quinta-feira, 30 de abril de 2015

STF FAZ desMOROnar ATUAÇÃO DE JUIZ NA LAVA JATO



STF faz desMOROnar atuação de juiz na Lava Jato

Por Eduardo Guimarães, no "Blog da Cidadania"

"Para quem já entendeu que o juiz federal Sergio Moro vem extrapolando todos os limites que sua posição permite ao impor um Estado policial ao país, um regime autoritário no qual pessoas são jogadas no cárcere por qualquer razão e, assim, coagidas até a contar mentiras para atender à ânsia do carrasco por “denúncias” com nítido viés político, recente decisão do Supremo Tribunal Federal veio em muito boa hora.

Pode ser coincidência que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal tenha concedido, na última terça-feira, um habeas corpus (HC 127186) a nove réus acusados de envolvimento em um suposto esquema de desvio de recursos da Petrobras justamente neste momento. Porém, não há como não conectar a sentença emitida pelo ministro Teori Zavascki – e apoiada pelos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli – ao clamoroso caso envolvendo a prisão indevida da cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, encarcerada por seis dias sem uma razão plausível e libertada sem um mísero pedido de desculpas.

O efeito imediato da recente decisão do STF torna-se evidente ao mirarmos avaliação feita pelos advogados das empresas investigadas pela Operação Lava Jato. Para eles, a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal constitui tentativa da instância máxima da Justiça brasileira de colocar um freio no juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato.

Também tornou-se consenso entre os advogados ouvidos dos réus da Lava Jato que haverá menos acordos de delação premiada daqui para frente, apesar dos benefícios que eles podem proporcionar, além da revogação da prisão preventiva, com a redução de multas e penas. Isso porque o longo tempo de encarceramento vem fazendo com que a tal "delação premiada" se converta em "invenção premiada", em certos casos.

Ou seja: há gente inventando aquilo que o juiz Moro quer apenas para sair do cárcere, já que as prisões da Lava Jato estendem-se por tempo indeterminado e sem justificativas melhores do que “manutenção da ordem pública”, eufemismo para chantagem carcerária contra os suspeitos.

Vale comentar que a recente decisão do Supremo Tribunal Federal e a dura sentença emitida pelo ministro Teori Zavascki, que chega a qualificar a conduta de Moro como “medievalesca”, terá que figurar na petição que este Blog enviará nos próximos dias à Corregedoria Nacional de Justiça, em Brasília, pois contribui para a tese referente aos abusos que esse magistrado vem perpetrando e que acabam de ser reconhecidos pela instância máxima da Justiça brasileira.

Desse modo, informo que, apesar de já ter a parte fática da petição praticamente pronta, o documento deve chegar a Brasília, para protocolo no CNJ, apenas na segunda-feira, já que sexta-feira é feriado e a recente decisão do STF ainda terá que ser juntada aos fatos, pois referenda a tese que pede o afastamento de Moro da Operação Lava Jato e investigação inclusive de fatos como “vazamentos” que ocorreram, que ele deveria investigar e que jamais investigou.

Por fim, é motivo de comemoração para a sociedade que o STF tenha tomado a decisão que tomou, pois reestabelece algum equilíbrio entre a necessidade de investigação de crimes e o uso de métodos “medievalescos” para obter confissões e até mesmo adesões fortuitas e forçadas às teses de quem claramente se deixou inebriar pela fama e/ou atua com a finalidade espúria de favorecer grupos políticos inconformados com o resultado da última eleição presidencial."

FONTE: por Eduardo Guimarães, no "Blog da Cidadania"   (http://www.blogdacidadania.com.br/2015/04/stf-faz-desmoronar-atuacao-de-juiz-na-lava-jato/).

"OPERAÇÃO ZELOTES": POR QUE A JUSTIÇA FAZ CORPO MOLE E A MÍDIA ESCONDE?



O deputado federal Paulo Pimenta (à direita) e o procurador Frederico Paiva


O DARF não pago da Globo está na Zelotes?

Por Miguel do Rosário

"Leio que a 'Globo' ficou chateada porque o STF deu habeas corpus aos empresários presos há mais de 100 dias, sem condenação, pelo juiz Sergio Moro, responsável pela operação Lava Jato.

Ué, por que a "Globo" não fica chateada com o fato de o Judiciário, na "Operação Zelotes", não ter aprovado NENHUM pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público?

Na "Lava Jato", o Judiciário prende indiscriminadamente, e por tempo indeterminado, sem acusação, sem sentença, sem condenação, um monte de gente. Por 100, 200 dias.

Na "Zelotes", que lida com desvios muito maiores, o Judiciário não prende ninguém nem por 24 horas.

Que desequilíbrio é esse?

Claro que isso tem a ver com as pressões da mídia, que afetam profundamente um Judiciário conservador e pusilânime.

O juiz Sergio Moro mandou prender a cunhada de Vaccari porque achou que era ela que aparecia num vídeo depositando R$ 2 mil na conta da irmã…

Não era ela, mas mesmo se fosse, é um motivo ridículo para prender uma pessoa.

Semanas antes, o mesmo Sergio Moro veio ao Rio receber uma propina, em forma de prêmio, das mãos de um cidadão acusado pela Receita Federal de sonegar quase R$ 1 bilhão.

Era o Prêmio "Faz Diferença", a propina que a "Globo" dá aos juízes que se “comportam bem”, ou seja, que seguem à risca o roteiro traçado pela Vênus.

Esse é o Judiciário brasileiro. Castiga o pequeno e bajula o grande.

Por que a mídia não se interessa pela "Operação Zelotes", que lida com desvios dezenas de vezes superiores aos da "Lava Jato"?

Segundo a Polícia Federal, já foram identificados R$ 6 bilhões em desvios, mas esses podem chegar a mais de R$ 19 bilhões.

E a corrupção de que falamos aqui é parecida à cocaína [440 kg!!!] encontrada naquele helicóptero do senador (que a mídia abafou, e o Judiciário fingiu que não viu): 100% pura.

É uma corrupção que não construiu uma pracinha de interior.

A corrupção mais pura que se possa imaginar.

Merval Pereira, colunista da "Globo", diria que é a corrupção “do bem”.

Diferentemente da "Lava Jato", onde o juiz mandou prender a cunhada de Vaccari porque achou que ela tinha depositado R$ 2 mil na conta da irmã, na "Zelotes" não tem essas operaçõezinhas miseráveis.

Na "Zelotes", ninguém vai ser preso porque movimentou R$ 300 mil em oito anos  (
como na ridícula denúncia do Ministério Público contra a mulher do Vaccari)

Na "Zelotes", as movimentações são de bilhões para cima.

Por que a mídia nunca pediu acesso ao processo da "Zelotes", em mãos da Polícia Federal e do Ministério Público?

Por que a mídia nunca fez infográficos, que explicassem o esquema?

No entanto, a "Zelotes" permitirá à sociedade, caso seja tocada adiante com valentia pelo Ministério Público e com imparcialidade pelo Judiciário, desmontar uma cultura histórica de sonegação.

Uma cultura que põe o Brasil, segundo denúncia da "Tax Justice", uma ONG internacional, na posição de país com a maior taxa de evasão fiscal do mundo.

Paulo Pimenta, relator da submissão da Câmara dos Deputados criada para acompanhar a "Operação Zelotes, visitou na terça-feira o Procurador da República, Frederico Paiva, que lidera a equipe que atua no caso.

O deputado estranha que a Justiça tenha negado todos os 26 pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público, e pede que o Conselho Nacional de Justiça monitore o caso.

O deputado não pede que o juiz da "Zelotes" seja um Sergio Moro, e prenda indiscriminadamente, pelo tempo que quiser.

Não precisa ser medieval como Moro.

Mas não aceitar nem UMA prisão?

O deputado poderia acionar também o Conselho Nacional do Ministério Público, e perguntar ao órgão por que a Procuradoria Geral da República dá tantos poderes à "Lava Jato", faz até mesmo um "hotsite" especial, e a "Zelotes" não recebe quase nada.

A Força-Tarefa da "Zelotes" tem muito menos recursos do que a Força-Tarefa da "Lava Jato".

Os procuradores da "Zelotes" não podem se dedicar exclusivamente a essa investigação, como podem os da "Lava Jato".

Ou seja, é uma Força-Tarefa pela metade. Seus procuradores não podem se dedicar exclusivamente à uma investigação que envolve, repito pela enésima vez, desvios muito superiores a qualquer outro escândalo nacional.

Pior, a "Zelotes" pode furar o olho de uma corrupção que, segundo o Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) desvia mais de R$ 500 bilhões ao ano.

O deputado Pimenta também estranha a indiferença da mídia.

Seria porque, entre os sonegadores, estariam as próprias empresas de mídia?

A RBS, a filial da "Globo" no Rio Grande do Sul, está lá. A RBS sozinha roubou mais do que uns vinte mensalões.

Estaria a "Globo" com medo de encontrarem o seu DARF, não pago, no meio da papelada da Zelotes?

Abaixo, segue o texto que o deputado federal Paulo Pimenta distribuiu à imprensa terça-feira à noite:

Zelotes: Subcomissão da Câmara apresenta plano de trabalho nesta quarta-feira (29)

Relator, deputado Paulo Pimenta, esteve hoje com o Procurador da República que atua no caso

Relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a Operação Zelotes, da Polícia Federal, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) esteve na manhã desta terça-feira (28) com o Procurador da República Frederico Paiva que lidera a equipe que atua no caso. Segundo o parlamentar, as agendas estão servindo para ajudar na construção do plano de trabalho que será apresentado na tarde desta quarta-feira (29).

Ao final do encontro, Pimenta informou que irá propor à subcomissão que encaminhe ao Procurador Frederico Paiva convite para uma reunião entre ele e o colegiado. Amanhã, o deputado Pimenta será recebido pelo delegado da Polícia Federal Marlon Cajado, responsável pela Operação Zelotes.

Preocupado com o rumo que a Zelotes terá na Justiça – o Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de 26 investigados, mas todas foram negadas pelo Poder Judiciário – o deputado Pimenta estuda solicitar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que acompanhe o caso. “A sociedade não aceitará operação abafa sobre a Zelotes”, garantiu o parlamentar.

O deputado também criticou a cobertura da mídia sobre o maior esquema de sonegação fiscal do País. “Curiosamente, a Zelotes não é noticia, e a chamada grande mídia não demonstra nenhum interesse em ter acesso ao processo, em cobrar providências. Como explicar à sociedade brasileira que um esquema que causou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 19 bilhões não seja de interesse público”, questiona Pimenta.

Especialistas acreditam que, comprovadas as denúncias de que grupos criminosos agiram em processos no CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – será possível que o órgão determine a revogação dessas decisões, e o Estado recupere parte dos recursos desviados. Pelo esquema, grandes empresas atuavam em conjunto com escritórios de advocacia e pagavam propinas a servidores e conselheiros do CARF para escaparem de dívidas tributárias. Segundo informações, as primeiras denúncias serão oferecidas pelo Ministério Público Federal entre os meses de junho e julho."


FONTE: escrito por Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho" (http://www.ocafezinho.com/2015/04/29/o-darf-nao-pago-da-globo-pode-estar-na-zelotes/). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].

MARTA TRAIU PORQUE QUERIA SER PRESIDENTA




Marta traiu porque queria ser Presidenta

Com ataques, Marta ganhou os holofotes. Afinal, quem ataca o PT tem espaço na mídia. 

O portal "Conversa Afiada" reproduz artigo de Valdir Roque, extraído do portal "Viomundo":


MARTA GANHA HOLOFOTES DOS QUE TANTO A PERSEGUIRAM

Por Valdir Roque

"A senadora Marta Suplicy confirmou esta semana sua saída do PT para seguir seus projetos pessoais. Até aí, uma escolha dela que deve ser respeitada. No entanto, cheia de mágoa não se sabe do quê, já que sempre foi respeitada e teve amplo espaço dentro do partido, ela usa e se deixa ser usada pelos jornalões de São Paulo, que a têm como sua nova queridinha. Como? Atacando, a qualquer custo, o PT, partido que Marta ajudou a construir, e a presidenta Dilma Rousseff, da qual foi ministra há até poucos meses atrás.

Com ataques ao partido e à Dilma, Marta ganha os holofotes, iluminados pelos mesmos que tanto a perseguiram. Afinal, quem ataca o PT tem espaço na mídia. Em busca de seu projeto pessoal, Marta trai sua própria história. Se alia aos que tanto a perseguiram e ataca os que sempre a defenderam.

Marta Suplicy tem uma trajetória elogiável. Como prefeita da Capital, teve todo o apoio do PT, assim como perseguição da grande mídia, na implantação de projetos como os CEU e os corredores de ônibus.

Importante lembrar que projetos como esses sempre estão inseridos nos programas de governo das administrações petistas, independentemente do prefeito ou prefeita.

Definitivamente, a Marta Suplicy de hoje já não é mais aquela dos bons projetos, com uma trajetória de coragem. Ela escolheu o caminho da traição para chamar a atenção em torno de seu projeto pessoal.

Que o PT faça valer seus direitos para assumir o mandato que conquistou no Senado. Afinal, não votamos na candidata do Partido dos Trabalhadores ao Senado para ver um projeto pessoal de poder trair e tentar destruir um projeto coletivo, que nos últimos anos, com Lula e Dilma, gerou ascensão social a milhões de brasileiros, que passaram a ter acesso à universidade, à sonhada casa própria, a mais lazer e cultura etc.

A mágoa por não ter competência suficiente para ser candidata a presidenta ao invés de Dilma pode ser uma pista para a mudança radical da postura de Marta. Ela disse em uma entrevista recente que “tinha clareza que poderia ser presidente”.

Marta, infelizmente não podemos ser tudo que queremos. Mas podemos buscar outros caminhos sem trairmos a nós mesmos, sem trairmos nossos ideais, sem se deixar ser usado.

Agindo movida apenas à mágoa e a uma busca cega pelo poder a qualquer custo, atacando quem sempre esteve ao seu lado, Marta Suplicy trai sua própria história, seus companheiros e seus eleitores."

FONTE: artigo de Valdir Roque, vereador, líder da bancada do PT na Câmara Municipal de Osasco, extraído do portal "Viomundo" e transcrito no portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/04/29/marta-traiu-porque-queria-ser-presidenta/).

PETROBRAS É ALVO DE GEOPOLÍTICAS GLOBAIS E DE DISPUTAS POLÍTICO-ELEITOREIRAS LOCAIS




Petrobras, o pré-sal e o futuro

Por Jean-Paul Prates, no jornal francês "Le Monde Diplomatique-Brasil":

"Em tempos de discussão sobre o futuro da Petrobras e do setor de petróleo do Brasil, por conta das turbulências atuais, uma das indagações mais frequentes se relaciona à exploração das reservas do pré-sal.

Preliminarmente, cabe rememorar a nova dimensão geopolítica do balanço entre oferta e demanda do petróleo no mundo, que pode ser resumido em alguns tópicos:

• O mundo deverá superar 110 milhões de barris diários de produção de petróleo em 2020, e os maiores incrementos advirão do Iraque, Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Brasil.

• Reservas tidas como “não convencionais” nos Estados Unidos e outros terão na tecnologia um fator de impulsão absoluto, assim como reservas antes consideradas inacessíveis, como o pré-sal brasileiro.

• O desafio de realizar fraturamento hidráulico de folhelho com responsabilidade ambiental e mitigando efeitos para as populações locais segue sendo crítico para os produtores que, caso não atinjam metas ambiciosas e ostensivas, poderão ter a competitividade de seus investimentos afetada por ações regulatórias e governamentais.

• O recente colapso nos preços do petróleo continua diretamente conectado à enfraquecida e desacelerada demanda mundial, mais do que propriamente às movimentações do cartel da OPEP, embora não se devam jamais desprezar tais iniciativas.

• Um preço internacional do barril que se sustente acima dos US$ 70 viabilizará crescimento de 20% da produção global até 2020, quando, aliás, o Hemisfério Ocidental poderá se considerar autossuficiente em petróleo, graças principalmente a Estados Unidos, Canadá, Brasil, Venezuela, México e oeste africano.

• Assim sendo, é provável que a China incremente sua influência política nos países do Golfo Pérsico e outros produtores globais, inclusive Canadá, Venezuela, Nigéria, Angola, Brasil e até os próprios Estados Unidos: uma inversão total de eixos históricos da geopolítica mundial petrolífera.

É sob essa abóboda contextual que o Brasil deve consolidar sua estrutura regulatória, operacional e socioeconômica relacionada com a exploração das reservas estratégicas localizadas na camada do pré-sal da sua margem atlântica.

O contexto brasileiro, por sua vez, está rodeado de incertezas sobre a capacidade da Petrobras de superar a cataplexia que a atinge, com a materialização dos processos investigatórios e punitivos de crimes [contra ela] ocorridos recentemente, correções ostensivas na gestão interna e a escrituração precisa de prejuízos, erros, desvios e sobrevalorações, de forma a reconquistar a confiança de investidores, acionistas, parceiros e fornecedores. Concretamente, a empresa não sofreu perda de ativos ou redução de desempenho operacional, mas precisará demonstrar condições e até reavaliar metas que lhe permitam retomar o caminho de sucessos técnicos, operacionais e financeiros, sem prejuízo e ao largo das punições a executivos e empresas envolvidas nos processos em curso.

Na outra ponta da análise interna, estão os interesses estratégicos, desde os transnacionais até a mais paroquial política nos estados. A disputa de poder em torno da principal atividade geradora de investimentos no país hoje deve continuar. Estão em jogo a gestão e o direcionamento de dezenas de bilhões de reais em investimentos no setor. Independentemente de corrupção ou desvios, trata-se de um tremendo indutor às disputas usuais, tanto geopolíticas globais quanto político-eleitoreiras locais.

Qualquer acionista, antes e depois de 2015, sabia, sabe e conta com isso em sua tomada de decisões. Há ônus e bônus em ser a Petrobras. E esses nem sempre correspondem, em tempo e espaço, aos ônus e bônus de outras atividades ou localidades. Uma realidade, por certo, não mudou: continuaremos precisando construir e operar superplataformas, sondas, gasodutos, linhas de produção, barcos de apoio, equipamentos submarinos e muitos outros itens que deverão ser fabricados no Brasil para assegurarmos a oportunidade de consolidar uma política industrial e tecnológica que aprimore a independência e a competitividade global do nosso setor petrolífero e, por que não dizer, energético em geral.

Assim, a discussão sobre o cenário econômico nacional relativo ao pré-sal deve focar efetivamente os impactos estruturais que levem ao adensamento da cadeia produtiva nacional do petróleo: o decantado e mal compreendido “conteúdo local”. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última década o peso do setor dentro do cenário industrial nacional saltou de 5% em 2000 para 11,2% em 2010.

Ao emergir como grande produtor global de petróleo, o Brasil também ganhou inédita relevância geopolítica. O que já vinha se materializando aos olhos do mundo, pelas conquistas sociais e tecnológicas do passado recente, tornou-se muito mais palpável com o impulso impressionante do pré-sal. Num mundo em que não há espaço para ingenuidade, não é exagero afirmar que, para defender a soberania marítima nacional, é essencial ampliar o poder de dissuasão naval do país. Para isso, mostram-se vitais programas como o que busca a duplicação da frota e o que viabiliza a construção de um submarino nuclear e quatro convencionais. Tais programas concretizam a importância geopolítica do pré-sal como patrimônio vital para a consolidação da soberania, do processo de desenvolvimento e da inserção internacional do Brasil.

A produção atual do pré-sal é uma gota diante do potencial brasileiro. Os campos gigantes que se espalham do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina são a principal novidade do setor em décadas. Um em cada três barris de petróleo descobertos no mundo nos últimos cinco anos está no Brasil.

Partindo de estimativas conservadoras, o pré-sal deve dobrar as reservas de petróleo do país para 31 bilhões de barris – o número só considera a parte já descoberta. Acredita-se que haja outros 87 bilhões de barris não descobertos. Isso implicaria potenciais US$ 270 bilhões de investimentos previstos até o fim desta década, com mais de 2 milhões de empregos gerados.

A escala de produção que o Brasil pode alcançar abre uma infinidade de negócios para empresas de quase todos os tipos e tamanhos, e a Petrobras continuará sendo o maior comprador individual de bens e serviços da indústria do petróleo mundial por um bom tempo. Aí reside o interesse em disputar-se, ora para depreciá-la, ora para exaltá-la, conforme a proximidade de ocasião ao seu controle. Mas um fato não se disputa: a Petrobras tem força, capacidade e recursos para superar as atuais intempéries, e o Brasil continuará a ter orgulho dela, de seus profissionais e de todos os que gravitam em torno do setor petrolífero brasileiro. Nosso passaporte para o futuro ainda se encontra em boas mãos."

FONTE: escrito por Jean-Paul Prates, no jornal "Le Monde Diplomatique-Brasil". O autor é advogado e economista. Mestre em Gestão Pública de Recursos Naturais e Energia pela Universidade da Pensilvânia e mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo. Diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE). Ex-secretário de Estado de Energia do Rio Grande do Norte. Artigo transcrito no "Blog do Miro"  (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/04/petrobras-o-pre-sal-e-o-futuro.html). [Título e imagem do google acrescentados por este blog 'democracia&política'].

A POLÍTICA DE "CONTEÚDO NACIONAL", QUE O PSDB, AS PETROLEIRAS E FORNECEDORES ESTRANGEIROS INSISTEM EM ACABAR



RECORDANDO A EXPLICAÇÃO DE DILMA SOBRE A POLÍTICA DE "CONTEÚDO NACIONAL", QUE O PSDB, AS PETROLEIRAS E FORNECEDORES ESTRANGEIROS INSISTEM EM ACABAR, JUNTO COM A RETIRADA DA PETROBRAS DO PRÉ-SAL.

Em 3 de setembro do ano passado, o portal "Conversa Afiada" publicou uma postagem, intitulada "Dilma explica à Bláblá o que é conteúdo nacional”, abordando os esforços da oposição para detonar a política de “conteúdo nacional” que Dilma e Lula construíram. Dilma defendera a política diante do presidente da Confederação Nacional da Indústria e do presidente da Federação da Indústria de Minas.

Transcrevo trechos:


"Hoje, a política é a seguinte: todos os produtos produzidos no Brasil têm margem de preferência de 25%. Alguns setores têm uma política de conteúdo local específica. Muitos, hoje, criticam essa política. Bom, eu acho que é importante analisar um exemplo, um simples exemplo, a indústria naval brasileira. A indústria naval brasileira era a segunda maior do mundo nos anos 80. A gente estava ali, até um pouco acima da Coreia.

Bom, [nas décadas de 80 e 90] nós fomos reduzidos a pó. E, agora, nós voltamos com uma política de conteúdo nacional, que não é uma política tradicional, é assim: o que pode ser produzido no Brasil deve ser produzido no Brasil, com prazo, qualidade e preço competitivos, mas prioritariamente produzidos no Brasil. 


Isso possibilitou que essa indústria naval, que estava inteiramente sucateada, se transformasse na quarta indústria mundial de produção de plataformas, sondas, navios e equipamentos. Ora, gente, isso tem um efeito na vida das pessoas. É oferecer para o Brasil um aumento de mais de 10 vezes, em termos de emprego, do que tinha em 2003, que tinha em torno de 7 mil em 2002, sete mi, e hoje, nós, dados de julho 2014, temos 81 mil. E teremos no ano que vem, em 2015, 100 mil empregados nessa área. E é uma indústria extremamente sofisticada. [OBS deste blog: Isso, 100 mil empregados, ainda não ocorreu em 2015 devido à linha de ação do Juiz Moro e do MPF na "Lava Jato", de punir os corruptos mas também praticante extinguir as empresas brasileiras suspeitas de terem formado cartel para fornecer à Petrobras]

Agora, é importante perceber o fator de desenvolvimento dinâmico da indústria que será a indústria de petróleo no Brasil. O Brasil conseguiu descobrir a 7 mil metros de profundidade o petróleo, lá no fundo do mar, e tirá-lo de lá. Qual é o resultado disso para a indústria? É que essa indústria vai demandar a construção de plataformas sofisticadas e cada vez mais emprego. Vai demandar móveis, porque dentro de uma plataforma tem móveis. Vai demandar a indústria de plástico, vai demandar todos os setores industriais. E ela, como a gente vê aqui também nesta 8ª Olimpíada do Conhecimento, a indústria de petróleo e gás do Brasil, tem um forte componente de criar tecnologia, de criar inovações e de difundir essas tecnologias e essas inovações pelo resto de todo o segmento industrial.

Agora não é só isso, não. É que a lei [sobre o pré-sal] converteu o petróleo numa poderosa máquina na área de educação e saúde. Nós vamos transformar uma riqueza, que não é permanente porque ela não é renovável. O petróleo, você explora e ele termina. Vai transformar não só em emprego, mas transformar a parte relativa ao recurso que fica para o governo federal em mais investimento em saúde e educação. Em educação, especificamente, vai significar não só a melhor educação básica, mas também melhor pagamento a professores. É inconcebível a gente achar que nós teremos uma educação de qualidade sem ter professores qualificados. Não existe uma coisa com a outra, não bate.

Então, eu acredito que tudo isso vai permitir que nós tenhamos um grande desenvolvimento. Até porque a política de compras, hoje, exige que 60% de tudo o que for aplicado para extrair petróleo seja feito pela indústria nacional. É uma reivindicação que a CNI fez para o governo, que nós temos de aferir se estão, de fato, aplicando 60%, e não computando, por exemplo, custos administrativos como 60% de conteúdo local, o que não está correto. Aí, é necessário, sem sombra de dúvida, ver a quantidade de peças, partes, equipamentos que está sendo computada como conteúdo local. Agora, de fato é um grande fator de dinamismo para a indústria brasileira.
"

FONTE: este blog, com dados do portal "Conversa Afiada".

PETROBRAS BATE EM SERGIPE RECORDE DE ÁGUAS ULTRAPROFUNDAS




Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras:

Concluímos poço na Bacia de Sergipe e batemos recorde de profundidade de água na costa brasileira

"Concluímos a perfuração do poço 3-BRSA-1296-SES (nomenclatura ANP), em águas ultraprofundas da Bacia de Sergipe, na concessão BM-SEAL-10, bloco SEAL-M-499.

Os resultados dos testes confirmaram a presença de petróleo leve (de maior valor de mercado) e boas condições de porosidade e permeabilidade dos reservatórios.

A perfuração do poço atingiu a profundidade final de 6.060 metros. O poço está localizado a 94 km da cidade de Aracaju (SE), a 10 km do poço descobridor, em profundidade de água de 2.988 metros. Essa profundidade representa um novo recorde na perfuração de poços marítimos na costa brasileira.

Esse é o terceiro poço de extensão na área de Moita Bonita, descoberta em agosto de 2012, e integra o projeto exploratório da Bacia de Sergipe-Alagoas em águas profundas.

Detemos 100% de participação no bloco e daremos continuidade ao Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), conforme aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)."

FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras  (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/concluimos-poco-na-bacia-de-sergipe-e-batemos-recorde-de-profundidade-de-agua-na-costa-brasileira.htm).

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A CAMPANHA DA DIREITA PARA MORO PRESIDENTE




FILÓSOFO IRONIZA E FAZ CAMPANHA PARA MORO PRESIDENTE

"Amilton Sganzerla diz que o juiz da Lava Jato "cria a imagem simbólica de grande combatente da corrupção" e "está cumprindo fielmente a agenda de tentar fulminar e destruir os principais símbolos da esquerda no país". O filósofo afirma ainda em artigo que, "caso o ninho venha a chocar, na hora certa Moro renunciará à função de magistrado, vai se filiar a um pequeno partido e construirá uma ampla aliança de direita. E o restante a Globo e seus satélites farão".

Sergio Moro Presidente do Brasil!

Por Amilton Sganzerla*

"Será esta uma hipótese absurda? Talvez sim, talvez nem tanto. Vejamos.

Moro não é político profissional, agrada a todos os que acham que a política é a mãe de todos os males.

Moro age como um déspota, atende a todos os que querem a volta da ditadura.

Moro é algoz da esquerda, contempla a todos os que são de direita.

Moro prende e castiga alguns grandes empresários, satisfaz a todos os que acham que a justiça não põe rico na cadeia.

Moro agrada os barões da mídia. Por duas razões. Porque cumpre sua agenda de enfraquecer o governo federal e porque rende uma manchete por semana. Eles precisam também de manchetes para vender seu produto.

Moro agrada às multinacionais, porque está destruindo o pouco que temos de engenharia e tecnologia nacional.

Moro evita qualquer problema aos partidos de direita em suas investigações, porque precisará de seu apoio em futuro próximo.

Moro passa por cima da lei para punir os supostos criminosos, igualzinho aos heróis dos filmes policiais de Hollywood.

Moro cria a imagem simbólica de grande combatente da corrupção, tida como o grande e único mal do país.

Moro aparenta competência, organização e capacidade de comando, tudo o que dizem que um bom gestor precisa.

Moro prestou juramento de vassalagem e demonstração de encantamento ao verdadeiro partido político da direita no Brasil, a "Rede Globo" e seus donos, ao aceitar e receber, sem conseguir esconder o deslumbramento, o Prêmio "Faz a Diferença – Personalidade do Ano" das mãos dos "marinhos".

Moro está cumprindo fielmente a agenda de tentar fulminar e destruir os principais símbolos da esquerda no país.

Não estamos presenciando, infelizmente, um processo de combate à corrupção e, sim, a construção de uma candidatura à Presidência da República.

Não cabe mais no Brasil o retorno de um despotismo visualmente truculento como foi o dos militares pós-64. O que está na chocadeira é um candidato a déspota esclarecido e com apoio popular.

A direita brasileira está com um plano bem pensado e arquitetado e farão com o próprio Alckmin e o PSDB o que fizeram com Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e a UDN em 64. Serão usados enquanto úteis e descartados na hora certa.

Moro será o candidato perfeito para o ambiente político construído. É a luva na mão para uma nova ditadura no Brasil.

Político sem aparentar ser político, comportamento militar sem ter farda e insígnias, popularidade midiática sem ser do povo, aparência de reformador para evitar qualquer reforma, aparência de cidadão comum para ser legítimo representante da elite, combatente da corrupção sendo o protetor da pior corrupção.

A elite brasileira está com a tática do "quero-quero", ave das nossas terras: canta numa coxilha e põe os ovos na outra.

Caso o ninho venha a chocar, na hora certa, Moro renunciará à função de magistrado, vai se filiar a um pequeno partido e construirá uma ampla aliança de direita. E o restante a "Globo" e seus satélites farão.

A principal forma de evitar assaltos ainda é a capacidade de prever os movimentos dos assaltantes e, assim, tomar medidas para que não aconteça.

Há um assalto em andamento contra a democracia brasileira e as poucas conquistas sociais obtidas neste curto espaço democrático conquistado de 1988 até hoje.

O despotismo esclarecido está em gestação no Brasil.

O mundo das aparências encobre a essência do mundo. Hoje, no Brasil, mais do que nunca.

Precisamos desmascarar o plano para que o mesmo não se complete."

FONTE: escrito por Amilton Sganzeria, "filósofo de meia idade", que vive em Porto Alegre. Artigo escrito para o Blog "Escrevinhador" e transcrito no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/178772/Fil%C3%B3sofo-ironiza-e-faz-campanha-para-Moro-presidente.htm).