domingo, 3 de maio de 2015

"DILMA SOFRE VINGANÇA NEOLIBERAL"' (diz sociólogo italiano Masi):




DOMENICO DE MASI: DILMA SOFRE 'VENDETTA NEOLIBERAL'

"Aécio Neves (PSDB) perdeu as eleições, e o movimento neoliberal se voltou contra Dilma, que não é pior que outros presidentes. A corrupção sempre existiu no país. O Brasil tem mil outros problemas para resolver... Há um grande desencontro entre o Brasil real e o Brasil intelectual", opina o sociólogo italiano; ele também disse que o Brasil é um país pessimista.

Do "Brasil 247"

O sociólogo italiano Domenico De Masi acredita que a presidente Dilma Rousseff é hoje "vítima de uma vingança neoliberal". Em entrevista à [tucana] "Folha de S. Paulo", ele afirma: "Aécio Neves (PSDB) perdeu as eleições, e o movimento neoliberal se voltou contra Dilma, que não é pior que outros presidentes. A corrupção sempre existiu no país. O Brasil tem mil outros problemas para resolver... Há um grande desencontro entre o Brasil real e o Brasil intelectual".

Ele também disse que o Brasil é um país pessimista. De Masi concluiu uma pesquisa com 11 intelectuais brasileiros sobre como estará o Brasil em 2025 e revelou que a maioria foi pessimista. "No Brasil é assim: se algo vai mal, vai mal; se algo vai bem, no futuro vai piorar (risos). Esse é um pensamento típico dos brasileiros. Confrontadas com a realidade, essas ideias não param de pé", afirma.

Para mudar a reestruturação da riqueza no mundo, o intelectual defende o pagamento de impostos – "impostos altos" – e lembra que "a maioria das 85 pessoas mais ricas do mundo é formada por ladrões de impostos". Ele aponta uma inversão da luta de classes mundial. "É uma vendeta. O neoliberalismo da era Thatcher inverteu as coisas: a luta de classes dos pobres contra os ricos se tornou a luta dos ricos contra os pobres". E acrescenta que isso aconteceu no Brasil também.

Leia aqui a íntegra [ou a seguir]:.

ENTREVISTA - DOMENICO DE MASI

Intelectual brasileiro tem mentalidade de 3º Mundo

Sociólogo italiano, que concluiu pesquisa sobre visões do Brasil em 2015, afirma que Dilma sofre "vendetta neoliberal"

Por FERNANDA MENA [do jornal tucano neoliberal "Folha de São Paulo]

"Se trabalho é vida e vida é trabalho, o sociólogo italiano Domenico De Masi, 77, que estuda atividades produtivas na era pós-industrial, paradoxalmente reitera como solução para o crescente desemprego no mundo a antiga reivindicação dos proletários: redução das jornadas.

O professor da Universidade La Sapienza, em Roma, celebrizou-se por conceitos como "ócio criativo" (aliar trabalho, estudo e lazer a um só tempo) e "teletrabalho" (produção à distância facilitada por meios tecnológicos).

Fã do Brasil e da cultura brasileira, que já destacou como "exemplo" de produção criativa, De Masi esteve em São Paulo para um ciclo de palestras intitulado "Utopia e Realidade: trabalho produtivo e qualidade de vida".

Em entrevista à "Folha", ele diz que os brasileiros têm complexo de vira-latas: o país coleciona posições de Primeiro Mundo, mas seus intelectuais só conseguem deixar de enxergar o país como Terceiro Mundo quando confrontados com dados"

Leia a seguir:

Folha - Suas teorias sobre ócio criativo e redução das jornadas de trabalho são, em geral, encaradas como utopia. Essas ideias podem ser aplicadas?

Domenico de Masi - À medida que a tecnologia avança, engole postos de trabalho nas mais diversas áreas. Mas suplanta principalmente os trabalhos executivos, físicos ou intelectuais, que são 77% das atividades laborais do mundo, restando os trabalhos criativos, que correspondem a 33%.

É como se tivéssemos uma mesma torta para dividir por um número crescente de pessoas. O que fazer? Dividi-la em pedacinhos menores para que todos possam comer. Assim funciona com o trabalho. Precisamos reduzir as jornadas de trabalho para que todos possam trabalhar.

Mas não se pode esperar que os setores produtivos estejam dispostos a reduzir jornadas para ter mais funcionários...

Não. Empresas são organizações conservadoras. Olham para trabalho como se fosse a era industrial. Só que apenas 33% da atividade produtiva hoje é braçal, o restante é trabalho intelectual.

Para produzir cem automóveis, antes eram necessárias cem horas. Se hoje são necessárias 50 horas, ou o total de empregados trabalha metade do tempo de antes ou teremos metade dos funcionários. Os que ficarem sem trabalho não poderão mais consumir. E, se não puderem consumir, para quem vou produzir tantos automóveis? A conta não fecha.

É esse o motor de muitas das crises econômicas?

Não. Crise é algo transitório. Isso é uma reestruturação mundial da riqueza.

Na Itália, dez pessoas têm a mesma riqueza de 6 milhões. No mundo, 85 pessoas, incluindo 12 brasileiros, têm a riqueza de 3,5 bilhões de pessoas. Esses 85 bilionários podem ter duas, três, dez Ferraris, mas não vão comprar 3,5 bilhões de calças, vestidos e sapatos. O consumo cai, a produção cai junto.

Como mudar essa reestruturação da riqueza?

Pagando impostos --e impostos altos. Na verdade, a maioria das 85 pessoas mais ricas do mundo é formada por ladrões de impostos. Eles sonegam impostos e, quando pagam, o fazem na Holanda, onde são mais baixos.

São pessoas que financiam campanhas eleitorais em barganha por leis que os favoreçam. E isso alimenta o ciclo da desigualdade.

Trata-se de uma luta de classes às avessas?

É uma vendeta. O neoliberalismo da era Thatcher inverteu as coisas: a luta de classes dos pobres contra os ricos se tornou a luta dos ricos contra os pobres.

Isso ocorre no Brasil também. [neste parágrafo, dentro da tradicional prática da mídia brasileira de "editar" notícias, reconstruir fatos, foi inserida artificialmente pela tucana "Folha", totalmente incoerente com a realidade brasileira e com as afirmações de Masi, a seguinte risível fantasia: "Os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso adotaram uma política social-liberal, estabilizaram a economia e iniciaram uma política social. Os oito anos de Lula redistribuíram parte da riqueza que FHC criou, com uma política social-democrata, que permitiu a muitos brasileiros ascenderem"].

Hoje, Dilma é vítima de uma vingança neoliberal. Aécio Neves (PSDB) perdeu as eleições, e o movimento neoliberal se voltou contra Dilma, que não é pior que outros presidentes. A corrupção sempre existiu no país. O Brasil tem mil outros problemas para resolver... Há um grande desencontro entre o Brasil real e o Brasil intelectual.

Que desencontro é esse?

O Brasil tem uma taxa de desemprego que é um terço da italiana ou metade da norte-americana...

Mas espera-se um aumento...

No Brasil é assim: se algo vai mal, vai mal; se algo vai bem, no futuro vai piorar (risos). Esse é um pensamento típico dos brasileiros. Confrontadas com a realidade, essas ideias não param de pé.

Terminei uma pesquisa com 11 intelectuais brasileiros sobre como estará o Brasil em 2025. Grande parte desses intelectuais é pessimista.

O PIB brasileiro é o sétimo do mundo, à frente da Itália e da Inglaterra. O Brasil está em quinto em produção industrial. Está em terceiro lugar em acesso à internet, atrás dos EUA e da Suécia. Ou seja, o Brasil ocupa posições de Primeiro Mundo, mas os brasileiros ainda se enxergam como Terceiro Mundo.

Quando esses mesmos intelectuais foram confrontados com dados reais, eles se mostram mais otimistas do que quando discutiram entre si. Os brasileiros têm complexo de vira-lata."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/179211/Domenico-De-Masi-Dilma-sofre-'vendeta-neoliberal'.htm) e  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/217847-intelectual-brasileiro-tem-mentalidade-de-3-mundo.shtml).[Trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

A CAMINHADA DO PSDB PARA A DIREITA ESTÁ COMPLETA



A CAMINHADA DO PSDB PARA A DIREITA ESTÁ COMPLETA

Por MARIA INÊS NASSIF, no portal Carta Maior

O PSDB se tornou um boneco de ventríloquo: aparelhado pelas forças sociais conservadoras, coloca a truculência policial ao dispor do reacionarismo

"A violenta repressão da Polícia Militar a uma manifestação de professores em Curitiba – que justificadamente protestavam contra o assalto do governo do Estado a um fundo de Previdência que é deles – traz preocupações que transcendem a própria violência. O perfil dos governos do PSDB nos Estados onde, teoricamente, o partido tem líderes de vocação nacional, confluem para um conservadorismo orgânico, para um modelo tucano de governar vocacionado ao fiscalismo, à visão desumanizada do servidor público e do que se considera adversários políticos, ao desprezo pela gestão pública e, fundamentalmente, para uma opção por uma política de segurança pública pautada pela força bruta.

Se isso for considerado no plano nacional, e numa conjuntura em que a esquerda está enfraquecida, a perspectiva futura de poder federal – se as forças no poder não se reerguerem – é de governos altamente conservadores, fiscalistas, desumanizados, alheios à função social da gestão pública e truculentos. Esse é o pior dos Brasis pensados para o futuro.

Os dois governos, de Beto Richa (PR) e Geraldo Alckmin (SP), fecham o ciclo da caminhada perseverante do PSDB rumo à direita. É a linha ideológica, hoje, o principal liame entre os políticos do partido e sua base partidária, e ela foi tecida de fora para dentro, já que o partido nunca conseguiu resolver uma dificuldade histórica de constituir-se em formulador ideológico e formador de quadros.

Na verdade, são as forças sociais conservadoras e os meios de comunicação, apoiadores incondicionais do PSDB, que têm desempenhado o papel de escolher os quadros tucanos e de definir ideologicamente a legenda. 

Por esse filtro, jamais a qualidade do quadro é colocado como condição para sua ascensão midiática, que por sua vez define as escolhas internas do partido: o apoio é simplesmente proporcional à capacidade ofensiva (no pior sentido) do político, nunca ao que ele pode agregar a um projeto de Brasil ideológico e consistente.

No momento em que se aliou a essas forças de forma radical, o PSDB acabou se tornando prisioneiro de sua própria armadilha. A estratégia de desqualificar a política institucional, usada para minimizar os ganhos eleitorais do petismo, acabou se constituindo na desqualificação de si próprio. Para as forças sociais e para os meios de comunicação aliados ao PSDB por conveniência, o partido é apenas um instrumento na guerra deflagrada para vencer a esquerda, que teve no petismo a sua principal expressão.

Se a esquerda institucional hoje tem sérios problemas de qualidade de quadros, a direita mais ainda. Hoje, os políticos que "repercutem" as denúncias cavadas diuturnamente pela mídia tradicional, numa estratégia perseverante de desconstrução da esquerda, têm uma condição não melhor do que o boneco no colo do ventríloquo: fala o que o dono quer ouvir. Sem condições de alçar voos pela qualidade de seus quadros, o PSDB depende hoje, desesperada e unicamente, de ser o escolhido pela mídia tradicional como instrumento de guerra; e de, nessa condição, ser o alvo preferencial dos financiamentos empresariais dentro da oposição. Com dinheiro e com apoio das mídias, não há condições de qualquer outro partido oposicionista concorrer com ele como aparelho ideológico preferencial da direita.

Como força política institucional, o PMDB, hoje, estaria muito mais apto a desempenhar esse papel – a substância ideológica peemedebista, depois de extraído o sumo da fisiologia, é francamente conservador. Mas não vai. Isso porque o PMDB de Eduardo Cunha e Renan Calheiros não é um partido nacional com chances de ser aparelhado por esses grupos, mas uma soma de chefes políticos estaduais e de grandes interesses econômicos comezinhos e particulares. Os pemedebistas sobrevivem do outro lado do balcão, o governista, com mais segurança, hoje com chances de grande autonomia, e a um custo muito mais alto para essas forças sociais do que a que impõe um PSDB sem quadros e sem personalidade própria. As fragilidades tucanas são atrativas para a direita social porque isso o torna altamente manipulável.

A ausência de vida interna do PSDB e o aparelhamento do partido pelos meios sociais e forças políticas conservadoras, ao longo dos últimos 12 anos, produziu um saldo desalentador. O candidato a presidente nas últimas eleições, derrotado, não consegue sequer formular uma estratégia de oposição minimamente consistente para construir uma personalidade própria, sua e do partido. A única estratégia política de Aécio Neves, presidente nacional tucano, é tirar a candidata vencedora nas eleições do ano passado do poder, a qualquer custo, e antes que cumpra o mandato para o qual foi eleita.

Nos Estados, Alckmin e Richa professam o conservadorismo que os apoiam usando a linguagem mais conservadora disponível: o uso da truculência policial, que se submete ao executivo estadual. No Senado, a profissão do preconceito como arma ideológica, e a mesma truculência, se consolidam. E tudo isso leva de roldão o que se considerava, há pouco mais de duas décadas, a nata da inteligência socialdemocrata do Brasil. Não é à toa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso/PSDB fala, desfala e desordena pensamentos, como uma biruta numa tempestade de ventos. 

Este não é um cenário propício para o exercício da inteligência."

FONTE: escrito por MARIA INÊS NASSIF no portal Carta Maior. Transcrito no prtal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/179290/A-caminhada-do-PSDB-para-a-direita-est%C3%A1-completa.htm).[Imagem do google acrescentada por este blog 'democracia&política'].

sábado, 2 de maio de 2015

LULA SOBRE "VEJA" E "ÉPOCA": "LIXO, NÃO VALEM NADA"




LULA SOBRE "VEJA" E "ÉPOCA": "LIXO, NÃO VALEM NADA"

"Eis o trecho do discurso antológico do ex-presidente Lula sobre reportagens recentes de "Veja" e "Época", que tentam, desesperadamente, ligá-lo à Operação Lava Jato, e também forçar empresários a fazer delações contra ele ou contra a presidente Dilma Rousseff; "Ah, lá na Operação Lava, tão esperando que alguém cite o nome do Lula. Ah, porque o objetivo é pegar o Lula. Aí vêm essas revistas brasileiras que são um lixo, não valem nada, falando a mesma coisa", disse ele, no Primeiro de Maio. "Convoquem um congresso de empresários e dá um prêmio para citar o meu nome. Oferece quem dá mais. Quem sabe seja mais fácil resolver o problema". Lula disse ainda que conheceu vários grupos de comunicação falidos e que não se negou a ajudá-los. Por fim, fez um desafio: "pois é o seguinte, não me chame pra briga, porque eu sou bom de briga e eu gosto dessa briga".

Do "Brasil 247"


Na sexta-feira, o ex-presidente Lula fez um importante discurso sobre meios de comunicação que tentam, de forma quase desesperada, conectá-lo à Operação Lava-Jato, seja com denúncias estranhíssimas (é o caso de Época deste fim de semana), seja com pressões para forçar empresários a delatá-lo. 

Confira alguns trechos:

"Ah, lá na Operação Lava, tão esperando que alguém cite o nome do Lula.

Ah, porque o objetivo é pegar o Lula.

Aí vêm essas revistas brasileiras que são um lixo, não valem nada, falando a mesma coisa.

Pegue todos os jornalistas da Veja, da Época, e enfie um dentro do outro, que não dá 10% da minha honestida

Não tem um cara da elite brasileira que já tenha recebido favor do Estado brasileiro.

Eu recebi muitos meios de comunicação falidos e ajudei porque acho que a comunicação tem que ser forte.

Agora, eu queria dizer uma coisa.

Cada um olhe pro seu rabo, ao invés de olhar para o rabo dos outros.

Se alguém acha, que eu cheguei onde cheguei, que vou baixar a minha crista por conta de insinuação... pois é o seguinte, não me chame pra briga, porque eu sou bom de briga e eu gosto dessa briga".


Confira, abaixo, o vídeo:




FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/179261/Lula-sobre-Veja-e-%C3%89poca-lixo-n%C3%A3o-valem-nada.htm).


COMPLEMENTAÇÃO 1

LULA ENCARA OS MARINHO: "OLHEM PARA O PRÓPRIO RABO"



"O ex-presidente Lula fez um contundente discurso no Primeiro de Maio. Primeiro, mandou a imprensa "olhar pro próprio rabo" antes de fazer insinuações sobre BNDES (neste fim de semana, a revista "Época", da "Globo", o condenou como "operador" de vantagens no BNDES por conta de uma investigação aberta há dez dias!!!!). Lula disse ainda que os barões midiáticos, como os Marinho, têm medo de sua volta, em 2018. Mais: disse ainda que aceitou a provocação e que começará a viajar pelo País. "Quero dizer aqui, na frente das crianças: "pega 10 jornalistas da "Veja", da "Época", e enfia um dentro do outro que não dá nem 10% da minha honestidade", disse Lula. "Aos meus detratores: eu vou andar este país outra vez, e vou conversar com os desempregados, os camponeses, os empresários. Vou começar a desafiar aqueles que não se conformaram com o resultado da democracia".

Do "Brasil 247"

O ex-presidente Lula fez um discurso mais do que contundente no Primeiro de Maio, em São Paulo.

Primeiro, mandou a imprensa "olhar pro próprio rabo" antes de fazer qualquer insinuação sobre BNDES – no fim de semana, a revista "Época", da "Globo", acusou o ex-presidente de ser "operador" de vantagens para a construtora Odebrecht, por conta de uma investigação aberta há apenas dez dias pelo Ministério Público (saiba mais aqui).

Lula disse ainda que os barões da imprensa (como a família Marinho, que recentemente esteve envolvida em escândalos de sonegação fiscal) têm medo de sua volta em 2018.

Lula foi ainda mais longe. Anunciou que a provocação está aceita e disse que vai viajar pelo País.

Cutucado pela "Globo" como uma denúncia que envergonha a imprensa e o Ministério Público (leia post de Luis Nassif a respeito), Lula reagiu e praticamente se lançou candidato.

Leia, abaixo, nota do Instituto Lula sobre o discurso:

"O ex-presidente Lula participou na sexta-feira (1) do ato unificado do Dia do Trabalhador convocado por centrais sindicais e movimentos sociais no centro de São Paulo. O ato, organizado pelas centrais CUT, CTB, Intersindical e movimentos sociais de diversas áreas, como o direito à moradia, o direito à terra e a democratização da comunicação serviu para o lançamento de uma frente unificada de movimentos de esquerda para enfrentar a ofensiva conservadora no Congresso Nacional. "Vamos reunir os movimentos de mulheres, negros, pela educação, pela causa LGBT, diversos movimentos sociais, e montar uma frente unificada em defesa do Brasil, contra a direita conservadora. Diremos não à intolerância no Brasil, e não deixaremos que mexam nos nossos direitos. Como disse o ex-presidente Lula, que não ousem mexer nos direitos da classe trabalhadora", afirmou Vagner Freitas, presidente da CUT, antes da fala de Lula.

Em seu discurso, Lula criticou insinuações contra o seu nome. "Vejo nas revistas brasileiras, que são um lixo, as insinuações. Eles querem pegar o Lula, mas me chama para a briga que eu gosto", afirmou, para as milhares de pessoas presentes ao ato, no Vale do Anhangabaú. "Quero dizer aqui, na frente das crianças: pega 10 jornalistas da Veja, da Época, e enfia um dentro do outro que não dá nem 10% da minha honestidade", completou.

Em defesa do governo federal, Lula disse que irá voltar a viajar pelo Brasil para conversar com os brasileiros. "Aos meus detratores: eu vou andar este país outra vez, e vou conversar com os desempregados, os camponeses, os empresários. Vou começar a desafiar aqueles que não se conformaram com o resultado da democracia", afirmou.

As centrais e movimentos presentes aprovaram a realização de um dia de lutas em 29 de maio para manifestar seu repúdio ao projeto de lei 4330, que permite a terceirização de todos os postos de trabalho no Brasil. Será articulada ainda uma marcha a Brasília para o dia em que o Senado abrir a votação sobre o projeto."

FONTE da complementação 1:   do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/179253/Lula-encara-os-Marinho-olhem-para-o-pr%C3%B3prio-rabo.htm).


COMPLEMENTAÇÃO 2


Lula: Se tentarem derrubar Dilma, vão mexer com milhões de brasileiros


"O ex-presidente Lula participou, na sexta-feira (1), do ato do Dia do Trabalhador realizado no Vale do Anhangabaú, em São Paulo e deu um recado à direita que não aceitou o resultado das urnas. “Eles têm que saber que se tentarem derrubar a Dilma, eles vão mexer com milhões e milhões de brasileiros trabalhadores”, afirmou. A atividade foi organizada pelas centrais sindicais CTB, Cut e Intersindical e contou com a participação de movimentos sociais e dos partidos PCdoB, PT, PCO e Psol.

Foto: Ricardo Stuckert | Instituto Lula

Lula convocou a população a defender a democracia e o resultado eleitoral das urnas
Lula falou que está disposto a viajar novamente de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil para conversar com o povo. “Aos meus detratores: eu vou andar este país outra vez, e vou conversar com os desempregados, os camponeses, os empresários. Vou começar a desafiar aqueles que não se conformaram com o resultado da democracia".

Para o ex-presidente, o resultado das urnas deve ser respeitado para a Dilma ter autonomia de colocar em prática seu plano de governo. “Ela tem um projeto para os próximos quatro anos, para melhorar ainda mais a vida dos trabalhadores brasileiros, mas agora eles têm que deixar ela governar”.

Lula acredita que a unidade popular em defesa da democracia, da Petrobras, do desenvolvimento e contra a tentativa de interromper o mandato da presidenta Dilma é fundamental para fortalecer o projeto de governo progressista iniciado por ele. “Nós ainda vamos voltar aqui, dentro de quatro anos, para comemorar o exitoso governo da Dilma”.


Foto: Mariana Serafini

Sobre o Projeto de Lei que aprova a terceirização irrestrita do trabalho, Lula se posicionou contrário e destacou a importância da luta dos trabalhadores para garantir os direitos já conquistados. “Os terceirizados são os mais prejudicados, eles trabalham, em média, 3 horas a mais por dia que os outros, isso representa 800 mil empregos a menos no país, além disso, eles ganham menos e não têm direitos, a gente não pode permitir que isso seja regulamentado”.

Na ocasião, Lula também aproveitou para destacar seu rechaço à tentativa do Congresso de reduzir a maioridade penal. Para ele, essa atitude é um “crime contra o futuro do Brasil”. “Eles acham que prender criança de 15, 16 anos vai resolver, mas crime mesmo é o que o Estado fez com esses jovens por não dar direito de estudar e trabalhar com dignidade, antes de levar presos, a gente precisa saber o que aconteceu com a família desses jovens, por que eles cometeram crimes”, disse.

Ressaltou seu programa de governo, que teve continuidade com Dilma, cujo objetivo é ampliar cada vez mais o ingresso de jovens em universidades e escolas técnicas. Destacou ainda o papel dos programas sociais que contribuem para a formação e permanência de crianças e adolescentes na escola.

Democratização da mídia

Lula falou sobre a importância de democratizar os meios de comunicação e criticou o papel a que se presta a imprensa hegemônica quando fortalece a luta da oposição em busca de um golpe parlamentar e da criminalização dos partidos de esquerda. "Vejo nas revistas brasileiras, que são um lixo, as insinuações. Eles querem pegar o Lula, mas me chama para a briga que eu gosto”.

A comunicação tem que ser democrática e tem que funcionar, eu mesmo já ajudei vários veículos de comunicação que estavam falindo, e não é por isso que eles tem que falar bem do meu governo ou o do governo da Dilma não, eles têm o direito de agirem livres”.

FONTE da complementação 2: escrito por Mariana Serafini, do "Portal Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/263234-8).

DILMA DEU BOFETADA NA "GLOBO"



Dilma dá bofetada na Globo no Dia do Trabalho

“Estamos na Era Digital: é um recado inteligente, mesmo para os paneleiros que se movem sob a manipulação da imprensa e da própria ignorância.”

O Portal "Conversa Afiada" reproduz artigo de Paulo Nogueira, extraído do DCM:

DILMA DEU UMA BOFETADA NA REDE GLOBO AO REJEITAR A TEVÊ NO DIA DO TRABALHO

"Existem problemas reais, e existem falsos problemas.

Falso problema é, por exemplo, Dilma falar ou não por rede de tevê no Dia do Trabalho.

Em plena Era Digital, exigir que Dilma apareça na televisão é uma questão de obsolescência mental.

Vi, sem surpresa, a oposição tentando tirar bovinamente proveito da decisão presidencial de limar a tevê. Aécio pontificou.

Aécio não perde a oportunidade de falar quando poderia ficar quieto. (E, como no caso dos professores do Paraná, de silenciar quando deveria falar). Renan Calheiros também nos obsequiou com suas imprescindíveis considerações sobre o gesto de Dilma. Não lembro mais o que Renan disse, mas foi com certeza alguma coisa fascinante.

Essa é a vida.

Mas, com alguma surpresa, vi gente de esquerda também indignada com Dilma.

Aí não faz, simplesmente, nexo.

Tudo que Dilma possa fazer para dessacralizar a televisão entre os brasileiros é bem-vindo, dado o mal que "Globo" e demais emissoras representam para a sociedade.

Repito: tudo.

Há uma tradição inercial pró-televisão, e particularmente pró-"Globo", que deve ser rompida.

Por que, por exemplo, o último debate para presidente é ainda na "Globo"?

Os opositores dizem que, por trás da decisão de Dilma, está um alegado receio de um panelaço.

Ainda que seja essa a motivação: evitar as panelas dos analfabetos políticos. Mesmo assim, o fato, em si, é positivo.

Estamos na Era Digital: é um recado inteligente, mesmo para os paneleiros que se movem sob a manipulação da imprensa e da própria ignorância.

Eu até admitiria pensar duas vezes sobre o tema se Dilma fosse uma mestra da tevê, como Lula, mas definitivamente não é o caso.

De resto, importante, mesmo, é o conteúdo da fala.

Há vários assuntos importantes para os trabalhadores, como a terceirização.

O pronunciamento de Dilma, seja em que plataforma for, foi uma chance para ela deixar claro que é contra – visceralmente contra — a terceirização das atividades fim, como querem Eduardo Cunha e seguidores.

Num plano mais sonhador, me ocorre que Dilma poderia também endereçar sua solidariedade, ainda que atrasada, aos professores do Paraná, tratados selvagemente pelo governador Beto Richa.[...]

De toda forma, rejeitar a televisão foi um gesto histórico – um reconhecimento de que são outros os tempos, e uma bofetada bem dada na 'Rede Globo'." 

FONTE: artigo de Paulo Nogueira, extraído do "Diário do Centro do Mundo" (DCM) e transcrito no portal "Conversa Afiada" (http://www.conversaafiada.com.br/pig/2015/04/30/nogueira-dilma-da-bofetada-na-globo-no-dia-do-trabalho/).

INTERNET: SOMBRA DE UM GRANDE RETROCESSO




Internet: sombra de um grande retrocesso

Por Rafael Evangelista, no site "Outras Palavras":

"Todos os dias, milhões de pessoas ao redor do mundo repetem, ao acordar, o mesmo gesto: desligam o despertador do celular, ligam o wi-fi de casa, acessam as redes sociais e conferem as notícias recentes, escolhidas – literalmente – a dedo por aqueles que resolvemos “seguir”: amigos, amigos da rede, personalidades, jornalistas, formadores de opinião, colunistas, piadistas.

Se o ritual não é exatamente esse, não foge muito de um roteiro comum. O café da manhã com as notícias do jornal, selecionadas no dia anterior pelo editor-chefe da renomada publicação e que congregava o que era “preciso saber” sobre o que aconteceu no mundo, vai sendo substituído. A seleção, por um lado, é mais distribuída (democrática?) e bebe das fontes mais diversas, confiáveis ou não. Por outro, não obedece a uma ordenação visível, equilibrada ou, aparentemente, lógica. É feita de acordo com o leitor, de acordo com sua ficha no sistema ou com algo derivado disso, relacionado ao perfil, gostos ou interesses das pessoas ou instituições a que está conectado como amigo, seguidor ou qualquer que seja a palavra que a rede social escolhe para designar a ligação entre perfis.

Essa, porém, é somente a versão mais simples da situação, do novo cenário que marca o nosso consumo de notícias, informação e cultura, a relação mediada que estabelecemos com o mundo, com a realidade, via meios de comunicação. Nessa relação, o jornalismo está incluído, mas é apenas uma parte do conjunto de produções informacionais que nos é entregue diariamente pelo mesmo canal, ou por um conjunto de canais/redes sociais a partir dos quais somos indicados a que vídeos ver, que música ouvir, que notícias e opiniões consumir. Como uma televisão de programação fragmentada, onde a fronteira entre ficção e realidade é borrada freneticamente.

As questões mais visíveis que se colocam aí – falaremos também de outras, subterrâneas – dizem respeito a como se tornou emergente a seleção do que nos é apresentado. Por "emergente" entende-se algo que não obedece, a priori, um comando total centralizado, um indivíduo ou um conjunto determinado de indivíduos que escolhe soberanamente o que vai estar na capa e nas folhas internas do jornal. A escolha passa a se dar “de baixo para cima”, derivada de uma interação, que varia de acordo com cada usuário, entre os diversos pontos da rede. O “jornal” que leio certamente será diferente do jornal que outros leem. Talvez seja parecido com o de outros palmeirenses, da região de Campinas, interessados em tecnologia e sociedade. Ainda assim, não idêntico.

A própria ideia de "jornal" parece cada vez mais como algo do passado. Os veículos, sejam os jornais e revistas físicos que comprávamos na banca, sejam os grandes portais dos primeiros anos da internet, se estilhaçam. Os recebemos aos pedaços, uma matéria, uma coluna, uma charge. Continuam lá, como estrutura, ainda podemos navegar por eles. No caso dos portais, foram tornados imensos, na busca desesperada por cliques, em que tanto faz 100 cliques em 10 matérias ou 10 cliques em 100 matérias. Mas consumimos os veículos despedaçados, com o nome do jornal ou do site mais funcionando como uma referência de confiabilidade e inclinação político-editorial do que qualquer outra coisa. Uma marca, a se confiar muito, pouco ou nada.

Veículos de comunicação do mundo todo, e de todos os tamanhos, hoje dependem das redes sociais para terem seus conteúdos acessados pelo grande público. Quem está fora delas, ou não as alimenta com verbas publicitárias dos mais variados tamanhos, dificilmente alcança uma audiência relevante. Movimentos sociais, que nos últimos anos apostaram quase todas as suas fichas na mobilização via redes sociais mais famosas – afinal, todo mundo está lá – hoje estão praticamente igualados a qualquer empreendimento comercial. O Facebook, por exemplo, tem uma política ativa de eliminação de perfis que não sejam de pessoas físicas. O objetivo é fazer a separação em dois tipos de usuários/postadores de coisas: as pessoas físicas, cuja relação é dada com outras pessoas que veem seus posts mutuamente; e as pessoas jurídicas (vale qualquer uma delas, empresas, movimentos, artistas, intelectuais), que pagam para terem seu conteúdo distribuído maciçamente – quanto mais dinheiro, mais distribuição – ou ficam restritos à comunicação com uma meia dúzia de assinantes, apenas uma fração das pessoas que manifestaram ativamente quererem acompanhar os conteúdos daquela fonte.

No entanto, o mais relevante, e politicamente mais importante, é o que não sabemos sobre o modo como se dá essa distribuição de conteúdos. Os critérios subterrâneos, como dito anteriormente. Continuemos a usar o Facebook como exemplo, embora isso valha para qualquer sistema de recebimento de conteúdo via "feed" (linha do tempo, no caso do Facebook) governado por algoritmos. A interação entre as pessoas é intermediada por uma fórmula fechada (secreta) que estabelece critérios sobre de que “amigos” receberemos conteúdos, de quais tipos e com que frequência. Isso significa que o usuário não estabelece uma relação direta com quem segue, que não há garantias de que o que posta em seu perfil será entregue a todos os seus seguidores. Isso dependerá de razões que não conhecemos, que a princípio se relacionam com as microrredes estabelecidas (os subconjuntos de amigos que conversam entre si), mas que são bem mais complexas do que isso e mudam ao sabor dos interesses do dono da estrutura.

A manipulação invisível

Em meados do ano passado, usuários e instituições que se preocupam com o gerenciamento da internet foram surpreendidos com a notícia de que o Facebook alterou o "feed" de aproximadamente 700 mil usuários para se estudar o que se chama de “contágio emocional”. Lê-se no artigo publicado sobre o estudo: “Estados emocionais podem ser transferidos a outros via contágio emocional, levando as pessoas a experimentarem as mesmas emoções sem sabê-lo. O contágio emocional é um fenômeno bem estabelecido em experimentos de laboratório, com as pessoas transferindo emoções positivas e negativas umas às outras”. O experimento ocorreu durante uma semana, em 2012, comprovando a tese sobre o contágio. Realizado pelas Universidades de Cornell e da Califórnia, nos Estados Unidos, a manipulação dos "feeds" desses usuários contou, como não poderia deixar de ser, com o apoio do Facebook, interessado nos resultados. Mais, ele não teria ocorrido a pedido dos pesquisadores, mas após o Facebook realizar a manipulação. Os cientistas apenas trabalharam com os dados fornecidos pela empresa. As informações são de matéria da "The Atlantic", uma das primeiras a divulgar o estudo.

Embora tenha sido criticado por sua falta de ética, o estudo não fez nada ilegal, já que os termos de uso aceitos pelos usuários do Facebook permitem esse tipo de manipulação.

Além de questões óbvias envolvendo a manipulação dos usuários de redes sociais para esse tipo de experimentação, o caso traz preocupações políticas bastante claras. Segundo Susan Fiske (editora da revista que publicou o artigo), o Facebook manipula o "feed" de notícias de seus usuários o tempo todo. Ela teria sido informada disso pelos autores do estudo, após questioná-los sobre a ética do experimento. Isso significa que esse tipo de manipulação não é eventual e provavelmente continua sendo feita. O sentimento de humor estragado, após aquela entrada matinal no Facebook, pode não ser um acaso, uma ilusão emocional ou reflexo de que é preciso refazer sua lista de amigos. Pode estar ligado ou a algum teste, como no passado, ou a algum objetivo consciente, ainda que não público.

Para além do caso relatado, podemos imaginar um tipo de manipulação emocional mais focalizada, com impactos possivelmente maiores e consequências práticas complicadas. Os usuários das redes sociais estão ali para interagir e obter informações, seja dos amigos ou do mundo. O que capturam a partir dali, as informações que obtêm, influenciam inegavelmente em suas ações no dia a dia. O factual ainda pode ser refutado ou checado. As emoções, não. De modo diverso, elas também impactam as ações concretas, porém são menos verificáveis. Por mais que isso pareça um cenário de ficção científica é preciso pensar: e se for possível alterar o clima de confiança de uma região inteira?; que impactos políticos e econômicos isso teria?

Dos mecanismos de busca aos feeds obscuros

A questão é que, nos últimos anos, o perfil de uso da web mudou. Passamos de um modelo em que tínhamos os motores de busca como centrais, para outro em que somos governados/administrados pelos "feeds" que recebemos. Nossa atenção é constantemente chamada, procuramos muito menos pelos conteúdos.

O impacto disso seria muito menor e muito mais relativo se esses algoritmos fossem públicos e mais administráveis por quem os usa. Mas, muito pelo contrário, são secretos, têm propriedade intelectual e caminhamos para uma internet muito mais centralizada, comandada por poucas empresas de tecnologia, ainda que espalhada por diversos servidores ao redor do globo, que agregam todos os serviços que usamos: redes sociais, e-mail, plataformas de publicação de textos e vídeos.

Desde meados da década de 1950, após o grande trauma da Segunda Guerra Mundial, confiamos na comunicação como meio para a paz e estabilidade. Nossa utopia orientadora, de raiz iluminista, nascida no meio do século passado, mas vigorosa no século XXI, diz que é possível resolver quase todas as nossas diferenças pela via da comunicação, pequenas ou grandes. Guerras seriam evitadas se os povos tivessem maior entendimento mútuo. Conflitos de classes poderiam ser resolvidos pela negociação e pelo entendimento. A comunicação científica poderia melhorar as relações entre ciência e sociedade, pavimentando um futuro de progresso científico para todos.

A internet, surgida pelas mãos e ideias de pesquisadores que foram fundamentais na construção dessa utopia, encaixou-se como uma luva. Para a luta pela democratização da comunicação ela apareceu como fórmula mágica, como saída não conflitiva para a concentração dos meios. Não seria mais preciso brigar por uma divisão justa do espectro eletromagnético (aquele em que se distribui desde os canais de televisão, de rádio, aos sinais de celular): a internet multiplicaria exponencialmente os canais; cada pessoa, grupo ou coletivo poderia ser um canal. Mas pouca gente se atentou que esses cabos, domínios, IPs, servidores, têm dono, são privados. E quem é dono manda. Com as redes sociais, esse cenário parece ter se agravado, as pessoas estão concentradas em “jardins murados”, em ambientes restritos da web que se parecem com condomínios privados. Por um lado, aqueles que não têm voz nos canais tradicionais motivam-se a disputar espaço e a falarem para muita gente ali reunida. Por outro, vivem as limitações materiais e de software de um espaço que não controlam.

É preciso politizar a internet e entender seu uso e funcionamento material na atualidade. Ao mesmo tempo, é preciso recuperar e analisar criticamente as utopias da comunicação que nos informam. Assim, poderemos entender as mudanças pelas quais passam o sistema informativo do mundo, podendo agir conscientemente sobre ele em direção a estruturas democráticas de comunicação. A ação e a cultura política não são decorrências mecanicamente determinadas por essas estruturas, mas podem tender para cenários desagregadores, autoritários e contrários aos direitos humanos se assim forem manipuladas."

Bibliografia

Evangelista, R. A.; Kanashiro, M. M. 2013. “Cibernética, internet e a nova política dos sistemas informacionais”. In: Giuseppe Cocco (org.) Gabinete digital: análise de uma experiência. Corag e Imprensa Oficial do Estado do Rio Grande do Sul: Porto Alegre. (http://gabinetedigital.rs.gov.br/wp/wp-content/uploads/2013/09/Gabinete-Digital_-An%C3%A1lise-de-uma-experi%C3%AAncia.pdf)

Kanashiro, M. ; Bruno, F. ;Evangelista, R. ; Firmino, R . “Maquinaria da privacidade”. Rua(Unicamp) , v. 2, p. online, 2013. (http://www.labeurb.unicamp.br/rua/pages/home/capaArtigo.rua?id=211)

Breton, P. (1995) Norbert Wiener e a emergência de uma nova utopia. Disponível em http://cibercultura.fortunecity.ws/vol1/breton.html Acesso em 20/08/2011

Barbrook, R. Futuros imaginários: das máquinas pensantes à aldeia global. Ed. Peirópolis, 2009

Pequeno, V. “Nos subsolos de uma rede – sobre o político no âmago do técnico”. Dissertação de mestrado. MDCC-IEL-Unicamp. 2015.

FONTE: escrito por Rafael Evangelista, no site "Outras Palavras". Transcrito no site "Patria Latina"   (http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?cod=15332). 

CONHEÇA A EMPRESA TUCANA DE MÍDIA "ABRIL"




No "Blog do Gindre":

Conheça a "Abril Mídia", uma atualização

"Confirmada a retomada pela PREVI de parte do famoso edifício-sede da "Abril" na Marginal Pinheiros, talvez seja a hora de entender exatamente qual o tamanho do atual segundo maior conglomerado de mídia do Brasil e 157° maior grupo econômico do país. Segundo a publicação "Grandes Grupos" do jornal "Valor Econômico", a "Abril Mídia" seria o único dos 200 maiores grupos econômicos do Brasil a ter patrimônio negativo. Ou seja, se vender tudo o que possui a empresa ainda ficaria com uma dívida de R$ 121 milhões (valores de 2013).

Desde 2006, 30% da "Abril Mídia" é de propriedade do grupo [de ultradireita] sul-africano "Naspers", que cumpriu importante papel de sustentação ideológica do regime de apartheid.

Ao longo dos últimos anos, a "Abril" investiu em uma série de negócios. Mas, foi obrigada a fechar a gravadora "Abril Music", o site "Usina do Som" e os canais de TV paga "Fiz TV" e "Idea TV". Devolveu para seus donos originais as franquias no Brasil da MTV, HBO e ESPN. Vendeu a TVA, canais de TV aberta (que eram usados para transmitir a MTV), o Eurochannel e sua participação no UOL e na DirecTV Brasil. Nos anos 70, a empresa já se envolvera no rumoroso caso de quebra dos hotéis Quatro Rodas.

No final de 2014, a "Abril Mídia" vendeu a totalidade da "Elemídia" para o fundo "Victoria Partners Capital".

Atualmente, a "Abril Mídia" é dona da "Editora Abril" (seu carro-chefe), da "Abril Gráfica" (a maior gráfica de revistas da América Latina), de uma participação minoritária na "Editora Caras" (em sociedade com o grupo português "Impresa Publishing"), da "YouFind Solutions" (empresa de big data), da "Casa Cor" e da holding "DGB".

A "DGB", por sua vez, é composta pela "Dinap" (virtual monopólio de entrega de revisas em bancas de jornais), "Treelog" (entrega de publicações porta-a-porta) e "Total Expess" (empresa de entrega de pequenas encomendas).

Dada a sua fragilíssima situação financeira, é muito provável que a "Abril Mídia" seja obrigada a se desfazer de mais empresas nos próximos anos. O grande problema é que apenas três de suas empresas têm vida própria, descolada do negócio de revistas: "Casa Cor", "Treelog" e "Total Express". As demais ("Editora Abril", participação na "Editora Caras", "Abril Gráfica", "YouFind Solutions" e "Dinap") estão todas vinculadas ao mesmo negócio (revistas) e teriam pouca chance de serem vendidas separadamente.

PS: a família Civita vendeu toda a sua participação na "Abril Educação", que não mais possui nenhuma relação com a 'Abril Mídia'."

FONTE: publicado no "Blog do Gindre" e transcrito no "Jornal GGN" (http://jornalggn.com.br/noticia/conheca-a-abril-midia-uma-atualizacao). [Título e trecho entre colchetes acrescentado por este blog 'democracia&política'].

NARCOTRÁFICO USADO COMO FONTE DE RECURSOS PELA CIA (EUA)




A CIA e a Droga - Parte I

Por Adir Tavares

"Costumamos pensar no mundo das substâncias estupefacientes como algo nas mãos de bandos de criminosos que operam na total ilegalidade.

A ideia de que as autoridades possam estar envolvidas na produção e na comercialização de tais drogas é instintivamente rejeitada: afinal não são essas mesmas autoridades que combatem o cultivo e que tentam desmantelar as redes de importação e venda?

O fato de o Afeganistão ter-se tornado o principal produtor mundial de ópio (e de heroína, o seu derivado) após a "libertação" das forças ocidentais é encarado como um acaso e qualquer ligação entre os dois fatos é vista como fruto da conspiração.

Essa atitude nasce da ignorância (do latimignorare = não saber) de precisos fatos históricos.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, as elites políticas dos Estados Unidos e britânicas tiveram que enfrentar a ameaça do Socialismo na escala global: decidiram responder através da mobilização de recursos, públicos e ocultos, para implementar um programa de "Roll Back" e reverter o avanço do Comunismo.

Paradoxalmente, um autêntico bloqueio contra a mobilização anticomunista vinha do interior dos Estados Unidos: a maioria da população desconfiava de um projeto de política externa com tal alcance. Isso porque, do ponto de vista do americano médio, o mundo era representado pela América do Norte, e os seus interesses no âmbito da política externa eram mínimos. Devido a enraizado isolacionismo, no início da Guerra Fria os grandes gastos governamentais para alimentar a política externa estavam fora de questão. Além disso, a CIA, a principal fonte de rendimento no campo da política externa americana, era para a maioria dos norte-americanos do pós-guerra uma agência como qualquer outra, quando na verdade já caminhava para ocupar o papel do jogador-chave.

É nessa altura que as substâncias estupefacientes cruzam o percurso com aquele das autoridades: para realizar maciças operações globais, a CIA pediu à Casa Branca uma licença para encontrar fontes alternativas de financiamento. E claro está: "alternativas" significava "fora do circuito da legalidade".

A droga pareceu logo como o negócio mais rentável entre os conhecidos. A natureza ilegal então ditou as regras do jogo: enquanto alguns dos ganhos foram realmente utilizados para apoiar as operações encobertas, outros foram desviados para o enriquecimento pessoal de agentes e gerentes da Agência, ou manteve-se nas mãos de grupos financeiros com poder de pressão sobre o governo norte-americano. Evitar atitudes ilegais no âmbito de grandes operações ilegais é empresa muito complicada. Consequentemente, a cumplicidade no negócio da droga começou a espalhar-se para os níveis superiores do establishment da América do Norte.

O primeiro exemplo das conexões entre a CIA e o negócio da droga apareceu por volta de 1947, quando Washington, preocupada com o aumento do movimento comunista na França do pós-guerra, decidiu associar-se com a notória e cruel máfia da Córsega na luta contra a Esquerda. Uma vez que o dinheiro não podia ser oficialmente gasto em alianças desagradáveis através dos canais oficiais, uma grande fábrica de heroína foi criada em Marselha com o apoio da CIA, que também alimentou o negócio. O empreendimento empregava habitantes locais, enquanto a CIA organizava o ciclo de fornecimento e o terror físico e psicológico contra os comunistas na França.

Posteriormente, o esquema foi adoptado em outras partes do planeta.

No início dos anos '50', a CIA dirigia uma rede de fábricas de heroína no Sudeste Asiático e uma parte dos lucros ajudou Chiang Kai-shek na luta contra a China comunista. A seguir, a CIA começou a patrocinar o regime militar do Laos, fortalecendo os seus laços na região do "Triângulo Dourado": Laos, Tailândia e Birmânia, países que naquela altura contribuíam para 70% da oferta mundial de ópio.


A maior parte da droga era enviada para Marselha e a Sicília, para ser processada nas fábricas geridas pela máfia siciliana e francesa.

Na Sicília, a organização criminosa que geria as várias fábricas de drogas tinha sido fundada por Lucky Luciano, um gangster americano nascido na Itália e aí regressado após a Segunda Guerra Mundial. Tinha sido o governador do Estado de New York, Thomas E. Dewey, a agradecer Luciano por causa dos serviços prestados à Marinha dos EUA e a estabelecer a sua transferência para a Italia; e tinha sido a Máfia dos EUA, com a participação da comunidade hebraica americana, a apoiar (também financeiramente) a sua transferência.

As informações desclassificadas não deixam dúvidas sobre o trabalho que Luciano desenvolvia para aintelligence americana: os lucros eram divididos entre a Máfia e a CIA, que também utilizava os fundos para combater a sua guerra secreta contra o Partido Comunista Italiano.

A CIA continuou a receber dinheiro do "Triângulo Dourado" durante a Guerra do Vietnam. Os estupefacientes dessa região eram importados de forma ilegal nos Estados Unidos e distribuídos para as bases militares no estrangeiro: muitos dos veteranos da guerra foram marcados não apenas pelos eventos bélicos mas também pelo uso dos narcóticos.

Obviamente, as actividades relacionadas com o tráfico da droga realizadas pela CIA tinham que permanecer em segredo, mas isso não era simples. Um enorme escândalo estourou já na década dos anos '70, envolvendo o banco "Nugan Hand" de Sydney (Austrália) com as filiais nas Ilhas Cayman e o ex-diretor da CIA, William Colby, que atuava como consultor jurídico. A CIA utilizava o referido banco para operações de lavagem de dinheiro na gestão dos recursos obtidos com o tráfico de drogas e armas na Indochina. Colby dirigia operações anticomunistas em Roma durante os anos '50 e na década sucessiva operava no Vietnam. Em 1971, foi nomeado diretor da CIA mas, envolvido nas polêmicas do "Relatório Pike" (que tratava dos financiamentos ilícitos da Agência, do FBI e da NSA), foi substituído por George Bush em 1976.

A geografia do tráfico de drogas da CIA expandiu-se constantemente. Nos anos 80, a troca droga-armas foi replicada para financiar "os Contras" da Nicarágua, mas depois das descobertas do Comitê de Relações Exteriores do Senado foi aberta uma investigação. Uma frase do relatório do Senado afirmava:

"Os decisores dos Estados Unidos não estavam imunes à ideia de que o dinheiro da droga era uma solução ideal para o problema do financiamento dos Contras".

Essa declaração bem mostra como as atividades da CIA estivessem intimamente relacionadas com a política externa americana. O negócio da Agência no comércio das drogas se espalhou ainda mais quando os Estados Unidos e a União Soviética entraram diretamente ou indiretamente no conflito do Afeganistão. A comunidade da 'intelligence' americana financiou generosamente os resistentes, os 'Mujahideen', em parte com dinheiro proveniente do tráfico das drogas. As aeronaves dos EUA entregavam armas em troca de heroína: e, de acordo com sucessivas investigações, na época cerca da 50% da heroína utilizada nos Estados Unidos tinha origem no Afeganistão.


O livro "The Mafia, CIA and George Bush" de Pete Brewton (1992) oferece uma série de dados concretos que provam as ligações entre o diretor da CIA e depois presidente dos EUA, George Bush, e a máfia: em determinadas fases da sua carreira, Bush combinou a sua função pública com aquela política e do negócio da drogas.

O establishment americano tinha concluído que os estupefacientes, além de serem utilizados em circunstâncias políticas, poderiam ser úteis para alcançar objetivos geopolíticos de longo prazo. Quando Paul Brenner se tornou chefe de Bagdá , após a "libertação" do Iraque de 2003, nada fez para levantar uma barreira contra a onda das substâncias ilícitas que varreu o País.

E é importante realçar como o negócio dos estupefacientes não existia durante o governo de Saddam Hussein: a cidade nunca tinha visto o vício das drogas até Março de 2003 (enquanto agora está submersa nele, principalmente heroína).

De acordo com um relatório publicado pelo diário inglês "The Independent", os cidadãos de Bagdá se queixam do fato de as drogas (heroína, cocaína etc.) estarem sendo comercializadas nas ruas das cidades iraquianas. Escreve Brenda Stardom:

"Alguns relatos sugerem que o tráfico das drogas e das armas foi apoiado pela CIA, a fim de financiar as suas operações internacionais".

Isso enquanto um habitante explica:
"Terias sido enforcado por causa do tráfico de drogas. Mas agora podes obter heroína, cocaína, qualquer coisa."

O Iraque caiu sob o controle do EUA. E o mesmo aconteceu com o Afeganistão.

No Iraque, apareceu e espalhou-se o tráfico de substâncias ilegais enquanto o Afeganistão tornou-se o primeiro produtor mundial de ópio. Deve ser um caso, justo? É o que vamos ver na segunda parte do artigo.

Ipse dixit."


[ A Parte II será aqui postada tão logo disponível]

FONTE: escrito por Adir Tavares no blog "Informação Incorreta" (http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2015/04/a-cia-e-droga-parte-...) e transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/fora-pauta/a-cia-e-a-droga-parte-i-por-adir-tavares).