terça-feira, 2 de agosto de 2011

TERRORISMO DE ULTRACAPITALISTAS


ULTRACAPITALISMO: DO TERRORISMO AO CALOTE MUNDIAL

Por Marcelo Salles

"Por que não podemos classificar o terrorista norueguês como ultracapitalista? Por que temos que nos conformar com o rótulo na capa da revista ‘Veja’, que o chama de ‘ultranacionalista’, ou com as variantes usadas no restante das corporações de mídia (atirador, terrorista, extremista e outros tantos, que confundem muito mais do que explicam)?

São confiáveis esses veículos de comunicação que, imediatamente após o tiroteio, apontavam o dedo para um providencial “extremista islâmico”? Versão que, aliás, não resistiu a 24 horas.

Estou sendo radical? O capitalismo não prega genocídios? O capitalismo tem lado humano?

Quando digo que o marginal norueguês é ultracapitalista não estou pensando nos postulados de Adam Smith ou naquilo que é permitido que se publique a respeito do sistema que domina o mundo. Estou me referindo ao que é escondido (o trabalho escravo ou semiescravo e a máquina de moer essa gente que trabalha por um salário mínimo de fome) e ao que está implícito, às sutis formas de produção e reprodução de subjetividades, que interferem nas formas de sentir, pensar e agir dos cidadãos e, consequentemente, da própria sociedade em que estes estão inseridos.

O assassino em massa que chocou o mundo agiu influenciado por doutrinas que pregam a concorrência violenta, o ódio ao próximo. Essa teoria que joga a culpa de tudo em estrangeiros, negros, gays, ou em qualquer um que seja diferente. É reducionista, mas funciona. Em vez de reconhecer os próprios defeitos, o que demanda tempo, reflexão e análise, basta jogar a culpa em alguém com quem a pessoa não se reconhece: o outro.

Não me parece casual que o alvo do assassino tenha sido um acampamento da juventude socialista, que reuniu centenas de jovens de todos os cantos do mundo –inclusive do Brasil. O bandido criticava o multiculturalismo e chegou a dizer que esse era o grande problema do nosso país. Essa seria a razão para sermos uma sociedade “disfuncional”, de segunda classe.

É evidente que o genocida norueguês nunca assistiu a um desfile da Estação Primeira de Mangueira. E nem viu um Neymar da vida jogando. Muito menos teve a oportunidade de apreciar uma partida como a de quarta-feira (27), entre Flamengo e Santos. Ali, na Vila Belmiro, quando todos os deuses do futebol (que não são nórdicos, por suposto) baixaram simultaneamente em campo, ficou provada a existência de milagres. Esses milagres que permitem uma jogada como a do terceiro gol do Santos, quando o miscigenado Neymar fez com a bola algo que desafia a compreensão até mesmo dos deuses. Esses milagres que fizeram com que o Flamengo virasse uma partida após estar perdendo por três gols de diferença, sendo que o miscigenado Ronaldinho fez três e foi chamado de “gênio” pelo melhor jogador do mundo na atualidade. Foi um jogo que será lembrado daqui a cem anos. Deve ser duro para os racistas ouvirem isso, mas a verdade é que esses milagres nascem justamente com a miscigenação que as teorias nazistas repudiam. Futebol e música soam melhor quando tem mistura, é assim em qualquer lugar do mundo.

A propósito: o nazismo não era capitalista? Se não, o que era?

A dificuldade de se entender o discurso do premiê da Noruega é compreensível. Todos ficaram chocados quando ele afirmou que discursos de direita são legítimos. Isso porque as corporações de mídia não conseguiram traduzir para o bom português; preferiram fingir que ele não estava se referindo à ultradireita, ou seja, a versão mais descarada do capitalismo. Para as corporações de mídia, é melhor apostar na confusão do que mostrar ao povo brasileiro que seus sócios e amigos defendem, por exemplo, o cercamento de favelas. Ou o abandono da gente pobre. A tortura de traficantes varejistas.

Os tiros disparados na Noruega também ecoam nos Estados Unidos. O extremismo do assassino nórdico tem tudo a ver com o fundamentalismo neoliberal de mercado. Ambos reivindicam para si a verdade, como se existisse apenas uma, a deles. Ambos consideram-se pertencentes a uma casta superior. E ambos agiram com planejamento, método e frieza.

Agora, a maior economia do mundo anuncia tranquilamente que pode dar um calote amplo, geral e irrestrito, mas não aparece um economista para entoar os cânticos de “irresponsável”. Onde estão os fiscais dos fundamentos da economia? Onde os que diziam que Lula quebraria o Brasil? Cadê a turma que defendia o modelo estadunidense como digno de ser seguido? Estão todos quietinhos, debaixo da cama, morrendo de medo das consequências, imprevisíveis, de uma moratória dos Estados Unidos.

O mundo não está nessa situação porque, de vez em quando, aparece um lunático disposto a tudo para fazer valer sua irracionalidade. Chegamos a esse ponto porque o modelo de sociedade adotado pela maior parte do mundo não presta. Quem sabe, a União de Nações Sul-Americanas –Unasul– aponte uma nova direção.”

FONTE: escrito por Marcelo Salles, jornalista, colaborador do ‘www.fazendomedia.com’ e outros veículos de comunicação democráticos. Transcrito no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=5141) [imagem do Google adicionada por este blog;origem: http://www.teialivre.com.br/colaborativo/publish/DiAfonso/Ultracapitalismo-do-terrorismo-ao-calote-mundial.shtml].

2 comentários:

Fluxo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fluxo disse...

Poderíamos esperar que um novo holocausto está sendo preparado, mas dessa vez contra os muçulmanos? Essas ações e idéias poderiam ser interpretadas como antissemitismo, pois o Islamismo, tal como o Judaísmo, é uma religião de origem semita e boa parte dos seus seguidores são árabes, logo, semitas.
O irônico dessa situação é que hoje se "associam" a Israel, o país dos judeus, quando no passado, na 1ª Guerra Mundial, associaram-se a país muçulmano, a Turquia, se bem que nessa época não havia perseguição aos judeu na proporção ocorreu no pós Primeira Guerra Mundial até o fina da 2º GM.