sábado, 29 de novembro de 2014

O DOCUMENTO "MANIFESTO" E A MALANDRAGEM DA "GLOBO"





O manifesto e a malandragem de "O Globo"

Por Altamiro Borges

"Na segunda-feira (24), um grupo de intelectuais, lutadores sociais e ativistas digitais – de várias origens e partidos políticos – lançou o manifesto “Em defesa do programa vitorioso nas urnas”. O objetivo era criticar a violenta ofensiva da direita derrotada nas eleições, que tenta enquadrar a presidenta Dilma Rousseff e, ao mesmo tempo, cobrar do novo governo uma postura mais ousada para avançar nas mudanças no Brasil. O texto teve ampla repercussão nas redes sociais, ecoou no Palácio do Planalto e foi objeto das intrigas e das futricas da mídia oposicionista. Na quinta-feira (27), o jornal "O Globo" reconheceu publicamente o impacto do documento e dedicou um editorial – intitulado malandramente de “Cegueira ideológica no manifesto petista” – para desqualificá-lo.

Os barões da mídia – que fizeram campanha aberta e criminosa contra a reeleição de Dilma Rousseff, conforme comprovado pelo site “Manchetômetro” e que agora esperneiam para impor o programa dos derrotados ao novo governo – não aceitam a legítima pressão de outros setores da sociedade. Para eles, a luta de classes deveria ser extinta, de preferência nos porões da ditadura ou por um decreto tucano. O jornal da 'famiglia' Marinho, que faz pressão para impor seus ministros e seu programa neoliberal de austeridade fiscal, aperto monetário, privatização, arrocho salarial e desemprego, sentiu o impacto do manifesto e, por isso, tenta ridicularizá-lo. Trata seus signatários como esquerdistas que não enxergam a realidade e que vivem num “mundo visto pela lógica das ideologias”.

Para o jornal "O Globo", que defende os interesses dos banqueiros e dos latifundiários, o documento peca por criticar as escolhas do rentista Joaquim Levy e da ruralista Kátia Abreu para o ministério de Dilma. A tentativa de demonizá-los, afirma o diário, confirmaria a visão maniqueísta de setores da esquerda, que “parecem acometidos de um purismo tardio e fora de época”. Para o jornal, a confirmação desses nomes seria a prova cabal da força do “deus-mercado”. “Esses militantes poderão se sentir traídos por Dilma. Mas terá de ser reconhecido que a presidente reeleita demonstrou admitir algo, de forma implícita, por sobre suas convicções ideológicas: que o Estado brasileiro ruma para a insolvência, devido ao fracasso da sua política do ‘novo marco macroeconômico’”.

O manifesto falseia ao afirmar que possíveis nomeações de ministros ‘sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas’. Faltou atenção aos redatores: se em nenhum momento a candidata Dilma disse dos palanques o que faria em termos de política econômica, também não foi enfática na defesa da manutenção dos rumos. Alardear que está a favor da manutenção de empregos e dos pobres é o mesmo que defender em praça pública a luz elétrica e a água encanada. Ninguém discorda. O problema é fazer com que não faltem nem luz nem água. E essa é responsabilidade direta da presidente, e não do PT e de seus militantes”, concluiu o editorial, que não esconde o seu titânico empenho em impor a agenda dos derrotados à presidente reeleita.

Em síntese: "O Globo" reconheceu a força do manifesto, que reproduzo abaixo – só para irritar os editorialistas a soldo da famiglia Marinho:

Em defesa do programa vitorioso na urna

"A campanha presidencial confrontou dois projetos para o país no segundo turno. À direita, alinhou-se o conjunto de forças favorável à inserção subordinada do país na rede global das grandes corporações, à expansão dos latifúndios sobre a pequena propriedade, florestas e áreas indígenas e à resolução de nosso problema fiscal não com crescimento econômico e impostos sobre os ricos, mas com o mergulho na recessão para facilitar o corte de salários, gastos sociais e direitos adquiridos.

A proposta vitoriosa unificou partidos e movimentos sociais favoráveis à participação popular nas decisões políticas, à soberania nacional e ao desenvolvimento econômico com redistribuição de renda e inclusão social.

A presidenta Dilma Rousseff ganhou mais uma chance nas urnas não porque cortejou as forças do rentismo e do atraso e sim porque movimentos sociais, sindicatos e milhares de militantes voluntários foram capazes de mostrar, corretamente, a ameaça de regressão com a vitória da oposição de direita.
A oposição não deu tréguas depois das eleições, buscando realizar um terceiro turno em que seu programa saísse vitorioso. Nosso papel histórico continua sendo o de derrotar esse programa, mas não queremos apenas eleger nossos representantes políticos por medo da alternativa.

No terceiro turno que está em jogo, a presidenta eleita parece levar mais em conta as forças cujo representante derrotou do que dialogar com as forças que a elegeram.

Os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas.

As propostas de governo foram anunciadas claramente na campanha presidencial e apontaram para a ampliação dos direitos dos trabalhadores e não para a regressão social. A sociedade civil não pode ser surpreendida depois das eleições e tem o direito de participar ativamente na definição dos rumos do governo que elegeu".


FONTE: escrito pelo jornalista Altamiro Borges e publicado no seu blog e no site "Patria Latina"  (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/11/o-manifesto-e-malandragem-de-o-globo.html#more) e (http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=ba2cf4148007ed8a8b041f8abd9bbf96&cod=14708).

NOVOS MINISTROS: REALITY SHOW NO 3º ANDAR DO PALÁCIO DO PLANALTO




"A FAZENDA", UM REALITY SHOW NO 3º ANDAR DO PALÁCIO DO PLANALTO

Por Antonio Lassance, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília 
(originalmente publicado na Carta Maior)

"A equipe econômica do segundo mandato está sacramentada.

Joaquim Levy, na Fazenda; Nelson Barbosa, no Planejamento; Alexandre Tombini, no Banco Central.

O adiamento da votação da flexibilização da meta de superávit primário foi decisivo para impedir que o anúncio fosse imediatamente seguido pela posse.

Como consequência, Levy e Barbosa - Tombini, que já é ministro, só eventualmente - ficarão acampados no 3o andar do Palácio do Planalto, em transição com os atuais ministros Guido Mantega e Miriam Belchior.

A ideia de deixá-los no Palácio, e não em um dos ministérios ou no Centro Cultural Banco do Brasil - tradicionalmente deixado à disposição para transições desde 2002 - teve a intenção não apenas de garantir a proximidade do gabinete presidencial.

Pesou também a necessidade de afinar a comunicação da futura equipe, sob a supervisão da SECOM do Palácio.

O recado também é de que Levy tem autonomia, mas não é czar.

O especialista em ralos

Quando Antonio Palocci iniciou a transição do Ministério da Fazenda, em 2002, pediu a Pedro Malan que fizesse sua lista de "imprescindíveis".

Levy foi especialmente recomendado para a Secretaria do Tesouro Nacional pelo atributo de ser um "especialista em ralos" do dinheiro público.

Era capaz de identificar, com lupa, gastos que passaram a ter um comportamento anômalo.

Daí veio o apelido de Joaquim "Mãos de Tesoura".

Acredite se quiser

Justiça seja feita, Levy, quando esteve na condição de fechador oficial de torneiras no Governo Federal, foi um crítico da política monetarista de Henrique Meirelles no Banco Central. Foi o segundo maior crítico. O primeiro, imbatível, era o vice-presidente, José Alencar.

Foi Levy quem soltou o bordão de que o Tesouro ficava "enxugando gelo", pois, enquanto fazia um insano esforço fiscal, o Banco Central persistia indefinidamente com a política de juros altos, o maior de todos os ralos das finanças públicas.

A expressão seria depois utilizada por Dilma, quando ministra da Casa Civil, na mesma linha de crítica a Meirelles.

O réquiem de Levy é que o objetivo maior não é fazer superávit, mas reduzir o estoque da dívida no longo prazo.

A geração de superávits elevados, para o próprio Levy, só faz sentido se for acompanhada de progressiva redução da taxa de juros, a parte que cabe a Tombini.

Sem isso, de novo, ficará enxugando gelo.

Por que Trabuco não veio?

Como se sabe, a primeira opção de Dilma para o Ministério era o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.

Trabuco virou presidente do Banco com a missão de retomar a antiga condição de maior banco privado do país, perdida quando o Itaú se fundiu ao Unibanco.

Na decisão do Banco de não ceder Trabuco para Dilma, pesou a avaliação interna de que não teriam ninguém à altura para manter o foco nessa disputa entre os dois gigantes.

Fala que eu te escuto

Trabuco virou "ídolo" do Governo quando defendeu o Brasil em Davos, no Fórum Econômico Mundial, sendo voz dissonante em relação a Ilan Goldfajn - ex-diretor do Banco Central durante FHC e, atualmente, economista chefe e um dos sócios do Itaú.

O Itaú (Goldfajn) recomendou a todos que evitassem o Brasil. Trabuco, ao contrário, disse que nenhum investidor com juízo iria sair do Brasil.

Trabuco era considerado melhor de comunicação do que Levy. Teria mais condições de agir sobre os agentes econômicos para alinhar as expectativas do setor público e do setor privado.

Levy, que se comunica com uma voz de Frajola, é ídolo entre a burocracia de carreira da Fazenda.

O receituário de Nelson Barbosa

Preterido para a Fazenda e convencido a ir para o Planejamento, Nelson Barbosa buscava se viabilizar não só como nome do PT, mas como uma opção confiável ao mercado.

Passou a ser, publicamente, defensor de ajustes imediatos e substantivos nas contas públicas, com um viés que muito pouco tinha de realmente desenvolvimentista.

Sua apresentação intitulada "Principais Desafios Macroeconômicos de 2015", feita para o 10º Fórum de Economia da FGV (São Paulo, 15 de setembro de 2014) , em especial o tópico “Doze trabalhos fiscais”, está longe de poder ser considerado um receituário plenamente heterodoxo.

A preocupação essencial era com as perdas fiscais dos preços regulados - energia e combustíveis -, gastos com servidores e até com o Supersimples (o regime especial para pequenas e médias empresas).

A única pregação desenvolvimentista está nas entrelinhas: nada há sobre a tarefa de "desmamar" grandes empresas beneficiadas com polpudas desonerações fiscais.

Barbosa estava em plena campanha para virar ministro da Fazenda com apoio do setor privado, pelo menos daquele que não pretende ser tão cedo... desmamado.

O investimento subiu no telhado

A tarefa de Barbosa será a de administrar o cobertor curto. É parecida com a que Guido Mantega teve quando foi ministro do Planejamento.

A orientação acertada com Levy é a de manter prioridade aos programas sociais e aos investimentos do PAC. O resto é pão e água.

Há uma preocupação especial com o Minha Casa minha Vida. Ambos, Levy e Barbosa, consideram o investimento na construção civil um calcanhar de Aquiles na equação do crescimento brasileiro.

Nesse caso, o esforço maior não é cortar gastos, mas pelo menos mantê-los.

Nos demais casos, já se prevê um impacto negativo drástico no PAC por conta do cerco às empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.

A situação é um nó para o desafio de acelerar o crescimento.

O plano é o seguinte:

O ano de 2015 é tido como o mais difícil para a economia. Em 2016, se imagina uma situação de maior alívio.

A equipe de Dilma espera dividir 2015 em dois: no primeiro semestre, o desafio é emplacar a sensação de que parou de piorar. No segundo semestre, se espera poder dizer que começou a melhorar.

Em 2016, ano de eleições municipais, o Governo estaria embalado no colo da sensação de que o pior já passou".

FONTE: escrito por Antonio Lassance, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília. O
riginalmente publicado na Carta MaiorTranscrito no "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/161999/A-Fazenda-um-reality-show-no-3%C2%BA-andar-do-Pal%C3%A1cio-do-Planalto.htm).

NOVA EQUIPE ECONÔMICA VISA A DESTRAVAR INVESTIMENTOS




Escolha da nova equipe econômica visou destravar investimentos

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania

"A escolha da presidente Dilma Rousseff para o principal cargo da equipe econômica, o de ministro da Fazenda, gerou aflição em muita gente. O Blog tem recebido mensagens via e-mail e comentários privados nesta página e nas redes sociais. Leitores perguntam se devem temer por seus empregos diante do que vem sendo pintado como a adoção pela presidente do programa econômico que ela dizia, durante a campanha eleitoral, que provocaria desemprego no país: o programa econômico de Aécio Neves.

Para começar a explicar, vale propor uma reflexão: por que a presidente faria tal maldade com o povo brasileiro? Estaria finalmente revelando uma perversidade latente que ocultou ao longo dos quase quatro anos de seu primeiro mandato ou é apenas covardia imotivada?

A revolta com a escolha do engenheiro naval Joaquim Levy para comandar a principal pasta econômica do governo federal levou muitos dos que votaram em Dilma há um mês a, agora, dizerem-se arrependidos da escolha. Um dos mais decepcionados chegou a sugerir que, diante da escolha deste ou daquele nome para o novo ministério da presidente, nada haveria a estranhar se ela colocasse o assustador deputado fluminense Jair Bolsonaro na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o que dá uma ideia do climão que se instalou entre os setores progressistas da opinião pública ante a escolha de Levy.

A materialização da escolha maldita no penúltimo dia útil da semana torna inoportunas maiores considerações sobre o que esta página vem julgando um exagero e um equívoco. Passemos, assim, às questões práticas.

A nova equipe econômica não fará algo que a anterior não faria, apesar de o agora ex-ministro da Fazenda Guido Mantega dificilmente poder ser considerado um bicho-papão como Levy. Diante disso, este Blog dará sua opinião sobre o que aconteceu na economia brasileira durante o primeiro mandato de Dilma e o que acha que deverá acontecer daqui para frente. E, ainda, irá explicar a razão da escolha de Levy e de outros ministros polêmicos do segundo mandato.

Entre 2008 e 2013, o mundo passou pela maior crise econômica da história recente da humanidade. Foi considerada mais grave do que a que quebrou a bolsa de valores americana em 1929. Sessenta milhões de empregos foram extintos em todo o planeta. Países como os Estados Unidos, o mais rico do mundo e o terceiro em qualidade de vida (segundo o IDH 2013), viram surgir favelas em seus territórios.

No Brasil, poderia ter sido feita uma política econômica que contivesse a inflação no centro da meta de 2014 (4,5%). Essa política, apesar de recessiva, segundo os economistas de linha liberal teria resultado em maior crescimento. Os investimentos do Estado em programas gigantescos de obras, a renúncia fiscal para incontáveis setores da economia, os aportes em bancos públicos para conter os juros ao consumidor e propiciar financiamento farto e crescente a esse consumidor, porém, geraram inflação mais alta.

As políticas anticíclicas (ou antirrecessivas) do governo Dilma fizeram a inflação bater no teto da meta, mas, em contrapartida, impediram o desemprego e o arrocho salarial. Com isso, o brasileiro, apesar de pagar mais caro a compra do mês no supermercado, teve dinheiro para fazê-la – e quanto mais baixa a classe social, menos os hábitos de consumo ora gastadores foram afetados pela crise devido aos salários virem subindo acima da inflação.

Houve, porém, um preço a pagar por essa proteção que Dilma deu ao emprego e ao salário: além da inflação um pouco mais alta (2 pontos percentuais a mais do que o centro da meta), houve certo desarranjo nas contas públicas. Por exemplo, o país reduziu drasticamente o superávit primário, economia que o governo faz para pagar suas dívidas.

O superávit primário, porém, é uma tara neoliberal. Sobretudo em um país que tem quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais e, portanto, mesmo sem economizar um centavo via superávit primário por certo tem como pagar suas dívidas. Porém, esse superávit demonstra a disposição do governo de não confrontar o investidor.

Por isso, apesar de tudo o que se falou de Levy ele deu uma declaração na edição do Jornal Nacional da data em que foi anunciado como novo ministro da Fazenda que contraria tudo o que disse a oposição durante a recente campanha eleitoral e que indica que o bicho-papão neoliberal, visto como uma espécie de genérico de Armínio Fraga, talvez venha a se mostrar muito menos malvado do que parece – ao menos por ter que se reportar a uma Dilma Rousseff.

Para ver um Levy menos carrasco do que o previsto, leia, abaixo, trecho de matéria do JN de quinta-feira 27 sobre a nova equipe econômica:

“(…)Os ministros indicados para a Fazenda e para o Planejamento anunciaram o compromisso de fazer um ajuste nas contas do governo nos próximos três anos. Descartaram a adoção de um pacote econômico e medidas drásticas para acertar as contas do país. Segundo Joaquim Levy, os ajustes serão graduais, porque o Brasil não vive uma crise (…)”

Epa! Como assim? Se Levy implementará o modelo de gestão que o ministro da Fazenda que Aécio Neves disse que nomearia, caso fosse eleito, prometeu adotar, então deveria ter, como Armínio Fraga, dito que o Brasil vive uma grave crise que requer justamente ao contrário, ou seja, “medidas drásticas para acertar as contas do país”.

Não foi o que ele disse. Ele e os outros membros da equipe econômica. Ah, ele está fazendo média com Dilma? Bem, se está fazendo média ou não, tanto faz. Sua declaração não é a que daria Fraga ou o possível ministro da Fazenda de Marina Silva, Eduardo Gianetti. Sem uma declaração catastrofista não se pode dizer que a nova política econômica será draconiana como a que prometiam o PSDB e o PSB durante a última campanha eleitoral.

Além disso – agora no campo dos fatos efetivos e não do que eles parecem ser –, a proposta da nova equipe econômica para o maldito superávit primário está longe de ser “draconiana”. Outro trecho do Jornal Nacional revela que o ajuste será mesmo gradual, de forma a não gerar desemprego e arrocho salarial:

Ele [Levy] anunciou que o governo pretende fazer, em 2015, um superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 1,2% do PIB – que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país num determinado período. Esse número é menor do que a previsão feita pelo governo em agosto, de 2%, mas é maior que a economia esperada para 2014. Para 2016 e 2017, a meta é de um superávit primário 2% do PIB

Para quem não sabe, no tempo de FHC/Armínio Fraga (2002) o Brasil chegou a fazer superávit primário de 4,06% do PIB, o que fez o desemprego explodir para cerca de 12% no país. E, em 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula, o superávit primário teve a maior meta da história, de 4,25%.

Detalhe: quem fez aquele superávit primário do primeiro ano de Lula foi Antonio Palocci, do PT.

Porém, como o mundo vai saindo da crise – sobretudo porque os EUA estão saindo, após mais de 5 anos de uma quase depressão econômica –, agora é hora de se preocupar com a higidez das contas públicas.

Tivemos recursos para bancar a preservação do povo brasileiro dos horrores da crise internacional. Foi como se tivéssemos uma gorda poupança da qual retiramos uma pequena parcela para atravessar um período difícil e, agora que a situação começa a melhorar, trataremos de repor o que usamos daquela reserva.

Por conta da boa situação de caixa do país, pode-se adotar, paulatinamente, uma fórmula que, mais do que as contas públicas, terá o condão de melhorar um componente da economia que, devido à política, contribuiu para manter o país estagnado durante o período em que o governo Dilma foi mais “heterodoxo”, por assim dizer: a taxa de investimento privado, que foi brecada por aquelas injunções políticas e pelo temor dos investidores que se estabeleceu.

Aliás, convenhamos, muito empresário segurou investimentos visando criar uma situação-limite para a política econômica, em uma espécie de chantagem política do capital contra o Estado.

Não adiantaria Mantega tocar a mesma política econômica dura que tocou Palocci durante o primeiro governo Lula porque antecessor de Levy perdeu a confiança do mercado ao cumprir a determinação de Dilma Rousseff de afrouxar o garrote das finanças públicas de modo a que o país não mergulhasse no desemprego e no arrocho salarial. Assim, Levy e outros ministros conservadores pretendem, agora que a direita midiática perdeu a eleição, fazer com que os empresários parem de pirraça e voltem a investir, o que é vital para o país.

É simples assim, leitor. Por conta disso, a opinião deste Blog é a de que você não precisa se preocupar com seu emprego. Mas é claro que aqui tampouco se recomenda que continue comprando o último modelo de carro ou de celular, viajando toda hora de férias com a família etc. É hora de poupar para ajudar o país a atravessar um par de anos menos duros do que foram os primeiros anos do primeiro governo Lula, mas, ainda assim, mais duros, do ponto de vista fiscal e monetário, do que entre 2006 e 2014.

PS: a nova equipe econômica também irá produzir um outro efeito benfazejo. Qual seja, o de reduzir o custo-benefício do golpe “paraguaio” que vem sendo articulado pela direita midiática praticamente à luz do dia."


FONTE: escrito por Eduardo Guimarães , no seu "Blog da Cidadania"   (http://www.blogdacidadania.com.br/2014/11/escolha-da-nova-equipe-economica-visou-destravar-investimentos/).

SOLUÇÃO PARA PARA AUMENTAR O SUPERÁVIT FISCAL: IMPOSTO PROGRESSIVO E SOBRE A HERANÇA





Piketty a Levy: quanto ganham os ricos ?

Por Paulo Henrique Amorim, no "Conversa Afiada"

Que tal um imposto sobre a herança, para ajustar o superávit fiscal ? 

"Os merválicos pigais ainda não sabem exatamente o que dizer da nova trinca de responsáveis pela Economia – a que vai preservar o emprego e a inclusão social.

Não sabem se elogiam as metas – 2% de superavit e 4,5% de inflação – que serão perseguidas GRADUALMENTE, ou se espinafram a ausência de um choque paralisante de medidas impopulares, como defendiam os fragorosamente derrotados Aécio Never e seu economista americano NauFraga.

Na sexta-feira (28/11), a Urubóloga, no Mau Dia Brasil – antes que acabe – meteu os pés pelas mãos.

Ganha um doce que tiver entendido o que ela disse.

É a perplexidade dos que sofrem de TPF – Tensão Pós-Fracasso, mas isso passa.

Um dos pontos centrais do provisório entusiasmo dos merválicos pigais é com o que chamam de fim da “maquiagem”, como aquela que o Fernando Henrique/PSDB praticou na campanha de 1998.

Uma semana depois de reeleito – sabe-se como … – o Príncipe da Privataria desvalorizou o Real e mandou o Presidente do Banco Central para a rua !
Os ministros ressaltaram quinta-feira a transparência !

Ou seja, o Fundo Monetário e as agências de risco vão saber tudo !, comemora a Urubóloga.

O ansioso blogueiro tem lá as suas dúvidas.

Por exemplo, ele leu a obra magnífica do Piketty, antes da tradução brasileira (sabe-se lá o que a Intrinseca fez do livro …).

Sabe-se que Piketty apoia as medidas de inclusão social da Dilma.

E, numa entrevista ao Estadão, na página B8 (não se deixe levar pelo título, amigo navegante, porque é falacioso …), Piketty faz gravísssima advertência aos novos Ministros da área econômica, exatamente nesse capítulo da TRANSPARÊNCIA.

Mas, é uma transparência de que os patrões da Urubóloga não querem nem ouvir falar …

Piketty diz que não é possível estudar a distribuição de renda no Brasil sem ter acesso à declaração de renda dos ricos ! [A CPMF ajudava nessa transparência, mas por isso foi derrubada após intensa campanha da mídia-PSDB-DEM]

Bingo !

Porque os ricos escondem !

(A Globo Overseas que o diga.)

E, portanto, a desigualdade no Brasil deve ser maior do que mostram os números do IBGE.

Provavelmente há mais desigualdade no Brasil do que se pode medir pelas estatísticas oficiais… foi impossível acessar os dados do Imposto de Renda no país. Acredito que o Brasil precisa de mais transparência sobre renda e riqueza,” diz ele.

E agora, Levy ?

Disse Piketty:

"O sistema tributário do Brasil não é muito progressivo" (ou seja, não cobra dos ricos – PHA).

É regressivo (cobra dos pobres – PHA).
O que faz com que os pobres e a classe média paguem pesadas taxas no consumo.

É possível reduzir a taxação indireta (que castiga os pobres e a classe média – PHA) e aumentar a taxação progressiva da renda e na propriedade.

Se olharmos para a taxação do Imposto de Renda, o topo recolhido não é muito alto no Brasil: 27%.

A taxa sobre a tributação em propriedades é baixa, assim como nos casos de herança.

Se não criarmos formas de confiar no Governo e no sistema de tributação, todos perdem !”

Bingo !

E aí, Levy ?

Vamos aumentar a transparência ?

Quanto ganham os filhos do Roberto Marinho ?

A garotada da Friboi ?

E que tal aumentar a arrecadação com a progressividade do Imposto de Renda ?

Vamos ser transparentes para as agências de risco, ou para os brasileiros ?

Bingo, Piketty !

Em tempo:

Clique aqui para ler o depoimento do Z. Guiotto, que assistiu à palestra do Piketty na USP, quando jantou com farofa dois luminares do pensamento neolibelês pátrio: o Paulo Guedes e o Andre Haras Resende .

Como o Piketty não sabe quem são, tratou-os sem a reverência que o PiG lhes dedica.

(Paulo Guedes escreve no Globo e Haras Resende era o cérebro por trás da vacuidade da Bláblárina.)"

FONTE: escrito por Paulo Henrique Amorim em seu portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/11/28/piketty-a-levy-quanto-ganham-os-ricos/).

COMPLEMENTAÇÃO

Para Piketty, a desigualdade brasileira é subestimada

Do "Jornal GGN"

"A 'Folha' de hoje traz uma entrevista com Thomas Piketty, o economista francês autor do tão celebrado "O Capital no Século 21". Nas declarações dadas ao jornal, o teórico não discutiu as escolhas da presidente Dilma para a equipe econômica e que é um erro pensar que o país precisa de mais mercado e menos intervenção na economia. 

Leia a entrevista a seguir:


Da [tucana] "Folha":

Entrevista: Thomas Piketty

É um erro achar que país precisa de mais mercado

Economista francês que virou celebridade mundial diz que desigualdade brasileira é subestimada

Por RODRIGO VIZEU  

No dia em que o governo brasileiro oficializou um novo ministro da Fazenda simpático ao mercado, o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller "O Capital no Século 21", afirmou considerar um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e menos intervenção na economia.

Piketty, que está no Brasil para promover o livro que lhe rendeu status de celebridade no debate econômico, não quis discutir especificamente a nova equipe econômica, mas afirmou que "seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social e para reduzir a desigualdade". 
Em seu livro, o francês sustenta que a desigualdade voltou a aumentar nas últimas décadas, beneficiando herdeiros e prejudicando a ascensão social, o que colocaria em risco a democracia.

Em entrevista à "Folha", Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.

Folha - Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O Sr. concorda?

Thomas Piketty -
Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?

Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.

A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem, porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.

Falta transparência?

Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.

É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 [12] anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.

Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o Sr. defende. Isso é suficiente?

Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.

Como seria a reforma?

A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.

É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.

Como na sua França natal?

Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante [no Brasil] o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.

É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.

O governo oficializou uma nova equipe econômica com um ministro da Fazenda mais ligado ao mercado e vindo de uma escola liberal. Que avaliação o Sr. faz disso?

Não conheço o contexto político brasileiro, não posso me pronunciar. Quem quer que seja colocado no comando da política, qualquer que seja a orientação, os níveis de desigualdade muito altos que temos no Brasil devem ser questionados e tratados pelo governo, assim como a baixa progressividade do sistema fiscal.

Mas abordagem liberal e pró-mercado é boa ideia para enfrentar tais desafios?

Precisamos de mercado e também de poder público que tome decisões que permitam a cada um de se beneficiar da globalização e dos mercados.

Eu tento ir além dessas oposições um pouco teóricas e ideológicas. Creio que seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social, que fez demais para reduzir a desigualdade, que agora é preciso mais mercado, menos intervenção, eu acho que isso seria um erro.

Apesar dos esforços que foram feitos em políticas sociais nos últimos 15 anos, o Brasil continua extraordinariamente desigual. O nível de investimento social, educacional, para os desfavorecidos da população brasileira continua insuficiente.

O Sr. defende que os estudos em economia levem em conta aspectos históricos, sociais, políticos e culturais. Isso é importante também para a gestão econômica do governo?

Sim, é importante para o governo também. A questão econômica é importante demais para ser deixada para economistas, que às vezes tentam fazer crer que dispõem de uma ciência realmente complicada que os outros não podem compreender e que é preciso deixá-los em paz. Isso é uma piada gigantesca.

O nome de seu livro, que remete a Karl Marx, e algumas de suas opiniões fazem que muitos o considerem anticapitalista.

O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria e tem necessidade de inimigos anticapitalistas. Não sou esse inimigo. Creio no capitalismo, na propriedade privada e nas forças do mercado.

Nasci tarde demais para ter a menor tentação que seja pelo comunismo de tipo soviético. Isso não me interessa. Ao mesmo tempo, acho que temos necessidade, basta ver a crise de 2008, de instituições públicas muito fortes para regular o mercado financeiro e as desigualdades produzidas pelo capitalismo.

Sua defesa de um imposto global sobre grandes fortunas já foi feita por outros autores e nunca avançou. Não é ingênuo crer que seja realmente possível contrariar tantos interesses contrários?

Não precisamos esperar ter um governo mundial, um imposto unificado mundial para fazer progressos, se não arriscamos esperar um longo tempo. Podemos fazer progresso por etapas e em nível nacional. Há diferentes formas de imposto sobre capital e patrimônio em cada país, que podem ser melhorados de forma mais progressiva. Em seguida, podemos progredir na cooperação internacional, como já tem sido feito quanto aos paraísos fiscais.

Como o Sr. demonstra, a desigualdade no século 20 só caiu em um contexto de crise e reconstrução das sociedade após duas guerras mundiais. Seria mesmo possível algo tão ambicioso em tempos de paz?

As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solução esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma globalização que seja mais justa, que beneficie diferentes grupos sociais em proporção equilibrada. Se não, é a própria globalização que arrisca ser questionada."


FONTE: do "Jornal GGN"   (http://jornalggn.com.br/noticia/para-piketty-a-desigualdade-brasileira-e-subestimada).

PRESO JUIZ SUSPEITO DE INTEGRAR O "COMANDO DA CAPITAL" -PCC





"Por unanimidade, o órgão especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou na quarta-feita (26) a abertura de investigação contra o juiz Amaury de Lima e Souza. Preso preventivamente há cinco meses, o magistrado é suspeito de receber propina em troca de decisões judiciais favoráveis a narcotraficantes ligados à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), baseada em São Paulo. Ele foi pego pela Polícia Federal (PF).

Apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de Minas, com base em denúncia anônima, a queixa-crime acusa o magistrado de receptação ilegal de armas.

Um diretor do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) é acusado de fornecer o material para o juiz.

Titular da Vara de Execuções Penais de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Amaury não só concedeu decisões favoráveis para os maiores traficantes de drogas do país como também prestou assessoria jurídica aos bandidos.

Segundo as investigações, ele era o chefe do núcleo jurídico da quadrilha desarticulada nas operações Athos e Luis XVI, da PF em Minas. Ao todo, R$ 70 milhões de bens do bando foram bloqueados pela Justiça.

De acordo com o inquérito, Amaury orientava a advogada da quadrilha, Andréia Elizabeth, a forjar documentos. Primeiro, a defensora entrava com pedido de transferência justificando que familiares dos acusados haviam mudado de Estado. Após a transferência, o juiz conseguia atestados médicos falsificados para embasar os pedidos de conversão de regime fechado em domiciliar. Fora das grades, os bandidos desapareciam.

Um dos chefões do PCC, o megatraficante José Severino da Silva, o Cabecinha, um dos assaltantes do Banco Central em Fortaleza, em 2006, foi solto duas vezes por decisões do magistrado mineiro. Em uma ação cinematográfica, os bandidos levaram R$ 160 milhões do banco após cavarem um túnel de grandes proporções.

Na terça-feira (25), a PF voltou à carga contra a organização criminosa e prendeu em Santana do Parnaíba, em São Paulo, o braço direito de Cabecinha durante a operação Krull. Trata-se de José Almeida Santana, o Pedro Bó, que também é suspeito de participação no roubo do Banco Central. Após ser preso pelo roubo, Pedro Bó vivia em liberdade provisória.

Magistrado está preso em Contagem
Como possui foro privilegiado, o juiz Amaury de Lima e Souza está cumprindo a prisão preventiva em um Batalhão da Polícia Militar em Contagem, na Região Metropolitana de BH.

Filmado com autorização da Justiça, Amaury foi flagrado no momento em que recebeu um saco contendo R$ 600 mil em dinheiro vivo.

Uma semana depois, segundo as investigações, ele comprou um Camaro, um Hyundai HB-20 e um apartamento em Juiz de Fora. Os bens do magistrado foram bloqueados por decisão judicial". 

FONTE: informações do jornal "Hoje em Dia". Postado no blog "Os amigos do Presidente Lula"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/11/tj-investiga-juiz-suspeito-de.html).

A VOLTA PARA O BRASIL E A CONSTATAÇÃO DE QUE ESTAMOS BEM




A volta para o Brasil e a percepção de que estamos bem, obrigado

Por FRANCY LISBOA

"No período pré-Copa do Mundo de Futebol deste ano, houve onda de manifestações de preconceito e falta de sentimento nacional que resultou no ridículo de muitas pessoas terem de ser forçadas a reconhecer que o nosso país foi capaz de organizar um evento de tal magnitude. Nem mesmo a dor da derrota acachapante para os alemães tirou o sucesso que foi o evento. Naquele momento, o termo coxinha passou a ser creditado aqueles que faziam questão de achincalhar o Brasil devido a qualquer questão, mesmo as mais pueris. Foi a época do “só no Brasil”.

Pois bem, só no Brasil. Vivendo no Reino Unido por quase onze meses, longe da esposa e da cria, da família e de amigos, jamais tive o receio de chegar perto de ser taxado de coxinha. E isso não se deve ao meu nacionalismo, que alguns podem considerar ultrapassado. Trata-se de percepção adquirida a partir de relatos das amizades e das parcerias de trabalho feitas no exterior: nosso país está bem, obrigado.

Pude olhar de perto os efeitos da crise internacional no rico Reino Unido. A crise financeira que se instalou no Instituto de Pesquisa que me acolheu aqui na Escócia fez ceifar nada mais nada menos que setenta vagas de emprego em menos de um mês. Pessoas as quais eu começava a me familiarizar de um dia para o outro mudaram suas feições, o medo espalhado sobre qual seria a próxima cabeça a rolar.

Não era essa a imagem que esperava do Reino Unido. Sabemos da riqueza desse conjunto de países e do alto IDH. Conversando com os demitidos, e outros que foram “forçados” a se demitirem, sobre os motivos da necessidade dessas demissões, o ponto comum apontado foi a falta de dinheiro que vem se arrastando desde o estopim da crise financeira internacional. O mais desesperançoso era quando perguntava para eles: o que vocês vão fazer daqui para frente? A maioria não sabia. Mulheres e homens chefes de família abatidos. Alguns chegaram a me perguntar sobre as oportunidades de se trabalhar no Brasil uma vez que estavam sabendo da baixa taxa de desemprego. Ironia para deixar qualquer coxinha com a cabeça revirada.

No mesmo Instituto, a face da crise internacional também se mostrava na quantidade de jovens espanhóis que chegavam a todo o momento em busca de oportunidade de trabalho. Jovens qualificados fugindo da Espanha e indo para a Escócia para trabalhar como assistentes de montagem de experimentos de campo e assistentes laboratoriais. Salário, cerca de 400 libras por mês. Isso não é nada quando se trata de Reino Unido onde tudo, desde a verdura até o aluguel, parece ser cotado a ouro. Como resultado, os espanhóis tinham que abdicar de qualquer tipo de conforto e dividirem casa com, no mínimo, muitos outros. Há aqueles que se propõe a jornada dupla ao irem ao Instituto pela manhã, e a noite se tornarem entregadores de pizza ou garçons. Tudo isso para um complemento máximo de renda de 200 a 300 libras. Ainda assim, é pouco, para se viver no Reino Unido.

Ver esse cenário se configurar desde o começo do ano foi dando a certeza de que nós, brasileiros, estamos bem. O dinheiro do contribuinte me bancou uma vida relativamente confortável no Reino Unido, sem ter que passar pelas adversidades que passavam os colegas espanhóis. Tive a tranquilidade financeira suficiente para um dos períodos de maior produtividade intelectual da minha carreira científica. Não há como não se sentir orgulhoso do Brasil nesse ponto. Não há como ser contaminado pelo coxinhez.

A surpresa em roda de amigos italianos e espanhóis foi geral quando disse que o Brasil paga bolsas de estudo não só para o doutoramento (PhD), mas também para o mestrado. Como? Vocês recebem para fazer mestrado? Tal pergunta me soou muito estranha. Sim por quê? Perguntei. A surpresa deriva do fato de que na maioria dos países europeus, incluindo Itália e Espanha, as pessoas é que devem pagar para fazer seus mestrados. Segundo eles, o preço é anual e varia de mil euros a mais de dez mil euros. Isso realmente deixou-me espantado e, mais uma vez, reforçou a ideia de que, sim, estamos bem, obrigado.

Há quem possa argumentar que o Brasil está dando bolsas de estudos para quem não merece, para pessoas que não têm o “verdadeiro tino” para a ciência. Mas essa visão é muito distorcida e lembra aquelas em relação à Bolsa-Família. A generalização é uma M*. Em um universo complexo como a ciência, a disponibilidade de bolsas é a chave para manter o processo em movimento. Não se pode acertar em todas as escolhas de estudantes, e a visão de que a ciência é um dom deve ser desmistificada. Todos podem aprender os princípios básicos da experimentação e, a partir de então, aplicar metodologia a uma determinada questão de interesse, o que é basicamente o ato de fazer ciência.

O corte de bolsas de estudo na Europa é visível e sofrível. Não é de se espantar a negação veemente de italianos em dizer que não voltariam para a Itália porque não há perspectivas, com doutores recebendo 400 euros por mês. Caso esse cenário persista, isso vai começar a afetar a produtividade científica europeia que vem sendo reduzida em comparação ao Brasil, por exemplo. Aliás, Brasil e Austrália são hoje os países que mais investem em bolsas de estudo no mundo. Não há ciência sem os estudantes de iniciação científica e de pós-graduação. Orientadores, muitos deles no berço esplêndido do “eu já cheguei lá”, sabem disso. O mundo está aí para ser entendido. Há muita coisa sem explicação, muita coisa sem o uso prático ter sido descoberto. Desse modo, ponto para o nosso país, mais um, por manter a oferta de mão-de-obra científica.

O "Programa Ciências Sem Fronteiras" tem pontos a serem corrigidos, mas qual grande Programa não tem? É preciso que quem saia do Brasil por meio do dinheiro do contribuinte lembre que está indo para adquirir novos conhecimentos e reforçar parcerias. O deslumbramento com a vida europeia é perfeitamente entendível, baixo índice de criminalidade, o principal deles. Mas a vida é mais do que isso, podem acreditar. É preciso somar e não diminuir, quem vem está sendo financiado não para ser um “quinta-coluna”.

Não adianta chegar aqui e ficar explanando os problemas do Brasil porque todos eles já sabem, mas também já deram conta, mais do que muitos brasileiros, que a percepção do Brasil mudou, em especial em relação às oportunidades de emprego. De um país associado às férias de fim de ano na praia, para um novo porto de oportunidades de trabalho oferecidos pelo Capitalismo. Assim, não adianta dar uma de Diogo Mainardi ao chegar por estas bandas, dizendo “amores” [sic] sobre o Brasil, pois, na próxima segunda-feira, a única certeza que levarei comigo de volta é que quem malha o Brasil para europeus estará apenas “pagando mico”. Estamos bem, obrigado. "

FONTE: escrito por FRANCY LISBOA no "Jornal GGN" (http://jornalggn.com.br/blog/francy-lisboa/a-volta-para-o-brasil-e-a-percepcao-de-que-estamos-bem-obrigado).

INVESTIDOR ESTRANGEIRO SEGUE APOSTANDO NO BRASIL




INVESTIDOR ESTRANGEIRO NÃO DÁ "BOLA" PARA CRISE E SEGUE APOSTANDO FIRME NO BRASIL



Por MAURO SANTAYANNA

"A Cepal informa que o investimento estrangeiro caiu em média 28% no continente, com destaque para o México. Enquanto isso, cresceu no Brasil

Enquanto aqui dentro, refém da síndrome da "crise" e do "fim do Brasil", muita gente está com medo de fazer negócios ou adiando investimentos, os estrangeiros, menos afeitos à imprensa local e aos comentários nos portais da internet, continuam apostando firme na segunda economia das Américas e sétima maior do mundo.

A Comissão Econômica para a América Latina, informa que, até setembro, o IED - Investimento Estrangeiro Direto, caiu em cerca de 28%, em média, no continente, com destaque negativo para o México (- 18%), tido como o "queridinho" dos mercados. Enquanto isso, ainda segundo a CEPAL, o Brasil foi o único país em que cresceu o Investimento Estrangeiro Direto - acima de 8% - que deverá se manter em um patamar superior aos 60 bilhões de dólares até dezembro, sem queda expressiva com relação aos últimos anos.

Segundo informa o "Valor Econômico", as estatísticas do Banco Central mostram que os investidores nacionais e estrangeiros reagiram de forma bem distinta quanto a um segundo mandato para Dilma Roussef.

Se o investidor local, no período eleitoral e pós eleitoral, tirou dinheiro do país, os estrangeiros - certamente motivados pelo fato de o Brasil ter voltado a ter superávit primário no mês passado, ainda ter reservas acima de 375 bilhões de dólares, com uma dívida líquida pública de apenas 33% do PIB, e por recomendações de compra de ações como as da Petrobras, feita pelo Deutsche Bank, há alguns dias - apresentaram forte aporte em IED e na compra de títulos públicos e ações, com ingresso conjunto, no país, de mais de 11 bilhões de dólares em outubro.

Mais informações: http://noticiasbancarias.com/economia-y-finanzas/03/11/2014/la-inversion-extranjera-en-america-latina-disminuye-un-23/73236.html#comment-1309  e  http://www.streetinsider.com/Analyst+Comments/Deutsche+Bank+Starts+Petrobras+(PBR)+at+Buy/10030402.html


FONTE: escrito por Mauro Santayanna, jornalista, ocupou cargos de destaque nos principais órgãos de imprensa brasileiros    (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/161993/Investidor-estrangeiro-n%C3%A3o-d%C3%A1-bola-para-crise-e-segue-apostando-firme-no-Brasil.htm).