quarta-feira, 30 de março de 2011

OCIDENTE RASGA RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA AO APOIAR OS REBELDES


“Independentemente do seu desfecho, a campanha liderada pelo Ocidente na Líbia já entra para a história como mais um capítulo de inobservância das leis internacionais.

Se por um lado fica evidente que os EUA, sob o presidente Barack Obama, tentaram dar um verniz legal à ação advogada por seus colegas europeus, ao insistir por uma resolução no Conselho de Segurança da ONU sobre o tema, também é claro que esta acabou sendo desrespeitada integralmente.

Desde o começo, foi alvejada não só a infraestrutura de defesa antiaérea de Muammar Gaddafi.

Foram bombardeadas também posições de forças terrestres. Ainda seria possível argumentar que isso faria parte do compromisso central da resolução: proteger civis "por todos os meios necessários".

Ao fim da semana passada, a ofensiva mudou de natureza. Além da zona de exclusão aérea, o que o Ocidente passou a fazer foi dar apoio às tropas rebeldes.

Até o começo dos ataques, as forças de Gaddafi tinham retomado o controle de cidades importantes como Ras Lanuf, e batido às portas do principal bastião rebelde, Benghazi.

Agora, o movimento contrário ocorre, com as bombas ocidentais abrindo caminho para o avanço das picapes rebeldes.

Isso implica tomar lado pela deposição de Gaddafi, o que não está previsto na resolução da ONU.

Não que Nicolas Sarkozy, em busca de reeleição, e David Cameron, atrás de alguma agenda positiva em meio a seus cortes orçamentários, estejam preocupados. Mas há outros problemas.

Sem o apoio da OTAN, é previsível que os rebeldes não tenham como tomar o poder em Trípoli.

Mesmo um cessar-fogo agora deixaria Gaddafi em posição de força contra eles, e nada indica até aqui que ele pretenda entregar facilmente o jogo.

Resta matá-lo em um bombardeio "impreciso" -aspas propositais. Mesmo se isso acontecer, os rebeldes parecem demasiadamente descentralizados para a negociação política com o que tenha sobrado do Estado líbio.

Especula-se, então, o papel de forças mediadoras africanas ou árabes/islâmicas, já que o Ocidente não quer se meter em mais um atoleiro.

O cenário sugere guerra civil, e aí teremos de ver quais civis serão protegidos e como.”

FONTE: escrito por Igor Gielow e publicado na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2903201104.htm) [imagem do Google adicionada por este blog].

Emir Sader: “1964 - DATA INCÔMODA PARA A DIREITA”


"A data é incômoda para a direita e, especialmente, para a imprensa. Escondem, envergonhados, seu passado para que ninguém saiba o papel que tiveram a favor da ditadura e contra a democracia. Por isso, tem que ressoar sempre nos ouvidos de todos a pergunta: onde você estava no golpe de 1964?

A cada ano, quando nos aproximamos da data do golpe de 1964, uma sensação incômoda se apossa da direita –dos partidos, políticos e dos seus meios de comunicação. O que fazer? Que atitude tomar? Fingir que não acontece nada, abordar de maneira “objetiva”, como se eles não tivessem estado comprometidos com a brutal ruptura da democracia no momento mais negativo da história brasileira ou abordar como se tivessem sido vítimas do regime que ajudaram a criar?

Difícil e incômoda a situação, porque a imprensa participou ativamente, como militância política, da preparação do golpe, ajudando a criar falso clima de que o Brasil estaria sob risco iminente de ruptura da democracia por parte da esquerda, como também do falso isolamento do governo Jango.

Pregaram o golpe, mobilizaram para as “Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade”, convocadas pela Igreja, tentaram passar a ideia de que se tratava de movimento democrático contra riscos de ditadura e promoveram a maior ruptura da democracia que o Brasil conheceu e a chegada ao poder da pior ditadura que conhecemos.

Na guerra fria, a imprensa brasileira esteve plenamente alinhada com a política norte-americana da luta contra a “subversão” contra o “comunismo”, isto é, com o radicalismo de direita, com as posições obscurantistas e contrárias à democracia, estabelecida com grande esforço no Brasil.

Estiveram em todas as tentativas de golpe contra Getúlio e contra JK. Em suma, a posição golpista da imprensa brasileira em 1964 não foi um erro ocasional, um acidente de percurso, mas a decorrência natural do alinhamento na guerra fria com as forças pró-EUA e que se opuseram com todo empenho ao processo de democratização que o Brasil viveu na década de 1950.

Deve prevalecer um misto de atitude envergonhada de não dar muito destaque ao tema, com matérias que pretendam renovar a ideia equivocada de que a imprensa foi vítima da ditadura –quando foi algoz, aliado, fator no desencadeamento do golpe e da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Cães de guarda”, da Boitempo, continua a ser leitura indispensável para uma visão real do papel da mídia no golpe e na ditadura.). Promoveu o golpe, saudou a instalação da ditadura e a ruptura da democracia, tratou de acobertar isso como se tivesse sido um movimento democrático, encobriu a repressão fazendo circular as versões falsas da ditadura, elogiou os ditadores, escondeu a resistência democrática, classificou as ações desta resistência como terroristas –em suma, foi instrumento do regime de terror contra a democracia.

Por isso, a data é incômoda para a direita, mas especialmente para a imprensa, que quer passar por arauto da democracia, por ombudsman das liberdades políticas. Quem são os Mesquitas, os Frias, os Marinhos, os Civitas, para falar em nome da democracia?

Por isso, escondem, envergonhados, seu passado, buscam a falta de memória do povo, para que não saibam seu papel a favor da ditadura e contra a democracia, no momento mais importante da história brasileira. Por isso, tem que ressoar sempre nos ouvidos de todos a pergunta: Onde você estava no golpe de 1964?”

FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader e publicado no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=687) [imagem do Google adicionada por este blog].

A HOMENAGEM A LULA EM LISBOA


LULA HOMENAGEADO EM LISBOA E COIMBRA

“Na cerimônia de doutoramento honoris causa, o ex-presidente brasileiro receberá (hoje) um anel de ouro, símbolo do seu compromisso com a Universidade de Coimbra.

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem na Assembleia da República, em Lisboa, o Prêmio Norte-Sul, atribuído pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa. A homenagem, que Lula recebeu ao lado de Louise Arbour, presidente do “International Crisis Group”, a outra galardoada, antecedeu outra importante distinção, a de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.

O Prêmio Norte-Sul distingue anualmente personalidades que, pela sua ação e exemplo, contribuem para a promoção da solidariedade e interdependência mundiais. Lula foi escolhido este ano, segundo o Centro Norte-Sul, pelo dinamismo que imprimiu às relações Sul-Sul e por ter conduzido uma política externa apontada em promover, à escala mundial, a luta contra a pobreza, o desenvolvimento econômico e a igualdade social.

Hoje, quarta-feira, Lula recebe em Coimbra o doutoramento honoris causa pela Faculdade de Direito, uma honra que, há anos, seria inimaginável para um operário pobre e pouco instruído. Um dos símbolos dessa ligação definitiva que Lula passará a ter com uma das mais antigas universidades europeias é um anel de ouro português. Criado pelo joalheiro Antônio Cruz, o anel, maior do que o usual para estes casos, tem 13 gramas de ouro e um rubi cor de sangue de pombo, remetendo para as insígnias vermelhas do Direito.

A seu lado, Lula terá outra mulher que faz história no mundo, a atual presidente do Brasil. Dilma Rousseff efetua uma visita de três dias a Portugal, a convite do homólogo Cavaco Silva. A presidente visitou ontem, a título particular, a Universidade Coimbra, estando também presente na cerimônia de doutoramento do seu antecessor. De regresso a Lisboa, Dilma encontrar-se-á com o presidente da República e com o primeiro-ministro José Sócrates.”

FONTE: reportagem de Domingos G. Serrinha (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/mundo/lula-homenageado-em-lisboa-e-coimbra). Transcrita no blog de Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-homenagem-a-lula-em-lisboa#more)

BRASIL ESTÁ CERTO EM APOIAR INVESTIGAÇÃO NO IRÃ, DIZ LULA


Lula diz não ter ido a jantar com Obama para não competir com Dilma Rousseff

BBC Brasil e Valor

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Lisboa que é favorável ao envio de um relator da ONU para investigar a condição dos direitos humanos no Irã.

"Eu sou favorável a que tenha um relator. Acho que foi correto o voto do Brasil. Tem que ter um relator que vá ao Irã investigar. O relator não é obrigado a concordar com as acusações feitas por outros países, mas você não pode impedir que vá alguém investigar se há ou não atrocidades contra os direitos humanos", disse o ex-presidente em entrevista à BBC Brasil e ao jornal Valor Econômico, em Portugal.

Na última quinta-feira, o Brasil votou no Conselho de Direitos Humanos da ONU a favor da nomeação de um relator para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. O gesto foi considerado mudança na postura do Brasil em relação às frequentes abstenções no governo Lula.

[As abstenções citadas não foram sobre esse mesmo assunto, de investigação de direitos humanos. O Brasil sempre foi coerentemente favorável a isso, inclusive, igualmente, é favorável à ONU investigar as condições em Guantánamo, Abu Ghraib, Gaza etc. Porém, os EUA nem permitem votar essa verificação. Na hipótese de votação, vetariam].

PRÊMIOS

Em Lisboa, Lula vai receber o Prêmio Norte-Sul, do Conselho da Europa, e nesta quarta-feira se tornará doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.

Questionado sobre o que o Brasil pode fazer para ajudar Portugal, que tem sofrido instabilidades políticas e econômicas, Lula afirmou:

"Isso é uma coisa que a presidenta Dilma vai discutir com o presidente Cavaco Silva e com o primeiro-ministro (José) Sócrates. Eu, particularmente, acho que a retomada das relações entre Brasil e Portugal, o trabalho conjunto que nós possamos fazer com os países africanos, os investimentos das empresas brasileiras em Portugal, até para que a gente possa entrar nos mercados europeus, é muito importante. Acho que este é momento muito importante para fortalecer as relações entre Brasil e Portugal".

Lula atribuiu a crise econômica na Europa à crença de que o "mercado poderia resolver todos os problemas". "É preciso rever o desenvolvimento da Europa, sem que as pessoas abram mão das conquistas sociais que adquiriram nos últimos 40 anos", afirmou.

Sobre as revoltas no Oriente Médio e no norte da África, disse que as transformações vêm sendo provocadas pela juventude: "É uma sede de democracia que bateu na juventude. O que aconteceu com a juventude é que eles queriam dignidade, queriam ter esperança outra vez. Eu acho que a democracia é isto, você permitir que as pessoas participem das decisões, que as pessoas tenham alternância de poder. Isto resulta num benefício importante para o mundo e para o Oriente Médio".

BRASIL

A respeito da ameaça de volta da inflação no Brasil, o ex-presidente afirmou que o país vive uma situação melhor do que os outros países.

"Acho que, se há um país que não tem problemas, é o Brasil. O Brasil continua crescendo, a inflação está controlada e vai ser controlada, não há nenhuma perspectiva de a inflação voltar. Eu tenho lido e ouvido pronunciamentos da presidenta Dilma de que ela fará todo o esforço possível para não permitir a volta da inflação, porque ela sabe que a volta da inflação significa prejuízo aos trabalhadores que vivem de salário".

Lula explicou por que não foi ao jantar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em que estiveram os outros ex-presidentes, durante a visita do americano ao Brasil.

"Foi por razão muito simples. Fazia apenas dois meses e meio que eu tinha deixado a Presidência. Eu acho importante que o Fernando Henrique Cardoso tenha ido, que o Collor tenha ido, que o Itamar tenha ido, que tenha ido o Sarney como presidente do Senado. Agora eu, fazia apenas dois meses e meio que tinha saído da Presidência da República. Eu não poderia voltar ao Itamaraty, tinha que deixar passar um tempo. Senão seria eu competindo com a nossa presidenta".

Lula negou que tenha divergências com a presidente Dilma. "Não há hipótese de haver divergência. Porque quando houver divergência, ela estará certa".

Para o ex-presidente, a visita de Obama ficou abaixo das expectativas.

"Eu esperava que ele anunciasse algumas coisas mais importantes, por exemplo que o Brasil deveria entrar no Conselho de Segurança da ONU, que ele reconhecesse e cumprisse a decisão da OMC (Organização Mundial do Comércio) em relação à questão do algodão, que ele diminuísse a taxação do etanol e, mais ainda, que ele retomasse as negociações da rodada de Doha, porque a rodada de Doha parou por causa das eleições nos Estados Unidos e da eleição da Índia. Porque somente o comércio é que vai criar condições para a melhoria da vida dos países mais pobres".

Sobre seus planos para o futuro, ele disse que nas próximas semanas vai fazer conferências em vários países e, depois, retomará a militância no Brasil.

"A partir da segunda quinzena de abril, eu vou fazer uma agenda mais forte dentro do Brasil. Quero ajudar a fortalecer o PT, quero ajudar a fortalecer o movimento social, quero manter contato com o movimento sindical. Vou voltar à porta de fábrica em São Bernardo do Campo, porque eu apenas deixei de ser presidente da República, mas eu jamais serei um ex-militante político, um ex-militante sindical, um ex-militante social. Está na minha vida fazer isso e eu vou continuar fazendo, porque é uma coisa que eu gosto e que eu preciso".

FONTE: divulgado pela agência britânica de notícias BBC e pelo jornal Valor Econômico; transcrito no portal UOL (http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/03/29/brasil-esta-certo-em-apoiar-investigacao-no-ira-diz-lula.jhtm) [trecho entre colchetes adicionado por este blog]

Delfim Netto: CAIU A FICHA!


A RELIGIÃO DOS ECONOMISTAS

Antonio Delfim Netto

“Caiu a ficha! A expressão não é elegante, mas cabe como uma luva aos economistas que, ao pretenderem criar uma "ciência", construíram uma "religião": uma "ciência econômica" que acredita em leis naturais que governam o funcionamento do sistema econômico e são, portanto, independentes da história, da geografia, da psicologia, da antropologia etc.

Tal crença, apoiada numa formalização útil, mas exagerada, para lhe dar um ar "científico", interditou ou reduziu à heterodoxia visões alternativas do mundo e produziu o míope "pensamento único" que empobreceu a economia política. Está agora a desfazer-se sob os nossos olhos, sob a pressão de velhíssimos ortodoxos! Esses tentam, desesperadamente, entender como foi possível a crise de 2007/2009 que emergiu como uma "surpresa" numa conjuntura que parecia de plena tranquilidade e atribuída ao sucesso daquela "ciência monetária"...

Nada pode demonstrar melhor essa tragédia do que as contribuições de brilhantes economistas (todos do "mainstream") à conferência "Repensando a Política Macroeconômica". Ela foi organizada às expensas do FMI, por Olivier Blanchard (economista-chefe do FMI e autor de dois clássicos, um dos quais, desde 1989, dominou o estudo "sério" da macroeconomia), David Romer (autor da bíblia "Macroeconomia Avançada"), Joseph Stiglitz (Nobel, 2001) e Michael Spence (Nobel, 2001).

Na semana passada (dia 23), Blanchard publicou um minúsculo e devastador artigo "O Futuro da Política Macroeconômica: Nove Conclusões Tentativas", resumindo os resultados da conferência (obviamente, uma visão pessoal, mas seguramente não viesada):

1ª) Entramos num magnífico ("Brave") mundo novo, muito diferente do que vivíamos em termos do exercício da política macroeconômica;

2ª) Na velha discussão entre o papel relativo dos mercados e do Estado, o pêndulo avançou -pelo menos um pouco- na direção do Estado;

3ª) Há distorções sérias e muito maiores do que pensávamos na macroeconomia. Elas foram ignoradas porque supúnhamos que fossem pertinentes à microeconomia. Quando integramos as finanças à macroeconomia descobrimos que suas distorções são relevantes para a segunda e que a regulação precisa ser aplicada também aos reguladores. A economia comportamental e sua prima, a finança comportamental, são peças centrais da macroeconomia;

4ª) A macroeconomia tem múltiplos objetivos e muitos instrumentos (ferramentas) para implementá-los. A política monetária precisa ir além da estabilidade inflacionária. Precisa acrescentar o PIB e a estabilidade financeira como objetivos e incorporar medidas macroprudenciais entre os seus instrumentos. A política fiscal é mais do que "gastos" menos "receitas" e seus "multiplicadores" que influenciam a economia. Existem, potencialmente, dezenas de instrumentos, cada um com seus próprios efeitos dinâmicos que dependem do estado da economia e das outras políticas;

5ª) Temos muitos instrumentos e não sabemos exatamente como utilizá-los. Em muitos casos, não temos certeza sobre o que eles são, como e quando devem ser utilizados e se vão ou não funcionar. Por exemplo, nós não sabemos de fato, o que é a liquidez. Logo, "relação de liquidez" é apenas a continuação do que não sabemos;

6ª) Esses instrumentos são potencialmente úteis, mas levantam problemas por seu custo político. Por outro lado, os instrumentos podem ser mal utilizados. Ficou claro nas discussões que muitos pensam que existem razões plausíveis para o controle de capitais, ou para a política industrial (que todos sabem ter limites), mas o governo pode escolhê-los porque não lhe convém, politicamente, usar os instrumentos macroeconômicos corretos;

7ª) Para onde vamos, então? Em termos de pesquisa econômica o futuro é excitante. Há um imenso número de questões que devemos esclarecer e sobre as quais devemos trabalhar;

8ª) Os problemas são difíceis. Como não sabemos bem como usar os novos instrumentos e eles podem, potencialmente, ser mal utilizados, como devem proceder os formuladores da política econômica? O melhor é uma política cuidadosa e de pequenos avanços. O pragmatismo é fundamental;

9ª) Devemos ser modestos em nossas esperanças. Vão acontecer novas crises que não antecipamos. A despeito de todo nosso esforço podemos assistir a outras, no velho estilo das clássicas crises de crédito. Seria possível nos livrarmos delas com uma boa teoria dos agentes e uma regulação correta ou elas são parte do comportamento humano (endógenas ao sistema de economia de mercado) de forma que não importa o que façamos, elas sempre nos visitarão?

Abre-se, portanto, vasto campo de conhecimento a ser explorado. Não devemos desanimar ou nos deixar enganar por essa visão relativista (de aparência quase niilista com relação a uma "ciência econômica"). O conhecimento acumulado nos últimos 300 anos, de cunho menos pretensioso, que transcende "escolas", "ideologias" e "idiossincrasias" -a velha economia política- é, comprovadamente, rico de ensinamentos para a boa governança do Estado. Ele mostra a importância absoluta da boa coordenação entre a política fiscal e a política monetária, do incentivo correto aos agentes, da boa regulação dos mercados e a necessidade do respeito às identidades da contabilidade nacional.”

FONTE: escrito por Antonio Delfim Netto, professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Publicado no jornal “Valor Econômico” e transcrito no blog do jornalista Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-religiao-dos-economistas-por-delfim#more) [imagem do Google adicionada por este blog].

Bresser Pereira: "FELIZES COM A PRESIDENTE"


“Estamos todos felizes com a nossa presidente. Ela formou um bom ministério, estabeleceu maioria sólida no Congresso, e está agindo com equilíbrio e firmeza diante dos problemas econômicos e de política interna e internacional.

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Não devemos, entretanto, subestimar os problemas que ela enfrenta, ou que o Brasil enfrenta. Não devemos, principalmente, nos deixar enganar com os elogios dos governantes, investidores e economistas dos outros países sobre o Brasil.

O presidente Lula saiu vitorioso de seus oito anos de governo porque se revelou governante competente, mas é preciso não esquecer que sua política de distribuição da renda e de aumento do poder de compra dos pobres foi possível sem causar inflação porque a taxa de câmbio, que estava em R$ 3,95 por dólar quando assumiu, baixou sistematicamente durante seu governo.

E essa apreciação do real não causou problemas no lado externo da economia -pelo contrário, o país zerou sua dívida externa líquida- porque os preços das commodities exportadas pelo país explodiram, permitindo que as exportações quase triplicassem sem aumento significativo de quantum exportado.

A apreciação do câmbio e o aumento dos preços das commodities abriram grande espaço de política econômica para o governo anterior. Não há, entretanto, nenhuma indicação de que o atual governo contará com espaço semelhante.

A inflação acelerou-se em 2010, e o governo não pode mais contar com a apreciação adicional da taxa de câmbio para fazê-la baixar. Sabe que precisa depreciá-la e por isso tratou de combater o aumento da inflação com ajuste fiscal, redução do crédito e aumento dos juros.

Mas nada fez ainda em relação à sobreapreciação da taxa de câmbio, cujo nível é incompatível com o desenvolvimento econômico do país. É incompatível porque não se pode mais contar com aumento adicional dos preços das commodities.

Eles aumentaram devido à demanda adicional da China, mas não me surpreenderei se começarem a baixar devido ao aumento dos investimentos realizados para atender a demanda. É incompatível porque o dano que a atual taxa de câmbio está causando à economia brasileira é muito grande. O país está se desindustrializando e caminhando para trás no plano tecnológico.

Meu amigo e notável economista Gabriel Palma costuma dizer que, para a teoria econômica convencional, não faz diferença produzir "potato chips" ou "computer chips". Se isso fosse verdade, não haveria por que nos preocupar.

Mas qualquer prefeito do interior sabe que precisa atrair indústrias que elevem o valor adicionado per capita de sua cidade. E que não há nada mais importante para o desenvolvimento que o progresso técnico.

Vejam, então, o que está acontecendo. Conforme o competente pesquisador do IPEA, Marcelo Nonnemberg, verificou, enquanto o grau de intensidade tecnológica das exportações da China e demais países asiáticos dinâmicos está crescendo, o índice do Brasil está em queda.

De 2000 para 2008, enquanto o índice da China aumentou de 11,4 para 14,8, o do Brasil caiu de 9,1 para 7,1. Estamos nos transformando em produtores de "potato chips", enquanto os asiáticos desenvolvem uma indústria cada vez mais sofisticada. Algo de corajoso terá que ser feito nesta área para que continuemos felizes com nossa presidente.”

FONTE: escrito por Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, ex-ministro do Planejamento. Publicado no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150552&id_secao=2) [imagem do Google adicionada por este blog].

BRASIL ULTRAPASSA 207 MILHÕES DE CELULARES EM FEVEREIRO


“O Brasil fechou fevereiro com mais de 207,5 milhões de assinantes na telefonia celular, de acordo com dados divulgados na segunda-feira pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).

Nos dois primeiros meses deste ano, 4,6 milhões de novas habilitações foram registradas. O número é o maior dos últimos onze anos.

Do total de acessos em operação no país, 82,2% são de celulares pré-pagos.

Já o número de acessos a cada 100 habitantes atingiu 106,91, com alta de 2,13% no ano. No mês passado, 17 Estados já possuíam mais de um celular por habitante: Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Rondônia, Mato Grosso, Santa Catarina, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná, Tocantins, Rio Grande do Norte, Amapá, Minas Gerais e Sergipe.

VIVO É LÍDER

Em fevereiro, a operadora Vivo manteve a liderança do segmento de telefonia móvel, com 29,55% de participação, ante 29,93% registrados um ano antes.

O segundo lugar é disputado pela Claro, com 25,47% de participação, e pela TIM, com 25,16%. Em fevereiro de 2009, a Claro detinha 25,50% do mercado, e a Tim, 23,65%.

A Oi ocupa a quarta posição, com 19,47% do mercado. Em 2010, esse percentual era de 20,56%.”

FONTE: Folha de São Paulo e portal UOL (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/894869-brasil-ultrapassa-207-milhoes-de-celulares-em-fevereiro.shtml) [imagem do Google adicionada por este blog].