terça-feira, 28 de abril de 2015

"BURACOS MORENOS" TÊM PREDILEÇÃO PELO PSDB (Luis Fernando Veríssimo)




Buracos morenos e sua predileção pelo PSDB

"Buracos morenos"

Por Luis Fernando Veríssimo, no "O Globo"

"Ministros do Supremo decidiram mandar o processo contra Eduardo Azeredo para ser julgado em Minas. No caminho, teria se desfeito no ar. Nunca mais se ouviu falar nele.

A mais nova especulação da Física é que existem mais buracos negros no Universo do que se imaginava. Eles não estariam apenas na imensidão sideral, como gigantescos aspiradores engolindo galáxias inteiras, mas também à nossa volta, como pequenos ductos para o Universo paralelo. Seriam tão comuns e fariam parte do nosso cotidiano de tal maneira que deveríamos parar de chamá-los de buracos “negros”, com sua conotação de obscuridade e terror, e adotar um nome mais íntimo, como "buracos morenos" (mas não, claro, buracos afrodescendentes). Qualquer um de nós está sujeito a ser tragado por um desses buracos e se ver, de repente, no outro Universo. Onde poderia muito bem encontrar aquela caneta favorita que tinha sumido, o último disco do Chico que desconfiava que alguém tinha roubado, livros e outros objetos inexplicavelmente desaparecidos e até a tia Idalina, que todos pensavam que tinha fugido com um boliviano e fora apenas sugada por um ducto.

Uma possível vitima de um desses hipotéticos buracos morenos seria o ministro do Supremo Gilmar Mendes, que pediu vistas do projeto de alteração das leis eleitorais para impedir doações de empresas a partidos políticos, que estava sendo votado no tribunal, guardou o projeto numa gaveta da sua casa para estudar depois, fechou a gaveta com chave — e a chave desapareceu. O ministro estaria procurando a chave por todos os lados, preocupado em não atrasar a votação, e não a encontrando. Só haveria uma explicação possível para o desaparecimento da chave: buraco moreno.

Outro caso em que um buraco moreno seria a única explicação aceitável é o da ação penal contra o senador Eduardo Azeredo, do PSDB, suposto beneficiário maior do que ficou conhecido como o “mensalão” mineiro, ou “mensalão” tucano, origem e modelo do “mensalão” que mais tarde beneficiaria o PT. Exaustos depois do julgamento do PT, os ministros do Supremo decidiram mandar o processo contra Eduardo Azeredo para ser julgado em Minas. No caminho de Minas, o processo teria se desfeito no ar. Pelo menos nunca mais se ouviu falar nele. Buraco moreno.

Aliás, um mistério sobre o qual a Física também deveria especular é o da predileção dos buracos morenos pelo PSDB. Por exemplo: a compra de votos para possibilitar a reeleição do Fernando Henrique/PSDB caiu no esquecimento ou caiu num buraco moreno? 

O PT não quer outra coisa a não ser que um buraco moreno venha a aspirar todas as suas agruras, como faz com o PSDB. É pura inveja."

FONTE: escrito por Luis Fernando Veríssimo no "Globo" e transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/buracos-morenos-e-sua-predilecao-pelo-psdb-por-luis-fernando-verissimo).

A EPIDEMIA DE DENGUE EM SÃO PAULO E TRÊS TIPOS DE "IMPLICANTES"

Alkmin também cria implicantes (Foto: Sergio Andrade/Governo do Estado de SP)

Epidemia de dengue em São Paulo e três tipos de implicantes


"O Brasil está sofrendo uma epidemia de implicantes. Médicos e pesquisadores alertam para a ocorrência de tipos mutantes desse sujeito. Todos estávamos acostumados ao Implicante Tipo 1, aquele clássico. O Implicante Tipo 1 reclama de tudo. Briga por algo importante, mas se exaspera ainda mais por coisas banais.

Por Antonio Lassance, na "Carta Maior"

Se descobriu que o governo Alckmin, além da epidemia de dengue, também patrocinava um criatório de implicantes. Um exemplar foi pego com a boca na botija.

Implicante Tipo 1

Os sintomas comuns são irritação, reclamação crônica, mania de perseguição ou de perseguidor. O implicante sente um comichão quando não tira alguém do sério. Mas, até aí, nada de mais. Atire a primeira pedra quem nunca teve seu dia de Implicante Tipo 1.

O problema é que os tipos mutantes já estão por aí atacando a paciência e o bom senso do País inteiro. Pesquisas no campo da Biologia indicam o surgimento de pelo menos mais duas espécies do 'implicantus esperniantes'.


Implicante Tipo 2

Tem implicante para tudo o que é lado. O pior é que eles estão maiores, mais fortes, mais rápidos e muito melhor financeiramente.


Recentemente, se descobriu que o governo Alckmin, além da epidemia de dengue, patrocinava um criatório de implicantes. Um exemplar foi pego com a boca na botija para ser submetido a exames.

Os primeiros testes revelaram que o paciente, protegido pelo pseudônimo de "Sr. Merengue", na verdade tinha mesmo era picolé de chuchu na maior parte de sua composição.

Os pesquisadores concluíram que esse Implicante de Tipo 2 é do tipo hemorrágico. Mais agressivo que o implicante clássico, ele se espalha com rapidez pelas redes sociais.

Há condições ideais em que ele se desenvolve: precisa ter uma empresa, prestar consultoria, bater o bumbo e as panelas e garantir uma legião de seguidores se quiser ser provido e bem pago.

Implicante Tipo 2 não é mais pessoa física, é pessoa jurídica. Tem marca registrada e sua implicância virou meio de vida, como acontece ultimamente com Joaquim Barbosa, que tem buscado tratamento especializado em Miami. Assim que foi tomado pela implicância, Barbosa abriu uma firma tendo como endereço empresarial seu apartamento funcional do STF.

Implicante Tipo 3

Os especialistas, porém, alertam para um tipo ainda mais grave de implicante, o de Tipo 3 - a Implicância Sindrômica.


Há suspeitas de que o acúmulo de substâncias tóxicas nas cúpulas da Câmara e do Senado - aquelas cumbucas do Congresso voltadas, respectivamente, para cima e para baixo -, tenham sido responsáveis por afetar o humor de muitos parlamentares.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o do Senado, Renan Calheiros, que se imaginavam livres de tudo, demonstraram que estão com a imunidade baixa depois que foram incluídos na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em função de denúncias da Operação Lava Jato. Foram provavelmente acometidos de Implicância Tipo 3.

Os sintomas são inquietação, palidez, perda de consciência, delírio, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, picos de pressão e incontinência orçamentária.

Tais sintomas preocuparam também o PSDB em relação ao estado de saúde do senador Aécio Neves, a ponto de se ter chamado, para avaliar o quadro do ex-candidato à presidência, uma junta de doutores composta por Fernando Henrique Cardoso, que é doutor; José Serra, que foi ministro da Saúde e é hipocondríaco; e Miguel Reale Jr, que é constitucionalista, um tipo de médico da cabeça das instituições.

Tentando integrar a junta, um famoso advogado tributarista defensor do impeachment se passou por clínico geral, mas acabou barrado na entrada. Depois, deu meia volta, se fingiu de padre, vestiu um pretinho básico e forçou a entrada outra vez, mas acabou preso e denunciado por plágio por aquele repórter que invadiu a UTI de Michael Schumacher usando uma batina e rogando preces de extrema unção.

A junta tucana ainda não fechou seu diagnóstico, mas percebeu que o quadro de Aécio Neves inspira cuidados. Ele ainda acha que vai vencer as eleições de 2014; grita "impeachment" quando está trancado no banheiro; não sabe dizer se é mineiro ou carioca e não se lembra onde deixou a chave do aeroporto de Cláudio-MG.

Ao final dos exames, o tucano também não soube diferenciar um caranguejo de um escorpião. Ao receber votos de melhoras, exigiu a recontagem.

Por precaução, a junta recomendou ao candidato repousar e tomar muito líquido - água, de preferência."

FONTE: escrito por Antonio Lassance, colunista do portal "Carta Maior" desde 2008. Título original: "País sofre epidemia de 3 tipos de implicantes". Transcrito no portal "Vermelho"   (http://www.vermelho.org.br/noticia/262910-1).

ENCICLOPÉDIA DOS EUA CLASSIFICA A "GLOBO" COMO "SUBSIDIADA PELOS ESTADOS UNIDOS"




Enciclopédia americana afirma que Globo é subsidiada pelo Tio Sam

Por Miguel do Rosário

"Mais uma contribuição do blog "O Cafezinho" para os 50 anos da TV Globo.

Estudando as edições do "Globo" nos primeiros meses de 1964, quando o jornal aos poucos vai assumindo o protagonismo do golpe civil-militar contra João Goulart, encontro, no dia 19 de março daquele ano, um editorial na primeira página que me pareceu positivamente engraçado.

É um texto irritadíssimo.

"O Globo" descobrira que uma das mais tradicionais editoras norte-americanas, a "Harper", havia impresso uma enciclopédia na qual inserira um verbete para a imprensa brasileira, e citava "O Globo".

E o que dizia o verbete?

O próprio "Globo" informa: “A Worldmark Encyclopedia of the Nations – editada pela Worldmark Press, Inc – Harper and Row, de Nova York, no verbete referente à imprensa no Brasil, ao lado de outros erros, define este jornal como “conservador, subsidiado pelos Estados Unidos“.

Pausa para rir por 50 anos.

Acho que a definição da "Harper" (hoje adquirida por Rupert Murdoch) poderia ganhar um prêmio internacional da síntese mais resumida e objetiva sobre uma empresa.

50 anos de Globo, 50 anos de golpe.







FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho" (http://www.ocafezinho.com/2015/04/26/enclopedia-americana-afirma-que-globo-e-subsidiada-pelo-tio-sam/). 

"IMPEACHMENT INTERESSA ÀS GRANDES COMPANHIAS DE PETRÓLEO"




"IMPEACHMENT INTERESSA ÀS GRANDES COMPANHIAS DE PETRÓLEO"

"Para o sociólogo e diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Adalberto Cardoso, é ingenuidade não identificar interesses externos na crise política. "Trata-se da segunda maior jazida do planeta. Existem interesses geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos, árabes". O doutor da USP criticou a atuação do juiz Sérgio Moro: "Infelizmente, pelo viés antigovernista dos agentes da PF, não se investigou nada da época do FHC. Sergio Moro é um juiz ligado de muitas maneiras ao PSDB. Sua esposa é assessora do PSDB. Por um viés da radicalização política, está se colocando na cadeia membros do PT", afirmou.


Do "Brasil 247"

O impeachment da presidente Dilma Rousseff, encampado pelo PSDB e outras siglas da oposição, interessa somente às grandes companhias de petróleo e aos [seus] agentes nacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobras da exploração de petróleo.

A visão é do sociólogo Adalberto Cardoso, 53, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em entrevista à "Folha de S. Paulo" de domingo, 25. Para ele, é ingenuidade não identificar interesses externos na crise política. "Trata-se da segunda maior jazida do planeta. Existem interesses geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos, árabes", lembrou.

"A Lava Jato está mexendo com profundos interesses empresariais e políticos. Aqueles que estão clamando pelo impeachment estão querendo impedir que essa limpeza continue. O impeachment hoje serve aos corruptores e aos corruptos. A história recente mostra que há "um certo viés" na ação anticorrupção, principalmente no Paraná", diz Alberto Cardoso.

O sociólogo, autor de dez livros, critica a atuação do juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro. "Só petista ou próximo ao PT vai para cadeia. Há uma profunda revisão do que é o nosso capitalismo e o agente desse processo é o governo. Nenhum outro governo jamais fez isso. Está agindo sobre o coração do capitalismo brasileiro, que é inteiramente corrupto. É essa imbricação entre o público e o privado que está sendo desvendada hoje. Infelizmente, pelo viés antigovernista dos agentes da PF, não se investigou nada da época do PSDB/FHC. Sergio Moro é um juiz ligado de muitas maneiras ao PSDB. Sua esposa é assessora do PSDB. Por um viés da radicalização política, está se colocando na cadeia membros do PT. Esse processo vai ter um impacto de longo prazo no partido", afirmou.

Sobre a aprovação pela Câmara do projeto que amplia a terceirização de trabalhadores, Alberto Cardoso diz que metade da Câmara é composta por empresários, que apoiam o projeto e têm muito a ganhar com ele, sem exceção. "Ele precariza as relações de trabalho e gera redução de custos. Vai haver uma pressão muito grande por parte do lobby empresarial e financeiro. Mas haverá também povo na rua fazendo barulho. Político preocupado com sua sobrevivência ouve a rua. Político preocupado com sua reeleição ouve quem paga a campanha. Isso vai criar uma tensão séria no Congresso", afirmou.

Cardoso classificou como um "suicídio político" para qualquer partido [apoiar o projeto]. "No caso do PMDB, é mais grave porque ele foi o patrono da Constituição de 1988. O projeto da terceirização é um tiro no peito da Constituição de 88, pois destrói direitos sociais e do trabalho no Brasil. O custo para os partidos será muito alto se isso passar e isso foi percebido. Paulo Pereira da Silva deu um tiro na cabeça com esse projeto", afirmou.


Leia aqui ou a seguir a íntegra da entrevista do sociólogo Alberto Cardoso: 

Impeachment hoje serve a corruptores e corruptos, diz sociólogo

Por ELEONORA DE LUCENA, na tucana "Folha de São Paulo"

"A operação Lava Jato está expondo o coração do capitalismo brasileiro, que é inteiramente corrupto. Ela fere interesses empresariais e políticos que usam o Estado em seu benefício. Quem defende o impeachment hoje quer que essa limpeza acabe. Por isso, o impeachment serve aos corruptores e corruptos.

A visão é do sociólogo Adalberto Cardoso, 53, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Para ele, é ingenuidade não identificar interesses externos na crise política.

"O impeachment interessa às forças que querem mudanças na Petrobras: grandes companhias de petróleo, agentes nacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobras da exploração de petróleo", diz.

Doutor pela USP, Cardoso afirma que o projeto sobre terceirização leva as relações de trabalho para o século 19. Na sua análise, as mobilizações da semana passada mudaram a qualidade do debate sobre o tema, e votar a favor da mudança na CLT é suicídio político.

Autor de dez livros – entre eles "A Construção da Sociedade do Trabalho no Brasil" (FGV, 2010) e "Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro" (FGV, 2013)–, ele avalia que o projeto sofrerá mudanças. A seguir, trechos da entrevista concedida por telefone.


Adalberto Cardoso, 53, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (foto: Zô Guimaraes/Folhapress)

Folha - Como o sr. avalia os desdobramentos da crise política após a prisão do tesoureiro do PT?

Adalberto Cardoso - O combate à corrupção é necessário. A corrupção é uma prática empresarial antiga no Brasil, basta lembrar dos usineiros. O que vivemos hoje é parte de um processo de limpeza e, espero, de correção dessa herança histórica de conluio entre o público e o privado. As elites e vários agentes sociais não sabem separar o púbico e o privado. O Estado sempre funcionou a serviço das elites econômicas.

Quando há um amplo combate à corrupção, o potencial de crise é muito grande. O que a Lava Jato está expondo é a forma como o capitalismo se organiza no Brasil. O capitalismo no Brasil é constituído de forças com capacidade de corromper os poderes públicos para que a sua atividade possa caminhar sem problemas. Há uma burocracia infernal, os custos operacionais são grandes.

A cada passo a empresa tromba com uma agência estatal. Aí corrompe essa agência para que sua atividade possa continuar. É a maneira mais fácil e rápida. Existe uma simbiose muito grande entre agências estatais e grandes corporações e grupos econômicos, que usam o Estado como agente seu.

A Lava Jato está mexendo com profundos interesses empresariais e políticos. Aqueles que estão clamando pelo impeachment estão querendo impedir que essa limpeza continue. O impeachment hoje serve aos corruptores e aos corruptos. A história recente mostra que há um certo viés na ação anticorrupção, principalmente no Paraná.

Só petista ou próximo ao PT vai para cadeia. Há uma profunda revisão do que é o nosso capitalismo e o agente desse processo é o governo. Nenhum outro governo jamais fez isso. Está agindo sobre o coração do capitalismo brasileiro, que é inteiramente corrupto.

É essa imbricação entre o público e o privado que está sendo desvendada hoje. Infelizmente, pelo viés antigovernista dos agentes da PF, não se investigou nada da época do PSDB/FHC. Sergio Moro é um juiz ligado de muitas maneiras ao PSDB. Sua esposa é assessora do PSDB. Por um viés da radicalização política, está se colocando na cadeia membros do PT. Esse processo vai ter um impacto de longo prazo no partido.

Como o sr. analisa as posições que apontam interesses externos nesse ambiente, especialmente em relação à Petrobras e ao pré-sal?

Seria ingenuidade imaginar que não há interesses internacionais envolvidos nessa questão. Trata-se da segunda maior jazida do planeta. Existem interesses geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos, árabes. Só haveria mudança na Petrobras se houvesse nova eleição e o PSDB ganhasse de novo. Nesse caso, se acabaria o monopólio [brasileiro] de exploração, as regras mudariam.

O impeachment interessa às forças que querem mudanças na Petrobras: grandes companhias de petróleo, agentes nacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobras da exploração de petróleo. Parte desses agentes quer tirar Dilma. Esse tema vai voltar como o mais importante da eleição de 2018.

Há uma ação coordenada vinda de fora?

Não acho. Não acredito em teorias internacionais da conspiração. Mas não há dúvida que há financiadores desses movimentos de direita que chamam as pessoas para rua. As faixas têm a mesma tinta, mesmos dizeres, as camisetas são iguais, os enfeites. Alguém está bancando.

Interessa a determinadas forças internacionais a desestabilização política do Brasil. O petróleo é um ativo num ambiente altamente explosivo, um recurso importante de poder. O Brasil está se tornando independente em petróleo. Daqui a pouco, será exportador. É obvio que os EUA estão olhando para isso. Não têm como não estar.

Como o sr. analisa a ação do Congresso?

Eduardo Cunha está agindo como manda Maquiavel: fazendo maldades de uma vez. Em parte porque não sabe se há sustentabilidade para essa agenda que resolveu abrir: redução da maioridade penal, terceirização, armas.

Mas os protestos na semana passada contra o projeto de terceirização não provocaram um recuo, com o adiamento da votação?

Eduardo Cunha percebeu que cometeu um erro no caso da terceirização. Uma coisa é tirar da gaveta temas conservadores da agenda dos costumes –proibição do aborto, redução da maioridade penal. É diferente de mexer em direito das pessoas, principalmente no direito do trabalho.

A CLT, que tem 72 anos, faz parte do que o Brasil é. Foi uma conquista dos trabalhadores, fruto de lutas, greves ao longo de décadas. Os trabalhadores nascem sabendo que terão direito. Cunha tocou num ponto muito sensível de uma maneira muito atabalhoada e gerou a reação que gerou.

Por que houve recuo no amplo apoio recuo ao projeto?

É um suicídio político para qualquer partido [apoiar o projeto]. No caso do PMDB é mais grave porque ele foi o patrono da Constituição de 1988. O projeto da terceirização é um tiro no peito da Constituição de 88, pois destrói direitos sociais e do trabalho no Brasil. O custo para os partidos será muito alto se isso passar e isso foi percebido. Paulo Pereira da Silva deu um tiro na cabeça com esse projeto.

Com as manifestações da última quarta o projeto tem menos chance de passar?

Não tenho dúvida. Houve uma mudança na qualidade do debate. A sociedade reagiu ao projeto. A CUT, os sindicatos e partidos conseguiram botar mais gente na rua no que nos protestos de 12 de março. Os políticos que não levarem isso em consideração estão dando um tiro no pé.

Essa mobilização pode virar o jogo e galvanizar a esquerda?

No parlamento, essa é uma possibilidade real. não sei se uma reentrada no debate das posições de esquerda. Existe a possibilidade de pacificação no parlamento, principalmente na Câmara. O presidente do Senado disse que a lei como está não passa na casa. O PMDB não é só o que se diz na mídia. É um partido de alguma maneira comprometido com as causas sociais. Ele, em parte, herdou a história da luta contra a ditadura e da construção da democracia. Ainda que dois de seus líderes estejam sob investigação judicial, não quer dizer que o partido tenha abdicado inteiramente da sua história de apoio às lutas sociais. Abrir mão disso é um risco muito alto para esse partido também. Outros movimentos por parte de Dilma, como chamar Michel Temer e flexibilizar o ajuste fiscal, podem ajudar na pacificação. Não vai pacificar Cunha, que tem uma agenda conservadora do lado dos costumes e vai continuar tentando implementá-la.

O projeto da terceirização vai fracassar?

Metade da Câmara é composta por empresários, que apoiam o projeto e têm muito a ganhar com ele, sem exceção. Ele precariza as relações de trabalho e gera redução de custos. Vai haver uma pressão muito grande por parte do lobby empresarial e financeiro. Mas haverá também povo na rua fazendo barulho. Político preocupado com sua sobrevivência ouve a rua. Político preocupado com sua reeleição ouve quem paga a campanha. Isso vai criar uma tensão séria no Congresso.

Suspeito que vai haver uma amenização do projeto, mas não acho que a questão da terceirização foi para o brejo. Foi para o brejo tal como está. A regulamentação da contratação de terceiros vai passar com algum outro formato. Esse formato do atual projeto leva as relações de trabalho no Brasil para o século 19, um momento na história do mundo ocidental que não havia proteção para o trabalhador.

A presidente deveria ter anunciado que vetará o projeto?

Ela já deveria ter feito isso.

Por que não o fez? Faz pare da guinada da presidente?

Não chamaria de guinada. Muitos se esquecem das maquiagens feitas nos anos anteriores. A contabilidade criativa foi aceita pelos agentes econômicos porque eles estavam ganhando com isso. O governo estava emprestando muito dinheiro via BNDES, injetando muitos recursos na economia para ver se estimulava o investimento. Desonerou a folha de pagamento e deu subsídio a empresas. O governo perdeu R$ 28 bilhões por conta da desoneração da folha.

Isso significou a transferência líquida de R$ 28 bilhões da mão do Tesouro para as empresas. O déficit gerado nas contas foi para sustentar a economia e transferir recursos públicos para o empresariado.

Para ver se investiam; nem assim investiram. As empresas entesouraram o dinheiro, aplicaram no mercado financeiro e ficaram esperando para ver se ela iria perder a eleição. O que o Joaquim Levy fez foi acabar com a maquiagem das contas públicas. O ajuste era inevitável.

A presidente não fala sobre terceirização para não se indispor com o empresariado?

Não acho. Ela sabe que, em alguns setores da economia, o trabalho terceirizado dá mais eficiência e pode ser necessário. O que é inaceitável –e deveria ser inaceitável para um governo do PT– é a terceirização das atividades fim. Há um ponto central. Um artigo no fim do projeto anistia os empresários que hoje estão em situação ilegal. Ficam anistiados todos que hoje contratam ilegalmente mão-de-obra terceirizada, inclusive os que têm trabalho escravo.

Se o projeto for aprovado, no dia seguinte esses contratos vão ser rescindidos sem que os contratados tenham direito a qualquer tipo de recurso. Isso é um descalabro tão claro que qualquer um diz que o projeto está querendo destruir o Brasil.

Dilma deve ter claro que o projeto como está é inaceitável. No meu mundo ideal, não haveria terceirização. Haveria proteção do trabalhador, e os empresários que busquem redução de custos em outro lugar. Não naqueles que produzem a riqueza, que são os trabalhadores

Como explicar a queda abrupta na aprovação da presidente?

O ajuste fiscal é profundo, mas ainda não atingiu o cotidiano das pessoas. O que atingiu foi a inflação e a queda na popularidade tem mais a ver com isso e com a construção de um ambiente político que diz que o Brasil acabou. Estrangeiros que chegam aqui não entendem esse clima de fim de mundo. A população não é imune a esse tipo de propaganda.

Qual a responsabilidade no governo nesse quadro?

Existe uma incapacidade de liderança política do governo, que poderia estar tentando liderar a construção de uma visão alternativa. Mas hoje, nesse ambiente de fim de mundo, a possibilidade de fazer isso é muito pequena. Tudo que a Dilma diz cai nesse ambiente e é triturado. A voz dela não é ouvida. Se fala em petralhas, ladrões, esse é o clima.

A mídia tem uma importância brutal e central nisso. O clima pós-eleitoral ainda não acabou e a oposição ainda não aceitou que perdeu a eleição.

Como o sr. analisa o futuro do PT?

Tudo vai depender do que vai acontecer nos próximos meses. Se a questão do impeachment evoluir –o que não considero o cenário mais provável– o PT vai sofrer um revés que levará anos para se refazer. Há um outro cenário de sangramento contínuo de Dilma, com ela ficando totalmente submissa ao Congresso, um esvaziamento da presidência.

O cenário mais provável é de uma crise este ano, estabilização em 2016, retomada em 2017 e o Brasil chegar bombando em 2018, como aconteceu em 2010. Isso com o ajuste produzindo os efeitos que os economistas dizem que ele vai produzir: mudança da expectativa dos empresários, retomada de investimentos pelo Estado, mais infraestrutura, retomada do emprego, de melhoria dos salários, inflação mais controlada. Um governo mais bem avaliado, com possibilidade de fazer sucessor.

Com Lula?

A tentativa hoje é destruir o governo, o PT e o Lula. Destruir essa alternativa eleitoral. O que está em jogo no país é um processo de desconstrução de uma alternativa eleitoral de esquerda. Querem destruir o PT como alternativa de poder no Brasil.

O PT paga um preço alto por fazer o que os partidos de esquerda fazem: distribuição de renda, melhoria de vida para os mais pobres, redução da desigualdade social. Uma parte do Brasil está reagindo de forma muito pesada contra isso. São empresários, os que votaram na oposição e não aceitam o resultado eleitoral, a imprensa.

O PT não agiu contra si próprio?

O PT tem culpa nisso. Isso decore dos paradoxos do sucesso de qualquer organização que chega ao poder central. PT foi efetivo ao dar ao capitalismo condições mais dignas de funcionamento, proporcionando melhores condições de vida para as pessoas. O PT nunca foi partido revolucionário.

A liderança de Lula foi abalada?

Ninguém está imune ao processo de desconstrução. Mas Lula é o Lula. Hoje ele sofre as consequências do dessoramento do projeto político do PT em função da crise econômica e política. Se cenário da retomada se concretizar, Lula pode voltar a ser o que era.

Ele estará no segundo turno de qualquer eleição e tem muito o que mostrar. Se for candidato, é um dos mais fortes em 2018. A única alternativa da oposição é continuar batendo no impeachment.

Qual sua visão sobre Aécio?

Aécio voltou com a agenda do impeachment, que parte do PSDB estava abandonando, por duas razões. Primeiro, porque Eduardo Cunha tomou a dianteira da agenda da oposição e de direita de maneira muito eficiente nos últimos meses. Em segundo lugar, porque os que foram às ruas no domingo 12 começaram a chamar Aécio de "cagão", porque ele não vinha [às ruas].

A única bandeira que ele tem nesse debate é a do impeachment. No PSDB já foi dito que eles não podem cometer o mesmo erro de 2005, quando não levaram adiante o processo. Estão escaldados. Perderam em 2006 e em 2010. Acharam que o Lula iria sangrar até o final, mas o Brasil voltou a crescer e o Lula saiu com 80% de aprovação. Isso pode acontecer de novo.

Eles olham para traz e dizem que cometeram um erro. Dizem que Dilma não é o Lula, que o Congresso não vai sustentar Dilma como sustentou Lula e querem levar até o fim esse negócio. A agenda do impeachment, que o Aécio diz que não é golpista, nesse caso é. É uma agenda de quem ainda não aceitou o resultado do processo eleitoral.

Como o sr. define esse momento historicamente. Há paralelos?

O momento é único. Comparam com Jango, mas é muito diferente. Lá havia paralisia decisória no Congresso, com uma presidência muito fraca, e com os militares sendo a força de oposição mais importante. Hoje não há isso. Não temos conspiração militar. O clima hoje é de fim de mundo em razão da corrupção. Isso matou Vargas.

É um momento de muita incerteza. É único também porque nunca tivemos instituições democráticas tão sólidas. Temos um Judiciário autônomo como nunca tivemos, um parlamento que é representativo do que é o Brasil, que é conservador.

Temos uma crise desse tamanho –com perda da capacidade do PT de liderar o centro político, com pedidos de impeachment– e ela não está desestabilizando o sistema político. Pelo contrário, a crise reforça os aspectos virtuosos da nossa democracia. Isso também é uma novidade. Antes, crises assim levavam a golpismo militar. Agora se tem golpismo, mas institucional.

Nesse ambiente contaminado, o PT e a esquerda perderam a capacidade de liderar o centro. Lula conseguiu fazer isso. Dilma o fez até 2013, quando ela perdeu o centro, capturado pela direita. Cunha puxou o centro para o seu lado.

Como chegamos até aqui?

Essa situação de radicalização decorre, em parte, de um processo mais longo de desgaste, não só eleitoral, mas da capacidade de condução política do PT. Começou há mais tempo, mas os movimentos de junho de 2013 são emblemáticos e mudaram a pauta do Brasil. Até ali, o governo tinha uma aprovação acachapante e o controle da agenda política.

O caldeirão continuou fervendo em 2013 e 2014 e explodiu na eleição. Os temas continuaram se radicalizando nas redes sociais. O caminho do meio, de conciliação de políticas contrárias, foi perdido.

Por quê?

As mídias sociais permitem um certo tipo de radicalização que na esfera política não tinha como prosperar no Brasil. As mídias sociais e a imprensa abdicaram da construção de um caminho do meio, tomaram partido, e isso ajudou no processo de radicalização.

O governo foi se sentindo mais acuado; suas forças de apoio também radicalizaram suas posições, o que levou a uma campanha eleitoral muito radicalizada. Não esperava que a agressividade de ambos os lados chegasse ao nível que chegou, de ameaças à própria democracia. Foi exagerada a forma como a campanha de Dilma destruiu a Marina.

Aécio também fez uma campanha radicalizada para a direita, porque o centro foi ocupado pela Marina. Chegamos a 1º de janeiro saídos de uma campanha eleitoral muito sangrenta. O Congresso foi impondo à Dilma seguidas e grandes derrotas. A primeira foi a eleição de Eduardo Cunha, um inimigo declarado do PT."

FONTE: do "Brasil 247" e da tucana "Folha de São Paulo"  (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/178469/Impeachment-interessa-%C3%A0s-grandes-companhias-de-petr%C3%B3leo.htm) e (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/04/1621134-entrevista-eleonora.shtml).

LAVA JATO INAUGUROU NO BRASIL A "TEORIA DO DOMÍNIO DO BOATO"




Balanço da Petrobras inaugura no Brasil a “teoria do domínio do boato”

A Petrobras e o "domínio do boato"

Com um histórico recheado de escândalos bilionários, que autoridade e credibilidade moral e profissional tem a "PricewaterhouseCoopers" para auditar a Petrobras?

Por Mauro Santayana, em "Coisas de Política", no "JB"

Os jornais foram para as ruas, na última semana, dando como favas contadas um prejuízo de 6 bilhões de reais na Petrobras, devido a casos de corrupção em investigação na Operação Lava Jato. Seis bilhões de reais que não existem. E que foram colocados no “balanço”, como os bancos recorrem, nos seus, a provisões, por exemplo, para perdas com inadimplência, que, quando não se confirmam, são incorporadas a seus ativos mais tarde.

Não há – como seria normal, aliás, antes de divulgar esse valor – por trás desses 6 bilhões de reais, uma lista de contratos superfaturados, dos funcionários que participaram das licitações envolvidas, permitindo que se produzissem as condições necessárias a tais desvios, dos aditivos irregularmente aprovados, das contas para as quais esse montante foi desviado, dos corruptos que supostamente receberam essa fortuna.

O balanço da Petrobras, ao menos quanto à corrupção, foi um factoide. Um factoide de 2 bilhões de dólares que representa o ponto culminante de uma série de factoides produzidos por um jogo de pressões voltado para encontrar, doa a quem doer, chifre em cabeça de cavalo.

Houve corrupção na Petrobras? Com certeza, houve.

Houve necessariamente superfaturamento e prejuízo com a corrupção na Petrobras?

Isso seria preciso provar, onde, quando e como.

E o pior de tudo, é que a maior empresa brasileira apresentou esses resultados baseada, e pressionada, por uma questionável “auditoria”, realizada por uma, também, discutível, companhia estrangeira.

Segundo divulgado em alguns jornais, a empresa de auditoria norte-americana "PricewaterhouseCoopers" teria feito uma série de exigências para assinar, sem ressalvas, o balanço da Petrobras, estabelecendo um patamar para a perda com “impairment” e corrupção muito maior que a real, baseada, nesse último aspecto, não em dados e informações, mas em números apresentados inicialmente por "delatores", tomados como verdade indiscutível, quando vários desses mesmos delatores “premiados” negaram, depois, em diversas ocasiões, peremptoriamente, a existência de superfaturamento.

Essa é uma situação que, se fosse reconhecida no balanço, lançaria por terra a suposta existência de prejuízos de bilhões de dólares para a Petrobras com os casos investigados na Operação Lava-Jato, e ainda mais na escala astronômica em que esses números foram apresentados.

Que autoridade e credibilidade moral e profissional tem a PricewaterhouseCoopers para fazer isso?

Se a Petrobras, não tivesse, premida pela necessidade de responder de qualquer maneira à situação criada com as acusações de corrupção na empresa, sido obrigada a contratar empresas estrangeiras, devido à absurda internacionalização da companhia, iniciada no governo PSDB/FHC, nos anos 90, e tivesse investigado a história da PwC, que contratou por milhões de dólares para realizar essa auditoria pífia – que não conseguiria provar as conclusões que apresenta – teria percebido que a PwC:

---é uma das principais empresas responsáveis pelo escândalo dos "Luxemburgo Leaks", um esquema bilionário de evasão de impostos por multinacionais norte-americanas, que causou, durante anos, um rombo de centenas de bilhões de dólares para o fisco dos EUA, que está sendo investigado desde o ano passado;

---é a companhia que está por trás do escândalo envolvendo a "Seguradora AIG" em 2005;

---que está relacionada com o escândalo de fraude contábil do grupo japonês "Kanebo", ligado à área de cosméticos, que levou funcionários da então "ChuoAoyama", parceira da PwC no Japão, à prisão;

---com o escândalo da liquidação da "TycoInternational Ltd", no qual a "PricewaterhouseCoopers" teve de pagar mais de 200 milhões de dólares de indenização por ter facilitado ou permitido o desvio de 600 milhões de dólares pelo Presidente Executivo e o Diretor Financeiro da empresa; com o escândalo da fraude de 1.5 bilhão de dólares da "Satyam", uma empresa indiana de Tecnologia da Informação, listada na NASDAQ;

---foi também acionada por negligência profissional no caso dos também indianos "Global Trust Bank Ltd" e "DSK Software";

---e também no caso envolvendo acusações de evasão fiscal do grupo petrolífero russo "Yukos";

---por ter, em trabalho de auditoria, feito exatamente o contrário do que está fazendo no caso da Petrobras, tendo ficado também sob suspeita, na Rússia, de ter acobertado um desvio de 4 bilhões de dólares na construção de um oleoduto da "Transneft";

---foi acusada por não alertar para o risco de quebra de empresas que auditava e assessorava, como a inglesa "Northern Rock", que teve depois de ser resgatada pelo governo inglês na crise financeira de 2008;

---e no caso da "JP Morgan Securities", em que foi multada pelo governo britânico;

---está ligada ao escândalo da tentativa de privatização do sistema de águas de Nova Delhi, que levou à retirada de financiamento da operação pelo "Banco Mundial";

---e também criticada por negligência em trabalhos de auditoria na Irlanda, país em que está sendo processada em um bilhão de dólares.


Enfim, a "PricewaterhouseCoopers" é tão séria – o que com certeza coloca em dúvida a qualidade de certos aspectos do balanço da Petrobras – que, para se ter ideia de sua competência, o "Public Company Accounting Oversight Board" dos Estados Unidos encontrou, em pesquisa realizada em 2012, deficiências e problemas significativos em 21 de 52 trabalhos de auditoria realizados pela "PwC" para companhias norte-americanas naquele ano.

É esse verdadeiro primor de ética, imparcialidade e preparo profissional, que quer nos fazer crer – sem apresentar um documento – que de cada 100,00 reais gastos com contratações de 27 empresas de engenharia e infraestrutura pela Petrobras, 3,00 tenham sido automaticamente desviados, durante vários anos, como se uma empresa com aproximadamente 90.000 funcionários funcionasse como uma espécie de linha de montagem, para a carimbagem automática, com uma comissão de 3%, de milhares de notas a pagar, relativas a quase 200 bilhões de reais em compras de produtos e serviços.

Desenvolveu-se, no Brasil, a tese, de que, para que haja corrupção, é preciso que tenha havido sempre, necessariamente, desvio e superfaturamento.

Há empresas que fornecem produtos e serviços a condições e preço de mercado, quem nem por isso deixam de agradar e presentear com benesses que vão de cestas de natal a computadores o pessoal dos departamentos de compra e outros funcionários de seus clientes.

Há outras que convidam para encontros e viagens no exterior os médicos que receitam para seus pacientes medicamentos por elas fabricados. E outras, ainda, que promovem – ou já promoveram no passado – em outros países, congressos para funcionários públicos, como prefeitos, deputados e membros do Judiciário.

O montante ou o dinheiro reservado para esse tipo de “agrado” – que moralmente, para alguns, não deixa de ser uma espécie de corrupção – depende, naturalmente, do lucro que vai ser aferido pela empresa em cada negócio, e do tamanho e potencial de investimento e gasto do cliente que está sendo atendido.

Em depoimento na CPI da Petrobras na semana passada, o ex-dirigente da empresa "ToyoSetal", Augusto Mendonça Neto, afirmou que pagamentos foram feitos a Paulo Roberto Costa e a Renato Duque, responsáveis pelas diretorias de Refino e Abastecimento e de Serviços, não para que eles alcançassem um determinado objetivo – manipulando contratos e licitações, por exemplo – mas para que não prejudicassem as empresas, já que, em suas palavras: “o poder que um diretor da Petrobras tem de atrapalhar era enorme. De ajudar, é pequeno. Na minha opinião, eles vendiam muito mais dificuldade do que facilidade. Na minha opinião, as empresas participavam muito mais por medo do que por facilidades.

Outro delator – devido, talvez, à impossibilidade de provar, inequivocamente, contabilmente, juridicamente, o contrário – o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, já havia voltado atrás, em petição apresentada no dia 9 de abril à Justiça – corroborando afirmações das próprias empreiteiras envolvidas – afirmando que as obras investigadas na Operação Lava-Jato não eram superfaturadas, e que as comissões de 3% eventualmente recebidas eram retiradas do lucro normal das empresas e não de sobrepreço, negando que ele e Alberto Youssef tenham recebido listas com as obras e empresas que seriam vencedoras em cada licitação. “Isso nunca aconteceu”, disse o seu advogado, João Mestieri, à "Folha de São Paulo".

A mesma coisa já tinha sido explicada, didaticamente, em depoimento à CPI da Petrobras, pelo ex-gerente de implementação da Refinaria Abreu e Lima, Glauco Colepicolo Legatti, no dia 31 de março, ocasião em que negou que tivesse recebido propina, que tivesse qualquer conta no exterior, que tivesse feito transferência recente de qualquer bem para parentes, dando a atender também que poderia colocar seu sigilo bancário à disposição se fosse necessário.

Legatti negou peremptoriamente que tenha havido sobrepreço nas obras da refinaria, explicou o aumento dos custos da obra devido a adequações de projeto e a características como ser a mais avançada e moderna refinaria em construção no mundo, com uma concepção tecnológica especialmente desenvolvida que permite a inédita transformação de 70% de cada barril de petróleo bruto em óleo diesel, e que ela produzirá, quando terminada, 20% desse tipo de combustível consumido no Brasil – “não tem superfaturamento na obra. Superfaturamento é quando digo que algo custa 10 e vendo por 15. Aqui são custos reais incorridos na obra. Não tem um centavo pago que não tenha um serviço em contrapartida. Não existe na refinaria nenhum serviço pago sem contrapartida”, afirmou.

Compreende-se a necessidade que a Petrobras tinha de “precificar” o mais depressa possível a questão da corrupção, admitindo que, se tivesse havido desvios em grande escala, esses não teriam passado, no máximo, como disseram dois delatores premiados inicialmente, de 3% do valor dos contratos relacionados ao “cartel” de empresas fornecedoras investigadas.

Mas com a aceitação da tese de que houve desvio automático desse mesmo e único percentual em milhares de diferentes contratos sem comprovar, de fato, absolutamente nada, sem determinar quem roubou, em qual negócio, em que comissão, em que contrato, em qual montante, a Petrobras e a "PricewaterhouseCoopers" levaram os jornais, a publicar, e a opinião pública a acreditar, que realmente houve um roubo de 6 bilhões de reais na Petrobras, que gerou um prejuízo desse montante para a empresa e para o país.

Isso é particularmente grave, porque, para as empresas, a diferença entre a existência ou não de sobrepreço, significa ter ou não que pagar bilhões de reais em ressarcimento, no momento em que muitas estão praticamente quebrando e tiveram seus negócios interrompidos, devido às consequências institucionais da operação que está em andamento.

Para se dizer que houve um crime, é preciso provar que tipo de crime se cometeu, a ação que foi desenvolvida, quem estava envolvido e as exatas consequências (prejuízo) que ele acarretou.

Até agora, no Caso Lava-Jato – que inicialmente era cantado e decantado como envolvendo quase 90 bilhões de reais – não se chegou a mais do que algumas centenas de milhões de dólares de dinheiro efetivamente localizado.

O que não quer dizer que tudo não tenha de ser apurado e punido, até o último centavo.

Essa determinação, que é de toda a sociedade brasileira, não consegue, no entanto, esconder o fato de que, ao inventar, sob pressão de alguns setores da mídia, da opinião pública e da justiça, o instituto da corrupção plural e obrigatória, com percentual tabelado, prazo determinado em número redondo de anos e meses, para início e fim das atividades, em operações que envolvem milhares de contratos de 27 diferentes empresas, a Petrobras e a "Price" criaram uma pantomímica, patética e gigantesca fantasia.

Pode-se colocar toda a polícia, promotores e juízes que existem, dentro e fora do Brasil, para provar, efetivamente, esse fantástico roubo de 6 bilhões de reais, investigando contrato por contrato, comissão de licitação por comissão de licitação, entrevistando cada um de seus membros, procurando apenas provas lícitas, cabais e concretas, como transferências reais de dinheiro, contas no exterior em bancos suíços e paraísos fiscais, quebra de sigilo telefônico, imagens de câmeras de hotéis e restaurantes, indícios de enriquecimento ilícito, interrogatórios e acareações, ressuscitando e dando vida aos melhores detetives de todos os tempos, de Sherlock Holmes a Hercule Poirot, passando pelo Inspetor Maigret, Nero Wolfe, Sam Spade, Phillip Marlowe, a Miss Marple de Agatha Cristie e o frade William de Baskerville de "O Nome da Rosa", que não se conseguiria provar – a não ser que surjam novos fatos – que houve esse tipo de desvio na forma, escala, dimensão e montante apresentados no balanço da Petrobras há poucos dias.

Delações premiadas – nesse aspecto, já desmentidas – podem ser feitas no atacado. Afinal, bandido, principalmente quando antigo e contumaz, fala e inventa o quer e até o que não quer.

Mas até que se mude de planeta, ou se destruam todos os pergaminhos, alfarrábios e referências e tratados de Direito, sepultando a presunção de inocência e o império da prova e da Lei no mesmo caixão desta República, toda investigação tem de ser feita, e os crimes provados, individualmente.

Com acuidade, esforço e compenetração e sem deixar margem de dúvida.

Todos os crimes, e não apenas alguns.

À base de um por um, preferencialmente.

Com o caso do “mensalão” do PT – o único dos “mensalões” julgado até agora – inaugurou-se, no Brasil, a utilização da "teoria do Domínio do Fato", de forma, aliás, absolutamente distorcida, como declarou, a propósito desse processo, o seu próprio criador, o jurista alemão Claus Roxin.

Ele afirmou, em visita ao país, na época do julgamento da Ação penal 470, que “não é possível usar a teoria do Domínio do Fato para fundamentar a condenação de um acusado supondo sua participação apenas pelo fato de sua posição hierárquica. “A pessoa que ocupa a posição no topo de uma organização tem também que ter comandado esse fato, emitido uma ordem inequívoca” – afirmando que o dever de conhecer os atos de um subordinado não implica em corresponsabilidade.

A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato”, comentando que “na Alemanha temos o mesmo problema. É interessante saber que aqui também há o clamor por condenações severas, mesmo sem provas suficientes. O problema é que isso não corresponde ao Direito. O juiz não tem que ficar ao lado da opinião pública” [ou a "opinião publicada"]. “Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”.

O que quis dizer Claus Roxin com isso? Que, para que haja “domínio do fato’, é preciso comprovar, de fato, que esse fato houve.

Com a saída meramente aritmética usada no balanço da Petrobras, baseada em uma auditoria de uma empresa estrangeira que, na realidade, pelos seus resultados, parece não ter tecnicamente ocorrido, inaugura-se, no Brasil, para efeito do cálculo de prejuízos, uma outra anomalia, a da “teoria do domínio do boato”.

FONTE: escrito por Mauro Santayana, em "Coisas de Política", no "JB" . Transcrito no portal "Viomundo" (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-santayana-com-a-aritmetica-usada-balanco-da-petrobras-inaugura-se-no-brasil-a-teoria-do-dominio-do-boato.html). Título e trecho entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

PMDB E PSDB ALIADOS NO DESMONTE DA CLT INICIADO POR FHC




PMDB e PSDB se aliam para dar sequência ao desmonte da CLT iniciado por FHC

O pivô

Por André Singer, na "Folha de S. Paulo"

"Como se pode observar no quadro abaixo, o apoio ao projeto de lei 4.330 na Câmara dos Deputados quarta-feira passada foi o mesmo no PMDB e no PSDB. Juntos, os dois derrotaram o PT. Os demais partidos, em graus variados, se distribuíram entre esses polos. O PP se alinhou ao bloco conservador. O PDT e o PC do B marcharam contra a terceirização. O PSB ficou em posição intermediária.



Para chegar a tais resultados, computei os votos a favor do PL 4.330 em cada agremiação sobre o total de deputados votantes do partido. No caso do PMDB, considerei como favorável também o presidente da Casa, Eduardo Cunha, pelo empenho em aprovar a medida. Na prática, houve uma aliança entre peemedebistas e tucanos para dar sequência ao desmonte da CLT iniciado nos tempos de PSDB/FHC, o qual foi brecado com a eleição de Lula em 2002.

O breque foi uma das razões pelas quais, nos debates sobre o caráter do lulismo, insisti que era errado chamá-lo de neoliberal. Talvez não tenha ocorrido, como assinalavam alguns, forte expansão de direitos, mas sem dúvida houve um 'stop' na ofensiva desregulamentadora que o PSDB capitaneara. O paradoxo é que agora a precarização pode recomeçar sob o mesmo governo lulista. Como explicar tal virada?

Desde o fim de 2012, com as “101 propostas para modernização trabalhista” da "Confederação Nacional da Indústria" (CNI), cresceu a pressão empresarial para "flexibilizar" as regras que protegem o trabalhador. A crise econômica mundial e o ensaio desenvolvimentista de Dilma, ao que tudo indica, desmontaram a coalizão entre sindicatos e industriais herdada do período áureo do lulismo. Esse foi o pano de fundo da eleição de 2014.

O PMDB da Câmara, dirigido por personagem frio e determinado, entendeu que, ao chamar Joaquim Levy para a Fazenda, Dilma adotou o programa do capital e tirou todas as consequências do fato. Mandou o PT para a oposição e, funcionando como pivô, juntou-se ao PSDB para completar a redução do custo da mão de obra que o desemprego, fruto da recessão programada por Mãos de Tesoura, promete.

Ainda existe o Senado e um possível veto da presidente para sabermos se o lulismo irá mesmo mudar de caráter. Quem viver verá."

FONTE: escrito por André Singer, na tucana "Folha de S. Paulo". Transcrito no portal "Viomundo" ( http://www.viomundo.com.br/politica/andre-singer-pmdb-e-psdb-se-aliam-para-dar-sequencia-ao-desmonte-da-clt-iniciado-por-fhc.html).

A HORA É AGORA: 6ª FEIRA, 1º DE MAIO




A hora é agora: 6ª feira, 1º de Maio de 2015

"A mobilização contra o avanço conservador já não pode tardar. Nada é mais importante do que agigantar a força das manifestações neste 1º de Maio. A hora é agora.

Por Saul Leblon
Uma semana antes deste 1º de Maio de 2015, 79% da bancada do PSDB na Câmara e uma proporção exatamente igual do PMDB votaram pelo desmonte dos direitos trabalhistas no Brasil. À petulância conservadora, o PT respondeu com 100% dos votos em defesa da CLT; o mesmo fez o PSOL.

O cálculo do cientista André Singer encerra grave advertência e uma incontornável convocação.

O conservadorismo considera que é hora e há ‘clima’ para esfolar os assalariados brasileiros, sangrar a esquerda e colocar de joelhos os sindicatos. Um pouco como fez Margareth Tatcher contra os mineiros na emblemática greve de 1984.

Aécio, Cunha, Skaf, Paulinho ‘Boca’ e assemelhados sabem o que estão fazendo.

Rompido o lacre da regulação do trabalho, a ganância dos mercados reinará absoluta na dinâmica do desenvolvimento brasileiro, como aconteceu na ascensão do neoliberalismo com a derrota sindical inglesa de 1984.

A ordem unida da mídia, dos patrões, tucanos e pelegos em torno da agenda da terceirização condensa assim um divisor de época.

Só há uma resposta à altura para isso na História: a construção de uma frente ampla progressista, que comece por ocupar as ruas do Brasil nesta sexta-feira, para devolver ao 1º de Maio o seu sentido e aos democratas um instrumento capaz de reverter o golpe branco que tomou de assalto o país.

Muito do que acontecerá no Brasil nos próximos dias, meses e anos refletirá a abrangência dessa mobilização.

Inclua-se aí a rejeição da PL 4330, mas também o desfecho da espiral golpista travestida de faxina política de seletividade autoexplicativa. 

Nada é mais importante do que agigantar a força das manifestações contra os coveiros da CLT e da democracia social neste 1º de Maio.

Informe-se junto ao seu sindicato, reúna os amigos, convide os colegas de trabalho.

Não cabe mais perguntar que horas são.

O tempo é de dar respostas – nas ruas."

FONTE: escrito por Saul Leblon em seu editorial no portal "Carta Maior"   (http://cartamaior.com.br/?/Editorial/A-hora-e-agora-6%AA-feira-1%BA-de-Maio-de-2015/33348).