Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) explicam o contingenciamento de R$ 50,1 bilhões do orçamento da União. Foto: Wilson Dias/ABr
GOVERNO DÁ DETALHES DA REDUÇÃO DE R$ 50,1 BILHÕES DO ORÇAMENTO DA UNIÃO 2011
“Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento, Orçamento e Gestão) concederam entrevista coletiva no início da tarde de segunda-feira (28/2) para detalhamento dos R$ 50,1 bilhões a serem contingenciados do orçamento da União 2011. Serão reduzidos R$ 18 bilhões na rubrica investimento e R$ 32 bilhões em custeio. Os ministros informaram também que na edição desta terça-feira (1º/3) do Diário Oficial da União serão publicados decretos da presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, com decisão sobre redução de despesas com passagens e diárias de servidores no volume de até 50% do gasto previsto para este ano.
Numa outra frente, conforme havia sido informado no início deste mês, quando o governo anunciou o volume a ser contingenciado, os ministros disseram que no esforço de redução de despesa estarão suspensas novas contratações de servidores, ao mesmo tempo em que se buscará uma auditoria na folha de pagamento com apoio de especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O esforço de ajuste do orçamento, segundo informaram, atinge em maior escala os Ministérios das Cidades, da Defesa, do Turismo e do Esporte.
“Estamos conduzindo a economia para patamar mais sustentável. Essa consolidação que fazemos agora corresponde à mesma política econômica que levou o país ao crescimento forte. Tomamos medidas para garantir a continuidade do crescimento sustentável. Não é para derrubar a economia. Fizemos modificações na receita e na despesa. Estamos ajustando para menor a arrecadação”, explicou o ministro Mantega.
Segundo informou, existe previsão de redução de receitas provenientes dos impostos. Isso leva a resultado líquido menor de R$ 18,087 bilhões. “Temos que ser realistas com a projeção de arrecadação… Queria dizer que é normal fazer uma revisão das projeções. A realidade vem mudando. E é mais precisa. Isso diminui o grau de despesa do governo”, contou.
A ministra Miriam Belchior informou que serão contingenciados R$ 15,8 bilhões das despesas obrigatórias. De acordo com a ministra, desse montante, cerca de R$ 3,5 bilhões serão economizados a partir da não contratação de servidores; outros R$ 2 bilhões virão das despesas previdenciárias e R$ 3 bilhões de abono e seguro desemprego. “Isso é bastante factível”, insistiu a ministra Miriam Belchior em diversos momentos da coletiva.
“Como vamos conseguir isso? Através do esforço administrativo, como a auditoria externa na folha. Teremos a primeira reunião de trabalho terça-feira. No sistema de alerta. Cruzamento do cadastro federal de estados… Adiamento de concursos públicos. Vamos tentar fechar as portas para as fraudes”, informou a ministra.
Com relação aos R$ 36,2 bilhões restantes, a ministra Miriam Belchior disse que virão da redução dos gastos de custeio e capital, ou seja, nas despesas do dia a dia dos ministérios e de investimentos. Mas serão preservados os investimentos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e projetos sociais. “Em relação ao PAC, não há nenhuma intenção de postergar obras. Queria lembrar que o orçamento foi sancionado no dia 9 fevereiro e nenhum investimento podia ser executado antes disso. Aguardem que vamos ter muito desembolso”, explicou Miriam Belchior.”
FONTE: Blog do Planalto (http://blog.planalto.gov.br/governo-da-detalhes-da-reducao-de-r-501-bilhoes-do-orcamento-da-uniao-2011/#more-24425)
terça-feira, 1 de março de 2011
EDUCAÇÃO BRASILEIRA MELHOROU PARA OS MENOS FAVORECIDOS
ENTRE MENOS FAVORECIDOS É MAIOR A PERCEPÇÃO DE QUE EDUCAÇÃO BRASILEIRA MELHOROU
“Embora levantamento divulgado ontem (28) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indique que mais da metade da população brasileira considera que a educação pública se manteve igual ou piorou nos últimos anos, o mesmo estudo revela que entre os grupos menos favorecidos, como os de menor renda e escolaridade, a percepção é de que houve, sim, melhoras significativas quanto à qualidade de ensino nos últimos anos.
Enquanto entre os que ganham até dois salários mínimos 49,5% dos entrevistados responderam que as condições hoje são melhores e apenas 19,3% acreditam que houve deterioração do ensino, entre os que ganham acima de 20 salários mínimos o percentual de quem aponta piora sobe para 29,3% e os que dizem que houve melhora baixa para 46,7%, índice ainda superior aos 43,4% observados entre os que recebem entre dez e 20 vezes o piso.
Segundo o coordenador de Educação do IPEA, Paulo Corbucci, a percepção da melhora é maior não apenas entre os que ganham menos e os negros, mas também entre quem vivem nas três regiões onde, historicamente, se concentram os piores indicadores educacionais do país: Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
“Nos últimos anos, os grupos menos favorecidos, como, por exemplo, os de renda mais baixa, tiveram melhora no acesso à educação, com melhores condições de ensino. Isso, obviamente, se reflete na percepção que essas pessoas têm em relação à qualidade”, afirmou Corbucci, citando a ampliação do acesso à educação básica e à superior, além da implementação de ações afirmativas, como a do sistema de cotas para o ingresso de negros na faculdade.
Embora a maioria dos entrevistados de todas as cinco regiões considerem que o nível de ensino melhorou nos últimos anos, no caso das regiões Sul e Sudeste a quantidade de pessoas que dizem ter havido melhora (respectivamente, 42,9% e 40%) é menor do que as que consideraram que a educação continua igual ou piorou. Nas outras três regiões, o percentual dos que consideram que o ensino melhorou ultrapassou os 54%, com destaque para a Região Centro-Oeste (62,9%).
A percepção da população é reforçada, em parte, em números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), sistema de avaliação que já havia apontado para a evolução positiva nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Fruto, possivelmente, da ampliação de investimentos.
“Nas regiões Sul e Sudeste, onde os níveis de Educação já eram mais elevados, a possibilidade de melhora é menor. Já nas regiões onde essas condições eram mais precárias, a [percepção] da melhora é maior”, afirma Corbucci, não descartando a possibilidade de, conforme aponta o estudo, “estar havendo estagnação ou diminuição do ritmo de avanço da qualidade da educação em regiões onde os índices, apesar de melhores, ainda são inferiores aos patamares internacionais”.
Já quando considerado o quesito cor ou raça dos entrevistados, as avaliações de entrevistados negros e pardos são mais positivas (50,9% de melhorou e 22,2% de piorou) que as dos brancos (46,4% e 26,6%, respectivamente). A percepção sobre a qualidade da educação também varia de acordo com a escolaridade dos entrevistados. Para 35,4% dos que têm nível superior completo ou pós-graduação, a educação piorou. Já entre aqueles que estudaram somente até os últimos anos do ensino fundamental (5ª a 8ª séries ou 6º a 9º anos), apenas 21,4% têm a mesma opinião.”
FONTE: reportagem de Alex Rodrigues publicada pela Agência Brasil (edição: Talita Cavalcante) (http://agenciabrasil.ebc.com.br/ultimasnoticias;jsessionid=1536F61591D7A348F134C18C608F089A?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199692) [imagem do Google adicionada por este blog].
BELO MONTE E AS HIDRELÉTRICAS
Por Marco Aurélio Moreira Saran
“Cada vez que vejo ou leio uma notícia sobre protestos, manifestações e outros abusos cometidos por quem diz ser defensor do meio-ambiente e contra a construção de usinas hidrelétricas, me faz achar que estão todos loucos e me sinto obrigado a fazer comentários.
Numa coisa possuem razão, as barragens afetam grande área e a vida de inúmeras pessoas, plantas e animais. E muitas decisões políticas, técnicas e sociais poderiam ser tomadas para minimizar esse impacto e tornar a instalação de uma hidrelétrica menos prejudicial e melhor para todos.
Porém, dizer que as usinas são fruto da exploração internacional por busca de energia?
Comparar elas aos casos antigos das usinas construídas para as empresas de alumínio?
E diversos outros absurdos propagados como verdades absolutas são ridículos. É preciso ser muito mal informado e estar alheio às condições nacionais e internacionais, ter falta de bom senso e conhecimento técnico mínimo para dizer, pior, escrever algumas asneiras difundidas na mídia, congressos, fóruns, entre outros.
Isso é coisa de pessoas com tendências radicais e não dispostas a argumentação sensata.
A demanda por energia elétrica e a segurança do fornecimento elétrico nacional estão esbarrando nos limites de se obter mais geração e transmissão, que digam os últimos apagões. Se não for investido em novas usinas geradoras haverá novo apagão dentro de poucos anos, com possíveis racionamentos e prejuízo a todo o país.
As usinas hidrelétricas podem não ser a melhor coisa do mundo, nem mesmo a melhor possível, mas eu pergunto aos responsáveis por esses ataques contra as pessoas e empresas empenhadas no desenvolvimento do país através das hidrelétricas: Qual é a solução para gerar tamanha potência elétrica? E é eficiente, segura e com custos reduzidos?
Imaginem a poluição que uma térmica ocasionaria para continuamente gerar montante de potência igual ao de Belo Monte ou das usinas do Rio Madeira! E qual seria o custo disso? Seria preciso queimar muito petróleo para atingir esse objetivo. É fato que usar combustíveis para gerar energia é muito mais prejudicial ao ambiente e ao bolso do consumidor, não há como discordar disso.
Se uma usina térmica não é a solução, então qual é? Uma Nuclear? Pois bem, mais uma onda de radicais vão irromper o salão para demonizar tal solução. Porém é a que menos causa impacto em relação à capacidade total de geração e o Brasil tem enormes reservas de urânio e domina todo o ciclo de produção.
Além disso, com as novas tecnologias os riscos são mínimos, o armazenamento dos resíduos é seguro e o reaproveitamento tem se tornado cada vez mais discutido, com potencial para ser eficiente e limpo.
Tudo bem, assumindo que não iríamos usar hidrelétricas, nem mesmo termelétricas ou nucleares, então usar o que? Muitos responderiam: Eólicas, Solares, Maré motrizes etc. As famosas e excelentes renováveis!
Concordo totalmente! Deve-se investir em tecnologias e formas de gerar energia de forma renovável. São excelentes e com certeza no futuro temos que ter muitas delas para reduzir a dependência e o consumo de combustíveis e melhor aproveitar as hidrelétricas. Mas para conseguir uma capacidade de geração igual ao complexo do Rio Madeira, na ordem de 6.000.000 watts, é desconcertante e praticamente impossível em médio prazo. E as eólicas e solares têm grande problema, a disponibilidade da sua fonte.
As eólicas dependem do vento: Que hora vai ter vento? De quanto vai ser esse vento? Só uma brisa não adianta! E as solares dependem do sol: E se as nuvens cobrirem o céu? Como fica a geração solar? Além de não gerar a noite.
Ficamos à mercê do clima, isso é totalmente inseguro e demanda investimento em reservas operacionais (usinas térmicas). Assim, ou o sistema elétrico fica exposto, vulnerável e com produção oscilante, ou então se usam mais térmicas para compensar esses efeitos.
Nenhum país do mundo remete sua base energética aos renováveis numa proporção muito grande, a não ser que o consumo total seja pequeno, o que não é o caso do Brasil.
E então? Qual a solução?
Sinceramente ainda acho que o aproveitamento hidráulico bem projetado, executado e operado é disparado a melhor opção. Com grande capacidade de geração elétrica, não gera poluição por queima de combustíveis, não gera resíduos radioativos e o Brasil tem ainda muita capacidade que pode ser explorada.
O real problema é como as coisas são feitas por aqui. Se o governo realmente se importasse com a sociedade, se os órgãos ambientais tivessem os fatos explanados em mente, as coisas poderiam ser diferentes. Mas para isso o desenvolvimento do país e o benefício total à sociedade devem ser o objetivo e a meta primordial de todos os processos.
Será que ninguém percebe que reduzindo a capacidade de geração elétrica do complexo do Madeira, Belo Monte e futuros projetos, para “reduzir” os impactos ambientais vai implicar na necessidade de construção de uma nova usina em outro lugar para cobrir aquela diferença?
Faço grandes usinas com capacidade de geração superreduzida, para minimizar os problemas e impactos ambientais e acabo precisando provocar mais impactos em outros lugares. Além disso, ainda reduzo a capacidade futura de aproveitamento, porque deixei de utilizar a real capacidade de muitos locais.
Uma barragem com reservatório é como uma pilha recarregável gigante, é energia armazenada. Já usinas a fio d’água, que funcionam com a vazão da água do rio, sem reservatórios, possuem o mesmo problema das eólicas e solares, a produção não é garantida, pois não há segurança da disponibilidade de água suficiente para gerar energia.
Continuo a acreditar que fazer uma usina com grande reservatório, gerando uma enormidade de potência e bem projetada, que consiga administrar bem os impactos ambientais, é melhor do que fazer inúmeras usinas de capacidade reduzida, a fio d’água, sem reservatório. Estas reduzem o impacto local, mas no quadro total provocam um impacto maior ainda, pois será necessário investir em novas usinas para suprir a diferença que ter um bom reservatório faria.
Não vou nem mesmo entrar no mérito da questão de que o lago da represa pode proporcionar muitas atividades econômicas, turísticas e recreativas.
Posso ter feito equívocos até mesmo graves e peço perdão por eles, mas esta é a minha visão e peço que alguém utilize bons argumentos e me convença do contrário.
Mas que, ao fazer isso, não se utilize de fanatismo e radicalismo, sem se utilizar de retóricas falsas, discursos prontos ou copiados, sem embasamento, propagadas, exaladas por alguns ditos defensores do meio-ambiente ou de um movimento qualquer em defesa de algo.
E viva as hidrelétricas! Uma tecnologia que utiliza as básicas e não poluentes energias potencial e cinética da água para movimentar turbinas e assim gerar energia elétrica.”
FONTE: escrito por Marco Aurélio Moreira Saran, Mestre em Ciências em Engenharia Elétrica. Publicado no site “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/pensamento1/saran.html).
DEMOCRACIA, SOBERANIA E ALTIVEZ
Por Luís Roberto Barroso
“A divergência política em relação à extradição de Battisti será sempre legítima, mas dar-lhe cumprimento é questão de respeito ao Estado de Direito”
“Não vou gastar o pouco espaço que tenho na demonstração de que Cesare Battisti é inocente das acusações de homicídio que lhe foram feitas e, sobretudo, que não teve devido processo legal.
Não são essas as questões em discussão. Mas é próprio lembrar que os fatos pelos quais é acusado aconteceram há mais de 30 anos. O maior prazo de prescrição do Direito brasileiro é de 20 anos.
Ademais, seria enorme contradição o Brasil ter dado anistia para os dois lados, por fatos idênticos ocorridos no mesmo período, e "entregar" Cesare Battisti para uma vingança histórica tardia e infundada do governo da Itália.
A afirmação de que a Itália era uma democracia durante os anos de chumbo é um sofisma sem qualquer relevância jurídica ou política.
Estados Unidos e Brasil também são e, rotineiramente, suas cortes supremas invalidam julgamentos por violação do devido processo legal. No caso de Cesare Battisti, o seu segundo julgamento na Itália (no primeiro não foi sequer acusado de homicídio), baseado apenas em delações premiadas de pessoas já condenadas, tem passagens dignas de figurar em qualquer futura antologia de barbaridades jurídicas.
Detalhe: todos os acusadores premiados foram soltos após penas breves. Só Battisti, cujo papel na organização era totalmente secundário, foi condenado à prisão perpétua. O julgamento no STF ficou empatado em quatro a quatro.
Portanto, quatro ministros entenderam que a extradição não deveria ser concedida! Se fosse um habeas corpus, ele teria sido solto imediatamente.
Como era extradição, entendeu-se que o presidente da corte deveria votar. E, em hipótese incomum, deu o voto de Minerva em favor da acusação. Mais incomum ainda: a extradição foi autorizada contra a manifestação de dois procuradores-gerais, que consideravam válido o refúgio e se pronunciaram contra a entrega de Battisti!!!
No mesmo julgamento, decidiu-se, também por cinco a quatro, que a competência final na matéria era do presidente da República.
Dos cinco ministros que votaram nesse sentido, quatro afirmaram tratar-se de competência política livre. O quinto, o ministro Eros Grau, entendeu que a decisão, embora política e do presidente da República, deveria se basear no tratado de extradição entre Brasil e Itália.
E foi adiante: disse o fundamento e o dispositivo que o presidente poderia utilizar. Da forma mais clara e didática possível, acrescentou: se assim fizer, sua decisão não será passível de reexame pelo STF. Pois o presidente Lula seguiu à risca o parâmetro estabelecido.
Não concordo, mas entendo e tenho consideração pelo ponto de vista de quem era favorável à extradição. Mas isso, agora, já não está em questão. O presidente da República exerceu validamente sua competência constitucional, nos termos em que foi expressamente reconhecida pelo STF.
A divergência política em relação a ela será sempre legítima, mas dar-lhe cumprimento é uma questão de respeito ao Estado democrático de Direito e à soberania nacional.
Depois das manifestações impróprias e ofensivas da Itália, citando nominalmente o presidente brasileiro, talvez já seja mesmo uma questão de patriotismo.
Quando a França negou a extradição, nas mesmas circunstâncias, a Itália acatou respeitosamente. No nosso caso, veio de dedo em riste, acintosamente.
Não fará bem ao Brasil vulnerar suas instituições e impor uma humilhação internacional ao ex-presidente Lula, que deixou o cargo com mais de 80% de aprovação, para subservientemente atender a quem nos falta com o respeito.”
FONTE: escrito por Luís Roberto Barroso, professor titular de direito constitucional da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro); é advogado de Cesare Battisti no STF e, atualmente, "visiting scholar" na Universidade Harvard (EUA) (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2802201107.htm) [imagem do Google adicionada por este blog].
Emir Sader: “O DESTINO DO BRASIL”
“O Brasil precisa e merece grandes espaços de debate, de reflexão, de trocas de opiniões, de elaboração coletiva. As universidades têm tido um papel, mas não tem sido suficiente. A mídia deixou de ser pluralista, abrigando praticamente só porta-vozes com uma única concepção.
Precisamos de centros, de novas publicações, de um clima de efervescência no debate. Confesso que às vezes o fervor das polêmicas não favorece a assimilação dos argumentos alheios. Eu mesmo devo dizer que às vezes me deixo levar por essas polarizações, pelo fervor colocado no debate.
(Toda a entrevista à FSP foi falseada pela editorialização da matéria. Ao invés de primeiro ouvir o entrevistado, com perguntas e respostas, e depois colocar a opinião do jornal, essa mistura, com off, gerou um monstrengo, pelo qual não posso me responsabilizar. As referências, antes de tudo à Ministra da Cultura, mas também ao Gil e ao Caetano, apareceram de forma totalmente deturpada. Não houve intenção nenhuma de desqualificação, seguir polemizando nesses termos é ser vítima desse tipo de matéria, de que todos já fomos vítimas: dizer que disseram que alguém disse. Diz-se, entre outras coisas e se repete no dia seguinte, que eu fui favorável a fuzilamentos em Cuba. Que o jornal mostre as provas, porque é mais uma mentira.)
Não se pode dizer que contamos hoje com interpretações que dêem conta do que o Brasil se tornou, depois de duas décadas de grandes transformações. A visão amplamente difundida pela mídia se revelou não menos amplamente equivocada, a ponto que a vítima privilegiada do seus ataques –Lula– saiu do governo como o presidente mais popular da história do país, quem mais logrou unificar o Brasil, tendo apenas 4% de rejeição –se supõe que seja a cifra lograda pela mídia.
Por outro lado, a academia tampouco pode exibir um leque de interpretações que permitam suprir esses vazios. Os estudos avançam, se multiplicam, mas é como se as grandes abordagens, as grandes interpretações se mostrassem mais complexas e difíceis de abordar.
A imprensa brasileira nunca foi um espaço suficientemente pluralista para abrigar esses debates, mas em alguns momentos –particularmente na passagem da ditadura à democracia– se aproximou de ser um espaço que abrigou uma parte razoável dos progatonistas da vida brasileira. O alinhamento em bloco contra o governo Lula foi fatal para a imprensa, que perdeu interesse, objetividade na informação e espaços de reflexão antagônica.
Quando novas gerações se incorporam aos debates, mediante as distintas formas da nova mídia, ampliam como nunca no Brasil a possibilidade de participação de um número incalculável de pessoas, de setores e regiões distintos, o que permite a democratização das discussões de forma inaudita. Não se concebem mais conferências, mesas redondas, seminários, que não sejam transmitidos por internet on line, para que um número cem ou mil vezes maior de pessoas possam participar, intervir com pessoas, para que a gravação possa ficar acessível, ser vista posteriormente ou ser gravada.
Entramos na segunda década de um século que promete ser ímpar para o Brasil e a América Latina. Os processos históricos têm avançado mais rapidamente que a reflexão e as propostas conscientes e globais sobre seus destinos. Existem muitas interrogações de cuja resposta depende o tipo de sociedade que vamos ter ao final da primeira metade do século. É um desafio aberto, mas ao nosso alcance, contanto que preenchamos a distância entre a prática e a teoria, os processos reais, a consciência deles.
FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader e publicado no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=670) [imagem do Google adicionada por este blog].
Zelaya: "PENTÁGONO ENLOUQUECEU COM MINHA APROXIMAÇÃO AO SOCIALISMO"
“Em 17 de fevereiro, em ato obrigado pela ação heróica do povo hondurenho, o Congresso ratificou as reformas feitas ao artigo constitucional referentes à participação cidadã através do plebiscito e o referendo, com o que reconhecem o direito do povo a ser consultado em temas de interesse nacional e o crime de lesa pátria cometido em 28 de junho de 2009 mediante o golpe de Estado Militar que rompeu a ordem democrática do país.
Por José Manuel Zelaya*, em “Anncol”
Enquanto isso, o povo hondurenho teve que esperar 30 anos e sofrer sangrento Golpe de Estado para que alguns políticos hondurenhos aceitassem que o poder emana do povo e ninguém pode limitar o povo soberano. Para esses, demorou apenas 19 meses da grosseira tese da sucessão constitucional ao reconhecimento pleno e à validação da tese que sustentava a enquete abortada pela força.
Essa iniciativa, hoje ratificada pelo Congresso Nacional, igual à enquete da quarta urna que minha administração programava, estava amparada na Constituição e na Lei de Participação Cidadã aprovada em nossa administração pelo próprio Congresso Nacional.
Novamente se renovam os argumentos em favor da nossa causa e se desnuda a responsabilidade criminal da Corte Suprema de Justiça, que violou todos os preceitos constitucionais, jurídicos e princípios morais, ao condenar-me sem julgamento e sem delito: acusaram-me de traição à pátria por pretender fazer o que esses políticos fazem hoje. Alguns que disseram que se violava a lei, hoje, pelo efeito milagroso da pressão popular, esqueceram o que fizeram e o que disseram. Nunca se apagará da história que fui tirado por um contingente militar, que metralhou a minha casa, tudo por praticar a democracia em Honduras.
O golpe de estado, produto de uma conspiração, foi ato planejado e executado torpemente, e que segue sendo condenado por todos os países da terra.
Agora, o presidente Lobo deve nos esclarecer se quer fazer justiça e terminar com a impunidade desse golpe de estado. Os argumentos só obedeceram a uma argúcia Jurídica para deter minha aproximação ao socialismo; que enlouqueceu a direita norte-americana, o pentágono e as elites mais vorazes do nosso país, que atacaram com sanha ao povo que quer construir sua democracia; já fizeram o processo de ratificar a reforma, agora lhes corresponde retificar o crime.
Compatriotas, nossa missão é continuar avançando com a razão na mão; é hora de exigir a convocatória a uma Assembleia Nacional Constituinte, ampla, includente, justa, soberana e originária, para cumprir com nossa responsabilidade histórica frente às novas gerações.
FONTE: escrito por Manuel Zelaya, presidente constitucional de Honduras de 2006 a 2010. É Coordenador-Geral da Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras. Publicado no site “Anncol” e transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=148568&id_secao=7) [imagem do Google adicionada por este blog].
LÍBIA: OPOSIÇÃO DENUNCIA ACORDO DE LOBISTAS DOS EUA COM KADAFI
“Logo depois que George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia em 2004, quando Kadafi anunciou que pretendia abrir mão das armas de destruição em massa e expressou seu entusiasmo em se juntar à guerra contra o terror, os produtores de petróleo dos EUA e da Grã Bretanha aproveitaram a oportunidade para se expandir no país. Empresas como BP, Exxon, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria armamentista, como Raytheon e Northrop Grumman, a multinacionais como Dow Chemical e Fluor e à poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005.
Por Marcus Baram, no “Huffington Post”
Nova York – Uma vasta coalizão de interesses de todas as companhias de petróleo, da indústria armamentista e de firmas de lobbies a acadêmicos neoconservadores e professores da Escola de Negócios de Harvard têm trabalhado nos últimos anos para tentarem uma aproximação com o líder líbio Muammar Kadafi e tirarem vantagem das oportunidades de negócios no país, mesmo diante de uma das repressões mais duradouras, brutais e párias sobre o próprio povo e sua beligerância lendária.
Os líderes da oposição na Líbia dizem que esses esforços têm prejudicado os interesses do país da África do Norte ao ajudar à família de Kadafi e seus aliados mais próximos a enriquecerem às expensas da maioria dos líbios, servindo unicamente para prolongar o regime brutal de Kadafi. Eles também culpam a política dos EUA de priorizar os interesses de segurança nacional sobre as questões da reforma e dos direitos humanos, cuja falta ajuda a alimentar a violência do levante atual.
Logo depois que o ex-Presidente George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia em 2004, quando Kadafi anunciou que pretendia abrir mão das armas de destruição em massa e expressou seu entusiasmo em se juntar à guerra contra o terror, os produtores de petróleo dos EUA e da Grã Bretanha e os interesses econômicos aproveitaram a oportunidade para se expandir no país, que vinha sendo comandado com mão de ferro pelo instável líder ao longo de 40 anos.
Alguns dos maiores produtores de petróleo e derivados, como BP, ExxonMobil, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria armamentista, como Raytheon e Northrop Grumman, a multinacionais como Dow Chemical e Fluor e a toda poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005. Cada membro do seu conselho executivo paga 20 mil dólares por ano ao grupo, que é dirigido pelo Conselho Nacional de Comércio Exterior [www.nftc.org], uma coalizão que visa a facilitar as oportunidades internacionais para as companhias estadunidenses.
A maioria dos membros do grupo fez lobby para o governo dos EUA desde 2004, a fim de proteger seus investimentos na Líbia ou para facilitar a resolução de problemas dos interesses dos negócios com o regime. O comércio bilateral com a Líbia totalizou 2,7 bilhões de dólares em 2010, praticamente nada se comparado a 2003, quando as sanções ainda estavam em vigor.
O papel da USLBA, que autodenominou-se como a única associação comercial dos EUA focada unicamente na relação EUA-Líbia, combina lobby pelo estado fora da lei anterior, com o progresso das metas comerciais dos membros associados ao grupo. Seu departamento de responsabilidade social bancou políticas, conferências, briefings e coletivas e eventos destacando as lideranças dos EUA e os oficiais líbios – dois meses atrás, o presidente honorário do grupo, David Mack, um ex-embaixador dos EUA e o diretor executivo Charles Dittrich viajaram para Líbia para se encontrarem com oficiais do governo líbio, com líderes de negócios privados e representantes de companhias estadunidenses trabalhando no país.
No seu website, que agora está off-line, o grupo diz que visa a promover a Líbia, educando a Casa Branca e o Congresso a respeito da “crescente importância do país na manutenção da estabilidade na África do Norte, bem como do potencial da Líbia como mercado comercial em expansão para os negócios americanos”. O website também “vende” a proximidade da USLBA a Kadafi, dizendo que “somos o único grupo de negócios que se encontrou privadamente” com o líder Kadafi durante a sua “primeira visita histórica” às Nações Unidas em 2009. Para dar uma medida da influência do grupo, o presidente fundador David Goldwyn indicou o coordenador para assuntos energéticos internacionais do Departamento de Estado para a Secretária de Estado Hillary Clinton. Numa visita à Líbia em dezembro de 2008, Goldwyn teceu loas à “recepção fantasticamente calorosa” que ele e oito executivos estadunidenses receberam dos oficiais maiores da Líbia.”
FONTE: escrito por Por Marcus Baram, publicado no “Huffington Post” e transcrito no site “Carta Maior” com tradução de Katarina Peixoto (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17492).
Assinar:
Postagens (Atom)






