sexta-feira, 18 de março de 2016

A MANIPULAÇÃO DE UM GRAMPO ILEGAL




A manipulação de um grampo ilegal


Por Paulo Moreira Leite, jornalista, escritor e diretor do "247" em Brasília

"Foi Willian Randolph Hearst, patrono dos impérios da mídia, construídos com audácia e nenhum escrúpulo, cuja historia inspirou a obra prima "Cidadão Kane" de Orson Welles, quem descobriu a importância da mentira para consolidar os próprios lucros e proteger interesses políticos.


No final do século XIX, depois que um encouraçado da Marinha dos Estados Unidos sofreu um atentado não esclarecido no porto de Havana, na então colônia espanhola de Cuba, Hearst abriu uma campanha nacional para conduzir o país à guerra contra a Espanha, que ajudou a transformar os EUA num império mundial. Num período em que a fotografia engatinhava e a TV não fora inventada, as ilustrações ocupavam um papel essencial no convencimento da população, que deveria ser mobilizada em manifestações e atos públicos destinados a pressionar o Congresso e o governo a favor da guerra. Enfrentando a resistência de um de seus ilustradores para produzir imagens fortes demais, falsos retratos de um inimigo que pretendia atacar de qualquer maneira, Hearst cunhou uma frase famosa: "Você fornece as imagens e eu vou fornecer a guerra."

No Brasil de 2016, a mídia grande foi à guerra contra o governo Dilma empregando os métodos de Hearst em sua versão século XXI para criar uma nova ofensiva contra as instituições que expressam o funcionamento de uma democracia construída com sacrifícios que não precisam ser lembrados aqui. Numa nova demonstração de absoluta falta de escrúpulos democráticos, valeu-se de um grampo ilegal, não autorizado, para sustentar uma versão absurda. Você sabe qual é: de que Dilma Rousseff nomeou Luiz Inácio Lula da Silva, o mais popular presidente brasileiro, para ocupar a Casa Civil, o ministério mais importante no Planalto, apenas para permitir que ele ficasse longe das investigações de Sérgio Moro. Não há uma palavra, uma frase, ao longo de todo o diálogo, que permita sustentar essa afirmação. Na conversa, Dilma apenas informa Lula que está lhe enviando o "termo de posse", documento jurídico que faz parte da documentação de todo ocupante de um cargo político. E só.

A lorota é jurídica e política. Baseia-se numa mistificação a respeito do STF, agora apontado como uma espécie de "templo da impunidade" que beneficia ricos e poderosos do país -- título discutível quando se trata, pelo menos, de acusados ligados ao Partido dos Trabalhadores. Em minha opinião, em 2012, no julgamento da AP 470, o Supremo fez mais do que julgar e condenar com severidade e rigor. Condenou um deputado sem prova de corrupção, como José Genoíno. Elevou -- isso foi admitido claramente no tribunal -- artificialmente as penas de José Dirceu para que ele fosse mantido em regime fechado. Fechou os olhos para provas e testemunhos que seriam de grande utilidade para a defesa dos réus, mantidos num inquérito à parte, número 2474, decisão que provocou protestos indignados do decano Celso de Mello. Ao mesmo tempo, enviou os acusados do PSDB para a primeira instância, na qual, até hoje, ninguém foi condenado de forma definitiva.

Comecemos pelo grampo que exibe uma conversa Lula x Dilma, que acumula várias ilegalidades e, desde o primeiro momento, deveria ser tratado como crime. O grampo não poderia ter sido realizado para registrar uma conversa ocorrida as 13h20 de ontem. Isso porque, duas horas antes, o juiz Sérgio Moro havia determinado que as interceptações telefônicas de Lula deveriam ser suspensas, já que ele [Lula] iria assumir a Casa Civil, passando a ser investigado sob controle do ministro Teori Zavaski, do STF. Há até uma documentação da PF demonstrado que a orientação chegou aos canais competentes, não havendo razão para que não fosse cumprida. Mesmo assim, a gravação prosseguiu para um prazo não autorizado, como uma típica escuta clandestina que ninguém tem o direito de fazer, muito menos uma autoridade policial. Isso não era uma suspeita. Era um flagrante.

Em segundo lugar, o próprio Sérgio Moro decidiu quebrar o sigilo do material, o que é discutível, do ponto de vista da postura isenta que se espera do Judiciário, e lamentável, quando se recorda a circunstância em que o grampo Lula x Dilma fora obtido.

Antes de mais nada, caberia investigar exatamente o que aconteceu, já que uma ordem para interromper o grampo não foi cumprida. Comprovada a irregularidade, a prioridade é saber como e por que se produziu um grampo ilegal -- o que torna a divulgação posterior especialmente imprópria, escandalosa.

Para complicar, o áudio contém indícios que mostram que é possível que tenha sido registrada uma conversa que a Polícia Federal não está autorizado a gravar. O som ambiente sugere que a ligação pode ter partido de um telefone de Dilma para um telefone de Lula. O óbvio: nenhum policial está autorizado a grampear o número da presidente, nem com autorização de um juiz de primeira instância. É preciso autorização expressa do Superior Tribunal Federal. Para várias pessoas que tiveram acesso ao áudio, o ruído de discagem e vozes posteriores mostram que ela era o alvo daquele grampo.

Seguindo a escola de Hearst, a noite foi pródiga em jornalistas fazendo caretas, biquinhos, olhares arregalados. A orientação óbvia da TV Goebbels era dramatizar, numa reprodução fiel do comportamento dos ilustradores do século XIX, fornecedores de imagens para quem iria fornecer a guerra. O psicodrama, destinado a alimentar um irresponsável sensacionalismo eletrônico, autoritário e policialesco, prolongou-se pela noite, gerando uma profecia que se autorrealiza pelas ruas de São Paulo. Era preciso fazer o grampo dizer aquilo que ele não dizia.

O esforço para sufocar o governo Dilma encontra-se perto de seu ponto máximo, que se obtém no momento em que o adversário perde a capacidade de se mover. Ontem, retirou-se do governo o direito à palavra.

O capítulo final está longe de ter sido escrito, porém. É o que demonstra a honrada demonstração de resistência de intelectuais na PUC paulista, quarta-feira à noite. É o que confirmam os preparativos para os protestos desta sexta-feira 18, que avançam em volume e articulação. Só em São Paulo, a previsão é de que 500 ônibus serão fretados.

Os jovens e velhos do futuro irão estudar, examinar e discutir as jornadas que vivemos hoje. O país vive um desses momentos em que há vergonha no presente, mas pode haver glória no horizonte.

O patrono Randolph Hearst, cujas mentiras lhe permitiram construir um império de 30 jornais e um bom pacote de revistas, nunca escondeu o desprezo que sentia pela população que consumia suas mentiras. Sua máxima era simples e clara: "ninguém perdeu dinheiro investindo na baixa inteligência dos leitores."


FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite, jornalista, escritor e diretor do "247" em Brasília   (http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/221499/A-manipula%C3%A7%C3%A3o-de-um-grampo-ilegal.htm)

OBSERVAÇÃO: a página seguinte contém postagens também realizadas hoje (18/03)

SERGIO MORO, UMA TOGA A SERVIÇO DO GANGSTERISMO E DO FASCISMO




Sérgio Moro: uma toga a serviço do gangsterismo e do fascismo

Por JEFERSON MIOLA, integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

"Iludem-se aqueles que dizem que a luta de classes acabou. Ela segue bem vigente, e adquire formas e métodos fascistas no Brasil. O sistema político brasileiro está de pernas pro ar. Quem dá as cartas não é o governo ou a oposição; não é o sistema político, mas sim o condomínio jurídico-midiático-policial.

Prova disso é que os políticos que tiraram proveito das manifestações golpistas de 13 de março foram justamente os principais cães fascistas: o Senador Ronaldo Caiado e o Deputado Jair Bolsonaro, dois outsiders do sistema; enquanto Alckmin, Aécio, Serra et caterva foram vaiados.

Aliás, Jair Bolsonaro é aquele Deputado que foi informado com antecedência pela força-tarefa da Lava Jato sobre o sequestro do Lula dia 4 de março, e esperava em Curitiba, com um foguetório preparado, o jatinho da Polícia Federal trazendo Lula preso.

O condomínio jurídico-midiático-policial, integrado por setores do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da mídia hegemônica – com a Rede Globo à frente – é a inteligência estratégica do golpe engendrado contra as conquistas democrático-populares. E é financiado pelo grande capital e serviços estrangeiros de governo, que usam ONGs e movimentos suspeitos como fachada.

Quarta-feira, 16 de março, o metódico e calculista Sérgio Moro não se aguentou; sua frieza siberiana foi abalada com a nomeação de Lula para a Casa Civil do governo Dilma. E por que isso? Simplesmente porque Moro sabe que, à parte o proselitismo cínico de que Lula quer ter foro privilegiado, na verdade a presença de Lula na condução do governo representa uma possibilidade real de estancar o golpe.

O condomínio jurídico-midiático-policial entrou em pânico com o fato novo que pode alterar o curso dos acontecimentos em favor da legalidade, da democracia e das conquistas democrático-populares: Lula governando o Brasil com Dilma.

Esse movimento no tabuleiro de xadrez obrigou Sérgio Moro a despir o disfarce de Juiz para vestir a camiseta preta do fascista em estado bruto.

Numa cartada de alto risco, que pode inclusive comprometer sua própria carreira no Judiciário, Sérgio Moro vestiu a carapuça do gângster, de um bandido, e deixou exposto o crime que cometeu: ele interceptou ilegalmente o telefone da Presidente Dilma.

Ele gravou e bisbilhotou a comunicação da Presidente da República. Esse é um caso inédito na história do Brasil, e talvez seja um caso inédito no mundo inteiro: um juiz que exorbita da sua função constitucional e atua como um justiceiro, movido por ódio político e ideológico.

A Rede Globo, conglomerado implicado com as páginas mais sombrias da ditadura no Brasil, incensou esse crime cometido pelo personagem obscuro que veste toga. Para destruir Lula e Dilma, a Globo se associa a um criminoso. Aliás, como sempre fez em toda sua trajetória. Brizola tinha razão: para saber o que é o melhor para o Brasil, basta observar a posição da Rede Globo e adotar o caminho oposto.

A atitude criminosa do Moro deve ser levada à consideração do STF, do Conselho Nacional de Justiça e à Corte Interamericana de Direitos Humanos. É uma barbaridade, um atentado à ordem democrática que não pode ficar impune.

É ilusão pensar que a atitude criminosa do Moro é o teto da ação terrorista e fascista que será empreendida para destruir Lula, Dilma, o PT e o conjunto da esquerda.

Essa atitude criminosa do Moro é o piso; não é o teto; é a base a partir da qual eles organizam o combate encarniçado para enterrar as conquistas democrático-populares inauguradas em 2003 com o Presidente Lula. Eles vão desfechar muitas outras ações terroristas desse quilate para pior.

Eles têm ódio do Lula porque têm ódio do povo. Para eles, é insuportável ver o povo simples, negro e humilde viajando nos mesmos aviões que eles e frequentando as mesmas universidades que seus filhinhos mimados frequentam.

Contra os fascistas e sua vilania, só a luta tenaz. A história do Brasil é pródiga em demonstrar que aqueles que resistiram e enfrentaram o fascismo venceram; e que aqueles que, ou foram ingênuos, ou desistiram, foram esmagados. Getúlio não ouviu a recomendação de Tancredo Neves, o avô do fascista Aécio e, ao invés de mirar o revólver em direção à oligarquia conspiradora, atirou no próprio coração. Jango, que não valorou com precisão a virulência golpista e não aceitou o apelo de resistência do Brizola, foi morrer no desterro. Brizola, ao contrário, intuindo a índole golpista, intolerante, racista e fascista da classe dominante, levantou barreiras pela Legalidade; e venceu.

Este é um momento em que ou se resiste ou se é destruído. É a democracia que está em jogo. Nenhuma concessão ao fascismo, esteja ele onde estiver: no Parlamento, no Judiciário, na Polícia Federal, no Ministério Público ou nas ruas!" 


FONTE: escrito por JEFERSON MIOLA, integrante do "Instituto de Debates, Estudos e Alternativas" de Porto Alegre (IDEA), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial   (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jefersonmiola/221542/S%C3%A9rgio-Moro-uma-toga-a-servi%C3%A7o-do-gangsterismo-e-do-fascismo.htm).

GLOBO E MORO MANDAM OS LIMITES LEGAIS ÀS FAVAS




Globo e Moro mandam os limites às favas

Por Renato Rovai, em seu blog:

"As 'Organizações Globo' e o juiz Sérgio Moro assumiram a guerra contra Lula e Dilma como uma questão de honra. E lançaram todos os limites institucionais e legais na lata do lixo.

Com a posse de Lula, eles perceberam que as coisas poderiam mudar.

A bolsa subiu, o dólar caiu e não foram poucos os sinais de partidos políticos de que se poderia retomar a conversa da governabilidade em outro tom.

Mas aí o juiz Sérgio Moro divulga, de forma ilegal segundo juristas, grampos do telefone do ex-presidente Lula, incluindo o de uma conversa realizada quarta-feira com a presidenta Dilma.

E a "Globo" transforma essas conversas, onde o ex-presidente fala merda, porra e puta que o pariu e ri de frases bobas do prefeito do Rio de Janeiro, na maior crise política de todos os tempos.

Mas não é só isso.

A emissora, desde o final da tarde, passou a agitar duas manifestações, uma na Avenida Paulista e outra na frente do Palácio do Planalto.

O esquenta desses atos foi realizado pela "GloboNews" para que as cenas pudessem ser divulgadas e ampliadas no "Jornal Nacional".
Durante toda a programação do JN, Bonner chamava os repórteres que estavam nesses locais. E mesmo com toda a força que fizeram, os atos começaram e terminaram o programa do mesmo tamanho. Como não deu certo, eles continuavam a convocação no intervalo da novela das 21h

Não foi pouca coisa o que a "Globo" e o juiz Sérgio Moro fizeram quarta-feira.

Eles arriscaram literalmente tudo.

Para se ter uma ideia da gravidade da decisão de Moro, quando o ministro Teori Zavascki, do STF, recebeu as gravações que incriminavam Delcídio, antes de tomar qualquer decisão ele chamou os seus pares do Supremo para conversar. E só depois de obter a concordância deles, autorizou a prisão do senador.

E ainda só depois disso, divulgou o material para a imprensa.

Moro tinha um áudio de uma conversa com a presidenta da República que aconteceu quarta-feira à tarde. E divulgou tudo na própria tarde. Para um único veículo de comunicação, a "Globo".

Sem ouvir ninguém.

Essa ousadia de Moro é algo sem comparação na história.

Se isso passar incólume, será difícil seguir em frente.

O que aconteceu quarta-feira de grave não foram as merdas e porras que o Lula falou nos grampos vazados. Mas as brechas que essa irresponsabilidade de Moro abrem para uma ditadura midiático-judicial.

Se nada for feito, qualquer juiz com holofotes e proteção da mídia pode fazer o que bem entender. Como alguns, diga-se, já têm feito.

E isso não é democracia.

Isso é uma forma de fascismo."


FONTE: escrito pelo jornalista Renato Rovai, em seu blog . Postado no "Blog do Miro"   (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/03/globo-e-moro-mandam-os-limites-as-favas.html#more).

MORO INSTAURA A BARBÁRIE PENAL NO PAÍS




Moro instaura a barbárie penal no país

Por Miguel do Rosário

"Mais um crime de Moro: quebrou sigilo profissional de conversas entre Lula e seu advogado.

É a barbárie, a ditadura.

PRERROGATIVA DO DEFENSOR

Moro quebra sigilo profissional de advogado de Lula e divulga grampos

Por Marcos de Vasconcellos e Leonardo Léllis, no Conjur.

"O juiz federal Sergio Moro divulgou conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recém-empossado ministro da Casa Civil, com a presidente Dilma Rousseff e tornou público os diálogos de Lula com seu advogado Roberto Teixeira. Nesta quinta-feira (16/3), Moro suspendeu o sigilo do inquérito que investiga Lula, dando acesso a grampos feitos em aparelhos do ex-presidente e de seu defensor.

Moro diz não identificar relação profissional entre Lula e seu advogado.

Teixeira é conhecido como advogado de Lula desde os anos 1980. No entanto, Moro diz, em sua decisão: "Não identifiquei com clareza relação cliente/advogado a ser preservada entre o ex-presidente e referida pessoa [Roberto Teixeira]". Como exemplo, o juiz aponta que Teixeira não está listado como advogado em um dos processos de Lula na Justiça Federal do Paraná. Ele ignora o fato de constar na mesma ação o nome do advogado Cristiano Zanin Martins, sócio de Teixeira no escritório.

O responsável pela operação "lava jato" na 13ª Vara Federal de Curitiba diz que "há indícios do envolvimento direto" de Teixeira na aquisição do sítio em Atibaia (SP), que é alvo de investigações, "com aparente utilização de pessoas interpostas". O juiz federal se justifica: "Se o próprio advogado se envolve em práticas ilícitas, o que é objeto da investigação, não há imunidade à investigação ou à interceptação".

Prerrogativa profissional

A inviolabilidade da comunicação entre advogado e cliente está prevista no artigo 7º do Estatuto da Advocacia. Segundo a norma, é um direito do advogado "a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia".

Cristiano Martins, sócio de Teixeira e também advogado de Lula, afirma que a interceptação e divulgação de conversas entre cliente e advogado "é de uma gravidade sem precedentes". Ele lembra que Moro já tem um histórico de monitorar advogados e já havia sido advertido pelo Supremo Tribunal Federal.

O advogado refere-se ao fato de Moro ter sido alvo de procedimentos administrativos no Conselho Nacional de Justiça por ter determinado a gravação de vídeos de conversas de presos com advogados e por ter seguido defensores de acusados.

"Monitorar advogado significa jogar por terra a garantia ao contraditório e à ampla defesa e, também, coloca em xeque as prerrogativas profissionais e a atuação do advogado no caso. É um assunto que eu acredito que a OAB não pode se furtar a tomar todas as providências cabíveis", diz Martins.

Tumulto e clamor social

Já a divulgação de conversa de Lula com a presidente Dilma Rousseff, diz o advogado, mostra um desvio de finalidade da coleta da prova, principalmente por ter sido feita no dia em que Lula foi nomeado ministro. "Não há qualquer situação concreta que pudesse justificar esse monitoramento da parte e muito menos a publicidade que se buscou dar, com o claro intento de causar um tumulto e o clamor social absolutamente incompatível com a própria função jurisdicional".

Clique aqui para ler a decisão que levanta o sigilo do inquérito.
Clique aqui para ler a decisão que determina a quebra do sigilo telefônico do advogado Roberto Teixeira."

FONTE: escrito por Marcos de Vasconcellos e Leonardo Léllis, no Conjur . Transcrito por Miguel do Rosário e publicado no portal "Brasil 247"    (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/migueldorosario/221548/Moro-instaura-a-barb%C3%A1rie-penal-no-pa%C3%ADs.htm).

“OPERAÇÃO LAVA CÉREBRO”




O PAÍS DA “OPERAÇÃO LAVA CÉREBRO”

Por Osvaldo Bertolino, em seu blog:

"Não se deve esperar nada de bom de um país no qual quadrilhas ganham o status de esteios da governabilidade. Entre os muitos “brasis” que compõem o nosso imenso Brasil, existe um minúsculo e poderoso país governado por grupos midiáticos que não passam em nenhum teste básico de integridade moral. Se fossem submetidos a investigações nos moldes da “Operação Lava Jato”, aplicando os mesmos métodos sem as malandragens farsescas do juiz Sérgio Moro, em uma semana teríamos exposições monumentais em praça pública de ladrões cercados de cartazes especificando os crimes de cada um.

O que existe de real e visível a léguas de distância para quem não se deixou cegar pela “Operação Lava Cérebro” desse país minúsculo recheado de mandos e desmandos, sobreposto ao Brasil de verdade, é o estardalhaço natural de quem inventa fatos – principalmente porque lhe faltam glórias próprias – para cravar seus tentáculos no tecido social de onde ele tira o tutano que lhe mantém adiposo e arrogante. Para a sua lógica política, o Brasil de verdade não pode ter processos sociais funcionando democraticamente porque isso quebraria a engrenagem do seu modus operandi.

País da maracutaia

Essa gente passou a vida, de geração em geração, trocando favores, construindo atalhos, traficando influência. Se todos os cidadãos tivessem assegurados os mesmos direitos, por meio de sistemas sólidos e funcionais, toda essa rede de relações obscuras, essa indústria da maracutaia, perderia o sentido. Se o sistema de transporte público fosse eficiente, o significado de ter um carro de luxo mudaria no país. Se os serviços de saúde púbica fossem azeitados, o fato de haver hospitais cinco estrelas seria irrelevante. Ladrões do Erário, sanguessugas dos trabalhadores e algozes da horizontalidade social, eles simplesmente abominam qualquer iniciativa política que questiona seu status quo.

Quando o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva galgou a rampa do Palácio do Planalto como presidente da República eleito em 2002, esse país da maracutaia coçou a cabeça e começou a maquinar formas de fazê-lo sair de lá, de preferência debaixo de chicote. E se possível levá-lo ao pelotão de fuzilamento ou à forca, para fazer o Brasil de verdade lembrar que no passado gente ousada como Frei Caneca e Tiradentes receberam o tratamento que se aplica aos brasileiros do andar de baixo que sonham com a liberdade e a independência. O sentido da afirmação é figurado, mas os métodos são os mesmos — tentam fuzilar a moral de Lula e enforcar sua dignidade.

Rede de esgoto

Tudo isso porque em seu governo ele deu forma definida a um anseio difuso que vinha ganhando corpo no país. Transformou-o num projeto político e nele engajou boa parte da sociedade. Óbvio que foram medidas que não passaram nem perto da superação das sequelas do patrimonialismo dessa elite, mas o Brasil atingiu um patamar de maturidade social que, se não for interrompido, fará emergir uma sociedade mais dinâmica e democrática, que não aceita o fardo da opressão e da exploração impedindo o seu progresso. Ao ampliar o escopo da democracia, Lula garantiu a eleição e a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, um passo ousado e inaceitável para o país da maracutaia.

Vivemos numa realidade tão complexa que a construção de uma simples rede de esgoto em alguma periferia ou de uma estrada asfaltada que rasga os sertões rompe ao mesmo tempo o véu das relações sociais obsoletas que temos no Brasil. E olha que são medidas meia-sola, que nem de longe ameaçam o status quo. O problema é que o governo Lula se propôs a ir além e com essas pequenas ações sociais granjeou apoio popular para temas como política externa independente, desenvolvimento econômico, planejamento, papel do Estado e integração progressista da América Latina — assuntos que ganharam espaços no panorama político e no debate ideológico.



Procuradores de escândalos


Não há dúvida de que essa é a causa da faca da mídia no pescoço de Lula, com essa campanha absolutamente cretina e hipócrita de combate à corrupção, para tentar conduzi-lo imobilizado ao matadouro. A operação casada com a “República do Paraná” do juiz Sérgio Moro – outro grupo de alta periculosidade – criou um ambiente de julgamento paralelo ao Estado Democrático de Direito, à moda de justiceiros bem ao gosto da tradição do país da maracutaia, a maior farsa política da história brasileira. Não sem motivo os narradores dessa operação costumam dizer que ela é histórica – com ênfase no “tó” – e que a transformação de denunciados em réus – com ênfase no “ré” – mostra que as “instituições” funcionam.

A verdade é que um mínimo de seriedade ao analisar o cenário criado pela mídia revela que a justiça ao arrepio da lei é ágil em casos farsescos e cágada – a sílaba tônica fica a seu critério – para explicar suas ações. Convenhamos, não se faz justiça com pé no peito e faca no pescoço. Um país democrático e civilizado – não o da maracutaia – deveria proclamar: deixem os poderes da República trabalhar e noticiemos o que eles fazem! E assim os procuradores de escândalos, os promotores de injustiças e os julgadores de farsas não teriam vez. E aí sim teríamos toda razão do mundo para clamar por justiça para todos – independente da cor ideológica de cada um. Mas rigorosamente não é disso que se trata atualmente no Brasil."


FONTE: escrito por Osvaldo Bertolino, em seu blog . Transcrito no site "Patria Latina"  (http://www.patrialatina.com.br/o-pais-da-operacao-lava-cerebro/).

MORO, GLOBO E CUNHA CONVULSIONAM O PAÍS




Moro, Globo e Cunha convulsionam o país

Da Rede Brasil Atual:

"O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) publicou na noite de quarta-feira (16), em sua página no Facebook, um texto em que acusa três “atores” de estarem trabalhando para “convulsionar” o país: o juiz Sérgio Moro, a TV Globo e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).  Segundo o parlamentar, Moro praticou gravíssimo ataque à Constituição e à ordem jurídica na tarde ao investigar a presidenta da República. “Ao mesmo tempo, ao divulgar [ilegalmente] um áudio sem qualquer conteúdo ilegal, agravou o clima de conflito no país.

A Operação Lava Jato interceptou uma ligação telefônica entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O áudio foi divulgado após despacho de Moro, que decidiu retirar o sigilo do processo [e dos grampos ilegais sobre a Presidente Dilma e Lula já nomeado Ministro].

Paulo Teixeira diz que, junto com Moro, há dois outros atores operando para derrubar o governo legitimamente eleito. “O presidente da Câmara Eduardo Cunha, réu em ação criminal, (que) encaminha a votação da instalação da comissão de impeachment de maneira que frauda a decisão do Supremo Tribunal Federal. E a Rede Globo que amplifica o ambiente de conflito e aposta no acirramento”, escreveu.

Teixeira conclama o povo brasileiro a “se mobilizar na defesa das instituições democráticas e se colocar em vigília, sem aceitar provocação e não entrar em conflito físico”.

Ele faz também um apelo à mais alta Corte do país: 'O Supremo Tribunal Federal deve conter os abusos do juiz Moro e paralisar o golpe parlamentar que está em andamento liderado pelo Eduardo Cunha'."

FONTE:
da Rede Brasil Atual . Transcrito no site "Patria Latina"  (http://www.patrialatina.com.br/moro-globo-e-cunha-convulsionam-o-pais/). [Trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

"NÃO HÁ JUSTIÇA QUANDO AS LEIS SÃO DESRESPEITADAS"




“NÃO HÁ JUSTIÇA QUANDO AS LEIS SÃO DESRESPEITADAS”

"Durante a posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil, no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff disse que "não há justiça quando as leis são desrespeitadas, a Constituição aviltada. Não há Justiça para os cidadãos quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas". "Se se fere a prerrogativa da presidência da República, o que se fará com os cidadãos?", questionou. Sobre o grampo divulgado quarta-feira pelo juiz Sérgio Moro, declarou: "Nós queremos saber quem o autorizou, por que o autorizou e por que foi divulgado sem que se tivesse nada que pudesse levantar qualquer suspeita sobre seu caráter republicano". Dilma denunciou ainda a "interpretação desvirtuada" do diálogo entre ela e Lula e ressaltou que "investigações baseadas em grampos ilegais não favorecem a democracia nesse país". "Convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, de métodos escusos, viola princípios e garantias constitucionais, os direitos dos cidadãos e abre precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim", ressaltou.

Do "Brasil 247"


Durante discurso na posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil, no Palácio do Planalto, na manhã de quinta-feira 17, a presidente Dilma Rousseff condenou o grampo divulgado ontem pelo juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, e sua "interpretação desvirtuada".

A gravação, feita pela PF mesmo após o juiz ter determinado a suspensão dos grampos, se tratava de uma conversa entre Dilma e Lula e foi divulgada pelo juiz para a "Globonews"[!!!...].

Dilma disse que "não há justiça quando as leis são desrespeitadas, a Constituição aviltada. Não há Justiça para os cidadãos quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas". "Se se fere a prerrogativa da presidência da República, o que se fará com os cidadãos?", questionou a presidente.

Sobre o grampo em si, declarou: "Nós queremos saber quem o autorizou, por que o autorizou e por que foi divulgado sem que se tivesse nada que pudesse levantar qualquer suspeita sobre seu caráter republicano". Dilma denunciou ainda a "interpretação desvirtuada" do diálogo com o ex-presidente e ressaltou que "investigações baseadas em grampos ilegais não favorecem a democracia nesse país".

"Convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, de métodos escusos, viola princípios e garantias constitucionais, os direitos dos cidadãos e abre precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim", declarou Dilma Rousseff. 

A cerimônia de posse foi marcada por manifestações contrárias e a favor à posse de Lula como ministro. "Vergonha", gritou um manifestante antes de Dilma começar a discursar. "Não vai ter golpe", gritavam outros.

Antes de falar sobre a gravação, Dilma disse que "as dificuldades muitas vezes costumam criar grandes oportunidades" e mencionou como uma delas a chance de trazer ao seu governo "o maior líder político desse país". "Seja bem-vindo, ministro Luiz Inácio, ministro Lula", disse a presidente, que declarou contar com a experiência do ex-presidente e sua identificação com o povo brasileiro.

"Sua presença aqui mostra que você tem a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros líderes", continuou Dilma, destacando que, com Lula ao seu lado, ela terá "mais força" para "superar as armadilhas que jogam em nosso caminho" para "paralisar o governo" ou "tentar me tirar o mandato de forma golpista".

Abaixo, reportagem da "Agência Brasil":

Dilma: "Lula é o maior líder político do país"

Por Ana Cristina Campos

A presidenta Dilma Rousseff disse quinta-feira (17) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse como ministro-chefe da Casa Civil, é o maior líder político do país. "As dificuldades, muitas vezes, costumam criar oportunidades. As circunstâncias atuais me dão a magnífica chance de trazer para o governo o maior líder político desse país".

Ela acrescentou que Lula, além de ser grande líder político, é um grande amigo e companheiro de lutas. "Seja bem-vindo, querido companheiro ministro Lula. Eu conto com a experiência do ex-presidente Lula, conto com a identidade que ele tem com esse país e com o povo desse país. Conto com sua incomparável capacidade de olhar nos olhos do nosso povo, de entender esse povo. A sua presença aqui, companheiro Lula, mostra que você tem a grandeza dos estadistas. Prova que não há obstáculos à nossa disposição de trabalharmos juntos pelo Brasil."

Os presentes à posse no Salão Nobre do Palácio do Planalto, em sua maioria representantes de movimentos sociais e sindicais, interrompem o discurso da presidenta com palavras de ordem e gritos de "Ole, ole, ole, olá, Lulá, Lulá", "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo", "A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura".

Dilma também deu posse a Jaques Wagner como ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República e a Eugênio José Guilherme de Aragão, como novo ministro da Justiça. Lula substitui Wagner na Casa Civil. Aragão assume o cargo em substituição a Wellington César Lima e Silva, que pediu exoneração na última terça-feira (15). Aragão é subprocurador-geral da República desde 2004."

FONTE: do portal "Brasil 247"   (http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/221541/%E2%80%9CN%C3%A3o-h%C3%A1-justi%C3%A7a-quando-as-leis-s%C3%A3o-desrespeitadas%E2%80%9D.htm).