segunda-feira, 19 de março de 2012

Pochmann: ATUAÇÃO DO ESTADO É ESTRATÉGICA PARA INDÚSTRIA BRASILEIRA

Marcio Pochmann

“Se o debate sobre desenvolvimento está na ordem do dia no país, boa parte dessa responsabilidade se deve ao professor Marcio Pochmann. Formado em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com mestrado e doutorado também em economia pela Universidade Estadual de Campinas, desde 2007 ele ocupa a presidência do ‘Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada’ (IPEA), órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal.

Por Fernando Damasceno

Ao longo dos últimos anos, mais especificamente a partir do segundo mandato do ex-presidente Lula, o IPEA, com Pochmann à frente, tem se destacado por servir de suporte técnico e institucional às ações governamentais “para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros”, conforme definição do próprio órgão.

Nesta entrevista à “Visão Classista”, Pochmann reforça a necessidade da presença do Estado para o fortalecimento da indústria brasileira, analisa a crise internacional e seus contraexemplos para o Brasil, cobra do sindicalismo nacional atualização em relação às características do mundo do trabalho no século 21 e diz, de forma taxativa, que somente a partir de projeto nacional ousado, baseado no crescimento e na transformação da estrutura produtiva, o Brasil terá condições de deixar para trás o subdesenvolvimento.

Visão Classista: O Brasil tem assistido a um crescimento considerável de empregos nos setores de serviços e comércio, ao passo em que o setor industrial não tem acompanhado essa tendência. Quais deverão ser as consequências desse modelo em médio prazo?


Marcio Pochmann: Em primeiro lugar, isso não é novidade no capitalismo. O avanço do setor terciário é, praticamente, trajetória de expansão daquilo que muitos chamam de sociedade pós-industrial. Ocorre que o perfil desse setor terciário depende muito da estrutura produtiva industrial-agrária. Você pode ter expansão de serviços quando a economia é débil do ponto de vista de indústria e agricultura fracas, mas isso tende a permitir expansão dos serviços vinculados à distribuição, serviços vinculados a famílias e trabalhos domésticos e a serviços cuja remuneração não está relacionada a nível maior de escolarização ou conhecimento.

Exemplos de serviços do setor terciário

Agora, um país com estrutura produtiva forte, indústria e agricultura fortes, vai demandar mais serviços, mas são serviços de produção, serviços que, de certa maneira, estão relacionados a essa atividade produtiva e, portanto, pagam em geral salários melhores e conectam a remuneração ao conhecimento. No Brasil de hoje, 70% dos empregos gerados são vinculados ao setor de serviços. Mas o futuro dos serviços depende da estrutura produtiva industrial e da agropecuária.

Visão Classista: Quando se pensa no papel que a indústria já desempenha e pode vir a desempenhar na sociedade brasileira, que lições da atual crise internacional devem servir como exemplos que precisam ser evitados?


MP: Certamente, o que está acontecendo nos países ricos não serve de receita. O receituário atual está levando à decadência dos países, é uma aposta no conservadorismo, que faz com que a desigualdade aumente e esvazie os mecanismos de autoexpansão. O Brasil não está vivendo esse quadro de escolha entre decadência e declínio. Em nosso horizonte, cabe perfeitamente a continuidade do ciclo de expansão que estamos vivendo agora, um ciclo que aposta em maior soberania do mercado interno, acompanhado de trajetória de maior redistribuição da renda e expansão do emprego. Isso é possível, claro, mas depende de equação de natureza política, que depende da capacidade daqueles que governam e constituem a base do próprio governo, no sentido de terem clara a necessidade de o país continuar nesse ciclo.

Entendo que a decisão tomada no final do ano passado, de encerrar o ciclo de elevação dos juros, algo que estava comprometendo o ritmo de expansão da economia, foi uma decisão não-somente da presidenta Dilma, mas também da sociedade, que não quer mais o chamado “voo de galinha”. O Brasil passou por isso nos anos 80 e 90, com voos de crescimento e queda – e a trajetória foi muito ruim. Portanto, essa maioria política que conduz o país é muito importante do ponto de vista de assegurar as condições materiais para que o Brasil não se perca em questões menores, tentando resolver pontos que muitas vezes inviabilizam essa trajetória de crescimento e distribuição de renda em longo prazo.

Visão Classista: A inovação da indústria brasileira passa obrigatoriamente por mudanças nos setores de ciência e tecnologia. Como fazer para que esse processo não dependa tanto do Estado, mas também tenha a participação de outros setores?


MP: Não me encontro entre aqueles que entendem que as forças do mercado, por si só, serão aquelas que levarão a um maior investimento em inovação tecnológica. A presença do Estado é estratégica. Na realidade, as empresas que talvez invistam em inovação serão as grandes empresas – e grandes empresas nacionais são poucas, dentro do universo de cerca de 500 corporações que, praticamente, dominam qualquer setor de atividade.

Portanto, a exemplo, inclusive, do que aconteceu na Ásia, desde o Japão, a Coreia e agora mais claramente na China, o papel do Estado para financiar o crédito ou para a definição da taxa de câmbio é parte importante desse processo, mas não é exclusivamente determinante. Precisamos reconhecer que, aqui no Brasil, temos um capitalismo hoje internacionalizado, com a presença de grandes empresas estrangeiras que não tomam suas decisões em função das orientações da política econômica.

Nesse circuito, precisamos olhar o tema da inovação dentro de perspectiva mais ampla, a partir de seu entendimento, num quadro de reposicionamento do Brasil no mundo. Nós ficamos marcando passo no mesmo lugar nos anos 80 e 90, e de certa maneira em determinados setores ficamos de forma muito arcaica – e é difícil recuperá-los. Mas, em outros, isso ainda pode acontecer. Se analisarmos a postura do regime militar em relação à informática, por exemplo, muitos consideram sua política equivocada, mas outros acham que nem tanto, pois aquilo permitiu que constituíssemos uma base de recursos humanos invejável nesse segmento. Mas, ao deixar a livre-iniciativa do mercado, o Brasil se distanciou muito mais das oportunidades existentes, especialmente nessa quadra do capitalismo operada cada vez mais por grandes corporações, que muitas vezes são maiores do que os próprios países.

Visão Classista: Em diferentes espaços e oportunidades, o senhor tem procurado trazer para o debate o conceito de trabalho imaterial. Como o senhor enxerga o futuro desse tipo de relação trabalhista? O sindicalismo brasileiro está preparado para entrar nesse debate?


MP: Estamos em uma circunstância em que a direção do sindicalismo, de maneira geral, está sustentada na “velha classe trabalhadora”, na agricultura, na indústria, na construção civil, que são setores que têm essa perspectiva do trabalho material, que produz algo concreto, palpável, tangível. No entanto, o que se expande no Brasil, como já dissemos, é o setor de serviços, com postos de trabalho vinculados à tecnologia de informação – e isso implica na construção de nova classe trabalhadora.

Essa transformação da estrutura social brasileira vem se dando desacompanhada das instituições da democracia – e não apenas os sindicatos têm dificuldade de compreender e envolver esse segmento, mas também os partidos políticos, associações de bairros e outras organizações clássicas da democracia, que estão tendo dificuldade para atrair esses segmentos. Há um processo de envelhecimento no sindicalismo.

Não estamos conseguindo ampliar os índices de sindicalização – especialmente nos setores que mais crescem – e isso evidentemente é questão que precisa ser considerada cada vez mais, especialmente em país como o Brasil, que não tem tradição democrática. É preciso que se faça investimento para compreender essa nova dinâmica social, entender quem é esse trabalhador, qual seu perfil e encontrar uma forma de como chegar até ele. Guardada a devida proporção, é algo parecido com o que ocorreu na transição do século 19 para o 20, quando saímos de um sindicalismo de ofício para um sindicalismo geral, da grande empresa. O velho sindicalismo, como era conhecido, se organizava apenas para os trabalhadores que constituíam a elite da classe operária.

O próprio Lênin dizia, ao analisar o sindicalismo do século 19, que era uma organização muito aguerrida e forte, mas representava apenas os interesses dos que tinham ofícios. A mudança do capitalismo, de concorrencial para monopolista, com o surgimento das grandes corporações, viabilizou o surgimento de nova classe trabalhadora, que cresceu à margem da estrutura sindical passada. Houve mudança no sindicalismo que entendeu não ser possível a presença e a representação se fosse mantida a velha prática sindical. Isso de certa maneira foi muito importante para o avanço da democratização e para o estabelecimento de um padrão civilizatório que foi, basicamente, aquele oriundo do chamado “Estado de bem-estar social”.

Visão Classista: Em recente artigo, o senhor diz que “o Brasil segue com parcela substancial de sua mão de obra ainda prisioneira de atividades meramente de subsistência”. Que tipos de política de inclusão são necessários para alterar esse cenário? Qual o papel de um órgão como o IPEA nesse sentido?


MP: O IPEA não faz política, é apenas uma instituição de pesquisa. E pesquisa não muda a realidade, apenas permite conhecê-la um pouco mais. O primeiro passo para mudar a realidade é conhecê-la. Nossa missão é produzir esse conhecimento, difundi-lo e disseminá-lo. O papel do IPEA também tem sido o de fornecer informações para a sociedade civil. O quadro que nós temos – de ainda ver enorme contingente de brasileiros submetido a um tipo de trabalho cuja produtividade é tão baixa que lhe permite apenas a sobrevivência – é resultado de situação mais ampla, vinculada ao próprio subdesenvolvimento.

O Brasil ainda é um país subdesenvolvido, infelizmente. E esse subdesenvolvimento não expressa apenas a desigualdade de renda, mas também a forma como a classe trabalhadora é inserida no mercado de trabalho. Somente o enfrentamento do subdesenvolvimento, com uma política baseada em um projeto nacional de crescimento e de transformação de sua estrutura produtiva, poderá nos criar condições favoráveis para fazer com que parcela significativa dos brasileiros deixe de ser prisioneira de situação tão primária.

Visão Classista: Por esse aspecto, como o senhor tem visto os debates sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil? Tem havido algum avanço por parte do empresariado ou de outros setores da sociedade, além do movimento sindical?


MP: Temos uma interpretação de que há um excesso de jornada de trabalho, que não é percebido porque há um quadro geral de alienação, pois só se identifica o trabalho que é exercido de fato num local específico. Mas o advento das novas tecnologias permite que as pessoas trabalhem fora de casa.

E até por isso reconheço um avanço na lei estabelecida recentemente, por iniciativa da Presidência da República, no sentido de identificar o uso de telefonia celular fora do trabalho, por intermédio de telefone corporativo. Isso é apenas um exemplo de como precisamos aprimorar a legislação do mercado de trabalho, especialmente para essas modernidades, que propiciam não-somente uma intensificação do trabalho, mas também uma extensão. Se está havendo mais trabalho, está havendo mais riqueza – que não está sendo distribuída de forma adequada.

A luta sindical não se encerra apenas em si própria, pois isso implica, evidentemente, em mudança cultural da sociedade para perceber que a redução da jornada é um elemento-chave não apenas para viabilizar o melhor uso do tempo, mas também como mecanismo para capacitação e qualificação, quando se imagina que o futuro depende cada vez mais do conhecimento.”

FONTE: reportagem de Fernando Damasceno, jornalista da “Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil”. Publicada na “Revista Visão Classista”, da CTB, e transcrita no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=178112&id_secao=1 [imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

ATAQUE DE ISRAEL AO IRÃ: O TRÁGICO ESPRAIAMENTO DO CONFLITO PELO ORIENTE MÉDIO E O MUNDO


O artigo é de Luiz Alberto Moniz Bandeira, cientista político e historiador.
Luiz Alberto Moniz Bandeira
IRÃ

Irã cada vez mais ameaçado e cercado pelos EUA e Israel

Devido à sua relevância geopolítica e geoestratégica, interligando o subcontinente indiano ao Mar Mediterrâneo, seria virtualmente inevitável o “spillover” da guerra contra o Irã, deflagrada por Israel com ou sem a participação dos Estados Unidos, devido às suas implicações religiosas e sectárias.
Embora o número de xiitas, entre os muçulmanos, represente de 10% a 11%, contra mais ou menos 90% de sunitas, eles constituem a maioria da população do Irã, Azerbaijão, Iraque, Bahrain, minorias qualitativamente importantes em praticamente todos os países do Oriente Médio e adjacências. Estão concentrados em áreas estrategicamente importantes para o Irã [1].

ARÁBIA SAUDITA

Na Arábia Saudita, em uma população de 19,4 milhões, os xiitas, cerca de 1,5 milhão a 2 milhões de habitantes, representam cerca 10%, mas estão concentrados em al-Qatif e al-Awamiyah, na Província Oriental, a mais rica em petróleo, onde representam 1/3 dos moradores e vivem institucionalmente discriminados, nas piores condições econômicas, proibidos de construir suas mesquitas etc [2].

As tensões são antigas [na Arábia Saudita]. Desde 2011, a população xiita começou a protestar com mais intensidade e a insurgir-se, mas as manifestações pacíficas foram reprimidas brutalmente pelas tropas do rei Abdullah. Tanto nas manifestações de 24 de novembro de 2011, quanto em 24 de janeiro de 2012, diversos civis que protestavam pacificamente, foram mortos, e milhares presos [3]. E a mídia internacional nenhuma relevância deu a esses fatos.

Entretanto, os xiitas, concentrados em al-Qatif e al-Awamiyah, na Província Oriental, configuram um punhal apontado para o coração petrolífero do país, de onde os Estados Unidos importam cerca de 12% dos 19 milhões de barris que consumiam, a cada 24 horas, em 2011 [4]. Nos primeiros meses de 2012, diversas manifestações de protestos contra a monarquia wahhabista e os Estados Unidos ocorreram ao longo dos portos da Arábia Saudista, envolvendo Qatif (al-Qatif), Rabiyia (al-Rabeeya) e Awamiyah (al-Awamia), porto este por onde fluem mais de 2 milhões de barris de petróleo todos os dias [5].

No caso de guerra contra o Irã, os xiitas certamente voltariam a rebelar-se e atacar os campos petrolíferos lá existentes, assim como as instalações dos Estados Unidos e das companhias norte-americanas, como aconteceu em 25 de junho de 1956, quando um atentado terrorista explodiu as “Khobar Towers”, perto da companhia “Saudi Aramco”, na cidade de Dhahran, matando 19 soldados e civis americanos. A estabilidade e a integridade geográfica da Arábia Saudita estariam ameaçadas, inclusive pela secessão da Província Oriental, região de fundamental importância, não apenas econômica, mas também geopolítica e estratégica, pois está situada à margem do Golfo Pérsico e sua capital, Dammam, ligada a Bahrain pela ponte de Manama.

Ponte de Manama
BAHRAIN

Os xiitas compõem cerca de 70% da população de Bahrain, estimada (2011) em 1.214.705 habitantes (cerca de 517.368 são trabalhadores estrangeiros) e poderiam, provavelmente, aproveitar as circunstâncias para também se rebelar contra o regime do emir sunita, autoproclamado rei em 2002, Hamad bin Isa al Khalifa, como o fizeram em 2011 e foram sangrentamente reprimidos pelas tropas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que atravessaram a ponte de Manama sob a égide do “Gulf Cooperation Council” (GCC), a fim de sufocar as manifestações e proteger as “instalações estratégicas” lá existentes. A população xiita vive econômica e politicamente marginalizada. E suas manifestações, exigindo reformas democráticas, sob a liderança do clérigo Sheik Isa Qassim, não cessaram, reproduziram-se em março de 2012, assustando a elite sunita e a monarquia Wahhabi da Arábia Saudita.

Bahrain é um pequeno país insular, de 692 km², um arquipélago de trinta e cinco ilhas e ilhotas, no Golfo Pérsico. Mas, embora sua produção atual de petróleo seja diminuta, da ordem aproximada de 239.900 bbl/d (2009 est.), tem fundamental importância geopolítica e estratégica para a Arábia Saudita e, principalmente, para os Estados Unidos. A 5ª Frota está estacionada na base naval de Manama, com 40 navios e 30.000 efetivos, e o aeroporto de Muharaq e a base aérea Sheik Isa são usados pela Força Aérea americana para as operações no Golgo Pérsico, no Mar Vermelho, no Mar Árabe e no Estreito de Hormuz. A presença militar dos Estados Unidos legitima a autocracia sunita da família al Khalifa. E, se a maioria xiita assumir ou assumisse o poder em Bahrain, certamente contaria com o respaldo da população da Província Oriental, que também se insurgiria na Arábia Saudita e, certamente, teria o suporte do Iraque e do Irã.

5ª Frota dos EUA, baseada no Bahrain

LÍBANO, JORDÂNIA, IRAQUE, SÍRIA, LÍBIA, IÊMEN, QATAR

Mundo islâmico
A guerra sectária espraiar-se-ia, também, ao Líbano, à Jordânia, recrudesceria no Iraque e na Síria, bem como na Líbia e no Iêmen, e poderia atingiria Qatar, onde os Estados Unidos construíram instalações do “US Central Command” (USCENTCOM) e “US Army Forces Central Command” (ARCENT), em Sayliyah, aquartelando duas brigadas e mais de 11.000 soldados. Na Base Aérea de Al Udeid, localizada a oeste de Doha, estão instalados o “United States Central Command” (USCC) e “United State Air Force Central Command” (USAFCC), bem como hospedada a “379th Air Expeditionary Wing” da USAF e “No. 83 Expeditionary Air Group” da RAF. De um modo ou de outro, a guerra sectária afetaria e envolveria as tropas dos Estados Unidos, dado que há décadas apoiam Israel e os regimes ditatoriais da região, inclusive a monarquia Wahhabi, absolutista e corrupta, da Arábia Saudita, e o resultado seria o incremento do antiamericanismo e o maior fortalecimento de al-Qa’ida.

O DESASTRE ECONÔMICO

Cerca de 64% das reservas mundiais de petróleo (o Irã é o quarto maior exportador) estão situadas no Oriente Médio, que supre 70% das necessidades mundiais de petróleo. A rota do Golfo Pérsico, atravessando o Estreito de Hormuz, até o Golfo de Oman é vital para a economia mundial, uma vez que por alí passam 40% do transporte marítimo global de petróleo e a guerra, inevitavelmente, interromperia o fluxo de 15 milhões b/d do cru para a Europa e os Estados Unidos, bem para como a China, Japão e Coréia do Sul, entre outros países. O Estreito de Hormuz seria diretamente afetado e, em consequência, o transporte de óleo, ainda que o Irã não o bloqueasse militarmente.

Desde o início de 2012, o preço do petróleo tipo Brent aumentou em cerca de 10% e chegou a US$ 125,98 em março, devido à instabilidade no Oriente Médio. O Irã exporta 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, e a OPEP não tem possibilidade de compensar esse volume, no caso de ataque de Israel ao Irã. E a guerra entre os dois países, além de massacrar, possivelmente, milhares de árabes e israelenses, bem como norte-americanos, elevaria o preço do gás e do petróleo a nível inimaginável, catapultado para uma cifra superior a US$ 250, ou mesmo chegar US$ 500 o barril, interrompendo o comércio e causando cataclismo na economia mundial, já abalada e deprimida, desde 2007-2008, pela crise do sistema financeiro, a partir do colapso do “Lehman Brothers” e outras corporações, e não superada nem nos Estados Unidos nem na Europa até 2012. Os voláteis mercados financeiros entrariam em completo pânico com outro golpe, muito mais profundo, que atrasaria ainda mais a recuperação do crescimento econômico dos Estados Unidos e, sobretudo, da União Européia.

O ex-presidente George W. Bush, em 2003, solicitou US$ 87 bilhões para a reconstrução do Iraque e do Afeganistão. Entretanto, desde então, os Estados Unidos estão a gastar cerca de US$ 2 trilhões por ano nas duas guerras, e menos de 5% do total foi usado para a reconstrução [6]. Só em 2011, a campanha na Líbia custou, para os contribuintes norte-americanos, cerca de US$ 2 milhões por dia [7]. E, ao fim do ano, os Estados Unidos haviam gastado em torno de US$ 1 bilhão, fornecendo à OTAN mísseis, aviões de monitoramento, drones e toda sorte de munição para derrubar o regime de Muammar Kaddafi e levar o país ao caos [8].

Ataques aéreos dos EUA/OTAN em Tripoli, Líbia, para derrubar o governo de Muammar Kaddafi

Uma conflagração, abrangendo todo o Oriente Médio, envolveria necessariamente os Estados Unidos, cuja dívida pública, em 11 de março de 2012, havia alcançado um montante de mais de US$ 15,5 trilhões, maior que o PIB, estimado em US$ 15,04 trilhões (2011) [9], e continuava a crescer cerca de US$ 4,01 bilhão por dia [10]. E seus gastos na região, que já somam trilhões de dólares, cresceriam de maneira insuportavelmente esmagadora.

Em 2002, o presidente George W. Bush (2001-2005 e 2005-2009) acusou o Irã de constituir, com o Iraque e a Coréia do Norte, o “eixo do mal”. E ordenou que o “U.S. Strategic Command”, apoiado pela Força Aérea, elaborasse planos para bombardear o Irã. Porém, dentro do Pentágono, generais e almirantes advertiram que o bombardeio do Irã provavelmente não destruiria todas as suas instalações nucleares e poderia produzir sérias consequências econômicas, políticas e militares para os Estados Unidos [11]. A comunidade de inteligência não havia encontrado evidência específica de atividades clandestinas ou de instalações ocultas e que os planos de guerra não eram seguros de acertá-las. E o presidente George W. Bush recuou, mas atacou o Iraque.

IRAQUE

O general Collin Powell, então secretário de Estado, até compareceu à reunião do Conselho de Segurança da ONU, em 6 de fevereiro e em 7 de março de 2003, para “provar” que Saddam Hussein possuía “armas químicas e nucleares” e era necessário, urgentemente, atacá-lo e derrubar seu regime. O presidente George W. Bush e o general Collin Powel mentiram. O Iraque não possuía nenhuma arma nuclear nem química.

Um oficial de alta patente do Pentágono comentou, com o notável jornalista americano Seymour M. Hersh, que a experiência no Iraque fora profundamente falha (deeply flawed) e havia afetado a avaliação do Irã. E acrescentou que “we built this big monster with Iraq, and there was nothing there. This is son of Iraq” [12]. Os Estados Unidos perderam a credibilidade e, nove anos depois de atacar e invadir o Iraque, onde perderam cerca de 4.486 soldados, tiveram 33.184 seriamente feridos e mataram entre 106.000 e 115.00 iraquianos [13], o presidente Barack Obama teve de retirar suas tropas, até 31 de dezembro de 2011, deixando quase todo o país arruinado, 470.000 pessoas vivendo em 382 acampamentos, em áreas inseguras, às quais faltam empregos e serviços básicos, conforme os dados da “United Nations High Commissioner for Refugees” (UNHCR) [14]. E ainda cerca de um milhão de iraquianos estão deslocados, por diversas regiões, e milhares vivem em condições miseráveis, incapazes de voltar às suas áreas de origem por causa da insegurança da situação ou da destruição de seus lares e falta de serviços básicos [15].

AFEGANISTÃO

A situação no Afeganistão, de onde os Estados Unidos e seus aliados da OTAN estavam a planejar a retirada as tropas até o fim de 2014, não é muito diferente. Em março de 2012, o país continuava inseguro, em meio à situação econômica e politicamente instável, com um governo corrupto e incompetente, em meio a graves problemas sociais - 1/3 da população desnutrida, menos de 1/4 com água limpa, desemprego- e 2,7 milhões de afegãos refugiados na região e cerca de 3 milhões no resto do mundo [16]. As forças dos Estados Unidos/OTAN haviam destruído casas, culturas e infraestruturas e prosseguia o deslocamento de pessoas, cerca de 350.000, dentro do Afeganistão.

Tropas dos EUA matam qualquer um que julguem ser potencial suposto terrorista resistente à invasão 

Em 16 de outubro de 2011, o ministro da Agricultura, Mohammad Asif Rahimi, revelou que mais de 30% da população afegã vivia abaixo da linha de pobreza e que era necessário investir na agricultura cerca de US$ 1 bilhão por ano para evitar a crise de fome [17]. Dez anos de ocupação pelas tropas dos Estados Undos/OTAN fizeram do Afeganistão um dos países mais pobres, instáveis e inseguros do mundo [18].

Conforme o relatório “Costs of War”, preparado por acadêmicos, participantes do “Eisenhower Research Project do Watson Institute for International Studies”, da “Brown University”, as guerras no Afeganistão, Iraque e Paquistão, em dez anos, mataram 225.000 pessoas, incluindo homens e mulheres militares, mercenários das empresas privadas militares e civis. Só no Afeganistão, foram mortos 137.000 civis, e mais 35.600 civis mortos no Paquistão. Até agosto de 2011, haviam morrido 5.998 soldados americanos, 43.184 foram declarados oficialmente feridos, no Afeganistão e no Iraque, e 54.592 requereram sair do teatro das “Operations Enduring Freedom”, “Iraqi Freedom”, “New Dawn”, por motivos médicos. E os custos financeiros situavam-se entre US$ 3,2 e US$ 4 trilhões, incluindo assistência médica e auxílio aos que estão ou estarão mutilados.

Há muitos outros custos que não puderam ser quantificados, mas as guerras contra o terror, empreendidas pelos Estados Unidos, foram quase totalmente financiadas por empréstimos, juros de US$ 185 bilhões já pagos ou a pagar, e outro US$ 1 trilhão pode aumentar através de 2020 [19]. Isso significa que, de 3% a 4% do custo anual das duas guerras, no valor total de US$ 1.27 trilhão, foi financiado com cartão de crédito, segundo Joseph Lazzaro [20].

Com duas guerras perdidas, no Iraque e no Afeganistão, do qual ainda busca uma retirada mais ou menos honrosa para as suas tropas, o presidente Barack Obama parece consciente do problema, tanto econômico quanto militar. E não quer fazer uma aventura, especialmente em ano eleitoral, embora não se possa desconsiderar o grau de “instabilidade e imaturidade” da opinião pública nos Estados Unidos, i.e., do “seu potencial de histeria” conforme observou, há alguns anos, o inesquecível cientista político americano Brady Tyson [21]. A comunidade de inteligência dos Estados Unidos não está convencida de que o Irã pretenda realmente construir armas nucleares e a “National Intelligence Estimate” (NIE) de 2011 confirmou as conclusões de 2007 e 2010, segundo as quais o programa foi paralisado desde 2003 [22]. Contudo, não descartou a possibilidade de que seja capaz de produzir bastante urânio enriquecido (HEU), que tanto serve para uso civil (geração de energia nuclear), quanto para uso militar (produção de armas atômicas).

O general James R. Clapper Jr., diretor da “National Intelligence” dos Estados Unidos, declarou que os especialistas americanos creem que o Irã está preservando a opção de produzir armamento nuclear, contudo não havia nenhuma evidência de que tomara essa decisão ou estivesse disposto a levar adiante esse propósito. O general David H. Petraeus, diretor da CIA, bem como o secretário de Defesa, Leon E. Panetta, e o general Martin E. Dempsey, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, fizeram a mesma avaliação em suas entrevistas na televisão [23]. E o Ayatollah Ali Khamenei, líder dos (principistas), que venceram as eleições para o Parlamento (Majlis Shora Eslami) de março de 2012, e Supremo Guardião de suas leis religiosas (Velayat-e Faqih), reiterou que o Irã não estava em busca de armas “nucleares”, e que estocá-las é algo “inútil e perigoso” [24].

AS CONTRADIÇÕES EM ISRAEL

Mais da metade da população de Israel é contrária a atacar o Irã, segundo pesquisa divulgada pelo diário israelense Ha'aretz, e acha que, se fosse necessário, não deveria fazê-lo sozinho [25]. Mas o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, está estreitamente aliado ao partido Ysrael Beitenu, sob a liderança de Avigdor Liebermen, ministro dos Assuntos Estrangeiros, de ultradireita, que passou a influenciar grande parte da população de Israel. De 1989, com a desintegração do Bloco Socialista, até 2011, cerca de 1 milhão de russos de origem judaica haviam emigrado para Israel, passando a constituir 1/6 da população judaica (cerca de 6 milhões), a maioria dos quais de direita, ainda com a mentalidade da guerra fria.

Por outro lado, os ultraordotoxos sionistas, fundamentalistas, predominam entre os 350.000 a 400.000 colonos que expandem seus assentamentos na bíblica Judéia e Samaria, i.e., na Banda Ocidental ou Cisjordânia, territórios palestinos ocupados por Israel na guerra de 1967. Eles almejam retomar toda a Palestina ou Canaã, a “Terra Prometida”, a “Terra de Israel” (Eretz Yisrael), e influenciam cada vez mais a IDF [Forças Armadas de Israel]. Contudo, conquanto ainda existam 256 Kibbutzim (16 religiosos), com cerca de 106.000 habitantes e localizados em áreas periféricas, como Arava, o sonho de Israel como sociedade igualitária já se desvaneceu.

O ADVA - 2009-10 “Annual Social Report” demonstrou que quase 40% dos israelenses “find it difficult or very difficult to live on their current income.” [26]. O diário Ha’aretz calculou que os 500 israelenses mais ricos possuem montante de US$ 75 bilhões, num país cujo PIB é de apenas US$ 205 bilhões, enquanto as 20 famílias mais ricas controlam quase a metade do mercado de ações [27]. E a fortuna conjunta desses mais ricos é 25% maior do que o orçamento de Israel em 2011 [28]. São eles o principal suporte do governo da coalizão dos partidos Likud-Ysrael Beitenu, de extrema direita. E as massivas demonstrações de protesto, que culminaram, em setembro de 2011 com a marcha de 430.000 pessoas (a maior na história de Israel) em Tel Aviv, evidenciaram que as principais contradições no país não são apenas étnicas ou religiosas, mas também sociais.

Mais de 60 anos após sua constituição, Israel apresenta enorme nível de desigualdade, com economia inteiramente dependente dos Estados Unidos, dos quais recebem, desde 1985, US$ 3 bilhões por ano [29], a maior parte como ajuda militar, embora não cubra todas as despesas do orçamento militar, avaliado no mínimo em US$ 13 bilhões ou, aproximadamente, 7-8% do PIB, um dos mais altos [gastos militares] do mundo [30]. O custo dos Estados Unidos com a instabilidade no Oriente Médio, cujo epicentro é o conflito Israel-Palestina, alcançou total de quase US$ 3 trilhões, em dólares de 2002, maior do que o custo com a guerra no Vietnã [31].

soldado invasor israelense expulsa palestino (suposto futuro terrorista) de suas terras, abrindo espaço para implantação de colônia de judeus

Tudo indica que a retórica de Benjamin Netanyahu, ávido por atacar o Irã, seja para pressionar o presidente Barack Obama a conceder armamentos ainda mais sofisticados e avançados a Israel, ao competir com os extremistas do Partido Republicano. O presidente George W. Bush, durante sua administração, recusou-se a vender-lhe bombas de penetração profunda (bunker-penetrating bombs) e aviões de reabastecimento, em consequência das estimativas de que Israel pudesse usá-los para atacar as instalações nucleares do Irã [32].

Entretanto, o “Prêmio Nobel da Paz” [!], presidente Barack Obama, atendeu às solicitações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e autorizou o secretário de Defesa, Leon Panetta, a negociar com o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, a venda de aviões de reabastecimento e de bombas de penetração profunda (GBU-28 bunker-piercing) [33]. O “Ma’ariv Israeli News Service” informou que o fornecimento de tais armas a Israel visou a um acordo com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no sentido de que ele retardasse o ataque ao Irã até 2013 [34]. Contudo, fontes políticas de Israel informam que a maioria do gabinete é a favor de um ataque militar ao Irã, mesmo sem a aprovação dos Estados Unidos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no Knesset (Parlamento), fez um discurso bem explícito e resoluto, declarando que não hesitaria em tomar qualquer iniciativa, mesmo sem o acordo do presidente Barack Obama, e citou como precedente o primeiro-ministro Menahem Begin (1977–1983), que mandou bombardear o reator do Iraque, contra a orientação de Washington e a opinião de Yitzhak Hofi, do Mossad, e Yehoshua Saguy, chefe da inteligência da IDF [35]. E, preparando a opinião pública para a guerra, acusou o Irã como a “força dominante”, por trás dos ataques de Gaza, declarando que os “grupos de terror” estão sob o seu guarda-chuva e que os israelenses poderiam imaginar o que aconteceria se estivessem armados com bombas nucleares.

Conforme percebeu Aluf Benn, editor-chefe do diário israelense “Ha’aretz”, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, desde que retornou da visita a Washington, no início de março de 2012, empenhou-se, com um “warmonger”, em preparar a opinião pública para a guerra contra o Irã, tentando convencê-la de que a ameaça a Israel é tangível e existencial e deve ser suprimida para evitar um "second Holocaust" [36]. Não é crível que o Irã viesse a atacar Israel com ogivas atômicas, se as produzisse. Um ataque dessa natureza massacraria também a população palestina, dentro e fora de Israel, e grande parte da população do Líbano. O “second Holocaust” a que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demagogicamente se referiu não seria somente de judeus, mas igualmente de árabes, cristãos, muçulmanos (inclusive xiitas), na Palestina e adjacências, bem como de parte da população do Irã, uma vez que Israel retaliaria da mesma forma.

Entretanto, embora para conter as pressões do lobby judaico nos Estados Unidos e dos candidatos extremistas do Partido Republicano [suportados ($$$$) por esse lobby], continuasse a afirmar que “todas as opções estão sobre a mesa, inclusive o “componente militar”, para impedir que o Irã adquira armas nucleares”, o presidente Barack Obama deseja evitar um confronto armado e insiste na solução do impasse por meios diplomáticos, em meio ao endurecimento de sanções e operações encobertas de sabotagem e assassinatos [37], a guerra nas sombras.

Não há alternativa, porquanto, em caso de ataque aéreo ao Irã, o cenário será o do Apocalipse, quando o quarto Anjo tocou a trombeta e foram soltos os quatros Anjos, que estavam acorrentados à beira do Eufrates e se conservavam para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens; eram 200 milhões de soldados e os cavalos, que montavam, encouraçados com uma chama sulfurosa azul, tinham crina como juba de leão, de suas narinas saíam fogo, enxofre e fumaça e uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos, que lhes saíam das narinas.[38].

NOTAS

[1] Bradley, John R. After the Arab Spring – How Islamists Hijacked the Middle East Revolts. Nova York: Palgrave –Mcmillan, 2012, pp. 95-97.
[2] Scott Malcomson. “Bahrain: The Widening Gulf”. The New York Times, March 16, 2011
[3] Jafria News. http://jafrianews.com/2012/01/25/saudi-forces-fire-on-peaceful-shia-protesters-in-qatif/
[4] Alexander Cockburn. “Trouble in the Kingdom”. CounterPunch Diary - Weekend Edition October 7-9, 2011 . http://www.counterpunch.org/2011/10/07/trouble-in-the-kingdom/
[5] http://www.lonelyplanet.com/maps/middle-east/saudi-arabia/
[6] Frum, Darvid & Perle, Richard. An End to Evil. How To Win The War On Terror. Nova York: Ballantine Books, 2004, pp. 122-123. Richard foi assistente do secretário de Defesa, Donald Rumsfend, durante o governo do presidente George W. Bush.
[7] “Allies meet in Abu Dhabi to discuss post Gaddafi future” Dayly Mail, 9 June 2011 -  http://www.dailymail.co.uk/news/article-2001778/Libya-war-costs-US-taxpayers-2m-day-Gaddafi.html
[8] John Barry. “America’s Secret Libya War”. The Daily Best. Aug 30, 2011.
[9] CIA – World Factbook -  https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/us.html
[10] U.S. National Debt Clock - The Outstanding Public Debt as of 11 Mar 2012 at 05:59:13 PM GMT -  http://www.brillig.com/debt_clock/
[11] Seymour M. Hersh. “The military’s problem with the President’s Iran policy”, The New Yorker. July 10, 2006.
[12] Ibid.
[13] Iraq Body Count.  http://www.iraqbodycount.org/
[14] 2012 UNHCR country operations profile – Iraq -  http://www.unhcr.org/pages/49e486426.html
[15] Ibid.
[16] 2012 UNHCR country operations profile – Afghanistan -  http://www.unhcr.org/cgi-bin/texis/vtx/page?page=49e486eb6
[17] GHANIZADA. “Above 30% of Afghan population facing poverty: Officials” KHAAMA PRESS
Afghan Online Newspaper. - Sun Oct 16, 10:57 pm http://www.khaama.com/above-30-afghan-population-facing-poverty-officials-786
[18] “Afghanistan’s Most Vulnerable
The Poverty of War”. Afghanistan 101, Friday, February 24, 2012.  http://afghanistan101.blogspot.com/2012/02/afghanistans-most-vulnerable-poverty-of.html
[19] ‘Costs of War’ Project - Estimated cost of post-9/11 wars: 225,000 lives, up to $4 trillion. Brown University - June 29, 2011  http://news.brown.edu/pressreleases/2011/06/warcosts
[20] Joseph Lazzaro. “Afghanistan War: The Cost of War”. International Businesses Times, Nov. 3 2011. http://www.ibtimes.com/articles/243110/20111103/cost-war-afghanistan-iraq.htm
[21] Brady Tyson. "O sistema Interamericano depois de São Domingos" in Poltica Externa Independente, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, Ano I, nº 3, Janeiro 1966, pp. 83-108
[22] Josh Rogin. “Exclusive: New National Intelligence Estimate on Iran complete. Foreign Policy, Tuesday, February 15, 2011”.
[23] James Risen & Mark Mazzetti. “U.S. Agencies See No Move by Iran to Build a Bomb”. The New York Times. February 24, 2012.
[24] M K Bhadrakumar, “Obama gets Iran right, finally”. Asia Times, Mar 6, 2012.
[25] Ha’aretz poll: Most of the public opposes an Israeli strike on Iran“Support for Netanyahu's Likud party is at all-time high, but Israelis still skeptical regarding attack on Iran's nuclear facilities without U.S. backing.” Ha’aretz, 08.03.12
[26] Clement Daly. “Workers deserve one-state solution” The Eastern Echo October 5, 2011
[27] Nathan Lipson & Rony Gabay – “And the rich grew richer” Ha’aretz, 07.06.11.
[28] Ibid.
[29] Jeremy M. Sharp (Specialist in Middle Eastern Affairs). U.S. Foreig Aid to Israel. Congressional Research Center, September 16, 2010.
[30] Ibid.
[31] Thomas R. Stauffer, Ph.D. The Costs to American Taxpayers of the Israeli-Palestinian Conflict: $3 Trillion. The Council for National Interest. Sunday, 31 July 2011 15:14
http://www.councilforthenationalinterest.org/addingupthecosts/3trillion
[32] Barak Ravid – “Netanyahu asked Panetta to approve sale of bunker-busting bombs, U.S. official says”. Ha’aretz, March 07, 2012.
[33] Ibid.
[34] Michael Kelley. “US Offers Israel Advanced Weapons In Exchange For Not Attacking Iran”. Business Insider – Military & Defense. March 08, 2012. AFP – “US 'offered Israel new arms to delay Iran attack'.” 08.03.2012 http://news.yahoo.com/us-offered-israel-arms-delay-iran-attack-005157280.html
[35] Ben Caspit. “Assessment: Security Cabinet Majority Is Pro Attack”. Ma’ariv, , 15 March 2012. Dan Margalit. “ The Prime Minister’S Verbal Poker Is Beginning To Be Successful”. Israel Hayom, 15 March 2012.
[36] Aluf Benn. “Netanyahu is preparing Israeli public opinion for a war on Iran” . Ha’aretz, 15.03.12
[37] Cerca de cinco cientistas nucleares iraniano foram assassinados desde 2007, ou pela CIA ou pelo Massad, que financia os terroristas sunitas da Majahidin-e Khalq Organization (MOC ou MeK), adversários do regime xiita no Irã.
[38] Offenbarung des Johannes (Apokalipse), 9 Kapitel . Das Neuen Testament, pp. 330-331, in Die Heilige Schrift des Alten und Neuen Testament. –Aschaffenburg: Paul Pattloch Verlag, 1965.

FONTE: escrito por Luiz Alberto Moniz Bandeira, cientista político e historiador, professor titular de história da política exterior do Brasil (aposentado) da Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras, entre as quais “Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque)”. Artigo publicado no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19778) [Título, subtítulos, imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

domingo, 18 de março de 2012

Marcos Coimbra: “HORIZONTE CONTINUA SOMBRIO COM SERRA”


FATOS POLÍTICOS, FATOS ELEITORAIS

Por Marcos Coimbra, na revista “CartaCapital”

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

“Depois de um janeiro em que, previsivelmente, nada aconteceu, o ano político de 2012 teve até agora dois fatos relevantes: em fevereiro, a entrada de José Serra na corrida sucessória em São Paulo; e nos últimos dias, a “crise” na base do governo. Para as oposições, o lançamento da candidatura de Serra trouxe resultados positivos. Pelo amplo noticiário que gerou, levou-as de volta ao primeiro plano da política nacional, após meses de relativo sumiço.

No segundo semestre de 2011, mal haviam conseguido aparecer em meio às seguidas mudanças ministeriais provocadas, quase todas por investigações iniciadas por agências do governo e posteriormente divulgadas – às vezes com mais, às vezes com menos estardalhaço – pela mídia. O máximo que suas lideranças conseguiram foi comentá-las em tom compungido.

A confirmação de Serra como candidato em São Paulo fez com que a maioria das grandes corporações da mídia se rejubilasse. Jornais, revistas e emissoras de televisão antipetistas viram nela a possibilidade de derrotar Fernando Haddad, o candidato de Lula, que marchava, a seus olhos, para a vitória.

Dentro dos partidos de oposição, especialmente no PSDB, a notícia foi recebida com um misto de alegria e preocupação. Seus quadros e simpatizantes mais à direita ficaram felizes com a perspectiva de ver o velho Serra outra vez no páreo. Mas as correntes menos conservadoras – ainda que contentes com a hipótese de manter sob controle a prefeitura da maior cidade do País – tinham consciência de que, vencendo, Serra seria um fator de instabilidade para seus planos.

Só os mais ingênuos pensariam o contrário. E o próprio Serra encarregou-se de fazer circular que continuava com a obsessão de sempre e que via a prefeitura apenas como baldeação no caminho de seu Shangri-lá, a Presidência da República. Ou seja, os tucanos resolviam seu problema imediato – não ter candidatos competitivos na capital paulista – e criavam um novo para o futuro.

Mas foi um fato político de impacto indiscutível, cujo maior beneficiário, como não poderia deixar de ser, terminou sendo Serra.

Nada garante, no entanto, que tenha consequências eleitorais igualmente relevantes. De acordo com as pesquisas disponíveis, o horizonte para o PSDB continua sombrio com ele – quem sabe, até mais do que se disputasse a eleição com um nome menos desgastado e que logo alcançaria as intenções de voto que tem, turbinado pela rejeição ao PT, sempre expressiva na cidade.

Em todas as pesquisas feitas em 2011, Serra obtinha cerca de 20% ou um pouco mais, de acordo com o cenário, ficando atrás de Marta Suplicy e empatado com Celso Russomano. Na única divulgada depois de se lançar, chegou a 30%.

Trata-se de um resultado desanimador. Quer dizer que a superexposição que recebeu da mídia – durante dez dias toda voltada para ele – fez com que crescesse modestamente. Quer dizer que, apesar disso, 70% dos eleitores da cidade continuam- a não pensar nele. Quer dizer que não tem espaço para crescer – pois é conhecido por 100% do eleitorado – e não vence com o que tem.

Em outras palavras, a eleição permanece promissora para Fernando Haddad e Gabriel Chalita e começa com um grande ponto de interrogação para Serra. Como se vê, um fato pode ser politicamente relevante e inócuo em termos eleitorais.

Algo semelhante aplica-se à recente “crise” na base do governo, que provocou mudanças em seu comando no Congresso. Faz barulho, mas quer dizer pouco para o verdadeiro jogo, a eleição presidencial de 2014.

Para entender a insatisfação dos partidos, é preciso lembrar que as eleições municipais são quase irrelevantes na definição de quem ocupa o Palácio do Planalto, mas são decisivas na renovação dos mandatos no Congresso. Deputados e senadores que “não levam nada” para seus redutos ficam fracos. E se enfurecem quando percebem que um adversário conseguiu nomear um protegido ou fazer com que uma obra saísse do papel.

O pano de fundo da “crise” é a eleição municipal, pois dela depende o parlamentar e o tamanho das bancadas no Congresso e seu peso na Esplanada dos Ministérios. O que está acontecendo é apenas mais um capítulo da antiga pendência entre os partidos que querem crescer e os que não querem diminuir.

Nada que mude muito o panorama da política.”

FONTE: escrito por Marcos Coimbra, na revista “CartaCapital” e transcrito no portal “Viomundo”  (http://www.viomundo.com.br/politica/marcos-coimbra-horizonte-continua-sombrio-com-serra.html). [imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

PETROBRAS: O SUCESSO DA GESTÃO GABRIELLI 2005/2011

José Sergio Gabrielli de Azevedo

NOTA DA PETROBRAS:


Gestão 2005/2011: esclarecimento ao “Radar on-line”

“A respeito de nota publicada na sexta-feira (16/03) pelo colunista Lauro Jardim em seu blog “Radar on-line”, a Petrobras esclarece que a gestão de José Sergio Gabrielli de Azevedo, entre 2005/2011, foi período altamente positivo para a Companhia.

Seguem fatos e informações que comprovam o equívoco de sua nota.

A Petrobras informa, ainda, que a Presidente Maria das Graças Silva Foster faz questão de lembrar que participou da administração da Petrobras no período em que o economista José Sergio Gabrielli de Azevedo foi seu presidente. Graça Foster exerceu os cargos de presidente da Petroquisa, presidente da Petrobras Distribuidora e Diretora de Gás e Energia.

Entre os exemplos que se seguem, é incontestável o crescimento dos recursos potenciais que, no período, passaram de 11 bilhões de barris de petróleo e gás, em 2003, para 29,2 bilhões de barris, em 2011. No período, além do crescimento de todos os indicadores operacionais, os resultados financeiros foram os melhores da história da empresa: os lucros aumentaram 313%, os investimentos 215% e o pagamento de dividendos aos acionistas cresceram 117%.

LISTAMOS ABAIXO ALGUNS INDICADORES DO PERÍODO 2003 – 2011:

A produção de petróleo aumentou 33%, crescimento muito superior ao da produção mundial e das maiores empresas globais.

Em 2005, a Petrobras tinha apenas quatro sondas para águas profundas. Mesmo com as dificuldades de contratar equipamentos no mundo, a Petrobras fechou 2011 com 19 sondas, o que permitiu descobrir, avaliar e colocar em produção em tempo recorde o petróleo do pré-sal, a maior descoberta da última década, o que, por coincidência, está incluída no período da presidência de Gabrielli.

As vendas de derivados aumentaram 30% e a empresa voltou a construir refinarias, o que não ocorria deste 1980 e foi responsável pela necessidade de importação de derivados hoje.

A Petrobras retornou à Petroquímica, o que aumentou a integração dos negócios, fundamental para o crescimento de empresas do setor petróleo e gás.

A oferta de gás natural, imprescindível para geração termelétrica e consumo industrial menos poluente, quase dobrou, passando de 47 bilhões para 85 bilhões de m3.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento cresceram 360% e, com o apoio da Petrobras, as universidades brasileiras duplicaram a capacidade de seus laboratórios.

Saindo do zero, a empresa se tornou a maior produtora de biodiesel e a terceira de etanol.

A força de trabalho própria da empresa quase dobrou, saindo de 48 mil para 82 mil empregados, todos recrutados por seleção pública nacional.

OS RESULTADOS FINANCEIROS ACOMPANHARAM O DESENVOLVIMENTO OPERACIONAL:

- O lucro líquido cresceu 313%, de R$ 8 bilhões para R$ 33 bilhões.

- Os investimentos tiveram crescimento de 285%, de R$ 18 bilhões para R$ 73 bilhões.

- Os dividendos pagos aos acionista também cresceram 117%, de R$2,8 bilhões para R$12 bilhões, e o número de acionistas passou de 176 mil para 674 mil.

FONTE: blog “Fatos e Dados”, da Petrobras  (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/03/16/gestao-20052011-esclarecimento-ao-radar-on-line/#more-51670). [Título adicionado por este blog 'democracia&política'].

EMBRAER AINDA SE SURPREENDE COM OS EUA...

Super Tucano. Um negócio com a Força Aérea deveria “abrir portas” para a Embraer em outros lugares no Departamento de Defesa dos EUA e em outros países

[OBS deste blog ‘democracia&política’:

A EMBRAER AINDA SE SURPREENDE COM A CONHECIDA CARACTERÍSTICA DOS EUA DE, INJUSTIFICADA E REPENTINAMENTE, NÃO RESPEITAR COMPROMISSOS E CONTRATOS


Os EUA têm vários antecedentes pelo mundo de não cumprirem seus contratos, com súbitas e hipócritas falsas razões, geralmente a genérica de “segurança nacional”. Por exemplo, não entregaram por mais de 10 anos os F-16 que o Paquistão comprou e já havia pagado. De repente, deixaram de fornecer os indispensáveis suprimentos para os F-16 que a Venezuela comprou, imobilizando no chão, definitivamente, toda a frota. E muitos outros exemplos. Além disso, são fortes e abusivas as imposições políticas e as limitações norte-americanas para passagem de tecnologia que permita, ao menos, a autonomia do país comprador na operação e manutenção dos aviões lá adquiridos. A Embraer parece que pensou que os norte-americanos haviam mudado, mas agora “caiu a ficha”.


Vejamos a seguinte reportagem da revista “Exame”: “EMBRAER - DO ÊXTASE À AGONIA AO GANHAR E PERDER CONTRATO NOS EUA]:

Empresa sofre com a perda do contrato para fornecimento dos 20 jatos [turboélices] Super Tucano, em 28 de fevereiro

Por José Sergio Osse, na revista “Exame”

“O presidente da Embraer SA, Frederico Curado, não vai esquecer o dia em que soube que a fabricante de aviões tinha ganhado um contrato de US$ 355 milhões para fornecimento de aviões de ataque para a Força Aérea dos Estados Unidos depois de 14 meses de trabalho.

Ainda mais inesquecível foi o dia em que Curado viu na imprensa [!] que o país norte americano havia [repentina e injustificadamente] cancelado a compra.

Estamos tentando manter a sobriedade. Foi enorme frustração para nós, e um choque, francamente”, disse Curado em entrevista no dia 12 no escritório da Embraer em São Paulo. “Nós fomos lá. Nós ganhamos. E então isso foi tirado de nós.”

A perda do contrato para fornecimento dos 20 jatos [turboélices] Super Tucano, em 28 de fevereiro, anulou a alegria que veio quando a Embraer ganhou o negócio dois meses antes. Agora, Curado foi deixado apenas com a satisfação de saber que os aviões de guerra da companhia fundada em 1969 para começar a indústria de aviação no Brasil podem [eventualmente, de novo,] competir por um lugar na esquadra da força aérea mais poderosa do mundo.

Ser selecionado por uma organização como essa [USAF] é reconhecimento de qualidade, o que, em certa extensão nós já temos, porque fomos selecionados, tínhamos ganhado e iniciado o contrato.”

Um negócio com a Força Aérea dos EUA deveria “abrir portas” para a Embraer em outros lugares no Departamento de Defesa dos EUA e em outros países, disse Curado, de 50 anos, que se tornou presidente da companhia em 2007 e é o segundo a ocupar o cargo desde a privatização em 1994.

Seria um selo de credibilidade no exterior para nós e uma chance de desenvolver relacionamento com o Departamento de Defesa [dos EUA]”, disse Curado.

FONTE: reportagem de José Sergio Osse, na revista “Exame”  (http://www.defesanet.com.br/aviacao/noticia/5181/Embraer--do-extase-a-agonia-ao-ganhar-e-perder-contrato-nos-EUA) [Título, subtítulo e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

ISRAEL versus IRÃ: “APOCALIPSE NOW!”

cientista político e historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira.

“Mesmo com o respaldo da esquadra norte-americana, estacionada no Golfo Pérsico, e a participação de tropas dos Estados Unidos, uma guerra contra o Irã desencadeada por Israel seria guerra extremamente difícil e sangrenta. Um ataque de Israel ao Irã mataria milhares de civis e arrasaria cidades, sem garantia de destruir completamente o programa de enriquecimento de urânio. Por outro lado, o Irã logo retaliaria com chuva de mísseis, provocando milhares de mortes em Israel.

A análise é de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Em meados de 2010, os jornalistas Karen DeYoung e Greg Jaffe, do “Washington Post”, revelaram que as “Special Operations Forces” (SOF) dos Estados Unidos estavam a operar em 75 países, 60 a mais do que no fim do governo de George W. Bush, e o coronel Tim Nye, porta-voz do “U.S. Special Operations Command”, declarou que o número chegaria a 120. Esses números indicam que o presidente Barack Obama intensificou “shadow wars” em cerca de 60% das nações do mundo e expandiu globalmente a guerra contra a al-Qa’ida, além do Afeganistão e do Iraque, mediante atividades clandestinas das SOF no Iêmen e em toda a parte do Oriente Médio e África Central [1]. E ainda solicitou aumento de 5,7% no orçamento das SOF para 2011, elevando-o a US$6,3 bilhões, e mais um fundo de contingência adicional de U$ 3,5 bilhões em 2010 [2]. Seus contingentes, em 2010, eram de 13.000 efetivos, operando em diversos países, e eventualmente mais 9.000, divididos entre o Iraque e Afeganistão.

Com esse “way of war”, os Estados Unidos passaram a empregar “high-tech killing machines”, como os “drones” (UAV), aviões não tripulados e manejados à distância pela CIA, que disparam mísseis ar-terra do tipo AGM-114 Hellfire, ou equipes do “Joint Special Operations Command” (JSOC), como o “Navy SEAL[3], para assassinar, sumariamente, e/ou capturar (Kill/Capture) [supostos] chefes da al-Qa’ida e Talibans no Paquistão, Afeganistão, Iêmen, Somália e em toda a Península Árabe [4]. O número de civis mortos por drones, desde 2004, situou-se, somente no Paquistão, entre 2.347 e 2.956 (dos quais 175 crianças), mais do que "militantes" [5].

Cerca de, pelo menos, 253 ataques foram ordenados pelo presidente Barack Obama [6]. E, no início de 2012, os Estados Unidos dispunham de mais de 7.000 sistemas aéreos não-tripulados (Unmanned Vehicle
Systems), i. e., os chamados drones, mais 12.000 no solo, até centenas de operações de ataque, cobertas e encobertas em, pelo menos, em seis países [7]. O mercado de drones, em 2011, estava avaliado em US$ 5.9 bilhões e esperava-se que dobrasse na próxima década. Esses aviões não tripulados custam milhões de dólares e existem dos mais diversos tipos, como MQ-1 Predator e o MQ-9 Reaper. algumas variedades mais sofisticadas, como o Parrot AR Drone, que custa cerca de US$ 300,00 e pode ser manejado, inclusive, por iPhone [8].

MQ-9 Reaper
O presidente Barack Obama, em 2011, determinou a construção de constelação de bases, no Corno da África, Etiópia, Djibouti e até em uma das ilhas do arquipélago das Seychelles, no Oceano Índico, para agressiva campanha operações com drones contra o grupo fundamentalista radical Harakat al-Shabaab al-Mujahideen (HSM), aliado de al’Qa’ida, baseado na Somália [9]. A CIA passou a constituir, cada vez mais, uma força paramilitar, além dos trabalhos de espionagem e coleta de inteligência, e, juntamente com as SOF, participa de quase todas, travadas nas mais diversas regiões. E com esse “way of war”, ao qual o presidente Barack Obama, justificando o Prêmio Nobel da Paz, recorreu mais do que o presidente George W. Bush, ele se coloca por cima das leis nacionais e internacionais. Basta assinar uma “Executive Order” (EO) ou um “finding” [10], autorizando assassinatos (killing targets) e outras operações encobertas, sem ter de consultar o Congresso. E, assim, as guerras se multiplicaram e se multiplicam.

BARÔMETRO DE CONFLITOS

O “Barômetro de Conflitos” (Konfliktbarometer) divulgado pelo “Instituto de Heidelberg de Pesquisa Internacional de Conflitos” (Heidelberger Institut für Internationale Konfliktforschung - HIIK), órgão do “Instituto de Ciência Política de Universidade de Heidelberg”, mostrou que, em apenas um ano, 2011, o número de guerras e conflitos no mundo triplicou e foi o mais alto, desde 1945: saltou de seis guerras, e 161 conflitos armados, em 2010, para 20 guerras e 166 conflitos em 2011, tendo como cenário, sobretudo, o Oriente Médio, África e Cáucaso [11]. E a previsão do prof. Christoph Trinn, diretor do HIIK, é de que esse número aumentará ainda em 2012 [12].

É provável. Segundo o presidente Jimmy Carter (1977–1981) revelou em entrevista à imprensa, Israel, em 2008, possuía arsenal nuclear da ordem de 150 ogivas nucleares [13]. Em fevereiro de 2012, Patrick "Pat" Buchanan, um paleoconservador (linha tradicional) do Partido Republicano e ex-comentarista político da televisão MSNBC (canal a cabo dos Estados Unidos), estimou que Israel tem cerca de 300 ogivas nucleares, e advertiu que uma guerra no Oriente Médio seria desastrosa para os Estados Unidos e a economia mundial [14].

No fim dos anos 1990, a comunidade de inteligência dos Estados Unidos havia calculado que Israel possuía entre 75-130 armas nucleares, baseada nas estimativas de produção [15]. O arsenal incluía ogivas para mísseis Jericho-1 e Jericho-2, ademais de bombas para os aviões e outras armas táticas. Conforme outros cálculos, Israel poderia ter, àquele tempo, cerca de 400 armas nucleares, mas o número parece exagerado e seu último inventário incluiu menos de 100 artefatos [16].

O arsenal de Israel pode ser de 150 a 300 ogivas nucleares e a “Israeli Defense Force – Air Force” (IDF/AF) possui 1.000 aeronaves, cerca de 350 jatos de combate contando com 125 F-15 avançados, e esquadrões de F-16, especificamente modificados para empreender ataques estratégicos a longa distância, ademais de uma frota de Heron TP [17], drones, i.e. aeronaves não tripulados (UAV), que podem atingir 40.000 pés de altura e voar, pelo menos, 20 horas, até alcançar o Golfo Pérsico. A Israeli Defense Force – Air Force (IDF/AF) talvez seja maior do que a do Reino Unido e da Alemanha [18]. Contudo, afigura-se muito limitada a possibilidade de sua utilização para deflagrar uma guerra contra o Irã com a segurança de vitória.

F-15 da IDF/AF

UAV Heron TP
Alguns, em Israel, crêem que o ataque ao reator Osirak (Operation Opera), no Iraque (1981), constituiu sucesso histórico, um precedente para o uso da força militar para impedir a proliferação de armas nucleares. Porém, oficiais do Pentágono entendem que um ataque às instalações nucleares no Irã seria operação muito complexa, muito diferente dos ataques “cirúrgicos” realizados por Israel ao reator Osirak, no Iraque, e ao reator da Síria (Operation Orchard), na região de Deir ez-Zor, em 6 de setembro de 2007, com um total de oito aviões F-15 Strike Eagle, F-16 Fighting Falcon e uma aeronave de inteligência [19].

A fim de atacar o Irã, no entanto, Israel necessitaria de, ao menos, 100 bombardeiros F-15, com bombas antibunker GBU-28 (laser-guided), das quais consta que dispõe apenas de 30, escoltados por caças a jato F-16 Fighting Falcon, e, segundo o antigo diretor da CIA, voar distância de 1,600 km (cerca de 1.000 milhas) sobre espaço aéreo hostil, devendo ser reabastecidos no ar por outros aviões [20]. Segundo o antigo diretor da CIA Michael Hayden, Israel não seria capaz de efetuar ataques aéreos que seriamente afetassem o programa nuclear do Irã. Teria sérios problemas de alcançar as maiores usinas de enriquecimento de urânio em Natanz e Fordo e a planta de conversão de urânio em Isfaham. Dentro do establishment de Israel, porém, há poucas vozes isoladas que duvidam do sucesso de larga investida contra o Irã, mas o consenso é de que seria operação complexa e difícil para a capacidade da IAF [21].

O AUTO-HOLOCAUSTO

A posse de armamentos nucleares não torna Israel uma potência. Esse poderio militar não corresponde à sua extensão territorial, à sua dimensão demográfica, nem aos seus recursos materiais e humanos [22]. E os cenários que se delineiam, em caso de ataque ao Irã, com ou sem respaldo dos Estados Unidos, são realmente apocalípicos. Basta comparar os dados geográficos e demográficos, bem como de suas forças armadas convencionais, para avaliar a catástrofe que levaria ao fim o Estado de Israel, com Holocausto provocado pelo seu próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Um auto-Holocausto. É o que também prevê o presidente da Rússia Vladimir Putin [23].

Israel, segundo limites definidos e autorizados pela ONU (1947). A parte em beje é Israel; em violeta é a Palestina; em branco, a área internacional de Jerusalem. Hoje, com o respaldo e recursos dos EUA, praticamente toda a Palestina, a área internacional, o oeste da Síria (Golã) e o sul do Líbano foram invadidos militarmente por Israel e ocupados por colonos judeus.
O território de Israel é de apenas 20.770 km2, cercado pelo Egito, a Faixa de Gaza, Líbano, Síria e pela Cisjordânia (West Bank). Sua população atual é de 7,5 milhões de habitantes (2012), dos quais mais ou menos 6 milhões, cerca 75%, são judeus e 25%, i. e., 1,5 milhão, são árabes muçulmanos, alguns cristãos e druzos. Na Faixa de Gaza, há 1,6 milhões de palestinos; na Cisjordânia, há cerca 2,3 milhões de palestinos. Aproximadamente, dentro de todo o território da Palestina (incluindo Israel), o número de árabes é da ordem de 5,5 milhões de palestinos, número quase igual ao de judeus em Israel, e o fato do governo de Binyamin Netanyahu continuar autorizando construções na Cisjordânia (mais 700 foram autorizadas em fevereiro de 2012), desrespeitando o princípio da criação de dois Estados, pode levá-los à violenta explosão, nas circunstâncias de uma guerra contra o Irã.

Ao contrário de Israel, o Irã ocupa o décimo-sexto maior território do mundo, ao sudoeste da Ásia, com larga extensão de 1.648.195 km2 e fronteiras com oito países, e mais de 2.440 km (1.516) do litoral, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, interligado pelo estratégico Estreito de Hormuz. Sua população é de 78,8 milhões de habitantes (2012 est.), cerca de dez vezes maior do que a de Israel. O diretor do “Military Balance Project”, na Universidade de Tel Aviv, coronel Yiftah Shapir, admitiu que Israel poderia lançar um ataque contra o Irã e causar muitos danos, inabilitando seu programa nuclear, porém teria de bombardear o país e não poderia fazê-lo sozinho [24]. Ele reconhece que o máximo que Israel pode conseguir é atrasar o programa nuclear iraniano por “some months” e, no máximo, cinco anos [25]. Tanto o general (R) Nathan Sharony, chefe do “Council for Peace and Security”, composto por 1.000 altos oficiais de segurança de Israel, quanto o ex-chefe do Mossad (2002-2010) Meir Dagan, também pensam que o ataque ao Irã não compensaria, não seria favorável a Israel [26].

Na “Hebrew University”, Meir Dagan qualificou um ataque militar ao Irã como “a stupid idea” e, na “Tel Aviv University”, disse que isso provocaria uma guerra regional, impossível para Israel enfrentar, e daria à república islâmica razão para prosseguir com seu programa nuclear [27]. Posteriormente, em novembro de 2011, falou no “Clube de Indústria e Comércio de Tel Aviv” que Israel não deveria atacar o Irã e previu uma “katastrophe”, se ocorresse [28]. Por sua vez, general (r) David Fridovich, ex-comandante adjunto do “Special Operations Command” e atualmente diretor de Defesa e Estratégia no “Jewish Institute for National Security Affairs”, declarou ao diário israelense que um ataque de Israel ao Irã poderia ser “counterproductive” [29].

A mesma opinião manifestou o general James Cartwright, do Marine Corps, acentuando, inclusive, que persuadiria mais iranianos a apoiar o programa nuclear e convencê-los que, por isso, o país deve ter os armamentos. Um ataque – acrescentou - poderia destruir as instalações, mas, mas não “uninvent” a tecnologia e o capital intelectual continuaria a existir [30]. E Shlomo Gazit, ex-chefe da “Intelligence and National Security”, da “Israeli Defense Force”, acentuou, claramente, que um ataque ao Irã teria consequência oposta, i. e., resultaria na “liquidation of Israel[31]. E acentuou: “We will cease to exist after such an attack [32]. Daí que o general Martin Dempsey, chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, declarou à CNN que “We think that it's not prudent at this point to decide to attack Iran" [33].

INSTALAÇÕES NUCLEARES

O Irã possui cerca de 12 a 20 instalações nucleares, espalhadas por diversas regiões. Alguns agentes de inteligência da França, Reino Unido e Estados Unidos suspeitam que, em Fordo, com 3.000 reatores, os cientistas iranianos estejam tentando enriquecer o urânio com concentração superior a 20% de pureza, o que capacitaria o governo a produzir artefatos nucleares, se fosse estocada quantidade suficiente para o uso militar. Essa usina está construída parcialmente dentro de uma montanha, a nordeste da mesquita da cidade de Qom, altamente protegida, com uma bateria de mísseis antiaéreos montada pela Guarda Islâmica Revolucionária [34].

A de Natanz, na província de Isfaham, distante de Israel quase 1.609 km, encontra-se cerca de oito metros abaixo do nível do solo, protegida por várias camadas de cimento. Lá operam, aproximadamente, 5.000 centrífugas, alimentadas com urânio hexafluoride.

E, segundo o coronel reformado da USAF, Rick Pyatt, seria muito difícil o ataque ao Irã. Os aviões de Israel teriam de voar sobre território estrangeiro hostil, porquanto os alvos estão 1.700 km distantes, devendo ser reabastecidos no ar. Os mísseis Jericho-2 ou Jericho-3 teriam ogivas de peso limitado, provavelmente menos de 1.000 libras, e é muito duvidoso que elas pudessem penetrar bastante fundo para alcançar o nível determinado de destruição [35].

Se o Irã tiver, ou tivesse, o projeto de enriquecer urânio para fabricar artefatos nucleares, o que muitos suspeitam existir experimentos, inclusive na base militar de Parchim, outras usinas devem ser também subterrâneas, dentro de cavernas, difíceis de detectar com satélites e aviões. A topografia do Irã, a configuração do seu relevo, apresenta enorme dificuldade para ataques aéreos. É muito similar à do Afeganistão, muito escarpado e difícil de mapear com aviões, inclusive porque os voos têm de ser baixos e a república islâmica possui ótimo sistema de defesa antiaérea, com inúmeros mísseis terra-ar.

Uma operação aérea contra instalações nucleares do Irã teria de ser, provavelmente, acompanhada por tropas terrestres. Mas Israel conta apenas com 176.500 homens no serviço ativo, dos quais 133.000 no exército, e 565.000 na reserva, enquanto o Irã tem mais do que 523.000 no serviço ativo, dos quais 350.000 no exército, e cerca de 125.000, nos corpos da poderosa Guarda Revolucionária Islâmica [36]. Ademais, o Irã tem excelente sistema de defesa naval, montado com mísseis Sunburn, importados da Rússia e da China, o míssil mais letal contra qualquer navio, desenhado para voar 1.500 milhas por hora, nove pés acima do solo e da água [37].

Marinha iraniana dispara míssil

O desequilíbrio de forças convencionais entre os dois países é enorme. Também, [o Irã] possui submarinos e modernos barcos de patrulha, equipados com mísseis, e teria capacidade de interditar a estratégica de linha comunicação marítima através do Golfo Pérsico [38], e controlar a passagem dos carregamentos de petróleo.

Mesmo com o respaldo da esquadra [norte-americana], estacionada no Golfo Pérsico, e a participação de tropas dos Estados Unidos, uma guerra contra o Irã desencadeada por Israel seria guerra extremamente difícil e sangrenta. Também, conforme os analistas do Pentágono, um ataque aéreo dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã não seria bastante para destruir todos os reatores para enriquecimento de urânio, embora fosse mais amplo, menos arriscado e provavelmente lhes causasse muito mais danos que se realizado por Israel [39]. Poderia somente atrasar o programa, mas não impedir que o Irã produzisse armas atômicas [40].

A população do Irã é superior à soma das populações do Iraque e do Afeganistão e grande parte está concentrada nas montanhas, que configuram um cinturão estendido entre Zagros e Elbroz e uma linha entre o litoral do Mar Caspio e o Estreito de Hormuz. Outra parte da população está em algumas cidades no nordeste, em Mashhad, cidade com 2,83 milhões de habitantes, próxima à fronteira com o Afeganistão e o Turcomenistão, onde se encontra a tumba do imã al-Rida (765-c.818), um dos sucessores do profeta Muhammad, venerado pelos xiitas e visitado por cerca de 20.000 pessoas. O resto do país é muito pouco povoado. Com três lados cercados por montanhas e dois pelo Mar Cáspio e o Golfo Pérsico, o tamanho e a topografia tornam do Irã uma fortaleza, muito difícil de ser invadida e, ainda mais, ser conquistada [41].

Um ataque de Israel ao Irã seria um desastre. Mataria milhares de civis, arrasaria cidades, porém não poderia aniquilar 78,8 milhões de iranianos nem devastar um território de 1.648.195 km2. Além disso, nenhuma segurança teria de destruir completamente seu programa de enriquecimento de urânio. Por outro lado, o Irã logo retaliaria e lançaria seguidamente chuvas de mísseis Shahab, Gahdr-3 ou Sejji, com bombas de fragmentação, cuja submunição (bomblet) de cerca de 202 explosivos pode atingir entre 200 e 400 metros. Capazes de alcançar até 1490 km, demoliria muitas cidades de Israel, inclusive Tel Aviv, e dizimaria milhares de seus habitantes. Certamente, o Hamas (sunita), na Faixa de Gaza, e o Hisbollah (xiita), no Líbano, aproveitariam para também atacar Israel com mísseis Katyusha, Fadjr-5, Urgan, Khaibar e outros de que as duas organizações paramilitares dispõem.

Seria extremamente difícil, quase impossível, o governo de Benjamin Netanyahu resistir aos bombardeios e ao levante da população palestina dentro de Israel (1,5 milhão), na Faixa de Gaza (1.6 milhão) [42] e na Cisjordânia (2,3 milhões). Dentro de todo o território da Palestina, o número de palestinos (incluindo em Israel) é da ordem de mais de 5,5 milhões, contra mais ou menos 6 milhões de judeus. Seria uma guerra híbrida, de alta e baixa intensidade. Da população de Israel, de mais ou menos 6 milhões de judeus, 1,5 milhão poderia ser, em larga medida, aniquilada."

NOTAS

[1] Karen DeYoung & Greg Jaffe. “U.S. 'secret war' expands globally as Special Operations forces take larger role”. Washington Post. Friday, June 4, 2010 Nick Turse. “A secret war in 120 countries. The Pentagon’s new power elite”. Le Monde diplomatique,18 August, 2011.
[2] Karen DeYoung & Greg Jaffe. “U.S. 'secret war' expands globally as Special Operations forces take larger role”. Washington Post. Friday, June 4, 2010
[3] Navy SEAL é uma unidade especial do United States Naval Special Warfare Command (NAVSPECWARCOM), cujo quartel-general é Coronado, na California, a integra o US Special Operations Command (USSOCOM). Foi um comando do Navy SEAL que executou bin Ladin no Paquistão. SEAL é acrônimo de Sea, Air e Land (SEAL)
[4] Priest, Dana & William M. Arkin. Top Secret America. The Rise of the New American Security State. Nova York-Londres: Little Brown & Company, 2011, p. 251.
[5] Chris Woods “Drone War Exposed – the complete picture of CIA strikes in Pakistan”. Bureau of Investigative Journalism. August 10th, 2011.  http://www.thebureauinvestigates.com/2011/08/10/most-complete-picture-yet-of-cia-drone-strikes/ Benjamin Wittes “Civilian Deaths from Drone Strikes”. Lawfare - Hard National Security Choices.  http://www.lawfareblog.com/2011/08/civilian-deaths-from-drone-strikes/
[6] Ibid.
[7] Peter W. Singer. “Do Drones Undermine Democracy?”. The New York Times. Sunday Review. January 21, 2012. Peter W. Singer é diretor da 21st Century Defense Initiative na Brookings Institution e autor da obra Wired for War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century.
[8] Nick Wingfield & Somini Sengupta. “Drones Set Sights on U.S. Skies”. The New York Times, February 17, 2012
[9] Craig Whitlock & Greg Miller “U.S. assembling secret drone bases in Africa, Arabian Peninsula”. The Washington Post, September 21 2011.
[10] Autorização dada pelo presidente dos Estados Unidos, quase sempre por escrito, na qual ele acha (find) que uma operação encoberta (covert action) é importante para a segurança nacional. O finding é o mais secreto entre os documentos do governo americano.
[11] "Conflict Barometer 2011" -  http://hiik.de/de/konfliktbarometer/
[12] Ibid.
[13]Israel: Carter Offers Details on Nuclear Arsenal” - Reuters. New York Times. May 27, 2008. “Israel tem 150 armas nucleares, diz ex-presidente dos EUA”. BBC.Brasil. 26 de maio, 2008 - 19h46 GMT (16h46 Brasília)
[14] Pat Buchanan: “300 Nukes in Israel Yet Iran a Threat?” -  http://buchanan.org/blog/video-pat-buchanan-300-nukes-in-israel-yet-iran-a-threat-5022300 ojivas nucleares israelíes, una amenaza mundial”. HispanTV 29/02/2012 09:39  www.hispantv.ir/detail.aspx?id=175279. Mark Whittington- “Pat Buchanan Oddly Thinks Israel is a Bigger Threat Than Iran” Yahoo! Contributor Network – Wed, Feb 22, 2012. Jeff Poor – “Buchanan: Who is a bigger threat — Iran or Israel?” The Daily Caller - 02/22/2012 -  http://dailycaller.com/2012/02/22/buchanan-who-is-a-bigger-threat-iran-or-israel/
[15] A comunidade de inteligência dos Estados Unidos calculava, em 1999, que Israel tinha então entre 75 e 150 ogivas nucleares, conforme em boletim da Federation of American Scientists (FAS). Scarborough, Rowan. Rumsfeld's War. Washington, D.C.: Regnery Publishing, 2004, pp. 194-223.
[16]Nuclear Weapons – Israel”. Federation of American Scientists (FAS). University of St. Andrew – 8.Jan.2007. www.fas.org/nuke/guide/israel/nuke/
[17] Os vants Heron TP, fabricados pela IAI (Israel Aerospace Industries), podem voar a uma altura de até 13.000 metros, acima da altitude da aviação comercial. Os Estados Unidos têm outro modelo, o MQ-1 Predator, usado para matar "supostos terroristas", em operações chamadas de “3D”: “dull”, i. e., operações sombrias.
[18] Anshel Pfeffer – “Israel could strike Iran's nuclear facilities, but it won't be easy. Haaretz – Israel, 20.02.12.
[19]Report: U.S. officials say Israel would need at least 100”. Ha’aretz – Israel, 20.02.12
[20] Ibid. Michael Kelley. “US Offers Israel Advanced Weapons In Exchange For Not Attacking Iran”. Business Insider – Military & Defense. March 08, 2012.
[21] Anshel Pfeffer – “Israel could strike Iran's nuclear facilities, but it won't be easy. Haaretz – Israel, 20.02.12.
[22]O status de potência pode ser estimado pela sua extensão territorial e o número de sua população, bem como pelos recursos materiais e humanos que um Estado tem condições de usar a fim predizer quão vitorioso pode ser em uma guerra com outro Estado, se usa seus recursos como vantagem.
Karl W. Deutsch, “On the concepts of politics and power,” in John C. Farrel e Asa P. Smith (eds.), Theory and Reality in International Relations", Nova York, Columbia University Press, 1966, p. 52. Gramsci, Antônio. Maquiavel, a política e o Estado moderno, 2ª ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1976, p. 191.
[23] Stephen Bierman & Ilya Arkhipov. “Putin Says Iran Military Strike to Be ‘Truly Catastrophic’”. Bloomberg Businessweek. February 27, 2012.  http://www.businessweek.com/news/2012-02-27/putin-says-iran-military-strike-to-be-truly-catastrophic-.html
[24] "Israel May Lack Capability for Effective Strike on Iran Nuclear Facilities” -Bloomberg-  http://www.bloomberg.com/news/2011-11-09/israel-may-lack-capability-for-iran-military-strike.html
[25] Larry Derfner - “Security expert: Attacking Iran isn’t worth it. +972 is an independent, blog-based web magazine. February 6 2012 -  http://972mag.com/warriors-against-war-with-iran/34831/
[26] Ibid.
[27] Ethan Bronner - “A Former Spy Chief Questions the Judgment of Israeli Leaders”. The New York Times, June 3, 2011.
[28] Bergman, Ronen & Mittelstaedt, Juliane von. “Dagans Bombe”. Der Spiegel. 07.11.2011.
[29] Hilary Leila Krieger & Jpost Correspondent. 'Strike on Iran could be counterproductive'. Jerusalem Post. Thu, Mar 15, 2012.
[30] Kristina Wong “Attacking Iran’s nuke sites may only slow progress”. The Washington Times, Monday, February 27, 2012
[31]An Attack on Iran Will End Israel as We Know It’. Tikun Olam-תיקון עולם: Make the World a Better Place -Promoting Israeli democracy, exposing secrets of the national security state  http://www.richardsilverstein.com/tikun_olam/2011/06/10/an-attack-on-iran-will-end-israel-as-we-know-it/
[32] Ibid.
[33] David Jackson, “Obama to meet Israel's Netanyahu on March 5” - USA TODAY Feb 20, 2012.
[34] Julian Borger (New York) & Patrick Wintour (Pittsburgh). “Why Iran confessed to secret nuclear site built inside mountain”. The Guardian, 26.09.2009
[35] David Isenberg (Cato Institute). “Israeli Attack on Iran’s Nuclear Facilities Easier Said Than Done”. Inter Press Service, Washington, Feb 13 2012 (IPS). Rick Francona. “Iran - Israel's Air Strike Options Update” Middle East Perspectives: June 22, 2008:  HTTP://Francona.Blogspot.Com/2008/06/Iran-Israels-Air-Strike-Options-Update.Html
[36]Factbox: How Israel and Iran shape up militarily” – Reuters. 03.11.2011. http://www.reuters.com/article/2011/11/03/us-israel-iran-forces-idUSTRE7A25O520111103
[37]Iran's Arsenal Of Sunburn Missiles Is More Than Enough To Close The Strait”. Business Insider - Russ Winter - February 08, 2012 http://articles.businessinsider.com/2012-02-08/news/31036419_1_anti-ship-defense-system-target-missile#ixzz1oWwRbKm4
[38] Anthony H. Cordesman & Alexander Wilner – “Iran and the Gulf Military Balance I: The Conventional and Asymmetric Dimensions”. Center for Center for Estrategic & International Studies (CSIS) Mar 6, 2012.
[39] Mark Landler. “Obama Says Iran Strike Is an Option, but Warns Israel”. The New York Times, March 2, 2012
[40] Ibid.
[41] “The Geopolitics of Iran: Holding the Center of a Mountain Fortress”. Stratfor – Global Intelligence, December 16, 2011.
[42] Cerca de 45 [mini]foguetes e um número quase igual de bombas [artesanais] foram disparadas desde Gaza sobre Israel em 24 horas, no dia 9 de março, como represália das milícias palestinas pelo assassinato do secretário-geral dos Comitês Populares de Resistência, Zuhair Al Qaisi, com foguetes de Israel. “Em 24 horas, 45 foguetes palestinos atingiram Israel”. Folha de São Paulo, 10.03.2012.

FONTE: escrito por Luiz Alberto Moniz Bandeira, cientista político e historiador, professor titular de história da política exterior do Brasil (aposentado) da Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras, entre as quais “Formação do Império Americano” (“Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque”). Publicado no site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19775) [imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].