sábado, 1 de março de 2014

GLEISI DEPENA TUCANO E ENQUADRA JOAQUIM BARBOSA




Gleisi bate um bolão. Enquadra Barbosa e depena tucano no senado.

"Na tribuna do senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR) discursou sobre o crescimento do PIB e apontou avanços no setor industrial. Após um aparte do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), ela "depenou" o tucano.


Em entrevista, ela refutou as ilações do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, por ele ter levantado suspeita de que as indicações dos ministros do supremo feitas pela presidente Dilma Rousseff foram feitas para votar contra o crime de formação de quadrilha aos condenados na Ação Penal 470.

"Lamento que o presidente de um Poder sugira trama conspiratória do Poder Executivo e Legislativo para indicações do STF (...) Por não estar de acordo com uma decisão da Suprema Corte, coloca em suspeição todo o processo de nomeação e designação dos membros do STF. Como se ele próprio não fosse resultado desse processo. Isso não faz bem à democracia brasileira", disse Gleisi."

FONTE: blog "Os amigos do Presidente Lula" (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/02/gleisi-bate-um-bolao-enquadra-barbosa-e.html).

CHEIRO DE CINZAS DA DIREITA NO AR




Um cheiro de cinzas no ar

"Fica difícil afastar a percepção de que o carnaval conservador saltou para a dispersão sem passar pela apoteose. O cheiro de cinzas no ar é inconfundível.

Por Saul Leblon

Como parte interessada, a mídia jamais reconhecerá no fato o seu alcance: mas talvez o Brasil tenha assistido na 5ª feira a uma das mais duras derrotas já sofridas pelo conservadorismo desde a redemocratização.

Quem perdeu não foi a ética, a lisura na coisa pública ou a justiça, como querem os derrotados.

A resistência conservadora a uma reforma política, que ao menos dificultasse o financiamento privado das campanhas eleitorais, evidencia que a pauta subjacente ao julgamento da AP 470 tem pouco a ver com o manual das virtudes alardeadas.

O que estava em jogo era ferir de morte o campo progressista

Não apenas os seus protagonistas e lideranças.

Mas, sobretudo, uma agenda de resiliência histórica infatigável, com a qual eles seriam identificados.

Ela foi golpeada impiedosamente em 54 e renasceu com um único tiro; foi golpeada em 1960 e renasceu em 1962; foi golpeada em 1964, renasceu em 1988; foi golpeada em 1989, renasceu em 2003; foi golpeada em 2005 e renasceu em 2006, em 2010...

O que se pretendia desta vez, repita-se, não era exemplar cabeças coroadas do petismo, mas um propósito algo difuso, e todavia persistente, de colocar a luta pelo desenvolvimento como uma responsabilidade intransferível da democracia e do Estado brasileiro.

A derrota conservadora é superlativa nesse sentido, a exemplo dos recursos por ela mobilizados --sabidamente nada modestos.

Seu dispositivo midiático lidera a lista dos mais esfarrapados egressos da refrega histórica.

Se os bonitos "manuais de redação" [da mídia] valessem, o desfecho da AP 470 obrigaria a mídia ‘isenta’ a regurgitar as florestas inteiras de celulose que consumiu com o objetivo de espetar no PT o epíteto eleitoral de ‘quadrilha’.

Demandaria uma lavagem de autocrítica.

Que ela não fará.

Tampouco, reconhecerá que ao derrubar a acusação de quadrilha, os juízes que julgam com base nos autos desautorizariam implicitamente o uso indevido da "teoria do domínio do fato", que amarrou toda uma narrativa largamente desprovida de provas.

Se não houve quadrilha, fica claro o propósito político prévio de emoldurar a cabeça do ex-ministro José Dirceu no centro de uma bandeja eleitoral, cuja guarnição incluiria nomes ilustres do PT, arrolados ou não na AP 470.

O banquete longamente preparado será degustado de qualquer forma agora.

Mas fica difícil afastar a percepção de que o carnaval conservador saltou direto da concentração para a dispersão sem passar pela apoteose.

Aqui e ali, haverá quem arrote peru nos camarotes e colunas da indignação seletiva.

O cheiro de cinzas, porém, é inconfundível e contaminará por muito tempo o ambiente político e econômico do conservadorismo.

O que se pretendia, repita-se, não era apenas criminalizar fulano ou sicrano, mas a tentativa em curso de enfraquecer o enredo que os mercados impuseram ao país de forma estrita e abrangente no ciclo tucano dos anos 90.

Inclua-se aí a captura do Estado para sintonizar o país à modernidade de um capitalismo ancorado na subordinação irrestrita da economia, e na rendição incondicional da sociedade, à supremacia das finanças desreguladas.

O Brasil está longe de ter subvertido essa lógica.

Mas não por acaso, a cada três palavras que a ortodoxia pronuncia hoje, uma é para condenar as ameaças e tentativas de avanços nessa direção.

O jogral é conhecido: “tudo o que não é mercado é populismo; tudo o que não é mercado é corrupção; tudo o que não é mercado é inflacionário, é ineficiência, atraso e gastança”.

O eco desse martelete percorreu cada sessão do mais longo julgamento da história brasileira.

Assim como ele, a condenação da política pelas togas coléricas reverberava a contrapartida de um anátema econômico de igual veemência, insistentemente lembrado pelos analistas e consultores: “o Brasil não sabe crescer, o Brasil não vai crescer, o Brasil não pode crescer --a menos que retome e conclua as ‘reformas’”.

O eufemismo cifrado designa o assalto aos direitos trabalhistas; o desmonte das políticas sociais; a deflagração de um novo ciclo de privatizações e a renúncia irrestrita a políticas e tarifas de indução ao crescimento.

Não é possível equilibrar-se na posição vertical em cima de um palanque abraçado a essa agenda, que a operosa "Casa das Garças" turbina para Aécio --ou Campos, tanto faz.

Daí o empenho meticuloso dos punhais midiáticos em escalpelar os réus da AP 470.

Que legitimidade poderia ter um projeto alternativo de desenvolvimento identificado com uma ‘quadrilha’ infiltrada no Estado brasileiro?

Foi essa indução que saiu seriamente chamuscada da sessão do STF na tarde de 5ª feira.

Os interesses econômicos e financeiros que a desfrutariam continuam vivos.

Que o diga a taxa de juro devolvida esta semana ao degrau de 10,75% , de onde a Presidenta Dilma a recebeu e do qual tentou rebaixá-la, sob fogo cerrado da república rentista e do seu jornalismo especializado.

Sem desarmar a bomba de sucção financeira, essas tentativas tropeçarão ciclicamente em si mesmas.

Os quase 6% que o Estado brasileiro destina ao rentismo anualmente, na forma de juros da dívida pública, dificultam sobremaneira desarmar o círculo vicioso do endividamento, do qual eles são causa e decorrência.

É o labirinto do agiota: juro sobre juro leva a mais juro. E mais alto.

Dessa encruzilhada, se esboça a disputa entre dois projetos distintos de desenvolvimento.

A colisão entre as duas dinâmicas fica mais evidente quando a taxa de crescimento declina ou ocorrem mudanças de ciclo na economia mundial, estreitando adicionalmente a margem de manobra do Estado e das contas externas.

É o que a América Latina, ou quase toda ela, experimenta neste momento.

A campanha eleitoral deste ano prestaria inestimável serviço ao discernimento da sociedade se desnudasse esse conflito objetivo, subjacente à guerra travada diante dos holofotes no julgamento da AP 470.

O conservadorismo foi derrotado. Mas não perdeu seus arsenais.

Eles só serão desarmados pela força e o consentimento reunidos das grandes mobilizações democráticas.

As eleições de outubro poderiam funcionar como essa grande praça da apoteose.

A ver."


FONTE: escrito por Saul Leblon em editorial do site "Carta Maior" (http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Um-cheiro-de-cinzas-no-ar/30369).

DELÚBIO E DIRCEU NÃO SÃO MAIS PRESOS. SÃO REFÉNS NÃO LIBERTOS




BRUNO RIBEIRO PODE VALER MAIS DO QUE O STF E A OAB?

Do "Brasil 247"


"Na sessão de quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal absolveu, em caráter definitivo, Delúbio Soares do crime de formação de quadrilha, garantindo a ele o direito à prisão em regime semiaberto. Dias atrás, a Ordem dos Advogados do Brasil negou que os réus da Ação Penal 470 tenham tido qualquer tipo de privilégio, como a famosa feijoada noticiada por alguns jornais. No entanto, na mesma quinta-feira, o juiz Bruno Ribeiro, que é filho de um dirigente do PSDB no Distrito Federal, ignorou a decisão do STF e a posição da OAB. Decidiu, por sua conta e risco, mandar de novo Delúbio Soares ao regime fechado e negou a ele os direitos ao trabalho e também de passar o Carnaval com a família. Em vídeo, o pai de Bruno, Raimundo Ribeiro, ironiza pedidos de trabalho de condenados como José Dirceu; "vai ser lobista e mandar na Casa Civil?". Sim, é um escárnio; a tal ponto que o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh afirma: "Delúbio e Zé Dirceu não são mais presos. São reféns".

O que foi decidido quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal? Que ex-dirigentes do Partido dos Trabalhadores não formaram uma quadrilha. Assim, Delúbio Soares, José Dirceu e José Genoino passam a ter direito ao regime semiaberto – muito embora tenham sido jogados em regime fechado, onde Dirceu ainda permanece, numa flagrante ilegalidade.

Vinte e quatro horas antes, diante de notas publicadas na imprensa sobre eventual tratamento diferenciado a réus notórios, o presidente da Comissão de Ciências Criminais da Ordem dos Advogados do Brasil, Alexandre Queiroz, fez um relato sobre suas visitas à Penitenciária da Papuda e negou qualquer tipo de regalia aos condenados na Ação Penal 470. "O que eu posso dizer é o que eu vi, e o que eu vi hoje é que não tem nenhum privilégio", disse ele (relembre aqui).

No entanto, na noite de quinta, o juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, a quem foi dado o comando da execução prisional por Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão que, na prática, o coloca acima da suprema corte e da Ordem dos Advogados do Brasil. Ele, como se sabe, revogou o direito de Delúbio Soares ao trabalho e o mandou de volta ao regime fechado. Além disso, estraçalhou seu direito de passar o Carnaval junto à família. O motivo: "notas de jornais sobre supostos privilégios", já negados pela OAB.

Diante de tal decisão, a questão urgente que se coloca é: um Bruno Ribeiro pode valer mais do que o STF e a OAB?

Nunca é demais lembrar que Bruno Ribeiro é filho de um dirigente do PSDB no Distrito Federal, chamado Raimundo Ribeiro, que também tem um programa jornalístico, onde trata com deboche os condenados na Ação Penal 470. Num deles, falou com desdém sobre a possibilidade de que José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, venha a trabalhar – o que vem sendo adiado graças a sucessivas manobras da dupla Joaquim Barbosa e Bruno Ribeiro. "Vai ser lobista e mandar na Casa Civil?", pergunta o pai do juiz.

Sim, o Brasil está diante de um escárnio. Dois réus condenados ao semiaberto, que são José Dirceu e Delúbio Soares, estão em regime fechado, tendo direitos violados pelo Poder Judiciário. "Revoltante", resumo o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que se notabilizou pela defesa de presos políticos na ditadura militar. "Delúbio e Zé Dirceu não são mais presos. São reféns", diz ele.

Abaixo, o vídeo de Raimundo Ribeiro. Aos vinte minutos e quarenta, começa o festival de ironias contra o pedido de trabalho de José Dirceu:



FONTE: jornal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/131786/Bruno-Ribeiro-pode-valer-mais-do-que-o-STF-e-a-OAB.htm).

SERRA GANHA BLINDAGEM DA MÍDIA E DA JUSTIÇA




Serra ganha blindagem da mídia e denúncia contra si pode ser engavetada

Por Eduardo Guimarães

"Ano passado, uma suposta entrevista do já “mitológico” Marcos Valério à revista 'Veja' ganhou a capa da publicação e espalhou-se por todos os jornais, telejornais e grandes portais de internet. O personagem central dos mensalões do PT e do PSDB teria acusado o ex-presidente Lula de ter se reunido com ele e de saber de todos os fatos que geraram o escândalo petista.

A suposta denúncia de Valério gerou abertura de inquérito contra Lula no Ministério Público Federal de Brasília e foi tratada pela mídia como grande escândalo durante semanas, até que, mais recentemente, o mesmo Valério supostamente retrocedeu das supostas acusações.

O que pesava contra Lula – se é que pesava – não chegava aos pés da denúncia que o ex-ministro, ex-governador e candidato a presidente duas vezes José Serra sofreu na última quarta-feira do procurador de Justiça do Ministério Público Estadual de São Paulo Marcelo Milani, que afirma ter evidências de envolvimento direto do tucano no escândalo envolvendo a multinacional Siemens e várias outras empresas fornecedoras de trens para a CPTM em 2008.

É extremamente grave a denúncia contra Serra por ter sido feita por um dos delatores do esquema de corrupção, o ex-diretor da Siemens Nelson Branco Marchetti, quem afirma que sofreu pressões do então governador de São Paulo (2008) durante evento na Holanda para que não denunciasse que a concorrente de sua empresa, a espanhola CAF, vencera uma concorrência para fornecimento/reforma de trens da CPTM com preços 15% mais altos.

Não é só. Segundo Milani, Marchetti afirma que, “No edital [da concorrência que a CAF venceu], havia a exigência de um capital social integralizado que a CAF não possuía. Mesmo assim, o então governador (José Serra) e seus secretários fizeram de tudo para defender a CAF”.

Apesar da gravidade dos fatos, o único veículo da grande mídia que noticiou o caso foi o jornal "O Estado de São Paulo", em matéria dos repórteres Fausto Macedo e Bruno Ribeiro. A matéria foi parar nos pés de páginas das homes de grandes portais como o UOL, sem qualquer destaque.

Nos telejornais, porém, à diferença do que ocorreu com a denúncia contra Lula no ano passado, não apareceu nada. Nem uma notinha rápida, absolutamente nada. E a denúncia estourou na quarta-feira.

A blindagem da mídia em relação ao escândalo, porém, é só um dos fatores que sugerem que esse caso pode se tornar apenas mais um dos incontáveis escândalos envolvendo o PSDB paulista que acabaram esquecidos por falta de interesse do Ministério Público Estadual e dos grandes meios de comunicação, com a providencial mãozinha da Assembleia Legislativa paulista, que abafou mais de uma centena de CPIs contra o governo do Estado.

O que ocorre é que a Lei Orgânica do MP paulista prevê que cabe exclusivamente ao procurador-geral do órgão investigar um ex-governador. Diante disso, o procurador Milani oficiou ao procurador-geral do MP paulista, Márcio Elias Rosa, para que investigue Serra.

O grande problema é que Rosa tem um histórico que sugere que não deverá se empenhar muito – para não dizer nada – nessa investigação que lhe está sendo delegada pela Lei Orgânica do MP paulista.

À diferença do que fizeram o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, que sempre nomearam para o cargo de procurador-geral da República o primeiro colocado da lista tríplice que os membros do Ministério Público Federal encaminham ao presidente da República em exercício com os três nomes mais votados para esse cargo, o governador Geraldo Alckmin, em 2012, nomeou o segundo colocado da lista que recebeu do MP, ou seja, Marcio Elias Rosa.

Alckmin apenas seguiu a tradição tucana de nunca nomear um procurador-geral que não fosse da mais estrita “confiança” de quem nomeou. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, que durante seus oito anos de governo teve um único procurador-geral da República enquanto que Lula teve quatro em oito anos e Dilma, dois em três anos e tanto de seu governo.

Obviamente que Alckmin teve boas razões (para si e os seus) para nomear Rosa, o segundo colocado da lista tríplice que recebeu dos membros do Ministério Público Estadual. Alguém suspeita de qual seja essa razão? Obviamente que não foi por achar que seria mais rigoroso com o seu governo. Tudo isso, pois, sugere que Rosa irá engavetar a investigação contra Serra."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog "Cidadania" (http://www.blogdacidadania.com.br/2014/02/serra-ganha-blindagem-da-midia-e-denuncia-contra-si-pode-ser-engavetada/).

PAC-2: O QUE NÃO É DESTAQUE NA MÍDIA




FONTE: Postado pelo jornalista Altamiro Borges em seu blog (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/02/pac-2-o-que-nao-e-destaque-na-midia.html).

BRASILEIROS ROUBARAM R$ 415 BILHÕES DE DINHEIRO PÚBLICO EM 2013




http://terratv.terra.com.br/trs/video/7336954

Em 2013, brasileiros sonegaram R$ 415 bilhões em impostos

"Os brasileiros sonegaram R$ 415 bilhões em impostos no ano passado. Todos os tributos devidos e não pagos pelos brasileiros, e inscritos na Dívida Ativa da União, já passam o R$ 1 trilhão e 300 milhões.

Cobertos de razão, cobramos governos municipais, estaduais e o federal. Talvez valha a pena refletir também sobre responsabilidades coletivas e individuais.

O estudo sobre sonegação é do SINPROFAZ – Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.
Sonegação de R$ 415 bilhões é igual a 10% do PIB do país. É maior, com muita sobra, do que a soma dos orçamentos da Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia…

Existem, claro, motivos vários para tanta sonegação. Desde a falta de mão de obra para fiscalizar até o injusto sistema de tributação. Sistema regressivo, que penaliza os mais pobres e favorece os mais ricos.

A carga de impostos em relação ao PIB é de 36%. Mas, como o grosso disso é de tributos sobre produtos e serviços, paga mais quem tem menos.

No Brasil, quem ganha até 2 salários mínimos paga, no geral, tributos de 49%. Quem ganha até 20 salários, paga 26%. E assim por diante. Menos ganha, mais paga.

Com os tributos, uma água mineral em aeroporto, por exemplo, custa R$ 4. O peso é diferente para quem ganha 2 e para quem ganha 20 salários mínimos.

O "impostômetro" conhecido não explicita quem paga o quê. Quem sabe não é o caso de um "impostômetro" esmiuçando o que os mais pobres pagam em produtos e serviços?

Já a grande sonegação se dá na Pessoa Jurídica dos mais ricos. Sonegação encoberta por mecanismos sofisticados.

O apelido dado a isso costuma ser "planejamento tributário", como diz Heráclio Camargo, presidente do SINPROFAZ.

Sonegação no ISS, Cofins, PIS, mas especialmente nos tributos sobre Pessoa Jurídica. Sonegação que tem saída "legal", abrigo e sede nos paraísos fiscais.

A carga tributária do Brasil é semelhante à da Alemanha. O problema está na contrapartida, diferente e muito melhor na Alemanha. E está no injusto imposto regressivo. [Além disso, na Alemanha, toda a infraestrutura já está pronta, o que demanda nenos recursos do que o Brasil para atender à população]

Mexer nesse sistema significaria enfrentar os que podem muito e pagam pouco, ou quase nada diante do que poderiam e deveriam pagar.

Com R$ 415 bilhões sonegados em um ano, e R$ 1 trilhão e 300 milhões devidos e não pagos, há muito para ser feito. E muito para debate e reflexão.

A saída mais fácil [para a elite] é discutir a tributação pelo volume, 36% do PIB, e não pelo que tem de injusta. Ou fazer de conta que problema são os R$ 24 bilhões do "Bolsa-Família"...

Esses R$ 24 bilhões socorrem 14 milhões de famílias; são, em média, R$ 152 por pessoa. Para cidadãos sem acesso a planejamentos que permitem a sonegação de R$ 415 bilhões em um ano."

FONTE: escrito e apresentado por Bob Fernandes no portal "Terra Magazine" (http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2014/02/27/em-2013-brasileiros-sonegaram-r-415-bilhoes-em-impostos/).[Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'];

VISÃO MALICIOSA SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA




Uma visão maliciosa sobre a economia brasileira - Por Marcello Antunes


"Como disse o presidente Lula, o Brasil deixou de ser uma economia vulnerável há tempos e tornou-se um competidor global e isso incomoda, incomoda muita gente.

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses”. A frase acima é de autoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assina um precioso artigo no jornal "Valor Econômico" de terça-feira (25/02). Lula vai ao ponto central ao dizer que o Brasil, detentor de reservas internacionais no padrão de países desenvolvidos, inclusive com uma das menores taxas de desemprego do mundo - o que não se vê entre as nações ditas desenvolvidas - “tem uma economia robusta e não se intimida com as críticas, aprende com elas”, afirma. Ele poderia acrescentar, deixando a modéstia de lado, que também ensinamos como vários países ricos, desenvolvidos, podem sair de uma crise que se arrasta há seis anos.

Gerando empregos sucessivos, na ordem de 1,1 milhão por ano, as críticas à condução da política monetária e fiscal brasileira incluem percentual elevado de malícia pelos ditos "analistas", ao ponto de o mesmo "Valor Econômico" de terça-feira apontar um fato no mínimo curioso, ou seja, “as críticas mais ácidas vêm de dentro e não de fora do país”, revela o título de uma reportagem, ao mesmo tempo em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participando de um encontro de presidentes de bancos centrais na Austrália, declarou que a percepção sobre o Brasil melhorou na cena internacional. Por quê? Porque, no mercado internacional, um contrato chamado CDS (Credit Default Swap), especulativo por sua natureza, caiu de 211 pontos para algo em torno de 170. Por esse contrato, por exemplo, negociado nas melhores bolsas de valores do mundo, aposta-se a favor ou contra uma economia. Quanto maiores forem os pontos, maiores são os riscos de ocorrer um default da economia. Em outras palavras, especula-se em torno de um país quebrar, uma hipótese longe, muito distante da vida real da economia brasileira.

O detalhe que chama atenção, embora “essa autoridade internacional” tenha ficado no anonimato, é que ela disse que seus pares têm dado menos ênfase às consequências do desmonte de estímulos nos Estados Unidos sobre o Brasil: “todo mundo está olhando é como o Brasil faz ajuste, ajeita a casa, em período de eleição”. Em outro trecho da matéria se revela que a equipe brasileira nesse encontro de bancos centrais atuou ‘entre emergentes para que não levassem adiante uma polêmica excessiva com países desenvolvidos sobre os efeitos do tapering nos fluxos de capitais para essas economias. A Índia e a África do Sul estavam inclinadas ao confronto e a acusar duramente os países ricos por adoção de políticas monetárias ultraflexíveis, por quebra de cooperação internacional e depois lavar as mãos sobre os efeitos em outras economias’.

“Tapering”, como bem definiu Hélio Beltrão no site "pontobase", é a palavra da vez do "Federal Reserve", o Banco Central americano. Significa reduzir gradualmente, e aqui se trata de reduzir os incentivos que o BC americano dá para sua economia reagir. Na prática, o "Federal Reserve" sinaliza que não injetará quase uma centena de bilhões de dólares na economia e adotará um aperto monetário, remédio que vários analistas tupiniquins e de fora cobram do governo brasileiro, como forma de recuperar a confiança.

Mas o próprio Hélio Beltrão, ainda na metade do ano passado, afirmou categoricamente que o "Federal Reserve" tem mordido a língua e a reputação de seu “chairman” está afundando. Em outubro, por exemplo, o ex-todo-poderoso do FED, Ben Bernanke, recebeu a informação de que seria substituído pela primeira mulher a ocupar a presidência. Janet Yellen teve seu nome confirmado pelo Senado americano no dia 6 de janeiro último e já estreou com o pé esquerdo.

Janet Yellen recebeu um documento com aspecto de estudo e disparou contra o Brasil, onde dizia que, depois da Turquia, a economia brasileira era uma das mais vulneráveis dentre 15 outras nações. No Senado brasileiro, a resposta foi rápida e precisa por parte da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que apresentou um voto de repúdio ao "Federal Reserve".

Como disse o presidente Lula, o Brasil deixou de ser uma economia vulnerável há tempos e tornou-se um competidor global e isso incomoda, incomoda muita gente. O próprio Mark Mobius, diz o "Valor Econômico", à frente da divisão de mercados emergentes da gestora americana Franklin Templeton, que administra dinheiro de investidores que querem ganhar dinheiro comprando papéis de países em desenvolvimento, como o Brasil, a Turquia, a Índia e outros mais, diz que passamos por um choque e não uma crise, porque as reservas internacionais dos emergentes cresceram e são maiores dos que as dos países desenvolvidos. Além disso, o nível da dívida dos emergentes é muito menor em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do que a dos países desenvolvidos.

A malícia que existe quando se fala das políticas fiscal e monetária do Brasil, de que o governo precisa adotar uma "postura ortodoxa", ou seja, aumentar ainda mais o corte de gastos em políticas públicas para economizar e fazer um superávit primário, esconde a pressão e a verdadeira intenção de vários analistas de bancos nacionais e internacionais para que o País volte a oferecer juros cada vez mais elevados de seus títulos públicos.

Se o real voltou a se valorizar diante do dólar, como aconteceu assim que o governo anunciou um corte do orçamento para este ano de 1,9% do PIB, equivalente a R$ 100 bilhões, ou 0,25%, é possível constatar que algum investidor/especulador perdeu dinheiro. E vão continuar perdendo aqueles que apostam contra o Brasil."

FONTE: escrito por Marcello Antunes, jornalista e assessor da Liderança do PT no Senado. Transcrito no portal do PT (http://www.pt.org.br/noticias/view/artigo_uma_visaeo_maliciosa_sobre_a_economia_brasileira_por_marcello_antune).