se dá a luta para recuperar esses impostos. Estão os grandes empréstimos dos bancos oficiais a taxas de juros mais baixas. Os ricos estão contra as políticas sociais públicas, mas quando se aplicam querem que sejam privatizadas e terceirizadas. Falo deste assunto porque se avançou muito em tudo isso. O esforço foi muito grande, com uma resistência conservadora permanente que vem de séculos.

– Como a crise afeta os países do MERCOSUL?

– Hoje, os países sofrem impacto de diferente tipo. Um da China e outro dos Estados Unidos e da crise européia. Os chineses são grandes demandantes de produtos agrícolas e minerais. Isso afeta os quatro países. Isso, por um lado, gera um ingresso muito interessante. Por outro lado, a China é uma grande provedora de produtos manufaturados a preços baixos, o que afeta as estruturas industriais e o funcionamento do MERCOSUL em relação ao seu comércio interno. Diminuem os incentivos aos investimentos industriais. Se você é investidor não vai colocar seu dinheiro para montar uma fábrica para vender produtos manufaturados aos chineses, mas em agro ou mineração, para vender matérias primas a eles.

– É uma relação necessária e ao mesmo tempo contraditória.

– O importante é como transformar a relação com China para que os chineses contribuam com o desenvolvimento industrial. As populações são urbanas. Tem de haver emprego urbano. A agricultura emprega cada vez menos porque é de grande escala. Com a mineração acontece a mesma coisa. Além disso, os países sofrem variação de preços das matérias-primas. Têm que aproveitar essas relações, mas não pensar que se pode viver eternamente delas.

– Há um ano que [o Sr] é o virtual chefe do MERCOSUL. Está satisfeito?

– Deixe-me lembrar algo. O MERCOSUL nasceu em 1991 sobre a base de governos neoliberais. Os que assinaram o “Tratado de Asunción” foram Carlos Menem, Fernando Collor, Andrés Rodríguez e Luis Lacalle, presidentes de governos tipicamente neoliberais, que pensavam na integração regional como instrumento prévio à integração aberta com o mundo. E isso não pode ser. O regionalismo aberto é como um casamento aberto. É um contra-senso, porque os acordos de livre comércio com terceiros obviamente destruiriam o MERCOSUL em razão das tarifas zero. O casamento aberto implica que não há preferência. Isso dissolveria o MERCOSUL. Por isso, ele tem que ser transformado em instrumento de desenvolvimento industrial dos quatro países. Em qualquer sistema de integração, os países maiores se beneficiam mais, mas deve haver mecanismos de compensação através da infraestrutura. A visão atual do MERCOSUL ainda é de livre comércio. E essa visão choca com alguns exemplos da própria realidade. No comércio entre Brasil e a Argentina, 40% é automotivo, e não se trata de um intercâmbio surgido do comércio livre. É feito por multinacionais, não por empresinhas nacionais. Assim, organizam a sua produção. Com liberdade de comércio e sem acordos, quiçá a indústria automobilística houvesse se concentrado em um só país. Terminar com essa visão, por isso, é urgente, e mais ainda pela ofensiva chinesa. O livre comércio não leva ao desenvolvimento. Leva à desintegração.

–Por onde haveria que começar?

–Por convencer os países maiores. O fundo de compensação que existe hoje é um passo muito pequeno. O MERCOSUL é como um carro que atolou no barro. O motorista acelera e joga barro em todas as direções, mas o carro não sai do lugar. Que fazer? Que os passageiros mais fortes saiam do carro e o empurrem. Nisso estamos. Se não é muita reunião, mas não se resolve nada. Ao mesmo tempo devo dizer que o comércio se expandiu, há muitos investimentos, principalmente dos países maiores. Mas isso é comércio. E a integração é outra coisa.

–O senhor é embaixador, foi ministro de Lula e vice-chanceler. Como foi sua formação?

–(Rindo) Uma explicação para aborrecer os diplomatas: meu tataravô ocupou o mesmo cargo.

– E outra explicação?

– Bom, na família da minha mãe havia empresários. Do lado do meu pai a família era de políticos abolicionistas e republicanos. Mas na vida a gente vai se fazendo com todas as contradições. Fui a um colégio de elite, o Colégio dos Jesuítas São Ignácio, no Rio. E ao mesmo tempo jogava futebol com os garotos das favelas. Comecei a ver o que tinha cada um e como era. Foi meu contato com as diferenças. Meu pai simpatizava com Getúlio Vargas, com Juscelino Kubitschek. Era anticlerical e ateu e me colocou num colégio de jesuítas. Eu estava em meio às contradições. O mundo é muito complexo, não? Fui à universidade para estudar Direito em 1958, uma das épocas mais politizadas do Brasil. Ingressei na política estudantil na época da política exterior independente. E em 1961 ingressei no Itamaraty.

– Qual é seu maior orgulho como vice-chanceler de Lula?

– Antes de Lula já me havia dedicado à luta contra a ALCA. Continuei e conseguimos, em 2005, que os países mais importantes da América do Sul não formassem uma área de livre comércio de toda a América. Também lembro a briga, no Brasil, contra os acordos de proteção de investimentos. A Argentina sofre muito, ainda hoje, com esses acordos que Menem assinou. O Ministério da Fazenda do senhor Antonio Palocci queria e eu não. Como sou amigo de Celso Amorim, que era chanceler, isso foi importante. Também pusemos muita ênfase na América do Sul. Foi uma diretiva do presidente Lula, mas faltava implementar. Fizemos. Aumentamos em 30% a dotação de nossas embaixadas. Obrigamos todos os diplomatas que tivessem como primeiro destino uma embaixada na América do Sul. Não na América latina, na América do Sul. É uma forma prática de compreender as realidades e as assimetrias. E bom, também está o terreno do pensamento. Já em 1975 escrevi sobre a importância de romper com o colonialismo português e com a África do Sul. Quando se estuda as coisas, a gente começa a compreender elas um pouco melhor, não é verdade?”



FONTE: reportagem de Martín Granovsky do jornal argentino “Página/12”. Entrevista concedida por Samuel Pinheiro Guimarães no estúdio da TV Carta Maior, em Porto Alegre. Tradução: Libório Junior. Fotos: Carol de Goes. Transcrita no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19505).