terça-feira, 31 de março de 2009

A ENTREVISTA DE LULA À CNN

Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte texto de Daniel Xavier, no blog Midionauta:

“Se o seu inglês é um pouquinho melhor que o do Lula, não deixe de assistir à entrevista do presidente que foi ao ar neste domingo no programa “GPS”, da CNN, apresentado por um dos meus jornalistas favoritos, Farred Zacaria (a entrevista foi gravada semanas atrás, durante a visita de Lula à Obama).

Quando digo que existe uma discrepância de percepção entre a imprensa brasileira e a estrangeira sobre o Brasil, é de exemplos como este que estou falando. Eu reforço: estamos com moral aqui fora. Até neste episódio do “brancos de olhos azuis”, tão explorado como uma gafe pela imprensa nacional, eu vi um âncora da CNBC – braço econômico da rede NBC – defendendo o Lula.

No programa da CNN, Zacaria chamou Lula de “the most popular leader in the world”, citando os recém-alcançados 80% de aprovação no Brasil (Obama tem cerca de 65% nos EUA). Espere deitado se você acha que a Veja vai dar essa manchete. E como se não bastassem os dados otimistas que vêm daí, levando em consideração a pior crise econômica mundial desde 1930, existe um outro elemento que joga muito à favor do Lula aqui fora: a tradução para o inglês.

É de conhecimento geral que o nosso presidente tem a oratória de um jogador do Flamengo mas, com suas respostas re-articuladas e traduzidas para o inglês, você só lembra disso se pescar uma ou outra palavra dele entre as pausas do tradutor. Minha opinião sobre o presidente Lula é pragmática: ele está longe de ter feito tudo que poderia pelo Brasil mas fez, também de longe, o melhor governo desde a redemocratização do país. Os números estão aí. Mas quem sou eu?

Apenas um entre os 80% da população. Que continuemos dando atenção nos outros 20%.

Ainda estou procurando alguma menção à esta entrevista no Globo Online. Tudo que encontrei foi mais um artigo de relações públicas, requentado e tendencioso, na capa, sobre o caso Sean, citando “uma entrevista de Lula à CNN” – sem dizer qual nem quando foi ao ar. Detalhe: o caso Sean não foi sequer citado na entrevista de Zacaria.”

A MÁFIA DA MÍDIA (SIP) CONDENA LULA

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo do jornalista Altamiro Borges:

“Em relatório divulgado na semana passada, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne os magnatas da mídia privada, incluiu o presidente Lula na lista dos governantes contrários à "liberdade de expressão" — junto com Hugo Chávez, Evo Morales e outros. O texto afirma que "o presidente brasileiro sempre ataca a imprensa e lança críticas desmedidas quando o enfoque do noticiário não lhe agrada".

A SIP teme as mudanças políticas na America Latina. "Agora são os governos que não só estão abusando da imprensa, como estão atiçando as chamas do ódio". Para justificar a inclusão de Lula na lista, o documento menciona a tentativa do governo de criar, em 2004, o Conselho Federal de Jornalismo, e as críticas do presidente às manipulações da mídia — como na recente entrevista à revista Piauí, no qual afirmou "que a leitura dos jornais lhe causa azia".

A maior preocupação da SIP, entretanto, é com a convocação da Conferência Nacional de Comunicações para dezembro. Ela teme que este processo prejudique a "liberdade de imprensa" e já pressiona o governo para limitar este debate democrático e estratégico na sociedade.

INSTRUMENTO DO IMPERIALISMO IANQUE

A SIP realmente não gosta da democracia. Ela reúne os barões da mídia que apoiaram os golpes militares no continente e sustentaram as ditaduras sanguinárias. No auge do neoliberalismo, eles prosperaram com os subsídios públicos e na orgia do "livre mercado". Agora, estão desesperados com as vitórias de governantes progressistas na América Latina e com o debate destravado sobre a democratização das comunicações. A SIP é a fachada desta máfia midiática. Não tem qualquer moral para falar em "liberdade de imprensa", que ela confunde com liberdade dos monopólios.

Sediada em Miami, ela defende os interesses das corporações capitalistas, dissemina as políticas imperialistas dos EUA e agrega os setores mais reacionários da mídia. A SIP se apresenta como "independente" dos governos, mas seu presidente é primo do ministro da Defesa e irmão do vice-presidente da Colômbia. No seu relatório anterior, ela teve a caradura de elogiar os "avanços" na relação do governo narcoterrorista de Álvaro Uribe com a imprensa, sendo que a Colômbia é um dos recordistas mundiais em assassinatos de jornalistas e sindicalistas.

JULES DUBOIS, O HOMEM DA CIA

Num acalentado estudo, intitulado "Os amos da SIP", o jornalista Yaifred Ron faz um histórico assustador desta entidade. Conforme comprova, "a Sociedade Interamericana de Imprensa é um cartel dos grandes donos de meios de comunicação do continente, que nasceu nos marcos da II Guerra Mundial e se moldou no calor da Guerra Fria para protagonizar uma história de defesa dos interesses oligopólicos, de aliança com os poderes imperiais e de atentados contra a soberania dos povos latino-americanos". Com base em inúmeros documentos, ela demonstra que a entidade tem sólidos e antigos vínculos com a central de "inteligência" dos EUA, a temida CIA.

Ela foi fundada em 1943 numa conferência em Havana, durante a ditadura de Fulgencio Batista. Num primeiro momento, devido à aliança contra o nazi-fascimo, ela ainda reuniu alguns veículos progressistas. Mas isto durou pouco tempo. Com a onda marcatista nos EUA e a guerra fria, ela foi tomada de assalto pela CIA. Em 1950, na quinta conferência, em Quito, dois funcionários da agência ianque, Joshua Powers e Jules Dubois, passam a comandar na entidade. Dubois será seu coordenador durante 15 anos e teve seu nome registrado no edifício da entidade em Miami.

DESESTABILIZAR GOVERNOS PROGRESSISTAS

A SIP se torna um instrumento da CIA para desestabilizar os governos progressistas da América Latina. Para isso, os estatutos foram adulterados, garantindo maioria às publicações empresariais dos EUA; a sede foi deslocada para Miami; e as vozes críticas foram alijadas. "Em resumo, eles destruíram a SIP como entidade independente, transformado-a num aparato político a serviço dos objetivos internacionais dos EUA", afirma Yaifred. Na década de 50, ela fez raivosa oposição ao governo nacionalista de Juan Perón e elegeu o ditador nicaragüense Anastácio Somoza como "o anjo tutelar da liberdade de pensamento". Nos anos 60, seu alvo foi a revolução cubana; nos anos 70, ela bombardeou o governo de Salvador Allende, preparando o clima para o golpe no Chile.

"A ligação dos donos da grande imprensa com os regimes ditatoriais latino-americanos tem sido suficientemente documentada e citada em várias ocasiões para demonstrar que as preocupações da SIP não se dirigem a defesa da liberdade, mas sim à preservação dos interesses empresariais e oligárquicos". Na fase mais recente, a SIP foi cúmplice do golpe midiático na Venezuela, em abril de 2002, difundido todas as mentiras contra o governo democrático de Hugo Chávez. Este não vacilou e considerou seus representantes como personas non gratas no país. Ela também tem feito ataques sistemáticos aos governos de Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner.

MEDO DA CONFERÊNCIA NO BRASIL

Atualmente, o maior temor da SIP decorre das mudanças legislativas que objetivam democratizar os meios de comunicação na América Latina. Qualquer iniciativa que vise regulamentar o setor e diminuir o poder dos monopólios é taxada de "atentado à liberdade de imprensa". Como informa Yaifred, "para frear qualquer ação governamental que favoreça a democratização da mídia, a SIP se uniu a outra entidade patronal regional, a Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR)".

Ambas declararam guerra as mudanças legislativas em curso na Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina. Daí o medo da realização da Conferência Nacional de Comunicação no Brasil e os ataques descabidos ao presidente Lula, que até é bastante conciliador com os barões da mídia.”

F-X2 - VISITAS TÉCNICAS E VOOS DE AVALIAÇÃO

Li hoje no site www.fab.mil.br a seguinte Nota à Imprensa, do Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica:

AERONÁUTICA COMEÇA A ETAPA DE VISITAS TÉCNICAS E VOOS DE AVALIAÇÃO COM AS EMPRESAS DO PROJETO F-X2

O Comando da Aeronáutica, em continuidade ao cronograma de seleção dos novos caças multiemprego para a Força Aérea Brasileira (FAB), inicia, a partir de hoje, 30 de março, as visitas técnicas às empresas ofertantes e os voos de avaliação das respectivas aeronaves participantes do Projeto F-X2, cujo objetivo é de verificar aspectos técnicos, operacionais, logísticos e industriais.

Para cumprir tais objetivos e obter maior detalhamento das ofertas apresentadas pelas empresas (aqui listadas em ordem alfabética) BOEING (F-18 E/F SUPER HORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG), serão visitadas e avaliadas instalações industriais e logísticas, oficinas de manutenção, laboratórios de desenvolvimento de sistemas e esquadrões operacionais, bem como as aeronaves oferecidas serão voadas e testadas por pilotos e engenheiros integrantes da comissão de avaliação.

Durante o mês de março, a Gerência do Projeto F-X2 (GPF-X2) reuniu-se com sua equipe e promoveu uma série de esclarecimentos com as três empresas participantes, no intuito de dirimir dúvidas e aprimorar o conteúdo das respectivas ofertas com relação aos requisitos do COMAER, mantendo o foco nos aspectos comerciais; técnicos; operacionais; logísticos; de compensação comercial (Offset), industrial e tecnológica, e de transferência de tecnologia.”

92,4% ACHAM ADMINISTRAÇÃO DO GOVERNO LULA ÓTIMA, BOA OU REGULAR

SOMENTE 7,6% CONSIDERAM GESTÃO LULA NEGATIVA

Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem do jornal Valor Online:

AVALIAÇÃO POSITIVA DO GOVERNO LULA CAI 10 PONTOS, MOSTRA CNT/SENSUS

“A avaliação positiva do governo Luiz Inácio Lula da Silva caiu 10 pontos percentuais na pesquisa mais recente da Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus em comparação com o estudo antecedente. Para 62,4% dos entrevistados, a atual administração foi considerada ótima ou boa. Em janeiro, esse percentual era 72,5%. No levantamento deste mês, 29,1% classificaram a gestão Lula como regular e 7,6% como negativa. No início do ano, essas parcelas correspondiam a 21,7% e 5%, respectivamente.

A sondagem CNT/Sensus apontou ainda que 76,2% aprovam o desempenho pessoal de Lula e 19,9% não estão de acordo, contra 84% e 12,2% em janeiro.

Na opinião de 40,1%, o Brasil está lidando adequadamente com a crise econômica enquanto 26,5% discordam dessa posição. Para 46,3%, o país irá emergir fortalecido da crise financeira mundial e 23% creem que o Estado deverá sair debilitado.

A 96ª Pesquisa de Opinião Pública abrangeu 136 municípios do país. Foram feitas 2 mil entrevistas entre 23 e 27 de março. A margem de erro é de 3 pontos, para mais ou para menos.”

TODA MÍDIA

O jornal Folha de São Paulo, na coluna "Toda Mídia", de Nelson de Sá, ontem publicou:

EMERGENTES CONTRA RICOS

“Os "banqueiros de olhos azuis" de Lula ecoaram e, no domingo que antecede o G20, o "New York Times" alertou que "Obama vai enfrentar mundo desafiador" aos EUA.
"Os americanos viajavam por Índia, Brasil, China dando lição de moral sobre a necessidade de abrir e desregular mercados. Agora essas políticas são vistas como os réus do colapso."

No destaque do Huffington Post pela manhã, "Lula: Nós rejeitamos a fé cega nos mercados". No inglês "Observer", também destaque do Post, "'Banqueiros de olhos azuis' despertam divisão do G20", sobre o "crescente racha entre o Ocidente e as potências emergentes".

No "Financial Times", "o comentário de Lula", diante de Gordon Brown, "ressalta o risco de desacordo entre emergentes e os mais ricos".

Em suma, no título do "NYT" para longa análise, é o "Capitalismo anglo-americano em julgamento".

"BANQUEIROS DE OLHOS AZUIS"

Em duas páginas no "Observer", o primeiro-ministro, Lula e "a nova raiva das nações mais populosas do mundo por serem puxadas para uma bagunça que não criaram"

"GENTE BRANCA"

No alto das páginas iniciais de Huffington Post (esq.) e Drudge Report, Lula e os supostos culpados pela crise

DRUDGE ATACA

De sexta até ontem, a foto de Lula não saiu da home de Matt Drudge, a referência conservadora para links de notícias. De início, com título sobre a declaração. Depois, com chamadas questionando o próprio país, linkando para despachos como "Brasil ergue muros em torno das favelas do Rio", da Reuters.

"LULA LULU"

Também o "NY Post" foi para cima do brasileiro, dado por "Lula lulu" e "Brazil nut", trocadilhos para maluco. A colunista Maureen Dowd, do "NYT", ecoou o "Post", mas notando que a tirada virou "big news", notícia grande, "quando Obama recebia banqueiros 'pão branco', de olhos bem azuis".

O RASCUNHO

As três grandes redes americanas enviaram os âncoras a Londres, para apresentarem os telejornais direto do G20. E o "NYT" aproveitou para lançar ontem sua home page "Global", logotipo acima, com a manchete "Luta em torno do FMI vira foco da cúpula sobre crise".

Pode ser, mas no mesmo final de tarde o site do "FT" postou a manchete "G20 promete evitar protecionismo", com o "rascunho do comunicado" final. O documento, diz o jornal inglês, "tem poucos detalhes sobre um estímulo global", a prioridade para os EUA, que a Alemanha recusa.

SEM DITADOR

Descoberto pelos sites políticos, Lula ocupou também a home do Talking Points Memo para a viagem de Joe Biden ao Chile, onde o vice prometeu que "os EUA não vão mais "ditar unilateralmente" para a América Latina"

OS REEMERGENTES

O "Wall Street Journal", com a agência Dow Jones e o site Market Watch, e o "Financial Times", com o blog Alphaville e a coluna Lex, noticiam que a semana passada fechou com a maior alta no fluxo de investimentos em ações dos emergentes "em um ano". O Brasil e a Rússia "ficaram à frente do bando".

Os investidores teriam se mostrado "especialmente entusiasmados com o Brasil, que recebeu US$ 267 milhões, sua quinta maior marca". A começar da China, os emergentes já são tratados por "Mercados reemergentes", um dos títulos. Por outro lado, vêm perdendo aplicações os mercados "desenvolvidos, notadamente as ações dos EUA".

TREM QUE LEVITA CHEGA AO BRASIL

Li hoje no site Ciência & Tecnologia a seguinte reportagem de Luciana Sgarbi

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO DESENVOLVE PROJETO PARA LIGAR AEROPORTOS TOM JOBIM E SANTOS DUMONT

Quem já brincou com ímãs entende basicamente como se faz um trem de cerca de 20 toneladas flutuar sobre trilhos - polos opostos se atraem, polos iguais se repelem.

É a partir desse mecanismo de funcionamento dos campos eletromagnéticos que se criou um dos mais engenhosos meios de transporte, o famoso trem Maglev, que já dá ares futuristas, por exemplo, à Alemanha e ao Japão.

Ele agora existirá também no Brasil, mais particularmente no Rio de Janeiro, onde fará um percurso ligando os aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim - em sua versão na Cidade Maravilhosa, ele está sendo desenvolvido com olhos na tecnologia japonesa que já na década de 1970 testava os primeiros vagões flutuantes e se chamará Maglev-Cobra.

Segundo os pesquisadores da Japan Railway Technical Research Institute, a "brincadeira" com os ímãs traduz de forma simples a própria propulsão eletromagnética. Passando-se da teoria à prática, o Maglev torna-se então o fenômeno que é, correndo a mais de 582 km/h, próximo à velocidade de um Boeing comercial. O Maglev-Cobra, no entanto, será menos veloz porque, diferentemente de outros países, estará instalado numa região essencialmente urbana: atingirá 70 quilômetros por hora. Nada mal para o engarrafado tráfego entre os aeroportos da cidade: de carro, hoje se demora em média 55 minutos. O trem gastará apenas 18.

A Secretaria Estadual de Transportes, em parceria com uma equipe de engenheiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou na semana passada que a viagem inaugural será em abril do ano que vem. "Modificamos a tecnologia para adequá-la às nossas especificidades de percurso. O Maglev-Cobra possuirá módulos e, como uma cobra, terá capacidade de entrar em curvas com risco zero para os passageiros", disse à ISTOÉ o engenheiro Richard Stephan, coordenador do projeto, que ao longo dos últimos dez anos estudou a estrutura do trem japonês e alemão.

A tecnologia de ponta utilizada no Maglev carioca é à base de nitrogênio super-resfriado em cápsulas, e a sua proximidade com os trilhos magnetizados através de poderosos ímãs provoca o efeito de levitação. O primeiro desses módulos já foi testado nos laboratórios da UFRJ e suportou muito bem o peso de seis adultos.

O projeto é mais complexo. Além de ligar os dois aeroportos, a equipe de engenheiros pretende se valer do trem de levitação para fixar paradas na Ilha do Fundão, na Rodoviária Novo Rio, na Praça Mauá e Praça XV, fazendo conexão com o metrô da Cinelândia. "Temos de aproveitar esse transporte ao máximo, valorizar o investimento. O Rio de Janeiro experimentará uma forma nada estressante de cruzar a cidade", diz Stephan. Para as etapas de teste, o governo estadual vai investir mais R$ 4,7 milhões e, segundo a UFRJ, os cálculos apontam que a construção do sistema Maglev-Cobra, em relação ao metrô, é até três vezes mais viável eco nomicamente - enquanto a construção de um quilômetro de metrô no Rio de Janeiro custa em média R$ 100 milhões, o trem de levitação poderá ser implantado por cerca de R$ 33 milhões, ou seja, um terço do valor.

Além disso, o seu perfil estreito permite que eventuais custos de túneis sejam muito menores. "O Rio de Janeiro será um modelo para o futuro da engenharia de transportes", diz Stephan.”

BRASIL PODE TER MAIOR RESERVA DE URÂNIO DO MUNDO

Li hoje no site do jornal de Santa Catarina "O Barriga Verde":

“O Brasil pode alcançar o topo da lista dos países com as maiores reservas de urânio do mundo. A informação foi dada pelo Contra-almirante da Marinha do Brasil, Carlos Passos Bezerril, durante almoço com mais de 600 empresários no Fórum de Temas Nacionais da ADVB-SP (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) realizado em São Paulo. Segundo Bezerril, apenas 30% do território nacional foi prospectado até então, fazendo com que o Brasil fosse classificado como a sexta nação mais rica em urânio no mundo. "Atualmente contamos com 309 mil toneladas, mas há a estimativa de que tenhamos mais 800 mil toneladas, o que fará do Brasil a primeira ou a segunda reserva do mundo", explicou o representante da Marinha. A palestra teve como tema a produção de energia nuclear com tecnologia nacional e a construção do primeiro submarino atômico brasileiro.

Para o Brasil, tomar conhecimento da capacidade de sua reserva de urânio significa ter acesso à matéria-prima necessária para a produção de energia nuclear. "Poderemos aumentar a participação da matriz nuclear na matriz energética do Brasil", enfatizou Bezerril. Cerca de 16% de toda a energia elétrica do mundo vem da fonte nuclear. No Brasil, 85% vem de fonte hidrelétrica.

"A Marinha brasileira está na vanguarda, precursora da tecnologia, da pesquisa, liderando estudos fundamentais para a defesa brasileira para fins pacíficos, para a indústria, a agricultura, setores variados da economia e também para a medicina nuclear", enfatizou o ex-governador de São Paulo e atual secretário de desenvolvimento do Estado, Geraldo Alckmin, presidente de honra da solenidade de abertura do Fórum.

Durante o almoço realizado pela ADVB-SP, Bezerril informou aos empresários que o Brasil já tem o domínio completo do ciclo do combustível nuclear e agora avança em direção à tecnologia necessária para a construção dos reatores destinados à geração da energia. O contra-almirante reforçou também que os trabalhos de pesquisa relacionados à energia nuclear podem ser realizados com a parceria da iniciativa privada. Na ocasião, informou ainda que a parceria que está sendo negociada entre a Marinha do Brasil e a França prevê a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear.

SOBRE A ENERGIA NUCLEAR

De acordo com a Marinha do Brasil, em texto publicado em seu portal na internet, o https://www.mar.mil.br/pnm/pnm.htm, a energia nuclear é uma fonte de energia firme e limpa, não emite gás poluente para a atmosfera, utiliza em sua construção um número reduzido de materiais (por kWh) se comparada com a energia solar e eólica, produz pequena quantidade de rejeitos, e não contribui para o efeito estufa, pois não emite dióxido de carbono (CO2), ao contrário do carvão, petróleo e gás; além de não necessitar dos grandes reservatórios (com seus decorrentes problemas ambientais) das hidroelétricas. Única alternativa viável, para a maior parte dos países, para suprir a crescente demanda por energia ante a futura escassez dos combustíveis fósseis, não é sem razão que a maior concentração de usinas nucleares encontra-se nas principais regiões consumidoras de energia do mundo.

Ainda segundo as informações publicadas no portal da Marinha na internet: "Como resultado de grande esforço nacional, o Brasil tem capacidade de fabricar o próprio combustível nuclear, sem nenhuma dependência externa, e o conhecimento para projetar e construir plantas nucleares de potência, que custam no mercado internacional acima de três bilhões de dólares cada".”

O PESO DA TECNOLOGIA NA SEGURANÇA E DEFESA

Li ontem no jornal Gazeta Mercantil o seguinte artigo de Roberto Guimarães de Carvalho, Coronel reformado, diretor da RC Consultoria de Defesa e diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Fiesp:

“Quem se dispuser a consultar revistas e jornais brasileiros, interessado única e exclusivamente em encontrar textos sobre o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias nas áreas de segurança e defesa, terá duas grandes surpresas.

A primeira é que, embora o assunto pareça árido e muitos acreditem que a imprensa publique poucas matérias sobre o tema, não há uma semana que passe sem um veículo registrar algo a respeito.

A segunda, pelo menos para os brasileiros, não chega a ser animadora. A razão é que, nas matérias publicadas na grande imprensa, é muito raro encontrar o nome do Brasil como um dos países que desenvolvem novas tecnologias para as áreas de segurança e defesa.

Na Espanha, por exemplo, cientistas do Centro de Tecnologia de Valência desenvolveram materiais com propriedades que podem gerar invisibilidade em dimensões reduzidas e a meta agora é testar a aplicação desses materiais em escala e superfície maiores, para emprego nas áreas de segurança e defesa.

Em outra parte no mundo, no Oriente Médio, o vice-ministro de Defesa iraniano, Ahmad Vahidi, afirmou que Teerã construiu um avião de vigilância não-tripulado com um alcance de mais de mil quilômetros.

No Brasil, contudo, as notícias envolvendo o próprio País como desenvolvedor de tecnologias mais avançadas na área de segurança e defesa são escassas.

O Brasil vem adquirindo equipamentos no exterior, como helicópteros e submarinos e está em curso uma licitação para compra de caças para a Força aérea Brasileira (FAB). Chama a atenção, ainda, o fato de que em todas essas compras o governo brasileiro exija que os países vendedores também transfiram a tecnologia empregada na fabricação desses equipamentos.

Sem dúvida que a decisão e a insistência do governo nesse sentido são louváveis, mas resta saber se surtirão efeito verdadeiramente prático e até onde serão realmente exequíveis. Tomemos como base dois exemplos:

O Brasil está adquirindo da França quatro submarinos Scorpène, juntamente com a tecnologia para fabricação do casco. Como o Brasil já detém a tecnologia para produção local do propulsor com reator nuclear, para que integremos o clube dos países fabricantes de submarinos falta apenas a expertise para fazer o casco.

O segundo exemplo é a licitação da FAB para renovar sua frota de caças, chamada de projeto FX2. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já declarou em diferentes ocasiões que a compra dos caças está condicionada à transferência total de tecnologia e diversos especialistas também já declararam que consideram essa hipótese pouco provável de ocorrer na medida desejada pelo Brasil.

Pode parecer simplista, mas qual fabricante no mundo tem interesse em entregar todo o conhecimento adquirido durante o desenvolvimento de seu produto, para um comprador que poderá vir a se transformar em um potencial concorrente no futuro?

O Brasil já foi um grande exportador de material de segurança e defesa, chegando a ocupar a posição de nono país exportador de materiais de defesa na década de 1980, mas perdeu esta importância ao longo do tempo e hoje vive de comprar equipamentos. O momento atual mostra a importância de redirecionar os investimentos alocados para esta área, especialmente para desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias.

Em abril, entre os dias 14 e 17, será realizada no Rio de Janeiro a LAAD 2009 – Latin America Aerospace and Defence, maior e mais importante feira de defesa e segurança da América Latina.

O evento reúne a cada dois anos empresas brasileiras e internacionais especializadas no fornecimento de equipamentos e serviços para Forças Armadas, forças especiais e serviços de segurança. Bastará uma visita à feira para checar o que vem sendo feito pelas indústrias do setor, seja em território nacional como em outros países.

Infelizmente o desnível tecnológico existente entre o Brasil e outros países tradicionais fabricantes de materiais de defesa do mundo ainda é muito grande e assim se conservará por algum tempo.

Há necessidade, porém, que sejam tomadas medidas desde já para diminuir esta diferença e possibilitar a autonomia necessária para manutenção da soberania do País e uma maior participação do setor industrial de defesa brasileiro no concorrente mercado internacional.

kicker: O Brasil, que já exportou material de defesa, hoje prefere importar equipamentos”

ANSIEDADE DIFICULTA SONHO DE ISRAEL

Li ontem na coluna Tendências Mundiais, Inteligência, no jornal Folha de São Paulo, o seguinte artigo de Roger Cohen, de Nova York:

O MILITARISMO COMEÇA A PESAR NA CONSCIÊNCIA DE MUITOS ISRAELENSES

“Ethan Bronner, do "New York Times", tem feito alguns relatos muito importantes de Israel nas últimas semanas, registrando o senso de isolamento de Israel, seu esforço para renovar sua imagem e o exame de consciência coletivo suscitado pelos relatos de soldados e oficiais sobre o que testemunharam ou atos dos quais participaram durante a matança insensata de civis na faixa de Gaza.

O paradoxo de Israel é este: é uma potência hegemônica na região, próspera e criativa, dotada de armas nucleares e protegida por um muro de alta tecnologia -mas é corroída por dúvidas sobre ela própria, sentimento que parece crescer no mesmo ritmo que sua hegemonia militar.

Como escreveu o cientista político israelense Shlomo Avineri, a ideia original era que Israel não apenas tiraria o povo judeu do exílio, como também que o exílio "seria tirado do povo judeu". Após os milênios de marginalização e de Auschwitz, o Estado deveria criar o que David Ben Gurion descreveu como "um povo autossuficiente", em lugar de um povo "pendurado no ar".

O estado de espírito descrito por Bronner traz amplas evidências de que, 61 anos após a criação do Estado moderno de Israel, a sensação de estar "pendurado no ar" persiste.

Os protestos contra Israel se multiplicam pelo mundo. Dentro do país, crescem as diferenças entre os judeus e a minoria árabe, enquanto nacionalistas religiosos e liberais seculares disputam o controle do Exército. O Ministério da Defesa foi obrigado a repreender o rabino-chefe das Forças Armadas, general Avichai Rontzki, que vive num assentamento na Cisjordânia, quando se constatou que um livreto distribuído aos soldados incluía um edito rabínico contra atos de misericórdia para com o inimigo.

É inegável que pouca misericórdia foi manifestada em Gaza, onde centenas de civis estiveram entre os 1.400 mortos. Ao todo, a operação fez pouco sentido estratégico: o Hamas e seus foguetes seguem presentes, e o prejuízo à imagem de Israel em todo o mundo tem sido devastador. Como observou Avi Shlaim, professor de relações internacionais e ex-soldado israelense, a ofensiva em Gaza seguiu a lógica de "um olho por um cílio", em lugar do tradicional "olho por olho".

Pressenti isso ainda no início da operação em Gaza, ao ler uma declaração do porta-voz do governo israelense, Mark Regev: "Na sala do gabinete, hoje, havia uma energia e a sensação de que, após tanto tempo de contenção, finalmente tínhamos agido". Energia? Mas para que finalidade? Como mostrou a guerra contra o Hiz-bollah no Líbano, em 2006, o uso de força por Israel não ajuda a resolver o dilema existencial do país. Em lugar disso, redobra a ansiedade nacional.

A única possibilidade de avanço requer de Israel um cálculo diferente de sua segurança, que veja a conquista da paz como sua primeiríssima prioridade -não a qualquer preço, claro, mas a algum preço. Será preciso chegar a quatro termos comuns fundamentais, conforme recomenda um novo relatório do influente Council on Foreign Relations, com sede nos EUA:

1) Abandonar quase todos os assentamentos, para chegar à solução de dois Estados baseada nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com trocas menores e recíprocas de terra onde necessário.

2) Estabelecer Jerusalém como sede das capitais israelense e palestina, além de arranjos especiais para a Cidade Velha que garantam a todas as comunidades o acesso livre a locais sagrados.

3) Uma compensação financeira ampla aos refugiados palestinos, assistência para seu reassentamento no novo Estado palestino e outras medidas para tentar resolver o sentimento deles de terem sido injustiçados.

4) Concordar com o envio de uma força multinacional, provavelmente liderada pelos EUA, durante um período de transição de segurança. Infelizmente, não prevejo que o premiê israelense designado, Binyamin Netanyahu, siga esse rumo, a não ser que Barack Obama consiga operar milagres. O resultado será apenas o mal-estar e o isolamento ainda maiores de Israel. Renovação de imagem não pode resumir-se a mudanças superficiais.”

É HORA DE CORRER MOVIDO A CAFÉ

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Gina Kolata, em tradução de George El Khouri Andolfato, publicada no jornal norte-americano The New York Times:

“Weldon Johnson experimentou a cafeína como estimulante de desempenho pela primeira vez em 1998. Ele não costumava beber café, mas soube que a cafeína podia ajudá-lo a correr mais rápido. Então ele foi até uma loja de conveniência antes de uma corrida e bebeu uma xícara de café.

Pela primeira vez em sua vida, ele correu 10 quilômetros em menos de 30 minutos.

"Eu me lembro de ficar realmente ligado antes da corrida", ele disse por e-mail. "Meu corpo tremia."

Desde então ele se converteu.

Johnson, fundador da LetsRun.com, passou a evitar a cafeína, mesmo em refrigerantes, por algumas semanas antes de uma competição, buscando explorar o efeito pleno do estimulante.

"Pode ser um efeito placebo imenso, mas para mim funciona", disse Johnson. "Tomar uma xícara de café exatamente uma hora antes da corrida fazia parte da minha rotina."

Ou talvez não fosse um efeito placebo.

A cafeína, na verdade, realmente funciona. E é legal, um dos poucos estimulantes de desempenho que não são proibidos pela Agência Mundial Antidoping.

Enquanto astros dos esportes, de jogadores de beisebol e ciclistas até corredores são punidos pelo uso de drogas que melhoram o desempenho, um dos estimulantes mais estudados é de uso legítimo para qualquer um. E está bem ali, na xícara de café ou na lata de refrigerante.

Os fisiologistas estudam os efeitos da cafeína em quase todas as situações: ela ajuda os velocistas? Os maratonistas? Os ciclistas? Remadores? Nadadores? Atletas cujos esportes envolvem corridas e paradas como os jogadores de tênis? A resposta é sim para todos.

Os pesquisadores publicam estudos sobre a cafeína desde 1978. Em um estudo após o outro, eles concluíram que a cafeína realmente melhora o desempenho. De fato, alguns especialistas como o dr. Mark Tarnopolsky, da Universidade McMaster no Canadá, se mostram incrédulos pelas pessoas ainda perguntarem se a cafeína afeta o desempenho.

"Há tantos dados a respeito que é inacreditável", ele disse. "Não há dúvida de que a cafeína melhora o desempenho. Foi demonstrado por laboratórios respeitados de múltiplos lugares do mundo."

As únicas novas dúvidas são como ele exerce seu efeito e quão pouca cafeína é necessária para obter o efeito.

Por muitos anos, os pesquisadores acharam que o único motivo para as pessoas poderem se exercitar mais duramente por tempo mais longo após o uso da cafeína era o composto ajudar os músculos a usarem gordura como combustível, poupando o glicogênio armazenado nos músculos e aumentando a resistência. Mas havia vários indícios de que algo mais estava acontecendo. Por exemplo, a cafeína melhorava o desempenho até mesmo em exercícios breves intensos, onde a resistência não importa.

Agora, Tarnopolsky e outros relatam que a cafeína aumenta a produção de energia dos músculos ao liberar o cálcio armazenado no músculo. O efeito permite que os atletas possam ir mais longe e mais rápido no mesmo espaço de tempo. A cafeína também afeta a sensação de exaustão do cérebro, aquela sensação de que é hora de parar, de que não pode prosseguir. Esta pode ser uma forma de melhorar a resistência, disse Tarnopolsky.

A melhora do desempenho em ambientes controlados de laboratório pode chegar de 20% a 25%, disse Tarnopolsky. Mas no mundo real, a melhoria pode ser em média de cerca de 5%, o que ainda é significativo caso você queira atingir seu melhor tempo ou mesmo vencer uma corrida.

Por anos, os pesquisadores acreditaram que era preciso cerca de 5 a 6 miligramas de cafeína por quilo de peso do corpo. Um homem de 80 quilos, por exemplo, precisaria de cerca de 400 miligramas de cafeína.

Agora, Louise M. Burke, a chefe do departamento de nutrição esportiva do Instituto Australiano do Esporte em Canberra, informa que os atletas obtêm o efeito pleno da cafeína com apenas 1 miligrama de cafeína por quilo de peso do corpo. Em vez de 591 ml de café, um homem de 80 quilos poderia beber 118 ml de café, ou cerca de duas latas de Coca de 350 ml.

Também é possível piorar os resultados.

Terry Graham, presidente do Departamento de Saúde Humana e Ciências Nutricionais da Universidade de Guelph, no Canadá, apontou que com 9 miligramas por quilo, os atletas na verdade pioram.

Muitos atletas e treinadores não são fãs da cafeína. Johnson disse que tentou divulgá-la e fica frustrado quando os corredores não usam a cafeína -tanto, ele disse, que quando vê a equipe que seu irmão treina em Cornell, ele pensa: "Por que todos não vão ao Starbucks?"

Mike Perry, um amigo remador que já competiu nacionalmente e no exterior, disse que, com uma exceção, os remadores que ele conheceu não usavam cafeína.

"As pessoas tinham problemas psicológicos a respeito de usá-la", ele disse. "Elas consideravam isso como sendo contra o espírito da lei, apesar dela não ser ilegal."

Ainda assim, Perry se perguntou se a cafeína o teria ajudado. Quando ele se aposentou das competições de remo em julho passado, ele decidiu fazer uma experiência aleatória, às cegas, controlada com placebo, em si mesmo.

Ele percebeu que as pílulas de cafeína de 200 miligramas pareciam com as de vitamina C, o que permitiu que as codificasse e tomasse sem saber qual estava tomando. Por oito meses ele testou em si mesmo uma vez por semana, tomando duas pílulas uma hora antes de se exercitar no aparelho de remo. Então se exercitava o máximo que podia por uma hora, registrava os resultados, também registrando seu palpite sobre se a pílula que tomou continha a cafeína. Perry, que também é corredor, disse que uma hora no aparelho de remo equivale a uma hora de corrida forte na estrada.

Quando ele concluiu o estudo e quebrou o código no final do mês passado, ele ficou espantado ao ver quanto a cafeína o afetou. Ele estava mais forte -sua força foi 3% maior- e mais rápido. De fato, ele disse que a velocidade média nos testes em que usou a cafeína foi maior do que sua velocidade mais rápida quando não usava cafeína.

Ele também deduziu acertadamente na maioria das vezes se a pílula que tomou era de cafeína ou vitamina C. Perry disse que agora lamenta nunca ter usado a cafeína quando competia. "Seria uma forma inofensiva de melhorar o desempenho", ele disse.

Outros, incluindo meu filho Stefan, discordam. Eu pedi a Stefan que experimentasse a cafeína, e ele o fez, uma vez.

Ele experimentou a pílula de cafeína antes de um exercício na pista que envolvia correr 1,5 quilômetro muito rápido, descansar brevemente, e correr outro 1,5 quilômetro, repetidamente. Como Johnson, ele ficou ligado e tremendo. Mas, disse Stefan, ele não conseguiu descansar entre as corridas. Seu coração continuou batendo forte e não conseguia desacelerar. Ele disse não querer experimentar isso de novo.

E há o problema que eu e minha parceira de corrida Jen Davis temos. Nós adoramos café e provavelmente temos cafeína permanentemente em nosso sangue, exceto durante o meio da noite (ela dura horas).

Assim, nós nos sairíamos melhor se nos privássemos de cafeína e então tomássemos uma pílula ou duas antes de uma corrida?

Eu perguntei a Tarnopolsky. Ele disse que você se habitua rapidamente a dois efeitos da cafeína. A cafeína pode fazer você urinar, mas apenas se não estiver acostumado a ela.

"Os atletas não ficam desidratados por causa da cafeína", ele acrescentou, "diferente do mito popular".

E a cafeína aumenta o batimento cardíaco e a pressão sanguínea em pessoas que não são usuárias regulares. "Mas após três ou quatro dias, este efeito potencialmente negativo desaparece", disse Tarnopolsky.

Os efeitos benéficos sobre o exercício, entretanto, permanecem. Mesmo se você beber café regularmente, tomar uma xícara antes do exercício ou corrida melhorará seu desempenho, disse Tarnopolsky. "Não há dúvida a respeito", ele acrescentou.

Ele coloca a pesquisa da cafeína em prática quando treina e compete. Tarnopolsky é um triatleta de elite, orientador de esqui e corredor de trilha que compete em provas nacionais e internacionais. E, ele disse, ele adora café: "Eu adoro o cheiro. Eu adoro o sabor. É o paraíso".

E antes da corrida? Ele sempre toma uma xícara.”

EM 10 ANOS O BRASIL RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA ESTARÃO NA LIDERANÇA DA ECONOMIA MUNDIAL

Li ontem no UOL a seguinte reportagem da agência de notícias inglesa BBC:

CRISE 'PODE ACELERAR ASCENSÃO DOS BRIC À LIDERANÇA DA ECONOMIA MUNDIAL'

“A crise econômica global não impedirá que os países do grupo dos BRIC estejam entre as maiores economias do mundo, segundo afirma o próprio autor do conceito dos BRIC, Jim O'Neill, economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.

Para ele, a crise pode até mesmo acelerar as mudanças na economia global que garantirão a Brasil, Rússia, Índia e China ocupar um lugar de destaque entre as potências mundiais já em 2020. O'Neill afirma que em 2020 a China, por exemplo, poderá estar próxima de disputar com os Estados Unidos o posto de maior economia do mundo. Segundo ele, os demais países dos BRIC poderão ter economias de tamanho equivalente à de países como Alemanha, França ou Reino Unido. Para O'Neill, até 2020 a grande massa de consumo do mundo estará nas economias dos BRIC.

O'Neill afirma ainda que as previsões que fez em 2001 sobre o crescimento da economia dos países do grupo eram conservadoras e por isso não são afetadas por um eventual período de baixo crescimento, como o atual: "Nós assumimos que os países BRIC teriam ciclos econômicos, e isso é o que acontece agora. Então, nossa projeção de longo prazo não é afetada de nenhuma maneira", diz.

Leia abaixo a íntegra da entrevista que O'Neill concedeu à BBC Brasil em Londres: BBC Brasil: Como a crise global está afetando os BRICs?

A crise é tão grave que está afetando negativamente todo mundo, incluindo os BRIC.

Mas entre os BRIC temos que olhar especificamente para cada um, porque os aspectos da crise são diferentes. Para resumir de maneira simples, quase sem dúvida a Rússia vai sofrer mais, e o Brasil em seguida, por serem produtores de commodities. A China parece estar lidando melhor com a crise, apesar do fato de ser um grande exportador. E a Índia está um pouco atrás. Então, a China parece estar na situação menos grave e a Rússia na mais grave.

De maneira nenhuma. Acho interessante que me perguntem tanto sobre isso. Se você olhar com cuidado para as projeções que usamos em 2003 e depois para as atualizações que fizemos depois disso, verão que elas eram muito conservadoras.Por exemplo, partimos da premissa que no longo prazo a China cresceria 5,8%, e até essa crise a China vinha crescendo o dobro disso. Mesmo com a crise, o consenso sobre o crescimento da China para este ano é de 7%.

Nós estimamos que os países BRIC teriam ciclos econômicos, e isso é o que acontece agora. Então, nossa projeção de longo prazo não é afetada de nenhuma maneira.

Na verdade, creio que se a China já estiver mesmo começando a se recuperar do impacto da crise, pode ser que a crise acelere a velocidade da mudança na economia mundial.

A China já ultrapassou a Alemanha e se tornou a terceira maior economia do mundo, curiosamente no momento exato em que havíamos previsto que isso aconteceria. A grande questão é se na próxima década (a China) vai ultrapassar o Japão e o quão perto vai estar dos Estados Unidos, em 2020. Poderá estar bem perto. A grande questão para os outros três países será o quanto estarão perto, em 2020, das principais economias européias. Acho que é bem possível que estejam próximos.

Cada um tem algo em seu favor. A Índia tem essa enorme vantagem demográfica. O Brasil, como tem sido demonstrado por esta crise, conta com uma estrutura macroeconômica que fornece uma ótima base em termos de política econômica. A Rússia é a que parece mais vulnerável, devido à sua excessiva dependência de energia e à ausência de mudanças, ou de qualquer prova de mudanças internas.

Acho que para 2020, a questão para os três países é saber se o tamanho de suas economias vai estar próximo das de Alemanha, França ou Reino Unido. E para a China se estará próxima dos EUA.

Acho que isso precisa ser analisado individualmente. Acho que o Brasil é possivelmente o que está mais bem posicionado, em termos de mudanças necessárias para cumprir as previsões que fizemos para 2050, ou para o que eu disse sobre 2020.

O Brasil tem em muitos sentidos mais atributos de um país desenvolvido em termos de suas políticas e de sua sociedade. Provavelmente o que tem de fazer é tirar o governo do caminho e deixar o setor privado fazer mais.

A Índia precisa parar de pensar que simplesmente merece ser um grande país só porque tem uma população grande, ou porque alguém como eu sonhou com esta sigla BRIC. A Índia precisa continuar com as mudanças, melhorar a eficiência de seu governo, tanto nos Estados quando no nível federal. E quanto mais tempo levar para isso acontecer, mais difícil será para conseguir cumprir as projeções. A China tem a questão do regime de partido único, mas curiosamente, eu diria, de maneira provocativa, que a emergência desta crise mostrou que (o regime de partido único) parece permitir à China lidar com muitos dessas questões complexas de maneira mais fácil do que muitas democracias. Acho que em algum ponto no futuro a China terá que mudar, mas não estou seguro de que o sistema chinês imponha qualquer limitação no que se refere à economia.

E, finalmente, a Rússia terá que mudar. Esta crise demonstrou que a Rússia é de longe muito dependente de um grande produto, que é o petróleo. A Rússia precisa se afastar disso. Desde o início eu disse que era muito duvidosa a idéia de que a China não poderia atingir nossas previsões sem mudar radicalmente seu sistema político. Se você observar, na metade de 2009, sete anos após eu ter criado o termo BRIC, verá que a China tem conseguido lidar muito bem com muitos choques que a acometeram.

Então, apesar de muitos de nós no Ocidente não gostarem do sistema político da China, não está claro para mim que a população chinesa não esteja feliz com ele. É uma coisa muito polêmica de se dizer, mas os chineses parecem capazes de manter esse sistema e manter um caminho de desenvolvimento com o qual a maioria parece estar satisfeita.

Estou seguro de que isso não vai ser assim para sempre, mas se considerarmos 2020, é perigoso esperar que aconteçam grandes mudanças, ou que exista necessidade de grandes mudanças.

Se você comparar o modelo da China ao da Índia e observar que a China tem crescido nos últimos 20 anos mais do que a Índia, apesar de a demografia da Índia ser muito mais favorável, verá claramente que há algo na China mais bem sucedido do que na Índia.Apesar de a democracia indiana ser uma coisa maravilhosa, que todos amamos e da qual os indianos têm tanto orgulho, suspeito que ela não funcione muito bem em termos de mudanças de política econômica. A Índia precisa manter sua democracia, mas também precisa encontrar uma maneira para fazer com que ela funcione de forma mais eficiente. É quase como se em determinados momentos a democracia indiana sufocasse a Índia.

Eu comumente brinco com autoridades indianas sobre esta eleição que está a caminho.

Digo que enquanto eles estiveram esperando a vinda dessa eleição, ao longo de um ano ou mais, a China efetivamente produziu o equivalente a meia Índia.

Então, a menos que eles consigam sair desta eleição com um sistema de governo mais eficiente, vai haver cada vez mais sinais de que a democracia indiana é de fato boa demais, porque efetivamente impede a tomada de decisões.

Não acho que poderíamos dizer o mesmo sobre o Brasil, mas se olharmos a China e a Índia, há contrastes muito interessantes sobre sua forma de governo e sobre sua capacidade de crescer.

Acho que se olharmos o que vem acontecendo nos últimos seis meses veremos que há uma grande desaceleração em todo lugar. Mas se olharmos as contribuições para o consumo global, veremos que os BRIC foram as únicas economias significativas que fizeram uma contribuição positiva.

Meu grupo tem analisado dados que mostram que o chamado descolamento entre os Estados Unidos e as economias dos BRIC está ocorrendo. O consumo nos Estados Unidos ficou negativo, muito negativo, mas ainda há crescimento no consumo na maioria dos BRIC.

De acordo com dados de fevereiro, o consumo na China, a economia mais importante do grupo, está crescendo em termos reais em 15,5% ao ano. Então há uma contribuição significativa (da China) para o crescimento do resto do mundo.

E acho que isso vai crescer conforme chegarmos mais próximos a 2020. Vai se tornar claro, quando entrarmos na próxima década, que a grande massa de consumo no mundo estará nas economias BRIC. Eu também questiono alguns aspectos dessa tese. Se você observar o que aconteceu na China ao longo da última década, ou um pouco mais, verá que eles provavelmente tiraram da pobreza 400 milhões de pessoas.

Então, enquanto na China há um pequeno grupo de pessoas que se tornaram incrivelmente ricas, há sinais de que vimos - pela primeira vez no mundo em décadas - uma queda de fato na diferença entre renda e pobreza. A Índia tem evidências semelhantes, apesar de menos que a China. E como o presidente Lula disse sobre o Brasil recentemente, num artigo no Financial Times,há sinais disso por lá também. Isso é muito interessante, porque a percepção comum é de que as diferenças de renda estão aumentando. Mas particularmente na China essa percepção não é verdadeira.

Para mim, como criador da sigla, seria fantástico vê-los como um grupo político. Mas de uma perspectiva global, o que é realmente importante é que as economias dos BRIC sejam mais bem representadas na liderança do FMI, no Banco Mundial, e que o G-20 (no qual os quatro países estão representados) se torne o principal ponto focal de decisões políticas e econômicas do mundo, em vez de somente o G-7 ou o G-8.

Acho que se eles não forem inseridos na melhor estrutura possível para tomada de decisões, então se reunirão mais e mais formando seu próprio clube.

Acredito que a reunião de cúpula do G-20 em Londres vai definir uma nova era, na qual esses países estarão no centro das decisões que estão sendo tomadas sobre o mundo. Acho que é um progresso fantástico.”

PETRÓLEO E ETANOL DEVEM DAR NOVO STATUS AO BRASIL ATÉ 2020

Li ontem no UOL a seguinte reportagem da agência de notícias inglesa BBC:

“O potencial energético do Brasil, ampliado com as recentes descobertas de petróleo e gás na camada pré-sal e a produção de etanol, deverá transformar o país em exportador de energia até 2020.

A mudança de status deverá colocar o Brasil em posição de destaque no cenário mundial.

Entre os grandes emergentes que formam o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), somente os russos, que têm grandes reservas de gás e petróleo, são exportadores líquidos de energia.

Um relatório com projeções até 2030 elaborado em conjunto pela consultoria Ernst & Young Brasil e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que o consumo doméstico de energia poderá crescer a uma média de 3,3% ao ano, ante um aumento médio de 4,2% na produção, o que geraria excedente de petróleo e etanol para o mercado externo.

De acordo com esse estudo, novos investimentos em refino de petróleo no Brasil também deverão resultar em um combustível de condições técnicas adequadas às exigências do mercado internacional. "Grandes volumes de gasolina brasileira devem ser exportados", diz o relatório, "chegando a 9,3 bilhões de litros em 2030".

Atualmente, o Brasil já exporta petróleo. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2008 o Brasil exportou 158,1 milhões de barris, com receita de US$ 13,6 bilhões. Mas também importou 147,9 milhões de barris, ao custo de US$ 16,3 bilhões.

No entanto, o déficit na balança ocorre porque o petróleo exportado pelo Brasil é do tipo pesado, de menor valor de mercado, e o país ainda precisa importar o petróleo leve, que é mais caro.

A transformação do Brasil em grande exportador marca uma grande evolução em relação a um passado não muito distante."Na década de 70, duas fontes dominavam a matriz energética brasileira: lenha e petróleo", diz Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A grande dependência de uma fonte fez com que em 1973 o primeiro choque do petróleo afetasse fortemente o país. Uma das razões do avanço do país no setor nas últimas décadas foi o investimento na diversificação.

"O Brasil tem hoje uma das matrizes mais renováveis do mundo - 46% é de fontes renováveis. A média mundial é de 13%", afirma o presidente da EPE.

Uma das grandes apostas do governo brasileiro, o etanol vem ganhando destaque no cenário mundial em meio a discussões sobre mudanças climáticas, a crescente demanda internacional por fontes de energia mais limpas e a preocupação dos países em reduzir sua dependência de petróleo.

Ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos, que produzem etanol à base de milho, também utilizado para alimentação, o Brasil usa como matéria-prima a cana-de-açúcar, considerada mais eficiente por especialistas e com maior poder de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

Estados Unidos e União Européia têm programas para promover o consumo de biocombustíveis e deverão aumentar a mistura de etanol nos próximos anos.

Segundo o relatório da Ernst & Young, as exportações brasileiras do produto deverão crescer 8,9% ao ano.

O etanol tem ainda o desafio de se tornar uma commodity global. As barreiras enfrentadas pelo produto no mercado internacional, como tarifas de importação, "deverão ser reduzidas gradualmente", segundo a projeção da Ernst & Young . Além disso, avanços tecnológicos nos próximos 10 anos, como o etanol de segunda geração, produzido a partir de materiais hoje descartados, como sobras de colheita ou palha e bagaço de cana, deverão permitir aumentar a produção sem necessidade de ampliação de área.

A previsão do governo brasileiro é de aumentar a produção de etanol em mais de 150% até 2020.

Mesmo com todos os avanços, porém, o mercado de etanol ainda é pequeno. Calcula-se que todos os biocombustíveis não representem nem 1% do peso do petróleo.

Segundo o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, imaginar que o crescimento do etanol significa uma substituição do petróleo "é besteira".

Com a descoberta de enormes reservas na camada pré-sal, que se estende por 800 quilômetros entre Espírito Santo e Santa Catarina, o Brasil deve ganhar uma posição de destaque também no mercado internacional de petróleo. Ainda não há um cálculo preciso sobre o volume dessas reservas, mas algumas estimativas chegam a apontar que a camada pode abrigar, no total, até 100 bilhões de barris, o que deverá consolidar o Brasil como potência energética.

Há dificuldades, porém. As reservas estão a uma profundidade de 7 quilômetros abaixo do leito do mar, e a tecnologia de exploração é cara.

"A viabilidade de exploração depende não só encontrar reservas, mas de viabilizar as reservas em função dos aspectos econômicos da sua exploração e produção e também dos aspectos tecnológicos", diz José Carlos Pinto, sócio da Ernst & Young. Segundo ele, é necessário um preço de mercado que seja superior ao custo de produção, além de capacidade tecnológica para viabilizar a produção e a extração. Há cálculos que indicam necessidade de investimentos de até US$ 1 trilhão para explorar a camada pré-sal. O governo já afirmou que a exploração é viável com o preço do barril em torno de US$ 40. "Há tendências que indicam que os custos de exploração e produção estão se reduzindo substancialmente, talvez também impactados pela crise", afirma o representante da Ernst&Young. "O que também reduz o patamar mínimo em que o preço de mercado do petróleo viabilizaria (a exploração do pré-sal)."

PRESIDENTE DO BCE PREVÊ INÍCIO DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA EM 2010

Li ontem no UOL a seguinte reportagem da agência espanhola de notícias EFE:

“Bruxelas, 30 mar (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, previu hoje que a economia, tanto na eurozona quanto em nível mundial, continuará muito fraca em 2009, para começar a subir gradualmente em 2010, mas alertou da elevada incerteza que cerca esta previsão.

Em um comparecimento no Parlamento Europeu (PE), Trichet disse que, segundo os mais recentes indicadores, a atividade econômica na eurozona continuou se deteriorando nos primeiros meses de 2009, depois da forte contração registrada no último trimestre de 2008 (de 1,5%).

Olhando mais adiante, o BCE acredita que "a demanda continuará muito fraca ao longo de 2009, tanto em nível global quanto na zona do euro, para dar espaço a uma recuperação gradual em 2010", mas Trichet destacou que esta previsão está cercada de incerteza.

Assim, insistiu em que a evolução dependerá do efeito das ajudas públicas ao setor bancário e dos planos de estímulo fiscal, que pode ser mais forte do que o antecipado, mas também advertiu que a repercussão das turbulências financeiras na economia real pode ser ainda mais grave.

Sobre a inflação, considerou que, na zona do euro, continuará muito abaixo de 2% em 2009 e 2010, mas deixou claro que o BCE segue comprometido com o objetivo de manter a estabilidade de preços a médio prazo e fará o necessário para conseguir.

O presidente do BCE explicou que o que está ocorrendo é uma tendência desinflacionista, devido, principalmente, à queda do preço do petróleo, e descartou que vá se transformar em deflação, embora acrescentou que "é preciso ficar alerta de forma permanente".”

segunda-feira, 30 de março de 2009

LULA: PAÍS QUER TER MAIOR INFLUÊNCIA NA POLÍTICA MUNDIAL

A agência Estado há poucas horas publicou a seguinte reportagem (li no site “vermelho”):

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, veiculada neste domingo (29), que o País quer ampliar sua influência. "Queremos ter influência muito maior na política mundial", disse o presidente ao âncora do programa GPS, Fareed Zakaria. O presidente brasileiro acrescentou que busca maior representação para outros países em instituições multilaterais, reiterou que o Brasil quer uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que o G-20 deve se consolidar como fórum de discussões globais por incluir uma gama maior de países do que o G-8.

"Queremos que as instituições multilaterais e instituições financeiras não sejam abertas apenas aos americanos ou europeus. (Falo de) instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) ou Banco Mundial. Queremos abrir estas instituições para que outros países possam participar no centro da tomada de decisões", continuou Lula.

Questionado se o G-20 deveria também discutir assuntos como energia e mudança climática, Lula afirmou que concordava com esta avaliação e disse que o G-8, sem os Brics e outros, tem efeito limitado. "Muitos líderes políticos advogam em favor da idéia que deveríamos ter o G-8 mais outros, como um G-13. Dando minha opinião sincera, eu diria que acredito que o G-20 se tornará o principal fórum para que possamos discutir economia, questão climática, paz mundial, pois o G-20 é muito mais representativo, heterogêneo e representa (melhor) a geografia econômica e política (mundial)", observou.

O País, ponderou o presidente brasileiro, também quer mudar o conceito do Conselho de Segurança da ONU em termos de membros permanentes. "A geografia de 2009 é diferente de quando a ONU foi criada e, por causa disso, queremos mais países participando do Conselho de Segurança da ONU", argumentou. "Também defendo que o Brasil deveria ter uma cadeira (no Conselho Segurança)." O presidente afirmou que é importante que mais países façam parte do Conselho de Segurança para que "se torne mais representativo para ter mais autoridade política para tomar decisões". O programa veiculado em inglês hoje, foi gravado no dia 16 março, em Nova York, quando o presidente participou de seminário para empresários, investidores e analistas nos Estados Unidos.

ESTRANHO NO NINHO

No mesmo programa, Lula se disse um estranho no ninho toda vez que participa desse tipo de encontro. Para Lula, o G-20 tornou-se um agrupamento mais representativo que o G-8, as sete economias mais ricas do mundo e a Rússia, para tratar dos grandes desafios mundiais nas áreas econômica, energética e de mudança do clima. Mas, dentre os líderes que se reunirão em Londres, o presidente brasileiro afirmou ser o único que veio da pobreza e da fome e que conhece, na própria pele, o drama das inundações e do desemprego.

"Eu vivi em casas que eram inundadas, com até um metro e meio de água. De vez em quando, eu tinha de disputar espaço com ratos e baratas", afirmou Lula . "Eu sei o que o desemprego significa porque fiquei sem trabalho por um ano e meio. Eu conheço o problema que um trabalhador desempregado enfrenta. Eu conheço o mundo do trabalho mais do que qualquer um (dos líderes do G-20)."

Lula também falou sobre o embargo dos EUA à Cuba, a legitimidade do mandato de Hugo Chávez, a crise econômica, entre outros assuntos:

VENEZUELA

Quando o âncora do programa GPS da CNN, Fareed Zakaria, citou o que considera uma "reversão na democracia da Venezuela", Lula afirmou que "ninguém pode dizer que não há democracia na Venezuela" e lembrou que o governo do presidente Hugo Chávez foi legitimado em mais de um pleito. "Acredito que os Estados Unidos têm de ficar mais próximos da Venezuela, pois acredito que seria benéfico tanto para os EUA quanto para a Venezuela", acrescentou.

Lula disse que, quando passou pela Venezuela, recomendou a Chávez que ficasse mais próximo do presidente dos EUA, pois "seria uma oportunidade para estabelecer novos laços com os EUA". E "ele (Chávez) disse que gostaria", afirmou o presidente brasileiro. "Ninguém tem de concordar com tudo que o outro diz, mas em relações de Estado temos de entender que ajudamos uns aos outros fazendo desta forma. Temos de ser mais generosos", afirmou Lula.

CUBA

Lula afirmou que, no encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, no dia 14 de março, não pediu que os EUA acabassem com o embargo a Cuba. Mas, diante do apresentador, Lula classificou a barreira contra o país como absurda. "A única coisa que eu acho como cidadão e como presidente do meu País é que não há razão do ponto de vista sociológico, militar, político e muito menos econômico para manter esta barreira como existe desde 1960, 61, ou quando quer que seja. Obviamente isso vai depender da boa vontade de nossos irmãos em Cuba e também dos EUA", reconheceu.

BARACK OBAMA

Indagado sobre seu encontro com o presidente dos EUA, Lula relatou ter dito a Obama que rezava muito por ele, em função de seu "grande teste" de superar a crise econômica. Fazendo um paralelo entre a sua experiência, Lula comentou que tinha consciência, em 2003, que não poderia falhar. Caso contrário, por preconceito, nenhum outro líder sindical chegaria novamente à Presidência. Na condição de primeiro presidente negro dos EUA, concluiu ele, Obama tampouco poderá fracassar.

"Eu disse a Obama que ele não tem o direito de cometer erros. Não acredito que Deus tenha posto ele lá por nada. Alguma coisa importante aconteceu neste país."

CRISE ECONÔMICA

O presidente defendeu que o Brasil e outros emergentes devam ter maior influência no centro do poder mundial - no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial e, especialmente, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lula insistiu que, nessa segunda cúpula do G-20 em apenas três meses, os EUA e os outros países ricos terão de enfrentar a questão da escassez de crédito com muita responsabilidade. Para ele, os pacotes de socorro ao setor financeiro devem ter, como contrapartida, compromissos de maior vínculo das instituições beneficiadas com o setor produtivo, como meio de expandir investimentos e postos de trabalho. Casos como o da AIG, que pretendia manter bônus milionários para seus executivos depois de obter o socorro do Tesouro americano, foram classificados como "escandalosos" por Lula.”

ALDO REBELO: 'O ERRO EM RORAIMA'

No artigo publicado ontem (29/3) na seção Opinião do jornal o Estado de S. Paulo, o deputado federal pelo PCdoB-SP Aldo Rebelo escreveu:

“O sagrado direito dos índios a terras que tradicionalmente ocupem seria mais bem respeitado pela demarcação da reserva em ilhas comunicantes, e não em área contínua. Até as pedras sabiam que nesses conflitos intestinos não pode haver derrotados, e só se admite um vencedor: a Nação e os interesses permanentes de seu povo.

''É PIOR QUE UM CRIME, É UM ERRO.'' TALLEYRAND, MINISTRO FRANCÊS.

Ao saber que Napoleão Bonaparte mandara matar o príncipe Louis Antoine Henri de Bourbon-Condé, mais conhecido por duque d'Enghien, o poderoso ministro das Relações Exteriores Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord alertou sua majestade de que o ato era mais grave do que parecia e poderia trazer, como trouxe, dissabores ao imperador impetuoso. A advertência se aplica a decisões irrefletidas que o Brasil vem tomando em áreas estratégicas, como a da proteção geopolítica do território, de que é exemplo a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ratificar a destinação de 1,7 milhão de hectares da reserva Raposa-Serra do Sol, numa zona de fronteira, para usufruto exclusivo de cinco tribos indígenas.

Conforme os ministros votavam, até as pedras sabiam que o Supremo iria manter, em Roraima, a desastrada decisão do Executivo de agredir a formação social brasileira ao expulsar os não-índios e edificar uma espécie de Muro de Berlim, que separa nacionais como se inimigos fossem. Até as pedras sabiam que a decisão correta a tomar era acomodar os direitos de índios (incluindo os que são contra a demarcação da reserva em área contínua e apoiam a presença de arrozeiros) e de outros brasileiros que lá se estabeleceram, no modelo secular de ocupação do território. É um truísmo reconhecer que os nordestinos, goianos e gaúchos que arribam para a Amazônia repetem a epopeia dos bandeirantes, e sua presença não significa um esbulho dos direitos indígenas. Até as pedras sabiam que a decisão correta era a abrangente, sem particularismos étnicos ou unilateralidades de ambições, e que o sagrado direito dos índios a terras que tradicionalmente ocupem seria mais bem respeitado pela demarcação da reserva em ilhas comunicantes, e não em área contínua. Até as pedras sabiam que nesses conflitos intestinos não pode haver derrotados, e só se admite um vencedor: a Nação e os interesses permanentes de seu povo.

Se o Executivo, por intermédio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério da Justiça, que demarcaram e homologaram a reserva, falhou ao separar brasileiros em castas beneficiadas e prejudicadas, ainda havia esperanças de que o Supremo, como tribunal político, formasse em conjunto o que apenas o ministro Marco Aurélio de Mello foi capaz de fazer ao lavrar um voto de estadista no que chamou de ''momentosa controvérsia''. O ministro atentou na História ao observar que é necessário conjugar os ''dispositivos que conferem proteção aos índios em conjunto com os demais princípios e regras constitucionais, de maneira a favorecer a integração social e a unidade política em todo o território brasileiro''. Foi assim que construímos uma Nação isenta do fratricídio racial que jorra desunião e sangue noutros países, pois, como observou o ministro, o ''convívio harmônico dos homens, mesmo ante raças diferentes, presente a natural miscigenação, tem sido, no Brasil, responsável pela inexistência de ambiente belicoso''.

Desunião e sangue parecem estar, no entanto, no horizonte dos que pregam a fabricação e o acirramento do confronto. Como se pode ler na edição do dia 22 deste jornal, há quem preveja, se é que não deseja, que as naturais divergências entre nacionais assumam no Brasil a dimensão bélica que se verifica entre Israel e o Hamas no Oriente Médio. Os que escrevem a imitação burlesca deste novo livro do Apocalipse são os mesmos que procuram internacionalizar as contradições internas. Agora mesmo, o Estado brasileiro é réu na Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusado por uma incerta Fundação Interamericana de Direitos Humanos de violar prerrogativas dos índios.

O recurso a organismos multilaterais é o meio mais rápido de abrir caminho para resoluções que viabilizem, e mesmo legalizem, a interferência estrangeira em assuntos exclusivos do Brasil. De qualquer forma, convém registrar a frequência e a estridência de ONGs em causas sempre associadas à exploração do território e a recursos naturais, sobretudo na Amazônia mais erma. Salta aos olhos que não se vejam ONGs tão eloquentes em socorro de índios que vegetam na árida cidade de São Paulo.

Tampouco, na outra ponta, que se omitam na vigilância de interesses do conjunto do País, a exemplo do nosso próspero agronegócio estrangulado pelo protecionismo dos países que controlam os organismos multilaterais.

As decisões tomadas pelo aparelho de Estado, incluído o Judiciário, em relação à Raposa-Serra do Sol e mesmo à absurda área de 9,6 milhões de hectares reservada aos ianomâmis na fronteira com a Venezuela não podem ser admitidas como fato consumado.

Urge resistirmos, dentro da ordem e de forma não violenta. Uma forma disponível de resistência democrática é o projeto de lei que apresentamos, em associação com o deputado Ibsen Pinheiro, para que o assunto seja submetido ao Congresso Nacional.

Atualmente, as reservas são delimitadas com base em pareceres unilaterais da Funai e homologadas por decreto do presidente da República. O projeto mantém a prerrogativa do Poder Executivo para definir as terras indígenas, mas determina que a homologação seja feita por lei ordinária, sujeita à apreciação do Legislativo. Outra inovação é que não se fará demarcação de terra indígena em faixa de fronteira. Poder soberano e popular por excelência, o Parlamento poderá oferecer soluções isonômicas para um problema que se agrava e prevenir a implantação no Brasil de um Estado multiétnico e uma Nação balcanizada, fomentada pela leniência interna e por interesses externos.”

BRASÍLIA: UMA CIDADE CHAMADA AEROPORTO

Li ontem no jornal Correio Braziliense a seguinte reportagem de Renato Alves:

“Pelo terminal aéreo de Brasília, o terceiro mais movimentado do país, passam 40 mil pessoas e 190 aviões por dia. Para garantir a segurança e o conforto dos passageiros, 8 mil funcionários trabalham dia e noite.

Esqueça os tempos de apagão aéreo. Os aeroportos brasileiros vão muito além dos tumultuados balcões das companhias. Além das atendentes dos guichês, pilotos e comissários de bordo, um exército de profissionais com funções menos badaladas trabalha sem parar nos terminais. Só no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, eles são 8 mil. Todos com a missão de garantir o conforto e a segurança de quem passa pelo terceiro mais movimentado dos 67 aeroportos do país.

Pelo Juscelino Kubitschek circulam, em média, 40 mil pessoas diariamente. Mais do que a população do Núcleo Bandeirante, por exemplo. A maioria dos passageiros, no entanto, desconhece ou ignora os funcionários e as atividades do pessoal que trabalha fora das salas de embarque e de desembarque. Para mostrar quem são esses trabalhadores e o que eles fazem, uma equipe do Correio passou um dia no aeroporto. Pisou em todas as salas, galpões e pistas. Descobriu uma cidade.

Inaugurado em 1957, o aeroporto de Brasília ocupa área equivalente a quase 3 mil campos de futebol. Nela há duas pistas principais, uma auxiliar, dois terminais de passageiros, um de carga e 19 hangares. Eles têm capacidade de receber 50 pousos e decolagens por hora, além dos milhares de funcionários, passageiros e dezenas de serviços. Atualmente, pousam 190 aviões todos os dias. Oito são de carga, 182 levam passageiros, sendo que três partem ou chegam de outro país.

Esse fluxo deixa o Juscelino Kubitschek atrás apenas de Guarulhos e Congonhas (ambos em São Paulo) em número de voos no Brasil. O terminal da capital também é um dos mais seguros e modernos. Único do país com duas pistas paralelas distantes entre si suficientemente para pousos e decolagens simultâneos. O último acidente grave ocorreu em 2001. Não falharam o controle de tráfego aéreo nem a emergência. Um bimotor caiu por falta de combustível. Morreram piloto e co-piloto.

O bombeiro militar Cláudio Campos fazia parte da equipe que saiu em disparada pela pista para tentar salvar as vítimas. “Ainda conseguimos retirar o co-piloto com vida, mas ele morreu 10 dias depois”, recorda. Hoje, aos 38 anos e sargento, ele é um dos comandantes da Seção Contra Incêndio do aeroporto. A unidade foi criada em 1993, numa parceria entre o Corpo de Bombeiros e a Infraero, estatal que administra terminais de aeronaves no país.

A seção da qual o sargento Campos faz parte desde o início conta com 90 homens. Eles integram a elite do Corpo de Bombeiros brasiliense. Todos passaram por um rígido treinamento específico para o combate a fogo em aeroportos. Curso que costuma aprovar um em cada 10 inscritos. Em Brasília, eles ficam de prontidão em um quartel erguido estrategicamente às margens da estrada para aviões que liga as duas pistas de pouso e decolagem.

TECNOLOGIA

Além de alguns dos melhores bombeiros da capital, a companhia tem os mais modernos equipamentos do mundo para combate a incêndio. São oito caminhões importados, capazes de levar até o dobro de água e pó contra fogo em uma velocidade superior à das viaturas convencionais em uso nas áreas habitadas. De fabricação norte-americana, um dos veículos dos bombeiros do aeroporto vale R$ 1 milhão e chega a atingir, carregado, 130km/h.

Com os equipamentos e treinamentos, os bombeiros são aptos a chegar a qualquer ponto do aeroporto em três minutos. Isso inclui um raio de 8km da pista. Ou seja, a parte da área externa, onde um avião pode cair, como ocorreu com o Airbus da TAM, em Congonhas, em julho de 2007. Foi o maior acidente aéreo do país. A aeronave saiu do aeroporto, bateu em um terminal de cargas da companhia e pegou fogo, causando a morte das 187 pessoas a bordo e de outras que estavam no solo.

Apesar dos raros casos graves, os bombeiros do aeroporto de Brasília trabalham muito. “Somos acionados quase todo dia. Consideramos emergência toda vez que um piloto comunica algo de estranho, como falha nos aparelhos. Temos que estar sempre de prontidão”, ressalta o sargento Campos. Um dos maiores apertos enfrentados por ele foi a ameaça de bomba em um jumbo da Lufthansa, que ia de Zurique (Alemanha) para São Paulo, há cinco anos. “O avião não viria para cá, mas o comandante decidiu fazer o pouso de emergência, com mais de 300 pessoas a bordo. Graças a Deus a ameaça não se confirmou”, conta.

ASCENSÃO

O aeroporto de Brasília é uma opção de pouso em caso de emergência para as companhias norte-americanas, a japonesa JAL, a alemã Lufthansa e a portuguesa TAP.

“A escolha é das empresas e dos pilotos”, explica um dos responsáveis pela segurança das pistas do terminal brasiliense, José Roberto Cantarino, 46 anos. Ele trabalha no aeroporto há mais de três décadas. Começou como auxiliar de serviços gerais, fez cursos e acabou assumindo uma chefia. “Profissional de aeroporto é funcionário de aeroporto. A gente aprende de tudo. Isso aqui é a minha vida”, comenta.

A história de Cantarino não é exceção entre os funcionários da Infraero a serviço no aeroporto de Brasília. Marcos Trindade, 48 anos, trabalha no aeroporto desde os 18. Fez um pouco de tudo. Hoje, coordena o Terminal de Logística de Carga. “Me lembro desse aeroporto quando ele era todo de madeira”, observa. Trindade chefia 30 empregados, que trabalham em um galpão de 10 mil metros quadrados. Eles recebem e despacham mais de 40 mil toneladas de encomendas por ano.

A equipe de Trindade recebe de tudo, de preservativos a animais silvestres, como elefantes. Agora, se preparam para repetir a megaoperação realizada em janeiro. Em menos de dois meses, pousará em Brasília um Antonov, maior avião do mundo. De fabricação ucraniana, ele aterrisa em chão de terra (com ou sem chuva) e até na neve.

Para a capital, o gigante e outro cargueiro russo trarão uma turbina da usina de Corumbá 3, em construção no Entorno. Ao todo, serão 150 toneladas de carga.

EMBAIXADAS

No dia a dia, os funcionários do terminal de logística do aeroporto de Brasília recebem cargas bem menores. Por ele passam, por exemplo, quase todos os medicamentos importados pelo Ministério da Saúde, assim como as encomendas das embaixadas, que vão de papel higiênico a móveis e carros. Acostumado a todo tipo de carga, o chefe Trindade diz que uma causou muitos problemas. Eram toneladas de cação, espécie de tubarão em miniatura.

Por seis meses, passou muito cação por Brasília, vindo do Recife (PE), com destino aos EUA. “Acondicionado no terminal, esse peixe começou a atrair urubu. Depois que paramos de despachar tal produto, tivemos de desinfetar o terminal para nos livrarmos dos urubus”, conta o chefe da logística. Os animais exportados ou importados pelo zoológico dão menos trabalho porque passam menos de três horas no terminal, pois são cargas vivas e frágeis.

Brasília ocupa o 10º lugar no ranking de transporte de cargas aéreas do Brasil. A maior parte passa pela capital por meio dos voos comerciais. Em média, o aeroporto recebe oito cargueiros por dia, todos nacionais. São quatro estrangeiros por mês, geralmente. Mesmo guardando material de altíssimo valor, como todos os celulares produzidos em Manaus (AM) e as encomendas das embaixadas, o terminal nunca foi vítima de grandes roubos.

Graças à presença intensiva da Polícia Federal, à vizinhança da base da Força Aérea e ao sistema de monitoramento, que inclui 27 câmeras.

PRIMEIRA PISTA NA RODOFERROVIÁRIA

Brasília era apenas um projeto quando o presidente Juscelino Kubitschek pousou pela primeira vez no Planalto Central, em 1956. Mas o aeroporto que hoje leva o nome do fundador da capital ainda não existia. Naquela época, ele usava o Vera Cruz para visitar a cidade idealizada por Lucio Costa. Construído em 1955 pelo então vice-governador de Goiás, Bernardo Sayão, o antigo aeroporto recebeu a primeira comitiva para construção da futura capital em 2 de outubro do mesmo ano.

O Aeroporto de Vera Cruz ficava onde hoje é a Rodoferroviária. Ele tinha pista de terra batida com 2,7 mil metros de comprimento e estação de passageiros improvisada em um barracão de pau-a-pique coberto com folhas de buriti. A mudança para um aeroporto definitivo já estava pensada como prioridade, juntamente com as obras de construção da Fazenda do Gama, onde foram erguidos o Catetinho, o Batalhão de Guarda e o segundo aeroporto provisório, que atendeu o presidente e os pioneiros na construção de Brasília.

Quando o Catetinho ficou pronto, em novembro de 1956, já havia começado o desmatamento para a construção do aeroporto definitivo. Em 2 de abril de 1957, ele recebeu o primeiro pouso da aeronave presidencial, um Viscount turbo-hélice inglês. A inauguração oficial do aeroporto comercial ocorreu em 3 de maio de 1957. (RA)

AMPLIAÇÃO VAI DOBRAR CAPACIDADE

O projeto do terminal de passageiros do aeroporto Juscelino Kubitschek foi concebido, entre 1990 e 1992, para atender 8 milhões de passageiros por ano. Depois, houve uma reforma para suportar 12 milhões de viajantes anualmente. Ele recebeu 10,4 milhões em 2008. Novas obras aumentarão a capacidade para 25 milhões de passageiros por ano. A ampliação deve ser concluída em 2011, ao custo de R$ 22,5 milhões. Até 2013, a Infraero pretende investir R$ 400 milhões no JK.

Como medida emergencial, a Infraero montará uma estrutura removível que servirá como setor de embarque em função da alta demanda de fim de ano no aeroporto. Localizada no primeiro piso, a nova área terá cerca de 1 mil metros quadrados e poderá atender, com mais conforto, os passageiros que transitam no JK.

A previsão da Infraero é que, antes das obras conclusivas de ampliação em 2013, o corpo central do aeroporto receba uma reforma completa para garantir mais conforto aos passageiros. Esta fase será concluída em 2011 e custará R$ 22,5 milhões.

ANÔNIMOS ESSENCIAIS

Quem passa pelo aeroporto está acostumado a ouvir uma voz grave transmitindo mensagens que começam com a frase “a Infraero informa”. É a mesma há 32 anos. O dono é o tímido Rui Santos, 50 anos. Ele não trabalha mais no terminal. Presta serviços na sede da Infraero, no Plano Piloto. Mas deixou os recados padrões, como a proibição de fumar no terminal, gravados no computador. Eles são repetidos em intervalos de 10 a 30 minutos.

Na ausência de Rui, funcionários do centro de operações assumem o microfone de onde partem mensagens imprevistas, como novas determinações da Infraero. Elas são lidas da torre mais baixa — na outra ficam os controladores de voo da Aeronáutica — por homens como Fortunato Pereira, 48 anos. Com 23 anos de casa e há nove no centro de operações, ele também fiscaliza o embarque e desembarque de cada aeronave.

O terminal pode receber 43 aviões ao mesmo tempo, mas só 13 de cada vez têm permissão para estacionar nas pontes, onde passageiros entram ou saem dos aviões em corredores cobertos. Os demais enfrentam sol, chuva ou ônibus apertados. A escolha não é de Fortunato ou dos outros 15 funcionários do centro de operações. Os pontos são decididos previamente pelas empresas e pela administração do aeroporto. Se o avião atrasa, pode perder a vaga coberta.

Cabe a Fortunato e os colegas tornar o mais curto possível o tempo de manobra das aeronaves no pátio. São eles quem guiam os pilotos, por rádio. Nem sempre é possível seguir a programação, pois há atrasos provocados pelas companhias ou pelo mau tempo.

“Nos horários de tráfego intenso, temos que ter controle emocional”, diz. Em circunstâncias normais, um avião leva de cinco a oito minutos do pouso até a parada no box.

FORMIGUINHAS

Em meio às gigantescas aeronaves e dezenas de carros, picapes, tratores e caminhões que trafegam pelo pátio, pessoas carregam vassouras e pás. Elas são encarregadas de limpar qualquer sujeira deixada por equipes de manutenção e abastecimento. Apesar do contato próximo com o que há de mais moderno e caro na aviação, a maioria sequer entrou em um monomotor. É gente como Adriano Pinheiro, 25 anos, morador de Águas Lindas (GO).

De segunda a sexta, ele sai de casa às 4h40, pega um ônibus na beira da BR-070 (Brasília-Pirenópolis), desembarca na Rodoviária do Plano para entrar em outro coletivo até o aeroporto, onde tem de chegar às 7h. Pela manhã, lava banheiros do terminal. À tarde, varre a pista principal. “Nunca voei num avião. Na verdade, nunca imaginei trabalhar em um aeroporto”, comenta. “Mas prefiro viajar por terra, pois assim posso curtir a paisagem”, completa.

Mesmo que quisesse, dificilmente o rapaz teria condições de comprar as caras passagens aéreas. Ele ganha R$ 460 por mês, como os colegas que se revezam entre a limpeza dos banheiros e do pátio. Adriano e os demais auxiliares de serviços gerais só não conseguem remover as sucatas deixadas à margem da segunda pista. Por força judicial, seis aviões estão há anos no local. Eles pertenciam à TransBrasil e à Vasp. Foram confiscados como garantia de pagamento de dívidas das empresas. Algumas aeronaves já não têm nem as turbinas.”

EDUCAÇÃO: DUAS VISÕES

Li hoje no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o seguinte artigo de Fernando Haddad. O autor é advogado, mestre em economia, doutor em filosofia e professor de teoria política da USP. É ministro da Educação:

“O Brasil se transformou, dessa forma, num enorme laboratório em que várias concepções de educação vão sendo testadas

A adesão dos 27 governadores e 5.563 prefeitos ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do governo federal, pode passar a falsa impressão de que há consenso acerca do que precisa ser feito pela educação brasileira.

De fato, o Ministério da Educação, de comum acordo com os gestores locais, definiu 28 diretrizes, como avaliação por escola, escolha criteriosa de diretores, obrigatoriedade de aulas de recuperação para alunos defasados, regulamentação do estágio probatório, valorização do mérito e da carreira de professor, promoção da educação infantil etc. Além disso, fixou para o país, para cada rede e cada escola metas de qualidade, valendo-se do IDEB, indicador de qualidade que combina o resultado dos exames nacionais de proficiência em matemática e leitura e as taxas de aprovação.

Havia grande resistência na divulgação dos resultados por escola, mas mesmo os governos estadual e municipais que não aderiram à Prova Brasil em 2005 foram vencidos pela evidência de que esse é um direito das famílias que contribui para a melhoria da qualidade e da gestão da educação. Contudo, se há acordo em relação a diretrizes e metas, o mesmo não pode ser dito em relação a estratégias.

O Brasil, dessa forma, se transformou num enorme laboratório em que várias concepções de educação vão sendo testadas, e experiências, trocadas, tendo como pano de fundo o direito fundamental do aluno de aprender. É possível, dois anos após o lançamento do PDE, agrupar essas estratégias em torno de dois eixos: um mais progressista e um mais conservador.

Mais ou menos financiamento? Os especialistas se dividem. Alguns defendem que o patamar herdado de investimento público em educação como proporção do PIB, de 4%, é suficiente e que o problema reside na gestão desses recursos. Outros defendem a ampliação dos investimentos para, no mínimo, 6%, com melhor gestão.

O governo federal pretende atingir, em 2010, a meta de 5%, em trajetória ascendente. Os conservadores, na reforma tributária, trabalham nos bastidores pela desvinculação de receitas dos Estados para a educação, a chamada DRE; os progressistas comemoram a iminência do fim da DRU, dispositivo constitucional que, desde 1995, retira mais de 20% do orçamento do Ministério da Educação.

Avaliação para quê? Premiar e punir, sugerem alguns. Aqui há que considerar certos aspectos. Se não acompanhado de aumento do financiamento, mais recursos para escolas que cumprem metas de qualidade pode significar menos recursos para as que não cumprem. Isso pode implicar punir uma segunda vez alunos de escolas que não avançam.

Outra possibilidade é aquela que, ao ampliar o financiamento, promove as transferências adicionais de recursos, combinando a lógica do mérito à da colaboração: repasses automáticos para escolas que cumprem metas, ampliando sua autonomia, e repasses condicionados à elaboração, com apoio técnico, de um plano de desenvolvimento pedagógico e formação de professores para escolas cujos indicadores de qualidade as situem abaixo da média.

O MEC, desde 2007, de forma pioneira, repassa diretamente recursos adicionais para as escolas públicas do país utilizando esse critério.

Por fim, o mais importante: a questão dos professores. Uma ala faz recair sobre os ombros do magistério toda a responsabilidade pela baixa qualidade do ensino. As instituições de ensino superior que os formam e os gestores que os contratam quase nunca são lembrados, embora baixos salários, contratos temporários e formação inicial e continuada precária sejam a regra em nosso país. Reforça-se, assim, aquilo que Theodor Adorno chamou de "tabus acerca do magistério", num ensaio mais do que atual.

Noutro polo estão os que entendem que "os melhores professores do Brasil são os professores do Brasil" e que a guerra contra a má qualidade do ensino se ganha com eles, e não contra eles. Defendem o piso nacional do magistério, constroem a carreira com a categoria e procuram corresponsabilizar a classe política e as instituições formadoras pelos destinos da educação.

Nessa direção, o Ministério da Educação, a partir de 2005, divulga o Ideb de cada rede de ensino às vésperas de cada eleição e, por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), fecha cursos de licenciatura de baixa qualidade. Como se vê, o Brasil deu importantes passos, mas há muito debate pela frente."

BERLUSCONI, MÍRIAM E O PIG (*), OS ÚLTIMOS DEFENSORES DO NEOLIBERALISMO

Li hoje o seguinte artigo de Paulo Henrique Amorim, postado em seu site “Conversa Afiada”:

“As redes de televisão de Silvio Berlusconi, também conhecido como o Gilmar Dantas (segundo Ricardo Noblat) da Itália, repetem sem interrupção o discurso do “Cavaliere” no ato de fundação do Partido da Liberdade (também conhecido como o “partido dele”).

É a reunião dos partidos da maioria em torno de Silvio Berlusconi.

Somados, esses partidos têm 47% do Congresso, contra 38% da oposição de esquerda.

Berlusconi pregou um “reformismo liberal, burguês, popular, moderado, tradicional e inter-classista”.

Ou seja, o Consenso de Washington com uma roupagem de demagogia.

Interessante é que numa entrevista à CNN Europa, antes de ir ao Brasil e antes de receber os países do G20 em Londres, o primeiro ministro inglês Gordon Brown disse textualmente que “o Consenso de Washington morreu”.

Ou seja, hoje no mundo dito civilizado existem três grupos que ainda defendem o neoliberalismo do Consenso de Washington, tal qual Fernando Henrique Cardoso adotou no Brasil.

São a Miriam Leitão, como símbolo e representacao máxima de pensamento neoliberal do PiG (*); os tucanos de Fernando Henrique; e provavelmente ainda alguns economistas que se reúnem ou se reuniram em torno do Banco Central.

Quer dizer, ser neoliberal hoje é como visitar as ruínas de Pompéia…

Mas, sabe como é, caro amigo navegante, no Brasil tudo pode …

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”

O G20 EM 11 QUESTÕES

O jornal Folha de São Paulo publicou ontem o seguinte artigo de Angelo Segrillo. O autor é professor de história contemporânea na USP. Atualmente é "visiting scholar" na American University (Washington):

APENAS BARACK OBAMA DEVE DAR PRIORIDADE À QUESTÃO AMBIENTAL; CHINA E RÚSSIA QUEREM MAIS PESO POLÍTICO, E BRASIL DEVE RETOMAR DOHA

1. AÇÃO COORDENADA


A crise econômica é o tema que vai dominar. O G20 não é um grupo de países, é uma reunião de ministros das Finanças e de presidentes de Bancos Centrais. Mesmo se não fosse essa sua vocação, o tema central seria mesmo a crise, atraindo líderes de Estado -o que dá dimensão política ao evento. A possibilidade de uma ação coordenada entre os países para combater a crise será a questão central. Até agora cada país seguiu uma receita diferente. Há várias resistências a essa coordenação, inclusive dos EUA, um dos países mais isolacionistas.

2. A DIFERENÇA ENTRE EUA E EUROPA

Os EUA estão sendo keynesianos, preferindo o estímulo fiscal. Os europeus consideram que o problema nos EUA era a falta de regulação, e estão dando ênfase à "rerregulação" do mercado financeiro. O difícil não é regular apenas cada país por si, e sim em nível mundial. Essas duas abordagens devem entrar em embate -se bem que o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, propõe uma forma de regulação.

3. FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

O FMI sempre foi um "clube dos países ricos". No G20, que inclui emergentes, deve-se discutir como mudar o FMI para abordar não só os desenvolvidos. O órgão já vem dando sinais de mudança, como não exigir a ortodoxia fiscal de antes.

4. CHINA

Uma grande discussão será como integrar a China, principalmente, à questão da governança financeira global. No FMI, os EUA têm um peso desproporcional, por exemplo. Há que discutir como fazer o FMI refletir o peso crescente da economia chinesa.

5. MOEDA INTERNACIONAL

A ideia, sugerida pelo presidente do Banco Central chinês, de criar uma moeda internacional para trocas em lugar do dólar, é importantíssima: atualmente os EUA têm o poder de emitir a moeda internacional, o que dá uma vantagem tremenda. Na prática, os EUA não vão aceitar, a China não deve levar a questão adiante nesta reunião, mas a ideia deve ficar para outras discussões.

6. MERCADO FINANCEIRO INTERNACIONAL

Se nos EUA os fundos de hedge não eram regulados nacionalmente, mais difícil seria regulá-los internacionalmente. Deve-se discutir se é possível uma regulação financeira internacional. Não se deve chegar a esse extremo, mas pode-se discutir a criação de um mecanismo supervisor internacional. Agora haveria muita resistência, mas a ideia pode ser lançada para implementação futura.

7. PROTECIONISMO

É uma tendência natural: para criar empregos em seu país, quanto menos importar, melhor. Um problema da crise de 1929 foi o protecionismo. Nesse caso, pode melhorar para uns e piorar para os outros. Sem protecionismo, de maneira geral acaba sendo melhor para todos, mas a reação irracional à crise pode levar a medidas protecionistas.

8. TEMAS DE DOHA

Países como o Brasil podem querer retormar questões levantadas na Rodada Doha (não a Rodada Doha em si, pois se dá no âmbito da Organização Mundial do Comércio): abrir os mercados industriais do Terceiro Mundo e os agrícolas do Primeiro Mundo.

9. OBAMA E MEDVEDEV

O encontro dos presidentes dos EUA e da Rússia será muito importante. Obama está propondo uma mudança nas relações com a Rússia, o "Reset" (Reiniciar), e eles devem aproveitar para ir além das questões econômicas, discutindo o escudo de mísseis na Europa e a relação entre Rússia e Geórgia, por exemplo.

10. DISTÚRBIOS SOCIAIS

Um tema fundamental será como evitar distúrbios sociais em regiões mais empobrecidas, que não avançam em desenvolvimento. A elevação dos preços dos alimentos está criando uma tensão grande e, com a crise e o desemprego, a situação pode se tornar explosiva. Discutem-se os chamados "Estados falidos", em que praticamente não há mais Estado. Um exemplo é a Somália, cujos piratas ameaçam cargueiros do mundo inteiro. Nos EUA há o medo de o México se tornar um Estado falido, por conta da violência na região da fronteira.

11. E UM TEMA ESQUECIDO

A questão ambiental vai ser mencionada, mas não ficará no primeiro plano -espero estar errado. Apenas Obama está aproveitando a oportunidade na crise: ele poderia se preocupar só com reativar a economia, mas, em vez disso, está propondo uma mudança de paradigma. Quer incentivar uma indústria alternativa, carros ecológicos... Ao emprestar dinheiro, os governos têm nas mãos o poder de cobrar algum avanço.”

TUDO BEM, TUDO NORMAL?

Li ontem no jornal Folha de São Paulo o seguinte artigo de Rubens Ricupero. O autor é diretor da Faculdade de Economia da FAAP e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo; foi secretário-geral da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e Ministro da Fazenda (governo Itamar Franco):

POR QUE A AL CAIRIA MAIS QUE O MUNDO SE NOSSO SISTEMA BANCÁRIO ESTÁ INTACTO, NOSSAS RESERVAS CONTINUAM ALTAS?

“O comércio mundial vai cair 9%. A economia global passa de previsão de crescimento de 2,2% em novembro para queda de 0,5% a 1% agora. O cauteloso Banco da China publica artigo defendendo moeda internacional para substituir o dólar. Morgan Stan- ley prevê que o Brasil vai encolher 4,5%, e a América Latina, 4,3%.

Notícias parecidas com uma dessas só aconteciam antes uma vez a cada 70 anos, ou nunca. Hoje, elas se sucedem em dois ou três dias e ninguém se abala. Depois de tantos trilhões de déficits e dívidas, perdemos a capacidade de assombro. Quando gastarmos os trilhões, como contaremos os zeros, com zilhões? Tendo passado um quarto de século na monotonia do comércio crescendo por ano dois ou três pontos acima da produção, nunca pensei que o veria despencar num colapso de nove pontos (reluto em crer).

Nos meus dias de Nações Unidas, uma camisa-de-força seria providenciada para quem imaginasse que os chineses voltariam à ideia de Keynes sobre uma moeda de reserva (o bancor), independente de qualquer país. Pior, que sugerissem haver chegado a hora de começar a pensar em pôr um ponto final no incontrastável domínio do dólar.

Não faz muito tempo um economista não arriscaria a reputação em prever para o Brasil e a América Latina tombos tão abaixo do consenso médio, como essa estimativa que apenas mereceu uma ironia do presidente Lula. O que está sucedendo? Perdeu-se a noção do normal, mesmo um palpite implausível vale tanto quanto outro qualquer?

É verdade que o desempenho da América Latina costuma acompanhar de perto o da economia global, até mesmo pela intensidade dos vínculos que mantém com os Estados Unidos. Durante os seis anos de ouro de 2003 a 2008, a região foi empurrada pelo vento mundial e cresceu à média de 5% por ano e 3% per capita, algo muito raro. Compreende-se que acompanhe agora o mundo na queda, mas tanto assim?

Por que cairíamos mais que o mundo se nosso sistema bancário está intacto, nossas reservas continuam altas e os fundamentos fiscais são muito melhores? Ao contrário dos Estados Unidos, não temos problemas estruturais com o sistema financeiro, os setores de imóveis ou de automóveis. Os déficits externos ou fiscais são de moderados a baixos, existe espaço para reduzir os juros, coisa que desapareceu nos países avançados.

O comércio certamente sofrerá, e um indício é a mudança nos termos de intercâmbio (a relação dos preços das exportações com os das importações). De 2001 a 2008, esses termos melhoraram em 28%. Apenas em 2009, espera-se uma deterioração de 15,6%, sobretudo devido ao mergulho nos preços do petróleo e dos metais. Por outro lado, nem de longe dependemos das exportações tanto quanto chineses e asiáticos. No entanto as previsões para eles são muito mais benignas. Tenho me consolado nestes dias lendo como a América Latina se saiu numa crise bem pior, a dos anos 30, que, para nós, não merece ser chamada de Grande Depressão.

Após chegar ao fundo do poço em 1932-33, uma a uma todas as economias da região logo recuperaram o crescimento de antes da crise. A Colômbia já em 1932, o Brasil em 1933, o México em 1934, a Argentina em 1935. Substituímos a demanda do setor externo com a puxada pela indústria interna e saímos da crise mais cedo e industrializados. Não seria possível repetir o remédio com as indispensáveis adaptações?”

MISTERIOSOS VAZIOS CÓSMICOS

Li ontem no jornal Folha de São Paulo o seguinte artigo de Marcelo Gleiser. O autor é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo":

O QUE SE SABE SOBRE A ENERGIA ESCURA É POUCO E MUITO ESTRANHO

“Já se vão 11 anos desde que o cosmo tornou-se mais misterioso do que nunca. Tudo começou em 1929, quando o astrônomo americano Edwin Hubble descobriu que o Universo está em expansão, com o espaço entre as galáxias crescendo como se fosse uma tira elástica. Para concluir isso, Hubble mediu a luz emitida por galáxias distantes e analisou suas propriedades, comparando-a com a luz emitida por objetos mais próximos.

Essa comparação é muito útil: existe um efeito, chamado efeito Doppler, que diz que, quando uma fonte de luz se afasta ou se aproxima do observador (ou o observador dela, dá no mesmo), a luz é distorcida: se o objeto se afasta, a luz é desviada para tons avermelhados; se o objeto se aproxima, para tons azulados. Hubble mostrou que a maioria absoluta das galáxias mostra um desvio para o vermelho, concluindo que elas estão se afastando, com velocidades proporcionais à distância entre elas. A taxa de expansão cósmica depende da quantidade de matéria (e energia) no Universo: quanto mais matéria, mais lenta a expansão. No caso de a quantidade total de matéria estar acima de um valor crítico, vence a gravidade, e o Universo acabaria caindo sobre si mesmo.

Observações atuais mostram que o cosmo existe bem em torno desse valor crítico. Nesse caso, a expansão continuaria para sempre. Ao menos assim se pensava até 1998.

Cada geração enfrenta os seus mistérios e desafios. Assim caminha a ciência, de mistério em mistério. Mas esse de agora é dos bons. Em 1998, dois grupos de astrônomos mediram a luz emitida por objetos muito distantes, estrelas que explodiram bilhões de anos atrás.

Essas estrelas, chamadas supernovas, são como fogos de artifício cósmicos. Usando técnicas semelhantes às de Hubble (mas com telescópios e instrumentos de análise muito mais sofisticados), os astrônomos concluíram algo muito estranho: as estrelas parecem brilhar com luz mais fraca do que o esperado. Como o efeito Doppler conecta o brilho da estrela com sua velocidade, é possível concluir que a luz mais fraca se deve a uma expansão mais rápida: em torno de 5 bilhões de anos atrás, o Universo resolveu acelerar a sua expansão. Como muitos leitores já devem ter ouvido, a conjectura mais popular é de que essa aceleração cósmica -a tira elástica esticando mais rápido- se deve a uma nova forma de material, a chamada energia escura. O problema é que se sabe muito pouco desse material. E o que se sabe é muito estranho. Diferentemente dos átomos que compõem a matéria comum, a energia escura não é formada por partículas de matéria.

Supostamente, ela é uma nova substância que permeia todo o cosmo. Dada essa excentricidade, é saudável procurar explicações menos revolucionárias. Uma delas é que vivemos numa região com pouca matéria, um vazio cósmico. Nesse caso, a taxa de expansão cósmica ao nosso redor seria mais rápida. A existência desses vazios não é novidade; as galáxias estão distribuídas pelo Universo de forma irregular. Mas, na média, tudo se passa como se o cosmo fosse igual em todos os lugares. Esse é o "princípio cosmológico", uma adaptação do princípio copernicano. Quando Copérnico sugeriu que a Terra não era o centro do cosmo, nós nos tornamos mais mundanos, nossa posição, pouco especial. A ideia de que vivemos num enorme vazio (de 1 bilhão de anos-luz de raio) nos remete de volta a um local especial. Aparentemente, esse enorme vazio é pouco provável.

Mas vazios menores, como numa esponja, em princípio podem surtir o efeito desejado.

Qualquer que seja a solução do mistério da energia escura, aprenderemos muito com ela.”

MARTE: AEROPORTO ESTÁ ENTRE OS 5 MAIS MOVIMENTADOS

“O Campo de Marte está em quinto lugar no ranking dos aeroportos mais movimentados do país. Perde só para Congonhas, Guarulhos, Galeão e Brasília.

Em 2008, o local teve 280 pousos e decolagens por dia, 9% mais que no ano anterior.

A Infraero já estudou uma série de interferências no local para melhorar as condições do aeroporto -a maioria das quais, porém, segue no papel ou já não vai mais ser tocada.

Entre as obras prometidas estão a construção de uma nova torre de controle aéreo (hoje os operadores de voo não veem boa parte da pista) e a ampliação da pista de manobras (que hoje tem metade da largura adequada), além do recapeamento do asfalto (que não é feito de forma completa desde os anos 90).

A empresa aeroportuária, porém, desistiu de algumas sugestões estudadas em seu plano diretor.

Um exemplo seria novos hangares e empreendimentos comerciais -porque dependeriam da retirada de muitas árvores no local.”

TOALHA JOGADA

Li ontem na Folha de São Paulo o seguinte artigo de Marcelo Leite. O autor escreveu a coletânea de colunas "Ciência - Use com Cuidado" (Editora da Unicamp, 2008) e o livro de ficção infanto-juvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009), sobre biocombustíveis e florestas.

PERIÓDICOS DESCONFIAM DE TRABALHO DE PONTA VINDO DE UM PAÍS TROPICAL

“Ao vencedor, as batatas. Stevens Kastrup Rehen decerto conhecia a máxima machadiana quando retornou ao Brasil, em 2005, para retomar um posto na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso depois de começar com o pé direito uma carreira nos Estados Unidos de pesquisador independente, em centros de excelência como o Instituto Scripps. Rehen poderia acrescentar agora, com conhecimento de causa: ao perdedor, as toalhas.

Seria, no entanto, render-se a uma visão estreita do que significa perder e ganhar, em ciência. Jogar a toalha na competição internacional, em seu caso, significa apenas um lance no clássico que é a pesquisa com células-tronco no Brasil. Um clássico em que ele entrou para decidir.

Rehen faz tabela com Lygia da Veiga Pereira, que pesquisa na USP. Eles atuam na primeira divisão das células-tronco embrionárias humanas (abreviadas CTEHs), promessa ainda experimental de uma medicina regenerativa, e das primas adultas apelidadas de células pluripotentes induzidas (CPIs seria a sigla canhestra em português; melhor iPSC, do inglês).

Pereira marcou um tento importante com a primeira linhagem de CTEHs criada no Brasil, batizada BR-1 e anunciada em outubro passado. Em janeiro quem marcou foi Rehen, com o cultivo pioneiro de iPSCs no país. Ambos os tipos de célula precursora guardam a capacidade de originar as células especializadas de dezenas de tecidos e órgãos do corpo.

Portanto, têm igualmente o potencial teórico de reconstituí-los -curá-los- quando defeituosos ou doentes. Na meta estão diabetes, Parkinson e traumas de medula espinhal, entre outros males. Tanto a pesquisa básica, estágio atual, quanto a futura medicina regenerativa exigirão milhões e milhões dessas células, o que não é possível com os métodos artesanais dos laboratórios. Rehen e Pereira se juntaram a Leda Castilho, também da UFRJ, para iniciar uma produção mais industrial e confiável.

Há um ano, Rehen e Castilho multiplicaram células-tronco embrionárias, ainda importadas, em biorreatores. Sua versão da técnica utiliza frascos rotatórios, para proporcionar às células um banho mais eficaz de nutrientes, e microesferas sobre as quais elas podem agarrar-se e dividir-se. A façanha foi relatada pela imprensa brasileira. Para a opinião pública leiga basta o critério dos editores, mas, para a comunidade de pesquisa globalizada é preciso o aval de periódicos científicos, os famigerados "journals". Eles exigem que todo artigo passe pelo crivo da "peer review" (revisão por pares), crítica especializada e, em geral, anônima (o parecerista não sabe quem é o autor).

Começou a corrida pela publicação. Rehen conta que enfrentou resistência dos revisores, possivelmente desconfiados de um trabalho de ponta proveniente de um laboratório periférico num país tropical. Um grupo de Wisconsin (EUA), a Roma das células-tronco, saiu na frente. Ao trombar com o quarto "journal", Rehen jogou a toalha. Partiu para um periódico brasileiro, "Brazilian Journal of Medical and Biological Research". Apesar de editado em inglês, sua penetração internacional é menor. O artigo foi aceito nesta semana. A toalha foi jogada, mas os dados científicos também. Ninguém tira de Rehen, Pereira e Castilho o mérito de garantir que, se a medicina regenerativa com células-tronco um dia entrar em campo, o Brasil poderá partir para o ataque com seus próprios talentos e células.”

NO CHILE, LULA DEFENDE "ESTADO FORTE" E INCOMODA AMERICANO

Li ontem no jornal Folha de São Paulo o seguinte artigo de Eliane Cantanhêde:

Em cúpula, presidente diz que mundo paga por transformação da economia em cassino; vice de Obama o contradiz e afirma que "livre mercado ainda é necessário"

“Em dois discursos na 6ª Cúpula de Líderes Progressistas, realizada ontem em Viña del Mar (Chile), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incomodou a delegação americana ao defender, a cinco dias da cúpula do G20, "um Estado forte" e dizer que "o mundo está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia mundial em um gigantesco cassino".

Ao discursar logo depois, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, discordou abertamente da posição de Lula. Segundo ele, o seu país está disposto a reduzir o risco sistêmico dos mercados globais, mas um excesso de regulamentação pode prejudicar os mercados saudáveis. "Nós não devemos exagerar. O livre mercado ainda precisa estar apto a funcionar. A mim parece que nós devemos é salvar os mercados dos "livre mercadistas'", disse Biden.

Ele, aliás, inviabilizou a divulgação de uma nota final conjunta da Cúpula de ontem, alegando que não tinha aval do presidente Barack Obama para subscrever textos de caráter político. A nota acabou sendo insossa e burocrática.

Ao voltar a falar, Lula desprezou o texto escrito e optou pelo improviso, cobrando ainda mais duramente a responsabilidade dos países ricos. Chamando às vezes os demais líderes pelo nome, ele disse que os ricos precisam recuperar confiança e capacidade de crédito interno e provocou: "Não queremos que comece a cair primeiro-ministro e presidente pelo mundo afora".

Em compensação, Lula defendeu a região: "A América Latina vive uma vigorosa onda de democracia popular", disse. Numa defesa indireta de processos classificados como "populistas" na Venezuela, na Bolívia e no Equador, por exemplo, disse que "muitos desses países precisaram ser praticamente refundados do ponto de vista institucional, com aprovação de novas Constituições".

Lula também bateu nos banqueiros e em seus antecessores. Disse que era "humilhação" o FMI afirmar o que o Brasil tinha de fazer e acusou: "Nossos dirigentes não se respeitavam".

Aproveitou para defender os programas de transferência de renda brasileiros e o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), principal plataforma do governo para impulsionar a candidatura da ministra Dilma Rousseff em 2010.

Sob aplausos, Lula ironizou ainda "os yuppies de 30 anos que davam palpite sobre a Bolívia e nem sabiam onde era a Bolívia". E pediu que o premiê britânico, Gordon Brown, mandasse um recado para o G20, que se reúne na próxima quinta em Londres: além de um "projeto progressista" para os organismos multilaterais, deve-se discutir o mercado futuro de petróleo e de commodities, para evitar especulação.

FUNDO DE PETRÓLEO

Em rápida entrevista a jornalistas noruegueses, Lula disse que o seu governo estuda a possibilidade de adaptar para o Brasil o modelo do Fundo do Petróleo da Noruega, uma espécie de fundo de pensões que aplica recursos provenientes da produção para garantir o "bem-estar das futuras gerações", principalmente um bom sistema de previdência do país.

Em alusão à descoberta do pré-sal, jazidas de grande profundidade no litoral entre Santa Catarina e Espírito Santo, Lula disse: "Agora que encontramos muito petróleo no Brasil, estamos muito interessados em conhecer o Fundo do Petróleo na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade, para que a gente utilize as riquezas do petróleo para ajudar a nossa gente".

A Noruega é o terceiro maior exportador de petróleo do mundo e tem uma empresa 100% estatal para o setor, a Petoro, que destina recursos ao fundo. Administrado pelo Banco Central, esse fundo investe em empresas e Bolsas em diferentes continentes, inclusive a América. Antes de perdas estimadas em US$ 90 bilhões, por causa da crise, seu capital estava próximo de US$ 400 bilhões.

Participaram da cúpula os presidentes Lula, Michelle Bachelet (Chile), Cristina Kirchner (Argentina), José Luiz Zapatero (Espanha) e Tabaré Vazquez (Uruguai), além de Biden e dos premiês Brown e Jens Stoltenberg (Noruega).”

domingo, 29 de março de 2009

CAMARGO CORRÊA: GRAVAÇÕES SUGEREM DISTRIBUIÇÃO DE CAIXA DOIS ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES

Li hoje no Globo Online:

“Conversas telefônicas interceptadas com a autorização da Justiça mostram que os diretores da empreiteira Camargo Corrêa distribuíram dinheiro "por fora" para abastecer campanhas de candidatos até dias antes da eleição municipal do ano passado. Os diálogos revelam tratativas para que os recursos não contabilizados chegassem às mãos de pessoas de diferentes campanhas.

Na operação Castelo de Areia, deflagrada na quarta-feira, a Polícia Federal (PF) apreendeu uma lista de nomes de políticos e servidores públicos ao lado de valores que teriam sido doados pela empreiteira. A PF investiga se as doações foram feitas em troca de favorecimento em obras. A maioria das doações gira em torno de R$ 100 mil, e a polícia estima que pelo menos metade dos R$ 30 milhões que teriam sido desviados pela empreiteira em superfaturamento de obras abasteceu campanhas.

Dez pessoas foram presas, sendo quatro executivos e duas secretárias da empreiteira e mais quatro doleiros. Todos são suspeitos de terem praticada remessa ilegal de recursos para o exterior, lavagem de dinheiro e superfaturamento de obras públicas. Este último crime serviria para que o grupo conseguisse recursos para abastecer campanhas eleitorais.

Num diálogo de 23 de setembro de 2008 - 12 dias antes do primeiro turno - entre o diretor Pietro Giavina Bianchi, preso pela PF, e um homem chamado Marcelo, ficou claro que muitas das negociações ultrapassavam os limites legais. Segundo relatório da Justiça paulista, o seguinte diálogo aconteceu às 10h19:

Marcelo: "Eram coisas para acontecerem ontem".

Pietro: "Sim, mas o que é, campanha política?".

Marcelo: "É"

Pietro: "Por dentro?".

Marcelo: "Não".

O MPF não revelou a identidade de Marcelo, mas suspeita que se trata de um colaborador para a campanha política de um candidato a prefeitura de São Paulo. Uma semana antes, o mesmo diretor da empreiteira, em conversa com Fernando Botelho, vice-presidente da Camargo Corrêa, trata do repasse de recursos a políticos de Brasília, por intermédio do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Botelho é também vice-presidente da entidade.

Ao ser informado que o dinheiro "foi passado lá pro pessoal de Brasília", Botelho procura saber se foi feito diretamente de São Paulo. Pietro é claro: "Foi em Brasília que fizeram a divisão".

Em seguida, o vice-presidente da Camargo Corrêa faz a seguinte cobrança: "Eu falei agora com o Paulo Skaf e ele falou que (o repasse) não foi feito ainda".

O presidente da Fiesp, em nota oficial, negou uma relação com o esquema, mas disse que a federação promove relações entre empresas e partidos. "No exercício da missão institucional de defender os interesses da produção, em especial, e da sociedade, em geral, a Fiesp, que tem mantido um transparente diálogo com parlamentares de todas as correntes ideológicas, não está impedida de - num ato legal e legítimo -, observadas, rigorosamente, todas as exigências e formalidades jurídicas, promover relações institucionais entre empresas e partidos políticos".

Políticos de pelo menos sete partidos - PSDB, DEM, PMDB, PDT, PPS , PSB e PP - teriam sido beneficiados com o esquema. A direção de todos os partidos nega ilegalidades.

Um advogado do PPS esteve sexta-feira na 6 ªVara Federal Criminal para apresentar defesa ao juiz Fausto De Sanctis, responsável pelos pedidos de prisão, e também para ter acesso aos autos. Ainda nos diálogos interceptados, os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) também são citados. Os dois negam ter recebido recursos ilegais da empreiteira. A Justiça ainda detectou uma conversa entre o diretor da empreiteira, Fernando Dias Gomes, também preso na operação "Castelo de Areia", e Pietro. No diálogo, Dias Gomes diz ter ligado em nome do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), que queria "saber se foi pago alguma coisa no passado". A assessoria do deputado diz que ele não recebeu qualquer tipo de doação que não esteja contabilizada oficialmente.

Ainda nesta conversa, os dois falam sobre uma lista com os nomes de todos os partidos e políticos que teriam sido beneficiados com dinheiro da empreiteira, legal e ilegalmente.

Pietro: "Tem aquela pasta das eleições"

Gomes: "Ah, tá bom"

Pietro: "E lá tem todos os caras que foram pagos".

Gomes: "Eu procuro lá, então"

Pietro: "A relação, inclusive a oficial, colaboração oficial"

Gomes: "Tem as duas, né?"

Durante as buscas e apreensões, a Polícia Federal encontrou uma lista com os nomes de políticos e funcionários públicos que teriam sido beneficiados com dinheiro da Camargo Corrêa. A planilha teria informações sobre os repasses registrados na Justiça eleitoral e o "por fora". A maioria das doações seria de R$ 100 mil.

JUIZ NEGA VIÉS POLÍTICO NA OPERAÇÃO

O juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, negou nesta sexta-feira, por meio de nota à imprensa, que o objetivo da Operação Castelo de Areia tenha sido político. Segundo De Sanctis, não houve intenção de investigar "ocupantes de cargos públicos ou funções políticas".”

PARA PAUL SINGER, PAC ANTECIPOU A CRISE E PROTEGEU O BRASIL

Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto de Marcos Palhares, originariamente publicado na Revista Fórum:

“O secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paul Singer, aponta dois fatores cruciais para o Brasil não estar sofrendo o mesmo impacto da crise mundial que enfrentam, hoje, os Estados Unidos e a Europa, por exemplo. Para ele, o fato de cerca de 50% dos bancos brasileiros serem públicos tornou o país menos suscetível às operações financeiras especuladoras de alto risco.

Mas o principal, na opinião do secretário, foi a adoção, pelo governo federal, de políticas anticíclicas antecipadas. “O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países”, afirmou Singer, durante o seminário “Alternativas à Crise — Por uma Economia Social e Ecologicamente Responsável”, realizado nesta sexta-feira, 27 de março, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Confira a entrevista:

COMO E COM QUAL INTENSIDADE A CRISE MUNDIAL PODE AFETAR OS PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO LULA?

Eu diria que, se a gente atingir uma realidade de forte queda da economia, poderia haver cortes de recursos para esses programas. É possível, mas eu, sinceramente, não prevejo essa possibilidade. O Brasil se antecipou á crise. O PAC foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países.

O SENHOR CRÊ, PORTANTO, QUE A CRISE NÃO AFETARÁ O BRASIL COMO ESTÁ AFETANDO OS ESTADOS UNIDOS E A EUROPA?

Creio que não. Além do PAC, que o Obama está tentando fazer ao seu modo, agora, o Brasil, graças a Deus tem a sorte de ter cerca de 50% dos seus bancos públicos. São bancos que priorizam o investimento e os empréstimos para fazer crescer a economia real – e não a especulação pura e simples. Por tudo isso, a crise é menos violenta do que em outros países. Porque é incompatível que você tenha, como nos bancos privados, um sistema bancário que só tenha como objetivo lucrar o máximo.

PARA OS SETORES MAIS FRAGILIZADOS DA SOCIEDADE, QUAIS OS EFEITOS MAIS NOCIVOS DA CRISE MUNDIAL – E COMO SUPERÁ-LOS?

Sem dúvida, é o aumento do desemprego e a queda nos investimentos. Atualmente, o país não está em decréscimo, mas acabou o ritmo de crescimento que vinha tendo nos últimos anos. Entre 2003 e 2008, reduzimos 50% do desemprego, mas agora haverá um recuo nisso. Um exemplo de como superar esses problemas é o programa de habitação anunciado pelo governo federal recentemente, que projeta a geração de pelo menos 2 milhões de empregos diretos.

DE QUE FORMA O GOVERNO LULA PODE ESTIMULAR, AINDA MAIS, A ECONOMIA SOLIDÁRIA? O QUE FALTA PARA QUE ELA SEJA EFETIVA E EFICIENTE?

Falta muita coisa. Por exemplo: permitir que cooperativas de gente pobre participem do Super Simples, que corta aproximadamente 90% da carga tributária. Porém, muitas pessoas têm a impressão de que o governo federal não se esforça para isso, o que não é verdade. Há uma parte do governo lutando constantemente por essas mudanças e, junto conosco, órgãos como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

DURANTE PALESTRA NO SEMINÁRIO REALIZADO PELA PUC, PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO, DO PSOL, AFIRMOU QUE NÃO EXISTE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NO PAÍS. O SENHOR CONCORDA?

Não, não concordo. Para mim, está havendo, sim, uma grande transformação social no Brasil. É meio invisível, pois a maior parte das pessoas não sabe. Mas essa transformação está acontecendo e é muito encorajadora. Muitos dizem que ela só será percebida dentro de dez ou 15 anos. Eu acho que não vai demorar tanto assim.”

RODRIGO VIANNA: FHC VOLTOU CERCADO PELOS AMIGOS DE SEMPRE

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo de Rodrigo Vianna, postado no blog Escrevinhador:

“De férias, no Rio de Janeiro, hospedo-me na casa de um casal de bons amigos. Um deles, por dever de oficio, assina O Globo. Dia desses, numa tarde preguiçosa, resolvi passar os olhos pelo jornal da família Marinho. Na capa, a foto de FHC — o herói da elite brasileira. Fernando Henrique Cardoso veio ao Rio pra receber — em nome da mulher, dona Ruth (morta ano passado) — homenagem prestada pelo jornal.

Trata-se de prêmio para gente que, segundo O Globo, “faz a diferença”. Não entendi bem os critérios para escolha. Mas, sei que dona Ruth foi escolhida como personalidade do ano de 2008. Na foto da premiação, FHC aparecia sorridente, cercado por um diretor do jornal e por um dos filhos de Roberto Marinho.

FHC em O Globo. FHC no Roda-Viva. FHC na Globo News. O ex-presidente voltou com tudo nas últimas semanas. Ele está em campanha aberta. E há, evidentemente, um esforço concentrado da “mídia amiga” para melhorar a imagem do ex-presidente.

No início de 2003, o sociólogo deixou o poder desmoralizado. As privatizações “estranhas”, a teimosia em manter a paridade do real com o dólar (o que levou o país à bancarrota em 1998), o fracasso do segundo mandato, o crescimento pífio, o “apagão” no setor elétrico: tudo isso transformou FHC numa espécie de morto-vivo político. Menos no circuito Higienópolis-Leblon.

Ali, depois da posse de Lula, ele continuou a ser tratado como líder inconteste. Por isso, FHC e seus amigos levaram um susto quando, na campanha de 2006, Alckmin recusou-se a defender o legado do fernandismo.

Vocês se lembram da cena ridícula?

Entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial, Alckmin vestiu boné do Banco do Brasil e jaqueta da Petrobrás, para sinalizar que não retomaria a agenda de privatizações. Recusou-se a defender os oito anos de tucanato.

Tenho um amigo (defensor das privatizações) que, naquela eleição, cravou Alckmin no primeiro turno. Mas, diante da foto de Alckmin de bonezinho, esse eleitor mudou o voto para Lula no segundo turno.

Cá entre nós, é fácil entender por que Alckmin fez o que fez. Era difícil defender FHC em 2006. E os tucanos já perceberam que será difícil defender essa herança maldita também em 2010.

Ninguém, no campo demo-tucano, vai conseguir fazer campanha sem mostrar (um pouquinho que seja) o sorriso pretensioso de FHC. Por isso, o jeito é melhorar a imagem dele. A imprensa está aí pra ajudar.

Até o ano que vem, FHC não precisa virar um líder popular. Não. Basta que não seja visto mais como elitista e privatista. Não sei se vai colar. Sei que Serra é profissional nessas coisas. É evidente que se trata de uma tentativa antecipada de reduzir “danos colaterais”. Será inevitável a associação de Serra com os OITO anos de FHC? Então, que se transforme FHC num ex-presidente mais palatável.

Podem reparar: nos próximos meses, o viúvo de Dona Ruth vai aparecer em dezenas de eventos que ressaltem sua ligação com causas nobres e simpáticas...

O ex-presidente que não soube se comportar como um ex-presidente precisa se transformar num sujeito mais aceitável pelo povão, precisa se transformar num personagem que — pelo menos — não atrapalhe muito a campanha do candidato tucano.

Pra isso, além do glorioso Partido da Imprensa, há a imagem de Dona Ruth, que FHC seguirá usando. Como se sabe, foi um casamento inabalável. As Organizações Globo ajudaram, mandando pra longe quem poderia abalar essa duradoura relação... Mas, essa é outra história.”

NA VENEZUELA E NO BRASIL, UMA MÍDIA DE VOZ ÚNICA

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo de André Cintra:

“No livro Midiático Poder (Editora Publisher Brasil, 2007), o jornalista Renato Rovai lança luzes sobre um fenômeno que tomou conta da grande mídia privada na Venezuela. Com base sobretudo no malsucedido golpe de Estado de abril de 2002, Rovai descreve que “o discurso dos meios (de comunicação) é unificado por um instrumento de padronização da cobertura, conhecido pelos venezuelanos como una sola voz”.

Para criminalizar e depor Hugo Chávez, as emissoras passaram a se articular de tal forma que os venezuelanos só tivessem acesso na TV a uma única versão dos fatos. “Um repórter faz o trabalho para todos os veículos e o tom editorial é formatado verticalmente.

A reportagem é divulgada pelas emissoras com o mesmo enfoque, o que impede contradições”, explica Rovai.

“O direcionamento do conteúdo, por absurdo que possa parecer, chegava até os programas humorísticos, que exploravam as mesmas piadas e preconceitos caricaturais para tratar do presidente”, acrescenta.

É clara a semelhança entre a Venezuela de Chávez em 2002 e o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva em 2005-2006. Vítimas tanto de incompreensões quanto de preconceitos de classe, os dois presidentes foram caluniados e ridicularizados até não poder mais pela grande mídia.

Embora tenham sido eleitos e reeleitos com grande apoio popular, Chávez e Lula não podem perder de vista o inimigo comum que seus países enfrentam — o chamado oligopólio dos meios de comunicação, que ficam concentrados, lá como cá, nas mãos de restritos grupos empresariais. É o caso, no Brasil, das famílias Marinho (Globo), Abravanel (SBT), Saad (Bandeirantes), Civita (Abril), Mesquita (Estado) e Frias (Folha).

Para Rovai, ocorre “a partidarização de grupos midiáticos e o seu envolvimento com golpes de fundo político”. Os barões da mídia brasileira apoiaram, por exemplo, o Golpe de 1964. O grupo Folha foi além: cedeu apoio logístico à Oban (Operação Bandeirantes), que promoveu a fase mais cruel da ditadura militar (1964-1985).

É por isso que, quando a Folha de S.Paulo usa a expressão “ditabranda” para caracterizar esse período, entidades e pessoas que foram espoliadas pelo regime não pensam duas vezes. Diante do revisionismo histórico, vão à frente da sede do jornal, obrigam a Folha a se retratar e mostram que, no Brasil dos dias atuais, não há mais espaço para una sola voz.”

SIMULACRO DE INDIGNAÇÃO

Li no jornal Folha de São Paulo de ontem, na coluna de Fernando Rodrigues:

“A empreiteira Camargo Corrêa seguiu à risca a cartilha das horas amargas. A direção declarou-se perplexa. Afirmou ter feito doações a políticos sempre dentro da lei. O Democratas (ex-Arena, ex-PFL) também demonstrou indignação. Em nota, copiou a empreiteira. Disse fazer as coisas "de acordo com as leis do país".

Foram reações à última ação midiática da Polícia Federal, batizada de Operação Castelo de Areia. Camargo Corrêa, Democratas e alguns outros partidos deram azar. Desta vez, foram eles. É tudo obra do acaso. Nenhum partido ou empreiteira neste país está livre para bater no peito e bradar nunca ter entrado no negócio de "recursos de campanha não contabilizados", para usar o eufemismo de caixa dois criado por Delúbio Soares, o ex-tesoureiro de Lula e do PT.

A reação de todos os apanhados nessas situações segue uma lógica milimetricamente idêntica. Mostram-se surpresos em público e juram estar obedecendo a lei. Nenhum nunca se dispõe a fazer o básico: revelar, em detalhes, tudo o que recebeu (ou pagou) de doações políticas. Tome-se o caso da Camargo Corrêa.

A empreiteira diz fazer tudo dentro da lei. Poderia, portanto, divulgar uma lista completa dos dinheiros enviados a partidos e a políticos -desde os candidatos a vereador até a presidente da República. Nada a impede também de exigir dos partidos recebedores a revelação sobre uso dos recursos. Aí sim haveria transparência, e não apenas o simulacro de indignação assistido nos últimos dias.

Já os partidos estão convidados a detalhar como usam as doações recebidas das empreiteiras. Quem fica com cada centavo desse dinheiro? As siglas argumentarão não haver exigência legal para tal tipo de abertura. Ou, como ensina a filosofia delubiana, "transparência demais é burrice". É mais cômodo indignar-se com as ações da PF”.

SIGAM O EXEMPLO DO BRASIL, RECOMENDA IMMANUEL WALLERSTEIN

Li hoje no site “Carta Maior”, em tradução de Katarina Peixoto, o seguinte artigo de Immanuel Wallerstein, publicado originalmente em 4 de março de 2009, no periódico semanal norte-americano “The Nation”. O autor nasceu em Nova Iorque, em 28 de setembro de 1930. É sociólogo conhecido pela sua contribuição fundadora para a teoria do sistema mundial, onde é inerente uma divisão entre centro, periferia e semiperiferia, em função da divisão do trabalho entre as regiões:

“O MST poderia ser um bom exemplo para a esquerda estadunidense, se tivéssemos qualquer coisa comparável em termos de movimento social. Não temos, mas isso não deveria nos impedir de tentar nos juntar e fazer o melhor que podemos para pressionar Obama como faz o MST, aberta, pública e pesadamente e, é claro, apoiando-o com entusiasmo quando o governo acerta. O que queremos de Obama não é transformação social. Tampouco ele pode oferecer-nos isso. Queremos medidas que venham a minimizar a dor e o sofrimento da maioria das pessoas agora. O artigo é de Immanuel Wallerstein.

Parece haver duas ocasiões que exigem dois planos para a esquerda mundial, e em particular a estadunidense. A primeira ocasião é de curto prazo. O mundo está numa profunda depressão, que só vai piorar pelo menos no próximo ou em dois anos. O curto prazo imediato concerne ao desemprego que muita gente está enfrentando, o rebaixamento de salários e em muitos casos a perda das casas. Se os movimentos de esquerda não têm planos para esse cenário de curto prazo, eles não podem estabelecer uma conexão, em sentido algum, com a maior parte das pessoas.

A segunda ocasião é a crise estrutural do capitalismo como sistema mundial, que enfrenta, em minha opinião, sua extinção nos próximos vinte ou quarenta anos. Esse é o cenário no médio prazo. E se a esquerda não tem planos para o médio prazo, o que substituirá o capitalismo como sistema mundial será algo pior, provavelmente muito pior do que o terrível sistema que se tem vivido nos últimos cinco séculos.

As duas ocasiões exigem táticas diferentes, mas combinadas. Qual a nossa situação no curto prazo? Os Estados Unidos elegeram um presidente centrista, cujas inclinações estão um pouco à esquerda do centro. A esquerda ou a sua maior parte, votou nele por duas razões. A alternativa era pior, na verdade muito pior. Então votamos no menos mal. A segunda razão é que pensamos que a eleição de Obama poderia abrir espaço para movimentos sociais de esquerda.

O problema que a esquerda está enfrentando não é nada novo. Situações como essa acontecem como padrão. Roosevelt, em 1933, Attlee em 1945, Mitterand em 1981, Mandela em 1994, Lula em 2002 foram todos Obamas em seus momentos e lugares. E a lista poderia ser expandida infinitamente. O que faz a esquerda quando essas figuras “decepcionam”, como devem provavelmente todas fazê-lo, à medida que são todos centristas, mesmo se estão à esquerda do centro?

Em minha opinião, a única atitude sensata é aquela tomada pelo grande, poderoso e militante Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Brasil. O MST apoiou Lula em 2002 e, a despeito do não-cumprimento do que ele prometeu, eles o apoiaram na sua reeleição em 2006. E fizeram isso com plena consciência das limitações de seu governo, porque a alternativa era claramente pior. O que eles também fizeram, contudo, foi manter a pressão nos encontros com o governo, denunciando-o publicamente quando fosse merecido e se organizando contra suas falhas.

O MST poderia ser um bom exemplo para a esquerda estadunidense, se tivéssemos qualquer coisa comparável em termos de um movimento social forte. Nós não temos, mas isso não deveria nos impedir de tentar nos juntar e fazer o melhor que podemos para pressionar Obama como faz o MST, aberta, pública e pesadamente – o tempo todo e é claro apoiando-o com entusiasmo quando o governo acerta. O que nós queremos de Obama não é transformação social. Tampouco ele quer, ou pode, oferecer-nos isso. Queremos dele medidas que venham a minimizar a dor e o sofrimento da maioria das pessoas agora. Isso ele pode fazer, e é aí que a pressão sobre ele pode fazer uma diferença.

O médio prazo é bastante diferente. E aqui Obama é irrelevante, assim como o são todos os outros governos à esquerda do centro. O que está em curso é a desintegração do capitalismo como sistema mundial, não porque ele não pode garantir o bem-estar da imensa maioria (ele nunca pôde isso), mas porque ele não pode mais assegurar que os capitalistas terão uma acumulação sem fim do capital como sua razão de ser.

Chegamos a um momento em que nem capitalistas de visão, nem seus oponentes (nós) estão tentando preservar o sistema. Estamos ambos tentando estabelecer um novo sistema, mas é claro que temos idéias muito diferentes, na verdade radicalmente opostas, quanto à natureza desse novo sistema.

Porque o sistema se moveu para muito longe do equilíbrio, tornou-se caótico. Estamos assistindo a flutuações selvagens nos indicadores econômicos usuais – os preços das commodities, o valor relativo das ações, os níveis reais das taxas de câmbio, a quantidade de itens produzidos e comercializados. À medida que ninguém realmente sabe, praticamente de um dia para o outro, onde esses indicadores vão parar, ninguém pode razoavelmente planejar coisa alguma.

Numa situação dessas, ninguém sabe quais medidas serão melhores, qualquer que seja sua política. Essa própria confusão intelectual prática leva a demagogias frenéticas de todos os tipos. O sistema está se bifurcando, o que significa que em vinte ou quarenta anos haverá algum novo sistema, que criará ordem a partir do caos. Mas nós não sabemos que sistema será esse.

O que nós podemos fazer? Antes de qualquer coisa, devemos ter clareza a respeito do que se trata essa batalha. Esta é a batalha entre o espírito de Davos (por um novo sistema que não é o capitalismo, mas é apesar disso hierárquico, explorador e polarizador) e o espírito de Porto Alegre (um novo sistema que é relativamente democrático e relativamente igualitário).

Nenhum mal menor aqui. É uma coisa ou outra.

O que deve a esquerda fazer? Promover a clareza intelectual a respeito da escolha fundamental. Então, organizar-se em milhares de níveis e em milhares de maneiras para empurrar as coisas para a direção correta. A principal coisa a fazer é encorajar a "descommoditificação" de tudo o que pudermos "descommoditificar". A segundo é experimentar todos os tipos de novas estruturas que faça um sentido melhor de justiça global e sanidade ecológica. E a terceira coisa que devemos fazer é encorajar o otimismo sóbrio. A vitória está longe de ser certa. Mas é possível.

Então, para resumir: trabalhar no curto prazo para minimizar a dor, e no médio prazo para assegurar que o novo sistema que emergirá será um melhor, e não um pior. Mas fazer este trabalho sem triunfalismo, e sabendo que a luta será tremendamente difiícil.”

sábado, 28 de março de 2009

OPOSIÇÃO: NEOLIBERAL OU PÓS-LULA?

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo do filósofo e cientista político Emir Sader:

“O quadro político-eleitoral vai se configurando, conforme nos aproximamos de 2010. Algumas de suas peças não estão claras, entre elas o lugar - ou o não-lugar - de Aécio, se o bloquinho conseguirá manter a candidatura de Ciro Gomes, a posição do PMDB.

Outras das incógnitas é a plataforma da oposição. O diálogo mais significativo das últimas semanas se deu entre Serra - pré-candidato presidencial tucano - e um dirigente do DEM. Este cobrava uma postura mais agressiva, de crítica dura ao governo, porque se estaria deixando a passarela livre para que Lula leve Dilma a desfilar sozinha. Serra respondeu dizendo que ele criticava, havia acabado de criticar o Banco Central e sua tímida e lenta política de redução dos juros. O dirigente do DEM o interrompeu imediatamente: - Não, com o Banco Central nós estamos de acordo, é preciso criticar outras coisas.

Esse desencontro dá idéia da crise de identidade da oposição diante do governo Lula. Conta com os candidatos melhor situados – o que pode ser vantagem ou desvantagem, conforme a solução da disputa interna entre eles – nas pesquisas, mas não dispõem de uma plataforma. A candidatura de Alckmin foi uma possibilidade: um programa neoliberal puro e duro que, se foi derrotado antes da crise, hoje estaria totalmente deslocado, diante do fracasso da centralidade do mercado e do resgate do papel do Estado. Essa opção favoreceu o segundo turno para Lula, que polarizou pela esquerda e venceu com boa margem. Está claro que Dilma personificará essa política, de forma acentuada.

O perfil de Serra é originalmente distinto do de Alckmin. Desenvolvimentista como economista, tentou manter certo espaço próprio dentro do governo FHC – governo coerentemente neoliberal -, especialmente quando assumiu o Ministério da Saúde. Mas na prefeitura e no governo de São Paulo se rendeu aos interesses do grande empresariado paulista – é o queridinho da Fiesp – privatizando e se revelando mais um neoliberal que um desenvolvimentista.

Aécio, mineiramente, já anunciou uma eventual alternativa: seria um candidato pós-Lula e não anti-Lula. Esta seria uma via de derrota, mas a outra permitiria reivindicar aspectos do governo – especialmente políticas sociais -, além de não se comprometer a retomar as privatizações do governo FHC e se distanciar de um governo cuja recordação a oposição tentará ocultar, enquanto a campanha governamental forçará a comparação entre os governos de FHC tucano e petista.

Caso mantenha a dianteira, a candidatura opositora evitará maiores definições, qualquer reivindicação do governo FHC, concentrará algumas críticas ao governo Lula – carga tributária, alianças nas políticas internacionais, gastos estatais -, sem a necessidade de uma plataforma mais clara. Contam que a crise se prolongue e desgaste o ainda imenso apoio governamental de hoje.

O que unifica a oposição é o objetivo de tentar tirar o PT do governo, se reapropriar do Estado, mesmo em um marco de diferenças entre os partidos que a compõem. Mais difícil será se a candidatura governamental, exibindo os sucessos da política governamental e propondo o desdobramento desse horizonte, em um marco de recuperação econômica, avança nas pesquisas, obrigando a oposição a se definir em relação aos projetos do governo. Projetos que a própria oposição considera que deram certo, responsáveis que são pelo apoio ao governo, difíceis de serem atacados. A atitude mesma de que as incorporará, facilita sua legitimidade e dificulta a crítica a elas.

De qualquer maneira, a oposição só conquista um lugar no espectro político diferenciando-se do governo. Ser pós-Lula é mais um jogo de palavras, porque a plataforma da candidatura governamental será a prolongação e o aprofundamento do governo Lula. Será provavelmente uma versão light do neoliberalismo, adaptada aos tempos de crise desse modelo.”

VENDA DE VEÍCULOS NO PRIMEIRO TRIMESTRE VAI SUPERAR 2008

Li hoje no blog do Favre a seguinte reportagem de Anna Carolina Negri, do jornal Valor:

“As vendas de veículos neste trimestre ficarão acima das registradas no mesmo período do ano passado. Além disso, a indústria automobilística terá de manter o ritmo de produção acelerado em abril porque o apelo do IPI mais baixo fez os estoques baixarem a um volume inferior ao necessário para as montadoras poderem trabalhar sem filas de espera nas revendas.

Do início de janeiro até o dia 25 deste mês foram vendidos no país 606,7 mil veículos, o que representou elevação de 2,8% na comparação com igual período de 2008. Mantida a média diária de vendas - uma projeção modesta para um fim de mês - o trimestre fechará com pelo menos 653 mil veículos vendidos. Nos primeiros três meses de 2008, o volume somou 647,9 mil unidades.

O consumidor não arriscou contar com a prorrogação do IPI reduzido para além do dia 31, como determina o decreto que concedeu o benefício fiscal, em meados de dezembro. Muitos anteciparam compras que fariam mais tarde. É o caso da publicitária paulista Cibele Adriana. Ela conta que pretendia comprar um novo automóvel no fim do ano, seguindo a sua rotina de trocar o carro a cada quatro anos. Mas não resistiu à oferta de um preço mais baixo por conta do IPI.

Cibele trocou sua Ecosport 2005, pela qual pagou R$ 50 mil à época, por outra do mesmo modelo novinha, com motor mais potente, assentos em couro e ainda o sonho da publicitária: um câmbio automático. Preço da nova: R$ 57 mil. “Quando voltei de férias e soube da redução do IPI decidi antecipar a compra”, conta.

A maior surpresa de Cibele foi constatar que a prestação do financiamento do carro novo baixou R$ 100 em relação ao que ela pagava no antigo. Ambos foram financiados em 48 meses.

A época em que o IPI baixou coincidiu com melhores oportunidades para o financiamento, o que deu ainda mais força ao ritmo das vendas. Quando a crise no crédito se agravou, os bancos resistiam aos pedidos de financiamentos mais longos.

No último bimestre de 2008, a maior parte dos contratos era fechada com prazos entre 24 e 36 meses. Mas agora ficou mais fácil encontrar financiamento em 48 e até 60 meses. “Planos de 48 meses são o nosso best-seller”, afirma o gerente de marketing da Ford, Antonio Baltar Jr.

Quando há oportunidades de prazos mais longos, o vendedor acaba estimulando o cliente a optar por esses planos para convencê-lo a levar um modelo mais caro ou um zero-quilômetro no lugar de um usado.

Na primeira quinzena deste mês, as vendas da Ford cresceram 47,3% na comparação com igual período de 2008. Baltar lembra que agora a empresa não está mais presa aos problemas de capacidade que encontrava antes da crise, quando o ritmo de vendas estava muito mais acelerado que o de hoje. Com mais fôlego, a montadora conseguiu elevar a sua participação no mercado de 10% para 12%.

As melhores condições para o financiamento começaram a atrair também locadoras de veículos, que haviam suspendido as compras desde o fim do ano passado. Paulo Soares, franqueado da rede Avis em Salvador, costumava comprar carros todos os meses para renovar a frota. Mas a crise no crédito o levou a suspender as compras. “Agora os bancos sinalizam querer voltar a emprestar”, diz. “Chegou a hora de voltar ao mercado”, completa.

Soma-se a isso uma reação na valorização do carro seminovo, fator importante para ativar o mercado dos modelos novos

Pode ser até que a velocidade nas vendas diminua, a partir de agora, com a perspectiva de o IPI reduzido ser estendido por mais três meses. Mas, mesmo assim, a indústria terá de manter a produção acelerada, porque os estoques baixaram nos últimos dias. O número de veículos nas concessionárias e pátios das fábricas está hoje em torno de 175 mil unidades. Isso equivale a 20 dias de vendas, volume considerado baixo pelo setor, que precisa contar com folga maior para evitar a falta de modelos nas lojas.

O estoque está bem abaixo daquele que levou montadoras e fabricantes de autopeças a recorrer a férias coletivas e corte de pessoal para baixar a produção, no final do ano passado.

Em dezembro, os estoques passavam das 305 mil unidades, o que equivale dizer que a indústria poderia vender sem produzir por mais de 50 dias. Na sequência, os volumes em estoque baixaram para mais de 200 mil e agora caíram mais ainda. É por isso que algumas empresas tiveram de antecipar a volta de empregados que estavam em casa, em licença remunerada.

A necessidade agora de abastecer a rede de concessionárias se reflete na cadeia de fornecedores. A TRW trabalha hoje num ritmo equivalente a 80% do que estava um ano atrás, conta o diretor Wilson Rocha.

O bom desempenho do mercado interno em março foi uma das causas da queda nos estoques. Até o dia 25 deste mês, foram vendidos no país 209,9 mil veículos. Levando em conta a média de vendas ao longo do mês, de 11, 6 mil unidades por dia, março fechará com um volume em torno de 256 mil unidades, o que equivale a um crescimento em torno de 10% em relação a igual mês de 2008.

Março foi um bom período para a venda de automóveis. Além do apelo do IPI menor, o mês teve 22 dias úteis, o que é melhor para as vendas do que meses como abril, em que o número de dias úteis diminuirá por conta dos feriados.

“O IPI reduzido tirou as incertezas, trouxe energia para o mercado”, destaca Baltar, da Ford. O benefício também fez os executivos trabalharem mais. “Em 30 anos de indústria nunca pilotei tão rápido como agora. Em apenas três meses mudamos a programação oito vezes”, conta o diretor de marketing da Renault, Cássio Pagliarini.”

A LISTA DA EMPREITEIRA

Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte texto publicado pelo Estadão:

TRÊS PERGUNTAS A RESPEITO DOS VAZAMENTOS DA OPERAÇÃO CASTELO DE AREIA:

1) O processo corre em segredo de Justiça? Se sim, quem é que está vazando?

2) Onde está a lista completa dos que receberam dinheiro?

3) As doações estão registradas na Justiça Eleitoral?

“A seguir, trechos de grampos que levaram à prisão na quarta-feira, 25, quatro executivos da Camargo Corrêa, duas secretárias e quatro doleiros.

No dia 15 de setembro do ano passado, às 12h54, Dárcio Brunato e Pietro Francisco Bianchi, diretores da empreiteira, discutiram o suposto esquema de doações ilegais aos partidos.

Pietro: O Dárcio, escuta... aquele dinheiro que foi mandado pra Fiesp, como é que foi...foi lá pra Brasília?

Dárcio: Não...a Fiesp...o que era do Agripino (senador José Agripino Maia) foi pro partido... pra aquela informação que ele havia mandado...

Pietro: Peraí, peraí, peraí, peraí...eram 200 e 300, não é isso?

Dárcio: Então...o que era 300 foi do jeito que eles pediram.

Pietro: Quem pediu?

Dárcio: O e-mail que o senhor recebeu deles que era pro partido...

No mesmo diálogo, Pietro e Dárcio voltam a falar sobre o repasse de "300" para o DEM, de Agripino, e outros "200" iriam para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e que "aí foi 100 para o partido". Eles também listam as siglas que foram beneficiadas.

Pietro: 200 que era do Flexa...

Dárcio: Exato... aí foi 100 para o partido...

Pietro: Que partido?

Dárcio: O que ele havia sido solicitado inicialmente pro senhor...tem na relação...os outros 100...

Pietro: Quem tinha solicitado?

Dárcio: O Luiz Henrique (Luiz Henrique Bezerra, representante da Fiesp em Brasília) ...

Pietro: O Luiz Henrique... 100 pro partido?

Dárcio: Isso...

Pietro: Ã...e...

Dárcio: Os outros 100 ele dividiu em três partidos...PPS...PP (inaudível)

Pietro: PPS...PPT...

Dárcio: Não...é...PSB, PDT e PPS

Pietro: PT...PPS?

Dárcio: PPS...

Dárcio: Paulo, Paulo...

Pietro: Salvador...

Dárcio: Tá bom...

Pietro: Hein? Paulo, Paulo, Salv...PSB, Paulo, Salvador, Brasil e o outro é PT?

Dárcio: PP...

Na continuação, Dárcio fala de uma suposta "relação" de beneficiários das doações da Camargo Corrêa. A referência pode ter ligação com uma lista de partidos e parlamentares apreendida pela Polícia Federal no dia em que Castelo de Areia foi deflagrada.

Pietro: Não interessa...mas foi Agripino para o partido? Que partido?

Dárcio: Acho que é pro DEM, viu?

Pietro: Hein?

Dárcio: Tá na relação aí, Pietro...

Pietro: Eu não tô com a relação aqui...tá, no partido DEM...mas isso foi orientação de quem, do Guilherme?

Dárcio: Do Luiz Henrique para o Guilherme...

No dia 23 de setembro, às 10h19, Pietro entra em contato com um interlocutor identificado apenas como Marcelo. Eles negam que as doações sejam feitas "por dentro". Utilizam ainda o que a PF considera um código para encobrir a transação: "tulipa". Trechos do seguinte diálogo mereceram grifos no despacho.

Marcelo: Então... nós tínhamos... que realizar algumas coisas ontem... e hoje...

Pietro: Hum...

Marcelo: E não aconteceram

Pietro: Quais foram?

Marcelo: Aquela tulipa, lembra? Chegou a ver?

Pietro: Não...

Marcelo: Então...

Pietro: O que que é isso?

Marcelo: Eram algumas coisas para acontecerem ontem...

Pietro: Sim... mas o que é, campanha política?

Marcelo: É...

Pietro: Por dentro?

Marcelo: Não...

Pietro: É, então não tô sab... nem eu tô sabendo... tudo...

No dia 27 de janeiro deste ano, Pietro entrou em contato com Fernando Dias. Eles conversaram sobre um suposto pagamento ao deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Pietro cita novamente uma relação de beneficiários. Chama-a de "aquela pasta das eleições", onde estão "todos os caras que foram pagos".

Pietro: O que o Luiz tá querendo aí.

Fernando: É do José Carlos Aleluia, saber se foi pago alguma coisa no passado.

Pietro: Mas pagamos, não? (...)

Fernando: Diz que ele tem um pen drive lá embaixo.

Pietro: Além disso, na minha pasta lá, tem aquela pasta das eleições. E lá tem todos os caras que foram pagos.

Fernando: Eu procuro lá então.”

NÃO FOI O FHC QUE RECENTEMENTE DISSE QUE O CONGRESSO ESTÁ BAMBO?

Li hoje no blog “De um sem mídia”, de Carlos Dória:

“E agora descobriu-se que sua filha é funcionária do Senado. Quem escreveu a matéria abaixo não pode ser acusada de petista.

A entrevista abaixo, da coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, é emblemática do país em que vivemos. Pois em que outro lugar do mundo a filha de um ex-presidente da República "trabalha" para um senador, não sabe se recebeu ou não o salário de janeiro, e só aparece de vez em quando no gabinete?

Ninguém aqui está dizendo que Luciana Cardoso é safada ou mau caráter, muito menos absenteísta. O que espanta mesmo é a falta de senso político da filha de Fernando Henrique: estava na cara que uma hora a imprensa ia descobrir o fato e fazer um carnaval em cima da questão, ainda mais sendo o senador-empregador o impoluto Heráclito Fortes (DEM-PI). Será que não dava para Luciana ganhar a vida na iniciativa privada ou pelo menos na estrutura partidária do PSDB? Como dizem os muito mais novos, essa gente é "sem noção"...

LUCIANA CARDOSO

"O SENADO É UMA BAGUNÇA"


Funcionária do Senado para cuidar "dos arquivos" do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado "é uma bagunça". A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:

FOLHA - Quais são suas atribuições no Senado?

LUCIANA CARDOSO - Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.

FOLHA - Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.

LUCIANA - É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.

FOLHA - Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?

LUCIANA - Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.

FOLHA - E qual é o seu salário?

LUCIANA - Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.

FOLHA - Cumpre horário?

LUCIANA - Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar "vem aqui", eu vou lá.

FOLHA - E o que ele te pediu nesta semana?

LUCIANA - "Cê" não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?”

CASTELO DE AREIA & MENSALÃO

Li hoje no blog “Cidadania.com”, de Eduardo Guimarães:

“Não deveria ser necessário dizer muito da Operação Castelo de Areia – adoro esses nomes de operações policiais! –, da Polícia Federal. Para bom entendedor, as escutas telefônicas e ambientais promovidas pela investigação já deveriam ter deixado claro como e por que tudo aconteceu.

A oposição tucano-pefelê e seus jornais, revistas e telejornais estão dando uma de joão-sem-braço ao dizerem que as doações que aparecem na Operação Castelo de Areia sendo feitas da empreiteira Camargo Correa para a oposição, teriam sido “legais”.

Oposicionistas dizem: “E daí que recebi doações da empreiteira? O PT também recebeu. E as minhas, pelo menos, estão registradas na prestação de contas à Justiça Eleitoral”.

Mas que belezinha, não? Quer dizer que alguém acredita que a Polícia Federal faria uma operação dessa envergadura, que um juiz autorizaria as escutas e as prisões só porque as investigações mostraram que PSDB, PFL e outros receberam doações legais de uma empreiteira? Não lhes parece um raciocínio muito torto?

Caro amiguinho tucano ou pefelê, peço que você entenda o seguinte: as investigações mostram que vocês receberam dinheiro por fora, capicce? O fato de terem recebido 300 mil “por dentro” não prova que não receberam “por fora”, ok?

Aliás, transcrição das gravações da PF aos executivos da Camargo Correa hoje nos jornais mostra que as expressões “doação por dentro” e “doação por fora” aparecem o tempo todo.

Mais curioso ainda – aliás, de matar de rir – é o “argumento” de que seria impossível que o PT não tivesse recebido também dinheiro por fora, porque o PT participou do mensalão, blablablá, blablablá...

É interessante que lembrem o mensalão. Se analisarmos este e aquele caso, veremos a diferença gritante de tratamento que a mídia deu a um e a outro e como esse tratamento parece invertido.

Primeiro, vamos estabelecer um fato irrefutável - ao menos até o momento: a teoria sobre o mensalão nunca passou disso, de uma teoria, referente à qual jamais se achou qualquer prova.

E qual era a teoria do mensalão? A de que o governo Lula mandou subornar parlamentares para que votassem de acordo com seus interesses no Congresso.

A imprensa inteira comprou essa teoria, apesar de que a única coisa provada até hoje nas denúncias sem provas do ex-deputado Roberto Jefferson foi que alguns parlamentares do PT receberam doações eleitorais “por fora”. Jamais foi provado que o governo federal organizou o tal esquema.

Agora comparem o que aconteceu em 2005, quando Roberto Jefferson denunciou o suposto “mensalão” sem ter uma única prova, com o que está acontecendo hoje, quando uma operação eminentemente policial, autorizada por um juiz de Direito, mostra – e prova – que tucanos e pefelês, entre outros, receberam dinheiro “por fora” de uma empreiteira envolvida em superfaturamento de obras públicas.

De Eliane Cantanhêde, da Folha de São Paulo, a Reinaldo Azevedo, no site da Veja, uma fila de jornalistas indignados com suposta “agressão ao Estado de Direito” que seria acusarem o PSDB e o PFL, agressão que não viram quando Bob Jeff fez denúncias contra o PT em 2005 sem oferecer uma única prova.

Tudo isso me leva a crer num fato: se começarem a investigar direito, talvez descubram por que é que tem tanto jornal, revista, tevê etc. indignados com “agressões” aos “direitos constitucionais” de uns e insensíveis aos de outros.

A PRISÃO DA DONA DA DASLU

Fica difícil deixar de notar como é que aparece um monte de gente com pena de bandidos ricos quando eles vão em cana, enquanto que quando o bandido é preto e pobre esses "sensíveis" pedem mais paulada, sem se importarem se ele está doente ou deprimidinho.

Contudo, como a dona da Daslu, Eliana Tranchesi, foi condenada a um século de prisão em primeira instância, cabendo ainda várias apelações, seria interessante que a polícia e a Justiça explicassem qual é a necessidade de prendê-la agora, ainda mais quando se sabe que essa prisão cairá se não provarem que a condenada oferece risco à sociedade ou que pretende fugir.

Temos que entender uma coisa: qualquer possibilidade de interferência da política nesse tipo de assunto é uma ameaça a qualquer um. Cabe a todos nós, portanto, exigir que os processos legais não contenham esse tipo de viés.”

CHOQUE DE POTÊNCIAS

O jornal Correio Braziliense ontem publicou a seguinte reportagem de Rodrigo Craveiro:

“Pequim reage à divulgação de relatório sobre sua capacidade armamentista e aconselha o Pentágono a abandonar mentalidade da Guerra Fria. Documento denuncia tentativa de impedir autonomia de Taiwan

“Nós sugerimos aos Estados Unidos que respeitem os fatos fundamentais, desprendam-se da mentalidade da Guerra Fria e de seus prejuízos, parem de divulgar relatórios militares como esse e interrompam as acusações sem fundamento contra a China.” O alerta de Qing Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, evidenciou o mal-estar de Pequim pelo fato de o Pentágono ter divulgado o relatório Poder Militar da República Popular da China — 2009. O texto é elaborado anualmente a pedido do Congresso norte-americano.

Ao longo de 78 páginas recheadas de números e mapas, o documento revela: “A curto prazo, as Forças Armadas da China estão rapidamente desenvolvendo capacidades coercitivas com o propósito de impedir Taiwan de perseguir a independência de direito”.

De acordo com o texto, a receita do Exército de Libertação Popular mais que dobrou desde 2000 — de US$ 27,9 bilhões para US$ 60,1 bilhões. Algumas autoridades do Departamento de Defesa dos EUA suspeitam que esses números sejam subestimados. Gang considerou os dados falaciosos e aconselhou Washington a não produzir documentos desse tipo, se quiser evitar “danos adicionais às relações militares entre os dois lados”.

O relatório do Pentágono esclarece que a China tem “melhorado de forma modesta” a transparência de seus temas militares e de segurança. “Mas até (Pequim) começar a ver a transparência menos como uma transação negociável e mais como uma responsabilidade que acompanha o acúmulo de poder nacional, as ideias refletidas nesse texto permanecerão incompletas”, adverte.

Consultado pelo Correio, o historiador chinês Yong Chen, professor da Universidade da Califórnia-Irvine (UCI, pela sigla em inglês), minimizou o impacto do teor do documento e demonstrou preocupação com um incidente envolvendo o navio de vigilância USNS Impaccable e cinco barcos no Mar do Sul da China, no último dia 9. “A embarcação norte-americana foi molestada e os EUA enviaram uma escolta armada. Eu suponho que isso tenha refletido na ideologia de oficiais do Pentágono”, comentou.

No entanto, Chen não crê que o episódio sinalize uma política de confrontação. Foi o pior incidente envolvendo os dois países desde 2001, quando um avião espião dos EUA fez um pouso de emergência em Hainan (sul), depois de colidir com um caça chinês. Pequim chegou a deter os 24 tripulantes por 11 dias.

DIÁLOGO

Talvez prevendo uma reação indignada de Pequim, o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, tentou suavizar o conteúdo do documento. “Nós temos defendido um maior diálogo e transparência em nossas questões com o governo e os militares chineses, tudo em um esforço para reduzir as suspeitas de ambos os lados”, afirmou. Para Yong Chen, a crise financeira que assola os EUA e a economia de exportação da China funcionam como um fator de contenção, impedindo que as rusgas saiam do campo diplomático e ganhem a via militar.

Ele lembrou que, além de Pequim depender do mercado norte-americano, a Casa Branca está com as mãos atadas ao Oriente Médio e ao Afeganistão. “É preciso cooperação e assistência da China para os EUA lidarem com a Coreia do Norte e o Irã”, observou.

Em meio à mais grave recessão desde a Grande Depressão de 1929, os Estados Unidos não podem se envolver em outra guerra. “Nem o presidente Barack Obama, nem o premiê Wen Jiabao estão interessados em escalar as diferenças”, concluiu Chen.

O documento do Departamento de Defesa dos EUA revela o incômodo da Casa Branca em relação ao programa de mísseis balísticos e de cruzeiro da China, o qual considera o mais ativo do mundo. “Pequim desenvolve e testa mísseis ofensivos, formando unidades de mísseis adicionais, modernizando sistemas de mísseis e desenvolvendo métodos para enganar sistemas de defesa.”

O NÚMERO

US$ 59 bi foi a estimativa do orçamento de defesa chinês para 2008.”

ATÉ MESMO JORNAL PRÓ-SERRA RECONHECE O MÉRITO DO PROGRAMA CASA POPULAR

Li no editorial do jornal Folha de São Paulo de ontem o seguinte texto não tão crítico ao programa Casa Popular do governo federal. O texto é marcante por partir de jornal engajado na volta do PSDB/DEM ao poder por meio de Serra 2010:

CASA POPULAR

PROGRAMA FEDERAL DE HABITAÇÃO TEM VÁRIOS MÉRITOS, MAS INDEFINIÇÕES AMEAÇAM RETARDAR DEMAIS A SUA EFETIVAÇÃO


“O plano de habitação popular anunciado pelo governo federal é promissor. O seu mérito é priorizar a construção de moradias para a população de renda baixa (até três salários mínimos) -atacando um problema social gritante, que se arrasta há décadas- e reconhecer a necessidade de alta dose de subsídio público para viabilizar os projetos.

Conforme salientaram líderes empresariais da construção civil, entre 2009 e 2011 a dotação de recursos para a concessão de subsídios federais na área dará um salto: de menos de R$ 1 bilhão para R$ 20 bilhões. Evitou-se, desta feita, o equívoco do subsídio total. Todos os beneficiários terão de pagar por sua moradia, ainda que esse pagamento se limite a uma fração do valor total do imóvel. A prestação mensal mínima será de R$ 50.

Outro aspecto interessante do programa é a tentativa de contemplar em conjunto as várias etapas de um projeto imobiliário. Fala-se em medidas para simplificar e acelerar da regularização do terreno até o licenciamento ambiental, a aprovação dos projetos nas prefeituras e o registro do imóvel em cartório.

Com relação a esta última etapa, dois pontos merecem destaque: está prevista substancial redução do custo do registro em cartório (que será zero para as famílias com renda até três mínimos); e o imóvel será registrado no nome das mulheres -seguindo o que se faz, por exemplo, no programa habitacional do Estado de São Paulo, um procedimento que protege a família.

O programa também reduz tributos federais a serem pagos pelas construtoras e cria um fundo garantidor -voltado a cobrir, com recursos públicos, perdas devidas à inadimplência. Essas inovações, se forem bem desenvolvidas, abrirão a perspectiva de surgimento de um novo mercado, capaz de atrair construtoras e clientes de portes variados.

Embora seja amplo, articulado e evite incorrer em erros do passado, o programa está longe de constituir realidade. As regras de desburocratização ainda não foram detalhadas. Tampouco estão definidos os mecanismos de articulação com Estados e municípios -que serão responsáveis por várias etapas, como a seleção de famílias contempladas e a aprovação dos projetos.

Além do papel operacional que caberá a Estados e municípios, o Executivo federal negociará colaborações de governos e prefeituras a fim de obter terrenos para os projetos -bem como para ampliar a desoneração tributária da moradia popular. O modo pelo qual essa colaboração poderá ocorrer e as contrapartidas que a União oferecerá ainda são aspectos a serem esclarecidos. De maneira mais geral, cabe implantar mecanismos que coíbam uma prática tradicional no Brasil, em particular no campo da habitação popular: o clientelismo.

O desafio é impedir que a iniciativa seja vista, ou tratada, como "capital político" de um governo em particular -sob pena de que ela se esvazie ou se desvie de seus objetivos. A habitação popular precisa transformar-se numa política de Estado.”

sexta-feira, 27 de março de 2009

FHC ESTÁ COM SAUDADES DA ''DITABRANDA''

Li ontem no site “vermelho”:

“Torcendo para que a crise mundial abale a popularidade do presidente Lula, o agourento FHC resolveu soltar a sua língua ferina. Em apenas dois dias, o ''príncipe da Sorbonne'' falou duas besteiras retumbantes. Talvez influenciado pela Folha de S.Paulo, que recentemente cunhou o odioso termo ''ditabranda'' para se referir ao sombrio período da ditadura no país, afirmou: ''Aí que saudades do governo militar, quando eu podia falar''. Foi uma resposta intempestiva a uma justa alfinetada de Lula, que recentemente afirmou que ''tem ex-presidente que fala demais''.

Talvez FHC esteja com saudades da fase em que viveu no exílio, quem sabe ''brando'', durante o regime militar. Nos anos de chumbo da ditadura não se ''podia falar'' à vontade no país, marcado por prisões arbitrárias, torturas, mortes, cassação de parlamentares, intervenção nos sindicatos e censura à imprensa alternativa.

Ou talvez FHC esteja com saudades do seu reinado de oito anos no Palácio do Planalto, quando acionou as tropas do Exército para reprimir a greve da Petrobras e desqualificou as criticas ao seu governo, taxando-as de ''blábláblá''. Bem diferente de Lula, sua gestão foi autoritária e fez de tudo para ''quebrar a espinha dorsal'' dos movimentos sociais.

CORRUPÇÃO E CARADURA DOS TUCANOS

A outra pisada na bola de FHC ocorreu durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no qual ele afirmou que no governo Lula ''a corrupção é endêmica. A diferença [entre a minha administração e atual] é de atitude: não posso dizer que não teve, mas garanto que eu não compactuei com ela. Nunca passei a mão na cabeça de corrupto [ao contrário do presidente Lula]'', registrou, excitada, a Folha. Este jornal, hoje um dos principais palanques da oposição neoliberal-conservadora, deveria, no mínimo, citar as denúncias de corrupção durante o governo de FHC. E olha que não foram poucas. Vale à pena refrescar a memória de FHC e de Otavinho:

SIVAM. Logo no início do primeiro mandato de FHC, denúncias de corrupção e de tráfico de influencias no contrato de US$ 1,4 bilhão na criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram o um ministro e dois assessores do presidente. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.

PASTA ROSA. Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Econômico numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o ''socorro'' aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo da pasta rosa, que trazia o nome de 25 deputados subornados pelo Banco Econômico.

PRECATÓRIOS. Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua do pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (Dner). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.

COMPRA DE VOTOS. Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar no projeto. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido da CPI foi bombardeado pelos governistas.

DESVALORIZAÇÃO DO REAL. Num nítido estelionato eleitoral, FHC promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar, socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam - ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação da CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.

PRIVATARIA. Durante a privatização da Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio da Previ, o Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Árida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, o governo sabotou a instalação da CPI. O outro envolvido neste escândalo foi Daniel Dantas, o especulador ''muito competente'', segundo outra besteira dita recentemente por FHC.

EDUARDO JORGE. O secretário-geral de FHC foi alvo de inúmeras denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a reeleição; lobby para favorecer empresas de informática com contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de recursos dos fundos de pensão nas privatizações.

CPI DA CORRUPÇÃO. Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, na privatização da Telebrás e no envolvimento do ex-ministro Eduardo Jorge.

A PISADA NA BOLA DE LULA

Toda essa imundice no ninho tucano ficou impune, com a cumplicidade da maior parte da mídia. FHC também contou com a ajuda do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de ''engavetador-geral''. Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e outros 217 foram arquivados. Eles envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e, em quatro, o próprio FHC. Nada foi apurado e FHC afirma hoje, na maior caradura, que ''nunca passei a mão na cabeça de corrupto''. Haja paciência!

Logo no início do seu primeiro mandato, Lula se jactou de ter rejeitado terminantemente a idéia da abertura das investigações sobre a ''herança maldita'' da corrupção tucana. Diante da língua ferida de FHC, talvez ele já tenha se arrependido de tanta ''bondade''!”

DEZ REGRAS DA GRANDE IMPRENSA AO ABORDAR MOVIMENTOS SOCIAIS

Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto de Osvaldo da Costa, postado na “Adital”

CONVENÇÕES BÁSICAS (QUEM NÃO CUMPRIR ESTÁ SUJEITO À DEMISSÃO):

1ª) TODA OCUPAÇÃO DE TERRA DEVE SER CHAMADA DE INVASÃO


Ao invés de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, "ocupação" – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios –, é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra "invasão" – tomar para si pela força algo que não lhe pertence.

Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas.

Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infra-estrutura e matam a população, deve-se utilizar o termo "ocupação".

2ª) REGRA DO EFEITO DOMINÓ: FALE SÓ DO MAIOR PARA BATER EM TODOS

O acordo da grande imprensa é manter somente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na pauta dos noticiários, e evitar sempre que possível falar da existência de outros movimentos sociais. Para isso, quando se tratar de movimentos do campo, basta usar sempre a expressão genérica "movimento dos sem-terra", ou falar dos "sem-terra", sem mais detalhes.

Se a pauta exigir o detalhamento do movimento, recomenda-se associá-lo sempre ao alvo principal, com expressões como "movimento dissidente do MST".

Essa regra ainda colabora para a desunião entre os movimentos, pois os menores se incomodam pela invisibilidade e pelo fato de terem suas ações relacionadas sempre ao MST.

3ª) REFORMA AGRÁRIA DEVE SER TRATADA COMO QUESTÃO DE POLÍCIA

Movimentos sociais e reforma agrária devem, sempre que possível, ser tratados na página policial, no caso de jornais impressos, e no bloco do crime e dos desastres, no caso dos telejornais.

Caso não seja possível enquadrá-los na seção policial ou em espaço próximo, use títulos para editorias que lembrem o belicismo, como "campo minado". Não importa o que diga sua matéria, os títulos devem falar por ela, mesmo que não tenham relação com o conteúdo. Use tons sensacionalistas e fatalistas.

4ª) NUNCA DIVULGUE OS ARTIGOS PROGRESSISTAS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Os artigos da Constituição Federal que tratam da função social da terra, que integram o código agrário – 184 a 191 – nunca devem ser mencionados em reportagens sobre os movimentos sociais, para evitar a compreensão de que a ação de invasão de terras pode ter algum respaldo legal.

É sempre recomendável lembrar da lei de Segurança Nacional e da necessidade de uma legislação contra o terrorismo no Brasil. O termo "Estado de Direito" é ideal para isso. Considere qualquer manifestação uma afronta ao Estado de Direito, mesmo que ele seja apenas o Direito do Estado.

Se falar do Estado de Direito e suprimir os artigos progressistas da Constituição não for suficiente, convém colocar as reportagens próximas à cobertura de ações terroristas ou, levantar a suspeita de que há relação do movimento social com uma organização terrorista ou guerrilheira estrangeira.

Conjunto de regras para serem selecionadas e aplicadas conforme a conjuntura exigir:

5ª) LEVANTE A BOLA PARA O OPORTUNISTA DE PLANTÃO

Não é verdade que o papel da imprensa é apurar a verdade dos fatos. Todo aspirante deve saber que a imprensa tem poder para gerar os fatos.

Além disso, apurar fatos implica em sair da sua cadeira e nem todos eles podem ser apurados por telefone. Basta fazer uma reportagem suspeitando de algo, e procurar um oportunista que queira protagonizar a indignação pública para a suspeita ganhar dimensão de notícia.

Sempre há alguém à disposição esperando para se deslumbrar com as luzes dos holofotes. O exemplo bem sucedido mais recente foi o caso da requentada pauta da suspeita da legalidade do financiamento público para cooperativas da reforma agrária, em que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) desempenhou o papel de porta-voz da bancada ruralista, dando respaldo para a suspeita, e de quebra, aproveitando para atacar o governo federal.

Se não houver ninguém do Judiciário ou algum deputado, não importa, qualquer um, sem nunca ter ido a um assentamento ou acampamento pode ser transformado em "especialista" em questão agrária: sociólogos, filósofos e até jornalistas.

6ª) NEM SEMPRE DEVEMOS APURAR OS DOIS LADOS DA NOTÍCIA

Quando já conseguimos incutir um pré-julgamento na opinião pública sobre o caráter marginal das ações dos movimentos sociais, podemos reforçar essa opinião entrevistando somente o lado agredido pelas ações, as vítimas dos movimentos. Fica implícita a informação de que, como os integrantes dos movimentos são foras da lei, quem deve escutá-los é a polícia e o poder judiciário. Se ainda assim tiver que ouvi-los, seja breve e descontextualize a frase.

7º) NÃO DEVE EXISTIR NOÇÃO DE HISTORICIDADE, NEM DE CAUSA E CONSEQÜÊNCIA EM NOSSAS REPORTAGENS

Não abordar as razões da ação dos movimentos sociais, evitar a divulgação da nota à imprensa. Não importa há quanto tempo às famílias estejam acampadas, quais promessas foram feitas pelo governo, se a terra é do banqueiro que saqueou os cofres públicos ou do coronel que vive do trabalho escravo. Se detenha nas conseqüências da ação.

8°) DRAMATIZAÇÃO DA REPERCUSSÃO DAS AÇÕES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Retire o foco das motivações estruturais e causas históricas e centre a abordagem nas conseqüências para os indivíduos donos ou empregados das propriedades invadidas ou atacadas.

– fale do prejuízo econômico para o proprietário, e se possível faça uma entrevista com o mesmo ou com um familiar próximo para mostrar a comoção da família diante do ataque bárbaro. É importante mostrar o estado de choque emocional, e o ideal é que a pessoa esteja chorando.

– surte grande efeito a entrevista com trabalhadores da fazenda ou da empresa. O maior exemplo é o caso da ação no horto da multinacional Aracruz no Rio Grande do Sul, em que uma técnica de laboratório se fez passar por pesquisadora e, em prantos (!), afirmou que a destruição das mudas de eucalipto acabou com mais de vinte anos pesquisa.

Nesse caso, as reportagens conseguiram colocar os movimentos sociais como contrários à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, evitando a pauta concreta da ação, que se centrava na expansão ilegal das terras da empresa e na depredação da natureza com o monocultivo de eucalipto.

9ª) CAMPANHA DE DESMORALIZAÇÃO PERMANENTE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

É sempre bom manter semanalmente pautas de desgaste aos movimentos sociais, mesmo que não haja uma ação que renda manchete. Nesses casos, a regra é trabalhar com associação, encaixando uma reportagem que fale sobre um movimento após ou entre matérias que falem, por exemplo, de casos de corrupção no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), venda de terra e desmatamento em assentamentos da Amazônia Legal, etc.

Bata nas mesmas teclas, insista nas mesmas teses permanentemente, mesmo que elas já tenham sido usadas antes. Insista, por exemplo, que o MST irá romper com o Governo Lula desta vez, mesmo que o movimento afirme e demonstre desde o primeiro dia de governo que nunca esteve atrelado.

E quando não for possível tomar como alvo os movimentos sociais, vale mirar nas bandeiras de luta deles, alegando estarem ultrapassadas, deslegitimando-as como parte da solução atual para os problemas do país. Nesse caso, pode-se até reconhecer o valor histórico que bandeiras como reforma agrária cumpriram no Brasil e em outros países, mas deve-se usar essa manobra apenas para recusar essas propostas no presente.

10ª) É FUNDAMENTAL SABER MANIPULAR A DIMENSÃO SUBJETIVA DO TELESPECTADOR OU DO LEITOR

Não é apenas com a manipulação dos fatos e com a edição das entrevistas que podemos influenciar na interpretação que os nossos consumidores farão. Na TV, a expressão facial e o tom de voz dos repórteres, dos comentaristas e, sobretudo, dos âncoras, é determinante. A adoção do semblante sério e do tom de voz grave deve indicar a importância do tema.

Além da performance dos jornalistas como atores, é recomendável que o pano de fundo do cenário também traga imagens que gerem medo e desconfiança. O exemplo do Jornal Nacional é o mais ilustrativo: para falar da reforma agrária e dos movimentos que lutam por ela: aparece uma cerca rompida e três vultos disformes – "afinal não são pessoas, são sombras" –, empunhando ferramentas de trabalho como se fossem armas, numa ação de invasão da propriedade (e da casa do espectador).”

NÃO É POSSÍVEL QUE "SÓ O SISTEMA FINANCEIRO NÃO TENHA FISCALIZAÇÃO", DIZ LULA EM ENCONTRO COM PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Claudia Andrade, feita com informações das agências internacionais AFP e EFE:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que realiza uma breve visita oficial ao Brasil, e criticou a falta de fiscalização no sistema financeiro, além de comparar o protecionismo a uma "droga".

"Em uma cidade democrática, onde a sociedade está cada vez mais sendo vigiada, no shopping, aeroporto, hotel, não é possível que só o sistema financeiro não seja vigiado e não tenha fiscalização", afirmou Lula em entrevista coletiva após o encontro.

Sobre protecionaismo, o presidente brasileiro disse "eu comparo o protecionismo a uma droga. Se a gente não agir corretamente, além da depressão, virá a recessão, o desemprego, virá mais instabilidade".

Lula se reuniu com Brown em sua residência oficial, o Palácio da Alvorada, já que o Palácio do Planalto, sede do Executivo, passa por obras de reforma.

"A conversa que tivemos com o primeiro-ministro foi extremamente produtiva", disse o brasileiro sobre o encontro com o britânico.

G20

O presidente brasileiro também comentou o encontro de cúpula do G20 (grupo que reúne representantes de países ricos e dos principais emergentes) que será realizado no dia 2 de abril em Londres (Reino Unido).

"Essa reunião que vamos fazer em Londres, no dia 2, é uma reunião histórica porque, dela, o povo do mundo espera muito", disse Lula. "Se cometermos o erro de fazermos dessa reunião uma reunião para marcar outra reunião, poderemos perder credibilidade e a crise se aprofundar."

Depois do encontro com Lula, Gordon Brown viaja a São Paulo, onde visitará o Museu do Futebol e fará uma palestra sobre a crise na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) acompanhado por seu ministro de Negócios, Peter Mandelson.

À noite, o primeiro-ministro do Reino Unido participará de uma recepção a empresários dos dois países no Centro Britânico Brasileiro.

Amanhã (dia 27), Brown viaja para o Chile para a reunião anual de Líderes Progressistas, que acontece no sábado na cidade chilena de Viña del Mar e à qual Lula também comparecerá. A reunião servirá para definir posições entre governantes de centro-esquerda rumo à reunião do G20.”

LULA DIZ QUE CRISE FOI CAUSADA POR "BRANCOS DE OLHOS AZUIS" E COBRA DECISÕES NO G20

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Lorenna Rodrigues, da Folha Online, em Brasília:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que a crise financeira mundial foi causada por "gente branca de olhos azuis" e que não é justo que negros e índios paguem a conta da crise. "É uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber tudo e agora não sabem nada", afirmou, diante do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e da imprensa britânica --quase todos com perfil semelhante ao descrito pelo presidente.

Questionado por um jornalista inglês se estaria adotando uma postura ideológica no combate à crise, Lula negou e disse que estava apenas "constatando um fato". "Como eu não conheço nenhum banqueiro negro ou índio, eu só posso dizer que [não é possível] que essa parte da humanidade que é a mais vitima do mundo pague por uma crise. O que nós percebemos é que, mais uma vez, grande parte dos pobres do mundo são as primeiras vitimas", completou.

Lula citou ainda o preconceito de que os imigrantes são vítimas nos países desenvolvidos e que, segundo ele, tem sido agravado com a crise. Brown evitou entrar na polêmica e disse apenas que a crise bancária começou no sistema norte-americano e que o resto do mundo teve que lidar com os problemas.

CREDIBILIDADE

Lula e Brown defenderam a regulamentação do sistema financeiro para evitar que a crise se repita. Lula disse ainda que será necessário mexer nos paraísos fiscais e que "não será uma luta fácil". O presidente brasileiro cobrou decisões na próxima reunião do G20 (grupo que reúne representantes de países ricos e dos principais emergentes), no dia 2 de abril, em Londres.

"Se cometermos o erro de fazer uma reunião para marcar outra reunião, nós poderemos cair em descrédito e a crise afundar. Se a reunião de Londres não der um bom sinal de que definitivamente vamos começar a resolver o problema da regulação, o problema do crédito, certamente vamos passar ao mundo uma fraqueza política que não poderá existir", afirmou.

Lula disse ainda que o momento "é da política" e condenou a volta do protecionismo. Brown disse que os dois governantes concordaram que os países que não estão cumprindo as regras anti-protecionismo da OMC (Organização Mundial do Comércio) devem ser tornados públicos.”

BRASIL TERÁ SEU VEÍCULO AÉREO NÃO TRIPULADO

Li ontem no jornal Valor Econômico a seguinte reportagem de Virgínia Silveira, de São José dos Campos:

“O Brasil prepara-se para atingir o domínio tecnológico na área de veículos aéreos não tripulados (VANT). A empresa Avibrás recebeu R$ 18 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para desenvolver um VANT com aplicação civil e militar nas áreas de reconhecimento, monitoramento ambiental, inspeção de linhas de transmissão de energia elétrica, tubulação de gás, tráfego urbano, entre outras.

A parte eletrônica do VANT brasileiro, envolvendo o seu sistema de navegação e controle, foi testada com sucesso em seis voos, realizados em dezembro, em uma plataforma de pequeno porte, de propriedade da Força aérea Brasileira (FAB). Iniciado em 2005, o VANT é um projeto desenvolvido pelo Comando-geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e a Avibrás como parceira industrial.

A primeira fase do projeto, que envolveu o domínio tecnológico das partes mais sensíveis do veículo, foi coordenada pelo CTA. A FINEP destinou R$ 9 milhões para essa etapa.

Foram realizadas quatro campanhas de ensaios dos sistemas e um total de 27 voos, na aeronave Acauã, desenvolvida pelo CTA na década de 80, com três metros de envergadura. "A aeronave conseguiu fazer o acompanhamento do traçado do Rio Mogi-Guaçu em voo totalmente autônomo", disse o coordenador do projeto VANT no CTA, Flávio Araripe D´Oliveira.

Para a última campanha de testes em voo foram contratadas as empresas Flight Technologies (piloto automático), BCC- Bossan Computação Científica (software embarcado) e Johansen Engenharia (engenharia de sistemas). Todos os voos tiveram ainda o acompanhamento de um helicóptero CH-55 Equilo, do Grupo Especial de Ensaios em voo, do CTA.

"Caberá a Avibrás o desenvolvimento de um VANT operacional, de média altitude e 15 horas de autonomia de voo", explicou. A fase de certificação do VANT, segundo o CTA, tem uma previsão de absorver mais R$ 80 milhões, mas os recursos ainda estão sendo negociados. O desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados no Brasil conta com o apoio da FINEP, através do programa de subvenção econômica, que liberou R$ 80 milhões para 31 projetos considerados estratégicos. Dentre esses projetos, foram selecionadas seis propostas relacionadas a veículos aéreos não tripulados.

Os projetos de VANTs no Brasil ganharam impulso tendo em vista um mercado que movimenta cerca de US$ 8 bilhões por ano, segundo Oliveira. "Até 11 de setembro de 2001, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos investia uma média de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões por ano na área de UAV (unmanned aerial vehicle). Atualmente esses valores ultrapassam os US$ 3 bilhões anuais."

No Brasil existem mais de 10 iniciativas públicas e privadas na área de VANT. Entre elas está a da Flight Solutions, que desenvolve um VANT de curto alcance, com aplicação em reconhecimento para o Exército brasileiro. A empresa, que iniciou suas atividades em uma incubadora de tecnologia aeroespacial, hoje está instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos. A empresa AGX, em parceria com a Universidade de São Carlos e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo um VANT para aplicações agrícolas, como por exemplo, observação de safras.

Nos Estados Unidos os veículos aéreos não tripulados ou UAVs recebem a denominação 3D, como referência ao tipo de missão desempenhada por este tipo de aeronave: dull (enfadonha), dangerous (perigosa) e durty (suja). No próprio nome já é possível identificar as vantagens operacionais das aeronaves sem piloto: voos longos, sem restrição (algumas aeronaves VANT, como o americano Global Hawk, realizam missões de até 40 horas); acesso a locais com risco de contaminação ou próximas a áreas vulcânicas, por exemplo; e regiões em situação de guerra, com alto risco de abate pelo inimigo.

O desenvolvimento de VANT também integra a lista de prioridades da nova política de defesa nacional do governo. A Polícia Federal, de acordo com Oliveira, lançou recentemente uma procura internacional de VANT com aplicação em reconhecimento e equipados com sensores de infra-vermelho e radar capaz de enxergar alvos em condições atmosféricas adversas. "Num prazo de dois a três anos teremos no Brasil um sistema completo de VANT de reconhecimento, desenvolvido com tecnologia brasileira e industrializado por uma empresa nacional", disse.

A Avibrás, segundo ele, tem grande potencial de exportação do VANT para os clientes que utilizam seu sistema de lançamento de foguetes Astros II. "Os usuários do sistema Astros querem saber, com precisão, onde estão caindo os foguetes depois de lançados.

Isso normalmente é feito hoje com soldados em terra e aeronaves". O VANT, de acordo com Oliveira, é quase um complemento de imagens de satélites, com a vantagem de ter um custo bem mais baixo.”

BAIXA A INFLAÇÃO

Li ontem no jornal Folha de São Paulo:

IPCA-15 RECUA E ABRE ESPAÇO PARA JURO MENOR

“A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) recuou para 0,11% em março. O resultado ficou abaixo das previsões de analistas e foi inferior à alta de preços do mês passado, de 0,63%.

Os preços de educação e de alimentos foram os principais responsáveis pela desaceleração do índice. Em fevereiro, o reajuste de matrículas e mensalidades escolares havia sido responsável por mais da metade da taxa de inflação. Em março, o grupo teve queda de 0,43%.

Segundo analistas, os dados sobre o comportamento de preços em março mostram que há espaço para novos cortes de juros.”

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR A LINHA DE CRÉDITO FLEXÍVEL

Li ontem na Folha de São Paulo o seguinte artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. O autor é Diretor-Executivo no FMI, onde representa nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago):

“A NOVA LINHA DE CRÉDITO DO FMI REPRESENTA UMA INOVAÇÃO EXTRAORDINÁRIA NO FUNCIONAMENTO DA INSTITUIÇÃO

“A crise mudou tudo, leitor. Propostas que o Brasil e outros países defendiam e que pareciam, há um ano, ou mesmo seis meses, totalmente irrealistas, talvez utópicas, estão na mesa de negociação aqui no FMI e em outros fóruns. Algumas delas estão sendo implementadas. Anteontem, o Brasil obteve uma vitória importante com a aprovação pela diretoria de uma reforma profunda nos instrumentos de empréstimo e no monitoramento do FMI, uma das mais importantes na história da instituição. O espaço não permite longas explicações. Vou me limitar a descrever rapidamente o aspecto que me parece fundamental. Para mais detalhes sobre a reforma, ver nota do Ministério da Fazenda, divulgada anteontem (www.fazenda.gov.br).

A principal inovação foi a criação da Linha de Crédito Flexível ("Flexible Credit Line" - FCL). Há cerca de um ano, recebi do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a orientação de concentrar esforços no desenho de um instrumento de liquidez que equipasse o FMI para responder de forma adequada à crise. Naquela altura, a crise ainda não atingira os países em desenvolvimento com força, mas a percepção do ministro era que isso seria apenas uma questão de tempo.

A cadeira brasileira elaborou então uma proposta que foi recebida inicialmente com ceticismo, mas que foi sendo refinada. Gradualmente conquistamos o apoio do corpo técnico, da Administração do FMI e de outras cadeiras da Diretoria Executiva, não só de países em desenvolvimento mas também de países desenvolvidos.

Com a intensificação da crise de setembro de 2008 em diante, a urgência do tema tornou-se evidente. Em outubro, conseguimos uma vitória parcial: a criação da Facilidade de Liquidez de Curto Prazo ("Short-Term Liquidity Facility" -SLF). Infelizmente, ela nasceu cheia de travas que impediram a sua utilização pelos países. Passamos então mais alguns meses lutando para persuadir os setores mais conservadores do Fundo de que era preciso reformar a SLF. O resultado desse esforço adicional foi a FCL, que remove todas limitações da sua antecessora, ao mesmo tempo em que mantém os seus aspectos positivos intocados. Vitória completa, portanto. A FCL representa uma inovação extraordinária no funcionamento do Fundo. Ela estará disponível para países que tenham políticas econômicas sólidas e atendam a critérios de habilitação preestabelecidos.

Esses critérios foram definidos de forma flexível, como pretendíamos, constituindo no essencial uma enunciação genérica do que podem ser considerados, sem muita controvérsia, os elementos básicos de uma política adequada. Na FCL, não haverá cartas de intenção, critérios de desempenho, metas a cumprir ou monitoramento. Os países habilitados terão acesso rápido, praticamente automático aos recursos do Fundo. Não há um limite rígido de acesso; o valor do empréstimo será determinado caso a caso (a SLF tinha um limite de 500% da quota). Os prazos de amortização (de três anos e um trimestre até cinco anos) são iguais aos das linhas tradicionais (os "Stand-Bys") e mais longos que os da SLF (que tinha prazo máximo de nove meses).

Além disso, uma vez aprovada, a linha de crédito pode ser utilizada a qualquer momento ou não ser desembolsada, ficando como instrumento preventivo, mediante pagamento de uma comissão. O custo da linha também é muito inferior ao da SLF e igual ao das linhas tradicionais.

Agora, a próxima etapa é garantir a aplicação correta e justa da nova linha, não permitindo que velhas práticas do FMI reapareçam sob nova roupagem.”

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO: BRASIL É FORTE EM FORNECEDORES LOCAIS, MERCADO FINANCEIRO E PESQUISA

A agência espanhola de notícias EFE ontem divulgou, a partir de Genebra:

BRASIL É O 59º EM USO DE TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO

“O Brasil ocupa o 59ª posto na lista que avalia o nível de implantação de tecnologias da informação (TI) no mundo, divulgada hoje pelo Fórum Econômico Mundial. O país continua na mesma posição do levantamento anterior.

Entre os pontos fortes do Brasil, o estudo destaca a quantidade de fornecedores locais, a sofisticação do mercado financeiro e a existência de centros especializados de pesquisa e treinamento.

Já algumas das principais fraquezas brasileiras no campo da TI, de acordo com a pesquisa, são a alta tributação, o tempo necessário para se conseguir abrir um negócio e a burocracia governamental.

A Dinamarca encabeça o ranking de 134 países, seguida por Suécia e Estados Unidos. Cingapura, Suíça, Finlândia, Islândia, Noruega, Holanda e Canadá completam nesta ordem a lista dos dez primeiros.

Os países latino-americanos ocupam posições bem diferentes. À frente do Brasil aparecem apenas três nações: Chile (39º), Porto Rico (42º) e Costa Rica (56º).
Já o Equador (116º), o Paraguai (122º), a Nicarágua (125º) e a Bolívia (128º) surgem mais perto do final da lista.

Quanto aos grandes mercados emergentes asiáticos, a China aparece na 46ª posição, 11 à frente da pesquisa anterior, e a Índia, em 54º.

O relatório examina o quanto os países estudados estão preparados para empregar as TI e o quanto essas tecnologias, como a telefonia celular, por exemplo, são empregadas.”

PF PRENDE DONA DA DASLU E MAIS 2 ACUSADOS; OUTROS 2 ESTÃO FORAGIDOS

Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem de Matheus Magenta, feita em colaboração para a Folha Online

“A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, além da dona da Daslu, Eliana Tranchesi, outras duas pessoas acusadas de crimes financeiros: Antonio Carlos Piva de Albuquerque, irmão de Eliana e ex-diretor financeiro da butique, e Celso de Lima, da importadora Multimport. As prisões foram realizadas em cumprimento de sentença judicial condenatória da 2ª Vara da Justiça Federal, em Guarulhos (Grande SP).

Ao todo são sete mandados de prisão expedidos, mas apenas três foram efetuados --dois ainda estão em curso, segundo a PF, sendo que outros dois envolvidos já são considerados foragidos. A PF e o Ministério Público Federal não informaram, por enquanto, a pena determinada pela Justiça --uma entrevista coletiva foi marcada para as 14h de hoje.

O MPF pediu a condenação do grupo em abril do ano passado por sonegação fiscal (descaminho), formação de quadrilha e falsificação de documentos após a conclusão das investigações da operação Narciso, deflagrada em 2005.

Por meio de nota, a defesa da empresária informou que deve entrar ainda nesta quinta-feira com um pedido de habeas corpus. De acordo com a advogada da Daslu, Joyce Roysen, a defesa ainda procura ter acesso à sentença. "Estamos certos de que Eliana Tranchesi terá sua liberdade imediatamente devolvida pelo Poder Judiciário", disse Roysen, por meio de nota.

O IML (Instituto Médico Legal) confirmou que Tranchesi fez exame de corpo de delito na manhã desta quinta-feira. Depois disso, ela foi conduzida provisoriamente ao presídio feminino do Carandiru na zona norte da capital paulista.

O CASO

A crise da loja mais luxuosa do país começou em julho de 2005 com uma megaoperação (chamada Narciso) da Polícia Federal e da Receita Federal, que resultou na detenção, por 12 horas, de Eliana Tranchesi e na apreensão de documentos. À época, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, irmão de Eliana, ficou preso por cinco dias, sendo liberado e preso novamente em 2006.

A maior butique de luxo do país é acusada de importação irregular. A empresa teria construído um esquema para subfaturar importações com o objetivo de sonegar impostos.

No esquema, a Daslu seria a responsável pela negociação, compra, escolha e pagamento de mercadorias no exterior e, após tais atos, entravam em cena as importadoras ("tradings"), que eram responsáveis pela falsificação de documentos e faturas destinados a permitir o subfaturamento do valor das mercadorias.

Em dezembro de 2005, na esteira da investigação, a Receita apreendeu R$ 1,7 milhão em bolsas das marcas Chanel e Gucci importadas pela Columbia. Etiquetas da trading estariam sobrepostas às da Daslu no contêiner que foi fiscalizado pela Receita. Ao ocultar o nome da Daslu, a loja deixaria de ser contribuinte de IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) de 10% sobre o valor da venda do produto. Só esta suposta sonegação alcança ao menos R$ 330 mil.

Durante o processo, a defesa de Eliana Tranchesi e Piva de Albuquerque jogou a responsabilidade pelo esquema para as importadoras, alegando que os irmãos nada sabiam.

Autoridades americanas, porém, obtiveram das empresas Marc Jacobs, Donna Karan e Ralph Lauren as faturas originais de venda de mercadorias à Daslu, atestando inúmeras negociações realizadas por tais grifes diretamente com a butique brasileira, além dos preços reais praticados.

Em outro capítulo do caso, em abril de 2008, o Ministério Público Federal em Guarulhos pediu a condenação de sete envolvidos no suposto esquema de importações fraudulentas. No processo, foram pedidas as condenações de Tranchesi, de seu irmão e cinco donos de quatro importadoras. Na ocasião, Joyce Roysen, advogada da empresária, afirmou que as provas de acusação são "escassas e insuficientes" para a condenação dos acusados.”

CARTEIRA DE TRABALHO ASSINADA: ALTA DE 3,4% SOBRE UM ANO ATRÁS

Temos muito a comemorar com a notícia positiva de melhora do emprego em fevereiro de 2009 em relação a fevereiro do ano passado, que já era um ano muito bom para a economia e o trabalhador.

Contudo, é impressionante como os meios de comunicação, engajados na campanha da volta do PSDB/DEM ao poder, arduamente conseguem artifícios comparativos para transformar notícia boa em ruim (pois somente Serra trará boas notícias, segundo os direitistas).

Vejamos o resultado abaixo, fruto de enorme esforço de distorção do Grupo Folha serrista, com informações também da agência norte-americana de notícias Reuters:

“DESEMPREGO ATINGE MAIOR TAXA DESDE ABRIL DO ANO PASSADO, MAS FICA ABAIXO DO PREVISTO

A taxa de desemprego no país subiu de 8,2% em janeiro para 8,5% em fevereiro, maior percentual desde abril do ano passado. Ainda assim, ficou abaixo dos 8,7% registrados em fevereiro do ano passado

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e abrangem seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre).

O indicador subiu menos que o esperado.

Todos os 32 economistas consultados pela agência de informações Reuters previam uma taxa maior. As projeções variavam entre 8,7% e 9,6%.

Apesar de ter aumentado, a taxa ainda está bem longe do recorde, de 13,1%, atingido em abril de 2004.

A pesquisa com a atual metodologia se iniciou em 2001.

PIORA NO MÊS, MELHORA NO ANO

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que a situação do emprego piorou de janeiro para fevereiro. No entanto, quando se compara um prazo de um ano, entre fevereiro do ano passado e deste ano, os números mostram melhora.

O total da população desocupada somou 1,9 milhão de pessoas em fevereiro, 51 mil a mais que em janeiro, mas 29 mil a menos que em fevereiro do ano passado.

Já a população ocupada estava em 20,9 milhões em fevereiro, 211 mil a menos que em janeiro, mas 283 mil a mais que em fevereiro do ano passado.

O número de pessoas com carteira de trabalho assinada ficou em 9,4 milhões, queda de 1,1% em relação a janeiro e alta de 3,4% sobre um ano atrás.”

JUROS DO CHEQUE ESPECIAL TÊM MENOR NÍVEL DESDE O AGRAVAMENTO DA CRISE

Li ontem no portal UOL o seguinte texto elaborado com informações do Valor Online:

“A taxa de juros do cheque especial caiu 5,3 pontos percentuais em fevereiro, para 166,71% ao ano - o menor patamar desde os 166,39% de agosto de 2008 , quando a crise econômica mundial começava a se agravar

Em janeiro, a média cobrada para essa modalidade de crédito era de 172% anuais. No acumulado de 12 meses, o juro do cheque especial subiu 20,7 pontos percentuais.

O spread (ganho com a diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação) cobrado pelos bancos nessa operação ficou em 155,1% ao ano, com recuo de 4,8 pontos perante o percentual de 159,9% percebido em janeiro.

O juro do crédito pessoal fechou fevereiro em 54,5%, com queda de 2 pontos percentuais perante janeiro, mas acréscimo de 1,9 ponto em 12 meses.

Dentro dessas operações, a taxa média dos empréstimos com desconto em folha de pagamento situou-se em 29,3% em fevereiro, contra percentual de 30,8% registrado em janeiro (número corrigido).

As taxas médias das operações tradicionais de crédito pessoal aumentaram em 0,7 ponto de janeiro para fevereiro, totalizando 74,4% ao ano.

Dentre outras modalidades de crédito à pessoa física, o custo médio do empréstimo para aquisição de veículos equivaleu a 31,8%, com queda de 2,9 pontos em relação aos 34,7% do mês anterior.

As taxas de empréstimos cobradas para aquisição de bens variados - como eletroeletrônicos, por exemplo - se encontrou em 64% ao ano, declínio de 2,1 pontos perante os 66,1% de janeiro.”

ISRAEL ADMITE TER MATADO CRIANÇAS DURANTE AGRESSÃO A GAZA

Li hoje no site “vermelho”

“O exército de ocupação de Israel admitiu nesta quarta-feira (25) ter assassinado 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos, durante o último massacre antipalestino realizado na Faixa de Gaza, em janeiro deste ano.

O relatório do Exército de ocupação israelense alega que 600 militantes palestinos do Hamas teriam sido assassinados durante o massacre, que durou 22 dias.

Esse número inclui policiais que foram mortos em um bombardeio no primeiro dia da ofensiva, durante a parada de graduação da academia, em Gaza.

A lista inclui ainda 320 mortos descritos como "não filiados", um eufemismo para não admitir de imediato que os assassinados não pertencem a qualquer força beligerante, ou seja, civis.

14 membros do partido Fatá teriam sido executados pelo Hamás durante a ofensiva, alega o comunicado do exército ocupante.

No total, as forças israelenses contabilizam 1.370 mortes, contra as 1.434 do Centro Palestino de Direitos Humanos. Segundo o jornal Haaretz, as forças de ocupação teriam apontado 1.249 vítimas da lista apresentada pela entidade palestina.

O grupo de vítimas listada pelo exército sionista inclui ainda 91 mulheres e 21 idosos que não estavam envolvidos no combate, além de seis trabalhadores da agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para refugiados palestinos e dois médicos de equipes de resgate.”

EMBRAER ENTREGA JATO PHENOM 100 À FORÇA AÉREA DO PAQUISTÃO

Li hoje no site defesa@net::

GOVERNO PAQUISTANÊS ENCOMENDOU QUATRO AVIÕES PARA TRANSPORTE DE AUTORIDADES

São José dos Campos, 25 de março de 2009 – A Embraer entregou ontem, na sede da Empresa, em São José dos Campos, o primeiro jato Phenom 100 à Força Aérea do Paquistão. O governo paquistanês adquiriu um total de quatro aeronaves desse modelo, a serem utilizadas para o transporte de autoridades daquele país. Esta encomenda já está incluída na carteira de pedidos firmes a entregar da Embraer referente ao quarto trimestre de 2008.

“É uma honra para a Embraer ter a confiança do Governo do Paquistão para operar nossos produtos”, disse Orlando José Ferreira Neto, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo. “O Phenom 100 é uma excelente aeronave que atende aos mais variados requisitos de transporte e, seguindo o caminho aberto pela Força Aérea do Paquistão no mercado internacional, percebemos crescente interesse por este modelo em várias outras regiões.”

Esta é a primeira aeronave da Embraer entregue para um cliente no Paquistão e também o
primeiro Phenom 100 a ser operado por um governo. A Força Aérea do país optou pelo modelo após uma análise detalhada, que levou em consideração aspectos como desempenho, conforto, tecnologia, preço de aquisição e custo operacional, entre outros.

O jato Phenom 100 tem capacidade para até oito ocupantes. Com alcance de 2.182 km (1.178 milhas náuticas), incluindo reservas de combustível NBAA IFR, é capaz de voar de São Paulo para Montevidéu (Uruguai) ou de Islamabad (Paquistão) para Karachi (Paquistão) ou Katmandu (Nepal) sem escalas. O jato foi certificado em dezembro de 2008 e confirmou ser o mais rápido e com a maior capacidade de bagagem da sua categoria. O Phenom 100 tem uma avançada cabine de pilotagem e possui um lavatório traseiro privativo como alguns de seus diferenciais competitivos.”

INGLATERRA: GOVERNO INVESTIGARÁ RAZÕES QUE A LEVARAM A INVADIR O IRAQUE

A agência espanhola de notícias EFE ontem divulgou a seguinte notícia:

“Londres, 25 mar (EFE).- O Governo britânico iniciará uma investigação sobre os motivos que levaram o Reino Unido a participar da invasão do Iraque, depois que os 4.100 soldados começarem a voltar definitivamente ao país, em julho.

A investigação será realizada "assim que for possível", afirmou ao Parlamento o ministro de Assuntos Exteriores, David Miliband, que considerou necessário manter a "cautela" enquanto os militares britânicos ainda estiverem no país.

O chanceler britânico disse que é cedo para falar sobre missão cumprida ou para começar a revisar o passado, e acrescentou que o Governo se centra agora em garantir que haverá uma "conclusão tranquila e eficaz do grosso da participação militar britânica no Iraque".

"O momento de se concentrar em uma investigação oficial será quando as tropas voltarem em segurança a nosso país, não quando ainda estão expostas ao perigo no Iraque", disse o ministro, que, no entanto, reconheceu que há "lições importante que precisamos aprender" de uma operação militar que começou em março de 2003.

O secretário do Foreign Office lembrou que o envolvimento militar britânico no país foi o maior das Forças Armadas no exterior desde a Segunda Guerra Mundial, e considerou que, "embora cada país seja um caso único, a experiência no Iraque sobre a reconstrução pós-conflito é importante".

"Todos sabemos que construir a paz no Iraque foi muito mais difícil que ganhar a guerra", afirmou.

As declarações de Miliband respondiam às afirmações do principal responsável de Exteriores do Partido Conservador, William Hague, que acusou o Governo trabalhista de Gordon Brown de se esquecer de sua promessa de iniciar uma investigação.

Hague disse que essa será "uma das primeiras atuações" de um futuro Governo conservador após as eleições - previstas para 2010- e acusou o Executivo de adiar deliberadamente as investigações para evitar que as conclusões sejam divulgadas antes da convocação do pleito.”

DESEMPREGO EM FEVEREIRO: TAXA É A MENOR DESDE 98

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Deise de Oliveira, da Folha Online. Os dois veículos de comunicação integram o Grupo Folha, ferrenho lutador pela volta dos tucanopefelentos ao poder em 2010, com a eleição de Serra. Dentro dessa campanha da Folha, a notícia resumida no título acima (deste blog) foi torcida para dar conotação negativa, inclusive com o tradicional uso das famosas conjunções adversativas (no caso, “Mas”):

DESEMPREGO TEM CRESCIMENTO RECORDE, MAS TAXA É A MENOR DESDE 98

“O desemprego em seis das principais regiões metropolitanas do país --Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- ficou em 13,9% em fevereiro, contra 13,1% em janeiro, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira.

Apesar de esperado, o crescimento foi o mais intenso para o período de toda a série, iniciada em 1998. Em relação à taxa de desemprego, porém, trata-se da mais baixa para um mês de fevereiro. No ano passado, no mesmo período, a taxa era de 14,5%.

No mês passado, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,756 milhões de pessoas, 136 mil a mais do que no mês anterior --resultado da eliminação de 229 mil postos e a saída de 94 mil trabalhadores do mercado.

"Esse movimento é usual. O que nos assusta um pouco é a intensidade do crescimento do desemprego, só comparável ao período crítico da crise no início dos anos 90", disse Alexandre Loloian, coordenador de análises da Seade.

Em fevereiro, o nível de ocupação diminuiu 1,3%, pelo segundo mês seguido, o que também era esperado de janeiro para fevereiro, segundo o Dieese/Seade. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17,107 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 19,863 milhões.

O crescimento da taxa de desemprego ocorreu em quase todas as regiões, com exceção de Salvador, onde ficou estável em 19,4%. No Distrito Federal a taxa passou de 15,7% em janeiro para 16,3% em fevereiro; em Belo Horizonte foi de 8,8% para 9,4%; em Porto Alegre, de 10% para 10,4%; em Recife, de 18,3% para 19,1%; e em São Paulo, de 12,5% para 13,5%.

"Além da intensidade da eliminação de ocupação, preocupa a perspectiva de que é não é um efeito estritamente sazonal. A gente não sabe o quanto vai durar. O mercado de trabalho é estratégico para combater a crise, com a manutenção do emprego e renda, e assim tem de ser tratado", afirmou a técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa.

Segundo os principais setores de atividade, houve queda em todos os pesquisados. O nível ocupacional recuou nos serviços (eliminação de 88 mil ocupações), na indústria (77 mil), na construção civil (27 mil), comércio (27 mil) e em outros setores (10 mil).
Em janeiro, no conjunto das regiões pesquisadas, o rendimento médio real dos ocupados ficou estável (leve alta de 0,2%) e passou a valer R$ 1.193, enquanto o dos assalariados permaneceu em R$ 1.255.

SÃO PAULO

Na cidade de São Paulo, em fevereiro, o contingente de desempregados foi estimado em 1,397 milhão de pessoas, 92 mil a mais do que em janeiro --resultado da eliminação de 179 mil postos e da saída de 87 mil pessoas do mercado de trabalho. O nível de ocupação (8,953 milhões) em fevereiro recuou 2% em relação ao mês anterior (9,132 milhões).

Apesar do crescimento da taxa de desemprego para 13,5%, trata-se do menor patamar para um mês de fevereiro desde 1996.

Por setor, o emprego na indústria retraiu 4,1% (terceiro mês seguido de queda), em serviços caiu 0,9%, no comércio recuou 0,7% e em outros serviços (construção civil e doméstico principalmente), teve queda de 5,4%.

O rendimento médio real dos ocupados aumentou 0,8% em janeiro ante dezembro e passou para R$ 1.229, e o dos assalariados, subiu 0,4%, para R$ 1.271.”

PRÓXIMA CRISE EXTERNA DE OBAMA PODE ESTAR NA PORTA AO LADO

O jornal norte-americano The New York Times ontem publicou a seguinte reportagem de Marc Lacey e Ginger Thompson, a partir da Cidade do México (México) (li no UOL):

“A economia do México está sendo arrastada para baixo pela recessão no país ao norte. Os viciados estadunidenses transformaram o México em uma espécie de autoestrada para o transporte de drogas, e a polícia e as forças armadas mexicanas estão sob assalto de indivíduos que portam armas fabricadas nos Estados Unidos. Há 15 anos o Tratado Norte-americano de Livre Comércio (Nafta) prometeu que os caminhoneiros mexicanos teriam permissão para circular nas estradas dos Estados Unidos, mas o governo de Obama diz que tais motoristas não dirigem de forma suficientemente segura para isso.

As relações entre Estados Unidos e México estão em meio àquilo que pode ser descrito como um atrito entre vizinhos, um desentendimento que se estende por uma longa cerca entre os dois países. Essa cerca de fronteira, que em determinados locais tornou-se um muro, é outro fator irritante.

A secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, chega ao México nesta quarta-feira (25/03), para aquilo que será a primeira de uma série de visitas por parte de autoridades graduadas dos Estados Unidos, incluindo o próprio presidente Barack Obama, no mês que vem, na tentativa de controlar uma grande crise de política externa perto de casa. Eles encontrarão um país mergulhado em uma crise que se aprofunda, irritado com os sinais de protecionismo por parte do seu maior parceiro comercial e esfacelado por uma guerra de tráfico de drogas que o México atribui aos consumidores nos Estados Unidos.

Do outro lado também há muita ansiedade. Muitas comunidades estadunidenses estão preocupadas com a possibilidade de a violência espalhar-se para além da fronteira, e com a perspectiva de imigrantes mexicanos pegarem empregos que andam escassos. Isso está obrigando o governo Obama, que já tem que lidar com duas guerras e uma recessão profunda, a elaborar uma nova política em relação ao México bem antes do que teria desejado.

Obama, assim como o presidente George W. Bush antes dele, está descobrindo que esses desafios externos mexem com algumas das questões mais espinhosas da política externa, incluindo imigração, livre comércio e controle de armamentos.

O governo Bush perturbou as relações entre os dois países ao deixar de realizar a prometida reforma da imigração. E o governo Obama, nas suas primeiras semanas no cargo, gerou novas tensões com uma série de sinais conflitantes e falsos começos.

Alguns membros do governo sugeriram que o governo mexicano não está controlando todo o seu território, ainda que outras autoridades elogiem a determinação do presidente Felipe Calderon de combater o tráfico de drogas. O procurador-geral Eric H. Holder Jr. pediu, e a seguir retrocedeu, o retorno da proibição das vendas de fuzis de assalto, que estão alimentando a violência do narcotráfico.

Obama autorizou planos emergenciais para enviar tropas à fronteira caso um excesso de violência se infiltre nos Estados Unidos, mas ele disse, por outro lado, que tal envio não é iminente.

"Acho inaceitável que quadrilhas de narcotraficantes cruzem as nossas fronteiras e matem cidadãos dos Estados Unidos", afirmou Obama a repórteres quando lhe perguntaram se ele enviaria tropas à fronteira. "Creio que se um cidadão dos Estados Unidos for morto porque cidadãos estrangeiros estão envolvidos com a criminalidade violenta, isto se constitui em uma preocupação suficiente para que façamos algo a respeito".

A sangrenta guerra do narcotráfico, que provocou 7.000 mortes em 16 meses, tornou-se o principal ponto de desconforto entre os dois países.

Embora os índices de vício entre os mexicanos estejam em alta, a grande maioria das drogas que passam pelo México é cheirada, fumada ou injetada por estadunidenses. Além disso, 90% das armas utilizadas pelos cartéis mexicanos de narcotráfico são provenientes dos Estados Unidos, segundo o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos.

O fato de Obama ter indicado que tropas dos Estados Unidos poderiam ser enviadas à fronteira para combater os cartéis de droga fez com que o general Guillermo Galvan, o secretário de Defesa do México, afirmasse que nenhum contingente de soldados estrangeiros terá permissão para pisar em solo mexicano. A raiz das preocupações aqui está na história, já que até os alunos mexicanos da escola primária conhecem os detalhes sobre a guerra ocorrida um século e meio atrás, quando os Estados Unidos roubaram metade do território do México.

Algo que também irritou os mexicanos foi o depoimento no Congresso de Dennis C. Blair, o diretor de Inteligência Nacional, sugerindo que cartéis de droga controlam algumas áreas do México.

O governo Calderon reagiu com fúria, e o ministro do Interior, Fernando Gomez Mont, afirmou que tais observações "são infelizes e não contribuem para gerar um clima de confiança que é indispensável para que se vença esta batalha".

Já Calderon falou de uma "campanha" estadunidense contra o México, e observou que o índice de homicídios é mais elevado em Nova Orleans do que no seu país. A imagem precária do México, conforme divulgada nas dicas de viagem fornecidas pelo Departamento de Estado, é uma fonte especial de preocupação para Calderon porque assusta potenciais investidores e turistas.

A ladainha de reações raivosas do México tornou-se tão intensa que um diplomata dos Estados Unidos aqui, Leslie Basset, escreveu uma coluna um dia destes em um jornal mexicano afirmando: "Nenhum assessor de Obama referiu-se ao México como um Estado fracassado. Todos os assessores de Obama que foram questionados quanto à questão reconheceram que há desafios na área de segurança, elogiaram a firmeza do presidente Calderon e rejeitaram imediatamente a insinuação de que que o México fosse um Estado fracassado".

Autoridades do Departamento de Estado afirmaram que uma das principais metas da visita de Obama é "alargar o buraco" da agenda binacional, de forma que as relações não fiquem limitadas - ou, como dizem alguns, não fiquem reféns - de uma única questão.

"É importante frisar que está é uma grande relação", disse em uma entrevista o secretário assistente de Estado, Thomas A. Shannon Jr. "É uma relação muito ampla e profunda. E ela não deveria ser reduzida a apenas umas poucas questões".

No entanto, poucas dessas questões são simples.

Depois que os Estados Unidos fecharam as fronteiras para os caminhões mexicanos, violando uma promessa feita no âmbito do Nafta, o México impôs tarifas sobre 89 produtos estadunidenses, de uvas a máquinas de lavar pratos, em alguns casos parecendo selecionar produtos oriundos de distritos de membros do Congresso que têm boas relações com o governo, a fim de aumentar o impacto da ação.

O México está sofrendo devido à recessão nos Estados Unidos. Embora Calderon fale frequentemente de como preparou bem o sue país para esta crise global, as fábricas de produtos de exportação do México perderam cerca de 65 mil empregos desde outubro. As exportações caíram 32% em janeiro, e as exportações de automóveis despencaram 50% nos primeiros dois meses de 2009. O banco central do México acredita que a economia sofrerá uma contração de mais de 1,8% neste ano, mas alguns bancos de investimentos previram um encolhimento econômico de até 5%.

Na semana passada, Obama deixou claro que diversos problemas, incluindo o tráfico de drogas e a reforma da imigração, terão que ser enfrentados juntos.

"Não creio que possamos fazer isso de forma fracionada", disse Obama durante uma reunião em uma prefeitura na Califórnia. "Trabalharei com o presidente Calderon no sentido de descobrir como controlar uma fronteira que está se tornando mais violenta devido ao tráfico de drogas. Temos que aliar isso à repressão aos empregadores que estão explorando trabalhadores ilegais".

PILOTO QUE COMEÇOU A REZAR ENQUANTO AVIÃO CAÍA É CONDENADO NA ITÁLIA

A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no portal UOL):

“Um piloto acusado de ter começado a rezar no lugar de tomar medidas de emergência para evitar que seu avião caísse foi condenado a 10 anos de prisão por um tribunal italiano na última segunda-feira.

O tunisiano Chafik Gharby estava no comando de um avião da companhia aérea Tuninter quando a aeronave teve problemas e acabou caindo no mar na costa da Sicília, em agosto de 2005, matando 16 das 39 pessoas a bordo.

O tribunal considerou que um problema no contador de combustível foi em parte responsável pelo acidente. O piloto, no entanto, foi condenado a 10 anos de prisão por homicídio culposo, de acordo o jornal italiano La Repubblica .

Segundo os promotores, quando os motores do avião começaram a falhar, o piloto entrou em pânico, começando a rezar no lugar de tomar as medidas de emergência.

Depois disso, ele teria optado por fazer um pouso forçado no mar Mediterrâneo ao invés de tentar alcançar o aeroporto mais próximo.

Outras seis pessoas, incluindo o copiloto e o presidente da companhia aérea, foram condenadas a penas que vão de oito a 10 anos de detenção.

Os réus, no entanto, ainda podem apelar das sentenças e permanecerão em liberdade até que o processo termine.

O bimotor da companhia Tuninter viajava da cidade italiana de Bari para a ilha de Djerba, na Tunísia, no dia 6 de agosto de 2005. Após ficar sem combustível, a aeronave caiu no mar, a cerca de 13 km da costa da Sicília.

Dos 34 passageiros e cinco membros da tripulação, apenas 23 sobreviveram. Muitos tiveram que nadar para se salvar, enquanto outros se agarraram a partes flutuantes da fuselagem.

A Comissão Italiana de Segurança em Voos descobriu em 2007 que o avião ficou sem combustível porque não foi completamente abastecido antes de deixar Bari.

Isto teria acontecido por causa de um problema no contador de combustível que, havia sido instalado no dia anterior. O aparelho instalado havia sido fabricado para a utilização em aeronaves do mesmo modelo, mas com tanques de combustível menores.”

ANÁLISE PROSPECTIVA - DEFESA NACIONAL

Li hoje no site defesa@net o seguinte artigo de Cosme Degenar Drumond. O autor é diretor de Jornalismo da Editora de Cultura:

O BRASIL NO FUTURO

O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NACIONAL DE DEFESA, RECENTEMENTE LANÇADO PELO GOVERNO FEDERAL, DEVERÁ INAUGURAR UM NOVO TEMPO PARA O PODER MILITAR BRASILEIRO


“Historicamente, o Brasil sempre manteve seus meios de defesa de forma improvisada, herança deixada pelos portugueses. Embora nação próspera, Portugal dava pouca importância à proteção de suas riquezas. Até para fugir da ameaça representada por Napoleão Bonaparte, o regente D. João VI recorreu à escolta inglesa. O Brasil assimilou o exemplo. Assim foi em 1822, na luta contra as tropas do general Madeira; na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870); e na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O país continuou tratando com indiferença a qualidade de seus meios militares. E pagou caro por isso. Pouca gente sabe, mas, na década de 1980, sérios incidentes aconteceram na Amazônia: ações de guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Sendero Luminoso; crescimento avassalador do contrabando e do tráfico de drogas; e a porosidade nas divisas com a Colômbia, Bolívia, Paraguai e Peru. A inteligência militar percebeu tudo isso, mas foi impedida de agir e de mobilizar a opinião pública. Quando o Exército peruano iniciou o combate ao narcotráfico, um produto se destacou nessa luta: o turboélice brasileiro Tucano. Aliás, o conceito do Super Tucano nasceu dessas operações aéreas peruanas. Pouca gente também sabe disso.

Enquanto isso, as Forças Armadas brasileiras perdiam mais personalidade. Com a obsolescência rondando o setor, o governo planejou o reaparelhamento militar. Mas não saiu da intenção. Não havia vontade política. Aliás, o Ministério da Defesa foi criado com o objetivo de diminuir a influência militar no campo político. No ano passado, o presidente Lula tocou no assunto, ao comentar a Constituinte de 1988: “Muitas vezes debatíamos com certa inocência, sem ter a compreensão do significado e do papel das Forças Armadas. No fundo, o que persistia na cabeça de muitos deputados era que os militares tinham governado o país durante 21 anos e, portanto, era preciso ter o Ministério da Defesa apenas imaginando tirar o poder das Forças Armadas”.

As fronteiras na Amazônia continuaram abertas. Quando o projeto SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi estruturado, o quadro na região já era grave. Não apenas as FARC ameaçavam a soberania brasileira. Havia algo mais preocupante. Aeronaves não-tripuladas estrangeiras e aviões clandestinos violavam o espaço aéreo brasileiro. O alerta foi dado. No entanto, as medidas para reprimir a ilegalidade na Amazônia só começaram a ser efetivamente cogitadas por ocasião da ascensão política de Luis Inácio Lula da Silva à presidência da República, período em que também emergiu a figura do líder venezuelano Hugo Cháves. O governo dos EUA se mobilizou, receando que pudesse voltar a ocorrer na América do Sul o mesmo movimento de esquerda do passado. A Colômbia aliou-se aos americanos na tentativa de deter ou diminuir o tráfico de drogas para os EUA, via México. As ONGs passaram a falar da Amazônia e a imprensa viu que havia notícia na região.

É bem verdade que, em 1996, o governo lançara uma Política de Defesa Nacional (PDN) para servir de base ao planejamento militar. Todavia, considerado pelos analistas como peça de retórica política, pois não retratava o verdadeiro pensamento estratégico do Estado nem estava vinculado a nenhum projeto nacional maior, o documento não logrou obter no Parlamento orçamento ao seu cumprimento nem definiu o novo papel para as Forças Armadas. Por outro lado, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica ainda ostentavam status de ministério e praticavam o planejamento operacional individualizado, embora houvesse na estrutura do governo, desde 1949, a figura ministerial do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) para coordenar as atividades militares. Mas o EMFA era um órgão apenas alegórico. Além disso, a política de defesa aprovada tinha uma postura meramente dissuasória e priorizava a ação diplomática.

Mais de uma década depois, chega o Planejamento Estratégico Nacional de Defesa.

Chega com atraso, é certo, mas a tempo de corrigir as ações equivocadas do passado.

Segundo os analistas econômicos, como resultado natural do crescimento econômico, num futuro próximo o Brasil poderá se tornar a quarta maior economia do mundo, ficando atrás de EUA, Japão e China. Nesse raciocínio, o país terá de criar condições materiais a fim de dissuadir potenciais ameaças e agressões externas que venha a sofrer.

No ano passado, a Força Aérea Brasileira (FAB) fez uma revoada de Super Tucano na divisa com o Paraguai, uma típica demonstração de força, coisa que os americanos fazem o tempo todo no mundo. A projeção de força é fundamental. Porém, precisa também ser exibida contra ameaças poderosas. Os comandantes militares sabem disso; a classe política também. Enfim, parece que o Brasil acordou para a importância de cuidar bem da Defesa Nacional.

VISÃO ESTRATÉGICA

O novo planejamento pretende tirar o país do circulo vicioso. O primeiro passo será discutir com a sociedade a melhor forma de aparelhar as Forças Armadas, elemento fundamental à Defesa Nacional. Nessa discussão, uma das prioridades é o rastreamento das fronteiras do país (terra, mar e ar), com ou não o engajamento dos Estados vizinhos.

A Amazônia é um dos pontos relevantes, assim como a participação brasileira em missões de manutenção da paz e a preservação do escopo militar como garantidor da lei e da ordem internas.

A reorganização do poder militar será complementada pela inclusão de outros setores estratégicos – o espacial, o cibernético e o nuclear. A indústria de defesa é outro instrumento essencial. Na opinião do ministro Roberto Mangabeira Unger, da Secretaria de Planejamento Estratégico da Presidência da República, a premissa da nova política de defesa é vinculá-la ao projeto de desenvolvimento nacional. “Se o Brasil quiser desbravar um caminho singular e rebelde no mundo e ascender ao primeiro plano precisa aprender a dizer não quando tiver que dizer não”, disse o ministro em fins do ano passado.

O Brasil tem índole pacifista. Porém, essa realidade, segundo ainda o ministro, não diminui a responsabilidade brasileira quanto à Defesa Nacional. Pelo contrário. Para ele, um projeto de desenvolvimento nacional será fundamental para que o país possa resistir não só as agressões, mas às intimidações. “O Brasil terá de decidir se está disposto ou não a pagar por sua independência”.

Na essência da nova estratégia, o mais relevante será reconstruir uma cultura militar pautada na imaginação, na audácia, na flexibilidade e na capacidade de desbordar e surpreender, de forma imaginativa e arrojada. A construção de uma força armada ideal terá de contar com núcleos de modernidade, para transformá-la numa vanguarda radical e flexível. “Esse ideal tem de estar encarnado no combatente brasileiro, seja infante, aviador, marinheiro ou fuzileiro. Cada um deles terá de reunir vários atributos, como a capacidade de atuar em rede com outros componentes”.

Mobilizar milhares de combatentes, como se fazia antigamente, e colocar uma arma na mão de cada um, pode ainda ser uma opção para dissuadir certas ameaças. Mas algo mais inovador terá de ser adotado. O quê exatamente, os oficiais de Estado-Maior dirão.

Entretanto, nenhum tipo de sistema bélico deve ser descartado na defesa da soberania nacional. Em certos países, a projeção de força costuma ser vista como tentativa de desenvolver armas de destruição em massa, um raciocínio que também prevaleceu no Brasil de vinte anos atrás. Pouca gente sabe, mas a África do Sul e Suécia desenvolveram a arma atômica e renunciaram ao seu conhecimento. Em 1952, a Suécia atingiu o pleno estágio nessa área. Outros países alcançaram idêntico êxito e também renunciaram ao artefato nuclear. Todos entenderam que usar essa tecnologia como arma militar seria conviver com genocídio e suicídio ao mesmo tempo.

O Brasil esteve perto de obter os componentes críticos da bomba atômica. Se tivesse persistido com o programa, possivelmente teria atingido sua plenitude na época em que denunciou o acordo, em meados dos anos 1990. Menos mal. Ao renunciar à bomba, evitou o gerenciamento complexo que essa tecnologia exige. Imagine-se como deve ser a vigília dos militares paquistaneses no esforço para manter a inviolabilidade da bomba que desenvolveram, convivendo ao lado de islâmicos radicais. Os americanos, mais organizados, já deixaram a bomba cair acidentalmente de um B-52. Por sorte o artefato não tinha espoleta. Os russos, por sua vez, causaram desastres medonhos. Gerenciar a bomba atômica é mesmo tarefa complicada.

A alternativa seria o armamento inteligente. Para isso, no entanto, o Brasil terá de evoluir mais em tecnologias. Ao estágio atual, básico de operacionalidade, deverá se seguir o projetado pelo novo caça de superioridade aérea que pretende comprar, ora em processo de seleção. Nessa mesma fase, a Marinha terá de usar meios capazes de negar o uso do mar territorial brasileiro a qualquer força naval inimiga. No Exército, as brigadas de ação rápida estratégica são o que melhor projetam para a operacionalidade futura. O mais importante, contudo, será manter as três Forças Armadas operando por enlace de dados e apoiadas por avançados conceitos de logística, doutrina e estratégia.

O F-X2 dará à FAB o salto quântico. Com ele, a instituição vai projetar considerável força com agilidade, inteligência e flexibilidade. Adicionalmente, a FAB terá de migrar mais densamente para as fronteiras com alto grau de sensibilidade. Novas medidas de reestruturação serão complementadas. Não se justifica mais, por exemplo, em plena era supersônica, manter bases aéreas tão próximas uma das outras, situação ora visível no Rio de Janeiro. A FAB já deu um grande passo ao adotar o sistema AEW. Essa proa terá de ser mantida, inclusive à base da disponibilidade total.

No Exército, a prioridade são as forças especiais espalhadas pelas fronteiras do país. Isso implicará em repensar o emprego da extensa avenida de unidades e escolas militares que funcionam de Deodoro à Realengo, no Rio, até como forma de ajustar seu custo de administração. No futuro, a cavalaria e a artilharia deverão ser substituídas por brigadas. Força Panzer é coisa do passado. Na guerra regular moderna, a aviação cumpre esse papel.

Na Marinha, implantar bases aeronavais ao longo da costa, dotadas com sistemas inteligentes, inclusive nas áreas de águas interiores de importância político-estratégica, econômica e militar, será fundamental. Alguns objetivos são elencados como prioritários: a defesa das plataformas petrolíferas e instalações navais e portuárias; os arquipélagos e ilhas oceânicas em águas brasileiras; e pronta resposta a qualquer ameaça ao comércio marítimo. Também será necessário à Armada operar submarinos convencionais e de propulsão nuclear. Nenhuma marinha de superfície convencional sobrevive mais a um eficiente ataque aéreo de mísseis anti-navio se não tiver uma defesa inteligente. Que futuro terá uma marinha operando no módulo básico? Hoje, uma esquadrilha de caças voando reto e nivelado a 10 mil pés pode furar o sistema antiaéreo naval brasileiro, pois o país não tem uma defesa contra mísseis. Além disso, o armamento que emprega tem pouco alcance. Mísseis anti-navio lançados em salva têm reais possibilidades de saturar qualquer defesa naval desatualizada.

A Marinha terá de operar submarinos, navios de superfície de múltiplo emprego e meios aeroespaciais, com capacidade de monitoramento a partir do espaço. Manter bases navais ao longo da costa é tão importante quanto ter o submarino nuclear. Os fuzileiros navais manterão a posição de destaque como força de excelência. Na aviação naval, o UAV e a rede de comunicações integrada, serão vitais. O porta-aviões está destinado ao obsoletismo nos próximos 20 anos. Além de ser alvo naval visível, de difícil proteção e dispendioso, sua perda causa impacto psicológico arrasador. Aliás, os americanos estão numa encruzilhada por causa de suas 13 frotas. No tempo da Guerra Fria a coisa era menos complexa; se o inimigo sabia onde se encontrava o porta-aviões, também sabia que dezenas de caças, aeronaves de vigilância aérea e navios-escolta atuavam no seu entorno, em alerta permanente, sobretudo quanto à ameaça submarina. Hoje, as frotas diminuem puxadas pelos sistemas inteligentes. Na aviação naval, o UAV deverá substituir o modelo convencional, funcionando integrado ao submarino nuclear, às lanchas, corvetas e às fragatas rápidas, tudo produzido com tecnologia Stealth e operando a partir de diferentes bases no litoral.

A nova Estratégia Nacional de Defesa é pretensiosa, mas absolutamente necessária. São se sabe ainda como será implementada. Porém, uma coisa é certa: as mudanças que projeta encontrarão resistência no próprio meio militar, o que é normal nesses casos.

Poderá uma ou outra liderança defender, por exemplo, a mobilização de dois milhões de homens em armas, distribuídos em divisões, batalhões e brigadas, um raciocínio visível entre certos estrategistas, para quem a ficha da artilharia de campo superada pelo míssil ainda não caiu. Em vez de ficar dando tiro em alvo de montanha, por exemplo, o míssil arrasa tudo. E já está aposentando o armamento de cano. A qualidade operacional moderna exige para o combatente desde o radar portátil ao sistema de visão noturna. A nova política de defesa prevê como vanguarda as brigadas. Veículos espaciais, satélites de baixa e alta altitude, sobretudo geoestacionários de múltiplo uso, sistemas de localização e de posicionamento, meios aéreos de monitoramento terrestre e capacitações e instrumentos cibernéticos, também são previstos.

Se eventualmente o Brasil tiver de dar um peteleco num adversário menor, o F-X2 e mísseis de cruzeiro poderão resolver. Porém, para assustar uma força poderosa isso não basta. E aí, o Brasil terá de ingressar na fase de evolução seguinte, onde o arsenal é mais sofisticado em sistemas, eletrônica e integração. Nessa fase o fator preponderante será o parque industrial, com empresas de engenharia desenvolvendo a parafernália eletrônica e softwares. Sem isso, a confiança nas chamadas vanguardas será inútil.

TEATRO FUTURO

A Amazônia é vista como cenário de guerra futuro. Ali a mobilidade é difícil e exige o emprego de unidades inteligentes. O UAV já demonstrou do que é capaz. Operado a mil metros de altitude, é capaz de ler placas de automóvel e de transmitir imagens para uma TV de pulso, usada pelo combatente em terra como relógio, a chamada TV Rambo. O Exército teve o mérito de transformar índio em combatente de selva. No futuro, terá de armar esse mesmo homem com tecnologia de ponta para que ele possa transitar melhor entre as árvores.”

O soldado americano especializou-se na selva, embora montanha e deserto sejam o seu foco no momento. O Exército Brasileiro terá de ser superior, mestre na mobilidade e na criação de meios de transporte e de comunicação para a selva. O tempo das armadilhas de bambu passou. O combatente de caatinga, outro elemento fundamental, será obrigado de conhecer também o pampa. A tropa de montanha terá de tomar banho na Amazônia.

Afinal, a característica do terreno é singularmente brasileira, e exige tamanha adaptação.

O guerreiro de selva será transformado em elemento multi-função.

No passado, tudo era organizado em função da guerra convencional. Todavia, em menos de dez anos um grupo de loucos avançou sobre as torres gêmeas do World Trade Center; outro desequilibrado explodiu a bomba atômica; uma nação religiosa e rica em petróleo adotou programa nuclear; o pirata do mar foi reinventado; e surgiram os ataques cibernéticos a computadores. Novas modalidades de guerra virão, enquanto a guerrilha ameaça bases militares no Sri Lanka, a Alcaida causa terror e o caldeirão da guerra ferve com regularidade no Oriente Médio.

A probabilidade da guerra tradicional caiu, levando as forças armadas no mundo a mudarem o seu centro de gravidade. Os países, inclusive os de índole pacifista, terão de estar preparados para qualquer ameaça ou agressão, seja a guerra tradicional, a irregular (guerrilha), a catastrófica (armas de destruição em massa de várias naturezas, como ataque a símbolos nacionais) e de ruptura (ataque cibernético ou guerra de informações).

No ambiente de certos países existe ainda uma ameaça de difícil percepção e igualmente devastadora: os movimentos internos que buscam destruir a estrutura e o pensamento nacional.

Segundo os estrategistas, a água será a causa de conflitos futuros. Um estudo da ONU mostra que nos próximos 25 anos os países que compartilham bacias hidrográficas conhecerão contenciosos nessa área. Metade da população mundial sofrerá com a falta de água, sobretudo nos países pobres. E não é só. Outras causas poderão levar à guerra: meio-ambiente, petróleo, água, madeira.

Por sua enorme potencialidade em recursos naturais, maior reserva de água doce do mundo e alta capacidade de produzir alimentos o Brasil terá de estar diuturnamente vigilante e preparado. Espera-se, portanto, que a Estratégia Nacional de Defesa possa oferecer uma eficiente blindagem contra as atuais e as futuras ameaças ou agressões aos brasileiros.”

quinta-feira, 26 de março de 2009

ATÉ O NOBLAT (GLOBO) RECONHECE!

Li hoje surpreendente comentário que não denigre Lula no blog do Noblat, notório pela sua oposição ao Governo Lula e ao PT:

LULA ESTÁ CERTO, GENTE!

Tudo bem que se pegasse no pé de Lula quando no começo da crise econômica ele se referiu a ela como "uma marolinha". Temia-se que o governo pudesse ficar mais ou menos inerte sem se dar conta da gravidade da crise.

Mas o governo se mexeu, sim. E continua se mexendo. Entre os entendidos no assunto, não vejo um coro de reclamações contra o que o governo está fazendo ou deixando de fazer.

Não há razão, pois, para se pegar no pé de Lula quando ele diz agora que a crise logo passará, que o Brasil crescerá este ano mais do que os economistas calculam, e que em breve estaremos de volta ao paraíso.

Queriam que ele dissesse o quê? Que o pior está por vir?

O que ele disser poderá influir para o bem ou para o mal. É melhor que influencie para o bem.”

'O AEROLULA E A FRAUDE DE NIXON'

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo de Argemiro Ferreira, postado originariamente em seu blog. O autor é jornalista. Desde a década de 1980, escreve para o diário Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro. É autor dos livros "Informação e Dominação" (edição do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, 1982 - esgotado), "Caça às Bruxas - Macartismo: Uma Tragédia Americana" (L&PM, Porto Alegre, 1989), "O Império Contra-Ataca - As guerras de George W. Bush antes e depois do 11 de setembro" (Paz e Terra, São Paulo, 2004). Foi colaborador de Rede Imaginária - TV e Democracia (org. por Adauto Novaes, Companhia das Letras, São Paulo, 1991), Mídia & Violência Urbana (Faperj, Rio de Janeiro, 1994):

“Carlos Chagas, professor de jornalismo, é um profissional que prezo e respeito. Sua coluna convive com a minha há quase três décadas na edição impressa da Tribuna da Imprensa e, ultimamente, na edição online. Bem antes, integrando a equipe do Pasquim que o entrevistou na década de 1970, eu tinha perguntado a ele o que levava um jornalista a ser secretário de imprensa no regime que mais censurou a imprensa no Brasil.

Sua resposta foi séria e honesta. Hoje vivemos numa democracia plena e a grande mídia, inconformada, dedica-se em tempo integral a fazer campanha golpista em vez de jornalismo. Está em festa porque o nível de aprovação de Lula baixou para apenas 65% - ainda um percentual mais elevado do que o de qualquer presidente. Mas Chagas está muito preocupado com o uso do que a mídia batizou de "Aerolula".

Entendo que deve ser difícil para tucanos e demo-pefelês aceitar que o operário nordestino que eles chamam de apedeuta, por não ter PhD em Harvard ou na Sorbonne, vôe por aí como se fosse o magnata Madoff ou algum executivo da AIG, do Bear Stearns ou da Merrill Lynch. Chagas nada tem a ver com eles. Como eu, poderia achar natural o Brasil ter seu avião presidencial, seja quem for o presidente.

Não só por causa da extensão territorial do país. Nosso papel na política internacional, a partir do atual governo, justifica tal necessidade, que Chagas parece ver como escândalo.

Há dias cobraram de Obama o luxo do helicóptero que o leva ao Air Force One/AF1 (Aerobama?) na Base Aérea Andrews. Embaraçado, explicou: sequer sabia de sua existência, mas custou uma fortuna e foi comprado (pelo governo Bush) para esse fim específico.

OS FATOS E UMA VERSÃO DELES

O caso do helicóptero pode ser diferente. Como encomenda do Pentágono à indústria, dificilmente deixou de envolver corrupção, velha tradição da casa. A queixa de Chagas é mais modesta. Ao criticar Lula, exaltou o exemplo de outro presidente. "Era o auge da crise do petróleo, todo mundo tinha que economizar e (Richard) Nixon cancelou os vôos do Air Force One. Durante algum tempo viajava em aviões de carreira (…), como um passageiro normal", disse.

Ei, que diabo, fantasias da mídia não podem sobrepor-se à realidade. Estamos certamente diante de um caso assim, ainda que relativamente inofensivo. O presidente Nixon, de triste memória, nunca cancelou os vôos do AF1. E, ao contrário do que Chagas escreveu, em tempo algum "viajava em aviões de carreira como um passageiro normal".

Uma única vez, a 23 de dezembro de 1973, o presidente viajou em vôo comercial. Era só um truque demagógico, na ânsia de melhorar a imagem, então no fundo do poço por causa de Watergate. Acuado no poder, ainda via a crise do petróleo golpear o país. Dois meses antes, no "massacre de sábado à noite", demitira o promotor Archibald Cox e forçara a saída do Procurador Geral e de seu adjunto.

SOB A PRESSÃO DO IMPEACHMENT

Pode ter sido a mais grave crise entre a invasão da sede do Partido Democrata em Watergate (17 de junho de 1972) e a renúncia (8 de agosto de 1974). O presidente comprometeu-se a não mais interferir na investigação do promotor (já então, Leon Jaworski) e foram introduzidas na Câmara oito resoluções de impeachment, apesar de Nixon prometer a entrega de todas as fitas gravadas e já sob intimação.

Um mês antes da viagem dele pela United Air Lines, sua secretária Rose Mary Woods tinha apagado quase 20 minutos de uma gravação, atribuindo a malfeitoria a inexplicável "acidente". O vice-presidente Spyro Agnew já renunciara (para escapar de um processo por corrupção). E Gerald Ford, aprovado pelo Congresso, tinha feito a 6 de dezembro seu juramento, tornando-se o novo ocupante do cargo.

O cenário estava pronto para o desfecho da crise: ou impeachment na Câmara, seguido de julgamento no Senado; ou a renúncia (na foto à direita, sua despedida de Ford depois de renunciar). Mesmo na Casa Branca muita gente já duvidava que Nixon pudesse manter-se no cargo. Foi com esse pano de fundo que o presidente, a 23 de dezembro, encenou a viagem de Washington à Califórnia, onde sua residência de San Clemente era a Casa Branca do Oeste.

A demagogia funcionou no primeiro momento. O DC-10 da United recebeu Nixon, sua mulher Pat, a filha Tricia, nove pessoas do gabinete e 13 agentes do Serviço Secreto. A passagem de primeira classe custava US$ 217,64 (equivalente hoje a uns US$1000). Na chegada a Los Angeles, ele confraternizou meia hora com os passageiros da classe turística, ouviu aplausos e a opinião (de uma jovem de 16 anos) de que se parecia com Bob Hope. "Ele é meu amigo", respondeu.

A FARSA QUE DOBROU O GASTO

Mas não houve economia alguma, ao contrário do que sugeriu Chagas. Tudo aquilo fora uma farsa. O AF1 voou, vazio, para a Califórnia, já que tinha de levar Nixon de volta a Washington. Ou seja, gastou-se a mesma quantidade de combustível e mais as passagens. Sem contar que também estava à bordo (espero que não na primeira classe) o cão presidencial, King Timahoe.

A repercussão não foi imediata, por causa das festas de fim de ano. Mas depois veio a controvérsia. Naqueles dias eu visitava os EUA pela primeira vez. De um amigo americano, ouvi este desabafo: "Não entendo porque ele fez isso. É ridículo. Nunca se pediu que gastasse menos com o AF1. Há muita coisa que podia fazer para reabilitar a imagem. Essa não é uma delas".

Era também esse o tom da controvérsia na mídia, impedindo a Casa Branca de faturar o evento e reabilitar a imagem presidencial. Isso devia ter sido tentado pelo zeloso secretário de imprensa Ron Ziegler, que fotografara Nixon no avião - abraçando pessoas comuns e beijando bebês, como se estivesse em campanha. Sete meses depois, no dia da última viagem dele no AF1, despediu-se do helicóptero nos jardins da Casa Branca. Eu estava de novo em Washington: cobria a renúncia para o Jornal do Brasil.”

IPEA PREVÊ QUE PIOR DA CRISE JÁ PASSOU E QUE ECONOMIA CRESCERÁ 2% NESTE ANO

Li ontem no UOL a seguinte notícia divulgada pela Agência Brasil:

“O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que a economia crescerá 2% este ano, com intervalo de 0,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Segundo análise divulgada hoje (25), o crescimento será resultado de uma trajetória de recuperação ao longo do ano, em que o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todas as riquezas produzidas no país - cresceria a taxas mais expressivas a partir do segundo semestre.

A hipótese do Ipea é de que o pior da crise financeira internacional já foi superado e que a economia mundial, ainda que de forma lenta, terá uma melhora gradual nos próximos anos em resposta às políticas econômicas adotadas por diversos governos.

As projeções para o crescimento brasileiro estão baseadas em algumas considerações como o aumento dos investimentos referentes às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o lançamento do programa habitacional do governo, o aumento da renda disponível devido à criação de novas alíquotas do Imposto de Renda Pessoa Física e a mais 1,3 milhão de famílias beneficiadas no programa Bolsa Família.

O Ipea também prevê que o déficit em transações correntes ficará entre US$ 25 bilhões e US$ 18 bilhões e que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá ficar entre 3,7% e 4,7%, ligeiramente abaixo da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).”

PACOTE PREVÊ INVESTIMENTOS DE R$ 34 BILHÕES PARA A CONSTRUÇÃO DE 1 MILHÃO DE MORADIAS

Li ontem a seguinte reportagem de Claudia Andrade, do UOL Notícias,em Brasília:

“O plano habitacional do governo Lula, que é anunciado nesta manhã, prevê investimentos de R$ 34 bilhões para a construção de 1 milhão de moradias em dois anos. As moradias serão feitas para as famílias com renda de até 10 salários mínimos. Do total de moradias que serão construídas, 400 mil serão destinadas a famílias com fonte de renda de até três salários mínimos. O governo federal espera, com o pacote, reduzir o déficit habitacional no país em 14%.

O plano, batizado de "Minha Casa Minha Vida", entra em operação no dia 13 de abril. "Este não é um programa que é uma emergência ou um fator fora da curva. Ele dá sustentação à política de desenvolvimento de renda do governo federal. Também fortalece as famílias ao criar um espaço para eles criarem seus filhos", afirma a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Os recursos serão distribuídos de acordo com os dados do IBGE sobre o déficit em cada região do país. As famílias com renda até 3 salários mínimos terão subsídio integral do seguro de vida. O objetivo da medida é reduzir o valor das prestações. As famílias com renda de 3 a 10 salários mínimos terão redução dos custos com o seguro e acesso a um fundo garantidor, variando de acordo com a faixa em que está (de 3 a 6 mínimos e de 6 a 10).

A primeira prestação será paga somente na entrega do imóvel, e a prestação deverá comprometer apenas 20% da renda familiar. O pacote também prevê pagamento opcional de entrada pelo mutuário. Para famílias com renda de até 3 mínimos, a prestação (cujo valor mínimo é de R$ 50) pode comprometer apenas 10% da renda.

Para famílias de até 3 mínimos, não haverá pagamento dos custos cartoriais. "Nós vamos compatibilizar a prestação com a renda das famílias.
Não dá para imaginar que com os custos de mercado a população de menor renda vá ter acesso a moradia sem interferência do governo", diz Rousseff.

As moradias construídas terão aquecimento solar térmico, o que ajudará também na redução da conta de luz dos mutuários.

Segundo a ministra, o programa prevê a simplificação da regularização fundiária urbana e terá a participação de Estados e municípios. "Vamos pedir terrenos.

Sempre que houver uma participação dos Estados e municípios, pode-se aumentar o número de unidades."

FUNDO GARANTIDOR

O fundo garantidor prevê o refinanciamento de parte das prestações, caso o mutuário perca sua fonte de renda. Para famílias com renda de três a cinco salários mínimos, será garantido o pagamento de até 36 prestações; para famílias com orçamento de cinco a oito salários mínimos, até 24 prestações; e para as famílias que recebem de oito a dez salários mínimos, 12 prestações.

Para ter acesso ao fundo é preciso ter efetuado o pagamento de no mínimo seis prestações do imóvel e é necessário também o pagamento mínimo de 5% da prestação que foi refinanciada. Este valor será devolvido como bônus quando o refinanciamento for pago.

O mutuário terá que solicitar formalmente seu refinanciamento, comprovando a situação de desemprego, a cada seis prestações requeridas.

O pacote também barateia o seguro de vida prevendo a quitação do financiamento pela União em caso de morte ou invalidez permanente do mutuário. A União também arcará com os custos de reparação de danos físicos ao imóvel.

Para cobertura de morte, invalidez e danos físicos no caso de um mutuário com mais de 61 anos, o custo atual do seguro corresponde a 35% da prestação. Com as novas medidas, o custo cairá para 6,64%, de acordo com a previsão do governo.

PACOTE CONTRA A CRISE

Inicialmente, o governo planejou a construção de 200 mil casas como uma das medidas de combate à crise econômica mundial. O número subiu para 500 mil, até chegar ao total de 1 milhão.

Antes de anunciar o pacote, o governo realizou vários encontros com governadores e prefeitos, essencialmente para saber quais as contribuições que Estados e municípios poderiam dar para reduzir os custos do financiamento. Uma das ideias era a disponibilização de áreas para a construção das casas.

O governo também buscou formas de reduzir o peso do seguro de vida sobre as prestações, já que ele aumenta de acordo com a idade do mutuário. O padrão de juros também deveria ser "totalmente diferente", na visão do presidente Lula.

Nas reuniões com o Executivo, os governadores defenderam a desburocratização do processo e a descentralização dos recursos. Nesta terça, o secretário da Habitação de São Paulo, Lair Krähenbühl, disse que o governo federal poderá ter "dificuldades" para cumprir a promessa dentro do prazo anunciado, por conta do "processo lento" de construção de casas.”

O NOVO TEMPO DA INSURGÊNCIA LATINO-AMERICANA: AS ESQUERDAS NO PODER E A OPOSIÇÃO INCLUEM EX-GUERRILHEIROS

O jornal espanhol El País ontem publicou o seguinte artigo de Juan Jesús Aznárez, em Madri (li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves):

“Praticamente todos os governos latino-americanos de esquerda integram ex-guerrilheiros. Uma parte deles, porém, está na oposição, fundamentalmente na Venezuela e na Nicarágua.

ARGENTINA

As presidências de Cristina Kirchner e de seu marido, Néstor Kirchner, chamaram antigos membros dos Montoneros, uma guerrilha de cunho católico, nacionalista, vigente nos anos 1970 a 1979. Ministros, assessores ou titulares de órgãos públicos, a relação de ex-montoneros é farta: de Rafael Bielsa e Enrique Albistur a Juan Carlos Dante e Patricia Vaca Narvaja.

BRASIL

Colaboradores muito próximos do presidente Lula da Silva foram guerrilheiros. Dilma Roussef, entre outros, militou na maoísta Vanguarda Armada Revolucionária Palmares.

Hoje é chefe de gabinete de Lula, substituindo o advogado José Dirceu, que atuou no Movimento de Libertação Nacional. Arrependeu-se. "Fui treinado guerrilheiro, mas não era a minha", declarou à revista "Veja". "A opção da luta armada foi um equívoco de nossa geração."

EL SALVADOR

O vice-presidente eleito de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, foi membro do comando geral do FMLN, que reuniu ou desbancou outros grupos e se definiu como marxista-leninista durante a guerra (1980-92). Sánchez Cerén foi delegado nas negociações que levaram aos acordos de paz de 1992. Deputado desde 2000, seis anos depois assumiu a direção do FMLN no Parlamento.

GUATEMALA

O presidente Álvaro Colom, social-democrata, foi o candidato em 1999 da antiga guerrilha União Revolucionária Nacional Guatemalteca. Não conseguiu passar no primeiro turno e se afastou da guerrilha. O adversário desse grupo, Miguel Ángel Sandoval, fundador do desaparecido Exército Guerrilheiro dos Pobres, conseguiu apenas 2% dos votos nas eleições de 2007. O fracasso demonstrou o fraco apelo de sua oferta programática.

NICARÁGUA

A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) derrubou o ditador Anastasio Somoza em 1979 e promoveu uma revolução malograda pelas políticas e a corrupção dos ex-guerrilheiros, as divisões internas e o autoritarismo do ex-comandante Daniel Ortega, atual presidente do país. Ortega fechou o espaço para a dissidência sandinista. Os comandantes estão divididos e nada resta da união guerrilheira e ideológica contra a tirania dos Somoza.

URUGUAI

O presidente Tabaré Vázquez, líder da Frente Ampla, deve muito à ex-guerrilha urbana Tupamaros, cuja militância contribuiu com cerca de 30% dos votos do vencedor das eleições em 2005. Os Tupamaros, simpatizantes da revolução cubana, hoje querem que o histórico José Mújica seja o próximo candidato à presidência. Para chegar ao poder "não influiu tanto o que fizemos como esquerdistas ou progressistas, quanto a gestão negativa dos governos anteriores", disse o tupamaro Julio Marenales.

VENEZUELA

Alguns no governo, como Alí Rodríguez, e outros na oposição, como Teodoro Petkoff, um grupo de ex-guerrilheiros continua na política.

Com o golpe militar de 1992 contra Carlos Andrés Pérez, Hugo Chávez também foi, a sua maneira, guerrilheiro."

AÉCIO É O 1º EM RANKING DE GOVERNADORES, E SERRA, O 5º

Li ontem no jornal tucano-serrista Folha de São Paulo a seguinte reportagem de Catia Seabra:

GOVERNADOR PAULISTA CAI NA CLASSIFICAÇÃO APESAR DE AUMENTO DA POPULARIDADE

EDUARDO CAMPOS (PSB), DE PERNAMBUCO, PASSOU DA 4ª PARA A 2ª COLOCAÇÃO, E ARRUDA (DEM), DO DISTRITO FEDERAL, DA 9ª PARA A 6ª


“Em seu segundo mandato à frente do governo de Minas, o tucano Aécio Neves mantém se na liderança do ranking de avaliação dos governadores elaborada pelo instituto Datafolha. Aécio -que, no PSDB, disputa com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de concorrer à Presidência em 2010- tem nota 7,6 numa escala de zero a dez. Hoje líder na corrida pela Presidência, Serra obteve média 6,6 na pesquisa, realizada entre os dias 16 e 19 de março.

E, apesar de um aumento do índice de aprovação de seu governo -de 49% para 54%-, Serra caiu dois degraus em comparação ao ranking elaborado em novembro de 2007. Há um ano e quatro meses, Serra era o terceiro colocado, com nota 6,5. Hoje, ocupa a quinta colocação. Assim como Serra, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), tem nota média de 6,6. Requião, no entanto, ganha no índice de popularidade, adotado como critério de desempate. Para cálculo do índice de popularidade, criado pelo Datafolha, subtrai-se a avaliação negativa (ruim e péssimo) da positiva (ótimo e bom).O resultado é somado a 100. Como o índice de popularidade de Requião é de 143, um ponto à frente de Serra (142), o peemedebista está em quarto lugar na classificação. Em novembro de 2007, era o quinto. Além disso, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) saltou de quarto para o segundo lugar.De 2007 para cá, a nota de Campos passou de 6,4 para 7,0. A taxa de aprovação subiu de 40% para 56%. Antes em segundo lugar -com média 6,6- o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), é agora o terceiro, com nota 6,9.

Não é a única novidade no ranking, que inclui os nove maiores Estados do país e o Distrito Federal. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), passou da nona colocação em 2007 para o sexto lugar de hoje. Em 16 meses, a taxa de aprovação de seu governo passou de 38% para 59%. Embora o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), permaneça em sétimo lugar, a pesquisa registra crescimento da taxa de aprovação de seu governo: de 30% para 44%. Os peemedebistas Luiz Henrique Silveira (SC) e Sérgio Cabral Filho (RJ) sofreram queda. Antes na sexta colocação, o governador de Santa Catarina está em oitavo no ranking. Principal aliado do PT no Sudeste, Sérgio Cabral está em nono. A tucana Yeda Crusius ainda amarga a última colocação.

TUCANATO

Apesar da confortável liderança -e um índice de aprovação de 77%- Aécio teria hoje dificuldades de eleger um sucessor. Segundo o Datafolha, o vice-governador e potencial candidato do PSDB em Minas, Antonio Anastasia, tem 5% das intenções de voto e está em terceiro lugar. Até a divulgação do último Datafolha, a popularidade de Aécio em Minas era encarada como ameaça para os defensores da candidatura Serra. Aliados de Serra temiam que sua candidatura fosse objeto de boicote em Minas. Os números do Datafolha -segundo os quais, sem Aécio, Serra tem 40% em Minas- tranquilizaram serristas.

Preocupados com o desempenho de Yeda, os serristas comemoram o cenário do Rio, onde a oposição ameaçaria eventual candidatura de Sérgio Cabral à reeleição. Líder na Bahia, Wagner ofereceria sólido palanque para a potencial candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Mantida a aliança com o PSB, ela contaria com suporte Em Pernambuco e no Ceará. O Datafolha ouviu 10.664 eleitores nos nove Estados e DF. A margem de erros é de dois pontos, para mais e para menos, em São Paulo, três pontos nos demais Estados e quatro pontos no Distrito Federal.”

CONSTRUÇÃO ESTÁVEL EM JANEIRO, COMPARADA COM JAN 2008

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Sílvio Crespo:

“A construção civil, que será beneficiada com o pacote habitacional do governo federal, foi o setor que mais fechou postos de trabalho de dezembro para janeiro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O SEGMENTO É RESPONSÁVEL POR 7,1% DO TOTAL DE EMPREGOS NO BRASIL.

A queda no nível de ocupação foi de 4,7% no setor, bem maior que a média geral, de 1,6%. Em comparação com janeiro do ano passado, o emprego na construção ficou estável, enquanto a média teve alta de 1,9%.

A renda do trabalhador da construção civil caiu 3,7% em janeiro, em relação a dezembro, enquanto a média nacional subiu 2,2%. Trata-se do único segmento que apresentou declínio no período.

O IBGE classifica os dados da pesquisa mensal em sete setores: "Construção"; "Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água"; "Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis"; "Serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira"; "Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social"; "Serviços domésticos"; "Outros serviços (alojamento e alimentação, transporte, armazenagem e comunicações, limpeza urbana e atividades associativas, recreativas culturais e desportivas, serviços pessoais)".”

PACOTE HABITACIONAL DEVE EMPREGAR 400 MIL PESSOAS, PREVÊ SETOR

Li ontem no UOL a seguinte reportagem de Sílvio Crespo:

“O pacote habitacional do governo federal deve envolver o trabalho de 400 mil pessoas, diz João Crestana, presidente da Comissão Nacional da Indústria Imobiliária. O órgão representa toda a cadeia produtiva imobiliária, incluindo loteadoras, construtoras, incorporadoras, imobiliárias e outras.

"Nós temos um déficit habitacional de 8 milhões (de imóveis). Se gente conseguir turbinar isso, nosso mercado imobiliário vai ficar fortíssimo", afirma Crestana, apostando no setor de baixa renda.

"O crédito habitacional na América Latina, em países como México e Chile, está em torno de 20% do PIB (produto Interno Bruto). Em alguns países da Europa, chega a 100%. No Brasil, ainda estamos em 3%."

O pacote do governo contempla famílias de baixa renda, que não é o cliente tradicional do setor imobiliário. Considerando apenas os imóveis para as classes média e alta, a previsão de Crestana é que o mercado volte a crescer na faixa entre 5% e 10% ao ano, ritmo verificado entre 2000 e 2006.

O salto de 60% em 2007 foi um "ponto fora da curva", segundo o representante do setor, e não deve se repetir no curto prazo.

BOLÍVIA VOLTA A REIVINDICAR ACESSO AO MAR

Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto divulgado pela fonte “Ansa Latina”:

“O governo boliviano voltou a defender nesta segunda-feira o direito do país de reconquistar uma saída soberana para o mar, que perdeu para o Chile em uma guerra ocorrida há mais de um século.

Ao discursar por ocasião do Dia do Mar e do 130º aniversário da morte de Eduardo Abaroa, herói boliviano que combateu justamente durante o conflito com o Chile - travado entre 1879 e 1883 - o presidente Evo Morales reiterou o objetivo de obter o "retorno soberano ao [Oceano] Pacífico".

Ele reconheceu que "é muito difícil resolver um erro histórico promovido por uma guerra injusta", mas defendeu a negociação com o país vizinho para resolver o impasse de maneira pacífica.

"À margem destes problemas históricos, em primeiro lugar está a integração, e é lógico esperar que mediante o diálogo de país a país, sob o controle de nossos povos, resolvam-se estes problemas", disse ele.

O mandatário ressaltou, porém, que existem fatores "internos e externos" que dificultam o acordo. No cenário internacional, citou a discussão entre Chile e Peru que também diz respeito a questões territoriais.

Na semana passada, Lima apresentou ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, um relatório em que defende o redesenho de sua fronteira marítima com o Chile. Para o presidente boliviano, a questão poderia "atrasar" a solução para o problema particular de seu país.

"Não quero pensar que ainda existam alguns países da região que tenham a intenção de prejudicar. Apenas eles saberão a que motivos se deve esta demanda", disse.

Ao falar sobre o contexto doméstico, o mandatário voltou a criticar os governos e comitês cívicos dos departamentos (estados) controlados pela oposição, que segundo ele disseram à imprensa chilena que teriam interesse em adiar a solução com o Chile "para evitar que Evo [Morales] se eternize o poder".

Devido ao conflito territorial, Bolívia e Chile mantêm relações diplomáticas rompidas desde 1962. Houve apenas um intervalo de reaproximação, entre 1975 e 1978, quando os países eram então governados respectivamente pelos ditadores Augusto Pinochet e Hugo Banzer.

Nos últimos anos, os agora presidentes Evo Morales e Michelle Bachelet tentam restabelecer a confiança mútua mediante uma agenda bilateral de 13 pontos básicos, entre os quais foi incluída a questão marítima.

Ontem, em entrevista à rádio estatal, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, reconheceu que "houve avanço" no diálogo com o vizinho, mas indicou que as negociações específicas sobre a saída para o mar não foram bem-sucedidas.

"Estamos falando de mais de 100 anos de negociações e sucessivos fracassos diplomáticos. Foram promovidas várias reuniões, houve diálogo, mas não tivemos êxito", explicou o chanceler.”

LULA DESAFIA OPOSIÇÃO E RESSALTA IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS SOCIAIS

Li hoje no site “vermelho” o seguinte texto postado originariamente no site www.pt.org.br:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (23), durante cerimônia de ampliação do Programa Territórios da Cidadania, em Salvador (BA), que a oposição não terá argumentos para criticar o governo. Segundo ele, os programas sociais estão fluindo porque o governo tomou as decisões corretas na hora certa.“Vai acontecer muita coisa ainda neste país. A única coisa que não vai acontecer é a oposição pensar que vai em algum momento encontrar um discurso para poder bater no governo”, afirmou.

De acordo com o presidente, os opositores tentarão criticar a taxa de juros, mas assegurou que até o final do mandato, em 2010, ela estará em um patamar semelhante ao cobrado por outros países. “Eles vão falar de juros, mas eu ainda não esqueci que, quando eu cheguei no governo, o juro deles era muito mais alto do que é hoje, Vamos chegar na eleição com o juro bem internacional”, afirmou.

Em dezembro de 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, a taxa básica de juros (Selic) era de 24,9% ao ano. No último dia 11, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 12,75% para 11,25% ao ano. Mesmo assim, essa taxa de juros é considerada uma das maiores do mundo.

Sobre os programas sociais, Lula disse que estão no caminho certo e destacou que seu sucessor, independente de quem vier, não terá como acabar com essas ações. “Quem quer que seja [o novo presidente], e eu espero que seja quem eu estou pensando, não terá coragem de mudar”, disse.

“Estou com a consciência tranqüila, porque a gente plantou na hora certa, irrigou na hora certa e agora não tem jeito, a colheita virá, chova ou não chova”, afirmou Lula, reiterando que a crise financeira deve ser vista como um momento de oportunidade de crescimento da economia nacional.

TERRITÓRIOS DA CIDADANIA

O programa Territórios da Cidadania estenderá suas ações de 60 para 120 territórios rurais do país e o investimento será de R$ 23,5 bilhões em 180 ações, envolvendo 22 ministérios do Governo Federal (três a mais que em 2008).

"Nesses mais de 30 anos de militância política e elaboração de vários planos de governo, nunca vi nada mais perfeito que o Territórios da Cidadania", disse Lula durante a cerimônia.

Lula ressaltou a participação popular, manifestada por meio dos Colegiados Territoriais, como um dos principais fatores de sucesso do Programa. "A força está na inclusão da sociedade para o controle e o gerenciamento do Territórios da Cidadania". O presidente acrescentou que nos próximos anos, com a evolução e o aperfeiçoamento do Programa, o Territórios da Cidadania será imprescindível a qualquer governo que venha administrar o Brasil.

RESULTADOS

Elaborado para promover o desenvolvimento regional e universalizar ações básicas de cidadania nos locais que mais precisam (especialmente no meio rural), o Territórios da Cidadania aplicou, em 2008, R$ 9,3 bilhões em 180 ações. São elas: Apoio a Atividades Produtivas, 77 ações e R$ 1,4 bilhão; Cidadania e Direitos, 55 ações e R$ 6,4 bilhões; Qualificação da Infraestrutura, 48 ações e R$ 1,5 bilhão.

Com a ampliação para 120 territórios, neste ano o Territórios da Cidadania beneficiará famílias de 1.852 municípios (é o equivalente a 33% dos municípios brasileiros). O recurso previsto é R$ 23,5 bilhões, que serão utilizados no desenvolvimento de 181 ações. Sessenta e duas delas serão de Apoio às Atividades Produtivas (R$ 5,5 bilhões); 82 ações serão voltadas à Cidadania e Acesso a Direitos (R$ 13,8 bilhões) e 37 dizem respeito à Qualificação e Infraestrutura (4,1 bilhões).”

MARILENA CHAUI CONVIDA ESQUERDA A FAZER NOVAS REFLEXÕES

Li hoje no site “vermelho” a seguinte reportagem de Iram Alfaia:

“Diante da crise financeira internacional e o desgaste profundo das idéias neoliberais no mundo, a filosofa Marilena Chaui diz que se abriu um campo de novas reflexões para a esquerda. Afirmou que surgiu espaço para “práticas de classe por parte dos trabalhadores”, uma vez que as atenções da economia e das políticas governamentais estão voltadas para a esfera da produção e trabalho. No seu entendimento é possível o “reaparecimento de movimentos sociais dirigidos aos direitos econômicos, sociais e políticos.”

Em entrevista à revista CULT, Marilena Chaui argumentou que ao discutir a chamada economia real (produção e trabalho) o que se anuncia é a retomada da discussão “do núcleo do modo de produção capitalista”.

“Isto é, o valor produzido pelo trabalho, e havia sido justamente isso que o monetarismo neoliberal julgara ter liquidado para sempre ao supor que poderia tratar o capital como moeda e não como resultado do processo de trabalho”, explicou.

A filosofa advertiu que uma operação própria do neoliberalismo, segundo a qual todos os recursos públicos são direcionados para os interesses do capital, foi colocada em questão. Essa prática levou à privatização dos direitos sociais, “ao transformá-los em serviços privados a serem adquiridos no mercado.”

“O pensamento e a práxis se abrem porque a percepção da irracionalidade do mercado desmantela a crença em sua suposta racionalidade autônoma, crença que durante 30 anos assegurou a hegemonia ideológica do chamado pensamento único”, argumentou.

REAÇÃO NEOLIBERAL

Mesmo diante das novas oportunidades para as forças progressistas e de esquerda, a filosofa prevê um processo longo e difícil, prevalecendo a curto prazo a “tentativa de um neoliberalismo moderado, temperado com idéias keynesianas”. Ela faz referência a John Maynard Keynes, economista britânico do século 20, que defendeu o papel regulatório do Estado na economia.

“Porém, o simples fato de vermos os governos e partidos de direita propondo medidas de cunho social-democrata já indica os limites da tentativa de manter o capital financeiro na direção da economia. Além disso, observa-se que as medidas econômicas e políticas colocam novamente na cena a figura do Estado nacional, que o pensamento único e a chamada globalização haviam decretado extinto.”

Nesse contexto, ela diz que não é a figura do Estado nacional que importa, mas o reaparecimento com ele da sociedade civil, na qual se dá a luta de classes, que o neoliberalismo também considerava extinta. Defendeu que não se trata de um retorno à situação anterior ao neoliberalismo, como pretende crer a direita, mas algo novo que levará a um pensamento novo e uma práxis nova.

“Em suma, o neoliberalismo, dirigindo os fundos públicos exclusivamente para o capital, se caracterizou pelo encolhimento do espaço público republicano e democrático e pelo alargamento do espaço privado dos interesses de mercado; seu fim, portanto, pode significar a reabertura do espaço público e o encolhimento do espaço privado.”

quarta-feira, 25 de março de 2009

EMBRAER VENDE 24 SUPER TUCANOS PARA O EQUADOR

Nós, brasileiros, ficamos orgulhosos com sucessos da EMBRAER em suas vendas. O que mais de 99,99% da população não sabe é que, graças a ditas “avançadas” atitudes do governo FHC/PSDB em 1999, e por autorizações governamentais na mesma linha em 2006, hoje, infelizmente, a maioria dos proprietários da empresa é estrangeira, pois os estrangeiros detêm a maioria das ações ordinárias, ações de controle e propriedade da empresa. Muitos brasileiros chamam isso de “moderna governança”. Eu vejo como uma triste dádiva dos pobres brasileiros, que ajudaram a arduamente criar e consolidar a empresa, para ricos e egoístas estrangeiros.

Também, os brasileiros não sabem o tamanho da arrogante ingerência dos EUA nas vendas da empresa. Lembram-se do embargo dos EUA à venda de Super Tucanos para a Venezuela? Todas as vendas do referido avião estão sob a tutela da Lei de Exportação de Armas dos EUA e somente pode haver comercialização com a licença do Escritório de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio norte-americano. Isso porque o avião contém itens que são fabricados por empresas dos EUA, como, por exemplo, a hélice.

Mesmo assim, sempre é bom ler notícias boas para a EMBRAER. Pelo menos, ela ainda continua mantendo milhares de bons empregos no Brasil. Vejamos o que li hoje no site defesa@net:

EMBRAER CONFIRMA VENDA DE 24 AVIÕES SUPER TUCANO PARA O EQUADOR

“Aeronaves serão utilizadas para treinamento e patrulhamento de fronteiras

São José dos Campos, 23 de março de 2009 – A Embraer confirma a assinatura de um acordo com a Força Aérea Equatoriana (FAE) para a venda de 24 aeronaves turboélice Super Tucano, com efetivação do contrato no ano passado. Os aviões, todos configurados como bipostos, serão utilizados em missões de vigilância de fronteiras e treinamento de pilotos. O início das entregas está previsto para o final de 2009.

“Estamos muito honrados em expandir nosso relacionamento com o Governo do Equador, país que opera diversos modelos de aeronaves da Embraer”, disse Orlando José Ferreira Neto, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo. “O Super Tucano é a aeronave ideal para executar missões de vigilância e treinamento e estamos certos que atenderá plenamente às necessidades da Força Aérea Equatoriana. Com este acordo, atingimos a marca de 169 aviões Super Tucano vendidos.”

A relação entre a Embraer e o Governo do Equador vem se estreitando ao longo dos últimos anos. A companhia aérea estatal TAME Línea Aérea del Ecuador opera atualmente dois jatos EMBRAER 170 e três EMBRAER 190. Em setembro de 2008, a Embraer entregou um jato ERJ 145, de 50 assentos, à empresa estatal Petroecuador, que utiliza a aeronave para transportar empregados entre as unidades da empresa no país, e, em dezembro, a FAE recebeu um jato Legacy 600, com capacidade para 13 passageiros.

O acordo com a FAE inclui um amplo pacote de Suporte Logístico Integrado (Integrated Logistic Support – ILS) e um avançado sistema de treinamento e apoio à operação (Training and Operation Support System – TOSS), abrangendo não somente a aeronave, como também estações de apoio em solo e um simulador de vôo (Flight Simulator - FS).

Este é o quarto contrato de exportação que a Embraer assina para fornecer aeronaves Super Tucano para uma força aérea da América Latina. Em agosto de 2008, a Empresa anunciou acordo com a Força Aérea Chilena (FACh) para a venda de 12 aeronaves e, no início deste ano, confirmou a venda de oito unidades para a Força Aérea da República Dominicana. O Super Tucano opera atualmente nas Forças Aéreas do Brasil e da Colômbia, sendo utilizado com sucesso na vigilância de fronteiras e em outras missões operacionais.

SOBRE O SUPER TUCANO

O Super Tucano constitui uma inovadora evolução do bem-sucedido avião de treinamento básico Tucano, que conta com cerca de 650 unidades em serviço em 15 forças aéreas no mundo inteiro.

O Super Tucano foi projetado para operar nos cenários mais complexos de combate, incluindo a funcionalidade de visão noturna, armamento inteligente e tecnologia de enlace de dados (data link, em inglês). Além de uma estrutura reforçada para operações em pistas não preparadas, o Super Tucano conta com um avançado e preciso sistema de navegação e pontaria de armas que lhe garante alta precisão e confiabilidade na realização de missões, mesmo em condições extremas e sem apoio logístico.

A fabricação da aeronave prossegue em ritmo acelerado em uma linha de produção ativa e flexível, condizente com a capacidade da Embraer de atender as necessidades de seus clientes e entregar aeronaves em prazos curtos. Um item muito importante para o ciclo de vida operacional da aeronave é a existência de um sistema amplo, eficiente e confiável de suporte logístico distribuído pelo mundo, apoiando aeronaves que voam em cinco continentes.

No segmento de Defesa e Governo, tal sistema apóia 650 aviões Tucano, 250 Bandeirante e várias outras aeronaves em mais de 20 forças aéreas. Em termos da aviação comercial, a Embraer fornece suporte para mais de mil jatos regionais da família ERJ 145 e 500 E-Jets (família de jatos com capacidade para 70 a 122 assentos) no mundo.”

GILMAR, DANTAS, ITAGIBA E TARSO PERDEM. JORNAIS CALAM

Li hoje no site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:

“O amigo navegante Wladimir Belisário sugeriu ao Conversa Afiada o artigo “O Silêncio dos Jornais”, de Luciano Martins Costa, publicado no site Observatório da Imprensa:

CASO DANIEL DANTAS

O SILÊNCIO DOS JORNAIS

A Folha de S.Paulo e o Globo ignoraram a notícia, mas o Estado de S.Paulo publica na edição de terça-feira (24/3), com destaque, que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região impôs ontem uma importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.

O controlador do banco Opportunity queria trancar a ação penal nascida da acusação de corrupção ativa, por tentativa de subornar um delegado federal para ser excluído da chamada Operação Satiagraha.

A decisão é fundamental para o prosseguimento das ações judiciais contra Dantas. Por essa razão, os leitores da Folha e do Globo ficarão menos informados sobre o assunto do que os leitores do Estadão.

A defesa de Daniel Dantas queria que a Justiça Federal considerasse irregular a parceria feita entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência - Abin - durante as investigações. Se a Justiça acatasse essa tese, o processo poderia ser abortado, mas os magistrados votaram por unanimidade considerando que a ação conjunta entre a Abin e a Polícia Federal não tem nada de errado.

MUITO BARULHO

Fica, portanto, sobre a mesa, uma questão incômoda para ser respondida pela imprensa.

A quem mais, a não ser ao próprio Daniel Dantas, interessaria toda a campanha feita principalmente pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e pela revista Veja, no sentido de criminalizar as ações da Polícia Federal junto com a Abin?

Fica evidente, até mesmo para o leitor mais distraído com a paisagem, que parte da imprensa brasileira tem dedicado os últimos meses mais energia e espaço à tentativa de desqualificar os investigadores do que a investigar o acusado.

Foi tão desproporcional a concessão de espaço para supostas revelações sobre desmandos atribuídos ao delegado Protógenes Queiroz e ao juiz responsável pelo caso Satiagraha, Fausto de Sanctis, que algum leitor poderia supor que o delegado e o juiz é que eram os principais acusados.

O fato de parte da imprensa omitir na terça-feira (24) de seus leitores que a Justiça Federal considera normal a parceria entre a Polícia Federal e a Abin chega a soprar na brasa da teoria conspiratória segundo a qual o banqueiro contaria com a solidariedade de algumas redações.

Será que foi apenas um “furo” do Estadão? Os outros jornais não têm acesso à agenda da Justiça Federal?

Depois de todo barulho a respeito das ações conjuntas entre as duas instituições, o silêncio da Folha e do Globo chega a ensurdecer.

A DISPUTA PELOS LEITORES

O caso Satiagraha deflagrou uma guerra nos bastidores da imprensa, que só pode ser acompanhada pela internet.

Desde o já clássico confronto entre a revista Veja e o jornalista Luis Nassif, até os vazamentos e contravazamentos de supostas revelações da Polícia Federal, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas dá uma idéia de outra disputa que marca este começo de século: a disputa entre a imprensa tradicional, de papel, e a nova imprensa, que trafega pelos meios eletrônicos, pela atenção e o tempo dos leitores.

A internet está completando sua segunda década. A configuração gráfica da comunicação entre computadores, inaugurada com o navegador Mosaic, em 1994, cresceu, se espalhou pelo mundo e se miniaturizou, conquistando espaço também nas telinhas dos telefones celulares. O jornalismo infiltrou-se pelos novos meios, e agora o leitor, antigo receptáculo passivo de informações, é também agente e observador da imprensa.”

BRASIL TEM 62,3 MILHÕES DE INTERNAUTAS, DIZ IBOPE

Da mesma forma que o PSDB e FHC gabam-se de que houve aumento de celulares no seu governo com a alienação para estrangeiros das telefônicas brasileiras, o Governo Lula poderia jactar-se do grande aumento de computadores e internautas. Na realidade, não se pode associar evoluções tecnológicas com contemporâneos governos. É simples coincidência.

AUMENTO DE QUASE 45% EM RELAÇÃO AOS DADOS REFERENTES AO ÚLTIMO TRIMESTRE DE 2008

Li ontem à noite no UOL o seguinte texto da Folha Online:

“O número de internautas que já usaram internet no país (seja em escolas, no trabalho ou na própria residência) chega a 62,3 milhões, segundo os dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo Ibope. Isso representa um aumento de quase 45% em relação aos dados referentes ao último trimestre de 2008, estimados em 43,2 milhões.

De acordo com as informações do Ibope, do número total de usuários brasileiros com internet em casa (estimado em 38,2 milhões), 24,8 milhões navegaram durante o mês de fevereiro de 2009, o que representa um crescimento de 12,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Entre os que usaram internet em casa em fevereiro, 87% navegam por meio da conexão banda larga --um aumento de 24% em relação a fevereiro do ano passado.
"O crescimento de uso da conexão por banda larga foi maior entre o público feminino, principalmente crianças e adolescentes", afirma o analista de mídia do Ibope, Marcelo Calazans.

Segundo o Ibope, o tempo de conexão "per capita" caiu 10,7% em relação ao mês passado: são 22 horas e 10 minutos para cada internauta. Reino Unido (com 23 horas e 29 minutos), Alemanha (22 horas e 22 minutos) e França (22 horas e 50 minutos) estão à frente do Brasil.”

GILMAR MENDES (STF) VAIADO EM SP AO DEFENDER DANIEL DANTAS

Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem de Thiago Faria, em colaboração para a Folha Online, sobre a entrevista do jornal Serrista Folha de São Paulo com o ministro Gilmar Mendes, do STF, típico tucano lá colocado pelo então Presidente FHC:

MENDES DIZ QUE 2ª PRISÃO DE DANTAS FOI PARA DESMORALIZAR STF;

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, afirmou nesta terça-feira que o segundo pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, durante a Operação Satiagraha, da Polícia federal, tinha como "único objetivo" desmoralizar a Suprema Corte.

Mendes concedeu por duas vezes liberdade a Dantas. "O objetivo era único, era desmoralizar o [Supremo] Tribunal Federal. Os fatos para o segundo habeas corpus eram o mesmo [do primeiro]. Tanto que os ministros, por 9 a 1, confirmaram [no julgamento do mérito]", disse Mendes.

Mendes diz que segunda prisão de Daniel Dantas foi para desmoralizar o Supremo
A declaração foi feita durante sabatina da Folha, que aconteceu no Teatro Folha (av. Higienópolis, 618, 2º piso, no shopping Pátio Higienópolis).
Segundo Mendes, havia conotação política no pedido de prisão e isso ficou comprovado em declarações posteriores dos envolvidos na operação policial. "O delegado [Protógenes Queiroz], em uma entrevista, disse que chegou a pensar em uma terceira prisão", disse.

"É difícil desmoralizar o Supremo no atual contexto, mas o objetivo era esse. Houve uma reunião de juízes que intimidaram os desembargadores a não conceder habeas corpus", afirmou o ministro, que foi vaiado pela plateia ao defender a liberdade a Dantas.

MANIFESTAÇÃO

Com cartazes pregando a prisão de Dantas e medalha para Protógenes, cerca de 15 pessoas protestaram contra o ministro na porta no Teatro Folha.

O protesto aconteceu logo após o fim da sabatina com o ministro, que por duas horas respondeu a perguntas dos colunistas da Folha Fernando Rodrigues, Eliane Cantanhêde, Mônica Bergamo e Renata Lo Prete, além da plateia.

Mendes deixou a sabatina por uma saída lateral do teatro e não presenciou a manifestação. No ano passado, o ministro ganhou notoriedade após conceder dois habeas corpus seguidos a Dantas. Recentemente, voltou ao noticiário por criticar o repasse de verba do governo federal a trabalhadores sem-terra.

"O Gilmar Mendes criminaliza os movimentos sociais, diz que é crime se manifestar e em contrapartida soltou o Daniel Dantas, que é sabidamente um banqueiro que enriqueceu aos custos dos cofres públicos", afirmou Ismael Cardoso, presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).

Com bandeiras e um megafone, estudantes entoavam gritos de guerra e pediam a cassação do ministro do STF. Uma bandeira do PSOL também foi levada para a porta do teatro.

Leia abaixo os principais trechos da sabatina:

OPOSIÇÃO

"Não sou líder de oposição. [...] Tenho o dever de preservar o Estado de Direito e garantir que não haja excessos. Não tenho nenhuma atuação como oposição ou posição. Se há alguma irregularidade eu tenho a obrigação de apontar."

GRAMPO EM SEU GABINETE

"Pode ter sido um alarme falso, mas havia esses dados [suspeitas]. Eu tinha estado aqui em São Paulo, em um evento, logo em seguida recebi o telefonema me informando que eu estava sendo monitorado. [...] Recebi um repórter da revista 'Veja' na minha casa que me mostrou a transcrição de um áudio de uma conversa minha. E de fato eu tinha feito aquela conversa. [...] Eu não sei realmente quem fez o grampo, sei que essa situação toda ficou em um Estado de descontrole. [...] Se a historia não era verdadeira, era extremamente verossímil diante de todo aquele quadro."

PRISÃO DE DANIEL DANTAS

"O objetivo único era desmoralizar o [Supremo] Tribunal Federal. Os fatos para o segundo habeas corpus eram o mesmo. O suporte fático era esse, tanto que os ministros, por 9 a 1, confirmaram [no julgamento do mérito]. [...] Qual era a possibilidade desse sujeito fugir?."

REPASSE DE VERBAS AOS SEM-TERRA

"Neste caso, tudo indica que o governo considerou que, embora a MP [medida provisória que proíbe repasse para assentamentos resultante de invasões de terra] estivesse em vigor, não devia lhe dar cumprimento. Como se alguém dissesse: finge que ela não está aí."

CESARE BATTISTI

"Se for confirmada a extradição ela será compulsória e o governo deverá extraditá-lo. O tribunal [STF] é uma Corte constitucional, mas tem funções como essa, de decidir sobre uma extradição."

LENTIDÃO DO JUDICIÁRIO

"O Brasil esta mudando no âmbito do Judiciário, estamos avançando nesse sentido, mas precisamos entender essa complexidade. As instâncias ordinárias raramente eram as últimas. É compreensível a revolta dessas pessoas que têm, por exemplo, uma desapropriação inconclusa."

RAPOSA/SERRA DO SOL

"O tribunal está a sinalizar a necessidade de que não só a Funai participe desse processo [de demarcação], mas também outros entes, como o governo estadual, para que haja um processo demarcatório mais justo. [...] Por que o caso da Raposa despertou tanto interesse? Porque estava a se julgar, pela primeira vez, o estatuto da demarcação de terras."

CANDIDATURA A CARGO POLÍTICO

"Não estou cogitando sair do STF, mas quando sair vou ver o que vou fazer. Nunca tive problema de desemprego. [...] Não cuido nem descuido, simplesmente estou a pensar nas atividades que estou a desenvolver agora."

BRASIL DESCARTA ACESSAR NOVA LINHA DO FMI

A agência norte-americana de notícias Reuters ontem publicou a seguinte reportagem de Isabel Versiani (li no UOL):

“O Brasil, defensor da nova linha de crédito anunciada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), comemorou a criação do mecanismo nesta terça-feira, mas descartou a possibilidade de acessá-lo.

"O objetivo não é nós tomarmos os recursos dessa linha, que o Brasil não está precisando", afirmou Mantega em rápida entrevista a jornalistas convocada pelo próprio ministério no momento do anúncio do FMI.

"O que nós estamos pensando é em outros países que precisam de liquidez neste momento."

O FMI anunciou a criação de uma Linha de Crédito Flexível a ser ofertada a países emergentes com políticas econômicas consideradas saudáveis.

Mais ágil e com mais flexibilidade que os financiamentos tradicionais do Fundo, a linha ficará disponível aos países interessados por períodos de seis meses a um ano.

Mantega avaliou que o novo mecanismo representa um "grande avanço" dentro da estrutura do FMI e também uma vitória do Brasil, que defendia esse tipo de financiamento.

"Essa é uma linha que é um pleito do Brasil, que nós temos apresentado ao Fundo nas últimas reuniões", afirmou.

O ministro disse ainda que na próxima reunião do G20, a ser realizada em Londres no início de abril, o Brasil vai defender que os países membros façam novos aportes ao FMI para fortalecer a capacidade de financiamento da instituição.

Segundo Mantega, o FMI precisa de um aporte extra de 500 bilhões a 1 trilhão de dólares.

"O Brasil pode até colocar (mais recursos)", disse Mantega. Ele ponderou, no entanto, que o importante é que países que recebem grandes fluxos de dólares, como Estados Unidos e China, aumentem suas contribuições.

Mantega defendeu também a criação de uma outra linha especial de crédito do FMI para o financiamento ao comércio, no valor de cerca de 100 bilhões de dólares.”

FGTS VAI DESTINAR R$ 12 BILHÕES PARA PROGRAMA HABITACIONAL DO GOVERNO

A Folha Online publicou ontem o seguinte texto de Eduardo Cucolo:

“O pacote habitacional de construção de 1 milhão de casas do governo Lula terá R$ 12 bilhões de recursos do FGTS. A destinação desse dinheiro foi aprovada hoje pelo Conselho Curador do Fundo. O detalhamento do pacote será feito amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desse valor, R$ 4 bilhões serão utilizados neste ano, para subsídio. Nem todo esse dinheiro é novo. O orçamento do FGTS já previa R$ 1,6 bilhão que seriam utilizados para subsídio. Os outros R$ 8 bilhões ficam para 2010.

Esse dinheiro será utilizado para financiar os imóveis das famílias com renda superior a três salários mínimos. Para as famílias com renda de zero a três salários mínimos, o subsídio será bancado com recursos do Tesouro Nacional. O valor desse recurso será anunciado amanhã.

"O FGTS vai entrar com uma parte, mas o grosso será do Tesouro", disse o ministro Carlos Lupi (Trabalho), que faz parte do conselho.

O Conselho também aprovou um aumento nos recursos para empréstimo sem subsídio, mas o número não foi divulgado pelo Ministério do Trabalho. Já estão previstos R$ 8,4 bilhões de recursos nessa modalidade com dinheiro do FGTS.

A aplicação desse dinheiro deve gerar 532 mil de empregos formais e vai representar um crescimento a mais do PIB de 0,7 ponto percentual, segundo cálculos do ministério. O FGTS tem hoje um patrimônio de mais de R$ 200 bilhões.
Saneamento e transporte

O Conselho também autorizou um aporte de R$ 3 bilhões para operações em fundos nas áreas de saneamento --o que inclui recursos para as empresas do setor-- e mais R$ 1 bilhão para renovação de frotas de ônibus. A expectativa é de uma geração de 260 mil empregos.

Além desse dinheiro, já estavam previstos R$ 5,6 bilhões para esses dois programas, o que eleva o total para R$ 9,6 bilhões.

O programa de transportes tem como objetivo aumentar a venda de ônibus em um momento em que há queda nas vendas desses veículos por causa da falta de crédito no país.”

CHINA SUGERE SUBSTITUIÇÃO DO DÓLAR EM RESERVAS INTERNACIONAIS

A agêmcia inglesa de notícias BBC publicou ontem (li no UOL):

“O Banco Central da China pediu o estabelecimento de uma nova moeda para substituir o dólar nas reservas mundiais administradas pelo Fundo Monetário Internacional.

O diretor do Banco Central Chinês, Zhou Xiaochuan, não mencionou diretamente o dólar, mas afirmou que a crise expôs os riscos de se fazer uso de apenas uma moeda.

"A explosão da crise e sua proliferação para o mundo todo refletiu as vulnerabilidades e riscos sistêmicos no sistema monetário internacional", disse Xiachuan em um ensaio publicado no site do Banco do Povo da China.

Xiaochuan afirmou que a supremacia do dólar no sistema financeiro levou a crises cada vez mais frequentes desde o início da década de 70.

Para o diretor do Banco Central chinês, o sistema monetário internacional deveria ter o objetivo de "criar uma moeda internacional que está desligada de países individuais e que consiga se manter estável no longo prazo e, dessa forma, remover as deficiências inerentes causadas pelo uso de moedas nacionais baseadas em crédito".

A China é detentora da maior reserva de dólares do mundo, com US$ 2 trilhões. Os líderes do país reclamam com frequência da volatilidade da moeda.

Há tempos a China tem demonstrado incertezas sobre o uso do dólar no comércio internacional e para suas reservas. Recentemente o país se mostrou preocupado com os esforços de Washington para resgatar a economia americana, temendo que este plano possa diminuir o valor da moeda.

Na terça-feira o dólar perdeu valor frente às principais moedas do mundo depois do governo dos Estados Unidos anunciar o plano de compra de ativos tóxicos. O discurso de Zhou Xiaochuan foi publicado em inglês e chinês, diferente dos demais discursos do diretor do Banco Central, o que indica que suas palavras visam o público internacional.

"No curto prazo, o monitoramento, avaliação e mecanismos de alerta antecipado devem ser fortalecidos", afirmou. No ensaio, Xiaochuan afirmou que o dólar poderia ser substituído como a principal reserva do mundo pelos Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês), uma unidade criada pelo FMI em 1969.

"O papel do SDRr não foi totalmente alcançado, devido a limitações em sua distribuição e o alcance de seus usos", afirmou.

"No entanto, serve como uma luz no fim do túnel para a reforma do sistema monetário internacional." O ensaio do diretor do Banco Central Chinês foi divulgado dias antes da reunião do G20, no dia 2 de abril. Um dos principais assuntos em pauta no encontro deve ser a reforma do sistema financeiro.

"Isto (o ensaio de Zhou Xiaochuan) confirma que a China quer exercer seu papel de potência econômica e política na próxima reunião do G20", afirmou Sebastien Barbe, analista da companhia francesa de serviços financeiro Calyon, em Hong Kong.”

OCUPAÇÃO NO IRAQUE: SEIS ANOS DE ASSASSINATO E ROUBO

Li hoje no site “vermelho” a seguinte reportagem do Conselho Português Para a Paz e Cooperação, publicada em Lisboa, em 20/03/2009:

“Na última sexta-feira (20) cumpriu-se seis anos do início da agressão imperialista liderada pelos Estados Unidos contra o então Estado soberano do Iraque. Em março de 2003, George W. Bush, senhor da guerra americano, dava início à agressão que provocaria a morte de mais de um milhão de civis iraquianos e à quase total destruição da infraestrutura do país árabe. As alegações para a agressão — laços com a suposta rede terrorista al-Qaida e armas de destruição em massa — provaram-se infundadas e mentirosas.

Mas não podemos esquecer os governos e forças políticas que foram cúmplices no desencadear da agressão a um povo, muito embora a oposição e a denúncia, feita por milhões de pessoas em todo o mundo, dos verdadeiros motivos de mais uma agressão imperialista.

Não podemos esquecer as mentiras com que tentaram justificar a agressão, nem as violações do Direito Internacional, dos Direitos Humanos e da Convenção de Genebra que esta agressão representou. Não podemos esquecer que o Iraque não agrediu nem os EUA, nem a Inglaterra, nem Espanha, nem Portugal, e que o único crime daquele povo é habitar uma das regiões mais ricas de hidrocarbonetos.

Não podemos esquecer que o Iraque, que foi considerado, em relatórios do PNUD e da OMS, como o país na região de mais elevado nível nas áreas da saúde, da educação e dos direitos sociais, e de elevado nível no âmbito mundial é, neste momento e como conseqüência da ocupação, um país destruído, dividido por questões sectárias e religiosas, vivendo uma situação de catástrofe social, econômica, educacional e sanitária.

Desde a criação em 1920 do seu Estado que os iraquianos se têm evidenciado pelo seu espírito de independência em relação às potências imperialistas, primeiro da Inglaterra e depois dos EUA, nomeadamente em referência à sua maior riqueza natural, o petróleo.

Também não podemos esquecer que, em 2001, o governo iraquiano se tentou libertar da ditadura do dólar americano começando a vender o petróleo em euros.

E não obstante as vicissitudes da sua história política, inclusive da época tenebrosa da ditadura de Saddam Hussein, o Iraque conseguiu ser o Estado da região em que as mulheres tinham mais direitos, em que a cobertura de escolas e de cuidados de saúde igualava muitos países da Europa e ultrapassava largamente a maioria dos do mundo.

Era uma sociedade aberta em que conviviam sem problemas muçulmanos (xiitas e sunitas), cristãos, judeus, fossem europeus, árabes ou persas.

E não podemos esquecer o embargo de 12 anos que vinham sofrendo, imposto pela ONU, mas por proposta e insistência dos EUA e Inglaterra, e que provocou imenso sofrimento ao povo iraquiano e foi causa, direta e indireta, de cerca de 1,5milhões de mortes, conforme relatórios vários e dados da UNICEF e da OMS. Embargo que, lembrando Von Sponeck (coordenador humanitário da ONU para o Iraque durante o embargo), configurou um genocídio, foi uma violação do Direito Internacional e uma segunda forma de guerra.

Também não devemos esquecer a violação do Direito Internacional e as graves conseqüências para a economia e mobilidade causadas pela criação das chamadas “zonas de exclusão aérea”, que os EUA e Inglaterra vinham mantendo, ao arrepio da ONU, e que “permitiam” a estes dois agressores bombardearem freqüentemente o Iraque.

Querem que nos esqueçamos que o Iraque está ocupado e o seu povo envolvido numa guerra contra exércitos ocupantes de 150mil militares além de milhares de mercenários, altamente armados com os mais sofisticados e proibidos armamentos como bombas de fósforo, de fragmentação e urânio empobrecido.

Assim como não falam e tentam passar como legítimas eleições efetuadas sob ocupação e controladas pelos ocupantes, e uma “Constituição Política” redigida pelos EUA e feita à medida dos seus interesses. Pois não podemos esquecer que uma das primeiras medidas de P. Bremer, 1º vice-rei do Iraque nomeado pelos EUA, foi roubar a exploração do petróleo ao povo iraquiano e entregá-la às grandes petrolíferas capitalistas, assim como abrir as empresas estatais iraquianas ao grande capital dos EUA.

E é preciso lembrar que só ao povo iraquiano, em condições de liberdade, é legítimo escolher o seu governo, redigir e votar uma Constituição Política e decidir sobre as suas riquezas naturais. Nunca isto poderá ser legítimo sob ocupação, pressão e decretos de ocupantes.

Querendo fazer esquecer a destruição de escolas, de hospitais, de cidades inteiras, os roubos de museus, as prisões arbitrárias e torturas, os assassinatos, o caos provocado, os EUA e Inglaterra declaram agora que vão retirar do Iraque. Mas a Administração dos EUA (versão B. Obama) deixa no entanto cerca de 50mil militares, nas bases que entretanto construiu, para defender os seus interesses.

Pretende justificar essa presença como um auxílio á segurança no Iraque e legalizá-la com um acordo (o SOFA) com o “governo” iraquiano. Mas não podemos esquecer que o caos e insegurança são conseqüência e promovidos pela ocupação, seguindo o princípio de dividir para reinar, e que a plena soberania do Iraque só se verificará com a anulação de todos os atos promovidos pelos ocupantes.

Não podemos esquecer nem o crime exercido sobre um povo, nem a violação das regras de respeito pelo Direito Internacional e Tratados Internacionais, sob pena de sermos cúmplices desse crime e de não defendermos a paz internacional. Não podemos esquecer a responsabilidade de governos e forças políticas que conscientemente mentiram, apoiaram e continuam a apoiar, a política de guerra e de rapina.

A paz não se defende com a militarização, nem com os raptos, nem com as cadeias clandestinas, nem com guerras preventivas sejam elas mascaradas de “intervenções humanitárias” ou de “defesa da democracia”. Esquecer o que se passou, e continua a passar-se, no Iraque, e não só, é dar cobertura a novas aventuras guerreiras, é deixar condições para incendiar o mundo. É necessário punir os responsáveis pela situação criada, no Iraque e pela instabilidade e insegurança no mundo. É necessário responsabilizar a União Europeia pelo colaboracionismo, político e militar e econômico, com a política de colonização do Iraque.

E é preciso não esquecer e não permitir que, sob os mesmos pretextos mentirosos e com os mesmos interesses, se faça o mesmo no Afeganistão. Mas ainda é mais necessário impedir que as mesmas forças e interesses que desencadearam e defenderam a guerra continuem a comandar o mundo. E isso é tarefa possível e necessária. É imperativo que os portugueses exijam que o Governo Português e os seus representantes nos órgãos internacionais em que participam e a Assembleia da República sejam coerentes com a Constituição Política e com as propaladas intenções de paz e cooperação com os povos."

LULA DIZ QUE PIOR DA CRISE FOI ATÉ DEZEMBRO E CRITICA MÍDIA

Li hoje no site “vermelho”:

“Eu acho que o período mais difícil nós já vivemos em outubro, novembro, dezembro e janeiro" avaliou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (23) em Pernambuco, sobre os reflexos da crise global no Brasil. Mas observou que não é assim que a imprensa brasileira retrata a crise. “Se eu pegar os jornais de manhã e ler, me enfio debaixo da cama, não tenho nem vontade de sair, tem hora em que penso que o país acabou”, disse o presidente.

Lula polemizou também com o tretamento que preconiza o corte de despesas do Estado. “Essa não é uma crise de fazer contenção de despesas, ajuste fiscal. Temos que fazer mais investimentos, projetos de infra-estrutura que gerem empregos”, disse ao discursar na inauguração de nova unidade produtora da Sadia no Nordeste, localizada no município de Vitória de Santo Antão, a 50 quilômetros a oeste do Recife.

“O Eduardo [Campos, governador do estado] e os prefeitos sabem: a ordem é não parar nenhum obra, e aquela que poder trabalhar em dois ou tres turnos, vamos trabalhar porque esse é o período em que [a crise] se apresentou mais forte nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. E ela pode trazer efeitos para cá”, disse.

"Hoje eu vim aqui dizer o seguinte: tem crise, que venha. Vamos enfrentar de cabeça erguida, criando alternativas", disse ainda o presidente, antes de fazer a referência crítica à cobertura catastrofista da mídia.

CAGED: "É POUCO, MAS É UM SINAL"

Em apoio à estimativa de que o pior já passou, o presidente citou os dados do Ceged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que apontaram que em fevereiro foram criados 9.179 postos de trabalho com carteira assinada. A discreta recuperação seguiu-se a três meses com perda de postos de trabalho.

"Se vocês atentarem, o número de empregos do Caged do mês de fevereiro já não foi negativo, foi positivo. Nove mil empregos a mais foram criados em fevereiro. É pouco, mas é um sinal extraordinário”, disse o presidente.

"UMA GRIPE NUM CABRA MACHO"

Mais cedo, em entrevista ao programa Supermanhã, da Rádio Jornal, o presidente comparou as consequências da crise no país a "uma gripe em cabra macho".

"Este país não tem de ter medo de crise. É como uma gripe num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde um dia de serviço por causa da gripe. Eu quero mostrar que existe uma crise, ela é grave, (o presidente dos Estados Unidos, Barack) Obama e os alemães têm mais problemas que o Brasil e nós vamos enfrentar essa crise trabalhando", disse.

Lula também reiterou que deve lançar, na próxima quarta-feira (25), “mais uma resposta para a crise”, com o anúncio do programa de habitação do governo que promete construir 1 milhão de casas voltado a quem ganha de 1 a 10 salários mínimos. “É o maior programa de habitação já anunciado no país. Se der certo, quem vier depois de mim tem que anunciar 2 milhões ou 3 milhões de casas”, disse.”

ENTREVISTA - MARCO AURÉLIO GARCIA

O JB Online publicou há dois dias a seguinte entrevista com Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, realizada pelos repórteres Leandro Mazzini e Rodrigo de Almeida (li no defesa@net):

“Ao contrário do que sugere a imagem de carrancudo e briguento, Marco Aurélio Garcia é um sujeito ironicamente simpático. Instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete do presidente Lula, o assessor especial da Presidência da República tem colecionado críticas e desafetos por suas ideias e práticas ligadas à política externa brasileira. Em seis anos de governo, acostumou-se a reagir com vigor de acadêmico e audácia de político sem papas na língua, daí a fama, resultante de um meio termo entre a inabilidade política e o inconformismo com o que chama de homogeneidade da imprensa - "alguns órgãos pretendem ser o comitê central da oposição", diz ele.

Nesta entrevista, concedida na quinta-feira, numa sala espantosamente sem livros (ele, como o presidente, está de mudança devido à reforma do Palácio do Planalto), põe o dedo em riste em direção à imprensa, à oposição e aos críticos. Empolga-se nos elogios a Lula ("irrepetível", derrama-se) e à ministra-candidata Dilma Rousseff. Diz: "Não esperem um Lula de saias. São estilos bem diferentes. Ela fará um governo melhor".

MUITOS AVALIARAM POSITIVAMENTE O ENCONTRO DO PRESIDENTE LULA COM BARACK OBAMA. ALGUNS CITARAM O PAPEL DO BRASILEIRO COMO FIADOR DA APROXIMAÇÃO DOS EUA COM A AMÉRICA LATINA. MAS HOUVE QUEM DISSESSE QUE OS RESULTADOS NÃO FORAM PRÁTICOS. ENTRE AS DUAS ANÁLISES, ONDE O SENHOR FICA?

O presidente Lula não esteve lá como representante da América Latina. O Brasil não tem esse mandato e, caso ele se apresentasse dessa forma, estaria usurpando um direito internacional. Evidentemente, Lula tem o sentimento muito forte da realidade latino-americana. Agora mesmo, com a perspectiva da reunião do G-20, tem consultado muitos presidentes. Mas seria impertinente e arrogante, da parte do Brasil, arvorar-se de uma condição de líder da região. Não é essa a preocupação. É evidente que a reunião com Obama tratou de temas latino-americanos. Eu diria que se centrou em três grandes assuntos. Um deles, a crise, foi o tema dominante no Salão Oval. Depois, no tête-à-tête que os dois tiveram, Lula falou um pouco sobre a situação brasileira, Obama falou sobre a situação americana e ambos examinaram questões mais gerais que afetam o mundo inteiro. Houve, também, uma discussão sobre temas latino-americanos.

E SOBRE A AMÉRICA LATINA, O QUE O PRESIDENTE FALOU ESPECIFICAMENTE PARA OBAMA?

O fundamental colocado pelo presidente Lula é que houve um grande progresso na América Latina. Um progresso de natureza democrática. Uma preocupação grande de enfrentar de forma positiva as questões econômicas e sociais.

Foi explicado o crescimento que a região tem tido nos últimos anos e que os EUA deveriam procurar relacionar-se com essa América Latina de uma forma distinta de outros momentos históricos. Usou explicitamente estas palavras: "não-ingerência" e "cooperação". Nesse cenário mais amplo foi que apareceu o problema de Cuba. Temos dito que Cuba é vista pelos países da região de forma diferenciada. Os EUA têm interesses econômicos em Cuba. E Cuba, vendo-se livre do bloqueio, poderá explorar uma série de potencialidades que têm mas que hoje são de difícil materialização.

A MUDANÇA COM CUBA SERIA A PRINCIPAL ALTERAÇÃO DE ROTA DOS EUA COM UM GOVERNO OBAMA FRENTE À AMÉRICA LATINA?

Não. Em primeiro lugar vêm os grandes temas econômicos. O mundo está fortemente pendente das mudanças que vão ser feitas na área econômica. Isso aí é indiscutível, porque da reanimação da economia norte-americana dependerá muito a reanimação de várias economias do continente. No caso brasileiro, claro, gostaríamos que os EUA estivessem melhor para suportar mais, ter mais fluxo de investimentos, ter mais crédito no mercado. Já estão começando a melhorar um pouquinho. Acho que os EUA têm complexas equações econômicas para resolver.

UMA DESSAS EQUAÇÕES COMPLEXAS É O COMÉRCIO. HÁ UMA GRANDE EXPECTATIVA DE PASSARMOS A UM AMBIENTE MENOS PROTECIONISTA E DE MAIOR COOPERAÇÃO. O GOVERNO TEM QUE EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A ISSO?

Doha (de liberalização do comércio). Estivemos próximos, mas havia alguns empecilhos. Aí a coisa foi para trás. Há opiniões de que a Rodada não resolve os problemas, que hoje é muito difícil de se completar, porque as situações recessivas são situações que suscitam o protecionismo. Os EUA têm medidas protecionistas em matéria de subsídios de agricultura, barreiras ao etanol, coisas desse tipo. São discussões que terão de ser feitas no decorrer do tempo.

E QUAIS SÃO AS OUTRAS QUESTÕES IMPORTANTES A QUE O SENHOR SE REFERIU?

Há outras questões internacionais cruciais para os EUA: o Oriente Médio, aí incluindo Iraque, Palestina e Irã.

Há também o Afeganistão, o problema das relações com a Rússia, com a China, com a Europa. Enfim, não é à toa que eles têm 15 mil diplomatas - nós temos aqui menos de 1.500 (risos).

Os norte-americanos veem na região dois tipos de governos de esquerda. Um lado mais radical, envolvendo Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Outro mais moderado, com o presidente Lula à frente. E Lula seria um mediador da aproximação entre EUA e essa esquerda radical. Haverá uma distensão maior nesse relacionamento?

Há tantas esquerdas quantas unidades nacionais existirem. Isso é muito fácil de mostrar, é só não ter preguiça e analisar as situações históricas. Por que o fenômeno Chávez ocorre?

Ocorre depois de uma crise de 20 anos no sistema político e econômico venezuelano. É interessante observar que, já nos anos 50 e 60, Celso Furtado criticava o modelo econômico venezuelano. Esse modelo foi o suporte material em torno do qual se assentou aquele sistema bipartidário e que levou a uma desagregação nos anos 90, cujo resultado final foi a eleição de Chávez. A Bolívia é outro caso. As pessoas falam da instabilidade boliviana. Nos quatro primeiros anos do governo Lula, estive 12 ou 13 vezes na Bolívia e encontrei quatro presidentes diferentes. Isso é que é instabilidade. O Equador teve oito presidentes em 10 anos. São situações completamente diferentes. No Uruguai há uma experiência mais próxima da brasileira.

A Frente Ampla tem algo a ver com o PT porque lá, pelo menos, eles se institucionalizaram. E a nossa experiência é também original porque é tardia. Tínhamos uma esquerda muito frágil até os anos 80. Num determinado momento tivemos o Partido Comunista, que depois se descompôs.

Tivemos os grupos armados, que foram massacrados e deixaram muita coisa além de uma herança moral e política. O PT é um fenômeno tardio. É bobagem querermos estabelecer parâmetros.

Mas as comparações são inevitáveis. Há diferenças na ação de governo e nos discursos.

A RADICALIDADE MAIOR OU MENOR ESTÁ LIGADA A CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS. ÀS VEZES SÃO SITUAÇÕES MAIS RADICAIS, NÃO É O DISCURSO QUE É RADICAL. TALVEZ, COM OUTRO TIPO DE DISCURSO, AQUELE PROJETO NÃO PUDESSE PROSPERAR. QUAL FOI A SABEDORIA DO PRESIDENTE LULA?

Sem ser um grande teórico, entendeu diferenças e procurou estabelecer com os países boa relação. E disse: "Olha, por cima das nossas diferenças, que talvez sejam grandes, existe um objetivo a ser atingido, que é o objetivo da integração".

E NO BRASIL, HÁ POLITIZAÇÃO NA ANÁLISE DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA? HÁ UMA IDEOLOGIZAÇÃO?

Claro. Credita-se um componente ideológico como se as opiniões sobre esse componente ideológico não fossem elas também profundamente ideológicas. O fato de eu ser ligado a um partido político não me libera para procurar impor uma ideologia particular à minha conduta no aparelho do Estado. Não é o fato de o ministro Celso Lafer (ministro das Relações Exterior de FHC) ser filiado ao PSDB que vai me obrigar a dizer que o Brasil teve uma diplomacia tucana no governo anterior. O que estamos procurando é defender o interesse nacional e determinados princípios gerais da política. Um dos princípios que introduzimos com muita força foi perseguir com grande insistência a integração da região. Nós achamos que o destino do Brasil está muito vinculado ao destino da região. Temos um problema complicado, que é uma região ainda pobre e muito desigual. Esses problemas têm de ser enfrentados.

O SENHOR ACHA QUE HÁ UMA MÁ VONTADE DA IMPRENSA EM RELAÇÃO À POLÍTICA EXTERNA, AO SENHOR E AO GOVERNO?

Não gosto muito de falar sobre a imprensa. Embora eu tenha opiniões bem formadas. A imprensa pode falar mal de você, mas você não pode falar mal da imprensa. A imprensa não quer ser somente um quarto poder, ela quer ser o primeiro. Há duas coisas aí.

Ouço rádio, leio oito jornais por dia e vejo bastante televisão. Tem muita gente que desinforma. A pessoa pode desinformar por duas razões. Ou ela não está informada, então é de certa maneira inocente. Ou pode querer desinformar porque está informada, mas não quer informar bem. Acho que existem os dois casos. Existe outra parte da imprensa que hoje se arvora uma função político-partidária. Isso não é um fenômeno novo. Esse fenômeno já foi detectado, em 1851, na França, por um analista ilustre da vida francesa naquela época, que atribuía a determinados órgãos de imprensa, um deles em particular, uma função partidária (risos).

Victor Hugo dizia que os jornalistas eram os espadachins da reputação alheia.

- Pois é. Mas aqui, mais do que isso, alguns órgãos de comunicação pretendem ser o comitê central da oposição.

E, como todo bom comitê central, no velho estilo comunista, tem que ter também um departamento de imprensa e propaganda.”

terça-feira, 24 de março de 2009

FOLHA DE SP: EDIÇÃO DIÁRIA DA VEJA?

Li hoje no blog do jornalista Luis Nassif:

Há algum tempo, algo estranho vem acontecendo com a Folha de São Paulo.

Considerado um jornal relativamente plural nos anos 80, e modelo de jornalismo para muitas escolas de preparação de futuros profissionais da mídia, hoje a Folha consegue ser um dos veículos mais criticados do país.

O ponto central da crítica, principalmente, na blogosfera, é que ela está se assemelhando cada vez mais à revista Veja, que se consolidou como o melhor exemplo brasileiro do processo de murdoquização (ou tabloidização, como queiram) que afetou inúmeros mercados de imprensa mundo afora.

O que leva a crer que a Folha, hoje, vem se transformando numa “versão diária” da revista Veja é o fato de que:

1. O jornal apela para incriminações sem provas suficientes, como no caso dos pilotos da TAM, no acidente de julho de 2007.

2. O jornal sustenta argumentos de classe, como no caso do Bar Bodega (1996), quando meninos da periferia foram apresentados como criminosos, o que depois ficou provado ser falso - se a Folha estivesse preocupada em fazer a diferença na cobertura, como propagava em seu marketing, não teria cometido os mesmos erros dos outros veículos.

3. O jornal se tornou um veículo de idéias eminentemente provenientes da direita conservadora, abandonando a posição de direita progressista, tradicionalmente ocupada pelo veículo, o que assustou e afastou o resto dos leitores de centro-esquerda que ainda mantinha. O melhor exemplo é o caso “Ditabranda”.

4. O jornal não esconde mais a partidarização de sua cobertura, visto que não é preciso mais dar satisfações a outras matizes ideológicas.

5. E o mais grave: o jornal vem se limitando em muitos casos a servir de repercussor primário das manchetes semanais da Veja, como no caso Daniel Dantas.

Como na velha história do ovo e da galinha, não sabemos ainda se a Folha perdeu seus leitores de esquerda para a rede, e por isso teve que se contentar com o espectro de direita, ou foi a guinada conservadora que lhe custou aqueles leitores - o que leva-nos a perceber como estranhos no ninho alguns dos seus colunistas remanescentes da época em que a marca era pluralidade.

Arrisco acreditar que foi a avalanche histórica do neoliberalismo, visto tanto em seu determinismo econômico, quanto em seus efeitos histórico-sociais, que veio reforçar o DNA reacionário, até então contido pela direção do jornal, por questões de estratégia de mercado.

Por efeitos históricos-sociais do neoliberalismo, compreendemos: a redução dos bens culturais à lógica de mercado, com a consequente mercadização e financeirização dos valores jornalísticos; criminalização das classes populares e dos movimentos sociais; intolerância ideológica; e aversão acentuada ao Estado como mediador das relações simbólicas da sociedade.

ILUSÕES PERDIDAS

O que é trágico para a imprensa brasileira, é que este movimento se dá de forma sintomática justamente num jornal que chegou a ser visto como um bom aliado no processo de democratização da política nacional.

Em 1985, a Folha era lida por um público que parecia estar vivendo o início de um momento áureo do jornalismo, em que poderíamos ter no mínimo – se não a pluralidade das opções européias – pelo menos o equilíbrio dos melhores veículos americanos.

Vinte anos depois, ilusões perdidas, a Folha desperta horror e espanto neste mesmo público: virou uma Veja, que por sua vez virou um tablóide à Murdoch.

Não podemos esquecer, para bem avaliar este movimento da Folha de São Paulo, que a imprensa brasileira tem um histórico de cobertura partidarizada. Isso nunca foi diferente.

Basta lembrar da campanha de 1949, literalmente contra Getúlio Vargas, e a continuidade dos ataques diários ao presidente eleito até o suicídio – o que levou, num acesso de fúria, populares do Rio a tentar invadir a sede de O Globo.

Não é a Folha que é partidarizada, mas toda a grande imprensa nacional.

Da mesma forma, é evidente que sempre faltou ao Brasil uma pluralidade ideológica maior na nossa imprensa diária – tomada aqui, portanto, como distinta de “pluralidade partidária” – como bem já observara Clovis Rossi (!), em texto dos anos 80.

Ao contrário dos países europeus, principalmente, a França, não temos opções de leitura, com grandes jornais de centro-esquerda, centro-direita etc – embora possamos acreditar que um jornal voltado para posições menos conservadoras, mas que também não fosse um panfleto esquerdista, pudesse realmente ter um ótimo espaço de repercussão junto a um público mais exigente.

E, se nunca tivemos, talvez nunca tenhamos: qualquer iniciativa neste momento, na imprensa gráfica, é sempre temerosa, visto o avanço sistemático da preferência dos novos leitores pelos produtos da rede. Isto se torna ainda mais complicado quando se trata de imprensa diária.

MAS SOBREVIVE UM ENIGMA

Com isso, a perda definitiva dos leitores de matiz de esquerda para os blogs jornalísticos – perda que dificilmente será sanada, pela desconfiança que já causou e os prejuízos de credibilidade; e a dificuldade de saber qual será a predileção do jovem leitor, hoje na faixa dos 20 anos, em uma ou duas décadas, são fatores que vêm forçando a Folha a ficar onde está.

Parece, portanto, que tudo é explicável.

Mas o que incomoda, neste momento, e aí está o grande enigma que desafia a compreensão do Caso Folha pela media criticism, é: o que estes fatores combinados de mercado, ideologia e partidarização, têm a ver com os deslizes éticos do jornal?

Como evidentemente a ética não é patrimônio ideológico – e como vemos, diariamente, nem partidário – e não se confunde com “nichos de mercado”, ficamos nos perguntando o que, em última instância, levou a Folha a cometer opções tão arriscadas?

Pois que ler a Folha, atualmente, transformou-se em muitos casos ler as suítes da Veja, com direito a contra-factuais (popularmente, os factóides) com brindes diários de ficção jornalística.

Isto sem precisar pagar mais R$14,90.”

DE OLHO EM 2010, SERRA NÃO QUER PARA SÃO PAULO O PROGRAMA DE 1 MILHÃO DE MORADIAS DO GOVERNO FEDERAL

Li hoje no blog do Favre:

“Procurando argumentos para justificar aos olhos da opinião pública a recusa de Serra em apoiar o plano habitacional do governo federal, os tucanos afirmam que o governo estadual é a musa inspiradora. O governo federal estaria copiando, e mal, os projetos tucanos para moradia.

Como existe preguiça em alguns órgãos da mídia, forneço aqui algumas referências visando a esclarecer afirmações do tipo “Realizado às pressas e sem o tempo necessário para suas aspirações, de fato o projeto habitacional do governo federal vem buscando inspiração em várias experiências paulistas. A proposta que Dilma pretende enviar ao Congresso para reduzir os custos cartoriais de legalização de residências para famílias de baixa renda segue o modelo recém implantado em São Paulo. Batizado de Cidade Legal, o projeto paulista, aprovado no final de 2008 na Assembleia Legislativa, reduziu em até 90% os custos de registro e legalização de imóveis que se enquadram na categoria de Interesse Social.” (jornal VALOR página A5 23/03/2009).

Pois bem o projeto “Cidade Legal” é uma copia do projeto “Sua Casa de papel passado”, parte do programa Viver Melhor, implementado pela Cohab na gestão Marta Suplicy. O programa da Marta consistiu na emissão de escrituras de propriedade para os mutuários, sem burocracia e a preços bem abaixo dos preços do mercado. Sem falar na utilização dos recursos do Fondo Municipal de habitação que financiava 50% do valor do imóvel para a população que ganhava até 4 salários mínimos, o que permitia a esse segmento de adquirir casa própria com prestações de R$100 reais mensais. Hoje o governo federal quer reduzir isto a um valor até simbólico. O incomodo dos tucanos é proporcional a arrogância com que reivindicam como próprias, ideias implementadas por outros.

Mais ainda, a lei que obriga o Estado a aplicar 1% do arrecadado para habitação popular quase nunca foi cumprida pelos sucessivos governos tucanos, motivando diversas mobilizações dos setores populares ligados a moradia, durante vários anos.

A bem da verdade, como desnudou o artigo do jornal VALOR hoje, José serra quer impedir que o governo federal possa levar a frente o programa de criação de 1 milhão de moradias a preços bem baixos para os setores pobres e médios. Sua motivação é exclusivamente de ambição política visando 2010.

O argumento de José Serra parece ser: quando pior para o povo, melhor para o candidato.”

A CRISE E O PAPEL DE CADA UM

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo de Fernando Cardim de Carvalho, economista e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ):

“O discurso agressivo e otimista estava correto. Não otimista por um complexo de Poliana, mas porque a reação era (e ainda é, apesar dos riscos terem crescido exponencialmente) possível. Mas é preciso que cada um faça o seu papel, e o do governo é dar seguimento à sua retórica com políticas precisas e vigorosas. O discurso do presidente, a esta altura, não deveria estar dirigido a manter o moral do público, mas, sim, de seu próprio ministério. A análise é de Fernando Cardim de Carvalho.

No último trimestre de 2008 foram sepultadas as esperanças de que a crise internacional passasse pela economia brasileira como uma ventania forte observada de dentro de casa.

Tremessem os vidros, houvesse um barulho assustador, voassem mesmo algumas telhas, mas, no geral, apenas um susto. Ainda não é totalmente claro se, ao final, sofreremos mais susto do que danos extensivos. Nunca foi tão preciso o clichê de que o futuro é incerto. De qualquer forma, se tudo acabar se resumindo para nós numa forte ventania, no mínimo já sabemos que deixamos algumas janelas abertas e alguns quadros na parede já saíram voando e algumas porcelanas já se partiram. O vento ainda é forte e temos que tentar fechar as janelas para evitar danos maiores.

Como já é conhecimento de todos, a crise americana não nos atingiu de forma tão dura como ocorreu com outros países, porque o sistema financeiro brasileiro está ha anos pendurado na dívida pública doméstica e não viu necessidade de se envolver em esquemas mirabolantes como os financiamento de hipotecas subprime para ganhar muito dinheiro.

Americanos e ingleses gostam muito de um conceito chamado de serendipity, isto é, um resultado feliz mas totalmente inesperado de uma decisão voltada para objetivos completamente diferentes. Serendipity foi o que tivemos com o banco central que o bom deus (ou o demônio) nos deu: a política de juros altos e o real sobrevalorizado promovida por anos pela autoridade monetária fez com que os bancos brasileiros não se interessassem pelas miragens do mercado financeiro internacional e agora não sofrêssemos o impacto da crise que atinge não apenas os americanos, mas também europeus, asiáticos, etc.

Mas é impossível que uma economia que representa de um quarto a um quinto da economia mundial sofra uma crise grave como essa, que ameaça mesmo tornar-se uma depressão (até pela sua duração: estamos entrando no terceiro ano desde o início da crise, no primeiro semestre de 2007), sem que todos sejamos de alguma forma atingidos.

Já não importa muito recapitular como isso aconteceu, no segundo semestre do ano passado, culminando na queda espetacular do Produto Interno Bruto do último trimestre de 2008. O cenário mudou, de setembro para a frente, e a situação, até então relativamente benigna, tornou-se muito mais dramaticamente perigosa, exigindo a definição de políticas de governo muito melhor definidas do que se teve até o momento.

A economia brasileira se beneficia de vantagens em uma crise das dimensões atuais que poucas economias têm. Sua dimensão continental, sua base de recursos naturais, a existência de um parque produtivo razoavelmente diversificado e integrado e, não menos importante, a existência de instituições públicas capazes de implementar estratégias mais agressivas de política econômica permitem definir caminhos alternativos de enfrentamento da crise que não representem a aceitação passiva e fatalista de impulsos vindos do exterior. Em outras palavras, o Brasil pode procurar no seu mercado doméstico as fontes de sustentação da demanda necessária para que as firmas locais continuem produzindo e garantindo o emprego da população, minimizando os efeitos negativos da contração internacional.

Muito se ridicularizou o Presidente no ano passado quando apontou repetidamente em seus discursos que era preciso manter a economia funcionando, consumidores e empresas deveriam manter um comportamento tão próximo da normalidade quanto possível, impedindo que a economia se paralisasse pelo simples temor de contágio da crise externa. Lula, na verdade, não estava argumentando de forma muito diferente de Franklin Roosevelt quando, no fundo do poço da depressão americana, declarou que a única coisa que os americanos tinham a temer era o próprio medo.

Na verdade, os americanos tinham muito a temer, como nós também, mas Roosevelt tinha razão em argumentar que o medo é em si mesmo paralisante, que substitui o impulso à resistência, ao combate, pela imobilidade conformista. E Lula também estava, em grande medida, certo.

Em grande medida, porque, como veremos, a retórica agressiva deve ser o preâmbulo da reação vigorosa. Ela não basta em si mesma. O discurso deve preparar para a reação, o ataque aos problemas, e esse não se deu como deveria, pelo menos até agora. A reação negativa que a retórica otimista enfrentou se explica, certamente, em parte pelas contingências políticas (não seria de se esperar que a oposição ao governo se comportasse de outro modo), em parte pelo enorme e raivoso preconceito que muitos alimentam contra Lula, mesmo quase sete anos depois de sua posse (quantos desses críticos recriminaram FHC ou Malan por ter evidentemente mentido à população quando afirmavam, ao final de 1998, repetidamente que o real, e a economia brasileira, estavam seguros?).

Mas a retórica só pode ir até certo ponto. Ela deve servir para manter o moral das tropas enquanto as ordens de serviço são definidas. E aí as coisas não saíram até agora como deveriam.

O público, na verdade, respondeu ao chamado do Presidente e fez o seu papel. Empresas mantiveram a produção e o emprego em expansão, e consumidores continuaram demandando bens e serviços até os últimos três meses de 2008, quando as expectativas se deterioraram dramaticamente. Mas o governo falhou nas duas frentes que lhe cabiam. A política fiscal foi dúbia e a política monetária francamente negativa.

A política fiscal foi dúbia porque a retórica do governo em torno da definição de uma estratégia expansiva, definida em torno do PAC, não se transformou em medidas efetivas na escala necessária. Em primeiro lugar, porque o momento exigiria investimentos públicos em maior escala que os definidos pelo PAC. O PAC foi definido para ser suportado por uma economia funcionando em condições normais. Por definição, isto seria pouco para compensar tendências emergentes à contração. Segundo, porque mesmo os investimentos do PAC, aparentemente, continuaram a ser implementados com uma certa placidez burocrática completamente descabida quando a economia pede a ação decidida e vigorosa do governo.

Finalmente, a política fiscal do governo federal oscila entre a postura mais agressiva do presidente e atitude hesitante e incerta de seus auxiliares, que parecem se debater na dúvida hamletiana entre uma política expansiva de gastos e a obediência aos preceitos da chamada prudência fiscal que parece extravasar da burocracia do ministério do Planejamento e contaminar os policy-makers do ministério da Fazenda.

Sobre a política monetária não há muito o que dizer de novo. A diretoria do Banco Central não se mostrou à altura das demandas da economia brasileira e ninguém se surpreendeu com isto, que afinal vem de longe. Surpreendente seria se agissem diferentemente. Com sua lentidão paquidérmica, o Banco Central age como aquele convidado encarregado de trazer a cerveja para a festa e chega quando todos já foram embora.

O discurso agressivo e otimista estava correto. Não otimista por um complexo de Poliana, mas porque a reação era (e ainda é, apesar dos riscos terem crescido exponencialmente) possível. Mas é preciso que cada um faça o seu papel, e o do governo é dar seguimento à sua retórica com políticas precisas e vigorosas. O discurso do presidente, a esta altura, não deveria estar dirigido a manter o moral do público, mas, sim, de seu próprio ministério.”

PRIVATIZAÇÕES

Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo de Maurício Thuswohl, postado originariamente no site “Carta Maior”:

ABSOLVIDO EX-MINISTRO ACUSADO DE FRAUDE NO LEILÃO DA TELEBRÁS

“Justiça Federal absolve o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, da acusação de favorecimento durante privatização do Sistema Telebrás. Também foram absolvidos o ex-presidente da Anatel, Renato Guerreiro, e dois ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e José Pio Borges.

“Um dos capítulos mais obscuros do festival de privatizações promovido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) volta às manchetes. Em decisão anunciada na semana passada, o juiz Moacir Ferreira Ramos, da 17ª Vara Federal de Brasília, absolveu o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e outros três integrantes do governo FHC da acusação de condução ilegal do processo de privatização do Sistema Telebrás, que deu origem a empresas como a Oi/Telemar e a Brasil Telecom, entre outras.

A absolvição acontece dez anos após o início do processo que, além de Mendonça de Barros, tem como réus um ex-presidente da Anatel, Renato Guerreiro, e dois ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e José Pio Borges. Autor da ação contra os quatro, o Ministério Público Federal já anunciou que irá recorrer da decisão de Ferreira Ramos em instância superior. O caso, a partir de agora, tem como novo procurador Wellington Divino Marques, que está em fase de leitura do processo. Uma segunda ação contra o quarteto, em curso na Justiça Federal do Rio de Janeiro, ainda não foi julgada.

O Ministério Público, que deu início à ação em 1998 após atender a uma solicitação do PT, acusa Mendonça de Barros de tentar manipular o processo de privatização de uma das maiores fatias do Sistema Telebrás, a Tele Norte Leste, de forma a privilegiar o consórcio liderado pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas. Em julho daquele ano, Mendonção, como era conhecido no governo, teria encorajado os fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil) e Funcef (da Caixa Econômica Federal) a investir no consórcio liderado por Dantas e, dessa forma, facilitar a aquisição da Tele Norte Leste, que incluía a Telerj e outras 15 operadoras de telefonia.

As acusações do MP contra o então ministro das Comunicações se basearam na interceptação, através de escutas telefônicas, de diversas conversas suas com assessores, dirigentes dos fundos de pensão, dirigentes de seguradoras ligadas ao BB e integrantes do governo. Numa dessas conversas, que se tornou célebre após ter sido divulgada pela imprensa, Mendonça de Barros se refere como “telegangue” ao consórcio Telemar, que acabou vencendo a disputa com o Opportunity pela Tele Norte Leste.

No mesmo processo, André Lara Resende e José Pio Borges são acusados de usar dinheiro do BNDES para ajudar o consórcio Telemar a adquirir a mesma Tele Norte Leste. A ajuda teria se dado na forma de um empréstimo ilegal de R$ 687 milhões feito após o leilão a três das empresas que integravam o consórcio: Andrade Gutierrez, Macal Investimento e Participações e Inepar Indústria e Construções. Segundo o MP, o empréstimo teria sido feito pelo BNDES a juros fraudulentos, muito abaixo dos praticados na época pelo mercado. Renato Guerreiro também foi incluído no processo porque a Anatel, responsável pela regulação do setor de telefonia, foi apontada como co-autora das supostas fraudes.

TUDO COMO DANTES

No fim das contas, ambos os lados levaram o seu quinhão no leilão de privatização do Sistema Telebrás. A Tele Norte Leste acabou mesmo arrematada pelo consórcio Telemar, liderado pelo empresário Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), por R$ 3,4 bilhões. A empresa hoje se chama Oi/Telemar. Outra fatia da Telebrás, a Tele Centro Sul, foi arrematada pelo consórcio liderado pelo Opportunity por R$ 2 bilhões, e passou a se chamar Brasil Telecom.

Apesar das denúncias de irregularidades e das evidências colhidas durante a investigação sobre a “mãozinha” dada pelo governo e algumas de suas instituições aos vencedores do leilão, a privatização do Sistema Telebrás foi concluída e as empresas privadas surgidas desse processo auferiram nos últimos dez anos enormes lucros aos seus donos. Agora, a decisão da 17ª Vara Federal em favor de Mendonça de Barros, Lara Resende, Pio Borges e Guerreiro sugere que essa pode se tornar em breve uma página definitivamente virada.

Mesmo porque, suprema ironia, as duas empresas devem se tornar uma só. A Oi/Telemar tenta, mais uma vez com a ajuda do BNDES, comprar a Brasil Telecom. Do valor estimado para a compra - algo em torno de R$ 6 bilhões - o BNDES deve entrar com cerca de 40%. Após a conclusão do negócio, o banco, ao lado dos fundos de pensão das estatais, deve controlar a metade do capital da nova empresa. Após dez anos, a telefonia volta em parte ao controle estatal, mas não sem antes deixar milionários alguns agentes privados ao longo desse percurso.”

COMO NASCE UM TIRANO

Li hoje no site “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo de Evaldo Novelini, postado originariamente no blog Alfarrábios:

NÃO FOI POR FALTA DE AVISO.

“Em 8 de maio de 2002, atônito com a recente nomeação de Gilmar Ferreira Mendes, ex-advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o jurista Dalmo de Abreu Dallari escreveu corajoso artigo na Folha de S. Paulo.

Intitulado “DEGRADAÇÃO DO JUDICIÁRIO”, o arrazoado do professor de Direito concitava colegas, advogados, bacharéis e magistrados à reação:

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada.

E previa tempos sombrios caso nada fosse feito:

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Havia motivos de sobra, como se verá, para a perplexidade do professor ante a nomeação de Mendes.

Mas, à época, vozes como a de Dallari eram exceções.

A regra eram espantosos panegíricos. Mendes era verdadeiramente idolatrado pelos veículos de comunicação.

Deu-se então que, em 23 de abril de 2008, Gilmar Mendes ascendeu à presidência do Supremo Tribunal Federal.

E deu início a uma das mais polêmicas e turbulentas gestões da história da Suprema Corte.

Com truculência nada peculiar a um magistrado, atropelou recomendações, infringiu normas, desrespeitou códigos.

Mendes não havia completado ainda um ano no cargo e a imagem do STF estava consideravelmente afetada.

Estimulado em grande parte pela mídia nativa e seus personagens mais famosos, os patrões ignaros e os funcionários sabujos, Gilmar Mendes mandou às favas o rigor e a fleuma necessários para o exercício da função.

Intrometer-se em qualquer assunto e opinar sobre todos os assuntos era pinto para ele. Não perdia uma única oportunidade.

Tanto fez que chamou a atenção da opinião pública.

No início deste ano, o ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, cotejou o comportamento de Mendes com o de seu colega norte-americano, John Roberts. E apontou uma certa promiscuidade no trato do magistrado pelos jornalistas tupiniquins:

Mendes é diferente, em especial neste jornal, que lhe confere status de celebridade, nos seus piores aspectos. Em 50 textos em 2008, ele aparece fazendo declarações, muitas de cunho político, algumas repetidas duas vezes com títulos semelhantes ("o habeas corpus é como o ar") no espaço de quatro dias (12 e 16 de dezembro).

Disse mais o ombudsman, lembrando o barulho que causou a única - eu disse única - declaração de Roberts à imprensa norte-americana fora dos autos:

Se Roberts e a rede ABC foram atacados por ele ter se lembrado de seus dias como jogador de futebol no colégio e demonstrado camaradagem excessiva com a entrevistadora, o que se diria se aparecesse como a revista "Serafina" deste jornal retratou Mendes em 8 de junho, em reportagem chamada "O amor e o poder", em que ele e sua mulher posavam na intimidade do lar como se fossem astros de cinema?

O debute de Mendes junto ao grande público, no entanto, não se deu pelas páginas dos jornais.

Ele veio na onda da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que conseguiu mandar o banqueiro Daniel Dantas, acusado de infringir “quase meio Código Penal”, segundo definição da insuspeita jornalista Lucia Hippolito, duas vezes para a cadeia.

De onde, pelo mesmo número de vezes, Mendes o libertou pela concessão de habeas corpus – o segundo, menos de 48 horas após o primeiro, num flagrante atropelamento do ordenamento jurídico nacional.

Não bastasse isso, reportagem escrita por Leandro Fortes na revista semanal CartaCapital, que circulou em 19 de novembro de 2008, expôs um Mendes político, truculento e lobista, principalmente para fazer sua empresa vencer concorrências em órgãos públicos sem licitação.

Se os arroubos verbais do presidente do Supremo sobre qualquer assunto alçado à ordem do dia pela mídia já eram suficientemente temerosos para a democracia brasileira, que dizer então quando ele, ignorando a recomendação explícita do regimento orgânico da magistratura, passou a criticar abertamente a decisão do juiz Fausto de Sanctis de prender Dantas?

Vale salientar que o Estatuto da Magistratura é claro. O parágrafo terceiro de seu parágrafo 36 veda explicitamente ao juiz “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.

Mas quem haveria de repreendê-lo?

Certamente não seria o Conselho Nacional da Justiça.

Por uma razão bastante simples.

Criado para, entre outras funções, “zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura”, o CNJ é presidido exatamente por...

... Gilmar Ferreira Mendes.

Sem nenhum freio para tolher seus impulsos autoritários e com poder de sobra, passou a ser ainda mais incensado pela imprensa, bajulado publicamente por deputados e senadores e temido pelo presidente da República.

Seu desrespeito aos escrúpulos do cargo chegou ao ápice no final do ano passado.

Deu-se que a revista semanal Veja, na edição que circulou em 3 de setembro de 2008, trouxe uma gravíssima denúncia – se verdadeira fosse.

Sem apresentar nenhuma evidência ou prova, a revista dizia que agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) haviam interceptado uma angelical conversa de Mendes com o senador Demóstenes Torres (DEM).

Transformado em títere de uma revista, acusada de ser a joia da coroa do que se convencionou chamar de Sistema Dantas de Comunicação, Mendes abalou a harmonia entre os poderes ao, em sua enésima entrevista coletiva, chamar o presidente Lula “às falas”.

Só não causou uma crise institucional de proporções indefiníveis porque Lula, conciliador ao extremo, resolveu rezar a cartilha da turma.

Como até hoje o áudio do grampo não apareceu, jornalistas premiados, como Luís Nassif, suspeitam que a denúncia pode ter sido uma fraude arquitetada em conluio por Mendes, Torres e Veja para destruir Paulo Lacerda, o ex-superintendente da PF que ousara investigar Daniel Dantas.

Mas neste cenário kafkiano, nem todos se vergam às vontades de Mendes. E contribuem, assim, para mostrar a mais perigosa faceta do presidente do STF.

A de censor.

O que era uma pálida desconfiança virou uma verdade incontestável quando alguns jornalistas destoaram do coro grego estabelecido pela imprensa para lidar com Mendes.

Altino Machado, do portal Terra, foi o primeiro a sentir o tacape de Mendes.

Na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009, durante entrevista coletiva concedida por Mendes no Acre, Machado quis saber:

- Ministro, o senhor tem se manifestado constantemente em defesa da propriedade, contra as invasões, mas em nenhum momento o senhor se manifestou contra dezenas, centenas de assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais. Isso decorre do fato de o senhor ser ministro ou pecuarista?

Visivelmente irritado, o presidente do STF classificou a pergunta como “desrespeitosa”, admoestou o jornalista a tomar cuidado com determinadas questões e determinou a um assessor que avisasse à Polícia Federal para monitorar o repórter:

- Fiquem de olho naquele moço, pois ele é muito perigoso.

Menos de uma semana depois, Mendes agia nas sombras para tirar do ar, da TV Câmara, o programa Comitê da Imprensa, onde os jornalistas Leandro Fortes, de CartaCapital, e Jailton de Carvalho, de O Globo, criticavam a cobertura da mídia sobre a Satiagraha.

Em carta aberta aos jornalistas, Fortes demonstrou estupefação:

- Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Eis, em todas as suas nuanças, um magistrado transformado em tirano.”

FHC ACHA QUE O CONGRESSO COMPRADO PARA A SUA REELEIÇÃO NÃO ERA “BAMBO”, MAS O ATUAL É

Li hoje o seguinte texto do jornalista Paulo Henrique Amorim no seu site “Conversa Afiada”:

DEU NO ESTADÃO ONLINE:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira que o Congresso Nacional, cercado de inúmeras denúncias, está “bambo” e “não representa mais nada”. Para ele, apenas uma mudança no sistema eleitoral pode alterar essa situação.

“Nosso sistema de representação, está bambo, não representa mais nada. Isso é visível, provocando um efeito de desmoralização extraordinário”, disse o ex-presidente em palestra da Associação Comercial de São Paulo. Leia a íntegra no Estadão Online.

Esse Congresso que está aí é o mesmo que aprovou a reeleição de Fernando Henrique. É o mesmo que apoiou o governo Fernando Henrique, a privatização e as três idas triunfais ao FMI.

O defeito desse Congresso é que agora ele apóia o governo Lula.

Se é que apóia.

A reforma partidária que o Farol de Alexandria prega é o voto distrital e o parlamentarismo.

No Brasil, com o voto distrital é o mesmo que a amostra eleitoral das pesquisas da Folha: o voto do rico vale mais do que o voto do pobre.

O parlamentarismo é um truque dos tucanos quando estão fora do poder.

Por duas vezes, em plebiscito, o povo brasileiro já rejeitou o parlamentarismo.

Agora, no Roda Morta de hoje à noite, Fernando Henrique tentará mais um golpe e aprovar o parlamentarismo no grito.

Quem entendia de Congresso, esse que está aí e os outros, era o Sérgio Motta, que tinha o dom de persuadir os que hoje Fernando Henrique chama de “bambos”.

Como diria o Romário, Fernando Henrique calado é um poeta.”

POR MOTIVAÇÃO ELEITOREIRA SERRA PODE DEIXAR SÃO PAULO FORA DO PROGRAMA FEDERAL DA CASA PRÓPRIA

Li hoje no blog do Favre:

“O programa de habitação a ser lançado pelo governo federal para construir em dois anos 1 milhão de casas e apartamentos a baixo custo poderá ser boicoteado pelo governo de São Paulo, por motivos exclusivamente eleitoreiros. É o que aparece em matéria do jornal VALOR de hoje.

Uma das chaves do programa é a desoneração, assim como o financiamento a juros baixos. O governo federal, por exemplo, reduzirá os tributos federais (agrupados na sigla RET) de 7% para 0,5 ou 1%. A mesma política de desoneração visa a reduzir o custo do financiamento e do seguro praticado pelos bancos federais.

Os tributos estaduais e municipais também pesam negativamente no programa, que constitui um poderoso instrumento de incentivo ao setor da construção, empregador de mão de obra numerosa. A maioria absoluta dos governadores concordaria, segundo o jornal VALOR, em reduzir o ICMS para habitação, mas não o governador José Serra que procura argumentos para não aderir ao programa, sem sofrer desgaste político com a sua mesquinha decisão.

Segundo o jornal VALOR:

“Em um país com um déficit de 8 milhões de residências, oferecer casas a preços módicos à população de baixa renda é certeza de retorno eleitoral. Poucos bens no país são tão cobiçados quanto a casa própria, principalmente junto às populações periféricas das grandes metrópoles, foco principal do programa. “Cerca de um terço da população brasileira tem como principal aspiração a casa própria”, afirma o cientista político e consultor de campanhas tucanas, Antônio Prado. “Não importa se o governo diz que vai construir um milhão e só entrega 500 mil, o capital político de um programa como esse é enorme”, diz.

O alívio tributário por parte dos Estados - e também dos municípios - é ponto fundamental para que o governo consiga conceder subsídios relevantes, principalmente para a parcela da população que ganha de zero a três salários mínimos, o principal alvo do programa habitacional. A estimativa das empresas do setor é de que os tributos estaduais e municipais representem cerca de 8% do custo total de uma casa popular.”

O governador Serra, segundo o VALOR, não está disp