segunda-feira, 29 de junho de 2015

EMPREITEIRA DOOU MAIS A AÉCIO QUE A DILMA, MAS MÍDIA ABAFA




UTC doou mais a Aécio que a Dilma; “novas” denúncias são requentadas

Por Eduardo Guimarães no "Blog da Cidadania"

"Não dá para entender por que tanta celeuma em torno das acusações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, a políticos de vários partidos. E muito menos por que razão só as acusações dele à campanha de Dilma Rousseff e ao seu partido ganharam as manchetes.



Quem lê os principais jornais dando conta de que a UTC doou 7,5 milhões de reais à campanha de Dilma Rousseff fica com a impressão de que há, aí, uma grande descoberta e que a presidente foi especialmente beneficiada por essa empresa. Nada mais falso.

Em primeiro lugar, se esses grandes veículos fizessem jornalismo deveriam esclarecer que essa empresa doou inclusive mais dinheiro à campanha de Aécio Neves no ano passado do que à de Dilma Rousseff.

Levantamento feito pelo site Às Claras, ligado à ONG Transparência Brasil, mostra que a UTC doou R$ 8.722.566,00 para a campanha a presidente de Aécio Neves, no ano passado. O valor é R$ 1,22 milhão superior ao valor doado à campanha de Dilma Rousseff na mesma época.



Diz o noticiário que Pessoa sentiu-se pressionado a doar a Dilma e ao PT porque tinha medo de que, se não doasse, o governo petista prejudicaria seus negócios. A pergunta que é obrigatório fazer, diante de tal acusação, é muito simples: por que Aécio, sem pressionar, recebeu mais do que Dilma?

Uma campanha recebeu 7,5 milhões de reais do empresário porque o intimidou e a outra – que, conforme a omissão do noticiário em citá-la, subentende-se que não intimidou – recebe 8,7 milhões de reais.

A primeira doação decorre de chantagem e a segunda de “amor” ao candidato?

Ora, façam-me o favor…

Mas o pior não é isso. Uma simples busca na internet revela que essa celeuma que dominou a grande mídia a partir da última sexta-feira (26) por conta das “novas” revelações de Ricardo Pessoa, da UTC, não tem a menor justificativa porque é matéria requentada.

Os três maiores jornais do país (Folha, Globo e Estadão) publicaram, no sábado (27/06), praticamente a mesma matéria sobre o tema, inclusive com manchetes praticamente idênticas. Desse modo, tomemos como exemplo a matéria da Folha, que afirma que “Revelações de empreiteiro ampliam pressão sobre o PT”.

FOLHA DE SÃO PAULO

27 de junho de 2015

PETROLÃO

Revelações de empreiteiro ampliam pressão sobre o PT

Dono da UTC cita doações a campanhas de Dilma e Mercadante em delação

Partido afirma que todas as contribuições que recebeu foram feitas conforme a lei e declaradas à Justiça


Por ANDRÉIA SADI, MARINA DIAS, NATUZA NERY, ESTELITA HASS CARAZZAI E FLÁVIO FERREIRA, DE BRASÍLIA, DE CURITIBA E DE SÃO PAULO

Depoimentos prestados pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, aos procuradores da Operação Lava Jato ampliaram a pressão sobre o governo da presidente Dilma Rousseff e seu partido, o PT, lançando novas suspeitas sobre doações feitas à sua campanha à reeleição em 2014.

Apontado como um dos líderes do cartel de empreiteiras acusadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras, Pessoa fez acordo com a Procuradoria-Geral da República para colaborar com as investigações em troca de uma pena reduzida. O acordo foi homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na quinta-feira (25).

Pessoa doou R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma. A contribuição foi declarada à Justiça Eleitoral pelo PT, mas, como a Folha revelou em maio, Pessoa disse que só fez a doação por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras se não ajudasse o partido. Ele disse que tratou da contribuição com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva.

Na sexta (26), a revista “Veja” afirmou que Pessoa detalhou também contribuições feitas para 18 campanhas políticas, incluindo repasses de R$ 15 milhões para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e de R$ 750 mil ao ex-deputado José de Fillipi (PT-SP), que foi tesoureiro da campanha de Dilma em 2010 e hoje é secretário da administração do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, Pessoa indicou aos procuradores que os repasses para Vaccari e Fillipi foram feitos de maneira ilegal, e não por meio de doações oficiais. Em nota, o PT afirmou que todas as doações recebidas pelo partido foram declaradas à Justiça Eleitoral.

Como a Folha informou na sexta (26), Pessoa também detalhou a maneira como foi negociada uma contribuição à campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo do Estado de São Paulo, em 2010. Em 2010, Mercadante declarou à Justiça Eleitoral uma doação de R$ 250 mil da UTC. Hoje ministro da Casa Civil, Mercadante é o principal auxiliar de Dilma.

As novas revelações sobre os depoimentos de Pessoa fizeram Dilma convocar uma reunião de emergência na sexta. Participaram Mercadante, Edinho Silva e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Nenhum se manifestou sobre o assunto.

Em avaliações internas, ministros afirmavam que o episódio poderá contribuir para abalar ainda mais a frágil popularidade da presidente, que tem 10% de aprovação, segundo o Datafolha.

Preso desde novembro de 2014 e hoje em prisão domiciliar, Ricardo Pessoa negociou durante meses o acordo de delação premiada. A Folha apurou que Pessoa descreveu em detalhes a maneira como acertava o repasse de recursos destinados ao PT.

‘PIXULECO’

Segundo ele, o então diretor da Petrobras Renato Duque, ligado ao PT, avisava João Vaccari sempre que a estatal fechava um contrato com a UTC e o tesoureiro então procurava o empreiteiro para cobrar o “pixuleco”, como ele chamava a propina de 1% que seria destinada ao PT.

Segundo Pessoa, eles então combinavam de que forma, e em quantas parcelas, esse pagamento seria feito.

Na maior parte das vezes, Pessoa disse que optou por fazer doações oficiais ao PT ou a candidatos do partido. Às vezes, disse, Vaccari pedia que o pagamento fosse feito por fora. Segundo Pessoa, nesses casos o dinheiro era passado em espécie ao partido.

Na delação, Pessoa também citou contribuições a políticos de outros partidos, entre eles os senadores Aloysio Nunes (PSB-SP), Fernando Collor (PTB-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA). Todos negam irregularidades."

O que você, atento leitor, entende dessa matéria e, sobretudo, da manchete que a intitula é que surgiu alguma novidade que “ampliou” a “pressão” sobre “o PT”. Ou seja, o que se subentende da manchete é que alguma coisa nova veio à tona.

Pois bem. Vejamos, então, matéria da mesma Folha de São Paulo publicada 49 dias antes, de autoria da mesma Estelita Hass Carazzai que assina a matéria publicada pelo jornal neste sábado.

FOLHA DE SÃO PAULO

9 de maio de 2015

Empreiteiro diz que doou a Dilma por temer represália

Por FLÁVIO FERREIRA ENVIADO ESPECIAL A CURITIBA, ESTELITA HASS CARAZZAI, DE CURITIBA

O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse a procuradores da Operação Lava Jato que doou R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras se não ajudasse o PT.

Segundo Pessoa, a contribuição da empresa foi tratada diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva.

Preso desde novembro do ano passado e hoje em regime de prisão domiciliar, o empresário negocia desde janeiro com o Ministério Público Federal um acordo para colaborar com as investigações em troca de uma pena reduzida.

Nos contatos com os procuradores e no documento em que indicou as revelações que está disposto a fazer caso feche o acordo, Pessoa descreveu de forma vaga sua conversa com Edinho, mas afirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobras.

O empreiteiro contou ter se reunido com Edinho a pedido do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como o principal operador do partido no esquema de corrupção descoberto na Petrobras e hoje preso em Curitiba.

As doações à campanha de Dilma foram feitas legalmente. Segundo os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram três: duas em agosto e outra em outubro de 2014, dias antes do segundo turno da eleição.

Se Pessoa fechar o acordo de delação premiada com os procuradores, ele terá então que fornecer provas e detalhar suas denúncias em depoimentos ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Em janeiro, Pessoa já havia indicado sua disposição de falar sobre a campanha de Dilma Rousseff em documento escrito na cadeia e publicado pela revista “Veja”. “Edinho Silva está preocupadíssimo”, escreveu o empresário.

CAIXA DOIS

Pessoa também afirmou aos procuradores que fez contribuições clandestinas para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em 2006, e a do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012.

O empreiteiro disse que deu R$ 2,4 milhões à campanha de Lula, via caixa dois. O dinheiro teria sido trazido do exterior por um fornecedor de um consórcio formado pela UTC com as empresas Queiroz Galvão e Iesa e entregue em espécie no comitê petista.

Pessoa afirmou também que, a pedido de Vaccari, pagou outros R$ 2,4 milhões para quitar dívida que a campanha de Haddad teria deixado com uma gráfica em 2012. O doleiro Alberto Youssef, outro operador do esquema de corrupção na Petrobras, teria viabilizado o pagamento.

Segundo o empreiteiro, o valor foi descontado de uma espécie de conta corrente que ele diz ter mantido com Vaccari para controlar o pagamento de propinas associadas a seus contratos na Petrobras.

Pessoa também promete revelar às autoridades detalhes sobre seus negócios com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que hoje cumpre prisão domiciliar por seu envolvimento com o mensalão.

O empreiteiro, que pagou R$ 3,1 milhões à empresa de consultoria de Dirceu entre 2012 e 2014, diz que o contratou para prospectar negócios no Peru, mas afirmou aos procuradores que a maior parte dos repasses foi feita após a prisão do ex-ministro, para atender a um pedido de ajuda financeira da sua família, em razão de sua influência no PT.

OUTRO LADO

O PT rejeitou as acusações do empresário Ricardo Pessoa e afirmou em nota que todas as doações à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014 foram feitas de acordo com a legislação eleitoral.

O partido ressaltou que as contas da campanha de Dilma foram aprovadas por unanimidade na Justiça Eleitoral.

A assessoria do ministro Edinho Silva, chefe da Secretaria de Comunicação Social, que foi o tesoureiro da campanha presidenical, informou que a nota do PT deveria ser considerada sua reposta às alegações do empreiteiro.

A Presidência da República e a assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram que não fariam comentários sobre o assunto.


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que as doações à sua campanha foram todas feitas de acordo com a lei, e que as dívidas foram absorvidas e quitadas posteriormente pelo PT.

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, disse que ele só captou doações legais para o partido e não participou do esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

O advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, informou que seu contrato de consultoria com a UTC tinha como objetivo prospectar negócios no Peru, sem qualquer relação com a Petrobras."

Alguém, por favor, ajude este desorientado blogueiro: o que é, diabos, que há de novo nas notícias recém-publicadas sobre as denúncias do empreiteiro Ricardo Pessoa? O que é que ele acrescentou ao que já havia dito que justifique que a mídia e a oposição façam esse estardalhaço e digam que, à luz das “novas” revelações, há que tirar o mandato de Dilma Rousseff?

O que esse estardalhaço todo significa é, no fim das contas, um imenso desrespeito pela opinião pública, obviamente vista pela mídia e pela oposição como desmemoriada, idiotizada, incapaz de juntar fatos escandalosamente óbvios e deles tirar uma simples conclusão.

Infelizmente, pensando bem, tanto a mídia quanto a oposição têm boas doses de razão para enxergar assim a sociedade brasileira, ou ao menos sua maioria esmagadora."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães no seu "Blog da Cidadania"   (http://www.blogdacidadania.com.br/2015/06/utc-doou-mais-a-aecio-que-a-dilma-novas-denuncias-sao-requentadas/).

RELATOR DA CASSAÇÃO DE DIRCEU COBROU R$ 150 MIL PARA LIVRAR DA CPI O DONO DA UTC




JÚLIO DELGADO: R$ 150 MIL PARA ABAFAR UMA CPI

"Sempre disposto a apontar o dedo contra seus próprios colegas, o deputado Júlio Delgado, que relatou as cassações de José Dirceu, no "mensalão", e de André Vargas, mais recentemente, é um personagem emblemático da delação de Ricardo Pessoa. Segundo o empresário, ele recebeu R$ 150 mil para não envolvê-lo na CPI da Petrobras. Vargas foi cassado por ter aceito carona num avião do doleiro Alberto Youssef; e agora?

Do "Minas 247"

Um dos parlamentares "mais moralistas" [sic] do Congresso Nacional, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), sempre disposto a apontar o dedo contra seus colegas, tem papel de destaque na delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da "UTC Engenharia".

Num dos depoimentos, Pessoa afirma que Delgado cobrou e recebeu R$ 150 mil "para não envolvê-lo na CPI da Petrobras" – ao todo, essa operação, capitaneada pelo ex-senador Gim Argello (PTB-DF) teria custado R$ 5 milhões.

Em 2006, quando estourou a crise do chamado 'mensalão', Delgado relatou o processo de cassação do então deputado José Dirceu, que havia deixado a Casa Civil. Mais recentemente, relatou a cassação de André Vargas, que perdeu o mandato por ter aceito carona num avião do doleiro Alberto Youssef.

Agora, é o próprio Delgado quem terá que se explicar."

FONTE: do "Minas 247" e "Brasil 247"     (https://www.brasil247.com/pt/247/minas247/186608/J%C3%BAlio-Delgado-R$-150-mil-para-abafar-uma-CPI.htm).

AÉCIO DEBOCHA DO MPF CONFIANDO NA SUA IMPUNIDADE E NA BLINDAGEM DO PSDB PELA JUSTIÇA E MÍDIA




"Aécio Neves ironiza ação que cobra dinheiro da saúde: “bobagem” o MPF cobrar o repasse de R$ 9,5 bilhões para a área de saúde". O valor atualizado corresponde a R$ 14,2 bilhões e deixou de ser investido pelos tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia, entre 2003 e 2012


BRASIL#ModoTucanodeGovernar

Por Agência PT

O ex-governador de Minas Gerais e atual senador pelo PSDB, Aécio Neves, ironizou, durante evento em Manaus, a ação do Ministério Público Federal para cobrar, do governo de mineiro, o repasse de R$ 9,5 bilhões para a área de saúde. Para o tucano, a iniciativa é “bobagem”.

O valor atualizado corresponde a R$ 14,2 bilhões. De acordo com a ação, esse valor deixou de ser investido pelos tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia, entre 2003 e 2012, no Estado.

A Procuradoria da República de Minas alega que os ex-governadores, hoje senadores pelo PSDB, descumpriram emenda que obriga aplicação mínima de 12% do orçamento na saúde. A ação informa que os governos tucanos deixaram de aplicar R$ 9,5 bilhões no "Sistema Único de Saúde" *SUS) em Minas Gerais.

Além disso, a ação afirma que, durante 10 anos, Aécio e Anastasia fizeram manobras contábeis para tentar ocultar o não cumprimento da emenda. Para o MPF, a atitude aconteceu “em total e absurda indiferença ao Estado de Direito”.

FONTE: da redação da Agência PT de Notícias   (http://www.pt.org.br/aecio-neves-ironiza-acao-que-cobra-dinheiro-da-saude-bobagem/).

TESE PRÓ-IMPEACHMENT DA OPOSIÇÃO NÃO FICA DE PÉ




TESE PRÓ-IMPEACHMENT DA OPOSIÇÃO NÃO FICA DE PÉ

"Ao envolver tucanos e socialistas no recebimento de recursos da UTC, empreiteiro mostra – mais uma vez – a presença de todos partidos do universo cinzento das campanhas financeiras", diz Paulo Moreira Leite, diretor do "247" em Brasília, ao comentar a delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC, que envolveu personagens como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

"A dificuldade política da oposição consiste numa questão essencial: manter o discurso da moralidade, que implica em rejeitar como mentira toda explicação apresentada pelos adversários e, ao mesmo tempo, tentar nos convencer que, no caso de seus aliados, a história é outra, ainda que os argumentos sejam os mesmos e a situação real seja igual". Ele diz ainda que, no Brasil de hoje, o bom combate é lutar contra o financiamento empresarial de campanhas.

Por Paulo Moreira Leite

O fato mais surpreendente na lista de políticos e autoridades beneficiadas pelas doações da empreiteira UTC, reveladas neste fim de semana, consiste na linha de defesa da oposição.

Como nós sabemos, a denúncia inclui vários políticos, de vários partidos e até mesmo o advogado Tiago Cedraz, filho de Aroldo Cedraz, presidente do Tribunal de Contas da União, o TCU. Tiago é acusado de receber R$ 50.000 mensais em troca de informações privilegiadas. Ricardo Pessoa também disse que ele negociou a compra uma sentença favorável em Angra 3 por R$ 1 milhão. Segundo a denúncia, o relator Raimundo Carreiro recebeu o dinheiro, intermediado pelo filho do presidente do tribunal.

Sim: estamos falando da mesma corte que ameaça questionar as contas de Dilma Rousseff por causa de operações contábeis conhecidas como pedaladas. E agora?

O caso é que há beneficiados — em contribuições de campanha. Um deles é o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB. Sua campanha levou R$ 200.000 em 2010. Já a campanha do deputado mineiro Julio Delgado, do PSB, um dos mais ativos "campeões da moralidade" [sic] no Congresso — foi relator da cassação de José Dirceu em 2005 — recebeu R$ 150.000 em 2014.

Tanto Aloysio como Delgado esclarecem que foram doações legais, registradas na Justiça Eleitoral. Não há razão para duvidar. Até que se prove o contrário, essa explicação deve ser vista como verdadeira e não deve ser questionada.

O problema é que as campanhas do PT também possuem documentos que permitem sustentar a legalidade das doações que o partido recebeu. As cifras, CPFs e todos os dados necessários estão lá.

A dificuldade política da oposição consiste numa questão essencial: manter o discurso da moralidade, que implica em rejeitar como mentira toda explicação apresentada pelos adversários e, ao mesmo tempo, tentar nos convencer que, no caso de seus aliados, a história é outra, ainda que os argumentos sejam os mesmos e a situação real seja igual.

“Estão querendo misturar o joio e o trigo,” reagiu Delgado. Aloyzio foi defendido por Aécio Neves, de quem foi companheiro de chapa em 2014. Aécio declarou que a situação de Aloyzio é totalmente diferente daquela dos petistas investigados na Lava Jato.

A tese da oposição é que "nossa turma é gente de bem" e "a outra parte não presta". Será possível? Ou é melhor acreditar na professora Maria Silvia de Carvalho Franco, autora de "Homens Livres na Sociedade Escravocrata".

No livro, a mestra descreve um país onde ”o Estado é visto e usado como ‘propriedade’ do grupo social que o controla.”  Para a professora, o “aparelho governamental nada mais é do que parte do sistema de poder desse grupo, imediatamente submetido à sua influência, um elemento para o qual se volta e utiliza sempre que as circunstâncias o indiquem como o meio adequado. Só nessa qualidade se legitima a ação do Estado.” Deu para entender a base real de quem procura estabelecer diferenças de natureza moral em política, certo? Ela explica mistérios de nossos "paladinos da ética" — a começar pelo mensalão PSDB-MG, que até hoje não foi sequer julgado.

Vivemos num país onde o dinheiro de empresas privadas tornou-se o principal combustível das campanhas eleitorais — de todos os partidos. É natural, portanto, que os recursos de empresas com interesses no Estado — como empreiteiras, por exemplo — sejam destinados a políticos e partidos que possam prestar serviços úteis.

E se você acreditou na lorota de que só o PT tem condições de retribuir pelos recursos que recebe, porque possui o cofre federal, é bom saber que a "Constran", empresa do grupo UTC, é uma das rainhas de obras no Estado de São Paulo. Participou de quatro linhas do metrô — azul, vermelha, verde e lilás — obra lendária por denuncias eternamente paralisadas.

Em 2013, o governador Geraldo Alckmin inaugurou uma penitenciária em Cerqueira Cezar, interior do Estado. Obra da Constran.

Nada disso torna Aloyizio Nunes Ferreira nem Julio Delgado culpados de qualquer coisa. Da mesma forma que a revelação de que Aloizio Mercadante, recebeu doações eleitorais da UTC em 2010, não pode ser vista como prova de mau comportamento.

Não custa lembrar que, entre 2007 e 2013, petistas e tucanos receberam a maior parte das contribuições financeiras das empresas denunciadas na Lava Jato.

Isso porque ambos atuam no mesmo jogo onde as regras são essas.

Só é complicado querer aplicar uma espécie de seletividade moral entre uns e outros.

Quando a Câmara de Deputados teve a chance de modificar a legislação de financiamento de campanha, proibindo o pagamento de empresas privadas, a bancada inteira do PSDB apoiou o projeto de Eduardo Cunha que constitucionalizava doações de pessoas jurídicas. Numa primeira votação, a maior resistência foi exibida por dois parlamentares que se abstiveram. Na segunda votação, eles foram enquadrados e votaram com a maioria. (O mineiro Julio Delgado votou contra o financiamento de empresas).

Enquanto isso, ao lado do PSOL e do PC do B, a bancada do PT liderou o esforço para tentar proibir contribuições privadas. Chegou a bater as portas do Supremo para tentar anular a segunda votação, favorável as empresas, mas que feria uma cláusula constitucional.

O episódio, ocorrido há exatamente um mês, mostra que, em vez de julgamentos morais, é mais produtivo perguntar: quem se colocou do lado certo quando surgiu uma oportunidade única para fechar a principal porta de entrada da corrupção em nosso sistema político?"

FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/186624/PML-tese-pr%C3%B3-impeachment-da-oposi%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-fica-de-p%C3%A9.htm)

NÃO ERAM SÓ 20 CENTAVOS...ERA O PRÉ-SAL




“Padrão Fifa” elegeu Congresso “padrão Blatter”. Não eram só R$ 0,20. Era o pré-sal…

Por Fernando Brito

"O mundo real, infelizmente, não é idílico. É bruto e cruel e quem tem só boas intenções, dizia a minha avó, lota o inferno.

O Brasil está na iminência de sofrer um saque que deixa Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Pedro Brusco e toda essa turma como micróbios.

Retirar a Petrobras do controle do pré-sal – parcial, nos direitos exploratórios, com ao menos 30%, e estratégico, como operadora exclusiva, controlando a torneira – não representa milhões de dólares, como aqueles ratos embolsaram, mas trilhões de dólares que nos vão tirar, ao longo de gerações.

Sexta-feira, na "Folha", o Malafaia das leis, Eduardo Cunha, abriu o jogo.

Vai “corrigir” aquele maldito “erro” que foi revogar o regime de concessão, forma encontrada por Fernando Henrique/PSDB para entregar nosso petróleo, para instituir a partilha, que garante ao país a propriedade das jazidas e a remuneração sobre o ganho na produção, e não apenas a “comissão” representada pelos royalties.

Os estrangeiros estão livres para explorar petróleo no Brasil há quase 20 anos e durante todo este tempo não operam a produção de nem 5% do petróleo e gás extraídos no Brasil.

É , só isso, porque 94,3% de tudo o que se produz são operados pela Petrobras e cerca de 1% por operadoras nacionais de pequeno porte, segundo os números oficiais de abril deste ano.

E não é distante da verdade dizer que as multinacionais chegaram a isso porque contam com a infraestrutura – portos, pessoal, suprimentos e transporte naval e aéreo de ambos para suas plataformas – criada em função da operação da petroleira do Brasil.

Estão livres para construir refinarias e não fizeram nenhuma.

E não fizeram porque não querem tirar do bolso o suficiente para serem maiores, inclusive operacionalmente.

É esses investidores, os operadores eficientes e probos a quem vamos entregar a maior jazida de petróleo descoberta no século 21?

Não há lei que proíba nenhuma empresa, de parte alguma do mundo, de explorar petróleo aqui. Tanto é que a Shell, a Total (francesa) e duas chinesas se tornaram sócias da Petrobras no megacampo de Libra, com parcela de 60% nos investimentos, custos e lucros.

Mas fazendo o que eles não querem que se faça: ter obrigações de aplicar dinheiro, especialmente na cadeia produtiva de máquinas, suprimentos e engenharia, atuando dentro dos padrões que servem ao país e deixar ao Brasil o controle de quanto petróleo se tira.

Mas Cunha, recém=sagrado bispo da seita entreguista de José Serra/PSDB pretende, que gentil, “aliviar” a Petrobras dos investimentos e das tarefas de operadora da extração deste petróleo.

O enfraquecimento político do Governo, que começou a se erodir com as tais “jornadas de junho” (de 2013), os “não vai ter Copa”, os “padrão-Fifa” deu neste Congresso que está aí, correndo para entregar nossa maior riqueza, nossa esperança de redenção econômica e social aos “velhinhos da Fifa” do mundo do petróleo, que corromperam, subornaram, assassinaram e fizeram guerras para controlar o combustível e a energia do planeta.

Claro que o governo petista tem muitas culpas neste processo, tanto por permitir que “ladrões de carreira” de dentro da Petrobras terem montado esquemas de ladroagem como, até, por alguns que tenham ido dar “umas bicadas” por lá, num sistema eleitoral de natureza corrupta, sobre o qual podia ter colocado ao menos travas, quando tinha força para isso.

O essencial, porém, é ter subestimado a reação do mundo dos bilhões e do poder internacional à modestíssima afirmação dos interesses nacionais que procurou fazer.

E, na hora em que os abutres avançam, termos um governo tão fraco que nem mesmo percebe ter forças para gritar-lhes: xô, canalhas!

Mas nossos pequenos pulmões estão cheios e vamos gritar-lhes."

FONTE: escrito por Fernando Brito no seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27851).

PARA DEPRECIAR A PETROBRAS, "GLOBO" INVENTA UM PAREDÃO DENTRO DO PRÉ-SAL




A existência de um paredão que dividiria o campo de Libra ao meio é inverídica

Do blog "Fatos e Dados", da Petrobras:

Leia nossa resposta ao Globo e ao site Petronotícias sobre o campo de Libra:

Pauta "O Globo":

"Preciso de uma informação da empresa a respeito dessa notícia que está circulando em alguns meios de comunicação: "Paredão de rocha gigantesco que divide o campo ao meio pode duplicar gastos com exploração de Libra"

É verdade, tem um paredão de rocha? Pode aumentar os custos de sua exploração?"

Resposta da Petrobras:

"Em relação à matéria intitulada “Paredão de rocha gigantesco que divide o campo de Libra ao meio”, publicada no site “Petronotícias”, a Petrobras esclarece que:

- Até o momento, os dados sísmicos interpretados não identificaram nenhuma anomalia estrutural geológica que possa causar impacto de qualquer espécie nos planos de exploração e produção na área de Libra, nem tampouco “dividir o bloco ao meio”; a existência desse paredão é, portanto, inverídica;

- O projeto encontra-se rigorosamente dentro do prazo previsto para a fase de exploração, já tendo cumprido as seguintes etapas do "Programa Exploratório Mínimo": aquisição sísmica 3D e a perfuração de dois poços exploratórios até a camada pré-sal, com resultados muito bons.

- Está mantida a previsão de iniciar o primeiro teste de longa duração de Libra no quarto trimestre de 2016, tão logo o FPSO "Pioneiro de Libra", já em construção, estiver disponível para iniciar a produção. As excelentes características da área mantêm as expectativas de rentabilidade que a Petrobras e seus parceiros têm para o campo."

Obs.: A matéria foi publicada no "Globo" (versão online) no sábado (27/06)

Obs.: Matéria publicada no site "Petronotícias" (versão online)"

FONTE: do blog "Fatos e Dados", da Petrobras   (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/a-existencia-de-um-paredao-que-dividiria-o-campo-de-libra-ao-meio-e-inveridica.htm). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].

: O FINANCIAMENTO A EXPORTAÇÕES E O INTERESSE NACIONAL



BNDES: O financiamento a exportações e o interesse nacional

Por SIBÁ MACHADO

"Não podemos pensar pequeno e nem ter complexo de vira-latas, achar que vamos ser eternamente periféricos.


Instituições brasileiras que atuam em sintonia com os interesses do País têm sido sistematicamente atacadas pela oposição e setores da mídia, numa ação articulada que não esconde interesses políticos e econômicos.


É o caso do BNDES, com papel estratégico no desenvolvimento nacional. Centram-se os ataques no banco com base nos financiamento a exportações de bens e serviços de empresas brasileiras. Não há nada demais, governos que antecederam os do PT e aliados também adotaram a prática de financiar empresas nacionais, que é seguida igualmente por outros países, como EUA, Alemanha, Japão e China.

Parte-se de premissas formuladas com base na má-fé. Chega-se ao cúmulo de dizer que o financiamento para empresas brasileiras atuarem no exterior geraria empregos lá fora e desemprego aqui ou que haveria motivação política e ideológica nas escolhas dos financiamentos. Pura balela. O Brasil não financia gastos locais e empregos de estrangeiros, apesar de "Agências Créditos à Exportação" de outros países financiarem. Os financiamentos do BNDES cobrem apenas empregos no Brasil e bens nacionais, os créditos são liberados em reais, nada é remetido ao exterior. O país importador paga o financiamento em dólares.

Os contratos são auditados pelo TCU e submetidos à fiscalização da Receita Federal; têm um grau de inadimplência marginal (menos de 0,01%).

O setor de serviços representa, hoje, cerca de 80% do PIB dos países mais desenvolvidos, aproximadamente 25% do comércio mundial, movimentando US$ 6 trilhões/ano. O Brasil não pode ficar à parte desse mercado, e o BNDES tem papel central no processo. E nossas empresas têm tecnologia e mão de obra altamente especializada para participar desse mercado cada vez mais promissor. Só o mercado mundial de serviços de engenharia movimenta cerca de US$ 400 bilhões anuais e as exportações correspondem a 30% desse mercado. Podemos aumentar nossa participação, hoje ainda pequena, oscilando entre US$ 1 bilhão e US$ 2,5 bilhões, desde o início da década de 1990.

Não podemos pensar pequeno e nem ter complexo de vira-latas, achar que vamos ser eternamente periféricos. Não podemos ficar inertes. Um exemplo: de 2008 a 2012, o apoio financeiro do Brasil às suas empresas exportadoras de serviços foi, em média, de US$ 2,2 bilhões por ano. No mesmo período, o apoio oficial da China às suas empresas exportadoras alcançou a média anual de US$ 45,2 bilhões; o dos EUA US$ 18,6 bilhões; o da Alemanha, US$ 15,6 bilhões; o da Índia, US$ 9,9 bilhões.

O Brasil ainda está muito longe do ideal, mas mesmo assim os financiamentos do BNDES têm ajudado a criar empregos no Brasil. Estima-se que, apenas em 2010, as exportações de serviços de engenharia tenham gerado cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos no País. Temos que não só manter os financiamentos do BNDES a essas obras, como ampliá-los, por causa do impacto positivo na economia brasileira.

Com 2% das exportações mundiais de serviços de engenharia, o Brasil tem 18% de participação no mercado na América Latina e Caribe, atrás apenas da Espanha (30%). Os Estados Unidos detêm 14%, e a China, 12%. Na África, as empresas brasileiras têm 4% do mercado e a China 45%. Os concorrentes oferecem melhores condições para suas empresas se posicionarem nesse mercado.

Os investimentos brasileiros em infraestrutura financiados pelo BNDES estão distribuídos em mais de dez países, como Angola, Argentina, Cuba, Venezuela- em vários deles, com projetos já iniciados ainda quando o PSDB era governo.

Por trás da má-fé em torno do tema, há interesses subalternos, para beneficiar empresas estrangeiras. É uma subserviência histórica, de parte das elites brasileiras, às metrópoles. A mesma oposição que ataca os empréstimos do BNDES a empreiteiras brasileiras que vão exportar serviços de engenharia ao exterior, tem projeto no Congresso Nacional para entregar a empresas estrangeiras as reservas do pré-sal, avaliadas em US$ 8,3 trilhões. Como se vê, o interesse nacional está a milhões de anos-luz de distância do ideário do PSDB e DEM e de certos setores da mídia."


FONTE: escrito por Sibá Machado e publicado no portal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/186276/BNDES-O-financiamento-a-exportações-e-o-interesse-nacional.htm).