sexta-feira, 23 de maio de 2008

“PRESIDENTE” INGARICÓ NÃO ACEITA PERMANÊNCIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO NA REGIÃO INDÍGENA DE RORAIMA

O jornal Folha de São Paulo noticiou hoje que Ministros do STF estão em visita à terra indígena em Roraima e que os ministros Gilmar Mendes, Ayres Britto e Cármen Lúcia conversaram com índios ingaricós.

Na reportagem, passa quase despercebida pelo leitor a gravíssima e inaceitável afirmação do presidente do Conselho do Povo Ingaricó, Dílson Ingaricó:

“Sobre a possibilidade de implantação de um pelotão do Exército na fronteira, o líder ingaricó disse ser contrário: "O povo ingaricó já faz sua própria vigilância nas fronteiras, não precisa de pelotão do Exército".

Segundo o líder ingaricó, já existe uma parceria entre índios e Forças Armadas: "Aceitamos a presença dos militares em nossa região de forma periódica, não permanente".

NA SURDINA, SENADORES AUMENTAM VERBA DE SEUS GABINETES EM MAIS R$ 1 MILHÃO/MÊS

O senado, onde a oposição é maioria, resolveu se presentear com um aumento, de R$ 97,5 mil para 107, 4 mil por mês para cada senador. Coitados, estavam passando penúrias! A justificativa deles foi “o ciúme dos deputados”, que fizeram o mesmo...

Logo eles, tão revoltados com os gastos governamentais com cartões corporativos. Lembram-se que eles denunciaram à Nação o desperdício, pelo Ministro dos Esportes, de R$ 8,00 com uma tapioca? Vejo na minha lembrança os senadores Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB), revoltados, clamando por CPIs.

Mas, diferentemente dos gastos governamentais, os senadores não permitem a transparência com os seus gastos das verbas públicas. É segredo.

Essa estarrecedora notícia de novo aumento autoconcedido foi publicada hoje no Correio Braziliense, em reportagem de Leandro Colon. Vejamos:

Senadores querem aumentar verba de gabinete em mais de R$ 1 milhão

“Na calada, o Senado está a um passo de aumentar a verba de gabinete dos parlamentares, ao criar mais um cargo de assessor de confiança para cada um dos 81 políticos. O salário integral da função é de R$ 9.979,24. Somando os gabinetes, mais os das lideranças partidárias e membros da Mesa Diretora, o novo cargo vai gerar um custo mensal de R$ 900 mil, fora despesas com encargos sociais e horas extras.

O ato que cria essa função, chamada de assessor parlamentar, já está pronto e assinado pelos líderes partidários e integrantes da Mesa. O documento, no entanto, repousa com discrição numa gaveta da diretoria-geral do Senado para ser publicado nos próximos dias.

Para não fazer alarde, o ato não precisa passar agora pelo plenário. Resolução a ser aprovada no fim deste ano ratificará, de uma só leva, essa decisão e outras administrativas que forem editadas pela Casa durante 2008. Uma estratégia comum para despistar medidas impopulares.

A criação do cargo é uma reação dos senadores à decisão da Câmara de aumentar a verba de gabinete dos deputados. No mês passado, a Mesa Diretora da Casa aumentou de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil o valor disponível aos deputados para a contratação de funcionários.

Enciumado, o Senado decidiu fazer a mesma coisa. Mas, para não encarar o desgaste de elevar o custo dos gabinetes cada vez mais inchados, os senadores optaram por um caminho discreto, sem barulho.

O regimento permite ainda o milagre da multiplicação: transformar um cargo de assessor que ganha R$ 9 mil em quatro vagas de R$ 2,4 mil. Nada mal para um gabinete que já conta, no rol de funcionários de confiança, com cinco assessores técnicos, seis secretários parlamentares e um motorista. Juntos, eles são responsáveis por uma folha de pagamento de cerca de R$ 97,5 mil mensais por senador.

Sem falar nos cargos efetivos, que são aqueles ocupados por quem fez concurso público: um chefe e um subchefe de gabinete, cinco assistentes técnicos, um analista legislativo e um técnico legislativo.

Os 81 senadores têm direito, ainda, além do salário de R$ 16,5 mil, a R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 733 para uso da gráfica e R$ 500 para telefone residencial. Eles recebem também 13º salário, e mais outros dois, um no início e outro no fim do ano, para ajuda de custo, além de 25 litros de combustível por dia, com carro e motorista, e quatro passagens de ida e volta para o estado deles.”

DOSSIÊ CONTRA O PSDB !?!

Ontem, postamos o artigo “Cartões corporativos e dossiê anti-FHC”, no qual citamos uma nota do Diário do Nordeste que termina assim:

“Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].”

Hoje, li um oportuno e pertinente texto do portal Terra Magazine no blog “por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o qual transcrevo:

DOSSIÊ CONTRA O PSDB, SÓ SE FOR IMPORTADO”.

“A Justiça da Suíça também confirmou que vai enviar ao Brasil o dossiê da Alstom, com informações apuradas até agora sobre o envolvimento da empresa em corrupção. Em Berna, os contratos do Metrô de São Paulo são considerados peças fundamentais para que os supostos esquema de pagamentos de propina da Alstom sejam revelados.

Uma das suspeitas é que a empresa tenha pago mais de US$ 6 milhões como comissão para obter o contrato.

O promotor Sílvio Antonio Marques aguarda a chegada da documentação sobre a investigação na Europa. Ele está fazendo cruzamento dos dados dos contratos já recebidos assinados entre o Metrô e a Alstom. Aguarda, ainda, cópia dos contratos com outras empresas ligadas ao governo estadual, como Sabesp, CPTM, Eletropaulo, CTEEP e outras que contrataram a multinacional, que atua em transporte e energia.

O Ministério Público Federal investiga a existência de crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por parte da empresa, mas o inquérito corre sob sigilo.”

Complementa “Por um novo Brasil”: “Vem aí o dossiê Alston. Dossiê feito na Suíça. PSDB é muito chique. Será que o PSDB não vai querer saber quem fez e para que fez esse dossiê?”

BRASIL, POTÊNCIA PETROLÍFERA (WSJ)

O site UOL reproduz hoje (08h31) o texto da agência inglesa BBC (Brasil) sobre a reportagem também de hoje do jornal norte-americano Wall Street Journal" a seguir transcrita:

Nova descoberta pode elevar Brasil a potência petrolífera, diz 'WSJ'

“O jornal americano "Wall Street Journal" diz em sua edição desta sexta-feira que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira, "esquenta especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para "aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo".

Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global".

"Com o preço do petróleo batendo novos recordes, grandes descobertas no Brasil iriam aumentar o otimismo da indústria energética de que o país poderia suprir petróleo suficiente para manter o ritmo da crescente demanda", diz o jornal.

"Nas negociações na quinta-feira, na Bolsa de Nova York, o preço do barril caiu US$ 2,36, ou 1,8%, para US$ 130,81 o barril, em parte diante da perspectiva de maior suprimento vindo do Brasil", afirma o Wall Street Journal.

Segundo o jornal, as descobertas seriam especialmente bem-vindas nos Estados Unidos, garantindo uma nova fonte de petróleo em seu hemisfério.

"O foco de atenção é a Bacia de Santos, uma série de campos de petróleo potenciais enterrados sob milhas de águas oceânicas, terra e uma teimosa camada de sal. A perfuração exploratória em diferentes campos produziu petróleo bastante similar, alimentando uma excitante nova teoria: de que a bacia pode ser um contínuo megadepósito de petróleo."

O jornal afirma, no entanto, que apesar do otimismo, observadores dizem que há boas razões para ceticismo. "A exploração e a extração de petróleo em águas superprofundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos soma desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar -um processo que leva anos."

Mas, segundo o WSJ, os investidores não estão esperando para apostar neste potencial. "A fatia da Petrobras negociada publicamente aumentou tanto neste ano que o valor de mercado da companhia ultrapassou o de empresas de nomes conhecidos, como a Microsoft", afirma o jornal.

Segundo a reportagem, só com as reservas já encontradas o Brasil, provavelmente, chegaria ao topo dos exportadores latino-americanos.

"Para um país que começa a abandonar seu passado como país em desenvolvimento volátil, tanta bonança pode ser bom ou ruim. O dinheiro do petróleo vai encher os cofres do governo, mas também pode deixar o Brasil tentado a adotar hábitos esbanjadores de outros grandes exportadores de petróleo", conclui o WSJ.”

O MUNDO É DAS MULHERES

O jornal espanhol “La Vanguardia” publicou ontem um muito bom texto de Alain Touraine. O site “UOL Mídia Global” reproduziu-o. Touraine aborda a importância crescente da mulher na sociedade, até já sobrepujando o homem.

Segundo obtive na Wikipedia, Alain Touraine, sociólogo francês nascido em 3 de agosto de 1925 em Hermanville-sur-Mer, tornou-se conhecido por ter sido o pai da expressão "sociedade pós-industrial". Seu trabalho é baseado na "sociologia de ação" e seu principal ponto de interesse tem sido o estudo dos movimentos sociais.

"Touraine acredita que a sociedade molda o seu futuro através de mecanismos estruturais e das suas próprias lutas sociais. Tem estudado e escrito acerca dos movimentos de trabalhadores em todo o mundo, particularmente na América Latina e na Polónia."

Transcrevo o texto de Justo Barranco, de Barcelona, traduzido para o UOL por Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

A SOCIEDADE MUDOU, E AGORA O MUNDO É DAS MULHERES, DEFENDE SOCIÓLOGO

Nova obra do sociólogo francês Alain Touraine analisa uma profunda mudança social

"A transformação que conduz de uma sociedade de conquistadores do mundo -guerreiros, cientistas- a uma de auto-realização, como é a atual, substituiu a sociedade dos homens por uma sociedade de mulheres", escreve o sociólogo francês Alain Touraine (nascido em 1925 em Hermanville-sur-Mer) em seu livro "El mundo de las mujeres" [O mundo das mulheres], editado na Espanha pela Paidós, que apresentou na última segunda-feira no Institut Francès.

Isto é, hoje as grandes preocupações já não são conquistar o mundo, mas criar a si mesmo a partir da sexualidade, como em outro tempo foi a partir do trabalho. E nessa modernização diferente da que a Europa praticou durante séculos, separando razão e sentimentos, as mulheres levam a dianteira. Touraine falou sobre esse fenômeno com LA VANGUARDIA.

Vítimas? "Para muitos estudiosos as mulheres não são atores, mas vítimas de um sistema de dominação total e impessoal ao qual ninguém pode se opor. Certamente sofrem uma enorme e surpreendente quantidade de violência no trabalho e na família.

"Eu sou mulher." "Mas ao falar com mulheres me surpreendeu que nenhuma se definisse como vítima, mas como mulher. Podiam se definir como mãe, engenheira, tunisiana... mas começavam por 'Eu sou mulher'. E a meta de todas é construir sua vida como uma vida de mulher.

As mulheres deixam de se definir pela relação com os homens e priorizam sua construção a partir de sua sexualidade, de uma nova relação com o corpo e com elas. Querem atuar sobre si mesmas, mais que sobre os outros."

Sedução, a quem? As mulheres, "mais que os homens, passam por esse individualismo, pelo cuidado do corpo, a escolha da indumentária, para construir sua personalidade singular". Mas "a maquiagem, a ginástica, a cirurgia estética, que os homens interpretam como manobras de sedução, são antes de tudo maneiras como as mulheres tentam seduzir a si mesmas". Afinal, ele diz, "a relação com o homem já não é a meta final: através dele está a relação consigo mesma". E a construção de si, acrescenta, não é brincadeira em um mundo líquido no qual "tudo nos chama a escapar de nós mesmos".

Ambivalência. "As mulheres são conscientes de que a combinação de opções imperfeitas é a melhor solução possível: trabalho e vida pessoal. Sabem que uma participação limitada em qualquer campo impedirá seu êxito, seja em sua carreira ou com seus filhos, mas consideram necessário combinar as duas facetas. É uma mudança profunda, o ator julga a situação em relação a si mesmo. Estávamos concentrados no mundo, agora em nós. Isso origina toda uma ética."

Unir a vida. "Assim como o ecologismo político e os movimentos antiglobalização buscam reintegrar os aspectos que o processo europeu de modernização separou e opôs, são sobretudo as mulheres que sofreram uma dominação mais completa, as que formulam os grandes temas da reconciliação do corpo e da mente, do passado e do futuro, do privado e do público, do interesse e da emoção. Em vez de escolher entre razão e imaginário, os unem sem confundi-los."

Mulher e publicidade. Para Touraine, as mulheres enfrentam hoje uma nova dominação, "a que transforma a mulher em consumidora. As mulheres se envergonham de como são usadas em muitos anúncios, mas depois compram, porque são principalmente contra a publicidade não quando as mostra como objeto sexual, mas quando através da mulher sexualizam objetos. Como dizia uma entrevistada, 'quando volto para minha casa depois de ver os anúncios no metrô e me olho no espelho vejo que já não tenho rosto nem cabelos... roubaram minha imagem’”.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CNBB DIZ: COBIÇA INTERNACIONAL SOBRE A AMAZÔNIA É INEGÁVEL

O Jornal do Brasil de hoje publica uma surpreendente notícia. Causou espanto porque a CNBB sempre se posicionava ao lado das grandes potências quando o assunto era Amazônia. Vejamos o texto do JB:

"Cobiça internacional é inegável, afirma secretário da CNBB"

"Embora considere inegável a cobiça internacional sobre o vasto patrimônio representado pela biodiversidade e recursos naturais do subsolo, o secretário-geral da Conferência Nacional do Bispos do Brasil, dom Dimas Lara Barbosa, acha que a prioridade para a Amazônia é a definição de um projeto que englobe o desenvolvimento sustentável e as necessidades sociais da população.

– A Amazônia necessita da presença do Estado com projetos ouvindo os amazônicos e as soluções que eles vêem para o desenvolvimento da região – afirma.

– Concordo inteiramente com o ministro Mangabeira (Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos). O Brasil precisa acordar: a Amazônia é estratégica para o país – acrescenta o bispo.

O secretário-geral da CNBB tem acompanhado com certa apreensão os debates que colocam em lados opostos a soberania nacional sobre a região e a propalada internacionalização, mas observa que a face mais perceptível dos problemas podem ser traduzidos na exploração ilegal da madeira, o narcotráfico e o tráfico de pessoas, segundo ele, mais nocivos neste momento para a população da região do que uma eventual ameaça de invasão estrangeira. Por conta de denúncias sobre essas mazelas, segundo ele, três bispos da região e líderes de movimentos sociais têm sido ameaçados de morte.

– Um clima de insegurança impera na região – diz o secretário-geral da CNBB.

INTERESSES EXTERNOS

Dom Dimas alerta, no entanto, que as pretensões internacionais sobre a região não se explicam apenas pela constatação de que a Amazônia é o pulmão do mundo.

– A região tem uma biodiversidade única no planeta, minério e grandes reservas de água, produto que no futuro valerá mais que o petróleo. Alí é preciso um planejamento estratégico – afirma."

CARTÕES CORPORATIVOS x DOSSIÊ ANTI-FHC

Temos assistido e lido nos jornais há seis anos, todos os dias, essa longa novela de tentativas por parte da grande mídia e da oposição para desgastar ou derrubar o governo Lula.

Há muitos dias, contudo, não se fala mais dos cartões corporativos. Por quê? No jornal Diário do Nordeste li hoje, na coluna de Lustosa da Costa, uma interessante explicação:

DOSSIÊ PASSOU A SER IMPORTANTE

”A farsa da CPI era para investigar gastos com cartões corporativos. Os tucanos fizeram escarcéu, acusando o Ministro dos Esportes de haver pago tapioca de oito reais com o tal cartão.

Aí, começaram a aparecer as massagens que o ex-ministro Raul Jungmann (PSDB) tomava no hotel e punha na conta do governo. As hospedagens em hotel cinco estrelas da namorada do ex-Ministro da Educação. Até que surgiram referências aos gastos nababescos de FHC com champanhe, vinhos raros e caros e uma cozinheira de nível internacional. Foi o bastante para a mídia inverter a questão. Não se tratava mais de investigar os gastos e, sim, quem cometeu o feio crime de denunciar os tucanos.

Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].