quinta-feira, 10 de março de 2016

OS GERDAU E A MALDIÇÃO VERMELHA (Mauro Santayana)



              Foto: Miguel Ângelo/CNI


Os Gerdau e a maldição vermelha 

Todo grande empresário brasileiro que ousar conviver civilizadamente com governos nacionalistas vai pagar pela 'traição' cometida


Por Mauro Santayana, na Carta Maior

"A exemplo de Marcelo Odebrecht, agora guindado em certos espaços da imprensa brasileira, de bilionário símbolo da livre-iniciativa continental - com avultados negócios nos EUA - a um dos financiadores de uma pseudoconspiração comunista internacional formada para tomar, seguindo ordens do Foro de São Paulo, o poder em várias nações da África e da América Latina, Jorge Gerdau está pagando o preço de ter se aproximado do governo, como Presidente da "Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do Conselho de Governo da Presidência da República".

Seu filho, André Gerdau, diretor-presidente do Grupo Gerdau, foi alvo de um mandato de condução coercitiva há poucos dias.

Apesar de o Grupo ter apenas recebido autos de infração e ter recorrido ao CARF, na forma da lei, sem sucesso ainda, segundo seus advogados, a empresa foi “visitada” por agentes federais, foram cumpridos 40 mandatos (18 de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva) relativos a ela, e teve que adiar – para evitar a “contaminação” pelo fato – para o dia 15 de março a publicação de seu balanço, com as informações financeiras padronizadas, as demonstrações anuais completas, além da realização de uma teleconferência para apresentação dos resultados relativos ao exercício de 2015.

O recado subliminar por trás disso é claro.

Todo grande empresário brasileiro que ousar conviver civilizadamente com governos nacionalistas ou “populistas” em nosso continente – vide o que está ocorrendo, ainda mais uma vez, com a Odebrecht, por causa de suas obras ao sul da fronteira do México com os Estados Unidos, não interessando que tenha erguido metade de Miami, construindo obras como o estádio, o metrô suspenso e parte do aeroporto e do porto daquela cidade - vai pagar, de alguma forma, pela “traição” cometida.

E aprenderá, doravante, não apenas a pensar duas vezes antes de se aproximar de governos rotulados como de esquerda, mas também a fugir – como o diabo da cruz - de qualquer contato com essa “gentalha”.

A questão não é saber se a Gerdau, um dos principais grupos siderúrgicos das Américas, também com negócios nos Estados Unidos, sonegou ou não impostos, ou repassou propina a conselheiros do CARF – se o fez, que pague por isso - mas por que André Bier Gerdau Johannpeter, foi o primeiro – pelo menos até agora – grande empresário a ter sido intimado coercitivamente a depor, expondo-se ao pelourinho da execração pública (vide os comentários derivados do fato na internet) quando se considera que, entre 2004 e 2015, passaram pelas mãos dos conselheiros do CARF decisões do julgamento de dívidas contestadas no valor de mais de 524 bilhões de reais, com a concessão de “perdão” por esses conselheiros, a outras empresas, em montantes maiores do que está sendo “investigado” nesse caso específico.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: por que no lugar de ficar prejudicando mais uma empresa-símbolo da indústria nacional, arrebentando, em nefasto efeito cascata, com a vida de milhares de acionistas e com milhares de trabalhadores e suas famílias, o Ministério Público não começa pelos maiores sonegadores eventualmente envolvidos, usando como um dos principais critérios, o quantitativo?

Alega-se para justificar a “operação”, que teriam sido sonegados – não há provas disso - 1.5 bilhão em impostos pela Gerdau.

No caso do Santander – um banco estrangeiro que já foi acusado de uma série de irregularidades em seu país de origem - a quantia “perdoada” por conselheiros do CARF, em apenas uma oportunidade, foi de quase 4 bilhões de reais, mas ninguém foi conduzido, coercitivamente, a depor, por causa disso.

Será que é por que a intenção - a exemplo do que ocorre no âmbito da Operação Lava-Jato e com o atraso no julgamento do escândalo do metrô e dos trens em São Paulo – parece ser acabar com o capital nacional, destroçando, institucionalmente, as principais empresas brasileiras, enquanto se trata as multinacionais estrangeiras com luvas de pelica?

Além de seu “perdão” ter sido bem maior do que o supostamente atribuído à Gerdau, o Santander têm, pelo menos, duas “vantagens” a mais para atrair - seguindo a nova orientação estratégica do judiciário brasileiro – a atenção da mídia: há várias e boas fotos – sorridentes - do falecido fundador do grupo, o Sr. Emílio Botín, com a Presidente Dilma.

E, assim como o uniforme da “Fúria”, a estrela do PT, os bólidos da Ferrari, os maços de Marlboro e as “capas” e “muletas” que dançam nas mãos dos toureiros e enfurecem certos quadrúpedes, obcecados por elas, chifrudos e bovinos, a marca do banco espanhol – ao contrário do que ocorre com aquela do grupo Gerdau – ainda por cima é vermelha, imaginem! "

FONTE: escrito pelo jornalista Mauro Santayana, na Carta Maior. Transcrito no blog "O Cafezinho" ( http://www.ocafezinho.com/2016/03/07/os-gerdau-e-a-maldicao-vermelha/).

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