Li hoje esse bom artigo de Eliakim Araújo no site “Direto da Redação”:
BERLUSCONI E O ÓDIO AOS IMIGRANTES
“Foram os assessores do presidente George Bush que resolveram escancarar o que todo mundo já sabia. Distribuíram entre os membros da comitiva presidencial – inclusive os jornalistas - que participou da última reunião do G-8, no Japão, um dossiê com informações biográficas dos chefes de estado presentes ao encontro.
O Primeiro-Ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi contemplado com esta jóia: “trata-se de um dos mais controvertidos líderes de um país conhecido por sua corrupção governamental e vícios”. E mais adiante: “um empresário com grandes propriedades e influência nos meios de comunicação internacionais, considerado por muitos como um diletante político que só chegou ao cargo por meio de sua considerável influência na mídia nacional”.
Isso é o que se pode chamar de uma monumental gafe diplomática, não pelo conteúdo, mas por ter sido divulgada oficialmente pela Casa Branca. O resto da história todo mundo sabe. O governo norteamericano teve que pedir desculpas oficiais a Berlusconi e ao povo italiano, atingido em cheio pela incompetência dos assessores de Bush.
Mas, na verdade, os dados biográficos distribuídos são até modestos em relação a Berlusconi e à sua presença na vida italiana nas últimas décadas. Berlusconi está em seu terceiro mandato e isso só se explica pelo seu poder empresarial. Ele é dono de vários canais de televisão, jornais, revistas, banco, companhias imobiliárias e de seguros, é dono do Milan, enfim – e para resumir - é a trigésima-sétima maior fortuna do mundo, segundo a revista Forbes.
No Brasil, costumavam comparar Roberto Marinho a ele, em termos de poder e fortuna. O Doutor Roberto felizmente não enveredou pelo caminho da política. Se o tivesse feito, que força ou quem poderia detê-lo? Com o poder conquistado durante o período dos governos militares, Marinho tornou-se o homem mais poderoso do Brasil. Mas preferiu agir sempre na sombra, usando sua influência em favor do candidato que lesse pela sua cartilha.
Mas isso é outra história. O objetivo da coluna é mostrar que Berlusconi é um politico perigoso que não mede esforços para conseguir seus objetivos, mesmo que tenha que passar por cima da lei ou adaptá-la a seus interesses pessoais. No dia 22 último, ele conseguiu a aprovação de uma lei de imunidade que isenta de qualquer processo penal, durante o tempo em que exercerem seus mandatos, o primeiro-ministro, o presidente da república, o presidente da câmara dos deputados e o presidente do Senado. Com isso, Berlusconi se livra de processos de corrupção que correm contra ele na justiça. Uma lei injustificável e imoral, como declara a oposição que vai tentar derrubá-la através de um plebiscito. Mas precisa de 500 mil assinaturas.
Mas não é só isso. Berlusconi é considerado hoje o maior caçador de imigrantes indocumentados, a ponto da própria União Européia pedir moderação ao governo italiano. Ele acaba de declarar estado de emergência nacional contra os imigrantes e conseguiu que o Congresso aprovasse um pacote de segurança que prevê a entrada do exército no combate direto aos imigrantes. A partir de segunda-feira, 3 mil homens estarão ocupando pontos estratégicos nas principais cidades do país, como embaixadas e consulados, prédios públicos e centro de proteção a imigrantes. Eles usarão armas e terão poderes para prender. As entidades de direitos humanos estão atentas, já denunciaram que as ações da polícia têm sido extremamente violentas na repressão à imigração ilegal.
Mas a polícia e o exército têm as costas quentes pois contam a proteção de um “controvertido líder de um país conhecido por sua corrupção governamental e vícios”.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
NYT HOJE: “BRASIL VIVE ONDA DE CRESCIMENTO ENQUANTO ECONOMIAS MAIORES SOFREM”
O jornal norte-americano “The New York Times”, em reportagem de Alexei Barrionuevo e Mery Galanternick, com tradução de George El Khouri Andolfato, publicou hoje (li no UOL) essa notícia positiva sobre as melhoras significativas que o Brasil vem apresentando em diversos setores nos últimos anos::
“Desesperada para escapar de sua existência precária em uma das regiões mais pobres do Brasil, Maria Benedita Sousa fez uso de um pequeno empréstimo há cinco anos para comprar máquinas de costura e iniciar seu próprio negócio, produzindo roupa íntima feminina.
Hoje, Sousa, uma mãe de três que antes trabalhava em uma fábrica de jeans ganhando salário mínimo, emprega 25 pessoas em uma fábrica modesta de duas salas, que produz 55 mil conjuntos de roupas íntimas de algodão por mês. Ela comprou e reformou uma casa para sua família e agora está pensando em comprar um segundo carro. A filha dela, que está estudando para ser farmacêutica, poderá ser a primeira pessoa na família a concluir um curso superior.
"Você não pode imaginar a felicidade que estou sentindo", disse Sousa, 43 anos, em sua fábrica, Big Mateus, que leva o nome de seu filho. "Eu sou uma pessoa que veio do interior para a cidade. Eu lutei e lutei, e hoje meus filhos estão estudando. Uma na faculdade e dois outros na escola. É um presente de Deus."
Hoje o país dela está se erguendo da mesma forma. O Brasil, a maior economia da América do Sul, está finalmente em posição de realizar seu há muito esperado potencial como potência econômica global, dizem os economistas, enquanto o país vive sua maior expansão econômica em três décadas.
Este crescimento está sendo sentido em quase todas as partes da economia, criando uma nova classe de super-ricos, enquanto pessoas como Sousa ascendem a uma crescente classe média.
Ele também concede ao Brasil uma nova imponência, lhe dando, por exemplo, maior força para negociar os termos com os Estados Unidos e a Europa nas negociações de comércio global. Após sete anos, estas negociações finalmente fracassaram nesta semana, por causa das exigências da Índia e da China de salvaguardas para seus produtores rurais, um sinal claro da força crescente destas economias emergentes.
Apesar dos temores dos investidores com a inclinação esquerdista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando foi eleito em 2002, ele demonstrou um toque leve na condução da economia, evitando os impulsos populistas dos líderes da Venezuela e da Bolívia.
Em vez disso, ele alimentou o crescimento do Brasil por meio de uma combinação hábil de respeito pelos mercados financeiros e programas sociais direcionados, que estão retirando milhões da pobreza, disse David Fleischer, um analista político e professor emérito da Universidade de Brasília. Sousa é uma dessas beneficiárias.
Conhecido há muito tempo por sua distribuição desigual de riqueza, o Brasil reduziu sua desigualdade de renda em 6% desde 2001, mais do que qualquer outro país na América do Sul nesta década, disse Francisco Ferreira, um importante economista do Banco Mundial.
Enquanto os 10% que mais ganham no Brasil viram sua renda cumulativa crescer 7% de 2001 a 2006, os 10% que menos ganham viram sua renda subir 58%, disse Marcelo Cortes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
Mas o Brasil também está gastando mais do que seus vizinhos latino-americanos em programas sociais, e os gastos públicos em geral continuam quase quatro vezes mais altos que os do México como percentual de seu produto interno bruto, disse Ferreira.
Ainda assim, o impulso de sua expansão econômica deverá durar. Enquanto os Estados Unidos e partes da Europa enfrentam recessão e as conseqüências da crise imobiliária, a economia do Brasil exibe poucas das vulnerabilidades de outras potências emergentes.
Ele diversificou enormemente sua base industrial, tem imenso potencial de expandir um setor agrícola que passa por boom e dispõe de tremendos recursos naturais inexplorados. Novas descobertas de petróleo colocarão o Brasil ao lado das potências globais de petróleo na próxima década.
Mas, apesar das exportações de commodities como petróleo e produtos agrícolas terem impulsionado grande parte de seu crescimento recente, o Brasil está cada vez menos dependente deles, dizem os economistas, ao dispor da vantagem de um imenso mercado doméstico - 185 milhões de pessoas - que está se tornando mais próspero com o sucesso de pessoas como Sousa.
Na verdade, com uma moeda mais forte e a inflação em grande parte sob controle, os brasileiros estão em uma onda de gastos que se tornou o principal motor da economia, que cresceu 5,4% no ano passado.
Eles estão comprando tanto bens brasileiros quanto um crescente número de produtos importados. Muitos empresários relaxaram seus termos de crédito para permitir que os brasileiros paguem por refrigeradores, carros e até mesmo cirurgia plástica de forma parcelada em anos, e não em meses, apesar de taxas de juros entre as mais altas do mundo. Em junho, o país atingiu a marca de 100 milhões de cartões de crédito emitidos, um salto de 17% em comparação ao ano passado.
Nas Casas Bahia, uma rede brasileira de lojas de móveis populares, o número de clientes comprando itens a prestação quase triplicou, para 29,3 milhões de 2002 a 2007, disse Sônia Mitaini, uma assessora de imprensa da empresa.
Há abundância de outros sinais de nova riqueza. Em Macaé, uma cidade com reservas de petróleo perto do Rio de Janeiro, construtoras estão correndo para concluir os novos shoppings centers e imóveis residenciais de luxo para atender a demanda das empresas do setor de petróleo em crescimento. Em um porto em Angra dos Reis, uma cidade conhecida por suas ilhas espetaculares, cerca de 25 mil trabalhadores encontraram emprego construindo as novas plataformas de petróleo brasileiras.
A Petrobras, a companhia estatal de petróleo do Brasil, espantou o mundo do petróleo em novembro, quando anunciou que seu campo de Tupi em águas profundas, além da costa do Rio de Janeiro, pode conter de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo. Os analistas acham que pode haver bilhões de barris adicionais nas áreas ao redor, deixando o Brasil atrás apenas da Venezuela na hierarquia do petróleo da América Latina.
Apesar de o petróleo ser caro e complicado de extrair, a Petrobras disse que espera produzir até 100 mil barris por dia de Tupi até 2010, e espera produzir até um milhão de barris por dia em aproximadamente uma década.
Os novos campos de petróleo estão provocando um boom de investimento no Rio de Janeiro, com a expectativa de que cerca de R$ 107 bilhões ingressem no Estado até 2010, segundo o governo do Estado. A Petrobras sozinha deverá investir US$ 40,5 bilhões até 2012.
Alguns economistas dizem que uma desaceleração do restante da economia mundial, especialmente na Ásia, que está absorvendo grande parte das exportações de soja e minério de ferro do Brasil, poderia atrapalhar o crescimento aqui. "Mas esta probabilidade é pequena", disse Alfredo Coutiño, um economista sênior para América Latina da Moody's Economy.com.
Na verdade, como a economia do Brasil se tornou muito diversificada nos últimos anos, o país está menos suscetível a uma ressaca por causa da crise econômica americana, diferente de muitos outros na América Latina.
As exportações do Brasil para os Estados Unidos representam apenas 2,5% do produto interno bruto brasileiro, em comparação a 25% do PIB para as exportações mexicanas, segundo a Moody's.
"O que torna o Brasil mais resistente é o fato de o restante do mundo ser menos importante", disse Don Hanna, o chefe de economia de mercados emergentes do Citibank.
Mas o restante do mundo certamente ajudou. A alta dos preços globais dos minerais e outros commodities criou uma nova classe de super-ricos. O número de brasileiros com fortunas líquidas que ultrapassam US$ 1 milhão cresceu 19% no ano passado, atrás apenas da China e da Índia, segundo uma pesquisa da Merrill Lynch e CapGemini.
Ao mesmo tempo, o presidente Lula aprofundou muitos programas sociais iniciados há 10 anos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que promoveu muitas das reformas estruturais que estabeleceram as fundações do atual crescimento estável do Brasil.
No caso de Sousa, por exemplo, ela deve muito do sucesso de seu negócio aos empréstimos que obteve junto ao Banco do Nordeste daqui, um banco do governo que concede micro empréstimos para 330 mil pessoas desenvolverem negócios nesta região em rápido crescimento.
Outros programas, como o Bolsa Família, fornecem uma pequena ajuda para milhões de brasileiros pobres comprarem alimento e outros itens essenciais. O Bolsa Família, que beneficia 45 milhões de pessoas em todo o país distribuindo anualmente R$ 8,75 bilhões, está sendo muito mais eficaz em elevar a renda per capita do que os recentes aumentos no salário mínimo, que subiu 36% desde 2003.
A natureza de baixo para cima destes programas sociais ajudou a expandir enormemente tanto o emprego formal quanto informal, assim como a classe média brasileira. O número de pessoas abaixo da linha de pobreza - definida como aqueles que ganham menos que US$ 80 por mês - caiu 32% de 2004 a 2006, disse Neri.
Os programas foram particularmente eficazes aqui no Nordeste do Brasil, historicamente uma das regiões mais pobres do país. Os moradores desta região receberam mais da metade dos US$ 15,6 bilhões gastos em programas sociais de 2003 a 2006, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, uma divisão do Ministério das Minas e Energia.
As pessoas daqui estão usando esta nova riqueza para comprar itens como televisores e refrigeradores em uma taxa maior do que o restante do país. O Nordeste, de fato, ultrapassou o Sul do país em consumo de eletricidade neste ano pela primeira vez na história do Brasil, disse a estatal de energia.
Muitas famílias conseguiram chegar até a classe média usando o Bolsa Família para atender as necessidades básicas, e então pedindo pequenos empréstimos para iniciar seus próprios negócios e escapar da economia informal. Foi o que Maria Auxiliadora Sampaio e seu marido fizeram aqui em Fortaleza, uma cidade de 2,4 milhões de habitantes. Eles recebiam pagamentos do Bolsa Família de cerca de US$ 30 por mês, que usavam para sustentar seus três filhos. Então, há dois anos, Sampaio usou um micro empréstimo de cerca de US$ 190 para comprar esmalte e iniciar seu negócio de manicure, que funciona em sua casa.
Hoje ela ganha cerca de US$ 70 por dia fazendo unhas - cerca de quatro salários mínimos por mês, ela disse. Com seu próximo empréstimo, ela planeja gastar cerca de US$ 140 para comprar uma estufa para esterilização dos alicates de unha, o que atualmente faz com água quente.
Os frutos de seu novo negócio permitiram ao casal refazer o piso da casa e comprar uma televisão e celular. Neste mês seu marido, que trabalha em uma fábrica de cachaça, conseguiu realizar um sonho: comprar uma bateria para tocar.
Ele planeja usá-la para formar uma banda para tocar forró, uma música tradicional do Nordeste. "Nós sempre comíamos e pagávamos as contas, e ele esperava e esperava", mas finalmente conseguiu comprar a bateria por cerca de US$ 780 em dinheiro, ela disse.
"Eu sinto como se fizéssemos parte deste grupo de pessoas que estão subindo na vida", disse Sampaio, 28 anos. "Quando você não tem nada, quando você não tem uma profissão, não tem meios de sustento, você não é ninguém, você é um mosquito. Eu não era nada. Hoje, estou no paraíso."
“Desesperada para escapar de sua existência precária em uma das regiões mais pobres do Brasil, Maria Benedita Sousa fez uso de um pequeno empréstimo há cinco anos para comprar máquinas de costura e iniciar seu próprio negócio, produzindo roupa íntima feminina.
Hoje, Sousa, uma mãe de três que antes trabalhava em uma fábrica de jeans ganhando salário mínimo, emprega 25 pessoas em uma fábrica modesta de duas salas, que produz 55 mil conjuntos de roupas íntimas de algodão por mês. Ela comprou e reformou uma casa para sua família e agora está pensando em comprar um segundo carro. A filha dela, que está estudando para ser farmacêutica, poderá ser a primeira pessoa na família a concluir um curso superior.
"Você não pode imaginar a felicidade que estou sentindo", disse Sousa, 43 anos, em sua fábrica, Big Mateus, que leva o nome de seu filho. "Eu sou uma pessoa que veio do interior para a cidade. Eu lutei e lutei, e hoje meus filhos estão estudando. Uma na faculdade e dois outros na escola. É um presente de Deus."
Hoje o país dela está se erguendo da mesma forma. O Brasil, a maior economia da América do Sul, está finalmente em posição de realizar seu há muito esperado potencial como potência econômica global, dizem os economistas, enquanto o país vive sua maior expansão econômica em três décadas.
Este crescimento está sendo sentido em quase todas as partes da economia, criando uma nova classe de super-ricos, enquanto pessoas como Sousa ascendem a uma crescente classe média.
Ele também concede ao Brasil uma nova imponência, lhe dando, por exemplo, maior força para negociar os termos com os Estados Unidos e a Europa nas negociações de comércio global. Após sete anos, estas negociações finalmente fracassaram nesta semana, por causa das exigências da Índia e da China de salvaguardas para seus produtores rurais, um sinal claro da força crescente destas economias emergentes.
Apesar dos temores dos investidores com a inclinação esquerdista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando foi eleito em 2002, ele demonstrou um toque leve na condução da economia, evitando os impulsos populistas dos líderes da Venezuela e da Bolívia.
Em vez disso, ele alimentou o crescimento do Brasil por meio de uma combinação hábil de respeito pelos mercados financeiros e programas sociais direcionados, que estão retirando milhões da pobreza, disse David Fleischer, um analista político e professor emérito da Universidade de Brasília. Sousa é uma dessas beneficiárias.
Conhecido há muito tempo por sua distribuição desigual de riqueza, o Brasil reduziu sua desigualdade de renda em 6% desde 2001, mais do que qualquer outro país na América do Sul nesta década, disse Francisco Ferreira, um importante economista do Banco Mundial.
Enquanto os 10% que mais ganham no Brasil viram sua renda cumulativa crescer 7% de 2001 a 2006, os 10% que menos ganham viram sua renda subir 58%, disse Marcelo Cortes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
Mas o Brasil também está gastando mais do que seus vizinhos latino-americanos em programas sociais, e os gastos públicos em geral continuam quase quatro vezes mais altos que os do México como percentual de seu produto interno bruto, disse Ferreira.
Ainda assim, o impulso de sua expansão econômica deverá durar. Enquanto os Estados Unidos e partes da Europa enfrentam recessão e as conseqüências da crise imobiliária, a economia do Brasil exibe poucas das vulnerabilidades de outras potências emergentes.
Ele diversificou enormemente sua base industrial, tem imenso potencial de expandir um setor agrícola que passa por boom e dispõe de tremendos recursos naturais inexplorados. Novas descobertas de petróleo colocarão o Brasil ao lado das potências globais de petróleo na próxima década.
Mas, apesar das exportações de commodities como petróleo e produtos agrícolas terem impulsionado grande parte de seu crescimento recente, o Brasil está cada vez menos dependente deles, dizem os economistas, ao dispor da vantagem de um imenso mercado doméstico - 185 milhões de pessoas - que está se tornando mais próspero com o sucesso de pessoas como Sousa.
Na verdade, com uma moeda mais forte e a inflação em grande parte sob controle, os brasileiros estão em uma onda de gastos que se tornou o principal motor da economia, que cresceu 5,4% no ano passado.
Eles estão comprando tanto bens brasileiros quanto um crescente número de produtos importados. Muitos empresários relaxaram seus termos de crédito para permitir que os brasileiros paguem por refrigeradores, carros e até mesmo cirurgia plástica de forma parcelada em anos, e não em meses, apesar de taxas de juros entre as mais altas do mundo. Em junho, o país atingiu a marca de 100 milhões de cartões de crédito emitidos, um salto de 17% em comparação ao ano passado.
Nas Casas Bahia, uma rede brasileira de lojas de móveis populares, o número de clientes comprando itens a prestação quase triplicou, para 29,3 milhões de 2002 a 2007, disse Sônia Mitaini, uma assessora de imprensa da empresa.
Há abundância de outros sinais de nova riqueza. Em Macaé, uma cidade com reservas de petróleo perto do Rio de Janeiro, construtoras estão correndo para concluir os novos shoppings centers e imóveis residenciais de luxo para atender a demanda das empresas do setor de petróleo em crescimento. Em um porto em Angra dos Reis, uma cidade conhecida por suas ilhas espetaculares, cerca de 25 mil trabalhadores encontraram emprego construindo as novas plataformas de petróleo brasileiras.
A Petrobras, a companhia estatal de petróleo do Brasil, espantou o mundo do petróleo em novembro, quando anunciou que seu campo de Tupi em águas profundas, além da costa do Rio de Janeiro, pode conter de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo. Os analistas acham que pode haver bilhões de barris adicionais nas áreas ao redor, deixando o Brasil atrás apenas da Venezuela na hierarquia do petróleo da América Latina.
Apesar de o petróleo ser caro e complicado de extrair, a Petrobras disse que espera produzir até 100 mil barris por dia de Tupi até 2010, e espera produzir até um milhão de barris por dia em aproximadamente uma década.
Os novos campos de petróleo estão provocando um boom de investimento no Rio de Janeiro, com a expectativa de que cerca de R$ 107 bilhões ingressem no Estado até 2010, segundo o governo do Estado. A Petrobras sozinha deverá investir US$ 40,5 bilhões até 2012.
Alguns economistas dizem que uma desaceleração do restante da economia mundial, especialmente na Ásia, que está absorvendo grande parte das exportações de soja e minério de ferro do Brasil, poderia atrapalhar o crescimento aqui. "Mas esta probabilidade é pequena", disse Alfredo Coutiño, um economista sênior para América Latina da Moody's Economy.com.
Na verdade, como a economia do Brasil se tornou muito diversificada nos últimos anos, o país está menos suscetível a uma ressaca por causa da crise econômica americana, diferente de muitos outros na América Latina.
As exportações do Brasil para os Estados Unidos representam apenas 2,5% do produto interno bruto brasileiro, em comparação a 25% do PIB para as exportações mexicanas, segundo a Moody's.
"O que torna o Brasil mais resistente é o fato de o restante do mundo ser menos importante", disse Don Hanna, o chefe de economia de mercados emergentes do Citibank.
Mas o restante do mundo certamente ajudou. A alta dos preços globais dos minerais e outros commodities criou uma nova classe de super-ricos. O número de brasileiros com fortunas líquidas que ultrapassam US$ 1 milhão cresceu 19% no ano passado, atrás apenas da China e da Índia, segundo uma pesquisa da Merrill Lynch e CapGemini.
Ao mesmo tempo, o presidente Lula aprofundou muitos programas sociais iniciados há 10 anos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que promoveu muitas das reformas estruturais que estabeleceram as fundações do atual crescimento estável do Brasil.
No caso de Sousa, por exemplo, ela deve muito do sucesso de seu negócio aos empréstimos que obteve junto ao Banco do Nordeste daqui, um banco do governo que concede micro empréstimos para 330 mil pessoas desenvolverem negócios nesta região em rápido crescimento.
Outros programas, como o Bolsa Família, fornecem uma pequena ajuda para milhões de brasileiros pobres comprarem alimento e outros itens essenciais. O Bolsa Família, que beneficia 45 milhões de pessoas em todo o país distribuindo anualmente R$ 8,75 bilhões, está sendo muito mais eficaz em elevar a renda per capita do que os recentes aumentos no salário mínimo, que subiu 36% desde 2003.
A natureza de baixo para cima destes programas sociais ajudou a expandir enormemente tanto o emprego formal quanto informal, assim como a classe média brasileira. O número de pessoas abaixo da linha de pobreza - definida como aqueles que ganham menos que US$ 80 por mês - caiu 32% de 2004 a 2006, disse Neri.
Os programas foram particularmente eficazes aqui no Nordeste do Brasil, historicamente uma das regiões mais pobres do país. Os moradores desta região receberam mais da metade dos US$ 15,6 bilhões gastos em programas sociais de 2003 a 2006, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, uma divisão do Ministério das Minas e Energia.
As pessoas daqui estão usando esta nova riqueza para comprar itens como televisores e refrigeradores em uma taxa maior do que o restante do país. O Nordeste, de fato, ultrapassou o Sul do país em consumo de eletricidade neste ano pela primeira vez na história do Brasil, disse a estatal de energia.
Muitas famílias conseguiram chegar até a classe média usando o Bolsa Família para atender as necessidades básicas, e então pedindo pequenos empréstimos para iniciar seus próprios negócios e escapar da economia informal. Foi o que Maria Auxiliadora Sampaio e seu marido fizeram aqui em Fortaleza, uma cidade de 2,4 milhões de habitantes. Eles recebiam pagamentos do Bolsa Família de cerca de US$ 30 por mês, que usavam para sustentar seus três filhos. Então, há dois anos, Sampaio usou um micro empréstimo de cerca de US$ 190 para comprar esmalte e iniciar seu negócio de manicure, que funciona em sua casa.
Hoje ela ganha cerca de US$ 70 por dia fazendo unhas - cerca de quatro salários mínimos por mês, ela disse. Com seu próximo empréstimo, ela planeja gastar cerca de US$ 140 para comprar uma estufa para esterilização dos alicates de unha, o que atualmente faz com água quente.
Os frutos de seu novo negócio permitiram ao casal refazer o piso da casa e comprar uma televisão e celular. Neste mês seu marido, que trabalha em uma fábrica de cachaça, conseguiu realizar um sonho: comprar uma bateria para tocar.
Ele planeja usá-la para formar uma banda para tocar forró, uma música tradicional do Nordeste. "Nós sempre comíamos e pagávamos as contas, e ele esperava e esperava", mas finalmente conseguiu comprar a bateria por cerca de US$ 780 em dinheiro, ela disse.
"Eu sinto como se fizéssemos parte deste grupo de pessoas que estão subindo na vida", disse Sampaio, 28 anos. "Quando você não tem nada, quando você não tem uma profissão, não tem meios de sustento, você não é ninguém, você é um mosquito. Eu não era nada. Hoje, estou no paraíso."
LUCRO DA EMBRAER TEM ALTA DE 73% NO PRIMEIRO SEMESTRE
Esta noite, a Folha Online publicou a seguinte notícia sobre a única significativa indústria aeronáutica brasileira, orgulho nacional, “braço estratégico-militar" brasileiro, cuja propriedade começou a ser gravemente vendida para acionistas estrangeiros na era FHC, em 1999, em processo concluído em março de 2006 sob o bonito nome de “reestruturação”:
“A Embraer informou nesta quinta-feira que seu lucro líquido registrou aumento de 73% no primeiro semestre do ano na comparação com o mesmo período de 2007, para R$ 239,7 milhões. Apenas no segundo trimestre, o resultado registrou alta de 121% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, para R$ 176,3 milhões. A empresa é líder na fabricação de jatos comerciais com até 120 assentos
A empresa apresentou no primeiro semestre receita líquida de R$ 5,009 bilhões, contra R$ 3,943 bilhões do mesmo período do ano passado. Considerando apenas o segundo trimestre deste ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,695 bilhões, ante R$ 2,190 bilhões do mesmo período de 2007, um crescimento de 23,1%, principalmente em função do maior volume de entregas.
No segundo trimestre a Embraer informou que conquistou novos clientes como a ETA Star Group, de Dubai e a brasileira Trip Linhas Aéreas, aumentando assim o número de empresas brasileiras a operar jatos Embraer.
A carteira de pedidos firmes da Embraer em 30 de junho de 2008 alcançou a marca recorde de US$ 20,7 bilhões, incluindo vendas para o mercado de aviação executiva, que possui um backlog atual de cerca de US$ 6 bilhões. A carteira de pedidos firmes da família Embraer 170/190 acumula um total de 847 ordens firmes e 827 opções.
Adicionalmente, a Embraer entregou 52 jatos para os segmentos de aviação comercial e aviação executiva, representando um incremento de 44,4% na comparação com o segundo trimestre de 2007, quando o total de entregas foi de 36 aeronaves, terminando o semestre com um recorde de 97 jatos entregues. Este resultado representa um aumento de 59% em relação às 61 aeronaves entregues durante o primeiro semestre de 2007. A Embraer reafirmou sua estimativa de entregar entre 195 e 200 jatos em 2008, com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos Phenom 100.
A empresa informou ainda que, no segundo trimestre de 2008, as despesas operacionais somaram R$ 307,2 milhões, representando uma redução de 6,6% em relação aos R$ 329,1 milhões do mesmo período de 2007.”
“A Embraer informou nesta quinta-feira que seu lucro líquido registrou aumento de 73% no primeiro semestre do ano na comparação com o mesmo período de 2007, para R$ 239,7 milhões. Apenas no segundo trimestre, o resultado registrou alta de 121% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, para R$ 176,3 milhões. A empresa é líder na fabricação de jatos comerciais com até 120 assentos
A empresa apresentou no primeiro semestre receita líquida de R$ 5,009 bilhões, contra R$ 3,943 bilhões do mesmo período do ano passado. Considerando apenas o segundo trimestre deste ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,695 bilhões, ante R$ 2,190 bilhões do mesmo período de 2007, um crescimento de 23,1%, principalmente em função do maior volume de entregas.
No segundo trimestre a Embraer informou que conquistou novos clientes como a ETA Star Group, de Dubai e a brasileira Trip Linhas Aéreas, aumentando assim o número de empresas brasileiras a operar jatos Embraer.
A carteira de pedidos firmes da Embraer em 30 de junho de 2008 alcançou a marca recorde de US$ 20,7 bilhões, incluindo vendas para o mercado de aviação executiva, que possui um backlog atual de cerca de US$ 6 bilhões. A carteira de pedidos firmes da família Embraer 170/190 acumula um total de 847 ordens firmes e 827 opções.
Adicionalmente, a Embraer entregou 52 jatos para os segmentos de aviação comercial e aviação executiva, representando um incremento de 44,4% na comparação com o segundo trimestre de 2007, quando o total de entregas foi de 36 aeronaves, terminando o semestre com um recorde de 97 jatos entregues. Este resultado representa um aumento de 59% em relação às 61 aeronaves entregues durante o primeiro semestre de 2007. A Embraer reafirmou sua estimativa de entregar entre 195 e 200 jatos em 2008, com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos Phenom 100.
A empresa informou ainda que, no segundo trimestre de 2008, as despesas operacionais somaram R$ 307,2 milhões, representando uma redução de 6,6% em relação aos R$ 329,1 milhões do mesmo período de 2007.”
PARA GEOPOLÍTICO DOS EUA, A AMEAÇA DE GUERRA VEM DO BRASIL E DA ARGENTINA
NICHOLAS SPYKMAN E A AMÉRICA LATINA
Artigo de José Luís Fiori, postado no site "Carta Maior". O autor é cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Li o texto no blog do Azenha.
“Para o principal geoestrategista norte-americano do século XX, qualquer ameaça à hegemonia dos EUA na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile. Uma ameaça à hegemonia nesta região terá que ser respondida através da guerra, escreveu Spykman.”
“O principal “geoestrategista” norte-americano do século XX, nasceu em Amsterdam, em 1893, e morreu nos Estados Unidos, em 1943. Era de origem holandesa, mas fez seus estudos superiores na Universidade da Califórnia, e foi professor da Universidade de Yale, onde dirigiu o seu Instituto de Estudos Internacionais, entre 1935 e 1940. Morreu ainda jovem, com 49 anos, e deixou apenas dois livros sobre a política externa norte-americana: o primeiro, America’s Strategy in World Politics, publicado em 1942, e o segundo, The Geography of the Peace, publicado um ano depois da sua morte, em 1944. Dois livros que se transformaram na pedra angular do pensamento estratégico norte-americano de toda a segunda metade do século XX, e do início do século XXI.
Nicholas Spykman não foi um cientista, foi um “geopolítico” e a geopolítica não é uma ciência, é apenas uma disciplina que estuda a relação entre o espaço e a expansão do poder, antecipando e racionalizando as decisões estratégicas dos países que exercem poder fora de suas fronteiras nacionais. É por isto, aliás, que só existe produção geopolítica relevante, nas chamadas “grandes potências”, e cada uma delas tem sua própria “escola geopolítica”, com suas preocupações, objetivos e racionalizações específicas. Como no caso clássico da “escola geopolítica alemã”, de Friederich Ratzel e Karl Haushofer, com a sua teoria do “espaço vital” e do “pan-germanismo”, que serviu de ponto de partida para explicar a “necessidade geográfica” de expansão alemã, na direção da Europa Central, e da Rússia/União Soviética. Ou também, como no caso da “escola geopolítica inglesa” de Halford Mackinder, com sua famosa tese de que “quem controla o “coração do mundo”( situado mais ou menos entre Berlim e Moscou), controla também a “ilha mundial” (a Eurásia), e quem controla a “ilha mundial” controla o mundo”. Teoria que serviu de base para justificar a política externa britânica durante todo o século XX, e seu permanente veto e bloqueio de qualquer aliança entre a Alemanha e a Rússia/União Soviética.
Dentro desta tradição, não há dúvida que Nicholas Spykman foi o pai da “escola geopolítica norte-americana”. Ele partiu das idéias de Halford Mackinder, mas modificou sua tese central: para Spykman, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente o “coração do mundo”, é quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria, e seguem fazendo até os nossos dias. Spykman escreveu seus dois livros antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e por isto chama atenção a sua capacidade genial de prever o que aconteceria depois da guerra, tanto quanto a semelhança entre suas propostas estratégicas e a política externa que os Estados Unidos adotaram efetivamente, durante a segunda metade do século XX, na Europa, Ásia e América.
Em 1942, Nicholas Spykman defendeu a necessidade de uma aliança estratégica e de uma hegemonia conjunta, anglo-americana, para “gerir o mundo” depois do fim da Guerra, como de fato ocorreu, em São Francisco, em Bretton Woods, e na formulação da Doutrina Churchill-Truman da “cortina de ferro”. Além disto, Spykman defendeu a necessidade de que os Estados Unidos reconstruíssem e protegessem a Alemanha, depois da guerra, para facilitar a “contenção” da União Soviética, como aconteceu durante toda a Guerra Fria. E defendeu também a necessidade de reconstruir e proteger o Japão, para enfrentar a ameaça futura da China, que era na época o principal aliado asiático dos Estados Unidos. Por fim, Spykman se opôs ao projeto da unificação européia, e defendeu a manutenção do equilíbrio de poder europeu, tutelado pelos Estados Unidos, como vem acontecendo cada vez mais, depois da queda do Muro de Berlim.
E com relação à América, o que foi que previu e propôs Nicholas Spykman? Sobre este ponto, chama a atenção o grande espaço que ele dedica na sua obra à discussão da América Latina, e em particular, à “luta pela América do Sul”. Ele parte de uma separação radical, entre a América dos anglo-saxões e a América dos latinos. Nas suas palavras “as terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando uma similitude entre as duas que de fato não existe”.
Em seguida, ele propõe dividir o “mundo latino” em duas regiões, do ponto de vista da estratégia americana, no subcontinente: uma primeira, “mediterrânea”, que incluiria o México, a América Central e o Caribe, além da Colômbia e da Venezuela; e uma segunda que incluiria toda a América do Sul, abaixo da Colômbia e da Venezuela. Feita esta separação geopolítica, Spykman define a “América Mediterrânea como uma zona em que a supremacia dos Estados Unidos não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos Estados Unidos. O que significa que o México, Colômbia e Venezuela (por serem incapazes de se transformar em grandes potências), ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos Estados Unidos”.
Donde, qualquer ameaça à hegemonia americana na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile, a “região do ABC”. Nas palavras do próprio Spykman: “para nossos vizinhos ao sul do Rio Grande, os norte-americanos seremos sempre o “Colosso do Norte”, o que significa um perigo, no mundo do poder político.
Por isto, os países situados fora da nossa zona imediata de supremacia, ou seja, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum ou através do uso de influências de fora do hemisfério”. E neste caso, conclui: “uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida através da guerra”.
O mais interessante é que se estas análises, previsões e advertências não tivessem feitas por Nicholas Spykman, pareceriam bravata de algum destes populistas latino-americanos, que inventam inimigos externos e que se multiplicam como cogumelos, segundo a idiotia conservadora.”
Artigo de José Luís Fiori, postado no site "Carta Maior". O autor é cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Li o texto no blog do Azenha.
“Para o principal geoestrategista norte-americano do século XX, qualquer ameaça à hegemonia dos EUA na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile. Uma ameaça à hegemonia nesta região terá que ser respondida através da guerra, escreveu Spykman.”
“O principal “geoestrategista” norte-americano do século XX, nasceu em Amsterdam, em 1893, e morreu nos Estados Unidos, em 1943. Era de origem holandesa, mas fez seus estudos superiores na Universidade da Califórnia, e foi professor da Universidade de Yale, onde dirigiu o seu Instituto de Estudos Internacionais, entre 1935 e 1940. Morreu ainda jovem, com 49 anos, e deixou apenas dois livros sobre a política externa norte-americana: o primeiro, America’s Strategy in World Politics, publicado em 1942, e o segundo, The Geography of the Peace, publicado um ano depois da sua morte, em 1944. Dois livros que se transformaram na pedra angular do pensamento estratégico norte-americano de toda a segunda metade do século XX, e do início do século XXI.
Nicholas Spykman não foi um cientista, foi um “geopolítico” e a geopolítica não é uma ciência, é apenas uma disciplina que estuda a relação entre o espaço e a expansão do poder, antecipando e racionalizando as decisões estratégicas dos países que exercem poder fora de suas fronteiras nacionais. É por isto, aliás, que só existe produção geopolítica relevante, nas chamadas “grandes potências”, e cada uma delas tem sua própria “escola geopolítica”, com suas preocupações, objetivos e racionalizações específicas. Como no caso clássico da “escola geopolítica alemã”, de Friederich Ratzel e Karl Haushofer, com a sua teoria do “espaço vital” e do “pan-germanismo”, que serviu de ponto de partida para explicar a “necessidade geográfica” de expansão alemã, na direção da Europa Central, e da Rússia/União Soviética. Ou também, como no caso da “escola geopolítica inglesa” de Halford Mackinder, com sua famosa tese de que “quem controla o “coração do mundo”( situado mais ou menos entre Berlim e Moscou), controla também a “ilha mundial” (a Eurásia), e quem controla a “ilha mundial” controla o mundo”. Teoria que serviu de base para justificar a política externa britânica durante todo o século XX, e seu permanente veto e bloqueio de qualquer aliança entre a Alemanha e a Rússia/União Soviética.
Dentro desta tradição, não há dúvida que Nicholas Spykman foi o pai da “escola geopolítica norte-americana”. Ele partiu das idéias de Halford Mackinder, mas modificou sua tese central: para Spykman, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente o “coração do mundo”, é quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria, e seguem fazendo até os nossos dias. Spykman escreveu seus dois livros antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e por isto chama atenção a sua capacidade genial de prever o que aconteceria depois da guerra, tanto quanto a semelhança entre suas propostas estratégicas e a política externa que os Estados Unidos adotaram efetivamente, durante a segunda metade do século XX, na Europa, Ásia e América.
Em 1942, Nicholas Spykman defendeu a necessidade de uma aliança estratégica e de uma hegemonia conjunta, anglo-americana, para “gerir o mundo” depois do fim da Guerra, como de fato ocorreu, em São Francisco, em Bretton Woods, e na formulação da Doutrina Churchill-Truman da “cortina de ferro”. Além disto, Spykman defendeu a necessidade de que os Estados Unidos reconstruíssem e protegessem a Alemanha, depois da guerra, para facilitar a “contenção” da União Soviética, como aconteceu durante toda a Guerra Fria. E defendeu também a necessidade de reconstruir e proteger o Japão, para enfrentar a ameaça futura da China, que era na época o principal aliado asiático dos Estados Unidos. Por fim, Spykman se opôs ao projeto da unificação européia, e defendeu a manutenção do equilíbrio de poder europeu, tutelado pelos Estados Unidos, como vem acontecendo cada vez mais, depois da queda do Muro de Berlim.
E com relação à América, o que foi que previu e propôs Nicholas Spykman? Sobre este ponto, chama a atenção o grande espaço que ele dedica na sua obra à discussão da América Latina, e em particular, à “luta pela América do Sul”. Ele parte de uma separação radical, entre a América dos anglo-saxões e a América dos latinos. Nas suas palavras “as terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando uma similitude entre as duas que de fato não existe”.
Em seguida, ele propõe dividir o “mundo latino” em duas regiões, do ponto de vista da estratégia americana, no subcontinente: uma primeira, “mediterrânea”, que incluiria o México, a América Central e o Caribe, além da Colômbia e da Venezuela; e uma segunda que incluiria toda a América do Sul, abaixo da Colômbia e da Venezuela. Feita esta separação geopolítica, Spykman define a “América Mediterrânea como uma zona em que a supremacia dos Estados Unidos não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos Estados Unidos. O que significa que o México, Colômbia e Venezuela (por serem incapazes de se transformar em grandes potências), ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos Estados Unidos”.
Donde, qualquer ameaça à hegemonia americana na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile, a “região do ABC”. Nas palavras do próprio Spykman: “para nossos vizinhos ao sul do Rio Grande, os norte-americanos seremos sempre o “Colosso do Norte”, o que significa um perigo, no mundo do poder político.
Por isto, os países situados fora da nossa zona imediata de supremacia, ou seja, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum ou através do uso de influências de fora do hemisfério”. E neste caso, conclui: “uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida através da guerra”.
O mais interessante é que se estas análises, previsões e advertências não tivessem feitas por Nicholas Spykman, pareceriam bravata de algum destes populistas latino-americanos, que inventam inimigos externos e que se multiplicam como cogumelos, segundo a idiotia conservadora.”
quarta-feira, 30 de julho de 2008
A NEWSWEEK ELOGIA O BRASIL
Agora à noite, o blog do Azenha (“Vi o mundo”) postou o artigo a seguir exposto. Foi publicado, em texto de Mac Margolis, pela revista norte-americana Newsweek distribuída nas bancas em 28 último:
A AUTOCONFIANÇA NACIONAL BRUTA DO BRASIL
“Há muitas formas de medir as fortunas de uma sociedade, da renda per capita à felicidade nacional bruta. Em São Paulo talvez a melhor coisa a checar é o céu. Alto sobre esta hipercidade do Brasil, onde torres de escritório perfuram a poluição, helicópteros voam. Transportando fazedores de chuva corporativos sobre ruas congestionadas, eles pousam no topo de prédios e decolam, como se polinizassem uma selva de pedra.
O Brasil tem hoje 1.100 helicópteros privados (metade deles em São Paulo), a terceira maior frota do mundo e crescendo a 15% ao ano. Para os que ficam embaixo, condenados a batalhar numa das piores horas do rush do planeta (num dia ruim, o congestionamento pode chegar a 160 quilômetros ou mais), a visão não é nada inspiradora. Mas assim como o céu congestionado, as ruas cheias são emblemas de um novo momento em uma nação que se levantou de sua posição de crônico sub-desempenho para mercado emergente.
Isso pegou muita gente de surpresa. Por meio século o Brasil tem flertado com a grandeza, mirando as nuvens mas se queimando em seguida. O país já ganhou pelo charme uma legião de crentes, mas a convicção deles se desfez. Fugindo da Europa antes da Segunda Guerra Mundial, o escritor austríaco Stefan Zweig declarou seu país adotivo "a terra do futuro" mas depois perdeu a esperança no mundo e tomou uma dose letal de vironal em 1942 - e bem no meio do carnaval. O futuro teria que esperar. Charles DeGaulle, do alto de seu nariz espaçoso, desprezou a maior parte do mundo, mas os brasileiros levaram a sério a esnobada de que "o Brasil não é um país sério".
É uma espécie de justiça poética que os brasileiros hoje desprezem boa parte do mundo. No quarto de século em que mantenho meus olhos neste país, é a primeira vez que me lembro em que a conversa de "crise" sombria não se refere a algum debate doméstico mas a uma confusão além das fronteiras nacionais. "Ei, Bush, esperamos 20 anos para crescer", gozou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num discurso de improviso outro dia, se referindo à contaminação global causada pela crise de hipotecas nos Estados Unidos. "Vê se ajeita a casa".
Com exceção dos estádios de futebol e passarelas, essa auto-confiança é nova para este país de sub-desempenho crônico. Quando primeiro cheguei ao Rio, no início dos anos 80, com a inflação de três dígitos, a verdinha era todo-poderosa. Convertidos em maços de cruzeiros verdes e rosas ou cruzados ou cruzeiros novos (escolha a sua moeda perecível), cem dólares poderiam garantir uma semana na cidade. De vez em quando autoridades em Brasília tentavam fazer alguma coisa a respeito, cortando três zeros da moeda e congelando os preços, trazendo assim um átimo de estabilidade. Não era tão ruim quanto na Bolívia, onde uma vez eu vi gente pesando o dinheiro em vez de contando, no distrito de Chapare, mas ainda assim deixava o maior país do continente desfuncional.
Eu guardo uma caixa em uma gaveta cheia de lembretes daqueles dias. Perdido no meio de meia dúzia de versões de notas bancárias antigas e um quilo de moedas que já não valem, há um pequeno pedaço de papel com o número 2147. Foi o número da fila de espera que tirei para esperar na ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, que graças ao congelamento de preços do Plano Cruzado, de 1986, custava 38 dólares, cerca de metade do preço da passagem de ônibus. Quando os preços são mantidos assim os bens tendem a desaparecer e no Plano Cruzado não foi diferente; os aeroportos do Brasil se tornaram pousadas para passageiros que esperavam horas por um assento.
Não é fácil marcar exatamente o ponto de virada de uma nação, mas 1994 tem de ser um marco do Brasil moderno. Foi aquele o ano do Plano Real, um plano de estabilização radical com a nome da moeda lançada da mesma época, daquela vez acompanhada por disciplina fiscal, não congelamento de preços ou outra medida hocus pocus de planos "heterodoxos" anteriores. Os brasileiros estavam céticos e quem poderia culpá-los, depois de um quarto de século de reformas de band-aid e dinheiro do jogo Monopólio?
Hoje, com investidores estrangeiros se atropelando para colocar dinheiro no Brasil, o real superou as 16 moedas mais importantes do mundo, do Euro ao Yen, ganhando 13% em relação ao dólar só este ano e cerca de 60% desde 2004. Que seja de meu conhecimento a supermodelo Gisele Bündchen nunca rejeitou trabalho pago em dólares americanos, mas quando o rumor de que ela havia rejeitado se tornou um vírus no Brasil eu sabia que as coisas tinham mudado nesta parte do hemisfério. Agora são brasileiros viajando que trocam o real em maços de verdinhas e aproveitam a vida em Paris ou na Disney World.
Você não tem que ir longe para vê-los. O boom que viu o Brasil disparar também aprofundou os bolsos. O país agora tem 20 bilionários na lista da Forbes (eram apenas quatro em 2003) e 140 milionários, um aumento de 19% ano a ano, contra 6% do resto do mundo. Atendimento bancário exclusivo e gerentes de bens pessoais agora decoram os céus com seus logos e pistas de helicóptero.
A bonança não é apenas para os que usam os helicópteros. O aumento de salários (que tem sido de 16% por ano), a enchente de crédito ao consumidor (crescimento anual de 30%) e muitos novos empregos (1 milhão este ano, 7,3 milhões desde 2004), levantaram um número incontável para a classe consumidora. Muito se fala de como a economia da China tirou dezenas de milhões da pobreza. De fato, a Dragonomics aumentou a diferença de renda, enquanto o Brasil conseguiu reduzir a desigualdade enquanto cresce. Os 10% mais pobres do Brasil viram sua renda real aumentar 57% entre 2002 e 2006, contra 9% para os 10% mais ricos, diz o economista e especialista em pobreza Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.
E enquanto a classe média no mundo desenvolvido reclama que está em queda, a do Brasil continua a ascender. Cerca de 20 milhões de brasileiros subiram para a classe média na última década e agora colocam 800 carros novos por dia nas ruas de São Paulo. Soa exagerado? Cheque a hora do rush.”
A AUTOCONFIANÇA NACIONAL BRUTA DO BRASIL
“Há muitas formas de medir as fortunas de uma sociedade, da renda per capita à felicidade nacional bruta. Em São Paulo talvez a melhor coisa a checar é o céu. Alto sobre esta hipercidade do Brasil, onde torres de escritório perfuram a poluição, helicópteros voam. Transportando fazedores de chuva corporativos sobre ruas congestionadas, eles pousam no topo de prédios e decolam, como se polinizassem uma selva de pedra.
O Brasil tem hoje 1.100 helicópteros privados (metade deles em São Paulo), a terceira maior frota do mundo e crescendo a 15% ao ano. Para os que ficam embaixo, condenados a batalhar numa das piores horas do rush do planeta (num dia ruim, o congestionamento pode chegar a 160 quilômetros ou mais), a visão não é nada inspiradora. Mas assim como o céu congestionado, as ruas cheias são emblemas de um novo momento em uma nação que se levantou de sua posição de crônico sub-desempenho para mercado emergente.
Isso pegou muita gente de surpresa. Por meio século o Brasil tem flertado com a grandeza, mirando as nuvens mas se queimando em seguida. O país já ganhou pelo charme uma legião de crentes, mas a convicção deles se desfez. Fugindo da Europa antes da Segunda Guerra Mundial, o escritor austríaco Stefan Zweig declarou seu país adotivo "a terra do futuro" mas depois perdeu a esperança no mundo e tomou uma dose letal de vironal em 1942 - e bem no meio do carnaval. O futuro teria que esperar. Charles DeGaulle, do alto de seu nariz espaçoso, desprezou a maior parte do mundo, mas os brasileiros levaram a sério a esnobada de que "o Brasil não é um país sério".
É uma espécie de justiça poética que os brasileiros hoje desprezem boa parte do mundo. No quarto de século em que mantenho meus olhos neste país, é a primeira vez que me lembro em que a conversa de "crise" sombria não se refere a algum debate doméstico mas a uma confusão além das fronteiras nacionais. "Ei, Bush, esperamos 20 anos para crescer", gozou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num discurso de improviso outro dia, se referindo à contaminação global causada pela crise de hipotecas nos Estados Unidos. "Vê se ajeita a casa".
Com exceção dos estádios de futebol e passarelas, essa auto-confiança é nova para este país de sub-desempenho crônico. Quando primeiro cheguei ao Rio, no início dos anos 80, com a inflação de três dígitos, a verdinha era todo-poderosa. Convertidos em maços de cruzeiros verdes e rosas ou cruzados ou cruzeiros novos (escolha a sua moeda perecível), cem dólares poderiam garantir uma semana na cidade. De vez em quando autoridades em Brasília tentavam fazer alguma coisa a respeito, cortando três zeros da moeda e congelando os preços, trazendo assim um átimo de estabilidade. Não era tão ruim quanto na Bolívia, onde uma vez eu vi gente pesando o dinheiro em vez de contando, no distrito de Chapare, mas ainda assim deixava o maior país do continente desfuncional.
Eu guardo uma caixa em uma gaveta cheia de lembretes daqueles dias. Perdido no meio de meia dúzia de versões de notas bancárias antigas e um quilo de moedas que já não valem, há um pequeno pedaço de papel com o número 2147. Foi o número da fila de espera que tirei para esperar na ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, que graças ao congelamento de preços do Plano Cruzado, de 1986, custava 38 dólares, cerca de metade do preço da passagem de ônibus. Quando os preços são mantidos assim os bens tendem a desaparecer e no Plano Cruzado não foi diferente; os aeroportos do Brasil se tornaram pousadas para passageiros que esperavam horas por um assento.
Não é fácil marcar exatamente o ponto de virada de uma nação, mas 1994 tem de ser um marco do Brasil moderno. Foi aquele o ano do Plano Real, um plano de estabilização radical com a nome da moeda lançada da mesma época, daquela vez acompanhada por disciplina fiscal, não congelamento de preços ou outra medida hocus pocus de planos "heterodoxos" anteriores. Os brasileiros estavam céticos e quem poderia culpá-los, depois de um quarto de século de reformas de band-aid e dinheiro do jogo Monopólio?
Hoje, com investidores estrangeiros se atropelando para colocar dinheiro no Brasil, o real superou as 16 moedas mais importantes do mundo, do Euro ao Yen, ganhando 13% em relação ao dólar só este ano e cerca de 60% desde 2004. Que seja de meu conhecimento a supermodelo Gisele Bündchen nunca rejeitou trabalho pago em dólares americanos, mas quando o rumor de que ela havia rejeitado se tornou um vírus no Brasil eu sabia que as coisas tinham mudado nesta parte do hemisfério. Agora são brasileiros viajando que trocam o real em maços de verdinhas e aproveitam a vida em Paris ou na Disney World.
Você não tem que ir longe para vê-los. O boom que viu o Brasil disparar também aprofundou os bolsos. O país agora tem 20 bilionários na lista da Forbes (eram apenas quatro em 2003) e 140 milionários, um aumento de 19% ano a ano, contra 6% do resto do mundo. Atendimento bancário exclusivo e gerentes de bens pessoais agora decoram os céus com seus logos e pistas de helicóptero.
A bonança não é apenas para os que usam os helicópteros. O aumento de salários (que tem sido de 16% por ano), a enchente de crédito ao consumidor (crescimento anual de 30%) e muitos novos empregos (1 milhão este ano, 7,3 milhões desde 2004), levantaram um número incontável para a classe consumidora. Muito se fala de como a economia da China tirou dezenas de milhões da pobreza. De fato, a Dragonomics aumentou a diferença de renda, enquanto o Brasil conseguiu reduzir a desigualdade enquanto cresce. Os 10% mais pobres do Brasil viram sua renda real aumentar 57% entre 2002 e 2006, contra 9% para os 10% mais ricos, diz o economista e especialista em pobreza Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.
E enquanto a classe média no mundo desenvolvido reclama que está em queda, a do Brasil continua a ascender. Cerca de 20 milhões de brasileiros subiram para a classe média na última década e agora colocam 800 carros novos por dia nas ruas de São Paulo. Soa exagerado? Cheque a hora do rush.”
O NEOLIBERALISMO AUMENTOU AS DESIGUALDADES
O artigo a seguir exposto é de Marcio Pochmann e foi publicado na Folha de São Paulo de hoje. Mostra-nos os malefícios da política neoliberal, no Brasil endeusada pelo PSDB/PFL-DEM e adotada no governo FHC. O autor é economista, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
“AS ESCOLHAS DOS PAÍSES RICOS E A DESIGUALDADE”
“Após 70 anos de trajetória comum verificada na queda da desigualdade de renda, os países ricos passaram a apresentar tendências bem distintas nas duas últimas décadas. Em grande medida, as opções de políticas econômicas e sociais realizadas em cada uma das economias avançadas terminaram por impactar direta e indiretamente o grau de concentração da renda.
No caso das nações em que predominaram políticas econômicas e sociais de corte neoliberal, houve, em geral, interrupção no movimento de longo prazo de redução da desigualdade de renda. A combinação das medidas de focalização do gasto social com a redução no peso da tributação direta, especialmente progressiva (rebaixamento das alíquotas do Imposto de Renda e na tributação sobre a riqueza), tornou mais difícil a vida dos pobres simultaneamente ao crescimento das facilidades concedidas aos mais ricos.
Com isso, a participação do 1% mais rico da população no total da renda nacional voltou a aumentar a partir da década de 1980, após sete décadas de queda significativa.
Nas duas últimas décadas, por exemplo, a apropriação do 1% mais rico praticamente dobrou nas economias em que o uso das políticas neoliberais grassou, conforme indicam as experiências das economias dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Entre os anos 1950 e os anos 1980, o 1% mais rico de Estados Unidos, Inglaterra, França e Suíça mantiveram uma fatia da renda nacional variando de 5% a 10%. Neste século, a concentração da renda do 1% mais rico americano e a concentração do 1% mais rico inglês saltaram para quase 20% e 15%, respectivamente.
Em outras palavras, o peso dos super-ricos na apropriação da renda total voltou ao patamar do primitivismo da desigualdade do início do século 20, quando o 1% mais rico ficava com mais de 15% de todo o rendimento nacional. Assim, o crescimento da renda vem sendo acompanhado pela maior participação dos ricos, cada vez mais liberados da tributação progressiva, enquanto os pobres precisam se virar diante da revisão do papel do Estado orientado à focalização dos gastos sociais.
A supremacia do neoliberalismo não foi plena, uma vez que nem todos os países ricos se tornaram caudatários das políticas econômicas e sociais de flexibilização tributária e seletividade no gasto público. Destacam-se os exemplos das experiências da França e da Suíça, que não registram elevação na participação do 1% mais rico da população no bolo da renda desde a década de 1970, mantendo a concentração da riqueza dos super-ricos em torno dos 8% da renda nacional.
Nesses países, mesmo com a elevação na renda per capita no período mais recente, o grau de desigualdade pouco se modificou, mantendo-se no menor patamar de desigualdade distributiva do século 20.
Tanto na França como na Suíça, a concentração até caiu. Lembrando que a média da concentração nos dois países hoje é de 8%, vale destacar que, nos anos 1960, o 1% mais rico dos suíços abocanhava até 12% da renda nacional. Na França, na mesma época, a concentração era de quase 10%.
Nessas nações, ademais da ênfase nas políticas sociais de natureza universal, prevaleceram medidas tributárias progressivas, com maior peso proporcional do fisco sobre o segmento de maior renda e patrimônio.
Em síntese, percebe-se que a aplicação das políticas econômicas e sociais neoliberais não se mostrou determinante para a expansão ou não das economias avançadas. Seus efeitos distributivos, contudo, não deixaram dúvidas sobre o seu caráter de aprofundamento da desigualdade, tendo em vista os prejuízos impostos aos mais pobres.
Algumas nações ricas, sem contar com a aplicação intensa das políticas neoliberais (França e Suíça), também apresentaram expansão econômica equivalente ou superior à dos países com fortes alterações liberalizantes na tributação e na focalização do gasto social (Inglaterra e Estados Unidos). Já a desigualdade não aumentou, ao contrário do ocorrido em alguns países ricos com forte predomínio neoliberal.”
“AS ESCOLHAS DOS PAÍSES RICOS E A DESIGUALDADE”
“Após 70 anos de trajetória comum verificada na queda da desigualdade de renda, os países ricos passaram a apresentar tendências bem distintas nas duas últimas décadas. Em grande medida, as opções de políticas econômicas e sociais realizadas em cada uma das economias avançadas terminaram por impactar direta e indiretamente o grau de concentração da renda.
No caso das nações em que predominaram políticas econômicas e sociais de corte neoliberal, houve, em geral, interrupção no movimento de longo prazo de redução da desigualdade de renda. A combinação das medidas de focalização do gasto social com a redução no peso da tributação direta, especialmente progressiva (rebaixamento das alíquotas do Imposto de Renda e na tributação sobre a riqueza), tornou mais difícil a vida dos pobres simultaneamente ao crescimento das facilidades concedidas aos mais ricos.
Com isso, a participação do 1% mais rico da população no total da renda nacional voltou a aumentar a partir da década de 1980, após sete décadas de queda significativa.
Nas duas últimas décadas, por exemplo, a apropriação do 1% mais rico praticamente dobrou nas economias em que o uso das políticas neoliberais grassou, conforme indicam as experiências das economias dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Entre os anos 1950 e os anos 1980, o 1% mais rico de Estados Unidos, Inglaterra, França e Suíça mantiveram uma fatia da renda nacional variando de 5% a 10%. Neste século, a concentração da renda do 1% mais rico americano e a concentração do 1% mais rico inglês saltaram para quase 20% e 15%, respectivamente.
Em outras palavras, o peso dos super-ricos na apropriação da renda total voltou ao patamar do primitivismo da desigualdade do início do século 20, quando o 1% mais rico ficava com mais de 15% de todo o rendimento nacional. Assim, o crescimento da renda vem sendo acompanhado pela maior participação dos ricos, cada vez mais liberados da tributação progressiva, enquanto os pobres precisam se virar diante da revisão do papel do Estado orientado à focalização dos gastos sociais.
A supremacia do neoliberalismo não foi plena, uma vez que nem todos os países ricos se tornaram caudatários das políticas econômicas e sociais de flexibilização tributária e seletividade no gasto público. Destacam-se os exemplos das experiências da França e da Suíça, que não registram elevação na participação do 1% mais rico da população no bolo da renda desde a década de 1970, mantendo a concentração da riqueza dos super-ricos em torno dos 8% da renda nacional.
Nesses países, mesmo com a elevação na renda per capita no período mais recente, o grau de desigualdade pouco se modificou, mantendo-se no menor patamar de desigualdade distributiva do século 20.
Tanto na França como na Suíça, a concentração até caiu. Lembrando que a média da concentração nos dois países hoje é de 8%, vale destacar que, nos anos 1960, o 1% mais rico dos suíços abocanhava até 12% da renda nacional. Na França, na mesma época, a concentração era de quase 10%.
Nessas nações, ademais da ênfase nas políticas sociais de natureza universal, prevaleceram medidas tributárias progressivas, com maior peso proporcional do fisco sobre o segmento de maior renda e patrimônio.
Em síntese, percebe-se que a aplicação das políticas econômicas e sociais neoliberais não se mostrou determinante para a expansão ou não das economias avançadas. Seus efeitos distributivos, contudo, não deixaram dúvidas sobre o seu caráter de aprofundamento da desigualdade, tendo em vista os prejuízos impostos aos mais pobres.
Algumas nações ricas, sem contar com a aplicação intensa das políticas neoliberais (França e Suíça), também apresentaram expansão econômica equivalente ou superior à dos países com fortes alterações liberalizantes na tributação e na focalização do gasto social (Inglaterra e Estados Unidos). Já a desigualdade não aumentou, ao contrário do ocorrido em alguns países ricos com forte predomínio neoliberal.”
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE SÃO PAULO CRESCE 8,8% EM RELAÇÃO A 2007
Reportagem de Fernando Antunes para a Folha Online, publicada pelo portal UOL na tarde de hoje, mostra que o crescimento da economia brasileira continua forte, surpreendendo até os especialistas da Federação das Indústrias do Estado:
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE SÃO PAULO SOBE 3,1% EM JUNHO, DIZ FIESP
"O INA, indicador do nível de atividade da indústria paulista, teve alta de 3,1% em junho contra maio, segundo levantamento da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), já considerado o ajuste sazonal. Sem ajuste sazonal, houve alta de 1,9%.
Na comparação com junho do ano passado, o indicador apresenta um incremento de 8,2%. No acumulado do ano até o mês passado, o INA mostrou alta de 8,8% sobre o mesmo período em 2007.
Segundo o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp, Paulo Francini, o resultado de junho foi considerado como uma 'surpresa positiva'."
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE SÃO PAULO SOBE 3,1% EM JUNHO, DIZ FIESP
"O INA, indicador do nível de atividade da indústria paulista, teve alta de 3,1% em junho contra maio, segundo levantamento da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), já considerado o ajuste sazonal. Sem ajuste sazonal, houve alta de 1,9%.
Na comparação com junho do ano passado, o indicador apresenta um incremento de 8,2%. No acumulado do ano até o mês passado, o INA mostrou alta de 8,8% sobre o mesmo período em 2007.
Segundo o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp, Paulo Francini, o resultado de junho foi considerado como uma 'surpresa positiva'."
terça-feira, 29 de julho de 2008
KASSAB (DEM-SP) NA "LISTA SUJA"
No início desta noite (18h37), o portal UOL publicou a notícia seguinte, da qual transcrevo a parte inicial:
AMB INCLUI NOME DE GILBERTO KASSAB NA "LISTA SUJA"
“Rosanne D'Agostino
Em São Paulo
“O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), foi incluído nesta terça-feira (29) na apelidada "lista suja" da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que contém os candidatos com ações em andamento na Justiça. Kassab responde por improbidade administrativa.
Reportagem do UOL revelou na sexta-feira (25) que o processo a que responde Kassab continua em andamento no Tribunal de Justiça de São Paulo, embora não tenha sido incluído na lista divulgada na última terça (22). Na capital paulista, a relação continha apenas os adversários na disputa Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).”
AMB INCLUI NOME DE GILBERTO KASSAB NA "LISTA SUJA"
“Rosanne D'Agostino
Em São Paulo
“O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), foi incluído nesta terça-feira (29) na apelidada "lista suja" da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que contém os candidatos com ações em andamento na Justiça. Kassab responde por improbidade administrativa.
Reportagem do UOL revelou na sexta-feira (25) que o processo a que responde Kassab continua em andamento no Tribunal de Justiça de São Paulo, embora não tenha sido incluído na lista divulgada na última terça (22). Na capital paulista, a relação continha apenas os adversários na disputa Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).”
UM PROJETO DE ESTADO
Li ontem no jornal “O Povo”, de Fortaleza-CE, com o título acima, um interessante artigo de Roberto Amaral - Diretor-Geral no Brasil da “Alcântara Cyclone Space”. O autor é ex-ministro da Ciência e Tecnologia.
“O primeiro satélite artificial, o Sputnik, inaugurou em 1957 a Era das Telecomunicações. Em 1961, Iuri Gagarin nos disse que a Terra é azul. E quando, em 1969, Neil Armstrong pisou na Lua, uns não acreditaram e outros comemoraram o fato como vitória do capitalismo no Fla-Flu da Guerra Fria. Questionavam alguns por que ir ao espaço, com tantos problemas aqui mesmo, na Terra. Nesses idos, completar uma ligação interurbana levava horas. A telecomunicação engatinhava. O mundo atual, então, era impensável.
Hoje, em todo lugar temos celulares, internet e meios que informam, em segundos, que um ciclone ameaça o litoral e que tropas avançam do outro lado do mundo. A vida é frenética e quem não detém informação perde a corrida do progresso. A disseminação da informação foi possível graças aos avanços que um dia pareceram extravagâncias.
A raiz dessa revolução é a invenção do satélite artificial, que mudou a co-relação de forças entre os povos. Quem domina a tecnologia de fabricar e lançar satélites é senhor e soberano. Controla desde sua meteorologia, até a segurança de suas fronteiras e matas. Fala e ouve o mundo. Implanta programas de educação e saúde à distância. Usufrui, enfim, de tudo o que o homem criou em milênios de evolução. Apenas oito países detêm a tecnologia de lançamentos. Nosso país quer e precisa entrar nesse clube.
No Brasil, temos o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que inclui o desenvolvimento de satélites e o penoso desenvolvimento de um foguete (VLS), no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), que sofreu, desde o início, a falta de recursos e vontade política. Nos anos 80, ombreávamos com Índia e China em termos de tecnologia espacial. Hoje, esses países têm foguetes enquanto nós tentamos viabilizar a última oportunidade de ocupar um lugar ao sol na disputa do espaço. Sem foguete, dependemos de carona. O satélite CBERS, construído junto com a China, é lançado de sua base de lançamentos em Taiyuan, por foguete chinês.
A Alcântara Cyclone Space (ACS), parceria dos governos de Brasil e Ucrânia para lançar foguetes de Alcântara (MA), é vitória de todos nós. Nossos sócios vieram atrás das vantagens da região, que a dois graus do Equador barateia o lançamento ou aumenta a capacidade de carga em até 30%.
A tecnologia dos foguetes Cyclone é comprovada por 200 lançamentos bem-sucedidos. Para nós, representa acesso à disputa de boa fatia de um mercado internacional de US$3,7 bilhões/ano. Até 2016, estima-se que seja necessário lançar 401 satélites para renovar os que vão envelhecendo. Além de nos permitir transformar um município paupérrimo, habitado por uma população limitada à caça, pesca e agricultura familiar, no maior complexo espacial da América Latina, com a atração de fornecedores de equipamentos para os projetos dos sítios e investimentos de cerca de R$1 bilhão em infra-estrutura na região.
A parceria traz ainda oportunidade de incorporação de tecnologias sensíveis às quais não temos acesso. Queremos tecnologia, pois quem não é senhor de suas informações é vulnerável a interesses que nem sempre serão os seus. A ACS é projeto de Estado, ação de inclusão tecnológica de quem quer levar o país a novo patamar de desenvolvimento. O que buscamos, aqui, é dirigir nossa História.”
“O primeiro satélite artificial, o Sputnik, inaugurou em 1957 a Era das Telecomunicações. Em 1961, Iuri Gagarin nos disse que a Terra é azul. E quando, em 1969, Neil Armstrong pisou na Lua, uns não acreditaram e outros comemoraram o fato como vitória do capitalismo no Fla-Flu da Guerra Fria. Questionavam alguns por que ir ao espaço, com tantos problemas aqui mesmo, na Terra. Nesses idos, completar uma ligação interurbana levava horas. A telecomunicação engatinhava. O mundo atual, então, era impensável.
Hoje, em todo lugar temos celulares, internet e meios que informam, em segundos, que um ciclone ameaça o litoral e que tropas avançam do outro lado do mundo. A vida é frenética e quem não detém informação perde a corrida do progresso. A disseminação da informação foi possível graças aos avanços que um dia pareceram extravagâncias.
A raiz dessa revolução é a invenção do satélite artificial, que mudou a co-relação de forças entre os povos. Quem domina a tecnologia de fabricar e lançar satélites é senhor e soberano. Controla desde sua meteorologia, até a segurança de suas fronteiras e matas. Fala e ouve o mundo. Implanta programas de educação e saúde à distância. Usufrui, enfim, de tudo o que o homem criou em milênios de evolução. Apenas oito países detêm a tecnologia de lançamentos. Nosso país quer e precisa entrar nesse clube.
No Brasil, temos o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que inclui o desenvolvimento de satélites e o penoso desenvolvimento de um foguete (VLS), no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), que sofreu, desde o início, a falta de recursos e vontade política. Nos anos 80, ombreávamos com Índia e China em termos de tecnologia espacial. Hoje, esses países têm foguetes enquanto nós tentamos viabilizar a última oportunidade de ocupar um lugar ao sol na disputa do espaço. Sem foguete, dependemos de carona. O satélite CBERS, construído junto com a China, é lançado de sua base de lançamentos em Taiyuan, por foguete chinês.
A Alcântara Cyclone Space (ACS), parceria dos governos de Brasil e Ucrânia para lançar foguetes de Alcântara (MA), é vitória de todos nós. Nossos sócios vieram atrás das vantagens da região, que a dois graus do Equador barateia o lançamento ou aumenta a capacidade de carga em até 30%.
A tecnologia dos foguetes Cyclone é comprovada por 200 lançamentos bem-sucedidos. Para nós, representa acesso à disputa de boa fatia de um mercado internacional de US$3,7 bilhões/ano. Até 2016, estima-se que seja necessário lançar 401 satélites para renovar os que vão envelhecendo. Além de nos permitir transformar um município paupérrimo, habitado por uma população limitada à caça, pesca e agricultura familiar, no maior complexo espacial da América Latina, com a atração de fornecedores de equipamentos para os projetos dos sítios e investimentos de cerca de R$1 bilhão em infra-estrutura na região.
A parceria traz ainda oportunidade de incorporação de tecnologias sensíveis às quais não temos acesso. Queremos tecnologia, pois quem não é senhor de suas informações é vulnerável a interesses que nem sempre serão os seus. A ACS é projeto de Estado, ação de inclusão tecnológica de quem quer levar o país a novo patamar de desenvolvimento. O que buscamos, aqui, é dirigir nossa História.”
ESTADOS UNIDOS PREJUDICAM SATÉLITES BRASILEIROS
Li essa notícia hoje no site www.inovacao.unicamp.br. Ela nos mostra como é real e presente o monitoramento norte-americano para impedir o nosso desenvolvimento nas áreas que agregam mais valor aos produtos nacionais.
As áreas espacial, aeronáutica, de eletrônica, química e mecânica finas, de fármacos, informática, biotecnologia, fortes geradoras de produtos de alto valor agregado, têm o desenvolvimento nacional inibido ao máximo pelos países detentores dessas tecnologias. Para as grandes potências industriais e militares, o papel ideal do Brasil é de exportador contido e disciplinado de produtos agrícolas, matérias-primas ou de semimanufaturados, e de importador de produtos que valem milhares de dólares por quilo. É assim, hoje, a diferença entre metrópole e colônia. Vejamos a notícia de hoje que selecionei sobre o assunto:
SATÉLITE SINO-BRASILEIRO
EUA IMPÕEM RESTRIÇÕES À COMPRA DE COMPONENTES PARA O CBERS
“As restrições impostas à importação de componentes para a fabricação do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS-3, provocaram alterações no cronograma de lançamento do satélite. Inicialmente previsto para ir ao espaço em 2009, o CBERS-3 só estará pronto para lançamento em 2010. As dificuldades de importação de componentes resultam da ação dos Estados Unidos. O governo dos EUA teme que exportações de produtos de empresas norte-americanas a ser embarcados no CBERS-3 resultem em transferência de tecnologias sensíveis para os chineses, que podem ser usadas por estes com fins militares.
As restrições atrasaram as entregas de partes dos subsistemas do CBERS-3 que eram de responsabilidade do Brasil na parceria com a China. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que gerencia o programa CBERS, contrata empresas no País para desenvolver e produzir parte desses subsistemas. Algumas dessas firmas tiveram problemas na importação dos componentes. Em julho, o instituto recebeu a notícia de que mais três componentes importantes não serão vendidos para o projeto.
A informação foi dada dia 17 de julho por Jânio Kono, gerente da área espacial do programa CBERS, durante mesa-redonda sobre o programa e a formação de recursos humanos para a indústria aeroespacial na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Kono não revelou quais são os três componentes que não serão entregues.
Os subsistemas do satélite sino-brasileiro sob responsabilidade do Brasil são: estrutura; suprimento de energia; telecomunicações de telemetria e telecomando; imageadores; transmissores de dados; gravador de dados; carga útil de coleta de dados. Além desses subsistemas, o Brasil fabrica os computadores de supervisão de bordo e controle de atitude. Em todos os subsistemas houve restrições de importação dos EUA que causaram atrasos no desenvolvimento, testes e fabricação. O país é líder em tecnologias espaciais.
AS RESTRIÇÕES DOS EUA
Uma das empresas impedidas de comprar componentes nos EUA foi a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A empresa ficou encarregada de montar duas câmeras do CBERS-3, e teve de cancelar um contrato de US$ 45 mil com a International Rectifier (IR), da Califórnia, em 2007. O componente comprado — um conversor de corrente altamente sensível — não pôde ser embarcado para o Brasil, mesmo depois de pago, porque as severas regras do governo dos EUA impediram a empresa californiana de fornecer o produto. Empresas norte-americanas que exportem tecnologia considerada sensível pelo Departamento de Estado dos EUA são fortemente penalizadas. O receio dessas penalidades, impostas pelo governo, fazem-nas desistir de negócios com países como China, Coréia do Norte, Cuba e Irã, entre outros.
As empresas dos EUA pedem a seus compradores no exterior para assinar o que chamam de "bomb letter". Na carta, o comprador se compromete a não dar a esses produtos nenhuma destinação que os EUA não aprovariam, como a fabricação de bombas — daí o nome. Limitar a transferência de tecnologia também é preocupação de outros países, que os faz adotar medidas e restrições semelhantes às dos EUA.
No caso norte-americano, há uma norma específica sobre isso, conhecida pela sigla ITAR — International Traffic in Arms Regulations. Nela, há uma lista que classifica os países em graus de proibição de exportação, segundo o desenvolvimento tecnológico e as relações comerciais e políticas de cada um deles com os EUA. A ITAR também enumera quais componentes devem ter a exportação restringida ou impedida. As firmas norte-americanas, ao cumprir a norma, deixaram de exportar vários componentes para o Brasil, em razão da participação da China no CBERS.
ESTADOS UNIDOS PREJUDICAM SATÉLITES BRASILEIROS
Jarbas Caiado de Castro Neto, presidente da Opto, foi o primeiro a mencionar o embargo às importações por parte dos EUA durante a mesa-redonda na reunião anual da SBPC. A Opto desenvolve e constrói duas câmeras para o CBERS-3: uma multiespectral de alta resolução, conhecida pela sigla MUX, que a empresa desenvolve sozinha e que servirá para monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais; e uma câmera imageadora de amplo campo de visada, conhecida pela sigla WFI, desenvolvida em consórcio com a empresa Equatorial Sistemas. Esse último tipo de câmera cobre grandes extensões territoriais, maiores do que as cobertas pela MUX, por exemplo, que registra mais detalhes. "No caso da WFI, que é muito mais simples do que a MUX, se não fosse o boicote norte-americano, já estaríamos em uma etapa mais avançada", contou Castro Neto.
O empresário afirmou que, sem o embargo dos EUA, a câmera estaria sendo qualificada em modelo de vôo, praticamente a fase final de testes no desenvolvimento de um satélite. Em qualquer programa espacial, como lançamento de satélites, há uma série de testes feitos para qualificar os componentes, subsistemas, todas as tecnologias utilizadas. Qualificar significa verificar se os subsistemas e componentes atendem aos requisitos técnicos dados por quem encomendou o satélite. Esses requisitos definem o que cada componente ou subsistema deve fazer e dão os parâmetros para que estes "sobrevivam" às condições de vôo e ao ambiente espacial. Por exemplo: os componentes devem operar perfeitamente em ambientes sem gravidade, resistir a grandes variações de temperatura, etc.
Contudo, Castro Neto destacou que os problemas de importação, por conta da norma ITAR, não são de todo negativos, pois estão se transformando em oportunidade. Podem tornar o País mais independente de nações mais desenvolvidas no que se refere às tecnologias para os satélites, comentou ele na apresentação na SBPC.
SOLUÇÃO PARA O BLOQUEIO DE IMPORTAÇÕES
Como participante da platéia, Jânio Kono, do INPE, usou o espaço de debates para oferecer mais informações sobre o assunto. Segundo ele, o maior problema no desenvolvimento do CBERS-3 foi o embargo às importações de componentes. Quando o Brasil e a China construíram o CBERS-2, já houve alguma restrição, lembrou. Para o CBERS-3, disse ele, as câmeras e todos os subsistemas que ficaram sob responsabilidade do Brasil foram afetados pelas dificuldades impostas pelos norte-americanos. "Projetos foram recomeçados, refeitos, componentes foram trocados, causando atrasos", enumerou Kono.
Por e-mail, Kono contou a Inovação, de maneira mais detalhada, a forma encontrada pelo INPE para ajudar as empresas parceiras a atender as encomendas, de modo a não aumentar ainda mais o atraso no lançamento do satélite causado pela restrição na importação de componentes de alta confiabilidade e qualificados para uso no espaço. "Os problemas e os atrasos foram diferentes para cada subsistema e estão sendo resolvidos caso a caso", contou. Procuram-se, em primeiro lugar, componentes qualificados com funções similares que possam substituir os restritos. "Se não forem encontrados, há um impacto maior no projeto. Em certos casos, optou-se por mudanças substanciais na concepção do subsistema", completou. Em outros casos, procura-se qualificar para o uso no CBERS, por meio de testes adicionais (chamados de up-screening), componentes para os quais não há garantia de qualificação dos fabricantes. "Isso deve ser feito com cuidado para não comprometer a confiabilidade do satélite", alertou.
SETOR ESPACIAL NO BRASIL É MARCADO POR POUCAS ENCOMENDAS
O embargo na importação amplia os problemas das empresas do setor espacial no Brasil, que dependem muito do governo. Na Europa, as empresas do setor espacial têm encontrado um mercado em expansão por atuarem também em telecomunicações, por exemplo. Nos Estados Unidos, o programa espacial é estratégico e recebe grandes volumes de recursos por parte do governo, o que sustenta o setor.
Já no Brasil, há forte sazonalidade, devido à instabilidade no repasse de recursos, por parte do governo, aos projetos que integram o programa espacial brasileiro. César Ghizoni, presidente da empresa Equatorial Sistemas e um dos palestrantes da mesa-redonda sobre a importância do CBERS na formação de recursos humanos nas indústrias, e Jarbas Caiado de Castro Neto, da Opto, falaram das estratégias diferentes para sobreviver também a essa sazonalidade.
Os dois primeiros satélites do programa, CBERS-1 e 2, quase não contaram com a participação de empresas privadas. Praticamente tudo do CBERS-1 foi desenvolvido pelo INPE, dentro dos subsistemas que eram de responsabilidade do País. No CBERS-2, empresas participaram discretamente, e isso se ampliou no CBERS-2B e no CBERS-3. Mas, por quase cinco anos, o programa CBERS não fez nenhuma encomenda para a iniciativa privada.
Empresas como a Opto, que atua em outros nichos de mercado, conseguem gerar caixa com outras atividades para se manter enquanto o governo não faz uma encomenda. No caso da Opto, ela utiliza a expertise conseguida pela divisão aeroespacial, que trabalha com sistemas imageadores (câmeras) para satélite e ópticos para defesa, para desenvolver e fabricar produtos para uso civil. Daí ela ter uma divisão médica, com foco em oftalmologia, e de filmes finos, que trabalha com lentes de óculos anti-reflexo.
Já a Equatorial, que atua exclusivamente no setor, seguiu outro caminho: fez parceria com empresas internacionais para participar de projetos de outros países. O programa espacial brasileiro não gera demanda que consiga manter uma empresa funcionando por muito tempo, devido à sazonalidade das encomendas. A saída, segundo Ghizoni, foi se internacionalizar. A Equatorial tem como acionista minoritária a European Aeronautics Defence and Space Company (EADS), e isso facilita a entrada da empresa brasileira em outros mercados.
Apesar dos problemas envolvendo o setor espacial no Brasil, ambas as firmas destacam como ponto positivo do programa espacial brasileiro o projeto CBERS. Trata-se do único projeto ativo do programa espacial nacional de longa duração. Completou 20 anos em 2008. E quando as empresas participam de um projeto como o CBERS, destacou Ghizoni, ganham ao se capacitar e formar pessoas capazes de lidar com tecnologias de última geração, pois os requisitos para trabalhar na área espacial são maiores do que os para desenvolver um produto para uso civil.
A Opto ilustra bem isso: a participação no CBERS é fundamental para suas outras atividades, porque amplia sua capacidade de inovar. Um exemplo: por ser muito sofisticado, o sistema de imagem do CBERS exigiu da Opto a montagem de uma equipe de físicos e engenheiros treinados em desenho óptico. Essa mesma equipe trabalhou na câmera de fundo de olho, produto da área oftalmológica da empresa. Essa câmera fotografa toda a retina do olho. Apenas duas outras empresas em todo o mundo — uma japonesa e outra alemã — produzem equipamentos similares.
OS PRÓXIMOS PASSOS PARA O LANÇAMENTO DO CBERS-3
Segundo Jânio Koko, no momento o INPE está realizando testes para qualificação do projeto estrutural do satélite, em São Jose dos Campos (SP). Os modelos de engenharia dos subsistemas estão sendo entregues pelas empresas contratadas e deverão ser enviados para a China em agosto. A partir de setembro, um modelo de engenharia do satélite será integrado e o funcionamento e desempenho do satélite serão verificados. "Esses modelos de engenharia são semelhantes aos equipamentos que irão integrar os satélites de vôo, mas são fabricados com componentes não qualificados e não são submetidos aos testes ambientais de qualificação", explicou. Os componentes qualificados serão utilizados em modelos de qualificação e modelos de vôo dos equipamentos.
Além da Opto e da Equatorial, outras empresas, como Mectron, Cenic e Fibraforte, participam do projeto do CBERS-3, contratadas pelo INPE para desenvolvimento e montagem de partes dos subsistemas do satélite.”
As áreas espacial, aeronáutica, de eletrônica, química e mecânica finas, de fármacos, informática, biotecnologia, fortes geradoras de produtos de alto valor agregado, têm o desenvolvimento nacional inibido ao máximo pelos países detentores dessas tecnologias. Para as grandes potências industriais e militares, o papel ideal do Brasil é de exportador contido e disciplinado de produtos agrícolas, matérias-primas ou de semimanufaturados, e de importador de produtos que valem milhares de dólares por quilo. É assim, hoje, a diferença entre metrópole e colônia. Vejamos a notícia de hoje que selecionei sobre o assunto:
SATÉLITE SINO-BRASILEIRO
EUA IMPÕEM RESTRIÇÕES À COMPRA DE COMPONENTES PARA O CBERS
“As restrições impostas à importação de componentes para a fabricação do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS-3, provocaram alterações no cronograma de lançamento do satélite. Inicialmente previsto para ir ao espaço em 2009, o CBERS-3 só estará pronto para lançamento em 2010. As dificuldades de importação de componentes resultam da ação dos Estados Unidos. O governo dos EUA teme que exportações de produtos de empresas norte-americanas a ser embarcados no CBERS-3 resultem em transferência de tecnologias sensíveis para os chineses, que podem ser usadas por estes com fins militares.
As restrições atrasaram as entregas de partes dos subsistemas do CBERS-3 que eram de responsabilidade do Brasil na parceria com a China. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que gerencia o programa CBERS, contrata empresas no País para desenvolver e produzir parte desses subsistemas. Algumas dessas firmas tiveram problemas na importação dos componentes. Em julho, o instituto recebeu a notícia de que mais três componentes importantes não serão vendidos para o projeto.
A informação foi dada dia 17 de julho por Jânio Kono, gerente da área espacial do programa CBERS, durante mesa-redonda sobre o programa e a formação de recursos humanos para a indústria aeroespacial na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Kono não revelou quais são os três componentes que não serão entregues.
Os subsistemas do satélite sino-brasileiro sob responsabilidade do Brasil são: estrutura; suprimento de energia; telecomunicações de telemetria e telecomando; imageadores; transmissores de dados; gravador de dados; carga útil de coleta de dados. Além desses subsistemas, o Brasil fabrica os computadores de supervisão de bordo e controle de atitude. Em todos os subsistemas houve restrições de importação dos EUA que causaram atrasos no desenvolvimento, testes e fabricação. O país é líder em tecnologias espaciais.
AS RESTRIÇÕES DOS EUA
Uma das empresas impedidas de comprar componentes nos EUA foi a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A empresa ficou encarregada de montar duas câmeras do CBERS-3, e teve de cancelar um contrato de US$ 45 mil com a International Rectifier (IR), da Califórnia, em 2007. O componente comprado — um conversor de corrente altamente sensível — não pôde ser embarcado para o Brasil, mesmo depois de pago, porque as severas regras do governo dos EUA impediram a empresa californiana de fornecer o produto. Empresas norte-americanas que exportem tecnologia considerada sensível pelo Departamento de Estado dos EUA são fortemente penalizadas. O receio dessas penalidades, impostas pelo governo, fazem-nas desistir de negócios com países como China, Coréia do Norte, Cuba e Irã, entre outros.
As empresas dos EUA pedem a seus compradores no exterior para assinar o que chamam de "bomb letter". Na carta, o comprador se compromete a não dar a esses produtos nenhuma destinação que os EUA não aprovariam, como a fabricação de bombas — daí o nome. Limitar a transferência de tecnologia também é preocupação de outros países, que os faz adotar medidas e restrições semelhantes às dos EUA.
No caso norte-americano, há uma norma específica sobre isso, conhecida pela sigla ITAR — International Traffic in Arms Regulations. Nela, há uma lista que classifica os países em graus de proibição de exportação, segundo o desenvolvimento tecnológico e as relações comerciais e políticas de cada um deles com os EUA. A ITAR também enumera quais componentes devem ter a exportação restringida ou impedida. As firmas norte-americanas, ao cumprir a norma, deixaram de exportar vários componentes para o Brasil, em razão da participação da China no CBERS.
ESTADOS UNIDOS PREJUDICAM SATÉLITES BRASILEIROS
Jarbas Caiado de Castro Neto, presidente da Opto, foi o primeiro a mencionar o embargo às importações por parte dos EUA durante a mesa-redonda na reunião anual da SBPC. A Opto desenvolve e constrói duas câmeras para o CBERS-3: uma multiespectral de alta resolução, conhecida pela sigla MUX, que a empresa desenvolve sozinha e que servirá para monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais; e uma câmera imageadora de amplo campo de visada, conhecida pela sigla WFI, desenvolvida em consórcio com a empresa Equatorial Sistemas. Esse último tipo de câmera cobre grandes extensões territoriais, maiores do que as cobertas pela MUX, por exemplo, que registra mais detalhes. "No caso da WFI, que é muito mais simples do que a MUX, se não fosse o boicote norte-americano, já estaríamos em uma etapa mais avançada", contou Castro Neto.
O empresário afirmou que, sem o embargo dos EUA, a câmera estaria sendo qualificada em modelo de vôo, praticamente a fase final de testes no desenvolvimento de um satélite. Em qualquer programa espacial, como lançamento de satélites, há uma série de testes feitos para qualificar os componentes, subsistemas, todas as tecnologias utilizadas. Qualificar significa verificar se os subsistemas e componentes atendem aos requisitos técnicos dados por quem encomendou o satélite. Esses requisitos definem o que cada componente ou subsistema deve fazer e dão os parâmetros para que estes "sobrevivam" às condições de vôo e ao ambiente espacial. Por exemplo: os componentes devem operar perfeitamente em ambientes sem gravidade, resistir a grandes variações de temperatura, etc.
Contudo, Castro Neto destacou que os problemas de importação, por conta da norma ITAR, não são de todo negativos, pois estão se transformando em oportunidade. Podem tornar o País mais independente de nações mais desenvolvidas no que se refere às tecnologias para os satélites, comentou ele na apresentação na SBPC.
SOLUÇÃO PARA O BLOQUEIO DE IMPORTAÇÕES
Como participante da platéia, Jânio Kono, do INPE, usou o espaço de debates para oferecer mais informações sobre o assunto. Segundo ele, o maior problema no desenvolvimento do CBERS-3 foi o embargo às importações de componentes. Quando o Brasil e a China construíram o CBERS-2, já houve alguma restrição, lembrou. Para o CBERS-3, disse ele, as câmeras e todos os subsistemas que ficaram sob responsabilidade do Brasil foram afetados pelas dificuldades impostas pelos norte-americanos. "Projetos foram recomeçados, refeitos, componentes foram trocados, causando atrasos", enumerou Kono.
Por e-mail, Kono contou a Inovação, de maneira mais detalhada, a forma encontrada pelo INPE para ajudar as empresas parceiras a atender as encomendas, de modo a não aumentar ainda mais o atraso no lançamento do satélite causado pela restrição na importação de componentes de alta confiabilidade e qualificados para uso no espaço. "Os problemas e os atrasos foram diferentes para cada subsistema e estão sendo resolvidos caso a caso", contou. Procuram-se, em primeiro lugar, componentes qualificados com funções similares que possam substituir os restritos. "Se não forem encontrados, há um impacto maior no projeto. Em certos casos, optou-se por mudanças substanciais na concepção do subsistema", completou. Em outros casos, procura-se qualificar para o uso no CBERS, por meio de testes adicionais (chamados de up-screening), componentes para os quais não há garantia de qualificação dos fabricantes. "Isso deve ser feito com cuidado para não comprometer a confiabilidade do satélite", alertou.
SETOR ESPACIAL NO BRASIL É MARCADO POR POUCAS ENCOMENDAS
O embargo na importação amplia os problemas das empresas do setor espacial no Brasil, que dependem muito do governo. Na Europa, as empresas do setor espacial têm encontrado um mercado em expansão por atuarem também em telecomunicações, por exemplo. Nos Estados Unidos, o programa espacial é estratégico e recebe grandes volumes de recursos por parte do governo, o que sustenta o setor.
Já no Brasil, há forte sazonalidade, devido à instabilidade no repasse de recursos, por parte do governo, aos projetos que integram o programa espacial brasileiro. César Ghizoni, presidente da empresa Equatorial Sistemas e um dos palestrantes da mesa-redonda sobre a importância do CBERS na formação de recursos humanos nas indústrias, e Jarbas Caiado de Castro Neto, da Opto, falaram das estratégias diferentes para sobreviver também a essa sazonalidade.
Os dois primeiros satélites do programa, CBERS-1 e 2, quase não contaram com a participação de empresas privadas. Praticamente tudo do CBERS-1 foi desenvolvido pelo INPE, dentro dos subsistemas que eram de responsabilidade do País. No CBERS-2, empresas participaram discretamente, e isso se ampliou no CBERS-2B e no CBERS-3. Mas, por quase cinco anos, o programa CBERS não fez nenhuma encomenda para a iniciativa privada.
Empresas como a Opto, que atua em outros nichos de mercado, conseguem gerar caixa com outras atividades para se manter enquanto o governo não faz uma encomenda. No caso da Opto, ela utiliza a expertise conseguida pela divisão aeroespacial, que trabalha com sistemas imageadores (câmeras) para satélite e ópticos para defesa, para desenvolver e fabricar produtos para uso civil. Daí ela ter uma divisão médica, com foco em oftalmologia, e de filmes finos, que trabalha com lentes de óculos anti-reflexo.
Já a Equatorial, que atua exclusivamente no setor, seguiu outro caminho: fez parceria com empresas internacionais para participar de projetos de outros países. O programa espacial brasileiro não gera demanda que consiga manter uma empresa funcionando por muito tempo, devido à sazonalidade das encomendas. A saída, segundo Ghizoni, foi se internacionalizar. A Equatorial tem como acionista minoritária a European Aeronautics Defence and Space Company (EADS), e isso facilita a entrada da empresa brasileira em outros mercados.
Apesar dos problemas envolvendo o setor espacial no Brasil, ambas as firmas destacam como ponto positivo do programa espacial brasileiro o projeto CBERS. Trata-se do único projeto ativo do programa espacial nacional de longa duração. Completou 20 anos em 2008. E quando as empresas participam de um projeto como o CBERS, destacou Ghizoni, ganham ao se capacitar e formar pessoas capazes de lidar com tecnologias de última geração, pois os requisitos para trabalhar na área espacial são maiores do que os para desenvolver um produto para uso civil.
A Opto ilustra bem isso: a participação no CBERS é fundamental para suas outras atividades, porque amplia sua capacidade de inovar. Um exemplo: por ser muito sofisticado, o sistema de imagem do CBERS exigiu da Opto a montagem de uma equipe de físicos e engenheiros treinados em desenho óptico. Essa mesma equipe trabalhou na câmera de fundo de olho, produto da área oftalmológica da empresa. Essa câmera fotografa toda a retina do olho. Apenas duas outras empresas em todo o mundo — uma japonesa e outra alemã — produzem equipamentos similares.
OS PRÓXIMOS PASSOS PARA O LANÇAMENTO DO CBERS-3
Segundo Jânio Koko, no momento o INPE está realizando testes para qualificação do projeto estrutural do satélite, em São Jose dos Campos (SP). Os modelos de engenharia dos subsistemas estão sendo entregues pelas empresas contratadas e deverão ser enviados para a China em agosto. A partir de setembro, um modelo de engenharia do satélite será integrado e o funcionamento e desempenho do satélite serão verificados. "Esses modelos de engenharia são semelhantes aos equipamentos que irão integrar os satélites de vôo, mas são fabricados com componentes não qualificados e não são submetidos aos testes ambientais de qualificação", explicou. Os componentes qualificados serão utilizados em modelos de qualificação e modelos de vôo dos equipamentos.
Além da Opto e da Equatorial, outras empresas, como Mectron, Cenic e Fibraforte, participam do projeto do CBERS-3, contratadas pelo INPE para desenvolvimento e montagem de partes dos subsistemas do satélite.”
segunda-feira, 28 de julho de 2008
OS EUA PODEM SER REBAIXADOS NO GRAU DE INVESTIMENTO
Li no blog do Nassif essa notícia. Será uma confirmação do ditado popular “Não há nada como um dia após o outro”?
“O REBAIXAMENTO DOS EUA"
"Um tema tabu começa a ser discutido cada vez mais amplamente: até que ponto a economia dos Estados Unidos continuará a receber classificação AAA+ das agências de risco?
É um dado crucial porque interfere no valor do dólar, no custo das aplicações no país e, por tabela, na estrutura de juros mundial – já que os títulos do Tesouro americano são a taxa básica da economia global.
Artigo de Mark Gilbert, da Bloomberg News, publicado no Valor de hoje, expõe as dúvidas da comunidade financeira internacional.
Os casos Fannie e Freddir – a crise das duas agências hipotecárias americanas – reacenderam a discussão. Este mês ainda, lembra o artigo, a Fannie Mae informou estar capitalizada e ter acesso a “amplas fontes de liquidez, incluindo os mercados de dívida”.
Segundo a Standard & Poor’s, o socorro às “instituições sob licença do governo” - como é o caso das duas companhias – poderia, no limite, custar 10% do PIB do país, contra 3% da ajuda às instituições privadas.”
“O REBAIXAMENTO DOS EUA"
"Um tema tabu começa a ser discutido cada vez mais amplamente: até que ponto a economia dos Estados Unidos continuará a receber classificação AAA+ das agências de risco?
É um dado crucial porque interfere no valor do dólar, no custo das aplicações no país e, por tabela, na estrutura de juros mundial – já que os títulos do Tesouro americano são a taxa básica da economia global.
Artigo de Mark Gilbert, da Bloomberg News, publicado no Valor de hoje, expõe as dúvidas da comunidade financeira internacional.
Os casos Fannie e Freddir – a crise das duas agências hipotecárias americanas – reacenderam a discussão. Este mês ainda, lembra o artigo, a Fannie Mae informou estar capitalizada e ter acesso a “amplas fontes de liquidez, incluindo os mercados de dívida”.
Segundo a Standard & Poor’s, o socorro às “instituições sob licença do governo” - como é o caso das duas companhias – poderia, no limite, custar 10% do PIB do país, contra 3% da ajuda às instituições privadas.”
A QUEM SERVE A GLOBALIZAÇÃO?
O jornal Folha de São Paulo publicou hoje um bom artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira. O autor é professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Transcrevo:
“Nos Anos 1990, a globalização era a "bête noire" da esquerda e dos países em desenvolvimento -para muitos significava abertura econômica prematura. Na atual década, deixou de ser bandeira ideológica do neoliberalismo para se transformar no fantasma perseguindo os países ricos que, aos poucos, abandonam o discurso neoliberal e se preparam para levantar mais barreiras protecionistas.
Nos EUA, o discurso dos dois candidatos à presidência é protecionista. Na Europa, a rejeição aos imigrantes pobres porque eles pressionam para baixo os salários médios aumenta a cada dia, ao mesmo tempo em que leis contra os imigrantes violando direitos humanos são aprovadas pelo parlamento europeu, como bem demonstraram Ricardo Seitenfus e Deisy Ventura nesta Folha (25.7.08).
Como explicar esse fato? Afinal, a quem serve a globalização? A globalização é a denominação para o estágio atual do capitalismo; é abertura comercial combinada à formação de uma sociedade global. No plano econômico, a globalização significa abertura de todos os mercados: abertura comercial, necessariamente, porque é parte da própria definição de globalização; abertura financeira -dos fluxos de capital-, perfeitamente evitável, já que aumenta a instabilidade financeira mundial ao tirar dos países em desenvolvimento o controle de suas taxas de câmbio.
Nos anos 1990, a globalização contou com o apoio dos países do Norte, que partiam do pressuposto que, na competição global, teriam vantagem. Isso, entretanto, só era verdadeiro em relação à abertura financeira, porque esta, ao impedir os países em desenvolvimento de administrar sua taxa de câmbio, deixava livre a tendência à sobreapreciação da sua taxa de câmbio.
Não era verdade em relação à abertura comercial, porque, desde que os países em desenvolvimento neutralizassem aquela tendência, sua mão-de-obra mais barata lhes garantiria êxito na competição global sem necessidade de proteção.
Para que isso ocorresse o país em desenvolvimento deveria preencher três condições: (1) ser um país de renda média (que já passou pelo estágio da indústria infante), (2) manter o equilíbrio fiscal e (3) contar com uma estratégia de desenvolvimento que implicasse a determinação nacional de neutralizar a tendência à sobreapreciação da taxa de câmbio -uma tendência existente em todos os países em desenvolvimento devido à doença holandesa e à atração que as economias desses países exercem sobre os capitais abundantes e relativamente mal-remunerados do Norte.
Os países asiáticos dinâmicos hoje capitaneados pela China satisfizeram essas condições; mantiveram tanto as finanças do Estado quanto do Estado-Nação sadias graças ao estrito controle orçamentário e à administração da taxa de câmbio para mantê-la sempre competitiva -e cresceram muito mais do que os países ricos.
Outra, porém, foi a sorte dos países latino-americanos. Subordinaram-se à ortodoxia convencional; aceitaram, além da globalização comercial, a financeira; passaram a receber capitais de que não têm necessidade; perderam o controle de suas taxas de câmbio; deixaram-se se apreciar até a beira da crise de balanço de pagamentos; e ficaram para trás. A globalização, que lhes poderia ter sido tão favorável, afinal não os beneficiou, porque, embora tivessem as condições para competir mundialmente, suas elites não têm a autonomia para poder aproveitar a oportunidade.”
“Nos Anos 1990, a globalização era a "bête noire" da esquerda e dos países em desenvolvimento -para muitos significava abertura econômica prematura. Na atual década, deixou de ser bandeira ideológica do neoliberalismo para se transformar no fantasma perseguindo os países ricos que, aos poucos, abandonam o discurso neoliberal e se preparam para levantar mais barreiras protecionistas.
Nos EUA, o discurso dos dois candidatos à presidência é protecionista. Na Europa, a rejeição aos imigrantes pobres porque eles pressionam para baixo os salários médios aumenta a cada dia, ao mesmo tempo em que leis contra os imigrantes violando direitos humanos são aprovadas pelo parlamento europeu, como bem demonstraram Ricardo Seitenfus e Deisy Ventura nesta Folha (25.7.08).
Como explicar esse fato? Afinal, a quem serve a globalização? A globalização é a denominação para o estágio atual do capitalismo; é abertura comercial combinada à formação de uma sociedade global. No plano econômico, a globalização significa abertura de todos os mercados: abertura comercial, necessariamente, porque é parte da própria definição de globalização; abertura financeira -dos fluxos de capital-, perfeitamente evitável, já que aumenta a instabilidade financeira mundial ao tirar dos países em desenvolvimento o controle de suas taxas de câmbio.
Nos anos 1990, a globalização contou com o apoio dos países do Norte, que partiam do pressuposto que, na competição global, teriam vantagem. Isso, entretanto, só era verdadeiro em relação à abertura financeira, porque esta, ao impedir os países em desenvolvimento de administrar sua taxa de câmbio, deixava livre a tendência à sobreapreciação da sua taxa de câmbio.
Não era verdade em relação à abertura comercial, porque, desde que os países em desenvolvimento neutralizassem aquela tendência, sua mão-de-obra mais barata lhes garantiria êxito na competição global sem necessidade de proteção.
Para que isso ocorresse o país em desenvolvimento deveria preencher três condições: (1) ser um país de renda média (que já passou pelo estágio da indústria infante), (2) manter o equilíbrio fiscal e (3) contar com uma estratégia de desenvolvimento que implicasse a determinação nacional de neutralizar a tendência à sobreapreciação da taxa de câmbio -uma tendência existente em todos os países em desenvolvimento devido à doença holandesa e à atração que as economias desses países exercem sobre os capitais abundantes e relativamente mal-remunerados do Norte.
Os países asiáticos dinâmicos hoje capitaneados pela China satisfizeram essas condições; mantiveram tanto as finanças do Estado quanto do Estado-Nação sadias graças ao estrito controle orçamentário e à administração da taxa de câmbio para mantê-la sempre competitiva -e cresceram muito mais do que os países ricos.
Outra, porém, foi a sorte dos países latino-americanos. Subordinaram-se à ortodoxia convencional; aceitaram, além da globalização comercial, a financeira; passaram a receber capitais de que não têm necessidade; perderam o controle de suas taxas de câmbio; deixaram-se se apreciar até a beira da crise de balanço de pagamentos; e ficaram para trás. A globalização, que lhes poderia ter sido tão favorável, afinal não os beneficiou, porque, embora tivessem as condições para competir mundialmente, suas elites não têm a autonomia para poder aproveitar a oportunidade.”
A IV FROTA PODERÁ “CUMPRIR MISSÕES HUMANITÁRIAS” VISTA DAS NOSSAS PRAIAS
GOVERNO DOS EUA DIZEM QUE “RESPEITARÃO O MAR TERRITORIAL BRASILEIRO” NAS SUAS MISSÕES HUMANITÁRIAS NA AMÉRICA DO SUL
Em 10 de julho, este blog já expressou: “DO LEBLON E IPANEMA SERÁ POSSÍVEL VER A IV FROTA OPERANDO”, pois “mar territorial” é uma estreitíssima faixa assim definida: “É a faixa de mar que se estende desde a linha de base até uma distância que não deve exceder 12 milhas marítimas de largura.
Sobre esse assunto, o jornal Gazeta Mercantil publicou hoje o instrutivo artigo a seguir apresentado:
DIFERENTES ÁREAS MARÍTIMAS E AS DEFINIÇÕES
Os limites da jurisdição nacional do espaço oceânico estavam em negociação entre os países desde 1973. A regulamentação, que determinou esses limites, bem como direitos e deveres dos países para a exploração do mar, foi definida na Convenção das Nações Unidas sobre o Direto do Mar, em 1982.
O documento estabelece que todas as nações costeiras têm direito a um mar territorial, que possui até 12 milhas marítimas a partir da marca mais baixa deixada pela água ao longo da costa. Nesta área o país é soberano sobre as águas, o solo e o subsolo, o espaço aéreo sobrejacente, com direito exclusivo sobre recursos vivos e não-vivos.
Além disso, os Estados estabelecem uma zona econômica explusiva, que não deve se estender além das 200 milhas marítimas. Nessa região, o país não possui jurisdição absoluta, mas tem soberania exclusiva para a exploração e aproveitamento, gestão e conservação de recursos marinhos, do subsolo e águas adjacentes e, exerce jurisdição sobre as investigações científicas marinhas. A navegação e o sobrevôo são livres.
A zona econômica exclusiva é, em boa medida, a plataforma continental, definida como o prolongamento submerso de massa terrestre até a borda exterior, a margem continental. Quando essa plataforma se estende além das 200 milhas, a Convenção prevê critérios para estabelecer limites externos. O Brasil já solicitou à ONU uma extensão da plataforma continental correspondente a 1 milhão de km.
Nas áreas internacionais dos oceanos, que estão além dos limites dos Estados, os recursos são considerados patrimônio da humanidade. Para pesquisar e eventualmente explorar essa região, os países podem solicitar reservas de áreas.”
Em 10 de julho, este blog já expressou: “DO LEBLON E IPANEMA SERÁ POSSÍVEL VER A IV FROTA OPERANDO”, pois “mar territorial” é uma estreitíssima faixa assim definida: “É a faixa de mar que se estende desde a linha de base até uma distância que não deve exceder 12 milhas marítimas de largura.
Sobre esse assunto, o jornal Gazeta Mercantil publicou hoje o instrutivo artigo a seguir apresentado:
DIFERENTES ÁREAS MARÍTIMAS E AS DEFINIÇÕES
Os limites da jurisdição nacional do espaço oceânico estavam em negociação entre os países desde 1973. A regulamentação, que determinou esses limites, bem como direitos e deveres dos países para a exploração do mar, foi definida na Convenção das Nações Unidas sobre o Direto do Mar, em 1982.
O documento estabelece que todas as nações costeiras têm direito a um mar territorial, que possui até 12 milhas marítimas a partir da marca mais baixa deixada pela água ao longo da costa. Nesta área o país é soberano sobre as águas, o solo e o subsolo, o espaço aéreo sobrejacente, com direito exclusivo sobre recursos vivos e não-vivos.
Além disso, os Estados estabelecem uma zona econômica explusiva, que não deve se estender além das 200 milhas marítimas. Nessa região, o país não possui jurisdição absoluta, mas tem soberania exclusiva para a exploração e aproveitamento, gestão e conservação de recursos marinhos, do subsolo e águas adjacentes e, exerce jurisdição sobre as investigações científicas marinhas. A navegação e o sobrevôo são livres.
A zona econômica exclusiva é, em boa medida, a plataforma continental, definida como o prolongamento submerso de massa terrestre até a borda exterior, a margem continental. Quando essa plataforma se estende além das 200 milhas, a Convenção prevê critérios para estabelecer limites externos. O Brasil já solicitou à ONU uma extensão da plataforma continental correspondente a 1 milhão de km.
Nas áreas internacionais dos oceanos, que estão além dos limites dos Estados, os recursos são considerados patrimônio da humanidade. Para pesquisar e eventualmente explorar essa região, os países podem solicitar reservas de áreas.”
AS MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA
BRASIL DOMINA RANKING DAS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA
Essa notícia, a seguir transcrita, da agência inglesa de notícias BBC, foi publicada hoje de manhã no portal UOL:
“As empresas brasileiras dominam um ranking que reúne as 500 maiores empresas da América Latina em 2007, de acordo com um estudo anual realizado pela revista chilena "América Economía".
De acordo com a listagem, que reúne informações financeiras de grandes companhias latino-americanas, do total de 500 empresas analisadas, 210 são brasileiras.
O número representa um aumento de apenas quatro companhias em relação ao ano anterior, mas põe o Brasil muito à frente do México, o segundo colocado, com 134 empresas.
Apesar de contar com o maior número de empresas, o Brasil não lidera o ranking, encabeçado pela petrolífera mexicana Pemex.
Na segunda posição vem a Petrobras, que subiu do terceiro para o segundo lugar, depois que suas vendas aumentaram 12% em um ano, batendo US$ 96,3 bilhões em 2007. A estatal brasileira ultrapassou a venezuelana PDVSA que caiu da primeira para terceira posição, com um total de vendas estimado em US$ 96,2 bilhões, uma queda de 6% em relação a 2006.
"Se a petroleira brasileira mantiver em 2008 o ritmo médio de crescimento alcançado nos últimos dez anos (18,63%) e supondo que suas rivais mexicanas e venezuelanas façam o mesmo, podemos adiantar que fechará 2008 como a maior empresa em vendas da América Latina", afirma a publicação, com sede em Santiago, no Chile.
ERA DOURADA
De acordo com a "América Economía", o advento da Petrobras como a maior empresa da região "é apenas uma das diversas manifestações da forte liderança que as companhias brasileiras começam a tomar na América Latina".
Segundo os dados da revista, as companhias do Brasil são as que mais cresceram em volume de vendas de 2006 para 2007 (35%), enquanto o índice de crescimento registrado entre todas as 500 listadas foi de 23%.
Ainda segunda revista, além do setor petrolífero, o Brasil também desponta no topo de outros setores econômicos citados no estudo, como o de alimentos e agroindústria.
"As firmas brasileiras de alimentos vivem uma era dourada. Crescem os estímulos à exportação e a demanda interna. O aumento das vendas das 11 brasileiras no ranking do setor é sintomático: passou de 30% para 65%", diz.
Entre outras empresas brasileiras citadas dentro das 50 primeiras do ranking geral estão a Vale do Rio Doce (5°), Petrobras Distribuidora (7°), Grupo Votorantim (13°), Gerdau (15°), Odebrecht (16°) e Eletrobras (19°).
"BRASILCENTRISMO"
Na avaliação da revista, as multinacionais já falam no termo "Brasilcentrismo" quando traçam sua estratégia de investimento na América Latina.
"Trata-se de um conceito que busca explicar o afã de executivos em reduzir seu plano latino-americano ao penetrar somente no maior país da região", afirma.
"O Brasil sempre foi o centro de gravidade da América Latina, pelo menos da América do Sul. No entanto, com as positivas taxas de crescimento dos últimos anos, as reformas realizadas e a seriedade econômica com a qual se está administrando o país incrementaram o poder de atração deste gigante que começa a crescer e cujo atrativo ameaça ofuscar outras economias da região", avalia a revista.
A expansão das empresas brasileiras e mexicanas, que somam 344 do total, castigam as argentinas, colombianas, chilenas, peruanas e venezuelanas, que perderam terreno, reduzindo seu número de participantes de 169 para 144.
Na avaliação da revista, o que explica o bom desempenho das 500 maiores empresas da região são os rendimentos das economias domésticas.
"A valorização das moedas locais frente ao dólar dificultou as exportações", diz a revista.
De fato, a fatia das vendas para o exterior caiu de 47,5% para 39,8% em 2007.
"O que está realmente por trás dos bons resultados é o rendimento das economias domésticas. Em 2007, a América Latina teve seu quarto ano de expansão consecutiva, acima dos 3%", afirma a ‘América Economía’."
Essa notícia, a seguir transcrita, da agência inglesa de notícias BBC, foi publicada hoje de manhã no portal UOL:
“As empresas brasileiras dominam um ranking que reúne as 500 maiores empresas da América Latina em 2007, de acordo com um estudo anual realizado pela revista chilena "América Economía".
De acordo com a listagem, que reúne informações financeiras de grandes companhias latino-americanas, do total de 500 empresas analisadas, 210 são brasileiras.
O número representa um aumento de apenas quatro companhias em relação ao ano anterior, mas põe o Brasil muito à frente do México, o segundo colocado, com 134 empresas.
Apesar de contar com o maior número de empresas, o Brasil não lidera o ranking, encabeçado pela petrolífera mexicana Pemex.
Na segunda posição vem a Petrobras, que subiu do terceiro para o segundo lugar, depois que suas vendas aumentaram 12% em um ano, batendo US$ 96,3 bilhões em 2007. A estatal brasileira ultrapassou a venezuelana PDVSA que caiu da primeira para terceira posição, com um total de vendas estimado em US$ 96,2 bilhões, uma queda de 6% em relação a 2006.
"Se a petroleira brasileira mantiver em 2008 o ritmo médio de crescimento alcançado nos últimos dez anos (18,63%) e supondo que suas rivais mexicanas e venezuelanas façam o mesmo, podemos adiantar que fechará 2008 como a maior empresa em vendas da América Latina", afirma a publicação, com sede em Santiago, no Chile.
ERA DOURADA
De acordo com a "América Economía", o advento da Petrobras como a maior empresa da região "é apenas uma das diversas manifestações da forte liderança que as companhias brasileiras começam a tomar na América Latina".
Segundo os dados da revista, as companhias do Brasil são as que mais cresceram em volume de vendas de 2006 para 2007 (35%), enquanto o índice de crescimento registrado entre todas as 500 listadas foi de 23%.
Ainda segunda revista, além do setor petrolífero, o Brasil também desponta no topo de outros setores econômicos citados no estudo, como o de alimentos e agroindústria.
"As firmas brasileiras de alimentos vivem uma era dourada. Crescem os estímulos à exportação e a demanda interna. O aumento das vendas das 11 brasileiras no ranking do setor é sintomático: passou de 30% para 65%", diz.
Entre outras empresas brasileiras citadas dentro das 50 primeiras do ranking geral estão a Vale do Rio Doce (5°), Petrobras Distribuidora (7°), Grupo Votorantim (13°), Gerdau (15°), Odebrecht (16°) e Eletrobras (19°).
"BRASILCENTRISMO"
Na avaliação da revista, as multinacionais já falam no termo "Brasilcentrismo" quando traçam sua estratégia de investimento na América Latina.
"Trata-se de um conceito que busca explicar o afã de executivos em reduzir seu plano latino-americano ao penetrar somente no maior país da região", afirma.
"O Brasil sempre foi o centro de gravidade da América Latina, pelo menos da América do Sul. No entanto, com as positivas taxas de crescimento dos últimos anos, as reformas realizadas e a seriedade econômica com a qual se está administrando o país incrementaram o poder de atração deste gigante que começa a crescer e cujo atrativo ameaça ofuscar outras economias da região", avalia a revista.
A expansão das empresas brasileiras e mexicanas, que somam 344 do total, castigam as argentinas, colombianas, chilenas, peruanas e venezuelanas, que perderam terreno, reduzindo seu número de participantes de 169 para 144.
Na avaliação da revista, o que explica o bom desempenho das 500 maiores empresas da região são os rendimentos das economias domésticas.
"A valorização das moedas locais frente ao dólar dificultou as exportações", diz a revista.
De fato, a fatia das vendas para o exterior caiu de 47,5% para 39,8% em 2007.
"O que está realmente por trás dos bons resultados é o rendimento das economias domésticas. Em 2007, a América Latina teve seu quarto ano de expansão consecutiva, acima dos 3%", afirma a ‘América Economía’."
GOVERNO DOS EUA DENUNCIADO PELO GOLPE CONTRA CHÁVEZ
ONG NORTE-AMERICANA APONTA ENVOLVIMENTO DA CIA E DO GOVERNO DOS EUA NO GOLPE DE ESTADO DE 2002 NA VENEZUELA.
Essa notícia apenas reforça o que todos nós já tínhamos quase certeza. Ela foi transmitida pela agência espanhola de notícias EFE e publicada hoje à tarde pelo portal UOL. Transcrevo:
ONG DIZ QUE EUA TIVERAM ENVOLVIMENTO EM GOLPE CONTRA CHÁVEZ
“Santiago do Chile, 28 jul (EFE) - Os Estados Unidos estiveram "envolvidos" no golpe de Estado de 2002 contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, embora ainda não se saiba o papel exato que o país teve na ação, denunciou hoje a ONG americana National Security Archive.
"Não tenho dúvida de que os Estados Unidos estão envolvidos no atentado contra Chávez", disse à Agência Efe em Santiago do Chile Peter Kornbluh, diretor dessa organização dedicada a revelar documentos secretos.
O golpe de Estado de 11 de abril de 2002 afastou do poder por cerca de 48 horas o chefe de Estado venezuelano, que, em diversas ocasiões, acusou os Estados Unidos de estarem por trás da manobra.
Kornbluh, que hoje participou de um seminário na capital chilena, disse que a organização obteve "documentos que demonstram que EUA, o serviço de inteligência e o Governo americano conheciam com dias de adiantamento os planos dos golpistas".
No entanto, ressaltou que a entidade a qual dirige não tem "documentos (sobre) um plano ou uma participação americana" no golpe e, por isso, pediram relatórios sobre essa possível ingerência.
"Acho que, algum dia, obteremos esses documentos, mas sem estas provas não podemos dizer qual foi o papel exato dos EUA antes do golpe", indicou Kornbluh.
Não se sabe "a que nível foi, mas pelo menos (EUA) tinham contato com os golpistas", acrescentou.
O diretor da organização, que revelou documentos que demonstram a implicação dos EUA na implantação de ditaduras na América Latina nos anos 70, afirmou que o país perdeu a influência na região.
Em sua opinião, a América Latina conta com Governos mais estáveis e economias mais desenvolvidas que forjam vínculos com outros países como China, especialmente pela liderança da Venezuela, que distribui ajuda a Bolívia, Equador e Nicarágua, entre outros.
Essa notícia apenas reforça o que todos nós já tínhamos quase certeza. Ela foi transmitida pela agência espanhola de notícias EFE e publicada hoje à tarde pelo portal UOL. Transcrevo:
ONG DIZ QUE EUA TIVERAM ENVOLVIMENTO EM GOLPE CONTRA CHÁVEZ
“Santiago do Chile, 28 jul (EFE) - Os Estados Unidos estiveram "envolvidos" no golpe de Estado de 2002 contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, embora ainda não se saiba o papel exato que o país teve na ação, denunciou hoje a ONG americana National Security Archive.
"Não tenho dúvida de que os Estados Unidos estão envolvidos no atentado contra Chávez", disse à Agência Efe em Santiago do Chile Peter Kornbluh, diretor dessa organização dedicada a revelar documentos secretos.
O golpe de Estado de 11 de abril de 2002 afastou do poder por cerca de 48 horas o chefe de Estado venezuelano, que, em diversas ocasiões, acusou os Estados Unidos de estarem por trás da manobra.
Kornbluh, que hoje participou de um seminário na capital chilena, disse que a organização obteve "documentos que demonstram que EUA, o serviço de inteligência e o Governo americano conheciam com dias de adiantamento os planos dos golpistas".
No entanto, ressaltou que a entidade a qual dirige não tem "documentos (sobre) um plano ou uma participação americana" no golpe e, por isso, pediram relatórios sobre essa possível ingerência.
"Acho que, algum dia, obteremos esses documentos, mas sem estas provas não podemos dizer qual foi o papel exato dos EUA antes do golpe", indicou Kornbluh.
Não se sabe "a que nível foi, mas pelo menos (EUA) tinham contato com os golpistas", acrescentou.
O diretor da organização, que revelou documentos que demonstram a implicação dos EUA na implantação de ditaduras na América Latina nos anos 70, afirmou que o país perdeu a influência na região.
Em sua opinião, a América Latina conta com Governos mais estáveis e economias mais desenvolvidas que forjam vínculos com outros países como China, especialmente pela liderança da Venezuela, que distribui ajuda a Bolívia, Equador e Nicarágua, entre outros.
domingo, 27 de julho de 2008
ROTA PARA O PACÍFICO
Reportagem de João Domingos no Estado de São Paulo de hoje:
“Brasil investe US$ 1,8 bilhão na integração física da América do Sul”
Com investimentos feitos ou contratados calculados em US$ 1,860 bilhão na infra-estrutura dos países do norte e oeste da América do Sul, o Brasil está abrindo o até então intocável santuário da Amazônia para os vizinhos hispânicos, no maior projeto de integração econômica e fronteiriça da região desde que nela aportaram portugueses e espanhóis. É uma quantia US$ 380 milhões maior do que o R$ 1,5 bilhão investido no Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), a maior licitação realizada no final dos anos 90.
Ao mesmo tempo, a construção de pontes, estradas e hidrovias dá ao País condições concretas de avançar rumo aos portos do Pacífico a partir do Peru, do Chile e do Equador, com a possibilidade de diminuir em aproximadamente 6 mil quilômetros a distância comercial com os mercados da Ásia.
O cálculo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é de que a redução na distância barateará em até US$ 30 o custo da tonelada do produto brasileiro exportado. Também estão sendo feitos investimentos na infra-estrutura da Venezuela, Guiana e Suriname para que os produtos possam chegar aos portos dos países do Caribe.
O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) têm sido os principais instrumentos para tornar viáveis os projetos de integração da América do Sul a partir do Brasil. Além da infra-estrutura em transportes, eles contemplam ainda comunicações e saneamento básico.
Para a execução dos serviços podem ser contratadas somente empresas brasileiras, uma exigência da lei. Desse modo, o governo do Brasil financia as exportações de bens e serviços brasileiros, como obras de engenharia, pagas em reais às empresas.
Como esses projetos envolvem fornecedores, que vão de máquinas e geradores de energia até uniformes de operários e alimentos para o acampamento, cada empresa brasileira que ganha uma licitação internacional leva junto centenas de outras, muitas delas pequenas e médias. Em conseqüência, a contratação de uma grande empreiteira lá fora acaba por abrir postos de trabalho no Brasil.
MENOS PRESSÃO
A integração da América do Sul pela Amazônia tem ainda um outro objetivo estratégico dentro do xadrez geopolítico mundial. O governo brasileiro acredita que a ligação de todos os países amazônicos ajudará a aliviar a pressão feita hoje sobre a Amazônia brasileira.
Interligada, a região será vista não mais como um enclave verde dentro do Brasil, mas como de responsabilidade igual também por parte da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e até da França, por causa da Guiana Francesa. O conjunto de países teria não só muito mais cacife para as negociações a respeito do clima e emissão de poluentes, mas também um considerável poder de fogo em caso de invasão.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou com o presidente da Bolívia, Evo Morales, um convênio que prevê empréstimos de US$ 270 milhões ao vizinho, destinados à construção e asfaltamento de 508 quilômetros da Ruta 08, que ligará a capital, La Paz, a Porto Velho, em Rondônia.
Essa estrada foi prometida há 105 anos pelas autoridades bolivianas e há 40 anos aguarda pelo asfalto. Caberá agora ao Brasil construir a ponte de cerca de 1,8 quilômetro sobre o Rio Mamoré, na divisa entre os dois países.
Outros trechos de rodovias que estão sendo feitos no leste e centro da Bolívia possibilitarão ao Brasil acesso ao vizinho, a partir de Mato Grosso e São Paulo, para Cochabamba, Santa Cruz de La Sierra e La Paz, e passagem para os portos de Antofagasta e Arica, no Chile, no chamado Corredor Bioceânico.
Daqui a menos de dois anos deverão ficar prontos os 2,5 mil quilômetros da rodovia que ligará Rio Branco, no Acre, aos portos de Ilo, Matarani e San Juan, no Peru. O Brasil investiu US$ 420 milhões nessa rodovia, além de outros US$ 19 milhões na ponte entre Assis Brasil (Acre) e Inãpari. A estrada avança pela Amazônia peruana, passa por Puerto Maldonado, capital do Estado de Madre de Dios, e Cuzco, nos Andes, e segue para o Pacífico. De acordo com informação do governo peruano, as obras estão dentro do prazo previsto e a nova rota deverá ser inaugurada em 2010.
Coube a dois consórcios brasileiros a construção de 1.009 quilômetros dessas estradas. Eles foram formados pelas construtoras Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Correa. Do lado brasileiro, a estrada já está pronta. São 220 quilômetros pavimentados entre Assis Brasil e Rio Branco.
Essa estrada deverá servir de alternativa para o escoamento da produção de soja, carnes e produtos industrializados das Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil para países da Ásia. Hoje, sem a rota do Pacífico, os produtos são embarcados principalmente pelos Portos de Santos e de Paranaguá, depois de percorrer pelo menos 3 mil quilômetros dentro do território brasileiro.
A idéia, de acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, é aumentar o comércio entre Brasil e Peru num primeiro momento. Num segundo momento, será ativado o projeto de exportações de produtos brasileiros para a Ásia, com a utilização de acordos de preferências tarifárias feitos pelo Peru com Estados Unidos, Canadá, Cingapura, China, Tailândia, Coréia do Sul, Índia, Japão e União Européia.
PRIORIDADE
“Na diplomacia brasileira, a prioridade é a integração sul-americana, num processo que envolva o Brasil e os demais países da região”, diz André Bevilacqua, da Coordenação-Geral Econômica da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores. “Nesse contexto, a infra-estrutura tem papel fundamental; é impossível fazer a integração fronteiriça, social e econômica sem ela”, acrescenta ele.
Além dos projetos para Região Amazônica, o Brasil ofereceu financiamentos também para outras regiões em todos os outros países da América do Sul, América Central e do Caribe. Juntos, os projetos de todas as áreas somam US$ 7,3 bilhões. Entre eles está o projeto da segunda ponte sobre o Rio Orinoco, na fronteira com a Venezuela; a Hidrelétrica de San Francisco, no Equador; a segunda ponte sobre o Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai; a segunda ponte do Rio Jaguarão, na fronteira com o Uruguai; a duplicação da Auto-Estrada do Mercosul; a ponte sobre o Rio Tucutu, no Suriname; e o Eixo Multimodal de Manaus a Manta, no Equador.
Fazem parte ainda das obras de integração da América do Sul com financiamentos brasileiros novas linhas do metrô de Caracas; a Ferrovia de Carare, na Colômbia; a Ferrovia Santa Cruz e as Rodovias Concepción-San Matias e Tarija-Bernejo, na Bolívia; a ampliação do metrô de Santiago; a ampliação de rede de gasodutos Albanesi e CAM Mesa e o Aqueduto Santa Fé, na Argentina, além de uma adutora e distribuidora de água em Montevidéu, no Uruguai.”
“Brasil investe US$ 1,8 bilhão na integração física da América do Sul”
Com investimentos feitos ou contratados calculados em US$ 1,860 bilhão na infra-estrutura dos países do norte e oeste da América do Sul, o Brasil está abrindo o até então intocável santuário da Amazônia para os vizinhos hispânicos, no maior projeto de integração econômica e fronteiriça da região desde que nela aportaram portugueses e espanhóis. É uma quantia US$ 380 milhões maior do que o R$ 1,5 bilhão investido no Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), a maior licitação realizada no final dos anos 90.
Ao mesmo tempo, a construção de pontes, estradas e hidrovias dá ao País condições concretas de avançar rumo aos portos do Pacífico a partir do Peru, do Chile e do Equador, com a possibilidade de diminuir em aproximadamente 6 mil quilômetros a distância comercial com os mercados da Ásia.
O cálculo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é de que a redução na distância barateará em até US$ 30 o custo da tonelada do produto brasileiro exportado. Também estão sendo feitos investimentos na infra-estrutura da Venezuela, Guiana e Suriname para que os produtos possam chegar aos portos dos países do Caribe.
O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) têm sido os principais instrumentos para tornar viáveis os projetos de integração da América do Sul a partir do Brasil. Além da infra-estrutura em transportes, eles contemplam ainda comunicações e saneamento básico.
Para a execução dos serviços podem ser contratadas somente empresas brasileiras, uma exigência da lei. Desse modo, o governo do Brasil financia as exportações de bens e serviços brasileiros, como obras de engenharia, pagas em reais às empresas.
Como esses projetos envolvem fornecedores, que vão de máquinas e geradores de energia até uniformes de operários e alimentos para o acampamento, cada empresa brasileira que ganha uma licitação internacional leva junto centenas de outras, muitas delas pequenas e médias. Em conseqüência, a contratação de uma grande empreiteira lá fora acaba por abrir postos de trabalho no Brasil.
MENOS PRESSÃO
A integração da América do Sul pela Amazônia tem ainda um outro objetivo estratégico dentro do xadrez geopolítico mundial. O governo brasileiro acredita que a ligação de todos os países amazônicos ajudará a aliviar a pressão feita hoje sobre a Amazônia brasileira.
Interligada, a região será vista não mais como um enclave verde dentro do Brasil, mas como de responsabilidade igual também por parte da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e até da França, por causa da Guiana Francesa. O conjunto de países teria não só muito mais cacife para as negociações a respeito do clima e emissão de poluentes, mas também um considerável poder de fogo em caso de invasão.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou com o presidente da Bolívia, Evo Morales, um convênio que prevê empréstimos de US$ 270 milhões ao vizinho, destinados à construção e asfaltamento de 508 quilômetros da Ruta 08, que ligará a capital, La Paz, a Porto Velho, em Rondônia.
Essa estrada foi prometida há 105 anos pelas autoridades bolivianas e há 40 anos aguarda pelo asfalto. Caberá agora ao Brasil construir a ponte de cerca de 1,8 quilômetro sobre o Rio Mamoré, na divisa entre os dois países.
Outros trechos de rodovias que estão sendo feitos no leste e centro da Bolívia possibilitarão ao Brasil acesso ao vizinho, a partir de Mato Grosso e São Paulo, para Cochabamba, Santa Cruz de La Sierra e La Paz, e passagem para os portos de Antofagasta e Arica, no Chile, no chamado Corredor Bioceânico.
Daqui a menos de dois anos deverão ficar prontos os 2,5 mil quilômetros da rodovia que ligará Rio Branco, no Acre, aos portos de Ilo, Matarani e San Juan, no Peru. O Brasil investiu US$ 420 milhões nessa rodovia, além de outros US$ 19 milhões na ponte entre Assis Brasil (Acre) e Inãpari. A estrada avança pela Amazônia peruana, passa por Puerto Maldonado, capital do Estado de Madre de Dios, e Cuzco, nos Andes, e segue para o Pacífico. De acordo com informação do governo peruano, as obras estão dentro do prazo previsto e a nova rota deverá ser inaugurada em 2010.
Coube a dois consórcios brasileiros a construção de 1.009 quilômetros dessas estradas. Eles foram formados pelas construtoras Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Correa. Do lado brasileiro, a estrada já está pronta. São 220 quilômetros pavimentados entre Assis Brasil e Rio Branco.
Essa estrada deverá servir de alternativa para o escoamento da produção de soja, carnes e produtos industrializados das Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil para países da Ásia. Hoje, sem a rota do Pacífico, os produtos são embarcados principalmente pelos Portos de Santos e de Paranaguá, depois de percorrer pelo menos 3 mil quilômetros dentro do território brasileiro.
A idéia, de acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, é aumentar o comércio entre Brasil e Peru num primeiro momento. Num segundo momento, será ativado o projeto de exportações de produtos brasileiros para a Ásia, com a utilização de acordos de preferências tarifárias feitos pelo Peru com Estados Unidos, Canadá, Cingapura, China, Tailândia, Coréia do Sul, Índia, Japão e União Européia.
PRIORIDADE
“Na diplomacia brasileira, a prioridade é a integração sul-americana, num processo que envolva o Brasil e os demais países da região”, diz André Bevilacqua, da Coordenação-Geral Econômica da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores. “Nesse contexto, a infra-estrutura tem papel fundamental; é impossível fazer a integração fronteiriça, social e econômica sem ela”, acrescenta ele.
Além dos projetos para Região Amazônica, o Brasil ofereceu financiamentos também para outras regiões em todos os outros países da América do Sul, América Central e do Caribe. Juntos, os projetos de todas as áreas somam US$ 7,3 bilhões. Entre eles está o projeto da segunda ponte sobre o Rio Orinoco, na fronteira com a Venezuela; a Hidrelétrica de San Francisco, no Equador; a segunda ponte sobre o Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai; a segunda ponte do Rio Jaguarão, na fronteira com o Uruguai; a duplicação da Auto-Estrada do Mercosul; a ponte sobre o Rio Tucutu, no Suriname; e o Eixo Multimodal de Manaus a Manta, no Equador.
Fazem parte ainda das obras de integração da América do Sul com financiamentos brasileiros novas linhas do metrô de Caracas; a Ferrovia de Carare, na Colômbia; a Ferrovia Santa Cruz e as Rodovias Concepción-San Matias e Tarija-Bernejo, na Bolívia; a ampliação do metrô de Santiago; a ampliação de rede de gasodutos Albanesi e CAM Mesa e o Aqueduto Santa Fé, na Argentina, além de uma adutora e distribuidora de água em Montevidéu, no Uruguai.”
EMBRAER ANUNCIA FÁBRICA EM PORTUGAL
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou hoje essa notícia, em reportagem de Jair Rattner e Leonencio Nossa:
“Unidade custará 148 milhões e produzirá peças para aviões”
“A Embraer anunciou ontem em Lisboa que vai investir 148 milhões na construção de duas fábricas em Portugal. O anúncio foi uma cerimônia política, com a presença do primeiro-ministro português, José Sócrates, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que procurou dar indicações de que Portugal está saindo da crise por meio do investimento em tecnologia.
Localizadas em Évora, a 220 quilômetros a oeste de Lisboa, uma das fábricas vai produzir estruturas metálicas e a outra materiais compósitos, utilizados na construção de aviões. Com produção prevista para começar em 2009, serão gerados 570 empregos diretos numa das regiões mais deprimidas de Portugal.
Na fábrica de estruturas metálicas o investimento será de 100 milhões e na de materais compósitos de 48 milhões. O prazo previsto para realizar o investimento é de seis anos.
Segundo o primeiro-ministro português, demorou quase dois anos para conseguir levar a fábrica para Portugal. O objetivo do governo português é a criação de um setor industrial de produção aeronáutica com tecnologia avançada no país.
Os materiais das novas fábricas serão vendidos para as unidades de produção de aviões da empresa. “Os investimentos representam mais um avanço estratégico no processo de crescimento e internacionalização da empresa”, afirmou Frederico Fleury Curado, presidente da Embraer. No entanto, ele não deu uma resposta à pergunta sobre se a Embraer vai ou não ter uma linha de montagem de aviões em Portugal.
É a segunda vez que a Embraer investe no país. Em 2004, a Embraer criou com a EADS - acionista da Airbus - uma empresa que adquiriu 65% das ações das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, empresa estatal ligada à força aérea que se dedica à reparação de aviões que estava sendo privatizada.”
“Unidade custará 148 milhões e produzirá peças para aviões”
“A Embraer anunciou ontem em Lisboa que vai investir 148 milhões na construção de duas fábricas em Portugal. O anúncio foi uma cerimônia política, com a presença do primeiro-ministro português, José Sócrates, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que procurou dar indicações de que Portugal está saindo da crise por meio do investimento em tecnologia.
Localizadas em Évora, a 220 quilômetros a oeste de Lisboa, uma das fábricas vai produzir estruturas metálicas e a outra materiais compósitos, utilizados na construção de aviões. Com produção prevista para começar em 2009, serão gerados 570 empregos diretos numa das regiões mais deprimidas de Portugal.
Na fábrica de estruturas metálicas o investimento será de 100 milhões e na de materais compósitos de 48 milhões. O prazo previsto para realizar o investimento é de seis anos.
Segundo o primeiro-ministro português, demorou quase dois anos para conseguir levar a fábrica para Portugal. O objetivo do governo português é a criação de um setor industrial de produção aeronáutica com tecnologia avançada no país.
Os materiais das novas fábricas serão vendidos para as unidades de produção de aviões da empresa. “Os investimentos representam mais um avanço estratégico no processo de crescimento e internacionalização da empresa”, afirmou Frederico Fleury Curado, presidente da Embraer. No entanto, ele não deu uma resposta à pergunta sobre se a Embraer vai ou não ter uma linha de montagem de aviões em Portugal.
É a segunda vez que a Embraer investe no país. Em 2004, a Embraer criou com a EADS - acionista da Airbus - uma empresa que adquiriu 65% das ações das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, empresa estatal ligada à força aérea que se dedica à reparação de aviões que estava sendo privatizada.”
BRASIL DESENVOLVE SUPERMÁQUINA DE ENRIQUECER URÂNIO
Li no jornal “O Estado de São Paulo” de hoje a reportagem de Roberto Godoy sobre o avanço brasileiro no enriquecimento do urânio, passo indispensável para assegurar energia elétrica para o Brasil nas próximas décadas.
“Criado por pesquisadores da Marinha, modelo avançado de ultracentrífuga já está em funcionamento em Resende”
“O discreto e bem-sucedido programa de pesquisa nuclear brasileiro tem um novo segredo para guardar: entre março e maio entrou em funcionamento o novo modelo de ultracentrífuga, a avançada máquina de enriquecer urânio criada pelos pesquisadores da Marinha, no Centro Aramar, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo.
É uma façanha: as unidades, designadas Geração 1/M2, são pelo menos 15% mais eficientes que as anteriores - que, aperfeiçoadas, já apresentam rendimento 50% superior ao do começo da produção, há 20 anos.
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) receberam e montaram o segundo conjunto desses equipamentos na sua fábrica de combustível, em Resende, na divisa entre os Estados do Rio e São Paulo. As entregas foram sigilosas, feitas em comboios sem identificação, protegidos por fuzileiros.
Uma terceira cascata com as mesmas especificações deve entrar em atividade na INB no final de 2009. Enquanto isso, no Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP), um tipo inteiramente novo de ultracentrífuga, ainda em testes de validação, deve estar disponível em 2011 - e será 40% mais eficaz.
Projeto e construção são nacionais. O urânio é enriquecido a 4%, nível adotado pelo País, e alimenta reatores de energia. Armas atômicas exigem graus superiores a 90% de beneficiamento. A agência de pesquisa fica no campus da USP e cuida dos planos de criação dos sistemas de propulsão nuclear para submarino de ataque.
É um objetivo de longo prazo que ganhou fôlego com a liberação de recursos determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de uma visita a Aramar, em julho de 2007. Com dinheiro em caixa, “o plano foi retomado como um todo”, explica o capitão de fragata e engenheiro naval André Luis Ferreira Marques, do grupo de especialistas do CTMSP. Prova prática: estão abertos concursos para provimento de vagas - de engenheiros especializados a pessoal administrativo, cerca de 400 funcionários.
O submarino, de 6 mil toneladas, com 96,6 metros de comprimento e 100 tripulantes, exige cerca de 11 anos de trabalho. Antes disso, porém, será necessário testar e completar um reator PWR (de água pressurizada) de 48 MW. O dispositivo está pronto em Iperó, as grandes peças armazenadas em ambiente de gás inerte para evitar a deterioração. Aguarda a conclusão das obras do Laboratório de Geração Nucleoelétrica, o LabGene. O complexo teve as obras civis retomadas. Fica pronto no final de 2010.
O reator que permanece desmontado vale US$ 130 milhões. Expandido, ele servirá ao submarino e à produção de eletricidade de usinas regionais de 300 megawatts.
O Centro Tecnológico da Marinha vai receber R$ 1,040 bilhão em parcelas anuais de R$ 130 milhões. O dinheiro está sendo empregado no ciclo do combustível, geração de energia, propulsão e infra-estrutura. Marques estima que o processo exigirá sete anos, no mínimo, para ser completado.
O investimento no programa nuclear tem sido feito principalmente pelo Comando da Marinha, com recursos próprios. Desde 1979, as aplicações somam US$ 1,117 bilhão - só US$ 216 milhões vieram de outras fontes governamentais.
A ultracentrífuga é o produto mais sensível do processo. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não têm acesso às cascatas. As verificações previstas no acordo de salvaguardadas, firmado pelo governo brasileiro e renovado há pouco mais de dois anos, abrangem complexa contabilidade. “O que interessa à AIEA é saber o quanto de gás de urânio entrou no sistema, o quanto saiu de urânio enriquecido, o U235, e também de urânio empobrecido, o U238 - é uma equação que tem de fechar sem erro”, explica o almirante Carlos Bezerril, diretor-geral do CTMSP.
A regra de preservação do conhecimento sensível vale desde 2003, quando a Marinha e a INB passaram a cobrir com painéis todas as ultracentrífugas, permitindo aos peritos internacionais a observação apenas do circuito de entrada e saída. Em Iperó, a cascata de beneficiamento é monitorada ininterruptamente por câmeras blindadas guardadas em caixas que foram lacradas pela AIEA. As ultracentrífugas do Brasil utilizam a flutuação magnética para evitar o atrito entre partes móveis. Assim, duram mais e têm maior capacidade.
Os fundos liberados pelo presidente Lula permitirão o funcionamento, em dois anos, de uma central semi-industrial, para produzir até 40 toneladas por ano de gás de urânio, a última etapa do complexo ciclo do combustível nuclear que o País não executa, embora domine o conhecimento. A produção atenderá às necessidades do Comando da Marinha. A Força utiliza o hexafluoreto de urânio para ensaios científicos e para enriquecimento do mineral.
Estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões nas obras em Iperó. A Financiadora de Projetos e Pesquisas (Finep) destinou R$ 23,60 milhões para o projeto desde 2007. Atualmente, o urânio transformado em yellow-cake é enviado em tambores de 400 quilos para a empresa Cameco, do Canadá, que realiza, sob contrato, a conversão para o gás.”
“Criado por pesquisadores da Marinha, modelo avançado de ultracentrífuga já está em funcionamento em Resende”
“O discreto e bem-sucedido programa de pesquisa nuclear brasileiro tem um novo segredo para guardar: entre março e maio entrou em funcionamento o novo modelo de ultracentrífuga, a avançada máquina de enriquecer urânio criada pelos pesquisadores da Marinha, no Centro Aramar, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo.
É uma façanha: as unidades, designadas Geração 1/M2, são pelo menos 15% mais eficientes que as anteriores - que, aperfeiçoadas, já apresentam rendimento 50% superior ao do começo da produção, há 20 anos.
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) receberam e montaram o segundo conjunto desses equipamentos na sua fábrica de combustível, em Resende, na divisa entre os Estados do Rio e São Paulo. As entregas foram sigilosas, feitas em comboios sem identificação, protegidos por fuzileiros.
Uma terceira cascata com as mesmas especificações deve entrar em atividade na INB no final de 2009. Enquanto isso, no Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP), um tipo inteiramente novo de ultracentrífuga, ainda em testes de validação, deve estar disponível em 2011 - e será 40% mais eficaz.
Projeto e construção são nacionais. O urânio é enriquecido a 4%, nível adotado pelo País, e alimenta reatores de energia. Armas atômicas exigem graus superiores a 90% de beneficiamento. A agência de pesquisa fica no campus da USP e cuida dos planos de criação dos sistemas de propulsão nuclear para submarino de ataque.
É um objetivo de longo prazo que ganhou fôlego com a liberação de recursos determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de uma visita a Aramar, em julho de 2007. Com dinheiro em caixa, “o plano foi retomado como um todo”, explica o capitão de fragata e engenheiro naval André Luis Ferreira Marques, do grupo de especialistas do CTMSP. Prova prática: estão abertos concursos para provimento de vagas - de engenheiros especializados a pessoal administrativo, cerca de 400 funcionários.
O submarino, de 6 mil toneladas, com 96,6 metros de comprimento e 100 tripulantes, exige cerca de 11 anos de trabalho. Antes disso, porém, será necessário testar e completar um reator PWR (de água pressurizada) de 48 MW. O dispositivo está pronto em Iperó, as grandes peças armazenadas em ambiente de gás inerte para evitar a deterioração. Aguarda a conclusão das obras do Laboratório de Geração Nucleoelétrica, o LabGene. O complexo teve as obras civis retomadas. Fica pronto no final de 2010.
O reator que permanece desmontado vale US$ 130 milhões. Expandido, ele servirá ao submarino e à produção de eletricidade de usinas regionais de 300 megawatts.
O Centro Tecnológico da Marinha vai receber R$ 1,040 bilhão em parcelas anuais de R$ 130 milhões. O dinheiro está sendo empregado no ciclo do combustível, geração de energia, propulsão e infra-estrutura. Marques estima que o processo exigirá sete anos, no mínimo, para ser completado.
O investimento no programa nuclear tem sido feito principalmente pelo Comando da Marinha, com recursos próprios. Desde 1979, as aplicações somam US$ 1,117 bilhão - só US$ 216 milhões vieram de outras fontes governamentais.
A ultracentrífuga é o produto mais sensível do processo. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não têm acesso às cascatas. As verificações previstas no acordo de salvaguardadas, firmado pelo governo brasileiro e renovado há pouco mais de dois anos, abrangem complexa contabilidade. “O que interessa à AIEA é saber o quanto de gás de urânio entrou no sistema, o quanto saiu de urânio enriquecido, o U235, e também de urânio empobrecido, o U238 - é uma equação que tem de fechar sem erro”, explica o almirante Carlos Bezerril, diretor-geral do CTMSP.
A regra de preservação do conhecimento sensível vale desde 2003, quando a Marinha e a INB passaram a cobrir com painéis todas as ultracentrífugas, permitindo aos peritos internacionais a observação apenas do circuito de entrada e saída. Em Iperó, a cascata de beneficiamento é monitorada ininterruptamente por câmeras blindadas guardadas em caixas que foram lacradas pela AIEA. As ultracentrífugas do Brasil utilizam a flutuação magnética para evitar o atrito entre partes móveis. Assim, duram mais e têm maior capacidade.
Os fundos liberados pelo presidente Lula permitirão o funcionamento, em dois anos, de uma central semi-industrial, para produzir até 40 toneladas por ano de gás de urânio, a última etapa do complexo ciclo do combustível nuclear que o País não executa, embora domine o conhecimento. A produção atenderá às necessidades do Comando da Marinha. A Força utiliza o hexafluoreto de urânio para ensaios científicos e para enriquecimento do mineral.
Estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões nas obras em Iperó. A Financiadora de Projetos e Pesquisas (Finep) destinou R$ 23,60 milhões para o projeto desde 2007. Atualmente, o urânio transformado em yellow-cake é enviado em tambores de 400 quilos para a empresa Cameco, do Canadá, que realiza, sob contrato, a conversão para o gás.”
DEFESA DA AMAZÔNIA AZUL É ESTRATÉGICA
O Jornal do Brasil de hoje publica um oportuno texto de Camila Arêas sobre a grave vulnerabilidade brasileira por não ter forças de defesa suficientemente dissuasórias para a proteção do território marítimo brasileiro. Transcrevo:
“Descoberta de petróleo no limite do território marítimo brasileiro pressiona por expansão da soberania”
“Chamado de Amazônia Azul, o território marítimo brasileiro, duas vezes maior que o Estado do Amazonas, entrou no foco das preocupações políticas. No momento em que os mais recentes poços de petróleo encontrados pela Petrobras encostam no limite de 200 milhas náuticas da área considerada de exploração exclusiva do Brasil, a reativação em junho da Quarta Frota da Marinha americana para operações militares nas Américas do Sul, Central e Caribe, conjuga um quadro de inquietação.
Potências estrangeiras têm interesses econômicos e estratégicos na questão. Os Estados Unidos não são signatários da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o acordo internacional que estabelece o limite dos mares territoriais de cada nação costeira, do qual o Brasil é signatário desde 1982. E, mês passado, reativaram a Quarta Frota, unidade naval que, segundo o Pentágono, vai patrulhar águas internacionais da costa sul-americana.
Por iniciativa do senador Pedro Simon, a Comissão de Relações Exteriores do Senado decidiu escrever uma carta dirigida aos candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain. No documento, foi formalizada a preocupação do Senado brasileiro com a reativação da Frota.
O Brasil precisa defender seu mar territorial, pois é nessa área que está o petróleo cobiçado em todo o mundo. O ministério da Defesa prevê que os próximos poços descobertos ultrapassem a extensão de soberania brasileira. As riquezas em alto-mar se valorizaram muito nos últimos anos. De um lado estão as riquezas marítimas da plataforma continental e de outro a Amazônia, está claro que a não assinatura do acordo é uma estratégia dos EUA.
OURO NEGRO
Geógrafo da USP, Aziz Nacib Ab" Saber sustenta a preocupação do ministério da Defesa em relação a novas descobertas de petróleo com base na teoria da formação das bacias sedimentares:
– No período de separação entre a América do Sul e a África, ambas costas foram inundadas com bolos sedimentares de algas e restos de animais. Em seguida, levantaram-se os blocos continentais e as bacias sedimentares se aprofundaram, gerando um aquecimento geotérmico que acelerou a transformação deste bolo biogênico em óleo. O petróleo é fruto do movimento tectônico.
O geógrafo conclui que "entre América do Sul e África há muito petróleo que ultrapassa nossa extensão marítima", ressaltando ser preciso "defender o patrimônio, que parte inalienável da soberania brasileira".
A camada pré-sal, com reservatórios biogênicos que se estendem por 800 km do Espírito Santo a Santa Catarina, pode conter um volume de petróleo capaz de colocar o Brasil entre as maiores potências petrolíferas. Até agora, a Petrobras estimou apenas as reservas do campo de Tupi, em entre 5 a 8 bilhões de barris de óleo, mas fala-se em 33 bilhões de barris só na bacia de Santos.
O Brasil já negocia com a França um acordo para a construção de um submarino à propulsão nuclear que ajudaria na proteção dessas áreas.
Perito brasileiro da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) junto à ONU, o oficial da Marinha Alexandre Tagore Albuquerque pondera que "em todas as declarações do governo americano consta a afirmação de que respeitarão a jurisdição dos Estados costeiros em relação aos seus espaços marítimos", mas ressalta a soberania brasileira:
– Limites de fronteira são uma questão de Estado que invariavelmente envolvem a economia, posto que em última análise o território terrestre ou marítimo será sempre importante fonte de recursos naturais. O interesse de qualquer potência estrangeira não pode ir além do que preconiza o direito internacional. É disso que tratamos.
A Quarta Frota atuou entre os anos de 1943 e 1950 e foi reativada mês passado, sem explicações ou aviso prévio aos países da região que vai patrulhar. O sobressalto levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a dizer que "Os EUA poderão atuar em áreas não jurisdicionais brasileiras. Aqui não entra!".
Simon conta que o chanceler Celso Amorim "recebeu um telefonema da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, desculpando-se por não ter se dirigido antes aos governos da América Latina".
O senador questiona por que um presidente em final de mandato como George Bush tomou uma atitude como esta sem consultas.
– Por isso queremos saber qual é a posição dos presidenciáveis americanos sobre o tema – insiste. – É uma disputa nova, sem experiências antecedentes. É necessário abrir um diálogo com os presidentes latinos.
Jobim declarou que uma das prioridades da política nacional de defesa, que será anunciada dia 7 de setembro, reestruturar os conceitos da defesa da soberania nacional. Nesse sentido, chegou a defender que a Petrobras colabore com o reaparelhamento da Marinha, que receberia parte dos royalties resultantes da exploração de petróleo.”
“Descoberta de petróleo no limite do território marítimo brasileiro pressiona por expansão da soberania”
“Chamado de Amazônia Azul, o território marítimo brasileiro, duas vezes maior que o Estado do Amazonas, entrou no foco das preocupações políticas. No momento em que os mais recentes poços de petróleo encontrados pela Petrobras encostam no limite de 200 milhas náuticas da área considerada de exploração exclusiva do Brasil, a reativação em junho da Quarta Frota da Marinha americana para operações militares nas Américas do Sul, Central e Caribe, conjuga um quadro de inquietação.
Potências estrangeiras têm interesses econômicos e estratégicos na questão. Os Estados Unidos não são signatários da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o acordo internacional que estabelece o limite dos mares territoriais de cada nação costeira, do qual o Brasil é signatário desde 1982. E, mês passado, reativaram a Quarta Frota, unidade naval que, segundo o Pentágono, vai patrulhar águas internacionais da costa sul-americana.
Por iniciativa do senador Pedro Simon, a Comissão de Relações Exteriores do Senado decidiu escrever uma carta dirigida aos candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain. No documento, foi formalizada a preocupação do Senado brasileiro com a reativação da Frota.
O Brasil precisa defender seu mar territorial, pois é nessa área que está o petróleo cobiçado em todo o mundo. O ministério da Defesa prevê que os próximos poços descobertos ultrapassem a extensão de soberania brasileira. As riquezas em alto-mar se valorizaram muito nos últimos anos. De um lado estão as riquezas marítimas da plataforma continental e de outro a Amazônia, está claro que a não assinatura do acordo é uma estratégia dos EUA.
OURO NEGRO
Geógrafo da USP, Aziz Nacib Ab" Saber sustenta a preocupação do ministério da Defesa em relação a novas descobertas de petróleo com base na teoria da formação das bacias sedimentares:
– No período de separação entre a América do Sul e a África, ambas costas foram inundadas com bolos sedimentares de algas e restos de animais. Em seguida, levantaram-se os blocos continentais e as bacias sedimentares se aprofundaram, gerando um aquecimento geotérmico que acelerou a transformação deste bolo biogênico em óleo. O petróleo é fruto do movimento tectônico.
O geógrafo conclui que "entre América do Sul e África há muito petróleo que ultrapassa nossa extensão marítima", ressaltando ser preciso "defender o patrimônio, que parte inalienável da soberania brasileira".
A camada pré-sal, com reservatórios biogênicos que se estendem por 800 km do Espírito Santo a Santa Catarina, pode conter um volume de petróleo capaz de colocar o Brasil entre as maiores potências petrolíferas. Até agora, a Petrobras estimou apenas as reservas do campo de Tupi, em entre 5 a 8 bilhões de barris de óleo, mas fala-se em 33 bilhões de barris só na bacia de Santos.
O Brasil já negocia com a França um acordo para a construção de um submarino à propulsão nuclear que ajudaria na proteção dessas áreas.
Perito brasileiro da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) junto à ONU, o oficial da Marinha Alexandre Tagore Albuquerque pondera que "em todas as declarações do governo americano consta a afirmação de que respeitarão a jurisdição dos Estados costeiros em relação aos seus espaços marítimos", mas ressalta a soberania brasileira:
– Limites de fronteira são uma questão de Estado que invariavelmente envolvem a economia, posto que em última análise o território terrestre ou marítimo será sempre importante fonte de recursos naturais. O interesse de qualquer potência estrangeira não pode ir além do que preconiza o direito internacional. É disso que tratamos.
A Quarta Frota atuou entre os anos de 1943 e 1950 e foi reativada mês passado, sem explicações ou aviso prévio aos países da região que vai patrulhar. O sobressalto levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a dizer que "Os EUA poderão atuar em áreas não jurisdicionais brasileiras. Aqui não entra!".
Simon conta que o chanceler Celso Amorim "recebeu um telefonema da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, desculpando-se por não ter se dirigido antes aos governos da América Latina".
O senador questiona por que um presidente em final de mandato como George Bush tomou uma atitude como esta sem consultas.
– Por isso queremos saber qual é a posição dos presidenciáveis americanos sobre o tema – insiste. – É uma disputa nova, sem experiências antecedentes. É necessário abrir um diálogo com os presidentes latinos.
Jobim declarou que uma das prioridades da política nacional de defesa, que será anunciada dia 7 de setembro, reestruturar os conceitos da defesa da soberania nacional. Nesse sentido, chegou a defender que a Petrobras colabore com o reaparelhamento da Marinha, que receberia parte dos royalties resultantes da exploração de petróleo.”
A CRISE DO PETRÓLEO E OS BIOCOMBUSTÍVEIS
A Folha de São Paulo publicou hoje um instrutivo artigo de Edison Lobão, senador da República pelo PMDB-MA (licenciado ) e ministro de Minas e Energia.
“É inaceitável que o Brasil tenha que defender sua política de biocombustíveis contra críticas acirradas e, por vezes, insanas
É preciso conter a escalada dos preços do petróleo. Essa foi a principal conclusão do fórum que, mês passado, reuniu em Jeddah, na Arábia Saudita, ministros de Energia, líderes e dirigentes das maiores companhias petrolíferas do mundo.
Por designação do presidente Lula, chefiei a delegação brasileira nesse encontro de emergência, no qual o Brasil foi reconhecido como player importante no mercado mundial.
Nos dois choques do petróleo, em 1973 e 1979, o Brasil sofreu o impacto da elevação dos preços, principalmente porque havia uma forte dependência, materializada na importação de 80% do óleo bruto então consumido no país.
A partir do novo patamar de preços e das necessidades de crescimento econômico e desenvolvimento industrial, o país adotou duas grandes estratégias para contornar a crise: investimentos para aumento da produção doméstica de petróleo e implementação do Proálcool, o maior e mais bem-sucedido programa de substituição de combustíveis derivados de petróleo do mundo.
Hoje, a matriz energética brasileira é a que conta com a maior participação de energias renováveis -um exemplo de sustentabilidade.
Segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), os preços do petróleo podem alcançar, em breve, US$ 200 o barril, e muitos analistas acreditam que ele nunca mais será inferior a US$ 100.
Quais as conseqüências desse novo patamar? Para o Brasil, o grau de dependência é infinitamente inferior àquele verificado nas décadas de 1970 e 1980, o que nos permite afirmar que, com uma política energética adequada, poderemos enfrentar os desafios do futuro.
Mas, se os preços atuais se mantiverem, haverá recessão em muitos países por causa do impacto dos preços dos energéticos na economia, inclusive nos preços dos alimentos. Aumentará a necessidade de políticas de conservação de energia, de ampliação da fronteira de prospecção e aproveitamento das reservas existentes e, principalmente, da busca por fontes renováveis de energia. Esta é a mais poderosa arma no combate à escalada de preços das commodities agrícolas.
É impressionante e inaceitável que, nesse contexto, o Brasil tenha que defender sua política de produção e uso de biocombustíveis contra críticas acirradas e, por vezes, insanas, que se valem do conceito de sustentabilidade para esconder razões menos nobres. Sustentabilidade abrange aspectos sociais, econômicos e ambientais.
Quanto ao aspecto econômico, o Brasil é reconhecido como o produtor mais competitivo de biocombustíveis. O etanol da cana-de-açúcar compete com a gasolina em uma cadeia de preços livres de subsídios.
Na área social, o cultivo da cana-de-açúcar e de oleaginosas na produção de etanol e biodiesel contribui para a geração de empregos sustentados no campo. No caso do etanol, mais de 1 milhão de empregos diretos são gerados. No caso do biodiesel, mais de 100 mil famílias de pequenos agricultores participam do processo produtivo.
A questão ambiental é muito importante. Os biocombustíveis são instrumentos valiosos na redução da emissão de CO2 na atmosfera.
Se considerarmos o consumo dos combustíveis por veículos leves entre 1970 e 2007, constatamos que, com a utilização do álcool, tivemos uma economia efetiva acumulada de 854 milhões de barris equivalentes de petróleo, o que representa 15 meses da produção nacional de petróleo (1,9 milhão de barris/dia) ou, ainda, a cinco anos do consumo de combustíveis em veículos leves no Brasil.
Se incluirmos nesse cálculo o volume de etanol que substituiu a gasolina exportada pelo Brasil no período, considerando que a demanda energética foi suprida pelo etanol, teremos economizado quase 1,25 bilhão de barris equivalentes de petróleo.
Nesse período, a utilização do álcool como combustível, puro ou misturado à gasolina, evitou a emissão de 800 milhões de toneladas de CO2.
Na reunião de Jeddah, os líderes e os ministros de 36 nações concordaram que a transparência e a regulação dos mercados financeiros devem ser aprimoradas para frear a especulação financeira.
Resta agora reconhecer a importância dos biocombustíveis no processo de desenvolvimento de uma nova matriz energética sustentável para o mundo. Trata-se de fator estratégico que deve ser reconhecido não como antagônico à indústria do petróleo, mas como um elemento que agrega valor ambiental aos combustíveis fósseis, tornando-os menos danosos ao planeta. O Brasil está decidido a compartilhar sua expertise nesse campo e não fugirá ao desafio que as mudanças climáticas impõem.”
“É inaceitável que o Brasil tenha que defender sua política de biocombustíveis contra críticas acirradas e, por vezes, insanas
É preciso conter a escalada dos preços do petróleo. Essa foi a principal conclusão do fórum que, mês passado, reuniu em Jeddah, na Arábia Saudita, ministros de Energia, líderes e dirigentes das maiores companhias petrolíferas do mundo.
Por designação do presidente Lula, chefiei a delegação brasileira nesse encontro de emergência, no qual o Brasil foi reconhecido como player importante no mercado mundial.
Nos dois choques do petróleo, em 1973 e 1979, o Brasil sofreu o impacto da elevação dos preços, principalmente porque havia uma forte dependência, materializada na importação de 80% do óleo bruto então consumido no país.
A partir do novo patamar de preços e das necessidades de crescimento econômico e desenvolvimento industrial, o país adotou duas grandes estratégias para contornar a crise: investimentos para aumento da produção doméstica de petróleo e implementação do Proálcool, o maior e mais bem-sucedido programa de substituição de combustíveis derivados de petróleo do mundo.
Hoje, a matriz energética brasileira é a que conta com a maior participação de energias renováveis -um exemplo de sustentabilidade.
Segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), os preços do petróleo podem alcançar, em breve, US$ 200 o barril, e muitos analistas acreditam que ele nunca mais será inferior a US$ 100.
Quais as conseqüências desse novo patamar? Para o Brasil, o grau de dependência é infinitamente inferior àquele verificado nas décadas de 1970 e 1980, o que nos permite afirmar que, com uma política energética adequada, poderemos enfrentar os desafios do futuro.
Mas, se os preços atuais se mantiverem, haverá recessão em muitos países por causa do impacto dos preços dos energéticos na economia, inclusive nos preços dos alimentos. Aumentará a necessidade de políticas de conservação de energia, de ampliação da fronteira de prospecção e aproveitamento das reservas existentes e, principalmente, da busca por fontes renováveis de energia. Esta é a mais poderosa arma no combate à escalada de preços das commodities agrícolas.
É impressionante e inaceitável que, nesse contexto, o Brasil tenha que defender sua política de produção e uso de biocombustíveis contra críticas acirradas e, por vezes, insanas, que se valem do conceito de sustentabilidade para esconder razões menos nobres. Sustentabilidade abrange aspectos sociais, econômicos e ambientais.
Quanto ao aspecto econômico, o Brasil é reconhecido como o produtor mais competitivo de biocombustíveis. O etanol da cana-de-açúcar compete com a gasolina em uma cadeia de preços livres de subsídios.
Na área social, o cultivo da cana-de-açúcar e de oleaginosas na produção de etanol e biodiesel contribui para a geração de empregos sustentados no campo. No caso do etanol, mais de 1 milhão de empregos diretos são gerados. No caso do biodiesel, mais de 100 mil famílias de pequenos agricultores participam do processo produtivo.
A questão ambiental é muito importante. Os biocombustíveis são instrumentos valiosos na redução da emissão de CO2 na atmosfera.
Se considerarmos o consumo dos combustíveis por veículos leves entre 1970 e 2007, constatamos que, com a utilização do álcool, tivemos uma economia efetiva acumulada de 854 milhões de barris equivalentes de petróleo, o que representa 15 meses da produção nacional de petróleo (1,9 milhão de barris/dia) ou, ainda, a cinco anos do consumo de combustíveis em veículos leves no Brasil.
Se incluirmos nesse cálculo o volume de etanol que substituiu a gasolina exportada pelo Brasil no período, considerando que a demanda energética foi suprida pelo etanol, teremos economizado quase 1,25 bilhão de barris equivalentes de petróleo.
Nesse período, a utilização do álcool como combustível, puro ou misturado à gasolina, evitou a emissão de 800 milhões de toneladas de CO2.
Na reunião de Jeddah, os líderes e os ministros de 36 nações concordaram que a transparência e a regulação dos mercados financeiros devem ser aprimoradas para frear a especulação financeira.
Resta agora reconhecer a importância dos biocombustíveis no processo de desenvolvimento de uma nova matriz energética sustentável para o mundo. Trata-se de fator estratégico que deve ser reconhecido não como antagônico à indústria do petróleo, mas como um elemento que agrega valor ambiental aos combustíveis fósseis, tornando-os menos danosos ao planeta. O Brasil está decidido a compartilhar sua expertise nesse campo e não fugirá ao desafio que as mudanças climáticas impõem.”
KASSAB (DEM-SP) DEU “GOLPE” NA PESQUISA, MAS FOI PEGO EM FLAGRANTE
A Folha Online publicou no início desta manhã a seguinte notícia:
KASSAB USA MÁQUINA DA PREFEITURA PARA TENTAR INFLUIR EM PESQUISA DATAFOLHA
“E-mail obtido pela Folha mostra que Gilberto Kassab (DEM) acionou pessoalmente a máquina da prefeitura para tentar influir na última pesquisa Datafolha da eleição em São Paulo, na qual recuou dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, informa o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete.
No e-mail, Kassab pede a 26 subprefeitos "ação" nos locais onde entrevistadores abordariam eleitores. O prefeito confirma ter mandado o e-mail, mas nega que o objetivo fosse melhorar seu desempenho; diz ter feito "ação preventiva" para "evitar maldades" de rivais.
Segundo o Datafolha, medidas de controle tornam impossível afetar os resultados; movimentos estranhos são notados e descartados.
À reportagem, Kassab afirmou que "de maneira nenhuma" agiu com o propósito de inflar seu desempenho na pesquisa Datafolha. "Se eu quisesse fazer isso", argumentou o prefeito, "não teria me portado de maneira tão franca e transparente".
PESQUISA
A candidatura do prefeito Gilberto Kassab é a que tem mais alianças partidárias (incluindo caciques como PMDB) e mais tempo na TV. No entanto, de acordo com o última Datafolha, divulgado dia 25, amarga a terceira colocação nas pesquisas (11%), atrás da líder Marta Suplicy (36%) e do segundo colocado Geraldo Alckmin (32%).
No levantamento, 35% dos entrevistados consideraram ótima ou boa a gestão do democrata à frente da capital paulista. Na pesquisa anterior, do dia 4 deste mês, esse índice era de 33%, seis pontos a menos do que o registro de 15 de maio, também feito pelo Datafolha.
A reprovação --soma dos que consideram o governo ruim ou péssimo--, que também havia crescido seis pontos, de 20% para 26%, oscilou um ponto para baixo e está em 25%.
O índice dos que consideram a administração municipal de São Paulo regular foi de 38% para 37% --3% não souberam ou não quiseram responder.”
Um enigma envolve essa notícia. Por que a Folha Online, do jornal Folha de São Paulo, publicou essa notícia contra Kassab? O jornal é radical escultor de notícias em prol da eleição de José Serra (PSDB) à presidência em 2010. Serra apóia (ou apoiava?) Kassab para garantir a aliança PSDB-DEM. Será que estão abandonando Kassab para apoiar Alckmin?
KASSAB USA MÁQUINA DA PREFEITURA PARA TENTAR INFLUIR EM PESQUISA DATAFOLHA
“E-mail obtido pela Folha mostra que Gilberto Kassab (DEM) acionou pessoalmente a máquina da prefeitura para tentar influir na última pesquisa Datafolha da eleição em São Paulo, na qual recuou dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, informa o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete.
No e-mail, Kassab pede a 26 subprefeitos "ação" nos locais onde entrevistadores abordariam eleitores. O prefeito confirma ter mandado o e-mail, mas nega que o objetivo fosse melhorar seu desempenho; diz ter feito "ação preventiva" para "evitar maldades" de rivais.
Segundo o Datafolha, medidas de controle tornam impossível afetar os resultados; movimentos estranhos são notados e descartados.
À reportagem, Kassab afirmou que "de maneira nenhuma" agiu com o propósito de inflar seu desempenho na pesquisa Datafolha. "Se eu quisesse fazer isso", argumentou o prefeito, "não teria me portado de maneira tão franca e transparente".
PESQUISA
A candidatura do prefeito Gilberto Kassab é a que tem mais alianças partidárias (incluindo caciques como PMDB) e mais tempo na TV. No entanto, de acordo com o última Datafolha, divulgado dia 25, amarga a terceira colocação nas pesquisas (11%), atrás da líder Marta Suplicy (36%) e do segundo colocado Geraldo Alckmin (32%).
No levantamento, 35% dos entrevistados consideraram ótima ou boa a gestão do democrata à frente da capital paulista. Na pesquisa anterior, do dia 4 deste mês, esse índice era de 33%, seis pontos a menos do que o registro de 15 de maio, também feito pelo Datafolha.
A reprovação --soma dos que consideram o governo ruim ou péssimo--, que também havia crescido seis pontos, de 20% para 26%, oscilou um ponto para baixo e está em 25%.
O índice dos que consideram a administração municipal de São Paulo regular foi de 38% para 37% --3% não souberam ou não quiseram responder.”
Um enigma envolve essa notícia. Por que a Folha Online, do jornal Folha de São Paulo, publicou essa notícia contra Kassab? O jornal é radical escultor de notícias em prol da eleição de José Serra (PSDB) à presidência em 2010. Serra apóia (ou apoiava?) Kassab para garantir a aliança PSDB-DEM. Será que estão abandonando Kassab para apoiar Alckmin?
MULHERES NORTE-AMERICANAS MORREM MAIS NO IRAQUE
Extraí o artigo seguinte do site “defesanet”:
"As operações no Iraque têm causado mais baixas em soldadas do que durante a Operação Tempestade no Deserto (1991) ou na Guerra do Vietnã.
Até esta data (Julho), 97 americanas morreram, incluindo sete mães solteiras, na Operação Liberdade para o Iraque. A média de idade era de 27 anos.
Baixas não relacionadas a combate (acidentes, suicídio, acidentes com a própria arma) são cerca de 40 % das baixas femininas no Iraque, enquanto cerca de 60 % das baixas é devido a ações hostis. Cerca de 20 soldadas morreram devido a ação de IEDs [improvised explosive device]. Outras baixas foram devido a engajamento com armas de fogo, RPGs [Rocket Propelled Grenade], morteiros ou ataques suicidas.
Na Guerra do Golfo, por exemplo, 16 soldadas faleceram entre 41.000 “membras” dos serviços militares operando ali. No Vietnã foram 8 baixas femininas, dentre as 7.465 mulheres que serviram naquele Teatro de Operações [TO]. O número total de mulheres que serviram no Iraque é desconhecido, porém em Janeiro de 2008, havia 10.262 mulheres servindo naquele TO.
Na Guerra da Coréia foram 17 baixas entre 1.000 mulheres. Porém 11 faleceram em um único acidente aéreo. O Departamento de Defesa registra que mais de 400.000 mulheres participaram nos mais variados TOs da Segunda Guerra Mundial, com 543 baixas entre as mulheres. As maiores causas para baixas foram: acidentes aéreos, acidentes com veículos e doenças. O Departamento de Defesa indica que 16 mulheres morreram como resultado de ações do inimigo na Segunda Guerra Mundial. Assim as 58 mulheres mortas no Iraque equivalem a quatro vezes as mortes por ação do inimigo na Segunda Guerra Mundial.
A legislação para o emprego de mulheres é de que não devem ser alocadas nas unidades de combate (Batalhões de infantaria e blindados).
Assim todas as unidades de combate devem ser compostas por homens. O combate fluido e a falta de linha de frente levam a que muitos serviços considerados seguros e de retaguarda tenham sido atacados por atentados suicidas ou IEDs. Assim muitas mulheres em unidades de suprimento foram envolvidas em combate ou ação de fogo inimigo.
Outro pontos que atinge as mulheres são as Desordens pós Traumáticas (Post Traumatic Stress Disorder - PTSD), em percentual maior que nos homens. A separação da família tem um efeito de maior impacto mais nas mulheres que nos homens."
"As operações no Iraque têm causado mais baixas em soldadas do que durante a Operação Tempestade no Deserto (1991) ou na Guerra do Vietnã.
Até esta data (Julho), 97 americanas morreram, incluindo sete mães solteiras, na Operação Liberdade para o Iraque. A média de idade era de 27 anos.
Baixas não relacionadas a combate (acidentes, suicídio, acidentes com a própria arma) são cerca de 40 % das baixas femininas no Iraque, enquanto cerca de 60 % das baixas é devido a ações hostis. Cerca de 20 soldadas morreram devido a ação de IEDs [improvised explosive device]. Outras baixas foram devido a engajamento com armas de fogo, RPGs [Rocket Propelled Grenade], morteiros ou ataques suicidas.
Na Guerra do Golfo, por exemplo, 16 soldadas faleceram entre 41.000 “membras” dos serviços militares operando ali. No Vietnã foram 8 baixas femininas, dentre as 7.465 mulheres que serviram naquele Teatro de Operações [TO]. O número total de mulheres que serviram no Iraque é desconhecido, porém em Janeiro de 2008, havia 10.262 mulheres servindo naquele TO.
Na Guerra da Coréia foram 17 baixas entre 1.000 mulheres. Porém 11 faleceram em um único acidente aéreo. O Departamento de Defesa registra que mais de 400.000 mulheres participaram nos mais variados TOs da Segunda Guerra Mundial, com 543 baixas entre as mulheres. As maiores causas para baixas foram: acidentes aéreos, acidentes com veículos e doenças. O Departamento de Defesa indica que 16 mulheres morreram como resultado de ações do inimigo na Segunda Guerra Mundial. Assim as 58 mulheres mortas no Iraque equivalem a quatro vezes as mortes por ação do inimigo na Segunda Guerra Mundial.
A legislação para o emprego de mulheres é de que não devem ser alocadas nas unidades de combate (Batalhões de infantaria e blindados).
Assim todas as unidades de combate devem ser compostas por homens. O combate fluido e a falta de linha de frente levam a que muitos serviços considerados seguros e de retaguarda tenham sido atacados por atentados suicidas ou IEDs. Assim muitas mulheres em unidades de suprimento foram envolvidas em combate ou ação de fogo inimigo.
Outro pontos que atinge as mulheres são as Desordens pós Traumáticas (Post Traumatic Stress Disorder - PTSD), em percentual maior que nos homens. A separação da família tem um efeito de maior impacto mais nas mulheres que nos homens."
sábado, 26 de julho de 2008
TODAS AS NOSSAS TELECOMUNICAÇÕES ESTÃO NAS MÃOS DOS GRINGOS
Em 27 de março, escrevemos neste blog: “Na década de 90, no Brasil a prioridade era vender, desestatizar e desnacionalizar. Prioritariamente, desnacionalizar as empresas estrategicamente mais importantes para o desenvolvimento nacional e as mais lucrativas, especialmente as que vendem em moeda forte (exemplo: Vale do Rio Doce, EMBRATEL, Petrobras, e até a Embraer, que muitos erradamente ainda pensam que os seus proprietários, os donos da quase totalidade das suas ações ordinárias, são brasileiros).
(...) O Brasil, naquela loucura “neoliberal”, fez algo surpreendente e inédito no mundo, que foi muito elogiado no exterior e aqui também... Desprezou totalmente a Segurança Nacional. Passou 100% do controle de todos os serviços de telecomunicações de longa distância do país (a EMBRATEL) para somente uma empresa norte-americana! Foi para a pré-concordatária MCI, ex-WorldCom, que veio a ser famosa no mundo pelas gigantescas fraudes contábeis em seus balanços.” (depois, a MCI vendeu a “nossa” EMBRATEL para a mexicana Telmex, sem dar satisfação ao governo brasileiro).
Esse grave problema para todos os brasileiros veio-me à memória ao ler a muito boa exposição (abaixo transcrita) do internauta Stanley Burburinho, que postou seu comentário hoje, 26/07/2008, às 12h55, no blog “Vi o Mundo”, justamente sobre o artigo “A raposa está no galinheiro” do blog do Azenha que originou a nossa postagem imediatamente anterior a esta. Transcrevo o texto de Stanley Burburinho:
(...) “Toda a comunicação no Brasil, via satélite, passa pelos satélites B1, B2, B3, B4 e outros mais que são da Embratel que é de propriedade de um investidor do México (o Carlos Slim, que já disse ser contra a fusão das teles), que é um país aliado dos norte-americanos, isto é: Bush.
Acho isso um perigo. A Telefônica, que é espanhola, e a Telmex (que pertence ao mesmo dono da Embratel) que é mexicana, têm o monopólio da transmissão via satélite dos sinais de telefonia, Internet, TVs abertas e fechadas em toda a América Latina.
A localização e o assassinato dos membros das FARCs, por militares colombianos e norte-americanos, no meio da selva, em pleno território equatoriano, às 3 horas da madrugada, só foi possível porque os membros das FARCs fizeram ligações telefônicas, via satélite, minutos antes do ataque, e o satélite é da Telefônica que repassou para os colombianos e norte-americanos os dados de latitude e longitude que facilitaram a localização do grupo.
Toda comunicação dos militares brasileiros que estão nas fronteiras é transmitida por um dos satélites da Embratel.
Isso não é um risco? Estamos nas mãos dos gringos. Através do GPS do satélite, os gringos sabem, exatamente, onde os nossos militares se encontram na Amazônia e como se movimentam, através de satélites espiões dos USA.
Toda a comunicação entre as plataformas de petróleo da Petrobrás, que ficam em alto mar, com a sede, é transmitida por um desses satélites. Com a crise mundial do Petróleo e energia, a quem interessaria interceptar essas comunicações e garimpar informação privilegiada?
Os dados sobre desmatamento que são enviados pelo INPE também são transmitidos por um desses satélites.
Os dados das nossas plantações de cana, milho, soja e demais commodities em geral também são transmitidos por um desses satélites.
Será que Lula pode falar, tranqüilamente com o Chávez, o Corrêa, o Evo, a Bachelet , o Fidel etc por telefonia, para tratar de estratégias para preservar as nossas riquezas, sem correr o risco de interceptação do que se fala?
O Amorim que neste momento está na OMC tratando dos nossos interesses, se precisar falar com o Brasil para se autorizar a tomar qualquer decisão estratégica para ao Brasil, terá que falar por um desses satélites.
O Brasil não tem gerência sobre o algorítmo de encriptação dos dados veiculados pelos satélites.
Os satélites da Embratel, B1, B2, B3, B4, foram fabricados no exterior e montados em São José dos Campos - SP. Nós avançamos e já dominamos essa tecnologia de satélites e também dominamos a tecnologia de colocação de satélites em órbita e a manutenção. Não precisamos dos gringos.
Será que seria estratégico para o Brasil, através de uma PPP com a BrOi, ter os seus próprios satélites? Se sim, de quem se teria que ficar livre o mais rápido possível? Do Dantas? Será estou falando besteiras? Por quê? E os USA já estão com a IV Frota rondando por aqui.”
(...) O Brasil, naquela loucura “neoliberal”, fez algo surpreendente e inédito no mundo, que foi muito elogiado no exterior e aqui também... Desprezou totalmente a Segurança Nacional. Passou 100% do controle de todos os serviços de telecomunicações de longa distância do país (a EMBRATEL) para somente uma empresa norte-americana! Foi para a pré-concordatária MCI, ex-WorldCom, que veio a ser famosa no mundo pelas gigantescas fraudes contábeis em seus balanços.” (depois, a MCI vendeu a “nossa” EMBRATEL para a mexicana Telmex, sem dar satisfação ao governo brasileiro).
Esse grave problema para todos os brasileiros veio-me à memória ao ler a muito boa exposição (abaixo transcrita) do internauta Stanley Burburinho, que postou seu comentário hoje, 26/07/2008, às 12h55, no blog “Vi o Mundo”, justamente sobre o artigo “A raposa está no galinheiro” do blog do Azenha que originou a nossa postagem imediatamente anterior a esta. Transcrevo o texto de Stanley Burburinho:
(...) “Toda a comunicação no Brasil, via satélite, passa pelos satélites B1, B2, B3, B4 e outros mais que são da Embratel que é de propriedade de um investidor do México (o Carlos Slim, que já disse ser contra a fusão das teles), que é um país aliado dos norte-americanos, isto é: Bush.
Acho isso um perigo. A Telefônica, que é espanhola, e a Telmex (que pertence ao mesmo dono da Embratel) que é mexicana, têm o monopólio da transmissão via satélite dos sinais de telefonia, Internet, TVs abertas e fechadas em toda a América Latina.
A localização e o assassinato dos membros das FARCs, por militares colombianos e norte-americanos, no meio da selva, em pleno território equatoriano, às 3 horas da madrugada, só foi possível porque os membros das FARCs fizeram ligações telefônicas, via satélite, minutos antes do ataque, e o satélite é da Telefônica que repassou para os colombianos e norte-americanos os dados de latitude e longitude que facilitaram a localização do grupo.
Toda comunicação dos militares brasileiros que estão nas fronteiras é transmitida por um dos satélites da Embratel.
Isso não é um risco? Estamos nas mãos dos gringos. Através do GPS do satélite, os gringos sabem, exatamente, onde os nossos militares se encontram na Amazônia e como se movimentam, através de satélites espiões dos USA.
Toda a comunicação entre as plataformas de petróleo da Petrobrás, que ficam em alto mar, com a sede, é transmitida por um desses satélites. Com a crise mundial do Petróleo e energia, a quem interessaria interceptar essas comunicações e garimpar informação privilegiada?
Os dados sobre desmatamento que são enviados pelo INPE também são transmitidos por um desses satélites.
Os dados das nossas plantações de cana, milho, soja e demais commodities em geral também são transmitidos por um desses satélites.
Será que Lula pode falar, tranqüilamente com o Chávez, o Corrêa, o Evo, a Bachelet , o Fidel etc por telefonia, para tratar de estratégias para preservar as nossas riquezas, sem correr o risco de interceptação do que se fala?
O Amorim que neste momento está na OMC tratando dos nossos interesses, se precisar falar com o Brasil para se autorizar a tomar qualquer decisão estratégica para ao Brasil, terá que falar por um desses satélites.
O Brasil não tem gerência sobre o algorítmo de encriptação dos dados veiculados pelos satélites.
Os satélites da Embratel, B1, B2, B3, B4, foram fabricados no exterior e montados em São José dos Campos - SP. Nós avançamos e já dominamos essa tecnologia de satélites e também dominamos a tecnologia de colocação de satélites em órbita e a manutenção. Não precisamos dos gringos.
Será que seria estratégico para o Brasil, através de uma PPP com a BrOi, ter os seus próprios satélites? Se sim, de quem se teria que ficar livre o mais rápido possível? Do Dantas? Será estou falando besteiras? Por quê? E os USA já estão com a IV Frota rondando por aqui.”
RAPOSA DOS EUA CONTROLA OS DADOS DO PETRÓLEO DO BRASIL
A Halliburton teve e tem fortes vínculos com o Vice-Presidente dos EUA, Richard Bruce "Dick" Cheney, que foi “Chairman and Chief Executive Officer” da Halliburton Company de 1995 a 2000.
A Halliburton foi a principal articuladora da invasão militar norte-americana no Iraque e a principal beneficiada com aquela “guerra” pelo domínio das reservas de petróleo iraquiano. Invasão que, segundo instituição da Inglaterra, já causou a morte de mais de um milhão de iraquianos. Um crime de guerra. Um genocídio.
E para nós o pior: a Halliburton está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP)!
Este blog já tratou dessa perigosa dependência brasileira à Halliburton. Em 10 de julho, na postagem “PETRÓLEO - TEMOS QUE MUDAR A LEI 9478/97”, oriunda do blog “de um sem mídia”, constou entre outros trechos:
“(...) Devemos reverter o mal já feito aos brasileiros pelo governo PSDB/FHC/DEM-PFL ao vender para estrangeiros, por valor quase simbólico, grande parte da Petrobras, e ao garantir a posse do petróleo brasileiro às multinacionais beneficiadas pelas dadivosas medidas de FHC.
(...) A lei, no seu artigo 22, obriga que a Petrobrás entregue à ANP todos os seus dados técnicos de exploração e produção. O banco de dados da ANP é administrado, há 10 anos, por uma subsidiária da Halliburton, que é uma empresa americana, cujo maior acionista é o vice-presidente Dick Chenney e é concorrente da Petrobrás.
(...) A ANP é a substituta do Conselho Nacional do Petróleo e é necessária para regular o setor. Mas tem que ser revista. Ela está mal posicionada e mal comandada. No início, foi dirigida por David Zilbertstajn, enquanto genro de FHC. Ele, na ânsia de entregar logo as áreas para empresas estrangeiras, estabeleceu blocos com tamanhos 220 vezes maiores do que os blocos leiloados no Golfo do México. Hoje, a ANP tem um diretor que veio da Halliburton (era diretor em Angola), e que está comandando os leilões.”
Este blog, também, em outra postagem de 1º de julho, em transcrição de artigo de Leandro Mazzini do Jornal do Brasil, publicou:
(...) “dados secretos sobre as reservas [petrolíferas brasileiras] foram roubados no Rio [no início deste ano]. A PF tratou como furto comum. Cheney tem participação na empresa que cuidava do transporte desses dados no Brasil, em parceria com a Petrobras. Acionista de petrolíferas, foi Cheney quem fez o maior lobby para a reativação da IV Frota dos EUA [dedicada a “ações humanitárias” nas nossas costas marítimas]”.
Hoje (26/07), leio a preocupante notícia da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) publicada no blog “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha:
“A RAPOSA ESTÁ NO GALINHEIRO
“Importantes fontes revelaram à AEPET que a multinacional norte-americana Halliburton, através da sua subsidiária no Brasil, Landmark Digital and Consulting Solutions, está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem ter passado por processo licitatório.
E mais: as fontes informaram, ainda, que tiveram acesso ao parecer da Procuradoria Geral da República (PROGE), emitido em 2004, no qual exige que serviços prestados no BDEP sejam feitos mediante licitação. Mas, incrivelmente, a ANP até hoje não cumpriu a determinação da PROGE.
A Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton administra o BDEP há 10 anos.
Lembramos que a Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney, atua no Brasil há mais de 40 anos e recentemente colocou um diretor de sua subsidiária em Angola [Nelson Narciso] na direção da Agência Reguladora, para gerenciar os leilões e o BDEP.
Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB - Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pela principais áreas de atuação da Agência Reguladora.
A raposa está ditando as regras do galinheiro e parece que as nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser corrigida o quanto antes. A sociedade brasileira precisa ficar de olho vivo e agir contra tais ilegalidades.
Especialistas dão conta de que esse tipo de atividade [administração do BDEP] só existe no Brasil, assim como a jabuticaba. Nessa história toda, vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de uma simples "Rainha da Inglaterra" e "garoto propaganda" da entrega das áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark [Halliburton] é paga para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da Lei 9478/97.
A Halliburton, principal articuladora da invasão ao Iraque, tem executado uma série de atividades de bilhões de dólares, sem licitações. A Halliburton é o principal membro da corporotocracia norte-americana, que junto com CIA, Sistema Financeiro e outras corporações exploram os recursos dos países em desenvolvimento.”
A Halliburton foi a principal articuladora da invasão militar norte-americana no Iraque e a principal beneficiada com aquela “guerra” pelo domínio das reservas de petróleo iraquiano. Invasão que, segundo instituição da Inglaterra, já causou a morte de mais de um milhão de iraquianos. Um crime de guerra. Um genocídio.
E para nós o pior: a Halliburton está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP)!
Este blog já tratou dessa perigosa dependência brasileira à Halliburton. Em 10 de julho, na postagem “PETRÓLEO - TEMOS QUE MUDAR A LEI 9478/97”, oriunda do blog “de um sem mídia”, constou entre outros trechos:
“(...) Devemos reverter o mal já feito aos brasileiros pelo governo PSDB/FHC/DEM-PFL ao vender para estrangeiros, por valor quase simbólico, grande parte da Petrobras, e ao garantir a posse do petróleo brasileiro às multinacionais beneficiadas pelas dadivosas medidas de FHC.
(...) A lei, no seu artigo 22, obriga que a Petrobrás entregue à ANP todos os seus dados técnicos de exploração e produção. O banco de dados da ANP é administrado, há 10 anos, por uma subsidiária da Halliburton, que é uma empresa americana, cujo maior acionista é o vice-presidente Dick Chenney e é concorrente da Petrobrás.
(...) A ANP é a substituta do Conselho Nacional do Petróleo e é necessária para regular o setor. Mas tem que ser revista. Ela está mal posicionada e mal comandada. No início, foi dirigida por David Zilbertstajn, enquanto genro de FHC. Ele, na ânsia de entregar logo as áreas para empresas estrangeiras, estabeleceu blocos com tamanhos 220 vezes maiores do que os blocos leiloados no Golfo do México. Hoje, a ANP tem um diretor que veio da Halliburton (era diretor em Angola), e que está comandando os leilões.”
Este blog, também, em outra postagem de 1º de julho, em transcrição de artigo de Leandro Mazzini do Jornal do Brasil, publicou:
(...) “dados secretos sobre as reservas [petrolíferas brasileiras] foram roubados no Rio [no início deste ano]. A PF tratou como furto comum. Cheney tem participação na empresa que cuidava do transporte desses dados no Brasil, em parceria com a Petrobras. Acionista de petrolíferas, foi Cheney quem fez o maior lobby para a reativação da IV Frota dos EUA [dedicada a “ações humanitárias” nas nossas costas marítimas]”.
Hoje (26/07), leio a preocupante notícia da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) publicada no blog “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha:
“A RAPOSA ESTÁ NO GALINHEIRO
“Importantes fontes revelaram à AEPET que a multinacional norte-americana Halliburton, através da sua subsidiária no Brasil, Landmark Digital and Consulting Solutions, está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem ter passado por processo licitatório.
E mais: as fontes informaram, ainda, que tiveram acesso ao parecer da Procuradoria Geral da República (PROGE), emitido em 2004, no qual exige que serviços prestados no BDEP sejam feitos mediante licitação. Mas, incrivelmente, a ANP até hoje não cumpriu a determinação da PROGE.
A Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton administra o BDEP há 10 anos.
Lembramos que a Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney, atua no Brasil há mais de 40 anos e recentemente colocou um diretor de sua subsidiária em Angola [Nelson Narciso] na direção da Agência Reguladora, para gerenciar os leilões e o BDEP.
Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB - Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pela principais áreas de atuação da Agência Reguladora.
A raposa está ditando as regras do galinheiro e parece que as nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser corrigida o quanto antes. A sociedade brasileira precisa ficar de olho vivo e agir contra tais ilegalidades.
Especialistas dão conta de que esse tipo de atividade [administração do BDEP] só existe no Brasil, assim como a jabuticaba. Nessa história toda, vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de uma simples "Rainha da Inglaterra" e "garoto propaganda" da entrega das áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark [Halliburton] é paga para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da Lei 9478/97.
A Halliburton, principal articuladora da invasão ao Iraque, tem executado uma série de atividades de bilhões de dólares, sem licitações. A Halliburton é o principal membro da corporotocracia norte-americana, que junto com CIA, Sistema Financeiro e outras corporações exploram os recursos dos países em desenvolvimento.”
AMB CRITICOU A DIVULGAÇÃO DE “LISTA SUJA” FEITA PELA OAB
Li hoje no blog do Favre essa interessante notícia publicada pelo Portal Globo e pela Agência Estado em 11/11/2006. Mostra como as pessoas e instituições, no caso a AMB, invertem completamente seus pontos de vista, dependendo dos interesses em jogo no momento.
JUÍZES CRITICAM OAB POR “LISTA NEGRA” DE MAGISTRADOS
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudiou a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo (OAB-SP), de divulgar uma lista com um cadastro das autoridades que teriam sido alvo de desagravos e de moções de repúdio por parte de advogados.
Em nota enviada à imprensa, o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, chamou o cadastro de “lista negra”. ”A iniciativa da OAB-SP agride não só as autoridades relacionadas na lista, mas, especialmente, a Constituição Federal e os mais basilares fundamentos do Estado Democrático de Direito”, disse Collaço, que informou que a AMB irá elaborar um estudo para ser colocado à disposição de seus associados que desejarem ingressar com as ações judiciais cabíveis. “Desse modo, a AMB dará todo o apoio para que os seus associados atingidos em sua honra busquem junto ao Poder Judiciário a necessária reparação dos danos sofridos”, explicou.
A OAB-SP informou em seu site que o cadastro de juízes só é realizado “após concluída a tramitação do regular processo de desagravo, com decisão que, inclusive, é publicada no Diário Oficial”. Para a entidade representativa dos advogados, a medida é uma forma de defender as prerrogativas dos profissionais “frente a todas as iniciativas arbitrárias e ilegais, porque são lesivas à classe e aos direitos dos cidadãos”.
JUÍZES CRITICAM OAB POR “LISTA NEGRA” DE MAGISTRADOS
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudiou a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo (OAB-SP), de divulgar uma lista com um cadastro das autoridades que teriam sido alvo de desagravos e de moções de repúdio por parte de advogados.
Em nota enviada à imprensa, o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, chamou o cadastro de “lista negra”. ”A iniciativa da OAB-SP agride não só as autoridades relacionadas na lista, mas, especialmente, a Constituição Federal e os mais basilares fundamentos do Estado Democrático de Direito”, disse Collaço, que informou que a AMB irá elaborar um estudo para ser colocado à disposição de seus associados que desejarem ingressar com as ações judiciais cabíveis. “Desse modo, a AMB dará todo o apoio para que os seus associados atingidos em sua honra busquem junto ao Poder Judiciário a necessária reparação dos danos sofridos”, explicou.
A OAB-SP informou em seu site que o cadastro de juízes só é realizado “após concluída a tramitação do regular processo de desagravo, com decisão que, inclusive, é publicada no Diário Oficial”. Para a entidade representativa dos advogados, a medida é uma forma de defender as prerrogativas dos profissionais “frente a todas as iniciativas arbitrárias e ilegais, porque são lesivas à classe e aos direitos dos cidadãos”.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
PARA PINHEIRO GUIMARÃES, AL PRECISA DE UM PLANO MARSHALL
O jornal Valor publicou na semana passada (14) a interessante entrevista com o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães a seguir reproduzida. Eu a li no site www.defesanet.com. O título original utilizado pelo jornal é o mesmo acima exposto.
“Logo à entrada do gabinete do secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, o desajeitado troféu Juca Pato - Intelectual do Ano, conferido em 2006 pela União Brasileira dos Escritores, lembra que o polêmico diplomata é, também, referência para uma parte importante da intelectualidade brasileira. No Itamaraty, despertou críticas com seus métodos de gestão, que incluíam a exigência de leitura de livros apontados por ele, para diplomatas em vias de promoção, mas firmou reputação de bom administrador, garantindo melhoria de infra-estrutura e de salários para o ministério.
Mestre em Economia pela Universidade de Boston, Pinheiro Guimarães é visto, hoje, como a face mais à esquerda da diplomacia brasileira, pelos críticos e pelos admiradores da política externa do governo Lula. É influente, e um dos principais emissários do governo em missões delicadas, embora, quando indagado, minimize sua atuação.
Sabedor da forte repercussão que costumam ter suas idéias, Pinheiro Guimarães evita entrevistas, embora publique regularmente livros sobre política externa, como o último deles, 'Desafios Brasileiros em Terra de Gigantes', que alinha ameaças e estratégias para a atuação do Brasil, no continente e em outras instâncias internacionais e faz comentários cortantes, como a afirmação de que os Estados Unidos são um país de 'povo democrático e elite autoritária'.
Para o Valor, Pinheiro Guimarães fala das FARC, Argentina, Itaipu, Estados Unidos, e defende uma 'espécie de Plano Marshall' para a América do Sul, mencionando o apoio americano para a reconstrução da Europa devastada do pós-guerra. 'Não há concessões excessivas quando as diferenças são tão extraordinárias e quando nossos interesses as exigem', comenta. Mas pede que leiam o contexto de suas afirmações.
Valor: O que diferencia a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) de outras instituições no continente que não saíram da retórica?
Samuel Pinheiro Guimarães: Tudo. A Unasul é o primeiro organismo sul-americano que reúne países subdesenvolvidos, com características comuns, para articular sua ação para dentro e para fora do continente. A Unasul já está sendo um extraordinário mecanismo de articulação e coordenação dos dirigentes da América do Sul. A defesa de nossos interesses comuns é vital em um mundo marcado pelo arbítrio, pela assimetria de poder entre Estados e pelas crises financeira, ambiental, energética e de alimentos. A redução do arbítrio e da assimetria e a solução dessas crises, que são fenômenos globais, dependerá de negociações que decidirão nosso futuro. As reuniões da Unasul geram oportunidades para encontros de presidentes e ministros, permitindo compreender os desafios de cada sociedade, definir esquemas de cooperação e articular posições comuns nas negociações com outros países e blocos.
Valor: O Brasil deve pagar para reduzir as chamadas assimetrias e garantir a integração continental?
Pinheiro Guimarães: As assimetrias são a característica principal da América do Sul e elas distorcem e dificultam a realização do nosso potencial. É indispensável que todos os países possam contribuir para o desenvolvimento econômico e para a estabilidade política da região e isso depende da redução das disparidades internas e das assimetrias entre eles. O livre jogo das forças de mercado e o livre comércio não serão suficientes para promover o desenvolvimento sempre que existirem gravíssimas deficiências estruturais e assimetrias enormes. Por esta razão, e até com menos razão, os países mais desenvolvidos europeus, em seu processo de integração, criaram fundos para o desenvolvimento dos países mais atrasados, em que os mais ricos contribuem com recursos importantes para o desenvolvimento dos mais pobres.
Valor: E qual será o custo para o Brasil?
Pinheiro Guimarães: Não há um custo em estabelecer melhores condições de financiamento de obras, de acesso a mercados, de investimentos. Há um custo enorme em não fazer ou em fazer como se os países fossem iguais em dimensão e potencial.
Valor: O que está sendo planejado concretamente pelo governo?
Pinheiro Guimarães: Um esforço maior de remoção dos obstáculos que dificultam a entrada de produtos dos vizinhos no mercado brasileiro, um maior esforço para melhorar as condições e volume de crédito para obras de infra-estrutura, um esforço maior para facilitar as transações comerciais aperfeiçoando os sistemas de pagamento em moeda local, um maior esforço para ampliar em muito os fundos de redução de assimetrias, tais como o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul, o Focem.
Acima de tudo, é preciso imaginar um programa mais amplo, mais enérgico, mais generoso e mais ágil dos países mais ricos da região em favor daqueles mais pobres. Este programa é urgente, como foi o Plano Marshall para reconstruir a Europa, devastada após a guerra. Precisamos superar a devastação diária causada pelo subdesenvolvimento.
Valor: O Brasil não tem feito concessões excessivas aos vizinhos, à custa dos interesses do país?
Pinheiro Guimarães: Os interesses do Brasil, o seu desenvolvimento econômico e político, estão vinculados ao progresso econômico e à estabilidade política de cada vizinho e isto cada vez mais, devido aos laços que nos unem a eles e que tanto vêm se aprofundando e fortalecendo. Não há concessões excessivas quando as diferenças de dimensão são tão extraordinárias e quando nossos interesses as exigem para a construção de um bloco que nos fortaleça a todos.
Valor: A ajuda aos vizinhos deve se dar mesmo que isso aumente os custos, para os brasileiros, de energia, por exemplo?
Pinheiro Guimarães: A ajuda aos vizinhos reverte em benefício do Brasil. A construção da infra-estrutura, o desenvolvimento industrial, o aumento de demanda cria oportunidades não só para as empresas brasileiras mas para nossos trabalhadores pois aumenta a demanda por produtos e serviços brasileiros. O extraordinário aumento das exportações brasileiras, assim como os investimentos de empresas brasileiras nos últimos seis anos prova isto. Os custos serão sempre menores que os benefícios.
Valor: O presidente do Paraguai transformou Itaipu em medida de sucesso de sua gestão. O Brasil deve atendê-lo e reajustar a tarifa da hidrelétrica, como ele pede?
Pinheiro Guimarães: O cálculo da tarifa de energia leva em conta o custo de produção das diferentes empresas que operam no Brasil. A tarifa de energia elétrica de Itaipu é um dos componentes para o cálculo da tarifa geral. A tarifa de Itaipu obedece a método de cálculo definido pelo tratado, que tem sofrido ajustes ao longo do tempo, desde 1973. Preservado o elemento central do tratado, há sempre espaço para entendimentos técnicos. Há enormes possibilidades de cooperação entre Brasil e Paraguai para em benefício mútuo promover o seu desenvolvimento. O presidente Lugo e o presidente Lula sabem da importância deste esforço de compreensão e de cooperação.
Valor: As medidas protecionistas na Argentina e as restrições às exportações não comprometem a integração do Mercosul?
Pinheiro Guimarães: O Brasil é o principal fornecedor da Argentina no mundo. As exportações brasileiras cresceram 39% no primeiro quadrimestre, em comparação com 2007, e as exportações argentinas para o Brasil cresceram 41% mais do que haviam crescido em igual período de 2007. As empresas brasileiras participam da construção de duas grandes obras na Argentina e aguardam a contratação para sete outras e os investimentos empresariais se multiplicam nos mais diferentes setores da economia argentina.
Valor: A crise Argentina afeta em quê o Brasil? Como o país deve lidar com isso?
Pinheiro Guimarães: As crises nas economias da região são o reflexo de crises no centro da economia mundial. Essas são movimentos cíclicos do sistema capitalista, às vezes resultado de grandes manobras especulativas nos diferentes mercados de bens, como o petróleo, e no sistema financeiro desregulamentado pelo neo-liberalismo, hoje arrependido na prática.
Cada país da América do Sul tem características próprias e procura lidar com suas crises que têm origem no exterior a partir de sua visão dos interesses de sua sociedade. Se há crise na Argentina, como os arautos do pessimismo apregoam sem cessar, ela tem por hora afetado marginalmente o Brasil, como revela a expansão vigorosa de nosso comércio e dos investimentos. Nada temos a ensinar a quem quer que seja, em termos de política econômica, ou de qualquer outra.
Valor: Mas nem todos os países da região estão enfrentando problemas como os da Argentina. Não é exagero atribuí-los à crise nos centros da economia mundial?
Pinheiro Guimarães: Nem todos os países souberam vencer a gravíssima crise que a Argentina venceu e nem todos crescem à taxa que a Argentina tem crescido. Como a solução foi heterodoxa, as críticas não cessam nem a previsão de colapso iminente, sempre adiado.
Valor: As Farc não são uma ameaça ao Brasil? O governo brasileiro não deveria tomar alguma atitude com os outros países do continente para condenar a guerrilha?
Pinheiro Guimarães: As Farc são uma questão interna da sociedade colombiana. O Brasil anseia para que o povo colombiano encontre uma solução negociada para suas divergências. O Brasil está sempre disposto a atender qualquer solicitação do governo colombiano para colaborar neste sentido e já manifestou várias vezes essa posição. Não há queixa da Colômbia com relação à posição brasileira e, pelo contrário, há apreço e reconhecimento. Nem há pressa de nossa parte.
Valor: O senhor acredita que a mudança de atitude do presidente Hugo Chávez em relação às Farc possa ter sido provocada pelas denúncias de seu envolvimento com a guerrilha e a má repercussão que isso teve na Venezuela?
Pinheiro Guimarães: As mudanças de atitude de presidentes decorrem de sua avaliação da situação mundial e regional. Sei que Colômbia e Venezuela são países irmãos, unidos pela sua história comum e por fortes vínculos econômicos. Seu comércio bilateral atinge US$ 6 bilhões, sendo a Venezuela o principal mercado para as indústrias colombianas e muito importante para a sua agricultura. Há 4 milhões de refugiados colombianos na Venezuela e recentemente foi inaugurado um gasoduto entre os dois países. O interesse verdadeiro dos dois países é o entendimento e a cooperação.
Valor: A recusa da Colômbia em participar de um Conselho Sul-Americano de Defesa muda os planos do governo brasileiro em relação a esse órgão?
Pinheiro Guimarães: O Brasil continua convencido de que um Conselho de Defesa na América do Sul contribuirá para a construção de confiança, para melhor conhecimento entre dirigentes militares das questões que os preocupam, das oportunidades para executar programas de reequipamento e desenvolvimento da indústria de defesa no continente, o que além de gerar empregos e tecnologia economizará recursos e surpresas a todos nós. Com o tempo, haverá crescente compreensão da importância da coordenação política e de defesa na América do Sul, direito inalienável dos Estados soberanos.
Valor: As ONGs estrangeiras na Amazônia são ameaça à soberania nacional na região?
Pinheiro Guimarães: A ameaça à soberania da Amazônia é o seu subdesenvolvimento insustentável. As ONGs no mundo e no Brasil procuram influir sobre as políticas desenvolvidas pelos governos nos mais diversos campos. Sua atuação deve se pautar pelo respeito à lei e à soberania nacional.
Cabe ao Brasil executar políticas de desenvolvimento sustentável que atendam à realidade dos 25 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, que permitam a exploração racional de seus recursos, que defendam seus recursos de uma apropriação indébita, como a biopirataria. De forma sempre soberana.
Valor: As Forças Armadas devem sofrer mudanças para cumprir seu papel de defender a soberania brasileira?
Pinheiro Guimarães: As Forças Armadas necessitam de um esforço ainda maior de reequipamento para poder enfrentar a tarefa de defesa do território, do mar territorial, da zona econômica exclusiva, do espaço aéreo contra ameaças tradicionais, reais ou potenciais, e 'novas' ameaças. Esse esforço sistemático de modernização tecnológica e de reconstrução da indústria de defesa brasileira é imprescindível pois não há defesa eficaz quando se depende de equipamento importado.
Valor: A aproximação entre os países do continente e a eleição de governos de esquerda não contraria sua avaliação, em um de seus livros mais recentes, de que os EUA não abririam mão de ditar a agenda política na região?
Pinheiro Guimarães: Os Estados Unidos são e continuarão a ser o país com maior influência na região. Há mais influência americana em cada país da região do que influência de qualquer país da região em qualquer outro. É claro que a influência econômica, social, cultural, tecnológica, política, militar dos Estados Unidos no Brasil é muito maior do que a influência de qualquer país andino, caribenho ou platino no Brasil.
Essa crescente aproximação entre os países sul-americanos e a eleição de governos, de diferentes matizes, de esquerda permitem um diálogo mais proveitoso e respeitoso entre os países da região e de cada um deles com os Estados Unidos, e uma articulação serena e digna em defesa de nossos interesses.
Valor: O senhor ainda crê que os EUA são um país com povo democrático e elite autoritária?
Pinheiro Guimarães: O povo americano é democrático, como comprovam seus 232 anos de democracia e seus renovados esforços para aperfeiçoá-la, como foram a Guerra Civil para abolir a escravidão, a legislação dos direitos sociais, hoje ameaçada, a oposição popular à Guerra do Vietnã, a necessária reforma do sistema eleitoral, às vezes falho, e o aumento da participação popular na escolha dos candidatos com a indicação de um afro-descendente para presidente.
As elites tendem a se comportar de forma imperial em suas relações com os demais Estados, devido à sua crença na perfeição suprema dos sistemas político, econômico e social americano. Isto por vezes lhes causa grandes decepções e surpresas. É preciso reformar, democratizar o sistema político internacional, defender e lutar pelos princípios das Nações Unidas, fundada pelos Estados Unidos, onde quer e por quem quer que estejam sendo violados: não intervenção, autodeterminação, respeito à integridade territorial, solução pacífica de controvérsias, igualdade soberana dos Estados.”
“Logo à entrada do gabinete do secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, o desajeitado troféu Juca Pato - Intelectual do Ano, conferido em 2006 pela União Brasileira dos Escritores, lembra que o polêmico diplomata é, também, referência para uma parte importante da intelectualidade brasileira. No Itamaraty, despertou críticas com seus métodos de gestão, que incluíam a exigência de leitura de livros apontados por ele, para diplomatas em vias de promoção, mas firmou reputação de bom administrador, garantindo melhoria de infra-estrutura e de salários para o ministério.
Mestre em Economia pela Universidade de Boston, Pinheiro Guimarães é visto, hoje, como a face mais à esquerda da diplomacia brasileira, pelos críticos e pelos admiradores da política externa do governo Lula. É influente, e um dos principais emissários do governo em missões delicadas, embora, quando indagado, minimize sua atuação.
Sabedor da forte repercussão que costumam ter suas idéias, Pinheiro Guimarães evita entrevistas, embora publique regularmente livros sobre política externa, como o último deles, 'Desafios Brasileiros em Terra de Gigantes', que alinha ameaças e estratégias para a atuação do Brasil, no continente e em outras instâncias internacionais e faz comentários cortantes, como a afirmação de que os Estados Unidos são um país de 'povo democrático e elite autoritária'.
Para o Valor, Pinheiro Guimarães fala das FARC, Argentina, Itaipu, Estados Unidos, e defende uma 'espécie de Plano Marshall' para a América do Sul, mencionando o apoio americano para a reconstrução da Europa devastada do pós-guerra. 'Não há concessões excessivas quando as diferenças são tão extraordinárias e quando nossos interesses as exigem', comenta. Mas pede que leiam o contexto de suas afirmações.
Valor: O que diferencia a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) de outras instituições no continente que não saíram da retórica?
Samuel Pinheiro Guimarães: Tudo. A Unasul é o primeiro organismo sul-americano que reúne países subdesenvolvidos, com características comuns, para articular sua ação para dentro e para fora do continente. A Unasul já está sendo um extraordinário mecanismo de articulação e coordenação dos dirigentes da América do Sul. A defesa de nossos interesses comuns é vital em um mundo marcado pelo arbítrio, pela assimetria de poder entre Estados e pelas crises financeira, ambiental, energética e de alimentos. A redução do arbítrio e da assimetria e a solução dessas crises, que são fenômenos globais, dependerá de negociações que decidirão nosso futuro. As reuniões da Unasul geram oportunidades para encontros de presidentes e ministros, permitindo compreender os desafios de cada sociedade, definir esquemas de cooperação e articular posições comuns nas negociações com outros países e blocos.
Valor: O Brasil deve pagar para reduzir as chamadas assimetrias e garantir a integração continental?
Pinheiro Guimarães: As assimetrias são a característica principal da América do Sul e elas distorcem e dificultam a realização do nosso potencial. É indispensável que todos os países possam contribuir para o desenvolvimento econômico e para a estabilidade política da região e isso depende da redução das disparidades internas e das assimetrias entre eles. O livre jogo das forças de mercado e o livre comércio não serão suficientes para promover o desenvolvimento sempre que existirem gravíssimas deficiências estruturais e assimetrias enormes. Por esta razão, e até com menos razão, os países mais desenvolvidos europeus, em seu processo de integração, criaram fundos para o desenvolvimento dos países mais atrasados, em que os mais ricos contribuem com recursos importantes para o desenvolvimento dos mais pobres.
Valor: E qual será o custo para o Brasil?
Pinheiro Guimarães: Não há um custo em estabelecer melhores condições de financiamento de obras, de acesso a mercados, de investimentos. Há um custo enorme em não fazer ou em fazer como se os países fossem iguais em dimensão e potencial.
Valor: O que está sendo planejado concretamente pelo governo?
Pinheiro Guimarães: Um esforço maior de remoção dos obstáculos que dificultam a entrada de produtos dos vizinhos no mercado brasileiro, um maior esforço para melhorar as condições e volume de crédito para obras de infra-estrutura, um esforço maior para facilitar as transações comerciais aperfeiçoando os sistemas de pagamento em moeda local, um maior esforço para ampliar em muito os fundos de redução de assimetrias, tais como o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul, o Focem.
Acima de tudo, é preciso imaginar um programa mais amplo, mais enérgico, mais generoso e mais ágil dos países mais ricos da região em favor daqueles mais pobres. Este programa é urgente, como foi o Plano Marshall para reconstruir a Europa, devastada após a guerra. Precisamos superar a devastação diária causada pelo subdesenvolvimento.
Valor: O Brasil não tem feito concessões excessivas aos vizinhos, à custa dos interesses do país?
Pinheiro Guimarães: Os interesses do Brasil, o seu desenvolvimento econômico e político, estão vinculados ao progresso econômico e à estabilidade política de cada vizinho e isto cada vez mais, devido aos laços que nos unem a eles e que tanto vêm se aprofundando e fortalecendo. Não há concessões excessivas quando as diferenças de dimensão são tão extraordinárias e quando nossos interesses as exigem para a construção de um bloco que nos fortaleça a todos.
Valor: A ajuda aos vizinhos deve se dar mesmo que isso aumente os custos, para os brasileiros, de energia, por exemplo?
Pinheiro Guimarães: A ajuda aos vizinhos reverte em benefício do Brasil. A construção da infra-estrutura, o desenvolvimento industrial, o aumento de demanda cria oportunidades não só para as empresas brasileiras mas para nossos trabalhadores pois aumenta a demanda por produtos e serviços brasileiros. O extraordinário aumento das exportações brasileiras, assim como os investimentos de empresas brasileiras nos últimos seis anos prova isto. Os custos serão sempre menores que os benefícios.
Valor: O presidente do Paraguai transformou Itaipu em medida de sucesso de sua gestão. O Brasil deve atendê-lo e reajustar a tarifa da hidrelétrica, como ele pede?
Pinheiro Guimarães: O cálculo da tarifa de energia leva em conta o custo de produção das diferentes empresas que operam no Brasil. A tarifa de energia elétrica de Itaipu é um dos componentes para o cálculo da tarifa geral. A tarifa de Itaipu obedece a método de cálculo definido pelo tratado, que tem sofrido ajustes ao longo do tempo, desde 1973. Preservado o elemento central do tratado, há sempre espaço para entendimentos técnicos. Há enormes possibilidades de cooperação entre Brasil e Paraguai para em benefício mútuo promover o seu desenvolvimento. O presidente Lugo e o presidente Lula sabem da importância deste esforço de compreensão e de cooperação.
Valor: As medidas protecionistas na Argentina e as restrições às exportações não comprometem a integração do Mercosul?
Pinheiro Guimarães: O Brasil é o principal fornecedor da Argentina no mundo. As exportações brasileiras cresceram 39% no primeiro quadrimestre, em comparação com 2007, e as exportações argentinas para o Brasil cresceram 41% mais do que haviam crescido em igual período de 2007. As empresas brasileiras participam da construção de duas grandes obras na Argentina e aguardam a contratação para sete outras e os investimentos empresariais se multiplicam nos mais diferentes setores da economia argentina.
Valor: A crise Argentina afeta em quê o Brasil? Como o país deve lidar com isso?
Pinheiro Guimarães: As crises nas economias da região são o reflexo de crises no centro da economia mundial. Essas são movimentos cíclicos do sistema capitalista, às vezes resultado de grandes manobras especulativas nos diferentes mercados de bens, como o petróleo, e no sistema financeiro desregulamentado pelo neo-liberalismo, hoje arrependido na prática.
Cada país da América do Sul tem características próprias e procura lidar com suas crises que têm origem no exterior a partir de sua visão dos interesses de sua sociedade. Se há crise na Argentina, como os arautos do pessimismo apregoam sem cessar, ela tem por hora afetado marginalmente o Brasil, como revela a expansão vigorosa de nosso comércio e dos investimentos. Nada temos a ensinar a quem quer que seja, em termos de política econômica, ou de qualquer outra.
Valor: Mas nem todos os países da região estão enfrentando problemas como os da Argentina. Não é exagero atribuí-los à crise nos centros da economia mundial?
Pinheiro Guimarães: Nem todos os países souberam vencer a gravíssima crise que a Argentina venceu e nem todos crescem à taxa que a Argentina tem crescido. Como a solução foi heterodoxa, as críticas não cessam nem a previsão de colapso iminente, sempre adiado.
Valor: As Farc não são uma ameaça ao Brasil? O governo brasileiro não deveria tomar alguma atitude com os outros países do continente para condenar a guerrilha?
Pinheiro Guimarães: As Farc são uma questão interna da sociedade colombiana. O Brasil anseia para que o povo colombiano encontre uma solução negociada para suas divergências. O Brasil está sempre disposto a atender qualquer solicitação do governo colombiano para colaborar neste sentido e já manifestou várias vezes essa posição. Não há queixa da Colômbia com relação à posição brasileira e, pelo contrário, há apreço e reconhecimento. Nem há pressa de nossa parte.
Valor: O senhor acredita que a mudança de atitude do presidente Hugo Chávez em relação às Farc possa ter sido provocada pelas denúncias de seu envolvimento com a guerrilha e a má repercussão que isso teve na Venezuela?
Pinheiro Guimarães: As mudanças de atitude de presidentes decorrem de sua avaliação da situação mundial e regional. Sei que Colômbia e Venezuela são países irmãos, unidos pela sua história comum e por fortes vínculos econômicos. Seu comércio bilateral atinge US$ 6 bilhões, sendo a Venezuela o principal mercado para as indústrias colombianas e muito importante para a sua agricultura. Há 4 milhões de refugiados colombianos na Venezuela e recentemente foi inaugurado um gasoduto entre os dois países. O interesse verdadeiro dos dois países é o entendimento e a cooperação.
Valor: A recusa da Colômbia em participar de um Conselho Sul-Americano de Defesa muda os planos do governo brasileiro em relação a esse órgão?
Pinheiro Guimarães: O Brasil continua convencido de que um Conselho de Defesa na América do Sul contribuirá para a construção de confiança, para melhor conhecimento entre dirigentes militares das questões que os preocupam, das oportunidades para executar programas de reequipamento e desenvolvimento da indústria de defesa no continente, o que além de gerar empregos e tecnologia economizará recursos e surpresas a todos nós. Com o tempo, haverá crescente compreensão da importância da coordenação política e de defesa na América do Sul, direito inalienável dos Estados soberanos.
Valor: As ONGs estrangeiras na Amazônia são ameaça à soberania nacional na região?
Pinheiro Guimarães: A ameaça à soberania da Amazônia é o seu subdesenvolvimento insustentável. As ONGs no mundo e no Brasil procuram influir sobre as políticas desenvolvidas pelos governos nos mais diversos campos. Sua atuação deve se pautar pelo respeito à lei e à soberania nacional.
Cabe ao Brasil executar políticas de desenvolvimento sustentável que atendam à realidade dos 25 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, que permitam a exploração racional de seus recursos, que defendam seus recursos de uma apropriação indébita, como a biopirataria. De forma sempre soberana.
Valor: As Forças Armadas devem sofrer mudanças para cumprir seu papel de defender a soberania brasileira?
Pinheiro Guimarães: As Forças Armadas necessitam de um esforço ainda maior de reequipamento para poder enfrentar a tarefa de defesa do território, do mar territorial, da zona econômica exclusiva, do espaço aéreo contra ameaças tradicionais, reais ou potenciais, e 'novas' ameaças. Esse esforço sistemático de modernização tecnológica e de reconstrução da indústria de defesa brasileira é imprescindível pois não há defesa eficaz quando se depende de equipamento importado.
Valor: A aproximação entre os países do continente e a eleição de governos de esquerda não contraria sua avaliação, em um de seus livros mais recentes, de que os EUA não abririam mão de ditar a agenda política na região?
Pinheiro Guimarães: Os Estados Unidos são e continuarão a ser o país com maior influência na região. Há mais influência americana em cada país da região do que influência de qualquer país da região em qualquer outro. É claro que a influência econômica, social, cultural, tecnológica, política, militar dos Estados Unidos no Brasil é muito maior do que a influência de qualquer país andino, caribenho ou platino no Brasil.
Essa crescente aproximação entre os países sul-americanos e a eleição de governos, de diferentes matizes, de esquerda permitem um diálogo mais proveitoso e respeitoso entre os países da região e de cada um deles com os Estados Unidos, e uma articulação serena e digna em defesa de nossos interesses.
Valor: O senhor ainda crê que os EUA são um país com povo democrático e elite autoritária?
Pinheiro Guimarães: O povo americano é democrático, como comprovam seus 232 anos de democracia e seus renovados esforços para aperfeiçoá-la, como foram a Guerra Civil para abolir a escravidão, a legislação dos direitos sociais, hoje ameaçada, a oposição popular à Guerra do Vietnã, a necessária reforma do sistema eleitoral, às vezes falho, e o aumento da participação popular na escolha dos candidatos com a indicação de um afro-descendente para presidente.
As elites tendem a se comportar de forma imperial em suas relações com os demais Estados, devido à sua crença na perfeição suprema dos sistemas político, econômico e social americano. Isto por vezes lhes causa grandes decepções e surpresas. É preciso reformar, democratizar o sistema político internacional, defender e lutar pelos princípios das Nações Unidas, fundada pelos Estados Unidos, onde quer e por quem quer que estejam sendo violados: não intervenção, autodeterminação, respeito à integridade territorial, solução pacífica de controvérsias, igualdade soberana dos Estados.”
MANCHETE SOBRE “SENADOR” SUSPEITO DE FRAUDE
Adivinhem, Srs. leitores, a qual partido o “senador” da manchete abaixo, do Estadão, pertence? Ao PT? Não! Se fosse do PT a manchete seria “Senador do PT...”. É lógico que o tal senador da notícia é do DEM ou do PSDB, pois o partido foi omitido pelo jornal.
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Vejamos a notícia de Rosa Costa do jornal “O Estado de São Paulo” de hoje (a li no blog do Noblat):
“SENADOR BENEFICIA EMPRESAS COM R$ 2,3 MI”
“Há dois anos no cargo de primeiro-secretário do Senado, o senador Efraim Morais (DEM-PB) decidiu contemplar quatro empresas de comunicação de seu Estado com dinheiro público. Foi ele quem autorizou os quatro contratos assinados pelo Senado, cada um no valor de R$ 48 mil por mês, para exibir propaganda da Casa na internet ou divulgar notícias sobre senadores na Paraíba. Ao todo, os contratos superam R$ 2,3 milhões anuais.
As empresas são minúsculas em comparação com a estrutura de comunicação do próprio Senado e, na maioria dos casos, não fazem mais que reproduzir informações produzidas pelo Legislativo. Uma delas é a Paraíba Internet Graphics Ltda (www.paraiba.com.br), a mesma que cuida do site do próprio senador (efraimmorais.com.br), espaço que ele usa para fazer propaganda pessoal. Procurado pelo Estado, Efraim não respondeu às ligações.”
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Vejamos a notícia de Rosa Costa do jornal “O Estado de São Paulo” de hoje (a li no blog do Noblat):
“SENADOR BENEFICIA EMPRESAS COM R$ 2,3 MI”
“Há dois anos no cargo de primeiro-secretário do Senado, o senador Efraim Morais (DEM-PB) decidiu contemplar quatro empresas de comunicação de seu Estado com dinheiro público. Foi ele quem autorizou os quatro contratos assinados pelo Senado, cada um no valor de R$ 48 mil por mês, para exibir propaganda da Casa na internet ou divulgar notícias sobre senadores na Paraíba. Ao todo, os contratos superam R$ 2,3 milhões anuais.
As empresas são minúsculas em comparação com a estrutura de comunicação do próprio Senado e, na maioria dos casos, não fazem mais que reproduzir informações produzidas pelo Legislativo. Uma delas é a Paraíba Internet Graphics Ltda (www.paraiba.com.br), a mesma que cuida do site do próprio senador (efraimmorais.com.br), espaço que ele usa para fazer propaganda pessoal. Procurado pelo Estado, Efraim não respondeu às ligações.”
OS SUSPEITOS CRITÉRIOS DA AMB PARA EXCLUIR NOMES DA “LISTA SUJA”
O portal UOL divulgou no final da tarde de hoje a notícia sobre a exclusão da lista publicada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) de políticos com ações contra eles em andamento na Justiça. No caso, o envolvido beneficiado pela omissão é do DEM, Gilberto Kassab, mas outros do PSDB também foram omitidos.
A AMB justificou-se com a “explicação” que consta no texto de Rosanne D'Agostino do UOL: “A AMB anunciou na terça que restringiu a divulgação em seu site aos nomes dos candidatos que respondem a ações penais e por improbidade, desde que o autor seja o Ministério Público. As demais ações não seriam citadas.”
O texto da notícia postada às 16h52 é maior do que o abaixo transcrito neste blog. Reproduzi somente a parte inicial dela, que já é suficiente para o conceito que quero destacar: muitas instituições (STF, TSE, AMB, órgãos da grande mídia e outros) lutam por todos os meios, justos ou não, para o retorno ao poder daqueles partidos da direita e de todos os grandes interesses que eles sempre representaram no Brasil.
Vejamos o trecho selecionado do UOL:
"LISTA SUJA" DA AMB NÃO INCLUI PROCESSO CONTRA KASSAB"
"Processo no Tribunal de Justiça de São Paulo em que o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) consta como co-réu não foi incluído pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) em lista divulgada nesta terça (22) contendo candidatos com ações em andamento na Justiça.
Apelidada de "lista suja", a relação contém, na capital paulista, apenas os adversários do candidato à reeleição à prefeitura, Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O processo contra Kassab teve início em 1997, quando ele ainda era secretário de Planejamento do então prefeito Celso Pitta, que também é réu.”
A AMB justificou-se com a “explicação” que consta no texto de Rosanne D'Agostino do UOL: “A AMB anunciou na terça que restringiu a divulgação em seu site aos nomes dos candidatos que respondem a ações penais e por improbidade, desde que o autor seja o Ministério Público. As demais ações não seriam citadas.”
O texto da notícia postada às 16h52 é maior do que o abaixo transcrito neste blog. Reproduzi somente a parte inicial dela, que já é suficiente para o conceito que quero destacar: muitas instituições (STF, TSE, AMB, órgãos da grande mídia e outros) lutam por todos os meios, justos ou não, para o retorno ao poder daqueles partidos da direita e de todos os grandes interesses que eles sempre representaram no Brasil.
Vejamos o trecho selecionado do UOL:
"LISTA SUJA" DA AMB NÃO INCLUI PROCESSO CONTRA KASSAB"
"Processo no Tribunal de Justiça de São Paulo em que o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) consta como co-réu não foi incluído pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) em lista divulgada nesta terça (22) contendo candidatos com ações em andamento na Justiça.
Apelidada de "lista suja", a relação contém, na capital paulista, apenas os adversários do candidato à reeleição à prefeitura, Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O processo contra Kassab teve início em 1997, quando ele ainda era secretário de Planejamento do então prefeito Celso Pitta, que também é réu.”
quinta-feira, 24 de julho de 2008
MAIS RECORDES: PREÇOS DOS PRODUTOS BRASILEIROS EXPORTADOS
O jornal Valor Econômico de hoje publicou:
“PREÇOS DE BENS EXPORTADOS BATEM RECORDE DE 30 ANOS
A alta das commodities no mercado mundial contribuiu para que os preços de exportação dos produtos brasileiros atingissem o maior nível desde janeiro de 1978, quando esse indicador começou a ser calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). No mês passado, os preços desses produtos estavam, em média, 34,8% acima do verificado em junho de 2007.
Enquanto as cotações disparavam, o volume exportado estagnou. Em 12 meses até junho, a quantidade embarcada subiu apenas 0,3%. Por conta da greve dos fiscais da Receita Federal, do atraso no embarque da safra agrícola e de problemas com a exportação de petróleo, o volume chegou a cair 1,6% no primeiro semestre. Em junho, a situação se normalizou e houve uma recuperação, com alta de 5,2% nos embarques físicos em relação a junho de 2007.
A economista Fernanda Feil, da Rosemberg & Associados, calcula que os produtos básicos afetam o desempenho de 65% das exportações brasileiraa. Ela lembra que houve um reajuste de 70% para o minério de ferro, obtido pela Vale na negociação com as siderúrgicas. O impacto desse reajuste só apareceu na balança em junho, por conta do embarque de contratos antigos. Os produtos básicos lideram a alta de preços das exportações brasileiras. Em junho, haviam subido 58% em relação a junho de 2007. No primeiro semestre em relação a igual período do ano passado, a alta chegou a 40% em média. No mês passado, o preço da soja exportada pelo país quase 60% o da carne bovina, 57% o do minério de ferro 63%.
Mesmo nos produtos industrializados, cujo mercado é menos instável, as empresas brasileiras obtiveram excelentes reajustes de preços, de 20,4% em junho na comparação com igual mês do ano anterior.
Em compensação, o volume de exportação de manufaturados está bastante prejudicado. Esse indicador recuou 1,7% no período de um ano. Para os economistas do Bradesco a queda na quantidade exportada de manufaturados é resultado não apenas da desvalorização cambial, mas também do desvio de produtos para atender a robusta demanda interna. Espera-se um ritmo um pouco mais fraco de reajustes de preços de exportação no segundo semestre.”
“PREÇOS DE BENS EXPORTADOS BATEM RECORDE DE 30 ANOS
A alta das commodities no mercado mundial contribuiu para que os preços de exportação dos produtos brasileiros atingissem o maior nível desde janeiro de 1978, quando esse indicador começou a ser calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). No mês passado, os preços desses produtos estavam, em média, 34,8% acima do verificado em junho de 2007.
Enquanto as cotações disparavam, o volume exportado estagnou. Em 12 meses até junho, a quantidade embarcada subiu apenas 0,3%. Por conta da greve dos fiscais da Receita Federal, do atraso no embarque da safra agrícola e de problemas com a exportação de petróleo, o volume chegou a cair 1,6% no primeiro semestre. Em junho, a situação se normalizou e houve uma recuperação, com alta de 5,2% nos embarques físicos em relação a junho de 2007.
A economista Fernanda Feil, da Rosemberg & Associados, calcula que os produtos básicos afetam o desempenho de 65% das exportações brasileiraa. Ela lembra que houve um reajuste de 70% para o minério de ferro, obtido pela Vale na negociação com as siderúrgicas. O impacto desse reajuste só apareceu na balança em junho, por conta do embarque de contratos antigos. Os produtos básicos lideram a alta de preços das exportações brasileiras. Em junho, haviam subido 58% em relação a junho de 2007. No primeiro semestre em relação a igual período do ano passado, a alta chegou a 40% em média. No mês passado, o preço da soja exportada pelo país quase 60% o da carne bovina, 57% o do minério de ferro 63%.
Mesmo nos produtos industrializados, cujo mercado é menos instável, as empresas brasileiras obtiveram excelentes reajustes de preços, de 20,4% em junho na comparação com igual mês do ano anterior.
Em compensação, o volume de exportação de manufaturados está bastante prejudicado. Esse indicador recuou 1,7% no período de um ano. Para os economistas do Bradesco a queda na quantidade exportada de manufaturados é resultado não apenas da desvalorização cambial, mas também do desvio de produtos para atender a robusta demanda interna. Espera-se um ritmo um pouco mais fraco de reajustes de preços de exportação no segundo semestre.”
ÁREA INDÍGENA TERÁ BASE MILITAR NAS FRONTEIRAS
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou hoje:
“O Exército terá de instalar, obrigatoriamente, bases militares em terras indígenas em zona de fronteira. É o que determina o Decreto 6.513, publicado ontem no Diário da União. Decreto de 2002 já tratava do assunto, mas a diferença agora é a obrigatoriedade. O Ministério da Defesa apresenta em 90 dias o plano para instalar as bases.”
“O Exército terá de instalar, obrigatoriamente, bases militares em terras indígenas em zona de fronteira. É o que determina o Decreto 6.513, publicado ontem no Diário da União. Decreto de 2002 já tratava do assunto, mas a diferença agora é a obrigatoriedade. O Ministério da Defesa apresenta em 90 dias o plano para instalar as bases.”
FREI BETTO E A 4ª FROTA DOS EUA
Li este bom artigo no jornal “O Estado de Minas” de hoje. É de Frei Betto. Ele é escritor, autor de “A arte de semear estrelas (Rocco)”, entre outros livros.
“LÁ VEM A QUARTA FROTA : FREI BETTO
Não seria mais sensato começar por combater o tráfico de drogas e armas dentro dos EUA?
Em 12 de julho, os EUA decidiram reativar sua 4ª Frota Naval – a que vigia os mares do Sul –, atuante entre 1943 e 1950, em decorrência da Segunda Guerra, e desde então desativada. Compõem a Frota 22 navios: quatro cruzadores com mísseis; quatro destróieres com mísseis; 13 fragatas com mísseis; e um navio-hospital.
Segundo as autoridades “usamericanas”, o objetivo é “realizar ações humanitárias”. Então, para que tantos mísseis? E, nesse intuito, por que não começar por permitir que Porto Rico recupere a sua soberania, suspender o bloqueio a Cuba, devolver a base naval de Guantánamo (retirando os prisioneiros de lá e do limbo jurídico a que estão condenados) e reduzir os subsídios agrícolas que estrangulam o livre comércio?
Segundo o almirante Gary Roughead, chefe das operações navais, a 4ª Frota visa combater o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, bem como a pirataria que ameaça o fluxo do livre comércio nos mares do Caribe e da América do Sul.
Não seria mais sensato começar por combater o tráfico de drogas e armas dentro dos EUA, que, segundo relatório da ONU divulgado em junho, figuram entre os maiores consumidores desses dois produtos letais?
É a velha história do lobo mau pretendendo enganar o Chapeuzinho Vermelho. Quem acredita que nariz tão grande é apenas para cheirar a netinha? Não é muita “coincidência” a 4ª Frota ser reativada no momento em que Cuba aprimora sua opção socialista, Daniel Ortega volta a presidir a Nicarágua, o Brasil descobre reservas petrolíferas sob a camada pré-sal, e a América do Sul se vê governada por pessoas como Chávez, Lula, Correa, Kirchner, Morales e, em breve, Lugo, que não morrem de amores pelo Tio Sam e se empenham em reduzir a dependência de seus países em relação aos EUA?
O comandante da 4ª Frota é o contra-almirante Joseph Kernan, de 53 anos. Não fez carreira na Marinha convencional, e sim na força de elite (Seal), destinada a operações especiais de combates não-convencionais e repressão ao terrorismo. Muito humanitário...
Os EUA se sentem incomodados com a atual conjuntura latino-americana. Em especial, com o fato de o presidente Lula se empenhar na criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Conselho Sul-Americano de Defesa (agora apoiado até pela Colômbia), dois organismos que, como o Mercosul e a Alba, excluem a participação dos EUA e tornam inócuos o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca e a Junta Interamericana de Defesa, que sempre estiveram sob controle da Casa Branca.
A exemplo da União Européia, a Unasul integrará o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações, incluindo a Guiana e o Suriname. A integração completa desses dois blocos foi formalizada em Brasília em maio deste ano, durante reunião dos presidentes sul-americanos. A Unasul ficará sediada em Quito; seu Banco do Sul, em Caracas; e o Parlamento em Cochabamba, na Bolívia.
Ainda por trás da fantasia de vovozinha, Tio Sam quer impedir que a China tome conta dos mares do Sul. Hoje, 90% do comércio mundial depende de navios, e Pequim se empenha em ampliar e proteger suas rotas, incluindo as que conduzem ao nosso continente.
O governo brasileiro já manifestou sua desconfiança à Casa Branca. As recentes descobertas de petróleo na costa brasileira, no momento em que o barril passa dos US$ 140, com certeza suscitam a cobiça dos EUA, cujos fornecedores, como a Venezuela, não são confiáveis.
Com tantas embarcações de alta tecnologia e poder de fogo em nossos mares, os “usamericanos” poderão pesquisar a plataforma submarina e controlar a navegação de nossos países rumo à África e à Ásia.
Ensina a zoologia que todo animal acuado se defende com ferocidade. É o caso de Tio Sam, cuja moeda perde poder de compra, a economia mergulha numa crise de longo prazo, o atoleiro no Iraque não mostra nenhuma luz no fim do túnel, e os brancos republicanos se vêem na iminência de transferir o poder para um negro democrata.”
“LÁ VEM A QUARTA FROTA : FREI BETTO
Não seria mais sensato começar por combater o tráfico de drogas e armas dentro dos EUA?
Em 12 de julho, os EUA decidiram reativar sua 4ª Frota Naval – a que vigia os mares do Sul –, atuante entre 1943 e 1950, em decorrência da Segunda Guerra, e desde então desativada. Compõem a Frota 22 navios: quatro cruzadores com mísseis; quatro destróieres com mísseis; 13 fragatas com mísseis; e um navio-hospital.
Segundo as autoridades “usamericanas”, o objetivo é “realizar ações humanitárias”. Então, para que tantos mísseis? E, nesse intuito, por que não começar por permitir que Porto Rico recupere a sua soberania, suspender o bloqueio a Cuba, devolver a base naval de Guantánamo (retirando os prisioneiros de lá e do limbo jurídico a que estão condenados) e reduzir os subsídios agrícolas que estrangulam o livre comércio?
Segundo o almirante Gary Roughead, chefe das operações navais, a 4ª Frota visa combater o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, bem como a pirataria que ameaça o fluxo do livre comércio nos mares do Caribe e da América do Sul.
Não seria mais sensato começar por combater o tráfico de drogas e armas dentro dos EUA, que, segundo relatório da ONU divulgado em junho, figuram entre os maiores consumidores desses dois produtos letais?
É a velha história do lobo mau pretendendo enganar o Chapeuzinho Vermelho. Quem acredita que nariz tão grande é apenas para cheirar a netinha? Não é muita “coincidência” a 4ª Frota ser reativada no momento em que Cuba aprimora sua opção socialista, Daniel Ortega volta a presidir a Nicarágua, o Brasil descobre reservas petrolíferas sob a camada pré-sal, e a América do Sul se vê governada por pessoas como Chávez, Lula, Correa, Kirchner, Morales e, em breve, Lugo, que não morrem de amores pelo Tio Sam e se empenham em reduzir a dependência de seus países em relação aos EUA?
O comandante da 4ª Frota é o contra-almirante Joseph Kernan, de 53 anos. Não fez carreira na Marinha convencional, e sim na força de elite (Seal), destinada a operações especiais de combates não-convencionais e repressão ao terrorismo. Muito humanitário...
Os EUA se sentem incomodados com a atual conjuntura latino-americana. Em especial, com o fato de o presidente Lula se empenhar na criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Conselho Sul-Americano de Defesa (agora apoiado até pela Colômbia), dois organismos que, como o Mercosul e a Alba, excluem a participação dos EUA e tornam inócuos o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca e a Junta Interamericana de Defesa, que sempre estiveram sob controle da Casa Branca.
A exemplo da União Européia, a Unasul integrará o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações, incluindo a Guiana e o Suriname. A integração completa desses dois blocos foi formalizada em Brasília em maio deste ano, durante reunião dos presidentes sul-americanos. A Unasul ficará sediada em Quito; seu Banco do Sul, em Caracas; e o Parlamento em Cochabamba, na Bolívia.
Ainda por trás da fantasia de vovozinha, Tio Sam quer impedir que a China tome conta dos mares do Sul. Hoje, 90% do comércio mundial depende de navios, e Pequim se empenha em ampliar e proteger suas rotas, incluindo as que conduzem ao nosso continente.
O governo brasileiro já manifestou sua desconfiança à Casa Branca. As recentes descobertas de petróleo na costa brasileira, no momento em que o barril passa dos US$ 140, com certeza suscitam a cobiça dos EUA, cujos fornecedores, como a Venezuela, não são confiáveis.
Com tantas embarcações de alta tecnologia e poder de fogo em nossos mares, os “usamericanos” poderão pesquisar a plataforma submarina e controlar a navegação de nossos países rumo à África e à Ásia.
Ensina a zoologia que todo animal acuado se defende com ferocidade. É o caso de Tio Sam, cuja moeda perde poder de compra, a economia mergulha numa crise de longo prazo, o atoleiro no Iraque não mostra nenhuma luz no fim do túnel, e os brancos republicanos se vêem na iminência de transferir o poder para um negro democrata.”
RECORDE: DESEMPREGO EM JUNHO É O MENOR JÁ MEDIDO
Do blog do Noblat:
“DESEMPREGO CAI PELO QUARTO MÊS SEGUIDO
Taxa de 7,8% é a menor para meses de junho desde o início da série, em 2002. Rendimento médio real dos trabalhadores ficou estável.
“A taxa de desemprego brasileira recuou pelo quarto mês seguido em junho. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa ficou em 7,8% no mês, uma queda de 0,01 ponto percentual em relação ao mês anterior.
A taxa é a menor para meses de junho desde 2002, ano de início da série histórica do IBGE.”
“DESEMPREGO CAI PELO QUARTO MÊS SEGUIDO
Taxa de 7,8% é a menor para meses de junho desde o início da série, em 2002. Rendimento médio real dos trabalhadores ficou estável.
“A taxa de desemprego brasileira recuou pelo quarto mês seguido em junho. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa ficou em 7,8% no mês, uma queda de 0,01 ponto percentual em relação ao mês anterior.
A taxa é a menor para meses de junho desde 2002, ano de início da série histórica do IBGE.”
NÚMERO DE BRASILEIROS COM INTERNET EM CASA DOBRA EM 3 ANOS
Essa notícia foi publicada agora à noite pelo “O Globo Online”. Eu a li no blog do Noblat:
“O número de brasileiros com acesso a internet em casa duplicou nos últimos três anos, chegando a 35,5 milhões em junho de 2008, segundo a consultoria Ibope//NetRatings.
Em junho de 2005, eram 18,3 milhões de brasileiros que podiam conectar-se à rede de casa. Foi neste ano que o governo aprovou a chamada "Lei do Bem", que concede incentivos fiscais para a compra de microcomputadores.
O tempo médio que os brasileiros passam navegando na rede cresceu 39,8% neste período. Com 23 horas e 12 minutos gastos online por pessoa, o brasileiro é o internauta residencial que mais navega, seguido pelos alemães (20 horas 11 minutos) e norte-americanos (19 horas e 52 minutos). Dez países são medidos com a mesma metodologia: Estados Unidos, Austrália, Japão, França, Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Reino Unido e Brasil.
O número de internautas ativos também cresceu, em 26,9%, quando comparados os número de junho deste ano com o mesmo mês de 2007, chegando a 22,9 milhões de pessoas. Em junho de 2005, esse número era de 11,5 milhões.
Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2008 do Global Internet Trends (GNetT) indicam que 41,565 milhões de pessoas com 16 anos ou mais declararam ter acesso à internet em qualquer ambiente (casa, trabalho, escola, cybercafés, bibliotecas e outros locais).”
“O número de brasileiros com acesso a internet em casa duplicou nos últimos três anos, chegando a 35,5 milhões em junho de 2008, segundo a consultoria Ibope//NetRatings.
Em junho de 2005, eram 18,3 milhões de brasileiros que podiam conectar-se à rede de casa. Foi neste ano que o governo aprovou a chamada "Lei do Bem", que concede incentivos fiscais para a compra de microcomputadores.
O tempo médio que os brasileiros passam navegando na rede cresceu 39,8% neste período. Com 23 horas e 12 minutos gastos online por pessoa, o brasileiro é o internauta residencial que mais navega, seguido pelos alemães (20 horas 11 minutos) e norte-americanos (19 horas e 52 minutos). Dez países são medidos com a mesma metodologia: Estados Unidos, Austrália, Japão, França, Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Reino Unido e Brasil.
O número de internautas ativos também cresceu, em 26,9%, quando comparados os número de junho deste ano com o mesmo mês de 2007, chegando a 22,9 milhões de pessoas. Em junho de 2005, esse número era de 11,5 milhões.
Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2008 do Global Internet Trends (GNetT) indicam que 41,565 milhões de pessoas com 16 anos ou mais declararam ter acesso à internet em qualquer ambiente (casa, trabalho, escola, cybercafés, bibliotecas e outros locais).”
FRASE DO DIA DO PRESIDENTE LULA
Li hoje no blog do Noblat:
“Eu não vou diminuir o consumo neste país, porque se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando é o direito de comer três vezes ao dia, o direito de entrar num shopping e comprar uma roupinha, comprar alguma coisa, e isso nós vamos garantir.”
Lula
“Eu não vou diminuir o consumo neste país, porque se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando é o direito de comer três vezes ao dia, o direito de entrar num shopping e comprar uma roupinha, comprar alguma coisa, e isso nós vamos garantir.”
Lula
CANDIDATOS “SUJOS” - ALHOS COM BUGALHOS
Transcrevo outro bom artigo de Lustosa da Costa, publicado hoje na sua coluna no Diário do Nordeste:
“CANDIDATOS “SUJOS”
Nada mais perigosa do que esta lista de candidatos ruins, porque suspeitos, não condenados por crimes, que áreas da Justiça querem divulgar, como se a imprensa ainda não houvesse registrado seus prontuários. Há uma tendência a misturar grandes gatunos a pequenos pecadores e até gente que nem pecou, errou por incompetência administrativa, cometeu atecnias, imprecisões na contabilidade pública.
ALHOS COM BUGALHOS
A grande imprensa vibra em mostrar a candidata do PT, Marta Suplicy, ao lado de Paulo Maluf, como candidatos sujos. Ora dela nunca se falou que embolsou um dedal, um clipe do serviço público. Autoridades internacionais, de quando em vez, questionam Paulo Maluf pela existência de depósitos bancários secretos que chegaram até ao montante de 500 milhões de dólares. Claro que à direita interessa mostrar que ambos são farinhas do meu saco, quando não são.”
“CANDIDATOS “SUJOS”
Nada mais perigosa do que esta lista de candidatos ruins, porque suspeitos, não condenados por crimes, que áreas da Justiça querem divulgar, como se a imprensa ainda não houvesse registrado seus prontuários. Há uma tendência a misturar grandes gatunos a pequenos pecadores e até gente que nem pecou, errou por incompetência administrativa, cometeu atecnias, imprecisões na contabilidade pública.
ALHOS COM BUGALHOS
A grande imprensa vibra em mostrar a candidata do PT, Marta Suplicy, ao lado de Paulo Maluf, como candidatos sujos. Ora dela nunca se falou que embolsou um dedal, um clipe do serviço público. Autoridades internacionais, de quando em vez, questionam Paulo Maluf pela existência de depósitos bancários secretos que chegaram até ao montante de 500 milhões de dólares. Claro que à direita interessa mostrar que ambos são farinhas do meu saco, quando não são.”
quarta-feira, 23 de julho de 2008
JUSTIÇA PARA RICOS É DIFERENTE
A coluna do veterano jornalista Lustosa da Costa (mais de 50 anos de profissão), do Diário do Nordeste, apresentou ontem um interessante comentário sobre a tragicomédia que temos assistido nas últimas semanas. Magistrados e políticos emocionalmente revoltados com a maneira não muito refinada e elegante que a Polícia Federal adotou nos últimos anos, ao inusitadamente prender criminosos ricos. Vejamos o artigo:
"HABEAS PARA JÉFERSON
Zuenir Ventura pediu, em “O Globo”, concessão de habeas corpus para Jéferson Hermínio Coelho que tentou roubar cordão de ouro do presidente do Supremo, na Beira-Mar: ”Se em menos de 48 horas Daniel Dantas ganhou dois. Se Naji Nahas, Celso Pita e todo o grupo também conseguiram os seus rapidamente, se Cacciola vai obter outro mais cedo ou mais tarde, porque Jéferson não merece um, após 20 dias de prisão?”.
Engraçada esta conversa de jornalista querer comparar um pobretão destes que se satisfaria com um cordão de ouro com um gatuno a quem não basta um bilhão de dólares. Que justiça é esta? Em que está pensando, para soltar pobre? Não estamos no comunismo, não. Pobre tem de mofar no xilindró, depois de algemado e devidamente fotografado pelos jornais. Engraçado!
ABUSO DE AUTORIDADE
Atribui-se ao governo Lula, diante da prisão do banqueiro Daniel Dantas, algemado, o que jamais ocorrera na história brasileira a julgar pelos protestos do presidente do Supremo, a preparação de código de combate ao abuso de autoridade.
Referido código vai rezar, expressamente, o que já existe na prática, que ladrão rico não pode ser preso por mais evidentes sejam as provas reunidas pelo delegado de Polícia. Ao contrário, o delegado será condenado pela espetacularização da detenção pelo presidente do Supremo e, logo a seguir, criticado, publicamente, pelo presidente da República.
ALGEMAS
O uso de algemas continuará restrito a pobres, pretos e prostitutas de baixo faturamento.
A impunidade a gatunos, principalmente os que se tornaram milionários no governo FHC, estará assegurada sem, sequer, recurso ao habeas corpus do Supremo.
Temos de acabar com o abuso de autoridade de querer prender grandes ladrões dos dinheiros públicos quando devíamos propor sua condecoração, o reconhecimento de seus elevados méritos.
NUMA ´NICE´
O presidente do Supremo considerou, à revelia, um senador da República investigado nas bandalheiras de Daniel Dantas, sem que ele o requeresse, só para o inquérito voltar à Suprema Corte, por envolver parlamentar. Vai ser fácil ali para Dantas este processo, livre deste juiz paulista que quer ver ladrão público na cadeia. Quem precisa ser preso é ele.
OS CULPADOS
A mídia conseguiu inverter o quadro. Ao invés de discutir crimes milionários de Daniel Dantas contra o patrimônio público, praticados no governo tucano, mudou o centro da discussão. Primeiro para a espetacularização da prisão do que nunca cogitara quando o mesmo ocorrera ao filho de Paulo Maluf e ao senador Jáder Barbalho. Não satisfeita, passou a descobrir culpados no PT e no governo pelos rombos antigos. É difícil resistir à imprensa golpista, determinada a torcer os fatos e favorecer a direita.”
"HABEAS PARA JÉFERSON
Zuenir Ventura pediu, em “O Globo”, concessão de habeas corpus para Jéferson Hermínio Coelho que tentou roubar cordão de ouro do presidente do Supremo, na Beira-Mar: ”Se em menos de 48 horas Daniel Dantas ganhou dois. Se Naji Nahas, Celso Pita e todo o grupo também conseguiram os seus rapidamente, se Cacciola vai obter outro mais cedo ou mais tarde, porque Jéferson não merece um, após 20 dias de prisão?”.
Engraçada esta conversa de jornalista querer comparar um pobretão destes que se satisfaria com um cordão de ouro com um gatuno a quem não basta um bilhão de dólares. Que justiça é esta? Em que está pensando, para soltar pobre? Não estamos no comunismo, não. Pobre tem de mofar no xilindró, depois de algemado e devidamente fotografado pelos jornais. Engraçado!
ABUSO DE AUTORIDADE
Atribui-se ao governo Lula, diante da prisão do banqueiro Daniel Dantas, algemado, o que jamais ocorrera na história brasileira a julgar pelos protestos do presidente do Supremo, a preparação de código de combate ao abuso de autoridade.
Referido código vai rezar, expressamente, o que já existe na prática, que ladrão rico não pode ser preso por mais evidentes sejam as provas reunidas pelo delegado de Polícia. Ao contrário, o delegado será condenado pela espetacularização da detenção pelo presidente do Supremo e, logo a seguir, criticado, publicamente, pelo presidente da República.
ALGEMAS
O uso de algemas continuará restrito a pobres, pretos e prostitutas de baixo faturamento.
A impunidade a gatunos, principalmente os que se tornaram milionários no governo FHC, estará assegurada sem, sequer, recurso ao habeas corpus do Supremo.
Temos de acabar com o abuso de autoridade de querer prender grandes ladrões dos dinheiros públicos quando devíamos propor sua condecoração, o reconhecimento de seus elevados méritos.
NUMA ´NICE´
O presidente do Supremo considerou, à revelia, um senador da República investigado nas bandalheiras de Daniel Dantas, sem que ele o requeresse, só para o inquérito voltar à Suprema Corte, por envolver parlamentar. Vai ser fácil ali para Dantas este processo, livre deste juiz paulista que quer ver ladrão público na cadeia. Quem precisa ser preso é ele.
OS CULPADOS
A mídia conseguiu inverter o quadro. Ao invés de discutir crimes milionários de Daniel Dantas contra o patrimônio público, praticados no governo tucano, mudou o centro da discussão. Primeiro para a espetacularização da prisão do que nunca cogitara quando o mesmo ocorrera ao filho de Paulo Maluf e ao senador Jáder Barbalho. Não satisfeita, passou a descobrir culpados no PT e no governo pelos rombos antigos. É difícil resistir à imprensa golpista, determinada a torcer os fatos e favorecer a direita.”
DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA PAGA PARA INTERFERIR NA POLÍTICA BRASILEIRA
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem notícia sobre interferência do governo dos EUA, inclusive com milhares de dólares, para impedir a infidelidade partidária no Brasil, a qual estava beneficiando partidos de apoio ao Presidente Lula que crescia com a fuga para o PT de políticos da oposição, justamente no ano anterior à votação para presidente (2005).
Bem que estranhei, na época, a presteza e a rapidez que muitos setores da política, da mídia, do STF e do TSE (Ministro Marco Aurélio) abraçaram a causa. Agora, as coisas começam a ser esclarecidas.
Transcrevo a matéria de Sérgio Dávila, da Folha (a li no blog do Noblat):
“EUA TENTARAM INFLUENCIAR REFORMA POLÍTICA DO BRASIL”
“Em 2005, a Usaid, uma agência norte-americana ligada ao Departamento de Estado, gastou US$ 95 mil para promover um seminário sobre a reforma política brasileira. O evento aconteceu no Congresso brasileiro, teve uma entidade local como parceira e palestrantes estrangeiros e brasileiros.
O objetivo, segundo documentos obtidos pela Lei de Liberdade de Informação norte-americana e passados à Folha com exclusividade pelo pesquisador independente Jeremy Bigwood, era fazer o seminário coincidir com a véspera da discussão do tema no Legislativo brasileiro -e um ano antes da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva-, como maneira de "expandir o debate da reforma política brasileira".
Dois dos pontos que pareciam preocupar os proponentes norte-americanos do seminário eram a profusão de partidos pequenos no Brasil e a infidelidade partidária -e como isso parecia ocorrer com mais freqüência na direita do que na esquerda. "Embora esse padrão de fraca disciplina partidária seja encontrado em todo o espectro político, é menos freqüente nos partidos da esquerda progressista, como o Partido dos Trabalhadores", afirma um dos documentos.”
Bem que estranhei, na época, a presteza e a rapidez que muitos setores da política, da mídia, do STF e do TSE (Ministro Marco Aurélio) abraçaram a causa. Agora, as coisas começam a ser esclarecidas.
Transcrevo a matéria de Sérgio Dávila, da Folha (a li no blog do Noblat):
“EUA TENTARAM INFLUENCIAR REFORMA POLÍTICA DO BRASIL”
“Em 2005, a Usaid, uma agência norte-americana ligada ao Departamento de Estado, gastou US$ 95 mil para promover um seminário sobre a reforma política brasileira. O evento aconteceu no Congresso brasileiro, teve uma entidade local como parceira e palestrantes estrangeiros e brasileiros.
O objetivo, segundo documentos obtidos pela Lei de Liberdade de Informação norte-americana e passados à Folha com exclusividade pelo pesquisador independente Jeremy Bigwood, era fazer o seminário coincidir com a véspera da discussão do tema no Legislativo brasileiro -e um ano antes da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva-, como maneira de "expandir o debate da reforma política brasileira".
Dois dos pontos que pareciam preocupar os proponentes norte-americanos do seminário eram a profusão de partidos pequenos no Brasil e a infidelidade partidária -e como isso parecia ocorrer com mais freqüência na direita do que na esquerda. "Embora esse padrão de fraca disciplina partidária seja encontrado em todo o espectro político, é menos freqüente nos partidos da esquerda progressista, como o Partido dos Trabalhadores", afirma um dos documentos.”
terça-feira, 22 de julho de 2008
DEPUTADO PEFELENTO PRESO COMO ASSASSINO, CHEFE DE QUADRILHA ETC
Esta noite, o Portal UOL publicou a seguinte notícia abaixo transcrita. Como já observamos algumas vezes neste blog, se algo ruim incrimina político do PT, a manchete é “deputado do PT preso por....”. Por outro lado, quando o político é do PSDB ou do DEM, a grande mídia (o PIG) coloca no título um genérico “deputado”. Este é o caso da notícia de hoje. Se quisermos saber o partido, temos que pesquisar na internet. Na reportagem abaixo, até que, dentro do texto, aparece “DEM-RJ”. Nem tudo está perdido.
Transcrevo parcialmente a matéria de Juliana Castro:
“CASA DE DEPUTADO SERVIA COMO QG DE MILÍCIA, DIZ DELEGADO”
“A casa do deputado estadual Natalino Guimarães (DEM-RJ) servia como quartel general da milícia que atua em comunidades de Campo Grande, zona oeste do Rio. A informação é do delegado da 35º DP, Marcus Neves, que efetuou a prisão de Natalino na madrugada desta terça-feira. "Informações colhidas apontam que reuniões permanentes aconteciam na casa do deputado", afirmou Neves.
Nessas reuniões, afirmou o delegado, o bando planejava crimes, o gerenciamento do transporte alternativo dentro das comunidades, a distribuição de TV de sinal a cabo pirata para as favelas, a venda de gás e questões relativas à administração do grupo.
Segundo Neves, essas reuniões aconteciam pelo menos uma vez por semana, mas sem dia estabelecido, para dificultar a ação policial. Na madrugada desta terça-feira, porém, aproximadamente 30 policiais cercaram a casa do deputado. Os policiais foram recebidos com tiros, segundo Neves. "Quando chegamos ao local, houve uma intensa troca de tiros. O deputado Natalino, dentro de sua residência, comandava pelo menos 15 homens armados."
Em depoimento, Natalino se defendeu dizendo que as armas apreendidas teriam sido jogadas por policiais através do muro de sua casa, com o objetivo de acusá-lo. Além de chefiar a milícia, o deputado é acusado de tentativas de homicídio, porte ilegal de armas, formação de quadrilha, e favorecimento pessoal. "Diversas armas foram apreendidas, entre elas um fuzil, duas escopetas, uma submetralhadora, cinco pistolas, e dois revólveres", afirmou Neves. Para o delegado, o material encontrado "é mais do que suficiente" para comprovar o crime em flagrante.
O delegado afirmou ainda que os milicianos pagavam entre R$ 300 e R$ 1700 por semana para policiais militares da região. O faturamento do grupo, no entanto, teria caído de 4 milhões de reais para 1 milhão e meio nos últimos meses, por causa das ações da polícia.”
Transcrevo parcialmente a matéria de Juliana Castro:
“CASA DE DEPUTADO SERVIA COMO QG DE MILÍCIA, DIZ DELEGADO”
“A casa do deputado estadual Natalino Guimarães (DEM-RJ) servia como quartel general da milícia que atua em comunidades de Campo Grande, zona oeste do Rio. A informação é do delegado da 35º DP, Marcus Neves, que efetuou a prisão de Natalino na madrugada desta terça-feira. "Informações colhidas apontam que reuniões permanentes aconteciam na casa do deputado", afirmou Neves.
Nessas reuniões, afirmou o delegado, o bando planejava crimes, o gerenciamento do transporte alternativo dentro das comunidades, a distribuição de TV de sinal a cabo pirata para as favelas, a venda de gás e questões relativas à administração do grupo.
Segundo Neves, essas reuniões aconteciam pelo menos uma vez por semana, mas sem dia estabelecido, para dificultar a ação policial. Na madrugada desta terça-feira, porém, aproximadamente 30 policiais cercaram a casa do deputado. Os policiais foram recebidos com tiros, segundo Neves. "Quando chegamos ao local, houve uma intensa troca de tiros. O deputado Natalino, dentro de sua residência, comandava pelo menos 15 homens armados."
Em depoimento, Natalino se defendeu dizendo que as armas apreendidas teriam sido jogadas por policiais através do muro de sua casa, com o objetivo de acusá-lo. Além de chefiar a milícia, o deputado é acusado de tentativas de homicídio, porte ilegal de armas, formação de quadrilha, e favorecimento pessoal. "Diversas armas foram apreendidas, entre elas um fuzil, duas escopetas, uma submetralhadora, cinco pistolas, e dois revólveres", afirmou Neves. Para o delegado, o material encontrado "é mais do que suficiente" para comprovar o crime em flagrante.
O delegado afirmou ainda que os milicianos pagavam entre R$ 300 e R$ 1700 por semana para policiais militares da região. O faturamento do grupo, no entanto, teria caído de 4 milhões de reais para 1 milhão e meio nos últimos meses, por causa das ações da polícia.”
segunda-feira, 21 de julho de 2008
O RIO DE JANEIRO COMEÇA A VIVER O SEU MELHOR MOMENTO
Li no blog “Por um novo Brasil” essa boa notícia publicada pelo Jornal do Brasil em texto de Ana Cecília Americano:
“O Estado do Rio de Janeiro deve virar um canteiro de obras nos próximos dois anos. São esperados investimentos públicos e privados que variam de R$ 107 bilhões, segundo levantamentos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a R$ 122 bilhões, de acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços.
Lideram os investimentos os setores de petróleo e gás, siderurgia, petroquímica e logística.
– Este é o melhor momento em 30 anos para o Brasil e, em particular, para o Rio de Janeiro – afirma Ernani Torres, superintendente da área de pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).”
“O Estado do Rio de Janeiro deve virar um canteiro de obras nos próximos dois anos. São esperados investimentos públicos e privados que variam de R$ 107 bilhões, segundo levantamentos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a R$ 122 bilhões, de acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços.
Lideram os investimentos os setores de petróleo e gás, siderurgia, petroquímica e logística.
– Este é o melhor momento em 30 anos para o Brasil e, em particular, para o Rio de Janeiro – afirma Ernani Torres, superintendente da área de pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).”
AUMENTO DO PIB, DO EMPREGO E FISCALIZAÇÃO FAZEM ARRECADAÇÃO RECORDE
A Folha Online publicou hoje uma notícia que maltrata em cheio os tucanos e os pefelentos. Tanto lutaram para o caos das contas públicas ao raivosamente acabarem com a CPMF. Tudo foi em vão. A arrecadação continua batendo recordes.
Vejamos a reportagem de Eduardo Cucolo que li no UOL:
MESMO SEM CPMF, ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS BATE RECORDE NO 1º SEMESTRE
“A arrecadação de impostos e contribuições cresceu 10,43% no primeiro semestre de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 333,208 bilhões. Somente no mês de junho foram R$ 55,747 bilhões, aumento de 7,11% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O imposto cuja arrecadação mais cresceu no semestre foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve suas alíquotas elevadas para compensar o fim da CPMF. A arrecadação subiu 151% e chegou a R$ 9,8 bilhões. A maior parte desse valor (R$ 3,8 bilhões) foi pago pelas pessoas físicas que fizeram empréstimos no período.
Em valores absolutos, o principal responsável pela arrecadação recorde foi o Imposto de Renda, que respondeu por 29% do total. Foram arrecadados R$ 97 bilhões, sendo R$ 44,7 bilhões somente das empresas.
A Receita vem justificando os sucessivos recordes alcançados neste ano com base no aumento do lucro das empresas e no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
A segunda maior arrecadação ficou com a Cofins (R$ 58,7 bilhões), aumento de 14% sobre o ano passado. Também houve aumento do 30% na CSLL (contribuição sobre o lucro das empresas).
CARGA TRIBUTÁRIA
A Receita também atribui a arrecadação recorde à cobrança judicial de dívidas tributárias e às ações de fiscalização realizadas no semestre. Foram R$ 9,5 bilhões em multas e juros, um aumento de 60%. O Fisco também estima mais R$ 10 bilhões, pelo menos, em impostos atrasados relacionados a essas cobranças.
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, nega que haja aumento da carga tributária, apesar da elevação das alíquotas do IOF e da CSLL para instituições financeiras neste ano.
Ele diz que o governo já promoveu quase R$ 60 bilhões em desonerações tributárias, além da perda estimada de cerca de R$ 40 bilhões na CPMF, que no ano passado respondia por cerca de 6% da arrecadação.
A Receita cita também a redução na alíquota da Cide (tributo dos combustíveis) para compensar o aumento da gasolina e do diesel. Houve uma queda de 12,2% na arrecadação desse tributo no semestre, para R$ 3,65 bilhões, e de 54% entre maio e junho deste ano.
Já a receita da Previdência, que responde por cerca de 25% da arrecadação, cresceu 12,6% no semestre e chegou a R$ 83,7 bilhões.
"A arrecadação junto à Receita Previdenciária contribuiu bastante para o desempenho da arrecadação total", afirmou Rachid.”
Vejamos a reportagem de Eduardo Cucolo que li no UOL:
MESMO SEM CPMF, ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS BATE RECORDE NO 1º SEMESTRE
“A arrecadação de impostos e contribuições cresceu 10,43% no primeiro semestre de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 333,208 bilhões. Somente no mês de junho foram R$ 55,747 bilhões, aumento de 7,11% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O imposto cuja arrecadação mais cresceu no semestre foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve suas alíquotas elevadas para compensar o fim da CPMF. A arrecadação subiu 151% e chegou a R$ 9,8 bilhões. A maior parte desse valor (R$ 3,8 bilhões) foi pago pelas pessoas físicas que fizeram empréstimos no período.
Em valores absolutos, o principal responsável pela arrecadação recorde foi o Imposto de Renda, que respondeu por 29% do total. Foram arrecadados R$ 97 bilhões, sendo R$ 44,7 bilhões somente das empresas.
A Receita vem justificando os sucessivos recordes alcançados neste ano com base no aumento do lucro das empresas e no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
A segunda maior arrecadação ficou com a Cofins (R$ 58,7 bilhões), aumento de 14% sobre o ano passado. Também houve aumento do 30% na CSLL (contribuição sobre o lucro das empresas).
CARGA TRIBUTÁRIA
A Receita também atribui a arrecadação recorde à cobrança judicial de dívidas tributárias e às ações de fiscalização realizadas no semestre. Foram R$ 9,5 bilhões em multas e juros, um aumento de 60%. O Fisco também estima mais R$ 10 bilhões, pelo menos, em impostos atrasados relacionados a essas cobranças.
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, nega que haja aumento da carga tributária, apesar da elevação das alíquotas do IOF e da CSLL para instituições financeiras neste ano.
Ele diz que o governo já promoveu quase R$ 60 bilhões em desonerações tributárias, além da perda estimada de cerca de R$ 40 bilhões na CPMF, que no ano passado respondia por cerca de 6% da arrecadação.
A Receita cita também a redução na alíquota da Cide (tributo dos combustíveis) para compensar o aumento da gasolina e do diesel. Houve uma queda de 12,2% na arrecadação desse tributo no semestre, para R$ 3,65 bilhões, e de 54% entre maio e junho deste ano.
Já a receita da Previdência, que responde por cerca de 25% da arrecadação, cresceu 12,6% no semestre e chegou a R$ 83,7 bilhões.
"A arrecadação junto à Receita Previdenciária contribuiu bastante para o desempenho da arrecadação total", afirmou Rachid.”
domingo, 20 de julho de 2008
PIG AGORA "CHUTA CACHORRO MORTO"
Do blog “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim (PHA), extraí o interessante texto abaixo transcrito. Para quem não conhece a inteligente terminologia irônica do jornalista PHA, adianto que PiG é o Partido da Imprensa Golpista, “Farol de Alexandria” é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, José Serra é o "presidente eleito" pelo PIG e "colonistas" são os jornalistas e outros brasileiros "colonizados" pela direita e pelas grandes potências.
A FOLHA (DA TARDE) DESCOBRE A BIOGRAFIA DE DANTAS
“O notável colonista Guilherme Barros anunciou numa manchete de fora a fora na primeira página da Folha (da Tarde): a fusão da Brasil Telecom com a Oi, a “BrOi”.
A Folha (da Tarde) e o PiG foram cúmplices da patranha da “BrOi” e ajudaram Daniel Dantas e Naji Nahas a especular com as ações da Brasil Telecom e da Oi.
A Folha (da Tarde) e o PiG passaram dez anos sem falar mal de Dantas para proteger o seu pai, o Farol de Alexandria, e o seu parceiro de todas as horas, o presidente eleito José Serra. (há um link no blog de PHA para ler o que durante anos o Conversa Afiada disse sobre os motivos do silêncio cúmplice do PiG sobre Dantas. Repare que a irmã de Dantas injetou milhões de dólares numa empresa da filha de José Serra, Mônica Serra, a Lulinha dos tucanos).
Mais tarde, quando se levantarem as outras pedras da calçada, se contará da sólida parceria de José Serra com Daniel Dantas.
Hoje, depois que Dantas foi duas vezes para a cadeia, e só o Supremo Presidente acha que Dantas não merece ficar trancafiado, a Folha (da Tarde) descobriu a biografia de Dantas.
Foi consultar a vida dos Césares dos tucanos e lá, por obra de Suetônio, a vida de Dantas está entre os volumes da biografia do Farol de Alexandria e da biografia do presidente eleito José Serra.
Dantas é o que os une e aproxima per saecula saeculorum.
Hoje, a Folha (da Tarde) bate no Dantas e na “BrOi” no editorial, no primeiro caderno, no segundo caderno e até na vitória do Bahia sobre o Corinthians.
O Ombudsman, que usualmente resolve competir com Elio Gaspari, o colonista de Livros da Folha (da Tarde), até ele, o ombudsman, nota a semelhança entre a filha de José Serra e o Lulinha, especialmente no capítulo tráfico de influência.
A Folha (da Tarde) lançou a “BrOi”, foi manipulada pelos beneficiários da “BrOi” e agora está indignada porque “há, entretanto, instituições que continuam funcionando como se nada acontecesse; funcionam bem de mais até. É o caso do Banco do Brasil, que acaba de autorizar um empréstimo recorde de R$ 4,3 bilhões para possibilitar a compra da Brasil Telecom pela Oi, numa operação em aberto conflito com as normas em vigor”.
A Folha (da Tarde) está chateada até com o cala-a-boca de US$ 1 bilhão que o Banco do Brasil e o BNDES vão pagar a Dantas.
A Folha (da Tarde) decidiu reescrever sua biografia no capítulo da maior patranha do capitalismo brasileiro.
Da mesma forma que se esquece para que serviam aquelas caminhonetes da Folha da Tarde.
A edição da Carta Capital que está nas bancas - "a dupla que incomoda", sobre o Delegado Queiroz e o Juiz De Sanctis - traz uma reportagem sobre o "jornalismo à brasileira" - "a imprensa descobre agora as façanhas do dono do Opportunity". Começa a reportagem: "o chute no cachorro morto é um esporte bastante difundido no país".
A FOLHA (DA TARDE) DESCOBRE A BIOGRAFIA DE DANTAS
“O notável colonista Guilherme Barros anunciou numa manchete de fora a fora na primeira página da Folha (da Tarde): a fusão da Brasil Telecom com a Oi, a “BrOi”.
A Folha (da Tarde) e o PiG foram cúmplices da patranha da “BrOi” e ajudaram Daniel Dantas e Naji Nahas a especular com as ações da Brasil Telecom e da Oi.
A Folha (da Tarde) e o PiG passaram dez anos sem falar mal de Dantas para proteger o seu pai, o Farol de Alexandria, e o seu parceiro de todas as horas, o presidente eleito José Serra. (há um link no blog de PHA para ler o que durante anos o Conversa Afiada disse sobre os motivos do silêncio cúmplice do PiG sobre Dantas. Repare que a irmã de Dantas injetou milhões de dólares numa empresa da filha de José Serra, Mônica Serra, a Lulinha dos tucanos).
Mais tarde, quando se levantarem as outras pedras da calçada, se contará da sólida parceria de José Serra com Daniel Dantas.
Hoje, depois que Dantas foi duas vezes para a cadeia, e só o Supremo Presidente acha que Dantas não merece ficar trancafiado, a Folha (da Tarde) descobriu a biografia de Dantas.
Foi consultar a vida dos Césares dos tucanos e lá, por obra de Suetônio, a vida de Dantas está entre os volumes da biografia do Farol de Alexandria e da biografia do presidente eleito José Serra.
Dantas é o que os une e aproxima per saecula saeculorum.
Hoje, a Folha (da Tarde) bate no Dantas e na “BrOi” no editorial, no primeiro caderno, no segundo caderno e até na vitória do Bahia sobre o Corinthians.
O Ombudsman, que usualmente resolve competir com Elio Gaspari, o colonista de Livros da Folha (da Tarde), até ele, o ombudsman, nota a semelhança entre a filha de José Serra e o Lulinha, especialmente no capítulo tráfico de influência.
A Folha (da Tarde) lançou a “BrOi”, foi manipulada pelos beneficiários da “BrOi” e agora está indignada porque “há, entretanto, instituições que continuam funcionando como se nada acontecesse; funcionam bem de mais até. É o caso do Banco do Brasil, que acaba de autorizar um empréstimo recorde de R$ 4,3 bilhões para possibilitar a compra da Brasil Telecom pela Oi, numa operação em aberto conflito com as normas em vigor”.
A Folha (da Tarde) está chateada até com o cala-a-boca de US$ 1 bilhão que o Banco do Brasil e o BNDES vão pagar a Dantas.
A Folha (da Tarde) decidiu reescrever sua biografia no capítulo da maior patranha do capitalismo brasileiro.
Da mesma forma que se esquece para que serviam aquelas caminhonetes da Folha da Tarde.
A edição da Carta Capital que está nas bancas - "a dupla que incomoda", sobre o Delegado Queiroz e o Juiz De Sanctis - traz uma reportagem sobre o "jornalismo à brasileira" - "a imprensa descobre agora as façanhas do dono do Opportunity". Começa a reportagem: "o chute no cachorro morto é um esporte bastante difundido no país".
CELSO AMORIM (MRE) DIZ A VERDADE E IRRITA OS EUA
O jornal o Estado de São Paulo publicou essa notícia de Jamil Chade
hoje, e o Blog do Noblat a reproduziu, onde a li.
AMORIM CITA NAZISTA EM DOHA E IRRITA EUA
“Chanceler assusta negociadores quando, ao negar que países emergentes travam Doha, cita ministro nazista
O chanceler Celso Amorim acusa os países ricos de estarem usando técnicas de desinformação dos nazistas nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo seria o de tentar jogar a culpa do impasse na Rodada Doha sobre os países emergentes no processo que entra em sua fase final. O ministro ainda alertou: o preço que o Brasil está disposto a pagar pela Rodada já não é o mesmo diante da alta dos preços das commodities. "Não vou comprar um carro velho pelo preço de um novo", disse Amorim. "Estou disposto a comprar o velho, mas pelo preço de um carro velho. Não quero justiça absoluta. Isso não é teologia. Mas queremos benefícios para os emergentes também."
Estudos mostram que hoje, na prática, um eventual acordo não teria impacto no volume de subsídios distribuídos
A alta nos preços de commodities estremece a Rodada Doha e faz os países, incluindo o Brasil, repensarem o que estão dispostos a pagar por um tratado internacional de comércio. Entidades internacionais e representantes do setor privado alertaram ontem, em Genebra, que o Brasil teria ganhos mínimos e, em alguns setores, até prejuízo com a Rodada. Os custos apontam que não valeria a pena sequer tentar fechar um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Estudo do Banco Mundial mostra que a Rodada geraria ganho de US$ 96 bilhões por ano à economia mundial, menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Desse total, só US$ 16 bilhões iriam para os países emergentes, sendo US$ 1,4 bilhão para o Brasil. O setor industrial nacional ganharia US$ 300 milhões. Ainda assim, o setor privado brasileiro ficaria com quase um sexto dos ganhos de todos os emergentes. Só a Índia teria ganhos superiores.”
hoje, e o Blog do Noblat a reproduziu, onde a li.
AMORIM CITA NAZISTA EM DOHA E IRRITA EUA
“Chanceler assusta negociadores quando, ao negar que países emergentes travam Doha, cita ministro nazista
O chanceler Celso Amorim acusa os países ricos de estarem usando técnicas de desinformação dos nazistas nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo seria o de tentar jogar a culpa do impasse na Rodada Doha sobre os países emergentes no processo que entra em sua fase final. O ministro ainda alertou: o preço que o Brasil está disposto a pagar pela Rodada já não é o mesmo diante da alta dos preços das commodities. "Não vou comprar um carro velho pelo preço de um novo", disse Amorim. "Estou disposto a comprar o velho, mas pelo preço de um carro velho. Não quero justiça absoluta. Isso não é teologia. Mas queremos benefícios para os emergentes também."
Estudos mostram que hoje, na prática, um eventual acordo não teria impacto no volume de subsídios distribuídos
A alta nos preços de commodities estremece a Rodada Doha e faz os países, incluindo o Brasil, repensarem o que estão dispostos a pagar por um tratado internacional de comércio. Entidades internacionais e representantes do setor privado alertaram ontem, em Genebra, que o Brasil teria ganhos mínimos e, em alguns setores, até prejuízo com a Rodada. Os custos apontam que não valeria a pena sequer tentar fechar um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Estudo do Banco Mundial mostra que a Rodada geraria ganho de US$ 96 bilhões por ano à economia mundial, menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Desse total, só US$ 16 bilhões iriam para os países emergentes, sendo US$ 1,4 bilhão para o Brasil. O setor industrial nacional ganharia US$ 300 milhões. Ainda assim, o setor privado brasileiro ficaria com quase um sexto dos ganhos de todos os emergentes. Só a Índia teria ganhos superiores.”
sábado, 19 de julho de 2008
HOJE, 20 DE JULHO, 135 ANOS DO NASCIMENTO DO GÊNIO SANTOS-DUMONT
Se vivo, Santos-Dumont completaria hoje 135 anos. Ele foi um dos maiores gênios do mundo, e um dos menos reconhecidos por isso. Santos-Dumont foi um grande benfeitor para a humanidade e ser humano extraordinário. É o símbolo maior brasileiro de criatividade, de inovação tecnológica e de persistência no objetivo.
Há dois anos, foi comemorado o centenário do 1º vôo autônomo do homem com um aparelho "mais pesado que o ar", isto é, de um aparelho (mais tarde chamado de "avião"), que diferia dos já conhecidos "balões-dirigíveis". Do site da comissão governamental dedicada às comemorações daquele ano (2006), copiei um muito bom texto de Aluizio Weber datado de 22/09/2006, que enaltece o nosso grande herói da Pátria.
"SANTOS-DUMONT - UM BRASILEIRO
Como a maior parte do povo do Brasil, Alberto Santos-Dumont (1873-1932) era descendente de imigrantes. Um brasileiro típico.
Era neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses, por parte de mãe.
Sempre evidenciou o seu orgulho de ser brasileiro. Considerava serem mérito do Brasil as suas conquistas ímpares para a humanidade.
A PRIMAZIA DO VÔO AUTÔNOMO
A principal conquista de Santos-Dumont foi ser o primeiro homem no mundo a voar em aparelho mais pesado que o ar utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho, sem auxílios externos.
Foi o primeiro a construir e pilotar avião que, usando apenas os meios de bordo, cumpriu todos os requisitos básicos de vôo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso.
Além disso, foi o primeiro que isso demonstrou em público. Seu vôo pioneiro contou com o testemunho de multidão, a filmagem por companhia cinematográfica e o reconhecimento e a homologação dos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.
O vôo histórico aconteceu há cem anos, em 23 de outubro de 1906, com o 14-bis, em Bagatelle, Paris, França.
14-bis - DIMENSÕES E DETALHES
Por que esse nome estranho? Essa denominação adveio do fato de Santos-Dumont, na 1ª fase do desenvolvimento, ensaiar o novo aparelho acoplando-o ao seu balão-dirigível nº 14.
Como era o 14-bis? Seguem alguns dados técnicos sobre o histórico aparelho:
Envergadura: 12 m; comprimento: 10 m; altura: 4,80 m; superfície das asas: 80 m²; corda (largura) das asas: 2,5 m; separação entre os dois planos das asas: 1,5 m; conjunto estabilizador/profundor/leme de direção (simplificadamente, “lemes”): 3 m de largura, 2 m de comprimento e 1,5 m de altura; articulação dos “lemes” a 8 m da nacele; distância lateral entre as rodas: 0,70 m; hélice de 2 pás, peso de 8 kg, com 2,5 m de diâmetro; peso total do avião: 160 kg, não considerando o peso de Santos-Dumont (50 kg).
As asas eram formadas por seis “células de Hargrave”. Cada célula tinha a forma de cubo com duas faces vazadas. Os “lemes” compunham uma “célula de Hargrave”.
Todas as superfícies do 14-bis eram de seda japonesa; as armações, de bambu e pinho; as junções da estrutura e as hélices, de alumínio; e os cabos-de-comando, de aço.
Mais adiante, em “Vôos do 14-bis”, estão registrados detalhes sobre o motor.
“O 14-bis VOAVA DE COSTAS?”
Não. A forma do 14-bis, a qual veio a ser batizada em aviação como “canard” (pato, em francês), dá essa impressão, por apresentar os lemes na parte dianteira do avião. Ela, ressalta-se, foi bem escolhida por Santos-Dumont para vencer o desafio de alçar vôo.
Como a intenção principal de Santos-Dumont naquela fase era o 14-bis conseguir sair do chão e sustentar-se no ar, o ideal era obter o máximo de sustentação positiva (para cima), tanto na asa como no conjunto estabilizador/profundor (“leme horizontal”). A configuração “canard” propicia isso na decolagem. (OBS: “sustentação” significa a resultante das forças aerodinâmicas sobre uma superfície).
Se Santos-Dumont optasse por colocar o citado conjunto na traseira da fuselagem (como hoje é usual), haveria a necessidade de o leme horizontal ter sustentação negativa (para baixo) para fazer o avião “cabrar” (levantar o nariz) na decolagem. Desse modo, a soma das sustentações, a da asa e a do leme, seria menor do que a resultante obtida quando as duas referidas sustentações apontam para cima, como era o caso na configuração “canard” e, portanto, decolagem do 14-bis.
Assim, foi inteligentemente definida por Santos-Dumont a forma do 14-bis para aquele desafio de voar.
Contudo, a configuração “canard” não é a melhor para a estabilidade e o controle de um aeroplano, sendo por isso menos usada posteriormente. Nos seus inventos seguintes, como os aviões nº 15 e Demoiselle, Santos-Dumont não mais usou aquela configuração.
VÔOS DO 14-bis
Os Prêmios Archdeacon e do Aeroclube de França, noticiados desde março de 1904, estimularam os inventores do mundo para a realização do primeiro vôo autônomo de mais de 25 m com aparelho mais pesado que o ar. Era a primeira etapa. O prêmio completo veio a compreender um vôo de um quilômetro em circuito fechado.
Santos-Dumont, que até então se destacara com os “mais leves que o ar” (balões livres e balões-dirigíveis), aceitou o desafio e em 02/01/1906 se inscreveu na competição. Segundo a imprensa da época, ele inicialmente pensava em competir com o seu projeto nº 12, um helicóptero com duas hélices, que não chegou a voar.
Em 18/07/1906, concluiu o 14-bis, cuja concepção e desenvolvimento estava sendo por ele maturada sem publicidade há algum tempo. Em 23 de julho, ensaiou em público, em Bois de Boulogne, Paris, o novo avião preso ao balão-dirigível nº 14. Em seguida, experimentou-o deslizando em um cabo inclinado, sendo o 14-bis levado até a parte mais alta do cabo puxado por um burrico. A partir de 21 de agosto, passou a experimentar o aeroplano separado do dirigível e fora do cabo, em campo aberto.
O 14-bis estava, inicialmente, equipado com um motor de apenas 24 Hp, a gasolina, tipo Antoinette, com 8 cilindros (4x4, em “V”), construído por León Levavasseur. Santos-Dumont percebeu estar o avião submotorizado.
VÔOS DO 14-bis EM SETEMBRO DE 1906
No mês seguinte, em setembro do mesmo ano de 1906, Santos-Dumont utilizou no 14-bis o mesmo motor Antoinette, porém por ele aperfeiçoado, com menos peso (total de 72 kg) e um carburador (de carro Fiat), alcançando 50 Hp. A hélice girava a 1500 rpm.
Naquele mês, ocorreram os seguintes ensaios, no Campo de Bagatelle, Paris:
• 07/09/1906 (17h00): tentativa de vôo de Santos-Dumont, no aniversário da Independência do Brasil. O 14-bis realizou apenas um salto de 2 m;
• 13/09/1906 (08h40): voou a distância de 7,8 m; à altura de menos de 1 m. Esse vôo, para alguns, também foi somente um pulo. Não conquistou nenhum prêmio (para isso, o vôo deveria ser de mais de 25 m). Contudo, ata do Aeroclube da França de 13/09/1906 e o jornal L’Illustration de 22/09/1906 se referiram a esse feito do 14-bis, e a essa data, como o primeiro vôo autônomo no mundo de aparelho mais pesado que o ar.
VÔO DO 14-bis EM 23 DE OUTUBRO DE 1906
CONQUISTA DO PRÊMIO “ARCHDEACON”
Esse dia veio a ser de grande significado para a humanidade.
Em 23/10/1906 (16h45), após corrida no solo de 200 m, o 14-bis voou a distância de 60 m, à altura de 2 a 3 m, em 7 segundos (s).
Santos-Dumont conquistou, com esse vôo, o prêmio estabelecido pelo capitalista francês Ernest Archdeacon ao “primeiro aviador que conseguisse voar distância de 25 m com ângulo máximo de desnivelamento de 25 %”.
A notícia rapidamente espalhou-se e foi muito publicada nos jornais do planeta. Por exemplo, o “The Illustrated London News”, de Londres, em 03/11/1906, publicou: “The first flight of a machine heavier than air: Mr. Santos-Dumont winning the Archdeacon Prize”. Na mesma ocasião, o norte-americano Gordon Bennet, fundador e proprietário do famoso “New York Herald”, escreveu no seu jornal sobre a façanha de Santos-Dumont: "The first Human mechanical flight". Assim também foram as manchetes de vários outros grandes jornais em todo o mundo.
Além do Aeroclube da França, a Federação Aeronáutica Internacional (FAI) reconheceu a conquista do prêmio, pois o 14-bis voara muito mais do que o limite mínimo de 25 m. Todavia, aquele vôo de 60 m em 23/10/1906 não teve todas as precisas medições pela FAI para formal homologação de recorde, a qual veio a ocorrer em outra experiência duas semanas após, em 12 de novembro de 1906.
VÔO DO 14-BIS em 12 DE NOVEMBRO DE 1906:
a
CONQUISTA DO PRÊMIO AEROCLUBE DA FRANÇA
e do
PRIMEIRO RECORDE OFICIAL DE AVIAÇÃO
O Prêmio do Aeroclube da França, de 1500 francos foi destinado ao primeiro homem no mundo que realizasse, com os próprios meios do aparelho, vôo de mais de 100 m de distância com ângulo máximo de desnivelamento de 10 graus.
Vinte dias após o seu grande feito de 23 de outubro, Santos-Dumont prosseguiu em 12 de novembro na tentativa de também vencer aquele desafio lançado pelo Aeroclube da França.
O 14-bis, nessa data, apareceu aperfeiçoado com a novidade tecnológica “ailerons”, superfícies móveis colocadas nas asas, uma em cada lado, para melhorar o controle lateral do avião (em “rolamento”).
Registram-se as cinco tentativas de Santos-Dumont naquele dia:
• 10h00: na primeira experiência, o 14-bis voou por 5 segundos a distância de 40 m, a 40 cm de altura, hélice a 900 rpm;
• 10h25: realizou dois vôos em uma mesma corrida, um de 40 m e outro de 60 m.
• 16h09: vôo de 50 m;
• Pouco após o vôo anterior: voou 82,6 m, em 7 s e 1/5, à velocidade média de 41,292 km/h;
• 16h45: diferentemente de todos os vôos anteriores, Santos-Dumont decolou contra o vento. O 14-bis voou a distância de 220 m, à altura de 6 m; duração: 21 s e 1/5; velocidade média de 37,4 km/h.
Santos-Dumont conquistou, com esse vôo de 220 m, o prêmio do Aeroclube da França, a ser concedido ao “primeiro aeroplano que, levantando-se por si mesmo, voasse distância de 100 m com desnivelamento máximo de 10 %”.
Aquele último vôo de 12 de novembro foi mais alto do que os anteriores, a 6m de altura, com ligeira curva à direita. O próprio Santos-Dumont escreveu que o vôo foi assim mais alto e não foi mais longo por conta da multidão que, ovacionando-o, correu perigosamente para perto do aparelho, obrigando o piloto a reduzir o motor e ao rápido pouso. A aterrisagem ocorreu com a asa direita tocando levemente o solo antes de o trem-de-pouso tocá-lo, sem maiores danos para o avião.
A CONQUISTA DOS PRIMEIROS RECORDES DA AVIAÇÃO MUNDIAL
O vôo de 220 m foi homologado pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial de aviação. Recorde mundial de distância de vôo, sem escala, de aparelho mais pesado que o ar. A FAI também considera o penúltimo vôo do 14-bis naquela data como o primeiro recorde mundial de velocidade em vôo, 41,292 km/h.
A revista norte-americana “National Aeronautics” (nº 12, volume 17, de 1939), órgão oficial da “National Aeronautics Association” sediada em Washington-EUA, também registrou aquele vôo de 220 m de Santos-Dumont como o primeiro recorde de aviação do mundo. A revista descreveu os posteriores recordes de distância de vôo. Somente em oitavo lugar aponta o recorde de Wilbur Wright, dois anos após, em 21/09/1908, na França, comentado em outro tópico deste texto, a seguir.
QUEBRA DOS RECORDES DE SANTOS-DUMONT
Os recordes de Santos-Dumont alcançados em 12/11/1906 foram suplantados por outros somente um ano depois.
O recorde de velocidade foi superado em 24/10/1907 pelo francês Henri Farman (avião de Gabriel Voisin), com 52,7 km/h. Com o mesmo avião, dois dias após, H. Farman voou 771 m em 52 s, superando pela primeira vez o recorde de distância de Santos-Dumont. Em 13/01/1908, Farman, com um biplano Voisin, conquistou o “Prêmio Deutsch-Archdeacon” (50.000 francos) estabelecido em 1904, ao voar mais de um quilômetro em circuito fechado em Issy-les-Molineaux, sudoeste de Paris.
Posteriormente, 22 meses depois dos recordes pioneiros de Santos-Dumont e 9 meses após a conquista do prêmio Deutsch-Archdeacon por Farman, o público e as comissões oficiais viram, pela primeira vez, nos Estados Unidos e na Europa, vôo dos irmãos Wright.
1907- ÚLTIMO VÔO DO 14-bis
Após os históricos vôos de 23 de outubro e de 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont ainda realizou outros pequenos vôos com o 14-bis. Cinco meses depois, encerrou os ensaios com o famoso aparelho. Em 4 de abril de 1907, no campo da Escola Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de vôo da ordem de 30 m, pousou bruscamente, tocando com a asa esquerda no solo e danificando definitivamente o famoso avião. Uma semana antes, 27 de março, Santos-Dumont já havia sofrido no mesmo local outro sério acidente com o seu novo projeto de biplano, o nº 15, equipado com motor de 100 HP, asas de madeira compensada e leme de direção na cauda, configuração não mais “canard”. Esse novo avião não voou. Foi destruído em uma tentativa de decolagem.
O REVOLUCIONÁRIO AVIÃO “DEMOISELLE”
Santos-Dumont não esmorecia. Continuou em 1907 apresentando ao mundo novos inventos. O de nº 16 foi uma mistura de avião e dirigível. O de nº 17 foi um aperfeiçoamento sem sucesso do acidentado nº 15. O projeto nº 18 foi um deslizador aquático; grosso modo um hidroavião sem as asas. Uma invenção genial foi o modelo de nº 19.
Em 16 de novembro de 1907, em Bagatelle, apenas sete meses depois do último vôo do 14-bis, Santos-Dumont já fazia o vôo inaugural (200 m) do seu revolucionário nº 19, o “Demoiselle”, minúsculo, simples e leve. O Demoiselle tinha área alar de 10 m² (oito vezes menor que a do 14-bis), envergadura de ínfimos 5,60 m e pesava somente 60 kg (68 kg nos modelos nº 21 e 22), quase 1/3 do peso do já levíssimo 14-bis. Era avião muito avançado, de alto desempenho, veloz e extremamente simples e compacto. Decolava em pista de somente 70 m.
Nos diversos modelos de Demoiselle desenvolvidos de 1907 a 1909, modelos nº 19, 20, 21 e 22, Santos-Dumont foi introduzindo aperfeiçoamentos e inovações técnicas. Neles, utilizou motores de 20 a 35 Hp.
Com o modelo “Demoiselle nº 22”, estreado em Issy em 06/03/1909, Santos-Dumont voou, em 06/04/1909, a distância de 3 km. Em 13/09/1909, voou 8 km em cinco minutos, alcançando velocidade impressionante para a época: 96 km/h. Chegou a realizar vôos de até 18 km de distância, como o ocorrido em 17/09/1909. Na véspera, 16 de setembro, havia estabelecido um recorde mundial, ao decolar após uma curta corrida de apenas 70m, em 6 segundos.
No dia seguinte, em 18/09/1909, aos 36 anos de idade, após 12 anos de intensos, ininterruptos, perigosos e estressantes trabalhos, Santos-Dumont realizou o seu último vôo como piloto. Em Saint Cyr, Paris, sobrevoou o público com os dois braços abertos e fora dos comandos, um lenço em cada mão. Soltou os lenços em vôo, aplaudido. Foi a sua despedida.
Santos-Dumont colocou esse modelo de avião à disposição pública, com todos os detalhes e especificações, para livre reprodução, sem nenhum direito comercial para o seu inventor.
O Demoiselle foi o primeiro avião fabricado em série no mundo. No final de 1909, mais de 40 já haviam sido construídos e vendidos (ao preço de 5.000 a 7.500 francos, valor na época de automóvel de tamanho médio).
Alguns livros registram já terem sido até hoje construídos mais de 300 Demoiselles, e com a surpreendente marca de não ter ocorrido com o modelo um só acidente fatal.
OS PRIMEIROS MONUMENTOS EM HOMENAGEM A SANTOS-DUMONT
Em 1910, com a presença de Santos-Dumont, foi inaugurado em Bagatelle, Paris, por iniciativa do Aeroclube da França, o marco de granito de 3 m de altura o qual assinala os primeiros recordes de aviação do mundo estabelecidos por Santos-Dumont: “Ici, le 12 novembre 1906, sous le controle de L’Aero-Clube de France, Santos-Dumont a etabli les premiers recordes d’aviation du monde: durée 21 s 1/5; distance 220 m”.
Três anos depois, em 19/10/1913, foi inaugurado em Saint-Cloud, Paris, na praça batizada “Santos-Dumont”, o monumento conhecido como “Ícaro de Saint-Cloud”, com os dizeres: “Este monumento foi erigido pelo Aeroclube da França para comemorar as experiências de Santos-Dumont, pioneiro da locomoção aérea. 19 de outubro de 1901 e 23 de outubro de 1906”. Foi a primeira vez que Paris homenageou alguém em vida com um monumento.
Santos-Dumont assistiu ao ato muito emocionado, não conseguindo concluir o seu discurso. Uma réplica do monumento, presenteada pela França, repousa sobre o seu túmulo, no cemitério São João Batista, Botafogo, Rio de Janeiro.
A PRIMAZIA DE SANTOS-DUMONT e os IRMÃOS WRIGHT
Os irmãos Wright conseguiram em 21/09/1908, em Anvours (França), voar publicamente e até superar em muito as marcas de Santos-Dumont com o 14-bis.
Porém, isso ocorreu dois anos após Santos-Dumont já ter conquistado os primeiros recordes aeronáuticos oficiais do mundo. Em 1908, o nosso pioneiro já voava há um ano o seu genial e avançado Demoiselle, e a aviação já demonstrava progresso acelerado em várias partes do mundo.
Ainda mais, o avião “Flyer” dos Wright voado na França ainda dependia de lançamento por grande catapulta, de vento forte e de trilho em ladeira para poder decolar. O trilho poderia ficar na horizontal se houvesse vento frontal superior a 36 km/h, explicou a instituição norte-americana “National Aeronautics Council” (livro de N. H. Randers-Pehrson, pág. 35, Biblioteca do Congresso, EUA, 1944).
O que era a catapulta? Era uma grande estrutura que, por meio de queda de 5 m de altura de um grande peso de mais de 300 kg, tracionava violentamente o avião sobre um trilho e, assim, o lançava no ar em decolagem.
Essa dependência da catapulta perdurou até 1910. Anatole France publicou em 1909: “Wright détient le record de la distance, seul ou à deux. Il ne s’est point encore envolé par ses propres moyens” (Whright detém o recorde de distância, só e em dupla. Ele ainda não voou por seus próprios meios).
Na prática, o “Flyer” era muito bom planador e um avião com insuficiente motorização para decolar sem auxílio externo.
Aquele vôo dos irmãos Wright comprovado em público em Anvours foi realizado com o “Flyer” diferente do que teria sido o “Flyer 1” de 1903. Os irmãos Wright noticiaram que até então utilizavam motor desenvolvido por eles, que pesava 109 kg e alcançava apenas 12 Hp (16 Hp máximos, por alguns instantes).
Diferentes registros da época apontam que o novo motor do “Flyer 3”, voado em 1908, desenvolvia até 50 Hp. Aquela versão mais potente de motor surgira tão logo os Wright foram a França, no final de 1907. A “Société Française Bariquand et Marre” (oficina na rua Oberkampf em Paris) modificou o motor original, principalmente o sistema de ignição, elevando a sua potência para mais de 30 Hp. Em três meses, o novo motor “Bariquand et Marre” foi redesenhado, construído e ensaiado, permitindo os vôos do Flyer em setembro de 1908.
Mesmo assim, os irmãos Wright diziam terem realizado sigilosamente o primeiro vôo de avião no mundo cinco anos antes, com o “Flyer 1”, em 17/12/1903. Disseram que tal avião não foi mostrado a terceiros, nem poderia, pois teria sido completamente destruído logo após o alegado vôo secreto de dezembro de 1903. Somente em 1908, apresentaram alguns supostos restos do “Flyer 1” de 1903 e, como respaldo, o nome de cinco testemunhas das redondezas de Kitty Hawk, algumas delas seus contratados. Está no museu Smithsonian (Washington-EUA) o resultado da reconstrução imaginada sobre aqueles hipotéticos pedaços do “Flyer 1”.
As “provas” dos vôos que teriam sido feitos desde 1903 foram apresentadas pelos irmãos Wright extemporaneamente. Somente em 1908 mostraram: uma foto sem data do Flyer (sem rodas, a alguns palmos de altura sobre o trilho lançador); o diário deles, onde diziam terem voado “n” metros por “t” segundos nas datas “x”, “y”, “z”; e um telegrama passado por eles mesmos ao pai “Quinta-feira, de manhã, tivemos sucesso em quatro vôos, graças a ventos de 40 km/h”.
Essas “evidências” eram consideradas insubsistentes pelos órgãos oficiais de aviação e pela imprensa em geral, inclusive a norte-americana, que então divulgava a primazia de Santos-Dumont desde 1906.
A suspeita de embuste dos Wright era generalizada. Por exemplo, o “Illustration”, de Paris, em 6 de julho de 1908, publicou: “Ce document est une épreuve sur papier photografique. Mais est-ce une photografie? L’aspect est bien equivoque et on y remarque tous les caractéres d’un truc”.
Especialistas em engenharia aeronáutica calculam que, mesmo com toda a atual tecnologia, seria impossível, com a potência de somente 12 Hp a 16 Hp, fazer decolar o “Flyer 1”, que pesava 340 kg de acordo com os dados fornecidos pelos Wright.
Um detalhe intrigante. É incompreensível os Wright não se terem interessado por competir pelo grande prêmio oferecido na Exposição de Saint Louis-EUA, em 1904, para quem realizasse vôo com aparelho mais pesado que o ar. Eles já estariam voando há um ano, e St. Louis era relativamente próxima de Dayton, não era tão distante como a França (a 10.000 km) onde eles foram pela primeira vez demonstrar vôo quatro anos mais tarde (1908) sob a atração de prêmio de valor idêntico ao oferecido nos EUA em 1904.
A imprensa norte-americana havia sido acionada pelos dois irmãos para uma demonstração em abril de 1904. Porém, após cinco dias de tentativas, o que os repórteres viram os fez descrer da capacidade de vôo do Flyer. Em 1905, a imprensa foi novamente convidada à fazenda “d’Huffman Prairie”, Dayton. Contudo, como nada aconteceu de interessante, os jornalistas apenas publicaram comentários muito sucintos (segundo o livro “Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, pág. 39, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).
O próprio War Departement dos EUA ainda não dava crédito em 1905, por falta de provas, às alegações dos Wright. As poucas notícias que surgiram naquela época em jornais e revistas norte-americanas e européias foram decorrentes de matérias enviadas pelos próprios Wright. Por exemplo, a revista “Aerophile” publicou relatório por eles enviado a Gerge Besancon. Igualmente, enviaram em outubro de 1905 relatos dos seus vôos para a Royal Aeronautical Society (a Patrick Alexander) e para o correspondente americano da revista “Illustrierte Aeronautische Mitteilungen”. Esses relatos dos Wright foram publicados e muito comentados.
Todavia, não há registro de algum vizinho dos Wright, ou de qualquer dos transeuntes da estrada próxima de intenso movimento, que ligava Springfield a Dayton, ter visto ao menos um dentre as centenas de vôos que eles afirmaram ter realizado de 1903 a 1908. Nem uma única reportagem comprovando aqueles vôos havia sido, até 1908, publicada pela perspicaz, eficiente e já mundialmente atuante imprensa norte-americana. Nem mesmo em Kitty Hawk, North Carolina, e em Dayton, Ohio, onde eles teriam realizado os alegados pioneiros, surpreendentes, fantásticos e longos vôos.
Caso houvesse crédito sobre a realização dos aludidos vôos, eles teriam merecido, inevitável e imediatamente, gigantescas manchetes nos jornais dos EUA e do mundo inteiro.
Uma das poucas testemunhas citadas, o telegrafista Alpheus W. Drinkwater, que trabalhava na estação do local dos supostos vôos dos Wrights, e que expediu o já citado telegrama dos dois irmãos para o pai em 17/12/1903, declarou que, naquela data, os Wright apenas planaram e que o primeiro vôo somente aconteceu em 06/05/1908, isto é, cinco anos depois (entrevista publicada no “The New York Times” de 17/12/1951, na data de comemoração do cinqüentenário do suposto vôo pioneiro).
Em 12 de março daquele ano de 1908, aconteceu em Hammondsport-New York-EUA o vôo que foi na época considerado nos Estados Unidos como o primeiro vôo oficial realizado naquele país de um aparelho mais pesado que o ar. Foi com o aparelho “Red Wing” da “L’Aerial Experiment Association” de Graham Bell, projetado por Selfridge, pilotado por Casey Baldwin sobre o lago Keuka congelado. Foi um vôo de 97,3 metros confirmado por 25 testemunhas oficiais.
Os irmãos Wright, que então muito divulgavam seus vôos, mas não demostravam, haviam se recusado a participar do desafio lançado pelo jornal “Scientific American” porque as regras estipulavam que o aparelho deveria decolar sem auxílio externo (“Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, págs. 54 e 57, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).
O primeiro vôo dos Wright realmente testemunhado nos EUA foi em 4 de setembro de 1908 (Fort Myer, Virginia). O fotos e filmes desse vôo em Fort Myer ainda hoje são muitas vezes repetidos nas televisões do mundo como sendo do suposto primeiro vôo de 1903.
Curiosamente, sem reivindicar o pioneirismo, por muitos anos eles acompanharam em silêncio os retumbantes feitos de Santos-Dumont em 1906, fartamente publicados como os primeiros vôos do mundo também na imprensa norte-americana. Pediram, todavia, ao seu correspondente na França (Cap Ferber) detalhes técnicos do 14-bis. Esperaram de 1903 a 1908 para demonstrar em público algum vôo. Assim mesmo, quando apareceram em 1908, fizeram grande vôo somente parcial (com lançamento no ar por catapulta), e na ocasião em que muitos (Santos-Dumont, Farman, Blériot e outros) já realizavam vôos completos, partindo do solo utilizando somente a força do próprio motor da aeronave.
Estranho, também, é terem os irmãos Wright requerido na Inglaterra, em 19/03/1904 (portanto, meses depois de seus alegados vôos motorizados de 17/12/1903) patente apenas para planador, sem motor (patente nº 6.732/1904). Da mesma forma incompreensível, em 22/05/1906, três anos após terem, diziam, desenvolvido o avião, os Wright obtiveram nos EUA a patente nº 821.393, mas somente para outro planador aperfeiçoado!...Eles nunca obtiveram patente para qualquer avião.
Observa-se que apenas voar e pousar (sem decolar pelos próprios meios) não era novidade na época. Otto Lilienthal já o fizera com êxito na Alemanha desde 1891 com planadores. Lilienthal não tivera sucesso com a motorização. Experimentou motor (a vapor) sem resultados positivos.
O francês Clément Ader também já havia tentado em 1897 voar o seu “avion”, equipado com motor a vapor. A tentativa não alcançou sucesso, atestou relatório, antes secreto, que foi tornado público pelo Ministro da Guerra francês (Gen Brun) após polêmica sobre pioneirismo surgida com o feito de Santos-Dumont. O debate fora alimentado publicamente até pelo General Mensier, do Exécito francês, um dos membros da comissão que antes registrara, sigilosa e oficialmente, o insucesso da tentativa de vôo de Ader.
Houve menções na imprensa, também, de que o romeno Trajan Vuia já teria voado em público 12 m, a 0,5 m de altura, em Montesson, perto de Paris, em 18/03/1906, utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho. Contudo, não houve controle oficial, nem testemunhas ou registros críveis para tal vôo.
Uma grande corrente de partidários da primazia dos Wright baseia-se no conceito de que o Flyer 3, mesmo decolando com ajuda externa, era um avião “mais prático”, mais manobrável e com maior autonomia do que o mais instável 14-bis. Porém, comparam o 14-bis de 1906 com o avião norte-americano demonstrado apenas em 1908. Omitem o fato de que, em 1907 e 1908, Santos-Dumont já voava o seu avançado e genial Demoiselle.
Recentemente, em 17 de dezembro de 2003, na comemoração oficial do centenário do reivindicado primeiro vôo do “Flyer 1”, perante o presidente dos EUA e milhares de pessoas, a réplica fiel não conseguiu decolar, caindo pouco após o dispositivo lançador. Foi então divulgado que aquela réplica não voara porque, diferentemente, o suposto “Flyer 1” de 1903 decolara beneficiado por campo (e trilho) pendente com 9° de inclinação e por vento frontal de 40 km/h.
O fato é que os EUA resolveram, mais fortemente a partir dos anos quarenta, elevar os irmãos Wright à condição de primazia no mundo e aquelas “provas”, antes depreciadas, passaram a ser citadas como documentos históricos comprovadores dos vôos pioneiros. Fruto de grande esforço institucional e de mídia, as desacreditadas alegações pouco a pouco viraram “fatos verdadeiros” para o povo norte-americano e para muitos outros em todo o mundo.
Enfim, não se coloca em dúvida, neste texto, a relevante participação dos irmãos Wright, e de tantos outros precursores, no grande e rápido desenvolvimento da ciência aeronáutica acontecido naquele final do século XIX e início do século XX. Trata-se de, por justiça, devolver a Santos-Dumont o devido lugar ímpar de primazia e de destaque na história.
Evitando-se ampliar a desnecessária polêmica sobre quem fez o que primeiro, e até admitindo-se, hipoteticamente, a veracidade da alegação dos irmãos Wright, ainda assim as seguintes verdades permanecem indiscutíveis:
• Santos-Dumont foi o primeiro homem que comprovadamente voou aparelho mais pesado que o ar (o 14-bis) utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho.
• Foi o primeiro que comprovadamente cumpriu todos os requisitos básicos de vôo de avião usando apenas os meios de bordo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso.
• Foi o primeiro homem a isso demonstrar oficial e publicamente. Sua vitória ocorreu com o testemunho de multidão, da imprensa, de filmagem por companhia cinematográfica e de comissão oficial previamente convocada.
• Sua conquista mereceu o reconhecimento e a homologação como primeiro vôo autônomo no mundo pelos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.
A distorção da história por motivações nacionalistas, mesmo que conduzida mundial e persistentemente pela mídia, não poderá apagar esses fatos históricos oficialmente registrados, que certificam e glorificam os feitos pioneiros de Santos-Dumont.
2006 – CEM ANOS - O RECONHECIMENTO NORTE-AMERICANO DA PRIMAZIA DE SANTOS-DUMONT
Neste ano em que se comemora o centenário do grande feito de Santos-Dumont com o 14-bis, ocorreu o registro em monumento do reconhecimento feito pelo renomado Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (American Institute of Aeronautics and Astronautics – AIAA) da primazia do vôo de Santos-Dumont, utilizando somente os meios próprios da aeronave.
O AIAA é uma entidade norte-americana, sem fins lucrativos. Tem 35.000 membros em todo o mundo. Conduz conferências técnicas e publica sete jornais e dezenas de livros anualmente. O AIAA reconhece os “Sítios Históricos Aeroespaciais”. Mais de 30 sítios já foram eleitos, a maioria nos Estados Unidos. Quatro encontram-se em outros países.
O AIAA, este ano, homenageou Santos-Dumont. Foi a primeira vez que uma pessoa, além de um local, foi escolhida pelo AIAA para ser homenageada. A homenagem a Santos-Dumont incluiu uma placa de bronze, de aproximadamente 60 x 42 cm, com os seguintes dizeres:
“Born 20 July 1873 in state of Minas Gerais, Alberto Santos Dumont moved to Paris in 1891 but never forgot his birthplace. He soon began experimenting with flying, and designed his first balloon, the Brasil, in 1898. He later built and flew 11 dirigibles, including the prize-winning Number 6. He flew his first airplane, the 14-bis, on October 1906, the first aircraft to take off and land without any external assistance (*). His many other contributions to aviation included his 1907 Demoiselle, the precursor to modern light airplanes. He returned definitely to Brazil in 1931 and died in 1932”.
(*) o primeiro avião a decolar e pousar sem qualquer auxílio externo.
Essa placa foi colocada sobre pedestal erigido em frente à casa natal de Santos-Dumont, em Cabangu, município de Santos Dumont-MG, e descerrada pelo representante norte-americano do AIAA em bonita e singela solenidade, em 13/09/2006.
PRÊMIO “DEUTSCH DE LA MEURTHE”
É oportuno também relembrar outro grande feito anterior de Santos-Dumont. Ele já havia granjeado a glória e a fama em todo o planeta, cinco anos antes do vôo do 14-bis. A idolatria por Santos-Dumont já era tanta que ele ditava a moda masculina em Paris e no mundo. Copiavam o seu modelo de chapéu, de colarinho, de bainha de calças, de penteado. Até lançou e popularizou o uso masculino civil do relógio de pulso (tal modelo de relógio foi por ele concebido e usado, mas o relógio de pulso não foi uma “invenção” sua).
Aquele ápice da celebridade ele alcançara em 19/10/1901. Conquistara desde então a fama ao realizar a primeira viagem no mundo de balão dirigível em circuito fechado e dentro de trajeto (11 km, que abrangia rodear a Torre Eiffel) e de tempo (limite de 30 minutos) pré-estabelecidos, tudo testemunhado por multidão e pela comissão oficial previamente convocada, merecendo o vultoso prêmio “Deutsch de la Meurthe” (total de 129.000 francos da época; distribuiu esse prêmio entre os seus mecânicos e os pobres de Paris). O seu feito significou o domínio completo e prático da dirigibilidade dos balões.
O GÊNIO
Santos-Dumont foi um gênio em múltiplas atividades. É impressionante Santos-Dumont ter sido, ao mesmo tempo, o genial inventor, o inteligente construtor dos próprios inventos surpreendentemente simples, eficientes e leves, o corajoso piloto de provas de seus artefatos futuristas inusitados e o competidor vencedor. Competiu em corridas de carros, de triciclos, em provas de balões livres, em desafios de dirigibilidade de balões e de vôo do mais pesado que o ar.
Santos-Dumont, na persistente busca da realização do seu objetivo maior, voar, tornou-se homem culto. Com boa base de conhecimentos gerais adquirida na infância e na adolescência, dedicou-se aos estudos de física, eletricidade, química, mecânica.
Dominava os idiomas francês, inglês, espanhol, além do português. Em 1931, pelo valor da sua obra literária sobre seus inventos e experiências, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (na vaga de Graça Aranha; cadeira nº 38), não tomando posse do cargo.
Em cerca de doze anos de atividades intensas (1898 a 1909), Santos-Dumont produziu um invento importante a cada seis meses, em média. Sua rapidez de concepção e de produção de inovações tecnológicas foi extraordinária e ainda seria impressionante nos dias atuais.
Naquele período, concebeu, projetou, construiu (com recursos próprios), testou (com reais e constantes riscos de morte) dois balões, doze dirigíveis e três tipos de aviões, entre outros inventos e pesquisas, como a do helicóptero e a do deslizador aquático.
Em cada um dos projetos, incorporou muitas de suas invenções, como mecanismos de controle de vôo, equipamento auxiliar de partida do motor, e muitas outras criações. Pela primeira vez em aviação, utilizou o motor a petróleo e materiais como o alumínio e cordas de piano (em lugar de cordas de fibra vegetal, então usadas).
Concebeu e construiu, em 1899, o primeiro hangar do mundo. Esse hangar trazia a inovação de um simples e preciso sistema deslizante de movimentação de suas grandes e pesadas portas, mais de 4 toneladas cada uma. Uma criança as abria com facilidade.
Para alcançar maiores potência e leveza em seus inventos, projetou, desenvolveu e construiu motores inovadores, como o de dois cilindros superpostos em apenas uma biela e um cárter, que utilizou no balão-dirigível nº1, e o de cilindros horizontais e opostos, configuração hoje comumente utilizada, que empregou no “Demoiselle”.
Para construir esse motor do Demoiselle, Santos-Dumont usou instalações e maquinários da fábrica francesa Darracq. Essa empresa quis usufruir da patente. Santos-Dumont, pela primeira e única vez, entrou na Justiça reivindicando os seus direitos de autoria. Ganhou a causa e também colocou aquela sua invenção para o domínio público.
Santos-Dumont presenteou a todos, sem nada cobrar, todas as suas dezenas de invenções. Esse altruísmo era apenas uma das muitas e belas facetas do seu caráter exemplar. Com princípios puros, dedicou sua obra à Humanidade. Santos-Dumont é herói brasileiro irrepreensível nos campos ético e moral.
O OCASO
Por tudo isso, sacrificou a sua vida. Tardiamente, pensou nele mesmo. Gabriel Voisin na revista francesa “Pioniers” (jan/1967), relatou que em 1926 Santos-Dumont, com 53 anos, apaixonado pela filha daquele seu grande amigo, pediu-a em casamento. A diferença de idade (a moça tinha 17 anos) inviabilizou a união.
Desde os 40 anos de vida, envelhecido prematuramente, pouco a pouco ficou mais evidente que Santos-Dumont padecia de doença não muito conhecida na época. Cada vez mais recluso, com tristeza, angústia, remorso, sentia-se culpado da guerra aérea, dos acidentes aeronáuticos. Hoje, com o avanço da medicina, provavelmente sua moléstia seria diagnosticada como depressão, tratável inclusive com medicamentos. Na maioria dos casos, a depressão resulta da interação entre uma predisposição genética e fatores ambientais, como traumas emocionais e o estresse, os quais, por certo, estiveram fortemente presentes na sua obcecada, tensa, destemida e acidentada vida. É comum o suicídio em sofredores dessa doença, quando não medicados. Santos-Dumont assim morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos.
CONCLUSÃO
Em resumo, Santos-Dumont foi um grande benfeitor para a humanidade e ser humano extraordinário. É o símbolo maior brasileiro de criatividade, de inovação tecnológica e de persistência no objetivo.
Tudo isso em um homem só. “É Santos-Dumont, um Brasileiro!” (refrão de modinha popular, em 1902, de Eduardo das Neves)."
Há dois anos, foi comemorado o centenário do 1º vôo autônomo do homem com um aparelho "mais pesado que o ar", isto é, de um aparelho (mais tarde chamado de "avião"), que diferia dos já conhecidos "balões-dirigíveis". Do site da comissão governamental dedicada às comemorações daquele ano (2006), copiei um muito bom texto de Aluizio Weber datado de 22/09/2006, que enaltece o nosso grande herói da Pátria.
"SANTOS-DUMONT - UM BRASILEIRO
Como a maior parte do povo do Brasil, Alberto Santos-Dumont (1873-1932) era descendente de imigrantes. Um brasileiro típico.
Era neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses, por parte de mãe.
Sempre evidenciou o seu orgulho de ser brasileiro. Considerava serem mérito do Brasil as suas conquistas ímpares para a humanidade.
A PRIMAZIA DO VÔO AUTÔNOMO
A principal conquista de Santos-Dumont foi ser o primeiro homem no mundo a voar em aparelho mais pesado que o ar utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho, sem auxílios externos.
Foi o primeiro a construir e pilotar avião que, usando apenas os meios de bordo, cumpriu todos os requisitos básicos de vôo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso.
Além disso, foi o primeiro que isso demonstrou em público. Seu vôo pioneiro contou com o testemunho de multidão, a filmagem por companhia cinematográfica e o reconhecimento e a homologação dos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.
O vôo histórico aconteceu há cem anos, em 23 de outubro de 1906, com o 14-bis, em Bagatelle, Paris, França.
14-bis - DIMENSÕES E DETALHES
Por que esse nome estranho? Essa denominação adveio do fato de Santos-Dumont, na 1ª fase do desenvolvimento, ensaiar o novo aparelho acoplando-o ao seu balão-dirigível nº 14.
Como era o 14-bis? Seguem alguns dados técnicos sobre o histórico aparelho:
Envergadura: 12 m; comprimento: 10 m; altura: 4,80 m; superfície das asas: 80 m²; corda (largura) das asas: 2,5 m; separação entre os dois planos das asas: 1,5 m; conjunto estabilizador/profundor/leme de direção (simplificadamente, “lemes”): 3 m de largura, 2 m de comprimento e 1,5 m de altura; articulação dos “lemes” a 8 m da nacele; distância lateral entre as rodas: 0,70 m; hélice de 2 pás, peso de 8 kg, com 2,5 m de diâmetro; peso total do avião: 160 kg, não considerando o peso de Santos-Dumont (50 kg).
As asas eram formadas por seis “células de Hargrave”. Cada célula tinha a forma de cubo com duas faces vazadas. Os “lemes” compunham uma “célula de Hargrave”.
Todas as superfícies do 14-bis eram de seda japonesa; as armações, de bambu e pinho; as junções da estrutura e as hélices, de alumínio; e os cabos-de-comando, de aço.
Mais adiante, em “Vôos do 14-bis”, estão registrados detalhes sobre o motor.
“O 14-bis VOAVA DE COSTAS?”
Não. A forma do 14-bis, a qual veio a ser batizada em aviação como “canard” (pato, em francês), dá essa impressão, por apresentar os lemes na parte dianteira do avião. Ela, ressalta-se, foi bem escolhida por Santos-Dumont para vencer o desafio de alçar vôo.
Como a intenção principal de Santos-Dumont naquela fase era o 14-bis conseguir sair do chão e sustentar-se no ar, o ideal era obter o máximo de sustentação positiva (para cima), tanto na asa como no conjunto estabilizador/profundor (“leme horizontal”). A configuração “canard” propicia isso na decolagem. (OBS: “sustentação” significa a resultante das forças aerodinâmicas sobre uma superfície).
Se Santos-Dumont optasse por colocar o citado conjunto na traseira da fuselagem (como hoje é usual), haveria a necessidade de o leme horizontal ter sustentação negativa (para baixo) para fazer o avião “cabrar” (levantar o nariz) na decolagem. Desse modo, a soma das sustentações, a da asa e a do leme, seria menor do que a resultante obtida quando as duas referidas sustentações apontam para cima, como era o caso na configuração “canard” e, portanto, decolagem do 14-bis.
Assim, foi inteligentemente definida por Santos-Dumont a forma do 14-bis para aquele desafio de voar.
Contudo, a configuração “canard” não é a melhor para a estabilidade e o controle de um aeroplano, sendo por isso menos usada posteriormente. Nos seus inventos seguintes, como os aviões nº 15 e Demoiselle, Santos-Dumont não mais usou aquela configuração.
VÔOS DO 14-bis
Os Prêmios Archdeacon e do Aeroclube de França, noticiados desde março de 1904, estimularam os inventores do mundo para a realização do primeiro vôo autônomo de mais de 25 m com aparelho mais pesado que o ar. Era a primeira etapa. O prêmio completo veio a compreender um vôo de um quilômetro em circuito fechado.
Santos-Dumont, que até então se destacara com os “mais leves que o ar” (balões livres e balões-dirigíveis), aceitou o desafio e em 02/01/1906 se inscreveu na competição. Segundo a imprensa da época, ele inicialmente pensava em competir com o seu projeto nº 12, um helicóptero com duas hélices, que não chegou a voar.
Em 18/07/1906, concluiu o 14-bis, cuja concepção e desenvolvimento estava sendo por ele maturada sem publicidade há algum tempo. Em 23 de julho, ensaiou em público, em Bois de Boulogne, Paris, o novo avião preso ao balão-dirigível nº 14. Em seguida, experimentou-o deslizando em um cabo inclinado, sendo o 14-bis levado até a parte mais alta do cabo puxado por um burrico. A partir de 21 de agosto, passou a experimentar o aeroplano separado do dirigível e fora do cabo, em campo aberto.
O 14-bis estava, inicialmente, equipado com um motor de apenas 24 Hp, a gasolina, tipo Antoinette, com 8 cilindros (4x4, em “V”), construído por León Levavasseur. Santos-Dumont percebeu estar o avião submotorizado.
VÔOS DO 14-bis EM SETEMBRO DE 1906
No mês seguinte, em setembro do mesmo ano de 1906, Santos-Dumont utilizou no 14-bis o mesmo motor Antoinette, porém por ele aperfeiçoado, com menos peso (total de 72 kg) e um carburador (de carro Fiat), alcançando 50 Hp. A hélice girava a 1500 rpm.
Naquele mês, ocorreram os seguintes ensaios, no Campo de Bagatelle, Paris:
• 07/09/1906 (17h00): tentativa de vôo de Santos-Dumont, no aniversário da Independência do Brasil. O 14-bis realizou apenas um salto de 2 m;
• 13/09/1906 (08h40): voou a distância de 7,8 m; à altura de menos de 1 m. Esse vôo, para alguns, também foi somente um pulo. Não conquistou nenhum prêmio (para isso, o vôo deveria ser de mais de 25 m). Contudo, ata do Aeroclube da França de 13/09/1906 e o jornal L’Illustration de 22/09/1906 se referiram a esse feito do 14-bis, e a essa data, como o primeiro vôo autônomo no mundo de aparelho mais pesado que o ar.
VÔO DO 14-bis EM 23 DE OUTUBRO DE 1906
CONQUISTA DO PRÊMIO “ARCHDEACON”
Esse dia veio a ser de grande significado para a humanidade.
Em 23/10/1906 (16h45), após corrida no solo de 200 m, o 14-bis voou a distância de 60 m, à altura de 2 a 3 m, em 7 segundos (s).
Santos-Dumont conquistou, com esse vôo, o prêmio estabelecido pelo capitalista francês Ernest Archdeacon ao “primeiro aviador que conseguisse voar distância de 25 m com ângulo máximo de desnivelamento de 25 %”.
A notícia rapidamente espalhou-se e foi muito publicada nos jornais do planeta. Por exemplo, o “The Illustrated London News”, de Londres, em 03/11/1906, publicou: “The first flight of a machine heavier than air: Mr. Santos-Dumont winning the Archdeacon Prize”. Na mesma ocasião, o norte-americano Gordon Bennet, fundador e proprietário do famoso “New York Herald”, escreveu no seu jornal sobre a façanha de Santos-Dumont: "The first Human mechanical flight". Assim também foram as manchetes de vários outros grandes jornais em todo o mundo.
Além do Aeroclube da França, a Federação Aeronáutica Internacional (FAI) reconheceu a conquista do prêmio, pois o 14-bis voara muito mais do que o limite mínimo de 25 m. Todavia, aquele vôo de 60 m em 23/10/1906 não teve todas as precisas medições pela FAI para formal homologação de recorde, a qual veio a ocorrer em outra experiência duas semanas após, em 12 de novembro de 1906.
VÔO DO 14-BIS em 12 DE NOVEMBRO DE 1906:
a
CONQUISTA DO PRÊMIO AEROCLUBE DA FRANÇA
e do
PRIMEIRO RECORDE OFICIAL DE AVIAÇÃO
O Prêmio do Aeroclube da França, de 1500 francos foi destinado ao primeiro homem no mundo que realizasse, com os próprios meios do aparelho, vôo de mais de 100 m de distância com ângulo máximo de desnivelamento de 10 graus.
Vinte dias após o seu grande feito de 23 de outubro, Santos-Dumont prosseguiu em 12 de novembro na tentativa de também vencer aquele desafio lançado pelo Aeroclube da França.
O 14-bis, nessa data, apareceu aperfeiçoado com a novidade tecnológica “ailerons”, superfícies móveis colocadas nas asas, uma em cada lado, para melhorar o controle lateral do avião (em “rolamento”).
Registram-se as cinco tentativas de Santos-Dumont naquele dia:
• 10h00: na primeira experiência, o 14-bis voou por 5 segundos a distância de 40 m, a 40 cm de altura, hélice a 900 rpm;
• 10h25: realizou dois vôos em uma mesma corrida, um de 40 m e outro de 60 m.
• 16h09: vôo de 50 m;
• Pouco após o vôo anterior: voou 82,6 m, em 7 s e 1/5, à velocidade média de 41,292 km/h;
• 16h45: diferentemente de todos os vôos anteriores, Santos-Dumont decolou contra o vento. O 14-bis voou a distância de 220 m, à altura de 6 m; duração: 21 s e 1/5; velocidade média de 37,4 km/h.
Santos-Dumont conquistou, com esse vôo de 220 m, o prêmio do Aeroclube da França, a ser concedido ao “primeiro aeroplano que, levantando-se por si mesmo, voasse distância de 100 m com desnivelamento máximo de 10 %”.
Aquele último vôo de 12 de novembro foi mais alto do que os anteriores, a 6m de altura, com ligeira curva à direita. O próprio Santos-Dumont escreveu que o vôo foi assim mais alto e não foi mais longo por conta da multidão que, ovacionando-o, correu perigosamente para perto do aparelho, obrigando o piloto a reduzir o motor e ao rápido pouso. A aterrisagem ocorreu com a asa direita tocando levemente o solo antes de o trem-de-pouso tocá-lo, sem maiores danos para o avião.
A CONQUISTA DOS PRIMEIROS RECORDES DA AVIAÇÃO MUNDIAL
O vôo de 220 m foi homologado pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial de aviação. Recorde mundial de distância de vôo, sem escala, de aparelho mais pesado que o ar. A FAI também considera o penúltimo vôo do 14-bis naquela data como o primeiro recorde mundial de velocidade em vôo, 41,292 km/h.
A revista norte-americana “National Aeronautics” (nº 12, volume 17, de 1939), órgão oficial da “National Aeronautics Association” sediada em Washington-EUA, também registrou aquele vôo de 220 m de Santos-Dumont como o primeiro recorde de aviação do mundo. A revista descreveu os posteriores recordes de distância de vôo. Somente em oitavo lugar aponta o recorde de Wilbur Wright, dois anos após, em 21/09/1908, na França, comentado em outro tópico deste texto, a seguir.
QUEBRA DOS RECORDES DE SANTOS-DUMONT
Os recordes de Santos-Dumont alcançados em 12/11/1906 foram suplantados por outros somente um ano depois.
O recorde de velocidade foi superado em 24/10/1907 pelo francês Henri Farman (avião de Gabriel Voisin), com 52,7 km/h. Com o mesmo avião, dois dias após, H. Farman voou 771 m em 52 s, superando pela primeira vez o recorde de distância de Santos-Dumont. Em 13/01/1908, Farman, com um biplano Voisin, conquistou o “Prêmio Deutsch-Archdeacon” (50.000 francos) estabelecido em 1904, ao voar mais de um quilômetro em circuito fechado em Issy-les-Molineaux, sudoeste de Paris.
Posteriormente, 22 meses depois dos recordes pioneiros de Santos-Dumont e 9 meses após a conquista do prêmio Deutsch-Archdeacon por Farman, o público e as comissões oficiais viram, pela primeira vez, nos Estados Unidos e na Europa, vôo dos irmãos Wright.
1907- ÚLTIMO VÔO DO 14-bis
Após os históricos vôos de 23 de outubro e de 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont ainda realizou outros pequenos vôos com o 14-bis. Cinco meses depois, encerrou os ensaios com o famoso aparelho. Em 4 de abril de 1907, no campo da Escola Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de vôo da ordem de 30 m, pousou bruscamente, tocando com a asa esquerda no solo e danificando definitivamente o famoso avião. Uma semana antes, 27 de março, Santos-Dumont já havia sofrido no mesmo local outro sério acidente com o seu novo projeto de biplano, o nº 15, equipado com motor de 100 HP, asas de madeira compensada e leme de direção na cauda, configuração não mais “canard”. Esse novo avião não voou. Foi destruído em uma tentativa de decolagem.
O REVOLUCIONÁRIO AVIÃO “DEMOISELLE”
Santos-Dumont não esmorecia. Continuou em 1907 apresentando ao mundo novos inventos. O de nº 16 foi uma mistura de avião e dirigível. O de nº 17 foi um aperfeiçoamento sem sucesso do acidentado nº 15. O projeto nº 18 foi um deslizador aquático; grosso modo um hidroavião sem as asas. Uma invenção genial foi o modelo de nº 19.
Em 16 de novembro de 1907, em Bagatelle, apenas sete meses depois do último vôo do 14-bis, Santos-Dumont já fazia o vôo inaugural (200 m) do seu revolucionário nº 19, o “Demoiselle”, minúsculo, simples e leve. O Demoiselle tinha área alar de 10 m² (oito vezes menor que a do 14-bis), envergadura de ínfimos 5,60 m e pesava somente 60 kg (68 kg nos modelos nº 21 e 22), quase 1/3 do peso do já levíssimo 14-bis. Era avião muito avançado, de alto desempenho, veloz e extremamente simples e compacto. Decolava em pista de somente 70 m.
Nos diversos modelos de Demoiselle desenvolvidos de 1907 a 1909, modelos nº 19, 20, 21 e 22, Santos-Dumont foi introduzindo aperfeiçoamentos e inovações técnicas. Neles, utilizou motores de 20 a 35 Hp.
Com o modelo “Demoiselle nº 22”, estreado em Issy em 06/03/1909, Santos-Dumont voou, em 06/04/1909, a distância de 3 km. Em 13/09/1909, voou 8 km em cinco minutos, alcançando velocidade impressionante para a época: 96 km/h. Chegou a realizar vôos de até 18 km de distância, como o ocorrido em 17/09/1909. Na véspera, 16 de setembro, havia estabelecido um recorde mundial, ao decolar após uma curta corrida de apenas 70m, em 6 segundos.
No dia seguinte, em 18/09/1909, aos 36 anos de idade, após 12 anos de intensos, ininterruptos, perigosos e estressantes trabalhos, Santos-Dumont realizou o seu último vôo como piloto. Em Saint Cyr, Paris, sobrevoou o público com os dois braços abertos e fora dos comandos, um lenço em cada mão. Soltou os lenços em vôo, aplaudido. Foi a sua despedida.
Santos-Dumont colocou esse modelo de avião à disposição pública, com todos os detalhes e especificações, para livre reprodução, sem nenhum direito comercial para o seu inventor.
O Demoiselle foi o primeiro avião fabricado em série no mundo. No final de 1909, mais de 40 já haviam sido construídos e vendidos (ao preço de 5.000 a 7.500 francos, valor na época de automóvel de tamanho médio).
Alguns livros registram já terem sido até hoje construídos mais de 300 Demoiselles, e com a surpreendente marca de não ter ocorrido com o modelo um só acidente fatal.
OS PRIMEIROS MONUMENTOS EM HOMENAGEM A SANTOS-DUMONT
Em 1910, com a presença de Santos-Dumont, foi inaugurado em Bagatelle, Paris, por iniciativa do Aeroclube da França, o marco de granito de 3 m de altura o qual assinala os primeiros recordes de aviação do mundo estabelecidos por Santos-Dumont: “Ici, le 12 novembre 1906, sous le controle de L’Aero-Clube de France, Santos-Dumont a etabli les premiers recordes d’aviation du monde: durée 21 s 1/5; distance 220 m”.
Três anos depois, em 19/10/1913, foi inaugurado em Saint-Cloud, Paris, na praça batizada “Santos-Dumont”, o monumento conhecido como “Ícaro de Saint-Cloud”, com os dizeres: “Este monumento foi erigido pelo Aeroclube da França para comemorar as experiências de Santos-Dumont, pioneiro da locomoção aérea. 19 de outubro de 1901 e 23 de outubro de 1906”. Foi a primeira vez que Paris homenageou alguém em vida com um monumento.
Santos-Dumont assistiu ao ato muito emocionado, não conseguindo concluir o seu discurso. Uma réplica do monumento, presenteada pela França, repousa sobre o seu túmulo, no cemitério São João Batista, Botafogo, Rio de Janeiro.
A PRIMAZIA DE SANTOS-DUMONT e os IRMÃOS WRIGHT
Os irmãos Wright conseguiram em 21/09/1908, em Anvours (França), voar publicamente e até superar em muito as marcas de Santos-Dumont com o 14-bis.
Porém, isso ocorreu dois anos após Santos-Dumont já ter conquistado os primeiros recordes aeronáuticos oficiais do mundo. Em 1908, o nosso pioneiro já voava há um ano o seu genial e avançado Demoiselle, e a aviação já demonstrava progresso acelerado em várias partes do mundo.
Ainda mais, o avião “Flyer” dos Wright voado na França ainda dependia de lançamento por grande catapulta, de vento forte e de trilho em ladeira para poder decolar. O trilho poderia ficar na horizontal se houvesse vento frontal superior a 36 km/h, explicou a instituição norte-americana “National Aeronautics Council” (livro de N. H. Randers-Pehrson, pág. 35, Biblioteca do Congresso, EUA, 1944).
O que era a catapulta? Era uma grande estrutura que, por meio de queda de 5 m de altura de um grande peso de mais de 300 kg, tracionava violentamente o avião sobre um trilho e, assim, o lançava no ar em decolagem.
Essa dependência da catapulta perdurou até 1910. Anatole France publicou em 1909: “Wright détient le record de la distance, seul ou à deux. Il ne s’est point encore envolé par ses propres moyens” (Whright detém o recorde de distância, só e em dupla. Ele ainda não voou por seus próprios meios).
Na prática, o “Flyer” era muito bom planador e um avião com insuficiente motorização para decolar sem auxílio externo.
Aquele vôo dos irmãos Wright comprovado em público em Anvours foi realizado com o “Flyer” diferente do que teria sido o “Flyer 1” de 1903. Os irmãos Wright noticiaram que até então utilizavam motor desenvolvido por eles, que pesava 109 kg e alcançava apenas 12 Hp (16 Hp máximos, por alguns instantes).
Diferentes registros da época apontam que o novo motor do “Flyer 3”, voado em 1908, desenvolvia até 50 Hp. Aquela versão mais potente de motor surgira tão logo os Wright foram a França, no final de 1907. A “Société Française Bariquand et Marre” (oficina na rua Oberkampf em Paris) modificou o motor original, principalmente o sistema de ignição, elevando a sua potência para mais de 30 Hp. Em três meses, o novo motor “Bariquand et Marre” foi redesenhado, construído e ensaiado, permitindo os vôos do Flyer em setembro de 1908.
Mesmo assim, os irmãos Wright diziam terem realizado sigilosamente o primeiro vôo de avião no mundo cinco anos antes, com o “Flyer 1”, em 17/12/1903. Disseram que tal avião não foi mostrado a terceiros, nem poderia, pois teria sido completamente destruído logo após o alegado vôo secreto de dezembro de 1903. Somente em 1908, apresentaram alguns supostos restos do “Flyer 1” de 1903 e, como respaldo, o nome de cinco testemunhas das redondezas de Kitty Hawk, algumas delas seus contratados. Está no museu Smithsonian (Washington-EUA) o resultado da reconstrução imaginada sobre aqueles hipotéticos pedaços do “Flyer 1”.
As “provas” dos vôos que teriam sido feitos desde 1903 foram apresentadas pelos irmãos Wright extemporaneamente. Somente em 1908 mostraram: uma foto sem data do Flyer (sem rodas, a alguns palmos de altura sobre o trilho lançador); o diário deles, onde diziam terem voado “n” metros por “t” segundos nas datas “x”, “y”, “z”; e um telegrama passado por eles mesmos ao pai “Quinta-feira, de manhã, tivemos sucesso em quatro vôos, graças a ventos de 40 km/h”.
Essas “evidências” eram consideradas insubsistentes pelos órgãos oficiais de aviação e pela imprensa em geral, inclusive a norte-americana, que então divulgava a primazia de Santos-Dumont desde 1906.
A suspeita de embuste dos Wright era generalizada. Por exemplo, o “Illustration”, de Paris, em 6 de julho de 1908, publicou: “Ce document est une épreuve sur papier photografique. Mais est-ce une photografie? L’aspect est bien equivoque et on y remarque tous les caractéres d’un truc”.
Especialistas em engenharia aeronáutica calculam que, mesmo com toda a atual tecnologia, seria impossível, com a potência de somente 12 Hp a 16 Hp, fazer decolar o “Flyer 1”, que pesava 340 kg de acordo com os dados fornecidos pelos Wright.
Um detalhe intrigante. É incompreensível os Wright não se terem interessado por competir pelo grande prêmio oferecido na Exposição de Saint Louis-EUA, em 1904, para quem realizasse vôo com aparelho mais pesado que o ar. Eles já estariam voando há um ano, e St. Louis era relativamente próxima de Dayton, não era tão distante como a França (a 10.000 km) onde eles foram pela primeira vez demonstrar vôo quatro anos mais tarde (1908) sob a atração de prêmio de valor idêntico ao oferecido nos EUA em 1904.
A imprensa norte-americana havia sido acionada pelos dois irmãos para uma demonstração em abril de 1904. Porém, após cinco dias de tentativas, o que os repórteres viram os fez descrer da capacidade de vôo do Flyer. Em 1905, a imprensa foi novamente convidada à fazenda “d’Huffman Prairie”, Dayton. Contudo, como nada aconteceu de interessante, os jornalistas apenas publicaram comentários muito sucintos (segundo o livro “Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, pág. 39, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).
O próprio War Departement dos EUA ainda não dava crédito em 1905, por falta de provas, às alegações dos Wright. As poucas notícias que surgiram naquela época em jornais e revistas norte-americanas e européias foram decorrentes de matérias enviadas pelos próprios Wright. Por exemplo, a revista “Aerophile” publicou relatório por eles enviado a Gerge Besancon. Igualmente, enviaram em outubro de 1905 relatos dos seus vôos para a Royal Aeronautical Society (a Patrick Alexander) e para o correspondente americano da revista “Illustrierte Aeronautische Mitteilungen”. Esses relatos dos Wright foram publicados e muito comentados.
Todavia, não há registro de algum vizinho dos Wright, ou de qualquer dos transeuntes da estrada próxima de intenso movimento, que ligava Springfield a Dayton, ter visto ao menos um dentre as centenas de vôos que eles afirmaram ter realizado de 1903 a 1908. Nem uma única reportagem comprovando aqueles vôos havia sido, até 1908, publicada pela perspicaz, eficiente e já mundialmente atuante imprensa norte-americana. Nem mesmo em Kitty Hawk, North Carolina, e em Dayton, Ohio, onde eles teriam realizado os alegados pioneiros, surpreendentes, fantásticos e longos vôos.
Caso houvesse crédito sobre a realização dos aludidos vôos, eles teriam merecido, inevitável e imediatamente, gigantescas manchetes nos jornais dos EUA e do mundo inteiro.
Uma das poucas testemunhas citadas, o telegrafista Alpheus W. Drinkwater, que trabalhava na estação do local dos supostos vôos dos Wrights, e que expediu o já citado telegrama dos dois irmãos para o pai em 17/12/1903, declarou que, naquela data, os Wright apenas planaram e que o primeiro vôo somente aconteceu em 06/05/1908, isto é, cinco anos depois (entrevista publicada no “The New York Times” de 17/12/1951, na data de comemoração do cinqüentenário do suposto vôo pioneiro).
Em 12 de março daquele ano de 1908, aconteceu em Hammondsport-New York-EUA o vôo que foi na época considerado nos Estados Unidos como o primeiro vôo oficial realizado naquele país de um aparelho mais pesado que o ar. Foi com o aparelho “Red Wing” da “L’Aerial Experiment Association” de Graham Bell, projetado por Selfridge, pilotado por Casey Baldwin sobre o lago Keuka congelado. Foi um vôo de 97,3 metros confirmado por 25 testemunhas oficiais.
Os irmãos Wright, que então muito divulgavam seus vôos, mas não demostravam, haviam se recusado a participar do desafio lançado pelo jornal “Scientific American” porque as regras estipulavam que o aparelho deveria decolar sem auxílio externo (“Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, págs. 54 e 57, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).
O primeiro vôo dos Wright realmente testemunhado nos EUA foi em 4 de setembro de 1908 (Fort Myer, Virginia). O fotos e filmes desse vôo em Fort Myer ainda hoje são muitas vezes repetidos nas televisões do mundo como sendo do suposto primeiro vôo de 1903.
Curiosamente, sem reivindicar o pioneirismo, por muitos anos eles acompanharam em silêncio os retumbantes feitos de Santos-Dumont em 1906, fartamente publicados como os primeiros vôos do mundo também na imprensa norte-americana. Pediram, todavia, ao seu correspondente na França (Cap Ferber) detalhes técnicos do 14-bis. Esperaram de 1903 a 1908 para demonstrar em público algum vôo. Assim mesmo, quando apareceram em 1908, fizeram grande vôo somente parcial (com lançamento no ar por catapulta), e na ocasião em que muitos (Santos-Dumont, Farman, Blériot e outros) já realizavam vôos completos, partindo do solo utilizando somente a força do próprio motor da aeronave.
Estranho, também, é terem os irmãos Wright requerido na Inglaterra, em 19/03/1904 (portanto, meses depois de seus alegados vôos motorizados de 17/12/1903) patente apenas para planador, sem motor (patente nº 6.732/1904). Da mesma forma incompreensível, em 22/05/1906, três anos após terem, diziam, desenvolvido o avião, os Wright obtiveram nos EUA a patente nº 821.393, mas somente para outro planador aperfeiçoado!...Eles nunca obtiveram patente para qualquer avião.
Observa-se que apenas voar e pousar (sem decolar pelos próprios meios) não era novidade na época. Otto Lilienthal já o fizera com êxito na Alemanha desde 1891 com planadores. Lilienthal não tivera sucesso com a motorização. Experimentou motor (a vapor) sem resultados positivos.
O francês Clément Ader também já havia tentado em 1897 voar o seu “avion”, equipado com motor a vapor. A tentativa não alcançou sucesso, atestou relatório, antes secreto, que foi tornado público pelo Ministro da Guerra francês (Gen Brun) após polêmica sobre pioneirismo surgida com o feito de Santos-Dumont. O debate fora alimentado publicamente até pelo General Mensier, do Exécito francês, um dos membros da comissão que antes registrara, sigilosa e oficialmente, o insucesso da tentativa de vôo de Ader.
Houve menções na imprensa, também, de que o romeno Trajan Vuia já teria voado em público 12 m, a 0,5 m de altura, em Montesson, perto de Paris, em 18/03/1906, utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho. Contudo, não houve controle oficial, nem testemunhas ou registros críveis para tal vôo.
Uma grande corrente de partidários da primazia dos Wright baseia-se no conceito de que o Flyer 3, mesmo decolando com ajuda externa, era um avião “mais prático”, mais manobrável e com maior autonomia do que o mais instável 14-bis. Porém, comparam o 14-bis de 1906 com o avião norte-americano demonstrado apenas em 1908. Omitem o fato de que, em 1907 e 1908, Santos-Dumont já voava o seu avançado e genial Demoiselle.
Recentemente, em 17 de dezembro de 2003, na comemoração oficial do centenário do reivindicado primeiro vôo do “Flyer 1”, perante o presidente dos EUA e milhares de pessoas, a réplica fiel não conseguiu decolar, caindo pouco após o dispositivo lançador. Foi então divulgado que aquela réplica não voara porque, diferentemente, o suposto “Flyer 1” de 1903 decolara beneficiado por campo (e trilho) pendente com 9° de inclinação e por vento frontal de 40 km/h.
O fato é que os EUA resolveram, mais fortemente a partir dos anos quarenta, elevar os irmãos Wright à condição de primazia no mundo e aquelas “provas”, antes depreciadas, passaram a ser citadas como documentos históricos comprovadores dos vôos pioneiros. Fruto de grande esforço institucional e de mídia, as desacreditadas alegações pouco a pouco viraram “fatos verdadeiros” para o povo norte-americano e para muitos outros em todo o mundo.
Enfim, não se coloca em dúvida, neste texto, a relevante participação dos irmãos Wright, e de tantos outros precursores, no grande e rápido desenvolvimento da ciência aeronáutica acontecido naquele final do século XIX e início do século XX. Trata-se de, por justiça, devolver a Santos-Dumont o devido lugar ímpar de primazia e de destaque na história.
Evitando-se ampliar a desnecessária polêmica sobre quem fez o que primeiro, e até admitindo-se, hipoteticamente, a veracidade da alegação dos irmãos Wright, ainda assim as seguintes verdades permanecem indiscutíveis:
• Santos-Dumont foi o primeiro homem que comprovadamente voou aparelho mais pesado que o ar (o 14-bis) utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho.
• Foi o primeiro que comprovadamente cumpriu todos os requisitos básicos de vôo de avião usando apenas os meios de bordo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso.
• Foi o primeiro homem a isso demonstrar oficial e publicamente. Sua vitória ocorreu com o testemunho de multidão, da imprensa, de filmagem por companhia cinematográfica e de comissão oficial previamente convocada.
• Sua conquista mereceu o reconhecimento e a homologação como primeiro vôo autônomo no mundo pelos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.
A distorção da história por motivações nacionalistas, mesmo que conduzida mundial e persistentemente pela mídia, não poderá apagar esses fatos históricos oficialmente registrados, que certificam e glorificam os feitos pioneiros de Santos-Dumont.
2006 – CEM ANOS - O RECONHECIMENTO NORTE-AMERICANO DA PRIMAZIA DE SANTOS-DUMONT
Neste ano em que se comemora o centenário do grande feito de Santos-Dumont com o 14-bis, ocorreu o registro em monumento do reconhecimento feito pelo renomado Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (American Institute of Aeronautics and Astronautics – AIAA) da primazia do vôo de Santos-Dumont, utilizando somente os meios próprios da aeronave.
O AIAA é uma entidade norte-americana, sem fins lucrativos. Tem 35.000 membros em todo o mundo. Conduz conferências técnicas e publica sete jornais e dezenas de livros anualmente. O AIAA reconhece os “Sítios Históricos Aeroespaciais”. Mais de 30 sítios já foram eleitos, a maioria nos Estados Unidos. Quatro encontram-se em outros países.
O AIAA, este ano, homenageou Santos-Dumont. Foi a primeira vez que uma pessoa, além de um local, foi escolhida pelo AIAA para ser homenageada. A homenagem a Santos-Dumont incluiu uma placa de bronze, de aproximadamente 60 x 42 cm, com os seguintes dizeres:
“Born 20 July 1873 in state of Minas Gerais, Alberto Santos Dumont moved to Paris in 1891 but never forgot his birthplace. He soon began experimenting with flying, and designed his first balloon, the Brasil, in 1898. He later built and flew 11 dirigibles, including the prize-winning Number 6. He flew his first airplane, the 14-bis, on October 1906, the first aircraft to take off and land without any external assistance (*). His many other contributions to aviation included his 1907 Demoiselle, the precursor to modern light airplanes. He returned definitely to Brazil in 1931 and died in 1932”.
(*) o primeiro avião a decolar e pousar sem qualquer auxílio externo.
Essa placa foi colocada sobre pedestal erigido em frente à casa natal de Santos-Dumont, em Cabangu, município de Santos Dumont-MG, e descerrada pelo representante norte-americano do AIAA em bonita e singela solenidade, em 13/09/2006.
PRÊMIO “DEUTSCH DE LA MEURTHE”
É oportuno também relembrar outro grande feito anterior de Santos-Dumont. Ele já havia granjeado a glória e a fama em todo o planeta, cinco anos antes do vôo do 14-bis. A idolatria por Santos-Dumont já era tanta que ele ditava a moda masculina em Paris e no mundo. Copiavam o seu modelo de chapéu, de colarinho, de bainha de calças, de penteado. Até lançou e popularizou o uso masculino civil do relógio de pulso (tal modelo de relógio foi por ele concebido e usado, mas o relógio de pulso não foi uma “invenção” sua).
Aquele ápice da celebridade ele alcançara em 19/10/1901. Conquistara desde então a fama ao realizar a primeira viagem no mundo de balão dirigível em circuito fechado e dentro de trajeto (11 km, que abrangia rodear a Torre Eiffel) e de tempo (limite de 30 minutos) pré-estabelecidos, tudo testemunhado por multidão e pela comissão oficial previamente convocada, merecendo o vultoso prêmio “Deutsch de la Meurthe” (total de 129.000 francos da época; distribuiu esse prêmio entre os seus mecânicos e os pobres de Paris). O seu feito significou o domínio completo e prático da dirigibilidade dos balões.
O GÊNIO
Santos-Dumont foi um gênio em múltiplas atividades. É impressionante Santos-Dumont ter sido, ao mesmo tempo, o genial inventor, o inteligente construtor dos próprios inventos surpreendentemente simples, eficientes e leves, o corajoso piloto de provas de seus artefatos futuristas inusitados e o competidor vencedor. Competiu em corridas de carros, de triciclos, em provas de balões livres, em desafios de dirigibilidade de balões e de vôo do mais pesado que o ar.
Santos-Dumont, na persistente busca da realização do seu objetivo maior, voar, tornou-se homem culto. Com boa base de conhecimentos gerais adquirida na infância e na adolescência, dedicou-se aos estudos de física, eletricidade, química, mecânica.
Dominava os idiomas francês, inglês, espanhol, além do português. Em 1931, pelo valor da sua obra literária sobre seus inventos e experiências, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (na vaga de Graça Aranha; cadeira nº 38), não tomando posse do cargo.
Em cerca de doze anos de atividades intensas (1898 a 1909), Santos-Dumont produziu um invento importante a cada seis meses, em média. Sua rapidez de concepção e de produção de inovações tecnológicas foi extraordinária e ainda seria impressionante nos dias atuais.
Naquele período, concebeu, projetou, construiu (com recursos próprios), testou (com reais e constantes riscos de morte) dois balões, doze dirigíveis e três tipos de aviões, entre outros inventos e pesquisas, como a do helicóptero e a do deslizador aquático.
Em cada um dos projetos, incorporou muitas de suas invenções, como mecanismos de controle de vôo, equipamento auxiliar de partida do motor, e muitas outras criações. Pela primeira vez em aviação, utilizou o motor a petróleo e materiais como o alumínio e cordas de piano (em lugar de cordas de fibra vegetal, então usadas).
Concebeu e construiu, em 1899, o primeiro hangar do mundo. Esse hangar trazia a inovação de um simples e preciso sistema deslizante de movimentação de suas grandes e pesadas portas, mais de 4 toneladas cada uma. Uma criança as abria com facilidade.
Para alcançar maiores potência e leveza em seus inventos, projetou, desenvolveu e construiu motores inovadores, como o de dois cilindros superpostos em apenas uma biela e um cárter, que utilizou no balão-dirigível nº1, e o de cilindros horizontais e opostos, configuração hoje comumente utilizada, que empregou no “Demoiselle”.
Para construir esse motor do Demoiselle, Santos-Dumont usou instalações e maquinários da fábrica francesa Darracq. Essa empresa quis usufruir da patente. Santos-Dumont, pela primeira e única vez, entrou na Justiça reivindicando os seus direitos de autoria. Ganhou a causa e também colocou aquela sua invenção para o domínio público.
Santos-Dumont presenteou a todos, sem nada cobrar, todas as suas dezenas de invenções. Esse altruísmo era apenas uma das muitas e belas facetas do seu caráter exemplar. Com princípios puros, dedicou sua obra à Humanidade. Santos-Dumont é herói brasileiro irrepreensível nos campos ético e moral.
O OCASO
Por tudo isso, sacrificou a sua vida. Tardiamente, pensou nele mesmo. Gabriel Voisin na revista francesa “Pioniers” (jan/1967), relatou que em 1926 Santos-Dumont, com 53 anos, apaixonado pela filha daquele seu grande amigo, pediu-a em casamento. A diferença de idade (a moça tinha 17 anos) inviabilizou a união.
Desde os 40 anos de vida, envelhecido prematuramente, pouco a pouco ficou mais evidente que Santos-Dumont padecia de doença não muito conhecida na época. Cada vez mais recluso, com tristeza, angústia, remorso, sentia-se culpado da guerra aérea, dos acidentes aeronáuticos. Hoje, com o avanço da medicina, provavelmente sua moléstia seria diagnosticada como depressão, tratável inclusive com medicamentos. Na maioria dos casos, a depressão resulta da interação entre uma predisposição genética e fatores ambientais, como traumas emocionais e o estresse, os quais, por certo, estiveram fortemente presentes na sua obcecada, tensa, destemida e acidentada vida. É comum o suicídio em sofredores dessa doença, quando não medicados. Santos-Dumont assim morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos.
CONCLUSÃO
Em resumo, Santos-Dumont foi um grande benfeitor para a humanidade e ser humano extraordinário. É o símbolo maior brasileiro de criatividade, de inovação tecnológica e de persistência no objetivo.
Tudo isso em um homem só. “É Santos-Dumont, um Brasileiro!” (refrão de modinha popular, em 1902, de Eduardo das Neves)."
TURBULÊNCIAS LATINO-AMERICANAS
No final da noite de ontem, Emir Sader postou no site “Carta Maior”, com o mesmo título acima, um bom artigo que faz interessante análise da política da América Latina nos últimos anos.
Com dados obtidos na internet (Wikipedia e outros), já postei neste blog um resumo da biografia de Emir Sader. Repito:
“Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.”
Vejamos o texto de Emir Sader:
TURBULÊNCIAS LATINO-AMERICANAS
A América Latina tornou-se o cenário de uma intensa luta entre o velho e o novo, entre um modelo mercantil esgotado, mas que insiste em sobreviver, e a construção de alternativas, que lutam com dificuldades para nascer e se consolidar. Mas é um período em que predominam os ares de mudança positiva.
A direita, derrotada em países como a Venezuela, o Brasil, a Argentina, o Uruguai, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua e o Paraguai, foi se recompondo, retomando capacidade de iniciativa, até desatar contra-ofensivas. A primeira se deu na tentativa de golpe de 2002 na Venezuela, protagonizada pela mídia mercantil, que quase conseguiu seu objetivo. Em seguida veio a campanha contra o governo Lula, que teve também a mídia como pivô central. Seguiu-se a campanha separatista na Bolívia, depois foi retomada ofensiva opositora na Venezuela e na Argentina.
O período dominado pela extensão desses governos se prolonga, desde a eleição de Hugo Chavez em 1998, somando já a 8 países. A direita busca, já há anos, a derrubada de pelo menos um deles, para tratar de configurar que essa onda estaria em processo de reversão. Como sucessos, pode contabilizar a vitória de Alan Garcia no Perú e de Felipe Calderón no México, porém nenhum dos eleitos com novas orientações foi derrotado – Chavez, Lula, Kirchner já se reelegeram.
Mas não é apenas nos países que buscam a construção de um novo modelo, que se dão turbulências. A Colômbia continua a ser cenário de guerra, o México assiste a proliferação do mais assustador e preocupante cenário de violência organizada vinculada ao narcotráfico, o Peru presencia grandes mobilizações populares contra o governo, o mesmo acontecendo com o Chile. A turbulência por tanto é hoje a regra geral, apesar do ciclo de expansão econômica que a região vive, fruto das novas políticas, mas também do panorama internacional, até aqui favorável às exportações dos países do continente.
Esse cenário de instabilidades se deve a um choque entre um modelo econômico que se esgotou, desde que afetado por graves crises nas três principais economias da região – México 1994, Brasil 1999, Argentina 2001-2 -, como seu reflexo mais expressivo, e as dificuldades para a construção de um novo modelo.
Depois de ter conseguido contornar os processos inflacionários, o neoliberalismo não foi capaz de impor um novo ritmo de crescimento às economias dos nossos países. O governo de FHC é um exemplo claro disso: depois da lua-de-mel da estabilidade monetária, transformada em dívida pública, sucedeu-se um processo recessivo, com três quebras da economia – e suas correspondentes Cartas do FMI -, situação de que apenas recentemente o Brasil conseguiu sair.
O futuro da América Latina na primeira metade do século se joga neste anos, na dependência da consolidação desses novos tipos de governos – com suas diferenças internas de orientação, mas com oposição comum aos TLCs e privilégio dos processos de integração regional -, tanto no avanço para modelos pós-neoliberais, quanto no aprofundamento e extensão das distintas iniciativas de integração regional.
O referendo sobre os mandatos do presidente, do vice e dos governadores na Bolívia, dia 10 de agosto, é o próximo grande enfrentamento na região. Se for vitoriosa a oposição – possibilidade menor atualmente -, a direita terá contabilizado uma primeira reversão na tendência geral da última década no continente.
Vitorioso, Evo Morales poderá renegociar o projeto de nova Constituição, em condições favoráveis, bloqueando as tentativas exacerbadas de autonomismo dos estados orientais do país e impedindo a tentativa destes de impedir que a reforma agrária afete suas bases de poder, incluindo a eventual substituição de alguns dos governadores que hoje fazem oposição ao governo boliviano.
Em seguida, em abril de 2009, será a vez dos governos progressistas terem a possibilidade de aumentar sua lista de presidentes, com a provável vitória de Mauricio Funes, da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional, em El Salvador. Por tudo isso, são anos decisivos para a fisionomia que a América Latina apresentará na primeira metade do novo século.
Com dados obtidos na internet (Wikipedia e outros), já postei neste blog um resumo da biografia de Emir Sader. Repito:
“Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.”
Vejamos o texto de Emir Sader:
TURBULÊNCIAS LATINO-AMERICANAS
A América Latina tornou-se o cenário de uma intensa luta entre o velho e o novo, entre um modelo mercantil esgotado, mas que insiste em sobreviver, e a construção de alternativas, que lutam com dificuldades para nascer e se consolidar. Mas é um período em que predominam os ares de mudança positiva.
A direita, derrotada em países como a Venezuela, o Brasil, a Argentina, o Uruguai, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua e o Paraguai, foi se recompondo, retomando capacidade de iniciativa, até desatar contra-ofensivas. A primeira se deu na tentativa de golpe de 2002 na Venezuela, protagonizada pela mídia mercantil, que quase conseguiu seu objetivo. Em seguida veio a campanha contra o governo Lula, que teve também a mídia como pivô central. Seguiu-se a campanha separatista na Bolívia, depois foi retomada ofensiva opositora na Venezuela e na Argentina.
O período dominado pela extensão desses governos se prolonga, desde a eleição de Hugo Chavez em 1998, somando já a 8 países. A direita busca, já há anos, a derrubada de pelo menos um deles, para tratar de configurar que essa onda estaria em processo de reversão. Como sucessos, pode contabilizar a vitória de Alan Garcia no Perú e de Felipe Calderón no México, porém nenhum dos eleitos com novas orientações foi derrotado – Chavez, Lula, Kirchner já se reelegeram.
Mas não é apenas nos países que buscam a construção de um novo modelo, que se dão turbulências. A Colômbia continua a ser cenário de guerra, o México assiste a proliferação do mais assustador e preocupante cenário de violência organizada vinculada ao narcotráfico, o Peru presencia grandes mobilizações populares contra o governo, o mesmo acontecendo com o Chile. A turbulência por tanto é hoje a regra geral, apesar do ciclo de expansão econômica que a região vive, fruto das novas políticas, mas também do panorama internacional, até aqui favorável às exportações dos países do continente.
Esse cenário de instabilidades se deve a um choque entre um modelo econômico que se esgotou, desde que afetado por graves crises nas três principais economias da região – México 1994, Brasil 1999, Argentina 2001-2 -, como seu reflexo mais expressivo, e as dificuldades para a construção de um novo modelo.
Depois de ter conseguido contornar os processos inflacionários, o neoliberalismo não foi capaz de impor um novo ritmo de crescimento às economias dos nossos países. O governo de FHC é um exemplo claro disso: depois da lua-de-mel da estabilidade monetária, transformada em dívida pública, sucedeu-se um processo recessivo, com três quebras da economia – e suas correspondentes Cartas do FMI -, situação de que apenas recentemente o Brasil conseguiu sair.
O futuro da América Latina na primeira metade do século se joga neste anos, na dependência da consolidação desses novos tipos de governos – com suas diferenças internas de orientação, mas com oposição comum aos TLCs e privilégio dos processos de integração regional -, tanto no avanço para modelos pós-neoliberais, quanto no aprofundamento e extensão das distintas iniciativas de integração regional.
O referendo sobre os mandatos do presidente, do vice e dos governadores na Bolívia, dia 10 de agosto, é o próximo grande enfrentamento na região. Se for vitoriosa a oposição – possibilidade menor atualmente -, a direita terá contabilizado uma primeira reversão na tendência geral da última década no continente.
Vitorioso, Evo Morales poderá renegociar o projeto de nova Constituição, em condições favoráveis, bloqueando as tentativas exacerbadas de autonomismo dos estados orientais do país e impedindo a tentativa destes de impedir que a reforma agrária afete suas bases de poder, incluindo a eventual substituição de alguns dos governadores que hoje fazem oposição ao governo boliviano.
Em seguida, em abril de 2009, será a vez dos governos progressistas terem a possibilidade de aumentar sua lista de presidentes, com a provável vitória de Mauricio Funes, da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional, em El Salvador. Por tudo isso, são anos decisivos para a fisionomia que a América Latina apresentará na primeira metade do novo século.
“ESTARRECEDOR”
Miguel do Rosário, em seu blog “Oleo do Diabo”, postou ontem, com o título acima, outro bom artigo que faz interessante resumo das principais notícias desta semana que finda e das manipulações feitas pela mídia.
Como aqui já descrevi outro dia, Miguel do Rosário é escritor, jornalista, colunista da NovaE, editor de Arte & Política e redator do “blog” Óleo do Diabo (ver nossa coluna “recomendamos”, à direita).
Transcrevo:
“Comprei o Globo e o Estadão hoje. Simplesmente estarrecedor. Eles querem empurrar a tese, na base da porrada, de que os culpados são Polícia e governo. Protógenes foi promovido de demônio a mártir, a ascenção moral mais meteórica da história do mundo. Há uma trama escabrosa no ar.
Enquanto isso, o país gerou 1,36 milhão de empregos com carteira assinada no primeiro semestre, recorde histórico. A notícia não aparece em nenhuma primeira página; não tem destaque nem nos cadernos de economia. É fato menor, sem importância.
A inflação em SP cai pela quinta vez consecutiva. Nada na primeira página: o tema inflação, que rendeu tantas manchetes nas últimas semanas, sai das pautas.
O FMI revisa sua estimativa para o crescimento do PIB do Brasil para cima. Silêncio sepulcral.
O Globo diz que "crise se agrava". Bem, aí talvez o Globo tenha acertado o significante, não o significado. Existe crise sim, e ela se agrava, mas não é na PF, que vem demonstrando um desempenho brilhante na captura de bandidos de colarinho branco, nem no governo, que vive o auge de sua popularidade e surfa em índices econômicos invejáveis. A crise está na mídia.
Bom pra gente, blogueiros. Quanto mais a mídia mente desavergonhadamente, manipula a informação, agride a inteligência do leitor, mais o respeitável público corre para a blogosfera em busca de um contra-ponto de opinião. É notória a tentativa de lançar uma cortina de fumaça. Tenho que trabalhar agora. Leiam Terra Magazine, depois a gente conversa.”
Como aqui já descrevi outro dia, Miguel do Rosário é escritor, jornalista, colunista da NovaE, editor de Arte & Política e redator do “blog” Óleo do Diabo (ver nossa coluna “recomendamos”, à direita).
Transcrevo:
“Comprei o Globo e o Estadão hoje. Simplesmente estarrecedor. Eles querem empurrar a tese, na base da porrada, de que os culpados são Polícia e governo. Protógenes foi promovido de demônio a mártir, a ascenção moral mais meteórica da história do mundo. Há uma trama escabrosa no ar.
Enquanto isso, o país gerou 1,36 milhão de empregos com carteira assinada no primeiro semestre, recorde histórico. A notícia não aparece em nenhuma primeira página; não tem destaque nem nos cadernos de economia. É fato menor, sem importância.
A inflação em SP cai pela quinta vez consecutiva. Nada na primeira página: o tema inflação, que rendeu tantas manchetes nas últimas semanas, sai das pautas.
O FMI revisa sua estimativa para o crescimento do PIB do Brasil para cima. Silêncio sepulcral.
O Globo diz que "crise se agrava". Bem, aí talvez o Globo tenha acertado o significante, não o significado. Existe crise sim, e ela se agrava, mas não é na PF, que vem demonstrando um desempenho brilhante na captura de bandidos de colarinho branco, nem no governo, que vive o auge de sua popularidade e surfa em índices econômicos invejáveis. A crise está na mídia.
Bom pra gente, blogueiros. Quanto mais a mídia mente desavergonhadamente, manipula a informação, agride a inteligência do leitor, mais o respeitável público corre para a blogosfera em busca de um contra-ponto de opinião. É notória a tentativa de lançar uma cortina de fumaça. Tenho que trabalhar agora. Leiam Terra Magazine, depois a gente conversa.”
JORNAL ESPANHOL: BRASIL É A MENINA DOS OLHOS DA AMÉRICA LATINA
A agência de notícias inglesa BBC publicou hoje reportagem do jornal espanhol “El País” que informa que "não resta dúvida" de que o Brasil "é a menina dos olhos da América Latina".
Li o texto assinado por Javier Lafuente, de Madrid, nesta sexta-feira no portal UOL.
Transcrevo o artigo original do El País:
“LATINOAMÉRICA, ¿VACUNADA CONTRA LA CRISIS?
La región afronta la desaceleración mundial en unas condiciones óptimas gracias al crecimiento de los últimos cinco años.- La inflación es el mayor riesgo que encaran los 21 países
Verano de 2007. La Reserva Federal de Estados Unidos pierde el control de los tipos de interés. Emerge un tsunami económico que se expande por todo el mundo y cuyo fin muy pocos conocen. Las economías más poderosas empiezan a tambalearse. Los países emergentes, más vulnerables, sienten el azote con mayor intensidad si cabe. Sin embargo, ahora, un año más tarde, América Latina, acostumbrada a ser engullida por cualquier crisis a las primeras de cambio, afronta la desaceleración en unas condiciones óptimas gracias al crecimiento del último lustro.
En tiempos recientes, la región ha superado una serie de pruebas que han propiciado esta situación. Saber hacer bien los deberes ha sido el primer obstáculo superado. Es decir, América Latina, siempre con el riesgo que conlleva generalizar al hablar de una región compuesta por 21 países, ha aprendido de los errores del pasado: antes, la dependencia del capital extranjero era crucial para el sustento del país; cualquier susto alejaba a los financieros. La situación actual, con una crisis cuyo epicentro ha sido el mundo desarrollado, ha mostrado lo contrario.
"Todas las economías tuvieron que cambiar la estrategia de juego y acumular reservas como si no hubiera mañana. Así, en cierta medida, dejaban de depender del mercado y de los intereses extranjeros; ahora dependerían de ellos mismo", argumenta Eduardo Morón, de la Universidad del Pacífico de Perú.
Este argumento explica, en cierto modo, por qué en la región no preocupa excesivamente la subida de los precios de las materias primas. "Latinoamérica es cada vez menos dependiente de las materias primas; es un test adicional", opina José Luis Escrivá, economista y director del Servicio de Estudios del BBVA.
No depender de nadie ha provocado que el endeudamiento de muchos países sea menor si se compara con el nivel de cuando afrontaron otras crisis económicas. "Ha habido avances en términos de estabilidad macroeconómica; rigor en las políticas fiscales y monetarias. La región tiene un sistema financieron muy sólido", explica Escrivá.
La posición firme de los bancos centrales ha sido también clave para encarar esta época de incertidumbre. No han esperado a ver qué ocurría con los mercados europeos. Brasil, Chile o México son claros ejemplos de países en los que, con sus altibajos, prevalece una estabilidad macroeconómica.
Las ocho elecciones presidenciales que se celebraron en 2006 han influido también en el devenir económico de la región. Si bien en términos políticos se puede hablar de un giro a la izquierda en América Latina, lo que ha dado verdaderos frutos ha sido una política económica más bien propia de una izquierda pragmática, que tiene su principal valedor y liderazgo en el Gobierno brasileño de Lula.
No hay duda de que Brasil es la niña bonita de la región. Su crecimiento económico superó incluso los objetivos recogidos en el Plan de Aceleración del Crecimiento (PAC): un 5,4%, casi dos puntos por encima de la media de los últimos años, según recoge el Observador Económico Financiero de Caja Madrid.
"La gestión de [el presidente brasileño] Lula, contra todo pronóstico, ha sabido conjugar la solución a los problemas sociales con una estabilidad macroeconómica; ha sido el ejemplo que han seguido muchos otros países de la región", opina José Manuel Martínez, economista del Servicio de Estudios de Caja Madrid.
Además de Brasil, hay otros cuatro países que forman un particular G-5 de alumnos aventajados: Colombia, Perú, Chile y México, si bien los dos últimos viven horas bajas. En el caso de México, que cuenta con el aval de haber superado la crisis de 2001, su proximidad a Estados Unidos puede acelerar o generar un mayor impacto en su economía.
Por el momento, las familias que dependían de las remesas procedentes del país vecino han visto cómo ha menguado su ya dañada economía diaria. Hasta ahora se enviaban más de 20.000 millones de dólares desde Estados Unidos. Pero el Banco de México (Banxico) ha encendido la alarma. Entre enero y abril, el volumen de las remesas que llegan de Estados Unidos cayó un 2,37%, un porcentaje mínimo pero que desequilibra el gasto de cientos de miles de hogares.
Son los países con Gobiernos más populistas los que encaran esta crisis en peores condiciones. Es el caso de Bolivia o de Venezuela, donde, de acuerdo al informe de Caja Madrid, "el crédito al consumo avanza a tasas superiores al 130% desde 2004; cada vez son más evidentes las rigideces en la oferta y la escasez de bienes".
¿Se puede decir entonces que América Latina está vacunada contra la crisis? Ni mucho menos. La región aguanta las embestidas del tsunami de hace un año mientras mira de reojo a la inflación, que planea en el horizonte, cada vez menos lejano, desde hace meses. El verdadero riesgo para la región podría llegar a finales de año o en 2009. "La región está conectada a economías potentes, por lo que no hay que presumir un derrumbe en los tipos de cambio; lo verdaderamente alarmante y que tiene preocupados a los países de la región es la inflación", asegura Eduardo Morón.
Ni siquiera es probable que Brasil escape de la quema. La economía que mejor se ha comportado los últimos años, con la divisa más fuerte, ha visto cómo la inflación se ha convertido en el problema estrella: en marzo se incrementó hasta el 4,7% y obligó a subir los tipos, rompiendo un ciclo de tres años de bajadas continuas.
La contrapartida corresponde a Venezuela. Con una tasas de inflación cercanas al 35%, el Gobierno de Hugo Chávez no se verá afectado por el elevado precio del petróleo. Pese a ello -o gracias a ello-, será el único país que quede eximido de los efectos negativos de la subida del crudo.”
Li o texto assinado por Javier Lafuente, de Madrid, nesta sexta-feira no portal UOL.
Transcrevo o artigo original do El País:
“LATINOAMÉRICA, ¿VACUNADA CONTRA LA CRISIS?
La región afronta la desaceleración mundial en unas condiciones óptimas gracias al crecimiento de los últimos cinco años.- La inflación es el mayor riesgo que encaran los 21 países
Verano de 2007. La Reserva Federal de Estados Unidos pierde el control de los tipos de interés. Emerge un tsunami económico que se expande por todo el mundo y cuyo fin muy pocos conocen. Las economías más poderosas empiezan a tambalearse. Los países emergentes, más vulnerables, sienten el azote con mayor intensidad si cabe. Sin embargo, ahora, un año más tarde, América Latina, acostumbrada a ser engullida por cualquier crisis a las primeras de cambio, afronta la desaceleración en unas condiciones óptimas gracias al crecimiento del último lustro.
En tiempos recientes, la región ha superado una serie de pruebas que han propiciado esta situación. Saber hacer bien los deberes ha sido el primer obstáculo superado. Es decir, América Latina, siempre con el riesgo que conlleva generalizar al hablar de una región compuesta por 21 países, ha aprendido de los errores del pasado: antes, la dependencia del capital extranjero era crucial para el sustento del país; cualquier susto alejaba a los financieros. La situación actual, con una crisis cuyo epicentro ha sido el mundo desarrollado, ha mostrado lo contrario.
"Todas las economías tuvieron que cambiar la estrategia de juego y acumular reservas como si no hubiera mañana. Así, en cierta medida, dejaban de depender del mercado y de los intereses extranjeros; ahora dependerían de ellos mismo", argumenta Eduardo Morón, de la Universidad del Pacífico de Perú.
Este argumento explica, en cierto modo, por qué en la región no preocupa excesivamente la subida de los precios de las materias primas. "Latinoamérica es cada vez menos dependiente de las materias primas; es un test adicional", opina José Luis Escrivá, economista y director del Servicio de Estudios del BBVA.
No depender de nadie ha provocado que el endeudamiento de muchos países sea menor si se compara con el nivel de cuando afrontaron otras crisis económicas. "Ha habido avances en términos de estabilidad macroeconómica; rigor en las políticas fiscales y monetarias. La región tiene un sistema financieron muy sólido", explica Escrivá.
La posición firme de los bancos centrales ha sido también clave para encarar esta época de incertidumbre. No han esperado a ver qué ocurría con los mercados europeos. Brasil, Chile o México son claros ejemplos de países en los que, con sus altibajos, prevalece una estabilidad macroeconómica.
Las ocho elecciones presidenciales que se celebraron en 2006 han influido también en el devenir económico de la región. Si bien en términos políticos se puede hablar de un giro a la izquierda en América Latina, lo que ha dado verdaderos frutos ha sido una política económica más bien propia de una izquierda pragmática, que tiene su principal valedor y liderazgo en el Gobierno brasileño de Lula.
No hay duda de que Brasil es la niña bonita de la región. Su crecimiento económico superó incluso los objetivos recogidos en el Plan de Aceleración del Crecimiento (PAC): un 5,4%, casi dos puntos por encima de la media de los últimos años, según recoge el Observador Económico Financiero de Caja Madrid.
"La gestión de [el presidente brasileño] Lula, contra todo pronóstico, ha sabido conjugar la solución a los problemas sociales con una estabilidad macroeconómica; ha sido el ejemplo que han seguido muchos otros países de la región", opina José Manuel Martínez, economista del Servicio de Estudios de Caja Madrid.
Además de Brasil, hay otros cuatro países que forman un particular G-5 de alumnos aventajados: Colombia, Perú, Chile y México, si bien los dos últimos viven horas bajas. En el caso de México, que cuenta con el aval de haber superado la crisis de 2001, su proximidad a Estados Unidos puede acelerar o generar un mayor impacto en su economía.
Por el momento, las familias que dependían de las remesas procedentes del país vecino han visto cómo ha menguado su ya dañada economía diaria. Hasta ahora se enviaban más de 20.000 millones de dólares desde Estados Unidos. Pero el Banco de México (Banxico) ha encendido la alarma. Entre enero y abril, el volumen de las remesas que llegan de Estados Unidos cayó un 2,37%, un porcentaje mínimo pero que desequilibra el gasto de cientos de miles de hogares.
Son los países con Gobiernos más populistas los que encaran esta crisis en peores condiciones. Es el caso de Bolivia o de Venezuela, donde, de acuerdo al informe de Caja Madrid, "el crédito al consumo avanza a tasas superiores al 130% desde 2004; cada vez son más evidentes las rigideces en la oferta y la escasez de bienes".
¿Se puede decir entonces que América Latina está vacunada contra la crisis? Ni mucho menos. La región aguanta las embestidas del tsunami de hace un año mientras mira de reojo a la inflación, que planea en el horizonte, cada vez menos lejano, desde hace meses. El verdadero riesgo para la región podría llegar a finales de año o en 2009. "La región está conectada a economías potentes, por lo que no hay que presumir un derrumbe en los tipos de cambio; lo verdaderamente alarmante y que tiene preocupados a los países de la región es la inflación", asegura Eduardo Morón.
Ni siquiera es probable que Brasil escape de la quema. La economía que mejor se ha comportado los últimos años, con la divisa más fuerte, ha visto cómo la inflación se ha convertido en el problema estrella: en marzo se incrementó hasta el 4,7% y obligó a subir los tipos, rompiendo un ciclo de tres años de bajadas continuas.
La contrapartida corresponde a Venezuela. Con una tasas de inflación cercanas al 35%, el Gobierno de Hugo Chávez no se verá afectado por el elevado precio del petróleo. Pese a ello -o gracias a ello-, será el único país que quede eximido de los efectos negativos de la subida del crudo.”
quinta-feira, 17 de julho de 2008
CACCIOLA E DANTAS: AS DUAS FACES DE FHC
De Paulo Henrique Amorim em seu blog “Conversa Afiada”:
“As mãos do “Farol de Alexandria” [FHC] devem estar suadas. Ontem e hoje, nas imagens da televisão, ele reencontrou dois fantasmas que vão persegui-lo para o resto da vida. Dois foragidos da Lei. Dois que se beneficiaram da Justiça dos ricos: Salvatore Cacciola e Daniel Dantas.
Dois que nasceram no ventre gordo da privatização e do socorro aos bancos que caracterizaram a gestão de um Presidente que, na frase profética de Ciro Gomes, “não roubava, mas deixava roubar”.
O Farol de Alexandria vai entrar para a História ao lado dos Presidentes da onda neo-liberal que assolou a América Latina: Salinas, do Méximo; Fujimori, do Peru; Pinochet, do Chile e Menem, da Argentina.
Salinas, Fujimori, Pinochet e Menem, a certa altura se tornaram foragidos da Lei.
Aqui, levam o Farol de Alexandria a sério.
E os criminosos que gerou contam sempre com um hc-zinho [habeas corpus] providencial.
Viva o Brasil!”
“As mãos do “Farol de Alexandria” [FHC] devem estar suadas. Ontem e hoje, nas imagens da televisão, ele reencontrou dois fantasmas que vão persegui-lo para o resto da vida. Dois foragidos da Lei. Dois que se beneficiaram da Justiça dos ricos: Salvatore Cacciola e Daniel Dantas.
Dois que nasceram no ventre gordo da privatização e do socorro aos bancos que caracterizaram a gestão de um Presidente que, na frase profética de Ciro Gomes, “não roubava, mas deixava roubar”.
O Farol de Alexandria vai entrar para a História ao lado dos Presidentes da onda neo-liberal que assolou a América Latina: Salinas, do Méximo; Fujimori, do Peru; Pinochet, do Chile e Menem, da Argentina.
Salinas, Fujimori, Pinochet e Menem, a certa altura se tornaram foragidos da Lei.
Aqui, levam o Farol de Alexandria a sério.
E os criminosos que gerou contam sempre com um hc-zinho [habeas corpus] providencial.
Viva o Brasil!”
EMIR SADER: UM DIA COMO OUTRO QUALQUER
Li hoje no site “Carta Maior” um muito bom texto de Emir Sader. Para aqueles que ainda não conhecem o autor, repito a seguinte pequena biografia:
“Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.”
Vejamos o artigo de Emir Sader:
“UM DIA COMO OUTRO QUALQUER
Daniel Dantas teria fracassado (tomara), porque ficou tentando adular a governantes para ganhar favores. Enquanto que a Ambev teria tido sucesso, porque adula aos acionistas, isto é, ao mercado.
O governo dos Kirchner é condenado, porque aumentou impostos à exportação do campo, que acumula fortunas descomunais com o boom da demanda externa. E intervêm para resgatar empresas em quebra – como Aerolineas Argentinas. Não recordam que quem quebrou a empresa argentina foi a Iberia, empresa privada espanhola, que já havia quebrado a empresa venezuelana Viasa, deixando o país sem empresa aérea internacional. Não recordam que Kirhcner resgatou a Argentina quebrada, depois do prolongado porre privatista de Menem, que terminou com todas as empresas estatais, incluído a YPF, que dava auto-suficiência de petróleo ao país e hoje o deixa com problemas energéticos sério, em meio ao predomínio da empresa privada espanhola Repsol.
Do porre da paridade menemista entre dólar e peso, bomba de tempo que levou o país à maior retração de um país, no começo desta década, da mesma forma que a Rússia havia sofrido na década passada, na sua privatização mafiosa.
Silêncio constrangido sobre Daniel Dantas, Nahas, Pitta, desagrado de ver ricos algemados – pela primeira vez o tema, chega, porque até aqui eram pobres os algemados. E sobre a chegada do Cacciola – este não dá para ligar ao governo Lula, as orelhas de FHC e de tantos outros, fervendo -, cobertura como se se tratasse de tema anódino, sem nenhum esclarecimento dos antecedentes das acusações, do governo envolvido no escândalo Cacciola.
O tema da nova onda de quebras de bancos nos EUA, tratado como uma gripe passageira, um acidente natural. Os bancos, todos privados, o socorro, estatal, como sempre: privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, como até o Paul Krugman reconhece. Para as empresas privadas, os ganhos, para o Estado, o pagamento pelos pratos despedaçados pelos banquetes empresariais.
Aumento de salário dos funcionários públicos é parte do caderno de economia, porque é computado como maiores gastos do Estado. Não é abordado como maior remuneração para trabalhadores dos setores de educação e saúde – professores, enfermeiros -, que são a grande maioria dos trabalhadores estatais.
O governo Lula incomoda quando fortalece o Estado, é discretamente aplaudido quando favorece o grande empresariado, como no caso dos agronegócios de exportação, com transgênicos.
É preciso, todas as manhãs, constatar o país e o mundo pintados pela mídia mercantil e depois reconstruir o país e o mundo reais, contrapondo um ao outro.“
“Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.”
Vejamos o artigo de Emir Sader:
“UM DIA COMO OUTRO QUALQUER
Daniel Dantas teria fracassado (tomara), porque ficou tentando adular a governantes para ganhar favores. Enquanto que a Ambev teria tido sucesso, porque adula aos acionistas, isto é, ao mercado.
O governo dos Kirchner é condenado, porque aumentou impostos à exportação do campo, que acumula fortunas descomunais com o boom da demanda externa. E intervêm para resgatar empresas em quebra – como Aerolineas Argentinas. Não recordam que quem quebrou a empresa argentina foi a Iberia, empresa privada espanhola, que já havia quebrado a empresa venezuelana Viasa, deixando o país sem empresa aérea internacional. Não recordam que Kirhcner resgatou a Argentina quebrada, depois do prolongado porre privatista de Menem, que terminou com todas as empresas estatais, incluído a YPF, que dava auto-suficiência de petróleo ao país e hoje o deixa com problemas energéticos sério, em meio ao predomínio da empresa privada espanhola Repsol.
Do porre da paridade menemista entre dólar e peso, bomba de tempo que levou o país à maior retração de um país, no começo desta década, da mesma forma que a Rússia havia sofrido na década passada, na sua privatização mafiosa.
Silêncio constrangido sobre Daniel Dantas, Nahas, Pitta, desagrado de ver ricos algemados – pela primeira vez o tema, chega, porque até aqui eram pobres os algemados. E sobre a chegada do Cacciola – este não dá para ligar ao governo Lula, as orelhas de FHC e de tantos outros, fervendo -, cobertura como se se tratasse de tema anódino, sem nenhum esclarecimento dos antecedentes das acusações, do governo envolvido no escândalo Cacciola.
O tema da nova onda de quebras de bancos nos EUA, tratado como uma gripe passageira, um acidente natural. Os bancos, todos privados, o socorro, estatal, como sempre: privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, como até o Paul Krugman reconhece. Para as empresas privadas, os ganhos, para o Estado, o pagamento pelos pratos despedaçados pelos banquetes empresariais.
Aumento de salário dos funcionários públicos é parte do caderno de economia, porque é computado como maiores gastos do Estado. Não é abordado como maior remuneração para trabalhadores dos setores de educação e saúde – professores, enfermeiros -, que são a grande maioria dos trabalhadores estatais.
O governo Lula incomoda quando fortalece o Estado, é discretamente aplaudido quando favorece o grande empresariado, como no caso dos agronegócios de exportação, com transgênicos.
É preciso, todas as manhãs, constatar o país e o mundo pintados pela mídia mercantil e depois reconstruir o país e o mundo reais, contrapondo um ao outro.“
HISPÂNICOS NOS EUA PREOCUPADOS COM OS SOLDADOS
Esta noite o UOL publicou o seguinte da agência espanhola de notícias EFE:
GUERRA DO IRAQUE PREOCUPA JOVENS HISPÂNICOS NOS EUA, DIZ ESTUDO
Washington, 17 jul (EFE).- A Guerra do Iraque lidera as preocupações dos jovens hispânicos nos Estados Unidos, segundo estudo divulgado pelo programa "Democracia USA".
Foram divulgados os resultados de sua última pesquisa nacional, que avalia as reações e atitudes dos eleitores jovens hispânicos a respeito das eleições presidenciais americanas.
Segundo o diretor da organização, Jorge Mursuli, a guerra ocupa a primeira posição entre os temas mais importantes para este grupo, com um índice de 52%, pois "a maioria deles têm algum tipo de relação com os soldados americanos que se encontram em missões no Iraque ou no Afeganistão".
Em segundo lugar, estão o desemprego e a economia, citados por 42% dos entrevistados. Em seguida, vêm a assistência sanitária e imigração, lembradas por 24%.
Cada eleitor pôde escolher mais de uma opção na pesquisa.
A discriminação se destacou significativamente como um problema de grande magnitude para os eleitores hispânicos jovens.
Para 90% dos entrevistados, existe "muita" ou "alguma discriminação" com os latinos do país.”
GUERRA DO IRAQUE PREOCUPA JOVENS HISPÂNICOS NOS EUA, DIZ ESTUDO
Washington, 17 jul (EFE).- A Guerra do Iraque lidera as preocupações dos jovens hispânicos nos Estados Unidos, segundo estudo divulgado pelo programa "Democracia USA".
Foram divulgados os resultados de sua última pesquisa nacional, que avalia as reações e atitudes dos eleitores jovens hispânicos a respeito das eleições presidenciais americanas.
Segundo o diretor da organização, Jorge Mursuli, a guerra ocupa a primeira posição entre os temas mais importantes para este grupo, com um índice de 52%, pois "a maioria deles têm algum tipo de relação com os soldados americanos que se encontram em missões no Iraque ou no Afeganistão".
Em segundo lugar, estão o desemprego e a economia, citados por 42% dos entrevistados. Em seguida, vêm a assistência sanitária e imigração, lembradas por 24%.
Cada eleitor pôde escolher mais de uma opção na pesquisa.
A discriminação se destacou significativamente como um problema de grande magnitude para os eleitores hispânicos jovens.
Para 90% dos entrevistados, existe "muita" ou "alguma discriminação" com os latinos do país.”
NÃO-BANQUEIRO QUE TENTOU ROUBAR GILMAR MENDES NÃO CONSEGUE LIBERDADE PROVISÓRIA
Esta noite, li no UOL Últimas Notícias texto de Vicente Gioielli que nos conta que o jovem preso por tentar roubar Gilmar Mendes em Fortaleza, apesar de ser réu primário e de ter residência fixa, não conseguiu liberdade provisória. A justiça brasileira tenta demonstrar ser muito inflexível contra criminosos (desde que não sejam banqueiros milionários).
Reproduzo o texto do UOL:
JOVEM QUE TENTOU ROUBAR GILMAR MENDES TEM PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA NEGADO
Com pedido de liberdade provisória negado ontem (16) pela Justiça, um rapaz que tentou roubar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, completa hoje 18 dias preso na Casa de Custódia de Caucaia (região metropolitana de Fortaleza).
Apesar de ser réu primário e de ter residência fixa, Jéfferson Hermínio Moreira, 18 anos, está detido e sem previsão de sair da cadeia.
O rapaz, que segundo a defesa está no segundo ano do segundo grau e trabalhava como auxiliar em uma locadora de vídeos, foi pego em flagrante tentando roubar um cordão de ouro do pescoço do ministro do STF enquanto ele caminhava pela avenida Beira Mar, famoso cartão postal de Fortaleza.
Na ocasião, ele conseguiu arrancar o cordão do pescoço do ministro, mas logo foi detido por três seguranças que acompanhavam o magistrado em seu passeio. Segundo testemunhas, um outro homem que acompanhava a ação de Jéfferson conseguiu escapar.
Mesmo sem conseguir roubar o cordão, Jéfferson foi levado para o 2º Distrito Policial de Fortaleza e autuado no artigo 157, por roubo, que prevê pena de 4 a 10 anos de prisão. Em seu depoimento na delegacia, Gilmar Mendes contou que o jovem tentou "arrebatar" o cordão, mas ele "quebrou e caiu ao chão".
No dia seguinte ao ocorrido, a defesa contratada pela família de Jéfferson entrou com pedido de liberdade provisória por ele não ter antecedentes criminais e ter residência fixa. "Ele deveria ser autuado no máximo por pelo artigo 155 (tentativa de furto, com pena de 1 a 4 anos de detenção)", alega o advogado de defesa José Oliveira de Brito Filho.
O pedido de liberdade provisória, no entanto, foi rejeitado ontem (16) pelo Juiz Eduardo de Castro Neto, da 6ª Vara Criminal de Fortaleza - que responde atualmente também pela 11ª Vara, onde o caso está em andamento - alegando que a liberdade de Jéfferson poderia representar um risco para a sociedade."
Reproduzo o texto do UOL:
JOVEM QUE TENTOU ROUBAR GILMAR MENDES TEM PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA NEGADO
Com pedido de liberdade provisória negado ontem (16) pela Justiça, um rapaz que tentou roubar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, completa hoje 18 dias preso na Casa de Custódia de Caucaia (região metropolitana de Fortaleza).
Apesar de ser réu primário e de ter residência fixa, Jéfferson Hermínio Moreira, 18 anos, está detido e sem previsão de sair da cadeia.
O rapaz, que segundo a defesa está no segundo ano do segundo grau e trabalhava como auxiliar em uma locadora de vídeos, foi pego em flagrante tentando roubar um cordão de ouro do pescoço do ministro do STF enquanto ele caminhava pela avenida Beira Mar, famoso cartão postal de Fortaleza.
Na ocasião, ele conseguiu arrancar o cordão do pescoço do ministro, mas logo foi detido por três seguranças que acompanhavam o magistrado em seu passeio. Segundo testemunhas, um outro homem que acompanhava a ação de Jéfferson conseguiu escapar.
Mesmo sem conseguir roubar o cordão, Jéfferson foi levado para o 2º Distrito Policial de Fortaleza e autuado no artigo 157, por roubo, que prevê pena de 4 a 10 anos de prisão. Em seu depoimento na delegacia, Gilmar Mendes contou que o jovem tentou "arrebatar" o cordão, mas ele "quebrou e caiu ao chão".
No dia seguinte ao ocorrido, a defesa contratada pela família de Jéfferson entrou com pedido de liberdade provisória por ele não ter antecedentes criminais e ter residência fixa. "Ele deveria ser autuado no máximo por pelo artigo 155 (tentativa de furto, com pena de 1 a 4 anos de detenção)", alega o advogado de defesa José Oliveira de Brito Filho.
O pedido de liberdade provisória, no entanto, foi rejeitado ontem (16) pelo Juiz Eduardo de Castro Neto, da 6ª Vara Criminal de Fortaleza - que responde atualmente também pela 11ª Vara, onde o caso está em andamento - alegando que a liberdade de Jéfferson poderia representar um risco para a sociedade."
RECORDE DE EMPREGOS NO BRASIL
A Folha Online publicou hoje ao final da tarde a seguinte reportagem de Eduardo Cucolo (li no portal UOL):
“EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA BATE RECORDE HISTÓRICO NO SEMESTRE”
“A contratação de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde histórico no mês de junho e no primeiro semestre de 2008.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram abertas 309.442 vagas em junho, o que representa o melhor resultado para um mês na histórica do país. O recorde anterior era abril de 2007 (301.991 vagas).
"Nós tivemos o maior número de empregos formais no Brasil conquistados em um mês. É um recorde de toda a história do Caged", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram ainda que nos seis primeiros meses do ano foram gerados 1,361 milhão de novos postos de trabalho, um aumento de 24,3% em relação ao primeiro semestre de 2007.
O número acumulado em 12 meses também foi recorde e chegou a 1,883 milhão de empregos.
PREVISÃO REVISTA
O ministro revisou para cima sua previsão de aumento na geração de novas vagas neste ano, que anteriormente era de 1,8 milhão. "Eu acredito que nós vamos passar de 2 milhões. Todos os dados da economia nos levam a esses números e eu estou muito otimista", afirmou Lupi.
No semestre, o setor da economia que mais gerou vagas foi o de serviços, com a criação de 438.813 novos postos. Em seguida vem a indústria de transformação, com 317.901 postos. A agricultura gerou 227.030 vagas, e a construção civil, 197.153 postos.
"Estamos crescendo em todos os setores e isso é bom porque não temos uma bolha de crescimento. São todos crescendo de forma homogênea e em todo o Brasil", disse o ministro.
No mês de junho, especificamente, as maiores contratações foram feitas pelo setor agrícola. Foram 92.580 vagas, um saldo recorde e 40% superior ao registrado em junho de 2007. Os destaques foram o cultivo de café em São Paulo e Minas e de frutas cítricas na região paulista.
Regionalmente, houve aumento no número de vagas em todos os estados no semestre, com exceção de Paraíba (- 6.042 vagas), Pernambuco (- 4.430) e Alagoas (- 39.980). Os destaques de contratação ficaram com São Paulo (577.745) e Minas (218.490).
No total, o número de trabalhadores com carteira assinada passou de 28,9 milhões no final de 2007 para 30,3 milhões em junho deste ano. Os setores com mais trabalhadores formais são o de serviços (11,8 milhões), a indústria de transformação (7,3 milhões) e o comércio (6,6 milhões).”
“EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA BATE RECORDE HISTÓRICO NO SEMESTRE”
“A contratação de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde histórico no mês de junho e no primeiro semestre de 2008.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram abertas 309.442 vagas em junho, o que representa o melhor resultado para um mês na histórica do país. O recorde anterior era abril de 2007 (301.991 vagas).
"Nós tivemos o maior número de empregos formais no Brasil conquistados em um mês. É um recorde de toda a história do Caged", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram ainda que nos seis primeiros meses do ano foram gerados 1,361 milhão de novos postos de trabalho, um aumento de 24,3% em relação ao primeiro semestre de 2007.
O número acumulado em 12 meses também foi recorde e chegou a 1,883 milhão de empregos.
PREVISÃO REVISTA
O ministro revisou para cima sua previsão de aumento na geração de novas vagas neste ano, que anteriormente era de 1,8 milhão. "Eu acredito que nós vamos passar de 2 milhões. Todos os dados da economia nos levam a esses números e eu estou muito otimista", afirmou Lupi.
No semestre, o setor da economia que mais gerou vagas foi o de serviços, com a criação de 438.813 novos postos. Em seguida vem a indústria de transformação, com 317.901 postos. A agricultura gerou 227.030 vagas, e a construção civil, 197.153 postos.
"Estamos crescendo em todos os setores e isso é bom porque não temos uma bolha de crescimento. São todos crescendo de forma homogênea e em todo o Brasil", disse o ministro.
No mês de junho, especificamente, as maiores contratações foram feitas pelo setor agrícola. Foram 92.580 vagas, um saldo recorde e 40% superior ao registrado em junho de 2007. Os destaques foram o cultivo de café em São Paulo e Minas e de frutas cítricas na região paulista.
Regionalmente, houve aumento no número de vagas em todos os estados no semestre, com exceção de Paraíba (- 6.042 vagas), Pernambuco (- 4.430) e Alagoas (- 39.980). Os destaques de contratação ficaram com São Paulo (577.745) e Minas (218.490).
No total, o número de trabalhadores com carteira assinada passou de 28,9 milhões no final de 2007 para 30,3 milhões em junho deste ano. Os setores com mais trabalhadores formais são o de serviços (11,8 milhões), a indústria de transformação (7,3 milhões) e o comércio (6,6 milhões).”
quarta-feira, 16 de julho de 2008
CONTINUA A PREPARAÇÃO DOS EUA E ISRAEL PARA O ATAQUE AO IRÃ
Há poucos minutos (22h07), o portal UOL publicou uma reportagem de Diane Bartz da agência de notícias Reuters, mostrando mais uma etapa da escalada bélica no Oriente Médio, em continuação à antiga luta dos EUA, e de seu aliado (ou condutor?) Israel, de dominar os países daquela região que possuam grandes reservas de petróleo:
EUA PODE VENDER MAIS NAVIOS DE COMBATE A ISRAEL
“WASHINGTON (Reuters) - O Pentágono informou na quarta-feira o Congresso sobre a possível venda a Israel de novos navios de combate costeiro, peças de reposição softwares e outros produtos e serviços avaliados em 1,9 bilhão de dólares.
Os principais beneficiários dos contratos seriam as empresas Lockheed Martin, General Dynamics e Raytheon, segundo a Agência de Cooperação de Segurança da Defesa, que supervisiona as vendas de armas para o exterior.
Israel solicitou autorização para adquirir até quatro navios de combate litorâneo, usados para patrulhas próximas à costa. O Congresso tem 30 dias para impedir a venda, o que dificilmente ocorre.
"É vital para o interesse nacional dos EUA assistir Israel no desenvolvimento e manutenção de uma capacidade de autodefesa forte e preparada", disse a agência em nota.”
EUA PODE VENDER MAIS NAVIOS DE COMBATE A ISRAEL
“WASHINGTON (Reuters) - O Pentágono informou na quarta-feira o Congresso sobre a possível venda a Israel de novos navios de combate costeiro, peças de reposição softwares e outros produtos e serviços avaliados em 1,9 bilhão de dólares.
Os principais beneficiários dos contratos seriam as empresas Lockheed Martin, General Dynamics e Raytheon, segundo a Agência de Cooperação de Segurança da Defesa, que supervisiona as vendas de armas para o exterior.
Israel solicitou autorização para adquirir até quatro navios de combate litorâneo, usados para patrulhas próximas à costa. O Congresso tem 30 dias para impedir a venda, o que dificilmente ocorre.
"É vital para o interesse nacional dos EUA assistir Israel no desenvolvimento e manutenção de uma capacidade de autodefesa forte e preparada", disse a agência em nota.”
OUTRA VEZ, AS ALTAS CORTES DA JUSTIÇA DÃO PRIVILÉGIOS PARA BANQUEIROS
Já estamos saturados de ver, nos últimos dias, como o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Dantas, defende com ardor e emoção o banqueiro Daniel Dantas. Dentro da mesma linha de conduta, lemos hoje que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Gomes Barros, também resolveu conceder privilégios a outro banqueiro: Cacciola.
A grande imprensa e o PSDB/DEM estão, na maior parte, apoiando essas medidas "republicanas" das altas cortes e criticando a Polícia Federal por excessos "nazistas" de "espetacularização" das prisões dos ricaços criminosos. Repito uma frase do jornalista Lustosa da Costa no Diário do Nordeste de hoje: "Só falta o Fernandinho Beira Mar ser solto pelo Supremo e a imprensa acusar a Polícia de espetacularização em sua prisão".
No final desta tarde, o portal UOL publicou a seguinte notícia da Folha Online, a qual transcrevo parcialmente:
STJ CONCEDE LIMINAR PROIBINDO POLÍCIA DE ALGEMAR SALVATORE CACCIOLA
“O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Gomes Barros, concedeu liminar no habeas corpus ajuizado pela defesa de Salvatore Cacciola, proibindo a polícia brasileira de algemar o ex-banqueiro, que deve chegar nesta quinta-feira ao Rio de Janeiro. Ele foi extraditado nesta quarta-feira de Mônaco para o Brasil.
De acordo com o STJ, o ministro Gomes Barros considerou que devido à idade (64 anos), Cacciola não representaria risco aos policiais que irão acompanhá-lo. E por isso não há a necessidade de algemá-lo.”
“ENTENDA O CASO
Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.
O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma 'crise sistêmica' no mercado financeiro.
Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão.
O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.
Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro.”
Na sentença, concedida a pedido do Ministério Público Federal, a juíza determina não só a expedição do mandado de prisão contra Cacciola, como manda informar o Ministério da Justiça do interesse na extradição do ex-banqueiro para o Brasil."
A grande imprensa e o PSDB/DEM estão, na maior parte, apoiando essas medidas "republicanas" das altas cortes e criticando a Polícia Federal por excessos "nazistas" de "espetacularização" das prisões dos ricaços criminosos. Repito uma frase do jornalista Lustosa da Costa no Diário do Nordeste de hoje: "Só falta o Fernandinho Beira Mar ser solto pelo Supremo e a imprensa acusar a Polícia de espetacularização em sua prisão".
No final desta tarde, o portal UOL publicou a seguinte notícia da Folha Online, a qual transcrevo parcialmente:
STJ CONCEDE LIMINAR PROIBINDO POLÍCIA DE ALGEMAR SALVATORE CACCIOLA
“O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Gomes Barros, concedeu liminar no habeas corpus ajuizado pela defesa de Salvatore Cacciola, proibindo a polícia brasileira de algemar o ex-banqueiro, que deve chegar nesta quinta-feira ao Rio de Janeiro. Ele foi extraditado nesta quarta-feira de Mônaco para o Brasil.
De acordo com o STJ, o ministro Gomes Barros considerou que devido à idade (64 anos), Cacciola não representaria risco aos policiais que irão acompanhá-lo. E por isso não há a necessidade de algemá-lo.”
“ENTENDA O CASO
Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.
O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma 'crise sistêmica' no mercado financeiro.
Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão.
O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.
Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro.”
Na sentença, concedida a pedido do Ministério Público Federal, a juíza determina não só a expedição do mandado de prisão contra Cacciola, como manda informar o Ministério da Justiça do interesse na extradição do ex-banqueiro para o Brasil."
JUSTIÇA MANDA BLOQUEAR CONTAS DE CASAL GAROTINHO E DE MAIS 30 ACUSADOS
O site “Última Instância” publicou hoje, com o título acima, a seguinte notícia:
“Por decisão da juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, estão bloqueadas as contas e os bens do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ex-governadores do Estado.
A decisão liminar (provisória), tomada nesta quarta-feira (16/7), estende-se também para o ex-secretário de Saúde Gilson Cantarino e outros 30 réus no processo número 2008.001.180575-9 —pessoas físicas e jurídicas. Todos são acusados de improbidade administrativa e desvio de verbas públicas do Projeto Saúde em Movimento —o total desviado é próximo de R$ 234 milhões.
No entendimento da juíza, o pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) é embasado em “farta prova documental” que revelaria que os acusados cometeram fraude em licitações para a contração irregular de ONG (Organização Não Governamental). Eles teriam atuado de forma associada para desviar recursos públicos, via a ONG, em benefício próprio e financiamento de campanhas eleitorais.”
“Por decisão da juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, estão bloqueadas as contas e os bens do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ex-governadores do Estado.
A decisão liminar (provisória), tomada nesta quarta-feira (16/7), estende-se também para o ex-secretário de Saúde Gilson Cantarino e outros 30 réus no processo número 2008.001.180575-9 —pessoas físicas e jurídicas. Todos são acusados de improbidade administrativa e desvio de verbas públicas do Projeto Saúde em Movimento —o total desviado é próximo de R$ 234 milhões.
No entendimento da juíza, o pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) é embasado em “farta prova documental” que revelaria que os acusados cometeram fraude em licitações para a contração irregular de ONG (Organização Não Governamental). Eles teriam atuado de forma associada para desviar recursos públicos, via a ONG, em benefício próprio e financiamento de campanhas eleitorais.”
MINISTÉRIO PÚBLICO DENUNCIA DANIEL DANTAS POR CORRUPÇÃO
Ainda há pouco, às 20h29, o portal UOL publicou a seguinte notícia assinada por Daniela Paixão:
"O procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo Ministério Público Federal em São Paulo, disse que se baseou em elementos de peso para oferecer denúncia contra Daniel Dantas pelo crime de corrupção ativa. A afirmação foi feita durante uma entrevista coletiva no início da noite desta quarta-feira, na sede do Ministério Público Federal, na capital paulista.
Segundo de Grandis, o conjunto de provas em poder do Ministério Público Federal foi o suficiente para o juiz da 6º Vara Federal Criminal, Fausto de Sanctis, aceitar a denúncia e abrir processo contra o banqueiro.
Conjunto de provas foi decisivo para denúncia, diz procuradorA partir de agora Daniel Dantas passa da condição de investigado para a de acusado em um processo criminal onde o Ministério Público Federal o acusa de ter oferecido propina ao delegado federal Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira para que ele retirasse das investigações os nomes de Dantas, da irmã e do filho dele.
O juiz da 6º Vara Criminal, Fausto de Sanctis também abriu processo contra o consultor Hugo Chicaroni e Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e considerado braço direito de Dantas."
"O procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo Ministério Público Federal em São Paulo, disse que se baseou em elementos de peso para oferecer denúncia contra Daniel Dantas pelo crime de corrupção ativa. A afirmação foi feita durante uma entrevista coletiva no início da noite desta quarta-feira, na sede do Ministério Público Federal, na capital paulista.
Segundo de Grandis, o conjunto de provas em poder do Ministério Público Federal foi o suficiente para o juiz da 6º Vara Federal Criminal, Fausto de Sanctis, aceitar a denúncia e abrir processo contra o banqueiro.
Conjunto de provas foi decisivo para denúncia, diz procuradorA partir de agora Daniel Dantas passa da condição de investigado para a de acusado em um processo criminal onde o Ministério Público Federal o acusa de ter oferecido propina ao delegado federal Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira para que ele retirasse das investigações os nomes de Dantas, da irmã e do filho dele.
O juiz da 6º Vara Criminal, Fausto de Sanctis também abriu processo contra o consultor Hugo Chicaroni e Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e considerado braço direito de Dantas."
PSDB COM PAVOR DO CASO DANIEL DANTAS
O jornalista Luiz Carlos Azenha postou em seu blog um texto que denota o clima de pavor que já assoma o PSDB, e muitos outros, com o aprofundamento das investigações das ações criminosas de Daniel Dantas. Reproduzo:
“ARTHUR VIRGÍLIO, SURREAL, DÁ O TOM DO PAVOR COM O EFEITO DANTAS”
“Arthur Virgílio, o líder do PSDB no Senado, deu o tom, de acordo com nota reproduzida parcialmente pelo Estadão:
"Não se justifica nenhuma tentativa de desmoralização da mais alta Corte de Justiça do país. Foi o enfraquecimento das instituições, aliado a um quadro de inflação, desemprego e corrupção, que criou o clima propício à instalação do Terceiro Reich, na Alemanha", afirmou o líder tucano, na nota.
Aparentemente Virgílio se refere ao possível pedido de impeachment contra Gilmar Mendes que está sendo estudado por procuradores federais de vários estados.
O texto é surreal e desproposital.
Mas serve para revelar o pavor que uma investigação profunda das relações de Daniel Dantas com políticos, juízes, empresários e a mídia causa em Brasília.
Também sinaliza a estratégia daqueles que querem enterrar as investigações: criar o pânico, como se a Polícia Federal estivesse prestes a instalar uma ditadura nazista no Brasil.
Onde é que foi parar o furor investigativo da oposição?
Não teremos o clamor indignado do Jabor pedindo CPI?
E o senador Heráclito Fortes, não vai bradar contra a corrupção petista no Jornal Nacional?
O mais interessante é que isso se dá em plena campanha eleitoral.
A oposição vai perder essa oportunidade de enfraquecer o governo Lula e, com isso, os candidatos do presidente nas eleições de 2008?
A única explicação razoável para esse comportamente anômalo, completamente fora do padrão dos últimos anos, só encontra uma explicação: medo.
Medo não, pavor. Ou pânico.”
“ARTHUR VIRGÍLIO, SURREAL, DÁ O TOM DO PAVOR COM O EFEITO DANTAS”
“Arthur Virgílio, o líder do PSDB no Senado, deu o tom, de acordo com nota reproduzida parcialmente pelo Estadão:
"Não se justifica nenhuma tentativa de desmoralização da mais alta Corte de Justiça do país. Foi o enfraquecimento das instituições, aliado a um quadro de inflação, desemprego e corrupção, que criou o clima propício à instalação do Terceiro Reich, na Alemanha", afirmou o líder tucano, na nota.
Aparentemente Virgílio se refere ao possível pedido de impeachment contra Gilmar Mendes que está sendo estudado por procuradores federais de vários estados.
O texto é surreal e desproposital.
Mas serve para revelar o pavor que uma investigação profunda das relações de Daniel Dantas com políticos, juízes, empresários e a mídia causa em Brasília.
Também sinaliza a estratégia daqueles que querem enterrar as investigações: criar o pânico, como se a Polícia Federal estivesse prestes a instalar uma ditadura nazista no Brasil.
Onde é que foi parar o furor investigativo da oposição?
Não teremos o clamor indignado do Jabor pedindo CPI?
E o senador Heráclito Fortes, não vai bradar contra a corrupção petista no Jornal Nacional?
O mais interessante é que isso se dá em plena campanha eleitoral.
A oposição vai perder essa oportunidade de enfraquecer o governo Lula e, com isso, os candidatos do presidente nas eleições de 2008?
A única explicação razoável para esse comportamente anômalo, completamente fora do padrão dos últimos anos, só encontra uma explicação: medo.
Medo não, pavor. Ou pânico.”
OUTRA DE GILMAR MENDES: STF SUSPENDE PRISÕES DECRETADAS COM “OPERAÇÃO CARTA BRANCA”
O site “Última Instância” publicou hoje mais uma ação “libertadora” de criminosos que enriquece o currículum vitae de Gilmar Mendes. Transcrevo:
“Foram suspensos, por decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, os decretos de prisão preventiva da Justiça paulista contra 18 investigados na operação "Carta Branca". A ação foi coordenada pelo Ministério Público paulista e Polícia Rodoviária Federal para desbaratar uma quadrilha que falsificava e vendia carteiras de habilitação para condução de veículos.
O ministro entendeu que “a prisão preventiva foi decretada de forma genérica para todos os denunciados, apresentando os mesmos fundamentos para justificar a custódia cautelar”.
A Justiça paulista determinou a prisão preventiva por entender que os investigados fariam parte de uma 'autêntica organização criminosa que se destinava à prática de crimes gravíssimos que atentam contra a ordem pública'."
“Foram suspensos, por decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, os decretos de prisão preventiva da Justiça paulista contra 18 investigados na operação "Carta Branca". A ação foi coordenada pelo Ministério Público paulista e Polícia Rodoviária Federal para desbaratar uma quadrilha que falsificava e vendia carteiras de habilitação para condução de veículos.
O ministro entendeu que “a prisão preventiva foi decretada de forma genérica para todos os denunciados, apresentando os mesmos fundamentos para justificar a custódia cautelar”.
A Justiça paulista determinou a prisão preventiva por entender que os investigados fariam parte de uma 'autêntica organização criminosa que se destinava à prática de crimes gravíssimos que atentam contra a ordem pública'."
CASO DANIEL DANTAS - NO MÍNIMO, É CHATO
O jornalista Ricardo Noblat publicou esta noite em seu blog um interessante artigo sobre a badalada partida Daniel Dantas-Gilmar Mendes x Polícia Federal-opinião pública.
No momento, o jogo está empatado, mesmo com a expulsão de campo do delegado Protógenes Pinheiro Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha da Polícia Federal. Ele “se afastou” do comando das investigações nessa terça-feira (15).
Ainda segundo Noblat, outros dois delegados envolvidos na Operação Satiagraha - Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro - também informaram ao Juiz Federal Fausto de Sanctis e ao Procurador Geral da República Rodrigo de Grandis que foram obrigados pela direção da Polícia Federal a deixar as investigações.
Vejamos o texto de Ricardo Noblat:
CASO DANIEL DANTAS - NO MÍNIMO, É CHATO
“O juiz Fausto de Sanctis, da 6a. Vara Criminal de São Paulo, agiu de acordo com sua consciência e dentro dos limites de sua competência ao mandar prender duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, acusado de de crimes financeiros e de tentar corremper um delegado da Polícia Federal.
O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também procedeu de acordo com sua consciência e, como Sanctis, dentro dos limites de sua competência ao mandar libertar Dantas duas vezes. Até aqui, jogo empatado.
A aplicação da Justiça não é uma ciência exata. Outro juiz no lugar de Sanctis poderia ter decidido de forma diferente. Outro ministro do Supremo no lugar de Mendes, também. De um deles, por sinal, ouvi que Mendes teria atropelado as demais instâncias do Judiciário ao mandar soltar Dantas pela segunda vez.
Certamente nem todos os ministros do Supremo pensam como esse que diverge do ato de Mendes.
O chato, digamos assim, é a existência de gravação onde Hugo Chicaroni, funcionário de Dantas, afirma durante conversa com o delegado da Polícia Federal alvo da tentativa de suborno:
Ele (Dantas) se preocupa com hoje. Lá para cima, o que vai acontecer lá. Ele não está nem aí. Porque ele resolve. STF e STJ.
Em seguida acrescentou que no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) Dantas "tem um trânsito político ferrado'".
É claro que Chicaroni poderia estar contando falsas vantagens para impressionar o delegado. O fato de Dantas ter tido uma passagem relâmpago pela carceiragem da Polícia Federal em São Paulo não autoriza ninguém a pôr em dúvida a seriedade do ministro Mendes e a legitimidade de sua decisão.
Mas que é chato, é. Convenhamos: tudo isso é muito, muito chato.”
No momento, o jogo está empatado, mesmo com a expulsão de campo do delegado Protógenes Pinheiro Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha da Polícia Federal. Ele “se afastou” do comando das investigações nessa terça-feira (15).
Ainda segundo Noblat, outros dois delegados envolvidos na Operação Satiagraha - Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro - também informaram ao Juiz Federal Fausto de Sanctis e ao Procurador Geral da República Rodrigo de Grandis que foram obrigados pela direção da Polícia Federal a deixar as investigações.
Vejamos o texto de Ricardo Noblat:
CASO DANIEL DANTAS - NO MÍNIMO, É CHATO
“O juiz Fausto de Sanctis, da 6a. Vara Criminal de São Paulo, agiu de acordo com sua consciência e dentro dos limites de sua competência ao mandar prender duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, acusado de de crimes financeiros e de tentar corremper um delegado da Polícia Federal.
O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também procedeu de acordo com sua consciência e, como Sanctis, dentro dos limites de sua competência ao mandar libertar Dantas duas vezes. Até aqui, jogo empatado.
A aplicação da Justiça não é uma ciência exata. Outro juiz no lugar de Sanctis poderia ter decidido de forma diferente. Outro ministro do Supremo no lugar de Mendes, também. De um deles, por sinal, ouvi que Mendes teria atropelado as demais instâncias do Judiciário ao mandar soltar Dantas pela segunda vez.
Certamente nem todos os ministros do Supremo pensam como esse que diverge do ato de Mendes.
O chato, digamos assim, é a existência de gravação onde Hugo Chicaroni, funcionário de Dantas, afirma durante conversa com o delegado da Polícia Federal alvo da tentativa de suborno:
Ele (Dantas) se preocupa com hoje. Lá para cima, o que vai acontecer lá. Ele não está nem aí. Porque ele resolve. STF e STJ.
Em seguida acrescentou que no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) Dantas "tem um trânsito político ferrado'".
É claro que Chicaroni poderia estar contando falsas vantagens para impressionar o delegado. O fato de Dantas ter tido uma passagem relâmpago pela carceiragem da Polícia Federal em São Paulo não autoriza ninguém a pôr em dúvida a seriedade do ministro Mendes e a legitimidade de sua decisão.
Mas que é chato, é. Convenhamos: tudo isso é muito, muito chato.”
segunda-feira, 14 de julho de 2008
COMPANHIAS AÉREAS DOS EUA E DO BRASIL APELAM POR APOIO PARA SOBREVIVEREM
O jornal Gazeta Mercantil de hoje publicou a notícia de que nos EUA as companhias aéreas já estão no limite da sobrevivência em face dos exorbitantes aumentos nos preços do petróleo e, em conseqüência, dos combustíveis de aviação. Clamam por apoio do governo norte-americano. Certamente, as empresas brasileiras vivem drama semelhante.
Vejamos o texto da Gazeta Mercantil:
AÉREAS DOS EUA E BRASIL APELAM ÀS AUTORIDADES
“As empresa aéreas dos Estados Unidos, cambaleantes em conseqüência dos preços recorde dos combustíveis, incitaram o Congresso a controlar as negociações especulativas porque o setor "não pode continuar a sobreviver com o petróleo a US$ 140."
No Brasil, as companhias também já pediram interferência do governo para se manterem lucrativas. O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) se reuniu na última semana com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para tratar da situação.
As medidas nos EUA, para limitar o chamado índice de especulação, são necessárias antes do recesso do Congresso no próximo mês, disse o principal executivo do grupo comercial Air Transport Association, James May, na sexta-feira, aos jornalistas em Washington. O petróleo fechou sexta-feira em Nova York a US$ 145 o barril.
"Não existe crise maior", disse May, que acrescentou que a maioria dos planos de negócios das empresas aéreas é elaborada tendo como base o petróleo a US$ 85 ou US$ 90 o barril. Os preços no nível atual terão "sérias conseqüências" caso persistam até o final de 2008, disse May.
O senador Joseph Lieberman, independente do estado de Connecticut, propôs um projeto de lei, na sexta-feira, designado para conter os preços. Essa medida irá limitar o volume de petróleo e contratos futuros de commodities que poderão ser mantidos pelos investidores institucionais como os fundos de pensão. Esses investidores negociam commodities como ferramentas financeiras.
UM BASTA À ‘ESPECULAÇÃO’
As empresas aéreas começaram a enviar correspondência no site na internet, Stop Oil Speculation Now!, para seus passageiros habituais na última semana. As cartas foram assinadas por 12 principais executivos de empresas aéreas, incluindo a American Airlines. "O combustível ultra caro significa milhares de empregos perdidos e severas reduções no serviço aéreo", escreveram os CEO.
"PRECISAMOS DE SUA AJUDA"
As maiores empresas aéreas reduzem a capacidade de assentos em mais de 10% cada, deixando no solo 430 aviões, e demitindo cerca de 20 mil pessoas, em meio à subida de 97% do combustível para jatos, no último ano. O preço "normal" do petróleo deveria ser entre US$ 65 e US$ 70 o barril, disse May.
COMPANHIAS BRASILEIRAS
A promessa é de que o ministro Jobim se reunirá com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para apresentar um estudo com sugestões para redução da carga tributária que incide sobre o combustível no Brasil.
Conforme cálculos do SNEA, os custos com querosene de aviação já representam entre 40% a 50% das despesas totais das companhias brasileiras.
No ano passado, com o barril a US$ 70, esse insumo representava entre 30% e 40% dos custos operacionais das empresas brasileiras.
Segundo o SNEA, de janeiro a junho deste ano o combustível no Brasil subiu 35,5%. Em todo o ano passado o querosene de aviação teve um aumento de 12,6%.”
Vejamos o texto da Gazeta Mercantil:
AÉREAS DOS EUA E BRASIL APELAM ÀS AUTORIDADES
“As empresa aéreas dos Estados Unidos, cambaleantes em conseqüência dos preços recorde dos combustíveis, incitaram o Congresso a controlar as negociações especulativas porque o setor "não pode continuar a sobreviver com o petróleo a US$ 140."
No Brasil, as companhias também já pediram interferência do governo para se manterem lucrativas. O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) se reuniu na última semana com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para tratar da situação.
As medidas nos EUA, para limitar o chamado índice de especulação, são necessárias antes do recesso do Congresso no próximo mês, disse o principal executivo do grupo comercial Air Transport Association, James May, na sexta-feira, aos jornalistas em Washington. O petróleo fechou sexta-feira em Nova York a US$ 145 o barril.
"Não existe crise maior", disse May, que acrescentou que a maioria dos planos de negócios das empresas aéreas é elaborada tendo como base o petróleo a US$ 85 ou US$ 90 o barril. Os preços no nível atual terão "sérias conseqüências" caso persistam até o final de 2008, disse May.
O senador Joseph Lieberman, independente do estado de Connecticut, propôs um projeto de lei, na sexta-feira, designado para conter os preços. Essa medida irá limitar o volume de petróleo e contratos futuros de commodities que poderão ser mantidos pelos investidores institucionais como os fundos de pensão. Esses investidores negociam commodities como ferramentas financeiras.
UM BASTA À ‘ESPECULAÇÃO’
As empresas aéreas começaram a enviar correspondência no site na internet, Stop Oil Speculation Now!, para seus passageiros habituais na última semana. As cartas foram assinadas por 12 principais executivos de empresas aéreas, incluindo a American Airlines. "O combustível ultra caro significa milhares de empregos perdidos e severas reduções no serviço aéreo", escreveram os CEO.
"PRECISAMOS DE SUA AJUDA"
As maiores empresas aéreas reduzem a capacidade de assentos em mais de 10% cada, deixando no solo 430 aviões, e demitindo cerca de 20 mil pessoas, em meio à subida de 97% do combustível para jatos, no último ano. O preço "normal" do petróleo deveria ser entre US$ 65 e US$ 70 o barril, disse May.
COMPANHIAS BRASILEIRAS
A promessa é de que o ministro Jobim se reunirá com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para apresentar um estudo com sugestões para redução da carga tributária que incide sobre o combustível no Brasil.
Conforme cálculos do SNEA, os custos com querosene de aviação já representam entre 40% a 50% das despesas totais das companhias brasileiras.
No ano passado, com o barril a US$ 70, esse insumo representava entre 30% e 40% dos custos operacionais das empresas brasileiras.
Segundo o SNEA, de janeiro a junho deste ano o combustível no Brasil subiu 35,5%. Em todo o ano passado o querosene de aviação teve um aumento de 12,6%.”
UM ANO APÓS O DESASTRE DA TAM EM SP –DE NOVO A CANTILENA DA “VEJA”
O site www.fab.mil.br publicou hoje uma nota de esclarecimento sobre as já conhecidas e tendenciosas distorções de informações por parte da revista tucano-pefelenta “Veja”. No caso, a revista tenta fazer renascer a já desgastada tentativa de insuflar a idéia de que há o “caos aéreo” no Brasil.
A nota é assinada pelo Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica. Transcrevo:
ESCLARECIMENTO
Sobre a matéria “Um ano depois do desastre...”, publicada na revista Veja nº 28, de 16 de julho de 2008, este Centro julga imprescindível esclarecer alguns fatos que foram publicados, uma vez que os questionamentos solicitados pela revista foram integralmente respondidos (vide abaixo), e, ainda assim, o jornalista omitiu parte das informações que lhe foram passadas, impedindo que o Comando da Aeronáutica levasse à sociedade informações fidedignas sobre a situação do tráfego aéreo no país.
Cabe ressaltar que a revista não nos solicitou qualquer esclarecimento a respeito de "alvos falsos" e de supostos incidentes, ambos noticiados na matéria e que, quanto a quase colisão entre um avião da FAB e uma aeronave da GOL, este fato não foi relatado por nenhum dos pilotos das respectivas aeronaves, apenas pelo controlador de vôo. Tal relato está sendo analisado pelo DECEA (Departamento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro) com vistas a apurar a veracidade das informações.
A respeito da presença de ratos em destacamento de controle do espaço aéreo, é importante destacar que, a cada dois meses, a referida unidade passa por serviço de desratização. Na época dos fatos, quando da desmontagem de equipamentos para modernização de sistemas, em maio deste ano, o problema foi detectado e houve a implementação de medidas sanitárias cabíveis, como a limpeza e o tratamento bactericida do sistema de ar interno do prédio, entre outras.
RESPOSTAS DO CECOMSAER AOS QUESTIONAMENTOS FORMULADOS PELA REVISTA VEJA:
1) NÚMERO TOTAL DE CONTROLADORES AÉREOS (MILITARES E CIVIS) E QUANTOS FORAM INTEGRADOS A ESSA FUNÇÃO DE UM ANO PARA CÁ?
R. No tocante à quantidade de controladores é importante esclarecer que foram realizados concursos nos últimos dois anos, para civis e militares, o que resultou na formação e acréscimo de mais de 600 profissionais capacitados para o controle de tráfego aéreo. Atualmente, existem cerca de 2700 controladores de tráfego aéreo no Comando da Aeronáutica.
2) NA PROVA DE PROFICIÊNCIA EM LÍNGUA INGLESA REALIZADA EM 2007 COM TODOS OS CONTROLADORES, APENAS 5,5% ATINGIRAM O NÍVEL 4, ÍNDICE REQUERIDO PELA OACI PARA SE COMUNICAR EM INGLÊS. O QUE ESTÁ SENDO FEITO PARA MELHORAR ESSE QUADRO? QUAL O PERCENTUAL DO EFETIVO EM CADA UM DOS OUTROS NÍVEIS?
R. Faz-se necessário ressaltar que:
• Todos os controladores estão formados no nível 3, que é o inglês necessário para as atividades rotineiras do controle do tráfego aéreo. Entretanto, a OACI verificou que há necessidade de aprimoramento no conhecimento da língua inglesa para os casos não rotineiros, nos quais o inglês coloquial é mais utilizado do que o inglês empregado no controle do tráfego aéreo. Assim, todos os países, até 2011, deverão capacitar seus pilotos e controladores envolvidos no tráfego aéreo internacional no nível 4 (operacional) da tabela estabelecida pela OACI.
• O Comando da Aeronáutica investiu, no ano de 2007, R$3.342.927,10 em cursos de inglês para os controladores de tráfego aéreo. Esses cursos continuam em andamento em diversas localidades nas quais há controle de tráfego aéreo internacional.
Neste contexto, este Centro esclarece que:
• Na prova de 2007, do total de 3.068 ATCO (controladores), 9,22% (e não 5,5%) atingiram o nível 4 ou acima;
• A Aeronáutica seguiu a rígida metodologia do processo de avaliação de segurança operacional sugerida pela OACI (Organização da Aviação Civil Internacional);
• A probabilidade de acontecer uma ocorrência de tráfego aéreo que tenha o idioma como um dos fatores contribuintes é de UMA ocorrência para 464.875 horas de vôo de tráfego aéreo internacional, ou seja: 0,00022%;
• A possibilidade de ocorrência de incidentes de tráfego aéreo desse tipo no Brasil é de dois eventos por ano, sendo também caracterizado como risco de PROBABILIDADE REMOTA;
Além disso, O DECEA está implementando medidas efetivas para, no decorrer de 2008, ser:
• Inserida prova de inglês escrita, nível intermediário, nos concursos de admissão para controladores de tráfego aéreo; e
• Disponibilizado para os controladores cursos programados de inglês, com foco em aulas práticas de falar e ouvir.
3) QUANTO TEMPO EM MÉDIA LEVA A PREPARAÇÃO DE UM CONTROLADOR NO BRASIL?
R. A Aeronáutica inaugurou, em 5 de novembro de 2007, um novo laboratório de simulação de controle de tráfego aéreo, em São José dos Campos (SP), com a finalidade de ampliar a capacitação do nível operacional desses profissionais. Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, essa nova estrutura aumentou a capacidade de treinamento avançado de 100 para 400 controladores/ano, permitindo aos alunos simular a operação em qualquer localidade do país.
O tempo dedicado à formação completa dos controladores é de, no mínimo, 2 anos.
4) ENTRE 2003 E 2007 HOUVE 459 INCIDENTES DE TRÁFEGO AÉREO NO BRASIL. QUAL O PERCENTUAL DE INCIDENTES EM CADA UM DAQUELES ITENS DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO, DO MAIS MODERADO AO MAIS CRÍTICO?
R. De acordo com o levantamento estatístico realizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo – DECEA, entre 2003 e 2007, o percentual de incidentes de tráfego aéreo, classificados como de risco potencial e/ou crítico, foi de 0,000663% ao longo de todo o período.
Cabe destacar que muitos dos incidentes relatados, quando analisados na revisualização dos dados e imagens não se confirmaram como tais.
Com relação aos Relatórios de Prevenção (RELPREV), gostaríamos de dizer que o Comando da Aeronáutica tem incentivado a realização de campanhas, objetivando a conscientização da importância do preenchimento destes relatórios sempre que se fizer necessário, e por considerar ferramenta das mais importantes para a prevenção de acidentes aeronáuticos.
5) QUE MELHORIAS (TOTAL DE INVESTIMENTOS, UNIDADES BENEFICIADAS, TIPOS DE EQUIPAMENTO, ETC) FORAM FEITAS NO SISTEMA DE SEGURANÇA DE VÔO NO ÚLTIMO ANO NO BRASIL?
R. Cabe destacar que, nos últimos 8 anos, a Aeronáutica investiu cerca de R$ 1,8 bilhão na atualização do controle de tráfego aéreo brasileiro. Dos quatro Centros de Controle do país, um é novo, (CINDACTA IV – Manaus), dois passaram por processos de atualização (CINDACTA I - Brasília e CINDACTA II – Curitiba) e outro está em fase de modernização (CINDACTA III - Recife).
O Sistema de Controle do Espaço Aéreo do Brasil é um patrimônio avaliado em mais de R$ 6 bilhões, construído ao longo de quatro décadas e que responde por uma área de atuação quase três vezes superior à dimensão territorial do próprio país, por conta dos compromissos internacionais de prover segurança ao tráfego aéreo sobre o Oceano Atlântico, em uma área correspondente a treze milhões de quilômetros quadrados. São cerca de 6 mil equipamentos –entre radares, sistema de telecomunicações, auxílio à navegação aérea e meteorologia, entre outros-, muitos dos quais com redundância, 365 dias no ano, 24 horas por dia, com uma disponibilidade diária de 98% dessa estrutura.
Além disso, o Brasil integra o seleto grupo de países que já discute e prepara ações para a implantação do sistema CNS-ATM, que representará uma evolução histórica no tráfego.”
A nota é assinada pelo Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica. Transcrevo:
ESCLARECIMENTO
Sobre a matéria “Um ano depois do desastre...”, publicada na revista Veja nº 28, de 16 de julho de 2008, este Centro julga imprescindível esclarecer alguns fatos que foram publicados, uma vez que os questionamentos solicitados pela revista foram integralmente respondidos (vide abaixo), e, ainda assim, o jornalista omitiu parte das informações que lhe foram passadas, impedindo que o Comando da Aeronáutica levasse à sociedade informações fidedignas sobre a situação do tráfego aéreo no país.
Cabe ressaltar que a revista não nos solicitou qualquer esclarecimento a respeito de "alvos falsos" e de supostos incidentes, ambos noticiados na matéria e que, quanto a quase colisão entre um avião da FAB e uma aeronave da GOL, este fato não foi relatado por nenhum dos pilotos das respectivas aeronaves, apenas pelo controlador de vôo. Tal relato está sendo analisado pelo DECEA (Departamento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro) com vistas a apurar a veracidade das informações.
A respeito da presença de ratos em destacamento de controle do espaço aéreo, é importante destacar que, a cada dois meses, a referida unidade passa por serviço de desratização. Na época dos fatos, quando da desmontagem de equipamentos para modernização de sistemas, em maio deste ano, o problema foi detectado e houve a implementação de medidas sanitárias cabíveis, como a limpeza e o tratamento bactericida do sistema de ar interno do prédio, entre outras.
RESPOSTAS DO CECOMSAER AOS QUESTIONAMENTOS FORMULADOS PELA REVISTA VEJA:
1) NÚMERO TOTAL DE CONTROLADORES AÉREOS (MILITARES E CIVIS) E QUANTOS FORAM INTEGRADOS A ESSA FUNÇÃO DE UM ANO PARA CÁ?
R. No tocante à quantidade de controladores é importante esclarecer que foram realizados concursos nos últimos dois anos, para civis e militares, o que resultou na formação e acréscimo de mais de 600 profissionais capacitados para o controle de tráfego aéreo. Atualmente, existem cerca de 2700 controladores de tráfego aéreo no Comando da Aeronáutica.
2) NA PROVA DE PROFICIÊNCIA EM LÍNGUA INGLESA REALIZADA EM 2007 COM TODOS OS CONTROLADORES, APENAS 5,5% ATINGIRAM O NÍVEL 4, ÍNDICE REQUERIDO PELA OACI PARA SE COMUNICAR EM INGLÊS. O QUE ESTÁ SENDO FEITO PARA MELHORAR ESSE QUADRO? QUAL O PERCENTUAL DO EFETIVO EM CADA UM DOS OUTROS NÍVEIS?
R. Faz-se necessário ressaltar que:
• Todos os controladores estão formados no nível 3, que é o inglês necessário para as atividades rotineiras do controle do tráfego aéreo. Entretanto, a OACI verificou que há necessidade de aprimoramento no conhecimento da língua inglesa para os casos não rotineiros, nos quais o inglês coloquial é mais utilizado do que o inglês empregado no controle do tráfego aéreo. Assim, todos os países, até 2011, deverão capacitar seus pilotos e controladores envolvidos no tráfego aéreo internacional no nível 4 (operacional) da tabela estabelecida pela OACI.
• O Comando da Aeronáutica investiu, no ano de 2007, R$3.342.927,10 em cursos de inglês para os controladores de tráfego aéreo. Esses cursos continuam em andamento em diversas localidades nas quais há controle de tráfego aéreo internacional.
Neste contexto, este Centro esclarece que:
• Na prova de 2007, do total de 3.068 ATCO (controladores), 9,22% (e não 5,5%) atingiram o nível 4 ou acima;
• A Aeronáutica seguiu a rígida metodologia do processo de avaliação de segurança operacional sugerida pela OACI (Organização da Aviação Civil Internacional);
• A probabilidade de acontecer uma ocorrência de tráfego aéreo que tenha o idioma como um dos fatores contribuintes é de UMA ocorrência para 464.875 horas de vôo de tráfego aéreo internacional, ou seja: 0,00022%;
• A possibilidade de ocorrência de incidentes de tráfego aéreo desse tipo no Brasil é de dois eventos por ano, sendo também caracterizado como risco de PROBABILIDADE REMOTA;
Além disso, O DECEA está implementando medidas efetivas para, no decorrer de 2008, ser:
• Inserida prova de inglês escrita, nível intermediário, nos concursos de admissão para controladores de tráfego aéreo; e
• Disponibilizado para os controladores cursos programados de inglês, com foco em aulas práticas de falar e ouvir.
3) QUANTO TEMPO EM MÉDIA LEVA A PREPARAÇÃO DE UM CONTROLADOR NO BRASIL?
R. A Aeronáutica inaugurou, em 5 de novembro de 2007, um novo laboratório de simulação de controle de tráfego aéreo, em São José dos Campos (SP), com a finalidade de ampliar a capacitação do nível operacional desses profissionais. Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, essa nova estrutura aumentou a capacidade de treinamento avançado de 100 para 400 controladores/ano, permitindo aos alunos simular a operação em qualquer localidade do país.
O tempo dedicado à formação completa dos controladores é de, no mínimo, 2 anos.
4) ENTRE 2003 E 2007 HOUVE 459 INCIDENTES DE TRÁFEGO AÉREO NO BRASIL. QUAL O PERCENTUAL DE INCIDENTES EM CADA UM DAQUELES ITENS DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO, DO MAIS MODERADO AO MAIS CRÍTICO?
R. De acordo com o levantamento estatístico realizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo – DECEA, entre 2003 e 2007, o percentual de incidentes de tráfego aéreo, classificados como de risco potencial e/ou crítico, foi de 0,000663% ao longo de todo o período.
Cabe destacar que muitos dos incidentes relatados, quando analisados na revisualização dos dados e imagens não se confirmaram como tais.
Com relação aos Relatórios de Prevenção (RELPREV), gostaríamos de dizer que o Comando da Aeronáutica tem incentivado a realização de campanhas, objetivando a conscientização da importância do preenchimento destes relatórios sempre que se fizer necessário, e por considerar ferramenta das mais importantes para a prevenção de acidentes aeronáuticos.
5) QUE MELHORIAS (TOTAL DE INVESTIMENTOS, UNIDADES BENEFICIADAS, TIPOS DE EQUIPAMENTO, ETC) FORAM FEITAS NO SISTEMA DE SEGURANÇA DE VÔO NO ÚLTIMO ANO NO BRASIL?
R. Cabe destacar que, nos últimos 8 anos, a Aeronáutica investiu cerca de R$ 1,8 bilhão na atualização do controle de tráfego aéreo brasileiro. Dos quatro Centros de Controle do país, um é novo, (CINDACTA IV – Manaus), dois passaram por processos de atualização (CINDACTA I - Brasília e CINDACTA II – Curitiba) e outro está em fase de modernização (CINDACTA III - Recife).
O Sistema de Controle do Espaço Aéreo do Brasil é um patrimônio avaliado em mais de R$ 6 bilhões, construído ao longo de quatro décadas e que responde por uma área de atuação quase três vezes superior à dimensão territorial do próprio país, por conta dos compromissos internacionais de prover segurança ao tráfego aéreo sobre o Oceano Atlântico, em uma área correspondente a treze milhões de quilômetros quadrados. São cerca de 6 mil equipamentos –entre radares, sistema de telecomunicações, auxílio à navegação aérea e meteorologia, entre outros-, muitos dos quais com redundância, 365 dias no ano, 24 horas por dia, com uma disponibilidade diária de 98% dessa estrutura.
Além disso, o Brasil integra o seleto grupo de países que já discute e prepara ações para a implantação do sistema CNS-ATM, que representará uma evolução histórica no tráfego.”
"LEGISLAÇÃO FAVORECE A CHICANA"
O jornal “O Estado de São Paulo” de ontem publicou com o título acima uma interessante entrevista de Carlos Marchi com Mozart Valadares Pires, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
O tema principal da entrevista é oportuno, considerando o muito estranho comportamento do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, na sua flagrante obstinada defesa do banqueiro Daniel Dantas, ora investigado pela Polícia Federal por muitas e gigantescas ações criminosas.
Transcrevo:
“Os corruptos, diz, apostam na impunidade, confiando na ineficiência do Judiciário e de legislação que oferece prazos excessivos”
“Uma das origens da impunidade no Brasil está na legislação que favorece a manobra e a chicana jurídica, retardando a limites extremos a tramitação dos processos, afirma o juiz Mozart Valadares Pires, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A outra é que o Estado brasileiro é ''propício à corrupção''.
Os corruptos, diz ele, apostam na impunidade confiando na ineficiência do Judiciário e de uma legislação que oferece facilidades, garante prazos excessivos e lhes assegura, quase sempre, que não serão julgados em vida, tal o número de recursos que possibilita.
Valadares preconiza duas ações imediatas para vencer a corrupção. Uma é a mudança da legislação, reduzindo a possibilidade de recursos judiciais sem sacrificar o amplo direito de defesa e sem arranhar o princípio do contraditório. Outra é que o País adote, em todos os graus da Justiça, prioridade para julgar os casos de corrupção que tenham envolvimento de agentes públicos.
O juiz admite excessos nas ações da Polícia Federal, mas prefere realçar seus méritos, frisando que ela eliminou ''quadrilhas enraizadas no Estado''. Ele sublinha: ''Em alguns momentos, não conseguíamos distinguir o que era marginalidade do que era Estado.'' Eis a íntegra da entrevista:
IMPUNIDADE É UMA QUESTÃO DE LEI OU DEPENDE DE VONTADE POLÍTICA?
A impunidade não depende da vontade política, nem é apenas uma questão de lei. É que o Estado não tem como dar resposta rápida às questões que provocam o sentimento de impunidade. Temos uma estrutura arcaica e um excesso de ações. Não temos uma defensoria pública estruturada, não temos um número suficiente de juízes e promotores. No ano passado, o STF julgou perto de 150 mil processos. Isso não existe em país algum.
ONDE COMEÇAM OS PECADOS DA LEGISLAÇÃO?
Nossa legislação peca pelo excesso de formalismo, oferece um excessivo número de recursos judiciais. Tudo isso contribui para a morosidade do Judiciário. E a morosidade contribui decisivamente para o sentimento de impunidade. Os dados são alarmantes. Quarenta por cento da população carcerária são presos provisórios, não foram julgados. Muitos deles, quando forem julgados, e se forem condenados, talvez já tenham pago a pena. Isso acontece porque são pessoas pobres, e o Estado não oferece uma defensoria para acompanhar os casos e protestar por um processo ágil. O Judiciário pode ter a sua parcela de culpa, mas a morosidade não pode ser atribuída única e exclusivamente a nós.
O SR. ACHA QUE A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PERMITE RECURSOS EM EXCESSO?
Sem dúvida. A um simples despacho de um juiz, já cabe recurso. É agravo de instrumento, é agravo regimental, é agravo retido, é embargo de declaração, é apelação. Existe um número infinito de recursos que impedem a tramitação normal do processo.
POR QUE RICO NÃO FICA NA CADEIA NO BRASIL?
Porque o rico tem condições financeiras para constituir bons advogados, que conhecem em profundidade a legislação. E a legislação favorece a manobra, a chicana jurídica, o que faz com que o processo não tenha uma tramitação célere. A legislação permite que réus confessos, condenados no primeiro grau ou pelo tribunal do júri, recorram em liberdade.
ATÉ ONDE A INFLUÊNCIA POLÍTICA PODE FUNCIONAR PARA QUE SE ADIE A PRISÃO DE UM CORRUPTO BRASILEIRO?
Vejo uma mudança substancial na questão do tráfico de influência. A Polícia Federal vem dando uma contribuição valiosa no combate à corrupção. O Ministério Público também vem se comportando de maneira altiva. Recentemente, o STF recebeu por unanimidade uma denúncia que envolvia pessoas de alto poder na República, que antes jamais seriam atingidas e hoje são réus perante o STF. Isso é uma demonstração de que o País caminha para combater seriamente a corrupção e tratar todos os brasileiros de forma igual.
OS GRANDES GOLPES DO COLARINHO BRANCO TÊM SEMPRE O ENVOLVIMENTO DE UM AGENTE PÚBLICO CORROMPIDO. COMO CONTROLAR MELHOR ISSO?
Acima de tudo, a sociedade exige uma reforma política que traga mais clareza e fortaleça os partidos políticos. Não podemos aceitar a existência de legendas de aluguel, partidos que apóiam o governo para lotear cargos públicos em estatais. O que passa a existir é uma relação de troca de favores - e não uma relação institucional -, que facilita por demais esse tipo de atividade ilícita. Temos de buscar uma relação em que o Legislativo cumpra a sua missão constitucional de legislar e fiscalizar o Executivo, e o Executivo realize seus programas e obras. E não ter um poder que funciona como um apêndice do outro.
O ambiente que temos no Estado é propício à corrupção. Os corruptos apostam na impunidade, na ineficiência do Judiciário e na legislação que lhes dá facilidades, prazos excessivos que lhes permitem o conforto de não serem julgados em vida, tal o número de recursos que seus advogados poderão invocar na Justiça. Tudo isso facilita que pessoas com esse perfil pratiquem crimes contra o erário público.
O PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES, FALOU EM ''ESPETACULARIZAÇÃO'' DA MISSÃO DE POLÍCIA. O PRESIDENTE DO SENADO, GARIBALDI ALVES, FALOU EM ''USO ABUSIVO DE ALGEMAS''. ESSAS CRÍTICAS SÃO JUSTAS?
Nenhum brasileiro desconhece a contribuição que a Polícia Federal vem dando ao País, ao eliminar algumas quadrilhas que estavam enraizadas no Estado brasileiro. Em alguns momentos, nós não conseguíamos distinguir o que era marginalidade do que era Estado. A Polícia Federal deu essa contribuição à Nação. Isso é um mérito. Não podemos desqualificar o mérito maior por algum excesso cometido. Não podemos admitir que alguém que esteja incomodado ou que tenha interesses contrariados possa desqualificar o mérito maior por causa de algum excesso cometido. É óbvio que algemas só devem ser usadas quando um acusado resiste. Fora disso, são totalmente desnecessárias. Em alguns casos, vimos que a Polícia Federal usou algemas desnecessariamente. Não podemos generalizar, dizendo que isso é feito pela Polícia Federal. Alguns agentes podem cometer excessos, mas não a instituição.
COMO OS CASOS TÊM SE REPETIDO, NÃO SERIA O CASO DE DIZER QUE ALGEMAR O RICO QUE É PRESO MAIS PARECE UMA FORMA DE FAZÊ-LO EXPIAR ANTECIPADAMENTE UMA PENA QUE ELE NÃO VAI CUMPRIR?
Um segmento social do Brasil gosta dessa atitude da Polícia Federal exatamente pelo sentimento de impunidade que existe em relação a algumas classes privilegiadas. Mas nós vivemos num Estado Democrático de Direito, temos uma Constituição vigente, e essa Constituição protege todos os cidadãos, independente do poder econômico ou do poder político. Não poderemos praticar excessos nem contra o rico nem contra o pobre.
É ÉTICO E LEGAL QUE A POLÍCIA FEDERAL FILME A PRISÃO E EM SEGUIDA DISTRIBUA O VÍDEO A CERTAS EMISSORAS DE TV?
Absolutamente. Nem vazar para uma empresa jornalística nem filmar e depois ceder com exclusividade para uma empresa. Não cabe à Polícia Federal esse tipo de comportamento, que é aético e criminoso.
E SE UM JORNAL DESCOBRIR UMA AÇÃO POLICIAL E REPORTÁ-LA - ISSO É PERMITIDO OU CONSTITUI ABUSO CONTRA A PRIVACIDADE DO PRESO, SEJA ELE RICO OU POBRE?
Algumas medidas têm de ser sigilosas. Mas, se um jornal descobre que está sendo feita uma investigação, tem todo o direito de prestar essa informação a seu público, de tentar arrancar o máximo de informações sobre ela. Não vejo qualquer crime ou qualquer atitude aética de um jornalista que tenha descoberto uma investigação e a divulgue para a sociedade.
A POLÍCIA FEDERAL DEVE SER COMPLETAMENTE AUTÔNOMA? ELA JÁ FOI MANOBRADA PELO GOVERNO?
É possível que isso tenha ocorrido com algum membro da corporação, mas não com a Polícia Federal como instituição. O nosso modelo é ideal, subordinando a Polícia Federal ao Ministério da Justiça. Não vejo aí qualquer arranhão ao conceito de imparcialidade. Quanto aos excessos, o Estado brasileiro tem mecanismos para combater os desvios de conduta, quando eles ocorrerem.
DEPOIS DE ALGUNS VAZAMENTOS SOBRE SUPOSTAS IRREGULARIDADES DE MEMBROS DO JUDICIÁRIO, O MINISTRO GILMAR MENDES DISSE QUE A POLÍCIA FEDERAL TENTA FAZER ''CONTROLE IDEOLÓGICO'' DOS JUÍZES. ISSO EXISTE?
Primeiro, não pode haver vazamentos. A Polícia Federal não tem competência para vazar qualquer tipo de informação. A informação só é colhida, em casos como quebra de sigilo, por autorização judicial. Assim também devem ser as eventuais liberações de informações coletadas no processo.
O STF TEM SIDO ACUSADO DE ADOTAR DECISÕES LEGIFERANTES, PRINCIPALMENTE NAS QUESTÕES PARTIDÁRIAS. EM TROCA, O LEGISLATIVO TEM APROVADO LEIS QUE DESFAZEM A DECISÃO DO STF, PARA MANTER BENEFÍCIOS QUE INTERESSAM AOS POLÍTICOS. ONDE ISSO VAI ACABAR?
Eu não vejo usurpação do STF em relação ao Legislativo. Em momento nenhum consegui identificar que o STF estivesse desempenhando papel reservado ao Legislativo. O que o STF e o TSE decidiram sobre questões partidárias, em especial sobre a fidelidade partidária, foram apenas interpretações da legislação, em resposta a consultas feitas por partidos brasileiros.
A IMPUNIDADE COMEÇA NO FORO PRIVILEGIADO?
Com certeza. Temos dados que mostram que não há celeridade de julgamento para os que têm foro privilegiado. O que é até uma contradição, porque, se eles têm foro privilegiado, a ação já começa na última instância e eles não teriam outra instância para reexaminar a questão. Por que isso ocorre? Nós temos, nos tribunais superiores, uma quantidade enorme de processos. Não há mais tempo para julgar; há tempo para decidir. O volume de processos, a falta de tradição dos tribunais superiores no colhimento da prova, no interrogatório e na oitiva de testemunhas faz com que os processos não tenham a celeridade desejada. Veja o caso do mensalão. Só agora, com o recebimento da denúncia, deu-se o pontapé inicial da ação penal. Nenhuma testemunha foi ouvida, nenhuma nova prova material foi ainda colhida.
A AMB ESTÁ DEFENDENDO QUE OS PROCESSOS DE CORRUPÇÃO PÚBLICA TENHAM PRIORIDADE DE JULGAMENTO. A IDÉIA É FAZER ISSO EM TODAS AS INSTÂNCIAS?
Em todas as instâncias. Desde o primeiro grau até o STF. Nós precisamos julgar essas pessoas, precisamos combater a corrupção com muita eficiência. A experiência do Rio Grande do Sul, que tem uma câmara criminal só para julgar prefeitos e vereadores, funciona, e funciona muito bem. Daríamos um salto de qualidade e diminuiríamos o sentimento de impunidade.
É EXEQÜÍVEL PENSAR NUM ESFORÇO NACIONAL PARA REDUZIR OS RECURSOS, MANTENDO O GRAU DE JUSTIÇA NOS JULGAMENTOS?
É possível. O ministro Tarso Genro, no dia da promulgação das alterações no Código de Processo Penal, garantiu que o Ministério da Justiça, através da Secretaria da Reforma do Judiciário, está aprofundando estudos para adequar a nossa legislação aos anseios da sociedade, sem sacrificar a ampla defesa e o princípio do contraditório.
COMO O SR. EXPLICA OS DESENCONTROS DAS DECISÕES DO MINISTRO MENDES E DO JUIZ FAUSTO DE SANCTIS, QUE LEVOU A ESSE PRENDE-SOLTA?
Eu não me pronuncio sobre decisões judiciais. Assim como um ministro do STF não pode manifestar censura a um juiz de primeira instância, eu não posso censurar a decisão de um ministro do STF. Só se pode discordar de uma decisão judicial interpondo um recurso à instância superior.
O QUE O SR. DIZ DO PEDIDO ENCAMINHADO PELO MINISTRO MENDES AO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, SOLICITANDO QUE O JUIZ DE SANCTIS SEJA INVESTIGADO?
É inadmissível. Nenhum juiz pode sofrer constrangimentos quando está no exercício de sua função, venha de onde vier. Se um juiz se convence das provas, deve ter liberdade para proferir a sua decisão.”
O tema principal da entrevista é oportuno, considerando o muito estranho comportamento do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, na sua flagrante obstinada defesa do banqueiro Daniel Dantas, ora investigado pela Polícia Federal por muitas e gigantescas ações criminosas.
Transcrevo:
“Os corruptos, diz, apostam na impunidade, confiando na ineficiência do Judiciário e de legislação que oferece prazos excessivos”
“Uma das origens da impunidade no Brasil está na legislação que favorece a manobra e a chicana jurídica, retardando a limites extremos a tramitação dos processos, afirma o juiz Mozart Valadares Pires, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A outra é que o Estado brasileiro é ''propício à corrupção''.
Os corruptos, diz ele, apostam na impunidade confiando na ineficiência do Judiciário e de uma legislação que oferece facilidades, garante prazos excessivos e lhes assegura, quase sempre, que não serão julgados em vida, tal o número de recursos que possibilita.
Valadares preconiza duas ações imediatas para vencer a corrupção. Uma é a mudança da legislação, reduzindo a possibilidade de recursos judiciais sem sacrificar o amplo direito de defesa e sem arranhar o princípio do contraditório. Outra é que o País adote, em todos os graus da Justiça, prioridade para julgar os casos de corrupção que tenham envolvimento de agentes públicos.
O juiz admite excessos nas ações da Polícia Federal, mas prefere realçar seus méritos, frisando que ela eliminou ''quadrilhas enraizadas no Estado''. Ele sublinha: ''Em alguns momentos, não conseguíamos distinguir o que era marginalidade do que era Estado.'' Eis a íntegra da entrevista:
IMPUNIDADE É UMA QUESTÃO DE LEI OU DEPENDE DE VONTADE POLÍTICA?
A impunidade não depende da vontade política, nem é apenas uma questão de lei. É que o Estado não tem como dar resposta rápida às questões que provocam o sentimento de impunidade. Temos uma estrutura arcaica e um excesso de ações. Não temos uma defensoria pública estruturada, não temos um número suficiente de juízes e promotores. No ano passado, o STF julgou perto de 150 mil processos. Isso não existe em país algum.
ONDE COMEÇAM OS PECADOS DA LEGISLAÇÃO?
Nossa legislação peca pelo excesso de formalismo, oferece um excessivo número de recursos judiciais. Tudo isso contribui para a morosidade do Judiciário. E a morosidade contribui decisivamente para o sentimento de impunidade. Os dados são alarmantes. Quarenta por cento da população carcerária são presos provisórios, não foram julgados. Muitos deles, quando forem julgados, e se forem condenados, talvez já tenham pago a pena. Isso acontece porque são pessoas pobres, e o Estado não oferece uma defensoria para acompanhar os casos e protestar por um processo ágil. O Judiciário pode ter a sua parcela de culpa, mas a morosidade não pode ser atribuída única e exclusivamente a nós.
O SR. ACHA QUE A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PERMITE RECURSOS EM EXCESSO?
Sem dúvida. A um simples despacho de um juiz, já cabe recurso. É agravo de instrumento, é agravo regimental, é agravo retido, é embargo de declaração, é apelação. Existe um número infinito de recursos que impedem a tramitação normal do processo.
POR QUE RICO NÃO FICA NA CADEIA NO BRASIL?
Porque o rico tem condições financeiras para constituir bons advogados, que conhecem em profundidade a legislação. E a legislação favorece a manobra, a chicana jurídica, o que faz com que o processo não tenha uma tramitação célere. A legislação permite que réus confessos, condenados no primeiro grau ou pelo tribunal do júri, recorram em liberdade.
ATÉ ONDE A INFLUÊNCIA POLÍTICA PODE FUNCIONAR PARA QUE SE ADIE A PRISÃO DE UM CORRUPTO BRASILEIRO?
Vejo uma mudança substancial na questão do tráfico de influência. A Polícia Federal vem dando uma contribuição valiosa no combate à corrupção. O Ministério Público também vem se comportando de maneira altiva. Recentemente, o STF recebeu por unanimidade uma denúncia que envolvia pessoas de alto poder na República, que antes jamais seriam atingidas e hoje são réus perante o STF. Isso é uma demonstração de que o País caminha para combater seriamente a corrupção e tratar todos os brasileiros de forma igual.
OS GRANDES GOLPES DO COLARINHO BRANCO TÊM SEMPRE O ENVOLVIMENTO DE UM AGENTE PÚBLICO CORROMPIDO. COMO CONTROLAR MELHOR ISSO?
Acima de tudo, a sociedade exige uma reforma política que traga mais clareza e fortaleça os partidos políticos. Não podemos aceitar a existência de legendas de aluguel, partidos que apóiam o governo para lotear cargos públicos em estatais. O que passa a existir é uma relação de troca de favores - e não uma relação institucional -, que facilita por demais esse tipo de atividade ilícita. Temos de buscar uma relação em que o Legislativo cumpra a sua missão constitucional de legislar e fiscalizar o Executivo, e o Executivo realize seus programas e obras. E não ter um poder que funciona como um apêndice do outro.
O ambiente que temos no Estado é propício à corrupção. Os corruptos apostam na impunidade, na ineficiência do Judiciário e na legislação que lhes dá facilidades, prazos excessivos que lhes permitem o conforto de não serem julgados em vida, tal o número de recursos que seus advogados poderão invocar na Justiça. Tudo isso facilita que pessoas com esse perfil pratiquem crimes contra o erário público.
O PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES, FALOU EM ''ESPETACULARIZAÇÃO'' DA MISSÃO DE POLÍCIA. O PRESIDENTE DO SENADO, GARIBALDI ALVES, FALOU EM ''USO ABUSIVO DE ALGEMAS''. ESSAS CRÍTICAS SÃO JUSTAS?
Nenhum brasileiro desconhece a contribuição que a Polícia Federal vem dando ao País, ao eliminar algumas quadrilhas que estavam enraizadas no Estado brasileiro. Em alguns momentos, nós não conseguíamos distinguir o que era marginalidade do que era Estado. A Polícia Federal deu essa contribuição à Nação. Isso é um mérito. Não podemos desqualificar o mérito maior por algum excesso cometido. Não podemos admitir que alguém que esteja incomodado ou que tenha interesses contrariados possa desqualificar o mérito maior por causa de algum excesso cometido. É óbvio que algemas só devem ser usadas quando um acusado resiste. Fora disso, são totalmente desnecessárias. Em alguns casos, vimos que a Polícia Federal usou algemas desnecessariamente. Não podemos generalizar, dizendo que isso é feito pela Polícia Federal. Alguns agentes podem cometer excessos, mas não a instituição.
COMO OS CASOS TÊM SE REPETIDO, NÃO SERIA O CASO DE DIZER QUE ALGEMAR O RICO QUE É PRESO MAIS PARECE UMA FORMA DE FAZÊ-LO EXPIAR ANTECIPADAMENTE UMA PENA QUE ELE NÃO VAI CUMPRIR?
Um segmento social do Brasil gosta dessa atitude da Polícia Federal exatamente pelo sentimento de impunidade que existe em relação a algumas classes privilegiadas. Mas nós vivemos num Estado Democrático de Direito, temos uma Constituição vigente, e essa Constituição protege todos os cidadãos, independente do poder econômico ou do poder político. Não poderemos praticar excessos nem contra o rico nem contra o pobre.
É ÉTICO E LEGAL QUE A POLÍCIA FEDERAL FILME A PRISÃO E EM SEGUIDA DISTRIBUA O VÍDEO A CERTAS EMISSORAS DE TV?
Absolutamente. Nem vazar para uma empresa jornalística nem filmar e depois ceder com exclusividade para uma empresa. Não cabe à Polícia Federal esse tipo de comportamento, que é aético e criminoso.
E SE UM JORNAL DESCOBRIR UMA AÇÃO POLICIAL E REPORTÁ-LA - ISSO É PERMITIDO OU CONSTITUI ABUSO CONTRA A PRIVACIDADE DO PRESO, SEJA ELE RICO OU POBRE?
Algumas medidas têm de ser sigilosas. Mas, se um jornal descobre que está sendo feita uma investigação, tem todo o direito de prestar essa informação a seu público, de tentar arrancar o máximo de informações sobre ela. Não vejo qualquer crime ou qualquer atitude aética de um jornalista que tenha descoberto uma investigação e a divulgue para a sociedade.
A POLÍCIA FEDERAL DEVE SER COMPLETAMENTE AUTÔNOMA? ELA JÁ FOI MANOBRADA PELO GOVERNO?
É possível que isso tenha ocorrido com algum membro da corporação, mas não com a Polícia Federal como instituição. O nosso modelo é ideal, subordinando a Polícia Federal ao Ministério da Justiça. Não vejo aí qualquer arranhão ao conceito de imparcialidade. Quanto aos excessos, o Estado brasileiro tem mecanismos para combater os desvios de conduta, quando eles ocorrerem.
DEPOIS DE ALGUNS VAZAMENTOS SOBRE SUPOSTAS IRREGULARIDADES DE MEMBROS DO JUDICIÁRIO, O MINISTRO GILMAR MENDES DISSE QUE A POLÍCIA FEDERAL TENTA FAZER ''CONTROLE IDEOLÓGICO'' DOS JUÍZES. ISSO EXISTE?
Primeiro, não pode haver vazamentos. A Polícia Federal não tem competência para vazar qualquer tipo de informação. A informação só é colhida, em casos como quebra de sigilo, por autorização judicial. Assim também devem ser as eventuais liberações de informações coletadas no processo.
O STF TEM SIDO ACUSADO DE ADOTAR DECISÕES LEGIFERANTES, PRINCIPALMENTE NAS QUESTÕES PARTIDÁRIAS. EM TROCA, O LEGISLATIVO TEM APROVADO LEIS QUE DESFAZEM A DECISÃO DO STF, PARA MANTER BENEFÍCIOS QUE INTERESSAM AOS POLÍTICOS. ONDE ISSO VAI ACABAR?
Eu não vejo usurpação do STF em relação ao Legislativo. Em momento nenhum consegui identificar que o STF estivesse desempenhando papel reservado ao Legislativo. O que o STF e o TSE decidiram sobre questões partidárias, em especial sobre a fidelidade partidária, foram apenas interpretações da legislação, em resposta a consultas feitas por partidos brasileiros.
A IMPUNIDADE COMEÇA NO FORO PRIVILEGIADO?
Com certeza. Temos dados que mostram que não há celeridade de julgamento para os que têm foro privilegiado. O que é até uma contradição, porque, se eles têm foro privilegiado, a ação já começa na última instância e eles não teriam outra instância para reexaminar a questão. Por que isso ocorre? Nós temos, nos tribunais superiores, uma quantidade enorme de processos. Não há mais tempo para julgar; há tempo para decidir. O volume de processos, a falta de tradição dos tribunais superiores no colhimento da prova, no interrogatório e na oitiva de testemunhas faz com que os processos não tenham a celeridade desejada. Veja o caso do mensalão. Só agora, com o recebimento da denúncia, deu-se o pontapé inicial da ação penal. Nenhuma testemunha foi ouvida, nenhuma nova prova material foi ainda colhida.
A AMB ESTÁ DEFENDENDO QUE OS PROCESSOS DE CORRUPÇÃO PÚBLICA TENHAM PRIORIDADE DE JULGAMENTO. A IDÉIA É FAZER ISSO EM TODAS AS INSTÂNCIAS?
Em todas as instâncias. Desde o primeiro grau até o STF. Nós precisamos julgar essas pessoas, precisamos combater a corrupção com muita eficiência. A experiência do Rio Grande do Sul, que tem uma câmara criminal só para julgar prefeitos e vereadores, funciona, e funciona muito bem. Daríamos um salto de qualidade e diminuiríamos o sentimento de impunidade.
É EXEQÜÍVEL PENSAR NUM ESFORÇO NACIONAL PARA REDUZIR OS RECURSOS, MANTENDO O GRAU DE JUSTIÇA NOS JULGAMENTOS?
É possível. O ministro Tarso Genro, no dia da promulgação das alterações no Código de Processo Penal, garantiu que o Ministério da Justiça, através da Secretaria da Reforma do Judiciário, está aprofundando estudos para adequar a nossa legislação aos anseios da sociedade, sem sacrificar a ampla defesa e o princípio do contraditório.
COMO O SR. EXPLICA OS DESENCONTROS DAS DECISÕES DO MINISTRO MENDES E DO JUIZ FAUSTO DE SANCTIS, QUE LEVOU A ESSE PRENDE-SOLTA?
Eu não me pronuncio sobre decisões judiciais. Assim como um ministro do STF não pode manifestar censura a um juiz de primeira instância, eu não posso censurar a decisão de um ministro do STF. Só se pode discordar de uma decisão judicial interpondo um recurso à instância superior.
O QUE O SR. DIZ DO PEDIDO ENCAMINHADO PELO MINISTRO MENDES AO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, SOLICITANDO QUE O JUIZ DE SANCTIS SEJA INVESTIGADO?
É inadmissível. Nenhum juiz pode sofrer constrangimentos quando está no exercício de sua função, venha de onde vier. Se um juiz se convence das provas, deve ter liberdade para proferir a sua decisão.”
PROCURADORES PEDIRÃO IMPEACHMENT DE GILMAR MENDES
Nesta segunda, 14 de julho de 2008, às 14h47, o site Terra Magazine, de Bob Fernandes, postou essa notícia, com o título já exposto acima. Vejamos:
“Procuradores regionais de vários Estados, entre eles Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República de São Paulo, estão redigindo uma representação contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por "crime de responsabilidade". Em outras palavras, os procuradores vão pedir ao Senado o impeachment de Gilmar Mendes.
O pedido se baseia no artigo 52, inciso II da Constituição Federal, que dá ao Senado a competência para julgar o impedimento de ministros do Supremo. Para aprová-lo, é necessária uma maioria de dois terços.
A sessão deve ser presidida pelo presidente do Supremo. Como no caso a representação é contra ele, se aceita, seria presidida pelo vice, Cézar Peluso. A aprovação implica em inabilidade do ministro impedido por 8 anos.
MANIFESTAÇÃO DE JUÍZES
De parte de juízes federais, está sendo programada uma manifestação de protesto contra Gilmar Mendes, que se dará às 17 horas desta segunda-feira, em São Paulo. O ato ocorrerá em frente ao Fórum Criminal, na rua Ministro Rocha Azevedo.
Terra Magazine conversou com a procuradora Ana Lúcia Amaral, que diz: "O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, disse que encaminhou para o Conselho Nacional de Justiça as decisões do juiz Fausto De Sanctis. Isso é para efeito de mera estatística. Isso não existe. Tenho 28 anos em atividade, em processo judicial, e nunca ouvi falar nisso. Por favor, não subestimem a inteligência das pessoas".
A redação do texto dos procuradores buscará ser a mais consensual possível, no sentido de, em seguida, obter adesões da chamada sociedade civil. Os procuradores irão buscar o apoio de professores de Direito e de centros acadêmicos como o 11 de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, da USP.
O ministro Gilmar Mendes concedeu dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, libertando-o da prisão determinada pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo. Na última decisão, Mendes afirmou que a segunda ordem de prisão expedida pelo magistrado era "nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão do Supremo Tribunal Federal".”
“Procuradores regionais de vários Estados, entre eles Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República de São Paulo, estão redigindo uma representação contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por "crime de responsabilidade". Em outras palavras, os procuradores vão pedir ao Senado o impeachment de Gilmar Mendes.
O pedido se baseia no artigo 52, inciso II da Constituição Federal, que dá ao Senado a competência para julgar o impedimento de ministros do Supremo. Para aprová-lo, é necessária uma maioria de dois terços.
A sessão deve ser presidida pelo presidente do Supremo. Como no caso a representação é contra ele, se aceita, seria presidida pelo vice, Cézar Peluso. A aprovação implica em inabilidade do ministro impedido por 8 anos.
MANIFESTAÇÃO DE JUÍZES
De parte de juízes federais, está sendo programada uma manifestação de protesto contra Gilmar Mendes, que se dará às 17 horas desta segunda-feira, em São Paulo. O ato ocorrerá em frente ao Fórum Criminal, na rua Ministro Rocha Azevedo.
Terra Magazine conversou com a procuradora Ana Lúcia Amaral, que diz: "O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, disse que encaminhou para o Conselho Nacional de Justiça as decisões do juiz Fausto De Sanctis. Isso é para efeito de mera estatística. Isso não existe. Tenho 28 anos em atividade, em processo judicial, e nunca ouvi falar nisso. Por favor, não subestimem a inteligência das pessoas".
A redação do texto dos procuradores buscará ser a mais consensual possível, no sentido de, em seguida, obter adesões da chamada sociedade civil. Os procuradores irão buscar o apoio de professores de Direito e de centros acadêmicos como o 11 de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, da USP.
O ministro Gilmar Mendes concedeu dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, libertando-o da prisão determinada pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo. Na última decisão, Mendes afirmou que a segunda ordem de prisão expedida pelo magistrado era "nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão do Supremo Tribunal Federal".”
domingo, 13 de julho de 2008
A HISTÓRIA ENSINA A QUEM QUER APRENDER
O Jornal do Brasil de hoje publicou um muito bom texto de Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e vice-presidente do PSB. Sua mensagem, em síntese, é ”mobilizar a sociedade para que entenda que, sem Forças Armadas equipadas para as guerras do presente século, não asseguraremos a soberania nacional.” Transcrevo:
"A HISTÓRIA ENSINA A QUEM QUER APRENDER
A história ensina, mas só aprende quem sabe lê-la e desse aprendizado está imune boa parte das chamadas elites brasileiras. Ordinariamente medíocres e alienígenas, não sabem colher o ensinamento da experiência, e insistem na prática do erro, pois são avessas à modernização, ao progresso, ao interesse social.
Todo mundo e toda a imprensa já disse que não se pode confundir (e quem confunde?), uma de nossas Forças Armadas ou todas elas com a miséria humana do tenente da Providência, como igualmente ninguém jamais as confundiu, seja com Lamarca, seja com Burnier. Mas essa visão clara dos fatos não diz tudo, pois a experiência já deveria haver ensinado que as Forças Armadas não podem ser empregadas como modernos ‘capitães do mato’, como quando foram arregimentadas para caçar escravos fugidos, ou como quando, na República, em nome do novo regime, foram mobilizadas para a desastrada ‘guerra’ de Canudos.
Hoje, a direita impressa e a classe média oportunista voltam a cobrar a ação dos militares para ‘pôr ordem’ nos morros.
Nos idos de 1964, na casa de um amigo empresário, com quem assistia a um Repórter Esso, ouvi-o, pedir, jactante, diante da ‘anarquia’ trazida pela TV das ruas para o recesso dos lares de Ipanema, que lhe dessem, como o cavalo pelo qual clamava o desesperado Ricardo III, o ‘verde oliva’ com o qual em um mês ‘poria a casa em ordem’. Os militares vieram e ficaram não apenas um mês, mas 20 anos, rasgaram a Constituição, implantaram a ditadura, e, quando apeados do poder, deixaram o país envolto em dívidas e inflação. Ou seja, na desordem. Uma vez mais as Forças Armadas haviam sido chamadas a cumprir o papel de ‘capitães do mato’, desta feita para caçar comunistas e assemelhados. Cedo, a promiscuidade com o que havia de pior no aparato policial civil, produziu tipos como o Capitão Guimarães e o Coronel Ustra.
Esta saga sinistra está contada e bem contada por Elio Gaspari e a dou por conhecida. Relembro-a para dizer que o desvio das Forças Armadas de suas funções constitucionais não serve à República, nem à democracia; não serve ao Estado, não serve ao povo brasileiro, e ainda menos serve a elas próprias.
Não serve aos interesses do país desviar o foco da atuação das Forças Armadas, da função de defesa da Pátria, para a de força policial. Enquanto a imprensa discute se as Forças Armadas devem ou não ser utilizadas no combate ao crime, enquanto cientistas e criminalistas improvisados são chamados a diagnosticar o episódio do morro da Providência, não se discute a inexistência de meios para que cumpram seu papel e seu dever constitucionais.
Não se discute a vulnerabilidade de nossas fronteiras terrestres e do nosso espaço aéreo e a suicida desproteção de nosso litoral, sede de grandes reservas de gás e petróleo. Não se discute o imprescindível e inadiável aparelhamento e modernização das Forças, seu desenvolvimento científico e tecnológico, e a qualificação da indústria bélica nacional, indispensável para que sejam autônomas.
Se não nos preocupamos com o essencial, outros se preocupam, e isso é perigoso. Os EUA (depois de intervirem no Norte do Continente) resolveram reativar a IV Frota de sua Marinha, para ficar ‘passeando’ pelo Atlântico Sul, exatamente quando a crise do petróleo parece haver conhecido seu clímax, e a Petrobras não pára de descobrir novas jazidas. Tampouco, em face da crescente mobilização internacional, não se pode mais dizer que as ameaças à Amazônia são ora invencionices de ONGs internacionais, ora delírios de nacionalistas arcaicos.
Enquanto a imprensa discute o inconcebível papel das Forças Armadas no combate ao crime, deixa de lado a questão fundamental: mobilizar a sociedade para que entenda que, sem Forças Armadas equipadas para as guerras do presente século, não asseguraremos a soberania nacional. Isto significa, na quadra atual, priorizar o programa de construção do submarino de propulsão nuclear (indispensável para a defesa do nosso litoral) e o programa espacial, sem o qual não poderemos assegurar a incolumidade do espaço aéreo, o tráfego da aviação civil, a integridade territorial, o mapeamento por imagens de nossas florestas, as pesquisas meteorológicas, a prospecção de nossas riquezas minerais, e o sistema de comunicação, que nos une ao mundo e a nós mesmos.”
"A HISTÓRIA ENSINA A QUEM QUER APRENDER
A história ensina, mas só aprende quem sabe lê-la e desse aprendizado está imune boa parte das chamadas elites brasileiras. Ordinariamente medíocres e alienígenas, não sabem colher o ensinamento da experiência, e insistem na prática do erro, pois são avessas à modernização, ao progresso, ao interesse social.
Todo mundo e toda a imprensa já disse que não se pode confundir (e quem confunde?), uma de nossas Forças Armadas ou todas elas com a miséria humana do tenente da Providência, como igualmente ninguém jamais as confundiu, seja com Lamarca, seja com Burnier. Mas essa visão clara dos fatos não diz tudo, pois a experiência já deveria haver ensinado que as Forças Armadas não podem ser empregadas como modernos ‘capitães do mato’, como quando foram arregimentadas para caçar escravos fugidos, ou como quando, na República, em nome do novo regime, foram mobilizadas para a desastrada ‘guerra’ de Canudos.
Hoje, a direita impressa e a classe média oportunista voltam a cobrar a ação dos militares para ‘pôr ordem’ nos morros.
Nos idos de 1964, na casa de um amigo empresário, com quem assistia a um Repórter Esso, ouvi-o, pedir, jactante, diante da ‘anarquia’ trazida pela TV das ruas para o recesso dos lares de Ipanema, que lhe dessem, como o cavalo pelo qual clamava o desesperado Ricardo III, o ‘verde oliva’ com o qual em um mês ‘poria a casa em ordem’. Os militares vieram e ficaram não apenas um mês, mas 20 anos, rasgaram a Constituição, implantaram a ditadura, e, quando apeados do poder, deixaram o país envolto em dívidas e inflação. Ou seja, na desordem. Uma vez mais as Forças Armadas haviam sido chamadas a cumprir o papel de ‘capitães do mato’, desta feita para caçar comunistas e assemelhados. Cedo, a promiscuidade com o que havia de pior no aparato policial civil, produziu tipos como o Capitão Guimarães e o Coronel Ustra.
Esta saga sinistra está contada e bem contada por Elio Gaspari e a dou por conhecida. Relembro-a para dizer que o desvio das Forças Armadas de suas funções constitucionais não serve à República, nem à democracia; não serve ao Estado, não serve ao povo brasileiro, e ainda menos serve a elas próprias.
Não serve aos interesses do país desviar o foco da atuação das Forças Armadas, da função de defesa da Pátria, para a de força policial. Enquanto a imprensa discute se as Forças Armadas devem ou não ser utilizadas no combate ao crime, enquanto cientistas e criminalistas improvisados são chamados a diagnosticar o episódio do morro da Providência, não se discute a inexistência de meios para que cumpram seu papel e seu dever constitucionais.
Não se discute a vulnerabilidade de nossas fronteiras terrestres e do nosso espaço aéreo e a suicida desproteção de nosso litoral, sede de grandes reservas de gás e petróleo. Não se discute o imprescindível e inadiável aparelhamento e modernização das Forças, seu desenvolvimento científico e tecnológico, e a qualificação da indústria bélica nacional, indispensável para que sejam autônomas.
Se não nos preocupamos com o essencial, outros se preocupam, e isso é perigoso. Os EUA (depois de intervirem no Norte do Continente) resolveram reativar a IV Frota de sua Marinha, para ficar ‘passeando’ pelo Atlântico Sul, exatamente quando a crise do petróleo parece haver conhecido seu clímax, e a Petrobras não pára de descobrir novas jazidas. Tampouco, em face da crescente mobilização internacional, não se pode mais dizer que as ameaças à Amazônia são ora invencionices de ONGs internacionais, ora delírios de nacionalistas arcaicos.
Enquanto a imprensa discute o inconcebível papel das Forças Armadas no combate ao crime, deixa de lado a questão fundamental: mobilizar a sociedade para que entenda que, sem Forças Armadas equipadas para as guerras do presente século, não asseguraremos a soberania nacional. Isto significa, na quadra atual, priorizar o programa de construção do submarino de propulsão nuclear (indispensável para a defesa do nosso litoral) e o programa espacial, sem o qual não poderemos assegurar a incolumidade do espaço aéreo, o tráfego da aviação civil, a integridade territorial, o mapeamento por imagens de nossas florestas, as pesquisas meteorológicas, a prospecção de nossas riquezas minerais, e o sistema de comunicação, que nos une ao mundo e a nós mesmos.”
CRUZ VERMELHA ACUSA EUA DE TORTURA E MEMBROS DO GOVERNO BUSH POR CRIMES DE GUERRA
O jornal Folha de São Paulo de hoje publicou texto de Scott Shane, do "New York Times", expondo um fato já sabido em todo o mundo: o uso oficial da tortura nos interrogatórios de suspeitos de serem inimigos das intervenções militares norte-americanas.
A novidade é a Cruz Vermelha Internacional manifestar isso formalmente, até mesmo acusando membros do governo Bush, que autorizaram a prática, de "crimes de guerra".
Transcrevo parcialmente a notícia:
“Inquérito movido pela Cruz Vermelha Internacional concluiu sigilosamente no ano passado que os métodos utilizados pela CIA, agência de inteligência americana, nos interrogatórios de suspeitos de pertencerem à Al Qaeda podem ser qualificados como tortura, expondo membros do governo Bush que autorizaram a prática à acusação de "crimes de guerra".
A informação está em livro da especialista em contraterrorismo Jane Mayer, a ser lançado nesta semana. A Cruz Vermelha se refere especificamente ao interrogatório de Abu Zubaydah, do primeiro escalão da rede comandada por Bin Laden. Segundo o organismo, foi "categoricamente" empregada a tortura, proibida pelas leis americanas e internacionais.
Zubaydah, além de permanecer preso num cubículo tão pequeno que o obrigava a manter a posição fetal, foi socado contra paredes e submetido a simulação de afogamento -prática que os americanos não consideram como tortura.
A existência desses métodos já era conhecida. A novidade está na manifestação da Cruz Vermelha, que não tem por hábito repreender publicamente.”
A novidade é a Cruz Vermelha Internacional manifestar isso formalmente, até mesmo acusando membros do governo Bush, que autorizaram a prática, de "crimes de guerra".
Transcrevo parcialmente a notícia:
“Inquérito movido pela Cruz Vermelha Internacional concluiu sigilosamente no ano passado que os métodos utilizados pela CIA, agência de inteligência americana, nos interrogatórios de suspeitos de pertencerem à Al Qaeda podem ser qualificados como tortura, expondo membros do governo Bush que autorizaram a prática à acusação de "crimes de guerra".
A informação está em livro da especialista em contraterrorismo Jane Mayer, a ser lançado nesta semana. A Cruz Vermelha se refere especificamente ao interrogatório de Abu Zubaydah, do primeiro escalão da rede comandada por Bin Laden. Segundo o organismo, foi "categoricamente" empregada a tortura, proibida pelas leis americanas e internacionais.
Zubaydah, além de permanecer preso num cubículo tão pequeno que o obrigava a manter a posição fetal, foi socado contra paredes e submetido a simulação de afogamento -prática que os americanos não consideram como tortura.
A existência desses métodos já era conhecida. A novidade está na manifestação da Cruz Vermelha, que não tem por hábito repreender publicamente.”
AUMENTA A PROBABILIDADE DE IMINENTE ATAQUE DOS EUA E ISRAEL AO IRÃ
A agência francesa France Presse (AFP) publicou hoje, e o portal UOL postou há poucos minutos, uma notícia importante. Grandes e novas reservas de petróleo foram descobertas no Irã. Mais importante ainda é a conseqüência subentendida da informação da AFP, que é o título acima desta nossa postagem.
RESERVA PETROLÍFERA DE UM BILHÃO DE BARRIS É DESCOBERTA NO IRÃ
“Teerã, 13 Jul 2008 (AFP) - Uma reserva de petróleo de mais de um bilhão de barris foi descoberta na província de Khuzestan, no sudoeste do Irã, informou neste domingo o ministro iraniano do Petróleo, Golam Hosein Nozari, citado pela agência Shana.
A reserva contém 1,1 bilhão de barris de "sweet crude oil", dos quais 233 milhões são recuperáveis, e fica perto da cidade de Andimeshk, na província de Khuzestan, fronteira com o Iraque, afirmou o ministro, sem dar mais detalhes.
O "sweet crude oil" é um petróleo de boa qualidade que contém menos de 0,5% de enxofre.
O Irã é o quarto maior produtor mundial de ouro negro, e o segundo maior da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em fevereiro, o país começou a exploração de sua maior reserva terrestre, Azadegan, cuja capacidade é estimada em 42 bilhões de barris.”
RESERVA PETROLÍFERA DE UM BILHÃO DE BARRIS É DESCOBERTA NO IRÃ
“Teerã, 13 Jul 2008 (AFP) - Uma reserva de petróleo de mais de um bilhão de barris foi descoberta na província de Khuzestan, no sudoeste do Irã, informou neste domingo o ministro iraniano do Petróleo, Golam Hosein Nozari, citado pela agência Shana.
A reserva contém 1,1 bilhão de barris de "sweet crude oil", dos quais 233 milhões são recuperáveis, e fica perto da cidade de Andimeshk, na província de Khuzestan, fronteira com o Iraque, afirmou o ministro, sem dar mais detalhes.
O "sweet crude oil" é um petróleo de boa qualidade que contém menos de 0,5% de enxofre.
O Irã é o quarto maior produtor mundial de ouro negro, e o segundo maior da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em fevereiro, o país começou a exploração de sua maior reserva terrestre, Azadegan, cuja capacidade é estimada em 42 bilhões de barris.”
PAULO HENRIQUE AMORIM-2: “O NOME ‘GILMAR’ COMEÇA A APARECER NA FITA”
Outro artigo do jornalista da Rede Record, Paulo Henrique Amorim (PHA), publicado hoje no blog “Conversa Afiada”, que vale a pena aqui reproduzí-lo. O assunto está inserido no mesmo contexto do artigo de PHA postado há pouco por este blog.
“O NOME ‘GILMAR’ COMEÇA A APARECER NA FITA”
“No dia anterior, o cunhado e sócio de Dantas, Arthur Joaquim Carvalho, fala com Verônica Dantas (*), irmã do banqueiro. Ela avisa que ‘o ministro é Sidnei Beneti’ (do Superior Tribunal de Justiça) e diz que Carvalho ‘precisa passar os detalhes sobre a legislação para o Madeira que é amigo do Gilmar’ e ‘isso pode parar na mão dele’ (Gilmar). Para a PF, tratava-se do Ministro (Supremo) Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.”
É o que se lê na página A4 do Estadão de hoje – “Greenhalgh antecipa voto do STJ – petista adianta para executivo do Opportunity como ministro (Beneti) votará”.
Lá embaixo, escondido, atrás da moita, aparece essa informação sobre um “Gilmar”, já que a coisa pode “parar na mão dele”.
Segundo o Jornal Nacional, Daniel Dantas teria dito que o problema dele era na primeira instância – o Juiz De Sanctis, aquele de que todo brasileiro se orgulha. Porque no STJ e no STF Dantas desfrutava de “facilidades”.
“Facilidades”? Deve ser isso aí que o Estadão não destacou. “Facilidades”.
O que tem a dizer o Ministro Beneti do STJ? Ele faz parte das “facilidades”? Quem é o Madeira? Ele é amigo do Gilmar? Que Gilmar? (Ah! Deve ser o "Gilmar" dos Santos Neves, o maior goleiro do Brasil de todos os tempos. Tudo parava na mão dele. Ah! Está tudo explicado ...).
O Juiz Beneti votou como Greenhalgh previu que ia votar.
E “Gilmar”? Gilmar Mendes, o Presidente Supremo, recebeu os advogados do Opportunity antes de votar os dois habeas corpus? Gilmar Mendes, uma vez, disse que Gilmar Mendes não era ele, mas um homônimo. “Gilmar”, amigo do Madeira, nas mãos de quem isso “pode parar”, também é um homônimo?
Ou o pessoal da PF que fez o grampo não passa de um conjunto de “gangsters”?
E sobre a reportagem de cima da mesma página do Estadão, Presidente Supremo Gilmar Mendes: “Dantas espionou juizes paulistas, afirma PF”? Isso não é motivo para mandar o Dantas de volta para cadeia?
Presidente Supremo, o senhor sabe que já entrou para o livro Guiness dos Records?
Não é pelo fato de ser o magistrado que, no Planeta Terra, melhor conhece o Direito alemão. É porque o senhor soltou o mesmo ladrão duas vezes em 48 horas!
Os advogados do Cacciola, o outro banqueiro, não podem perder tempo: daqui a pouco os dez ministros do STF (seis indicados pelo Presidente que tem medo, Luiz Inácio Lula da Silva) voltam das merecidas férias...
(*) Verônica Dantas passou uma noite no PF Hilton. Foi ela quem, em nome do irmão, investiu milhões de dólares numa empresa de internet da filha de José Serra, em Miami. Por falar nisso, quando é que os grampos sobre o presidente eleito José Serra vão começar a aparecer?"
“O NOME ‘GILMAR’ COMEÇA A APARECER NA FITA”
“No dia anterior, o cunhado e sócio de Dantas, Arthur Joaquim Carvalho, fala com Verônica Dantas (*), irmã do banqueiro. Ela avisa que ‘o ministro é Sidnei Beneti’ (do Superior Tribunal de Justiça) e diz que Carvalho ‘precisa passar os detalhes sobre a legislação para o Madeira que é amigo do Gilmar’ e ‘isso pode parar na mão dele’ (Gilmar). Para a PF, tratava-se do Ministro (Supremo) Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.”
É o que se lê na página A4 do Estadão de hoje – “Greenhalgh antecipa voto do STJ – petista adianta para executivo do Opportunity como ministro (Beneti) votará”.
Lá embaixo, escondido, atrás da moita, aparece essa informação sobre um “Gilmar”, já que a coisa pode “parar na mão dele”.
Segundo o Jornal Nacional, Daniel Dantas teria dito que o problema dele era na primeira instância – o Juiz De Sanctis, aquele de que todo brasileiro se orgulha. Porque no STJ e no STF Dantas desfrutava de “facilidades”.
“Facilidades”? Deve ser isso aí que o Estadão não destacou. “Facilidades”.
O que tem a dizer o Ministro Beneti do STJ? Ele faz parte das “facilidades”? Quem é o Madeira? Ele é amigo do Gilmar? Que Gilmar? (Ah! Deve ser o "Gilmar" dos Santos Neves, o maior goleiro do Brasil de todos os tempos. Tudo parava na mão dele. Ah! Está tudo explicado ...).
O Juiz Beneti votou como Greenhalgh previu que ia votar.
E “Gilmar”? Gilmar Mendes, o Presidente Supremo, recebeu os advogados do Opportunity antes de votar os dois habeas corpus? Gilmar Mendes, uma vez, disse que Gilmar Mendes não era ele, mas um homônimo. “Gilmar”, amigo do Madeira, nas mãos de quem isso “pode parar”, também é um homônimo?
Ou o pessoal da PF que fez o grampo não passa de um conjunto de “gangsters”?
E sobre a reportagem de cima da mesma página do Estadão, Presidente Supremo Gilmar Mendes: “Dantas espionou juizes paulistas, afirma PF”? Isso não é motivo para mandar o Dantas de volta para cadeia?
Presidente Supremo, o senhor sabe que já entrou para o livro Guiness dos Records?
Não é pelo fato de ser o magistrado que, no Planeta Terra, melhor conhece o Direito alemão. É porque o senhor soltou o mesmo ladrão duas vezes em 48 horas!
Os advogados do Cacciola, o outro banqueiro, não podem perder tempo: daqui a pouco os dez ministros do STF (seis indicados pelo Presidente que tem medo, Luiz Inácio Lula da Silva) voltam das merecidas férias...
(*) Verônica Dantas passou uma noite no PF Hilton. Foi ela quem, em nome do irmão, investiu milhões de dólares numa empresa de internet da filha de José Serra, em Miami. Por falar nisso, quando é que os grampos sobre o presidente eleito José Serra vão começar a aparecer?"
PAULO HENRIQUE AMORIM-1: “PIG ENTREGA DANTAS PARA SALVAR OS DEDOS”
O jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA), em seu blog “Conversa Afiada”, faz hoje uma inteligente análise da reação da mídia em conseqüência da complexidade de relacionamentos e da magnitude dos atos ilícitos do banqueiro Daniel Dantas, agora começando a ser revelados. Vejamos o que escreveu PHA:
“PIG ENTREGA DANTAS PARA SALVAR OS DEDOS”
“A leitura da Veja, do Estadão e da Folha (da Tarde) deste domingo, dia 13, indica a estratégia do PiG [“Partido da Imprensa Golpista”] como instrumento da apreensão da elite branca: dane-se Dantas e vamos salvar a nossa grana depositada lá fora.
Para isso, é fundamental desmoralizar e desconstruir a investigação do delegado Protógenes Queiroz e a sua materialização nas decisões corajosas do Juiz De Sanctis.
Dantas desceu aos infernos. Tanto faz que esteja preso, solto ou em fuga. Ele serviu ao PiG e à elite branca. O PiG e a elite branca o protegeram. Porém, agora, ele não tem mais salvação.
O PiG deste domingo consolida uma estratégia iniciada pelas Organizações (?) Globo: dane-se Dantas e vamos cuidar do nosso bolso.
E se aparecer um Marinho na lista dos 89 de Dantas? Por isso, é preciso desqualificar Queiroz e De Sanctis. Transformar a lista de Dantas num daqueles papelotes de jogo do bicho que só os banqueiros de bicho honram.
O problema da elite branca é muito maior do que o destino de Dantas. Dantas já não presta mais. Um dia, será a vez do Supremo Presidente Gilmar Mendes.
Os instrumentos mudam, mas os interesses são permanentes. Como diria o Príncipe de Salina, é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique como está.
O Dantas? que se dane!”
“PIG ENTREGA DANTAS PARA SALVAR OS DEDOS”
“A leitura da Veja, do Estadão e da Folha (da Tarde) deste domingo, dia 13, indica a estratégia do PiG [“Partido da Imprensa Golpista”] como instrumento da apreensão da elite branca: dane-se Dantas e vamos salvar a nossa grana depositada lá fora.
Para isso, é fundamental desmoralizar e desconstruir a investigação do delegado Protógenes Queiroz e a sua materialização nas decisões corajosas do Juiz De Sanctis.
Dantas desceu aos infernos. Tanto faz que esteja preso, solto ou em fuga. Ele serviu ao PiG e à elite branca. O PiG e a elite branca o protegeram. Porém, agora, ele não tem mais salvação.
O PiG deste domingo consolida uma estratégia iniciada pelas Organizações (?) Globo: dane-se Dantas e vamos cuidar do nosso bolso.
E se aparecer um Marinho na lista dos 89 de Dantas? Por isso, é preciso desqualificar Queiroz e De Sanctis. Transformar a lista de Dantas num daqueles papelotes de jogo do bicho que só os banqueiros de bicho honram.
O problema da elite branca é muito maior do que o destino de Dantas. Dantas já não presta mais. Um dia, será a vez do Supremo Presidente Gilmar Mendes.
Os instrumentos mudam, mas os interesses são permanentes. Como diria o Príncipe de Salina, é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique como está.
O Dantas? que se dane!”
sábado, 12 de julho de 2008
LE MONDE: “OS AMERICANOS SÃO ESTÚPIDOS”
O jornal francês Le Monde publicou hoje (12/07), com texto de Cécile Gregoriades, uma entrevista com Rick Shenkman, escritor e professor de história na Universidade George Mason-EUA. Nessa entrevista, ele afirma que "os americanos são estúpidos".
Reproduzo a seguir o texto que li no portal UOL, em tradução de Jean-Yves de Neufville:
RICK SHENKMAN: "A AMÉRICA É UMA DEMOCRACIA QUE ESTÁ MAL DAS PERNAS"
“Entrevista concedida ao "Le Monde" por Rick Shenkman, professor de história na Universidade George Mason e autor de "Just How Stupid Are We? Facing the Truth About the American Voter" (O quanto estúpidos somos nós? Encarando a verdade a respeito do eleitor americano”, um livro lançado nos Estados Unidos em junho de 2008).
Ele se diz alarmado com a apatia política dos americanos. Segundo ele, a população não procura se informar e acaba se tornando uma presa fácil para os políticos que exploram sua ignorância. Autor de vários best-sellers, Shenkman é mais conhecido no Brasil pelo seu livro "As mais famosas lendas, mitos e mentiras da história do mundo" (Ediouro).
Le Monde - O senhor afirma que "os americanos são estúpidos". O que está querendo dizer com isso?
Rick Shenkman - Apenas dois americanos em cada cinco são capazes de nomear os três poderes do Estado. Cinco anos depois do começo da invasão do Iraque e quinze anos depois da guerra do Golfo, seis em cada sete americanos se mostram incapazes de localizar o Iraque num mapa. Por fim, às vésperas da guerra no Iraque, 60% da população acreditava que Saddam Hussein estava por trás dos atentados de 11 de setembro de 2001, mesmo se não existia prova alguma disso.
Eu utilizo o termo "estúpido" para chocar. Quero simplesmente dizer que os americanos não têm nenhum conhecimento da política e não estão informados do que acontece no mundo. Com isso, eles são prezas fáceis para os políticos que os "acariciam".
Le Monde - Contudo, os diplomados são atualmente mais numerosos do que no passado, enquanto os veículos da mídia são onipresentes. Os americanos deveriam estar mais bem informados do que nunca.
Rick Shenkman - É verdade, este é mesmo um paradoxo. Em 1940, mais da metade dos americanos não seguiam estudos além do colégio, e agora, a maioria dentre eles obtém um diploma universitário. Mas as pessoas são cada vez mais incultas. Durante os anos 1950, 10% da população desconheciam a diferença entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, enquanto durante os anos 1980, esta proporção passou para 30%.
Eu penso que a televisão exerceu um papel particularmente nefasto neste processo de alienação do espírito político das pessoas. Desde que a televisão se tornou o novo grande meio de comunicação de massa durante os anos 1960, o seu nível de informação diminuiu. O conteúdo televisivo é superficial, manipulador, sensacionalista e pouco propício para o exercício da cidadania.
Le Monde - Se os cidadãos preferem evitar a política, não seria porque eles estão desiludidos com os seus políticos?
Rick Shenkman - Sim, em parte isso é verdadeiro. A guerra no Vietnã, o caso Watergate e o caso Irã Contras tornaram os americanos amargos em relação à política. Mas, muito além da desconfiança, existe uma falta real de atenção, e para mim, este é o resultado da nossa sociedade de consumo, encarnada pelo reinado da televisão. Nós dispomos de tantas formas de divertimento em nossa vida: quem quer mesmo passar seu tempo refletindo seriamente a respeito da política enquanto pode entreter-se com videogames, consumir ou fazer milhares de coisas mais agradáveis?
Benjamin Franklin dizia no século 18 que todos nós éramos políticos. No século 21, nós todos somos consumidores. Nós sabemos quanto custa um galão de gasolina, mas nós não temos a menor idéia do montante preciso do orçamento federal. O debate público está reduzido a questões triviais.
Le Monde - A democracia americana estaria mal das pernas?
Rick Shenkman - Os Estados Unidos se parecem mais com uma democracia agora do que há uma centena de anos: o direito de voto foi concedido aos negros, às mulheres e aos hispânicos. Além disso, novas ferramentas de democracia direta foram criadas, tais como as iniciativas populares, os referendos e as eleições primárias, nas quais todo e qualquer cidadão tem a possibilidade de escolher o candidato de um partido sem necessariamente estar afiliado a este partido. Por fim, nós temos as pesquisas de opinião, que verificam constantemente as reações da população.
Nós vivemos, portanto, numa democracia, mas eu diria que ela está mal das pernas. Segundo Thomas Jefferson, "a liberdade e a ignorância nunca combinaram uma com a outra e jamais combinarão". A ignorância das pessoas pode exercer um impacto negativo sobre a nossa democracia; e eu considero que ela está correndo perigo. Da mesma forma que para os alcoólicos anônimos, a primeira coisa a fazer é reconhecer o problema.
Depois da invasão do Iraque, as pessoas reelegeram o próprio candidato que estivera na origem deste caos, George W. Bush. Por trás de um governo, existem eleitores e as pessoas devem aprender a olhar a si mesmas no espelho e reconhecerem as suas responsabilidades, e não apenas terem como único objetivo mudar o governo atual.
Le Monde - O entusiasmo suscitado pela eleição presidencial e o envolvimento de uma nova geração de eleitores não poderiam contribuir para revitalizar o processo?
Rick Shenkman - A taxa de participação deverá ser superior, e isso é positivo, porque quanto mais pessoas votam, mais elas se informam. Mas os dois pré-candidatos à presidencial andaram se comportando da mesma forma que os políticos tradicionais. Barack Obama fala em reinventar a política, mas a sua reinvenção consiste em se mostrar capaz de governar com os republicanos. No final, o candidato democrata vem suscitando uma quantidade enorme de expectativas junto a milhões de eleitores, e eu temo que nos dias que se seguirem às eleições, as pessoas ficarão decepcionadas. E disso resultará uma desconfiança ainda mais maior com a política.”
Reproduzo a seguir o texto que li no portal UOL, em tradução de Jean-Yves de Neufville:
RICK SHENKMAN: "A AMÉRICA É UMA DEMOCRACIA QUE ESTÁ MAL DAS PERNAS"
“Entrevista concedida ao "Le Monde" por Rick Shenkman, professor de história na Universidade George Mason e autor de "Just How Stupid Are We? Facing the Truth About the American Voter" (O quanto estúpidos somos nós? Encarando a verdade a respeito do eleitor americano”, um livro lançado nos Estados Unidos em junho de 2008).
Ele se diz alarmado com a apatia política dos americanos. Segundo ele, a população não procura se informar e acaba se tornando uma presa fácil para os políticos que exploram sua ignorância. Autor de vários best-sellers, Shenkman é mais conhecido no Brasil pelo seu livro "As mais famosas lendas, mitos e mentiras da história do mundo" (Ediouro).
Le Monde - O senhor afirma que "os americanos são estúpidos". O que está querendo dizer com isso?
Rick Shenkman - Apenas dois americanos em cada cinco são capazes de nomear os três poderes do Estado. Cinco anos depois do começo da invasão do Iraque e quinze anos depois da guerra do Golfo, seis em cada sete americanos se mostram incapazes de localizar o Iraque num mapa. Por fim, às vésperas da guerra no Iraque, 60% da população acreditava que Saddam Hussein estava por trás dos atentados de 11 de setembro de 2001, mesmo se não existia prova alguma disso.
Eu utilizo o termo "estúpido" para chocar. Quero simplesmente dizer que os americanos não têm nenhum conhecimento da política e não estão informados do que acontece no mundo. Com isso, eles são prezas fáceis para os políticos que os "acariciam".
Le Monde - Contudo, os diplomados são atualmente mais numerosos do que no passado, enquanto os veículos da mídia são onipresentes. Os americanos deveriam estar mais bem informados do que nunca.
Rick Shenkman - É verdade, este é mesmo um paradoxo. Em 1940, mais da metade dos americanos não seguiam estudos além do colégio, e agora, a maioria dentre eles obtém um diploma universitário. Mas as pessoas são cada vez mais incultas. Durante os anos 1950, 10% da população desconheciam a diferença entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, enquanto durante os anos 1980, esta proporção passou para 30%.
Eu penso que a televisão exerceu um papel particularmente nefasto neste processo de alienação do espírito político das pessoas. Desde que a televisão se tornou o novo grande meio de comunicação de massa durante os anos 1960, o seu nível de informação diminuiu. O conteúdo televisivo é superficial, manipulador, sensacionalista e pouco propício para o exercício da cidadania.
Le Monde - Se os cidadãos preferem evitar a política, não seria porque eles estão desiludidos com os seus políticos?
Rick Shenkman - Sim, em parte isso é verdadeiro. A guerra no Vietnã, o caso Watergate e o caso Irã Contras tornaram os americanos amargos em relação à política. Mas, muito além da desconfiança, existe uma falta real de atenção, e para mim, este é o resultado da nossa sociedade de consumo, encarnada pelo reinado da televisão. Nós dispomos de tantas formas de divertimento em nossa vida: quem quer mesmo passar seu tempo refletindo seriamente a respeito da política enquanto pode entreter-se com videogames, consumir ou fazer milhares de coisas mais agradáveis?
Benjamin Franklin dizia no século 18 que todos nós éramos políticos. No século 21, nós todos somos consumidores. Nós sabemos quanto custa um galão de gasolina, mas nós não temos a menor idéia do montante preciso do orçamento federal. O debate público está reduzido a questões triviais.
Le Monde - A democracia americana estaria mal das pernas?
Rick Shenkman - Os Estados Unidos se parecem mais com uma democracia agora do que há uma centena de anos: o direito de voto foi concedido aos negros, às mulheres e aos hispânicos. Além disso, novas ferramentas de democracia direta foram criadas, tais como as iniciativas populares, os referendos e as eleições primárias, nas quais todo e qualquer cidadão tem a possibilidade de escolher o candidato de um partido sem necessariamente estar afiliado a este partido. Por fim, nós temos as pesquisas de opinião, que verificam constantemente as reações da população.
Nós vivemos, portanto, numa democracia, mas eu diria que ela está mal das pernas. Segundo Thomas Jefferson, "a liberdade e a ignorância nunca combinaram uma com a outra e jamais combinarão". A ignorância das pessoas pode exercer um impacto negativo sobre a nossa democracia; e eu considero que ela está correndo perigo. Da mesma forma que para os alcoólicos anônimos, a primeira coisa a fazer é reconhecer o problema.
Depois da invasão do Iraque, as pessoas reelegeram o próprio candidato que estivera na origem deste caos, George W. Bush. Por trás de um governo, existem eleitores e as pessoas devem aprender a olhar a si mesmas no espelho e reconhecerem as suas responsabilidades, e não apenas terem como único objetivo mudar o governo atual.
Le Monde - O entusiasmo suscitado pela eleição presidencial e o envolvimento de uma nova geração de eleitores não poderiam contribuir para revitalizar o processo?
Rick Shenkman - A taxa de participação deverá ser superior, e isso é positivo, porque quanto mais pessoas votam, mais elas se informam. Mas os dois pré-candidatos à presidencial andaram se comportando da mesma forma que os políticos tradicionais. Barack Obama fala em reinventar a política, mas a sua reinvenção consiste em se mostrar capaz de governar com os republicanos. No final, o candidato democrata vem suscitando uma quantidade enorme de expectativas junto a milhões de eleitores, e eu temo que nos dias que se seguirem às eleições, as pessoas ficarão decepcionadas. E disso resultará uma desconfiança ainda mais maior com a política.”
HERALD TRIBUNE: BRASIL BRILHA MAIS QUE CHINA E ÍNDIA EM FUNDOS DE MERCADO
O jornal internacional Herald Tribune (IHT), que era sediado em Paris-França desde 1887, recentemente foi comprado pela “New York Times Company”-EUA. Esse jornal hoje publicou um artigo de Judith Rehak muito elogioso para a economia e o governo brasileiros. Li a reportagem do IHT no portal UOL. Transcrevo:
BRASIL BRILHA ENQUANTO OUTROS FUNDOS DE MERCADO EMERGENTES AMARGAM UM SEGUNDO TRIMESTRE RUIM
"Os fundos de mercado emergentes tiveram, em geral, um péssimo segundo trimestre, liderados nesta tendência por ex-favoritos dos investidores, como Índia e China, que viram uma ampliação das quedas presenciadas no primeiro trimestre. Mas há uma notável exceção: os fundos do Brasil, que não só suportaram os surtos globais de volatilidade, mas também apresentaram ganhos robustos.
As carteiras de títulos offshore do Brasil ganharam em média 14,7% no segundo trimestre, segundo o grupo de pesquisa de fundos Morningstar.
E qual foi a fórmula vencedora do Brasil? Parte do sucesso deve-se ao preço estratosférico do petróleo, que valorizou as ações da Petróleo Brasileiro, conhecida como Petrobras, que também beneficiou-se com a descoberta de enormes reservas de petróleo ao largo da costa brasileira.
Um outro fator é a demanda constante, especialmente da China, por minerais e metais brasileiros, o que fez subir as ações de companhias como a Gerdau, a produtora de minério de ferro e aço.
Em abril surgiram mais notícias boas, com a elevação do Brasil a grau de investimento (investment grade) pelas agências de classificação de riscos Standard & Poor's e Fitch.
Dina Ting, gerente do iShares Brazil ETF, que acompanha o índice MSCI Brazil, observa que essa elevação reduzirá o custo dos empréstimos e atrairá investidores institucionais que só compram dívidas com grau de investimento.
Ainda que a Petrobras e a Vale do Rio Doce, a gigante do setor de mineração, dominem o índice, os investidores têm encontrado uma maior diversidade no mercado brasileiro, sustentada por uma próspera classe média, pronta para gastar dinheiro, bem como pelas políticas anti-inflacionárias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocaram sob controle a inflação que já foi muito alta no Brasil.
"As finanças estão apresentando um desempenho histórico muito bom, e têm se beneficiado dos custos menores dos empréstimos", afirma Ting.
Considerando que o setor bancário vai muito bem, Thomas Gerhardt, diretor do fundo DWS Brazil, afirma: "Atualmente o mercado está perguntando quem está exposto à crise das hipotecas subprime, e obviamente os bancos brasileiros não estão, de forma que podem se concentrar nas questões econômicas básicas".
Ele é dono do Banco Bradesco, a instituição de maior prestígio do setor, e do Unibanco Brasileiros, que é tido como um possível candidato a uma fusão.
As taxas de juros mais baixas e a forte demanda dos consumidores por moradias também revitalizaram o setor de imóveis.
"As companhias imobiliárias brasileiras estavam quase falindo, já que a taxa de juros era de 18%. Mas agora ela caiu para 12%", explica Gerhardt.
A estratégia dele é manter um pequeno conjunto de ações do setor imobiliário, incluindo as de companhias como a Rossi Residencial, uma construtora, e a Cyrela Brazil Realty, uma imobiliária.
As empresas de alimentos compõem um novo setor que prospera tanto no mercado doméstico quanto no de exportações. Uma grande parcela da carteira do DWS é destinada ao frigorífico JBS, cujas ações mais do que dobraram neste ano, e Gerhardt tem tido sucesso com ações que se beneficiam de um boom no setor de exportações, que engloba diversos produtos, como carnes e minério de ferro. O fundo é dono da ALL (America Latina Logística), uma companhia ferroviária, e da Santos Brazil, uma empresa portuária.
Segundo Ting, as fornecedoras de energia elétrica são uma outra categoria forte. "Elas estão se beneficiando da demanda dos consumidores e do maior número de companhias que precisam de mais eletricidade", diz ela. As ações da Eletrobras subiram 20% no segundo trimestre.
É bem verdade que o Brasil continua sendo uma aposta arriscada, mas esses gerentes têm se mostrado compreensivelmente otimistas.
"A inflação é sempre uma preocupação, mas Lula está bastante determinado a combatê-la", diz Ting.
"Outro risco seria uma queda significativa do preço do petróleo e das commodities. Mas o meu maior temor é que, caso haja uma liquidação global de ações, os investidores comecem a vender aqueles títulos das suas carteiras que apresentam o melhor desempenho, e isto significaria as ações brasileiras", afirma Gerhardt."
BRASIL BRILHA ENQUANTO OUTROS FUNDOS DE MERCADO EMERGENTES AMARGAM UM SEGUNDO TRIMESTRE RUIM
"Os fundos de mercado emergentes tiveram, em geral, um péssimo segundo trimestre, liderados nesta tendência por ex-favoritos dos investidores, como Índia e China, que viram uma ampliação das quedas presenciadas no primeiro trimestre. Mas há uma notável exceção: os fundos do Brasil, que não só suportaram os surtos globais de volatilidade, mas também apresentaram ganhos robustos.
As carteiras de títulos offshore do Brasil ganharam em média 14,7% no segundo trimestre, segundo o grupo de pesquisa de fundos Morningstar.
E qual foi a fórmula vencedora do Brasil? Parte do sucesso deve-se ao preço estratosférico do petróleo, que valorizou as ações da Petróleo Brasileiro, conhecida como Petrobras, que também beneficiou-se com a descoberta de enormes reservas de petróleo ao largo da costa brasileira.
Um outro fator é a demanda constante, especialmente da China, por minerais e metais brasileiros, o que fez subir as ações de companhias como a Gerdau, a produtora de minério de ferro e aço.
Em abril surgiram mais notícias boas, com a elevação do Brasil a grau de investimento (investment grade) pelas agências de classificação de riscos Standard & Poor's e Fitch.
Dina Ting, gerente do iShares Brazil ETF, que acompanha o índice MSCI Brazil, observa que essa elevação reduzirá o custo dos empréstimos e atrairá investidores institucionais que só compram dívidas com grau de investimento.
Ainda que a Petrobras e a Vale do Rio Doce, a gigante do setor de mineração, dominem o índice, os investidores têm encontrado uma maior diversidade no mercado brasileiro, sustentada por uma próspera classe média, pronta para gastar dinheiro, bem como pelas políticas anti-inflacionárias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocaram sob controle a inflação que já foi muito alta no Brasil.
"As finanças estão apresentando um desempenho histórico muito bom, e têm se beneficiado dos custos menores dos empréstimos", afirma Ting.
Considerando que o setor bancário vai muito bem, Thomas Gerhardt, diretor do fundo DWS Brazil, afirma: "Atualmente o mercado está perguntando quem está exposto à crise das hipotecas subprime, e obviamente os bancos brasileiros não estão, de forma que podem se concentrar nas questões econômicas básicas".
Ele é dono do Banco Bradesco, a instituição de maior prestígio do setor, e do Unibanco Brasileiros, que é tido como um possível candidato a uma fusão.
As taxas de juros mais baixas e a forte demanda dos consumidores por moradias também revitalizaram o setor de imóveis.
"As companhias imobiliárias brasileiras estavam quase falindo, já que a taxa de juros era de 18%. Mas agora ela caiu para 12%", explica Gerhardt.
A estratégia dele é manter um pequeno conjunto de ações do setor imobiliário, incluindo as de companhias como a Rossi Residencial, uma construtora, e a Cyrela Brazil Realty, uma imobiliária.
As empresas de alimentos compõem um novo setor que prospera tanto no mercado doméstico quanto no de exportações. Uma grande parcela da carteira do DWS é destinada ao frigorífico JBS, cujas ações mais do que dobraram neste ano, e Gerhardt tem tido sucesso com ações que se beneficiam de um boom no setor de exportações, que engloba diversos produtos, como carnes e minério de ferro. O fundo é dono da ALL (America Latina Logística), uma companhia ferroviária, e da Santos Brazil, uma empresa portuária.
Segundo Ting, as fornecedoras de energia elétrica são uma outra categoria forte. "Elas estão se beneficiando da demanda dos consumidores e do maior número de companhias que precisam de mais eletricidade", diz ela. As ações da Eletrobras subiram 20% no segundo trimestre.
É bem verdade que o Brasil continua sendo uma aposta arriscada, mas esses gerentes têm se mostrado compreensivelmente otimistas.
"A inflação é sempre uma preocupação, mas Lula está bastante determinado a combatê-la", diz Ting.
"Outro risco seria uma queda significativa do preço do petróleo e das commodities. Mas o meu maior temor é que, caso haja uma liquidação global de ações, os investidores comecem a vender aqueles títulos das suas carteiras que apresentam o melhor desempenho, e isto significaria as ações brasileiras", afirma Gerhardt."
PF ACUSA MAINARDI E VEJA
O blog do Nassif postou esta tarde esta notícia. A Polícia Federal (PF) acusa explícitamente o jornalista Diogo Mainardi, as revistas Veja e IstoÉ Dinheiro e outros jornalistas “de colaborarem com uma organização criminosa”. Por coincidência, todos os apontados são conhecidos do público como ardorosos e destacados lutadores pelo retorno do PSDB/DEM-PFL ao poder.
O relatório da Polícia Federal expressa em um trecho:
"Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores."
Transcrevo a seguir somente a primeira parte da postagem de Luis Nassif:
“O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.
O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis". É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.
Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal
O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.
O relatório da Polícia Federal expressa em um trecho:
"Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores."
Transcrevo a seguir somente a primeira parte da postagem de Luis Nassif:
“O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.
O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis". É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.
Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal
O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.
A NOVA FASE REPUBLICANA CONSOLIDA-SE
O blog do Sergio Telles (ver nossa lista “recomendamos”) publicou neste sábado um texto de sua autoria como graduando em economia. Ele faz um interessante resumo das últimas décadas da história da economia brasileira. O título do artigo é o mesmo já exposto acima. Reproduzo-o a seguir:
“Pela primeira vez na nossa história, grandes mudanças de postura em termos de evolução de credibilidade partem de dentro do nosso governo, e não de exigências externas necessárias para a gente poder receber empréstimos salvadores do FMI.
O Brasil rompeu com o FMI no governo JK, no fim dos anos 50. Esse governo, bem como os seguintes da fase democrática, eram um tanto irresponsáveis com a inflação e com os gastos públicos, o que acabou inclusive comprometendo o desenvolvimento econômico durante o governo Jango, o que foi uma das principais pressões e desculpas para o golpe de 64.
Porém, apesar das tantas reformas que o governo militar fez e que de fato deram musculatura para a expansão econômica que o país viveria nos 15 anos seguintes ao golpe, tinha como característica típica de ditaduras a ausência de transparência, a confusão e sobreposição de atribuições, a ausência de dados confiáveis, a corrupção fora de controle, enfim, foi um período de desenvolvimento bancado pelo governo que levou a uma falência no início dos anos 80 e à necessidade do socorro ao FMI após a moratória em 1982, provocada pela explosão da dívida externa que sustentara o desenvolvimento da década anterior.
Nessa época, o FMI exigiu exatamente isso, que o primeiro passo para ele poder socorrer o Brasil era um mínimo de transparência e organização nos dados sobre os gastos governamentais e a reordenação de atribuições dentro do governo brasileiro, o que desse alguma transparência e confiabilidade nos gastos públicos. Esse passo era importante porque o FMI queria que o gasto público brasileiro tivesse um limite, e era impossível que essas metas fossem respeitadas do jeito que os dados eram apresentados. Após alguns anos, essa reordenação foi implantada à força.
Outra exigência era um esforço para melhoria das contas externas, para que as exportações sustentassem o pagamento da dívida, o que foi conquistado especialmente pela restrição absurda de importações, que praticamente se restringiam a petróleo e trigo (carros e artigos de informática eram proibidos, por exemplo). Isso provocou um atraso tecnológico na nossa indústria durante os anos 80, que certamente foi fatal para a sobrevivência de vários setores na década seguinte, quando se viveu a abertura comercial repentina.
Na seqüência, durante o governo Sarney, o FMI tentou impor limites aos gastos públicos, sem sucesso. Isso enterrou todos os planos econômicos e colaboraram para a situação de escalada inflacionária, que iria durar até 1994. O primeiro deles, o Cruzado, foi enterrado por uma extrapolação dos gastos bancada por um ano eleitoral numa recente "democracia", era muito importante ao PMDB ganhar aquelas eleições Brasil afora, certamente colaborou para o tamanho e a importância atual do partido.
A lógica inflacionária permitia orçamentos descontrolados, pois a deterioração dos valores nominais orçados ao longo do ano, promovidos pelo atraso dos repasses, eram um facilitador para o governo central.
E então surgiria o Plano Real, que já era baseado em experiências bem-sucedidas em países com problemas semelhantes de hiperinflação, como a Argentina, e também bastante previamente implantado, pois houve uma preocupação à época de se aumentar substancialmente as reservas internacionais (divisas), o que seria fundamental para sustentar um plano baseado no que nós economistas chamamos de "âncora cambial", ou seja, um câmbio rígido atrelado a uma moeda forte que acaba forçando uma estabilidade nos preços internos.
Porém apesar da "cartilha" e do bom-senso sempre relatarem a importância do controle público de gastos, o primeiro governo de FHC piorou significativamente nossas contas públicas, o que acabou acelerando o processo de endividamento interno e externo e um novo e gigante socorro ao FMI, fora o já tão falado "golpe do dólar" que marcou o fim do Plano Real e de sua âncora cambial, no início do segundo governo FHC (a âncora foi sustentada artificialmente até garantir a sua reeleição comprada no Congresso). Enfim, sujeira para todo lado, e o plano só deu certo no controle inflacionário com base da falência das nossas empresas, por conta da abertura econômica descontrolada para propiciar produtos com preços estáveis e segurar as pressões internas, estagnação econômica e piora da qualidade de vida da população.
Só que aí nessa época o FMI exigiu que fosse implantada a segunda mudança de postura, que foi refletida na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e na imposição de superávits primários para poder começar a controlar a dívida interna galopante, que ainda assim continuou crescendo, pois o governo FHC não fez a segunda parte do dever de casa, que era estabilizar as contas externas profundamente deficitárias em todos os anos de seu governo, que faziam aumentar os juros pagos por endividamento externo e explodindo nossa dívida externa, fora que agora com o câmbio livre, o dólar saltava do "1 para 1" em direção ao 3 para 1 e quase 4 para 1. Ainda tinham os "geniais" títulos cambiais internos, que garantiram a fortuna de muita gente e a explosão ao infinito de nossa dívida interna. O Brasil chega a 2002 quebrado novamente, graças à soma de tanta incompetência tucana. O FMI exigiu que o governo seguinte garantisse que iria tomar as medidas que os tucanos não tiveram competência de praticar.
E, em 2003, a austeridade e a reversão de contas externas garantiram a mudança de cenário, que já era clara no último trimestre daquele ano. A história recente todos sabemos, o governo quitou suas dívidas com o FMI, praticou superávits primários que, juntos com a queda dos juros, promoveram a queda da relação dívida interna/PIB e até a proximidade de uma inimaginável eliminação do déficit nominal, acumulou um enorme volume de reservas internacionais, garantiu 5 anos de superávits nas contas externas que agora garantem calmaria num ano de déficits nessas contas, entre outras medidas, todas tomadas por conta própria, sem intervenção externa.
E qual foi a mudança de postura? Olhar o lado fiscal também pelo controle de quem paga, e não apenas do controle de gasto interno. Isso estranhamente o FMI nunca impôs ao país, já que quem sonega são os grandes pagadores, sempre, as grandes empresas, muitas delas de capital internacional.
Apesar de nenhuma elevação ou criação de impostos, e pelo contrário, várias reduções e isenções de incentivo em diversos setores, a explosão da arrecadação está na austeridade do sistema de arrecadação e fazer quem nunca pagou imposto de pagá-los. Na guerra da CPMF, a qual esses grandes pagadores respondem por cerca de 80% da arrecadação, ficou mais exposto que estão se sentindo incomodados por uma receita federal unificada e organizada, por uma polícia federal que corre atrás dos grandes escândalos de corrupção em todas as esferas, enfim, mostrar que a grande sujeira da nossa República, ao contrário do que os neoliberais tanto falam, não está dentro do setor público, mas sim na suja influência do setor privado dentro deste setor público.
E sem atropelo, essa semana tivemos vários exemplos que isso está cada vez mais firme. Mesmo com a infeliz e enojante participação negativa do STF, há uma demonstração que poderosos não podem mais circular impunes. As coisas que foram levantadas as pessoas melhor informadas já possuíam ciência, já eram noticiadas por blogs independentes faz tempo.
A diferença é que a postura de instituições fortes que se está implantando, prestigia quem tem um comportamento correto. O Brasil se reafirma e nem por conta dessa mudança de postura estaria 'afastando' oportunidades, pelo contrário, elas estão aí cada vez mais firmes. Privilegiar quem é correto dentro do sistema capitalista é fundamental para garantir uma concorrência justa e cada vez mais a adoção de práticas dentro da lei, pois o "jeitinho" que uma ou outra empresa dentro de determinado setor usa para levar vantagem sobre as demais, incentiva que as outras também busquem formas de burlar a lei. Com austeridade, todas irão competir dentro das regras e priorizarão pesquisa, diferenciação de produtos, o que a gente já vem observando na prática em diversos setores, que isso já é realidade.
Enfim, a grande resposta dessa postura republicana que implantamos de maneira tão rápida e vistosa, é que vamos ter um salto qualitativo na confiança que o governo tem junto aos cidadãos, e claro, acaba resultando numa melhor sensação de retorno que já é claramente perceptível. Queremos um país de cultura e práticas corretas, com transparência que aliás é uma característica de maior parte da nossa população tão falante e tão aberta a novas amizades, então porque não nossas instituições não adotarem a mesma prática e nos tornarmos o lugar mais democrático do mundo? Já acredito que não estamos longe disso, alguns países europeus nos superam, mas considerando a velocidade da nossa evolução, estar caminhando dessa maneira é realmente muito bom e um dos vários passos que nos fazem ter certeza que seremos desenvolvidos em coisa de duas décadas no máximo.
E para quem faz o bem, não há o que temer. Essa postura protege o bom cidadão, o correto, e, finalmente, ataca os espertos. Os tão protegidos das máfias parecem ser convidados ao exílio, tal como o banqueiro Cacciola encontra-se, apesar de tanto esforço de trazê-lo de volta para buscar quem estava junto com ele naquele momento triste da nossa história.
Para quem pratica o correto, há espaço para uma justa remuneração. Essa é a lógica, estimular as boas práticas e o enriquecimento por mérito, e não por espertezas. Esse ponto é fundamental para olharem a gente no mundo duma forma diferente. E já estão reconhecendo isso.”
“Pela primeira vez na nossa história, grandes mudanças de postura em termos de evolução de credibilidade partem de dentro do nosso governo, e não de exigências externas necessárias para a gente poder receber empréstimos salvadores do FMI.
O Brasil rompeu com o FMI no governo JK, no fim dos anos 50. Esse governo, bem como os seguintes da fase democrática, eram um tanto irresponsáveis com a inflação e com os gastos públicos, o que acabou inclusive comprometendo o desenvolvimento econômico durante o governo Jango, o que foi uma das principais pressões e desculpas para o golpe de 64.
Porém, apesar das tantas reformas que o governo militar fez e que de fato deram musculatura para a expansão econômica que o país viveria nos 15 anos seguintes ao golpe, tinha como característica típica de ditaduras a ausência de transparência, a confusão e sobreposição de atribuições, a ausência de dados confiáveis, a corrupção fora de controle, enfim, foi um período de desenvolvimento bancado pelo governo que levou a uma falência no início dos anos 80 e à necessidade do socorro ao FMI após a moratória em 1982, provocada pela explosão da dívida externa que sustentara o desenvolvimento da década anterior.
Nessa época, o FMI exigiu exatamente isso, que o primeiro passo para ele poder socorrer o Brasil era um mínimo de transparência e organização nos dados sobre os gastos governamentais e a reordenação de atribuições dentro do governo brasileiro, o que desse alguma transparência e confiabilidade nos gastos públicos. Esse passo era importante porque o FMI queria que o gasto público brasileiro tivesse um limite, e era impossível que essas metas fossem respeitadas do jeito que os dados eram apresentados. Após alguns anos, essa reordenação foi implantada à força.
Outra exigência era um esforço para melhoria das contas externas, para que as exportações sustentassem o pagamento da dívida, o que foi conquistado especialmente pela restrição absurda de importações, que praticamente se restringiam a petróleo e trigo (carros e artigos de informática eram proibidos, por exemplo). Isso provocou um atraso tecnológico na nossa indústria durante os anos 80, que certamente foi fatal para a sobrevivência de vários setores na década seguinte, quando se viveu a abertura comercial repentina.
Na seqüência, durante o governo Sarney, o FMI tentou impor limites aos gastos públicos, sem sucesso. Isso enterrou todos os planos econômicos e colaboraram para a situação de escalada inflacionária, que iria durar até 1994. O primeiro deles, o Cruzado, foi enterrado por uma extrapolação dos gastos bancada por um ano eleitoral numa recente "democracia", era muito importante ao PMDB ganhar aquelas eleições Brasil afora, certamente colaborou para o tamanho e a importância atual do partido.
A lógica inflacionária permitia orçamentos descontrolados, pois a deterioração dos valores nominais orçados ao longo do ano, promovidos pelo atraso dos repasses, eram um facilitador para o governo central.
E então surgiria o Plano Real, que já era baseado em experiências bem-sucedidas em países com problemas semelhantes de hiperinflação, como a Argentina, e também bastante previamente implantado, pois houve uma preocupação à época de se aumentar substancialmente as reservas internacionais (divisas), o que seria fundamental para sustentar um plano baseado no que nós economistas chamamos de "âncora cambial", ou seja, um câmbio rígido atrelado a uma moeda forte que acaba forçando uma estabilidade nos preços internos.
Porém apesar da "cartilha" e do bom-senso sempre relatarem a importância do controle público de gastos, o primeiro governo de FHC piorou significativamente nossas contas públicas, o que acabou acelerando o processo de endividamento interno e externo e um novo e gigante socorro ao FMI, fora o já tão falado "golpe do dólar" que marcou o fim do Plano Real e de sua âncora cambial, no início do segundo governo FHC (a âncora foi sustentada artificialmente até garantir a sua reeleição comprada no Congresso). Enfim, sujeira para todo lado, e o plano só deu certo no controle inflacionário com base da falência das nossas empresas, por conta da abertura econômica descontrolada para propiciar produtos com preços estáveis e segurar as pressões internas, estagnação econômica e piora da qualidade de vida da população.
Só que aí nessa época o FMI exigiu que fosse implantada a segunda mudança de postura, que foi refletida na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e na imposição de superávits primários para poder começar a controlar a dívida interna galopante, que ainda assim continuou crescendo, pois o governo FHC não fez a segunda parte do dever de casa, que era estabilizar as contas externas profundamente deficitárias em todos os anos de seu governo, que faziam aumentar os juros pagos por endividamento externo e explodindo nossa dívida externa, fora que agora com o câmbio livre, o dólar saltava do "1 para 1" em direção ao 3 para 1 e quase 4 para 1. Ainda tinham os "geniais" títulos cambiais internos, que garantiram a fortuna de muita gente e a explosão ao infinito de nossa dívida interna. O Brasil chega a 2002 quebrado novamente, graças à soma de tanta incompetência tucana. O FMI exigiu que o governo seguinte garantisse que iria tomar as medidas que os tucanos não tiveram competência de praticar.
E, em 2003, a austeridade e a reversão de contas externas garantiram a mudança de cenário, que já era clara no último trimestre daquele ano. A história recente todos sabemos, o governo quitou suas dívidas com o FMI, praticou superávits primários que, juntos com a queda dos juros, promoveram a queda da relação dívida interna/PIB e até a proximidade de uma inimaginável eliminação do déficit nominal, acumulou um enorme volume de reservas internacionais, garantiu 5 anos de superávits nas contas externas que agora garantem calmaria num ano de déficits nessas contas, entre outras medidas, todas tomadas por conta própria, sem intervenção externa.
E qual foi a mudança de postura? Olhar o lado fiscal também pelo controle de quem paga, e não apenas do controle de gasto interno. Isso estranhamente o FMI nunca impôs ao país, já que quem sonega são os grandes pagadores, sempre, as grandes empresas, muitas delas de capital internacional.
Apesar de nenhuma elevação ou criação de impostos, e pelo contrário, várias reduções e isenções de incentivo em diversos setores, a explosão da arrecadação está na austeridade do sistema de arrecadação e fazer quem nunca pagou imposto de pagá-los. Na guerra da CPMF, a qual esses grandes pagadores respondem por cerca de 80% da arrecadação, ficou mais exposto que estão se sentindo incomodados por uma receita federal unificada e organizada, por uma polícia federal que corre atrás dos grandes escândalos de corrupção em todas as esferas, enfim, mostrar que a grande sujeira da nossa República, ao contrário do que os neoliberais tanto falam, não está dentro do setor público, mas sim na suja influência do setor privado dentro deste setor público.
E sem atropelo, essa semana tivemos vários exemplos que isso está cada vez mais firme. Mesmo com a infeliz e enojante participação negativa do STF, há uma demonstração que poderosos não podem mais circular impunes. As coisas que foram levantadas as pessoas melhor informadas já possuíam ciência, já eram noticiadas por blogs independentes faz tempo.
A diferença é que a postura de instituições fortes que se está implantando, prestigia quem tem um comportamento correto. O Brasil se reafirma e nem por conta dessa mudança de postura estaria 'afastando' oportunidades, pelo contrário, elas estão aí cada vez mais firmes. Privilegiar quem é correto dentro do sistema capitalista é fundamental para garantir uma concorrência justa e cada vez mais a adoção de práticas dentro da lei, pois o "jeitinho" que uma ou outra empresa dentro de determinado setor usa para levar vantagem sobre as demais, incentiva que as outras também busquem formas de burlar a lei. Com austeridade, todas irão competir dentro das regras e priorizarão pesquisa, diferenciação de produtos, o que a gente já vem observando na prática em diversos setores, que isso já é realidade.
Enfim, a grande resposta dessa postura republicana que implantamos de maneira tão rápida e vistosa, é que vamos ter um salto qualitativo na confiança que o governo tem junto aos cidadãos, e claro, acaba resultando numa melhor sensação de retorno que já é claramente perceptível. Queremos um país de cultura e práticas corretas, com transparência que aliás é uma característica de maior parte da nossa população tão falante e tão aberta a novas amizades, então porque não nossas instituições não adotarem a mesma prática e nos tornarmos o lugar mais democrático do mundo? Já acredito que não estamos longe disso, alguns países europeus nos superam, mas considerando a velocidade da nossa evolução, estar caminhando dessa maneira é realmente muito bom e um dos vários passos que nos fazem ter certeza que seremos desenvolvidos em coisa de duas décadas no máximo.
E para quem faz o bem, não há o que temer. Essa postura protege o bom cidadão, o correto, e, finalmente, ataca os espertos. Os tão protegidos das máfias parecem ser convidados ao exílio, tal como o banqueiro Cacciola encontra-se, apesar de tanto esforço de trazê-lo de volta para buscar quem estava junto com ele naquele momento triste da nossa história.
Para quem pratica o correto, há espaço para uma justa remuneração. Essa é a lógica, estimular as boas práticas e o enriquecimento por mérito, e não por espertezas. Esse ponto é fundamental para olharem a gente no mundo duma forma diferente. E já estão reconhecendo isso.”
MAIEROVITCH: "GILMAR MENDES MERECE IMPEACHMENT"
O portal “Terra Magazine”, em texto de Diego Salmen, postou hoje um oportuno e interessante texto sobre as estranhas atitudes do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em prol do banqueiro Daniel Dantas. Transcrevo somente a primeira parte do artigo:
“Para o juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Wálter Maierovitch, o novo habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas mostra que o presidente do STF está "extrapolando suas funções".
-- Ele (Gilmar Mendes) está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele - critica.
Presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Maierovitch diz que já é hora de pensar num impeachment do presidente do presidente do Supremo.
-- Para o presidente da República tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes."
“Para o juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Wálter Maierovitch, o novo habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas mostra que o presidente do STF está "extrapolando suas funções".
-- Ele (Gilmar Mendes) está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele - critica.
Presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Maierovitch diz que já é hora de pensar num impeachment do presidente do presidente do Supremo.
-- Para o presidente da República tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes."
AINDA A IV FROTA DA US NAVY
O ex-Presidente da República José Sarney, na Folha de São Paulo de hoje, escreveu um artigo que agrega conteúdo às várias manifestações deste blog nos últimos meses sobre a suspeita ativação pelos EUA de uma poderosa esquadra para operar em nossas costas “com fins humanitários”.
A QUARTA OU A QUINTA
“A começar pelos fenícios, as potências mundiais sempre foram potências navais. Com o fim da Idade Média, Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra dominaram os mares. Portugal foi ultrapassado no final do século 16 pela Holanda, que chegou com seus navios leves e velozes. Os ingleses, com a novidade das fragatas com duas fileiras de canhões, levaram de roldão portugueses, espanhóis e holandeses, e nasceu o formidável Império Britânico.
Hoje, 90% do comércio mundial circula pelos mares. Os Estados Unidos distribuíram suas frotas em todos os pontos estratégicos dos oceanos. A Segunda e a Terceira Frotas são responsáveis pela defesa dos interesses americanos nos oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. A Quinta Frota, que cobre o golfo Pérsico, o mar Vermelho e o mar Arábico, acompanha as tensões do Oriente Médio e já chegou a contar com nada menos do que cinco porta-aviões americanos, em 2003. A Sexta Frota é baseada no Mediterrâneo, e a Sétima, no Japão. A Primeira Frota foi desativada em 1973. E agora os EUA querem reativar a Quarta Frota, que ficará responsável pelo Atlântico Sul.
A China, que sempre foi uma potência terrestre, tornou-se hoje uma potência naval. Uma de suas tarefas é proteger suas rotas de comércio, especialmente as do petróleo e de seu fluxo gigantesco de exportação. Patrulha permanentemente os 800 quilômetros do estreito de Malaca, hoje infestado de piratas modernos.
O aspecto econômico-comercial certamente também pesou na decisão americana de reativar a Quarta Frota no Atlântico Sul, com a perspectiva de que a região se torne um dos grandes centros produtores de petróleo, devido às recentes descobertas de jazidas.
Em 1986, o meu governo propôs à ONU a criação de uma Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Esta proposta, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 27 de outubro daquele ano, por meio da Resolução n.º 41/11, torna o Atlântico Sul uma zona de paz, livre de armas nucleares. Esta resolução do Brasil teve 124 votos a favor e um único voto contra, o dos Estados Unidos.
Nossa preocupação continua válida. Sou um pacifista e hoje, como ontem, sei que ninguém impedirá navios americanos de navegar em todos os mares internacionais, mas não posso concordar que transitem por aqui com armas nucleares. E todos eles as têm.
Essa deve, objetivamente, ser a posição do Brasil: ver cumprida a resolução aprovada pela ONU em 1986. Necessitamos desta clara garantia. No mais, eles não precisam de Quarta. Já têm a Quinta, a Sexta e até o Sábado de Aleluia.”
A QUARTA OU A QUINTA
“A começar pelos fenícios, as potências mundiais sempre foram potências navais. Com o fim da Idade Média, Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra dominaram os mares. Portugal foi ultrapassado no final do século 16 pela Holanda, que chegou com seus navios leves e velozes. Os ingleses, com a novidade das fragatas com duas fileiras de canhões, levaram de roldão portugueses, espanhóis e holandeses, e nasceu o formidável Império Britânico.
Hoje, 90% do comércio mundial circula pelos mares. Os Estados Unidos distribuíram suas frotas em todos os pontos estratégicos dos oceanos. A Segunda e a Terceira Frotas são responsáveis pela defesa dos interesses americanos nos oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. A Quinta Frota, que cobre o golfo Pérsico, o mar Vermelho e o mar Arábico, acompanha as tensões do Oriente Médio e já chegou a contar com nada menos do que cinco porta-aviões americanos, em 2003. A Sexta Frota é baseada no Mediterrâneo, e a Sétima, no Japão. A Primeira Frota foi desativada em 1973. E agora os EUA querem reativar a Quarta Frota, que ficará responsável pelo Atlântico Sul.
A China, que sempre foi uma potência terrestre, tornou-se hoje uma potência naval. Uma de suas tarefas é proteger suas rotas de comércio, especialmente as do petróleo e de seu fluxo gigantesco de exportação. Patrulha permanentemente os 800 quilômetros do estreito de Malaca, hoje infestado de piratas modernos.
O aspecto econômico-comercial certamente também pesou na decisão americana de reativar a Quarta Frota no Atlântico Sul, com a perspectiva de que a região se torne um dos grandes centros produtores de petróleo, devido às recentes descobertas de jazidas.
Em 1986, o meu governo propôs à ONU a criação de uma Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Esta proposta, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 27 de outubro daquele ano, por meio da Resolução n.º 41/11, torna o Atlântico Sul uma zona de paz, livre de armas nucleares. Esta resolução do Brasil teve 124 votos a favor e um único voto contra, o dos Estados Unidos.
Nossa preocupação continua válida. Sou um pacifista e hoje, como ontem, sei que ninguém impedirá navios americanos de navegar em todos os mares internacionais, mas não posso concordar que transitem por aqui com armas nucleares. E todos eles as têm.
Essa deve, objetivamente, ser a posição do Brasil: ver cumprida a resolução aprovada pela ONU em 1986. Necessitamos desta clara garantia. No mais, eles não precisam de Quarta. Já têm a Quinta, a Sexta e até o Sábado de Aleluia.”
LULA ACERTA AO CRITICAR A ESPECULAÇÃO NO PREÇO DO PETRÓLEO
A coluna de Clóvis Rossi, no jornal Folha de São Paulo de hoje, analisa as palavras do presidente Lula no Japão sobre o preço abusivo do petróleo. Transcrevo um trecho:
QUANTO VALE UM BARRIL?
“OSAKA - Diz o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser "inconcebível" que o preço do petróleo ande aí pelas alturas de US$ 140 o barril.
Sempre haverá quem ache que o presidente teve uma recaída e incorporou o caboclo sindicalista azedo e resmungão de tempos que não voltam mais.
Nada disso. Basta ler o que escreveu ontem Junichi Abe, redator-sênior do jornal "Yomiuri Shimbun", que não é órgão oficial de algum partido comunista: "A indústria do petróleo acredita que o preço do petróleo tecnicamente deveria estar entre US$ 70 e US$ 80 por barril, segundo cálculos baseados nos custos de produção e gerenciamento. A indústria acredita que fundos especulativos são responsáveis pelo fato de as forças de mercado terem puxado o petróleo muito além desse nível".
QUANTO VALE UM BARRIL?
“OSAKA - Diz o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser "inconcebível" que o preço do petróleo ande aí pelas alturas de US$ 140 o barril.
Sempre haverá quem ache que o presidente teve uma recaída e incorporou o caboclo sindicalista azedo e resmungão de tempos que não voltam mais.
Nada disso. Basta ler o que escreveu ontem Junichi Abe, redator-sênior do jornal "Yomiuri Shimbun", que não é órgão oficial de algum partido comunista: "A indústria do petróleo acredita que o preço do petróleo tecnicamente deveria estar entre US$ 70 e US$ 80 por barril, segundo cálculos baseados nos custos de produção e gerenciamento. A indústria acredita que fundos especulativos são responsáveis pelo fato de as forças de mercado terem puxado o petróleo muito além desse nível".
sexta-feira, 11 de julho de 2008
O EXAGERO DA DESINTERESSADA DEFESA DO STF E DO SENADO A DANIEL DANTAS
Este blog faz aqui algo condenável para muitos. Extraí somente trecho de um texto, com o risco de descaracterizar o verdadeiro objetivo da mensagem principal, contido na íntegra do original.
Realmente, como não poderia deixar de ser em um jornal sabidamente tucano-pefelento, o editorial da Folha de São Paulo de hoje sai em defesa de Daniel Dantas. Sob o título “Riscos de um sucesso. O merecido apoio popular à eficiência demonstrada pela PF aumenta, no entanto, o perigo de abuso de poder”, a Folha direciona a sua mensagem para o conceito: “um rigor policial que, merecendo aplauso, exige também máxima cautela para não degenerar, pelo próprio apoio que aufere, em poder discricionário e sem controle.” Coitado de Daniel Dantas. É vítima de “poder discricionário e sem controle”...
Apesar desse esforço protetor da Folha, do presidente do STF, Gilmar Mendes, e dos senadores em prol do banqueiro, em um trecho do seu editorial o jornal se contradiz e até defende a tal polícia descontrolada e discricionária:
“Não há como deixar de ver exagero, portanto, no coro de protestos entoado no Senado em torno da "espetacularização".
Sabendo-se da amplitude das ‘ligações’ do banqueiro Daniel Dantas com o mundo parlamentar, tais críticas -ainda que teoricamente justas- perdem bastante em credibilidade.
Contra acusados tão poderosos é até natural supor que a Polícia Federal aposte no impacto midiático positivo de suas operações para contrapor, às pressões de bastidores, o respaldo público que granjeia.”
Por fim, transcrevo, não sei por que, uma frase da jornalista Eliane Cantanhêde, ferrenha tucana, na Folha de hoje: "Sabe por que Daniel Dantas divide o poder, os poderosos e os que se julgam poderosos? Porque é "o maior corruptor da história".
Realmente, como não poderia deixar de ser em um jornal sabidamente tucano-pefelento, o editorial da Folha de São Paulo de hoje sai em defesa de Daniel Dantas. Sob o título “Riscos de um sucesso. O merecido apoio popular à eficiência demonstrada pela PF aumenta, no entanto, o perigo de abuso de poder”, a Folha direciona a sua mensagem para o conceito: “um rigor policial que, merecendo aplauso, exige também máxima cautela para não degenerar, pelo próprio apoio que aufere, em poder discricionário e sem controle.” Coitado de Daniel Dantas. É vítima de “poder discricionário e sem controle”...
Apesar desse esforço protetor da Folha, do presidente do STF, Gilmar Mendes, e dos senadores em prol do banqueiro, em um trecho do seu editorial o jornal se contradiz e até defende a tal polícia descontrolada e discricionária:
“Não há como deixar de ver exagero, portanto, no coro de protestos entoado no Senado em torno da "espetacularização".
Sabendo-se da amplitude das ‘ligações’ do banqueiro Daniel Dantas com o mundo parlamentar, tais críticas -ainda que teoricamente justas- perdem bastante em credibilidade.
Contra acusados tão poderosos é até natural supor que a Polícia Federal aposte no impacto midiático positivo de suas operações para contrapor, às pressões de bastidores, o respaldo público que granjeia.”
Por fim, transcrevo, não sei por que, uma frase da jornalista Eliane Cantanhêde, ferrenha tucana, na Folha de hoje: "Sabe por que Daniel Dantas divide o poder, os poderosos e os que se julgam poderosos? Porque é "o maior corruptor da história".
APOIO À GILMAR MENDES (STF)
O veterano jornalista Lustosa da Costa, com seus mais de cinqüenta anos de profissão, prestou hoje uma homenagem ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que tem demonstrado, ardorosa e desinteressadamente, que a Justiça brasileira, que levava anos e anos para julgar causas simples, agora age em velocidades supersônicas, minutos, para libertar o miliardário banqueiro Daniel Dantas, envolvido em gigantescas fraudes com dinheiro público. Muitos leigos não compreendem esse fantástico, inusitado e protetor desempenho recordista olímpico de Gilmar Mendes, em prol do desprotegido banqueiro.
Transcrevo as singelas notas de Lustosa da Costa em sua coluna no Diário do Nordeste de hoje:
LIBERAÇÃO PREVISTA
“Não surpreendeu a ninguém a liberação [por Gilmar Mendes] do banqueiro Daniel Dantas, tornado milionário no governo FHC, assim como a de Salvador Cacciola. Afinal, como prender homem tão rico, tão generoso, que sabe cativar tanta gente importante? Cadeia é para pé rapado, para pobre ou preto.
POR QUE ALGEMAS?
Onde já se viu algemar e prender um banqueiro só porque é ladrão do dinheiro público? Isto é típico do nazismo [“de gangster”]. Claro que prender e algemar o filho de Paulo Maluf justo na hora em que chega à TV, é certo. Prender e mostrar, a todo o País, algemado o ex-presidente do Senado, Jáder Barbalho, também. Ninguém brada contra isto. Agora, um banqueiro tão generoso com os amigos importantes não pode ser tratado como um qualquer. Têm razão os colunistas amestrados, os senadores e juristas tucanos em protestar em defesa do patrão e do correligionário. Isto não se faz com rico. Nem com banqueiro tão amigo.”
Transcrevo as singelas notas de Lustosa da Costa em sua coluna no Diário do Nordeste de hoje:
LIBERAÇÃO PREVISTA
“Não surpreendeu a ninguém a liberação [por Gilmar Mendes] do banqueiro Daniel Dantas, tornado milionário no governo FHC, assim como a de Salvador Cacciola. Afinal, como prender homem tão rico, tão generoso, que sabe cativar tanta gente importante? Cadeia é para pé rapado, para pobre ou preto.
POR QUE ALGEMAS?
Onde já se viu algemar e prender um banqueiro só porque é ladrão do dinheiro público? Isto é típico do nazismo [“de gangster”]. Claro que prender e algemar o filho de Paulo Maluf justo na hora em que chega à TV, é certo. Prender e mostrar, a todo o País, algemado o ex-presidente do Senado, Jáder Barbalho, também. Ninguém brada contra isto. Agora, um banqueiro tão generoso com os amigos importantes não pode ser tratado como um qualquer. Têm razão os colunistas amestrados, os senadores e juristas tucanos em protestar em defesa do patrão e do correligionário. Isto não se faz com rico. Nem com banqueiro tão amigo.”
PRISÃO DE BANQUEIRO EXPÕE REAÇÃO ELITISTA
O ótimo artigo com o título acima foi publicado ontem pela Revista Fórum. Eu o li no blog “de um sem mídia” nesta madrugada. O autor é Hamilton Octavio de Souza, jornalista e professor da PUC-SP. Ele expressa o que passou pela cabeça de muitos brasileiros nos últimos dias, com o episódio do prende-solta proporcionado pela Justiça brasileira por conta das falcatruas do banqueiro Daniel Dantas e outros.
Transcrevo:
“Toda vez que o sistema policial-judicial denuncia altas bandalheiras e põe atrás das grades algum figurão, a reação das elites – econômicas, políticas, intelectuais – costuma ser imediata e eficaz, embora cercada de alguns disfarces. No caso das prisões do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, a reação reproduziu o padrão habitual, de forma a escancarar que os privilegiados em geral são solidários com os seus criminosos e não aceitam que sejam tratados no mesmo nível de outros criminosos pegos pelo sistema.
Alguém já disse, acertadamente, que a Justiça brasileira não está preparada para a democracia. A polícia brasileira também não, assim como boa parte dos 10% mais ricos do País. Aqui ainda é normal que o BOPE invada as casas de favelados, aterrorize a população periférica e execute pobres sem que seja questionado pelas autoridades, pela imprensa corporativa e pelas organizações da sociedade. Aqui ainda é normal que a tropa de choque da PM avance para cima dos movimentos sociais e use todo tipo de violência contra as manifestações de trabalhadores, estudantes, mulheres, velhos e crianças.
Mas, quando a Polícia Federal desbarata verdadeiras quadrilhas dos mais variados crimes do colarinho branco (sonegação fiscal, estelionato, fraude, evasão de divisas, desvio de recursos públicos) e pega empresários, banqueiros, políticos, funcionários públicos graduados – especialmente gente com curso superior, mestrado e doutorado, com farto patrimônio em bens móveis e imóveis –, imediatamente aparecem na mídia respeitados figurões das elites para questionar e desqualificar a ação policial, mesmo quando preparada na conformidade da lei e com a ajuda do Ministério Público e do Judiciário.
As críticas das elites mais destacadas pela mídia empresarial dizem respeito à forma como se deu a denúncia e a prisão. Falam que houve “espetáculo” porque a imprensa teve acesso e gravou cenas dos figurões sendo presos. Falam que houve “abuso” e “violência desnecessária” porque os figurões foram algemados, o que é uma praxe recomendada pelos manuais de todas as polícias do mundo. Costumam lembrar, nessas horas, a importância do “Estado Democrático de Direito”, uma instituição que funciona para alguns, mas não vale para a maioria do povo.
Além disso, também nessas horas, advogados dos acusados, geralmente também figurões dos melhores escritórios do País, pagos a preço de ouro, procuram enfatizar que a prisão é descabida, já que seus clientes poderiam se defender das acusações sem o “constrangimento” das grades. Mesmo que tenham roubado grandes fortunas, assaltado os cofres públicos e praticado uma série infinita de delitos contra a sociedade, a lengalenga das elites é sempre a mesma: exige um tratamento diferente ao dos ladrões de galinha que são encarcerados todos os dias pelo País afora. Por isso mesmo as elites brasileiras – os mais ricos, mais influentes e mais poderosos – não estão preparados para a democracia.
A maior demonstração de que a Justiça brasileira também não está preparada para a democracia foi dada pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que criticou a “forma” e os “excessos” da operação policial que colocou o banqueiro Daniel Dantas na cadeia. Gilmar Mendes não demonstrou o menor interesse pelo fato essencial da operação, que foi o de desbaratar uma quadrilha que vem atuando há anos contra o povo brasileiro; não ficou sensibilizado com o fato de a operação policial ter colocado no mesmo nível de qualquer cidadão, democraticamente, os figurões que praticam crimes do colarinho branco.
O fato de Gilmar Mendes ter mandado soltar o bando do banqueiro Daniel Dantas, passando por cima de trâmites e prazos processuais, escancarou para a Nação a posição de classe do presidente do STF. Expôs o órgão máximo da Justiça ao vexame público de que a Justiça não é igual para todos. A posição do presidente do STF, semelhante à reação das elites, lembra para a sociedade brasileira, mais uma vez, que a democracia ainda é algo muito distante da realidade. Aqui, os ricos ladrões do tesouro nacional vão continuar soltos, respaldados pelos poderes da República, enquanto os pobres ladrões de galinha pegam cana de verdade.”
Transcrevo:
“Toda vez que o sistema policial-judicial denuncia altas bandalheiras e põe atrás das grades algum figurão, a reação das elites – econômicas, políticas, intelectuais – costuma ser imediata e eficaz, embora cercada de alguns disfarces. No caso das prisões do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, a reação reproduziu o padrão habitual, de forma a escancarar que os privilegiados em geral são solidários com os seus criminosos e não aceitam que sejam tratados no mesmo nível de outros criminosos pegos pelo sistema.
Alguém já disse, acertadamente, que a Justiça brasileira não está preparada para a democracia. A polícia brasileira também não, assim como boa parte dos 10% mais ricos do País. Aqui ainda é normal que o BOPE invada as casas de favelados, aterrorize a população periférica e execute pobres sem que seja questionado pelas autoridades, pela imprensa corporativa e pelas organizações da sociedade. Aqui ainda é normal que a tropa de choque da PM avance para cima dos movimentos sociais e use todo tipo de violência contra as manifestações de trabalhadores, estudantes, mulheres, velhos e crianças.
Mas, quando a Polícia Federal desbarata verdadeiras quadrilhas dos mais variados crimes do colarinho branco (sonegação fiscal, estelionato, fraude, evasão de divisas, desvio de recursos públicos) e pega empresários, banqueiros, políticos, funcionários públicos graduados – especialmente gente com curso superior, mestrado e doutorado, com farto patrimônio em bens móveis e imóveis –, imediatamente aparecem na mídia respeitados figurões das elites para questionar e desqualificar a ação policial, mesmo quando preparada na conformidade da lei e com a ajuda do Ministério Público e do Judiciário.
As críticas das elites mais destacadas pela mídia empresarial dizem respeito à forma como se deu a denúncia e a prisão. Falam que houve “espetáculo” porque a imprensa teve acesso e gravou cenas dos figurões sendo presos. Falam que houve “abuso” e “violência desnecessária” porque os figurões foram algemados, o que é uma praxe recomendada pelos manuais de todas as polícias do mundo. Costumam lembrar, nessas horas, a importância do “Estado Democrático de Direito”, uma instituição que funciona para alguns, mas não vale para a maioria do povo.
Além disso, também nessas horas, advogados dos acusados, geralmente também figurões dos melhores escritórios do País, pagos a preço de ouro, procuram enfatizar que a prisão é descabida, já que seus clientes poderiam se defender das acusações sem o “constrangimento” das grades. Mesmo que tenham roubado grandes fortunas, assaltado os cofres públicos e praticado uma série infinita de delitos contra a sociedade, a lengalenga das elites é sempre a mesma: exige um tratamento diferente ao dos ladrões de galinha que são encarcerados todos os dias pelo País afora. Por isso mesmo as elites brasileiras – os mais ricos, mais influentes e mais poderosos – não estão preparados para a democracia.
A maior demonstração de que a Justiça brasileira também não está preparada para a democracia foi dada pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que criticou a “forma” e os “excessos” da operação policial que colocou o banqueiro Daniel Dantas na cadeia. Gilmar Mendes não demonstrou o menor interesse pelo fato essencial da operação, que foi o de desbaratar uma quadrilha que vem atuando há anos contra o povo brasileiro; não ficou sensibilizado com o fato de a operação policial ter colocado no mesmo nível de qualquer cidadão, democraticamente, os figurões que praticam crimes do colarinho branco.
O fato de Gilmar Mendes ter mandado soltar o bando do banqueiro Daniel Dantas, passando por cima de trâmites e prazos processuais, escancarou para a Nação a posição de classe do presidente do STF. Expôs o órgão máximo da Justiça ao vexame público de que a Justiça não é igual para todos. A posição do presidente do STF, semelhante à reação das elites, lembra para a sociedade brasileira, mais uma vez, que a democracia ainda é algo muito distante da realidade. Aqui, os ricos ladrões do tesouro nacional vão continuar soltos, respaldados pelos poderes da República, enquanto os pobres ladrões de galinha pegam cana de verdade.”
quinta-feira, 10 de julho de 2008
IV FROTA DA US NAVY – OS EUA ACEITARIAM GESTO RECÍPROCO?
DO LEBLON E IPANEMA SERÁ POSSÍVEL VER A IV FROTA OPERANDO
Se o Brasil resolvesse, hipoteticamente, também ser bonzinho e mandasse para as costas marítimas norte-americanas nossa esquadra?
Se justificarmos, aos que isso lá estranharem, por meio do nosso embaixador em Washington, que estamos surpresos com a reação negativa, pois a intenção brasileira é pacífica? Que esperávamos que, como é natural, todos eles nos dessem as boas-vindas? Que o nosso objetivo é construir e reforçar parcerias com as nações da região? Que lá empregaremos a nossa esquadra em missões de paz, esforços de assistência humanitária, resposta a desastres, operações contra o tráfico de narcóticos e exercícios tradicionais com as marinhas de nações parceiras? Que a nossa esquadra irá para lá, apesar das desconfianças norte-americanas, e que temos tradição de respeitar os mares territoriais?
OBS: “mar territorial” é uma estreitíssima faixa assim definida: “É a faixa de mar que se estende desde a linha de base até uma distância que não deve exceder 12 milhas marítimas de largura, da costa, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro, e sobre a qual o Estado brasileiro exerce sua soberania, com algumas limitações determinadas pelo Direito Internacional" - Hildebrando Accioly, página 243, Ed. Saraiva, l2ª edição, l996.”. Assim, mesmo que a IV Frota fique fora do mar territorial, ainda será possível vê-la da praia de Ipanema, Leblon etc.
Se tornássemos realidade essa visão recíproca, especular, da atual atitude dos EUA, seríamos bombardeados com bombas atômicas e de hidrogênio e a nossa esquadra boazinha afundada.
Mas foram essas, exatamente, as justificativas que o embaixador norte-americano Clifford Sobel nos apresentou, conforme exposto na seguinte reportagem do Correio Braziliense de hoje, em texto de Isabel Fleck:
“SENADO QUESTIONA NOVA FROTA
“Delegação parlamentar visita o embaixador Clifford Sobel para pedir explicações sobre reativação de unidade naval com atuação na América Latina. Descoberta de petróleo na costa motiva desconfiança”
“A reativação da Quarta Frota naval dos Estados Unidos, voltada para a América Latina e o Caribe, tem gerado rumores que incomodam tanto o governo brasileiro como o norte-americano. Em reunião com o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), João Pedro (PT-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF) pediram ontem mais explicações sobre a decisão do governo de George W. Bush. A preocupação dos parlamentares é de que o ressurgimento da Frota, desativada em 1950, tenha alguma relação com a descoberta recente de grandes reservas de petróleo na costa brasileira.
Viemos manifestar nossa estranheza com relação à questão da Quarta Frota, ainda mais pelo fato de o presidente Bush tomar a decisão no final do seu mandato. Fizemos um apelo para que a Frota não venha, pois vai criar um mal-estar desnecessário”, afirmou Simon ao fim da reunião. Segundo o senador, o presidente americano deveria deixar essa decisão “para o próximo governo”. “Pedimos a ele que, se possível, fizesse chegar aos dois candidatos americanos (John McCain e Barack Obama) as nossas preocupações”, completou.
De acordo com os parlamentares, Sobel demonstrou surpresa com a manifestação, já que a intenção americana é pacífica. “Ele estranhou que pudesse haver uma preocupação com o anúncio da Quarta Frota, uma vez que ele considerava natural que todos déssemos as boas-vindas. Mas lembramos a ele que, há 40 anos, houve uma ação da Marinha e das Força Armada dos EUA por aqui, da qual não guardamos as melhores lembranças”, destacou Suplicy, fazendo referência à manobra militar americana que, em 1964, apoiou o golpe que depôs o presidente João Goulart.
Em comunicado divulgado após a reunião, o embaixador americano destacou que o principal objetivo da Quarta Frota é “construir e reforçar parcerias com as nações da região”. Segundo Sobel, o uso de recursos navais na região será aprovado apenas em apoio a “missões de paz, esforços de assistência humanitária, resposta a desastres, operações contra o tráfico de narcóticos e exercícios tradicionais com as marinhas de nações parceiras”. O diplomata assegurou que não haverá navios alocados de forma permanente à unidade, e que o trabalho será realizado a partir da Flórida, por uma equipe de 120 pessoas. O embaixador desmentiu também que o porta-aviões USS George Washington, que esteve na costa brasileira no fim de abril, seja parte da Quarta Frota.
Sobel descartou ainda a possibilidade de que a reativação da unidade militar esteja relacionada à recente descoberta de petróleo em uma vasta extensão da costa brasileira. “Ele (o embaixador) disse que os americanos têm uma tradição de respeitar os mares territoriais”, afirmou Pedro Simon. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia demonstrado preocupação com essa possível relação na semana passada, na Argentina, durante a reunião de cúpula do Mercosul. “Descobrimos petróleo a 300km da costa brasileira. Queremos que os Estados Unidos nos expliquem isso (a Quarta Frota), porque vivemos em uma região totalmente pacífica”, declarou Lula na ocasião."
Se o Brasil resolvesse, hipoteticamente, também ser bonzinho e mandasse para as costas marítimas norte-americanas nossa esquadra?
Se justificarmos, aos que isso lá estranharem, por meio do nosso embaixador em Washington, que estamos surpresos com a reação negativa, pois a intenção brasileira é pacífica? Que esperávamos que, como é natural, todos eles nos dessem as boas-vindas? Que o nosso objetivo é construir e reforçar parcerias com as nações da região? Que lá empregaremos a nossa esquadra em missões de paz, esforços de assistência humanitária, resposta a desastres, operações contra o tráfico de narcóticos e exercícios tradicionais com as marinhas de nações parceiras? Que a nossa esquadra irá para lá, apesar das desconfianças norte-americanas, e que temos tradição de respeitar os mares territoriais?
OBS: “mar territorial” é uma estreitíssima faixa assim definida: “É a faixa de mar que se estende desde a linha de base até uma distância que não deve exceder 12 milhas marítimas de largura, da costa, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro, e sobre a qual o Estado brasileiro exerce sua soberania, com algumas limitações determinadas pelo Direito Internacional" - Hildebrando Accioly, página 243, Ed. Saraiva, l2ª edição, l996.”. Assim, mesmo que a IV Frota fique fora do mar territorial, ainda será possível vê-la da praia de Ipanema, Leblon etc.
Se tornássemos realidade essa visão recíproca, especular, da atual atitude dos EUA, seríamos bombardeados com bombas atômicas e de hidrogênio e a nossa esquadra boazinha afundada.
Mas foram essas, exatamente, as justificativas que o embaixador norte-americano Clifford Sobel nos apresentou, conforme exposto na seguinte reportagem do Correio Braziliense de hoje, em texto de Isabel Fleck:
“SENADO QUESTIONA NOVA FROTA
“Delegação parlamentar visita o embaixador Clifford Sobel para pedir explicações sobre reativação de unidade naval com atuação na América Latina. Descoberta de petróleo na costa motiva desconfiança”
“A reativação da Quarta Frota naval dos Estados Unidos, voltada para a América Latina e o Caribe, tem gerado rumores que incomodam tanto o governo brasileiro como o norte-americano. Em reunião com o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), João Pedro (PT-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF) pediram ontem mais explicações sobre a decisão do governo de George W. Bush. A preocupação dos parlamentares é de que o ressurgimento da Frota, desativada em 1950, tenha alguma relação com a descoberta recente de grandes reservas de petróleo na costa brasileira.
Viemos manifestar nossa estranheza com relação à questão da Quarta Frota, ainda mais pelo fato de o presidente Bush tomar a decisão no final do seu mandato. Fizemos um apelo para que a Frota não venha, pois vai criar um mal-estar desnecessário”, afirmou Simon ao fim da reunião. Segundo o senador, o presidente americano deveria deixar essa decisão “para o próximo governo”. “Pedimos a ele que, se possível, fizesse chegar aos dois candidatos americanos (John McCain e Barack Obama) as nossas preocupações”, completou.
De acordo com os parlamentares, Sobel demonstrou surpresa com a manifestação, já que a intenção americana é pacífica. “Ele estranhou que pudesse haver uma preocupação com o anúncio da Quarta Frota, uma vez que ele considerava natural que todos déssemos as boas-vindas. Mas lembramos a ele que, há 40 anos, houve uma ação da Marinha e das Força Armada dos EUA por aqui, da qual não guardamos as melhores lembranças”, destacou Suplicy, fazendo referência à manobra militar americana que, em 1964, apoiou o golpe que depôs o presidente João Goulart.
Em comunicado divulgado após a reunião, o embaixador americano destacou que o principal objetivo da Quarta Frota é “construir e reforçar parcerias com as nações da região”. Segundo Sobel, o uso de recursos navais na região será aprovado apenas em apoio a “missões de paz, esforços de assistência humanitária, resposta a desastres, operações contra o tráfico de narcóticos e exercícios tradicionais com as marinhas de nações parceiras”. O diplomata assegurou que não haverá navios alocados de forma permanente à unidade, e que o trabalho será realizado a partir da Flórida, por uma equipe de 120 pessoas. O embaixador desmentiu também que o porta-aviões USS George Washington, que esteve na costa brasileira no fim de abril, seja parte da Quarta Frota.
Sobel descartou ainda a possibilidade de que a reativação da unidade militar esteja relacionada à recente descoberta de petróleo em uma vasta extensão da costa brasileira. “Ele (o embaixador) disse que os americanos têm uma tradição de respeitar os mares territoriais”, afirmou Pedro Simon. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia demonstrado preocupação com essa possível relação na semana passada, na Argentina, durante a reunião de cúpula do Mercosul. “Descobrimos petróleo a 300km da costa brasileira. Queremos que os Estados Unidos nos expliquem isso (a Quarta Frota), porque vivemos em uma região totalmente pacífica”, declarou Lula na ocasião."
GILMAR MENDES SOLTA E POLÍCIA FEDERAL PRENDE DANIEL DANTAS NOVAMENTE
Há menos de 30 minutos (16h06), o portal G1/GLOBO divulgou a nova ordem de prisão emitida pela Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas.
Vejamos o publicado pelo G1:
PF PRENDE DANIEL DANTAS NOVAMENTE
"Solto na manhã desta quinta-feira (10), banqueiro recebeu nova ordem de prisão.
Na noite de quarta-feira (9), o STF havia concedido o habeas corpus.
O banqueiro Daniel Dantas voltou a ser preso na tarde desta quinta-feira (10), em São Paulo pela Polícia Federal. Até as 16h10, no entanto, Dantas não havia chegado à sede da PF, em São Paulo.
(...) Dantas foi preso na terça-feira e havia deixado a carceragem da Polícia Federal (PF) às 5h35 da quinta. Ele e a irmã, Verônica, saíram sem dar entrevistas.
Dantas, a irmã e outros nove funcionários do banco Opportunity foram beneficiados por um habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, no final da noite desta quarta-feira (9). Todos tinham prisão decretada e foram procurados durante a Operação Satiagraha da PF, que investiga desvio de verbas públicas e crimes financeiros. Dois deles não chegaram a ser detidos. Os demais deixaram a carceragem da PF nesta madrugada.
Para o ministro Gilmar Mendes, não há “fundamentos suficientes” para justificar a prisão temporária.”
Vejamos o publicado pelo G1:
PF PRENDE DANIEL DANTAS NOVAMENTE
"Solto na manhã desta quinta-feira (10), banqueiro recebeu nova ordem de prisão.
Na noite de quarta-feira (9), o STF havia concedido o habeas corpus.
O banqueiro Daniel Dantas voltou a ser preso na tarde desta quinta-feira (10), em São Paulo pela Polícia Federal. Até as 16h10, no entanto, Dantas não havia chegado à sede da PF, em São Paulo.
(...) Dantas foi preso na terça-feira e havia deixado a carceragem da Polícia Federal (PF) às 5h35 da quinta. Ele e a irmã, Verônica, saíram sem dar entrevistas.
Dantas, a irmã e outros nove funcionários do banco Opportunity foram beneficiados por um habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, no final da noite desta quarta-feira (9). Todos tinham prisão decretada e foram procurados durante a Operação Satiagraha da PF, que investiga desvio de verbas públicas e crimes financeiros. Dois deles não chegaram a ser detidos. Os demais deixaram a carceragem da PF nesta madrugada.
Para o ministro Gilmar Mendes, não há “fundamentos suficientes” para justificar a prisão temporária.”
VITÓRIA DE VIETNÃ SOBRE EUA É MOTIVO DE ORGULHO, DIZ LULA
A agência de notícias inglesa BBC (Brasil) publicou hoje (li no UOL) a seguinte notícia sobre a viagem do Presidente Lula hoje ao Vietnã:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que se sentiu "tão orgulhoso quanto os vietnamitas" pela vitória do Vietnã sobre os Estados Unidos na guerra que opôs os dois países nos anos 1960-70.
A declaração foi feita por ocasião da visita de Lula a Hanói, ao final de um encontro com o presidente do país asiático, Nguyen Minh Tien, autoridades de Estado e altos dirigentes do partido comunista único.
"O que vocês fizeram aqui foi mais que vencer uma guerra. Foi uma lição que ensinaram a todos os seres humanos: que quando queremos uma coisa e temos determinação, somos imbatíveis", disse Lula de improviso, ao final de uma declaração conjunta dos dois presidentes.
"Desde sempre acompanhei a Guerra do Vietnã, e posso lhe dizer que fiquei tão orgulhoso dos vietnamitas quando os vietnamitas", prosseguiu Lula.
"A vitória de vocês foi a vitória do oprimido, e nós nos sentimos co-participantes e muito orgulhosos do significado para a humanidade da vitória de vocês." A posição manifestada pelo presidente, o primeiro do Brasil a pisar no Vietnã desde 1989, pareceu pegar de surpresa o colega vietnamita.
Minh Tien respondeu que a vitória na Guerra Americana, como o conflito é conhecido aqui, não era apenas dos vietnamitas. E acrescentou - sem estabelecer diretamente uma ligação entre uma coisa e outra - que os vietnamitas admiram o futebol e o samba do Brasil.
"Se gosta de samba, o presidente deveria visitar o Brasil no Carnaval", replicou Lula, causando risos na platéia.
CONSELHO DE SEGURANÇA
Minutos antes, Minh Tien havia reforçado o apoio de seu país a uma cadeira do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), uma posição que Hanói ocupa hoje com apoio brasileiro.
"O Vietnã mais uma vez reafirma seu apoio à candidatura do Brasil a uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas no período 2010-2011", disse o presidente vietnamita. "Nós observamos atentamente a posição desempenhada pelo Brasil na arena internacional."
Trajado de gravata vermelha - assim como os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Miguel Jorge (Desenvolvimento), e do secretário especial de Relações Internacionais, Marco Aurelio Garcia - Lula observou a cerimônia de assinatura de atos entre os quais está um memorando de entendimento destinado a estabelecer iniciativas de combate à fome.
O Vietnã é considerado um exemplo nesse aspecto, tendo conseguido diminuir o nível de sua população abaixo da linha de pobreza de 70% nos anos 1980 para cerca de 15% em 2007, segundo dados da ONU.
Além disso, os dois países assinaram acordos nas áreas de cooperação científica e tecnológica e esportes, e estabeleceram um comitê bilateral para avaliar o andamento das relações.
Embora nenhum acordo tenha sido assinado até o momento, Lula aproveitou o encerramento de um seminário empresarial para destacar que a Petrobras e a estatal petroleira PetroVietnam - um ator cada vez mais presente na região - têm discutido a possibilidade de realizar explorações conjuntas de petróleo.
Outra área de interesse comum é a de biocombustíveis, objeto de um acordo firmado durante uma visita do ministro Celso Amorim a Hanói no inicio deste ano.
"Vamos discutir, entre outros elementos, o intercâmbio de variedades de cana-de-açúcar, estratégias de aumento de renda para agricultura familiar, a capacitação de recursos humanos e a facilitação de contatos entre empresas dos dois países", disse Lula.
Lula lembrou que os dois países estabeleceram a meta de alcançar uma corrente de comércio bilateral de US$ 1 bilhão (R$1,6 bi) até 2010 - três vezes mais que os US$ 323 milhões (R$ 521 mi) registrados no ano passado.
Cerca de 30 empresários brasileiros, sobretudo do setor de construção civil, tradings e alimentos, acompanham a visita do presidente, e seguem com o chefe de Estado brasileiro à Indonésia.”
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que se sentiu "tão orgulhoso quanto os vietnamitas" pela vitória do Vietnã sobre os Estados Unidos na guerra que opôs os dois países nos anos 1960-70.
A declaração foi feita por ocasião da visita de Lula a Hanói, ao final de um encontro com o presidente do país asiático, Nguyen Minh Tien, autoridades de Estado e altos dirigentes do partido comunista único.
"O que vocês fizeram aqui foi mais que vencer uma guerra. Foi uma lição que ensinaram a todos os seres humanos: que quando queremos uma coisa e temos determinação, somos imbatíveis", disse Lula de improviso, ao final de uma declaração conjunta dos dois presidentes.
"Desde sempre acompanhei a Guerra do Vietnã, e posso lhe dizer que fiquei tão orgulhoso dos vietnamitas quando os vietnamitas", prosseguiu Lula.
"A vitória de vocês foi a vitória do oprimido, e nós nos sentimos co-participantes e muito orgulhosos do significado para a humanidade da vitória de vocês." A posição manifestada pelo presidente, o primeiro do Brasil a pisar no Vietnã desde 1989, pareceu pegar de surpresa o colega vietnamita.
Minh Tien respondeu que a vitória na Guerra Americana, como o conflito é conhecido aqui, não era apenas dos vietnamitas. E acrescentou - sem estabelecer diretamente uma ligação entre uma coisa e outra - que os vietnamitas admiram o futebol e o samba do Brasil.
"Se gosta de samba, o presidente deveria visitar o Brasil no Carnaval", replicou Lula, causando risos na platéia.
CONSELHO DE SEGURANÇA
Minutos antes, Minh Tien havia reforçado o apoio de seu país a uma cadeira do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), uma posição que Hanói ocupa hoje com apoio brasileiro.
"O Vietnã mais uma vez reafirma seu apoio à candidatura do Brasil a uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas no período 2010-2011", disse o presidente vietnamita. "Nós observamos atentamente a posição desempenhada pelo Brasil na arena internacional."
Trajado de gravata vermelha - assim como os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Miguel Jorge (Desenvolvimento), e do secretário especial de Relações Internacionais, Marco Aurelio Garcia - Lula observou a cerimônia de assinatura de atos entre os quais está um memorando de entendimento destinado a estabelecer iniciativas de combate à fome.
O Vietnã é considerado um exemplo nesse aspecto, tendo conseguido diminuir o nível de sua população abaixo da linha de pobreza de 70% nos anos 1980 para cerca de 15% em 2007, segundo dados da ONU.
Além disso, os dois países assinaram acordos nas áreas de cooperação científica e tecnológica e esportes, e estabeleceram um comitê bilateral para avaliar o andamento das relações.
Embora nenhum acordo tenha sido assinado até o momento, Lula aproveitou o encerramento de um seminário empresarial para destacar que a Petrobras e a estatal petroleira PetroVietnam - um ator cada vez mais presente na região - têm discutido a possibilidade de realizar explorações conjuntas de petróleo.
Outra área de interesse comum é a de biocombustíveis, objeto de um acordo firmado durante uma visita do ministro Celso Amorim a Hanói no inicio deste ano.
"Vamos discutir, entre outros elementos, o intercâmbio de variedades de cana-de-açúcar, estratégias de aumento de renda para agricultura familiar, a capacitação de recursos humanos e a facilitação de contatos entre empresas dos dois países", disse Lula.
Lula lembrou que os dois países estabeleceram a meta de alcançar uma corrente de comércio bilateral de US$ 1 bilhão (R$1,6 bi) até 2010 - três vezes mais que os US$ 323 milhões (R$ 521 mi) registrados no ano passado.
Cerca de 30 empresários brasileiros, sobretudo do setor de construção civil, tradings e alimentos, acompanham a visita do presidente, e seguem com o chefe de Estado brasileiro à Indonésia.”
E A TRANSPARÊNCIA DOS GASTOS DE VERBAS PELOS SENADORES?
SENADORES (E DEPUTADOS) AUMENTAM SEUS GANHOS, MAS CONTINUAM NÃO DANDO TRANSPARÊNCIA DE SEUS GASTOS DE VERBAS PÚBLICAS (VERBAS INDENIZATÓRIAS)
NÃO QUEREM SEGUIR O MODELO DE TRANSPARÊNCIA DO EXECUTIVO
Este blog, em 8 de abril, na postagem intitulada “SENADORES INSANOS CRIAM 2ª CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS”, já expressou que os parlamentares, especialmente os senadores da oposição, “querem, a qualquer custo, aparecer nas TVs e jornais e prejudicar o governo (e o Brasil), ao paralisar o Congresso. É a linha-de-ação do 'quanto pior melhor'.
Têm esperança de, com a nova CPI, encontrar, nas centenas de caixotes de documentos que receberam do governo, algum detalhe novo que tenha o mesmo efeito midiático que alcançaram com a história da tapioca comida pelo Ministro dos Esportes. Tal alimento nordestino rendeu à oposição muitas horas de Jornal Nacional e centenas de primeiras páginas dos principais jornais. Foi um sucesso.
Por outro lado, recusam-se a dar idêntica transparência, ou ao menos alguma visibilidade, aos próprios gastos com as vultosas verbas públicas “indenizatórias” adicionais aos polpudos salários que recebem mensalmente. É um caso patológico.”
Hoje (10/07), o site “Contas Abertas” divulgou a seguinte notícia, que esconde um artifício para os senadores aumentarem os próprios ganhos mensais:
CUSTO ANUAL DE UM SENADOR CHEGA A R$ 1,7 MILHÃO
Em uma reunião realizada ontem pela Mesa Diretora a portas fechadas, os senadores criaram mais um cargo de confiança para cada um deles. Com essa nova medida, o custo de cada parlamentar aumentou ainda mais. Agora, os 81 senadores poderão contratar mais um “assessor técnico”, cujo salário é de exatamente R$ 9.979,24.
O impacto anual do novo cargo será de pelo menos R$ 803,8 mil. O valor poder ser maior, já que há outras nove vagas nas lideranças partidárias. Com isso, cada senador passará a ter um custo global mensal de aproximadamente R$ 139,7 mil, ou seja, quase R$ 1,7 milhão por ano. Assim, os 81 parlamentares terão um custo médio mensal de R$ 11,3 milhões por ano, totalizando R$ 135,8 milhões anuais.
Cada senador recebe R$ 16,5 mil de salário, com direito aos décimos terceiro, quarto e quinto (esses dois últimos concedidos no início e no final de cada sessão legislativa). Além disso, têm direito a R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 4,2 mil de conta de telefone e correio, R$ 9,9 mil com passagens (em média, pois depende do estado de origem do parlamentar), gastos com combustível e um carro a disposição com motorista."
NÃO QUEREM SEGUIR O MODELO DE TRANSPARÊNCIA DO EXECUTIVO
Este blog, em 8 de abril, na postagem intitulada “SENADORES INSANOS CRIAM 2ª CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS”, já expressou que os parlamentares, especialmente os senadores da oposição, “querem, a qualquer custo, aparecer nas TVs e jornais e prejudicar o governo (e o Brasil), ao paralisar o Congresso. É a linha-de-ação do 'quanto pior melhor'.
Têm esperança de, com a nova CPI, encontrar, nas centenas de caixotes de documentos que receberam do governo, algum detalhe novo que tenha o mesmo efeito midiático que alcançaram com a história da tapioca comida pelo Ministro dos Esportes. Tal alimento nordestino rendeu à oposição muitas horas de Jornal Nacional e centenas de primeiras páginas dos principais jornais. Foi um sucesso.
Por outro lado, recusam-se a dar idêntica transparência, ou ao menos alguma visibilidade, aos próprios gastos com as vultosas verbas públicas “indenizatórias” adicionais aos polpudos salários que recebem mensalmente. É um caso patológico.”
Hoje (10/07), o site “Contas Abertas” divulgou a seguinte notícia, que esconde um artifício para os senadores aumentarem os próprios ganhos mensais:
CUSTO ANUAL DE UM SENADOR CHEGA A R$ 1,7 MILHÃO
Em uma reunião realizada ontem pela Mesa Diretora a portas fechadas, os senadores criaram mais um cargo de confiança para cada um deles. Com essa nova medida, o custo de cada parlamentar aumentou ainda mais. Agora, os 81 senadores poderão contratar mais um “assessor técnico”, cujo salário é de exatamente R$ 9.979,24.
O impacto anual do novo cargo será de pelo menos R$ 803,8 mil. O valor poder ser maior, já que há outras nove vagas nas lideranças partidárias. Com isso, cada senador passará a ter um custo global mensal de aproximadamente R$ 139,7 mil, ou seja, quase R$ 1,7 milhão por ano. Assim, os 81 parlamentares terão um custo médio mensal de R$ 11,3 milhões por ano, totalizando R$ 135,8 milhões anuais.
Cada senador recebe R$ 16,5 mil de salário, com direito aos décimos terceiro, quarto e quinto (esses dois últimos concedidos no início e no final de cada sessão legislativa). Além disso, têm direito a R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 4,2 mil de conta de telefone e correio, R$ 9,9 mil com passagens (em média, pois depende do estado de origem do parlamentar), gastos com combustível e um carro a disposição com motorista."
PETRÓLEO - TEMOS QUE MUDAR A LEI 9478/97
O “blog de um sem mídia” (ver nossa lista “recomendamos”) publicou na madrugada de hoje um valioso texto sobre um assunto muito importante para o Brasil. Considerando as gigantescas reservas de petróleo recentemente descobertas pela Petrobras, o assunto interessa ao mundo.
Devemos reverter o mal já feito aos brasileiros pelo governo PSDB/FHC/DEM-PFL ao vender para estrangeiros, por valor quase simbólico, grande parte da Petrobras, e ao garantir a posse do petróleo brasileiro às multinacionais beneficiadas pelas dadivosas medidas de FHC. Este blog já se manifestou sobre isso em algumas postagens.
Transcrevo o texto obtido no referido blog, que transcreve entrevista de Fernando Siqueira, diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) concedida no Rio de Janeiro à Denise Maia (jornalista) da revista “A Verdade”, publicada ontem (09/07). Para facilitar a leitura, inserimos alguns subtítulos entre colchetes:
“Quem acompanha este blog sabe que há muito tempo estamos insistindo na mudança do marco regulatório do petróleo. Isto implica na modificação da lei 9478/97, uma das heranças da política entreguista do FHC que, como abaixo demonstra o Diretor Fernando Siqueira, da AEPET, garante a posse do petróleo brasileiro às multinacionais. Carlos Dória.”
LEI 9.478 GARANTE A MULTINACIONAIS A POSSE DO PETRÓLEO BRASILEIRO
Este ano a Petrobrás atingiu a posição de terceira maior empresa do mundo. Para conseguir essa colocação foi necessário muito estudo, luta e esforço dos trabalhadores, e muita pesquisa, que permitiu desenvolver trabalhos na área de prospecção em águas profundas, proporcionando um desenvolvimento tecnológico único no mundo. Durante esse período, muitas lutas foram travadas para defender esse patrimônio brasileiro dos interesses do capital estrangeiro.
Fernando Siqueira, diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), onde foi presidente por quatro mandatos, e conselheiro da Petros, em entrevista a "A Verdade" faz um balanço da luta dos trabalhadores da Petrobrás contra a Lei 9478/97, que permite a exploração do petróleo brasileiro pelo capital privado nacional e estrangeiro, e denuncia que, se continuarem os leilões, 60% do petróleo brasileiro ficará nas mãos de multinacionais.
[CONSEQÜÊNCIAS NEFASTAS DA LEI 9478/97]
A Verdade - Após 11 anos, qual o balanço que você faz da Lei 9478/97?
Fernando Siqueira - O pior possível. Vejamos alguns dos motivos que justificam essa afirmativa:
a) a Lei 9478/97 cancelou a Lei 2004/53 que, além de criar o Monopólio Estatal do Petróleo, da União, proibia a venda de ações da Petrobrás para estrangeiros. Como a Lei 9478 permite essa venda, FHC vendeu 36% das ações da Petrobrás, que pertenciam à União Federal, na bolsa de Nova Iorque, por cerca de US$ 5 bilhões. Hoje elas valem mais de 120 bilhões;
b) Os artigos 3º e 21 desta Lei dizem que as jazidas e o produto da lavra do petróleo pertencem à União Federal, obedecendo à Constituição. Ocorre que o artigo 26 dessa lei, inconstitucional, dá à Petrobrás, e às demais concessionárias, em sua maioria estrangeiras, a propriedade do petróleo que produzirem nas reservas de sua concessão. Isto fere o artigo 177 da Constituição, podendo resultar num patrimônio para os acionistas da Petrobrás, estrangeiros, em sua maioria, da ordem de trilhões de dólares que eles não pagaram para obter. Outro ponto negativo é que a Petrobrás, por ter ações na Bolsa dos EUA, se subordina à Lei americana Sarbannes-Oxlei;
c) A Lei estabelece que as concessionárias paguem uma Participação Especial à União Federal. O governo FHC emitiu o Decreto 2705/98 que estabelece essa participação em 0 a 40% do produto da Lavra, conforme o volume de produção. Ora, no mundo, a média de recebimento dos países, proprietários e exportadores de petróleo, no produto da lavra pelas empresas que o produzem (estrangeiras na maioria) é de 84%. Assim, o Brasil recebe menos da metade da média mundial;
d) A lei, no seu artigo 22, obriga que a Petrobrás entregue à ANP todos os seus dados técnicos de exploração e produção. O banco de dados da ANP é administrado, há 10 anos, por uma subsidiária da Halliburton, que é uma empresa americana, cujo maior acionista é o vice-presidente Dick Chenney e é concorrente da Petrobrás. No 9º Leilão, a ANP divulgou dados do pré-sal, recebidos da Petrobrás, que tinham contrato de confidencialidade por cinco anos. O diretor Geral da ANP divulgou dados do campo de Carioca que havia recebido da Petrobrás, de forma irresponsável.
e) A Lei deu à Petrobrás um prazo de três anos para explorar as áreas que ela teve direito de manter por conta dos seus investimentos (7% das rochas sedimentares brasileiras). Este e outros fatores reduziram a exploração em novas áreas, pois a Petrobrás teve que priorizar investimentos nas áreas em seu poder e as empresas estrangeiras só investem onde a Petrobrás já correu todos os riscos.
[PROPOSTAS ALTERNATIVAS À LEI 9478/97]
A Verdade - Recentemente a AEPET enviou uma carta ao Congresso Nacional com o objetivo de apresentar propostas alternativas à lei 9478/97. Quais seriam essas propostas? Qual foi a receptividade dos parlamentares?
Fernando Siqueira - As propostas foram para mudar o marco regulatório, mormente o artigo 26 e o Dec. 2705/98, além de outros artigos, como o 22 acima referido.
A receptividade dos parlamentares sérios foi ótima. A maioria raciocina: a reserva do pré-sal, cuja expectativa dos técnicos da Petrobrás é de 90 bilhões de barris, com os preços atuais do petróleo, representa uma riqueza de mais de US$ 10 trilhões que pertence ao povo brasileiro. Se não for mudado o marco regulatório e continuarem os leilões, 60% disto vão para o exterior sem qualquer ganho para o povo brasileiro.
Além disto, há o fato de que empresas que não investiram nem correram risco vão levar a maior parte disto de mão beijada. É inconcebível um que um país necessitado abra mão de tamanha riqueza, mormente considerando-se que ele tem 60 milhões de miseráveis.
Cabe acrescentar que, com vimos anunciando há 10 anos, baseados em analistas sérios, estamos no limiar do 3º e irreversível choque do petróleo em face da produção mundial estar atingindo o pico e a demanda seguir crescendo juntamente com o preço do barril.
[VALIDADE DA ANP]
A Verdade - Dentre essas propostas não tem a extinção da ANP. Por quê?
Fernando Siqueira - A ANP é a substituta do Conselho Nacional do Petróleo e é necessária para regular o setor. Mas tem que ser revista. Ela está mal posicionada e mal comandada. No início, foi dirigida por David Zilbertstajn, enquanto genro de FHC. Ele, na ânsia de entregar logo as áreas para empresas estrangeiras, estabeleceu blocos com tamanhos 220 vezes maiores do que os blocos leiloados no Golfo do México. Hoje, a ANP tem um diretor que veio da Halliburton (era diretor em Angola), e que está comandando os leilões. No 8º leilão ele criou limitações absurdas para a Petrobras. Fizemos ações judiciais para anulá-lo.
A ANP está exercendo funções que cabem ao MME e a CNPE. O seu diretor Geral, Haroldo Lima, foi, durante 60 anos, um nacionalista histórico e um grande defensor da Petrobrás. Nomeado para a ANP, sob a influência dos lobbies internacionais, ele deu uma guinada de 180º e é hoje um entreguista empedernido. Isto revela como é perigoso para o País deixar o comando da regulação nas mãos de poucos. A vulnerabilidade é enorme.
[LEILÕES DE ÁREAS JÁ IDENTIFICADAS PELA PETROBRAS]
A Verdade - Como são esses leilões? As áreas que vão a leilão comprovadamente já têm petróleo?
Fernando Siqueira - Os leilões são, teoricamente, para oferecer várias áreas pelo país, incluído as novas. Aliás, esse foi o principal argumento para quebrar o Monopólio da União: virem recursos para explorar novas áreas. Na prática, o que tem ocorrido é que as empresas só compram áreas que a Petrobrás já explorou e correu os riscos geológicos. No caso do pré-sal é consenso de que não tem sentido leiloar áreas sem risco. O petróleo já está descoberto, após 30 anos de estudo pela Petrobrás. Além, disto, pelo § 1º do Artigo 177 da Constituição Federal, a União `poderá` conceder. Não é obrigada a fazê-lo. Outro ponto importante é que empresas estrangeiras compram áreas com a Petrobrás para aproveitar a experiência e a tecnologia dela. Não querem se arriscar sozinhas.
[AS MULTINACIONAIS QUE EXPLORAM O PETRÓLEO BRASILEIRO]
A Verdade - Quais as empresas multinacionais que hoje exploram o petróleo brasileiro?
Fernando Siqueira - Shell, Exxon, Devon (americana), British Gas, Móbil, Petrogal, Repsol, todas associadas à Petrobrás. A Repsol, ex-estatal espanhola, pertence ao Banco Santander, que é um braço do National Scotland Bank Co, capital anglo-saxônico disfarçado de espanhol.
[POR QUE LULA NÃO REVOGA A LEI 9478?]
A Verdade - Trata-se de um processo inverso ao que ocorre na Bolívia e na Venezuela, onde os governos destes países nacionalizam suas riquezas. Por que o governo Lula não tomou iniciativa para revogar a lei 9478?
Fernando Siqueira - O governo Lula teve um gesto louvável. Quando o campo de Tupi foi descoberto e ele tomou conhecimento do volume de petróleo possível no pré-sal, ele, acertadamente, retirou 41 blocos que seriam licitados no 9º leilão. Foi um avanço, porém sem continuidade. Hoje, ele sofre pressões fortes dos lobbies internacionais. Os EUA têm um problema sério de energia e petróleo. Eles Consomem internamente 8 bilhões de barris por ano além de 2 bilhões de barris/ano nas suas bases militares pelo mundo. E só têm 29 bilhões de barris. Irão vir com todo o aparato político/econômico/militar sobre nós.
Mas quando fizemos, com a ajuda do Governador Roberto Requião, uma Ação de Inconstitucionalidade do artigo 26 da Lei 9478, flagrantemente inconstitucional e tivemos dois votos magistrais dos ministros Ayres de Brito e Marco Aurélio Mello, o presidente Lula, inexplicavelmente, juntou-se aos lobies internacionais e derrubou a ADI.
[RAZÕES DA ALTA DO PETRÓLEO]
A Verdade - O preço do barril do petróleo está em US$ 130. Há analistas que afirmam que chegará, até o final do ano, a US$ 200. Qual a razão para a alta do petróleo?
Fernando Siqueira - Como vimos pregando desde as oficinas que fizemos no primeiro Fórum Social Mundial (e no segundo e no terceiro e também em várias Universidades), baseado em analistas internacionais sérios como Collin Campbell, Jean Laherrère e outros, o pico de produção mundial de petróleo (oferta) ocorreria antes de 2010, enquanto a demanda iria crescer irreversivelmente. Isto levaria os preços ao patamar de 100 dólares e a um crescimento também irreversível. Eles acertaram, porém a queda do dólar, a especulação e o aumento superior ao previsto para a demanda levaram os preços a níveis ainda mais elevados. Hoje a demanda e a oferta estão empatadas em 87 milhões de barris/dia. Só que a demanda continua a crescer fortemente e a oferta não tem mais como crescer.
[BENEFICIADOS PELO ANÚNCIO ANTECIPADO DAS NOVAS RESERVAS]
A Verdade - Quem realmente se beneficiou do anúncio feito pelo diretor da ANP ( Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima, de que as reservas do campo Carioca - Pão de Açúcar eram de 33 barris de petróleo? Anunciar reservas da Petrobras é função da ANP? Para que esse órgão foi criado, se existe a Petrobras?
Fernando Siqueira - A principal favorecida foi a sócia da Petrobrás no campo Carioca, a Repsol, cujas ações explodiram no mercado internacional (em Nova Iorque chegaram a subir 17% num dia). O presidente da Repsol no Brasil, João Carlos de Luca (ex-diretor da Petrobrás e atual presidente do IBP), é, junto com Haroldo Lima o maior lobista pela reabertura dos leilões. Os dois estiveram recentemente numa audiência pública em Brasília, ombreando-se mutuamente na defesa dos leilões. Foram massacrados pelo Presidente da Petrobras.
Quem tem a prerrogativa de anunciar reservas é a concessionária do bloco. A ANP tem, ou deveria ter, o máximo cuidado ao falar sobre isto, pois, além de receber os dados das concessionárias, ela sabe que um anúncio deste tipo exige uma série de cuidados contra a especulação no mercado de ações. A CVM tem acordo com a Petrobrás para isto.
[A COMPRA DE VASTAS ÁREAS DA AMAZÔNIA POR ESTRANGEIROS]
A Verdade - O que pensa sobre o fato de vários milionários estrangeiros estarem comprando imensas extensões de terras na Amazônia brasileira?
Fernando Siqueira - Quando a Petrobrás descobriu petróleo na província do Rio Urucu, ao transitar pelo aeroporto de Manaus por várias vezes, nossos geólogos e geofísicos se depararam com antigos professores de mestrado e doutorado nos EUA. Eles, constrangidamente diziam que estavam em missão de catequese, embora portando sacos e sacos de ferramentas de geólogos.
O fato é que os técnicos estrangeiros conhecem o solo da Amazônia até mais que os nossos técnicos. Lá tem vários minerais estratégicos como titânio, Nióbio, Urânio, manganês, diamantes e outros. Técnicos da CPRM estimaram esses minérios em mais de US$ 3 trilhões.
Além disto, a Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta e ela é a matéria prima fundamental para a indústria farmacêutica do futuro. Outro ponto ainda mais importante: a Amazônia tem 68% da água doce do Brasil. Além da água ser um bem estratégico cada vez mais escasso, a Amazônia pode se tornar um grande fornecedor de energia renovável (eólica, solar e biomassa), pois ela tem abundantes: sol, terra e água.
[AS PRESSÕES ESTRANGEIRAS PARA A CRIAÇÃO DE ÁREAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA]
Não é à toa que lobistas e ONG´s estrangeiras pressionaram pela criação de reservas indígenas, por coincidência, nas áreas mais ricas da Amazônia. Porque não tem ONG´s na África, muito mais assolada por doenças e miséria do que os índios brasileiros? É porque os mesmos estrangeiros esgotaram as riquezas da Africa.
[O ROUBO DE DADOS SIGILOSOS DA PETROBRAS SOBRE AS NOVAS RESERVAS]
A Verdade - A quem você atribui o furto de dois notebooks, CDs e um disco rígido com informações estratégicas e ultra-confidenciais da Petrobras sobre as recentes descobertas de campos de petróleo e gás na Bacia de Santos?
Fernando Siqueira - Acho que a maior suspeita é a Halliburton. O roubo foi no seu contêiner. Ela tem um contrato de US$ 2 bilhões com a Petrobrás para fazer perfilagem e canhoneio de poços. Após feita a perfilagem (registro das características físicas das rochas dos poços durante a perfuração), os técnicos da Petrobrás fazem uma análise geológico/geofísica do poço. Este trabalho é que permite verificar a possibilidade produtora do poço e é remetido à alta gerência da Petrobrás para tomar as providências cabíveis. A Halliburton tinha a chave do cadeado do contêiner e ele foi trocado. A hipótese é que uma pessoa (que tinha a chave) trocou o cadeado para dar tempo de copiar os note-books e devolvê-los ao seu lugar. A troca visaria impedir que alguém entrasse e desse por falta dos componentes; algum problema na hora de copiar deve ter atrasado a operação e deu no que deu.
Há vários casos de técnicos da Petrobrás, lotados da área do pré-sal, em Macaé, que tiveram note-books roubados. A própria Petrobrás, num seminário ocorrido no Hotel Glória, no início de dez/2007, teve três computadores roubados, na hora do almoço, mesmo com o auditório fechado. O tema do seminário, contido nos note-books, era o pré-sal.”
Devemos reverter o mal já feito aos brasileiros pelo governo PSDB/FHC/DEM-PFL ao vender para estrangeiros, por valor quase simbólico, grande parte da Petrobras, e ao garantir a posse do petróleo brasileiro às multinacionais beneficiadas pelas dadivosas medidas de FHC. Este blog já se manifestou sobre isso em algumas postagens.
Transcrevo o texto obtido no referido blog, que transcreve entrevista de Fernando Siqueira, diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) concedida no Rio de Janeiro à Denise Maia (jornalista) da revista “A Verdade”, publicada ontem (09/07). Para facilitar a leitura, inserimos alguns subtítulos entre colchetes:
“Quem acompanha este blog sabe que há muito tempo estamos insistindo na mudança do marco regulatório do petróleo. Isto implica na modificação da lei 9478/97, uma das heranças da política entreguista do FHC que, como abaixo demonstra o Diretor Fernando Siqueira, da AEPET, garante a posse do petróleo brasileiro às multinacionais. Carlos Dória.”
LEI 9.478 GARANTE A MULTINACIONAIS A POSSE DO PETRÓLEO BRASILEIRO
Este ano a Petrobrás atingiu a posição de terceira maior empresa do mundo. Para conseguir essa colocação foi necessário muito estudo, luta e esforço dos trabalhadores, e muita pesquisa, que permitiu desenvolver trabalhos na área de prospecção em águas profundas, proporcionando um desenvolvimento tecnológico único no mundo. Durante esse período, muitas lutas foram travadas para defender esse patrimônio brasileiro dos interesses do capital estrangeiro.
Fernando Siqueira, diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), onde foi presidente por quatro mandatos, e conselheiro da Petros, em entrevista a "A Verdade" faz um balanço da luta dos trabalhadores da Petrobrás contra a Lei 9478/97, que permite a exploração do petróleo brasileiro pelo capital privado nacional e estrangeiro, e denuncia que, se continuarem os leilões, 60% do petróleo brasileiro ficará nas mãos de multinacionais.
[CONSEQÜÊNCIAS NEFASTAS DA LEI 9478/97]
A Verdade - Após 11 anos, qual o balanço que você faz da Lei 9478/97?
Fernando Siqueira - O pior possível. Vejamos alguns dos motivos que justificam essa afirmativa:
a) a Lei 9478/97 cancelou a Lei 2004/53 que, além de criar o Monopólio Estatal do Petróleo, da União, proibia a venda de ações da Petrobrás para estrangeiros. Como a Lei 9478 permite essa venda, FHC vendeu 36% das ações da Petrobrás, que pertenciam à União Federal, na bolsa de Nova Iorque, por cerca de US$ 5 bilhões. Hoje elas valem mais de 120 bilhões;
b) Os artigos 3º e 21 desta Lei dizem que as jazidas e o produto da lavra do petróleo pertencem à União Federal, obedecendo à Constituição. Ocorre que o artigo 26 dessa lei, inconstitucional, dá à Petrobrás, e às demais concessionárias, em sua maioria estrangeiras, a propriedade do petróleo que produzirem nas reservas de sua concessão. Isto fere o artigo 177 da Constituição, podendo resultar num patrimônio para os acionistas da Petrobrás, estrangeiros, em sua maioria, da ordem de trilhões de dólares que eles não pagaram para obter. Outro ponto negativo é que a Petrobrás, por ter ações na Bolsa dos EUA, se subordina à Lei americana Sarbannes-Oxlei;
c) A Lei estabelece que as concessionárias paguem uma Participação Especial à União Federal. O governo FHC emitiu o Decreto 2705/98 que estabelece essa participação em 0 a 40% do produto da Lavra, conforme o volume de produção. Ora, no mundo, a média de recebimento dos países, proprietários e exportadores de petróleo, no produto da lavra pelas empresas que o produzem (estrangeiras na maioria) é de 84%. Assim, o Brasil recebe menos da metade da média mundial;
d) A lei, no seu artigo 22, obriga que a Petrobrás entregue à ANP todos os seus dados técnicos de exploração e produção. O banco de dados da ANP é administrado, há 10 anos, por uma subsidiária da Halliburton, que é uma empresa americana, cujo maior acionista é o vice-presidente Dick Chenney e é concorrente da Petrobrás. No 9º Leilão, a ANP divulgou dados do pré-sal, recebidos da Petrobrás, que tinham contrato de confidencialidade por cinco anos. O diretor Geral da ANP divulgou dados do campo de Carioca que havia recebido da Petrobrás, de forma irresponsável.
e) A Lei deu à Petrobrás um prazo de três anos para explorar as áreas que ela teve direito de manter por conta dos seus investimentos (7% das rochas sedimentares brasileiras). Este e outros fatores reduziram a exploração em novas áreas, pois a Petrobrás teve que priorizar investimentos nas áreas em seu poder e as empresas estrangeiras só investem onde a Petrobrás já correu todos os riscos.
[PROPOSTAS ALTERNATIVAS À LEI 9478/97]
A Verdade - Recentemente a AEPET enviou uma carta ao Congresso Nacional com o objetivo de apresentar propostas alternativas à lei 9478/97. Quais seriam essas propostas? Qual foi a receptividade dos parlamentares?
Fernando Siqueira - As propostas foram para mudar o marco regulatório, mormente o artigo 26 e o Dec. 2705/98, além de outros artigos, como o 22 acima referido.
A receptividade dos parlamentares sérios foi ótima. A maioria raciocina: a reserva do pré-sal, cuja expectativa dos técnicos da Petrobrás é de 90 bilhões de barris, com os preços atuais do petróleo, representa uma riqueza de mais de US$ 10 trilhões que pertence ao povo brasileiro. Se não for mudado o marco regulatório e continuarem os leilões, 60% disto vão para o exterior sem qualquer ganho para o povo brasileiro.
Além disto, há o fato de que empresas que não investiram nem correram risco vão levar a maior parte disto de mão beijada. É inconcebível um que um país necessitado abra mão de tamanha riqueza, mormente considerando-se que ele tem 60 milhões de miseráveis.
Cabe acrescentar que, com vimos anunciando há 10 anos, baseados em analistas sérios, estamos no limiar do 3º e irreversível choque do petróleo em face da produção mundial estar atingindo o pico e a demanda seguir crescendo juntamente com o preço do barril.
[VALIDADE DA ANP]
A Verdade - Dentre essas propostas não tem a extinção da ANP. Por quê?
Fernando Siqueira - A ANP é a substituta do Conselho Nacional do Petróleo e é necessária para regular o setor. Mas tem que ser revista. Ela está mal posicionada e mal comandada. No início, foi dirigida por David Zilbertstajn, enquanto genro de FHC. Ele, na ânsia de entregar logo as áreas para empresas estrangeiras, estabeleceu blocos com tamanhos 220 vezes maiores do que os blocos leiloados no Golfo do México. Hoje, a ANP tem um diretor que veio da Halliburton (era diretor em Angola), e que está comandando os leilões. No 8º leilão ele criou limitações absurdas para a Petrobras. Fizemos ações judiciais para anulá-lo.
A ANP está exercendo funções que cabem ao MME e a CNPE. O seu diretor Geral, Haroldo Lima, foi, durante 60 anos, um nacionalista histórico e um grande defensor da Petrobrás. Nomeado para a ANP, sob a influência dos lobbies internacionais, ele deu uma guinada de 180º e é hoje um entreguista empedernido. Isto revela como é perigoso para o País deixar o comando da regulação nas mãos de poucos. A vulnerabilidade é enorme.
[LEILÕES DE ÁREAS JÁ IDENTIFICADAS PELA PETROBRAS]
A Verdade - Como são esses leilões? As áreas que vão a leilão comprovadamente já têm petróleo?
Fernando Siqueira - Os leilões são, teoricamente, para oferecer várias áreas pelo país, incluído as novas. Aliás, esse foi o principal argumento para quebrar o Monopólio da União: virem recursos para explorar novas áreas. Na prática, o que tem ocorrido é que as empresas só compram áreas que a Petrobrás já explorou e correu os riscos geológicos. No caso do pré-sal é consenso de que não tem sentido leiloar áreas sem risco. O petróleo já está descoberto, após 30 anos de estudo pela Petrobrás. Além, disto, pelo § 1º do Artigo 177 da Constituição Federal, a União `poderá` conceder. Não é obrigada a fazê-lo. Outro ponto importante é que empresas estrangeiras compram áreas com a Petrobrás para aproveitar a experiência e a tecnologia dela. Não querem se arriscar sozinhas.
[AS MULTINACIONAIS QUE EXPLORAM O PETRÓLEO BRASILEIRO]
A Verdade - Quais as empresas multinacionais que hoje exploram o petróleo brasileiro?
Fernando Siqueira - Shell, Exxon, Devon (americana), British Gas, Móbil, Petrogal, Repsol, todas associadas à Petrobrás. A Repsol, ex-estatal espanhola, pertence ao Banco Santander, que é um braço do National Scotland Bank Co, capital anglo-saxônico disfarçado de espanhol.
[POR QUE LULA NÃO REVOGA A LEI 9478?]
A Verdade - Trata-se de um processo inverso ao que ocorre na Bolívia e na Venezuela, onde os governos destes países nacionalizam suas riquezas. Por que o governo Lula não tomou iniciativa para revogar a lei 9478?
Fernando Siqueira - O governo Lula teve um gesto louvável. Quando o campo de Tupi foi descoberto e ele tomou conhecimento do volume de petróleo possível no pré-sal, ele, acertadamente, retirou 41 blocos que seriam licitados no 9º leilão. Foi um avanço, porém sem continuidade. Hoje, ele sofre pressões fortes dos lobbies internacionais. Os EUA têm um problema sério de energia e petróleo. Eles Consomem internamente 8 bilhões de barris por ano além de 2 bilhões de barris/ano nas suas bases militares pelo mundo. E só têm 29 bilhões de barris. Irão vir com todo o aparato político/econômico/militar sobre nós.
Mas quando fizemos, com a ajuda do Governador Roberto Requião, uma Ação de Inconstitucionalidade do artigo 26 da Lei 9478, flagrantemente inconstitucional e tivemos dois votos magistrais dos ministros Ayres de Brito e Marco Aurélio Mello, o presidente Lula, inexplicavelmente, juntou-se aos lobies internacionais e derrubou a ADI.
[RAZÕES DA ALTA DO PETRÓLEO]
A Verdade - O preço do barril do petróleo está em US$ 130. Há analistas que afirmam que chegará, até o final do ano, a US$ 200. Qual a razão para a alta do petróleo?
Fernando Siqueira - Como vimos pregando desde as oficinas que fizemos no primeiro Fórum Social Mundial (e no segundo e no terceiro e também em várias Universidades), baseado em analistas internacionais sérios como Collin Campbell, Jean Laherrère e outros, o pico de produção mundial de petróleo (oferta) ocorreria antes de 2010, enquanto a demanda iria crescer irreversivelmente. Isto levaria os preços ao patamar de 100 dólares e a um crescimento também irreversível. Eles acertaram, porém a queda do dólar, a especulação e o aumento superior ao previsto para a demanda levaram os preços a níveis ainda mais elevados. Hoje a demanda e a oferta estão empatadas em 87 milhões de barris/dia. Só que a demanda continua a crescer fortemente e a oferta não tem mais como crescer.
[BENEFICIADOS PELO ANÚNCIO ANTECIPADO DAS NOVAS RESERVAS]
A Verdade - Quem realmente se beneficiou do anúncio feito pelo diretor da ANP ( Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima, de que as reservas do campo Carioca - Pão de Açúcar eram de 33 barris de petróleo? Anunciar reservas da Petrobras é função da ANP? Para que esse órgão foi criado, se existe a Petrobras?
Fernando Siqueira - A principal favorecida foi a sócia da Petrobrás no campo Carioca, a Repsol, cujas ações explodiram no mercado internacional (em Nova Iorque chegaram a subir 17% num dia). O presidente da Repsol no Brasil, João Carlos de Luca (ex-diretor da Petrobrás e atual presidente do IBP), é, junto com Haroldo Lima o maior lobista pela reabertura dos leilões. Os dois estiveram recentemente numa audiência pública em Brasília, ombreando-se mutuamente na defesa dos leilões. Foram massacrados pelo Presidente da Petrobras.
Quem tem a prerrogativa de anunciar reservas é a concessionária do bloco. A ANP tem, ou deveria ter, o máximo cuidado ao falar sobre isto, pois, além de receber os dados das concessionárias, ela sabe que um anúncio deste tipo exige uma série de cuidados contra a especulação no mercado de ações. A CVM tem acordo com a Petrobrás para isto.
[A COMPRA DE VASTAS ÁREAS DA AMAZÔNIA POR ESTRANGEIROS]
A Verdade - O que pensa sobre o fato de vários milionários estrangeiros estarem comprando imensas extensões de terras na Amazônia brasileira?
Fernando Siqueira - Quando a Petrobrás descobriu petróleo na província do Rio Urucu, ao transitar pelo aeroporto de Manaus por várias vezes, nossos geólogos e geofísicos se depararam com antigos professores de mestrado e doutorado nos EUA. Eles, constrangidamente diziam que estavam em missão de catequese, embora portando sacos e sacos de ferramentas de geólogos.
O fato é que os técnicos estrangeiros conhecem o solo da Amazônia até mais que os nossos técnicos. Lá tem vários minerais estratégicos como titânio, Nióbio, Urânio, manganês, diamantes e outros. Técnicos da CPRM estimaram esses minérios em mais de US$ 3 trilhões.
Além disto, a Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta e ela é a matéria prima fundamental para a indústria farmacêutica do futuro. Outro ponto ainda mais importante: a Amazônia tem 68% da água doce do Brasil. Além da água ser um bem estratégico cada vez mais escasso, a Amazônia pode se tornar um grande fornecedor de energia renovável (eólica, solar e biomassa), pois ela tem abundantes: sol, terra e água.
[AS PRESSÕES ESTRANGEIRAS PARA A CRIAÇÃO DE ÁREAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA]
Não é à toa que lobistas e ONG´s estrangeiras pressionaram pela criação de reservas indígenas, por coincidência, nas áreas mais ricas da Amazônia. Porque não tem ONG´s na África, muito mais assolada por doenças e miséria do que os índios brasileiros? É porque os mesmos estrangeiros esgotaram as riquezas da Africa.
[O ROUBO DE DADOS SIGILOSOS DA PETROBRAS SOBRE AS NOVAS RESERVAS]
A Verdade - A quem você atribui o furto de dois notebooks, CDs e um disco rígido com informações estratégicas e ultra-confidenciais da Petrobras sobre as recentes descobertas de campos de petróleo e gás na Bacia de Santos?
Fernando Siqueira - Acho que a maior suspeita é a Halliburton. O roubo foi no seu contêiner. Ela tem um contrato de US$ 2 bilhões com a Petrobrás para fazer perfilagem e canhoneio de poços. Após feita a perfilagem (registro das características físicas das rochas dos poços durante a perfuração), os técnicos da Petrobrás fazem uma análise geológico/geofísica do poço. Este trabalho é que permite verificar a possibilidade produtora do poço e é remetido à alta gerência da Petrobrás para tomar as providências cabíveis. A Halliburton tinha a chave do cadeado do contêiner e ele foi trocado. A hipótese é que uma pessoa (que tinha a chave) trocou o cadeado para dar tempo de copiar os note-books e devolvê-los ao seu lugar. A troca visaria impedir que alguém entrasse e desse por falta dos componentes; algum problema na hora de copiar deve ter atrasado a operação e deu no que deu.
Há vários casos de técnicos da Petrobrás, lotados da área do pré-sal, em Macaé, que tiveram note-books roubados. A própria Petrobrás, num seminário ocorrido no Hotel Glória, no início de dez/2007, teve três computadores roubados, na hora do almoço, mesmo com o auditório fechado. O tema do seminário, contido nos note-books, era o pré-sal.”
A SATIAGRAHA DE GILMAR MENDES
O site “Carta Maior” (ver nossa lista “recomendamos”) postou ontem um muito bom artigo (com o título acima) de Gilson Caroni Filho sobre as esdrúxulas atitudes do atual presidente do Supremo Tribunal Federal.
Reproduzo a seguir o artigo. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.
A Satiagraha de Gilmar Mendes
“Ao criticar, por sua suposta espetacularidade, a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de vários notáveis, entre eles, Daniel Dantas, Naji Najas e Celso Pitta, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes evidenciou duas coisas que um magistrado deve evitar:indignação seletiva e nostalgia de tempos recentes.
Tratando da indignação filosófica em Platão, o professor Jean Lauand, em artigo publicado no Jornal da Tarde (15 de agosto de 1981), afirmava que o filósofo não quer saber se “um rei que tem muito ouro é feliz ou não, mas o que é, em si, o poder, a felicidade e a miséria. Em si e em suas últimas razões"
Ao criticar, por sua suposta espetacularidade, a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de vários notáveis, entre eles, Daniel Dantas, Naji Najas e Celso Pitta, o presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF), ministro Gilmar Mendes evidenciou duas coisas que um magistrado deve evitar:indignação seletiva e nostalgia de tempos recentes. Não sei se o mais recomendável é a leitura de “A República" ou uma imersão politico-jurídica no Brasil dos últimos cinco anos.
O que disse Mendes sobre espetacularização quando, no final de 2006, um delegado da Polícia Federal obteve e repassou à imprensa as fotos do dinheiro apreendidos com duas pessoas ligadas ao PT num hotel de São Paulo? Como se pronunciou na folhetinização do caso da menina Isabela Nardoini, promovida pela mídia com apoio prestimoso da polícia e do Ministério Público Paulista? A resposta para as duas perguntas é um nada retumbante.
No primeiro caso, o procedimento do delegado foi compatível com o Estado de direito? Prisões em plena vigência do período eleitoral, que só autoriza prender em flagrante delito, foram manifestações de apreço pela ordem democrática ou uma ação que ignorou a lei em nome da conveniência de interesses partidários e de corporações de mídia? Será que só há espetáculo quando concordamos com a escolha de quem deve desempenhar os papéis dos vilões?
É bom lembrar que ação da Polícia Federal só foi possível a partir da abertura de um inquérito determinado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. Esse fato, aparentemente prosaico, guarda uma distância enorme da prática vigente quando o atual ministro era Advogado-Geral da União (AGU), no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Naquela época, no tempo do “estamos no limite da irresponsabilidade”, qualquer tentativa de investigação criminal contra ministros e presidente da República terminava com pareceres contrários do então procurador Geraldo Brindeiro, o que lhe valeu o apelido de” engavetador-geral da República."
Anos antes, a febre privatista do tucanato sucateava o patrimônio público. Como destacou o saudoso Aloysio Biondi, em um livrinho capital para entender o processo (O Brasil Privatizado- um balanço do Desmonte do Estado),"o governo Fernando Henrique Cardoso implantou as privatizações a preços baixos, financiou " os compradores", sempre alegando não haver outros caminhos possíveis".
Era o plano perfeito. A lógica autoritária do vender ou vender. Esquema absolutamente lógico, não havia outra saída. Bancos do governo e os fundos de pensão das estatais injetavam nas teles muito mais recursos do que se imaginava, embora a lei não permitisse que os fundos emprestassem dinheiro para empresas privadas. É nesse contexto, de "plena vigência do Estado de direito" que pontificaram Dantas, Cacciola e tantos outros. E o que disse Gilmar Mendes?
A imprensa foi elemento central para legitimar a privataria. Editoriais e artigos afiançavam que, para o governo, não poderia haver negócio melhor, pois se livraria da responsabilidade de gerenciar um negócio em que seu desempenho era um fiasco para assumir a nobre atividade da fiscalização. Aos consumidores, o paraíso. Melhora na qualidade dos serviços, redução de tarifas e fácil acesso a um aparelho.
"Vamos promover uma mudança gigantesca neste país com a privatização da Telebrás", prometia o então ministro Luiz Carlos Mendonça, o mesmo que protagonizaria um dos diálogos mais republicanos de que se tem notícia.
Em conversa grampeada, Mendonça e Ricardo Sérgio (ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil) mostram os bastidores do governo que não chocou o presidente do STF.
“Mendonça de Barros - Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?
Ricardo Sérgio - Acabei de dar.
Mendonça de Barros - Não é para a Embratel, é para a Telemar [nome de fantasia da Tele Norte Leste].
Ricardo Sérgio- Dei para a Embratel, e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da irresponsabilidade.
Mendonça de Barros - É isso aí, estamos juntos.
Ricardo Sérgio - Na hora que der merda, estamos juntos desde o início.
Não deu. E os motivos vão da sólida base parlamentar de FHC a um procurador que não indiciava. Uma operação da Polícia Federal que trouxesse resultados práticos era impossível. Faltava-lhe autonomia e uma dimensão republicana que só obteria em outro governo.
Ao dizer que a Operação Satiagraha configura um “Estado Policial” certamente o ministro não age de má-fé. É apenas um homem sem coordenadas precisas de tempo histórico e espaço político.”
Reproduzo a seguir o artigo. O autor é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.
A Satiagraha de Gilmar Mendes
“Ao criticar, por sua suposta espetacularidade, a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de vários notáveis, entre eles, Daniel Dantas, Naji Najas e Celso Pitta, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes evidenciou duas coisas que um magistrado deve evitar:indignação seletiva e nostalgia de tempos recentes.
Tratando da indignação filosófica em Platão, o professor Jean Lauand, em artigo publicado no Jornal da Tarde (15 de agosto de 1981), afirmava que o filósofo não quer saber se “um rei que tem muito ouro é feliz ou não, mas o que é, em si, o poder, a felicidade e a miséria. Em si e em suas últimas razões"
Ao criticar, por sua suposta espetacularidade, a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de vários notáveis, entre eles, Daniel Dantas, Naji Najas e Celso Pitta, o presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF), ministro Gilmar Mendes evidenciou duas coisas que um magistrado deve evitar:indignação seletiva e nostalgia de tempos recentes. Não sei se o mais recomendável é a leitura de “A República" ou uma imersão politico-jurídica no Brasil dos últimos cinco anos.
O que disse Mendes sobre espetacularização quando, no final de 2006, um delegado da Polícia Federal obteve e repassou à imprensa as fotos do dinheiro apreendidos com duas pessoas ligadas ao PT num hotel de São Paulo? Como se pronunciou na folhetinização do caso da menina Isabela Nardoini, promovida pela mídia com apoio prestimoso da polícia e do Ministério Público Paulista? A resposta para as duas perguntas é um nada retumbante.
No primeiro caso, o procedimento do delegado foi compatível com o Estado de direito? Prisões em plena vigência do período eleitoral, que só autoriza prender em flagrante delito, foram manifestações de apreço pela ordem democrática ou uma ação que ignorou a lei em nome da conveniência de interesses partidários e de corporações de mídia? Será que só há espetáculo quando concordamos com a escolha de quem deve desempenhar os papéis dos vilões?
É bom lembrar que ação da Polícia Federal só foi possível a partir da abertura de um inquérito determinado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. Esse fato, aparentemente prosaico, guarda uma distância enorme da prática vigente quando o atual ministro era Advogado-Geral da União (AGU), no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Naquela época, no tempo do “estamos no limite da irresponsabilidade”, qualquer tentativa de investigação criminal contra ministros e presidente da República terminava com pareceres contrários do então procurador Geraldo Brindeiro, o que lhe valeu o apelido de” engavetador-geral da República."
Anos antes, a febre privatista do tucanato sucateava o patrimônio público. Como destacou o saudoso Aloysio Biondi, em um livrinho capital para entender o processo (O Brasil Privatizado- um balanço do Desmonte do Estado),"o governo Fernando Henrique Cardoso implantou as privatizações a preços baixos, financiou " os compradores", sempre alegando não haver outros caminhos possíveis".
Era o plano perfeito. A lógica autoritária do vender ou vender. Esquema absolutamente lógico, não havia outra saída. Bancos do governo e os fundos de pensão das estatais injetavam nas teles muito mais recursos do que se imaginava, embora a lei não permitisse que os fundos emprestassem dinheiro para empresas privadas. É nesse contexto, de "plena vigência do Estado de direito" que pontificaram Dantas, Cacciola e tantos outros. E o que disse Gilmar Mendes?
A imprensa foi elemento central para legitimar a privataria. Editoriais e artigos afiançavam que, para o governo, não poderia haver negócio melhor, pois se livraria da responsabilidade de gerenciar um negócio em que seu desempenho era um fiasco para assumir a nobre atividade da fiscalização. Aos consumidores, o paraíso. Melhora na qualidade dos serviços, redução de tarifas e fácil acesso a um aparelho.
"Vamos promover uma mudança gigantesca neste país com a privatização da Telebrás", prometia o então ministro Luiz Carlos Mendonça, o mesmo que protagonizaria um dos diálogos mais republicanos de que se tem notícia.
Em conversa grampeada, Mendonça e Ricardo Sérgio (ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil) mostram os bastidores do governo que não chocou o presidente do STF.
“Mendonça de Barros - Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?
Ricardo Sérgio - Acabei de dar.
Mendonça de Barros - Não é para a Embratel, é para a Telemar [nome de fantasia da Tele Norte Leste].
Ricardo Sérgio- Dei para a Embratel, e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da irresponsabilidade.
Mendonça de Barros - É isso aí, estamos juntos.
Ricardo Sérgio - Na hora que der merda, estamos juntos desde o início.
Não deu. E os motivos vão da sólida base parlamentar de FHC a um procurador que não indiciava. Uma operação da Polícia Federal que trouxesse resultados práticos era impossível. Faltava-lhe autonomia e uma dimensão republicana que só obteria em outro governo.
Ao dizer que a Operação Satiagraha configura um “Estado Policial” certamente o ministro não age de má-fé. É apenas um homem sem coordenadas precisas de tempo histórico e espaço político.”
GILMAR MENDES (STF) CONTRIBUI PARA O ENSINO MÉDIO BRASILEIRO
Alguns professores já aproveitaram hoje a grande oportunidade e a motivação propiciadas pelo Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, ao libertar das grades (por habeas corpus) o banqueiro Daniel Dantas e outros da “elite” envolvidos em gigantescas fraudes, para ensinar geografia aos alunos do ensino médio.
O instrumento didático é, com a ajuda de instrução de um grande mapa do mundo, perguntar aos alunos para onde fugirá o miliardário banqueiro: França? Paraguai? Madagascar? Bermudas? Ilhas Seichelles? Cada resposta servirá para ensinar um pouco sobre o país de destino da fuga.
O antecessor de Gilmar Mendes, o Ministro Marco Aurélio de Mello, já contribuiu muito para o mesmo fim, quando mandou soltar o também banqueiro Cacciola. No entanto, muitos alunos tiraram 10, pois já era sabido muito tempo antes, até pelas crianças das creches, que o banqueiro, tão logo recebesse o habeas corpus de Marco Aurélio, fugiria para a Itália, pois também tem cidadania italiana. A aula somente serviu para localizar e ensinar algo mais sobre o Paraguai, por onde ele inicialmente fugiu de carro, antes de pegar o avião para a Itália.
O instrumento didático é, com a ajuda de instrução de um grande mapa do mundo, perguntar aos alunos para onde fugirá o miliardário banqueiro: França? Paraguai? Madagascar? Bermudas? Ilhas Seichelles? Cada resposta servirá para ensinar um pouco sobre o país de destino da fuga.
O antecessor de Gilmar Mendes, o Ministro Marco Aurélio de Mello, já contribuiu muito para o mesmo fim, quando mandou soltar o também banqueiro Cacciola. No entanto, muitos alunos tiraram 10, pois já era sabido muito tempo antes, até pelas crianças das creches, que o banqueiro, tão logo recebesse o habeas corpus de Marco Aurélio, fugiria para a Itália, pois também tem cidadania italiana. A aula somente serviu para localizar e ensinar algo mais sobre o Paraguai, por onde ele inicialmente fugiu de carro, antes de pegar o avião para a Itália.
TODOS JÁ PREVIAM: GILMAR MENDES CONCEDE HABEAS CORPUS A DANIEL DANTAS E A OUTROS NOVE
Hoje pela manhã, este blog expressou: “GILMAR MENDES (STF) PRESTES A CONCEDER HABEAS CORPUS PARA CACCIOLA, DANIEL DANTAS E OUTROS”.
Escrevemos: “Ontem, no Jornal Nacional, vimos o Presidente do Supremo Tribunal Federal declarar sua revolta contra operações da Polícia Federal, como a que agora prendeu o banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Oportunitty, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outros.
O ministro do STF Gilmar Mendes declarou no Jornal Nacional que está ocorrendo uma “espetacularização” de prisões. Ele somente assim se manifestou, que eu tenha visto, nos casos de prisão de integrantes da “alta sociedade”. Nos governos anteriores, a classe dominante era imune a esse tipo de ações policiais.”
Agora há pouco (23h29), o blog do Noblat postou a notícia abaixo, que não surpreende aos que acompanham as atitudes do atual Presidente do Supremo Tribunal Federal e a do seu antecessor, Ministro Marco Aurélio de Mello. O único consolo para os brasileiros, conforme expresso no blog "etristeviverdehumor", é ver que a nossa Justiça não mais é lenta. Prende num dia, solta no outro...
“OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Gilmar Mendes concede habeas Corpus a Daniel Dantas
"Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, acaba de conceder habeas corpus ao empresário Daniel Dantas, dono da Oportunity. O alvará de soltura será enviado por fax agora à sede da Polícia Federal em São Paulo, onde Dantas está preso desde ontem de manhã.
O habeas-corpus estava no STF desde junho último. Os advogados de Dantas precisaram apenas apresentar uma petição atualizando-o. A liminar assinada por Gilmar Mendes que concede liberdade a Daniel Dantas é extensiva à Verônica, irmã dele, e a mais 9 das 17 pessoas presas pela Operação Satiagraha.”
Escrevemos: “Ontem, no Jornal Nacional, vimos o Presidente do Supremo Tribunal Federal declarar sua revolta contra operações da Polícia Federal, como a que agora prendeu o banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Oportunitty, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outros.
O ministro do STF Gilmar Mendes declarou no Jornal Nacional que está ocorrendo uma “espetacularização” de prisões. Ele somente assim se manifestou, que eu tenha visto, nos casos de prisão de integrantes da “alta sociedade”. Nos governos anteriores, a classe dominante era imune a esse tipo de ações policiais.”
Agora há pouco (23h29), o blog do Noblat postou a notícia abaixo, que não surpreende aos que acompanham as atitudes do atual Presidente do Supremo Tribunal Federal e a do seu antecessor, Ministro Marco Aurélio de Mello. O único consolo para os brasileiros, conforme expresso no blog "etristeviverdehumor", é ver que a nossa Justiça não mais é lenta. Prende num dia, solta no outro...
“OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Gilmar Mendes concede habeas Corpus a Daniel Dantas
"Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, acaba de conceder habeas corpus ao empresário Daniel Dantas, dono da Oportunity. O alvará de soltura será enviado por fax agora à sede da Polícia Federal em São Paulo, onde Dantas está preso desde ontem de manhã.
O habeas-corpus estava no STF desde junho último. Os advogados de Dantas precisaram apenas apresentar uma petição atualizando-o. A liminar assinada por Gilmar Mendes que concede liberdade a Daniel Dantas é extensiva à Verônica, irmã dele, e a mais 9 das 17 pessoas presas pela Operação Satiagraha.”
quarta-feira, 9 de julho de 2008
PRODUÇÃO CIENTÍFICA: BRASIL JÁ É O 15º NO RANKING MUNDIAL
Procurei informações mais completas sobre esse assunto e encontrei-as no site “minas pós graduação”, em texto postado hoje por Letícia Tancredi (MEC).
CRESCE A PRODUÇÃO CIENTÍFICA E BRASIL JÁ É O 15º NO RANKING
“O Brasil já está na 15ª colocação no ranking da produção científica mundial. Com 19.428 artigos publicados em 2007, o país responde por 2,02% do total da produção científica no mundo, superando a Suíça (1,89%) e a Suécia (1,81%) e aproximando-se da Holanda (2,55%) e da Rússia (2,66%). Os números foram divulgados nesta terça-feira, 8, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães.
Entre os países latino-americanos, o Brasil é destaque. Em segundo lugar no continente vem o México, na 28ª posição mundial, com 7.469 artigos publicados no mesmo período, o que corresponde a 0,78% da produção no mundo.
Quando combinados os fatores território (países com mais de quatro milhões de quilômetros quadrados), população (países com mais de 100 milhões de habitantes) e economia (países com PIB maior do que 400 milhões de dólares), o Brasil figura entre os quatro primeiros produtores científicos do mundo, junto com a Rússia, os Estados Unidos e a China.
No quesito qualidade, medido pela porcentagem de citações - quantidade de artigos citados em outras publicações - o Brasil está em 25º lugar na lista mundial, com 57,6% de artigos citados no período de 2003 a 2007. Em primeiro, está a Dinamarca, seguida pela Suíça. Nesse ranking, China e Rússia ficam atrás do Brasil.
"Continuamos uma trajetória consistente no aumento da produção científica brasileira", afirma Haddad. "Nossa grande tarefa, agora, é traduzir esse acúmulo de conhecimento para a área do magistério, formando
CRESCE A PRODUÇÃO CIENTÍFICA E BRASIL JÁ É O 15º NO RANKING
“O Brasil já está na 15ª colocação no ranking da produção científica mundial. Com 19.428 artigos publicados em 2007, o país responde por 2,02% do total da produção científica no mundo, superando a Suíça (1,89%) e a Suécia (1,81%) e aproximando-se da Holanda (2,55%) e da Rússia (2,66%). Os números foram divulgados nesta terça-feira, 8, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães.
Entre os países latino-americanos, o Brasil é destaque. Em segundo lugar no continente vem o México, na 28ª posição mundial, com 7.469 artigos publicados no mesmo período, o que corresponde a 0,78% da produção no mundo.
Quando combinados os fatores território (países com mais de quatro milhões de quilômetros quadrados), população (países com mais de 100 milhões de habitantes) e economia (países com PIB maior do que 400 milhões de dólares), o Brasil figura entre os quatro primeiros produtores científicos do mundo, junto com a Rússia, os Estados Unidos e a China.
No quesito qualidade, medido pela porcentagem de citações - quantidade de artigos citados em outras publicações - o Brasil está em 25º lugar na lista mundial, com 57,6% de artigos citados no período de 2003 a 2007. Em primeiro, está a Dinamarca, seguida pela Suíça. Nesse ranking, China e Rússia ficam atrás do Brasil.
"Continuamos uma trajetória consistente no aumento da produção científica brasileira", afirma Haddad. "Nossa grande tarefa, agora, é traduzir esse acúmulo de conhecimento para a área do magistério, formando