quinta-feira, 8 de março de 2012

BC CORTA JUROS PARA 9,75%



Do UOL, em São Paulo

“O Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, decidiu ontem, quarta-feira (7), cortar a taxa básica de juros (a SELIC) em 0,75 ponto percentual, indo de 10,5% para 9,75% ao ano. Os juros voltaram a um dígito pela primeira vez depois de quase dois anos. A última vez em que a taxa ficou na casa dos 9% foi em abril de 2010, quando foi fixada em 9,5%. De lá para cá, somente havia ficado acima de 10%, chegando ao pico de 12,5% em julho do ano passado.

Essa é a menor taxa do governo Dilma. O menor valor até então era o de janeiro deste ano, com 11,25%. Antes do início do governo Dilma, a SELIC estava em 10,75%. No primeiro mês dela (janeiro de 2011), subiu para 11,25%.

Esse foi o quinto corte seguido na taxa. A série de reduções começou em agosto do ano passado, quando caiu de 12,5% para 12%.

A taxa básica de juros orienta o restante da economia, mas há pouco impacto na vida prática de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de crédito. Analistas dizem que essas taxas são tão altas que pequenas variações na SELIC são incapazes de aliviar ou pesar no bolso no dia a dia.

Essa foi a segunda reunião do Copom no ano. A próxima mudança de juros será em 18 de abril.

A SELIC é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação ou estimular a economia. Quando a taxa cai, estimula o consumo. Quando sobe, reduz a atividade econômica porque os empréstimos e as prestações ficam mais caros.

Foi divulgado, na terça-feira (6), que a economia brasileira (PIB - Produto Interno Bruto) cresceu 2,7% em 2011, menos do que os 3% a 3,5% esperados pelo governo. Isso tende a pressionar a queda dos juros. Com juros mais altos, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos porque o crediário fica mais caro. Essa situação deixa a economia com menos força. Reduzir os juros, ao contrário, estimula a produção e o consumo, melhorando o PIB.

ENTENDA A RELAÇÃO ENTRE JUROS E INFLAÇÃO:

Os juros são empregados, entre outras razões, para tentar controlar a inflação. Quando o Banco Central considera que há risco de inflação, ele eleva os juros. Assim, as prestações e os empréstimos ficam mais caros e as pessoas consomem menos. Isso ajuda a reduzir a inflação.

Quando a economia fica mais fraca e as pessoas gastam menos, o BC faz o contrário, reduzindo os juros e o custo dos empréstimos, para estimular as compras.

A alta de preços ocorre quando há muita procura por produtos e menos quantidade para atender a essa necessidade.

A inflação oficial é medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O centro da meta do BC para a inflação neste ano é de 4,5%.

A meta pode ter variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, a inflação poderia ir de 2,5% a 6,5%.

Em 2011, a inflação quase estourou o limite máximo da meta do governo, acumulando alta de 6,5% --o maior resultado desde 2004.

Em meados do ano passado, o governo adotou medidas para desestimular o consumo: aumentou o valor do pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito; elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre gastos no cartão de crédito fora do país e sobre captações de recursos no exterior; tornou obrigatória entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados.

Porém, desde agosto passado, o COPOM vem reduzindo a SELIC, para tentar não deixar a economia esfriar em meio à crise global.

A argumentação básica tem sido de que o cenário internacional, sobretudo por conta das turbulências na Europa, é desinflacionário para o Brasil. Isso porque, com as grandes economias na região ainda patinando, a demanda mundial acaba perdendo força, com consequências para o Brasil.

JUROS ALTOS SÃO BONS PARA ALGUMAS APLICAÇÕES

Os juros no Brasil ainda são considerados muito altos. Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o país.

Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão.

Por isso, os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos.

O COPOM foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros. O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

FONTE: reportagem do portal UOL, com informações da agência norte-americana de notícias Reuters  (http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/03/07/bc-decide-taxa-de-juros-selic.jhtm) [Imagem do Google e reordenamento no texto adicionados por este blog ‘democracia&política’].

quarta-feira, 7 de março de 2012

TRAGÉDIA À VISTA: O RABO ISRAEL SACODE PERIGOSAMENTE O CACHORRO AMERICANO


Por Pepe Escobar, no “Asia Times Online”, em “BIBI” CONTINUA A SACUDIR O CACHORRO AMERICANO?

“IS BIBI THE BULLY WAGGING THE AMERICAN DOG?”

Pepe Escobar

“Já antes do fatídico encontro na Casa Branca, nessa 2ª-feira, o presidente dos EUA Barack Obama deixou claro, publicamente, que o primeiro-ministro de Israel Benjamin “Bibi” Netanyahu não o demoveria. Será?

“Bibi” Netanyahu e Obama

Não importa quanta ginástica retórica faça Obama, sempre se poderá argumentar que “Bibi” Netanyahu vive de sacudir o cachorro americano, em tempo integral. Pior: o governo de Israel, dominado pelo Partido Likud, sozinho, está brincando de lançar vastas esferas da economia global em total depressão, enquanto sua histeria faz os preços do petróleo subirem à estratosfera.

O mundo é refém dos desígnios de Israel, mesmo que os mais de 120 países membros do “Movimento dos Não Alinhados” (MNA) apóiem o direito do Irã de enriquecer urânio, e que Rússia, China e Índia, dos BRICS, além da Turquia, ignorem o embargo que EUA e União Europeia aplicaram ao petróleo – verdadeira declaração de guerra contra o Irã.

A reunião do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) em Washington acontece num Coliseu intimidatório, cavernoso, onde turbas de ricos ululam em uníssono pedindo o sangue do Irã. Tático passável, mas péssimo estrategista, a única cartada de “Bibi” na cidade é “bombardeiem o Irã”.

Isso se justificaria pela “ameaça existencial” que um Irã não nuclear representaria contra um estado Israel militar nuclear, colonizador, que está literalmente, em termos gráficos, esmagando todo um povo (os palestinos), empurrando-o para fora do mapa.

Semana passada, mais uma prova surgiu da falácia que é a “ameaça nuclear”, em fala do próprio Supremo Líder aiatolá Ali Khamenei em pessoa, já antes da vitória total de seus apoiadores nas eleições parlamentares da 6ª-feira – que efetivamente converteram o presidente Mahmoud Ahmadinejad em pato manco.

Aiatolá Khamenei

As palavras de Khamenei devem ser repetidas e repetidas o mais possível, porque a imprensa-empresa dos EUA, sedenta de sangue, simplesmente não as publicará.

Khamenei disse que:

Armas nucleares não nos trazem, de modo algum, qualquer benefício. Além disso, de uma perspectiva ideológica de um governo xiita [velayat-e faqih], entendemos que desenvolver armas nucleares é procedimento ilegal e proscrito. Usar armas nucleares é, segundo nosso entendimento, grande pecado. Também entendemos que armazenar tais armas é inútil e perigoso”. [1]

PRESIDENTE, DERRUBE ESSE MURO [2]

Mais uma vez, a prova gráfica de que Israel exerce controle virtual sobre a política externa dos EUA foi ver um presidente norte-americano falando em tom defensivo no Coliseu do AIPAC. À parte um festival de intimações delirantes, orwellianas, Obama, pelo menos, diga-se a seu favor, enfatizou a palavra “democracia”, não especificou qualquer “linha vermelha”, nem endossou a ideia de que a simples “capacidade” do Irã para [eventualmente, no futuro] construir uma arma nuclear configuraria casus belli. Afinal, ele sabe que já tem mais votos entre os judeus norte-americanos que no eleitorado geral do país.

Mas, afinal de contas, Obama, sim, cedeu ante “Bibi” – com uma retórica não totalmente diferente da de Tony Soprano, o mafioso. E o “componente militar” permaneceu, sim, sobre a mesa. Mas “Bibi” – em mais uma manifestação da mesma voracidade que com que devora terras palestinas – quer mais.

Adotem a rota que for – sobrevoar a Síria e a Turquia, e ainda que acertem os alvos cruciais em Natanz, Arak, Isfahan e Fordow – os mísseis Jericho de Israel têm chance zero de paralisar, porque de destruir nem se cogita, o complexo aparelho decisório da República Islâmica. Esqueçam qualquer chance de “humilhação” ou de mudança de regime. Até o major-general Amos Gilad, chefe do Gabinete de Segurança Diplomática do Ministério da Defesa de Israel, já reconheceu, em outubro passado, que Israel não pode vencer. Por isso é que “Bibi” tanto quer arrancar uma promessa formal de que os EUA farão o serviço sujo.

"Bibi" Netanyahu

Segundo recente pesquisa em Israel, 34% dos israelenses são contra bombardear o Irã. Mas 42% são a favor, se os EUA, pelo menos, apoiarem o ataque. Como é doce subcontratar uma superpotência, para que combata, por você, suas “ameaças existenciais” de ficção.

O que “Bibi” mais deseja é que um Republicano derrote Obama em novembro. Obama sabe que nem o Rei do Flip Flop Mitt Romney nem o aiatolá Rick Santorum têm votos para derrotá-lo. Mas, sim, ele pode ser derrotado pela proverbial bomba de gasolina nos EUA. O problema é que, submeta-se ou não às demandas absolutistas de “Bibi”, os preços do petróleo sobem; já subiram cerca de 20%, e o aumento pode chegar a 50% ou mais, se os especuladores farejarem ataque iminente.

Teerã pode ter a chave para desmontar todo o psicodrama – e a especulação demencial nos preços do petróleo. Pelo final de março, início de abril, com sua autoridade imensamente fortalecida, negociadores que negociarão em nome do aiatolá Khamenei estarão de volta à mesa, para discutir o dossiê nuclear com os países P5+1EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China, mais a Alemanha.

O próprio Obama pode também ter a chave. Poderia dar uma de Nixon – que foi à China encontrar-se com Mao, em 1972 – e propor a Khamenei uma conversa cara-a-cara. O complexo imprensa-indústria-Pentágono, o Big Oil, os militantes de “Primeiro Israel” e, especialmente, “Bibi”, enlouquecerão de fúria, só verão sangue à frente, todos os tons de vermelho. Mas, ora! É preciso ter culhões para merecer um prêmio Nobel da Paz. Obama, você derrubará esse muro (de desconfiança)? Aqui, o trecho do discurso de Obama, no AIPAC [3], centrado no Irã:

Obama discursa para o lobby judeu AIPAC

Hoje não há dúvida – em qualquer parte do mundo – de que os EUA insistirão na defesa e na legitimidade de Israel. Será também verdade, enquanto continuamos nos nossos esforços em busca da paz. E será também verdade quando se chegar à questão que tanto nos ocupa, todos nós, hoje: o programa nuclear iraniano – ameaça que tem o potencial para concretizar a pior retórica sobre a destruição de Israel com as armas mais perigosas do mundo.


Comecemos por uma verdade básica que todos vocês entendem: nenhum governo israelense pode tolerar uma arma atômica em mãos de regime que nega o Holocausto, ameaça varrer Israel do mapa, e patrocina grupos terroristas comprometidos com a destruição de Israel. E é assim que entendo a profunda obrigação histórica que pesa sobre os ombros de Bibi Netanyahu, Ehud Barak e de todos os líderes israelenses.


Um Irã nucelar é completamente contrário aos interesses da segurança de Israel. Mas também é contrário aos interesses da segurança nacional dos EUA. Na verdade, todo o mundo tem interesse em impedir que o Irã chegue a uma arma nuclear. Um Irã armado com arma nuclear poria abaixo todo o regime de não proliferação que tanto nos custou construir. Há riscos de que uma arma nuclear iraniana caia em mãos de alguma organização terrorista. É quase certo que outros, na região, sentir-se-ão obrigados a ter sua própria arma nuclear, o que dispararia uma corrida armamentista numa das regiões mais voláteis do mundo. Fortaleceria um regime que brutalizou o próprio povo, e fortaleceria próximos do Irã, que executaram ataques terroristas do Levante ao sudoeste da Ásia.


Eis a razão pela qual, há quatro anos, fiz uma promessa ao povo americano e disse que nós usaríamos todos os elementos do poder dos EUA para pressionar o Irã e impedir o Irã de construir uma arma nuclear. Foi o que fizemos.


Quando assumi a presidência, os esforços para pressionar o Irã estavam em frangalhos. O Irã andara, de zero centrífugas em operação, para milhares delas, sem ter enfrentado qualquer oposição mundial. Na região, o Irã estava em ascensão – cada vez mais popular, e ampliando seu alcance. Em outras palavras, a liderança iraniana estava unida e em andamento, e a comunidade internacional estava dividida sobre como avançar.


Assim, desde os primeiros meses de meu governo, impusemos uma escolha bem clara ao regime iraniano: um caminho que lhes permitiria integrar-se à comunidade das nações, se cumprissem suas obrigações internacionais, ou um caminho que levaria a uma série crescente de consequências, se não as cumprissem. De fato, nossa política de engajamento – que o regime iraniano logo rejeitou – nos permitiu unir a comunidade internacional como jamais antes; expor a intransigência do Irã; e aplicar pressões que são muito superiores às que os EUA poderiam aplicar se estivéssemos sós.


Graças aos nossos esforços, o Irã vive hoje sob pressão maior do que jamais antes. Houve quem previsse que Rússia e China não nos acompanhariam no movimento por pressões. E nos acompanharam. E no Conselho de Segurança em 2010, grande maioria apoiou amplo esforço a favor de pressões. Poucos supuseram que as sanções teriam efeito imediato sobre o regime iraniano. E tiveram, tornando mais lento o programa nuclear iraniano e, virtualmente, obrigando a economia iraniana a parar em 2011. Muitos questionaram se conseguiríamos manter unida nossa coalizão, quando fomos contra o Banco Central do Irã e as exportações de petróleo. Mas nossos amigos na Europa e na Ásia e por toda a parte estão-se unindo a nós. Em 2012, o governo iraniano enfrenta a perspectiva de sanções ainda mais incapacitantes.


Nesse ponto estamos hoje. O Irã está isolado, a liderança iraniana está dividida e pressionada. E a Primavera Árabe só fez aprofundar essas tendências, ao expor a hipocrisia do regime iraniano, e seu aliado – o regime de Assad – está desmoronando.


Claro que, enquanto o Irã não cumprir suas obrigações, o problema permanece sem solução. A implementação efetiva de nossa política não basta – temos de alcançar plenamente nosso objetivo.


Nesse esforço, creio firmemente que ainda há uma oportunidade para que a diplomacia – apoiada em pressões – seja bem-sucedida. EUA e Israel avaliam, ambos, que o Irã ainda não tem uma arma nuclear, e monitoramos muito de perto, com atenção total, o programa iraniano. E a comunidade internacional tem a responsabilidade de usar o espaço e o tempo que há. As sanções continuam a aumentar, e em julho próximo – graças a nossa coordenação diplomática – entrará em vigência a proibição de importações de petróleo iraniano para a Europa. Ante essas consequências cada vez mais duras, os líderes iranianos ainda têm oportunidade para tomar a decisão certa. Podem escolher um caminho que os traga de volta à comunidade das nações, ou podem continuar rumo a um beco sem saída.


Considerada sua história, não há, é claro, garantias de que o regime iraniano fará a escolha certa. Mas, nós ambos, Israel e os EUA, temos interesse em ver esse desafio resolvido diplomaticamente. Afinal, o único modo de verdadeiramente resolver esse problema é o governo iraniano tomar a decisão de banir as armas. É o que a história ensina. Nucleares. [Obs deste blog ‘democracia&política’: o governo iraniano deve banir as armas nucleares unilateralmente, é claro, pois Israel deve continuar incólume a fabricar suas bombas atômicas para respaldar sua “sacrossanta” política (totalmente apoiada pelos EUA) de expansão, invasão e ocupação de territórios vizinhos (Palestina, Síria, Líbano)].

Além do mais, como presidente e comandante-em-chefe, tenho marcada e profunda preferência pela paz ante a guerra. Enviei homens e mulheres para o caminho de todos os perigos. Vi a consequência daquelas decisões nos olhos dos que encontro e que voltaram gravemente feridos, e na ausência dos que não voltam para casa. Por muito tempo, depois que deixar a presidência, lembrarei aqueles momentos, como os mais duros de meu governo. Por isso, como parte de meu solene compromisso com o povo americano, só uso a força quando o momento e as circunstâncias exigem. E sei que os líderes israelenses também conhecem muito bem os custos e as consequências da guerra, também quando reconhecem a obrigação que têm de defender seu país.


Todos nós preferimos resolver diplomaticamente essa questão. Isso posto, os líderes iranianos não duvidem da decisão dos EUA, como tampouco devem duvidar do direito soberano de Israel para tomar suas próprias decisões sobre quanto se faça necessário para atender às exigências da segurança de Israel. Já disse que, no que tenha a ver com impedir que o Irã construa uma arma nuclear, todas as opções permanecem sobre a mesa. E quis e quero dizer exatamente o que estou dizendo. Incluem-se aí todos os elementos do poder dos EUA. Um esforço político para isolar o Irã; um esforço diplomático para sustentar nossa coalizão e garantir que o programa iraniano seja monitorado; um esforço econômico para impor sanções incapacitantes; e, sim, um esforço militar preparado para qualquer contingência.


Os líderes iranianos devem sabem que não tenho qualquer política de contenção; tenho uma política para impedir o Irã de obter uma arma nuclear. E já deixei claro várias vezes, ao longo do meu governo, que não hesitarei em usar a força quando necessária para defender os EUA e seus interesses.


Dando um passo adiante, pediria que todos lembremos o peso dessas questões; o que está em jogo para Israel, para os EUA e para o mundo. Já há excesso de perigoso palavreado solto, sobre guerra. [4] Nas últimas semanas, aquele palavreado só beneficiou o governo iraniano, fazendo subir o preço do petróleo, do qual dependem para financiar seu programa nuclear. Em nome da segurança de Israel, da segurança dos EUA, e da paz e segurança do mundo, não é hora de provocações. A hora agora é de esperar que nossas pressões cada vez maiores façam efeito; e de manter a ampla coalizão internacional que construímos. É hora de aplicar o conselho eterno que Teddy Roosevelt nos deixou: falar manso e levar sempre um grande porrete.


Fazendo isso, tenham certeza de que o governo iraniano verá que nossa decisão e nossa coordenação com Israel continuarão.”

NOTAS DOS TRADUTORES

[1] 29/2/2012, no sítio do Aiatolá Khamenei (em várias línguas, mas a redecastorphoto só conseguiu acessar com o Firefox). Citado em 5/3/2012, MK Bhadrakumar, “Irã: Obama (afinal) começa a entender”.
[2] Há frase histórica aparentada a essa: “Sr. Presidente, abra essa porta”. É frase sempre citada, do presidente Reagan, junto ao Muro de Berlin, na Porta de Brandenburg, em Berlim Ocidental, Alemanha, dia 12/6/1987, dirigida a Gorbachev (o discurso pode ser visto/ouvido a seguir:



[3] EUA, Conselho das Relações Exteriores, “Discurso do pres. Barack Obama na AIPAC”, março, 2012 (em inglês).
[4] Orig. loose talk. Literalmente, “conversa solta”, sempre no sentido de conversa potencialmente perigosa. Durante a II Guerra Mundial, circularam nos EUA, entre os soldados norte-americanos vários Manuais de Conduta, um dos quais levava o título de "Loose Talk Costs Lives" [lit. “Conversa solta custa vidas”]; em “Loose Lips Sink Ships”, por exemplo, vê-se um cartaz em que se lê, no mesmo espírito: "Loose Lips Might Sink Ships" [ap. “Lábios soltos podem afundar navios”].

FONTE: escrito por Pepe Escobar, no “Asia Times Online”,no artigo “BIBI” CONTINUA A SACUDIR O CACHORRO AMERICANO?” “IS BIBI THE BULLY WAGGING THE AMERICAN DOG?”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado por Castor Filho no blog "redecastorphoto”  (http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/03/pepe-escobar-bibi-continua-sacudir-o.html). [Título, imagens do Google e trechos ente colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

CAI A MÁSCARA DE OUTRO FALSO MORALISTA QUERIDO DA MÍDIA


FORA DISSO, A SITUAÇÃO JÁ ESTÁ SUPERADA” [sic!]

DEMÓSTENES, O MAFIOSO E A MÍDIA

Por Altamiro Borges, em seu blog

“E ainda tem gente que acredita na isenção da velha mídia! No final de 2011, ela simplesmente escondeu a publicação do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro. Agora, ela evita falar sobre a “Operação Monte Carlo”, que resultou na prisão do mafioso Carlinhos Cachoeira e evidenciou as suas relações íntimas com o demo Demóstenes Torres e o governador tucano Marconi Perillo.

O próprio líder do DEM no Senado, que a mídia projetava como “paladino da ética”, já confessou suas ligações com o criminoso – preso na operação da Polícia Federal sob a acusação de explorar casas de caça-níquel e cassinos ilegais, de montar rede ilegal de espionagem, de manter jornalistas na sua folha de pagamento e de nomear integrantes para o governo do PSDB de Goiás.

298 LIGAÇÕES TELEFÔNICAS [entre Demóstenes e Cachoeira em somente quatro meses]

Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”, admitiu Demóstenes Torres. Para piorar, o demo ainda afirmou na maior caradura: “Eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção e se dedicasse apenas a negócios legais”. O implacável opositor dos “malfeitos” nos governos Lula e Dilma dormia com o inimigo. Pobre inocente!

Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira

Agora, surgem novas revelações. Os grampos telefônicos autorizados pela Justiça comprovam que o senador demo conversou 298 vezes com Carlinhos Cachoeira entre fevereiro e agosto de 2011. Ele tratava o mafioso como “professor”. Até ganhou de presente de casamento uma cozinha. As escutas também mostram que o mafioso era “dono” da área de segurança (segurança!) em Goiás.

O casal Torres feliz com a bela e moderna cozinha que ganhou de presente do criminoso Carlinhos Cachoeira

A COISA JÁ ESTÁ SUPERADA [sic]

Apesar do escândalo, os principais jornalões, revistonas e emissoras de tevê continuam em silêncio. Ele só é rompido no próprio Estado. É o caso da entrevista publicada no jornal “O Popular”, de Goiás. Nela, Demóstenes diz que “não pode ser condenado por uma amizade” e, pasmem, comemora o fato de as denúncias não repercutirem na mídia nacional:

Só há repercussão em Goiás, em alguns veículos, e no “Correio Braziliense”. Fora disso, a coisa já está superada”, festeja o demo.

Alguém ainda tem dúvida sobre a neutralidade da mídia? Será que nos documentos apreendidos e nas escutas telefônicas vai surgir o nome de algum jornalista da grande imprensa que fazia parte da folha de pagamento do mafioso? Por que os “calunistas” da mídia, que tanto bajulavam Demóstenes Torres, estão calados?”

FONTE: escrito por Altamiro Borges, em seu blog e transcrito no portal “Viomundo”  (http://www.viomundo.com.br/humor/altamiro-borges-fora-disso-a-situacao-ja-esta-superada.html) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

COMPLENTAÇÃO (do blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/03/imagine-se-demostenes-fosse-ministro-da.html):


IMAGINE SE DEMÓSTENES FOSSE MINISTRO DA DILMA!

“Com seis dias de atraso, o Jornal Nacional da TV Globo, resolveu publicar, na noite de terça-feira, a notícia das relações do líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres, com Carlinhos Cachoeira, preso na “Operação Monte Carlo” por supostamente chefiar uma quadrilha de exploração de jogos ilícitos [e outros crimes].

Mesmo assim, como de outras vezes, o telejornal mostrou ter duas caras. Quando a notícia é contra alguém do atual governo federal, a matéria parece um inquérito da inquisição, apontando o dedo e condenando, independentemente de provas. Quando é contra um Senador de um partido alinhado com a emissora [PSDB, DEM ou PPS], a edição da notícia absolve, como fez com Demóstenes.

Imagine se um ministro do governo Dilma fosse gravado pela Polícia Federal, com autorização da justiça, em conversas telefônicas, falando quase 300 vezes com Carlinhos Cachoeira num período de sete meses. Pois Demóstenes é quem foi gravado com essas centenas de telefonemas. São quase duas ligações por dia (considerando apenas os dias úteis). Só pais, filhos, namorados ligam tanto assim, a não ser que sejam ligações comerciais Aí, quanto maior o volume de negócios entre as partes, mais há telefonemas.

Demóstenes tem muito a explicar (se é que tem jeito), e a TV Globo não fez o básico do jornalismo, que é que buscar minimamente essas explicações, A emissora deu espaço apenas a trechos do discurso do próprio Senador na tribuna, sem perguntas incômodas.”

Frei Betto: O PAPA EM CUBA


Para desgosto e fracasso das pressões diplomáticas da Casa Branca, o papa Bento XVI chegará a Cuba dia 26 de março. Ficará três dias na Ilha, após entrar na América Latina pelo México. A 28 de março, celebrará missa na Praça da Revolução, em Havana.

Por Frei Betto

Bento XVI celebrará, em Santiago de Cuba – histórica cidade do Quartel Moncada, onde Fidel iniciou sua luta revolucionária, em 1953 – os 400 anos da aparição da Virgem da Caridade do Cobre.

Virgem da Caridade do Cobre

Em 1998, logo após o papa João Paulo II encerrar sua visita a Cuba, participei de almoço oferecido por Fidel a um grupo de teólogos. Em certo momento, um teólogo italiano manifestou, do alto de seu esquerdismo, indignação pelo fato de o pontífice haver presenteado a Virgem da Caridade com uma coroa de ouro.

Fidel não escondeu seu desconforto. E reagiu: "A Virgem do Cobre não é apenas padroeira dos católicos de Cuba. É padroeira da nação cubana.” E passou a relatar como sua mãe, Lina Ruz, católica devota, fez ele e Raúl prometerem que, se saíssem vivos de Sierra Maestra, haveriam de depositar suas armas junto ao santuário, para pagar a promessa que ela fizera. Em 1983, ao visitar o santuário pela primeira vez, vi ali as armas.

Por essas "cristoincidências” que só a fé explica e as pesquisas elucidam, a Virgem da Caridade e Nossa Senhora Aparecida têm tanto em comum quanto Cuba e Brasil. Como disse Inácio de Loyola Brandão, "Cuba é uma Bahia que deu certo”. As duas imagens foram encontradas durante a colonização: lá, em 1612, a espanhola; aqui, em 1717, a portuguesa. As duas, na água. As duas achadas por três pescadores. Lá, no mar; aqui, no rio Paraíba. As duas são negras.

Praça da Revolução, Havana

O papa chega a Cuba no momento em que o país passa por mudanças substanciais, sem, no entanto, abandonar seu projeto socialista. Há um processo progressivo de desestatização, abertura à iniciativa privada, e mais de 2 mil prisioneiros foram soltos nos últimos meses.

Hoje, as relações entre governo e Igreja Católica podem ser qualificadas de excelentes. Já não há na Ilha resquícios do clero de origem espanhola e formação franquista, que tanto incrementou o anticomunismo nos primeiros anos da Revolução, quando um padre promoveu a criminosa “Operação Peter Pan”: convenceu os pais de 14 mil crianças de que haveriam de perder o pátrio poder e que seus filhos passariam às mãos do Estado... Carregou as crianças para Miami, sem pais e mães, e o resultado, como se pode imaginar, foi catastrófico. A Revolução não foi derrotada pela invasão da Baía dos Porcos, patrocinada pelo governo Kennedy, e nem todas as crianças escaparam de um futuro de delinquência, drogas e outros transtornos. Milhares jamais foram localizadas depois pelas famílias.

Tanto o Vaticano quanto os bispos cubanos são contrários ao bloqueio que os EUA impõem à Ilha. Pode-se discordar de muitos aspectos do socialismo daquele país, mas ninguém jamais viu a foto de uma criança cubana jogada na rua, famílias morando debaixo da ponte e máfias de drogas. Em Havana, um outdoor exibe um menino sorridente com esta frase abaixo da foto: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.

Cuba tem muitos defeitos, mas não o de negar a 11 milhões de habitantes os direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde, educação, moradia, trabalho e arte (vide o cinema e o “Buena Vista Social Club”). O que mereceu elogios de João Paulo II durante sua visita de sete dias – uma das mais longas de seu pontificado.

Hoje, Cuba recebe, proporcionalmente, mais turistas que o Brasil. O que é uma vergonha para nosso país de dimensões continentais e com tantos atrativos. A diferença é que Cuba promove não apenas turismo de lazer (suas praias são paradisíacas), mas também turismo científico, cultural, artístico e desportivo.

A Revolução Cubana resiste há 54 anos, malgrado os atos terroristas contra aquele país, descritos em detalhes no best-seller de Fernando Morais, “Os últimos cinco soldados da guerra fria” (Companhia das Letras, 2011). E o fato de suportar, no seu litoral, a base estadunidense em Guantánamo, que lhe rouba parte do território, para utilizá-lo como cárcere de "supostos terroristas" sequestrados mundo afora.

Quem sabe a resistência cubana seja mais um milagre da Virgem da Caridade...”

FONTE: artigo de Frei Betto, escritor. Publicado no site “Adital” e transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=177240&id_secao=7) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

O “MERCADO” NÃO “ASSESSORA”; O MERCADO GANHA DINHEIRO


Por Fernando Brito

“O dia de ontem deveria trazer lições para aqueles que não entendem que a única lógica do mercado é o lucro.

De manhã, o Banco Central divulgou o "boletim Focus", que traz as previsões do mercado sobre inflação e juros.

E o noticiário repercutiu a “aposta” das principais instituições financeiras numa “estabilização” da inflação em 5,24% e com a mesma expectativa de corte de 0,5% na taxa SELIC.

Mas como, se a semana passada foi repleta de indicadores de baixa muito forte da inflação e, ontem, o “Índice de Preços ao Consumidor da FIPE” registrou – como antes o IGP-M, até deflação em fevereiro?

Lógico que ninguém está esperando um IPCA – índice oficial de inflação - negativo, por conta da diferença de abrangência e ponderação desse indexador. Mas o que faria com que as “previsões de mercado” estimassem nada além de queda modesta nos aumentos de preço.

Vejam: na previsão divulgada ontem, e entregue sexta-feira ao BC, o IPC-Fipe – este que veio em menos 0,07% era “estimado” em 0,45% para fevereiro. Será que os principais bancos do país não sabiam que iria cair fortemente?

Sabiam.

Vejam o que diz matéria da “Agência Estado”:

O resultado apurado pela “Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas” (FIPE) ficou no piso das estimativas de 21 analistas consultados pelo AE Projeções, que oscilavam entre -0,07% e +0,09%, com mediana de 0%.

Nernhuma criança poderia acreditar que, se 21 analistas econômicos previam, no máximo, 0,09%, a média das instituições financeiras esperasse 0,45% [5 vezes maior!].

Da mesma maneira, os previsores não crêem numa taxa de juros abaixo dos 10% que já “consagraram” como “aceitável” para a próxima reunião do COPOM, que começou ontem, terça-feira.

É a chamada “profecia autorrealizável”, porque ela baliza o que a autoridade monetária pode fazer sem despertar reações adversas. Ou, na prática, a entrega da condução da política de juros a uma espécie “consenso” entre o apontado pela conjuntura econômica e o “desejo” dos financistas.

Mas, por via das dúvidas, continuaram apostando em algo ligeiramente acima disso em matéria de corte, porque já aprenderam, no ano passado, que o Banco Central não é mais tão dócil aos seus desejos quanto era antes, inclusive na gestão de Henrique Meirelles.”

FONTE: escrito por Fernando Brito no blog “Projeto Nacional”  (http://blogprojetonacional.com.br/o-mercado-nao-assessora-o-mercado-ganha-dinheiro/).
O PIB E A VOLTA DO ESTADO-NAÇÃO


Por Saul Leblon, no site “Carta Maior”

“O PIB de 2011 mostra recuo assustador do setor industrial na economia: de 2010 para 2011, a fatia da indústria no PIB recuou de 16,2% para 14,6%. As vendas do setor varejista cresceram mais de 7% no ano passado, mas a produção industrial apenas 0,3%: a diferença foi atendida pelas importações, impulsionadas pelo Real forte, consequência do ingresso maciço de capital especulativo, atraído pelos juros siderais do país.

O conjunto explica por que o investimento brasileiro despencou do equivalente a mais de 21% do PIB em 2010 para menos de 5% dele em 2011. Não há panacéia para reverter a espiral descendente da atividade industrial e, por tabela, do investimento.

A solução, em primeiro lugar, contempla ousadia política: entender que o Estado-Nação, ou seja, a soberania sobre a moeda, portanto, o controle sobre o fluxo de capitais estrangeiros, tornou-se imperativo histórico diante da desordem financeira e cambial gerada pelo colapso do neoliberalismo.

À contragosto do “mainstream” neoliberal e financista, a agenda do Estado-Nação está de volta. Ainda que a mídia conservadora omita, é a pauta óbvia por trás da guerra cambial denunciada pela Presidenta Dilma Rousseff, que apontou o dilúvio monetário como nova forma de protecionismo dos Estados ricos. É o que está por trás da reforma no BC argentino; é também o que explica, em boa parte, a opção eleitoral da sociedade russa por um Estado forte (com as devidas e justas ressalvas à precariedade da democracia russa, nascida para legitimar o saque contra o patrimônio público soviético).

A volta do Estado-Nação --repita-se, a soberania no manejo da moeda, do câmbio e dos juros-- não representa retorno ao nacional-desenvolvimentismo dos anos 50/60, que subestimou a questão social e ignorou o meio-ambiente na ordenação estratégica do crescimento. Tampouco significa alternativa global à montanha desordenada de ruínas produzida pela crise de 2008. Trata-se ,porém, da opção disponível à deriva mundial alimentada por uma lógica financista que, até o colapso das “subprimes”, arrogava-se virtuosa, eterna e universal.

Hoje, avulta, até aos olhos desavisados, que aquilo que se pretendia universal era um feixe de interesses pantagruélicos, engendrados pela supremacia das finanças desreguladas cuja regressividade eviscerou Nações, Estados, direitos sociais e a própria subjetividade. A percepção consciente ou intuitiva de que há incontornável necessidade de um poder capaz de barrar e reverter essa engrenagem explica a urgência de se devolver o imperativo da soberania à caixa de ferramentas da política econômica brasileira.”

FONTE: escrito por Saul Leblon no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=911). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

CADÊ A INDÚSTRIA QUE TAVA AQUI ? A CHINA COMEU


A INFLAÇÃO ALEIJA, MAS O CÂMBIO MATA” (Mario Henrique Simonsen)

Por Rodrigo Vianna

“O Serra pode ser criticado por muitos motivos. Mas num ponto é preciso concordar com ele: o Brasil está num processo de desindustrialização [para o qual ele muito contribuiu como ministro do planejamento no governo FHC com a “âncora cambial” e ao passar, na “privataria”, muitas indústrias nossas para mãos estrangeiras]. Logo no início do governo Dilma, publiquei aqui um modesto artigo que tocava nesse ponto – lembrando os alertas lançados por dois importantes economistas: Delfim Neto e Marcio Pochmann.


A “CartaCapital” desta semana traz, na capa, exatamente o tema da desindustrialização. Ou seja: nesse ponto, Serra está bem acompanhado. O que não ajuda muito o tucano é o fato de ter sido ministro (do Planejamento) num governo que adotou a doutrina ultraliberal feito dogma, abrindo a economia sem nenhum tipo de freio, expondo a indústria (e o país) à tal “âncora cambial” – que servia para frear a inflação e consolidar o Real, mas que teve papel nefasto para o Mercado Interno.

Agora, Dilma diz – na Alemanha, que Brasil vai se proteger da guerra cambial.

Lembro bem que, durante o governo FHC, a cada reclamação do setor industrial, gente ligada ao tucanato ia para a imprensa e chamava o prédio da FIESP de “grande monumento ao custo Brasil”. Quase na galhofa. Os tucanos (ou parte deles, porque havia gente ajuizada como Bresser, que não achava graça nenhuma em jogar fora o capital nacional) pareciam ter um desejo sádico de quebrar a indústria nacional, arrebentar esse patrimônio construído a duras penas desde o governo Vargas.

O tucanato podia se dar a esse luxo. Afinal, na ampla coalizão que sustentava FHC, o setor financeiro era claramente hegemônico (basta ver onde foi trabalhar o Ministro Malan, após deixar o governo).

Lula e Dilma mantiveram o setor financeiro na grande aliança que sustenta o governo. Isso é inegável. Mas a ênfase mudou. Lula cumpriu o velho programa dos “economistas do PMDB”, que passaram anos e anos lutando para que o Brasil priorizasse o mercado interno de massas e crescesse dividindo o bolo. Isso só pôde ser feito em aliança com a indústria. Lula pôs em prática, também, a velha tese do partidão: a famosa “aliança do operariado com a burguesia industrial”. Lula fez isso, e, ao mesmo tempo, incorporou vinte milhões de miseráveis ao mercado. E – ufa! - sem desagradar a Banca. Ficou de fora do grande arranjo lulista a classe média tradicional (ou “pequena-burguesia”, como diziam os petistas quando ainda estavam sob influência do marxismo); não é à toa que dela parte a oposição mais virulenta a Dilma/Lula.

Mas essa é outra história… Quero me concentrar em outro ponto. O compromisso de Lula com o setor produtivo industrial, de certa forma, era sinalizado pela presença de um “capitão da indústria” na vice-presidência. José Alencar passou oito anos brigando para derrubar os juros. Era a forma de Lula equilibrar o jogo, ainda que, no primeiro mandato, a balança tenha pendido mais para o núcleo duro financista, representado pela dupla Palocci/Meirelles.

No segundo mandato, a presença de Mantega na Fazenda foi decisiva para que, na crise de 2008, Lula adotasse uma saída “expansionista” para enfrentar a crise. Uma das medidas para fazer o Brasil resistir à crise foi a redução de alíquotas de imposto para os carros. Isso mostra o papel dinâmico da indústria. Mostra porque é fundamental preservar o imenso patrimônio industrial brasileiro. Lula manteve a aliança com a banca. Mas deu mais ênfase ao mercado interno e à indústria. No governo Lula, ninguém chamava a FIESP de “monumento ao custo Brasil”…

Mas o fato é que “mudar a ênfase” é muito pouco. Do contrário, qualquer dia vamos acordar, olhar para o lado e perguntar: cadê a indústria que tava aqui? A China comeu.

O Brasil, hoje, é vítima de sua estabilidade. Mais que isso: dólares não param de chegar, deixando o Real cada vez mais forte. Por que? Porque nossos juros altos atraem capital. E há muito dinheiro voando por aí. Os EUA detêm a famosa “maquininha de imprimir papel-moeda”. Os tolos liberais brasileiros sempre disseram que política expansionista era um erro. E que era preciso “enxugar” a economia, e “fazer a lição de casa” e blá-blá-blá. O “Federal Reserve” não acredita na cantilena liberal. Na crise, inundou o mundo de dólares. Qual o objetivo? Os produtos dos EUA precisam ficar mais baratos! É uma tentativa desesperada de recuperar a indústria dos EUA – dizimada pelos chineses.

Como diz meu colega Azenha: Reagan iniciou o processo de exportar empregos industriais para a China e o México. Os EUA queriam ficar apenas com a “economia limpa”, do setor de serviços. Agora, os EUA descobrem que só os “serviços” não seguram o país na hora da crise. E também se perguntam: cadê a indústria? A China comeu!

Do outro lado do mundo, a China segura a cotação do yuan. É o que explica – em parte – os preços imbatíveis dos produtos industriais chineses.

E o Brasil?

Não há saída. Agora, não bastam mudanças cosméticas. Não basta baixar IPI aqui ou ali. Nossa indústria está sendo dizimada. Não se trata de “choradeira da FIESP”. Conheço duas pessoas – empresários de pequeno porte – que trabalham com exportação de produtos brasileiros. Os dois estão com a corda no pescoço. A duras penas, seguram os clientes que ainda não se mandaram; não conseguem novos clientes. O mundo quer comprar barato da China.

Ok, talvez não consigamos concorrer com os chineses, a não ser aqui na América Latina, o que já não seria pouco…

Mas o principal, agora, é fazer a defesa de nosso mercado interno. Isso é urgente. O governo precisa adotar medidas duras para conter a valorização do dólar e para impedir a entrada dos produtos chineses.

Recentemente, entrevistei o professor Bresser Pereira, e ele foi claro. O Brasil precisa controlar a entrada e saída de dólares. Se Dilma não fizer isso agora, o estrago pode ser definitivo.

O que nos consola é: esse não é um drama (apenas) brasileiro. O mundo vive a tal “guerra cambial”. EUA e China usam suas armas. Precisamos usar as nossas, lembrando sempre da velha frase do Mário Henrique Simonsen: “a inflação aleija, mas o câmbio mata.”

FONTE: escrito por Rodrigo Viana em seu blog “Escrivinhador”  (http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/cade-a-industria-que-tava-aqui.html#more-11864). [Imagem do Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].