quarta-feira, 1 de julho de 2015

SELETIVIDADE PRÓ-PSDB É UM MÉTODO NO JUDICIÁRIO




SELETIVIDADE PRÓ-PSDB É UM MÉTODO NO JUDICIÁRIO

"A seletividade não é um acidente de percurso. Está na essência de investigações de grande interesse político — como a Lava Jato, a AP 470 — porque não interessa investigar todo e qualquer suspeito num país onde o Estado 'se legitima' quando atua em defesa do 'grupo dominante', nas palavras da professora Maria Silvia de Carvalho Franco", avalia Paulo Moreira Leite, diretor do "247" em Brasília. Ele destaca que "quando uma investigação que deveria produzir uma decisão judicial isenta se transforma numa operação política, os objetivos mudam e os resultados também", com a culpa e a inocência já "definidas de antemão".

Por Paulo Moreira Leite

Sempre que a seletividade das investigações da Lava Jato se torna um fato evidente como a silhueta do Pão de Açúcar na paisagem do Rio de Janeiro, aliados do juiz Sérgio Moro sacam um argumento conhecido: "um crime deve ser tolerado só porque outros o praticam?" [e ficam impunes somente porque são defensores do "mercado" e do sistema financeiro internacional?]

Inteligente na aparência, esse argumento tenta esconder uma verdade mais dura, inaceitável. Vivemos num país onde a seletividade não é um acaso — mas um método.

Essa visão benigna do problema ressurgiu agora, quando a delação premiada de Ricardo Pessoa, mesmo voltada para produzir provas e acusações contra o governo Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores, não pode deixar de jogar luzes sobre a campanha do PSDB e outros partidos de oposição.

O recursos estão lá, demonstrando que Aécio Neves recebeu mais dinheiro do que Dilma. Que Aloysio Nunes Ferreira levou uma parte em cheque, a outra em dinheiro vivo [e isso não foi informado ao TSE]. Julio Delgado, o relator da cassação de dois parlamentares — José Dirceu e André Vargas — foi acusado de embolsar R$ 150.000 reais de uma remessa maior enviada a Gim Argello para enterrar uma das diversas CPIs sobre a Petrobras.

Será a mesma que permitiu ao senador Sergio Guerra, então presidente do PSDB, levar R$ 10 milhões, uma quantia 66 vezes maior que a de Julio Delgado, para fazer a mesma coisa? Ou essa era outra CPI?

Não sabemos e dificilmente saberemos. A presença de altas somas nos meios políticos é uma decorrência natural das regras de financiamento de campanha, criadas justamente para que os empresários sejam recebidos de portas abertas pelos partidos e candidatos, com direito às mesuras merecidas por quem carrega uma mercadoria tão essencial, não é mesmo?

Não custa lembrar: justamente o PSDB foi responsável pela entrega de votos essenciais para a manutenção das contribuições de empresas privadas em campanhas eleitorais. Os tucanos gostam tanto desse tipo de coisa que, quando ocorreu uma segunda votação, na última chance para se conservar o sistema, até os dois parlamentares — só dois, veja bem –que se abstiveram na primeira vez foram chamados a fazer sua parte e não se negaram a participar de uma manobra que, além de tudo, tinha caráter anticonstitucional.

O PT, seletivamente investigado na Lava Jato, votou contra.

Não é curioso? Não seria muito mais proveitoso entender o imenso interesse tucano pelo dinheiro dos empresários, os mesmos, exatamente os mesmos, que agora são interrogados e presos por longos meses depois que resolveram ajudar o PT?

Isso acontece porque a seletividade não é um acidente de percurso. Está na essência de investigações de grande interesse político — como a Lava Jato, a AP 470 — porque não interessa investigar todo e qualquer suspeito num país onde o Estado "se legitima" quando atua em defesa do "grupo dominante," nas palavras da professora Maria Silvia de Carvalho Franco.

Quando você escolhe o alvo e seleciona o inimigo, a regra fundamental de que todos são iguais perante a lei, qualquer que seja sua raça, origem social ou credo, deve ser ignorada porque só atrapalha o serviço. A igualdade deve ser substituída pela seletividade.

No Brasil colônia, a Coroa portuguesa procurava hereges que pudessem ser julgados pela inquisição. Eles eram procurados até nos banheiros, acusados de proferir blasfêmias que ofendiam a Igreja Católica. Localizados e presos, eram conduzidos a Portugal, aprende-se nos relatos do livro "Tempo dos Flamengos", do pesquisador Antônio Gonsalves (com "s" mesmo) de Mello.

Esse tratamento, brutal, inaceitável, era coerente com um regime absolutista, no qual homens e mulheres eram desiguais por determinação divina. A seletividade fazia parte natural das coisas.

Em tempos atuais, onde a democracia é um valor universal, é preciso escolher muito bem os alvos e ter noção de seu significado. Quem legitima a escolha? Os meios de comunicação, a principal correia de transmissão entre as ações do Estado e o conjunto da sociedade, que também espelha o ponto de vista do mesmo "grupo dominante".

Não vamos esquecer que os mesmos jornais e revistas que hoje glorificam Sérgio Moro e em 2012 endeusaram Joaquim Barbosa também aplaudiram o delegado Sérgio Fleury e outros torturadores que eram apresentados como caçadores de terroristas. Questão de momento, vamos combinar.

Se a denúncia do caráter parcial de uma investigação obviamente beneficia quem está sendo prejudicado, o problema real é muito maior. A seletividade modifica a natureza do trabalho de apuração. Deixa de ser expressão de um erro, humano como todos os outros, para se tornar um método.

Quando uma investigação que deveria produzir uma decisão judicial isenta se transforma numa operação política[-partidária], os objetivos mudam e os resultados também. Muitos culpados são apenas "culpados", porque sua culpa está definida de antemão e só precisa ser confirmada pelas investigações. Vice-versa para quem se torna "inocente."

Para dar um único exemplo, entre vários: policiais que trabalharam para AP 470 descobriram que o ex-ministro Pimenta da Veiga [do governo FHC/PSDB] recebeu R$ 300.000 de Marcos Valério, em quatro cheques caídos em sua conta, meses depois do final do governo FHC. Embora essa soma seja seis vezes superior aos R$ 50.000 que João Paulo Cunha recebeu em sua conta, cumprindo pena de prisão por esse motivo, a investigação sobre Pimenta sequer está encerrada — doze anos depois dos cheques de Valério terem caído em sua conta. O ex-ministro tucano é culpado? Suspeito? Quem saberá?"

FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite no portal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/186936/PML-seletividade-pr%C3%B3-PSDB-%C3%A9-um-m%C3%A9todo-no-Judici%C3%A1rio.htm). [Trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política']. 

GOLPE! A DERRUBADA EM MARCHA



Golpe: a derrubada em marcha


Dê-se a isso o nome que se quiser. Estamos em meio a um processo de derrubada do governo da Presidenta da República, Dilma Rousseff.

Por Joaquim Palhares, Diretor de redação do portal "Carta Maior" 

"Todos sabemos qual é a hora congelada no relógio da história brasileira neste momento.

Certamente, não é hora de reiterar platitudes.

Ou de repetir lamentos, ainda que justos, pertinentes. Tampouco de replicar constatações.

Todas as constatações que, de forma procedente, apontam a cota de equívocos do governo e do PT na crise atual já foram feitas. Não será a sua reiteração que levará o partido assumi-las ou equacioná-las.

Os fatos caminham à frente das ideias: a história apertou o passo.

A dinâmica política assumiu a vertiginosa transparência de um confronto em campo aberto no país.

Trata-se de escolher um dos lados e tomar posição para o combate. Este que já começou e avança de forma acelerada.

É o seu desfecho que decidirá o aluvião das pendências, críticas, autocríticas, repactuações, concessões e escolhas estratégicas que vão modelar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

De um modo direto: o desfecho desse confronto vertiginoso reflete uma correlação de forças que se esgarçou e caminha para um novo ponto de coagulação na forma de um outro arranjo de poder.

Qual será esse ponto?

Depende do discernimento histórico, do sentido de urgência e da capacidade de articulação das forças progressistas nesta hora decisiva.

Estamos em meio a um processo de derrubada do governo democraticamente eleito da Presidenta da República, Dilma Rousseff.

Dê-se a isso o nome que se quiser.

Todos aqueles ensaiados pela direita latino-americana nos últimos anos: golpe constitucional; derrubada parlamentar; golpe em câmera lenta. Ou as marcas de fantasia da mesma ofensiva, todas elas embrulhadas no rótulo de uma peculiar luta anticorrupção.

A singularidade dessa maratona ética é ter o PT como único grande alvo; Lula como meta antecipada, a mídia como juiz do "domínio do fato" e a consagração do financiamento empresarial como a nota de escárnio e desfaçatez a desnudar toda lógica do processo.

Tudo isso já foi dito pelos canais disponíveis, que não são muitos, e dentre os quais "Carta Maior" se inclui com muito orgulho.

Vive-se um adestramento da resignação brasileira para o desfecho golpista deflagrado no processo de reeleição de Lula, em 2005/2006, quando ficou claro que a direita brasileira não tinha capacidade de voltar ao poder pelas urnas.

Passo a passo vem sendo cumprido desde então o objetivo histórico a que se propôs a elite brasileira e internacional.

Trata-se de um objetivo ancorado em três metas:

a) desqualificar o Partido dos Trabalhadores e tornar suas lideranças sentenciadas e inelegíveis;

b) inviabilizar, levar ao impeachment o governo da Presidenta Dilma; e

c) desmontar e fazer regredir todos os avanços populares obtidos na organização da economia, do mercado de trabalho, das políticas públicas e sociais e da soberania geopolítica.

Em uma palavra: completar o trabalho iniciado no ciclo de governo do PSDB nos anos 90, com o desmonte do Estado, a regressão dos direitos sociais democráticos e a substituição desses direitos por serviços pagos, acessíveis a quem puder comprá-los.

A crispação da escalada, agora aguda, valeu-se de um componente da correlação de forças intocado em todos esses anos naquele que talvez tenha sido o erro superlativo dos governos liderados pelo PT: a hegemonia do aparato comunicação nas mãos da direita brasileira.

Esse trunfo sabotou cada iniciativa do projeto progressista e coordenou o cerco que ora se fecha.

Alimentou, ademais, a disseminação do ódio na opinião pública, que se expressa na agressividade inaudita observada nas redes sociais desde a campanha de 2014.

É nessa estufa de preconceito e ódio de classe que brotam os esporos da ofensiva fascista, traduzida na escalada em curso.

Inclui-se nessa espiral as agressões públicas a ministros e ex-ministros de Estado, o ataque à reputação de lideranças progressistas e a de seus familiares, a onda de boatos e acusações infundadas contra o governo, as lideranças petistas e populares; enfim, o adestramento progressivo e diuturno do imaginário social para a aceitação passiva, ou engajada, da derrubada do governo da Presidenta Dilma.

Iludem-se os que confundem esse aluvião tóxico com a expressão da banalidade do mal.

É de luta de classes que estamos falando, não de Hannah Arendt.

É de intolerância fascista a pavimentar a derrubada de um governo escolhido por 54 milhões de brasileiros.

Os que pautaram o grito de ’escravo’ no desembarque dos cubanos engajados no ‘Mais Médicos’, agora conduzem o jogral que grita ‘corruptos e impeachment’.

Não sejamos ingênuos.

É curta a ponte que leva o ódio antipetista a se propagar em ódio anticomunista, em intolerância religiosa e dessa para a demonização da livre escolha sexual e daí para a higienização social.

Em nome do combate ao crime e à violência ultimam-se as providências legais para lotar penitenciárias com adolescentes pretos e pobres.

Quando uma sociedade simplesmente interna o seu futuro assim, em jaulas, qual futuro reserva a sua gente?

O futuro urdido no intercurso entre a intolerância fascista e a "livre mobilidade dos capitais" --cuja persistência impede qualquer projeto de desenvolvimento-- é o que a direita defende para o Brasil pós-PT, pós-Lula e pós-Dilma.

É esse o programa da derrubada em marcha do regime democrático brasileiro.

Não errará quem encontrar pontos de identidade com outras escaladas em curso na política latino-americana, marmorizada de redes sociais, movimentos e lideranças de jovens treinados e financiados por fundações de extrema direita dos EUA. Os novos braços privados da CIA e do Departamento de Estado.

O processo que ora avulta na caçada ao PT culminará com a caça a todo e qualquer desvio à norma de conduta que determina a subordinação esférica da sociedade à lógica rentista local e global.

"Carta Maior" nasceu como um espaço de reflexão da intelectualidade progressista brasileira.

Seu compromisso explícito com a construção da democracia social a torna um veículo imiscível com os valores que ordenam a derrubada em marcha do governo Dilma –em relação ao qual sustenta um apoio crítico claro e independente.

Elegemos uma prioridade diante das provas cruciais que nos impelem –os progressistas , democratas e nacionalistas sinceros—ao engajamento nesse divisor que se aproxima.

Exortamos os intelectuais a irem além do debate convencional.

Estamos propondo a incômoda operação de concretizar o geral no particular.

Trata-se de uma exortação à Universidade pública, para que ela volte a ser um ator do desenvolvimento. E não apenas um cronista da crise. Ou um coadjuvante "do mercado".

Não basta mais produzir manifestos contra os golpistas.

É preciso afrontar o projeto de país embutido no golpe com um outro projeto.

E, sobretudo, com um outro método de escrutiná-lo .

Estamos exortando a universidade brasileira a se declarar uma trincheira em vigília permanente contra a derrubada do governo da Presidenta Dilma Rousseff.

E de fazê-lo transformando essa trincheira na rede da legalidade dos dias que correm.

Uma rede debruçada no debate do projeto de desenvolvimento que rompa os gargalos e as subordinações responsáveis pelo impasse atual.

E que transforme em práxis antigolpista a costura das linhas de passagem do Brasil que somos, para o país que queremos ser.

O desafio de vida ou morte neste momento consiste em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.

Na aparente neutralidade de certas iniciativas, pulsa a rigidez feroz dos interesses estruturais que impulsionam a derrubada em marcha do governo.

A universidade pode, deve e precisa assumir a sua cota como um solvente, capaz de devolver à sociedade a clareza sobre as escolhas em confronto agudo nas horas que correm.

É essa urgência que "Carta Maior" quer compartilhar com a comunidade universitária, à qual se oferece como um canal de expressão democrático e progressista.

Mãos à obra."

FONTE: escrito por Joaquim Palhares, Diretor de redação do portal "Carta Maior"   ( http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Golpe-a-derrubada-em-marcha/33845).

OS LIMITES DO ANTIPETISMO


Protestos na avenida Paulista pediram impeachment de Dilma Rouseff (Foto: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas)

Os limites do antipetismo

Por Marcos Coimbra

Em pesquisa recente, o eleitorado "potencial" do PT somou 48%, acima dos 39% que não votariam no partido

"Nas pesquisas recentes, alguns resultados são relevantes e outros não. Aqueles referentes à conjuntura econômica e suas repercussões na imagem do governo fazem parte do último caso. Enquanto não se passar o tempo necessário para as medidas de ajuste produzirem efeitos, repetir a pergunta de avaliação do governo nada acrescenta.

Entre os aspectos significativos, estão as percepções e sentimentos a respeito dos partidos. Pelo fato de, tanto as eleições de 2016 nas principais capitais quanto a presidencial de 2018 ainda não terem nomes definidos, conhecer o pensamento da população a respeito dos partidos é uma maneira de estimar o que nos reserva o futuro.

A mais recente pesquisa nacional do Instituto Vox Populi, realizada em maio, mostrou que o petismo e o antipetismo permanecem do mesmo tamanho de 20 anos atrás. Revelou também que, do fim da década de 1980 para cá, nenhum partido cresceu individualmente na simpatia popular. Continuamos com um quadro de identificações partidárias no qual existe o PT e, a bem da verdade, mais nada (o PMDB ficou com 5% e o PSDB com 4% das menções).

Do total, 12% disseram “detestar o PT”. Somado aos 19% que afirmaram “não gostar do PT, mas sem detestá-lo”, o grupo perfaz um terço dos entrevistados. A mesma proporção daqueles que responderam se “sentir petistas” ou “gostar do PT sem se sentir petistas”. O que deixa o terço restante em posição neutra, “sem gostar ou desgostar” do partido.

A pesquisa também pediu aos entrevistados para definirem qual a possibilidade de votarem no PT em eleições futuras. Da amostra, 25% responderam que “votariam em um candidato do PT” na próxima eleição, 16% que “estavam decepcionados com o partido, mas poderiam votar em um candidato petista” e 7% que “não eram eleitores do PT, mas poderiam votar em um candidato do partido”. Ou seja, 48% dos entrevistados admitiram a possibilidade de votar na legenda, muitos com boa chance.

Do outro lado, 16% afirmaram que “nunca votaram e nunca votariam em um petista” e 11% que “não gostavam do PT e era muito difícil que votassem no partido no futuro”. Outros 12% responderam que, “embora já tivessem tido simpatia, estavam decepcionados e não votariam na legenda”. Somados, representam 39%, abaixo do “eleitorado potencial” do PT.

A pesquisa permite entender o tamanho total do antipetismo e a pequena expressão de seu braço radicalizado, aqueles que odeiam o PT. São dois motivos principais.

O primeiro é, por assim dizer, relativo. A maioria da sociedade brasileira não é antipetista e, muito menos, radicalmente antipetista, porque compara favoravelmente o desempenho administrativo do partido ao da atual oposição e porque não o compara desfavoravelmente no que é sua maior vulnerabilidade, o envolvimento de alguns integrantes com práticas de corrupção.

A pesquisa solicitou dos entrevistados que comparassem os governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff em 14 dimensões e disessem qual havia sido melhor em cada uma. Lula ficou na frente em 13 itens. Bateu o tucano de 85% a 8% no quesito “Teve mais preocupação com os pobres” e 38% a 17% em “Combateu mais a corrupção”. Dilma liderou em uma (“Fez a melhor política de defesa das mulheres”).

A comparação não desfavorável do PT com a oposição pode ser percebida nas respostas a respeito de quais partidos estariam envolvidos nas irregularidades denunciadas na Petrobras. Para 6%, o único implicado seria o PT e para 17% “só o PT e os partidos da base do governo”. Segundo 70%, os desvios teriam sido, no entanto, praticados “por todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.

Não apenas nas comparações o PT se sobressai no lado positivo e não se destaca no negativo. Para a maioria dos entrevistados, a vida melhorou nos 12 anos de governos petistas, não somente por seu esforço, mas por conta das medidas em seu favor tomadas por Lula e Dilma. Segundo 10%, os governos do PT “tomaram muitas medidas que trouxeram melhorias para suas vidas” e mais 50% disseram que “tomaram algumas”. Pouco mais de um terço, ou 38%, afirmou que as administrações petistas “não tomaram nenhuma medida” em seu favor. Significa dizer que a quase totalidade de quem se diz “neutro” em termos partidários (parte do terço que define as eleições majoritárias) está entre aqueles que creditam ao PT parte das coisas boas acontecidas em suas vidas nos últimos anos.

É por essas (e outras) razões que as atuais perguntas de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2018 são, em si, pouco relevantes. Só os tolos se alegram (ou se entristecem) com o resultado. Quando começar de fato, a eleição será travada em termos bem diferentes dos atuais."

FONTE: escrito por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do "Instituto Vox Populi". Publicado na revista "CartaCapital" (http://www.cartacapital.com.br/revista/856/os-limites-do-antipetismo-936.html).

Delfim Netto: SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL PROMOVEU A MAIOR CRISE DOS ÚLTIMOS 75 ANOS




Sistema financeiro promoveu maior crise dos últimos 75 anos, 

Por Antonio Delfim Netto, [no jornal tucano "Valor", propriedade dos grupos tucanos Globo e Folha]

O futuro está mais opaco do que costumava ser
"A economia mundial enfrenta uma desarticulação só experimentada nos anos 30 do século passado. A crise de 2007-­09 teve origem em causas que não são as flutuações cíclicas do capitalismo. Numa larga medida, trata­-se das mesmas, ­ ou muito parecidas,­ que geraram a de 1929, que, nos EUA, o governo Roosevelt combateu com profundas intervenções na economia (o "New Deal").

Uma delas foi a resposta do Congresso, que sob estímulo do Executivo, aprovou o "Glass-­Steagal Act", de 1933. Proibiu-­se os bancos comerciais de financiar investimentos: foram limitados à recepção de depósitos e a empréstimos de curto prazo. Aos bancos de investimento foram reservadas as negociações com as ações e bônus, formas típicas de financiamentos de longo prazo.

Quais os motivos? O mais importante foi a descoberta que alguns banqueiros importantes, que operavam simultaneamente o curto (comercial) e o longo (investimento) prazos, aproveitando-­se de informações internas ("insider trading") tinham desenvolvido comportamentos eticamente condenáveis. No fim do dia, eles teriam produzido ou, pelo menos, agravado, a depressão.

Quem não estiver convencido deve ler o famoso "Relatório Pécora" que resultou do inquérito feito pelo Congresso americano. Ele revelou os riscos para a estabilidade econômica que estavam escondidos na expansão de um sistema financeiro absolutamente desregulado, o mesmo que se recriou a partir de 2000, como veremos a seguir.

Todos sabemos que um eficiente e competitivo sistema financeiro é elemento essencial para mobilização das poupanças que financiam o investimento, alma do crescimento econômico. Tudo bem considerado, entretanto, foi visível até os anos 80 do século passado que, apesar de ter prevenido uma outra "grande depressão", as restrições impostas pelo "Act de 1933" não eliminaram a repetição dos "ciclos de negócios" ínsitos na organização econômica das sociedades através dos "mercados" e não impediram um crescimento razoável.

Entre 1950 e 1990, a economia dos EUA revelou oito "ciclos de negócios". Num período de 160 trimestres, houve retração em 25 deles, seguidos de retorno à normalidade num tempo um pouco menor (20), com uma queda média de PIB, em cada episódio, da ordem de 2,2%. A depressão de 2007-­09, que se seguiu à "grande moderação" que o mundo viveu por 17 anos a partir de 1990, assumiu características claramente diferentes delas: começou no quarto trimestre de 2007, foi considerada encerrada no segundo trimestre de 2009 e consumiu 4,3% do PIB. O problema é que hoje, 26 trimestres depois de ter passado por seu ponto de mínimo, ainda não assistimos a uma recuperação convincente. E ninguém sabe como vai terminar o enorme esforço fiscal e monetário feito para enfrentá-­la.

É importante reconhecer que a eficácia da corajosa e enérgica operação rooseveltiana dos anos 30 nunca pode ser avaliada, porque a emergência da Segunda Guerra alterou tudo. A mobilização da "máquina de guerra", a partir de 1939, fez deslanchar a economia americana até a volta do primeiro "ciclo de negócios" após a paz: do segundo trimestre de 1953, quando terminou a guerra da Coreia, até o primeiro trimestre de 1954.

Se a crise de 2007­-09, que insiste em não terminar, tem a mesma origem que a de 1929, é preciso perguntar: Como isso foi possível? A resposta é que, nos anos 90 do século passado, o sistema financeiro começou a libertar­-se da regulação imposta nos anos 30, alegando que ela "prejudicava o desenvolvimento econômico". Com apoio no Congresso e suporte "científico" inventado "ad hoc" por uma tribo de economistas, cujos membros enganam-se e divertem­-se mutuamente com o conforto do "mercado perfeito" (até na moralidade!), teve sucesso. E muito lucrativo...

Assistiu-­se, assim, em 1999, a revogação final do "Glass­-Steagal Act", de 1933. Pois bem, em menos de dez anos, o novo sistema financeiro,­ agora outra vez completamente desregulado,­ voltou ao local do crime. Promoveu, ou pelo menos ajudou a promover, a maior crise econômica da economia real dos últimos 75 anos.

A verdade é que como não sabemos como terminaria a crise de 1929 na ausência da preparação para a Segunda Guerra, continuamos a não saber como terminará a crise em que vivemos. Aparentemente, ela deixou uma desorganização que se manifesta na redução da capacidade política e do produto potencial de todas as sociedades, consequências da continuidade do absoluto domínio das finanças sobre a produção de bens e serviços, que até agora os governos foram incapazes de corrigir. É visível, por exemplo, a desorientação do FED, que tem titubeado (e, faz bem, porque as informações são contraditórias) diante do temor de uma recidiva, como aconteceu em 1937, quando antecipou sua manobra sobre a taxa de juros.

Foi essa incerteza que tirou da gaveta o fantasma da "estagnação secular" criado por Alvin Hansen em 1939 e recuperado por Larry Summers em 2013. O Brasil, pelo recente comportamento de seu Congresso, parece querer flertar com ela..."

FONTE: escrito por Antonio Delfim Netto [no jornal tucano "Valor", propriedade dos grupos tucanos Globo e Folha]. Transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/sistema-financeiro-promoveu-maior-crise-dos-ultimos-75-anos-por-delfim-netto). [Trechos entre colchetes acrescentados por este blog "democracia&política'].

INVESTIMENTOS DA PETROBRAS EM LINHA COM A QUEDA DO PREÇO DO PETRÓLEO NO MUNDO





Investimentos da Petrobras caem em linha com preço do petróleo, mas atrasam produção

Por Fernando Brito

"O ideal é que não ocorressem, mas, com ou sem Lava-Jato, teria de haver corte no plano de investimentos da Petrobras.

Com o dinheiro mais caro no mundo – e vai ficar mais – e o agravamento da redução de seu rating pelas tais agências de classificação de risco, o crédito necessário à manutenção do ritmo seria pesadíssimo.

Mas há outras razões a ponderar, tanto para não considerar tão grande o corte como, em sentido contrário, ver que ele carrega em si notícias ruins e uma notícia tranquilizadora.

A razão de relativizar o tamanho do corte é simples e pode ser alcançada por qualquer pessoa, sem grande esforço: uma companhia que tem petróleo e seus derivados como produto ( e lógico, receita) tem de investir em função do preço que espera receber, tal como seria com bananas ou laranjas.

Embora não represente um cálculo exato, há nisso uma proporção que nos ajuda a raciocinar.

Ano passado, quando se lançou o plano de investimentos, mesmo considerando com valor os 15 milhões em projetos não confirmados – que elevou de 206 para pouco mais de 220 bilhões de dólares o valor total, o preço do petróleo Brent era de 110 dólares por barril.

Logo, os investimentos “valiam” o mesmo que 2 bilhões de barris em cinco anos, o equivalente investir, a cada dia, 1,09 milhão de barris de petróleo.

Agora, com barril do Brent a 62 dólares, os US$ 130 bilhões previstos para investimento até 2020 equivalem a 2,1 bilhões de barris. Ou que a empresa investirá, a cada dia, 1,14 milhão de barris do óleo que produzir.

Claro que esse não é o exato retrato, porque não foram considerados, nos dois cálculos, o incremento de produção, o que favoreceria mais o plano anterior do que o atual. Nem o fato de que se espera uma alta nos preços do óleo, enquanto, no ano passado, ao contrário, estimava-se uma pequena queda de valor, que aconteceu antes e em maior escala que qualquer previsão. E, ainda, porque a receita não reproduz, com exatidão, o volume de produção.

Mas ajuda a raciocinar.

E há algo muito grave, que dá ideia do impacto criado pela paralisação do setor produtivo criada pela caça às bruxas da "Operação Lava Jato" [conduzida dentro da tática da oposição, de parte da Justiça, da mídia e do grande capital internacional de "quanto pior para a Petrobras e o Brasil melhor" agora, para, assim, contribuir para a volta ao poder no Brasil da direita entreguista, antinacional].

Esperava-se um corte nas metas de produção de curto prazo, em razão do rebaixamento dos preços do petróleo, que implicariam ganhos menores com sua exportação em bruto, que se justificaria, por sua vez, como fonte de financiamento da ampliação de nosso parque de refino e da indústria petroquímica em geral.

Mas não na escala que ocorreu.

Pretendia-se dobrar a produção de petróleo no Brasil até 2020 (de 2,1 mil barris/dia para 4,2 mil).

Agora, era certo que esse número iria cair, mas menos do que se prevê-se agora: um aumento de 40%, para 2,8 mil barris diários.

E parte expressiva dessa queda deve-se à dificuldade dos fornecedores da Petrobras de entregar a tempo instalações e equipamentos.

Grosso modo, é possível dizer que a "Lava Jato" atrasou em mais de dois anos a exploração de petróleo no Brasil. Um prejuízo centenas ou milhares de vezes maior do que tudo o que, porventura, os ladrões da empresa possam ter desviado [com certeza, como tradicional no Brasil, esse crime, esse gigantesco prejuízo ao Brasil, dos condutores da Lava Jato e de seus apoiadores, a favor do grande capital internacional, ficará impune].

Não por falta de petróleo, e nem tanto por falta de recursos para investir, mas pela dificuldade de completar a tempo os projetos em curso e a prudente postergação de outros. Todas as áreas que deveriam entrar em produção, entrarão, mas com volume menor do que o previsto.

Esta é a boa notícia: embora se vá adiar a operação ou mesmo vender áreas menos promissoras ou de menor rendimento da extração, a essência do potencial petrolífero brasileiro, o pré-sal, está preservada.

Do investimento da Petrobras, 83% ( US$ 108 milhões) ficarão da área de Exploração e Produção, aquela que o inesquecível Severino Cavalcanti chamava “diretoria que fura poço”. Desses, US$ 64,4 bilhões, 60%, em novos sistemas de produção no Brasil, dos quais 91% no pré-sal.

Segundo o comunicado da empresa à Comissão de Valores Mobiliários, o foco será cumprir os programas exploratórios mínimos. Ou seja, não devolver áreas.

A redução dos investimentos da Petrobras seria um argumento muito forte para os defensores [das petroleiras estrangeiras com o argumento de que] "a empresa brasileira não tem fôlego para investir na exploração de nosso petróleo". Balela. Exijam que se divulgue o que as petroleiras estrangeiras investiram no Brasil, exceto para comprar blocos ou para pagar a parte que possuem em blocos explorados pela Petrobras – e não vão divulgar – e veremos que não dá para “tapar o buraco da cárie”.

Neste momento de baixa do petróleo, então, até obriga-las a cumprir os compromissos já assumidos será uma luta.

O negócio, agora e quase sempre, é comprar [o pré-sal e a Petrobras], fazer o fato consumado e garantir que o petróleo será deles."

FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27936). [Trechos entre colchetes em azul acrescentados por este blog 'democracia&política'].

NADA MUDOU




Nada mudou

Por RIBAMAR FONSECA

"A grande mídia mantém o massacre ao governo, o Judiciário ficando a cada dia mais politizado [pró-direita], e o cinismo de figuras carimbadas, acusando adversários de corrupção.

Quem tivesse se ausentado durante um mês do Brasil e se recolhido aos templos do Tibet, alheio aos acontecimentos do mundo, ao voltar ao país certamente se surpreenderia ao constatar que nada mudou nesses trinta dias: a grande mídia mantém o massacre ao governo, ampliando os aspectos negativos e escondendo os positivos, inclusive ignorando completamente as homenagens recebidas pelo ex-presidente Lula em diversos países por sua luta contra a fome; o Judiciário ficando a cada dia mais politizado [antiPT], perdendo na mesma proporção a autoridade moral para julgar; e o cinismo e a hipocrisia predominando no mundo político, com figuras carimbadas, inclusive algumas investigadas pelo recebimento de propinas, fazendo pose de vestais e acusando os adversários de corrupção.

Enquanto a chamada grande imprensa continua se avacalhando, adotando um comportamento inescrupuloso e antiético na divulgação dos acontecimentos e manipulando as informações ao sabor dos seus próprios interesses, a "Operação Lava-Jato" prossegue pautando a vida no país e escancarando, cada vez mais, seus objetivos políticos. Mas, apesar dos esforços de todos – da imprensa e dos investigadores – para blindar a oposição, não foi possível esconder a revelação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, de que deu mais dinheiro para a campanha de Aécio Neves à Presidência da República do que para a reeleição da presidenta Dilma Roussef. O que realmente impressiona é o cinismo do senador tucano, para quem a doação que recebeu foi "legal" enquanto a da Presidenta foi fruto do "assalto" à Petrobrás...

É provável que a esta altura dos acontecimentos já tenham se arrependido de forçar o empresário Pessoa a fazer a delação premiada, pois suas revelações acabaram envolvendo oito partidos políticos e até o Tribunal de Contas da União, enfraquecendo o movimento pro-impeachment da presidenta Dilma. Apesar do cinismo escandaloso de determinados oposicionistas, depois da delação de Pessoa ninguém tem moral para fazer acusações a quem quer que seja. O senador Ronaldo Caiado é o único que continua falando em impeachment, pelo menos até que sejam investigadas as suas estreitas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, relações que, como se recorda, motivaram a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres/DEM. Resta saber até quando ele continuará blindado pela mídia, que faz vista grossa às diatribes dos que se opõem ao governo.

Exercitando a sua capacidade de cinismo, o presidente do partido de Caiado, senador Agripino Maia, fazendo pose de honesto, ocupou o recente programa do DEM na TV para acusar o governo de corrupção, mesmo sendo investigado pelo recebimento de R$ 1 milhão em propina. É o roto falando do esfarrapado. E os colunistas que cultivam a hipocrisia, talvez para uma melhor convivência com os políticos hipócritas que pensam que todo mundo é burro, continuam estimulando o ódio entre os seus leitores, a exemplo dos veículos onde trabalham, provocando manifestações fascistas como a de que foi vítima o ex-ministro Guido Mantega. Se nada for feito, corremos o risco de assistir a atentados contra pessoas ligadas ao governo praticados por imbecis anencéfalos, como o que hostilizou o ex-ministro da Fazenda, para quem a Petrobrás "está acabada", mesmo dando lucros.

Os responsáveis por essa onda de ódio, disseminada na grande mídia e nas redes sociais, ainda não atentaram para a responsabilidade que estão assumindo com essa atitude. Legalmente, podem ser acusados pelas tragédias decorrentes dessa onda, bastando para isso que os mecanismos sejam acionados para identificá-los e puni-los. Felizmente para eles, o governo tem se mostrado apático, inerte, sem esboçar qualquer movimento de reação diante das inverdades publicadas pela imprensa comprometida e as calúnias e ofensas das redes sociais. Até o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, legalmente o chefe da Policia Federal, tem revelado estranha fraqueza diante das ações dos policiais, que agem como se fossem autônomos, ignorando a sua autoridade. Afinal, o que está havendo?

Enquanto a mídia e políticos oposicionistas continuam tentando derrubar o governo e disseminando a ideia de que o Brasil está acabado, a presidenta Dilma Roussef se empenha nos Estados Unidos para restaurar a imagem do nosso país, prejudicada por maus brasileiros, entre eles o ex-presidente FHC e Aécio Neves, que, em recente evento em Nova Iorque, não fizeram outra coisa a não ser falar mal da nação brasileira. O comportamento dos tucanos, na verdade, não surpreende, pois Fernando Henrique/PSDB, quando presidente da República, chegou a recomendar a empresários estrangeiros, através de Arminio Fraga, para não investirem nos Estados de Minas Gerais e Rio Grade do Sul, porque estava brigado com os governadores Itamar Franco e Olivio Dutra... E são esses homens que querem voltar a governar o nosso país..."

FONTE: escrito por Ribamar Fonseca, jornalista, membro da Academia Paraense de Jornalismo e da Academia Paraense de Letras (tem 16 livros publicados). Artigo publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/186775/Nada-mudou.htm).

Globo x Marieta: BRASIL CAMINHA ENTRE DESESPERANÇA E INCLUSÃO SOCIAL




Brasil caminha entre desesperança e inclusão

"Pela boca subserviente do Faustão falou a direita oligárquica. Pela boca altiva da Marieta, falou a esperança do povo brasileiro", descreve o [cientista político e] jornalista Emir Sader, sobre a entrevista da atriz Marieta Severo no domingo, que enquadrou o apresentador global. Para Emir, "inclusão significa que todo ser humano tem direitos, que a democracia deve ser o regime que torne todo indivíduo um cidadão, isto é, um sujeito de direitos. Desesperança significa que a democracia não é capaz de propiciar isso para todos e que portanto o país deveria se entregar de novo nos braços do mercado, do FMI, da direita e seus porta-vozes", afirma.

Do "Brasil 247"

O [cientista político e] jornalista Emir Sader afirmou na segunda-feira, 29, que a entrevista da atriz Marieta Severo ao apresentador Fausto Silva, no domingo 28, mostrou que o Brasil está dividido entre dois pensamentos: o da desesperança e o da inclusão social.

"Poucas vezes um diálogo tão breve, transmitido direto pela TV, revelou de forma tão significativa os dilemas e as interpretações contraditórias sobre o Brasil. Faustão no seu papel de propagandista do sentimento que a direita tenta impor ao país, tentou condicionar a resposta da Marieta Severo, com a palavra chave da oposição: desesperança", afirmou.

Mas, segundo Emir, a resposta da atriz surpreendeu o apresentador. "Marieta respondeu, altiva, com a outra visão do Brasil. O fenômeno fundamental do Brasil neste século é a inclusão social. É o Brasil dos direitos e não o da concorrência de todos contra todos no mercado", afirmou.

"Inclusão significa que todo ser humano tem direitos, que a democracia deve ser o regime que torne todo indivíduo um cidadão, isto é, um sujeito de direitos. Desesperança significa que a democracia não é capaz de propiciar isso para todos e que portanto o país deveria se entregar de novo nos braços do mercado, do FMI, da direita e seus porta-vozes", acrescenta.

Leia aqui [ou a seguir] a íntegra do post de Emir Sader:

O Brasil entre a desesperança e a inclusão social

Pela boca subserviente do Faustão, falou a direita oligárquica. Pela boca altiva da Marieta, falou a esperança do povo brasileiro.

Por Emir Sader



"Poucas vezes um diálogo tão breve, transmitido direto pela TV, revelou de forma tão significativa os dilemas e as interpretações contraditórias sobre o Brasil. Faustão no seu papel de propagandista do sentimento que a direita tenta impor ao país, tentou condicionar a resposta da Marieta Severo, com a palavra chave da oposição: desesperança.

A direita tem razão no sentido de que só se eles conseguirem convencer os brasileiros de que estamos mergulhados irremediavelmente – com este governo – na "desesperança", é que eles podem ter alguma chance de voltar a dirigir o pais. O pior para eles desde 2012 não foi somente que os governos do PT demonstraram que o Brasil é um pais viável, que a desigualdade não é um destino inevitável, mas que os brasileiros voltaram a confiar no pais, a ter autoestima, a se orgulhar de ser brasileiros.

Nesse quadro, a direita não tem possibilidade de retornar ao governo. É preciso voltar ao clima do Collor e do FHC, de degradar a imagem do Brasil, aqui e lá fora, principalmente na cabeça dos próprios brasileiros. A mídia difunde versões diárias, do pessimismo, da desesperança, do circulo vicioso, do túnel sem fim. É o seu papel, como órgão oficial da direita, das políticas antipopulares.

O Lula é o seu inimigo privilegiado, não apenas porque nos seus governos o Brasil viveu o melhor momento da sua história recente, como também porque ele representa a autoestima dos brasileiros, a confiança no povo brasileiro, a esperança de que o pais tem todas as condições de dar certo, de que o povo é solução e não problema – como o Lula gosta de reafirmar. Tentar destruir essa imagem é tentar destruir a autoestima dos brasileiros, tentar dizer que tudo é igual, nada é melhor – como canta o tango Cambalache.

Marieta respondeu, altiva, com a outra visão do Brasil. O fenômeno fundamental do Brasil neste século é a inclusão social. É o Brasil dos direitos e não o da concorrência de todos contra todos no mercado.

Inclusão significa que todo ser humano tem direitos, que a democracia deve ser o regime que torne todo indivíduo um cidadão, isto é, um sujeito de direitos. Desesperança significa que a democracia não é capaz de propiciar isso para todos e que, portanto, o país deveria se entregar de novo nos braços do mercado, do FMI, da direita e seus porta-vozes.

Essa é a luta fundamental de hoje no Brasil – saber se o Faustão e a sua desesperança tem razão ou se continuaremos o caminho da inclusão social e a Marieta tem razão.

O jogo está aberto de novo, depois de termos trilhado um caminho seguro da inclusão social como o nosso norte durante 12 anos. O ajuste fiscal tem sido um tiro no pé do Brasil da inclusão social, tem nos levado para o pior dos mundos possíveis: recessão com exclusão de direitos, com aumento do desemprego e da inflação e com ofensiva desestabilizadora da direita.

Mesmo quem julgue que algum tipo de ajuste é necessário, ele não pode ser socialmente injusto – recair nos trabalhadores -, nem economicamente inviável – não tem levado à retomada do crescimento – e não deveria ser politicamente desastroso – tirar apoio do governo justamente quando ele é alvo de sistemático ataque desestabilizador da direita.

Deve unir a todos os que querem a retomada do caminho da inclusão social, para o que a fortalecimento do governo é condição indispensável, aos que creem que um ajuste é necessário e aos que creem que ajuste nunca é e nunca leva ao desenvolvimento - a unidade para o fortalecimento e a recuperação de iniciativa do governo. Para isso, o ajuste tem que deixar de ser a pauta central do governo, os direitos dos trabalhadores têm que ser efetivamente garantidos, deve haver a centralidade da luta pela retomada do desenvolvimento e do combate ao desemprego.

Se o governo não está conseguindo retomar a expansão econômica – e não há nenhum sintoma disso até agora – e tem sido incapaz de conter o aumento do desemprego, o caminho escolhido tem que ser corrigido. A centralidade, na hora da crise, deve ser a defesa dos direitos de todos e não o ajuste.

No embate para saber se nos tornamos o pais da desesperança ou se seguimos sendo o pais da inclusão social, está o enfrentamento maior hoje. O governo tem que reafirmar o caminho da inclusão social e combater firmemente a desesperança. Contará com o apoio indispensável dos brasileiros, fundamental quando sofre sistemático e brutal ataque desestabilizador da direita.

Pela boca subserviente do Faustão, falou a direita oligárquica. Pela boca altiva da Marieta, falou a esperança do povo brasileiro."

FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader. Transcrito e comentado no portal "Brasil 247" (http://cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/O-Brasil-entre-a-desesperanca-e-a-inclusao-social/2/33855) e (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/186822/Sader-Brasil-caminha-entre-desesperança-e-inclusão.htm).