O Valor Online ontem publicou (li no UOL):
“RIO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,38% em novembro, menos da metade do 0,98% verificado um mês antes. Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi influenciado por uma suavização no ritmo de alta dos preços no atacado.
Pela pesquisa Focus mais recente, os agentes consultados pelo Banco Central (BC) projetavam elevação de 0,67% para o indicador deste mês. No ano, o IGP-M avançou 9,95%. Em 12 meses, foi apurado acréscimo de 11,88%.
Pelo levantamento da FGV, o Índice de Preços por Atacado (IPA) deixou para trás crescimento de 1,24% em outubro para um incremento de 0,30% no mês seguinte. Os produtos agropecuários, que tinham subido 0,48% no mês passado, registraram agora queda de 0,96%. Os produtos industriais ampliaram-se 0,75%, seguindo expansão de 1,52% em outubro.
Dos três estágios que compõem o IPA, o item definido como "matérias-primas brutas" teve alta de 0,42%. Os "bens intermediários" aumentaram 0,39% e os "bens finais" cresceram 0,06% em novembro. Um mês antes, essas taxas equivaleram a 2,09%, 1,14% e 0,64%, respectivamente.
Após avanço de 0,25% em outubro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi para 0,52% agora. O grupo "alimentação" subiu mais, indo de 0,13% para 0,97%, reflexo do encarecimento das carnes bovinas, laticínios e frutas, por exemplo. Também aumentaram mais "habitação" (0,38% para 0,45%) e "saúde e cuidados pessoais" (0,30% para 0,42%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve ampliação de 0,65% em novembro, ou 0,20 ponto percentual inferior em relação à taxa verificada no mês antecedente, de 0,85%.
O grupo "materiais e serviços" partiu de elevação de 1,46% para 1,01%. O indicador referente à "mão-de-obra" subiu 0,24%, excedendo em 0,10 ponto a marca anterior, de 0,14%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.”
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
TEXTO COMPLETO DA DECLARAÇÃO BRASIL-RÚSSIA
O site DEFESA@NET ontem publicou:
“VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA, DMITRI MEDVEDEV -
Rio de Janeiro, 24 a 26 de novembro de 2008
DECLARAÇÃO CONJUNTA
Os Presidentes da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, reuniram-se hoje, 26 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro, em histórico encontro que celebra o 180° aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A visita oficial do Presidente da Federação da Rússia ao Brasil confirma a determinação dos dois Chefes de Estado de aprofundar a Parceria Estratégica bilateral, lançada em 2002.
2. Os Presidentes realçaram que a Rússia e o Brasil compartilham valores comuns de respeito ao direito internacional, aos princípios da democracia, ao desenvolvimento sustentável, à garantia da paz e da segurança internacionais e à defesa dos direitos humanos.
3. Os Chefes de Estado constataram a convergência de posições do Brasil e da Rússia em favor de um sistema internacional mais democrático que leve plenamente em conta os interesses legítimos dos novos centros de influência econômica e política e que se baseie no primado do Direito Internacional. Os Presidentes exprimiram a intenção de trabalhar junto com outros Estados para alcançar este objetivo.
4. Durante o encontro, os Presidentes revisaram as principais questões da agenda bilateral e multilateral. Destacaram a coincidência de opiniões quanto à conveniência de realizar reuniões periódicas dos titulares de Ministérios e entidades da Rússia e do Brasil.
5. Os dois Presidentes reafirmaram a convergência de posições entre o Brasil e a Rússia quanto à necessidade de consolidar a primazia do multilateralismo no mundo contemporâneo. Realçaram, mais uma vez, a importância de manter o papel central e coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU). Concordaram na necessidade de fortalecer e reformar a Organização para reagir de forma adequada às demandas contemporâneas e refletir a realidade política e econômica em transformação.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio da Federação da Rússia à candidatura do Brasil para membro permanente de um CSNU reformado, no entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre a ampliação do Conselho de Segurança, tanto na categoria de membros permanentes quanto na de não-permanentes. Os dois Chefes de Estado coincidiram quanto à necessidade de progresso mais rápido no que diz respeito à reforma da ONU, inclusive a ampliação da composição do Conselho de Segurança.
6. Os Chefes de Estado reafirmaram o compromisso dos dois países com o papel central da ONU no combate ao terrorismo internacional e a outros novos desafios e ameaças.
Declararam sua determinação de colaborar na realização da Estratégia Global Antiterrorismo da ONU, na garantia do cumprimento rigoroso das convenções antiterroristas de que são parte e de sua implementação na legislação nacional. Foi destacado o significado do aperfeiçoamento do arcabouço jurídico internacional no combate ao terrorismo e da conclusão do processo de negociação da Convenção Abrangente sobre Terrorismo Internacional.
7. Os Presidentes destacaram a necessidade de empreender esforços para ativar a cooperação bilateral no combate ao terrorismo, ao tráfico ilícito de drogas e ao crime organizado transnacional, no marco de organismos e fóruns regionais.
8. Os Chefes de Estado ressaltaram a convicção de que somente os meios político-diplomáticos devem ser empregados na busca de solução para conflitos e crises internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos princípios e normas do Direito Internacional, e levando em consideração os interesses legítimos de todas as partes envolvidas.
9. Os Presidentes saudaram o diálogo desenvolvido no âmbito do Grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e assinalaram a importância desse foro para a busca conjunta de soluções para problemas globais. Expressaram satisfação com os resultados do encontro de Chanceleres dos quatro países em Ecaterimburgo, em maio deste ano, e da reunião dos Ministros da Fazenda dos quatro países em São Paulo, em novembro do ano corrente. Os Presidentes manifestaram-se a favor da realização na Rússia, no ano de 2009, da primeira cúpula presidencial dos BRICs.
10. Os Chefes de Estado pronunciaram-se a favor do aprofundamento da cooperação entre os países do G8 e os principais países emergentes que integram o G-5, inclusive o Brasil.
11. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do Brasil à acessão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando o peso do país no comércio internacional. Sublinhou que a presença da Rússia na OMC favorecerá sua plena integração à economia mundial e contribuirá para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
12. Os dois líderes concordaram que a mudança do clima é uma das questões-chave da agenda internacional, como reconhecido no Mapa do Caminho de Bali.
Convergiram quanto à necessidade de ampla cooperação em âmbito global, com base nos instrumentos internacionais sobre o tema – a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e seu Protocolo de Quioto -, reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
13. Os Presidentes reiteraram o caráter prioritário que atribuem ao uso e à exploração do espaço exterior para fins pacíficos e salientaram a disposição dos dois Governos de aprofundarem o intercâmbio nessa área de especial relevância. Os dois Mandatários manifestaram pleno apoio aos trabalhos bilaterais em curso para a modernização do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e expressaram sua determinação em promover a parceria tecnológica para o desenvolvimento de veículos lançadores de nova geração.
Expressaram, igualmente, sua satisfação com as conversações em andamento relacionadas às áreas de telecomunicações, navegação por satélites, capacitação em áreas técnicas e de engenharia, bem como à realização de experimentos brasileiros no segmento russo da Estação Espacial Internacional. Os Presidentes consideraram de extrema importância a entrada em vigor do Acordo sobre Proteção Mútua de Tecnologias Associadas à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos, o que propiciará o início da efetiva implementação dos projetos almejados pelos dois países.
14. Os Mandatários russo e brasileiro expressaram satisfação com a assinatura do "Acordo de Cooperação Técnico-Militar", que permitirá explorar o potencial existente entre os dois países, com a formação de parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de defesa. Os dois Presidentes congratularam-se também pela assinatura, em 23 de outubro de 2008, do contrato entre o Comando da Aeronáutica do Brasil e a Empresa Federal Estatal Unitária Rosoboronexport, relativo à aquisição de helicópteros MI-35-M, ao apoio técnico para manutenção das aeronaves, bem como à harmonização de procedimentos relativos à homologação e à certificação de aeronaves.
15. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Rússia na América Latina, os Presidentes congratularam-se pela contínua expansão do comércio bilateral, que ultrapassou o volume total de U$ 5 bilhões em 2007, devendo apresentar novo recorde histórico em 2008. Concordaram, no entanto, quanto à necessidade de diversificar a pauta bilateral de bens e serviços e de aprofundar o relacionamento comercial, de forma a refletir o dinamismo e as dimensões das economias do Brasil e da Rússia.
16. Os dois mandatários também confirmaram a disposição de estimular a realização de investimentos recíprocos de grande porte e a formação de joint ventures russo-brasileiras. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse brasileiro em receber investimentos russos na área de infra-estrutura no marco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
17. No âmbito econômico-financeiro, os dois mandatários expressaram que a "Convenção para Evitar a Dupla Tributação" favorecerá as condições para a cooperação empresarial entre a Rússia e o Brasil, devendo incentivar o exame de outras iniciativas no nível governamental que possam contribuir para o adensamento das relações bilaterais.
18. Os Presidentes assinalaram que existe um potencial significativo para a cooperação no setor de energia. Defenderam a realização de investimentos mútuos das empresas dos seus países no aproveitamento dos recursos naturais no Brasil e na Rússia, considerando as oportunidades existentes para este fim. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse do Brasil em partilhar com a Rússia experiências na produção de biocombustíveis. O Presidente Dmitri Medvedev saudou a realização, em novembro do corrente ano, em São Paulo, da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis.
19. Os dois Presidentes reconheceram que o entendimento mútuo estabelecido entre autoridades sanitárias de ambos os países ensejará o aumento dos fluxos de comércio de produtos agropecuários.
20. Os Chefes de Estado manifestaram sua satisfação pela assinatura do "Acordo para Supressão de Vistos para Portadores de Passaportes Comuns", cuja entrada em vigor deste Acordo dará impulso essencial à ampliação de contatos entre nacionais dos dois países, condição importante para reforçar os laços bilaterais nas áreas econômico-comercial, humanitária e cultural. Os Presidentes da Rússia e do Brasil salientaram também que o intercâmbio turístico entre os dois países será apoiado pelo "Acordo de Cooperação na Área Turística", que entrou em vigor no ano corrente.
21. Os dois Mandatários defenderam o fortalecimento da cooperação entre regiões e cidades dos dois países, levando em consideração o potencial significativo de tal cooperação, que já apresentou resultados bem-sucedidos.
22. No decorrer das conversações, atenção especial foi dedicada à cooperação cultural. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez especial menção às atividades da Escola do Teatro Bolshoi de Moscou em Joinville (SC). O Presidente Dmitri Medvedev destacou o êxito das escolas de futebol brasileiro na Rússia. Os dois líderes apontaram as possibilidades de cooperação na área do esporte, inclusive em suas modalidades olímpicas.
23. Os dois Presidentes congratularam-se com a assinatura, em 15 de dezembro de 2006, do "Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Mecanismo de Diálogo Político e Cooperação entre a Federação da Rússia e os Estados Partes e Estados Associados do Mercado Comum do Sul (Mercosul)". O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esse novo foro ganha especial relevo à luz da importância do Mercosul na integração regional.
24. Os dois Chefes de Estado congratularam-se pelos resultados da V Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), realizada em Brasília, em 17 e 18 de novembro corrente.
Registraram satisfação com os avanços nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, comércio, investimentos, energia, técnico-militar e de defesa, uso do espaço exterior para fins pacíficos e cooperação inter-regional. Os dois Presidentes expressaram a convicção de que a V Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), a realizar-se na Rússia, em 2009, sob a co-presidência do Vice-Presidente da República, Senhor José Alencar Gomes da Silva, e do Presidente do Governo da Federação da Rússia, Senhor Vladimir Putin, trará resultados significativos para a consolidação de uma verdadeira parceria estratégica.
25. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Dmitri Medvedev instruíram os órgãos responsáveis de seus países a elaborar o Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Rússia.
26. Os dois Presidentes expressaram profunda satisfação com as conversações realizadas, que representaram mais um capítulo significativo no relacionamento russo-brasileiro. Reiteraram seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento do diálogo entre o Brasil e a Rússia sobre todos os assuntos de interesse mútuo.
27. O Presidente Dmitri Medvedev convidou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar a Rússia em data que lhe seja conveniente. O convite foi aceito com satisfação. As datas concretas da visita serão acordadas por via diplomática.”
“VISITA AO BRASIL DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA, DMITRI MEDVEDEV -
Rio de Janeiro, 24 a 26 de novembro de 2008
DECLARAÇÃO CONJUNTA
Os Presidentes da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, reuniram-se hoje, 26 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro, em histórico encontro que celebra o 180° aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A visita oficial do Presidente da Federação da Rússia ao Brasil confirma a determinação dos dois Chefes de Estado de aprofundar a Parceria Estratégica bilateral, lançada em 2002.
2. Os Presidentes realçaram que a Rússia e o Brasil compartilham valores comuns de respeito ao direito internacional, aos princípios da democracia, ao desenvolvimento sustentável, à garantia da paz e da segurança internacionais e à defesa dos direitos humanos.
3. Os Chefes de Estado constataram a convergência de posições do Brasil e da Rússia em favor de um sistema internacional mais democrático que leve plenamente em conta os interesses legítimos dos novos centros de influência econômica e política e que se baseie no primado do Direito Internacional. Os Presidentes exprimiram a intenção de trabalhar junto com outros Estados para alcançar este objetivo.
4. Durante o encontro, os Presidentes revisaram as principais questões da agenda bilateral e multilateral. Destacaram a coincidência de opiniões quanto à conveniência de realizar reuniões periódicas dos titulares de Ministérios e entidades da Rússia e do Brasil.
5. Os dois Presidentes reafirmaram a convergência de posições entre o Brasil e a Rússia quanto à necessidade de consolidar a primazia do multilateralismo no mundo contemporâneo. Realçaram, mais uma vez, a importância de manter o papel central e coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU). Concordaram na necessidade de fortalecer e reformar a Organização para reagir de forma adequada às demandas contemporâneas e refletir a realidade política e econômica em transformação.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio da Federação da Rússia à candidatura do Brasil para membro permanente de um CSNU reformado, no entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre a ampliação do Conselho de Segurança, tanto na categoria de membros permanentes quanto na de não-permanentes. Os dois Chefes de Estado coincidiram quanto à necessidade de progresso mais rápido no que diz respeito à reforma da ONU, inclusive a ampliação da composição do Conselho de Segurança.
6. Os Chefes de Estado reafirmaram o compromisso dos dois países com o papel central da ONU no combate ao terrorismo internacional e a outros novos desafios e ameaças.
Declararam sua determinação de colaborar na realização da Estratégia Global Antiterrorismo da ONU, na garantia do cumprimento rigoroso das convenções antiterroristas de que são parte e de sua implementação na legislação nacional. Foi destacado o significado do aperfeiçoamento do arcabouço jurídico internacional no combate ao terrorismo e da conclusão do processo de negociação da Convenção Abrangente sobre Terrorismo Internacional.
7. Os Presidentes destacaram a necessidade de empreender esforços para ativar a cooperação bilateral no combate ao terrorismo, ao tráfico ilícito de drogas e ao crime organizado transnacional, no marco de organismos e fóruns regionais.
8. Os Chefes de Estado ressaltaram a convicção de que somente os meios político-diplomáticos devem ser empregados na busca de solução para conflitos e crises internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos princípios e normas do Direito Internacional, e levando em consideração os interesses legítimos de todas as partes envolvidas.
9. Os Presidentes saudaram o diálogo desenvolvido no âmbito do Grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e assinalaram a importância desse foro para a busca conjunta de soluções para problemas globais. Expressaram satisfação com os resultados do encontro de Chanceleres dos quatro países em Ecaterimburgo, em maio deste ano, e da reunião dos Ministros da Fazenda dos quatro países em São Paulo, em novembro do ano corrente. Os Presidentes manifestaram-se a favor da realização na Rússia, no ano de 2009, da primeira cúpula presidencial dos BRICs.
10. Os Chefes de Estado pronunciaram-se a favor do aprofundamento da cooperação entre os países do G8 e os principais países emergentes que integram o G-5, inclusive o Brasil.
11. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do Brasil à acessão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando o peso do país no comércio internacional. Sublinhou que a presença da Rússia na OMC favorecerá sua plena integração à economia mundial e contribuirá para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
12. Os dois líderes concordaram que a mudança do clima é uma das questões-chave da agenda internacional, como reconhecido no Mapa do Caminho de Bali.
Convergiram quanto à necessidade de ampla cooperação em âmbito global, com base nos instrumentos internacionais sobre o tema – a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e seu Protocolo de Quioto -, reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
13. Os Presidentes reiteraram o caráter prioritário que atribuem ao uso e à exploração do espaço exterior para fins pacíficos e salientaram a disposição dos dois Governos de aprofundarem o intercâmbio nessa área de especial relevância. Os dois Mandatários manifestaram pleno apoio aos trabalhos bilaterais em curso para a modernização do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e expressaram sua determinação em promover a parceria tecnológica para o desenvolvimento de veículos lançadores de nova geração.
Expressaram, igualmente, sua satisfação com as conversações em andamento relacionadas às áreas de telecomunicações, navegação por satélites, capacitação em áreas técnicas e de engenharia, bem como à realização de experimentos brasileiros no segmento russo da Estação Espacial Internacional. Os Presidentes consideraram de extrema importância a entrada em vigor do Acordo sobre Proteção Mútua de Tecnologias Associadas à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos, o que propiciará o início da efetiva implementação dos projetos almejados pelos dois países.
14. Os Mandatários russo e brasileiro expressaram satisfação com a assinatura do "Acordo de Cooperação Técnico-Militar", que permitirá explorar o potencial existente entre os dois países, com a formação de parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de defesa. Os dois Presidentes congratularam-se também pela assinatura, em 23 de outubro de 2008, do contrato entre o Comando da Aeronáutica do Brasil e a Empresa Federal Estatal Unitária Rosoboronexport, relativo à aquisição de helicópteros MI-35-M, ao apoio técnico para manutenção das aeronaves, bem como à harmonização de procedimentos relativos à homologação e à certificação de aeronaves.
15. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Rússia na América Latina, os Presidentes congratularam-se pela contínua expansão do comércio bilateral, que ultrapassou o volume total de U$ 5 bilhões em 2007, devendo apresentar novo recorde histórico em 2008. Concordaram, no entanto, quanto à necessidade de diversificar a pauta bilateral de bens e serviços e de aprofundar o relacionamento comercial, de forma a refletir o dinamismo e as dimensões das economias do Brasil e da Rússia.
16. Os dois mandatários também confirmaram a disposição de estimular a realização de investimentos recíprocos de grande porte e a formação de joint ventures russo-brasileiras. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse brasileiro em receber investimentos russos na área de infra-estrutura no marco do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
17. No âmbito econômico-financeiro, os dois mandatários expressaram que a "Convenção para Evitar a Dupla Tributação" favorecerá as condições para a cooperação empresarial entre a Rússia e o Brasil, devendo incentivar o exame de outras iniciativas no nível governamental que possam contribuir para o adensamento das relações bilaterais.
18. Os Presidentes assinalaram que existe um potencial significativo para a cooperação no setor de energia. Defenderam a realização de investimentos mútuos das empresas dos seus países no aproveitamento dos recursos naturais no Brasil e na Rússia, considerando as oportunidades existentes para este fim. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse do Brasil em partilhar com a Rússia experiências na produção de biocombustíveis. O Presidente Dmitri Medvedev saudou a realização, em novembro do corrente ano, em São Paulo, da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis.
19. Os dois Presidentes reconheceram que o entendimento mútuo estabelecido entre autoridades sanitárias de ambos os países ensejará o aumento dos fluxos de comércio de produtos agropecuários.
20. Os Chefes de Estado manifestaram sua satisfação pela assinatura do "Acordo para Supressão de Vistos para Portadores de Passaportes Comuns", cuja entrada em vigor deste Acordo dará impulso essencial à ampliação de contatos entre nacionais dos dois países, condição importante para reforçar os laços bilaterais nas áreas econômico-comercial, humanitária e cultural. Os Presidentes da Rússia e do Brasil salientaram também que o intercâmbio turístico entre os dois países será apoiado pelo "Acordo de Cooperação na Área Turística", que entrou em vigor no ano corrente.
21. Os dois Mandatários defenderam o fortalecimento da cooperação entre regiões e cidades dos dois países, levando em consideração o potencial significativo de tal cooperação, que já apresentou resultados bem-sucedidos.
22. No decorrer das conversações, atenção especial foi dedicada à cooperação cultural. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez especial menção às atividades da Escola do Teatro Bolshoi de Moscou em Joinville (SC). O Presidente Dmitri Medvedev destacou o êxito das escolas de futebol brasileiro na Rússia. Os dois líderes apontaram as possibilidades de cooperação na área do esporte, inclusive em suas modalidades olímpicas.
23. Os dois Presidentes congratularam-se com a assinatura, em 15 de dezembro de 2006, do "Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Mecanismo de Diálogo Político e Cooperação entre a Federação da Rússia e os Estados Partes e Estados Associados do Mercado Comum do Sul (Mercosul)". O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esse novo foro ganha especial relevo à luz da importância do Mercosul na integração regional.
24. Os dois Chefes de Estado congratularam-se pelos resultados da V Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), realizada em Brasília, em 17 e 18 de novembro corrente.
Registraram satisfação com os avanços nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, comércio, investimentos, energia, técnico-militar e de defesa, uso do espaço exterior para fins pacíficos e cooperação inter-regional. Os dois Presidentes expressaram a convicção de que a V Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), a realizar-se na Rússia, em 2009, sob a co-presidência do Vice-Presidente da República, Senhor José Alencar Gomes da Silva, e do Presidente do Governo da Federação da Rússia, Senhor Vladimir Putin, trará resultados significativos para a consolidação de uma verdadeira parceria estratégica.
25. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Dmitri Medvedev instruíram os órgãos responsáveis de seus países a elaborar o Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Rússia.
26. Os dois Presidentes expressaram profunda satisfação com as conversações realizadas, que representaram mais um capítulo significativo no relacionamento russo-brasileiro. Reiteraram seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento do diálogo entre o Brasil e a Rússia sobre todos os assuntos de interesse mútuo.
27. O Presidente Dmitri Medvedev convidou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar a Rússia em data que lhe seja conveniente. O convite foi aceito com satisfação. As datas concretas da visita serão acordadas por via diplomática.”
A CRISE E A POPULARIDADE DE LULA
O blog “Cidadania.com”, de Eduardo Guimarães, ontem publicou:
“Talvez vocês não tenham notado, mas desde a explosão – ou seria da conscientização mundial? – da crise econômica internacional, enfim, desde a hecatombe ocorrida em 15 de setembro último com a quebra do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch e a tentativa da seguradora AIG de conseguir empréstimo do governo americano – e isso já tem mais de setenta (!) dias – que não se divulga novos dados sobre a popularidade de Lula.
Desde então, num gradiente impressionante de disseminação de pânico nos agentes econômicos, vemos a mídia alardear desgraças múltiplas que se abateriam sobre o país por conta da crise econômica internacional.
O alarde sobre contaminação do Brasil pela crise internacional ganhou impulso com declaração pública de Lula de que os efeitos dos problemas nos EUA, na Europa e na Ásia nos atingiriam com a intensidade de uma “marolinha”. A mídia viu aí oportunidade para Lula faturar politicamente com as desgraças no Norte e no Oriente do mundo e decidiu fazer do limão uma limonada “provando” que o presidente teria sido irresponsável.
Além disso, o recrudescimento da crise internacional era aguardado com ansiedade pela direita brasileira, por seus jornais, revistas e cadeias de televisão e rádio, pois a resistência da popularidade lulista era debitada por eles a uma inexistente “bonança mundial” que só continuava existindo mesmo nos seus discursos, que por sua vez tinham como fim “explicar” o espantoso crescimento do Brasil – por “explicar”, vale dizer, entenda-se minimizar.
O diabo era que o país não se entregava à crise facilmente. Quase um mês depois do fatídico 15 de setembro, paulistanos e cariocas lotaram ruas de comércio varejista às centenas de milhares para comprarem presentes de “Dia das Crianças” para os seus filhos.
Contudo, nos setores mais elitizados e, portanto, mais sujeitos aos efeitos da grande imprensa oposicionista, as previsões de desgraças paralisaram esse consumidor de alto poder aquisitivo, que parou de comprar automóveis e imóveis.
O vislumbre de lucro político com a crise encantou até mesmo cidadãos comuns que rejeitam o governo Lula e seus inegáveis avanços com um fundamentalismo quase patológico. Conservadores comuns e aqueles ligados à política e à mídia começaram a “comemorar” a crise e a possibilidade de a economia reduzir a euforia da população com o forte aumento do emprego, da renda e com a queda da pobreza e da miséria, fatores que estariam gerando a enorme – e até então crescente – popularidade de Lula.
Fica difícil dizer se os problemas surgidos no Brasil até agora foram apenas uma “marolinha”, como disse o presidente, ou se há, de fato, algo preocupante acontecendo na economia do país. Os dados econômicos todos, porém, autorizam afirmar que, até agora, não houve mais do que uma mera “marolinha” em nossa economia. A mídia e a oposição tucano-pefelista, porém, afirmam que os dados que estão aparecendo são os do “retrovisor”, ou seja, seriam dados sobre o passado.
Não é bem assim. Dados sobre a expansão do crédito, sobre o nível de emprego, sobre a produção industrial, sobre o investimento estrangeiro e muitos outros já são negativos na maior parte do mundo. No mês de outubro, por exemplo, enquanto nos EUA, na Europa e na Ásia já se constata recessão – e constatar recessão não acontece de um dia para o outro –, no Brasil a economia continuou batendo recordes.
De qualquer forma, com ou sem crise já começa a ficar meio estranho que não surja nenhuma pesquisa sobre a popularidade de Lula. É bobagem afirmar, aliás, que esses dados não estão sendo pesquisados. O próprio governo é senhor dos dados sobre a própria popularidade tanto quanto seus adversários, que por sua vez têm nas mãos boa parte dos grandes institutos de pesquisa.
A não-divulgação desses dados pode – apenas pode, que fique registrado – dizer respeito a uma eventual resistência da popularidade do presidente da República, até porque não haveria tempo para os efeitos localizados gerados à economia por conta da crise terem promovido pioras significativas na qualidade de vida das pessoas, ainda que seja inegável o sucesso da mídia nessa sua nova disseminação de pânico.
Porém, os números da economia fazem crer que mesmo o medo que se instalou no país pode não ter abalado a popularidade de Lula como seus adversários acreditam que ocorrerá ou até que já ocorreu. Resta saber, assim, se a maioria que apoiou a reeleição de Lula e seu projeto para o país apesar de todo bombardeio da mídia em 2004, 2005 e 2006, virar-lhe-á as costas agora por problemas ainda tímidos na economia num contexto em que todos vêem o mundo desabar lá fora.
Em minha opinião, há elementos suficientes para fundamentar a teoria de que a mídia pode quebrar a cara de uma vez por todas com sua aposta nesta crise, pois se suas previsões catastróficas não se materializarem de forma a causar estragos consideráveis nas vidas das pessoas ela terá chancelado, sem querer, a afirmação de que Lula é, sim, um bom governante, pois a mesma mídia tem cansado de alardear que “agora, sim, veremos do que ele é capaz, pois, até então, vinha voando em céu de brigadeiro”.
Como eu disse acima, já é preciso ficar de olho no tempo que está decorrendo desde a última sondagem sobre a popularidade do presidente da República. Esses números certamente já foram apurados várias vezes nos últimos dois meses. A decisão de divulgá-los costuma obedecer aos interesses políticos de José Serra e de seu grupo político. Diante disso, vejo indícios de que o efeito desmoralizador pretendido pela mídia ainda não foi atingido.
Nesse aspecto, vale reproduzir trecho final de comentário feito hoje pelo colunista do jornal Folha de São Paulo Fernando Rodrigues:
(...) No Planalto, mesmo vendo a degradação do cenário [econômico], Lula parece comandar um bloco do auto-engano. Repete um mantra sobre a solidez do país. Fará uma propaganda na TV a respeito. Ou o petista enxerga o que ninguém vê ou prepara o país para uma das maiores decepções recentes ao longo do ano de 2009. A ver.
Vejam que interessante: a mídia, apesar dos sucessos inegáveis deste governo, continua a subestimá-lo. Lula seria um irresponsável que fica vendendo seu auto-engano. Tratar-se-ia de um alienado que não enxerga um palmo diante do nariz. A burrice é tanta que ainda não aprenderam a não subestimar alguém que vem conduzindo o país de uma forma que o mundo inteiro – e inclusive a imprensa internacional – vem reconhecendo.”
“Talvez vocês não tenham notado, mas desde a explosão – ou seria da conscientização mundial? – da crise econômica internacional, enfim, desde a hecatombe ocorrida em 15 de setembro último com a quebra do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch e a tentativa da seguradora AIG de conseguir empréstimo do governo americano – e isso já tem mais de setenta (!) dias – que não se divulga novos dados sobre a popularidade de Lula.
Desde então, num gradiente impressionante de disseminação de pânico nos agentes econômicos, vemos a mídia alardear desgraças múltiplas que se abateriam sobre o país por conta da crise econômica internacional.
O alarde sobre contaminação do Brasil pela crise internacional ganhou impulso com declaração pública de Lula de que os efeitos dos problemas nos EUA, na Europa e na Ásia nos atingiriam com a intensidade de uma “marolinha”. A mídia viu aí oportunidade para Lula faturar politicamente com as desgraças no Norte e no Oriente do mundo e decidiu fazer do limão uma limonada “provando” que o presidente teria sido irresponsável.
Além disso, o recrudescimento da crise internacional era aguardado com ansiedade pela direita brasileira, por seus jornais, revistas e cadeias de televisão e rádio, pois a resistência da popularidade lulista era debitada por eles a uma inexistente “bonança mundial” que só continuava existindo mesmo nos seus discursos, que por sua vez tinham como fim “explicar” o espantoso crescimento do Brasil – por “explicar”, vale dizer, entenda-se minimizar.
O diabo era que o país não se entregava à crise facilmente. Quase um mês depois do fatídico 15 de setembro, paulistanos e cariocas lotaram ruas de comércio varejista às centenas de milhares para comprarem presentes de “Dia das Crianças” para os seus filhos.
Contudo, nos setores mais elitizados e, portanto, mais sujeitos aos efeitos da grande imprensa oposicionista, as previsões de desgraças paralisaram esse consumidor de alto poder aquisitivo, que parou de comprar automóveis e imóveis.
O vislumbre de lucro político com a crise encantou até mesmo cidadãos comuns que rejeitam o governo Lula e seus inegáveis avanços com um fundamentalismo quase patológico. Conservadores comuns e aqueles ligados à política e à mídia começaram a “comemorar” a crise e a possibilidade de a economia reduzir a euforia da população com o forte aumento do emprego, da renda e com a queda da pobreza e da miséria, fatores que estariam gerando a enorme – e até então crescente – popularidade de Lula.
Fica difícil dizer se os problemas surgidos no Brasil até agora foram apenas uma “marolinha”, como disse o presidente, ou se há, de fato, algo preocupante acontecendo na economia do país. Os dados econômicos todos, porém, autorizam afirmar que, até agora, não houve mais do que uma mera “marolinha” em nossa economia. A mídia e a oposição tucano-pefelista, porém, afirmam que os dados que estão aparecendo são os do “retrovisor”, ou seja, seriam dados sobre o passado.
Não é bem assim. Dados sobre a expansão do crédito, sobre o nível de emprego, sobre a produção industrial, sobre o investimento estrangeiro e muitos outros já são negativos na maior parte do mundo. No mês de outubro, por exemplo, enquanto nos EUA, na Europa e na Ásia já se constata recessão – e constatar recessão não acontece de um dia para o outro –, no Brasil a economia continuou batendo recordes.
De qualquer forma, com ou sem crise já começa a ficar meio estranho que não surja nenhuma pesquisa sobre a popularidade de Lula. É bobagem afirmar, aliás, que esses dados não estão sendo pesquisados. O próprio governo é senhor dos dados sobre a própria popularidade tanto quanto seus adversários, que por sua vez têm nas mãos boa parte dos grandes institutos de pesquisa.
A não-divulgação desses dados pode – apenas pode, que fique registrado – dizer respeito a uma eventual resistência da popularidade do presidente da República, até porque não haveria tempo para os efeitos localizados gerados à economia por conta da crise terem promovido pioras significativas na qualidade de vida das pessoas, ainda que seja inegável o sucesso da mídia nessa sua nova disseminação de pânico.
Porém, os números da economia fazem crer que mesmo o medo que se instalou no país pode não ter abalado a popularidade de Lula como seus adversários acreditam que ocorrerá ou até que já ocorreu. Resta saber, assim, se a maioria que apoiou a reeleição de Lula e seu projeto para o país apesar de todo bombardeio da mídia em 2004, 2005 e 2006, virar-lhe-á as costas agora por problemas ainda tímidos na economia num contexto em que todos vêem o mundo desabar lá fora.
Em minha opinião, há elementos suficientes para fundamentar a teoria de que a mídia pode quebrar a cara de uma vez por todas com sua aposta nesta crise, pois se suas previsões catastróficas não se materializarem de forma a causar estragos consideráveis nas vidas das pessoas ela terá chancelado, sem querer, a afirmação de que Lula é, sim, um bom governante, pois a mesma mídia tem cansado de alardear que “agora, sim, veremos do que ele é capaz, pois, até então, vinha voando em céu de brigadeiro”.
Como eu disse acima, já é preciso ficar de olho no tempo que está decorrendo desde a última sondagem sobre a popularidade do presidente da República. Esses números certamente já foram apurados várias vezes nos últimos dois meses. A decisão de divulgá-los costuma obedecer aos interesses políticos de José Serra e de seu grupo político. Diante disso, vejo indícios de que o efeito desmoralizador pretendido pela mídia ainda não foi atingido.
Nesse aspecto, vale reproduzir trecho final de comentário feito hoje pelo colunista do jornal Folha de São Paulo Fernando Rodrigues:
(...) No Planalto, mesmo vendo a degradação do cenário [econômico], Lula parece comandar um bloco do auto-engano. Repete um mantra sobre a solidez do país. Fará uma propaganda na TV a respeito. Ou o petista enxerga o que ninguém vê ou prepara o país para uma das maiores decepções recentes ao longo do ano de 2009. A ver.
Vejam que interessante: a mídia, apesar dos sucessos inegáveis deste governo, continua a subestimá-lo. Lula seria um irresponsável que fica vendendo seu auto-engano. Tratar-se-ia de um alienado que não enxerga um palmo diante do nariz. A burrice é tanta que ainda não aprenderam a não subestimar alguém que vem conduzindo o país de uma forma que o mundo inteiro – e inclusive a imprensa internacional – vem reconhecendo.”
CADÊ A TAL CRISE ALARDEADA POR TODA A MÍDIA?
TAXA DE DESEMPREGO DE OUTUBRO É A MENOR PARA O PERÍODO DESDE 1998
Li ontem no UOL o seguinte texto de Flávia Albuquerque, repórter da Agência Brasil:
“São Paulo - O desemprego caiu de 14,1% em setembro para 13,4% em outubro nas seis regiões metropolitanas em que é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), segundo informações da Agência Brasil, vinculada ao governo federal.
Segundo a Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), responsáveis pela pesquisa, é a menor taxa para o mês de outubro desde 1998. O número de desempregados foi de 2.698 mil, 141 mil a menos do que no mês anterior.
No mês de outubro, o nível de ocupação cresceu 2,3% em Recife; 1% em São Paulo; 0,85% em Porto Alegre; e 0,3% em Belo Horizonte, caindo 0,3% em Salvador. No Distrito Federal, a taxa manteve-se estável. O nível ocupacional aumentou no setor de serviços, com 63 mil novas vagas; na indústria, com 41 mil; na construção civil, com 28 mil; e em outros setores, com 18 mil novos postos. No comércio, houve queda, com o desaparecimento de 13 mil vagas.
O rendimento médio real dos ocupados passou a ser de R$ 1.167, com queda de 0,5%, e o dos assalariados, de R$ 1.215,00, com recuo de 1%.
Na comparação com outubro de 2007, o nível de ocupação nas seis regiões pesquisadas pelo Seade-Dieese aumentou 5%, com a geração de 840 postos de trabalho. De acordo com os dados, o total foi maior do que o de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho, 592 mil. Isso fez com que o contingente de desempregados fosse reduzido em 247 mil pessoas. Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego nas seis regiões diminuiu de 15,0% para 13,4%.
Segundo a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, os resultados de outubro ainda não refletem a crise econômica internacional, cujos efeitos devem começar a ser sentidos no início de 2009. Entretanto, disse a economista, é preciso lembrar que tais efeitos dependerão de como as políticas econômicas serão implantadas pelo governo para tentar proteger o país.
Patricia reforçou que o crescimento entre 3% e 3,5% é suficiente para manter o Brasil em um bom ritmo de crescimento sem que isso gere impactos muito fortes no mercado de trabalho. "O que pode acontecer é que, se o país continuar crescendo 3% ou 3,5%, isso provavelmente não afetará o emprego." Ela destacou a necessidade de manutenção do crédito do investimento público para fortalecer o mercado interno e dar continuidade ao crescimento da economia e do emprego.
A economista estima que o ano feche com índice em torno de 13% a 14%, o menor de toda a série, que vem diminuindo ao longo dos meses.”
Li ontem no UOL o seguinte texto de Flávia Albuquerque, repórter da Agência Brasil:
“São Paulo - O desemprego caiu de 14,1% em setembro para 13,4% em outubro nas seis regiões metropolitanas em que é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), segundo informações da Agência Brasil, vinculada ao governo federal.
Segundo a Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), responsáveis pela pesquisa, é a menor taxa para o mês de outubro desde 1998. O número de desempregados foi de 2.698 mil, 141 mil a menos do que no mês anterior.
No mês de outubro, o nível de ocupação cresceu 2,3% em Recife; 1% em São Paulo; 0,85% em Porto Alegre; e 0,3% em Belo Horizonte, caindo 0,3% em Salvador. No Distrito Federal, a taxa manteve-se estável. O nível ocupacional aumentou no setor de serviços, com 63 mil novas vagas; na indústria, com 41 mil; na construção civil, com 28 mil; e em outros setores, com 18 mil novos postos. No comércio, houve queda, com o desaparecimento de 13 mil vagas.
O rendimento médio real dos ocupados passou a ser de R$ 1.167, com queda de 0,5%, e o dos assalariados, de R$ 1.215,00, com recuo de 1%.
Na comparação com outubro de 2007, o nível de ocupação nas seis regiões pesquisadas pelo Seade-Dieese aumentou 5%, com a geração de 840 postos de trabalho. De acordo com os dados, o total foi maior do que o de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho, 592 mil. Isso fez com que o contingente de desempregados fosse reduzido em 247 mil pessoas. Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego nas seis regiões diminuiu de 15,0% para 13,4%.
Segundo a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, os resultados de outubro ainda não refletem a crise econômica internacional, cujos efeitos devem começar a ser sentidos no início de 2009. Entretanto, disse a economista, é preciso lembrar que tais efeitos dependerão de como as políticas econômicas serão implantadas pelo governo para tentar proteger o país.
Patricia reforçou que o crescimento entre 3% e 3,5% é suficiente para manter o Brasil em um bom ritmo de crescimento sem que isso gere impactos muito fortes no mercado de trabalho. "O que pode acontecer é que, se o país continuar crescendo 3% ou 3,5%, isso provavelmente não afetará o emprego." Ela destacou a necessidade de manutenção do crédito do investimento público para fortalecer o mercado interno e dar continuidade ao crescimento da economia e do emprego.
A economista estima que o ano feche com índice em torno de 13% a 14%, o menor de toda a série, que vem diminuindo ao longo dos meses.”
PETROBRAS ANUNCIA DESCOBERTA NA BAHIA
O portal UOL ontem publicou:
“A Petrobras informou ontem a descoberta de indícios de hidrocarbonetos -sem detalhar se se trata de óleo, gás ou os dois- num campo localizado ao sul da bacia do Jequitinhonha, em reservatórios arenosos acima da camada de sal. Na área, a estatal brasileira tem como sócia a norueguesa Statoil, com 40% do bloco. A descoberta está localizada a 74 km quilômetros da costa baiana.”
“A Petrobras informou ontem a descoberta de indícios de hidrocarbonetos -sem detalhar se se trata de óleo, gás ou os dois- num campo localizado ao sul da bacia do Jequitinhonha, em reservatórios arenosos acima da camada de sal. Na área, a estatal brasileira tem como sócia a norueguesa Statoil, com 40% do bloco. A descoberta está localizada a 74 km quilômetros da costa baiana.”
PRESIDENTE DO AFEGANISTÃO DIZ QUE GOSTARIA DE DERRUBAR AVIÕES AMERICANOS
Li ontem no UOL a seguinte notícia publicada pela agência norte-americana Reuters, em Islamabd:
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta quarta-feira que derrubaria, se pudesse, os aviões americanos que bombardeiam vilas do país. A declaração é um sinal da crescente tensão com seus apoiadores ocidentais, em meio ao fortalecimento da insurgência no país.
Embora Karzai tenha apoio entre as nações do Ocidente, a insatisfação dos líderes com o presidente cresce diante de sua incapacidade para combater a corrupção e governar efetivamente. E é diante deste cenário que Karzai enfrentará eleições no próximo ano.
O presidente afegão contra-atacou, após a morte de dezenas de civis em ataques aéreos estrangeiros, supostamente de autoria dos EUA.
Nas últimas semanas, Karzai repetidamente culpou o Ocidente pela piora na segurança do Afeganistão, dizendo que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) falhou em atingir os refúgios do Taleban e da Al Qaeda no vizinho Paquistão e apelou para que a guerra seja levada para fora das vilas afegãs.
"Nós não temos outra escolha, nós não temos poder para parar os aviões. Se nós pudéssemosse nós pudéssemos nós iríamos pará-los e derrubá-los", disse Karzai em uma entrevista coletiva.
Usando uma palavra em dari, uma das duas línguas oficiais do país, ele disse que se pudesse lançaria contra os aviões um "chelak" --espécie de funda feita com uma pedra amarrada a uma corda que as crianças afegãs usam para derrubar pipas.
"Se eu tivesse um 'chelak', eu iria lançá-lo e parar os aviões americanos. Nós não temos radar para pará-los no céu, nós não temos aviões", ele disse. "Eu gostaria de interceptar os aviões que estão bombardeando as vilas afegãs, mas isso não está em minhas mãos".
Este ano, 4.000 morreram no Afeganistão --cerca de um terço, civis-- na pior fase de violência desde que a coalização liderada pelos Estados Unidos depôs o regime do Taleban em 2001.
Apesar da presença de 65 mil soldados estrangeiros e de 130 mil homens das forças afegãs de segurança, a insurgência Taleban tem agido com confiança cada vez maior em seu território de origem, no sul e leste do país, e também estendeu sua influência a áreas próximas da capital.”
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta quarta-feira que derrubaria, se pudesse, os aviões americanos que bombardeiam vilas do país. A declaração é um sinal da crescente tensão com seus apoiadores ocidentais, em meio ao fortalecimento da insurgência no país.
Embora Karzai tenha apoio entre as nações do Ocidente, a insatisfação dos líderes com o presidente cresce diante de sua incapacidade para combater a corrupção e governar efetivamente. E é diante deste cenário que Karzai enfrentará eleições no próximo ano.
O presidente afegão contra-atacou, após a morte de dezenas de civis em ataques aéreos estrangeiros, supostamente de autoria dos EUA.
Nas últimas semanas, Karzai repetidamente culpou o Ocidente pela piora na segurança do Afeganistão, dizendo que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) falhou em atingir os refúgios do Taleban e da Al Qaeda no vizinho Paquistão e apelou para que a guerra seja levada para fora das vilas afegãs.
"Nós não temos outra escolha, nós não temos poder para parar os aviões. Se nós pudéssemosse nós pudéssemos nós iríamos pará-los e derrubá-los", disse Karzai em uma entrevista coletiva.
Usando uma palavra em dari, uma das duas línguas oficiais do país, ele disse que se pudesse lançaria contra os aviões um "chelak" --espécie de funda feita com uma pedra amarrada a uma corda que as crianças afegãs usam para derrubar pipas.
"Se eu tivesse um 'chelak', eu iria lançá-lo e parar os aviões americanos. Nós não temos radar para pará-los no céu, nós não temos aviões", ele disse. "Eu gostaria de interceptar os aviões que estão bombardeando as vilas afegãs, mas isso não está em minhas mãos".
Este ano, 4.000 morreram no Afeganistão --cerca de um terço, civis-- na pior fase de violência desde que a coalização liderada pelos Estados Unidos depôs o regime do Taleban em 2001.
Apesar da presença de 65 mil soldados estrangeiros e de 130 mil homens das forças afegãs de segurança, a insurgência Taleban tem agido com confiança cada vez maior em seu território de origem, no sul e leste do país, e também estendeu sua influência a áreas próximas da capital.”
FRIEDMAN: FALÊNCIA TOTAL
O jornal norte-americano "The New York Times" publicou ontem o seguinte artigo de Thomas L. Friedman. Li no UOL em tradução de George El Khouri Andolfato:
“Eu passei a tarde de domingo remoendo um grande artigo no "New York Times" de autoria de Eric Dash e Julie Creswell sobre o Citigroup. Talvez remoendo não seja a palavra certa. O artigo de primeira página, intitulado "Citigroup paga por Corrida ao Risco", na verdade me deixou totalmente indignado.
Por quê? Porque em dolorosos detalhes ele expôs - usando o Citigroup como Prova A - como alguns dos banqueiros melhor remunerados de nosso país eram estúpidos superestimados que não tinham idéia do que estavam vendendo, ou cínicos gananciosos que sabiam e fizeram vista grossa. Mas não foram apenas os banqueiros. Este colapso financeiro envolveu uma ampla falência nacional de responsabilidade pessoal, regulamentação do governo e ética financeira.
Pessoas demais estiveram envolvidas nisso: pessoas que não podiam comprando uma casa, sem nada como entrada e sem precisar pagar nada por dois anos; pessoas que não podiam rolando essas hipotecas e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam reunindo esses empréstimos em papéis e os vendendo para terceiros, como se fossem títulos AAA, e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam classificando esses empréstimos como AAA, mas ganhando fortunas para fazer isso; e pessoas que não podiam comprando esses títulos e os lançando em seus balancetes para que pudessem obter um rendimento um pouco melhor, mas ganhando fortunas fazendo isso.
O Citigroup esteve envolvido, e ganhou dinheiro, em quase todos os elos dessa cadeia. E os executivos do banco, incluindo tristemente o ex-secretário do Tesouro, Robert Rubin, totalmente sem idéia dos instrumentos financeiros imprudentes que estavam criando, ou envolvidos pela camaradagem entre os gerentes de risco do banco e os tomadores de risco (e comprados pelos seus bônus) e que não tinham interesse em impedi-los.
Essas são as pessoas que os contribuintes socorreram na segunda-feira com o que podem ser mais de US$ 300 bilhões. Nós provavelmente não tínhamos escolha. Simplesmente deixar o Citigroup falir poderia ser catastrófico. Mas quando o governo elabora um resgate que chega a centenas de bilhões de dólares em 48 horas, você pode apostar que haverá conseqüências não intencionais -muitas, muitas, muitas.
Também confira o soberbo ensaio de Michael Lewis, "The End of Wall Street's Boom" (O fim do boom de Wall Street) em Portfolio.com. Lewis, que primeiro narrou os excessos de Wall Street em "Liar's Poker" (pôquer de mentiroso), traça um perfil de algumas das pessoas decentes em Wall Street que tentaram expor a farra do crédito -incluindo Meredith Whitney, uma pouco conhecida analista do setor bancário que declarou, há mais de um ano, que o "Citigroup administrou tão mal seus negócios que precisaria reduzir pela metade seus dividendos ou declarar falência", escreveu Lewis.
"Essa mulher não estava dizendo que os banqueiros de Wall Street eram corruptos", ele acrescentou. "Ela estava dizendo que eram estúpidos. A mensagem dela era clara. Se você quiser saber o que estas firmas de Wall Street realmente valem, olhe atentamente para os ativos pobres que compraram com somas imensas de dinheiro emprestado, e imagine o que renderiam em uma venda em liquidação (...) Há mais de um ano, Whitney tem respondido às alegações de banqueiros e corretores, de que resolveram seus problemas com um redução do valor contábil dos ativos ou com levantamento de capital, com uma alegação própria: vocês estão errados. Vocês ainda não perceberam quão mal administraram seus negócios."
Lewis também apontou Steve Eisman, o investidor em fundo hedge que desde cedo percebeu as hipotecas subprime e reduziu sua exposição às empresas envolvidas nelas, como a Long Beach Financial, de propriedade do Washington Mutual.
"A Long Beach Financial", escreveu Lewis, "estava distribuindo dinheiro o mais rápido que podia, sem fazer muitas perguntas, na forma de empréstimos criados para se autodestruírem. Ela se especializou em pedir aos proprietários de imóveis com crédito ruim e sem comprovação de renda que não dessem entrada e adiassem o pagamento de juros pelo máximo de tempo possível. Em Bakersfield, Califórnia, um trabalhador rural mexicano com renda anual de US$ 14 mil e sem saber inglês recebeu o empréstimo que precisava para comprar uma casa de US$ 720 mil".
Lewis prosseguiu: Eisman sabia que os emprestadores subprime podiam ser de má reputação. "O que ele subestimou foi a cumplicidade totalmente despudorada da elite do capitalismo americano (...) 'Nós sempre fazemos a mesma pergunta', diz Eisman. 'Onde estão as agências de classificação de crédito em tudo isso? E sempre obtenho a mesma reação. Um sorriso afetado.' Ele telefonou para a Standard & Poor's e perguntou o que aconteceria com as taxas de inadimplência se os preços dos imóveis caíssem. O homem da S&P não soube dizer; seu modelo para preços de imóveis residenciais não era capaz de aceitar um número negativo. 'Eles simplesmente presumiam que os preços dos imóveis continuariam subindo', disse Eisman."
Foi assim que chegamos aqui - um colapso quase total da responsabilidade em todos os elos de nossa cadeia financeira, e agora ou resgatamos as pessoas que nos deixaram assim ou corremos o risco de um crash do sistema. Esse é o preço de nossos pecados.
Eu costumava dizer que nossos filhos pagariam caro por isso. Mas na verdade é nosso problema. Nos próximos anos todos nós trabalharemos mais arduamente por menos dinheiro e por menos serviços do governo - se tivermos sorte.”
“Eu passei a tarde de domingo remoendo um grande artigo no "New York Times" de autoria de Eric Dash e Julie Creswell sobre o Citigroup. Talvez remoendo não seja a palavra certa. O artigo de primeira página, intitulado "Citigroup paga por Corrida ao Risco", na verdade me deixou totalmente indignado.
Por quê? Porque em dolorosos detalhes ele expôs - usando o Citigroup como Prova A - como alguns dos banqueiros melhor remunerados de nosso país eram estúpidos superestimados que não tinham idéia do que estavam vendendo, ou cínicos gananciosos que sabiam e fizeram vista grossa. Mas não foram apenas os banqueiros. Este colapso financeiro envolveu uma ampla falência nacional de responsabilidade pessoal, regulamentação do governo e ética financeira.
Pessoas demais estiveram envolvidas nisso: pessoas que não podiam comprando uma casa, sem nada como entrada e sem precisar pagar nada por dois anos; pessoas que não podiam rolando essas hipotecas e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam reunindo esses empréstimos em papéis e os vendendo para terceiros, como se fossem títulos AAA, e ganhando fortunas fazendo isso; pessoas que não podiam classificando esses empréstimos como AAA, mas ganhando fortunas para fazer isso; e pessoas que não podiam comprando esses títulos e os lançando em seus balancetes para que pudessem obter um rendimento um pouco melhor, mas ganhando fortunas fazendo isso.
O Citigroup esteve envolvido, e ganhou dinheiro, em quase todos os elos dessa cadeia. E os executivos do banco, incluindo tristemente o ex-secretário do Tesouro, Robert Rubin, totalmente sem idéia dos instrumentos financeiros imprudentes que estavam criando, ou envolvidos pela camaradagem entre os gerentes de risco do banco e os tomadores de risco (e comprados pelos seus bônus) e que não tinham interesse em impedi-los.
Essas são as pessoas que os contribuintes socorreram na segunda-feira com o que podem ser mais de US$ 300 bilhões. Nós provavelmente não tínhamos escolha. Simplesmente deixar o Citigroup falir poderia ser catastrófico. Mas quando o governo elabora um resgate que chega a centenas de bilhões de dólares em 48 horas, você pode apostar que haverá conseqüências não intencionais -muitas, muitas, muitas.
Também confira o soberbo ensaio de Michael Lewis, "The End of Wall Street's Boom" (O fim do boom de Wall Street) em Portfolio.com. Lewis, que primeiro narrou os excessos de Wall Street em "Liar's Poker" (pôquer de mentiroso), traça um perfil de algumas das pessoas decentes em Wall Street que tentaram expor a farra do crédito -incluindo Meredith Whitney, uma pouco conhecida analista do setor bancário que declarou, há mais de um ano, que o "Citigroup administrou tão mal seus negócios que precisaria reduzir pela metade seus dividendos ou declarar falência", escreveu Lewis.
"Essa mulher não estava dizendo que os banqueiros de Wall Street eram corruptos", ele acrescentou. "Ela estava dizendo que eram estúpidos. A mensagem dela era clara. Se você quiser saber o que estas firmas de Wall Street realmente valem, olhe atentamente para os ativos pobres que compraram com somas imensas de dinheiro emprestado, e imagine o que renderiam em uma venda em liquidação (...) Há mais de um ano, Whitney tem respondido às alegações de banqueiros e corretores, de que resolveram seus problemas com um redução do valor contábil dos ativos ou com levantamento de capital, com uma alegação própria: vocês estão errados. Vocês ainda não perceberam quão mal administraram seus negócios."
Lewis também apontou Steve Eisman, o investidor em fundo hedge que desde cedo percebeu as hipotecas subprime e reduziu sua exposição às empresas envolvidas nelas, como a Long Beach Financial, de propriedade do Washington Mutual.
"A Long Beach Financial", escreveu Lewis, "estava distribuindo dinheiro o mais rápido que podia, sem fazer muitas perguntas, na forma de empréstimos criados para se autodestruírem. Ela se especializou em pedir aos proprietários de imóveis com crédito ruim e sem comprovação de renda que não dessem entrada e adiassem o pagamento de juros pelo máximo de tempo possível. Em Bakersfield, Califórnia, um trabalhador rural mexicano com renda anual de US$ 14 mil e sem saber inglês recebeu o empréstimo que precisava para comprar uma casa de US$ 720 mil".
Lewis prosseguiu: Eisman sabia que os emprestadores subprime podiam ser de má reputação. "O que ele subestimou foi a cumplicidade totalmente despudorada da elite do capitalismo americano (...) 'Nós sempre fazemos a mesma pergunta', diz Eisman. 'Onde estão as agências de classificação de crédito em tudo isso? E sempre obtenho a mesma reação. Um sorriso afetado.' Ele telefonou para a Standard & Poor's e perguntou o que aconteceria com as taxas de inadimplência se os preços dos imóveis caíssem. O homem da S&P não soube dizer; seu modelo para preços de imóveis residenciais não era capaz de aceitar um número negativo. 'Eles simplesmente presumiam que os preços dos imóveis continuariam subindo', disse Eisman."
Foi assim que chegamos aqui - um colapso quase total da responsabilidade em todos os elos de nossa cadeia financeira, e agora ou resgatamos as pessoas que nos deixaram assim ou corremos o risco de um crash do sistema. Esse é o preço de nossos pecados.
Eu costumava dizer que nossos filhos pagariam caro por isso. Mas na verdade é nosso problema. Nos próximos anos todos nós trabalharemos mais arduamente por menos dinheiro e por menos serviços do governo - se tivermos sorte.”
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