quinta-feira, 22 de março de 2012

BRASIL MELHOR QUE OS ESTADOS UNIDOS EM DEMOCRACIA


O BRASIL VIVE MOMENTO DEMOCRÁTICO MELHOR QUE OS ESTADOS UNIDOS – MAS POR QUÊ?

Por Renato Janine Ribeiro, no jornal “Valor”

“O Brasil está melhor que os Estados Unidos na qualidade de sua democracia. Afirmei algo absurdo? Não. A democracia com maior continuidade na história, a única que jamais suspendeu uma eleição nem conheceu um golpe de Estado, infelizmente vive hoje, a cada quatro anos, o pavor de que a barbárie triunfe. Ou como chamar uma linha política que, como fazem os dois principais aspirantes republicanos à Casa Branca, quer desestimular os jovens de estudar nas melhores universidades que existem? No Brasil, seria inimaginável Dilma – ou Serra – dizer alguma das enormidades em que a extrema-direita norte-americana acredita. (Mesmo assim, devemos tomar cuidado com os extremistas religiosos, que têm peso no Congresso para sua luta retrógrada).

Tentemos explicar esse fenômeno. Sustento que a estabilidade democrática depende de que a grande maioria de uma sociedade vote em partidos comprometidos com a democracia – não só com a forma eleitoral dela, mas também com os direitos humanos e com essa suma da ética política, que se resume em respeitar o outro. Só que essa condição não é tão simples assim. Sua aplicação traz resultados que surpreendem.

Numa democracia, primeiro, as questões polêmicas devem ser decididas em eleições livres. É óbvio. Segundo: no mundo moderno, se entendeu que é bom haver partidos. As tentativas de construir um regime democrático que dispense essas organizações – investindo na participação direta dos cidadãos – não deram certo, pelo menos até hoje. As democracias realmente existentes se organizam em partidos, que competem pelo poder.

A DIREITA AMEAÇA A DEMOCRACIA NORTE-AMERICANA


Essa competição geralmente dá certo. Mesmo um partido que parece firme no poder não tem garantias de conservá-lo por muito tempo. Depois que o PSDB venceu em 1994, seu líder Sergio Mota falou num projeto de vinte anos no poder. Ficou oito. A alternância eleitoral existe na maior parte dos países democráticos – Alemanha, França, Itália, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos [Obviamente, não se vai trocar o bom pelo ruim somente em respeito ao conceito de “alternância”...].

Mas o que sugiro como condição adicional para a democracia é que os partidos ou coligações que reúnem a grande maioria dos votos tenham convicções democráticas. É importante eles assumirem certos valores, em seu programa e prática, que estabilizem a sociedade. O primeiro é o da liberdade de expressão, organização e voto. O segundo é um fator recente, componente essencial das novas democracias, as que cresceram no Atlântico Norte com a guerra contra o nazismo, e na América Latina desde a queda de suas ditaduras, nos anos 1980: o empenho em eliminar a miséria e reduzir a injustiça social e a pobreza. O primeiro conjunto de compromissos garante a manutenção da forma democrática. Mas daí decorre o segundo conjunto, que se refere ao conteúdo da democracia. Essa não existirá se as pessoas não tiverem educação para tomarem decisões autônomas, em vez de repetirem a palavra alheia como papagaios; se não contarem com um mínimo de renda graças ao trabalho para serem livres em suas escolhas, inclusive políticas; e se não contarem com formação cultural que amplie seus horizontes. Daí, podem chegar quer a visão cooperativa, solidária e socialista, quer a uma atitude liberal, empreendedora e competitiva. Essa escolha ninguém fará por elas. Mas ambas estão dentro da esfera democrática.

Ora, como fica o mapa mundi disso tudo? O Brasil se sai bem. Nas eleições presidenciais de 2010, votamos esmagadoramente em candidatos do campo democrático. Nenhum deles liquidaria as liberdades. Todos as ampliariam. Evidentemente, cada um o faria a seu modo, mas está errado dizer que algum deles poria em risco a democracia. O mesmo podemos afirmar quanto à Alemanha e ao Reino Unido. Já no tocante à Itália, não. O polo político de direita, representado por Berlusconi, tem constituído constante ameaça ao Estado de Direito naquele país. Na França, as políticas do presidente Sarkozy, copiando as medidas xenófobas da extrema-direita, afetam negativamente seu compromisso com a democracia.


Sarkozy, direitista, filho de judia, expulsa ciganos da França

Mas o caso mais grave é o dos Estados Unidos. Desde que os republicanos se tornaram reféns de extremistas, uma vitória de seu partido representa um pesadelo para a democracia. Basta ver o desastre que foi a administração de Bush 2.0. Deu presentes, por sinal desnecessários, aos mais ricos. Iniciou duas guerras. Construiu déficits cada vez maiores. Desregulou as finanças. Tecnicamente, foi um governo ruim, mas no plano dos valores foi ainda pior. Guantánamo é seu emblema.

Estamos melhor que os Estados Unidos? Neste plano, sim. Na pujança da economia, não. Mas a forma pela qual um povo concebe seu futuro tem muito a ver com os valores que se debatem na praça pública. Não espanta que o Brasil esteja se dando bem nas pesquisas sobre a felicidade. Na medida em que a política concorra para isso, nosso país pode ter razoável segurança de que nenhuma de suas principais forças políticas ameaça as liberdades básicas, nem proporá um recuo nos projetos sociais desenvolvidos neste novo milênio.

Essa é uma grande mudança para o país, em face do que vivemos até 1994 em escala nacional e, no Estado e na cidade de São Paulo, até que o malufismo deixou de ser protagonista. [Em São Paulo,] as últimas eleições em que a direita que apoiou a ditadura se mostrou competitiva, chegando ao segundo turno, foram em 1998, para o governo do Estado, e em 2000, para a prefeitura da capital. Assim, desde 1994 ela não chega à reta final para a Presidência [apesar de que os governos FHC se colocaram como servis instrumentos da direita], desde 2002 para o governo do Estado mais populoso e desde 2004 para a prefeitura da maior cidade. [Há controvérsias, pois José Serra e Geraldo Alkmin agiram e agem como se da direita fossem]. Hoje, nossos principais antagonistas políticos têm credenciais democráticas.”

FONTE: escrito por Renato Janine Ribeiro, professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Publicado no jornal “Valor Econômico” e transcrito no blog “Leituras do Favre”  (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/03/o-brasil-vive-um-momento-democratico-melhor-que-os-estados-unidos-mas-por-que/) [imagens do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

TSUNAMI COMERCIAL É MAIS AMEAÇADOR QUE O MONETÁRIO


O artigo é de J. Carlos de Assis

“A crise financeira europeia é um risco europeu, mas a política econômica adotada na Europa sob tacão alemão, para supostamente enfrentá-la, é um risco nosso. Na medida em que toda a União Europeia corta gastos públicos, salários, direitos previdenciários e outras formas de sustentar o consumo interno, com o fim, nem sempre explícito, de gerar excedentes exportáveis a qualquer preço, são os mercados emergentes, e notadamente o nosso, que terão de suportar o ataque comercial.

O Governo começa a se dar conta disso, mas grande parte do empresariado, sobretudo o pessoal da FIESP, ainda está focada quase exclusivamente na ameaça chinesa. Contudo, para nós, se a China tem sido um problema pelo lado das importações de manufaturados, ela tem feito parte da solução pelo lado das exportações de matérias-primas (sobretudo minério de ferro e soja). Claro que o yuan [sub]valorizado incomoda. Mas por que insistimos em não administrar melhor o câmbio?

Já o potencial dumping comercial europeu é muito mais ameaçador porque, ao contrário da China, a União Europeia esta fazendo uma política econômica que restringe importações ao mesmo tempo em que estimula exportações. E não só ela. Os Estados Unidos de Barak Obama pretendem dobrar as exportações em cinco anos, a partir de 2010, e o Ministro da Fazenda japonês, numa carta-circular, orientou os presidentes das corporações japonesas a reorientar as exportações para os países emergentes, já que os países industrializados avançados estão estagnados.

Carros japoneses em exportação para países emergentes

Pela primeira vez na história, teremos uma situação em que, virtualmente, todos os países industrializados avançados têm como política prioritária aumentar exportações e limitar importações, nesse caso como consequência da queda do consumo resultante dos cortes de gastos públicos. A avalanche exportadora dos ricos recairá sobre nós, os pobres e os emergentes, na forma de destruição dos parques produtivos que já temos ou dos sonhos de tê-los algum dia, no caso dos menos desenvolvidos, liquidando os melhores empregos no nosso mercado de trabalho.

Mais uma vez, é preciso desculpar a China: suas exportações têm caído significativamente, enquanto as importações aumentam. Desse ponto de vista, está ocorrendo no país um saudável rebalanceamento de suas contas externas a partir do revigoramento do consumo interno. Existe aí clara política de estilo keynesiano, algo que passou a ser anátema na Europa.

Lembre-se que, em termos relativos, a China fez o maior programa de estímulo do planeta no sentido de reverter a crise de 2008. Essa política, ancorada em planejamento e financiamento de bancos estatais, assegurou elevadas taxas de crescimento, só caindo para ainda elevados 7,5% neste ano.

Não vejo como enfrentar o tsunami comercial proveniente da

Europa e de outros países desenvolvidos a não ser por rápido movimento na direção do aprofundamento da integração sul-americana. Note-se que, individualmente, não seria possível ao Brasil, mesmo com política cambial decente, proteger seu parque produtivo com barreiras comerciais. Seríamos considerados párias no mundo e sujeitos a duras retaliações em nossas exportações. Contudo, como bloco econômico, poderemos construir uma barreira tarifária protetora, pelo menos por algum tempo, tempo para os países desenvolvidos alterarem sua política.

Assim, a integração sul-americana, que em outros tempos foi ideal político romântico, tornou-se agora imperativo de sobrevivência. E não estou falando apenas em comércio através do MERCOSUL, ou de política e defesa, através da UNASUL. Estou falando de integração econômica através do entrelaçamento de cadeias produtivas mediante a articulação de redes de empreendimentos comuns, que envolvam efetivamente os empresários privados e estatais da região. Isso interessa a nós, que temos parque industrial relativamente avançado, mas também aos menores países da América do Sul, que legitimamente possam aspirar a algum tipo de especialização industrial, como na Europa do Norte.

Com esse objetivo, já tramita no Congresso Nacional e no PARLASUL um projeto de estímulo aos investimentos de integração produtiva na América do Sul. A intenção é que projetos similares sejam aprovados em todos os parlamentos regionais, o que poderia ser feito em tempo relativamente curto – ou mais curto que a discussão de um tratado -, abrindo caminho para a formalização de um bloco econômico. Se for feito rápido, isso dará tempo a que a Sra. Merkel, o Sr. Cameron, o Sr. Sarcozy (ou seu sucessor) tomem juízo e desistam de incendiar a Europa e o mundo, como fez a Alemanha 70 anos atrás por outros meios.”

FONTE: artigo de J. Carlos de Assis, economista e professor da UEPB, coautor, com Francisco Antonio Doria, do recém-lançado “O universo neoliberal em desencanto”, pela Civilização Brasileira. Este artigo foi publicado também no site “Rumos do Brasil” e no jornal carioca “Monitor Mercantil”. Transcrito no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19787) [imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

Delfim Netto: REANIMAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA


Da Carta Capital, “ENSAIO DE BRUXARIA”

Por Delfim Netto

Para reanimar a economia brasileira, nada mais importante que baixar a taxa de juros

“Para reanimar a economia brasileira, não existe nada mais importante do que baixar a taxa de juros. É absolutamente natural o corte de 0,75 ponto da taxa básica, decidido na reunião do COPOM na segunda semana do mês de março. O Banco Central está agindo prudentemente e com medidas corretas. A taxa real dos juros no Brasil continua sendo a maior do mundo. Seu nível é extremamente prejudicial do ponto de vista da eficiência do funcionamento do sistema econômico, adiando investimentos e inibindo exportações dos setores mais dinâmicos da indústria, graças à supervalorização do real.

Haverá sempre quem faça críticas acenando com os riscos de uma recidiva da inflação (em 2013!), já que mesmo os mais céticos se convenceram de que em 2012 ela está se comportando como esperava o governo, na direção da meta de 4,5%. Existe certo esforço de bruxaria nesses ensaios, pois as conclusões dependem do modelo de análise que os críticos estão usando, das relações que estão dentro desses modelos, da qualidade das estimativas e das convicções dos analistas. Dependem, também, da crença de que “o governo está morto”.

A hipótese é que“tudo vai continuar como está”: o governo não vai agir, “já fez o que tinha de fazer” e vai esperar de braços cruzados a inflação voltar, ou seja, a própria hipótese nega a existência do governo. Só que o governo Dilma está vivo e mandando bem… O Banco Central está muito mais “antenado” com a realidade econômica mundial do que a maioria de seus críticos. Tem se antecipado aos lances (alguns próximos do desespero) das autoridades monetárias dos países desenvolvidos, que tentam transferir para os parceiros emergentes os efeitos do sufoco financeiro que eles próprios criaram.

O governo brasileiro sabe que o problema europeu está longe de ser resolvido. E não tem ilusões sobre as consequências da criação dessa gigantesca liquidez nos Estados Unidos e na Europa, cujo objetivo é desvalorizar suas moedas e melhorar a capacidade de ampliar suas exportações. É isso que move essa competição entre o dólar e o euro à qual, embora distante, não está alheia a China, porque sua moeda (o yuan) já está grudada na americana. Países emergentes como o Brasil, com instituições de melhor qualidade e que tenta se comportar de forma civilizada, são as maiores vítimas da contrapartida que é a supervalorização de suas moedas. No nosso caso, não podemos continuar subestimando os prejuízos causados por um real sobrevalorizado ao setor industrial, um desequilíbrio permanente que vem de longe.

Há outras causas para esse desequilíbrio, como a alta tributação, a infraestrutura mal resolvida, a burocracia e as taxas de juro abusivas, que todos conhecemos. O abandono mais recente de investimentos e o aumento das dificuldades para vencer a competição externa e no próprio mercado interno têm como causa principal, no entanto, a competição dos Estados Unidos, Europa e a própria China ao desvalorizarem suas moedas para explorar mercados como o brasileiro. E lucrar com as oportunidades de arbitragem financeira que a supervalorização do real oferece.

Há análises aqui e no exterior (como a que inspirou o comentário da chanceler da Alemanha) que pretendem que a indústria brasileira não sabe ser competitiva, e, por isso, exige de seu governo medidas protecionistas. É natural que nosso setor industrial tenha problemas de competição, como qualquer outra indústria no mundo. Nós sabemos o que representa o “custo Brasil”, mas, na usina, a produtividade da Volkswagen do Brasil é tão eficiente quanto a da Volkswagen na Alemanha.

Merkel sabe que a infraestrutura alemã funciona bem, que seu sistema de assistência social é muito eficiente e que o entendimento com os sindicatos trabalhistas tornou possível manter os salários contidos em meio a crises. Com câmbio favorável desde a introdução do euro e índices de produtividade do trabalho crescentes, a Alemanha aumentou vigorosamente suas exportações, especialmente para os países da Zona do Euro, consolidando a posição dominante que tem hoje na -Comunidade Econômica Europeia.

Não deixa de ser interessante discutir esses índices de produtividade industrial. O que está em jogo, porém, são as condições isonômicas que nenhum governo brasileiro deu, até agora, à sua indústria.”

FONTE: escrito por Antonio Delfim Netto na revista “Carta Capital” e transcrito no portal de Luis Nassif  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-reanimacao-da-economia-brasileira-por-delfim-netto#more) [imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

TV Cultura: UMA NOVA PRIVATARIA EM CURSO


Por Joaquim Ernesto Palhares

“A ninguém mais é dado o direito de supor que o colapso da ordem neoliberal conduzirá, mecanicamente, à redenção da esfera pública na vida da sociedade. O que se verifica em muitos países, sobretudo na Europa, é que o pior pode acontecer. A imensa reconstrução a ser enfrentada ainda espera por seus protagonistas históricos. Em muitos casos, sequer existe o que recuperar. A crise realçou carências antigas; respostas nunca antes contempladas de fato aguardam uma equação inovadora.

Esse é o caso, por exemplo, da democratização da mídia. Em São Paulo, neste momento, o esfarelamento da TV Cultura, uma emissora pública que nunca assumiu integralmente a sua vocação, é uma referência dos desafios a superar.

A exceção de um pequeno hiato nos anos 80, quando, inclusive, alcançou índices de audiência de até 14 pontos, a televisão pública paulista teve seus objetivos desvirtuados pela asfixia, ora financeira, ora política. Ou, como acontece agora, espremidos pelo duplo torniquete de constrangimentos institucionais e econômicos.

Dela pode-se dizer que, até hoje, não superou uma crise de identidade que conduz à permanente oscilação entre ser um canal estatal, um veículo público ou um arremedo amesquinhado de emissora comercial.

A longa agonia da TV Cultura de São Paulo está longe de ser um problema apenas financeiro, como se alardeia, e menos ainda de natureza técnica. Nichos de qualidade indiscutível comprovaram a capacidade dos profissionais que ali passaram de gerar programação diferenciada, irretocável competência. Suas raízes são políticas, agravadas pelo peso de uma agenda histórica que hoje definha. Aqueles que decretaram a irrelevância da esfera pública na construção da sociedade brasileira e de seu desenvolvimento não poderiam jamais ter um projeto coerente de emissora de televisão voltada para os interesses gerais da cidadania.

Esse é o cerne da montanha-russa vivida pela TV pública paulista nas últimas décadas. Ele explica por que, no Estado mais rico da federação, uma emissora, criada há 45 anos, ainda não sabe a que veio; não tem laços orgânicos com a cidadania; não dispõe de estrutura estável de financiamento e, sobretudo, continua a mercê do arbítrio de governantes de plantão que nomeiam e cortam cabeças ao sabor de suas conveniências fiscais e, pior que isso, eleitorais.

A crise da TV Cultura, é forçoso repetir, alinha-se a um processo corrosivo que, por quase três décadas, hostilizou, desdenhou, induziu ao sucateamento e estigmatizou aos olhos da opinião pública tudo o que não fosse mercado; tudo o que não fosse interesse privado, que não refletisse uma eficiência medida em cifras e valores negociados em bolsa, foi desqualificado e loteado.

Nesse funeral da coisa pública, seria um milagre se a emissora de TV do Estado que se notabilizou como a trincheira ideológica desse credo, tivesse outro destino que não o recorrente arrastar de demissões, o liquidacionismo de acervos, programações e talentos. Tudo a desembocar num eterno e desairoso recomeço rumo a lugar nenhum.

A essa montanha desordenada de impulsos irrefletidos agrega-se, agora, um novo golpe: o loteamento da grade de programação pública aos veículos de mídia privada, alinhados à doutrina e aos interesses dos ocupantes do Palácio dos Bandeirantes.

Reconheça-se a pertinência de um espaço ecumênico de debate jornalístico numa televisão pública, como contraponto à insuficiência - para dizer o mínimo - do noticioso oferecido pela maioria das emissoras comerciais.

Não é disso, porém, que se trata. Quando se concede, unilateralmente, a uma corporação midiática, caso da “Folha de São Paulo”, 30 minutos semanais, em horário nobre, o que se sugere é uma apropriação do sinal público pela endogamia de interesses que não são os da sociedade.

A construção de uma verdadeira emissora pública de televisão em São Paulo -e no Brasil - não é um capricho ideológico, mas uma necessidade da democracia brasileira. Trata-se de um serviço que a lógica privada do lucro não se dispõe, nem tem condições de atender.

Não é fazendo da TV Cultura um anexo do 'jornalismo amigo' produzido na Barão de Limeira que esse objetivo será alcançado.

O desmonte da TV Cultura tem que ser interrompido. Mais que isso, hoje ele tem condições de ser contrastado. O colapso da hegemonia neoliberal reforçou o discernimento da sociedade para a urgente necessidade de se construir exatamente o inverso do que se arquiteta sob as asas da Fundação Padre Anchieta. Ou seja, substituir a dominância dos interesses privados pela regulação democrática das demandas e aspirações da sociedade.

Em São Paulo, o primeiro passo nessa direção tem que ser dado agora. É preciso impedir que uma privatização anômala do sinal público seja consumada na TV Cultura.”

FONTE: escrito por Joaquim Ernesto Palhares, Diretor de Redação de “Carta Maior”. Postado por Saul Leblon  (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=922) [imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

quarta-feira, 21 de março de 2012

MAIS PETRÓLEO: PETROBRAS FAZ NOVA DESCOBERTA NO PRÉ-SAL

PETROBRAS FAZ NOVA DESCOBERTA DE PETRÓLEO NA CAMADA PRÉ-SAL DA BACIA DE SANTOS

“A Petrobras comprovou a ocorrência de nova acumulação de petróleo de boa qualidade no bloco BM-S-8, em águas ultraprofundas no pré-sal da Bacia de Santos.

A descoberta ocorreu durante a perfuração do poço 4-SPS-86B (4-BRSA-971-SPS), informalmente denominado “Carcará”, localizado a 232 km do litoral do Estado de São Paulo. O resultado foi comprovado por meio de amostragem de petróleo de cerca de 31º API em reservatórios situados a 5 750 metros de profundidade.

O poço continua em perfuração, buscando determinar o limite inferior dos reservatórios bem como identificar outras possíveis zonas de interesse. “Carcará” é o terceiro poço perfurado na área do “Plano de Avaliação da Descoberta do 1-BRSA-532A-SPS” (prospecto de “Bem-te-vi”), e está a 20 km do pioneiro descobridor, em águas onde a profundidade é de 2.027 metros.

O Consórcio dará continuidade às atividades e investimentos necessários para avaliação da área, conforme plano aprovado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustível (ANP).

A Petrobras é operadora do consórcio (66%) em parceria com a Petrogal Brasil (14%), Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás Ltda. (10%) e Queiroz Galvão Exploração e Produção S.A. (10%).”

FONTE: blog “Fatos e Dados, da Petrobras  (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/03/20/descoberta-de-petroleo-no-pre-sal-da-bacia-de-santos/#more-51773) [Título e imagem do google adicionados por este blog ‘democracia&política’].

PARA SERRA, PALAVRA E ASSINATURA DE SERRA VALEM ‘NADA’


Por Josias de Souza, no portal UOL

“Como na sina de Prometeu, José Serra está acorrentado a um suplício. Assumido em 2004 e desonrado em 2006, o compromisso de permanecer na prefeitura até o fim do mandato bica-lhe o fígado com a renitência de uma águia de mitologia grega.

Serra assinara o fatídico documento durante sabatina organizada pela Folha em 14 de setembro de 2004. Dali a dois anos, em 2006, deu o assinado por não rubricado e foi à sorte dos votos na campanha para governador.

Devolvido pelas circunstâncias às querelas municipais, Serra apresenta-se novamente como candidato a prefeito. Numa entrevista radiofônica, foi reinquirido sobre o rompimento do compromisso. Sua emenda piorou o soneto:

“Eu não assinei nada em cartório. Isso é folclore. Houve um debate, uma entrevista. O pessoal perguntou: ‘Se o senhor for eleito prefeito vai sair para se candidatar à Presidência?’ Eu disse que não. ‘Então assina aqui.’ Eu assinei um papelzinho. Não era nada…”

Serra não ignorava que o “papelzinho” viraria munição contra ele. No alvorecer da campanha atual, apressou-se em dizer que o sonho do Planalto “está adormecido”. Assegurou que se concentra agora na prefeitura. Jura que, eleito, governará a cidade até 2016.

Um observador incauto perguntaria: ora, se a assinatura de Serra tem perna curta, como levar ao pé da letra um lero-lero que não dispõe nem do anteparo de um “papelzinho.”




FONTE: Por Josias de Souza, no portal UOL  (http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2012/03/20/para-serra-assinatura-de-serra-equivale-a-nada/) [título e vídeo adicionados por este blog ‘democracia&política’].

Internet: BRASIL PASSA A FRANÇA E É O 7º MAIOR MERCADO MUNDIAL


“O Brasil é o sétimo maior mercado de internet no mundo, segundo relatório da “consultoria comScore”.

O número de pessoas que acessam a internet atingiu 46,3 milhões em 2011, crescimento de 16% em relação ao ano anterior.

Os brasileiros passaram, em média, 26,7 horas on-line em dezembro, duas a mais que um ano antes.

A rede social mais acessada foi o Facebook.”

FONTE: Folha de São Paulo  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/32316-brasil-passa-a-franca-e-e-o-7-maior-mercado.shtml) [imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].