sexta-feira, 23 de março de 2012

CLASSE C CHEGA A 54% DA POPULAÇÃO E TEM RENDA MÉDIA DE R$ 1.450


Por Marianna Aragão, no UOL/Folha

“Embora em ritmo menos acelerado, a classe C continuou a crescer no Brasil em 2011. A participação desse estrato social no total da população brasileira foi de 54% no ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela “Cetelem”, financeira do grupo francês “BNP Paribas” em parceria com o instituto “Ipsos”.

Em 2010, ela representava 53% da população.

De acordo com a pesquisa "O Observador Brasil 2011", a classe C recebeu 2,7 milhões de brasileiros em 2011, vindos das classes D e E. Hoje, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social.

As classes D e E, por sua vez, encolheram no ano passado, representando 24% da população, num total de 45,2 milhões de brasileiros. Em 2010, eram 47,9 milhões de pessoas, ou 25% da população.

"Essas mudanças marcam a consolidação da mobilidade social que vimos ocorrer no Brasil nos últimos anos", diz Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da “Cetelem BGN”. A pesquisa, realizada desde 2005, mostra que 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no Brasil nos últimos sete anos. "É o equivalente a toda a população da Itália", comenta Etchegoyen.

O grupo que mais contribuiu para essa evolução foi a classe C, que representava 34% da população em 2005, e hoje está em 54%.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecida pela ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

O conceito não considera a renda, mas a posse de itens como eletrodomésticos, veículos, quantidade de cômodos na casa e grau de instrução do chefe de família.

RENDA

A pesquisa mostrou, ainda, que a classe C foi a única camada da população cuja renda média familiar cresceu em 2011. A evolução foi de 8%, para R$ 1.450.

Já as classes A/B e D/E tiveram ligeira queda na renda. No caso da A/B, a renda caiu de R$ 2.907 em 2010 para R$ 2.893 no ano passado. A renda da classe D/E diminuiu de R$ 809 para R$ 792 no mesmo período.

A renda disponível, que corresponde à renda da família após os gastos, cresceu em todas as classes sociais no ano passado, o que indica que houve maior contenção dos gastos. "As pessoas gastaram menos no ano passado, influenciadas pela piora no ambiente econômico, especialmente no segundo semestre", diz Miltonleise Filho, vice-presidente da “Cetelem BGN”.

A preocupação com o futuro da economia apareceu em outro dado levantado pela pesquisa, sobre intenção de compra para 2012. Em comparação com o ano anterior, os brasileiros mostraram-se mais cautelosos para consumir itens como carros, computadores e eletrodomésticos.

O percentual de pessoas com intenção de comprar um automóvel este ano, por exemplo, caiu de 18% para 15% em 2011. Apenas 25% da população declarou ter pretensão de comprar algum serviço relacionado a lazer ou viagem, ante 32% na pesquisa anterior. "Devido a essa cautela, em 2012 podemos não ter o mesmo nível gasto visto no ano passado", diz Miltonleise Filho.

Ainda assim, o brasileiro ainda é o povo mais otimista, dentre os 13 países onde a pesquisa é realizada anualmente. A nota média dada pelos entrevistados à situação do país foi de 6,3 em 2011, a maior avaliação nos mercados pesquisados. Os alemães têm a segunda melhor avaliação sobre seu país: a nota média no país foi de 6,2.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em 70 cidades brasileiras, em dezembro do ano passado.”

FONTE: reportagem de Marianna Aragão publicada no portal UOL  (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1065542-classe-c-chega-a-54-da-populacao-e-tem-renda-media-de-r-1450.shtml) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

ARTILHARIA ANTIAÉREA NO BRASIL – RECEBIMENTO DO RADAR "SABER"


“Caxias do Sul (RS) – No dia 7 de março, o 3º Grupo de Artilharia Aantiaérea recebeu, do Arsenal de Guerra de São Paulo, o Radar “SABER M60”. O “SABER M60” tem capacidade de detecção a baixa altura e pode ser montado e colocado em operação completa em menos de 15 minutos por apenas três soldados.

Com tecnologia 100% brasileira, o sistema permite rastrear e acompanhar até 40 alvos simultaneamente, de forma automática ou manual, em raio de até 60 quilômetros e a altitudes de até 5 mil metros, tanto para aeronaves de asa fixa (avião) como de asa rotativa (helicóptero). É capaz de detectar alvos que voam em baixíssima velocidade - a partir de 32 Km/h para aviões - e detecta helicópteros ainda em voo pairado.

O radar identifica o alvo desejado, processa as informações e transmite, em tempo real, a um “Centro de Operações de Artilharia Antiaérea”, integrante do “Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro”. Fornece a localização exata de cada aeronave sobrevoando a área vigiada, bem como sua identificação, classificando os alvos de acordo com o tipo, diferenciando aviões de helicópteros.

O radar “SABER M60” possui as mesmas funções de um radar de grande porte de aeroporto e oferece custo mais baixo e capacidade de rastreamento, mesmo em ambientes como a densa floresta amazônica. Essa capacidade permite seu uso na proteção de pontos e áreas sensíveis, como indústrias, usinas, instalações governamentais e locais de eventos importantes, como conferências de chefes de Estado ou competições esportivas internacionais.”

FONTE: publicado no site “DefesaNet” com dados do Exército Brasileiro (http://www.defesanet.com.br/terrestre/noticia/5273/3º-Grupo-de-Artilharia-Antiaerea-–-Recebimento-do-radar-SABER).

CEPAL APOIA PROTECIONISMO NA AMÉRICA LATINA E ELOGIA BRASIL


[OBS deste blog ‘democracia&política’: a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) foi criada em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros]

“Para a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a adoção de medidas "temporárias" pode ajudar o Brasil e países vizinhos contra a invasão de produtos importados que não encontram mais espaço em seus mercados tradicionais. Com isso, essas medidas são "muito válidas" e podem transformar-se em arma contra a ameaça de desindustrialização, desde que respeitados os limites da “Organização Mundial do Comércio” (OMC).

Alicia Bárcena

A secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, frisa que um "ponto importante é se são temporárias ou permanentes. Na crise, algumas medidas temporárias foram tomadas e tiveram seu efeito, para depois serem retiradas aos poucos. A verdade é que a maioria dos países do G-20, com algumas exceções, está tomando providências para proteger seus mercados. Inclusive os países desenvolvidos".

Ela ressaltou que existe uma diferença entre a política comercial brasileira e a argentina. "O que eu vejo no Brasil é um governo e uma presidenta muito atentos e muito cuidadosos com a economia, pensando em uma estratégia a longo prazo, e não apenas conjuntural. Gosto de ver um país que se preocupa, por exemplo, com a manutenção de sua indústria automotiva", afirma a secretária da CEPAL, em referência à recente revisão do tratado que dava isenção das tarifas de importação à troca de veículos entre Brasil e México, seu país de origem.

Já as providências tomadas pela Casa Rosada para sustentar o superávit comercial argentino não despertam nenhum entusiasmo. "Sabe o que acontece com a Argentina? Aqui [no Brasil], anunciam-se medidas temporárias e com regras claras. Isso é muito importante. Na Argentina, quando há mudança de licenças automáticas para licenças não automáticas, ou quando as empresas precisam apresentar um plano de importação para ver o que pode ser aprovado ou não, há um grau de discricionariedade. Essa é a grande fragilidade."

A Cepal prevê crescimento de 3,7% para a economia latino-americana em 2012, mas avalia que o desempenho no primeiro trimestre pode ter transformado essa projeção em "piso". Trata-se de recuo na comparação com as taxas registradas no ano passado (4,3%) e em 2010 (5,9%), mas uma "boa notícia" diante das complicações nos Estados Unidos e na Europa, diz Alicia.”

FONTE: publicado no portal “Vermelho” com informações do jornal “Valor Econômico”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=178678&id_secao=7) [imagens do google e obs entre colchetes adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

O BRASIL E A BACIA DO ATLÂNTICO SUL


Por Roberto Abdenur

O BRASIL, GRAÇAS A CONTATOS CULTURAIS E AO COMÉRCIO, TEM POSIÇÃO PRIVILEGIADA NA PONTE COM A ÁFRICA

Embaixador Roberto Pinto Ferreira Mameri Abdenur

“Uma nova expressão começa a ganhar curso nos círculos de estudos internacionais -o novo Atlântico. Trata-se do reconhecimento, ainda por vezes incipiente, de que o Atlântico Sul passa por notável transformação, com o processo de integração na América do Sul e o surgimento de novos laços com a África.

Vai-se tornando claro que já não mais faz sentido pensar-se isoladamente no Atlântico Norte como sendo a principal área do oceano. Por demasiado tempo, a ideia de Atlântico tem sido identificada com os vínculos estratégicos entre os Estados Unidos e a Europa, como a chamada Aliança Atlântica e sua expressão mais forte, a OTAN, a aliança militar entre os EUA e a maior parte dos países da Europa.

Um dado novo é o de que, com maior estabilidade e dinamismo econômico e com os avanços em seu processo de integração -que vai sendo levado a cabo não só por forca de ações governamentais, mas também graças a crescentes fluxos de investimentos diretos entre diversos países-, a América do Sul conta hoje com maior grau de projeção política e econômica.

Isso se deve a instituições como o MERCOSUL e a UNASUL, entre outras. A região, em outras palavras, conta com maior densidade e personalidade própria, o que lhe confere mais credibilidade do que no passado (descontados os casos de regimes autoritários como o da Venezuela e alguns de seus seguidores).

[Obs deste blog ‘democracia&política’: o ex-embaixador Abdenur ficou conhecido na imprensa como conservador e radical pró-EUA. Aposentou-se por não concordar com a política externa independente de Celso Amorim e Lula. Antes de sua saída do Itamaraty, reclamou na época, na imprensa, que o Presidente Lula “não cansa de dar canelada no americano”. Foi contestado por ser alinhado aos demotucanos (teria assessorado o DEM com curso de política externa) e por integrar o velho time de chanceleres que proclamavam que o que "é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Por isso, o presente texto dele, no tocante ao regime político venezuelano, está coerente com a linha política e orientação dos EUA. Assim, ele teria classificado, neste artigo, o regime da Venezuela de “autoritário].

Devido a sua centralidade e capacidade de iniciativa, tem o Brasil ocupado, claro está, papel-chave nos avanços registrados pela região.

Mas tem, também, o Brasil, de outra parte, atuado como a ponta de lança numa inédita aproximação com a África. Basta citar a IBSA, o mecanismo de cooperação entre Brasil, Índia e África do Sul que tem, entre outros, o objetivo de apoiar países africanos mais pobres.

Ocupa o Brasil, graças a seus fluxos de comércio, investimentos, cooperação técnica e contatos culturais, posição privilegiada de ponte entre os dois continentes.

O ex-presidente Lula terá, talvez, exagerado ao dizer [metaforicamente] que América do Sul e África estão separados “só por um rio”. Mas não há duvida de que o Atlântico Sul se vai estreitando.

Nisso tudo, ocupa o Brasil posição privilegiada como principal parceiro dos EUA e da Europa na América do Sul. Temos hoje relação de maior mutualidade e equilíbrio com os EUA e contamos com parcerias estratégicas com a União Europeia como tal e com os principais países europeus individualmente.

Tem o Brasil, assim, papel significativo como ponte entre a América do Sul, de um lado, e os EUA, a Europa e agora a África, de outro. Cumpre, nessas circunstâncias, procurarmos enfatizar e valorizar o mais possível a ideia de uma bacia do Atlântico como espaço geopolítico que merece ser reconhecido como não menos importante do que a tão falada bacia do Pacífico.”

FONTE: escrito pelo Embaixador aposentado Roberto Pinto Ferreira Mameri Abdenur e publicado na “Folha de São Paulo”  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/32579-o-brasil-e-a-bacia-do-atlantico.shtml) [imagens do google e observação entre colchetes adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

quinta-feira, 22 de março de 2012

EMPREGO E RENDA MÉDIA EM FEVEREIRO SÃO OS MELHORES JÁ MEDIDOS NO BRASIL


Desemprego é o menor em dez anos para um mês de fevereiro

Do portal UOL

A taxa de desemprego em fevereiro foi de 5,7%, a menor para um mês de fevereiro nos últimos dez anos, quando teve início essa série de pesquisas (março de 2002).

A variação foi mínima em relação a janeiro, quando se registrou 5,5%, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (22).

Em comparação com fevereiro de 2011 (6,4%), recuou 0,7 ponto percentual.

A população desocupada (1,4 milhão de pessoas) foi considerada estável no confronto com janeiro. Quando comparada com fevereiro do ano passado, recuou 8,6% (menos 130 mil pessoas).

O rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 1.699,70 e também bateu o recorde dos últimos dez anos em fevereiro. Os salários subiram 1,2% em comparação com janeiro.

Em relação a fevereiro do ano passado, o poder de compra dos ocupados cresceu 4,4%. A massa de rendimento de todos os trabalhadores ocupados (o salário somado de todos eles) chegou a R$ 38,7 bilhões, aumento de 1,6% em relação a janeiro.

A população ocupada (22,6 milhões) não variou frente ao mês de janeiro. No confronto com fevereiro de 2011, verificou-se aumento de 1,9%, o que representou elevação de 428 mil ocupados no intervalo de 12 meses.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões) não registrou variação na comparação com janeiro. Na comparação anual, houve elevação de 5,4%, o que representou adicional de 578 mil postos de trabalho com carteira assinada em um ano.

A pesquisa mensal de emprego é realizada pelo IBGE nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.”

FONTE: portal UOL  (http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/03/22/desemprego-e-o-menor-em-dez-anos-para-um-mes-de-fevereiro.jhtm) [título e imagem do Google adicionados por este blog ‘democracia&política’].

EMBRAER CRESCE PRESENÇA NOS PAÍSES VIZINHOS

Embraer 190
Por Virgínia Silveira, no “Valor”

“A combinação entre crescimento econômico consistente e acima da média mundial e melhor distribuição de renda transformaram a América Latina e o Caribe em um dos mais importantes mercados de vendas de jatos para a Embraer. A região, que até 2003 tinha participação zero nos negócios da companhia, respondeu por 33% das entregas de E-Jets (como são conhecidos seus jatos comerciais de 70 a 122 assentos) da Embraer em 2011, com 35 aeronaves.

Atualmente, segundo o diretor de vendas da empresa para a América Latina e Caribe, Eduardo Munhoz de Campos, nove companhias aéreas da região operam um total de 137 jatos Embraer. "Esses aviões cobrem 194 destinos, com 682 voos diários e já transportaram mais de 39 milhões de passageiros desde 2005", ressalta o executivo.

Eduardo Munhoz de Campos
O executivo da Embraer destaca que a região está vivendo período de pleno emprego e a população está viajando mais de avião do que de ônibus. "O número de voos per capita no Brasil, por exemplo, chega a ser oito vezes menor que o dos Estados Unidos, o que significa que ainda existe grande potencial de crescimento no nosso mercado". No ano passado, diz ele, cerca de 140 milhões de passageiros optaram por viajar de avião, dos quais 80 milhões somente no Brasil.

Segundo Munhoz, a companhia brasileira tem hoje participação mais concentrada na América Latina e Caribe do que no restante do mundo. A participação no mercado mundial da companhia no segmento de jatos comerciais no segmento de 60 a 120 lugares hoje é de 42%, enquanto que, na região, esse percentual aumenta para 72%.

Na avaliação da Embraer, segundo Munhoz, a América Latina é a região que mais vai crescer em vendas nos próximos 20 anos, com índice médio 7,2%. Nos países mais desenvolvidos, por sua vez, como na América do Norte e Europa, a demanda mundial de transporte aéreo será menor, com índice entre 3,5% e 4,4%, em função da maturidade desses mercados e também devido à recuperação mais lenta da economia.

Este ano, a Embraer prevê entregar o total de 22 jatos na América Latina e no Caribe. Munhoz explica que, embora o número seja menor que o de 2011, não significa que houve queda, pois o ano passado foi considerado ano extremamente atípico em termos de entregas.

As brasileiras Azul e Trip são líderes mundiais em utilização dos E-Jets da Embraer, com média de operação diária de 11 a 14 horas. Em fevereiro, a Azul confirmou a opção de compra de mais dez jatos Embraer 195, que faziam parte de um contrato firmado com a empresa em outubro de 2011. Na ocasião, a companhia aérea havia adquirido onze aeronaves do mesmo modelo.

Embraer 195
A Azul é a terceira maior companhia aérea do Brasil e atende, atualmente, a 44 destinos, com mais de 350 voos diários no país, sendo responsável por quase 10% do tráfego doméstico de passageiros. A empresa opera uma frota de 38 jatos da Embraer, entre os modelos E190 e E195, além de nove turboélices.

Nos últimos sete anos, a posição da Trip nesse segmento saltou de 14% para 71%, tornando a companhia na maior operadora brasileira de aviões com menos de 100 assentos. A companhia opera atualmente 19 jatos da Embraer com os quais cobre 90 destinos no Brasil.

Embraer 190 da Trip
Segundo estimativa da Embraer, em 2012 a receita da companhia deve atingir entre US$ 5,8 bilhões e US$ 6,2 bilhões. A aviação comercial responderá por US$ 3,7 bilhões a US$ 3,8 bilhões desse total. As regiões da América Latina e do Caribe devem responder por entre 15% e 16% da receita prevista para 2012, algo em torno de US$ 600 milhões. Em dez anos, segundo Munhoz, a previsão é que esse percentual cresça para até 20%.

Na região, a Embraer disputa o mercado com a canadense Bombardier, a russa Sukhoi e a europeia Airbus, embora esta última não seja um concorrente direto. "Algumas companhias ainda operam o modelo Airbus A318, que já não é mais fabricado, mas em algumas rotas na faixa de 120 assentos, o A320 disputa com os E-Jets da Embraer", comentou Munhoz.

O executivo explica que as rotas com menos de 120 assentos representam de 69% a 72% dos voos realizados em toda essa região e os aviões da Embraer são os mais adequados para operar nesse segmento, porque dão melhor resultado econômico-financeiro para as companhias aéreas. "As empresas que mais crescem na região são justamente as que utilizam os E-Jets Embraer, como a Azul, a Trip, a Copa Airlines, entre outras", disse.

O índice de disponibilidade dos jatos da Embraer, diz Munhoz, é de 99,8%, ou seja, apenas 0,2% dos voos - ou dois voos a cada mil - têm de ser cancelados por algum motivo técnico. "O nível tecnológico dos nossos aviões, o conforto da cabine de passageiros e a capacidade de resposta rápida às necessidades dos clientes estão entre nossos principais diferenciais", afirma.”

FONTE: reportagem de Virgínia Silveira publicada no jornal “Valor Econômico” e transcrita no site “DefesaNet”  (http://www.defesanet.com.br/aviacao/noticia/5246/Embraer-cresce-entre-os-paises-vizinhos) [imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

CHINA NA ENCRUZILHADA


CHINA VIVE ENCRUZILHADA ENTRE DOIS MODELOS ECONÔMICOS

O artigo é de Marcelo Justo, de Londres

“Londres - A política é a economia por outros meios. Com 30 anos de reforma pró-capitalista nas costas, a China está numa encruzilhada a poucos meses da eleição do sucessor do presidente Hu Jintao. O governo baixou a taxa de crescimento deste ano para 7,5%. O velho modelo exportador baseado na mão de obra barata está esgotado e é impossível ignorar a dívida social com nova geração que já não aceita apelos ao sacrifício com a mesma docilidade de seus pais.

Neste contexto, a ala liberal do PC chinês avançou em duas frentes. Um recente documento de mais de 400 páginas publicado pelo Banco Mundial (BM) e pelo influente “Development Research Centre” (DRC), um “think tank” chinês que se reporta diretamente ao Conselho de Estado, é seu roteiro. O eixo da proposta [liberal] é que a China tem que completar sua transformação em uma plena “economia de mercado” para "evitar a típica armadilha de países em desenvolvimento como Brasil e Argentina que não conseguem dar o salto para a condição de nações desenvolvidas e de altas receitas", como fizeram a Coréia do Sul e o Japão, por exemplo [os tais "think tank" chineses e do Banco Mundial esqueceram que foi justamente a solução "liberal" de Menem e FHC que afundou as economias de seus países]. A contrapartida dessa estratégia econômica tem sido a eliminação política de seu principal adversário, o hoje ex-secretário geral da megametrópolis de Chongqing, Bo Xilai.

O documento do BM e do DRC propõe seis passos fundamentais. O mais importante é o primeiro.

Para as duas entidades, a China precisa de profunda reforma das empresas do Estado que ainda “abarcam 50% de sua economia”. A importância do setor estatal no “milagre chinês” é inquestionável. O setor bancário está inteiramente dominado pelo Estado. A política de “grandes campeões” empresariais que a China copiou nos anos 90 de outros países asiáticos – Japão, Coreia do Sul e Taiwan – produziu multinacionais gigantes como a “China Mobile” ou a “China National Petroleum Corporation”. Esses campeões estão crescendo.

Segundo o semanário britânico “The Economist”, as 129 empresas estatais mais importantes da China ganharam cerca de 150 bilhões de dólares em 2010, 50% a mais do que no ano anterior. No terreno da infraestrutura, a “China State Construction Engineering Corporation” tem mais de 5 mil projetos sob sua responsabilidade em mais de 100 países, com lucros que superaram os 20 bilhões de dólares em 2009. A “Sinohydro” controla mais da metade do mercado para a construção de usinas hidroelétricas.

Klaus Rohland, diretor do Banco Mundial na China, sugere que, para que o país dê o salto ao mundo desenvolvido, deveria reduzir significativamente esse número de empresas estatais mediante “a privatização e a venda”. “Acreditamos que essa presença não se justifica com o conceito de setores estratégicos que necessitam permanecer em mãos do Estado. O mínimo que se necessita é que essas companhias se abram à competição”, assinalou Rohland no início do mês para o “China Daily”, uma publicação semanal na Europa.

Essa estratégia caminha na direção oposta daquela que vinha sendo promovida pelo ex-secretário geral de Chonqing, Bo Xilai, que buscava fortalecer o papel do Estado e forjar uma aliança com o capital estrangeiro para, por meio do crescimento econômico e do investimento, gerar os fundos necessários para garantir a moradia, saúde e educação para todos, uma utopia na China de hoje. No “modelo Chonqing”, o Estado se fazia presente não só na hora de canalizar os dividendos do crescimento na direção do bem estar social, mas também no próprio sistema financeiro e produtivo.

Ex-secretário geral de Chonqing, Bo Xilai

A receita privatizadora do BM e do DRC gerou muito polêmica tanto na China como no Ocidente. As outras propostas do documento são muito menos polêmicas. Nem os liberais nem a nova esquerda chinesa têm objeções à necessidade de melhorar saúde e educação, modernizar o sistema tributário, acelerar a inovação tecnológica ou a adoção de uma política econômica mais verde. São princípios gerais, aspirações do senso comum, temperadas inclusive com alguns comentários “progressistas” para demonstrar a vontade do Banco Mundial de combater a pobreza como quando aponta que a China se converteu no país mais desigual da Ásia.

A desigualdade é uma chaga da transformação pró-capitalista chinesa. Não é por acaso que o governo não publica o “coeficiente GINI” desde 2000 devido a supostos problemas na metodologia de coleta de dados. Ninguém dúvida, porém, que esse coeficiente que mede a desigualdade cresceu à extraordinária velocidade desde o começo das reformas de Deng Xiao Ping, nos anos 80, até hoje. Um claro sinal da diferença dos modelos em disputa era a promessa de Bo Xilai de publicar o coeficiente GINI de Chonginq para demonstrar que seu modelo era capaz de lidar com a desigualdade e podia servir para o resto da China.

Sua derrubada significa o triunfo da ala liberal com o apoio do Banco Mundial? A queda de Bo Xilai é um obscuro episódio no qual parecem se combinar as camas políticas que a direita estendeu para ele com erros próprios derivados do autoritarismo populista de um dirigente comparável a Juan Perón ou Getúlio Vargas. Mas, para além de sua figura, o certo é que entre os dirigentes chineses há muita preocupação com a crescente desigualdade e seu impacto político-social. O virtual sucessor de Hu Jintao, o atual vice-presidente Xi Jinping, já foi identificado como um dos cérebros do modelo Chonginq, “um comunista incorrigível”, segundo matutino conservador britânico “Daily Telegraph”. Ji Xinping baixou o polegar para Bo Xilai, criticando sua liderança, mas provavelmente sua política manterá um equilíbrio entre ambas as facções. A lógica desse equilíbrio provém dos traumas da Revolução Cultural e da reforma pró-capitalista de Deng Xiao Ping, incluindo aí o massacre de Tiananmen.

A China reivindica, hoje como nunca, um filósofo que até algumas décadas era apontado como o grande culpado pelo atraso nacional e sua humilhação histórica ante o Ocidente. Confúcio e seu conceito de harmonia social se converteram no mantra das novas autoridades chinesas.”

FONTE: artigo de Marcelo Justo, de Londres, transcrito no site “Carta Maior” com tradução de Katarina Peixoto  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19793) [imagem do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].