segunda-feira, 2 de setembro de 2013

OS POVOS DO MUNDO RESISTEM - A SÍRIA É O CORAÇÃO DA RESISTÊNCIA

O terrorista Barack Obama no salão oval da Casa Branca

Por Finian Cunningham, no “Information Clearing House”, sob o título “People of the World are Fighting Back”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e transcrito no “Redecastorphoto”

Finian Cunningham

Os EUA estão expostos aos olhos do mundo inteiro como a ameaça terrorista número 1 que pesa sobre o futuro da humanidade. Muitos sabem disso há muito tempo, mas agora já está universalmente claro.

Com os EUA preparando-se para lançar guerra aberta contra a Síria (a guerra clandestina já varre o país há 30 meses), a vasta maioria da humanidade pode, afinal, ver por através das décadas de falsidade e autopromoção como modelo mundial de democracia e da lei internacional. O que o mundo vê é o feio oposto disso tudo.

Os EUA são Estado terrorista que tem o mais profundo desprezo pela lei internacional, a democracia e os direitos humanos. Está outra vez pronto a matar incontáveis civis em nome de suas ambições políticas egoístas e autocentradas. Essa é a definição convencionada de “terrorismo”.

Bashar al-Assad

O presidente Bashar al-Assad da Síria disse verdade profunda recentemente, quando disse que seu país enfrenta agressão por mais de dois anos, mas só agora o real inimigo mostrou a própria cara – os EUA e seus seguidores servis. Mas o estado terrorista dos EUA não se deixa ver, afinal, só contra a Síria. Está-se revelando como inimigo do mundo todo.

Desde as guerras passadas no Caribe, América Central, Filipinas, Vietnã e Indochina, mediante golpes e operações clandestinas no Irã, Iraque, África, aos recentes campos de matança no Afeganistão, Iêmen, Paquistão e Somália, o quadro histórico agora está completo. Todos esses conflitos e muitos outros – numerosos demais para listar aqui – integram-se numa só verdade indiscutível. Os EUA são o maior estado terrorista do mundo. Se não for contestado definitivamente, então o futuro do mundo está hoje em perigo, mais do que nunca.

Em crimes de agressão anteriores, a elite governante dos EUA podia invocar a cobertura espúria de uma “coalizão de vontades”, ou violentava a autoridade da ONU ou da OTAN. Conseguia seus objetivos mediante uso abundante de mentiras, invencionices e de gigantesca máquina de imprensa-empresa para dar credibilidade à mendacidade.

John Kerry

Dessa vez, graças a uma imprensa alternativa e crítica e às comunicações globais instantâneas, as mentiras norte-americanas já não funcionaram. Foram expostos em apenas alguns dias, como foi exposta também, nas últimas poucas horas, a tentativa do secretário de Estado Kerry de envolver a Síria no crime das armas químicas.

“New York Times”, a BBC e os falastrões de sempre na imprensa-empresa ocidental a serviço da propaganda imperialista cuidaram de facilitar o golpe de Kerry e o terrorismo de estado dos EUA com manchetes bombásticas: “Kerry apresenta provas contra a Síria”. Nenhuma crítica, nenhuma pergunta, por mais que tantos tivessem tantas críticas e tantas perguntas, com muita substância.

Há alguns anos, esse tipo de pensamento de manada teria bastado para dar aos cães de guerra norte-americanos tempo suficiente para iniciar uma guerra. Hoje, não mais. Em apenas alguns minutos depois da suposta condenação definitiva inventada por Kerry, declarações, artigos, tweets e blogs já haviam desmascarado a encenação e mostravam que, exceto pela repercussão na mídia ocidental, Kerry nada tinha a dizer e nada dizia, que se aproveitasse. Mais uma risível repetição das hipérboles de antes e retórica oca. Ou, pelo nome que merece: só mais mentiras.

O povo do mundo já alcançou nível de massa crítica de rejeição contra os estados bandidos de EUA, Grã-Bretanha, França, Israel e mais alguns cúmplices.
  

Vimos seus intermináveis assassinatos em massa e exploração de homens e mulheres na Ásia, África e nas Américas. Somos testemunhas de como esse mínimo grupo de estados terroristas impõem à vasta maioria da humanidade sua criminalidade vil e no processo nos insultam com mentiras e justificativas grotescas. 

Vimos como esses estados bandidos roubaram terras, envenenaram águas, queimaram colheitas, destruíram moradias, assassinaram famílias inteiras com drones aéreos e drones em terra, na forma de esquadrões da morte. Cometeram todos esses crimes horríveis com mentiras e impunidade, a ponto de esses estados terroristas já operarem agora simultaneamente em mais de um país, em estado de guerra permanente e ininterrupta, levando o próprio futuro da humanidade à beira do abismo.

David Cameron, por Domkey Hotey

Pois ainda assim, apesar do gangsterismo e de não haver lei que os proteja, os povos do mundo levantam-se e resistem.

Semana passada, o Parlamento britânico votou contra a arrogância do governo de Londres e não lhe permitiu continuar na relação criminosa de sempre com os norte-americanos. Na execução de crimes de guerra passados, no Afeganistão, Iraque e Líbia – para citar só esses – Washington sempre contou com os imperialistas britânicos para dar aos seus crimes um verniz de “coalizão de vontades”. Os planos do premiê britânico David Cameron de repetir o crime e apoiar Washington no bombardeio à Síria sofreram duro revés do Parlamento britânico, que não o autorizou a fazer o que tantas vezes antes os britânicos fizeram. Cameron foi forçado a recuar.

A votação no Parlamento britânico não é sinal de ética dos políticos britânicos. É, muito mais, reflexo do despertar global dos cidadãos do mundo, que afinal decidem que esse terrorismo de estado insano tem de acabar.

François Hollande, por Domkey Hotey

O governo francês também recuou das bravatas belicistas de antes, e o presidente François Hollande já fala também de “solução pacífica, política, para a crise síria”. Até o primeiro-ministro fantoche, Stephen Harper, do Canadá, aliado sempre confiável de Washington, já disse que seu país não se envolverá militarmente na Síria. E há notícias de que 10 membros da aliança da OTAN – um terço do total – não apoiarão os ataques dos norte-americanos. Vários desses sempre foram tradicionais serviçais dos EUA. E, isso, sem falar dos opositores mais estridentes, como Rússia, China, Irã e a maioria das nações de Ásia, África e das Américas.

Os povos do mundo fartaram-se de assistir à elite ocidental reinante que age como terroristas que capturaram toda a humanidade como seus reféns. Essa elite não governa só o terrorismo militarista. Eles praticam terrorismo econômico, social, ecológico, com seu sistema capitalista arruinado de roubar e correr. Esse sistema alcançou seu ponto de colapso e por isso nós estamos sendo empurrados para tantas guerras – para que aquelas elites e seus fantoches políticos possam se apropriar dos últimos recursos. A solução que resta para pôr fim às guerras, é o povo derrubar o sistema econômico que os EUA e a elite ocidental ainda comandam.

 Chuck Hagel

A criminalidade insana dos governantes dos EUA contra a Síria está deixando aí, à vista de todos, esse desafio histórico que toda a humanidade terá de enfrentar.

Depois da derrota parlamentar do governo Cameron na Grã-Bretanha, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse que:

“Nossa abordagem é continuar a buscar uma coalizão internacional que agirá em conjunto. É o objetivo do presidente Obama e de nosso governo... Seja qual for a decisão, que seja colaboração e esforço internacional”.

Quase nem se acredita que esses fantoches norte-americanos possam soar tão ridículos! Esses norte-americanos iludidos parecem não estar vendo que estão sós.

As únicas “vontades” interessadas em apoiar a agressão dos EUA à Síria são Arábia Saudita e Israel. Só isso. Washington só conta hoje com as “vontades” de um regime feudal, de degoladores, e de um regime criminoso genocida pária.

Coalizão de vontades? Parece mais coalizão de assassinos." 

FONTE: escrito por Finian Cunningham, no “Information Clearing House”, sob o título “People of the World are Fighting Back”. O autor nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente, foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da “Royal Society of Chemistry”, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais “Irish Times” e “The Independent”. Atualmente, está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a “Primavera Árabe”. Anima um programa semanal de variedades aos domingos, às 03:00 GMT na “Rádio Bandung”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e transcrito no  blog “Redecastorphoto”.  (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/09/os-povos-do-mundo-resistem.html).

SOL NOVO, SOL VELHO

Por Marcelo Gleiser, na “Folha”

“Descoberta de duas estrelas "gêmeas" do Sol é como um olho no nosso passado e outro no nosso futuro

Você gostaria de se ver mais velho? Se houvesse um espelho mágico capaz de mostrar sua imagem em uma, duas ou mais décadas, você olharia?

Imagino que a opinião seria dividida, uns tantos sim, outros tantos não. Afinal, ver o futuro teria repercussão sobre como viveríamos no presente, o que criaria uma série de paradoxos estranhos.

Se no futuro eu me visse gordo e resolvesse fazer uma dieta, emagreceria? Se emagrecesse, não estaria mudando o futuro? E será que isso é possível? Afinal, o espelho me mostrou gordo... Ou, quem sabe, o futuro não seja um apenas, mas feito de múltiplas opções, como no conto de Jorge Luis Borges "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam".

Deixando essas preocupações um tanto humanas de lado (voltaremos a elas em outro dia), o fato é que em astronomia, ao menos, ver o futuro e o passado é extremamente útil.

Tanto assim que um time internacional de astrônomos, liderados pelo brasileiro Jorge Meléndez, da USP, vem buscando estrelas semelhantes ao Sol, mais velhas e mais novas, para que possamos aprender sobre a evolução da nossa estrela-mãe. Para tal, o grupo usa o gigantesco telescópio em Paranal no Chile conhecido como VLT (do inglês Very Large Telescope, "Telescópio Muito Grande"), do ESO (Observatório Europeu do Hemisfério Sul), um consórcio de 15 países com vários instrumentos de grande alcance e precisão. O Brasil deve ratificar sua presença como membro oficial do ESO ainda este ano.

Em artigo de abril publicado no prestigioso "Astrophysical Journal Letters", com TalaWanda Monroe, também da USP, como primeira autora, o grupo revela dados de duas estrelas "gêmeas" do Sol, uma bem mais nova, a 18 Scorpii, e outra bem mais velha, a HIP 102152. Ou seja, um olho no nosso passado e outro no nosso futuro ou, ao menos, no futuro do Sol.

HIP 102152, com 8,2 bilhões de anos, é bem mais velha do que o Sol, que tem 4,6 bilhões de anos. A questão de maior importância para o público é se o Sol é uma estrela típica ou atípica. É bom sabermos, pois nossa sobrevivência na Terra depende do Sol e da sua estabilidade.

Caso seja uma estrela normal, dentro de sua classificação (estrelas aparecem em classes diferentes, dependendo da sua massa, temperatura etc.), o Sol continuará a gerar luz por muitos bilhões de anos, em torno do dobro da sua idade. Caso não seja normal, as coisas podem complicar. E, se complicarem, a vida na Terra poderá estar em apuros mais cedo do que gostaríamos.

Estudando 21 elementos químicos presentes nas três estrelas, o grupo mostrou que o Sol é uma estrela normal. Em particular, que o elemento lítio, que é bem mais raro no Sol do que em estrelas gêmeas mais novas, é destruído com o envelhecer da estrela: HIP 102152 tem aproximadamente a metade do lítio que temos aqui.

O grupo mostrou também que a HIP 102152 não tem planetas gigantes como o nosso Júpiter ou Saturno na região mais próxima dela, onde podem existir planetas rochosos como a Terra. Ou seja, da imagem do Sol idoso, aprendemos que o nosso Sol não foge à regra; o que possibilita que outros como ele tenham planetas como a Terra que, quem sabe, abriguem também formas de vida.” 

FONTE: escrito por Marcelo Gleiser, na “Folha de São Paulo”. O autor é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita"  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/126837-sol-novo-sol-velho.shtml). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

domingo, 1 de setembro de 2013

SUCESSO DO “MAIS MÉDICOS” EXIGE DISPENSA DO “REVALIDA”

POR QUE OS MÉDICOS ESTRANGEIROS NÃO PODEM FAZER O REVALIDA

Por Eduardo Guimarães

“A discurseira do corporativismo médico tupiniquim contra o programa 'Mais Médicos', antes de ser mesquinha, arrogante e preconceituosa, é assustadora. O que assusta é a má-fé de hordas de médicos que tentam fazer um país inteiro de trouxa enquanto lutam para manter uma reserva de mercado que permite a quem estuda medicina (no Brasil) enriquecer rapidamente.

Além dos médicos espertalhões e mercenários – que, como se vê, existem às pencas –, os Conselhos Regionais de Medicina (CRM’s), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) têm desempenhado papel de estelionatários, enganando a sociedade brasileira.

Primeiro, essa horda corporativista e estelionatária tentou vender ao país a teoria absurda de que um médico não pode fazer nada se não tiver à sua disposição equipamentos de última geração, como tomógrafos e outros avanços da medicina, quando qualquer pessoa minimamente lúcida sabe que tal premissa não é só falsa, mas criminosa, porque incontáveis enfermidades podem ser eliminadas com uma simples consulta e alguns exames básicos.

Nesse aspecto, é imprescindível a leitura, logo abaixo, de artigo do médico brasileiro David Oliveira de Souza, professor do Instituto de Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês e ex-diretor da ONG "Médicos Sem Fronteiras" no Brasil (2007-2010) publicado pela "Folha de São Paulo" ontem, sábado (31.8). O post prossegue em seguida:

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FOLHA DE SÃO PAULO, de 31 de agosto de 2013

Por David Oliveira de Souza

A VINDA DE MÉDICOS CUBANOS AO BRASIL É IRREGULAR? Não

CARTA AOS MÉDICOS CUBANOS

“Bem-vindos, médicos cubanos. Vocês serão muito importantes para o Brasil. A falta de médicos em áreas remotas e periféricas tem deixado nossa população em situação difícil. Não se preocupem com a hostilidade de parte de nossos colegas. Ela será amplamente compensada pela acolhida calorosa nas comunidades das quais vocês vieram cuidar.

A sua chegada responde a um imperativo humanitário que não pode esperar. Em Sergipe, por exemplo, o menor Estado do Brasil, é fácil se deslocar da capital para o interior. Ainda assim, há centenas de postos de trabalho ociosos, mesmo em unidades de saúde equipadas e em boas condições.

Caros colegas de Cuba, é correto que nós médicos brasileiros lutemos por carreira de Estado, melhor estrutura de trabalho e mais financiamento para a saúde. É compreensível que muitos optemos por viver em grandes centros urbanos, e não em áreas rurais sem os mesmos atrativos. É aceitável que parte de nós não deseje transitar nas periferias inseguras e sem saneamento. O que não é justo é tentar impedir que vocês e outros colegas brasileiros que podem e desejam cuidar dessas pessoas façam isso. Essa postura nos diminui como corporação, causa vergonha e enfraquece nossas bandeiras junto à sociedade.

Talvez vocês já saibam que a principal causa de morte no Brasil são as doenças do aparelho circulatório. Temos alto índice de internações hospitalares sensíveis à atenção primária, ou seja, que poderiam ter sido evitadas por um atendimento simples caso houvesse médico no posto de saúde.

Será bom vê-los diagnosticar, apenas com estetoscópio, aparelho de pressão e exames básicos, pais e mães de família hipertensos ou diabéticos e evitar, assim, que deixem seus filhos precocemente por derrame ou por infarto.

Será bom vê-los prevenindo a sífilis congênita, causa de graves sequelas em tantos bebês brasileiros, somente porque suas mães não tiveram acesso a um médico que as tratasse com a secular penicilina.

Será bom ver o alívio que mães ribeirinhas ou das favelas sentirão ao vê-los prescrever antibiótico a seus filhos após diagnosticar uma pneumonia. O mesmo vale para gastroenterites, crises de asma e tantos diagnósticos para os quais bastam o médico e seu estetoscópio.

Não se pode negar que vocês também enfrentarão problemas. A chamada “atenção especializada de média complexidade” é um grande gargalo na saúde pública brasileira. A depender do local onde estejam, a dificuldade de se conseguir exame de imagem, cirurgias eletivas e consultas com especialista para casos mais complicados será imensa. Que isso não seja razão para desânimo. A presença de vocês criará demandas antes inexistentes e os governos serão mais pressionados pelas populações.

Para os que ainda não falam o português com perfeição, um consolo. Um médico paulistano ou carioca em certos locais do Nordeste também terá problemas. Vai precisar aprender que, quando alguém diz que está com a testa “xuxando”, tem, na verdade, uma dor de cabeça que pulsa. Ou ainda que um peito “afulviando” nada mais é do que asia. O útero é chamado de “dona do corpo”. A dor em pontada é uma dor “abiudando” (derivado de abelha).

Já atuei como médico estrangeiro em diversos países e vi muitas vezes a expressão de alívio no rosto de pessoas para as quais eu não sabia dizer sequer bom dia –situação muito diferente da de vocês, já que nossos idiomas são similares.

O mais recente argumento contra sua vinda ao nosso país é o fato de que estariam sendo explorados. Falou-se até em trabalho escravo. A "Organização Pan-americana de Saúde" (OPAS/ONU) com um século de experiência, seria cúmplice, já que assinou termo de cooperação com o governo brasileiro.

Seus rostos sorridentes nos aeroportos negam com veemência essas hipóteses. Em nome de nosso povo e de boa parte de nossos médicos, só me resta dizer com convicção: Um abraço fraterno e muchas gracias.”

DAVID OLIVEIRA DE SOUZA, 38, é médico e professor do Instituto de Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. Foi diretor médico do Médicos Sem Fronteiras no Brasil (2007-2010)


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Como se vê, é uma verdadeira safadeza tentar induzir as pessoas a acreditarem que médico só é útil se estiver em um hospital com equipamentos de última geração.

Vendo, portanto, que tal premissa não colou, os “nossos” médicos e entidades médicas espertalhões vieram com aquela história de “trabalho escravo”, por conta de um modelo de relação de trabalho dos médicos cubanos que existe inclusive no Brasil em cooperativas que não pagam direito trabalhista algum aos médicos cooperados.

Isso sem falar de que o modelo de contratação de cubanos que está sendo aplicado no Brasil é aceito até por países da União Europeia, para que se tenha uma ideia do nível de ridicularia desse discurso cretino.

Aliás, alguém já se perguntou por que, até agora, a parte da mídia que dá vazão a esse discurso criminoso sobre “escravidão” eximiu-se de ouvir os supostos “escravizados”? Não ouviu porque tem medo de que vejam que os médicos cubanos são pessoas preparadas, cultas e que, muito pelo contrário, estão felizes com o trabalho que farão no país.

Mas talvez o pior cavalo-de-batalha criado para cercear a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil seja estarem exigindo que façam uma prova criada em 2011 para validar diplomas de profissionais formados no exterior, que peca por ter um nível de dificuldade que mesmo os médicos formados aqui não conseguem superar.

Recentemente, apesar de incentivo de R$ 400 prometido pelo governo a estudantes de medicina brasileiros que quisessem participar do pré-teste do "Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos" (Revalida), o Ministério da Educação não conseguiu o mínimo de participantes e adiou a realização da prova.

O pré-teste seria aplicado a concluintes do 6º ano de medicina a fim de “calibrar” o Revalida aplicado aos diplomados no exterior, mas o teste não ocorreu porque os estudantes brasileiros fugiram da raia. Assim, o Ministério da Educação tentará de novo no primeiro semestre do ano que vem.

As 32 faculdades de Medicina escolhidas pelo "Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais" (INEP), que organiza o exame Revalida, inscreveram 2.353 alunos, mas, como a participação é voluntária, somente 505 deles confirmaram a participação e o número foi considerado insuficiente para uma amostragem eficiente.

Isso ocorre devido ao grau de dificuldade do Revalida. Recentemente, o portal Terra publicou matéria que mostra que nem os médicos brasileiros formados seriam capazes de passar em bom contingente em um teste elaborado para reprovar. Leia, abaixo, trecho da reportagem.


O Revalida é alvo de uma série de polêmicas. A mais antiga delas é a de ser um exame fora da realidade, de muito difícil aprovação, voltado para manter a reserva de mercado para médicos formados no Brasil. Coincidência ou não, a média de aprovação em 2012 foi de 10%. ‘Os maus resultados pioram ainda mais a reputação dos médicos formados fora, mas os professores do meu curso passaram provas do ano passado para médicos brasileiros com CRM que não conseguiram acertar nem a metade’, critica Daniel (os candidatos ao Revalida pediram para ter seus nomes alterados pela reportagem)”

Mas o pior é um fato que vem sendo escandalosamente escamoteado pelos médicos e entidades médicas brasileiros que querem manter essa reserva de mercado para si. O Revalida não está sendo exigido pelo programa "Mais Médicos" porque, se os médicos estrangeiros fizessem o teste, o programa fracassaria. Mas não por falta de conhecimentos deles.

O que ocorre é que todo estrangeiro que se submeter ao Revalida e for aprovado ganhará o direito de exercer a medicina no Brasil. Ora, se um médico cubano, espanhol, chinês ou seja de onde for tiver direito de atuar em nosso país, poderá dar uma banana ao "Mais Médicos" e passará a atuar onde achar melhor e não onde faltam médicos.

A segurança do governo brasileiro de que os médicos estrangeiros não tentarão usar o programa "Mais Médicos" como porta de entrada para se estabelecerem em um mercado em que não terão dificuldades para encontrar empregos porque faltam médicos no país, pois, é justamente, a falta de permissão para exercerem a profissão como e onde quiserem.

Mas, pelo jeito, o país ainda terá que aturar essa polêmica imoral por muito tempo – ou enquanto durar o "Mais Médicos'. As entidades médicas, a mídia e a oposição ao governo Dilma sabem que o programa fará muito bem ao Brasil e, portanto, temem o efeito eleitoral que deverá provocar.

Contudo, a gritaria tende a diminuir conforme a Justiça for rejeitando as medidas que estão sendo interpostas pelas entidades médicas. Conforme o Judiciário for mandando os doutores se catarem por tentarem impedir medida crucial para a sociedade, visando só seus interesses corporativos, a essa gente só restará a sabotagem. E ela ocorrerá, isso é certeza.”

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães no seu blog “Cidadania”  (http://www.blogdacidadania.com.br/2013/08/por-que-os-medicos-estrangeiros-nao-podem-fazer-o-revalida/).

A MÉDICA DA “FOLHA DE SÃO PAULO”...

A MÉDICA DA "FOLHA" E A SEMANA DE 128 HORAS

Por André Borges Lopes.

"É difícil saber se essa polêmica do "Mais Médicos" está fazendo mais estragos na reputação dos médicos ou na dos jornalões brasileiros.

Sexta-feira (30) – não por coincidência – dois jornalões (Folha e O Globo) deram destaque à triste história da Dra. Junice Maria Moreira, médica do programa "Saúde da Família", que estaria sendo sumariamente demitida para "dar lugar a um cubano" em Murici, povoado da cidade de Sapeaçu, BA. A denúncia foi plantada na imprensa pelo CRM da Bahia.

Os links:

Folha: "Disseram que eu tinha que dar lugar a um cubano"
O Globo: Prefeituras substituem médicos por profissionais do programa do governo.

Muito bem. Aí a gente acessa o serviço CNESNet da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde e pede uma busca pelo nome da doutora Junice Maria Moreira .

Descobre-se que essa médica tem quatro vínculos empregatícios ativos, dois deles de 40 horas no "Programa de Saúde da Família" e mais dois, de 24 horas cada, como médico clínico. Total de 128 horas semanais (improváveis 18 horas e meia por dia, de segunda a segunda). Com um detalhe: os vínculos públicos são com prefeituras de três cidades diferentes (Murici, Queimadas e Jiquiriçá no interior baiano) distantes 357 km entre si, 4h40 de viagem segundo o Google Maps.

Com essa carga de trabalho insana e atendendo em três municípios distantes é de se supor que a Dra. Junice encontrasse dificuldades para cumprir seus horários contratados. Pois foi exatamente isso que constatou a repórter Louise Lobato do jornal "Correio", ao seguir o princípio básico de dar voz ao outro lado (relegado ao mero registro de um desmentido formal nas matérias da Folha e d'O Globo).

Da matéria da Louise:

"O secretário de Saúde da cidade, Raul Molina, desmentiu as alegações. 'Ela disse que está sendo substituída por um médico estrangeiro, mas isso não é verdade. A demissão aconteceu não para economizar recursos da prefeitura, e sim porque essa médica não está cumprindo o contrato. Ela se recusa a cumprir a carga horária determinada, de 40 horas, e, ao invés disso, trabalha somente durante um turno, duas vezes na semana. Ou seja, apenas 12 horas', afirmou. 'Há três meses, nós comunicamos para a cooperativa que ela não estava cumprindo a carga horária, e pedindo a substituição. Contudo, a cooperativa disse que não tinha nenhum outro médico disponível para substituí-la. Por causa disso, demos entrada no pedido para participar do 'Mais Médicos', relata o secretário Molina."

Bem, se a Dra. Junice é uma amostra do tipo de profissional da saúde pública que está sendo trocado pelos médicos cubanos, continuo achando que o Brasil está fazendo um excelente negócio em trazer los hermanos.”

FONTE: escrito por André Borges Lopes, professor universitário e produtor gráfico. Texto publicado originalmente na página do Facebook do autor. Transcrito no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22603&alterarHomeAtual=1). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

“O ALVO DO OCIDENTE É O IRÃ, NÃO A SÍRIA”

Por Robert Fisk, no “The Independent”, Inglaterra, sob o título “Iran, not Syria, is the West’s real target”. Traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado no “Redecastorphoto”

"Antes que comece a mais estúpida de todas as guerras ocidentais da história do mundo – falo, é claro, do ataque contra a Síria que ainda tenhamos de engolir – talvez se deva dizer que os mísseis 'Cruisers' que tantos esperam, confiantemente, que chovam sobre as mais ancestrais cidades que a humanidade ergueu nada têm a ver, absolutamente nada, com a Síria.

Todos eles visam a ferir o Irã. Estão mirados contra a República Islâmica, agora que ela já tem novo e vibrante presidente – em tudo diferente de Mahmoud Ahmadinejad, "o doido" [sic]– e quando pode bem estar um pouco mais estável.

O Irã é o inimigo de Israel. Irã, pois, naturalmente, é o inimigo dos EUA. Assim, fogo nos mísseis contra o único aliado árabe do Irã.

Não se trata de defender o regime sírio. Nem me interessa absolvê-lo antecipadamente na questão das bombas de gás. Mas tenho idade suficiente para lembrar que, quando o Iraque – aliado dos EUA – usou gás contra os curdos de Hallabjah em 1988, nós não atacamos Bagdá. O ataque teria de esperar até 2003, quando Saddam já não tinha gás algum, nem qualquer dessas armas que habitam nossos pesadelos.

Também lembro muito bem que a CIA inventou, em 1988, que o Irã seria responsável pelos ataques químicos em Hallabjah, mentira completa, focada no inimigo dos EUA contra o qual, então, Saddam lutava em nosso nome. E milhares – não centenas – morreram em Hallabjah. Mas, sabem como é. Mudam os tempos, mudam os critérios.

Vista geral dos danos causados pelo bombardeio dos "rebeldes" na cidade de Deir Ezzor,leste da Síria, em 26/8/2013

E acho que vale a pena lembrar que, quando Israel matou mais de 17 mil homens, mulheres e crianças no Líbano em 1982, numa invasão supostamente provocada por uma tentativa de assassinato contra o embaixador israelense em Londres (supostamente levada a cabo por membros da OLP, mas quem organizou a matança foi o parceiro de Saddam, Abu Nidal, não a OLP, mas não importa), os EUA limitaram-se a pedir que os dois lados praticassem a “moderação”. E, pouco antes daquela invasão, Hafez al-Assad – pai de Bashar – mandara seu irmão a Hama para varrer de lá milhares de rebeldes da "Fraternidade Muçulmana", e ninguém achou ruim. Meu velho conhecido Tom Friedman falou, cinicamente, de “Leis de Hama”.

Seja como for, há hoje uma "Fraternidade" diferente – e Obama não conseguiu nem gritar “buuuuu”, quando o Irmão presidente eleito foi derrubado.

Ei, esperem! Mas o Iraque – quando era “nosso” aliado contra o Irã – também não usou gás contra o exército iraniano? Usou. Vi os feridos nesse ataque ensandecido, comandado por Saddam – e oficiais dos EUA, sim senhor, andaram depois pelo campo de batalha e informaram Washington – e nós não dissemos sequer um palavrão contra aquilo. Milhares de soldados iranianos na guerra 1980-88 morreram envenenados por essa arma vil.

Viajei de volta a Teerã, à noite, num trem que transportava militares feridos e senti o cheiro, e abríamos as janelas dos corredores do trem, para nos livrar do fedor do gás. Aqueles jovens tinham feridas sobre feridas – literalmente. Sobre as feridas, cresciam bolhas ainda mais dolorosas. Quase indescritível. E quando aqueles soldados chegaram a hospitais ocidentais para tratamento, os jornais chamavam aqueles feridos – apesar das provas muito mais convincentes do que as que, talvez, se obtenham nos arredores de Damasco – de “supostamente atingidos por gás”.

Assim sendo, o que estamos fazendo, santo Deus? Depois que milhares, incontáveis, morreram na horrenda tragédia síria, de repente – de fato, depois de meses, de anos de prevaricação – começamos a nos perturbar por causa de umas poucas centenas de mortos. Terrível. Inconcebível. Indecente. Sim, é verdade. Mas já deveríamos estar traumatizados, horrorizados e em ação contra essa guerra desde 2011. E durante 2012. Por que agora?

Mapa da situação da atividade "rebelde" na Síria em 22/8/2013

Acho que sei por quê. Acho que o impiedoso exército de Bashar al-Assad está, afinal, derrotando os “rebeldes” que nós, secretamente, armamos. Com a ajuda do "Hezbollah" libanês – aliado do Irã no LíbanoDamasco quebrou os “rebeldes” em Qusayr e pode já estar perto de quebrá-los no norte de Homs. O Irã está cada vez mais profundamente envolvido na proteção ao governo sírio. Assim, vitória de Bashar é vitória do Irã. E o ocidente não admite vitórias iranianas.

E já que falamos de guerra, o que aconteceu àquelas magníficas negociações palestino-israelenses de que John Kerry tanto falava? Enquanto manifestamos nossa angústia pelos terríveis ataques a gás na Síria, a terra palestina continua a ser roubada. A política likudista de Israel – negociar a paz, enquanto ganha tempo até conseguir roubar toda a terra dos palestinos – prossegue a passos rápidos, e esse é o pesadelo do rei Abdullah da Jordânia (pesadelo pior que as “armas de destruição em massa que inventamos em 2003), que só cresce: que toda a “Palestina” logo estará na Jordânia, não mais na Palestina.

Mas, a dar-se crédito aos absurdos que vêm de Washington, Londres e Paris e do resto do mundo “civilizado”, é só questão de tempo, e nossa espada vingadora degolará os damascenos.

Ver lideranças do resto do mundo árabe a aplaudir essa destruição é, talvez, a mais dolorosa experiência histórica pela qual a região jamais passou. E a mais vergonhosa. Exceto pelo fato de que estaremos atacando muçulmanos xiitas e seus aliados, sob aplausos de muçulmanos sauditas. Disso se faz a guerra civil."


FONTE: escrito por Robert Fisk, no “The Independent”, Inglaterra, sob o título “Iran, not Syria, is the West’s real target”. 
O autor, Robert Fisk, é filho de ex-soldado britânico da Primeira Guerra Mundial. Robert Fisk estudou jornalismo na Inglaterra e Irlanda. Trabahou como correspondente internacional na Irlanda - cobrindo os acontecimentos no Ulster - e Portugal. Em 1976, foi convidado, por seu editor no "The Times", para substituir o correspondente do jornal no Oriente Médio. Fisk trabalhou para "The Times" até 1988, quando se mudou para "The Independent" - após discussão com seus editores sobre modificações feitas em seus artigos, sem seu consentimento.

Fisk cobriu a guerra civil do Líbano, iniciada em 1975; a invasão soviética do Afeganistão, em 1979; a guerra Irã-Iraque (1980-1988); a invasão israelense do Líbano, em 1982); a guerra civil na Argélia; as guerras dos Balcãs; e a Primeira (1990-1991) e a Segunda Guerras do Golfo Pérsico, iniciadas em 2003. Fisk notabiliza-se, também, pela cobertura ao conflito israelo-palestino. É defensor da causa palestina e do diálogo entre os países árabes, o Irã e Israel.

Considerado um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio, Fisk contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano; os assassinatos promovidos por Saddam Hussein, as "represálias" [sic] israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque. Fisk também entrevistou Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda (em 1993, no Sudão, em 1996 e em 1997, no Afeganistão).

Robert Fisk é o correspondente estrangeiro britânico mais premiado. Recebeu o "Prêmio Correspondente Internacional Britânico do Ano" sete vezes (as últimas em 1995 e 1996). Também ganhou o "Prêmio à Imprensa" da "Anistia Internacional" no Reino Unido em 1998 e 2000.

Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado no blog “Redecastorphoto” por Castor Filho (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/08/robert-fisk-o-alvo-do-ocidente-e-o-ira.html).

SOBRE A INTERVENÇÃO NA SÍRIA

Por Tariq Ali

"O objetivo da "guerra limitada", conforme foi colocado pelos Estados Unidos e seus vassalos europeus, é simples. O regime sírio estava restabelecendo lentamente seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo ocidente e por seus Estados subordinados na região (Arábia Saudita e Qatar). Essa situação exigia um corretivo. A oposição, nessa deprimente guerra civil, precisava ser fortalecida militar e psicologicamente.

Visto que Obama disse serem as armas químicas a "linha vermelha", elas foram obrigadas a entrar em jogo. ‘Cui prodest?’, como os romanos costumavam perguntar. Quem lucra? Certamente, não o regime sírio.

Algumas semanas atrás, dois jornalistas do francês ‘Le Monde’ já haviam descoberto as armas químicas. A questão é a seguinte: se elas foram usadas, quem as utilizou? O governo Obama e seus simpatizantes gostariam que acreditássemos que Assad permitiu a entrada dos inspetores de armas químicas da ONU na Síria, e, em seguida, marcou sua chegada com um ataque químico contra mulheres e crianças, a cerca de 15 km de distância do hotel onde os inspetores estavam hospedados. Isso, simplesmente, não faz sentido. Quem realizou essa atrocidade?

No Iraque, sabemos que os EUA utilizaram fósforo branco em Fallujah, em 2004 (lá não havia linhas vermelhas, exceto aquelas feitas com o sangue iraquiano); portanto, a justificativa permanece tão obscura como nas guerras anteriores.

Desde a guerra e a ocupação do Iraque, o mundo árabe está dividido entre sunitas e xiitas. Apoiando as ameaças à Síria estão dois velhos amigos: Arábia Saudita e Israel. Ambos querem que o regime iraniano seja destruído. Os sauditas, por razões de facção, e os israelenses, porque estão desesperados para exterminar o "Hezbollah". Esse é o fim de jogo que eles têm em vista e que Washington, depois de resistir um pouco, voltou a jogar. Bombardear a Síria é o primeiro passo.

É tolice se preocupar muito com a Grã-Bretanha. Trata-se de um Estado vassalo, governado de fato por um governo nacional que inclui o trabalhismo parlamentar. Seus partidos políticos vêm aceitando situar-se, permanentemente, no "quintal da Casa Branca". Cameron empolgou-se com a guerra há alguns meses. Quando os EUA aderiram friamente à ideia, a Downing Street calou-se. Agora, está de volta à ação, com o pequeno Ed dizendo que apóia a guerra "relutantemente", a mais patética das posições. Parlamentares conservadores estão articulando uma resistência mais dura. Será que mais conservadores do que trabalhistas se posicionarão contrariamente? [Formalmente, o Parlamento já se manifestou contra a intervenção militar na semana passada]. Veremos.

[Sobre esse ataque à Síria,] os iranianos reagiram com força e ameaçaram levar a cabo uma retaliação apropriada. Isso pode até ser um blefe, mas revela que, mesmo com um novo e "moderado" líder, elogiado pelos meios de comunicação ocidentais, essa postura não difere da de Ahmadinejad. O Teerã entende bem o que está em jogo e por quê. Cada intervenção ocidental no mundo árabe e em seus arredores piorou as suas condições. Os ataques planejados pelo Pentágono e seus parceiros da OTAN parecem propensos a seguir o mesmo caminho.

Enquanto isso, no Egito, um Pinochet árabe está restaurando a "ordem" tradicionalmente, com o apoio um tanto envergonhado dos líderes do conglomerado EUA/UE[/Israel].”

FONTE: escrito por Tariq Ali no "ZNet"  (http://www.zcommunications.org/znet). Transcrito no site “Carta Maior” com tradução de Felipe Corrêa  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22611) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

‘GUERRAS HUMANITÁRIAS’

Por Emir Sader

“A OTAN foi a expressão militar da hegemonia norte-americana no marco da guerra fria. Foi construída para a “contenção da União Soviética” na perspectiva de que haveria um projeto de expansionismo soviético, que teve como resposta a "teoria da contenção". A OTAN reunia os países europeus sob o comando militar dos EUA.

Terminada a guerra fria, com a vitória do bloco ocidental, o que fazer com a OTAN?

Terminado seu objetivo inicial, deveria desaparecer. Mas as potências ocidentais passaram a descobrir ou inventar novos inimigos globais, sem os quais suas aventuras militares não se sustentariam. 

Enquanto os EUA apontavam para o narcotráfico, depois diretamente para o “terrorismo islâmico”, Tony Blair se encarregou de teorizar a nova função da OTAN: “ingerência humanitária” onde houvesse violação maciça dos direitos humanos, o que permitiria violar a soberania nacional de Estados, em nome desse objetivo superior. Intelectuais com trajetórias progressistas, como Norberto Bobbio, Jurgen Habermas, entre outros, passaram a usar a ideia de “guerras humanitárias”. 

Foi assim na Bósnia, foi assim no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, e agora a justificativa volta à baila no caso da Síria. As forças imperiais assumem um ar “humanitário” para realizar suas operações militares e de conquista.




"Guerra Humanitária" no Iraque e Líbia

No caso da Líbia, a resolução que conseguiram arrancar do Conselho de Segurança da ONU – com a abstenção da Rússia, da China, do Brasil, da África do Sul e da Índia – foi a autorização para atuar a fim de “defender a população civil”. Com a declaração em mãos, as potênciais imperiais – os EUA e as europeias – se valeram da OTAN para bombardear oito meses seguidos o regime de Kadafi, com todas as vítimas civis correspondentes, até derrubar o regime. 

Desta vez, a Rússia e a China prometem se valer dos seus direitos de veto e impedir que algo similar passe. Por isso, os EUA buscam argumentos e alianças que contornem a ONU.

A ideologia segue a mesma: “defesa da população síria”; daí a necessidade de provar que foi usado gás sarin, o que poderia justificar uma intervenção estrangeira, uma nova “guerra humanitária”.

Milhões de afegãos, iraquianos e líbios já foram vítimas desse “humanismo imperialista”, que agora quer se estender aos sírios. O fato de que 70% dos socialistas franceses se pronunciem pelo ataque à Síria demonstra a efetividade dessa ideologia liberal-imperialista.”


FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1308). [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].