sábado, 6 de junho de 2015

"ABRIL" E "VEJA" AGONIZAM EM PRAÇA PÚBLICA




EX-DIRETOR DA ABRIL: "A ABRIL AGONIZA EM PRAÇA PÚBLICA"

"O jornalista Paulo Nogueira, editor do 'Diário do Centro do Mundo' e ex-diretor da 'Abril', compara a situação da empresa à de Cazuza, em 1989, quando o cantor foi alvo de uma polêmica capa de 'Veja'. "A Abril parece também estar com AIDS, não na versão controlável de hoje, mas no modelo fatal dos dias de Cazuza. O emagrecimento da editora é extraordinário", diz ele. Segundo Nogueira, a agonia da "Abril" não deve ser lamentada. A "Abril" é maligna. A "Veja" faz mal ao país. Pratica um jornalismo criminoso. Mente, distorce, estimula o ódio e a divisão entre os brasileiros".

Do "Brasil 247"


O jornalista Paulo Nogueira, diretor do "Diário do Centro do Mundo", publicou um texto na sexta-feira em que compara a agonia da "Editora Abril" à do cantor Cazuza, em 1989.

"Cazuza estava morrendo de AIDS, e seu emagrecimento avassalador vinha sendo acompanhado por todos em fotos. Na etapa final, Cazuza parecia uma caveira. A capa da "Veja" estampava Cazuza na etapa final com a seguinte chamada: "Agonia em praça pública". A "Veja" matou em vida Cazuza", diz ele.

"Bem, mas o que eu ia dizer é que, passados cerca de 25 anos, a "Veja" poderia dar uma outra capa na mesma linha agônica. Apenas, em vez de Cazuza, o personagem seria a "Editora Abril", que publica a "Veja". A "Abril "parece também estar com AIDS, não na versão controlável de hoje, mas no modelo fatal dos dias de Cazuza. O emagrecimento da editora é extraordinário."
Nogueira, no entanto, afirma que a agonia da "Abril" não deve ser lamentada. "A 'Abril' é maligna. A 'Veja' faz mal ao país. Pratica um jornalismo criminoso – ou 'de exceção', como definiu seu diretor Eurípides Alcântara, seja lá o que isso representa. Mente, distorce, estimula o ódio e a divisão entre os brasileiros".

Leia a íntegra no DCM.

A Editora Abril agoniza em praça pública

Por Paulo Nogueira



Um disparate

Em 1989, a revista "Veja" deu uma capa que provocou uma barulhenta polêmica.

Cazuza estava morrendo de AIDS, e seu emagrecimento avassalador vinha sendo acompanhado por todos em fotos. Na etapa final, Cazuza parecia uma caveira.

A capa da "Veja" estampava Cazuza na etapa final com a seguinte chamada: "agonia em praça pública".

A "Veja" matou em vida Cazuza.

Era um tempo em que os autores não assinavam textos na "Veja". Aos curiosos, quem escreveu o texto final foi Mario Sergio Conti, um dos jornalistas mais maldosos que conheci. (Hoje, MSC faz os espectadores dormir num programa de entrevistas na Globonewzzzzzzzz.)

Bem, mas o que eu ia dizer é que, passados cerca de 25 anos, a "Veja" poderia dar uma outra capa na mesma linha agônica.

Apenas, em vez de Cazuza, o personagem seria a "Editora Abril", que publica a "Veja".

A "Abril" parece também estar com AIDS, não na versão controlável de hoje, mas no modelo fatal dos dias de Cazuza.

O emagrecimento da editora é extraordinário.

Nesta semana, no que já se tornou uma rotina, mais revistas foram fechadas (ou despachadas para a semimorte na "Editora Caras", da qual os Civitas são sócios) e mais demissões foram feitas.

Entre alguns ex-abrilianos, houve uma comoção.

No Facebook, uma jornalista veterana que trabalhou mais de vinte anos na "Abril" postou a informação e disse que sentia vontade de chorar.

Mas ponderaram a ela que a "Abril" de hoje em nada parece com a "Abril' de um passado já remoto.

A alma da empresa se transformou, ou se revelou, ainda não tenho meu diagnóstico definitivo, mesmo tendo passado 25 anos na empresa.

A "Abril" é maligna.

A "Veja" faz mal ao país. Pratica um jornalismo criminoso – ou 'de exceção', como definiu seu diretor Eurípides Alcântara, seja lá o que isso representa.

Mente, distorce, estimula o ódio e a divisão entre os brasileiros. Investe sem pudor nenhum contra a democracia, como se viu na capa lançada um dia antes do segundo turno das últimas eleições. O único objetivo era interferir, com um golpe sujo, no resultado.

A "Veja" se infestou de discípulos de Olavo de Carvalho, o que significa uma visão de mundo ultraconservadora, homofóbica e outras coisas sinistras do repertório dos olavetes.

A ex-abriliana chorosa se confortou quando lhe foi dito, por algumas pessoas, que já não era a "Abril" dela.

Ela reconheceu que já não lia nada da "Abril" fazia muito tempo, por discordar inteiramente da linha da "Veja" e da empresa. “Sequer em consultório de dentista”, afirmou.


A Veja matou Cazuza em vida em 1989

A "Abril" agoniza em parte como resultado da emergência da Era Digital, e em parte como fruto da inépcia de seus donos.

Como um dinossauro, a editora não conseguiu se adaptar aos novos tempos. Demorou para aceitar que a internet ia engolir a mídia impressa (e as demais, como agora ficou claro).

Numa de minhas últimas conversas com Roberto Civita, pouco antes de eu sair da "Abril", ele me perguntou, aflito: “Onde estão as fotos como as da 'Life'?

Ora, elas estavam, e estão, na internet, mas Roberto não conseguia enxergá-las.

Hoje, você vê a "Abril" fazendo bobagens extraordinárias na internet. Uma das maiores, e escrevi sobre isso, é a "TVeja".

Veteranos jornalistas têm conversas intermináveis sob uma câmara em geral estática, numa negação completa à cultura digital.

No canal da "TVeja" no YouTube, você encontra os resultados desse voo cego. Visualizações miseráveis, às vezes na casa das dezenas.

É claro que ninguém da "Veja" e da "Abril" se deu ao trabalho de pesquisar melhores práticas mundiais de tevê no jornalismo digital.

Quanto dura a agonia?

Revistas têm consistentemente cada vez menos leitores e cada vez menos anunciantes.

Como carruagem ou filmes para máquinas fotográficas, revistas se transformaram num produto em extinção.

E o que "Abril" sabe, ou sabia, fazer era revistas.

É previsível que num prazo entre curto e médio sobrem do quilométrico portfólio da "Abril" umas três ou quatro revistas, e mesmo assim condenadas, elas também, à morte.

"Veja", "Exame", talvez a "Claudia", talvez a "4 Rodas", e vamos parando.

Um próximo passo inevitável vai ser a saída do caro prédio da Marginal do Pinheiros.

A "Abril" alugava as duas torres. Já devolveu uma, e não deve tardar a entregar a outra também.

Quanto aos funcionários, os que sobreviveram aos cortes recentes sabem que podem perfeitamente estar no próximo. E isso faz da "Abril" uma empresa tóxica para trabalhar.

Uma coisa particularmente bizarra é que mesmo agonizando e fazendo bobagens notáveis, a "Abril", pela "Veja", dá aulas diárias ao governo de como administrar o país.

Parece o "Estadão", que uma vez publicou um editorial no qual dizia: “Como vínhamos alertando a Casa Branca etc etc.” Os Mesquitas não conseguiam deixar de pé seu jornal, e mesmo assim ofereciam conselhos ao presidente americano.

Não creio em outra vida, em nada disso. Sou um clássico e irremediável ateu.

Mas fico aqui pensando que Cazuza bem que merecia, de algum lugar, observar a "Veja" sofrer a agonia em praça pública que ela impiedosamente colocou na capa sobre ele em 1989."

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/183782/Ex-diretor-da-Abril-a-Abril-agoniza-em-pra%C3%A7a-p%C3%BAblica.htm).  e  (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-editora-abril-agoniza-em-praca-publica-por-paulo-nogueira/).

2 comentários:

van dantas disse...

SÃO REVISTAS MANIPULADORAS DE OPINIÕES, QUEM PAGA O PREÇO É O POVO, COM TANTAS MENTIRAS.

Tereza Braga disse...

Ao Van Dantas,
Tem razão. O pior é que, segundo pesquisa do Datafolha na Av. Paulista (naquela última manifestação pró-impeachment e pró-intervenção militar para colocar Aécio sentado na cadeira de Presidente da República), cerca de 80% dos manifestantes responderam acreditar na "Veja"...
Maria Tereza