“O número de linhas celulares ativas no Brasil chegou a 247,2 milhões segundo dados de fevereiro divulgados na segunda (19) pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). A internet móvel no mesmo período cresceu quase 5%: já são 47 milhões de celulares e modems com acesso à rede 3G.
Segundo a ANATEL, o número absoluto de novas habilitações (2,4 milhões) é o maior registrado em um mês de fevereiro nos últimos 13 anos. Isso representa crescimento de 0,99% em relação a janeiro de 2012.
Ao todo, 26 unidades federativas possuem índice superior a uma linha celular por habitante; a exceção é o Estado do Maranhão, que ainda possui 83 acessos móveis a cada 100 habitantes.
O total de linhas pré-pagas ativa ainda é quase 5 vezes maior que a de pós-pagas. São 202,7 milhões de acessos via pré-pagos ante 44,8 milhões pós-pagos. A região Norte é a que tem o maior percentual de linhas pré-pagas (90,74%), seguida da Nordeste (89,98%), Centro-Oeste (84,23%), Sul (77,3%) e Sudeste (77,08%).
INTERNET MÓVEL
No Brasil, cerca de 38,9 milhões dos acessos móveis foram feitos em fevereiro via celular, enquanto 8,2 milhões são provenientes de modems 3G. Em relação ao mês de janeiro, houve crescimento de 4,62% (eram 45,1 milhões em janeiro de 2012).
Modem 3G
RANKING DAS OPERADORAS
A Vivo continua sendo a operadora com maior número de acessos, com cerca de 73,9 milhões ou 29,85% do mercado. Em seguida, estão a TIM, com 65,9 milhões de acessos (26,62%); a Claro, com 61 milhões de acessos (24,66%); e a Oi, com 45,9 milhões de acessos (18,56%).
CRESCIMENTO DE INTERNET MÓVEL NO BRASIL SUPERA A MÉDIA MUNDIAL QUE ESTÁ NA CASA DOS 30%
“Cerca de 50% dos municípios brasileiros (48,6%) já são atendidos pelo serviço de internet móvel -- o que representa aumento de 23,4% na cobertura de 2011 para 2012. Os dados foram revelados ontem, terça (20), pela “Huawei”, companhia de telecomunicações, em parceria com a “consultoria Teleco”, em levantamento que traça o panorama do serviço de internet banda larga no país.
Segundo o estudo, os acessos ao serviço de banda larga praticamente dobraram em um ano: passaram de 20,6 milhões para 41,1 milhões no ano passado -- vale ressaltar que, na segunda (19), a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) atualizou o número de acesso à internet móvel que, em fevereiro deste ano, chegou a 47 milhões. O ritmo de adoção da internet móvel no Brasil é superior à média mundial. O crescimento da banda larga móvel no mundo foi de 26,2%.
Quando a área de cobertura das redes 3G é considerada, cerca de 84% da população brasileira já é atendida pelo serviço. Isso, segundo a “Teleco”, supera a meta estabelecida pela ANATEL, que deveria ser atingida até 2016.
A projeção para o crescimento do serviço no Brasil até o final deste ano é otimista. O estudo indica que os acessos à internet móvel podem chegar à marca de 73 milhões, ou seja, também podem quase dobrar como no ano anterior. Para 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, quando a demanda pelo serviço deve ser alta, o número de acessos pode chegar a 124 milhões.
Mesmo com o grande crescimento, o Brasil atingiu média de 24,1 acessos móveis por 100 habitantes, taxa inferior a de países desenvolvidos, que é de 56,5 acessos por 100 habitantes.
Outro ponto de ressalva, disse Tude, é que, apesar de a cobertura ser ampla no país, ela ainda está concentrada em uma única operadora. A maioria dos municípios é atendida pela Vivo, que tem redes móveis em 2516 cidades. Em seguida, está a Claro, com 657 municípios, TIM com 488 municípios e Oi com 250 municípios.
Segundo a consultoria, a tendência é que a maior parte dos acessos seja feita via “smartphones” -- quatro em cada dez aparelhos vendidos no mundo são celulares inteligentes. Mas a principal barreira no Brasil, diz Tude, é o alto preço desses dispositivos no país. "Preços mais acessíveis de “smartphones” contribuiriam para a difusão do 3G no país", afirma o consultor.
BANDA LARGA FIXA
Durante 2011, o serviço de banda larga fixa cresceu, de acordo com o estudo, 19,6%. Foram 16,5 milhões de acessos no período -- frente a 13,8 milhões no ano anterior. A cobertura do serviço atinge, praticamente, todos os municípios brasileiros, com 99,8% de atendimento do território. "Isso não quer dizer que todas as pessoas que moram nessas localidades já utilizem a banda larga, porque ainda é necessário que as empresas construam as redes que levem a conexão até a casa do assinante", explica Eduardo Tude, presidente da “Teleco”.
Caso as projeções da consultoria se confirmem, até 2014 o Brasil pode chegar a 30 milhões de acessos em internet fixa ou 15 acessos a cada 100 habitantes, abaixo da média atual mundial dos países desenvolvidos. Para países que compõem a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a taxa hoje é de 25 acessos a cada 100 habitantes.
É necessário, no entanto, além de expandir o número de acessos à banda larga fixa, aumentar também a velocidade de internet entregue pelo serviço. "Isso significa que as operadoras têm de levar as fibras ópticas cada vez mais perto da casa do consumidor, como já acontece na Ásia. Enquanto nesses locais já existem cerca de 54 milhões de acessos via infraestrutura para conexões ultravelozes, no Brasil menos de 1% do total dos acessos são desse tipo", aponta Tude.”
“A presidenta Dilma Rousseff afirmou ontem, terça-feira (20), que o governo está sendo mais rigoroso na fiscalização de obras em rodovias federais
--Na coluna ‘Conversa com a Presidenta’, Dilma respondeu à pergunta de Vanessa França Vilela, corretora de imóveis em Sete Lagoas (MG), sobre a garantia de qualidade das obras nas rodovias.
“As construtoras são obrigadas por lei a entregar as obras com a qualidade especificada no contrato. Quando o trabalho é mal executado, Vanessa, as empresas são obrigadas a corrigir as falhas, como ocorreu, por exemplo, com a BR-174-RR, com a BR-101-Nordeste, e agora com a BR-364-AC, que está sendo refeita. Para evitar a ocorrência desses problemas, o DNIT está intensificando a fiscalização. O órgão está sendo mais rigoroso quanto à notificação das empresas, que podem ser multadas e serem declaradas inidôneas, o que impede que venham a firmar novos contratos com a administração federal”, disse.
--A presidenta respondeu, ainda, a questionamento de Vanessa França sobre a espessura do asfalto entregue pelas empreiteiras.
“Está em fase de conclusão no DNIT a revisão do modelo de contratação das empresas que fazem a supervisão de obras, para que o órgão possa ser mais exigente em relação ao produto final. Quanto às camadas de asfalto, o pagamento do serviço só é feito após a retirada de amostras para comprovar a real espessura”.
--Carlos Aurélio Moro, empresário em Curitiba (PR), perguntou à presidenta porque investir em estádios para a Copa do Mundo, obras que para ele seriam menos úteis que estradas e hospitais.
“Não existe contraposição entre a construção de hospitais e estradas e as obras nos estádios. Essa é uma falsa questão. Não há recursos do orçamento federal investidos nos estádios. A participação federal na reforma e construção dos palcos dos jogos, que também são importantes para as cidades, ocorre apenas na forma de financiamento do BNDES. Realizar um evento como a Copa do Mundo tornará o Brasil mais conhecido em todo mundo, atraindo turistas e gerando empregos. Hoje, milhares de homens e mulheres já se beneficiam, trabalhando nas obras de reforma e construção de estádios”.
--A presidenta falou, também, sobre os programas e políticas do governo para elevar a renda dos brasileiros, tais como o “Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego” (PRONATEC), o “Programa Nacional de Microcrédito” e o “Brasil sem Miséria”.
Sergei Lavrov, Ministro de Relações Exteriores da Rússia
“As Forças Especiais de OTAN-EUA ainda não cumpriram satisfatoriamente a missão que receberam do CS-ONU”
RÚSSIA MANIFESTA-SE SOBRE OTAN e EUA NO AFEGANISTÃO:
Entrevista com Sergei Lavrov, Ministro de Relações Exteriores da Rússia, realizada por EGLB TV, no TOLOnews, do Afeganistão
TOLOnews: Obrigado, ministro, por nos receber. Os afegãos querem saber que importância tem o Afeganistão na política exterior russa.
Ministro Sergei Lavrov: O Afeganistão é vizinho tradicional dos russos. Temos longa história de amizade e relações de boa vizinhança e, claro, temos todo o interesse em ver o Afeganistão em paz, estável, democrático, neutro e também queremos que as ameaças do terrorismo e do tráfico de drogas que pairam sobre os afegãos sejam neutralizadas.
Estamos desenvolvendo diálogo político muito intenso. Há um ano, ou pouco mais de um ano, o presidente Karzai fez sua primeira visita oficial à Federação Russa. Há reuniões regulares entre o presidente Karzai e o presidente russo em vários formatos internacionais multilaterais, inclusive no contexto da “Organização de Cooperação de Xangai” [organismo internacional fundado em 14 de junho de 2001 por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Irã, Índia, Mongólia e Paquistão são observadores].
Os ministros da economia também se reúnem regularmente. Nosso parlamento mantém contato intensivo e, pessoalmente, já recebi e já visitei meu colega afegão em Moscou. Temos muitos interesses comuns e acreditamos que esses interesses comuns são a melhor garantia de que nossas relações são sustentáveis, orientadas para o futuro.
TOLOnews: Está em curso diálogo entre o governo afegão e os Talibã, apoiado também pelo governo dos EUA. Como a Rússia vê esse diálogo?
Lavrov: Claro que a reconciliação nacional é indispensável para solução pacífica dos problemas que ainda preocupam os afegãos, e apoiamos a posição do governo afegão na reconciliação nacional. Essa é a posição endossada pelo Conselho de Segurança da ONU, que favorece o diálogo com todos aqueles que rejeitem a violência como meio para alcançar objetivos políticos. aqueles que rompam todos os laços com a Al-Qaeda e outros grupos terroristas e reconheçam e respeitem a Constituição da República Islâmica do Afeganistão. Evidentemente, não é possível nenhuma negociação com grupos, como a Al-Qaeda e outros, listados pelo Conselho de Segurança da ONU como grupos terroristas.
TOLOnews: Sr. Ministro, como o senhor acaba de dizer, se o governo afegão ou o governo dos EUA não falam com grupos das listas das sanções, com quem falarão?
Lavrov: Ora, a lista não é universal! Há vários líderes Talibã não incluídos naquela lista. Afinal, os princípios a que me referi são os princípios propostos pelo governo afegão, aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU e em inúmeros fóruns internacionais. Há gente que se encaixa nesses critérios e são os supostos interlocutores do governo, no contexto da reconciliação nacional.
TOLOnews: O senhor entende, então, que alguns elementos dos Talibã não devem ser incluídos no processo de diálogo?
Lavrov: Não disse isso. Em nenhum caso os russos podem ditar cursos de ação ao governo afegão. Não se pode ditar, de fora do governo, modos pelos quais o governo deva promover o diálogo nacional e a reconciliação nacional. Nós apoiamos os princípios que o governo afegão demarcou e que orientam o governo nos contatos com os Talibã e outros que queiram participar do diálogo de reconciliação nacional.
TOLOnews: A Rússia apoia as conversações de paz com os Talibã, porque muitos afegãos temem que os Talibã voltem ao poder, como alguns creem que seja provável?
Lavrov: Veja... Como já disse, não podemos impor a um Estado soberano ideias ou “diretivas’ sobre como o país deva ser governado. Há um problema de reconciliação nacional que tem de ser resolvido. Apoiamos os esforços do governo legítimo do Afeganistão na direção de resolver aquele problema, e seus esforços regidos pelo que lhes pareça aceitável, nos termos do que determina a Constituição da República Islâmica do Afeganistão, que claramente define como proibidas as práticas terroristas.
TOLOnews: Alguns grupos da oposição afegã opõem-se, totalmente, àqueles diálogos e acham que haveria algum tipo de ‘acerto’ em andamento, entre o governo afegão e os Talibã, que pode pôr a perder todos os avanços dos dez últimos anos. Isso não o preocupa?
Lavrov: Não podemos julgar a discussão política que se trava dentro do Afeganistão. Não interferimos em questões internas de outros países. Muita gente discute os muitos aspectos da situação no Afeganistão. Mas os russos, diferentemente de outros governos, não ‘ordenamos’ ao governo de Cabul o que fazer para construir o processo de reconciliação nacional. Sabemos que, além de pashtuns, há uzbeques, tadjiques, hazaras. Todos esses precisam encontrar seu caminho até o sistema político, para que se sintam incluídos e não isolados no processo. Esse é o princípio geral. Como aplicá-lo na prática, não cabe aos russos dizer às autoridades afegãs.
SAÍDA DOS EUA DO AFEGANISTÃO
TOLOnews: Recentemente, o governo dos EUA anunciou que começará a reduzir o número de soldados no Afeganistão. Há preocupação crescente com a saída dos soldados, que poderia gerar instabilidade. Como o senhor analisa esse quadro?
Lavrov: Nós analisamos essa questão do ponto de vista da lei internacional. A presença de uma força internacional de estabilização no Afeganistão foi missão decidida no Conselho de Segurança da ONU. O mandado do Conselho de Segurança é bem claro. Só depois de cumprida a missão que receberam, as Forças Internacionais serão autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU a sair do Afeganistão. E antes de saírem do Afeganistão, evidentemente, as Forças Internacionais que operaram no Afeganistão em nome do Conselho de Segurança têm de apresentar relatório exaustivo do que foi feito, para demonstrar ao Conselho de Segurança que o mandado do Conselho de Segurança foi cumprido.
Todos entendem que, para que as Forças Internacionais retirem-se do Afeganistão, o governo afegão deve já estar capacitado para manter a lei e a ordem e para atender os afegãos em seus problemas nacionais de segurança. Evidentemente, a plena capacitação dos afegãos e a retirada das Forças Internacionais são processos necessariamente ligados entre eles e, claro, têm de ser sincronizados. Não se pode cogitar de retirada, antes que o governo afegão, os próprios afegãos, tenham adquirido as competências para manter a lei e a ordem.
TOLOnews: Queria saber, por favor, do ponto de vista da Rússia: os russos entendem que os EUA cumpriram a ‘missão afegã’ que receberam do Conselho de Segurança? 2014 é data indicada para a retirada?
Lavrov:Não. Não vejo como se possa dizer que os EUA fizeram o que o Conselho de Segurança os mandou fazer no Afeganistão. É visível que os problemas continuam, que os ataques terroristas não foram contidos. Preocupa-nos, sobretudo, que as atividades terroristas tenham chegado já ao norte do Afeganistão, onde, há três anos, a situação era calma. Os terroristas estão sendo empurrados, basicamente, para os territórios do norte do Afeganistão, de onde passam facilmente para países da Ásia Central vizinhos da Federação Russa. Nada disso favorece a estabilidade dessa região. É preciso que as Forças Especiais da ONU façam, no Afeganistão, o que foram mandadas fazer lá, por mandado do Conselho de Segurança. E é indispensável que apresentem relatório do que tenha sido conseguido e do que tenha ficado sem fazer.
TOLOnews: Em tempos recentes, tem havido diálogo entre o governo afegão e o governos dos EUA sobre parceria de longo prazo e sobre a presença de soldados dos EUA no Afeganistão depois de 2014. Qual a posição russa?
Lavrov: Não se entende por que isso deva ser encaminhado desse modo, porque, de um lado, se você precisa de presença militar, é sinal que o mandado do Conselho de Segurança ainda não foi satisfatoriamente cumprido. E se você não quer cumprir o mandado do Conselho de Segurança, ou se supõe que o mandato já tenha sido cumprido... para que, então, seriam necessárias as bases militares? Não me parece que haja aí qualquer lógica. Acho também que o território afegão não deve ser usado para implantar espaços militarizados, que evidentemente preocuparão outros povos.
Não vejo que lógica haveria em supor que, em 2014, o mandado do Conselho de Segurança possa ser dado por cumprido... se ainda for necessário haver lá muitos soldados dentro das bases militares. Não se entende que finalidade teriam as tais bases militares e, além disso, os EUA estão em contato com países da Ásia Central, pedindo que autorizem presença militar de longo prazo [dos EUA nesses países].
A Rússia quer entender o motivo disso tudo. Por que as tais bases seriam necessárias? Não acreditamos que esse grande número de bases militares contribua para a estabilidade da região.
TOLOnews: Sr. Ministro, como o senhor vê a conferência de Chicago, que deve focar-se no Afeganistão? Que ajuda a Rússia poderia dar à OTAN, sobretudo na questão das rotas de suprimento?
Lavrov: Não fomos convidados para a conferência de Chicago. Não posso, portanto, comentar o assunto. Quanto a ajudar a OTAN, já estamos ajudando. Oferecemos às forças internacionais de estabilização a possibilidade de utilizarem território russo, a chamada “Rede Norte”, na qual a Rússia está ativamente envolvida. Acho que a Rede Norte já é a principal rota de suprimentos para os exércitos da ISAF no Afeganistão; alguma coisa como 2/3 das entregas viajam pela Rede Norte. Entendemos que é nosso dever contribuir para o pleno cumprimento do mandado que o Conselho de Segurança da ONU deu às forças da ISAF lideradas pelos EUA. E temos o direito de exigir que o mandado, para implementar algo para cuja implementação contribuímos, seja plenamente cumprido. Claro que tudo isso tem de ser coordenado com o governo afegão.
TOLOnews: Quanto à construção do exército nacional afegão, o governo afegão sempre solicitou ajuda internacional. Em que a Rússia pode ajudar, em termos de treinamento e equipamento para o exército afegão?
Lavrov: Sim, podemos ajudar, para o futuro; e já ajudamos bastante, no passado. Há alguns anos, associados à Alemanha, os russos doamos dois helicópteros-ambulância para evacuação de feridos, ao Ministério do Interior do Afeganistão – doação, não venda. Temos fornecido regularmente armas leves e munição. Estamos entregando 21 helicópteros, compra que contratamos com os EUA, para o exército afegão. Anualmente, damos treinamento a várias centenas de especialistas em segurança das agências afegãs. Também treinamos anualmente dezenas e dezenas de militares e agentes das políticas antidrogas afegãs. Essa ajuda, com certeza, será mantida.
IRÃ
TOLOnews: Outra questão importante a discutir é o Irã, país muito importante para o Afeganistão e para a Rússia. Há preocupações no ocidente, que teme que o Irã venha a desenvolver armas atômicas. Em sua opinião, essa percepção seria errada?
Lavrov: Bem... Há muita informação sobre essa questão, acessível a quem se interesse. Todos podem ler e formar opinião própria. A “Agência Internacional de Energia Atômica” [AIEA, da ONU] está trabalhando no Irã. Seus especialistas, técnicos, e vasto equipamento monitoram todos os sítios onde os iranianos produzem combustível nuclear, e os sítios onde enriquecem urânio para finalidades médicas e outras destinações humanitárias, no reator nuclear de pesquisas em Teerã. A AIEA tem informado, em relatórios oficiais, que até agora não constatou qualquer dimensão militar no programa iraniano.
Mais recentemente, disseram que ainda havia algumas questões a elucidar, às quais os iranianos devem responder, para que a AIEA possa concluir, com 100% de certeza, que o programa nuclear iraniano é inteiramente pacífico. Logo que se cumpra essa última etapa, o Irã conseguirá livrar-se das sanções, depois de atender a todas as exigências da comunidade internacional. O Pentágono e a comunidade de inteligência norte-americana também têm falado sobre o assunto, sempre na mesma direção. Recentemente, declararam que não há qualquer informação de que o governo do Irã algum dia tenha tomado a decisão política de produzir armas nucleares. Essa é a informação que se tem de fontes autorizadas. Evidentemente, não faz qualquer sentido desconsiderar a informação que há.
TOLOnews: Recentemente, o primeiro-ministro de Israel disse que Israel considera a possibilidade de atacar as instalações atômicas do Irã, dentro do Irã. A Rússia ajudaria nesse movimento?
Lavrov: Os russos entendemos que isso seria erro gigantesco, esperamos que jamais aconteça. Nossa posição coincide com a dos EUA que, como se viu durante recente visita do primeiro-ministro Netanyahu a Washington, já disseram que desejam solução política. É a abordagem mais inteligente. O uso da força, nessa região, seria catastrófico.
VOLTA DOS TALIBÃS
TOLOnews: É importante para o povo afegão compreender se os russos estão preocupados com possível volta dos Talibã ao poder. Já temos visto movimentos no governo na direção de exigir que as mulheres usem trajes islamistas e não saiam de casa, salvo se acompanhadas por homem da família.
Lavrov: Não tenho dúvidas de que o povo afegão encontrará soluções adequadas para equacionar seus problemas domésticos. Não nos envolvemos em questões internas, nem no Afeganistão nem em outro país. Ajudamos e ajudaremos, o mais possível, o Afeganistão a construir vida em paz. Há apenas alguns dias, houve a primeira reunião da “Comissão Bilateral Rússia-Afeganistão” sobre comércio e cooperação econômica.
OBRAS RUSSAS
Assinaram lá um Memorando de Entendimento, para a reconstrução da área urbana em Kabul e alguns outros projetos que interessam à Rússia e ao Afeganistão e que serão importantes para outros projetos – como a reconstrução do túnel Salang; reconstrução de várias fábricas em Mazar-e Sharif; construção de pequenas estações e usinas hidrelétricas, dentre outros projetos. Há mais tempo, chegaram a haver em andamento 150 projetos construídos no Afeganistão com ajuda soviética. Muitos daqueles projetos seriam muito úteis ao povo afegão e estamos prontos a revitalizar todos esses projetos de cooperação, ajudando a construir a economia afegã, a solucionar os problemas sociais da população e, claro, também queremos preservar e ampliar nossos laços culturais e humanitários. Estamos reconstruindo o antigo “Centro Cultural Soviético” em Kabul. Será um centro cultural russo, e ficará como símbolo da amizade entre nossos povos.
Túnel Salang
TOLOnews: O senhor falou do túnel Salang, muito usado como ligação entre o norte e o sul do Afeganistão. O que os russos farão?
Lavrov: Apenas citei esse projeto, porque é um dos que estamos discutindo com o governo afegão. Aquele túnel foi projetado e construído por engenheiros soviéticos, e ainda temos todas as plantas da construção original. Várias empresas russas trabalharão nesse projeto. A questão do financiamento terá ainda de ser discutida, e estamos nesse ponto das conversações, com afegãos e outros parceiros. Será, provavelmente, projeto conjunto, de vários empreendedores.
TOLOnews: Minha última pergunta: que previsões o senhor faz para o Afeganistão pós-2014?
Lavrov: [risos] Ainda não abracei o ramo da adivinhação, mas... Evidentemente, preferimos que as tropas das Forças Internacionais [da ONU] deixem a região, depois de os afegãos já estarem perfeitamente capacitados para garantir a própria segurança. Com certeza, queremos que a ameaça terrorista seja efetivamente derrotada; que a ameaça das drogas seja eliminada de todo o território afegão; que o Afeganistão volte a ser nação pacífica e neutra. Nada há de excepcional nisso. Parecem-me aspirações razoáveis e lógicas. Mas são opções e decisões políticas que cabem aos próprios afegãos. Todos desejamos ver um Afeganistão próspero, amistoso, pacífico, neutro. Mas nada disso se faz por milagre. Os esforços de todos nós – dos amigos do Afeganistão – serão necessários para que as coisas aconteçam, apoiando o governo do Afeganistão e o povo do Afeganistão na trilha rumo ao futuro brilhante que os afegãos merecem.”
FONTE: entrevista com Sergei Lavrov, Ministro de Relações Exteriores da Rússia, realizada por "EGLB TV", no "TOLOnews", do Afeganistão. Traduzida pelo "pessoal da Vila Vudu" e transcrita no blog “redecastorphoto” (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/03/russia-sobre-otan-eua-no-afeganistao.html) [Título, subtítulos, imagem do google e pequenos ajustes de forma no texto adicionados por este blog ‘democracia&política’].
[OBS deste blog ‘democracia&política’: têm surgido fortes evidências de envolvimento diuturno, contínuo e intenso do Senador Demóstenes Torres (DEM) com expoente do mundo do crime. Inclusive, ele confessou ter recebido de presente de suposto criminoso valiosa cozinha importada. Quem tratava Carlinhos Cachoeira de "criminoso" era a grande mídia, nos tempos do relacionamento dele, sobre propinas, com Waldomiro Diniz, então integrante do governo do RJ (Garotinho). Especialmente, assim tratava a mídia porque, depois, Waldomiro veio a ser assessor de José Dirceu no Palácio do Planalto. Hoje, a mídia promoveu Cachoeira a "empresário". Esses fatos não são o foco, nem contestados no artigo abaixo. O que o jornalista Marco Aurélio Mello ressalta é o intrigante aspecto de as denúncias, desta vez, não terem sido totalmente abafadas pela mídia, como ela tem feito na proteção de integrantes da direita desde os anos 90. Deve haver algum interesse da mídia ainda oculto, por trás desse recente comportamento inusitado. Marco Aurélio conta outros "abafamentos" da TV Globo muito mais graves e dolosos].
Por Marco Aurélio Mello, no blog “DoLaDoDeLá”
“Lembrei-me do episódio que narro em seguida depois de ver o nome de Carlinhos Cachoeira de volta ao noticiário, no caso envolvendo o senador Demóstenes Torres.
Partindo de onde partiu, resolvi por as “barbas de molho”. Por quê? Explico.
Era 2004. Trabalhava na TV Globo, em São Paulo.
Um deputado estadual do Rio, não me lembro mais quem, havia passado para o “Fantástico” a gravação que incriminava Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do primeiro governo Lula.
O “furo” da Revista Época (leia-se Editora Globo), em fevereiro daquele ano, abriu caminho para a CPI dos Bingos, na Câmara Federal e excitou a mídia, que festejava a descoberta do caixa dois da campanha do PT à presidência.
De quebra, enfraquecia o principal artífice do projeto político ora no poder: José Dirceu.
Luiz Carlos Azenha e eu fomos incumbidos, em São Paulo, de produzir uma reportagem especial esmiuçando a gravação entre Cachoeira e Diniz a procura de desdobramentos.
Carlinhos Cachoeira e Waldomiro Diniz
Produzimos um VT de quase 8 minutos. A princípio, seria para o JN (duvidávamos, por causa da longa duração). Depois, passaram para o “Fantástico” e, por fim, reeditamos para o “Jornal da Globo”, depois de cortes e mais cortes.
A certa altura da edição, toca o telefone na minha mesa. Pasmo, atendo, do outro lado da linha, Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, o próprio. Pergunto aos meus botões: como foi que ele descobriu a produção da nossa reportagem? E mais, quem teria dado o meu ramal a ele?
Conversamos com franqueza e cordialidade. Ele desqualifica a reportagem que estamos fazendo e diz (numa tentativa de barganhar a seu favor) que tem como nos dar, com exclusividade, o caminho para o caixa dois do PSDB (seria uma isca?).
Digo a ele que não tenho poder para mudar o trabalho em curso, mas sugiro que me explique qual é a denúncia exatamente, para encaminhar à direção.
Ele me conta que o negócio de caça-níqueis, bingos e loterias deixou de ser rentável e que migou para o ramo de medicamentos genéricos, mais “limpo” e atrativo. Estava disposto a contar “em off” como era o esquema na ANVISA para liberação das fórmulas.
Era denúncia grave. Envolvia o ex-ministro da Saúde e candidato derrotado à presidência, José Serra, e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que, segundo meu interlocutor, teria até participado de um encontro com ele, Cachoeira, e outros na base aérea de Anápolis, quando de um evento da Aeronáutica.
Desligo o telefone, consulto o arquivo e bingo! Temos a imagem do então presidente desembarcando e sendo recebido na pista da base aérea de Anápolis, no dia apontado por Cachoeira. Peço para “descer” a imagem e conto para o Azenha.
Decidimos fazer menção discreta dentro da reportagem, para não chamar a atenção da nossa chefia, e que, indo ao ar, poderia servir de pista para repórteres investigativos, cujos veículos fossem mais isentos e independentes.
Diante dessa nova bomba, que poderia equilibrar o jogo em favor do governo Lula que, àquela altura, estava imobilizado nas cordas, apanhando sem parar, apresentei um relatório à chefia e fui pessoalmente contar ao chefe de reportagens especiais, Luiz Malavolta, o que tínhamos em mãos.
“Pode esquecer”, disse o Mala. “Denúncia contra o Serra a casa [TV Globo] não vai dar”. Dito e feito. Até hoje, ninguém abriu a caixa preta da indústria farmacêutica dos genéricos. Ou será que o Amaury Ribeiro Jr. não desvendará esse mistério para nós em “A Privataria Tucana 2”?
Por isso, quando ouço falar de Carlinhos Cachoeira, Revista Época, Globo e congêneres já fico com uma preguiça danada.
Foi o que disse ao meu sobrinho dia desses: “Toda denúncia serve ao interesse de alguém.” No caso dessa última, envolvendo o senador por Goiás, a quem interessa?”
Fernando Damata Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Nas exportações, diversificamos os destinos; nas importações, apoiaremos a indústria sem criar entraves travestidos de barreiras sanitárias ou de segurança.
Dezembro de 2002. Fechado o ano, a balança comercial brasileira registra US$ 13 bilhões de superávit. A corrente de comércio alcança US$ 107,5 bilhões.
Dezembro de 2011. No ano, a soma de exportações e importações cresceu mais de 450%, chegando a R$ 482,29 bilhões. O superávit é fechado em US$ 29,7 bilhões.
Houve mudança de patamar.
Há nove anos, nossas vendas se concentravam nos mercados americano e europeu, na casa de US$ 15 bilhões cada.
Hoje, diversificamos os destinos das exportações: a Ásia (US$ 76,6 bilhões) e a região que engloba América Latina e Caribe (US$ 57,1 bilhões) são os principais mercados. Para os países africanos e para a região do Oriente Médio, houve salto substancial. Em ambos os casos, de US$ 2 bilhões para US$ 12 bilhões.
As importações no período também tiveram forte crescimento, com a Ásia (US$ 70 bilhões) à frente.
Apesar dessas alterações drásticas -decorrentes do crescimento da economia e da atuação do ex-presidente Lula, que desbravou novas fronteiras para o produto brasileiro- o país convive ainda com arcabouço jurídico e institucional do passado.
Um conjunto de medidas capitaneadas pelo “Plano Brasil Maior”, no entanto, está em curso para adequar o país ao estágio atual da economia. Todas elas respeitam as regras da “Organização Mundial do Comércio” (OMC) e espelham as melhores práticas internacionais. Verdade que, em alguns casos, com quase 80 anos de atraso.
Um exemplo: desde as décadas de 1930 e 1940, os Estados Unidos e o Japão, respectivamente, mantêm "políticas de compras locais".
A partir deste ano, o Brasil seguirá o exemplo, com margem de preferência de até 25% para o produto nacional nas compras governamentais. O percentual para têxteis, calçados e artefatos já foi fixado em 8% e, em breve, a margem será estabelecida nas áreas de saúde e tecnologia de informação.
Para garantir a competitividade da indústria nacional e atrair investimentos em áreas nas quais o país não tem domínio tecnológico, o governo federal vem instituindo uma série de desonerações tributárias, incluindo a desoneração da folha de pagamentos e a devolução ao exportador de 3% da receita das vendas de manufaturados para o mercado externo.
Essa última ação tem base em uma regra não escrita do comércio internacional adotada por todos: não se exporta tributos.
Há, ainda, os regimes tributários especiais, que diminuirão a carga tributária sobre setores estratégicos, como os de semicondutores e telecomunicações. Em outra frente, ainda neste ano, a equipe de investigadores do “Departamento de Defesa Comercial” ganhará mais 120 profissionais selecionados por concurso público.
Em cenário de crise nos países centrais, cada vez mais cautelosos em relação às suas economias, por que o Brasil deveria ser o único a não olhar com atenção o seu mercado interno?
O governo federal lançará mão de todos os mecanismos que estejam previstos nas regras da OMC para fazer frente aos novos tempos e responder emergencialmente à crise, desencadeada nos Estados Unidos, em 2009, e na Europa, em 2011.
Convém sempre lembrar que nenhuma das medidas adotadas impediu importações ou criou entrave ao comércio travestido de barreiras de segurança ou sanitárias.
Aqui não há burocracia secreta ou taxa discriminatória. Há, sim, a necessidade de defender a sólida e secular indústria nacional do comércio desleal e predatório e de criar as condições para que ela possa se modernizar e dar o salto de qualidade rumo ao padrão de produção do século 21. O mundo mudou. O Brasil precisa acompanhá-lo.”
FONTE: escrito por Fernando Damata Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Foi prefeito de Belo Horizonte entre 2003 e 2008. Artigo publicado originalmente na coluna “Tendências/Debates” do jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 18/03/2012. Transcrito no portal do PT (http://www.pt.org.br/noticias/view/artigo_o_futuro_do_comercio_exterior_brasileiro_por_fernando_damata_pimente) [imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].
LEILÃO DE CONHECIMENTO. A TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA É O NÓ
“Adiado repetidamente desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o projeto FX 2, de compra de novos aviões de caça para a FAB, passa por nova fase de disputa entre as empresas finalistas. A transferência de tecnologia é o nó
Por Thais de Luna, do “Correio Braziliense”
O processo de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB), o conhecido Projeto FX 2, consiste em mais do que simplesmente comprar aeronaves que reforcem o sistema de defesa aérea do país. Após três anos no limbo, ao retomar — em 2006 — o processo de compra, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou: as únicas empresas aceitas na disputa seriam as que transferissem, integralmente, a tecnologia de fabricação de seus aviões para o Brasil.
Isso significa ter acesso aos métodos e materiais de produção, aos códigos-fonte que programam os aparelhos, ao conhecimento integral para executar todos os passos que permitam elaborar um caça do tipo no país. Diversas empresas aceitaram essa condição — embora algumas com ressalvas — e entraram no páreo. E as três finalistas, a sueca Saab, a norte-americana Boeing e o consórcio francês Rafale International, não veem a hora de o mistério de "quem será a vencedora" acabar.
Estima-se que a presidente Dilma Rousseff encerre essa longa novela até maio, novo prazo previsto para o anúncio da empresa que vai vender 36 caças para o Brasil.
O prazo parece ser respaldado pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao sinalizar que a escolha deve ser divulgada até o início do próximo semestre. Com a proximidade cada vez maior da decisão de quem vai vender as aeronaves de combate para o país, as três companhias que estão no páreo decidiram intensificar suas manifestações de interesse no Projeto FX 2, com visitas a Amorim e a reafirmação do compromisso de repassar tecnologia ao Brasil.
SUECOS
Entre essas três corporações, a que vem agindo de maneira mais incisiva atualmente é a Saab, que concorre no FX 2 com o caça Gripen NG. Na semana passada, o presidente da empresa, Håkan Buskhe, acompanhou o presidente do Parlamento sueco, Per Westerberg, em visita ao Brasil.
Buskhe aproveitou a oportunidade para conversar com o “Correio” sobre como a parceria com a FAB poderia beneficiar o país sul-americano. "Nós oferecemos transferência de tecnologia completa, pois não acreditamos em apenas enviar caixas fechadas para nossos parceiros comerciais. Nosso projeto consiste em fazer com que o Brasil seja responsável por 40% do desenvolvimento das aeronaves, por 80% da fabricação das estruturas e que a integração, inclusive de dados, seja completa", descreveu (leia abaixo “Três perguntas para Håkan Buskhe, presidente da SAAB”).
Por isso, sustenta, a parceria com a FAB e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) será um sucesso. "Vamos enviar os códigos-fonte dos sistemas dos aviões e trabalhar juntos. Desse modo, Brasil e Suécia vão, inclusive, dividir a propriedade intelectual sobre os caças", assinalou Buskhe.
Para ele, o grande diferencial da Saab para a Boeing e o consórcio Rafale International é o fato de que o grupo sueco "não está vendendo apenas um produto, mas um projeto a longo prazo". Para iniciar esse processo, a companhia, inclusive, desenvolveu uma parceria com o “Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro” (CISB), com o objetivo de apoiar a inscrição de trabalhos de cientistas brasileiros nas áreas de segurança e defesa a fim de obterem bolsa de estudos do programa “Ciência sem Fronteiras”, do governo federal.
FRANCESES
A “Rafale International”, que pretende vender para o Brasil os caças Rafale F3 — fabricados pela Dassault — tem adotado estratégia semelhante à da equipe sueca para conquistar o apoio de pesquisadores do Brasil. "A parceria inclui transferência tecnológica irrestrita, que tem o aval do presidente francês Nicolas Sarkozy. Isso será possível devido ao fato de a França ser, ao lado dos Estados Unidos, um dos dois países no mundo ocidental que domina de forma autônoma todas as tecnologias avançadas necessárias para desenvolver sozinho uma aeronave de combate", informou o grupo, em comunicado.
O consórcio, que pretende treinar e aperfeiçoar os profissionais da indústria para que recebam a tecnologia oferecida, fez como a Saab, e iniciou trabalhos conjuntos com universidades, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para a elaboração de projetos de pesquisa e desenvolvimento nos setores de educação e ciências espaciais.
NORTE-AMERICANOS
Por sua vez, a Boeing, concorrente com a aeronave F/A-18E/F Super Hornet, ressaltou que a parceria EUA-Brasil no setor militar também beneficiará as áreas de energias alternativas e biocombustíveis. "O FX 2 não é apenas uma competição sobre a venda de um avião. Trata-se de uma parceria de longo prazo que durará décadas e com a qual a indústria brasileira vai ampliar sua posição no mercado global", determinou o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais para a Europa, Israel e as Américas da empresa, Joe McAndrew, ao Correio.
Quanto à suspensão norte-americana da compra de um lote de 20 Super Tucanos da Embraer, o embaixador dos EUA, Thomas Shannon, negou que a medida esteja ligada ao FX 2. "A decisão foi tomada em função de problemas internos da Força Aérea dos Estados Unidos", explicou ao jornal “O Estado de S. Paulo”. [A Boeing] é o único caso em que há relutância para maior transferência de tecnologia.
PROGRAMA FX/FX-2
O plano de reequipamento da FAB foi desenvolvido sob o nome de “Programa FX” durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As empresas que concorreriam no processo, inclusive, já haviam sido selecionadas quando o sucessor na presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, adiou a seleção com a justificativa de que precisava fazer ajustes no orçamento e focar em outras questões consideradas mais importantes, como os projetos sociais.
O processo foi retomado em 2006, com o nome de “FX 2”, e sofreu uma série de alterações, incluindo a exigência do direito de produzir os caças, sob licença, no Brasil e exportá-los na América do Sul. Os gastos estimados subiram de US$ 700 milhões para cerca de US$3 bilhões. Em 2009, Lula chegou a anunciar sua preferência pelas aeronaves francesas Rafale, mas, no fim das contas, deixou a decisão final nas mãos de Dilma Rousseff. Cabe a ela, agora, dar fim a essa história.
TRÊS PERGUNTAS PARA HÅKAN BUSKHE, PRESIDENTE DA SAAB
Gripen NG
Para a Saab, qual é a importância de ter o Brasil como parceiro comercial?
O Brasil tem sido um mercado importante para a Suécia há cerca de 100 anos. Cerca de um dos maiores centros industriais suecos é em São Paulo. Temos tradição de trabalhar em parceria com brasileiros. A Suécia tem população de 9,6 milhões de pessoas e, para que nossas indústrias se desenvolvam ainda mais com mão de obra qualificada, precisamos recorrer à colaboração com outros países.
Não conseguimos manter nossas companhias internacionais apenas na Suécia, precisamos crescer. E as relações com o Brasil, que é um país já inserido no mercado global, beneficiam esse desenvolvimento para nós e para a indústria brasileira.
--Como é possível usar a tecnologia militar no desenvolvimento de tecnologia civil, inclusive na área de aviação comercial?
Nós não fazemos apenas aeronaves militares, mas também sistemas relacionados, como aeroportos e administração de tráfego aéreo. Isso é base tecnológica que pode ser usada na aviação comercial, por exemplo. Nossos aviões são feitos de materiais leves, que, consequentemente, reduzem o consumo de combustível.
Isso é outro fator que, futuramente, a Embraer pode utilizar em suas aeronaves civis. Há outras características, no entanto, que realmente levantam esse questionamento da possibilidade de usar a tecnologia militar no setor civil. Um exemplo de que isso pode ser aplicado no dia a dia das pessoas é o “airbag” (dispositivo de proteção) presente nos carros. Ele começou a ser usado nos aviões após notarmos que quando o piloto precisava ejetar seu assento, caso a aeronave apresentasse problemas, ele acabava se ferindo com os cacos do vidro da parte da frente da cabine.
--Qual é o interesse da Saab em desenvolver parcerias com as universidades brasileiras, ajudando no programa “Ciência sem Fronteiras”?
No “Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro” (CISB), queremos juntar empresas e universidades para trabalharem juntas no desenvolvimento de tecnologia. Garantimos o financiamento de bolsas de estudo. Queremos encorajar o trabalho coletivo, para que as nações se integrem.
Na Suécia, temos cerca de 10 mil mestres e pós-doutorados na área científica. Por isso, acreditamos que promover a troca de conhecimento, ao oferecer 100 bolsas de estudos para universitários brasileiros com bons projetos no setor de indústria, de tecnologia e de energia, será positivo para os dois países. A ideia é que esses estudos sejam viabilizados pelas companhias, agregando o conhecimento dos estudantes com a estrutura das empresas.”