sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MÉDICOS BRASILEIROS ACUSADOS DE TRÁFICO HUMANO NOS EUA



[Tudo indica que o típico casal de médicos da "elite" racista, descrito na reportagem a seguir, hoje seja contrário, especial e preconceituosamente contra cubanos, à vinda de médicos estrangeiros do "Programa Mais Médicos". Pelo perfil, provavelmente são antipetistas]

Da “Folha de São Paulo”, via “Jornal GGN”

A babá brasileira que virou ativista e professora universitária nos EUA

Babá brasileira virou professora universitária e luta por direitos dos domésticos nos EUA


“Há 20 anos, a brasileira Natalicia Tracy desembarcou nos EUA acompanhada de um casal de médicos, também brasileiros, que a contrataram para ser babá por um período de dois anos, enquanto eles realizariam pesquisas em um hospital de Boston.


[Maria Natalicia Rocha-Tracy, hoje MSC, doutoranda e professora na “University of Massachusetts Boston” ]

Ela pretendia aproveitar a oportunidade para ir à escola, aprender inglês e, assim, procurar um novo emprego quando voltasse. Porém, foi impedida de estudar, de falar com a família e submetida a condições degradantes. Hoje, ela é ativista, diretora do “Centro do Imigrante Brasileiro” em Massachusetts e Connecticut e uma das lideranças na ampliação dos direitos dos trabalhadores domésticos no país. 


Leia o depoimento dela”:

“Eu entrei nos Estados Unidos há 20 anos com documentação em dia: tinha um visto pelo contrato de babá para cuidar da criança de um casal de médicos brasileiros, que veio morar aqui para desenvolver pesquisas em um hospital em Boston.

Quando ainda estávamos no Brasil, eles me prometeram que eu poderia estudar, conhecer a cultura americana e aprender inglês, que era o que eu mais queria, porque eu só tinha estudados até à oitava série.

Viajei cheia de expectativas, mas não foi isso o que aconteceu quando cheguei.

Além de cuidar da criança de três anos, fiquei responsável por todo o trabalho doméstico: cozinhar, lavar e passar. Isso acontecia de segunda a segunda, sem folga.

Não me deixaram ir para a escola. E logo tiveram uma segunda criança, o que aumentou o meu trabalho e acabou com o meu sonho de estudar inglês.

No começo, me deram um quarto, mas depois, como recebiam muita visita, me colocaram para dormir em um colchão no chão da varanda.

O local era protegido apenas por um vidro bem fininho, e quando chegou o inverno, eu tinha que cobrir o chão com jornais e usava o aquecedor portátil.

Fiquei doente e tive uma reação alérgica por causa de um produto para limpar o tapete. Não me levaram ao médico, mas permitiam que eu usasse o restante do produto de inalação da criança.

Comida, me davam só quando sobrava. Caso contrário, eu tinha de comprar.

Mas eu só podia escolher um sanduíche de US$ 1,00 no McDonald's porque o meu salário era de US$ 25 semanais.

Pegaram o meu passaporte dizendo que iriam renovar o meu visto de trabalho, mas nunca renovaram. Eu fiquei ilegal nos Estados Unidos.

Quando eu pedia para estudar, a mãe dizia que eu era ingrata e que qualquer pessoa na minha situação beijaria o chão onde ela pisasse por ter me dado a oportunidade de estar em um país de primeiro mundo.

O pior de tudo foi terem me impedido de me comunicar com a minha família no Brasil. Diziam que o telefone era muito caro e não permitiam que eu colocasse meu nome na caixa de correio da casa deles. Naquela época, o carteiro não deixava as correspondências se o nome não estivesse na lista.

Dois anos se passaram e, quando chegou a hora de eles voltarem ao Brasil, eu pedi para ficar no país.

Quando eu andava na rua, sem saber falar inglês com ninguém, pensava até que seria melhor se um carro me atropelasse. Então, aprendi algumas palavras com um pequeno dicionário que eu trouxe na bagagem.

Achei no jornal de anúncios um emprego de babá para uma família americana. Eles me deram quarto, roupas novas, me pagaram o transporte para eu ir à escola e não aceitaram a minha oferta para trabalhar de graça. O meu salário era de US$ 100 por semana.

Fui para a faculdade, me casei com um americano, fiz mestrado e estou terminando o meu doutorado em sociologia na “Boston University”. Conheci a comunidade brasileira e me envolvi com o centro de imigração.

Hoje, sou professora na “University of Massachusetts Boston” e diretora-executiva do “Centro do Imigrante Brasileiro” em Massachusetts e Connecticut.

Em parceria com outras organizações, lutamos para ampliar os direitos dos trabalhadores domésticos nos Estados, uma questão sensível para a comunidade brasileira.

Muitos trabalham por hora na limpeza doméstica, mas os direitos são pouco reconhecidos nesses contratos. Me engajei nisso por causa da minha própria existência.

A gente que vem de família mais simples está muito acostumada a respeitar autoridade. Eu sabia que eu era invisível para eles, mas não questionava.

Hoje, depois de estudar, eu compreendi que o que os meus patrões brasileiros fizeram comigo naquela época foi tráfico humano.”

FONTE: publicado na “Folha de São Paulo” e transcrito no “Jornal GGN”  (http://jornalggn.com.br/noticia/a-baba-brasileira-que-virou-ativista-e-professora-universitaria-nos-eua). [Título, imagens obtidas no Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

José Genoino: UM CORAÇÃO E MUITAS SENTENÇAS


Por Hidelgard Angel, em seu blog

“Não sou médica, acredito que a maioria de vocês que me leem também não é. Mas me preocupa ver se propagarem pelo país as vinhas dessa ira que nada se parece com a tolerância ou com os princípios básicos de convivência entre os homens.

Os controversos laudos sobre a saúde do deputado José Genoíno fazem refletir.

Leiam aqui a Conclusão, não divulgada, do Laudo feito pela equipe da Câmara dos Deputados:

trata-se de indivíduo sob risco de desenvolver futuros eventos cardiovasculares e progressão da doença considerando, em especial, os seguintes fatores: a idade, a presença de falsa luz (falso lumes) arterial parcialmente trombosada, o diâmetro da porção proximal do arco aórtico de 41mm, o controle inadequado da pressão arterial e a labilidade da coagulação sangüínea por meio de RNI (Razão Normatizada Internacional). Nestas circunstâncias, a atividade laboral poderia acarretar riscos de descontrole da pressão que, em associação à anticoagulação inadequada, aumentaria o risco de eventos cardíacos e cerebrais.”

Tradução: o deputado José Genoíno traz uma “bomba relógio” ativa dentro do peito (definição de Paulo Henrique Amorim).

Laudo da Câmara com a Conclusão em vermelho:



Tudo é mesmo estranho, nebuloso, confuso…

São tantos interesses políticos, midiáticos, tamanha histeria insuflada, tal ódio envolvido, que qualquer noção de humanidade ou respeito ou ética é posta de lado, quando se trata de abordar um assunto de saúde extremamente delicado, de um cardiopata em situação aguda, com risco de um novo infarto, um derrame, morte.

O blog “O Cafezinho”, do jornalista Miguel do Rosário, se deu ao trabalho de saber quem são os médicos que examinaram José Genoíno na Papuda, a pedido do presidente do STF. 


[OBS deste 'democracia&política': Ainda não se pode assegurar se Joaquim Barbosa escolheu os médicos brasilienses examinadores de Genoino pelas suas posições políticas que cada um já publicou ou se os escolheu por julgar que eles têm capacidade profissional superior às dos médicos de São Paulo, do Sírio-Libanês]

Eles são, revela o blog, os doutores Luiz Fernando Junqueira Júnior, Cantídio Lima Vieira, Fernando Antibas Atik, Alexandre Visconti Brick, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda.

O professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta, dá nome à Turma Luiz Fernando Junqueira Junior – Medicina UNB, com página no "Facebook", cujo administrador posta ofensas a Genoíno.

O cardiologista Cantídio Lima Vieira é um dos “Marajás do Jaleco”, segundo denúncia feita pela revista “Isto é”, de que, além dos salários de até R$ 40 mil, os médicos do Senado recebem verba do Congresso para atender em suas clínicas particulares.

Um deles, Alexandre Visconti Brick, é o evangélico que participou daquela “oração da propina” [no mensalão do DEM-PSDB do DF; ver vídeo abaixo] com um deputado do DF que hoje está foragido; outro, Alexandre Visconti Brick. já manifestou seu entusiasmo, no Twitter, pela prisão dos réus do “Mensalão”. A cardiologista Hilda Maria da Silva de Arruda, no Facebook, chama o programa “Mais Médicos” de “Maus Médicos”.


[esse mensalão do governo DEM/PSDB do DF foi, aos poucos, abafado pela mídia e aparentemente "esquecido" até hoje pela PGR-MP e pelo "célere e justiceiro" STF [sic].
Continuando com a postagem de Hidelgard Angel]:

Uma junta médica cuja impressão é de ter sido selecionada mais pela antipatia ao que politicamente o paciente representa do que pela biografia médica. Vale acessar “O Cafezinho” e ler a matéria completa e detalhada:
(http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/).

Enquanto isso, a médica da Papuda, a gerente da Saúde Prisional da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, doutora Larissa Feitosa de Albuquerque Lima Ramos, em entrevista ao “R7”, declarou:

— “Dos 1.600 presos do CIR [Centro de Internamento e Reeducação], ele era o quadro mais grave. Na verdade, de todo o sistema prisional, nunca recebemos um caso assim, de um paciente que passou por uma cirurgia tão grave”.

Disse mais:

— “Falamos para o juiz da VEP [Vara de Execuções Penais], fomos bem claros que estávamos preocupados com a saúde dele. Aqui [na Papuda], não temos condições de atender um caso como o dele. Como o quadro clínico estava instável, nós falamos que ele não tinha condições de ficar no presídio porque não temos atendimento 24 horas. Quando acontece alguma emergência, temos que chamar o SAMU ou usar a ambulância da Papuda. No caso dele, poderia não dar tempo e ser fatal”.

Segundo a reportagem: “os médicos, que nunca haviam recebido um paciente com esse quadro, tinham receio de que não desse tempo de atendê-lo em caso de emergência”.

FONTE: escrito pela jornalista Hidelgard Angel em seu blog  (http://www.hildegardangel.com.br/?p=31071). [Trechos entre colchetes em azul e vídeo acrescentados por este blog 'democracia&política'].

SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA DE "DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS"

Prosa mineira

Por Luis Fernando Veríssimo

“Recorre-se tanto à frase “dois pesos e duas medidas” para reclamar isonomia no julgamento dos casos de corrupção no país que eu proponho o fim da hipocrisia.

Oficialize-se, já, dois sistemas de pesos e medidas diferentes no Brasil, um que vale só para o PT (Sistema 1) e outro para os outros, principalmente o PSDB (Sistema 2).

As previsíveis confusões — desencontros em construções, conflitos na medição de terras etc — seriam resolvidas por um conselho arbitral formado por representantes dos dois sistemas. Desde que não fosse presidido pelo Barbosa, claro.”

FONTE: escrito por Luis Fernando Veríssimo e publicado no blog do Noblat no “O Globo”  (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/11/28/como-seria-por-luis-fernando-verissimo-516557.asp). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

AÉCIO, APAVORADO, TENTA DAR O GOLPE DO “DOSSIÊ POLÍTICO” NO PROPINÃO TUCANO


Do blog "Os amigos do Presidente Lula"


“Xiiii...Quem deve, teme?

Aécio Neves e toda a cúpula do PSDB piscou e passou recibo. As investigações do propinão tucano nos trens do Alckmin parecem que acertaram em cheio.





A tucanada convocou a imprensa para um coletiva. Em vez de oferecerem seus sigilos bancários e fiscais para averiguação pelos órgãos de controle, resolveram tentar dar o surrado golpe político do dossiê preventivo.

Explico: toda vez que os tucanos são pegos com a boca na botija em escândalos de corrupção, eles inventam que quem investiga “faz dossiê”, para impedir as investigações de continuarem e para transformarem os investigadores em acusados.

O golpe colou em parte em 2006. Quando as investigações do esquema “sanguessuga, das ambulâncias superfaturadas” começou a apontar para os tucanos José Serra e Barjas Negri, os irmãos Vedoin teriam oferecido um dossiê para vender. Petistas teriam caído na armadilha ao irem ver o tal dossiê. Daí por diante, em vez de falar no superfaturamento das ambulâncias durante a gestão Serra e Barjas Negri no Ministério da Saúde, só se falou no tal “dossiê”. Esse “golpe do dossiê” em 2006 colou em São Paulo, onde Serra foi eleito governador, mas não colou no Brasil, onde Alckmin perdeu para Lula.

Em 2010, a história se repetiu. José Serra, em campanha, era cobrado pela blogosfera a explicar operações de sua filha e genro em paraísos fiscais com empresas como a “Decidir.com”. Também era cobrado sobre a conta "tucano" no exterior que já havia sido noticiada na época do escândalo do Banestado, além de negócios com a irmã de Daniel Dantas e vários outros escândalos da privataria tucana que foram engavetados. Eram informações de domínio público, já noticiadas no fim do governo FHC. Em paralelo, havia uma guerra tucana de dossiês entre a turma do Serra e a turma do Aécio, durante o ano de 2009. Com Aécio se recolhendo à candidato ao Senado por Minas, a guerra acabou, mas Serra, querendo abafar o assunto da privataria tucana na blogosfera, resolveu aplicar o “golpe do dossiê” usando lambanças feitas pelo pessoal aecista como se fossem de petistas. Também não colou, porque a Receita Federal e a Polícia Federal identificaram quem quebrou sigilos fiscais, e o povo não aceitou o Serra querer se passar por vítima em vez de responder pelos escândalos de corrupção da Privataria Tucana.

Agora, é a vez de Aécio tentar neutralizar as investigações do propinão tucano da Alstom e da Siemens quando as investigações aproximam-se da cúpula tucana, acusando quem cumpre o dever de investigar de fazer “dossiê político”. Parece-me um tiro no pé. O povo quer investigações com transparência, não quer saber de político poderoso se fazendo de “vítima de dossiê” para ficar blindado e engavetar a corrupção tucana no Metrô e na CPTM.”

FONTE: blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/11/quem-deve-teme-aecio-apavoradotenta-dar.html).

MENSAGEM À CLASSE MÉDIA


Por Ricardo Muniz

Manifesto por menos impostos, pelo combate à corrupção e contra a subversão? Um alerta para você perceber a tempo que pode estar fazendo o jogo do (seu) inimigo...



Você que é classe média, seja a favor da redução de impostos, sim: menos impostos para a classe média e imposto zero para famílias pobres, para periferias. Defenda mais imposto para ricos. Essa agenda, a da tributação progressiva, a da justiça tributária – paga mais quem tem mais –, é sua. Assim é que se vai financiar a melhoria dos serviços públicos. Não caia na conversa fiada de que imposto para rico, banco, fazenda e empresa é “um fardo que inviabiliza a competitividade econômica” – na verdade, eles nunca serão a favor de abrir mão de qualquer parte de seus ganhos e lucros, evidentemente, e se pudessem não pagariam nada. Repare como os jornais, a TV, nunca debatem esse tema. Ou melhor, até debatem, mas quando o fazem é sempre do ponto de vista do andar de cima. É um sinal, não acha?


Sem saber, assim como na extinção da CPMF, fazendo o jogo do inimigo

Você que é classe média, seja sim a favor do combate à corrupção: contra a compra de jornais ditos independentes por políticos que tentam tapear você, manchete após manchete, vendendo como notícia o que é manobra de blindagem. Contra a chantagem de promotores que ameaçam com denúncias para amealhar fortunas. Contra o financiamento privado de campanhas eleitorais, que torna os representantes no parlamento marionetes dos mais diversos interesses empresarias ou de máfias. É óbvio, mas repare que (quase) ninguém defende uma correção radical dessa anomalia.

Classe média, não seja complexado(a). A síndrome de vira-lata em relação ao Brasil é sistematicamente alimentada no contexto de uma estratégia geopolítica. Claro, seja crítico. Mas não seja derrotista, envergonhado. Você nasceu aqui, ou veio viver aqui: defenda seu lugar. Repare que, muitas vezes, o noticiário que você lê, ouve ou vê, embora seja veiculado em português, parece ter sido produzido fora daqui. Não é curioso?

Você que é classe média, seja conservador. Conserve o que vale a pena ser conservado: a Constituição, por exemplo; ou a política de distribuição de renda; ou a excelente concepção do SUS. Lembre que certos tribunos da República de hoje promoveram, há pouco tempo, a compra de votos para aprovar a reeleição presidencial no curso do primeiro mandato do maior interessado na mudança. Isso que é subversão! Note que forçar condenações sem provas e espernear contra o direito de recorrer é inconstitucional. Isso é subversão. Entenda que educação e saúde públicas, universais e de qualidade liberariam seu orçamento de classe média de um grande fardo. Lembre quem derrubou a CPMF [sonegadores, PSDB e DEM], que financiaria a saúde pública. Pense em quem nunca investiu na expansão das universidades federais. Faça esse esforço e você vai perceber que estão tentando fazer você de bobo. Ser feito de bobo da corte parece ser um papel histórico da classe média que você pode romper, para seu próprio benefício.”

FONTE: escrito por Ricardo Muniz no “Brasil 247”   (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/122129/%C3%80-classe-m%C3%A9dia.htm). [Imagens do Google e trechos entre adicionados por este blog ‘democracia&política’].

SÓ UMA REFORMA POLÍTICA SERÁ CAPAZ DE FAVORECER UM NOVO COMPORTAMENTO REPUBLICANO


Por Marilza de Melo Foucher

A questão crucial é: como garantir uma boa governabilidade diante de parlamentares que, na maioria das vezes, não representam em nada seus eleitores? [Mas, sim, seus financiadores privados]

A reforma do sistema político foi uma das promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff. O assunto voltou para a pauta de discussão depois de sua intervenção sobre os pactos firmados em consequência das diferentes manifestações de junho/julho. Hoje, a presidente se diz defensora da reforma política com participação popular.

O Brasil tem um regime presidencialista dentro de uma federação, o que talvez complique ainda mais a missão do poder Executivo, pois cabe ao Legislativo fazer as leis. Supostamente, se imagina que bastaria ter vontade política para promover todas as mudanças fundamentais que há anos a população espera. Entretanto, a presidente tem que andar em cima de ovos para manter o equilíbrio entre Executivo e Legislativo. A negociação do Executivo se dá com os representantes eleitos no Congresso e não com a sociedade. Aí a questão crucial é: como garantir boa governabilidade diante de parlamentares que na maioria das vezes não representam em nada aos seus eleitores?

O atual sistema partidário brasileiro não é compatível com a nova república democrática brasileira. Muitos partidos foram implantados no período de crise da ditadura e de transição para a democracia. Muitos surgiram sem fundamentos ideológicos.

Infelizmente, nenhum governo pós-ditadura pôde elaborar um projeto de reforma política, muitas vezes por falta de maioria e outras vezes por falta de vontade política. Existe pulverização do sistema partidário no Brasil, que dificulta a formação de maiorias nas assembleias estaduais e no Congresso Federal.

Hoje, temos aberrações que permitem toda deriva republicana. Atualmente, segundo o Tribunal Eleitoral, existem registros de 27 partidos! Muitos desses não têm nenhuma base filosófica e política, são “legendas de aluguel”, como muitos proclamam. A prática nociva do "dando que se recebe" se banalizou no parlamento brasileiro. O pior é que esses políticos fisiológicos contribuem na permanência do vírus maléfico da corrupção política.

Impunemente, eles abusam do poder político para nomeações de afiliados, usam do apadrinhamento na distribuição de cargos. Esses políticos fisiológicos defendem interesses paroquiais em detrimento do interesse nacional. Para eles, tudo isso é normal. Eles vão continuar repetindo de modo cínico que tudo isso "faz parte do jogo político".

Este ano, festejamos 25 anos da Constituição Cidadã e a jovem democracia brasileira para entrar na idade de amadurecimento político vai precisar reformar com urgência seu sistema político. Não dá mais para esperar! Caso contrário, continuaremos vivendo num edifício inacabado muito aquém de uma democracia efetiva. A da Constituição Federal de 1988 no art. 14, incisos I, II e III, garante mecanismos de participação direta, tais como: o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. A presidente Dilma pode fazer uso dessas prerrogativas que conjuga a democracia representativa com mecanismos de participação popular.

Em razão dessa realidade, só uma boa reforma do sistema político pode provocar um choque de seriedade junto à opinião publica e sem dúvida nenhuma contribuirá na melhoria da imagem do parlamento brasileiro hoje completamente deteriorada. Como dizia Norberto Bobbio: "Não existe estruturas perfeitas, e a atitude do bom democrata é a de não se iludir sobre o melhor sistema político e a de não se conformar com o pior" (“O futuro da democracia” - Paz e Terra - São Paulo 1986).

O INTERESSE PELA COISA PÚBLICA E A DEFESA DO INTERESSE GERAL

O parlamentar deve ter consciência que o exercício de um cargo eletivo não deve ser nem "individualista", nem "carreirista". A política não é uma profissão, nem é vitalícia, nem hereditária. Como indagava a filósofa Hannah Arendt: qual o sentido da política quando os homens políticos, eles mesmos, perderam o sentido político?

Não devemos esquecer que temos nossa parte de responsabilidade em certos desvios republicanos, pelo fato de não exercermos nossa cidadania política e exigir que a casa do povo seja mais bem representada. O deputado não é eleito para oferecer um emprego ou bolsa de estudo. Ele é eleito para zelar pela coisa pública, pelo interesse coletivo e não individual. Ele não é eleito para defender seus interesses privados.

Se quisermos melhor funcionamento da governabilidade democrática, e reforma do sistema e o funcionamento das instituições políticas, é hora de selar parceria entre democracia participativa e democracia representativa para elaborar verdadeira reforma do sistema político, a fim de evitar a privatização da política.

Os representantes do povo, além de assumirem o compromisso de defender os interesses públicos, devem estimular e facilitar a inclusão da participação social no poder político. Essa inclusão da cidadania política efetivará uma mudança estrutural nas relações com o poder e dará melhor sustentabilidade para governabilidade democrática mais participativa.

Existe hoje urgente necessidade de reencontrar o sentido nobre da política que permita uma comunidade agir sobre ela mesma, sem perder a visão do interesse geral. Essa reforma política deve favorecer novo comportamento republicano. Só assim a política será escrita com letras maiúsculas e a palavra política ganhará credibilidade e sustentabilidade.

Os parlamentares devem ter real compromisso partidário e devem privilegiar o interesse geral e zelar pela coisa pública.

Seria impossível renovar os quadros políticos e revigorar a democracia se não aceitamos dividir o poder, ou delegar o poder.

O dinamismo de uma democracia é aquela que não perde a capacidade de se inovar. O ideal seria poder ter rotatividade de mandatos e limitar os mandatos ao máximo de duas legislaturas. Os quadros políticos devem ser renovados. A rotatividade pode ser a solução para levar os jovens a se interessarem na política partidária. Por exemplo, um vereador pode se candidatar a prefeito, o prefeito a deputado estadual, o deputado estadual a deputado federal, o senador a governador, o deputado federal a senador. Se essa regra fosse votada, teríamos renovação completa do corpo partidário. É uma rica experiência poder subir na esfera da legitimação da representatividade popular. Assim como é importante que quadros políticos possam ser renovados.

Um segundo mandato é, talvez, interessante devido à experiência e amadurecimento político acumulado. Todavia, cabe aos eleitores no próximo pleito avaliar se a ação do candidato foi pertinente, que projetos ele apresentou, que projetos interessantes contaram com o seu voto, qual a sua postura ética durante o mandato. Diante do constato da ação política, eles votarão ou não a confiança para um segundo mandato. Brigar por um terceiro mandato consecutivo impede a ascensão de novos candidatos.

A reforma política é, indiscutivelmente, fundamental também para definir novas regras de financiamento público de campanha eleitoral criando um mecanismo de controle mais rígido. Outra questão que merece debate nacional seria aprofundar a discussão sobre o significado da sustentabilidade política hoje no Brasil.

Os representantes do povo, além de assumirem o compromisso de defender os interesses públicos, devem estimular e facilitar a inclusão da participação social no poder político. Essa inclusão da cidadania política efetivará mudança estrutural nas relações com o poder e dará, de fato, melhor sustentabilidade para governabilidade democrática mais participativa. De certeza, o modo de fazer política forjará nova relação entre o Estado e a sociedade civil e novo comportamento republicano.

Nota: Escrevi um artigo semelhante que foi publicado em fevereiro de 2011 na “Plataforma pela Reforma do Sistema Político” que, desde 2005, vem discutindo essa questão. A plataforma reúne atores da sociedade civil organizada (movimentos sociais, sindicatos, pastorais, fóruns sociais e outras diferentes organizações sociais).”

FONTE: escrito por Marilza de Melo Foucher e publicado no jornal online “Brasil 247”   (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/122151/S%C3%B3-uma-reforma-pol%C3%ADtica-ser%C3%A1-capaz-de-favorecer-um-novo-comportamento-republicano.htm). [Imagem do Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

O TAL DE “MUNDO MAIS SEGURO”...

   1ª. Bomba Nuclear subaquática detonada no mundo (Atol Bikini - 1946)

Por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado no blog “Redecastorphoto”



Manlio Dinucci

“Quer dizer, então, que “a diplomacia abriu um novo caminho rumo a um mundo mais seguro – um futuro no qual se possa confirmar que o programa nuclear iraniano é pacífico e que o Irã não poderá produzir bombas atômicas”...

A boa nova foi anunciada um mês antes do Natal, pelo laureado do Prêmio Nobel, presidente Barack Obama: ele acabava de fazer um mundo mais seguro. Assim sendo, poderia continuar a aumentar os arsenais de bombas atômicas que os EUA mantêm na Europa: as B61-11 foram transformadas em B61-12, que também podem ser usadas como bombas rebenta-bunker no caso de um primeiro ataque nuclear...

É parte do “mapa do caminho” do governo Obama para manter a supremacia nuclear dos EUA.

Os EUA mantêm cerca de 2.150 ogivas nucleares armadas, quer dizer, em prontidão, prontas para serem lançadas por mísseis e bombardeiros; além de outras 2.500 ogivas em arsenais, mas que podem ser rapidamente ativadas e outras 3.000 adicionais que foram descartadas, mas não desmanteladas e que podem ser reativadas: no total, são cerca de 8.000 ogivas nucleares.



    Arsenal nuclear da OTAN (EUA) depositado na Turquia

O arsenal russo é comparável, mas são menos ogivas prontas para lançamento, só cerca de 1.800. O novo Tratado START entre os EUA e a Rússia não limita o número de ogivas nucleares operacionais nos respectivos arsenais, mas só as ogivas em estado de prontidão para serem lançadas de transportadores estratégicos com alcance superior a 5.500 km (3.418 milhas): o teto foi fixado em 1.550 ogivas para cada lado, mas já foi ultrapassado, porque cada bombardeiro é contado como uma ogiva, apesar de carregar 20 ou mais bombas. O Tratado START deixa aberta a possibilidade de melhoria na qualidade das forças nucleares.

Para tanto, os EUA estão instalando um “escudo” antimísseis na Europa, ostensivamente “para neutralizar um ataque iraniano” (hoje, impossível), mas, de fato, para obter vantagem estratégica sobre a Rússia, a qual está tomando contramedidas.

Além das ogivas norte-americanas, a OTAN tem mais 300 ogivas francesas e mais 225 ogivas britânicas, nucleares, é claro, praticamente todas em posição para lançamento a qualquer momento.

Israel – que é a única potência nuclear em todo o Oriente Médio e, diferente do Irã, não assinou o “Tratado de Não Proliferação Nuclear” – tem algo entre 100 e 300 ogivas, com vetores de transporte e disparo; e produz plutônio suficiente para fabricar 10-15 novas ogivas nucleares por ano, semelhantes à que os EUA usaram em Nagasaki. Israel também produz trítio, gás radiativo usado para fabricar ogivas de neutrons, que causam menor contaminação radiativa, mas são mais letais.

Em 1986 Mordechai Vanunu revelou ao mundo a existência do arsenal nuclear de Israel

Ao mesmo tempo, a confrontação nuclear está se desenvolvendo na região Ásia/Pacífico, onde os EUA estão promovendo uma escalada militar. A China tem arsenal nuclear, estimado em cerca de 250 ogivas, e cerca de 60 mísseis balísticos intercontinentais. A Índia tem cerca de 110 ogivas nucleares. O Paquistão, 120. E a Coréia do Norte, como se sabe, também tem as suas.

Além desses nove países que possuem armas atômicas, há pelo menos mais 40 outros em posição de comprá-las. De fato, não há nenhuma separação entre o uso civil e o uso militar da energia nuclear, e se pode obter urânio e plutônio enriquecido o bastante para fabricar bombas atômicas, de praticamente qualquer reator. Estima-se que o mundo já acumulou quantidade suficiente desses materiais para produzir mais de 100 mil bombas atômicas; e continua a produzi-los em quantidades crescentes: há mais de 130 reatores nucleares “civis”, que produzem urânio altamente enriquecido, pronto para produzir armas atômicas.

Aí está! Eis o tal o mundo “tornado mais seguro”... “porque” as cinco maiores potências nucleares plus a Alemanha (que vendeu a Israel submarinos nucleares de ataque) assinaram um acordo pelo qual “o programa nuclear do Irã será exclusivamente pacífico”. [Pano rápido].

FONTE: escrito por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado por Castor Filho no blog “Redecastorphoto”. O autor, Manlio Dinucci, é geógrafo e geopolíticólogo italiano. Suas últimas publicações são: “Geocommunity”, Ed. Zanichelli 2013; “Geografia del ventunesimo secolo”, Zanichelli 2010; “Escalation. Anatomia della guerra infinita”, Ed. DeriveApprodi 2005   (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/11/o-tal-de-mundo-mais-seguro.html).