Li ontem no blog do jornalista Luis Nassif o seguinte editorial do jornal norte-americano New York Times, reproduzido em texto de Cristiano Dias pelo jornal “O Estado de São Paulo”, defendendo uma aproximação maior entre EUA da era Obama e a América Latina:
“Lembro que um dos pontos centrais do segundo tempo do New Deal, de Roosevelt (no qual Barack Obama se espelha) foi uma forte política de ajuda ao desenvolvimento da América Latina - interrompida pela morte de Roosevelt.
Aqui, entrevista com Parag Khanna, conselheiro de Obama
EMERGENTES DEFINEM NOVA ORDEM MUNDIAL
Conselheiro da campanha de Barack Obama fala sobre o papel de países como Índia e Brasil na nova realidade multipolar.
Aos 31 anos, o indiano Parag Khanna chegou aonde poucos chegaram. Pesquisador da Fundação Nova América, foi um dos conselheiros de política externa da campanha vitoriosa de Barack Obama. Em 2007, concluiu uma volta ao mundo que durou dois anos, passou por 50 países e rendeu o livro Segundo Mundo - Impérios e Influência na Nova Ordem Global (560 páginas, editora Atlas), que será lançado amanhã no Brasil.
Khanna diz que vivemos em um mundo multipolar dominado por três impérios: EUA, Europa e China, que tentam construir suas esferas de influência. O jogo será decidido por uma amálgama de nações emergentes - Índia, Rússia e Brasil, entre outras -, que serão o fiel da balança em um novo equilíbrio de poder.
(...) VOCÊ ESCREVEU SEU LIVRO ANTES DA CRISE FINANCEIRA DOS EUA E DA VITÓRIA RUSSA NA GUERRA DA OSSÉTIA. SUA VISÃO DA GEOPOLÍTICA MUNDIAL AINDA É A MESMA?
É. A Rússia não faz parte do “G-3”. De jeito nenhum. Ela representa uma fração mínima da economia mundial e sua saúde financeira piorou após a invasão da Geórgia. (...) A Rússia nunca mais será uma superpotência.
E A CRISE AMERICANA ALTEROU SUA OPINIÃO EM ALGUMA MEDIDA?
Não. Há algum tempo venho enfatizando a falência da economia americana. Com o crescimento de outros modelos capitalistas na Europa e na China, o fim da hegemonia dos EUA era inevitável.
(...) VOCÊ ACHA QUE O NOVO GOVERNO SE REAPROXIMARÁ DA AMÉRICA LATINA?
Os EUA terão de se aproximar da América Latina. Principalmente se quiserem competir com a Ásia. Isso ocorrerá quando Washington acordar para a necessidade de obter energias alternativas e novas parcerias industriais.
(...) COMO SERÁ A RELAÇÃO DE OBAMA COM CUBA?
Obama deixou claro que haverá mudanças. Acho que EUA e Cuba estão mais próximos do diálogo do que do isolamento. O mesmo vale para o Irã.
QUE PAPEL TERÁ O BRASIL NESSA NOVA ORDEM?
Estou muito otimista quanto ao Brasil por causa de sua economia diversificada, de seu corpo diplomático altamente treinado e muitas outras razões. Acho que o Brasil será protagonista em muitas áreas, como meio ambiente, comércio e desenvolvimento”.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
LULA ENVIA A OBAMA SUGESTÕES PARA LIDAR COM A CRISE
Li ontem na Folha Online o seguinte texto de Josias de Souza:
“Num esforço para aproximar-se de Barack Obama, Lula enviou ao presidente eleito dos EUA um documento sobre a crise global.
Em texto de oito laudas, Lula oferece sugestões a Obama. O presidente valeu-se de um canal de comunicação estranho à diplomacia.
Coube ao ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Extraordinários) redigir a peça, depois de uma conversa com Lula.
Mangabeira foi professor de Obama na Universidade de Harvard. O próprio Obama mencionara o fato a Lula, num telefonema, dias depois da eleição americana.
O documento brasileiro foi endereçado à equipe econômica de Obama. Nele, defende-se a seguinte tese:
Em vez de regulação dracioniana, o que o mercado precisa é de novas regras que direcionem o capital da especulação papeleira para o investimento na produção.
A encrenca econômica, disse Lula por meio de Mangabeira, foi causada "pela desproporcional correlação de forças entre o sistema financeiro e a economia real".
Daí a necessidade de evoluir do papelório para a produção. Agora só falta combinar com os russos do mercado”.
“Num esforço para aproximar-se de Barack Obama, Lula enviou ao presidente eleito dos EUA um documento sobre a crise global.
Em texto de oito laudas, Lula oferece sugestões a Obama. O presidente valeu-se de um canal de comunicação estranho à diplomacia.
Coube ao ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Extraordinários) redigir a peça, depois de uma conversa com Lula.
Mangabeira foi professor de Obama na Universidade de Harvard. O próprio Obama mencionara o fato a Lula, num telefonema, dias depois da eleição americana.
O documento brasileiro foi endereçado à equipe econômica de Obama. Nele, defende-se a seguinte tese:
Em vez de regulação dracioniana, o que o mercado precisa é de novas regras que direcionem o capital da especulação papeleira para o investimento na produção.
A encrenca econômica, disse Lula por meio de Mangabeira, foi causada "pela desproporcional correlação de forças entre o sistema financeiro e a economia real".
Daí a necessidade de evoluir do papelório para a produção. Agora só falta combinar com os russos do mercado”.
DEPOIS DE ACABAR COM O BRASIL, 'FOLHA' ACABA COM O MUNDO
Li ontem no site “vermelho”:
“Manchete da primeira página da Folha deste domingo: “Mundo terá o pior trimestre desde 1980. Relatório do Instituto de Finanças Internacional (?!) projeta queda de 3,5% do PIB dos Estados Unidos em 2009 - o maior recuo desde o Pós Guerra.”
Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha acabei de ler o excelente livro Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir”.
“Manchete da primeira página da Folha deste domingo: “Mundo terá o pior trimestre desde 1980. Relatório do Instituto de Finanças Internacional (?!) projeta queda de 3,5% do PIB dos Estados Unidos em 2009 - o maior recuo desde o Pós Guerra.”
Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha acabei de ler o excelente livro Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir”.
A OPOSIÇÃO E A REFORMA TRIBUTÁRIA
Li ontem no site “vermelho” o seguinte texto escrito por Ricardo Berzoini e Maurício Rands, para a Folha de S.Paulo. Rircado Berzoini é deputado federal (SP) e presidente nacional do PT e Mauricio Rands é deputado federal (PE) e líder do PT na Câmara:
“Os partidos de oposição no Brasil têm feito campanha defendendo a reforma tributária. O governo Lula enviou em 2003 uma primeira PEC com o objetivo de racionalizar nosso sistema tributário. A proposta acabou sendo desidratada, sobretudo porque os governadores roeram a corda. O debate continuou e, no segundo mandato, o Executivo encaminhou ao Congresso a PEC 233, incorporando a reflexão feita com Estados, municípios e entidades da sociedade civil.
A Comissão Especial da Câmara, tendo como presidente o deputado Palocci e como relator o deputado Mabel, intensificou o debate e aprovou um substitutivo que agora pode ir ao voto do plenário.
A proposta cria o IVA federal, incorporando Cofins, PIS/Pasep e CSLL. Unifica o ICMS em uma só alíquota, mantendo 2% com o Estado de origem, acabando com a guerra fiscal e convalidando os incentivos fiscais concedidos até este ano.
Para compensar os Estados menos desenvolvidos pela perda do poder de atrair investimentos via incentivos, a proposta reorganiza o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional.
Para que nenhum Estado perca com a reforma, cria-se um Fundo de Equalização de Receitas. O substitutivo reduz o prazo de compensação dos créditos tributários, desonera a folha de pagamentos -reduzindo de 20% para 6% a contribuição patronal ao INSS-, e acaba com os 2,5% do salário-educação.
Elimina a "carga tributária invisível", unificando tributos, simplificando procedimentos, inclusive ampliando a nota fiscal eletrônica e, portanto, tornando mais simples e barata a administração tributária, cria o Código de Defesa do Contribuinte e prevê alíquotas reduzidas para biocombustíveis a fim de incentivar uma boa política energética ambiental.
No geral, o projeto visa racionalizar e simplificar nosso sistema tributário, ampliando a base imponível. Com isso, pode-se aumentar a formalização da economia brasileira. Que todos paguem os tributos, para que todos paguem menos. A lógica é a da neutralidade dos efeitos para que nenhum ente federado saia perdendo e todos se beneficiem de um sistema mais racional, em um jogo que não é de soma zero.
Embora a reforma esteja sendo discutida em detalhes há anos, os partidos de oposição insistem em obstruir a pauta da Câmara. Alegam que ainda pretendem sugerir alterações. Imaginam "uma elevação da carga tributária", sem jamais indicar como ela se daria.
Apresentam-se como instrumentos daqueles que, vendendo a dificuldade ou a discordância, almejam obter vantagem de última hora. E continuam sem apresentar alternativa global factível. Chegam a invocar as incertezas da crise para propor mais um adiamento.
Esquecem que a própria PEC já prevê uma transição de 2 a 10 anos para sua implantação. O PT e os partidos aliados estão prontos para votar o texto e abertos a negociar aperfeiçoamentos no plenário.
Não concordam é com o adiamento de uma reforma que trará benefícios para o país e para cada setor econômico. Por que retardar a desoneração da folha das empresas e as vantagens advindas para aumentar a competitividade e a oferta de empregos? Por que adiar os benefícios da unificação e simplificação de tributos? Por que atrasar os benefícios ambientais?
Os partidos de oposição precisam explicar ao povo brasileiro por que insistem em retardar os benefícios que advirão do novo modelo tributário. Para que, da oposição, não se pense que a incoerência de se opor a uma reforma que retoricamente defende deve-se ao temor de que o governo Lula consiga brindar o país com mais uma realização estratégica para o seu desenvolvimento”.
“Os partidos de oposição no Brasil têm feito campanha defendendo a reforma tributária. O governo Lula enviou em 2003 uma primeira PEC com o objetivo de racionalizar nosso sistema tributário. A proposta acabou sendo desidratada, sobretudo porque os governadores roeram a corda. O debate continuou e, no segundo mandato, o Executivo encaminhou ao Congresso a PEC 233, incorporando a reflexão feita com Estados, municípios e entidades da sociedade civil.
A Comissão Especial da Câmara, tendo como presidente o deputado Palocci e como relator o deputado Mabel, intensificou o debate e aprovou um substitutivo que agora pode ir ao voto do plenário.
A proposta cria o IVA federal, incorporando Cofins, PIS/Pasep e CSLL. Unifica o ICMS em uma só alíquota, mantendo 2% com o Estado de origem, acabando com a guerra fiscal e convalidando os incentivos fiscais concedidos até este ano.
Para compensar os Estados menos desenvolvidos pela perda do poder de atrair investimentos via incentivos, a proposta reorganiza o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional.
Para que nenhum Estado perca com a reforma, cria-se um Fundo de Equalização de Receitas. O substitutivo reduz o prazo de compensação dos créditos tributários, desonera a folha de pagamentos -reduzindo de 20% para 6% a contribuição patronal ao INSS-, e acaba com os 2,5% do salário-educação.
Elimina a "carga tributária invisível", unificando tributos, simplificando procedimentos, inclusive ampliando a nota fiscal eletrônica e, portanto, tornando mais simples e barata a administração tributária, cria o Código de Defesa do Contribuinte e prevê alíquotas reduzidas para biocombustíveis a fim de incentivar uma boa política energética ambiental.
No geral, o projeto visa racionalizar e simplificar nosso sistema tributário, ampliando a base imponível. Com isso, pode-se aumentar a formalização da economia brasileira. Que todos paguem os tributos, para que todos paguem menos. A lógica é a da neutralidade dos efeitos para que nenhum ente federado saia perdendo e todos se beneficiem de um sistema mais racional, em um jogo que não é de soma zero.
Embora a reforma esteja sendo discutida em detalhes há anos, os partidos de oposição insistem em obstruir a pauta da Câmara. Alegam que ainda pretendem sugerir alterações. Imaginam "uma elevação da carga tributária", sem jamais indicar como ela se daria.
Apresentam-se como instrumentos daqueles que, vendendo a dificuldade ou a discordância, almejam obter vantagem de última hora. E continuam sem apresentar alternativa global factível. Chegam a invocar as incertezas da crise para propor mais um adiamento.
Esquecem que a própria PEC já prevê uma transição de 2 a 10 anos para sua implantação. O PT e os partidos aliados estão prontos para votar o texto e abertos a negociar aperfeiçoamentos no plenário.
Não concordam é com o adiamento de uma reforma que trará benefícios para o país e para cada setor econômico. Por que retardar a desoneração da folha das empresas e as vantagens advindas para aumentar a competitividade e a oferta de empregos? Por que adiar os benefícios da unificação e simplificação de tributos? Por que atrasar os benefícios ambientais?
Os partidos de oposição precisam explicar ao povo brasileiro por que insistem em retardar os benefícios que advirão do novo modelo tributário. Para que, da oposição, não se pense que a incoerência de se opor a uma reforma que retoricamente defende deve-se ao temor de que o governo Lula consiga brindar o país com mais uma realização estratégica para o seu desenvolvimento”.
OPOSIÇÃO EM APUROS: GOVERNADORES PEDEM REFORMA TRIBUTÁRIA JÁ
O site “vermelho” ontem postou o seguinte texto publicado originariamente no portal G1:
“Os governadores dos estados do Nordeste e do Norte rechaçaram, na quinta-feira (27), após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a proposta de partidos de oposição de votar a reforma tributária na Câmara dos Deputados somente em março de 2009, segundo o relator da proposta, deputado Sandro Mabel (PR-GO).
GOVERNADORES CONTRA A OPOSIÇÃO E PELA REFORMA TRIBUTÁRIA
"Os governadores do Norte e do Nordeste fecharam questão e querem que seja votada agora. Inclusive o governador de Alagoas, Teotonio Vilela, que é do PSDB, também concordou. Precisamos de uma reforma que seja boa para o Brasil. A proposta está pronta.
Matérias como essa só se discutem quando se coloca para votar", disse, após a reunião do Ministério da Fazenda.
Mabel ponderou, entretanto, que há duas MPs que precisam ser votadas antes da reforma tributária, o que pode dificultar a votação ainda em 2008. ''Depende de uma avaliação do presidente da Câmara dos Deputados de ter tempo ou não'', disse Mabel.
Na quinta-feira, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse que a votação pode ficar somente para 2009 por conta do excesso de medidas provisórias em tramitação na casa. Ele informou que, caso não haja tempo hábil, vai propor a convocação do Congresso Nacional no recesso para que a reforma tributária seja votada.
GOVERNO FEDERAL
Segundo o secretário extraordinário de Reformas Econômico e Fiscais do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, principal responsável na equipe econômica por acompanhar a reforma tributária, o governo não desistiu de votar o texto ainda em 2008. "A oposição está propondo fazer a discussão no ano que vem, mas a proposta do governo continua sendo de fazer neste ano", disse ele.
Na avaliação de Appy, os entraves à votação da reforma tributária em 2008 são mais "políticos do que federativos". "Quando se traz para discussão qualquer questão, inclusive aquelas que já tenham sido pacificadas, ou seja, quando se sai fazendo críticas generalizadas a todos os pontos da reforma, não se torna mais uma discussão técnica, e sim política. Essa tática de 'metralhadora giratória' [de críticas] não é um instrumento de negociação", disse Appy, sem citar estados.
GOVERNADORES DO NORTE E NORDESTE
Todos os governadores do Norte e Nordeste que conversaram com a imprensa ao fim do encontro com Mantega defenderam publicamente a votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados ainda neste ano.
"Queremos votar logo. O país precisa. É importante para a economia. Queremos viabilizar a reforma tributária e pôr um fim à guerra fiscal. Queremos menos cumulatividade e mais incentivos à produção. Mas entendemos que é um processo de negociação. Não é simples fazer reforma tributária", disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), confirmou que o governo federal mantém a intenção de votar o texto na Câmara ainda neste ano. "Também queremos. Se não aprovar neste ano, fica difícil", disse ela. Acrescentou, porém, que alguns pontos técnicos ainda têm de ser definidos, como, por exemplo, o formato de correção do fundo de equalização de receitas dos estados. "Estamos chegando a um consenso", afirmou.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), também disse defender a votação da reforma tributária ainda em 2008. "Ou se pensa no médio e longo prazos, ou nunca faremos a reforma tributária. Os governadores querem uma reforma já", disse.
Na avaliação do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), a crise não impede a votação da reforma tributária neste momento. "É em um momento desses que precisamos dar resposta ao mercado e dar mais competitividade à economia brasileira. O conjunto de governadores presentes na reunião é a favor de que se vote agora a reforma tributária", disse ele.
Braga foi adiante e afirmou que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estado que tem mais a perder com a reforma tributária, "não pode achar que somente São Paulo tem o direito de se desenvolver". "O secretário de Fazenda de São Paulo propôs aumento da alíquota na origem de 2% para 4%. Só pensa nele", disse.
Ana Júlia Carepa (PT), governadora do Pará, avaliou que este é o momento mais propício para se votar a reforma tributária. "Não acredito que o Sul e Sudeste inteiros vão ser contra."
Também para o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), o melhor momento de se votar a reforma é ainda neste ano. "A votação é para o Brasil. Não havendo consenso, a reforma será votada pela maioria", concluiu”.
“Os governadores dos estados do Nordeste e do Norte rechaçaram, na quinta-feira (27), após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a proposta de partidos de oposição de votar a reforma tributária na Câmara dos Deputados somente em março de 2009, segundo o relator da proposta, deputado Sandro Mabel (PR-GO).
GOVERNADORES CONTRA A OPOSIÇÃO E PELA REFORMA TRIBUTÁRIA
"Os governadores do Norte e do Nordeste fecharam questão e querem que seja votada agora. Inclusive o governador de Alagoas, Teotonio Vilela, que é do PSDB, também concordou. Precisamos de uma reforma que seja boa para o Brasil. A proposta está pronta.
Matérias como essa só se discutem quando se coloca para votar", disse, após a reunião do Ministério da Fazenda.
Mabel ponderou, entretanto, que há duas MPs que precisam ser votadas antes da reforma tributária, o que pode dificultar a votação ainda em 2008. ''Depende de uma avaliação do presidente da Câmara dos Deputados de ter tempo ou não'', disse Mabel.
Na quinta-feira, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse que a votação pode ficar somente para 2009 por conta do excesso de medidas provisórias em tramitação na casa. Ele informou que, caso não haja tempo hábil, vai propor a convocação do Congresso Nacional no recesso para que a reforma tributária seja votada.
GOVERNO FEDERAL
Segundo o secretário extraordinário de Reformas Econômico e Fiscais do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, principal responsável na equipe econômica por acompanhar a reforma tributária, o governo não desistiu de votar o texto ainda em 2008. "A oposição está propondo fazer a discussão no ano que vem, mas a proposta do governo continua sendo de fazer neste ano", disse ele.
Na avaliação de Appy, os entraves à votação da reforma tributária em 2008 são mais "políticos do que federativos". "Quando se traz para discussão qualquer questão, inclusive aquelas que já tenham sido pacificadas, ou seja, quando se sai fazendo críticas generalizadas a todos os pontos da reforma, não se torna mais uma discussão técnica, e sim política. Essa tática de 'metralhadora giratória' [de críticas] não é um instrumento de negociação", disse Appy, sem citar estados.
GOVERNADORES DO NORTE E NORDESTE
Todos os governadores do Norte e Nordeste que conversaram com a imprensa ao fim do encontro com Mantega defenderam publicamente a votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados ainda neste ano.
"Queremos votar logo. O país precisa. É importante para a economia. Queremos viabilizar a reforma tributária e pôr um fim à guerra fiscal. Queremos menos cumulatividade e mais incentivos à produção. Mas entendemos que é um processo de negociação. Não é simples fazer reforma tributária", disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), confirmou que o governo federal mantém a intenção de votar o texto na Câmara ainda neste ano. "Também queremos. Se não aprovar neste ano, fica difícil", disse ela. Acrescentou, porém, que alguns pontos técnicos ainda têm de ser definidos, como, por exemplo, o formato de correção do fundo de equalização de receitas dos estados. "Estamos chegando a um consenso", afirmou.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), também disse defender a votação da reforma tributária ainda em 2008. "Ou se pensa no médio e longo prazos, ou nunca faremos a reforma tributária. Os governadores querem uma reforma já", disse.
Na avaliação do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), a crise não impede a votação da reforma tributária neste momento. "É em um momento desses que precisamos dar resposta ao mercado e dar mais competitividade à economia brasileira. O conjunto de governadores presentes na reunião é a favor de que se vote agora a reforma tributária", disse ele.
Braga foi adiante e afirmou que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estado que tem mais a perder com a reforma tributária, "não pode achar que somente São Paulo tem o direito de se desenvolver". "O secretário de Fazenda de São Paulo propôs aumento da alíquota na origem de 2% para 4%. Só pensa nele", disse.
Ana Júlia Carepa (PT), governadora do Pará, avaliou que este é o momento mais propício para se votar a reforma tributária. "Não acredito que o Sul e Sudeste inteiros vão ser contra."
Também para o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), o melhor momento de se votar a reforma é ainda neste ano. "A votação é para o Brasil. Não havendo consenso, a reforma será votada pela maioria", concluiu”.
ATRASO EM JIRAU PODERÁ ELEVAR CUSTO DA ENERGIA
Li no jornal Valor Econômico de 6ª feira:
“Liminar concedida na semana passada pela 3ª Vara Federal de Porto Velho suspendeu a licença parcial de instalação concedida pelo Ibama às obras preliminares da usina de Jirau. Com a decisão, o consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus) corre o risco de perder a janela hidrológica (período seco), retomando os trabalhos apenas em 2009.
A Agência Nacional de Energia Elêtrica (Aneel) já considera "difícil" antecipar em um ano a entrada em funcionamento da usina e trabalha com a possibilidade de leiloar, no próximo ano, em torno de 1.000 megawatts (MW) adicionais de energia para suprir a demanda em 2012.
Essa alternativa representa custo extra de R$ 400 milhões para os consumidores e a queima de 200 mil toneladas de diesel, com impacto na emissão de gases do efeito estufa. "O resultado não é a falta de energia, mas ela será bem mais cara e poluente", diz Kelman.
O Instituto Acende Brasil, que reúne os principais investidores privados no setor elétrico, está preocupado com a piora progressiva da matriz energética nacional.
Além disso, diz Cláudio Sales, presidente da entidade, a geração térmica tem custos expressivamente maiores que os das fontes renováveis. Segundo ele, hidrelétricas produzem a R$ 105, em média, por megawatt-hora, valor que sobe para R$ 125 nas pequenas centrais hidrelétricas, R$ 249 nas usinas eólicas e mais de R$ 350 nas termelétricas movidas a óleo diesel.
Para o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, a conta extra poderá subir a R$ 4 bilhões, já que os contratos das usinas térmicas nos leilões de energia são feitos por 15 anos”.
“Liminar concedida na semana passada pela 3ª Vara Federal de Porto Velho suspendeu a licença parcial de instalação concedida pelo Ibama às obras preliminares da usina de Jirau. Com a decisão, o consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus) corre o risco de perder a janela hidrológica (período seco), retomando os trabalhos apenas em 2009.
A Agência Nacional de Energia Elêtrica (Aneel) já considera "difícil" antecipar em um ano a entrada em funcionamento da usina e trabalha com a possibilidade de leiloar, no próximo ano, em torno de 1.000 megawatts (MW) adicionais de energia para suprir a demanda em 2012.
Essa alternativa representa custo extra de R$ 400 milhões para os consumidores e a queima de 200 mil toneladas de diesel, com impacto na emissão de gases do efeito estufa. "O resultado não é a falta de energia, mas ela será bem mais cara e poluente", diz Kelman.
O Instituto Acende Brasil, que reúne os principais investidores privados no setor elétrico, está preocupado com a piora progressiva da matriz energética nacional.
Além disso, diz Cláudio Sales, presidente da entidade, a geração térmica tem custos expressivamente maiores que os das fontes renováveis. Segundo ele, hidrelétricas produzem a R$ 105, em média, por megawatt-hora, valor que sobe para R$ 125 nas pequenas centrais hidrelétricas, R$ 249 nas usinas eólicas e mais de R$ 350 nas termelétricas movidas a óleo diesel.
Para o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, a conta extra poderá subir a R$ 4 bilhões, já que os contratos das usinas térmicas nos leilões de energia são feitos por 15 anos”.
DECADENTES E EMERGENTES
O jornal Folha de São Paulo ontem publicou o seguinte artigo de Aloizio Mercadante, economista e professor licenciado da PUC-SP e da Unicamp e senador da República pelo PT-SP:
“Ao contrário dos EUA, as economias emergentes estão em situação relativamente mais favorável, sobretudo os Brics“
"A HISTÓRIA NADA ENSINA, APENAS CASTIGA QUEM NÃO APRENDE SUAS LIÇÕES" (V. KLINCHEVSKY, HISTORIADOR RUSSO)
“Crises Financeiras são fenômenos recorrentes na evolução das economias capitalistas.
Apesar de seus efeitos desestabilizadores e desorganizadores, elas têm um caráter saneador.
São movimentos de correção de excessos de valorização de ativos reais ou financeiros -em geral, de natureza especulativa- que costumam ocorrer nas fases de expansão do ciclo econômico.
Quando desbordam a esfera financeira, as crises atuam também como vetores de ajustes estruturais, espécie de incubadora do processo de transição de um para outro padrão de alocação de recursos e de ordenamento das relações econômicas internacionais.
Foi assim, por exemplo, em 1929, nos EUA, quando o liberalismo exuberante dos anos precedentes implodiu e gerou uma prolongada e intensa depressão econômica. A reversão desse quadro só se materializaria no pós-guerra, no marco de um novo padrão de organização e dinâmica do capitalismo -que passa a ter na regulação estatal um dos seus eixos centrais- e um rearranjo na estrutura e hierarquia do poder mundial, com o deslocamento da Inglaterra, já manifesto desde 1914, e a consolidação da hegemonia norte-americana.
A crise atual embute tendências similares de desajuste e transformação. É verdade que o quadro econômico mundial é hoje distinto. Os EUA têm um menor peso relativo (25% do PIB mundial, contra 42% em 1929), em parte devido à desterritorialização da sua base industrial e, ao contrário do que ocorria no passado, há na periferia capitalista economias emergentes de grande porte e dinamismo.
Por outro lado, as conexões e interdependências geradas pelo avanço da globalização e financeirização da economia mundial amplificaram notavelmente a propagação e o impacto desestabilizador das crises, sobretudo quando originadas, como a atual, no núcleo do sistema capitalista.
A crise do "subprime" transmutou-se em crise de crédito norte-americana e, na fase seguinte, em crise financeira global. Agora, em crise econômica global. Praticamente todos os países mais avançados já estão em recessão, e mesmo economias de maior dinamismo, como a chinesa, já dão mostras de desaceleração. Não é provável, mas é possível a ocorrência de uma depressão acentuada da economia norte-americana, com desdobramentos em escala planetária.
Todo esse processo tem implicações que não são triviais.
A crise revelou as debilidades e inconsistências do modelo de auto-regulação do mercado que prevaleceu nas últimas décadas, cujo desmoronamento está a exigir enorme volume de recursos públicos e ampla e generalizada intervenção salvadora do Estado.
Sua reformulação é inevitável.
Revelou também a incapacidade do ordenamento financeiro erigido a partir da ruptura do acordo de Bretton Woods -que transformou o dólar em moeda padrão internacional e constitui um dos elementos estratégicos de preservação da hegemonia norte-americana- para assegurar a estabilidade e simetria das relações econômicas internacionais.
O processo de endividamento do Estado e das famílias (estas devem, em média, 140% da sua renda disponível), que sustentou a expansão do consumo interno e o crescimento do PIB norte-americano nos últimos anos, esgotou-se.
A evolução da crise embute, nesse contexto, vetores que apontam em direção ao declínio da primazia norte-americana. O que não significa subestimar a capacidade de recuperação dos EUA -pela dimensão de sua economia e sua capacidade tecnológica e militar- e seu papel na definição de um novo modelo de ordenamento e governança da economia mundial.
A eleição de Barack Obama é, nesse sentido, promissora. É um sinal de revitalização da democracia norte-americana e uma esperança de mudança, que oxalá não seja tardia, dada a dimensão do desastre atual.
Ao contrário dos EUA, as economias emergentes estão em situação relativamente mais favorável, especialmente os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o que não significa que não serão atingidas pela contração da economia mundial.
O Brasil, por exemplo, certamente será afetado, mas tem condições de sair na frente no processo de retomada pós-crise. Para isso, além do equacionamento das dificuldades existentes nas áreas creditícia e cambial, é essencial a adoção, desde já, de política monetária e fiscal anticíclica, que preserve a capacidade produtiva da economia, o investimento e o emprego e assegure proteção social aos segmentos sociais mais vulneráveis.
“Ao contrário dos EUA, as economias emergentes estão em situação relativamente mais favorável, sobretudo os Brics“
"A HISTÓRIA NADA ENSINA, APENAS CASTIGA QUEM NÃO APRENDE SUAS LIÇÕES" (V. KLINCHEVSKY, HISTORIADOR RUSSO)
“Crises Financeiras são fenômenos recorrentes na evolução das economias capitalistas.
Apesar de seus efeitos desestabilizadores e desorganizadores, elas têm um caráter saneador.
São movimentos de correção de excessos de valorização de ativos reais ou financeiros -em geral, de natureza especulativa- que costumam ocorrer nas fases de expansão do ciclo econômico.
Quando desbordam a esfera financeira, as crises atuam também como vetores de ajustes estruturais, espécie de incubadora do processo de transição de um para outro padrão de alocação de recursos e de ordenamento das relações econômicas internacionais.
Foi assim, por exemplo, em 1929, nos EUA, quando o liberalismo exuberante dos anos precedentes implodiu e gerou uma prolongada e intensa depressão econômica. A reversão desse quadro só se materializaria no pós-guerra, no marco de um novo padrão de organização e dinâmica do capitalismo -que passa a ter na regulação estatal um dos seus eixos centrais- e um rearranjo na estrutura e hierarquia do poder mundial, com o deslocamento da Inglaterra, já manifesto desde 1914, e a consolidação da hegemonia norte-americana.
A crise atual embute tendências similares de desajuste e transformação. É verdade que o quadro econômico mundial é hoje distinto. Os EUA têm um menor peso relativo (25% do PIB mundial, contra 42% em 1929), em parte devido à desterritorialização da sua base industrial e, ao contrário do que ocorria no passado, há na periferia capitalista economias emergentes de grande porte e dinamismo.
Por outro lado, as conexões e interdependências geradas pelo avanço da globalização e financeirização da economia mundial amplificaram notavelmente a propagação e o impacto desestabilizador das crises, sobretudo quando originadas, como a atual, no núcleo do sistema capitalista.
A crise do "subprime" transmutou-se em crise de crédito norte-americana e, na fase seguinte, em crise financeira global. Agora, em crise econômica global. Praticamente todos os países mais avançados já estão em recessão, e mesmo economias de maior dinamismo, como a chinesa, já dão mostras de desaceleração. Não é provável, mas é possível a ocorrência de uma depressão acentuada da economia norte-americana, com desdobramentos em escala planetária.
Todo esse processo tem implicações que não são triviais.
A crise revelou as debilidades e inconsistências do modelo de auto-regulação do mercado que prevaleceu nas últimas décadas, cujo desmoronamento está a exigir enorme volume de recursos públicos e ampla e generalizada intervenção salvadora do Estado.
Sua reformulação é inevitável.
Revelou também a incapacidade do ordenamento financeiro erigido a partir da ruptura do acordo de Bretton Woods -que transformou o dólar em moeda padrão internacional e constitui um dos elementos estratégicos de preservação da hegemonia norte-americana- para assegurar a estabilidade e simetria das relações econômicas internacionais.
O processo de endividamento do Estado e das famílias (estas devem, em média, 140% da sua renda disponível), que sustentou a expansão do consumo interno e o crescimento do PIB norte-americano nos últimos anos, esgotou-se.
A evolução da crise embute, nesse contexto, vetores que apontam em direção ao declínio da primazia norte-americana. O que não significa subestimar a capacidade de recuperação dos EUA -pela dimensão de sua economia e sua capacidade tecnológica e militar- e seu papel na definição de um novo modelo de ordenamento e governança da economia mundial.
A eleição de Barack Obama é, nesse sentido, promissora. É um sinal de revitalização da democracia norte-americana e uma esperança de mudança, que oxalá não seja tardia, dada a dimensão do desastre atual.
Ao contrário dos EUA, as economias emergentes estão em situação relativamente mais favorável, especialmente os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o que não significa que não serão atingidas pela contração da economia mundial.
O Brasil, por exemplo, certamente será afetado, mas tem condições de sair na frente no processo de retomada pós-crise. Para isso, além do equacionamento das dificuldades existentes nas áreas creditícia e cambial, é essencial a adoção, desde já, de política monetária e fiscal anticíclica, que preserve a capacidade produtiva da economia, o investimento e o emprego e assegure proteção social aos segmentos sociais mais vulneráveis.
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