segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

GOVERNO E MÍDIA NOS EUA AGEM PARA SILENCIAR OS CRÍTICOS


“Em 2010, o FBI invadiu a casa de ativistas pela paz em vários estados e apreendeu bens pessoais, no que chamou de “investigação de atividades relacionadas com o apoio ao terrorismo” (e tendo orquestrado falsos “grupos terroristas”).

Por Paul Craig Roberts, estadunidense ex-editor e colunista do “Wall Street Journal”.

“SILENCIAR OS CRÍTICOS“

Os que protestavam contra a guerra foram intimados a depor perante um júri, enquanto a acusação fabricava o argumento de que a oposição às guerras de agressão de Washington representa apoiar e encobrir terroristas. O objetivo dessas buscas e intimações era refrear e desmobilizar o movimento antiguerra.
Na semana passada, de uma assentada, os últimos dois críticos do imperialismo de Washington/Tel Aviv foram eliminados dos grandes meios de comunicação social. O popular programa de Andrew Napolitano, “Freedom Watch”, foi cancelado pelo canal Fox, e Pat Buchanan foi despedido da MSNBC. Ambos especialistas tinham muitos espectadores e eram apreciados por falarem com franqueza.

Muitos suspeitam de que Israel usou a sua influência junto dos anunciantes da TV para silenciar os que criticam os esforços do governo israelita para levar Washington para a guerra com o Irã.

A questão é que a voz dos grandes meios de comunicação é agora uniforme. Os norte-americanos ouvem uma voz, uma mensagem, e a mensagem é propaganda. A dissidência é tolerada apenas em assuntos como, por exemplo, saber se os cuidados de saúde a cargo dos empregadores deverão incluir contraceptivos. Os direitos constitucionais foram substituídos por direitos a preservativos grátis.

Os média [mídia] ocidentais demonizam aqueles a quem Washington aponta o dedo. As mentiras chovem para justificar a agressão de Washington: os Talibãs são misturados com a Al-Qaeda, Sadam Hussein tem armas de destruição massiva, Kadhafi é um terrorista e, ainda pior, dava Viagra aos seus soldados para que violassem as mulheres líbias.

O Presidente Obama e membros do Congresso, ao lado de Tel Aviv, continuam a afirmar que o Irã constroi uma arma nuclear, apesar de terem sido publicamente desmentidos pelo Secretário de Estado da Defesa dos EUA, Leon Panetta, e pelo relatório dos Serviços Secretos da CIA. De acordo com relatórios noticiosos, o chefe do Pentágono, Leon Panetta, disse aos membros da Câmara dos Representantes, em 16 de fevereiro, que “Teerã não tomou uma decisão quanto a prosseguir com o desenvolvimento de uma arma nuclear”.

No entanto, em Washington, os fatos não contam. Apenas os interesses materiais de poderosos grupos de interesse têm importância.

Neste momento, o “ministério da verdade [1] norte-americano divide o seu tempo entre mentiras relativas ao Irã e à Síria. Houve, recentemente, algumas explosões na longínqua Tailândia e o Irã foi responsabilizado por isso. Em outubro passado, o FBI anunciou a descoberta de uma conspiração iraniana para pagar a um vendedor de carros usados mexicano que teria contratado traficantes de droga mexicanos para matar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA.

O imbecil que falava pela Casa Branca afirmou acreditar nessa inacreditável “conspiração” e declarou ter “fortes evidências”, mas nenhuma foi divulgada. O objetivo do anúncio dessa conspiração foi justificar as sanções de Obama, que representam um embargo (um ato de guerra) contra o Irã pelo desenvolvimento de energia atômica.

Como um dos signatários do Tratado de Não-proliferação Nuclear, o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estão, permanentemente, no Irã e nunca reportaram qualquer desvio de material nuclear para um programa de armas.

Por outras palavras, de acordo com os relatórios da AIEA, o relatório dos Serviços Secretos e o atual Secretário de Estado da Defesa, não há evidência de que o Irã tenha armas nucleares ou de que esteja a fabricá-las. No entanto, Obama impôs sanções ao Irã quando a própria CIA e o seu próprio Secretário de Estado da Defesa, em simultâneo com a AIEA, reportaram que não existe base para as sanções.

A ideia de que os EUA são uma democracia, não tendo, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento, é risível. Mas os média [da mídia] não estão a rir. Estão mentindo. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De fato, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas.

Rebelde sírio

O “ministério da verdade” chama “manifestantes pacíficos brutalizados pelo exército de Assad” ao que são, na verdade, rebeldes armados e financiados por Washington. Washington fomentou uma guerra civil. Reclama a intenção de “salvar o povo sírio, vítima de opressão e maus-tratos de Assad”, tanto quanto “salvou o povo Líbio, vítima de opressão e maus-tratos de Kadhafi”. Hoje, a Líbia “libertada” é uma imagem do seu passado, aterrorizada por milícias em confronto. Graças a Obama, mais um país foi destruído.

Os relatórios de atrocidades cometidas contra civis sírios pelo exército poderão ser verdadeiros, mas provêm dos rebeldes que querem a intervenção do Ocidente para subirem ao poder. Além disso, em que diferem essas baixas civis das infligidas à civis no Bahrein pelo seu governo, apoiado pelos EUA, e cujo exército foi reforçado com tropas da Arábia Saudita? Não se ouvem protestos na imprensa ocidental quando Washington fecha os olhos às atrocidades cometidas pelos seus estados fantoches.

Em que diferem as atrocidades sírias, se forem reais, das atrocidades de Washington no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iêmen, na Líbia, na Somália, em Abu Ghraib, na prisão de Guantánamo, e em prisões secretas da CIA? Porque se mantém o “ministério da verdade” norte-americano em silêncio em relação a essas violações massivas dos direitos humanos e sem precedentes?

Recordem-se, também, os relatórios das atrocidades sérvias no Kosovo que Washington e a Alemanha usaram para justificar o bombardeamento de civis sérvios pela NATO e EUA, incluindo o consulado chinês, considerado outro dano colateral.

Treze anos mais tarde, um destacado programa de TV alemão revelou que as fotografias que despoletaram a campanha de atrocidades “foram mal interpretadas” e “não eram fotografias de atrocidades cometidas por sérvios”, mas de “separatistas albaneses mortos num tiroteio entre albaneses e sérvios”. As baixas sérvias não foram reveladas.

O problema no conhecimento da verdade é que os ocidentais da mídia mentem continuamente. Nas raras instâncias em que as mentiras são corrigidas, isso acontece sempre muito depois dos acontecimentos terem tido lugar e, portanto, os crimes permitidos pela mídia já estão consumados.

Washington pôs a Síria em causa perante os seus fantoches da Liga Árabe, com o objetivo de isolar perante os seus congêneres, para melhor poder atacá-la. Assad evitou que Washington pusesse a Síria no caminho da destruição quando marcou um referendo nacional por uma nova constituição que possa alargar a perspectiva de poder para além do Partido Baath (o partido de Assad).[O referendo foi realizado ontem, 26].

Poderíamos pensar que, se Washington e o seu ministério da verdade realmente quisessem a democracia na Síria, Washington apoiaria esse gesto de boa vontade por parte do partido do poder e aprovaria o referendo. Mas Washington não quer um estado democrático. Quer um estado fantoche.

A sua resposta é de que o covarde Assad enganou Washington dando passos em direção à democracia na Síria antes que Washington conseguisse esmagá-la e instalar um fantoche. Eis a resposta de Obama às medidas de Assad pela democracia: “É na verdade risível; é gozar com a revolução síria”, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney a bordo do “Air Force One”.

Obama, os neoconservadores e Tel Aviv estão realmente contrariados. Se Washington e Tel Aviv conseguirem descobrir como contornar a Rússia e a China e derrubar Assad, irão julgá-lo como criminoso de guerra por propor um referendo democrático.

Bashar al-Assad

Assad era oftalmologista na Inglaterra até que o seu pai morreu e ele foi chamado para chefiar o conturbado governo sírio. Washington e Tel Aviv demonizaram Assad por recusar ser seu fantoche.

Outro ponto nevrálgico é a base naval russa em Tartus. Em Washington, estão desesperados para expulsar os russos da sua única base no Mediterrâneo, para fazer deste um lago norte-americano. Washington, inculcada com visões neoconservadoras de domínio mundial, quer o seu próprio mare nostrum [2].

base naval russa em Tartus

Se a União Soviética ainda existisse, os planos de Washington para Tartus seriam suicidas. Mas a Rússia é política e militarmente mais fraca que a União Soviética. Washington infiltrou-se na Rússia com organizações não-governamentais que trabalham contra os interesses da Rússia e irão perturbar as próximas eleições. Além disso, as “revoluções coloridas[3] financiadas por Washington fizeram, do que eram partes da antiga União Soviética, estados fantoches de Washington. Washington não espera que a Rússia, esvaziada de ideologia comunista, prima o botão nuclear. Desse modo, a Rússia está lá para tirar proveito.

A China representa um problema mais difícil. O plano de Washington é cortar-lhe o acesso a fontes independentes de energia. O investimento chinês em petróleo no leste da Líbia é a razão pela qual Kadhafi foi derrubado e o petróleo é uma das razões fundamentais por que Washington aponta agora para o Irã. A China tem grandes investimentos em petróleo no Irã e vai buscar 20% do seu petróleo no Irã. Vedar-lhe esse acesso, ou converter o Irã num estado fantoche de Washington, ameaça 20% da economia chinesa.

A Rússia e a China levam tempo a aprender. No entanto, quando Washington e os seus fantoches na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) fizeram um uso abusivo da resolução da Organizações das Nações Unidas (ONU) relativamente à zona de exclusão área na Líbia, infringindo-a e transformando-a numa agressão militar contra as forças armadas líbias, que tinham todo o direito de reprimir uma rebelião apoiada pela CIA, a Rússia e a China finalmente perceberam que não podem confiar em Washington.

Desta vez, a Rússia e a China não caíram na armadilha de Washington. O seu veto no Conselho de Segurança da ONU impediu ataque militar à Síria. Agora, Washington e Tel Aviv (entre esses dois, nem sempre é claro quem é o fantoche e quem o manipula) têm de decidir se irão prosseguir, face à oposição russa e chinesa.

Os riscos para Washington multiplicaram-se. Se Washington prosseguir, a mensagem que é transmitida à Rússia e à China é que, a seguir ao Irã, chegará a sua vez. Portanto, a Rússia e a China, ambas dispondo de armas nucleares, provavelmente irão pôr o pé na linha traçada sobre o Irã. Se os loucos militaristas em Washington e Tel Aviv, com a fúria arrogante que lhes corre forte nas veias, ignorarem a oposição russa e chinesa, o risco de confronto perigoso aumenta.

Por que razão os da mídia norte-americana não questionam esses riscos? Vale a pena rebentar o planeta para impedir o Irã de ter um programa de energia nuclear ou mesmo uma arma nuclear? Pensará Washington que a China ignora que aquela [estratégia dos EUA] aponta para as suas fontes de energia? Pensará que a Rússia ignora que está a ser cercada de bases militares hostis?

Que interesses estão sendo servidos pelas guerras infinitas de Washington, que custam tantos trilhões de dólares? Certamente, não os interesses de 50 milhões de norte-americanos que não têm acesso a cuidados de saúde, nem as 1.500.000 crianças sem abrigo, que vivem em carros, quartos de motéis abandonados, cidades de acampamentos e coletores de águas dos temporais no subsolo de Las Vegas, enquanto enormes somas de dinheiros públicos são usados para resgatar bancos e esbanjados em guerras pela hegemonia mundial.

Os EUA não têm imprensa e televisão independentes. Tem prostitutas midiáticas [4] pagas pelas mentiras que proferem. O Governo dos EUA, na prossecução dos seus fins imorais, obteve o estatuto do governo mais corrupto da história da humanidade. E, no entanto, Obama discursa como se Washington fosse a fonte da moral do homem.

O Governo dos EUA não representa os norte-americanos, representa uns poucos interesses especiais e um poder estrangeiro [Israel]. Os cidadãos dos EUA não contam, e certamente não contam os do Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Iêmen e Paquistão. Washington encara a verdade, a justiça e a misericórdia como valores risíveis. O dinheiro, o poder, a hegemonia, são tudo o que conta para Washington, a cidade sobre a colina, a luz das nações, o exemplo para o mundo.”

NOTAS DA TRADUÇÃO:

[1] Trata-se de um dos ministérios do governo imaginado por George Orwell em 1984, que se ocupa de fabricar a verdade histórica conforme as conveniências políticas do momento.
[2] Os Romanos chamavam Mare Nostrum ao Mediterrâneo.
[3]Revoluções coloridas”: muitos meios de comunicação social têm assim designado uma série de manifestações políticas no que foi território da URSS, depois CEI, supostamente contra governos e líderes “tiranos”, acusados de serem “ditadores” etc., desde começos da década de 2000.
[4] No original: “presstitutes”

FONTE: escrito por Paul Craig Roberts, estadunidense, economista e cronista. Já foi editor e colunista do “Wall Street Journal”. Transcrito no site português “O Diário.Info” e no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176512&id_secao=9). [Título, imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

LÍBIA: PETRÓLEO E O SANGUE DE 50 MIL

Domenico Losurdo

[OBS deste blog ‘democracia&política’:

É marcante a parcialidade e a cara-de-pau da imprensa internacional e brasileira.

Jamais li notícias com números sobre a mortandade causada pela OTAN/EUA na Líbia. O professor italiano Domenico Losurdo (vídeo abaixo) informa que 50 mil foram mortos nas operações de mudança de poder na Líbia. Compreende-se que os objetivos dos EUA e seus aliados da OTAN eram “nobres”: a apropriação do petróleo e gás líbios, cortar investimentos chineses no petróleo líbio e evitar a extinção da sua comercialização em dólar.

Contudo, diferente e diariamente, a imprensa repete com cara de consternada e revoltada que as forças governamentais de Bashar al-Assad mataram x ou y rebeldes sírios. Os números mais inflados apontam que teriam sido mortos 30 mil em um ano. Contudo, ainda muito abaixo dos 50 mil mortos pela ação da OTAN na Líbia e em período bem menor]

Do portal “Vermelho”:

“Após um ano dos conflitos iniciados na Líbia, capitaneados pelas nações imperialistas e executados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o país africano sofre com graves denúncias de corrupção, exploração e ausência da prestação dos serviços básicos à população.

O pensador marxista Domenico Losurdo externou sua indignação frente a essa situação durante uma conferência na “Casa Delle Culture”, em Roma.

"Casa Delle Culture”, em Roma

Em cerca de cinco minutos, o professor explicou o que foi a investida à Líbia, como as nações imperialistas, representadas pela mídia mundial, manipularam, assassinaram e venderam a ideia de que derrubar o então governo seria a salvação daquele país.”



FONTE: portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176519&id_secao=9) [Observação inicial entre colchetes e imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

NÃO É FÁCIL SER “POTUS” e “FLOTUS” NOS EUA

Flotus e Potus: Michelle e Barack Obama

“OBAMA ANDA MESMO CANTANDO O ‘BLUES’?”

(“IS OBAMA REALLY SINGING THE BLUES?”)

Por Pepe Escobar, no “Asia Times Online”:

Pepe Escobar

“Não é fácil ser POTUS (President of the United States). Corãos queimados no Afeganistão, Líbia “liberada” governada por milícias, Síria caindo em guerra civil, o psicodrama sem fim em torno do Irã. Onde buscar alguma consolação? Simples: se o POTUS não consegue escapulir até a Casa do Blues – o Serviço Secreto não permitiria – o blues vem à Casa (Branca).

Performance at the White House: Red, White and Blues”, foi um concerto doméstico gravado no Salão Leste, em homenagem ao “blues” e ao “Mês da História Negra” nos EUA, parte de uma série musical com POTUS (Barack Obama) e FLOTUS (First Lady of the United States, Michelle Obama) como anfitriões. Irá ao ar nesta 2ª-feira [27], pelo PBS, “Sistema Público de Broadcasting”

E então aconteceu o momento mágico; arremedo de bluezeiro, Mick Jagger passa o microfone para POTUS – e o resto é história (veja o vídeo: 

)

Houve o precedente, quando POTUS enviou mensagem nada sutil de campanha, em código “Let's Stay Together” [Fiquemos juntos].



Mas foi para valer: POTUS assumindo o espírito de Robert Johnson via “Sweet Home Chicago”. E que cast de apoio! Incluindo o “Rei do Blues” em pessoa, BB King, 86, apresentado por POTUS; Mick Jagger (ainda em forma em “Can't Turn You Loose”; Buddy Guy; Jeff Beck; e Booker T Jones, lenda viva da gravadora Stax – que já deveria ter sido canonizado – como band leader e diretor musical. Gol de placa, o do cantor-em-chefe.

POTUS até fez uma declaração oficial elogiando o blues; que “nos ensina que quando nos descobrimos numa encruzilhada, não nos escondemos dos nossos problemas. Nós os encaramos. Lidamos com eles. Cantamos sobre eles. Os convertemos em arte”.

BOMBATÔMICA-EM-MIM, BABY, ATÉ O SOL RAIAR

Por que um negro não poderia brincar com o blues na Casa Branca? Afinal, a economia dos EUA vai – lentamente voltando a girar (mais ou menos) apesar daquela canção pungente “16 trilhões/O que mais você quer?” [pergunta aos grandes banqueiros socorridos com dinheiro público], que ainda se ouve do coro, ao fundo.

O desemprego cai – devagar. E os ex-talvez candidatos Republicanos que ainda se arrastam ou são doidos ou batem todos na mesma tecla “Jesus!; e Mulá (Rick) Santorum apresenta-se ele mesmo como o homem que salvará os EUA, de Satã.

A turma do “Tea Party” pirou. Newt Gingrich, em desespero, diz que POTUS é “o mais perigoso presidente de todos os tempos”. Mitt Romney – num debate da campanha para presidente – diz que o Irã dá uma bomba atômica ao Hezbollah no Líbano; o Hezbollah traz a bomba para o México; em seguida a bomba atravessa a fronteira disfarçada como imigrante ilegal e explode em Ohio.

E o pior de tudo: em matéria de música, esse pessoal aí, pior, impossível. Não cantam blues – nem soul, nem jazz, nem gospel, nem country – nem se a vida (paranóica) deles depender disso.

Seja como for, o cantor-em-chefe não estava exatamente bluezando quando assinou a “National Defense Authorization Act” [Lei de Autorização da Defesa Nacional] na noite de Ano Novo – quando ninguém estava prestando atenção. O guerreiro-em-chefe, de fato, legalizou a conversão dos EUA em estado policial militarizado – onde o Pentágono pode mandar prender norte-americanos sem acusação e sem julgamento durante “toda a duração das hostilidades” na imatável-imorrível “guerra global ao terror”.

No fim da semana que vem, POTUS tampouco estará cantando blues quando discursar na convenção anual do “Comitê EUA-Israel de Assuntos Públicos” (American Israel Public Affairs Committee (AIPAC)) – ante milhares de apostadores de jogo de alto risco, num salão de baile em Washington, todos berrando em uníssono pela destruição do Irã.

Mas a véspera do discurso parece saída diretamente de “Hellhound on My Trail” (“Há um cão do inferno no meu encalço”) de Robert Johnson [1937]: é quando POTUS recebe o primeiro-ministro de Israel Benjamin “Bibi” Netanyahu em visita a Washington, o qual todos os grãos de areia do deserto do Negev sabem que quer livrar-se de POTUS e instalar na Casa Branca um seu fantoche pessoal de “doido-por-guerras”.

Afinal, Bibi já esbravejou até contra o general Martin Dempsey, Chefe do Comando do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, porque o campeão do Pentágono atreveu-se a manifestar algum bom senso e disse que qualquer ataque de Israel ao Irã seria “desestabilizador” e “imprudente”.

POTUS prefere cantar o blues a ir à guerra; quanto ao resto dos norte-americanos médios, parecem absolutamente confusos, ou absolutamente anestesiados pelo ruído ambiente. Segundo a mais recente pesquisa CNN/Gallup, quase 80% deles acreditam que, ou o Irã tem armas nucleares, ou pode arranjar uma amanhã mesmo; ao mesmo tempo, 63% preferem a diplomacia à guerra, como meio para dissuadir o Irã de converter-se em país nuclear. Então, como é que fica? Convencer o Irã a desistir de bombas inexistentes que eles talvez tenham?

O Supremo Líder do Irã Aiatolá Ali Khamenei talvez considere o blues música do demônio – mas já disse, pelo menos uma vez oficialmente, que “o Irã não tem arma nuclear”. Simultaneamente, encoraja os cientistas nucleares iranianos a prosseguir no seu trabalho “fundamental” para “os interesses nacionais iranianos”.

Em meio a toda essa loucura, pelo menos o seriado “Mad Men” estará de volta, nos idos de março.

E enquanto seus opositores afundam-se nos pântanos do apocalipse, POTUS – que as pesquisas informam que pode derrotar qualquer deles – parece andar, cantando blues diretamente para a zona de conforto.”

FONTE: escrito por Pepe Escobar, no “Asia Times Online”, com o título “Is Obama really singing the blues?”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e transcrito no blog “redecastorphoto”  (http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/pepe-escobar-obama-anda-mesmo-cantando.html) [Outros vídeos complementares disponíveis no blog “redecastorphoto”. Título, imagem do Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

Min. Patriota: “RESPONSABILIDADE DE PROTEGER” x “RESPONSABILIDADE AO PROTEGER”

Ministro Antonio Patriota, no “Debate Conceitual”, na ONU

[OBS: Entreouvido na “Vila Vudu”: Mas por que, porra, isso não foi assunto do Jornal Nacional?! Por que o William Waack não faz um daqueles programas dele, no canal Globo News, QUE SE PAGA PARA ASSISTIR, sobre isso?!”]

Pronunciamento do Ministro Antonio de Aguiar Patriota, do Brasil

[em inglês: RESPONSIBILITY TO PROTECT X RESPONSIBILITY WHILE PROTECTING]

Nova York, Debate conceitual, ONU

“Minhas calorosas boas-vindas a todos para esta reunião em que, creio, estamos todos - países, organizações e indivíduos - genuinamente comprometidos tanto com o multilateralismo quanto com a proteção de civis. Tenho o prazer de convidá-los a este debate informal sobre a “Responsabilidade ao Proteger”.

Como se sabe, trata-se de idéia mencionada pela primeira vez pela Presidenta Dilma Rousseff em seu discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU no último mês de setembro. Em novembro, o Brasil circulou uma nota conceitual que discute a noção de que a comunidade internacional, quando exerce sua responsabilidade de proteger, deve demonstrar alto nível de responsabilidade ao proteger. Ao longo dos últimos meses, temos notado apoio significativo a este debate. Creio termos, hoje, uma oportunidade de intercambiar de maneira franca e frutífera ideias sobre as várias dimensões desta questão.

As mudanças políticas de nosso tempo representam desafio à comunidade internacional. A relação entre a manutenção da paz e da segurança internacionais e a proteção de civis evoluiu significativamente desde a criação das Nações Unidas em 1945. Novos marcos conceituais foram desenvolvidos para lidar com os desafios que enfrentamos.

O trabalho sobre a proteção de civis tem avançado consideravelmente desde os anos 1990, quando as discussões sobre essa questão começaram a receber mais atenção. O sofrimento de civis inocentes e a necessidade de evitar a impunidade dos autores dos crimes mais graves levaram a comunidade internacional a criar o “Tribunal Penal Internacional” [o qual os EUA aceitam, mas se excluem].

Em seu sexagésimo aniversário, a “Organização das Nações Unidas” [ONU] adotou o conceito da “Responsabilidade de Proteger”. Este conceito estabeleceu a responsabilidade dos Estados de protegerem suas populações em casos de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade. Decidiu-se, também, que a comunidade internacional deveria encorajar e ajudar os Estados a exercerem essa responsabilidade. Além disso, estabeleceu-se a responsabilidade da comunidade internacional de agir coletivamente, por intermédio da ONU, caso as autoridades nacionais deixassem de proteger suas populações.

O reconhecimento de que existe uma responsabilidade de proteger foi um marco. Ressalte-se que o mesmo “Documento Final da Cúpula Mundial de 2005” que estabeleceu uma fórmula de consenso acerca do conceito da “Responsabilidade de proteger” também afirmou claramente que essa responsabilidade deve ser exercida, em primeiro lugar, por meio do uso de meios diplomáticos, humanitários e outros meios pacíficos, e que apenas nos casos em que os meios pacíficos se revelam inadequados deveriam ser cogitadas medidas coercitivas.

Ao longo desse processo, é essencial distinguir entre “responsabilidade coletiva” - que pode ser plenamente exercida através de medidas não-coercitivas - e “segurança coletiva” - que envolve avaliação política caso-a-caso por parte do Conselho de Segurança.

Antes de se empenhar em uma ação militar, espera-se que a comunidade internacional realize análise abrangente e criteriosa de todas as consequências que daí podem decorrer. O uso da força sempre traz consigo o risco de causar mortes involuntárias e de disseminar violência e instabilidade. O fato de que ela seja utilizada com o objetivo de proteger civis não faz das vítimas colaterais ou da desestabilização involuntária eventos menos trágicos.

É por isso que, em nossa opinião, é necessário dar um passo conceitual adicional para lidar com a responsabilidade de proteger, e eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para propor uma nova perspectiva sobre essa questão, uma perspectiva que acreditamos tornou-se essencial na busca de nosso objetivo comum.

A Presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso na Assembléia Geral em setembro passado, se referiu a um fato preocupante: o mundo de hoje sofre as dolorosas consequências de intervenções militares que agravaram os conflitos existentes, permitiram ao terrorismo penetrar em lugares onde não existia, deram origem a novos ciclos de violência e aumentaram a vulnerabilidade das populações civis.

Na ocasião, ela acrescentou: “muito se tem dito sobre a “Responsabilidade de Proteger”, mas muito pouco sobre a “Responsabilidade ao Proteger”.

Como a Organização das Nações Unidas pode autorizar o uso da força, ela tem a obrigação de conscientizar-nos dos perigos envolvidos em sua utilização e de criar mecanismos que possam fornecer avaliação objetiva e detalhada de tais perigos, bem como formas e meios de evitar danos aos civis.

Nosso ponto de partida em comum deve basear-se no princípio de “primum non nocere” que os médicos conhecem muito bem. Em primeiro lugar, não causar danos - esse deve ser o lema daqueles que são obrigados a proteger os civis. Também, seria lamentável, em última análise inaceitável, se uma missão estabelecida sob mandato das Nações Unidas com o objetivo de proteger civis causasse maiores danos do que aqueles que justificaram sua própria criação.

Temos de almejar maior nível de responsabilidade. Uma vítima civil já é uma vítima em demasia.

Acredito que os conceitos da “Responsabilidade de Proteger” e da “Responsabilidade ao Proteger” devem evoluir juntos, com base em um conjunto acordado de princípios fundamentais, parâmetros e procedimentos, dos quais menciono alguns:

-- prevenção é sempre a melhor política. É a ênfase na diplomacia preventiva que reduz o risco de conflito armado e os custos humanos a ele associados. Nesse sentido, saudamos a iniciativa do Secretário-Geral Ban Ki-moon de estabelecer o ano de 2012 como o ano da prevenção, que conta com o total apoio do Brasil. Outras iniciativas, como “Amigos da Mediação”, podem ser vistas como parte do espírito de promoção do exercício da responsabilidade coletiva na busca da paz, por meio da diplomacia, do diálogo, da negociação, da prevenção;

-- a comunidade internacional deve ser rigorosa em seus esforços para exaurir todos os meios pacíficos disponíveis nos casos de proteção de civis sob ameaça de violência, em consonância com os princípios e propósitos da “Carta das Nações Unidas” e conforme incorporado no “Documento Final da Cúpula Mundial de 2005”;

-- o uso da força deve produzir o mínimo possível de violência e de instabilidade. Sob nenhuma circunstância, podem-se gerar mais danos do que se autorizou evitar;

-- no caso de o uso da força ser contemplado, a ação deve ser criteriosa, proporcional e limitada aos objetivos estabelecidos pelo Conselho de Segurança;

-- são necessários procedimentos aprimorados no Conselho para monitoramento e avaliação da maneira como as resoluções são interpretadas e aplicadas, para assegurar a responsabilidade ao proteger.

O estabelecimento desses procedimentos não deve ser entendido como meio de impedir, ou atrasar indevidamente, a autorização de ações militares nas situações estabelecidas pelo “Documento Final da Cúpula Mundial de 2005”.

A iniciativa do Brasil deve ser vista como convite a um debate coletivo sobre a forma de garantir, quando o uso da força for cogitado como alternativa justificável e estiver devidamente autorizado pelo Conselho de Segurança, que seu emprego seja responsável e legítimo. Por essa razão, faz-se necessário assegurar a prestação de contas daqueles autorizados a fazer uso da força.

O Brasil iniciou uma série de discussões com países de todas as regiões, bem como com organizações não-governamentais e especialistas sobre o assunto. Queremos contribuir para um debate crucial para a comunidade internacional sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais e a proteção de civis. Em recentes eventos sobre a “Responsabilidade de Proteger”, tivemos a oportunidade de ampliar esse diálogo. O Brasil aprecia o fato de o Secretário-Geral da ONU dar as boas-vindas à iniciativa da “Responsabilidade ao Proteger".

O evento de hoje é uma oportunidade para o aprofundamento e a ampliação dessa discussão.

Deixe-me, brevemente, descrever o planejamento do debate informal de hoje. Estamos honrados em ter o professor Edward Luck como copresidente do evento. O Assessor Especial do Secretário-Geral sobre a “Responsabilidade de proteger” é um interlocutor-chave. Prezamos enormemente sua contribuição, em consulta com os Estados-Membros, para o desenvolvimento conceitual, político e operacional da “Responsabilidade de Proteger”. Suas idéias serão muito bem-vindas hoje.

A discussão estará então aberta aos participantes. Convidamos todos os Estados-Membros, bem como ONGs e especialistas que trabalharam nesse tema. Gostaria de encorajar os oradores a serem concisos e a limitarem suas declarações a três minutos, para que possamos nos beneficiar da mais ampla participação.

Concluiremos o debate de hoje com as observações dos copresidentes."

FONTE: texto do pronunciamento do Ministro Antonio de Aguiar Patriota, do Brasil (MRE), realizado em Nova York, durante “Debate conceitual” na ONU. Traduzido pelo pessoal do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil). Enviado pelo “pessoal da Vila Vudu”. Postado por Castor Filho no seu blog “redecastorphoto”  (http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/responsabilidade-de-proteger-x.html).

PARA IPEA , BRASIL ACERTA AO INVESTIR EM ORGANISMOS MULTILATERAIS


“Pesquisa do IPEA revela que o Brasil tem acertado ao repassar 76,5% dos seus recursos destinados à cooperação internacional para organismos multilaterais, em detrimentos de instituições que promovem ajuda bilateral. Segundo estudo, fundos multilaterais apresentam maior eficiência e asseguram mais autonomia para os países ajudados. De 2005 a 2009, Brasil destinou R$ 3,2 bilhões à cooperação internacional: R$ 2,4 bilhões (76,5%) para organismos multilaterais e R$ 755,8 milhões (23,5%) à contribuição bilateral.

Por Najla Passos

“Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), nesta sexta (24), mostra que o Brasil tem investido a maior parte dos seus recursos destinados à cooperação internacional em fundos geridos por organismos multilaterais, em detrimento de instituições que promovem a ajuda bilateral.

A pesquisa revela também que a escolha tem se mostrado adequada, já que, em média, os fundos multilaterais apresentam desempenho melhor em todos os critérios de avaliação definidos por convenções internacionais, com exceção do quesito transparência.

E aponta, ainda, tendência de crescimento no aporte de recursos, já que o país aderiu a novas instituições cujo objetivo é promover o desenvolvimento dos países em dificuldades financeiras, como é o caso do Banco de Desenvolvimento do Caribe (BDC) e do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE).

De 2005 a 2009, o Brasil destinou R$ 3,2 bilhões à cooperação internacional: R$ 2,4 bilhões, que significam 76,5% dos recursos, foram repassados a organismos multilaterais e R$ 755,8 milhões, o equivalente a 23,5%, à contribuição bilateral.

Do total repassado aos organismos multilaterais, 62,2% foram destinados ao financiamento dos próprios organismos, enquanto 37,8% foram diretamente para os fundos de cooperação. Apesar do alto custo de manutenção da máquina, o estudo do IPEA garante que os investimentos compensam.

A escolha do Brasil de participar dos fundos é mais acertada do que a de outros países, como os Estados Unidos, que preferem atuar com ajuda bilateral, porque [a multilateral] garante mais eficiência e mais autonomia aos países ajudados”, afirma o técnico em Planejamento e Pesquisa do IPEA, André Calixto.

O país que fornece cooperação bilateral exerce grande influência sobre o que recebe. Quando a ajuda é feita via organismos multilaterais, essa influência é bastante diluída”, acrescenta a chefe da Assessoria da Presidência do IPEA, Luciana Acioly.

De acordo com ela, a decisão do Brasil de investir em organismos multilaterais decorre da sua própria experiência passada de dependência de instituições bilaterais, que exigiam contrapartidas pesadas para liberar recursos. “Este é um princípio de política internacional muito caro ao Brasil”, afirma.

Dos fundos multilaterais contemplados com recursos brasileiros, os principais são a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), do Banco Mundial, o Fundo de Operações Especiais (FOE), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e o Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD), do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O FOE/BID é o fundo que mais recebe recursos brasileiros. De 2005 a 2009, foram R$ 471,7 milhões. Além de ser o segundo colocado no ranking mundial de qualidade da ajuda, oferece cooperação justamente para os vizinhos do Brasil, com destaque para Bolívia , Guiana, Honduras, Nicarágua, Guatemala e Paraguai.

A AID, do Banco Mundial, ocupa o segundo lugar em volume de recursos brasileiros, com R$ 435,2 milhões no período pesquisado. Dos três fundos citados pelo estudo, é o pior colocado no ranking internacional de qualidade de ajuda dos doares. Ocupa o nono lugar, abaixo, inclusive, de instituições de ajuda bilateral.

Já o FAD/BAD, segundo no ranking de qualidade e eficiência, recebeu R$ 22,7 milhões para ações, principalmente, de investimento em infraestrutura, água e saneamento e energia em países africanos.

Para efeito da pesquisa, o IPEA considerou como cooperação internacional apenas os recursos fornecidos com baixo grau de condicionalidades. Ou seja, são recursos investidos praticamente a fundo perdido, que o Brasil dispõe para ajudar o desenvolvimento dos países mais pobres, sem esperar retorno financeiro.”

FONTE: escrito por Najla Passos e publicado no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19653). [imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

AS LIBERDADES DE CUBA


Por Rodolpho Motta Lima, no site “Direto da Redação”

“O assunto “Cuba” andou frequentando o “Direto da Redação” nas últimas semanas, não apenas em função da visita da Presidenta Dilma à ilha caribenha – e o tucanato de plantão espichou as orelhas, vendo no fato uma oportunidade de formulações críticas à postura do Estado Brasileiro -, mas também porque a visita provocou, por parte da grande mídia, muitas reportagens, todas, invariavelmente, contrárias ao regime cubano e todas, invariavelmente, deixando de observar o saudável princípio do contraditório que recomenda, na busca de uma hipotética verdade, a audição das duas partes envolvidas. Aqui no site, é claro, os artigos que trataram do assunto enfocaram esses distintos pontos de vista.

Como não me manifestei então, faço-o agora, movido não apenas pelo desejo da não omissão, mas também pelo fascínio do tema, que integra minha visão do mundo desde o tempo de jovem, quando os guerrilheiros de “Sierra Maestra” derrubaram o governo de Fulgencio Batista, então amparado pelos Estados Unidos, em uma época em que se fazia de muitos países da América Latina – Cuba, principalmente – um grande quintal americano, um quintal sujo pelas atividades mafiosas, pela corrupção generalizada, e pela desavergonhada exploração do povo cubano por uma elite que fazia o jogo do imperialismo.

Esses não são termos usados ao acaso, não são chavões de que me valho para retratar a situação de então. Qualquer ida aos livros mostra que a política do “big stick” do Roosevelt do início do século XX veio tendo desdobramentos e materializações em intervenções militares nos países considerados “focos desestabilizadores” ou na sustentação de governos corruptos que representavam seus interesses políticos e/ou econômicos (caso da Cuba de então).

Maiores justificativas não poderia haver para a Revolução Cubana que então se efetivou, com franco apoio popular. E a animosidade em relação aos americanos, se já tinha esses antecedentes históricos, mais profunda se tornou após a malograda tentativa da invasão por refugiados e mercenários (treinados e contratados pela CIA) na Baía de Porcos.

De lá para cá, é preciso entender a história da ilha e das opções ideológicas e estratégicas do governo fidelista a partir da correlação de forças que rachava o planeta na chamada “guerra fria”. Os aliados cubanos não poderiam ser outros senão os que representavam, à época, a negação do capitalismo explorador que a ilha experimentara de perto e não queria ver revivido.

Do jovem idealista que via a Revolução cubana como uma marca da liberdade, até o homem maduro de hoje, fui acompanhando à distância o que acontecia na ilha, nem sempre amparado por notícias confiáveis, até que resolvi, em 2004, ir a Cuba. O regime já estava passando por sérios problemas decorrentes do isolamento submetido pelos americanos, o bloqueio, agora sem o contraponto aliado do mundo socialista que havia ruído. Mas eu queria ver de perto o que acontecia e, de alguma forma, resgatar uma história que me tinha sido tão cara nos tempos da juventude.

Claro que foi uma viagem no tempo, como se costuma dizer ao mencionar os velhos carros americanos deixados na ilha pela elite em fuga e a ausência de aparatos tecnológicos e de conforto que a realidade da ilha não permitia. Encontrei, aqui e ali, alguns sinais de que o sistema socialista não poderia resistir imutável por muito tempo, seja porque os jovens ansiavam por outro descortino do mundo, seja porque os próprios setores governamentais, principalmente através do turismo, percebiam que a abertura era questão de sobrevivência.

Mas tive oportunidade de ver – sem qualquer dificuldade – que, também como componente daquela “parada no tempo” (se pensarmos nos valores do “progresso tecnológico” de hoje), havia aspectos realmente dignos de destaque positivo: os cubanos não possuíam mendigos nem crianças abandonadas pelas ruas, e disso se orgulhavam: os cubanos não morreriam desassistidos pelas autoridades de saúde, pois tinham sistema de referência mundial; os cubanos não tinham analfabetos (foi interessante perceber que os jovens adolescentes, em sua maioria, liam muito: quase todos conheciam, por ler, obras clássicas consagradas, como o Dom Quixote); os cubanos tinham saudável educação do corpo; a droga e a prostituição, se existiam, eram absolutamente pouco significativas, se comparadas com os “padrões” ocidentais.

Voltei com duas convicções. A primeira, de que, seria inevitável a abertura cubana, lenta e gradual, não por causa da perversa pressão norte-americana, que se mostrou inócua durante mais de 50 anos, mesmo diante de uma pequena ilha a uma hora de Miami e com uma base inimiga em seu território [Guantánamo], mas porque os tempos imporiam, infelizmente, tais mudanças. Cuidadosas mudanças, para não permitir a volta ao regime de quintal e a presença de espiões, agentes e sabotadores ávidos por um festim desestabilizador...

A segunda convicção é a de que, se, após a distensão, Cuba souber manter as suas grandes conquistas sociais, sem paralelo em qualquer ponto da América Latina – e poderá, dado o grau de politização do seu povo - certamente se transformará, logo nas primeiras décadas deste século, no país mais exitoso de todo o complexo latino-americano.

As liberdades de ir e vir e de se expressar são, sim, viscerais e importantes. Mas são relativas e não são as únicas. Um país que mantém mendigos, miseráveis e analfabetos, por exemplo, não lhes permite tais liberdades. Um país que comercializa a saúde e a educação, por exemplo, desconsidera muitas outras liberdades, tão ou mais relevantes para a dignidade humana.”

FONTE: escrito por Rodolpho Motta Lima, advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ, com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil. Artigo transcrito no site “Direto da Redação”  (http://www.diretodaredacao.com/noticia/as-liberdades-de-cuba).

domingo, 26 de fevereiro de 2012

MAIS PETRÓLEO! PETROBRAS APRESENTA “DECLARAÇÃO DE COMERCIALIDADE” DAS ÁREAS "TIRO" E "SIDON"


“A Petrobras apresentou, no dia 17/02, à ‘Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis’ (ANP), a ‘Declaração de Comercialidade’ das acumulações de petróleo e gás nas áreas de “Tiro” e “Sidon”, localizadas no sul da Bacia de Santos.

Essas novas acumulações receberam os nomes de “Bauna” e “Piracaba”, correspondentes às áreas de “Tiro” e “Sidon”, respectivamente. A Petrobras detém 100% de participação nesses campos de petróleo localizados no Bloco BMS-40, em águas rasas da Bacia de Santos, a cerca de 200 km da costa do Estado de São Paulo.

Os volumes recuperáveis totais são estimados em 113,4 milhões de barris de óleo equivalente (boe) para o “Campo de Bauna” e 83,1 milhões de boe para o “Campo de Piracaba”, ambos contendo petróleo leve (34º API em Bauna e 32º API em Piracaba), em reservatórios arenosos situados acima da camada de sal.

As “Declarações de Comercialidade” ocorrem após a execução do “Programa de Avaliação Exploratória”, que incluiu um “Teste de Longa Duração” (TLD) em Tiro e outro em Sidon. Os TLDs confirmaram a excelente produtividade dos reservatórios nos dois campos, com a manutenção das vazões durante todo o período dos testes e propiciaram a aquisição de informações sobre as propriedades dos reservatórios, imprescindíveis para a otimização dos planos de desenvolvimento.

Junto com a “Declaração de Comercialidade”, foi apresentado à ANP os “Planos de Desenvolvimento” (PD) dos dois campos. O sucesso exploratório obtido na área confirma o bom potencial de petróleo leve nas porções de águas rasas no sul da Bacia de Santos.”

FONTE: blog “Fatos e Dados”, da Petrobras  (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/02/23/petrobras-apresenta-declaracao-de-comercialidade-de-tiro-e-sidon/#more-50839) [Imagens do google adicionadas por este blog 'democracia&política'].