sábado, 3 de março de 2012

PETROBRAS INICIA PRODUÇÃO EM ÁGUAS ULTRAPROFUNDAS NOS ESTADOS UNIDOS

FPSO BW Pioneer, da Petrobras

“A Petrobras comunicou ontem que foi iniciada a produção do ‘campo de Cascade’ através do poço ‘Cascade 4’, interligado ao FPSO (navio- plataforma flutuante de produção, com capacidade de estocagem e escoamento) ‘BW Pioneer’, localizado a aproximadamente 250 quilômetros da costa do Estado da Lousiana, em profundidade de água de 2500 metros, no Golfo do México americano, em 25 de fevereiro de 2012.

É o primeiro FPSO a produzir petróleo e gás no setor americano do Golfo do México. O navio-plataforma tem capacidade de processar 80 mil barris de petróleo e 500 mil metros cúbicos de gás por dia, e de estocar 500 mil barris de petróleo. O navio possui sistema de ancoragem desconectável, que permite o seu deslocamento para áreas abrigadas durante a ocorrência de furacões e tempestades, trazendo segurança para a tripulação e o meio ambiente e preservando os equipamentos.

O poço produtor de “Cascade 4” foi perfurado e completado em reservatórios de idades geológicas do Terciário Inferior (23 a 65 milhões de anos), promissora fronteira exploratória marítima do Golfo do México, a uma profundidade de cerca de 8 mil metros.

Esse poço está interligado ao navio-plataforma através de sistema composto por equipamentos e linhas submarinas e “risers” auto-sustentáveis (linhas verticais de produção). O petróleo produzido será transportado para a terra através de navios aliviadores, e o gás, através de dutos.

A Petrobras é a primeira empresa a desenvolver um campo de petróleo no Golfo do México utilizando essas tecnologias, já aplicadas sistematicamente com sucesso no Brasil.

A implantação do projeto de desenvolvimento de Cascade cumpriu as diretrizes da área de segurança, meio ambiente, eficiência energética e saúde da Petrobras, que continuarão a ser fielmente adotadas durante a fase de produção que agora se inicia.”

FONTE: blog “Fatos e Dados”, da Petrobras  (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/03/01/petrobras-inicia-producao-em-aguas-ultraprofundas-do-golfo-do-mexico/#more-51122). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’]

BRASIL-IRÃ: O IMPORTANTE DISCURSO DO MINISTRO PATRIOTA

Antonio Patriota

Por Mark Weisbrot, do “Center for Economic and Policy Research” dos EUA. Transcrito na “Folha de S. Paulo” e no “Viomundo”

É VITAL QUE PAÍSES SIGAM O EXEMPLO DO BRASIL E SE MANIFESTEM ANTES DE UMA GUERRA CONTRA O IRÃ COMEÇAR

“Na semana passada, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez uma declaração corajosa e muito importante sobre a ameaça crescente de um ataque militar ao Irã. Ele pediu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que desse seu parecer sobre a legalidade de um ataque contra o Irã, como vem sendo ameaçado.

Às vezes ouvimos a expressão “todas as opções estão sobre a mesa”", disse. “Mas algumas são contrárias às leis internacionais”.

As pessoas que continuam a afirmar que “todas as opções estão sobre a mesa”, aludindo ao Irã, incluem várias autoridades dos EUA e de Israel e, o que é mais importante, o próprio presidente Obama.


E todo mundo sabe o que querem dizer quando afirmam que “todas as opções estão sobre a mesa”: eles se reservam o “direito” de bombardear o Irã se não conseguirem o que querem por meios não militares, incluindo sanções econômicas [e o petróleo iraniano].

Mas tal ação seria de fato “contrária à lei”, como Patriota sugeriu. Na realidade, é um crime muito grave segundo as leis internacionais e representa violação clara da Carta das Nações Unidas (artigo 2).
A simples ameaça de recorrer à força militar contra outro Estado-membro da ONU -o que Obama e o governo israelense já fizeram- já é uma violação da Carta da ONU.

Aqui nos EUA, a mídia — especialmente as maiores emissoras de TV e rádio — vem produzindo propaganda de guerra sobre a “ameaça” vinda do Irã, em um replay virtual do que antecedeu a invasão do Iraque em 2003.

O Congresso dos EUA, liderado pelo lobby neoconservador e pelo AIPAC (lobby pró-Israel), vem fazendo pressão para cortar as soluções diplomáticas.
Uma resolução submetida ao Senado americano, no momento, incentivaria uma ação militar contra o Irã por simplesmente possuir a “capacidade” de [eventualmente, num futuro hipotético] produzir uma arma nuclear — algo que o Brasil, a Argentina, o Japão e outros países com programas pacíficos já possuem.

E tudo isso a despeito do fato de o Irã atender às demandas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, incluindo as inspeções exigidas, e de não ter demonstrado nenhuma intenção de violar o tratado.

A visão consensual das 16 agências de inteligência dos EUA, segundo o “New York Times”, é que “não há prova concreta de que o Irã decidiu construir arma nuclear”.
É vital que os países que estão interessados em manter a paz e um mundo regido por tratados e diplomacia internacionais, em vez da força, se manifestem, como o Brasil fez, antes de uma guerra começar.

A declaração de Patriota é muito importante. Há muito mais que pode ser feito. O Brasil poderia trabalhar com os BRICS e com a UNASUL para conseguir mais declarações e compromissos. Esses grupos, ou seus países-membros, poderiam anunciar como reagiriam a um país que lançasse um ataque militar não provocado contra o Irã.

Por exemplo, poderiam comprometer-se a retirar seus embaixadores desse país, a romper relações diplomáticas e a rever suas relações comerciais, com a possibilidade de sanções econômicas seletivas.
Para prevenir outra guerra desnecessária e suas atrocidades inevitáveis, o esforço vale a pena.

Israel construiu, clandestinamente, 200 a 500 bombas atômicas, sem conhecimento, fiscalização da AIEA ou ameaças de sanções da ONU.

PS do Viomundo: Israel dispõe de algumas centenas de artefatos nucleares. Índia e Paquistão, ambos da esfera de proteção dos Estados Unidos, também dispõem da bomba. Já a Coreia do Norte não pode. Deu para perceber a hipocrisia ou precisa dizer mais? Nós podemos ter a bomba, diz Washington. Na mão “deles”, é arma de destruição em massa. Faz sentido, já que o Saddam Hussein jogou aquelas bombas em Nagasaki e Hiroshima.

FONTE: escrito por Mark Weisbrot, do “Center for Economic and Policy Research”. Transcrito na “Folha de S. Paulo” e no portal “Viomundo”, com tradução de Clara Allain  (http://www.viomundo.com.br/politica/mark-weisbrot-o-importante-discurso-do-ministro-patriota.html) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

"MUDOU!?!": CANDIDATO NA “SP DE TODOS OS SANTOS”, SERRA MIRA OS “ESTADOS UNIDOS DO BRASIL”


Por Rodrigo Vianna, no blog “Escrivinhador”

“Candidato a intendente na ‘São Paulo de Todos os Santos’, Serra está é de olho nos problemas dos ‘Estados Unidos do Brasil’.

Estados Unidos do Brasil”. Sim. Foi dessa forma que o “mais preparado” [assim ele mesmo se qualificava] referiu-se a nosso país, numa entrevista a Boris Casoy. O apresentador da BAND, aliás, mostrou que tem mais conhecimentos de História do que de Oncologia ou Limpeza Urbana. Rapidamente, corrigiu o tucano: “é República Federativa do Brasil”.

Serra, "o mais preparado", mostrou-se surpreso com a informação - como se vê no vídeo reproduzido neste post:



O “Blog do Tales” reuniu outras pérolas de Serra.

Em 2009, Serra, ‘o melhor ministro da Saúde’ [do mundo] segundo [ele e] o PSDB, dá a receita para combater a gripe suína: “a doença é transmitida dos “porquinhos para as pessoas só quando eles espirram”. “Portanto, uma providência elementar é não ficar perto de porquinho algum”, aconselha.





[O autoproclamado “renomado economista” [apesar de, até hoje, nunca ter apresentado, oficial ou informalmente, diploma de formatura em algum  curso superior] também deu interessante aula sobre complexa questão matemática (contas de dividir)].



FONTE: blog “Escrivinhador”  (http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/candidato-na-sp-de-todos-os-santos-serra-mira-os-estados-unidos-do-brasil.html#more-11812) e “Blog do Tales”  (http://blog.tales.com.br/2012/03/uma-coletanea-de-perolas-de-jose-serra.html) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

O ÊXITO DO BRASIL E OS PERIGOS DA HORA

Mauro Santayana

O manifesto dos militares contra o governo tem o efeito danoso de estimular os nossos adversários externos, que nele começam a ver o retorno aos confrontos entre civis e militares do passado, dos quais eles souberam aproveitar-se. O documento já está sendo usado em São Paulo contra a candidatura do PT.

Por Mauro Santayana

Em um de seus inquietantes paradoxos, Chesterton compara dois grandes santos da Igreja, para mostrar que o temperamento antagônico de ambos conduzia a um resultado comum. “São Francisco – dizia o autor de Ortodoxia – era a montanha, e São Domingos de Gusmão, o vale, mas, o que é o vale, senão a montanha ao contrário?

Em termos lógicos, e nisso o pensador católico foi mestre, o côncavo e o convexo se completam, como as duas partes de uma esfera oca. Seguindo o mesmo raciocínio, a ascensão e a queda das pessoas, das empresas e – com mais propriedade – das nações, são duas categorias que se integram no todo histórico. É preciso administrar a ascensão pensando na queda e ver, na queda, a oportunidade de repensar os métodos a fim de recuperar a ascensão.

Tudo indica que o Brasil se encontra em ascensão, mas é preciso ver este momento com as necessárias cautelas. O mundo passa por um desses espasmos históricos bem conhecidos no passado. A Europa está atônita, daí a sua tentativa de, na demonização dos países muçulmanos, de cujo petróleo depende, criar um inimigo externo que una os seus países, historicamente adversários. Mas, ainda assim, a crise econômica, promovida pela licença de caça que seus governos deram aos bancos, continua a dividi-los.

Ainda que 25 países tenham concordado com a política de arrocho fiscal determinada pela Alemanha com o apoio da França, a Inglaterra e a Tchecoslováquia negaram sua assinatura. Os países que engoliram a pílula começam a cuspi-la de volta, conforme a reação de Rajoy, da Espanha, solicitando flexibilidade na adoção das medidas recessivas, qualquer sinal de solidariedade do grupo. O primeiro ministro anunciou em Bruxelas que só pode prometer a redução do déficit público a 5,8% do PIB. E já surgem divergências entre a Alemanha e o Banco Central Europeu.

A Segunda Guerra Mundial foi um excelente negócio para os Estados Unidos, que dela emergiram como a grande potência hegemônica. Agora, no entanto, alguns dos países que dela participaram e que contribuíram para a vitória com sangue, começam a sair do círculo de giz, e a constituir nova realidade planetária. Muitos desses países, como a Índia e a China, foram impiedosamente colonizados pela Europa, até meados do século 20. O Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul constituem novo polo de poder, que está atraindo outras nações africanas e asiáticas.

Não se trata, ainda, de aliança política. São países bem diferentes, com visões de mundo claramente distintas, mas conscientes de que, se souberem interagir de forma pragmática – no respeito mútuo aos mandamentos de autodeterminação – serão capazes de se defenderem dos projetos de novo domínio anglo-saxão sobre a humanidade.

Durante a Guerra Fria, o pretexto para a intervenção dos Estados Unidos e da Grã Bretanha nos países periféricos era o do “combate ao comunismo”. Qualquer ação desses países, em sua política interna, que significasse a adoção de medidas de desenvolvimento autônomo, como a reforma agrária, a encampação de empresas estrangeiras que ofereciam serviço público de péssima qualidade, e relações comerciais com os países socialistas, significava uma traição ao sistema ocidental, “democrático” e “cristão”. Assim, os princípios de autodeterminação dos povos e de não-intervenção nos assuntos internos dos Estados foram abandonados, embora a retórica das Nações Unidas continuasse a proclamá-los.

Sendo assim, a América Latina - considerada território de caça de Washington - foi invadida por tropas norte-americanas ou por mercenários armados pelos Estados Unidos diversas vezes, isso sem falar na ação ostensiva e clandestina de seus agentes na preparação dos golpes militares violentos, como ocorreu no Brasil, no Chile, na Argentina, entre outros países.

O Brasil vem sendo elogiado pelos seus êxitos na criação de um grande mercado interno, como resultado da política social e do incentivo às atividades econômicas de Lula e Dilma. Ao mesmo tempo, a partir de 1985, conseguimos manter o sistema democrático, com a realização das eleições conforme o calendário, e a alternância no governo de partidos e de pessoas [alternância não obrigatória. Somente]. É uma hora carregada de perigos. Os Estados Unidos, que se encontram em crise, podem cair na velha sedução de usar dos recursos de que ainda dispõem, a fim de cortar o nosso caminho, como fizeram em 1954, no governo Vargas, e em 1964, com Jango. Não podemos permitir que a luta partidária, legítima e necessária, se deixe influir pelos interesses externos. se assim os eleitores quiserem

Sendo assim, o manifesto dos militares contra o governo tem o efeito danoso de estimular os nossos adversários externos, que nele começam a ver o retorno aos confrontos entre civis e militares do passado, dos quais eles souberam aproveitar-se. O documento já está sendo usado em São Paulo contra a candidatura do PT.

Qualquer movimento que nos divida, como brasileiros, diante das ameaças estrangeiras, deve ser repudiado pelo nosso sentimento de pátria, comum aos civis e militares.”

FONTE: escrito por Mauro Santayana, colunista político do “Jornal do Brasil”, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da “Ultima Hora” (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a “Folha de S. Paulo” (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte. Artigo publicado no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5501) [Imagem do Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

Samuel Pinheiro Guimarães: “O GOLPE DO EURO”


Do blog “Projeto Nacional”

“Do site ‘Opera Mundi’, a extremamente lúcida palestra do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos mais importantes formuladores da política externa brasileira.

Imagine um cenário em que países vitimados pelo desemprego são obrigados a realizar drásticos cortes de quadros públicos; aceitarem normas draconianas para pagarem juros de uma dívida pública que, na verdade, só virá a aumentar e se eternizar; também estão impedidos de investir, fornecer crédito e adotarem políticas de crescimento; no comando do país, políticos experientes são substituídos por economistas burocratas e sem qualquer visão de estadista. Tudo isso por determinação externa, vinda de um órgão supranacional que é comandado de fato, pela nação mais poderosa.

Seria lugar comum cogitar alguma região subdesenvolvida, sem estabilidade política nem histórico democrático. Jamais na poderosa Europa Ocidental. Mas, na opinião do ex-embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos principais artífices da política externa brasileira durante o governo Lula, países como Grécia ou Itália em maior grau, foram vítimas recentes de um “golpe de Estado comunitário”.

Atual alto-representante geral do MERCOSUL e ex-secretário geral do Itamaraty entre 2003 e 2009, Guimarães esteve na segunda-feira (27/02) em São Paulo para participar de palestra da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre a atuação diplomática brasileira frente às transformações mundiais. Foi quando fez duras críticas à condução da Alemanha e da União Europeia na condução da crise do euro e da dívida soberana de seus países.

Há novos primeiros-ministros na União Europeia que foram impostos aos seus povos. (O grego Lucas) Papademos, (o italiano Mario) Monti… Imaginem se isso ocorresse na América do Sul, como chamariam. De ‘Golpe de Estado’ é isso, um ‘golpe de Estado comunitário’. Como são as contrariedades da mídia!”, ironizou o diplomata.

Ex-secretário-geral de Relações Exteriores do Itamaraty durante boa parte do governo Lula (2003-2009), Guimarães afirmou que o MERCOSUL deve deixar de ser apenas um órgão facilitador do livre comércio para se tornar um instrumento de desenvolvimento regional. O atual estágio de união aduaneira imperfeita do bloco, por sua vez, deve ser mantido em razão das fortes assimetrias entre os quatro integrantes.

Para ele, dificilmente haverá progresso para um acordo comercial com a União Europeia, que já se arrasta há uma década – por falta de interesse dos próprios europeus, que seriam muito exigentes em seus pedidos.

Durante seu discurso, também lembrou que o grupo sul-americano é marcado por grandes assimetrias econômicas e sociais. Portanto, defende que os países mais ricos tenham grau maior de generosidade em relação aos menos favorecidos. “Um bloco só sobrevive se os integrantes estão razoavelmente satisfeitos. E é de nosso interesse que todos se desenvolvam”, lembrando que deve se evitar qualquer tentativa de hegemonia brasileira em um bloco que se entende como cooperativo.

Em contrapartida, o voto em conjunto dos países do MERCOSUL possibilita grande retorno político. “Cada vez mais, se aumenta o número de temas decidido internacionalmente: meio-ambiente, finanças, comércio. O desafio (do Itamaraty) é garantir que as regras internacionais tornem mais fácil o desenvolvimento da sociedade brasileira e lembrar que o que é bom para um país nem sempre é bom para outro. Portanto, nessas negociações, cada país tem um voto.Portanto,fazer parte de um bloco é extremamente importante”.

Guimarães lembrou que, historicamente, o MERCOSUL foi concebido apenas como uma etapa preparatória de um projeto maior, a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). “Lembrem-se quem eram os quatro presidentes na época do Tratado de Assunção: (do Brasil, Fernando) Collor, (da Argentina, Carlos) Menem, (do Uruguai, Luis Alberto) Lacalle e (do Paraguai, Andrés) Rodríguez. Tinham perspectivas diferentes. É como se estivessem preparando um casamento para depois pular para um relacionamento aberto”, brincou.

DEMOCRACIA

Um dos pontos mais polêmicos do encontro foi quando Guimarães foi questionado pelo professor da FGV, Guilherme Casarões, se há coerência na diplomacia brasileira em manter relações com países que fogem à definição ocidental de liberdade e democracia. Guimarães defendeu a atuação do Itamaraty e lembrou que o país é contra a seletividade na defesa dos direitos humanos. “O Brasil obedece a dois princípios constitucionais: a autodeterminação e a não-intervenção, que constam também na Carta da ONU (Organização das Nações Unidas). Só que alguns países se esquecem disso. A interferência tende a fracassar, como no caso da Líbia (…). Não podemos interferir nos assuntos dos outros assim como não gostaríamos que interferissem nos nossos”, afirmou o embaixador.

O diplomata lembrou que ações de intervenção são muito seletivas para as grandes potências, que defendem muitas não-democracias. “Israel tem mais de cem ogivas nucleares. Enquanto a própria CIA, nesta semana, admitiu não ter certeza se o programa nuclear iraniano tem capacidade de produzir uma bomba nuclear. Quem representa mais perigo?”, indagou. “A pena de morte é o maior atentado aos direitos humanos. E nos EUA usam isso com extrema facilidade. Em geral, há uma pequena coincidência étnica entre os condenados”, ironizou.”

FONTE: blog “Projeto Nacional”  (http://blogprojetonacional.com.br/o-golpe-do-euro/).

O PAÍS QUE O BRASIL PODERIA SER


“O BNDES aprovou na 4ª feira (29) empréstimo de R$ 1,5 bilhão ao SENAI. Somados a outros R$ 400 milhões da própria instituição, os recursos vão financiar programa destinado a, praticamente, dobrar o número de vagas em cursos profissionais, chegando a 4 milhões por ano, em 2014. Além de duplicar vagas, o dinheiro é suficiente, também, para ampliar o total de escolas da rede, com a construção de 53 novos ‘Centros de Formação Profissional’, seis ‘Institutos de Tecnologia’, sete ‘Institutos de Inovação’ e 79 ‘Unidades Móveis’.

Apertem os cintos: tudo isso está sendo feito com o equivalente a menos de 10% do superávit fiscal recorde obtido em janeiro; foram R$ 20,8 bilhões integralmente destinados ao pagamento de juros aos rentistas da dívida pública brasileira.

A economia feita pelo governo com essa finalidade cresceu mais de 46%, comparada a janeiro de 2011. Numa aproximação grosseira, pode-se inferir que, se 50% desse valor fosse canalizado em benefício da educação profissionalizante, seria possível abrir quase 10 milhões de vagas em bons centros de ensino (e não há motivo para que não contemplassem, também, uma formação humanista), beneficiando maciçamente a juventude pobre do país.

Hoje, de cada três crianças que ingressam na escola pública, apenas uma chega ao final do ensino médio. Outras duas ficam pelo caminho, incorporando-se ao mercado de trabalho sem qualquer amparo ou formação. Insista-se, são cálculos rudimentares. Mas eles ilustram o país que o Brasil poderia ser e, sobretudo, um pedaço dos obstáculos que o condenam à inércia incremental, insuficiente para construir a sociedade justa que seu povo exige e merece.”

FONTE: cabeçalho do site “Carta Maior” em 02/02/2012  (http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm) [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’]

A NOVA INFLUÊNCIA DO BRASIL


Por David Rothkopf, analista norte-americano do “Carnegie Endowment For International Peace – Foreign Policy” (artigo transcrito no jornal tucano, em consequência pró-EUA/Israel, “O Estado de S.Paulo)[trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

“A POTÊNCIA EM ASCENSÃO DA AMÉRICA DO SUL ESTÁ SE AFIRMANDO, MAS UM GRANDE PODER TRAZ SEMPRE GRANDES RESPONSABILIDADES

“Enquanto os Estados Unidos avançam de maneira hesitante para aceitar a nova realidade multipolar do mundo, dando um passo atrás para cada passo à frente, fazendo uma violação de soberania excepcional para cada “esforço de colaboração[Sic! O Brasil jamais deve aceitar essa bondosa "colaboração"!] em lugares como a Líbia, outros países estão trabalhando ativamente para estabelecer novas regras para todas as nações seguirem na nova era.

Entre os que estão na linha de frente desse esforço, contam-se a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e seu respeitadíssimo chanceler, Antonio Patriota.

O desafio que Dilma e Patriota enfrentam como servidores públicos é assustador. Cada um deles segue as pegadas de um formidável antecessor.

O desafio de Dilma é, admitidamente, muito maior e, de fato, para muitos, parece quase insuperável. Ela sucede a dois presidentes que foram, provavelmente, os mais importantes da história moderna de seu país, Fernando Henrique Cardoso, a quem é creditada a estabilização da economia brasileira após anos de volatilidade [creditada a FHC usurpada e erradamente, pois os implantadores do Plano Real foram Itamar Franco e seu ministro da Fazenda Ciro Gomes], e o antecessor imediato dela, Luiz Inácio Lula da Silva, não somente seu mentor, mas um integrante do pequeno punhado dos líderes mundiais mais importantes da última década.

Já o antecessor de Patriota, Celso Amorim, foi também formidável, extremamente influente, e uma presença constante no cenário brasileiro e internacional. Os desafios eram grandes para todo o governo de Dilma.

No entanto, após um ano no cargo, e apesar de enfrentar grandes desafios domésticos e internacionais, a presidente já alcançou um índice de popularidade superior ao de Lula num ponto equiparável de seu mandato.

E Patriota está dando continuidade com calma, e aos olhos de observadores próximos, com grande habilidade, ao trabalho desbravador de Amorim para estabelecer o Brasil como um líder entre as grandes potências mundiais.

Temos uma grande vantagem”, observa Patriota. “Não temos inimigos reais, nem lutas em nossas fronteiras, nem grandes rivais históricos ou contemporâneos entre as fileiras das potências mais importantes… e temos laços duradouros com muitas nações desenvolvidas e emergentes do mundo.” Essa é uma condição que não é desfrutada por nenhum dos outros BRIC – China, Índia e Rússia – nem, aliás, por alguma grande potência tradicional do mundo. Essa posição incomum é fortalecida ainda mais pelo fato de o Brasil não estar investindo tão pesadamente quanto as outras potências ascendentes em capacidade militar. Aliás, como observou Tom Shannon, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o país é um dos poucos a efetivamente apostar seu futuro na aplicação sábia do chamado “poder brando” – diplomacia, alavancagem econômica, interesses comuns.

Não é por coincidência, aliás, que, em áreas que vão das mudanças climáticas ao comércio, da não proliferação nuclear ao desenvolvimento, o Brasil, sob o comando de Lula e Amorim e de Dilma e Patriota, vem ganhando força ao traduzir o crescimento consistente em casa e a diplomacia ativa no exterior em redes internacionais efetivas.

Mas o governo de Dilma também está rompendo com o passado. Enquanto Cardoso e Lula alcançaram a grandeza enfrentando e resolvendo alguns dos problemas mais ruinosos do passado brasileiro, da estabilização da economia ao enfrentamento da desigualdade social, Dilma, sem deixar de reconhecer o trabalho que resta a ser feito, concentrou sua atenção também na criação de oportunidades e num claro caminho para o futuro do Brasil. De seu foco em educação a seu compromisso com ciência e tecnologia passando por programas inovadores como “Ciência Sem Fronteiras”, ela está fazendo algo que nenhum líder latino-americano fez anteriormente, mas que se mostrou uma fórmula aprovada na Ásia.

Está comprometida em transformar o Brasil de economia com base em recursos naturais e, portanto, dependente (o que significa dizer, vulnerável) em uma que conta mais para o crescimento futuro com as indústrias de valor agregado, a pesquisa e desenvolvimento, e a formação de mais cientistas e engenheiros.

Com base nisso, Patriota também está olhando para frente. Ele está indo além da era da política externa brasileira em que era inovador fazer o país olhar para fora de sua região e jogar um papel ativo nos assuntos globais, para um período, num futuro não muito distante, em que o Brasil, na condição de país com uma das cinco maiores economias e populações do mundo, de líder mundial em agronegócios e energia, assumirá sem hesitação que merece seu lugar à mesa.

Patriota esteve em Nova York por achar que um dos primeiros experimentos desta era, a intervenção na Líbia sancionada pela ONU, saiu dos trilhos quando a missão autorizada pelas Nações Unidas de proteger o povo líbio foi “deixada de lado” [molequemente] pelas “forças internacionais” [EUA e seus aliados da OTAN] que intervieram tornando-se antes uma [ilegal] missão de mudança de regime. Ele não era nenhum admirador de Muamar Kadafi, que fique claro. Mas tem o sentimento inabalável de que, para a comunidade internacional operar de fato unida, ela precisa fazê-lo sob regras não só coletivamente estabelecidas, mas também coletivamente honradas.

Essa atitude provoca irritações, com certeza, em especial em países como os Estados Unidos, que estão acostumados a operar segundo suas próprias regras. Essa é uma razão porque a iniciativa turco-brasileira de 2010 para costurar um acordo para desarmar a crise nuclear iraniana foi tão irritante para Washington. A medida, por mais ingênua que tenha parecido para alguns, antecipou o início de uma era em que potências regionais e emergentes, como Turquia com Síria ou China com Irã, são fundamentais para se alcançar os objetivos da comunidade internacional.

Patriota reconhece que os Estados Unidos, sob o comando de Barack Obama, e outras potências estabelecidas avançaram bastante para se adaptar a essa nova realidade. Dito isso, ele gostaria de ver Obama avançar mais. Por exemplo, os brasileiros estão entre as potências emergentes que pressionam por reformas reais na maneira como as instituições internacionais são conduzidas. Eles acham que a ordem pós-2ª Guerra refletida na estrutura de poder do Conselho de Segurança da ONU e na concessão automática da liderança do Banco Mundial a um americano está obsoleta e que já é hora de alguma coisa que reflita as realidades do século 21 e seja mais consistente com os princípios democráticos sobre os quais essas instituições foram estabelecidas.

É difícil discordar dos brasileiros ou de outros sobre esses pontos. E a inconsistência mostrada pelo governo Obama nessa frente – oferecendo apoio a uma participação permanente indiana [porque a Índia tem bombas atômicas], mas não brasileira [pois o Brasil possui Forças Armadas irresponsável e ridiculamente mal equipadas, fracas], no Conselho de Segurança, em certo momento parecendo simpático a uma abertura do principal cargo no Banco Mundial a um não americano, mais recentemente parecendo recuar dessa ideia – tem sido irritante e, eu diria, irrefletida.

O que Dilma e Patriota estão tentando fazer na frente internacional é, de fato, tão revolucionário quanto o que seus antecessores fizeram.

Eles compreendem que um multilateralismo bem-sucedido agora requer não só maior número de países, mas abertura a uma multidão de ideias.

Durante a Guerra Fria, o debate era binário: soviéticos ou americanos.

Em sua esteira houve a breve ilusão de que havíamos entrado num momento de fim da História em que uma filosofia de “mercados e democracia” [sic] liderada pelo [maligno] "Consenso de Washington" adquiria uma espécie de status de monopólio no mercado das ideias. Mas depois vieram as tragédias gêmeas (frutos da arrogância), do Iraque e da crise financeira de 2008, a simultânea ascensão de novas potências como Brasil, China, Índia e outros – e entramos em uma nova era. Em meu livro, “Power, Inc.”, me refiro ao lado econômico dessa era como um período de capitalismos concorrentes. Mas ele é, também, período de filosofias políticas concorrentes sobre o papel, tanto do Estado, como das instituições internacionais. Nesse mundo, não só os Estados Unidos são apenas uma voz, mas são também uma voz enfraquecida que em cada evento será ouvida como a mera visão de menos de 5% da população do planeta. Ao mesmo tempo, outros terão de preencher o vazio criado pelo redimensionamento da influência americana. O Brasil está tentando fazê-lo e, é preciso notar, de uma maneira consideravelmente mais construtiva que a evidenciada por China e Rússia em seu desempenho “pusilânime” [isto é, de não concordância com ataques e invasões militares dos EUA e OTAN na Síria] com respeito à Síria, no Conselho de Segurança. Dito isso, as potências emergentes, o Brasil entre elas, precisam reconhecer que, neste novo mundo, se pretendem jogar papéis maiores, elas também terão de fazer escolhas duras e não simplesmente desconsiderar as questões complexas como problemas alheios ou fora do alcance do sistema internacional em evolução [como desconsiderar a contínua invasão militar e ocupação de territórios palestinos por Israel]. Elas vão ter de aceitar cada vez mais que, se as injustiças não forem contidas, os custos resultantes serão largados em suas portas.”

FONTE: escrito por David Rothkopf, analista norte-americano do “Carnegie Endowment For International Peace – Foreign Policy”, e transcrito no “O Estado de S.Paulo” com tradução de Celso Paciornik. Transcrito também no blog de Luis Favre  (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/03/a-nova-influencia-do-brasil/) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]