segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

PRÍNCIPE DA PRIVATARIA E IMPERADOR DO CINISMO


Por Eduardo Guimarães

“RAMEIRA! PONHA-SE DAQUI PRA FORA!”

"O escritor Palmério Dória não poderia ter sido mais feliz ao iniciar o best-seller “O Príncipe da Privataria” (Geração Editorial) com o relato da expulsão da jornalista da “Globo” Miriam Dutra do gabinete do então senador Fernando Henrique Cardoso, no início dos anos 1990, quando ele se preparava para disputar a Presidência da República pela primeira vez.

Dória sabia que sua obra deveria mostrar, para começo de conversa, o caráter de seu protagonista. E nada melhor para mostrar o caráter de um homem do que uma situação em que é colocado diante de sua responsabilidade na concepção de um filho.

FHC agiu da forma mais vil que um homem pode agir com uma mulher: além de fugir da própria responsabilidade pela concepção de uma nova vida, ainda humilhou aquela a quem, quando o desejo carnal falou mais alto, por certo não tratou de “rameira” nem expulsou da alcova em que foi inseminada.

A conduta reveladora de FHC, imortalizada por Dória, coaduna-se à perfeição com o seu último artigo nos jornais “O Estado de São Paulo” e “O Globo”, os quais lhe dão espaço todo início de mês. Seu texto revela, acima da falta de caráter, um cinismo quase sobrenatural.

Se existe um político que não poderia criticar uso de dinheiro público para comprar parlamentares, esse alguém é Fernando Henrique Cardoso. O livro “Príncipe da Privataria” mostra, sem deixar dúvida (a quem tiver uma réstia de honestidade intelectual), que, na pior das hipóteses, o ex-presidente teve o domínio do fato da compra de votos de parlamentares para que aprovassem a emenda constitucional que lhe permitiu disputar a própria sucessão.

FHC não nega que votos tenham sido comprados – quem não souber disso, que se informe. Já deu várias entrevistas em que reconhece que “alguém” comprou deputados para que votassem a favor de sua reeleição. Até a CNBB denunciou isso, à época – e antes da denúncia pela “Folha de São Paulo”. Mas ele diz que “não sabia” de nada...

Ganha um exemplar de “O Príncipe da Privataria” quem postar aqui o link de uma coluna, de um artigo ou de um editorial de algum grande meio de comunicação em que o “não sabia” de FHC tenha sido ironizado como foi, tantas vezes, o de Lula ao negar que soubesse do mensalão.

Nunca houve uma única prova material que tornasse inquestionável a acusação ao PT de que “comprou” deputados para aprovar matérias de interesse do governo Lula. Os membros do partido que hoje mofam em uma masmorra qualquer no Planalto Central foram condenados pela “verossimilhança” que ministros do STF viram na acusação.

Com a compra de votos para a reeleição de FHC/PSDB, foi muito diferente. Havia abundância de provas de que os votos foram comprados, sendo a principal um conjunto de gravações de deputados governistas confessando que foram corrompidos por 200 mil reais cada um para votarem a favor da emenda da reeleição.

Era o tempo do “engavetador-geral da República”, o ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC e que, ao longo de oito anos, nunca incomodou o governo ao qual prestou serviços – infringindo a lei, diga-se.

Isso não impediu que FHC escrevesse, nesse último artigo, acusações aos adversários petistas de terem feito aquilo que ele diz que não fez, mas que a teoria do domínio do fato, tal como foi usada pelo Supremo [contra o PT], diria que só pode ter feito, pois não se imagina que alguém cometa um crime para favorecer a outrem desinteressadamente e sem que o favorecido saiba de nada.

E se algum defensor do tucano disser que, se é assim, Lula também teria que “saber”, engana-se: o mensalão não beneficiaria o ex-presidente petista pessoalmente, mas a compra de votos de FHC/PSDB foi um benefício pessoal para ele e só para ele, pois poderia ter feito como Lula e elegido algum “poste” para continuar sua “obra”, mas seu projeto de poder era pessoal.

Sobre o artigo de FHC em questão, no entanto, há pouco mais que dizer. Sob o ridículo título “Sinais alarmantes”, apenas escancara seu cinismo sobrenatural enquanto tenta construir um risco qualquer para a democracia que haveria em seus adversários simplesmente fazerem política.

O primeiro parágrafo dessa peça lamentável resume tudo:

Finalmente, fez-se justiça no caso do mensalão. Escrevo sem júbilo: é triste ver na cadeia gente que em outras épocas lutou com desprendimento. Estão presos ao lado de outros que se dedicaram a encher os bolsos ou a pagar suas campanhas à custa do dinheiro público

Só esse parágrafo basta para ilustrar a falta de caráter de alguém que, se tivesse, ao menos, um pingo de decência, trataria de se fechar em copas, de não apontar o dedo para quem, no máximo – mesmo acedendo à tese farsesca de que o PT compraria os próprios deputados –, pode ter feito o que ele mesmo fez. Só que sem as provas que abundam contra si.

Mas o que esperar de um homem que, sob insultos pesados, expulsa a mulher que inseminou ao ser comunicado por ela de que o ato que praticaram gerou um fruto? A falta de caráter desse sujeito não precisava desse artigo deplorável em que, além de “príncipe” da roubalheira de patrimônio público, confirmou ser o “imperador do cinismo”.

FONTE: escrito or Eduardo Guimarães em seu blog “Cidadania”  (http://www.blogdacidadania.com.br/2013/12/principe-da-privataria-e-imperador-do-cinismo/).

NOVIDADES SOBRE O HELICÓPTERO DO PÓ

Perrela pai e Aécio Neves

DONO DO HELICÓPTERO DO PÓ GANHOU 3 CONTRATOS SEM LICITAÇÃO DE AÉCIO NEVES

Por Miguel do Rosário, jornalista, no blog “Tijolaço

“Escrevo há uns quinze anos sobre política, de maneira quase ininterrupta, e tendo ideais progressistas, sempre fui crítico à grande imprensa brasileira. No entanto, nunca me deparei com um grau de degradação tão avassalador como vejo nos últimos dias. “O Globo” insiste nos “privilégios” dos presos petistas, sem refletir que, ao fazer esse tipo de campanha, contradiz a si mesmo. Afinal, que raio de privilégio é esse em ser achincalhado diariamente nos jornais, mesmo após estar preso injustamente?

Através do “Globo”, agora já sabemos os negócios de todos os familiares dos proprietários do hotel que empregará José Dirceu.

Enquanto isso, a imprensa trata com inexplicável discrição aquele que pode ser o maior escândalo das últimas décadas, rivalizando até mesmo com o trensalão paulista.

O Ministério Público de Minas Gerais vai propor, nos próximos dias, uma Ação Civil Pública para investigar repasses do governo do estado, na gestão de Aécio Neves, para a empresa “Limeira Agropecuária e Participações Ltda”, proprietária do helicóptero apreendido com meia tonelada de pó. Os repasses aconteceram em 2009, 2010 e 2011.

Achei reportagens do ano passado com informações sobre suspeitas do Ministério Público contra a “Limeira”, empresa dos Perrela. O MP apurava possível contratação irregular, sem licitação, pelo governo do estado, além de superfaturamento. A compra da “fazenda Guará”, avaliada em R$ 60 milhões, também estava sob a mira dos procuradores, visto que o bem havia sido ocultado pelo senador Zezé Perrela.

Domingo, saiu uma matéria no “Globo” sobre o tema, mencionando as suspeitas do Ministério Público, mas sem chamada na primeira página e sem qualquer citação ao partido do governo do estado, e às relações quase íntimas entre os Perrela e o provável candidato do PSDB à presidência da república, Aécio Neves. A reportagem informa que o senador Zezé Perrela (PDT-MG) também pagou com sua verba de gabinete o combustível usado no famoso helicóptero. Zezé e Gustavo, pai e filho, estão cada vez mais enredados no caso.

O assunto não é interessante? Um possível presidente da república ser tão próximo de políticos suspeitos de serem grandes traficantes de cocaína não é do interesse da nossa imprensa “livre”, “independente”, “profissional”? Será que mais uma vez, os blogueiros terão que assumir a dianteira dessa investigação, com grande risco pessoal?”

FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário no blog “Tijolaço”.(http://www.ocafezinho.com/2013/12/01/novidades-sobre-o-helicoptero-do-po/#more-15426).

Jornalista paraguaio “O BRASIL, UMA NARCOCRACIA”


Por Chiqui Avalos
Chiqui Avalos

Os brasileiros vão descobrir que não são diferentes da Colômbia, do Paraguai, da Argentina, do Peru, do Panamá. Quem sabe, o Brasil seja até pior, bem pior, com uma narcocracia reinante na política, na economia, na imprensa. Silenciosamente reinante.

A história da América Latina, lamentavelmente, se confunde com a do narcotráfico. Rios de dinheiro irrigaram (e irrigam) campanhas eleitorais, corrompem governos, compram a imprensa e desgraçam a sociedade dando vazão as suas piores facetas e práticas.

Na velha e sofrida Bolívia os produtores e traficantes foram tão longe que financiaram um sangrento golpe de estado, mataram dezenas de lideranças políticas, sindicais e populares e – incrivelmente – entronizaram um bandido fardado, o coronel Alberto Natush Bush, como primeiro mandatário do país. O célebre "narcopresidente", um homem estúpido e militar caricato conhecido por sua declarada admiração a Hitler, passou rápido pelo Palácio Quemado: foram 16 breves e tormentosos dias em que os chefões do tráfico e da produção de cocaína manejaram um país só para eles. Natush terminou defenestrado e preso. Mal poderia imaginar que quase três décadas depois um indígena ocuparia o mesmo lugar e defenderia o plantio das folhas de coca – matéria básica do fabrico da cocaína – como sendo uma "questão cultural". Evo Morales chega a dizer que a Coca-Cola produzida pelos americanos é tão nociva quanto a coca plantada e colhida por seus compatriotas.

No Peru de Fujimori, seu homem-forte fez uma ponte segura com o narcotráfico. Em seu bunker no comando do exército, o coronel Vlademiro Montesinos protegeu um dos maiores narcotraficantes de que se tem notícia, Demetrio Chávez Peñaherrera, o famosíssimo "Vaticano", nos tempos em que exerceu o poder numa espécie de copresidência. "Vaticano" inundou o mercado norte-americano com milhares de toneladas de cocaína de alta pureza, transportando-as com a cobertura das próprias forças armadas peruanas e dos organismos policiais que tinham a função de reprimir os traficantes. Boa parte das dezenas de jornais que brotaram como cogumelos nos anos da ditadura fujimorista, caluniando impiedosamente os inimigos do regime em manchetes amorais, eram pagos com maços de dólares entregues por Montesinos e vindos do tráfico internacional de drogas. Vídeos que provocaram a queda do então presidente, mostravam a desenvoltura de jornalistas, deputados, empresários e artistas que iam receber – pessoal e alegremente – a mesada paga pelo apoio recebido. Hoje, são escassos os metros que separam as duas celas, de insuportável calor e de concreto-armado, ocupadas no inexpugnável complexo penitenciário de Callao pelo ambicioso Montesinos e seu sócio, o frio e deplorável Alberto Fujimori, o "Chino".

Argentina. Um cunhada de Carlos Menem, sua poderosa secretária pessoal na Casa Rosada durante os anos áureos do poder e queridinha da irmã e então primeira-dama Zulema Yoma, envolveu-se com o tráfico internacional. Amira Yoma, arrogante e certa da impunidade, nomeou o marido para a chefia da fiscalização da aduana do aeroporto de Ezeiza, o mais importante da Argentina. E assim, o sírio Ibrahim Al Ibrahim, que não falava uma única palavra de espanhol, garantiu a passagem de centenas ou milhares de malas contendo dólares, armas, jóias e – principalmente – cocaína. A prisão preventiva de Amira, decretada por uma desavisada juíza portenha, durou pouco; o maridão voltou para Damasco numa fuga organizada pelo próprio governo Menem e, pouco tempo depois, apesar da estrondosa repercussão do "Narcogate" (um dos maiores escândalos das centenas que espoucaram na década do mafioso neoliberal), Amira estava de volta aos círculos mais íntimos do poder, com a mesma arrogância e a mesma força de antes.

Um dos estratagemas do governo menemista para abafar o escândalo foi uma calculada operação policial contra Diego Maradona, que cheirava cocaína com amigos em um apartamento. Ironia das ironias, o craque havia sido um gratuito e entusiasmado cabo-eleitoral do gatuno peronista. Anos depois, os filhos do brigadeiro chefe da Casa Militar do mesmo Carlos Saul Menem foram detidos no aeroporto de Barajas, em Madri, com mais de uma tonelada de cocaína escondida na estrutura de um jatinho particular, pilotado por um deles. Menem nada pode fazer para ajudá-los, já que recolhido em prisão domiciliar em sua La Rioja, uma das províncias mais pobres e calorentas do pobre e calorento norte argentino.

Dino Bouterse, filho do ditador Desi Bouterse, do Suriname, foi preso em agosto passado pelas autoridades do Panamá. Acusação: chefia de uma quadrilha internacional de traficantes de drogas. Dois dias depois, um juiz de Manhattan pedia sua extradição para os EUA, prontamente concedida. Dino, um sujeito arrogante de apenas 40 anos, amante de Ferraris potentes e lindas mulheres, já havia sido condenado a oito anos de prisão no próprio Suriname em 2005, por liderar uma gang de tráfico de armas e drogas, mesmo com papai sendo o ditador. Saiu da cadeia em 2008 por bom comportamento, e logo depois, o atlético e vaidoso jovem foi nomeado pelo generoso genitor para a chefia de uma poderosa e violenta “Unidade Antiterrorista”. Herança genética: nos anos 80, o presidente brasileiro João Figueiredo, a pedido dos EUA, enviara o general Danilo Venturini, seu homem de confiança, para enquadrar Bouterse pela conhecida operação de laboratórios de refino de cocaína nas selvas surinamesas em conjunto com os cartéis colombianos. Não obteve nenhum sucesso, pois não? Hoje, como naqueles já distantes anos, Bouterse manda no Suriname. Nada indica que continue aliado aos traficantes, mas seu filho está numa jaula na Ilha de Manhattan e é muito provável que de lá não saia jamais. C'est la vie...

Na rica Colômbia, terra de grandes valores culturais, de abundantes riquezas naturais e de uma sólida democracia, nada disso conseguiu superar a má fama alcançada pela verdadeira simbiose que existiu entre o país e a cocaína. Os cartéis de bandidos das ricas cidades de Medellín e de Cali reinaram por décadas, incrustrados no tecido social, financiando presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos, artistas, clubes esportivos, equipes de futebol, sindicatos de trabalhadores, chefes militares, policiais, igrejas, rainhas da beleza, grêmios estudantis, toureiros... Ufa! Pablo Escobar, do violento “Cartel de Medellín”, e os irmãos Rodriguez Orejuela, do sofisticado “Cartel de Cali”, enfim, financiaram a Colômbia inteira. Até que o governo começasse a deportá-los para os EUA (com cadeias perpétuas mais que certas), debaixo de pressão direta da Casa Branca através de duros embaixadores que constituíram autênticos governos paralelos na fria e cinzenta Bogotá, os marginais da droga mandavam e desmandavam numa Colômbia intranquila, amedrontada e banhada em sangue. Um senador, Alberto Santofimio, era conselheiro oficial de Escobar. E um presidente democraticamente eleito, Ernesto Samper, foi vitorioso numa dura disputa em segundo turno por conta de um avião cheio de caixas de dinheiro que lhe enviaram os de Cali, no famoso "vuelo de la plata" que quase lhe causou um ‘impeachment’ através do rumoroso "Processo 8.000". Foi preciso um homem duro e sem medo, o antipático e competente Alvaro Uribe, para (e apenas em meados da década passada) acabar definitivamente com os grandes cartéis e, de quebra, cortar a cabeça da guerrilha das FARC. Os sanguinários bandoleiros foram caçados como ratos, embrenhando-se na selva da Amazônia equatoriana e na rica fronteira nos Andes venezuelanos. Descobriu-se após um bombardeio ao acampamento das FARC no Equador, com a captura do laptop de um dos chefões mortos, estreitos laços com o regime bolivariano do falecido Hugo Chávez e comunicação direta com próceres do governo de Rafael Correa. Os cartéis financiavam o terrorismo, que era protegido pelos presidentes da Venezuela e do Equador. Que tal?

Nos anos 80, os barões da droga colombiana operavam fortemente com o regime sandinista. Aviões saiam do interior da Colômbia e faziam escala na Nicarágua, onde o próprio Pablo Escobar supervisionava o transbordo das cargas de toneladas de coca com destino ao mercado norte-americano. Tudo documentado em fotos pela DEA, o organismo antidrogas dos EUA. E dentro de bases da Força Aérea sandinista!

Os barões da droga colombiana teriam celebrado um pacto comercial com o regime dos irmãos Castro, na mesma época, e a ilha de Cuba passou a ser um porta-aviões dos cartéis. Toneladas de pó passaram por aeroportos secundários, em Varadero, Santiago de Cuba e Piñar del Rio. No amanhecer de 13 de julho de 1989, o corpo de Arnaldo Ochoa, o mais condecorado dos generais de Fidel, caiu crivado por balas diante de um pelotão de fuzilamento. Herói da campanha em Angola, Ochoa foi eliminado pela nomenclatura cubana sob a acusação de tráfico de drogas. Para a DEA, foi uma maneira de Fidel eliminar um aliado popular e respeitado que poderia lhe trazer problemas num futuro não muito distante, disputando sua sucessão com seu irmão Raul Castro, um homem despojado do carisma que transbordava em Ochoa. E, sobretudo, a queima de um arquivo importantíssimo: o general teria, realmente, participado das operações dos traficantes, mas como representante da ditadura, organizando embarques e desembarques como uma "missão militar". Ao matá-lo, o eterno ditador sinalizou ao mundo exatamente o contrário da realidade.

Meu Paraguai não fica longe ou fora de tão tristes realidades. Na tríplice fronteira, entre nossa Ciudad de Leste, Foz do Iguaçu e a cidade argentina de Iguazú, existiria um mundo paralelo, bilionário e perigoso, com bases dos terroristas árabes e de narcotraficantes internacionais. Só as autoridades dos três países parecem não saber ou acreditar nessa dura realidade. Até as águas que rolam na bela cachoeira estão cansadas de saber que aquela é uma das esquinas mais perigosas do mundo do crime.

Poucos dias depois da posse do industrial, banqueiro e dirigente esportivo Horácio Cartes na presidência da República, em agosto passado, o Paraguai foi sacudido com uma informação até então guardada debaixo de sete chaves: o tio do novo ocupante do Palácio de Lopez, eleito numa campanha milionária e bem-sucedida, foi preso no Uruguai pilotando um pequeno avião. A carga de mais de 400 kg de maconha foi descoberta quando caças da Força Aérea o obrigaram a pousar numa base próxima à Montevideo. Juan Domingo Viveros Cartes já havia cumprido pena como traficante, só que transportando grandes partidas de cocaína. Sua história se confunde com a do general Andrés Rodriguez, comandante do exército durante a ditadura de Alfredo Stroessner. Viveros Cartes foi o fiel piloto particular de Rodriguez, que viria a ser presidente ao derrubar Strossner. Só como presidente do Paraguay e aceitando aderir às duras políticas antidroga da DEA, o general teve um visto para entrar nos EUA: os ianques o apontaram durante toda a vida como o cabeça do narcotráfico naquele velho Paraguay, onde Stroessner dividia os setores da economia entre sua camarilha para poder reinar. A droga ficou estabelecida como um mercado exclusivo do general Andrés Rodriguez.

Escrevi um livro sobre o atual presidente paraguaio Horácio Cartes. Sem uma única acusação, apenas recordando fatos acontecidos, republicando documentos propositadamente esquecidos, jogando luz sobre a obscuridade de informações mal divulgadas ou cometendo a temeridade de dizer em voz alta o que todos os que fingem desconhecer a realidade, porém, comentam em voz baixa, recolhidos ao medo ou a covardia pura e simples. "La Otra Cara de HC" foi um dos livros mais vendidos na história do Paraguai. Poucas livrarias tiveram a audácia de expô-lo em suas vitrines e estantes. As que o fizeram ganharam um bom dinheiro com as filas que se formaram para comprar os exemplares disputados por cidadãs e cidadãos que, impedidos de derrotar Cartes tanto pelo poder do seu dinheiro quanto pela máquina azeitada do secular Partido Colorado, buscaram conhecer o que viria pela frente...

O delegado Romeu Tuma, o velho e saudoso amigo a quem dedico meu livro, ajudou-me em seus tempos de diretor da Polícia Federal brasileira a desvendar os mistérios que cercavam (e ainda cercam) o atual presidente Horácio Cartes e seu envolvimento com a lavagem de dinheiro através de sua casa de câmbio, a “Amambay”, hoje transformada em um poderoso banco comercial. Percorri os caminhos que me levaram a esclarecer os laços que o uniram a personagens inequivocamente relacionados ao submundo do contrabando e da lavagem de dinheiro dos traficantes. Relacionar o atual presidente diretamente ao narcotráfico não o fiz, mas desvendei os mistérios que o cercam e as personagens que, essas sim, deveriam estar atrás das grades. O respeitado presidente uruguaio Pepe Mujica, conhecido pela sinceridade desconcertante, chegou a disparar, durante a campanha eleitoral, uma frase reveladora: "O Partido Colorado é um narcopartido".

Agora o Brasil se vê às voltas com um escândalo de dimensões internacionais: um helicóptero de propriedade de uma empresa, cujo dono é um deputado filho de um senador, comandado pelo piloto que é funcionário do gabinete do deputado e abastecido com combustível pago por verbas oficiais do filho deputado e do pai senador, foi surpreendido pela polícia numa fazenda de propriedade do senador pai e do filho deputado, descarregando quase meia tonelada de cocaína. E a grande mídia brasileira, num silêncio gritante, sequer noticia com destaque o claro envolvimento de ambos – direta ou indiretamente, pouco importa! – com o tráfico de cocaína. O culpado será o mordomo aéreo? Claro que não.





Se em todos os países citados – e mais alguns outros, como no caso do prefeito de Toronto, surpreendido usando crack, ou o ex-prefeito negro de Washington, filmado cheirando com uma prostituta em uma suíte de hotel cinco estrelas – há o envolvimento de políticos, viciados ou traficantes, por qual razão no Brasil seria diferente? Os principais suspeitos, com claros e veementes indícios de envolvimento direto, são o papai senador e seu filhote deputado. E mais suspeita é a imprensa que se cala, não investiga, tergiversa e mente.

No Brasil de 1989, falava-se em voz baixa de uma provável ligação do então candidato presidencial Fernando Collor com as drogas. Ele seria um usuário. Ninguém o confrontou ou, ao menos, pediu-lhe esclarecimentos. Fez um governo controverso, comportou-se como um louco, caiu debaixo de um escândalo de grandes proporções depois de denúncias (comprovadas, aliás) feitas pelo próprio irmão. E foi Pedro Collor quem disse o que o Brasil não teve coragem de lhe perguntar, chegando ao detalhe sórdido: o irmão presidente usaria supositórios de cocaína. Quem quiser usá-los que os use, mas não pode ser presidente, ok? Todo e qualquer político sob o qual pairar a suspeita de ser usuário e adicto de drogas está impedido de ser presidente de seu país. Alguém ouviu falar que Mandela, Roosevelt, Getúlio ou Perón cafungavam carreiras?

Já se passou muito tempo e ninguém mais se lembra de que Rondônia é ou foi uma narcoprovíncia, onde o falecido senador Olavo Pires foi executado por pistoleiros profissionais, com o corpo partido ao meio por tiros de submetralhadora, num aparente acerto de contas dos cartéis colombianos com alguém que, ao que tudo indica, lavava dinheiro do tráfico internacional em empresas de sua propriedade. Sua fortuna (aviões, fazendas, revendas de automóveis e máquinas pesadas) brotou de um dia para o outro e todos acharam muito normal isso, inclusive dando ao pilantra um mandato no Senado da República.

O mais competente senador paraguaio, o colorado Kalé Galaverna, político corajoso que rompeu com Stroessner quando o ditador ainda era o dono de nosso país, subiu à tribuna do senado e acusou o falecido general Lino Oviedo de ser ligado ao narcotráfico. De quebra, envolveu o então governador do Paraná Roberto Requião, amigo pessoal de Oviedo e que seria seu sócio nas atividades ilícitas. O general, tão belicoso quanto Galaverna, não respondeu e fingiu não ser com ele. Requião, idem. Todo e qualquer homem público acusado de ligação com o tráfico ou de usuário de drogas tem o dever de esclarecer a situação e processar os acusadores. O silêncio é, em tese, uma confissão de culpa.

Há no interior do Brasil (como da Argentina e do Paraguai) uma infinidade de novos ricos, de potentados donos das cidades onde vivem, com carrões luxuosos, grandes fazendas e empresas prósperas, aviões e helicópteros (sempre, sempre!), e ninguém lhes pergunta a origem de fortunas tão grandes e constituídas tão rapidamente. Ao contrário, são festejados. Pois vieram do pó e ao pó sempre voltarão. Só as autoridades, o governo, a imprensa e a sociedade não sabem, ou fingem não saber.



A queda do narcohelicóptero em mãos das autoridades policiais, a descoberta de meia tonelada de pó, a estranha situação funcional do piloto da família, a origem nebulosa da imensa fortuna do senador Perella (dirigente mafioso de um time de futebol, o Cruzeiro), o combustível pago com dinheiro público, o silêncio indecente da grande mídia brasileira, tudo isso, tudo, tudo mesmo, é apenas a confirmação de que o caso precisa ser investigado, e bem investigado. Aí, então, os brasileiros vão descobrir que não são diferentes da Colômbia, do Paraguai, da Argentina, do Peru, do Panamá. Quem sabe, o Brasil seja até pior, bem pior, com uma narcocracia reinante na política, na economia, na imprensa. Silenciosamente reinante.”

FONTE: escrito por Chiqui Avalos, jornalista e escritor paraguaio, correspondente do “Brasil247” no MERCOSUL.  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/122488/O-Brasil-uma-narcocracia.htm) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

JOSÉ GENOINO VIVE “GENI”

José Genoino, preso e torturado após a guerrilha do Araguaia

É este ser humano que, para gáudio de seus torturadores, sofre o mais escandaloso linchamento moral a que um homem público brasileiro jamais foi submetido.

Por Roberto Amaral, na “Carta Capital”

De sua vida conheço pouco. O suficiente, porém, para respeitá-lo e nutrir profundo desprezo pelos que tentam depredar sua história e sua honra.

Filho de camponês no interior do interior do Ceará, em pleno semiárido nordestino, conheceu na carne, cedo, as forças telúricas que o sertanejo pobre precisa arregimentar para sobreviver. Menino ainda, trabalharia com o pai como “cassaco” nas frentes de trabalho do DNOCS, carregando pedra e abrindo à força da enxada estradas de terra, pretexto para dar sobrevida aos flagelados da seca de 1958.

O salário era pago em alimentos e querosene para o lampião.

Pelas mãos de um pároco entusiasmado pela “Teoria da Libertação” (por onde andará o Padre Salmito?), do qual fora coroinha, deixa a roça para lutar na cidade grande por melhores oportunidades de sobrevivência digna. Refaz a trajetória atávica de tantos antepassados.

Em Fortaleza, trabalha e estuda à noite em colégios públicos, ingressa na Faculdade de Direito (quando seria aluno de Paulo Bonavides) e é conquistado pelo movimento estudantil, pelo qual se destaca para conhecer a primeira prisão de sua vida severina (severíssima, saberia anos depois): na primeira incursão em defesa da democracia, em uma passeata contra o golpe de 1964 – golpe, relembre-se, maquinado nos quartéis e nos altos círculos do empresariado com papel destacado dos grandes capitães da grande imprensa brasileira, daquele então e de hoje.

Golpe que, não sabia, naquela altura, o perseguiria até hoje. Quatro anos passados, ainda universitário, é preso no Congresso da UNE em Ibiúna (1968), no interior de São Paulo. Solto, tem a prisão preventiva decretada; sem alternativa, ingressa na clandestinidade e vai travar, como lhe permitem as circunstâncias, sua luta na resistência à ditadura.

Não sei o que, naquela altura, faziam seus algozes de hoje.

Da luta de massa, ele transita para a resistência armada. Em junho de 1970, filiado ao PCdoB, ingressa na guerrilha do Araguaia. Conhece o inferno e descobrirá que sua vida severina era uma quase-morte. Preso em 1972 pelo Exército Brasileiro, vê-se, clandestino, incógnito, à mercê da humilhação, da ofensa, da degradação física e moral, a ignomínia da tortura, a mais insidiosa, implacável, fria, bestial e científica, na qual o pau-de-arara, a “cadeira do dragão” (choques elétricos), o sufocamento, os “telefones” (pancadas nos ouvidos) e os pontapés eram o vestibular do inimaginável em termos de perversão e perversidade.

Foi torturado ainda no Araguaia (e como o foi!), em Brasília e em São Paulo. Preso clandestino, incógnito, verdadeiro sequestrado, sem conhecimento da autoridade judiciária, inteiramente à disposição de seus algozes, sem o amparo sequer da lei de proteção aos animais, invocada nos idos do Estado Novo pelo apóstolo Sobral Pinto na defesa de Prestes. Só não padeceu onde não esteve.

Conheci-o no final dos anos 80 (só em 1977 ele recobraria a liberdade), chefiando eu a assessoria da bancada do PSB na Constituinte liderada pelo inesquecível e saudoso Jamil Haddad, ele um dos mais destacados deputados do PT.

Ex-guerrilheiro, líder radical do Partido Revolucionário Comunista (então uma fração dentro do PT), revela-se conciliador e articulador habilidoso, um dos costuradores de muitas das conquistas que a esquerda brasileira logrou trazer para a “Constituição cidadã”. Torturado por militares, poucos como ele, porém, tanto lutariam pela aproximação entre civis e militares.

Eu o reveria, corajoso, dedicado, na jornada do ‘impeachment’ contra o ex-presidente Collor, e continuaria acompanhando sua vida parlamentar, voltada à liberdade, à democracia e à defesa da soberania nacional. Distanciava-se do marxismo-leninismo, mas permanecia obcecado pela justiça social, caminhando do esquerdismo para concepções socialdemocratas avançadas. Para o bem das esquerdas em geral, cultivava a crítica de nossas organizações.

No primeiro governo Lula, é eleito presidente do PT, em substituição a José Dirceu e, por artes e maquinações que desconheço, termina envolvido no chamado escândalo do “mensalão”. Sempre alegando inocência, foi acusado, julgado, condenado e apresentou-se à execução da pena.

É esse ser humano (sim, ser humano!) que, para gáudio de seus torturadores impunes, sofre o mais escandaloso, brutal, injusto linchamento moral a que um homem público brasileiro jamais foi submetido.

Não discuto sua culpa nem o mérito da pena após tão longo e tumultuado julgamento, e sei que sua biografia não absolve os erros do presente. Digo que o linchamento não é pena capitulada em nosso Código Penal. Mais do que o justo clamor da opinião pública ferida em seus brios, cansada de tanta impunidade selecionada, e sedenta de punição, vejo, na sua execração, uma difusa “vendetta”. Mais que os erros que lhe são imputados (dessa, a ainda não suficientemente [provada e] esclarecida aventura do “mensalão”), pesa sobre sua imagem de hoje a sombra do guerrilheiro do passado. É a esse que se pune. A biografia agrava a pena.

Os que não puderam matá-lo (como fizeram com Rubens Paiva, Stuart Angel, Mário Alves, Manoel Alves Filho, Pedro Pomar, Bérgson Gurjão, Joaquim Câmara, Marighela, Herzog e tantos e tantos herois), os que foram derrotados com a redemocratização, os que perderam todas as eleições, querem a revanche e avançam covardemente sobre o carcará sem asas, já sem garras, já sem fôlego.

No momento em que escrevo, a presa é um homem abatido, um cardiopata com uma aorta artificial, lutando contra crises de pressão arterial. É o cadáver atrasado que, impacientes, reclamam. É nesse homem que batem, um prisioneiro da Justiça, cumprindo pena como devem cumprir todos os condenados. Quem ganha com isso? Que benefícios aufere nossa sociedade com a prática de tratar o oponente político como inimigo, e inimigo a ser abatido, destruído, dilacerado?

Estranhos tempos. Estranha história.

Maluf caminha lampeiro pelos gabinetes da Corte e o torturador Brilhante Ustra saboreia a aposentadoria que a impunidade lhe facultou. Mas José Genoino Neto, um homem pobre após quase sete mandatos de deputado federal, cumpre pena “por corrupção”...

Estranhos tempos. Estranha história.

Nesta hora sombria, estendo a mão ao homem José Genoino Neto e nego-a aos que lhe jogam pedras, como na Geni de Chico Buarque. Desprezo os linchadores, como desprezo os que se omitem diante de sua dor.

Nenhuma boa ideia merece um cadáver’ (Héctor Erazo, escritor colombiano)”

FONTE: escrito por Roberto Amaral, na revista “Carta Capital”. O autor é cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004. Título original: "Geni". Artigo transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=230165&id_secao=1).

MILIONÁRIAS “DOAÇÕES” AO PSDB FEITAS POR CONDENADO NA SUÍÇA POR PROPINA


Do Brasil 247”

“Acusado na Suíça de receber propinas, o engenheiro João Roberto Zaniboni, que foi diretor da ‘Companhia Paulista de Trens Metropolitanos’ e movimentou R$ 32,9 milhões por meio de sua empresa de "consultoria", também registrou "doações eleitorais" a políticos importantes do PSDB. Em 2012, por exemplo, ele foi o segundo maior doador de Mário Covas Neto, filho do ex-governador Mário Covas, que se elegeu vereador. Zaniboni também fez "doações" a secretários de Geraldo Alckmin, como Bruno Covas e José Aníbal.

Tratado até agora, por parte da imprensa, como “um caso isolado de corrupção”, que envolveria “apenas técnicos dos setores de transporte e energia” do governo paulista, o escândalo dos trens em São Paulo se parece, cada vez mais, com um esquema sistêmico de desvio de recursos públicos, destinado a financiar campanhas políticas do PSDB.

É o que aponta reportagem publicada no sábado pelos jornalistas Fausto Macedo, Fernando Gallo e Ricardo Chapola, do jornal “O Estado de S. Paulo” (leia aqui). Eles levantaram a informação de que a “Focco Tecnologia”, do engenheiro João Roberto Zaniboni, investigado na Suíça por receber propinas da “Alstom” e por lavagem de dinheiro, foi também um dos grandes “doadores” de campanhas tucanas.

Além de receber recursos da “Alstom”, Zaniboni, um ex-diretor da “Companhia Paulista de Trens Metropolitanos”, também movimentou R$ 32,9 milhões em suas contas, por “serviços de consultoria” pagos pelo governo paulista.

Próximo ao ex-governador Mário Covas, Zaniboni foi o segundo maior "doador" da campanha de Mário Covas Neto, o Zuzinha, que, em 2012, se elegeu vereador. Ele também fez "doações" a dois secretários de Geraldo Alckmin: Bruno Covas, do Meio Ambiente, e José Aníbal, de Energia.

No Brasil, Zaniboni foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro. Na Suíça, já está indiciado por lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele seria "intermediário no pagamento de propinas". A doação a Zuzinha, em 2012, foi de R$ 50 mil. Bruno Covas recebeu R$ 2 mil e José Aníbal, R$ 4 mil. Eles afirmam que as doações foram legais e registradas pela Justiça Eleitoral.”

FONTE: do "Brasil 247”  (http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/122489/Condenado-por-propina-na-Su%C3%AD%C3%A7a-fez-doa%C3%A7%C3%B5es-ao-PSDB.htm).

COMPLEMENTAÇÃO

DINHEIRO DE PROPINA DE TRENS ABASTECEU CAMPANHA DO PSDB




“A “Focco Tecnologia”, empresa de ex-diretores da “Companhia Paulista de Trens Metropolitanos” (CPTM) suspeitos de envolvimento com o cartel metroferroviário em São Paulo, foi a segunda maior doadora da campanha do vereador tucano Mário Covas Neto, o Zuzinha, em 2012.

A consultoria também deu dinheiro, em menores quantidades, a outros políticos do PSDB na campanha de 2010, que hoje estão no primeiro escalão do governo Geraldo Alckmin (PSDB): o secretário estadual de Meio Ambiente e deputado estadual licenciado Bruno Covas e o secretário estadual de Energia e deputado federal licenciado, José Aníbal.

Sócios da empresa, os ex-diretores da CPTM João Roberto Zaniboni e Ademir Venâncio de Araújo foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de cartel e crime financeiro. Zaniboni foi condenado pela Justiça da Suíça por lavagem de dinheiro.

A “Focco” já recebeu R$ 32,9 milhões do governo paulista entre 2010 e 2013 por "serviços de consultoria". Ela assinou contratos para "supervisão de projetos" com CPTM, Metrô, Agência Reguladora de Transportes do Estado (ARTESP), Secretaria de Transportes Metropolitanos e Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

A PF aponta Zaniboni e Araújo como "intermediários no pagamento de propinas" para beneficiar cartel no sistema metroferroviário suspeito de atuar nos governos tucanos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

Zuzinha e Bruno Covas são, respectivamente, filho e neto do ex-governador Mário Covas. Este era o governador em 1998, ano em que a multinacional alemã Siemens sustenta ter começado a operar o cartel no setor metroferroviário do Estado. Covas morreu em 2001, foi sucedido pelo então vice, Alckmin, atual governador, que terminou o mandato [de Covas].

A “Focco” doou R$ 50 mil para Zuzinha em 2012, ano da primeira campanha do filho de Covas. Era a segunda maior doadora do total de R$ 904,7 mil que o vereador declarou ter recebido. Ele ficou em oitavo lugar nas eleições, com 61 mil votos, e assim conquistou uma das 55 cadeiras do Legislativo municipal.

Em 2010, a consultoria de Zaniboni e Araújo já havia doado para as campanhas do sobrinho de Zuzinha, Bruno Covas, e de José Aníbal. Bruno acabaria se tornando o deputado estadual mais votado, com 239.150 votos. Ele contou com uma doação de R$ 2 mil, e Aníbal com uma de R$ 4 mil.

O atual secretário de Energia do Estado ainda recebeu uma doação de R$ 2 mil do consultor Arthur Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista do cartel. Aníbal foi eleito como o 19º deputado federal mais bem votado, com 170.957 votos.

DESLIGAMENTO

Zaniboni e Araújo, sócios da “Focco”, foram os primeiros agentes públicos a serem indiciados pela Polícia Federal no inquérito que investiga o cartel dos trens - há outros indiciamentos envolvendo o cartel, mas no setor de energia.

Zaniboni foi diretor de Operações e Manutenção da CPTM entre 1999 e 2003, e Araújo foi diretor de Obras e Engenharia da estatal entre 1999 e 2001. Zaniboni se tornou sócio da “Focco” em 2008, quando já estava fora da estatal do governo tucano. Após ter seu nome envolvido com o escândalo do cartel, em agosto deste ano, ele deixou a sociedade com Araújo.”

FONTE da complementação: do blog “Os amigos do Presidente Lula” com informações do jornal ‘O Estado de São Paulo’  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/).

PERSQUISA: REJEIÇÃO A JOAQUIM BARBOSA

Quanto mais tucaneia, mais aumenta a rejeição a Joaquim Barbosa

"Na pesquisa 'Datafolha' de 28 e 29 de novembro, no cenário em que testa o nome do presidente do STF Joaquim Barbosa, ele obteve 15% de intenções de voto, mas teve 22% de rejeição.

Isso significa que, para cada 2 eleitores dispostos a votar nele, há outros 3 que dizem não votar nele de jeito nenhum.

Barbosa não está sozinho entre os pré-candidatos com "saldo negativo".

Aécio Neves tem 19% de intenções de voto em seu melhor cenário contra 26% de rejeição.

Eduardo Campos tem 11% de intenções de voto no melhor caso, mas tem 24% de rejeição.

Com saldo positivo, só Dilma e Marina Silva.

Dilma alcança 47% de intenções de voto e rejeição de 25%, o que confirma a recuperação de sua popularidade.

Marina, no melhor caso tem 26% de intenções de voto e rejeição de 17%. Esse resultado é um complicador a mais para Eduardo Campos [vulgo “O Traíra”] se impor como cabeça de chapa no PSB.

Serra é o campeão absoluto em rejeição. Ele tem 22% de intenções de voto no melhor caso e rejeição de 35%.

Na pesquisa espontânea, Barbosa e Campos só têm 1%, contra 22% de Dilma

Na pesquisa espontânea, onde as pessoas pesquisadas são perguntadas apenas em quem votariam para presidente da República em 2014, sem citar uma lista de nomes, Dilma desponta com 22%, Aécio com 4%, Marina com 3%. Eduardo Campos e Joaquim Barbosa tiveram só 1%.

Mesmo com Lula declarando reiteradas vezes que sua candidata é Dilma, ele continua aparecendo em segundo lugar, na frente de todos os outros adversários da presidenta.”

FONTE: blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/). [Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

GOVERNOS ESTADUAIS ABOCANHAM 28% DO PREÇO DA GASOLINA


Gasolina subiu 5 centavos na refinaria. Vamos ver quanto na bomba…

Por Fernando Brito em seu blog “Tijolaço”

“Afinal, o tão especulado reajuste dos preços do combustível saiu.

E a Petrobras vai, de novo, levar a culpa por um aumento de preços que vai para todo mundo, muito mais do que para ela.

Porque, de verdade, a Petrobras recebe apenas, em média, 36% do preço pago pelo consumidor que abastece seu carro.

Os governos estaduais levam, sem produzir nem uma gota de nada, 28%, de ICMS.

O etanol misturado à gasolina fica com 12%.

8% são PIS e COFINS, únicos impostos federais, já que foi zerada a alíquota da CIDE, a “Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico”.

E os 16% restantes ficam para cobrir custos e margem de lucro de distribuidores e revendedores.

Os 4% de reajuste anunciados no fim de semana representam cinco centavos por litro.

Um oitavo da diferença do preço da gasolina cobrado num posto da Avenida Brasil, no Rio, a R$ 2,80, para um posto junto à Lagoa Rodrigo de Freitas, onde custa R$ 3,20.

Mas, na hora de reajustar, vocês vão ver se o preço vai subir cinco centavos, ou sete, como deveria ser contando a alíquota de imposto.

Está mais do que na hora de a Petrobras fazer uma campanha de esclarecimento para mostrar quem ganha o que no preço da gasolina.

Acho bacanas os anúncios das tartarugas que ela salva no “Projeto Tamar”, mas seria bom investir também no esclarecimento do pessoal que fica achando que ela é a vilã do preço da gasolina.

E a nossa imprensa, que fez tanta campanha para que as notas fiscais passem a discriminar o valor do imposto, bem que poderia fazer uma tornando obrigatório colocar no postos a discriminação dos preços que compõem o valor final do combustível.

Garanto que vai ter muita gente desejando a volta do tabelamento governamental.

Afinal, a transparência deve valer para todos.”

FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog “Tijolaço”  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=10661). [Título adicionado por este blog ‘democracia&política’].